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Série Death Row


04 – O Amo
Jaid Black

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Disponibilização: Soryu

Tradução: Silvia Paula

Revisão inicial: Gi Vagliengo

Revisão final: Aryan

Leitura final e formatação: Estephanie

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Informação da série

01 – O Fugitivo – Distribuído

02 – O Caçador – Distribuído

03 – O Vingador – Distribuído

04 – O Amo – Distribuído

5 – Besieged – Em tradução

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“A tradução em tela foi efetivada pelo Grupo Pégasus
Lançamentos de forma a propiciar ao leitor o acesso à
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literária física ou em formato e-book. O grupo tem como
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penal e lei 9.610/1998."

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Resumo

08 de Agosto 2250 dC: Abdul Kan está morto.


Depois de suportar 25 anos de um matrimônio
polígamo forçado, Nicoletta Kan está livre para
abandonar o harém e tomar suas próprias decisões.
Mas alguém está observando-a, caçando-a como uma
presa. Alguém que Nicoletta nunca havia pensado ver
novamente, nem em seus piores pesadelos... ou em
sua mais febril fantasia.

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Prólogo
Minha Bella Nelly verei você em um par de semanas. Duas semanas e
você vai se aconchegar em meus braços novamente! Mal posso esperar. Sinto
falta de você, meu amor. Não deixe que a ausência nesses seis meses mude seu
pensamento sobre mim. Eu precisava estar sozinha nesta aventura. Eu
precisava de tempo para me curar. Quando recebi a carta de vocês
informando-me a morte virtual de seu pai.

Percebi que minhas feridas são profundas. Eu estava esperando que


estar fora da Federação da Terra por um tempo iria diminuir as emoções com
qual fui assaltada com a morte de Abdul. Seu pai era um monstro. Ele era um
demônio entre os homens.

Mas, ah, Kalast glorioso! Como eu o amava.

Eu não deveria amá-lo. Sei muito bem. É a verdade de Ciro, eu sei que
se Abdul Kan levantar milagrosamente do túmulo amanhã nunca mais voltarei
a ele. Lutarei até a minha morte, antes de voltar para a sua cama e seuharém.

Porém sempre terá um fôlego durante a respiração, uma parte que o


amei.

Vemo-nos em uma quinzena, filha. Acenda uma vela virtual na janela


de sua mãe.

Nicoletta Kansas

7 de agosto de 2250

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Capítulo Um
1 de Outubro 2225 dC.

-Meu nome é Nicoletta Isabella Carlotta Apollinaris - sussurrou com


um forte acento italiano, enquanto mantinha baixo seu olhar cor chocolate
escuro. -Procedo da biosfera Grego-romana. Meus talentos são...

- Fale mais alto! -gritou o leiloeiro de bens.

Seu coração começou a golpear em seu peito, pequenas gotas de suor


brotaram em sua testa. Assim eram as coisas, sentia-se uma pilha de nervos.
Quieta, nua, com as mãos presas no alto por cima de sua cabeça contra a
parede, e com as pernas também presas a umas argolas no chão, totalmente
aberta para que os curiosos Amos potenciais pudessem ver tudo o que tinha
para oferecer, a humilhação de ser leiloada em público era uma sensação quase
esmagadora.

Respirou fundo e exalou devagar. Podia fazer isto, disse a si mesma.


Não tinha escolha.

Tampouco desejava que sua aparente falta de delicadeza fizesse que a


passassem despercebidapelos os homens ricos. Nicoletta não desejava
terminar como esposa de um homem de status baixo na hierarquia, alguém
que mal pudesse pagar a comida e muito menos uma esposa. Essa era a
realidade em que viviam seus pais, uma situação que sua filha de aspecto
excepcional não ia repetir.

Não era como se cada garota presa no cenário não fosse


excepcionalmente formosa. Todas e cada uma delas eram umas belezas
impressionantes com grandes peitos, caras formosas e corpos curvilíneos. Os
cientistas se asseguraram há muito tempo que todas as meninas nascessem

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sendo fisicamente perfeitas. Qualquer imperfeição detectada no útero
materno, de uma aparência gordinha ou muito magra, tudo era redesenhado
antes que a menina nascesse. Era uma abominação repugnante e asquerosa de
tudo o que era sagrado, mas também era a triste verdade.

Pode fazer isto! Agora te acalme e fala com claridade.

Havia pouca escolha. Seu aspecto não era nem melhor nem pior que
qualquer das outras moças que estavam no bloco de leilões de matrimônio
nesse dia. Tampouco podia dizer que tivesse algum talento superior ao resto
delas. A única raridade sobre Nicoletta era que ainda era virgem, uma virgem
de dezoito anos, uma virgindade que perderia nessa mesma noite com o varão
que a comprasse como esposa.

Seu coração corria impossivelmente rápido. Doce Kalast! Pensou,


esperando que seu futuro marido não tivesse um aspecto muito mau. Os fetos
masculinos não eram redesenhados como os femininos, uma rápida olhada ao
mar de desgraçadas caras masculinas confirmou esse horrível feito. Assim se o
destino quisesse atar sua vida a um Amo feio, ao menos podia esperar um
marido que estivesse em uma posição intermediária dentro da Hierarquia.

Meu nome...

—Nicoletta limpou sua garganta e começou de novo, sua voz audível,


mais forte esta vez- Meu nome é Nicoletta Isabella Carlotta Apollinaris —
seus grandes peitos abaixavam e subiam com cada fôlego que tomava seu
nervosismo aumentando em vez de diminuir. — E procedo da biosfera
Grego-romana.

— Que talentos têm moça — resmungou o leiloeiro de bens.

Ela engoliu contra o frio nó de medo que se instalou em sua


garganta. Decidiu que não se surpreenderia se caísse morta antes que seu
turno tivesse terminado.

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— Meus talentos estão nas áreas de massagens corporais e mamadas.

Ah, deuses, pensou, seu coração afundando-se, cada moça desse


lugar possuía esses talentos. O mar de caras masculinas parecia intensamente
aborrecido. Estava condenada.

—Sou virgem, — disse Nicoletta rapidamente.

O mar de caras aborrecidas se reanimou e prestou atenção.

Seu queixo se elevou, sua confiança se restaurou o suficiente para


terminar seu ensaiado discurso. As demais eram como ela, bonitas e possuíam
outros talentos, por isso teria que explorar essa raridade que tinha.

—Nunca fui penetrada vaginal ou anal, só de maneira oral para que


pudesse aperfeiçoar essa habilidade para meu futuro Amo.

O leiloeiro inclinou sua cabeça, girou para a seguinte moça e repetiu


o processo. Seguiu até o final da fila, até que as dez mulheres presas disseram
seus nomes, sua origem e suas habilidades. Só então, depois de que a última
delas tivesse falado fez que começasse a inspeção.

A inspeção pensou Nicoletta, tomando outro fôlego para relaxar. As


dez noivas no leilão tinham sido submetidas a uma depilação genital, de modo
que se mostrasse somente um triângulo diminuto de pelos pubianos, escovado
com esmero em seus corpos. Também tinham sido banhadas em óleos
exóticos para que cheirassem de forma embriagadora e excitassem aos
ofertantes masculinos mais ricos durante o período de inspeção. Não se dava
aos homens mais pobres nenhuma oportunidade de inspecionar, tinham que
se conformar com os restos que a elite não se dignava a comprar.

Por favor, me permita que tenha uma oferta!

Seus pensamentos voaram para a pequena morada onde se alojava


sua família desde que podia recordar, constava de dois pequenos quartos e

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eles eram sete. Nicoletta dormia em uma áspera esteira como um cão, e pedia
comida nos vestíbulos do Airbus para não morrer de fome... Por favor!

Todo seu futuro se reduzia ao que aconteceria na próxima hora.


Doce Kalast, sentia-se a ponto de desmaiar! Só podia rezar a Cyrus para que
sua virgindade deixasse os ofertantes suficientemente curiosos para querer lhe
dar uma inspeção. Sabia que seus pais estariam muito decepcionados no caso
de ser leiloada a um homem de meios questionáveis. Queriam que ela se
casasse bem.

Não é que ela planejasse ficar casada muito tempo, admitiu


silenciosamente, seu coração golpeando como um tambor em seu peito.
Talvez fosse um mau plano e um complô contra seu futuro marido antes
inclusive de que tivesse um Amo de quem falar, mas simplesmente queria
mais de sua vida que... isto.

Isto suspirou Nicoletta, mamadas, massagem corporal e reproduzir-


se, a isso se resumia todo o valor de uma moça na Federação da Terra. Tendo
em conta que os varões superavam em número às mulheres, a uma razão de
quinhentos para uma, supôs que era pouco surpreendente que as mulheres
fossem consideradas como criaturas, posses para serem leiloadas e compradas.
E, entretanto, queria mais..., queria algo mais que ser a humilde posse de
algum homem.

Queria ser livre.

Era um sonho tolo, mas se dava conta que o tinha levado


profundamente em seu coração desde que tinha memória. Tinha ouvido
rumores sobre um planeta dirigido por mulheres, chamado Kalast, onde os
salários eram justos e uma mulher era livre para tomar suas próprias decisões.
Não sabia se o lugar era realmente uma invenção de uma mulher ou se era

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uma ideia idealizada e romântica de algumas esposas descontentes com a
hierarquia, mas sua sorte ali não podia ser pior do que era neste lugar, pensou.

Chegar a Kalast seria uma verdadeira façanha. Em primeiro lugar,


precisava de bastante dinheiro depositado no chip de ienes de seu cérebro
para reservar o voo, e não podia ser feito sem o acesso a uma conta em um
banco virtual de uma pessoa rica. Em segundo lugar, precisava de um bom
plano de fuga. A lei proibia às mulheres terráqueas deixar o planeta sem serem
escoltadas pelo homem ao que pertenciam. Em terceiro lugar, ela...

Ora! Não pense nisto! Estava trabalhando sobre como executar seu
plano quando ainda não tinha conseguido passar o primeiro obstáculo:
conseguir um marido rico. Acalme-se...

Precisava de um Amo com amplos meios, não só para ter acesso a


uma próspera conta bancária virtual, mas também para não sentir-se culpada
quando fugisse dele. Depois de tudo, a grande maioria dos feios rostos
masculinos dali que queriam comprar uma noiva hoje tinham economizado
muitos ienes, durante muitos anos antes de ter o suficiente para cumprir os
padrões mínimos do leilão.

A maior parte dos homens da Federação da Terra morria sem


nuncater tido uma esposa. Todos os varões que puxavam, salvo a elite da
Hierarquia, que era um por cento, tinha conseguido juntar o suficiente sendo
econômicos e cuidadosos durante os anos para economizar os ienes
suficientes. Nicoletta não desejava fugir de um homem que tinha
economizado toda sua vida para poder continuar sua linha genética. Ela
desejava fugir de um homem que pudesse permitir-se substitui-la, um homem
que não se sentisse devastado por sua perda.

Tinha que ser comprada por um homem de posse da elite, um desses


um por cento.

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Respirou fundo e logo expirou. Poderia desejar também ser nomeada
Rainha de todo Kalast.

—Bonitos. Gordinhos e bonitos.

Nicoletta piscou de volta, seus pensamentos tinham estado muito


longe. Olhou fixamente o homem rico que estava de pé diante dela, logo
baixou seus grossos cílios negros realçados com tinta, enquanto ele seguia
puxando seus mamilos. Sua educação não tinha sido exatamente como a da
elite, mas ainda assim sabia o suficiente para não falar. As moças deviam ser
vistas, mas não ouvidas, tinha crescido ouvindo seu pai repetir aquele mantra
uma e outra vez para que sua filha não o esquecesse quando chegasse o dia de
seu leilão.

O homem de classe alta passou seu tempo acariciando seus grandes


peitos. Nesta etapa as moças tinham sido alinhadas e presas com a cintura
dobrada sobre o meio para que os Amos não tivessem que estirar-se muito
para inspecionar suas potenciais noivas. Nicoletta suspeitava que também
fosse simbólico: as mulheres se inclinavam respeitosamente ante os homens,
mas nunca o inverso.

Seus mamilos se endureceram, alargando-se para o homem rico, o


que pareceu lhe agradar. Fez um som apreciativo no fundo de sua garganta
antes de baixar sua boca para seu peito. Passou um tempo degustando cada
um, chupando-os como guloseima de um menino.

A sensação era maravilhosa, concedeu Nicoletta, seu fôlego


estremecendo, enquanto mantinha os olhos fechados e tentava esquecer o
fato de que o potencial Amo rico se via bastante frágil, e o suficientemente
enrugado para ser seu avô.

