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Revista Panorâmica On-Line. Barra do Garças – MT, vol. 15, p. 66 - 84, dez. 2013.

ISSN - 2238-921-0

A POSTURA DO PROFESSOR DIANTE DO BULLYING EM SALA DE AULA1

Juliane Prestes Meotti2


Marcelo Perícoli3

RESUMO: Este trabalho aborda o fenômeno social conhecido atualmente como bullying,
seus conceitos, suas características e suas consequências e é resultado de uma pesquisa que
teve como objetivo verificar se a postura do professor inibe ou incentiva tal prática no
ambiente escolar, elencando quais as atitudes que devem ser tomadas na sua prevenção e
combate. De acordo com a natureza do objeto da pesquisa, definiu-se uma abordagem
quantitativa. A coleta de dados para aferir a hipótese deu-se pela aplicação de questionário e
entrevista com alunos e professores de escola pública do ensino básico. Ao analisar a postura
do professor diante dessa prática, percebeu-se que suas ações podem sentenciar, de forma
positiva ou negativa, os envolvidos. Constatou-se, ainda, que, no que concerne à formação
dos professores, há uma lacuna quando se trata desse problema, e é imprescindível que os
professores estejam aptos a lidar com esse tipo de situação que os números mostram não ser
corriqueira. Considerando a responsabilidade social que o professor exerce na formação do
indivíduo, pode-se limitar tal fenômeno social, colaborando, assim, com a construção de uma
sociedade mais justa e igualitária.

PALAVRAS CHAVE: Bullying. Postura do professor. Sociedade. Sala de aula.

THE POSTURE OF THE TEACHER IN FRONT OF BULLYING IN THE


CLASSROOM

ABSTRACT: This paper addresses the social phenomenon known as bullying, their
concepts, their characteristics and their consequences. This research aims to verify if the
posture of the teacher encourages or inhibits this practice in the school environment,
highlighting what are the attitudes that must be taken to prevent and combat. According to the
nature of the object of this research defined a quantitative approach. The data collection to
assess the hypothesis was made through a questionnaire and interviews with students and

1
Trabalho apresentado no XIV Encontro Regional de Estudantes de Letras. XIII Encontro Mato-
66

grossense de Estudantes de Letras - CUA/UFMT.


Página

2
Graduada em Letras Inglês/ Português pela Faculdade Anhanguera de Anápolis. Email:
julianemeotti@hotmail.com
3
Mestre em Linguística Aplicada pela Universidade de Brasília (2002). Professor da
UniEVANGÉLICA - Centro Universitário e na UEG-Anápolis. Email: mspericoli@yahoo.com.br
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teachers of public school education. When analyzing the posture of the teacher in front this
practice, we realize that their actions can sentencing in a positive or negative way the
involved. We verified with regard to teacher training there’s a gap about this problem, and it
is essential that teachers are able to handle this type of situation that the numbers show is not
trivial. Considering the social responsibility that the teacher has in shaping the individual can
limit this social phenomenon, thus corroborating with the structuring of a fairer and more
equalitarian society.

KEYWORDS: Bullying. Posture of the teacher. Society. The classroom.

INTRODUÇÃO

A escola é uma das principais bases da sociedade, é onde ocorre a sociabilização, ou


seja, onde o indivíduo torna-se apto para viver em sociedade e, ainda, onde ocorre um
entendimento do próprio indivíduo como sujeito, tendo direito e deveres.
Do convívio em sala de aula surge a interação social que, segundo Vygotysky (1988)
é a fonte de modelos para o desenvolvimento do indivíduo; sem ela não há aprendizagem.
O tipo de violência a ser tratado neste trabalho é conhecido, atualmente, como
bullying, termo que é utilizado para qualificar o fenômeno social em que o indivíduo sofre,
repetidamente e de forma intencional, agressões físicas e/ou psicológicas, diretas e indiretas.
Essa situação ocorre, quando há desequilíbrio de poder entre os indivíduos envolvidos:
agressor (s) e vítima (s). O bullying geralmente ocorre na esfera coletiva e pode ocorrer em
escolas, em universidades, nas vizinhanças, no ambiente de trabalho, na família, etc. De
acordo com a pesquisa realizada em 2009 pela Plan, 50% dos casos de bullying ocorrem em
sala de aula, dados que motivaram a restrição do tema, analisando essa prática
especificamente em seu ambiente de maior incidência.
A sala de aula é o local destinado à aprendizagem, é onde o professor tem a função
de construir conhecimentos, por meio da interação social. Durante a vivência nesse local,
muitas atitudes são consideradas brincadeiras, como, por exemplo, colocar apelidos nos
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colegas, vaiar, esconder o material do colega. Mas se essas atitudes tiverem a intenção de
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magoar ou ferir, física e/ou psicologicamente um ou mais alunos, a violência pode ser
identificada como bullying. Ele certamente estará presente no ambiente escolar, afirma Fante
(2005), porém, muitas vezes, de forma mascarada.
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A escola deve proporcionar meios que facilitem o bem-estar dos estudantes, e, na


sala de aula, essa função é desempenhada pelo professor, corroborando assim o processo de
ensino/aprendizagem. O professor assume um papel relevante na prevenção e combate de
atitudes discriminatórias pois, suas ações podem ou não ocasionar situações propícias a essa
prática; sua postura foi analisada de forma que possamos chegar a uma conclusão imediata
acerca do tema.
Considerando a escola fonte de modelos para o desenvolvimento do indivíduo e de
sua personalidade, graças à contribuição da interação social, Agnes Heller nos traz uma
formulação a qual pode nos valer para a construção de estereótipos sociais.

