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Evolução da Automação Industrial

Salvador Fernandes de Jesus Júnior * Sérgio José Gonçalves e Silva **


salvadorjr@petrobras.com.br sergiojose@petrobras.com.br

* Engenharia de Instalações, Processamento e Automação da Unidade de Negócios de Exploração e Produção do Rio


Grande do Norte e Ceará, Petróleo Brasileiro S/A, 59.064-100 Natal, RN, Brasil

** Operação da Produção RN-Mar da Unidade de Negócios de Exploração e Produção do Rio Grande do Norte e
Ceará, Petróleo Brasileiro S/A, 59.064-100 Natal, RN, Brasil
automação industrial nos dias atuais.
ABSTRACT
This paper presents the theme of PALAVRAS-CHAVE: automação industrial,
industrial automation under the point of view clp, instrumentação
of the progressive evolution that this branch
of the science took in the last years. Initially, 1. INTRODUÇÃO
we will make a brief review of the
automation process from the beginning of the O homem sempre esteve em uma eterna
first industrial revolution until the age of busca de meios que lhe proporcionassem um
complete informatization. We will comment menor esforço na fabricação de seus produtos,
rapidly about the instrumentation tools that além de buscar, com o passar do tempo, um
were the base from everything, going later by melhor acabamento e homogeneização dos
the programmable logical controllers (CLP's) mesmos. Com isto conseguiu mais conforto e
and concluding with the industrial segurança na execução de suas tarefas
communication nets that became essentials laborais, além de uma melhoria na qualidade
for every projects of industrial automation in do produto final. Desde o advento da
the current days Revolução Industrial até os nossos dias,
temos presenciado a superação constante dos
KEYWORD: industrial automation, plc, desafios a que o homem moderno se impôs a
instrumentation solucionar. Sem dúvida alguma, a automação
industrial serviu de alicerce sólido para a
RESUMO edificação de todo o complexo sistema de
O presente trabalho aborda o tema da informação que permeia todo processo
automação industrial sob a ótica da evolução produtivo hoje em dia.
progressiva que este ramo da ciência tomou
nos últimos anos. Inicialmente faremos um 2. HISTÓRICO
breve histórico do processo da automação
desde os primórdios da primeira revolução O princípio de tudo foi a mecanização de
industrial até a era da informatização suas primeiras ferramentas que culminou com
completa. Comentaremos sucintamente sobre a revolução industrial.
a instrumentação que foi a base de tudo,
passando depois pelos controladores lógicos A primeira revolução industrial ocorreu na
programáveis (CLP’s) e concluindo com as Inglaterra em meados do século XVIII. A
redes de comunicação industriais que se expansão do comércio no continente e o
tornaram imprescindíveis nos projetos de aprimoramento das técnicas de navegação,

