Você está na página 1de 16

Direito Tributário e o Médico

Dr.Luciano Dias Bicalho Camargos

SUMÁRIO:

1. Prólogo; 2. Aspectos Tributários; 3. Questões Consumeristas; 3.1.


Da Responsabilidade Civil Objetiva e Subjetiva; 3.2. Responsabilidade
Médica; 3.3. Sujeito Passivo da Obrigação de Indenizar; 3.4. Limite da
Responsabilidade; 3.5. Regime Jurídico; 3.6. Responsabilidade Penal; 4.
Conclusões.

1.Prólogo

As recentes alterações introduzidas no ordenamento pátrio pela Lei


no 9.876, de 26 de novembro de 1999, no que se refere às contribuições
previdenciárias devidas em face da prestação de serviços médicos, têm
resultado em pressão por parte das empresas contratantes de serviços
médicos para que os prestadores dos serviços, médicos autônomos e
cooperados, constituam sociedades civis de prestação de serviço.

As empresas contratantes de serviços médicos procuram, assim,


diminuir a carga tributária a que estaria sujeitas no caso de contratação de
serviços médicos prestados por profissionais autônomos e cooperativas.

1
Devemos, portanto, analisar as vantagens e desvantagens que
advirão da constituição de uma sociedade civil de prestação de serviços
médicos.

2- Aspectos Tributários

O profissional médico autônomo está sujeito a uma pesada carga


tributária. Sobre os seus rendimentos incide, a título de imposto de renda
pessoa física, a alíquota de 27,5% (15% se forem auferidos rendimentos de
R$ 900,00 até R$ 1.800,00 mensais); está sujeito ainda ao pagamento de ISS
sobre autônomos (272 UFIR anual1[1]) e ao pagamento de INSS como
autônomo.

A forma de cálculo do valor devido ao INSS pelo trabalhador


autônomo modificou-se recentemente, sendo necessário que os médicos
autônomos atentem para tal mudança. Conforme determina a Lei no
9.876/99, o salário-de-contribuição do contribuinte individual, filiado ao
Regime Geral da Previdência Social a partir de 29/11/99, será o valor
correspondente à remuneração recebida de uma ou mais empresas pelo
exercício de sua atividade, durante o mês, observados os limites mínimo e
máximo constantes na Escala de Salário-base. Os já inscritos passarão por
um período de transição que perdurará até dezembro de 2003.

1[1] Em alguns casos, a Prefeitura de Belo Horizonte tem tentado cobrar a alíquota de 5% sobre o faturamento, tal
prática é questionável em juízo, com excelentes chances de êxito.

2
Ressalte-se, por relevante, que o mesmo diploma legal suso citado
determinou que o tomador de serviço autônomo deverá recolher ao INSS o
equivalente à 20% do valor da remuneração paga ao prestador de serviço.

Não se esgota aqui o rol dos tributos incidentes sobre a prestação de


serviços médicos por profissionais autônomos, foram listados apenas os
mais relevantes.

É importante lembrar, ainda, que a tributação das Cooperativas


também sofreu profunda mudança em face da Lei no 9.876/99, com a
cobrança de uma contribuição previdenciária, com alíquota de 15%, a cargo
das empresas, incidente sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de
prestação de serviços, relativamente a serviços tomados de cooperados por
intermédio de cooperativas de trabalho, a partir de 1o de março de 2000.

A mudança da sistemática da tributação, tanto dos profissionais


autônomos quanto das cooperativas, tem levado os contratantes de serviços
médicos a demandar que os profissionais médicos constituam sociedades
civis de prestação de serviços médicos.

É importante salientar, por oportuno, que a constituição de


sociedades civis de prestação de serviços implica, hoje, em diminuição da
pesada carga tributária incidente sobre a prestação de serviços por
profissionais autônomos e por cooperativas.

