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As grandes teorias linguísticas: revisão teórica - II

Fábio Macedo Simas

Resumo: O propósito deste artigo é analisar as diversas escolas teóricas que permeiam o
universo da linguística como ciência da linguagem. A presente abordagem contemplou as
correntes teóricas conforme o processo histórico que delineou o papel de cada uma no
cenário científico. Ressalta-se, portanto, o registro de que a linguística tem sua origem na
filosofia grega e no remoto pensamento indiano, que será explicado nas linhas abaixo.
Palavras-chave: Linguística. Linguagem. Filologia. Saussure. Schlegel.

Abstract: The purpose of this article is to analyze the different theoretical schools that
permeate the universe of linguistics as a science of language. This approach included the
theoretical currents as the historical process that outlined the role of each one in the
scientific field. It is noteworthy, therefore, the record that the language has its origin in
Greek philosophy and in the remote Indian thought, which will be explained in the lines
below.
Keywords: Linguistics. Language. Philology. Saussure. Schlegel.

1 - O gerativismo de Noam Chomsky

Entende-se por gerativismo, a forma de fazer linguística empreendida por Noam


Chomsky a partir dos anos de 1950, nos EUA. Muitos autores acreditam que a gramática
gerativa, como também é conhecida a teoria chomskiana, constitui, na verdade, mais que
uma teoria ou postulado, mas um verdadeiro programa de investigação científica.

A teoria formalista1 passa por vários momentos e transformações, mas seus


postulados centrais não se alteram. Segundo Neto (2007, p.97), o programa de Chomsky
pretende, há mais de cinquenta anos, construir um mecanismo computacional capaz de
formar e transformar representações, simulando o conhecimento linguístico de um falante
de uma língua natural, que está registrado em sua mente/cérebro. Por isso é que se pode

1
Diversos autores denominam a teoria gerativa de formalista. Todavia, outros vários consideram
formalistas as teorias que divergem do funcionalismo e incluem, além do gerativismo, os diversos
estruturalismos praticados. Vale considerar o primeiro capítulo de CUNHA, M. A. F. et. al , Linguística
funcional: teoria e prática. Rio de Janeiro: DP&A, 2003.

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dizer que, apesar dos diversos momentos teóricos, a base do programa continua a mesma,
pois não houve alteração nos seus objetivos.

Tal programa inicia-se com o que se chama de teoria padrão, através da publicação
de Sintactic Structures, em 1971. Esse livro é fruto de anotações de Chomsky para um
curso de graduação no MIT americano, onde lecionava. Foi através dessa obra que seu
autor deixou claro o fato da sintaxe ser o centro de análise de uma língua. O objetivo do
linguista norte-americano era elaborar um modelo computacional capaz de explicar todas
as frases gramaticais de uma língua no plano de sua estrutura sintática, o que chamou de
gramática dos constituintes – um conjunto finito de regras que podem formar um conjunto
infinito de sentenças/frases.

Em outro momento, Chomsky lança o que chamou de modelo padrão. Ele propõe
um modelo mais profundo que o anterior introduzindo dois novos conceitos à sua teoria: as
distinções entre competência e desempenho; e entre estrutura profunda e estrutura
superficial.

A primeira dicotomia tem relação com a famosa oposição língua/fala saussuriana.


Competência seria análoga à língua, e desempenho, à fala. Enquanto a competência é o
conhecimento inato que o falante tem da linguagem, o desempenho mostra-se como o uso
desse conhecimento. Tal hipótese disserta ainda, que as produções das crianças não são
simples imitações de adultos, pois existem produções que não se verificam na fala dos
adultos, por isso são originais. Portanto, defende-se que as crianças possuem suas próprias
regras de fala, mas com o convívio com os adultos vão moldando sua fala às regras deles.

Todavia, Chomsky pretende partir do desempenho, para ir em direção à gramática


(estrutura sintática). Saussure pretendia, como já outrora exposto, descrever a língua, e não
a fala. A teoria gerativa advoga haver algo anterior à língua dos estruturalistas, i.e., a
capacidade que os falantes possuem de produzir os enunciados possíveis de uma língua.
Acredita-se então, que a linguagem é algo inato ao ser humano. Os corpora não são o
ponto de partida, como para os estruturalistas, mas o ponto de chegada da análise
linguística. Enquanto o estruturalismo constitui-se como teoria descritiva, o gerativismo
aparece como teoria explicativa dos fatos que determinam a produção/aquisição da língua.