De duas maneiras chegamos a ultrageneralização característica de nosso


pensamento e de nosso comportamento cotidianos: por um lado, assumimos
estereótipos, analogias e esquemas já elaborados; por outro, eles nos são
“impingidos” pelo meio em que crescemos e pode-se passar muito tempo até
percebermos com atitude crítica esses esquemas recebidos, se é que chega a
produzir-se tal atitude (HELLER, 1972, p. 44)

Os pais colocam seus filhos na escola preocupados com a formação do indivíduo e


de seus valores, considerando, em muitos casos, a instituição escolar, como uma extensão do
próprio lar. O convívio escolar possibilita ao aluno o contato com maior quantidade de
pessoas dos mais variados tipos que a sociedade classifica como estereótipos. O estudante
pode ou não se identificar com um. Aquele que não se identifica com nenhum desses modelos
de ampla aceitação social pode se tornar uma das vítimas.
As variações nas características da personalidade e tipo físico devem ser respeitadas,
ao invés de se potencializar a discriminação e, consequentemente, as agressões. Disso decorre
o enfoque desta pesquisa, dada a importância da postura do professor em sala de aula; suas
ações perante os alunos devem “impingir” a formação crítica deles.
Com a crescente incidência dessa prática em sala de aula e dos casos resultantes em
homicídio, é inegável a preocupação do futuro profissional da educação com tal problema.
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Constatamos que na formação dos professores há uma lacuna, quando se trata desse problema,
e é imprescindível que os professores estejam aptos a lidar com uma situação que os números
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mostram não ser corriqueira. Conhecer esse fenômeno social e como ele se manifesta é uma
das formas de prevenir e combater a prática do bullying.
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A presente pesquisa propõe a elucidação do tema, seus conceitos e suas


características, que estão descritas no item dedicado à revisão da literatura, no qual são
apresentadas as principais obras e autores que abordam o tema bullying. De acordo com a
natureza do objeto da pesquisa, da qual participaram alunos e professores de uma escola
pública, optou-se por uma abordagem quantitativa. O método empregado na análise dos dados
é estatístico, trabalhado nas relações de porcentagem que foram traduzidas em gráficos e
tabelas que podem ser vistos no item três. O quarto item é dedicado à análise dos dados e à
discussão dos pontos relevantes da pesquisa. No último item estão as conclusões obtidas
acerca desses dados.

1 COMPREENDENDO ESTE FENÔMENO

Os estudos sobre bullying tiveram início na Noruega com o cientista Dan Olweus na
década de 1970, mas, somente a partir de 1990 é que os estudos científicos sobre o assunto
começaram a ganhar interesse mundial. No Brasil, o interesse pelo fenômeno tem seu início
no ano 2000. Nesta década dois casos causaram espanto por resultarem em homicídios; vale
ressaltar que em ambos houve morte de professores.
Uma pesquisa feita pela Pesquisa Plan, no ano de 2009, constata que a maior
incidência dessa prática é em sala de aula e aponta a região Centro-Oeste com o maior
número de ocorrências registradas no Brasil, estabelecendo o índice de 14%, à frente,
inclusive, da região sudeste com 12%.
Em 2003, na cidade de São Paulo, um estudante obeso de 18 anos invadiu a escola
onde estudava e feriu 5 alunos, e, em seguida, cometeu suicídio. Em 2004, na Bahia, um
adolescente de 17 anos matou um colega e a secretária e as investigações revelaram que o
garoto sofria com as brincadeiras feitas pelos colegas na escola. Em 2010, uma garota
Irlandesa que morava nos EUA suicidou, sendo que sua mãe e pelo menos quatro alunos
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tentaram comunicar que a garota sofria humilhações na escola; o problema já era conhecido e
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não foi resolvido.


O trágico Massacre de Columbine, nos EUA, em 1999, resultou em 13 pessoas
assassinadas e 21 gravemente feridas. Dois estudantes da renomada instituição de Columbine
não se encaixavam nos tradicionais padrões atléticos tão incentivados pela escola e
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resolveram criar um grupo de “excluídos sociais”, que muito se inspiravam em ideologias


neonazistas, como se percebeu pelo web-site de um deles. Em 2007, na cidade de Blacksburg,
nos EUA, ocorreu o maior assassinato em massa da história das universidades norte-
americanas. Foram 32 pessoas mortas e 21 feridas pelo sul-coreano Cho Seung-hui, que sofria
de patologias, como depressão e ansiedade e deixou o chamado “manifesto multimídia”, um
vídeo na internet. A frase de maior impacto é “Morri como Jesus, para defender os fracos e
indefesos”. Todas essas ocorrências registradas podem ser encontrados na internet.
Recentemente, o Brasil presenciou uma das maiores tragédias de sua história: o ex
aluno Wellington Menezes de Oliveira, de 23 anos invadiu a escola Tasso de Silveira, na
cidade do Rio de Janeiro, e, armado com dois revólveres, matou 12 crianças, entre 12 e 14
anos, deixou 18 feridos, em seguida, se matou. Este caso ficou conhecido como a Tragédia do
Realengo (2011). Ele deixou uma nota de suicídio na qual afirmava que sofria bullying, fato
confirmado posteriormente no testemunho público de sua irmã adotiva.