Só podia rogar a Cyrus para que ele decidisse fazer uma oferta. Não
teria nenhum pensamento de fugir de um varão tão velho como este. Além

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disso, é provável que ela não fosse sua única posse. Poderia ser ilegal na
Federação da Terra que um Amo possuísse mais de uma esposa, entretanto,
era também amplamente conhecido que a maioria dos homens com um status
alto dentro da Hierarquia compravam tantas esposas como desejavam.

Os lábios do ancião ofertante se soltaram de seu mamilo com um


estalo. Seus dentes se afundaram em seu lábio inferior quando se transferiu à
moça seguinte no cenário, esperando com toda sua alma que ele ainda
decidisse fazer uma oferta em seu seguinte período de inspeção.

Os trinta minutos seguintes foram intermináveis para Nicoletta


quando não um, nem dois, a não ser três potenciais Amos esfregaram e lhe
beijaram todas as partes de seu corpo. Tocaram-na como quiseram,
amassaram seus peitos grandes, massagearam seus rígidos mamilos, e
brincaram com seu clitóris até que esteve quase a ponto de culminar... e logo
foram inspecionar a seguinte garota.

Sua respiração se tornou laboriosa, à hora da inspeção dos homens


da elite se aproximava mais e mais a seu final. Não tinha forma de saber se
algum deles pensava nela, ou se só um desses homens puxaria por ela durante
o leilão. O único que sabia era que qualquer um estaria muito bem para seus
propósitos, era o grupo de homens mais débeis, mais feios, mais mimados que
já tivesse visto.

—Tem um cabelo escuro encantador, — uma voz masculina


murmurou conseguindo toda a atenção de Nicoletta.

Levantou o rosto e seus olhos escuros se abriram antes que se desse


conta e pudesse ocultar sua reação. Estava surpreendida, Doce Kalast, mais
surpreendida do que já tinha estado! Conhecia esse homem, ou melhor
dizendo sabia quem era ele. Duvidava que uma só pessoa em toda a

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Federação da Terra não reconhecesse o rosto de Abdul Kan, um dos homens
mais ricos e capitalistas da Hierarquia.

Por não mencionar um dos mais bonitos, pensou, seu ritmo cardíaco
acelerando-se. Tratou de baixar os cílios, mas parecia não poder desviar seus
olhos de seu intenso e penetrante olhar esverdeado. Não era bonito no
sentido tradicional, mas sim de um modo potencialmente masculino, da
maneira que separa um leão de um pavão.

—Obrigada, — sussurrou antes de poder deter-se. Rapidamente


desviou o olhar, abrindo os olhos quando se deu conta de que realmente tinha
falado com o Amo Kan. Idiota! Nunca faria uma oferta por uma moça que
não se lembrava de segurar sua língua.

Mas quanto mais o considerou Nicoletta, melhor soou a realidade.


Respirou fundo e exalou lentamente. Oh, não, não serviria de nada casar-se
com um homem como esse. Era muito rico, muito capitalista, muito bonito...

E, admitiu com um suspiro quando lhe deu uma olhada, muito


perigoso. Tinha ouvido rumores a respeito dele, todo mundo os tinha ouvido.
Abdul Kan poderia ter nascido na riqueza, mas tinha ganhado suas próprias
cicatrizes de batalha.

Os mais ricos e mais capitalistas dos homens da Hierarquia tendiam


a ser débeis, e suaves. Seu guarda-costas era a força muscular, não os mesmos
da elite. Mas este macho...

Ah, deuses, pensou Nicoletta, seu coração acelerado, não havia nada
fraco ou suave nele. A túnica de seda negra e suas calças soltas combinando
levavam os emblemas de seu status e, não ocultavam os músculos que se
contraíam embaixo eles. Tampouco era fraca a expressão intensa, indecifrável
da máscara que era sua cara, o conhecimento em seu olhar de jade. Era como
se pudesse ver através dela, diretamente através da alma de Nicoletta, em

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particular. Encontrou-se ruborizando, perguntando-se se ele teria adivinhado
seus pensamentos.

—De nada, - murmurou ele, sua boca sem sorrir, mas o sorriso
ardendo em seus olhos.

Ela ficou gelada, não sabia se devia dizer algo mais ou calar-se. Tinha
esperado que o Amo Kan se zangasse por sua tolice de atrever-se a lhe falar
diretamente. Não tinha esperado que ele parecesse inclusive até mais intrigado
por ela ao fazê-lo assim.

Suas quentes e calosas mãos encontraram seus peitos e começou


brandamente a amassá-los. Ela ofegou, pela razão que fosse
momentaneamente surpreendida por seu toque.

—São muito formosos, — disse o Amo Kan roucamente, seus


polegares roçaram seus inchados mamilos rosa. Ela gemeu baixinho, incapaz
de suprimir sua reação — Nunca vi a uma moça com uns mamilos tão
rechonchudos e suculentos como os seus.

Seus cílios se fecharam quando ela o olhou fixamente através das


pálpebras entrecerradas.

—Obrigada, — sussurrou seu fôlego suspenso.

Sua mão direita se arrastou mais abaixo, sobre seu ventre plano, pelo
triângulo investido de cachos negros escovados com esmero. Seus mamilos
ficaram impossivelmente mais duros quando viu como sua mão esquerda se
unia à direita e seus dedos estendiam os lábios de sua vagina, abrindo-os.

— É virgem? —perguntou Abdul, sua voz marcada com um suave


tom rouco.

Ela passou sua língua por seus lábios secos. Seus peitos subiram e
desceram com cada laborioso fôlego.

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—Não, — sussurrou, não querendo que puxasse por ela.

Um lado de sua boca subiu um meio sorriso.

—Mente, — murmurou. Seu olhar tão intenso como perigoso, se


não mais que o resto dele. —Surram as moças travessas que mentem a seu
Amo.

Seus olhos marrons se arredondaram. Com medo ou excitação, ela


não sabia.

—Não é meu Amo.

Ele baixou sua vista e contemplou sua vagina apertada durante um


momento. Sua língua serpenteou e deu uma longa lambida desde seu pequeno
buraco até seu clitóris. Ela gemeu incapaz de conter sua reação.

—Mas o serei, anawahid— disse com voz rouca, chamando-a por


um nome que ela não reconheceu, em um idioma estranho que lhe pareceu
como um íntimo beijo. —Serei, - murmurou.

Nicoletta ofegou quando ele pegou seu clitóris no calor de sua boca e
o sugou com força. Ela gemeu um pouco mais forte, nunca havia sentido uma
sensação semelhante. O louco desejo de enfiar seus dedos por seu cabelo
negro e sedoso e empurrar seu rosto mais perto contra sua carne, foi quase
entristecedor, mas se salvou graças a Deus, de desonrar-se a si mesma pelas
restrições que a atavam.

Fechou seus olhos com um suspiro... Ah, Kalast gloriosa ia gozar


com força para ele. Não queria, mas não podia evitá-lo.

—Por favor, — ofegou Nicoletta, seu fôlego capturado na parte


posterior de sua garganta. — Ah, deuses.

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Gozou com um forte gemido, seu corpo inteiro convulsionou
quando um violento orgasmo explodiu em seu ventre. Ele grunhiu baixo em
sua garganta enquanto lambia seu suco, o som tão letal como excitante.

E assim, logo que chegou ao seu clímax, tudo passou por cima dela.
Nicoletta olhava através de uma visão turva, quando o homem de elite ao que
ela não tinha nenhum desejo de estar ligada se levantou e tomou o lugar que
lhe correspondia na cabeça da zona de leilão. Seus intensos olhos verdes
nunca vacilaram, nunca desviaram o olhar dos assustados olhos marrons que
davam olhadas furtivas e vacilantes para ele.

Dez minutos mais tarde, seu destino estava selado. Dez minutos
mais tarde a filha de um dos homens mais pobres do mundo se converteu na
segunda esposa do harém de um dos mais ricos.

O coração de Nicoletta se apertou contra seu peito. Tentou engolir a


saliva enquanto olhava seu novo Amo contemplá-la. Esses olhos calculistas,
avaliadores, percorriam-na de cima abaixo por toda a extensão de seu corpo
nu, hidratado, enquanto o leiloeiro desprendia suas mãos e pés e entregava ao
Amo Kan sua corda.

—Fique de joelhos, moça — recordou-lhe o leiloeiro com o cenho


franzido.

Nicoletta se ajoelhou diante de seu Amo e abaixou sua cabeça para


beijar seus pés. Passou por todos os movimentos esperados para uma noiva
durante uma cerimônia de matrimônio, sua mente estava nebulosa quando um
anel foi colocado em cada um de seus mamilos e uma corrente passada através
deles, simbolicamente afastando-a do toque de qualquer outro homem, exceto
Abdul Kan.

—Sempre será minha, — murmurou Abdul, lançando seu dardo—


Sempre.

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Sua respiração se deteve. Seus olhos se abriram. Era como se ele
pudesse adivinhar seus planos e lhe avisasse que nunca poderia escapar dele.

Nunca.

—Sim, Amo — sussurrou Nicoletta obedientemente. Baixou seus


olhos, ocultando-se de seu olhar— Sempre pertencerei a ti.

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Capítulo Dois

20 de Agosto, 2250 dC.

(25 anos mais tarde)

— Diga, gostaria de tomar uma taça de licor, Senhora?

Nicoletta Kan piscou as palavras do androide de serviço por fim se


registraram nela. Levantando seu olhar se encontrou com a prateada mulher
nua e negou com a cabeça, muito concentrada em suas lembranças para
considerar tomar um alucinógeno, embora fosse um suave.

— Nada, obrigada, — disse, com um sorriso cortês em seus lábios


— Não tenho sede.

O androide assentiu e seguiu pelo corredor para oferecer algo de


beber ao seguinte passageiro do voo 127 das Aerolinhas da Federação da
Terra. Seu transporte estelar estava totalmente cheio, notou Nicoletta, e a
moça que servia tinha mais trabalho a fazer.

Nicoletta virou a cabeça e olhou distraidamente pela janela. Posto


que o transporte estelar estava agora mesmo no espaço exterior, havia pouco
que olhar mais à frente do abismo negro ao outro lado do painel de
visualização. Tinham estado a caminho do planeta Terra por mais de três dias.
Supôs que ainda faltava mais de uma hora para abordar a Via Láctea. Mal
podia esperar! Três horas depois de que isso acontecesse, a aeronave
aterrissaria no chão da Terra. E mais algumas horas mais tarde, abraçaria sua
querida filha Nellie. Nellie...

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Oh, como sentia falta dela! Tinha querido retornar à Federação da
Terra no mesmo momento que se inteirou da gravidez de sua filha, mas pelo
contrário, tinha estado tão dominada pela melancolia depois de saber da
morte de Abdul que temia que sua presença fosse algo negativo neste
momento tão feliz para Nellie e Kerick, que tanto mereceram, mais que algo
positivo.

Abdul Kan, seu marido, tinha morrido. Ademais, recordou-se com a


mandíbula tensa, era um marido morto pelo que não tinha porque chorar.
Tinha fugido dele, não é certo? Suas narinas se dilataram. Sim, tinha estado
fugindo de seu marido quando a morte lhe tinha reclamado. Poderia ter sido
um dos homens mais ricos e mais temidos dentro da Hierarquia, mas o preço
desse poder tinha sido a custo de muitas vidas e torturas.

Era o diabo. Um demônio com pele humana. Ela mesma tinha


sabido por mais tempo do que se sentia cômoda admitindo.

Abdul foi o responsável pela morte de Sinead, sua própria primeira


esposa, sua querida amiga tinha morrido em suas atrozes mãos. Foi Abdul o
responsável por infectar inúmeros detentos sem voz. Aqueles escravos da
Hierarquia tinham sido infectados com a enfermidade mais horrível
imaginável com fins experimentais. Esses desgraçados se converteram por
capricho de Abdul Kan.

Monstros!

Estremeceu-se. Não havia nenhuma palavra melhor para descrever


os sub-humanos, decidiu Nicoletta.

Monstros. Bestas. Abominações.

Seus dentes se afundaram em seu lábio inferior quando recordou sua


última fuga de uma criatura infectada. A primeira vez que tinha fugido de
Abdul Kan, um macho sub-humano a tinha capturado e alevou chutando e

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gritando para sua caverna, logo se acasalou com ela durante dois dias e noites
arrepiantes.

Depois que escapou do homem-besta, reuniu-se com Nellie.


Nicoletta tinha estado preocupada durante semanas de que o filho da criatura
estivesse crescendo em seu útero. Mas por sorte, seu ciclo de sangue chegou, e
soube que a abominação não tinha conseguido engravidá-la.

Entretanto... De todos os modos a criatura a perseguia. Era como se


sua alma pertencesse tanto a Abdul, como ao homem-besta, já que a pessoa
mandava em seus sonhos e o outro em seus pesadelos.