Para Chomsky, a estrutura profunda deve possuir todos os elementos necessários


para que a sentença seja interpretada semanticamente, e a estrutura superficial, por sua vez,
deve possuir as informações para a leitura fonética da sentença. Isso ocorre devido ao fato

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do linguista entender gramática como “um sistema de regras que une sinais fonéticos às
interpretações semânticas”. (Chomsky, 1966, p.12)

Surgem, então, algumas dissidências relativas às regras propostas pelo modelo


transformacional, principalmente no que concerne à distância entre as estruturas
superficiais e profundas. Assim, Chomsky promove novos escritos e reformulações para
seu programa. Nasce a regra dos princípios e parâmetros

Um dos últimos assuntos tratados por Chomsky, a Teoria dos Princípios e


Parâmetros postula que a gramática é regida por Princípios ou “Leis”, que são constantes
usados em todas as línguas, contendo os Parâmetros ou “Leis” que têm representações nas
línguas em que se encontram, ocasionando divergências entre os diversos idiomas e as
transformações dentro de uma mesma língua. .2

Muito evocada, principalmente até os anos de 1980, o gerativismo ainda encontra


espaço para pesquisa. Começou a perder terreno a partir do surgimento das teorias
discursivas da fala, do texto e da interação, o que causou um choque teórico entre as
teorias, na medida em que essas propunham análise de textos como um todo em detrimento
às sentenças descontextualizadas do programa de Chomsky. Entretanto, os modelos
gerativistas são até hoje muito utilizados por estudiosos da psicologia e daqueles que
trabalham com aquisição da linguagem, alem de auxiliar os estudiosos da linguística
computacional.

2 - As teorias funcionalistas

Como já salientado na seção que trata dos estruturalismos, a escola funcionalista


nasce em André Martinet com o Círculo Linguístico de Praga, mas tomou diferentes
rumos, principalmente por meio de estudiosos norte-americanos como Talmy Givón,
Johanna Nicholson, entre outros. Entretanto, o funcionalismo nasce da necessidade de
perceber a língua como instrumento de comunicação e não mais como um sistema
autônomo indiferente às mudanças e aos falantes em seu uso. A esse respeito, afirmam
Areas e Martelotta (2003, p. 20):

2
Muito há que se comentar a respeito de Noam Chomsky e seus postulados, mas, por motivo de espaço,
procuramos mostrar um breve resumo do que seria esse programa de investigação e suas principais
colaborações para a ciência da linguagem. Alguns pontos como a semântica gerativa, a teoria X-barra,
dentre outros, ficaram de fora de nossa análise, mas não por menor relevância.

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O pólo funcionalista caracteriza-se pela concepção da língua como


um instrumento de comunicação, que, como tal, não pode ser
analisada como um objeto autônomo, mas como uma estrutura
maleável, sujeita a pressões oriundas das diferentes situações
comunicativas, que ajudam a determinar sua estrutura gramatical.

Apresenta-se uma tentativa de fazer uma linguística que fosse também da


parole/desempenho e não só da langue/competência. Na verdade, a proposta é de que não
há como separar a língua do falante. Principalmente a partir da década de 1970, nos EUA,
os estudiosos da linguagem perceberam que não havia outra possibilidade de se estudar a
língua e seus processos evolutivos, se não o fizessem por meio do uso. Logo, seria
impossível estudá-la através da teoria gerativa, em voga nesse país até os dias atuais. Por
isso, pode-se afirmar que um dos fatores que mais motivou os linguistas funcionalistas foi
a verificação dos processos responsáveis pelas mudanças linguísticas, pois se percebeu que
ela não é aleatória, como propunham os estruturalistas, mas motivada. Em outras palavras,
percebe-se que o signo linguístico não é arbitrário, a partir do momento que a situação
extralinguística é levada em conta.

Para os funcionalistas, o falante não inventa arbitrariamente sequências novas de


sons, mas utiliza-se de material já existente na língua. Se assim não fosse, o custo
cognitivo seria muito alto tanto para o falante quanto para o ouvinte. Então, palavras como
braço, em o braço da cadeira, ou diretor, significando aquele que dirige algo, possuem
motivações dentro do discurso e também no cérebro dos falantes para se realizarem. Braço
possui motivação semântica, enquanto diretor possui motivação morfológica.

Um campo promissor e bastante estudado pelos funcionalistas é a sintaxe, onde é


bem aceita a idéia da não arbitrariedade do signo. Em orações coordenadas num período
composto, por exemplo, a ordem em que essas orações são colocadas diz respeito à ordem
em que as ações acontecem na realidade, ou à ordem que o falante deseja regularizar por
motivo proposital ou aparente. Por conseguinte, existe motivação para que isso ocorra. Tal
fenômeno é formalmente denominado pelos funcionalistas de iconicidade, i.e., quando
existe algum tipo de motivação para que algo se realize na língua. Em relação à
iconicidade, define Trask (2006, p.141): é “A relação direta entre a forma de uma palavra e
seu significado. A norma que prepondera nas línguas é a da arbitrariedade. [...] Há,
contudo, exceções e essas exceções apresentam graus variáveis de iconicidade.”