1.1 O QUE É BULLYING

Nos estudos sistematizados de bullying o pioneiro foi Dan Olweus. Sua pesquisa
baseava-se em um questionário aplicado a todos os alunos da Noruega, da qual participaram
voluntariamente 85% da população estudantil do país. Os resultados da pesquisa foram
publicados no livro “Bulying at School” (Blackwell Publishing, EUA, 1993); nele, Olweus
define que o estudante está sofrendo bullying, ou sendo vitimado, quando é exposto,
repetidamente e durante um tempo, a ações negativas de um ou mais estudantes.
O significado do termo “ações negativas” citado por ele, nesse mesmo livro, refere-
se a quando alguém intencionalmente inflige, ou tenta infligir, dano ou desconforto em outro.
Segundo ele, esse termo só deve ser utilizado, quando há desequilíbrio de forças. Essas forças,
muitas vezes, não estão relacionadas à força física e, sim, ao ato de dominar. Isso acontece
quando um aluno, de alguma forma, domina o outro com a intenção de humilhar, bater ou
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tirar proveito dessa situação.


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Cléo Fante (2005 p. 28) define esse fenômeno como “[...] um conjunto de atitudes
agressivas, intencionais e repetitivas que ocorrem sem motivação evidente, adotado por um ou
mais alunos contra outro(s), causando dor, angústia e sofrimento [...]”, sendo facilmente
reconhecido quando é praticado, já que seu conceito é bem definido.
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Ambos concordam com a existência de uma dominação do agressor sobre a vítima,


porém, como já afirmado, ela não se restringe somente à força física, podendo ocorrer no
campo psicológico. Fante deixa claro que tal prática pode ocorrer em vários outros contextos
onde haja relação interpessoal, já Olweus considera que pode ser percebida em qualquer
esfera social em que o indivíduo esteja inserido. A maioria das pesquisas sobre o tema adota a
definição do termo elaborado por Olweus.

1.2 TIPOS DE AGRESSÃO

Saber diferenciar e classificar os tipos de agressão é um dos primeiros passos para


combater o bullying em sala de aula. Durante o convívio escolar, o professor presencia
diversos tipos de situações provocadas pelos alunos e muitos desses atos são julgados como
indisciplina e não recebem a devida atenção. Cléo Fante (2005, p 158 a 161) classifica os
tipos de agressão, com o intuito de ajudar o profissional da educação a identificar os tipos de
violência relacionados ao bullying. Vejamos quais são elas:

• Física: bater, empurrar, perseguir, amedrontar,


• Verbal: insultar, ofender, falar mal, colocar apelidos pejorativos.
• Material: roubar, extorquir ou destruir os pertences da vítima.
• Psicológica e moral: humilhar, excluir, chantagear, intimidar, difamar.
• Sexual: abusar, violentar, assediar, insinuar
• Virtual ou Ciberbullying: É a divulgação e/ou realização de agressões por meio de
ferramentas tecnológicas. (celulares, filmadoras, redes sociais da internet, sites de
vídeos, etc).

1.3 COMO IDENTIFICAR AS VÍTIMAS


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Em 2009, uma pesquisa realizada pela Pesquisa Plan envolveu 5.168 estudantes e
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mostrou que 50% dos casos de bullying ocorrem em sala da aula. O estudo também mostrou
que 12% das vítimas são meninos, e 7% são meninas. De acordo com o Relatório
Internacional da Saúde Mental, o bullying é um problema mundial: cerca de 10% das vítimas
sofrem abusos praticados por colegas, várias vezes por mês. Em se tratando de gênero, os
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casos de meninas envolvidas são menores, pois se restringem às chamadas “fofoquinhas” ou


bullying verbal; já com as vítimas, não há essa diferença, pois, tanto meninos quanto meninas
podem sofrer agressões.
O bullying não pode existir sem que haja a quem ele é direcionado: a vítima.
Tratando-se dela, segundo Olweus (1993) são identificados dois tipos:

As passivas ou submissas são ansiosas, inseguras, sensíveis e quietas. Sofrem de


baixa autoestima, têm uma visão negativa de si mesmas, não são agressivas e não
provocam os outros alunos. Quando agredidas reagem chorando ou se afastando dos
agressores sejam eles primários ou secundários.
As provocativas apresentam, ao mesmo tempo, ansiedade e reações agressivas,
podendo praticar bullying contra outras crianças.

