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DA LITURGIA CRISTÃ)

HERMISTEN
MMA P COSTA
A TEOLOGIA DO CULTO

(Considerações Bíblica-Histórica-
Teológica da Liturgia Cristã)

Rev. Herm isten Maia Pereira da Costa

Belo Horizonte, outubro de 1984


A meus pais, irmãs,
esposa e filho.

1987

Todos os direitos reservados à


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Arte de Capa: Edson Barnabe
W llllem Temple: "A dorar é aliviar a consciência com a Santidade de
Deus, alim entar a mente com a verdade de Deus, enriquecer a
Imaginação com a beleza de Deus, abrir o coração ao amor de
Deus, subm eter a vontade ao propósito de D eus” .

Kurl Barth: "O culto cristão é o ato mais importante, mais relevante,
mais glorioso na vida do hom em ” .

R. M artin-Achard: “ Servir a Deus consiste, em prim eiro lugar, no


reconhecimento de sua autoridade em todos os tempos e do­
m ínios” .

R. Schnackenburg: "Na verdadeira adoração, há um encontro com


Deus, para o qual o homem precisa ser capacitado pela graça
de Deus".

R. P. M artin: “ Adorar a Deus é a trib u ir a Ele valor supremo, porque


somente Ele é digno".

V lctor M. Sendo vai Garcia: “ . . . Em essência o culto é um encontro


de Deus com Seu povo no qual se estabelece um diálogo: Deus
feia à sua Igreja através de Sua Palavra e a congregação ex­
pressa sua adoração ao Senhor mediante as orações, oferendas
e hinos",

Dãvl: "Rendei graças ao Senhor, invocai o seu nome, fazei conheci­


dos, entre os povos, os seus feitos. Cantai-lhe, cantai-lhe sal­
mos; narrai todas as suas m aravilhas” — (SI 105.1-2).
SUMARIO

PREFÁCIO

INTRODUÇÃO

1. O Imperativo da Adoração

2. O Culto Cristão como Atitude Responsiva

3. Liturgia: Origem e Evolução do Termo

4. Definição de Liturgia

5. A Adoração na Sinagoga

6. Liturgia da Igreja C ristã no período Pós-Apostólico

7 A Igreja Cristã: Comunidade Litúrgica

B Elementos da Liturgia Bíblica

f) Igreja Presbiteriana do Brasil — Igreja Litúrgica

CONCLUSÃO INCONCLUSA

NOTAS E REFERÊNCIAS
BIBLIOGRAFIA
APRESENTAÇÃO

Imenso valor. Valor relativo. Nenhum valor. São conclusões


possíveis a que se chega após detida análise de certo objeto ou de
determinada realidade. Interessantes são os critérios adotados para
se chegar lá. Um desses, essencialmente pragmático, verificável nas
experiências simples do quotidiano, julga de uma realidade pelo in­
teresse e necessidade que desperta. Tudo quanto provoca interesse
e desperta o senso de necessidade traz em si a marca do valor.

Sem dúvida, aplicado tal recurso ao volume que em tão boa


hora chega às mãos do leito r evangélico, pode-se concluir que se
trata de uma literatura cujo valor se mede pelo interesse e neces­
sidade, já evidentes ao prim eiro contacto, a partir do sugestivo
títu lo .

Interesse, pois o Culto em sua correta expressão teológica situa


a Igreja de C risto no que há de mais relevante em sua vida. Aqui,
vê-se a Igreja inserida no âmago de sua própria natureza como Povo
de Deus, Família da Fé, Assembléia dos Eleitos, que cumpre sua
vocação no Culto, na Adoração, no Serviço que incessantemente
presta ao seu Senhor. Neste ponto, ressalta-se a felicidade do autor
ao revelar notável segurança teológica, através de um enfoque bí­
blico incontestável.

Necessidade, pois a Igreja reconhece o desastre espiritual que


a deturpação do culto inevitavelm ente provoca em seu meio. A
m ultiplicidade de seitas ditas evangélicas, com seus desvios im per­
doáveis a títu lo de inovação, com seus cultos exóticos, estranhos
à herança Reformada fie l às Escrituras, não deixa de produzir frutos
amargos para não dizer desintegradores de inúmeras comunidades
religiosas que não contestam e nem resistem aos seus acenos se­
dutores. Contra tais perversões, as Igrejas de tradição Reformada
devem precaver-se.

O fator necessidade cresce, ainda, na medida da escassa litera­


tura merecedora de confiança nesta área. Parece-nos lim itado o núme­
ro de obras específicas sobre o assunto, acessível ao leitor brasileiro.
Assim , por preencher de certa forma uma lacuna, adquire maior rele­
vância a contribuição do autor ao acervo literário evangélico. Dispen­
sados outros motivos, este só é bastante para assegurar a boa recep­
tividade dos seus leitores.

A monografia que ora nos oferece o ilustre m inistro e professor


da Igreja Presbiteriana do Brasil, Rev. Hermisten Maia Pereira da
Costa, apresenta contornos definidos. Evidentemente não é uma obra
exaustiva, mas representa uma apreciável tentativa de abrir possi­
bilidades de reflexão sobre um tema enraizado à própria cond;ção
de ser da Igreja e, ao mesmo tempo, tão susceptível de distorções
conforme te stifica a própria Igreja C ristã no decurso de sua vida
histórica. É um trabalho que reflete pesquisa histórica e interesse
teológico, no intento de caracterizar as mutações ocorridas no culto
cristão a partir de suas origens, fixando as riquezas do conteúdo
litúrgico que a Igreja soube preservar até nossos dias. Atesta a eru­
dição do autor a riquíssim a bibliografia que aborda tanto o problema
do culto em si, como os aspectos culturais que com ele mantém
estreita correlação.

Nas lim itações próprias de uma despretenciosa apresentação,


prevalece a certeza de que o trabalho do caríssimo Rev. Hermisten
há de reacender o interesse da Igreja e particularm ente do dileto
leito r na direção da redescoberta do valor extraordinário do Culto
Cristão, bíblico, ipressivo e belo, tão caro à nossa tradição Re­
formada.

Campinas, janeiro de 1985

OADI SALUM
INTRODUÇÃO

Este trabalho teve uma origem curiosa. Em julho de 1983, o


Rev. Cleómines Anacleto de Figueiredo, pastor da Primeira Igreja
Presbiteriana de N iterói, convidou-me para integrar o corpo de pre-
letores de um curso que o Conselho de sua Igreja iria promover
em agosto daquele ano, intitulado: “ Presbiterianismo-Eclesiologia
B íblica-H istórica” ; e um dos temas sobre o qual deveria falar era
relacionado com “ Liturgia". A minha prim eira atitude foi de rejeitar
tão honroso convite, por achar que o tempo era curto para preparar
as palestras e, de um modo m uito especial, a de “ Liturig a ” . Sem
que conseguisse dissuadi-lo, por fim aceitei o gentil c o n v ite ... Na
data prevista, fiz as preleções e, os meus esquemas ficaram guar­
dados. ..

Mais ou menos um ano depois, li no jornal “ Brasil Presbiteria­


no" de julho de 1984, p. 3, um artigo escrito pelo Rev. Ivan G. G.
Ross, “ Em Busca de Uma Liturgia". Após a sua leitura, fui desper­
tado para o tema e resolvi escrever um artigo baseado no meu
antigo “ esquema” , para tentar publicar no “ Brasil P re s b ite ria n o ..."
Comecei a prepará-lo, então, aos sábados e feriados; até que per­
cebi que o artigo, apesar de despretencioso, havia ficado um tanto
extenso para ser publicado no jornal e, mesmo pensando em tentar
publicá-lo em série, vi que ele sairia no mínimo em seis edições
m e n s a is ... Foi então, que decidi publicá-lo na forma em que se en­
contra.

