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Helga Inácio João Cossa

Avaliação da qualidade microbiológica de água de distribuição pública no Distrito


Municipal Kamubukwana.

Licenciatura em Ensino de Agro-pecuária com Habilitações em Extensão Rural

Universidade Pedagógica
Maputo
2017
Helga Inácio João Cossa

Avaliação da qualidade microbiológica de água de distribuição pública no Distrito


Municipal Kamubukwana.

Monografia Científica a ser apresentada ao


Departamento de Ciências Agro-pecuárias da Escola
Superior Técnica da Universidade Pedagógica, Maputo -
sede, para a obtenção do grau académico de Licenciatura
em Ensino de Agro-Pecuária com Habilitação em
Extensão Rural.

Supervisor: Mestre Dionísio Virgílio Roque


DECLARAÇÃO DE HONRA

Universidade Pedagógica
Maputo
2017
ÍNDICE

LISTA DE TABELAS ..................................................................................................................... i


LISTA DE FIGURAS ...................................................................................................................... i
LISTA DE GRÁFICOS ................................................................................................................... i
LISTA DE APÊNDICES ................................................................................................................ ii
LISTA DE ANEXOS ...................................................................................................................... ii
LISTA DE ABREVIATURAS ...................................................................................................... iii
DECLARAÇÃO DE HONRA ....................................................................................................... iv
DEDICATÓRIA ............................................................................................................................. v
AGRADECIMENTOS .................................................................................................................. vi
RESUMO ...................................................................................................................................... vii
1.INTRODUÇÃO ........................................................................................................................... 1
1.1. Problema e justificativa do estudo ........................................................................................... 3
1.2. Objectivos ................................................................................................................................ 5
1.2.1. Objectivo Geral ..................................................................................................................... 5
1.2.2. Objectivos Específicos .......................................................................................................... 5
1.3. Hipóteses .................................................................................................................................. 5
2. REVISÃO DA LITERATURA .................................................................................................. 6
2.1. Importância da água ................................................................................................................. 6
2.2. Qualidade de água .................................................................................................................... 7
2.3. Doenças de transmissão hídrica ............................................................................................... 8
2.4. Parâmetros de Qualidade da água ............................................................................................ 9
2.4.1.Parâmetros Microbiológicos .................................................................................................. 9
2.4.2 Parâmetros físicos ................................................................................................................ 11
2.4.3. Parâmetros Químicos .......................................................................................................... 13
2.5. Tratamento da água na Água da Região de Maputo .............................................................. 14
2.6. Abastecimento da água para consumo humano ..................................................................... 16
2.7. Factores que influenciam a qualidade da água ...................................................................... 17
3. MATERIAIS E MÉTODOS ..................................................................................................... 19
3.1. Caracterização da área de estudo ........................................................................................... 19
3.2. População e actividades económicas ..................................................................................... 19
3.3. Desenho experimental ............................................................................................................ 20
3.4. Procedimentos metodológicos ............................................................................................... 21
3.4.1. Análise laboratorial de água................................................................................................ 22
3.6. Análise de dados .................................................................................................................... 24
4. RESULTADOS......................................................................................................................... 26
4.1. Potenciais contaminantes da água de distribuição pública no Distrito Municipal
Kamubukwana .............................................................................................................................. 26
4.2. Potenciais pontos ou locais de contaminação da água de distribuição pública no distrito
Kamubukwana .............................................................................................................................. 28
4.3. Comparação dos resultados das análises laboratoriais com os parâmetros ideais do padrão de
potabilidade da água ..................................................................................................................... 29
5. DISCUSSÃO DOS RESULTADOS ........................................................................................ 31
5.1. Potenciais contaminantes da água de distribuição pública no distrito municipal
Kamubukwana…………………………………………………………………………………...31
5. 2. Potenciais pontos ou locais de contaminação da água de distribuição pública no distrito
Kamubukwana .............................................................................................................................. 32
5.3. Comparação dos resultados das análises laboratoriais com os parâmetros ideais do padrão de
potabilidade da água ..................................................................................................................... 33
6. CONCLUSÕES ........................................................................................................................ 35
7. RECOMENDAÇÕES ............................................................................................................... 36
8. BIBLIOGRAFIA ...................................................................................................................... 37
9. APÊNDICE .............................................................................................................................. viii
10. ANEXOS ................................................................................................................................. ix
i

LISTA DE TABELAS

Tabela 1: Principais doenças de veiculação hídrica ........................................................................ 8


Tabela 2: Limites máximos aceitáveis dos parâmetros microbiológicos da água ........................ 11
Tabela 3: Parâmetros físicos e seus respectivos limites admissíveis ............................................ 12
Tabela 5: Teste de comparação de médias (Tukey) relativamente a presença ou ausência de
Coliformes Totais .......................................................................................................................... 27
Tabela 6: Parâmetros microbiológicos em UFC/100mL obtidos Rio Umbeluzi, ETA CD
Chamanculo e torneiras caseiras. .................................................................................................. 28
Tabela 7: Comparação entre os resultados laboratoriais (UFC/100 ml) com os parâmetros ideias
do padrão de potabilidade da água. ............................................................................................... 30

LISTA DE FIGURAS

Figura 1: Fluxograma de tratamento (ETA de Umbeluzi) e distribuição pela rede ...................... 15


Figura 2: Etapa de filtração ........................................................................................................... 22
Figura 3: Processo de incubação ................................................................................................... 23

LISTA DE GRÁFICOS

Gráfico 1: Percentual de potenciais contaminantes microbiólógicos obtidos nas águas do Rio,


ETA, CDC e torneiras caseiras. .................................................................................................... 26
Gráfico 2: Potenciais contaminantes microbiológicos da água (UFC/100ml) por ordem
decrescente de presença ................................................................................................................ 27
Gráfico 3: Potenciais pontos de contaminação em ordem decrescente ........................................ 29
ii

LISTA DE APÊNDICES

Apêndice 1: Pontos de recolha das Amostras .............................................................................. viii


Apêndice 2: Recipientes usadas na recolha de amostras ............................................................. viii

LISTA DE ANEXOS

Anexo 1: Mapa de localização do Distrito Municipal Kamubukwana .......................................... ix


Anexo 2: Posição geográfica e identificação dos pontos de colecta das amostras ........................ ix
Anexo 3: Tabela de Esboço de Amostragem .................................................................................. x
Anexo 4: Resultados da ANOVA .................................................................................................. xi
iii

LISTA DE ABREVIATURAS

AdeM Águas da Região de Maputo


ANOVA Análise de variância
C. D Centro de Distribuição
D. P Diploma Ministerial
ETA Estacão de tratamento de água
LNHAA Laboratório nacional de higiene alimentos e água
MISAU Ministério da Saúde
NA Nutriente Agar
NMP Número Mais Potável
OMS Organização Mundial da saúde
PCA Plate Count Agar
SPSS Statistical Package for Social Sciences
UFC Unidade Formadora de Colonia
WHO Wold healt organization
iv

DECLARAÇÃO DE HONRA

Eu, Helga Inácio João Cossa, declaro por minha honra, que o presente trabalho intitulado
“Avaliação da qualidade microbiológica da água de distribuição pública no Distrito Municipal
Kamubukwana” é da minha autoria e que nunca foi apresentado em qualquer outra instituição
para obtenção de nenhum grau académico que não seja para a minha candidatura ao grau de
Licenciatura em Ensino de Agro-pecuária com Habilitação em Extensão Rural.

Maputo, Dezembro de 2017

_________________________________

(Helga Inácio João Cossa)


v

DEDICATÓRIA

Dedico este trabalho a Deus, aos meus pais Inácio João Cossa e Francisca Sabão Domingos, e
meus irmãos, pelo apoio incondicional em todos os momentos, pela paciência, sabedoria,
compreensão, amor, amizade e dedicação. Sempre estiveram ao meu lado ajudando-me a vencer
mais um desafio e por serem sempre meu maior exemplo de vida.
vi

AGRADECIMENTOS

Em primeiro lugar, agradeço a Deus, por sempre me abençoar com saúde e protecção em todos
os momentos de minha vida;

Aos meus pais, Inácio João Cossa e Francisca Sabão Domingos, por todo amor e carinho que
sempre me dedicaram, e por sempre acreditarem em mim;

A Minha gratidão vai também ao meu supervisor, Mestre Dionísio Virgílio Roque pela
orientação plena, pelo estímulo a pesquisa, pelo exemplo de dedicação, persistência e acima de
tudo por ter confiado em mim durante a execução deste trabalho;

Aos meus irmãos Aida Cossa, Sandra Cossa, Lígia Cossa, e Reginaldo Cossa por sempre estarem
do meu lado nos bons e maus momentos;

À direcção das Águas da Região de Maputo e a equipe do laboratório, especialmente aos


técnicos Moisés Sigauque, Moniz Alexandre Júnior, Salvador José pela orientação e
acompanhamento na colecta e processamento das amostras;

Ao Laboratório Nacional de Higiene de Alimentos e Águas (LNHAA) do Ministério da Saúde,


Departamento de microbiologia pela atenção dispensada;

Aos meus amigos: Dalton, Delfina Mangaze, Elísio Maluvane, Florentina Mabote, Isabel, Kátia
Chipembere, Kátia Baloi, Neusa Cuamba, Nilza Muiambo, Sérgio Valoi, Sandra Mangue, Tânia
Remane, Zubaida Sandaca, pelos momentos de alegria e companheirismo e grande amizade
constituída;

Meu agradecimento especial aos Doutores Sérgio Cavadias, Miguel Jorge Luís Dramuce, pelas
suas sábias contribuições, ensinamentos e paciência;
Enfim, agradeço a todos aqueles que, de uma ou de outra forma, contribuíram na elaboração do
meu trabalho.
vii