As vítimas podem receber classificações diferentes, porém ambas podem sofrer o


mesmo tipo de violência. Essa classificação se dá, de acordo a reação de cada uma delas. Cléo
Fante afirma que:

Na maioria das vezes as vítimas sofrem caladas por vergonha de se exporem


ou por medo de represálias dos seus agressores, tornando-se reféns de
emoções traumáticas e destrutivas, como medo, insegurança, raiva,
pensamentos de vingança e de suicídio, além de fobias sociais e outras
reações que impedem seu bom desenvolvimento escolar. (FANTE, 2005, p.
16)

O silêncio é um grande aliado dos agressores; geralmente, as vítimas sentem


vergonha e medo de relatar as agressões, e isso faz com que o agressor sinta-se à vontade para
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continuar sua prática. É comum notar nas vítimas traços depressivos e redução do
desempenho escolar; muitas delas não sentem vontade de ir à escola, fingem-se de doente, ou
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se apoiam em qualquer pretexto que as afaste da sala de aula. No recreio passam a maior parte
do tempo sozinhas, temendo qualquer tipo de convívio social.
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1.4 COMO IDENTIFICAR OS AGRESSORES

Estudos mostram características comuns entre agressores, afirma Fante (2005, p.71 a
74). O conhecimento delas facilita a identificação do agressor no contexto escolar. Como o
nome já diz, a agressividade é uma dessas características. O aluno pode ser agressivo com os
colegas, com os adultos, inclusive com os professores. Alguns apenas reproduzem o modo
como são tratados no ambiente familiar.
Em geral, os alunos que praticam o bullying são impulsivos; os primeiros a fazer
piada dos mais variados temas. Sentem necessidade de dominar os outros e, muitas vezes,
fazem uma avaliação positiva de si mesmas. Essas características são detectadas tanto em
agressores masculinos quanto em femininos. Todavia, em relação às meninas, podem existir
diferenças, como no caso do bullying verbal e/ou psicológico/moral que pode ser configurado
sem a presença da vítima e sem agressividade ou impulsividade. As conhecidas “rodinhas de
fofoca” podem surgir no ambiente escolar tanto dentro quanto fora da sala de aula; as alunas
criam apelidos pejorativos ou mentiras (difamação) sobre colegas. A agressão aqui consiste
em rir, apontar ou espalhar para a escola. Essa é uma agressão silenciosa, portanto, mais fácil
de ser identificada a vítima do que seus agressores.
O bullying terá mais sentido e/ou motivo para quem o pratica, quando o ato tem
resposta imediata ou posterior, fazendo com que os colegas sejam cúmplices, quando riem,
aplaudem e imitam, ou cumpram as ordens do agressor. Assim, são chamados de Agressores
Secundários, pois não tomam a iniciativa nas agressões. Pode existir ainda o agressor que age
como um mediador, que, de forma um pouco mais discreta, incentiva o outro à prática do
bullying, como, por exemplo, pedindo para criar um apelido maldoso, bater, etc. A vítima se
sente atacada por todos os tipos de agressor.

1.5 CONSEQUÊNCIAS DO BULLYING


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Segundo a Pesquisa Plan (2009), as consequências dos maus tratos sofridos vão
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desde a perda do entusiasmo, seguida pela perda de concentração até o medo de ir à escola.
Esses dados permitem inferir que o maior impacto desse tipo de violência é justamente no
processo de aprendizagem e no desenvolvimento escolar, confirmando, assim, o que diz
Vygotysk (1974) sobre “interação social”, pretendendo que o desenvolvimento cognitivo do
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aluno se dá pela interação com o ambiente e com as pessoas com as quais se relaciona, que
são fonte de modelos para o desenvolvimento do indivíduo. A interação social no contexto
escolar se dá no convívio, principalmente, em sala de aula.
Conforme a pesquisa realizada pela ABRAPIA, no ano de 2003, a maioria das
agressões ocorre no interior da sala de aula, na presença do professor. Com este dado fica
evidente a importância do professor e de suas ações perante tal prática. Assim, o professor que
conhece o conceito e suas consequências é capaz de elaborar planos de ações e atividades que
a coíbam.
Segundo Pauer (2005), o bullying não é parte de uma fase do desenvolvimento
normal de uma criança. É durante a escola que o indivíduo constrói sua personalidade que
será moldada de forma negativa por esse tipo de prática, gerando adversidades no convívio
escolar e na vida adulta. Se o aluno sente medo de que o colega o ridicularize, muito
dificilmente será participativo na sala de aula; se tem baixa autoestima, também, quase nunca
confiará na sua capacidade intelectual e, certamente, não desejará ir à escola, pois lá estará o
motivo de sua tristeza.
As agressões podem gerar na vítima um isolamento social. O aluno pode ainda
desenvolver sintomas físicos e psicológicos, como dores repentinas de cabeça e de estômago,
ansiedade e depressão, entre tantos outros, podendo agravar problemas existentes devido à
exposição prolongada ao stress. Em casos mais graves, a situação gera o suicídio e o
homicídio. Os agressores também sofrem consequências, pois carregarão consigo
comportamentos antissociais, dificuldades em obedecer a regras e reações agressivas,
comportamentos que criam uma barreira no relacionamento professor/aluno e no processo
ensino/aprendizagem e, nos casos mais graves de agressão, podem ser presos.