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que incrementaram o comércio marítimo, sistemas eletrônicos mais modernos que
aliados à farta mão-de-obra e ao controle do utilizam instrumentos digitais,
Estado por parte da burguesia, ingredientes microprocessadores e, mais recentemente o
estes que geraram grande acúmulo de capital, "single-loop", o "multi-loop" e o sistema de
permitiram a chamada Revolução das controle distribuído - SDCD - os instrumentos
Máquinas. Neste período surgiram a máquina pneumáticos ainda encontram aplicações nos
de fiação, o tear mecânico e o motor a vapor. processos industriais. Entretanto, já se
fabricam instrumentos eletrônicos cujo risco
Por volta da segunda metade do século XIX de explosões não existe. De um modo geral,
tem início a segunda revolução industrial os elementos de controle são divididos em
quando França, Alemanha, Itália, e ainda dois grupos: de campo e de painel.
EUA, Japão e outros países também
experimentam o glamour da industrialização. Os elementos de campo são:
O grande marco deste período é a utilização
em grande escala da energia elétrica e do a) Elementos primários: são dispositivos
petróleo. Novas tecnologias produzem com os quais conseguimos detectar
ferramentas e máquinas mais modernas e alterações na variável de determinado
eficazes. Pela metade do século seguinte a processo;
grande maioria das indústrias já estão b) Transmissor: instrumento que mede uma
mecanizadas e no final deste, a automatização determinada variável e a envia à distância
de quase todos os processos já é realidade em para um instrumento receptor,
sua totalidade. Aí alguns autores já citam o normalmente localizado no painel. O
início da terceira revolução industrial, com o elemento primário pode ser ou não parte
emprego generalizado dos computadores. integrante do transmissor;
c) Elemento final de controle: dispositivo
3. INSTRUMENTAÇÃO que atua e modifica diretamente o valor da
variável manipulada de uma malha de
Instrumentação é a ciência que aplica e controle.
desenvolve técnicas de medição, indicação,
registro e controle de processos de fabricação, Os elementos de painel são:
visando a otimização na eficiência desses
processos. A utilização de instrumentos nos a) Indicador: instrumento que nos fornece
permite: uma indicação visual da situação das
- Incrementar e controlar a qualidade do variáveis no processo. Um indicador pode
produto; se apresentar na forma analógica ou
- Aumentar a produção e o rendimento; digital;
- Obter e fornecer dados seguros da b) Registrador: instrumento que registra a
matéria-prima e da qualidade produzida, variável através do traço contínuo, pontos
além de ter em mãos dados relativos a de um gráfico, etc.;
economia dos processos. c) Conversor: instrumento que recebe uma
informação na forma de um sinal, altera a
Com o advento da eletrônica dos forma da informação e o emite como um
semicondutores, no início dos anos 50, sinal de saída. O conversor é também
surgiram os instrumentos eletrônicos conhecido como transdutor. Todavia,
analógicos, sendo então os instrumentos transdutor é um termo genérico cujo
pneumáticos substituídos gradativamente emprego específico para a conversão de
pelos eletrônicos nos processos onde não sinal não é recomendada;
existia o risco de explosão. Embora d) Controlador: instrumento que tem um
atualmente as indústrias estejam optando por

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sinal de saída que pode ser variável para - desligado, alto - baixo, etc.); porém, hoje
manter a variável de processo (pressão, têm adquirido muitas outras funções com alta
temperatura, vazão, nível, etc.) dentro do confiabilidade, como é o caso de tratamento
"set-point" estabelecido, ou para alterá-la de sinais analógicos, controle contínuo multi-
de um valor previamente determinado. variáveis, controle de posição de alta
Pode ser dividido em: precisão, etc. Os CLP's nasceram para
- Analógico - possuem construção de substituir relês na implementação de
tecnologia analógica, pneumática ou intertravamentos e controle seqüencial se
eletrônica; especializando no tratamento de variáveis
- Digital - possuem construção de digitais. Algumas características mais
tecnologia digital, podendo ser do tipo relevantes dos CLP's são:
"single-loop" (controlador que atua
apenas em uma malha de determinada • Caráter modular dos CLP's: permite
variável - pressão, temperatura, vazão, adequar o controlador para qualquer
nível, etc.) ou "multi-loop" (controlador aplicação, já que o projetista especifica só
que atua em várias variáveis - com um o número e tipos de módulos que precisa
controlador pode-se controlar uma malha de acordo com o número de entradas,
de pressão e uma de temperatura, saídas e outras funções, que requer o
simultaneamente, por exemplo). processo a ser controlado, se adequando o
controlador à aplicação;
e) SDCD: sistema digital de controle • Flexibilidade dada pela programação:
distribuído pode ser aplicado a qualquer tipo de
- Sistema: conjunto integrado de processo e facilmente mudadas as funções
dispositivos que se completam no através do programa, sem mexer na
cumprimento das suas funções; instalação;
- Digital: utiliza técnicas de processamento • Comunicação: cada fabricante possui
digital (discreto) em contraposição ao redes de comunicação proprietárias e
análogo (contínuo); possibilidades para comunicação com
- de Controle: com vistas a manter o outros CLP's ou componentes como
comportamento de um dado processo inversores de freqüência, o que possibilita
dentro do preestabelecido; a distribuição de tarefas de controle e a
- Distribuído: descentralizado dos dados, do centralização das informações através de
processamento e das decisões (estações computadores onde rodam aplicativos de
remotas). Além de oferecer uma interface supervisão. Diversos meios físicos são
homem-máquina - IHM - de grande possíveis: fios trançados, fibras ópticas ou
resolução, permite o interfaceamento com ondas de rádio;
controladores lógicos programáveis - • Redundância: quando o sistema assim o
CLP, equipamentos inteligentes requer, são fornecidos módulos e CPU's
(comunicação digital) e sistemas em rede. (Unidade Central de Processamento)
redundantes (com mais de uma CPU) que
4. CONTROLADOR LÓGICO
PROGRAMÁVEL garantem uma altíssima confiabilidade de
operação até nos processos mais
Os Controladores Lógicos Programáveis - exigentes.
CLP - são um microcomputador de propósito
específico dedicado para o controle de As linguagens de programação desenvolvidos
processos. Os CLP's foram desenvolvidos para eles são fundamentalmente representados
para o controle de sistemas com entradas e de três formas:
saídas binárias (de dois estados apenas: ligado

