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Polícia Civil do Estado de São Paulo

PC-SP
Agente de Telecomunicações Policial
Edital de abertura de inscrições

AB099-2018
AULÃO PRESENCIAL

PC-SP
REVISÃO DE VÉSPERA

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DADOS DA OBRA

Título da obra: Polícia Civil do Estado de São Paulo - PC-SP

Cargo: Agente de Telecomunicações Policial

(Baseado no Edital de abertura de inscrições)

• Língua Portuguesa
• Direito Constitucional
• Direitos Humanos
• Direito Administrativo
• Direito Penal e Direito Processual Penal
• Noções de Criminologia
• Noções de Lógica
• Noções de Informática e Comunicação
• Atualidades

Gestão de Conteúdos
Emanuela Amaral de Souza

Diagramação / Editoração Eletrônica


Elaine Cristina
Igor de Oliveira
Camila Lopes
Thais Regis

Produção Editoral
Suelen Domenica Pereira
Julia Antoneli

Capa
Joel Ferreira dos Santos
APRESENTAÇÃO

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SUMÁRIO

Língua Portuguesa

1.1 - Fonética e Fonologia;.................................................................................................................................................................................... 01


1.2 - Ortografia;......................................................................................................................................................................................................... 04
1.3 - Morfologia;....................................................................................................................................................................................................... 09
1.4 - Sintaxe;............................................................................................................................................................................................................... 47
1.5 - Pontuação;........................................................................................................................................................................................................ 55
1.6 - Semântica;......................................................................................................................................................................................................... 57
1.7 - Estilística;............................................................................................................................................................................................................ 57
1.8 - Textos: dissertativo, narrativo e descritivo;........................................................................................................................................... 66
1.9 - Compreensão de textos............................................................................................................................................................................... 66

Direito Constitucional

Artigos 1º a 5º e artigo 144, da Constituição Federal;............................................................................................................................... 01


Artigo 140, da Constituição do Estado de São Paulo;................................................................................................................................ 27

Direitos Humanos

Noção, significado, finalidades, história;......................................................................................................................................................... 01


os Direitos Humanos Fundamentais na Constituição Federal;............................................................................................................... 06
Declaração Universal dos Direitos Humanos................................................................................................................................................. 06

Direito Administrativo

Lei Complementar n.º 207, de 5 de janeiro de 1979;................................................................................................................................. 01


Lei n.º 10.261, de 28 de outubro de 1968;...................................................................................................................................................... 20

Direito Penal e Direito Processual Penal

Crime e contravenção; crime doloso e crime culposo; crime consumado e crime tentado;...................................................... 01
Excludentes de ilicitude;......................................................................................................................................................................................... 11
Artigos 312 a 359 do Código Penal;................................................................................................................................................................. 12
Polícia Judiciária, persecução penal; inquérito policial;............................................................................................................................. 22
Prova – objeto e meios de prova........................................................................................................................................................................ 25
Prisão – conceito, espécies;.................................................................................................................................................................................. 30
Lei n.º 12.830, de 20 de junho de 2013........................................................................................................................................................... 36

Noções de Criminologia

3.1 - Conceito, método, objeto e finalidade da Criminologia;................................................................................................................ 01


3.2 - Vitimologia;....................................................................................................................................................................................................... 04
3.3 - O Estado Democrático de Direito e a prevenção da infração penal.......................................................................................... 06

Noções de Lógica

4.1 - Conceitos de raciocínio lógico;................................................................................................................................................................. 01


4.2 - Estruturas lógicas;.......................................................................................................................................................................................... 01
4.3 - Lógica de argumentação............................................................................................................................................................................. 01
SUMÁRIO

Noções de Informática e Comunicação

5.1 - Sistema operacional: conceito de pastas, diretórios, arquivos e atalhos, área de trabalho, área de transferência,
manipulação de arquivos e pastas, uso dos menus, programas e aplicativos, digitalização de arquivos, interação com o
conjunto de aplicativos para escritório;........................................................................................................................................................... 01
5.2 - Editor de texto: estrutura básica dos documentos, edição e formatação de textos, cabeçalhos, parágrafos, fontes,
colunas, marcadores simbólicos e numéricos, tabelas, impressão,controle de quebras e numeração de páginas, legendas,
índices, inserção de objetos, campos predefinidos, caixas de texto;................................................................................................... 07
5.3 - Editor de planilha eletrônica: estrutura básica das planilhas, conceitos de células, linhas, colunas, pastas e gráficos,
elaboração de tabelas e gráficos, uso de fórmulas, funções e macros, impressão, inserção de objetos, campos
predefinidos, controle de quebras e numeração de páginas, obtenção de dados externos, classificação de dados;..... 14
5.4 - Correio Eletrônico: uso de correio eletrônico, preparo e envio de mensagens, anexação de arquivos;...................... 27
5.5 - Mensageria eletrônica: conceito e utilização;..................................................................................................................................... 27
5.6 - Voz sobre IP: conceito e utilização;......................................................................................................................................................... 29
5.7 - Ambiente em rede: conceitos, navegadores, navegação internet e intranet, conceitos de URL, links, sites, busca e
impressão de páginas, redes sociais, sistemas de busca e pesquisa, proteção e segurança, configurações, armazenamento
de dados na nuvem (cloud storage);................................................................................................................................................................ 29
5.8 - Hardware: Microcomputadores e periféricos: configuração básica e componentes; Impressoras: classificação e
noções gerais; dispositivos de armazenamento externo: conceito, classificação e noções gerais.......................................... 41

Atualidades

Tópicos atuais no Brasil e no mundo, relativos a economia, política, saúde, sociedade, meio ambiente, desenvolvimento
sustentável, educação, energia, saúde, relações internacionais, segurança e tecnologia, ocorridos a partir de 1º de
janeiro de 2017, divulgados na mídia nacional e/ou internacional...................................................................................................... 01
LÍNGUA PORTUGUESA

1.1 - Fonética e Fonologia;.................................................................................................................................................................................... 01


1.2 - Ortografia;......................................................................................................................................................................................................... 04
1.3 - Morfologia;....................................................................................................................................................................................................... 09
1.4 - Sintaxe;............................................................................................................................................................................................................... 47
1.5 - Pontuação;........................................................................................................................................................................................................ 55
1.6 - Semântica;......................................................................................................................................................................................................... 57
1.7 - Estilística;............................................................................................................................................................................................................ 57
1.8 - Textos: dissertativo, narrativo e descritivo;........................................................................................................................................... 66
1.9 - Compreensão de textos............................................................................................................................................................................... 66
LÍNGUA PORTUGUESA

1.1 - FONÉTICA E FONOLOGIA;

A palavra fonologia é formada pelos elementos gregos fono (“som, voz”) e log, logia (“estudo”, “conhecimento”). Significa
literalmente “estudo dos sons” ou “estudo dos sons da voz”. Fonologia é a parte da gramática que estuda os sons da lín-
gua quanto à sua função no sistema de comunicação linguística, quanto à sua organização e classificação. Cuida, também,
de aspectos relacionados à divisão silábica, à ortografia, à acentuação, bem como da forma correta de pronunciar certas
palavras. Lembrando que, cada indivíduo tem uma maneira própria de realizar estes sons no ato da fala. Particularidades na
pronúncia de cada falante são estudadas pela Fonética.
Na língua falada, as palavras se constituem de fonemas; na língua escrita, as palavras são reproduzidas por meio de
símbolos gráficos, chamados de letras ou grafemas. Dá-se o nome de fonema ao menor elemento sonoro capaz de esta-
belecer uma distinção de significado entre as palavras. Observe, nos exemplos a seguir, os fonemas que marcam a distinção
entre os pares de palavras:
amor – ator / morro – corro / vento - cento

Cada segmento sonoro se refere a um dado da língua portuguesa que está em sua memória: a imagem acústica que
você - como falante de português - guarda de cada um deles. É essa imagem acústica que constitui o fonema. Este forma
os significantes dos signos linguísticos. Geralmente, aparece representado entre barras: /m/, /b/, /a/, /v/, etc.

Fonema e Letra
- O fonema não deve ser confundido com a letra. Esta é a representação gráfica do fonema. Na palavra sapo, por
exemplo, a letra “s” representa o fonema /s/ (lê-se sê); já na palavra brasa, a letra “s” representa o fonema /z/ (lê-se zê).
- Às vezes, o mesmo fonema pode ser representado por mais de uma letra do alfabeto. É o caso do fonema /z/, que
pode ser representado pelas letras z, s, x: zebra, casamento, exílio.

- Em alguns casos, a mesma letra pode representar mais de um fonema. A letra “x”, por exemplo, pode representar:
- o fonema /sê/: texto
- o fonema /zê/: exibir
- o fonema /che/: enxame
- o grupo de sons /ks/: táxi

- O número de letras nem sempre coincide com o número de fonemas.


Tóxico = fonemas: /t/ó/k/s/i/c/o/ letras: t ó x i c o
1 2 3 4 5 6 7 12 3 45 6

Galho = fonemas: /g/a/lh/o/ letras: ga lho


1 2 3 4 12345

- As letras “m” e “n”, em determinadas palavras, não representam fonemas. Observe os exemplos: compra, conta. Nestas
palavras, “m” e “n” indicam a nasalização das vogais que as antecedem: /õ/. Veja ainda: nave: o /n/ é um fonema; dança: o
“n” não é um fonema; o fonema é /ã/, representado na escrita pelas letras “a” e “n”.

- A letra h, ao iniciar uma palavra, não representa fonema.


Hoje = fonemas: ho / j / e / letras: h o j e
1 2 3 1234

Classificação dos Fonemas


Os fonemas da língua portuguesa são classificados em:

1) Vogais
As vogais são os fonemas sonoros produzidos por uma corrente de ar que passa livremente pela boca. Em nossa língua,
desempenham o papel de núcleo das sílabas. Isso significa que em toda sílaba há, necessariamente, uma única vogal.
Na produção de vogais, a boca fica aberta ou entreaberta. As vogais podem ser:

- Orais: quando o ar sai apenas pela boca: /a/, /e/, /i/, /o/, /u/.

1
LÍNGUA PORTUGUESA

- Nasais: quando o ar sai pela boca e pelas fossas na- - Decrescente: quando a vogal vem antes da semivo-
sais. gal: pai (a = vogal, i = semivogal)
/ã/: fã, canto, tampa - Oral: quando o ar sai apenas pela boca: pai
/ ẽ /: dente, tempero - Nasal: quando o ar sai pela boca e pelas fossas na-
/ ĩ/: lindo, mim sais: mãe
/õ/: bonde, tombo
/ ũ /: nunca, algum 2) Tritongo

- Átonas: pronunciadas com menor intensidade: até, É a sequência formada por uma semivogal, uma vo-
bola. gal e uma semivogal, sempre nesta ordem, numa só sílaba.
Pode ser oral ou nasal: Paraguai - Tritongo oral, quão - Tri-
- Tônicas: pronunciadas com maior intensidade: até, tongo nasal.
bola.
3) Hiato
Quanto ao timbre, as vogais podem ser:
- Abertas: pé, lata, pó É a sequência de duas vogais numa mesma palavra que
- Fechadas: mês, luta, amor pertencem a sílabas diferentes, uma vez que nunca há mais
- Reduzidas - Aparecem quase sempre no final das pa- de uma vogal numa mesma sílaba: saída (sa-í-da), poesia
lavras: dedo (“dedu”), ave (“avi”), gente (“genti”). (po-e-si-a).

2) Semivogais Encontros Consonantais

Os fonemas /i/ e /u/, algumas vezes, não são vogais. O agrupamento de duas ou mais consoantes, sem vo-
Aparecem apoiados em uma vogal, formando com ela uma gal intermediária, recebe o nome de encontro consonantal.
só emissão de voz (uma sílaba). Neste caso, estes fonemas Existem basicamente dois tipos:
são chamados de semivogais. A diferença fundamental en- 1-) os que resultam do contato consoante + “l” ou “r”
tre vogais e semivogais está no fato de que estas não de- e ocorrem numa mesma sílaba, como em: pe-dra, pla-no,
a-tle-ta, cri-se.
sempenham o papel de núcleo silábico.
2-) os que resultam do contato de duas consoantes
Observe a palavra papai. Ela é formada de duas sílabas:
pertencentes a sílabas diferentes: por-ta, rit-mo, lis-ta.
pa - pai. Na última sílaba, o fonema vocálico que se destaca
Há ainda grupos consonantais que surgem no início
é o “a”. Ele é a vogal. O outro fonema vocálico “i” não é tão
dos vocábulos; são, por isso, inseparáveis: pneu, gno-mo,
forte quanto ele. É a semivogal. Outros exemplos: saudade,
psi-có-lo-go.
história, série.
Dígrafos
3) Consoantes
De maneira geral, cada fonema é representado, na es-
Para a produção das consoantes, a corrente de ar expi- crita, por apenas uma letra: lixo - Possui quatro fonemas e
rada pelos pulmões encontra obstáculos ao passar pela ca- quatro letras.
vidade bucal, fazendo com que as consoantes sejam verda-
deiros “ruídos”, incapazes de atuar como núcleos silábicos. Há, no entanto, fonemas que são representados, na es-
Seu nome provém justamente desse fato, pois, em portu- crita, por duas letras: bicho - Possui quatro fonemas e cinco
guês, sempre consoam (“soam com”) as vogais. Exemplos: letras.
/b/, /t/, /d/, /v/, /l/, /m/, etc.
Na palavra acima, para representar o fonema /xe/ fo-
Encontros Vocálicos ram utilizadas duas letras: o “c” e o “h”.
Assim, o dígrafo ocorre quando duas letras são usadas
Os encontros vocálicos são agrupamentos de vogais e para representar um único fonema (di = dois + grafo = le-
semivogais, sem consoantes intermediárias. É importante tra). Em nossa língua, há um número razoável de dígrafos
reconhecê-los para dividir corretamente os vocábulos em que convém conhecer. Podemos agrupá-los em dois tipos:
sílabas. Existem três tipos de encontros: o ditongo, o triton- consonantais e vocálicos.
go e o hiato.

1) Ditongo

É o encontro de uma vogal e uma semivogal (ou vice-


-versa) numa mesma sílaba. Pode ser:
- Crescente: quando a semivogal vem antes da vogal:
sé-rie (i = semivogal, e = vogal)

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LÍNGUA PORTUGUESA

Dígrafos Consonantais

Letras Fonemas Exemplos


lh /lhe/ telhado
nh /nhe/ marinheiro
ch /xe/ chave
rr /re/ (no interior da palavra) carro
ss /se/ (no interior da palavra) passo
qu /k/ (qu seguido de e e i) queijo, quiabo
gu /g/ ( gu seguido de e e i) guerra, guia
sc /se/ crescer
sç /se/ desço
xc /se/ exceção

Dígrafos Vocálicos

Registram-se na representação das vogais nasais:

Fonemas Letras Exemplos


/ã/ am tampa
an canto
/ẽ/ em templo
en lenda
/ĩ/ im limpo
in lindo
õ/ om tombo
on tonto
/ũ/ um chumbo
un corcunda

* Observação: “gu” e “qu” são dígrafos somente quando seguidos de “e” ou “i”, representam os fonemas /g/ e /k/:
guitarra, aquilo. Nestes casos, a letra “u” não corresponde a nenhum fonema. Em algumas palavras, no entanto, o “u” repre-
senta um fonema - semivogal ou vogal - (aguentar, linguiça, aquífero...). Aqui, “gu” e “qu” não são dígrafos. Também não há
dígrafos quando são seguidos de “a” ou “o” (quase, averiguo) .
** Dica: Conseguimos ouvir o som da letra “u” também, por isso não há dígrafo! Veja outros exemplos: Água = /agua/ nós
pronunciamos a letra “u”, ou então teríamos /aga/. Temos, em “água”, 4 letras e 4 fonemas. Já em guitarra = /gitara/ - não
pronunciamos o “u”, então temos dígrafo [aliás, dois dígrafos: “gu” e “rr”]. Portanto: 8 letras e 6 fonemas).

Dífonos

Assim como existem duas letras que representam um só fonema (os dígrafos), existem letras que representam dois
fonemas. Sim! É o caso de “fixo”, por exemplo, em que o “x” representa o fonema /ks/; táxi e crucifixo também são exemplos
de dífonos. Quando uma letra representa dois fonemas temos um caso de dífono.

Fontes de pesquisa:
http://www.soportugues.com.br/secoes/fono/fono1.php
SACCONI, Luiz Antônio. Nossa gramática completa Sacconi. 30ª ed. Rev. São Paulo: Nova Geração, 2010.
Português: novas palavras: literatura, gramática, redação / Emília Amaral... [et al.]. – São Paulo: FTD, 2000.
Português linguagens: volume 1 / Wiliam Roberto Cereja, Thereza Cochar Magalhães. – 7ªed. Reform. – São Paulo:
Saraiva, 2010.

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LÍNGUA PORTUGUESA

Questões

1-) (PREFEITURA DE PINHAIS/PR – INTÉRPRETE DE LI- 1.2 - ORTOGRAFIA;


BRAS – FAFIPA/2014) Em todas as palavras a seguir há um
dígrafo, EXCETO em
(A) prazo.
(B) cantor. Ortografia
(C) trabalho.
(D) professor. A ortografia é a parte da Fonologia que trata da correta
grafia das palavras. É ela quem ordena qual som devem
1-) ter as letras do alfabeto. Os vocábulos de uma língua são
(A) prazo – “pr” é encontro consonantal grafados segundo acordos ortográficos.
(B) cantor – “an” é dígrafo
(C) trabalho – “tr” encontro consonantal / “lh” é dígrafo A maneira mais simples, prática e objetiva de apren-
(D) professor – “pr” encontro consonantal q “ss” é dí- der ortografia é realizar muitos exercícios, ver as palavras,
grafo familiarizando-se com elas. O conhecimento das regras é
RESPOSTA: “A”. necessário, mas não basta, pois há inúmeras exceções e,
em alguns casos, há necessidade de conhecimento de eti-
2-) (PREFEITURA DE PINHAIS/PR – INTÉRPRETE DE LI- mologia (origem da palavra).
BRAS – FAFIPA/2014) Assinale a alternativa em que os itens
destacados possuem o mesmo fonema consonantal em to- Regras ortográficas
das as palavras da sequência.
(A) Externo – precisa – som – usuário. O fonema s
(B) Gente – segurança – adjunto – Japão.
(C) Chefe – caixas – deixo – exatamente. S e não C/Ç
(D) Cozinha – pesada – lesão – exemplo. palavras substantivadas derivadas de verbos com radi-
cais em nd, rg, rt, pel, corr e sent: pretender - pretensão /
2-) Coloquei entre barras ( / / ) o fonema representado expandir - expansão / ascender - ascensão / inverter - inver-
pela letra destacada: são / aspergir - aspersão / submergir - submersão / divertir
(A) Externo /s/ – precisa /s/ – som /s/ – usuário /z/ - diversão / impelir - impulsivo / compelir - compulsório /
(B) Gente /j/ – segurança /g/ – adjunto /j/ – Japão /j/ repelir - repulsa / recorrer - recurso / discorrer - discurso /
(C) Chefe /x/ – caixas /x/ – deixo /x/ – exatamente sentir - sensível / consentir – consensual.
/z/
(D) cozinha /z/ – pesada /z/ – lesão /z/– exemplo /z/ SS e não C e Ç
RESPOSTA: “D”. nomes derivados dos verbos cujos radicais terminem
em gred, ced, prim ou com verbos terminados por tir ou
3-) (CORPO DE BOMBEIROS MILITAR/PI – CURSO DE -meter: agredir - agressivo / imprimir - impressão / admitir
FORMAÇÃO DE SOLDADOS – UESPI/2014) “Seja Sangue - admissão / ceder - cessão / exceder - excesso / percutir -
Bom!” Na sílaba final da palavra “sangue”, encontramos percussão / regredir - regressão / oprimir - opressão / com-
duas letras representando um único fonema. Esse fenôme- prometer - compromisso / submeter – submissão.
no também está presente em:
A) cartola. *quando o prefixo termina com vogal que se junta com
B) problema. a palavra iniciada por “s”. Exemplos: a + simétrico - assimé-
C) guaraná. trico / re + surgir – ressurgir.
D) água. *no pretérito imperfeito simples do subjuntivo. Exem-
E) nascimento. plos: ficasse, falasse.

3-) Duas letras representando um único fonema = dí- C ou Ç e não S e SS


grafo vocábulos de origem árabe: cetim, açucena, açúcar.
A) cartola = não há dígrafo vocábulos de origem tupi, africana ou exótica: cipó, Ju-
B) problema = não há dígrafo çara, caçula, cachaça, cacique.
C) guaraná = não há dígrafo (você ouve o som do “u”) sufixos aça, aço, ação, çar, ecer, iça, nça, uça, uçu,
D) água = não há dígrafo (você ouve o som do “u”) uço: barcaça, ricaço, aguçar, empalidecer, carniça, caniço,
E) nascimento = dígrafo: sc esperança, carapuça, dentuço.
RESPOSTA: “E”. nomes derivados do verbo ter: abster - abstenção / de-
ter - detenção / ater - atenção / reter – retenção.
após ditongos: foice, coice, traição.
palavras derivadas de outras terminadas em -te, to(r):
marte - marciano / infrator - infração / absorto – absorção.

4
LÍNGUA PORTUGUESA

O fonema z Exceção: quando a palavra de origem não derive de


outra iniciada com ch - Cheio - (enchente)
S e não Z
sufixos: ês, esa, esia, e isa, quando o radical é substantivo, CH e não X
ou em gentílicos e títulos nobiliárquicos: freguês, freguesa, fre- palavras de origem estrangeira: chave, chumbo, chassi,
guesia, poetisa, baronesa, princesa. mochila, espadachim, chope, sanduíche, salsicha.
sufixos gregos: ase, ese, ise e ose: catequese, metamorfose.
formas verbais pôr e querer: pôs, pus, quisera, quis, qui- As letras “e” e “i”
seste. Ditongos nasais são escritos com “e”: mãe, põem. Com
nomes derivados de verbos com radicais terminados em “i”, só o ditongo interno cãibra.
“d”: aludir - alusão / decidir - decisão / empreender - empresa verbos que apresentam infinitivo em -oar, -uar são
/ difundir – difusão. escritos com “e”: caçoe, perdoe, tumultue. Escrevemos com
diminutivos cujos radicais terminam com “s”: Luís - Luisi- “i”, os verbos com infinitivo em -air, -oer e -uir: trai, dói,
nho / Rosa - Rosinha / lápis – lapisinho. possui, contribui.
após ditongos: coisa, pausa, pouso, causa.
verbos derivados de nomes cujo radical termina com “s”: * Atenção para as palavras que mudam de sentido
anális(e) + ar - analisar / pesquis(a) + ar – pesquisar. quando substituímos a grafia “e” pela grafia “i”: área (super-
fície), ária (melodia) / delatar (denunciar), dilatar (expandir)
Z e não S / emergir (vir à tona), imergir (mergulhar) / peão (de estân-
cia, que anda a pé), pião (brinquedo).
sufixos “ez” e “eza” das palavras derivadas de adjetivo:
macio - maciez / rico – riqueza / belo – beleza. * Dica:
sufixos “izar” (desde que o radical da palavra de origem - Se o dicionário ainda deixar dúvida quanto à orto-
não termine com s): final - finalizar / concreto – concretizar. grafia de uma palavra, há a possibilidade de consultar o
consoante de ligação se o radical não terminar com “s”: pé
Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa (VOLP), ela-
+ inho - pezinho / café + al - cafezal
borado pela Academia Brasileira de Letras. É uma obra de
referência até mesmo para a criação de dicionários, pois
Exceção: lápis + inho – lapisinho.
traz a grafia atualizada das palavras (sem o significado). Na
Internet, o endereço é www.academia.org.br.
O fonema j

G e não J Informações importantes


palavras de origem grega ou árabe: tigela, girafa, gesso. - Formas variantes são formas duplas ou múltiplas,
estrangeirismo, cuja letra G é originária: sargento, gim. equivalentes: aluguel/aluguer, relampejar/relampear/re-
terminações: agem, igem, ugem, ege, oge (com poucas lampar/relampadar.
exceções): imagem, vertigem, penugem, bege, foge. - Os símbolos das unidades de medida são escritos
sem ponto, com letra minúscula e sem “s” para indicar plu-
Exceção: pajem. ral, sem espaço entre o algarismo e o símbolo: 2kg, 20km,
120km/h.
terminações: ágio, égio, ígio, ógio, ugio: sortilégio, litígio, Exceção para litro (L): 2 L, 150 L.
relógio, refúgio. - Na indicação de horas, minutos e segundos, não deve
verbos terminados em ger/gir: emergir, eleger, fugir, mugir. haver espaço entre o algarismo e o símbolo: 14h, 22h30min,
depois da letra “r” com poucas exceções: emergir, surgir. 14h23’34’’(= quatorze horas, vinte e três minutos e trinta e
depois da letra “a”, desde que não seja radical terminado quatro segundos).
com j: ágil, agente. - O símbolo do real antecede o número sem espaço:
R$1.000,00. No cifrão deve ser utilizada apenas uma barra
J e não G vertical ($).
palavras de origem latinas: jeito, majestade, hoje.
palavras de origem árabe, africana ou exótica: jiboia, Fontes de pesquisa:
manjerona. http://www.pciconcursos.com.br/aulas/portugues/or-
palavras terminadas com aje: ultraje. tografia
SACCONI, Luiz Antônio. Nossa gramática completa Sac-
O fonema ch coni. 30ª ed. Rev. São Paulo: Nova Geração, 2010.
Português linguagens: volume 1 / Wiliam Roberto Cere-
X e não CH ja, Thereza Cochar Magalhães. – 7ªed. Reform. – São Paulo:
palavras de origem tupi, africana ou exótica: abacaxi, xu- Saraiva, 2010.
cro. Português: novas palavras: literatura, gramática, reda-
palavras de origem inglesa e espanhola: xampu, lagar- ção / Emília Amaral... [et al.]. – São Paulo: FTD, 2000.
tixa.
depois de ditongo: frouxo, feixe.
depois de “en”: enxurrada, enxada, enxoval.

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LÍNGUA PORTUGUESA

Hífen Lembrete da Zê!


Ao separar palavras na translineação (mudança de linha),
O hífen é um sinal diacrítico (que distingue) usado para caso a última palavra a ser escrita seja formada por hífen, re-
ligar os elementos de palavras compostas (como ex-presi- pita-o na próxima linha. Exemplo: escreverei anti-inflamatório
dente, por exemplo) e para unir pronomes átonos a verbos e, ao final, coube apenas “anti-”. Na próxima linha escreverei:
(ofereceram-me; vê-lo-ei). Serve igualmente para fazer a “-inflamatório” (hífen em ambas as linhas).
translineação de palavras, isto é, no fim de uma linha, se-
parar uma palavra em duas partes (ca-/sa; compa-/nheiro). Não se emprega o hífen:
1. Nas formações em que o prefixo ou falso prefixo termina
Uso do hífen que continua depois da Reforma Or- em vogal e o segundo termo inicia-se em “r” ou “s”. Nesse caso,
tográfica: passa-se a duplicar estas consoantes: antirreligioso, contrarre-
gra, infrassom, microssistema, minissaia, microrradiografia, etc.
1. Em palavras compostas por justaposição que formam
uma unidade semântica, ou seja, nos termos que se unem 2. Nas constituições em que o prefixo ou pseudoprefixo
para formarem um novo significado: tio-avô, porto-ale- termina em vogal e o segundo termo inicia-se com vogal di-
grense, luso-brasileiro, tenente-coronel, segunda- -fei- ferente: antiaéreo, extraescolar, coeducação, autoestrada, au-
ra, conta-gotas, guarda-chuva, arco-íris, primeiro-ministro, toaprendizagem, hidroelétrico, plurianual, autoescola, infraes-
azul-escuro. trutura, etc.

2. Em palavras compostas por espécies botânicas e 3. Nas formações, em geral, que contêm os prefixos “dês”
zoológicas: couve-flor, bem-te-vi, bem-me-quer, abóbora- e “in” e o segundo elemento perdeu o “h” inicial: desumano,
-menina, erva-doce, feijão-verde. inábil, desabilitar, etc.

4. Nas formações com o prefixo “co”, mesmo quando o


3. Nos compostos com elementos além, aquém, re-
segundo elemento começar com “o”: cooperação, coobriga-
cém e sem: além-mar, recém-nascido, sem-número, recém-
ção, coordenar, coocupante, coautor, coedição, coexistir, etc.
-casado.
5. Em certas palavras que, com o uso, adquiriram noção de
4. No geral, as locuções não possuem hífen, mas algu-
composição: pontapé, girassol, paraquedas, paraquedista, etc.
mas exceções continuam por já estarem consagradas pelo
uso: cor-de-rosa, arco-da-velha, mais-que-perfeito, pé-de- 6. Em alguns compostos com o advérbio “bem”: benfeito,
-meia, água-de-colônia, queima-roupa, deus-dará. benquerer, benquerido, etc.
5. Nos encadeamentos de vocábulos, como: ponte Rio- - Os prefixos pós, pré e pró, em suas formas correspon-
-Niterói, percurso Lisboa-Coimbra-Porto e nas combinações dentes átonas, aglutinam-se com o elemento seguinte, não
históricas ou ocasionais: Áustria-Hungria, Angola-Brasil, etc. havendo hífen: pospor, predeterminar, predeterminado, pres-
suposto, propor.
6. Nas formações com os prefixos hiper-, inter- e su- - Escreveremos com hífen: anti-horário, anti-infeccioso,
per- quando associados com outro termo que é iniciado auto-observação, contra-ataque, semi-interno, sobre- -hu-
por “r”: hiper-resistente, inter-racial, super-racional, etc. mano, super-realista, alto-mar.
- Escreveremos sem hífen: pôr do sol, antirreforma, an-
7. Nas formações com os prefixos ex-, vice-: ex-diretor, tisséptico, antissocial, contrarreforma, minirrestaurante, ultras-
ex-presidente, vice-governador, vice-prefeito. som, antiaderente, anteprojeto, anticaspa, antivírus, autoajuda,
autoelogio, autoestima, radiotáxi.
8. Nas formações com os prefixos pós-, pré- e pró-:
pré-natal, pré-escolar, pró-europeu, pós-graduação, etc. Fontes de pesquisa:
http://www.pciconcursos.com.br/aulas/portugues/orto-
9. Na ênclise e mesóclise: amá-lo, deixá-lo, dá-se, abra- grafia
ça-o, lança-o e amá-lo-ei, falar-lhe-ei, etc. SACCONI, Luiz Antônio. Nossa gramática completa Sacco-
ni. 30ª ed. Rev. São Paulo: Nova Geração, 2010.
10. Nas formações em que o prefixo tem como se-
gundo termo uma palavra iniciada por “h”: sub-hepático, Questões
geo--história, neo-helênico, extra-humano, semi-hospitalar,
super-homem. 1-) (TRE/MS - ESTÁGIO – JORNALISMO - TRE/MS – 2014)
De acordo com a nova ortografia, assinale o item em que to-
11. Nas formações em que o prefixo ou pseudoprefixo das as palavras estão corretas:
termina com a mesma vogal do segundo elemento: micro- A) autoajuda – anti-inflamatório – extrajudicial.
-ondas, eletro-ótica, semi-interno, auto-observação, etc. B) supracitado – semi-novo – telesserviço.
C) ultrassofisticado – hidro-elétrica – ultra-som.
** O hífen é suprimido quando para formar outros ter- D) contrarregra – autopista – semi-aberto.
mos: reaver, inábil, desumano, lobisomem, reabilitar. E) contrarrazão – infra-estrutura – coprodutor.

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LÍNGUA PORTUGUESA

1-) Correção: III. O condutor do automóvel __________ a lei seca.


A) autoajuda – anti-inflamatório – extrajudicial = cor- IV. Foi encontrada uma __________ soma de dinheiro no
reta carro.
B) supracitado – semi-novo – telesserviço = seminovo V. O policial anunciou o __________ delito.
C) ultrassofisticado – hidro-elétrica – ultra-som = hi-
droelétrica, ultrassom Assinale a alternativa cujos vocábulos preenchem cor-
D) contrarregra – autopista – semi-aberto = semiaber- retamente as lacunas das frases.
to A) seção, acerca de, infligiu, vultosa, fragrante.
E) contrarrazão – infra-estrutura – coprodutor = in- B) seção, acerca de, infligiu, vultuosa, flagrante.
fraestrutura C) sessão, a cerca de, infringiu, vultosa, fragrante.
RESPOSTA: “A”. D) seção, a cerca de, infringiu, vultosa, flagrante.
E) sessão, a cerca de, infligiu, vultuosa, flagrante.
2-) (TRE/MS - ESTÁGIO – JORNALISMO - TRE/MS – 3-) Questão que envolve ortografia.
2014) De acordo com a nova ortografia, assinale o item em
I. O cidadão se dirigia para sua SEÇÃO eleitoral. (setor)
que todas as palavras estão corretas:
II. A zona eleitoral ficava A CERCA DE 200 metros de um
A) autoajuda – anti-inflamatório – extrajudicial.
posto policial. (= aproximadamente)
B) supracitado – semi-novo – telesserviço.
C) ultrassofisticado – hidro-elétrica – ultra-som. III. O condutor do automóvel INFRINGIU a lei seca. (re-
D) contrarregra – autopista – semi-aberto. lacione com infrator)
E) contrarrazão – infra-estrutura – coprodutor. IV. Foi encontrada uma VULTOSA soma de dinheiro no
carro. (de grande vulto, volumoso)
2-) Correção: V. O policial anunciou o FLAGRANTE delito. (relacione
A) autoajuda – anti-inflamatório – extrajudicial = cor- com “pego no flagra”)
reta Seção / a cerca de / infringiu / vultosa / flagrante
B) supracitado – semi-novo – telesserviço = seminovo RESPOSTA: “D”.
C) ultrassofisticado – hidro-elétrica – ultra-som = hi-
droelétrica, ultrassom
D) contrarregra – autopista – semi-aberto = semiaber-
to
E) contrarrazão – infra-estrutura – coprodutor = in- Acentuação Gráfica
fraestrutura
RESPOSTA: “A”. Quanto à acentuação, observamos que algumas pala-
vras têm acento gráfico e outras não; na pronúncia, ora se
dá maior intensidade sonora a uma sílaba, ora a outra. Por
3-) (CASAL/AL - ADMINISTRADOR DE REDE - COPEVE/ isso, vamos às regras!
UFAL/2014)
Regras básicas – Acentuação tônica

A acentuação tônica está relacionada à intensidade


com que são pronunciadas as sílabas das palavras. Aquela
que se dá de forma mais acentuada, conceitua-se como sí-
laba tônica. As demais, como são pronunciadas com menos
intensidade, são denominadas de átonas.
De acordo com a tonicidade, as palavras são classifica-
das como:
Oxítonas – São aquelas cuja sílaba tônica recai sobre
a última sílaba. Ex.: café – coração – Belém – atum – caju –
papel

Paroxítonas – São aquelas em que a sílaba tônica recai


na penúltima sílaba. Ex.: útil – tórax – táxi – leque – sapato
– passível
Armandinho, personagem do cartunista Alexandre Proparoxítonas - São aquelas cuja sílaba tônica está
Beck, sabe perfeitamente empregar os parônimos “cestas” na antepenúltima sílaba. Ex.: lâmpada – câmara – tímpano
“sestas” e “sextas”. Quanto ao emprego de parônimos, da- – médico – ônibus
das as frases abaixo,
I. O cidadão se dirigia para sua _____________ eleitoral. Há vocábulos que possuem mais de uma sílaba, mas
II. A zona eleitoral ficava ___________ 200 metros de um em nossa língua existem aqueles com uma sílaba somente:
posto policial. são os chamados monossílabos.

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LÍNGUA PORTUGUESA

Os acentos geléia geleia


acento agudo (´) – Colocado sobre as letras “a” e “i”,
“u” e “e” do grupo “em” - indica que estas letras represen- jibóia jiboia
tam as vogais tônicas de palavras como pá, caí, público. apóia (verbo apoiar) apoia
Sobre as letras “e” e “o” indica, além da tonicidade, timbre
paranóico paranoico
aberto: herói – médico – céu (ditongos abertos).
acento circunflexo (^) – colocado sobre as letras “a”,
Acento Diferencial
“e” e “o” indica, além da tonicidade, timbre fechado: tâma-
ra – Atlântico – pêsames – supôs .
Representam os acentos gráficos que, pelas regras de
acento grave (`) – indica a fusão da preposição “a”
acentuação, não se justificariam, mas são utilizados para
com artigos e pronomes: à – às – àquelas – àqueles
diferenciar classes gramaticais entre determinadas palavras
trema ( ¨ ) – De acordo com a nova regra, foi totalmen-
e/ou tempos verbais. Por exemplo:
te abolido das palavras. Há uma exceção: é utilizado em
Pôr (verbo) X por (preposição) / pôde (pretérito perfeito
palavras derivadas de nomes próprios estrangeiros: mülle-
de Indicativo do verbo “poder”) X pode (presente do Indica-
riano (de Müller)
tivo do mesmo verbo).
til (~) – indica que as letras “a” e “o” representam vo-
Se analisarmos o “pôr” - pela regra das monossílabas:
gais nasais: oração – melão – órgão – ímã
terminada em “o” seguida de “r” não deve ser acentuada,
mas nesse caso, devido ao acento diferencial, acentua-se,
Regras fundamentais
para que saibamos se se trata de um verbo ou preposição.
Os demais casos de acento diferencial não são mais
Palavras oxítonas:
utilizados: para (verbo), para (preposição), pelo (substanti-
Acentuam-se todas as oxítonas terminadas em: “a”, “e”,
vo), pelo (preposição). Seus significados e classes gramati-
“o”, “em”, seguidas ou não do plural(s): Pará – café(s) – ci-
cais são definidos pelo contexto.
pó(s) – Belém.
Polícia para o trânsito para realizar blitz. = o primeiro
Esta regra também é aplicada aos seguintes casos:
“para” é verbo; o segundo, preposição (com relação de fi-
- Monossílabos tônicos terminados em “a”, “e”, “o”, se-
nalidade).
guidos ou não de “s”: pá – pé – dó – há
** Quando, na frase, der para substituir o “por” por
- Formas verbais terminadas em “a”, “e”, “o” tônicos,
“colocar”, estaremos trabalhando com um verbo, portanto:
seguidas de lo, la, los, las: respeitá-lo, recebê-lo, compô-lo
“pôr”; nos outros casos, “por” preposição. Ex: Faço isso por
você. / Posso pôr (colocar) meus livros aqui?
Paroxítonas:
Acentuam-se as palavras paroxítonas terminadas em:
Regra do Hiato:
- i, is: táxi – lápis – júri
- us, um, uns: vírus – álbuns – fórum
Quando a vogal do hiato for “i” ou “u” tônicos, for a se-
- l, n, r, x, ps: automóvel – elétron - cadáver – tórax –
gunda vogal do hiato, acompanhado ou não de “s”, haverá
fórceps
acento. Ex.: saída – faísca – baú – país – Luís
- ã, ãs, ão, ãos: ímã – ímãs – órfão – órgãos
Não se acentuam o “i” e o “u” que formam hiato quan-
- ditongo oral, crescente ou decrescente, seguido ou
do seguidos, na mesma sílaba, de l, m, n, r ou z. Ra-ul, Lu-iz,
não de “s”: água – pônei – mágoa – memória
sa-ir, ju-iz
Não se acentuam as letras “i” e “u” dos hiatos se esti-
** Dica: Memorize a palavra LINURXÃO. Para quê? Re-
verem seguidas do dígrafo nh. Ex: ra-i-nha, ven-to-i-nha.
pare que esta palavra apresenta as terminações das paro-
Não se acentuam as letras “i” e “u” dos hiatos se vierem
xítonas que são acentuadas: L, I N, U (aqui inclua UM =
precedidas de vogal idêntica: xi-i-ta, pa-ra-cu-u-ba
fórum), R, X, Ã, ÃO. Assim ficará mais fácil a memorização!
Observação importante:
Regras especiais:
Os ditongos de pronúncia aberta “ei”, “oi” (ditongos
Não serão mais acentuados “i” e “u” tônicos, formando
abertos), que antes eram acentuados, perderam o acento
hiato quando vierem depois de ditongo (nas paroxítonas):
de acordo com a nova regra, mas desde que estejam em
palavras paroxítonas.
** Alerta da Zê! Cuidado: Se os ditongos abertos esti- Antes Agora
verem em uma palavra oxítona (herói) ou monossílaba (céu) bocaiúva bocaiuva
ainda são acentuados: dói, escarcéu.
feiúra feiura
Sauípe Sauipe
Antes Agora
assembléia assembleia O acento pertencente aos encontros “oo” e “ee” foi
idéia ideia abolido:

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LÍNGUA PORTUGUESA

Antes Agora 1-)


(A) “Hambúrgueres” = proparoxítona / “repórter” = pa-
crêem creem roxítona
lêem leem (B) “Inacreditáveis” = paroxítona / “repórter” = paro-
xítona
vôo voo (C) “Índice” = proparoxítona / “dólares” = proparoxí-
enjôo enjoo tona
(D) “Inacreditáveis” = paroxítona / “atribuídos” = regra
** Dica: Memorize a palavra CREDELEVÊ. São os verbos do hiato
que, no plural, dobram o “e”, mas que não recebem mais (E) “Atribuídos” = regra do hiato / “índice” = proparo-
acento como antes: CRER, DAR, LER e VER. xítona
Repare: RESPOSTA: “B”.
1-) O menino crê em você. / Os meninos creem em você.
2-) Elza lê bem! / Todas leem bem! 2-) (SEFAZ/RS – AUDITOR FISCAL DA RECEITA FEDERAL
3-) Espero que ele dê o recado à sala. / Esperamos que – FUNDATEC/2014 - adaptada)
os garotos deem o recado! Analise as afirmações que são feitas sobre acentuação
4-) Rubens vê tudo! / Eles veem tudo! gráfica.
Cuidado! Há o verbo vir: Ele vem à tarde! / Eles vêm à I. Caso o acento das palavras ‘trânsito’ e ‘específicos’
seja retirado, essas continuam sendo palavras da língua
tarde!
portuguesa.
As formas verbais que possuíam o acento tônico na
II. A regra que explica a acentuação das palavras ‘vá-
raiz, com “u” tônico precedido de “g” ou “q” e seguido de
rios’ e ‘país’ não é a mesma.
“e” ou “i” não serão mais acentuadas: III. Na palavra ‘daí’, há um ditongo decrescente.
IV. Acentua-se a palavra ‘vêm’ para diferenciá-la, em si-
Antes Depois tuação de uso, quanto à flexão de número.
Quais estão corretas?
apazigúe (apaziguar) apazigue
A) Apenas I e III.
averigúe (averiguar) averigue B) Apenas II e IV.
argúi (arguir) argui C) Apenas I, II e IV.
D) Apenas II, III e IV.
Acentuam-se os verbos pertencentes a terceira pessoa E) I, II, III e IV.
do plural de: ele tem – eles têm / ele vem – eles vêm (verbo
vir) 2-)
I. Caso o acento das palavras ‘trânsito’ e ‘específicos’
seja retirado, essas continuam sendo palavras da língua
A regra prevalece também para os verbos conter, obter,
portuguesa = teremos “transito” e “especifico” – serão ver-
reter, deter, abster: ele contém – eles contêm, ele obtém – eles bos (correta)
obtêm, ele retém – eles retêm, ele convém – eles convêm. II. A regra que explica a acentuação das palavras ‘vá-
rios’ e ‘país’ não é a mesma = vários é paroxítona terminada
Fontes de pesquisa: em ditongo; país é a regra do hiato (correta)
http://www.brasilescola.com/gramatica/acentuacao. III. Na palavra ‘daí’, há um ditongo decrescente = há um
htm hiato, por isso a acentuação (da - í) = incorreta.
SACCONI, Luiz Antônio. Nossa gramática completa Sac- IV. Acentua-se a palavra ‘vêm’ para diferenciá-la, em
coni. 30ª ed. Rev. São Paulo: Nova Geração, 2010. situação de uso, quanto à flexão de número = “vêm” é uti-
Português linguagens: volume 1 / Wiliam Roberto Cere- lizado para a terceira pessoa do plural (correta)
ja, Thereza Cochar Magalhães. – 7ªed. Reform. – São Paulo: RESPOSTA: “C”.
Saraiva, 2010.

Questões
1.3 - MORFOLOGIA;
1-) (PREFEITURA DE SÃO PAULO/SP – AUDITOR FISCAL
TRIBUTÁRIO MUNICIPAL – CETRO/2014 - adaptada) Assi-
nale a alternativa que contém duas palavras acentuadas
conforme a mesma regra. Adjetivo é a palavra que expressa uma qualidade ou
(A) “Hambúrgueres” e “repórter”. característica do ser e se relaciona com o substantivo, con-
(B) “Inacreditáveis” e “repórter”. cordando com este em gênero e número.
(C) “Índice” e “dólares”.
(D) “Inacreditáveis” e “atribuídos”. As praias brasileiras estão poluídas.
(E) “Atribuídos” e “índice”.
Praias = substantivo; brasileiras/poluídas = adjetivos
(plural e feminino, pois concordam com “praias”).

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LÍNGUA PORTUGUESA

Locução adjetiva dos quadris ciático


Locução = reunião de palavras. Sempre que são ne- de rio fluvial
cessárias duas ou mais palavras para falar sobre a mesma de sonho onírico
coisa, tem-se uma locução. Às vezes, uma preposição +
de velho senil
substantivo tem o mesmo valor de um adjetivo: é a Locu-
ção Adjetiva (expressão que equivale a um adjetivo). Por de vento eólico
exemplo: aves da noite (aves noturnas), paixão sem freio de vidro vítreo ou hialino
(paixão desenfreada).
de virilha inguinal
Observe outros exemplos: de visão óptico ou ótico

* Observação: nem toda locução adjetiva possui um


de águia aquilino
adjetivo correspondente, com o mesmo significado. Por
de aluno discente exemplo: Vi as alunas da 5ª série. / O muro de tijolos caiu.
de anjo angelical
Morfossintaxe do Adjetivo (Função Sintática):
de ano anual
O adjetivo exerce sempre funções sintáticas (função dentro
de aranha aracnídeo de uma oração) relativas aos substantivos, atuando como ad-
de boi bovino junto adnominal ou como predicativo (do sujeito ou do objeto).
de cabelo capilar Adjetivo Pátrio (ou gentílico)
de cabra caprino Indica a nacionalidade ou o lugar de origem do ser.
de campo campestre ou rural Observe alguns deles:
de chuva pluvial Estados e cidades brasileiras:
de criança pueril Alagoas alagoano
de dedo digital Amapá amapaense
de estômago estomacal ou gástrico Aracaju aracajuano ou aracajuense
de falcão falconídeo Amazonas amazonense ou baré
de farinha farináceo Belo Horizonte belo-horizontino
de fera ferino Brasília brasiliense
de ferro férreo Cabo Frio cabo-friense
de fogo ígneo Campinas campineiro ou campinense
de garganta gutural
de gelo glacial Adjetivo Pátrio Composto
Na formação do adjetivo pátrio composto, o primeiro
de guerra bélico elemento aparece na forma reduzida e, normalmente, eru-
de homem viril ou humano dita. Observe alguns exemplos:
de ilha insular África afro- / Cultura afro-americana

de inverno hibernal ou invernal Alemanha germano- ou teuto-/Competições teuto-inglesas

de lago lacustre América américo- / Companhia américo-africana


Bélgica belgo- / Acampamentos belgo-franceses
de leão leonino
China sino- / Acordos sino-japoneses
de lebre leporino
Espanha hispano- / Mercado hispano-português
de lua lunar ou selênico
Europa euro- / Negociações euro-americanas
de madeira lígneo
França franco- ou galo- / Reuniões franco-italianas
de mestre magistral Grécia greco- / Filmes greco-romanos
de ouro áureo Inglaterra anglo- / Letras anglo-portuguesas
de paixão passional Itália ítalo- / Sociedade ítalo-portuguesa
de pâncreas pancreático Japão nipo- / Associações nipo-brasileiras
de porco suíno ou porcino Portugal luso- / Acordos luso-brasileiros

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LÍNGUA PORTUGUESA

Flexão dos adjetivos Camisas rosa-claro.


Ternos rosa-claro.
O adjetivo varia em gênero, número e grau. Olhos verde-claros.
Calças azul-escuras e camisas verde-mar.
Gênero dos Adjetivos Telhados marrom-café e paredes verde-claras.

Os adjetivos concordam com o substantivo a que se * Observação:


referem (masculino e feminino). De forma semelhante aos - Azul-marinho, azul-celeste, ultravioleta e qualquer
substantivos, classificam-se em: adjetivo composto iniciado por “cor-de-...” são sempre in-
variáveis: roupas azul-marinho, tecidos azul-celeste, vestidos
Biformes - têm duas formas, sendo uma para o mascu- cor-de-rosa.
lino e outra para o feminino: ativo e ativa, mau e má. - O adjetivo composto surdo-mudo tem os dois ele-
Se o adjetivo é composto e biforme, ele flexiona no mentos flexionados: crianças surdas-mudas.
feminino somente o último elemento: o moço norte-ameri-
cano, a moça norte-americana. Grau do Adjetivo

* Exceção: surdo-mudo e surda-muda. Os adjetivos se flexionam em grau para indicar a inten-


sidade da qualidade do ser. São dois os graus do adjetivo:
Uniformes - têm uma só forma tanto para o masculino o comparativo e o superlativo.
como para o feminino: homem feliz e mulher feliz.
Se o adjetivo é composto e uniforme, fica invariável no Comparativo
feminino: conflito político-social e desavença político-social.
Nesse grau, comparam-se a mesma característica atri-
Número dos Adjetivos buída a dois ou mais seres ou duas ou mais características
atribuídas ao mesmo ser. O comparativo pode ser de igual-
Plural dos adjetivos simples dade, de superioridade ou de inferioridade.

Os adjetivos simples se flexionam no plural de acor- Sou tão alto como você. = Comparativo de Igualdade
do com as regras estabelecidas para a flexão numérica dos No comparativo de igualdade, o segundo termo da
substantivos simples: mau e maus, feliz e felizes, ruim e comparação é introduzido pelas palavras como, quanto ou
ruins, boa e boas. quão.
Caso o adjetivo seja uma palavra que também exerça
função de substantivo, ficará invariável, ou seja, se a palavra Sou mais alto (do) que você. = Comparativo de Supe-
que estiver qualificando um elemento for, originalmente, rioridade Analítico
um substantivo, ela manterá sua forma primitiva. Exemplo: No comparativo de superioridade analítico, entre os
a palavra cinza é, originalmente, um substantivo; porém, dois substantivos comparados, um tem qualidade supe-
se estiver qualificando um elemento, funcionará como ad- rior. A forma é analítica porque pedimos auxílio a “mais...do
jetivo. Ficará, então, invariável. Logo: camisas cinza, ternos que” ou “mais...que”.
cinza.
O Sol é maior (do) que a Terra. = Comparativo de Supe-
Veja outros exemplos: rioridade Sintético
Motos vinho (mas: motos verdes)
Paredes musgo (mas: paredes brancas). Alguns adjetivos possuem, para o comparativo de
Comícios monstro (mas: comícios grandiosos). superioridade, formas sintéticas, herdadas do latim. São
eles: bom /melhor, pequeno/menor, mau/pior, alto/superior,
Adjetivo Composto grande/maior, baixo/inferior.
Observe que:
É aquele formado por dois ou mais elementos. Nor- a) As formas menor e pior são comparativos de supe-
malmente, esses elementos são ligados por hífen. Apenas rioridade, pois equivalem a mais pequeno e mais mau, res-
o último elemento concorda com o substantivo a que se pectivamente.
refere; os demais ficam na forma masculina, singular. Caso b) Bom, mau, grande e pequeno têm formas sintéticas
um dos elementos que formam o adjetivo composto seja (melhor, pior, maior e menor), porém, em comparações fei-
um substantivo adjetivado, todo o adjetivo composto ficará tas entre duas qualidades de um mesmo elemento, deve-se
invariável. Por exemplo: a palavra “rosa” é, originalmente, usar as formas analíticas mais bom, mais mau,mais grande
um substantivo, porém, se estiver qualificando um elemen- e mais pequeno. Por exemplo:
to, funcionará como adjetivo. Caso se ligue a outra pala- Pedro é maior do que Paulo - Comparação de dois ele-
vra por hífen, formará um adjetivo composto; como é um mentos.
substantivo adjetivado, o adjetivo composto inteiro ficará Pedro é mais grande que pequeno - comparação de
invariável. Veja: duas qualidades de um mesmo elemento.

11
LÍNGUA PORTUGUESA

Sou menos alto (do) que você. = Comparativo de Infe- Português linguagens: volume 2 / Wiliam Roberto Cere-
rioridade ja, Thereza Cochar Magalhães. – 7ªed. Reform. – São Paulo:
Sou menos passivo (do) que tolerante. Saraiva, 2010.
SACCONI, Luiz Antônio. Nossa gramática completa Sac-
Superlativo coni. 30ª ed. Rev. São Paulo: Nova Geração, 2010.
Português: novas palavras: literatura, gramática, reda-
O superlativo expressa qualidades num grau muito ele- ção / Emília Amaral... [et al.]. – São Paulo: FTD, 2000.
vado ou em grau máximo. Pode ser absoluto ou relativo e
apresenta as seguintes modalidades: Advérbio
Superlativo Absoluto: ocorre quando a qualidade de
um ser é intensificada, sem relação com outros seres. Apre- Compare estes exemplos:
senta-se nas formas:
1-) Analítica: a intensificação é feita com o auxílio O ônibus chegou.
de palavras que dão ideia de intensidade (advérbios). Por O ônibus chegou ontem.
exemplo: O concurseiro é muito esforçado.
2-) Sintética: nesta, há o acréscimo de sufixos. Por Advérbio é uma palavra invariável que modifica o sen-
exemplo: O concurseiro é esforçadíssimo. tido do verbo (acrescentando-lhe circunstâncias de tempo,
de modo, de lugar, de intensidade), do adjetivo e do próprio
Observe alguns superlativos sintéticos: advérbio.
Estudei bastante. = modificando o verbo estudei
Ele canta muito bem! = intensificando outro advérbio
benéfico - beneficentíssimo (bem)
bom - boníssimo ou ótimo Ela tem os olhos muito claros. = relação com um adje-
tivo (claros)
comum - comuníssimo
cruel - crudelíssimo Quando modifica um verbo, o advérbio pode acrescen-
difícil - dificílimo tar ideia de:
Tempo: Ela chegou tarde.
doce - dulcíssimo Lugar: Ele mora aqui.
fácil - facílimo Modo: Eles agiram mal.
fiel - fidelíssimo Negação: Ela não saiu de casa.
Dúvida: Talvez ele volte.
Superlativo Relativo: ocorre quando a qualidade de
Flexão do Advérbio
um ser é intensificada em relação a um conjunto de seres.
Essa relação pode ser:
Os advérbios são palavras invariáveis, isto é, não apre-
1-) De Superioridade: Essa matéria é a mais fácil de
sentam variação em gênero e número. Alguns advérbios,
todas.
porém, admitem a variação em grau. Observe:
2-) De Inferioridade: Essa matéria é a menos fácil de
todas.
Grau Comparativo
* Note bem: Forma-se o comparativo do advérbio do mesmo modo
1) O superlativo absoluto analítico é expresso por meio que o comparativo do adjetivo:
dos advérbios muito, extremamente, excepcionalmente, an- - de igualdade: tão + advérbio + quanto (como): Re-
tepostos ao adjetivo. nato fala tão alto quanto João.
2) O superlativo absoluto sintético se apresenta sob - de inferioridade: menos + advérbio + que (do que):
duas formas: uma erudita - de origem latina - outra po- Renato fala menos alto do que João.
pular - de origem vernácula. A forma erudita é constituída - de superioridade:
pelo radical do adjetivo latino + um dos sufixos -íssimo, 1-) Analítico: mais + advérbio + que (do que): Renato
-imo ou érrimo: fidelíssimo, facílimo, paupérrimo. A forma fala mais alto do que João.
popular é constituída do radical do adjetivo português + o 2-) Sintético: melhor ou pior que (do que): Renato fala
sufixo -íssimo: pobríssimo, agilíssimo. melhor que João.
3-) Os adjetivos terminados em –io fazem o superlativo
com dois “ii”: frio – friíssimo, sério – seriíssimo; os termi- Grau Superlativo
nados em –eio, com apenas um “i”: feio - feíssimo, cheio
– cheíssimo. O superlativo pode ser analítico ou sintético:
- Analítico: acompanhado de outro advérbio: Renato
Fontes de pesquisa: fala muito alto.
http://www.soportugues.com.br/secoes/morf/morf32. muito = advérbio de intensidade / alto = advérbio de
php modo

12
LÍNGUA PORTUGUESA

- Sintético: formado com sufixos: Renato fala altíssimo. Distinção entre Advérbio e Pronome Indefinido

* Observação: as formas diminutivas (cedinho, pertinho, Há palavras como muito, bastante, que podem apare-
etc.) são comuns na língua popular. cer como advérbio e como pronome indefinido.
Maria mora pertinho daqui. (muito perto) Advérbio: refere-se a um verbo, adjetivo, ou a outro
A criança levantou cedinho. (muito cedo) advérbio e não sofre flexões. Por exemplo: Eu corri muito.
Pronome Indefinido: relaciona-se a um substantivo e
Classificação dos Advérbios sofre flexões. Por exemplo: Eu corri muitos quilômetros.
De acordo com a circunstância que exprime, o advérbio * Dica: Como saber se a palavra bastante é advérbio
pode ser de: (não varia, não se flexiona) ou pronome indefinido (varia,
Lugar: aqui, antes, dentro, ali, adiante, fora, acolá, atrás, sofre flexão)? Se der, na frase, para substituir o “bastante”
além, lá, detrás, aquém, cá, acima, onde, perto, aí, abaixo,
por “muito”, estamos diante de um advérbio; se der para
aonde, longe, debaixo, algures, defronte, nenhures, adentro,
substituir por “muitos” (ou muitas), é um pronome. Veja:
afora, alhures, aquém, embaixo, externamente, a distância, à
distância de, de longe, de perto, em cima, à direita, à esquer-
da, ao lado, em volta. 1-) Estudei bastante para o concurso. (estudei muito,
Tempo: hoje, logo, primeiro, ontem, tarde, outrora, ama- pois “muitos” não dá!). = advérbio
nhã, cedo, dantes, depois, ainda, antigamente, antes, dora-
vante, nunca, então, ora, jamais, agora, sempre, já, enfim, 2-) Estudei bastantes capítulos para o concurso. (estudei
afinal, amiúde, breve, constantemente, entrementes, imedia- muitos capítulos) = pronome indefinido
tamente, primeiramente, provisoriamente, sucessivamente, às
vezes, à tarde, à noite, de manhã, de repente, de vez em quan- Advérbios Interrogativos
do, de quando em quando, a qualquer momento, de tempos
em tempos, em breve, hoje em dia. São as palavras: onde? aonde? donde? quando? como?
Modo: bem, mal, assim, adrede, melhor, pior, depressa, por quê? nas interrogações diretas ou indiretas, referentes
acinte, debalde, devagar, às pressas, às claras, às cegas, à toa, às circunstâncias de lugar, tempo, modo e causa. Veja:
à vontade, às escondidas, aos poucos, desse jeito, desse modo,
dessa maneira, em geral, frente a frente, lado a lado, a pé, de Interrogação Direta Interrogação Indireta
cor, em vão e a maior parte dos que terminam em “-mente”:
calmamente, tristemente, propositadamente, pacientemente, Como aprendeu? Perguntei como aprendeu.
amorosamente, docemente, escandalosamente, bondosa- Onde mora? Indaguei onde morava.
mente, generosamente.
Por que choras? Não sei por que choras.
Afirmação: sim, certamente, realmente, decerto, efetiva-
mente, certo, decididamente, deveras, indubitavelmente. Aonde vai? Perguntei aonde ia.
Negação: não, nem, nunca, jamais, de modo algum, de Donde vens? Pergunto donde vens.
forma nenhuma, tampouco, de jeito nenhum.
Dúvida: acaso, porventura, possivelmente, provavelmen- Quando voltas? Pergunto quando voltas.
te, quiçá, talvez, casualmente, por certo, quem sabe.
Intensidade: muito, demais, pouco, tão, em excesso, bas- Locução Adverbial
tante, mais, menos, demasiado, quanto, quão, tanto, assaz,
que (equivale a quão), tudo, nada, todo, quase, de todo, de Quando há duas ou mais palavras que exercem função
muito, por completo, extremamente, intensamente, grande- de advérbio, temos a locução adverbial, que pode expres-
mente, bem (quando aplicado a propriedades graduáveis). sar as mesmas noções dos advérbios. Iniciam ordinaria-
Exclusão: apenas, exclusivamente, salvo, senão, somente, mente por uma preposição. Veja:
simplesmente, só, unicamente. Por exemplo: Brando, o vento lugar: à esquerda, à direita, de longe, de perto, para
apenas move a copa das árvores. dentro, por aqui, etc.
Inclusão: ainda, até, mesmo, inclusivamente, também. Por afirmação: por certo, sem dúvida, etc.
exemplo: O indivíduo também amadurece durante a adolescência. modo: às pressas, passo a passo, de cor, em vão, em
Ordem: depois, primeiramente, ultimamente. Por exem- geral, frente a frente, etc.
plo: Primeiramente, eu gostaria de agradecer aos meus ami- tempo: de noite, de dia, de vez em quando, à tarde, hoje
gos por comparecerem à festa. em dia, nunca mais, etc.

* Saiba que: * Observações:


- Para se exprimir o limite de possibilidade, antepõe-se - tanto a locução adverbial como o advérbio modifi-
ao advérbio “o mais” ou “o menos”. Por exemplo: Ficarei o cam o verbo, o adjetivo e outro advérbio:
mais longe que puder daquele garoto. Voltarei o menos tarde Chegou muito cedo. (advérbio)
possível. Joana é muito bela. (adjetivo)
- Quando ocorrem dois ou mais advérbios em -mente, De repente correram para a rua. (verbo)
em geral sufixamos apenas o último: Por exemplo: O aluno
respondeu calma e respeitosamente.

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LÍNGUA PORTUGUESA

- Usam-se, de preferência, as formas mais bem e mais * No caso de nomes próprios personativos, denotando
mal antes de adjetivos ou de verbos no particípio: a ideia de familiaridade ou afetividade, é facultativo o uso
Essa matéria é mais bem interessante que aquela. do artigo:
Nosso aluno foi o mais bem colocado no concurso! Marcela é a mais extrovertida das irmãs.
- O numeral “primeiro”, ao modificar o verbo, é advér- O Pedro é o xodó da família.
bio: Cheguei primeiro.
* No caso de os nomes próprios personativos estarem
- Quanto a sua função sintática: o advérbio e a locução no plural, são determinados pelo uso do artigo:
adverbial desempenham na oração a função de adjunto Os Maias, os Incas, Os Astecas...
adverbial, classificando-se de acordo com as circunstân-
cias que acrescentam ao verbo, ao adjetivo ou ao advérbio. * Usa-se o artigo depois do pronome indefinido to-
Exemplo: do(a) para conferir uma ideia de totalidade. Sem o uso dele
Meio cansada, a candidata saiu da sala. = adjunto ad- (o artigo), o pronome assume a noção de qualquer.
verbial de intensidade (ligado ao adjetivo “cansada”) Toda a classe parabenizou o professor. (a sala toda)
Trovejou muito ontem. = adjunto adverbial de intensi-
Toda classe possui alunos interessados e desinteressa-
dade e de tempo, respectivamente.
dos. (qualquer classe)
Fontes de pesquisa:
http://www.soportugues.com.br/secoes/morf/morf75. * Antes de pronomes possessivos, o uso do artigo é
php facultativo:
Português linguagens: volume 2 / Wiliam Roberto Cere- Preparei o meu curso. Preparei meu curso.
ja, Thereza Cochar Magalhães. – 7ªed. Reform. – São Paulo:
Saraiva, 2010. * A utilização do artigo indefinido pode indicar uma
Português: novas palavras: literatura, gramática, reda- ideia de aproximação numérica:
ção / Emília Amaral... [et al.]. – São Paulo: FTD, 2000. O máximo que ele deve ter é uns vinte anos.
SACCONI, Luiz Antônio. Nossa gramática completa Sac-
coni. 30ª ed. Rev. São Paulo: Nova Geração, 2010. * O artigo também é usado para substantivar palavras
pertencentes a outras classes gramaticais:
Artigo Não sei o porquê de tudo isso.

O artigo integra as dez classes gramaticais, definindo- * Há casos em que o artigo definido não pode ser
-se como o termo variável que serve para individualizar ou usado:
generalizar o substantivo, indicando, também, o gênero - antes de nomes de cidade e de pessoas conhecidas:
(masculino/feminino) e o número (singular/plural). O professor visitará Roma.
Os artigos se subdividem em definidos (“o” e as va-
riações “a”[as] e [os]) e indefinidos (“um” e as variações Mas, se o nome apresentar um caracterizador, a pre-
“uma”[s] e “uns”). sença do artigo será obrigatória: O professor visitará a bela
Roma.
Artigos definidos – São aqueles usados para indicar
seres determinados, expressos de forma individual: - antes de pronomes de tratamento:
O concurseiro estuda muito. Os concurseiros estudam Vossa Senhoria sairá agora?
muito. Exceção: O senhor vai à festa?
Artigos indefinidos – São aqueles usados para indicar
- após o pronome relativo “cujo” e suas variações:
seres de modo vago, impreciso:
Esse é o concurso cujas provas foram anuladas?
Uma candidata foi aprovada! Umas candidatas foram
aprovadas! Este é o candidato cuja nota foi a mais alta.

Circunstâncias em que os artigos se manifestam: Fontes de pesquisa:


http://www.brasilescola.com/gramatica/artigo.htm
* Considera-se obrigatório o uso do artigo depois do Português linguagens: volume 2 / Wiliam Roberto Cere-
numeral “ambos”: ja, Thereza Cochar Magalhães. – 7ªed. Reform. – São Paulo:
Ambos os concursos cobrarão tal conteúdo. Saraiva, 2010.
Português: novas palavras: literatura, gramática, reda-
* Nomes próprios indicativos de lugar admitem o uso ção / Emília Amaral... [et al.]. – São Paulo: FTD, 2000.SACCO-
do artigo, outros não: NI, Luiz Antônio. Nossa gramática completa Sacconi. 30ª ed.
São Paulo, O Rio de Janeiro, Veneza, A Bahia... Rev. São Paulo: Nova Geração, 2010.
Português linguagens: volume 1 / Wiliam Roberto Cere-
* Quando indicado no singular, o artigo definido pode ja, Thereza Cochar Magalhães. – 7ªed. Reform. – São Paulo:
indicar toda uma espécie: Saraiva, 2010.
O trabalho dignifica o homem.

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LÍNGUA PORTUGUESA

Conjunção 3) Alternativas: ligam orações ou palavras, expressan-


do ideia de alternância ou escolha, indicando fatos que se
Além da preposição, há outra palavra também invariá- realizam separadamente. São elas: ou, ou... ou, ora... ora, já...
vel que, na frase, é usada como elemento de ligação: a con- já, quer... quer, seja... seja, talvez... talvez.
junção. Ela serve para ligar duas orações ou duas palavras Ou escolho agora, ou fico sem presente de aniversário.
de mesma função em uma oração:
O concurso será realizado nas cidades de Campinas e 4) Conclusivas: ligam a oração anterior a uma oração
São Paulo. que expressa ideia de conclusão ou consequência. São elas:
A prova não será fácil, por isso estou estudando muito. logo, pois (depois do verbo), portanto, por conseguinte, por
isso, assim.
Morfossintaxe da Conjunção Marta estava bem preparada para o teste, portanto não
ficou nervosa.
As conjunções, a exemplo das preposições, não exer- Você nos ajudou muito; terá, pois, nossa gratidão.
cem propriamente uma função sintática: são conectivos.
5) Explicativas: ligam a oração anterior a uma oração
que a explica, que justifica a ideia nela contida. São elas:
Classificação da Conjunção
que, porque, pois (antes do verbo), porquanto.
Não demore, que o filme já vai começar.
De acordo com o tipo de relação que estabelecem, as Falei muito, pois não gosto do silêncio!
conjunções podem ser classificadas em coordenativas e
subordinativas. No primeiro caso, os elementos ligados Conjunções Subordinativas
pela conjunção podem ser isolados um do outro. Esse iso-
lamento, no entanto, não acarreta perda da unidade de São aquelas que ligam duas orações, sendo uma delas
sentido que cada um dos elementos possui. Já no segundo dependente da outra. A oração dependente, introduzida
caso, cada um dos elementos ligados pela conjunção de- pelas conjunções subordinativas, recebe o nome de ora-
pende da existência do outro. Veja: ção subordinada. Veja o exemplo: O baile já tinha começado
quando ela chegou.
Estudei muito, mas ainda não compreendi o conteúdo. O baile já tinha começado: oração principal
Podemos separá-las por ponto: quando: conjunção subordinativa (adverbial temporal)
Estudei muito. Ainda não compreendi o conteúdo. ela chegou: oração subordinada

Temos acima um exemplo de conjunção (e, conse- As conjunções subordinativas subdividem-se em inte-
quentemente, orações coordenadas) coordenativa – “mas”. grantes e adverbiais:
Já em:
Espero que eu seja aprovada no concurso! 1. Integrantes - Indicam que a oração subordinada por
Não conseguimos separar uma oração da outra, pois a elas introduzida completa ou integra o sentido da principal.
segunda “completa” o sentido da primeira (da oração prin- Introduzem orações que equivalem a substantivos, ou seja,
cipal): as orações subordinadas substantivas. São elas: que, se.
Espero o quê? Ser aprovada. Nesse período temos uma Quero que você volte. (Quero sua volta)
oração subordinada substantiva objetiva direta (ela exerce
a função de objeto direto do verbo da oração principal). 2. Adverbiais - Indicam que a oração subordinada
exerce a função de adjunto adverbial da principal. De acor-
do com a circunstância que expressam, classificam-se em:
Conjunções Coordenativas
a) Causais: introduzem uma oração que é causa da
ocorrência da oração principal. São elas: porque, que, como
São aquelas que ligam orações de sentido completo
(= porque, no início da frase), pois que, visto que, uma vez
e independente ou termos da oração que têm a mesma que, porquanto, já que, desde que, etc.
função gramatical. Subdividem-se em: Ele não fez a pesquisa porque não dispunha de meios.
1) Aditivas: ligam orações ou palavras, expressando
ideia de acréscimo ou adição. São elas: e, nem (= e não), b) Concessivas: introduzem uma oração que expressa
não só... mas também, não só... como também, bem como, ideia contrária à da principal, sem, no entanto, impedir sua
não só... mas ainda. realização. São elas: embora, ainda que, apesar de que, se
A sua pesquisa é clara e objetiva. bem que, mesmo que, por mais que, posto que, conquanto,
Não só dança, mas também canta. etc.
Embora fosse tarde, fomos visitá-lo.
2) Adversativas: ligam duas orações ou palavras, ex-
pressando ideia de contraste ou compensação. São elas: c) Condicionais: introduzem uma oração que indica a
mas, porém, contudo, todavia, entretanto, no entanto, não hipótese ou a condição para ocorrência da principal. São
obstante. elas: se, caso, contanto que, salvo se, a não ser que, desde
Tentei chegar mais cedo, porém não consegui. que, a menos que, sem que, etc.
Se precisar de minha ajuda, telefone-me.