O rol de tributos incidentes sobre a pessoa jurídica prestadora de


serviços médicos é maior, mas a soma dos valores a serem pagos a título de

3
tributos é menor, implicando, na maioria das vezes, em uma vantagem para
o contribuinte. A sociedade civil, desde que opte pela sistemática de
apuração pelo lucro presumido, está sujeita, hoje, ao IRPJ (4,8 %), à CSL
(1,08%), ao PIS (0,65%), à COFINS (3%2[2]) e ao ISS (5%3[3]), todos
incidentes sobre a receita. Somente será devida contribuição ao INSS se a
sociedade possuir empregado(s) ou se fizer pagamentos aos seus sócios na
forma de remuneração. A distribuição dos lucros da sociedade entre os
sócios não sofre qualquer tipo de tributação.

Finalmente, deve-se salientar que a cobrança de alguns dos tributos


acima listados são questionáveis em juízo implicando em uma maior
economia tributária.

Para esclarecer as aludidas vantagens, ilustra-se com um exemplo,


bastante próximo da realidade, demonstrando-se os tributos incidentes
sobre o profissional liberal e sobre as aludidas sociedades, desde que opte
pela sistemática do lucro presumido, em que há a receita mensal de R$
20.000,00:

2[2] Existem decisões judiciais eximindo as sociedades civis prestadoras de serviço de profissão regulamentada do pagamento da

COFINS.

3[3] Pode ser postulado em juízo, para as pessoas jurídicas, o mesmo tratamento dispensado, normalmente, às pessoas físicas

autônomas, com grandes chances de êxito e substancial economia tributária.

4
1a Situação:

Tributos Prof. Tributos Sociedade


Liberal Civil
IRPF R$ IRPJ R$ 960,00
(27,5%) 5.500,00 (4,8%)
Parcela (R$ CSL R$ 216,00
dedutível 360,00) (1,08%)
Total R$ PIS R$ 130,00
IRPF 5.240,00 (0,65%)
COFINS( R$ 600,00
3%)4[4]
ISS R$ ISS R$
(5%)5[5] 1.000,00 (5%)6[6] 1.000,00
INSS Depender INSS Depender
(20%) á da remuneração (20%) á do número de
e da época de sócios e da
inscrição no remuneração

4[4] Existem decisões judiciais eximindo as sociedades civis prestadoras de serviço de profissão regulamentada do pagamento da
COFINS.

5[5] O valor a ser pago, normalmente, é de 272 UFIR anual. Contudo, em alguns casos, a Prefeitura de Belo Horizonte tem tentado
cobrar a alíquota de 5% sobre o faturamento, tal prática é questionável em juízo, com excelentes chances de êxito.

6[6] Pode ser postulado em juízo, para as pessoas jurídicas, o mesmo tratamento dispensado, normalmente, às pessoas físicas
autônomas, com grandes chances de êxito e substancial economia tributária.

5
INSS paga a cada um
Registro R$ 500,00
no CRM (anual)
Taxa de Depender
localização á da área utilizada
(Prefeitura)
TOTAL R$ TOTAL R$
6.140,00 2.947,66

2a Situação:

Tributos Prof. Tributos Sociedade


Liberal Civil
IRPF R$ IRPJ R$ 960,00
(27,5%) 5.500,00 (4,8%)
Parcela (R$ CSL R$ 216,00
dedutível 360,00) (1,08%)
Total R$ PIS R$ 130,00
IRPF 5.240,00 (0,65%)
COFINS( R$ 600,00
3%)7[7]
ISS R$ 24,08 ISS R$ 48,16

7[7] Existem decisões judiciais eximindo as sociedades civis prestadoras de serviço de profissão regulamentada do pagamento da
COFINS.

6
(autônomo)8[8] (Autônomo, por
número de
profissionais
(dois))9[9]
INSS Depender INSS Depender
(20%) á da remuneração (20%) á do número de
e da época de sócios e da
inscrição no remuneração
INSS paga a cada um
Registro R$ 500,00
no CRM (anual)
Taxa de Depender
localização á da área utilizada
(Prefeitura)
TOTAL R$ TOTAL R$
5.264,08 1.995,82

De uma perfunctória análise dos dados acima acostados não podem


restar dúvidas quanto às vantagens outorgadas ao regime tributário das

8[8] O valor a ser pago, normalmente, é de 272 UFIR anual. Contudo, em alguns casos, a Prefeitura de Belo Horizonte tem tentado
cobrar a alíquota de 5% sobre o faturamento, tal prática é questionável em juízo, com excelentes chances de êxito.