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- Redes de contatos - LADDER: similar aos implementados sistemas que não incluam
esquemas elétricos de relês e contatores; alguma forma de comunicação de dados, seja
- Blocos funcionais: similares aos esquemas local, através de redes industriais, seja remota,
elétricos de circuitos digitais (AND, OR, implementadas em sistemas SCADA -
XOR, etc.); Sistema de Controle e Aquisição de Dados.
- Lista de instrução mnemônicas: similares
aos programas escritos em Assembler. Embora essa disseminação de aplicação de
comunicação seja recente, já de há muito que
Os CLP's nasceram para substituir relês na tem sido desenvolvidos diferentes esquemas
implementação de intertravamentos e controle de comunicação de dados em ambientes
seqüencial, se especializando no tratamento industriais, buscando sempre estruturas que
de variáveis digitais. É caracterizado por: garantam a segurança na transmissão dos
dados, bem como a velocidade de
- Fornecimento via projeto de integração; comunicação. Um modelo bastante
- Sistema divido em diversas CPU's de abrangente para os vários requisitos de
CLP's a fim de obter melhor performance comunicação no ambiente industrial é o de
em aplicações críticas. Redundância três níveis diferentes de requisito:
proporcionada pela duplicação de cartões
de I/O (entrada / saída), fontes e CPU's; - Nível de informação: caracterizado por
- Redes de comunicação antes proprietárias, grandes volumes de troca de dados com
agora buscam obedecer a padrões constantes de tempo da ordem de
internacionais. Uso recente de fibras grandeza de segundos (tempo não crítico).
óticas; Essencialmente de domínio da
- Total liberdade de escolha de parceiros de informática;
equipamentos e engenharia; - Nível de automação e controle:
- Programação do supervisório caracterizado por volumes moderados de
independente da programação do CLP; dados com constantes de tempo da ordem
- As variáveis devem ser definidas duas de grandeza de centenas de
vezes: na base de dados do SCADA e no milissegundos. Orientado para integração
programa do CLP; entre unidades inteligentes, de natureza
- Tecnologia em geral aberta; diversa. Aplicações de característica
- Muito eficiente no tratamento de variáveis contínua, de baixa velocidade e alta
discretas com poder e flexibilidade segurança. Mensagens complexas, com
crescentes no tratamento de variáveis razoável nível de informações de
analógicas; diferentes propósitos;
- Hardware e software padrões de mercado; - Nível de dispositivos de campo:
- Custos globais baixos quando comparado caracterizado por volumes menores de
a SDCD - Sistemas Distribuídos para dados com constantes de tempo da ordem
Controle Digital. de grandeza de dezenas de milissegundos
(tempos de resposta muito curtos).
5. REDES DE COMUNICAÇÃO INDUSTRIAIS Orientada a sensores e atuadores,
tipicamente de natureza discreta. Ações
Os sistemas de automação e controle têm executadas no nível dos dispositivos, sem
se apoiado cada vez mais em redes de necessidade de interação com níveis
comunicação industriais, seja pela crescente superiores;
complexidade dos processos industriais, seja
pela distribuição geográfica que se tem Dificilmente uma única rede de comunicação
acentuado nas novas instalações industriais. local poderá atender todos os três níveis,
Assim, praticamente não tem sido