Apesar de seus medos, e o fato de que lamentava recordar aqueles


dois dias e noites, ainda sentia pena pela criatura. Tinha sido, apesar de tudo,
um homem uma vez. Tinha sentido esperança, desespero, amor, ódio, alegria,
fracasso e...

Seus olhos se apertaram. Uma vez tinha sido um homem. Abdul e


seus companheiros da Hierarquia tiraram essa humanidade por seus próprios
objetivos asquerosos.

Nicoletta suspirou enquanto olhava fixamente o negro abismo.


Fechou seus olhos, decidindo que dormir seria melhor que recordar. Não
desejava pensar no homem-besta. Tampouco desejava pensar em seu marido
morto.

Seus olhos se abriram de repente. Seu coração deu um tombo.


Inclusive em seus sonhos Abdul estava sempre ali, sempre. Resistia a suas
evocações, rebelando-se ante as lembranças dos maravilhosos anos que tinha
passado em seu harém. Lutou contra ele, enfurecendo-se como sempre tinha
feito com tudo em relação ao Amo Kan.

Vinte e cinco anos atrás, Abdul tinha prometido que sempre lhe
pertenceria. Tinha cumprido essa promessa até o final. Tinha sido certo

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durante sua vida, mas ela estaria condenada se ele tivesse esse poder sobre ela
depois de sua morte.

Nicoletta inquietamente passou suas mãos por seu longo cabelo


escuro. Talvez, só talvez, seria mais fácil deixá-lo ir se entendesse como tinha
mudado. Precisava de respostas, mas não sabia onde busca-las. Suspeitava que
a filha de seu coração Nellie, sabia de algo... algo que ela encontrava difícil de
falar. E desta maneira os segredos de Abdul, todas suas intenções e objetivos,
tinham lhe seguido para a tumba.

Onde tinha errado tudo? Nicoletta se perguntou pela enésima vez


nos vinte e cinco anos que tinha estado casada com ele. Quando Abdul a tinha
comprado no leilão matrimonial suas esperanças por ter uma feliz vida de
casada tinham sido altas, fosse a segunda esposa ou não. Todos seus
pensamentos juvenis, idealistas de fugir dele se foram no momento que seus
corpos se uniram. Que ela tivesse que compartilhar seu corpo e coração com
outra garota tinha sido difícil de aceitar a princípio, mas desde o momento em
que conheceu Sinead tinha estado muito afeiçoada por ela para que seu
espírito se afundasse muito.

A princípio lhe tinha parecido que seu novo marido poderia bem ser
o místico amante, glorioso, romântico que todas as garotas sonham que as
compraria. Ser a posse de tal varão faria com que qualquer mulher se
deprimisse de felicidade, e Nicoletta tinha acreditado que seu marido era esse
príncipe.

Os primeiros meses tinham sido tudo o que ela podia sonhar e mais.
Tinha sido amável, atento, romântico, tudo o que ela tinha querido alguma
vez. E, é claro, uma esposa nunca poderia pedir um melhor amante como o
Amo.

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Abdul sempre tinha sido extraordinariamente vigoroso, recordou
Nicoletta, acomodando-se melhor em seu assento. Não tinha se surpreendido
que precisasse de duas mulheres para saciar seu apetite sexual. Podia fazer
amor durante horas, jogando sua semente tanto em Sinead como nela mesma,
sua energia sexual era aparentemente interminável.

Entretanto, poucos meses mais tarde, cinco anos depois de que


Sinead deu a luz a Nellie, tudo começou a mudar, inclusive mesmo Abdul.
Um homem que sempre tinha sido perigoso se fez impossivelmente mais. Um
homem que uma vez a tinha amado e apreciado, ou assim tinha pensado ela,
voltou-se contra ela em um abrir e fechar de olhos.

Chegou a odiá-lo, desprezá-lo, a detestar inclusive sua presença, e,


mesmo assim...

Nicoletta suspirou, com um sorriso triste. Entretanto, atreveu-se a


esperar. Não tinha fugido dele nos velhos tempos, porque tinha se atrevido a
sonhar que Abdul voltaria para ela, e outra vez mais seria seu príncipe árabe, o
cavalheiro da brilhante armadura que aparecia nos antigos contos de fadas.

Mas isso nunca tinha acontecido. Tinha lhe dado um herdeiro, seu
filho amado, Asad, e de todos os modos não voltou a ser o mesmo de antes.
Cada dia Abdul se tornava mais frio, cada dia se distanciava dela até que sentiu
como se estivesse casada com um estranho aterrador, volátil.

O distanciamento continuou. Mais mulheres foram acrescentadas a


sua família, corpos para que Abdul se acasalasse corpos que ela suspeitava que
tivessem sido comprados simplesmente porque ele se deu conta de que elas
não lhe faziam sentir exatamente o que ele queria.

Sete anos depois que Nicoletta tinha se casado o harém da família Kan
estava formado por seis pessoas: Abdul, Sinead, Nicoletta, e três esposas mais
que Abdul tinha comprado. Nem Sinead e muito menos ela tinham sentido

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carinho pelas novas esposas. Muitos anos depois da morte de Sinead, Abdul
tinha comprado outra esposa, outra razão pela qual Nicoletta lhe tinha
culpado, embora reconhecesse que não era a maior.

Por que, Abdul? - Perguntou silenciosamente, suas narinas tremendo.


Quero saber por quê. Por que me obrigou a ficar quando durante anos se
aborrecia em me ver? Por que!

— Aeronave 127 da Federação da Terra, prepare-se para abordar a


galáxia da Via Láctea — anunciou uma alegre e imaterial voz feminina, tirando
Nicoletta de seus pensamentos — Requer-se agora que todas as mulheres
dominadas e desprotegidas tirem seu cenário corporal. Obrigada por escolher
as Aerolinhas da Federação da Terra.

Nicoletta se levantou e tirou o longo e solto traje que usava. Tirou-o


por sua cabeça e entregou sua decoração corporal a um androide para que o
armazenasse. Nua salvo por seus anéis de mamilo e corrente como se requeria
que usassem todas as mulheres da Federação da Terra, deixou-se cair de novo
em seu assento.

Que seu marido estivesse morto não significava que as autoridades


do porto não comprovassem seus passaportes virtuais em qualquer estação
espacial na cúspide mais extrema da galáxia quando atracassem. A nádega
direita de Nicoletta foi marcada com o sinal de Abdul Kan. Para eles, vivo ou
morto, era e sempre seria sua exclusiva propriedade. Segundo a lei, a nenhum
outro varão era permitido tocá-la. Isso não significava que não acontecesse,
apenas não era legal.

Tomou um fôlego profundo, calmante e devagar o exalou quando se


voltou a acomodar em seu assento. Seus cílios revoaram até fechar. Para eles,

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possivelmente, ainda era propriedade de Abdul, mas Nicoletta sabia que ela
era livre...

A partir de agora e para sempre, pensou, sempre seria livre.

O coração de Nicoletta se afundou enquanto observava Abdul


terminar de fazer amor com Sinead. Seu gemido foi longo e forte quando
ejaculou dentro dela. Passaram longos minutos antes que ele se retirasse da
cama do harém assim Nicoletta se manteve fingindo que arrumava o cabelo
enfrente ao espelho.

— É a ti a que ele ama Nica, — murmurou Sinead, chegando atrás


dela. Seu sorriso era tão suave como seu acento irlandês. — Sabe moça.

Nicoletta seguiu penteando seu longo cabelo escuro diante do


espelho tridimensional.

— Isso não é verdade, — sussurrou. Suspirou, momentaneamente


parando de pentear-se — Sinto ciúmes, Sinead. Não poderia pedir melhor
amiga ou confidente que você.

— Mas quer ser sua única esposa.

— Assim é, — fechou os olhos um instante, doída por sua própria


admissão. Desejar isso era querer Sinead longe e ela não podia fazê-lo. —Por
favor, entende que isto não tem nada a ver com meu carinho para ti. Só
quero...

— O conto de fadas, — Sinead assentiu com a cabeça. Seu olhar


parecia longe — Como eu o fiz a minha maneira, — murmurou ela.

Nicoletta deixou o pente, girou-se e a olhou.

— Sinto muito, Sinead. Estou aqui sentindo melancolia por mim —


murmurou com arrependimento quando ela estendeu sua mão para pegar a

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sua, — Quando você é sua primeira esposa. Não posso imaginar como deve
ter estado chateada quando ele se casou comigo.

— Não estive — confessou suavemente Sinead — Fui feliz por


vocês — diante da expressão confusa de Nicoletta, ela explicou
misteriosamente. — Há mais em minha relação com o Amo do que possa
saber — suspirou olhando longe — Só confie em mim e em nosso amor uma
pela outra quando te digo que desejava que Abdul encontrasse sua felicidade
contigo, uma felicidade que ele nunca encontraria comigo.

— Não entendo...

— Eu já disse muito — sacudiu seu cabelo vermelho como o vinho,


assim sorriu e abraçou Nicoletta — Só sei que ele te ama, Nica — sussurrou.
Passou suas mãos sobre os grandes peitos de Nicoletta e suavemente
massageou seus mamilos. A respiração de Nicoletta se prendeu. — Como eu,
— disse Sinead roucamente.

Seu beijo com língua foi embriagador, como eram todos seus beijos.
Sinead era a única amante mulher que tinha conhecido a única amante mulher
que ela conheceria. Seu coração pertencia tanto a Sinead, como o fazia Abdul,
embora o amor fosse tão diferente. Queria Sinead...

Mas estava apaixonada por Abdul.

— Disse que se levantasse. Agora, mulher!

Nicoletta piscou várias vezes em rápida sucessão quando um homem


que não reconhecia a forçou a ficar em pé, sacudindo-a do profundo sono que
a tinha reclamado. O que estava passando! Sua mente gritou. O que fazem
estes homens aqui?

Sua mente estava tão enevoada que era difícil de assimilar o que
estava acontecendo ao seu redor. As mulheres choravam, os homens

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berravam. O que acontece! Lutou por despertar, por focar seus olhos ao seu
redor e pensar sem as teias de aranha que cobriam seu cérebro.

Quinze ou vinte homens armados enchiam o avião, as expressões de


suas caras sérias. Uma rápida olhada ao portal mais próximo confirmou que o
transporte estelar se chocou em algum lugar no interior das selvas da
Federação da Terra, onde ninguém sabia o que havia. Outra rápida olhada
para uma das quatro asas retráteis do transporte estelar revelou os fortes
danos.

Sua respiração gelou. A realidade devagar chegou.

Tinham sido derrubados. Doce Kalast! - Pensou seu olhar selvagem


virando-se para eles, tinham sido capturados por forças Exteriores! Mas o que
queriam estes foragidos do Subterrâneo? O que procuravam?

Engoliu com força quando duas ásperas mãos masculinas alcançaram


ao redor dela por trás e agarraram seus grandes peitos. Assustada, ofegou
quando o libertino começou a beliscar seus mamilos, empurrando sua ereção
contra suas costas.

Oh deuses, queriam às mulheres, pensou histericamente Nicoletta,


sua respiração tornando-se trabalhosa. Estes varões do Exterior não podiam
comprar mulheres legalmente já que moravam fora do amparo das biosferas.
Não podiam comprar mulheres, então as roubavam. Tinha sido liberada do
harém de Abdul para isto? Não... não!

Seu coração pulsava como um louco em seu peito, Nicoletta gritou


enquanto tratava de se separar do homem que a segurava como refém. Ele
lutou com ela, fixando-a fortemente contra ele de modo que ela não pudesse
mover-se.

— Deixe-me ir! — disse com raiva, metade histérica e metade


venenosa. Isso não podia estar acontecendo. —Pertenço a outro!

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— Já basta, moça — grunhiu o homem. Gritando quando seus
dentes se afundaram em seu braço, tirando sangue. — Disse que já basta —
gritou, girando Nicoletta para obrigá-la a lhe confrontar. Havia manchas de
cor púrpura em sua boca. A quem pudesse ter pertencido antes não importa
— sua raiva era algo tangível. — O único que deve importar é a quem
pertencerá.

Ah, Cyrus, não, pensou, seus olhos abrindo-se. Nãoooo!

Abriu a boca para gritar de novo, mas foi parada de forma brutal
antes que um só som deixasse seus lábios. Momentos depois, seu atacante a
agarrou pelos ombros enquanto um segundo homem agarrou suas pernas que
se agitavam. Dando chutes e gritos, levaram-na do amparo do transporte
estelar à caverna da selva mortal.

— Me ajudem! — Chorou Nicoletta — Nellie, Kerick, alguém tem


que me ouvir! Ajudem-me!

