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11​ ​de​ ​setembro

Preclusão

Nada mais é que uma consequência processual pelo fato de ela perder o prazo
que​ ​ela​ ​tinha​ ​dentro​ ​de​ ​um​ ​processo​ ​para​ ​praticar​ ​um​ ​ato​ ​processual.
Exemplo: contestar dentro de 15 dias, e se não o fizer ela terá uma consequência
negativa porque perderá tal direito. Dentro desse prazo, ela não se manifestou. É como se
tivesse​ ​ocorrido​ ​uma​ ​renúncia​ ​a​ ​esse​ ​direito.

A preclusão é uma forma de fazer o processo terminar dentro de um prazo razoável.


Não​ ​pode​ ​vincular​ ​às​ ​partes​ ​o​ ​direito​ ​de​ ​ela​ ​exercer​ ​ações​ ​quando​ ​elas​ ​bem​ ​escolherem.
Você se manifestando ou não, o processo continua correndo até seu término
(sentença).
A preclusão já se fala em processo e só existe se houver o processo, por isso que
ela​ ​se​ ​difere​ ​da​ ​prescrição.​ ​É​ ​um​ ​instituto​ ​processual.
Essa perda de praticar este ato não é uma punição. O que ocorre é que a parte vai
lidar​ ​com​ ​a​ ​consequência​ ​de​ ​um​ ​ônus.
Boa​ ​parte​ ​dos​ ​atos​ ​processuais​ ​são​ ​ônus,​ ​e​ ​não​ ​obrigação.

Preclusão: é a perda de uma faculdade ou poder processual no curso do processo,


portanto é um fenômeno exclusivamente processual. Desse modo, preclusão é um instituto
fundamental para o bom desenvolvimento do processo, sendo uma das principais técnicas
para a estruturação do procedimento, e, pois, para a delimitação das normas que compõem
o​ ​formalismo​ ​do​ ​processo.

Há também uma diferença entre preclusão para ​a coisa julgada​. É quando a


sentença ou a decisão transita em julgado e não há mais como recorrer dela. O trânsito em
julgado​ ​significa​ ​que​ ​ela​ ​sentença,​ ​se​ ​for​ ​de​ ​mérito,​ ​não​ ​poderá​ ​mais​ ​ser​ ​contestada.
A preclusão também tem suas ramificações, havendo três espécies de preclusão. A
mais​ ​comum​ ​é​ ​a​ ​temporal.

Temporal: é o fato de a parte não se manifestar dentro de um prazo estabelecido


pelo​ ​juiz​ ​ou​ ​pela​ ​lei.​ ​É​ ​a​ ​mais​ ​frequente.
A​ ​preclusão​ ​não​ ​ocorre​ ​só​ ​pela​ ​perda​ ​do​ ​prazo.

Consumativa: consumar. Ela se consuma. Ou seja, se tenho 15 dias para


contestar, contesto no 5º dia, restam-me 10 dias. Neles, poderei emendar minha
contestação? Não. A partir do 5º dia, os outros 10 não existem mais porque já me
manifestei.
A partir do momento que a pessoa fez um ato, ela não poderá voltar a praticá-lo
novamente.
Se eu tinha 15 dias para apresentar o agravo de instrumento, a partir do dia que eu
mostrá-lo​ ​os​ ​outros​ ​dias​ ​se​ ​extinguirão.

Lógica: significa que se eu praticar um ato contrário ao meu direito, também não
poderei​ ​praticar​ ​aquele​ ​ato​ ​cuja​ ​anterioridade​ ​me​ ​foi​ ​concedida.
Exemplo: vou ao fórum, tinha 15 dias para mostrar o recurso. Pago a quantia de
quanto deveria pagar, nisso encontro um amigo advogado que posteriormente me explica
que poderia ter recorrido. Se você praticou um ato (pagamento), quer dizer que você
aceitou​ ​aquela​ ​sentença.

Art. 223. Decorrido o prazo, extingue-se o direito de praticar ou de emendar o


ato processual, independentemente de declaração judicial, ficando assegurado,
porém,​ ​à​ ​parte​ ​provar​ ​que​ ​não​ ​o​ ​realizou​ ​por​ ​justa​ ​causa.
§ 1​o Considera-se justa causa o evento alheio à vontade da parte e que a impediu
de​ ​praticar​ ​o​ ​ato​ ​por​ ​si​ ​ou​ ​por​ ​mandatário.
§ 2​o Verificada a justa causa, o juiz permitirá à parte a prática do ato no prazo
que​ ​lhe​ ​assinar.

Art. 1.000. A parte que aceitar expressa ou tacitamente a decisão não poderá
recorrer.
Parágrafo único. Considera-se aceitação tácita a prática, sem nenhuma reserva,
de​ ​ato​ ​incompatível​ ​com​ ​a​ ​vontade​ ​de​ ​recorrer.

………………………………….​.​Tomando​ ​nota:
Temporal: ​é aquela que ocorre do simples descumprimento do prazo para a prática
de determinado ato processual, portanto é a preclusão que mais diretamente se liga à
necessidade​ ​de​ ​que​ ​o​ ​processo​ ​caminhe​ ​para​ ​a​ ​frente.
Por exemplo: o autor tinha 15 dias para gravar da decisão de indeferimento da tutela
urgente que ele pediu no processo, não recorrendo no prazo legal, no 16º dia não mais
poderá​ ​recorrer​ ​porque​ ​terá​ ​havido​ ​a​ ​preclusão​ ​temporal.