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Outra dicotomia revisitada pelos funcionalistas foi sincronia x diacronia. Para esse
grupo de estudiosos, a tendência é que se deve adotar uma visão pancrônica da mudança,
uma vez que ao lado de fenômenos que mudam com o tempo, existem outros que possuem
certa regularidade nas línguas. Afirmam Areas e Martelotta (2003, pp. 27 e 28):

Nesse sentido, pode-se dizer que o funcionalismo tende a adotar


uma concepção pancrônica de mudança, observando não as
relações sincrônicas entre seus elementos ou as mudanças
percebidas nesses elementos e nas suas relações o longo do tempo,
mas as forças cognitivas e comunicativas que atuam no indivíduo
no momento concreto da comunicação e que se manifestam de
modo universal, já que refletem os poderes e as limitações da
mente humana para armazenar e transmitir informações.

A teoria funcionalista é responsável pelo surgimento de diversos termos deveras


utilizados na linguística hodierna. Um deles é iconicidade, já conferido anteriormente.
Todavia, existem outros que não podem ficar à margem deste estudo. São eles:
gramaticalização, função, figura, fundo e informatividade. 3

Gramaticalização é o nome que se dá a um processo que se ocupa da mudança


linguística. Os processos de regularização do uso da língua iniciam-se de modo casual e
somente após um longo processo, por meio do uso e da repetição dentro de determinada
comunidade linguística, é que dada forma se estabiliza e passa a fazer parte da gramática 4
da língua. Todavia, o oposto pode ocorrer, determinada forma pode voltar da gramática ao
discurso, o que se denomina discursivização.

O termo função recebe diversas abordagens ao longo dos estudos linguísticos, ao


ponto de Neves (1997, p.5) afirmar que “O termo função apresenta tal variedade de
empregos que, com chamar-se “funcional” a uma teoria linguística, não se consegue

3
Evidentemente, os estudos funcionalistas não se esgotam nessa formalização, mas vale salientar a
proposta inicial deste artigo de destacar as teorias linguísticas em linhas gerais.
4
Para diversos autores funcionalistas, o termo gramática não se refere à normatização, mas ao conjunto de
regularidades decorrentes de pressões cognitivas e de uso. (cf. CUNHA, M. A. F. et. al , Linguística funcional:
teoria e prática. Rio de Janeiro: DP&A, 2003.)

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caracterizá-la realmente.” Já Kato5 (1998) afirma haver certo consenso no que tange às
funções gramaticais (sujeito,objeto, predicado); funções semânticas (agente, paciente,
locativo, tempo, animado, humano, definido/indefinido...); e funções textuais (tópico/ foco,
ou tema/rema, figura/fundo).

O primeiro grupo proposto por Kato refere-se às funções da gramática normativa


tradicional, às famosas funções sintáticas tão ensinadas por professores de ensino
fundamental e médio. Já o segundo e o terceiro grupos parecem mais coerentes com a
maioria dos funcionalistas, já que dependem da língua em uso para emergirem.

Nichols (1984, p.101), de maneira seminal, já tratava do assunto advogando cinco


sentidos para o termo função – relacionados com cinco diferentes componentes da
gramática – que são: função/interdependência, função/propósito, função/contexto,
função/relação e função/significado. A autora observa, entretanto, que “a maioria das obras
funcionalistas usa função apenas nos sentidos de propósito e de contexto”, e não distingue
entre os dois.

Outros diversos autores dedicaram seus estudos ao termo função. Não se pode
deixar de fazer digna menção aos estudos das funções da linguagem do psicólogo Karl
Buhler, e dos linguistas Roman Jakobson e M. A. K. Halliday. Apesar de abordagens um
pouco diversas, os três autores observam o termo função dentro de uma perspectiva
funcionalista por que consideram a língua em uso.6

A respeito de figura/fundo, vejamos o que dizem Cunha et al (2003, p.39):

Por figura entende-se aquela porção do texto narrativo que


apresenta a sequência temporal de eventos concluídos, pontuais,
afirmativos, realis, sob a responsabilidade de um agente, que
constitui a comunicação central. Já fundo corresponde à descrição
de ações e eventos simultâneos à cadeia da figura, além da
descrição de estados, da localização dos participantes da narrativa e
dos comentários avaliativos.