RESUMO

O problema da qualidade de água, em sistemas de distribuição, é fortemente influenciado por


diversos factores que incluem a intermitência no sistema de abastecimento que gera pressões
negativas na rede, as variações de velocidade de escoamento; os vazamentos; os rompimentos; e
o decaimento do cloro residual. A pesquisa foi realizada no período de Dezembro de 2015 a
Março de 2016, com objectivo de avaliar a qualidade microbiológica da água de distribuição
pública no Distrito Municipal Kamubukwana na cidade de Maputo. Para se alcançar este
objectivo, foram concebidos 4 pontos de colecta de água, no rio Umbeluzi, na ETA-Umbeluzi,
CD de Chamanculo e em 8 dos 14 bairros do Distrito Kamubukwana, nomeadamente Luís
Cabral, Jardim, Inhagoia “B”, Inhagoia “A”, 25 de Junho “A”, 25 de Junho “B”, Bagamoio e,
Jorge Dimitrov. Foram estudados os seguintes parâmetros de relevância para avaliação da
qualidade microbiológica da água: Coliformes totais, Coliformes fecais e E. Coli e foi usado o
método de filtração em membrana para a detenção das bactérias. Após a recolha, processamento
dos respectivos dados em SPSS v. 20 e a consequente diferenciação das médias pelo teste de
Tukey a 5% de probabilidade, foi possível notar a água de consumo apresentava maior
predominância de Coliformes Totais em comparação com bactérias de tipo E. Coli, e os
principais pontos ou locais de contaminação, por ordem decrescente de contaminação são: Rio
Umbeluzi (fonte de captação inicial), Bairro Bagamoio, Bairro 25 de Junho B, Bairro George
Dimitrov, Bairro Inhagoia B, e Bairro Luís Cabral. A água consumida nos bairros Bairro
Bagamoio, Bairro 25 de Junho B, Bairro George Dimitrov, Bairro Inhagoia B, e Bairro Luís
Cabral é imprópria para o consumo humano, com grau de potabilidade baixo em relação ao
exigido pela legislação moçambicana.

Palavras-chave: Qualidade microbiológica da água; Potabilidade da água; Potenciais ponto de


contaminação e contaminantes microbiológicos da água.
1

1. INTRODUÇÃO

A água constitui, actualmente, uma das principais preocupações mundiais no que diz respeito à
manutenção de sua qualidade, despertando atenção do ponto de vista sanitário para o impacto na
saúde pública. Sendo assim, não é apenas suficiente disponibilizar água em quantidade e pressão
adequadas, mas a sua qualidade possui, também, uma grande importância para todos os agentes
envolvidos (RODRIGUES, 2014). Para a organização mundial da saúde (OMS) “todas as pessoas,
em quaisquer estágios de desenvolvimento e condições sócio-económicas tem direito de
suprimento adequado de água potável e segura”, isto é, uma oferta de água que não represente
um risco significativo à saúde, que tenha quantidade e qualidade suficientes para atender as
necessidades domésticas (SCURACCHIO, 2010).

A qualidade mínima da água necessária para o consumo humano é a sua potabilidade, ou seja,
deve ser tratada, limpa e estar livre de qualquer contaminação, seja ele de origem
microbiológico, químico, físico ou radioactivo, não devendo em hipótese alguma oferecer riscos
à saúde humana. Para atender a este padrão, a água de abastecimento público deve apresentar
quantidades limites para diferentes parâmetros físicos-químicos e microbiológicos que são
definidos pelo decreto no 180/2004 do diploma Ministerial (MISAU, 2004).

Devido a relação entre qualidade da água e a ocorrência de doenças, a distribuição de água


segura para consumo humano que atenda aos padrões de potabilidade e que não oferece riscos, é
fundamental para a manutenção da saúde da população. Visando assegurar esse objectivo, os
sistemas de abastecimento de água que são normalmente compostos por unidades de captação,
tratamento, reserva e distribuição devem desempenhar um papel fundamental no suprimento da
água potável. No entanto, a água está sujeita a ameaças desde o seu ponto de captação até o
ponto de consumo, que podem comprometer em diversos graus o alcance desse objectivo. As
ameaças de contaminação podem estar associadas à acção antrópica ou natural na fonte de
captação, pressão negativa na rede de distribuição, vazamentos na tubulações, penetração de
contaminantes, problemas operacionais na estacão de tratamento, ausência ou negligência de
manutenção, variações na velocidade de escoamento e redução do cloro residual a níveis abaixo
do recomendado (RODRIGUES, 2014).
2

A Água da Região de Maputo é uma entidade responsável pelo abastecimento de água potável
que abrange Maputo, Matola e Boane cobrindo cerca de 2.120.000 habitantes e estima-se que
65% destes, beneficiam do fornecimento de água potável. Este sistema compreende a captação
inicial da água no Rio Umbeluzi, a estação de tratamento de água (ETA), as condutas adutoras,
as estações elevatórias e centros distribuidores. Para garantir a potabilidade, a água passa por
várias fases de tratamento sendo a etapa inicial, a pré-oxidação com cloro gasoso,
coagulação/floculação, decantação, filtração com filtros de areia, adição da cal para correcção do
pH e desinfecção com cloro gasoso (AdeM, s/d).

Em 2007, a OMS estimou que em Moçambique, cerca de 26.900 mortes por ano se deviam a
doenças diarreicas relacionadas com a água, e saneamento (UNICEF, 2011). Em Moçambique a
diarreia é uma das importantes causas de morbidade e mortalidade infantil. Ademais, dados do
MICS (2008), indicam que a prevalência de doenças diarreicas em crianças menores de 5 anos é
de 18%, da qual a cidade de Maputo contribui com 17%. Esta estimativa é apoiada pelo estudo
nacional sobre mortalidade infantil conduzido pela Unicef, segundo o qual as doenças
gastrointestinais infecciosas contribuem com quase 7% do número de óbitos (UNICEF. 2011).

Actualmente sabe-se da importância de tratamento de água destinada ao consumo humano, pois,


é capaz de veicular bactérias causadores de doenças hídricas, principalmente as de origem fecal,
os coliformes totais como por exemplo, a Klebsiella, Serratia, Erwenia, Enterobacteria e
Escherichia. Essas doenças de veiculação hídrica, principalmente em indivíduos com baixa
resistência como os idosos e crianças, reflectem muitas vezes, as precárias condições de
saneamento e /ou higiene a que são expostos. Assim, segundo a Organização Mundial da Saúde,
fazer análises para posterior tratamento da água torna-se indispensável, pois, a água tratada é a
melhor forma de reduzir a morbi-mortalidade relacionada ao consumo de água contaminada,
(SCURACCHIO, 2010).
3

1.1. Problema e justificativa do estudo

A potabilidade da água e o saneamento básico do meio são parâmetros de saúde cujas limitações
na sua aplicação, expõem a população a riscos de doenças diarreicas incluindo a cólera e mortes
com consideráveis perdas económicas (FRANCA, 2008). A situação do saneamento básico em
Moçambique é no geral precária. O consumo de água imprópria, aliado ao baixo acesso ao
abastecimento de água, e níveis baixos de saneamento aumentam a transmissão de doenças de
veiculação hídrica. O acesso a água potável tem melhorado em Moçambique ao longo dos
últimos anos, mas duma forma muito lenta e desigual. No global, o acesso a fontes seguras de
água para o consumo humano aumentou de 36% em 1990 para 47% em 2010, o que representa
um crescimento de 23% em 20 anos (WHO, 2014).

Em Moçambique foram registados 771.952 casos de diarreias e 450 óbitos no período de 2015,
contra 702.585 casos e 374 óbitos no mesmo período de 2014, representando um aumento em
cerca de 78.066 casos e 140 óbitos. Na cidade de Maputo em 2015, foram registados 45.345
casos de diarreia e 38 de óbitos, contra 41.295 casos de diarreia e 26 de óbitos no período de
2014, portanto houve um aumento de 4.050 casos de diarreia e 12 de óbitos devido ao consumo
de água de qualidade imprópria (MISAU, s/d).

O tratamento da água na ETA de Umbeluzi compreende a captação propriamente dita; a


dragagem; a pré-cloração; a coagulação e floculação; a decantação, a filtração; a pós-cloração; o
armazenamento e a elevação. Após estas etapas a água é distribuída através de tubulações até ao
consumidor final (AdeM, s/d). Embora a água flua desde a estação de tratamento com uma boa
potabilidade, pode ser eventualmente contaminada nas tubulações quando há rompimentos ou
infiltrações, nos tanques dos reservatórios antes da chegada ao domicílio por qualquer razão,
assim como nas torneiras ao nível do domicílio (PEREIRA, 2012).

No sistema de distribuição de água potável levada a cabo pela Água da Região de Maputo pode
ocorrer uma série de mudanças, causadas por variações químicas, biológicas ou por integridade
física do sistema fazendo com que a qualidade da água que jorra na torneira do domicílio seja
diferente da que deixa a ETA de Umbeluzi. Com base no fluxograma de tratamento da água
4

praticado na ETA de Umbeluzi até ao consumidor final, são presumíveis três pontos focais de
potencial contaminação de água nomeadamente, na ETA de Umbeluzi depois do tratamento, no
reservatório do Distrito Municipal Kamubukwana e nas torneiras ao nível domiciliário
alimentadas pelo reservatório municipal. Assim, torna-se essencial analisar a qualidade da água
nesses potenciais pontos de contaminação incluindo na fonte inicial (Rio Umbeluzi) na medida
em que segundo BUCKER (2013), podem ocorrer falhas na eliminação dos agentes patogénicos
na ETA, falhas no sistema de controlo no reservatório municipal que pode conduzir ao acúmulo
de resíduos e microrganismos patogénicos, rupturas nas canalizações que levam água ao
domicílio ou falta de saneamento ao nível das torneiras caseiras.

