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EXMO.

JOSÉ DAMASCENO SAMPAIO

PRESIDENTE DO TRIBUNAL DE ÉTICA

ORDEM DOS ADVOGADOS DO BRASIL – SECCIONAL DO


CEARÁ

REPRESENTAÇÃO CONTRA

FLÁVIA MARIA DE PAULA MENESCAL

EXPEDITO GUANABARA JÚNIOR, RG 94024079802 CPF


43733000382, OAB 12.027, residente na Rua Viriato Ribeiro, 1739 – Fortaleza CEP
60442-640, vem à presença de V. Senhoria oferecer REPRESENTAÇÃO

contra FLÁVIA MARIA DE PAULA MENESCAL OAB 6.143 com

endereço comercial a Av. Santos Dumont, 1740 Fortaleza-CE CEP 60191-156


pelos motivos que seguem.

DOS FATOS

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Em 31/07/2014, foi proposta ação de IMPUGNAÇÃO JUSTIÇA

GRATUITA DISTRIBUIÇÃO POR DEPENDENCIA AO


PROCESSO Nº 0199490-41.2012.8.06.0001 contra o representante.
A representada, nomeada como advogada apresentou a petição em

anexo. No entanto, causou indignação a maneira com que a representada


refere-se ao representante, com expressões grosseiras imputando-lhe a prática

de atos sem comprovação, que ofendem a sua honra e reputação de maneira


leviana e desmedida.

A representada maliciosamente acusa o representante de mentir quanto


a sua condição financeira, o que não corresponde à realidade:
O que se vê hodiernamente é uma verdadeira banalização do instituto, pois indivíduos que possuem
condições financeiras para pagar às custas judiciais se esquivam de tais parcelas por mero capricho, e
afirmam, maliciosa e astutamente (reitero), em suas exordiais, que são pobres no sentido da lei.

Em vários momentos da petição, a representada se refere de forma


mentirosa, injuriosa e caluniosa ao representante, tentando desqualificá-lo e

passar a imagem do representante como pessoa mentirosa e que impetrou a


ação principal de má-fé e apenas para obter lucro:

Aqui, o que se denota, na verdade, é um desrespeito ao Poder Judiciário e aos médicos Promovidos,
pois o senhor EXPEDITO GUANABARA JÚNIOR levianamente ingressa com pedido de Justiça
Gratuita em uma ação pleiteando indenização de quase um milhão de reais. Lembrando, Nobre
Julgador, que o autor é advogado com DOUTORADO em outro País, e sua atitude leviana, é uma
verdadeira afronta ao Poder Público.

Pois verdadeira afronte são as afirmações mentirosas e infundadas da


representada, que de forma acanalhada, enxovalha a honra do representante. A

representada só fez insinuações e acusações sem provas contra o caráter do


colega, no sentido de influenciar o julgador da ação. O representante, por

quase dez anos, desde 2007, foi membro da Comissão de Direitos Humanos
desta seccional, servindo de forma dedicada na defesa dos necessitados,

conforme as petições e declarações em anexo, que lhe afiançam. O mesmo,


embora se dedique com afinco aos estudos, sempre passou por privações e
dificuldades financeiras. O que por sua vez não constitui demérito nenhum.

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Prova disto é a recente ação de execução desta seccional, como também o fato

de ainda residir com seus pais, pois não tem como se manter a si mesmo.

E além do que, cabe a quem acusa comprovar suas acusações e não


lançá-las sem comprovação ferindo a honra e a imagem dos outros. Não cabe

ao representante provar que é honesto, nem provar o seu estado de


necessidade. Conforme a legislação existente a presunção de veracidade é

presumida. Quem acusa é que cabe provar suas afirmações.

Segue em negrito as acusações mentirosas e com os fatos reais ao lado,


como contra provação:

TABELA COM AS ACUSAÇÕES

E OS FATOS REAIS

AS MENTIRAS E DIFAMAÇÕES OS FATOS REAIS


“Com DOUTORADO NA ARGENTINA, O representante não tem
tendo realizado referido doutorado doutorado na Argentina, ou em
presencialmente naquele País.” qualquer outro local, pois somente
em 2017 concluiu seu mestrado na
UFC (universidade pública e
gratuita).
“No ano de 2013, foi obrigado a realizar O representante só fez duas
várias viagens ao exterior (Argentina).” viagens à Argentina, todas elas
pagas pelos pais.
“Por outro lado, o senhor EXPEDITO O fato de alguém ser usuário de
GUANABARA JÚNIOR, é usuário de um um plano de saúde não significa
excelente plano de saúde (UNIMED)” que ele pague pelo plano ou que
tenha proventos. O plano em
questão é pago pela sua mãe.
E por fim, não há prova nos autos Não cabe ao representante provar