5
KATO, Mary A. Funcionalismo em sintaxe. DELTA , São Paulo, v. 14, n. spe, 1998 . Disponível em:
http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-44501998000300011&lng=en&nrm=iso>.
Acesso em: 31 Out 2007.
6
Para melhor verificação dos três estudos, ver Neves (op. cit., pp.9-14)

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Em termos práticos, as informações que se destacam como mais relevantes no


discurso, em determinada situação discursiva, constituem a figura. Tudo que aparece como
secundário, detalhista, constitui o fundo. Como já adiantou Kato (1998), figura,
corresponde ao que também se denomina tema, tópico, informação nova etc., assim como
fundo corresponde à rema, a comentário, à informação velha etc.

Por sua vez, um texto pode ter graus de informatividade, a depender de quem são os
interlocutores. Pode-se afirmar que uma sentença como O sol é sempre azul, possui baixo
grau de informatividade se considerarmos que todo falante em potencial conhece o céu e
suas propriedades de cor. Por outro lado, dependo da informação que se queira transmitir e
de quem são os interlocutores, o grau de informatividade pode variar. Se um médico relatar
a um leigo como foi a cirurgia que efetuou, utilizando-se do jargão médico, certamente o
grau de informatividade será baixo para tal ouvinte. Entretanto, se seu interlocutor for
outro cirurgião, o oposto ocorrerá.

Dessa forma, pode-se chegar a duas conclusões:

a) a teoria funcionalista é recente e por isso ainda ocupa lugar de potencial


destaque nos estudos linguísticos por dialogar com teorias discursivas que
consideram a língua como instrumento comunicativo e de interação;
b) a teoria funcionalista é outra teoria que oriunda de divergências e comparações
com o estruturalismo de Saussure, uma vez que defende certas divergências
com a escola saussuriana, principalmente no que concerne à língua, à
arbitrariedade do signo (teorias da mudança), entre outros diversos aspectos.

3 - As linguísticas enunciativas e discursivas – a concretização dos estudos da parole.

As linguísticas enunciativas possuem o fundamento comum de existirem em


oposição à linguística da língua, com o desejo de estudar, principalmente, os fatos de
“fala7”. Por sua vez, as chamadas linguísticas discursivas pretendem realizar uma análise
além dos limites da frase. As principais representações dessas teorias residem na Análise
da Conversação, na Análise do Discurso e na Linguística Textual. Opta-se por discorrer

7
Apesar de também preocupar-se com a fala, o funcionalismo fica de fora dessas abordagens por tratar,
principalmente, da mudança linguística. Todavia, considera, como exposto, a interação e o discurso, mas
em diferentes perspectivas.

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sobre elas numa mesma seção pelo fato de dialogarem no que concernem aos fatos de
língua falada/escrita.

Entende-se, canonicamente, por enunciação “colocar em funcionamento a língua


por um ato individual de utilização”, conforme Benveniste (1989, p.82). Já Maingueneau
(1998, p.53) afirma ser o “pivô da relação entre a língua e o mundo”. Todavia, as origens
dos estudos enunciativos reportam às primeiras décadas do século XX com Charles Bally e
Mikhail Bakhtin, mas foram calados pela emergência da teoria estruturalista de Saussure,
que passou a dominar os estudos linguísticos na mesma época. Para o linguista russo, um
signo não existe senão em seu funcionamento social, pois cada forma é portadora de
sentido e esse é proveniente de uma produção social.

No que tange à análise da conversação, o texto de Grice (1975 apud DASCAL,


1982) inova os estudos linguísticos com a teoria das máximas conversacionais, tão
relevantes para trabalhos posteriores de análise da conversação. Vale salientar que autores
como Kato (1986), por exemplo, ainda o citam quase que quarenta anos depois de sua
primeira publicação.

Em relação ao trabalho seminal de Grice (op. cit.). Antes de postular suas máximas
conversacionais, o referido autor faz distinção entre dois grupos: formalistas e
informalistas.

O primeiro grupo acredita que a simbologia formal da lógica possui vantagens


sobre as contrapartes em línguas naturais, pois, através de seus sistemas de símbolos, é
possível formar inúmeros sistemas de fórmulas. De fato, a quantidade possível de fórmulas
via símbolos lógicos é imensa. Todavia, ao mesmo tempo em que esses padrões podem ser
dos mais simples, o oposto também é verdadeiro, pois a lógica do sentido dos símbolos não
possui um padrão de obviedade. Outro argumento utilizado por esse grupo é o de que a
linguagem natural não é suficiente para a verdade, porque abre caminho para os implícitos
– o que Grice vai chamar de implicaturas – e a linguagem natural é “metafisicamente
marcada” (op. cit., p.82). Assim, esse grupo propõe a formulação de uma linguagem que
mescle línguas naturais e símbolos lógicos.