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Capítulo Três

Seu coração pulsava em seu peito enquanto Abdul deixava suaves


beijos por todo seu rosto. Tinham estado fazendo amor sem Sinead esse
último mês. Esta parecia preocupada nestes últimos tempos e o Amo Kan não
a tinha pressionado sobre voltar a levá-la à cama do harém para que lhe desse
um herdeiro varão.

Existiam segredos entre eles, segredos dos quais Nicoletta se dava


conta que não estava a par.

— Amo-te, anawahib - murmurou Abdul no acento árabe denso que


sempre deixava seus joelhos débeis.

Ah deuses, ela também o amava! Oh, como o amava! Pensou em lhe


perguntar o significado de anawahib, mas seu olhar verde intenso encontrou o
seu enquanto voltava a falar.

— Eu... — suas narinas tremeram uma expressão de dor quando


olhou para o outro lado. — O que tenho feito? — Perguntou em voz rouca,
como se falasse consigo mesmo. Seus dedos passaram através de seu cabelo
escuro, agarrando-se muito forte, como se ela fosse sua corda de salvação da
loucura. — Cyrus, o que tenho feito?

A cara de Nicoletta se enrugou.

— Abdul? — alarmou-se, já que nunca antes o tinha visto perder seu


controle de ferro. Seus olhos se aumentaram — Abdul, o que acontece?

A máscara estava de volta, as emoções cruas ocultas, como se nunca


tivessem existido.

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— Nada — levantou-se de entre suas pernas e caiu sobre a cama
junto a ela. Seu olhar era distante, sua expressão tão fria e remota, que enviou
calafrios por suas costas. — Nada — murmurou.

Devia ter dormido. Como em nome dos Santos antigos tinha


conseguido ficar adormecida na presente circunstância? Isso estava além dela,
ainda com a claridade que tinha. Sempre, sempre, Abdul frequentava seus
sonhos. Geralmente Nicoletta odiava isso, que ele tivesse poder sobre ela até
depois de sua morte, embora admitiu que preferia voltar para seu estado
anterior de sono, sua mente ocupada recordando os dias passados com ele em
seu harém, que enfrentar a realidade atual, mais espantosa.

Atada, amordaçada e nua, tinham-na miserável no subterrâneo, nas


catacumbas uma série de estruturas parecidas com umas tumbas escuras,
misteriosas, esculpidas no ventre da terra onde os Exteriores tinham feito suas
casas. Casas de barro e madeira cobertas de palha que só estavam iluminadas
por tochas em suas paredes. Ela estremeceu, um arrepio se formou em sua
carne pela frieza do ar.

Seus braços tinham sido colocados por cima dela no frio chão de
terra e suas pernas tinham sido levantadas com as coxas separadas. Cinco
homens estavam por toda parte dela, suas mãos e suas bocas explorando
todos seus orifícios. O rebelde do Exterior a tinha prendido na terra, e todos
pareciam ser irmãos de vinte a trinta anos... e todos pareciam ser virgens.

Nunca tinham montado antes em uma verdadeira mulher, pensou,


seus olhos abrindo por cima da mordaça. Um androide possivelmente, mas
nunca uma mulher humana.

Doce Kalast, a foderiam durante dias...

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Mas não a tinham montado ainda, considerou com muito alívio,
perguntando-se sobre isso. Ninguém a penetrava agora, só lambiam e
acariciavam várias partes de seu corpo. Não sentia nenhuma dor entre suas
pernas, por isso estava bastante segura de que não tinha sido possuída
enquanto tinha estado dormindo, ou nocauteada.

Sim, tinha sido nocauteada. As lembranças eram imprecisas, mas se


lembrava vagamente de lutar com dois homens na selva... e apenas um tecido
cheirando uma substância parecida com clorofórmio, chamada sarsi ser
colocada sobre sua boca e nariz até que não recordou nada mais.

Também suspeitou que tivesse sido ilegal o ocorrido no transporte


estelar. Os rebeldes tinham obtido ajuda interna, que tinham soltado gás
sonífero, pois era a única maneira de explicar porque permaneceu adormecida
durante um acidente como aquele.

Nicoletta se retorcia virtualmente quando observou como dois


homens olhavam com desejo seus mamilos, que se mantinham perpetuamente
inchados e rígidos pelos anéis que lhe tinham posto no dia em que Abdul a
tinha comprado. Não se sentiu surpreendida quando as duas bocas masculinas
se lançaram sobre cada mamilo, seus lábios fechados ao seu redor, sugando
com avidez. As expressões de suas caras eram de felicidade, de estar
experimentando finalmente uma sensação maravilhosa que nenhum homem
teria acreditado que conheceria alguma vez.

Ah, deuses, pensou Nicoletta, sua respiração cada vez mais laboriosa.
Estes homens não me deixarão ir sem lutar. Possivelmente até a morte.

Só podia rezar a Cyrus estar equivocada e que estes homens tivessem


visto e estado com mulheres reais antes. Se ela fosse a primeira e última
esperança de obter uma esposa comunal...

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Brevemente fechou os olhos, o terror cravando-se nela. Se estes
cinco irmãos desejavam fazê-la sua esposa comunal, a consequência seria que
não poderia deixar sua moradia. Tinha-lhe levado vinte e cinco anos para fugir
de um marido. Evitar cinco? Doce Cyrus, pensou Nicoletta, nunca seria livre.

— Quando estará o fodido homem aqui? — Um dos irmãos


resmungou sobre seus clitóris. — Desejo desesperadamente estar dentro dela.

Nicoletta se estremeceu. Oh, não... não, não, não! Estavam


esperando um Oficiante, um homem que acreditavam ser abençoado por
Cyrus para levar a cabo o ritual matrimonial. Em outras palavras, precisavam
de alguém com conhecimentos em metais e tatuagem com a finalidade de
eliminar os anéis dos mamilos que usava atualmente e substitui-los pelos seus
próprios, assim como tentar ocultar a tatuagem de Kan de sua nádega direita,
trocando-a com o selo de sua linhagem.

— Não sei — Um dos irmãos com um mamilo na boca o deixou sair


o tempo suficiente para responder — Já paguei vinte e cinco lagartos à
Comuna por ela.

Nicoletta não sabia se ria ou chorava, sentir-se insultada ou todo o


anterior. Perversamente, o insulto ganhou. Suas narinas tremeram em cima da
mordaça enquanto considerava que seu verdadeiro valor andava só em vinte e
cinco lagartos. Vinte e cinco lagartos! Uma grande diferença do meio milhão
de ienes que Abdul tinha pagado a seu pai. Ela amaldiçoou atrocidades
amortecidas pela mordaça aos repugnantes irmãos, mas não lhe emprestaram
atenção absolutamente.

— Irei ver o que está lhe atrasando — O irmão de aspecto mais


jovem resmungou enquanto se levantava e saiu pisando forte. — Doce Cyrus,
meu pau está duro. Melhor que se apresse.

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Durante os seguintes quinze minutos, os quatro irmãos restantes se
alternaram para lamber e chupar todas suas partes íntimas. Nicoletta se sentia
descontente porque seu traidor corpo respondia, sem sequer dar-se conta de
como a excitação não desejada era uma reação perfeitamente natural ao ter
seu clitóris e mamilos, lambidos, beijados e sugados. Sabia muito mais que
isso, mas ainda desprezava a umidade entre suas pernas.

O irmão maior tomou sua vagina inteira em sua boca e a sugou com
força. Nicoletta gemeu atrás da mordaça, os mamilos já duros cada vez mais
impossivelmente rígidos.

Os irmãos chupavam mais forte. Seus peitos. Sua vagina. Um dedo


em seu ânus. Seus gemidos apreciativos repercutiram dentro da câmara de
terra, enquanto eles chupavam mais duro, e mais duro e...

Nicoletta gemeu forte detrás da mordaça, seu corpo


involuntariamente se arqueou quando ela gozou. O sangue foi para sua cara,
esquentando-a. Correu para seus mamilos e clitóris, fazendo-os
extraordinariamente sensíveis. Gritou detrás da mordaça quando eles
chuparam mais forte, uma sensação dolorosa em seu tão sensível corpo.

— Doce Cyrus — Resmungou um irmão — Desejo meter-lhe tanto.

O que chupava seu mamilo esquerdo gemeu em acordo. Soltou seu


mamilo rosado com um som explosivo e logo o acertou com seu dedo
indicador e o olhou, apoiando-se no cotovelo.

— Está a caminho! — O quinto irmão anunciou entre ofegos


quando voltou correndo à câmara de terra.

— Corte as cordas para que ele possa trabalhar nos anéis de


mamilos!

Não, por favor, não!

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Um rugido demolidor repercutiu por toda parte do subterrâneo, toda
a atenção apanhada pelo som. Os irmãos se detiveram.

Algo se aproximava, pensou Nicoletta, aterrorizada. Algo com um


grunhido surpreendentemente similar ao daquele sub-humano...

Não! Não era possível. Esta não era uma das primeiras catacumbas
do subterrâneo que tinha visto desde que fugiu de seu falecido marido. Os
condenados sempre mantinham os túneis e câmaras seladas aos depredadores
que habitavam as selvas. As duas espécies viviam como se tivessem declarado
um arrendamento tácito, compartilhado: o homem governava as covas, o
homem-besta as selvas. Como teria forçado sua entrada um sub-humano? Por
que inclusive tentaria?

O som dos rugidos se fez mais próximo, mais mortal. Histericamente


notou que nenhum dos irmãos estava armado com cassetetes elétricos. Oh,
deuses, seriam todos alimento para o monstro. Estavam todos mortos!

Os irmãos cortaram as ataduras de suas pernas, seus braços e boca


ainda presos, e a puseram de pé.

— Vamos! — Um dos irmãos berrou enquanto a empurrava da


caverna por uma próxima ao que saíam os sons de grunhidos. — Te mova
moça! — Advertiu furiosamente quando ela lutou contra ele. Tinha o olhar
pálido de um homem que sabia que a morte vinha. — Te mova ou te deixo
aqui para que morra — Ofegou.

O ataque chegou sem aviso prévio, um horrível banho de sangue


tirado de um pesadelo. Em choque, Nicoletta se segurou contra a barreira de
um muro de barro que impedia que seguisse movendo-se. Seu coração
palpitava em seus ouvidos. Seus olhos atormentados, sem piscar, olhavam a
criatura matar sua segunda vítima.

Corre! Pelo amor dos Santos antigos, corre!

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A besta virou sua cabeça ao redor. Seu olhar de cor carmesim
apanhou o seu.

Os olhos de Nicoletta se ampliaram. Sua cara empalideceu e seu


sangue gelou quando ela conseguiu uma boa primeira vista de sua cara.

Tinha-a encontrado. Isto... esta coisa... que a tinha sequestrado


enquanto ela estava procurando Nellie, essa coisa que a tinha miserável em
sua caverna na selva e tinha montado seu corpo durante dois dias com suas
noites.

Isso havia retornado...

Por ela.

Abriu a boca para gritar, recordando só então, que a tinha ainda


amordaçada. Corre idiota! Enquanto sua atenção está concentrada nos irmãos,
Doce Kalast, Nica, Corre!

Por fim, seus pés cooperaram. Fazendo caso omisso aos torturados
gritos de morte, Nicoletta fugiu das catacumbas tão rápido como seus pés a
puderam levar. Mais rápido! Mentalmente se estimulou, com o medo
alimentando sua adrenalina. Negou-se a olhar para trás, negou-se a pensar se o
homem-besta se aproximava dela. Seus peitos nus balançavam para cima e
para baixo enquanto corria cada vez mais e mais rápido.

Mais rápido! Mais rápido! Mais rápido!

Perdendo o equilíbrio, caiu sobre seus joelhos, raspando-os. Ignorou


o fogo que se disparou através deles quando voltou a seguir adiante, com as
mãos ainda atadas diante dela, seguiu correndo sem rumo fixo pela selva. Seu
coração pulsava com força contra seu peito, o suor ensopando sua testa.

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Tinha passado toda uma hora antes que deixasse de correr, uma hora
antes que seu corpo cedesse e, esgotada, se derrubasse no chão. Tem que te
levantar! Com sua boca e mãos ainda atadas, tentou forçar-se a ficar em pé.

Ah deuses, estava tão cansada, muito esgotada para levantar-se


usando só os músculos das pernas, reconheceu entre ofegos. Mas se não
encontrasse algum tipo de refúgio estaria morta. Se isso não a encontrasse,
outro sub-humano o faria.

A boneca de trepar de um demônio ou a comida de alguém. Não


sabia que ambiente podia esperar.

Seus olhos escuros se apertaram quando encontrou a entrada de uma


cova. Deu-se conta de que podia muito bem ser a caverna de um sub-
humano, mas também havia uma boa probabilidade de que não o fosse.

É sua única esperança. Vamos, Nica...