Desejo que a leitura deste opúsculo possa contribuir, de alguma


forma, para esclarecer um pouco mais o significado do culto e, assim,
como resultado disso, possamos não simplesmente teorizar a respeito
do assunto mas, também, adorar ao Senhor. É este o meu desejo
e a minha oração.

Seminário Presbiteriano do Sul — Extensão em Belo Horizonte

Rev. Herm isten M. P. Coata

Outubro de 1984
1. 0 IMPERATIVO DA ADORAÇÃO

A Antropologia, a Sociologia, a Filosofia, a Arqueologia e a His­


tória, etc., têm evidenciado, de forma convincente, que a religião
está presente em todas as culturas antigas; isto tem conduzido ao
que hoje podemos chamar de “ tru ísm o ” , a afirmação do homem
como ser religioso (homo religiosus).

Na antiguidade, Cícero (106-43 aC), Plutarco (50-125 AD) e outros,


constataram este fato. Cícero escreveu:

“ Não há povo tão bárbaro, não há gente tão brutal e selvagem,


que não tenha arraigada em si a convicção de que há Deus” ( í) .

Também encontramos, nos pensadores antigos, a observação de


que os homens faziam os seus deuses à sua imagem e semelhan­
ç a ... (2). Xenófones de Cólofon (c. 570-528 aC), percebeu isso com
acuidade:

“ Homero e Hesíodo atribuíram aos deuses tudo o que para


os homens é opróbrio e vergonha: roubo, adultério e fraudes
recíprocas.

“ Como contavam dos deuses m uitíssim as ações contrárias


às leis: roubo, adultério e fraudes recíprocas.

“ Mas os m ortais imaginam que os deuses são engendrados,


têm vestimentas, voz e forma semelhantes a eles.

“ Tivessem os bois, os cavalos e os leões mãos, e pudes­


sem, com elas, pintar e produzir obras como os homens, os
cavalos pintariam figuras de deuses semelhantes a cavalos, e
os bois semelhantes a bois, cada (espécie animal) reproduzindo
a sua própria forma.

"Os etíopes dizem que os deuses são negros e de nariz


chato, os trácios dizem que têm olhos azuis e cabelos verm e­
lhos" (3)

O Instinto religioso é tão antigo quanto o homem; por isso,


entendo que a assertiva de Dostoievesky (1821-1881) expressa em
sua obra "O Id iota ” (1868-1869) é uma constatação h is tó ric a ...

"O instinto religioso não sucumbirá a qualquer argumento


ou a qualquer forma de ateísm o” (4).

Para muitos pensadores a religião é destituída de qualquer ele­


mento objetivo, por isso, cada um desses pensadores atribui à re li­
gião um elemento subjetivo, tentando imanentizá-la, tirando da religião
qualquer elemento transcendente que possa ser apontado como sen­
do sua fo n te ... Assim , para L. Feuerbach (1804-1872) a religião é
uma invenção do homem, na qual ele projeta seus anseios; para K.
Marx (1818-1883), ela surge da prepotência, fruto da sociedade capi­
talista; da ignorância, conforme A. Comte (1798-1857); do ressenti­
mento, segundo F. Nietzsche (5); ou da sublimação dos instintos, de
acordo com S. Freud (1856-1939) (6).

Não é nosso objetivo discutir a origem da religião. Contudo,


creio que seja necessário uma breve palavra de posicionamento.
Entendemos biblicam ente que o instinto religioso é próprio do ho­
mem por causa da sua natureza comum: criação de Deus (Gn 1.26-
27); assim, mesmo que o homem esteja, como de fato está, corrom ­
pido pelo pecado (Gn 6.5; 8.21; Sl 14.2-3; 94.11; Is 64.6; Jr 17.9; Rm
3.10-18; 8.7-8; Ef 2.1, etc.) (7), o seu ser como “ síntese de fin ito e
de in fin ito " (8), aspira pela divindade e, em todas as suas obras, há
um transpirar ofegante pelo sagrado, eterno, inco m e n suráve l...
“ Tudo fez Deus form oso em seu devido tempo; também pôs a eter­
nidade no coração do homem, sem que este possa descobrir as
obras que Deus fez desde o princípio até o fim ” (Ec 3.11); "... Crias­
te-nos para Vós e o nosso coração vive inquieto, enquanto não re­
pousa em V ó s” (9).

Qualquer indicação da origem da religião, fora do princípio bíblico


da Criação, se estiver no caminho certo, atingirá apenas o efeito da
questão chave: o homem busca a religião, tentando encontrar o Seu
Deus porque o seu ser carece deste e nco ntro !. .. Entretanto, os ho­
mens em seus delitos e pecados não conseguem encontrar ao Deus
Vivo e Verdadeiro, embora o tenham procurado, ta te a n d o ... Deus está
perto, mas o pecado cegou os olhos dos homens para as realidades
espirituais (A t 17.27; Rm 1.20-21). Por isso, procuram Deus fora de
C risto. Mas, fora de C risto, não há possibilidade de encontro, pois,
fora de C risto não há sa lva çã o ... (Jo 14.6; A t 4.12; 1 Pe 2.5).
"Todos os que procuram Deus fora de Jesus C risto, e que
se detêm na natureza, ou não encontram luzes que osilum inem
ou acabam por encontrar um meio de conhecer Deus e de servi-lo
sem mediador, e por aí caem no ateísmo ou no deísmo, que são
duas coisas que a religião cristã abomina quase igualmente.
Sem Jesus C risto o mundo não subsistiria; pois precisaria ser
destruído ou ser como um in fe rn o ” [10).
.a*
A religião é o imperativo incondicional da essência do homem.
Todavia, concordo com A. W. Pink, quando diz:

“ A maior parte da 'religiosidade' de nossa época é apenas


um ‘velho Adão’ retocado. É meramente o adornar de sepulcros
cheios de corrupção" (11).

Podemos observar que se a religiosidade é companheira insepa­


rável de todas as culturas, a adoração cúltica é a expressão da reli­
giosidade de cada povo. A forma de culto varia de religião para
religião e esta, por sua vez, varia de povo para povo. Contudo, todas
ou quase todas as religiões têm dois pontos em comum: O prim eiro,
é a suposição de estarem adorando um “ deus” transcendente, isto,
porque as religiões, de modo geral, se respaldam numa suposta re­
velação transcendental (12); e, o segundo, é de serem a única religião
verdadeira, sem que com isso, usem de uma hermenêutica convin­
cente (13).

A adoração é imperativa do mesmo modo que a religião é pró­


pria do homem; desta forma, não podemos separar a adoração da
religião, nem que a adoração se caracterize pelo culto silenciosa­
mente eloqüente do permanecer frente ao espelho com o ar de sa­
cerdote e d iv in d a d e ...