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LÍNGUA PORTUGUESA

** Dica: você deve ter percebido que a conjunção con- O bom relacionamento entre as conjunções de um tex-
dicional “se” também é conjunção integrante. A diferença é to garante a perfeita estruturação de suas frases e parágrafos,
clara ao ler as orações que são introduzidas por ela. Acima, bem como a compreensão eficaz de seu conteúdo. Interagindo
ela nos dá a ideia da condição para que recebamos um com palavras de outras classes gramaticais essenciais ao inter-
telefonema (se for preciso ajuda). Já na oração: -relacionamento das partes de frases e textos - como os prono-
Não sei se farei o concurso... mes, preposições, alguns advérbios e numerais -, as conjunções
Não há ideia de condição alguma, há? Outra coisa: o fazem parte daquilo a que se pode chamar de “a arquitetura
verbo da oração principal (sei) pede complemento (objeto textual”, isto é, o conjunto das relações que garantem a coesão
direto, já que “quem não sabe, não sabe algo”). Portanto, do enunciado. O sucesso desse conjunto de relações depende
a oração em destaque exerce a função de objeto direto da do conhecimento do valor relacional das conjunções, uma vez
oração principal, sendo classificada como oração subordi- que estas interferem semanticamente no enunciado.
nada substantiva objetiva direta. Dessa forma, deve-se dedicar atenção especial às con-
d) Conformativas: introduzem uma oração que expri- junções tanto na leitura como na produção de textos. Nos
me a conformidade de um fato com outro. São elas: confor- textos narrativos, elas estão muitas vezes ligadas à expres-
me, como (= conforme), segundo, consoante, etc. são de circunstâncias fundamentais à condução da história,
O passeio ocorreu como havíamos planejado. como as noções de tempo, finalidade, causa e consequência.
Nos textos dissertativos, evidenciam muitas vezes a linha ex-
e) Finais: introduzem uma oração que expressa a fina- positiva ou argumentativa adotada - é o caso das exposições
lidade ou o objetivo com que se realiza a oração principal. e argumentações construídas por meio de contrastes e opo-
São elas: para que, a fim de que, que, porque (= para que), sições, que implicam o uso das adversativas e concessivas.
que, etc.
Toque o sinal para que todos entrem no salão. Fontes de pesquisa:
http://www.soportugues.com.br/secoes/morf/morf84.php
f) Proporcionais: introduzem uma oração que expres- SACCONI, Luiz Antônio. Nossa gramática completa Sac-
sa um fato relacionado proporcionalmente à ocorrência do coni. 30ª ed. Rev. São Paulo: Nova Geração, 2010.
expresso na principal. São elas: à medida que, à proporção Português linguagens: volume 2 / Wiliam Roberto Cere-
que, ao passo que e as combinações quanto mais... (mais), ja, Thereza Cochar Magalhães. – 7ªed. Reform. – São Paulo:
quanto menos... (menos), quanto menos... (mais), quanto Saraiva, 2010.
menos... (menos), etc. Português: novas palavras: literatura, gramática, redação
O preço fica mais caro à medida que os produtos escas- / Emília Amaral... [et al.]. – São Paulo: FTD, 2000.
seiam. Interjeição

* Observação: são incorretas as locuções proporcio- Interjeição é a palavra invariável que exprime emoções,
nais à medida em que, na medida que e na medida em que. sensações, estados de espírito. É um recurso da linguagem
afetiva, em que não há uma ideia organizada de maneira lógi-
g) Temporais: introduzem uma oração que acrescenta ca, como são as sentenças da língua, mas sim a manifestação
uma circunstância de tempo ao fato expresso na oração de um suspiro, um estado da alma decorrente de uma situação
principal. São elas: quando, enquanto, antes que, depois que, particular, um momento ou um contexto específico. Exemplos:
logo que, todas as vezes que, desde que, sempre que, assim Ah, como eu queria voltar a ser criança!
que, agora que, mal (= assim que), etc. ah: expressão de um estado emotivo = interjeição
A briga começou assim que saímos da festa. Hum! Esse pudim estava maravilhoso!
hum: expressão de um pensamento súbito = interjeição
h) Comparativas: introduzem uma oração que expres-
sa ideia de comparação com referência à oração principal. O significado das interjeições está vinculado à maneira
São elas: como, assim como, tal como, como se, (tão)... como, como elas são proferidas. O tom da fala é que dita o sentido
tanto como, tanto quanto, do que, quanto, tal, qual, tal qual, que a expressão vai adquirir em cada contexto em que for
que nem, que (combinado com menos ou mais), etc. utilizada. Exemplos:
O jogo de hoje será mais difícil que o de ontem. Psiu!
contexto: alguém pronunciando esta expressão na rua
i) Consecutivas: introduzem uma oração que expressa ; significado da interjeição (sugestão): “Estou te chamando!
a consequência da principal. São elas: de sorte que, de modo Ei, espere!”
que, sem que (= que não), de forma que, de jeito que, que
(tendo como antecedente na oração principal uma palavra Psiu!
como tal, tão, cada, tanto, tamanho), etc. contexto: alguém pronunciando em um hospital; sig-
Estudou tanto durante a noite que dormiu na hora do nificado da interjeição (sugestão): “Por favor, faça silêncio!”
exame.
Puxa! Ganhei o maior prêmio do sorteio!
Atenção: Muitas conjunções não têm classificação úni- puxa: interjeição; tom da fala: euforia
ca, imutável, devendo, portanto, ser classificadas de acor-
do com o sentido que apresentam no contexto (grifo Puxa! Hoje não foi meu dia de sorte!
da Zê!). puxa: interjeição; tom da fala: decepção

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LÍNGUA PORTUGUESA

As interjeições cumprem, normalmente, duas funções: * Observações:


a) Sintetizar uma frase exclamativa, exprimindo alegria, 1) As interjeições são como frases resumidas, sintéticas.
tristeza, dor, etc. Por exemplo:
Ah, deve ser muito interessante! Ué! (= Eu não esperava por essa!)
Perdão! (= Peço-lhe que me desculpe.)
b) Sintetizar uma frase apelativa.
Cuidado! Saia da minha frente. 2) Além do contexto, o que caracteriza a interjeição é
o seu tom exclamativo; por isso, palavras de outras classes
As interjeições podem ser formadas por: gramaticais podem aparecer como interjeições. Por exem-
a) simples sons vocálicos: Oh!, Ah!, Ó, Ô plo:
b) palavras: Oba! Olá! Claro! Viva! Basta! (Verbos)
c) grupos de palavras (locuções interjetivas): Meu Deus! Fora! Francamente! (Advérbios)
Ora bolas! 3) A interjeição pode ser considerada uma “palavra-
-frase” porque sozinha pode constituir uma mensagem.
Classificação das Interjeições
Por exemplo:
Socorro! Ajudem-me! Silêncio! Fique quieto!
Comumente, as interjeições expressam sentido de:
Advertência: Cuidado! Devagar! Calma! Sentido! Aten-
ção! Olha! Alerta! 4) Há, também, as interjeições onomatopaicas ou imi-
Afugentamento: Fora! Passa! Rua! tativas, que exprimem ruídos e vozes. Por exemplo: Miau!
Alegria ou Satisfação: Oh! Ah! Eh! Oba! Viva! Bumba! Zás! Plaft! Pof! Catapimba! Tique-taque! Quá-quá-
Alívio: Arre! Uf! Ufa! Ah! -quá!, etc.
Animação ou Estímulo: Vamos! Força! Coragem! Âni-
mo! Adiante! 5) Não se deve confundir a interjeição de apelo “ó” com
Aplauso ou Aprovação: Bravo! Bis! Apoiado! Viva! a sua homônima “oh!”, que exprime admiração, alegria,
Concordância: Claro! Sim! Pois não! Tá! tristeza, etc. Faz-se uma pausa depois do “oh!” exclamativo
Repulsa ou Desaprovação: Credo! Ih! Francamente! e não a fazemos depois do “ó” vocativo. Por exemplo:
Essa não! Chega! Basta! “Ó natureza! ó mãe piedosa e pura!” (Olavo Bilac)
Desejo ou Intenção: Pudera! Tomara! Oxalá! Queira Oh! a jornada negra!” (Olavo Bilac)
Deus!
Desculpa: Perdão! Fontes de pesquisa:
Dor ou Tristeza: Ai! Ui! Ai de mim! Que pena! http://www.soportugues.com.br/secoes/morf/morf89.
Dúvida ou Incredulidade: Que nada! Qual o quê! php
Espanto ou Admiração: Oh! Ah! Uai! Puxa! Céus! Quê! SACCONI, Luiz Antônio. Nossa gramática completa Sac-
Caramba! Opa! Nossa! Hein? Cruz! Putz! coni. 30ª ed. Rev. São Paulo: Nova Geração, 2010.
Impaciência ou Contrariedade: Hum! Raios! Puxa! Pô! Português – Literatura, Produção de Textos & Gramática
Ora! – volume único / Samira Yousseff Campedelli, Jésus Barbosa
Pedido de Auxílio: Socorro! Aqui! Piedade! Souza. – 3. Ed. – São Paulo: Saraiva, 2002.
Saudação, Chamamento ou Invocação: Salve! Viva!
Adeus! Olá! Alô! Ei! Tchau! Psiu! Socorro! Valha-me, Deus! Numeral
Silêncio: Psiu! Silêncio! Numeral é a palavra variável que indica quantidade
Terror ou Medo: Credo! Cruzes! Minha nossa! numérica ou ordem; expressa a quantidade exata de pes-
soas ou coisas ou o lugar que elas ocupam numa determi-
* Saiba que: As interjeições são palavras invariáveis,
nada sequência.
isto é, não sofrem variação em gênero, número e grau
como os nomes, nem de número, pessoa, tempo, modo,
aspecto e voz como os verbos. No entanto, em uso espe- * Note bem: os numerais traduzem, em palavras, o que
cífico, algumas interjeições sofrem variação em grau. Não os números indicam em relação aos seres. Assim, quando
se trata de um processo natural desta classe de palavra, a expressão é colocada em números (1, 1.º, 1/3, etc.) não se
mas tão só uma variação que a linguagem afetiva permite. trata de numerais, mas sim de algarismos.
Exemplos: oizinho, bravíssimo, até loguinho. Além dos numerais mais conhecidos, já que refletem a
ideia expressa pelos números, existem mais algumas pala-
Locução Interjetiva vras consideradas numerais porque denotam quantidade,
proporção ou ordenação. São alguns exemplos: década,
Ocorre quando duas ou mais palavras formam uma dúzia, par, ambos(as), novena.
expressão com sentido de interjeição: Ora bolas!, Virgem
Maria!, Meu Deus!, Ó de casa!, Ai de mim!, Graças a Deus! Classificação dos Numerais
Toda frase mais ou menos breve dita em tom exclama- - Cardinais: indicam quantidade exata ou determina-
tivo torna-se uma locução interjetiva, dispensando análise da de seres: um, dois, cem mil, etc. Alguns cardinais têm
dos termos que a compõem: Macacos me mordam!, Valha- sentido coletivo, como por exemplo: século, par, dúzia, dé-
-me Deus!, Quem me dera! cada, bimestre.

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LÍNGUA PORTUGUESA

- Ordinais: indicam a ordem, a posição que alguém ou - Em sentido figurado, usa-se o numeral para indicar
alguma coisa ocupa numa determinada sequência: primei- exagero intencional, constituindo a figura de linguagem
ro, segundo, centésimo, etc. conhecida como hipérbole: Já li esse texto mil vezes.
- No português contemporâneo, não se usa a conjun-
* Observação importante: ção “e” após “mil”, seguido de centena:
As palavras anterior, posterior, último, antepenúltimo, Nasci em mil novecentos e noventa e dois.
final e penúltimo também indicam posição dos seres, mas Seu salário será de mil quinhentos e cinquenta reais.
são classificadas como adjetivos, não ordinais.
* Mas, se a centena começa por “zero” ou termina por
- Fracionários: indicam parte de uma quantidade, ou dois zeros, usa-se o “e”:
seja, uma divisão dos seres: meio, terço, dois quintos, etc. Seu salário será de mil e quinhentos reais. (R$1.500,00)
- Multiplicativos: expressam ideia de multiplicação Gastamos mil e quarenta reais. (R$1.040,00)
dos seres, indicando quantas vezes a quantidade foi au- - Para designar papas, reis, imperadores, séculos e par-
tes em que se divide uma obra, utilizam-se os ordinais até
mentada: dobro, triplo, quíntuplo, etc.
décimo e, a partir daí, os cardinais, desde que o numeral
venha depois do substantivo;
Flexão dos numerais

Os numerais cardinais que variam em gênero são um/ Ordinais Cardinais


uma, dois/duas e os que indicam centenas de duzentos/du- João Paulo II (segundo) Tomo XV (quinze)
zentas em diante: trezentos/trezentas; quatrocentos/quatro-
D. Pedro II (segundo) Luís XVI (dezesseis)
centas, etc. Cardinais como milhão, bilhão, trilhão, variam
em número: milhões, bilhões, trilhões. Os demais cardinais Ato II (segundo) Capítulo XX (vinte)
são invariáveis. Século VIII (oitavo) Século XX (vinte)

Os numerais ordinais variam em gênero e número: Canto IX (nono) João XXIII ( vinte e três)

- Se o numeral aparece antes do substantivo, será lido


primeiro segundo milésimo como ordinal: XXX Feira do Bordado. (trigésima)
primeira segunda milésima
** Dica: Ordinal lembra ordem. Memorize assim, por
primeiros segundos milésimos associação. Ficará mais fácil!
primeiras segundas milésimas - Para designar leis, decretos e portarias, utiliza-se o
ordinal até nono e o cardinal de dez em diante:
Os numerais multiplicativos são invariáveis quando
atuam em funções substantivas: Fizeram o dobro do esforço Artigo 1.° (primeiro) Artigo 10 (dez)
e conseguiram o triplo de produção. Artigo 9.° (nono) Artigo 21 (vinte e um)
Quando atuam em funções adjetivas, esses numerais
flexionam-se em gênero e número: Teve de tomar doses tri- - Ambos/ambas = numeral dual, porque sempre se
plas do medicamento. refere a dois seres. Significam “um e outro”, “os dois” (ou
Os numerais fracionários flexionam-se em gênero e “uma e outra”, “as duas”) e são largamente empregados
número. Observe: um terço/dois terços, uma terça parte/ para retomar pares de seres aos quais já se fez referência.
Sua utilização exige a presença do artigo posposto: Ambos
duas terças partes.
os concursos realizarão suas provas no mesmo dia. O arti-
Os numerais coletivos flexionam-se em número: uma
go só é dispensado caso haja um pronome demonstrativo:
dúzia, um milheiro, duas dúzias, dois milheiros.
Ambos esses ministros falarão à imprensa.
É comum na linguagem coloquial a indicação de grau
nos numerais, traduzindo afetividade ou especialização de Função sintática do Numeral
sentido. É o que ocorre em frases como:
“Me empresta duzentinho...” O numeral tem mais de uma função sintática:
É artigo de primeiríssima qualidade! - se na oração analisada seu papel é de adjetivo, o
O time está arriscado por ter caído na segundona. (= numeral assumirá a função de adjunto adnominal; se fizer
segunda divisão de futebol) papel de substantivo, pode ter a função de sujeito, objeto
direto ou indireto.
Emprego e Leitura dos Numerais
Visitamos cinco casas, mas só gostamos de duas.
- Os numerais são escritos em conjunto de três alga- Objeto direto = cinco casas
rismos, contados da direita para a esquerda, em forma de Núcleo do objeto direto = casas
centenas, dezenas e unidades, tendo cada conjunto uma Adjunto adnominal = cinco
separação através de ponto ou espaço correspondente a Objeto indireto = de duas
um ponto: 8.234.456 ou 8 234 456. Núcleo do objeto indireto = duas

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LÍNGUA PORTUGUESA

Quadro de alguns numerais

Cardinais Ordinais Multiplicativos Fracionários


um primeiro - -
dois segundo dobro, duplo meio
três terceiro triplo, tríplice terço
quatro quarto quádruplo quarto
cinco quinto quíntuplo quinto
seis sexto sêxtuplo sexto
sete sétimo sétuplo sétimo
oito oitavo óctuplo oitavo
nove nono nônuplo nono
dez décimo décuplo décimo
onze décimo primeiro - onze avos
doze décimo segundo - doze avos
treze décimo terceiro - treze avos
catorze décimo quarto - catorze avos
quinze décimo quinto - quinze avos
dezesseis décimo sexto - dezesseis avos
dezessete décimo sétimo - dezessete avos
dezoito décimo oitavo - dezoito avos
dezenove décimo nono - dezenove avos
vinte vigésimo - vinte avos
trinta trigésimo - trinta avos
quarenta quadragésimo - quarenta avos
cinqüenta quinquagésimo - cinquenta avos
sessenta sexagésimo - sessenta avos
setenta septuagésimo - setenta avos
oitenta octogésimo - oitenta avos
noventa nonagésimo - noventa avos
cem centésimo cêntuplo centésimo
duzentos ducentésimo - ducentésimo
trezentos trecentésimo - trecentésimo
quatrocentos quadringentésimo - quadringentésimo
quinhentos quingentésimo - quingentésimo
seiscentos sexcentésimo - sexcentésimo
setecentos septingentésimo - septingentésimo
oitocentos octingentésimo - octingentésimo
novecentos nongentésimo
ou noningentésimo - nongentésimo
mil milésimo - milésimo
milhão milionésimo - milionésimo
bilhão bilionésimo - bilionésimo

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LÍNGUA PORTUGUESA

fontes de pesquisa: Dicas sobre preposição


http://www.soportugues.com.br/secoes/morf/morf40.
php - O “a” pode funcionar como preposição, pronome
SACCONI, Luiz Antônio. Nossa gramática completa Sac- pessoal oblíquo e artigo. Como distingui-los? Caso o “a”
coni. 30ª ed. Rev. São Paulo: Nova Geração, 2010. seja um artigo, virá precedendo um substantivo, servindo
Português linguagens: volume 2 / Wiliam Roberto Cere- para determiná-lo como um substantivo singular e femi-
ja, Thereza Cochar Magalhães. – 7ªed. Reform. – São Paulo: nino.
Saraiva, 2010. A matéria que estudei é fácil!
Português: novas palavras: literatura, gramática, reda-
ção / Emília Amaral... [et al.]. – São Paulo: FTD, 2000. - Quando é preposição, além de ser invariável, liga dois
termos e estabelece relação de subordinação entre eles.
Preposição Irei à festa sozinha.
Entregamos a flor à professora!
Preposição é uma palavra invariável que serve para *o primeiro “a” é artigo; o segundo, preposição.
ligar termos ou orações. Quando esta ligação acontece,
normalmente há uma subordinação do segundo termo em - Se for pronome pessoal oblíquo estará ocupando o
relação ao primeiro. As preposições são muito importantes lugar e/ou a função de um substantivo.
na estrutura da língua, pois estabelecem a coesão textual Nós trouxemos a apostila. = Nós a trouxemos.
e possuem valores semânticos indispensáveis para a com-
preensão do texto. Relações semânticas (= de sentido) estabelecidas
por meio das preposições:
Tipos de Preposição
Destino = Irei a Salvador.
1. Preposições essenciais: palavras que atuam exclusi- Modo = Saiu aos prantos.
vamente como preposições: a, ante, perante, após, até, com, Lugar = Sempre a seu lado.
contra, de, desde, em, entre, para, por, sem, sob, sobre, trás, Assunto = Falemos sobre futebol.
atrás de, dentro de, para com. Tempo = Chegarei em instantes.
Causa = Chorei de saudade.
2. Preposições acidentais: palavras de outras classes Fim ou finalidade = Vim para ficar.
gramaticais que podem atuar como preposições, ou seja, Instrumento = Escreveu a lápis.
formadas por uma derivação imprópria: como, durante, ex- Posse = Vi as roupas da mamãe.
ceto, fora, mediante, salvo, segundo, senão, visto. Autoria = livro de Machado de Assis
Companhia = Estarei com ele amanhã.
3. Locuções prepositivas: duas ou mais palavras va- Matéria = copo de cristal.
lendo como uma preposição, sendo que a última palavra é Meio = passeio de barco.
uma (preposição): abaixo de, acerca de, acima de, ao lado Origem = Nós somos do Nordeste.
de, a respeito de, de acordo com, em cima de, embaixo de, Conteúdo = frascos de perfume.
em frente a, ao redor de, graças a, junto a, com, perto de, por Oposição = Esse movimento é contra o que eu penso.
causa de, por cima de, por trás de. Preço = Essa roupa sai por cinquenta reais.

A preposição é invariável, no entanto pode unir-se a * Quanto à preposição “trás”: não se usa senão nas lo-
outras palavras e, assim, estabelecer concordância em gê- cuções adverbiais (para trás ou por trás) e na locução pre-
nero ou em número. Ex: por + o = pelo por + a = pela. positiva por trás de.

* Essa concordância não é característica da preposição, Fontes de pesquisa:


mas das palavras às quais ela se une. http://www.infoescola.com/portugues/preposicao/
Esse processo de junção de uma preposição com outra SACCONI, Luiz Antônio. Nossa gramática completa Sac-
palavra pode se dar a partir dos processos de: coni. 30ª ed. Rev. São Paulo: Nova Geração, 2010.
Português linguagens: volume 2 / Wiliam Roberto Cere-
1. Combinação: união da preposição “a” com o artigo ja, Thereza Cochar Magalhães. – 7ªed. Reform. – São Paulo:
“o”(s), ou com o advérbio “onde”: ao, aonde, aos. Os vocá- Saraiva, 2010.
bulos não sofrem alteração. Português: novas palavras: literatura, gramática, reda-
2. Contração: união de uma preposição com outra pa- ção / Emília Amaral... [et al.]. – São Paulo: FTD, 2000.
lavra, ocorrendo perda ou transformação de fonema: de + Pronome
o = do, em + a = na, per + os = pelos, de + aquele = da- Pronome é a palavra variável que substitui ou acom-
quele, em + isso = nisso. panha um substantivo (nome), qualificando-o de alguma
3. Crase: é a fusão de vogais idênticas: à (“a” prepo- forma.
sição + “a” artigo), àquilo (“a” preposição + 1.ª vogal do O homem julga que é superior à natureza, por isso o
pronome “aquilo”). homem destrói a natureza...

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LÍNGUA PORTUGUESA

Utilizando pronomes, teremos: Pronome Reto


O homem julga que é superior à natureza, por isso ele Pronome pessoal do caso reto é aquele que, na senten-
a destrói... ça, exerce a função de sujeito: Nós lhe ofertamos flores.
Ficou melhor, sem a repetição desnecessária de termos
(homem e natureza). Os pronomes retos apresentam flexão de número, gê-
nero (apenas na 3.ª pessoa) e pessoa, sendo essa última a
Grande parte dos pronomes não possuem significados principal flexão, uma vez que marca a pessoa do discurso.
fixos, isto é, essas palavras só adquirem significação dentro Dessa forma, o quadro dos pronomes retos é assim confi-
de um contexto, o qual nos permite recuperar a referên- gurado:
cia exata daquilo que está sendo colocado por meio dos
pronomes no ato da comunicação. Com exceção dos pro- - 1.ª pessoa do singular: eu
nomes interrogativos e indefinidos, os demais pronomes - 2.ª pessoa do singular: tu
têm por função principal apontar para as pessoas do dis- - 3.ª pessoa do singular: ele, ela
curso ou a elas se relacionar, indicando-lhes sua situação - 1.ª pessoa do plural: nós
no tempo ou no espaço. Em virtude dessa característica, - 2.ª pessoa do plural: vós
os pronomes apresentam uma forma específica para cada - 3.ª pessoa do plural: eles, elas
pessoa do discurso.
* Atenção: esses pronomes não costumam ser usa-
Minha carteira estava vazia quando eu fui assaltada. dos como complementos verbais na língua-padrão. Frases
[minha/eu: pronomes de 1.ª pessoa = aquele que fala] como “Vi ele na rua”, “Encontrei ela na praça”, “Trouxeram
Tua carteira estava vazia quando tu foste assaltada? eu até aqui”, comuns na língua oral cotidiana, devem ser
[tua/tu: pronomes de 2.ª pessoa = aquele a quem se evitadas na língua formal escrita ou falada. Na língua for-
fala] mal, devem ser usados os pronomes oblíquos correspon-
A carteira dela estava vazia quando ela foi assaltada. dentes: “Vi-o na rua”, “Encontrei-a na praça”, “Trouxeram-
-me até aqui”.
[dela/ela: pronomes de 3.ª pessoa = aquele de quem
se fala]
* Observação: frequentemente observamos a omissão
do pronome reto em Língua Portuguesa. Isso se dá porque
Em termos morfológicos, os pronomes são palavras
as próprias formas verbais marcam, através de suas desi-
variáveis em gênero (masculino ou feminino) e em núme-
nências, as pessoas do verbo indicadas pelo pronome reto:
ro (singular ou plural). Assim, espera-se que a referência
Fizemos boa viagem. (Nós)
através do pronome seja coerente em termos de gênero
e número (fenômeno da concordância) com o seu objeto,
Pronome Oblíquo
mesmo quando este se apresenta ausente no enunciado.
Pronome pessoal do caso oblíquo é aquele que, na sen-
Fala-se de Roberta. Ele quer participar do desfile da nos- tença, exerce a função de complemento verbal (objeto
sa escola neste ano. direto ou indireto): Ofertaram-nos flores. (objeto indireto)
[nossa: pronome que qualifica “escola” = concordância
adequada] * Observação: o pronome oblíquo é uma forma va-
[neste: pronome que determina “ano” = concordância riante do pronome pessoal do caso reto. Essa variação in-
adequada] dica a função diversa que eles desempenham na oração:
[ele: pronome que faz referência à “Roberta” = concor- pronome reto marca o sujeito da oração; pronome oblíquo
dância inadequada] marca o complemento da oração.
Os pronomes oblíquos sofrem variação de acordo com
Existem seis tipos de pronomes: pessoais, possessivos, a acentuação tônica que possuem, podendo ser átonos ou
demonstrativos, indefinidos, relativos e interrogativos. tônicos.

Pronomes Pessoais Pronome Oblíquo Átono

São aqueles que substituem os substantivos, indicando São chamados átonos os pronomes oblíquos que não
diretamente as pessoas do discurso. Quem fala ou escreve são precedidos de preposição. Possuem acentuação tônica
assume os pronomes “eu” ou “nós”; usa-se os pronomes fraca: Ele me deu um presente.
“tu”, “vós”, “você” ou “vocês” para designar a quem se di- Tabela dos pronomes oblíquos átonos
rige, e “ele”, “ela”, “eles” ou “elas” para fazer referência à - 1.ª pessoa do singular (eu): me
pessoa ou às pessoas de quem se fala. - 2.ª pessoa do singular (tu): te
Os pronomes pessoais variam de acordo com as fun- - 3.ª pessoa do singular (ele, ela): o, a, lhe
ções que exercem nas orações, podendo ser do caso reto - 1.ª pessoa do plural (nós): nos
ou do caso oblíquo. - 2.ª pessoa do plural (vós): vos
- 3.ª pessoa do plural (eles, elas): os, as, lhes

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LÍNGUA PORTUGUESA

* Observações: Não há mais nada entre mim e ti.


- O “lhe” é o único pronome oblíquo átono que já se Não se comprovou qualquer ligação entre ti e ela.
apresenta na forma contraída, ou seja, houve a união entre Não há nenhuma acusação contra mim.
o pronome “o” ou “a” e preposição “a” ou “para”. Por acom- Não vá sem mim.
panhar diretamente uma preposição, o pronome “lhe” exerce
sempre a função de objeto indireto na oração. * Atenção: Há construções em que a preposição, ape-
Os pronomes me, te, nos e vos podem tanto ser objetos sar de surgir anteposta a um pronome, serve para introdu-
diretos como objetos indiretos. zir uma oração cujo verbo está no infinitivo. Nesses casos,
Os pronomes o, a, os e as atuam exclusivamente como o verbo pode ter sujeito expresso; se esse sujeito for um
objetos diretos. pronome, deverá ser do caso reto.
Trouxeram vários vestidos para eu experimentar.
- Os pronomes me, te, lhe, nos, vos e lhes podem combi- Não vá sem eu mandar.
nar-se com os pronomes o, os, a, as, dando origem a formas
como mo, mos, ma, mas; to, tos, ta, tas; lho, lhos, lha, lhas; * A frase: “Foi fácil para mim resolver aquela questão!”
no-lo, no-los, no-la, no-las, vo-lo, vo-los, vo-la, vo-las. Observe está correta, já que “para mim” é complemento de “fácil”.
o uso dessas formas nos exemplos que seguem: A ordem direta seria: Resolver aquela questão foi fácil para
Trouxeste o pacote? mim!
Sim, entreguei-to ainda há pouco.
Não contaram a novidade a vocês? - A combinação da preposição “com” e alguns prono-
Não, no-la contaram. mes originou as formas especiais comigo, contigo, consigo,
conosco e convosco. Tais pronomes oblíquos tônicos fre-
No Brasil, essas combinações não são usadas; até mes- quentemente exercem a função de adjunto adverbial de
mo na língua literária atual, seu emprego é muito raro. companhia.
Ele carregava o documento consigo.
* Atenção: Os pronomes o, os, a, as assumem formas
especiais depois de certas terminações verbais. - A preposição “até” exige as formas oblíquas tônicas:
- Quando o verbo termina em -z, -s ou -r, o pronome Ela veio até mim, mas nada falou.
assume a forma lo, los, la ou las, ao mesmo tempo que a
Mas, se “até” for palavra denotativa (com o sentido de)
terminação verbal é suprimida. Por exemplo:
inclusão, usaremos as formas retas:
fiz + o = fi-lo
Todos foram bem na prova, até eu! (=inclusive eu)
fazeis + o = fazei-lo
dizer + a = dizê-la
- As formas “conosco” e “convosco” são substituídas
por “com nós” e “com vós” quando os pronomes pessoais
- Quando o verbo termina em som nasal, o pronome as-
sume as formas no, nos, na, nas. Por exemplo: são reforçados por palavras como outros, mesmos, próprios,
viram + o: viram-no todos, ambos ou algum numeral.
repõe + os = repõe-nos Você terá de viajar com nós todos.
retém + a: retém-na Estávamos com vós outros quando chegaram as más
tem + as = tem-nas notícias.
Ele disse que iria com nós três.
Pronome Oblíquo Tônico
Os pronomes oblíquos tônicos são sempre precedidos Pronome Reflexivo
por preposições, em geral as preposições a, para, de e com.
Por esse motivo, os pronomes tônicos exercem a função de São pronomes pessoais oblíquos que, embora funcio-
objeto indireto da oração. Possuem acentuação tônica forte. nem como objetos direto ou indireto, referem-se ao sujeito
Quadro dos pronomes oblíquos tônicos: da oração. Indicam que o sujeito pratica e recebe a ação
- 1.ª pessoa do singular (eu): mim, comigo expressa pelo verbo.
- 2.ª pessoa do singular (tu): ti, contigo Quadro dos pronomes reflexivos:
- 3.ª pessoa do singular (ele, ela): si, consigo, ele, ela - 1.ª pessoa do singular (eu): me, mim.
- 1.ª pessoa do plural (nós): nós, conosco Eu não me lembro disso.
- 2.ª pessoa do plural (vós): vós, convosco
- 3.ª pessoa do plural (eles, elas): si, consigo, eles, elas - 2.ª pessoa do singular (tu): te, ti.
Conhece a ti mesmo.
Observe que as únicas formas próprias do pronome tô-
nico são a primeira pessoa (mim) e segunda pessoa (ti). As - 3.ª pessoa do singular (ele, ela): se, si, consigo.
demais repetem a forma do pronome pessoal do caso reto. Guilherme já se preparou.
- As preposições essenciais introduzem sempre prono- Ela deu a si um presente.
mes pessoais do caso oblíquo e nunca pronome do caso Antônio conversou consigo mesmo.
reto. Nos contextos interlocutivos que exigem o uso da
língua formal, os pronomes costumam ser usados desta - 1.ª pessoa do plural (nós): nos.
forma: Lavamo-nos no rio.

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LÍNGUA PORTUGUESA

- 2.ª pessoa do plural (vós): vos. - Os pronomes de tratamento representam uma for-
Vós vos beneficiastes com esta conquista. ma indireta de nos dirigirmos aos nossos interlocutores. Ao
tratarmos um deputado por Vossa Excelência, por exemplo,
- 3.ª pessoa do plural (eles, elas): se, si, consigo. estamos nos endereçando à excelência que esse deputado
Eles se conheceram. supostamente tem para poder ocupar o cargo que ocupa.
Elas deram a si um dia de folga.
- 3.ª pessoa: embora os pronomes de tratamento diri-
* O pronome é reflexivo quando se refere à mesma jam-se à 2.ª pessoa, toda a concordância deve ser feita
pessoa do pronome subjetivo (sujeito): Eu me arrumei e saí. com a 3.ª pessoa. Assim, os verbos, os pronomes possessi-
** É pronome recíproco quando indica reciprocidade vos e os pronomes oblíquos empregados em relação a eles
de ação: devem ficar na 3.ª pessoa.
Nós nos amamos. Basta que V. Ex.ª cumpra a terça parte das suas pro-
Olhamo-nos calados. messas, para que seus eleitores lhe fiquem reconhecidos.

Pronomes de Tratamento - Uniformidade de Tratamento: quando escrevemos ou


nos dirigimos a alguém, não é permitido mudar, ao longo
São pronomes utilizados no tratamento formal, ceri- do texto, a pessoa do tratamento escolhida inicialmente.
monioso. Apesar de indicarem nosso interlocutor (portan- Assim, por exemplo, se começamos a chamar alguém de
to, a segunda pessoa), utilizam o verbo na terceira pes- “você”, não poderemos usar “te” ou “teu”. O uso correto
soa. Alguns exemplos: exigirá, ainda, verbo na terceira pessoa.
Vossa Alteza (V. A.) = príncipes, duques
Vossa Eminência (V. E.ma) = cardeais Quando você vier, eu te abraçarei e enrolar-me-ei nos
Vossa Reverendíssima (V. Ver.ma) = sacerdotes e religio- teus cabelos. (errado)
sos em geral
Quando você vier, eu a abraçarei e enrolar-me-ei nos
Vossa Excelência (V. Ex.ª) = oficiais de patente superior
seus cabelos. (correto) = terceira pessoa do singular
à de coronel, senadores, deputados, embaixadores, profes-
ou
sores de curso superior, ministros de Estado e de Tribunais,
governadores, secretários de Estado, presidente da Repú-
Quando tu vieres, eu te abraçarei e enrolar-me-ei nos
blica (sempre por extenso)
teus cabelos. (correto) = segunda pessoa do singular
Vossa Magnificência (V. Mag.ª) = reitores de universi-
dades Pronomes Possessivos
Vossa Majestade (V. M.) = reis, rainhas e imperadores São palavras que, ao indicarem a pessoa gramatical
Vossa Senhoria (V. S.a) = comerciantes em geral, oficiais (possuidor), acrescentam a ela a ideia de posse de algo
até a patente de coronel, chefes de seção e funcionários de (coisa possuída).
igual categoria Este caderno é meu. (meu = possuidor: 1ª pessoa do
Vossa Meritíssima (sempre por extenso) = para juízes singular)
de direito
Vossa Santidade (sempre por extenso) = tratamento
cerimonioso NÚMERO PESSOA PRONOME
Vossa Onipotência (sempre por extenso) = Deus singular primeira meu(s), minha(s)
singular segunda teu(s), tua(s)
Também são pronomes de tratamento o senhor, a se-
nhora e você, vocês. “O senhor” e “a senhora” são empre- singular terceira seu(s), sua(s)
gados no tratamento cerimonioso; “você” e “vocês”, no tra- plural primeira nosso(s), nossa(s)
tamento familiar. Você e vocês são largamente empregados
no português do Brasil; em algumas regiões, a forma tu é plural segunda vosso(s), vossa(s)
de uso frequente; em outras, pouco empregada. Já a forma plural terceira seu(s), sua(s)
vós tem uso restrito à linguagem litúrgica, ultraformal ou * Note que: A forma do possessivo depende da pessoa
literária. gramatical a que se refere; o gênero e o número concordam
com o objeto possuído: Ele trouxe seu apoio e sua contribui-
* Observações: ção naquele momento difícil.
* Vossa Excelência X Sua Excelência: os pronomes de
tratamento que possuem “Vossa(s)” são empregados em * Observações:
relação à pessoa com quem falamos: Espero que V. Ex.ª, Se- - A forma “seu” não é um possessivo quando resultar
nhor Ministro, compareça a este encontro. da alteração fonética da palavra senhor: Muito obrigado,
seu José.
** Emprega-se “Sua (s)” quando se fala a respeito
da pessoa: Todos os membros da C.P.I. afirmaram que Sua - Os pronomes possessivos nem sempre indicam pos-
Excelência, o Senhor Presidente da República, agiu com pro- se. Podem ter outros empregos, como:
priedade. a) indicar afetividade: Não faça isso, minha filha.

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LÍNGUA PORTUGUESA

b) indicar cálculo aproximado: Ele já deve ter seus 40 *Em relação ao falado ou escrito (ou ao que se fala-
anos. rá ou escreverá):
- Este(s), esta(s) e isto = empregados quando se quer
c) atribuir valor indefinido ao substantivo: Marisa tem fazer referência a alguma coisa sobre a qual ainda se falará:
lá seus defeitos, mas eu gosto muito dela. Serão estes os conteúdos da prova: análise sintática, or-
tografia, concordância.
- Em frases onde se usam pronomes de tratamento,
o pronome possessivo fica na 3.ª pessoa: Vossa Excelência - Esse(s), essa(s) e isso = utilizados quando se pretende
trouxe sua mensagem? fazer referência a alguma coisa sobre a qual já se falou:
Sua aprovação no concurso, isso é o que mais deseja-
- Referindo-se a mais de um substantivo, o possessi- mos!
vo concorda com o mais próximo: Trouxe-me seus livros e
anotações. - Este e aquele são empregados quando se quer fa-
zer referência a termos já mencionados; aquele se refere
- Em algumas construções, os pronomes pessoais oblí- ao termo referido em primeiro lugar e este para o referido
quos átonos assumem valor de possessivo: Vou seguir-lhe por último:
os passos. (= Vou seguir seus passos)
Domingo, no Pacaembu, jogarão Palmeiras e São Paulo;
- O adjetivo “respectivo” equivale a “devido, seu, pró- este está mais bem colocado que aquele. (= este [São Paulo],
prio”, por isso não se deve usar “seus” ao utilizá-lo, para aquele [Palmeiras])
que não ocorra redundância: Coloque tudo nos respectivos ou
lugares.
Domingo, no Pacaembu, jogarão Palmeiras e São Paulo;
Pronomes Demonstrativos aquele está mais bem colocado que este. (= este [São Paulo],
aquele [Palmeiras])
São utilizados para explicitar a posição de certa palavra
em relação a outras ou ao contexto. Essa relação pode ser - Os pronomes demonstrativos podem ser variáveis ou
de espaço, de tempo ou em relação ao discurso. invariáveis, observe:
Variáveis: este(s), esta(s), esse(s), essa(s), aquele(s), aque-
*Em relação ao espaço: la(s).
- Este(s), esta(s) e isto = indicam o que está perto da Invariáveis: isto, isso, aquilo.
pessoa que fala:
Este material é meu. * Também aparecem como pronomes demonstrativos:
- o(s), a(s): quando estiverem antecedendo o “que” e
- Esse(s), essa(s) e isso = indicam o que está perto da puderem ser substituídos por aquele(s), aquela(s), aquilo.
pessoa com quem se fala: Não ouvi o que disseste. (Não ouvi aquilo que disseste.)
Esse material em sua carteira é seu? Essa rua não é a que te indiquei. (não é aquela que te
indiquei.)
- Aquele(s), aquela(s) e aquilo = indicam o que está dis-
tante tanto da pessoa que fala como da pessoa com quem - mesmo(s), mesma(s), próprio(s), própria(s): variam em
se fala: gênero quando têm caráter reforçativo:
Aquele material não é nosso. Estas são as mesmas pessoas que o procuraram ontem.
Vejam aquele prédio! Eu mesma refiz os exercícios.
Elas mesmas fizeram isso.
*Em relação ao tempo: Eles próprios cozinharam.
- Este(s), esta(s) e isto = indicam o tempo presente em Os próprios alunos resolveram o problema.
relação à pessoa que fala: - semelhante(s): Não tenha semelhante atitude.
Esta manhã farei a prova do concurso!
- tal, tais: Tal absurdo eu não comenteria.
- Esse(s), essa(s) e isso = indicam o tempo passado, po-
rém relativamente próximo à época em que se situa a pes- * Note que:
soa que fala: - Em frases como: O referido deputado e o Dr. Alcides
Essa noite dormi mal; só pensava no concurso! eram amigos íntimos; aquele casado, solteiro este. (ou en-
tão: este solteiro, aquele casado) - este se refere à pessoa
- Aquele(s), aquela(s) e aquilo = indicam um afasta- mencionada em último lugar; aquele, à mencionada em
mento no tempo, referido de modo vago ou como tempo primeiro lugar.
remoto:
Naquele tempo, os professores eram valorizados. - O pronome demonstrativo tal pode ter conotação
irônica: A menina foi a tal que ameaçou o professor?

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LÍNGUA PORTUGUESA

- Pode ocorrer a contração das preposições a, de, em - Todo e toda no singular e junto de artigo significa
com pronome demonstrativo: àquele, àquela, deste, desta, inteiro; sem artigo, equivale a qualquer ou a todas as:
disso, nisso, no, etc: Não acreditei no que estava vendo. (no Toda a cidade está enfeitada. (= a cidade inteira)
= naquilo) Toda cidade está enfeitada. (= todas as cidades)
Trabalho todo o dia. (= o dia inteiro)
Pronomes Indefinidos Trabalho todo dia. (= todos os dias)

São palavras que se referem à 3.ª pessoa do discurso, São locuções pronominais indefinidas: cada qual,
dando-lhe sentido vago (impreciso) ou expressando quan- cada um, qualquer um, quantos quer (que), quem quer (que),
tidade indeterminada. seja quem for, seja qual for, todo aquele (que), tal qual (=
Alguém entrou no jardim e destruiu as mudas recém- certo), tal e qual, tal ou qual, um ou outro, uma ou outra, etc.
-plantadas. Cada um escolheu o vinho desejado.

Não é difícil perceber que “alguém” indica uma pessoa Indefinidos Sistemáticos
de quem se fala (uma terceira pessoa, portanto) de forma
imprecisa, vaga. É uma palavra capaz de indicar um ser hu- Ao observar atentamente os pronomes indefinidos,
mano que seguramente existe, mas cuja identidade é des- percebemos que existem alguns grupos que criam oposi-
conhecida ou não se quer revelar. Classificam-se em: ção de sentido. É o caso de: algum/alguém/algo, que têm
sentido afirmativo, e nenhum/ninguém/nada, que têm
- Pronomes Indefinidos Substantivos: assumem o lu- sentido negativo; todo/tudo, que indicam uma totalidade
gar do ser ou da quantidade aproximada de seres na frase. afirmativa, e nenhum/nada, que indicam uma totalidade
São eles: algo, alguém, fulano, sicrano, beltrano, nada, nin- negativa; alguém/ninguém, que se referem à pessoa, e
guém, outrem, quem, tudo. algo/nada, que se referem à coisa; certo, que particulariza,
e qualquer, que generaliza.
Algo o incomoda? Essas oposições de sentido são muito importantes na
Quem avisa amigo é.
construção de frases e textos coerentes, pois delas muitas
vezes dependem a solidez e a consistência dos argumen-
- Pronomes Indefinidos Adjetivos: qualificam um ser
tos expostos. Observe nas frases seguintes a força que os
expresso na frase, conferindo-lhe a noção de quantidade
pronomes indefinidos destacados imprimem às afirmações
aproximada. São eles: cada, certo(s), certa(s).
de que fazem parte:
Nada do que tem sido feito produziu qualquer resultado
Cada povo tem seus costumes.
Certas pessoas exercem várias profissões. prático.
Certas pessoas conseguem perceber sutilezas: não são
* Note que: Ora são pronomes indefinidos substanti- pessoas quaisquer.
vos, ora pronomes indefinidos adjetivos:
algum, alguns, alguma(s), bastante(s) (= muito, muitos), *Nenhum é contração de nem um, forma mais enfática,
demais, mais, menos, muito(s), muita(s), nenhum, nenhuns, que se refere à unidade. Repare:
nenhuma(s), outro(s), outra(s), pouco(s), pouca(s), qualquer, Nenhum candidato foi aprovado.
quaisquer, qual, que, quanto(s), quanta(s), tal, tais, tanto(s), Nem um candidato foi aprovado. (um, nesse caso, é nu-
tanta(s), todo(s), toda(s), um, uns, uma(s), vários, várias. meral)

Menos palavras e mais ações. Pronomes Relativos


Alguns se contentam pouco.
São aqueles que representam nomes já mencionados
Os pronomes indefinidos podem ser divididos em va- anteriormente e com os quais se relacionam. Introduzem
riáveis e invariáveis. Observe: as orações subordinadas adjetivas.
O racismo é um sistema que afirma a superioridade de
Variáveis = algum, nenhum, todo, muito, pouco, vário, um grupo racial sobre outros.
tanto, outro, quanto, alguma, nenhuma, toda, muita, pouca, (afirma a superioridade de um grupo racial sobre outros
vária, tanta, outra, quanta, qualquer, quaisquer*, alguns, ne- = oração subordinada adjetiva).
nhuns, todos, muitos, poucos, vários, tantos, outros, quantos,
algumas, nenhumas, todas, muitas, poucas, várias, tantas, O pronome relativo “que” refere-se à palavra “sistema”
outras, quantas. e introduz uma oração subordinada. Diz-se que a palavra
“sistema” é antecedente do pronome relativo que.
Invariáveis = alguém, ninguém, outrem, tudo, nada, O antecedente do pronome relativo pode ser o prono-
algo, cada. me demonstrativo o, a, os, as.
Não sei o que você está querendo dizer.
*
Qualquer é composto de qual + quer (do verbo que- Às vezes, o antecedente do pronome relativo não vem
rer), por isso seu plural é quaisquer (única palavra cujo plu- expresso.
ral é feito em seu interior). Quem casa, quer casa.

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LÍNGUA PORTUGUESA

Observe: Emprestei tantos quantos foram necessários.


Pronomes relativos variáveis = o qual, cujo, quanto, os (antecedente)
quais, cujos, quantos, a qual, cuja, quanta, as quais, cujas, Ele fez tudo quanto havia falado.
quantas. (antecedente)
Pronomes relativos invariáveis = quem, que, onde.
- O pronome “quem” se refere a pessoas e vem sem-
Note que: pre precedido de preposição.
- O pronome “que” é o relativo de mais largo emprego, É um professor a quem muito devemos.
sendo por isso chamado relativo universal. Pode ser subs- (preposição)
tituído por o qual, a qual, os quais, as quais, quando seu
antecedente for um substantivo. - “Onde”, como pronome relativo, sempre possui an-
O trabalho que eu fiz refere-se à corrupção. (= o qual) tecedente e só pode ser utilizado na indicação de lugar: A
A cantora que acabou de se apresentar é péssima. (= a casa onde morava foi assaltada.
qual)
Os trabalhos que eu fiz referem-se à corrupção. (= os - Na indicação de tempo, deve-se empregar quando
quais) ou em que.
As cantoras que se apresentaram eram péssimas. (= as Sinto saudades da época em que (quando) morávamos
quais) no exterior.

- O qual, os quais, a qual e as quais são exclusivamente - Podem ser utilizadas como pronomes relativos as pa-
pronomes relativos, por isso são utilizados didaticamente lavras:
para verificar se palavras como “que”, “quem”, “onde” (que - como (= pelo qual) – desde que precedida das pala-
podem ter várias classificações) são pronomes relativos. To- vras modo, maneira ou forma:
dos eles são usados com referência à pessoa ou coisa por Não me parece correto o modo como você agiu semana
motivo de clareza ou depois de determinadas preposições: passada.
Regressando de São Paulo, visitei o sítio de minha tia, o qual
- quando (= em que) – desde que tenha como antece-
me deixou encantado. O uso de “que”, neste caso, geraria
dente um nome que dê ideia de tempo:
ambiguidade. Veja: Regressando de São Paulo, visitei o sítio
Bons eram os tempos quando podíamos jogar videoga-
de minha tia, que me deixou encantado (quem me deixou
me.
encantado: o sítio ou minha tia?).
Essas são as conclusões sobre as quais pairam muitas
- Os pronomes relativos permitem reunir duas orações
dúvidas? (com preposições de duas ou mais sílabas utiliza-
numa só frase.
-se o qual / a qual)
O futebol é um esporte. / O povo gosta muito deste es-
porte.
- O relativo “que” às vezes equivale a o que, coisa que, e = O futebol é um esporte de que o povo gosta muito.
se refere a uma oração: Não chegou a ser padre, mas deixou
de ser poeta, que era a sua vocação natural. - Numa série de orações adjetivas coordenadas, pode
ocorrer a elipse do relativo “que”: A sala estava cheia de
- O pronome “cujo”: exprime posse; não concorda com gente que conversava, (que) ria, observava.
o seu antecedente (o ser possuidor), mas com o conse-
quente (o ser possuído, com o qual concorda em gênero Pronomes Interrogativos
e número); não se usa artigo depois deste pronome; “cujo”
equivale a do qual, da qual, dos quais, das quais. São usados na formulação de perguntas, sejam elas di-
Existem pessoas cujas ações são nobres. retas ou indiretas. Assim como os pronomes indefinidos,
(antecedente) (consequente) referem-se à 3.ª pessoa do discurso de modo impreciso.
São pronomes interrogativos: que, quem, qual (e variações),
*interpretação do pronome “cujo” na frase acima: ações quanto (e variações).
das pessoas. É como se lêssemos “de trás para frente”. Ou- Com quem andas?
tro exemplo: Qual seu nome?
Comprei o livro cujo autor é famoso. (= autor do livro) Diz-me com quem andas, que te direi quem és.

** se o verbo exigir preposição, esta virá antes do pro- Sobre os pronomes:


nome:
O autor, a cujo livro você se referiu, está aqui! (referiu-se O pronome pessoal é do caso reto quando tem função
a) de sujeito na frase. O pronome pessoal é do caso oblíquo
quando desempenha função de complemento.
- “Quanto” é pronome relativo quando tem por an- 1. Eu não sei essa matéria, mas ele irá me ajudar.
tecedente um pronome indefinido: tanto (ou variações) e 2. Maria foi embora para casa, pois não sabia se devia
tudo: lhe ajudar.

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LÍNGUA PORTUGUESA

Na primeira oração os pronomes pessoais “eu” e “ele” 3) Orações iniciadas por palavras exclamativas: Quanto
exercem função de sujeito, logo, são pertencentes ao caso se ofendem!
reto. Já na segunda oração, o pronome “lhe” exerce função de
complemento (objeto), ou seja, caso oblíquo. 4) Orações que exprimem desejo (orações optativas):
Os pronomes pessoais indicam as pessoas do discurso. O Que Deus o ajude.
pronome oblíquo “lhe”, da segunda oração, aponta para a se-
gunda pessoa do singular (tu/você): Maria não sabia se devia 5) A próclise é obrigatória quando se utiliza o pronome
ajudar... Ajudar quem? Você (lhe). reto ou sujeito expresso:
Eu lhe entregarei o material amanhã.
Os pronomes pessoais oblíquos podem ser átonos ou Tu sabes cantar?
tônicos: os primeiros não são precedidos de preposição, di-
ferentemente dos segundos, que são sempre precedidos de Mesóclise = É a colocação pronominal no meio do ver-
preposição. bo. A mesóclise é usada:
- Pronome oblíquo átono: Joana me perguntou o que eu
estava fazendo. Quando o verbo estiver no futuro do presente ou futuro
- Pronome oblíquo tônico: Joana perguntou para mim o do pretérito, contanto que esses verbos não estejam precedi-
que eu estava fazendo. dos de palavras que exijam a próclise. Exemplos:
Realizar-se-á, na próxima semana, um grande evento em
Fontes de pesquisa: prol da paz no mundo.
http://www.soportugues.com.br/secoes/morf/morf42. Repare que o pronome está “no meio” do verbo “reali-
php zará”:
SACCONI, Luiz Antônio. Nossa gramática completa Sacco- realizar – SE – á. Se houvesse na oração alguma palavra
ni. 30ª ed. Rev. São Paulo: Nova Geração, 2010. que justificasse o uso da próclise, esta prevaleceria. Veja: Não
Português linguagens: volume 2 / Wiliam Roberto Cereja, se realizará...
Thereza Cochar Magalhães. – 7ªed. Reform. – São Paulo: Sa- Não fossem os meus compromissos, acompanhar-te-ia
raiva, 2010. nessa viagem.
Português: novas palavras: literatura, gramática, redação / (com presença de palavra que justifique o uso de prócli-
Emília Amaral... [et al.]. – São Paulo: FTD, 2000. se: Não fossem os meus compromissos, EU te acompanharia
nessa viagem).

Colocação Pronominal Ênclise = É a colocação pronominal depois do verbo. A


ênclise é usada quando a próclise e a mesóclise não forem
Colocação Pronominal trata da correta colocação dos possíveis:
pronomes oblíquos átonos na frase.
1) Quando o verbo estiver no imperativo afirmativo:
* Dica: Pronome Oblíquo é aquele que exerce a função Quando eu avisar, silenciem-se todos.
de complemento verbal (objeto). Por isso, memorize:
OBlíquo = OBjeto! 2) Quando o verbo estiver no infinitivo impessoal: Não
era minha intenção machucá-la.
Embora na linguagem falada a colocação dos pronomes
não seja rigorosamente seguida, algumas normas devem ser 3) Quando o verbo iniciar a oração. (até porque não se
observadas na linguagem escrita. inicia período com pronome oblíquo).
Vou-me embora agora mesmo.
Próclise = É a colocação pronominal antes do verbo. A Levanto-me às 6h.
próclise é usada:
4) Quando houver pausa antes do verbo: Se eu passo no
1) Quando o verbo estiver precedido de palavras que concurso, mudo-me hoje mesmo!
atraem o pronome para antes do verbo. São elas:
a) Palavras de sentido negativo: não, nunca, ninguém, ja- 5-) Quando o verbo estiver no gerúndio: Recusou a pro-
mais, etc.: Não se desespere! posta fazendo-se de desentendida.
b) Advérbios: Agora se negam a depor.
c) Conjunções subordinativas: Espero que me expliquem Colocação pronominal nas locuções verbais
tudo! - após verbo no particípio = pronome depois do verbo
d) Pronomes relativos: Venceu o concurseiro que se esfor- auxiliar (e não depois do particípio):
çou. Tenho me deliciado com a leitura!
e) Pronomes indefinidos: Poucos te deram a oportunidade. Eu tenho me deliciado com a leitura!
Eu me tenho deliciado com a leitura!
f) Pronomes demonstrativos: Isso me magoa muito. - não convém usar hífen nos tempos compostos e nas
2) Orações iniciadas por palavras interrogativas: Quem locuções verbais:
lhe disse isso? Vamos nos unir!
Iremos nos manifestar.

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LÍNGUA PORTUGUESA

- quando há um fator para próclise nos tempos compos- 2-) (SABESP – TECNÓLOGO – FCC/2014) A substitui-
tos ou locuções verbais: opção pelo uso do pronome oblíquo ção do elemento grifado pelo pronome correspondente foi
“solto” entre os verbos = Não vamos nos preocupar (e não: realizada de modo INCORRETO em:
“não nos vamos preocupar”). (A) que permitiu à civilização = que lhe permitiu
(B) envolveu diferentes fatores = envolveu-os
Observações importantes: (C) para fazer a dragagem = para fazê-la
(D) que desviava a água = que lhe desviava
Emprego de o, a, os, as (E) supriam a necessidade = supriam-na
1) Em verbos terminados em vogal ou ditongo oral, os
pronomes: o, a, os, as não se alteram. 2-)
Chame-o agora. (A) que permitiu à civilização = que lhe permitiu = cor-
Deixei-a mais tranquila. reta
(B) envolveu diferentes fatores = envolveu-os = correta
2) Em verbos terminados em r, s ou z, estas consoantes
(C) para fazer a dragagem = para fazê-la = correta
finais alteram-se para lo, la, los, las. Exemplos:
(D) que desviava a água = que lhe desviava = que a
(Encontrar) Encontrá-lo é o meu maior sonho.
(Fiz) Fi-lo porque não tinha alternativa. desviava
(E) supriam a necessidade = supriam-na = correta
3) Em verbos terminados em ditongos nasais (am, em, ão, RESPOSTA: “D”.
õe), os pronomes o, a, os, as alteram-se para no, na, nos, nas.
Chamem-no agora. 3-) (TRT/AL - ANALISTA JUDICIÁRIO - FCC/2014)
Põe-na sobre a mesa. cruzando os desertos do oeste da China − que con-
tornam a Índia − adotam complexas providências
* Dica: Fazendo-se as alterações necessárias, os segmentos
Próclise – pró lembra pré; pré é prefixo que significa “an- grifados acima foram corretamente substituídos por um
tes”! Pronome antes do verbo! pronome, respectivamente, em:
Ênclise – “en”... lembra, pelo “som”, /Ənd/ (end, em Inglês (A) os cruzando - que contornam-lhe - adotam-as
– que significa “fim, final!). Pronome depois do verbo! (B) cruzando-lhes - que contornam-na - as adotam
Mesóclise – pronome oblíquo no Meio do verbo (C) cruzando-os - que lhe contornam - adotam-lhes
Pronome Oblíquo – função de objeto (D) cruzando-os - que a contornam - adotam-nas
(E) lhes cruzando - que contornam-a - as adotam
Fontes de pesquisa:
http://www.portugues.com.br/gramatica/colocacao-pro- 3-) Não podemos utilizar “lhes”, que corresponde ao
nominal-.html objeto indireto (verbo “cruzar” pede objeto direto: cruzar
SACCONI, Luiz Antônio. Nossa gramática completa Sacco- o quê?), portanto já desconsideramos as alternativas “B”
ni. 30ª ed. Rev. São Paulo: Nova Geração, 2010. e “D”. Ao iniciarmos um parágrafo ( já que no enunciado
Português linguagens: volume 3 / Wiliam Roberto Cereja, temos uma oração assim) devemos usar ênclise: (cruzan-
Thereza Cochar Magalhães. – 7ªed. Reform. – São Paulo: Sa- do-os); na segunda oração temos um pronome relativo (dá
raiva, 2010. para substituirmos por “o qual”), o que nos obriga a usar
a próclise (que a contorna); “adotam” exige objeto direto
Questões
(adotam quem ou o quê?), chegando à resposta: adotam-
-nas (quando o verbo terminar em “m” e usarmos um pro-
1-) (IBGE - SUPERVISOR DE PESQUISAS – ADMINISTRA-
nome oblíquo direto, lembre-se do alfabeto: jklM – N!).
ÇÃO - CESGRANRIO/2014) Em “Há políticas que reconhecem
a informalidade”, ao substituir o termo destacado por um pro- RESPOSTA: “D”.
nome, de acordo com a norma-padrão da língua, o trecho
assume a formulação apresentada em:
A) Há políticas que a reconhecem.
B) Há políticas que reconhecem-a.
C) Há políticas que reconhecem-na. Substantivo
D) Há políticas que reconhecem ela.
E) Há políticas que lhe reconhecem. Substantivo é a classe gramatical de palavras variáveis,
as quais denominam todos os seres que existem, sejam
1-) Primeiramente identifiquemos se temos objeto direto reais ou imaginários. Além de objetos, pessoas e fenôme-
ou indireto. Reconhece o quê? Resposta: a informalidade. Per- nos, os substantivos também nomeiam:
gunta e resposta sem preposição, então: objeto direto. Não -lugares: Alemanha, Portugal
utilizaremos “lhe” – que é para objeto indireto. Como temos a -sentimentos: amor, saudade
presença do “que” – independente de sua função no período -estados: alegria, tristeza
(pronome relativo, no caso!) – a regra pede próclise (prono- -qualidades: honestidade, sinceridade...
me oblíquo antes do verbo): que a reconhecem. -ações: corrida, pescaria...
RESPOSTA: “A”.

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LÍNGUA PORTUGUESA

Morfossintaxe do substantivo Substantivos Coletivos

Nas orações, geralmente o substantivo exerce funções Ele vinha pela estrada e foi picado por uma abelha, ou-
diretamente relacionadas com o verbo: atua como núcleo tra abelha, mais outra abelha.
do sujeito, dos complementos verbais (objeto direto ou Ele vinha pela estrada e foi picado por várias abelhas.
indireto) e do agente da passiva, podendo, ainda, funcio- Ele vinha pela estrada e foi picado por um enxame.
nar como núcleo do complemento nominal ou do aposto,
como núcleo do predicativo do sujeito, do objeto ou como Note que, no primeiro caso, para indicar plural, foi ne-
núcleo do vocativo. Também encontramos substantivos cessário repetir o substantivo: uma abelha, outra abelha,
como núcleos de adjuntos adnominais e de adjuntos ad- mais outra abelha. No segundo caso, utilizaram-se duas
verbiais - quando essas funções são desempenhadas por palavras no plural. No terceiro, empregou-se um substan-
grupos de palavras. tivo no singular (enxame) para designar um conjunto de
seres da mesma espécie (abelhas).
Classificação dos Substantivos
O substantivo enxame é um substantivo coletivo.
Substantivos Comuns e Próprios

Observe a definição: Substantivo Coletivo: é o substantivo comum que,


mesmo estando no singular, designa um conjunto de seres
Cidade: s.f. 1: Povoação maior que vila, com muitas ca- da mesma espécie.
sas e edifícios, dispostos em ruas e avenidas (no Brasil, toda a
sede de município é cidade). 2. O centro de uma cidade (em Substantivo coletivo Conjunto de:
oposição aos bairros).
assembleia pessoas reunidas
Qualquer “povoação maior que vila, com muitas casas alcateia lobos
e edifícios, dispostos em ruas e avenidas” será chamada acervo livros
cidade. Isso significa que a palavra cidade é um substantivo
comum. antologia trechos literários selecionados
Substantivo Comum é aquele que designa os seres de arquipélago ilhas
uma mesma espécie de forma genérica: cidade, menino,
homem, mulher, país, cachorro. banda músicos
Estamos voando para Barcelona. bando desordeiros ou malfeitores
banca examinadores
O substantivo Barcelona designa apenas um ser da es-
pécie cidade. Barcelona é um substantivo próprio – aquele batalhão soldados
que designa os seres de uma mesma espécie de forma par- cardume peixes
ticular: Londres, Paulinho, Pedro, Tietê, Brasil.
caravana viajantes peregrinos
Substantivos Concretos e Abstratos cacho frutas
cancioneiro canções, poesias líricas
Substantivo Concreto: é aquele que designa o ser que
existe, independentemente de outros seres. colmeia abelhas
concílio bispos
Observação: os substantivos concretos designam se-
res do mundo real e do mundo imaginário. congresso parlamentares, cientistas
Seres do mundo real: homem, mulher, cadeira, cobra, elenco atores de uma peça ou filme
Brasília.
esquadra navios de guerra
Seres do mundo imaginário: saci, mãe-d’água, fantas-
ma. enxoval roupas
falange soldados, anjos
Substantivo Abstrato: é aquele que designa seres que
dependem de outros para se manifestarem ou existirem. fauna animais de uma região
Por exemplo: a beleza não existe por si só, não pode feixe lenha, capim
ser observada. Só podemos observar a beleza numa pes-
flora vegetais de uma região
soa ou coisa que seja bela. A beleza depende de outro ser
para se manifestar. Portanto, a palavra beleza é um subs- frota navios mercantes, ônibus
tantivo abstrato. girândola fogos de artifício
Os substantivos abstratos designam estados, qualida-
des, ações e sentimentos dos seres, dos quais podem ser horda bandidos, invasores
abstraídos, e sem os quais não podem existir: vida (estado),
rapidez (qualidade), viagem (ação), saudade (sentimento).

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LÍNGUA PORTUGUESA

médicos, bois, credores, Substantivo Derivado: é aquele que se origina de ou-


junta tra palavra.
examinadores
júri jurados Flexão dos substantivos
legião soldados, anjos, demônios
O substantivo é uma classe variável. A palavra é variá-
leva presos, recrutas vel quando sofre flexão (variação). A palavra menino, por
malta malfeitores ou desordeiros exemplo, pode sofrer variações para indicar:
manada búfalos, bois, elefantes, Plural: meninos / Feminino: menina / Aumentativo:
meninão / Diminutivo: menininho
matilha cães de raça
molho chaves, verduras Flexão de Gênero
multidão pessoas em geral Gênero é um princípio puramente linguístico, não de-
insetos (gafanhotos, vendo ser confundido com “sexo”. O gênero diz respeito
nuvem a todos os substantivos de nossa língua, quer se refiram
mosquitos, etc.)
a seres animais providos de sexo, quer designem apenas
penca bananas, chaves
“coisas”: o gato/a gata; o banco, a casa.
pinacoteca pinturas, quadros Na língua portuguesa, há dois gêneros: masculino e
quadrilha ladrões, bandidos feminino. Pertencem ao gênero masculino os substantivos
que podem vir precedidos dos artigos o, os, um, uns. Veja
ramalhete flores estes títulos de filmes:
rebanho ovelhas O velho e o mar
Um Natal inesquecível
repertório peças teatrais, obras musicais
Os reis da praia
réstia alhos ou cebolas
romanceiro poesias narrativas Pertencem ao gênero feminino os substantivos que
podem vir precedidos dos artigos a, as, uma, umas:
revoada pássaros A história sem fim
sínodo párocos Uma cidade sem passado
As tartarugas ninjas
talha lenha
tropa muares, soldados Substantivos Biformes e Substantivos Uniformes
turma estudantes, trabalhadores
Substantivos Biformes (= duas formas): apresentam
vara porcos uma forma para cada gênero: gato – gata, homem – mulher,
poeta – poetisa, prefeito - prefeita
Substantivos Uniformes: apresentam uma única forma,
Formação dos Substantivos que serve tanto para o masculino quanto para o feminino.
Substantivos Simples e Compostos Classificam-se em:

Chuva - subst. Fem. 1 - água caindo em gotas sobre a - Epicenos: referentes a animais. A distinção de sexo se
terra. faz mediante a utilização das palavras “macho” e “fêmea”:
O substantivo chuva é formado por um único elemento a cobra macho e a cobra fêmea, o jacaré macho e o jacaré
ou radical. É um substantivo simples. fêmea.
- Sobrecomuns: substantivos uniformes referentes a
Substantivo Simples: é aquele formado por um único pessoas de ambos os sexos: a criança, a testemunha, a víti-
elemento. ma, o cônjuge, o gênio, o ídolo, o indivíduo.
Outros substantivos simples: tempo, sol, sofá, etc. Veja - Comuns de Dois ou Comum de Dois Gêneros: in-
agora: O substantivo guarda-chuva é formado por dois ele- dicam o sexo das pessoas por meio do artigo: o colega e a
mentos (guarda + chuva). Esse substantivo é composto. colega, o doente e a doente, o artista e a artista.
Substantivo Composto: é aquele formado por dois ou
Saiba que: Substantivos de origem grega terminados
mais elementos. Outros exemplos: beija-flor, passatempo.
em ema ou oma são masculinos: o fonema, o poema, o sis-
tema, o sintoma, o teorema.
Substantivos Primitivos e Derivados
- Existem certos substantivos que, variando de gênero,
Substantivo Primitivo: é aquele que não deriva de ne- variam em seu significado:
nhuma outra palavra da própria língua portuguesa. O subs- o águia (vigarista) e a águia (ave; perspicaz)
tantivo limoeiro, por exemplo, é derivado, pois se originou o cabeça (líder) e a cabeça (parte do corpo)
a partir da palavra limão. o capital (dinheiro) e a capital (cidade)

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LÍNGUA PORTUGUESA

o coma (sono mórbido) e a coma (cabeleira, juba) A criança chorona chamava-se João.
o lente (professor) e a lente (vidro de aumento) A criança chorona chamava-se Maria.
o moral (estado de espírito) e a moral (ética; conclusão)
o praça (soldado raso) e a praça (área pública) Outros substantivos sobrecomuns:
o rádio (aparelho receptor) e a rádio (estação emissora) a criatura = João é uma boa criatura. Maria é uma boa
criatura.
Formação do Feminino dos Substantivos Biformes o cônjuge = O cônjuge de João faleceu. O cônjuge de
Marcela faleceu
- Regra geral: troca-se a terminação -o por –a: aluno
- aluna. Comuns de Dois Gêneros:
- Substantivos terminados em -ês: acrescenta-se -a ao Motorista tem acidente idêntico 23 anos depois.
masculino: freguês - freguesa
- Substantivos terminados em -ão: fazem o feminino
Quem sofreu o acidente: um homem ou uma mulher?
de três formas:
É impossível saber apenas pelo título da notícia, uma
1- troca-se -ão por -oa. = patrão – patroa
vez que a palavra motorista é um substantivo uniforme.
2- troca-se -ão por -ã. = campeão - campeã
3- troca-se -ão por ona. = solteirão - solteirona A distinção de gênero pode ser feita através da análise
do artigo ou adjetivo, quando acompanharem o substanti-
* Exceções: barão – baronesa, ladrão- ladra, sultão - vo: o colega - a colega; o imigrante - a imigrante; um jovem
sultana - uma jovem; artista famoso - artista famosa; repórter fran-
cês - repórter francesa
- Substantivos terminados em -or:
acrescenta-se -a ao masculino = doutor – doutora - A palavra personagem é usada indistintamente nos
troca-se -or por -triz: = imperador - imperatriz dois gêneros.
a) Entre os escritores modernos nota-se acentuada
- Substantivos com feminino em -esa, -essa, -isa: côn- preferência pelo masculino: O menino descobriu nas nuvens
sul - consulesa / abade - abadessa / poeta - poetisa / duque os personagens dos contos de carochinha.
- duquesa / conde - condessa / profeta - profetisa b) Com referência a mulher, deve-se preferir o femini-
no: O problema está nas mulheres de mais idade, que não
- Substantivos que formam o feminino trocando o -e aceitam a personagem.
final por -a: elefante - elefanta
- Diz-se: o (ou a) manequim Marcela, o (ou a) modelo
- Substantivos que têm radicais diferentes no masculi- fotográfico Ana Belmonte.
no e no feminino: bode – cabra / boi - vaca
Observe o gênero dos substantivos seguintes:
- Substantivos que formam o feminino de maneira es- Masculinos: o tapa, o eclipse, o lança-perfume, o dó
pecial, isto é, não seguem nenhuma das regras anteriores: (pena), o sanduíche, o clarinete, o champanha, o sósia, o
czar – czarina, réu - ré maracajá, o clã, o herpes, o pijama, o suéter, o soprano, o
Formação do Feminino dos Substantivos Uniformes proclama, o pernoite, o púbis.
Femininos: a dinamite, a derme, a hélice, a omoplata, a
Epicenos:
cataplasma, a pane, a mascote, a gênese, a entorse, a libido,
Novo jacaré escapa de policiais no rio Pinheiros.
a cal, a faringe, a cólera (doença), a ubá (canoa).
Não é possível saber o sexo do jacaré em questão. Isso
ocorre porque o substantivo jacaré tem apenas uma forma - São geralmente masculinos os substantivos de ori-
para indicar o masculino e o feminino. gem grega terminados em -ma: o grama (peso), o quilo-
Alguns nomes de animais apresentam uma só forma grama, o plasma, o apostema, o diagrama, o epigrama, o
para designar os dois sexos. Esses substantivos são cha- telefonema, o estratagema, o dilema, o teorema, o trema, o
mados de epicenos. No caso dos epicenos, quando houver eczema, o edema, o magma, o estigma, o axioma, o traco-
a necessidade de especificar o sexo, utilizam-se palavras ma, o hematoma.
macho e fêmea.
A cobra macho picou o marinheiro. * Exceções: a cataplasma, a celeuma, a fleuma, etc.
A cobra fêmea escondeu-se na bananeira.
Gênero dos Nomes de Cidades: Com raras exceções,
Sobrecomuns: nomes de cidades são femininos.
Entregue as crianças à natureza. A histórica Ouro Preto.
A dinâmica São Paulo.
A palavra crianças se refere tanto a seres do sexo mas- A acolhedora Porto Alegre.
culino, quanto a seres do sexo feminino. Nesse caso, nem Uma Londres imensa e triste.
o artigo nem um possível adjetivo permitem identificar o Exceções: o Rio de Janeiro, o Cairo, o Porto, o Havre.
sexo dos seres a que se refere a palavra. Veja:

31
LÍNGUA PORTUGUESA

Gênero e Significação Observação: a palavra réptil pode formar seu plural de


duas maneiras: répteis ou reptis (pouco usada).
Muitos substantivos têm uma significação no masculi-
no e outra no feminino. Observe: - Os substantivos terminados em “s” fazem o plural de
o baliza (soldado que, que à frente da tropa, indica os duas maneiras:
movimentos que se deve realizar em conjunto; o que vai à 1- Quando monossilábicos ou oxítonos, mediante o
frente de um bloco carnavalesco, manejando um bastão), a acréscimo de “es”: ás – ases / retrós - retroses
baliza (marco, estaca; sinal que marca um limite ou proibi- 2- Quando paroxítonos ou proparoxítonos, ficam inva-
ção de trânsito), o cabeça (chefe), a cabeça (parte do cor- riáveis: o lápis - os lápis / o ônibus - os ônibus.
po), o cisma (separação religiosa, dissidência), a cisma (ato
de cismar, desconfiança), o cinza (a cor cinzenta), a cinza - Os substantivos terminados em “ao” fazem o plural
(resíduos de combustão), o capital (dinheiro), a capital (ci- de três maneiras.
dade), o coma (perda dos sentidos), a coma (cabeleira), o 1- substituindo o -ão por -ões: ação - ações
coral (pólipo, a cor vermelha, canto em coro), a coral (cobra 2- substituindo o -ão por -ães: cão - cães
venenosa), o crisma (óleo sagrado, usado na administração 3- substituindo o -ão por -ãos: grão - grãos
da crisma e de outros sacramentos), a crisma (sacramento
da confirmação), o cura (pároco), a cura (ato de curar), o - Os substantivos terminados em “x” ficam invariáveis:
estepe (pneu sobressalente), a estepe (vasta planície de vege- o látex - os látex.
tação), o guia (pessoa que guia outras), a guia (documento,
pena grande das asas das aves), o grama (unidade de peso), Plural dos Substantivos Compostos
a grama (relva), o caixa (funcionário da caixa), a caixa (re-
cipiente, setor de pagamentos), o lente (professor), a lente - A formação do plural dos substantivos compostos
(vidro de aumento), o moral (ânimo), a moral (honestidade, depende da forma como são grafados, do tipo de palavras
bons costumes, ética), o nascente (lado onde nasce o Sol), a
que formam o composto e da relação que estabelecem en-
nascente (a fonte), o maria-fumaça (trem como locomotiva
tre si. Aqueles que são grafados sem hífen comportam-se
a vapor), maria-fumaça (locomotiva movida a vapor), o pala
como os substantivos simples: aguardente/aguardentes,
(poncho), a pala (parte anterior do boné ou quepe, antepa-
girassol/girassóis, pontapé/pontapés, malmequer/malme-
ro), o rádio (aparelho receptor), a rádio (emissora), o voga
queres.
(remador), a voga (moda).
O plural dos substantivos compostos cujos elementos
Flexão de Número do Substantivo são ligados por hífen costuma provocar muitas dúvidas e
discussões. Algumas orientações são dadas a seguir:
Em português, há dois números gramaticais: o singular,
que indica um ser ou um grupo de seres, e o plural, que - Flexionam-se os dois elementos, quando formados
indica mais de um ser ou grupo de seres. A característica de:
do plural é o “s” final. substantivo + substantivo = couve-flor e couves-flores
substantivo + adjetivo = amor-perfeito e amores-per-
Plural dos Substantivos Simples feitos
adjetivo + substantivo = gentil-homem e gentis-ho-
- Os substantivos terminados em vogal, ditongo oral e mens
“n” fazem o plural pelo acréscimo de “s”: pai – pais; ímã – numeral + substantivo = quinta-feira e quintas-feiras
ímãs; hífen - hifens (sem acento, no plural). Exceção: cânon
- cânones. - Flexiona-se somente o segundo elemento, quando
formados de:
- Os substantivos terminados em “m” fazem o plural verbo + substantivo = guarda-roupa e guarda-roupas
em “ns”: homem - homens. palavra invariável + palavra variável = alto-falante e al-
to-falantes
- Os substantivos terminados em “r” e “z” fazem o plu- palavras repetidas ou imitativas = reco-reco e reco-re-
ral pelo acréscimo de “es”: revólver – revólveres; raiz - raízes. cos

* Atenção: O plural de caráter é caracteres. - Flexiona-se somente o primeiro elemento, quando


formados de:
- Os substantivos terminados em al, el, ol, ul flexionam- substantivo + preposição clara + substantivo = água-
-se no plural, trocando o “l” por “is”: quintal - quintais; ca- -de-colônia e águas-de-colônia
racol – caracóis; hotel - hotéis. Exceções: mal e males, cônsul substantivo + preposição oculta + substantivo = cava-
e cônsules. lo-vapor e cavalos-vapor
substantivo + substantivo que funciona como determi-
- Os substantivos terminados em “il” fazem o plural de nante do primeiro, ou seja, especifica a função ou o tipo do
duas maneiras: termo anterior: palavra-chave - palavras-chave, bomba-re-
- Quando oxítonos, em “is”: canil - canis lógio - bombas-relógio, homem-rã - homens-rã, peixe-espa-
- Quando paroxítonos, em “eis”: míssil - mísseis. da - peixes-espada.

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LÍNGUA PORTUGUESA

- Permanecem invariáveis, quando formados de: Plural dos Substantivos Estrangeiros


verbo + advérbio = o bota-fora e os bota-fora Substantivos ainda não aportuguesados devem ser es-
verbo + substantivo no plural = o saca-rolhas e os sa- critos como na língua original, acrescentando-se “s” (exceto
ca-rolhas quando terminam em “s” ou “z”): os shows, os shorts, os jazz.

* Casos Especiais Substantivos já aportuguesados flexionam-se de acor-


do com as regras de nossa língua: os clubes, os chopes, os
o louva-a-deus e os louva-a-deus jipes, os esportes, as toaletes, os bibelôs, os garçons, os ré-
quiens.
o bem-te-vi e os bem-te-vis
o bem-me-quer e os bem-me-queres Observe o exemplo:
Este jogador faz gols toda vez que joga.
o joão-ninguém e os joões-ninguém.
O plural correto seria gois (ô), mas não se usa.
Plural das Palavras Substantivadas
Plural com Mudança de Timbre
As palavras substantivadas, isto é, palavras de outras
Certos substantivos formam o plural com mudança de
classes gramaticais usadas como substantivo, apresentam,
timbre da vogal tônica (o fechado / o aberto). É um fato
no plural, as flexões próprias dos substantivos.
fonético chamado metafonia (plural metafônico).
Pese bem os prós e os contras.
O aluno errou na prova dos noves.
Ouça com a mesma serenidade os sins e os nãos. Singular Plural
Corpo (ô) corpos (ó)
* Observação: numerais substantivados terminados
em “s” ou “z” não variam no plural: Nas provas mensais con- esforço esforços
segui muitos seis e alguns dez. fogo fogos
forno fornos
Plural dos Diminutivos
Flexiona-se o substantivo no plural, retira-se o “s” final fosso fossos
e acrescenta-se o sufixo diminutivo. imposto impostos
olho olhos
pãe(s) + zinhos = pãezinhos osso (ô) ossos (ó)
animai(s) + zinhos = animaizinhos ovo ovos
botõe(s) + zinhos = botõezinhos poço poços
chapéu(s) + zinhos = chapeuzinhos porto portos
farói(s) + zinhos = faroizinhos posto postos
tren(s) + zinhos = trenzinhos tijolo tijolos
colhere(s) + zinhas = colherezinhas
flore(s) + zinhas = florezinhas Têm a vogal tônica fechada (ô): adornos, almoços, bol-
sos, esposos, estojos, globos, gostos, polvos, rolos, soros, etc.
mão(s) + zinhas = mãozinhas
papéi(s) + zinhos = papeizinhos * Observação: distinga-se molho (ô) = caldo (molho
nuven(s) + zinhas = nuvenzinhas de carne), de molho (ó) = feixe (molho de lenha).

funi(s) + zinhos = funizinhos Particularidades sobre o Número dos Substantivos


túnei(s) + zinhos = tuneizinhos
- Há substantivos que só se usam no singular: o sul, o
pai(s) + zinhos = paizinhos
norte, o leste, o oeste, a fé, etc.
pé(s) + zinhos = pezinhos - Outros só no plural: as núpcias, os víveres, os pêsames,
pé(s) + zitos = pezitos as espadas/os paus (naipes de baralho), as fezes.
- Outros, enfim, têm, no plural, sentido diferente do
Plural dos Nomes Próprios Personativos singular: bem (virtude) e bens (riquezas), honra (probidade,
Devem-se pluralizar os nomes próprios de pessoas bom nome) e honras (homenagem, títulos).
sempre que a terminação preste-se à flexão. - Usamos às vezes, os substantivos no singular, mas
com sentido de plural:
Os Napoleões também são derrotados. Aqui morreu muito negro.
As Raquéis e Esteres. Celebraram o sacrifício divino muitas vezes em capelas
improvisadas.