Deste modo, o presente estudo propõe-se a avaliar a qualidade microbiológica da água de


abastecimento público desde a sua captação inicial no Rio Umbeluzi até ao consumidor final,
torneiras ao nível domiciliário nos bairros do distrito Municipal Kamubukwana nomeadamente,
Luís Cabral, Jardim, Inhagoia A e B, 25 de Junho A e B, Bagamoio e Jorge Dimitrov. Os
resultados deste trabalho podem permitir a identificação de potenciais pontos de contaminação
de água fornecida pela AdeM e elaboração de recomendações tecnicamente credíveis tanto para
a entidade responsável pelo fornecimento da água assim como para o consumidor final.
5

1.2. Objectivos

1.2.1. Objectivo Geral

 Avaliar a qualidade microbiológica da água de distribuição pública no Distrito Municipal


Kamubukwana.

1.2.2. Objectivos Específicos

 Identificar os potenciais contaminantes presentes na água de distribuição pública no


distrito Municipal Kamubukwana;
 Identificar os potenciais pontos ou locais de contaminação da água de distribuição
pública desde a sua captação até o consumidor final no Distrito Municipal kamubukwana;
 Comparar os resultados das análises laboratoriais da água de distribuição pública no
Distrito Municipal kamubukwana com os parâmetros ideias do padrão de potabilidade da
água.

1.3. Hipóteses

H1: Existem contaminantes substanciais na água destinada ao consumo público no Distrito


Municipal Kamubukwana;

H2: Os potenciais locais de contaminação de água de abastecimento público no Distrito


Municipal Kamubukwana, localizam-se ao longo da rede de distribuição da água, principalmente
no consumidor final (no domicílio);

H3: Os parâmetros de potabilidade da água de distribuição pública consumida pelas populações


no Distrito Municipal Kamubukwana não correspondem ao padrão de potabilidade ideal de água
exigido para consumo humano.
6

2. REVISÃO DA LITERATURA

2.1. Importância da água

Segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), a água é a seiva do planeta, é condição
essencial de vida de todo vegetal, animal ou ser humano, a sua utilização implica respeito à lei,
sendo que o equilíbrio e o futuro do planeta dependem da preservação da água e de seu ciclo,
sendo importante que a água se manipule com racionalidade e precaução (FRANÇA, 2008).

A água é uma substância de fundamental importância para todos seres vivos, pois a sua presença
é vital para o funcionamento das actividades celulares e orgânicas, além de corresponder a 2/3 da
massa corporal humana. Ela importante para a sobrevivência do homem, visto que o corpo
humano é constituído por 80% de água, sendo responsável pelo transporte de nutrientes e
substâncias para dentro e fora das células, além de controlar a temperatura corporal e eliminar
substratos tóxicos advindos do metabolismo energético (FRANÇA, 2008). Para cumprir as
normas de higiene e potabilidade exigidas, a água deve apresentar boa qualidade, ser tratada a
partir da sua captação e conduzida ao consumidor através de boa rede de distribuição
(VASCONCELOS & AQUINO, 1995).

A água apresenta uma importância sanitária e económica. Do ponto de vista sanitário, o


abastecimento de água visa controlar e prevenir doenças, implantar hábitos higiénicos na
população, facilitar a limpeza pública e propiciar conforto e bem-estar. A água potável e
saneamento do meio, são instrumentos de saúde e, limitações na aplicação de conceitos e normas
que reduzem os riscos sanitários associados ao abastecimento de água contaminada com agentes
de natureza microbiológica ou química, expõem a população a riscos de doenças com
consideráveis perdas económicas. É necessário, por um lado, criar-se condições de segurança por
parte das entidades gestoras de modo a que a qualidade de água que passa pelo hidrômetro, seja a
mesma que chega na torneira do consumidor. Por outro lado, o consumidor final, deve garantir
que a qualidade de água que chega à sua torneira, não fique inquinada durante o percurso na
tubagem local ou tanques de reservas domiciliários (CAMILOTTI & GONÇALVES, 2003).
7

O risco de falta de controlo adequado da água para o consumo domiciliário e uso industrial ou
qualquer outro uso, torna-se um grande risco sobretudo em casos de indústria alimentar, onde há
uma cadeia de beneficiação dos alimentos porque incorre-se ao problema de toxi-infecções
alimentares. A preservação da qualidade das águas é uma necessidade universal que exige séria
atenção por parte das autoridades sanitárias, pois cerca de 30% dos casos de intoxicação
alimentar em alimentos industrializados são causados pela má qualidade da água usada tanto
para a lavagem, processamento e outras etapas fabris (GUEDES et al., 2004).

2.2. Qualidade da água para o consumo humano

O Diploma Ministerial n°180/2004, define qualidade de água para o consumo humano como
característica dada pelo conjunto de valores de parâmetros microbiológicos, organolépticas e
físico-químicos fixados que permitem avaliar se a água é potável ou não (MISAU, 2004).

Os principais riscos de consumo de água nos países em desenvolvimento estão associados a


contaminações microbiológicas. Cerca de 24 doenças infecciosas existentes estão relacionadas
com a qualidade da água. Estas doenças estão, predominantemente, relacionadas com a
contaminação fecal das águas. A utilização das águas contaminadas, tanto para abeberamento
como cozinha, ou a simples ingestão durante o banho das crianças, ou a sua inalação sob a forma
de aerossóis, pode resultar numa infecção (GADGIL, 1998 & PETER-VARBANETSA, 2009).

A água antes de ser distribuída, deve passar por processos de tratamento, responsável pela
eliminação de microorganismos patogénicos. O sistema de tratamento do tipo convencional, em
condições normais, permite a remoção de até 99% dos microorganismos provenientes do
manancial (GELDREICH, 1974). Porém, o tratamento em si só não garante a ausência total de
microorganismos patogénicos, pois ao longo do sistema a qualidade da água pode sofrer
deterioração o que exige a implantação de programas de monitoramento contínuo (HELLER &
PÁDUA, 2006).

A ausência de sistemas de abastecimento de água potável é responsável por 80% das mortes nos
países em desenvolvimento. Seis mil (6.000) crianças com menos de cinco anos de idade,
8

morrem por dia, devido a doenças relacionadas com a baixa qualidade da água. A água destinada
para o consumo humano não deve conter microorganismos patogénicos e deve estar livre de
bactérias indicadoras de contaminação fecal. Os indicadores de contaminação fecal
tradicionalmente aceites, pertencem a um grupo de bactérias denominadas coliformes. A
principal representante deste grupo é a Escherichia coli. A água potável deve ter zero
contaminações com bactérias de género Escherichia por se tratar de um género responsável pela
maior parte das doenças de veiculação hídrica (OLIVEIRA, 2008)

2.3. Doenças de transmissão hídrica

As doenças de veiculação hídrica são aquelas causadas pela ingestão de microorganismos de


origem entérica humana, animal de modo que quando excretados nas fezes de indivíduos
infectados e ingeridos por indivíduos sãos na forma de água e alimento contaminado por água
poluída com fezes, são susceptíveis de contaminação. De entre as inúmeras doenças transmitidas
pela água, destacam-se a cólera, a gastroenterite, etc. Estas ocorrem quando não existe nenhum
sistema de saneamento, considerando que o saneamento básico é essencial para o consumo de
água potável e manutenção de um bom estado de saúde (AMARAL et al., 2006). Grande parte
das doenças de veiculação hídrica pode ser evitada com a implantação de sistemas de
abastecimento de água bem operados (HELLER & PÁDUA, 2006).
A prevalência de doenças de veiculação hídrica indica a deficiência nos sistemas públicos de
saneamento, especialmente no que se refere a qualidade da água distribuída (DANIEL, 2001). Na
Tabela 1, são apresentadas algumas doenças mais comuns, bem como seus agentes etiológicos.

Tabela 1: Principais doenças de veiculação hídrica


Doença Agente etiológico Sintomas Fonte de contaminação
Salmonela typhi e
Febre tiróide e paratireóide Salmonela Febre elevada e diarreia Fezes humanas
paratyphi a e b
Cólera Vibrio cholerae Diarreia e desidratação Fezes humanas
Gastroenterite Escherichia Coli Diarreia Fezes humanas
Fonte: DANIEL (2011)
9

2.4. Parâmetros de Qualidade da água

A água contém, geralmente, diversos componentes, os quais provêm do próprio ambiente natural
ou foram introduzidos a partir de actividades humanas. Para caracterizar uma água, são
determinados diversos parâmetros os quais representam as suas características físicas e
organoléptico (cheiro, pH, turbidez, sólidos, condutividade, sabor e odor, cor), químicas (cloro
residual livre, flúor, nitrato, etc.), e microbiológicos tais como: coliformes totais, fecais e vibrio
cholerae (MISAU, 2004).
Esses parâmetros são indicadores da qualidade de água e constituem impurezas quando alcaçam
valores superiores aos estabelecidos para determinado uso (MISAU, 2004). Os principais
indicadores de qualidade da água são discutidos a seguir separados sob aspectos físicos,
químicos e micobiologicos.

2.4.1. Parâmetros Microbiológicos

Os parâmetros microbiológicos da água de consumo público, são determinados pelos coliformes


totais e coliformes fecais.

 Bactéria do grupo coliforme

O grupo coliforme é dividido em coliformes totais e coliformes termotolerantes ou fecais


(MACEDO, 2001). Os coliformes totais e termotolerantes são indicadores de contaminação mais
usados para monitorar a qualidade sanitária da água. As análises microbiológicas irão apontar a
presença ou não de coliformes totais e fecais, que podem ser ou não patogénicos. O grupo
coliforme é formado por um número de bactérias que inclui os géneros Klebsiella, Serratia,
Erwenia, Enterobacteria e Escherichia, sendo esta última a principal representante desse grupo.
A determinação da concentração dos coliformes assume importância como parâmento indicador
da possibilidade da existência de microorganismos patogénicos, responsáveis pela transmissão
de doenças de veiculação hídrica, tais como febre tiróide, febre paratireóide, disenteria bacilar e
cólera (GUERRA, et al., 2006).
10

Geralmente, na determinação de coliformes, realiza-se a diferenciação entre os de origem fecal e


não fecal. Os coliformes não fecais como serratia e aeromonas, são encontradas no solo e
vegetais, possuindo a capacidade de se multiplicar facilmente na água. No entanto, os coliformes
de origem fecal, não se multiplicam facilmente no ambiente externo e são capazes de sobreviver
de modo semelhante às bactérias patogénicas (ZULPO et al., 2006).

