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CICLO HIDROLÓGICO

O Ciclo da Água

É o fenômeno global de circulação fechada da água entre a superfície


terrestre e a atmosfera, impulsionado fundamentalmente pela energia solar
associada à gravidade e à rotação terrestre.
O conceito de ciclo hidrológico (Figura 4) está ligado ao movimento e à troca de
água nos seus diferentes estados físicos, que ocorre na Hidrosfera, entre os oceanos,
as calotes de gelo, as águas superficiais, as águas subterrâneas e a atmosfera. Este
movimento permanente deve-se ao Sol, que fornece a energia para elevar a água da
superfície terrestre para a atmosfera (evaporação), e à gravidade, que faz com que a
água condensada se caia (precipitação) e que, uma vez na superfície, circule através
de linhas de água que se reúnem em rios até atingir os oceanos (escoamento
superficial) ou se infiltre nos solos e nas rochas, através dos seus poros, fissuras e
fraturas (escoamento subterrâneo). Nem toda a água precipitada alcança a superfície
terrestre, já que uma parte, na sua queda, pode ser interceptada pela vegetação e volta
a evaporar-se.
A água que se infiltra no solo é sujeita a evaporação direta para a atmosfera e é
absorvida pela vegetação, que através da transpiração, a devolve à atmosfera. Este
processo chamado evapotranspiração ocorre no topo da zona não saturada, ou seja,
na zona onde os espaços entre as partículas de solo contêm tanto ar como água.
A água que continua a infiltrar-se e atinge a zona saturada, entra na circulação
subterrânea e contribui para um aumento da água armazenada (recarga dos
aquíferos). Na Figura 5 observa-se que, na zona saturada (aquífero), os poros ou
fraturas das formações rochosas estão completamente preenchidos por água
(saturados). O topo da zona saturada corresponde ao nível freático. No entanto, a água
subterrânea pode ressurgir à superfície (nascentes) e alimentar as linhas de água ou
ser descarregada diretamente no oceano.
A quantidade de água e a velocidade com que ela circula nas diferentes fases do
ciclo hidrológico são influenciadas por diversos fatores como, por exemplo, a cobertura
vegetal, altitude, topografia, temperatura, tipo de solo e geologia.
Figura 4 – Componentes do ciclo hidrológico.

Figura 5 – Movimentação de água no perfil do solo.


Resumo do ciclo hidrológico:

a) circulação da água, do oceano, através da atmosfera, para o continente,


retorno, após a detenção em vários pontos, para o oceano, através de
escoamentos superficiais ou subterrâneos e, em parte pela própria
atmosfera; e

b) curtos-circuitos que excluem segmentos diversos do ciclo completo, como por


exemplo a movimentação da água do solo e da superfície terrestre para a
atmosfera, sem passar pelo oceano.

2.2. Equação Hidrológica

I - O = ∆S

I = (entradas) incluindo todo o escoamento superficial por meio de canais e


sobre a superfície do solo, o escoamento subterrâneo, ou seja, a entrada de
água através dos limites subterrâneos do volume de controle, devido ao
movimento lateral da água do subsolo, e a precipitação sobre a superfície do
solo;
O = saídas de água do volume de controle, devido ao escoamento superficial, ao
escoamento subterrâneo, à evaporação e à transpiração das plantas; e
∆S = variação no armazenamento nas várias formas de retenção, no volume de
controle.

Apesar dessa simplificação, o ciclo hidrológico é um meio conveniente de


apresentar os fenômenos hidrológicos, servindo também para dar ênfase às
quatro fases básicas de interesse do engenheiro, que são: precipitação;
evaporação e transpiração; escoamento superficial; escoamento subterrâneo.
Embora possa parecer um mecanismo contínuo, com a água se movendo
de uma forma permanente e com uma taxa constante, é na realidade bastante
diferente, pois o movimento da água em cada uma das fases do ciclo é feito de
um modo bastante aleatório, variando tanto no espaço como no tempo.
Em determinadas ocasiões, a natureza parece trabalhar em excesso,
quando provoca chuvas torrenciais que ultrapassam a capacidade dos cursos
d’água provocando inundações. Em outras ocasiões parece que todo o
mecanismo do ciclo parou completamente e com ele a precipitação e o
escoamento superficial. E são precisamente estes extremos de enchente e de
seca que mais interessam aos engenheiros, pois muitos dos projetos de
Engenharia Hidráulica são realizados com a finalidade de proteção contra estes
mesmos extremos.
Doenças veiculadas pela água
ÁgUA NãO TrATADA Ciclo da doença

é POrTA ABErTA PArA • Se não usarmos o banheiro, a fossa ou as redes

VÁrIAS DOENçAS coletoras, o esgoto fica a céu aberto.


• As fezes e os restos de comida ficam no quintal,
em volta da casa e nas ruas.
• Os vermes e as bactérias que vivem no esgoto con-
taminam a água e o chão.
• As pessoas pisam no chão descalças e bebem a
água contaminada, ficando doentes.
• Os mesmos insetos que pousam ou andam nas
fezes vão para nossa casa levando as doenças
em suas patas e asas.
• As fezes dos animais que andam no quintal
e nas ruas também ficam contaminadas.
• As fezes contaminam o chão e a água.
Aí começa tudo de novo.

Doenças de
veiculação hídrica
Amebíase

Geralmente, fala-se de ameba (Entamoeba) sempre


que há diarreias persistentes. A Entamoeba coli é um

A água, tão necessária à vida do ser humano, pode parasito que se localiza no intestino do ser humano,

ser também responsável por transmitir doenças. mas que não o prejudica e, portanto, não precisa ser

As principais doenças de veiculação hídrica são: tratada. Já a Entamoeba hystolitica é prejudicial e

amebíase, giardíase, gastroenterite, febres tifoide e precisa ser eliminada.

paratifoide, hepatite infecciosa e cólera.

Indiretamente, a água também está ligada à trans-


missão de verminoses, como esquistossomose,
ascaridíase, teníase, oxiuríase e ancilostomíase.
Vetores, como o mosquito Aedes aegypti, que se re-
lacionam com a água podem ocasionar a dengue, a
febre amarela e a malária.

Em todos esses casos, o tratamento da água, higiene


pessoal e condições sanitárias adequadas são
formas de evitar as doenças.
Como se contrai giardíase e criptosporidíase
Esses parasitos são eliminados com as fezes que,
se deixadas próximas a rios, lagoas, fossas, podem A giardíase é causada pela Giardia lamblia e a
contaminar a água. criptosporidíase, pelo Cryptosporidium parvum. Am-
bos vivem nas porções altas do intestino, sendo mais
Moscas e baratas, ao se alimentarem de fezes de frequentes em crianças.
pessoas infectadas, também transmitem a parasi-
tose a outras pessoas, defecando sobre os alimentos Como se contrai
ou utensílios. A transmissão se faz pela ingestão de cistos, poden-
do o contágio acontecer pelo convívio direto com
Outra forma de transmissão é pelo contato das pa- o indivíduo infectado, pela ingestão de alimentos
tas sujas de fezes. Pode-se, ainda, contrair a ameba e água contaminados, pelo contato com moscas etc.
comendo frutas e verduras cruas, que foram regadas
com água contaminada ou adubadas com terra mis- Sintomas
turada a fezes humanas infectadas. Muito frequente A infecção pode ser totalmente assintomática. Ou-
é a contaminação pelas mãos sujas de pessoas que tras vezes, provoca irritabilidade, dor abdominal e
lidam com os alimentos. diarreia intermitente. Em alguns casos, pode estar
associada a um quadro de má absorção e desnutrição.
Sintomas
Dores abdominais; febre baixa; ataque de diarreia, Prevenção / Tratamento
seguida de períodos de prisão de ventre; e disenteria A infecção é adquirida com extrema facilidade,
aguda. sobretudo pelas crianças. Seguir as mesmas reco-
mendações para a prevenção da amebíase.
Prevenção / Tratamento
• Fazer com que todos da casa usem a privada. Se as
crianças menores usarem penicos, as fezes devem
ser jogadas na privada.
• Proteger todos os alimentos contra moscas e
baratas.
• Proteger as águas das minas, cisternas, poços,
lagoas, açudes e valas de irrigação, não permitindo
que sejam contaminadas por fezes humanas.
• Regar as verduras sempre com água limpa, não
aproveitando nunca a água utilizada em casa ou
água de banho.
• Lavar bastante as verduras em água corrente.
• Lavar as mãos com sabão e água corrente todas as
vezes que usar a privada.
• Lavar muito bem as mãos antes de iniciar a pre-
paração dos alimentos.
• Fazer, regularmente, exame de fezes, para detectar
o parasito.


gastroenterite Febres tifoide e paratifoide

É uma infecção do estômago e do intestino produzi- É uma doença grave, produzida pela bactéria
da, principalmente, por vírus ou bactérias. É respon- Salmonella typhi. Evolui, geralmente, num período
sável pela maioria dos óbitos em crianças menores de quatro semanas. Do momento em que a pessoa
de um ano de idade. adquire a infecção até o aparecimento dos primeiros
sintomas, decorrem de cinco a 23 dias (período de
Como se contrai incubação). A fonte de infecção é o doente, desde o
A incidência é maior nos locais em que não existe instante em que ingeriu os bacilos até muitos anos
tratamento de água, rede de esgoto, água encanada depois, já que os bacilos persistem em suas fezes.
e destino adequado para o lixo.
A febre paratifoide é mais rara que a tifoide. Produ-
Sintomas zida pela Salmonella paratyphi dos tipos “A”, “B”
Diarreia, vômitos, febre e desidratação. ou “C”, sua fonte de infecção é a mesma da febre
tifoide: doentes e portadores.
Prevenção / Tratamento
• Saneamento, higiene dos alimentos, combate às Como se contrai
moscas e uso de água filtrada ou fervida. A doença se transmite pelas descargas do intestino
• O uso do leite materno é importante na pro- (fezes), que contaminam as mãos, as roupas, os ali-
filaxia, pois é um alimento isento de contamina- mentos e a água. O bacilo tifoide é ingerido com os
ção, além de apresentar fatores de defesa na sua alimentos e a água contaminada.
composição.
• O tratamento é realizado com a reposição de líqui- Sintomas
dos, soro de reidratação oral e manutenção da ali- Dor de cabeça, mal-estar, fadiga, boca amarga, febre,
mentação da criança. calafrios, indisposição gástrica, diarreia e aumento
do baço.

A incubação da paratifoide “A” varia de quatro a


dez dias, enquanto a paratifoide “B” manifesta-se
em menos de 24 horas. A paratifoide “B” resulta
de envenenamento alimentar e caracteriza-se
por náuseas, vômitos, febre, calafrios, cóli-
cas, diarreias e prostração.

Prevenção / Tratamento
• Destinar convenientemente os dejetos
humanos em fossas ou redes de esgotos.
• Tratar a água.
• Combater as moscas.
• Efetuar exame e vacinação e promover a edu-
cação sanitária dos manipuladores de alimentos.
• Higienizar os alimentos.


• O diagnóstico é feito pelo exame de sangue e pelas Hepatite “B”: período de incubação: 45 a 160 dias.
pesquisas de bacilos nas fezes. O tratamento é à A transmissão é mais comum por via parenteral (ins-
base de clorafenicol. trumentos contaminados que perfuram a pele, como,
por exemplo, injeções), principalmente pelo sangue.

Sintomas
A hepatite apresenta dois períodos:
anictérico: ocorrência de mal-estar, náuseas e urina
escura, alguns dias antes do aparecimento da icterí-
cia. Muitas vezes, o paciente é assintomático.
ictérico: ocorrência de náuseas e dor abdominal, au-
mento do fígado e icterícia. Dura em média duas a
três semanas.

Hepatite infecciosa Prevenção / Tratamento


• Higienização dos alimentos.

A hepatite infecciosa é produzida mais comumente • Tratamento da água – os vírus “A” resistem aos

por dois tipos de vírus: “A” e “B”. métodos de cloração da água, porém, a água fer-
vida durante 10 a 15 minutos os inativa.

Como se contrai • Isolamento do doente – após aparecer a icterícia, a

Hepatite “A”: período de incubação: 15 a 50 dias. transmissão do vírus “A” pelas fezes ocorre na pri-

A transmissão pode ocorrer por meio da água con- meira semana e, pelo sangue, nos primeiros dias.

taminada. Os indivíduos doentes podem transmiti-la • Uso de seringa descartável.

pelas fezes, duas semanas antes até uma semana


após o início da icterícia. A transmissão pode ocor- Cólera
rer também pela transfusão de sangue, duas a três
semanas antes e alguns dias após a icterícia. É uma É uma doença causada pelo micróbio Vibrio cholerae,
doença endêmica no nosso meio. que se localiza no intestino das pessoas, provocan-
do, nos casos graves, diarreia e vômitos intensos. Em
decorrência das diarreias e dos vômitos, o indivíduo
perde grande parte dos líquidos de seu organismo,
ficando desidratado rapidamente. Se não for tratada
logo, essa desidratação pode levar o doente à morte
em pouco tempo.

Como se contrai
A doença é transmitida, principalmente, por meio da
água contaminada pelas fezes e pelos vômitos dos
doentes. Também pode ser transmitida por alimen-
tos que foram lavados com água já contaminada pelo
micróbio causador da doença e não foram bem cozi-
dos, ou pelas mãos sujas de doentes ou portadores.

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São considerados portadores aqueles indivíduos que, uso da reidratação oral ou da intravenosa e adminis-
embora já tenham o micróbio nos seus intestinos, tram-se antibióticos indicados pelo médico.
não apresentam sintomas da doença.

Sintomas
Verminoses
Diarreia intensa, que começa de repente. As evacu-
A educação sanitária, o saneamento e a melhoria do
ações do doente de cólera são de cor esverdeada com
estado nutricional são importantes na profilaxia das
uma espuma branca em cima, sem muco ou sangue.
doenças parasitárias. Apenas o tratamento das vermi-
A febre, quando existe, é baixa. Junto com a diarreia,
noses não é suficiente. É preciso modificar o ambiente
podem aparecer, também, vômitos e cólicas abdomi-
para que a doença não ocorra novamente.
nais. A pessoa doente chega a evacuar, desde o iní-
cio, uma média de um a dois litros por hora. Dessa
maneira, a desidratação ocorre rapidamente. Esquistossomose (xistosa)

É uma doença crônica, causada por um pequeno


verme, o Schistosoma mansoni, que se instala nas
veias do fígado e do intestino. Para que surja a
esquistossomose numa localidade, são necessárias
várias condições: a primeira é a existência de cara-
mujos que hospedam o Schistosoma mansoni. Nem
todos servem para o parasito, só algumas espécies.
Esses caramujos vivem em córregos, lagoas, valas de
irrigação e canais onde haja segurança e boa alimen-
tação. A temperatura média de muitas regiões do
Brasil é favorável à proliferação de caramujos.

Como se contrai
O Schistosoma mansoni ora vive livre, ora protegido
dentro de seus hospedeiros. Na primeira fase de sua
vida livre, é um miracídio. Veio para o mundo exte-
rior protegido por um ovo, que é então abandonado
em contato com a água. Nada apressadamente em
busca de um caramujo.Tem apenas algumas horas
de vida para encontrá-lo.

Nesse hospedeiro, sofre uma série de transformações,


Prevenção / Tratamento dividindo-se e multiplicando-se em centenas de mi-
• Controle da qualidade da água. lhares de cercárias, capazes de atacar e de infestar o
• Destino adequado das fezes. homem. As cercárias abandonam o caramujo doente
• Adoção de bons hábitos de higiene. em busca de um animal de sangue quente e têm
• O tratamento é simples e bastante eficaz e consiste aproximadamente dois dias de vida livre. Nesse tem-
na reposição dos líquidos perdidos pela diarreia e po, procuram atacar o homem, em cujo organismo
vômitos. Dependendo do estado do paciente, faz-se poderão viver, acasalar-se e produzir ovos.


Sintomas • Não se expor ao contato com águas infestadas; usar
Na última fase da doença, pode aparecer, em algu- botas e luvas de borracha em regiões alagadiças, a
mas pessoas, a ascite ou barriga d’água. fim de evitar contaminação pela cercária.

Prevenção / Tratamento Ascaridíase (lombrigas ou bichas)


Contra o caramujo
• Observar bem a água antes de tomar banho, pes- O Ascaris lumbricoides, comumente chamado de lom-
car, nadar, lavar roupa, regar plantações etc., a fim briga ou bicha, é um verme que vive no intestino das
de verificar se existe o caramujo. pessoas e causa uma doença chamada ascaridíase.
• Dificultar a sobrevivência do caramujo com peque-
nas obras de engenharia, de retificação de valas, Como se contrai
canais, aterro de pequenas lagoas. É por meio da terra, da poeira, dos alimentos mal
• Criar nas águas seres vivos prejudiciais ao caramujo, lavados e das mãos sujas que os ovos das lombrigas
sejam plantas ou animais, como patos e gansos. são levados à boca. Depois de engolidos, os ovos ar-
• Evitar a poluição das águas nos meses que se se- rebentam, soltando larvas no intestino. Essas larvas,
guem à estação chuvosa, quando os caramujos levadas pelo sangue, passam pelo fígado, coração,
proliferam em grande quantidade. pulmões, brônquios e retornam ao intestino, onde se
• Aplicar medicamentos químicos que exterminem, tornam adultas, para se acasalar e pôr ovos.
mesmo que temporariamente, os caramujos.
No organismo humano, o ovo leva de 2,5 a 3 meses
para se transformar em larva e depois em verme adulto.
O verme adulto vive no intestino geralmente menos
de seis meses, nunca mais de um ano.

Os vermes têm de 15 a 25 cm de comprimento e,


em grande número, formam verdadeiros novelos,
que entopem o intestino, causando sua obstrução.
Podem também sair pela boca e nariz ou localizar-
se na traqueia, ocasionando, muitas vezes, asfixia e
morte, especialmente em crianças - são os chama-
dos ataques de vermes.

Contra o parasito Schistosoma mansoni


• Fazer exame de fezes ou outro tipo de exame de labo-
ratório para verificar se a pessoa tem esquistosso-
mose e proceder a um tratamento médico. Repetir
o exame quatro meses depois, para verificar se o
tratamento foi eficiente e se não há ovos nas fezes.
• Construir privadas e fossas para que as fezes não
sejam despejadas nas águas nem no solo dos
quintais, forma segura de impedir que os ovos do
Schistosoma alcancem os córregos e se trans-
formem em miracídio.


Sintomas tipos de vermes e, para cada um deles, o tratamento é
As pessoas que têm lombrigas ficam frequentemente diferente. Com o resultado do exame de fezes, procure
irritadas, sem apetite e apresentam náuseas, vômi- o médico, que indicará o tratamento e as providências
tos, diarreia, cólicas e dor abdominal. necessárias para acabar com as lombrigas.

Prevenção / Tratamento Taeníase (solitária)


• Ter sempre uma privada ou fossa. Fazer com que
todos usem a privada. Se for usado penico, espe- A solitária ou tênia é um verme muito comum em
cialmente por crianças pequenas, jogar as fezes Minas Gerais, principalmente na zona rural, onde as
na privada. pessoas se alimentam geralmente de carne de porco.
• Limpar e varrer os quintais e queimar ou enterrar O porco e o boi são transmissores da solitária.
todo o lixo.
• Lavar as mãos ao sair da privada e também antes
das refeições ou merenda.
• Proteger todos os alimentos contra moscas e poei-
ra; proteger também os utensílios domésticos:
talheres, copos, pratos, panelas etc. e, principal-
mente, os objetos de uso dos bebês, como bicos,
mamadeiras e outros.
• Lavar todas as frutas e verduras antes de comê-las.
• Cuidar da alimentação, principalmente das crianças,
usando alimentos fortes, que ajudem no cresci-
mento e aumentem a resistência às doenças.

Como se contrai
A solitária vive no intestino das pessoas. Depois que se
torna adulta, solta pedaços pequenos (anéis) cheios de
ovos, que se juntam com as fezes. Se essas fezes são
deixadas no chão, o porco e o boi, alimentando-se do
capim, comem também as fezes com os ovos do verme.

Chegando ao estômago desses animais, os ovos se


rompem, as larvas saem e vão para o intestino e,
• Para combater essa verminose, é preciso, primei- depois, para os músculos, onde se fixam, podendo
ramente, fazer um exame de fezes: leve uma latinha viver até um ano. Essas larvas, denominadas de cis-
com um pouco de fezes a um laboratório ou posto de ticercos, são mais conhecidas por “canjiquinhas”,
saúde para análise. Muitas vezes, as mães sabem que “pipocas”, “letrias” etc.
os filhos têm lombrigas porque já viram os vermes
saírem com as fezes ou pela boca. Mas, mesmo assim, Quando o animal é abatido e alguém come essa
é importante que se façam os exames, pois há diversos carne, crua ou mal cozida, passa a ser o portador da


solitária. A larva vai crescer e se transformar em um têm vida curta e morrem depois de fecundar as
verme de alguns metros de comprimento. fêmeas, sendo logo eliminados. As fêmeas produzem
grande quantidade de ovos e caminham pelo intesti-
Sintomas no humano chegando até o ânus do doente, onde
A solitária é um verme grande, que pode atingir de três soltam os ovos.
a nove metros de comprimento. Como seu crescimen-
to é constante, precisa de muito alimento para viver, Como se contrai
o que enfraquece o paciente. O parasito do porco pos- A pessoa portadora do Enterobius sente uma coceira
sui afinidade com o sistema nervoso central. A doença muito forte no ânus, provocada pela descida dos vermes
é denominada cisticercose e pode causar dor de pela abertura anal. Isso acontece, principalmente,
cabeça e convulsão. durante a noite: a pessoa se coça mesmo dormindo,
espalhando os ovos, que ficam nas roupas, lençóis,
entre seus dedos e debaixo das unhas. Essa pessoa
se contamina, levando as mãos sujas à boca. Também
contamina alimentos e utensílios domésticos, trans-
mitindo a verminose às pessoas que os utilizarem.

As roupas dos indivíduos parasitados também são


fontes de infestação, pois os ovos ficam agarrados a
elas e podem depois chegar às mãos e à boca. O cos-
tume de sacudir os lençóis ao arrumar as camas pela
manhã faz com que os ovos do Enterobius se espa-
lhem, podendo ser aspirados no ar pelo nariz, leva-
dos, com a poeira, até os alimentos e, finalmente,
engolidos. Os ovos resistem de 10 a 15 dias.

Prevenção / Tratamento
• Comer carne de boi ou de porco bem cozida
ou bem assada.
• Manter sempre os porcos presos nos
chiqueiros.
• Utilizar privada ou fossa. Não deixar
as fezes no chão.

Oxiuríase

O Enterobius vermiculares ou Oxiures


vermiculares, também conhecido por
saltão, tuchina ou verme da coceira, as-
semelha-se a um pequeno fio de linha. Os
vermes adultos vivem no intestino. Os machos


Sintomas Como se contrai
As crianças são as mais atingidas e as que sofrem Os vermes adultos cortam a mucosa intestinal e ali-
mais. A irritação no ânus e região vizinha produz co- mentam-se de sangue. Como têm hábito de mudar
ceira intensa. Ao se coçar, a pessoa pode se ferir e de lugar frequentemente, produzem inúmeras feri-
apresentar infecção local. das no intestino que sangram, provocando anemia e
emagrecimento. A perda de sangue provoca a dimi-
Como as fêmeas desses vermes preferem a noite para nuição de ferro no organismo, elemento indispen-
caminhar até o ânus, a fim de pôr ovos, as crianças sável para a saúde do homem. É por essa razão que
dormem mal, o que as torna irritadas e nervosas. crianças portadoras do amarelão têm o hábito de
Nas mulheres, os vermes podem invadir os órgãos comer terra, buscando aí o ferro necessário.
genitais, produzindo irritação e inflamação, muitas
vezes graves. Sintomas
Os sintomas mais comuns apresentados pelos por-
Prevenção / Tratamento tadores de amarelão são: preguiça para o trabalho
Nos exames de fezes é muito comum não aparece- e estudos, cansaço, desânimo, prisão de ventre ou
rem os ovos desse verme. Portanto, a observação de crise de diarreia, irritabilidade, mau humor, ane-
uma pessoa da família pode auxiliar o médico no mia, palidez, dor de cabeça, tosse, emagrecimento
diagnóstico da verminose. Se a mãe nota que os fi- e dores musculares. Pessoas mal alimentadas são as
lhos andam nervosos, irritados e se queixam de co- mais prejudicadas pelos vermes.
ceiras no ânus, deve contar ao médico, que, além
de indicar o tratamento necessário, lhe dará expli- Prevenção / Tratamento
cações sobre o combate ao parasito. • Andar sempre calçado.
• Lavar as mãos, principalmente antes das refeições.

Ancilostomíase (amarelão) • Fazer uso de privadas ou fossas.


• Procurar o médico ou posto de saúde para subme-

Os parasitos (vermes) produzem ovos que são elimi- ter-se a exames, para detectar a presença de

nados pelas fezes. Depois de alguns dias, os ovos vermes. Em caso positivo, procurar o tratamento

se rompem, surgindo as larvas. Essas ficam no solo adequado. A melhoria do estado nutricional é im-

durante uma semana e são atraídas pela luz e pelo portante no combate às parasitoses, já que a in-

calor, que as fazem subir à superfície, onde se agar- cidência e os sintomas da doença são menores em

ram às plantas, ao lixo etc. indivíduos bem nutridos.

Os quintais sombreados, cheios de bananeiras ou


outras plantas, onde o lixo é amontoado, são lugares
propícios para o verme.

Em pessoas que andam descalças, as larvas penetram


rapidamente. Atravessando a pele, caem no sangue e
vão até o coração, pulmões, brônquios, estômago e
intestinos. Durante essa migração, sofrem transfor-
mações até chegar a vermes adultos, cujos ovos são
eliminados pelas fezes.

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Doenças transmitidas doença autolimitada, isto é, em que o sistema de
defesa do organismo combate o invasor estranho e a
por vetores que se doença desaparece, a malária pode levar à morte se

relacionam com a água não for tratada em determinados casos.

Como se contrai
A transmissão da malária pode ocorrer pela picada
do mosquito, por transfusão de sangue contamina-
do, pela placenta (congênita) para o feto e por
meio de seringas infectadas.

Sintomas
Os sintomas mais comuns são febre alta,
calafrios intensos que se alternam com
ondas de calor e sudorese abundante,
dor de cabeça e no corpo, falta de ape-
tite, pele amarelada e cansaço. Depen-
dendo do tipo de malária, esses sinto-
mas se repetem a cada dois ou três dias.

Prevenção / Tratamento
• Não existe vacina contra a malária. As for-
mas de prevenção mais indicadas são: uso de
repelente no corpo todo, camisa de mangas com-
pridas e mosquiteiro, quando estiver em zonas
endêmicas.
Formas de Transmissão • Evitar banhos em igarapés e lagoas ou expor-se
As doenças são propagadas por insetos que nascem a águas paradas ao anoitecer e ao amanhecer,
na água ou picam perto dela. As principais formas horários em que os mosquitos mais atacam.
de prevenção são: eliminar condições que possam • Procurar um serviço especializado se for viajar para
favorecer criadouros; combater os insetos transmis- regiões onde a transmissão da doença é alta, para
sores; evitar o contato com criadouros; utilizar meios tomar medicamentos antes, durante e depois da
de proteção individual. viagem.

malária

Também conhecida como sezão, paludismo, maleita,


febre terçã e febre quartã, a malária é uma doença
típica de países de clima tropical e subtropical. O
vetor é o anofelino (Anopheles), um mosquito pare-
cido com o pernilongo que pica as pessoas, princi-
palmente ao entardecer e à noite. Embora seja uma

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Ao apresentar os sintomas, deve-se procurar atendi- Em alguns casos, nos três primeiros dias depois que
mento médico. O tratamento, padronizado pelo Mi- a febre começa a ceder, pode ocorrer diminuição
nistério da Saúde, é feito por via oral e não deve ser acentuada da pressão sanguínea. Essa queda da
interrompido, para evitar o risco de recaídas. pressão caracteriza a forma mais grave da doença,
chamada de dengue hemorrágica.

Dengue
Prevenção / Tratamento
• O melhor método para se combater a dengue é
A dengue é uma doença infecciosa aguda de curta
evitando a procriação do mosquito Aedes aegypti,
duração, de gravidade variável, causada por um ar-
que é feita em ambientes úmidos em água parada,
bovírus, do gênero Flavivirus. A doença é transmi-
seja ela limpa ou suja.
tida, principalmente, pelo mosquito Aedes aegypti
• Não existem medicamentos antivirais para com-
infectado. Esse mosquito pica durante o dia, ao con-
bater a dengue. O tratamento é apenas sintomáti-
trário do mosquito comum (Culex), que pica durante
co. Tomar muito líquido, para evitar desidratação,
a noite. As epidemias geralmente ocorrem no verão,
e utilizar antipiréticos e analgésicos, para aliviar
durante ou imediatamente após períodos chuvosos.
os sintomas, são as medidas de rotina.

Como se contrai
O contágio se dá pela picada do mosquito Aedes
aegypti que ficou infectado após picar uma pessoa
doente. Não há transmissão pelo contato direto de
uma pessoa doente com uma pessoa sadia. Também
não há transmissão pela água, por alimentos ou por
quaisquer objetos. A doença só acomete a população
humana e é mais comum em cidades.

Os transmissores da dengue proliferam-se dentro ou


nas proximidades de habitações, em recipientes com
água acumulada (caixas d’água, cisternas, latas,
pneus, cacos de vidro, vasos de plantas).

Sintomas • Por interferir na coagulação, medicamentos que con-


A dengue é uma doença que causa desconforto e tenham ácido acetilsalicílico são contraindicados.
transtornos, mas, em geral, não coloca em risco a vida • Medicamentos à base de dipirona constituem boa
das pessoas. Inicia-se com febre alta, podendo apre- opção para baixar a temperatura.
sentar cefaleia (dor de cabeça), prostração, mial- • No caso de dengue hemorrágica, deve-se, imedia-
gia (dor muscular, dor ao redor dos olhos), náusea, tamente, procurar assistência médica, uma vez
vômito e dor abdominal. É frequente que, três a qua- que pode levar ao óbito.
tro dias após o início da febre, ocorram manchas
vermelhas na pele, parecidas com as do sarampo ou Febre amarela
rubéola, e prurido (coceira). Também é comum que
ocorram pequenos sangramentos (nariz, gengivas). A Febre amarela é uma doença infecciosa causa-
melhora se dá, gradativamente, em dez dias. da por um tipo de vírus chamado Flavivirus, cujo

0
reservatório natural são os primatas não humanos da doença evolui bem. Os outros 15% podem apre-
que habitam as florestas tropicais. sentar, além dos já citados, sintomas graves como
icterícia, hemorragias, comprometimento dos rins
Existem dois tipos de febre amarela: a silvestre, (anúria), fígado (hepatite e coma hepático), pulmão
transmitida pela picada do mosquito Haemagogus, e e problemas cardíacos que podem levar à morte.
a urbana, transmitida pela picada do Aedes aegypti,
o mesmo que transmite a dengue e que foi reintrodu-
Prevenção / Tratamento
zido no Brasil na década de 1970. Embora os vetores
• O meio mais eficaz de prevenção é a vacina, que
sejam diferentes, o vírus e a evolução da doença são
deve ser renovada a cada dez anos. A vacinação é
absolutamente iguais.
recomendada, especialmente, aos viajantes que se
dirigem para localidades como zonas de florestas
Como se contrai
e cerrados. Deve ser tomada dez dias antes da
A febre amarela não é transmitida de uma pessoa
viagem para que o organismo possa produzir os
para a outra. A transmissão do vírus ocorre quando
anticorpos necessários.
o mosquito pica uma pessoa ou primata (macaco)
• Além da vacinação, o uso de repelentes também é
infectados, normalmente em regiões de floresta e
recomendado.

Quanto ao tratamento, o doente com febre amare-


la precisa de suporte hospitalar para evitar que o
quadro evolua com maior gravidade. Não existem
medicamentos específicos para combater a doença.
Basicamente, o tratamento consiste em hidratação
e uso de antitérmicos que não contenham ácido
acetilsalicílico. Casos mais graves podem requerer
diálise e transfusão de sangue.

cerrado, e depois pica uma pessoa saudável que não


tenha tomado a vacina. A forma urbana já foi erradi-
cada, mas pode acontecer novo surto se a pessoa in-
fectada pela forma silvestre da doença retornar para
áreas de cidades onde exista o mosquito da dengue.

Sintomas
Os principais sintomas da febre amarela são fe-
bre alta, mal-estar, dor de cabeça, dor muscular
muito forte, cansaço, calafrios, vômito e diarreia.
Geralmente, aparecem em três a seis dias após a
picada (período de incubação) e metade dos casos


Mananciais de água
Mananciais são todas as fontes de água, superficiais ou subterrâneas, que podem ser
usadas para o abastecimento público. Isso inclui, por exemplo, rios, lagos, represas e lençóis
freáticos. Para cumprir sua função, um manancial precisa de cuidados especiais, garantidos nas
chamadas leis estaduais de proteção a mananciais. Nessas regras, o ponto principal é evitar a
poluição das águas, coisa muito difícil de se conseguir em um país como o Brasil. Por aqui, a
expansão das grandes cidades aconteceu de forma superbagunçada, comprometendo as
fontes d’água próximas às metrópoles. O exemplo mais conhecido - e triste - é o do rio Tietê,
que corta a capital de São Paulo e boa parte do interior. Em tese, o mais famoso rio paulista
poderia ser um manancial para milhões de habitantes, mas quase 100 anos de poluição
acabaram transformando o rio em um enorme esgoto a céu aberto. Para piorar as coisas para
os paulistanos, outras importantes reservas de água estão ficando comprometidas. A partir da
década de 70, a cidade começou a se expandir em direção à represa de Guarapiranga, com
milhares de ocupações clandestinas que despejam esgoto no manancial sem nenhum
tratamento. "Hoje, não é viável remover as pessoas de lá.
Operação de Estação de Tratamento de Água

Qualidade da água

O organismo humano necessita de uma quantidade variada de substâncias e elementos


químicos indispensáveis à vida, tais como carbono, oxigênio, hidrogênio, nitrogênio,
cálcio, fósforo, potássio, enxofre, sódio, cloro, magnésio, etc.

Há outros elementos que o organismo necessita em pequenas quantidades, como cromo,


cobalto, cobre, estanho, ferro, iodo, manganês, molibdênio, selênio, zinco e flúor. E,
outros ainda de necessidade não confirmada, como arsênio, bário, bromo, estrôncio,
níquel, silício e vanádio.

As águas naturais contêm grande parte das substâncias e elementos facilmente


absorvidos pelo organismo, constituindo portanto, fonte essencial ao desenvolvimento do
ser humano, já que a maior parte da água utilizada é ingerida na forma líquida.

Por outro lado, as águas naturais podem conter organismos, substâncias, compostos e
elementos prejudiciais à saúde, devendo ter seu número ou concentração reduzidos ou
eliminados para o abastecimento público.

Neste capítulo, dissertaremos a respeito da qualidade da água que normalmente


encontramos, na natureza, sobre a superfície dos solos, a que denominaremos de água
bruta.

Tal água, após tratamento conveniente, é denominada água tratada.

Se a água atende aos parâmetros fixados pelo padrão de potabilidade, dizemos que ela é
potável.

Veremos, também neste capítulo, os parâmetros mais comuns estabelecidos para que se
possa conhecer a qualidade de determinada água.
Finalmente, apresentaremos a denominada Portaria do Ministério da Saúde, que
atualmente estabelece o padrão de potabilidade vigente no Brasil.

1.2. ÁGUA BRUTA, TRATADA E POTÁVEL

Água Bruta é a água da forma como é encontrada na natureza. O termo bruta designa
apenas que ela não foi trabalhada pelo homem, não significando que ela não se preste
para consumo.

É claro que, na maioria dos casos, ela é imprópria para esse fim, por haver estado
exposta aos elementos e, portanto, à poluição.

Entretanto, mananciais de águas de superfície que se mantenham convenientemente


protegidos, podem conter águas adequadas ao consumo sem tratamento prévio.

Dois fatores fundamentais contribuem para que a água de superfície torne-se imprópria
para consumo:

● a água é capaz de dissolver praticamente tudo com o que entre em contato, sejam
sólidos, líquidos e gases. Por esta razão ela é denominada, por alguns, de solvente
universal.

● O fato da água encontrar-se à superfície do solo e, portanto, exposta a diversas fontes


diluidoras.

Água tratada é a água que tenha sido submetida a algum tipo de tratamento, buscando
torná-la adequada para o consumo.

Água tratada não é, necessariamente, sinônimo de Água potável (embora


freqüentemente utilizamos este termo para essa finalidade).

Água potável é a água adequada para consumo humano.


Gerência de Desenvolvimento de Pessoal
OPERAÇÃO DE ESTAÇÃO DE TRATAMENTO DE ÁGUA

➔ Por definição, ela deve apresentar-se isenta de substâncias ou microorganismos


Patogênicos (capazes de causar doenças em seres humanos).

Água potável não é água pura, quimicamente falando. Na realidade, a água potável é
uma solução de uma infinidade de substâncias, algumas das quais a água trouxe
consigo da natureza, outras que lhe introduzimos ao longo dos processos de tratamento.

Os limites em que essas substâncias podem estar presentes na água potável são fixados
pelo padrão de potabilidade que, no Brasil, é estabelecido pela portaria do Ministério da
Saúde.

O leitor verificará que essa portaria não estabelece apenas valores máximos permissíveis
para os diversos parâmetros ali relacionados, mas também a freqüência mínima com que
eles deverão ser verificados nas águas de abastecimento público.

Qualidade da Água

Os parâmetros, mais usuais, que permitem interferir a qualidade da água, bem como
seus significados, são os seguintes:

1.2.1 pH

É usado universalmente para exprimir a intensidade com que determinada solução é


ácida ou alcalina.

Diz-se que a solução é ácida se seu pH é inferior a 7, e que ela é alcalina se seu pH é
superior a 7.

Uma solução, cujo pH é igual a 7, é neutra.