33
LÍNGUA PORTUGUESA

Flexão de Grau do Substantivo * Observação: o verbo pôr, assim como seus derivados
Grau é a propriedade que as palavras têm de exprimir (compor, repor, depor), pertencem à 2.ª conjugação, pois a
as variações de tamanho dos seres. Classifica-se em: forma arcaica do verbo pôr era poer. A vogal “e”, apesar
de haver desaparecido do infinitivo, revela-se em algumas
- Grau Normal - Indica um ser de tamanho considera- formas do verbo: põe, pões, põem, etc.
do normal. Por exemplo: casa
Formas Rizotônicas e Arrizotônicas
- Grau Aumentativo - Indica o aumento do tamanho
do ser. Classifica-se em: Ao combinarmos os conhecimentos sobre a estrutura
Analítico = o substantivo é acompanhado de um adje- dos verbos com o conceito de acentuação tônica, perce-
tivo que indica grandeza. Por exemplo: casa grande. bemos com facilidade que nas formas rizotônicas o acento
Sintético = é acrescido ao substantivo um sufixo indi- tônico cai no radical do verbo: opino, aprendam, amo, por
cador de aumento. Por exemplo: casarão. exemplo. Nas formas arrizotônicas, o acento tônico não cai
no radical, mas sim na terminação verbal (fora do radical):
- Grau Diminutivo - Indica a diminuição do tamanho opinei, aprenderão, amaríamos.
do ser. Pode ser: Classificação dos Verbos
Analítico = substantivo acompanhado de um adjetivo
que indica pequenez. Por exemplo: casa pequena. Classificam-se em:
Sintético = é acrescido ao substantivo um sufixo indi-
cador de diminuição. Por exemplo: casinha. - Regulares: são aqueles que apresentam o radical
inalterado durante a conjugação e desinências idênticas às
Fontes de pesquisa: de todos os verbos regulares da mesma conjugação. Por
http://www.soportugues.com.br/secoes/morf/morf12. exemplo: comparemos os verbos “cantar” e “falar”, conju-
php gados no presente do Modo Indicativo:
SACCONI, Luiz Antônio. Nossa gramática completa Sac-
coni. 30ª ed. Rev. São Paulo: Nova Geração, 2010. canto falo
Português linguagens: volume 1 / Wiliam Roberto Cere-
ja, Thereza Cochar Magalhães. – 7ªed. Reform. – São Paulo: cantas falas
Saraiva, 2010. canta falas
cantamos falamos
Verbo
cantais falais
Verbo é a palavra que se flexiona em pessoa, núme- cantam falam
ro, tempo e modo. A estes tipos de flexão verbal dá-se o
nome de conjugação (por isso também se diz que verbo * Dica: Observe que, retirando os radicais, as desi-
é a palavra que pode ser conjugada). Pode indicar, entre nências modo-temporal e número-pessoal mantiveram-se
outros processos: ação (amarrar), estado (sou), fenômeno idênticas. Tente fazer com outro verbo e perceberá que se
(choverá); ocorrência (nascer); desejo (querer). repetirá o fato (desde que o verbo seja da primeira conju-
gação e regular!). Faça com o verbo “andar”, por exemplo.
Estrutura das Formas Verbais Substitua o radical “cant” e coloque o “and” (radical do ver-
Do ponto de vista estrutural, o verbo pode apresentar bo andar). Viu? Fácil!
os seguintes elementos:
- Radical: é a parte invariável, que expressa o significa- - Irregulares: são aqueles cuja flexão provoca altera-
do essencial do verbo. Por exemplo: fal-ei; fal-ava; fal-am. ções no radical ou nas desinências: faço, fiz, farei, fizesse.
(radical fal-) * Observação: alguns verbos sofrem alteração no ra-
- Tema: é o radical seguido da vogal temática que in- dical apenas para que seja mantida a sonoridade. É o caso
dica a conjugação a que pertence o verbo. Por exemplo: de: corrigir/corrijo, fingir/finjo, tocar/toquei, por exemplo.
fala-r. São três as conjugações: Tais alterações não caracterizam irregularidade, porque o
1.ª - Vogal Temática - A - (falar), 2.ª - Vogal Temática - fonema permanece inalterado.
E - (vender), 3.ª - Vogal Temática - I - (partir).
- Desinência modo-temporal: é o elemento que de- - Defectivos: são aqueles que não apresentam conju-
signa o tempo e o modo do verbo. Por exemplo: gação completa. Os principais são adequar, precaver, com-
falávamos ( indica o pretérito imperfeito do indicativo) putar, reaver, abolir, falir.
/ falasse ( indica o pretérito imperfeito do subjuntivo)
- Desinência número-pessoal: é o elemento que de- - Impessoais: são os verbos que não têm sujeito e, nor-
signa a pessoa do discurso (1.ª, 2.ª ou 3.ª) e o número (sin- malmente, são usados na terceira pessoa do singular. Os
gular ou plural): principais verbos impessoais são:
falamos (indica a 1.ª pessoa do plural.) / falavam (in-
dica a 3.ª pessoa do plural.)

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LÍNGUA PORTUGUESA

* haver, quando sinônimo de existir, acontecer, realizar-se ou fazer (em orações temporais).
Havia muitos candidatos no dia da prova. (Havia = Existiam)
Houve duas guerras mundiais. (Houve = Aconteceram)
Haverá debates hoje. (Haverá = Realizar-se-ão)
Viajei a Madri há muitos anos. (há = faz)

* fazer, ser e estar (quando indicam tempo)


Faz invernos rigorosos na Europa.
Era primavera quando o conheci.
Estava frio naquele dia.

* Todos os verbos que indicam fenômenos da natureza são impessoais: chover, ventar, nevar, gear, trovejar, amanhecer,
escurecer, etc. Quando, porém, se constrói, “Amanheci cansado”, usa-se o verbo “amanhecer” em sentido figurado. Qual-
quer verbo impessoal, empregado em sentido figurado, deixa de ser impessoal para ser pessoal, ou seja, terá conjugação
completa.
Amanheci cansado. (Sujeito desinencial: eu)
Choveram candidatos ao cargo. (Sujeito: candidatos)
Fiz quinze anos ontem. (Sujeito desinencial: eu)

* São impessoais, ainda:


- o verbo passar (seguido de preposição), indicando tempo: Já passa das seis.

- os verbos bastar e chegar, seguidos da preposição “de”, indicando suficiência:


Basta de tolices.
Chega de promessas.

- os verbos estar e ficar em orações como “Está bem, Está muito bem assim, Não fica bem, Fica mal”, sem referência a
sujeito expresso anteriormente (por exemplo: “ele está mal”). Podemos, nesse caso, classificar o sujeito como hipotético,
tornando-se, tais verbos, pessoais.

- o verbo dar + para da língua popular, equivalente de “ser possível”. Por exemplo:
Não deu para chegar mais cedo.
Dá para me arrumar uma apostila?

- Unipessoais: são aqueles que, tendo sujeito, conjugam-se apenas nas terceiras pessoas, do singular e do plural. São
unipessoais os verbos constar, convir, ser (= preciso, necessário) e todos os que indicam vozes de animais (cacarejar, cricrilar,
miar, latir, piar).

* Observação: os verbos unipessoais podem ser usados como verbos pessoais na linguagem figurada:
Teu irmão amadureceu bastante.
O que é que aquela garota está cacarejando?

Principais verbos unipessoais:

1. cumprir, importar, convir, doer, aprazer, parecer, ser (preciso, necessário):


Cumpre estudarmos bastante. (Sujeito: estudarmos bastante)
Parece que vai chover. (Sujeito: que vai chover)
É preciso que chova. (Sujeito: que chova)

2. fazer e ir, em orações que dão ideia de tempo, seguidos da conjunção que.
Faz dez anos que viajei à Europa. (Sujeito: que viajei à Europa)
Vai para (ou Vai em ou Vai por) dez anos que não a vejo. (Sujeito: que não a vejo)

* Observação: todos os sujeitos apontados são oracionais.

- Abundantes: são aqueles que possuem duas ou mais formas equivalentes, geralmente no particípio, em que, além
das formas regulares terminadas em -ado ou -ido, surgem as chamadas formas curtas (particípio irregular).
O particípio regular (terminado em “–do”) é utilizado na voz ativa, ou seja, com os verbos ter e haver; o irregular é em-
pregado na voz passiva, ou seja, com os verbos ser, ficar e estar. Observe:

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LÍNGUA PORTUGUESA

Infinitivo Particípio Regular Particípio Irregular


Aceitar Aceitado Aceito
Acender Acendido Aceso
Anexar Anexado Anexo
Benzer Benzido Bento
Corrigir Corrigido Correto
Dispersar Dispersado Disperso
Eleger Elegido Eleito
Envolver Envolvido Envolto
Imprimir Imprimido Impresso
Inserir Inserido Inserto
Limpar Limpado Limpo
Matar Matado Morto
Misturar Misturado Misto
Morrer Morrido Morto
Murchar Murchado Murcho
Pegar Pegado Pego
Romper Rompido Roto
Soltar Soltado Solto
Suspender Suspendido Suspenso
Tingir Tingido Tinto
Vagar Vagado Vago

* Importante:
- estes verbos e seus derivados possuem, apenas, o particípio irregular: abrir/aberto, cobrir/coberto, dizer/dito, escrever/
escrito, pôr/posto, ver/visto, vir/vindo.
- Anômalos: são aqueles que incluem mais de um radical em sua conjugação. Existem apenas dois: ser (sou, sois, fui) e
ir (fui, ia, vades).
- Auxiliares: São aqueles que entram na formação dos tempos compostos e das locuções verbais. O verbo principal
(aquele que exprime a ideia fundamental, mais importante), quando acompanhado de verbo auxiliar, é expresso numa das
formas nominais: infinitivo, gerúndio ou particípio.
Vou espantar todos!
(verbo auxiliar) (verbo principal no infinitivo)

Está chegando a hora!


(verbo auxiliar) (verbo principal no gerúndio)

* Observação: os verbos auxiliares mais usados são: ser, estar, ter e haver.

Conjugação dos Verbos Auxiliares


SER - Modo Indicativo
Presente Pret.Perfeito Pret. Imp. Pret.mais-que-perf. Fut.do Pres. Fut. Do Pretérito
sou fui era fora serei seria
és foste eras foras serás serias
é foi era fora será seria
somos fomos éramos fôramos seremos seríamos
sois fostes éreis fôreis sereis seríeis
são foram eram foram serão seriam

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LÍNGUA PORTUGUESA

SER - Modo Subjuntivo


Presente Pretérito Imperfeito Futuro
que eu seja se eu fosse quando eu for
que tu sejas se tu fosses quando tu fores
que ele seja se ele fosse quando ele for
que nós sejamos se nós fôssemos quando nós formos
que vós sejais se vós fôsseis quando vós fordes
que eles sejam se eles fossem quando eles forem

SER - Modo Imperativo


Afirmativo Negativo
sê tu não sejas tu
seja você não seja você
sejamos nós não sejamos nós
sede vós não sejais vós
sejam vocês não sejam vocês

SER - Formas Nominais

Infinitivo Impessoal Infinitivo Pessoal Gerúndio Particípio


ser ser eu sendo sido
seres tu
ser ele
sermos nós
serdes vós
serem eles

ESTAR - Modo Indicativo



Presente Pret. perf. Pret. Imp. Pret.mais-q-perf. Fut.doPres. Fut.doPreté.
estou estive estava estivera estarei estaria
estás estiveste estavas estiveras estarás estarias
está esteve estava estivera estará estaria
estamos estivemos estávamos estivéramos estaremos estaríamos
estais estivestes estáveis estivéreis estareis estaríeis
estão estiveram estavam estiveram estarão estariam

ESTAR - Modo Subjuntivo e Imperativo

Presente Pretérito Imperfeito Futuro Afirmativo Negativo


esteja estivesse estiver
estejas estivesses estiveres está estejas
esteja estivesse estiver esteja esteja
estejamos estivéssemos estivermos estejamos estejamos
estejais estivésseis estiverdes estai estejais
estejam estivessem estiverem estejam estejam

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LÍNGUA PORTUGUESA

ESTAR - Formas Nominais

Infinitivo Impessoal Infinitivo Pessoal Gerúndio Particípio


estar estar estando estado
estares
estar
estarmos
estardes
estarem

HAVER - Modo Indicativo

Presente Pret. Perf. Pret. Imp. Pret.Mais-Q-Perf. Fut.do Pres. Fut.doPreté.


hei houve havia houvera haverei haveria
hás houveste havias houveras haverás haverias
há houve havia houvera haverá haveria
havemos houvemos havíamos houvéramos haveremos haveríamos
haveis houvestes havíeis houvéreis havereis haveríeis
hão houveram haviam houveram haverão haveriam

HAVER - Modo Subjuntivo e Imperativo


Presente Pretérito Imperfeito Futuro Afirmativo Negativo
ja houvesse houver
hajas houvesses houveres há hajas
haja houvesse houver haja haja
hajamos houvéssemos houvermos hajamos hajamos
hajais houvésseis houverdes havei hajais
hajam houvessem houverem hajam hajam

HAVER - Formas Nominais


Infinitivo Impessoal Infinitivo Pessoal Gerúndio Particípio
haver haver havendo havido
haveres

haver

havermos
haverdes
haverem

TER - Modo Indicativo


Presente Pret. Perf. Pret. Imp. Preté.mais-q-perf. Fut. Do Pres. Fut. Do Preté.
tenho tive tinha tivera terei teria
tens tiveste tinhas tiveras terás terias
tem teve tinha tivera terá teria
temos tivemos tínhamos tivéramos teremos teríamos
tendes tivestes tínheis tivéreis tereis teríeis
têm tiveram tinham tiveram terão teriam

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LÍNGUA PORTUGUESA

TER - Modo Subjuntivo e Imperativo

Presente Pretérito Imperfeito Futuro Afirmativo Negativo


tenha tivesse tiver
tenhas tivesses tiveres tem tenhas
tenha tivesse tiver tenha tenha
tenhamos tivéssemos tivermos tenhamos tenhamos
tenhais tivésseis tiverdes tende tenhais
tenham tivessem tiverem tenham tenham

- Pronominais: São aqueles verbos que se conjugam com os pronomes oblíquos átonos me, te, se, nos, vos, se, na
mesma pessoa do sujeito, expressando reflexibilidade (pronominais acidentais) ou apenas reforçando a ideia já implícita no
próprio sentido do verbo (pronominais essenciais). Veja:

1. Essenciais: são aqueles que sempre se conjugam com os pronomes oblíquos me, te, se, nos, vos, se. São poucos:
abster-se, ater-se, apiedar-se, atrever-se, dignar-se, arrepender-se, etc. Nos verbos pronominais essenciais a reflexibilidade já
está implícita no radical do verbo. Por exemplo: Arrependi-me de ter estado lá.
A ideia é de que a pessoa representada pelo sujeito (eu) tem um sentimento (arrependimento) que recai sobre ela mes-
ma, pois não recebe ação transitiva nenhuma vinda do verbo; o pronome oblíquo átono é apenas uma partícula integrante
do verbo, já que, pelo uso, sempre é conjugada com o verbo. Diz-se que o pronome apenas serve de reforço da ideia refle-
xiva expressa pelo radical do próprio verbo.
Veja uma conjugação pronominal essencial (verbo e respectivos pronomes):
Eu me arrependo
Tu te arrependes
Ele se arrepende
Nós nos arrependemos
Vós vos arrependeis
Eles se arrependem

2. Acidentais: são aqueles verbos transitivos diretos em que a ação exercida pelo sujeito recai sobre o objeto repre-
sentado por pronome oblíquo da mesma pessoa do sujeito; assim, o sujeito faz uma ação que recai sobre ele mesmo. Em
geral, os verbos transitivos diretos ou transitivos diretos e indiretos podem ser conjugados com os pronomes mencionados,
formando o que se chama voz reflexiva. Por exemplo: A garota se penteava.
A reflexibilidade é acidental, pois a ação reflexiva pode ser exercida também sobre outra pessoa. Por exemplo: A garota
penteou-me.

* Observações:
- Por fazerem parte integrante do verbo, os pronomes oblíquos átonos dos verbos pronominais não possuem função
sintática.
- Há verbos que também são acompanhados de pronomes oblíquos átonos, mas que não são essencialmente prono-
minais - são os verbos reflexivos. Nos verbos reflexivos, os pronomes, apesar de se encontrarem na pessoa idêntica à do
sujeito, exercem funções sintáticas. Por exemplo:
Eu me feri. = Eu (sujeito) – 1.ª pessoa do singular; me (objeto direto) – 1.ª pessoa do singular

Modos Verbais

Dá-se o nome de modo às várias formas assumidas pelo verbo na expressão de um fato certo, real, verdadeiro. Existem
três modos:

Indicativo - indica uma certeza, uma realidade: Eu estudo para o concurso.


Subjuntivo - indica uma dúvida, uma possibilidade: Talvez eu estude amanhã.
Imperativo - indica uma ordem, um pedido: Estude, colega!

Formas Nominais
Além desses três modos, o verbo apresenta ainda formas que podem exercer funções de nomes (substantivo, adjetivo,
advérbio), sendo por isso denominadas formas nominais. Observe:

39
LÍNGUA PORTUGUESA

1-) Infinitivo
1.1-) Impessoal: exprime a significação do verbo de modo vago e indefinido, podendo ter valor e função de substan-
tivo. Por exemplo:
Viver é lutar. (= vida é luta)
É indispensável combater a corrupção. (= combate à)

O infinitivo impessoal pode apresentar-se no presente (forma simples) ou no passado (forma composta). Por exemplo:
É preciso ler este livro.
Era preciso ter lido este livro.

1.2-) Infinitivo Pessoal: é o infinitivo relacionado às três pessoas do discurso. Na 1.ª e 3.ª pessoas do singular, não
apresenta desinências, assumindo a mesma forma do impessoal; nas demais, flexiona-se da seguinte maneira:
2.ª pessoa do singular: Radical + ES = teres (tu)
1.ª pessoa do plural: Radical + MOS = termos (nós)
2.ª pessoa do plural: Radical + DES = terdes (vós)
3.ª pessoa do plural: Radical + EM = terem (eles)
Foste elogiado por teres alcançado uma boa colocação.

2-) Gerúndio: o gerúndio pode funcionar como adjetivo ou advérbio. Por exemplo:
Saindo de casa, encontrei alguns amigos. (função de advérbio)
Água fervendo, pele ardendo. (função de adjetivo)

Na forma simples (1), o gerúndio expressa uma ação em curso; na forma composta (2), uma ação concluída:
Trabalhando (1), aprenderás o valor do dinheiro.
Tendo trabalhado (2), aprendeu o valor do dinheiro.

* Quando o gerúndio é vício de linguagem (gerundismo), ou seja, uso exagerado e inadequado do gerúndio:
1- Enquanto você vai ao mercado, vou estar jogando futebol.
2 – Sim, senhora! Vou estar verificando!

Em 1, a locução “vou estar” + gerúndio é adequada, pois transmite a ideia de uma ação que ocorre no momento da
outra; em 2, essa ideia não ocorre, já que a locução verbal “vou estar verificando” refere-se a um futuro em andamento,
exigindo, no caso, a construção “verificarei” ou “vou verificar”.

3-) Particípio: quando não é empregado na formação dos tempos compostos, o particípio indica, geralmente, o resul-
tado de uma ação terminada, flexionando-se em gênero, número e grau. Por exemplo: Terminados os exames, os candidatos
saíram.

Quando o particípio exprime somente estado, sem nenhuma relação temporal, assume verdadeiramente a função de
adjetivo. Por exemplo: Ela é a aluna escolhida pela turma.

(Ziraldo)

Tempos Verbais
Tomando-se como referência o momento em que se fala, a ação expressa pelo verbo pode ocorrer em diversos tempos.

1. Tempos do Modo Indicativo


- Presente - Expressa um fato atual: Eu estudo neste colégio.
- Pretérito Imperfeito - Expressa um fato ocorrido num momento anterior ao atual, mas que não foi completamente
terminado: Ele estudava as lições quando foi interrompido.

40
LÍNGUA PORTUGUESA

- Pretérito Perfeito - Expressa um fato ocorrido num momento anterior ao atual e que foi totalmente terminado: Ele
estudou as lições ontem à noite.
- Pretérito-mais-que-perfeito - Expressa um fato ocorrido antes de outro fato já terminado: Ele já estudara as lições
quando os amigos chegaram. (forma simples).
- Futuro do Presente - Enuncia um fato que deve ocorrer num tempo vindouro com relação ao momento atual: Ele
estudará as lições amanhã.
- Futuro do Pretérito - Enuncia um fato que pode ocorrer posteriormente a um determinado fato passado: Se ele
pudesse, estudaria um pouco mais.

2. Tempos do Modo Subjuntivo


- Presente - Enuncia um fato que pode ocorrer no momento atual: É conveniente que estudes para o exame.
- Pretérito Imperfeito - Expressa um fato passado, mas posterior a outro já ocorrido: Eu esperava que ele vencesse o
jogo.

Observação: o pretérito imperfeito é também usado nas construções em que se expressa a ideia de condição ou de-
sejo. Por exemplo: Se ele viesse ao clube, participaria do campeonato.

- Futuro do Presente - Enuncia um fato que pode ocorrer num momento futuro em relação ao atual: Quando ele vier
à loja, levará as encomendas.

Observação: o futuro do presente é também usado em frases que indicam possibilidade ou desejo. Por exemplo: Se
ele vier à loja, levará as encomendas.
** Há casos em que formas verbais de um determinado tempo podem ser utilizadas para indicar outro.
Em 1500, Pedro Álvares Cabral descobre o Brasil.
descobre = forma do presente indicando passado ( = descobrira/descobriu)

No próximo final de semana, faço a prova!


faço = forma do presente indicando futuro ( = farei)

Modo Indicativo

Presente do Indicativo
1.ª conjugação 2.ª conjugação 3.ª conjugação Desinência pessoal
CANTAR VENDER PARTIR
cantO vendO partO O
cantaS vendeS parteS S
canta vende parte -
cantaMOS vendeMOS partiMOS MOS
cantaIS vendeIS partIS IS
cantaM vendeM parteM M

Pretérito Perfeito do Indicativo


1.ª conjugação 2.ª conjugação 3.ª conjugação Desinência pessoal
CANTAR VENDER PARTIR
canteI vendI partI I
cantaSTE vendeSTE partISTE STE
cantoU vendeU partiU U
cantaMOS vendeMOS partiMOS MOS
cantaSTES vendeSTES partISTES STES
cantaRAM vendeRAM partiRAM RAM

41
LÍNGUA PORTUGUESA

Pretérito mais-que-perfeito

1.ª conjugação 2.ª conjugação 3.ª conjugação Des. temporal Desinência pessoal
1.ª/2.ª e 3.ª conj.
CANTAR VENDER PARTIR
cantaRA vendeRA partiRA RA Ø
cantaRAS vendeRAS partiRAS RA S
cantaRA vendeRA partiRA RA Ø
cantáRAMOS vendêRAMOS partíRAMOS RA MOS
cantáREIS vendêREIS partíREIS RE IS
cantaRAM vendeRAM partiRAM RA M

Pretérito Imperfeito do Indicativo

1.ª conjugação 2.ª conjugação 3ª. conjugação


CANTAR VENDER PARTIR
cantAVA vendIA partIA
cantAVAS vendIAS partAS
CantAVA vendIA partIA
cantÁVAMOS vendÍAMOS partÍAMOS
cantÁVEIS vendÍEIS partÍEIS
cantAVAM vendIAM partIAM

Futuro do Presente do Indicativo

1.ª conjugação 2.ª conjugação 3.ª conjugação


CANTAR VENDER PARTIR
cantar ei vender ei partir ei
cantar ás vender ás partir ás
cantar á vender á partir á
cantar emos vender emos partir emos
cantar eis vender eis partir eis
cantar ão vender ão partir ão

Futuro do Pretérito do Indicativo

1.ª conjugação 2.ª conjugação 3.ª conjugação


CANTAR VENDER PARTIR
cantarIA venderIA partirIA
cantarIAS venderIAS partirIAS
cantarIA venderIA partirIA
cantarÍAMOS venderÍAMOS partirÍAMOS
cantarÍEIS venderÍEIS partirÍEIS
cantarIAM venderIAM partirIAM

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LÍNGUA PORTUGUESA

Presente do Subjuntivo

Para se formar o presente do subjuntivo, substitui-se a desinência -o da primeira pessoa do singular do presente do
indicativo pela desinência -E (nos verbos de 1.ª conjugação) ou pela desinência -A (nos verbos de 2.ª e 3.ª conjugação).

1.ª conjug. 2.ª conjug. 3.ª conju. Desinên. pessoal Des. temporal Des.temporal
1.ª conj. 2.ª/3.ª conj.
CANTAR VENDER PARTIR
cantE vendA partA E A Ø
cantES vendAS partAS E A S
cantE vendA partA E A Ø
cantEMOS vendAMOS partAMOS E A MOS
cantEIS vendAIS partAIS E A IS
cantEM vendAM partAM E A M

Pretérito Imperfeito do Subjuntivo

Para formar o imperfeito do subjuntivo, elimina-se a desinência -STE da 2.ª pessoa do singular do pretérito perfeito,
obtendo-se, assim, o tema desse tempo. Acrescenta-se a esse tema a desinência temporal -SSE mais a desinência de nú-
mero e pessoa correspondente.

1.ª conjugação 2.ª conjugação 3.ª conjugação Des. temporal Desin. pessoal
1.ª /2.ª e 3.ª conj.
CANTAR VENDER PARTIR
cantaSSE vendeSSE partiSSE SSE Ø
cantaSSES vendeSSES partiSSES SSE S
cantaSSE vendeSSE partiSSE SSE Ø
cantáSSEMOS vendêSSEMOS partíSSEMOS SSE MOS
cantáSSEIS vendêSSEIS partíSSEIS SSE IS
cantaSSEM vendeSSEM partiSSEM SSE M

Futuro do Subjuntivo

Para formar o futuro do subjuntivo elimina-se a desinência -STE da 2.ª pessoa do singular do pretérito perfeito, ob-
tendo-se, assim, o tema desse tempo. Acrescenta-se a esse tema a desinência temporal -R mais a desinência de número e
pessoa correspondente.

1.ª conjugação 2.ª conjugação 3.ª conjugação Des. temporal Desin. pessoal
1.ª /2.ª e 3.ª conj.
CANTAR VENDER PARTIR
cantaR vendeR partiR Ø
cantaRES vendeRES partiRES R ES
cantaR vendeR partiR R Ø
cantaRMOS vendeRMOS partiRMOS R MOS
cantaRDES vendeRDES partiRDES R DES
cantaREM vendeREM partiREM R EM

43
LÍNGUA PORTUGUESA

Modo Imperativo
Imperativo Afirmativo
Para se formar o imperativo afirmativo, toma-se do presente do indicativo a 2.ª pessoa do singular (tu) e a segunda
pessoa do plural (vós) eliminando-se o “S” final. As demais pessoas vêm, sem alteração, do presente do subjuntivo. Veja:

Presente do Indicativo Imperativo Afirmativo Presente do Subjuntivo


Eu canto --- Que eu cante
Tu cantas CantA tu Que tu cantes
Ele canta Cante você Que ele cante
Nós cantamos Cantemos nós Que nós cantemos
Vós cantais CantAI vós Que vós canteis
Eles cantam Cantem vocês Que eles cantem

Imperativo Negativo
Para se formar o imperativo negativo, basta antecipar a negação às formas do presente do subjuntivo.

Presente do Subjuntivo Imperativo Negativo


Que eu cante ---
Que tu cantes Não cantes tu
Que ele cante Não cante você
Que nós cantemos Não cantemos nós
Que vós canteis Não canteis vós
Que eles cantem Não cantem eles
Observações:
- No modo imperativo não faz sentido usar na 3.ª pessoa (singular e plural) as formas ele/eles, pois uma ordem, pedido
ou conselho só se aplicam diretamente à pessoa com quem se fala. Por essa razão, utiliza-se você/vocês.
- O verbo SER, no imperativo, faz excepcionalmente: sê (tu), sede (vós).

Infinitivo Pessoal
1.ª conjugação 2.ª conjugação 3.ª conjugação
CANTAR VENDER PARTIR
cantar vender partir
cantarES venderES partirES
cantar vender partir
cantarMOS venderMOS partirMOS
cantarDES venderDES partirDES
cantarEM venderEM partirEM

* Observações:
- o verbo parecer admite duas construções:
Elas parecem gostar de você. (forma uma locução verbal)
Elas parece gostarem de você. (verbo com sujeito oracional, correspondendo à construção: parece gostarem de você).

- o verbo pegar possui dois particípios (regular e irregular):


Elvis tinha pegado minhas apostilas.
Minhas apostilas foram pegas.
fontes de pesquisa:
http://www.soportugues.com.br/secoes/morf/morf54.php
SACCONI, Luiz Antônio. Nossa gramática completa Sacconi. 30ª ed. Rev. São Paulo: Nova Geração, 2010.
Português linguagens: volume 2 / Wiliam Roberto Cereja, Thereza Cochar Magalhães. – 7ªed. Reform. – São Paulo:
Saraiva, 2010.
Português: novas palavras: literatura, gramática, redação / Emília Amaral... [et al.]. – São Paulo: FTD, 2000.

44
LÍNGUA PORTUGUESA

Questões sobre Verbo (A) faz … haver … têm


(B) fazem … haver … tem
1-) (TRE/MS - ESTÁGIO – JORNALISMO - TRE/MS – (C) faz … haverem … têm
2014) A assertiva correta quanto à conjugação verbal é: (D) fazem … haverem … têm
A) Houveram eleições em outros países este ano. (E) faz … haverem … tem
B) Se eu vir você por aí, acabou.
C) Tinha chego atrasado vinte minutos. 3-) Já FAZ (sentido de tempo: não sofre flexão) alguns
D) Fazem três anos que não tiro férias. anos que estudos a respeito da utilização abusiva dos
E) Esse homem possue muitos bens. smartphones estão sendo desenvolvidos. Os especialistas
acreditam HAVER (sentido de existir: não varia) motivos
1-) Correções à frente: para associar alguns comportamentos dos adolescentes ao
A) Houveram eleições em outros países este ano = uso prolongado desses aparelhos, e TÊM (concorda com o
houve termo “os especialistas”) alertado os pais para que avaliem
C) Tinha chego atrasado vinte minutos = tinha chegado a necessidade de estabelecer limites aos seus filhos.
D) Fazem três anos que não tiro férias = faz três anos Temos: faz, haver, têm.
E) Esse homem possue muitos bens = possui RESPOSTA: “A”.
RESPOSTA: “B”.
Vozes do Verbo
2-) (POLÍCIA CIVIL/SC – AGENTE DE POLÍCIA – ACA-
FE/2014) Complete as lacunas com os verbos, tempos e Dá-se o nome de voz à maneira como se apresenta a
modos indicados entre parênteses, fazendo a devida con- ação expressa pelo verbo em relação ao sujeito, indicando
cordância. se este é paciente ou agente da ação. Importante lembrar
• O juiz agrário ainda não _________ no conflito porque que voz verbal não é flexão, mas aspecto verbal. São três
surgiram fatos novos de ontem para hoje. (intervir - preté- as vozes verbais:
rito perfeito do indicativo)
• Uns poucos convidados ___________-se com os vídeos - Ativa = quando o sujeito é agente, isto é, pratica a
postados no facebook. (entreter - pretérito imperfeito do ação expressa pelo verbo:
indicativo)
• Representantes do PCRT somente serão aceitos na Ele fez o trabalho.
composição da chapa quando se _________ de criticar a sujeito agente ação objeto (paciente)
atual diretoria do clube, (abster-se - futuro do subjuntivo)
A sequência correta, de cima para baixo, é: - Passiva = quando o sujeito é paciente, recebendo a
A-) interveio - entretinham - abstiverem ação expressa pelo verbo:
B-) interviu - entretiveram - absterem
C-) intervém - entreteram - abstêm O trabalho foi feito por ele.
D-) interviera - entretêm - abstiverem sujeito paciente ação agente da passiva
E-) intervirá - entretenham - abstiveram
- Reflexiva = quando o sujeito é, ao mesmo tempo,
agente e paciente, isto é, pratica e recebe a ação:
2-) O verbo “intervir” deve ser conjugado como o ver-
bo “vir”. Este, no pretérito perfeito do Indicativo fica “veio”, O menino feriu-se.
portanto, “interveio” (não existe “interviu”, já que ele não
deriva do verbo “ver”). Descartemos a alternativa B. Como * Observação: não confundir o emprego reflexivo do
não há outro item com a mesma opção, chegamos à res- verbo com a noção de reciprocidade:
posta rapidamente! Os lutadores feriram-se. (um ao outro)
RESPOSTA: “A”. Nós nos amamos. (um ama o outro)

3-) (POLÍCIA MILITAR/SP – OFICIAL ADMINISTRATIVO Formação da Voz Passiva


– VUNESP/2014) Considere o trecho a seguir.
Já __________ alguns anos que estudos a respeito da A voz passiva pode ser formada por dois processos:
utilização abusiva dos smartphones estão sendo desen- analítico e sintético.
volvidos. Os especialistas acreditam _________ motivos para
associar alguns comportamentos dos adolescentes ao uso 1- Voz Passiva Analítica = Constrói-se da seguinte ma-
prolongado desses aparelhos, e _________ alertado os pais neira:
para que avaliem a necessidade de estabelecer limites aos
seus filhos. Verbo SER + particípio do verbo principal. Por exemplo:
De acordo com a norma-padrão da língua portuguesa, A escola será pintada pelos alunos. (na ativa teríamos: os
as lacunas do texto devem ser preenchidas, correta e res- alunos pintarão a escola)
pectivamente, com: O trabalho é feito por ele. (na ativa: ele faz o trabalho)

45
LÍNGUA PORTUGUESA

* Observação: o agente da passiva geralmente é acom- - Eu o acompanharei.


panhado da preposição por, mas pode ocorrer a constru- Ele será acompanhado por mim.
ção com a preposição de. Por exemplo: A casa ficou cercada
de soldados. * Observação: quando o sujeito da voz ativa for inde-
terminado, não haverá complemento agente na passiva.
- Pode acontecer de o agente da passiva não estar ex- Por exemplo: Prejudicaram-me. / Fui prejudicado.
plícito na frase: A exposição será aberta amanhã.
** Saiba que:
- A variação temporal é indicada pelo verbo auxiliar - com os verbos neutros (nascer, viver, morrer, dormir,
(SER), pois o particípio é invariável. Observe a transforma- acordar, sonhar, etc.) não há voz ativa, passiva ou reflexiva,
ção das frases seguintes: porque o sujeito não pode ser visto como agente, paciente
ou agente-paciente.
a) Ele fez o trabalho. (pretérito perfeito do Indicativo)
O trabalho foi feito por ele. (verbo ser no pretérito per- Fontes de pesquisa:
feito do Indicativo, assim como o verbo principal da voz http://www.soportugues.com.br/secoes/morf/morf54.
ativa) php
SACCONI, Luiz Antônio. Nossa gramática completa Sac-
b) Ele faz o trabalho. (presente do indicativo) coni. 30ª ed. Rev. São Paulo: Nova Geração, 2010.
O trabalho é feito por ele. (ser no presente do indica- Português linguagens: volume 2 / Wiliam Roberto Cere-
tivo) ja, Thereza Cochar Magalhães. – 7ªed. Reform. – São Paulo:
Saraiva, 2010.
c) Ele fará o trabalho. (futuro do presente) Português: novas palavras: literatura, gramática, reda-
O trabalho será feito por ele. (futuro do presente) ção / Emília Amaral... [et al.]. – São Paulo: FTD, 2000.
- Nas frases com locuções verbais, o verbo SER assume
o mesmo tempo e modo do verbo principal da voz ativa.
Questões
Observe a transformação da frase seguinte:
O vento ia levando as folhas. (gerúndio)
1-) (TRIBUNAL DE JUSTIÇA/GO – ANALISTA JUDICIÁ-
As folhas iam sendo levadas pelo vento. (gerúndio)
RIO – FGV/2014 - adaptada) A frase “que foi trazida pelo
instituto Endeavor” equivale, na voz ativa, a:
2- Voz Passiva Sintética = A voz passiva sintética - ou
(A) que o instituto Endeavor traz;
pronominal - constrói-se com o verbo na 3.ª pessoa, segui-
(B) que o instituto Endeavor trouxe;
do do pronome apassivador “se”. Por exemplo:
Abriram-se as inscrições para o concurso. (C) trazida pelo instituto Endeavor;
Destruiu-se o velho prédio da escola. (D) que é trazida pelo instituto Endeavor;
(E) que traz o instituto Endeavor.
* Observação: o agente não costuma vir expresso na
voz passiva sintética. 1-) Se na voz passiva temos dois verbos, na ativa tere-
mos um: “que o instituto Endeavor trouxe” (manter o tem-
Conversão da Voz Ativa na Voz Passiva po verbal no pretérito – assim como na passiva).
RESPOSTA: “B”.
Pode-se mudar a voz ativa na passiva sem alterar subs-
tancialmente o sentido da frase.
2-) (PRODAM/AM – ASSISTENTE – FUNCAB/2014 -
O concurseiro comprou a apostila. (Voz Ativa) adaptada) Ao passarmos a frase “...e É CONSIDERADO por
Sujeito da Ativa objeto Direto muitos o maior maratonista de todos os tempos” para a
voz ativa, encontramos a seguinte forma verbal:
A apostila foi comprada pelo concurseiro. A) consideravam.
(Voz Passiva) B) consideram.
Sujeito da Passiva Agente da Passi- C) considerem.
va D) considerarão.
E) considerariam.
Observe que o objeto direto será o sujeito da passiva; o
sujeito da ativa passará a agente da passiva, e o verbo ativo 2-) É CONSIDERADO por muitos o maior maratonista
assumirá a forma passiva, conservando o mesmo tempo. de todos os tempos = dois verbos na voz passiva, então na
Observe: ativa teremos UM: muitos o consideram o maior marato-
- Os mestres têm constantemente aconselhado os alu- nista de todos os tempos.
nos. RESPOSTA: “B”.
Os alunos têm sido constantemente aconselhados pelos
mestres.

46
LÍNGUA PORTUGUESA

3-) (TRT-16ª REGIÃO/MA - ANALISTA JUDICIÁRIO – O menino limpou a sala. = “limpou” é verbo de ação
ÁREA ADMINISTRATIVA – FCC/2014) (predicado verbal)
Transpondo-se para a voz passiva a frase “vou glosar A prova foi fácil. – “foi” é verbo de ligação (ser); o núcleo
uma observação de Machado de Assis”, a forma verbal re- é “fácil” (predicado nominal)
sultante deverá ser
(A) terei glosado Quanto ao período, ele denomina a frase constituída por
(B) seria glosada uma ou mais orações, formando um todo, com sentido com-
(C) haverá de ser glosada pleto. O período pode ser simples ou composto.
(D) será glosada
(E) terá sido glosada Período simples é aquele constituído por apenas uma
oração, que recebe o nome de oração absoluta.
3-) “vou glosar uma observação de Machado de Assis” Chove.
– “vou glosar” expressa “glosarei”, então teremos na pas- A existência é frágil.
siva: uma observação de Machado de Assis será glosada Amanhã, à tarde, faremos a prova do concurso.
por mim.
Período composto é aquele constituído por duas ou
RESPOSTA: “D”.
mais orações:
Cantei, dancei e depois dormi.
Quero que você estude mais.

Termos essenciais da oração


1.4 - SINTAXE;
O sujeito e o predicado são considerados termos es-
senciais da oração, ou seja, são termos indispensáveis para a
formação das orações. No entanto, existem orações forma-
das exclusivamente pelo predicado. O que define a oração
Frase é todo enunciado suficiente por si mesmo para é a presença do verbo. O sujeito é o termo que estabelece
estabelecer comunicação. Normalmente é composta por concordância com o verbo.
dois termos – o sujeito e o predicado – mas não obrigato- O candidato está preparado.
riamente, pois há orações ou frases sem sujeito: Trovejou Os candidatos estão preparados.
muito ontem à noite.
Na primeira frase, o sujeito é “o candidato”. “Candidato”
Quanto aos tipos de frases, além da classificação em é a principal palavra do sujeito, sendo, por isso, denominada
verbais (possuem verbos, ou seja, são orações) e nominais núcleo do sujeito. Este se relaciona com o verbo, estabele-
(sem a presença de verbos), feita a partir de seus elementos cendo a concordância (núcleo no singular, verbo no singular:
constituintes, elas podem ser classificadas a partir de seu candidato = está).
sentido global: A função do sujeito é basicamente desempenhada por
- frases interrogativas = o emissor da mensagem for- substantivos, o que a torna uma função substantiva da ora-
mula uma pergunta: Que dia é hoje? ção. Pronomes, substantivos, numerais e quaisquer outras
- frases imperativas = o emissor dá uma ordem ou faz palavras substantivadas (derivação imprópria) também po-
um pedido: Dê-me uma luz! dem exercer a função de sujeito.
- frases exclamativas = o emissor exterioriza um estado Os dois sumiram. (dois é numeral; no exemplo, substan-
tivo)
afetivo: Que dia abençoado!
Um sim é suave e sugestivo. (sim é advérbio; no exemplo:
- frases declarativas = o emissor constata um fato: A
substantivo)
prova será amanhã.
Os sujeitos são classificados a partir de dois elementos: o
Quanto à estrutura da frase, as que possuem verbo de determinação ou indeterminação e o de núcleo do sujeito.
(oração) são estruturadas por dois elementos essenciais: Um sujeito é determinado quando é facilmente identi-
sujeito e predicado. ficado pela concordância verbal. O sujeito determinado pode
O sujeito é o termo da frase que concorda com o verbo ser simples ou composto.
em número e pessoa. É o “ser de quem se declara algo”, “o A indeterminação do sujeito ocorre quando não é pos-
tema do que se vai comunicar”; o predicado é a parte da sível identificar claramente a que se refere a concordância
frase que contém “a informação nova para o ouvinte”, é o verbal. Isso ocorre quando não se pode ou não interessa in-
que “se fala do sujeito”. Ele se refere ao tema, constituindo dicar precisamente o sujeito de uma oração.
a declaração do que se atribui ao sujeito. Estão gritando seu nome lá fora.
Quando o núcleo da declaração está no verbo (que in- Trabalha-se demais neste lugar.
dique ação ou fenômeno da natureza, seja um verbo signi-
ficativo), temos o predicado verbal. Mas, se o núcleo estiver O sujeito simples é o sujeito determinado que apresen-
em um nome (geralmente um adjetivo), teremos um predi- ta um único núcleo, que pode estar no singular ou no plural;
cado nominal (os verbos deste tipo de predicado são os pode também ser um pronome indefinido. Abaixo, subli-
que indicam estado, conhecidos como verbos de ligação): nhei os núcleos dos sujeitos:

47
LÍNGUA PORTUGUESA

Nós estudaremos juntos. O pronome “se”, nestes casos, funciona como índice de
A humanidade é frágil. indeterminação do sujeito.
Ninguém se move.
O amar faz bem. (“amar” é verbo, mas aqui houve uma As orações sem sujeito, formadas apenas pelo predi-
derivação imprópria, transformando-o em substantivo) cado, articulam-se a partir de um verbo impessoal. A men-
As crianças precisam de alimentos saudáveis. sagem está centrada no processo verbal. Os principais ca-
sos de orações sem sujeito com:
O sujeito composto é o sujeito determinado que apre-
senta mais de um núcleo. 1-) os verbos que indicam fenômenos da natureza:
Alimentos e roupas custam caro. Amanheceu.
Ela e eu sabemos o conteúdo. Está trovejando.
O amar e o odiar são duas faces da mesma moeda.
2-) os verbos estar, fazer, haver e ser, quando indicam
Além desses dois sujeitos determinados, é comum a fenômenos meteorológicos ou se relacionam ao tempo em
referência ao sujeito implícito na desinência verbal (o geral:
“antigo” sujeito oculto [ou elíptico]), isto é, ao núcleo do Está tarde.
sujeito que está implícito e que pode ser reconhecido pela Já são dez horas.
desinência verbal ou pelo contexto. Faz frio nesta época do ano.
Abolimos todas as regras. = (nós) Há muitos concursos com inscrições abertas.
Falaste o recado à sala? = (tu)
Predicado é o conjunto de enunciados que contém a
* Os verbos deste tipo de sujeito estão sempre na pri- informação sobre o sujeito – ou nova para o ouvinte. Nas
meira pessoa do singular (eu) ou plural (nós) ou na segun- orações sem sujeito, o predicado simplesmente enuncia
da do singular (tu) ou do plural (vós), desde que os prono- um fato qualquer. Nas orações com sujeito, o predicado é
mes não estejam explícitos. aquilo que se declara a respeito deste sujeito. Com exceção
do vocativo - que é um termo à parte - tudo o que difere
Iremos à feira juntos? (= nós iremos) – sujeito implícito
do sujeito numa oração é o seu predicado.
na desinência verbal “-mos”
Chove muito nesta época do ano.
Cantais bem! (= vós cantais) - sujeito implícito na desi-
Houve problemas na reunião.
nência verbal “-ais”
* Em ambas as orações não há sujeito, apenas predi-
Mas:
cado.
Nós iremos à festa juntos? = sujeito simples: nós
Vós cantais bem! = sujeito simples: vós As questões estavam fáceis!
Sujeito simples = as questões
O sujeito indeterminado surge quando não se quer - Predicado = estavam fáceis
ou não se pode - identificar a que o predicado da oração
refere-se. Existe uma referência imprecisa ao sujeito, caso Passou-me uma ideia estranha pelo pensamento.
contrário, teríamos uma oração sem sujeito. Sujeito = uma ideia estranha
Na língua portuguesa, o sujeito pode ser indetermina- Predicado = passou-me pelo pensamento
do de duas maneiras: Para o estudo do predicado, é necessário verificar se
seu núcleo é um nome (então teremos um predicado no-
1-) com verbo na terceira pessoa do plural, desde que minal) ou um verbo (predicado verbal). Deve-se considerar
o sujeito não tenha sido identificado anteriormente: também se as palavras que formam o predicado referem-
Bateram à porta; -se apenas ao verbo ou também ao sujeito da oração.
Andam espalhando boatos a respeito da queda do mi-
nistro. Os homens sensíveis pedem amor sincero às mulheres
de opinião.
* Se o sujeito estiver identificado, poderá ser simples Predicado
ou composto:
Os meninos bateram à porta. (simples) O predicado acima apresenta apenas uma palavra que
Os meninos e as meninas bateram à porta. (composto) se refere ao sujeito: pedem. As demais palavras ligam-se
direta ou indiretamente ao verbo.
2-) com o verbo na terceira pessoa do singular, acres- A cidade está deserta.
cido do pronome “se”. Esta é uma construção típica dos
verbos que não apresentam complemento direto: O nome “deserta”, por intermédio do verbo, refere-se
Precisa-se de mentes criativas. ao sujeito da oração (cidade). O verbo atua como elemento
Vivia-se bem naqueles tempos. de ligação (por isso verbo de ligação) entre o sujeito e a
Trata-se de casos delicados. palavra a ele relacionada (no caso: deserta = predicativo
Sempre se está sujeito a erros. do sujeito).

48
LÍNGUA PORTUGUESA

O predicado verbal é aquele que tem como núcleo O objeto direto preposicionado ocorre principalmen-
significativo um verbo: te:
Chove muito nesta época do ano. - com nomes próprios de pessoas ou nomes comuns
Estudei muito hoje! referentes a pessoas:
Compraste a apostila? Amar a Deus; Adorar a Xangô; Estimar aos pais.
(o objeto é direto, mas como há preposição, denomi-
Os verbos acima são significativos, isto é, não servem na-se: objeto direto preposicionado)
apenas para indicar o estado do sujeito, mas indicam pro-
cessos. - com pronomes indefinidos de pessoa e pronomes
de tratamento: Não excluo a ninguém; Não quero cansar a
O predicado nominal é aquele que tem como núcleo Vossa Senhoria.
significativo um nome; este atribui uma qualidade ou esta-
do ao sujeito, por isso é chamado de predicativo do sujei-
- para evitar ambiguidade: Ao povo prejudica a crise.
to. O predicativo é um nome que se liga a outro nome da
(sem preposição, o sentido seria outro: O povo prejudica
oração por meio de um verbo (o verbo de ligação).
a crise)
Nos predicados nominais, o verbo não é significativo,
isto é, não indica um processo, mas une o sujeito ao pre-
dicativo, indicando circunstâncias referentes ao estado do O objeto indireto é o complemento que se liga indi-
sujeito: Os dados parecem corretos. retamente ao verbo, ou seja, através de uma preposição.
O verbo parecer poderia ser substituído por estar, an- Gosto de música popular brasileira.
dar, ficar, ser, permanecer ou continuar, atuando como ele- Necessito de ajuda.
mento de ligação entre o sujeito e as palavras a ele rela-
cionadas. O termo que integra o sentido de um nome chama-se
* A função de predicativo é exercida, normalmente, por complemento nominal, que se liga ao nome que comple-
um adjetivo ou substantivo. ta por intermédio de preposição:
A arte é necessária à vida. = relaciona-se com a palavra
O predicado verbo-nominal é aquele que apresen- “necessária”
ta dois núcleos significativos: um verbo e um nome. No Temos medo de barata. = ligada à palavra “medo”
predicado verbo-nominal, o predicativo pode se referir ao
sujeito ou ao complemento verbal (objeto). Termos acessórios da oração e vocativo
O verbo do predicado verbo-nominal é sempre sig-
nificativo, indicando processos. É também sempre por in- Os termos acessórios recebem este nome por serem
termédio do verbo que o predicativo se relaciona com o explicativos, circunstanciais. São termos acessórios o ad-
termo a que se refere. junto adverbial, o adjunto adnominal, o aposto e o vocativo
1- O dia amanheceu ensolarado; – este, sem relação sintática com outros temos da oração.
2- As mulheres julgam os homens inconstantes. O adjunto adverbial é o termo da oração que indi-
ca uma circunstância do processo verbal ou intensifica o
No primeiro exemplo, o verbo amanheceu apresenta sentido de um adjetivo, verbo ou advérbio. É uma função
duas funções: a de verbo significativo e a de verbo de liga- adverbial, pois cabe ao advérbio e às locuções adverbiais
ção. Este predicado poderia ser desdobrado em dois: um exercerem o papel de adjunto adverbial: Amanhã voltarei a
verbal e outro nominal.
pé àquela velha praça.
O dia amanheceu. / O dia estava ensolarado.
As circunstâncias comumente expressas pelo adjunto
No segundo exemplo, é o verbo julgar que relaciona
o complemento homens com o predicativo “inconstantes”. adverbial são:
- assunto: Falavam sobre futebol.
Termos integrantes da oração - causa: As folhas caíram com o vento.
- companhia: Ficarei com meus pais.
Os complementos verbais (objeto direto e indireto) e o - concessão: Apesar de você, serei feliz.
complemento nominal são chamados termos integrantes da - conformidade: Fez tudo conforme o combinado.
oração. - dúvida: Talvez ainda chova.
Os complementos verbais integram o sentido dos ver- - fim: Estudou para o exame.
bos transitivos, com eles formando unidades significativas. - instrumento: Fez o corte com a faca.
Estes verbos podem se relacionar com seus complementos - intensidade: Falava bastante.
diretamente, sem a presença de preposição, ou indireta- - lugar: Vou à cidade.
mente, por intermédio de preposição. - matéria: Este prato é feito de porcelana.
- meio: Viajarei de trem.
O objeto direto é o complemento que se liga direta- - modo: Foram recrutados a dedo.
mente ao verbo. - negação: Não há ninguém que mereça.
Houve muita confusão na partida final. - tempo: Ontem à tarde encontrou o velho amigo.
Queremos sua ajuda.

49
LÍNGUA PORTUGUESA

O adjunto adnominal é o termo acessório que deter- Questões


mina, especifica ou explica um substantivo. É uma função
adjetiva, pois são os adjetivos e as locuções adjetivas que 1-) (CASAL/AL - ADMINISTRADOR DE REDE - COPEVE/
exercem o papel de adjunto adnominal na oração. Também UFAL/2014 - adaptada)
atuam como adjuntos adnominais os artigos, os numerais
e os pronomes adjetivos.
O poeta inovador enviou dois longos trabalhos ao seu
amigo de infância.

O adjunto adnominal se liga diretamente ao substan-


tivo a que se refere, sem participação do verbo. Já o predi-
cativo do objeto se liga ao objeto por meio de um verbo.
O poeta português deixou uma obra originalíssima.
O poeta deixou-a.
(originalíssima não precisou ser repetida, portanto: ad-
junto adnominal)

O poeta português deixou uma obra inacabada.


O poeta deixou-a inacabada.
(inacabada precisou ser repetida, então: predicativo do O cartaz acima divulga a peça de teatro “Quem tem
objeto) medo de Virginia Woolf?” escrita pelo norte-americano
Edward Albee. O termo “de Virginia Woolf”, do título em
Enquanto o complemento nominal se relaciona a um português da peça, funciona como:
substantivo, adjetivo ou advérbio, o adjunto adnominal se A) objeto indireto.
relaciona apenas ao substantivo. B) complemento nominal.
C) adjunto adnominal.
O aposto é um termo acessório que permite ampliar, D) adjunto adverbial.
explicar, desenvolver ou resumir a ideia contida em um ter- E) agente da passiva.
mo que exerça qualquer função sintática: Ontem, segunda-
-feira, passei o dia mal-humorado. 1-) O termo complementa a palavra “medo”, que é
substantivo (nome – nominal). Portanto é um complemen-
Segunda-feira é aposto do adjunto adverbial de tempo to nominal. O verbo “ter” tem como complemento verbal
“ontem”. O aposto é sintaticamente equivalente ao termo (objeto) a palavra “medo”, que exerce a função sintática de
que se relaciona porque poderia substituí-lo: Segunda-feira objeto direto.
passei o dia mal-humorado. RESPOSTA: “B”.
O aposto pode ser classificado, de acordo com seu va-
lor na oração, em: 2-) (TRT/AL - ANALISTA JUDICIÁRIO - FCC/2014)
a) explicativo: A linguística, ciência das línguas huma- ... que acompanham as fronteiras ocidentais chinesas...
nas, permite-nos interpretar melhor nossa relação com o O verbo que, no contexto, exige o mesmo tipo de com-
mundo. plemento que o da frase acima está em:
b) enumerativo: A vida humana compõe-se de muitas (A) A Rota da Seda nunca foi uma rota única...
coisas: amor, arte, ação. (B) Esses caminhos floresceram durante os primórdios
c) resumidor ou recapitulativo: Fantasias, suor e sonho, da Idade Média.
tudo forma o carnaval. (C) ... viajavam por cordilheiras...
d) comparativo: Seus olhos, indagadores holofotes, fixa- (D) ... até cair em desuso, seis séculos atrás.
ram-se por muito tempo na baía anoitecida. (E) O maquinista empurra a manopla do acelerador.

O vocativo é um termo que serve para chamar, invocar 2-) Acompanhar é transitivo direto (acompanhar quem
ou interpelar um ouvinte real ou hipotético, não mantendo ou o quê - não há preposição):
relação sintática com outro termo da oração. A função de A = foi = verbo de ligação (ser) – não há complemento,
vocativo é substantiva, cabendo a substantivos, pronomes mas sim, predicativo do sujeito (rota única);
substantivos, numerais e palavras substantivadas esse pa- B = floresceram = intransitivo (durante os primórdios =
pel na linguagem. adjunto adverbial);
João, venha comigo! C = viajavam = intransitivo (por cordilheiras = adjunto
Traga-me doces, minha menina! adverbial);
D = cair = intransitivo;
E = empurra = transitivo direto (empurrar quem ou o
quê?)
RESPOSTA: “E”.

50
LÍNGUA PORTUGUESA

Período Composto por Coordenação Orações Coordenadas Sindéticas Alternativas: suas


principais conjunções são: ou... ou; ora...ora; quer...quer;
O período composto se caracteriza por possuir mais de seja...seja.
uma oração em sua composição. Sendo assim: Ou uso o protetor solar, ou uso o óleo bronzeador.
- Eu irei à praia. (Período Simples = um verbo, uma
oração) Orações Coordenadas Sindéticas Conclusivas: suas
- Estou comprando um protetor solar, depois irei à principais conjunções são: logo, portanto, por fim, por con-
praia. (Período Composto =locução verbal + verbo, duas seguinte, consequentemente, pois (posposto ao verbo).
orações) Passei no concurso, portanto comemorarei!
- Já me decidi: só irei à praia, se antes eu comprar A situação é delicada; devemos, pois, agir.
um protetor solar. (Período Composto = três verbos, três
orações). Orações Coordenadas Sindéticas Explicativas: suas
principais conjunções são: isto é, ou seja, a saber, na verda-
Há dois tipos de relações que podem se estabelecer de, pois (anteposto ao verbo).
entre as orações de um período composto: uma relação de Não fui à praia, pois queria descansar durante o Do-
coordenação ou uma relação de subordinação. mingo.
Duas orações são coordenadas quando estão juntas Maria chorou porque seus olhos estão vermelhos.
em um mesmo período, (ou seja, em um mesmo bloco de
informações, marcado pela pontuação final), mas têm, am- Período Composto Por Subordinação
bas, estruturas individuais, como é o exemplo de:
Estou comprando um protetor solar, depois irei à praia. Quero que você seja aprovado!
(Período Composto) Oração principal oração subordinada
Podemos dizer:
1. Estou comprando um protetor solar. Observe que na oração subordinada temos o verbo
2. Irei à praia.
“seja”, que está conjugado na terceira pessoa do singular
Separando as duas, vemos que elas são independen-
do presente do subjuntivo, além de ser introduzida por
tes. Tal período é classificado como Período Composto
conjunção. As orações subordinadas que apresentam ver-
por Coordenação.
bo em qualquer dos tempos finitos (tempos do modo do
Quanto à classificação das orações coordenadas, te-
indicativo, subjuntivo e imperativo) e são iniciadas por con-
mos dois tipos: Coordenadas Assindéticas e Coordenadas
junção, chamam-se orações desenvolvidas ou explícitas.
Sindéticas.
Podemos modificar o período acima. Veja:
Coordenadas Assindéticas
Quero ser aprovado.
São orações coordenadas entre si e que não são liga- Oração Principal Oração Subordinada
das através de nenhum conectivo. Estão apenas justapos-
tas. A análise das orações continua sendo a mesma: “Que-
Entrei na sala, deitei-me no sofá, adormeci. ro” é a oração principal, cujo objeto direto é a oração su-
bordinada “ser aprovado”. Observe que a oração subordi-
Coordenadas Sindéticas nada apresenta agora verbo no infinitivo (ser). Além disso,
a conjunção “que”, conectivo que unia as duas orações,
Ao contrário da anterior, são orações coordenadas en- desapareceu. As orações subordinadas cujo verbo surge
tre si, mas que são ligadas através de uma conjunção coor- numa das formas nominais (infinitivo, gerúndio ou particí-
denativa, que dará à oração uma classificação. As orações pio) chamamos orações reduzidas ou implícitas.
coordenadas sindéticas são classificadas em cinco tipos:
aditivas, adversativas, alternativas, conclusivas e explicati- * Observação: as orações reduzidas não são introdu-
vas. zidas por conjunções nem pronomes relativos. Podem ser,
eventualmente, introduzidas por preposição.
** Dica: Memorize SINdética = SIM, tem conjunção!
Orações Coordenadas Sindéticas Aditivas: suas prin- 1-) Orações Subordinadas Substantivas
cipais conjunções são: e, nem, não só... mas também, não
só... como, assim... como. A oração subordinada substantiva tem valor de subs-
Nem comprei o protetor solar nem fui à praia. tantivo e vem introduzida, geralmente, por conjunção inte-
Comprei o protetor solar e fui à praia. grante (que, se).

Orações Coordenadas Sindéticas Adversativas: suas Não sei se sairemos hoje.


principais conjunções são: mas, contudo, todavia, entretan- Oração Subordinada Substantiva
to, porém, no entanto, ainda, assim, senão.
Fiquei muito cansada, contudo me diverti bastante. Temos medo de que não sejamos aprovados.
Li tudo, porém não entendi! Oração Subordinada Substantiva

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LÍNGUA PORTUGUESA

Os pronomes interrogativos (que, quem, qual) também Todos querem sua aprovação no concurso.
introduzem as orações subordinadas substantivas, bem Objeto Direto
como os advérbios interrogativos (por que, quando, onde,
como). Todos querem que você seja aprovado. (Todos
querem isso)
O garoto perguntou qual seu nome. Oração Principal oração Subordinada Substantiva
Oração Subordinada Subs- Objetiva Direta
tantiva
As orações subordinadas substantivas objetivas diretas
Não sabemos quando ele virá. (desenvolvidas) são iniciadas por:
Oração Subordinada Substan- - Conjunções integrantes “que” (às vezes elíptica) e
tiva “se”: A professora verificou se os alunos estavam presentes.

Classificação das Orações Subordinadas Substanti- - Pronomes indefinidos que, quem, qual, quanto (às ve-
vas zes regidos de preposição), nas interrogações indiretas: O
pessoal queria saber quem era o dono do carro importado.
Conforme a função que exerce no período, a oração
subordinada substantiva pode ser: - Advérbios como, quando, onde, por que, quão (às ve-
a) Subjetiva - exerce a função sintática de sujeito do zes regidos de preposição), nas interrogações indiretas: Eu
verbo da oração principal: não sei por que ela fez isso.

É fundamental o seu comparecimento à reu- c) Objetiva Indireta = atua como objeto indireto do
nião. verbo da oração principal. Vem precedida de preposição.
Sujeito
Meu pai insiste em meu estudo.
É fundamental que você compareça à Objeto Indireto
reunião.
Oração Principal Oração Subordinada Substan- Meu pai insiste em que eu estude. (Meu pai insiste
tiva Subjetiva nisso)
* Atenção: Observe que a oração subordinada subs- Oração Subordinada Substantiva
tantiva pode ser substituída pelo pronome “isso”. Assim, Objetiva Indireta
temos um período simples:
É fundamental isso ou Isso é fundamental. Observação: em alguns casos, a preposição pode estar
Desta forma, a oração correspondente a “isso” exercerá elíptica na oração.
a função de sujeito. Marta não gosta (de) que a chamem de senhora.
Veja algumas estruturas típicas que ocorrem na oração Oração Subordinada Substantiva
principal: Objetiva Indireta

- Verbos de ligação + predicativo, em construções do d) Completiva Nominal = completa um nome que


tipo: É bom - É útil - É conveniente - É certo - Parece certo - É pertence à oração principal e também vem marcada por
claro - Está evidente - Está comprovado preposição.
É bom que você compareça à minha festa.
Sentimos orgulho de seu comportamento.
- Expressões na voz passiva, como: Sabe-se, Soube-se, Complemento Nominal
Conta-se, Diz-se, Comenta-se, É sabido, Foi anunciado, Ficou
provado. Sentimos orgulho de que você se comportou. (Sen-
Sabe-se que Aline não gosta de Pedro. timos orgulho disso.)
Oração Subordinada Substantiva
- Verbos como: convir - cumprir - constar - admirar - Completiva Nominal
importar - ocorrer - acontecer
Convém que não se atrase na entrevista. Lembre-se: as orações subordinadas substantivas ob-
jetivas indiretas integram o sentido de um verbo, enquanto
Observação: quando a oração subordinada substanti- que orações subordinadas substantivas completivas nomi-
va é subjetiva, o verbo da oração principal está sempre na nais integram o sentido de um nome. Para distinguir uma
3.ª pessoa do singular. da outra, é necessário levar em conta o termo complemen-
tado. Esta é a diferença entre o objeto indireto e o com-
b) Objetiva Direta = exerce função de objeto direto plemento nominal: o primeiro complementa um verbo; o
do verbo da oração principal: segundo, um nome.

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LÍNGUA PORTUGUESA

e) Predicativa = exerce papel de predicativo do sujei- Atenção: Vale lembrar um recurso didático para re-
to do verbo da oração principal e vem sempre depois do conhecer o pronome relativo “que”: ele sempre pode ser
verbo ser. substituído por: o qual - a qual - os quais - as quais
Refiro-me ao aluno que é estudioso. = Esta oração é
Nosso desejo era sua desistência. equivalente a: Refiro-me ao aluno o qual estuda.
Predicativo do Sujeito
Forma das Orações Subordinadas Adjetivas
Nosso desejo era que ele desistisse. (Nosso desejo
era isso) Quando são introduzidas por um pronome relativo e
Oração Subordinada Substantiva apresentam verbo no modo indicativo ou subjuntivo, as
Predicativa orações subordinadas adjetivas são chamadas desenvolvi-
das. Além delas, existem as orações subordinadas adjetivas
Observação: em certos casos, usa-se a preposição ex- reduzidas, que não são introduzidas por pronome relativo
(podem ser introduzidas por preposição) e apresentam o
pletiva “de” para realce. Veja o exemplo: A impressão é de
verbo numa das formas nominais (infinitivo, gerúndio ou
que não fui bem na prova.
particípio).
f) Apositiva = exerce função de aposto de algum ter- Ele foi o primeiro aluno que se apresentou.
mo da oração principal. Ele foi o primeiro aluno a se apresentar.
Fernanda tinha um grande sonho: a felicidade! No primeiro período, há uma oração subordinada ad-
Aposto jetiva desenvolvida, já que é introduzida pelo pronome re-
lativo “que” e apresenta verbo conjugado no pretérito per-
Fernanda tinha um grande sonho: ser feliz! feito do indicativo. No segundo, há uma oração subordina-
Oração subordinada da adjetiva reduzida de infinitivo: não há pronome relativo
substantiva apositiva reduzida de infinitivo e seu verbo está no infinitivo.
(Fernanda tinha um grande sonho: isso)
Classificação das Orações Subordinadas Adjetivas
* Dica: geralmente há a presença dos dois pontos! (:)
2-) Orações Subordinadas Adjetivas Na relação que estabelecem com o termo que caracte-
rizam, as orações subordinadas adjetivas podem atuar de
Uma oração subordinada adjetiva é aquela que possui duas maneiras diferentes. Há aquelas que restringem ou
valor e função de adjetivo, ou seja, que a ele equivale. As especificam o sentido do termo a que se referem, indivi-
orações vêm introduzidas por pronome relativo e exercem dualizando-o. Nestas orações não há marcação de pausa,
a função de adjunto adnominal do antecedente. sendo chamadas subordinadas adjetivas restritivas. Existem
também orações que realçam um detalhe ou amplificam
Esta foi uma redação bem-sucedida. dados sobre o antecedente, que já se encontra suficiente-
Substantivo Adjetivo (Adjunto Adno- mente definido. Estas orações denominam-se subordina-
minal) das adjetivas explicativas.
Exemplo 1:
O substantivo “redação” foi caracterizado pelo adjetivo Jamais teria chegado aqui, não fosse um homem que
passava naquele momento.
“bem-sucedida”. Neste caso, é possível formarmos outra
Oração
construção, a qual exerce exatamente o mesmo papel:
Subordinada Adjetiva Restritiva
Esta foi uma redação que fez sucesso. No período acima, observe que a oração em destaque
Oração Principal Oração Subordinada restringe e particulariza o sentido da palavra “homem”: tra-
Adjetiva ta-se de um homem específico, único. A oração limita o
universo de homens, isto é, não se refere a todos os ho-
Perceba que a conexão entre a oração subordinada mens, mas sim àquele que estava passando naquele mo-
adjetiva e o termo da oração principal que ela modifica é mento.
feita pelo pronome relativo “que”. Além de conectar (ou
relacionar) duas orações, o pronome relativo desempenha Exemplo 2:
uma função sintática na oração subordinada: ocupa o pa- O homem, que se considera racional, muitas vezes
pel que seria exercido pelo termo que o antecede (no caso, age animalescamente.
“redação” é sujeito, então o “que” também funciona como Oração Subordinada Adjetiva Explicativa
sujeito).
Agora, a oração em destaque não tem sentido restriti-
Observação: para que dois períodos se unam num vo em relação à palavra “homem”; na verdade, apenas ex-
período composto, altera-se o modo verbal da segunda plicita uma ideia que já sabemos estar contida no conceito
oração. de “homem”.

53
LÍNGUA PORTUGUESA

** Saiba que: A oração subordinada adjetiva explicati- A diferença entre a subordinada adverbial causal e a
va é separada da oração principal por uma pausa que, na sindética explicativa é que esta “explica” o fato que aconte-
escrita, é representada pela vírgula. É comum, por isso, que ceu na oração com a qual ela se relaciona; aquela apresenta
a pontuação seja indicada como forma de diferenciar as a “causa” do acontecimento expresso na oração à qual ela
orações explicativas das restritivas; de fato, as explicativas se subordina. Repare:
vêm sempre isoladas por vírgulas; as restritivas, não. 1-) Faltei à aula porque estava doente.
2-) Melissa chorou, porque seus olhos estão vermelhos.
3-) Orações Subordinadas Adverbiais Em 1, a oração destacada aconteceu primeiro que o
Uma oração subordinada adverbial é aquela que exerce fato expresso na oração anterior, ou seja, o fato de estar
a função de adjunto adverbial do verbo da oração principal. doente impediu-me de ir à aula. No exemplo 2, a oração
Assim, pode exprimir circunstância de tempo, modo, fim, sublinhada relata um fato que aconteceu depois, já que
causa, condição, hipótese, etc. Quando desenvolvida, vem primeiro ela chorou, depois seus olhos ficaram vermelhos.
introduzida por uma das conjunções subordinativas (com b) Consecutiva = exprime um fato que é consequên-
exclusão das integrantes, que introduzem orações subor-
cia, é efeito do que se declara na oração principal. São in-
dinadas substantivas). Classifica-se de acordo com a con-
troduzidas pelas conjunções e locuções: que, de forma que,
junção ou locução conjuntiva que a introduz (assim como
de sorte que, tanto que, etc., e pelas estruturas tão...que, tan-
acontece com as coordenadas sindéticas).
to...que, tamanho...que.
Durante a madrugada, eu olhei você dormindo. Principal conjunção subordinativa consecutiva: que
Oração Subordinada Adverbial (precedido de tal, tanto, tão, tamanho)
Nunca abandonou seus ideais, de sorte que acabou con-
A oração em destaque agrega uma circunstância de cretizando-os.
tempo. É, portanto, chamada de oração subordinada adver- Não consigo ver televisão sem bocejar. (Oração Reduzi-
bial temporal. Os adjuntos adverbiais são termos acessórios da de Infinitivo)
que indicam uma circunstância referente, via de regra, a um
verbo. A classificação do adjunto adverbial depende da exa- c) Condicional = Condição é aquilo que se impõe
ta compreensão da circunstância que exprime. como necessário para a realização ou não de um fato. As
Naquele momento, senti uma das maiores emoções de orações subordinadas adverbiais condicionais exprimem o
minha vida. que deve ou não ocorrer para que se realize - ou deixe de
Quando vi o mar, senti uma das maiores emoções de mi- se realizar - o fato expresso na oração principal.
nha vida. Principal conjunção subordinativa condicional: se. Ou-
tras conjunções condicionais: caso, contanto que, desde que,
No primeiro período, “naquele momento” é um adjunto salvo se, exceto se, a não ser que, a menos que, sem que,
adverbial de tempo, que modifica a forma verbal “senti”. No uma vez que (seguida de verbo no subjuntivo).
segundo período, este papel é exercido pela oração “Quan- Se o regulamento do campeonato for bem elaborado,
do vi o mar”, que é, portanto, uma oração subordinada ad- certamente o melhor time será campeão.
verbial temporal. Esta oração é desenvolvida, pois é introdu- Caso você saia, convide-me.
zida por uma conjunção subordinativa (quando) e apresen-
ta uma forma verbal do modo indicativo (“vi”, do pretérito d) Concessiva = indica concessão às ações do verbo
perfeito do indicativo). Seria possível reduzi-la, obtendo-se: da oração principal, isto é, admitem uma contradição ou
Ao ver o mar, senti uma das maiores emoções de minha vida. um fato inesperado. A ideia de concessão está diretamente
ligada ao contraste, à quebra de expectativa. Principal con-
A oração em destaque é reduzida, apresentando uma
junção subordinativa concessiva: embora. Utiliza-se tam-
das formas nominais do verbo (“ver” no infinitivo) e não é
bém a conjunção: conquanto e as locuções ainda que, ainda
introduzida por conjunção subordinativa, mas sim por uma
preposição (“a”, combinada com o artigo “o”). quando, mesmo que, se bem que, posto que, apesar de que.
Só irei se ele for.
Observação: a classificação das orações subordinadas A oração acima expressa uma condição: o fato de “eu”
adverbiais é feita do mesmo modo que a classificação dos ir só se realizará caso essa condição seja satisfeita.
adjuntos adverbiais. Baseia-se na circunstância expressa Compare agora com:
pela oração. Irei mesmo que ele não vá.

Orações Subordinadas Adverbiais A distinção fica nítida; temos agora uma concessão:
a) Causal = A ideia de causa está diretamente ligada irei de qualquer maneira, independentemente de sua ida. A
àquilo que provoca um determinado fato, ao motivo do que oração destacada é, portanto, subordinada adverbial con-
se declara na oração principal. Principal conjunção subordi- cessiva.
nativa causal: porque. Outras conjunções e locuções cau- Observe outros exemplos:
sais: como (sempre introduzido na oração anteposta à ora- Embora fizesse calor, levei agasalho.
ção principal), pois, pois que, já que, uma vez que, visto que. Foi aprovado sem estudar (= sem que estudasse / em-
As ruas ficaram alagadas porque a chuva foi muito forte. bora não estudasse). (reduzida de infinitivo)
Já que você não vai, eu também não vou.

54
LÍNGUA PORTUGUESA

e) Comparativa= As orações subordinadas adverbiais


comparativas estabelecem uma comparação com a ação
indicada pelo verbo da oração principal. Principal conjun- 1.5 - PONTUAÇÃO;
ção subordinativa comparativa: como.
Ele dorme como um urso. (como um urso dorme)
Você age como criança. (age como uma criança age)
Os sinais de pontuação são marcações gráficas que
*geralmente há omissão do verbo. servem para compor a coesão e a coerência textual, além
de ressaltar especificidades semânticas e pragmáticas.
f) Conformativa = indica ideia de conformidade, ou Um texto escrito adquire diferentes significados quando
seja, apresenta uma regra, um modelo adotado para a pontuado de formas diversificadas. O uso da pontuação
execução do que se declara na oração principal. Principal depende, em certos momentos, da intenção do autor do
conjunção subordinativa conformativa: conforme. Outras discurso. Assim, os sinais de pontuação estão diretamente
conjunções conformativas: como, consoante e segundo (to- relacionados ao contexto e ao interlocutor.
das com o mesmo valor de conforme).
Fiz o bolo conforme ensina a receita. Principais funções dos sinais de pontuação
Consoante reza a Constituição, todos os cidadãos têm
direitos iguais. Ponto (.)

g) Final = indica a intenção, a finalidade daquilo que 1- Indica o término do discurso ou de parte dele, en-
se declara na oração principal. Principal conjunção subordi- cerrando o período.
nativa final: a fim de. Outras conjunções finais: que, porque
(= para que) e a locução conjuntiva para que. 2- Usa-se nas abreviaturas: pág. (página), Cia. (Com-
Aproximei-me dela a fim de que ficássemos amigas. panhia). Se a palavra abreviada aparecer em final de pe-
Estudarei muito para que eu me saia bem na prova. ríodo, este não receberá outro ponto; neste caso, o ponto
de abreviatura marca, também, o fim de período. Exemplo:
h) Proporcional = exprime ideia de proporção, ou Estudei português, matemática, constitucional, etc. (e não
seja, um fato simultâneo ao expresso na oração principal. “etc..”)
Principal locução conjuntiva subordinativa proporcional: à 3- Nos títulos e cabeçalhos é opcional o emprego do
proporção que. Outras locuções conjuntivas proporcio- ponto, assim como após o nome do autor de uma citação:
nais: à medida que, ao passo que. Há ainda as estruturas: Haverá eleições em outubro
quanto maior...(maior), quanto maior...(menor), quanto me- O culto do vernáculo faz parte do brio cívico. (Napoleão
nor...(maior), quanto menor...(menor), quanto mais...(mais), Mendes de Almeida) (ou: Almeida.)
quanto mais...(menos), quanto menos...(mais), quanto me-
nos...(menos). 4- Os números que identificam o ano não utilizam pon-
À proporção que estudávamos mais questões acertáva- to nem devem ter espaço a separá-los, bem como os nú-
mos. meros de CEP: 1975, 2014, 2006, 17600-250.
À medida que lia mais culto ficava.
Ponto e Vírgula ( ; )
i) Temporal = acrescenta uma ideia de tempo ao fato
expresso na oração principal, podendo exprimir noções de 1- Separa várias partes do discurso, que têm a mesma
simultaneidade, anterioridade ou posterioridade. Principal importância: “Os pobres dão pelo pão o trabalho; os ricos
conjunção subordinativa temporal: quando. Outras con- dão pelo pão a fazenda; os de espíritos generosos dão pelo
junções subordinativas temporais: enquanto, mal e locu- pão a vida; os de nenhum espírito dão pelo pão a alma...”
ções conjuntivas: assim que, logo que, todas as vezes que, (VIEIRA)
antes que, depois que, sempre que, desde que, etc.
Assim que Paulo chegou, a reunião acabou. 2- Separa partes de frases que já estão separadas por
Terminada a festa, todos se retiraram. (= Quando termi- vírgulas: Alguns quiseram verão, praia e calor; outros, mon-
nou a festa) (Oração Reduzida de Particípio) tanhas, frio e cobertor.