Com o último pingo de energia que restava, Nicoletta usou seus


cotovelos para ajudar a entrar na cova. Estava escura, fazia frio, mas também,
graças aos Santos da antiguidade, estava vazia.

Gemeu quando voltou a cair. Por favor, Nellie, encontre a mamãe,


rogou em silêncio. Seus olhos lentamente fechando-se. Por favor, me
encontre.

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Capítulo Quatro

— Nunca, nunca faça! Não volte a olhar outro homem e muito


menos flertar com um!

Seus olhos eram selvagens, ameaçadores. A ira que o consumia não


se parecia com nada que Nicoletta já tivesse visto em sua vida. Um medo
gelado se apoderou dela quando a obrigou a ficar sobre seus joelhos e a
golpeou com força.

— Escuta-me? — berrou com a mão golpeando seu traseiro nu uma


e outra vez.

— Para! — gritou, a dor era entristecedora quando ele a golpeou


pela quinta vez. — Ah, deuses, Amo, já não mais!

— Escuta-me? — enfureceu-se, golpeando-a incrivelmente mais


duro.

Ela se negou a responder. Estava ali, suspensa sobre seus joelhos,


soluçando como uma menina enquanto ele repetidamente a surrava, uma e
outra vez.

— Detenha — ofegou ela, sentindo-se a ponto de desmaiar pela dor


que lhe estava causando. — Por favor...

Abdul grunhiu enquanto a golpeava mais duro, sua raiva crescendo.


Quando finalmente terminou, puxou-ade sobre seus joelhos e a sacudiu em
pé.

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— Fiz-te uma pergunta! — berrou sua mandíbula muito tensa
enquanto seus olhos refulgiam selvagens. — Nunca deve flertar. Está me
escutando? — uivou.

Suas narinas tremiam enquanto ela se esforçava para ficar em pé.

— Não, — ofegou. O medo aparecendo momentaneamente em seus


olhos quando ele a agarrou pelos ombros, os dedos dolorosamente cravados
ali, mas ela o controlou. — Trouxe uma terceira esposa — soltou sua ira tão
tangível quanto a sua. — Como pôde me fazer isso? Como? A odeio! —
exclamou com lágrimas nos olhos. — E te odeio!

— Agradeça aos deuses! — berrou de novo, sacudindo-a pelos


ombros. Sua fúria o consumia todo, dominando-o. — Não quero seu amor —
chiou enquanto as lagrimas caíam pelas bochechas dela. — Agora, entra na
cama!

— Nunca! — gritou, com lágrimas de angústia fluindo livremente.

Tinha rezado a Cyrus por um matrimônio feliz. Tinha abandonado


seus projetos de fugir no momento em que se uniram, porque bobamente
tinha acreditado que o amor de Abdul por ela era tão forte como seu amor
por ele. Mas esse amor não existia, nunca existiu. E agora, dois anos mais
tarde, o único que queria era lhe abandonar.

Queria ser livre.

Nicoletta se separou de seu aperto, seus olhos ardendo com raiva,


com ódio, com dor e traição. Endireitou seus ombros enquanto seu olhar fixo
penetrava no dele.

— Pode me forçar se quiser — disse glacialmente, com o veneno em


sua voz apenas controlada, — Porque juro que nunca mais procurarei você

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por vontade própria na cama... — Se os olhares fossem letais, o deus da
Morte o teria reclamado agora mesmo. — Nunca.

*********

Despertou com o som de um grunhido surpreendentemente familiar,


um som de lamento baixo que repercutiu por toda parte na cova como se lhe
recordasse que pertencia a ele... a isso. Seu coração se acelerou, Nicoletta se
estremeceu de onde estava nua deitada sobre seu ventre. Tinha medo de virar
a cabeça e contemplar a besta-homem, embora soubesse que estava ali.
Reconheceria seu grunhido e seu aroma em qualquer lugar.

Abriu a boca para gritar, mas recordou que ainda estava amordaçada.
Seu coração se afundou em seu peito, resignando-se. Não havia razão para
gritar, ninguém a resgataria. E ainda se alguém o tentasse isso só mataria ao
desgraçado por atrever-se a aproximar-se dela.

Bom Cyrus, por que passava por isto? Por que!

Ainda sobre seu estômago, sua cabeça subiu e girou para contemplar
a criatura. Estava ali, tal e como ela sabia que estaria de pé sobre seu corpo
como se estivesse custodiando-a ou dispondo-se a possui-la...

Ou as duas coisas.

Caminhava erguido como um homem olhava-a com a fome carnal de


um homem...

Mas não era um homem...

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Os olhos vermelhos que frequentemente pareciam os de um
demônio, a musculatura pesada de um super-homem. Os dentes serrados
pareciam algo de um pesadelo, as unhas de vampiro em cada dedo enviaram
calafrios que percorreram sua coluna.

A criatura grunhiu baixo em sua garganta, deixando descobertos seus


dentes como adagas. A palidez cinza, como a morte, de sua pele brilhou em
uma fração de seus músculos tensos como cabos. Parecia que se dispunha a
matá-la... isso deveria tê-la matado, sabia. Era o que sub-humanos faziam,
tudo o que faziam. Caçavam suas presas, e a matavam. Por que era diferente
este?

Por que ela era diferente?

Nicoletta se obrigou a subir sobre seu ventre e colocar-se sobre suas


nádegas. Tinha as mãos atadas ainda por diante, sua boca ainda amordaçada,
mas isso não significava nada. Tudo o que ela poderia fazer era simplesmente
contemplar a besta, cada pergunta que se fez em seus olhos para que ele as
visse.

Por que me quer? Por que não me deixa em paz? Por que só não me
matas?

Uma mão foi para ela, às unhas o suficientemente afiadas para rasgá-
la em tiras. Esticou-se, seus peitos subiam e baixavam enquanto seus olhos se
alargaram em cima de sua mordaça. Isso ia se aproximar de sua cara... Ah,
deuses, sua jugular possivelmente? Não! Não! Não...

Ofegou quando uma só unha cortou a mordaça, liberando sua boca.


Ficou quieta, tão surpreendida que se esqueceu respirar. Sabiamente,
entretanto, a besta não fez nada para desatar suas mãos, como se soubesse que
isso lhe permitiria fugir melhor dele.

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Talvez soubesse realmente isso, considerou enquanto olhava seus
olhos estranhamente hipnóticos. Apesar de tudo, esta criatura tinha sido uma
vez um homem...

Outra atrocidade que poderia pôr aos pés de Abdul. Ele tinha
proporcionado aos cientistas da Hierarquia escravos humanos para
experimentar com eles. Se o Amo Kan não tivesse tido um fornecimento
amplo de prisioneiros para entregar como cães de laboratório para um louco,
não teria havido nenhum experimento depravado, e os sub-humanos não
existiriam, esta criatura que pensava que ela era sua propriedade não existiria.

— Por que eu? — Sussurrou seu olhar procurando o da besta. Seu


coração pulsando em seu peito. Ficou sem fôlego. — Não entendo...

O monstrogrunhiu outra vez, seus afiados dentes e proeminentes.


Deveria ter ficado assustada se isso significasse que ia matá-la, a única
conclusão sã em um mundo de loucos. Mas desta vez Nicoletta reconheceu o
som pelo que era: marcava território, falava de dominação...

Posse.

Mantenha a calma, Nica. Doce Cyrus, sentia-se a ponto de desmaiar!


Só mantenha calma.

O grunhido se aprofundou, ressonando em sua garganta.

Mantenha a calma.

— Isto é o que quer? — sussurrou.

Deitando-se sobre suas costas, estirou suas mãos atadas sobre sua
cabeça e olhou a criatura entre seus dois grandes peitos coroados por seus
rígidos mamilos rosados. Seus olhos carmesim seguiram cada aspecto de seus
movimentos. Ela devagar estendeu suas coxas abertas até onde podia.

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— Isto? — murmurou.

O grunhido seguiu enquanto pouco a pouco baixava sobre seus


joelhos, a mandíbula tensa e seus dentes de serra descoberto como se se
preparasse para mordê-la até matá-la. A transpiração brotava em sua testa, o
ritmo de sua respiração se acelerou. Não tinha ideia se isso significava que ia
matá-la ou fodê-la.

Seu pênis grosso, duro, e o olhar entrecerrado em seus olhos sugeria


o segundo. Nesta ocasião, por mais estranho que fosse, ela desejava isso.

— E... Está bem, — sussurrou Nicoletta, seu tom seguro em


desacordo com a histeria sempre presente que ameaçava toma-la. — E... está
bem, - balançou seus dedos sobre sua cabeça, lhe recordando que estava
atada, mostrando a criatura de força sobre-humana que não lhe oferecia
nenhuma resistência.

O grunhido se fez mais profundo, embora fosse mais baixo, menos


ameaçador. A besta-homem estava sentada diante de suas coxas estendidas,
seus olhos carmesim rastreando a estável subida e descida de seus peitos, logo
olhou seu íntimo oferecimento.

Uma mão cinza calosa tomou seu grande peito. Amassou-o e logo o
soltou. Ela se estremeceu quando viu uma só unha de vampiro negra passar o
contorno de seu anel de mamilo. A ação foi feita com tal suavidade para fazer
que sua testa se enrugasse em confusão.

A unha suavemente arranhou seu tenso mamilo rosado. Ela gemeu,


não tendo nem ideia de porque um só toque seu podia inflamar seu corpo
inteiro.

Era justamente igual como tinha sido quando a tinha sequestrado e


levado à cova na última vez. Não o tinha entendido então. Não o entendia
agora.

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— O que me faz? — Nicoletta ofegou, sua excitação aumentando
enquanto a besta suavemente arranhava sobre ambos os peitos.

Esquecendo que suas mãos estavam atadas, ela sem pensar começou
baixa-las, o instinto para se proteger era bastante entristecedor. Seu grunhido
de resposta a assustou, fazendo-a sobressaltar-se.

— Eu... eu o sinto — sussurrou, o sangue palpitando em seus


ouvidos. Imediatamente colocou suas mãos atadas de novo sobre sua cabeça.
A ação fez que seus peitos se levantassem, dando uma imagem de um
oferecimento submisso completo outra vez. — Não lutarei contra ti.

Não é que a ajudasse lutar, pensou sua língua lançando-se a


umedecer seu lábio superior ressecado. O macho sub-humano poderia matá-la
em um segundo.

— Entrego-me a ti voluntariamente.

Não sabia se compreendia suas palavras, mas seu grunhido de


resposta dominante, disse que entendia suas ações. Em pouco tempo, o sub-
humano estava sobre ela, chupando seus mamilos, fazendo-a gemer de medo
e excitação.

— O que me faz? — ofegou, com as costas arqueadas, e fechando


seus olhos. — Ah, deuses...

A besta apalpou seus dois peitos, obtendo toda a atenção de


Nicoletta. Seu olhar procurou o seu. Viu o sub-humano contemplá-la através
de suas pálpebras pesadas enquanto que se estabelecia entre suas pernas. Sua
respiração se tornou trabalhosa, recordando seu último encontro, como a
criatura era sexualmente insaciável.

45
Não tinha conseguido engravidá-la na última vez. Certamente seu
aroma lhe disse o mesmo. Ela engoliu ao dar-se conta que isto sabia, sabia, e
talvez esta vez se assegurasse de engravidá-la.

A besta se meteu dentro de sua vagina com um forte rugido que


repercutiu na cova. Nicoletta ficou sem fôlego, tinha esquecido o longo e
grosso que era seu pênis. Deslizou-se até o fundo, sepultando-se até o talo, lhe
recordando uma e outra vez com seus grunhidos possessivos a quem
pertencia sua vagina.

Suas pernas totalmente abertas, com as mãos submissamente ligadas


por cima de sua cabeça... assim não era difícil recordar a quem pertencia ela.

Enfiou duro, sem piedade, afundando-se dentro e fora de sua carne


em golpes profundos que a marcavam. Nicoletta gemeu enquanto a fodia,
suas grandes tetas balançando-se com cada impulso.

— Mais profundo, — ofegou, dizendo-se agora que não era o


momento de deter-se muito no fato de que ela não devia animá-lo. — Mais
rápido... ah, deuses, assim.

A criatura a montou mais duro, mais rápido, fodendo-a enquanto


que seu grunhido se manteve invariável. Ela podia ouvir o som de sua vagina
tomando-o cada vez que saía dela, podia cheirar sua própria excitação.

As palmas de suas mãos foram para seus peitos que se


bamboleavam, e baixou sua cara pegando um rígido mamilo entre seus dentes
de serra. Suavemente raspou o mamilo, uma e outra vez, até que Nicoletta
esteve gemendo, o clímax esticando seu ventre. Colocou o mamilo em sua
boca, o homem-besta chupou com força, beijando e sugando com força a
aréola, enquanto se amamentava de seu rígido mamilo.