Por outro lado, o segundo grupo (dos informalistas) critica o primeiro pelo fato de o
mesmo propor uma medida científica à língua. Isso ocorre em razão de a lógica ser unívoca
e simbólica (falso x verdadeiro). Em outras palavras, para os formalistas a língua só existe
para servir à ciência.

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Além do mais, a linguagem humana, ao utilizar-se das línguas naturais, é


polissêmica, ambígua, cheia de implícitos (implicaturas, segundo o próprio autor mais
adiante no artigo). Portanto, parece não ser possível aferir-lhe um caráter lógico. Grice (op.
cit.) também nos mostra que, muitas vezes, outros elementos – não linguísticos – são
necessários para a depreensão do sentido na utilização das línguas naturais.
Principalmente no que concerne aos implícitos, ou implicaturas.

Todavia, IMPLICAR, para o supracitado autor, é diferente de DIZER. Este verbo


está no plano do que é verdadeiramente dito, o linguístico. Já aquele pode utilizar-se
também do que não está linguisticamente explicitado.

Assim, antes de dissertar sobre suas máximas conversacionais, para chegar ao


contrato cooperativo, o linguista faz distinção entre dois subtipos de implicaturas: a
convencional e a conversacional. A primeira é aquela em que o conhecimento linguístico e
convencional (comum à determinada comunidade de falantes) é suficiente para depreender
a significação do que está implícito. Já a segunda (não-convencional) parece englobar tudo
aquilo que colabora para a realização de um ato comunicativo qualquer, ou seja, o
contexto.

Contudo, o autor fala em “traços gerais do discurso”(op.cit. p. 86), mas não define
o que é discurso, o que nos deixa, de certa forma, livres para entender que há outros
elementos extralinguísticos depreendidos via contexto.

Após essas considerações, estabelece- se a máxima que vai reger todas as outras: o
PRINCÍPIO DE COOPERAÇÃO. “Faça sua contribuição conversacional tal como é
requerida (...)” (op. cit., p.86). Em outras palavras, os interactantes de uma dada conversa
precisam de propósitos comuns, mutuamente aceitos, para que a conversação seja relevante
para ambos. Eis as máximas:

a) Máxima da Quantidade – a informação deve ser dada em justa medida. A quebra


dessa máxima pode acarretar, por exemplo, em informação incompleta, ou até
mesmo em excesso de informação.
b) Máxima da Qualidade – Um locutor não pode falar sobre aquilo que julga ser
falso. Todavia, desobedecer a essa máxima pode ser intencional. Exemplo disso é a
linguagem publicitária que, muitas vezes, abre mão da veracidade, a fim de vender
determinado produto.

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c) Máxima da Relação – “Seja relevante”. O próprio autor nos revela que essa
máxima é, no mínimo, perigosa, pois o conceito de relevância é vago. O que é
relevante para um dado falante, ou em uma situação de fala, pode não ser para
outro.
d) Máxima do Modo – Precisa-se ser claro naquilo que se fala. A maneira como o
discurso é construído pode acarretar sentidos diferentes. A ambiguidade é um
exemplo de violação dessa máxima. Vale ressaltar, porém, que a ambiguidade pode
ser um recurso, a propaganda também nos serve de exemplo. Esse gênero explora,
com certa frequência, o duplo sentido.

Para Grice, o abandono ou a transgressão das máximas conversacionais pode ser


proposital ou não, suscitando mal-entendidos propositais ou descuidos por parte dos
falantes. Alguém pode, por exemplo, não conhecer a quantidade necessária de informação
e produzir um ato de fala que, provavelmente, não será compreendido pelo interlocutor
(violação da máxima da quantidade). Além disso, quando se quer omitir certas
informações, muitas vezes para proteger a face de alguém, também há razão para se violar
a máxima da quantidade. No citado artigo, o autor ainda nos brinda com uma série de
exemplos em que as máximas são violadas. Todavia, vale lembrar que a violação é, na
grande maioria das vezes, intencional.

O trabalho de Grice ainda afirma haver outras máximas envolvidas nos atos de fala
que envolvem regras sociais e de polidez. De certo, essas existirão em face da necessidade
do contexto/situação comunicativa. Numa situação de formalidade, por exemplo, há
estratégias linguísticas e não linguísticas envolvidas no processo comunicativo. Alguns
contextos formais exigem, dentre outros fatores, certa economia e polidez no modo de
produzir o ato comunicativo.