 Coliformes totais

Define-se coliformes totais como bastonetes Gram-negativos, não esporogénicos, aerossóis


facultativos, capazes de fermentar a lactose com produção de gás, em 24 a 48 horas à
temperatura de 35oC e podem apresentar actividades da enzima ß-galactosidade. O grupo inclui
cerca de 20 espécies, dentre as quais encontram-se tanto bactérias originárias do trato
gastrointestinal de humanos e outros animais homeotérmicos, como também diversos géneros e
espécie de bactérias não entéricas. A detecção de coliformes totais em amostras de águas não é
necessariamente um indicativo de contaminação fecal ou a ocorrência de enteropatógeno. A
presença de coliformes totais em recursos hídricos deve ser interpretada de acordo com o tipo de
água. Naquela que sofreu desinfecção, os coliformes totais devem estar ausentes (SILVA et al.,
2005).

 Coliformes termotolerantes ou fecais

Os coliformes termotolerantes ou fecais, são capazes de fermentar lactose a 44 – 45oC (±0,2) em


24 horas e produz indol a partir do triptofano, oxidase negativa, não hidrolisa a ureia e apresenta
actividade das enzimas β-galactosidase e β-glucoronidase). Actualmente, sabe-se que o grupo
dos coliformes fecais inclui pelo menos três géneros, escherichia, enterobacter e klebsiella, dos
quais dois géneros, enterobacter e klebsiella, incluem cepas de origem não fecal (SILVA et al.,
2005 & GUERRA et al., 2006).

Por isso a presença de coliformes termotolerantes em água e alimentos é menos representativa


como contaminação fecal do que a enumeração directa de E.coli, porém, muito mais significativa
do que a presença de coliformes totais, dada a alta incidência de E.coli, dentro do grupo fecal
11

(SILVA et al., 2014). A Escherichia coli é o microorganismo mais estudado em todo mundo,
considerado o principal representante do grupo. A ocorrência de E.coli é considerada um
indicador específico e contaminação fecal e a possível presença de patógenos entéricos. A
presença de coliformes termotolerantes é o melhor indicador de que existe risco à saúde do
consumidor (SILVA et al., 2005 & GUERRA et al., 2006).
A tabela 2 apresenta os parâmetros e seus respectivos limites máximos aceitáveis dos indicadores
biológicos da qualidade da água.

Tabela 2: Limites máximos aceitáveis dos parâmetros microbiológicos da água


Parâmetros Limite máximo admissível Unidades
Água destinada ao consumo humano sem tratamento
Coliformes totais - NMP*/100ml
no. de colónias/ 100ml
Coliformes fecais 0-10 NMP*/100ml
no.de colónias/ 100ml
Água para consumo humano
Coliformes totais e coliformes Ausente NMP*/100ml
fecais no. de colónias/ 100ml
Água na saída do tratamento
Coliformes totais e coliformes Ausentes NMP*/100ml
fecais no. de colónias/ 100ml
Água tratada no sistema de distribuição (reservatório e rede)
Coliformes totais e coliformes Ausente NMP*/100ml
fecais no. de colónias/ 100ml
Fonte: MISAU (2004) (NMP)* - Número Mais Provável

2.4.2 Parâmetros físicos

Segundo SCURACCHIO (2010) os parâmetros físicos estão relacionados com a presença de


sólidos e gases na água e dentre os principais destacam-se:
12

Sólidos: são todas as impurezas presentes na água, com excepção dos gases dissolvidos. De
acordo com o tamanho das partículas os sólidos podem ser classificados em suspensos e
dissolvidos. Os sólidos suspensos são constituídos principalmente de matéria orgânica e
sedimentos de erosão e compõem a fracção das partículas que fica retida após a passagem de
uma amostra de volume conhecido por uma membrana filtrante com poro igual a 1,2 µm. Os
sólidos dissolvidos representam a fracção da amostra que passa pela membrana de 1,2 µm.

Temperatura: Temperaturas elevadas (acima de 30º C), têm como consequência o aumento das
taxas das reacções físicas, químicas e biológicas além da diminuição de solubilidade dos gases
como o oxigénio dissolvido.

Condutividade: é definida como a capacidade da água de transmitir corrente eléctrica. Os


sólidos dissolvidos são os constituintes responsáveis pela condutividade que pode ser utilizada
como medida indirecta da presença de sais.

Cor: A cor pode ser classificada em aparente e verdadeira. No valor da cor aparente pode estar
presente a parcela causada pela turbidez e quando esta é removida, tem-se a cor verdadeira. A
água destinada ao consumo humano deve ser incolor.

Turbidez: representa o grau de alteração à passagem da luz através da água. Os sólidos


suspensos são os principais responsáveis pela turbidez causando difusão e a absorção da luz.
Valores elevados podem reduzir a acção do cloro em processos de desinfecção e servir de abrigo
para microorganismos.
A tabela 3, apresenta os principais parâmetros físicos da água e seus limites aceitáveis
Tabela 3: Parâmetros físicos e seus respectivos limites admissíveis
Parâmetro Limite máximo Unidades Risco para a saúde pública
admissível
Cor 15 TCU Aparência
Condutividade 50 - 2000 μhmo/cm -
Sólidos totais 1000 mg/l Sabor e corrosão
Turbidez 5 NTU Aparência e dificulta a desinfecção
Fonte: MISAU (2004)
13

2.4.3. Parâmetros Químicos

Segundo SCURACCHIO (2010) Os parâmetros químicos são aqueles que indicam a presença de
alguns elementos ou compostos químicos. Entre os principais estão:

pH: representa a concentração de iões hidrogénio H+ (em escala antilogarítmica). Ovalor do pH


indica a condição de acidez ou alcalinidade da água. Valores baixos de pH (pH <7) indicam
potencial corrosividade e agressividade da água, o que pode levar à deterioração das tubulações e
peças por onde essa água passa. Valores elevados de pH (pH> 7) podem levar ao surgimento de
incrustações em tubulações. Os valores máximos de pH estão entre 6.5 a 8.5.

Dureza: representa a concentração de catiões multimetálicos em solução (Ca2+ e o Mg2+). Os


constituintes responsáveis são os sólidos dissolvidos originários da dissolução de minerais
contendo cálcio e magnésio. A principal consequência das águas duras é a redução na formação
de espumas e o surgimento de incrustações nas tubulações de água quente.

Cloretos: são componentes resultantes da dissolução de sais. Os constituintes responsáveis estão


na forma de sólidos dissolvidos. Em determinadas concentrações, pode conferir sabor salgado à
água. O limite máximo de cloretos é de 250 mg/l. Acima deste valor a água toma um sabor
desagradável e corrosivo.

Ferro e Manganês: têm origem natural na dissolução de componentes do solo. Quando estão em
suas formas insolúveis (Fe3+ e Mn4+) podem causar cor na água e acarretar manchas durante a
lavagem de roupas e em utensílios sanitários, conferem sabor metálico a água; a água ferruginosa
favorem o desenvolvimento das ferrobacterias, que causam maus odores e coloração a água e
obstruem as canalizacoes. Os constituintes responsáveis são os sólidos dissolvidos. Os limites de
ferro e manganês são 0,3 mg/l e 0,1 mg/l respectivamente.

Fósforo: presente na água sob a forma de sólidos em suspensão e sólidos dissolvidos. É


encontrado sob as formas de ortofosfato (forma mais simples, directamente disponível),
polifosfato (forma mais complexa) e fósforo orgânico. Pode ser originário de compostos
14

biológicos, células e excrementos de animais. O limite máximo é de 0,1mg/l, acima deste há


risco de proliferação dos microorganismos na água.

Nitrogénio: está presente na forma de sólidos em suspensão e sólidos dissolvidos. Na água pode
estar sob as seguintes formas: nitrogénio molecular (N2), nitrogénio orgânico (dissolvido ou em
suspensão), amónia (livre NH3 e ionizada NH4+), nitrito (NO2-) e nitrato (NO3-). O limite
máximo de tolerância em nitritos e nitratos é de 3,0 mg/l e 50 mg/l, respectivamente.

Sulfatos: os constituintes responsáveis por este parâmetro estão na forma de sólidos dissolvidos.
O ião sulfato pode ser um indicador de poluição de uma das fases da decomposição da matéria
orgânica e dependendo da concentração, pode produzir efeitos laxativos. O limite máximo
admissível é de 250 mg/l.

Matéria Orgânica: a matéria orgânica pode ter origem natural ou antropogénica e é mensurada
através do consumo de oxigénio dissolvido na água. A matéria carbonácea (com base no carbono
orgânico) divide-se em fracção não biodegradável (em suspensão e dissolvida) e fracção
biodegradável (em suspensão e dissolvida). E o limite admissível é de 2,5 mg/l, porque acima
deste nível, aumenta a proliferação dos microorganismos.

2.5. Tratamento da água na Água da Região de Maputo

O sistema de abastecimento de água da AdeM na essência técnica, é constituída por uma estacão
de tratamento (ETA), um sistema de transporte, um sistema de armazenamento e um sistema de
distribuição. A ETA é composta por um sistema de bombagem de água bruta que alimenta as
instalações de tratamento, um conjunto de tratamento e um sistema de bombagem de água
tratada para os diversos centros distribuidores (AdeM, s/d).