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OPERAÇÃO DE ESTAÇÃO DE TRATAMENTO DE ÁGUA

O pH é, sem dúvida, um dos mais importantes parâmetros utilizados no tratamento da


água, uma vez que existe um pH ótimo de floculação, no qual se obtém o melhor tipo de
floco, portanto a melhor decantação.
Também, pelo fato de que, as águas tratadas antes de serem distribuídas alcalinizadas,
isto é, deverão receber uma certa quantidade de cal. Para elevação do pH (correção do
pH).

Embora o padrão de potabilidade estabeleça a faixa de valores de 6,0 a 9,5, do ponto de


vista da saúde pública, o pH, por si só, não significa muito.

Habitualmente bebemos refrigerantes, nos quais o gás carbônico é introduzido


artificialmente, com pH em torno de 4,5.

A OMS (Organização Mundial da Saúde) prefere não fixar valores limites para o pH da
água potável, mesmo admitindo que irritações oculares e certas infecções cutâneas
possam estar associadas a valores de pH superiores a 11.

1.2.2 COR APARENTE

A Cor natural das águas potabilizáveis deve-se a grande variedade de substâncias que
podem estar presentes, sob forma de solução, na amostra a ser analisada.

Estas substâncias são coloridas e na maioria dos casos, de natureza orgânica.

De modo geral, tais substâncias conferem a água uma coloração amarelo-amarronzada.

A determinação da cor real das amostras de água exige sua prévia centrifugação, de
forma que apenas as partículas em solução sejam as responsáveis pela leitura desse
parâmetro.

A presença de turbidez, devida as partículas em suspensão, interfere na leitura da cor.

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Por esse motivo, denominamos de cor aparente à cor apresentada pela água quando
não centrifugamos previamente a amostra a ser analisada.
Normalmente, os laboratórios de análises de água determinam a cor aparente. Por isto, é
importante indagar se o teor de cor trazido no laudo de análise refere-se à cor aparente
ou real, de forma a evitar interpretação errada dos resultados.

1.2.3 COR REAL (VERDADEIRA)

Como dissemos, a determinação da cor real de determinada amostra somente pode ser
realizada após separarmos, dessa amostra, as partículas em suspensão presentes.

Essa separação é feita via centrifugação, sendo que nem todos os laboratórios de
análises de água possuem esse tipo de equipamento.

É evidente que se a cor aparente de determinada amostra é inferior ao limite máximo


estabelecido pelo padrão de potabilidade, a cor real também atenderá a esse padrão.

Por esse motivo, em laboratórios de estações de tratamento de água, é comum


determinar-se apenas a cor aparente (que dispensa a centrifugação prévia da amostra a
ser analisada), ao invés da cor real.

1.2.4 TURBIDEZ

Diz-se que a água é turva quando contém matérias em suspensão, que interferem com a
passagem da luz através dela, ou na qual é restringida a visão em profundidade de certa
amostra.

A turbidez das águas é devida à presença de partículas em estado coloidal, em


suspensão, matéria orgânica e inorgânica finamente dividida, plancton e outros
organismos microscópios.

Evidentemente ela tende a ser mais alta nos cursos d'agua, nos quais a água está em

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constante agitação, e menor nos lagos, nos quais o repouso da água permite a
sedimentação das matérias em suspensão.
A turbidez pode variar de zero, em águas puras, até centenas ou milhares de unidades,
em cursos d'agua poluídos.

Atualmente, são utilizados modernos aparelhos eletrônicos para a determinação da


turbidez, que podem ser analógicos ou digitais, cujas leituras determinadas são em
unidades nefelométricas de turbidez (UNT ou NTU). VT.

1.2.5 ALCALINIDADE

O termo alcalinidade traduz, para os profissionais que lidam com a potabilização de


águas, a capacidade de certa água em neutralizar ácidos. Quanto maior a alcalinidade de
uma água, maior é a dificuldade que ela apresentará para variar seu pH quando lhe
aplicamos um ácido ou uma base, ou seja, o consumo desses compostos será bem mais
elevado para uma mesma variação de pH.

De modo geral, a alcalinidade das águas naturais está relacionada com a presença de
sais de ácidos fracos, especialmente bicarbonatos.

Esses sais, quando presentes, resultam da ação da água sobre os carbonatos presentes
no solo, especialmente bicarbonatos de cálcio.

Em laboratório, determinamos normalmente os valores da alcalinidade total, da


alcalinidade de bicarbonatos e da alcalinidade de carbonatos.

Os livros de tratamento de água descrevem também a alcalinidade de hidróxidos.


Entretanto, caso ela esteja presente, a água será imprópria para o consumo humano,
tendo em vista que seu pH estaria acima do máximo permitido pelo padrão de
potabilidade vigente, ou mesmo pela legislação que estabelece os parâmetros para que
certa água possa ser considerada potabilizável.

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1.2.6 DUREZA
Denomina-se genericamente de águas duras aquelas que necessitam de grandes
quantidades de sabão para produzirem espuma, e que, além disto, incrustam caldeiras,
aquecedores, tubulações de água quente e outras unidades em que a água escoa
submetida a temperaturas elevadas.

Para o homem, a dificuldade de formar espuma é o principal inconveniente, em virtude do


consumo elevado de sabão.

Para o industrial, a formação de incrustações constitui o principal inconveniente, porque


pode resultar em danos às suas instalações, inclusive explosão.

➔ Normalmente as águas de superfície são mais brandas que as subterrâneas. (poços).

Isto é esperado, tendo em vista que a qualidade das águas reflete, entre outros fatores, a
natureza das formações geológicas com as quais entra em contato.

De modo geral, ela é devida à presença de cálcio e magnésio. Entretanto, podem ocorrer
casos devidos à ocorrência de estrôncio, ferro ferroso e manganês manganoso. Quando
o cálcio e o magnésio ocorrem nas águas naturais, eles costumam estar associados a
carbonatos e bicarbonatos.

Assim sendo, nossas águas, quando duras, em geral são também alcalinas. Por este
motivo, as análises de dureza expressam seus resultados em termos de CaCO3,
independentemente de seu agente causador.

Alguns autores apresentam a seguinte classificação para as águas, conforme sua dureza:

Branda 0 a 75 mg/l de CaCO3


Moderadamente dura 75 a 150 mg/l de CaCO3
Dura 150 a 300 mg/l de CaCO3
Muito dura acima de 300 mg/l de CaCO3

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1.2.7 FERRO

O ferro é um dos metais mais abundantes da crosta terrestre. Pode ser encontrado nas
águas naturais em concentrações que variam de 0,5 a 50 mg/l. É um elemento nutricional
essencial ao ser humano.

➔ Quando presente na água em sua forma solúvel, ele é incolor. Porém, se, por alguma
razão, ele é oxidado (devido à aeração ou cloração da água), por exemplo), ele se
precipita na água. Esse precipitado tem cor avermelhada e tende a assustar os
consumidores.

A Organização Mundial da Saúde não estabelece concentrações limite para esse metal.
Cita que concentrações da ordem de 2 mg/l podem ser consumidas sem risco para a
saúde, mas adverte que concentrações superiores a esse valor podem levar à rejeição
da água por parte dos consumidores, por comunicarem-lhe certo sabor ou por razões
estéticas.

1.2.8 MANGANÊS

O manganês é um dos metais mais abundantes da crosta terrestre e geralmente é


encontrado junto com o ferro.

Quando presente na água em sua forma solúvel, ele é incolor. Porém, se, por alguma
razão, ele é oxidado (devido à aeração ou cloração da água, por exemplo, ele se
precipita na água. Esse precipitado tem cor negra e tende a assustar os consumidores.
Não existem estudos conclusivos capazes de associar a presença de manganês à saúde
humana. A Organização Mundial da Saúde estabelece a concentração de 0,5 mg/l para
esse metal, mas reconhece que concentrações superiores a esse valor podem levar à
rejeição da água por parte dos consumidores, por razões estéticas.

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1.2.9 CLORETOS

A presença de cloretos na água pode estar atribuída à existência de jazidas naturais no


caminho percorrido por ela (salgema, por exemplo), e também à poluição por esgotos
sanitários e efluentes industriais.

Concentrações excessivas de cloretos aceleram a corrosão dos metais. No caso de


sistemas distribuidores construídos utilizando tubulações metálicas, cloretos em excesso
aumentarão a concentração dos metais na água potável, em virtude da corrosão das
canalizações.

Existem fontes mais importantes de cloretos que a água potável às quais o ser humano
encontra-se expostos, tais como as saladas consumidas nas refeições e que são
temperadas com sal (cloreto de sódio).

Não obstante, concentrações de cloretos superiores a 250 mg/l causam gosto perceptível
à água, e tendem a ser rejeitadas.

1.2.10 SULFATOS

Diversos minerais presentes na natureza contém sulfatos, podendo, por este motivo,
atingir as águas. Entretanto, eles podem estar presentes em efluentes de diversas
atividades industriais, especialmente químicas.

O íon sulfato é pouco tóxico, mas pode ter efeito purgativo. O sulfato de magnésio foi
utilizado durante muito tempo com essa finalidade.

O Valor limite de 500 mg/l foi estabelecido por essa razão. A presença de sulfatos pode
comunicar certo gosto perceptível pelo consumidor, e contribuir para acelerar a corrosão
dos materiais metálicos componentes de redes distribuidoras.

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1.2.11 COLIFORMES TOTAIS E FECAIS ( Termotolerante )

De modo geral, as análises bacteriológicas visam à determinação da presença de


bactérias denominadas coliformes.

Tais bactérias vivem no trato intestinal de animais de sangue quente, entre eles o
homem, mas existem algumas espécies de vida livre, isto é, que podem viver no solo. Daí
o fato de se efetuar análises para a determinação de coliformes totais e fecais.

A presença de coliformes fecais na água indica a possibilidade de contaminação por


fezes humanas, embora não comprove. Por este motivo, diz-se que os coliformes são
indicadores de contaminação.

Evidentemente, constatar a presença desses organismos e, a partir daí, supor que a


amostra esta contaminada por organismos patogênicos, constitui tarefa mais fácil que a
de realizar todos os ensaios, específicos para cada tipo de organismo capaz de infectar o
ser humano, capazes de comprovar essa contaminação.

Ressalta-se que os coliformes, por si só, não são patogênicos, quando presentes nas
concentrações usuais no ser humano. Mas sua presença na água indica a possibilidade
da presença de organismos patogênicos.

Os ensaios destinados à detecção dos coliformes tem evoluído bastante.

Da antiga técnica dos tubos múltiplos, a partir da qual entrava-se numa tabela
probalística e obtinha-se o número mais provável (N.M.P.) de coliformes, passou-se,
modernamente, para a técnica das membrana contendo o meio de cultura apropriado, e
na qual desenvolver-se-ão as colônias de organismos coliformes, cuja contagem permitirá
determinar o número desses organismos. Mais modernamente ainda, técnicas do tipo
presença/ausência vem sendo desenvolvidas e comercializadas.

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1.2.12 CLORO RESIDUAL

Conforme vimos, o cloro é adicionado à água em tratamento com a finalidade primordial


de desinfetá-la, isto é, matar os microrganismos patogênicos que eventualmente
escapem dos processos anteriores da estação de tratamento de água.

Ao se clorar a água com a finalidade de desinfetá-la, normalmente adiciona-se um


excesso de cloro, responsável pelo surgimento do denominado cloro residual. Esse cloro
garantirá à água distribuída um desejável efeito residual.

Isto significa que, se por alguma razão alheia à vontade do operador, a água distribuída
vier a se contaminar na rede ou nos reservatórios, ela ainda será capaz de combater
essa contaminação.

O cloro residual poderá estar presente sob forma combinada (cloraminas) ou livre.

No primeiro caso, nenhum efeito desfavorável à saúde humana foi observado quando
sua concentração na água potável atingiu 24 mg/l durante curtos períodos.

No segundo caso, a mesma Organização Mundial da Saúde não observou qualquer


efeito indesejável relacionado ao tratamento da água pelo cloro sobre o homem ou
animais. Pode-se consumir, sem perigo, algo em torno de 15 mg de cloro por quilograma
de peso corporal por dia durante dois anos seguidos sem que se observe qualquer efeito
tóxico. Partindo desses dados, essa Organização estabeleceu a concentração limite de 5
mg/l para o cloro na água potável.

1.2.13 FLÚOR ( Fluoretos )

O interesse na determinação do flúor em águas de abastecimento pode ser devido a uma


das duas razões:
a) determinadas águas naturais, especialmente quando de origem subterrânea, podem
conter quantidades excessivas de flúor, incompatíveis com a qualidade exigida para

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consumo humano; em tais casos, deve-se proceder à remoção do excesso de flúor,


através de tratamento adequado;

b) a fluoretação das águas de abastecimento vem sendo praticada em todo o país, em


quase todos os sistemas abastecedores, como forma de prevenção da cárie dentária;
flúor adicionado de menos não é eficaz, enquanto que flúor adicionado em excesso
pode levar à ocorrência da denominada fluorose dentária, responsável pelo
escurecimento do esmalte dos dentes.

No Brasil, a fluoretação da água em sistemas de abastecimento em que existe estação


de tratamento é obrigatória, de acordo com a Lei Federal N º
6050, de 1974. Essa lei
foi posteriormente regulamentada pelo Decreto Federal N º 76.872, de 1975.

Segundo os padrões de potabilidade do Serviço de Saúde Pública dos Estados Unidos,


as concentrações ótimas do íon flúor (Cot) na água potável são as transcritas na tabela
1.1, e dependem da temperatura (Tm) da região.

Tabela 1.1
Concentração Ótima
do íon Flúor (Cot)
Tm [ 0 C] Cot [ mg/l]
10,0 a 12,1 1,2
12,2 a 14,6 1,1
14,7 a 17,7 1,0
17,8 a 21,4 0,9
21,5 a 32,5 0,8
26,4 a 32,5 0,7
32,6 a 37,5 0,6
Fonte: Serviço de Saúde Pública dos EEUU.

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1.2.14 TEMPERATURA

Temperatura do Ar

De certa maneira, há influência de temperatura no consumo de água. Quanto maior o


calor, maior o consumo, maior a ingestão de água.

Na verdade, o aumento do consumo de água está relacionado à temperatura e umidade


do ar. Poderão ser verificadas com o correr do tempo, se houverem registros em
localidades diferentes, relacionando esses dados.

O tratamento de água para efeitos fisiológicos benéficos precisa estar relacionado com o
consumo de água, como por exemplo a fluoretação, que para ser aplicada à água de
consumo público tem que ser rigorosamente relacionado com a temperatura.

Praticamente se relaciona a dosagem de flúor com a temperatura média das máximas


diárias, registradas, dado este que será possível com a maior exatidão, quando
registrados em longos períodos.

Temperatura da Água

A ionização dos compostos, como também a solubilidade, esta relacionada com a


temperatura. Assim, o pH muda com a ionização e, portanto, com a temperatura.

A solubilidade dos gases decresce à medida que a temperatura aumenta (como por
exemplo o oxigênio dissolvido).

A relação pH, gás carbônico, alcalinidade é alterada em função da temperatura.

O cloro residual também sofre alterações.

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1.2.15 LUMINA RESIDUAL

O teor de alumina residual é um parâmetro importante a ser determinado nas ETA's, pois
pode auxiliar no monitoramento da eficiência do tratamento, em caso de excesso de
dosagem de sulfato de alumínio, e também, para evidenciar a eficiência da filtração, uma
vez que o alumínio poderá atravessar as camadas filtrantes através de fendas e
retrações junto às paredes dos filtros.

A toxicidade aguda por alumínio metálico e seus compostos é baixa. Há considerável


evidência que o alumínio é neurotóxico.

O acúmulo de alumínio no homem tem sido associado ao aumento de casos de


demência senil do tipo Alzheimer. Não há indicação de carcinogenicidade para o
alumínio.

A principal via de exposição humana não ocupacional é pela ingestão de alimentos e


água.

Na água, o alumínio é complexado e influenciado pelo pH, temperatura e a presença de


fluoretos, sulfatos, matéria orgânica e outros ligantes.

A solubilidade é baixa em pH entre 5,5 e 6,0. O aumento da concentração de alumínio


está associado com o período de chuvas e, portanto, com a alta turbidez.

O teor máximo permitido pela portaria em vigor do Ministério da Saúde é 0,2 mg/L .

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AS ETA’S

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2.1. INTRODUÇÃO

Na realidade, deveríamos dizer estações potabilizadoras de água, ao invés de estações


de tratamento de água (que, daqui para frente, passaremos a designar simplesmente de
ETA). Porque esse é o objetivo dessas instalações: transformar água bruta imprópria
para consumo humano, em água potável própria para esse fim.

De modo geral, o tratamento de água passa pelas seguintes fases:

➔ Mistura rápida;

➔ Floculação;

➔ Decantação;

➔ Filtração;

➔ Desinfecção

Estação de Filtração Direta Descendente


Precedida de Floculação

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MISTURA RÁPIDA

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3.1. INTRODUÇÃO

Da mistura rápida efetuada adequadamente depende, muitas vezes, o sucesso de todo o


restante do tratamento da água.

No processo de mistura rápida é adicionado o produto químico responsável pela


desestabilização e posterior aglutinação das matérias que desejamos remover da água
bruta.

Este produto denominamos coagulante ou floculante, pois, promoverá a coagulação, a


qual precede a floculação.

A coagulação é um processo de remoção ou neutralização das forças que mantém em


suspensão os colóides; consiste numa série de reações químicas e físicas entre o
coagulante, a superfície das partículas, algumas substâncias químicas presentes na
água, especialmente as que lhe conferem a denominada alcalinidade, e a própria água.

➔ Então podemos afirmar que, na mistura rápida ocorrerá a coagulação, e, a floculação,


ocorrerá na fase de mistura lenta.
Um estudo elaborado recentemente, trouxe nova luz sobre o assunto.

Este estudo refere-se apenas a química do sulfato de alumínio, mas suas conclusões
podem ser extrapoladas para outros floculantes metálicos, tais como o cloreto férrico, o
sulfato ferroso e outros.

Segundo ele, existem basicamente duas formas de desestabilizar as partículas presentes


na água bruta, sob forma de suspensão ou solução coloidal.

Os autores denominaram-nas de desestabilização por adsorção e desestabilização


por varredura. Descrevem ainda que é possível combinar os d ois efeitos anteriores,
obtendo-se, assim, a desestabilização através da combinação da adsorção e da
varredura.

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OPERAÇÃO DE ESTAÇÃO DE TRATAMENTO DE ÁGUA

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OPERAÇÃO DE ESTAÇÃO DE TRATAMENTO DE ÁGUA

3.2. DESESTABILIZAÇÃO POR ADSORÇÃO E POR VARREDURA

A primeira providência, na desestabilização por adsorção, é fazer com que as partículas


presentes na água bruta adsorvam, em suas superfície, íons metálicos, de carga positiva,
capazes de neutralizá-las. Isto porque observa-se que as partículas que desejamos
remover da água em tratamento apresentam cargas elétricas negativas.

Ora se todas elas apresentam a mesma carga, elas se repelem, e não se aproximam
umas das outras.

Por este motivo, elas permanecem sob forma de suspensão ou solução coloidal na água,
distantes umas das outras, de modo estável.

Se nós conseguirmos fazer com que elas adsorvam cargas positivas, de modo a
neutralizá-las, então será possível aproximá-las uma das outras e, desta forma, floculá-
las.

Algumas poucas estações de tratamento de água possuem um aparelho eletrônico


denominado zetâmetro, capaz de medir o potencial zeta das partículas.

Quando conseguimos neutralizar as partículas, através da correta adição de floculante,


conseguimos zerar o potencial zeta. Entretanto, na maioria das vezes não dispomos
desse equipamento, e necessitamos determinar experimentalmente como fazer para
desestabilizar corretamente as partículas.

A desestabilização por adsorção exige que a mistura rápida seja feita com muita energia
e durante tempo muito pequeno.

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OPERAÇÃO DE ESTAÇÃO DE TRATAMENTO DE ÁGUA

Isto porque, quando adicionamos o floculante à água em tratamento, ele reage muito
rapidamente. Dessa forma, os íons metálicos que podem ser adsorvidos pelas partículas
ficam disponíveis na água apenas durante frações de segundo. Em seguida, formam
hidróxidos, que são importantes nas fases seguintes do tratamento, mas não para a
desestabilização por adsorção.

Além disto, os íons metálicos precisam ser lançados energicamente contra essas
partículas, para que sejam capazes de atravessar as nuvens de cargas, também
positivas, que as cercam. Somente após atravessarem essas nuvens é que os íons
metálicos poderão ser adsorvidos pelas partículas.

Do que foi dito, concluímos que, se desejamos desestabilizar por adsorção, nosso
misturador rápido terá que apresentar duas características essenciais:

➔ Misturar energicamente o floculante à água bruta;


➔ Efetuar essa mistura em tempo muito curto.

No caso da desestabilização por varredura, a desestabilização das partículas é feita pelo


hidróxido metálico (ex.: hidróxido de alumínio ou hidróxido férrico), que é o composto que
se forma quando adicionamos o floculante à água bruta.

Normalmente, nas condições de pH e dosagem de floculante que adicionamos à água


em tratamento, esses hidróxidos são insolúveis. Apresentam-se sob forma de gel
(semelhantes a gelatinas), e precipitam-se quando a água é deixada em repouso.

Durante a floculação, eles chocam-se com as partículas que desejamos remover da água
em tratamento, e as adsorvem.

Funcionam como pequenas vassouras peludas, que agarram essas partículas.

Por este motivo, dizemos que desestabilizamos as partículas por varredura, isto é, nós as
varremos da água, utilizando vassouras.

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Ao tratarmos a água de piscinas, através da adição de sulfato de alumínio em altas


concentrações, podemos observar que, de um dia para o outro, as impurezas da piscina
precipitam-se em seu fundo.
Este é um exemplo típico da ação desestabilizadora das impurezas através da varredura.

A desestabilização por varredura não necessita de boa mistura rápida, tendo em vista
que, sendo o hidróxido metálico o agente responsável pela desestabilização das
partículas, e que ele vai se formar de qualquer forma, não há mais a preocupação de se
contar com uma mistura rápida e enérgica do floculante com a água em tratamento.

3.2.1. Combinação da Adsorção e da Varredura

Conforme vimos, desestabilizar por varredura as partículas presentes na água bruta é


quase sempre algo fácil de ser feito. Na realidade, e em vista do exemplo da piscina que
acabamos de citar, muitas vezes não é necessário nem misturador rápido nem floculador
para isto, desde que se utilize altas dosagens de floculante.

Desestabilizar por varredura, portanto, qualquer um pode conseguir, desde que tenha
breves noções sobre o tratamento da água.

Por outro lado, desestabilizar por adsorção é bem mais complicado.

Primeiro, porque exige um bom misturador rápido. Segundo, porque exige muita
habilidade e conhecimento do operador.

A desestabilização por adsorção ocorre em faixas estreitas do pH da água floculada.


Além disto, dosagens excessivas de floculante podem re-estabilizar as partículas que
desejamos remover.

Isto porque, sendo essas partículas de carga predominantemente negativa, conforme


dissemos, sua desestabilização é conseguida através de adsorção de cargas positivas.

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Se adicionarmos íons metálicos (positivos) em excesso, e eles forem adsorvidos pelas


partículas em quantidades acima da necessária para neutralizá-las, elas podem deixar de
ser negativas para se tornarem positivas.
Nestas condições, ocorrerá o que chamamos de re-estabilização das partículas.

O operador habilidoso saberá combinar os processos da desestabilização por adsorção e


o da desestabilização por varredura.

Para tanto, ele dosará a quantidade correta de floculante, capaz de, ao mesmo tempo:

a) fornecer íons metálicos em quantidade suficiente para que, ao serem adsorvidos pelas
partículas, reduzam suas cargas negativas, o que propiciará sua aproximação.
b) formar hidróxido metálico em quantidade suficiente para adsorver as partículas
parcialmente desestabilizadas e, portanto, mais próximas umas das outras (por isto,
são necessários flocos menores de hidróxidos para adsorvê-las).

Observe que, neste caso, assim como na desestabilização por adsorção, é necessário
contar com um bom misturador rápido.

A combinação dos dois processos, adsorção e varredura, permite obter flocos bem
formados com pequeno consumo de floculante.

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OPERAÇÃO DE ESTAÇÃO DE TRATAMENTO DE ÁGUA

A razão pela qual esta fase do tratamento é


ÁGUA BRUTA
chamada de mistura rápida, é porque são
PRÉ - CLORAÇÃO
praticamente instantâneas as reações ALCALINIZAÇÃO
químicas mais importantes que ocorrem
entre o floculante e as partículas que MISTURA RÁPIDA COAGULANTE
FLOCULANTE
desejamos remover.
POLIELETRÓLITO
CARVÃO ATIVADO
3.3. MEDIÇÃO DE VAZÃO
FLOCULAÇÃO
Vazão é uma quantidade de água, dita em CASA
litros ou metros cúbicos, que passa por DE
uma seção normal, numa unidade de
QUÍMICA
tempo. Exemplos:

DECANTAÇÃO
Quando dizemos que a vazão de um rio é
INTERCLORAÇÃO
de 50m3/hora, queremos dizer que por um POLIELETROLITO
ponto determinado desse rio passam 50
metros cúbicos de água em uma hora. FILTRAÇÃO

CLORAÇÃO
A vazão das bombas, geralmente é dada FLUORETAÇÃO
3
em m /hora assim, uma bomba que tem a CORREÇÃO DO PH

sua capacidade indicada como 50 m3/hora,


ÁGUA
quer dizer que esta bomba é capaz de TRATADA
elevar até 50 m3 de água em uma hora.

Numa estação de tratamento, o fluxo de água influente é dito em litros por segundo. A
chegada de água bruta, por exemplo, é de 50 l/segundo, isto é, em cada segundo
chegam 50 litros de água.

Nas estações de tratamento a medição da vazão pode ser de várias maneiras.

Medição direta, consiste na medida necessária para que a água encha um volume

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conhecido. Esse volume poderá ser o volume da câmara dos floculadores ou do próprio
decantador.

Não é necessário encher todo o volume. Conhecidos comprimento e largura, basta


fixarmos uma altura e conometrarmos o tempo gastos para que a água atinja essa altura.
Teremos então um volume V (m3) de água que jorrou no tempo t (seg.) . Logo:

Q = V (m3) x 1.000 = l/seg.


t (seg.)

Tomando-se, por exemplo, o decantador, devemos abaixar o nível da água e medirmos o


seu comprimento, a sua largura e tomarmos uma altura qualquer. Deve-se também
marcar, rigorosamente o tempo gasto para encher a altura tomada (minutos e segundos e
frações de segundos).

De posse de todos os valores, calcula-se a vazão, de acordo com o exemplo abaixo:

Q (l/seg.) = c x l x h x 1.000
m x 60 + s
Onde:

Q = Vazão em l/seg.
c = Comprimento em metros
l = Largura em metros
h = altura em metros
m = Minutos
s = Segundos

Ou, simplesmente:

Q = V (m3) x 1.000
t (seg.)

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Onde:

Q = Vazão em litros por segundo


V = (m3) = Volume = c x l x h
t (seg.) = tempo em segundos

Assim se tivermos um decantador que mede 15m de comprimento, 11,30m de largura,


tomarmos 0,20m na altura e gastarmos 25 minutos e 45 segundos pára enchermos esses
0,20m, podemos facilmente determinar a vazão da água usando a fórmula.

Q = c x 1 x h x 1.000, apenas substituindo os valores.


m x 60 + X
Dados do problema:

Comprimento = c = 15m
Largura = l = 11,30m
Altura = h = 0,20m
Tempo = t = 25 minutos (m) e 45 segundos (s)

Portanto:

Q = 15 x 11,30 x 0,20 x 1.000


25 x 60 + 45

Efetuando as operações temos:

Q = 33.900
1.545

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Efetuando a divisão temos:

Q = 21,94 l/seg

Para se determinar vazões em reservatórios circulares usa-se a seguinte fórmula:

Q = 3,14 x D x D x 1.000 x h
4 x t (seg)

Onde:

h = Altura
D = Diâmetro do reservatório
t = Tempo em segundos (m x 60 + s)

3.4. MISTURADORES HIDRÁULICOS

Os misturadores hidráulicos podem ser de diversos tipos, sendo os mais utilizados, o


medidor Parshall, a queda d'água originária de vertedouros e a malha difusora.

3.4.1. Medidor Parshall

Sem dúvida, este é o dispositivo mais utilizado como misturador rápido. O Medidor
Parshall alia a função de medidor de vazão à de misturador rápido, quando
convenientemente utilizado.

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A figura 5.2 representa um medidor Parshall. A largura da garganta w do medidor é a


grandeza que o define.

A tabela 5.1 apresenta as demais dimensões dos medidores Parshall padronizados,


estabelecidas em função de sua dimensão característica, ou seja, de sua garganta.

É possível conhecer a vazão que atravessa o medidor Parshall através da realização da


leitura da altura da lâmina d'água numa seção a montante de sua garganta.

O local exato em que a altura deve ser lida é denominado seção de medição. E, está
indicada na figura 5.2.

A tabela 5.2 apresenta as vazões de diversos medidores Parshall, em função das alturas
obtidas nessas seções de medição.

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A figura 5.2. d representa o perfil da lâmina d'água típica num medidor Parshall instalado
como medidor de vazão. Quando convenientemente instalado, é possível conhecer a
vazão que o atravessa efetuando apenas uma medida de altura.

Em seguida, basta comparar a altura lida (h) com uma tabela, para que se possa
conhecer a vazão. Ver tabela 5.2.

Tabela 5.2
Medidores Parshall – Vazões [l/s]
H W
(cm) 3” 6” 9” 1’ 1,5’ 2’ 3’ 4’
3 0,8 1,4 2,5 3,1 4,2 - - -
4 1,2 2,3 4,0 4,6 6,9 - - -
5 1,5 3,2 5,5 7,0 10,0 13,8 20,0 -
6 2,3 4,5 7,3 9,9 14,4 18,7 27,0 35,0
7 2,9 5,7 9,1 12,5 17,8 23,2 34,0 45,
8 3,5 7,1 11,1 14,5 21,6 28,0 42,0 55,0
9 4,3 8,5 13,5 17,7 26,0 34,2 50,0 66,0
10 5,0 10,3 15,8 20,9 30,8 40,6 60,0 78,0
11 5,8 11,6 18,1 23,8 35,4 46,5 69,0 90,0
12 6,7 13,4 24,0 27,4 40,5 53,5 79,0 105,0
13 7,5 15,2 23,8 31,0 45,6 60,3 93,0 119,0
14 8,5 17,3 26,6 34,8 51,5 68,0 101,0 133,0
15 9,4 19,1 29,2 38,4 57,0 75,5 112,0 149,0
16 10,8 21,1 32,4 42,5 63,0 83,5 124,0 165,0
17 11,4 23,2 35,6 46,8 69,0 92,0 137,0 182,0
18 12,4 25,2 38,8 51,0 75,4 100,0 148,0 198,0
19 13,5 27,7 42,3 55,2 82,2 109,0 163,0 216,0
20 14,6 30,0 45,7 59,8 89,0 118,0 177,0 235,0
25 20,6 42,5 64,2 83,8 125,0 167,0 248,0 331,0
30 27,4 57,0 85,0 111,0 166,0 221,0 334,0 446,0
35 34,4 72,2 106,8 139,0 209,0 280,0 422,0 562,0
40 42,5 89,5 131,0 170,0 257,0 345,0 525,0 700,0
45 51,0 107,0 157,0 203,0 306,0 410,0 629,0 840,0
50 - - 185,0 240,0 362,0 486,0 736,0 990,0
55 - - 214,0 277,0 418,8 563,0 852,0 1144
60 - - 243,0 414,0 478,3 642,0 971,0 1308
65 - - - 356,0 543,4 730,0 1110 1490
70 - - - 402,0 611,3 825,0 1255 1684

Para que o medidor Parshall efetue, com eficiência, a mistura rápida, é necessário:

➢ aplicar o floculante na garganta do medidor. Por ser de seção estreita e a lâmina


d'água bastante pequena, é possível fazer com que o floculante aplicado nesse local
se disperse em praticamente todo o volume de água em tratamento ;

assegurar a formação de um ressalto hidráulico imediatamente a jusante da garganta,


pois, no interior do ressalto hidráulico, ocorre grande dissipação de energia num tempo
muito curto. Nestas condições, serão asseguradas as condições ideais de mistura rápida.

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3.4.2. Queda d'água

Em estações de tratamento que utilizam vertedouros para medir a vazão efluente, será
possível aproveitar a queda d'água resultante para efetuar a mistura rápida.

Para tanto, deve-se distribuir, do modo mais uniforme possível, o floculante ao longo de
toda queda d'água. Utilizando-se uma calha perfurada, cujos orifícios deverão estar
sempre desobstruídos. E, se possível, que a lâmina d'água vertente caia sobre um
anteparo. Nestas condições, haverá energia suficiente para excelentes condições de
mistura rápida.
Figura 5.6: aplicação de floculante num vertedouro retangular.

3.4.3. Malhas difusoras

São dispositivos destinados exclusivamente à mistura rápida.

Do ponto de vista de resultados obtidos em laboratório, as malhas difusoras talvez sejam


os misturadores rápidos mais eficientes.

Do ponto de vista prático, entretanto, as malhas difusoras deixam a desejar, por serem
relativamente caras e de difícil manutenção; apesar de já haver variações na concepção
original se mostrando eficientes e exigindo menos atenção, por parte dos operadores, no
que diz respeito à manutenção.

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Figura 5.7: malhas difusoras

3.5 MISTURADORES MECANIZADOS

Muito especificados pelos projetistas há até alguns anos atrás, os misturadores


mecanizados vêm caindo em desuso.

Isto porque os misturadores hidráulicos produzem resultados tão bons, ou mesmo


superiores, e apresentam uma grande vantagem: não possuem equipamentos que devido
ao uso, manutenção inadequada, ou ambos, possam ficar fora de serviço, ainda que
temporariamente. Não obstante, algumas estações de tratamento de água tratamento de
água ainda os utilizam com sucesso.

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3.5.1. Turbinas e Hélices

São equipamentos especialmente construídos para efetuarem a mistura de produtos


químicos. Por serem bastante utilizados na indústria, diversos fabricantes especializaram-
se em construir equipamentos desse tipo. Parlatore, por exemplo, dedicou-se ao estudo
das turbinas de seis
pás retas, que é o
misturador mais
usado em nosso
meio.

Para que as turbinas


ou hélices funcionem
bem, é recomendável
que estejam
instaladas em
tanques que
propiciem tempos de detenção pequenos (lembre-se que a desestabilização ocorre em
fração de segundos). Além disto, é recomendável que o produto químico a ser disperso
seja introduzido logo abaixo da turbina ou hélice.

3.5.2. Rotores de Bombas

Os rotores de bombas também podem ser utilizados como misturadores rápidos.


Entretanto, é preciso certificar-se de que os materiais do rotor e da carcaça da bomba
têm condições de resistir à ação do produto químico.

Isto porque o produto químico poderá agredir esses materiais, tanto quimicamente quanto
fisicamente, ou mesmo através da ação combinada desses dois fatores.

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Figura 5.11: rotores de bombas usados como misturadores rápidos

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FLOCULAÇÃO

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4.1 INTRODUÇÃO

Conforme já vimos, durante a floculação, as partículas desestabilizadas na mistura rápida


são aglutinadas umas com as outras e com o floculante formando os flocos.

Para que isto aconteça, a água deve ser submetida a uma agitação lenta, durante um
tempo que pode variar, na maioria dos casos, de vinte a quarenta minutos.

Em se tratando de água, cada caso é um caso. Algumas vezes, podemos flocular a água
com tempos de floculação inferiores a vinte minutos.

Normalmente, iniciamos a floculação com muita agitação da água em tratamento (isto é,


gradientes de velocidade mais elevados).

Ao longo do floculador, esse grau de agitação vai sendo reduzido (isto é, o gradiente de
velocidade vai sendo reduzido).

Com isto, os flocos vão crescendo e se tornando mais pesados. Na saída do floculador,
desejamos obter flocos pesados o suficiente para que a maioria deles possam ser
separados da água em tratamento, por sedimentação no interior dos decantadores.

Existem, basicamente, duas formas de efetuarmos essa agitação:

− Fazendo com que a água percorra um caminho cheio de mudanças de direção;

− Introduzindo equipamentos mecânicos, capazes de manter a água em constante


agitação.

No primeiro caso, temos os floculadores hidráulicos. No segundo caso, temos os


floculadores mecanizados, os quais serão vistos mais adiante.

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4.2 ENSAIO DE FLOCULAÇÃO:

O ensaio de floculação da água tem por objetivo determinar a dosagem e o pH de


floculação e o estabelecimento da dose econômica de sulfato de alumínio, em função do
objetivo final do tratamento.

A coagulação e/ou a floculação da água são processos que possibilitam aglutinar as


impurezas contidas na água sob a forma de suspensão, colóides e ainda as dissolvidas,
em partículas maiores que possam ser removidas pela sedimentação e filtração. Estas
partículas são denominadas flocos.

O coagulante empregado em nossas estações de tratamento é o sulfato de alumínio não


isento de ferro, que tem a propriedade de reagir com a alcalinidade natural ou artificial,
produzindo hidróxidos gelatinosos (coágulos) capazes de envolver e absorver as
impurezas e produzir íons trivalentes positivos capazes de atrair e neutralizar a carga
negativa dos colóides.

Floculação é o estabelecimento de um floco denso, estável e com dimensões


normalmente de 1 a 2 milímetros de diâmetro. Os flocos muito volumosos apresentam
uma fragilidade imperceptível no laboratório, mas incompatível com a movimentação da
água nas unidades de tratamento.

Outra característica de boa floculação é revelada pela visibilidade através da água entre
os próprios flocos, ao contrário da opalescência que perdura quando há má coagulação.