9[9] Pode ser postulado em juízo, para as pessoas jurídicas, o mesmo tratamento dispensado, normalmente, às pessoas físicas
autônomas, com grandes chances de êxito e substancial economia tributária.

7
pessoas jurídicas, em detrimento das pessoas físicas prestadoras de serviços
médicos.

3. Questões Consumeristas

3.1. Da Responsabilidade Civil Objetiva e Subjetiva

Segundo a teoria subjetiva, esposada pelo nosso Código Civil,


especialmente em seus artigos 159 e 1.545, à vítima incumbe provar o dolo
ou a culpa strictu sensu do agente, para obter reparação do dano.

Entretanto, essa prova, por vezes, se torna difícil. Nosso direito


positivo admite, então, em hipóteses específicas, alguns casos de
responsabilidade objetiva, ou responsabilidade sem culpa.

O mestre Silvio Rodrigues nos ensina que em tais conceitos, a rigor,


não se pode vislumbrar espécies diferentes de responsabilidade, mas sim
modos diferentes de encarar a obrigação de reparar o dano. Com efeito —
aduz— subjetiva é a responsabilidade inspirada na idéia de culpa; objetiva,
quando esteado na teoria do risco.10[10]

Os partidários da culpa como elemento fundamental da


responsabilidade civil afirmam que a culpa possui um lastro moral, daí não
se poder conceber a responsabilidade senão nela fundada. O homem se
sente responsável —e obrigado — a reparar o dano causado por dano

10[10] RODRIGUES, Silvio. Direito Civil- Responsabilidade Civil. 9a ed., São Paulo, Saraiva, 1985, v. 4, p. 9-10.

8
causado por ato culposo seu, o que não ocorre em relação a eventuais
danos a que haja dado causa de modo absolutamente imprevisível, e pelos
quais não se reconhece responsável.

Tem recrudescido, nos dias atuais, a corrente dos que se opõem à


idéia de culpa, como fundamento da responsabilidade civil — e mesmo em
se tratando de erro médico, onde nos deparamos com atividades
eminentemente pessoais, em expressiva maioria nas áreas de atuação do
profissional da medicina, busca-se objetivar tal conceito.

Nos casos de responsabilidade objetiva não se exige prova da culpa


do agente para que seja obrigado a reparar o dano.

A exacerbação da responsabilidade objetiva conduz à teoria do risco.


Nesta, havendo dano e nexo causal, seu autor somente se exime da
obrigação de indenizar mediante prova de culpa exclusiva da vítima, caso
fortuito ou força maior — conceitos jurídicos fixados com maestria por
Agostinho Alvim : “A distinção que modernamente a doutrina vem estabelecendo,
aquela que tem efeitos práticos e já vai se introduzindo em algumas leis, é a que vê no
caso fortuito um impedimento relacionado com a pessoa do devedor ou com sua empresa,
enquanto força maior é um acontecimento externo.”11[11]

3.2. Responsabilidade Médica

11[11]ALVIM, Agostinho. Da Inexecução das Obrigações e suas Consequências,5ª ed., São Paulo, Saraiva, 1980, p. 333 e seg..

9
No Brasil, quanto à responsabilidade médica, o elemento de
referência é a análise da culpa individual do médico12[12], com o ônus da
prova a cargo do ofendido (salvo em alguns casos específicos, como
cirurgia plástica embelezadora, check up, etc.).

A responsabilidade civil dos Hospitais/Sociedade Civis, entretanto,


deve ser abordada por outro ângulo.

O artigo 14 do Código de Defesa do Consumidor (lei 8.078, de


11/09/90), dispõe sobre a responsabilidade por danos causados aos
consumidores por serviços prestados de forma defeituosa, consagrando a
responsabilidade objetiva nos seguintes termos:

“O fornecedor de serviços responde, independente da existência


de culpa, pela reparação dos danos causados aos consumidores por
defeitos relativos à prestação dos serviços, bem como por informações
insuficientes e inadequadas sobre sua fruição e risco”.

O texto legal mantém, em seu parágrafo quarto, em relação aos


profissionais liberais, a verificação da culpa como pressuposto da
responsabilidade.