O processo de tratamento da água na AdeM, inclui a pré-oxidação com cloro gasoso, mistura
rápida com sulfato de alumínio e polielectrólito para coagulação/floculação (apenas em épocas
de altas turvações); decantação; filtração com filtros de areia, adição da cal para correcção do
pH; desinfecção com cloro gasoso (Figura 1).
15

Figura 1: Fluxograma de tratamento (ETA de Umbeluzi) e distribuição pela rede

Fonte: Adaptado de AdeM (s/d)

De cordo com MARTINS (2014), de forma a se compreender melhor como funcionam os sistemas
de tratamento de água para consumo humano, far-se-á seguidamente e de modo sucinto uma breve
explicação sobre as diferentes etapas do processamento da água.

 Pré – oxidação
Esta operação utiliza-se sobretudo quando a água é de origem superficial. O objectivo é efectuar
uma desinfecção primária, oxidar a matéria orgânica, remover compostos de cor, sabor, cheiro e
poderá também ajudar na remoção do ferro e manganês. Os agentes oxidantes mais utilizados
são cloro e dióxido de cloro.

 Coagulação e floculação

Consiste na reacção química entre o sulfato de alumínio e alcalinidade da água, seguida de


atracção electrostática entre os coágulos, carregados positivamente e partículas coloidais
16

carregados negativamente resultando assim na chamada floculação. A floculação tem como


objectivo, a agregação da matéria em suspensão, remoção da cor e outras substâncias por forma a
facilitar a clarificação da água bruta.

 Floculação e sedimentação

Basicamente estes dois processos ocorrem nos decantadores. A sedimentação consiste na queda
dos flóculos de maior densidade que a água, permitindo assim a clarificação preliminar da água.
Uma vez que nem todos flóculos têm densidade suficiente para se sedimentarem, a água passa
para o processo seguinte para uma efectiva clarificação. Na ETA do Umbeluzi, a remoção sob
forma de lamas é feita automaticamente.

 Filtração

O sistema de filtração usada na ETA de Umbeluzi é a filtração rápida com leito de areia. Ela
consiste em fazer passar a água decantada por um filtro de um leito poroso de areia com a
granulometria seleccionada para o efeito. A essência deste processo é remover os flóculos
remanescentes do efluente da decantação. A filtração também remove algumas bactérias e algas.

 Neutralização

Consiste na correcção do estado calco carbónico da água, de forma a evitar que ela seja
corrosiva, portanto para efeitos de protecção das canalizações tanto do sistema de transporte
como da distribuição. Este processo desenrola-se usando água e cal.

2.6. Abastecimento da água para consumo humano

O Sistema de Abastecimento de Água representa o "conjunto de obras, equipamentos e serviços


destinados ao abastecimento de água potável a uma comunidade para fins de consumo
doméstico, serviços públicos, consumo industrial e outros usos". O diploma Ministerial
n.o180/2004 de 15 de Setembro de 2004 no seu artigo.1, define sistema de abastecimento de água
17

para o consumo humano como “ todos os componentes do processo de captação, tratamento e de


distribuição água destinada ao consumo humano” (MISAU, 2004).

Mas, o que é mostrado na publicação da WHO/UNICEF (2010) é que, apesar de haver um


avanço na melhoria das fontes de água para consumo mundialmente, com um aumento de 10%
em 18 anos, alcançando cerca de 87% da população mundial e 84% da população de regiões em
desenvolvimento, tendo acesso a fontes de água para consumo, ainda existem 884 milhões de
pessoas no mundo sem acesso à água. Quase todas residem em regiões em desenvolvimento
(RODRIGUES, 2014).

As redes de abastecimento devem ser dotadas de equipamentos de monitoramento contínuo de


qualidade da água. O ideal seria que toda a rede fosse monitorada para promover a máxima
protecção da saúde pública. Porém, por razões de economia, admite-se que o monitoramento
possa ser realizado com um número reduzido de equipamento localizados em pontos estratégicos
da rede tais como, a estacão de tratamento e centro de distribuição, de forma a auxiliar na
detecção de contaminantes, na identificação das suas fontes e consequente redução de riscos a
população (DIAS, 2006).

Os sistemas de distribuição de água são importantes quanto os recursos hídricos e as estacões de


tratamento no sentido de garantir o fornecimento seguro de água potável. Sua importância está
no facto deste representar barreira sanitária contra a deterioração da qualidade da água, no
entanto, se a integridade deste sistema não for mantida, pode haver um comprometimento da
qualidade da água, em qualquer uma das suas etapas ou mesmo em alguns dos seus
componentes, fazendo com que a qualidade da água da torneira do usuário se diferencie da
qualidade da água que deixa a estação de tratamento (RODRIGUES, 2014).

2.7. Factores que influenciam a qualidade da água

Diversos factores influenciam a qualidade da água em todo seu trajecto, desde a sua captação,
passando pelo sistema adutor, estacão de tratamento, e rede de distribuição. Dentre eles,
identificam-se os factores biológicos, químicos e físicos (GOMES, 2014).
18

Inúmeras são as impurezas que se encontram nas águas naturais, várias delas inócuas, pouco
desejáveis e algumas extremamente perigosas. No caso das águas em fontes abertas (rios - fonte
primária), diversos factores podem comprometer sua qualidade, o destino final do esgoto
doméstico e industrial em fossas e tanques sépticos, a disposição inadequada de resíduos sólidos
urbanos e industriais, postos de combustíveis, criação de animais, lavagem de máquinas usadas
na agricultura, representam fontes de contaminação por bactérias e vírus patogénicos, parasitas,
substâncias orgânicas e inorgânicas nocivas ao homem (SILVA & ARAUJO, 2003).

A ausência de manutenção das unidades do sistema de abastecimento ou a execução errada dos


procedimentos, pode levar a contaminação da água. Durante instalações ou reparos no sistema
pode ocorrer a introdução de solos. Os vazamentos provocam a contaminação, quando ocorre
pressão negativa responsável pela introdução de contaminantes para dentro da tubulação
(GOMES, 2014).

A água que sai da estação de tratamento pode chegar ao domicílio com algum material
contaminante dissolvido nela. Dentre o material dissolvido encontram-se as mais variadas
substâncias como, por exemplo, substâncias calcárias e magnesianas que tornam a água dura;
substâncias ferruginosas que dão cor e sabor diferentes à mesma, resultante das actividades
humanas, tais como produtos industriais, que a tornam imprópria ao consumo. Por sua vez, a
água pode carregar substâncias em suspensão, tais como partículas finas dos terrenos por onde
passa e que dão turbidez à mesma; pode também carregar substâncias animadas, como algas, que
modificam seu sabor, ou ainda, quando passam sobre terrenos sujeitos à actividade humana,
podem levar em suspensão microorganismos patogénicos (PASSADOR & FREITAS, 2001).

Para a garantia da qualidade da água tratada não basta a mera existência de estacão de tratamento
de água (ETA), mas também, principalmente de um mínimo de controlo operacional de todos
processos unitários de tratamento (PIEREZAN, 2009); e também de uma avaliação integrada da
sua qualidade ao longo do abastecimento, da fonte primária de captação ao consumidor.
19

3. MATERIAIS E MÉTODOS

3.1. Caracterização da área de estudo

O estudo foi realizado na Cidade de Maputo, concretamente no Distrito Municipal


Kamubukwana. O Distrito é limitado a norte pelo Distrito de Marracuene, a sul pela Baía de
Maputo, a este pelos Distritos Nhlamankulo, Kamaxakeni, Kamavota, e a oeste pelo vale do
Infulene (Anexo 1). O distrito Kamubukwana compreende catorze (14) bairros nomeadamente,
Luís Cabral, Jardim, Inhagoia “B”, Inhagoia “A”, Nsalene, 25 de Junho “A”, 25 de Junho “B”,
Bagamoyo, Jorge Dimitrov, Mahlazine, Magoanine “A”, Magoanine “B”, Magoanine “C” e
Zimpeto. Possui uma superfície de 52 km2, uma extensão verde de 913,8has e uma densidade
populacional de 293.998 pessoas (INE, 2007).

3.2. População e actividades económicas

O Distrito Municipal conta com um mercado grossista, 12 mercados formais, 10 mercados


informais, 26 empresas, 9 complexos turísticos, 5 bancos, 43 lojas, 7 restaurantes, 3 terminais de
transportes públicos, 7 terminais de transportes semi - colectivos de passageiros, 8 bombas de
combustível e 2.893 camponeses (MAE, 2005).

A maior parte dos centros comerciais (mercados) que o distrito possui, tal é o caso de Benfica
(Jorge Dimitrov), Choupal (25 de Junho ”A”), Malhazine e outros deparam-se com a grande
problemática de saneamento do meio. Barracas com produtos comerciais bem ao lado de um
canal de água de uma tubagem rompida, ou de um canal de esgoto, são frequentemente
encotrados. Estes problemas são mais notáveis no tempo chuvoso, onde as águas das chuvas e
das tubagens furadas misturam-se por vezes com a dos esgotos colocando em perigo a saúde
pública dos vendedores e dos frequentadores dos referidos centros comerciais (UNICEF, 2000).

No distrito municipal Kamubukwana, a agro-pecuária é a actividade produtiva básica da


população, onde se tem aproveitado a cintura verde no Vale do Infulene, para a produção de
hortícolas e criação de frangos (SITOE, 2008). O distrito possui uma extensão da cintura verde
20

de 913,8 hectares e vai desde Luís Cabral até bairro de Zimpeto, distribuída pelos sectores
familiares dispersos, familiar associativo, cooperativo e privado (CHICAMISSE, 2005).

