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1.4.6. EMPRÉSTIMOS COMPULSÓRIOS OU FORÇADOS (Art. 148 CF C/C Art.

15 CTN)

Como bem salienta o saudoso professor Aliomar Baleeiro: “no empréstimo forçado, não

há acordo de vontades nem contrato de qualquer natureza. Unilateralmente, o Estado compele

alguém, sob sua jurisdição, a entregar-lhe dinheiro, prometendo o reembolso sob certas condições

ou dentro de certo prazo”.

O Art. 148 da Lei Suprema está veiculado como segue:

Art. 148. A União, mediante lei complementar, poderá instituir empréstimos compulsórios:
I - para atender a despesas extraordinárias, decorrentes de calamidade pública, de guerra
externa ou sua iminência;
II - no caso de investimento público de caráter urgente e de relevante interesse nacional,
observado o disposto no art. 150, III, "b".
Parágrafo único. A aplicação dos recursos provenientes de empréstimo compulsório será
vinculada à despesa que fundamentou sua instituição.

Já o Art. 15 do CTN assim dispõe:

Art. 15. Somente a União, nos seguintes casos excepcionais, pode instituir empréstimos
compulsórios:
I. guerra externa, ou sua iminência;
II. calamidade pública que exija auxílio federal impossível de atender com os recursos
orçamentários disponíveis;
III. conjuntura que exija a absorção temporária de poder aquisitivo.
Parágrafo único. A lei fixará obrigatoriamente o prazo do empréstimo e as condições de seu
resgate, observando, no que for aplicável, o disposto nesta lei.

Assim, vê-se que a atual Carta Política, no art. 148, autoriza a União, exclusivamente, a

instituir o empréstimo compulsório, mediante lei complementar, evidenciando, ainda, as

circunstâncias políticas ou as conjunturas autorizadoras da novel espécie, vale dizer, (i) a guerra

externa ou sua iminência, (ii) a calamidade pública ou (iii) o investimento público de caráter urgente e

de relevante interesse nacional. Ressalta-se que, pela análise dos dispositivos legais acima, não se

1
vê a indicação das materialidades passíveis de serem adotadas pelo legislador complementar, vale

dizer, os eventuais fatos geradores não são mencionados na Carta nem no CTN, mas deverão ser

definidos pela respectiva lei instituidora, assim como a discussão da base de cálculo e contribuintes.

Seja como for, analisando objetivamente o texto Constitucional e com base na doutrina

majoritária e o STF, o empréstimo compulsório é tributo1 instituído exclusivamente pela União,

mediante lei complementar, podendo ter como fatos geradores qualquer fato econômico lícito,

relativo ao contribuinte, assim como qualquer ato relacionado a uma atividade estatal, cabendo a lei

instituidora a eleição dos fatos geradores (das materialidades). Determina ainda a Constituição que o

resultado da arrecadação do empréstimo deve está afetado à despesa que fundamentou a sua

instituição, quero dizer, se o empréstimo compulsório for instituído, por exemplo, com fulcro no inc. I

do Art.148 CF, a receita desse empréstimo deve obrigatoriamente ser aplicada para o custeio das

despesas extraordinárias resultantes dessas circunstâncias. Portanto, temos que a vinculação de

sua receita é elemento estrutural e seu descumprimento pode acarretar a inconstitucionalidade de

todo o tributo.

Cabe mencionar que a luz da Constituição vigente, o Inc. III do Art.15 do CTN não fora

recepcionado, uma vez que a conjuntura que exija absorção temporária do poder aquisitivo não mais

constitui fundamento para sua instituição segundo a atual Constituição Federal. Portanto, são

exaustivas as causas-despesas, podendo somente uma emenda constitucional está apta a aumentar

o rol dessas hipóteses legitimadoras ( Art.148 CF). Que os empréstimos compulsórios são

provisórios, devendo a lei instituidora determinar o prazo de duração; que os mesmos são restituíveis

e temporários( parágrafo único, Art.15 do CTN); que os casos de guerra externa ou sua iminência e

calamidade pública são exceções ao princípio da anterioridade e noventena( CF, Art.150, Inc.III, “c”)

devendo respeito aos referidos princípios em caso de investimento público.

1
O tributo em tese, quanto à sua natureza tributária, já foi objeto de inúmeras discussões em que para uns
seria tributo e para outros não. Mas os empréstimos compulsórios possuem referida natureza, pelo simples
fato de que os elementos que o constituem encaixam-se na definição de tributo estabelecida no artigo 3º, do
Código Tributário Nacional.
2
SÍNTESE

9 É imprescindível a edição de Lei Complementar da União (LC) para a instituição dos

empréstimos compulsórios, toda vez que surgir concretamente uma das circunstâncias do

Art. 148 da CF;

9 A Lei Complementar deverá definir os fatos geradores, bases de cálculo, alíquotas e sujeito

passivo;

9 O contribuinte poderá se opor ao pagamento ou pleitear a restituição do tributo pago, se

inexistir a despesa/causa ou se o produto arrecadado não for aplicado no custeio da referida

despesa que legitimou a sua cobrança ( os empréstimos compulsórios são tributos de

arrecadação vinculada);

9 Diferentemente dos impostos, em que a CF no Art.167, Inc.IV, veda a vinculação de suas

receitas a órgão, fundo ou despesa, os empréstimos forçados são necessariamente afetados

à despesa que visam custear;

9 São exaustivas as causas/circunstâncias legitimadoras da instituição dos empréstimos

compulsórios, falecendo competência à União para criá-los fora dessas causas( Art.148 CF).

Entretanto, este rol constitucional de hipóteses legitimadoras da criação dos empréstimos

pode ser ampliado, porem, apenas por emenda constitucional;

9 As circunstâncias fáticas do Art.148 CF não são os fatos geradores, mas estão a estes

ligados2.

2
Explica o professor Roque Carrazza, que essas circunstâncias fáticas, descritas pelos incisos I e II do Art.148
CF( calamidade pública; guerra externa ou sua iminência; e investimento público de caráter urgente e relevante
interesse nacional), representam pressupostos para a legítima instituição dos empréstimos compulsórios, mas
não integram a respectiva norma de tributação.Nesse sentido, escreve em seu Curso:”Evidentemente, as
despesas extraordinárias (...), decorrentes de calamidade pública, de guerra externa ou sua iminência, e os
casos de investimento público de caráter urgente e de relevante interesse nacional não podem tipificar a
hipótese de incidência de qualquer empréstimo compulsório.São, sim, os pressupostos necessários à criação
ou aumento, por meio de lei complementar,deste tributo ...” ( in Curso de Direito Constitucional
Tributário,Malheiros,1997,p.334,destacamos).
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GABARITO DA AULA ANTERIOR

01 – E
02 – C
03 – C
04 – C
05 – D
06 – C
07 – E
08 – B
09 – B
10 – C
11 – A
12 – E
13 – C
14 – D
15- A
16 –C
17 – C
18 – A
19 –C
20 – D

Prof. Alberto Alves


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