Os principais fatores que influenciam na coagulação da água com o sulfato de alumínio


são os seguintes:

1. Quantidade de coagulante – está diretamente relacionado com os teores de cor e


turbidez a serem removidos;

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2. Teor da alcalinidade natural da água, uma vez que cada 1 ppm de sulfato de alumínio
reage com 0,45 ppm de alcalinidade;

3. Concentração hidrogeniônica (pH). Há um pH ótimo de floculação, fora do qual a


floculação não se processa a contento;

4. Tempo de mistura rápida e lenta – A mistura, rápida ocorre no início do floculador,


num ponto de maior turbulência de maneira que a dispersão do coagulante aconteça
no menor espaço de tempo, em todas as massas de água influente e a lenta,
acontece em toda a extensão do floculador que com movimentação regular permite ao
coágulo maior número de encontros possíveis com as partículas em suspensão e
coloidais da água. Em geral, a mistura rápida não dura mais de um minuto e a lenta
dura em média 15 minutos;

5. Temperatura – a coagulação da água ocorre de forma melhor em temperaturas mais


altas;

6. Agitação – A velocidade de agitação sendo pequena, diminui a formação dos flocos,


se muito grande há a formação dos flocos e a quebra dos mesmos depois de
formados e em ambos os casos dificulta a decantação e suja mais os filtros.

A dosagem requerida para a coagulação de uma água é feita experimentalmente em


laboratório, através do ensaio de floculação.

Essa experiência de laboratório será mais rapidamente concluída, se antes de iniciá-la o


operador tiver conhecimento da cor, turbidez, temperatura, pH, alcalinidade e oxigênio
consumido da água a ser tratada.

Nesse ensaio propõe-se descobrir:

➢ a menor dosagem de coagulante para se obter o melhor resultado, quanto à qualidade


de água tratada;

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o pH ótimo de floculação (o ponto isoelétrico do coágulo), para melhor formação do floco.


Quantidades usuais de sulfato de alumínio para água com diferentes graus de turbidez.

Para o caso de alcalinidade insuficiente, o operador deverá proceder da mesma maneira


para adicionar a dosagem correta de alumínio, de sulfato de alumínio e adicionar leite de
cal até atingir o pH ótimo de floculação que foi encontrado no ensaio em laboratório.

4.3. FLOCULADORES HIDRÁULICOS

Existem diversas formas através das quais podemos construir floculadores hidráulicos.
Descreveremos, a seguir, de modo mais detalhado, os floculadores hidráulicos dos tipos
de chicanas. Alabama e Cox, por serem os mais difundidos no nosso meio.

Outros três tipos serão descritos, mas de forma breve, por serem menos comuns: os
floculadores de meio granular e os floculadores de telas.

4.3.1. Floculadores de Chicanas

Estes floculadores podem ser de dois tipos: de chicanas verticais e de chicanas


horizontais. No primeiro tipo, o de chicanas verticais representando esquematicamente
na figura 6.1., a água percorre o floculador em movimentos sucessivamente ascendentes
e descendentes.

Na citada figura, a água originária da câmara número 1 passa para a câmara número 2
através de uma passagem situada no fundo.

Em seguida, a água passa para a câmara número 3 através de uma passagem superior.

E assim sucessivamente. Observe que a água passa da câmara número 3 para a câmara
número 4 através de uma passagem inferior.

Para evitar que os flocos se depositem no interior das câmaras de floculação à medida

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que vão sendo formados, os floculadores de chicanas verticais são projetados para que a
velocidade média da água nesses locais não seja inferior a 10 cm/s.

As paredes das câmaras de floculação


foram construídas de madeira. Mas isto
não é obrigatório. Elas podem ser
construídas de qualquer outro material
que garanta estanqueidade (isto é, a não
ocorrência de vazamentos).

Os floculadores de chicanas verticais têm muita câmaras de floculação. De modo geral,


eles têm cerca de quarenta câmaras. De fato,
é bem mais fácil limpar e regular floculadores
com menor número de câmaras.

No floculador de chicanas horizontais, representado na figura 6.2., a agitação é


assegurada pela passagem da água em tratamento por sucessivas mudanças horizontais
de direção. Como no caso de chicanas verticais, é desejável que a velocidade média de
escoamento da água em seu interior seja superior a 0,10 m/s.

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Para que essa condição seja atendida, de forma que os canais de floculação não
resultem muito estreitos, costuma-se construir floculadores de chicanas horizontais
somente para o tratamento de vazões mais elevadas. Assim sendo, no caso de vazões
menores, é preferível utilizar floculadores de chicanas verticais.

4.3.2. Floculadores Alabama

A jusante de cada passagem de interligação, é construído um anteparo, que tem por


objetivo desviar para cima o fluxo da água em tratamento. Em seguida, o fluxo desce
novamente, para atingir a passagem de interligação seguinte. O que acontece então,
dentro cada câmara de floculação, é o seguinte:

A figura 6.3. representa um floculador


desse tipo, da forma como vem sendo
construído modernamente. Nesse tipo
de floculador, as câmaras são sempre
interligadas por baixo

➢ Inicialmente, os flocos em formação são lançados para cima, juntos com a água em
tratamento;

➢ Em seguida, eles descem, junto com o fluxo água, em direção à passagem seguinte;

➢ Os flocos que estão subindo trombam com os quais estão descendo; desses choques
resultam a floculação.

No interior das câmaras dos floculadores do tipo Alabama não há a necessidade de se


manter a velocidade média de escoamento superior a 0,10 m/s. Isso porque não há
interesse em se arrastar os flocos para cima.

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De fato, é até bom que eles desçam para o fundo da câmara, para que se choquem com
os flocos que está sendo encaminhados para cima e, além disto, seja conduzidos para a
passagem seguinte.

Por esta razão os floculadores podem ter menos câmaras que os floculadores de
chicanas verticais.

Normalmente o número de câmaras dos floculadores Alabama é em torno de vinte. São,


por isto, mais fáceis de operar, no que diz respeito à realização de limpezas e ajustes.

4.3.3. Floculadores de Bandejas Perfuradas

Esse tipo de floculador tem sido utilizado especialmente em estações de tratamento de


água pré - fabricadas. A figura 6.6. representa esquematicamente uma unidade desse
tipo.

A água é sempre introduzida na


parede cima de cada câmara de
floculação. Ao escoar no sentido
descendente, ela passa através de
orifícios existentes numa sucessão
de bandejas perfuradas, interpostas
perpendicularmente à direção do
fluxo.

A passagem da água através


desses orifícios gera a turbulência
necessária para que a água flocule.
Ao atingir a parte inferior de cada
câmara, a água é então conduzida à
câmara seguinte através de um
duto.

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Para assegurar o arraste dos flocos formados, esse duto é dimensionado de forma que a
velocidade da água em seu interior seja no mínimo igual a 10 cm/s.

4.4 FLOCULADORES MECANIZADOS

No Brasil, dois tipos básicos de floculadores mecanizados são os mais utilizados: os que
utilizam paletas, que giram em torno de um eixo e os que empregam turbinas ou hélices.
Como veremos logo adiante, as do primeiro tipo, conforme a sua forma de construção, se
dividem em:

➢ Floculadores de paleta de eixo vertical;

➢ Floculadores de paleta de eixo horizontal;

➢ Floculadores de paleta única, de eixo vertical.

4.4.1. FLOCULADORES DE PALETAS

Floculador de Paletas de Eixo Vertical

A figura 6.8. mostra, esquematicamente, um floculador desse tipo onde, como vemos, a
água coagulada é introduzida numa série de câmaras. No exemplo da figura, elas são em
número de três.

Na primeira delas, o grau de agitação (e, portanto, o gradiente de velocidade) é mais


intenso que na segunda.

Por sua vez, o grau de agitação na segunda câmara (e, portanto, o gradiente de
velocidade) é mais intenso que na terceira.
O gradiente de velocidade depende da rotação do eixo e das características da paleta:
altura, espessura e espaçamento, entre outras.

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Os eixos são movimentados


por conjuntos motor redutor,
instalados sobre as passarelas
do floculador.

Floculador de Paletas de
Eixo Horizontal

A figura 6.9. mostra,


esquematicamente, um
floculador desse tipo onde,
como vemos, a água
coagulada introduzida numa série de câmaras. No exemplo a figura, apenas uma dessas
séries é representada.

Em cada uma delas, o gradiente de velocidade mais intenso que na seguinte e menos
intenso que na anterior. O gradiente de velocidade depende da velocidade de rotação do
eixo e das características da paleta: altura, espessura e espaçamento, entre outras.

Os eixos são movimentados por conjuntos motor redutor, normalmente instalados no


interior de poços secos, construídos ao
lado dos floculadores.

Essa necessidade tem sido apontada por


alguns como principal desvantagem dos
floculadores de eixo horizontal. Como você
pode ver na figura 6.9., em dado local o
eixo do equipamento agitador atravessa a
estrutura. É, portanto, necessário instalar
aí uma gaxeta, ou dispositivo semelhante,
que impeça o vazamento de água através do local.

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Não obstante, a utilização de floculadores mecanizados de paletas desse tipo pode ser
alternativa interessante em ETA’s de grandes dimensões.

Floculador de Paleta Única de Eixo Vertical

Embora mais raro, algumas estações de tratamento de água brasileiras ainda utilizam
esse tipo de equipamento. Um floculador desse tipo é mostrado esquematicamente na
figura 6.10.

A água coagulada é introduzida numa série de câmaras. No exemplo da figura, elas são
em números de três.

Na primeira delas, o gradiente de


velocidade é mais intenso que na
segunda. Por sua vez, o gradiente
de velocidade na segunda
câmara é mais intenso que na
terceira. O gradiente de
velocidade depende da rotação
de eixo e das características da
paleta: altura e espessura, entre
outras.

Os eixos são movimentados por


conjuntos motor redutor, instalados sobre as passare las do floculador.

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DECANTAÇÃO

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5.1 INTRODUÇÃO

Após sair do floculador, esperamos que praticamente toda a matéria em suspensão


existente na água bruta esteja aglutinada entre si e com o hidróxido de alumínio,
constituindo o que denominamos de flocos.
Da mesma forma, esperamos que esses flocos tenham adquirido tamanho e peso
suficientes para que possam ser separados da água em tratamento através da
decantação.

Nesse processo, os flocos sedimentam-se no interior da água. Assim sendo:

 os flocos separam-se da água porque sedimentam-se;


 a água, isenta desses flocos, é chamada de água decantada. Portanto, o floco não
decanta, mas sedimenta-se; quem decanta é a água!

De modo geral, dois tipos de decantadores são utilizados no Brasil para o tratamento da
água: os decantadores clássicos e os decantadores tubulares.

5.2 DECANTADORES CLÁSSICOS

O tipo mais utilizado é o de seção retangular, em planta. Entretanto, algumas estações de


tratamento de água possuem decantadores de seção circular, também em planta.

Embora menos utilizado, esse último tipo permite em determinadas situações, que se crie
um manto de lodo em seu interior, capaz de melhorar muito a qualidade da água
decantada. Porém abordaremos neste manual apenas os retangulares, pois são os
usualmente encontrados nas ETAS.

5.2.1 FATORES DE DESEMPENHO

1.1
5.2.1.1 - Taxa de escoamento superficial. Taxa de Escoamento
O principal fator para o adequado desempenho Superficial
dos decantadores clássicos é a taxa de Q
TES :
escoamento superficia.l A s

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Figura 1.1

Na expressão 1.1, o significado


dos termos é:

TES = taxa de escoamento


superficial resultante, em [m3/
(m2.dia)]

Q = vazão que o decantador


recebe, em [m3/dia]
As = área em planta do
decantador, contada a partir da
cortina distribuidora de água
floculada, em [m2]. Para a
caracterização de cortina
distribuidora, veja o item 1.2.3
mais adiante.

Se a taxa de escoamento superficial for inferior a velocidade de sedimentação dos flocos


que se deseja remover, então ele terá desempenho satisfatório. De acordo com a norma
da ABNT, a taxa limite de escoamento superficial depende da capacidade da estação de
tratamento de água, conforme transcrito na tabela 1.1

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Tabela 1.1
Taxa Limite de Escoamento Superficial e
Velocidade de Sedimentação
Capacidade da Velocidade de Taxa Limite de
Estação de Sedimentação Aplicação
Tratamento de Água Correspondente Superficial
Q [m3.dia] Vs [cm/min] TES [m3/(m2.dia)]
até 1.000 1,74 25

de 1.000 até 10.000(a) 2,43 35

de 1.000 até 10.000(b) 1,74 25

acima de 10.000 2,80 40

(a): Se o nível operacional for bom.


(b): Se o nível operacional não for bom

5.2.2 COMPORTAS DE ACESSO

A figura 1.2 ilustra como essas comportas são normalmente dispostas nos decantadores
retangulares, a distribuição equitativa da água floculada através dessas comportas para o
interior do decantador dependendo muito de se haver feito um bom projeto da unidade a
montante dessas
comportas.

Figura 1.2

Se o projeto não tiver sido bem feito, ou se tiver sido realizado sem obedecer a esse
projeto (bem feito, é claro), restará ao operador a tarefa de tentar regular a vazão através
da regulagem do grau de abertura das comportas.

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Essa é, sem dúvida, uma tarefa difícil. Isto porque a regulagem da vazão deverá ser feita
no “olhômetro”. Além disto, comportas muito estranguladas poderão “quebrar” flocos,
comprometendo o funcionamento do decantador.

5.2.3 CORTINA DISTRIBUIDORA

Após entrar no decantador, a água atravessa uma cortina perfurada, que tem por objetivo
uniformizar o fluxo da água em tratamento. O que esperamos dessa cortina é que a
vazão seja aproximadamente a mesma em todos os seus orifícios.

Cortinas bem projetadas permitem que obtenhamos esse efeito.

Por outro lado, cortinas mal dimensionadas poderão distribuir mal as vazões, ou quebrar
os flocos, caso a velocidade de passagem da água através dos orifícios seja muito alta.

A quebra de flocos poderá ocorrer também em decantadores sobrecarregados.

Por isto, ao se aumentar a vazão tratada pelos decantadores, é conveniente verificar o


dimensionamento das cortinas, para ver se os diâmetros de seus orifícios são
compatíveis com a vazão que os atravessará. As cortinas distribuidoras podem ser
construídas de alvenaria ou de concreto.

Muitas estações de tratamento de água utilizam cortinas distribuidoras construídas de


madeira, sem apresentar qualquer inconveniente. Isto porque a madeira de lei, quando
completamente submersa, não apodrece. Conforme você poderá observar na prática,
madeira costuma apodrecer na região de contato entre o ar e a água.

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Figura 1.3

A figura 1.3
apresenta
modelos para a
cortina
distribuidora,
construída de
madeira,
instalada num
decantador
retangular.

5.2.4 CALHAS COLETORAS DE ÁGUA DECANTADA

A figura 1.4 apresenta algumas concepções utilizadas para as calhas coletoras de água
decantada. Quanto maior o comprimento de soleiras vertedouras no interior do
decantador, menor será a altura da lâmina d’água vertente sobre eles. Em conseqüência,
melhor será a qualidade da água decantada que será recolhida pelas calhas.

Figura 1.4

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É difícil fazer com que as soleiras vertedouras estejam perfeitamente niveladas, por
razões construtivas.

Além do mais, é difícil garantir que a altura da lâmina d’água vertente seja igual ao longo
de todas as bordas vertedouras.

A desigualdade da altura da lâmina vertente pode fazer com que a haja o arraste
preferencial de flocos nos locais em que a lâmina d’água for maior.

Por este motivo, algumas estações de tratamento de água instalam, ao longo das bordas
vertedouras, bordas reguláveis, fixadas por parafusos.

Essas bordas reguláveis nos permitem ajustá-las, de forma que elas fiquem
perfeitamente niveladas em todo o decantador. Normalmente elas são construídas de
resina poliéster reforçadas com fibra de vidro, embora em algumas estações de
tratamento de água elas sejam de alumínio.

Na figura 1.4, foram construídos vertedouros triangulares nessas bordas reguláveis.


Bordas desse tipo permitem obter excelente ajustagem da vazão ao longo das bordas
vertedouras.

5.2.5 DESCARGA DE FUNDO

Em decantadores clássicos de pequeno porte, a descarga de fundo tem, como principal


finalidade, o esvaziamento dessas unidades. Assim sendo, após esvaziados, boa parte
do lodo sedimentado em seus interiores precisa ser arrastada até a descarga de fundo
para ser removida.

Esse arraste é feito manualmente, com o auxílio de jatos de água e rodos.

De modo geral, em decantadores clássicos de seção horizontal, a maior parte dos flocos
deposita-se no primeiro terço de seu comprimento.

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Por essa razão, os projetistas costumam localizar nessa área os dispositivos de descarga
de fundo.

Em estações de tratamento de água de grande porte, podem ser utilizados raspadores de


lodo, do tipo de arraste longitudinal ou rotativos. Quando esses equipamentos são
utilizados, raramente é necessário esvaziar completamente os decantadores.

Na figura 1.5 ilustra alguns exemplos de dispositivos de descarga de fundo utilizados em


decantadores clássicos de seção retangular.

Figura 1.5

Na figura 1.5.a, a limpeza é efetuada manualmente. Observe que a descarga de fundo foi
localizada no primeiro terço do sentido longitudinal do decantador.

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Na figura 1.5.b, um dispositivo automático arrasta o lodo sedimentado até um poço de


lodo (que pode ser localizado na entrada ou na saída do decantador).

Quando esse dispositivo viaja em direção ao poço, o lodo é arrastado por ele. Ao atingir o
poço, é acionada uma válvula automática, que permanece aberta durante certo tempo
(ajustável) para permitir a descarga do logo.

Em seguida, o dispositivo faz a viagem no sentido inverso. Durante essa viagem, os


raspadores de lodo são levantados do fundo do decantador. Somente ao iniciar
novamente a viagem em direção ao poço de lodo é que os raspadores voltam a ser
baixados para o fundo.

Na figura 1.5.c, o decantador foi equipado com um raspador rotativo. Neste caso, o lodo é
continuamente raspado pelo equipamento, que o dirige em direção ao centro do poço de
lodo, onde encontra-se instalada a tubulação de descarga.

Periodicamente, uma válvula de descarga é acionada durante certo tempo, para permitir
a saída do lodo sedimentado.

5.3 DECANTADORES TUBULARES

A figura 1.6 representa alguns tipos de decantadores tubulares. A figura 1.6.b representa,
em seção longitudinal, um decantador tubular típico, do tipo de placas paralelas
inclinadas de 60 graus. Nele a água floculada é introduzida sob as placas. Ao escoar
entre elas, ocorre a sedimentação dos flocos. A água decantada sai pela parte de cima
do decantador após haver escoado entre as placas paralelas, e é coletada por calhas
coletoras.

Em algumas situações, em que se faz necessário ampliar a capacidade de tratamento de


ETAs, cujos decantadores são clássicos, e em que não há interesse, ou possibilidade, de
se construir novos decantadores desse tipo, eles podem ser convertidos para
decantadores tubulares.

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A figura 1.6.a, representa, em seção longitudinal um caso desses.

Observe que foram instalados módulos tubulares cobrindo grande parte da superfície do
decantador clássico. Com isto, é possível, muitas vezes, dobrar vazão tratada pelo
decantador, ou até mais do que isto.

Figura 1.6

A figura 1.6.c, ilustra uma


nova tendência de se
projetar decantadores
tubulares. Nesse tipo de
unidade, o fluxo da água é
horizontal. Módulos
tubulares, instalados como
placas paralelas entre si,
inclinadas de 60 graus,
são interpostos à
passagem da água em
tratamento. Entre elas,
ocorre a sedimentação
dos flocos.

5.3.1 COMPORTAS
DE ACESSO

As considerações a esse respeito são idênticas às que foram apresentadas no item 1.2.2,
para os decantadores clássicos. Do correto projeto, e da construção cuidadosa, dessas
comportas, depende muito o sucesso da operação dos decantadores tubulares.

Descuidos nessa área conduzirão fatalmente à necessidade de ajustes de vazão,


efetuadas no “olhômetro”, que resultarão, quase sempre, na necessidade de
estrangulamento parcial das comportas.

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Essa providência, além de nem sempre resultar na distribuição equitativa das vazões,
pode provocar a quebra de flocos, resultante de estrangulamentos excessivos da
composta.

5.3.2 SISTEMA DISTRIBUIDOR

Após entrar no decantador, a água floculada deve ser distribuída uniformemente sob os
módulos tubulares. Diversas concepções podem ser adotadas para esse fim. A figura 1.7,
apresenta alguma delas.

Na figura 1.7.a, a água floculada, após passar pela comporta de acesso (alguns
decantadores podem ter mais de uma comporta de acesso), é conduzida a um canal, de
onde segue para a região sob os módulos.

A passagem da água floculada desde o canal até a região sob os módulos é feita através
de uma seção na qual existem pequenas vigas soltas, que podem ser movimentadas
livremente, umas em relação às outras.

Com isto, e através do movimento dessas vigas, pode-se regular o fluxo da água,
uniformizando-o ao longo de toda a extensão da seção.

Desta forma, caso esteja saindo mais água no final da seção que em seu trecho inicial,
pode-se aproximar mais, umas das outras, as vigas existentes no final da seção.

Deixa-se, assim, a seção inicial do canal com mais espaço para o escoamento da água
floculada.

Na figura 1.7.b, a distribuição de água floculada é feita através de uma canalização


perfurada (alguns decantadores podem ter mais de uma dessas canalizações para esse
fim).
Neste caso, não é possível, ao operador, efetuar qualquer tipo de ajuste.

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Assim sendo, o perfeito funcionamento do sistema dependerá exclusivamente do projeto,


que deverá ser muito bem elaborado, e da correta execução da obra.

Figura 1.7

Módulos Tubulares

Uma infinidade de soluções pode ser empregada para a construção de módulos


tubulares. A figura 1.8 ilustra algumas das soluções adotadas.
Nas figuras 1.8.a e 1.8.b, são representados módulos que podem ser adquiridos prontos
(existem outros tipos, além desses dois, produzindo por indústrias especializadas).
Ambos são construídos de plástico, e são muito leves, especialmente quando imersos na
água. São muito fáceis de ser instalados.

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Figura 1.8

Descarga de Fundo

Por sua característica básica, os decantadores tubulares apresentam dificuldade para a


limpeza do lodo sedimentado. É que, quase sempre, toda sua superfície em planta
encontra-se coberta pelos módulos tubulares.

Assim sendo, o acesso de operários ao fundo desses decantadores fica dificultado.

Para atender a este aspecto, projetam-se sistemas de descarga de lodo que possam
operar por descarga hidráulica, sem que seja necessária a descida de operários para
efetuarem o arraste manual do lodo sedimentado.

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FILTRAÇÃO

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6.1 INTRODUÇÃO

Após decantada, a água em tratamento é encaminhada aos filtros das estações de


tratamento de água. Em algumas estações de tratamento, a água encaminhada
diretamente aos filtros, após coagulada ou, noutros casos, após coagulada e floculada.

Conforme já vimos neste curso, denominamos estações clássicas (ou convencionais)


de tratamento de água as estações que realizam, em unidades separadas: a mistura
rápida, a floculação, a decantação, a filtração. Quando os filtros recebem água coagulada
ou floculada, sem passar, portanto, pelo decantador, dizemos que a estação de
tratamento de água é do tipo filtração direta.

Os filtros podem ser de fluxo descendente ou de fluxo ascendente. No primeiro caso,


podem ser de leito filtrante único, duplo ou triplo (embora esses últimos sejam raros no
Brasil).

Filtros de leito filtrante simples utilizam quase sempre, como material filtrante, a areia.
Filtros de leito filtrante duplo utilizam quase sempre, como material filtrante, a areia e o
antracito (nesta ordem, de baixo para cima).

O material filtrante é sustentado pelo denominador fundo falso constituído, por exemplo,
por uma laje cheia de orifícios, através dos quais a água filtrada escoará. Existem
diversos tipos de fundo falso, alguns dos quais podem ser fabricados no próprio canteiro
de obras; outros são patenteados por diversos fabricantes.

Com objetivo de impedir que o material filtrante passe através dos orifícios do fundo falso,
coloca-se entre os dois, a camada suporte, normalmente constituída de seixos rolados.
Para que possa desempenhar satisfatoriamente essa função, a camada suporte deve ser
cuidadosamente especificada, do ponto de vista granulométrico. Essa especificação
dependerá da granulometria do leito filtrante e das dimensões dos orifícios do fundo
falso.

A camada suporte tem também por função distribuir adequadamente o fluxo da água

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através de todo o leito filtrante, tanto durante a filtração quanto durante a lavagem do
filtro.

Alguns tipos de fundo falso (pouco comuns no Brasil) dispensam a utilização de camada
suporte: o leito filtrante pode ser colocado diretamente sobre eles. É o caso de tipos
especiais de fundo falso, construídos utilizando placas porosas.

A lavagem dos filtros é sempre efetuada no sentido ascendente.

No Brasil, quase sempre lava-se os filtros com velocidade suficiente para provocar a
expansão do leito filtrante (isto é, de tal forma que os grãos constituintes do leito filtrante
separem-se uns dos outros).

Em muitas estações de tratamento de água, a lavagem dos filtros utiliza também


equipamentos auxiliares, tais como: bocais fixos ou rotativos, que espalham água sobre o
leito filtrante ou em seu interior; injeção de ar comprimido, antecedendo a lavagem com
água ou durante essa lavagem.

6.2 FILTROS DESCENDENTES

São os filtros mais utilizados em estações clássicas de tratamento de água. A figura 2.1
representa como é o arranjo geral desse tipo de filtro.

Observe que a água a filtrar é introduzida na parte superior do filtro; percola, em seguida,
através do leito filtrante e, logo após, através da camada suporte; atravessa o fundo falso
e é encaminhada, finalmente, ao outro ou reservatório de água filtrada.

Um dos elementos fundamentais no projeto e operação de filtros é a denominada taxa


de filtração, dada pela expressão 2.1.
1.1
Taxa de Escoamento
Superficial

Q
TES :
A s

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Figura 2.1

CAIXA COLETORA DE
ÁGUA DE LAVAGEM

FLUXO
ÁGUA
PARA LEITO FILTRANTE
FILTRAÇÃO PODE SER SIMPLES
DUPLO OU TRIPLO

CAMADA SUPORTE PODE


SER DESNECESSÁRIA
EM ALGUNS CASOS

FUNDO FALSO
FLUXO
ÁGUA FUNDO VERDADEIRO
PARA
LAVAGEM
ÁGUA PARA
LAVAGEM

ÁGUA
FILTRADA

Onde:

Q = vazão filtrada, em [m3/dia]

A = área da superfície filtrante, em [m2]

De acordo com a norma, o valor máximo dessa taxa deve ser determinada através de
ensaios realizados em filtros-piloto. Se não for possível realizar esses ensaios, então não
deverão ser ultrapassados os seguintes valores:

Filtros de camada simples 180 m3 / (m2 .dia )


Filtros de camada dupla 360 m3 / (m2 .dia )

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O material filtrante é lavado periodicamente através da injeção de água, em contra-


corrente (isto é, de baixo para cima), no leito filtrante. Com isto, remove-se, do leito
filtrante, as impurezas que foram retidas durante o processo de filtração. A água de
lavagem é recolhida através de calhas coletoras, e encaminhada ao sistema de
esgotamento da ETA.

6.2.1 SISTEMAS DE FILTRAÇÃO

Filtro de carga e taxa constante

Trata-se de uma concepção muito antiga de filtros, como mostrado esquematicamente na


figura 2.2. No Brasil, ainda existem algumas ETAs antigas que possuem filtros que
funcionam desta forma.

Mas os novos projetos de estações de tratamento de água não o utilizam mais. Nesses
projetos, vem sendo utilizada principalmente a concepção de sistemas de taxa declinante
variável, que é descrita mais adiante nesta lição.

A figura 2.2.a representa um corte esquemático desse tipo de filtros.

A água decantada é encaminhada até um canal que a distribui a todos os filtros.


Em seguida, ela é introduzida em cada filtro através de uma comporta, afogada ou não.
Na saída de cada filtro, existe um medidor de vazão do tipo Venturi, associado a uma
válvula de controle (normalmente do tipo borboleta).

Se o Venturi constatar aumento na vazão de água filtrada, ele sinaliza para que a válvula
de controle se feche um pouco. Por outro lado, se o Venturi constatar redução na vazão
de água filtrada, ele sinaliza para que a válvula de controle se abra um pouco. Deste
modo, a vazão filtrada é mantida constante, ou seja faz com que cada filtro trabalhe com
a taxa de filtração constante.

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Figura 2.2

Filtro de taxa constante e carga variável

Figura 2.3.a representa um corte esquemático desse tipo de filtro. A água decantada é
encaminhada a um canal que a distribui a todos os filtros. Em seguida ela é introduzida
em cada filtro através de uma comporta não afogada que funciona como orifício do
vertedouro, assegurando que cada filtro receba sempre a mesma vazão.
Assim sendo, a taxa de aplicação em cada um dele (igual à vazão por metro quadrado de
superfície filtrante) será constante, isto é, não sofrerá variações ao longo do tempo.
Em compensação, a carga (isto é, a diferença entre o nível d’água no interior do filtro e o
nível d’água sobre o vertedouro de água filtrada) irá aumentando com o passar do tempo.
Isto porque o filtro vai se colmatando (ou seja, vai se entupindo), à medida que ele retém
as impurezas trazidas pela água decantada.

Observe que a soleira do vertedouro de água filtrada está ligeiramente mais alta (cerca
de 10cm acima que o topo do leito filtrante. Isto assegura que, quando a ETA parar de o
perar, o leito filtrante ficará sempre cheio de água, já que não é bom deixar o leito filtrante
esvaziar.

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Caso isto aconteça, quando a filtração for novamente iniciada, o ar retido no interior da
areia irá sai agitando os grãos do leito filtrante, e rompendo, em conseqüência, as
impurezas poderão fragmentar-se e atravessar o filtro e a qualidade da água filtrada
ficará pior.

Observe que a taxa de filtração é constante. A pequena diferença entre a vazão que
entra no filtro e a vazão que sai dele é a responsável pela elevação de nível, ao longo do
tempo, em seu interior.

Figura 2.3

Sistema de taxa declinante variável

O sistema de taxa declinante variável é composto por diversos filtros funcionando em


paralelo. Cada um dele assume a configuração representada esquematicamente na
figura 2.4.a.

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Observe que a comporta de acesso de água decantada a cada filtro está afogada. Isto
faz com que todo os filtros do sistema operem como vasos comunicantes. Além disto,
como no caso dos filtros de taxa constante e carga variável, a água filtrada é conduzida
até um vertedouro, posicionado de tal forma que sua soleira assegura um nível d’água no
interior de cada filtro de, no mínimo, 10cm. Essa providência assegura que o leito filtrante
permanecerá sempre imerso (dentro d’água), mesmo que a ETA pare de funcionar.

Pode haver um vertedouro apenas, comum a todo os filtros, ou um vertedouro a jusante


de cada filtro (autor prefere essa última alternativa).

Neste último caso, a soleira de todos os vertedouros deverá estar no mesmo nível.

Atendidas essas condições, o sistema funciona distribuindo mais água para os filtros
mais limpos, menos água para os filtros mais sujos.

Além disto, a carga (ou seja, o nível d’água no interior dos filtros) também irá variar,
aumentando à medida que os filtros vão se colmatando.

Num sistema de taxa declinante variável, lava-se sempre, em rodízio, o filtro que está há
mais tempo sem lavar.

Figura 2.4

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Por isto, a taxa de filtração será maior no filtro 1 que por estar mais limpo, pode deixar
passar mais água, essa taxa será menor no filtro 2, por estar mais suja menor ainda no
filtro 3, que está ainda mais sujo, e a menor de todas no filtro 4, que, de tão sujo, será o
próximo a ser lavado.

Observe que, inicialmente, a perda de carga no sistema é a mínima, tendo em vista que o
filtro 1 acabou de ser lavado. Mas, com o passar do tempo, ela vai aumentando, porque
os filtros vão se colmatando.

Quando a perda de carga atinge determinado valor, isto é, quando o nível d’água no
interior dos filtros atinge determinado valor, está na hora de lavar o filtro mais sujo. No
caso, retira-se o filtro 4 para ser lavado.

Como a vazão na ETA não muda por causa disto cada um dos três filtros remanescentes
deverá filtrar mais água. É o que, de fato, acontece. Observe que durante a lavagem,
aumentam os valores das vazões filtradas pelos filtros 1, 2 e 3, e a perda de carga total
do sistema.

O nível d’água no interior dos filtros volta, então, ao seu nível original. Tudo voltará a se
repetir com o passar do tempo. O nível d’água no interior dos filtros volta, então, ao seu
nível original. Tudo voltará a se repetir com o passar do tempo. O nível d’água irá subir no
interior dos filtros, até atingir o valor em que se deve proceder à lavagem do filtro mais
sujo. Desta vez será lavado o filtro.

Quando termina a lavagem, o filtro 4 é re-introduzido no sistema. Só que, desta vez, ele
será o mais limpo, e assumirá o lugar que, anteriormente, era ocupado pelo filtro 1. Por
sua vez, o filtro1 ocupará o lugar do filtro 2; o filtro 2 ocupará o lugar do filtro 3 e o filtro 3
ocupará o lugar do filtro 4.

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Devido a esse equilíbrio, aliado à facilidade operacional proporcionada por essa


concepção, os sistemas de taxa declinante variável são capazes de produzir água de
excelente qualidade, e vêm sendo implantados na maioria das estações de tratamento de
água brasileiras.

6.2.2 MATERIAIS FILTRANTES

É nos materiais filtrantes que, de fato, ocorrerá a filtração propriamente dita da água em
tratamento. Basicamente, os materiais utilizados nos filtros das estações de tratamento
de água são materiais granulares, especificados adequadamente. Normalmente são
utilizados, com essa finalidade, o antracito e a areia.

A rigor, cada água a tratar deveria merecer uma especificação própria para o leito filtrante
ser utilizado, em função, entre outros fatores, das características das impurezas a serem
retidas e da facilidade de obtenção dos materiais que o comporão.

Entretanto, a norma, indica as características que a areia e o antracito deverão


apresentar, caso tais características não tenham sido determinadas através de estudos
experimentais realizados com a água a ser tratada. Tais características serão descritas
mais adiante nesta lição.
Deve ser ressaltado que, nas ETAs brasileiras, os materiais filtrantes ficam estratificados
no interior dos filtros.

Estratificado significa que os grãos menores ficam em cima; os grãos maiores ficam em
baixo; e que o tamanho dos grãos vai decrescendo de baixo para cima no interior do leito
filtrante.

Esta estratificação ocorre porque, nas ETAs brasileiras, a lavagem dos filtros é feita com
uma velocidade ascensional (isto é, de baixo para cima) da água de lavagem suficiente
para fluidificar (isto é, separar os grãos uns dos outros) o leito filtrante. Quando isto
acontece, os grãos menores são arrastados mais para cima do que os grãos maiores.

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Entretanto, não é sempre assim em todo o mundo. Na Europa, existem filtros constituídos
de leitos não estratificados, que são lavados sem que se expanda o leito filtrante
(lava-se o leito simultaneamente com ar e água, como será visto adiante).

Areia

A areia utilizada nos filtros das ETAs pode ser obtida nos rios ou lagos, ou mesmo em
praias de água salgada. O importante é que seja limpa, sem barro ou matéria orgânica.
Além disto, ela não deve conter mais de 1% de partículas laminares ou micáceas
(partículas de mica ou malacacheta).

O peso específico da areia é da ordem de 2 gramas por centímetro cúbico.

Antracito

O antracito é um carvão mineral (portanto, de origem fóssil), de cor negra, podendo ter
aspecto brilhante e pobre em substâncias voláteis.

Sua massa específica é da ordem de 1,4 a 1,6 gramas por centímetro cúbico, inferior,
portanto, à da areia. Isto faz com que ele possa ser utilizado sobre a areia, sem se
misturar com ela.

De fato, sendo o antracito mais leve, todas as vezes que o filtro for lavado em contra-
corrente (isto é, injetando-se água no leito filtrante de baixo para cima), o antracito subirá
mais que a areia. Terminada a lavagem, a areia ficará por baixo e o antracito por cima.

A diferença de pesos específicos é tão sensível que o antracito poderá ser de grãos
maiores que a areia , a areia continuará ficando por baixo e o antracito por cima. Graças
a isto, filtros com areia e antracito podem trabalhar com taxas de filtração superiores aos
filtros que só utilizam areia.

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Isto porque, nos filtros de areia e antracito, a água passa primeiro pelo antracito, que tem
grãos maiores (que retém grande parte da sujeira); assim sendo, a areia só precisará
reter a parcela remanescente de sujeira, que atravessou a camada de antracito.

Conforme dissemos, a rigor, cada água a tratar deveria merecer uma especificação
própria para o leito filtrante a ser utilizado, em função, entre outros fatores, das
características das impurezas a serem retidas e da facilidade de obtenção dos materiais
que o comporão.

Para filtros rápidos de fluxo descendente de camada dupla, a norma estabelece as


seguintes características granulométricas para o antracito:
tamanho efetivo 0,8 a 1,0 mm
espessura mínima 0,45 m

Camada suporte

Conforme dissemos, a camada suporte depende do material filtrante a ser colocado


sobre ela e do fundo falso sobre a qual ela se apoia. Normalmente, ela é constituída de
seixos rolados, colocados em camadas sucessivas, umas sobre as outras, de forma a
possibilitar a transição entre o tamanho dos grãos do leito filtrante e o tamanho dos
orifícios do fundo falso.

Ambos, leito filtrante e fundo falso, definirão o número de camadas e dos diâmetros
(máximo e mínimo) dos seixos rolados que a constituem.
Mais adiante nesta lição, ao tratarmos de fundos falsos, serão apresentados os desenhos
de alguns tipos desses fundos, bem como da camada suporte.

A denominada camada suporte simétrica difere camada suporte tradicional porque,


enquanto nesta a granulometria é decrescente de baixo para cima, a primeira a
granulometria é decrescente até certa altura, voltando a crescer em seguida. Ela tem se
mostrado útil em filtros que utilizam lavagem auxiliar com ar e também em modernos
filtros ascendentes conforme será visto nos itens a seguir. A figura 8 compara os dois
tipos descritos.

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Figura 2.5

6.2.3 TIPOS DE FUNDO FALSO

Existe uma infinidade de tipo de fundos falsos – tantos quantos se desejar inventar.
Durante a filtração os fundos falsos coletam a água filtrada, sob a camada filtrante. Por
ocasião da lavagem dos filtros, os fundos falsos distribuem uniformemente, no leito
filtrante, a água destinada a esse fim. Cada fabricante apresenta suas próprias
recomendações para a camada suporte ideal que deverá ser colocada sobre eles.