Por isso, sem querer fazer uma extensa peregrinação histórica,


poderíamos, contudo, perguntar às vozes facundas do passado —
que deixaram seus ecos nos seus escritos e tradições — como
deveria ser o culto e, por certo, constataríamos que em sua grande
maioria encontraríamos a idéia de sa crifício animal e humano, como
expressão cúltica. Encontramos tal prática entre os Egípcios, Persas,
Indianos, Chineses, Saxônicos, Assírios, etc. Heródoto (c. 484-C.420
aC), por exemplo, narra em sua “ H istória" que o rei de Tiro ofereceu
seu filho para obter prosperidade, tendo os Cartagineses o mesmo
costume. O aludido autor descreve uma tradição cartaginesa que

__ lo
conta a m orte de A m ílcar (c. 290-229 aC), rei de Cartago, de forma
dramática:

“ Dizem eles (os Cartagineses) que a batalha que os bárba­


ros travaram com os Gregos, na Sicília, durou dasda o romper
da aurora até o anoitecer, e que Am ílcar permaneceu firm a no
campo da luta, imolando vítim as, cujas entranhas lha auguravam
grandes sucessos, queimando-as inteiras numa vaata fogueira,
Tendo, todavia, percebido, enquanto fazia libações sobre as v íti­
mas, que suas tropas batiam em retirada, atirou-se ela próprio
ao fogo, sendo logo devorado pelas chamas" (14).

Os deuses variavam e, também, a forma de adoração. Contudo,


o sacrifício humano estava presente em quase todas as religiões
dos povos antigos. Esta era a sua forma de culto (15).

Algo que me impressionou foi a constatação de que os cultos


idólatras tendem sempre ou, pelo menos, na maioria das vezes, para
as orgias sexuais e bebedeiras. Parece que os homens, com toda a
sua criatividade idólatra, criaram seus deuses conform e seus capri­
chos e desejos mais baixos e, quando os adoravam, glorificavam na
verdade os seus próprios vícios personificados nas obras de suas
mãos. “ O a rtífice em madeira estende o cordel e, com o lápis, es­
boça uma imagem; alisa-a com plaina, marca com o compasso, e
faz à semelhança de beleza de um homem, que possa morar em
uma casa” (Is 44.13). “ Os ídolos das nações são prata e ouro, obra
das mãos dos homens. Têm boca, e não falam; têm olhos, e não
vêem; têm ouvidos, e não ouvem; pois não há alento de vida em
sua boca" (SI 135.15-17). “ A quem me comparareis para que eu lhe
seja igual? e que cousa semelhante confrontareis comigo? Os que
gastem o ouro da bolsa, e pesam a prata nas balanças, assalariam
o ourives para que faça um deus, e diante deste se prostram e se
inclinem. Sobre os ombros o tomam, levam-no e o põem no seu
lugar, e aí ele fica; do seu lugar não se move; recorrem-se a ela,
mas nenhuma resposta ele dá, e a ninguém livra da sua tribulação"
(Is 46.5-71. A condenação dos idólatras é a de se tornarem inertaa,
sem vida como as obras de suas m ã o s ... “ Como eles se tornam
os que os fazem, e todos os que neles confiam ” (SI 135.18); porqu t
Deus os entregou às suas p a ix õ e s ... (Rm 1.18-32 (16).
2. 0 CULT0 CRISTÃO COMO ATITUDE RESPONSIVA

Normalmente quando se fala de Culto ou do seu porquê, tem-se


seguido caminhos desviantes da fé cristã ou, quando se localiza a
trilh a correta, confunde-se, m uitas vezes, o caminho da ação com
o da reação, percorrendo-se, assim, apenas a metade da estrada e
esquecendo-se da sua origem, da sua “ causa p rim eira ” . . . A firm o
isto porque tenho observado que, quando se fala de culto, amiúde
tem-se partido do ponto referente à aproximação do homem em dire­
ção a Deus, colocando, desta forma, o ponto de partida no homem,
no desejo deste em buscar a Deus, evidenciando-se embora, de
modo correto, a Teocentricidade do Culto. Todavia, isto não é sufi­
ciente. Entendemos, biblicam ente, que o culto não é uma ação hu­
mana mss, sim, uma re-ação, uma atitude responsiva à ação de Deus
que, prim eiro, veio ao homem capacitando-o a responder a Ele. É
Deus quem procura seus adoradores (Jo 4.23) (17).

Teólogos como Karl Barth (1886-1969) e outros, não têm falado


do cristianism o como “ religião", devido ao fato de que a palavra
"re lig iã o ” (18) tomou a conotação de um esforço do homem em dire­
ção a Deus. Enquanto que Barth, corretam ente, entende, seguindo
neste ponto a Teologia Reformada, que o cristianism o nos fala de
um Deus soberanamente livre que vem ao encontro do homem que
está morto em seus pecados e, por isso, não pode ter qualquer con­
tato com Ele (Is 59.2; Ef 2.1) (19).

O homem não cultua a Deus porque, casualmente, em determ i­


nado momento de sua vida, teve-um “ in sig h t” de fé e'resolveu adorá-
Lo. Não! A adoração correta (20) ao verdadeiro Deus é uma atitude
de fé e obediência na qual o adorador se prostra diante de Deus,
que o atraiu com a sua Graça Irresistível (21). Neste ato de culto,
o homem confessa a sua dependência de Deus, professando a sua
fé, em resposta à Palavra Criadora de Deus (Jo 1.1; Rm 10.17). A
Palavra de Deus é criadora pois gera a fé e, todas as vezes que
Deus fala ao homem, algo de novo acontece, o homem não pode
ser mais o mesmo, ele não pode mais ignorar este acontecimento ..
E, isto se expressa em culto. Deus fala e o homem adora; Deus se
mostra, o homem contempla; Deus abençoa, o homem lo u v a ... “ De
longe se me deixou ver o Senhor, dizendo: Com amor eterno eu te
amei, por isso com benignidade te a tra í” (Jr 31.3).

O culto é a expressão da alma que conhece a Deus e deseja


continuar mantendo este diálogo, mesmo que este diálogo, por al­
guns instantes, consista apenas num monólogo edificante de Deus
falando.

A definição de V íctor M. S. Garcia expressa bem esta realidade:

" . . . Em essência o culto é um encontro de Deus com Seu


povo no qual se estabelece um diálogo: Deus fala à Sua Igreja
através de Sua Palavra e a Congregação expressa sua adoração
ao Senhor mediante as orações, oferendas e hinos” (22).

O culto é uma reação adoradora que só se torna possível pela


Graça de Deus que nos dá Vida (Jo 10.10; Ef 2.1,5; Cl 2.13), capa­
citando-nos para este evento.

“ Ó M estre, nunca cessarão meus lábios

De bendizer-te e entoar-te glória;

Pois eu conservo de teu bem imenso

Grata m em ória" (23).


3. LITURGIA: ORIGEM E EVOLUÇÃO DO TERMO

3.1. Uso Secular e EvoluçSo

A palavra "litu rg ia ” é transliteração aportuguesada do termo


grego “ leito urg ía ” , que pode significar o “ serviço público ou parti­
cular fe ito por um cidadão” . As variantes da palavra são: “ leitour-
g ó s” , formada por duas palavras: “ le ito s ” (Público) e “ ergos” (Ser­
viço), (ação). Assim sendo, a sua tradução literal seria- “ Servidor
Público". Esta palavra é pouco encontrada no grego secular e, nor­
malmente, recebe a tradução de “ a rtífic e ” . “ Leitourgéõ” (Eu m inis­
tro, s irv o ") e, “ leitourgikós" (M inistrante). Esta palavra é pouco
encontrada nos papiros.

No Grego Clássico, a palavra “ leitourgía" passou por quatro es­


tágios distintos, a saber:

1) Primeiramente, significa um serviço prestado de forma vo­


luntária à Pátria, ou obrigatória por causa de sua renda. De qualquer
forma era um serviço prestado à Nação.