Comentando tais preceitos, Zelmo Denari assinala que “os médicos e


advogados - para citarmos alguns dos mais conhecidos profissionai s- são contratados ou
constituídos com base na confiança que inspiram aos respectivos clientes. Assim sendo,

12[12] STREGNER, Irineu. Direito Moderno em foco, São Paulo, Revista dos Tribunais, p. 9.

10
somente serão responsabilizados por danos quando demonstrada a ocorrência de culpa
subjetiva, em quaisquer de suas modalidades : negligência, imprudência e imperícia”.

Afim é incisivo: “Não é o caso dos serviços prestados por pessoas jurídicas,
pela sociedade civil, seja associação profissional.”13[13]

Temos, além do autor supramencionado, o escólio de Francisco


Chagas de Moraes que afirma ser a responsabilidade do médico apurada em
estrita observância com a sua culpa (art. 14, §4°, do CDC), acrescentando
que: “Quanto se tratar de serviços prestados por hospital, como fornecedor de serviços
(art. 14, caput), a apuração da responsabilidade independe da existência de culpa,
conforme esclarece Antônio Herman de Vasconcellos e Benjamin: ‘O Código é claro ao
asseverar que só para a responsabilidade pessoal dos profissionais liberais, é que se utiliza
o sistema alicerçado em culpa. Logo se o médico trabalhar em hospital responderá apenas
por culpa, enquanto a responsabilidade do hospital será apreciada
objetivamente’”.14[14]

Todavia, apesar do posicionamento doutrinário, praticamente


uníssono, sobre a responsabilidade objetiva das pessoas jurídicas
prestadoras de serviços médicos, já se decidiu em nossos tribunais que a
responsabilidade dos mesmos é apurada subjetivamente:

13[13] DENARI, Zelmo. Código Brasileiro de Defesa do Consumidor Comentado pelos Autores do Anteprojeto. Rio, Forense
Universitária, 1991, p. 95.

14[14] In, BENJAMIM, Antônio Herman Vasconcelos. Comentários ao Código de Defesa do Consumidor. São Paulo, Saraiva, 1991, p.
79-80.

11
“Ementa:

Responsabilidade Civil—Hospital—Ajuizamento
com base no Código de Defesa do Consumidor—
Responsabilização objetiva—Inadissimilidade—Hipótese
de exercício de profissão liberal, na medida em que o que se
põe em exame é o próprio trabalho médico—Necessidade de
prova de que o réu agiu com culpa ou dolo—Art. 14, §3°,
do referido Código—Recurso não provido.

Em ação de indenização contra hospital, ajuizada


com base no Código de Defesa do Consumidor, embora se
trata de pessoa jurídica, a ela não se aplica a
responsabilização objetiva, na medida em que se põe em
exame é o próprio trabalho médico. Aplicável, pois, o §4°
do art. 14 do referido Código.”

(Tribunal de Justiça de São Paulo in RJTJSP—Lex 141/248)

Desta forma, como os tribunais superiores (Supremo Tribunal


Federal e Superior Tribunal de Justiça) não pacificaram as divergências
doutrinárias e jurisprudenciais, podemos afirmar que, caso seja intentada
uma demanda judicial contra uma empresa prestadora de serviços médicos,
existe uma álea extremamente grande no que tange a sua responsabilização
(subjetiva ou objetivamente), podendo a decisão jurisdicional variar
conforme o entendimento do magistrado.

12
3.3. Sujeito Passivo da Obrigação de Indenizar

Devemos salientar que não há necessidade do médico ser


empregado do Hospital/Sociedade Civil para que estes últimos respondam
objetivamente pelos supostos danos causados à terceiros por aqueles
profissionais que prestam serviços ao hospital ou à sociedade civil, mesmo
sem vínculo empregatício. Aplica-se aqui a teoria da aparência. As casas de
saúde ou afins têm por obrigação fiscalizar a atuação dos médicos que nelas
prestem serviços, façam parte ou não do elenco de empregados. A ausência
deste cuidado dá ensejo à caracterização de culpa (art. 1521 do CC).