Fundos patenteados

São fundos que utilizam componentes produzidos por empresas especializadas, que os
patentearam. Embora apresentem desempenho quase sempre mais que satisfatório, seu
custo pode tornar-se elevado, o que inviabiliza a utilização generalizada de fundos
patenteados.

Blocos

Esses blocos podem ser fornecidos em cerâmicas próprios para a lavagem com água
(com ou sem lavagem superficial ou sub-superficial auxiliar), ou em plástico, próprios para

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a utilização de lavagem auxiliar com água. Nesse último caso, eles são também
conhecidos como blocos universais. A figura 2.6 ilustra esses dois tipos de blocos.

Figura 2.6

6.2.4 LAVAGEM DOS FILTROS

Conforme dissemos, à medida que vão retendo a sujeira, os filtros vão se tornando mais
colmatados, isto é, mais sujos. Assim sendo, de tempos em tempos eles necessitam ser
lavados.

O período decorrente entre duas lavagens sucessivas de um mesmo filtro é denominado


carreira de filtração.

O que determina a necessidade de se lavar o filtro, é um dos seguintes fatores:


a) se o filtro sujar mais, a ETA transborda;
b) se continuar filtrando, a turbidez da água filtrada excederá o limite aceitável pelo
padrão de potabilidade.

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Normalmente, nas ETAs brasileiras, a lavagem é efetuada introduzindo água tratada em


contra-corrente no filtro a ser lavado, com velocidade suficiente para fluidificar o leito
filtrante.

Dizemos que o leito está fluidificado quando os grãos do material que o constituem ficam
separados uns dos outros, como que suspensos na corrente da água de lavagem.

A vazão da água para lavagem é tal que proporcionam ordem de 0,9 metros por minuto.

Algumas vezes, efetua-se também a lavagem auxiliar, com água ou com ar, como será
visto mais adiante nesta lição.

A seguir, descreveremos as formas pelas quais se efetua a lavagem em contra-corrente,


utilizada em qualquer caso: com ou sem a lavagem auxiliar.

Lavagem via reservatório

É o modo mais utilizado no Brasil. A água tratada é bombeada até um reservatório


situado em cota mais elevada que as calhas coletoras de água de lavagem dos filtros.

Esse reservatório pode ser elevado, apoiado ou semi-enterrado. O importante é sua


posição altimétrica.

Essa posição deverá ser tal que, para a vazão necessária à lavagem do filtro, ela seja
capaz de vencer o desnível altimétrico mais as perdas de carga ocorrerão no trajeto entre
o reservatório e a calha coletora de água de lavagem.

Em alguns casos, esse reservatório é construído sobre a casa de química. O reservatório


de água para lavagem pode também armazenar a água de consumo da casa de química.
Na hora de lavar, basta abrir o registro de água para lavagem, situado na galeria de
tubulações.

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A água proveniente do reservatório será admitida no fundo falso do filtro, e percorrerá (no
sentido ascendente) o leito filtrante, fluidificando-o.

A água de lavagem, contendo as impurezas removidas do filtro, será coletada pela calha
coletora de água de lavagem (pode haver mais de uma dessas calhas em cada filtro). Daí
ela seguirá para o esgotamento da ETA.

De acordo com a norma, o volume de água a ser armazenada pelo reservatório deve ser
suficiente para promover a lavagem de, pelo menos, um filtro, considerando-se que o
tempo gasto na lavagem de cada filtro é de cerca de dez minutos.

Esse tempo pode ser reduzido à metade, se você fizer a lavagem auxiliar. A figura 2.7
ilustra esse tipo de lavagem.

Figura 2.7

Lavagem via bombeamento

Em alguns casos, deixa-se de construir o reservatório de água para lavagem dos filtros, e
lava-se cada filtro utilizando diretamente a água bombeada por conjuntos moto-bomba
especialmente instalados para esse fim.

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A figura 2.8 ilustra esse tipo de sistema.

Figura 2.8

Sistema autolavável

Algumas estações de tratamento de água possuem sistemas autolaváveis de filtros. A


figura 2.9 ilustra esquematicamente um sistema desse tipo. Observe que todos os filtros
intercomunica-se, uns com os outros, através de seus fundos.
Além disto, a água filtrada sai do sistema através de um vertedouro, cuja soleira está
posicionada numa altura estrategicamente determinada.

Essa altura deve ser superior à altura da(s) bombas(s) da(s) calha(s) coletoras de água
de lavagem.

A diferença de altura deve ser, no mínimo, igual à soma de todas as perdas de carga
sofridas pela água quando ela escoa, com vazão suficiente para propiciar a lavagem de
um filtro, através do fundo falso, da camada suporte, do leito filtrante e de qualquer outra
singularidade existente entre a câmara de água filtrada e a calha coletora de água de
lavagem.

Assim sendo, o sistema opera da forma descrita a seguir.

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Figura 2.9

Operação Normal do Sistema

Nesta situação, todos os filtros estão filtrando. Estão abertas as comportas de acesso de
água decantada aos filtros, e fechadas as comportas de descarga de água de lavagem. A
água filtrada vai até a câmara de água filtrada, que se interliga com todos os filtros
através de seus fundos falsos, e vai para seu destino final, passando sobre o vertedouro
de água filtrada.

Lavagem de Um Filtro
0
Fechamos a comporta de acesso de água decantada ao filtro que desejamos lavar, e
abrimos sua comporta de descarga de água de lavagem.

Nessa situação, a água existente no interior do filtro a ser lavado é descarregada, até a
altura correspondente à borda da calha coletora de água de lavagem.

Ao mesmo tempo, a água existente na câmara de água filtrada será encaminhada para o
interior desse filtro, através de seu fundo (em virtude do posicionamento altimétrico do
vertedouro de água filtrada em relação à borda da calha coletora de água de lavagem).
Isto propiciará a retro-lavagem do filtro.

Após a limpeza, fechamos a comporta de descarga de água de lavagem e abrimos a


comporta de acesso de água decantada para o filtro, o que fará com que ele volte a
operar normalmente.

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6.2.5 SISTEMAS AUXILIARES DE LAVAGEM

Com o objetivo de obter melhor desempenho da operação de lavagem do filtro (o que


possibilita, também, economizar água de lavagem), podemos auxiliá-la, através de
diversos meios. Antigamente, rastelava-se a superfície dos leitos filtrantes simples de
areia, antes de lavá-los em contra-corrente.

Atualmente, muitos operadores cortam essa superfície com forte jato d’água, proveniente
de mangueiras dotadas de esguichos em suas extremidades, como mostrado na figura
2.10.

Figura 2.10

Essa providência permite quebrar a crosta superficial de sujeira que se forma sobre a
superfície dos leitos. Com isto, fica bastante reduzida a possibilidade de formação das
denominadas (e indesejáveis) bolas de lama.

As bolas de lama surgem em decorrência dessas crostas superficiais, que se aderem aos
grãos do leito filtrante, e que não são quebradas pela lavagem em contra-corrente. Em
conseqüência, elas tendem a penetrar no interior do leito filtrante, podendo torná-lo
imprestável com o passar do tempo.

É claro que a lavagem superficial do leito filtrante não é eficaz no caso de leitos filtrantes
múltiplos.
Considere, por exemplo, um leito filtrante duplo, constituído de areia e antracito.
Conforme vimos, as partículas penetrarão fundo na camada de antracito.

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Assim sendo, a lavagem auxiliar deverá quebrar as crostas de sujeira que se formarão
internamente no antracito, e não apenas em sua superfície.

ETAs de maior porte utilizam equipamentos especiais para proceder à lavagem auxiliar
do leito filtrante, como passamos a descrever.

Bocais fixados em braços rotativos

Idealizados por um norte-americano de nome Palmer (que patenteou a idéia), esses


equipamentos foram conhecidos durante longo tempo pelo nome de seu inventor.
Atualmente, diversos fabricantes produzem equipamentos desse tipo, veja a figura 2.11.
Eles podem ser fornecidos para efetuarem apenas a lavagem superficial (caso de leitos
filtrantes simples) ou para efetuarem a lavagem sub-superficial (caso de leitos filtrantes
duplos).

6.2.5.2 Lavagem auxiliar com ar

Figura 2.11

Esse tipo de lavagem auxiliar é muito utilizado na Europa. Lá, filtros que empregam leitos
filtrantes de areia com grande espessura utilizam-na simultaneamente com a lavagem
ascensional com água.

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Enquanto que o ar revolve as partículas de areia provocando, com isto, a remoção da


sujeira aí retidas a água lava os espaços entre as partículas, levando, consigo, a sujeira.
Por este motivo, em filtros desse tipo não é necessário expandir o leito filtrante para lavá-
los.

A lavagem auxiliar com ar vem se mostrando muito útil para a lavagem de leitos filtrantes
múltiplos (por exemplo: em filtros de areia e antracito) e, atualmente vem sendo aceita
pelos técnicos brasileiros que adotam a seguinte prática (veja figura 2.12):

1. inicia-se a preparação do filtro a lavar interrompendo o acesso de água decantada ao


seu interior;

2. deixa-se a filtração da água remanescente em seu interior, até que uma lâmina d’água
de cerca de 20 centímetros persista sobre o leito filtrante.

3. fecha-se a saída de água filtrada, para dar início à operação de lavagem; inicialmente,
injeta-se apenas ar sob o leito filtrante, como velocidade ascensional de cerca de 0,9
metros por minutos, durante alguns minutos (cerca de 4 minutos);

4. em seguida, corta-se o ar e introduz-se a água para lavagem sob o filtro, com


velocidade ascensional adequada para a obtenção da expansão do leito (cerca de 0,9
metros por minutos), permanecendo assim durante alguns minutos (cerca de 4
minutos).

Cessada a lavagem realizada dessa forma, o filtro pode ser colocado novamente em
operação.
A altura da lâmina d’água que deve permanecer sobre o leito filtrante é discutível, e
parece, na realidade não ser tão importante assim. Na prática, o operador experimenta,
em sua ETA, se há alguma altura para qual são obtidos melhores resultados.
Alguns operadores cortam todo o ar antes de introduzir a água para lavagem. Outros
operadores preferem deixá-lo ligado ainda por certo tempo, enquanto admitem água para
lavagem com vazão reduzida no interior do filtro até que a água esteja quase vertendo
para o interior da calha coletora de água de lavagem. Neste instante, o ar é cortado e a
vazão de água para lavagem é fornecida em sua quantidade necessária.

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Figura 2.12

Para efetuar a lavagem auxiliar com ar, é necessário que a ETA conte com compressores
de baixa pressão (normalmente da ordem de 0,5 kgf/cm2). Esses compressores especiais
são denominados sopradores.

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Alguns projetistas costumam especificar camadas suportes simétricas, veja a figura 2.5,
em filtros que utilizam lavagem auxiliar com ar. Com isto, os menores grãos da camada
suporte (que situam-se no meio da camada suporte( ficam impedidos de se moverem
durante a introdução do ar para lavagem. A movimentação dos grãos menores
possibilitaria que grãos de areia penetrassem na camada suporte e atingissem o fundo
falso e, dessa forma, poder-se-ia perder o leito filtrante.

Um equipamento fácil de fazer

Certa vez, vi (e gostei!) um equipamento fabricado pela própria operação local de uma
ETA pré-fabricada, e que auxiliava a lavagem dos filtros de dupla camada (areia e
antracito) de um sistema autolavável. É o equipamento mostrado na figura 2.13. Um tubo
de aço-carbono galvanizado foi utilizado para fabricá-lo.

Figura 2.13

Sua extremidade de jusante foi


fechada com um cap, e sua
extremidade de montante foi
adaptada para receber um
mangote flexível, que permaneça
interligado a um registro
abastecido por uma linha de alta
pressão (aproximadamente 40
metros de coluna d’água).

Próximo à extremidade de jusante


desse tubo foram feitos orifícios de diâmetro igual a 1/8 de polegada através dos quais a
água sob pressão pudesse sair com alta velocidade.
Durante a lavagem de cada filtro, o tubo era introduzido no leito filtrante expandido e
movimentado em seu interior. Os jatos d’água originários do dispositivo permitiam lavar
os grãos de antracito no leito expandido. Graças a isto, foi possível aumentar as carreiras
de filtração e melhorar muito a qualidade da água filtrada.

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Com certeza, os filtros dessa estação de tratamento de água dificilmente apresentarão


problemas de bolas de lama.

6.2.6 CALHAS COLETORAS DE ÁGUA DE LAVAGEM

Esses dispositivos exercem papel importantíssimo no desempenho da lavagem dos


filtros. Sua forma e seu posicionamento em relação ao topo do leito filtrante são
fundamentais. De modo geral, deve-se preferir as que tenham seção de fundo em forma
de vê, ou as arredondadas (figura 2.14.a e 2.14.b).

Figura 2.14

Calhas de fundo chato irão interferir no fluxo de água de lavagem, fazendo surgir
turbulências indesejáveis (figura 2.14.c). Além disto, o fundo das calhas de fundo chato
costuma acumular certa parcela da sujeira originária da lavagem do filtro. Após cessada a
lavagem, ela cairá novamente sobre o leito filtrante recém-lavado.

A altura do fundo da calha em relação ao topo do leito filtrante é muito importante.

Se ela for pequena, provavelmente certa parcela de leito filtrante será arrastada pela
água de lavagem para o interior da calha, e perder-se-á.
Se ela for grande, a água de lavagem terá dificuldade para arrastar até a calha as
partículas maiores de sujeira; ou elas não sairão do filtro (e poderão a iniciar a formação
de bolas de lama) ou será necessário gastar mais água de lavagem para arrastá-las (o
que implicará em prejuízo).

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O segredo, portanto, é colocá-las pouco acima da altura atingida pelo topo do leito
filtrante expandido, como mostra a figura 2.15.

De modo geral, fazemos com que essa altura seja igual a 50% da espessura do leito
filtrante.

Assim, por exemplo, se o leito filtrante é duplo (areia e antracito, e a soma das
espessuras das duas camadas é igual a 70 centímetros, colocamos o fundo da calha
coletora a 35 centímetros acima do topo do leito filtrante.

Figura 2.15

6.3 FILTROS ASCENDENTES

Esses filtros foram introduzidos no Brasil com a denominação de filtros russos.


Posteriormente, alguns autores preferiram denominá-los de clarificadores de contato.
Autores modernos tem utilizado a denominação de filtros ascendentes. Nenhum desses
nomes faz justiça ao que esses filtros são, de fato.
No interior dos filtros ascendentes, ocorrem, simultaneamente, a floculação, a
decantação e a filtração.

Não obstante, a denominação filtros ascendentes está sendo adotada neste texto em
homenagem ao cientista que mais tem se dedicado a estudá-los no Brasil – professor

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Luis di Bernardo e que, talvez por falta de denominação mais abrangentes, vem
utilizando essa denominação em seus trabalhos.

Muitos estudos vêm sendo realizados a respeito desse tipo de filtro, procurando
determinar as especificações mais adequadas para a camada de areia e para a camada
suporte.

Basicamente, como mostra a figura 2.16, os filtros ascendentes são constituídos por uma
camada espessa de areia (cerca de 2 metros de espessura) colocado sobre uma camada
suporte de seixos rolados (cerca de 60 centímetros).

Figura 2.16

A água, previamente coagulada, é


introduzida sobre a camada suporte, e
escoa no sentido de baixo para cima
através, sucessivamente, da camada
suporte do leito de areia. Acima da
camada de areia, calhas coletoras ou
tubos perfurados recolhem a água filtrada.
Um dos elementos fundamentais no
projeto de operação de filtros ascendentes
é a denominada taxa de filtração
fornecida pela expressão 2.1.

De acordo com a norma, que é a norma


brasileira que fixa as diretrizes para o projeto de estações de tratamento de água, o valor
máximo dessa taxa deve ser determinada através de ensaios realizados em filtros-piloto.
Se não for possível realizar estes ensaios, então não deverá ser ultrapassado o valor de
120 m3/(m2.dia).

A lavagem é efetuada injetando-se água de baixo para cima com velocidade suficiente
para expandir o leito de areia.

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A água de lavagem é recolhida por calhas coletoras instaladas acima do leito de areia.
Em alguns casos a mesma calha que recolhe a água filtrada recolhe também a água de
lavagem, veja a figura 2.17.
Assim sendo, o destino da água que cai em seu interior – se vai para o reservatório de
contato ou para o esgoto – é determinado por comportas instaladas a jusante dessas
calhas.

Alguns autores consideram que a grande falha dos filtros ascendentes é que eles não
são à prova de descuido (um operador descuidado pode permitir a contaminação da
água tratada, se manobrar equivocadamente essas comportas, e permitir o desvio de
água de lavagem para o reservatório de contato).

Outros criticam o fato de que pela parte superior dos filtros ascendentes passa água
filtrada ou água de lavagem, conforme a hora, o que torna vulnerável à contaminação a
água tratada nesse tipo de filtro.

Existe também a evidente limitação dos filtros ascendentes para o tratamento de águas
com elevados teores de sólidos, que podem fazer com que eles sujem rapidamente.
Nesses casos, a necessidade de lavagem dos filtros pode tornar-se muito freqüente (no
limite, toda a água tratada por eles seria gasta para lavá-los).

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Figura 2.18

Críticas à parte, os filtros ascendentes constituem importante alternativa para o


tratamento da água, com custo bastante interessante (inferior, em muitos casos ao das
instalações clássicas de tratamento, envolvendo floculação, decantação e filtração).

Muitos trabalhos experimentais vêm sendo desenvolvidos na busca da camada suporte


ideal. Sabemos hoje que ela exerce importante papel na filtração ascendente e, é grande,
a quantidade de sólidos retidos em seu interior.

Assim sendo, alguns estudos apontam para a conveniência de se realizar descargas de


fundo periódicas, antes de se proceder à lavagem ascensional.
Outros estudos apontam para a conveniência de se instalar uma malha de tubos
perfurados no interior da camada suporte, veja a figura 2.18, com o objetivo de lavá-la
melhor (é uma espécie de sistema auxiliar a lavagem, semelhante ao que existe nos
filtros de fluxo descendente).

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6.3.1 SISTEMAS DE FILTRAÇÃO

Filtro de taxa constante e carga variável

A água coagulada é distribuída a cada filtro através, por exemplo, de vertedouros com
descarga livre, que asseguram a distribuição de vazões iguais a todos eles. Tais vazões
mantêm-se constantes ao longo do tempo e em cada filtro, a perda de carga aumenta
com o passar do tempo, à medida que ele vai se tornando mais sujo.

Filtro de carga e taxa variável

Nesse tipo de sistema, a água coagulada é distribuída a cada filtro através de um sistema
afogado. Nessas condições, a perda de carga será igual para todos eles, tendo em vista
que ela será igual ao desnível entre a borda vertedoura da calha coletora de água filtrada
e o nível d’água no interior da câmara distribuidora. Embora a perda de carga seja a
mesma para todos os filtros, ela será variável para o sistema, aumentando com o passar
do tempo, à medida que eles forem se tornando mais sujos.

A vazão em cada filtro será variável ao longo do tempo, porque a água a filtrar procurará
o filtro que estiver menos sujo para atravessar.

6.3.2 MATERIAIS FILTRANTES

Areia

A areia utilizada em filtros ascendentes é semelhante à utilizada em filtros de fluxo


descendente, diferindo apenas quanto à sua granulometria e espessura.

tamanho efetivo 0,7 a 0,8 mm


espessura mínima 2,0 m

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Camada suporte

Como no caso dos filtros de fluxo descendente, a camada suporte depende do material
filtrante a ser colocado sobre ela e do fundo falso sobre a qual ela se apoia.

Normalmente, ela é constituída de seixos rolados colocados em camadas sucessivas,


umas sobre as outras, de forma a possibilitar a transição entre tamanho dos grãos do
leito filtrante e o tamanho dos orifícios do fundo falso.

6.3.3 TIPOS DE FUNDO FALSO

Conforme dissemos quando tratamos de filtros de fluxo descendente, existe uma


infinidade de tipos de fundo falsos, tantos quantos se desejar inventar. Entretanto, neste
caso, tanto durante a filtração quanto por ocasião da lavagem dos filtros, os fundos falsos
distribuem uniformemente, no leito filtrante, a água destinada a esse fim.

Por este motivo, deve-se ter em mente que, diferentemente do que ocorre nos filtros de
fluxo descendente, nos quais os fundos falsos estão sempre cheios de água filtrada, nos
filtros ascendentes eles estão quase sempre cheios de água coagulada.

Assim sendo, e conforme a origem da água bruta, ou o tipo de pré-tratamento que ela
tenha sofrido, o fundo falso poderá conter significativa quantidade de sólidos (alguns até
grosseiros, tais como fragmentos de folhas ou gravetos) que poderão comprometer, a
médio prazo, seu funcionamento. Por este motivo, o projetista atento cuida para que a
água afluente aos filtros ascendentes passe por pré-tratamento adequado ao tipo de
fundo falso, e vice-versa.

Além disto, cuida para que o fundo falso de filtros ascendentes seja facilmente
inspecionáveis, ou menos desmontável, para limpá-lo no caso de (indesejáveis, porém
possíveis) obstruções.

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Fundos patenteados

Como vimos no item 6.2.3.1, são fundos que utilizam componentes produzidos por
empresas especializadas.

Bocais

Em filtros de fluxo ascendentes, a água coagulada é introduzida sob o fundo falso e em


que a camada suporte desempenha papel primordial, não há vantagem em se utilizar
bocais com ranhuras muito pequenas; ao contrário, quanto maiores forem os orifícios dos
bocais, melhor!

Blocos

No caso dos filtros de fluxo ascendente, utiliza-se blocos cerâmicos, representados na


parte (a) da figura 2.6.

Figura 2.19

A figura 2.19 ilustra esse tipo de bloco instalado com um dispositivo que permite lavá-los
internamente quando necessário, através da injeção de água e seção oposta à saída de
água de lavagem.

Fundos que você poderá fazer

Nem sempre há disponibilidade financeira para que possamos equipar os filtros de

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nossas ETAs com fundos patenteados, apesar do ótimo desempenho desses


equipamentos. Em tais casos, podemos construir nossos próprios fundos falsos, como
mostra a figura 2.20.

Figura 2.20

6.3.4 LAVAGEM DOS FILTROS

Tudo o que dissemos no item 2.2.4, referente aos filtros de fluxo descendentes (com
algumas poucas exceções). A lavagem dos filtros ascendentes é efetuada introduzindo
água tratada, também no sentido ascendente, no filtro a ser lavado, com velocidade
suficiente para fluidificar o leito filtrante.

Nesses filtros também se emprega a lavagem via reservatório e a lavagem via


bombeamento. Uma das exceções a que acabamos de nos referir, é o tempo a ser
considerado para a lavagem via reservatório, aqui deverá ser de 15 minutos, mantida a
mesma velocidade ascensional .

Estudos experimentais recentes têm concluído pela vantagem de se proceder a


descargas de fundo nos filtros ascendentes, várias vezes antes de se passar à lavagem
propriamente dita, o que permite economizar bom volume de água.
Assim sendo, quando o nível d’água no interior da câmara distribuidora de água aos
filtros atinge certa altura (nível máximo ou próximo dele), ao invés de se fazer a lavagem
propriamente dita do filtro, procede-se a uma descarga de fundo. Pode-se realizar mais
de uma descarga de fundo antes de se lavar o filtro.

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Os que recomendam este procedimento têm observado que grande parte do acúmulo de
impurezas no filtro ocorre na camada suporte, e não na camada de areia. Assim sendo, a
descarga de fundo permite arrastar boa parte das impurezas aí acumuladas, após o que
o filtro ainda se mantém em condições de prosseguir filtrando durante um bom tempo.

Somente quando tanto a camada suporte quanto a camada de areia estiverem muito
sujas é que se realiza a lavagem propriamente dita.

Quantas descargas de fundo se pode realizar, dependerá da eficiência desse


procedimento em cada estação de tratamento de água.

No que diz respeito à lavagem auxiliar, tem sido observado que grande parte do acúmulo
do impurezas no filtro ocorre na camada suporte, e não na camada de areia.

Por este motivo, alguns projetistas vêm introduzindo, no interior da camada suporte,
tubulações perfuradas, no interior das quais é introduzida água para lavagem, como
mostrado na figura 2.18.

Durante a realização das descargas de fundo, injeta-se água para lavagem através das
tubulações perfuradas, que auxiliam a lavar os interstícios dos grãos constituintes da
camada suporte. Quando utilizam esse recurso, os projetistas costumam especificar
camadas suporte do tipo denominado simétrico.

6.3.5 CALHAS COLETORAS DE ÁGUA FILTRADA E DE ÁGUA DE LAVAGEM

As calhas coletoras de água filtrada são instaladas na parte superior do filtro. Têm por
finalidade recolher a água filtrada e encaminhá-la, direta ou indiretamente, ao tanque de
contato. Tendo em vista que o desejável é que elas recolham água com a melhor
qualidade possível, quanto mais distante elas ficarem posicionadas do topo do leito
filtrante, melhor será.

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As calhas coletoras de água de lavagem destina-se a coletar a água proveniente da


lavagem do filtro e encaminhá-la, direta ou indiretamente, ao sistema de esgotamento da
ETA. Tendo em vista que o desejável é que elas recolham, em curto espaço de tempo , a
maioria das partículas retidas durante a filtração quanto mais próximo elas ficarem do
topo do leito filtrante, melhor.

Na maioria dos filtros ascendentes, as calhas coletoras de água filtrada e as calhas


coletoras de água de lavagem constituem uma única unidade.

Afirmam os defensores desta concepção que filtros ascendentes produzem água de boa
qualidade durante a maior parte de suas carreiras de filtração.

Assim sendo, o posicionamento altimétrico das calhas coletoras de água filtrada não é
importante.

Afirmam ainda os defensores desta concepção que caso ocorra algum fator capaz de
propiciar a produção de água filtrada de má qualidade, essa água rapidamente ocupará o
espaço acima do leito filtrante.

Assim sendo, novamente neste caso, o posicionamento altimétrico das calhas coletoras
de água filtrada deixa de ser importante.

Admitida estas considerações, as calhas coletoras de água filtrada e de lavagem (que


agora constituem uma única unidade) devem ser posicionadas o mais próximo possível
do topo do leito filtrante.

Com relação à forma da seção transversal dessas calhas, bem como ao número de
calhas, bem como ao número de calhas a instalar, aplicam-se as mesmas considerações
apresentadas para os filtros de fluxo descendente, apresentadas no item 2.2.6 anterior.

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DESINFECÇÃO

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7.1 INTRODUÇÃO

Entende-se por desinfecção a destruição ou inativação de organismos patogênicos,


capazes de produzir doenças, ou de outros organismos indesejáveis.

Tais organismos podem aparecer na água e sobreviver por dias, semanas ou meses.

Como já vimos, grande parte dos microrganismos patogênicos, especialmente vírus e


bactérias, é removida da água em tratamento pela decantação e filtração. Entretanto,
alguns deles poderão estar presentes na água filtrada.

Por este motivo, a água filtrada é desinfetada, para o que quase sempre utiliza-se o cloro.
Outros métodos podem ser utilizados para a desinfecção, tais como: ozonização, raios
ultravioleta e compostos alternativos de cloro.

No Brasil, a desinfecção mais utilizada é a cloração, ou seja, desinfecção feita com cloro.

O tratamento é completado através da fluoretação, para a prevenção da cárie dentária, e


da correção do pH, visando a eliminação de eventuais características corrosivas ou
incrustantes da água tratada.

7 .2 CLORAÇÃO

Para que a desinfecção seja eficiente, a água deve permanecer em contato com o cloro
durante algum tempo. Esse tempo de contato entre o cloro e a água filtrada é conseguido
fazendo permanecer a água em tratamento no interior de um tanque, por isto
denominado tanque de contato.

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Figura 3.1

A figura 3.1 ilustra esquematicamente um tanque de contato seguido de reservatório de


compensação (reservatório volante). Este reservatório é utilizado em estações de
tratamento de água após as quais é necessário bombear água tratada para a cidade.

O tempo que a água deve ficar em contato com o cloro depende de diversos fatores,
entre os quais, são muito importantes:

a) a forma química em que o cloro estiver presente na água;

b) o pH da água.

De modo geral, nas estações de tratamento de água brasileiras, o cloro desinfetante está
sob a forma de ácido hipocloroso e íon hipoclorito.

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O ácido hipocloroso é mais eficiente que o íon hipoclorito como agente bactericida.

Em determinadas condições, o íon hipoclorito é apenas cerca de 2% tão bactericida


quanto o ácido hipocloroso.

A química mostra que, em valores mais baixos de pH, haverá mais ácido hipocloroso do
que íon hipoclorito (quanto mais baixo o pH, maior a concentração de ácido hipocloroso,
que desinfeta melhor que o íon hipoclorito).

Por este motivo, é melhor deixar para corrigir o pH da água tratamento a jusante do
tanque de contato, após a desinfecção.

De modo geral, e observadas as condições anteriores, 15 minutos constituem tempo de


contato adequado.

Deve ser observado que, com o objetivo de assegurar a adequada proteção à água
contra eventuais contaminações no sistema distribuidor, mantém-se um residual de cloro
na água tratada.

A portaria n° 36, do MS estabelece que a concentração mínima de cloro residual livre em


qualquer ponto da rede de distribuição deverá ser de 0,2 mg/l.

Observe que a portaria n° 36 expressa ser esta a concentração mínima de "cloro residual
livre".

Isto porque o cloro adicionado à água reagirá com substâncias inorgânicas ou orgânicas
que estejam presentes em seu interior.

Assim sendo, distinguimos duas formas de cloro disponível na água tratada:

a) o cloro residual combinado, em que o cloro está presente combinado com a amônia ou
outros compostos de nitrogênio.

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Em tais condições, ele mantém sua capacidade de destruir microrganismos patogênicos,


porém com menor eficiência;

b) o cloro residual livre, em que o cloro está presente sob forma de ácido hipocloroso e
íons hipoclorito, com maior eficiência desinfetante.

Dessa forma, é indispensável o conhecimento do tipo de residual obtido por determinada


cloração.

7.3 FLUORETAÇÃO

A adição de flúor constitui a mais simples, segura e, para as condições brasileiras, a mais
econômica forma de se levar esse elemento à dieta das crianças. Estatisticamente está
comprovado que a ingestão de água fluoretada, com adequada quantidade de flúor, por
parte das crianças, desde o seu nascimento, reduz a incidência de cárie dental em cerca
de 50 a 70%.

Normalmente, o composto de flúor é aplicado a meio caminho entre a entrada e a saída


do tanque de contato, como mostra a figura anterior.

Como dissemos, a fluoretação da água em sistemas de abastecimento em que existe


estação de tratamento é obrigatória no Brasil, de acordo com a Lei Federal n° 6050, de
24/05/74, que foi posteriormente regulamentada pelo Decreto Federal n° 76872, de
22/12/75.

Entretanto é importante salientar que, enquanto dosagens abaixo da adequada resultam


ineficazes, dosagens elevadas poderão ocasionar a fluorose dentária, responsável pelo
aparecimento de manchas nos dentes.

Segundo os padrões de potabilidade do Serviço de Saúde Pública dos Estados Unidos,


as concentrações ótimas de íon flúor na água potável são as transcritas a seguir e
dependem da temperatura que prevalece na região.

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Concentração do Íon Flúor na Água Potável


Concentração Ótima (mg/l)
Média anual das temperaturas máximas diárias do ar (°C)
mín ideal máx
10,0 a 12,1 0,9 1,2 1,7
12,2 a 14,6 0,8 1,1 1,5
14,7 a 17,7 0,8 1,0 1,3
17,8 a 21,4 0,7 0,9 1,2
21,5 a 26,3 0,7 0,8 1,0
26,4 a 32,5 0,6 0,7 0,8
32,6 a 37,5 0,5 0,6 0,7

Evidentemente, a dosagem a ser aplicada deverá levar em conta a concentração de flúor


já existente na água bruta, de forma que, após a dosagem, a concentração de íon flúor
na água tratada atinja o valor recomendado anteriormente.

flúor poderão ocasionar a fluorose dentária, responsável pelo aparecimento de manchas


nos dentes?

7 .4 CORREÇÃO DO pH

Como já dissemos, efetuamos a correção do pH na passagem da água em tratamento do


tanque de contato para o reservatório de compensação.

Com isto, a cloração ocorre em pH mais baixo, o que lhe é favorável.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) prefere não fixar valores limites para o pH da
água potável. Já a portaria n° 36 do MS estabelece que o pH deverá ficar situado no
intervalo de 6,5 a 8,5.

Na realidade, a correção de pH deveria ter, por objetivo final, o equilíbrio químico da


água, de modo que ela saia da estação de tratamento de água sem características
corrosivas ou incrustantes.

Atingir este objetivo não é tarefa simples, dada a complexidade da composição química
de cada água.

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Entretanto, uma das formas utilizadas para prever se determinada água é corrosiva,
incrustante ou neutra é a determinação do índice de saturação. Este método é qualitativo,
não sendo possível, somente através dele, determinar quais os compostos e em que
proporções que, adicionados à água, permitiriam corrigir seu desequilíbrio.

7.5 RESERVATÓRIO DE COMPENSAÇÃO

Conforme dissemos, é necessário construir um reservatório de compensação a jusante


da estação de tratamento de água nas situações em que a água tratada deva ser
bombeada para a cidade.

Tendo em vista que é praticamente impossível fazer com que a vazão das bombas seja
igual à vazão produzida pela estação de tratamento de água, esse reservatório
desempenha o papel de pulmão: enche quando a vazão produzida pela ETA é maior que
a vazão bombeada, e esvazia quando a vazão produzida pela ETA é menor que a vazão
bombeada.
De modo geral, seu volume útil é calculado para conter o volume de água produzido pela
estação de tratamento de água durante 30 minutos.

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OPERAÇÃO DE ESTAÇÃO DE TRATAMENTO DE ÁGUA

PRODUTOS QUÍMICOS

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OPERAÇÃO DE ESTAÇÃO DE TRATAMENTO DE ÁGUA

8.1 INTRODUÇÃO

Os tipos de produtos químicos utilizados numa estação de tratamento de água podem


varia muito, em função da qualidade da água a ser tratada e do próprio mercado
fornecedor.

Para que você possa avaliar a diversidade do universo desses produtos, veja a relação
daqueles que consideramos mais importantes.

a) Coagulação:

● sulfato de alumínio;
● sulfato ferroso;
● sulfato férrico;
● cloreto férrico;
● caparrosa clorada (solução de sulfato férrico e cloreto férrico);
● aluminato de sódio.

 Auxiliares de coagulação:

a) bentonita;
b) carbonato de cálcio;
c) silicato de sódio;
d) certos produtos orgânicos denominados polieletrolitos;
e) gás carbônico.

3. Ajustagem de pH:

● cal hidratada;
● carbonato de cálcio;
● carbonato de sódio (soda ou barrilha);
● hidróxido de sódio (soda cáustica);
● gás carbônico;

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● ácido clorídrico;
● ácido sulfúrico.

a) Controle de corrosão:

1 cal hidratada;
2 carbonato de sódio;
3 hidróxido de sódio;
4 gás carbônico;
5 polifosfatos de sódio.

a) Abrandamento:

f) cal hidratada;
g) carbonato de sódio;
h) cloreto de sódio;
i) gás carbônico;
j) resinas abrandadoras.

 Oxidantes:

● cloro;
● hipoclorito de cálcio;
● hipoclorito de sódio;
● dióxido de cloro;
● ozônio;
● permanganato de potássio.

4. Controle e remoção de odor e sabor:

a) carvão ativado;
b) dióxido de cloro;
c) cloro;

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d) ozônio;
e) permanganato de potássio;
f) bentonita.

40Desinfecção:

➢ cloro;
➢ hipoclorito de sódio;
➢ hipoclorito de cálcio;
➢ dióxido de cloro;
➢ amônia anidra;
➢ hidróxido de amônia;
➢ sulfato de amônia;
➢ ozônio.

 Fluoretação:

a) fluorsilicato de sódio;
b) ácido fluorsilícico;
c) fluoreto de sódio (fluorita).

1. Controle de orgânicos:

● Cloraminas;
● Dióxido de cloro.

Neste curso, serão contemplados apenas os produtos químicos mais usuais em nossas
ETAs, nomeada de sódio e cloro gasoso.

Não obstante, você encontrará, nas páginas a seguir, um roteiro capaz de guiar-lhe os
passos quando for lidar com produtos químicos diferentes dos aqui contemplados.

Como importante regra, recomenda-se, nesse último caso, consultar os fornecedores a

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respeito das características das embalagens e, o que é de fundamental importância, das


reg ras de segurança que devem ser observadas durante o recebimento, transporte,
armazenagem, preparo e manuseio desses produtos.

Ainda como regra geral, recomenda-se:

a) não armazenar produtos químicos diferentes um em contato com os outros;


b) não armazenar produtos químicos por longos períodos (tempo máximo recomendado
para estocagem 6 meses);

c) os produtos químicos destinados ao tratamento da água e, em especial, os que serão


utilizados no final da linha de tratamento, tais como cal de correção compostos de
flúor, não deverão conter produto tóxicos em composição.

8.2 SULFATO DE ALUMÍNIO SÓLIDO

Quase sempre é fornecido sob forma sólida. Entretanto, pode também ser fornecido sob
forma líquida. O sulfato de alumínio utilizado para o tratamento da água não exige
especificação rigorosa, exceto no que diz respeito à granulometria do produto sólido, no
caso de dosagem a seco, e quanto ao teor de impurezas insolúveis e umidade excessiva,
com o conseqüente elevado teor de ácido livre, o que indica que o produto foi mal
fabricado.

De modo geral apresenta-se sob forma de pequenos grãos, de coloração variando entre
o amarelo e o pardo, e vem embalado em sacas de papel multifolhado contendo 50 kg do
produto (figura 4.1).

Dependendo da granulometria, a massa específica aparente do sulfato de alumínio sólido


poderá variar entre 600 e 1400kg/m3.

A pureza do produto comercial é da ordem de 90%.

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Figura 4.1

Quando utilizado para dosagem a seco, é conveniente consultar o fabricante do


equipamento dosador para determinar, com exatidão, as características que deverão ser
exigidas do produto comercial, especialmente quanto à sua granulometria.