2) Depois passou a significar (principalm ente no Egito), a reali-


Zcção dos serviços que o Estado impunha aos cidadãos, especial­
mente qualificados para fazê-lo. Aqui, já não há lugar para a volun­
tariedade; as tarefas são obrigatórias, desempenhadas pela força,
caso fosse necessário,

3) Posteriormente, o term o expandiu-se, chegando a descrever


qualquer tipo de serviço. A palavra passou a ser usada, por exemplo,
com respeito às bailarinas, aos flautistas ou músicos contratados
para algum espetáculo. Usava-se também para se refe rir a qualquer
trabalhador que prestasse serviço a alguém; e, como testemunho
máximo da sua abrangência, o term o passou a ser usado até mesmo
para o “ serviço" de uma meretriz.

4) Finalmente, desenvolveu-se um emprego totalm ente distinto


do sentido jurídico, utilizando-se no sentido religioso; assim, no tem ­
po do Novo Testamento, no prim eiro século da Era Cristã, o term o
era comum para descrever o serviço que um sacerdote ou servo
prestasse nos tem plos dos deuses (24).

3.2. Uso Bíblico

3 . 2 . 1. Na Septuaginta:

Na versão grega do Velho Testamento, feita em Alexandria por


volta do ano 250 aC, conhecida por Septuaginta (25), encontramos
os seguintes term os:

1) “ leitourgós: Utilizado onze vezes (Js 1.1; 2 Sm 13, 17-18; 2


Rs 4.43).

2) “ leito urg ía ” : Que traduz o hebraico abõdãh, é utilizado mais


de quarenta vezes (Nm 4.24,27,28,33; 7.5,7,8; 2 Cr 8.14).

3) ‘‘ leitourgéõ” : Que traduz o hebraico seret, é utilizado quase


noventa vezes (Ex 28.31,39; 29.30; Dt 10.8; 1 Sm 2.11,18; 3.1,6).

“ Leitourgía" e "le itou rg éõ ", “ eram especialmente apropriadas


para expressar o serviço ritual, porque o culto sacerdotal era públi­
co, fixo e regulado pela lei, e o bem-estar do povo de Deus dependia
dele. É, porém, surpreendente que a LXX (Septuaginta) usasse estes
term os sem hesitação também para o culto pagão (e.g. Ez 44.12)” (26).

4) “ leitourgikós” : Utilizado seis vezes (Ex 31.10; Nm 4.12,26; 7.5).

5) “ leitourgesím os” : Utilizado apenas uma vez (1 Cr 28.13), não


sendo traduzido; contudo, se refere aos utensílios usados para o ser­
viço na casa do Senhor (leito.urgesímõn skeuõn).

6) “ leitoúrgem a” : Apenas duas vezes (Nm 4.32) como “ Serviço"


e, Nm 7.9 como “ Cargo” , referindo-se ao "M in isté rio Sagrado" dos
Coatitas: o de levar o Santuário nos ombros.

Com exceção de alguns poucos casos, estes termos são sempre


empregados na Septuaginta, referindo-se a um Serviço Religioso, en­
volvendo de forma direta ou indireta algo feito para o Senhor.

3 .2 .2 . No Novo Testamento

No Novo Testamento, encontramos quatro dos seis term os en­


contrados na Septuaginta, a saber:

1) “ leito urg ía ” : Seis vezes, Lc 1.23 (M in istério ); 2 Co 9.12 (A


sistência); Fp 2.17 (Serviço); Fp 2.30 (Socorro); Hb 8.6 (M in istério );
Hb 9.21 (Serviço Sagrado) (27),
2) “ leitourgós” : Cinco vezes (Rm 13.6; 15.16; Hb 1.7; 8.2 (M inis­
tro ); Fp 2.25 (Auxiliar).

3) “ leitourgéõ” : Três vezes (A t 13.2 (Servindo); Rm 15.27 (Servi-


los) e Hb 10.11 (Serviço Sagrado).

4) "le ito u rg ikó s” : Uma vez (Hb 1.14 (M inistradores) (28).

O que me chamou a atenção na utilização neotestamentária des­


tas palavras é que sempre há uma relação direta ou indireta com
um serviço religioso.

Resumindo, podemos dizer que a palavra ‘'litu rg ia ” tem três usos


principais no Novo Testamento, a saber;

1. Serviço de um homem para os outros:

Rm 15.27; 2 Co 9.12; Fp 2.17,30.

2. Serviço especificam ente Religioso:

Lc 1.23; A t 13.2; Hb 8.2,6.

3. Aquele que está a serviço do seu Senhor:

Rm 13.6; 15.16.

3.3. Uso Posterior

No grego posterior, a palavra veio a sign ificar simplesm ente


"O b re iro ” , “ Trabalhador” (29).
4. DEFINIÇÃO DE LITURGIA

4 .1 . Popular-Simplista

A definição que normalmente encontramos entre os crentes e,


Eté mesmo, entre líderes evangélicos, é que a liturgia é o "Progra­
ma" ou “ Roteiro" do Culto, o qual, torna o Culto “ frio ", “ sem liber­
dade de expressão” , “ sem liberdade para a ação do Espírito San­
t o ’’ , etc. Observo, também, que muitas vezes o term o liturgia é u ti­
lizado com uma forte conotação pejorativa, como sinônimo da pre­
tensão humana de amordaçar o E s p írito ...

4 .2 . Bíblica-Teolõgica

A Liturgia é o "Serviço Religioso" de Adoração ao Deus Triúno.


Notemos que, neste sentido, não pode haver culto sem Liturgia; nem
Liturgia sem Culto, pois, CULTO É SERVIÇO RELIGIOSO e Serviço
Religioso é Liturgia. Logo, CULTO É LITURGIA! Por isso, podemos
afirm ar que a Liturgia é a manifestação responsiva do Povo de Deus
que anela pelo re-encontro do terrenal com o Divino, do contingente
com o Absoluto, do temporal com o Eterno, do “ Eu” que encarna
todo o lim ite, com o “ Tu” Divino que personifica toda a possibili­
dade. . . (SI 42.1-2).

Um dos m istérios do Culto é que o encontro é de valor in fin i­


tamente qualitativo: o Deus, o “ Totalmente O u tro ” , nos fala, e este
encontro tem um sentido não temporal, a-temporal, pois a qualidade,
o significado do encontro não pode ser medido no tempo; no entan­
to, tal encontro se dá num momento quantitativam ente fin ito . .. Quan­
do Deus fala, a categoria do tempo não serve de parâmetro para este
acontecimento, pois, este ato é regido pelo atemporal: pelo Eterno!
5. A ADORAÇÃO NA SINAGOGA E O CULTO CRISTÃO

Apesar de não encontrarmos nas páginas do Novo Testamento


nenhuma descrição completa do Culto Cristão, constatamos que,
desde o início da Igreja neotestamentária, havia uma forma própria
de Culto (A t 2.42). Podemos observar, também, que desde o flo re s­
cimento da Igreja Cristã, houve a consciência de que o culto sacri­
ficial judaico tivera um valor transitório: ele apontava para o sacrifí­
cio perfeito de C risto (A t 6.8; 7.53), sendo tal conceito coroado com
a Epístola aos Hebreus, escrita trinta anos mais tarde, por um autor
anônimo. Contudo, uma pergunta se faz necessária: O Culto Cristão
recebeu algum tipo de herança ou se estruturou do nada, de acordo
com a orientação diretiva do Espírito?