1.6 O PROFESSOR
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De acordo com a pesquisa realizada, em 2009, pela Plan, constatou-se que 50% dos
Página

casos de bullying ocorrem em sala de aula. O estudo também mostrou que 68% dos casos
ocorridos em sala de aula acontecem na presença do professor. Esses números são indicadores
da responsabilidade do professor perante essa prática. A atitude por ele tomada servirá de
exemplo aos demais alunos presentes e o exemplo pode ser tanto positivo quanto negativo.
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No entanto, o professor pode não ser o único responsável por esse fenômeno social,
porém está intimamente ligado a ele. No cotidiano escolar, suas ações podem ou não
ocasionar situações propícias a essa prática. Pavan destaca a importância do papel do
professor em sala de aula:

Ter consciência de que o papel do professor é de extrema importância para


se obter na sala de aula um clima de respeito mútuo, fazendo com que os
alunos entendam a importância de se respeitar o colega, de se dialogar ao
invés de ofender e brigar é fundamental ao educador e futuro educador.
(PAVAN, 2007 p. 45)

O convívio escolar deve ser levado em consideração, pois ele é parte fundamental no
processo de ensino/aprendizagem e na formação do indivíduo. O aluno convive diariamente
com o professor, muitas vezes mais do que convive com os pais ou outros membros da
família. Morales (1999, p. 22) afirma que o professor atua como modelo de identificação e
destaca:

Muitas coisas importantes na vida se aprendem quase inconscientemente,


por imitação de modelos (aprende-se a ser homem ou a ser mulher; aprende-
se até mesmo a ser professor...; repetem-se condutas vistas em outros,
internalizadas, aprovadas pela cultura ambiental).

Sua postura pode muitas vezes sentenciar o indivíduo e suas atitudes; assim, para
uma melhor conduta e um melhor aprendizado é necessário que haja no ambiente escolar uma
perspectiva de igualdade entre seus membros. É importante que a diversidade seja trabalhada,
de forma positiva, em sala de aula, fazendo com que o aluno reflita sobre o problema,
evitando que as diferenças possam gerar conflitos e, posteriormente, sejam potencializados
em forma de agressão.

2 A PESQUISA
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Os estudos no Brasil transcorrem há mais de uma década e, após a tragédia de


Página

Realengo, em abril deste ano, seminários, fóruns e palestras se intensificaram. Mesmo em


uma rápida pesquisa na internet podemos ter acesso a pesquisas, artigos e teses sobre o tema.
Editoras lançaram novas edições de livros de autores conceituados, abordando esta
problemática aumentando, assim, a possibilidade de estudo e pesquisa.
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A coleta de dados deu-se por meio da aplicação de questionário e entrevistas


(estruturada e não estruturada) com alunos e professores de escola pública do ensino básico.
Para a confecção do questionário, foi adotado, como parâmetro, o questionário do pesquisador
norueguês Dan Olweus e feitas as devidas adaptações frente à realidade social, econômica e
cultural da escola, tendo ainda como aporte a literatura científica deste trabalho.
A pesquisa em seu sentido prático adotou como método de avaliação de resultados,
relações de porcentagem a serem traduzidas em gráficos e tabelas, por meio dos dados do
questionário supracitado. Essa ferramenta de pesquisa foi aplicada, após entrevista com o
corpo docente, para possibilitar a triagem de uma série ou sala específica onde ocorreram
casos de bullying, criando-se, dessa forma, um mapeamento que possibilitou a construção do
plano de ação.
De acordo com a natureza do objeto da pesquisa, definiu-se a abordagem empregada
na análise dos dados. Quando os dados permitiram um tratamento estatístico, foram
trabalhados numa perspectiva quantitativa, que, segundo André (1998 p. 17), “[...] é aquela
que divide a realidade em unidade passível de mensuração, defendendo uma visão holística
dos fenômenos, isto é, que leve em conta todos os componentes de uma situação em suas
interações recíprocas”.

2.1 A ESCOLA

A escola escolhida para a pesquisa está localizada em uma região periférica da


cidade de Pirenópolis/Go e atende 604 alunos do Ensino Fundamental, Médio e Educação
para Jovens e Adultos (EJA). Foram constatados inúmeros casos de violência escolar,
conforme registros no Conselho Tutelar e no caderno de ocorrência da instituição. É, assim,
de importante valia analisar os dados, visando uma estratégia de prevenção e combate.
O colégio atende à comunidade com amplitude: mantém o curso fundamental do 1°
76

ao 9° ano, Ensino Médio e a Educação para Jovens e Adultos (EJA). Funciona em três turnos:
Página

matutino, com 8 salas de aula, vespertino, com 9 salas de aula e noturno, com 11 salas de
aula, sendo que uma delas é emprestada por outra instituição que fica próxima da escola, e
outra sala funciona no galpão do Colégio. Todos os turnos têm acesso às salas da biblioteca,
de informática e de apoio.
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A estrutura da escola encontra-se em ótimo estado. Além dos ambientes citados,


existe uma ampla área verde, onde, geralmente, são realizadas atividades extraclasse e as
aulas de educação física. Como esta pesquisa objetivou analisar a postura do professor, em
sala de aula, os demais espaços reservados à interação social não foram analisados de forma
relevante.
As salas de aula são amplas e arejadas, possuindo um número médio de 30 alunos
por classe; as carteiras e o quadro negro estão em excelente estado de conservação, todas
possuem ventiladores de teto e espaço para uso de material didático, como: TV- DVD e Data
Show. Uma das salas de aula funciona como laboratório de informática, com equipamentos de
ultima geração que são frequentemente utilizados pelos alunos.