Fontes de pesquisa: 3- Separa itens de uma enumeração, exposição de mo-


http://www.pciconcursos.com.br/aulas/portugues/fra- tivos, decreto de lei, etc.
se-periodo-e-oracao Ir ao supermercado;
SACCONI, Luiz Antônio. Nossa gramática completa Sac- Pegar as crianças na escola;
coni. 30ª ed. Rev. São Paulo: Nova Geração, 2010. Caminhada na praia;
Reunião com amigos.

Dois pontos (:)

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LÍNGUA PORTUGUESA

1- Antes de uma citação Usa-se a vírgula:


Vejamos como Afrânio Coutinho trata este assunto:
- Para marcar intercalação:
2- Antes de um aposto a) do adjunto adverbial: O café, em razão da sua abun-
Três coisas não me agradam: chuva pela manhã, frio à dância, vem caindo de preço.
tarde e calor à noite. b) da conjunção: Os cerrados são secos e áridos. Estão
produzindo, todavia, altas quantidades de alimentos.
3- Antes de uma explicação ou esclarecimento c) das expressões explicativas ou corretivas: As indústrias
Lá estava a deplorável família: triste, cabisbaixa, vivendo não querem abrir mão de suas vantagens, isto é, não querem
a rotina de sempre. abrir mão dos lucros altos.

4- Em frases de estilo direto - Para marcar inversão:


a) do adjunto adverbial (colocado no início da oração):
Maria perguntou:
Depois das sete horas, todo o comércio está de portas fechadas.
- Por que você não toma uma decisão?
b) dos objetos pleonásticos antepostos ao verbo: Aos
pesquisadores, não lhes destinaram verba alguma.
Ponto de Exclamação (!) c) do nome de lugar anteposto às datas: Recife, 15 de
maio de 1982.
1- Usa-se para indicar entonação de surpresa, cólera,
susto, súplica, etc. - Para separar entre si elementos coordenados (dis-
Sim! Claro que eu quero me casar com você! postos em enumeração):
Era um garoto de 15 anos, alto, magro.
2- Depois de interjeições ou vocativos A ventania levou árvores, e telhados, e pontes, e animais.
Ai! Que susto!
João! Há quanto tempo! - Para marcar elipse (omissão) do verbo:
Nós queremos comer pizza; e vocês, churrasco.
Ponto de Interrogação (?)
- Para isolar:
Usa-se nas interrogações diretas e indiretas livres. - o aposto: São Paulo, considerada a metrópole brasileira,
“- Então? Que é isso? Desertaram ambos?” (Artur Aze- possui um trânsito caótico.
vedo) - o vocativo: Ora, Thiago, não diga bobagem.
Reticências (...) Observações:
- Considerando-se que “etc.” é abreviatura da expres-
1- Indica que palavras foram suprimidas: Comprei lápis, são latina et cetera, que significa “e outras coisas”, seria dis-
canetas, cadernos... pensável o emprego da vírgula antes dele. Porém, o acordo
ortográfico em vigor no Brasil exige que empreguemos etc.
2- Indica interrupção violenta da frase. precedido de vírgula: Falamos de política, futebol, lazer, etc.
“- Não... quero dizer... é verdad... Ah!”
- As perguntas que denotam surpresa podem ter combi-
3- Indica interrupções de hesitação ou dúvida: Este nados o ponto de interrogação e o de exclamação: Você falou
isso para ela?!
mal... pega doutor?
- Temos, ainda, sinais distintivos:
4- Indica que o sentido vai além do que foi dito: Deixa,
1-) a barra ( / ) = usada em datas (25/12/2014), separa-
depois, o coração falar... ção de siglas (IOF/UPC);
2-) os colchetes ([ ]) = usados em transcrições feitas
Vírgula (,) pelo narrador ([vide pág. 5]), usado como primeira opção aos
parênteses, principalmente na matemática;
Não se usa vírgula 3-) o asterisco ( * ) = usado para remeter o leitor a uma
nota de rodapé ou no fim do livro, para substituir um nome
* separando termos que, do ponto de vista sintático, que não se quer mencionar.
ligam-se diretamente entre si:
- entre sujeito e predicado: Fontes de pesquisa:
Todos os alunos da sala foram advertidos. http://www.infoescola.com/portugues/pontuacao/
Sujeito predicado http://www.brasilescola.com/gramatica/uso-da-virgula.
htm
- entre o verbo e seus objetos: Português linguagens: volume 3 / Wiliam Roberto Cereja,
O trabalho custou sacrifício aos Thereza Cochar Magalhães. – 7ªed. Reform. – São Paulo:
realizadores. Saraiva, 2010.
V.T.D.I. O.D. O.I. SACCONI, Luiz Antônio. Nossa gramática completa Sac-
coni. 30ª ed. Rev. São Paulo: Nova Geração, 2010.

56
LÍNGUA PORTUGUESA

Questões 2-) Não se deve colocar vírgula entre sujeito e predi-


cado, a não ser que se trate de um aposto (1), predicativo
1-) (SAAE/SP - FISCAL LEITURISTA - VUNESP - 2014) do sujeito (2), ou algum termo que requeira estar separado
entre pontuações. Exemplos:
O Rio de Janeiro, cidade maravilhosa (1), está em festa!
Os meninos, ansiosos (2), chegaram!
RESPOSTA: “CERTO”.

3-) (PRODAM/AM – ASSISTENTE – FUNCAB/2014) Em


apenas uma das opções a vírgula foi corretamente empre-
gada. Assinale-a.
A) No dia seguinte, estavam todos cansados.
B) Romperam a fita da vitória, os dois atletas.
C) Os seus hábitos estranhos, deixavam as pessoas per-
plexas.
D) A luta em defesa dos mais fracos, é necessária e
fundamental.
E) As florestas nativas do Brasil, sobrevivem em peque-
na parte do território.

3-)
A) No dia seguinte, estavam todos cansados. = correta
B) Romperam a fita da vitória, os dois atletas = não se
(SAAE/SP - FISCAL LEITURISTA - VUNESP - 2014) Se- separa sujeito do predicado (o sujeito está no final).
C) Os seus hábitos estranhos, deixavam as pessoas per-
gundo a norma-padrão da língua portuguesa, a pontuação
plexas = não se separa sujeito do predicado.
está correta em:
D) A luta em defesa dos mais fracos, é necessária e fun-
A) Hagar disse, que não iria.
damental = não se separa sujeito do predicado.
B) Naquela noite os Stevensens prometeram servir, bi-
E) As florestas nativas do Brasil, sobrevivem em peque-
fes e lagostas, aos vizinhos.
na parte do território. = não se separa sujeito do predicado
C) Chegou, o convite dos Stevensens, bife e lagostas:
RESPOSTA: “A”.
para Hagar e Helga
D) “Eles são chatos e, nunca param de falar”, disse, Ha-
gar à Helga.
E) Helga chegou com o recado: fomos convidados, pe-
los Stevensens, para jantar bifes e lagostas.
1.6 - SEMÂNTICA;
1-) Correções realizadas: 1.7 - ESTILÍSTICA;
A) Hagar disse que não iria. = não há vírgula entre ver-
bo e seu complemento (objeto)
B) Naquela noite os Stevensens prometeram servir bi- Semântica e Estilística
fes e lagostas aos vizinhos. = não há vírgula entre verbo e
seu complemento (objeto) Semântica é o estudo do significado. Incide sobre a
C) Chegou o convite dos Stevensens: bife e lagostas relação entre significantes, tais como palavras, frases, sinais
para Hagar e Helga. e símbolos, e o que eles representam, a sua denotação. A
D) “Eles são chatos e nunca param de falar”, disse Ha- semântica linguística estuda o significado usado por seres
gar à Helga. humanos para se expressarem através da linguagem. Ou-
E) Helga chegou com o recado: fomos convidados, pe- tras formas de semântica incluem a semântica nas lingua-
los Stevensens, para jantar bifes e lagostas. gens de programação, lógica formal, e semiótica.
RESPOSTA: “E”. Pode-se entender semântica como um ramo dos es-
tudos linguísticos que se ocupa dos significados produ-
2-) (CAIXA ECONÔMICA FEDERAL – MÉDICO DO TRA- zidos pelas diversas formas de uma língua. Dentro dessa
BALHO – CESPE/2014 - adaptada) definição ampla, pertence ao domínio da semântica tanto a
A correção gramatical do trecho “Entre as bebidas al- preocupação com determinar o significado dos elementos
coólicas, cervejas e vinhos são as mais comuns em todo constituintes das palavras (prefixo, radical, sufixo) como o
o mundo” seria prejudicada, caso se inserisse uma vírgula das palavras no seu todo e ainda o de frases inteiras.
logo após a palavra “vinhos”. Já Estilística é o ramo da linguística que estuda as va-
( ) CERTO ( ) ERRADO riações da língua e sua utilização, incluindo o uso estético
da linguagem e as suas diferentes aplicações dependendo

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LÍNGUA PORTUGUESA

do contexto ou situação. Por exemplo, a língua de publici- Variações históricas: Dado o dinamismo que a lín-
dade, política, religião, autores individuais, ou a língua de gua apresenta, a mesma sofre transformações ao longo do
um período, todos pertencem a uma situação particular. tempo. Um exemplo bastante representativo é a questão
Em outras palavras, todos possuem um “lugar”. da ortografia, se levarmos em consideração a palavra far-
Na estilística, analisa-se a capacidade de provocar su- mácia, uma vez que a mesma era grafada com “ph”, con-
gestões e emoções usando certas fórmulas e efeitos de es- trapondo-se à linguagem dos internautas, a qual se fun-
tilo, por exemplo, as características da estilística incluem o damenta pela supressão do vocábulos. Analisemos, pois, o
uso do diálogo, acentos regionais e os dialetos desse de- fragmento exposto:
terminado povo, língua descritiva, o uso da gramática, tal
como a voz passiva ou voz ativa, o uso da língua particular, Antigamente
etc. Além disso, a estilística é um termo distintivo que pode
ser usado para determinar conexões entre forma e efeitos “Antigamente, as moças chamavam-se mademoiselles e
dentro de uma variedade particular da língua. Consequen- eram todas mimosas e muito prendadas. Não faziam anos:
temente, a estilística visa ao que “acontece” dentro da lín- completavam primaveras, em geral dezoito. Os janotas,
gua; o que as associações linguísticas revelam do estilo da mesmo sendo rapagões, faziam-lhes pé-de-alferes, arras-
língua. tando a asa, mas ficavam longos meses debaixo do balaio.”
A divisão proposta pelo francês Pierre Giraud abarca Carlos Drummond de Andrade
duas condições de origem: aquelas figuras usadas pelo Comparando-o à modernidade, percebemos um voca-
próprio idioma (estilística da língua) e aquelas criadas pelo bulário antiquado.
autor (estilística genética). Para aqueles que a entendem
como uma divisão da gramática, a Estilística divide-se em: Variações regionais: São os chamados dialetos, que
• Figuras de sintaxe ou de construção - das quais as são as marcas determinantes referentes a diferentes re-
mais importantes são a elipse (com a subespécie zeugma), giões. Como exemplo, citamos a palavra mandioca que,
pleonasmo, polissíndeto, inversão (hipérbato, anástrofe), em certos lugares, recebe outras nomenclaturas, tais como:
anacoluto, silepse, onomatopeia e repetição. macaxeira e aipim. Figurando também esta modalidade
• Figuras de palavras - onde se tem a metáfora, a me- estão os sotaques, ligados às características orais da lin-
tonímia (e seu caso especial: a sinédoque), catacrese e an- guagem.
tonomásia.
• Figuras de pensamento - antítese, apóstrofe, eufe- Variações sociais ou culturais: Estão diretamente li-
mismo, disfemismo, hipérbole, ironia (antífrase), personifi- gadas aos grupos sociais de uma maneira geral e também
cação e retificação. ao grau de instrução de uma determinada pessoa. Como
exemplo, citamos as gírias, os jargões e o linguajar caipira.
Segundo essa divisão, a ela cabe, também, o estudo As gírias pertencem ao vocabulário específico de cer-
dos chamados Vícios de linguagem, tais como a ambigui- tos grupos, como os surfistas, cantores de rap, tatuadores,
dade, barbarismo, cacofonia, estrangeirismo, colisão, eco, entre outros. Os jargões estão relacionados ao profissiona-
solecismo e obscuridade. lismo, caracterizando um linguajar técnico. Representando
a classe, podemos citar os médicos, advogados, profissio-
A linguagem é a característica que nos difere dos de- nais da área de informática, dentre outros.
mais seres, permitindo-nos a oportunidade de expressar Vejamos um poema sobre o assunto:
sentimentos, revelar conhecimentos, expor nossa opinião
frente aos assuntos relacionados ao nosso cotidiano e, so- Vício na fala
bretudo, promovendo nossa inserção ao convívio social. E
dentre os fatores que a ela se relacionam, destacam-se os Para dizerem milho dizem mio
níveis da fala, que são basicamente dois: o nível de forma- Para melhor dizem mió
lidade e o de informalidade. Para pior pió
O padrão formal está diretamente ligado à linguagem Para telha dizem teia
escrita, restringindo-se às normas gramaticais de um modo Para telhado dizem teiado
geral. Razão pela qual nunca escrevemos da mesma ma- E vão fazendo telhados.
neira que falamos. Este fator foi determinante para a que Oswald de Andrade
a mesma pudesse exercer total soberania sobre as demais.
Quanto ao nível informal, por sua vez, representa o es-
tilo considerado “de menor prestígio”, e isto tem gerado Figuras
controvérsias entre os estudos da língua, uma vez que, para
a sociedade, aquela pessoa que fala ou escreve de maneira Segundo Mauro Ferreira, a importância em reconhecer
errônea é considerada “inculta”, tornando-se desta forma figuras de linguagem está no fato de que tal conhecimen-
um estigma. to, além de auxiliar a compreender melhor os textos literá-
Compondo o quadro do padrão informal da lingua- rios, deixa-nos mais sensíveis à beleza da linguagem e ao
gem, estão as chamadas variedades linguísticas, as quais significado simbólico das palavras e dos textos.
representam as variações de acordo com as condições Definição: Figuras de linguagem são certos recursos
sociais, culturais, regionais e históricas em que é utilizada. não--convencionais que o falante ou escritor cria para dar
Dentre elas destacam-se: maior expressividade à sua mensagem.

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LÍNGUA PORTUGUESA

Metáfora Eufemismo
É o emprego de uma palavra com o significado de outra Consiste em suavizar palavras ou expressões que são
em vista de uma relação de semelhanças entre ambas. É uma desagradáveis.
comparação subentendida.
Minha boca é um túmulo. Ele foi repousar no céu, junto ao Pai. (repousar no céu
Essa rua é um verdadeiro deserto. = morrer)
Os homens públicos envergonham o povo. (homens pú-
Comparação blicos = políticos)
Consiste em atribuir características de um ser a outro, em
virtude de uma determinada semelhança. Hipérbole
O meu coração está igual a um céu cinzento. É um exagero intencional com a finalidade de tornar
O carro dele é rápido como um avião. mais expressiva a ideia.
Ela chorou rios de lágrimas.
Prosopopeia Muitas pessoas morriam de medo da perna cabeluda.
É uma figura de linguagem que atribui características hu-
manas a seres inanimados. Também podemos chamá-la de Ironia
PERSONIFICAÇÃO. Consiste na inversão dos sentidos, ou seja, afirmamos
O céu está mostrando sua face mais bela. o contrário do que pensamos.
O cão mostrou grande sisudez. Que alunos inteligentes, não sabem nem somar.
Se você gritar mais alto, eu agradeço.
Sinestesia
Consiste na fusão de impressões sensoriais diferentes Onomatopeia
(mistura dos cinco sentidos). Consiste na reprodução ou imitação do som ou voz na-
Raquel tem um olhar frio, desesperador. tural dos seres.
Aquela criança tem um olhar tão doce. Com o au-au dos cachorros, os gatos desapareceram.
Miau-miau. – Eram os gatos miando no telhado a noite
Catacrese toda.
É o emprego de uma palavra no sentido figurado por
falta de um termo próprio. Aliteração
O menino quebrou o braço da cadeira. Consiste na repetição de um determinado som conso-
A manga da camisa rasgou. nantal no início ou interior das palavras.
O rato roeu a roupa do rei de Roma.
Metonímia
É a substituição de uma palavra por outra, quando existe Elipse
uma relação lógica, uma proximidade de sentidos que permi- Consiste na omissão de um termo que fica subentendi-
te essa troca. Ocorre metonímia quando empregamos: do no contexto, identificado facilmente.
- O autor pela obra. Após a queda, nenhuma fratura.
Li Jô Soares dezenas de vezes. (a obra de Jô Soares)
- o continente pelo conteúdo. Zeugma
O ginásio aplaudiu a seleção. (ginásio está substituindo Consiste na omissão de um termo já empregado ante-
os torcedores) riormente.
- a parte pelo todo. Ele come carne, eu verduras.
Vários brasileiros vivem sem teto, ao relento. (teto subs-
titui casa) Pleonasmo
- o efeito pela causa. Consiste na intensificação de um termo através da sua
Suou muito para conseguir a casa própria. (suor substitui repetição, reforçando seu significado.
o trabalho) Nós cantamos um canto glorioso.

Perífrase Polissíndeto
É a designação de um ser através de alguma de suas É a repetição da conjunção entre as orações de um pe-
características ou atributos, ou de um fato que o celebrizou. ríodo ou entre os termos da oração.
A Veneza Brasileira também é palco de grandes espetá- Chegamos de viagem e tomamos banho e saímos para
culos. (Veneza Brasileira = Recife) dançar.
A Cidade Maravilhosa está tomada pela violência. (Ci-
dade Maravilhosa = Rio de Janeiro) Assíndeto
Ocorre quando há a ausência da conjunção entre duas
Antítese orações.
Consiste no uso de palavras de sentidos opostos.
Chegamos de viagem, tomamos banho, depois saímos
Nada com Deus é tudo.
para dançar.
Tudo sem Deus é nada.

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LÍNGUA PORTUGUESA

Anacoluto 3) Paradoxo
Consiste numa mudança repentina da construção sin- É uma proposição aparentemente absurda, resultante da
tática da frase. união de ideias que se contradizem referindo-se ao mesmo
Ele, nada podia assustá-lo. termo. Os paradoxos viciosos são denominados Oxímoros (ou
- Nota: o anacoluto ocorre com frequência na lingua- oximoron). Exemplos:
gem falada, quando o falante interrompe a frase, abando- “Menino do Rio / Calor que provoca arrepio...”
nando o que havia dito para reconstruí-la novamente. “Amor é fogo que arde sem se ver; / É ferida que dói e não
se sente; / É um contentamento descontente; / É dor que desa-
Anáfora tina sem doer;” (Camões)
Consiste na repetição de uma palavra ou expressão
para reforçar o sentido, contribuindo para uma maior ex- 4) Eufemismo
pressividade. Consiste em empregar uma expressão mais suave, mais
Cada alma é uma escada para Deus, nobre ou menos agressiva, para atenuar uma verdade tida
Cada alma é um corredor-Universo para Deus, como penosa, desagradável ou chocante. Exemplos:
Cada alma é um rio correndo por margens de Externo “E pela paz derradeira que enfim vai nos redimir Deus lhe
Para Deus e em Deus com um sussurro noturno. (Fer- pague”. (Chico Buarque).
nando Pessoa) paz derradeira = morte

Silepse 5) Gradação
Ocorre quando a concordância é realizada com a ideia Na gradação temos uma sequência de palavras que in-
e não sua forma gramatical. Existem três tipos de silepse: tensificam a mesma ideia. Exemplo:
gênero, número e pessoa. “Aqui... além... mais longe por onde eu movo o passo.” (Cas-
- De gênero: Vossa excelência está preocupado com as tro Alves).
notícias. (a palavra vossa excelência é feminina quanto à
forma, mas nesse exemplo a concordância se deu com a 6) Hipérbole
pessoa a que se refere o pronome de tratamento e não É a expressão intencionalmente exagerada com o intuito
com o sujeito). de realçar uma ideia, proporcionando uma imagem emocio-
- De número: A boiada ficou furiosa com o peão e der- nante e de impacto. Exemplos:
rubaram a cerca. (nesse caso a concordância se deu com a “Faz umas dez horas que essa menina penteia esse cabelo”.
ideia de plural da palavra boiada). Ele morreu de tanto rir.
- De pessoa: As mulheres decidimos não votar em de-
terminado partido até prestarem conta ao povo. (nesse tipo 7) Ironia
de silepse, o falante se inclui mentalmente entre os partici- Ocorre ironia quando, pelo contexto, pela entonação,
pantes de um sujeito em 3ª pessoa). pela contradição de termos, pretende-se questionar certo
tipo de pensamento. A intenção é depreciativa ou sarcástica.
Fonte: http://juliobattisti.com.br/tutoriais/josebferraz/ Exemplos:
figuraslinguagem001.asp Parece um anjinho aquele menino, briga com todos que
estão por perto.
“Moça linda, bem tratada, / três séculos de família, / burra
São conhecidas pelo nome de figuras de pensamento como uma porta: / um amor.” (Mário de Andrade).
os recursos estilísticos utilizados para incrementar o signi-
ficado das palavras no seu aspecto semântico. 8) Prosopopeia ou Personificação
São oito as figuras de pensamento: Consiste na atribuição de ações, qualidades ou caracterís-
ticas humanas a seres não humanos. Exemplos:
1) Antítese Chora, viola.
É a aproximação de palavras ou expressões de sentidos A morte mostrou sua face mais sinistra.
opostos. O contraste que se estabelece serve para dar uma O morro dos ventos uivantes.
ênfase aos conceitos envolvidos, o que não ocorreria com
a exposição isolada dos mesmos. Exemplos: Figuras de construção ou sintaxe integram as chama-
Viverei para sempre ou morrerei tentando. das figuras de linguagem, representando um subgrupo des-
Do riso se fez o pranto. tas. Dessa forma, tendo em vista o padrão não convencional
Hoje fez sol, ontem, porém, choveu muito. que prevalece nas figuras de linguagem (ou seja, a subjetivi-
dade, a sensibilidade por parte do emissor, deixando às claras
2) Apóstrofe seus aspectos estilísticos), devemos compreender sua deno-
É assim denominado o chamamento do receptor da minação. Em outras palavras, por que “figuras de construção
mensagem, seja ele de natureza imaginária ou não. É utili- ou sintaxe”?
zada para dar ênfase à expressão e realiza-se por meio do Podemos afirmar que assim se denominam em virtude
vocativo. Exemplos: de apresentarem algum tipo de modificação na estrutura da
Deus! Ó Deus! Onde estás que não respondes? oração, tendo em vista os reais e já ressaltados objetivos da
Pai Nosso, que estais no céu; enunciação (do discurso) – sendo o principal conferir ên-
Ó meu querido Santo António; fase a ela.

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LÍNGUA PORTUGUESA

Assim sendo, comecemos entendendo que, em termos Polissíndeto


convencionais, a estrutura sintática da nossa língua se perfaz Figura cuja principal característica se define pela repe-
de uma sequência, demarcada pelos seguintes elementos: tição enfática do conectivo, geralmente representado pela
conjunção coordenada “e”. Observemos um verso extraído de
SUJEITO + PREDICADO + COMPLEMENTO uma criação de Olavo Bilac, intitulada “A um poeta”: “Trabalha
(Nós) CHEGAMOS ATRASADOS À REUNIÃO. e teima, e lima, e sofre, e sua!”

Temos, assim, um sujeito oculto – nós; um predicado ver- Assíndeto


bal – chegamos atrasados; e um complemento, representado Diferentemente do que ocorre no polissíndeto, mani-
por um adjunto adverbial de lugar – à reunião. festado pela repetição da conjunção, no assíndeto ocorre a
Quando há uma ruptura dessa sequência lógica, materia- omissão deste. Vejamos: Vim, vi, venci (Júlio César)
lizada pela inversão de termos, repetição ou até mesmo omis- Depreendemos que se trata de orações assindéticas, jus-
são destes, é justamente aí que as figuras em questão se ma- tamente pela omissão do conectivo “e”.
nifestam. Desse modo, elas se encontram muito presentes na
linguagem literária, na publicitária e na linguagem cotidiana Anacoluto
de forma geral. Vejamos cada uma delas de modo particular: Trata-se de uma figura que se caracteriza pela interrup-
ção da sequência lógica do pensamento, ou seja, em termos
Elipse sintáticos, afirma-se que há uma mudança na construção do
Tal figura se caracteriza pela omissão de um termo na período, deixando algum termo desligado do restante dos
oração não expresso anteriormente, contudo, facilmente elementos. Vejamos:
identificado pelo contexto. Vejamos um exemplo: Essas crianças de hoje, elas estão muito evoluídas.
Notamos que o termo em destaque, que era para repre-
Rondó dos cavalinhos sentar o sujeito da oração, encontra-se desligado dos demais
[...] termos, não cumprindo, portanto, nenhuma função sintática.
Os cavalinhos correndo,
Inversão (ou Hipérbato)
E nós, cavalões, comendo...
Trata-se da inversão da ordem direta dos termos da ora-
O Brasil politicando,
ção. Constatemos: Eufórico chegou o menino.
Nossa! A poesia morrendo...
Deduzimos que o predicativo do sujeito (pois se trata de
O sol tão claro lá fora,
um predicado verbo-nominal) encontra-se no início da ora-
O sol tão claro, Esmeralda, ção, quando este deveria estar expresso no final, ou seja: O
E em minhalma — anoitecendo! menino chegou eufórico.
Manuel Bandeira
Pleonasmo
Notamos que em todos os versos há a omissão do verbo Figura que consiste na repetição enfática de uma ideia
estar, sendo este facilmente identificado pelo contexto. antes expressa, tanto do ponto de vista sintático quanto se-
mântico, no intuito de reforçar a mensagem. Exemplo: Vive-
Zeugma mos uma vida tranquila.
Ao contrário da elipse, na zeugma ocorre a omissão de O termo em destaque reforça uma ideia antes ressaltada,
um termo já expresso no discurso. Constatemos: Maria gosta uma vez que viver já diz respeito à vida. Temos uma repetição
de Matemática, eu de Português. de ordem semântica.
Observamos que houve a omissão do verbo gostar. A ele nada lhe devo.
Anáfora Percebemos que o pronome oblíquo (lhe) faz referência à
Essa figura de linguagem se caracteriza pela repetição terceira pessoa do singular, já expressa. Trata-se, portanto, de
intencional de um termo no início de um período, frase ou uma repetição de ordem sintática demarcada pelo que cha-
verso. Observemos um caso representativo: mamos de objeto direto pleonástico.
A Estrela
Vi uma estrela tão alta, Observação importante: O pleonasmo utilizado sem a
Vi uma estrela tão fria! intenção de conferir ênfase ao discurso, torna-se o que de-
Vi uma estrela luzindo nominamos de vício de linguagem – ocorrência que deve ser
Na minha vida vazia. evitada. Como, por exemplo: subir para cima, descer para bai-
xo, entrar para dentro, entre outras circunstâncias linguísticas.
Era uma estrela tão alta!
Era uma estrela tão fria! Sinônimos
Era uma estrela sozinha São palavras de sentido igual ou aproximado: alfabeto -
Luzindo no fim do dia. abecedário; brado, grito - clamor; extinguir, apagar - abolir.
[...] Observação: A contribuição greco-latina é responsável
Manuel Bandeira pela existência de numerosos pares de sinônimos: adver-
sário e antagonista; translúcido e diáfano; semicírculo e he-
Notamos a utilização de termos que se repetem suces- miciclo; contraveneno e antídoto; moral e ética; colóquio e
sivamente em cada verso da criação de Manuel Bandeira. diálogo; transformação e metamorfose; oposição e antítese.

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LÍNGUA PORTUGUESA

Antônimos tro Marista de Inclusão Digital –, que funciona junto ao Colégio


São palavras de significação oposta: ordem - anarquia; Marista de Santa Maria, no Rio Grande do Sul, ensina os alunos
soberba - humildade; louvar - censurar; mal - bem. do colégio a fazer robôs a partir de lixo eletrônico.
Observação: A antonímia pode originar-se de um prefixo Os alunos da turma avançada de robótica, por exemplo,
de sentido oposto ou negativo: bendizer e maldizer; simpático constroem carros com sensores de movimento que respondem
e antipático; progredir e regredir; concórdia e discórdia; ativo e à aproximação das pessoas. A fonte de energia vem de baterias
inativo; esperar e desesperar; comunista e anticomunista; simé- de celular. “Tirando alguns sensores, que precisamos comprar,
trico e assimétrico. é tudo reciclagem”, comentou o instrutor de robótica do CMID,
O que são Homônimos e Parônimos Leandro Schneider. Esses alunos também aprendem a consertar
computadores antigos. “O nosso projeto só funciona por causa
Homônimos do lixo eletrônico. Se tivéssemos que comprar tudo, não seria
a) Homógrafos: são palavras iguais na escrita e diferentes viável”, completou.
na pronúncia: Em uma época em que celebridades do mundo digital fa-
rego (subst.) e rego (verbo); zem campanha a favor do ensino de programação nas esco-
colher (verbo) e colher (subst.); las, é inspirador o relato de Dionatan Gabriel, aluno da turma
jogo (subst.) e jogo (verbo); avançada de robótica do CMID que, aos 16 anos, já sabe qual
denúncia (subst.) e denuncia (verbo); será sua profissão. “Quero ser programador. No início das aulas,
providência (subst.) e providencia (verbo). eu achava meio chato, mas depois fui me interessando”, disse.
(Giordano Tronco, www.techtudo.com.br, 07.07.2013.
b) Homófonos: são palavras iguais na pronúncia e dife- Adaptado)
rentes na escrita:
acender (atear) e ascender (subir); 02. A palavra em destaque no trecho –“Tirando alguns
concertar (harmonizar) e consertar (reparar); sensores, que precisamos comprar, é tudo reciclagem”... –
cela (compartimento) e sela (arreio); pode ser substituída, sem alteração do sentido da mensagem,
censo (recenseamento) e senso (juízo); pela seguinte expressão:
paço (palácio) e passo (andar). A) Pelo menos
B) A contar de
c) Homógrafos e homófonos simultaneamente: São pa- C) Em substituição a
lavras iguais na escrita e na pronúncia: D) Com exceção de
caminho (subst.) e caminho (verbo); E) No que se refere a
cedo (verbo) e cedo (adv.);
livre (adj.) e livre (verbo). 03. Assinale a alternativa que apresenta um antônimo
para o termo destacado em – …“No início das aulas, eu achava
Parônimos meio chato, mas depois fui me interessando”, disse.
São palavras parecidas na escrita e na pronúncia: coro e cou- A) Estimulante.
ro; cesta e sesta; eminente e iminente; osso e ouço; sede e cede; B) Cansativo.
comprimento e cumprimento; tetânico e titânico; autuar e atuar; C) Irritante.
degradar e degredar; infligir e infringir; deferir e diferir; suar e soar. D) Confuso.
Fonte: http://www.coladaweb.com/portugues/sinoni- E) Improdutivo.
mos,-antonimos,-homonimos-e-paronimos
04. (AGENTE DE ESCOLTA E VIGILÂNCIA PENITENCIÁRIA –
Questões sobre Significação das Palavras VUNESP – 2013). Analise as afirmações a seguir.
01. Assinale a alternativa que preenche corretamente as I. Em – Há sete anos, Fransley Lapavani Silva está preso
lacunas da frase abaixo: por homicídio. – o termo em destaque pode ser substituído,
Da mesma forma que os italianos e japoneses _________ sem alteração do sentido do texto, por “faz”.
para o Brasil no século passado, hoje os brasileiros ________ para II. A frase – Todo preso deseja a libertação. – pode ser
a Europa e para o Japão, à busca de uma vida melhor; interna- reescrita da seguinte forma – Todo preso aspira à libertação.
mente, __________ para o Sul, pelo mesmo motivo. III. No trecho – ... estou sendo olhado de forma diferente
a) imigraram - emigram - migram aqui no presídio devido ao bom comportamento. – pode-se
b) migraram - imigram - emigram substituir a expressão em destaque por “em razão do”, sem
c) emigraram - migram - imigram. alterar o sentido do texto.
d) emigraram - imigram - migram. De acordo com a norma-padrão da língua portuguesa,
e) imigraram - migram – emigram está correto o que se afirma em
A) I, II e III.
AGENTE DE APOIO – MICROINFORMÁTICA – VUNESP – 2013 B) III, apenas.
- Leia o texto para responder às questões de números 02 e 03. C) I e III, apenas.
D) I, apenas.
Alunos de colégio fazem robôs com sucata eletrônica E) I e II, apenas.
Você comprou um smartphone e acha que aquele seu ce-
lular antigo é imprestável? Não se engane: o que é lixo para 05. Leia as frases abaixo:
alguns pode ser matéria-prima para outros. O CMID – Cen- 1 - Assisti ao ________ do balé Bolshoi;

62
LÍNGUA PORTUGUESA

2 - Daqui ______ pouco vão dizer que ______ vida em Marte. 3-) antônimo para o termo destacado : “No início das
3 - As _________ da câmara são verdadeiros programas de aulas, eu achava meio chato, mas depois fui me interessando”
humor. “No início das aulas, eu achava meio estimulante, mas de-
4 - ___________ dias que não falo com Alfredo. pois fui me interessando”

Escolha a alternativa que oferece a sequência correta de 4-) I. Em – Há sete anos, Fransley Lapavani Silva está pre-
vocábulos para as lacunas existentes: so por homicídio. – o termo em destaque pode ser substituí-
a) concerto – há – a – cessões – há; do, sem alteração do sentido do texto, por “faz”. = correta
b) conserto – a – há – sessões – há; II. A frase – Todo preso deseja a libertação. – pode ser
c) concerto – a – há – seções – a; reescrita da seguinte forma – Todo preso aspira à libertação.
d) concerto – a – há – sessões – há; = correta
e) conserto – há – a – sessões – a . III. No trecho – ... estou sendo olhado de forma diferente
aqui no presídio devido ao bom comportamento. – pode-se
06. (AGENTE DE ESCOLTA E VIGILÂNCIA PENITENCIÁRIA substituir a expressão em destaque por “em razão do”, sem
– VUNESP – 2013-adap.). Considere o seguinte trecho para alterar o sentido do texto. = correta
responder à questão.
Adolescentes vivendo em famílias que não lhes transmi- 5-) 1 - Assisti ao concerto do balé Bolshoi;
tiram valores sociais altruísticos, formação moral e não lhes 2 - Daqui a pouco vão dizer que há (= existe)
impuseram limites de disciplina. vida em Marte.
O sentido contrário (antônimo) de altruísticos, nesse tre- 3 – As sessões da câmara são verdadeiros progra-
cho, é: mas de humor.
A) de desprendimento. 4- Há dias que não falo com Alfredo. (=
B) de responsabilidade. tempo passado)
C) de abnegação.
D) de amor.
6-) Adolescentes vivendo em famílias que não lhes trans-
E) de egoísmo.
mitiram valores sociais altruísticos, formação moral e não lhes
impuseram limites de disciplina.
07. Assinale o único exemplo cuja lacuna deve ser preen-
O sentido contrário (antônimo) de altruísticos, nesse tre-
chida com a primeira alternativa da série dada nos parênte-
cho, é de egoísmo
ses:
Altruísmo é um tipo de comportamento encontrado nos
A) Estou aqui _______ de ajudar os flagelados das enchen-
tes. (afim- a fim). seres humanos e outros seres vivos, em que as ações de um
B) A bandeira está ________. (arreada - arriada). indivíduo beneficiam outros. É sinônimo de filantropia. No
C) Serão punidos os que ________ o regulamento. (inflingi- sentido comum do termo, é muitas vezes percebida, também,
rem - infringirem). como sinônimo de solidariedade. Esse conceito opõe-se, por-
D) São sempre valiosos os ________ dos mais velhos. (con- tanto, ao egoísmo, que são as inclinações específica e exclusi-
celhos - conselhos). vamente individuais (pessoais ou coletivas).
E) Moro ________ cem metros da praça principal. (a cerca
de - acerca de). 7-) A) Estou aqui a fim de de ajudar os flagelados
das enchentes. (afim = O adjetivo “afim” é empregado para
08. Assinale a alternativa correta, considerando que à di- indicar que uma coisa tem afinidade com a outra. Há pessoas
reita de cada palavra há um sinônimo. que têm temperamentos afins, ou seja, parecidos)
a) emergir = vir à tona; imergir = mergulhar B) A bandeira está arriada . (arrear = colocar
b) emigrar = entrar (no país); imigrar = sair (do país) arreio no cavalo)
c) delatar = expandir; dilatar = denunciar C) Serão punidos os que infringirem o regulamento.
d) deferir = diferenciar; diferir = conceder (inflingirem = aplicarem a pena)
e) dispensa = cômodo; despensa = desobrigação D) São sempre valiosos os conselhos dos mais velhos;
(concelhos= Porção territorial ou parte administrativa de um
GABARITO distrito).
01. A 02. D 03. A 04. A E) Moro a cerca de cem metros da praça principal.
05. D 06. E 07. E 08. A (acerca de = Acerca de é sinônimo de “a respeito de”.).

RESOLUÇÃO 8-) b) emigrar = entrar (no país); imigrar = sair (do país)
1-) Da mesma forma que os italianos e japoneses imi- = significados invertidos
graram para o Brasil no século passado, hoje os brasileiros c) delatar = expandir; dilatar = denunciar = significa-
emigram para a Europa e para o Japão, à busca de uma vida dos invertidos
melhor; internamente, migram para o Sul, pelo mesmo d) deferir = diferenciar; diferir = conceder = significa-
motivo. dos invertidos
e) dispensa = cômodo; despensa = desobrigação =
2-) “Com exceção de alguns sensores, que precisamos significados invertidos
comprar, é tudo reciclagem”...

63
LÍNGUA PORTUGUESA

Polissemia existir duas interpretações diferentes. As pessoas têm alimen-


Consideremos as seguintes frases: tação equilibrada porque são felizes ou são felizes porque têm
Paula tem uma mão para cozinhar que dá inveja! uma alimentação equilibrada.
Vamos! Coloque logo a mão na massa! De igual forma, quando uma palavra é polissêmica, ela
As crianças estão com as mãos sujas. pode induzir uma pessoa a fazer mais do que uma interpre-
Passaram a mão na minha bolsa e nem percebi. tação. Para fazer a interpretação correta é muito importante
saber qual o contexto em que a frase é proferida.
Chegamos à conclusão de que se trata de palavras idênti- Na língua portuguesa, uma PALAVRA (do latim parabola,
cas no que se refere à grafia, mas será que possuem o mesmo que por sua vez deriva do grego parabolé) pode ser definida
significado? como sendo um conjunto de letras ou sons de uma língua,
Existe uma parte da gramática normativa denominada juntamente com a ideia associada a este conjunto.
Semântica. Ela trabalha a questão dos diferentes significados
que uma mesma palavra apresenta de acordo com o contexto Sentido Próprio e Figurado das Palavras
em que se insere. Pela própria definição acima destacada podemos per-
Tomando como exemplo as frases já mencionadas, ana- ceber que a palavra é composta por duas partes, uma delas
lisaremos os vocábulos de mesma grafia, de acordo com seu relacionada a sua forma escrita e os seus sons (denominada
sentido denotativo, isto é, aquele retratado pelo dicionário. significante) e a outra relacionada ao que ela (palavra) expres-
Na primeira, a palavra “mão” significa habilidade, eficiên- sa, ao conceito que ela traz (denominada significado).
cia diante do ato praticado. Nas outras que seguem o sig- Em relação ao seu SIGNIFICADO as palavras subdividem-
nificado é de: participação, interação mediante a uma tarefa -se assim:
realizada; mão como parte do corpo humano e por último - Sentido Próprio - é o sentido literal, ou seja, o sentido
simboliza o roubo, visto de maneira pejorativa. comum que costumamos dar a uma palavra.
Reportando-nos ao conceito de Polissemia, logo perce- - Sentido Figurado - é o sentido “simbólico”, “figurado”,
bemos que o prefixo “poli” significa multiplicidade de algo. que podemos dar a uma palavra.
Possibilidades de várias interpretações levando-se em consi- Vamos analisar a palavra cobra utilizada em diferentes
deração as situações de aplicabilidade. contextos:
Há uma infinidade de outros exemplos em que podemos 1. A cobra picou o menino. (cobra = réptil peçonhento)
verificar a ocorrência da polissemia, como por exemplo: 2. A sogra dele é uma cobra. (cobra = pessoa desagradá-
O rapaz é um tremendo gato. vel, que adota condutas pouco apreciáveis)
O gato do vizinho é peralta. 3. O cara é cobra em Física! (cobra = pessoa que conhece
Precisei fazer um gato para que a energia voltasse. muito sobre alguma coisa, “expert”)
Pedro costuma fazer alguns “bicos” para garantir sua so- No item 1 aplica-se o termo cobra em seu sentido co-
brevivência mum (ou literal); nos itens 2 e 3 o termo cobra é aplicado em
O passarinho foi atingido no bico. sentido figurado.
Podemos então concluir que um mesmo significante
Polissemia e homonímia (parte concreta) pode ter vários significados (conceitos).
A confusão entre polissemia e homonímia é bastante co-
mum. Quando a mesma palavra apresenta vários significados, Denotação e Conotação
estamos na presença da polissemia. Por outro lado, quando - Denotação: verifica-se quando utilizamos a palavra com
duas ou mais palavras com origens e significados distintos o seu significado primitivo e original, com o sentido do dicioná-
têm a mesma grafia e fonologia, temos uma homonímia. rio; usada de modo automatizado; linguagem comum. Veja este
A palavra “manga” é um caso de homonímia. Ela pode exemplo: Cortaram as asas da ave para que não voasse mais.
significar uma fruta ou uma parte de uma camisa. Não é polis- Aqui a palavra em destaque é utilizada em seu sentido
semia porque os diferentes significados para a palavra manga próprio, comum, usual, literal.
têm origens diferentes, e por isso alguns estudiosos mencio-
nam que a palavra manga deveria ter mais do que uma entra- MINHA DICA - Procure associar Denotação com Dicio-
da no dicionário. nário: trata-se de definição literal, quando o termo é utilizado
“Letra” é uma palavra polissêmica. Letra pode significar em seu sentido dicionarístico.
o elemento básico do alfabeto, o texto de uma canção ou a
caligrafia de um determinado indivíduo. Neste caso, os dife- - Conotação: verifica-se quando utilizamos a palavra com
rentes significados estão interligados porque remetem para o o seu significado secundário, com o sentido amplo (ou sim-
mesmo conceito, o da escrita. bólico); usada de modo criativo, figurado, numa linguagem
rica e expressiva. Veja este exemplo:
Polissemia e ambiguidade Seria aconselhável cortar as asas deste menino, antes que
Polissemia e ambiguidade têm um grande impacto na in- seja tarde demais.
terpretação. Na língua portuguesa, um enunciado pode ser Já neste caso o termo (asas) é empregado de forma fi-
ambíguo, ou seja, apresenta mais de uma interpretação. Essa gurada, fazendo alusão à ideia de restrição e/ou controle de
ambiguidade pode ocorrer devido à colocação específica de ações; disciplina, limitação de conduta e comportamento.
uma palavra (por exemplo, um advérbio) em uma frase. Ve- Fonte: http://www.tecnolegis.com/estudo-dirigido/ofi-
jamos a seguinte frase: Pessoas que têm uma alimentação cial-de-justica-tjm-sp/lingua-portuguesa-sentido-proprio-
equilibrada frequentemente são felizes. Neste caso podem -e-figurado-das-palavras.html

64
LÍNGUA PORTUGUESA

Questões sobre Denotação e Conotação Assinale a alternativa em que esse mesmo verbo “abrir”
continua sendo empregado em sentido figurado.
1-) (TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAU- (A) Ao abrir a porta, não havia ninguém.
LO - ESCREVENTE TÉCNICO JUDICIÁRIO – VUNESP/2013) O (B) Ele não pôde abrir a lata porque não tinha um abridor.
sentido de marmóreo (adjetivo) equivale ao da expressão de (C) Para aprender, é preciso abrir a mente.
mármore. Assinale a alternativa contendo as expressões com (D) Pela manhã, quando abri os olhos, já estava em casa.
sentidos equivalentes, respectivamente, aos das palavras íg- (E) Os ladrões abriram o cofre com um maçarico.
neo e pétreo.
(A) De corda; de plástico. 6-) (SABESP/SP – ATENDENTE A CLIENTES 01 – FCC/2014
(B) De fogo; de madeira. - ADAPTADA) Atenção: Para responder à questão, considere
(C) De madeira; de pedra. o texto abaixo.
(D) De fogo; de pedra.
(E) De plástico; de cinza. A marca da solidão
Deitado de bruços, sobre as pedras quentes do chão de pa-
2-) (TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO ralelepípedos, o menino espia. Tem os braços dobrados e a testa
- ESCREVENTE TÉCNICO JUDICIÁRIO – VUNESP/2013 - ADAP- pousada sobre eles, seu rosto formando uma tenda de penum-
TADO) Para responder à questão, considere a seguinte passa- bra na tarde quente.
gem: Sem querer estereotipar, mas já estereotipando: trata-se Observa as ranhuras entre uma pedra e outra. Há, den-
de um ser cujas interações sociais terminam, 99% das vezes, tro de cada uma delas, um diminuto caminho de terra, com
diante da pergunta “débito ou crédito?”. pedrinhas e tufos minúsculos de musgos, formando pequenas
Nesse contexto, o verbo estereotipar tem sentido de plantas, ínfimos bonsais só visíveis aos olhos de quem é capaz
(A) considerar ao acaso, sem premeditação. de parar de viver para, apenas, ver. Quando se tem a marca da
(B) aceitar uma ideia mesmo sem estar convencido dela. solidão na alma, o mundo cabe numa fresta.
(C) adotar como referência de qualidade. (SEIXAS, Heloísa. Contos mais que mínimos. Rio de Janei-
(D) julgar de acordo com normas legais. ro: Tinta negra bazar, 2010. p. 47)
(E) classificar segundo ideias preconcebidas.
No primeiro parágrafo, a palavra utilizada em sentido fi-
3-) (TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO gurado é
- ESCREVENTE TÉCNICO JUDICIÁRIO – VUNESP/2013 - ADAP- (A) menino.
TADA) Para responder a esta questão, considere as palavras (B) chão.
destacadas nas seguintes passagens do texto: (C) testa.
Desde o surgimento da ideia de hipertexto... (D) penumbra.
... informações ligadas especialmente à pesquisa acadêmica, (E) tenda.
... uma “máquina poética”, algo que funcionasse por ana-
logia e associação... 7-) (UFTM/MG – AUXILIAR DE BIBLIOTECA – VUNESP/2013
Quando o cientista Vannevar Bush [...] concebeu a ideia - ADAPTADA) Leia o texto para responder à questão.
de hipertexto... RIO DE JANEIRO – A Prefeitura do Rio está lançando a
... 20 anos depois de seu artigo fundador... Operação Lixo Zero, que vai multar quem emporcalhar a ci-
dade. Em primeira instância, a campanha é educativa. Equipes
As palavras destacadas que expressam ideia de tempo são: da Companhia Municipal de Limpeza Urbana estão percorren-
(A) algo, especialmente e Quando. do as ruas para flagrar maus cidadãos jogando coisas onde
(B) Desde, especialmente e algo. não devem e alertá-los para o que os espera. Em breve, com
(C) especialmente, Quando e depois. guardas municipais, policiais militares e 600 fiscais em ação,
(D) Desde, Quando e depois. as multas começarão a chegar para quem tratar a via pública
(E) Desde, algo e depois. como a casa da sogra.
Imagina-se que, quando essa lei começar para valer, os re-
4-) (TRF - 5ª REGIÃO - TÉCNICO JUDICIÁRIO - FCC/2012) cordistas de multas serão os cerca de 300 jovens golpistas que,
A importância de Rodolfo Coelho Cavalcante para o movimento nas últimas semanas, se habituaram a tomar as ruas, pichar
cordelista pode ser comparada à de outros dois grandes nomes... monumentos, vandalizar prédios públicos, quebrar orelhões,
Sem qualquer outra alteração da frase acima e sem prejuí- arrancar postes, apedrejar vitrines, depredar bancos, saquear
zo da correção, o elemento grifado pode ser substituído por: lojas e, por uma estranha compulsão, destruir lixeiras, jogar o
(A) contrastada. lixo no asfalto e armar barricadas de fogo com ele.
(B) confrontada. É verdade que, no seu “bullying” político, eles não estão
(C) ombreada. nem aí para a cidade, que é de todos – e que, por algum moti-
(D) rivalizada. vo, parecem querer levar ao colapso.
(E) equiparada. Pois, já que a lei não permite prendê-los por vandalis-
mo, saque, formação de quadrilha, desacato à autoridade,
5-) (PREFEITURA DE SERTÃOZINHO – AGENTE COMU- resistência à prisão e nem mesmo por ataque aos órgãos
NITÁRIO DE SAÚDE – VUNESP/2012) No verso – Não te públicos, talvez seja possível enquadrá-los por sujar a rua.
abras com teu amigo – o verbo em destaque foi emprega- (Ruy Castro, Por sujar a rua. Folha de S.Paulo, 21.08.2013.
do em sentido figurado. Adaptado)

65
LÍNGUA PORTUGUESA

Na oração – ... parecem querer levar ao colapso. – (3.º (C) A enchente leva todo o lixo rua abaixo. = arrasta
parágrafo), o termo em destaque é sinônimo de (D) O trabalho feito com empenho leva ao sucesso. =
(A) progresso. direciona
(B) descaso. (E) O atleta levou apenas dez segundos para terminar a
(C) vitória. prova = duração/tempo
(D) tédio.
(E) ruína. RESPOSTA: “E”.
8-) (BNDES – TÉCNICO ADMINISTRATIVO – BNDES/2012)
Considere o emprego do verbo levar no trecho: “Uma compe-
tição não dura apenas alguns minutos. Leva anos”. A frase em
que esse verbo está usado com o mesmo sentido é: 1.8 - TEXTOS: DISSERTATIVO, NARRATIVO E
(A) O menino leva o material adequado para a escola. DESCRITIVO;
(B) João levou uma surra da mãe. 1.9 - COMPREENSÃO DE TEXTOS.
(C) A enchente leva todo o lixo rua abaixo.
(D) O trabalho feito com empenho leva ao sucesso.
(E) O atleta levou apenas dez segundos para terminar a
prova. Texto – é um conjunto de ideias organizadas e relacio-
nadas entre si, formando um todo significativo capaz de
Resolução produzir interação comunicativa (capacidade de codificar
e decodificar).
1-) Questão que pode ser resolvida usando a lógica ou
associação de palavras! Veja: a ignição do carro lembra-nos Contexto – um texto é constituído por diversas frases.
fogo, combustão... Pedra, petrificado. Encontrou a resposta? Em cada uma delas, há uma informação que se liga com
RESPOSTA: “D”. a anterior e/ou com a posterior, criando condições para a
estruturação do conteúdo a ser transmitido. A essa interli-
2-) Classificar conforme regras conhecidas, mas não con- gação dá-se o nome de contexto. O relacionamento entre
firmadas se verdadeiras. as frases é tão grande que, se uma frase for retirada de seu
RESPOSTA: “E”. contexto original e analisada separadamente, poderá ter
um significado diferente daquele inicial.
3-) As palavras que nos dão a noção, ideia de tempo são:
desde, quando e depois. Intertexto - comumente, os textos apresentam refe-
RESPOSTA: “D”. rências diretas ou indiretas a outros autores através de cita-
ções. Esse tipo de recurso denomina-se intertexto.
4-) Ao participar de um concurso, não temos acesso a
dicionários para que verifiquemos o significado das palavras, Interpretação de texto - o objetivo da interpretação
por isso, caso não saibamos o que significam, devemos anali- de um texto é a identificação de sua ideia principal. A partir
sá-las dentro do contexto em que se encontram. No exercício daí, localizam-se as ideias secundárias - ou fundamenta-
acima, a que se “encaixa” é “equiparada”.
ções -, as argumentações - ou explicações -, que levam ao
RESPOSTA: “E”.
esclarecimento das questões apresentadas na prova.
5-) Em todas as alternativas o verbo “abrir” está empre-
gado em seu sentido denotativo. No item C, conotativo (“abrir Normalmente, numa prova, o candidato deve:
a mente” = aberto a mudanças, novas ideias).
RESPOSTA: “C”. 1- Identificar os elementos fundamentais de uma ar-
gumentação, de um processo, de uma época (neste caso,
6-) Novamente, responderemos com frase do texto: seu procuram-se os verbos e os advérbios, os quais definem o
rosto formando uma tenda. tempo).
RESPOSTA: “E”. 2- Comparar as relações de semelhança ou de diferen-
ças entre as situações do texto.
7-) Pela leitura do texto, compreende-se que a intenção 3- Comentar/relacionar o conteúdo apresentado com
do autor ao utilizar a expressão” levar ao colapso” refere-se à uma realidade.
queda, ao fim, à ruína da cidade. 4- Resumir as ideias centrais e/ou secundárias.
RESPOSTA: “E”. 5- Parafrasear = reescrever o texto com outras pala-
vras.
8-) No enunciado, o verbo “levar” está empregado com
o sentido de “duração/tempo” Condições básicas para interpretar
(A) O menino leva o material adequado para a escola.
= carrega Fazem-se necessários:
(B) João levou uma surra da mãe. = apanhou - Conhecimento histórico-literário (escolas e gêneros
literários, estrutura do texto), leitura e prática;

66
LÍNGUA PORTUGUESA

- Conhecimento gramatical, estilístico (qualidades do - qual (neutro) idem ao anterior.


texto) e semântico; - quem (pessoa)
Observação – na semântica (significado das palavras) - cujo (posse) - antes dele aparece o possuidor e depois
incluem-se: homônimos e parônimos, denotação e conotação, o objeto possuído.
sinonímia e antonímia, polissemia, figuras de linguagem, entre - como (modo)
outros. - onde (lugar)
- Capacidade de observação e de síntese; - quando (tempo)
- Capacidade de raciocínio. - quanto (montante)

Interpretar / Compreender Exemplo:


Falou tudo QUANTO queria (correto)
Interpretar significa: Falou tudo QUE queria (errado - antes do QUE, deveria
- Explicar, comentar, julgar, tirar conclusões, deduzir. aparecer o demonstrativo O).
- Através do texto, infere-se que...
- É possível deduzir que... Dicas para melhorar a interpretação de textos
- O autor permite concluir que...
- Qual é a intenção do autor ao afirmar que... - Leia todo o texto, procurando ter uma visão geral do
assunto. Se ele for longo, não desista! Há muitos candidatos
Compreender significa na disputa, portanto, quanto mais informação você absorver
- entendimento, atenção ao que realmente está escrito. com a leitura, mais chances terá de resolver as questões.
- o texto diz que... - Se encontrar palavras desconhecidas, não interrompa
- é sugerido pelo autor que... a leitura.
- de acordo com o texto, é correta ou errada a afirmação... - Leia, leia bem, leia profundamente, ou seja, leia o texto,
- o narrador afirma... pelo menos, duas vezes – ou quantas forem necessárias.
- Procure fazer inferências, deduções (chegar a uma con-
Erros de interpretação clusão).
- Volte ao texto quantas vezes precisar.
- Extrapolação (“viagem”) = ocorre quando se sai do con- - Não permita que prevaleçam suas ideias sobre as
texto, acrescentando ideias que não estão no texto, quer por do autor.
conhecimento prévio do tema quer pela imaginação. - Fragmente o texto (parágrafos, partes) para melhor
- Redução = é o oposto da extrapolação. Dá-se atenção compreensão.
apenas a um aspecto (esquecendo que um texto é um con- - Verifique, com atenção e cuidado, o enunciado de
junto de ideias), o que pode ser insuficiente para o entendi- cada questão.
mento do tema desenvolvido. - O autor defende ideias e você deve percebê-las.
- Contradição = às vezes o texto apresenta ideias contrá- - Observe as relações interparágrafos. Um parágrafo ge-
rias às do candidato, fazendo-o tirar conclusões equivocadas ralmente mantém com outro uma relação de continuação,
e, consequentemente, errar a questão. conclusão ou falsa oposição. Identifique muito bem essas
Observação - Muitos pensam que existem a ótica do relações.
escritor e a ótica do leitor. Pode ser que existam, mas numa - Sublinhe, em cada parágrafo, o tópico frasal, ou seja, a
prova de concurso, o que deve ser levado em consideração é ideia mais importante.
o que o autor diz e nada mais. - Nos enunciados, grife palavras como “correto” ou
“incorreto”, evitando, assim, uma confusão na hora da
Coesão - é o emprego de mecanismo de sintaxe que resposta – o que vale não somente para Interpretação de Tex-
relaciona palavras, orações, frases e/ou parágrafos entre si. to, mas para todas as demais questões!
Em outras palavras, a coesão dá-se quando, através de um - Se o foco do enunciado for o tema ou a ideia principal,
pronome relativo, uma conjunção (NEXOS), ou um pronome leia com atenção a introdução e/ou a conclusão.
oblíquo átono, há uma relação correta entre o que se vai dizer - Olhe com especial atenção os pronomes relativos, prono-
e o que já foi dito. mes pessoais, pronomes demonstrativos, etc., chamados vocá-
bulos relatores, porque remetem a outros vocábulos do texto.
Observação – São muitos os erros de coesão no dia a
dia e, entre eles, está o mau uso do pronome relativo e do Fontes de pesquisa:
pronome oblíquo átono. Este depende da regência do verbo; http://www.tudosobreconcursos.com/materiais/portu-
aquele, do seu antecedente. Não se pode esquecer também gues/como-interpretar-textos
de que os pronomes relativos têm, cada um, valor semântico, http://portuguesemfoco.com/pf/09-dicas-para-melho-
por isso a necessidade de adequação ao antecedente. rar-a-interpretacao-de-textos-em-provas
Os pronomes relativos são muito importantes na inter- http://www.portuguesnarede.com/2014/03/dicas-para-
pretação de texto, pois seu uso incorreto traz erros de coesão. -voce-interpretar-melhor-um.html
Assim sendo, deve-se levar em consideração que existe um http://vestibular.uol.com.br/cursinho/questoes/ques-
pronome relativo adequado a cada circunstância, a saber: tao-117-portugues.htm
- que (neutro) - relaciona-se com qualquer antecedente,
mas depende das condições da frase.

67
LÍNGUA PORTUGUESA

Questões 2-) Ao comparar a declaração do Papa Francisco a um


trovão, provavelmente a intenção do autor foi a de mostrar
1-) (SECRETARIA DE ESTADO DA ADMINISTRAÇÃO PÚ- o “barulho” que ela causou e sua propagação mundo afora.
BLICA DO DISTRITO FEDERAL/DF – TÉCNICO EM ELETRÔ- Você pode responder à questão por eliminação: a segun-
NICA – IADES/2014) da opção das alternativas relaciona-se a “mundo afora”, ou
seja, que se propaga, espalha. Assim, sobraria apenas a al-
Gratuidades ternativa A!
Crianças com até cinco anos de idade e adultos com RESPOSTA: “A”.
mais de 65 anos de idade têm acesso livre ao Metrô-DF.
Para os menores, é exigida a certidão de nascimento e, para 3-) (SECRETARIA DE ESTADO DE ADMINISTRAÇÃO PÚ-
os idosos, a carteira de identidade. Basta apresentar um BLICA DO DISTRITO FEDERAL/DF – TÉCNICO EM CONTABI-
documento de identificação aos funcionários posicionados LIDADE – IADES/2014 - adaptada)
no bloqueio de acesso. Concha Acústica
Disponível em: <http://www.metro.df.gov.br/estacoes/ Localizada às margens do Lago Paranoá, no Setor de
gratuidades.html> Acesso em: 3/3/2014, com adaptações. Clubes Esportivos Norte (ao lado do Museu de Arte de
Brasília – MAB), está a Concha Acústica do DF. Projetada
Conforme a mensagem do primeiro período do texto, por Oscar Niemeyer, foi inaugurada oficialmente em 1969
assinale a alternativa correta. e doada pela Terracap à Fundação Cultural de Brasília (hoje
(A) Apenas as crianças com até cinco anos de idade Secretaria de Cultura), destinada a espetáculos ao ar livre.
e os adultos com 65 anos em diante têm acesso livre ao Foi o primeiro grande palco da cidade.
Metrô-DF. Disponível em: <http://www.cultura.df.gov.br/nossa-
(B) Apenas as crianças de cinco anos de idade e os -cultura/concha- acustica.html>. Acesso em: 21/3/2014,
com adaptações.
adultos com mais de 65 anos têm acesso livre ao Metrô-DF.
(C) Somente crianças com, no máximo, cinco anos de
Assinale a alternativa que apresenta uma mensagem
idade e adultos com, no mínimo, 66 anos têm acesso livre
compatível com o texto.
ao Metrô-DF.
(A) A Concha Acústica do DF, que foi projetada por Os-
(D) Somente crianças e adultos, respectivamente, com
car Niemeyer, está localizada às margens do Lago Paranoá,
cinco anos de idade e com 66 anos em diante, têm acesso
no Setor de Clubes Esportivos Norte.
livre ao Metrô-DF.
(B) Oscar Niemeyer projetou a Concha Acústica do DF
(E) Apenas crianças e adultos, respectivamente, com
em 1969.
até cinco anos de idade e com 65 anos em diante, têm
(C) Oscar Niemeyer doou a Concha Acústica ao que
acesso livre ao Metrô-DF. hoje é a Secretaria de Cultura do DF.
(D) A Terracap transformou-se na Secretaria de Cultura
1-) Dentre as alternativas apresentadas, a única que do DF.
condiz com as informações expostas no texto é “Somente (E) A Concha Acústica foi o primeiro palco de Brasília.
crianças com, no máximo, cinco anos de idade e adultos 3-) Recorramos ao texto: “Localizada às margens do
com, no mínimo, 66 anos têm acesso livre ao Metrô-DF”. Lago Paranoá, no Setor de Clubes Esportivos Norte (ao
RESPOSTA: “C”. lado do Museu de Arte de Brasília – MAB), está a Concha
Acústica do DF. Projetada por Oscar Niemeyer”. As infor-
2-) (SUSAM/AM – TÉCNICO (DIREITO) – FGV/2014 - mações contidas nas demais alternativas são incoerentes
adaptada) “Se alguém que é gay procura Deus e tem boa com o texto.
vontade, quem sou eu para julgá‐lo?” a declaração do RESPOSTA: “A”.
Papa Francisco, pronunciada durante uma entrevista à im-
prensa no final de sua visita ao Brasil, ecoou como um Literários, não literários e mistos
trovão mundo afora. Nela existe mais forma que substância
– mas a forma conta”. (...) Sabemos que a “matéria-prima” da literatura são as pa-
(Axé Silva, O Mundo, setembro 2013) lavras. No entanto, é necessário fazer uma distinção entre a
linguagem literária e a linguagem não literária, isto é, aque-
O texto nos diz que a declaração do Papa ecoou como la que não caracteriza a literatura.
um trovão mundo afora. Essa comparação traz em si mes- Embora um médico faça suas prescrições em determi-
ma dois sentidos, que são nado idioma, as palavras utilizadas por ele não podem ser
(A) o barulho e a propagação. consideradas literárias porque se tratam de um vocabulário
(B) a propagação e o perigo. especializado e de um contexto de uso específico. Ago-
(C) o perigo e o poder. ra, quando analisamos a literatura, vemos que o escritor
(D) o poder e a energia.  dispensa um cuidado diferente com a linguagem escrita,
(E)  a energia e o barulho.   e que os leitores dispensam uma atenção diferenciada ao
que foi produzido.

68
LÍNGUA PORTUGUESA

Outra diferença importante é com relação ao trata- Texto B


mento do conteúdo: ao passo que, nos textos não literários Amor é fogo que arde sem se ver;
( jornalísticos, científicos, históricos, etc.) as palavras servem É ferida que dói e não se sente;
para veicular uma série de informações, o texto literário É um contentamento descontente;
funciona de maneira a chamar a atenção para a própria é dor que desatina sem doer.
língua (FARACO & MOURA, 1999) no sentido de explorar Luís de Camões. Lírica, Cultrix.
vários aspectos como a sonoridade, a estrutura sintática e
o sentido das palavras. Você deve ter notado que os textos tratam do mesmo
Veja abaixo alguns exemplos de expressões na lingua- assunto, porém os autores utilizam linguagens diferentes.
gem não literária ou “corriqueira” e um exemplo de uso da No texto A, o autor preocupou-se em definir “amor”,
mesma expressão, porém, de acordo com alguns escritores, usando uma linguagem objetiva, científica, sem preocupa-
na linguagem literária: ção artística.
No texto B, o autor trata do mesmo assunto, mas com
Linguagem não literária: preocupação literária, artística. De fato, o poeta entra no
1- Anoitece. campo subjetivo, com sua maneira própria de se expres-
2- Teus cabelos loiros brilham. sar, utiliza comparações (compara amor com fogo, ferida,
3- Uma nuvem cobriu parte do céu. ... contentamento e dor) e serve-se ainda de contrastes que
acabam dando graça e força expressiva ao poema (con-
Linguagem literária: tentamento descontente, dor sem doer, ferida que não se
1- A mão da noite embrulha os horizontes. (Alvarenga sente, fogo que não se vê).
Peixoto)
2- Os clarins de ouro dos teus cabelos cantam na luz! Questões
(Mário Quintana)
3- um sujo de nuvem emporcalhou o luar em sua nas- 1-) Leia o trecho do poema abaixo.
cença. (José Cândido de Carvalho)
O Poeta da Roça
Como distinguir, na prática, a linguagem literária da Sou fio das mata, cantô da mão grosa
não literária? Trabaio na roça, de inverno e de estio
- A linguagem literária é conotativa, utiliza figuras (pa- A minha chupana é tapada de barro
lavras de sentido figurado), em que as palavras adquirem Só fumo cigarro de paia de mio.
sentidos mais amplos do que geralmente possuem. Patativa do Assaré
- Na linguagem literária há uma preocupação com a
escolha e a disposição das palavras, que acabam dando
vida e beleza a um texto. A respeito dele, é possível afirmar que
- Na linguagem literária é muito importante a maneira
original de apresentar o tema escolhido. (A) não pode ser considerado literário, visto que a lin-
- A linguagem não literária é objetiva, denotativa, preo- guagem aí utilizada não está adequada à norma culta for-
cupa-se em transmitir o conteúdo, utiliza a palavra em seu mal.
sentido próprio, utilitário, sem preocupação artística. Ge- (B) não pode ser considerado literário, pois nele não
ralmente, recorre à ordem direta (sujeito, verbo, comple- se percebe a preservação do patrimônio cultural brasileiro.
mentos). (C) não é um texto consagrado pela crítica literária.
(D) trata-se de um texto literário, porque, no processo
Leia com atenção os textos a seguir e compare as lin- criativo da Literatura, o trabalho com a linguagem pode
guagens utilizadas neles. aparecer de várias formas: cômica, lúdica, erótica, popular
etc
Texto A (E) a pobreza vocabular – palavras erradas – não permi-
Amor (ô). [Do lat. amore.] S. m. 1. Sentimento que pre- te que o consideremos um texto literário.
dispõe alguém a desejar o bem de outrem, ou de alguma
coisa: amor ao próximo; amor ao patrimônio artístico de Leia os fragmentos abaixo para responder às questões
sua terra. 2. Sentimento de dedicação absoluta de um ser que seguem:
a outro ser ou a uma coisa; devoção, culto; adoração: amor
à Pátria; amor a uma causa. 3. Inclinação ditada por laços TEXTO I
de família: amor filial; amor conjugal. 4. Inclinação forte por O açúcar
pessoa de outro sexo, geralmente de caráter sexual, mas O branco açúcar que adoçará meu café
que apresenta grande variedade e comportamentos e rea- nesta manhã de Ipanema
ções. não foi produzido por mim
Aurélio Buarque de Holanda Ferreira. Novo Dicionário nem surgiu dentro do açucareiro por milagre.
da Língua Portuguesa, Nova Fronteira. Vejo-o puro
e afável ao paladar

69
LÍNGUA PORTUGUESA

como beijo de moça, água d) deve assemelhar-se a uma ação de desnudamento.


na pele, flor O escritor revela, ao escrever, o mundo, e, em especial, re-
que se dissolve na boca. Mas este açúcar vela o Homem aos outros homens.
não foi feito por mim. e) deve revelar diretamente as coisas do mundo: senti-
Este açúcar veio mentos, ideias, ações.
da mercearia da esquina e tampouco o fez o Oliveira, 3-) Ainda com relação ao textos I e II, assinale a opção
dono da mercearia. incorreta
Este açúcar veio a) No texto I, em lugar de apenas informar sobre o real,
de uma usina de açúcar em Pernambuco ou de produzi-lo, a expressão literária é utilizada principal-
ou no Estado do Rio mente como um meio de refletir e recriar a realidade.
e tampouco o fez o dono da usina. b) No texto II, de expressão não literária, o autor infor-
Este açúcar era cana ma o leitor sobre a origem da cana-de-açúcar, os lugares
e veio dos canaviais extensos onde é produzida, como teve início seu cultivo no Brasil,
que não nascem por acaso etc.
no regaço do vale. c) O texto I parte de uma palavra do domínio comum –
Em lugares distantes, onde não há hospital açúcar – e vai ampliando seu potencial significativo, explo-
nem escola, rando recursos formais para estabelecer um paralelo entre
homens que não sabem ler e morrem de fome o açúcar – branco, doce, puro – e a vida do trabalhador que
aos 27 anos o produz – dura, amarga, triste.
plantaram e colheram a cana d) No texto I, a expressão literária desconstrói hábitos
que viraria açúcar. de linguagem, baseando sua recriação no aproveitamento
Em usinas escuras, de novas formas de dizer.
homens de vida amarga e) O texto II não é literário porque, diferentemente do
e dura literário, parte de um aspecto da realidade, e não da ima-
produziram este açúcar ginação.
branco e puro
Gabarito
com que adoço meu café esta manhã em Ipanema.
1-) D
Fonte: “O açúcar” (Ferreira Gullar. Toda poesia. Rio de
Janeiro, Civilização Brasileira, 1980, pp.227-228)
2-) D – Esta alternativa está correta, pois ela remete ao
caráter reflexivo do autor de um texto literário, ao passo
TEXTO II
em que ele revela às pessoas o “seu mundo” de maneira
peculiar.
A cana-de-açúcar
3-) E – o texto I também fala da realidade, mas com um
Originária da Ásia, a cana-de-açúcar foi introduzida no cunho diferente do texto II. No primeiro há uma colocação
Brasil pelos colonizadores portugueses no século XVI. A re- diferenciada por parte do autor em que o objetivo não é
gião que durante séculos foi a grande produtora de cana- unicamente passar informação, existem outros “motivado-
-de-açúcar no Brasil é a Zona da Mata nordestina, onde os res” por trás desta escrita.
férteis solos de massapé, além da menor distância em re-
lação ao mercado europeu, propiciaram condições favorá-
veis a esse cultivo. Atualmente, o maior produtor nacional
de cana-de-açúcar é São Paulo, seguido de Pernambuco,
Alagoas, Rio de Janeiro e Minas Gerais. Além de produzir
o açúcar, que em parte é exportado e em parte abastece o
mercado interno, a cana serve também para a produção de
álcool, importante nos dias atuais como fonte de energia
e de bebidas. A imensa expansão dos canaviais no Brasil,
especialmente em São Paulo, está ligada ao uso do álcool
como combustível.

2-) Para que um texto seja literário:


a) basta somente a correção gramatical; isto é, a ex-
pressão verbal segundo as leis lógicas ou naturais.
b) deve prescindir daquilo que não tenha correspon-
dência na realidade palpável e externa.
c) deve fugir do inexato, daquilo que confunda a capa-
cidade de compreensão do leitor.

70
DIREITO CONSTITUCIONAL

Artigos 1º a 5º e artigo 144, da Constituição Federal;............................................................................................................................... 01


Artigo 140, da Constituição do Estado de São Paulo;................................................................................................................................ 27
DIREITO CONSTITUCIONAL

dos príncipes, contra a qual não há recurso, os fins justi-


ARTIGOS 1º A 5º E ARTIGO 144, DA ficam os meios. Portanto, se um príncipe pretende con-
CONSTITUIÇÃO FEDERAL quistar e manter o poder, os meios que empregue serão
sempre tidos como honrosos, e elogiados por todos, pois
o vulgo atenta sempre para as aparências e os resultados”.
A concepção de soberania inerente ao monarca se
quebrou numa fase posterior, notadamente com a ascen-
1) Fundamentos da República são do ideário iluminista. Com efeito, passou-se a enxergar
O título I da Constituição Federal trata dos princípios a soberania como um poder que repousa no povo. Logo, a
fundamentais do Estado brasileiro e começa, em seu arti- autoridade absoluta da qual emana o poder é o povo e a
go 1º, trabalhando com os fundamentos da República Fe- legitimidade do exercício do poder no Estado emana deste
derativa brasileira, ou seja, com as bases estruturantes do povo.
Estado nacional. Com efeito, no Estado Democrático se garante a sobe-
Neste sentido, disciplina: rania popular, que pode ser conceituada como “a qualidade
máxima do poder extraída da soma dos atributos de cada
Art. 1º A República Federativa do Brasil, formada pela membro da sociedade estatal, encarregado de escolher os
união indissolúvel dos Estados e Municípios e do Distrito Fe- seus representantes no governo por meio do sufrágio uni-
deral, constitui-se em Estado Democrático de Direito e tem versal e do voto direto, secreto e igualitário”3.
como fundamentos: Neste sentido, liga-se diretamente ao parágrafo úni-
I - a soberania; co do artigo 1º, CF, que prevê que “todo o poder emana
II - a cidadania; do povo, que o exerce por meio de representantes eleitos
III - a dignidade da pessoa humana; ou diretamente, nos termos desta Constituição”. O povo é
IV - os valores sociais do trabalho e da livre iniciativa; soberano em suas decisões e as autoridades eleitas que
V - o pluralismo político. decidem em nome dele, representando-o, devem estar
Parágrafo único. Todo o poder emana do povo, que o devidamente legitimadas para tanto, o que acontece pelo
exerce por meio de representantes eleitos ou diretamente, exercício do sufrágio universal.
Por seu turno, a soberania nacional é princípio geral da
nos termos desta Constituição.
atividade econômica (artigo 170, I, CF), restando demons-
trado que não somente é guia da atuação política do Esta-
Vale estudar o significado e a abrangência de cada qual
do, mas também de sua atuação econômica. Neste senti-
destes fundamentos.
do, deve-se preservar e incentivar a indústria e a economia
nacionais.
1.1) Soberania
Soberania significa o poder supremo que cada nação
1.2) Cidadania
possui de se autogovernar e se autodeterminar. Este con- Quando se afirma no caput do artigo 1º que a Repú-
ceito surgiu no Estado Moderno, com a ascensão do ab- blica Federativa do Brasil é um Estado Democrático de Di-
solutismo, colocando o reina posição de soberano. Sendo reito, remete-se à ideia de que o Brasil adota a democracia
assim, poderia governar como bem entendesse, pois seu como regime político.
poder era exclusivo, inabalável, ilimitado, atemporal e divi- Historicamente, nota-se que por volta de 800 a.C. as
no, ou seja, absoluto. comunidades de aldeias começaram a ceder lugar para
Neste sentido, Thomas Hobbes1, na obra Leviatã, de- unidades políticas maiores, surgindo as chamadas cidades-
fende que quando os homens abrem mão do estado na- -estado ou polis, como Tebas, Esparta e Atenas. Inicialmen-
tural, deixa de predominar a lei do mais forte, mas para a te eram monarquias, transformaram-se em oligarquias e,
consolidação deste tipo de sociedade é necessária a pre- por volta dos séculos V e VI a.C., tornaram-se democracias.
sença de uma autoridade à qual todos os membros devem Com efeito, as origens da chamada democracia se encon-
render o suficiente da sua liberdade natural, permitindo tram na Grécia antiga, sendo permitida a participação dire-
que esta autoridade possa assegurar a paz interna e a de- ta daqueles poucos que eram considerados cidadãos, por
fesa comum. Este soberano, que à época da escrita da obra meio da discussão na polis.
de Hobbes se consolidava no monarca, deveria ser o Levia- Democracia (do grego, demo+kratos) é um regime po-
tã, uma autoridade inquestionável. lítico em que o poder de tomar decisões políticas está com
No mesmo direcionamento se encontra a obra de Ma- os cidadãos, de forma direta (quando um cidadão se reúne
quiavel2, que rejeitou a concepção de um soberano que com os demais e, juntos, eles tomam a decisão política) ou
deveria ser justo e ético para com o seu povo, desde que indireta (quando ao cidadão é dado o poder de eleger um
sempre tivesse em vista a finalidade primordial de manter representante).
o Estado íntegro: “na conduta dos homens, especialmente Portanto, o conceito de democracia está diretamente
1 MALMESBURY, Thomas Hobbes de. Leviatã. Tra- ligado ao de cidadania, notadamente porque apenas quem
dução de João Paulo Monteiro e Maria Beatriz Nizza da Silva. possui cidadania está apto a participar das decisões políti-
[s.c]: [s.n.], 1861. cas a serem tomadas pelo Estado.
2 MAQUIAVEL, Nicolau. O príncipe. Tradução Pietro 3 BULOS, Uadi Lammêngo. Constituição federal
Nassetti. São Paulo: Martin Claret, 2007, p. 111. anotada. São Paulo: Saraiva, 2000.