Hoje é assunto aceito quase universalmente que o Culto Cristão


encontrou o seu protótipo na Sinagoga e, possivelmente (aqui, a pa­
lavra possivelmente é relevante), nas comunidades religiosas como
a de “ Qumran", por exemplo.

As palavras de W. D. Maxwell representam a voz uníssona de


inúmeros estudiosos que, por certo, ratificariam a sua tese:

“ A adoração cristã, como coisa distintiva e autóctone, sur­


giu da fusão, no cadinho da experiência cristã, da Sinagoga e
do C e n á cu lo .. . A adoração típica da Igreja pode ser achada até
ao dia de hoje na união entre a adoração na sinagoga e a expe­
riência sacramental no Cenáculo, e essa união remonta aos tem ­
pos neotestam entários" (30).

Esta tese é inteiram ente verificável através de evidências histó­


ricas, evidências estas que discutirem os no decorrer deste trabalho,
devendo-se levar em consideração, também, que os prim eiros discí­
pulos de Jesus C risto eram judeus e a forma de culto que eles
conheciam era o culto prestado na Sinagoga e no Templo. Porém, “ a
única coisa que faltava na adoração da sinagoga era o s c rifíc io ” (31).
Contudo, os judeus das regiões distantes de Jerusalém estavam mais
familiarizados com a Liturgia da Sinagoga, tendo em vista que estas
se encontravam por quase todas as cidades onde houvesse judeus
pois, de scordo com a lei do “ M isn á ” (forma aportuguesada), era
perm itido que dez homens judeus formassem, em qualquer lugar,
uma sinagoga. Havia cidades, inclusive, que possuíam várias. Estima-
se, inclusive, que Jerusalém tinha cerca de quinhentas Sinagogas (32).
Outro fato que reforçou ainda mais a influência da Sinagoga, foi a
destruição do Templo ocorrida cerca de 40 anos depois de morte e
ressurreição de Jesus, enquanto a Sinagoga continuou irradiando sua
in flu ê n c ia ..,

Conforme a “ M isná” (Meghillah IV.3) podemos d ivid ir o Culto


na Sinagoga em seis partes, a saber:

1) Recitação responsiva do “ Shema" (“ Ouve” ), títu lo tirado da


prim eira palavra do texto de Dt 6.4,9, que consistia na leitura de,
além deste texto, de Dt 11.13-21; Nm 15.37-41).

2) Recitação do “ Shemone Esreh" (“ Dezoito Bênçãos"), que se


supõe te r o nome dezoio, em decorrência do fato de o nome de Deus
aparecer dezoito vezes no "Shem a” . Estas "bênçãos’’ consistiam em
uma série de louvores a Deus, tais como:

“ Bendito és Tu, o Senhor nosso Deus, o Deus de Abraão,


o Deus de Isaque, o Deus de Jacó: o Deus grande, poderoso e
te rrível, o Deus altíssim o que mostra m isericórdia e benignida­
de, que cria todas as coisas, que relembra os feitos piedosos
dos patriarcas, e que por amor dará um redentor aos filhos de
seus filhos por amor de Seu nome, ó Rei, Ajudador, Salvador,
e Escudo! Bendito sejas Tu, ó Senhor, Escudo de Abraão" (33).
. . . E outras, que enfatizavam a restauração de Israel, o Templo
e a dinastia d a v íd ic a ...

3 Cântico de Salmos.

4) Orações rituais e silenciosas.

5) Leitura do Velho Testamento feita por um homem que sou­


besse ler o hebraico, tendo um intérprete (Aram. (Méthurgemãn) para
verter o texto para o aramaico que, amiúde, no caso da leitura do«
Profetas, explicava a mensagem por meio de uma paráfraso, a tlm
de tornar o texto mais compreensível ao seu contexto histórico. F»l»
tradução era necessária devido ao fato de o Aramaico ter sido c u lti­
vado desde o exílio pelo povo judeu, e era melhor entendido do qu*
o Hebraico, exceto pela elite intelectual que sempre preservou o
estudo da sua língua materna, falando e escrevendo neste idioma ..

Após a leitura dos textos sagrados, qualquer pessoa da congre­


gação, que fosse considerada competente, recebia o convite para
pronunciar o sermão (Cf. Lc 4.16ss; A t 13.15ss). Esta era a parte
mais importante do Culto.

6) Uma bênção pronunciada por algum membro sacerdotal


congregação ou, na ausência de alguém com qualificações sacerdo­
tais, em vez da bênção, havia uma oração.
Podemos enquadrar estes seis itens em três elementos princi­
pais, os quais constituem o culto (liturgia) na Sinagoga: I — LOU­
VOR (itens 1, 2 e 3); II — ORAÇÕES (itens 4 e 6); III — INSTRU­
ÇÃO (item 5).
O Dr. R. H. Gundry, comentando o ritual deste culto, escreveu:

“ Os cânticos não eram acompanhados de instrum entos mu­


sicais. A fim de ler algum rolo do Antigo Testamento, o orador
se punha de pé. Ao pregar, ele se sentava. Quando das orações,
todos se erguiam de p é ” (34).

O Culto Cristão, desta forma, encontrou ricos elementos na Li­


turgia da Sinagoga, elementos estes, que foram usados, adaptados e
transform ados, de acordo com uma visão nova, fruto da fé cristã,
ensinada pelo próprio Jesus C risto: “ Deus é Espírito e importa que
os seus adoradores o adorem em espírito e em verdade” (Jo 4.24) (35),
liturgia que foi sendo amadurecida de acordo com o registro dos
Evangelhos (entre os anos 60 e 96 AD) e dos demais livros do Novo
Testamento (49-96 AD), encontrando a sua efetivação e maturação
históricas no desenvolver conceituai da Igreja, mediante a direção
e iluminação do Espírito Santo, o qual não veio trazer nada de novo,
exceto ensinar o que Deus já revelara (Jo 14.26; 16.13).
Como sinal evidente de uma transformação dos elementos judai­
cos feita pela Igreja Cristã, constata-se que desde o início a Igreja
passou a se reunir diariamente (A t 2.42-47) e, posteriorm ente, no
prim eiro dia da semana, devido a ressurreição de Jesus te r ocorrido
neste dia: Domingo (Jo 20.1,19; A t 20.7; 1 Co 16.2; Ap 1.10) (36),
pois, o espírito do Culto passou a ser prim ordialm ente de adoração
ti Deus, celebrando a ressurreição de C risto, que assinala a vitória
da vida sobre a morte: o raiar de um novo dia para todo aquele que
tlvo r o coração despertado pela F é !. . .
“ A atenção naqueles cultos de comunhão não se centrali­
zava tanto nos acontecimentos da Sexta-feira Santa como nos do
Domingo de Ressurreição. Uma nova realidade havia amanhecido,
e os cristãos se reuniam para celebrá-la e para se fazerem par­
ticipantes dela ” (37).
6. LITURGIA DA IGREJA CRISTÃ NO PERÍODO POS-APOSTÓLICO

Para analisar este período, obviamente temos de recorrer à lite ­


ratura extra-bíblica pois a época estudada se refere ao período do
segundo século em diante da Era Cristã. O período apostólico, entre­
tanto, é restrito ao prim eiro século, tendo os escritos do Apóstolo
João sido redigidos por volta do ano 95 AD, sendo estes, os últim os
livros que compõem o Cânon, em term os de redação.

Quero dizer, ainda, que para que o nosso estudo se torne mais
claro, se faz necessário fazermos algumas citações de documentos
da época ou, em outros casos, de historiadores do período e algumas
destas citações serão um tanto extensas, para as quais peço a gentil
paciência do le ito r ...