3.3. Desenho experimental

Dado que o objectivo do estudo é de avaliar a qualidade microbiológica da água de distribuição


pública no Distrito Municipal Kamubukwana, foram definidos quatro pontos cruciais de colecta
de amostras de água nomeadamente, na fonte de captação inicial (Rio Umbeluzi), nas Cisternas
de Armazenamento de Água após o tratamento na ETA de Umbeluzi, no Campo de Distribuição
de Chamanculo (CD do Chamanculo) e nas torneiras das casas de 8 bairros do Distrito
Kamubukwana nomeadamente, George Dimitrov, Bagamoio, 25 de Junho A e B, Inhagoia A e
B, Jardim e Luís Cabral (Apêndice 1).

A definição desses pontos de recolha de amostras baseou-se no facto de, segundo o fluxograma
de tratamento de água na ETA de Umbeluzi e sua distribuição até à rede, serem potencialmente
críticos de ponto de vista de contaminação assim como permitirem a identificação do intervalo
do percurso onde possa eventualmente registar-se uma potencial contaminação ao longo do fluxo
da água (BUCKER, 2013). Este desenho ajuda na identificação do possível percurso
problemática e permitir eventuais medidas correctivas no fluxograma do processamento
praticado pelas águas da região de Maputo.

A escolha dos 8 bairros baseou-se em dois pressupostos nomeadamente, o interesse em pesquisar


a potabilidade da água nos bairros do Distrito Municipal Kamubukwana e que dependem quase
exclusivamente do suprimento hídrico da AdeM. Foram efectuadas duas repetições e em cada
uma delas, realizou-se um esforço amostral de 19 colectas totalizando 38 amostras em todo o
estudo (Tabela 4). Para a colecta de amostras nas torneiras caseiras, foram seleccionadas duas
casas através de um mapeamento prévio, que consistiu no questionamento aos donos de casa se
usavam água da AdeM, se tinham algum reservatório de água em suas casas e que horas a água
jorrava sem restrições.
21

Para o presente estudo foram escolhidos como parâmetros de relevância para avaliação da
qualidade microbiológica da água os seguintes, coliformes totais, coliformes fecais e eschericia
coli uma vez que segundo RUOCCO (2010) a presença destas bactérias na água pode indicar
existência de falhas no processo ou no sistema de distribuição. Todas as amostras foram
processadas pelo método de membrana filtrante (LNHAA, 1997).

Tabela 4: Esboço amostral de pontos de recolha e números de amostras

Número de amostras
Pontos de recolha a a Total
1 fase 2 fase
Rio Umbeluzi 1 1 2
Cisterna de armazenamento na ETA 1 1 2
Campo de distribuição de Chamanculo 1 1 2
Torneiras caseiras/casas 16 16 32
Total 19 19 38

Fonte: Adaptado pela Autora

3.4. Procedimentos metodológicos


As amostras foram colectadas em frascos de vidro de 250ml, 500ml, e 1000ml, cedidos pelo
laboratório Nacional de Higiene Água e Alimentos (LNHAA) onde foram posteriormente
analisadas em laboratório. Antes de efectuar-se a colecta nas torneiras caseiras deixou-se a água
escoar em pressão máxima por 2 a 4 minutos ou tempo suficiente para eliminar as impurezas que
se acumulam no orifício final da torneira (por onde sai a água), e de seguida reduziu-se a
intensidade da torneira para proceder-se a colecta da amostra. Os frascos, previamente
esterilizados, foram abertos somente nos locais e no momento da colecta e preenchidos por
completo.

Após efectuar-se as colectas os frascos foram vedados, identificados com informações relativas a
fonte (torneira), data, mês e ano, local e horas da colecta. Acondicionados em caixas isotérmicas
(colman) para o efectivo controlo da temperatura e evitar alterações das mesmas, os frascos
foram transportados para o Laboratório Nacional de Higiene Água e Alimentos (LNHAA) para
as respectivas análises. Todas as amostras foram colectadas no período da manhã (6 horas) e
22

analisadas no prazo de 24 horas. (Apêndice 2) abaixo mostra os recipientes. As colectas e as


análises foram realizadas rigorosamente de acordo com o recomendado pela APHA (1998).

3.4.1. Análise laboratorial de água

A análise da água foi efectuada método de filtração em membrana método preconizado pelo
standartd methods for the examination and wasterwater APHA et al. (2012) usados no
laboratório Nacional de Higiene Água e Alimentos (LNHAA).

 Preparação da mostra

A análise laboratorial da água iniciou 6 horas após a sua colheita. Antes de iniciarem as análises,
esterilizou-se a área de serviço com álcool a 70%.

 Filtração:
Colocou-se assepticamente com pinça esterilizada (flamejada com álcool) a membrana filtrante
sobre porta-filtro colocou-se cuidadosamente o copo (funil), filtrou-se 100ml de água para
consumo. Após filtração, removeu-se assepticamente a membrana do equipamento de filtração
com auxílio de uma pinça esterilizada colocando-a sobre a placa já preparada com meio
membrana Lauryl Sulphate Agar solidificado e seco, certificando-se que não fiquem bolhas de ar
por baixo da membrana (3). (LNHAA, 1997).

Figura 2: Etapa de filtração


Fonte: LNHAA, 2016
23

 Incubação e contagem

Coliformes fecais e Escherichia coli: As placas já com a amostra a analisar foram incubadas
invertidas (44,0±0,5o C) durante (21±3) horas (Figura 5), após a incubação considerou-se todas
as colónias de cor amarela típicas com halo e as atípicas de cor amarela sem halo e as de cor de
laranja independemente do tamanho e faz-se a contagem. A cor das colónias pode-se alterar com
o arrefecimento pelo que é conveniente fazer a leitura das placas o mais rapidamente possível
depois de retiradas da incubadora LNHAA (1997).

Figura 3: Processo de incubação


Fonte: LNHAA, 2016

 Coliformes totais:
As placas já com a amostra a analisar foram incubadas invertidas a (36,0±0,2o C) durante (21±3)
h, após a incubação consideram-se todas as colónias de cor amarela típicas com halo e as atípicas
de amarela sem halo e as de cor de laranja independemente do tamanho e faz-se a contagem
LNHAA (1997)
24

Confirmação de Coliformes fecais e Escherichia Coli

Após a incubação contam se colónias típicas e atípicas. Seleccionar colónias amarelas com halo
(típicas), colónias amarelas sem halo e colónias laranja para fazer subcultura em PCA/NA
incubar a (36,0 ± 2) durante (21 ± 3) horas para fazer o teste de oxidase. Colónias típicas e
atípicas com oxidase negativa e lactose positiva confirmam a presença coliformes fecais.
Oxidase negativa: repicar para calda bílis verde brilhante (BVB) e incubar a (44,0 ± 0,5) oc
durante (21 ± 3).
Tubo com lactose positiva: repicar para caldo de Tryptona e incubar a (44,0 ± 0,5)oc durante (21
± 3). Após a incubação adicionar 0,2 a 0,3 ml de reagente de Kovacs. O desenvolvimento da cor
vermelha na superfície do meio confirma a produção do indol (presença de Escherichia Coli).
(LNHAA, 1997)

 Confirmação de coliformes totais

Após a incubação contam se colónia típica e atípica, uma placa que não apresenta formação de
colónias na membrana significa ausência para coliformes totais. Seleccionar colónias amarelas
com halo (típicas), colónias amarelas sem halo e colónias laranja para fazer subcultura em
PCA/NA incubar a (36,0 ± 2) durante (21 ± 3) horas para fazer o teste de oxidase. Colónia típica
oxidase negativa: confirmação de coliformes fecais.
Colónias atípica oxidase negativa devem ser confirmadas transferindo para calda bílis verde
brilhante a 2% (BVB) e incubar a (44,0 ± 0,5oc) durante (21 ± 3). Oxidase negativa, produção de
gás nos tubos e viragem da cor do meio (confirmação de coliformes totais LNHAA (1997).

3.6. Análise de dados

Aos dados colhidos, aplicou-se o teste F, através da Análise da Variância (ANOVA), com
recurso ao pacote estatístico (SPSS) versão. 20 a um nível de significância de 5%, com objectivo
de tirar inferências no que concerne a presença ou ausência de contaminantes microbiológicos da
água recolhida nos diferentes pontos. Assim, fez-se o teste de comparação de médias (teste de
25

Tukey a 5% de probabilidade), para identificar que ponto ou local apresentou diferenças


estatisticamente significativas em relação aos outros pontos. Para a identificação de potenciais
contaminantes na água de distribuição pública, compararam-se os grupos de bactérias
identificadas nos diferentes pontos de colecta e que são mais importantes na determinação da
potabilidade ou não da água com os limites máximos aceitáveis dos parâmetros microbiológicos
da água segundo MISAU (2004). Os locais onde a quantidade de bactérias extrapolou os limites
máximos aceitáveis, considerou-se como sendo pontos potenciais de contaminação.
26

4. RESULTADOS

4.1. Potenciais contaminantes da água de distribuição pública no Distrito Municipal


Kamubukwana

De acordo com a hipótese inicial (H1), há presença de contaminantes substanciais na água


destinada ao consumo público no Distrito Municipal Kamubukwana. Os principais
contaminantes identficados foram Coliformes totais, Coliformes fecais e E. coli correspondentes
a 32 %, 24 % e 21 %, respectivamente. Como se depreende no gráfico 1, de um total de 38
amostras recolhidas, em média, pelo menos 26% apresentaram presença de algum tipo de
bactéria e 74% não apresentaram (Gráfico 1).

90%
79%
80% 76%
68%
70%
Percentagem (%)

60%
50%
40% Ausente
32%
30% 24% Presente
21%
20%
10%
0%
Coliformes Totais Coliformes Fecais Escherichia Coli
Tipos de Coliformes

Gráfico 1: Percentual de potenciais contaminantes microbiólógicos obtidos nas águas do Rio, ETA, CD
Cnamanculo e torneiras caseiras.

