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UNIVERSIDADE ESTADUAL DE MONTES CLAROS – UNIMONTES

CENTRO DE CIÊNCIAS HUMANAS – CCH


CURSO DE FILOSOFIA
PROFESSOR: GABRIEL DO NASCIMENTO VIEIRA

ACADÊMICOS: ALEXANDRE DOURADO PEREIRA DE SOUZA


ALEXANDRE AUGUSTO ALVES
ANA DARK
GILBERTO AUGUSTO ROCHA SOARES
JOICE MARTINS
THAMIRES SOARES

ESTUDO DE PROBLEMAS ÉTICOS: DESONESTIDADE

MONTES CLAROS
2018
Decisão moral

Tem-se em discussão o dilema de um pai de família desempregado que precisa escolher


entre aceitar um emprego que, embora seja exigido a prática de irregularidades em prol de seu
patrão, lhe permita sustentar seus filhos e pagar o tratamento de sua esposa doente, ou recusar
este emprego e ver os filhos com fome e a mulher morrendo. O cerne do dilema reside no
contraste entre os fins e os meios do problema: o fim nobre do sustento e segurança familiar
justificaria os meios vis para que tal fim seja alcançado?

Caso o emprego seja aceito, os filhos comerão e a esposa terá sua saúde tratada, no
entanto, ao custo da propagação de condutas condenáveis. Estas, por sua vez, quase certamente
se desdobrarão em novas consequências ruins – contribuição para um mundo com mais
irregularidades, incômodo na consciência causado pela prática destas condutas, o mau exemplo
de uma figura paterna e cidadã para os filhos, eventuais punições e castigos por parte da lei e
dos prejudicados, provável escala para condutas mais reprováveis etc. Por outro lado, a rejeição
do emprego preservará a integridade do sujeito ao custo da persistência dos infortúnios em sua
família.

A moralidade do problema adquire mais nuances ao ser analisado mais profundamente:


seria uma falsa dicotomia inferir que rejeitar o emprego implica em ver os filhos passando fome
e a esposa morrendo? Não haveria outras opções? Quais irregularidades seriam exigidas? Até
que ponto a desonestidade é exigida no emprego em questão? O tratamento da esposa é caro o
suficiente de forma que se torne quase impossível conseguir o dinheiro de forma legal e
socialmente aceitável? Aceitar o emprego temporariamente até o surgimento de melhores
opções influencia a moralidade da escolha?

A desonestidade relaciona-se à mentira, à fraude, faz da pessoa não merecedora de


confiança, situa-se no polo oposto da honra, da decência, da ética e da justiça. Nesse sentido,
não há motivação que retire a reprovabilidade de uma conduta desonesta, ou, em outras
palavras, finalidade alguma é capaz de justificar meios corruptos e desonestos, sobretudo nas
circunstâncias do problema analisado, em que é patente as possibilidades de opções não
reprováveis. Dessa forma, deve-se rejeitar o emprego que exija a prática de irregularidades em
benefício do patrão, ainda que este emprego possibilite resolver o problema dos filhos com
fome e da esposa doente, pois prejudicar outras pessoas em prol de motivos próprios quando
há possibilidade de soluções alternativas socialmente aceitáveis é errado em si.
Relatório

O grupo foi unânime em escolher pela rejeição do emprego. O principal motivo foi o
vislumbre de possibilidades alternativas de resolver o problema – prover a família – que não
envolvam aceitar um emprego em que seja exigido ser desonesto e praticar irregularidades.
Mesmo diante da difícil situação de ter filhos com fome e esposa doente, não se pôde enxergar
a inevitabilidade de escolher resolver a situação mediante condutas abjetas, pelo contrário,
aceitar o emprego foi visto como uma escolha mais fácil.