Pode, todavia, o Hospital/Sociedade Civil exercer seu direito


regresso contra quem efetivamente deu causa ao dano. Neste caso deverá
ser aferida a ocorrência de culpa — em qualquer de suas modalidades: dolo,
negligência, imprudência e imperícia — para que possa o
Hospital/Sociedade Civil responsabilizar aquele que, por ação ou omissão
culposa, deu causa ao dano.

Devemos ressaltar, por relevante e oportuno, que é prerrogativa do


ofendido optar contra quem irá demandar, seja o Hospital/Sociedade Civil,
seja o médico, ou ainda contra ambos, pois são solidariamente responsáveis
pela reparação do dano.

3.4. Limite da Responsabilidade

Estando expressamente previsto nos estatutos/contrato social da


sociedade prestadora de serviços médicos ser a responsabilidade dos sócios

13
limitada ao montante do capital social, devidamente integralizado, os sócios
da empresa não responderão com o seu patrimônio pessoal pelas
obrigações da sociedade, inclusive as decorrentes das indenizações por
“erro médico”.

Atente-se, todavia, para o caput do art. 28 do CDC:

“Art. 28. O juiz poderá desconsiderar a personalidade jurídica da


sociedade quando, em detrimento do consumidor, houver abuso de direito,
excesso de poder, infração da lei, fato ou ato ilícito ou violação dos
estatutos ou contrato social. A desconsideração também será efetivada
quando houver falência, estado de insolvência, encerramento ou inatividade
da pessoa jurídica provocada por má administração”

Já no ano de 1969 Rubens Requião15[15] albergava este


entendimento:

“Ora, diante do abuso de direito e da fraude no


uso da personalidade jurídica, o juiz brasileiro tem o direito
de indagar, em seu livre convencimento, se há de consagrar a
fraude ou o abuso de direito, ou se deva desprezar a
personalidade jurídica, para, penetrando em seu âmago,
alcançar as pessoas e bens que dentro dela se escondem para
fins ilícitos ou abusivos.”

15[15] “Diregard Doctrine”. In: Revista dos Tribunais, v. 410/12, dez. 1969.

14
Assim, no caso de uso abusivo da autonomia patrimonial da pessoa
jurídica (art. 20, CC) é possível a responsabilização pessoal dos
sócios/administradores.

3.5. Regime Jurídico

Insta observar que, não obstante a responsabilidade dos


profissionais liberais ser subjetiva, os mesmos estão adstritos às demais
regras protetivas do CDC, como a possibilidade de inversão do ônus
probatório, modificação de cláusulas abusivas, etc.

Desta forma, tanto as sociedades prestadoras de serviços médicos,


quanto os profissionais autônomos devem observar as disposições
consumeristas.

3.6. Responsabilidade Penal

A responsabilidade penal é eminentemente pessoal e subjetiva.


Eqüivale dizer que somente aquele que der causa ao dano, agindo com dolo
ou culpa, responderá por ele.

A responsabilidade penal só se configura com a verificação da


ocorrência do dano, do nexo causal entre a conduta e o prejuízo e da
existência de dolo ou culpa por parte do agente. Será ainda objeto de
questionamento as condições sob as quais se deu o evento, podendo elas,
até mesmo, elidir a responsabilidade em determinados casos.

15
No ordenamento jurídico pátrio, até o momento, somente as
pessoas físicas podem ser responsabilizadas penalmente, salvo nos crimes
relacionados com a defesa ao meio ambiente.

No âmbito da responsabilidade penal, a sociedade civil, por se tratar


de pessoa jurídica, não poderia ser responsabilizado penalmente. Os sócios,
que não participaram do evento, também não poderão ser
responsabilizados.

4- Conclusão

Diante de todo o exposto, estamos autorizados a inferir que ambos


os regimes jurídicos de prestação de serviços médicos (autônomo ou sob
forma empresarial) oferecem vantagens e desvantagens, devendo o
profissional médico optar pelo qual lhe ofereça mais garantias, tudo de
acordo com o seu próprio perfil profissional.

Este é o meu entendimento.

Belo Horizonte, 25 de maio de 2000.

Luciano Dias Bicalho Camargos

Assessor Jurídico da AMMG-

OAB/MG 70.171

16