— Vou gozar — gemeu Nicoletta — Vou goz... ohhhh!

46
Ela gritou quando um orgasmo estalou em seu ventre, uma euforia
violenta, que foi tão doloroso como agradável. O grunhido do varão sub-
humano se fez mais forte, quando sua vagina começou a contrair-se ao redor
de seu pênis, tratando de lhe sugar sua semente. Então a cobriu por completo,
com suas mãos de vampiro possessivamente fixando suas mãos atadas em seu
lugar, enquanto a fodia.

Mais duro. Mais profundo. Mais rápido.

Repetidas vezes.

Uma e outra vez.

Nicoletta moveu sua vagina contra seu captor, ofegando enquanto


seus olhos se fechavam e sua cabeça se apoiava em seu pescoço.

— O que quer de mim? — perguntou de novo, seu fôlego retido.

Ele respondeu a fodendo mais duro, sem piedade. Montou seu corpo
como o animal que era sua única atenção em possui-la. Cada rugido de
advertência lhe dizia que pertencia a ele, cada golpe para marcá-la reafirmando
seu domínio.

Os sons de carne batendo contra carne chegaram a seus ouvidos,


misturando-se com os grunhidos de excitação territorial...

Mais duro. Mais profundo. Mais rápido.

Repetidas vezes.

Uma e outra vez.

A besta gozou com um rugido forte que repercutiu um som


ensurdecedor que ressonou em toda a caverna e na selva. A musculatura
completa do sub-humano se esticou e convulsionou, quando o esperma
quente brotou como um vulcão em seu útero.

47
Sua respiração nunca tinha sido tão desigual. Sua confusão nunca
tinha sido tão pronunciada. Tinha animado seu captor sub-humano a possui-
la, essa coisa podia não ter entendido suas palavras, mas definitivamente
entendeu as ações de seu corpo.

A besta atormentava sua alma de um modo que nenhum outro, salvo


Abdul, fazia. Tinham passado seis meses desde que tinha fugido de qualquer
deles, e ainda os dois a possuíam de um modo que nunca poderia pôr em
palavras.

Estava em seus olhos. Algo em seus olhos lhe dava pena, algo a
chamava.

Seus olhos podiam fazê-la quase acreditar que a necessitava.

Parecia que uma eternidade tinha passado por diante dela ou da


criatura antes que se movesse. E logo, surpreendeu Nicoletta, sabendo que
não o esperava, seu olhar se alargou quando uma unha negra de vampiro
cortou diretamente as ataduras, liberando suas mãos.

A criatura se afastou dela, virando de um lado. Entretanto, a estava


olhando, notou ela. Seu fixo olhar vermelho nunca a abandonou.

Estava esperando ver o que fazia, pensou, seu ritmo cardíaco


acelerado. Essa coisa esperava ver se ela trataria de fugir ou decidia ficar.

Nicoletta virou de lado também de modo que estivessem um em


frente do outro. Seus olhos castanhos estavam redondos, com medo, com
uma expressão confusa. Devagar, muito lentamente, uma tremula mão
alcançou o coração do sub-humano e descansou ali.

— O que está me fazendo? — murmurou Nicoletta. Fechando seus


olhos um instante, arrastando um fôlego entrecortado. Seus olhos se voltaram
a abrir de novo — O que está me fazendo?

48
Capítulo Cinco

— Armou-me uma armadilha — silvou Abdul. — Por que não


deveria te matar aqui e agora? Dê-me uma só razão! — retrucou—lhe.

— Por... porque você pre... precisa de mim — Balbuciou Maxim


Malifé, seu medo era algo tangível. — Não sabia nada disto. Estive tão
surpreso como você, juro!

As narinas de Abdul tremeram. O homem no que tinha confiado


para dirigir a Kan Technology em sua ausência mentia e ele sabia. Havia feito
Malifé um homem muito rico que agora ocupava o quinto cargo mais alto
dentro da Hierarquia da Federação da Terra. Averiguar a forma de como o
tinha procedido fez que seu estômago se revirasse.

Abdul Kan acreditou que Malifé tinha estado usando detentos


para o Fathom Systems somente para seguir colocando sangrentos ienes no
chip de seu cérebro. Não tinha nem ideia das atrocidades a que estavam
destinados, e mesmo assim se sentiu responsável até o último deles. Tinha
entregado esses homens como ratos de laboratório para experimentar com
eles...

Ele os tinha levado como porcos ao matadouro.

— Os cientistas de Fathom Systems estão perto — prometeu


Maxim, seus olhos brilhando.

Abdul o olhou, fixamente, sem piscar.

— Alguns anos mais, velho amigo, e a imortalidade será nossa —


agitou uma mão desdenhosamente. — Alguns homens morreram. Uns que já
nasceram mortos. Ninguém sentirá falta deles.

49
Abdul piscou sua expressão incrédula.

— Está louco.

Malifé riu.

— Prefiro a palavra "criativo".

— Louco.

— Parece — respondeu Malifé. — As rodas estão já em marcha.


E o que é mais, atuo sob as ordens da Hierarquia.

— Da qual estou acima de você — murmurou Abdul, lhe


recordando sua classificação. — Tampouco acredito durante um segundo que
um homem como Creagh Ou'Malley, um homem cuja posição dentro da
Hierarquia é superior às nossas, participaria de uma loucura como esta!

Abdul o arrastou ao redor até tê-lo em frente dele, agarrando sua


túnica pelo pescoço e apertando forte. Os olhos de Malifé se alargaram
levemente, seu medo voltando.

— Não formarei parte disto — chiou Abdul, esticando seus


músculos — A partir desse momento seu fornecimento de detentos está
cortado.

— Não preciso de mais — sussurrou. — Infectamos centenas já, e


logo os liberamos no perímetro das biosferas. Tudo o que faremos agora é
esperar... — Malifé engoliu ruidosamente, seus olhos exagerados. — E
aprender.

*********

50
Três noites mais tarde.

A criatura de pele cinza a seguiu ao mais profundo da caverna,


cuidando de não deixá-la ir muito longe de sua linha de visão enquanto ela ia a
uma correnteza que fluía do teto do refúgio de terra como uma pequena
cascata. Durante três dias e três noites essa coisa a havia fodido virtualmente
de forma contínua. Em sua vagina, seu ânus, sua boca, tomou-se seu tempo
em todas suas partes. Ela sabia por experiência que seu captor tinha que estar
cansado.

— Agora para onde possivelmente poderei fugir? — perguntou-


lhe sem se virar quando caminhou pela água da pequena piscina onde caía a
cascata. É mais rápido, mais forte, pode ver na noite, e já me apanhou duas
vezes - ela inclinou a cabeça, e sorriu ligeiramente ao varão sub-humano sobre
o ombro. — Acredito que pode relaxar enquanto me banho.

Não sabia o que acontecia em sua cabeça, entretanto se sentiu


alarmada porque pudesse ter enlouquecido. Já não tinha o medo que uma vez
a consumiu. E, contra toda lógica, já não se amassava o cérebro imaginando
possíveis planos de fuga.

— Sinto-me culpada, já sabe — disse à criatura, quando ficou de


pé na piscina de água fria e vigorosamente esfregou seus braços. A frieza do ar
fez que arrepios se formassem em sua pele, e seus mamilos já rígidos ficassem
impossivelmente mais duros. — Nunca estive com nenhum homem salvo
meu marido. Até ti - esclareceu.

Deu-se conta que a criatura provavelmente não entendia suas


palavras. De algum jeito isso fez com que fosse mais fácil as pronunciar.

— Nunca deixei de lhe amar — sussurrou Nicoletta, seu olhar


distante. Sua respiração detida. — Duvido que alguma vez deixe de fazê-lo.

Ela piscou seu olhar voltando para presente.

51
— Mas não importa. Você não tem nenhuma concorrência, para
não falar de que ele não me amava. E — disse em voz baixa, — Está morto.

Nicoletta se ajoelhou, a água da piscina nem sequer era o


suficientemente profunda para cobrir seu colo. Manteve-se de costas para a
besta, enquanto ela mesma se lavava, sentindo a curiosa sensação, de que
estava olhando a marca de Abdul Kan gravada com laser em sua nádega
direita, difícil de descartar. Deu uma olhada por cima do ombro e confirmou
que, de fato, estava olhando a marca. Perguntou-se se a criatura sabia o que
era. Ou possivelmente o símbolo de propriedade só provocava uma
lembrança de uma antiga vida.

— Isto significa que pertenço a outro — sussurrou, desviando o


olhar dele. — Suspeito que não deixará que isso te detenha.

E por que o faria? O sub-humano desejava sua presença com um


desejo que Abdul nunca teve.

Ela ficou quieta, alarmada pela direção que seus pensamentos


tomavam. Possivelmente a morte de Abdul a havia tornado louca. Não podia
ficar com o homem-besta. Não podia inclusive considerar tal coisa.

— É o modo no qual me olha — confessou consolada pelo fato


de que não pudesse entender suas palavras. — Seu olhar intenso me é
familiar, e, entretanto estranho. Familiar de uma maneira que não entendo
estranho de uma forma que faço — sorriu à cascata — Sempre quis que ele
me olhasse do modo que você me olha — murmurou. — Cada noite rezei a
Cyrus, rogando e suplicando que meu Amo pudesse me amar —seu suspiro
foi resignado. — Mas isso nunca aconteceu. E agora ele se foi deste reino.

Parecia que o sub-humano escutava um fato que o fez estremecer.


Sacudiu a cabeça, sorrindo ante a loucura da situação e de si mesma por
pensar durante um momento que a besta sabia o que ela estava dizendo.

52
Virou sua cabeça outra vez, seu sorriso desvanecendo-se quando
viu o modo que a contemplava. Com desejo. Com desejo. Com necessidade.

— Amou uma mulher alguma vez? — sussurrou. — Antes que


fosse infectado?

A besta não disse nada, só a olhava, mas apenas tinha esperado


uma resposta. Supôs que viu a resposta em seus olhos, entretanto. Parecia que
eles absorviam cada sussurro, bebendo a simples visão dela.

— Amou, — murmurou. Seus olhos se suavizaram com pena ou


dor compartilhada, não sabia. — E aposto que ela te amava com todo seu
coração e alma.

Olhou longe e Nicoletta teve o pensamento louco de que ela tinha


movido algo profundamente dentro dele. Deu-se conta que unia emoções
humanas a uma besta desumana, um Neandertal predatório cujos instintos só
eram caçar, matar e procriar-se. E, entretanto, encontrou-se querendo lhe
oferecer consolo.

Sem dúvida estava se tornando louca.

Nicoletta já estava de joelhos, assim ficou de quatro, mas levou


um segundo. Empurrou seu traseiro alto no ar, usando seus cotovelos para
apoiar-se quando estendeu suas pernas abertas amplamente.

— Preciso ser amada — sussurrou. Ela o olhou por cima do


ombro, movendo as nádegas e sorrindo para ele. — Tanto como você.

Um grunhido baixo começou em seu peito, um som profundo e


mortal ao qual já não temia nesse momento. Mais tarde, se preocuparia com o
amanhã.

Duas mãos cinza e ásperas se apoderaram de seus quadris por trás,


fazendo que gritasse de forma afogada pelo medo durante um momento.

53
Tinha esquecido como se movia rápido, esquecendo também a força mortal
que a besta tinha.

Seu captor sub-humano afundou seu pênis dentro de sua vagina


sem preliminares, seu rugido possessivo fez que os cabelos diminutos de sua
nuca se arrepiassem. Ela gemeu quando começou a fode-la, seu pênis longo e
grosso afundando-se em sua vagina repetidas vezes, uma e outra vez.

Ela jogou seus quadris para trás, para ele, aspirando seu fôlego
enquanto ela encontrou seu impulso com o seu. As unhas da criatura roçaram
o sinal de seu Amo, sua mão então pegou a polpa de sua nádega em que
estava marcada. A testa de Nicoletta se enrugou com um sentido curioso de
déjà vu, Abdul fazia o mesmo quando a montava por trás.

Isso a fodeu mais duro, mais rápido, seus grunhidos mais


profundos.

— Sim — gemeu Nicoletta, seus peitos bamboleando-se enquanto


a besta a montava duro. O som de seu pênis ao meter em sua vagina
impregnou a caverna enquanto a cascata fluía sobre eles. Ela fechou seus
olhos e se deixou levar para desfrutar de seu orgasmo próximo — Sim, sim,
siiiiim.

Montou em sua vagina sem piedade enquanto suas paredes


vaginais começavam a contrair-se ao redor de seu pênis. Sua mão direita
nunca deixou a marca de Abdul Kan quando ela gritou ao chegar ao orgasmo,
gemendo na noite.