A nossa abordagem começará por Plínio, o Jovem (c. 62-113 AD).


Plínio foi enviado pelo Im perador Trajano (53-117 AD) (o qual cruci­
ficou a Simão, irmão de Jesus, bispo de Jerusalém, no ano 107 e
lançou a Inácio, bispo de Antioquia, às feras em Roma, no ano 110),
à Ásia Menor para sanar um problema existente: O número de c ris ­
tãos tinha aumentado tanto, que os templos pagãos estavam quase
que totalm ente desertos e, conseqüentemente, tais cristãos não ve­
neravam a imagem do Imperador, nem adoravam os deuses roma­
nos (38). Para resolver tal questão, Plínio dispunha de poderes am­
plos, podendo até mesmo usar da força, se fosse p re c is o ... O que
de fato ele fez. Contudo, havia alguns casos a respeito dos quais
ele preferiu escrever para o Imperador Trajano, a fim de saber como
so lu cio n á -lo s... E, através de uma destas cartas, escrita por volta
do ano 112 AD, vamos saber que os cristãos, durante o interrogató­
rio, disseram que:

“ ( . . . ) sua culpa se reduzia apenas a isto: em determinados


dias costumavam comer antes da alvorada e rezar responsiva-
mente hinos a C risto, como a um d e u s ..." (39).

No “ Didaquê” , ou “ Ensino dos Doze A p óstolo s” , obra escrita


possivelmente em meados do segundo século, por um autor desco­
nhecido, encontramos uma descrição da concepção litúrgica existente:

"Reunidos no dia do Senhor, parti o pão e dai graças, após


confessardes vossos pecados, a fim de que seja puro o vosso
sacrifício. Se alguém tive r qualquer contenda com seu compa­
nheiro, não se reúna convosco enquanto não se reconciliar, para
que não seja profanado o vosso sacrifício. Pois este é o sacra­
mento do qual diz o Senhor ‘Em todo lugar e em todo tempo
oferta-se-me um sacrifício puro, porque eu sou um grande rei,
diz o Senhor, o meu nome é admirável entre os gentios’ (M l 1.
11,14)” (40).

Justino, o M á rtir (100-167 AD), que escreveu por volta do ano


150, sua Apologia, “ dirigida ao Imperador Antonino Pio e a seus f i­
lhos adotivos, defendendo o cristianism o contra a perseguição gover­
namental e as críticas pagãs” (41), assim descreve o culto cristão:

“ No dia denominado de dia de sol (42) há uma reunião de


todos aqueles que vivem tanto nas cidades como no campo. A li
se dá a leitura das Memórias dos apóstolos (43) ou das Escri­
turas dos Profetas até onde o tempo permite. Terminada a leitura
o presidente faz uso da palavra para nos admoestar e nos exor­
ta r a imitação e prática dessas coisas admiráveis. Logo nos le­
vantamos e oramos juntos. Terminada a oração, do modo como
já foi dito, traz-se pão e vinho com água. O presidente dirige a
Deus orações e ações de graça, o povo aquiesce com a aclama­
ção: Amém. E se procede a distribuição dos elementos eucarís­
ticos entre todos (44), enviando-se também, mediante os diáco­
nos, aos que estão ausentes" (45) (46).

Quando os historiadores comentam o Culto nos séculos II e III


da era cristã, observam que a atmosfera que os cristãos respiravam
estava carregada das influências advindas das religiões de m istério.
Justino, em sua já aludida obra, constata que a Santa Ceia já tinha
sido copiada pelos pagãos, escrevendo:

“ Esta instituição foi imitada e ordenada pelos demônios per­


versos nos m istérios de M itra, pois, como conheceis ou podeis
conhecer, em suas cerimônias de iniciação, são apresentados o
pão e um cálice de água acompanhados da repetição de certas
fórm ulas" (47).
A possível explicação para tal sincretism o adoracional se deve
a uma tendência natural da época, a qual carrega consigo uma he­
rança de vários séculos, de adaptações sincréticas na form a cúltica
(48) e também "pelo grande crescimento da Igreja, por meio da con­
versão de m uitos pagãos, durante a prim eira metade do século III" (49).

Notemos que esta prática eclética continuou de forma gradativa


através dos te m p o s ... É claro que houve fatores históricos que con­
tribuíram para isso. Contudo, isto é assunto para um outro trabalho
e, por certo, não da minha pena; todavia, podemos observar alguns
pontos re le v a n te s ... Assim , quando o historiador W. W alker faz
alusão ao culto cHstão nos séculos IV e V, escreve:

“ O culto público nos séculos IV e V estava inteiram ente


sujeito à influência do conceito de disciplina secreta, a assim
chamada disciplina arcani (50), provavelmente originária de con­
cepções semelhantes às religiões de m istério, ou delas prove­
nientes. Suas raízes remontam, ao que parece, ao século III. Sob
a influência de tais fatores, os ofícios dividiam-se em duas par­
tes. A prim eira era franqueada aos catecúmenos e ao pública
em geral, incluindo leitura da Escritura, cânticos, o sermão e a
oração. À segunda, o verdadeiro m istério cristão, só eram admi­
tidos os batizados. Seu ápice era a Ceia do Senhor, mas o credo
e a oração dominical eram também reservados aos iniciados por
meio do batismo (51). A disciplina secreta term inou com o de­
saparecimento do catecumenato, no século VI, partindo do pres­
suposto de que a população era agora cristã.
“ A parte pública da adoração dominical iniciava-se com a
leitura da Escritura, entremeada do cântico de salmos. Essas
seleções apresentavam três passagens: os profetas, isto é, o
Antigo Testamento; as epístolas e os Evangelhos. Eram esco­
lhidos de forma tal que no curso de domingos sucessivos se
abrangesse a Bíblia inteira (52). No fim do século IV, começa­
ram a ser elaborados os lecionários, reclamados pela conve­
niência de let- seleções apropriadas a estações especiais e de
abreviar certas passagens. Durante a luta ariana, tornou-se co­
mum o uso de hinos outros que não os salmos, prática que, no
Ocidente, foi disseminada com grande sucesso por Am brósio de
M ilão (53).

“ A últim a parte do século IV e a prim eira metade do V foi,


mais que quaisquer outras, a era dos grandes pregadores da
Igreja antiga. Entre os mais eminentes contavam-se Gregório de
Nazianzo, Crisóstom o e C lrllo de Alexandria, no Oriente; Am-
brósio, Agostinho e Leão I, no Ocidente. A pregação era, em
sua maior parte, de caráter expositivo, embora acrescida de
aplicações simples aos problemas da vida cotidiana. Sua forma
era não raro altamente retórica, e os ouvintes manifestavam
sua aprovação por meio de aplausos” (54).

O antigo respeito para com os m ártires, que desde o segundo


século se caracterizou, dentre outras coisas, pelo fato de a igreja
“ se reunir junto às suas tumbas no aniversário de sua morte para
celebrar a comunhão” (55), transformou-se em culto (56), surgindo
assim, nos dizeres de Harnack, “ um cristianism o popular de segunda
classe” .