No caso de dosagem por via úmida, em que o produto deverá ser dissolvido previamente,
já não há tantas exigências a fazer. Os grãos poderão apresentar-se em fragmentos até 7
centímetros.

Figura 4.2

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O sulfato de alumínio sólido pode ser também fornecido a granel, quando é armazenado
em silos, veja a figura 4.2. Alguns autores desaconselham essa técnica, devido ao fato de
se estar lidando com produto higroscópico e agressivo.

8.2.1 ARMAZENAGEM

Cuidados devem ser tomados para assegurar que o sulfato de alumínio fornecido
embalado em sacas de papel multifolhado seja armazenado em local seco, com as sacas
colocadas sobre estrados de madeira e afastadas de paredes.

Essas providência evitará o rompimento das sacas, resultante da absorção de umidade


pelo sulfato de alumínio e a conseqüente formação de ácido sulfúrico, que ataca o papel
da sacaria (esse problema é minimizado se o produto vier embalado em sacas de
plástico).

As sacas podem ser empilhadas umas sobre as outras, até atingirem a altura máxima de
1,80m, no caso de armazenagem manual. Isto por razões ergonométricas e de
segurança: fica bastante perigoso proceder à colocação e retirada de sacas em pilha com
altura superior a
essa. Pode-se,
dessa forma
empilhar até cerca
de 14 sacas,
trançadas entre si
umas sobre as
outras, veja a
figura 4.3.

Figura 4.3

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Alturas maiores podem ser atingidas caso a armazenagem seja paletizada, utilizando
empilhadeiras mecânicas (normalmente elétricas) para carga e descarga das sacas, veja
ainda a figura 4.3.

Providencie para que as pilhas de sacas de sulfato de alumínio sejam dispostas de forma
que as mais velhas estejam imediatamente à sua disposição.

Procure formar pilhas de, no máximo, três sacas uma atrás da outra, que possibilitarão o
acesso à pilha de qualquer um de seus dois lados. Caso esse acesso seja possível de
apenas um de seus lados, forme pilhas de apenas duas sacas, uma atrás da outra.

8.2.2 PREPARO

O preparo da solução desulfato de alumínio é realizado no interior de tanques


apropriados, adequadamente revestidos (de forma a resistirem à agressividade da
solução preparada), usualmente com concentrações variando entre 2% e 10%.

De modo geral, são construídos pelo menos dois tanques, veja a figura 4.4, de tal forma
que um deles possa ser preparado enquanto que o outro está fornecendo solução
previamente preparada para o dosador. O preparo de um tanque pressupõe as seguintes
atividades (que demandam um tempo de aproximadamente 4 horas):

a) esgotamento dos resíduos insolúveis que se precipitaram em seu fundo, durante a


b) tancagem anterior;
c) limpeza de fundo e das paredes do tanque;
d) colocação do peso adequado de sulfato de alumínio sólido no interior do tanque;
e) enchimento do tanque com água, e simultânea dissolução do sulfato;
f) repouso, durante algum tempo, para sedimentação da parcela de insolúveis.

Normalmente, os tanques de sulfato possuem um agitador rápido mecanizado para


promover a homogeneização da solução preparada.

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Além disto, costuma-se construir, junto à borda do tanque, um cocho de madeira, com
dimensões suficientes para conter a quantidade exata de sulfato de alumínio
correspondente à concentração da solução que se deseja preparar.

Figura 4.4

8.2.3 DOSAGEM

Pode ser feita por via seca ou por via úmida. No primeiro caso, podem ser utilizados
quaisquer dos dosadores a seco que serão descritos na próxima lição.

No segundo caso, a dosagem é feita normalmente utilizando dosadores por gravidade do

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tipo de nível constante ou bombas dosadoras, ou sistema misto (todos eles serão vistos
na próxima lição).

8.3 CAL HIDRATADA

É provavelmente o mais popular dos alcalinizantes utilizados nas estações de tratamento


de água brasileiras. É fornecida sob forma de pó, e pode ser dosada por via seca ou via
úmida, sendo essa última a mais comum em pequenas estações de tratamento.

Figura 4.5

Normalmente, a cal hidratada é fornecida embalada em sacas de papel multifolhado,


contendo 20kg desse produto (figura 4.5). Entretanto, em instalações a maior parte, a cal
hidratada pode ser armazenada em silos. Em tais casos, o produto pode ser trazido
granel, no interior de veículos especiais, ou em containers plásticos contendo 300kg ou
1500kg (figura 4.6).

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Figura 4.6

A massa específica aparente da cal hidratada


oscila entre 400 e 640kg/m3. Em média, pode
considerar-se o valor de 520kg/m3.

8.3.1 ARMAZENAGEM

Como no caso do sulfato de alumínio sólido, as


sacas de cal devem ser estocadas sobre
estrados de madeira, de forma a evitar que o
contato com a umidade “empedre” o produto.

As sacas mais velhas devem ser utilizadas com prioridade. Isto porque a cal reage com o
gás carbônico presente na atmosfera, retornando assim ao calcário encontrado na
natureza.

As sacas podem ser empilhadas umas sobre as outras, até atingirem a altura máxima de
1,80m, no caso de armazenagem manual.

Isto por razões ergonométricas e de segurança: é perigoso proceder à colocação e


retirada de sacas em pilhas com altura superior a essa. Pode-se, assim, empilhar até
cerca de 14 sacas, umas sobre as outras (figura 4.7). Alturas maiores podem ser
atingidas caso a armazenagem seja paletizada, utilizando empilhadeiras mecânicas
(normalmente elétricas) para carga e descarga, veja ainda a figura 4.7.

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Figura 4.7

Disponha as pilhas de sacas de cal hidratada de forma que as mais velhas estejam
imediatamente a sua disposição. Para tanto, construa pilhas de, no máximo, três sacas
uma atrás da outra, quando for possível o acesso à pilha de qualquer um de seus dois
lados, construa pilhas de apenas duas sacas uma atrás da outra.

Quando fornecida a granel, ou em containers, a cal hidratada é despejada em


reservatórios especiais sendo daí transferida para os silos através de equipamentos
mecânicos dos tipos de canecas, pneumático ou rosca-sem-fim, veja a figura 4.8.

Figura 4.8

Disponha as pilhas de sacas de cal hidratada de forma que as mais velhas estejam
imediatamente a sua disposição. Para tanto, construa pilhas de, no máximo, três sacas
uma atrás da outra , quando for possível o acesso à pilha de qualquer um de seus dois
lados, construa pilhas de apenas duas sacas uma atrás da outra.

Quando fornecida a granel, ou em containers, a cal hidratada é despejada em


reservatórios especiais sendo daí transferida para os silos através de equipamentos

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mecânicos dos tipos de canecas, pneumático ou rosca-sem-fim, veja:

Figura 4.8

8.3.2 PREPARO

Na dosagem por via seca, não é necessário preparo preliminar, desde que a cal
hidratada seja fornecida dentro das especificações exigidas pelo equipamento dosador.
Em tal caso, a granulometria desse produto tem se mostrado de fundamental importância
para o correto funcionamento do equipamento dosador.

No caso de dosagem por via úmida, normalmente prepara-se o denominado leite de cal,
que é a suspensão do produto, em concentrações variando entre 2% e 10%, De modo

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geral, esse preparo é realizado em tanques a cal hidratada comercial de algumas


procedências costuma apresentar teor de insolúveis acima do desejado. Por serem
equipamentos robustos, os extintores de cal resistem bem a esses teores excessivos,
veja figura 4.9.

A suspensão de cal hidratada deve ser agitada continuamente, qualquer que seja o nível
no interior do tanque de preparo, para evitar a sedimentação do produto e, em
conseqüência, a alteração da concentração da suspensão que está sendo dosada.

A partir daí, o leite de cal pode ser encaminhado para os dosadores de gravidade, do tipo
de canecas ou, através dos denominados sistemas mistos, para dosadores do tipo de
extravasão ou recirculação.

Embora o leite de cal possa ser preparado no interior dos próprios dosadores do tipo de
canecas, a pré mistura em extintores costuma ser adequada tendo em vista que,
conforme foi dito, a cal hidratada comercial de algumas procedências costuma apresentar
teor de insolúveis acima do desejado, o que pode prejudicar o desempenho dos
dosadores.

A realização da pré mistura da cal hidratada faz com que essa parcela indesejável fique
retida no interior desses equipamentos, que deixa de ser arrastada para os dosadores.

Mesmo quando realizada com muito cuidado, a manipulação da cal hidratada produz,
inevitavelmente, algum levantamento de pó, capaz de irritar a pele e as mucosas. Por
isto, e especialmente em estações de tratamento de água de maior porte, é conveniente
prever equipamentos capazes de promover o recolhimento desse pó, tão logo a cal
hidratada seja despejada no interior dos tanques de preparo.

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Figura 4.9

8.3.3 DOSAGEM

A dosagem a seco pode ser feita utilizando qualquer dos tipos de dosadores que serão
descritos na próxima lição.

Já a dosagem por via úmida por gravidade deve ser feita utilizando dosadores do tipo de
canecas.

A dosagem por via úmida através de bombas dosadoras, conforme foi mencionado, deve
ser utilizada apenas quando for possível assegurar operação cuidadosa, restringindo-se a
situações em que se possa fazer uso de suspensões diluídas.

Para concentrações maiores de leite de cal, e no caso de estações de tratamento de


água de maior porte, alguns projetistas têm preferido recomendar o emprego de bombas
de cavidade progressiva, que vêm desempenhando satisfatoriamente em função.

Para pequenas estações de tratamento de água, a utilização de saturadores pode


mostrar-se indicada.

No caso de utilização desses equipamentos, deve-se ter em mente que a concentração

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de saturação da cal hidratada é da ordem de 1,2g/litro para as temperaturas usuais


(embora o autor prefira considerá-la igual a 1g/litro em seus projetos, valor esse que
também é adotado pela área operacional da COPASA-MG.

Além disto a área dos saturadores deve ser dimensionada de modo que a velocidade
ascensional da água em seu interior (correspondente à seção de saída) não ultrapasse 1
milímetro por segundo.

Em qualquer caso, costuma-se adicionar certa parcela de água de diluição à suspensão


ou solução após sua saída dos dosadores.

Essa diluição é feita com o objetivo de reduzir a sedimentação da cal hidratada ao longo
dos dutos que interligam os dosadores ao ponto de dosagem.

Consegue-se, dessa forma, reduzir a ocorrência de obstruções ao longo desses dutos,


decorrentes da precipitação do hidróxido de cálcio transportado através desses dutos.

Os dutos que veiculam a suspensão ou solução de cal desde os dosadores até os pontos
de dosagem são sempre dotados de diversos pontos de inspeção, que têm por objetivo
facilitar eventuais desobstruções.

Assim sendo, no caso de tubulações, são utilizados tês com plugs, ao invés de curvas ou
joelhos, nas mudanças de direção.

8.4 ÁCIDO FLUOSSILÍCICO

8.4.1 Características:

Em solução comercial a 20 até 35% de H2 SiFe, com um peso molecular de 144,08. Não
é conhecido sob a forma amidra. É um líquido incolor, transparente fumegante, corrosivo
com um odor acentuado, e uma ação irritante. Pode ser dosado diretamente na forma
comercial. É um composto obtido na indústria de superfosfatos. Podendo ser dosados
por dosador de nível constante ou bombas dosadoras.

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8.5 CLORO GASOSO

Trata-se de um gás amarelo-esverdeado, tóxico, de odor irritante e sufocante. Embora,


por si só, não seja corrosivo, ao entrar em contato com a água forma ácido clorídrico e
ácido hipocloroso, tornando-se então muito corrosivo para todos os metais comuns, a tal
ponto que apenas o ouro, a platina, a prata e o titânio são capazes de resistir à sua ação.

Embora não seja inflável ou explosivo, da mesma forma que o oxigênio, ele é capaz de
manter a combustão de certas substâncias.

Reage explosivamente com muitos produtos químicos tais como: acetileno, terebentina,
éter, amônia, hidrogênio e metais finamente divididos.

É importante contar com equipamentos de segurança pessoal, especialmente máscaras


especiais, que protegem os olhos e o aparelho respiratório do operador, próximo aos
locais em que o vazamento de cloro possa ocorrer, tais como salas de estocagem de
cilindros e salas de dosadores de cloro.

Evidentemente, tais máscaras deverão estar facilmente disponíveis no exterior desses


locais, próximas as portas que lhes dão acesso. Existem diversos tipos e concepções
para essas máscaras, desde as que lhe fornecem ar, sob pressão, e através de
mangueiras, acopladas ou não a cilindros de ar.

Um frasco contendo hidróxido de amônio (NH4OH) pode mostrar-se extremamente útil ao


operador. Isto porque a reação do vapor de amônia exalado desse frasco reagirá com o
cloro que, eventualmente, esteja vazando das instalações, formando imediatamente o
cloreto de amônia, que é um gás branco facilmente visível, e que permitirá visualizar, de
imediato, o ponto de vazamento.

Além disto, existem kits para o reparo de cilindros de cloro, que deverão estar facilmente
disponíveis próximos a esses cilindros. Um dos equipamentos para esse fim é conhecido
comumente com kit Parva, consagrando, dessa forma, a marca comercial de seu
idealizador. Pode-se, com ele, deter vazamentos no corpo do cilindro ou em sua válvula.

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O Cloro gasoso é embalado em cilindros de aço, sob alta pressão. No interior do cilindro,
sob alta pressão, ele passa ao estado líquido, apresentando então coloração âmbar.

Os cilindros disponíveis no mercado apresentam capacidades para conter 45 kg


(conhecido pelos operadores como “cilindro de 50kg”), 70kg e 900kg (conhecido pelos
operadores como “cilindro de tonelada”).

Os dois primeiros são usados na posição vertical, enquanto que o último é utilizado na
posição horizontal.

Os cilindros pequenos têm seus números, códigos de fabricação e data do teste


hidrostático estampados em seus corpos, próximo ao pescoço.

É ilegal remarcar ou adulterar essa identificação, efetuada pelo órgão regulamentador


competente.

As válvulas são equipadas com dispositivo de segurança de alívio de pressão do tipo


plug fusível para operar na faixa de 70 a 74 graus centígrados, aliviando a pressão,
prevenindo sua ruptura em caso de exposição a temperaturas elevadas.

Os cilindros de tonelada, também são equipados com esses mesmos dispositivos de


segurança, geralmente três em cada tampo.
No caso de consumo mais elevado, o cloro pode ser utilizado diretamente a partir de
carretas, cuja capacidade pode ser de 15 a 20 toneladas de cloro.

8.5.1 Armazenagem

A armazenagem dos cilindros de cloro deve ser feita em local separado das demais
unidades da casa de química. Além disto, é de todo conveniente que cilindros fiquem
abrigados do calor e da incidência direta de raios solares, bem como livres da ação da
umidade, em vista da possibilidade da formação do ácidos clorídrico e hipocloroso,
agressivos aos metais conforme foi visto.

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O local de armazenagem deve ser ventilado naturalmente e dotado de exaustores, que


devem ser instados rentes ao piso, tendo em vista que o gás cloro mais pesado que o ar.
Por esse mesmo motivo, nada deve comunicar-se com outros locais de pisos mais baixos
(escadarias, poços de elevadores etc.).

Os cilindros de 45kg e 70kg podem ser armazenados apoiados diretamente sobre o piso.
Já os cilindros de tonelada devem ser armazenados sobre duas vigas, normalmente de
madeira, devidamente calçados mantidos assim, afastados do piso e, em conseqüência,
da umidade.

Os cilindros de cloro devem ser armazenados espaços entre si de forma a permitir sua
inspeção periódica, a fim de constatar qualquer tipo de irregularidade em sua superfície
externa, bem como eventuais vazamentos.

Como no caso dos demais produtos químicos descritos anteriormente, deve-se dar
prioridade ao consumo de cilindros estocados há mais tempo. Os cilindros cheios, vazios
ou defeituosos devem ser facilmente identificáveis, através, por exemplo, de marcações
de giz em suas superfícies.
Quando extraído da parte superior dos cilindros, o cloro sai sob forma gasosa. Essa é a
maneira com que o cloro é utilizado mais freqüentemente nas ETAs brasileiras.
Entretanto, a tiragem de cloro dos cilindros tem capacidade limitada.

De cada cilindro de 45kg e 70kg pode-se extrair até 0,8kg de cloro por hora, enquanto
que, de cada cilindro de tonelada, pode-se extrair até 7kg de cloro por hora.

Quando o consumo de cloro é elevado, pode ser econômico extraí-lo dos cilindros sob
forma líquida.

Em tais situações, são utilizados os cilindros de tonelada, e o cloro líquido extraído é


conduzido a unidades denominadas “evaporadores” , no interior dos quais o cloro é
gaseificado. Isto porque os equipamentos para dosagem disponíveis no mercado são
fabricados para dosar o cloro gasoso.

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É comum encontrar os cilindros em utilização instalados sobre balanças do tipo de


plataforma. Essa providência permite que o operador acompanhe quantitativamente a
tiragem de cloro do interior dos cilindros, e saiba que seus conteúdos estão chegando ao
fim, para providenciar suas trocas.

Figura 4.10

8.5.2 DOSAGEM

É feita através dos cloradores. Recomenda-se que sejam instalados em sala separada
dos cilindros de cloro, também adequadamente ventilada, dotada de exaustor e que não
se comunique com locais de pisos mais baixos (escadarias, poços de elevadores etc.).

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DOSADORES

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9.1 INTRODUÇÃO

Na lição anterior, tomamos conhecimento de vários produtos químicos que podem ser
utilizados nas estações de tratamento de água.

Nesta lição, veremos as formas usuais de dosá-los à água em tratamento.

A escolha do tipo de dosador a ser utilizado em cada caso depende do tipo de produto
químico e da forma em que é fornecido, bem como das facilidades de manutenção
prevalecentes na região, da habilidade da equipe operacional e, é claro, das condições
de mercado.

O mercado oferece uma infinidade de tipos de dosadores. Cada um deles oferece


vantagens e desvantagens. Consideraremos neste curso apenas os mais usuais
adequados para as pequenas ETAs.

Unidades de maior capacidade utilizam dosadores mais sofisticados, capazes de oferecer


maior precisão de dosagem (e, portanto, maior economia do produto a ser dosado), além
da possibilidade de automatização. Neste último caso, tais dosadores permitirão que a
dosagem seja proporcional, por exemplo, à vazão em tratamento, podendo, inclusive, ser
desligados quando essa vazão for nula.

Existem equipamentos adequados à dosagem de sólidos, líquidos e gases, e até mesmo


à dosagem de pastas.

De modo geral, pequenas estações de tratamento de água dosam líquidos e gases. Não
obstante, serão apresentadas considerações, ainda que superficiais, sobre a dosagem de
sólidos e pastas.

9.2 DOSADORES A SECO

São equipamentos adequados à dosagem de sólidos, normalmente empregados em

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ETAs de maior capacidade. A figura 5.1 apresenta esquematicamente uma instalação


típica de dosador a seco.

Observa-se que o produto sólido é armazenado num silo instalado sobre o dosador
propriamente dito.

Normalmente, o dosador assegura um fluxo constante do produto químico para o interior


de um tanque de dissolução, usualmente dotado de um agitador acionado eletricamente
(embora exista a possibilidade de, em alguns casos, dosar o produto diretamente na
água em tratamento (este procedimento quase nunca é utilizado, por ser considerado
pouco prático).

Esse tanque de dissolução é


continuamente abastecido de água,
e mantém-se com volume constante
graças à uma válvula de bóia
instalada na entrada da água. A
partir dele, a solução ou suspensão
preparada, resultante da mistura do
produto químico com água, é
conduzida ao ponto de aplicação,
através de um conjunto motor-
bomba ou por gravidade.

Figura 5.1

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OPERAÇÃO DE ESTAÇÃO DE TRATAMENTO DE ÁGUA

Os sólidos a serem dosados devem apresentar-se dentro de especificações pré-


estabelecidas, de forma a não prejudicar o desempenho do equipamento.

A recarga do silo pode ser efetuada manual ou mecanicamente, dependendo do porte da


estação de tratamento de água.

Os dosadores a seco podem ser classificados em gravimétricos e volumétricos.

9.2.1 Dosadores Gravimétricos

Com referência à figura 5.2, que ilustra esquematicamente este tipo de dosadores, de
modo geral eles funcionam da seguinte forma:

7. O material a ser dosado é descarregado sobre uma pequena esteira transportadora,


associada a uma balança;

a) Essa balança registra a quantidade do material dosado, aumentando ou diminuindo a


velocidade da esteira caso essa quantidade esteja abaixo ou acima do desejado.

Outros dosadores podem efetuar a pesagem do silo, e corrigir a dosagem através da


diferença de pesagem. Nesses casos, a correia transportadora é substituída por uma
válvula na saída do silo, que será aberta ou fechada conforme a balança constate a
necessidade de aumentar ou diminuir a dosagem.

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OPERAÇÃO DE ESTAÇÃO DE TRATAMENTO DE ÁGUA

Figura 5.2

9.2.2 Dosadores Volumétricos

Dentre os tipos existentes no mercado, a figura 5.3 mostra os seguintes: de disco


giratório, de bandeja oscilante, de cilindro giratório e o de rosca sem-fim.

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OPERAÇÃO DE ESTAÇÃO DE TRATAMENTO DE ÁGUA

Figura 5.3

9.3 DOSADORES DE LÍQUIDOS

Trata-se da opção mais utilizada em pequenas e médias estações de tratamento de


água. Como foi dito a introdução desta lição, podem ser utilizados para a dosagem de

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OPERAÇÃO DE ESTAÇÃO DE TRATAMENTO DE ÁGUA

produtos químicos originariamente fornecidos sob forma líquida, como também para a
dosagem de soluções e suspensões previamente preparadas a partir de produtos
químicos fornecidos sob forma sólida.

Podem funcionar por gravidade ou por bombeamento.

Há ainda a alternativa de se associar recalque e gravidade, de modo a se obter uma


alternativa descrita como sistema misto, que será vista mais adiante nesta lição.

9.3.1 DOSADORES POR GRAVIDADE

São dosadores que independem da utilização de bombas para funcionarem. Neste curso
trataremos de quatro dos seus tipos, novamente, os dosadores de nível constante, os de
canecas, os de equilíbrio e os saturadores.

Dosadores de NÍvel Constante

Como mostra a figura 5.4.a, o líquido a ser dosado é armazenado num reservatório,
instalado em nível superior ao dosador. Este é abastecido a partir de uma derivação
originária do reservatório, cuja extremidade de montante normalmente parte de seu fundo
ou próxima dele.

A alimentação do dosador é dotada de uma válvula de nível, responsável em manter


constante o nível no interior do dosador para dada vazão de dosagem. A saída do
dosador é constituída por um orifício calibrável, responsável por deixar escoar uma vazão
constante para dado grau de abertura do orifício.

Por se tratar de um equipamento dotado de um tanque no interior do qual o líquido


permanece retido ainda que por curto tempo, esse dosador é recomendado para
soluções, e não para suspensões, tendo em vista que poderá ocorrer a formação de
depósitos indesejáveis em seu interior.

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Dosadores de equilíbrio

São dosadores adequados a pequenas vazões de dosagem (portanto pequenas estações


de tratamento de água).

Como mostra a figura 5.4.b, um recipiente, contendo l líquido a ser dosado, é fechado
com uma rolha de borracha, através da qual são introduzidos dois tubos de pequeno
calibre.

Na extremidade de um desses tubos é instalado um tubo de material flexível (e.g.:


mangueira de borracha) dotada de um dispositivo que permita regular sua abertura para
a passagem do líquido (e.g.: pinça de laboratório).

Figura 5.4

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Em seguida, coloca-se o recipiente “de cabeça para baixo”.


O líquido tenderá a sair pelos dois tubos.

Estando estrangulado o tubo de material flexível, poderá ocorrer pequena saída de


líquido pelo outro tubo.

Poucos instantes depois, surgirá um vácuo parcial na região acima do líquido no interior
do recipiente quando, então, a solução passará a sair apenas pelo tubo mais comprido.

Alguns assemelham esse tipo de dosador aos bebedouros construídos em galinheiros,


nos quais utiliza-se garrafas cheias d’água viradas de cabeça para baixo e com a ponta
mergulhada numa lata de goiabada (e eles têm razão; o princípio de funcionamento é o
mesmo!).

Dosadores de canecas

Tratam-se de dois dosadores muito utilizados para a dosagem de suspensão de cal


hidratada.

Como mostra a figura 5.4.c, no seu interior, a suspensão é mantida em constante


agitação, através de braços fixados a um eixo horizontal mantido permanentemente em
rotação, de modo a impossibilitar deposição da cal.

Ao mesmo tempo, canecas fixadas em braços presos a esse mesmo eixo recolhem a
suspensão e a derramam em caixas coletoras (duas) existentes no interior de cada
dosador.

Cada uma dessas caixas coletoras dispõe de uma abertura regulável em sua parte
superior, de forma a permitir o recebimento de maior ou menor vazão do produto a ser
dosado.

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A regulagem do grau de abertura é feita através de alavanca instalada externamente ao


dosador.

Saturadores

Construídos como representado na figura 5.5, os saturadores vêm cumprindo


adequadamente seu papel em pequenas ETAs preparando e dosando (simultaneamente)
o produto químico sólido que se deseja aplicar, especialmente nos casos da cal
hidratada e do fluorsilicato de sódio, que praticamente consagraram seu uso em nosso
meio.

Figura 5.5

Uma das vantagens desse tipo de equipamento é a de dispensar o preparo do produto


químico sólido a ser dosado, e dos equipamentos mecânicos de agitação que
normalmente estão a eles associados.

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Alguns operadores reclamam que, especialmente no caso da cal hidratada, os cones


saturadores não permitem o controle efetivo da dosagem, a despeito de que, pelo menos
teoricamente, o efluente dos cones deveria apresentar concentração constante e igual à
de saturação do produto.

Os saturadores podem ser projetados com formato tronco-cônico ou tronco-piramidal,


tomando-se o cuidado de construí-lo suficientemente alto para assegurar que a água, a
ser injetada em seu fundo, seja distribuída do modo mais uniforme possível, em todo o
volume do produto químico a ser dosado.

9.3.2 DOSADORES POR BOMBEAMENTO

Bombas dosadoras de diagrama

Utilizadas com muito sucesso pela indústria, esse tipo de equipamento não apresentou
bons resultados em algumas casas de química, provavelmente devido à falta de
especialização dos operadores que com elas trabalhavam ou à falta de agilidade na
aquisição e fornecimento de peças de reposição. São bombas de deslocamento positivo,
cujo funcionamento é esquematicamente representado na figura 5.6.a.

Diversos fabricantes fornecem bombas dosadoras de diafragma, aplicáveis a grandes


faixas de vazão e alturas de bombeamento.

A bomba propriamente dita (conjunto constituído pela carcaça, diafragma, válvulas etc.) é
comumente denominada de “cabeça”.

Assim sendo, tendo em vista que é possível acionar uma bomba, ou um conjunto de
bombas, através de um único motor elétrico, encontram-se disponíveis no mercado
bombas dosadoras de uma ou mais cabeças, ocasião em que são denominadas, por
alguns fabricantes, de bombas simplex, duplex e multiplex.

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Figura 5.6

Bombas dosadoras de pistão

São assemelhadas às bombas dosadoras de diafragma, com a diferença que, nesse


último tipo, o movimento do diafragma é substituído pelo de um pistão, como mostra a
figura 5.6.b.

9.3.3 HIDROEJETORES

Esses curiosos dispositivos, cujo princípio de funcionamento é representado


esquematicamente na figura 5.7, são, na realidade, pequenos venturis, através dos
quais faz-se passar água com vazão suficiente para que a pressão, em sua garganta
(nome que é dado à sua seção mais estreita) se torne negativa. Em tais condições, o
produto químico que se deseja dosar é succionado e misturado à água injetada no
venturi. A solução resultante da mistura entre a água e o produto químico é então
encaminhada ao ponto de aplicação.

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O controle da quantidade de produto químico a ser dosado pode ser feito com facilidade,
graças ao rotâmetro indicador de vazão, seguido de válvula de agulha, sobre a qual o
operador pode atuar, de forma a aumentar ou diminui o fluxo.

Figura 5.7

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Fica claro que os hidroejetores são adequados à dosagem de soluções, não devendo ser
empregados para trabalharem com suspensões de produtos químicos.

HIDROGEROX HG 500

CAPACIDADES

250 gramas de cloro/dia;


500 gramas de cloro/dia;
1000 gramas de cloro/dia.

HIDROGEROX HG 3000

3000 gramas de cloro/dia.

HIDROGEROX HG PLUS

6000 gramas de cloro/dia

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Preparação da Salmoura à 2,5%:

 Verificar quando está faltando solução;


 Dissolver aos poucos a quantidade de sal necessária em um balde com água;
 Verter a salmoura dissolvida no reservatório e completar até o nível indicado;
 Agitar bem para garantir a dissolução completa do sal.

Manutenção Preventiva:

Como manter o HIDROGEROX funcionando em perfeito estado:

O HIDROGEROX, é um equipamento que transforma o sal em hipoclorito de sódio


(cloro), mas, para que isto ocorra é preciso que o equipamento esteja sempre em
perfeitas condições de funcionamento.

Pensando nisso elaboramos esta lista de dicas, para que você OPERADOR faça a
MANUTENÇÃO PREVENTIVA, evitando problemas nos equipamentos e garantindo a
qualidade da água a ser distribuída.

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Recomendamos que se faça uma MANUTENÇÃO PREVENTIVA a cada 30 dias (uma


vez por mês);

 REATOR: é onde ocorre a reação eletrolítica transformando o sal em cloro; no reator


estão localizados os eletrodos positivo e negativo, e os principais contatos elétricos do
equipamento, que são as ligações elétricas da fonte para os eletrodos positivo e
negativo.

Fazer limpeza internamente e externamente, não deixando que a sujeira se acumule


principalmente no interior do reator, que poderia ocasionar um entupimento no
hidroejetor, ou na bomba dosadora.

ELETRODOS: são a alma do hidrogerox, sem eles é impossível produzir cloro, e é por
isso que eles merecem atenção especial.

 O eletrodo positivo é o mais escuro pois tem uma camada de revestimento especial
que é onde o cloro e formado.

“O ELETRODO POSITIVO NUNCA DEVE SER LAVADO” e se deve evitar ao


máximo o contato manual e principalmente ferramentas, que podem encostar e riscar
o revestimento, diminuindo a vida útil dos eletrodos, e diminuindo também a produção
de cloro.

“SOMENTE O ELETRODO NEGATIVO DEVE SER LAVADO”

Desmontar os eletrodos da tampa, separar o positivo do negativo e lavar com água


corrente e se necessário com ácido clorídrico diluído a 6% (pode se usar escova ou
bucha para auxiliar a limpeza).

Quando o eletrodo negativo está sujo: a produção de cloro diminui; aumenta o


aquecimento da solução de hipoclorito e dos contatos elétricos; gasta-se mais solução de
salmoura; o equipamento trabalha forçado.

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CONTATOS ELÉTRICOS NO REATOR:

É onde normalmente ocorre o maior aquecimento, também onde acontecem os maiores


estragos. E é exatamente por isso que eles merecem atenção redobrada.

“NÃO ADIANTA SÓ APERTAR ELE VAI CONTINUAR AQUECENDO”.

O contato elétrico tem que estar limpo. Os terminais de cobre e as pontas dos cabos
podem ser limpos com ácido clorídrico diluído a 6% com auxílio de uma lixa deve-se ser
retirados todo o zinabre que se encontra depositado nos cabos e nos terminais.
Recomendamos que nos parafusos seja passado uma escova de aço para que ele fique
completamente limpo. (aplicar pasta térmica nos contatos elétricos para diminuir o
aquecimento).

Quando o equipamento está super dimensionado também ocorre aquecimento pois a


solução de cloro fica muito tempo em contato com a eletrólise.

CONTATOS ELÉTRICOS NA FONTE DE CORRENTE:

Reapertar todos os contatos elétricos, e quando houver zinabre fazer limpeza com ácido,
lixa e escova de aço (o mesmo procedimento utilizado para limpar os terminais do reator
pode ser aplicado na fonte).

HIDROEJETOR: equipamento que funciona com um princípio de formação de vácuo a


partir do momento em que a água com pressão positiva passa pelo venturi, fazendo com
que a solução de hipoclorito seja succionada e conduzida até o ponto de aplicação.

MANUTENÇÃO:
Desmontar o hidroejetor e separar todos os anéis de borracha, colocar todas as peças
plásticas em um recipiente, de forma que todas as peças fiquem mergulhadas no ácido,
deixar o ácido agir por 15 minutos, enxaguar em água corrente verificando se não há
sujeiras ou incrustações em seu interior (atenção para não perder peças).

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BOMBA DOSADORA:

Equipamento de funcionamento elétrico que serve para aplicar o hipoclorito produzindo


até o ponto de aplicação.

MANUTENÇÃO:

Desmontar a tampa do diafragma e limpar o diafragma de teflon com um pano úmido,


montar a tampa do diafragma e recircular ácido clorídrico por 15 minutos para que as
válvulas de retenção também fiquem limpas.

Controle das Dosagens de Cloro na Água:

PADRÃO DE QUALIDADE DA ÁGUA

Redes de Distribuição de Água/Reservatórios.

Cloro Residual-Rede

ppm Nota
0,0 a 0,19 1
0,20 a 2,00 100
> = 2,01 1

Cloro Residual-Reservatório

ppm Nota
< = 0,49 1
0,50 a 2,00 100
> = 2,01 1

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DADOS OPERACIONAIS PARA PREENCHIMENTO DE RELATÓRIOS E


CONTROLE

Vazão – Medição de Vazão.

Cálculo do Volume de Reservatório

Reservatório retangular:

Determine qual o volume de uma caixa d'água que tem forma de paralelepípedo, cujas
arestas medem 0,60m por 0,40m x 1m.

V=a.b.h
V = 0,60m x 0,40m x 1,00m
V = 0,24m3

Reservatório circular:

Calcule o volume do cilindro onde o raio da base é igual a 3m e altura 10m.

V = ~ . R2 . h

V = 3,14 x 32 x 10
V = 282,24m3

Análise para controle de qualidade da água

Cloro Residual

Princípio da análise a orto-tolidina reage com as cloraminas (teor de cloro presente na


água analisada).

Quanto maior a concentração de cloro na água maior a tonalidade da cor amarela.

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REALIZAÇÃO DE ANÁLISE:

Equipamento utilizado: Aparelho comparador.

Reagente: orto-tolidina
Cubetas: capacidade 10 ml
Procedimento: colher 10 ml da amostra a ser analisada, pingar 5 gotas do reagente e
posicionar a cubeta no aparelho. Aguardar a leitura digital.

Valores ótimos dos Sistemas de Abastecimento de Água da SANEAGO, conforme


Portaria Nº 518 DE 25 DE MARÇO DE 2004 - Ministério da Saúde.

Na ETA: cloro residual 0,5 a 2,0 mg/litro.


Na Rede de Distribuição: cloro residual 0,2 a 2,0 mg/litro.

Sistemas Mistos

Salvo em casos topograficamente favoráveis, a dosagem de produtos químicos por via


úmida e por gravidade necessita de casas de química construídas com três ou mais
pavimentos, veja a figura 5.8. Isto porque o preparo da solução de coagulante/floculante,
normalmente o sulfato de alumínio fornecido na forma sólida, e da suspensão do
alcalinizante, normalmente a cal hidratada fornecida em forma de pó, podem ser
realizados no pavimento superior, em tanques próprios para esse fim.

A solução e a suspensão assim preparadas são encaminhadas, em seguida, por


gravidade, até o pavimento inferior, onde encontram-se instalados os dosadores,
normalmente localizados em elevação algo superior à das passarelas das unidades de
tratamento de água.

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Figura 5.8

O pavimento térreo, isto é, o que se encontra sob o piso dos dosadores, é normalmente
utilizado para a armazenagem dos produtos químicos, sendo o transporte desses
produtos desde esse pavimento até o dos tanques de preparo normalmente realizado
através de monta-cargas.

Uma alternativa para evitar a construção do pavimento extra em que são instalados os
tanques de preparo, sem abrir mão da dosagem por gravidade, é a de se utilizar o
sistema misto, veja a figura 5.9.

Nesse sistema, as soluções e suspensões são preparadas em tanques construídos


juntos ao armazém de produtos químicos, normalmente o pavimento térreo. Daí elas são
bobeadas para dosadores especiais, do tipo denominado de extravasão e recirculação,
instalados no pavimento imediatamente superior através de bombas centrífugas do tipo
comumente encontrado no mercado.

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Observe que a vazão recalcada pelas bombas e superior à vazão necessária para a
dosagem da quantidade requerida de produto químico.

Por isto, parte dessa vazão extravasa e retorna ao tanque de preparo.

Figura 5.9

No caso de produtos químicos corrosivos, torna-se necessário especificar, junto com o


fabricante, o tipo de material mais conveniente para a carcaça e o rotor da bomba, ou
seus revestimentos. Para os casos comuns, tem sido suficiente especificar certas
bombas de PVC encontradas no mercado.

O dosador do tipo extravasão e recirculação nada mais é que um dosador de nível


constante, em que o controle de nível é exercido por um extravasor, ao invés da válvula
de bóia existente naquele tipo.

DOSADORES DE GASES

O gás mais dosado em estações de tratamento de água é o cloro molecular (Cl2), embora
algumas estações utilizem também a amônia (NH3) para que o cloro residual no sistema
distribuidor esteja sob forma de cloraminas, ao invés de cloro livre.

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Ainda que seja possível dosar o gás diretamente na água em tratamento, a alternativa
mais utilizada é a de dosar uma solução fortemente clorada, preparada através da
mistura do gás cloro com água sob pressão, realizada no denominado ejetor.

Essa solução fortemente clorada é então encaminhada ao ponto de dosagem, sendo ali
misturada à água em tratamento.

O gás cloro a ser misturado com a água no ejetor passa antes pelo denominado dosador,
onde sua pressão é reduzida até praticamente zero e, em seguida, sua vazão é regulada
através de um rotâmetro seguido de uma válvula controlada de fluxo.

Os próximos dois itens descrevem, abreviadamente, o dosador e o ejetor de um clorador


hipotético.