1
DIREITO CONSTITUCIONAL

Cidadão é o nacional, isto é, aquele que possui o vín- Para Reale6, a evolução histórica demonstra o domínio
culo político-jurídico da nacionalidade com o Estado, que de um valor sobre o outro, ou seja, a existência de uma
goza de direitos políticos, ou seja, que pode votar e ser ordem gradativa entre os valores; mas existem os valores
votado (sufrágio universal). fundamentais e os secundários, sendo que o valor fonte
Destacam-se os seguintes conceitos correlatos: é o da pessoa humana. Nesse sentido, são os dizeres de
a) Nacionalidade: é o vínculo jurídico-político que liga Reale7: “partimos dessa ideia, a nosso ver básica, de que a
um indivíduo a determinado Estado, fazendo com que ele pessoa humana é o valor-fonte de todos os valores. O ho-
passe a integrar o povo daquele Estado, desfrutando assim mem, como ser natural biopsíquico, é apenas um indivíduo
de direitos e obrigações. entre outros indivíduos, um ente animal entre os demais
b) Povo: conjunto de pessoas que compõem o Estado, da mesma espécie. O homem, considerado na sua obje-
unidas pelo vínculo da nacionalidade. tividade espiritual, enquanto ser que só realiza no sentido
c) População: conjunto de pessoas residentes no Estado, de seu dever ser, é o que chamamos de pessoa. Só o ho-
nacionais ou não. mem possui a dignidade originária de ser enquanto deve
Depreende-se que a cidadania é um atributo conferi- ser, pondo-se essencialmente como razão determinante do
do aos nacionais titulares de direitos políticos, permitindo a processo histórico”.
consolidação do sistema democrático.
Quando a Constituição Federal assegura a dignidade
da pessoa humana como um dos fundamentos da Repúbli-
1.3) Dignidade da pessoa humana
ca, faz emergir uma nova concepção de proteção de cada
A dignidade da pessoa humana é o valor-base de in-
terpretação de qualquer sistema jurídico, internacional ou membro do seu povo. Tal ideologia de forte fulcro huma-
nacional, que possa se considerar compatível com os valores nista guia a afirmação de todos os direitos fundamentais
éticos, notadamente da moral, da justiça e da democracia. e confere a eles posição hierárquica superior às normas
Pensar em dignidade da pessoa humana significa, acima de organizacionais do Estado, de modo que é o Estado que
tudo, colocar a pessoa humana como centro e norte para está para o povo, devendo garantir a dignidade de seus
qualquer processo de interpretação jurídico, seja na elabo- membros, e não o inverso.
ração da norma, seja na sua aplicação.
Sem pretender estabelecer uma definição fechada ou 1.4) Valores sociais do trabalho e da livre iniciativa
plena, é possível conceituar dignidade da pessoa humana Quando o constituinte coloca os valores sociais do tra-
como o principal valor do ordenamento ético e, por con- balho em paridade com a livre iniciativa fica clara a percep-
sequência, jurídico que pretende colocar a pessoa humana ção de necessário equilíbrio entre estas duas concepções.
como um sujeito pleno de direitos e obrigações na ordem De um lado, é necessário garantir direitos aos trabalhado-
internacional e nacional, cujo desrespeito acarreta a própria res, notadamente consolidados nos direitos sociais enume-
exclusão de sua personalidade. rados no artigo 7º da Constituição; por outro lado, estes
Aponta Barroso4: “o princípio da dignidade da pessoa direitos não devem ser óbice ao exercício da livre iniciativa,
humana identifica um espaço de integridade moral a ser as- mas sim vetores que reforcem o exercício desta liberdade
segurado a todas as pessoas por sua só existência no mun- dentro dos limites da justiça social, evitando o predomínio
do. É um respeito à criação, independente da crença que do mais forte sobre o mais fraco.
se professe quanto à sua origem. A dignidade relaciona-se Por livre iniciativa entenda-se a liberdade de iniciar
tanto com a liberdade e valores do espírito como com as a exploração de atividades econômicas no território bra-
condições materiais de subsistência”. sileiro, coibindo-se práticas de truste (ex.: monopólio). O
O Ministro Alberto Luiz Bresciani de Fontan Pereira, do constituinte não tem a intenção de impedir a livre inicia-
Tribunal Superior do Trabalho, trouxe interessante conceito tiva, até mesmo porque o Estado nacional necessita dela
numa das decisões que relatou: “a dignidade consiste na para crescer economicamente e adequar sua estrutura ao
percepção intrínseca de cada ser humano a respeito dos
atendimento crescente das necessidades de todos os que
direitos e obrigações, de modo a assegurar, sob o foco de
nele vivem. Sem crescimento econômico, nem ao menos é
condições existenciais mínimas, a participação saudável e
possível garantir os direitos econômicos, sociais e culturais
ativa nos destinos escolhidos, sem que isso importe destila-
ção dos valores soberanos da democracia e das liberdades afirmados na Constituição Federal como direitos funda-
individuais. O processo de valorização do indivíduo articula a mentais.
promoção de escolhas, posturas e sonhos, sem olvidar que o No entanto, a exploração da livre iniciativa deve se dar
espectro de abrangência das liberdades individuais encontra de maneira racional, tendo em vista os direitos inerentes
limitação em outros direitos fundamentais, tais como a hon- aos trabalhadores, no que se consolida a expressão “valo-
ra, a vida privada, a intimidade, a imagem. Sobreleva registrar res sociais do trabalho”. A pessoa que trabalha para aquele
que essas garantias, associadas ao princípio da dignidade da 5 BRASIL. Tribunal Superior do Trabalho. Recurso
pessoa humana, subsistem como conquista da humanidade, de Revista n. 259300-59.2007.5.02.0202. Relator: Alberto
razão pela qual auferiram proteção especial consistente em Luiz Bresciani de Fontan Pereira. Brasília, 05 de setembro de
indenização por dano moral decorrente de sua violação”5. 2012j1. Disponível em: www.tst.gov.br. Acesso em: 17 nov.
2012.
4 BARROSO, Luís Roberto. Interpretação e aplica- 6 REALE, Miguel. Filosofia do direito. 19. ed. São
ção da Constituição. 7. ed. São Paulo: Saraiva, 2009, p. 382. Paulo: Saraiva, 2002, p. 228.
7 Ibid., p. 220.

2
DIREITO CONSTITUCIONAL

que explora a livre iniciativa deve ter a sua dignidade res- 3) Objetivos fundamentais
peitada em todas as suas dimensões, não somente no que O constituinte trabalha no artigo 3º da Constituição
tange aos direitos sociais, mas em relação a todos os direi- Federal com os objetivos da República Federativa do Brasil,
tos fundamentais afirmados pelo constituinte. nos seguintes termos:
A questão resta melhor delimitada no título VI do texto
constitucional, que aborda a ordem econômica e financei- Art. 3º Constituem objetivos fundamentais da República
ra: “Art. 170. A ordem econômica, fundada na valorização Federativa do Brasil:
do trabalho humano e na livre iniciativa, tem por fim I - construir uma sociedade livre, justa e solidária;
assegurar a todos existência digna, conforme os ditames II - garantir o desenvolvimento nacional; 
da justiça social, observados os seguintes princípios [...]”. III - erradicar a pobreza e a marginalização e reduzir as
Nota-se no caput a repetição do fundamento republicano desigualdades sociais e regionais;
dos valores sociais do trabalho e da livre iniciativa. IV - promover o bem de todos, sem preconceitos de ori-
Por sua vez, são princípios instrumentais para a efeti- gem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de dis-
vação deste fundamento, conforme previsão do artigo 1º e criminação.
do artigo 170, ambos da Constituição, o princípio da livre
concorrência (artigo 170, IV, CF), o princípio da busca do 3.1) Construir uma sociedade livre, justa e solidária
pleno emprego (artigo 170, VIII, CF) e o princípio do tra- O inciso I do artigo 3º merece destaque ao trazer a
tamento favorecido para as empresas de pequeno porte expressão “livre, justa e solidária”, que corresponde à tríade
constituídas sob as leis brasileiras e que tenham sua sede liberdade, igualdade e fraternidade. Esta tríade consolida
e administração no País (artigo 170, IX, CF). Ainda, assegu- as três dimensões de direitos humanos: a primeira dimen-
rando a livre iniciativa no exercício de atividades econômi- são, voltada à pessoa como indivíduo, refere-se aos direitos
cas, o parágrafo único do artigo 170 prevê: “é assegurado civis e políticos; a segunda dimensão, focada na promoção
a todos o livre exercício de qualquer atividade econômica, da igualdade material, remete aos direitos econômicos, so-
independentemente de autorização de órgãos públicos, ciais e culturais; e a terceira dimensão se concentra numa
salvo nos casos previstos em lei”. perspectiva difusa e coletiva dos direitos fundamentais.
Sendo assim, a República brasileira pretende garantir a
1.5) Pluralismo político preservação de direitos fundamentais inatos à pessoa hu-
A expressão pluralismo remete ao reconhecimento da mana em todas as suas dimensões, indissociáveis e inter-
multiplicidade de ideologias culturais, religiosas, econômi- conectadas. Daí o texto constitucional guardar espaço de
cas e sociais no âmbito de uma nação. Quando se fala em destaque para cada uma destas perspectivas.
pluralismo político, afirma-se que mais do que incorporar
esta multiplicidade de ideologias cabe ao Estado nacional 3.2) Garantir o desenvolvimento nacional
fornecer espaço para a manifestação política delas. Para que o governo possa prover todas as condições
Sendo assim, pluralismo político significa não só res- necessárias à implementação de todos os direitos funda-
peitar a multiplicidade de opiniões e ideias, mas acima de mentais da pessoa humana mostra-se essencial que o país
tudo garantir a existência dela, permitindo que os vários se desenvolva, cresça economicamente, de modo que cada
grupos que compõem os mais diversos setores sociais pos- indivíduo passe a ter condições de perseguir suas metas.
sam se fazer ouvir mediante a liberdade de expressão, ma-
nifestação e opinião, bem como possam exigir do Estado 3.3) Erradicar a pobreza e a marginalização e redu-
substrato para se fazerem subsistir na sociedade. zir as desigualdades sociais e regionais
Pluralismo político vai além do pluripartidarismo ou Garantir o desenvolvimento econômico não basta para
multipartidarismo, que é apenas uma de suas consequên- a construção de uma sociedade justa e solidária. É necessá-
cias e garante que mesmo os partidos menores e com pou- rio ir além e nunca perder de vista a perspectiva da igual-
cos representantes sejam ouvidos na tomada de decisões dade material. Logo, a injeção econômica deve permitir o
políticas, porque abrange uma verdadeira concepção de investimento nos setores menos favorecidos, diminuindo
multiculturalidade no âmbito interno. as desigualdades sociais e regionais e paulatinamente er-
radicando a pobreza.
2) Separação dos Poderes O impacto econômico deste objetivo fundamental é
A separação de Poderes é inerente ao modelo do Es- tão relevante que o artigo 170 da Constituição prevê em
tado Democrático de Direito, impedindo a monopolização seu inciso VII a “redução das desigualdades regionais e so-
do poder e, por conseguinte, a tirania e a opressão. Resta ciais” como um princípio que deve reger a atividade econô-
garantida no artigo 2º da Constituição Federal com o se- mica. A menção deste princípio implica em afirmar que as
guinte teor: políticas públicas econômico-financeiras deverão se guiar
pela busca da redução das desigualdades, fornecendo in-
Art. 2º São Poderes da União, independentes e harmôni- centivos específicos para a exploração da atividade econô-
cos entre si, o Legislativo, o Executivo e o Judiciário. mica em zonas economicamente marginalizadas.

3
DIREITO CONSTITUCIONAL

3.4) Promover o bem de todos, sem preconceitos de dial. Na verdade, o próprio compromisso de respeito aos
origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas direitos humanos traduz a limitação das ações estatais, que
de discriminação sempre devem se guiar por eles. Logo, o Brasil é um país in-
Ainda no ideário de justiça social, coloca-se o princípio dependente, que não responde a nenhum outro, mas que
da igualdade como objetivo a ser alcançado pela República como qualquer outro possui um dever para com a huma-
brasileira. Sendo assim, a república deve promover o prin- nidade e os direitos inatos a cada um de seus membros.
cípio da igualdade e consolidar o bem comum. Em verda-
de, a promoção do bem comum pressupõe a prevalência 4.2) Prevalência dos direitos humanos
do princípio da igualdade. O Estado existe para o homem e não o inverso. Portan-
Sobre o bem de todos, isto é, o bem comum, o filósofo to, toda normativa existe para a sua proteção como pessoa
Jacques Maritain8 ressaltou que o fim da sociedade é o seu humana e o Estado tem o dever de servir a este fim de pre-
bem comum, mas esse bem comum é o das pessoas huma- servação. A única forma de fazer isso é adotando a pessoa
nas, que compõem a sociedade. Com base neste ideário, humana como valor-fonte de todo o ordenamento, o que
apontou as características essenciais do bem comum: re- somente é possível com a compreensão de que os direitos
distribuição, pela qual o bem comum deve ser redistribuído humanos possuem uma posição prioritária no ordenamen-
às pessoas e colaborar para o desenvolvimento delas; res- to jurídico-constitucional.
peito à autoridade na sociedade, pois a autoridade é ne- Conceituar direitos humanos é uma tarefa complicada,
cessária para conduzir a comunidade de pessoas humanas mas, em síntese, pode-se afirmar que direitos humanos são
para o bem comum; moralidade, que constitui a retidão de aqueles inerentes ao homem enquanto condição para sua
vida, sendo a justiça e a retidão moral elementos essenciais dignidade que usualmente são descritos em documentos
do bem comum. internacionais para que sejam mais seguramente garanti-
dos. A conquista de direitos da pessoa humana é, na verda-
4) Princípios de relações internacionais (artigo 4º) de, uma busca da dignidade da pessoa humana.
O último artigo do título I trabalha com os princípios
que regem as relações internacionais da República brasi- 4.3) Autodeterminação dos povos
A premissa dos direitos políticos é a autodeterminação
leira:
dos povos. Neste sentido, embora cada Estado tenha obri-
gações de direito internacional que deve respeitar para a
Art. 4º A República Federativa do Brasil rege-se nas suas
adequada consecução dos fins da comunidade internacio-
relações internacionais pelos seguintes princípios: 
nal, também tem o direito de se autodeterminar, sendo que
I - independência nacional;
tal autodeterminação é feita pelo seu povo.
II - prevalência dos direitos humanos;
Se autodeterminar significa garantir a liberdade do
III - autodeterminação dos povos; povo na tomada das decisões políticas, logo, o direito à
IV - não-intervenção; autodeterminação pressupõe a exclusão do colonialismo.
V - igualdade entre os Estados; Não se aceita a ideia de que um Estado domine o outro,
VI - defesa da paz; tirando a sua autodeterminação.
VII - solução pacífica dos conflitos;
VIII - repúdio ao terrorismo e ao racismo; 4.4) Não-intervenção
IX - cooperação entre os povos para o progresso da hu- Por não-intervenção entenda-se que o Estado brasilei-
manidade; ro irá respeitar a soberania dos demais Estados nacionais.
X - concessão de asilo político. Sendo assim, adotará práticas diplomáticas e respeitará as
Parágrafo único. A República Federativa do Brasil bus- decisões políticas tomadas no âmbito de cada Estado, eis
cará a integração econômica, política, social e cultural dos que são paritários na ordem internacional.
povos da América Latina, visando à formação de uma comu-
nidade latino-americana de nações. 4.5) Igualdade entre os Estados
Por este princípio se reconhece uma posição de pari-
De maneira geral, percebe-se na Constituição Federal a dade, ou seja, de igualdade hierárquica, na ordem interna-
compreensão de que a soberania do Estado nacional bra- cional entre todos os Estados. Em razão disso, cada Estado
sileiro não permite a sobreposição em relação à soberania possuirá direito de voz e voto na tomada de decisões polí-
dos demais Estados, bem como de que é necessário respei- ticas na ordem internacional em cada organização da qual
tar determinadas práticas inerentes ao direito internacional faça parte e deverá ter sua opinião respeitada.
dos direitos humanos.
4.6) Defesa da paz
4.1) Independência nacional O direito à paz vai muito além do direito de viver num
A formação de uma comunidade internacional não sig- mundo sem guerras, atingindo o direito de ter paz social,
nifica a eliminação da soberania dos países, mas apenas de ver seus direitos respeitados em sociedade. Os direitos
uma relativização, limitando as atitudes por ele tomadas e liberdades garantidos internacionalmente não podem
em prol da preservação do bem comum e da paz mun- ser destruídos com fundamento nas normas que surgiram
8 MARITAIN, Jacques. Os direitos do homem e a lei para protegê-los, o que seria controverso. Em termos de
natural. 3. ed. Rio de Janeiro: Livraria José Olympio Editora, relações internacionais, depreende-se que deve ser sempre
1967, p. 20-22. priorizada a solução amistosa de conflitos.

4
DIREITO CONSTITUCIONAL

4.7) Solução pacífica dos conflitos Os países devem colaborar uns com os outros, o que é
Decorrendo da defesa da paz, este princípio remete à possível mediante a integração no âmbito de organizações
necessidade de diplomacia nas relações internacionais. Caso internacionais específicas, regionais ou globais.
surjam conflitos entre Estados nacionais, estes deverão ser Em relação a este princípio, o artigo 4º se aprofunda
dirimidos de forma amistosa. em seu parágrafo único, destacando a importância da coo-
Negociação diplomática, serviços amistosos, bons ofí- peração brasileira no âmbito regional: “A República Fede-
cios, mediação, sistema de consultas, conciliação e inquérito rativa do Brasil buscará a integração econômica, política,
são os meios diplomáticos de solução de controvérsias inter- social e cultural dos povos da América Latina, visando à for-
nacionais, não havendo hierarquia entre eles. Somente o in-
mação de uma comunidade latino-americana de nações”.
quérito é um procedimento preliminar e facultativo à apura-
ção da materialidade dos fatos, podendo servir de base para Neste sentido, o papel desempenhado no MERCOSUL.
qualquer meio de solução de conflito9. Conceitua Neves10:
- “Negociação diplomática é a forma de autocomposição 4.10) Concessão de asilo político
em que os Estados oponentes buscam resolver suas diver- Direito de asilo é o direito de buscar abrigo em outro
gências de forma direta, por via diplomática”; país quando naquele do qual for nacional estiver sofren-
- “Serviços amistosos é um meio de solução pacífica de do alguma perseguição. Tal perseguição não pode ter mo-
conflito, sem aspecto oficial, em que o governo designa um tivos legítimos, como a prática de crimes comuns ou de
diplomada para sua conclusão”; atos atentatórios aos princípios das Nações Unidas, o que
- “Bons ofícios constituem o meio diplomático de solu- subverteria a própria finalidade desta proteção. Em suma,
ção pacífica de controvérsia internacional, em que um Esta- o que se pretende com o direito de asilo é evitar a con-
do, uma organização internacional ou até mesmo um chefe solidação de ameaças a direitos humanos de uma pessoa
de Estado apresenta-se como moderador entre os litigantes”; por parte daqueles que deveriam protegê-los – isto é, os
- “Mediação define-se como instituto por meio do qual
governantes e os entes sociais como um todo –, e não pro-
uma terceira pessoa estranha à contenda, mas aceita pelos
teger pessoas que justamente cometeram tais violações.
litigantes, de forma voluntária ou em razão de estipulação
anterior, toma conhecimento da divergência e dos argumen- “Sendo direito humano da pessoa refugiada, é obriga-
tos sustentados pelas partes, e propõe uma solução pacífica ção do Estado asilante conceder o asilo. Entretanto, preva-
sujeita à aceitação destas”; lece o entendimento que o Estado não tem esta obrigação,
- “Sistema de Consultas constitui-se em meio diplomá- nem de fundamentar a recusa. A segunda parte deste ar-
tico de solução de litígios em que os Estados ou organiza- tigo permite a interpretação no sentido de que é o Estado
ções internacionais sujeitam-se, sem qualquer interferência asilante que subjetivamente enquadra o refugiado como
pessoal externa, a encontros periódicos com o objetivo de asilado político ou criminoso comum”11.
compor suas divergências”.
O título II da Constituição Federal é intitulado “Direitos
4.8) Repúdio ao terrorismo e ao racismo e Garantias fundamentais”, gênero que abrange as seguin-
Terrorismo é o uso de violência através de ataques lo- tes espécies de direitos fundamentais: direitos individuais e
calizados a elementos ou instalações de um governo ou da
coletivos (art. 5º, CF), direitos sociais (genericamente pre-
população civil, de modo a incutir medo, terror, e assim obter
vistos no art. 6º, CF), direitos da nacionalidade (artigos 12 e
efeitos psicológicos que ultrapassem largamente o círculo
das vítimas, incluindo, antes, o resto da população do ter- 13, CF) e direitos políticos (artigos 14 a 17, CF).
ritório. Em termos comparativos à clássica divisão tridimen-
Racismo é a prática de atos discriminatórios baseados sional dos direitos humanos, os direitos individuais (maior
em diferenças étnico-raciais, que podem consistirem violên- parte do artigo 5º, CF), os direitos da nacionalidade e os
cia física ou psicológica direcionada a uma pessoa ou a um direitos políticos se encaixam na primeira dimensão (direi-
grupo de pessoas pela simples questão biológica herdada tos civis e políticos); os direitos sociais se enquadram na se-
por sua raça ou etnia. gunda dimensão (direitos econômicos, sociais e culturais) e
Sendo o Brasil um país que prega o pacifismo e que é os direitos coletivos na terceira dimensão. Contudo, a enu-
assumidamente pluralista, ambas práticas são consideradas meração de direitos humanos na Constituição vai além dos
vis e devem ser repudiadas pelo Estado nacional. direitos que expressamente constam no título II do texto
constitucional.
4.9) Cooperação entre os povos para o progresso da Os direitos fundamentais possuem as seguintes carac-
humanidade
terísticas principais:
A cooperação internacional deve ser especialmente
a) Historicidade: os direitos fundamentais possuem
econômica e técnica, a fim de conseguir progressivamente
antecedentes históricos relevantes e, através dos tempos,
a plena efetividade dos direitos humanos fundamentais in-
ternacionalmente reconhecidos. adquirem novas perspectivas. Nesta característica se en-
quadra a noção de dimensões de direitos.
9 NEVES, Gustavo Bregalda. Direito Internacional 11 SANTOS FILHO, Oswaldo de Souza. Comentários
Público & Direito Internacional Privado. 3. ed. São Paulo: aos artigos XIII e XIV. In: BALERA, Wagner (Coord.). Comen-
Atlas, 2009, p. 123. tários à Declaração Universal dos Direitos do Homem.
10 Ibid., p. 123-126. Brasília: Fortium, 2008, p. 83.

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DIREITO CONSTITUCIONAL

b) Universalidade: os direitos fundamentais perten- Direitos e deveres individuais e coletivos


cem a todos, tanto que apesar da expressão restritiva do
caput do artigo 5º aos brasileiros e estrangeiros residentes O capítulo I do título II é intitulado “direitos e deveres
no país tem se entendido pela extensão destes direitos, na individuais e coletivos”. Da própria nomenclatura do capí-
perspectiva de prevalência dos direitos humanos. tulo já se extrai que a proteção vai além dos direitos do
c) Inalienabilidade: os direitos fundamentais não indivíduo e também abrange direitos da coletividade. A
possuem conteúdo econômico-patrimonial, logo, são in- maior parte dos direitos enumerados no artigo 5º do texto
transferíveis, inegociáveis e indisponíveis, estando fora do constitucional é de direitos individuais, mas são incluídos
comércio, o que evidencia uma limitação do princípio da alguns direitos coletivos e mesmo remédios constitucionais
autonomia privada. próprios para a tutela destes direitos coletivos (ex.: manda-
d) Irrenunciabilidade: direitos fundamentais não po- do de segurança coletivo).
dem ser renunciados pelo seu titular devido à fundamenta-
lidade material destes direitos para a dignidade da pessoa 1) Brasileiros e estrangeiros
humana. O caput do artigo 5º aparenta restringir a proteção
e) Inviolabilidade: direitos fundamentais não podem conferida pelo dispositivo a algumas pessoas, notadamen-
deixar de ser observados por disposições infraconstitucio- te, “aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País”.
nais ou por atos das autoridades públicas, sob pena de nu- No entanto, tal restrição é apenas aparente e tem sido in-
lidades. terpretada no sentido de que os direitos estarão protegi-
f) Indivisibilidade: os direitos fundamentais compõem dos com relação a todas as pessoas nos limites da sobera-
um único conjunto de direitos porque não podem ser ana- nia do país.
lisados de maneira isolada, separada. Em razão disso, por exemplo, um estrangeiro pode in-
g) Imprescritibilidade: os direitos fundamentais não gressar com habeas corpus ou mandado de segurança, ou
se perdem com o tempo, não prescrevem, uma vez que são então intentar ação reivindicatória com relação a imóvel
sempre exercíveis e exercidos, não deixando de existir pela seu localizado no Brasil (ainda que não resida no país).
falta de uso (prescrição). Somente alguns direitos não são estendidos a todas as
h) Relatividade: os direitos fundamentais não po- pessoas. A exemplo, o direito de intentar ação popular exi-
dem ser utilizados como um escudo para práticas ilícitas ge a condição de cidadão, que só é possuída por nacionais
ou como argumento para afastamento ou diminuição da titulares de direitos políticos.
responsabilidade por atos ilícitos, assim estes direitos não
são ilimitados e encontram seus limites nos demais direitos
2) Relação direitos-deveres
igualmente consagrados como humanos.
O capítulo em estudo é denominado “direitos e garan-
Vale destacar que a Constituição vai além da proteção
tias deveres e coletivos”, remetendo à necessária relação
dos direitos e estabelece garantias em prol da preservação
direitos-deveres entre os titulares dos direitos fundamen-
destes, bem como remédios constitucionais a serem utili-
tais. Acima de tudo, o que se deve ter em vista é a premissa
zados caso estes direitos e garantias não sejam preserva-
reconhecida nos direitos fundamentais de que não há di-
dos. Neste sentido, dividem-se em direitos e garantias as
reito que seja absoluto, correspondendo-se para cada di-
previsões do artigo 5º: os direitos são as disposições de-
reito um dever. Logo, o exercício de direitos fundamentais é
claratórias e as garantias são as disposições assecuratórias.
O legislador muitas vezes reúne no mesmo dispositivo limitado pelo igual direito de mesmo exercício por parte de
o direito e a garantia, como no caso do artigo 5º, IX: “é livre outrem, não sendo nunca absolutos, mas sempre relativos.
a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de Explica Canotilho13 quanto aos direitos fundamentais:
comunicação, independentemente de censura ou licença” “a ideia de deveres fundamentais é suscetível de ser enten-
– o direito é o de liberdade de expressão e a garantia é a dida como o ‘outro lado’ dos direitos fundamentais. Como
vedação de censura ou exigência de licença. Em outros ca- ao titular de um direito fundamental corresponde um de-
sos, o legislador traz o direito num dispositivo e a garantia ver por parte de um outro titular, poder-se-ia dizer que o
em outro: a liberdade de locomoção, direito, é colocada particular está vinculado aos direitos fundamentais como
no artigo 5º, XV, ao passo que o dever de relaxamento da destinatário de um dever fundamental. Neste sentido, um
prisão ilegal de ofício pelo juiz, garantia, se encontra no direito fundamental, enquanto protegido, pressuporia um
artigo 5º, LXV12. dever correspondente”. Com efeito, a um direito funda-
Em caso de ineficácia da garantia, implicando em vio- mental conferido à pessoa corresponde o dever de respeito
lação de direito, cabe a utilização dos remédios constitu- ao arcabouço de direitos conferidos às outras pessoas.
cionais.
Atenção para o fato de o constituinte chamar os remé- 3) Direitos e garantias em espécie
dios constitucionais de garantias, e todas as suas fórmulas Preconiza o artigo 5º da Constituição Federal em seu
de direitos e garantias propriamente ditas apenas de di- caput:
reitos.
13 CANOTILHO, José Joaquim Gomes. Direito cons-
12 FARIA, Cássio Juvenal. Notas pessoais tomadas titucional e teoria da constituição. 2. ed. Coimbra: Almedi-
em teleconferência. na, 1998, p. 479.

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DIREITO CONSTITUCIONAL

Artigo 5º, caput, CF. Todos são iguais perante a lei, sem No sentido de igualdade material que aparece o direito à
distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasilei- igualdade num segundo momento, pretendendo-se do Es-
ros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade tado, tanto no momento de legislar quanto no de aplicar e
do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à executar a lei, uma postura de promoção de políticas go-
propriedade, nos termos seguintes [...]. vernamentais voltadas a grupos vulneráveis.
Assim, o direito à igualdade possui dois sentidos notá-
O caput do artigo 5º, que pode ser considerado um veis: o de igualdade perante a lei, referindo-se à aplicação
dos principais (senão o principal) artigos da Constituição uniforme da lei a todas as pessoas que vivem em socieda-
Federal, consagra o princípio da igualdade e delimita as de; e o de igualdade material, correspondendo à necessi-
cinco esferas de direitos individuais e coletivos que mere- dade de discriminações positivas com relação a grupos vul-
cem proteção, isto é, vida, liberdade, igualdade, segurança neráveis da sociedade, em contraponto à igualdade formal.
e propriedade. Os incisos deste artigos delimitam vários
direitos e garantias que se enquadram em alguma destas Ações afirmativas
esferas de proteção, podendo se falar em duas esferas es- Neste sentido, desponta a temática das ações afirmati-
pecíficas que ganham também destaque no texto consti- vas,que são políticas públicas ou programas privados cria-
tucional, quais sejam, direitos de acesso à justiça e direitos dos temporariamente e desenvolvidos com a finalidade de
constitucionais-penais. reduzir as desigualdades decorrentes de discriminações ou
de uma hipossuficiência econômica ou física, por meio da
- Direito à igualdade concessão de algum tipo de vantagem compensatória de
Abrangência tais condições.
Observa-se, pelo teor do caput do artigo 5º, CF, que o Quem é contra as ações afirmativas argumenta que,
constituinte afirmou por duas vezes o princípio da igual- em uma sociedade pluralista, a condição de membro de
dade: um grupo específico não pode ser usada como critério de
inclusão ou exclusão de benefícios. Ademais, afirma-se que
Artigo 5º, caput, CF. Todos são iguais perante a lei, sem elas desprivilegiam o critério republicano do mérito (se-
distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasilei- gundo o qual o indivíduo deve alcançar determinado cargo
ros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade público pela sua capacidade e esforço, e não por pertencer
do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à a determinada categoria); fomentariam o racismo e o ódio;
propriedade, nos termos seguintes [...]. bem como ferem o princípio da isonomia por causar uma
discriminação reversa.
Não obstante, reforça este princípio em seu primeiro Por outro lado, quem é favorável às ações afirmativas
inciso: defende que elas representam o ideal de justiça compen-
satória (o objetivo é compensar injustiças passadas, dívidas
Artigo 5º, I, CF. Homens e mulheres são iguais em direi- históricas, como uma compensação aos negros por tê-los
tos e obrigações, nos termos desta Constituição. feito escravos, p. ex.); representam o ideal de justiça dis-
tributiva (a preocupação, aqui, é com o presente. Busca-
Este inciso é especificamente voltado à necessidade de -se uma concretização do princípio da igualdade material);
igualdade de gênero, afirmando que não deve haver ne- bem como promovem a diversidade.
nhuma distinção sexo feminino e o masculino, de modo Neste sentido, as discriminações legais asseguram
que o homem e a mulher possuem os mesmos direitos e a verdadeira igualdade, por exemplo, com as ações afir-
obrigações. mativas, a proteção especial ao trabalho da mulher e do
Entretanto, o princípio da isonomia abrange muito menor, as garantias aos portadores de deficiência, entre
mais do que a igualdade de gêneros, envolve uma pers- outras medidas que atribuam a pessoas com diferentes
pectiva mais ampla. condições, iguais possibilidades, protegendo e respeitando
O direito à igualdade é um dos direitos norteadores suas diferenças14. Tem predominado em doutrina e juris-
de interpretação de qualquer sistema jurídico. O primeiro prudência, inclusive no Supremo Tribunal Federal, que as
enfoque que foi dado a este direito foi o de direito civil, ações afirmativas são válidas.
enquadrando-o na primeira dimensão, no sentido de que a
todas as pessoas deveriam ser garantidos os mesmos direi- - Direito à vida
tos e deveres. Trata-se de um aspecto relacionado à igual- Abrangência
dade enquanto liberdade, tirando o homem do arbítrio dos O caput do artigo 5º da Constituição assegura a prote-
demais por meio da equiparação. Basicamente, estaria se ção do direito à vida. A vida humana é o centro gravitacio-
falando na igualdade perante a lei. nal em torno do qual orbitam todos os direitos da pessoa
No entanto, com o passar dos tempos, se percebeu que humana, possuindo reflexos jurídicos, políticos, econômi-
não bastava igualar todos os homens em direitos e deveres cos, morais e religiosos. Daí existir uma dificuldade em con-
para torná-los iguais, pois nem todos possuem as mesmas 14 SANFELICE, Patrícia de Mello. Comentários aos
condições de exercer estes direitos e deveres. Logo, não artigos I e II. In: BALERA, Wagner (Coord.). Comentários
é suficiente garantir um direito à igualdade formal, mas à Declaração Universal dos Direitos do Homem. Brasília:
é preciso buscar progressivamente a igualdade material. Fortium, 2008, p. 08.

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DIREITO CONSTITUCIONAL

ceituar o vocábulo vida. Logo, tudo aquilo que uma pessoa § 3º Se resulta lesão corporal de natureza grave ou
possui deixa de ter valor ou sentido se ela perde a vida. gravíssima, a pena é de reclusão de quatro a dez anos; se
Sendo assim, a vida é o bem principal de qualquer pessoa, resulta morte, a reclusão é de oito a dezesseis anos.
é o primeiro valor moral inerente a todos os seres huma- § 4º Aumenta-se a pena de um sexto até um terço:
nos15. I - se o crime é cometido por agente público;
No tópico do direito à vida tem-se tanto o direito de II – se o crime é cometido contra criança, gestante, por-
nascer/permanecer vivo, o que envolve questões como tador de deficiência, adolescente ou maior de 60 (sessenta)
pena de morte, eutanásia, pesquisas com células-tronco e anos; 
aborto; quanto o direito de viver com dignidade, o que III - se o crime é cometido mediante sequestro.
engloba o respeito à integridade física, psíquica e moral, § 5º A condenação acarretará a perda do cargo, função
incluindo neste aspecto a vedação da tortura, bem como ou emprego público e a interdição para seu exercício pelo
a garantia de recursos que permitam viver a vida com dig- dobro do prazo da pena aplicada.
nidade. § 6º O crime de tortura é inafiançável e insuscetível de
Embora o direito à vida seja em si pouco delimitado graça ou anistia.
nos incisos que seguem o caput do artigo 5º, trata-se de § 7º O condenado por crime previsto nesta Lei, salvo a
hipótese do § 2º, iniciará o cumprimento da pena em regi-
um dos direitos mais discutidos em termos jurisprudenciais
me fechado.
e sociológicos. É no direito à vida que se encaixam polêmi-
cas discussões como: aborto de anencéfalo, pesquisa com
- Direito à liberdade
células tronco, pena de morte, eutanásia, etc. O caput do artigo 5º da Constituição assegura a pro-
teção do direito à liberdade, delimitada em alguns incisos
Vedação à tortura que o seguem.
De forma expressa no texto constitucional destaca-se
a vedação da tortura, corolário do direito à vida, conforme Liberdade e legalidade
previsão no inciso III do artigo 5º: Prevê o artigo 5º, II, CF:

Artigo 5º, III, CF. Ninguém será submetido a tortura nem Artigo 5º, II, CF. Ninguém será obrigado a fazer ou dei-
a tratamento desumano ou degradante. xar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei.

A tortura é um dos piores meios de tratamento de- O princípio da legalidade se encontra delimitado nes-
sumano, expressamente vedada em âmbito internacional, te inciso, prevendo que nenhuma pessoa será obrigada a
como visto no tópico anterior. No Brasil, além da disciplina fazer ou deixar de fazer alguma coisa a não ser que a lei
constitucional, a Lei nº 9.455, de 7 de abril de 1997 define assim determine. Assim, salvo situações previstas em lei,
os crimes de tortura e dá outras providências, destacando- a pessoa tem liberdade para agir como considerar conve-
-se o artigo 1º: niente.
Portanto, o princípio da legalidade possui estrita rela-
Art. 1º Constitui crime de tortura: ção com o princípio da liberdade, posto que, a priori, tudo
I - constranger alguém com emprego de violência ou à pessoa é lícito. Somente é vedado o que a lei expres-
grave ameaça, causando-lhe sofrimento físico ou mental: samente estabelecer como proibido. A pessoa pode fazer
a) com o fim de obter informação, declaração ou confis- tudo o que quiser, como regra, ou seja, agir de qualquer
são da vítima ou de terceira pessoa; maneira que a lei não proíba.
b) para provocar ação ou omissão de natureza crimi-
nosa; Liberdade de pensamento e de expressão
O artigo 5º, IV, CF prevê:
c) em razão de discriminação racial ou religiosa;
II - submeter alguém, sob sua guarda, poder ou autori-
Artigo 5º, IV, CF. É livre a manifestação do pensamen-
dade, com emprego de violência ou grave ameaça, a intenso
to, sendo vedado o anonimato.
sofrimento físico ou mental, como forma de aplicar castigo
pessoal ou medida de caráter preventivo. Consolida-se a afirmação simultânea da liberdade de
Pena - reclusão, de dois a oito anos. pensamento e da liberdade de expressão.
§ 1º Na mesma pena incorre quem submete pessoa Em primeiro plano tem-se a liberdade de pensamento.
presa ou sujeita a medida de segurança a sofrimento físico Afinal, “o ser humano, através dos processos internos de
ou mental, por intermédio da prática de ato não previsto reflexão, formula juízos de valor. Estes exteriorizam nada
em lei ou não resultante de medida legal. mais do que a opinião de seu emitente. Assim, a regra
§ 2º Aquele que se omite em face dessas condutas, constitucional, ao consagrar a livre manifestação do pensa-
quando tinha o dever de evitá-las ou apurá-las, incorre na mento, imprime a existência jurídica ao chamado direito de
pena de detenção de um a quatro anos. opinião”16. Em outras palavras, primeiro existe o direito de
15 BARRETO, Ana Carolina Rossi; IBRAHIM, Fábio ter uma opinião, depois o de expressá-la.
Zambitte. Comentários aos Artigos III e IV. In: BALERA, Wag- 16 ARAÚJO, Luiz Alberto David; NUNES JÚNIOR, Vi-
ner (Coord.). Comentários à Declaração Universal dos Di- dal Serrano. Curso de direito constitucional. 10. ed. São
reitos do Homem. Brasília: Fortium, 2008, p. 15. Paulo: Saraiva, 2006.

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DIREITO CONSTITUCIONAL

No mais, surge como corolário do direito à liberdade Consoante o magistério de José Afonso da Silva17, entra
de pensamento e de expressão o direito à escusa por con- na liberdade de crença a liberdade de escolha da religião,
vicção filosófica ou política: a liberdade de aderir a qualquer seita religiosa, a liberdade
(ou o direito) de mudar de religião, além da liberdade de
Artigo 5º, VIII, CF. Ninguém será privado de direitos por não aderir a religião alguma, assim como a liberdade de
motivo de crença religiosa ou de convicção filosófica ou descrença, a liberdade de ser ateu e de exprimir o agnos-
política, salvo se as invocar para eximir-se de obrigação ticismo, apenas excluída a liberdade de embaraçar o livre
legal a todos imposta e recusar-se a cumprir prestação al- exercício de qualquer religião, de qualquer crença. A liber-
ternativa, fixada em lei. dade de culto consiste na liberdade de orar e de praticar
os atos próprios das manifestações exteriores em casa ou
Trata-se de instrumento para a consecução do direito em público, bem como a de recebimento de contribuições
assegurado na Constituição Federal – não basta permitir para tanto. Por fim, a liberdade de organização religiosa
que se pense diferente, é preciso respeitar tal posiciona- refere-se à possibilidade de estabelecimento e organização
mento. de igrejas e suas relações com o Estado.
Com efeito, este direito de liberdade de expressão é Como decorrência do direito à liberdade religiosa, as-
limitado. Um destes limites é o anonimato, que consiste na segurando o seu exercício, destaca-se o artigo 5º, VII, CF:
garantia de atribuir a cada manifestação uma autoria cer-
ta e determinada, permitindo eventuais responsabilizações Artigo 5º, VII, CF. É assegurada, nos termos da lei, a pres-
por manifestações que contrariem a lei. tação de assistência religiosa nas entidades civis e mili-
Tem-se, ainda, a seguinte previsão no artigo 5º, IX, CF: tares de internação coletiva.

Artigo 5º, IX, CF. É livre a expressão da atividade inte- O dispositivo refere-se não só aos estabelecimentos
lectual, artística, científica e de comunicação, indepen- prisionais civis e militares, mas também a hospitais.
dentemente de censura ou licença. Ainda, surge como corolário do direito à liberdade reli-
giosa o direito à escusa por convicção religiosa:
Consolida-se outra perspectiva da liberdade de expres-
são, referente de forma específica a atividades intelectuais, Artigo 5º, VIII, CF. Ninguém será privado de direitos por
artísticas, científicas e de comunicação. Dispensa-se, com motivo de crença religiosa ou de convicção filosófica ou po-
relação a estas, a exigência de licença para a manifestação lítica, salvo se as invocar para eximir-se de obrigação legal
do pensamento, bem como veda-se a censura prévia. a todos imposta e recusar-se a cumprir prestação alterna-
A respeito da censura prévia, tem-se não cabe impe- tiva, fixada em lei.
dir a divulgação e o acesso a informações como modo de
controle do poder. A censura somente é cabível quando Sempre que a lei impõe uma obrigação a todos, por
necessária ao interesse público numa ordem democrática, exemplo, a todos os homens maiores de 18 anos o alis-
por exemplo, censurar a publicação de um conteúdo de tamento militar, não cabe se escusar, a não ser que tenha
exploração sexual infanto-juvenil é adequado. fundado motivo em crença religiosa ou convicção filosó-
O direito à resposta (artigo 5º, V, CF) e o direito à in- fica/política, caso em que será obrigado a cumprir uma
denização (artigo 5º, X, CF) funcionam como a contrapar- prestação alternativa, isto é, uma outra atividade que não
tida para aquele que teve algum direito seu violado (no- contrarie tais preceitos.
tadamente inerentes à privacidade ou à personalidade)
em decorrência dos excessos no exercício da liberdade de Liberdade de informação
expressão. O direito de acesso à informação também se liga a uma
dimensão do direito à liberdade. Neste sentido, prevê o ar-
Liberdade de crença/religiosa tigo 5º, XIV, CF:
Dispõe o artigo 5º, VI, CF:
Artigo 5º, XIV, CF. É assegurado a todos o acesso à in-
Artigo 5º, VI, CF. É inviolável a liberdade de consciên- formação e resguardado o sigilo da fonte, quando neces-
cia e de crença, sendo assegurado o livre exercício dos sário ao exercício profissional.
cultos religiosos e garantida, na forma da lei, a proteção
aos locais de culto e a suas liturgias. Trata-se da liberdade de informação, consistente na
liberdade de procurar e receber informações e ideias por
Cada pessoa tem liberdade para professar a sua fé quaisquer meios, independente de fronteiras, sem interfe-
como bem entender dentro dos limites da lei. Não há uma rência.
crença ou religião que seja proibida, garantindo-se que a A liberdade de informação tem um caráter passivo, ao
profissão desta fé possa se realizar em locais próprios. passo que a liberdade de expressão tem uma caracterís-
Nota-se que a liberdade de religião engloba 3 tipos tica ativa, de forma que juntas formam os aspectos ativo
distintos, porém intrinsecamente relacionados de liberda- e passivo da exteriorização da liberdade de pensamento:
des: a liberdade de crença; a liberdade de culto; e a liberda- 17 SILVA, José Afonso da. Curso de direito constitu-
de de organização religiosa. cional positivo. 25. ed. São Paulo: Malheiros, 2006.

9
DIREITO CONSTITUCIONAL

não basta poder manifestar o seu próprio pensamento, é Por fim, relevante destacar a previsão do artigo 5º, LX,
preciso que ele seja ouvido e, para tanto, há necessidade CF:
de se garantir o acesso ao pensamento manifestado para
a sociedade. Artigo 5º, LX, CF. A lei só poderá restringir a publicida-
Por sua vez, o acesso à informação envolve o direito de de dos atos processuais quando a defesa da intimidade ou
todos obterem informações claras, precisas e verdadeiras a o interesse social o exigirem.
respeito de fatos que sejam de seu interesse, notadamente
pelos meios de comunicação imparciais e não monopoli- Logo,o processo, em regra, não será sigiloso. Apenas
zados (artigo 220, CF). No entanto, nem sempre é possível o será quando a intimidade merecer preservação (ex: pro-
que a imprensa divulgue com quem obteve a informação
cesso criminal de estupro ou causas de família em geral) ou
divulgada, sem o que a segurança desta poderia ficar pre-
quando o interesse social exigir (ex: investigações que pos-
judicada e a informação inevitavelmente não chegaria ao
público. sam ser comprometidas pela publicidade). A publicidade é
Especificadamente quanto à liberdade de informação instrumento para a efetivação da liberdade de informação.
no âmbito do Poder Público, merecem destaque algumas
previsões. Liberdade de locomoção
Primeiramente, prevê o artigo 5º, XXXIII, CF: Outra faceta do direito à liberdade encontra-se no ar-
tigo 5º, XV, CF:
Artigo 5º, XXXIII, CF. Todos têm direito a receber dos
órgãos públicos informações de seu interesse particular, Artigo 5º, XV, CF. É livre a locomoção no território
ou de interesse coletivo ou geral, que serão prestadas no pra- nacional em tempo de paz, podendo qualquer pessoa, nos
zo da lei, sob pena de responsabilidade, ressalvadas aquelas termos da lei, nele entrar, permanecer ou dele sair com seus
cujo sigilo seja imprescindível à segurança da sociedade e bens.
do Estado.
A liberdade de locomoção é um aspecto básico do di-
A respeito, a Lei nº 12.527, de 18 de novembro de 2011 reito à liberdade, permitindo à pessoa ir e vir em todo o
regula o acesso a informações previsto no inciso XXXIII do território do país em tempos de paz (em tempos de guerra
art. 5º, CF, também conhecida como Lei do Acesso à Infor- é possível limitar tal liberdade em prol da segurança). A
mação.
liberdade de sair do país não significa que existe um direito
Não obstante, estabelece o artigo 5º, XXXIV, CF:
de ingressar em qualquer outro país, pois caberá à ele, no
Artigo 5º, XXXIV, CF. São a todos assegurados, indepen- exercício de sua soberania, controlar tal entrada.
dentemente do pagamento de taxas: Classicamente, a prisão é a forma de restrição da liber-
a) o direito de petição aos Poderes Públicos em defesa dade. Neste sentido, uma pessoa somente poderá ser pre-
de direitos ou contra ilegalidade ou abuso de poder; sa nos casos autorizados pela própria Constituição Federal.
b) a obtenção de certidões em repartições públicas, A despeito da normativa específica de natureza penal, re-
para defesa de direitos e esclarecimento de situações de in- força-se a impossibilidade de se restringir a liberdade de
teresse pessoal. locomoção pela prisão civil por dívida.
Prevê o artigo 5º, LXVII, CF:
Quanto ao direito de petição, de maneira prática, cum-
pre observar que o direito de petição deve resultar em uma Artigo 5º, LXVII, CF. Não haverá prisão civil por dívi-
manifestação do Estado, normalmente dirimindo (resol- da, salvo a do responsável pelo inadimplemento voluntário
vendo) uma questão proposta, em um verdadeiro exercí- e inescusável de obrigação alimentícia e a do depositário
cio contínuo de delimitação dos direitos e obrigações que infiel.
regulam a vida social e, desta maneira, quando “dificulta a
apreciação de um pedido que um cidadão quer apresen- Nos termos da Súmula Vinculante nº 25 do Supremo
tar” (muitas vezes, embaraçando-lhe o acesso à Justiça); Tribunal Federal, “é ilícita a prisão civil de depositário infiel,
“demora para responder aos pedidos formulados” (admi-
qualquer que seja a modalidade do depósito”. Por isso, a
nistrativa e, principalmente, judicialmente) ou “impõe res-
única exceção à regra da prisão por dívida do ordenamento
trições e/ou condições para a formulação de petição”, traz
a chamada insegurança jurídica, que traz desesperança e é a que se refere à obrigação alimentícia.
faz proliferar as desigualdades e as injustiças.
Dentro do espectro do direito de petição se insere, por Liberdade de trabalho
exemplo, o direito de solicitar esclarecimentos, de solicitar O direito à liberdade também é mencionado no artigo
cópias reprográficas e certidões, bem como de ofertar de- 5º, XIII, CF:
núncias de irregularidades. Contudo, o constituinte, talvez
na intenção de deixar clara a obrigação dos Poderes Públi- Artigo 5º, XIII, CF. É livre o exercício de qualquer tra-
cos em fornecer certidões, trouxe a letra b) do inciso, o que balho, ofício ou profissão, atendidas as qualificações
gera confusões conceituais no sentido do direito de obter profissionais que a lei estabelecer.
certidões ser dissociado do direito de petição.

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DIREITO CONSTITUCIONAL

O livre exercício profissional é garantido, respeitados Neste sentido, associações são organizações resultan-
os limites legais. Por exemplo, não pode exercer a profissão tes da reunião legal entre duas ou mais pessoas, com ou
de advogado aquele que não se formou em Direito e não sem personalidade jurídica, para a realização de um obje-
foi aprovado no Exame da Ordem dos Advogados do Brasil; tivo comum; já cooperativas são uma forma específica de
não pode exercer a medicina aquele que não fez faculdade associação, pois visam a obtenção de vantagens comuns
de medicina reconhecida pelo MEC e obteve o cadastro no em suas atividades econômicas.
Conselho Regional de Medicina. Ainda, tem-se o artigo 5º, XIX, CF:

Liberdade de reunião Artigo 5º, XIX, CF. As associações só poderão ser com-
Sobre a liberdade de reunião, prevê o artigo 5º, XVI, CF: pulsoriamente dissolvidas ou ter suas atividades suspensas
por decisão judicial, exigindo-se, no primeiro caso, o trânsito
Artigo 5º, XVI, CF. Todos podem reunir-se pacificamen- em julgado.
te, sem armas, em locais abertos ao público, independen-
O primeiro caso é o de dissolução compulsória, ou seja,
temente de autorização, desde que não frustrem outra re-
a associação deixará de existir para sempre. Obviamente, é
união anteriormente convocada para o mesmo local, sendo
preciso o trânsito em julgado da decisão judicial que as-
apenas exigido prévio aviso à autoridade competente.
sim determine, pois antes disso sempre há possibilidade
de reverter a decisão e permitir que a associação continue
Pessoas podem ir às ruas para reunirem-se com de- em funcionamento. Contudo, a decisão judicial pode sus-
mais na defesa de uma causa, apenas possuindo o dever pender atividades até que o trânsito em julgado ocorra, ou
de informar tal reunião. Tal dever remonta-se a questões de seja, no curso de um processo judicial.
segurança coletiva. Imagine uma grande reunião de pes- Em destaque, a legitimidade representativa da associa-
soas por uma causa, a exemplo da Parada Gay, que chega ção quanto aos seus filiados, conforme artigo 5º, XXI, CF:
a aglomerar milhões de pessoas em algumas capitais: seria
absurdo tolerar tal tipo de reunião sem o prévio aviso do Artigo 5º, XXI, CF. As entidades associativas, quando ex-
poder público para que ele organize o policiamento e a as- pressamente autorizadas, têm legitimidade para represen-
sistência médica, evitando algazarras e socorrendo pessoas tar seus filiados judicial ou extrajudicialmente.
que tenham algum mal-estar no local. Outro limite é o uso Trata-se de caso de legitimidade processual extraordi-
de armas, totalmente vedado, assim como de substâncias nária, pela qual um ente vai a juízo defender interesse de
ilícitas (Ex: embora a Marcha da Maconha tenha sido auto- outra(s) pessoa(s) porque a lei assim autoriza.
rizada pelo Supremo Tribunal Federal, vedou-se que nela A liberdade de associação envolve não somente o di-
tal substância ilícita fosse utilizada). reito de criar associações e de fazer parte delas, mas tam-
bém o de não associar-se e o de deixar a associação, con-
Liberdade de associação forme artigo 5º, XX, CF:
No que tange à liberdade de reunião, traz o artigo 5º,
XVII, CF: Artigo 5º, XX, CF. Ninguém poderá ser compelido a as-
sociar-se ou a permanecer associado.
Artigo 5º, XVII, CF. É plena a liberdade de associação
para fins lícitos, vedada a de caráter paramilitar. - Direitos à privacidade e à personalidade

A liberdade de associação difere-se da de reunião por Abrangência


sua perenidade, isto é, enquanto a liberdade de reunião é Prevê o artigo 5º, X, CF:
exercida de forma sazonal, eventual, a liberdade de asso-
Artigo 5º, X, CF. São invioláveis a intimidade, a vida
ciação implica na formação de um grupo organizado que
privada, a honra e a imagem das pessoas, assegurado o
se mantém por um período de tempo considerável, dotado
direito a indenização pelo dano material ou moral decorren-
de estrutura e organização próprias.
te de sua violação.
Por exemplo, o PCC e o Comando vermelho são asso-
ciações ilícitas e de caráter paramilitar, pois possuem armas O legislador opta por trazer correlacionados no mesmo
e o ideal de realizar sua própria justiça paralelamente à es- dispositivo legal os direitos à privacidade e à personalida-
tatal. de.
O texto constitucional se estende na regulamentação Reforçando a conexão entre a privacidade e a intimida-
da liberdade de associação. de, ao abordar a proteção da vida privada – que, em resu-
O artigo 5º, XVIII, CF, preconiza: mo, é a privacidade da vida pessoal no âmbito do domicílio
e de círculos de amigos –, Silva18 entende que “o segredo
Artigo 5º, XVIII, CF. A criação de associações e, na for- da vida privada é condição de expansão da personalidade”,
ma da lei, a de cooperativas independem de autorização, mas não caracteriza os direitos de personalidade em si.
sendo vedada a interferência estatal em seu funcionamento. 18 SILVA, José Afonso da. Curso de direito constitu-
cional positivo. 25. ed. São Paulo: Malheiros, 2006.

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DIREITO CONSTITUCIONAL

A união da intimidade e da vida privada forma a pri- Para ser visto como pessoa perante a lei mostra-se
vacidade, sendo que a primeira se localiza em esfera mais necessário o registro. Por ser instrumento que serve como
estrita. É possível ilustrar a vida social como se fosse um pressuposto ao exercício de direitos fundamentais, asse-
grande círculo no qual há um menor, o da vida privada, e gura-se a sua gratuidade aos que não tiverem condição de
dentro deste um ainda mais restrito e impenetrável, o da com ele arcar.
intimidade. Com efeito, pela “Teoria das Esferas” (ou “Teoria Aborda o artigo 5º, LXXVI, CF:
dos Círculos Concêntricos”), importada do direito alemão,
quanto mais próxima do indivíduo, maior a proteção a ser Artigo 5º, LXXVI, CF. São gratuitos para os reconheci-
conferida à esfera (as esferas são representadas pela intimi- damente pobres, na forma da lei: a) o registro civil de nas-
dade, pela vida privada, e pela publicidade).
cimento; b) a certidão de óbito.
“O direito à honra distancia-se levemente dos dois an-
teriores, podendo referir-se ao juízo positivo que a pessoa
tem de si (honra subjetiva) e ao juízo positivo que dela fa- O reconhecimento do marco inicial e do marco final
zem os outros (honra objetiva), conferindo-lhe respeitabi- da personalidade jurídica pelo registro é direito individual,
lidade no meio social. O direito à imagem também pos- não dependendo de condições financeiras. Evidente, seria
sui duas conotações, podendo ser entendido em sentido absurdo cobrar de uma pessoa sem condições a elabora-
objetivo, com relação à reprodução gráfica da pessoa, por ção de documentos para que ela seja reconhecida como
meio de fotografias, filmagens, desenhos, ou em sentido viva ou morta, o que apenas incentivaria a indigência dos
subjetivo, significando o conjunto de qualidades cultivadas menos favorecidos.
pela pessoa e reconhecidas como suas pelo grupo social”19.
Direito à indenização e direito de resposta
Inviolabilidade de domicílio e sigilo de correspon- Com vistas à proteção do direito à privacidade, do di-
dência reito à personalidade e do direito à imagem, asseguram-se
Correlatos ao direito à privacidade, aparecem a invio- dois instrumentos, o direito à indenização e o direito de
labilidade do domicílio e o sigilo das correspondências e resposta, conforme as necessidades do caso concreto.
comunicações. Com efeito, prevê o artigo 5º, V, CF:
Neste sentido, o artigo 5º, XI, CF prevê:
Artigo 5º, V, CF. É assegurado o direito de resposta,
Artigo 5º, XI, CF. A casa é asilo inviolável do indivíduo,
proporcional ao agravo, além da indenização por dano ma-
ninguém nela podendo penetrar sem consentimento do mo-
terial, moral ou à imagem.
rador, salvo em caso de flagrante delito ou desastre, ou para
prestar socorro, ou, durante o dia, por determinação judicial.
“A manifestação do pensamento é livre e garantida
O domicílio é inviolável, razão pela qual ninguém pode em nível constitucional, não aludindo a censura prévia em
nele entrar sem o consentimento do morador, a não ser diversões e espetáculos públicos. Os abusos porventura
EM QUALQUER HORÁRIO no caso de flagrante delito (o ocorridos no exercício indevido da manifestação do pensa-
morador foi flagrado na prática de crime e fugiu para seu mento são passíveis de exame e apreciação pelo Poder Ju-
domicílio) ou desastre (incêndio, enchente, terremoto...) ou diciário com a consequente responsabilidade civil e penal
para prestar socorro (morador teve ataque do coração, está de seus autores, decorrentes inclusive de publicações inju-
sufocado, desmaiado...), e SOMENTE DURANTE O DIA por riosas na imprensa, que deve exercer vigilância e controle
determinação judicial. da matéria que divulga”20.
Quanto ao sigilo de correspondência e das comunica- O  direito de resposta é o direito que uma pessoa
ções, prevê o artigo 5º, XII, CF: tem de se defender de críticas públicas no mesmo meio
em que foram publicadas garantida exatamente a mes-
Artigo 5º, XII, CF. É inviolável o sigilo da correspondência ma repercussão. Mesmo quando for garantido o direito
e das comunicações telegráficas, de dados e das comunica- de resposta não é possível reverter plenamente os da-
ções telefônicas, salvo, no último caso, por ordem judicial,
nos causados pela manifestação ilícita de pensamento,
nas hipóteses e na forma que a lei estabelecer para fins de
razão pela qual a pessoa inda fará jus à indenização.
investigação criminal ou instrução processual penal.
A manifestação ilícita do pensamento geralmente cau-
O sigilo de correspondência e das comunicações está sa um dano, ou seja, um prejuízo sofrido pelo agente, que
melhor regulamentado na Lei nº 9.296, de 1996. pode ser individual ou coletivo, moral ou material, econô-
mico e não econômico.
Personalidade jurídica e gratuidade de registro Dano material é aquele que atinge o patrimônio (ma-
Quando se fala em reconhecimento como pessoa pe- terial ou imaterial) da vítima, podendo ser mensurado fi-
rante a lei desdobra-se uma esfera bastante específica dos nanceiramente e indenizado.
direitos de personalidade, consistente na personalidade ju- “Dano moral direto consiste na lesão a um interesse
rídica. Basicamente, consiste no direito de ser reconhecido que visa a satisfação ou gozo de um bem jurídico extrapa-
como pessoa perante a lei. trimonial contido nos direitos da personalidade (como a
19 MOTTA, Sylvio; BARCHET, Gustavo. Curso de di- 20 BONAVIDES, Paulo. Curso de direito constitucio-
reito constitucional. Rio de Janeiro: Elsevier, 2007. nal. 26. ed. São Paulo: Malheiros, 2011.

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DIREITO CONSTITUCIONAL

vida, a integridade corporal, a liberdade, a honra, o decoro, - Direito à propriedade


a intimidade, os sentimentos afetivos, a própria imagem) O caput do artigo 5º da Constituição assegura a prote-
ou nos atributos da pessoa (como o nome, a capacidade, o ção do direito à propriedade, tanto material quanto intelec-
estado de família)”21. tual, delimitada em alguns incisos que o seguem.
Já o dano à imagem é delimitado no artigo 20 do Có-
digo Civil: Função social da propriedade material
O artigo 5º, XXII, CF estabelece:
Artigo 20, CC. Salvo se autorizadas, ou se necessárias à
administração da justiça ou à manutenção da ordem públi- Artigo 5º, XXII, CF. É garantido o direito de proprie-
ca, a divulgação de escritos, a transmissão da palavra, ou a dade.
publicação, a exposição ou a utilização da imagem de uma
pessoa poderão ser proibidas, a seu requerimento e sem pre- A seguir, no inciso XXIII do artigo 5º, CF estabelece o
juízo da indenização que couber, se lhe atingirem a honra, principal fator limitador deste direito:
a boa fama ou a respeitabilidade, ou se se destinarem a fins
comerciais. Artigo 5º, XXIII, CF. A propriedade atenderá a sua fun-
ção social.
- Direito à segurança
O caput do artigo 5º da Constituição assegura a pro- A propriedade, segundo Silva23, “[...] não pode mais ser
teção do direito à segurança. Na qualidade de direito in- considerada como um direito individual nem como institui-
dividual liga-se à segurança do indivíduo como um todo, ção do direito privado. [...] embora prevista entre os direitos
desde sua integridade física e mental, até a própria segu- individuais, ela não mais poderá ser considerada puro di-
rança jurídica. reito individual, relativizando-se seu conceito e significado,
No sentido aqui estudado, o direito à segurança pes- especialmente porque os princípios da ordem econômica
soal é o direito de viver sem medo, protegido pela soli- são preordenados à vista da realização de seu fim: assegu-
dariedade e liberto de agressões, logo, é uma maneira de rar a todos existência digna, conforme os ditames da jus-
tiça social. Se é assim, então a propriedade privada, que,
garantir o direito à vida.
ademais, tem que atender a sua função social, fica vincula-
Nesta linha, para Silva22, “efetivamente, esse conjunto
da à consecução daquele princípio”.
de direitos aparelha situações, proibições, limitações e pro-
Com efeito, a proteção da propriedade privada está li-
cedimentos destinados a assegurar o exercício e o gozo de
mitada ao atendimento de sua função social, sendo este o
algum direito individual fundamental (intimidade, liberda-
requisito que a correlaciona com a proteção da dignidade
de pessoal ou a incolumidade física ou moral)”.
da pessoa humana. A propriedade de bens e valores em
Especificamente no que tange à segurança jurídica,
geral é um direito assegurado na Constituição Federal e,
tem-se o disposto no artigo 5º, XXXVI, CF:
como todos os outros, se encontra limitado pelos demais
princípios conforme melhor se atenda à dignidade do ser
Artigo 5º, XXXVI, CF. A lei não prejudicará o direito ad- humano.
quirido, o ato jurídico perfeito e a coisa julgada. A Constituição Federal delimita o que se entende por
função social:
Pelo inciso restam estabelecidos limites à retroativida-
de da lei. Art. 182, caput, CF. A política de desenvolvimento urba-
Define o artigo 6º da Lei de Introdução às Normas do no, executada pelo Poder Público municipal, conforme dire-
Direito Brasileiro: trizes gerais fixadas em lei, tem por objetivo ordenar o pleno
desenvolvimento das funções sociais da cidade e garantir o
Artigo 6º, LINDB. A Lei em vigor terá efeito imediato e bem-estar de seus habitantes.
geral, respeitados o ato jurídico perfeito, o direito adquirido
e a coisa julgada. Artigo 182, § 1º, CF. O plano diretor, aprovado pela Câ-
§ 1º Reputa-se ato jurídico perfeito o já consumado mara Municipal, obrigatório para cidades com mais de vinte
segundo a lei vigente ao tempo em que se efetuou. mil habitantes, é o instrumento básico da política de desen-
§ 2º Consideram-se adquiridos assim os direitos que o volvimento e de expansão urbana.
seu titular, ou alguém por ele, possa exercer, como aqueles
cujo começo do exercício tenha termo pré-fixo, ou condi- Artigo 182, § 2º, CF. A propriedade urbana cumpre sua
ção pré-estabelecida inalterável, a arbítrio de outrem. função social quando atende às exigências fundamentais de
§ 3º Chama-se coisa julgada ou caso julgado a decisão ordenação da cidade expressas no plano diretor24.
judicial de que já não caiba recurso. 23 SILVA, José Afonso da. Curso de direito constitu-
cional positivo. 25. ed. São Paulo: Malheiros, 2006.
21 ZANNONI, Eduardo. El daño en la responsabili- 24 Instrumento básico de um processo de planejamen-
dad civil. Buenos Aires: Astrea, 1982. to municipal para a implantação da política de desenvolvimen-
22 SILVA, José Afonso da. Curso de direito constitu- to urbano, norteando a ação dos agentes públicos e privados
cional positivo... Op. Cit., p. 437. (Lei n. 10.257/2001 - Estatuto da cidade).

13
DIREITO CONSTITUCIONAL

Artigo 186, CF. A função social é cumprida quando a Artigo 184, § 1º, CF. As benfeitorias úteis e necessárias
propriedade rural atende, simultaneamente, segundo crité- serão indenizadas em dinheiro.
rios e graus de exigência estabelecidos em lei, aos seguintes
requisitos: No que tange à desapropriação por necessidade ou
I - aproveitamento racional e adequado; utilidade pública, prevê o artigo 5º, XXIV, CF:
II - utilização adequada dos recursos naturais disponí-
veis e preservação do meio ambiente; Artigo 5º, XXIV, CF. A lei estabelecerá o procedimento
III - observância das disposições que regulam as rela- para desapropriação por necessidade ou utilidade pública,
ções de trabalho; ou por interesse social, mediante justa e prévia indenização
IV - exploração que favoreça o bem-estar dos proprie- em dinheiro, ressalvados os casos previstos nesta Constitui-
tários e dos trabalhadores. ção.

Desapropriação Ainda, prevê o artigo 182, § 3º, CF:


No caso de desrespeito à função social da proprieda-
de cabe até mesmo desapropriação do bem, de modo que Artigo 182, §3º, CF. As desapropriações de imóveis urba-
pode-se depreender do texto constitucional duas possibili- nos serão feitas com prévia e justa indenização em dinheiro.
dades de desapropriação: por desrespeito à função social e
por necessidade ou utilidade pública. Tem-se, ainda o artigo 184, §§ 2º e 3º, CF:
A Constituição Federal prevê a possibilidade de desa-
propriação por desatendimento à função social: Artigo 184, §2º, CF. O decreto que declarar o imóvel
como de interesse social, para fins de reforma agrária, auto-
Artigo 182, § 4º, CF. É facultado ao Poder Público mu- riza a União a propor a ação de desapropriação.
nicipal, mediante lei específica para área incluída no plano
diretor, exigir, nos termos da lei federal, do proprietário do Artigo 184, §3º, CF. Cabe à lei complementar estabelecer
solo urbano não edificado, subutilizado ou não utiliza- procedimento contraditório especial, de rito sumário, para o
do, que promova seu adequado aproveitamento, sob pena, processo judicial de desapropriação.
sucessivamente, de:
I - parcelamento ou edificação compulsórios; A desapropriação por utilidade ou necessidade pública
II - imposto sobre a propriedade predial e territorial ur- deve se dar mediante prévia e justa indenização em dinhei-
bana progressivo no tempo; ro. O Decreto-lei nº 3.365/1941 a disciplina, delimitando
III - desapropriação com pagamento mediante títulos o procedimento e conceituando utilidade pública, em seu
da dívida pública de emissão previamente aprovada pelo artigo 5º:
Senado Federal, com prazo de resgate de até dez anos, em
parcelas anuais, iguais e sucessivas, assegurados o valor real Artigo 5º, Decreto-lei n. 3.365/1941. Consideram-se ca-
da indenização e os juros legais25. sos de utilidade pública:
a) a segurança nacional;
Artigo 184, CF. Compete à União desapropriar por in- b) a defesa do Estado;
teresse social, para fins de reforma agrária, o imóvel rural c) o socorro público em caso de calamidade;
que não esteja cumprindo sua função social, mediante d) a salubridade pública;
prévia e justa indenização em títulos da dívida agrária, e) a criação e melhoramento de centros de população,
com cláusula de preservação do valor real, resgatáveis no seu abastecimento regular de meios de subsistência;
prazo de até vinte anos, a partir do segundo ano de sua f) o aproveitamento industrial das minas e das jazidas
emissão, e cuja utilização será definida em lei26. minerais, das águas e da energia hidráulica;
g) a assistência pública, as obras de higiene e decoração,
25 Nota-se que antes de se promover a desapropria- casas de saúde, clínicas, estações de clima e fontes medici-
ção de imóvel urbano por desatendimento à função social é nais;
necessário tomar duas providências, sucessivas: primeiro, o h) a exploração ou a conservação dos serviços públicos;
parcelamento ou edificação compulsórios; depois, o estabe- i) a abertura, conservação e melhoramento de vias ou
lecimento de imposto sobre a propriedade predial e territorial logradouros públicos; a execução de planos de urbanização;
urbana progressivo no tempo. Se ambas medidas restarem o parcelamento do solo, com ou sem edificação, para sua
ineficazes, parte-se para a desapropriação por desatendimen- melhor utilização econômica, higiênica ou estética; a cons-
to à função social. trução ou ampliação de distritos industriais;
26 A desapropriação em decorrência do desatendimen- j) o funcionamento dos meios de transporte coletivo;
to da função social é indenizada, mas não da mesma maneira k) a preservação e conservação dos monumentos históri-
que a desapropriação por necessidade ou utilidade pública, cos e artísticos, isolados ou integrados em conjuntos urbanos
já que na primeira há violação do ordenamento constitucional ou rurais, bem como as medidas necessárias a manter-lhes
pelo proprietário, mas na segunda não. Por isso, indeniza-se e realçar-lhes os aspectos mais valiosos ou característicos e,
em títulos da dívida agrária, que na prática não são tão valori- ainda, a proteção de paisagens e locais particularmente do-
zados quanto o dinheiro. tados pela natureza;

14
DIREITO CONSTITUCIONAL

l) a preservação e a conservação adequada de arquivos, Art. 185, CF. São insuscetíveis de desapropriação para
documentos e outros bens moveis de valor histórico ou ar- fins de reforma agrária:
tístico; I - a pequena e média propriedade rural, assim definida
m) a construção de edifícios públicos, monumentos co- em lei, desde que seu proprietário não possua outra;
memorativos e cemitérios; II - a propriedade produtiva.
n) a criação de estádios, aeródromos ou campos de pou- Parágrafo único. A lei garantirá tratamento especial à
so para aeronaves; propriedade produtiva e fixará normas para o cumprimento
o) a reedição ou divulgação de obra ou invento de natu- dos requisitos relativos a sua função social.
reza científica, artística ou literária;
p) os demais casos previstos por leis especiais. Sobre as diretrizes da política agrícola, prevê o artigo
187:
Um grande problema que faz com que processos que
tenham a desapropriação por objeto se estendam é a in-
Art. 187, CF. A política agrícola será planejada e exe-
devida valorização do imóvel pelo Poder Público, que ge-
cutada na forma da lei, com a participação efetiva do setor
ralmente pretende pagar valor muito abaixo do devido, ne-
de produção, envolvendo produtores e trabalhadores rurais,
cessitando o Judiciário intervir em prol da correta avaliação.
bem como dos setores de comercialização, de armazena-
Outra questão reside na chamada tredestinação, pela
qual há a destinação de um bem expropriado (desapropria- mento e de transportes, levando em conta, especialmente:
ção) a finalidade diversa da que se planejou inicialmente. I - os instrumentos creditícios e fiscais;
A tredestinação pode ser lícita ou ilícita. Será ilícita quan- II - os preços compatíveis com os custos de produção e a
do resultante de desvio do propósito original; e será líci- garantia de comercialização;
ta quando a Administração Pública dê ao bem finalidade III - o incentivo à pesquisa e à tecnologia;
diversa, porém preservando a razão do interesse público. IV - a assistência técnica e extensão rural;
V - o seguro agrícola;
Política agrária e reforma agrária VI - o cooperativismo;
Enquanto desdobramento do direito à propriedade VII - a eletrificação rural e irrigação;
imóvel e da função social desta propriedade, tem-se ainda VIII - a habitação para o trabalhador rural.
o artigo 5º, XXVI, CF: § 1º Incluem-se no planejamento agrícola as atividades
agroindustriais, agropecuárias, pesqueiras e florestais.
Artigo 5º, XXVI, CF. A pequena propriedade rural, as- § 2º Serão compatibilizadas as ações de política agríco-
sim definida em lei, desde que trabalhada pela família, não la e de reforma agrária.
será objeto de penhora para pagamento de débitos decor-
rentes de sua atividade produtiva, dispondo a lei sobre os As terras devolutas e públicas serão destinadas confor-
meios de financiar o seu desenvolvimento. me a política agrícola e o plano nacional de reforma agrá-
ria (artigo 188, caput, CF). Neste sentido, “a alienação ou a
Assim, se uma pessoa é mais humilde e tem uma pe- concessão, a qualquer título, de terras públicas com área
quena propriedade será assegurado que permaneça com superior a dois mil e quinhentos hectares a pessoa física
ela e a torne mais produtiva. ou jurídica, ainda que por interposta pessoa, dependerá de
A preservação da pequena propriedade em detrimento prévia aprovação do Congresso Nacional”, salvo no caso de
dos grandes latifúndios improdutivos é uma das diretrizes- alienações ou concessões de terras públicas para fins de
-guias da regulamentação da política agrária brasileira, que reforma agrária (artigo 188, §§ 1º e 2º, CF).
tem como principal escopo a realização da reforma agrária.
Os que forem favorecidos pela reforma agrária (ho-
Parte da questão financeira atinente à reforma agrária
mens, mulheres, ambos, qualquer estado civil) não pode-
se encontra prevista no artigo 184, §§ 4º e 5º, CF:
rão negociar seus títulos pelo prazo de 10 anos (artigo 189,
CF).
Artigo 184, §4º, CF. O orçamento fixará anualmente
o volume total de títulos da dívida agrária, assim como o Consta, ainda, que “a lei regulará e limitará a aquisição
montante de recursos para atender ao programa de reforma ou o arrendamento de propriedade rural por pessoa física
agrária no exercício. ou jurídica estrangeira e estabelecerá os casos que depen-
derão de autorização do Congresso Nacional” (artigo 190,
Artigo 184, §5º, CF. São isentas de impostos federais, es- CF).
taduais e municipais as operações de transferência de imó-
veis desapropriados para fins de reforma agrária. Usucapião
Usucapião é o modo originário de aquisição da pro-
Como a finalidade da reforma agrária é transformar priedade que decorre da posse prolongada por um lon-
terras improdutivas e grandes propriedades em atinentes à go tempo, preenchidos outros requisitos legais. Em outras
função social, alguns imóveis rurais não podem ser abran- palavras, usucapião é uma situação em que alguém tem a
gidos pela reforma agrária: posse de um bem por um tempo longo, sem ser incomo-
dado, a ponto de se tornar proprietário.