A análise da conversação envolve os trabalhos do que tradicionalmente denomina-


se Análise do Discurso norte-americana. Já a outra análise do discurso, a de linha francesa,
além de analisar a língua em sua situação de uso, engloba outros fatores extralinguísticos
tais como ideologia, cultura, política, sujeito etc. A esse respeito, posicionam-se Paveau &
Sarfati (2006, p. 202):

O termo análise do discurso tem origem na tradução de discourse


analysis, expressão construída por Harris (1952), que lhe dá o
sentido de estudo da dimensão transfrástica, aproximadamente no
sentido de linguística textual. De maneira geral, para os anglo-

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saxões, a análise do discurso corresponde à análise conversacional


[...] [a escola francesa é] a disciplina que estuda as produções
verbais no interior de suas condições sociais de produção. Essas
são consideradas como partes integrantes da significação e do
modo de formação dos discursos. A análise do discurso distingui-se
da linguística textual, cujo objeto é o funcionamento interno do
texto, e da análise literária que, mesmo considerando o contexto,
não repousa sobre o postulado da articulação entre o linguageiro e
o social.

Todavia, como doravante apresentado, a Linguística Textual (LT) hodierna não se


preocupa tão somente com o funcionamento interno do texto, uma vez que o conteúdo
interno de um texto depende daquilo que ocupa o ambiente extralinguístico. A LT, em
dado momento, se propõe a investigar a constituição, o funcionamento, a produção e a
compreensão dos textos em uso.

Em relação à chamada escola francesa de análise do discurso, entende-se que


nasceu do já relatado esforço de se criar uma linguística dos usos, da parole. Contudo,
definir ou construir um histórico para tal linha de pesquisa, constitui tarefa complexa, haja
vista a variedade de aparato teórico e de contextos epistemológicos. Nessa perspectiva, a
análise do discurso, bem como outras linhas de pesquisa, consolidou o diálogo da
linguística com outras disciplinas, uma vez que envolveu o contexto, a situação de
produção e, principalmente, o sujeito em sua análise.

Certamente, a Análise do Discurso abriu caminhos para a análise dos fatos da


língua em sua atividade. Todavia, carece ainda de aparato teórico mais consistente para
fundamentar uma análise mais objetiva desses fatos – principalmente a escola francesa-,
uma vez que constitui disciplina que dialoga com tantas outras e observa o sujeito falante,
pensante, ator, (i)responsável por seus atos etc., ou seja, tão complexo.

Quanto à Linguística Textual, observa-se que o termo Linguística do Texto foi


utilizado pela primeira vez por Herald Weinrich, autor alemão que postula que toda a
Linguística deve ser necessariamente Linguística do Texto. A LT também participa do
grupo de teorias que pretende realizar os estudos do discurso.

Num primeiro momento, a LT surge da necessidade de se realizar uma análise para


além dos domínios da frase, mas chegar a uma análise que fosse de todo o texto, pois o

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produtor/locutor não produz frases, mas sim texto.8 Nesse período, é importante verificar
os mecanismos que envolvem os componentes intratextuais, tais como a coesão e a
referenciação.

O segundo momento da LT diz respeito à formação das chamadas “gramáticas


textuais”. Uma vez que todo usuário da língua possui uma “competência textual”, então se
justifica a tarefa de criar uma gramática textual que dê conta dessa competência do usuário.
Fávero & Koch (1983) apud Bentes (2007) afirmam que as gramáticas textuais deveriam
ter três tarefas:

a) Verificação do que faz com que um texto seja um texto, ou seja, a busca da
determinação de seus princípios de constituição, dos fatores responsáveis por sua
coerência, das condições em que se manifesta a textualidade.

b) Levantamento de critérios para a delimitação de textos, já que a completude é


uma das características essenciais do texto;

c) Diferenciação de várias espécies de texto

Atualmente, verifica-se que essas têm sido algumas das tarefas dos professores de
língua portuguesa dos ensinos fundamental e médio das escolas brasileiras, pois diversos
livros didáticos contemporâneos espelham-se nos pressupostos teóricos da LT.

Todavia, segundo Bentes (op. cit., p.251), era um “projeto ambicioso e pouco
produtivo, pois não contemplou algumas questões, tais como as regras capazes de
descrever todos e apenas todos os tipos de texto.” Chega-se então, à terceira fase da LT: a
fase denominada teoria do texto.

