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CURSO DE DIREITO

CENTRO DE CIÊNCIAS DIREITO PROCESSUAL PENAL III


SOCIAIS TURNO:
PROF. DR. THIAGO ALLISSON CARDOSO DE JESUS
DEDIR/UFMA NOTURNO
7º PERÍODO SALA: CÓD: NOTA
GRADUAÇÃO ALUNO (A):
PRIMEIRA E SEGUNDA ATIVIDADE COMPLEMENTAR
DATA: 02/08/2018
PARA COMPOSIÇÃO DA SEGUNDA NOTA
PRIMEIRA ATIVIDADE COMPLEMENTAR PARA COMPOSIÇÃO DA SEGUNDA
NOTA (0,0 a 1,0 ponto, já repassada na aula de 30/07/2018)

Com base na obra de Aury Lopes Júnior, em que consiste o efeito regressivo puro e o efeito
regressivo híbrido?

SEGUNDA ATIVIDADE COMPLEMENTAR PARA COMPOSIÇÃO DA SEGUNDA


NOTA (0,0 a 1,0 ponto, ATIVIDADE REFERENTE AO DIA 02/08/2018)

Mario foi denunciado pela prática do crime de corrupção ativa, eis que, segundo narra a peça
acusatória, teria oferecido vantagem indevida a um funcionário público, a fim de que ele
deixasse de praticar ato de ofício. Recebida a denúncia, Mario foi citado e sua defesa
apresentou Resposta à Acusação no prazo legal. Não entendendo ser o caso de absolvição
sumária, o juiz determinou o prosseguimento do feito. Na audiência de instrução, as
testemunhas de defesa apenas informaram sobre a boa conduta social de Mario. Por sua vez, as
testemunhas de acusação, ouvidas em seguida, limitaram-se a dizer que viram o réu e o
funcionário público conversando, mas não ouviram o teor do diálogo. O réu, ao ser interrogado,
fez uso de seu direito ao silêncio. Finda a instrução e após a apresentação de memoriais escritos
pelas partes, o Magistrado proferiu sentença condenatória, entendendo comprovada a acusação,
pois as testemunhas viram a conversa, bem como porque se o réu fosse inocente, ele não
permaneceria calado. A pena-base foi fixada em 3 anos de reclusão. Mário, desesperado,
procurou vocês, advogados criminalistas, para que emitam um parecer, posicionando-se
acerca do trato judiciário dado ao fatídico aqui narrado e indicando todas as
possibilidades recursais em caso de sucessivas condenações com base na escorreita
aplicação do Direito Penal Brasileiro

INSTRUÇÕES:

 As questões devem ser respondidas nesse arquivo e encadernadas junto às demais


atividades, fundamentadas com base nas referências do plano de ensino feito pelo
docente; entregue com as demais atividades na data de recebimento da composição da
segunda nota; e deve ser realizado com a mesma equipe das demais atividades.
PARECER JURÍDICO

Á Mário, sito na Rua XXX, Bairro XXX, Nº XXX, Cidade XXX, Estado XXX

DIREITO PENAL. DIREITO PROCESSUAL PENAL. CONDENAÇÃO INDEVIDA. LEI


10.792/2003. INTERROGATÓRIO. SILÊNCIO. SEM PREJUÍZO DA DEFESA. TIPO
PENAL NÃO CARACTERIZADO. ART. 386 VII. CPP. ABSOLVIÇÃO. POSSIBILIDADE.

Trata-se de consulta formulada por XYZ e ZYX acerca de formulação de apelação para
mudança de decisão do Juiz de Direito XYZ contra decisão que condenou o réu a 3 anos de
reclusão.

“É o relatório. Passo a opinar”.

1) Condenação

Insto que, indevidamente foi Mário condenado, considerando que a prova testemunhal não
demonstra concretude para, sozinha, tornar a decisão em desfavor do réu. É sabido que o artigo
386 do Código de Processo Penal, em seu artigo VII, diz:

Art. 386. O juiz absolverá o réu, mencionando a causa na parte dispositiva, desde que
reconheça:

VII - não existir prova suficiente para a condenação. (Incluído pela Lei nº 11.690, de 2008)

Conforme precedente:

“Portanto, considerando que as únicas provas apresentadas neste caso para


demonstrar a autoria da adulteração e a materialidade da corrupção passiva
foram os depoimentos testemunhais de Jairo e Jocélio Martins, os quais tinham
desavenças pessoais com os réus, e que estas podem ter sido parciais, o caso
requer a aplicação do consagrado princípio in dubio pro reo, diante da
insuficiência de provas”. (TJ-RO - APL: 00494230720098220007 RO
0049423-07.2009.822.0007, Relator: Desembargador Walter Waltenberg Silva
Junior, Data de Julgamento: 27/01/2015, 2ª Câmara Especial, Data de
Publicação: Processo publicado no Diário Oficial em 30/01/2015.)