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havendo em geral, uma implementação de de que alguns dispositivos são produtores de
diferentes redes para atender cada informações e outros são consumidores
característica específica. De forma geral, dessas. Nessa implementação, quando um
quando se está analisando o desempenho da produtor disponibiliza sua informação, esta é
rede, é usual colocar-se como primeira colocada na rede disponível para todos os
questão, qual é a taxa de transmissão de bits, dispositivos que sejam seus consumidores ao
para depois inquirir sobre o protocolo usado, mesmo tempo, reduzindo o número de
e finalmente, sobre o mecanismo de troca de mensagens a serem emitidas, bem como
dados. Entretanto, o impacto sobre o reduzindo o próprio comprimento da
desempenho de uma rede nesse aspecto é mensagem, uma vez que não será necessário
exatamente oposto a essa consideração: o incluir ambos endereços de remetente e
efeito maior sobre o desempenho é dado pelo destinatário, sendo necessário tão somente
modelo, seguido pelo protocolo e finalmente identificar a informação a ser transmitida.
pela taxa de transmissão. Concluído-se, não Logo, o modelo produtor/consumidor,
adianta comunicar a altas velocidades, com empregado nas redes de mercado mais
informações mal dispostas ou redundantes. recentes como Foundation Fieldbus,
WorldFIP, ControlNet e DeviceNet,
A camada de enlace, responsável pelo apresentam um modelo de rede eficiente,
mecanismo de entrega de pacotes, tem sido quanto a maximização de troca de dados,
implementada tradicionalmente em redes além de se ter um aumento da flexibilidade da
industrias com a estrutura origem/destino. rede.
Essa implementação agrega a cada mensagem
enviada o endereço da estação de destino. 6. CONCLUSÕES

A evolução da automação industrial


Observe-se que esta implementação, em
tem surpreendido até os mais cépticos críticos
determinadas circunstâncias, pode ser
deste ramo científico desde o início de seu
ineficiente: suponha-se que um mesmo dado
aparecimento. A cada ano novas técnicas são
deve ser transmitido a vários nós de uma
acrescentadas ao know-how já disseminado
mesma rede. O dispositivo que está
pela comunidade de técnicos envolvidos nesta
transmitindo este dado deverá emitir uma
atividade, bem como dezenas de novos
mensagem com ambos endereços
produtos são lançados no mercado pelas
origem/destino para cada nó que deva receber
empresas do ramo fazendo com que a
tal mensagem. Portanto, aumentando o
diversidade de equipamentos provoque a
tráfego da rede e constituindo um operação
redução dos preços de forma que se tornem
repetitiva em conter sempre o endereço do
cada vez mais competitivos e atinjam setores
dispositivo a ser enviado tal mensagem. Além
que antes ficariam à margem desta evolução
disso, caso haja necessidade de sincronizar
tecnológica.
vários dispositivos pertencentes a uma mesma
rede, havendo alguma dificuldade em fazer tal 7. REFERÊNCIAS
sincronismo, uma vez que ao ser necessário
mandar mensagens consecutivas a todos os • Manual Rockwell/Allen-Bradley para
dispositivos a serem sincronizados, ocorre um Treinamento em RSLogix 500;
deslocamento desse instante de sincronismo. • Maitelli, André L., Controladores Lógicos
Programáveis – apostila de curso;
Redes industriais mais recentes usam um • Neto, José S. R., Sistemas de Aquisição
modelo diferente para implementar a camada de Dados e Interface – apostila de curso.
de enlace, chamado produtor/consumidor.
Esta implementação está baseada no conceito