Deve ser salientado, entretanto, que cada fornecedor desses tipo de equipamento
apresenta particularidades, tendo por base a experiência adquirida (diferente para cada
um deles) e a própria filosofia construtiva.

O DOSADOR

O gás cloro encontra-se submetido a elevadas pressões no interior dos cilindros. Assim
sendo, a primeira coisa a fazer é reduzir-lhe a pressão.

O dosador, mostrado esquematicamente na figura 5.10, dispõe de uma válvula redutora


de pressão, que faz com que a pressão do gás cloro em sua saída seja constante e
praticamente igual a zero (ou seja, igual à pressão atmosférica reinante no local),
independentemente do valor da pressão reinante no cilindro de cloro.

Uma vez reduzida a pressão, o gás cloro é encaminhado até um rotâmetro, de forma que
se possa conhecer sua vazão.

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A regulagem dessa vazão é feita atuando-se numa válvula de controle instalada


imediatamente após rotâmetro.

Um mesmo modelo de dosador pode atender a enorme faixa de dosagens.

Entretanto, poderá ser necessário substituir seu rotâmento ao se passar de certa faixa de
dosagem para outra. Consulte sempre o fabricante nesses casos.

Figura 5.10

O Ejetor

O ejetor, figura 5.11, é o equipamento responsável por “puxar” o gás cloro desde o
dosador até o fluxo de água sob pressão que o atravessa

Basicamente, o ejetor é um venturi, projetado de forma que a vazão de água sob


pressão produza um vácuo em sua garganta. Esse vácuo é suficiente para puxar, desde
o dosador, a vazão de cloro desejada.

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Figura 5.11

DOSADORES DE PASTAS

Para esse fim, bombas do tipo de


cavidade progressiva, veja a
figura 5.14, vem sendo
empregadas com sucesso. Em
tais bombas, um dispositivo
semelhante a um parafuso é
responsável por empurrar a pasta
no sentido desejado. Por se
adaptarem bem ao bombeamento
de fluídos abrasivos, elas vem sendo também utilizadas para a dosagem de leite de cal
quando a concentração de cal hidratada é elevada, isto em virtude da possível presença
de partícula insolúveis (especialmente areia) na suspensão.

DOSAGEM:

Vazão de Dosagem de Produtos Químicos 5.2

Q x Dd
Qd = 10.Cs

Onde:

Qd = vazão de dosagem do produto químico, em ml/s


Q = vazão tratada pela ETA, em [l/s]
Dd = dosagem média diária do produto químico, em [mg/l]
Cs = concentração da solução ou suspensão, [(%)/100]

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Portaria MS n.º 2.914 de 12 de dezembro de 2011
Dispõe sobre os procedimentos de controle e de vigilância da qualidade da
água para consumo humano e seu padrão de potabilidade.

O MINISTRO DE ESTADO DA SAÚDE, no uso das atribuições que lhe


conferem os incisos I e II do parágrafo único do art. 87 da Constituição, e

Considerando a Lei nº 6.437, de 20 de agosto de 1977, que configura infrações


à legislação sanitária federal e estabelece as sanções respectivas;

Considerando a Lei nº 8.080, de 19 de setembro de 1990, que dispõe sobre as


condições para a promoção, proteção e recuperação da saúde, a organização e o
funcionamento dos serviços correspondentes;

Considerando a Lei nº 9.433, de 1º de janeiro de 1997, que institui a Política


Nacional de Recursos Hídricos, cria o Sistema Nacional de Gerenciamento de Recursos
Hídricos, regulamenta o inciso XIX do art. 21 da Constituição e altera o art. 1º da Lei nº
8.001, de 13 de março de 1990, que modificou a Lei nº 7.990, de 28 de dezembro de
1989;

Considerando a Lei nº 11.107, de 6 de abril de 2005, que dispõe sobre normas


gerais de contratação de consórcios públicos;

Considerando a Lei nº 11.445, de 5 de janeiro de 2007, que estabelece


diretrizes nacionais para o saneamento básico, altera as Leis nºs 6.766, de 19 de
dezembro de 1979, 8.036, de 11 de maio de 1990, 8.666, de 21 de junho de 1993, 8.987,
de 13 de fevereiro de 1995, e revoga a Lei nº 6.528, de 11 de maio de 1978;

Considerando o Decreto nº 79.367, de 9 de março de 1977, que dispõe sobre


normas e o padrão de potabilidade de água;

Considerando o Decreto nº 5.440, de 4 de maio de 2005, que estabelece


definições e procedimentos sobre o controle de qualidade da água de sistemas de
abastecimento e institui mecanismos e instrumentos para divulgação de informação ao
consumidor sobre a qualidade da água para consumo humano; e

Considerando o Decreto nº 7.217, de 21 de junho de 2010, que regulamenta a


Lei nº 11.445, de 5 de janeiro de 2007, que estabelece diretrizes nacionais para o
saneamento básico, resolve:

Art. 1° Esta Portaria dispõe sobre os procedimentos de controle e de vigilância


da qualidade da água para consumo humano e seu padrão de potabilidade.

CAPÍTULO I
DAS DISPOSIÇÕES GERAIS

Art. 2° Esta Portaria se aplica à água destinada ao consumo humano


proveniente de sistema e solução alternativa de abastecimento de água.
Parágrafo único. As disposições desta Portaria não se aplicamà água mineral
natural, à água natural e às águas adicionadas de sais, destinadas ao consumo humano
após o envasamento, e a outraságuas utilizadas como matéria-prima para elaboração de
produtos, conforme Resolução (RDC) nº 274, de 22 de setembro de 2005, da Diretoria
Colegiada da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA).

Art. 3° Toda água destinada ao consumo humano, distribuída coletivamente


por meio de sistema ou solução alternativa coletiva de abastecimento de água, deve ser
objeto de controle e vigilância da qualidade da água.

Art. 4° Toda água destinada ao consumo humano proveniente de solução


alternativa individual de abastecimento de água, independentemente da forma de acesso
da população, está sujeita à vigilância da qualidade da água.

CAPÍTULO II
DAS DEFINIÇÕES

Art. 5° Para os fins desta Portaria, são adotadas as seguintes definições:

I - água para consumo humano: água potável destinada à ingestão, preparação e


produção de alimentos e à higiene pessoal, independentemente da sua origem;

II - água potável: água que atenda ao padrão de potabilidade estabelecido nesta


Portaria e que não ofereça riscos à saúde;

III - padrão de potabilidade: conjunto de valores permitidos como parâmetro da


qualidade da água para consumo humano, conforme definido nesta Portaria;

IV - padrão organoléptico: conjunto de parâmetros caracterizados por provocar


estímulos sensoriais que afetam a aceitação para consumo humano, mas que não
necessariamente implicam riscoà saúde;

V - água tratada: água submetida a processos físicos, químicos ou combinação


destes, visando atender ao padrão de potabilidade;

VI - sistema de abastecimento de água para consumo humano: instalação


composta por um conjunto de obras civis, materiais e equipamentos, desde a zona de
captação até as ligações prediais, destinada à produção e ao fornecimento coletivo de
água potável, por meio de rede de distribuição;

VII - solução alternativa coletiva de abastecimento de água para consumo


humano: modalidade de abastecimento coletivo destinada a fornecer água potável, com
captação subterrânea ou superficial, com ou sem canalização e sem rede de distribuição;

VIII - solução alternativa individual de abastecimento deágua para consumo


humano: modalidade de abastecimento de água para consumo humano que atenda a
domicílios residenciais com umaúnica família, incluindo seus agregados familiares;
IX - rede de distribuição: parte do sistema de abastecimento formada por
tubulações e seus acessórios, destinados a distribuir água potável, até as ligações
prediais;

X - ligações prediais: conjunto de tubulações e peças especiais, situado entre a


rede de distribuição de água e o cavalete, este incluído;

XI - cavalete: kit formado por tubos e conexões destinados à instalação do


hidrômetro para realização da ligação de água;

XII - interrupção: situação na qual o serviço de abastecimento de água é


interrompido temporariamente, de forma programada ou emergencial, em razão da
necessidade de se efetuar reparos, modificações ou melhorias no respectivo sistema;

XIII - intermitência: é a interrupção do serviço de abastecimento de água,


sistemática ou não, que se repete ao longo de determinado período, com duração igual
ou superior a seis horas em cada ocorrência;

XIV - integridade do sistema de distribuição: condição de operação e


manutenção do sistema de distribuição (reservatório e rede) de água potável em que a
qualidade da água produzida pelos processos de tratamento seja preservada até as
ligações prediais;

XV - controle da qualidade da água para consumo humano: conjunto de


atividades exercidas regularmente pelo responsável pelo sistema ou por solução
alternativa coletiva de abastecimento de água, destinado a verificar se a água fornecida à
população é potável, de forma a assegurar a manutenção desta condição;

XVI - vigilância da qualidade da água para consumo humano: conjunto de


ações adotadas regularmente pela autoridade de saúde pública para verificar o
atendimento a esta Portaria, considerados os aspectos socioambientais e a realidade
local, para avaliar se a água consumida pela população apresenta risco à saúde humana;

XVII - garantia da qualidade: procedimento de controle da qualidade para


monitorar a validade dos ensaios realizados;

XVIII - recoleta: ação de coletar nova amostra de água para consumo humano
no ponto de coleta que apresentou alteração em algum parâmetro analítico; e

XIX - passagem de fronteira terrestre: local para entrada ou saída internacional


de viajantes, bagagens, cargas, contêineres, veículos rodoviários e encomendas postais.

CAPÍTULO III
DAS COMPETÊNCIAS E RESPONSABILIDADES

Seção I
Das Competências da União
Art. 6° Para os fins desta Portaria, as competências atribuídasà União serão
exercidas pelo Ministério da Saúde e entidades a ele vinculadas, conforme estabelecido
nesta Seção.

Art. 7º Compete à Secretaria de Vigilância em Saúde (SVS/MS):

I - promover e acompanhar a vigilância da qualidade da água para consumo


humano, em articulação com as Secretarias de Saúde dos Estados, do Distrito Federal e
dos Municípios e respectivos responsáveis pelo controle da qualidade da água;

II - estabelecer ações especificadas no Programa Nacional de Vigilância da


Qualidade da Água para Consumo Humano (VIGIAGUA);

III - estabelecer as ações próprias dos laboratórios de saúde pública,


especificadas na Seção V desta Portaria;

IV - estabelecer diretrizes da vigilância da qualidade da água para consumo


humano a serem implementadas pelos Estados, Distrito Federal e Municípios,
respeitados os princípios do SUS;

V - estabelecer prioridades, objetivos, metas e indicadores de vigilância da


qualidade da água para consumo humano a serem pactuados na Comissão Intergestores
Tripartite; e

VI - executar ações de vigilância da qualidade da água para consumo humano,


de forma complementar à atuação dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios.

Art. 8º Compete à Secretaria Especial de Saúde Indígena (SESAI/MS)


executar, diretamente ou mediante parcerias, incluída a contratação de prestadores de
serviços, as ações de vigilância e controle da qualidade da água para consumo humano
nos sistemas e soluções alternativas de abastecimento de água das aldeias indígenas.

Art. 9º Compete à Fundação Nacional de Saúde (FUNASA) apoiar as ações de


controle da qualidade da água para consumo humano proveniente de sistema ou solução
alternativa de abastecimento de água para consumo humano, em seu âmbito de atuação,
conforme os critérios e parâmetros estabelecidos nesta Portaria.

Art. 10. Compete à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA)


exercer a vigilância da qualidade da água nas áreas de portos, aeroportos e passagens de
fronteiras terrestres, conforme os critérios e parâmetros estabelecidos nesta Portaria,
bem como diretrizes específicas pertinentes.

Seção II
Das Competências dos Estados

Art. 11. Compete às Secretarias de Saúde dos Estados:

I - promover e acompanhar a vigilância da qualidade daágua, em articulação


com os Municípios e com os responsáveis pelo controle da qualidade da água;
II - desenvolver as ações especificadas no VIGIAGUA, consideradas as
peculiaridades regionais e locais;

III - desenvolver as ações inerentes aos laboratórios de saúde pública,


especificadas na Seção V desta Portaria;

IV - implementar as diretrizes de vigilância da qualidade daágua para consumo


humano definidas no âmbito nacional;

V - estabelecer as prioridades, objetivos, metas e indicadores de vigilância da


qualidade da água para consumo humano a serem pactuados na Comissão Intergestores
Bipartite;

VI - encaminhar aos responsáveis pelo abastecimento deágua quaisquer


informações referentes a investigações de surto relacionadoà qualidade da água para
consumo humano;

VII - realizar, em parceria com os Municípios em situações de surto de doença


diarréica aguda ou outro agravo de transmissão fecal-oral, os seguintes procedimentos:

a) análise microbiológica completa, de modo a apoiar a investigação


epidemiológica e a identificação, sempre que possível, do gênero ou espécie de
microorganismos;

b) análise para pesquisa de vírus e protozoários, no que couber, ou


encaminhamento das amostras para laboratórios de referência nacional, quando as
amostras clínicas forem confirmadas para esses agentes e os dados epidemiológicos
apontarem a água como via de transmissão; e

c) envio das cepas de Escherichia coli aos laboratórios de referência nacional


para identificação sorológica;

VIII - executar as ações de vigilância da qualidade da água para consumo


humano, de forma complementar à atuação dos Municípios, nos termos da
regulamentação do SUS.

Seção III
Das Competências dos Municípios

Art. 12. Compete às Secretarias de Saúde dos Municípios:

I - exercer a vigilância da qualidade da água em sua área de competência, em


articulação com os responsáveis pelo controle da qualidade da água para consumo
humano;

II - executar ações estabelecidas no VIGIAGUA, consideradas as


peculiaridades regionais e locais, nos termos da legislação do SUS;

III - inspecionar o controle da qualidade da água produzida e distribuída e as


práticas operacionais adotadas no sistema ou solução alternativa coletiva de
abastecimento de água, notificando seus respectivos responsáveis para sanar a(s)
irregularidade(s) identificada(s);

IV - manter articulação com as entidades de regulação quando detectadas


falhas relativas à qualidade dos serviços de abastecimento de água, a fim de que sejam
adotadas as providências concernentes a sua área de competência;

V- garantir informações à população sobre a qualidade daágua para consumo


humano e os riscos à saúde associados, de acordo com mecanismos e os instrumentos
disciplinados no Decreto nº 5.440, de 4 de maio de 2005;

VI - encaminhar ao responsável pelo sistema ou solução alternativa coletiva de


abastecimento de água para consumo humano informações sobre surtos e agravos à
saúde relacionados à qualidade da água para consumo humano;

VII - estabelecer mecanismos de comunicação e informação com os


responsáveis pelo sistema ou solução alternativa coletiva de abastecimento de água
sobre os resultados das ações de controle realizadas;

VIII - executar as diretrizes de vigilância da qualidade daágua para consumo


humano definidas no âmbito nacional e estadual;

IX - realizar, em parceria com os Estados, nas situações de surto de doença


diarréica aguda ou outro agravo de transmissão fecaloral, os seguintes procedimentos:

a) análise microbiológica completa, de modo a apoiar a investigação


epidemiológica e a identificação, sempre que possível, do gênero ou espécie de
microorganismos;

b) análise para pesquisa de vírus e protozoários, quando for o caso, ou


encaminhamento das amostras para laboratórios de referência nacional quando as
amostras clínicas forem confirmadas para esses agentes e os dados epidemiológicos
apontarem a água como via de transmissão; e

c) envio das cepas de Escherichia coli aos laboratórios de referência nacional


para identificação sorológica;

X - cadastrar e autorizar o fornecimento de água tratada, por meio de solução


alternativa coletiva, mediante avaliação e aprovação dos documentos exigidos no art. 14
desta Portaria.

Parágrafo único. A autoridade municipal de saúde pública não autorizará o


fornecimento de água para consumo humano, por meio de solução alternativa coletiva,
quando houver rede de distribuição de água, exceto em situação de emergência e
intermitência.

Seção IV
Do Responsável pelo Sistema ou Solução Alternativa Coletiva
de Abastecimento de Água para Consumo Humano
Art. 13. Compete ao responsável pelo sistema ou solução alternativa coletiva
de abastecimento de água para consumo humano:

I - exercer o controle da qualidade da água;

II - garantir a operação e a manutenção das instalações destinadas ao


abastecimento de água potável em conformidade com as normas técnicas da Associação
Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) e das demais normas pertinentes;

III - manter e controlar a qualidade da água produzida e distribuída, nos termos


desta Portaria, por meio de:

a) controle operacional do(s) ponto(s) de captação, adução, tratamento,


reservação e distribuição, quando aplicável;

b) exigência, junto aos fornecedores, do laudo de atendimento dos requisitos de


saúde estabelecidos em norma técnica da ABNT para o controle de qualidade dos
produtos químicos utilizados no tratamento de água;

c) exigência, junto aos fornecedores, do laudo de inocuidade dos materiais


utilizados na produção e distribuição que tenham contato com a água;

d) capacitação e atualização técnica de todos os profissionais que atuam de


forma direta no fornecimento e controle da qualidade da água para consumo humano; e

e) análises laboratoriais da água, em amostras provenientes das diversas partes


dos sistemas e das soluções alternativas coletivas, conforme plano de amostragem
estabelecido nesta Portaria;

IV - manter avaliação sistemática do sistema ou solução alternativa coletiva de


abastecimento de água, sob a perspectiva dos riscos à saúde, com base nos seguintes
critérios:

a) ocupação da bacia contribuinte ao manancial;

b) histórico das características das águas;

c) características físicas do sistema;

d) práticas operacionais; e

e) na qualidade da água distribuída, conforme os princípios dos Planos de


Segurança da Água (PSA) recomendados pela Organização Mundial de Saúde (OMS)
ou definidos em diretrizes vigentes no País;

V - encaminhar à autoridade de saúde pública dos Estados, do Distrito Federal


e dos Municípios relatórios das análises dos parâmetros mensais, trimestrais e
semestrais com informações sobre o controle da qualidade da água, conforme o modelo
estabelecido pela referida autoridade;
VI - fornecer à autoridade de saúde pública dos Estados, do Distrito Federal e
dos Municípios os dados de controle da qualidade da água para consumo humano,
quando solicitado;

VII - monitorar a qualidade da água no ponto de captação, conforme estabelece


o art. 40 desta Portaria;

VIII - comunicar aos órgãos ambientais, aos gestores de recursos hídricos e ao


órgão de saúde pública dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios qualquer
alteração da qualidade da água no ponto de captação que comprometa a tratabilidade da
água para consumo humano;

IX - contribuir com os órgãos ambientais e gestores de recursos hídricos, por


meio de ações cabíveis para proteção do(s) manancial(ais) de abastecimento(s) e das
bacia(s) hidrográfica(s);

X - proporcionar mecanismos para recebimento de reclamações e manter


registros atualizados sobre a qualidade da água distribuída, sistematizando-os de forma
compreensível aos consumidores e disponibilizando-os para pronto acesso e consulta
pública, em atendimento às legislações específicas de defesa do consumidor;

XI - comunicar imediatamente à autoridade de saúde pública municipal e


informar adequadamente à população a detecção de qualquer risco à saúde, ocasionado
por anomalia operacional no sistema e solução alternativa coletiva de abastecimento de
água para consumo humano ou por não conformidade na qualidade da água tratada,
adotando-se as medidas previstas no art. 44 desta Portaria; e

XII - assegurar pontos de coleta de água na saída de tratamento e na rede de


distribuição, para o controle e a vigilância da qualidade da água.

Art. 14. O responsável pela solução alternativa coletiva de abastecimento de


água deve requerer, junto à autoridade municipal de saúde pública, autorização para o
fornecimento de água tratada, mediante a apresentação dos seguintes documentos:

I - nomeação do responsável técnico habilitado pela operação da solução


alternativa coletiva;

II - outorga de uso, emitida por órgão competente, quando aplicável; e

III - laudo de análise dos parâmetros de qualidade da água previstos nesta


Portaria.

Art. 15. Compete ao responsável pelo fornecimento de água para consumo


humano por meio de veículo transportador:

I - garantir que tanques, válvulas e equipamentos dos veículos transportadores


sejam apropriados e de uso exclusivo para o armazenamento e transporte de água
potável;
II - manter registro com dados atualizados sobre o fornecedor e a fonte de
água;

III - manter registro atualizado das análises de controle da qualidade da água,


previstos nesta Portaria;

IV - assegurar que a água fornecida contenha um teor mínimo de cloro residual


livre de 0,5 mg/L; e

V - garantir que o veículo utilizado para fornecimento deágua contenha, de


forma visível, a inscrição "ÁGUA POTÁVEL" e os dados de endereço e telefone para
contato.

Art. 16. A água proveniente de solução alternativa coletiva ou individual, para


fins de consumo humano, não poderá ser misturada com a água da rede de distribuição.

Seção V
Dos Laboratórios de Controle e Vigilância

Art. 17. Compete ao Ministério da Saúde:

I - habilitar os laboratórios de referência regional e nacional para


operacionalização das análises de maior complexidade na vigilância da qualidade da
água para consumo humano, de acordo com os critérios estabelecidos na Portaria nº
70/SVS/MS, de 23 de dezembro de 2004;

II - estabelecer as diretrizes para operacionalização das atividades analíticas de


vigilância da qualidade da água para consumo humano; e

III - definir os critérios e os procedimentos para adotar metodologias analíticas


modificadas e não contempladas nas referências citadas no art. 22 desta Portaria.

Art. 18. Compete às Secretarias de Saúde dos Estados habilitar os laboratórios


de referência regional e municipal para operacionalização das análises de vigilância da
qualidade da água para consumo humano.

Art. 19. Compete às Secretarias de Saúde dos Municípios indicar, para as


Secretarias de Saúde dos Estados, outros laboratórios de referência municipal para
operacionalização das análises de vigilância da qualidade da água para consumo
humano, quando for o caso.

Art. 20. Compete aos responsáveis pelo fornecimento deágua para consumo
humano estruturar laboratórios próprios e, quando necessário, identificar outros para
realização das análises dos parâmetros estabelecidos nesta Portaria.

Art. 21. As análises laboratoriais para controle e vigilância da qualidade da


água para consumo humano podem ser realizadas em laboratório próprio, conveniado
ou subcontratado, desde que se comprove a existência de sistema de gestão da
qualidade, conforme os requisitos especificados na NBR ISO/IEC 17025:2005.
Art. 22. As metodologias analíticas para determinação dos parâmetros
previstos nesta Portaria devem atender às normas nacionais ou internacionais mais
recentes, tais como:

I - Standard Methods for the Examination of Water and Wastewater de autoria


das instituições American Public Health Association (APHA), American Water Works
Association (AWWA) e Water Environment Federation (WEF);

II - United States Environmental Protection Agency (USEPA);

III - normas publicadas pela International Standartization Organization (ISO); e

IV - metodologias propostas pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

CAPÍTULO IV
DAS EXIGÊNCIAS APLICÁVEIS AOS SISTEMAS E SOLUÇÕES
ALTERNATIVAS COLETIVAS DE ABASTECIMENTO
DE ÁGUA PARA CONSUMO HUMANO

Art. 23. Os sistemas e as soluções alternativas coletivas de abastecimento de


água para consumo humano devem contar com responsável técnico habilitado.

Art. 24. Toda água para consumo humano, fornecida coletivamente, deverá
passar por processo de desinfecção ou cloração.

Parágrafo único. As águas provenientes de manancial superficial devem ser


submetidas a processo de filtração.

Art. 25. A rede de distribuição de água para consumo humano deve ser operada
sempre com pressão positiva em toda sua extensão.

Art. 26. Compete ao responsável pela operação do sistema de abastecimento de


água para consumo humano notificar à autoridade de saúde pública e informar à
respectiva entidade reguladora e à população, identificando períodos e locais, sempre
que houver:

I - situações de emergência com potencial para atingir a segurança de pessoas e


bens;

II - interrupção, pressão negativa ou intermitência no sistema de


abastecimento;

III - necessidade de realizar operação programada na rede de distribuição, que


possa submeter trechos a pressão negativa;

IV - modificações ou melhorias de qualquer natureza nos sistemas de


abastecimento; e

V - situações que possam oferecer risco à saúde.


CAPÍTULO V
DO PADRÃO DE POTABILIDADE

Art. 27. A água potável deve estar em conformidade com padrão


microbiológico, conforme disposto no Anexo I e demais disposições desta Portaria.

§ 1º No controle da qualidade da água, quando forem detectadas amostras com


resultado positivo para coliformes totais, mesmo em ensaios presuntivos, ações
corretivas devem ser adotadas e novas amostras devem ser coletadas em dias
imediatamente sucessivos até que revelem resultados satisfatórios.

§ 2º Nos sistemas de distribuição, as novas amostras devem incluir no mínimo


uma recoleta no ponto onde foi constatado o resultado positivo para coliformes totais e
duas amostras extras, sendo uma à montante e outra à jusante do local da recoleta.

§ 3º Para verificação do percentual mensal das amostras com resultados


positivos de coliformes totais, as recoletas não devem ser consideradas no cálculo.

§ 4º O resultado negativo para coliformes totais das recoletas não anula o


resultado originalmente positivo no cálculo dos percentuais de amostras com resultado
positivo.

§ 5º Na proporção de amostras com resultado positivo admitidas mensalmente


para coliformes totais no sistema de distribuição, expressa no Anexo I a esta Portaria,
não são tolerados resultados positivos que ocorram em recoleta, nos termos do § 1º
deste artigo.

§ 6º Quando o padrão microbiológico estabelecido no Anexo I a esta Portaria


for violado, os responsáveis pelos sistemas e soluções alternativas coletivas de
abastecimento de água para consumo humano devem informar à autoridade de saúde
pública as medidas corretivas tomadas.

§ 7º Quando houver interpretação duvidosa nas reações típicas dos ensaios


analíticos na determinação de coliformes totais e Escherichia coli, deve-se fazer a
recoleta.

Art. 28. A determinação de bactérias heterotróficas deve ser realizada como um


dos parâmetros para avaliar a integridade do sistema de distribuição (reservatório e
rede).

§ 1º A contagem de bactérias heterotróficas deve ser realizada em 20% (vinte


por cento) das amostras mensais para análise de coliformes totais nos sistemas de
distribuição (reservatório e rede).

§ 2º Na seleção dos locais para coleta de amostras devem ser priorizadas pontas
de rede e locais que alberguem grupos populacionais de risco à saúde humana.

§ 3º Alterações bruscas ou acima do usual na contagem de bactérias


heterotróficas devem ser investigadas para identificação de irregularidade e
providências devem ser adotadas para o restabelecimento da integridade do sistema de
distribuição (reservatório e rede), recomendando-se que não se ultrapasse o limite de
500 UFC/mL.

Art. 29. Recomenda-se a inclusão de monitoramento de vírus entéricos no(s)


ponto(s) de captação de água proveniente(s) de manancial(is) superficial(is) de
abastecimento, com o objetivo de subsidiar estudos de avaliação de risco
microbiológico.

Art. 30. Para a garantia da qualidade microbiológica da água, em


complementação às exigências relativas aos indicadores microbiológicos, deve ser
atendido o padrão de turbidez expresso no Anexo II e devem ser observadas as demais
exigências contidas nesta Portaria.

§ 1º Entre os 5% (cinco por cento) dos valores permitidos de turbidez


superiores ao VMP estabelecido no Anexo II a esta Portaria, para água subterrânea com
desinfecção, o limite máximo para qualquer amostra pontual deve ser de 5,0 uT,
assegurado, simultaneamente, o atendimento ao VMP de 5,0 uT em toda a extensão do
sistema de distribuição (reservatório e rede).

§ 2° O valor máximo permitido de 0,5 uT para água filtrada por filtração rápida
(tratamento completo ou filtração direta), assim como o valor máximo permitido de 1,0
uT para água filtrada por filtração lenta, estabelecidos no Anexo II desta Portaria,
deverão ser atingidos conforme as metas progressivas definidas no Anexo III a esta
Portaria.

§ 3º O atendimento do percentual de aceitação do limite de turbidez, expresso


no Anexo II a esta Portaria, deve ser verificado mensalmente com base em amostras,
preferencialmente no efluente individual de cada unidade de filtração, no mínimo
diariamente para desinfecção ou filtração lenta e no mínimo a cada duas horas para
filtração rápida.

Art. 31. Os sistemas de abastecimento e soluções alternativas coletivas de


abastecimento de água que utilizam mananciais superficiais devem realizar
monitoramento mensal de Escherichia coli no(s) ponto(s) de captação de água.

§ 1º Quando for identificada média geométrica anual maior ou igual a 1.000


Escherichia coli/100mL deve-se realizar monitoramento de cistos de Giardia spp. e
oocistos de Cryptosporidium spp. no(s) ponto(s) de captação de água.

§ 2º Quando a média aritmética da concentração de oocistos de


Cryptosporidium spp. for maior ou igual a 3,0 oocistos/L no(s) pontos(s) de captação de
água, recomenda-se a obtenção de efluente em filtração rápida com valor de turbidez
menor ou igual a 0,3 uT em 95% (noventa e cinco por cento) das amostras mensais ou
uso de processo de desinfecção que comprovadamente alcance a mesma eficiência de
remoção de oocistos de Cryptosporidium spp.

§ 3º Entre os 5% (cinco por cento) das amostras que podem apresentar valores
de turbidez superiores ao VMP estabelecido no § 2° do art. 30 desta Portaria, o limite
máximo para qualquer amostra pontual deve ser menor ou igual a 1,0 uT, para filtração
rápida e menor ou igual a 2,0 uT para filtração lenta.
§ 4° A concentração média de oocistos de Cryptosporidium spp. referida no §
2º deste artigo deve ser calculada considerando um número mínino de 24 (vinte e
quatro) amostras uniformemente coletadas ao longo de um período mínimo de um ano e
máximo de dois anos.

Art. 32. No controle do processo de desinfecção da água por meio da cloração,


cloraminação ou da aplicação de dióxido de cloro devem ser observados os tempos de
contato e os valores de concentrações residuais de desinfetante na saída do tanque de
contato expressos nos Anexos IV, V e VI a esta Portaria.

§ 1º Para aplicação dos Anexos IV, V e VI deve-se considerar a temperatura


média mensal da água.

§ 2º No caso da desinfecção com o uso de ozônio, deve ser observado o


produto concentração e tempo de contato (CT) de 0,16 mg.min/L para temperatura
média da água igual a 15º C.

§ 3º Para valores de temperatura média da água diferentes de 15º C, deve-se


proceder aos seguintes cálculos:

I - para valores de temperatura média abaixo de 15ºC: duplicar o valor de CT a


cada decréscimo de 10ºC.

II - para valores de temperatura média acima de 15ºC: dividir por dois o valor
de CT a cada acréscimo de 10ºC.

§ 4° No caso da desinfecção por radiação ultravioleta, deve ser observada a


dose mínima de 1,5 mJ/cm2para 0,5 log de inativação de cisto de Giardia spp.

Art. 33. Os sistemas ou soluções alternativas coletivas de abastecimento de


água supridas por manancial subterrâneo com ausência de contaminação por
Escherichia coli devem realizar cloração da água mantendo o residual mínimo do
sistema de distribuição (reservatório e rede), conforme as disposições contidas no art. 34
a esta Portaria.

§ 1° Quando o manancial subterrâneo apresentar contaminação por Escherichia


coli, no controle do processo de desinfecção da água, devem ser observados os valores
do produto de concentração residual de desinfetante na saída do tanque de contato e o
tempo de contato expressos nos Anexos IV, V e VI a esta Portaria ou a dose mínima de
radiação ultravioleta expressa no § 4º do art. 32 a desta Portaria.

§ 2° A avaliação da contaminação por Escherichia coli no manancial


subterrâneo deve ser feita mediante coleta mensal de uma amostra de água em ponto
anterior ao local de desinfecção.

§ 3° Na ausência de tanque de contato, a coleta de amostras de água para a


verificação da presença/ausência de coliformes totais em sistemas de abastecimento e
soluções alternativas coletivas de abastecimento de águas, supridas por manancial
subterrâneo, deverá ser realizada em local à montante ao primeiro ponto de consumo.
Art. 34. É obrigatória a manutenção de, no mínimo, 0,2 mg/L de cloro residual
livre ou 2 mg/L de cloro residual combinado ou de 0,2 mg/L de dióxido de cloro em
toda a extensão do sistema de distribuição (reservatório e rede).

Art. 35. No caso do uso de ozônio ou radiação ultravioleta como desinfetante,


deverá ser adicionado cloro ou dióxido de cloro, de forma a manter residual mínimo no
sistema de distribuição (reservatório e rede), de acordo com as disposições do art. 34
desta Portaria.

Art. 36. Para a utilização de outro agente desinfetante, além dos citados nesta
Portaria, deve-se consultar o Ministério da Saúde, por intermédio da SVS/MS.

Art. 37. A água potável deve estar em conformidade com o padrão de


substâncias químicas que representam risco à saúde e cianotoxinas, expressos nos
Anexos VII e VIII e demais disposições desta Portaria.

§ 1° No caso de adição de flúor (fluoretação), os valores recomendados para


concentração de íon fluoreto devem observar a Portaria nº 635/GM/MS, de 30 de
janeiro de 1976, não podendo ultrapassar o VMP expresso na Tabela do Anexo VII a
esta Portaria.

§ 2° As concentrações de cianotoxinas referidas no Anexo VIII a esta Portaria


devem representar as contribuições da fração intracelular e da fração extracelular na
amostra analisada.

§ 3° Em complementação ao previsto no Anexo VIII a esta Portaria, quando


for detectada a presença de gêneros potencialmente produtores de cilindrospermopsinas
no monitoramento de cianobactérias previsto no § 1° do art. 40 desta Portaria,
recomenda-se a análise dessas cianotoxinas, observando o valor máximo aceitável de
1,0 μg/L.

§ 4° Em complementação ao previsto no Anexo VIII a esta Portaria, quando


for detectada a presença de gêneros de cianobactérias potencialmente produtores de
anatoxina-a(s) no monitoramento de cianobactérias previsto no § 1° do art. 40 a esta
Portaria, recomenda-se a análise da presença desta cianotoxina.

Art. 38. Os níveis de triagem que conferem potabilidade da água do ponto de


vista radiológico são valores de concentração de atividade que não excedem 0,5 Bq/L
para atividade alfa total e 1Bq/L para beta total.

Parágrafo único. Caso os níveis de triagem citados neste artigo sejam


superados, deve ser realizada análise específica para os radionuclídeos presentes e o
resultado deve ser comparado com os níveis de referência do Anexo IX desta Portaria.

Art. 39. A água potável deve estar em conformidade com o padrão


organoléptico de potabilidade expresso no Anexo X a esta Portaria.

§ 1º Recomenda-se que, no sistema de distribuição, o pH da água seja mantido


na faixa de 6,0 a 9,5.
§ 2º Recomenda-se que o teor máximo de cloro residual livre em qualquer
ponto do sistema de abastecimento seja de 2 mg/L.

§ 3° Na verificação do atendimento ao padrão de potabilidade expresso nos


Anexos VII, VIII, IX e X, eventuais ocorrências de resultados acima do VMP devem ser
analisadas em conjunto com o histórico do controle de qualidade da água e não de
forma pontual.

§ 4º Para os parâmetros ferro e manganês são permitidos valores superiores ao


VMPs estabelecidos no Anexo X desta Portaria, desde que sejam observados os
seguintes critérios:

I - os elementos ferro e manganês estejam complexados com produtos


químicos comprovadamente de baixo risco à saúde, conforme preconizado no art. 13
desta Portaria e nas normas da ABNT;

II - os VMPs dos demais parâmetros do padrão de potabilidade não sejam


violados; e

III - as concentrações de ferro e manganês não ultrapassem 2,4 e 0,4 mg/L,


respectivamente.

§ 5º O responsável pelo sistema ou solução alternativa coletiva de


abastecimento de água deve encaminhar à autoridade de saúde pública dos Estados, do
Distrito Federal e dos Municípios informações sobre os produtos químicos utilizados e a
comprovação de baixo risco à saúde, conforme preconizado no art. 13 e nas normas da
ABNT.

CAPÍTULO VI
DOS PLANOS DE AMOSTRAGEM

Art. 40. Os responsáveis pelo controle da qualidade da água de sistemas ou


soluções alternativas coletivas de abastecimento deágua para consumo humano,
supridos por manancial superficial e subterrâneo, devem coletar amostras semestrais da
água bruta, no ponto de captação, para análise de acordo com os parâmetros exigidos
nas legislações específicas, com a finalidade de avaliação de risco à saúde humana.

§ 1° Para minimizar os riscos de contaminação da água para consumo humano


com cianotoxinas, deve ser realizado o monitoramento de cianobactérias, buscando-se
identificar os diferentes gêneros, no ponto de captação do manancial superficial, de
acordo com a Tabela do Anexo XI a esta Portaria, considerando, para efeito de alteração
da frequência de monitoramento, o resultado da última amostragem.

§ 2° Em complementação ao monitoramento do Anexo XI a esta Portaria,


recomenda-se a análise de clorofila-a no manancial, com frequência semanal, como
indicador de potencial aumento da densidade de cianobactérias.

§ 3° Quando os resultados da análise prevista no § 2° deste artigo revelarem


que a concentração de clorofila-a em duas semanas consecutivas tiver seu valor
duplicado ou mais, deve-se proceder nova coleta de amostra para quantificação de
cianobactérias no ponto de captação do manancial, para reavaliação da frequência de
amostragem de cianobactérias.

§ 4° Quanto a densidade de cianobactérias exceder 20.000 células/ml, deve-se


realizar análise de cianotoxinas na água do manancial, no ponto de captação, com
frequência semanal.

§ 5° Quando as concentrações de cianotoxinas no manancial forem menores


que seus respectivos VMPs para água tratada, será dispensada análise de cianotoxinas
na saída do tratamento de que trata o Anexo XII a esta Portaria.

§ 6° Em função dos riscos à saúde associados às cianotoxinas, é vedado o uso


de algicidas para o controle do crescimento de microalgas e cianobactérias no manancial
de abastecimento ou qualquer intervenção que provoque a lise das células.

§ 7° As autoridades ambientais e de recursos hídricos definirão a


regulamentação das excepcionalidades sobre o uso de algicidas nos cursos d'água
superficiais.