15
DIREITO CONSTITUCIONAL

A Constituição regulamenta o acesso à propriedade Parágrafo único. Os imóveis públicos não serão adquiri-
mediante posse prolongada no tempo – usucapião – em dos por usucapião.
casos específicos, denominados usucapião especial urbana
e usucapião especial rural. Além dos requisitos gerais (animus e posse que seja
O artigo 183 da Constituição regulamenta a usucapião pública, pacífica, ininterrupta e contínua), são exigidos os
especial urbana: seguintes requisitos específicos:
a) Imóvel rural
Art. 183, CF. Aquele que possuir como sua área urbana b) 50 hectares, no máximo – há também legislação que
de até duzentos e cinquenta metros quadrados, por cinco estabelece um limite mínimo, o módulo rural (Estatuto da
anos, ininterruptamente e sem oposição, utilizando-a para Terra). É possível usucapir áreas menores que o módulo ru-
sua moradia ou de sua família, adquirir-lhe-á o domínio, ral? Tem prevalecido o entendimento de que pode, mas é
desde que não seja proprietário de outro imóvel urbano ou assunto muito controverso.
rural. c) 5 anos – pode ser considerado o prazo antes 05 de
§ 1º O título de domínio e a concessão de uso serão outubro de 1988 (Constituição Federal)? Depende. Se a
conferidos ao homem ou à mulher, ou a ambos, indepen- área é de até 25 hectares sim, pois já havia tal possibilidade
dentemente do estado civil. antes da CF/88. Se área for maior (entre 25 ha e 50 ha) não.
§ 2º Esse direito não será reconhecido ao mesmo pos- d) Moradia sua ou de sua família – a pessoa deve morar
suidor mais de uma vez. na área rural.
§ 3º Os imóveis públicos não serão adquiridos por usu- e) Nenhum outro imóvel.
capião. f) O usucapiente, com seu trabalho, deve ter tornado
a área produtiva. Por isso, é chamado de usucapião “pro
Além dos requisitos gerais (animus e posse que seja labore”. Dependerá do caso concreto.
pública, pacífica, ininterrupta e contínua), são exigidos os
seguintes requisitos específicos: Uso temporário
a) Área urbana – há controvérsia. Pela teoria da locali- No mais, estabelece-se uma terceira limitação ao di-
zação, área urbana é a que está dentro do perímetro urba- reito de propriedade que não possui o caráter definitivo
no. Pela teoria da destinação, mais importante que a locali- da desapropriação, mas é temporária, conforme artigo 5º,
zação é a sua utilização. Ex.: se tem fins agrícolas/pecuários
XXV, CF:
e estiver dentro do perímetro urbana, o imóvel é rural. Para
fins de usucapião a maioria diz que prevalece a teoria da
Artigo 5º, XXV, CF. No caso de iminente perigo públi-
localização.
co, a autoridade competente poderá usar de propriedade
b) Imóveis até 250 m² – Pode dentro de uma posse
particular, assegurada ao proprietário indenização ulterior,
maior isolar área de 250m² e ingressar com a ação? A juris-
se houver dano.
prudência é pacífica que a posse desde o início deve ficar
restrita a 250m². Predomina também que o terreno deve
ter 250m², não a área construída (a área de um sobrado, Se uma pessoa tem uma propriedade, numa situação
por exemplo, pode ser maior que a de um terreno). de perigo, o poder público pode se utilizar dela (ex: montar
c) 5 anos – houve controvérsia porque a Constituição uma base para capturar um fugitivo), pois o interesse da
Federal de 1988 que criou esta modalidade. E se antes coletividade é maior que o do indivíduo proprietário.
de 05 de outubro de 1988 uma pessoa tivesse há 4 anos
dentro do limite da usucapião urbana? Predominou que Direito sucessório
só corria o prazo a partir da criação do instituto, não só O direito sucessório aparece como uma faceta do direi-
porque antes não existia e o prazo não podia correr, como to à propriedade, encontrando disciplina constitucional no
também não se poderia prejudicar o proprietário. artigo 5º, XXX e XXXI, CF:
d) Moradia sua ou de sua família – não basta ter posse,
é preciso que a pessoa more, sozinha ou com sua família, Artigo 5º, XXX, CF. É garantido o direito de herança;
ao longo de todo o prazo (não só no início ou no final).
Logo, não cabe acessio temporis por cessão da posse. Artigo 5º, XXXI, CF. A sucessão de bens de estrangei-
e) Nenhum outro imóvel, nem urbano, nem rural, no ros situados no País será regulada pela lei brasileira em be-
Brasil. O usucapiente não prova isso, apenas alega. Se al- nefício do cônjuge ou dos filhos brasileiros, sempre que não
guém não quiser a usucapião, prova o contrário. Este re- lhes seja mais favorável a lei pessoal do de cujus.
quisito é verificado no momento em que completa 5 anos.
Em relação à previsão da usucapião especial rural, des- O direito à herança envolve o direito de receber – seja
taca-se o artigo 191, CF: devido a uma previsão legal, seja por testamento – bens
de uma pessoa que faleceu. Assim, o patrimônio passa
Art. 191, CF. Aquele que, não sendo proprietário de imó- para outra pessoa, conforme a vontade do falecido e/ou
vel rural ou urbano, possua como seu, por cinco anos inin- a lei determine. A Constituição estabelece uma disciplina
terruptos, sem oposição, área de terra, em zona rural, não específica para bens de estrangeiros situados no Brasil, as-
superior a cinquenta hectares, tornando-a produtiva por seu segurando que eles sejam repassados ao cônjuge e filhos
trabalho ou de sua família, tendo nela sua moradia, adqui- brasileiros nos termos da lei mais benéfica (do Brasil ou do
rir-lhe-á a propriedade. país estrangeiro).

16
DIREITO CONSTITUCIONAL

Direito do consumidor Assim, a propriedade possui uma vertente intelectual


Nos termos do artigo 5º, XXXII, CF: que deve ser respeitada, tanto sob o aspecto moral quanto
sob o patrimonial. No âmbito infraconstitucional brasileiro,
Artigo 5º, XXXII, CF. O Estado promoverá, na forma da a Lei nº 9.610, de 19 de fevereiro de 1998, regulamenta os
lei, a defesa do consumidor. direitos autorais, isto é, “os direitos de autor e os que lhes
são conexos”.
O direito do consumidor liga-se ao direito à proprieda- O artigo 7° do referido diploma considera como obras
de a partir do momento em que garante à pessoa que irá intelectuais que merecem a proteção do direito do autor
adquirir bens e serviços que estes sejam entregues e pres- os textos de obras de natureza literária, artística ou científi-
tados da forma adequada, impedindo que o fornecedor se ca; as conferências, sermões e obras semelhantes; as obras
cinematográficas e televisivas; as composições musicais;
enriqueça ilicitamente, se aproveite de maneira indevida da
fotografias; ilustrações; programas de computador; coletâ-
posição menos favorável e de vulnerabilidade técnica do
neas e enciclopédias; entre outras.
consumidor.
Os direitos morais do autor, que são imprescritíveis,
O Direito do Consumidor pode ser considerado um inalienáveis e irrenunciáveis, envolvem, basicamente, o di-
ramo recente do Direito. No Brasil, a legislação que o re- reito de reivindicar a autoria da obra, ter seu nome divul-
gulamentou foi promulgada nos anos 90, qual seja a Lei nº gado na utilização desta, assegurar a integridade desta ou
8.078, de 11 de setembro de 1990, conforme determinado modificá-la e retirá-la de circulação se esta passar a afron-
pela Constituição Federal de 1988, que também estabele- tar sua honra ou imagem.
ceu no artigo 48 do Ato das Disposições Constitucionais Já os direitos patrimoniais do autor, nos termos dos ar-
Transitórias: tigos 41 a 44 da Lei nº 9.610/98, prescrevem em 70 anos
contados do primeiro ano seguinte à sua morte ou do
Artigo 48, ADCT. O Congresso Nacional, dentro de cento falecimento do último coautor, ou contados do primeiro
e vinte dias da promulgação da Constituição, elaborará có- ano seguinte à divulgação da obra se esta for de natureza
digo de defesa do consumidor. audiovisual ou fotográfica. Estes, por sua vez, abrangem,
basicamente, o direito de dispor sobre a reprodução, edi-
A elaboração do Código de Defesa do Consumidor foi ção, adaptação, tradução, utilização, inclusão em bases de
um grande passo para a proteção da pessoa nas relações dados ou qualquer outra modalidade de utilização; sendo
de consumo que estabeleça, respeitando-se a condição de que estas modalidades de utilização podem se dar a título
hipossuficiente técnico daquele que adquire um bem ou oneroso ou gratuito.
“Os direitos autorais, também conhecidos como co-
faz uso de determinado serviço, enquanto consumidor.
pyright (direito de cópia), são considerados bens móveis,
podendo ser alienados, doados, cedidos ou locados. Res-
Propriedade intelectual salte-se que a permissão a terceiros de utilização de cria-
Além da propriedade material, o constituinte protege ções artísticas é direito do autor. [...] A proteção consti-
também a propriedade intelectual, notadamente no artigo tucional abrange o plágio e a contrafação. Enquanto que
5º, XXVII, XXVIII e XXIX, CF: o primeiro caracteriza-se pela difusão de obra criada ou
produzida por terceiros, como se fosse própria, a segunda
Artigo 5º, XXVII, CF. Aos autores pertence o direito ex- configura a reprodução de obra alheia sem a necessária
clusivo de utilização, publicação ou reprodução de suas permissão do autor”27.
obras, transmissível aos herdeiros pelo tempo que a lei fixar;
- Direitos de acesso à justiça
Artigo 5º, XXVIII, CF. São assegurados, nos termos da lei: A formação de um conceito sistemático de acesso à
a) a proteção às participações individuais em obras justiça se dá com a teoria de Cappelletti e Garth, que apon-
coletivas e à reprodução da imagem e voz humanas, in- taram três ondas de acesso, isto é, três posicionamentos
clusive nas atividades desportivas; básicos para a realização efetiva de tal acesso. Tais ondas
b) o direito de fiscalização do aproveitamento eco- foram percebidas paulatinamente com a evolução do Di-
nômico das obras que criarem ou de que participarem aos reito moderno conforme implementadas as bases da onda
criadores, aos intérpretes e às respectivas representações anterior, quer dizer, ficou evidente aos autores a emergên-
cia de uma nova onda quando superada a afirmação das
sindicais e associativas;
premissas da onda anterior, restando parcialmente imple-
mentada (visto que até hoje enfrentam-se obstáculos ao
Artigo 5º, XXIX, CF. A lei assegurará aos autores de in-
pleno atendimento em todas as ondas).
ventos industriais privilégio temporário para sua utiliza-
ção, bem como proteção às criações industriais, à proprie-
dade das marcas, aos nomes de empresas e a outros signos 27 MORAES, Alexandre de. Direitos humanos fun-
distintivos, tendo em vista o interesse social e o desenvolvi- damentais: teoria geral, comentários aos artigos 1º a 5º da
mento tecnológico e econômico do País. Constituição da República Federativa do Brasil, doutrina e ju-
risprudência. São Paulo: Atlas, 1997.

17
DIREITO CONSTITUCIONAL

Primeiro, Cappelletti e Garth28 entendem que surgiu O constituinte, ciente de que não basta garantir o aces-
uma onda de concessão de assistência judiciária aos po- so ao Poder Judiciário, sendo também necessária a efeti-
bres, partindo-se da prestação sem interesse de remunera- vidade processual, incluiu pela Emenda Constitucional nº
ção por parte dos advogados e, ao final, levando à criação 45/2004 o inciso LXXVIII ao artigo 5º da Constituição:
de um aparato estrutural para a prestação da assistência
pelo Estado. Artigo 5º, LXXVIII, CF. A todos, no âmbito judicial e ad-
Em segundo lugar, no entender de Cappelletti e Garth29, ministrativo, são assegurados a razoável duração do pro-
veio a onda de superação do problema na representação cesso e os meios que garantam a celeridade de sua trami-
dos interesses difusos, saindo da concepção tradicional de tação.
processo como algo restrito a apenas duas partes indivi-  
dualizadas e ocasionando o surgimento de novas institui- Com o tempo se percebeu que não bastava garantir
ções, como o Ministério Público. o acesso à justiça se este não fosse célere e eficaz. Não
Finalmente, Cappelletti e Garth30 apontam uma terceira significa que se deve acelerar o processo em detrimento
onda consistente no surgimento de uma concepção mais de direitos e garantias assegurados em lei, mas sim que é
ampla de acesso à justiça, considerando o conjunto de ins- preciso proporcionar um trâmite que dure nem mais e nem
tituições, mecanismos, pessoas e procedimentos utilizados: menos que o necessário para a efetiva realização da justiça
“[...] esse enfoque encoraja a exploração de uma ampla no caso concreto.
variedade de reformas, incluindo alterações nas formas de - Direitos constitucionais-penais
procedimento, mudanças na estrutura dos tribunais ou a
criação de novos tribunais, o uso de pessoas leigas ou pa- Juiz natural e vedação ao juízo ou tribunal de ex-
raprofissionais, tanto como juízes quanto como defensores, ceção
modificações no direito substantivo destinadas a evitar li- Quando o artigo 5º, LIII, CF menciona:
tígios ou facilitar sua solução e a utilização de mecanismos
privados ou informais de solução dos litígios. Esse enfoque, Artigo 5º, LIII, CF. Ninguém será processado nem sen-
em suma, não receia inovações radicais e compreensivas, tenciado senão pela autoridade competente”, consolida o
que vão muito além da esfera de representação judicial”. princípio do juiz natural que assegura a toda pessoa o direito
Assim, dentro da noção de acesso à justiça, diversos de conhecer previamente daquele que a julgará no processo
aspectos podem ser destacados: de um lado, deve criar-se em que seja parte, revestindo tal juízo em jurisdição com-
o Poder Judiciário e se disponibilizar meios para que todas petente para a matéria específica do caso antes mesmo do
as pessoas possam buscá-lo; de outro lado, não basta ga- fato ocorrer.
rantir meios de acesso se estes forem insuficientes, já que
para que exista o verdadeiro acesso à justiça é necessário Por sua vez, um desdobramento deste princípio encon-
que se aplique o direito material de maneira justa e célere. tra-se no artigo 5º, XXXVII, CF:
Relacionando-se à primeira onda de acesso à justiça,
prevê a Constituição em seu artigo 5º, XXXV: Artigo 5º, XXXVII, CF. Não haverá juízo ou tribunal de
exceção.
Artigo 5º, XXXV, CF. A lei não excluirá da apreciação do
Poder Judiciário lesão ou ameaça a direito. Juízo ou Tribunal de Exceção é aquele especialmente
criado para uma situação pretérita, bem como não reco-
O princípio da inafastabilidade da jurisdição é o princí- nhecido como legítimo pela Constituição do país.
pio de Direito Processual Público subjetivo, também cunha-
do como Princípio da Ação, em que a Constituição garante Tribunal do júri
a necessária tutela estatal aos conflitos ocorrentes na vida A respeito da competência do Tribunal do júri, prevê o
em sociedade. Sempre que uma controvérsia for levada ao artigo 5º, XXXVIII, CF:
Poder Judiciário, preenchidos os requisitos de admissibili-
dade, ela será resolvida, independentemente de haver ou Artigo 5º, XXXVIII. É reconhecida a instituição do júri,
não previsão específica a respeito na legislação. com a organização que lhe der a lei, assegurados:
Também se liga à primeira onda de acesso à justiça, a) a plenitude de defesa;
no que tange à abertura do Judiciário mesmo aos menos b) o sigilo das votações;
favorecidos economicamente, o artigo 5º, LXXIV, CF: c) a soberania dos veredictos;
d) a competência para o julgamento dos crimes dolosos
Artigo 5º, LXXIV, CF. O Estado prestará assistência jurí- contra a vida.
dica integral e gratuita aos que comprovarem insuficiên-
cia de recursos. O Tribunal do Júri é formado por pessoas do povo, que
28 CAPPELLETTI, Mauro; GARTH, Bryant. Acesso à julgam os seus pares. Entende-se ser direito fundamental
Justiça. Tradução Ellen Grace Northfleet. Porto Alegre: Sér- o de ser julgado por seus iguais, membros da sociedade e
gio Antônio Fabris Editor, 1998, p. 31-32. não magistrados, no caso de determinados crimes que por
29 Ibid., p. 49-52 sua natureza possuem fortes fatores de influência emocio-
30 Ibid., p. 67-73 nal.

18
DIREITO CONSTITUCIONAL

Plenitude da defesa envolve tanto a autodefesa quanto Sendo assim confere fórmula genérica que remete ao
a defesa técnica e deve ser mais ampla que a denominada princípio da igualdade numa concepção ampla, razão pela
ampla defesa assegurada em todos os procedimentos judi- qual práticas discriminatórias não podem ser aceitas. No
ciais e administrativos. entanto, o constituinte entendeu por bem prever tratamen-
Sigilo das votações envolve a realização de votações to específico a certas práticas criminosas.
secretas, preservando a liberdade de voto dos que com- Neste sentido, prevê o artigo 5º, XLII, CF:
põem o conselho que irá julgar o ato praticado.
A decisão tomada pelo conselho é soberana. Contu- Artigo 5º, XLII, CF. A prática do racismo constitui crime
do, a soberania dos veredictos veda a alteração das deci- inafiançável e imprescritível, sujeito à pena de reclusão,
sões dos jurados, não a recorribilidade dos julgamentos do nos termos da lei.
Tribunal do Júri para que seja procedido novo julgamento
uma vez cassada a decisão recorrida, haja vista preservar A Lei nº 7.716, de 5 de janeiro de 1989 define os crimes
o ordenamento jurídico pelo princípio do duplo grau de resultantes de preconceito de raça ou de cor. Contra eles
jurisdição. não cabe fiança (pagamento de valor para deixar a prisão
provisória) e não se aplica o instituto da prescrição (perda
Por fim, a competência para julgamento é dos crimes
de pretensão de se processar/punir uma pessoa pelo de-
dolosos (em que há intenção ou ao menos se assume o
curso do tempo).
risco de produção do resultado) contra a vida, que são: ho-
Não obstante, preconiza ao artigo 5º, XLIII, CF:
micídio, aborto, induzimento, instigação ou auxílio a sui-
cídio e infanticídio. Sua competência não é absoluta e é Artigo 5º, XLIII, CF. A lei considerará crimes inafian-
mitigada, por vezes, pela própria Constituição (artigos 29, çáveis e insuscetíveis de graça ou anistia a prática da
X / 102, I, b) e c) / 105, I, a) / 108, I). tortura, o tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins, o
terrorismo e os definidos como crimes hediondos, por eles
Anterioridade e irretroatividade da lei respondendo os mandantes, os executores e os que, podendo
O artigo 5º, XXXIX, CF preconiza: evitá-los, se omitirem.

Artigo5º, XXXIX, CF. Não há crime sem lei anterior que Anistia, graça e indulto diferenciam-se nos seguintes
o defina, nem pena sem prévia cominação legal. termos: a anistia exclui o crime, rescinde a condenação e
extingue totalmente a punibilidade, a graça e o indulto
É a consagração da regra do nullum crimen nulla poena apenas extinguem a punibilidade, podendo ser parciais; a
sine praevia lege. Simultaneamente, se assegura o princípio anistia, em regra, atinge crimes políticos, a graça e o in-
da legalidade (ou reserva legal), na medida em que não há dulto, crimes comuns; a anistia pode ser concedida pelo
crime sem lei que o defina, nem pena sem prévia comina- Poder Legislativo, a graça e o indulto são de competência
ção legal, e o princípio da anterioridade, posto que não há exclusiva do Presidente da República; a anistia pode ser
crime sem lei anterior que o defina. concedida antes da sentença final ou depois da condena-
Ainda no que tange ao princípio da anterioridade, tem- ção irrecorrível, a graça e o indulto pressupõem o trânsito
-se o artigo 5º, XL, CF: em julgado da sentença condenatória; graça e o indulto
apenas extinguem a punibilidade, persistindo os efeitos do
Artigo 5º, XL, CF. A lei penal não retroagirá, salvo para crime, apagados na anistia; graça é em regra individual e
beneficiar o réu. solicitada, enquanto o indulto é coletivo e espontâneo.
Não cabe graça, anistia ou indulto (pode-se considerar
O dispositivo consolida outra faceta do princípio da que o artigo o abrange, pela doutrina majoritária) contra
crimes de tortura, tráfico, terrorismo (TTT) e hediondos
anterioridade: se, por um lado, é necessário que a lei tenha
(previstos na Lei nº 8.072 de 25 de julho de 1990). Além
definido um fato como crime e dado certo tratamento pe-
disso, são crimes que não aceitam fiança.
nal a este fato (ex.: pena de detenção ou reclusão, tempo
Ainda, prevê o artigo 5º, XLIV, CF:
de pena, etc.) antes que ele ocorra; por outro lado, se vier
uma lei posterior ao fato que o exclua do rol de crimes ou Artigo 5º, XLIV, CF. Constitui crime inafiançável e im-
que confira tratamento mais benéfico (diminuindo a pena prescritível a ação de grupos armados, civis ou militares,
ou alterando o regime de cumprimento, notadamente), ela contra a ordem constitucional e o Estado Democrático.
será aplicada. Restam consagrados tanto o princípio da ir-
retroatividade da lei penal in pejus quanto o da retroativi- Por fim, dispõe a CF sobre a possibilidade de extradi-
dade da lei penal mais benéfica. ção de brasileiro naturalizado caso esteja envolvido com
tráfico ilícito de entorpecentes:
Menções específicas a crimes
O artigo 5º, XLI, CF estabelece: Artigo 5º, LI, CF. Nenhum brasileiro será extraditado,
salvo o naturalizado, em caso de crime comum, praticado
Artigo 5º, XLI, CF. A lei punirá qualquer discriminação antes da naturalização, ou de comprovado envolvimento
atentatória dos direitos e liberdades fundamentais. em tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins, na for-
ma da lei.

19
DIREITO CONSTITUCIONAL

Personalidade da pena A distinção do estabelecimento conforme a natureza


A personalidade da pena encontra respaldo no artigo do delito visa impedir que a prisão se torne uma faculdade
5º, XLV, CF: do crime. Infelizmente, o Estado não possui aparato sufi-
ciente para cumprir tal diretiva, diferenciando, no máximo,
Artigo 5º, XLV, CF. Nenhuma pena passará da pessoa o nível de segurança das prisões. Quanto à idade, desta-
do condenado, podendo a obrigação de reparar o dano e a cam-se as Fundações Casas, para cumprimento de medida
decretação do perdimento de bens ser, nos termos da lei, es- por menores infratores. Quanto ao sexo, prisões costumam
tendidas aos sucessores e contra eles executadas, até o limite ser exclusivamente para homens ou para mulheres.
do valor do patrimônio transferido. Também se denota o respeito à individualização da
pena nesta faceta pelo artigo 5º, L, CF:
O princípio da personalidade encerra o comando de o
crime ser imputado somente ao seu autor, que é, por seu Artigo 5º, L, CF. Às presidiárias serão asseguradas con-
turno, a única pessoa passível de sofrer a sanção. Seria fla- dições para que possam permanecer com seus filhos duran-
grante a injustiça se fosse possível alguém responder pelos te o período de amamentação.
atos ilícitos de outrem: caso contrário, a reação, ao invés de
restringir-se ao malfeitor, alcançaria inocentes. Contudo, se Preserva-se a individualização da pena porque é toma-
uma pessoa deixou patrimônio e faleceu, este patrimônio da a condição peculiar da presa que possui filho no perío-
responderá pelas repercussões financeiras do ilícito. do de amamentação, mas também se preserva a dignidade
da criança, não a afastando do seio materno de maneira
Individualização da pena precária e impedindo a formação de vínculo pela amamen-
A individualização da pena tem por finalidade concre- tação.
tizar o princípio de que a responsabilização penal é sempre
pessoal, devendo assim ser aplicada conforme as peculia- Vedação de determinadas penas
ridades do agente. O constituinte viu por bem proibir algumas espécies de
penas, consoante ao artigo 5º, XLVII, CF:
A primeira menção à individualização da pena se en-
contra no artigo 5º, XLVI, CF:
Artigo 5º, XLVII, CF. não haverá penas:
a) de morte, salvo em caso de guerra declarada, nos
Artigo 5º, XLVI, CF. A lei regulará a individualização da
termos do art. 84, XIX;
pena e adotará, entre outras, as seguintes:
b) de caráter perpétuo;
a) privação ou restrição da liberdade;
c) de trabalhos forçados;
b) perda de bens;
d) de banimento;
c) multa;
e) cruéis.
d) prestação social alternativa;
e) suspensão ou interdição de direitos. Em resumo, o inciso consolida o princípio da humani-
dade, pelo qual o “poder punitivo estatal não pode aplicar
Pelo princípio da individualização da pena, a pena deve sanções que atinjam a dignidade da pessoa humana ou que
ser individualizada nos planos legislativo, judiciário e exe- lesionem a constituição físico-psíquica dos condenados”31 .
cutório, evitando-se a padronização a sanção penal. A in- Quanto à questão da pena de morte, percebe-se que o
dividualização da pena significa adaptar a pena ao conde- constituinte não estabeleceu uma total vedação, autorizan-
nado, consideradas as características do agente e do delito. do-a nos casos de guerra declarada. Obviamente, deve-se
A pena privativa de liberdade é aquela que restringe, respeitar o princípio da anterioridade da lei, ou seja, a le-
com maior ou menor intensidade, a liberdade do condena- gislação deve prever a pena de morte ao fato antes dele ser
do, consistente em permanecer em algum estabelecimento praticado. No ordenamento brasileiro, este papel é cumpri-
prisional, por um determinado tempo. do pelo Código Penal Militar (Decreto-Lei nº 1.001/1969),
A pena de multa ou patrimonial opera uma diminuição que prevê a pena de morte a ser executada por fuzilamento
do patrimônio do indivíduo delituoso. nos casos tipificados em seu Livro II, que aborda os crimes
A prestação social alternativa corresponde às penas militares em tempo de guerra.
restritivas de direitos, autônomas e substitutivas das penas Por sua vez, estão absolutamente vedadas em quais-
privativas de liberdade, estabelecidas no artigo 44 do Có- quer circunstâncias as penas de caráter perpétuo, de traba-
digo Penal. lhos forçados, de banimento e cruéis.
Por seu turno, a individualização da pena deve também No que tange aos trabalhos forçados, vale destacar
se fazer presente na fase de sua execução, conforme se de- que o trabalho obrigatório não é considerado um trata-
preende do artigo 5º, XLVIII, CF: mento contrário à dignidade do recluso, embora o trabalho
forçado o seja. O trabalho é obrigatório, dentro das condi-
Artigo 5º, XLVIII, CF. A pena será cumprida em estabe- ções do apenado, não podendo ser cruel ou menosprezar
lecimentos distintos, de acordo com a natureza do delito, a capacidade física e intelectual do condenado; como o
a idade e o sexo do apenado. 31 BITENCOURT, Cezar Roberto. Tratado de direito
penal. 16. ed. São Paulo: Saraiva, 2011. v. 1.

20
DIREITO CONSTITUCIONAL

trabalho não existe independente da educação, cabe in- Vedação de provas ilícitas
centivar o aperfeiçoamento pessoal; até mesmo porque o Conforme o artigo 5º, LVI, CF:
trabalho deve se aproximar da realidade do mundo exter-
no, será remunerado; além disso, condições de dignidade e Artigo 5º, LVI, CF. São inadmissíveis, no processo, as pro-
segurança do trabalhador, como descanso semanal e equi- vas obtidas por meios ilícitos.
pamentos de proteção, deverão ser respeitados.
Provas ilícitas, por força da nova redação dada ao arti-
Respeito à integridade do preso go 157 do CPP, são as obtidas em violação a normas cons-
Prevê o artigo 5º, XLIX, CF: titucionais ou legai, ou seja, prova ilícita é a que viola regra
de direito material, constitucional ou legal, no momento
Artigo 5º, XLIX, CF. É assegurado aos presos o respeito da sua obtenção. São vedadas porque não se pode aceitar
à integridade física e moral. o descumprimento do ordenamento para fazê-lo cumprir:
seria paradoxal.
Obviamente, o desrespeito à integridade física e mo- Presunção de inocência
ral do preso é uma violação do princípio da dignidade da
Prevê a Constituição no artigo 5º, LVII:
pessoa humana.
Dois tipos de tratamentos que violam esta integridade
Artigo 5º, LVII, CF. Ninguém será considerado culpado
estão mencionados no próprio artigo 5º da Constituição
Federal. Em primeiro lugar, tem-se a vedação da tortura e até o trânsito em julgado de sentença penal condenatória.
de tratamentos desumanos e degradantes (artigo 5º, III,
CF), o que vale na execução da pena. Consolida-se o princípio da presunção de inocência,
No mais, prevê o artigo 5º, LVIII, CF: pelo qual uma pessoa não é culpada até que, em definitivo,
o Judiciário assim decida, respeitados todos os princípios e
Artigo 5º, LVIII, CF. O civilmente identificado não será garantias constitucionais.
submetido a identificação criminal, salvo nas hipóteses
previstas em lei. Ação penal privada subsidiária da pública
Nos termos do artigo 5º, LIX, CF:
Se uma pessoa possui identificação civil, não há por-
que fazer identificação criminal, colhendo digitais, fotos, Artigo 5º, LIX, CF. Será admitida ação privada nos cri-
etc. Pensa-se que seria uma situação constrangedora des- mes de ação pública, se esta não for intentada no prazo
necessária ao suspeito, sendo assim, violaria a integridade legal.
moral.
A chamada ação penal privada subsidiária da pública
Devido processo legal, contraditório e ampla defesa encontra respaldo constitucional, assegurando que a omis-
Estabelece o artigo 5º, LIV, CF: são do poder público na atividade de persecução criminal
não será ignorada, fornecendo-se instrumento para que o
Artigo 5º, LIV, CF. Ninguém será privado da liberdade ou interessado a proponha.
de seus bens sem o devido processo legal.
Prisão e liberdade
Pelo princípio do devido processo legal a legislação O constituinte confere espaço bastante extenso no ar-
deve ser respeitada quando o Estado pretender punir al- tigo 5º em relação ao tratamento da prisão, notadamente
guém judicialmente. Logo, o procedimento deve ser livre por se tratar de ato que vai contra o direito à liberdade.
de vícios e seguir estritamente a legislação vigente, sob
Obviamente, a prisão não é vedada em todos os casos, por-
pena de nulidade processual.
que práticas atentatórias a direitos fundamentais implicam
Surgem como corolário do devido processo legal o
na tipificação penal, autorizando a restrição da liberdade
contraditório e a ampla defesa, pois somente um procedi-
mento que os garanta estará livre dos vícios. Neste sentido, daquele que assim agiu.
o artigo 5º, LV, CF: No inciso LXI do artigo 5º, CF, prevê-se:

Artigo 5º, LV, CF. Aos litigantes, em processo judicial ou Artigo 5º, LXI, CF. Ninguém será preso senão em fla-
administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o grante delito ou por ordem escrita e fundamentada de
contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a autoridade judiciária competente, salvo nos casos de trans-
ela inerentes. gressão militar ou crime propriamente militar, definidos em
lei.
O devido processo legal possui a faceta formal, pela
qual se deve seguir o adequado procedimento na aplica- Logo, a prisão somente se dará em caso de flagran-
ção da lei e, sendo assim, respeitar o contraditório e a am- te delito (necessariamente antes do trânsito em julgado),
pla defesa. Não obstante, o devido processo legal tem sua ou em caráter temporário, provisório ou definitivo (as duas
faceta material que consiste na tomada de decisões justas, primeiras independente do trânsito em julgado, preenchi-
que respeitem os parâmetros da razoabilidade e da pro- dos requisitos legais e a última pela irreversibilidade da
porcionalidade. condenação).

21
DIREITO CONSTITUCIONAL

Aborda-se no artigo 5º, LXII o dever de comunicação 4) Direitos fundamentais implícitos


ao juiz e à família ou pessoa indicada pelo preso: Nos termos do § 2º do artigo 5º da Constituição Fe-
deral:
Artigo 5º, LXII, CF. A prisão de qualquer pessoa e o lo-
cal onde se encontre serão comunicados imediatamente ao Artigo 5º, §2º, CF. Os direitos e garantias expressos nesta
juiz competente e à família do preso ou à pessoa por ele Constituição não excluem outros decorrentes do regime e
indicada. dos princípios por ela adotados, ou dos tratados internacio-
nais em que a República Federativa do Brasil seja parte.
Não obstante, o preso deverá ser informado de todos
os seus direitos, inclusive o direito ao silêncio, podendo Daí se depreende que os direitos ou garantias podem
entrar em contato com sua família e com um advogado, estar expressos ou implícitos no texto constitucional. Sen-
conforme artigo 5º, LXIII, CF: do assim, o rol enumerado nos incisos do artigo 5º é ape-
nas exemplificativo, não taxativo.
5) Tratados internacionais incorporados ao ordena-
Artigo 5º, LXIII, CF. O preso será informado de seus di-
mento interno
reitos, entre os quais o de permanecer calado, sendo-lhe
Estabelece o artigo 5º, § 2º, CF que os direitos e garan-
assegurada a assistência da família e de advogado.
tias podem decorrer, dentre outras fontes, dos “tratados
internacionais em que a República Federativa do Brasil
Estabelece-se no artigo 5º, LXIV, CF: seja parte”.
Para o tratado internacional ingressar no ordenamen-
Artigo 5º, LXIV, CF. O preso tem direito à identificação to jurídico brasileiro deve ser observado um procedimento
dos responsáveis por sua prisão ou por seu interrogatório complexo, que exige o cumprimento de quatro fases: a ne-
policial. gociação (bilateral ou multilateral, com posterior assinatura
do Presidente da República), submissão do tratado assina-
Por isso mesmo, o auto de prisão em flagrante e a ata do ao Congresso Nacional (que dará referendo por meio
do depoimento do interrogatório são assinados pelas au- do decreto legislativo), ratificação do tratado (confirmação
toridades envolvidas nas práticas destes atos procedimen- da obrigação perante a comunidade internacional) e a pro-
tais. mulgação e publicação do tratado pelo Poder Executivo32.
Ainda, a legislação estabelece inúmeros requisitos para Notadamente, quando o constituinte menciona os tratados
que a prisão seja validada, sem os quais cabe relaxamento, internacionais no §2º do artigo 5º refere-se àqueles que
tanto que assim prevê o artigo 5º, LXV, CF: tenham por fulcro ampliar o rol de direitos do artigo 5º, ou
seja, tratado internacional de direitos humanos.
Artigo 5º, LXV, CF. A prisão ilegal será imediatamente O §1° e o §2° do artigo 5° existiam de maneira originá-
relaxada pela autoridade judiciária. ria na Constituição Federal, conferindo o caráter de prima-
zia dos direitos humanos, desde logo consagrando o prin-
Desta forma, como decorrência lógica, tem-se a previ- cípio da primazia dos direitos humanos, como reconhecido
são do artigo 5º, LXVI, CF: pela doutrina e jurisprudência majoritários na época. “O
princípio da primazia dos direitos humanos nas relações
Artigo 5º, LXVI, CF. Ninguém será levado à prisão ou internacionais implica em que o Brasil deve incorporar os
nela mantido, quando a lei admitir a liberdade provisória, tratados quanto ao tema ao ordenamento interno brasilei-
com ou sem fiança. ro e respeitá-los. Implica, também em que as normas vol-
tadas à proteção da dignidade em caráter universal devem
ser aplicadas no Brasil em caráter prioritário em relação a
Mesmo que a pessoa seja presa em flagrante, devido
outras normas”33.
ao princípio da presunção de inocência, entende-se que
Regra geral, os tratados internacionais comuns ingres-
ela não deve ser mantida presa quando não preencher os sam com força de lei ordinária no ordenamento jurídico
requisitos legais para prisão preventiva ou temporária. brasileiro porque somente existe previsão constitucional
quanto à possibilidade da equiparação às emendas consti-
Indenização por erro judiciário tucionais se o tratado abranger matéria de direitos huma-
A disciplina sobre direitos decorrentes do erro judiciá- nos. Antes da emenda alterou o quadro quanto aos trata-
rio encontra-se no artigo 5º, LXXV, CF: dos de direitos humanos, era o que acontecia, mas isso não
significa que tais direitos eram menos importantes devido
Artigo 5º, LXXV, CF. O Estado indenizará o condenado ao princípio da primazia e ao reconhecimento dos direitos
por erro judiciário, assim como o que ficar preso além do implícitos.
tempo fixado na sentença.
32 VICENTE SOBRINHO, Benedito. Direitos
Trata-se do erro em que incorre um juiz na apreciação Fundamentais e Prisão Civil. Porto Alegre: Sérgio An-
e julgamento de um processo criminal, resultando em con- tonio Fabris Editor, 2008.
denação de alguém inocente. Neste caso, o Estado inde- 33 PORTELA, Paulo Henrique Gonçalves. Direito
nizará. Ele também indenizará uma pessoa que ficar presa Internacional Público e Privado. Salvador: JusPodi-
além do tempo que foi condenada a cumprir. vm, 2009.

22
DIREITO CONSTITUCIONAL

Por seu turno, com o advento da Emenda Constitucio- Resume Mello35: “a Conferência das Nações Unidas so-
nal nº 45/04 se introduziu o §3º ao artigo 5º da Consti- bre a criação de uma Corte Criminal Internacional, reunida
tuição Federal, de modo que os tratados internacionais de em Roma, em 1998, aprovou a referida Corte. Ela é perma-
direitos humanos foram equiparados às emendas consti- nente. Tem sede em Haia. A corte tem personalidade inter-
tucionais, desde que houvesse a aprovação do tratado em nacional. Ela julga: a) crime de genocídio; b) crime contra
cada Casa do Congresso Nacional e obtivesse a votação em a humanidade; c) crime de guerra; d) crime de agressão.
dois turnos e com três quintos dos votos dos respectivos Para o crime de genocídio usa a definição da convenção
membros: de 1948. Como crimes contra a humanidade são citados:
assassinato, escravidão, prisão violando as normas inter-
Art. 5º, § 3º, CF. Os tratados e convenções interna- nacionais, violação tortura, apartheid, escravidão sexual,
cionais sobre direitos humanos que forem aprovados, em prostituição forçada, esterilização, etc. São crimes de guer-
cada Casa do Congresso Nacional, em dois turnos, por três ra: homicídio internacional, destruição de bens não justifi-
quintos dos votos dos respectivos membros, serão equivalen- cada pela guerra, deportação, forçar um prisioneiro a servir
tes às emendas constitucionais.  nas forças inimigas, etc.”.

Logo, a partir da alteração constitucional, os tratados


de direitos humanos que ingressarem no ordenamento ju- No título V, aborda-se a defesa do Estado e das insti-
rídico brasileiro, versando sobre matéria de direitos huma- tuições democráticas, com outros institutos relevantes para
nos, irão passar por um processo de aprovação semelhante evitar impacto na organização do Estado, razão pela qual
ao da emenda constitucional. se promove aqui um estudo conjunto.
Contudo, há posicionamentos conflituosos quanto à
possibilidade de considerar como hierarquicamente cons- Estado de Defesa e Estado de Sítio
titucional os tratados internacionais de direitos humanos O título V, intitulado “Da Defesa do Estado e Das Ins-
que ingressaram no ordenamento jurídico brasileiro ante- tituições Democráticas”, trabalha em seu capítulo I com o
riormente ao advento da referida emenda. Tal discussão se Estado de Defesa e o Estado de Sítio.
deu com relação à prisão civil do depositário infiel, prevista Estado de defesa e estado de sítio são duas situações
como legal na Constituição e ilegal no Pacto de São José excepcionais decretadas pelo Chefe do Executivo Federal,
da Costa Rica (tratado de direitos humanos aprovado antes cumpridos determinados requisitos, visando preservar o
da EC nº 45/04), sendo que o Supremo Tribunal Federal próprio Estado e suas instituições democráticas.
firmou o entendimento pela supralegalidade do tratado de O estado de defesa é decretado para preservar ou
direitos humanos anterior à Emenda (estaria numa posição restabelecer, em locais restritos e determinados, a ordem
que paralisaria a eficácia da lei infraconstitucional, mas não pública ou a paz social ameaçadas por grave e iminente
revogaria a Constituição no ponto controverso). instabilidade institucional ou atingidas por calamidades de
grandes proporções na natureza.
6) Tribunal Penal Internacional O estado de sítio é decretado quando estado de defesa
Preconiza o artigo 5º, CF em seu § 4º: não resolveu o problema, quando o problema atinge todo
o país, ou em casos de guerra.
Artigo 5º, §4º, CF. O Brasil se submete à jurisdição de A disciplina se encontra do artigo 136, CF ao artigo
Tribunal Penal Internacional a cuja criação tenha manifes- 141, CF, que seguem.
tado adesão.
  Seção I
O Estatuto de Roma do Tribunal Penal Internacional foi DO ESTADO DE DEFESA
promulgado no Brasil pelo Decreto nº 4.388 de 25 de se- Art. 136, CF. O Presidente da República pode, ouvidos o
tembro de 2002. Ele contém 128 artigos e foi elaborado em Conselho da República e o Conselho de Defesa Nacional,
Roma, no dia 17 de julho de 1998, regendo a competência decretar estado de defesa para preservar ou prontamente
e o funcionamento deste Tribunal voltado às pessoas res- restabelecer, em locais restritos e determinados, a ordem
ponsáveis por crimes de maior gravidade com repercussão pública ou a paz social ameaçadas por grave e iminente
internacional (artigo 1º, ETPI). instabilidade institucional ou atingidas por calamidades
“Ao contrário da Corte Internacional de Justiça, cuja ju- de grandes proporções na natureza.
risdição é restrita a Estados, ao Tribunal Penal Internacional § 1º O decreto que instituir o estado de defesa deter-
compete o processo e julgamento de violações contra indi- minará o tempo de sua duração, especificará as áreas a
víduos; e, distintamente dos Tribunais de crimes de guerra serem abrangidas e indicará, nos termos e limites da lei, as
da Iugoslávia e de Ruanda, criados para analisarem crimes medidas coercitivas a vigorarem, dentre as seguintes:
cometidos durante esses conflitos, sua jurisdição não está I - restrições aos direitos de:
restrita a uma situação específica”34. a) reunião, ainda que exercida no seio das associações;
b) sigilo de correspondência;
34 NEVES, Gustavo Bregalda. Direito Internacional c) sigilo de comunicação telegráfica e telefônica;
Público & Direito Internacional Privado. 3. ed. São Paulo: 35 MELLO, Celso D. de Albuquerque. Curso de Direito
Atlas, 2009. Internacional Público. 14. ed. São Paulo: Saraiva, 2000.

23
DIREITO CONSTITUCIONAL

II - ocupação e uso temporário de bens e serviços Seção II


públicos, na hipótese de calamidade pública, respondendo DO ESTADO DE SÍTIO
a União pelos danos e custos decorrentes.
§ 2º O tempo de duração do estado de defesa não será Art. 137, CF. O Presidente da República pode, ouvidos
superior a trinta dias, podendo ser prorrogado uma vez, o Conselho da República e o Conselho de Defesa Na-
por igual período, se persistirem as razões que justificaram cional, solicitar ao Congresso Nacional autorização para
a sua decretação. decretar o estado de sítio nos casos de:
§ 3º Na vigência do estado de defesa:  I - comoção grave de repercussão nacional ou ocorrên-
I - a prisão por crime contra o Estado, determinada cia de fatos que comprovem a ineficácia de medida tomada
pelo executor da medida, será por este comunicada imedia- durante o estado de defesa;
tamente ao juiz competente, que a relaxará, se não for legal, II - declaração de estado de guerra ou resposta a
agressão armada estrangeira.
facultado ao preso requerer exame de corpo de delito à au-
Parágrafo único. O Presidente da República, ao solicitar
toridade policial;
autorização para decretar o estado de sítio ou sua prorroga-
II - a comunicação será acompanhada de declaração,
ção, relatará os motivos determinantes do pedido, devendo o
pela autoridade, do estado físico e mental do detido no Congresso Nacional decidir por maioria absoluta”.
momento de sua autuação; “Art. 138, CF. O decreto do estado de sítio indicará sua
III - a prisão ou detenção de qualquer pessoa não poderá duração, as normas necessárias a sua execução e as ga-
ser superior a dez dias, salvo quando autorizada pelo Poder rantias constitucionais que ficarão suspensas, e, depois
Judiciário; de publicado, o Presidente da República designará o execu-
IV - é vedada a incomunicabilidade do preso. tor das medidas específicas e as áreas abrangidas.
§ 4º Decretado o estado de defesa ou sua prorrogação, § 1º O estado de sítio, no caso do art. 137, I, não pode-
o Presidente da República, dentro de vinte e quatro horas, rá ser decretado por mais de trinta dias, nem prorrogado,
submeterá o ato com a respectiva justificação ao Congres- de cada vez, por prazo superior; no do inciso II, poderá ser
so Nacional, que decidirá por maioria absoluta. decretado por todo o tempo que perdurar a guerra ou a
§ 5º Se o Congresso Nacional estiver em recesso, será agressão armada estrangeira.
convocado, extraordinariamente, no prazo de cinco dias. § 2º Solicitada autorização para decretar o estado de
§ 6º O Congresso Nacional apreciará o decreto dentro sítio durante o recesso parlamentar, o Presidente do Sena-
de dez dias contados de seu recebimento, devendo conti- do Federal, de imediato, convocará extraordinariamente
nuar funcionando enquanto vigorar o estado de defesa. o Congresso Nacional para se reunir dentro de cinco dias, a
§ 7º Rejeitado o decreto, cessa imediatamente o estado fim de apreciar o ato.
§ 3º O Congresso Nacional permanecerá em funciona-
de defesa.
mento até o término das medidas coercitivas.
Da disciplina do Estado de Defesa no artigo 136, CF Art. 139, CF. Na vigência do estado de sítio decretado
podem ser extraídos alguns aspectos relevantes. com fundamento no art. 137, I, só poderão ser tomadas
Primeiro, a finalidade do Estado de Defesa, que é a pre- contra as pessoas as seguintes medidas:
servação ou restabelecimento em locais restritos e deter- I - obrigação de permanência em localidade deter-
minados a ordem pública e a paz social que estejam amea- minada;
çados por grave instabilidade institucional ou calamidade II - detenção em edifício não destinado a acusados ou
de grande proporção. condenados por crimes comuns;
Ainda, a especificidade que se percebe pela exigência III - restrições relativas à inviolabilidade da correspon-
de determinação do local e do prazo de vigência (que não dência, ao sigilo das comunicações, à prestação de informa-
pode exceder 30 dias, prorrogáveis por mais 30 dias), bem ções e à liberdade de imprensa, radiodifusão e televisão, na
como pela delimitação de medidas. forma da lei;
Nota-se que a natureza das medidas cabíveis ora se IV - suspensão da liberdade de reunião;
voltam ao estado de defesa por instabilidade institucional V - busca e apreensão em domicílio;
(casos do inciso I do §1º, restringindo certos sigilos e o di- VI - intervenção nas empresas de serviços públicos;
reito de reunião) e ora se voltam ao estado de defesa por VII - requisição de bens.
calamidade (caso do inciso II do §1º, com uso temporário Parágrafo único. Não se inclui nas restrições do inciso III
a difusão de pronunciamentos de parlamentares efetuados
de bens e serviços públicos).
em suas Casas Legislativas, desde que liberada pela respec-
Por fim, destaca-se que a decretação do Estado de De-
tiva Mesa.
fesa, embora seja feita pelo Presidente da República, não é
um ato arbitrário porque ele deve ouvir a opinião do Con- No Estado de Sítio também é necessária a oitiva do
selho da República e do Conselho de Defesa Nacional e Conselho da República e do Conselho de Defesa Nacional,
depois submeter o decreto para aprovação pelo Congresso bem como a aprovação pelo Congresso Nacional. As hipó-
Nacional por maioria absoluta. teses são de grave comoção nacional, ineficácia do estado

24
DIREITO CONSTITUCIONAL

de defesa e estado de guerra. Também há requisitos de II - o militar em atividade que tomar posse em cargo ou
especificidade quanto ao tempo, áreas abrangidas e medi- emprego público civil permanente, ressalvada a hipótese
das coercitivas a serem aplicados no Estado de Sítio. Entre prevista no art. 37, inciso XVI, alínea ‘c’, será transferido para
as medidas coercitivas cabíveis no Estado de Sítio, estão as a reserva, nos termos da lei; 
enumeradas no artigo 139, CF. III - o militar da ativa que, de acordo com a lei, tomar
posse em cargo, emprego ou função pública civil tempo-
Seção III rária, não eletiva, ainda que da administração indireta,
DISPOSIÇÕES GERAIS ressalvada a hipótese prevista no art. 37, inciso XVI, alínea
Art. 140, CF. A Mesa do Congresso Nacional, ouvidos os ‘c’, ficará agregado ao respectivo quadro e somente poderá,
líderes partidários, designará Comissão composta de cinco enquanto permanecer nessa situação, ser promovido por an-
de seus membros para acompanhar e fiscalizar a execução tiguidade, contando-se-lhe o tempo de serviço apenas para
das medidas referentes ao estado de defesa e ao estado de aquela promoção e transferência para a reserva, sendo de-
sítio. pois de dois anos de afastamento, contínuos ou não, transfe-
rido para a reserva, nos termos da lei; 
Art. 141, CF. Cessado o estado de defesa ou o estado de IV - ao militar são proibidas a sindicalização e a gre-
sítio, cessarão também seus efeitos, sem prejuízo da res- ve; 
ponsabilidade pelos ilícitos cometidos por seus executores V - o militar, enquanto em serviço ativo, não pode estar
ou agentes. filiado a partidos políticos;
Parágrafo único. Logo que cesse o estado de defesa ou VI - o oficial só perderá o posto e a patente se for julgado
o estado de sítio, as medidas aplicadas em sua vigência se- indigno do oficialato ou com ele incompatível, por deci-
rão relatadas pelo Presidente da República, em mensagem são de tribunal militar de caráter permanente, em tempo de
ao Congresso Nacional, com especificação e justificação das paz, ou de tribunal especial, em tempo de guerra;
providências adotadas, com relação nominal dos atingidos e VII - o oficial condenado na justiça comum ou militar a
indicação das restrições aplicadas. pena privativa de liberdade superior a dois anos, por senten-
ça transitada em julgado, será submetido ao julgamento
previsto no inciso anterior; 
O Congresso Nacional, mediante Comissão específica,
VIII - aplica-se aos militares o disposto no art. 7º, incisos
exerce atividade fiscalizatória das medidas coercitivas. Pra-
VIII, XII, XVII, XVIII, XIX e XXV, e no art. 37, incisos XI, XIII,
ticados atos atentatórios serão punidos mesmo após ces-
XIV e XV, bem como, na forma da lei e com prevalência da
sado o estado de defesa ou de sítio.
atividade militar, no art. 37, inciso XVI, alínea ‘c’;   
IX -  (Revogado)
Forças armadas
X - a lei disporá sobre o ingresso nas Forças Arma-
O capítulo II do título V aborda as forças armadas, que
das, os limites de idade, a estabilidade e outras condições
exercem a defesa do Estado. de transferência do militar para a inatividade, os direitos,
os deveres, a remuneração, as prerrogativas e outras situa-
CAPÍTULO II ções especiais dos militares, consideradas as peculiaridades
DAS FORÇAS ARMADAS de suas atividades, inclusive aquelas cumpridas por força de
compromissos internacionais e de guerra. 
Art. 142, CF. As Forças Armadas, constituídas pela Ma-
rinha, pelo Exército e pela Aeronáutica, são instituições Art. 143, CF. O serviço militar é obrigatório nos ter-
nacionais permanentes e regulares, organizadas com mos da lei.
base na hierarquia e na disciplina, sob a autoridade su- § 1º Às Forças Armadas compete, na forma da lei, atri-
prema do Presidente da República, e destinam-se à defesa buir serviço alternativo aos que, em tempo de paz, após
da Pátria, à garantia dos poderes constitucionais e, por alistados, alegarem imperativo de consciência, entendendo-
iniciativa de qualquer destes, da lei e da ordem. -se como tal o decorrente de crença religiosa e de convicção
§ 1º Lei complementar estabelecerá as normas gerais filosófica ou política, para se eximirem de atividades de ca-
a serem adotadas na organização, no preparo e no emprego ráter essencialmente militar. 
das Forças Armadas. § 2º As mulheres e os eclesiásticos ficam isentos do
§ 2º Não caberá habeas corpus em relação a punições serviço militar obrigatório em tempo de paz, sujeitos, porém,
disciplinares militares. a outros encargos que a lei lhes atribuir. 
§ 3º Os membros das Forças Armadas são denomina-
dos militares, aplicando-se-lhes, além das que vierem a ser As Forças Armadas são compostas por Marinha, Exér-
fixadas em lei, as seguintes disposições:  cito e Aeronáutica e o chefe delas é o Presidente da Re-
I - as patentes, com prerrogativas, direitos e deveres pública. Por terem a finalidade de defender a pátria, a
a elas inerentes, são conferidas pelo Presidente da República Constituição, a lei e a ordem, são permanentes, regulares e
e asseguradas em plenitude aos oficiais da ativa, da reser- hierarquizadas, além de terem vedações como o direito de
va ou reformados, sendo-lhes privativos os títulos e postos greve e o direito de sindicalização, bem como de filiação
militares e, juntamente com os demais membros, o uso dos a partidos políticos. Pela natureza diversa dos crimes pra-
uniformes das Forças Armadas;  ticados por estes militares, serão julgados por órgão pró-

25
DIREITO CONSTITUCIONAL

prio e perdem a garantia do habeas corpus. O alistamento I - deixar de ser paga, sem motivo de força maior, por
militar é obrigatório, ainda que seja dispensado, caso em dois anos consecutivos, a dívida fundada;
que ficará como reservista. A mulher não precisa prestar o II - não forem prestadas contas devidas, na forma da lei;
serviço militar obrigatório, mas pode ser convocada para a III - não tiver sido aplicado o mínimo exigido da receita
prestação de outros serviços para o Estado, assim como os municipal na manutenção e desenvolvimento do ensino e
eclesiásticos. nas ações e serviços públicos de saúde; 
IV - o Tribunal de Justiça der provimento a representa-
Intervenção nos Estados e Municípios. ção para assegurar a observância de princípios indicados
A intervenção consiste no afastamento temporário das na Constituição Estadual, ou para prover a execução de lei,
prerrogativas totais ou parciais próprias da autonomia dos de ordem ou de decisão judicial”.
entes federados, por outro ente federado, prevalecendo a
vontade do ente interventor. Neste sentido, necessária a Artigo 36, CF. A decretação da intervenção dependerá:
verificação de: I - no caso do art. 34, IV (livre exercício dos Poderes),
a) Pressupostos materiais – requisitos a serem verifica- de solicitação do Poder Legislativo ou do Poder Execu-
dos quanto ao atendimento de uma das justificativas para tivo coacto ou impedido, ou de requisição do Supremo
a intervenção. Tribunal Federal, se a coação for exercida contra o Poder
b) Pressupostos processuais – requisitos para que o ato Judiciário;
da intervenção seja válido, como prazo, abrangência, con- II - no caso de desobediência a ordem ou decisão ju-
dições, além da autorização do Poder Legislativo (artigo 36, diciária, de requisição do Supremo Tribunal Federal, do
CF). Superior Tribunal de Justiça ou do Tribunal Superior
A intervenção pode ser federal, quando a União inter- Eleitoral;
fere nos Estados e no Distrito Federal (artigo 34, CF), ou III de provimento, pelo Supremo Tribunal Federal, de
estadual, quando os Estados-membros interferem em seus representação do Procurador-Geral da República, na hipó-
Municípios (artigo 35, CF). tese do art. 34, VII (observância de princípios constitucio-
nais), e no caso de recusa à execução de lei federal.
Artigo 34, CF. A União não intervirá nos Estados nem § 1º O decreto de intervenção, que especificará a am-
no Distrito Federal, exceto para: plitude, o prazo e as condições de execução e que, se cou-
I - manter a integridade nacional; ber, nomeará o interventor, será submetido à apreciação
II - repelir invasão estrangeira ou de uma unidade da do Congresso Nacional ou da Assembleia Legislativa do
Federação em outra; Estado, no prazo de vinte e quatro horas.
III - pôr termo a grave comprometimento da ordem § 2º Se não estiver funcionando o Congresso Nacional
pública; ou a Assembleia Legislativa, far-se-á convocação extraor-
IV - garantir o livre exercício de qualquer dos Poderes dinária, no mesmo prazo de vinte e quatro horas.
nas unidades da Federação; § 3º Nos casos do art. 34, VI e VII (execução de decisão/
V - reorganizar as finanças da unidade da Federação lei federal e violação de certos princípios constitucionais),
que: ou do art. 35, IV (idem com relação à intervenção em muni-
a) suspender o pagamento da dívida fundada por mais cípios), dispensada a apreciação pelo Congresso Nacional
de dois anos consecutivos, salvo motivo de força maior; ou pela Assembleia Legislativa, o decreto limitar-se-á a
b) deixar de entregar aos Municípios receitas tributárias suspender a execução do ato impugnado, se essa medida
fixadas nesta Constituição, dentro dos prazos estabelecidos bastar ao restabelecimento da normalidade.
em lei; § 4º Cessados os motivos da intervenção, as autorida-
VI - prover a execução de lei federal, ordem ou deci- des afastadas de seus cargos a estes voltarão, salvo impe-
são judicial; dimento legal.
VII - assegurar a observância dos seguintes princípios artigo 42, CF, “os membros das Polícias Militares e Cor-
constitucionais: pos de Bombeiros Militares, instituições organizadas com
a) forma republicana, sistema representativo e regi- base na hierarquia e disciplina, são militares dos Estados,
me democrático; do Distrito Federal e dos Territórios. § 1º Aplicam-se aos
b) direitos da pessoa humana; militares dos Estados, do Distrito Federal e dos Territórios,
c) autonomia municipal; além do que vier a ser fixado em lei, as disposições do art.
d) prestação de contas da administração pública, dire- 14, § 8º; do art. 40, § 9º; e do art. 142, §§ 2º e 3º, cabendo a
ta e indireta. lei estadual específica dispor sobre as matérias do art. 142,
e) aplicação do mínimo exigido da receita resultante de § 3º, inciso X, sendo as patentes dos oficiais conferidas pelos
impostos estaduais, compreendida a proveniente de transfe- respectivos governadores. § 2º Aos pensionistas dos militares
rências, na manutenção e desenvolvimento do ensino e nas dos Estados, do Distrito Federal e dos Territórios aplica-se o
ações e serviços públicos de saúde”.  que for fixado em lei específica do respectivo ente estatal.

Artigo 35, CF. O Estado não intervirá em seus Municí- Artigo 144, § 7º, CF. A lei disciplinará a organização e o
pios, nem a União nos Municípios localizados em Territó- funcionamento dos órgãos responsáveis pela segurança pú-
rio Federal, exceto quando: blica, de maneira a garantir a eficiência de suas atividades.

26
DIREITO CONSTITUCIONAL

Artigo 144, § 8º, CF. Os Municípios poderão constituir - §§ 2º ao 5º com redação dada pela emenda constitu-
guardas municipais destinadas à proteção de seus bens, cional nº 35, de 03/04/2012.
serviços e instalações, conforme dispuser a lei.
§6º - a remoção de integrante da carreira de delegado
Artigo 144, § 9º, CF. A remuneração dos servidores po- de polícia somente poderá ocorrer mediante pedido do in-
liciais integrantes dos órgãos relacionados neste artigo será teressado ou manifestação favorável do colegiado superior
fixada na forma do § 4º do art. 39.  da polícia civil, nos termos da lei. (Nr)
§7º - lei orgânica e estatuto disciplinarão a organização,
Artigo 144, § 10, CF. A segurança viária, exercida para o funcionamento, os direitos, deveres, vantagens e regime
a preservação da ordem pública e da incolumidade das pes- de trabalho da polícia civil e de seus integrantes, servidores
soas e do seu patrimônio nas vias públicas:  especiais, assegurado na estruturação das carreiras o mes-
I - compreende a educação, engenharia e fiscalização mo tratamento dispensado, para efeito de escalonamento
de trânsito, além de outras atividades previstas em lei, que
e promoção, aos delegados de polícia, respeitadas as leis
assegurem ao cidadão o direito à mobilidade urbana eficien-
federais concernentes. (Nr)
te; e 
§8º - lei específica definirá a organização, funciona-
II - compete, no âmbito dos Estados, do Distrito Federal
mento e atribuições da superintendência da polícia técni-
e dos Municípios, aos respectivos órgãos ou entidades exe-
cutivos e seus agentes de trânsito, estruturados em Carreira, co-científica, que será dirigida, alternadamente, por perito
na forma da lei. criminal e médico legista, sendo integrada pelos seguintes
órgãos: (nr)
I - instituto de criminalística; (nr)
Ii - instituto médico legal. (Nr)
ARTIGO 140, DA CONSTITUIÇÃO DO ESTADO - §§ 3º, 4º e 5º renumerados para §§ 6º, 7º e 8º pela
DE SÃO PAULO; emenda constitucional nº 35, de 03/04/2012.
- Artigo 140, § 8º, ver stf - adi nº 2861/2003.

SEÇÃO II EXERCÍCIOS
DA POLÍCIA CIVIL
1. (TJ/MG - Juiz - FUNDEP/2014) Sobre o conceito de
Artigo 140 - à polícia civil, órgão permanente, dirigida Constituição, assinale a alternativa CORRETA.
por delegados de polícia de carreira, bacharéis em direito, (A) É o estatuto que regula as relações entre Estados
incumbe, ressalvada a competência da união, as funções de soberanos.
polícia judiciária e a apuração de infrações penais, exceto (B) É o conjunto de normas que regula os direitos e
as militares. deveres de um povo.
§1º - o delegado-geral da polícia civil, integrante da (C) É a lei fundamental e suprema de um Estado, que
última classe da carreira, será nomeado pelo governador contém normas referentes à estruturação, à formação dos
do estado e deverá fazer declaração pública de bens no ato poderes públicos, direitos, garantias e deveres dos cida-
da posse e da sua exoneração. dãos.
§2º - no desempenho da atividade de polícia judiciária, (D) É a norma maior de um Estado, que regula os di-
instrumental à propositura de ações penais, a polícia civil reitos e deveres de um povo nas suas relações.
exerce atribuição essencial à função jurisdicional do estado
e à defesa da ordem jurídica. (Nr)
2. (TJ/MG - Juiz - FUNDEP/2014) Dentre as formas
§3º - aos delegados de polícia é assegurada indepen-
de classificação das Constituições, uma delas é quanto à
dência funcional pela livre convicção nos atos de polícia
origem.
judiciária. (Nr)
Em relação às características de uma Constituição
§4º - o ingresso na carreira de delegado de polícia de- quanto à sua origem, assinale a alternativa CORRETA.
penderá de concurso público de provas e títulos, assegu- (A) Dogmáticas ou históricas.
rada a participação da ordem dos advogados do brasil em (B) Materiais ou formais.
todas as suas fases, exigindo-se do bacharel em direito, no (C) Analíticas ou sintéticas.
mínimo, dois anos de atividades jurídicas, observando-se, (D) Promulgadas ou outorgadas.
nas nomeações, a ordem de classificação. (Nr)
3. (TJ/MG - Juiz - FUNDEP/2014) Sobre a supremacia
§5º - a exigência de tempo de atividade jurídica será da Constituição da República, assinale a alternativa COR-
dispensada para os que contarem com, no mínimo, dois RETA.
anos de efetivo exercício em cargo de natureza policial-ci- (A) A supremacia está no fato de o controle da cons-
vil, anteriormente à publicação do edital de concurso. (Nr) titucionalidade das leis só ser exercido pelo Supremo Tri-
bunal Federal.

27
DIREITO CONSTITUCIONAL

(B) A supremacia está na obrigatoriedade de submis- 3. Resposta: “B”. A Constituição Federal e os demais
são das leis aos princípios que norteiam o Estado por ela atos normativos que compõem o denominado bloco de
instituído. constitucionalidade, notadamente, emendas constitucio-
(C) A supremacia está no fato de a interpretação da nais e tratados internacionais de direitos humanos apro-
constituição não depender da observância dos princípios vados com quórum especial após a Emenda Constitucional
que a norteiam. nº 45/2004, estão no topo do ordenamento jurídico. Sendo
(D) A supremacia está no fato de que os princípios e assim, todos os atos abaixo deles devem guardar uma es-
fundamentos da constituição se resumam na declaração de trita compatibilidade, sob pena de serem inconstitucionais.
soberania. Por isso, estes atos que estão abaixo na pirâmide, se sujei-
tam a controle de constitucionalidade.

4. (PC/PI - Delegado de Polícia – UESPI/2014) Entre


os chamados sentidos doutrinariamente atribuídos à Cons- 4. Resposta: “A”. Carl Schmitt propõe que o conceito
tituição, existe um que realiza a distinção entre Constituição de Constituição não está na Constituição em si, mas nas
decisões políticas tomadas antes de sua elaboração. Sen-
e lei constitucional. Assinale a alternativa que o contempla.
do assim, o conceito de Constituição será estruturado por
(A) Sentido político
fatores como o regime de governo e a forma de Estado
(B) Sentido sociológico.
vigentes no momento de elaboração da lei maior. A Cons-
(C) Sentido jurídico.
tituição é o produto de uma decisão política e variará con-
(D) Sentido culturalista. forme o modelo político à época de sua elaboração.
(E) Sentido simbólico.

5. Resposta: “B”. Todas as alternativas descrevem ca-


5. (PC/SC - Agente de Polícia - ACAFE/2014) A Repú- racterísticas, atributos do Estado Democrático de Direito
blica Federativa do Brasil, formada pela união indissolúvel que é a República Federativa brasileira, notadamente: er-
dos Estados e Municípios e do Distrito Federal, constitui-se radicação da pobreza e diminuição de desigualdades (ar-
em Estado Democrático de Direito (art. 1º da CF). tigo 3º, III, CF); soberania, cidadania e pluralismo político
Com base no enunciado acima é correto afirmar, ex- (artigo 1º, I, II e V, CF); princípio da legalidade (artigo 5º, II,
ceto: CF); liberdade de expressão (artigo 5º, IV, CF); construção
(A) são objetivos fundamentais da república federati- de sociedade justa, livre e solidária (artigo 3º, I, CF). Sendo
va do Brasil erradicar a pobreza e a marginalização e redu- assim, incorreta a afirmação de que soberania, cidadania
zir as desigualdades sociais e regionais. e pluralismo político não são fundamentos da República
(B) a soberania, a cidadania e o pluralismo político Federativa do Brasil, pois estão como tais enumerados no
não são fundamentos da república federativa do brasil. artigo 1º, CF, além de decorrerem da própria estrutura de
(C) ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer um Estado Democrático de Direito.
alguma coisa senão em virtude de lei.
(D) é livre a manifestação de pensamento, sendo ve-
dado o anonimato.
(E) construir uma sociedade livre, justa e solidária é
um dos objetivos fundamentais da república federativa do
Brasil.

RESPOSTAS

1. Resposta: “C”. Constituição é muito mais do que


um documento escrito que fica no ápice do ordenamen-
to jurídico nacional estabelecendo normas de limitação e
organização do Estado, mas tem um significado intrínseco
sociológico, político, cultural e econômico. Independente
do conceito, percebe-se que o foco é a organização do Es-
tado e a limitação de seu poder.

2. Resposta: “D”. Quanto à origem, a Constituição


pode ser outorgada, quando imposta unilateralmente pelo
agente revolucionário, ou promulgada, quando é votada,
sendo também conhecida como democrática ou popular.

28
DIREITO CONSTITUCIONAL

EXERCÍCIOS COMPLEMENTARES sociais e regionais (inciso III), e promover o bem de todos,


SOBRE: DIREITO CONSTITUCIONAL sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quais-
quer outras formas de discriminação (inciso IV).
01. (TRT/17ª REGIÃO - ANALISTA JUDICIÁRIO - A dignidade a pessoa humana, por sua vez, tem pre-
CESPE/2013) Julgue o item que se segue, a respeito dos visão no art. 1º, da CF, que estabelece os fundamentos da
princípios fundamentais: “Os valores sociais do traba- República.
lho e da livre iniciativa constituem fundamentos da Re- Assim, pela literalidade dos dispositivos supracitados,
pública Federativa do Brasil”. deve ser assinalada a alternativa “C”.

Extraem-se do art. 1º, da Constituição Federal os fun- RESPOSTA: “C”.


damentos da República Federativa do Brasil, quais sejam: a
soberania (inciso I), a cidadania (inciso II), a dignidade da 04. (CNJ - ANALISTA JUDICIÁRIO - CESPE/2013)
pessoa humana (inciso III), os valores sociais do trabalho e Julgue o item que se segue relativo aos princípios fun-
da livre iniciativa (inciso IV), e o pluralismo político (inciso damentais da Constituição Federal de 1988 (CF): “É fun-
V). damento da República Federativa do Brasil a constru-
Diante disso, a alternativa deve se assinalada como ção de uma sociedade livre, justa e solidária”.
correta, pois, de fato, os valores sociais do trabalho e da
livre iniciativa constituem fundamentos da República Fede- Conforme consta no art. 3º, I, do Texto Maior, a cons-
rativa do Brasil. trução de uma sociedade livre, justa e solidária constitui-se
um dos objetivos fundamentais da República Federativa do
RESPOSTA: “CORRETA”. Brasil.
Os fundamentos, por sua vez, estão estampados no art.
02. (TRF/4ª REGIÃO - TÉCNICO JUDICIÁRIO - 1º, CF.
FCC/2014) A dignidade da pessoa humana, no âmbito Diante disso, a alternativa deve ser assinalada como
da Constituição Brasileira de 1988, deve ser entendida errada.
como:
A) Uma exemplificação do princípio de cooperação RESPOSTA: “ERRADA”.
entre os povos para o progresso da humanidade reco-
05. (CNJ - ANALISTA JUDICIÁRIO - CESPE/2013)
nhecida pela Constituição.
Acerca dos princípios fundamentais da Constituição
B) Um direito individual garantido somente aos
Federal de 1988 (CF), julgue o item que segue: “A Re-
brasileiros natos.
pública Federativa do Brasil rege-se, nas suas relações
C) Uma decorrência do princípio constitucional da
internacionais, pelos seguintes princípios: independên-
soberania do Estado Brasileiro.
cia nacional; prevalência dos direitos humanos; auto-
D) Um direito social decorrente de convenção inter-
determinação dos povos; não intervenção; igualdade
nacional ratificada pelo Estado Brasileiro. entre os Estados; defesa da paz; solução pacífica dos
E) Um dos fundamentos do Estado Democrático de conflitos; repúdio ao terrorismo e ao racismo; coopera-
Direito da República Federativa do Brasil. ção entre os povos para o progresso da humanidade; e
concessão de asilo político”.
A dignidade da pessoa humana é um dos fundamentos
do Estado Democrático de Direito, conforme consta no art. A alternativa está correta, pois todos os princípios rela-
1º, III, da Constituição da República. cionados no enunciado da questão estão previstos no art.
Deve ser assinalado, portanto, o item “E”. 4º, em seus dez incisos, da Constituição da República, que
estabelece os princípios a serem observados nas relações
RESPOSTA: “E”. internacionais.

03. (TRT/3ª REGIÃO - JUIZ - TRT/3ª REGIÃO/2013) RESPOSTA: “CORRETA”.


Na literalidade da Constituição de 1988, não se inclui
entre os objetivos fundamentais da República Federa- 06. (MS - ANALISTA ADMINISTRATIVO - CES-
tiva do Brasil: PE/2013) Considerando as disposições constitucionais
A) Construir uma sociedade livre, justa e solidária. a respeito dos princípios fundamentais, julgue o item a
B) Garantir o desenvolvimento nacional. seguir: “Com a promulgação da Emenda Constitucional
C) Promover a dignidade da pessoa humana. nº 73/2013, são considerados Poderes da União, inde-
D) Erradicar a pobreza e a marginalização. pendentes e harmônicos entre si, o Legislativo, o Execu-
E) Reduzir as desigualdades sociais e regionais. tivo, o Judiciário e o Tribunal de Contas”.
Os objetivos fundamentais da República Federativa do A Emenda Constitucional nº 73/2013 acrescentou o
Brasil constam no art. 3º, da Constituição Federal, que pre- §11 ao art. 27 do Ato das Disposições Constitucionais Tran-
vê: construir uma sociedade livre, justa e solidária (inciso sitórias, criando os Tribunais Regionais Federais da 6ª (sede
I), garantir o desenvolvimento nacional (inciso II), erradicar em Curitiba), 7ª (sede em Belo Horizonte), 8ª (sede em Sal-
a pobreza e a marginalização e reduzir as desigualdades vador) e 9ª (sede em Manaus) Regiões.

29
DIREITO CONSTITUCIONAL

Assim, referida emenda não tornou o Tribunal de Con- O item “IV” está equivocado. Os princípios que regem
tas um dos Poderes da União, pois não alterou o art. 2º, a República Federativa do Brasil estão expressos no art. 4º,
que estabelece que são Poderes da União, independentes da Constituição da República. Neste rol não se encontra a
e harmônicos entre si, o Legislativo, o Executivo e o Ju- dignidade da pessoa humana, que na verdade se trata de
diciário. Consoante um posicionamento tradicional, o TCU um dos fundamentos da República brasileira (art. 1º, III, CF).
integra o Poder Legislativo, por auxiliar o Congresso Na- Sendo assim, estando corretos apenas os itens “II” e
cional no controle externo da fiscalização financeira, con- “III”, deve ser assinalada a alternativa “D”.
tábil, orçamentária, operacional e patrimonial da União e
das entidades das administrações direta e indireta (art. 71, RESPOSTA: “D”.
caput, CF).
Com fundamento na explanação acima, a alternativa 08.  (MP/SC - PROMOTOR DE JUSTIÇA - MPE/
deve ser assinalada como errada. SC/2013) Dentre os princípios que regem a República
Federativa do Brasil em suas relações internacionais po-
RESPOSTA: “ERRADA”. dem ser citados: a concessão de asilo político; o repúdio
ao terrorismo e ao racismo; a defesa da paz; a não inter-
07. (TJ/SC - JUIZ - TJ/SC/2013) Com base nas pro- venção e a autodeterminação dos povos.
posições abaixo, assinale a alternativa correta:
I. A República Federativa do Brasil, formada pela Dispõe a Constituição da República que o Brasil rege-
união indissolúvel dos Estados e Municípios e do Dis- -se nas suas relações internacionais pelos princípios da in-
trito Federal, constitui-se em Estado Democrático de dependência nacional; prevalência dos direitos humanos;
Direito e tem como fundamentos: a soberania; a cida- autodeterminação dos povos; não intervenção; igualdade
dania; a prevalência dos direitos humanos; os valores entre os Estados; defesa da paz; solução pacífica dos confli-
sociais do trabalho e da livre iniciativa; o pluralismo tos; repúdio ao terrorismo e ao racismo; cooperação entre
político. os povos para o progresso da humanidade; concessão de
II. A República Federativa do Brasil buscará a inte- asilo político (art. 4º e incisos, CF).
gração econômica, política, social e cultural dos povos Diante disso, a alternativa deve ser assinalada como
da América Latina, visando à formação de uma comuni- correta.
dade latino-americana de nações.
III. Constituem objetivos fundamentais da Repú- RESPOSTA: “CORRETA”.
blica Federativa do Brasil: promover o bem de todos,
sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e 09. (TRT/10ª REGIÃO - ANALISTA JUDICIÁRIO -
quaisquer outras formas de discriminação; erradicar a CESPE/2013) Acerca dos princípios fundamentais ex-
pobreza e a marginalização e reduzir as desigualdades pressos na Constituição Federal de 1988 (CF) e da apli-
sociais e regionais; garantir o desenvolvimento nacio- cabilidade das normas constitucionais, julgue o item
nal; construir uma sociedade livre, justa e solidária. a seguir: “Embora a Federação seja um dos princípios
IV. A República Federativa do Brasil rege-se nas suas fundamentais da CF, nada impede que o direito de se-
relações internacionais pelos seguintes princípios a in- cessão seja introduzido no ordenamento jurídico brasi-
dependência nacional; a dignidade da pessoa humana; leiro por meio de emenda constitucional”.
a autodeterminação dos povos; a não intervenção; a
igualdade entre os Estados; a defesa da paz; a solução Nos termos do art. 60, §4º, I, da Constituição da Repú-
pacífica dos conflitos; o repúdio ao terrorismo e ao ra- blica, a forma federativa de Estado não pode ser abolida no
cismo; a cooperação entre os povos para o progresso ordenamento jurídico pátrio, constituindo verdadeira cláu-
da humanidade; a concessão de asilo político. sula pétrea, inalterável por meio de emenda constitucional.
A) Todas as proposições estão corretas. Assim, não é possível a extinção do pacto federativo, muito
B) Somente as proposições I, II e III estão corretas. menos a possibilidade de secessão, ou seja, separação dos
C) Somente as proposições I, III e IV estão corretas. entes políticos.
D) Somente as proposições II e III estão corretas. Diante da constatação de que não há, no Brasil, o direi-
E) Somente as proposições II, III e IV estão corretas. to de secessão, a afirmação errada.
O item “I” está incorreto. A prevalência dos direitos hu-
manos não é um dos fundamentos previstos no art. 1º, da RESPOSTA: “ERRADA”.
Lei Fundamental, mas sim um dos princípios da República
Federativa do Brasil em suas relações internacionais, con-
forme consta no art. 4º, II, CF.
O item “II” está certo. O enunciado da alternativa está
amparado pelo texto do art. 4º, parágrafo único, da Cons-
tituição da República.
O item “III” está correto, com fundamento no art. 3º, CF,
que prevê, em seus quatro incisos, os objetivos fundamen-
tais da República Federativa do Brasil.