— Mais duro Amo. — pediu ela, sem pensar, lhe chamando pelo
nome em que chamava Abdul. Seus dentes se apertaram quando vorazmente
bombeou seus quadris para ele, querendo ser fodida tão profundamente e
com tanta força como ele pudesse fazer. Seus mamilos estavam tão rígidos
pela excitação que doíam. — Quero mais forte.

54
O grunhido possessivo se fez mais forte quando o varão sub-
humano a fodeu mais duro. Ela ofegou e gemeu enquanto seu pênis se
afundava em sua vagina, com movimentos ultrarrápidos que eram tão
profundos como territoriais.

Ouviu que sua respiração se fazia mais pesada, agora também


ouvia um rugido familiar que gorjeava nas profundidades de sua garganta.
Nicoletta moveu sua vagina contra ele com tanta força como pôde, gemendo
quando ele convulsionou e gozou dentro dela.

Esta vez, quando esteve sobre ela, soube que o macho sub-
humano procuraria recuperar-se com o sono. E, em efeito, depois de recolhê-
la com um grunhido de advertência, e levando-a tropeçando para um lugar de
descanso, isso foi o que a besta fez.

Situada junto a ele, olhou seu peito cinza elevar-se e cair antes que
seu olhar se movesse para encontrar-se com o seu. Lutava contra o impulso
de dormir e perdê-la.

Nicoletta ficou quieta. Deu-se conta porque seu captor lutava


contra isso, é claro. Assim tinha sido exatamente como se afastou dele na
última vez. O sono de um homem sub-humano era profundo, tão intenso,
que parecia que hibernava. Era a única oportunidade que tinha a presa de
escapar do que a perseguia.

Havia resignação em seu olhar, um conhecimento. A besta se dava


conta que se ficasse adormecida, sabia que não podia lhe impedir que fugisse,
e ainda assim queria agarrar-se a cada segundo que pudesse com ela.

— Dorme — sussurrou-lhe, alcançando com uma tremula mão


em sua testa. Sua respiração detida em algum lugar perto de seu coração. —
Fecha seus olhos e dorme.

55
Capítulo Seis

Morria de vontade de tocá-la, abraçá-la e dizer que seu amor por


ela era o mesmo que tinha sentido desde o primeiro momento em que a tinha
comprado. Mas não podia, não sem arriscar a lhe fazer dano. Uma vez quando
estavam fazendo amor, seu coração elevando-se com a emoção, quase tinha se
transformado, quase tinha matado sua amada Nica. Ela o fazia sentir.

A mesma coisa que ele não podia permitir-se fazer.

E assim, sem saber que outra coisa podia fazer, deu-se conta que
deveria mantê-la afastada dele até que pudesse encontrar as respostas
suficientes para vencer Fathom Systems e Maxim Malifé em seu jogo de
loucos, Abdul tinha se afastado da esposa que apreciava. Tinha-a obrigado a
lhe aborrecer, a lhe desprezar, a detestar a só presença dele.

Indevidamente, por desgraça, tinha funcionado.

— Não me toque! — retrucou ela, afastando-se dele. — Enjaule-


me, me surre, faça o que você deve fazer! Mas nem te atreva — vaiou ela —
me tocar.

Suas palavras foram mais devastadoras que um golpe mortal.


Queria dizer que a amava, que sempre a amaria. Mas suas palavras lhe faziam
sentir, maldita seja. E isso fazia que o demônio nele subisse à superfície.

Abdul deu um sorriso torcido em seu rosto.

— Acredita que preciso de você? – zombou — Tenho três novas


esposas ansiosas pelo meu toque. Não preciso de você.

O olhar de pura dor e de traição em sua cara disparou seu coração.


Não quero dizer isto! Quis dizer. Nica sabe que não quero dizer isto!

56
— Bem então — sussurrou ela, sua voz presa, seus formosos
olhos marrons cheios de lágrimas, mas era muito orgulhosa para deixá-las cair.
— Melhor que vá com elas.

Ela sorriu enquanto se dispunha a abrir seus olhos, perguntando-


se o que faria seu captor quando visse que não tinha fugido dele. Seus olhos se
abriram ao mesmo tempo. Seus olhares se enfrentaram.

O sorriso de Nicoletta se desvaneceu, a cor abandonou sua cara.


Seu coração começou a palpitar em seu peito, golpeando como uma rocha,
fazendo que sua respiração fosse difícil. Girou-se no chão e retrocedeu diante
ele.

— Não, — afogou-se ela, tropeçando até que suas costas golpeou


com uma parede rochosa. Seus peitos nus subiam e desciam com cada fôlego
forçado. — Isto não pode ser possível! Você, não é possível!

Ele não disse nada, só a contemplou, enquanto devagar ficava de


pé.

Estava perdendo a razão, decidiu ela. Tinha que ser isso. Não
havia nenhuma outra explicação.

— Agora sabe meu segredo, Nica — murmurou seu intenso olhar


de jaguar cheio com tal emoção que ela teve que olhar para longe. — Os
segredos que me fizeram maldito durante vinte e cinco anos, que fizeram que
me escondesse para que não pudesse me olhar com repulsa — seu suspiro foi
longo, cansado, resignado. — E, entretanto, a fim de guardá-lo, tive que fazer
que me odiasse.

Ia desmaiar. Estava segura de que ia desmaiar. Seu coração soava


em seus ouvidos contra os que bombeavam violentamente.

57
— Eu...eu...

Ela engoliu, contra uma garganta seca, as palavras a abandonaram


quando contemplou seu marido, seu marido que conforme se afirmava tinha
morrido, estava muito, mas muito vivo. Tinha que estar sonhando... ou tendo
alucinações. Ele e a criatura eram o mesmo? Não, não, não era possível.

— Abdul? — sussurrou por fim.

— Não podia deixá-la ir — disse ele suavemente. — Merece ser


livre, Cyrus sabe que merece. E, entretanto... — caminhou para ela devagar,
não querendo intimidá-la — Não posso deixá-la ir — ofegou.

Sua expressão estava escondida e, entretanto, ela podia ver a


miséria e a solidão gravada em seu rosto. Sua postura era tensa e relaxada de
uma vez, contendo-se a base de força, como se ele tentasse fortemente não
parecer ameaçador embora seu primeiro instinto fosse sentir-se agitado
enquanto ela estava preocupada sempre tinha sido assim, e o seguiria sendo.

Não havia nenhuma forma, por Cyrus, em que Abdul não


parecesse um pouco ameaçador, pensou Nicoletta. Seu olhar foi ao seu corpo
bronzeado, nu, aos pesados músculos e cicatrizes de batalhas. Era tão
poderoso e grande, mais do que tinha sido quando era apenas um homem,
quando não era também uma besta. Diferente, e mesmo assim o mesmo.
Agora ela reconheceu o que tinha visto na criatura...

Abdul.

Seu olhar encontrou o seu.

—Amo-te, Nicoletta Isabella Carlotta Kan — murmurou.

Ela fechou seus olhos firmemente para se impedir de chorar. Suas


narinas tremiam enquanto as lágrimas se derramavam para baixo por sua cara
de todos os modos.

58
— Amo-te, anawahib.

Seu coração se retorceu dolorosamente.

— Não me faça isto.

Os olhos de Nicoletta se abriram de repente, a angústia em sua


cara banhada em lágrimas claramente legível.

— Precisei de vinte e cinco anos para me separar de ti — gritou


— Vinte e cinco brutais anos onde pedi e supliquei a todos os Santos antigos
e a cada Deus sob o sol que você pudesse me dizer essas mesmas palavras
algum dia.

— Nica... — sua voz abafada, era a primeira vez que Abdul tinha
mostrado uma debilidade desde aquela noite a tanto tempo quando estavam
fazendo amor. — Sempre te amei.

Ela levantou uma mão. Suas pernas tremiam com tanta força que
mal podiam sustentá-la.

— É muito tarde, Abdul — grunhiu ela — Meu amor por ti


sempre estará, mas mesmo assim, há muito entre nós para que algo possa
resultar disso.

Sua mandíbula se esticou.

— Não pode entender por que me fechei para ti? — grunhiu,


tentando de novo, tratando outra vez de controlar o impulso esmagador que
tinha de obrigá-la a ficar. — Se tivesse morrido em minhas mãos... —
suspirou seus olhos fechando-se brevemente enquanto se acalmava. — Não
poderia tê-lo suportado.

Silêncio.

Os intensos olhos verdes de Abdul se enfrentaram aos seus.

59
— Não te obrigarei a ficar ao meu lado, Nica — murmurou. Seu
sorriso era triste. — Havia tanta dor em ti a princípio quando te comprei,
anos de pobreza e abandono que quis apagá-los de suas lembranças como se
nunca houvessem...

Seus olhos se encheram de lágrimas renovadas quando lhe escutou


falar. Ela procurou em seu olhar enfeitiçado, o valorizou.

— Havia tantas coisas que eu queria que compartilhássemos


juntos. Tantas malditas coisas — olhou longe como se estivesse perdido nas
lembranças. — Entretanto, tudo o que nos concedeu o destino antes que eu
adoecesse, foram uns escassos meses.

— Abdul...

— Amo-te — murmurou. Seus olhos injetados em sangue


procuraram os seus. — Inclusive se decidir te afastar para sempre, quero que
saiba que em meu coração nunca haverá outro amor além de você.

Silêncio.

Ele lhe estendeu a mão, mas não se aproximou dela, deixando


Nicoletta fazer sua própria escolha. As lágrimas corriam por seu rosto. Havia
tantas emoções entre eles, como sempre tinha sido, inclusive quando Abdul
tinha desejado outra coisa distinta. E ainda com toda a emoção também havia
muita angústia... tanta dor e tantos anos de pena, de solidão, e de isolamento.

Abdul.

Seu primeiro amor. Seu único amor.

Nicoletta girou quando o alcançou, um som gutural gorgolejou no


fundo de sua garganta.

60
— Eu... eu te amo — ofegou, envolvendo seus braços ao redor de
sua cintura e abraçando-o com força. — Eu pensava... — as lágrimas faziam
que as palavras fossem difíceis de pronunciar — Eu... eu acreditava que você
estava morto.

— Quis estar quando fugiu de mim — disse com voz rouca, suas
narinas tremendo enquanto a abraçava ferozmente — Quis estar —
murmurou Abdul sobre seu cabelo. — Nunca me deixe Nica — disse com
uma voz suave — Por favor, volte para mim.

Sua boca procurou a dela, seus lábios se chocando com a paixão


que sempre tinha existido entre eles. Abdul a abaixou ao chão enquanto se
beijavam suas línguas avidamente acariciando-se quando a colocou embaixo
dele.

Dirigiu suas calosas mãos por toda parte em seus peitos,


rompendo o beijo e afastando a vista de sua formosa cara enquanto
suavemente, mas firmemente a amassou do modo que sabia que gostava. Ela
ofegou quando seus dedos agarraram seus inchados mamilos rosados,
gemendo quando ele abaixou sua cara e tomou um desses gordinhos brotos
em sua boca.

— Abdul — Nicoletta disse roucamente, seus olhos fechando-se e


arqueando as costas. Ela pressionou sua cara mais perto de seu peito,
sorvendo o ar quando sua língua estalou seu mamilo de um lado para o outro.

— Abra as pernas — ordenou-lhe, ao redor de seu mamilo, com


seu sexy acento árabe. Soltou seu mamilo com um ruído explosivo e olhou
seu rosto. — Quero sentir minha vagina — murmurou ele, seus olhos com as
pálpebras pesadas, enquanto se estabelecia entre suas coxas — Minha vagina
— disse com voz rouca, possessiva, equilibrando seu pau duro em sua
entrada.

61
Nicoletta se estremeceu, ao reconhecer a maneira territorial que
Abdul sempre a tinha guardado. O fato de que ele era o único homem que
tinha estado dentro dela fazia que seu territorialismo fosse ainda mais agudo.

Afundou-se em sua vagina com um gemido, com os olhos fortemente


fechados, e apertando os dentes.

— Minha – grunhiu. —Toda minha.

Nicoletta gemeu quando começou a lhe fazer amor, seus mamilos


ficando cada vez mais impossivelmente duros quando roçavam contra seu
peito com cada investida. Agarrou o ritmo de seu ato afundando-se dentro e
fora de sua escorregadia vagina com uma fome que beirava um maníaco.

— Abdul, — ofegou ela, jogando seus quadris para trás, sobre ele
para encontrar cada um de seus possessivos golpes. — Mais forte.

Suas narinas tremeram, ele jogou suas pernas sobre seus ombros
sem perder o ritmo. Deu-lhe o que ela desejava, montando seu corpo de
forma dura, bombeando dentro e fora enquanto gemia. Sua mandíbula se
apertou com veemência quando a golpeou sem piedade, fodendo-a cada vez
mais rápido. A pele ensopada de suor golpeava contra pele ensopada de suor,
suas tetas movendo-se por debaixo dele enquanto rogava e gritava, pedindo
mais.