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principais do estado de necessidade do que é honesto, nem provar o seu
autor. Na verdade, não informou qual sua estado de necessidade. Conforme
profissão, seus ganhos mensais, não a legislação existente a presunção
juntou declarações de renda que de veracidade é presumida. Quem
justificasse a utilização do benefício da acusa é que cabe provar suas
Justiça Gratuita. afirmações.
Assim, cabe, neste momento, um O fato de alguém ter duas
questionamento: será razoável conceder o graduações, não significa que ele
benefício de justiça gratuita ao autor, seja abastado. A representada só
sabendo que ele é ADVOGADO com fez insinuações e acusações sem
doutorado na Argentina e também provas contra o caráter do
BIOLÓGO? Isso é condição de pobreza? representante no sentido de
Entraria no conceito de pobre no sentido influenciar o julgador da ação.
da lei?
Que seja condenado o autor a Litigância A representada é que faz litigância
de Má-fé, nos termos da lei processual de má-fé contra o representante,
civil brasileira; pois fez insinuações sem provas;
Que seja comunicado ao Ministério Quem comete crime é a
Público Estadual a atitude do autor, para representada, que faz afirmações
que este perscrute sobre eventual crime mentirosas contra o representante.
cometido pelo autor;

DO DIREITO E DA URBANIDADE

Atos como estes não podem ser admitidos nesta Ordem, pois além de

infringir o Código de Ética e Disciplina da OAB e o Estatuto da Advocacia, são


afrontas ao Dever de Urbanidade do Advogado para com os demais advogados.

Pois se os advogados não se respeitarem entre si, como poderemos ser


respeitados pelos juízes, promotores e demais atores do Direito?

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Além dos desrespeitos, no dia da audiência de instrução, ocorrido em

20/03/2017, à representada a todo o momento ficava interrompendo o


representante quando este fazia algum esclarecimento ao magistrado, pois o

mesmo atuava em causa própria. O que também constitui falta de respeito e


descortesia. A urbanidade possui vários componentes: a polidez, a serenidade, a

moderação, a humildade, a tolerância, a capacidade enfim de fazer valer o seu


direito sem que haja a necessidade de ofender ou humilhar o adversário.

Lembrando ainda que a imunidade profissional do advogado não é


absoluta. Já tendo acórdão e decisões a este respeito (em anexo). Pois o

advogado não pode extrapolar os limites do razoável e do mero exercício de


sua profissão, ao fazer uma acusação sem provas, o que acaba por afastá-lo do

manto protetor da imunidade judiciária que o protege durante a prática de atos


inerentes à sua profissão. Vide abaixo a legislação desrespeitada.

Lei Nº 8.906 de 4 de Julho de 1994

Art. 7º São direitos do advogado:

X - usar da palavra, pela ordem, em qualquer juízo ou tribunal, mediante intervenção sumária, para
esclarecer equívoco ou dúvida surgida em relação a fatos, documentos ou afirmações que influam no
julgamento, bem como para replicar acusação ou censura que lhe forem feitas;

(...)

Art. 31. O advogado deve proceder de forma que o torne merecedor de respeito e que contribua para o
prestígio da classe e da advocacia.
§ 1º O advogado, no exercício da profissão, deve manter independência em qualquer circunstância.
§ 2º Nenhum receio de desagradar a magistrado ou a qualquer autoridade, nem de incorrer em
impopularidade, deve deter o advogado no exercício da profissão.
Art. 32. O advogado é responsável pelos atos que, no exercício profissional, praticar com dolo ou
culpa.
Parágrafo único. Em caso de lide temerária, o advogado será solidariamente responsável com seu
cliente, desde que coligado com este para lesar a parte contrária, o que será apurado em ação própria.
Art. 33. O advogado obriga-se a cumprir rigorosamente os deveres consignados no Código de Ética e
Disciplina.
Parágrafo único. O Código de Ética e Disciplina regula os deveres do advogado para com a
comunidade, o cliente, o outro profissional e, ainda, a publicidade, a recusa do patrocínio, o dever de
assistência jurídica, o dever geral de urbanidade e os respectivos procedimentos disciplinares.