Os resultados dos potenciais contaminantes em média, por ordem decrescente de presença estão
em UFC em cada 100 ml estão ilustrados no Gráfico 2. Através do mesmo, verifica-se
claramente que houve mais presença de bactérias do grupo Coliformes Totais.
27

25

19.9
20
UFC/100ml

15
10.7
10
6.1
5

0
Coliformes Totais Coliformes Fecais Escherichia Coli
Tipos de Coliformes

Gráfico 2: Potenciais contaminantes microbiológicos da água (UFC/100ml) por ordem decrescente de presença

O teste de Tukey a 5% de significância mostrou que a presença de Coliformes Totais no Rio


Umbelúzi (fonte inicial de captação) foi estatisticamente significativa como principal
contaminante em todos os principais pontos de contaminação com a excepção do Bairro de
Bagamoyo (Tabela 5).

Tabela 5: Teste de comparação de médias (Tukey) relativamente a presença ou ausência de Coliformes Totais

Pontos de recolha Médias


Rio 100.00 A
Bairro Bagamoio 33.50 AB
Bairro 25 de Junho B 22.50 B
Bairro Inhagoia B 18.75 B
Bairro George Dimitrov 14.50 B
Bairro Luis Cabral 12.50 B
Bairro Jardim 1.75 B
ETA/Umbeluzi 0.00 B
C.D Chamanculo 0.00 B
Bairro 25 de Junho A 0.00 B
Bairro Inhagoia A 0.00 B
* Médias s eguidas de mes ma letra, não
exis te diferenças s ignificativas a 5%.
a. Coliformes Totais
28

4.2. Potenciais pontos ou locais de contaminação da água de distribuição pública no


Distrito Kamubukwana

De acordo com a hipótese inicial (H2), os principais pontos de contaminação de água de


abastecimento público no Distrito Municipal Kamubukwana identificados foram Rio Umbeluzi
(fonte captação inicial) e nas torneiras caseiras (consumidor final). Porém, no caso dos bairros do
distrito, todos eles são pontos de contaminação nomeadamente, Bairro Bagamoio, Bairro 25 de
Junho B, Bairro George Dimitrov, e Bairro Luís Cabral, Bairro de Jardim e Bairro de Inhagoia B.
A ETA, CDC e Bairros 25 de Junho A e Inhagoia A não registaram nenhuma contaminação.

Na Tabela 6 estão dispostos os resultados em média para análise microbiológica em


UFC/100mL, onde depreende-se que de todos os pontos potrnciais de contaminação, no Rio
Umbelúzi houve presença assinalável de Coliformes Totais (≈ 50 UFC/100 ml), seguidos dos
Bairros de Bagamoio e 25 de Junho (≈ 25 UFC/100 ml). O Bairro de Jardim apresentou com
pouco potencial de contaminação com < 1 UFC/100 ML (Tabela 5).

Tabela 6: Parâmetros microbiológicos em UFC/100mL obtidos Rio Umbeluzi, ETA CD Chamanculo e torneiras
caseiras.

Coliformes Totais Coliformes Fecais Escherichia Coli


Pontos de recolha Média
Fase 1 Fase 2 Fase 1 Fase 2 Fase 1 Fase 2
Rio 100 100 0 89 0 0 48.17
ETA/Umbeluzi 0 0 0 0 0 0 0.00
C.D Chamanculo 0 0 0 0 0 0 0.00
Bairro George Dimitrov 29 0 20 0 20 0 11.33
Bairro Bagamoio 31 37 12 34 12 34 26.33
Bairro 25 de Junho A 0 0 0 0 0 0 0.00
Bairro 25 de Junho B 45 0 52 0 52 0 24.83
Bairro Inhagoia A 0 0 0 0 0 0 0.00
Bairro Inhagoia B 35 3 14 0 14 0 10.92
Bairro Jardim 4 0 0 0 0 0 0.58
Bairro Luis Cabral 0 25 0 16 0 16 9.50

Os resultados dos principais pontos de contaminação por ordem decrescente de contaminação


estão ilustrados no Gráfico 3. Através do Gráfico em referência, verifica-se claramente que a
fonte de captação inicial (Rio Umbelúzi) é o principal ponto potencial de contaminação da água,
29

seguido do Bairro de Bagamoio, Bairro 25 de Junho “B”, Bairro Jorge Dimitrov, Inhagoia “B”,
Bairro Luis Cabral.

60

50 48.17

40
UFC/100ml

30 26.33 24.83

20
11.33 10.92 9.50
10

0
Rio Bairro Bairro 25 de Bairro George Bairro Inhagoia Bairro Luis
Bagamoio Junho B Dimitrov B Cabral
Bairros

Gráfico 3: Potenciais pontos de contaminação em ordem decrescente

4.3. Comparação dos resultados das análises laboratoriais com os parâmetros ideais do
padrão de potabilidade da água

Comparando os resultados da análise laboratorial da água nos diferentes pontos de colecta com
os parâmetros ideais do padrão de potabilidade da água segundo a legislação moçambicana,
verificou-se que apenas quatro (4) pontos ou locais, nomeadamente, ETA, C.D Chamanculo,
Bairro 25 de Junho A, e Bairro Inhagoia A, apresentaram-se próprias para o consumo humano,
porque apresentam limites ideais de acordo com a legislação. Porém, os restantes bairros
apresentam-se impróprias para o consumo humano (Tabela 7).
30

Tabela 7: Comparação entre os resultados laboratoriais (UFC/100 ml) com os parâmetros ideias do padrão de
potabilidade da água.

Pontos de Coliformes Totais Coliformes Fecais Escherichia Coli


recolha R. Laba. L. Admb. R. Lab. L. Adm. R. Lab. L. Adm.
Rio >100 - 45 0 – 10 0 0-10
ETA/Umbeluzi 0 0 0 0 0 0
C.D 0 0 0 0 0 0
Chamanculo
Bairro George 15 0 10 0 10 0
Dimitrov
Bairro Bagamoio 34 0 23 0 23 0
Bairro 25 de 0 0 0 0 0 0
Junho A
Bairro 25 de 23 0 26 0 26 0
Junho B
Bairro Inhagoia 0 0 0 0 0 0
A
Bairro Inhagoia 19 0 7 0 7 0
B
Bairro Jardim 2 0 0 0 0 0

Bairro Luís 13 0 8 0 8 0
Cabral
a
– Resultado Laboratorial. b – Limite Admissível pela legislação Moçambicana
31

5. DISCUSSÃO DOS RESULTADOS

5.1. Potenciais contaminantes da água de distribuição pública no Distrito Municipal


Kamubukwana

Em conformidade com a hipótese inicial, a água de abastecimento público apresenta


contaminantes ao nível no domícilio e fonte inicial de captação no Rio Umbeluzi, sobretudo os
Coliformes totais e fecais e E. coli. A razão para este resultado pode estar relacionada com
problemas de recontaminação de água ao nível das torneiras caseiras por falta de higiene
individual ou falta de saneamento básico do meio nos bairros pois, segundo VASCONCELLOS
et al. (2006), a presença de coliformes totais na água pode indicar falha no tratamento ou
recontaminação (contaminação secundária) da água ao longo do seu percurso até ao consumidor
na medida em que a presença do grupo coliforme é considerado indicador de poluição. Os
resultados provenientes das amostras para Coliformes foram idênticos aos observados em outros
estudos realizados por GUERRA et al. (2006) e Silva et al. (2009), que mostraram acima de 20%
da presença de Coliformes em relação a outros microrganismos.

A outra razão para a presença de contaminantes (Coliformes totais e fecais e E. coli) ao nível das
torneiras caseiras, pode estar relacionada à roturas das condutas causando pressão negativa ao
longo das tubulações, sobretudo ao nível dos bairros no percurso entre CD Chamanculo e
torneiras das casas pois, de acordo com GOMES (2014), os vazamentos provocam a
contaminação, quando ocorre pressão negativa responsável pela introdução de contaminantes
para dentro da tubulação.

Segundo DIAS (2006), a rede de abastecimento público deve ser doptada de equipamentos de
monitoramento contínuo de qualidade da água. O ideal seria que toda a rede fosse monitorada
para promover a máxima protecção da saúde pública. Porém, por razões de economia, o
monitoramento é realizado com um número reduzido de equipamento localizados em pontos
estratégicos da rede tais como, a estacão de tratamento e centro de distribuição, de forma a
auxiliar na detecção de contaminantes, na identificação das suas fontes e consequente redução de
riscos a população, que é o caso dos bairros do Distrito Municipal Kamubukwana onde o
32

monitoramento só é feito na ETA de Umbeluzi e CD Chamanculo. Resultados idênticos foram


encontrados por SPERLING (2005) onde em 140 amostras colectadas nas residências, 67.86%
apresentaram coliformes totais oriundos da falta de saneamento e vazamentos nas tubulações.

5. 2. Potenciais pontos ou locais de contaminação da água de distribuição pública no


Distrito Municipal Kamubukwana

De acordo com a hipotese inicial (H2) o consumidor final (no domicílio) e a fonte de captação
inicial (Rio Umbeluzi) são os principais pontos de contaminação. Os resultados mostram ainda
que a ETA, CDChamanculo e alguns bairros nomeadamente, Bairros 25 de Junho A e Inhagoia
B não são fontes de contaminação, remetendo a ideia de que o maior problema está ligado ao
consumidor final. O saneamento básico do meio de forma individual e colectivo, exposição das
condutas de água pela erosão provocada pelas chuvas podem ser as razões da contaminação pois
segundo BAQUETE (1996), para além da falta de saneamento, alguns bairros do Distrito
KaMubukwana, estão desprovidos de valas de drenagem para o escoamento das águas, sejam de
chuvas, provenientes das rupturas de tubos de canalização de água, bem como as negras, o que
pode contribuir para contaminar a água através das tubagens expostas pela erosão ou
proximidade das torneiras a esses locais.