Como apresentado a priori, esse momento da LT se propõe a investigar a


constituição, o funcionamento, a produção e a compreensão dos textos em uso. Seus
principais postulados são:

 Tratamento dos textos no seu contexto pragmático;


 Âmbito de investigação do texto ao contexto;
 Da gramática do texto para a noção de textualidade9.

8
Nesse contexto, o texto é a unidade linguística mais elevada, a partir da qual seria possível chegar a
unidades menores a serem classificadas.
9
Beaugrande e Dressler são os autores dos sete princípios de textualidade, que são: Coesividade;
Coerência; Intencionalidade; Aceitabilidade; Informatividade; Situcionalidade e Intertextualidade.

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A LT também se apresenta como teoria multidisciplinar, uma vez que provoca


mudança na concepção de língua – agora, sistema atual e não virtual; colabora para uma
nova concepção de texto – não mais um produto, mas um processo; e aceita mudança de
objetivos – análise e explicação da unidade texto em funcionamento e não como unidade
formal e abstrata.

4 - O cognitivismo em linguística

As ciências da cognição, em linhas gerais, ocupam-se dos estudos relacionados às


questões da estrutura e do funcionamento da mente humana. Passam pela filosofia, pela
psicologia, pelos estudos de aquisição da linguagem, pelas ciências da computação e da
inteligência artificial e, obviamente, pela linguística.

Assim como as teorias interacionistas, as ciências da cognição tomam força a partir


da década de 50 do século passado, como reação às teorias behavioristas que postulavam
estudos altamente descritivos a partir de reações humanas a determinados estímulos, ou
seja, sem nenhuma explicação a respeito de como a mente humana participa dos processos
relacionados à linguagem. Todavia, Koch & Cunha-Lima (2007, p. 252) afirmam que:

As ciências cognitivas, partindo de inovações na investigação da


natureza do raciocínio lógico-matemático, introduzidas
principalmente por lógicos, mostraram que investigar os processos
inteligentes e a inteligência em geral é uma empreitada científica
possível. Os processos mentais e a mente foram reabilitados como
objetos de investigação, e seu estudo tornou-se o objetivo
fundamental dessa nova ciência. Isso se confirma facilmente
quando examinamos os títulos de alguns dos principais livros que
pretendem introduzir leitores não especializados às ciências
cognitivas: A nova ciência da mente (Gardner, 1985) ou Como a
mente funciona (Pinker, 1997).

Em outras palavras, estudar a mente tornou-se possível, revogando princípios


anteriores que refutavam o estudo da mente por acreditarem ser campo de impossível
acesso. Ainda segundo as mesmas autoras, as ciências cognitivas pretendem responder a
algumas perguntas, tais como: Como o conhecimento está representado e estruturado na

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mente? Como a memória se organiza? Como a mente se estrutura? Ela é dividida em


partes independentes que se coordenam ou existe conexão entre todas as partes? Qual a
origem dos nossos conhecimentos? São eles inatos ou derivam da experiência?

Assim, os chamados cognitivistas clássicos, preocupam-se com os fatores internos,


mentais do processamento linguístico, enquanto sociolinguistas, analistas do discurso,
entre outros, mantêm preocupação com fatores externos à mente. Todavia, a partir da
década de oitenta, surge um outro grupo de cognitivistas. Adeptos da cognição clássica e
insatisfeitos com seus modelos, ou ex-gerativistas dissidentes, procuram estabelecer uma
outra abordagem para os estudos cognitivistas a partir do diálogo entre fenômenos, que são
cognitivos em geral, e a linguagem em particular “como fenômenos capazes de oferecer
modelos da interação e da construção de sentidos cognitivamente plausíveis ou
cognitivamente motivados e, ao mesmo tempo, como fenômenos que acontecem na vida
social” – como afirmam as Koch e Cunha-Lima (op. cit. P. 255). Alguns dos autores que
advogam tal prática nova são George Lakoff, Ronald Langacker e Leonard Talmy .

A espinha dorsal dos estudos da cognição são as noções de representação mental,


i.e., qualquer objeto do conhecimento só tem existência se representado na mente do
agente cognitivo, e de computação simbólica, cujos postulados advogam que os processos
cognitivos são manipulações regidas por regras de símbolos ou representações de objetos,
reais ou imaginários. Não é coincidência que uma das obras de Noam Chomsky intitule-se
Regras e representações. Surgem, então, os modelos computacionais chomskianos e que
foram herdados e recortados pela linguística computacional.