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Código de Ética da Ordem dos

Advogados do Brasil

Art. 1º O exercício da advocacia exige conduta compatível com os preceitos deste Código, do Estatuto,
do Regulamento Geral, dos Provimentos e com os princípios da moral individual, social e profissional.

(...)

Art. 8º As disposições deste Código obrigam igualmente os órgãos de advocacia pública, e advogados
públicos, incluindo aqueles que ocupem posição de chefia e direção jurídica.
§ 1º O advogado público exercerá suas funções com independência técnica, contribuindo para a
solução ou redução de litigiosidade, sempre que possível.
§ 2º O advogado público, inclusive o que exerce cargo de chefia ou direção jurídica, observará nas
relações com os colegas, autoridades, servidores e o público em geral, o dever de urbanidade, tratando
a todos com respeito e consideração, ao mesmo tempo em que preservará suas prerrogativas e o direito
de receber igual tratamento das pessoas com as quais se relacione.

(...)

Art. 27. O advogado observará, nas suas relações com os colegas de profissão, agentes políticos,
autoridades, servidores públicos e terceiros em geral, o dever de urbanidade, tratando a todos com
respeito e consideração, ao mesmo tempo em que preservará seus direitos e prerrogativas, devendo
exigir igual tratamento de todos com quem se relacione.

§ 1º O dever de urbanidade há de ser observado, da mesma forma, nos atos e manifestações


relacionados aos pleitos eleitorais no âmbito da Ordem dos Advogados do Brasil.

DA JURISPRUDÊNCIA

A dignidade da pessoa humana é princípio fundamental do Estado

Democrático de Direito (art. 1º, III, CF). O advogado é indispensável à


administração da justiça (art. 133, CF). No seu ministério privado, ele presta

serviço público e exerce função social. Deve, portanto, ter consciência de que o

Direito é um meio de mitigar as desigualdades para o encontro de soluções


justas e que a lei é um instrumento para garantir a igualdade de todos. Assim

um advogado que usa o direito para acirrar conflitos está indo na contramão do
seu oficio. Não se justificando as atitudes tomadas pela representada.

Vide jurisprudência que segue:

"PATROCÍNIO - URBANIDADE NO EXERCÍCIO PROFISSIONAL.


Dever de urbanidade, lhaneza, respeito ao trabalho do ex-adverso são postulados
guindados como valores a serem observados pelos advogados. A confiança, a

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lealdade, a benevolência, devem constituir a disposição habitual para com o colega.
Deve o advogado tratar os colegas com respeito e discrição empregando o uso de
linguagem escorreita e polida na execução dos serviços (arts. 44 e 45 do CED). A
interposição de recurso sobre a fixação sucumbencial do valor da verba honorária
não constitui infração ética, desde que respeitados os valores éticos contidos nos
artigos apontados". Proc. E-2.140/00 - v.u. em 15/06/00 do parecer e ementa do Rel.
Dr. LUIZ ANTÔNIO GAMBELLI - Rev.ª Dr.ª MARIA CRISTINA ZUCCHI -
Presidente Dr. ROBISON BARONI.

"CONSULTA INEPTA – NÃO CONHECIMENTO – INEXISTÊNCIA DE


DÚVIDA DEONTOLÓGICA - NECESSIDADE DE LINGUAGEM ESCORREITA –
DEVER DE URBANIDADE. Inconveniência ética na inserção, com destaque, do
nome da advogada em papel timbrado oficial de associação de inativos e pensionistas
de uma categoria de servidores públicos. Propósito velado e vedado de promoção
profissional. Faculdade assegurada apenas a advogados integrantes de sociedades de
advogados, legalmente constituídas. Consulta formulada com erros idiomáticos
grosseiros, no fundo e na forma. Deslizes vernaculares primários e numerosos, em
nível incompatível com condições mínimas de habilitação do exercício advocatício.
Procedimento ética e tecnicamente repreensível, atentatório ao prestígio e dignidade
da classe dos advogados. O uso de forma escorreita do idioma se inclui entre os
deveres cívico-profissionais. Remessa de traslado do processo para a seção disciplinar
competente do Tribunal de Ética e Disciplina para avaliação e deliberação". Proc. E
- 1.536 – v.m. em 22/05/97 – Rel. Dr. ELIAS FARAH – Rev. Dr. GERALDO JOSÉ
GUIMARÃES DA SILVA – Presidente Dr. ROBISON BARONI.