Art. 41. Os responsáveis pelo controle da qualidade da água de sistema e


solução alternativa coletiva de abastecimento de água para consumo humano devem
elaborar e submeter para análise da autoridade municipal de saúde pública, o plano de
amostragem de cada sistema e solução, respeitando os planos mínimos de amostragem
expressos nos Anexos XI, XII, XIII e XIV.

§ 1º A amostragem deve obedecer aos seguintes requisitos:

I - distribuição uniforme das coletas ao longo do período; e

II - representatividade dos pontos de coleta no sistema de distribuição


(reservatórios e rede), combinando critérios de abrangência espacial e pontos
estratégicos, entendidos como:

a) aqueles próximos a grande circulação de pessoas: terminais rodoviários,


terminais ferroviários entre outros;

b) edifícios que alberguem grupos populacionais de risco, tais como hospitais,


creches e asilos;

c) aqueles localizados em trechos vulneráveis do sistema de distribuição como


pontas de rede, pontos de queda de pressão, locais afetados por manobras, sujeitos à
intermitência de abastecimento, reservatórios, entre outros; e

d) locais com sistemáticas notificações de agravos à saúde tendo como


possíveis causas os agentes de veiculação hídrica.

§ 2º No número mínimo de amostras coletadas na rede de distribuição, previsto


no Anexo XII, não se incluem as amostras extras (recoletas).
§ 3º Em todas as amostras coletadas para análises microbiológicas, deve ser
efetuada medição de turbidez e de cloro residual livre ou de outro composto residual
ativo, caso o agente desinfetante utilizado não seja o cloro.

§ 4º Quando detectada a presença de cianotoxinas na água tratada, na saída do


tratamento, será obrigatória a comunicação imediata às clínicas de hemodiálise e às
indústrias de injetáveis.

§ 5º O plano de amostragem para os parâmetros de agrotóxicos deverá


considerar a avaliação dos seus usos na bacia hidrográfica do manancial de
contribuição, bem como a sazonalidade das culturas.

§ 6º Na verificação do atendimento ao padrão de potabilidade expressos nos


Anexos VII, VIII, IX e X a esta Portaria, a detecção de eventuais ocorrências de
resultados acima do VMP devem ser analisadas em conjunto com o histórico do
controle de qualidade da água.

§ 7º Para populações residentes em áreas indígenas, populações tradicionais,


dentre outras, o plano de amostragem para o controle da qualidade da água deverá ser
elaborado de acordo com as diretrizes específicas aplicáveis a cada situação.

CAPÍTULO VII
DAS PENALIDADES

Art. 42. Serão aplicadas as sanções administrativas previstas na Lei nº 6.437,


de 20 de agosto de 1977, aos responsáveis pela operação dos sistemas ou soluções
alternativas de abastecimento deágua que não observarem as determinações constantes
desta Portaria, sem prejuízo das sanções de natureza civil ou penal cabíveis.

Art. 43. Cabe ao Ministério da Saúde, por intermédio da SVS/MS, e às


Secretarias de Saúde dos Estados, do Distrito Federal dos Municípios, ou órgãos
equivalentes, assegurar o cumprimento desta Portaria.

CAPÍTULO VIII
DAS DISPOSIÇÕES FINAIS E TRANSITÓRIAS

Art. 44. Sempre que forem identificadas situações de risco à saúde, o


responsável pelo sistema ou solução alternativa coletiva de abastecimento de água e as
autoridades de saúde pública devem, em conjunto, elaborar um plano de ação e tomar as
medidas cabíveis, incluindo a eficaz comunicação à população, sem prejuízo das
providências imediatas para a correção da anormalidade.

Art. 45. É facultado ao responsável pelo sistema ou solução alternativa coletiva


de abastecimento de água solicitar à autoridade de saúde pública a alteração na
frequência mínima de amostragem de parâmetros estabelecidos nesta Portaria, mediante
justificativa fundamentada.

Parágrafo único. Uma vez formulada a solicitação prevista no caput deste


artigo, a autoridade de saúde pública decidirá no prazo máximo de 60 (sessenta) dias,
com base em análise fundamentada no histórico mínimo de dois anos do controle da
qualidade da água, considerando os respectivos planos de amostragens e de avaliação de
riscos à saúde, da zona de captação e do sistema de distribuição.

Art. 46. Verificadas características desconformes com o padrão de potabilidade


da água ou de outros fatores de risco à saúde, conforme relatório técnico, a autoridade
de saúde pública competente determinará ao responsável pela operação do sistema ou
solução alternativa coletiva de abastecimento de água para consumo humano que:

I - amplie o número mínimo de amostras;

II - aumente a frequência de amostragem; e

III - realize análises laboratoriais de parâmetros adicionais.

Art. 47. Constatada a inexistência de setor responsável pela qualidade da água


na Secretaria de Saúde dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, os deveres e
responsabilidades previstos, respectivamente, nos arts. 11 e 12 desta Portaria serão
cumpridos peloórgão equivalente.

Art. 48. O Ministério da Saúde promoverá, por intermédio da SVS/MS, a


revisão desta Portaria no prazo de 5 (cinco) anos ou a qualquer tempo.

Parágrafo único. Os órgãos governamentais e não governamentais, de


reconhecida capacidade técnica nos setores objeto desta regulamentação, poderão
requerer a revisão desta Portaria, mediante solicitação justificada, sujeita a análise
técnica da SVS/MS.

Art. 49. Fica estabelecido o prazo máximo de 24 (vinte e quatro) meses,


contados a partir da data de publicação desta Portaria, para que os órgãos e entidades
sujeitos à aplicação desta Portaria promovam as adequações necessárias ao seu
cumprimento, no que se refere ao monitoramento dos parâmetros gosto e odor,
saxitoxina, cistos de Giardia spp. e oocistos de Cryptosporidium spp.

§ 1º Para o atendimento ao valor máximo permitido de 0,5 uT para filtração


rápida (tratamento completo ou filtração direta), fica estabelecido o prazo de 4 (quatro)
anos para cumprimento, contados da data de publicação desta Portaria, mediante o
cumprimento das etapas previstas no § 2° do art. 30 desta Portaria.

§ 2º Fica estabelecido o prazo máximo de 24 (vinte e quatro) meses, contados a


partir da data de publicação desta Portaria, para que os laboratórios referidos no art. 21
desta Portaria promovam as adequações necessárias para a implantação do sistema de
gestão da qualidade, conforme os requisitos especificados na NBR ISO/IEC
17025:2005.

§ 3º Fica estabelecido o prazo máximo de 24 (vinte e quatro) meses, contados a


partir da data de publicação desta Portaria, para que os órgãos e entidades sujeitos à
aplicação desta Portaria promovam as adequações necessárias no que se refere ao
monitoramento dos parâmetros que compõem o padrão de radioatividade expresso no
Anexo VIII a esta Portaria.
Art. 50. A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios deverão adotar
as medidas necessárias ao fiel cumprimento desta Portaria.

Art. 51. Ao Distrito Federal competem as atribuições reservadas aos Estados e


aos Municípios.

Art. 52. Esta Portaria entra em vigor na data de sua publicação.

Art. 53. Fica revogada a Portaria nº 518/GM/MS, de 25 de março de 2004,


publicada no Diário Oficial da União, Seção 1, do dia 26 seguinte, página 266.

ALEXANDRE ROCHA SANTOS PADILHA


Tratamento de esgotos

Definição de esgoto

Segundo a NBR 9648 (ABNT, 1986) esgoto sanitário é o despejo líquido constituído
de esgotos doméstico e industrial, água de infiltração e a contribuição pluvial parasitária.

Ainda segundo a mesma norma, esgoto doméstico é o despejo líquido resultante do


uso da água para higiene e necessidades fisiológicas humanas; esgoto industrial é o despejo
líquido resultante dos processos industriais, respeitados os padrões de lançamento
estabelecidos; água de infiltração é toda água proveniente do subsolo, indesejável ao sistema
separador e que penetra nas canalizações; contribuição pluvial parasitária é a parcela do
deflúvio superficial inevitavelmente absorvida pela rede de esgoto sanitário.

Segundo Von Sperling (1996), o esgoto sanitário é formado por esgoto doméstico,
águas de infiltração e despejos industriais, sendo que:
• O esgoto doméstico é proveniente das residências, do comércio e das
repartições públicas. A taxa de retorno é de 80 % da vazão da água
distribuída;
• As águas de infiltração são as que penetram na rede coletora de esgoto
através de juntas defeituosas das tubulações, paredes de poços de visita, etc.
A taxa de infiltração depende muito das juntas das tubulações, do tipo de
elementos de inspeção, do tipo de solo e da posição do lençol freático. Os
valores médios são de 0,3 a 0,5 L/s.km;
• Os despejos industriais são efluentes de indústrias que, devido às
características favoráveis, são admitidos na rede de esgoto. Os esgotos
industriais ocorrem em pontos específicos da rede coletora e suas
características dependem da indústria.
2.2. Características do esgoto
O esgoto sanitário contém, aproximadamente, 99,9% de água. O restante, 0,1%, é a
fração que inclui sólidos orgânicos e inorgânicos, suspensos e dissolvidos, bem como os
microorganismos. A figura 02 mostra uma distribuição típica, entre os diversos tipos de
sólidos presentes num esgoto bruto de composição média (VON SPERLING, 1996).

Figura 02. Distribuição aproximada dos sólidos do esgoto bruto


(em concentração). Fonte: adaptado de Von Sperling (1996).

As principais características físicas dos esgotos sanitários são (FUNASA, 2004):

• Temperatura: em geral, é pouco superior à das águas de abastecimento. A


velocidade de decomposição do esgoto é proporcional ao aumento da
temperatura;

• Odores: são causados pelos gases formados no processo de decomposição,


assim o odor de mofo, típico de esgoto fresco é razoavelmente suportável e o
odor de ovo podre, insuportável, é típico do esgoto velho ou séptico, em
virtude da presença de gás sulfídrico;

• Cor e turbidez: indicam de imediato o estado de decomposição do esgoto. A


tonalidade acinzentada acompanhada alguma turbidez é típica do esgoto fresco
e a cor preta é típica do esgoto velho;
6

• Variação de vazão: depende dos costumes dos habitantes. A vazão doméstica


do esgoto é calculada em função do consumo médio diário de água de um
indivíduo. Estima-se que para cada 100 litros de água consumida, são lançados
aproximadamente 80 litros de esgoto na rede coletora, ou seja, 80%.

As principais características químicas dos esgotos, de acordo com a FUNASA (2004)


são:

• Matéria orgânica: cerca de 70% dos sólidos no esgoto são de origem orgânica,
geralmente esses compostos orgânicos são uma combinação de carbono,
hidrogênio e oxigênio, e algumas vezes com nitrogênio;

• Matéria inorgânica: é formada principalmente pela presença de areia e de


substancias minerais dissolvidas.

Segundo a FUNASA (2004), as principais características biológicas do esgoto são:

• Microorganismos: os principais são as bactérias, os fungos, os protozoários, os


vírus e as algas;

• Indicadores de poluição: são vários organismos cuja presença num corpo


d´água indica uma forma qualquer de poluição. Para indicar a poluição de
origem humana adotam-se os organismos do grupo coliformes como
indicadores. As bactérias coliformes são típicas do intestino humano e de
outros animais de sangue quente. Estão presentes nas fezes humanas (100 a
400 bilhões de coliformes/hab.dia) e são de simples determinação.
7

2.3. Características físicas dos esgotos

As principais características físicas que representam o estado em que se encontram


águas residuárias são a coloração, a turbidez, o odor, a variação de vazão, a matéria sólida e a
temperatura.

2.3.1. Coloração

A coloração indica o estado de decomposição do esgoto, e fornecem dados que podem


caracterizar o estado do despejo. Como exemplo, a cor preta é típica do esgoto velho e de uma
decomposição parcial, enquanto a tonalidade acinzentada já indica um esgoto fresco
(JORDÃO e PESSÔA, 1995).

2.3.2. Turbidez

Assim como a coloração, a turbidez também indica o estado em que o esgoto se


encontra. Este parâmetro está relacionado com a concentração dos sólidos em suspensão.
Esgotos mais frescos ou mais concentrados possuem geralmente maior turbidez (VON
SPERLING, 1996).

2.3.3. Odor

Durante o processo de decomposição, alguns odores característicos de esgotos podem


ser gerados. Jordão e Pessoa (1995) citam três odores como sendo os principais:
• odor razoavelmente suportável, típico do esgoto fresco;
• odor insuportável, típico do esgoto velho ou séptico, que provém da formação de
gás sulfídrico oriundo da decomposição do lodo contido nos despejos; e
• odores variados, de produtos podres como de repolho, peixe, legumes; de fezes;
de produtos rançosos; de acordo com a predominância de produtos sulfurosos,
nitrogenados, ácidos orgânicos, etc.
8

A matéria orgânica e o lodo retido em alguma fase do tratamento de esgoto podem


ocasionar maus odores em uma Estação de Tratamento de Esgoto (ETE). Além disto, as
reações que ocorrem no decorrer do tratamento produzem subprodutos que causam mau
cheiro (H2S e outros polienxofres, NH3 e outras aminas). A temperatura também tem
influência na emissão de odores (SILVA, 2004).

2.3.4. Variação de esgoto

Os esgotos oriundos de uma cidade e que contribuem para a estação de tratamento de


esgoto são basicamente originados de três fontes distintas (VON SPERLING, 1996):

• Esgotos domésticos: oriundos dos domicílios bem como de atividades comerciais e


institucionais de um a localidade;
• Águas de infiltração: ocorrem através de tubos defeituosos, conexões, juntas ou

paredes de poços de visita;

• Despejos industriais: advindo das indústrias é função precípua do tipo e porte da

indústria processo, grau de reciclagem, existência de pré-tratamento dentre outros.

De acordo com Von Sperling (1996) a Figura 03 apresenta um hidrograma típico da

vazão afluente a uma ETE ao longo do dia. Podem-se observar os dois picos principais: o pico

do início da manhã (mais pronunciado) e o pico do início da noite (mais distribuído). A vazão

média diária é aquela, na qual, as áreas acima e abaixo do valor médio se igualam.
9

Figura 03. Hidrograma típico da vazão afluente a uma ETE.

Fonte: Von Sperling (1996).

2.3.5. Matéria sólida

Jordão e Pessoa (1995) classificam a matéria sólida presente nas águas residuárias
seguindo a nomenclatura:
• função das dimensões das partículas: sólidos em suspensão, sólidos coloidais ou
sólidos dissolvidos;
• função da sedimentabilidade: sólidos sedimentáveis, sólidos flutuantes ou flotáveis
ou sólidos não sedimentáveis;
• função da secagem, a alta temperatura (550 a 600ºC): sólidos fixos ou sólidos
voláteis;
• função da secagem em temperatura média (103 a 105ºC): sólidos totais, sólidos em
suspensão ou sólidos dissolvidos.

Um dos parâmetros de grande utilização em sistemas de esgotos é a quantidade total


de sólidos. Seu módulo é o somatório de todos os sólidos dissolvidos e dos não dissolvidos
em um líquido. A sua determinação é normatizada, e consiste na determinação da matéria que
permanece como resíduo após sofrer uma evaporação a 103ºC (VON SPERLING, 1996).
10

2.3.6. Temperatura

A temperatura influi diretamente na taxa de qualquer reação química, que aumenta


com sua elevação, salvo os casos onde a alta temperatura produza alterações no catalisador ou
nos reagentes.

Em se tratando de reações de natureza biológica, a velocidade de decomposição do


esgoto aumenta de acordo com a temperatura, sendo a faixa ideal para atividade biológica
contida entre 25 e 35ºC, sendo ainda 15ºC a temperatura abaixo da qual as bactérias
formadoras do metano se torna inativo na digestão anaeróbia. Dentro dos tanques sépticos
(fossas), por exemplo, ocorre a digestão anaeróbia (JORDÃO e PESSOA, 1995)

2.4. Características químicas dos esgotos

Segundo Jordão e Pessoa (1995) sugerem que a origem dos esgotos, estes podem ser
classificados em dois grandes grupos: da matéria orgânica e da matéria inorgânica.

2.4.1. Matéria orgânica

Cerca de 70% dos sólidos no esgoto médio são de origem orgânica. Estes compostos
são constituídos principalmente por proteínas, carboidratos, gordura e óleos, e em menor
parte, por uréia, surfartantes, fenóis, pesticidas. Contudo ainda divide-se esta fração de
material orgânico seguindo o critério de biodegradabilidade, classificando-os em inerte ou
biodegradável (JORDÃO e PESSOA, 1995).

2.4.1.1. Proteínas

Liberam nitrogênio, carbono, hidrogênio, oxigênio e podem conter fósforo,


enxofre e ferro. São geralmente de origem animal, mas ocorrem em vegetais também.
11

O enxofre fornecido pelas proteínas é responsável pela produção do gás sulfídrico


presente nos despejos (SILVA, 2004).

2.4.1.2. Carboidratos

Segundo Silva (2004), contêm carbono, hidrogênio e oxigênio, e são as


primeiras substâncias a serem atacadas pelas bactérias. Estão presentes principalmente
nos açúcares, amido e celulose. A degradação bacteriana nos carboidratos produz
ácidos orgânicos, que podem gerar aumento na acidez do esgoto.

2.4.1.3. Gorduras e óleos

Segundo a FUNASA (2004), também designados como matéria graxa, às


gorduras e os óleos se encontram presentes nos despejos domésticos e sua origem, em
geral, se dá pelo uso de manteiga, óleos vegetais, carnes, etc. Além disso, podem estar
presentes nos despejos produtos não tão comuns, como querosene, óleos proveniente
de garagens. São indesejáveis em um sistema de tratamento de esgotos, pois formam
uma camada de escuma e podem vir a entupir os filtros, além de prejudicar a vida
biológica.

2.4.2. Matéria Inorgânica

Silva (2004) afirmou que a matéria inorgânica existente nos esgotos é constituída, em
geral, de areia e outras substâncias minerais dissolvidas, provenientes de águas de lavagens.
Não é usual a remoção deste tipo de material, que pouco influenciará em um sistema de
tratamento de esgotos pelo fato de ser um material inerte. Entretanto, deve-se estar atento às
possibilidades de entupimento e saturação de filtros e tanques, quando há grande quantidade
deste material.
12

2.5. Características biológicas dos esgotos

Destacam-se como características biológicas dos esgotos os microrganismos e os


indicadores de poluição chamados de patogênicos.

2.5.1. Microrganismos

As bactérias, fungos, protozoários, vírus e algas são os microrganismos mais


importantes no esgoto sanitário (NUVOLARI, 2003).

As algas apresentam grande variedade de formas e dimensões. No caso de lagos e


lagoas, a reprodução de algas é estimulada com o lançamento de efluentes de estações de
tratamento ricos em nutrientes (nitratos e fosfatos). Este lançamento é indesejável quando o
seu crescimento é demasiado – também conhecido como floração – e deve ser restringido. O
excessivo enriquecimento de nutrientes do corpo receptor seja ele um lago ou lagoa é
denominado de eutrofização, que nada mais é do que a superprodução de algas em floração
(SILVA, 2004).

Segundo Nuvolari (2003), as bactérias na sua grande maioria são unicelulares


procariontes se reproduzem por divisão celular, possuem tamanho de 0,5 a 1 µm, são
filamentosas e sua absorção de nutrientes se da pela membrana celular.

Segundo o último autor, os fungos sob certas condições aparecem, mas, são
indesejáveis e a maioria é filamentosa. É estritamente aeróbio o que permite seu controle por
anaerobiose temporária.

Ainda segundo aquele autor, os protozoários alimentam-se de bactérias dispersas. No


decantador secundário e isto se torna uma vantagem, uma vez que bactérias dispersas (não
aderentes ao floco biológico) não sedimentam e acabam saindo com o efluente tratado. A
morte desses microrganismos pode ser um indicador da ocorrência de produtos tóxicos.
13

2.5.2. Patogênicos

Os microrganismos patogênicos aparecem no esgoto a partir das excretas de


indivíduos doentes. A identificação dos mesmos na água é praticamente inviável devido a
complexidade dos procedimentos de análise dos custos elevados e do longo tempo para se
obter resultados, como descreveu Nuvolari (2003).

Para este autor as bactérias do grupo coliforme por estarem presentes em grande
número no trato intestinal humano e de outros animais de sangue quente, sendo eliminados
em grande número pelas fezes constituem o indicador de contaminação fecal mais utilizado
em todo mundo.

Figura 04. Coliforme fecal presente na água.

2.6. Demanda Bioquímica de Oxigênio (DBO)

Também conhecida como BOD (Biochemical Oxygen Demand), a DBO é um dos


parâmetros mais utilizados no que se refere ao tratamento de esgotos. Segundo Netto et al.
(1977), a DBO mede a quantidade de matéria orgânica oxidável por ação de bactéria.
Macintyre (1996) caracteriza a DBO como avidez de oxigênio para atender ao metabolismo
das bactérias e a transformação da matéria orgânica. Na verdade, as duas definições,
aparentemente um pouco distintas, significam a mesma coisa. A DBO é utilizada para indicar
o grau de poluição de um esgoto, ou seja, um índice de concentração de matéria orgânica por
uma unidade de volume de água residuária. A medição da DBO é padronizada, segundo
14

Jordão e Pessoa (1995) pelo “Standard Methods for the Examination of Water and
Wastewater” que adota tempo de 5 dias e uma temperatura padrão de 20ºC. Vale ressaltar que
a DBO5 não representa a demanda total de oxigênio, pois a demanda total ocorre em período
muito superior (SILVA, 2004).

Netto et al. (1977) acredita que a DBOtotal é igual a 1,46 x DBO5 a 20ºC. A DBO5 a
20ºC, chamada simplificadamente em alguns casos de DBO, varia no esgoto doméstico bruto,
segundo Jordão e Pessôa (1995) e Macintyre (1996), entre 100 e 300 mg/l. Já Netto et al.,
(1977) afirma que, para esgoto sanitário, a média atinge 300 mgO2/litro.

A DBO ocorre em dois estágios: primeiramente a matéria carbonácea é oxidada, e em


seguida ocorre uma nitrificação. A DBO de 5 dias trabalha na faixa carbonácea (JORDÃO,
PESSÔA, 1995). A temperatura é fator relevante na determinação da duração de cada faixa. A
duração tende a diminuir com o aumento da temperatura.

A DBO é a quantidade de oxigênio dissolvido, necessária aos microorganismos, na


estabilização da matéria orgânica em decomposição, sob condições aeróbias. Num efluente,
quanto maior a quantidade de matéria orgânica biodegradável maior é este índice. No teste de
medição, a amostra deve ficar incubada a 20oC, durante cinco dias. Na Inglaterra, a
metodologia aplicada, 20oC seria a temperatura média dos rios ingleses e 5 dias o tempo
médio que a maioria dos rios ingleses levariam para ir desde a nascente até o mar. As
correções para DBO total também chamada de DBO última, e para outras temperaturas
podem ser estimadas da seguinte maneira (NUVOLARI, 2003):
• DBO (5 dias) = 0,68 DBO (última) – para esgoto doméstico;
(temp – 20C)
• DBO (temp) = DBO (20oC) x K

Onde: K = 1,047 – para esgoto doméstico


DBO (temp) = DBO a uma temperatura qualquer.

Segundo Von Sperling (1996), a DBO média de um esgoto doméstico é de 300 mg/L e
a carga per capita, que representa a contribuição de cada indivíduo por unidade de tempo é de
54 g/hab.dia de DBO.
15

2.7. Demanda Química de Oxigênio (DQO)

Também conhecida como COD (Chemical Oxygen Demand), a Demanda Química de


Oxigênio mede a quantidade de oxigênio necessária para oxidação da parte orgânica de uma
amostra que seja oxidável pelo permanganato ou dicromato de potássio em solução ácida.
A medição da DQO é padronizada “Standard Methods for the Examination of Water and
Wastewater” (NETTO, 1977).

De acordo com Silva (2004) a DQO leva em consideração qualquer fonte que
necessite de oxigênio, seja esta mineral ou orgânica. Já a DBO considera somente a demanda
da parte orgânica. Quando se trata de esgotos domésticos, a consideração pertinente fica ao
redor da DBO, pois os esgotos domésticos possuem poucos sais minerais solúveis.

A rapidez das respostas de DQO também pode ser citada como uma grande vantagem
com relação à DBO. Alguns aparelhos, segundo Jordão e Pessôa (1995), conseguem realizar
esta determinação em cerca de 2 minutos. O método do dicromato leva duas horas para
determinar a DQO do material.

A DQO visa medir o consumo de oxigênio que ocorre durante a oxidação química de
compostos orgânicos presentes numa água. Os valores obtidos é uma medida indireta do teor
de matéria orgânica presente (NUVOLARI, 2003).

A principal diferença com relação ao teste da DBO e DQO, naquele teste relaciona-se
a uma oxidação bioquímica da matéria orgânica, realizada inteiramente por microorganismos,
enquanto que a DQO corresponde a uma oxidação química da matéria orgânica, obtida
através de um forte oxidante (dicromato de potássio) em meio ácido, esclarece (VON
SPERLING, 1996).

Von Sperling (1996) descreve as principais vantagens do teste de DQO:


• O tempo gasto de apenas 2 a 3 horas;
• O resultado dá uma indicação do oxigênio requerido para a estabilização da
matéria orgânica.
16

Segundo o mesmo autor, para esgotos domésticos brutos, a relação DQO/DBO varia
em torno de 1,7 a 2,4. À medida que o esgoto passa pelas diversas unidades de tratamento de
esgoto, a relação vai aumentando, chegando ao efluente final do tratamento biológico com
valor DQO/DBO superior a 3,0.

Como desvantagens, podem-se apresentar a falta de especificação da velocidade com


que a bio-oxidação possa ocorrer (SILVA, 2004).

2.8. Demanda Total de Oxigênio (DTO)

Também conhecida como TOD (Total Oxygen Demand), a Demanda Total de


Oxigênio consiste em uma determinação instrumental capaz de não ser afetada por certos
poluentes que interferem mesmo no teste da DQO (por exemplo, amônia e benzeno), sendo o
teste realizado em três minutos (JORDÃO e PESSOA, 1995).

As nomenclaturas aqui apresentadas devem ser utilizadas com cautela, pois alguns
autores utilizam a mesma sigla com significados diferentes. É o caso de Silva e Mara (1979),
que em seu livro caracteriza a DTO como Demanda Teórica de Oxigênio. Neste trabalho, a
Demanda Teórica de Oxigênio foi tratada como DTeO, para diferenciá-la da Demanda Total
de Oxigênio.

2.9. Demanda Teórica de Oxigênio (DTeO)

Também conhecida como TEOD (Theoretical Oxygen Demand), a Demanda Teórica


de Oxigênio é a quantidade teórica de oxigênio necessária para oxidação completa da parte
orgânica de uma amostra, produzindo gás carbônico - CO2 - e gás sulfídrico - H2S. Como
exemplo, pode-se citar uma simples reação de oxidação da glucose, segundo Silva (2004)
(Equação 01).

C6H12O6 + 6O2 → 6CO2 + 6H2O Equação 01


17

A equação balanceada mostra que são necessárias 192 unidades de massa de 6O2 para
oxidar 180 unidades de massa de C6H12O6. Obtendo-se a massa do composto orgânico, pode-
se encontrar a quantidade necessária de oxigênio para oxidação completa do material.
Contudo, a complexidade dos compostos existentes nos esgotos inviabiliza este processo
teórico (SILVA, 2004).

2.10. pH

Fator determinante no sucesso de alguns sistemas de tratamento de esgotos, a


existência do pH deve ser considerada. Pode-se chegar ao seu valor utilizando a Equação 02
(SILVA, 2004).
pH = -log [H+] Equação 02
Onde:
pH: É uma sigla internacional inglesa;
Log: Logaritmo na base 10;
[H+]: É a concentração do íon hidrogênio;

2.11. Composição típica dos esgotos

Os autores Silva e Mara (1979) afirmaram que a matéria sólida representa apenas 0,1%
dos esgotos sanitários, sendo que a água é responsável pelos 99,9% restantes. A contribuição
“percapita” diária de DBO5 no Brasil pode ser de até 50g. A Tabela 01 apresenta as
concentrações em termos de DBO5 e DQO.

Tabela 01. Concentração em termos de DBO5 e DQO (SILVA e MARA, 1979).

Concentração Fraca Média Grande Muito Grande

DBO5 (mg/l) 200 350 500 750

DQO (mg/l) 400 700 1000 1500


18

Tanto Gonçalves e Souza (1997), como Jordão e Pessoa (1995), afirmaram que a
matéria sólida representa apenas 0,08% dos esgotos sanitários, sendo que a água é responsável
pelos 99,92% restantes. A diferença da composição em relação à proposta por Silva e Mara,
(1979) – 99,9% e 0,1% - não é significativa. A Tabela 02 contém a composição típica que
Gonçalves e Souza (1997) consideraram ser aplicável a esgotos sanitários.

Tabela 02. Composição típica de esgotos sanitários (GONÇALVES e SOUZA, 1997).


Concentrações
CONSTITUINTES (em mg/L, onde não indicados)
Forte Médio Fraco
1 Sólidos Totais 1200 720 350
1.1 Dissolvidos totais 850 500 250
1.1.1 Fixos 525 300 145
1.1.2 Voláteis 325 200 105
1.2 Suspensos totais 350 220 100
1.2.1 Fixos 75 55 20
1.2.2 Voláteis 275 165 80
2 Sólidos sedimentáveis (ml/l) 20 10 5
3 DBO5, 20ºC 400 220 110
4 Carbono Total (TOC) 260 160 80
5 DQO 1000 500 250
6 Nitrogênio Total (como N) 85 40 20
6.1 Orgânico 35 15 8
6.2 Amônia livre 50 25 12
6.3 Nitritos 0 0 0
6.4 Nitratos 0 0 0
7 Fósforo total 15 8 7
7.1 Orgânico 5 3 1
7.2 Inorgânicos 10 5 3
8 Cloretos 100 50 30
9 Alcalinidade (como CaCO3) 150 100 50
10 Graxa 150 100 50

2.12. Processos de tratamento de esgoto

Atualmente, existem inúmeros processos para o tratamento de esgoto, individuais ou


combinados. A decisão pelo processo a ser empregado, deve-se levar em consideração,
principalmente, as condições do curso d´água receptor (estudo de autodepuração e os limites
definidos pela legislação ambiental) e da característica do esgoto bruto gerado. É necessário
certificar-se da eficiência de cada processo unitário e de seu custo, além da disponibilidade de
área (IMHOFF e IMHOFF, 1996).
19

Von Sperling (1996) cita que os aspectos importantes na seleção de sistemas de


tratamento de esgotos são: eficiência, confiabilidade, disposição do lodo, requisitos de área,
impactos ambientais, custos de operação, custos de implantação, sustentabilidade e
simplicidade. Cada sistema deve ser analisado individualmente, adotando-se a melhor
alternativa técnica e econômica.

O tratamento de esgoto é usualmente classificado através dos seguintes níveis,


segundo Von Sperling (1996), também demonstrado na Figura 05 abaixo:
• Tratamento preliminar: objetiva apenas a remoção de sólidos grosseiros;
• Tratamento primário: visa a remossão de sólidos sedimentáveis e parte da
matéria orgânica, predominando os mecanismos físicos;
• Tratamento secundário: onde predominam mecanismos biológicos, com
objetivo principal de remoção de matéria orgânica e de nutrientes (nitrogênio e
fósforo);
• Tratamento terciário: objetiva a remoção de poluentes específicos
(usualmente tóxicos ou compostos não biodegradáveis) ou ainda, a remoção
complementar de poluentes não suficiente mente removidos no tratamento
secundário. O tratamento terciário é bastante raro no Brasil.

Figura 05. Esquema usual de ETE.


20

Na divisão, apresentada (tratamento preliminar, primário, secundário e terciário) pelos


autores citados, existem duas pequenas divergências. Macintyre (1996) acredita que os
tratamentos preliminares, como o gradeamento, façam parte de sistemas de tratamento
primário. Apesar deste autor classificar esta etapa como tratamento preliminar, assim como os
demais autores mencionados, ele sugere que este tipo de tratamento esteja englobado nos
sistemas primários. Netto et al. (1977) propõe um desmembramento de sistemas de tratamento
terciário em: tratamento terciário e desinfecção; sendo que esta última é tratada pelos demais
autores como sendo parte integrante de um tratamento terciário.

Existe também a classificação dos processos de tratamento em físicos, químicos e


biológicos. Processos onde há predominância de atividades de decantação, filtração,
incineração, diluição ou homogeneização podem ser classificados como processos físicos. A
adição de elementos químicos caracteriza uma etapa química. Quando há necessidade da ação
de microorganismos para que os processos possam ocorrer, chamam-se estes de biológicos
(VON SPERLING, 1996).

Nuvolari (2003) descreve também que para atender sistemas individuais como
residência ou condomínios isolados há possibilidade de sistemas simplificados como exemplo
o tanque séptico.
De modo geral, os processos de tratamentos de uma ETE da COPASA - Companhia
de Saneamento de Minas Gerais, seguem as seguintes etapas (COPASA, 2007):
• 1ª etapa: Filtração grossa;
• 2ª etapa: Sedimentação primária;
• 3ª etapa: Filtração;
• 4ª etapa: Tanque de Aeração;
• 5ª etapa: Sedimentação final;
• 6ª etapa: Adição de cloro.

A primeira etapa ou tratamento preliminar é constituído de retirada dos sólidos do


esgoto, por partículas sólidas grosseiras, como lixo e areia. O processo utiliza os meios
físicos, como gradeamento, peneiramento e a sedimentação (COPASA, 2007).

A segunda etapa ou sedimentação primária reduz parte da matéria orgânica presente


nos esgotos removendo os sólidos em suspensão sedimentáveis e sólidos flutuantes. No
21

processo ainda contém sólidos em suspensão, não grosseiros, que são mais pesados que a
parte líquida. Esses sólidos se sedimentam, indo para o fundo dos decantadores, formando o
lodo primário bruto. Esse lodo é retirado do fundo do decantador, através de raspadores
mecanizados, tubulações ou bombas (COPASA, 2007).

Na terceira etapa ou filtração o efluente se encaminha para o filtro anaeróbio que


possui bactérias que crescem aderidas a uma camada suporte formando a biomassa, que reduz
a carga orgânica dos esgotos. O reator Anaeróbio de Manta de Lodo (UASB) na qual a
biomassa cresce dispersa no meio e não aderida como nos filtros. Esta biomassa, ao crescer,
forma pequenos grânulos, que por sua vez, tendem a servir de meio suporte para outras
bactérias. O fluxo do líquido é ascendente e são formados gases – metano e gás carbônico,
resultantes do processo de fermentação anaeróbia (COPASA, 2007).

A seguir na quarta etapa ou Tanque de aeração, remove a matéria orgânica e os sólidos


em suspensão. O processo é através de processos biológicos, utilizando reações bioquímicas,
através de microorganismos – bactérias aeróbias, facultativas, protozoários e fungos. Neste
processo aeróbio os microorganismos presentes nos esgotos se alimentam da matéria orgânica
presente, convertendo-a em gás carbônico, água e material celular. Esta decomposição
biológica do material orgânico requer a presença de oxigênio e outras condições ambientais
adequadas como temperatura, pH, tempo de contato, dentre outras variáveis (COPASA,
2007).

A sedimentação final na etapa cinco utiliza as lagoas de estabilização (ou lagoas de


oxidação) e suas variantes. Onde são lagoas construídas de forma simples, onde os esgotos
entram em uma extremidade e saem na oposta. A matéria orgânica, na forma de sólidos em
suspensão, fica no fundo da lagoa, formando um lodo que vai aos poucos sendo estabilizado.
O processo se baseia nos princípios da respiração e da fotossíntese: As algas existentes no
esgoto, na presença de luz, produzem oxigênio que é liberado através da fotossíntese. Esse
oxigênio dissolvido (OD) é utilizado pelas bactérias aeróbias (respiração) para se alimentarem
da matéria orgânica em suspensão e dissolvida presente no esgoto. O resultado é a produção
de sais minerais – alimento das algas - e de gás carbônico (COPASA, 2007).

Mas na última etapa, seis, o material remanescente continua com uma concentração de
microorganismos. Estes são removidos, comumente, através da adição de cloro, que diminui a
população restante dos microrganismos. O uso de cloro na desinfecção foi iniciado com a
22

aplicação do hipoclorito de sódio (NaOCl), obtido pela decomposição eletrolítica do sal.


Inicialmente, o cloro era empregado na desinfecção de águas somente em casos de epidemias.
A partir de 1902, a cloração foi adotada de maneira contínua na Bélgica. Em 1909, passou a
ser utilizado o cloro guardado em cilindros revestidos com chumbo. Os processos de cloração
evoluíram com o tempo, podendo esta evolução ser caracterizada em diferentes décadas
(ROSSIN, 1987).

2.13. Fases de tratamento

As fases constituintes do tratamento de esgoto seguem as seguintes premissas:


tratamentos preliminares, primários, secundários e terciários, descritos abaixo.

2.13.1. Tratamentos preliminares

O Tratamento preliminar do esgoto é sujeito aos processos de separação dos sólidos


mais grosseiros como sejam a gradagem que pode ser composto por grades grosseiras, grades
finas e/ou peneiras rotativas, o desarenamento nas caixas de areia e o desengorduramento nas
chamadas caixas de gordura ou em pré-decantadores. Nesta fase, o esgoto será desta forma,
preparado para as fases de tratamento subsequentes, podendo ser sujeito a um pré-arejamento
e a uma equalização tanto de caudais como de cargas poluentes (VON SPERLING, 1996).

A separação de sólidos grosseiros em suspensão, presentes em efluentes líquidos pode


ser feita, através das operações de gradeamento e peneiramento.

2.13.1.1. Gradeamento

Para Júnior (2001) dispositivos constituídos por barras paralelas e igualmente


espaçadas que destinam-se a reter sólidos grosseiros em suspensão e corpos flutuantes. O
gradeamento é a primeira unidade de uma estação de tratamento de esgoto, sendo que essa
unidade, só não deve ser prevista, na ausência total de sólidos grosseiros no efluente a ser
tratado.
23

Segundo este último autor, o sistema de gradeamento pode conter uma ou mais grades.
Elas quando grosseiras são utilizadas, quando o esgoto apresenta grande quantidade de
sujeira. Nas grades são retidas pedras, pedaços de madeira, brinquedos, animais mortos e
outros objetos de tamanho elevado.