Depois das últim as perseguições nos séculos IV e V, os novos


convertidos tendiam a tran sfe rir parte da reverência cúitica a pode­
res miraculosos que atribuíam aos seus antigos deuses pagãos, ao
Deus cristão e aos apóstolos e m á rtire s ...
Notemos que, a partir daí, bastou apenas um passo para que as
tumbas dos m ártires se tornassem local de peregrinações; e os pró­
prios locais se tornaram alvos de orações, de intercessão, de supos­
tos m ilagres como se fossem protetores de cidades, entidades, fa­
mílias, etc. A própria mãe de Constantino, Helena, empreendeu uma
peregrinação a Jerusalém, crendo te r sido encontrada ali a verdadei­
ra cruz de Cristo.
A virgem Maria, a segunda Eva, como entendia lrineu (57), pas­
sou a ocupar o lugar principal na adoração popular.
“ A ela transferiu-se m uito do sentim ento que se expressara
no culto das deusas-mães do Egito, da Síria e da Ásia e da Ásia
Menor, embora em forma m uitíssim o mais elevada" (58).
“ Em Éfeso, parte da adoração tributada a Diana foi transfe­
rida à virgem Maria, e se diz que ela tomou posse dos santuá­
rios de Ceres e Vênus na S icília " (59).

Ela transformou-se numa mediadora entre Deus e o h o m e m ...


Neste período, os anjos foram adorados, especialmente M ig u e l...
Constantino construiu um tem plo em sua homenagem perto deCons­
tantinopla, fazendo o mesmo em honra de São P e d ro ...

Tudo isto foi apenas uma preparação para a canonização dos


“ santos” . . . Era a igreja cristã que se paganizara... Não posso nem
falar de culto cristão deste período pois, já não mais e x is tia ...
7. A IGREJA CRISTÃ: COMUNIDADE LITÚRGICA

A Igreja Cristã, pela sua própria constituição, é uma Comuni­


dade adoradora. A Igreja se fundamenta sobre a “ Rocha” que é Jesus
C risto (1 Co 3.11; Ef 2.20; 1 Pe 2.4-8), e quando ela se conscientiza
disso, cabe-lhe apenas o louvor, pois, a sua base está na Obra Sa­
c rificia l de C risto, sem a qual a Igreja não e xistiria. Desde o Velho
Testamento, a Igreja, como realidade histórica, existia de form a res­
trita , identificando-se, de forma lim itativa, com o povo de Israel,
embora a Igreja existisse já antes da formação de Israel, desde a
criação de Adão e Eva (6 0 )... Contudo, a Igreja aguardava a e fe ti­
vação, a concretização da Promessa de Deus (Gn 3.15), que se daria
com a vinda de Jesus C risto, o “ Cordeiro que foi morto, desde a
fundação do mundo” (Ap 13.8) e quando, então, Ele cum priria a sua
missão de forma cabal, na “ plenitude do tem po" (Gl 4.4; Jo 19.30),
vencendo a morte (1 Co 15.20-21). Como sinal visível desta vitória,
a promessa feita por Jesus C risto se cumpre, Deus Pai otuorga-nos
o Espírito Santo, que procede do Pai e do Filho (Jo 14.25-26; 16.7-15
(Comp. c / A t 2) (61). A Igreja é Batizada com o Espírito S a n to ...
Tendo, então "Poder” para evangelizar, se lançando assim, no fulgor
do Espírito, a todas as n a ç õ e s ... (A t 1.8).

Assim , a consciência da Igreja é a constatação da sua fraqueza,


porque é composta de homens frágeis e, ao mesmo tempo, de sua
glória, pois é de C risto. Assim , a consciência da Igreja deve ser uma
re-ação de adoração ao seu Senhor que lhe deu vida, e a acompanha
pela história a fo r a ... (M t 16.18; 28.20). A Igreja que não re-age
assim, é porque, na realidade, não descobriu a sua identidade ou,
então, a sua identidade é apenas terrena e, não Obra de C risto
(Ap 3.9).

A Igreja de C risto adora ao seu Senhor em tudo que faz, pois


o faz para a Glória do Deus Triúno.

Analisemos alguns pontos dentro deste tópico:


7. 1. A Iniciativa da Adoração e a Forma Provém do próprio Deus

Conforme falamos já anteriorm ente, e temos insistido durante


todo este trabalho, o Culto é a resposta do homem a Deus, com fé
e grantidão. Isto indica que é Deus quem dá o prim eiro passo na
forma como Ele deve e quer ser adorado (Ex 29.38-46). Esta concep­
ção também está expressa na Confissão de W estm inster (1643-1649),
que diz:

“ ( . . . ) O modo aceitável de adorar o verdadeiro Deus é


instituído por Ele mesmo e tão lim itado pela sua vontade reve­
lada, que não deve ser adorado segundo imaginações e invenções
dos homens ou sugestões de Satanás nem sob qualquer outra
maneira não prescrita na Santa Escritura" (62).

Isto significa que toda a criatividade humana deve estar sub­


missa à instituição divina, pois o Deus Trino, quqe é adorado, estabe­
lece o critério para este ato. Por isso, o que determina a forma do
culto, não é um crité rio puramente estético ou sentim ental, mas,
sim, espiritual, teológico-revelacional. . .

“ Mas vem a hora, e já chegou, quando os verdadeiros ado­


radores adorarão o Pai em espírito e em verdade; porque são
estes queo Pai procura para seus adoradores. Deus é Espírito;
e importa que os seus adoradores o adorem em espírito e em
verdade” (Jo 4.23-24) (63).

“ Porque nós é que somos a circuncisão, nós que adoramos


a Deus no Espírito, e nos gloriamos em C risto Jesus e não con­
fiamos na carne” (Fp 3.3) (64).

A adoração que é prestada dentro da liberdade do Espírito e nos


parâmetros humanos, é guiada pelo próprio Espírito de Deus (Ef 2.18),
através de pessoas que foram regeneradas (Tt 3.4-5) e estão submis­
sas às prescrições de Deus.
Creio que as observações do Dr. Bruce L. Shelley são pertinen­
tes aqui:

“ A verdadeira adoração, porém, deve ser sempre para a


glória de Deus. Nos cultos modernos, muita atenção é dirigida
para o que acontece com o adorador. As igrejas recorrem ao
som, luzes, sim bolism o, liturgia (65) e encenação, a fim de pro­
vocar sentim entos emocionais no adorador. Os que participam ,
tendem a avaliar o culto em term os de como ele os edificou
ou fê-los sentir-se bem ou os inspirou.

“ Precisamos vigiar neste ponto. É possível confundir entre­


tenim ento com adoração, substituindo o que alguém chamou de
‘afeição subjetiva' em lugar de 'confiança objetiva’. Podemos
tom ar o prazer estético que sentimos ao ouvir o coral, ou a
beleza arquitetônica do prédio da igreja, por uma verdadeira
experiência de adoração” (66).

"A valiar a adoração pelo que acontece ao adorador é fazer


dos homens, e não de Deus, o centro da mesma. Isto seria usar
Deus para fins humanos. Mas o propósito final de Deus não é
g lo rifica r o homem e torná-lo feliz para sempre. Mas, pelo con­
trário, o propósito final do homem é g lo rifica r a Deus e gozar
dEle para sempre. Esta a finalidade principal de toda a verda­
deira adoração” (67).

Por mais bela é impressionante que seja a adoração planejada


pelo homem, se ela não fo r dirigida por Deus, através do Seu Espí­
rito, não será aceita; não passará de uma tentativa de boa obra
humana procurando conseguir o favor divino; será uma tentativa de
I troca, na qual, a rigor, o homem passou a ser o centro e Deus o
ilustre desconhecido (68), invocado como pretexto da pretensa "d iv i­
na” comédia humana (69). O Culto ao Senhor não pode ser a nosso
bel-prazer, como quis Jeroboão e, também, de certa forma Uzias,
pois, Deus o r e je ita ... (Vd. 1 Rs 12.33-13.5; 2 Cr 26.16-21).