No presente caso as provas foram deveras controvertidas e fragilizadas conforme demonstrada


no seguinte trecho: “Por sua vez, as testemunhas de acusação, ouvidas em seguida, limitaram-
se a dizer que viram o réu e o funcionário público conversando, mas não ouviram o teor do
diálogo.”, ou seja, infundadas do ponto de visto processual, não tendo força, por si mesmas,
para validarem ato de condenação, devendo ser consagrado o princípio in dubio pro reo.

Acerca do direito constitucional de ficar em silêncio, há entendimento no Superior Tribunal de


Justiça a respeito do tema:

“ Insta consignar que a lei nº 10.792 de 10 de dezembro de 2003, modificou substancialmente o


ato processual do interrogatório, passando o mesmo a ser visto também como meio de defesa.
Assim, a partir da edição da lei, todo acusado possui direito ao silêncio, sem que o mesmo
possa ser interpretado em prejuízo da defesa.”

HABEAS CORPUS. IMPETRAÇÃO SUBSTITUTIVA DE RECURSO


ESPECIAL. IMPROPRIEDADE DA VIA ELEITA. ESTUPRO.
CONDENAÇÃO. INTERROGATÓRIO. ART. 186 DO CPP. NULIDADE
RELATIVA. PRECLUSÃO E AUSÊNCIA DE PREJUÍZO. DOSIMETRIA DA
PENA. REFORMATIO IN PEJUS. ILEGALIDADE PATENTE. NÃO
CONHECIMENTO. ORDEM DE OFÍCIO. 1. É imperiosa a necessidade de
racionalização do emprego do habeas corpus, em prestígio ao âmbito de
cognição da garantia constitucional, e, em louvor à lógica do sistema recursal.
In casu, foi impetrada indevidamente a ordem como substitutiva de recurso
especial. 2. Esta Corte já decidiu que a existência de irregularidade na
advertência feita por ocasião do interrogatório, conforme anterior redação do
art. 186 do Código de Processo Penal, é causa de nulidade relativa, cuja
declaração depende de oportuna alegação e de demonstração do prejuízo.
Hipótese em que a matéria não foi suscitada oportunamente e não foi
demonstrado o prejuízo. 3. Se o magistrado fixou a pena-base do paciente e
afirmou expressamente a ausência de atenuantes, agravantes e causas de
aumento e diminuição de pena, não poderia o Tribunal de origem, em recurso
exclusivo da Defesa, fazer incidir causa de aumento. Reformatio in pejus
evidenciada. 4. Writ não conhecido. Ordem concedida de ofício para afastar a
causa de aumento, reduzindo a reprimenda para 7 (sete) anos de reclusão.

(STJ - HC: 189364 PI 2010/0202494-9, Relator: Ministra MARIA THEREZA


DE ASSIS MOURA, Data de Julgamento: 13/08/2013, T6 - SEXTA TURMA)

Porquanto acreditamos que a melhor forma de ser julgado este caso seria realizando a
absolvição pois o silêncio a que lhe importava o direito, não foi respeitado, e usado à revelia,
pelo senhor magistrado, em desfavor do réu, entendimento este descabido desde a Lei 10.792,
conforme demonstramos acima, onde o silêncio não importa anuência ao dolo/culpa, mas sendo
um direito constitucional devido a ele.

Na proa dessa ingerência, conclui-se que não há provas concretas para haver condenação
somente com a mesma de cunho testemunhal, recaindo-as ao artigo 386 do Código de Processo
Penal, absorvendo o réu. No que diz respeito ao direito constitucional ao silêncio, como foi
mencionado anteriormente, é sabido que a Lei 10.792 proporciona este direito sem prejuízo
algum à defesa, tendo-o como direito do réu.

É o parecer.

São Luís –MA, 01/08/2018.


Nome do(a)Advogado(a)
OAB/XX nº XXXXXX.