2.2 CORPO DOCENTE

A escola possui, atualmente, em seu quadro de funcionários, 24 professores, sendo


18 efetivos e seis contratados, temporariamente. Foram analisados nove dos que ministram
aula na sétima série do ensino fundamental, que, segundo entrevista feita com a coordenação
da escola, é a sala com maior incidência de violência, no âmbito escolar. Tais professores
cumprem uma carga horária que varia de 14 a 20 horas-aula semanais, sendo de total
relevância a participação dos professores de matemática e de língua portuguesa, pois são as
disciplinas com maior número de aula por semana.
Nenhum professor se opôs a responder ao questionário ou participar da entrevista,
mostrando, inclusive bastante interesse em participar. Os dados obtidos por meio desses
instrumentos serão traduzidos em gráficos e discutidos a partir das obras mencionadas na
Revisão da literatura.
Para preservar a identidade dos participantes, eles serão denominados como
professor A, professor B e assim sucessivamente até a letra I. Veja tabela 1.
77
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2.3 CORPO DISCENTE

Compõem o corpo discente da escola cerca de 530 alunos entre o 6° ano do ensino
fundamental e o 3° ano do ensino médio. As salas escolhidas como objeto de pesquisa são
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destinadas aos alunos da 7ª série do Ensino Fundamental, totalizando 86 alunos, que,


voluntariamente, responderam ao questionário.
Uma situação peculiar relatada pela diretora, durante a triagem das salas, foi um dos
maiores motivos para a escolha da série a ser estudada. Um aluno pediu transferência da
escola, alegando ser vítima de perseguição dos colegas. Segundo ela, o aluno tinha “trejeitos
femininos” e, por isso, era motivo de piadas maldosas e apelidos pejorativos.
Quando questionada a atitude dela em relação a esse episódio, ela afirma que o aluno
só se manifestou durante o pedido de transferência e, por isso, não pôde intervir de imediato.
Posteriormente, ela convidou um grupo de palestrantes para fazer uma intervenção, abordando
o tema “preconceito”.

3 DISCUSSÃO E ANÁLISE DOS DADOS

Como o intuito do trabalho era analisar a postura do professor diante do bullying, em


sala de aula, a participação dos alunos foi de suma importância, pois são eles que vivenciam,
ora como vítimas, ora como agressores, esse tipo de comportamento. Os alunos serviram
como “termômetro” para esta pesquisa, a fim de chegarmos a uma conclusão imediata acerca
do tema.
Dos 86 alunos que responderam ao questionário, 47 são do sexo masculino e 39 do
feminino. Quando questionados se sabem o que é bullying, 87% dos entrevistados
responderam que sim. A grande maioria afirma que tem conhecimento sobre o tema,
favorecendo, assim, as respostas para as demais perguntas do questionário.
Quando questionados se: “Você já foi vítima de bullying?” uma parcela relevante dos
alunos afirmou que sim e, dentre os 31% de alunos que se dizem vítimas, 18% são meninas e
9% são meninos. Geralmente as mulheres são mais vulneráveis, quando comparadas aos
homens, em relação à força física, já que uma das características dessa prática está
78

relacionada à dominação, ao poder; pode ser este o fator que justifica a predominância do
Página

sexo feminino entre as vítimas.


Quando questionados se já praticaram bullying, surge um dado interessante. Pode-se
constatar que 14% dos alunos que responderam ao questionário já praticaram bullying alguma
vez em sala de aula. Veja gráfico 1. Dos praticantes a maioria é menino, contra apenas 6% das
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meninas. A maioria das pesquisas já publicadas afirma que o número de agressores do sexo
masculino é maior que o do feminino. Destaca-se que essa diferença corresponde a somente
2% nesta pesquisa, número considerado pequeno. É possível afirmar que existe uma constante
crescente do número de agressores do sexo feminino.
A questão mais relevante da pesquisa corresponde à análise da postura do professor
diante do bullying em sala de aula. Quando questionados se já presenciaram tal prática em
sala de aula, 78% dos alunos afirmaram que sim. Foi perguntada qual a atitude tomada pelo
professor e se o aluno concordava com ela. Eles podiam optar por três alternativas em relação
à atitude: nenhuma, incentivadora e repreensora.
Nesta questão os dados seguem divergentes, e, em uma primeira análise, até
conflitante com os demais dados da pesquisa. Pelas respostas e justificativas dadas formaram-
se quatro grupos de respostas.
Grupo A- Formado pelos que não concordam com a atitude repreensora do
professor, pois acreditam que não passa de uma brincadeira.
Grupo B- Formado pelos que concordam com a atitude repreensora; este grupo é
composto, em sua maioria, por alunos que se dizem vítimas. Destaco a seguinte frase retirada
de uma das justificativas “[...] na escola agente ta [sic] é pra aprender”.
Grupo C- Formado pelos que não concordam com a atitude considerada
incentivadora, pois se sentem ridicularizados.
Grupo D- Formado pelos que concordam com a atitude incentivadora, alegando que:
“uma brincadeira durante a aula alivia a chatice”.
Esses grupos foram divididos pelo número total de participantes, podendo existir esta
codivisão entre os alunos da mesma sala de aula. Destaco as seguintes questões: Um dos
alunos assinalou a alternativa “Nenhuma”, porém na justificativa disse que o professor apenas
riu e continuou a aula. É possível considerar o riso uma atitude incentivadora, incluindo este
professor como agressor secundário, que, de acordo com Fante (2005, p.73) “[...] é aquele que
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não toma a atitude, mas serve como cúmplice do agressor”.