"DEVER DE URBANIDADE – ‘ADVOGADINHO DE PORTA DE


CADEIA’ - CARÁTER OFENSIVO E PRECONCEITUOSO DA EXPRESSÃO. O
advogado é servidor da lei e exerce função essencial à administração da Justiça (CF,
art. 133). No seu ministério privado, presta serviço público e exerce função social
(EAOAB, art. 2º, §1º). Na fase do inquérito policial, a presença e acompanhamento
do advogado revelam-se tão imprescindíveis para a tutela das liberdades públicas do
acusado quanto no curso da defesa criminal, porquanto constitui garantia de
natureza indisponível. Deve o advogado atuar com nobreza e destemor, sob o manto
da inviolabilidade profissional e demais prerrogativas inscritas no art. 7º do EAOAB.
O advogado criminal enfrenta mais intensamente o preconceito que, revestido de
chavões e epítetos, não se coaduna com a relevância de sua função no Estado de
Direito. A utilização da expressão ‘porta de cadeia’ ou equivalente constitui odiosa
discriminação e ofensa contra a honra e esfera moral do profissional, além de
macular a dignidade da advocacia e das demais carreiras jurídicas que atuam
conjuntamente em prol da realização dos ideais da Justiça". Proc. E-2.826/03 - v.u.
em 18/09/03 do parecer e ementa do Rel. Dr. LUIZ FRANCISCO TORQUATO
AVÓLIO – Rev. Dr. JOÃO TEIXEIRA GRANDE – Presidente Dr. ROBISON
BARONI.

RECURSO ESPECIAL Nº 1.180.780 - MG (2010/0030245-3)

EMENTA
1. Penal. Queixa crime. Calúnia. Presença do elemento subjetivo. Propósito
deliberado de ofender. Difamação. Crimes devidamente configurados.
2. Delitos perpetrados por advogado no exercício de suas funções. Inviolabilidade
profissional que não pode ser invocada. Imunidade relativa.

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3. A lei protege a imunidade funcional - aquela que guarda relação de causalidade
com a nobilíssima atividade do advogado, no entanto não consagra direito do
causídico de ultrapassar os limites da lide, devendo todo excesso ser punido.
4. Princípios da razoabilidade e da proporcionalidade. Garantia constitucional de
proteção à honra de qualquer pessoa. Ofensa gratuita não foi contemplada pelo
legislador.
5. Autoria demonstrada. Condutas induvidosamente tipificadas. Condenação que se
impõe.
6. Recurso especial parcialmente conhecido e, nessa extensão, provido.

DOS PEDIDOS

Isto posto, requer a este Tribunal, com fundamento no art. 55 e seguintes


do Código de Ética e Disciplina da OAB:

 A instauração de Processo Disciplinar e a aplicação

da sanção correspondente à infração cometida,

sendo a representada punida pelas mentiras,

difamações e injúrias proferidas. Além da sua falta

de educação, conforme relatado;

 A notificação da representada, no seu endereço

residencial ou profissional, para se manifestar;

 O representante provará o alegado por todas as

provas em direito admitidas;

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Sem mais, subscreve abaixo, com protestos de estima e consideração.

Fortaleza, 28 de julho de 2017.

EXPEDITO GUANABARA JÚNIOR

OAB/CE 12.027

DOCUMENTOS EM ANEXO

 DOCUMENTOS DO REPRESENTANTE;

 FICHA DA REPRESENTADA;

 PETIÇÃO INICIAL;

 DECLARAÇÕES DA OAB;

 AÇÃO DE EXECUÇÃO DA OAB;

 DECLARAÇÃO DE MESTRADO DO REPRESENTANTE.

PROCESSO DISCIPLINAR Nº 129972017-0

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EXPEDITO GUANABARA JÚNIOR, representante, vem pedir que a
audiência de conciliação que estava marcada para o dia 04/09/2017 às
14h30min, na sala de Audiências do TED, seja remarcada, pois nesta data o
representante tem uma audiência no Fórum Clóvis Bevilácqua, conforme
documento em anexo.

Sem mais, subscreve abaixo, com protestos de estima e consideração.

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