As grades média e fina são empregadas para a retirada de partículas, que ultrapassam o
gradeamento grosseiro. As grades finas e médias podem ser instaladas, sem o
gradeamento grosseiro, no caso de remoção mecânica dos resíduos (JÚNIOR, 2001).

A Tabela 03 mostra as características das grades, e a Tabela 04, as eficiências das


mesmas, em função da espessura e das aberturas das barras.

Tabela 03. Aberturas ou espaçamentos e dimensões das barras (Fonte: JÚNIOR, 2001).

Tipo de grade Espaçamento (mm): Espessuras mais usuais (mm):


4 10 e 13
Grosseira 60 10 e13
80 10 e 13
100 10 e13
20 8 e 10
Média 30 8 e10
40 8 e 10
10 6 , 8 e 10
Fina 15 6, 8 e 10
20 6, 8 e 10
24

Tabela 04. Eficiência do sistema de gradeamento (Fonte: JÚNIOR, 2001).

t a = 20 mm a = 25 mm a = 30 mm
6 mm 75 % 80 % 83,4 %
8 mm 73 % 76,8 % 80,3 %
10 mm 67,7 % 72,8 % 77 %
13 mm 60 % 66,7 % 71,5 %

Onde: a = espaço entre as barras; t = espessura das barras.

2.13.1.2. Peneiramento

O peneiramento tem como objetivo principal, a remoção de sólidos grosseiros com


granulometria maior que 0,25 mm. As peneiras podem ser classificadas em estáticas e
rotativas. Estas devem ser usadas principalmente, em sistemas de tratamento de águas
residuárias industriais, sendo que, em muitos casos, os sólidos separados podem ser
reaproveitados (JÚNIOR, 2001).

Para este autor, podem ser utilizadas anteriormente aos Reatores Anaeróbios, já
que estes apresentam ótimo desempenho no tratamento de efluentes líquidos, com baixas
concentrações de matéria orgânica solúvel e particulada.

O aparecimento de peneiras mecanizadas tende a mudar o uso quase exclusivo do


gradeamento, no tratamento preliminar de esgotos sanitários, conforme afirmou Junior
(2001).

2.13.1.3. Caixa de areia

A remoção da areia contida nos esgotos (Figura 06) é realizada pelas caixas de areias
ou desarenadores. O mecanismo de remoção da areia é simplesmente a sedimentação: os
grãos de areia, devido a suas maiores dimensões e densidade vão para o fundo do tanque,
25

enquanto a matéria orgânica, sendo de sedimentação bem mais lenta, permanece em


suspensão, seguindo para as unidades de jusante, afirmou Von Sperling (1996).

Figura 06. Caixa de areia após gradeamento.

2.13.2. Tratamentos primários

Apesar do esgoto apresentar um aspecto ligeiramente mais razoável após a fase de pré-
ratamento, posssui ainda praticamente inalteradas as suas características poluidoras. Por isto a
necessidade de novo tratamento. Nesta fase onde se separa a água dos matériais poluentes
apartir da sedimentação nos equipamentos, através ação física pode, em alguns casos, ser
ajudado pela adição de agentes químicos que através de coagulantes e floculantes
possibilitando a obtenção de flocos de matéria poluente de maiores dimensões e assim mais
facilmente decantáveis. Após o tratamento primário, a matéria poluente que permanece na
água é de reduzidas dimensões, normalmente constituida por coloides, devido a digestão do
lodo, não sendo por isso passível de ser removida por processos exclusivamente físico-
químicos (SILVA, 2004).
26

2.13.2.1. Decantador primário

A função dessa unidade é clarificar o esgoto, removovendo os sólidos que


isoladamente ou em flocos podem sedimentar seu próprio peso Nuvolari (2003).

Conforme cita aquele autor, as partículas que sedimentam, ao se acumularem no fundo


do decantador, formam o chamado lodo primário, que é daí retirado. Nessa unidade,
normalmente aproveita-se também para remoção de flutuantes: espuma, olóes e graxa
acumulados na superfície.

Quando ao formato, os decantadores primários podem ser: circulares (Figura 07),


quadrados ou retangulares. A remoção de lodo e de flutuantes pode ser mecanizada ou
não. De acordo com a NBR 12209 (ABNT, 1990) para vazões máximas Qmax > 250L/s, a
remoção de lodo deve ser mecanizada e obrigatoriamente deve prever mais de uma
unidade.

Figura 07. Decantador primário circular.

2.13.3. Tratamentos secundários

O tratamento secundário, geralmente consistindo num processo biológico, do tipo lodo


ativado ou do tipo filtro biológico, onde a matéria orgânica coloidal é consumida por
microorganismos nos chamados reatores biológicos. Estes reatores são normalmente
27

constituídos por tanques com grande quantidade de microrganismos aeróbios, havendo por
isso a necessidade de promover o seu arejamento. O esgoto saído do reator biológico contem
uma grande quantidade de microrganismos, sendo reduzida a matéria orgânica remanescente.
Os microrganismos sofrem posteriormente um processo de sedimentação nos designados
sedimentadores (decantadores) secundários. Terminado o tratamento secundário, as águas
residuais tratadas apresentam um reduzido nível de poluição por matéria orgânica, podendo na
maioria dos casos, serem admitidas no meio ambiente receptor (NEVES, 1974).

2.13.3.1. Lagoas de estabilização

Para Von Sperling (1996) este sistema constitui de uma forma simples de tratamento
de esgoto, baseando-se principalmente em movimento de terra de escavação e preparação
de taludes. Além do objetivo principal de remoção da matéria rica em carbono, as lagoas
realizam também o controle de organismos patogênicos em alguns casos.

Conforme o ultimo autor, entre os sistemas de lagoa de estabilização, o processo é


mais simples, dependendo unicamente de fenômenos puramente naturais. O esgoto
afluente entra em uma extremidade da lagoa e sai na extremidade oposta. Ao longo desse
percurso, que demora vários dias, uma série de eventos contribui para a purificação dos
esgotos.

A lagoa facultativa (Figura 08) a DBO permanece em torno de 50 a 70% removida na


lagoa anaeróbia, enquanto a DBO remanescente é removida na lagoa facultativa. O
sistema ocupa uma área inferior ao de uma lagoa facultativa única (VON SPERLING,
1986).
28

Figura 08. Lagoa facultativa.

Nas lagoas aeradas facultativas, o mecanismo de temoção da DBO são


similares aos de uma lagoa facultativa. No entanto, o oxigênio é fornecido por
aeradores mecânicos, ao invés da fotossíntese. Como a lagoa também é facultativa,
uma grande parte dos sólidos do esgoto e da biomassa sedimenta, sendo decomposta
anaerobiamente no fundo, afirma Von Sperling (1986).

Para as lagoas aeradas de mistura completa, segundo o mesmo autor, a energia


introduzida por unidade de volume da lagoa é elevada, o que faz com que os sólidos
permaneçam dispersos no meio, ou em mistura completa. A decorrente maior
concentração de bactérias no meio líquido aumenta a eficiência do sistema na remoção
da DBO, o que permite que a lagoa tenha um volume inferior ao de uma lagoa aerada
facultativa. No entanto, o efluente contém elevados teores de sólidos (bactérias), que
necessitam ser removidas antes do lançamento no corpo receptor. A lagoa de
decantação a jusante propicia condições para esta remoção. O lodo da lagoa de
decantação deve ser removido em períodos de poucos anos.

O objetivo principal, da lagoa de maturação, é a remoção de organismos


patogênicos. Nas lagoas de maturação predominam condições ambientais adversas
para as bactérias patogênicas, como radição ultravioleta, elevado pH, elevado OD,
temperaturas mais baixas que o corpo humano, falta de nutrientes e predação por
outros organismos. Ovos de helmintos e cistos de protozoários tendem a sedimentar.
As lagoas de maturação constituem um pós-tratamento de processos que ohbjetivem a
remoção da DBO, sendo usualmente projetadas como uma série de lagoas, ou como
29

uma lagoa única com dimensões por chicanas. A eficiência na remoção de coliforme é
elevada, segundo a afirmação de Von Sperling (1986).

Muitas das vezes para o alcance de uma melhor eficiência no tratamento de


esgoto conforme citou Nuvolari (2003), faz-se a associação destes tipos de lagoas de
estabilização. Um dos mais utilizados é o sistema australiano, que é a combinação de
três delas: lagoa anaeróbia, lagoa facultativa e uma lagoa de maturação (Figura 09).

Figura 09. Associação de lagoas de estabilização.

2.13.3.2. Reatores anaeróbios

O processo anaeróbio está através dos reatores de manta de lodo que apresentam
inúmeras vantagens em relação ao processo aeróbio convencional, aplicando em locais
com temperaturas elevadas, como é o caso da maioria dos municípios brasileiros, este
sistema se apresenta como uma solução devido o baixo consumo de energia, baixa
produção de lodo, desidratação do lodo, eficiente remoção de DBO e DQO, dentre outros
(CHERNICHARO, 1997).

O princípio dos reatores é dividir o esgoto bruto em três fases ( separador trifásico):
fase líquida, gasosa e sólida. A fase líquida é o efluente líquido que sai após o seu
tratamento, com eficiência aproximada de 60% a 80% de remoção de DBO (VON
30

SPERLING, 1996). A fase gasosa é o biogás gerado no processo anaeróbio, que é


comumente queimado para evitar o mau cheiro por causa do gás metano (NUVOLARI,
2003). A fase sólida é o lodo mais pesado gerado no compartimento de digestão, cuja
idade são usualmente superior a 30 dias (CHERNICHARO, 1997).

Os reatores anaeróbios de manta de lodo são também frequentemente denominados de


Reatores Anaeróbios de Fluxo Ascendente (RAFA ou UASB), demonstrado na Figura 10.
O custo de implantação varia entre US$ 20 a US$ 40 por habitante e gera uma quantidade
de lodo a ser tratado anualmente entre 0,07 a 0,1 m3/habitante, segundo Von Sperling
(1996).

Figura 10. Modelos de reatores anaeróbios.

O princípio do processo deste reator inicia-se após sua alimentação em baixa


taxa no modo ascendente do lodo. Esta partida do sistema constitui na fase mais
importante do reator. Posteriormente com o aumento da eficiência do processo, após
alguns meses de operação, esta taxa deve ser aumentada (CHERNICHARO, 1997).

Segundo Chernicharo (1997), nos reatores a produção de biogás é muito


importante para a boa mistura do leito do lodo. Entretanto, taxas muito elevadas de
produção de gás podem afetar negativamente a partida do processo, porque o lodo
pode se expandir excessivamente em direção à parte superior do reator, sendo perdido
juntamente com o efluente.
31

Uma das principais características dos reatores anaeróbios é a geração de lodo.


Young (1991) recomendou que os sólidos não sejam descartados do reator até que a
concentração da zona de lodo exceda a 5% em peso. Mesmos nestas condições, o
descarte só deve ser efetuado se a manta de lodo penetrar no meio suporte ou se a
concentração de sólidos no efluente aumentarem significativamente. Caso não ocorra a
distinção entre a manta de lodo e o leito de lodo (distribuição uniforme), o descarte de
sólidos deve ser feito sempre que a concentração aproximar-se de 7% em peso,
situação em que o fluxo da massa de sólidos ficará dificultado, podendo favorecer a
formação de caminhos preferenciais para o esgoto, além de dificultar a remoção do
lodo excedente.

2.13.3.3. Lodos ativados

O sistema de lodos ativado é amplamente utilizado no mundo, como tratamento


de dejeto domésticos e industriais. No entanto o sistema de lodo ativo inclui um índice
de mecanização superior ao de outros sistemas de tratamento, implicando em uma
operação mais tecnológica e maior consumo de energia (VON SPERLING, 1997).

Conforme citou Von Sperling (1996), no sistema de lodos ativados há um


reservatório de bactérias, ainda ativas e ávidas na unidade de decantação, caso parte
destas bactérias seja retornada à unidade de aeração, a concentração de bactérias
sofrerá acréscimo nesta unidade. Este princípio básico do sistema de lodos ativados,
em que os sólidos serão recirculados do fundo da unidade de decantação, por meio de
bombeamento, para a unidade de aeração. As unidades essenciais no sistema de lodos
ativados em fluxo contínuo são: tanque de aeração, tanque de decantação e elevatório
de recirculação de lodo (Figura 11).
32

Figura 11. Esquema de tratamento: lodos ativados.

Existem três tipos de sistemas de lodos ativos (VON SPERLING, 1996):


convencional, de fluxo contínuo e fluxo intermitente. Sendo as diferenças básicas entre
eles nos equipamentos básicos. No lodo ativo convencional, existem aeradores,
elevatórios de recirculação, removedores de lodo nos decantadores e nos adensadores,
misturadores nos digestores, equipamento para gás, elevatório para retorno de
sobrenadantes e drenos. Para o sistema de lodos de fluxo contínuo existem aeradores,
elevatório de recirculação, removedores de lodo nos decantadores e nos adensadores e
elevatórios para retorno de sobrenadantes e drenos. E por fim os de fluxo contínuo que
possuem aeradores, removedores de lodo nos adensadores e elevatório para retorno de
sobrenadantes e drenos.

Para Von Sperling (1996), o processo utiliza um reator bioquímico de


remoção de matéria orgânica em determinadas condições de acumulo de nitrogênio. A
biomassa utiliza o esgoto bruto para se desenvolver, na etapa seguinte, utiliza o
decantador secundário onde ocorre a sedimentação dessa biomassa, permitindo que o
efluente final se torne clarificado.
33

2.13.3.4. Decantador secundário

O decantador secundário, mostrado na Figura 12, possui uma sedimentação de


sólidos, de fundamental importância ao sistema. Existem basicamente quatro tipos de
sedimentação descritos; a direta nos quais as partículas sedimentam em separado, sem
aglutinação, dessa forma são mantidos suas características físicas como forma,
tamanho e velocidade de sedimentação; a floculenta, ocorre aglutinação das partículas,
alterando as suas características, em decorrência há aumento de densidade e
velocidade do floco; a zonal, que em líquidos com alta concentração de sólidos, forma
um manto único, com separação do sólido e do líquido; e zonal elevada, com maior
concentração de sólidos, ocorrendo até compressão das partículas devido ao seu peso,
expulsando a água da matriz do floco (NUVOLARI, 2003).

Figura 12. Decantador secundário.

O cálculo da área superficial requerida é o principal aspecto no projeto de um


decantador. A determinação da área usualmente é obtida através dos seguintes
parâmetros de projetos (VON SPERLING, 1997):
• Taxa de aplicação hidráulica: corresponde ao quociente entre a vazão
afluente à estação e a área superficial dos decantadores;
• Taxa de aplicação de sólidos: corresponde ao quociente entre a carga de
sólidos aplicada e área superficial dos decantadores.
34

O tempo de detenção, segundo a NBR 570 (ABNT, 1989) apud Von Sperling
(1997), está intimamente associado ao seu volume, ou seja, à sua profundidade. A
referida norma sugere que o tempo de detenção hidráulica seja igual ou superior a 1,5
horas, relativo à vazão média.

2.13.3.5. Filtros biológicos

O processo de filtros biológicos consiste num conceito totalmente diferente dos


processos anteriores. Ao invés da biomassa crescer dispersa em um tanque ou lagoa,
ela cresce aderida a um meio suporte, segundo Von Sperling (1996).

Um filtro biológico compreende basicamente, um leito de material grosseiro,


tal com pedras, ripas ou material plástico, sobre o qual os esgotos são aplicados sob a
forma de gotas ou jatos. Após a aplicação, os esgotos percolam em direção aos drenos
do fundo. Essa percolação permite o crescimento bacteriano na superfície da pedra ou
do material de enchimento, na forma de uma película fixa. O esgoto passa sobre a
população microbiana aderida, promovendo o contato entre os microorganismos e o
material orgânico (VON SPERLING, 1996).

A proliferação de moscas, problema comum nos filtros com taxas de aplicação


hidráulica intermediária e baixa, neste caso, diminui, pois as larvas são careadas,
descreveu Nuvolari (2003).

São sistemas aeróbios, afirma Von Sperling (1996), pois o ar circula nos
espaços vazios entre o meio suporte. A aplicação dos esgotos sobre o meio é
frequentemente feita através de distribuidores rotativos e são normalmente circulares,
como mostra a Figura 13.
35

Figura 13. Filtro biológico.

2.13.3.6. Tanque de Sedimentação

O dimensionamento de tanques de sedimentação secundários, utilizados após


filtros biológicos, ainda não é normatizado para pequenas contribuições de esgoto.
Jordão e Pessoa (1995) indicam para dimensionamento de tanques de sedimentação
secundários a taxa de 1/15 metros quadrados de área superficial para cada 1 m3 de
efluente lançado. Além deste, o autor sugere um tempo de detenção hidráulica da
ordem de duas horas. A NBR 12209 (ABNT, 1992) específica para decantador final,
uma taxa igual ou inferior a 36 m3 de efluente por m2 de área superficial. No entanto,
a adoção de métodos de dimensionamento referente a grandes contribuições não
promove resultados satisfatórios. Existe também a possibilidade de utilizar filtros do
tipo bolsa ou do tipo cartucho, que podem ser uma ótima opção para pequenas vazões.
Estes filtros retém materiais sólidos que por ventura tentem sair do tanque de
decantação, em função de um regime turbulento dentro do tanque.

Seu funcionamento é semelhante com o do Tanque Séptico. A sua função é


promover a sedimentação de partículas sólidas, através da diferença de densidade e
utilizando-se de um tempo de detenção hidráulico, evitando com que estas estejam
presentes no efluente final. Grande parte destas partículas sólidas é proveniente do
desprendimento de biofilme do Filtro Aerado, já que o processo com oxigênio produz
grande quantidade de bactérias (SILVA, 2004).
36

2.13.4. Tratamentos terciários

Para o lançamento final do esgoto no corpo receptor, às vezes, é necessário proceder à


desinfecção das águas residuais tratadas para a remoção dos organismos patogênicos ou, em
casos especiais, à remoção de determinados nutrientes, como o nitrogênio e o fósforo, que
podem potenciar, isoladamente ou em conjunto, a eutrofização das águas receptoras (NEVES,
1974).

2.13.4.1. Clorador

O Clorador, ou Tanque de Desinfecção é um sistema de tratamento químico e


terciário, com função de desinfecção do efluente das outras unidades. Este tanque de
desinfecção (Figura 14) tem como finalidade exterminar total ou parcialmente as
bactérias e os demais organismos patogênicos presentes no esgoto tratado. Uma
substância desinfetante – no caso, o Cloro – atua diretamente nestes patogênicos,
penetrando em suas células e reagindo com suas enzimas, resultando na morte dos
organismos (SILVA, 2004).

Figura 14. Unidade de cloração em uma ETE.


37

2.13.4.2. Desinfecção com ozônio

O ozônio possui alto poder germicida contra uma grande variedade de


microorganismos patogênicos, incluindo-se as bactérias, protozoários e os vírus. A
desinfecção com esse produto não é afetada pelo valor do pH. Devido à decomposição
muito rápida do radical livre hidroxila, uma maior concentração de ozônio deve ser
usada em valores de pH mais alto, para se manter a eficiência (NUVOLARI, 2003).

2.13.4.3. Desinfecção com dióxido de cloro (ClO2)

De acordo com Nuvolari (2003) Desde o início do século XX, quando foi
utilizado pela primeira vez na Bélgica, o dióxido de cloro ficou conhecido como
poderoso desinfetante. Aproximadamente 700 a 900 sistemas utilizam o dióxido de
cloro para a desinfecção de patogênicos. É uma combinação neutra de cloro no estado
de oxidação +IV. Desinfeta por oxidação, porém, não clora.

Várias investigações foram feitas para determinar a eficácia da ação germicida


do dióxido de cloro desde a sua introdução, em 1944. Os resultados demonstraram que
o ClO2 é um desinfetante mais efetivo que o cloro, mas, é menos efetivo que o ozônio,
afirmou Nuvolari (2003).

2.13.4.4. Radiação ultravioleta

Diferentemente da maioria dos desinfetantes, a radiação ultravioleta não


provoca a inativação de microorganismos por interação química. Esta, inativa
organismos por absorção de luz, que causa uma reação fotoquímica, alterando
componentes moleculares essenciais para as funções das células. Como os seus raios
penetram na parede das células do microorganismo, a energia interfere nos ácidos
nucléicos e outros componentes vitais, resultando em danos ou morte, de acordo com
Nuvolari (2003).
38

Ainda segundo o mesmo autor, o grau de destruição ou inativação de


microorganismos está diretamente relacionado à dose de radiação ultravioleta a ser
aplicada. A Figura 15, mostra um sistema de tratamento terciário de esgoto com o uso
da radiação ultravioleta.

Figura 15. Tratamento terciário do esgoto com radiação ultravioleta.

2.14. Tratamentos simplificados

Os tratamentos simplificados são recomendados para soluções individuais ou de


pequenas comunidades. O tanque séptico é a solução mais utilizada e representa 8% do tipo
de tratamento de esgoto utilizado no Brasil (PNS, 2000). No entanto, na maioria das vezes, o
tanque séptico é seguido de um tratamento complementar. Apresenta-se a seguir, detalhes
sobre o tanque séptico, o filtro anaeróbio e o filtro aeróbio.

2.14.1. Tanque Séptico (TS)

De acordo com Neto (1997), o tanque séptico foi descoberto em 1872, na França,
quando Jean Louis Mouras percebeu que o volume de sólidos acumulados durante 12 anos em
um tanque de alvenaria, que ele havia idealizado e construído, para receber os esgotos da
cozinha, antes de lançá-lo em um sumidouro, era muito menor do que ele imaginava.
39

A denominação de tanque séptico derivou da palavra em latim sepsis, que significa


decomposição, putrefação, fenômeno em que intervém a atividade microbiológica.

Com a colaboração de Abade Moigne, Mouras realizou uma série de experiências até
1881, quando o invento foi patenteado como "Fossa Mouras". Os estudos foram avançando e,
em 1896, Donald Cameron patenteou o "Tanque Séptico", na Grã Bretanha. Em 1903, o
inglês W. O. Travis concebeu o "Tanque Hidrolítico" (tanque séptico com subdivisão interna).
Karl Imhoff, em 1905, idealizou o "Tanque Imhoff" (tanque séptico com câmaras
sobrepostas).

No Brasil, a aplicação pioneira parece ter sido o grande tanque construído em


Campinas-SP, para o tratamento de esgotos urbanos, em 1892 (Netto, 1985). Mas somente a
partir dos últimos anos da década de 1930, os tanques sépticos começaram a ser difundidos
em nosso país.

É comum encontrarmos, também, o termo fossa séptica. De acordo com o mini


dicionário Sacconi (1996), fossa significa: "poço onde se despejam águas servidas de matérias
fecais" e tanque: "depósito de água e outros líquidos". Para Branco e Hess (1972), tanque
séptico é o construído em alvenaria ou outro material, enquanto que fossa séptica é a que trata
de um simples buraco ou fossa cavada no solo. A norma brasileira NBR-7229 (ABNT, 1993)
utilizava fossa séptica até 1993, quando foi revista, passou a adotar tanque séptico. Neste
trabalho, utilizou-se tanque séptico, que é a nomenclatura utilizada atualmente pela ABNT
(Associação Brasileira de Normas Técnicas) e define tanque séptico como "unidade cilíndrica
ou prismática retangular de fluxo horizontal, para tratamento de esgotos por processos de
sedimentação, flotação e digestão".

A primeira Norma Brasileira a respeito dos tanques sépticos foi a NB-41, de 1963, que
foi baseada na norma alemã DIN 4261 e na norma do estado de Nova York, dos Estados
Unidos, com algumas adaptações às condições brasileiras, principalmente no que diz respeito
ao baixo poder aquisitivo da população e à pequena extensão dos lotes de terreno nos bairros
periféricos das cidades (Branco e Hess, 1972). Segundo Neto (1997), a NB-41 recomendava a
utilização de valas de infiltração para "polimento" dos efluentes de tanques sépticos, quando
necessário.
40

Segundo Netto (1985), em março de 1982, foi publicada a NBR 7229, uma revisão da
NB-41, que representou um grande passo, no sentido de dar alguma ordem em um mercado
extremamente desorientado. A principal mudança foi a introdução da utilização de filtros
biológicos anaeróbios de fluxo ascendente, com leito fixo de pedras, como solução alternativa
para o tratamento complementar do efluente do TS (Tanque Séptico).

Em agosto de 1989, iniciaram-se os estudos para a revisão da NBR 7229/82. O termo


fossa foi substituído por tanque. A Comissão decidiu desmembrar a referida norma em três
outras, sendo a primeira sobre TS, a segunda, sobre o tratamento complementar do efluente e
a terceira, sobre a disposição dos sólidos (Kamiyama, 1993c).

A primeira das três normas recebeu o título de "Projeto, construção e operação de


sistemas de tanques sépticos" e teve, como texto base, a NBR 7229/82, com as suas
alterações. Assim, em setembro de 1993, foi publicada a nova NBR 7229, que aprofundou e
detalhou melhor o sistema de tanque séptico, com algumas mudanças principalmente nos
cálculos e parâmetros utilizados. Kamiyama (1993c) destacou que uma das importantes
mudanças introduzidas foi a indicação, para alguns tipos de tratamentos ali propostos,
concretamente e em números, os limites das capacidades para remoção de poluentes. Outro
destaque foi a introdução do Filtro Aeróbio Submerso (FAES), cujas vantagens consistem na
alta qualidade do seu efluente, na facilidade de manutenção, quando comparado com outros
processos aeróbios de tratamento e reduzida área requerida.

A segunda norma - NBR 13.969 foi publicada em setembro de 1997, com o título:
"Tanques sépticos - unidades de tratamento complementar e disposição final dos efluentes
líquidos - Projeto, construção e operação".

A terceira e última norma da série está em fase de elaboração, cujo título é:


"Tratamento e disposição final de sólidos do sistema de tanque séptico" e vai completar o
assunto, abrangendo, dessa forma, todos os aspectos de tratamento de esgotos no sistema
local.

O funcionamento de um tanque séptico (Figura 16) foi assim descrito por Chernicharo
(1997):
41

• Os sólidos sedimentáveis presentes no esgoto afluente vão ao fundo do tanque,


passando a constituir uma camada de lodo;
• Os óleos e graxas e outros materiais mais leves presentes no esgoto afluente
flutuam até a superfície do tanque, vindo a formar uma camada de escuma;
• O esgoto, livre dos materiais sedimentáveis e flutuantes, flui entre as camadas
de lodo e de escuma, deixando o tanque séptico em sua extremidade oposta, de
onde é encaminhado a uma unidade de pós-tratamento ou de disposição final;
• O material orgânico retido no fundo do tanque sofre uma decomposição
facultativa e anaeróbia, sendo convertido em compostos mais estáveis, como
CO2 (gás carbônico), CH4 (metano) e H2S (sulfeto). Embora o H2S seja
produzido nos tanques sépticos, problemas de odor não são usualmente
observados, uma vez que este se combina com metais acumulados no lodo,
vindo a formar sulfetos metálicos insolúveis;
• A decomposição anaeróbia proporciona uma redução contínua do volume de
lodo depositado no fundo do tanque, mas há sempre uma acumulação ao longo
dos meses de operação do tanque séptico. Como conseqüência, a acumulação
de lodo e de escuma leva a uma redução do volume útil do tanque,
demandando a remoção periódica desses materiais.

Figura 16. Tanque séptico.


Fonte: NBR 7229 (ABNT, 1993).
42

Sobrinho (1991) destaca que o lodo, depois de digerido, vai-se acumulando no fundo
do tanque séptico e, por efeito de adensamento e da redução dos sólidos voláteis na digestão,
ocupa um volume correspondente à quarta parte do volume de lodo inicialmente produzido.

Como tratamento complementar do tanque séptico, há as seguintes possibilidades:


• Filtro anaeróbio de leito fixo com fluxo ascendente;
• Filtro aeróbio submerso;
• Valas de infiltração e filtros de areia;
• Lodo ativado por batelada;
• Lagoa com plantas aquáticas.

Porém, o mais usual é o filtro anaeróbio - FAN. Um estudo realizado por Vieira e
Sobrinho (1983) para um sistema de TS de câmaras sobrepostas e um filtro anaeróbio,
calculado de acordo com a NBR 7229, para quinze pessoas, recebendo esgoto doméstico que
passa, primeiramente, por uma grade fina e por uma caixa de areia, os resultados obtidos
foram, em média, 85% de remoção de DBO, 79% de remoção de DQO, 86% de remoção de
SS e 90% de remoção de coliformes, após 400 dias de operação.

2.14.2. Filtro Anaeróbio (FAN)

O filtro anaeróbio é constituído por um meio suporte com microrganismos. Pode-se


dizer que o filtro anaeróbio representa um sistema de tratamento secundário físico-biológico.
É de grande utilidade em projetos que requerem um melhor grau de tratamento que o simples
uso de tanque séptico seguido de infiltração no solo (FUNASA, 2004).

O FAN é caracterizado por um tanque preenchido por um material filtrante,


geralmente pedra britada. Os microorganismos aderidos às paredes deste material filtrante
formam o biofilme que, ao receberem os despejos contendo matéria orgânica, iniciam o
processo de digestão anaeróbia. Para tal, agem as bactérias anaeróbias (SILVA, 2004).

A partir da introdução do Filtro Anaeróbio, como alternativa para o tratamento


complementar do tanque séptico, o sistema mais usual foi TS-FAN (Tanque Séptico – Filtro
Anaeróbio). Os estudos pioneiros do FAN, para a remoção da carga poluente, tiveram
43

evolução no trabalho de Young e McCarty, na década de 1960. Porém, com a implantação


desse sistema, inúmeros problemas de diversas ordens foram surgindo. Os principais
problemas detectados, segundo Kamiyama (1993a), no estudo realizado pela SABESP
(Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo), foram:
• falta de um dispositivo que permitisse a limpeza regular do filtro anaeróbio;
• falta de operação adequada, confundindo simplicidade operacional com a não
necessidade de operação;
• disposição adequada do lodo retirado;
• falta de lugar adequado para coleta de amostras para análises;
• falta de um medidor de vazão;
• custo de implantação relativamente alto: variável entre US$ 31 a 119 por
habitante, com média de US$ 62,47 por habitante.

Visando a solucionar os problemas detectados, Kamiyama (1993b) sugeriu várias


modificações no sistema TS-FAN, sendo as principais:
• criação de um manual do sistema;
• introdução de uma unidade para recebimento e secagem dos sólidos gerados;
• introdução de uma caixa para controle da vazão;
• introdução de uma caixa para medição da vazão.

Paganini e Macedo (1988), também, apresentaram um estudo sobre as especificações


construtivas do sistema TS-FAN. Os principais problemas e sugestões para as modificações
apresentadas são, basicamente, idênticas ao estudo realizado por Kamiyama (1993b). Porém,
houve divergência no custo de implantação, sendo o custo apresentado por Paganini e Macedo
(1988) de 5,85 OTN/hab (equivalente a R$ 8,12 / hab – março/2004) para sistema TS-FAN, e
4,30 OTN/hab (equivalente a R$ 5,97 / hab – março/2004) para sistema TS-FAN
simplificado. Sua conclusão foi que o custo de implantação é bastante baixo, e desde que
tecnicamente recomendável, é um sistema que apresenta grande vantagem sobre os demais,
em termos econômicos-financeiros.

O filtro anaeróbio pode ser circular ou retangular, de acordo com a NBR 13.969
(ABNT, 1997). A Figura 17 demonstra o exemplo do FAN circular.
44

Figura 17. Filtro anaeróbio circular.


Fonte: NBR 13.969 (ABNT, 1997).

2.14.3. Filtro Aeróbio

O dimensionamento do filtro aeróbio é normalizado pela NBR 13969 (ABNT, 1997).


Os parâmetros utilizados para cálculo do volume do filtro e da vazão de ar necessária são os
números de pessoas a serem atendidas e a contribuição de esgoto por pessoa em um dia.

Assim como no Filtro Anaeróbio, o Filtro Aerado possui material filtrante e há


formação de biofilme. A matéria orgânica presente no tanque é degradada pelas bactérias
presentes no biofilme. Entretanto, difere do filtro anaeróbio no que se refere à presença de
45

oxigênio no interior do tanque. Por conseguinte, as reações que ocorrem em ambiente aeróbio
são diferentes. Além de promover nitrificação, o filtro aeróbio atua removendo DBO (SILVA,
2004).

2.15. Estações elevatórias

Dotada de mecanismos, hidráulicos e mecânicos, que permitem o transporte do


efluente para um ponto mais elevado, para o escoamento final. O bombeamento dentro do
conceito de bombas está ligado a uma estrutura que cumpre outras funções à bomba
(CRESPO, 2001).

Na grande maioria das estações de tratamento de esgoto o interceptor chega na área da


ETE numa cota inferior a dos reatores, portanto é necessário o bombeamento dos esgotos para
cotas mais altas. Verifica-se na Figura 18, um exemplo de uma EEE e reator UASB. Percebe-
se no esquema acima que a tubulação de esgoto chega numa cota abaixo do fundo do reator
UASB, necessitando de um bombeamento até a parte superior do reator (JÚNIOR, 2001).

Figura 18. Estação Elevatória de Esgoto bombeando para reator UASB.


Fonte: Júnior (2001).

Segundo Crespo (2001) o intervalo de duas partidas consecutivas de uma mesma


bomba, denominado intermitência, em média, é de no mínimo 10 minutos. Deve-se observar
também que a bomba não seja submetida a mais de cinco ou seis partidas por hora.
46

Um compartimento de sucção que exceda o volume permitido, fatalmente provocará a


deposição de sólidos, a septicidade do material e a emanação de odores fétidos. Assim, para
evitar estes problemas, o tempo de detenção máximo a ser admitido é de 20 minutos, podendo
eventualmente, ser tolerado um tempo de detenção máximo igual a 30 minutos (CRESPO,
2001).

2.16. Tratamento de disposição final de lodo de esgotos

Segundo Andreoli et al. (2001), o leito de secagem é um processo de desaguamento,


indicado para comunidades de pequeno e médio porte, com ETE´s tratando uma população
equivalente de até cerca de 20.000 habitantes, localizadas em áreas afastadas da zona urbana.

Nuvolari (2003) apresenta três principais processos mecanizados de desaguamento do


lodo:
• filtros a vácuo: recipiente cilíndrico mantido a vácuo, que possibilita a
drenagem da água contida no lodo;
• centrífugas: utiliza a força centrífuga para acelerar a separação sólido-
líquido do lodo;
• filtros-prensas: conjunto de placas com tecido filtrante, que são
pressionadas umas às outras, e consequentemente, a água sai pelo tecido e o
sólido fica retido.

As principais vantagens e desvantagens dos leitos de secagem estão relacionadas na


Tabela 05.

Tabela 05. Vantagens e desvantagens dos leitos de secagem.


Fonte: Andreoli et al. (2001)
Vantagens Desvantagens
Baixo valor de investimento Elevada área requerida
Simplicidade operacional Necessidade de estabilização prévia do lodo
Baixo nível de atenção exigido Lenta remoção da torta seca
Necessidade de operador com baixo nível de Influência negativa do clima no desempenho
qualificação do processo
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Baixo ou inexistente consumo de energia Necessidade de elevada mão de obra para


elétrica retirada da torta seca
Baixo ou inexistente consumo de produto Elevado risco de liberação de odores
químico desagradáveis e de proliferação de moscas
Baixa sensibilidade a variações nas Risco de contaminação de lençol freático,
características do lodo caso o fundo dos leitos e o sistema de
drenagem não sejam bem executados
Torta com alto teor de sólidos

Os principais tipos de transformação e descarte de lodo de esgotos são (ANDREOLI et


al., 2001):
• secagem térmica: baseia-se na aplicação de calor para evaporação da
umidade presente no lodo;
• oxidação úmida: baseia-se na capacidade da matéria orgânica dissolvida ou
particulada presente em um líquido de ser oxidada a temperaturas entre
100oC e 374oC, o ponto crítico da água;
• incineração: implica na destruição das substâncias orgânicas presentes no
lodo através da combustão , obtida na presença de excesso de oxigênio;
• disposição em aterro sanitário: não há qualquer preocupação em se
recuperar nutrientes ou se utilizar o lodo para qualquer finalidade útil.

De acordo com Andreoli et al. (2001), dentre as alternativas de disposição final do


lodo de esgoto, o uso agrícola se destaca por sua economicidade e adequação ambiental,
observando os critérios ambientais e sanitários. Os tipos de culturas mais aptas são:
• grandes culturas, consumidas após industrialização e as não consumidas “in
natura”;
• reflorestamentos;
• produção de grama;
• fruticultura, na implantação de pomares;
• áreas degradadas.
48

2.17. Disposição do biogás

A liberação do biogás de forma descontrolada na atmosfera é detrimental, não apenas


pela possibilidade de ocorrência de maus odores junto à vizinhança, mas principalmente pelos
riscos inerentes ao gás metano, que é combustível. Dessa forma, o biogás produzido deve ser
coletado, medido e posteriormente utilizado ou queimado (CHERNICHARO, 1997).

Há grande interesse na utilização do biogás gerado nos processos anaeróbios como


fonte de energia. A mistura desses gases é composta por 60 a 70% de metano, 25 a 30% de
gás carbônico e pequenas percentagens de hidrogênio, nitrogênio e gás sulfídrico
(NUVOLARI, 2003).

Qasin (1999) apud Nuvolari (2003) afirmou que essa mistura tem alto poder calorífico
de 21.000 a 25.000 KJ/m3, podendo ser utilizado para o aquecimento de edifícios ou como
combustível de motores à explosão (Figura 19).

Figura 19. Biogás utilizado como combustível de motor à explosão.

Segundo Chernicharo (1997) quando houver queda da produção de biogás, as


possíveis causas são:
• vazamentos nas tubulações de gás;
• entupimentos das tubulações de gás;
• defeito nos medidores de gás;
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• elevadas concentrações de ácidos voláteis no reator, alcalinidade reduzida e


quedo do pH;
• presença de substâncias tóxicas no esgoto;
• queda brusca de temperatura do esgoto.

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