Página

Sobre o caráter repreensor, podemos destacar também que a atitude do professor,


como chamar a atenção do aluno, deu-se, visando a que os alunos voltassem o foco ao
conteúdo que estava sendo ministrado e, não, à erradicação do problema. Um dos alunos
caracterizou como incentivadora a atitude de um dos professores que, ao fazer a chamada
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evidenciou características físicas, ressaltando ainda mais as diferenças entre os estereótipos


sociais que levam à prática de bullying.
Da análise do questionário respondido pelos professores é possível afirmar que
existem atitudes que combatem e previnem a prática de bullying, assim como aquelas que
incentivam. Quando questionados se já leram ou ouviram falar sobre esse tema, os professores
foram unânimes em dizer que sim, apenas um deles afirmou que ouviu falar durante o período
de graduação, os demais se informaram por meio de leituras e programas de televisão. No que
diz respeito à formação acadêmica desses professores, 56% possuem pós-graduação, 33%
graduação e 11% possuem somente o ensino fundamental, conforme gráfico 3.
Ao serem questionados se durante as aulas que ministram já haviam presenciado
casos de bullying, a grande maioria dos professores afirma que sim, observe gráfico 3, porém
11% dos entrevistados afirmam que não. Pesquisas mostram que esta é uma prática comum
no ambiente escolar. Ao confrontarmos as respostas dadas pelos alunos e as dadas pelos
professores, levantamos a seguinte questão: se 87% dos alunos afirmam que já presenciaram
casos de bullying, como pode existir uma porcentagem de professores que não reconhecem
esta prática durante suas aulas? Pressupõe-se que essa parcela de professores pode não
conhecer verdadeiramente seu conceito e suas características, ou como os estudos de Fante
(2005) afirmam, ele está presente no ambiente escolar, mas de forma mascarada.
Quando questionados como deveria ser a reação do professor diante dos casos de
bullying, a maior parte deles relata que o diálogo é a melhor atitude, “[...] ter uma conversa
amigável com a turma, mostrando que ser diferente é bom e tem suas vantagens. Não teria
graça se todos fossem iguais [...]”, relata o professor B.
Na pergunta “Em sua opinião, a postura do professor pode fazer com que o ambiente
seja propício à prática de bullying?”, 67% dos professores afirmam que a postura influencia o
ambiente, o Professor G relata que: “[...] alguns professores colocam apelidos nos alunos
[...]” e, muitas vezes, essa atitude pode não ser vista de forma positiva. Onze por cento dos
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professores afirmam que a postura deles não contribui com essa prática “[...] é um problema
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que sempre existiu, mas, todo problema não pode ser central ele surge com problemas
inferiores”, relata o Professor C. Os 22% que responderam que não têm certeza, ressaltam
que depende da situação.
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A visão de que o bullying sempre existiu e é considerado normal entre os alunos


mostra uma visão pré-existente que é desconstruída na visão dos teóricos que embasam esta
pesquisa. Tal prática não deve ser considerada normal ou uma situação corriqueira, agora, que
já conhecemos as consequências e os danos causados nas vítimas.
Quando questionados se é possível perceber alguma mudança no comportamento da
vítima ou do agressor, ao tê-lo praticado, a maior parte das respostas fez referência ao
comportamento da vítima que, segundo Professor A: “[...] a vítima fica totalmente sem
chão”. Características comportamentais são mais facilmente percebidas na reação das vítimas,
pois elas se retraem ou choram, já o agressor é muito sutil, continua normalmente após o
episódio.
Na última pergunta do questionário, foi solicitado que os professores oferecessem
uma sugestão para inibir a prática do bullying em sala de aula; 78% dos professores sugeriram
o diálogo com a turma, o que reforça a questão que foi respondida por eles sobre a reação do
professor diante do bullying. Esta é uma atitude que eles afirmam que já tomam em sala de
aula. O Professor D afirma que deve ser uma ação conjunta com a coordenação, já que este
problema não é levado a outras instâncias da escola.
Naquilo que corresponde aos 22% que apresentaram sugestões diferentes, duas delas
chamaram a atenção. Uma foi apresentada pelo Professor I: “Explicar o que é o bullying
pode mudar para pior a vida do aluno vítima.” Teóricos afirmam que conhecer seu conceito e
suas características inibe a prática ao invés de “piorar” a situação. A segunda delas foi
apresentada pelo Professor C: “O respeito ao próximo deve ser ensinado pelos pais para que
possamos reforçar, e não ensinar na escola”. De fato, as primeiras noções de respeito e ética o
ser humano adquire no convívio familiar, mas elas devem ser também ensinadas na escola.
Os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN) servem de referência para os
professores que lecionam no Ensino Fundamental e Médio de todo o país. Neles está contida
uma série de sugestões para garantir que crianças e jovens, mesmo em locais com condições
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socioeconômicas desfavoráveis, tenham o direito de usufruir do conjunto de conhecimentos