Outro campo inserido nos estudos cognitivistas é a questão da aquisição da


linguagem. Chomsky, como já abordado, considera a faculdade da linguagem inata ao ser
humano. De acordo com Scarpa (2006, p. 207): “O argumento básico de Chomsky é: num
tempo bastante curto (mais ou menos dos 18 aos 24 meses), a criança, que é exposta
normalmente a uma fala precária, fragmentada, cheia de frases truncadas ou incompletas, é
capaz de dominar um conjunto complexo de regras ou princípios básicos que constituem a
gramática internalizada do falante.”

Um renomado autor sobre o processo de aquisição da linguagem é Jean Piaget.


Argumenta que a aquisição e o desenvolvimento da linguagem derivam do
desenvolvimento do raciocínio na criança. Segundo Piaget, a linguagem aparece na
superação do estágio sensório-motor, por volta dos 18 meses, pela seguinte ordenação:

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A) Desenvolvimento da função simbólica;

B) Desenvolvimento da representação;

Os processos envolvidos são:

1) descentralização das ações em relação ao corpo próprio;

2) coordenação gradual das ações;

3) permanência do objeto;

Enfim, as ciências da cognição constituem objeto ainda obscuro no campo da


linguística e da ciência de modo geral, pois muito há de se descobrir a respeito dos
processos que envolvem a mente humana. Mais uma vez, é preciso reforçar a necessidade
de se calcar em arcabouço teórico consistente, a fim de dar crédito ao trabalho e não cair
no mesmo erro de muitos trabalhos: a não definição de um recorte teórico bem definido e
coerente.

5 - Novos rumos da linguística

Como já abordado neste artigo, o surgimento de novos trabalhos no campo da


ciência depende de dois pilares centrais: tradição e inovação. Em outras palavras, não se
desenvolve ciência sem recorrer àquilo que já foi dito a respeito de determinado assunto,
por meio de argumentos de autoridades, e não se é aceito se o estudo não for acrescido de
algo que seja novo, relevante para a ciência de modo geral.

Outro aspecto importante a se destacar, é o fato de que todas as teorias abordadas


neste artigo são passíveis de uso hodiernamente, embora algumas não estejam mais no
centro dos estudos linguísticos, principalmente no Brasil. Todavia, percebe-se que há uma
tendência de diálogo no contato entre as diversas teorias. Já advogamos anteriormente, o
fato de todas as teorias beberem em fontes saussurianas, já que Saussure constitui um
programa de investigação consistente e coerente até os dias de hoje.

Não se deve perder de vista também, o contato da Linguística com a educação,


principalmente no que tange os processos de aquisição da linguagem e o ensino de línguas,
sejam estrangeiras ou maternas. A chamada Linguística Aplicada deve ser, na verdade, o
diálogo das diversas teorias como o ensino. A ciência possui, além do caráter descritivista

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e explanatório, seu lado prático, cobrado pela própria sociedade, e não deve ser diferente
com a ciência da linguagem. Muitos professores de língua portuguesa, por exemplo,
encontram-se atordoados por tão grande quantidade de estudos linguísticos com pouca, ou
nenhuma, abordagem prática para a sala de aula. Conforme Bittencourt (2002), os
professores de Língua Portuguesa encontram-se inseguros acerca do que devem ensinar
aos seus alunos. Os motivos são diversos, mas perpassam, principalmente, a questão do
número de teorias linguísticas, cujos variados recortes do mesmo objeto - linguagem verbal
- levam a diferentes proposições. A professora propõe alguns prováveis questionamentos
dos docentes de nossa língua, tais como (Op. Cit., p.1):

a) Que devo ensinar na disciplina de Língua Portuguesa, tendo em vista que o aluno
já conhece a língua ao chegar à escola?
b) Como tornar o aluno um efetivo produtor/intérprete de textos?
c) Devo ensinar gramática?
d) Caso a resposta à pergunta anterior seja negativa, o que devo, então, ensinar?
e) Caso a resposta seja positiva, como devo ensinar gramática?

Além da denominada Linguística Aplicada ao Ensino, as ciências da cognição ainda


constituem campo aberto a diversos estudos, devido à complexidade e amplitude da mente
humana. Além do mais, a linguística computacional procura desenvolver modelos cada vez
mais condizentes com a nossa realidade, e a psicolinguística – entre outros campos –
procura desvendar cada vez mais os mistérios do comportamento da mente e do
comportamento humano por meio da linguagem. Assim, conclui-se que nenhuma escola
pode ser considerada fechada ou acabada. Muito pelo contrário, a partir de estudos
anteriores é que surgem novas aspirações e tendências.

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O autor é Doutorando em Estudos de Linguagem pela Universidade Federal Fluminense.


Professor de Língua Portuguesa, Produção Textual, Linguística e Língua Inglesa da
Universidade Estácio de Sá, onde coordena o curso de Letras - EAD.

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