Consumativa: ​ocorre quando o ato é efetivamente praticado. Não podendo ser,


portanto, repetido. Exemplo: no exemplo anteriormente dado, se ocorresse a interposição
do agravo no nono dia do prazo de 15 dias, determinaria que imediatamente ocorresse a
preclusão consumativa. Ou seja, não poderia a parte recorrer novamente ou mesmo
acrescentar outros argumentos no recurso já interposto, Assim como não poderia substituir
seu​ ​recurso​ ​por​ ​outro​ ​melhor​ ​elaborado​ ​no​ ​prazo​ ​final.

Lógica: não depende diretamente do fator ​tempo no processo, mas é resultado da


prática de outro ato, incompatível com aquele que se deveria realizar no prazo processual
respectivo. ​Exemplo: o réu condenado em ação de reparação de danos que, no prazo para
o recurso de apelação, espontaneamente comparece em juízo e sem qualquer ressalva
paga​ ​o​ ​valor​ ​da​ ​condenação.

Quando se fala em atraso no processo, as pessoas dizem: “mas não é culpa só da


parte, a culpa é do juiz também ou do cartório, nhenhenhe”. Será que o juiz também está
submetido​ ​às​ ​regras​ ​da​ ​preclusão?
Em primeiro lugar, há espécies de preclusão e devemos observar se elas se aplicam
ao juiz. Na temporal, significa que se o juiz tivesse um prazo, não poderia mais se
manifestar. Os únicos prejudicados com isso são as partes. ​A temporal não se aplica ao
juiz.
Qualquer parte ou o Ministério Público pode fazer uma representação na
Corregedoria e esta irá intimar o magistrado e pedir informações sobre o processo e a
questão​ ​dos​ ​prazos.
O que o juiz pode sofrer pelo excesso de prazo são consequências administrativas,
com anotação negativa em sua matrícula, o que acarreta em um empecilho para se pleitear
uma​ ​moção.

Segunda preclusão, a ​consumativa​. Ela já ocorre em outro contexto. É quando se


pratica um ato que já se praticou. O juiz, em regra, se já sentenciou, não o fará novamente.
Ele sim se submete à preclusão consumativa​. ​Na prática, pode acontecer de ele avocar
um processo e regularizar um erro material, corrigindo alguns termos utilizados em suas
decisões/sentenças.

………………………………….​.​FIXANDO​ ​O​ ​ARTIGO:


Art. 505. Nenhum juiz decidirá novamente as questões já decididas relativas à
mesma​ ​lide,​ ​salvo:
I - se, tratando-se de relação jurídica de trato continuado, sobreveio modificação
no estado de fato ou de direito, caso em que poderá a parte pedir a revisão do que foi
estatuído​ ​na​ ​sentença;
II​ ​-​ ​nos​ ​demais​ ​casos​ ​prescritos​ ​em​ ​lei.

Preclusão para o juiz: ​em regra, as três espécies de preclusão referem-se


fundamentalmente aos ônus processuais das partes, não excluindo, todavia, a preclusão de
poder​ ​do​ ​próprio​ ​juiz:

a) ​preclusão temporal: ​NÃO OCORRE PARA O MAGISTRADO​, já que ele não


sofre nenhuma consequência processual pelo descumprimento dos prazos pois as
consequências, quando cabíveis, serão administrativas, civis, criminais etc. Desse modo,
proibir o juiz que descumpre os prazos de exercer os seus poderes apenas traria mais
prejuízos​ ​para​ ​aqueles​ ​fins​ ​em​ ​função​ ​dos​ ​quais​ ​os​ ​prazos​ ​judiciais​ ​são​ ​postos.

b) ​consumativa: ​ESTA SE APLICA AO JUIZ​, pois a não ser diante de novas


alegações ou de fatos novos, não pode, em princípio, o juiz decidir questão já decidida.
Essa proibição de “redecidir”, todavia, não abrange as questões de ordem pública
(pressupostos​ ​processuais,​ ​condições​ ​da​ ​ação).

c) ​lógica: ​EM REGRA, NÃO HAVERÁ PRECLUSÃO LÓGICA DOS PODERES DO


JUIZ, pois isso implicaria no princípio da ~~^^”fundamentação das decisões”^^~~​,
todavia apenas muito excepcionalmente, a preclusão lógica pode atingir poderes do juiz.
Exemplo: se o juiz em vez de exercer o juízo de retratação no agravo, dá cumprimento à
decisão​ ​agravada,​ ​fica-lhe​ ​preclusa​ ​a​ ​possibilidade​ ​de​ ​se​ ​retratar​ ​depois.
Portanto, a preclusão que de fato fica evidente para o juiz, é a ​PRECLUSÃO
CONSUMATIVA, de acordo com a corrente majoritária​. Há doutrinadores que trabalham
com​ ​uma​ ​espécie​ ​de​ ​preclusão​ ​“projudicado”.