30
DIREITOS HUMANOS

Noção, significado, finalidades, história; ........................................................................................................................................................ 01


Os Direitos Humanos Fundamentais na Constituição Federal; ............................................................................................................. 06
Declaração Universal dos Direitos Humanos................................................................................................................................................. 06
DIREITOS HUMANOS

vez que ele teria traído a pátria. Assim, enterra seu irmão
NOÇÃO, SIGNIFICADO, FINALIDADES, e argumenta com o rei que nada do que seu irmão tivesse
HISTÓRIA; feito em vida poderia dar o direito ao rei de violar a regra
imposta pelos deuses de que todo homem deveria ser en-
terrado para que pudesse partir desta vida: a lei natural
prevaleceria então sobre a ordem do rei.4
O surgimento dos direitos humanos está envolvido Os sofistas, seguidores de Sócrates (470 a.C. - 399 a.C.),
num histórico complexo no qual pesaram vários fatores: o primeiro grande filósofo grego, questionaram essa con-
tradição humanista, recepção do direito romano, senso cepção de lei natural, pois a lei estabelecida na polis, fruto
comum da sociedade da Europa na Idade Média, tradição da vontade dos cidadãos, seria variável no tempo e no es-
cristã, entre outros1. Com efeito, são muitos os elementos paço, não havendo que se falar num direito imutável; ao
relevantes para a formação do conceito de direitos huma- passo que Aristóteles (384 a.C. - 322 a.C.), que o sucedeu,
nos tal qual perceptível na atualidade de forma que é difícil estabeleceu uma divisão entre a justiça positiva e a natural,
estabelecer um histórico linear do processo de formação reconhecendo que a lei posta poderia não ser justa5.
destes direitos. Entretanto, é possível apontar alguns fato- Aristóteles6 argumenta: “lei particular é aquela que
res históricos e filosóficos diretamente ligados à construção cada comunidade determina e aplica a seus próprios mem-
de uma concepção contemporânea de direitos humanos. bros; ela é em parte escrita e em parte não escrita. A lei
É a partir do período axial (800 a.C. a 200 a.C.), ou seja, universal é a lei da natureza. Pois, de fato, há em cada um
mesmo antes da existência de Cristo, que o ser humano alguma medida do divino, uma justiça natural e uma injus-
passou a ser considerado, em sua igualdade essencial, tiça que está associada a todos os homens, mesmo naque-
como um ser dotado de liberdade e razão. Surgiam assim les que não têm associação ou pacto com outro”.
os fundamentos intelectuais para a compreensão da pes- Nesta linha, destaca-se o surgimento do estoicismo,
soa humana e para a afirmação da existência de direitos doutrina que se desenvolveu durante seis séculos, desde
universais, porque a ela inerentes. Durante este período os últimos três séculos anteriores à era cristã até os pri-
que despontou a ideia de uma igualdade essencial entre meiros três séculos desta era, mas que trouxe ideias que
todos os homens. Contudo, foram necessários vinte e cinco prevaleceram durante toda a Idade Média e mesmo além
séculos para que a Organização das Nações Unidas - ONU, dela. O estoicismo organizou-se em torno de algumas
que pode ser considerada a primeira organização interna- ideias centrais, como a unidade moral do ser humano e
cional a englobar a quase-totalidade dos povos da Terra, a dignidade do homem, considerado filho de Zeus e pos-
proclamasse, na abertura de uma Declaração Universal dos suidor, como consequência, de direitos inatos e iguais em
Direitos Humanos de 1948, que “todos os homens nascem todas as partes do mundo, não obstante as inúmeras dife-
livres e iguais em dignidade e direitos”2. renças individuais e grupais7.
No berço da civilização grega continuou a discussão a Influenciado pelos estoicos, Cícero (106 a.C. - 43 a.C.),
respeito da existência de uma lei natural inerente a todos um dos principais pensadores do período da jovem repú-
os homens. As premissas da concepção de lei natural estão blica romana, também defendeu a existência de uma lei
justamente na discussão promovida na Grécia antiga, no natural. Neste sentido é a assertiva de Cícero8: “a razão
espaço da polis. Neste sentido, destaca Assis3 que, original-
reta, conforme à natureza, gravada em todos os corações,
mente, a concepção de lei natural está ligada não só à de
imutável, eterna, cuja voz ensina e prescreve o bem, afasta
natureza, mas também à de diké: a noção de justiça simbo-
do mal que proíbe e, ora com seus mandados, ora com
lizada a partir da deusa diké é muito ampla e abstrata, mas
suas proibições, jamais se dirige inutilmente aos bons,
com a legislação passou a ter um conteúdo palpável, de
nem fica impotente ante os maus. Essa lei não pode ser
modo que a justiça deveria corresponder às leis da cidade;
contestada, nem derrogada em parte, nem anulada; não
entretanto, é preciso considerar que os costumes primiti-
podemos ser isentos de seu cumprimento pelo povo nem
vos trazem o justo por natureza, que pode se contrapor
pelo senado; não há que procurar para ela outro comen-
ao justo por convenção ou legislação, devendo prevalecer o
tador nem intérprete; não é uma lei em Roma e outra em
primeiro, que se refere ao naturalmente justo, sendo esta a
origem da ideia de lei natural. Atenas, - uma antes e outra depois, mas uma, sempiterna
De início, a literatura grega trouxe na obra Antígona e imutável, entre todos os povos e em todos os tempos”.
uma discussão a respeito da prevalência da lei natural so-
bre a lei posta. Na obra, a protagonista discorda da proibi- 4 SÓFOCLES. Édipo rei / Antígona. Tradução Jean Melville.
ção do rei Creonte de que seu irmão fosse enterrado, uma São Paulo: Martin Claret, 2003.
5 ASSIS, Olney Queiroz. O estoicismo e o Direito: justiça,
1 COSTA, Paulo Sérgio Weyl A. Direitos Humanos e Crítica liberdade e poder. São Paulo: Lúmen, 2002.
Moderna. Revista Jurídica Consulex. São Paulo, ano XIII, n. 300, p. 27- 6 ARISTÓTELES. Retórica. Tradução Marcelo Silvano Madeira.
29, jul. 2009. São Paulo: Rideel, 2007. 
2 COMPARATO, Fábio Konder. A Afirmação Histórica dos 7 COMPARATO, Fábio Konder. A Afirmação Histórica dos
Direitos Humanos. 3. ed. São Paulo: Saraiva, 2004. Direitos Humanos. 3. ed. São Paulo: Saraiva, 2004.
3 ASSIS, Olney Queiroz. O estoicismo e o Direito: justiça, 8 CÍCERO, Marco Túlio. Da República. Tradução Amador
liberdade e poder. São Paulo: Lúmen, 2002. Cisneiros. Rio de Janeiro: Ediouro, 1995.

1
DIREITOS HUMANOS

Com a queda do Império Romano, iniciou-se o período Em geral, o absolutismo europeu foi marcado profun-
medieval, predominantemente cristianista. Um dos grandes damente pelo antropocentrismo, colocando o homem no
pensadores do período, Santo Tomás de Aquino (1225 d.C. centro do universo, ocupando o espaço de Deus. Natural-
-1274 d.C.)9, supondo que o mundo e toda a comunidade mente, as premissas da lei natural passaram a ser questio-
do universo são regidos pela razão divina e que a própria nadas, já que geralmente se associavam à dimensão do
razão do governo das coisas em Deus fundamenta-se em divino. A negação plena da existência de direitos inatos
lei, entendeu que existe uma lei eterna ou divina, pois a ao homem implicava em conferir um poder irrestrito ao
razão divina nada concebe no tempo e é sempre eterna. soberano, o que gerou consequências que desagradavam
Com base nisso, Aquino10 chamou de lei natural “a partici- a burguesia.
pação da lei eterna na lei racional”. Sobre o conteúdo da lei O príncipe, obra de Maquiavel (1469 d.C. - 1527 d.C.)
natural, definiu Aquino (2005, p. 562) que “todas aquelas considerada um marco para o pensamento absolutista, re-
coisas que devem ser feitas ou evitadas pertencem aos pre- lata com precisão este contexto no qual o poder do sobe-
ceitos da lei de natureza, que a razão prática naturalmente rano poderia se sobrepor a qualquer direito alegadamente
apreende ser bens humanos”. Logo, a lei natural determina inato ao ser humano desde que sua atitude garantisse a
o agir virtuoso, o que se espera do homem em sociedade, manutenção do poder. Maquiavel13 considera “na conduta
independentemente da lei humana. dos homens, especialmente dos príncipes, contra a qual
Com a concepção medieval de pessoa humana é que não há recurso, os fins justificam os meios. Portanto, se um
se iniciou um processo de elaboração em relação ao prin- príncipe pretende conquistar e manter o poder, os meios
cípio da igualdade de todos, independentemente das dife- que empregue serão sempre tidos como honrosos, e elo-
renças existentes, seja de ordem biológica, seja de ordem giados por todos, pois o vulgo atenta sempre para as apa-
cultural. Foi assim, então, que surgiu o conceito universal rências e os resultados”.
de direitos humanos, com base na igualdade essencial da Os monarcas dos séculos XVI, XVII e XVIII agiam de
pessoa11. forma autocrática, baseados na teoria política desenvolvi-
No processo de ascensão do absolutismo europeu, a da até então que negava a exigência do respeito à Ética,
monarquia da Inglaterra encontrou obstáculos para se es- logo, ao direito natural, no espaço público. Somente num
tabelecer no início do século XIII, sofrendo um revés. Ao momento histórico posterior se permitiu algum resga-
se tratar da formação da monarquia inglesa, em 1215 os te da aproximação entre a Moral e o Direito, qual seja o
barões feudais ingleses, em uma reação às pesadas taxas
da Revolução Intelectual dos séculos XVII e XVIII, com o
impostas pelo Rei João Sem-Terra, impuseram-lhe a Magna
movimento do Iluminismo, que conferiu alicerce para as
Carta. Referido documento, em sua abertura, expõe a no-
Revoluções Francesa e Industrial - ainda assim a visão an-
ção de concessão do rei aos súditos, estabelece a existência
tropocentrista permaneceu, mas começou a se consolidar
de uma hierarquia social sem conceder poder absoluto ao
a ideia de que não era possível que o soberano impusesse
soberano, prevê limites à imposição de tributos e ao con-
tudo incondicionalmente aos seus súditos.
fisco, constitui privilégios à burguesia e traz procedimen-
Com efeito, quando passou a se questionar o conceito
tos de julgamento ao prever conceitos como o de devido
de Soberano, ao qual todos deveriam obediência mas que
processo legal, habeas corpus e júri. Não que a carta se
assemelhe a uma declaração de direitos humanos, princi- não deveria obedecer a ninguém. Indagou-se se os indi-
palmente ao se considerar que poucos homens naquele víduos que colocaram o Soberano naquela posição (pois
período eram de fato livres, mas ela foi fundamental na- sem povo não há Soberano) teriam direitos no regime so-
quele contexto histórico de falta de limites ao soberano12. A cial e, em caso afirmativo, quais seriam eles. As respostas a
Magna Carta de 1215 instituiu ainda um Grande Conselho estas questões iniciam uma visão moderna do direito na-
que foi o embrião para o Parlamento inglês, embora isto tural, reconhecendo-o como um direito que acompanha o
não signifique que o poder do rei não tenha sido absoluto cidadão e não pode ser suprimido em nenhuma circuns-
em certos momentos, como na dinastia Tudor. Havia um tância.14
absolutismo de fato, mas não de Direito. Antes que despontassem as grandes revoluções que
interromperam o contexto do absolutismo europeu, na In-
9 AQUINO, Santo Tomás de. Suma teológica. Tradução Aldo glaterra houve uma árdua discussão sobre a garantia das
Vannucchi e Outros. Direção Gabriel C. Galache e Fidel García Rodríguez.
Coordenação Geral Carlos-Josaphat Pinto de Oliveira. Edição Joaquim
liberdades pessoais, ainda que o foco fosse a proteção do
Pereira. São Paulo: Loyola, 2005b. v. VI, parte II, seção II, questões 57 a clero e da nobreza. Quando a dinastia Stuart tentou trans-
122. formar o absolutismo de fato em absolutismo de direito,
10 AQUINO, Santo Tomás de. Suma teológica. Tradução Aldo ignorando o Parlamento, este impôs ao rei a Petição de
Vannucchi e Outros. Direção Gabriel C. Galache e Fidel García Rodríguez. Direitos de 1948, que exigia o cumprimento da Magna
Coordenação Geral Carlos-Josaphat Pinto de Oliveira. Edição Joaquim Carta de 1215. Contudo, o rei se recusou a fazê-lo, fechan-
Pereira. São Paulo: Loyola, 2005b. v. VI, parte II, seção II, questões 57 a do por duas vezes o Parlamento, sendo que a segunda vez
122.
11 COMPARATO, Fábio Konder. A Afirmação Histórica dos 13 MAQUIAVEL, Nicolau. O príncipe. Tradução Pietro Nassetti.
Direitos Humanos. 3. ed. São Paulo: Saraiva, 2004. São Paulo: Martin Claret, 2007.
12 AMARAL, Sérgio Tibiriçá. Magna Carta: Algumas 14 COSTA, Paulo Sérgio Weyl A. Direitos Humanos e Crítica
Contribuições Jurídicas. Revista Intertemas: revista da Toledo. Presidente Moderna. Revista Jurídica Consulex. São Paulo, ano XIII, n. 300, p. 27-
Prudente, ano 09, v. 11, p. 201-227, nov. 2006. 29, jul. 2009.

2
DIREITOS HUMANOS

gerou uma violenta reação que desencadeou uma guerra 1) O primeiro grande movimento desencadeado foi a
civil. Após diversas transições no trono inglês, despontou a Revolução Americana. Em 1776 se deu a independência
Revolução Gloriosa que durou de 1688 até 1689, conferin- das treze Colônias da América Continental Britânica, re-
do-se o trono inglês a Guilherme de Orange, que aceitou gistrada na Declaração de Direitos do Homem e, poste-
a Declaração de Direitos - Bill of Rights. riormente, na Declaração de Independência. Após diver-
Todo este movimento resultou, assim, nas garantias sas batalhas, a Inglaterra reconheceu a independência em
expressas do habeas corpus e do Bill of Rights de 1698. Por 1783. Destacam-se alguns pontos do primeiro documento:
sua vez, a instituição-chave para a limitação do poder mo- o artigo I do referido documento assegura a igualdade de
nárquico e para garantia das liberdades na sociedade civil todos de maneira livre e independente, considerando esta
foi o Parlamento e foi a partir do Bill of Rights britânico que como um direito inato; o artigo II estabelece que o poder
surgiu a ideia de governo representativo, ainda que não pertence ao povo e que o Estado é responsável perante
do povo, mas pelo menos de suas camadas superiores15. ele; o artigo V prevê a separação dos poderes e o artigo VI
Tais ideias liberais foram importantes como base para institui a realização de eleições diretas, necessariamente. A
o Iluminismo, que se desencadeou por toda a Europa. Des- declaração americana estava mais voltada aos americanos
taca-se que quando isso ocorreu, em meados do século do que à humanidade, razão pela qual a Revolução Fran-
XVIII, se dava o advento do capitalismo em sua fase indus- cesa costuma receber mais destaque num cenário históri-
trial. O processo de formação do capitalismo e a ascensão co global.
da burguesia trouxeram implicações profundas no campo 2) Já a Revolução Francesa decorreu da incapacidade
teórico, gerando o Iluminismo. do governo de resolver sua crise financeira, ascendendo
O Iluminismo lançou base para os principais eventos com isso a classe burguesa (sans-culottes), sendo o pri-
que ocorreram no início da Idade Contemporânea, quais meiro evento de tal ascensão a Queda da Bastilha, em 14
sejam as Revoluções Francesa, Americana e Industrial. Ti- de julho de 1789, seguida por outros levantes populares.
veram origem nestes movimentos todos os principais fatos Derrubados os privilégios das classes dominantes, a As-
do século XIX e do início do século XX, por exemplo, a sembleia se reuniu para o preparo de uma carta de liber-
disseminação do liberalismo burguês, o declínio das aris- dades, que veio a ser a Declaração dos Direitos do Homem
tocracias fundiárias e o desenvolvimento da consciência
e do Cidadão.17
de classe entre os trabalhadores16.
Entre outras noções, tal documento previu: a liberda-
Jonh Locke (1632 d.C. - 1704 d.C.) foi um dos pensa-
de e igualdade entre os homens quanto aos seus direitos
dores da época, transportando o racionalismo para a polí-
(artigo 1º), a necessidade de conservação dos seus direitos
tica, refutando o Estado Absolutista, idealizando o direito
naturais, quais sejam a liberdade, a propriedade, a segu-
de rebelião da sociedade civil e afirmando que o contrato
rança e a resistência à opressão (artigo 2º); a limitação do
entre os homens não retiraria o seu estado de liberdade.
direito de liberdade somente por lei (artigo 4º); o princípio
Ao lado dele, pode ser colocado Montesquieu (1689 d.C. -
da legalidade (artigo 7º); o princípio da inocência (artigo
1755 d.C.), que avançou nos estudos de Locke e na obra O
9º); a manifestação livre do pensamento (artigos 10 e 11);
Espírito das Leis estabeleceu em definitivo a clássica divi-
são de poderes: Executivo, Legislativo e Judiciário. Por fim, e a necessária separação de poderes (artigo 16).
merece menção o pensador Rousseau (1712 d.C. - 1778 3) Por sua vez, a Revolução Industrial, que começou na
d.C.), defendendo que o homem é naturalmente bom e Inglaterra, criou o sistema fabril, o que reformulou a vida
formulando na obra O Contrato Social a teoria da vonta- de homens e mulheres pelo mundo todo, não só pelos
de geral, aceita pela pequena burguesia e pelas camadas avanços tecnológicos, mas notadamente por determinar
populares face ao seu caráter democrático. Enfim, estes o êxodo de milhões de pessoas do interior para as cida-
três contratualistas trouxeram em suas obras as ideias cen- des. Os milhares de trabalhadores se sujeitavam a jornadas
trais das Revoluções Francesa e Americana. Em comum, longas e desgastantes, sem falar nos ambientes insalubres
defendiam que o Estado era um mal necessário, mas que o e perigosos, aos quais se sujeitavam inclusive as crianças.
soberano não possuía poder divino/absoluto, sendo suas Neste contexto, surgiu a consciência de classe18, lançan-
ações limitadas pelos direitos dos cidadãos submetidos do-se base para uma árdua luta pelos direitos trabalhistas.
ao regime estatal. No entanto, Rousseau era o pensador Fato é que quanto maior a autonomia de vontade -
que mais se diferenciava dos dois anteriores, que eram buscada nas revoluções anteriores - melhor funciona o
mais individualistas e trouxeram os principais fundamen- mercado capitalista, beneficiando quem possui maior nú-
tos do Estado Liberal, porque defendia a entrega do po- mero de bens. Assim, a classe que detinha bens, qual seja
der a quem realmente estivesse legitimado para exercê-lo, a burguesia, ampliou sua esfera de poder, enquanto que
pensamento que mais se aproxima da atual concepção de o proletariado passou a ser vítima do poder econômico.
democracia.
17 BURNS, Edward McNall. História da civilização ocidental:
15 COMPARATO, Fábio Konder. A Afirmação Histórica dos do homem das cavernas às naves espaciais. 43. ed. Atualização Robert E.
Direitos Humanos. 3. ed. São Paulo: Saraiva, 2004. Lerner e Standisch Meacham. São Paulo: Globo, 2005. v. 2.
16 BURNS, Edward McNall. História da civilização ocidental: 18 BURNS, Edward McNall. História da civilização ocidental:
do homem das cavernas às naves espaciais. 43. ed. Atualização Robert E. do homem das cavernas às naves espaciais. 43. ed. Atualização Robert E.
Lerner e Standisch Meacham. São Paulo: Globo, 2005. v. 2. Lerner e Standisch Meacham. São Paulo: Globo, 2005. v. 2.

3
DIREITOS HUMANOS

No Estado Liberal, aquele que não detém poder econômico Vale ressaltar a constituição de um órgão que foi o res-
fica desprotegido. O indivíduo da classe operária sozinho ponsável por redigir o primeiro documento de relevância
não tinha defesa, mas descobriu que ao se unir com outros internacional abrangendo a questão dos direitos humanos.
em situação semelhante poderia conquistar direitos. Para Em 26 de junho de 1945 foi assinada a carta de organização
tanto, passaram a organizar greves. das Nações Unidas, que tem por fundamento o princípio
Nasceu, assim, o direito do trabalho, voltado à prote- da igualdade soberana de todos os estados que buscassem
ção da vítima do poder econômico, o trabalhador. Parte-se a paz, possuindo uma Assembleia Geral, um Conselho de
do princípio da hipossuficiência do trabalhador, que é o Segurança, uma Secretaria, em Conselho Econômico e So-
princípio da proteção e que gerou os princípios da prima- cial, um Conselho de Mandatos e um Tribunal Internacional
zia, da irredutibilidade de vencimentos e outros. Nota-se de Justiça21.
que no campo destes direitos e dos demais direitos eco- Entre 20 de novembro de 1945 e 1º de outubro de
nômicos, sociais e culturais não basta uma postura do in- 1946 realizou-se o Tribunal de Nuremberg, ao qual foram
divíduo: é preciso que o Estado interfira e controle o poder submetidos a julgamento os principais líderes nazistas, o
econômico. principal argumento levantado foi o de que todas as ações
Entre os documentos relevantes que merecem men- praticadas foram baseadas em ordens superiores, todas
ção nesta esfera, destacam-se: Constituição do México de dotadas de validade jurídica perante a Constituição. Ex-
1917, Constituição Alemã de Weimar de 1919 e Tratado de plica Lafer22: “No plano do Direito, uma das maneiras de
Versalhes de 1919, sendo que o último instituiu a Organiza- assegurar o primado do movimento foi o amorfismo jurí-
ção Internacional do Trabalho - OIT (que emitia convenções dico da gestão totalitária. Este amorfismo reflete-se tanto
e recomendações) e pôs fim à Primeira Guerra Mundial. em matéria constitucional quanto em todos os desdobra-
No final do século XIX e no início de século XX, o mun- mentos normativos. A Constituição de Weimar nunca foi
do passou por variadas crises de instabilidade diplomática, ab-rogada durante o regime nazista, mas a lei de plenos
posto que vários países possuíam condições suficientes poderes de 24 de março de 1933 teve não só o efeito de
para se sobreporem sobre os demais, resultado dos avan- legalizar a posse de Hitler no poder como o de legalizar
ços tecnológicos e das melhorias no padrão de vida da so- geral e globalmente as suas ações futuras. Dessa maneira,
ciedade. Neste contexto, surgiram condições para a eclosão como apontou Carl Schmitt - escrevendo depois da II Guer-
das duas Guerras Mundiais, eventos que alteraram o curso
ra Mundial -, Hitler foi confirmado no poder, tornando-se
da história da civilização ocidental. Entre estas, destaca-se
a fonte de toda legalidade positiva, em virtude de uma lei
a Segunda Guerra Mundial, cujos eventos foram marcados
do Parlamento que modificou a Constituição. Também a
pela desumanização: todos com o devido respaldo jurídico
Constituição stalinista de 1936, completamente ignorada
perante o ordenamento dos países que determinavam os
na prática, nunca foi abolida”.
atos. A teoria jurídica que conferiu fundamento a um Direi-
No dia 10 de dezembro de 1948, a Assembleia Geral
to que aceitasse tantas barbáries, sem perder a sua valida-
das Nações Unidas elaborou a Declaração Universal dos
de, foi o Positivismo que teve como precursor Hans Kelsen,
com a obra Teoria Pura do Direito. Direitos Humanos. Um dos principais pensadores que con-
No entender de Kelsen19, a justiça não é a característica tribuiu para a Declaração Universal dos Direitos Humanos
que distingue o Direito das outras ordens coercitivas por- de 1948 foi Maritain23, que entendia que os direitos huma-
que é relativo o juízo de valor segundo o qual uma ordem nos da pessoa como tal se fundamentam no fato de que a
pode ser considerada justa. Percebe-se que a Moral é afas- pessoa humana é superior ao Estado, que não pode impor
tada como conteúdo necessário do Direito, já que a justiça a ela determinados deveres e nem retirar dela alguns direi-
é o valor moral inerente ao Direito. tos, por ser contrário à lei natural. Em suma, para o filósofo
.A Segunda Guerra Mundial chegou ao fim somente o homem ético é fiel aos valores da verdade, da justiça e do
em 1945, após uma sucessão de falhas alemãs, que im- amor, e segue a doutrina cristã para determinar seus atos:
pediram a conquista de Moscou, desprotegeram a Itália e tais elementos determinam o agir moral e levam à produ-
impossibilitaram o domínio da região setentrional da Rús- ção do bem na sociedade humanista integral.
sia (produtora de alimentos e petróleo). Já o evento que Moraes24 lembra que a Declaração de 1948 foi a mais
culminou na rendição do Japão foi o lançamento das bom- importante conquista no âmbito dos direitos humanos fun-
bas atômicas de Hiroshima e Nagasaki. O mundo somente damentais em nível internacional, muito embora o instru-
tomou conhecimento da extensão da tirania alemã quando mento adotado tenha sido uma resolução, não constituin-
os exércitos Aliados abriram os campos de concentração
na Alemanha e nos países por ela ocupados, encontran- 21 BURNS, Edward McNall. História da civilização ocidental:
do prisioneiros famintos, doentes e brutalizados, além de do homem das cavernas às naves espaciais. 43. ed. Atualização Robert E.
Lerner e Standisch Meacham. São Paulo: Globo, 2005. v. 2.
milhões de corpos dos judeus, poloneses, russos, ciganos,
homossexuais e traidores do Reich em geral, que foram 22 LAFER, Celso. A reconstrução dos direitos humanos: um
diálogo com o pensamento de Hannah Arendt. São Paulo: Cia. das Letras,
perseguidos, torturados e mortos20. 2009.
19 KELSEN, Hans. Teoria pura do Direito. 6. ed. Tradução João 23 MARITAIN, Jacques. Os direitos do homem e a lei natural. 3.
Baptista Machado. São Paulo: Martins Fontes, 2003. ed. Rio de Janeiro: Livraria José Olympio Editora, 1967.
20 BURNS, Edward McNall. História da civilização ocidental: 24 MORAES, Alexandre de. Direitos humanos fundamentais:
do homem das cavernas às naves espaciais. 43. ed. Atualização Robert E. teoria geral, comentários aos artigos 1º a 5º da Constituição da República
Lerner e Standisch Meacham. São Paulo: Globo, 2005. v. 2. Federativa do Brasil, doutrina e jurisprudência. São Paulo: Atlas, 1997.

4
DIREITOS HUMANOS

do seus dispositivos obrigações jurídicas dos Estados que Quando Henri Dunant foi à falência, a imagem do Co-
a compõem. O fato é que desse documento se originaram mitê dos Cinco ficou comprometida perante a opinião pú-
muitos outros, nos âmbitos nacional e internacional, sendo blica, embora neste meio tempo tivessem sido fundadas
que dois deles praticamente repetem e pormenorizam o outras sociedades nacionais. Em 1876, o comitê adotou o
seu conteúdo, quais sejam: o Pacto Internacional dos Di- nome Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV), que
reitos Civis e Políticos e o Pacto Internacional dos Direitos é até o presente sua designação oficial, cujo esforços têm
Econômicos, Sociais e Culturais, ambos de 1966. sido reconhecidos até hoje, tanto que por três vezes rece-
Ainda internacionalmente, após os pactos menciona- beu o Prêmio Nobel da Paz (1917, 1944, e 1963).
dos, vários tratados internacionais surgiram. Nesta linha, Os outros dois precedentes históricos reconhecidos
Piovesan25 apontou os seguintes documentos: Convenção pela doutrina decorrem do Tratado de Versalhes.
Internacional sobre a Eliminação de todas as formas de Dis- Em 1914 eclodiu a Primeira Guerra Mundial, apesar das
criminação Racial, Convenção sobre a Eliminação de todas inúmeras tentativas de diplomacia após 1870. Em 1882, foi
as formas de Discriminação contra a Mulher, Convenção so- formada a Tríplice Aliança, entre Alemanha, Itália e Áustria-
bre os Direitos da Criança, Convenção sobre os Direitos das -Hungria, visando impedir que a França buscasse vingança
Pessoas com Deficiência, Convenção contra a Tortura, etc. após a derrota na Guerra Franco-Prussiana. Contudo, os
Ao lado do sistema global surgiram os sistemas regio- países europeus começaram a desconfiar das boas inten-
nais de proteção, que buscam internacionalizar os direitos ções dos seus vizinhos e, em 1907, se formou a Tríplice En-
humanos no plano regional, em especial na Europa, na tente, composta por França, Grã-Bretanha e Rússia. Dentro
América e na África26. Resultou deste processo a Convenção das próprias alianças não eram poucos os conflitos internos
Americana de Direitos Humanos (Pacto de São José da Cos- e, aliados a esta instabilidade diplomática, o nacionalismo e
ta Rica) de 1969. o militarismo contribuíram para que começasse a Primeira
No âmbito nacional, destacam-se as positivações nos Guerra Mundial.
textos das Constituições Federais. Afinal, como explica La- Colocados muitos interesses em jogo, os países guer-
fer27, a afirmação do jusnaturalismo moderno de um direi- rearam em dois blocos: de um lado, Sérvia, Rússia, Fran-
to racional, universalmente válido, gerou implicações re- ça, Grã-Bretanha, Japão, Itália, Romênia, Estados Unidos,
levantes na teoria constitucional e influenciou o processo Grécia, Portugal e Brasil; de outro lado, Áustria, Alemanha,
de codificação a partir de então. Embora muitos direitos Bulgária e Turquia. O segundo grupo foi derrotado, sendo
humanos também se encontrem nos textos constitucionais, cada país submetido a um pacto de rendição formulado
aqueles não positivados na Carta Magna também possuem
pela Liga das Nações; o mais famoso destes é o Tratado
proteção porque o fato de este direito não estar assegurado
de Versalhes, aplicado à Alemanha, que impunha em suas
constitucionalmente é uma ofensa à ordem pública interna-
cláusulas a entrega de territórios e armamentos, bem como
cional, ferindo o princípio da dignidade humana.
o pagamento de uma indenização bilionária.
Trabalhando de forma específica dentro deste histórico
Assim, o Tratado de Versalhes foi assinado em 28 de
precedentes jurídicos da internacionalização dos direi-
junho de 1919, entre as potências aliadas e a Alemanha,
tos humanos, menciona-se inicialmente o direito humani-
fixando as condições para a paz depois da primeira guerra
tário e a fundação da Cruz Vermelha.
Historicamente, em 9 de fevereiro de 1863, fundou-se mundial.
o Comitê dos Cinco, como uma comissão de investigação A cláusula de culpa de guerra considerou a Alemanha
da Sociedade de Genebra para o Bem-estar Público. Entre nação agressora, responsável por reparações às nações
seus objetivos, se encontrava o de organizar uma conferên- aliadas, sendo que uma comissão determinou em 1921 que
cia internacional sobre a possível implementação das ideias a Alemanha deveria pagar 33 bilhões de dólares.
de Henri Dunant. O tratado foi intensamente criticado pelos alemães.
Depois da primeira conferência, adotou-se a primeira Nos anos seguintes, foi revisto e alterado, quase sempre a
Convenção de Genebra, de 22 de agosto de 1864, tratando favor da Alemanha. Muitas concessões foram feitas à Ale-
das condições dos feridos das forças armadas no campo de manha antes da ascensão de Adolf Hitler.
batalha. A convenção continha dez artigos, estabelecendo O Tratado de Versalhes instituiu dois dos precedentes
pela primeira vez regras legais garantindo a neutralidade e da internacionalização dos direitos humanos: a Liga das
a proteção para soldados feridos, membros de assistência Nações e a Organização Internacional do Trabalho.
médica e certas instituições humanitárias, no caso de um Sociedade das Nações, também conhecida como Liga
conflito armado, aceitando-se a fundação de sociedades das Nações, foi uma organização internacional, idealizada
nacionais com este fim de proteção. Após o estabelecimen- em 1919, em Versalhes, nos subúrbios de Paris, onde as
to da Convenção de Genebra, as primeiras sociedades na- potências vencedoras da Primeira Guerra Mundial se reu-
cionais foram fundadas. niram para negociar um acordo de paz, notadamente In-
glaterra, França e Estados Unidos. Além da divisão entre
25 PIOVESAN, Flávia. Direitos Humanos e o Direito
os vencedores que dificultava a paz, os vencidos se recu-
Constitucional Internacional. 9. ed. São Paulo: Saraiva, 2008.
savam a assinar o injustos tratados impostos, com a Ale-
26 PIOVESAN, Flávia. Direitos Humanos e o Direito
Constitucional Internacional. 9. ed. São Paulo: Saraiva, 2008. manha tentando ludibriar as determinações do Tratado de
27 LAFER, Celso. A reconstrução dos direitos humanos: um
Versalhes, assim como Áustria, Hungria, Bulgária e Turquia
diálogo com o pensamento de Hannah Arendt. São Paulo: Cia. das Letras, se recusavam a aceitar as obrigações impostas. No final das
2009. contas, todos assinaram seus tratados.

5
DIREITOS HUMANOS

Os inúmeros tratados e compromissos firmados fora


do âmbito da Liga das Nações já mostravam a fraqueza OS DIREITOS HUMANOS FUNDAMENTAIS
da instituição, embora a princípio ela tenha correspondido NA CONSTITUIÇÃO FEDERAL
às esperanças depositadas. Ocorre que a Liga das Nações
promoveu o isolamento de grandes países como a Rússia
(numa fase inicial), além de fundar-se num tratado interna-
cional altamente prejudicial a países perdedores da guerra Prezado Candidato, o tema acima supracitado já foi
como a Alemanha. Não obstante, os Estados Unidos nunca abordado na matéria “Direito Constitucional, na abor-
apoiaram a Liga das Nações, o que fez com que ela tivesse dagem dos Direitos e Garantias fundamentais.
pouco ou nenhum poder no âmbito das Américas.
A Liga das Nações funcionou de 1920 a 1946, dissolvi-
da na sua 21ª sessão e tendo seus bens transferidos à ONU,
DECLARAÇÃO UNIVERSAL DOS DIREITOS
encerradas as contas da comissão de liquidação em 1947.
A Liga das Nações possuía dois organismos autônomos, a HUMANOS
Organização Internacional do Trabalho - OIT, criada pelo
Tratado de Versalhes, e a Corte Permanente de Justiça In-
ternacional - CPJI, cujo estatuto foi elaborado em 1920, as Adotada e proclamada pela Resolução n° 217 A (III) da 
quais remanescem, embora a segunda com outra nomencla- Assembleia Geral das Nações Unidas em 10 de dezembro
tura e estatuto28, qual seja Corte Internacional de Justiça - CIJ. de 1948
Quanto à Organização Internacional do Trabalho,
constitui a agência das Nações Unidas que tem por missão Preâmbulo
promover oportunidades para que homens e mulheres pos-
sam ter acesso a um trabalho decente e produtivo, em con- O preâmbulo é um elemento comum em textos cons-
dições de liberdade, equidade, segurança e dignidade. O titucionais. Em relação ao preâmbulo constitucional, Jorge
Trabalho Decente, conceito formalizado pela OIT em 1999, Miranda32 define: “[...] proclamação mais ou menos sole-
sintetiza a sua missão histórica de promover oportunida- ne, mais ou menos significante, anteposta ao articulado
des para que  homens e mulheres possam ter um trabalho constitucional, não é componente necessário de qualquer
produtivo e de qualidade, em condições de liberdade, equi- Constituição, mas tão somente um elemento natural de
dade, segurança e dignidade humanas, sendo  considerado Constituições feitas em momentos de ruptura histórica ou
condição fundamental para a superação da pobreza, a re- de grande transformação político-social”. Do conceito do
dução das desigualdades sociais, a garantia da governabili- autor é possível extrair elementos para definir o que re-
dade democrática e o desenvolvimento sustentável29. presentam os preâmbulos em documentos internacionais:
O Trabalho Decente é o ponto de convergência dos proclamação dotada de certa solenidade e significância
quatro objetivos estratégicos da OIT: o respeito aos direitos que antecede o texto do documento internacional e, em-
no trabalho (em especial aqueles definidos como funda- bora não seja um elemento necessário a ele, merece ser
mentais pela Declaração Relativa aos Direitos e Princípios considerada porque reflete o contexto de ruptura histórica
Fundamentais no Trabalho e seu seguimento adotada em e de transformação político-social que levou à elaboração
1998: liberdade sindical  e reconhecimento efetivo do direi- do documento como um todo. No caso da Declaração de
to de negociação coletiva, eliminação de todas as formas de 1948 ficam evidentes os antecedentes históricos inerentes
trabalho forçado, abolição efetiva do trabalho infantil, elimi- às Guerras Mundiais.
nação de todas as formas de discriminação em matéria de
Considerando que o reconhecimento da dignidade ine-
emprego e ocupação), a promoção do emprego produtivo
rente a todos os membros da família humana e de seus di-
e de qualidade, a extensão da proteção social e o fortaleci-
reitos iguais e inalienáveis é o fundamento da liberdade, da
mento do diálogo social30.
justiça e da paz no mundo,
A OIT foi criada em 1919, como parte do Tratado de
O princípio da dignidade da pessoa humana, pelo qual
Versalhes, que pôs fim à Primeira Guerra Mundial. É a única
todos os seres humanos são dotados da mesma dignidade
das agências do Sistema das Nações Unidas com uma es-
e para que ela seja preservada é preciso que os direitos
trutura tripartite, composta de representantes de governos
inerentes à pessoa humana sejam garantidos, já aparece
e de organizações de empregadores e de trabalhadores. A
OIT é responsável pela formulação e aplicação das normas no preâmbulo constitucional, sendo guia de todo docu-
internacionais do trabalho (convenções e recomendações)31. mento.
Denota-se, ainda, a característica da inalienabilidade
28 MELLO, Celso D. de Albuquerque. Curso de Direito dos direitos humanos, pela qual os direitos humanos não
Internacional Público. 14. ed. São Paulo: Saraiva, 2000. possuem conteúdo econômico patrimonial, logo, são in-
29 OIT - Organização Internacional do Trabalho. Conheça a OIT. transferíveis, inegociáveis e indisponíveis, estando fora do
Disponível em: <http://www.oit.org.br/>. Acesso em: 10 nov. 2013.
comércio, o que evidencia uma limitação do princípio da
30 OIT - Organização Internacional do Trabalho. Conheça a OIT.
autonomia privada.
Disponível em: <http://www.oit.org.br/>. Acesso em: 10 nov. 2013.
31 OIT - Organização Internacional do Trabalho. Conheça a OIT. 32 MIRANDA, Jorge (Coord.). Estudos sobre a constituição.
Disponível em: <http://www.oit.org.br/>. Acesso em: 10 nov. 2013. Lisboa: Petrony, 1978.

6
DIREITOS HUMANOS

Considerando que o desprezo e o desrespeito pelos di- ver o respeito a esses direitos e liberdades, e, pela adoção
reitos humanos resultaram em atos bárbaros que ultraja- de medidas progressivas de caráter nacional e internacional,
ram a consciência da Humanidade e que o advento de um por assegurar o seu reconhecimento e a sua observância
mundo em que os homens gozem de liberdade de palavra, universais e efetivos, tanto entre os povos dos próprios Esta-
de crença e da liberdade de viverem a salvo do temor e da dos-Membros, quanto entre os povos dos territórios sob sua
necessidade foi proclamado como a mais alta aspiração do jurisdição.
homem comum, A Assembleia Geral é o principal órgão deliberativo das
A humanidade nunca irá esquecer das imagens vistas Nações Unidas, no qual há representatividade de todos os
quando da abertura dos campos de concentração nazis- membros e por onde passam inúmeros tratados interna-
tas, nos quais os cadáveres esqueléticos do que não eram cionais.
considerados seres humanos perante aquele regime polí-
tico se amontoavam. Aquelas pessoas não eram conside- Artigo I
radas iguais às demais por possuírem alguma caracterís- Todas as pessoas nascem livres e iguais em dignida-
tica, crença ou aparência que o Estado não apoiava. Daí a de e direitos. São dotadas de razão  e consciência e devem
importância de se atentar para os antecedentes históricos agir em relação umas às outras com espírito de fraterni-
e compreender a igualdade de todos os homens, indepen- dade.
dentemente de qualquer fator. O primeiro artigo da Declaração é altamente represen-
Considerando essencial que os direitos humanos sejam tativo, trazendo diversos conceitos chaves de todo o do-
protegidos pelo Estado de Direito, para que o homem não cumento:
seja compelido, como último recurso, à rebelião contra tira- a) Princípios da universalidade, presente na palavra
nia e a opressão, todos, que se repete no documento inteiro, pelo qual os
Por todo o mundo se espalharam, notadamente du- direitos humanos pertencem a todos e por isso se encon-
rante a Segunda Guerra Mundial, regimes totalitários alta- tram ligados a um sistema global (ONU), o que impede o
mente opressivos, não só por parte das Potências do Eixo retrocesso.
(Alemanha, Itália, Japão), mas também no lado dos Aliados Na primeira parte do artigo estatui-se que não basta a
(Rússia e o regime de Stálin). igualdade formal perante a lei, mas é preciso realizar esta
Considerando essencial promover o desenvolvimento de igualdade de forma a ser possível que todo homem atinja
relações amistosas entre as nações, um grau satisfatório de dignidade. Neste sentido, as dis-
Depois de duas grandes guerras a humanidade conse- criminações legais asseguram a verdadeira igualdade, por
guiu perceber o quanto era prejudicial não manter relações exemplo, com as ações afirmativas, a proteção especial ao
amistosas entre as nações, de forma que o ideal de paz trabalho da mulher e do menor, as garantias aos porta-
ganhou uma nova força. dores de deficiência, entre outras medidas que atribuam
Considerando que os povos das Nações Unidas reafir- a pessoas com diferentes condições, iguais possibilidades,
maram, na Carta, sua fé nos direitos humanos fundamen- protegendo e respeitando suas diferenças.33
tais, na dignidade e no valor da pessoa humana e na igual-
b) Princípio da dignidade da pessoa humana: a dig-
dade de direitos dos homens e das mulheres, e que decidi-
nidade é um atributo da pessoa humana, segundo o qual
ram promover o progresso social e melhores condições de
ela merece todo o respeito por parte dos Estados e dos
vida em uma liberdade mais ampla,
demais indivíduos, independentemente de qualquer fator
Considerando que os Estados-Membros se compromete-
como aparência, religião, sexualidade, condição financeira.
ram a desenvolver, em cooperação com as Nações Unidas, o
Todo ser humano é digno e, por isso, possui direitos que
respeito universal aos direitos humanos e liberdades funda-
visam garantir tal dignidade.
mentais e a observância desses direitos e liberdades,
c) Dimensões de direitos humanos: tradicionalmente,
Considerando que uma compreensão comum desses di-
reitos e liberdades é da mais alta importância para o pleno os direitos humanos dividem-se em três dimensões, cada
cumprimento desse compromisso, qual representativa de um momento histórico no qual se
Todos os países que fazem parte da Organização das evidenciou a necessidade de garantir direitos de certa ca-
Nações Unidas, tanto os 51 membros fundadores quanto tegoria. A primeira dimensão, presente na expressão livres,
os que ingressaram posteriormente (basicamente, todos refere-se aos direitos civis e políticos, os quais garantem a
demais países do mundo), totalizando 193, assumiram o liberdade do homem no sentido de não ingerência estatal
compromisso de cumprir a Carta da ONU, documento que e de participação nas decisões políticas, evidenciados his-
a fundou e que traz os princípios condutores da ação da toricamente com as Revoluções Americana e Francesa. A
organização. segunda dimensão, presente na expressão iguais, refere-se
aos direitos econômicos, sociais e culturais, os quais garan-
A Assembleia  Geral proclama tem a igualdade material entre os cidadãos exigindo pres-
A presente Declaração Universal dos Diretos Humanos tações positivas estatais nesta direção, por exemplo, asse-
como o ideal comum a ser atingido por todos os povos e to- gurando direitos trabalhistas e de saúde, possuindo como
das as nações, com o objetivo de que cada indivíduo e cada antecedente histórico a Revolução Industrial. A terceira di-
órgão da sociedade, tendo sempre em mente esta Declara- 33 BALERA, Wagner (Coord.). Comentários à Declaração
ção, se esforce, através do ensino e da educação, por promo- Universal dos Direitos do Homem. Brasília: Fortium, 2008.

7
DIREITOS HUMANOS

mensão, presente na expressão fraternidade, refere-se ao lizar os meios idôneos a proporcionar tal gozo, a fim de
necessário olhar sobre o mundo como um lugar de todos, que se perfectibilize, faticamente, esta garantia. Isto se dá
no qual cada qual deve reconhecer no outro seu semelhan- não somente com a igualdade material diante da lei, mas
te, digno de direitos, olhar este que também se lança para também, e principalmente, através do reconhecimento e
as gerações futuras, por exemplo, com a preservação do respeito das desigualdades naturais entre os homens, as
meio ambiente e a garantia da paz social, sendo o marco quais devem ser resguardadas pela ordem jurídica, pois é
histórico justamente as Guerras Mundiais.34 Assim, desde somente assim que será possível propiciar a aludida capa-
logo a Declaração estabelece seus parâmetros fundamen- cidade de gozo a todos”37.
tais, com esteio na Declaração dos Direitos do Homem e
do Cidadão de 1789 e na Constituição Francesa de 1791, Artigo III
quais sejam igualdade, liberdade e fraternidade. Embora Toda pessoa tem direito à vida, à liberdade e à segu-
os direitos de 1ª, 2ª e 3ª dimensão, que se baseiam nesta rança pessoal.
tríade, tenham surgido de forma paulatina, devem ser con-
Segundo Lenza38, “abrange tanto o direito de não ser
siderados em conjunto proporcionando a plena realização
morto, privado da vida, portanto, direito de continuar vivo,
do homem35.
como também o direito de ter uma vida digna”. Na pri-
Na primeira parte do artigo estatui-se que não basta a
igualdade formal perante a lei, mas é preciso realizar esta meira esfera, enquadram-se questões como pena de mor-
igualdade de forma a ser possível que todo homem atinja te, aborto, pesquisas com células-tronco, eutanásia, entre
um grau satisfatório de dignidade. outras polêmicas. Na segunda esfera, notam-se desdo-
Neste sentido, as discriminações legais asseguram bramentos como a proibição de tratamentos indignos, a
a verdadeira igualdade, por exemplo, com as ações afir- exemplo da tortura, dos trabalhos forçados, etc.
mativas, a proteção especial ao trabalho da mulher e do A vida humana é o centro gravitacional no qual orbi-
menor, as garantias aos portadores de deficiência, entre tam todos os direitos da pessoa humana, possuindo re-
outras medidas que atribuam a pessoas com diferentes flexos jurídicos, políticos, econômicos, morais e religiosos.
condições, iguais possibilidades, protegendo e respeitando Daí existir uma dificuldade em conceituar o vocábulo vida.
suas diferenças. Logo, tudo aquilo que uma pessoa possui deixa de ter va-
lor ou sentido se ela perde a vida. Sendo assim, a vida é
Artigo II o bem principal de qualquer pessoa, é o primeiro valor
Toda pessoa tem capacidade para gozar os direitos e as moral de todos os seres humanos. Trata-se de um direito
liberdades estabelecidos nesta Declaração, sem distinção que pode ser visto em 4 aspectos, quais sejam: a) direito
de qualquer espécie, seja de raça, cor, sexo, língua,  reli- de nascer; b) direito de permanecer vivo; c) direito de ter
gião, opinião política ou de outra natureza, origem nacional
uma vida digna quanto à subsistência e; d) direito de não
ou social, riqueza, nascimento, ou qualquer outra condição. 
ser privado da vida através da pena de morte39.
Reforça-se o princípio da igualdade, bem como o da
Por sua vez, o direito à liberdade é posto como con-
dignidade da pessoa humana, de forma que todos seres
humanos são iguais independentemente de qualquer con- sectário do direito à vida, pois ela depende da liberdade
dição, possuindo os mesmos direitos visando a preserva- para o desenvolvimento intelectual e moral. Assim, “[...]
ção de sua dignidade. liberdade é assim a faculdade de escolher o próprio cami-
O dispositivo traz um aspecto da igualdade que impe- nho, sendo um valor inerente à dignidade do ser, uma vez
de a distinção entre pessoas pela condição do país ou terri- que decorre da inteligência e da volição, duas característi-
tório a que pertença, o que é importante sob o aspecto de cas da pessoa humana”40.
proteção dos refugiados, prisioneiros de guerra, pessoas O direito à segurança pessoal é o direito de viver sem
perseguidas politicamente, nacionais de Estados que não medo, protegido pela solidariedade e liberto de agressões,
cumpram os preceitos das Nações Unidas. Não obstante, a logo, é uma maneira de garantir o direito à vida41.
discriminação não é proibida apenas quanto a indivíduos, Artigo IV
mas também quanto a grupos humanos, sejam formados Ninguém será mantido em escravidão ou servidão, a
por classe social, etnia ou opinião em comum36. escravidão e o tráfico de escravos serão proibidos em todas
“A Declaração reconhece a capacidade de gozo in- as suas formas. 
distinto dos direitos e liberdades assegurados a todos os
homens, e não apenas a alguns setores ou atores sociais. 37 BALERA, Wagner (Coord.). Comentários à Declaração
Universal dos Direitos do Homem. Brasília: Fortium, 2008.
Garantir a capacidade de gozo, no entanto, não é sufi-
ciente para que este realmente se efetive. É fundamental 38 LENZA, Pedro. Curso de direito constitucional esquematizado.
15. ed. São Paulo: Saraiva, 2011.
aos ordenamentos jurídicos próprios dos Estados viabi-
39 BALERA, Wagner (Coord.). Comentários à Declaração
34 BOBBIO, Norberto. A era dos direitos. Tradução Celso Lafer. 9. Universal dos Direitos do Homem. Brasília: Fortium, 2008.
ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2004. 40 BALERA, Wagner (Coord.). Comentários à Declaração
35 BALERA, Wagner (Coord.). Comentários à Declaração Universal dos Direitos do Homem. Brasília: Fortium, 2008.
Universal dos Direitos do Homem. Brasília: Fortium, 2008. 41
36 BALERA, Wagner (Coord.). Comentários à Declaração BALERA, Wagner (Coord.). Comentários à Declaração Universal dos
Universal dos Direitos do Homem. Brasília: Fortium, 2008. Direitos do Homem. Brasília: Fortium, 2008.

8
DIREITOS HUMANOS

“O trabalho escravo não se confunde com o trabalho Artigo VI


servil. A escravidão é a propriedade plena de um homem Toda pessoa tem o direito de ser, em todos os lugares,
sobre o outro. Consiste na utilização, em proveito próprio, reconhecida como pessoa perante a lei.
do trabalho alheio. Os escravos eram considerados seres “Afinal, se o Direito existe em função da pessoa hu-
humanos sem personalidade, mérito ou valor. A servidão, mana, será ela sempre sujeito de direitos e de obrigações.
por seu turno, é uma alienação relativa da liberdade de Negar-lhe a personalidade, a aptidão para exercer direi-
trabalho através de um pacto de prestação de serviços ou tos e contrair obrigações, equivale a não reconhecer sua
de uma ligação absoluta do trabalhador à terra, já que a própria existência. [...] O reconhecimento da personalidade
servidão era uma instituição típica das sociedades feudais. jurídica é imprescindível à plena realização da pessoa hu-
A servidão, representava a espinha dorsal do feudalismo. mana. Trata-se de garantir a cada um, em todos os lugares,
O servo pagava ao senhor feudal uma taxa altíssima pela a possibilidade de desenvolvimento livre e isonômico”43.
utilização do solo, que superava a metade da colheita”42. O sistema de proteção de direitos humanos estabeleci-
A abolição da escravidão foi uma luta histórica em do no âmbito da Organização das Nações Unidas é global,
todo o globo. Seria totalmente incoerente quanto aos prin- razão pela qual não cabe o seu desrespeito em qualquer
cípios da liberdade, da igualdade e da dignidade se admitir localidade do mundo. Por isso, um estrangeiro que visite
que um ser humano pudesse ser submetido ao outro, ser outro país não pode ter seus direitos humanos violados,
tratado como coisa. O ser humano não possui valor finan- independentemente da Constituição daquele país nada
ceiro e nem serve ao domínio de outro, razão pela qual a prever a respeito dos direitos dos estrangeiros. A pessoa
escravidão não pode ser aceita. humana não perde tal caráter apenas por sair do território
de seu país. Em outras palavras, denota-se uma das facetas
Artigo V
do princípio da universalidade.
Ninguém será submetido à tortura, nem a tratamento
ou castigo cruel, desumano ou degradante.
Artigo  VII
Tortura é a imposição de dor física ou psicológica por
Todos são iguais perante a lei e têm direito, sem qual-
crueldade, intimidação, punição, para obtenção de uma
quer distinção, a igual proteção da lei. Todos têm direito
confissão, informação ou simplesmente por prazer da pes-
a igual proteção contra qualquer discriminação que viole
soa que tortura. A tortura é uma espécie de tratamento
a presente Declaração e contra qualquer incitamento a tal
ou castigo cruel, desumano ou degradante. A Convenção
discriminação.
das Nações Unidas contra a Tortura e Outros Tratamentos
Um dos desdobramentos do princípio da igualdade
ou Penas Cruéis, Desumanos ou Degradantes (Resolução n°
39/46 da Assembleia Geral das Nações Unidas) foi estabe- refere-se à igualdade perante à lei. Toda lei é dotada de
lecida em 10 de dezembro de 1984 e ratificada pelo Brasil caráter genérico e abstrato que evidencia não aplicar-se
em 28 de setembro de 1989. Em destaque, o artigo 1 da a uma pessoa determinada, mas sim a todas as pessoas
referida Convenção: que venham a se encontrar na situação por ela descrita.
Não significa que a legislação não possa estabelecer, em
Artigo 1º, Convenção da ONU contra Tortura e Outros abstrato, regras especiais para um grupo de pessoas des-
Tratamentos ou Penas Cruéis favorecido socialmente, direcionando ações afirmativas,
1. Para os fins da presente Convenção, o termo “tor- por exemplo, aos deficientes, às mulheres, aos pobres - no
tura” designa qualquer ato pelo qual dores ou sofrimentos entanto, todas estas ações devem respeitar a proporciona-
agudos, físicos ou mentais, são infligidos intencionalmente lidade e a razoabilidade (princípio da igualdade material).
a uma pessoa a fim de obter, dela ou de uma terceira pes-
soa, informações ou confissões; de castigá-la por ato que ela Artigo VIII
ou uma terceira pessoa tenha cometido ou seja suspeita de Toda pessoa tem direito a receber dos tributos nacionais
ter cometido; de intimidar ou coagir esta pessoa ou outras competentes remédio efetivo para os atos que violem os
pessoas; ou por qualquer motivo baseado em discriminação direitos fundamentais que lhe sejam reconhecidos pela
de qualquer natureza; quando tais dores ou sofrimentos são constituição ou pela lei.
infligidos por um funcionário público ou outra pessoa no Não basta afirmar direitos, é preciso conferir meios
exercício de funções públicas, ou por sua instigação, ou com para garanti-los. Ciente disto, a Declaração traz aos Esta-
o seu consentimento ou aquiescência. Não se considerará dos partes o dever de estabelecer em suas legislações in-
como tortura as dores ou sofrimentos que sejam consequên- ternas instrumentos para proteção dos direitos humanos.
cia unicamente de sanções legítimas, ou que sejam inerentes Geralmente, nos textos constitucionais são estabelecidos
a tais sanções ou delas decorram. os direitos fundamentais e os instrumentos para protegê-
2. O presente Artigo não será interpretado de maneira a -los, por exemplo, o habeas corpus serve à proteção do
restringir qualquer instrumento internacional ou legislação direito à liberdade de locomoção.
nacional que contenha ou possa conter dispositivos de al-
cance mais amplo.
42 BALERA, Wagner (Coord.). Comentários à Declaração 43 BALERA, Wagner (Coord.). Comentários à Declaração
Universal dos Direitos do Homem. Brasília: Fortium, 2008. Universal dos Direitos do Homem. Brasília: Fortium, 2008.

9
DIREITOS HUMANOS

Artigo IX bem como aos meios e recursos inerentes a estas garan-


Ninguém será arbitrariamente preso, detido ou exi- tias, e caso seja condenado ao final poderá ser considerado
lado. culpado. A razão é que o estado de inocência é inerente ao
Prisão e detenção são formas de impedir que a pes- ser humano até que ele viole direito alheio, caso em que
soa saia de um estabelecimento sob tutela estatal, privan- merecerá sanção.
do-a de sua liberdade de locomoção. Exílio é a expulsão “Através desse princípio verifica-se a necessidade de o
ou mudança forçada de uma pessoa do país, sendo assim Estado comprovar a culpabilidade do indivíduo presumido
também uma forma de privar a pessoa de sua liberdade de inocente. Está diretamente relacionado à questão da pro-
locomoção em um determinado território. Nenhuma des- va no processo penal que deve ser validamente produzida
tas práticas é permitida de forma arbitrária, ou seja, sem o para ao final do processo conduzir a culpabilidade do in-
respeito aos requisitos previstos em lei. divíduo admitindo-se a aplicação das penas previamente
Não significa que em alguns casos não seja aceita a pri- cominadas. Entretanto, a presunção de inocência não afas-
vação de liberdade, notadamente quando o indivíduo tiver ta a possibilidade de medidas cautelares como as prisões
praticado um ato que comprometa a segurança ou outro provisórias, busca e apreensão, quebra de sigilo como me-
direito fundamental de outra pessoa. didas de caráter excepcional cujos requisitos autorizadores
devem estar previstos em lei”45.
Artigo X 2. Ninguém poderá ser culpado por qualquer ação ou
Toda pessoa tem direito, em plena igualdade, a uma omissão que, no momento, não constituíam delito peran-
audiência justa e pública por parte de um tribunal in- te o direito nacional ou internacional. Tampouco será im-
dependente e imparcial, para decidir de seus direitos e posta pena mais forte do que aquela que, no momento da
deveres ou do fundamento de qualquer acusação criminal prática, era aplicável ao ato delituoso.
contra ele. Evidencia-se o princípio da irretroatividade da lei penal
in pejus (para piorar a situação do acusado) pelo qual uma
“De acordo com a ordem que promana do preceito
lei penal elaborada posteriormente não pode se aplicar a
acima reproduzido, as pessoas têm a faculdade de exigir
atos praticados no passado - nem para um ato que não era
um pronunciamento do Poder Judiciário, acerca de seus
considerado crime passar a ser, nem para que a pena de um
direitos e deveres postos em litígio ou do fundamento de
ato que era considerado crime seja aumentada. Evidencia
acusação criminal, realizado sob o amparo dos princípios
não só o respeito à liberdade, mas também - e principal-
da isonomia, do devido processo legal, da publicidade dos
mente - à segurança jurídica.
atos processuais, da ampla defesa e do contraditório e da
imparcialidade do juiz”44.
Artigo XII
Em outras palavras não é possível juízo ou tribunal de Ninguém será sujeito a interferências na sua vida pri-
exceção, ou seja, um juízo especialmente delegado para o vada, na sua família, no seu lar ou na sua correspon-
julgamento do caso daquela pessoa. O juízo deve ser esco- dência, nem a ataques à sua honra e reputação. Toda
lhido imparcialmente, de acordo com as regras de organi- pessoa tem direito à proteção da lei contra tais interferências
zação judiciária que valem para todos. Não obstante, o juí- ou ataques.
zo deve ser independente, isto é, poder julgar independen- A proteção aos direitos à privacidade e à personalidade
temente de pressões externas para que o julgamento se dê se enquadra na primeira dimensão de direitos fundamen-
num ou noutro sentido. O juízo também deve ser imparcial, tais no que tange à proteção à liberdade. Enfim, o exercício
não possuindo amizade ou inimizade em graus relevantes da liberdade lega-se também às limitações a este exercício:
para com o acusado. Afinal, o direito à liberdade é consa- de que adianta ser plenamente livre se a liberdade de um
grado e para que alguém possa ser privado dela por uma interfere na liberdade - e nos direitos inerentes a esta liber-
condenação criminal é preciso que esta se dê dentro dos dade - do outro.
trâmites legais, sem violar direitos humanos do acusado. “O direito à intimidade representa relevante manifes-
tação dos direitos da personalidade e qualifica-se como
Artigo XI expressiva prerrogativa de ordem jurídica que consiste em
1. Toda pessoa acusada de um ato delituoso tem o direi- reconhecer, em favor da pessoa, a existência de um espaço
to de ser presumida inocente até que a sua culpabilidade indevassável destinado a protegê-la contra indevidas inter-
tenha sido provada de acordo com a lei, em julgamento ferências de terceiros na esfera de sua vida privada”46.
público no qual lhe tenham sido asseguradas todas as ga- Reforçando a conexão entre a privacidade e a intimida-
rantias necessárias à sua defesa. de, ao abordar a proteção da vida privada - que, em resu-
O princípio da presunção de inocência ou não culpa- mo, é a privacidade da vida pessoal no âmbito do domicílio
bilidade liga-se ao direito à liberdade. Antes que ocorra a e de círculos de amigos -, Silva47 entende que “o segredo
condenação criminal transitada em julgado, isto é, proces-
45 BALERA, Wagner (Coord.). Comentários à Declaração
sada até o último recurso interposto pelo acusado, este Universal dos Direitos do Homem. Brasília: Fortium, 2008.
deve ser tido como inocente. Durante o processo penal, 46 MOTTA, Sylvio; BARCHET, Gustavo. Curso de direito
o acusado terá direito ao contraditório e à ampla defesa, constitucional. Rio de Janeiro: Elsevier, 2007.
44 BALERA, Wagner (Coord.). Comentários à Declaração 47 SILVA, José Afonso da. Curso de direito constitucional positivo.
Universal dos Direitos do Homem. Brasília: Fortium, 2008. 25. ed. São Paulo: Malheiros, 2006.

10
DIREITOS HUMANOS

da vida privada é condição de expansão da personalidade”, O direito dos refugiados é o que envolve a garantia de
mas não caracteriza os direitos de personalidade em si. “O asilo fora do território do qual é nacional por algum dos
direito à honra distancia-se levemente dos dois anteriores, motivos especificados em normas de direitos humanos,
podendo referir-se ao juízo positivo que a pessoa tem de notadamente, perseguição por razões de raça, religião, na-
si (honra subjetiva) e ao juízo positivo que dela fazem os cionalidade, pertença a um grupo social determinado ou
outros (honra objetiva), conferindo-lhe respeitabilidade convicções políticas. Diversos documentos internacionais
no meio social. O direito à imagem também possui duas disciplinam a matéria, a exemplo da Declaração Universal
conotações, podendo ser entendido em sentido objetivo, de 1948, Convenção de 1951 relativa ao Estatuto dos Refu-
com relação à reprodução gráfica da pessoa, por meio de giados, Quarta Convenção de Genebra Relativa à Proteção
fotografias, filmagens, desenhos, ou em sentido subjetivo, das Pessoas Civis em Tempo de Guerra de 1949, Convenção
significando o conjunto de qualidades cultivadas pela pes- relativa ao Estatuto dos Apátridas de 1954, Convenção so-
soa e reconhecidas como suas pelo grupo social”48. bre a Redução da Apatridia de 1961 e Declaração das Na-
O artigo também abrange a proteção ao domicílio, lo- ções Unidas sobre a Concessão de Asilo Territorial de 1967.
cal no qual a pessoa deseja manter sua privacidade e pode Não obstante, a constituição brasileira adota a concessão
desenvolver sua personalidade; e à correspondência, en- de asilo político como um de seus princípios nas relações
viada ao seu lar unicamente para sua leitura e não de ter-
internacionais (art. 4º, X, CF).
ceiros, preservando-se sua privacidade.
“A prática de conceder asilo em terras estrangeiras a
pessoas que estão fugindo de perseguição é uma das ca-
racterísticas mais antigas da civilização. Referências a essa
Artigo XIII
1. Toda pessoa tem direito à liberdade de locomoção e prática foram encontradas em textos escritos há 3.500
residência dentro das fronteiras de cada Estado. anos, durante o florescimento dos antigos grandes impé-
Não há limitações ao direito de locomoção dentro do rios do Oriente Médio, como o Hitita, Babilônico, Assírio e 
próprio Estado, nem ao direito de residir. Vale lembrar que Egípcio antigo.
a legislação interna pode estabelecer casos em que tal di- Mais de três milênios depois, a proteção de refugiados
reito seja relativizado, por exemplo, obrigando um funcio- foi estabelecida como missão principal da agência de refu-
nário público a residir no município em que está sediado giados da ONU, que foi constituída para assistir, entre ou-
ou impedindo o ingresso numa área de interesse estatal. tros, os refugiados que esperavam para retornar aos seus
São exceções à liberdade de locomoção: decisão judi- países de origem no final da II Guerra Mundial.
cial que imponha pena privativa de liberdade ou limitação A Convenção de Refugiados de 1951, que estabeleceu
da liberdade, normas administrativas de controle de vias e o ACNUR, determina que um refugiado é alguém que ‘te-
veículos, limitações para estrangeiros em certas regiões ou mendo ser perseguida por motivos de raça, religião, na-
áreas de segurança nacional e qualquer situação em que cionalidade, grupo social ou opiniões políticas, se encontra
o direito à liberdade deva ceder aos interesses públicos49. fora do país de sua nacionalidade e que não pode ou, em
2. Toda pessoa tem o direito de deixar qualquer país, virtude desse temor, não quer valer-se da proteção desse
inclusive o próprio, e a este regressar. país’.
A nacionalidade é um direito humano, assim como a li- Desde então, o ACNUR tem oferecido proteção e assis-
berdade de locomoção. Destaca-se que o artigo não men- tência para dezenas de milhões de refugiados, encontran-
ciona o direito de entrar em qualquer país, mas sim o de do soluções duradouras para muitos deles. Os padrões da
deixá-lo. migração se tornaram cada vez mais complexos nos tem-
pos modernos, envolvendo não apenas refugiados, mas
Artigo XIV também milhões de migrantes econômicos. Mas refugia-
1.Toda pessoa, vítima de perseguição, tem o direito de dos e migrantes, mesmo que viajem da mesma forma com
procurar e de gozar asilo em outros países. 
frequência, são fundamentalmente distintos, e por esta
2. Este direito não pode ser invocado em caso de per-
razão são tratados de maneira muito diferente perante o
seguição legitimamente motivada por crimes de direito
direito internacional moderno.
comum ou por atos contrários aos propósitos e princípios
Migrantes, especialmente migrantes econômicos, de-
das Nações Unidas.
O direito de asilo serve para proteger uma pessoa per- cidem deslocar-se para melhorar as perspectivas para si
seguida por suas opiniões políticas, situação racial, con- mesmos e para suas famílias. Já os refugiados necessitam
vicções religiosas ou outro motivo político em seu país de deslocar-se para salvar suas vidas ou preservar sua liber-
origem, permitindo que ela requeira perante a autoridade dade. Eles não possuem proteção de seu próprio Estado
de outro Estado proteção. Claro, não se protege aquele que e de fato muitas vezes é seu próprio governo que ameaça
praticou um crime comum em seu país e fugiu para outro, persegui-los. Se outros países não os aceitarem em seus
caso em que deverá ser extraditado para responder pelo territórios, e não os auxiliarem uma vez acolhidos, poderão
crime praticado. estar condenando estas pessoas à morte ou à uma vida
insuportável nas sombras, sem sustento e sem direitos”50.
48 MOTTA, Sylvio; BARCHET, Gustavo. Curso de direito
constitucional. Rio de Janeiro: Elsevier, 2007.
49 BALERA, Wagner (Coord.). Comentários à Declaração 50 http://www.acnur.org/t3/portugues/a-quem-ajudamos/
Universal dos Direitos do Homem. Brasília: Fortium, 2008. refugiados/

11
DIREITOS HUMANOS

As Nações Unidas51 descrevem sua participação no his- Artigo XV


tórico do direito dos refugiados no mundo: 1. Toda pessoa tem direito a uma nacionalidade. 
“Desde a sua criação, a Organização das Nações Uni- 2. Ninguém será arbitrariamente privado de sua na-
das tem dedicado os seus esforços à proteção dos refu- cionalidade, nem do direito de mudar de nacionalidade.
giados no mundo. Em 1951, data em que foi criado o Alto Nacionalidade é o vínculo jurídico-político que liga um
Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (AC- indivíduo a determinado Estado, fazendo com que ele pas-
NUR), havia um milhão de refugiados sob a sua responsa- se a integrar o povo daquele Estado, desfrutando assim de
bilidade. Hoje este número aumentou para 17,5 milhões, direitos e obrigações. Não é aceita a figura do apátrida ou
para além dos 2,5 milhões assistidos pelo Organismo das heimatlos, o indivíduo que não possui nenhuma naciona-
Nações Unidas das Obras Públicas e Socorro aos Refugia- lidade.
dos da Palestina, no Próximo Oriente (ANUATP), e ainda É possível mudar de nacionalidade nas situações pre-
mais de 25 milhões de pessoas deslocadas internamente. vistas em lei, naturalizando-se como nacional de outro Es-
Em 1951, a maioria dos refugiados eram Europeus. Hoje, a tado que não aquele do qual originalmente era nacional.
maior parte é proveniente da África e da Ásia. Atualmente, Geralmente, a permanência no território do pais por um
os movimentos de refugiados assumem cada vez mais a longo período de tempo dá direito à naturalização, abrindo
forma de êxodos maciços, diferentemente das fugas indi- mão da nacionalidade anterior para incorporar a nova.
viduais do passado. Hoje, oitenta por cento dos refugiados
são mulheres e crianças. Também as causas dos êxodos se Artigo XVI
multiplicaram, incluindo agora as catástrofes naturais ou 1. Os homens e mulheres de maior idade, sem qualquer
ecológicas e a extrema pobreza. Daí que muitos dos atuais restrição de raça, nacionalidade ou religião, têm o direito
refugiados não se enquadrem na definição da Convenção de contrair matrimônio e fundar uma família. Gozam
relativa ao Estatuto dos Refugiados. Esta Convenção refe- de iguais direitos em relação ao casamento, sua duração e
re-se a vítimas de perseguição por razões de raça, religião, sua dissolução. 
nacionalidade, pertença a um grupo social determinado ou 2. O casamento não será válido senão com o livre e
convicções políticas. [...] pleno consentimento dos nubentes.
O casamento, como todas as instituições sociais, varia
Existe uma relação evidente entre o problema dos refu- com o tempo e os povos, que evoluem e adquirem novas
giados e a questão dos direitos humanos. As violações dos culturas. Há quem o defina como um ato, outros como um
direitos humanos constituem não só uma das principais contato. Basicamente, casamento é a união, devidamente
causas dos êxodos maciços, mas afastam também a opção formalizada conforme a lei, com a finalidade de construir
do repatriamento voluntário enquanto se verificarem. As família. A principal finalidade do casamento é estabele-
violações dos direitos das minorias e os conflitos étnicos cer a comunhão plena de vida, impulsionada pelo amor e
encontram-se cada vez mais na origem quer dos êxodos afeição existente entre o casal e baseada na igualdade de
maciços, quer das deslocações internas. [...] direitos e deveres dos cônjuges e na mútua assistência.52
Na sua segunda sessão, no final de 1946, a Assembleia Não é aceitável o casamento que se estabeleça à força para
Geral criou a Organização Internacional para os Refugiados algum dos nubentes, sendo exigido o livre e pleno con-
(OIR), que assumiu as funções da Agência das Nações Uni- sentimento de ambos. Não obstante, é coerente que a lei
das para a Assistência e a Reabilitação (ANUAR). Foi inves- traga limitações como a idade, pois o casamento é uma
tida no mandato temporário de registrar, proteger, instalar instituição séria, base da família, e somente a maturidade
e repatriar refugiados. [...] Cedo se tornou evidente que a pode permitir compreender tal importância.
responsabilidade pelos refugiados merecia um maior es-
forço da comunidade internacional, a desenvolver sob os Artigo XVII
auspícios da própria Organização das Nações Unidas. As- 1. Toda pessoa tem direito à propriedade, só ou em so-
sim, muito antes de terminar o mandato da OIR, iniciaram- ciedade com outros.
-se as discussões sobre a criação de uma organização que 2. Ninguém será arbitrariamente privado de sua pro-
lhe pudesse suceder. priedade.
O Alto Comissariado das Nações Unidas para os Re- “Toda pessoa [...] tem direito à propriedade, podendo
fugiados (ACNUR) Na sua Resolução 319 A (IV) de 3 de o ordenamento jurídico estabelecer suas modalidades de
Dezembro de 1949, a Assembleia Geral decidiu criar o Alto aquisição, perda, uso e limites. O direito de propriedade,
Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados. O constitucionalmente assegurado, garante que dela nin-
Alto Comissariado foi instituído em 1 de Janeiro de 1951, guém poderá ser privado arbitrariamente [...]”53. O direito
como órgão subsidiário da Assembleia Geral, com um à propriedade se insere na primeira dimensão de direitos
mandato inicial de três anos. Desde então, o mandato do humanos, garantindo que cada qual tenha bens materiais
ACNUR tem sido renovado por períodos sucessivos de cin- justamente adquiridos, respeitada a função social.
co anos [...]”.
52 GONÇALVES, Carlos Roberto. Direito civil brasileiro. 6. ed.
51 ORGANIZAÇÃO DAS NAÇÕES UNIDAS - ONU. Direitos São Paulo: Saraiva, 2009. v. 6.
Humanos e Refugiados. Ficha normativa nº 20. Disponível em: <http:// 53 MORAES, Alexandre de. Direitos humanos fundamentais:
www.gddc.pt/direitos-humanos/Ficha_Informativa_20.pdf >. Acesso em: teoria geral, comentários aos artigos 1º a 5º da Constituição da República
13 jun. 2013. Federativa do Brasil, doutrina e jurisprudência. São Paulo: Atlas, 1997.