Para CHEREWA et al. (1996) um dos principais problemas ambientais na maioria dos bairros do
Distrito Kamubukwana relaciona-se com deficiente saneamento do meio ambiente, que resulta
na sua contaminação, caracterizado pelo deficiente abastecimento de água e propagação de
doenças diarreicas. Estas situações fazem com que a água mesmo saindo do reservatório limpa,
sem contaminação, durante o percurso até a sua chegada nas torneiras das famílias a água sofra
alguma contaminação microbiológica. Resultados idênticos foram encontrados por OKURA
(2005), onde em 20% das amostras colectadas nas residências encontraram se contaminadas por
coliformes, evidenciando que, mesmo após tratamento, podem ocorrer contaminações hídricas.

Além disso, é possível manter a qualidade microbiológica da água, adotando medidas de


prevenção, conforme demonstrado SIQUEIRA (2005), ao verificarem a presença de coliformes
33

totais e coliformes termotolerantes em água de residências observaram que das 30 amostras


analisadas, 20% não se encontravam dentro do padrão de potabilidade da água. Estudos feitos
por ELPO et al. (1998) onde 48 amostras de água colectada em um sistema de tratamento e
armazenamento da Cosama, verificaram ausência de contaminação. Resultados identicos foram
encotrados por VASCONCELOS & AQUINO (1995) onde em 66 amostras de água consumidas
nas escolas públicas distribuída pela companhia de saneamento do Amazomas (Cosama)
verificaram se presença de coliformes, e ausente nas estaçôes de tratamento, mostrando desta
forma que a fonte de contaminação da água deve se a infiltração na tubulação durante a
distribuição NORMANDE (1992).

O Rio Umbeluzi (fonte de captação inicial) figura como um dos principais pontos de
contaminação. Isto pode estar relacionado ao descrito por EVANS et al. (2006), pois segundo
estes autores, duas formas principais de contaminação microbiológica das fontes de captação
(rios) são conhecidas: a primeira é directamente através da actividade de insectos, pássaros e
pequenos mamíferos e outras diversas formas de uso de terra nas ribeirinhas do rio, desde
abeberamento de gado, lavagem de roupas pelas comunidades, prática de agricultura nas zonas
ribeirinhas, remoção da vegetação que de alguma forma ajudaria a limpar a água; e a segunda é a
deposição atmosférica de organismos no ambiente. Este é o caso das ribeirinhas do Rio
umbeluzi, onde pratica-se agricultura, abebera-se o gado que normalmente defeca, entre outras
formas de uso de terra que contaminam a água.

PETERS (2006) concluiu que dentre os diversos materiais e substâncias presentes nestas
superfícies que podem contaminar a água, citam-se: fezes de aves e roedores, artrópodes e outros
animais mortos em decomposição, poeira, folhas e galhos de árvores, entre outros que ocasionam
tanto a contaminação por compostos químicos quanto por agentes patogénicos.

5.3. Comparação dos resultados das análises laboratoriais com os parâmetros ideais do
padrão de potabilidade da água

De acordo com a hipótese inicial (H3) as anaise microbiológicas de água da ETA Umbeluzi, CD
Chamanculo estão dentro dos padrões de potabilidade de água. Porém, contrariamente a hipótese
34

inicinial (H3) os Bairros de Bagamoio, Bairro 25 de Junho B, Bairro George Dimitrov, Bairro
Inhagoia A, e Bairro Luís Cabral apresentam água com um nível de potabilidade que não
corresponde ao padrão ideal de água exigido para o consumo humano. A ausência de
potabilidade nestes bairros relaciona-se sobretudo às bactérias do grupo coliformes. De acordo
com SOUZA & PERRONE (2000) a existência de coliformes totais na água que sofreu
desinfecção, torna-se um risco para a saúde e está relacionado ao tratamento inadequado ou
inabilidade de manter o desinfectante residual na água distribuída e torna-se um risco para a
saúde. Resultados semelhantes de potabilidade de água em torneiras residenciais foram
encontrados por RUOCCO (2010), onde um total de 50% das amostras, não atendiam ao
preconizado pela lei nacional de água em relação aos parâmetros microbiológicos. LIBANEO
(2010), também apresentou amostras reprovadas em seu estudo, sendo que das 20 amostras
analisadas, 35% apresentaram não potabilidade pela presença de coliformes totais e fecais.
35

6. CONCLUSÕES

Com base nos resultados obtidos no presente trabalho, conclui-se que:


 Os potenciais contaminantes identificados na água de distribuição pública no distrito
Municipal Kamubukwana nomeadamente os Coliformes Totais, Coliformes Fecais e
Escherichia Coli;
 Os potenciais pontos ou locais de contaminação da água de distribuição pública no
Distrito Municipal KaMubukwana nomeadamente, Rio Umbelúzi (fonte de capitação
inicial), Bairro Bagamoio, Bairro 25 de Junho B, Bairro George Dimitrov, Bairro
Inhagoia B, e Bairro Luís Cabral;
 A água consumida nos bairros Bairro Bagamoio, Bairro 25 de Junho B, Bairro George
Dimitrov, Bairro Inhagoia B, e Bairro Luís Cabral é imprópria para o consumo humano,
com grau de potabilidade baixo em relação ao exigido pela legislação moçambicana.
36

7. RECOMENDAÇÕES

Aos pesquisadores

 Que façam estudos semelhantes em outros bairros, com a inclusão de outros parâmetros
como os físicos e químicos de modo a se aferir o grau de contaminação ao nível destes
parâmetros.

A Águas da Região de Maputo

 Que façam um controlo extensivo até ao nível dos bairros e não se circunscreverem
apenas a ETA E CD Chamanculo, para garantir que a água chegue ao consumidor com a
mesma qualidade que deixa esses dois locais;
 Que façam regularmente exames bacteriológicos, físicos e químicos da água ao nível das
casas por forma a aferir o grau da potabilidade da água consumidas pelas populações e
promoverem campanhas de educação cívica e sensibilização acerca dos riscos à saúde
pública do consumo de água com baixa potabilidade.

Aos consumidores

 Que tenham hábito de ferver ou promoverem outro tipo de tratamento à água das
torneiras das casas.
37

8. BIBLIOGRAFIA

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viii

9. APÊNDICE

Apêndice 1: Pontos de recolha das amostras

Legenda: 1: Captação; 2: ETA-Umbeluzi; 3: CD do Chamanculo; 4: Residências

Apêndice 2: Recipientes usadas na recolha de amostras


ix

10. ANEXOS

Anexo 1: Mapa de localização do Distrito Municipal Kamubukwana

Marracuene

Vale de Infulene

Fonte: Google Maps

Anexo 2: Posição geográfica e identificação dos pontos de colecta das amostras

Nº de ponto Designação do Ponto de Localização


de recolha recolha
01 No rio antes do tratamento/ Rio Umbeluzi – Distrito de Boane
captação (fonte inicial)
02 ETA (estacão de tratamento) Umbeluzi/Distrito de Boane
03 CD do Chamanculo Bairro de Chamanculo
04 Torneiras nas residenciais Moradores dos bairros Luís Cabral,
Jardim, Inhagoia “B”, Inhagoia “A”, 25 de
Junho “A”, 25 de Junho “B”, Bagamoyo,
Jorge Dimitrov.
x

Anexo 3: Tabela de Esboço de Amostragem

Nº de ponto de Designação do Ponto de Qnt./ Mês Qnt./Mês (22/02/2016 a Total


recolha recolha (29/12/2015 a 08/03/2016)
19/02/2016)
01 No rio antes do 01 01 2
tratamento/captação
(Fonte Primária)
02 ETA (estacão de 01 01 2
tratamento)
03 CD do Chamanculo 01 01 2
04 Torneiras das residenciais 16 16 32
Total --- 19 19 38
xi

Anexo 4: Resultados da ANOVA


a
Tests of Between-Subjects Effects
a. Tipos de Coliformes = Coliformes Totais
Dependent Variable: Valor dos parâmtros
Type III Sum of Mean
Source
Squares df Square F Sig.
Corrected Model 20134.500b 11 1830.409 3.248 .007
Intercept 11832.071 1 11832.071 20.995 .000
Bairros 19477.553 10 1947.755 3.456 .005
Fase da recolha 656.947 1 656.947 1.166 .290
Error 14652.553 26 563.560
Total 44708.000 38
Corrected Total 34787.053 37
a. Tipos de Coliformes = Coliformes Totais
b. R Squared = .579 (Adjusted R Squared = .401)

a. Tipos de Coliformes = Coliformes Fecais


Dependent Variable: Valor dos parâmtros
Type III Sum of Mean
Source df F Sig.
Squares Square
Corrected Model 5707.421b 11 518.856 .996 .475
Intercept 3978.286 1 3978.286 7.638 .010
Bairros 5706.763 10 570.676 1.096 .401
Fase da recolha .658 1 .658 .001 .972
Error 13541.342 26 520.821
Total 23109.000 38
Corrected Total 19248.763 37
a. Tipos de Coliformes = Coliformes Fecais
b. R Squared = .297 (Adjusted R Squared = -.001)

a. Tipos de Coliformes = Escherichia Coli


a
Tests of Between-Subjects Effects
Dependent Variable: Valor dos parâmtros
Type III Sum of Mean
Source df F Sig.
Squares Square
Corrected Model b 11 324.036 .901 .552
3564.395
Intercept 1543.500 1 1543.500 4.293 .048
Bairros 3331.868 10 333.187 .927 .525
Fase da recolha 232.526 1 232.526 .647 .429
Error 9348.974 26 359.576
Total 15188.000 38
Corrected Total 12913.368 37
a. Tipos de Coliformes = Escherichia Coli
b. R Squared = .276 (Adjusted R Squared = -.030)