— Minha vagina — resmungou ele. — Minha.

Nicoletta gritou seu orgasmo quando Abdul a montou,


afundando-se em sua apertada carne, uma, e outra, e outra vez. Fodeu-a duro,
rápido e profundo.

Seus dentes se apertaram enquanto utilizava de todas as suas


forças para não gozar. Queria que o momento seguisse e seguisse, afundando-
se dentro e fora dela para sempre. Fodeu-a mais duro, de forma bestial, os

62
gemidos ecoando por toda parte da caverna na selva, e eram tão torturados
como estavam cheios de prazer.

Sempre tinha sido assim entre eles. Sempre.

— Vou gozar — ofegou incapaz de conter um segundo mais. Suas


narinas dilatando-se e seus músculos esticando-se quando repetidamente se
colidiu contra sua vagina. — Nica.

Gozou com um rugido territorial, seu corpo convulsionando,


sacudindo seu pênis e ejaculando dentro dela. Nicoletta lançou seus quadris
para ele, freneticamente ordenhando sua semente, enquanto ele gemia e
gozava.

Passou muito tempo antes que se movessem muito tempo antes


que suas respirações se normalizassem. Agarraram-se um ao outro todo o
tempo, duas almas enfeitiçadas cujos fantasmas só podiam descansar um no
outro.

— Amo-te, Nicoletta Isabella Carlotta Kan — murmurou Abdul.


Seu olhar se encontrou ao dela e o sustentou. — Sempre te amarei.

63
Capítulo Sete

Ele tinha sabido quase desde o começo que estava mudando e


também Sinead estava. Não tinha nem ideia de como os valentões contratados
por Malifé tinham chegado à sua primeira esposa, embora claramente o
tivessem feito. Podia ver as mudanças dentro dela acontecendo tão claras
como podia vê-los dentro de si mesmo. Felizmente, Nica tinha se salvado.
Assim como sua filha, Nellie, e seu filho, Asad, que Nica lhe tinha dado.

Quando Abdul se deu conta em primeiro lugar de que acontecia


com ele e Sinead, contratou os melhores cientistas da Hierarquia que pôde
reunir para encontrar uma cura. Dia e noite eles trabalharam duro em seus
laboratórios, dez milhões de ienes foi à recompensa pela qual competiam para
achar a cura. Os cientistas acreditaram que tinham encontrado uma cura...

Equivocaram-se.

Sinead piorou suas brigas com a loucura foram esmagadoras em


várias ocasiões. Ele mesmo, Abdul a injetou com o que ele tinha rezado a
Cyrus que fosse a cura, só para encontrar, que o suposto remédio a fez piorar.
E Nellie...

Havia algo na forma em que os jovens olhos de sua filha o


olhavam com uma expressão horrorizada. Era como se ela soubesse que sua
mãe estava doente e o culpasse por isso. O medo que viu em seu inocente
olhar quando o contemplava foi o suficiente para romper seu coração.

Abdul se perguntou, e não pela primeira vez, se as lembranças de


sua filha tinham sido manipuladas. Deu-se conta que suas próprias lembranças
tinham sido apagadas, por mais que tentasse, não podia recordar o que tinha

64
levado a infectá-los ele e Sinead. E se suas lembranças tinham sido alteradas,
talvez Nellie também...

E Sinead também.

Sinead pensou Abdul, suspirando enquanto levantava uma taça de


licor a seus lábios e bebia dela. A pobre Sinead. Nunca tinha querido
converter-se em sua esposa, já que sempre tinha preferido à companhia das
mulheres a dos homens. Ela amava Abdul, como seu amigo, mas nunca
poderia apaixonar-se por ele.

E, entretanto, em um mundo onde as mulheres não podiam fazer


nenhuma regra, Sinead sabia que nunca seria livre para amar outra mulher.
Creagh Ou'Mallery tinha querido que sua irmã fosse possuída por um Amo
que a respeitasse, e que também respeitasse os limites de seu amor.

E então Abdul se casou com ela. Sinead lhe tinha dado sua Nellie
e tinha sido uma boa mãe, por isso ele nunca lamentou sua união. E logo
Sinead tinha encontrado Nicoletta para ele.

Ah, Nica, enquanto tiver fôlego para respirar, nunca haverá outro
amor para mim, exceto você...

*********

Dois dias depois.

— Sei que você está nervoso por ver Nellie outra vez — disse
Nicoletta quando deixaram a cova de mãos dadas. Ela olhou com uma careta
a improvisada roupa áspera que tinham feito para ele de pele animal,

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esfregando uma parte de sujeira da manga da túnica — Entretanto, esteja
seguro de que estará contente em te ver — seu sorriso era caloroso, suave,
como tinha sido nos velhos tempos quando lhe tinha dado seu amor
livremente.

Era o momento de começar a viagem pela selva e pelo coração das


catacumbas do Underground rebelde. Em alguns dias, Abdul se reuniria com
sua filha primogênita e seu marido. Um novo destino se desdobrava para
todos eles, um futuro que ele não podia controlar ou predizer. Era de uma vez
excitante e aterrador. Mas independentemente de que estivesse por vir, sua
querida esposa estaria ao seu lado. Por isso, Abdul estaria sempre agradecido.

As coisas entre Nellie e ele não seriam tão fáceis como Nicoletta
imaginava, e Abdul sabia, embora ele concordasse que agora não era o
momento de preocupar sua esposa com o que ia acontecer. Mas, não, não
seria tão fácil...

Nicoletta não tinha sido a única que ele tinha afastado em um


esforço por impedir que sua loucura o reclamasse. Tinha machucado Nellie
também. Ela tinha querido seu amor apesar de tudo, apesar de que ele
profundamente suspeitava que ela acreditasse erroneamente, que ele tinha tido
a culpa da infecção de sua mãe biológica, Sinead, e finalmente de sua morte.

Embora diferentes, as feridas infligidas a Nellie eram tão


profundas como as feridas que tinha causado em Nicoletta. Naquele tempo,
quando a infecção tinha sido uma nova enfermidade e ninguém tinha uma
suposição em quando ou como poderia ser curada, Abdul fazia a única coisa
que lhe ocorreu para evitar sucumbir a ela.

Negou-se a sentir. Negou-se a mostrar amor ou aceitá-lo.

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Em seu coração, ainda sabia que tinha sido a única maneira. Tinha
dito repetidas vezes, que um dia, de algum jeito, de alguma forma, ele
encontraria essa cura e tudo seria como deveria ter sido, outra vez.

Mas então, um ano se transformou em dois, dois em uma década,


e uma década em vinte e cinco anos...

Não. O perdão de Nellie não chegaria fácil ou rapidamente. Mas


estava decidido a ganhá-lo. Queria sua vida de novo, uma vida que lhe tinha
estado esperando no lugar de um pesadelo que tinha durado um quarto de
século.

Um pesadelo que ainda não tinha terminado. Até que ele estivesse
curado e sua família estivesse unida, nunca teria terminado.

— Deixa sua preocupação, Abdul — repreendeu-o Nicoletta —


Posso te ler, de verdade, dá-te conta — sorriu-lhe — Nellie ainda te ama.

Abdul levantou a mão de Nicoletta a seus lábios e a beijou. Sua


querida Nica era mais bela de que ele inclusive tinha recordado. Nua, vestida
só com seus anéis matrimoniais de mamilo e a corrente, com sua marca na
nádega direita para que o mundo a visse, tudo ao menos entre eles, era como
devia ser.

— Espero que esteja certa — murmurou ele.

Ela inclinou a cabeça.

— Estou. Sei que você duvida de mim, mas estou. E, além disso,
acredito que ela poderia ser capaz de te curar. Lembro claramente de sua
declaração que o soro dos cientistas do Underground tinha obtido resultados
naqueles que ainda não tinham se transformado totalmente — seus olhos
estavam cheios de entusiasmo, de esperança — Você ainda não se
transformou totalmente — suspirou.

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Abdul assentiu com a cabeça. Se tivesse sido assim, e ele tivesse se
transformado, não haveria homem para falar dentro dele.

— Não. Não me transformei — suspirou, e admitiu — A única


coisa boa que resultou nos últimos vinte e cinco anos.

Ela devolveu o suspiro, sem saber o que dizer já que era a verdade.
Andaram em silêncio um momento, agarrados pela mão, enquanto se abriam
passo no mais profundo da selva, e pelas catacumbas para poder reunir-se
com sua filha mais velha.

— Tenho muito que lhes explicar — disse Abdul, apertando sua


mão.

Nicoletta negou com a cabeça.

— Não, equivoca-se — deteve-se e se virou para olhá-lo de frente.


— Você me disse um montão, e o resto tenho descoberto por mim mesma.

Seu olhar procurou o dela.

— Perdoa-me? — murmurou ele.

— Sim — sussurrou ela, com o coração nos olhos.

Tinham um caminho longo para fazer, mas o fariam juntos. Ela se


deteve, quando um pensamento lhe ocorreu. Seu olhar se estreitou em um
cenho franzido.

— Tenho uma pergunta para ti, e por Cyrus te juro que será
melhor que tenha uma resposta correta.

Tinha sua frente enrugada.

— Ganhou toda minha atenção — pronunciou lentamente. —


Adiante.

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Ela soltou um grunhido.

— Tola, mais que Tola, Estúpida, Idiota sem remédio — vaiou


Nicoletta, lhe fazendo sorrir pelos nomes com que ela estava acostumada
referir-se a suas outras esposas. – As manterá?

Coçou o queixo, pretendendo pensar no assunto. Ele começou a


rir quando ela se virou e começou a caminhar com passo forte, longe. Com o
braço serpenteando ao redor dela, atraiu-a de novo ao seu lado.

— Não, — disse ele simplesmente.

O queixo de Nicoletta subiu sua expressão satisfeita.

— Bom — ela bufou.

Antes que Abdul soubesse o que se apoderou dele, riu, a primeira


risada que tinha saído dele em mais anos do que gostaria de recordar.
Lançando a sua esposa que grunhia sobre seu ombro, caminhou pela selva,
tão excitado como tenso sobre a perspectiva de reunir-se com sua filha.

Abdul Kan era um homem com muitas coisas para arrepender-se.


Confiar seu segredo a sua esposa para que pudessem lutar juntos, nunca seria
uma delas. Dando a suas outras mulheres sua liberdade para que a única
mulher que seu coração tinha apreciado alguma vez pudesse saber que a
felicidade não era nenhum sacrifício absolutamente.

Sempre seria Nicoletta.

Nunca poderia haver outra.

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Epílogo

Mais tarde nessa noite.

— O que quer dizer anawahib? — sussurrou Nicoletta com a


cabeça sobre o peito de Abdul.

Não podia tirar essa pergunta de sua mente, porque ele a tinha
chamado, e só a ela, com esse nome durante todo o tempo que tinham estado
casados. Sua cara se aproximou.

— O que quer dizer?

Seu sorriso era doce, seus olhos cheios de ternura.

— Isso significa minha única — murmurou Abdul. Abaixou a cara


e suavemente beijou seus lábios. — Minha única.

Ela procurou em seu olhar.

— Como você é meu.

Abdul fez amor com Nicoletta na cova onde se refugiaram essa


noite. Foi o mesmo marido que a tinha apreciado com todo seu ser nos
primeiros dias, o mesmo marido pelo que sempre tinha rezado para que
voltasse um dia para ela. Não tinha medo da besta que habitava dentro dele,
nem o deixaria liderar sozinho a batalha contra essa besta.

Quando Abdul se afundou nela, possessivamente, empalando seu


pênis em sua carne uma e outra vez enquanto ele gemia e fazia amor com ela,
prometeu a si mesma que acontecesse o que acontecesse, estaria sempre com
ele.

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Tinha abandonado Abdul para poder encontrar seu destino.
Ironicamente, felizmente, foi em Abdul onde ela o tinha encontrado.

Não havia nada como o amor entre um homem e uma mulher. O


amor por todos outros pode ser feroz, até confinar com o maníaco, mas o
amor entre um homem e uma mulher suporta uma fome, um desejo, uma
intensidade, que o diferencia de qualquer outro.

— Amo-te — sussurrou Nicoletta uma e outra vez enquanto seu


marido fazia amor. Vinte e cinco anos, as lembranças boas e más. Filhos, e
logo um neto. Havia entre eles mais de que as meras palavras podiam
expressar.

E, entretanto, tentou. Ela sorriu, chorou, e lhe disse uma e outra


vez só o que estava em seu coração.

— Oh, como te amo...!

Fim

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Avisos

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