12
DIREITOS HUMANOS

Artigo XVIII Por sua vez, “a liberdade de associação para fins lícitos,
Toda pessoa tem direito à liberdade de pensamento, vedada a de caráter paramilitar, é plena. Portanto, ninguém
consciência e religião; este direito inclui a liberdade de poderá ser compelido a associar-se e, uma vez associado,
mudar de religião ou crença e a liberdade de manifestar será livre, também, para decidir se permanece associado
essa religião ou crença, pelo ensino, pela prática, pelo culto ou não”57.
e pela observância, isolada ou coletivamente, em público ou
em particular. Artigo XXI
Silva54 aponta que a liberdade de pensamento, que 1. Toda pessoa tem o direito de tomar parte no gover-
também pode ser chamada de liberdade de opinião, é con- no de seu país, diretamente ou por intermédio de represen-
siderada pela doutrina como a liberdade primária, eis que tantes livremente escolhidos. 
é ponto de partida de todas as outras, e deve ser entendida 2. Toda pessoa tem igual direito de acesso ao serviço
como a liberdade da pessoa adotar determinada atitude público do seu país. 
intelectual ou não, de tomar a opinião pública que crê ver- 3. A vontade do povo será a base  da autoridade do
dadeira. Tal opinião pública se refere a diversos aspectos, governo; esta vontade será expressa em eleições periódicas
entre eles religião e crença. A liberdade de religião atrela-se e legítimas, por sufrágio universal, por voto secreto ou pro-
à liberdade de consciência e à liberdade de pensamento, cesso equivalente que assegure a liberdade de voto.
mas o inverso não ocorre, porque é possível existir liber- “Na sociedade moderna, nascida de transformações
dade de pensamento e consciência desvinculada de cunho que culminaram na Revolução Francesa, o indivíduo é vis-
religioso. Aliás, a liberdade de consciência também con- to como homem (pessoa privada) e como cidadão (pessoa
cretiza a liberdade de ter ou não ter religião, ter ou não ter pública). O termo cidadão designava originalmente o habi-
opinião político-partidária ou qualquer outra manifestação tante da cidade. Com a consolidação da sociedade burgue-
positiva ou negativa da consciência55. sa, passa a indicar a ação política e a participação do sujeito
No que tange à exteriorização da liberdade de religião, na vida da sociedade”58.
ou seja, à liberdade de expressão religiosa, não é devida Democracia (do grego, demo+kratos) é um regime de
nenhuma perseguição, assim como é garantido o direito de governo em que o poder de tomar decisões políticas está
com os cidadãos, de forma direta (quando um cidadão se
praticá-la em grupo ou individualmente.
reúne com os demais e, juntos, eles tomam a decisão po-
lítica) ou indireta (quando ao cidadão é dado o poder de
Artigo XIX
eleger um representante). Uma democracia pode existir
Toda pessoa tem direito à liberdade de opinião e ex-
num sistema presidencialista ou parlamentarista, republi-
pressão; este direito inclui a liberdade de, sem interferência,
cano ou monárquico - somente importa que seja dado aos
ter opiniões e de procurar, receber e transmitir informações
cidadãos o poder de tomar decisões políticas (por si só ou
e ideias por quaisquer meios e independentemente de fron-
por seu representante eleito), nos termos que este artigo
teiras.
da Declaração prevê. A principal classificação das demo-
Silva56 entende que a liberdade de expressão pode ser cracias é a que distingue a direta da indireta - a) direta,
vista sob diversos enfoques, como o da liberdade de comu- também chamada de pura, na qual o cidadão expressa sua
nicação, ou liberdade de informação, que consiste em um vontade por voto direto e individual em casa questão re-
conjunto de direitos, formas, processos e veículos que via- levante; b) indireta, também chamada representativa, em
bilizam a coordenação livre da criação, expressão e difusão que os cidadãos exercem individualmente o direito de voto
da informação e do pensamento. Contudo, o a manifesta- para escolher representante(s) e aquele(s) que for(em) mais
ção do pensamento não pode ocorrer de forma ilimitada, escolhido(s) representa(m) todos os eleitores.
devendo se pautar na verdade e no respeito dos direitos à Não obstante, se introduz a dimensão do Estado So-
honra, à intimidade e à imagem dos demais membros da cial, de forma que ao cidadão é garantida a prestação de
sociedade. serviços públicos. Isto se insere na segunda dimensão de
direitos humanos, referentes aos direitos econômicos, so-
Artigo XX ciais e culturais - sem os quais não se consolida a igualdade
1. Toda pessoa tem direito à  liberdade de reunião e material.
associação pacíficas. 
O direito de reunião pode ser exercido independente- Artigo XXII
mente de autorização estatal, mas deve se dar de maneira Toda pessoa, como membro da sociedade, tem direito à
pacífica, por exemplo, sem utilização de armas. segurança social e à realização, pelo esforço nacional, pela
2. Ninguém pode ser obrigado a fazer parte de uma as- cooperação internacional e de acordo com a organização e
sociação. recursos de cada Estado, dos direitos econômicos, sociais
e culturais indispensáveis à sua dignidade e ao livre desen-
54 SILVA, José Afonso da. Curso de direito constitucional positivo.
25. ed. São Paulo: Malheiros, 2006. volvimento da sua personalidade.
55 BALERA, Wagner (Coord.). Comentários à Declaração 57 LENZA, Pedro. Curso de direito constitucional esquematizado.
Universal dos Direitos do Homem. Brasília: Fortium, 2008. 15. ed. São Paulo: Saraiva, 2011.
56 SILVA, José Afonso da. Curso de direito constitucional positivo. 58 SCHLESENER, Anita Helena. Cidadania e política. In:
25. ed. São Paulo: Malheiros, 2006. CARDI, Cassiano; et. al. Para filosofar. São Paulo: Scipione, 2000.

13
DIREITOS HUMANOS

Direitos econômicos, sociais e culturais compõem a Artigo XXIV


segunda dimensão de direitos fundamentais. O Pacto in- Toda pessoa tem direito a repouso e lazer, inclusive a
ternacional de Direitos Econômicos, Sociais e Culturais de limitação razoável das horas de trabalho e férias pe-
1966 é o documento que especifica e descreve tais direitos. riódicas remuneradas.
de uma maneira geral, são direitos que não dependem Por mais que o trabalho seja um direito humano, nem
puramente do indivíduo para a implementação, exigindo somente dele é feita a vida de uma pessoa. Desta forma,
prestações positivas estatais, geralmente externadas por assegura-se horários livres para que a pessoa desfrute de
políticas públicas (escolhas políticas a respeito de áreas momentos de lazer e descanso, bem como impede-se a
que necessitam de investimento maior ou menos para fixação de uma jornada de trabalho muito exaustiva. São
proporcionar um bom índice de desenvolvimento social, medidas que asseguram isto a previsão de descanso se-
diminuindo desigualdades). Entre outros direitos, envol- manal remunerado, a limitação do horário de trabalho, a
vem o trabalho, a educação, a saúde, a alimentação, a concessão de férias remuneradas anuais, entre outras.
moradia, o lazer, etc. Como são inúmeras as áreas que Quanto aos artigos XXIII e XXIV, tem-se que é forneci-
necessitam de investimento estatal, naturalmente o aten- do “[...] um conjunto mínimo de direitos dos trabalhadores.
dimento a estes direitos se dá de maneira gradual. De forma geral, os dispositivos em comento versam sobre
o direito ao trabalho, principal meio de sobrevivência dos
Artigo XXIII indivíduos que ‘vendem’ força de trabalho em troca de uma
1. Toda pessoa tem direito ao trabalho, à livre es- remuneração justa. Ademais, estabelecem a liberdade do
colha de emprego, a condições justas e favoráveis de cidadão de escolher o trabalho e, uma vez obtido o empre-
trabalho e à proteção contra o desemprego. go, o direito de nele encontrar condições justas, tanto no
2. Toda pessoa, sem qualquer distinção, tem direito a tocante à remuneração, como no que diz respeito ao limite
igual remuneração por igual trabalho. de horas trabalhadas e períodos de repouso (disposição
3. Toda pessoa que trabalhe tem direito a uma re- constante do artigo XXIV da Declaração). Garantem ainda o
muneração justa e satisfatória, que lhe assegure, assim direito dos trabalhadores de se unirem em associação, com
como à sua família, uma existência compatível com a dig- o objetivo de defesa de seus interesses”59.
nidade humana, e a que se acrescentarão, se necessário,
outros meios de proteção social.  Artigo XXV
4. Toda pessoa tem direito a organizar sindicatos e 1. Toda pessoa tem direito a um padrão de vida capaz
neles ingressar para proteção de seus interesses. de assegurar a si e a sua família saúde e bem estar, inclusi-
O trabalho é um instrumento fundamental para asse- ve alimentação, vestuário, habitação, cuidados médicos e os
gurar a todos uma existência digna: de um lado por pro- serviços sociais indispensáveis, e direito à segurança em caso
porcionar a remuneração com a qual a pessoa adquirirá de desemprego, doença, invalidez, viuvez, velhice ou outros
bens materiais para sua subsistência, de outro por gerar casos de perda dos meios de subsistência fora de seu con-
por si só o sentimento de importância para a sociedade trole.    
por parte daquele que faz algo útil nela. No entanto, a O ideal é que todas as pessoas possuam um padrão
geração de empregos não se dá automaticamente, caben- de vida suficiente para garantir sua dignidade em todas as
do aos Estados desenvolverem políticas econômicas para esferas: alimentação, vestuário, moradia, saúde, etc. Bem se
diminuir os índices de desemprego o máximo possível. sabe que é um objetivo constante do Estado Democrático
A remuneração é a retribuição financeira pelo traba- de Direito proporcionar que pessoas cheguem o mais pró-
lho realizado. Nesta esfera também é necessário o respei- ximo possível - e cada vez mais - desta circunstância.
to ao princípio da igualdade, por não ser justo que uma Fala-se em segurança no sentido de segurança pública,
pessoa que desempenhe as mesmas funções que a outra de dever do Estado de preservar a ordem pública e a inco-
receba menos por um fator externo, característico dela, lumidade das pessoas e do patrimônio público e privado60.
como sexo ou raça. No âmbito do serviço público é mais Neste conceito enquadra-se a seguridade social, na qual o
fácil controlar tal aspecto, mas são inúmeras as empresas Estado, custeado pela coletividade e pelos cofres públicos,
privadas que pagam menor salário a mulheres e que não garante a manutenção financeira dos que por algum moti-
chegam a ser levadas à justiça por isso. Não obstante, a vo não possuem condição de trabalhar.
remuneração deve ser suficiente para proporcionar uma 2. A maternidade e a infância têm direito a cuidados
existência digna, com o necessário para manter assegu- e assistência especiais. Todas as crianças nascidas dentro ou
rados ao menos minimamente todos os direitos humanos fora do matrimônio, gozarão da mesma proteção social.
previstos na Declaração. A proteção da maternidade tem sentido porque sem
Os sindicatos são bastante comuns na seara trabalhis- isto o mundo não continua. É preciso que as crianças se-
ta e, como visto, a todos é garantida a liberdade de asso- jam protegidas com atenção especial para que se tornem
ciação, não podendo ninguém ser impedido ou forçado a adultos capazes de proporcionar uma melhora no planeta.
ingressar ou sair de um sindicato.
59 BALERA, Wagner (Coord.). Comentários à Declaração
Universal dos Direitos do Homem. Brasília: Fortium, 2008.
60 LENZA, Pedro. Curso de direito constitucional esquematizado.
15. ed. São Paulo: Saraiva, 2011.

14
DIREITOS HUMANOS

Artigo XXVI Os conflitos que se dão entre a liberdade e a proprie-


1. Toda pessoa tem direito à instrução. A instrução será dade intelectual se evidenciam, principalmente, sob o as-
gratuita, pelo menos nos graus elementares e fundamentais. pecto da liberdade de expressão, na esfera específica da
A instrução elementar será obrigatória. A instrução técnico- liberdade de comunicação ou informação, que, nos dizeres
-profissional será acessível a todos, bem como a instrução de Silva61, “compreende a liberdade de informar e a liberda-
superior, esta baseada no mérito. de de ser informado”. Sob o enfoque do direito à liberdade
2. A instrução será orientada no sentido do pleno desen- e do direito de acesso à cultura, seria livre a divulgação de
volvimento da personalidade humana e do fortalecimento toda e qualquer informação e o acesso aos dados disponí-
do respeito pelos direitos humanos e pelas liberdades fun- veis, independentemente da fonte ou da autoria. De outro
damentais. A instrução promoverá a compreensão, a tole- lado, há o direito de propriedade intelectual, o qual possui
rância e a amizade entre todas as nações e grupos raciais ou um caráter dualista: moral, que nunca prescreve porque o
religiosos, e coadjuvará as atividades das Nações Unidas em autor de uma obra nunca deixará de ser considerado como
prol da manutenção da paz.  tal, e patrimonial, que prescreve, perdendo o autor o direito
3. Os pais têm prioridade de direito na escolha do gêne- de explorar benefícios econômicos de sua obra62. Cada vez
ro de instrução que será ministrada a seus filhos. mais esta dualidade entre direitos se encontra em conflito,
A Declaração Universal de 1948 divide a disponibilida- uma vez que a evolução tecnológica trouxe meios para a
de e a obrigatoriedade da educação em níveis. Aquela edu- cópia em massa de conteúdos protegidos pela proprieda-
cação que é considerada essencial, qual seja, a elementar, de intelectual.
deve ser gratuita e obrigatória. Já a educação fundamental,
de grande importância, deve ser gratuita, mas não é obri- Artigo XVIII
gatória. Esta nomenclatura adotada pela Declaração equi- Toda pessoa tem direito a uma ordem social e inter-
para-se ao ensino fundamental e ao ensino médio no Brasil, nacional em que os direitos e  liberdades estabelecidos na
sendo elementar o primeiro e fundamental o segundo. A presente Declaração possam ser plenamente realizados.
educação técnico-profissional refere-se às escolas voltadas Como já destacado, o sistema de proteção dos direitos
ao ensino de algum ofício, não complexo a ponto de exigir humanos tem caráter global e cada Estado que assumiu
formação superior e, justamente por isso, possuem menor
compromisso perante a ONU ao integrá-la deve garantir o
duração e menor custo; ao passo que a educação superior
respeito a estes direitos no âmbito de seu território. Com
é a que se dá no âmbito das universidades, formando pro-
isso, a pessoa estará numa ordem social e internacional na
fissionais de maior especialidade numa área profissional,
qual seus direitos humanos sejam assegurados, preservan-
com amplo conhecimento, razão pela qual dura mais tem-
do-se sua dignidade. Em outras palavras, “devidamente
po e é mais onerosa. As duas últimas são de maior custo e
emparelhadas, portanto, a ordem social e a ordem inter-
não podem ser instituídas de tal forma que sejam garanti-
nacional se manifestam, a seu modo, como as duas faces
das vagas para todas as pessoas em sociedade, entretanto,
das instituições humanitárias, tanto estatais quanto parti-
exige-se um critério justo para a seleção dos ingressos, o
culares, orientando seus passos a serviço da comunidade
qual seja baseado no mérito (os mais capacitados conse-
guirão as vagas de ensino técnico-profissional e superior). humana”63.
Ainda, a Declaração de 1948 deixa clara que a educa-
ção não envolve apenas o aprendizado do conteúdo pro- Artigo XXIX
gramático das matérias comuns como matemática, portu- 1. Toda pessoa tem deveres para com a comunidade,
guês, história e geografia, mas também a compreensão de em que o livre e pleno desenvolvimento de sua personalida-
abordagens sobre assuntos que possam contribuir para a de é possível.
formação da personalidade da pessoa humana e conscien- 2. No exercício de seus direitos e liberdades, toda pessoa
tizá-la de seu papel social. estará sujeita apenas às limitações determinadas pela lei,
Não obstante, da parte final da Declaração extrai-se exclusivamente com o fim de assegurar o devido reconhe-
a consciência de que a educação não é apenas a formal, cimento e respeito dos direitos e liberdades de outrem e de
aprendida nos estabelecimentos de ensino, mas também satisfazer às justas exigências da moral, da ordem pública e
a informal, transmitida no ambiente familiar e nas demais do bem-estar de uma sociedade democrática.
áreas de contato da pessoa, como igreja, clubes e, notada- 3. Esses direitos e liberdades não podem, em hipótese
mente, a residência. Por isso, os pais têm um papel direto alguma, ser exercidos contrariamente aos propósitos e prin-
na escolha dos meios de educação de seus filhos. cípios das Nações Unidas.

Artigo XXVII
1. Toda pessoa tem o direito de participar livremente 61 SILVA, José Afonso da. Curso de direito constitucional positivo.
25. ed. São Paulo: Malheiros, 2006.
da vida cultural da comunidade, de fruir as artes e de par-
62 PAESANI, Liliana Minardi. Direito e Internet: liberdade de
ticipar do processo científico e de seus benefícios.  informação, privacidade e responsabilidade civil. 3. ed. São Paulo: Atlas,
2. Toda pessoa tem direito à proteção dos interesses 2006.
morais e materiais decorrentes de qualquer produção cien- 63 BALERA, Wagner (Coord.). Comentários à Declaração
tífica, literária ou artística da qual seja autor. Universal dos Direitos do Homem. Brasília: Fortium, 2008.

15
DIREITOS HUMANOS

Explica Canotilho64 que “a ideia de deveres fundamen- QUESTÕES


tais é suscetível de ser entendida como o ‘outro lado’ dos
direitos fundamentais. Como ao titular de um direito fun- 1. (PC/SC - Agente de Polícia - ACAFE/2014) A Cons-
damental corresponde um dever por parte de um outro tituição brasileira inicia com o Título I dedicado aos “prin-
titular, poder-se-ia dizer que o particular está vinculado cípios fundamentais”, que são as regras informadoras de
aos direitos fundamentais como destinatário de um dever todo um sistema de normas, as diretrizes básicas do orde-
fundamental. Neste sentido, um direito fundamental, en- namento constitucional brasileiro. São regras que contêm
quanto protegido, pressuporia um dever correspondente”. os mais importantes valores que informam a elaboração da
Esta é a ideia que a Declaração de 1948 busca trazer: não Constituição da República Federativa do Brasil.
será assegurada nenhuma liberdade que contrarie a lei ou Diante dessa afirmação, analise as questões a seguir e
os demais direitos de outras pessoas, isto é, os preceitos assinale a alternativa correta.
universais consagrados pelas Nações Unidas. I - Nas relações internacionais, a República brasileira
rege-se, entre outros, pelos seguintes princípios: autode-
Artigo XXX terminação dos povos, defesa da paz, igualdade entre os
Nenhuma disposição da presente Declaração pode ser Estados, concessão de asilo político.
interpretada como o reconhecimento a qualquer Estado, II - Os princípios não são dotados de normatividade,
grupo ou pessoa, do direito de exercer qualquer ativida- ou seja, possuem efeito vinculante, mas constituem regras
de ou praticar qualquer ato destinado à destruição  de jurídicas efetivas.
quaisquer dos direitos e liberdades aqui estabelecidos. III - Violar um princípio é muito mais grave que trans-
“A colidência entre os direitos afirmados na Declaração gredir uma norma qualquer, pois implica ofensa a todo o
é natural. Busca-se com o presente artigo evitar que, no sistema de comandos.
eventual choque entre duas normas garantistas, os sujeitos IV - São princípios que norteiam a atividade econômica
nela mencionados se valham de uma interpretação tenden- no Brasil: a soberania nacional, a função social da proprie-
te a infirmar qualquer das disposições da Declaração ao dade, a livre concorrência, a defesa do consumidor; a pro-
argumento de que estão respeitando um direito em detri- priedade privada.
mento de outro”65. V - A diferença de salários, de critério de admissão por
Nenhum direito humano é ilimitado: se o fossem, seria motivo de sexo, idade, cor ou estado civil a qualquer dos
impossível garantir um sistema no qual todas as pessoas trabalhadores urbanos e rurais fere o princípio da igualda-
tivessem tais direitos plenamente respeitados, afinal, estes de do caput do art. 5º da Constituição Federal.
necessariamente colidiriam com os direitos das outras pes- (A) Apenas I, II, III estão corretas.
soas, os quais teriam que ser violados. Este é um dos senti- (B) Apenas II e IV estão corretas.
dos do princípio da relatividade dos direitos humanos - os (C) Apenas III e V estão corretas.
direitos humanos não podem ser utilizados como um es- (D) Apenas I, III, IV e V estão corretas.
cudo para práticas ilícitas ou como argumento para afasta- (E) Todas as afirmações estão corretas.
mento ou diminuição da responsabilidade por atos ilícitos,
assim os direitos humanos não são ilimitados e encontram 2. (DPE/GO - Defensor Público - UFG/2014) A pro-
seus limites nos demais direitos igualmente consagrados pósito dos princípios fundamentais da República Federati-
como humanos. Isto vale tanto para os indivíduos, numa va do Brasil, reconhece-se que:
atitude perante os demais, quanto para os Estados, ao ex- (A) o pluralismo político está inserido entre seus ob-
ternar o compromisso global assumido perante a ONU. jetivos.
(B) a livre iniciativa é um de seus fundamentos e se
contrapõe ao valor social do trabalho.
(C) a dignidade é também do nascituro, o que desau-
toriza, portanto, a prática da interrupção da gravidez quan-
do decorrente de estupro.
(D) a promoção do bem de todos, sem preconceito
de origem, raça, sexo, cor, idade e qualquer outra forma de
discriminação, é um de seus objetivos.
(E) o legislativo, o executivo e o judiciário, dependen-
tes e harmônicos entre si, são poderes da união.

64 CANOTILHO, José Joaquim Gomes. Direito constitucional e


teoria da constituição. 2. ed. Coimbra: Almedina, 1998.
65 BALERA, Wagner (Coord.). Comentários à Declaração
Universal dos Direitos do Homem. Brasília: Fortium, 2008.

16
DIREITOS HUMANOS

3. (DPE/DF - Analista - Assistência Judiciária - GABARITO


FGV/2014) Sobre os Princípios Fundamentais da República
Federativa do Brasil, à luz do texto constitucional de 1988, 1. Resposta: “D”. O item “I” descreve alguns dos prin-
é INCORRETO afirmar que: cípios que regem as relações internacionais brasileiras, enu-
(A) a República Federativa do Brasil tem como funda- merados no artigo 4º, CF, estando correto; o item “II” afasta a
mentos: a soberania, a cidadania, a dignidade da pessoa normatividade dos princípios, o que é incorreto, pois os prin-
humana, os valores sociais do trabalho e da livre iniciativa e cípios têm forma normativa e, inclusive, podem ser aplicados
o pluralismo político. de forma autônoma se não houver lei específica a respeito ou
(B) a República Federativa do Brasil tem como obje- se esta se mostrar inadequada, por isso mesmo, correta a afir-
tivos fundamentais: construir uma sociedade livre, justa e mação do item “III”; os princípios descritos no item “IV” são
solidária; garantir o desenvolvimento nacional, erradicar alguns dos que regem a ordem econômica, enumerados no
a pobreza e a marginalização e reduzir as desigualdades artigo 170, CF, restando correta; o item “V” traz um exemplo
sociais e regionais; promover o bem de todos, sem precon- de violação ao princípio da igualdade material, assegurado no
ceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras artigo 5º, CF e refletido em todo texto constitucional, estando
formas de discriminação. assim correto. Logo, apenas o item “II” está incorreto.
(C) todo o poder emana do povo, que o exerce unica-
mente por meio de representantes eleitos. 2. Resposta: “D”. O artigo 1º, CF traz os princípios funda-
(D) entre outros, são princípios adotados pela Repú- mentais (fundamentos) da República Federativa do Brasil: “I - a
blica Federativa do Brasil nas suas relações internacionais, soberania; II - a cidadania; III - a dignidade da pessoa humana;
os seguintes: a independência nacional, a prevalência dos IV - os valores sociais do trabalho e da livre iniciativa; V - o plura-
direitos humanos e o repúdio ao terrorismo e ao racismo. lismo político”. O princípio de “A” se encontra no inciso V; o de “B”
(E) a autodeterminação dos povos, a não intervenção no inciso IV; o de “C” no inciso III, pois viola a dignidade humana
e a defesa da paz são princípios regedores das relações da mãe forçá-la a dar luz à um filho que resulte de estupro; o
internacionais da República Federativa do Brasil. de “E” decorre dos incisos I e II e é previsão do artigo 2º, que
dispõe que “são Poderes da União, independentes e harmônicos
entre si, o Legislativo, o Executivo e o Judiciário”. Somente resta
4. (PC/SC - Agente de Polícia - ACAFE/2014) O art.
a alternativa “D”, que apesar de realmente trazer um objetivo da
5º da Constituição Federal trata dos direitos e deveres in-
República Federativa brasileira – previsto no artigo 3º, IV, não tem
dividuais e coletivos, espécie do gênero direitos e garan-
a ver com os princípios fundamentais, mas sim com os objetivos.
tias fundamentais (Título II). Assim, apesar de referir-se,
de modo expresso, apenas a direitos e deveres, também
3. Resposta: “C”. A democracia brasileira adota a modali-
consagrou as garantias fundamentais. (LENZA, Pedro. Di-
dade semidireta, porque possibilita a participação popular di-
reito Constitucional Esquematizado, São Paulo: Saraiva, reta no poder por intermédio de processos como o plebiscito,
2009,13ª. ed., p. 671). o referendo e a iniciativa popular. Como são hipóteses restri-
Com base na afirmação acima, analise as questões a tas, pode-se afirmar que a democracia indireta é predominan-
seguir e assinale a alternativa correta. temente adotada no Brasil, por meio do sufrágio universal e
I - Os direitos são bens e vantagens prescritos na norma do voto direto e secreto com igual valor para todos. Contudo,
constitucional, enquanto as garantias são os instrumentos não é a única maneira de se exercer o poder (artigo 14, CF e
através dos quais se assegura o exercício dos aludidos di- artigo 1º, parágrafo único, CF).
reitos.
II - O rol dos direitos expressos nos 78 incisos e pa- 4. Resposta: “E”. “I” está correta porque a principal di-
rágrafos do art. 5º da Constituição Federal é meramente ferença entre direitos e garantias é que os primeiros servem
exemplificativo. para determinar os bens jurídicos tutelados e as segundas são
III - Os direitos e garantias expressos na Constituição os instrumentos para assegurar estes (ex: direito de liberdade
Federal não excluem outros decorrentes do regime e dos de locomoção – garantia do habeas corpus). “II” está correta,
princípios por ela adotados, ou dos tratados internacionais afinal, o próprio artigo 5º prevê em seu §2º que “os direitos
em que o Brasil seja parte. e garantias expressos nesta Constituição não excluem outros
IV - São invioláveis a intimidade, a vida privada, a honra decorrentes do regime e dos princípios por ela adotados, ou
e a imagem das pessoas, assegurado o direito à indeniza- dos tratados internacionais em que a República Federativa do
ção pelo dano material ou moral decorrente de sua viola- Brasil seja parte”, fundamento que também demonstra que o
ção. item “III” está correto. O item IV traz cópia do artigo 5º, X, CF,
V - É inviolável a liberdade de consciência e de crença, que prevê que “são invioláveis a intimidade, a vida privada, a
sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos e honra e a imagem das pessoas, assegurado o direito a inde-
garantida, na forma da lei, a proteção aos locais de culto e nização pelo dano material ou moral decorrente de sua vio-
suas liturgias. lação”; o que faz também o item V com relação ao artigo 5º,
(A) Apenas I, II e III estão corretas. VI, CF que diz que “é inviolável a liberdade de consciência
(B) Apenas II, III e IV estão corretas. e de crença, sendo assegurado o livre exercício dos cultos
(C) Apenas III e V estão corretas. religiosos e garantida, na forma da lei, a proteção aos locais
(D) Apenas IV e V estão corretas. de culto e a suas liturgias”. Sendo assim, todas afirmativas
(E) Todas as questões estão corretas. estão corretas.

17
DIREITOS HUMANOS

Exercícios Complementares O princípio da relatividade dos direitos humanos possui


dois sentidos: por um, o multiculturalismo existente no globo
01. (MPE/SP - Promotor de Justiça - MPESP/2011) impede que a universalidade se consolide plenamente, de
O princípio da dignidade da pessoa humana forma que é preciso levar em consideração as culturas locais
A) está previsto constitucionalmente como um para compreender adequadamente os direitos humanos;
dos fundamentos da República e constitui um núcleo por outro, o que é considerado no enunciado da questão, os
essencial de irradiação dos direitos humanos, devendo direitos humanos não podem ser utilizados como um escudo
ser levado em conta em todas as áreas na atuação do para práticas ilícitas ou como argumento para afastamento
Ministério Público. ou diminuição da responsabilidade por atos ilícitos, assim os
B) não está previsto constitucionalmente, mas direitos humanos não são ilimitados e encontram seus limites
consta do chamado Pacto de São José da Costa Rica, nos demais direitos igualmente consagrados como humanos.
possuindo grande centralidade no reconhecimento dos Com efeito, caberá uma ponderação feita em concreto para
direitos humanos e tendo reflexo na atuação criminal harmonizar os direitos humanos colidentes.
do Ministério Público.
C) está previsto constitucionalmente como um dos RESPOSTA: “C”.
objetivos da República e possui grande centralidade
no reconhecimento dos direitos humanos, mas não 03. (CGU - Analista de Finanças e Controle -
tem reflexo direto na atuação criminal do Ministério ESAF/2012) Parte superior do formulário
Público. “Os direitos humanos não devem ser analisados
D) está previsto como um dos direitos fundamentais isoladamente, com prevalência de um conjunto de direitos
previstos na Constituição Federal, serve de base aos humanos sobre os demais”. Esse conceito representa a
direitos de personalidade e deve ser considerado na seguinte característica dos Direitos Humanos: 
atuação do Ministério Público, em especial perante o A) Indivisibilidade. 
juízo de família. B) Indisponibilidade.
E) não está previsto constitucionalmente, mas C) Generalidade.
consta da Declaração Universal dos Direitos do Homem,
D) Efetividade.
constitui um núcleo essencial de irradiação dos direitos
E) Essencialidade.
humanos, devendo ser levado em conta em todas as
áreas na atuação do Ministério Público.
Os direitos humanos compõem um único conjunto de
direitos porque não podem ser analisados de maneira isolada,
O princípio da dignidade da pessoa humana, mais do
separada, característica correspondente à indivisibilidade.
que princípio, é fundamento, o que é reconhecido pela
Constituição Federal de 1988 em seu artigo 1º ao trazê-lo
RESPOSTA: “A”.
enquanto fundamento da República no inciso III. No mais, é
de fato núcleo essencial de proteção da pessoa humana, isto
é, dos direitos humanos reconhecidos internacionalmente, 04. (CGU - Analista de Finanças e Controle - Prevenção
merecendo respeito e consideração por parte de todas da Corrupção e Ouvidoria - ESAF/2012) Parte superior do
instituições públicas, mas principalmente pelo Ministério formulário
Público, um dos principais responsáveis pela defesa dos Marque a opção incorreta. 
direitos humanos fundamentais (notadamente de 3ª A) Os Fundamentos e Princípios dos Direitos
dimensão). Humanos têm como finalidade a observância e proteção
da dignidade da pessoa humana de maneira universal.
RESPOSTA: “A”. B) Direitos Humanos, Direitos Fundamentais e
Direitos do Homem não possuem o mesmo significado.
02. (CGU - Analista de Finanças e Controle - Assim, a primeira nomenclatura surgida foi a dos Direitos
ESAF/2012) Parte superior do formulário Fundamentais, a qual remonta a época do jusnaturalismo. 
“Os direitos humanos podem ser exercidos C) A concepção contemporânea de Direitos Humanos
simultaneamente e encontram limites nos outros destaca que eles são vistos como uma unidade indivisível,
direitos igualmente consagrados na Constituição. interdependente e inter-relacionada, capaz de conjugar
Assim, pode ocorrer um conflito entre direitos e nesse o catálogo de direitos civis e políticos ao catálogo de
caso é preciso uma solução coerente que harmonize direitos sociais, econômicos e culturais. 
ambos os direitos.” Esse conceito representa a seguinte D) Surge uma concepção denominada pós-
característica dos Direitos Humanos:  contemporânea dos Direitos Humanos com a Declaração
A) Limitabilidade. de Viena.
B) Complementaridade. E) Tendo em vista a influência do pensamento
C) Relatividade.  religioso e do sistema político, as diversas teorizações
D) Inter-relação. sobre direitos humanos encontram-se profundamente
E) Indisponibilidade. relacionadas às prerrogativas estamentais e à hierarquia
secular.

18
DIREITOS HUMANOS

A alternativa b) está incorreta porque direitos humanos, A única coisa que distingue os direitos civis e políticos
direitos fundamentais e direitos do homem não possuem dos direitos econômicos, sociais e culturais é que os primeiros,
o mesmo significado, além do que há maior relação dos pertencentes à 1ª dimensão de direitos humanos, exigem
direitos do homem com o jusnaturalismo do que dos direitos do Estado apenas uma postura passiva, de não intervenção,
fundamentais, conceito predominantemente contratualista, enquanto que o seu exercício se dá diretamente pelos
embora correlacionado com os direitos do homem e os indivíduos com maior facilidade; já os segundos, componentes
direitos humanos. da 2ª dimensão, exigem do Estado uma postura ativa, ou seja,
a elaboração de políticas públicas para a efetivação destes
RESPOSTA: “B”. direitos. Por isso, são disciplinados internacionalmente em
dois Pactos. No entanto, como a Declaração Universal dos
05. (DPE/SP - Defensor Público - FCC/2012) Parte Direitos Humanos confere a ambos a mesma essencialidade
superior do formulário para a dignidade humana é possível afirmar que não existe
Dos direitos abaixo, qual é passível de suspensão, na entre eles nenhuma relação hierárquica.
forma do artigo 4o do Pacto Internacional sobre Direitos
Civis e Políticos? RESPOSTA: “C”.
A) Não ser arbitrariamente privado de sua vida.
B) Não ser submetido a tortura, nem a penas ou 07. (PM/PI - Agente de Polícia - Cabo - NUCEPE/2012)
tratamentos cruéis, desumanos ou degradantes. Identifique a sequência que apresenta apenas
C) Não ser obrigado a executar trabalhos forçados características dos Direitos Humanos.
ou obrigatórios. A) Inviolabilidade, Universalidade, Efetividade e
D) Não ser preso apenas por não poder cumprir com Prescritibilidade.
uma obrigação contratual. B) Universalidade, Irrenunciabilidade, Efetividade e
E) Não ser obrigado a adotar uma religião ou crença Complementaridade.
que não de sua livre escolha. C) Interdependência, Alienabilidade,
Imprescritibilidade e Inviolabilidade.
Estabelece o artigo 4°, item 1: “Quando situações D) Inalienabilidade, Complementaridade,
excepcionais ameacem a existência da nação e sejam Regionalidade e Independência.
proclamadas oficialmente, os Estados partes do presente E) Regionalidade, Independência, Universalidade e
Pacto podem adotar, na estrita medida exigida pela Irrenunciabilidade.
situação, medidas que suspendam as obrigações
decorrentes do presente Pacto, desde que tais medidas não A alternativa a) está incorreta porque direitos humanos
sejam incompatíveis com as demais obrigações que lhes são imprescritíveis; a c) está errada porque eles são
sejam impostas pelo Direito Internacional e não acarretem inalienáveis; a d) está incorreta porque eles são universais e
discriminação alguma apenas por motivo de raça, cor, sexo, não regionais, assim como a e). Resta a alternativa b), que
língua, religião ou origem social.” A única suspensão descrita traz 4 das características dos direitos humanos: são universais,
nas alternativas que não é incompatível com normas de irrenunciáveis, efetivos e complementares.
direito internacional e nem acarretam discriminação indevida
é a de execução de trabalhos forçados ou obrigatórios. RESPOSTA: “B”.

RESPOSTA: “C”. 08. (SJCDH/BA - Agente Penitenciário - FCC/2010)


São princípios fundamentais proclamados no artigo I da
06. (OAB - Exame de Ordem Unificado IV - Primeira Declaração Universal dos Direitos Humanos, de 1948:
Fase - FGV/2011) Parte superior do formulário A) a igualdade entre homens e mulheres e a liberdade
Com relação aos chamados “direitos econômicos, de pensamento e religião.
sociais e culturais”, é correto afirmar que  B) a presunção de inocência e a inviolabilidade da
A) são direitos humanos de segunda geração, o vida privada.
que significa que não são juridicamente exigíveis, C) o amplo acesso à educação e ao trabalho.
diferentemente do que ocorre com os direitos civis e D) a liberdade de ir e vir e o direito de buscar asilo em
políticos. outros países.
B) são previstos, no âmbito do sistema E) a liberdade, a igualdade e a fraternidade.
interamericano, no texto original da Convenção
Americana sobre Direitos Humanos (Pacto de San José Preconiza o citado dispositivo: “todas as pessoas nascem
da Costa Rica). livres e iguais em dignidade e direitos. São dotadas de razão
C) formam, juntamente com os direitos civis e consciência e devem agir em relação umas às outras com
e políticos, um conjunto indivisível de direitos espírito de fraternidade”. Reforça-se que mais do que princípios,
fundamentais, entre os quais não há qualquer relação liberdade, igualdade e fraternidade são fundamentos decorrentes
hierárquica. da interdependência dos direitos humanos, correspondendo
D) incluem o direito à participação no processo cada qual a uma das dimensões de direitos humanos.
eleitoral, à educação, à alimentação e à previdência
social. RESPOSTA: “E”.

19
DIREITOS HUMANOS

09. (PC/SP - Investigador de Polícia - VUNESP/2013) porque não existe uma relação hierárquica entre os sistemas
Na evolução dos direitos humanos, costumam-se em questão, além do que há exceções sobre o esgotamento
classificar, geralmente, as gerações dos direitos em de recursos no âmbito interno. Somente resta a alternativa
três fases (Eras dos Direitos), conforme seu processo C), que está correta, uma vez que a Declaração Universal
evolutivo histórico. dos Direitos Humanos de 1948 foi o primeiro documento
Assinale a alternativa que representa, correta e internacional relevante a abordar os direitos humanos que
cronologicamente, essa classificação. deveriam ser garantidos a todas as pessoas do planeta.
A) Direitos civis; direitos políticos; direitos
fundamentais. RESPOSTA: “C”.
B) Igualdade; liberdade; fraternidade.
C) Direitos individuais; direitos coletivos; direitos 11. (PC/SP - Delegado de Polícia - PCSP/2011) As
políticos e civis. penas que poderão ser fixadas pelo Tribunal Penal
D) Direitos civis e políticos; direitos econômicos e Internacional (Estatuto de Roma, 1998) são
sociais; direitos difusos. A) expatriação, prisão até 30 anos ou perpétua e
E) Liberdades positivas; liberdades negativas; direitos perda dos produtos, bens e haveres provenientes do
dos povos. crime.
B) prisão, no mínimo de 3 anos e, no máximo,
As dimensões de direitos humanos são verdadeiros perpétua, multa, ou perda de produtos e bens
fundamentos de direitos humanos que se correlacionam provenientes do crime, ainda que de forma indireta.
com o fundamento da interdependência. Não são, assim, C) advertência, prisão, de 3 anos a 30 anos e a perda
dimensões estanques, mas que dialogam. Entretanto, dos produtos, bens e haveres provenientes do crime.
podem ser detectadas em grupos determinados de direitos, D) prisão até 30 anos ou perpétua, multa e perda
no seguinte sentido: direitos civis e políticos correspondem dos produtos, bens e haveres provenientes do crime.
à dimensão da liberdade (1ª); direitos econômicos, sociais e E) expatriação, prisão de 3 a 30 anos ou perpétua
e perda dos produtos, bens e haveres decorrentes do
culturais referem-se à dimensão da igualdade (2ª); e direitos
crime.
difusos e coletivos abrangem a dimensão da fraternidade
(3ª).
O artigo 77 do Estatuto de Roma traz as penas
aplicáveis aos seus condenados, com o seguinte teor:
RESPOSTA: “D”.
“Artigo 77. Penas Aplicáveis. 1. Sem prejuízo do disposto
no artigo 110, o Tribunal pode impor à pessoa condenada
10. (DPE/MS - Defensor Público - VUNESP/2008)
por um dos crimes previstos no artigo 5o do presente
Considerando a evolução histórica, os marcos jurídicos
Estatuto uma das seguintes penas: a) Pena de prisão por
fundamentais e a estrutura normativa dos Direitos um número determinado de anos, até ao limite máximo de
Humanos, pode-se afirmar que 30 anos; ou b) Pena de prisão perpétua, se o elevado grau
A) a globalização dos direitos humanos forçou os de ilicitude do fato e as condições pessoais do condenado
Estados a escolherem entre um sistema global e um o justificarem, 2. Além da pena de prisão, o Tribunal poderá
regional de proteção a esses direitos, uma vez que ambos aplicar: a) Uma multa, de acordo com os critérios previstos
sistemas não podiam coexistir. no Regulamento Processual; b) A perda de produtos, bens
B) os indivíduos passaram a ser sujeitos de direito e haveres provenientes, direta ou indiretamente, do crime,
internacional, mas, por razões de soberania, ainda sem prejuízo dos direitos de terceiros que tenham agido
dependem dos Estados para acionar os mecanismos de de boa fé”.
proteção dos direitos humanos.
C) a Declaração Universal dos Direitos Humanos RESPOSTA: “D”.
introduziu internacionalmente a concepção
contemporânea desses direitos. 12. (SEAD/AP - Agente Penitenciário - FMZAP/2010)
D) a vítima de uma lesão dos direitos humanos A Declaração Universal dos Direitos Humanos, de 1948,
deverá acionar em sua proteção, nessa ordem, o sistema estabelece uma série de direitos a toda a pessoa. Dentre
jurídico nacional, depois o regional e, por último, o eles, é possível citar os seguintes, EXCETO
global, em razão da hierarquia da estrutura normativa A) toda pessoa tem direito, em plena igualdade, a
de proteção. uma audiência justa e pública por parte de um tribunal
independente e imparcial, para decidir de seus direitos
A alternativa A) está incorreta porque os sistemas e deveres ou do fundamento de qualquer acusação
regionais (interamericano, europeu, africano...) coexistem criminal contra ele.
com o global (Organização das Nações Unidas, B) toda pessoa tem direito à liberdade de locomoção
notadamente); B) está incorreta porque existem meios de e residência dentro das fronteiras de cada estado.
acesso direto a mecanismos internacionais de proteção de C) toda pessoa tem o direito de tomar parte no
direitos humanos, por exemplo, representação à Comissão governo de seu país, diretamente ou por intermédio de
Interamericana de Direitos Humanos; D) está incorreta representantes livremente escolhidos.

20
DIREITOS HUMANOS

D) toda pessoa tem direito ao trabalho, à livre 14. (SEAD/AP - Agente Penitenciário - FMZAP/2010)
escolha de emprego, a condições justas e favoráveis de A Declaração Americana dos Direitos e Deveres do
trabalho e à proteção contra o desemprego. Homem, também conhecido como Pacto de San Jose
E) toda pessoa, que puder por ela pagar, tem da Costa Rica, estabelece que
direito à instrução nos diferentes níveis. A instrução A) os direitos essenciais do homem derivam do fato
técnico-profissional será acessível a todos, bem como a de ele ser nacional de um determinado Estado e, por
instrução superior, esta baseada no mérito. isso, merecem proteção no âmbito interno de cada país
respectivamente.
Prevê o artigo XXVI da Declaração de 1948: “1. Toda B) os Estados-Partes, signatários da Convenção,
pessoa tem direito à instrução. A instrução será gratuita, obrigam-se a respeitar os direitos e liberdades nela
pelo menos nos graus elementares e fundamentais. A reconhecidos e a garantir seu livre e pleno exercício,
instrução elementar será obrigatória. A instrução técnico- sem discriminação alguma, aos seus cidadãos nacionais.
profissional será acessível a todos, bem como a instrução C) os países que ainda não aboliram a pena de morte
superior, esta baseada no mérito”. Nota-se que a educação somente poderão impô-la aos delitos mais graves, tais
não é um direito apenas dos que podem por ela pagar, como os crimes políticos, em cumprimento de sentença
devendo ser gratuita ao menos nos graus elementares e final de tribunal competente.
fundamentais. Ao Estado cabe progressivamente buscar a D) toda pessoa tem direito a ser indenizada por erro
ampliação do ensino gratuito e a plena oferta a todos os judiciário, no caso de haver sido condenada em sentença
cidadãos. passada em julgado, conforme a lei estabelecer.
E) toda pessoa que for acusada de um delito tem
RESPOSTA: “E”. direito a que se presuma sua inocência enquanto não
se comprove legalmente sua culpa, mas, quando o
13. (SEAD/AP - Agente Penitenciário - FMZAP/2010) delito em questão disser respeito à segurança nacional,
Com base na Declaração Universal dos Direitos a acusação formulada permanecerá sob sigilo, tendo
Humanos é CORRETO afirmar que acesso a ela apenas o Ministério Público.
A) tal Declaração constitui um ideal comum a ser
atingido por todos os povos e nações ocidentais. Dispõe o artigo 10 da Convenção Americana sobre o
B) muito embora todas as pessoas nasçam livres e Direito à indenização no sentido de que “toda pessoa tem
iguais em dignidade e direitos, nem todas são dotadas direito de ser indenizada conforme a lei, no caso de haver
de razão e consciência. sido condenada em sentença transitada em julgado, por
C) toda pessoa tem direito à liberdade de opinião erro judiciário”.
e expressão; este direito inclui a liberdade de, sem
interferência, ter opiniões e de procurar, receber e RESPOSTA: “D”.
transmitir informações e ideias por quaisquer meios e
independentemente de fronteiras.
D) a proteção aos direitos assegurados através
da Declaração não impede que a pessoa sofra
interferências na sua vida privada ou em seu lar, sempre
que tais interferências se mostrarem adequadas para
resguardar os interesses do Estado.
E) toda pessoa tem capacidade para gozar os
direitos e as liberdades estabelecidos na Declaração,
salvo aquelas pessoas que ostentem condição especial,
tal como os portadores de deficiência.

Colaciona o artigo XIX da Declaração de 1948: “Toda


pessoa tem direito à liberdade de opinião e expressão; este
direito inclui a liberdade de, sem interferência, ter opiniões
e de procurar, receber e transmitir informações e ideias por
quaisquer meios e independentemente de fronteiras”. A
liberdade de opinião ou de pensamento e a liberdade de
expressão são direitos de Primeira Dimensão assegurados
na Declaração Universal dos Direitos Humanos.

RESPOSTA: “C”.

21
DIREITOS HUMANOS

ANOTAÇÕES

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DIREITO ADMINISTRATIVO

Lei Complementar n.º 207, de 5 de janeiro de 1979; ................................................................................................................................ 01


Lei n.º 10.261, de 28 de outubro de 1968;...................................................................................................................................................... 20
DIREITO ADMINISTRATIVO

Parágrafo único - É considerado serviço policial, para


LEI COMPLEMENTAR Nº 207/79 todos os efeitos inclusive arregimentação, o exercido em
cargo, ou funções de natureza policial, inclusive os de
ensino a esta legados.

Lei Orgânica da Polícia do Estado de São Paulo Artigo 7º - As funções administrativas e outras de
natureza não policial serão exercidas por funcionário ou
TÍTULO I por servidor, admitido nos termos da legislação vigente
Da Polícia do Estado de São Paulo não pertencente às classes, séries de classes, carreiras e
quadros policiais.
Artigo 1º - A Secretaria de Estado dos Negócios da Se- Parágrafo único - Vetado.
gurança Pública responsável pela manutenção, em todo o
Estado, da ordem e da segurança pública internas, exe- Artigo 8º - As guardas municipais, guardas notur-
cutará o serviço policial por intermédio dos órgãos po- nas e os serviços de segurança e vigilância, autorizados
liciais que a integram. por lei, ficam sujeitos à orientação, condução e fiscali-
Parágrafo único - Abrange o serviço policial a preven- zação da Secretaria da Segurança Pública, na forma de
ção e investigação criminais, o policiamento ostensivo, regulamentada específica.
o trânsito e a proteção em casos de calamidade públi-
ca, incêndio e salvamento. Secretaria de Segurança Pública: ordem e segurança
pública internas – execução de serviços policiais por seus
Artigo 2º - São órgãos policiais, subordinados hierár- órgãos.
quica, administrativa e funcionalmente ao Secretário Serviços policiais: Prevenção e investigação criminais;
da Segurança Pública:
policiamento ostensivo; trânsito e proteção em casos de
I - Polícia Civil;
calamidade pública, incêndio e salvamento.
II - Polícia Militar.
Órgãos policiais: polícia civil e polícia militar.
§ 1º - Integrarão também a Secretaria da Seguran-
Polícia civil: polícia judiciária, administrativa e preven-
ça Pública os órgãos de assessoramento do Secretário da
tiva.
Segurança, que constituem a administração superior da
Polícia militar: policiamento ostensivo e fardado, além
Pasta.
de prevenção e extinção de incêndios.
§ 2º - A organização, estrutura, atribuições e compe-
tência pormenorizada dos órgãos de que trata este artigo
serão estabelecidos por decreto, nos termos desta lei e da TÍTULO II
legislação federal pertinente. Da Polícia Civil

Artigo 3º - São atribuições básicas: CAPÍTULO I


I - Da Polícia Civil - o exercício da Polícia Judiciária, Das Disposições Preliminares
administrativa e preventiva especializada;
II - Da Polícia Militar - o planejamento, a coordena- Artigo 9º - Esta lei complementar estabelece as nor-
ção e a execução do policiamento ostensivo, fardado e a mas, os direitos, os deveres e as vantagens dos titula-
prevenção e extinção de incêndios. res de cargos policiais civis do Estado.

Artigo 4º - Para efeito de entrosamento dos órgãos po- Artigo 10 - Consideram-se para os fins desta lei com-
liciais contará a administração superior com mecanismos plementar:
de planejamento, coordenação e controle, pelos quais I - classe: conjunto de cargos públicos de natureza po-
se assegurem, tanto a eficiência, quanto a complementari- licial da mesma denominação e amplitude de vencimentos;
dade das ações, quando necessárias a consecução dos ob- II - série de classes: conjunto de classes da mesma na-
jetivos policiais. tureza de trabalho policial, hierarquicamente escalonadas
de acordo com o grau de complexidade das atribuições e
Artigo 5º - Os direitos, deveres, vantagens e regime nível de responsabilidade;
de trabalho dos policiais civis e militares, bem como as III - carreira policial: conjunto de cargos de natureza
condições de ingresso as classes, séries de classes, car- policial civil, de provimento efetivo.
reiras ou quadros são estabelecidos em estatutos.
Artigo 11 - São classes policiais civis aquelas constantes
Artigo 6º - É vedada, salvo com autorização expressa do anexo que faz parte integrante desta lei complementar.
do Governador em cada caso, a utilização de integrantes
dos órgãos policiais em funções estranhas ao serviço Artigo 12 - As classes e as séries de classes policiais
policial, sob pena de responsabilidade da autoridade civis integram o Quadro da Secretaria da Segurança Pú-
que o permitir. blica na seguinte conformidade:

1
DIREITO ADMINISTRATIVO

I - na Tabela I (SQC-I): CAPÍTULO II


a) Delegado Geral de Polícia; (Vetado)
b) Diretor Geral de Polícia (Departamento Policial);
c) Assistente Técnico de Polícia; Artigo 13 - (Vetado).
d) Delegado Regional de Polícia;
e) Diretor de Divisão Policial; Artigo 14 - (Vetado):
f) Vetado;
g) Vetado; CAPÍTULO III
h) Assistente de Planejamento e Controle Policial; Do Provimento de Cargos
i) Vetado;
j) Delegado de Polícia Substituto; SEÇÃO I
l) Escrivão de Polícia Chefe II; Das Exigências para Provimento
m) Investigador de Polícia Chefe II;
n) Escrivão de Polícia Chefe I; Artigo 15 - No provimento dos cargos policiais civis,
o) Investigador de Polícia Chefe I; serão exigidos os seguintes requisitos:
II - na Tabela II (SQC-II): I - (vetado);
a) Chefe de Seção (Telecomunicação Policial); II - Para os de Diretor Geral de Polícia, Assistente
b) Encarregado de Setor (Telecomunicação Policial); Técnico de Polícia e Delegado Regional de Polícia, ser
c) Chefe de Seção (Pesquisador Dactiloscópico Policial); ocupante do cargo de Delegado de Polícia de Classe Es-
d) Encarregado de Setor (Pesquisador Dactiloscópico pecial;
Policial) III - (vetado);
e) Encarregado de Setor (Carceragem); IV - (vetado);
f) Chefe de Seção (Dactiloscopista Policial); V - para os de Diretor de Divisão Policial: ser ocu-
g) Encarregado de Setor (Dactiloscopista Policial); pante, no mínimo do cargo de Delegado de Polícia de
h) Perito Criminal Chefe; 1ª Classe;
i) Perito Criminal Encarregado. VI - para os de Assistente de Planejamento e Con-
III - na Tabela III (SQC-III) trole Policial: ser ocupante, no mínimo, de cargo de Dele-
a) os das séries de classe de: gado de Polícia de 2ª Classe;
1. Delegado de Polícia; VII - para os de Escrivão de Polícia Chefe II: ser ocu-
2. Escrivão de Polícia; pante do cargo de Escrivão de Polícia III;
3. Investigador de Polícia; VIII - para os de Investigador de Polícia Chefe II: ser
b) os das seguintes classes: ocupante do cargo de Investigador de Polícia III;
1. Perito Criminal;
IX - para os de Escrivão de Polícia Chefe I: ser ocu-
2. Técnico em Telecomunicações Policial;
pante do cargo de Escrivão de Polícia III ou II;
3. Operador de Telecomunicações Policial;
X - para os de Investigador de Polícia Chefe I: ser
4. Fotógrafo (Técnica Policial);
ocupante do cargo de Investigador de Polícia III ou II;
5. Inspetor de Diversões Públicas;
XI - para os de Delegado de Polícia de 5ª Classe; ser
6. Auxiliar de Necrópsia;
portador de Diploma de Bacharel em Direito;
7. Pesquisador Dactiloscópico Policial;
XII - para os de Delegado de Polícia de Classe Espe-
8. Carcereiro;
9. Dactiloscopista Policial; cial e de 2ª Classe: ser portador de certificado de curso
10. Agente Policial; específico ministrado pela Academia de Polícia de São
11. Atendente de Necrotério Policial. Paulo;
§ 1º - (Vetado). XII - (Revogado).
§ 2º - O provimento dos cargos de que trata o inciso II XIII - para os de Escrivão de Polícia e Investigador
deste artigo far-se-á por transposição, na forma prevista de Policia: ser portador de certificado de conclusão de
no artigo 27 da Lei Complementar nº 180, de 12 de maio curso de segundo grau.
de 1978. XIV - para os de Agente Policial: ser portador de cer-
§ 3º - (Vetado). tificado de conclusão de curso de segundo grau.
Parágrafo único - (Revogado).
A legislação em comento regula as normas, os direi-
tos, os deveres e as vantagens dos titulares de cargos po- Para cargos de direcionamento de nível de delega-
liciais civis. do, exige-se que o ocupante seja pelo menos delegado;
Classe: conjunto de cargos com mesma denominação para cargos diretivos de nível de escrivania, exige-se que
e vencimentos (vide anexo). o ocupante seja pelo menos escrivão; para cargos direti-
Série de classes: conjunto de classes hierarquicamen- vos de nível de investigação, exige-se que o ocupante seja
te escalonado. pelo menos investigados. Somente pode ser delegado de
Carreira: conjunto de cargos de polícia civil de provi- polícia o bacharel em direito. Nos cargos de escrivão e
mento efetivo. investigador, bem como de agente, basta o segundo grau
completo.

2
DIREITO ADMINISTRATIVO

SEÇÃO II § 2º - Sendo funcionário ou servidor, o candidato


Dos Concursos Públicos matriculado ficara afastado do seu cargo ou função-
-atividade, até o término do concurso junto à Academia
Artigo 16 - O provimento mediante nomeação para de Polícia de São Paulo, sem prejuízo do vencimento ou salá-
cargos policiais civis, de caráter efetivo, será precedido de rio e demais vantagens, contando-se-lhe o tempo de serviço
concurso público, realizado em 3 (três) fases elimina- para todos os efeitos legais.
tórias e sucessivas: § 3º - É facultado ao funcionário ou servidor, afastado
I - a de prova escrita ou, quando se tratar de provi- nos termos do parágrafo anterior, optar pela retribuição
mento de cargos em relação aos quais a lei exija formação prevista no § 1º.
de nível universitário, de prova escrita e títulos;
II - a de prova oral; Artigo 21 - O candidato terá sua matricula cancela-
III - a de frequência e aproveitamento em curso de da e será dispensado do curso de formação, nas hipóte-
formação técnico-profissional na Academia de Polícia. ses em que:
I - não atinja o mínimo de frequência estabelecida
Artigo 17 - Os concursos públicos terão validade para o curso;
máxima de 2 (dois) anos e reger-se-ão por instruções es- II - não revele aproveitamento no curso;
peciais que estabelecerão, em função da natureza do cargo: III - não tenha conduta irrepreensível na vida públi-
I - tipo e conteúdo das provas e as categorias dos ca ou privada.
títulos; Parágrafo único - Os critérios para a apuração das con-
II - a forma de julgamento das provas e dos títulos; dições constantes dos incisos II e III serão fixados em regu-
III - cursos de formação a que ficam sujeitos os can- lamento.
didatos classificados;
IV - os critérios de habilitação e classificação final Artigo 22 - Homologado o concurso pelo Secretário da
para fins de nomeação; Segurança Pública, serão nomeados os candidatos apro-
V - as condições para provimento do cargo, refe- vados, expedindo-se lhes certificados dos quais constará
rentes a: a média final.
a) capacidade, física e mental;
Artigo 23 - A nomeação obedecerá a ordem de clas-
b) conduta na vida pública e privada e a forma de
sificação no concurso.
sua apuração;
c) diplomas e certificados.
Requisitos para provimento: brasileiro, mínimo de 18 e
máximo de 45 anos (idade máxima não aplicável aos car-
Artigo 18 - São requisitos para a inscrição nos con-
gos de policial civil), não possuir antecedentes criminais,
cursos:
estar em gozo de direitos políticos, estar quite com o ser-
I - ser brasileiro; viço militar.
II - ter no mínimo 18 (dezoito) anos, e no máximo O concurso se realiza em três fases: escrita, oral e curso de
45 (quarenta e cinco) anos incompletos, à data do encer- formação. A validade máxima é de dois anos. Os candidatos
ramento das inscrições; aprovados nas duas primeiras fases são admitidos em caráter
III - não registrar antecedentes criminais; experimental e transitório para a realização da terceira fase,
IV - estar em gozo dos direitos políticos; consistente no curso de formação (o desatendimento dos
V - estar quite com o serviço militar; critérios de frequência e aproveitamento gera reprovação na
VI - (Revogado). fase final do concurso, tal como a situação do candidato que
Parágrafo único - Para efeito de inscrição, ficam dis- não tenha conduta irrepreensível na esfera pública e privada),
pensados do limite de idade, a que se refere o inciso II, os recebendo remuneração do cargo durante o período. Findo
ocupantes de cargos policiais civis. o curso de formação, expede-se a classificação final, homo-
loga-se o concurso e nomeiam-se os candidatos aprovados.
Artigo 19 - Observada a ordem de classificação pela
média aritmética das notas obtidas nas provas escrita SEÇÃO III
e oral (incisos I e II do artigo 16), os candidatos, em núme- Da Posse
ro equivalente ao de cargos vagos, serão matriculados no
curso de formação técnico-profissional específico. Artigo 24 - Posse é o ato que investe o cidadão em
cargo público polícia civil.
Artigo 20 - Os candidatos a que se refere o artigo ante-
rior serão admitidos, pelo Secretário da Segurança Pública, Artigo 25 - São competentes para dar posse:
em caráter experimental e transitório para a formação I - O Secretário da Segurança Pública, ao Delegado
técnico-profissional. Geral de Polícia;
§ 1º - A admissão de que trata este artigo far-se-á II - O Delegado Geral de Polícia, aos Delegados de
com retribuição equivalente a do vencimento e demais Polícia;
vantagens do cargo vago a que se candidatar o concur- III - O Diretor do Departamento de Administração
sando. da Polícia Civil, nos demais casos.

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DIREITO ADMINISTRATIVO

Artigo 26 - A autoridade que der posse deverá verifi- Artigo 33 - Quando em exercício em unidade ou ser-
car, sob pena de responsabilidade, se foram satisfeitas viço de categoria superior, nos termos deste artigo, terá o
as condições estabelecidas em lei ou regulamento para Delegado de Polícia direito à percepção da diferença
a investidura no cargo policial civil. entre os vencimentos do seu cargo e os do cargo de
classe imediatamente superior.
Artigo 27 - A posse verificar-se-á mediante assinatura Parágrafo único - Na hipótese deste artigo aplicam-se
de termo em livro próprio, assinado pelo empossado e as disposições do artigo 195 da Lei Complementar n. 180,
pela autoridade competente, após o policial civil prestar de 12 de maio de 1978.
solenemente o respectivo compromisso, cujo teor será de-
finido pelo Secretário da Segurança Pública. O exercício corresponde ao início das atividades no
cargo ocupado. O prazo de 15 dias para entrada em exer-
Artigo 28 - A posse deverá verificar-se no prazo de cício pela primeira vez conta da posse; o prazo para a re-
15 (quinze) dias, contados da publicação do ato de provi- moção conta da publicação do ato, sendo de 5 dias para
mento, no órgão oficial. mesmo município e de 15 dias para município diverso.
§ 1º - O prazo fixado neste artigo poderá ser pror-
rogado por mais 15 (quinze) dias, a requerimento do SEÇÃO V
interessado. Da reversão “Ex Offício”
§ 2º - Se a posse não se der dentro do prazo será tor-
nado sem efeito o ato de provimento. Artigo 34 - Reversão “ex offício” é o ato pelo qual o
aposentado reingressa no serviço policial quando in-
Artigo 29 - A contagem do prazo a que se refere o subsistentes as razões que determinaram a aposenta-
artigo anterior poderá ser suspensa até o máximo de doria por invalidez.
120 (cento e vinte) dias, a critério do órgão médico encar- § 1º - A reversão só poderá efetivar-se quando, em
regado da inspeção respectiva, sempre que este estabelecer inspeção médica, ficar comprovada à capacidade para
exigência para a expedição de certificado de sanidade. o exercício do cargo.
Parágrafo único - O prazo a que se refere este ar- § 2º - Será tornada sem efeito a reversão “ex of-
tigo recomeçara a fluir sempre que o candidato, sem mo- fício” e cassada a aposentadoria do policial civil que
tivo justificado, deixar de cumprir as exigências do órgão reverter e não tomar posse ou não entrar em exercício
médico. injustificadamente, dentro do prazo legal.

Posse, que se dá em 15 dias desde o provimento, é o Artigo 35 - A reversão far-se-á no mesmo cargo.
ato de investidura no cargo da polícia civil, sendo confe-
rido pelo Secretário de Segurança Pública ao Delegado Reversão é o retorno do servidor aposentado por in-
Geral de Polícia, pelo Delegado Geral de Polícia aos Dele- validez ao cargo, por comprovação de capacidade para o
gados de Polícia, pelo Diretor da Polícia Civil nos demais seu exercício.
casos. Será assinado termo e prestado compromisso.
CAPÍTULO IV
SEÇÃO IV Da Remoção
Do Exercício
Artigo 36 - O Delegado de Polícia só poderá ser re-
Artigo 30 - O exercício terá início dentro de 15 movido, de um para o outro município:
(quinze) dias, contados I - a pedido;
I - da data da posse, II - por permuta;
II - da data da publicação do ato no caso de remoção. III - com seu assentimento, após consulta.
§ 1º - Quando o acesso, remoção ou transposição IV - (Vetado).
não importar mudança de município, deverá o policial
civil entrar em exercício no prazo de 5 (cinco) dias. Artigo 37 - A remoção dos integrantes das demais
§ 2º - No interesse do serviço policial o Delegado Ge- séries de classe e cargos policiais civis, de uma para ou-
ral de Polícia poderá determinar que os policiais civis as- tra unidade policial, será processada:
sumam imediatamente o exercício do cargo. I - a pedido;
II - por permuta;
Artigo 31 - O exercício terá inicio dentro de 15 III - no interesse do serviço policial.
(quinze) dias, constados: unidade diversa daquela
para o qual foi designado, salvo autorização do Dele- Artigo 38 - A remoção só poderá ser feita, respeitada
gado Geral de Polícia. a lotação cada unidade policial.

Artigo 32 - O Delegado de Polícia só poderá chefiar Artigo 39 - O policial civil não poderá, ser removido
unidade ou serviço de categoria correspondente à sua no interesse serviço, para município diverso do de sua
classe, ou, em caso excepcional, à classe imediatamen- sede de exercício, no período de 6 (seis) meses antes e
te superior. até 3 (três) meses após a data das eleições.

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DIREITO ADMINISTRATIVO

Parágrafo único - Esta proibição vigorará no caso de I - pela prestação de serviços em condições precárias
eleições federal estaduais ou municipais, isolada ou simul- de segurança, cumprimento de horário irregular, su-
taneamente realizadas. jeito a plantões noturnos e a chamadas a qualquer
hora;
Artigo 40 - É preferencial, na união de cônjuges, a II - pela proibição do exercício de atividade remu-
sede de exercício do policial civil, quando este for ca- nerada, exceto aquelas:
beça do casal. a) relativas ao ensino e à difusão cultural;
b) decorrentes de convênio firmado entre Estado e
O Delegado de Polícia somente será removido para municípios ou com associações e entidades privadas
outro município se assim solicitar, ou mediante permuta, para gestão associada de serviços públicos, cuja execução
ou manifestando sua concordância. Os demais integran- possa ser atribuída à Polícia Civil;
tes podem ser removidos a pedido, por permuta ou no III - pelo risco de o policial tornar-se vítima de cri-
interesse do serviço policial. me no exercício ou em razão de suas atribuições.
§ 1º - O exercício, pelo policial civil, de atividades
CAPÍTULO V decorrentes do convênio a que se refere a alínea “b” do
Do Vencimento e Outras Vantagens de Ordem Pe- inciso II deste artigo dependerá:
cuniária 1 - de inscrição voluntária do interessado, revestin-
do-se de obrigatoriedade depois de publicadas as respec-
SEÇÃO I tivas escalas;
Do Vencimento 2 - de estrita observância, nas escalas, do direito ao
descanso mínimo previsto na legislação em vigor.
Artigo 41 - Aos cargos policiais civis aplicam-se os va- § 2º - À sujeição ao regime de que trata este artigo
lores dos graus das referências numéricas fixados na corresponde gratificação que se incorpora aos venci-
Tabela I da escala de vencimentos do funcionalismo mentos para todos os efeitos legais.
público civil do Estado.
Artigo 45 - Pela sujeição ao regime de que trata o
Artigo 42 - O enquadramento das classes na escala artigo anterior, os titulares de cargos policiais civis fazem
de vencimentos bem como a amplitude de vencimen- jus a gratificação calculada sobre o respectivo padrão
tos, e a velocidade evolutiva correspondente, cada classe de vencimento, na seguinte conformidade:
policial, são estabelecidos na conformidade do Anexo I - de 140% (cento e quarenta por cento), os ti-
tulares de cargos da série de classes de Delegado de
que faz parte Integrante desta lei complementar.
Polícia, bem como titular do cargo de Delegado Geral de
Polícia;
SEÇÃO II
II - de 200% (duzentos por cento), os titulares de
Das Vantagens de Ordem Pecuniária
cargos das demais classes policiais civis.
SUBSEÇÃO I
Adicional RETP – 140% para delegados, 200% para
Das Disposições Gerais
demais classes.
Artigo 43 - Além do valor do padrão do cargo e sem
SUBSEÇÃO III
prejuízo das vantagens previstas na Lei nº 10.261, de Da Ajuda de Custo em Caso de Remoção
28 de outubro de 1978, e demais legislação pertinente,
o policial civil fará jus as seguintes vantagens pecuniárias. Artigo 46 - Ao policial civil removido no interesse
I - gratificação por regime especial de trabalho po- do serviço policial de um para outro município, será
licial; concedida ajuda de custo correspondente a um mês de
II - ajuda de custo, em caso de remoção. vencimento.
§ 1º - A ajuda de custo será paga à vista da publica-
Aplicam-se os direitos e vantagens regulados no Es- ção do ato de remoção no Diário Oficial.
tatuto dos Servidores paulista, além da gratificação por § 2º - A ajuda de custo de que trata este decreto não
regime especial de trabalho policial e de ajuda de custo. será devida. quando a remoção se processar a pedido ou
por permuta.
SUBSEÇÃO II
Da Gratificação pelo Regime Especial de Trabalho Ajuda de custo: concedida a policial removido de
Policial município em favor do interesse público – valor de 1 mês
de vencimento.
Artigo 44 - O exercício dos cargos policiais civis dar-
-se-á, necessariamente, em Regime Especial de Trabalho
Policial - RETP, o qual é caracterizado:

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DIREITO ADMINISTRATIVO

SEÇÃO III § 3º - O pagamento do benefício previsto neste artigo,


Das Outras Concessões caso as despesas tenham sido custeadas por terceiros,
em virtude da contratação de planos funerários, somente
Artigo 47 - Ao policial civil licenciado para tratamento será efetivado mediante apresentação de alvará judicial.
de saúde, em razão de moléstia profissional ou lesão re-
cebida em serviço, será concedido transporte por conta Artigo 52 - O policial civil que sofrer lesões no exercício
do Estado para instituição onde deva ser atendido. de suas funções deverá ser encaminhado a qualquer hospi-
tal, público ou particular às expensas do Estado.
Artigo 48 - A família do policial civil que falecer
fora da sede de exercício e dentro do território nacio- Artigo 53 - Ao policial civil processado por ato pratica-
nal no desempenho de serviço, será concedido transpor- do no desempenho de função policial, será prestada assis-
te para, no máximo, 3 (três) pessoas do local de domi- tência judiciária na forma que dispuser o regulamento.
cílio ao do óbito (ida e volta).
Artigo 54 - (Vetado).
Artigo 49 - O Secretário da Segurança Pública, por
proposta do Delegado Geral de Polícia, ouvido o Conselho Outras concessões: transporte em razão de moléstia
da Polícia Civil, poderá conceder honrarias ou prêmios ou lesão, transporte para família em caso de óbito em
aos policiais autores de trabalhos de relevante interes- município diverso do país, honrarias e prêmios, promo-
se policial ou por atos de bravura, na forma em que for ção a classe imediatamente superior a policial que fique
regulamentado. inválido (aposentadoria por invalidez) ou faleça (pensão
por morte), auxílio-funeral, atendimento hospitalar e as-
Artigo 50 - O policial civil que ficar inválido ou que sistência judiciária.
vier a falecer em consequência de lesões recebidas ou de
doenças contraídas em razão do serviço será promovido CAPÍTULO VI
à classe imediatamente superior. Do Direito de Petição
§ 1º - Se o policial civil estiver enquadrado na última
classe da carreira, ser-lhe-á atribuída a diferença en- Artigo 55 - É assegurado a qualquer pessoa, física ou
tre o valor do padrão de vencimento do seu cargo e o jurídica, independentemente de pagamento, o direito de
da classe imediatamente inferior. petição contra ilegalidade ou abuso de poder e para
§ 2º - A concessão do benefício será precedida da defesa de direitos.
competente apuração, retroagindo seus efeitos à data Parágrafo único - Em nenhuma hipótese, a Adminis-
da invalidez ou da morte. tração poderá recusar-se a protocolar, encaminhar ou
§ 3º - O policial inválido nos termos deste artigo será apreciar a petição, sob pena de responsabilidade do
aposentado com proventos decorrentes da promoção, agente.
observado o disposto no parágrafo anterior.
§ 4º - Aos beneficiários do policial civil falecido nos Artigo 56 - Qualquer pessoa poderá reclamar sobre
termos deste artigo será deferida pensão mensal corres- abuso, erro, omissão ou conduta incompatível no ser-
pondente aos vencimentos integrais, observado o dis- viço policial.
posto nos parágrafos anteriores.
Artigo 57 - Ao policial civil é assegurado o direito
Artigo 51 - Ao cônjuge, companheiro ou companheira de requerer ou representar, bem como, nos termos des-
ou, na falta destes, à pessoa que provar ter feito despesas ta lei complementar, pedir reconsideração e recorrer de
em virtude do falecimento do policial civil, ativo ou inati- decisões.
vo, será concedido auxílio-funeral, a título de benefício
assistencial, de valor correspondente a 1 (um) mês da O direito de petição é constitucionalmente assegura-
respectiva remuneração. do pelo art. 5.º, XXXIV, “a”, da CF/88, nos seguintes ter-
§ 1º - O pagamento será efetuado pelo órgão compe- mos: “o direito de petição aos Poderes Públicos em defesa
tente, mediante apresentação de atestado de óbito pelas de direitos ou contra ilegalidade ou abuso de poder”.
pessoas indicadas no “caput” deste artigo, ou procurador
legalmente habilitado, feita a prova de identidade. CAPÍTULO VII
§ 2º - No caso de ficar comprovado, por meio de com- Do Elogio
petente apuração que o óbito do policial civil decorreu de
lesões recebidas no exercício de suas funções ou doen- Artigo 58 - Entende-se por elogio, para os fins desta
ças delas decorrentes, o benefício será acrescido do va- lei, a menção nominal ou coletiva que deva constar
lor correspondente a mais 1 (um) mês da respectiva dos assentamentos funcionais do policial civil por atos
remuneração, cujo pagamento será efetivado mediante meritórios que haja praticado.
apresentação de alvará judicial.

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DIREITO ADMINISTRATIVO

Artigo 59 - O elogio destina-se a ressaltar: XII - portar a carteira funcional;


I - morte, invalidez ou lesão corporal de natureza XIII - promover as comemorações do “Dia da Poli-
grave, no cumprimento do dever; cia” a 21 de abril, ou delas participar, exaltando o vulto
II - ato que traduza dedicação excepcional no cum- de Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes, Patrono
primento do dever, transcendendo ao que e normalmente da Polícia;
exigível do policial civil por disposição legal ou regulamen- XIV - ser leal para com os companheiros de trabalho
tar e que importe ou possa importar risco da própria segu- e com eles cooperar e manter espirito de solidariedade;
rança pessoal; XV - estar em dia com as normas de interesse po-
III - execução de serviços que, pela sua relevância e licial;
pelo que representam para a instituição ou para a coleti- XVI - divulgar para conhecimento dos subordinados
vidade, mereçam ser enaltecidos como reconhecimento as normas referidas no inciso anterior;
pela atividade desempenhada. XVII - manter discrição sobre os assuntos da repar-
tição e, especialmente, sobre despachos, decisões e provi-
Artigo 60 - Não constitui motivo para elogio o cum- dências.
primento dos deveres impostos ao policial civil.
Estes deveres se somam aos já esculpidos no Estatuto
Artigo 61 - São competentes para determinar a inscri-
dos Servidores paulista.
ção de elogios nos assentamentos do policial o Secretário
da Segurança e o Delegado Geral de Polícia, ouvido, no
caso deste, o Conselho da Polícia Civil. SEÇÃO II
Parágrafo único - Os elogios nos casos dos incisos II e Das Transgressões Disciplinares
III do artigo 59 serão obrigatoriamente considerados para
efeito de avaliação de desempenho. Artigo 63 - São transgressões disciplinares:
I - manter relações de amizade ou exibir-se em pú-
O elogio é uma espécie de homenagem ao policial blico com pessoas de notórios e desabonadores antece-
civil, enaltecendo aspecto de sua conduta no exercício das dentes criminais, salvo por motivo de serviço;
funções. II - constituir-se procurador de partes ou servir de
intermediário, perante qualquer repartição pública, sal-
CAPÍTULO VIII vo quando se tratar de interesse de cônjuge ou parente
Dos Deveres, das Transgressões Disciplinares e até segundo grau;
das Responsabilidades III - descumprir ordem superior salvo quando mani-
festamente ilegal, representando neste caso;
SEÇÃO I IV - não tomar as providências necessárias ou dei-
Dos Deveres xar de comunicar, imediatamente, à autoridade compe-
tente, faltas ou irregularidades de que tenha conheci-
Artigo 62 - São deveres do policial civil: mento;
I - ser assíduo e pontual; V - deixar de oficiar tempestivamente nos expedien-
II - ser leal as instituições; tes que lhe forem encaminhados;
III - cumprir as normas legais e regulamentares; VI - negligenciar na execução de ordem legítima;
IV - zelar pela economia e conservação dos bens do VII - interceder maliciosamente em favor de parte;
Estado, especialmente daqueles cuja guarda ou utilização VIII - simular doença para esquivar-se ao cumprimen-
lhe for confiada; to de obrigação;
V - desempenhar com zelo e presteza as missões
IX - faltar, chegar atrasado ou abandonar esca-
que lhe forem contidas, usando moderadamente de força
la de serviço ou plantões, ou deixar de comunicar, com
ou outro meio adequado de que dispõe, para esse fim;
antecedência, à autoridade a que estiver subordinado, a
VI - informar incontinente toda e qualquer altera-
ção de endereço da residência e número de telefone, impossibilidade de comparecer à repartição, salvo por
se houver; motivo justo;
VII - prestar informações corretas ou encaminhar o X - permutar horário de serviço ou execução de ta-
solicitante a quem possa prestá-las; refa sem expressa permissão da autoridade competente;
VIII - comunicar o endereço onde possa ser encon- XI - usar vestuário incompatível com o decoro da
trado, quando dos afastamentos regulamentares; função;
IX - proceder na vida pública e particular de modo XII - descurar de sua aparência física ou do asseio;
a dignificar a função policial; XIII - apresentar-se ao trabalho alcoolizado ou sob
X - residir na sede do município onde exerça o car- efeito de substância que determine dependência física
go ou função, ou onde autorizado; ou psíquica;
XI - frequentar, com assiduidade, para fins de aper- XIV - lançar intencionalmente, em registros oficiais,
feiçoamento e atualização de conhecimentos profis- papeis ou quaisquer expedientes, dados