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necessários para o exercício da cidadania. De acordo com esses parâmetros, o professor deve
trabalhar em seu cotidiano os conteúdos de ética, respeito mútuo, justiça, diálogo e
solidariedade (BRASIL, 1998).
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3 GRÁFICOS E TABELAS

TABELA 1: Refere-se à disciplina ministrada por cada professor e o tempo de atuação na


escola.

Professor Disciplina Tempo de atuação


Professor A Geografia Mais de cinco anos
Professor B Matemática Mais de cinco anos
Professor C Filosofia Mais de cinco anos
Professor D História Mais de cinco anos
Professor E Biologia Menos de dois anos
Professor F Língua Portuguesa Mais de cinco anos
Professor G Língua Inglesa Mais de cinco anos
Professor H Química Mais de cinco anos
Professor I Física Mais de cinco anos
Fonte: Dados da pesquisa
GRÁFICO 1: Destaca um possível crescimento no número de agressores do sexo feminino.

Fonte: Dados da pesquisa

GRÁFICO 2: Corresponde à escolaridade dos professores que participaram da pesquisa,


sendo que somente um deles ouviu falar sobre o tema, durante o período de graduação.
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Fonte: Dados da pesquisa


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GRÁFICO 3: A grande maioria é capaz de identificar a prática do bullying em sala de


aula.

Fonte: Dados da pesquisa

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Com a pesquisa foi possível observar que o tema bullying já é conhecido pela
maioria dos professores e alunos, embora seu conceito e suas características ainda não tenham
sido estudados em sua plenitude. A proposta do estudo, ao analisar a postura do professor
diante do bullying, em sala de aula, teve o intuito de traçar um plano de ação que combatesse
e prevenisse essa prática, porém a maioria dos professores desconsidera o papel social que o
professor exerce sobre a formação do indivíduo, atribuindo-a à família.
A sociedade em si passa por grandes transformações; vivemos na era da informação,
e, mesmo com tanto conhecimento, não se pode resolver problemas do cotidiano. O que
vemos é um atribuindo a causa do problema ao outro. Se o bullying é um fenômeno social e
você está inserido na sociedade, este problema também é seu. De nada adianta identificar o
problema, se não houver a busca de uma solução.
A transmissão de sentimentos e valores deve ser feita pela família, mas levando em
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consideração que o indivíduo passa a maior parte do tempo na escola e é nela que se encontra
Página

o problema relacionado à sociabilização, então, é dela que deve partir a atitude de solucionar
esses problemas. O professor não deve ser o único responsável pela erradicação do bullying,
deve existir uma ação conjunta entre a família e a escola. Ter consciência de que suas atitudes
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podem influenciar na formação do aluno como indivíduo, pode limitar este fenômeno social,
contribuindo, assim, com a estruturação de uma sociedade mais justa e igualitária.

REFERÊNCIAS

ABRAPIA, Associação Brasileira Multidisciplinar de Proteção a Infância e a Adolescência.


Disponível em: http: abrapia.org.br/, acessado em 09/08/2011

ANDRÉ, Marli Eliza Dalmazo Afonço de. Etnografia da prática escolar. 2ª. Ed. Campinas,
SP: Papirus, 1998.
Arquivo. campanhaeducacao.org.br/semana/2011/pesquisa_plan_resumo.pdf

BRASIL. Ministério da Educação e do Desporto. Secretaria de Educação Fundamental.


PARÂMETROS CURRICULARES NACIONAIS. Brasília: MEC/SEF, 1998. v.8

FANTE, Cléo. Fenômeno bullying: como prevenir a violência nas escolas e educar para a
paz. São Paulo: Verus, 2005.

HELLER, Agnes. O cotidiano e a história. 4. ed. São Paulo: Paz e Terra, 1972.

MORALES, Pedro. A Relação Professor-Aluno: o que é, como se faz. São Paulo: Loyola,
1999.

OLWEUS, Dan. What Is Bullying? Olweus Bullying Prevention Program. Disponível em


<http://www.olweus.org/public/bullying.page>. Último acesso em 13 de maio de 2011.

PAUER, Thomas. Desenvolvimento motor em jovens. ed PHL - publishing house lobmaier.


2005

PAVAN, Luciana. O papel do professor diante do bullying em sala de aula. Bauru:


Universidade Estadual Paulista, 2007.

VYGOTSKKY, L.S.; LURIA, A.R. e LEONTIEV, A.N. Linguagem, Desenvolvimento e


Aprendizagem. São Paulo: Ícone-Ed. USP, 1988.
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