Deus requer dos seus adoradores um Culto "em espírito e em


verdade” (Jo 4.24). (70) e isto significa que a nossa expressão ver­
bal deve ser coadunante com o nosso espírito; que os nossos lábios
homologuem o que pensamos e sentim os em resposta à ação de
Deus; e, tudo isso, de acordo com os Seus ensinamentos contidos
na Sua Palavra (Vd. 1 Sm 15.22; 51.16-17; Is 1.10-17; Os 6.6; Am
5.21-23) (70).

Derek Kidner, comentando o texto de SI 51.16-17, escreve:

"Deus não está rejeitando os próprios sacrifícios que Ele


ordenou e, muito menos, declara que podemos fazer nossa pró­
pria expiação. O que Ele ressalta aqui é que o melhor dos sacri­
fícios é odioso a Ele sem um coração co n trito " (71).
7.2. A Igreja é Vocacionada para Prestar C ulto

A Igreja como Povo de Deus, encontra a sua realização no ato


de Culto, no qual revela publicamente o significado de Deus para
a sua vida, tomando público o que Deus fe z ... Contudo, é impor­
tante que frisem os que o Culto não é uma feira livre, na qual ex­
pomos o que Deus fez e convidamos os freqüentadores a fazerem
uma “ fezinha” n E le ... Não! O Culto é um testemunho solene, pú­
blico das “ Virtudes de D eus” . . .

“ Vós, porém, sois raça eleita, sacerdócio real, nação santa,


povo de propriedade exclusiva de Deus, a fim deproclamardes
as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a Sua
maravilhosa luz” (1 Pe 2.9. Vd. também 1 Pe 2.5; Hb 13.15).

A Igreja, em sua peregrinação terrena, apresenta-se ao Seu Se­


nhor como oferta voluntária e total na qual está expressa uma atitude
de adoração, gratidão e consagração. Adoração pelo que Deus é; gra­
tidão pelo que Deus fez. Consagração como testemunho de fé de que
o Deus adorado é o Seu Deus. Assim , a Igreja cumpre a sua missão
litúrgica (Rm 12.1).

7 .3 . A Igreja como Comunidade Litúrgica adora ao Seu Senhor


pelo que Ele É

Há uma tendência m uito comum na Igreja de se adorar a Deus


tendo em vista simplesm ente o que Ele fez ou faz, esquecendo-se do
que Deus é ou do que Ele diz. Na Revelação Bíblica, podemos per­
ceber nitidam ente o fato de que Deus fala e através da Sua Palavra
os fatos acontecem:

“ No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o


Verbo era Deus. Ele estava no princípio com Deus. Todas as
coisas foram feitas por interm édio dEle, e sem Ele nada do que
foi fe ito se fe z ” (Jo 1.1-3).
“ Disse Deus: Haja luz, e houve luz” (Gn 1.3) (72).

O Verbo divino é criador. Deus se expressa criando e, por isso,


Deus fala agindo. .. No entanto, a Sua Palavra precede a seu a g ir ...
“ No princípio era o V e r b o ...” .
Deus, quando se apresentou a Moisés, não disse o que Eie fazia
ou faria, mas se auto-denominou, numa alusão explícita ao Seu Nome,
de “ EU SOU" (Ex 3.14). Deus se revela como aquele que É, e este
“ ser" não é estático. Antes, pelo contrário, é o ser que se torna
conhecido, revelando-se a tiv a m e n te ... Deus não é Deus por fazer
o que faz: Ele faz o que faz por ser D e u s ... O “ façam os” de Deus
só é possível por Ele ser capaz de realizar o que determ inou.

“ No céu está o nosso Deus; e tudo faz como lhe agrada”


(SI 115.3).

Acontece, muitas vezes, que nós nos atemos a agradecer o que


Deus fez, isto, quando agradecemos e nos esquecemos de que antes
de Deus nos abençoar, Ele é o S e n h o r... Esquecemo-nos da reco­
mendação do salm ista: “ Adorai ao Senhor na beleza da Sua Santi­
dade” (Sl 96.9V, olvidamo-nos de agradecer por Jesus C risto, através
de quem recebemos todas as bênçãos materiais e e te rn a s ...

Creio que Paulo tinha em vista co rrigir tais equívocos e spiri­


tuais, que geram a minimização do que é realmente essencial e a
super-valorização do que é secundário, quando escreveu aos roma­
nos, dizendo:

"Aquele que não poupou a seu próprio Filho, antes, por


todos nós o entregou, porventura não nos dará graciosamente
com Ele todas as cousas?" (Rm 8.32).

Em outras palavras, Paulo estava dizendo: ‘‘ Se Deus nos deu


Seu Filho Unigénito, para m orrer pelos nossos p eca do s... haverá
algo demasiado grande que Ele não nos possa dar?” A resposta é,
obviamente, não! No entanto, parece que agradecemos a Deus por
tudo, menos por Jesus C risto, o seu Filho, através de Quem temos
acesso a todas as bênçãos, sendo Ele mesmo o grande dom de Deus
(Ef 1.3). O discurso eloqüente do amor de Deus, em toda a sua
poesia e s u b lim id a d e ... (1 Jo 4.9-10).

Notemos que não estou afirmando que não devamos agradecer


a Deus as bênçãos cotidianas que Ele nos dá. O que estou querendo
enfatizar é que, prim eiro, devemos adorar a Deus pelo fato de Ele
ser o nosso D e u s ... pela sua Majestade, Santidade, Bondade, Amor,
Justiça, Infinitude, Soberania, etc. e, também, pelo fato de Deus nos
te r amado a tal ponto, que entregou o seu Único Filho para m orrer
pelos nossos pecados (Jo 3.16) (73). E que somente a p artir daí,
podemos te r acesso a esta compreensão e nos beneficiar prim eira­
mente dessa relação com Deus (74) e, secundariamente, de todas
as bênçãos que Ele nos p ro p o rcio n a ...

M edite nos textos: 1 Cr 16.7ss; 24.25; SI 8.1; 29.1-2; 96.1-4; 6-9;


99.1-5; 136.1; 138.4-5; 145.1-3; 148.13; Is 6.3; Jr 33.11; Dn 2.20; Rm
11.33-36; Jd 24-25.

O Culto se reveste de um caráter de encontro, no qual a Igreja


se realiza como tal, tributando glória a Deus, sabendo que o seu
Deus está presente, ouve e aceita a sua adoração mediante a ação
purificadora do Espírito Santo (Rm 8.26-27) e lhe fala através da
Sua Palavra.

“ Enquanto, ó Salvador, Teu Livro ler,

De auxílio necessito para ver

Da mera letra além a Ti, Senhor.

E m editar no Teu excelso amor.

"À beira-mar, Jesus, partiste o pão,

Alim entando a imensa multidão.

Da vida o pão és Tu; podes assim

Satisfazer, Senhor, também a mim. Am ém ” (75)


VIII — ELEMENTOS DA LITURGIA BÍBLICA
*

“ Todo o conselho de Deus concernente a todas as cousas


necessárias para a glória dele e para a salvação, fé e vida do
homem, ou é expressamente declarado na Escritura ou pode ser
lógica e claramente deduzido dela. À Escritura nada se acres­
centará em tempo algum, nem por novas revelações do Espírito,
nem por tradições dos homens; reconhecemos, entretanto, ser
necessária a íntim a iluminação do Espírito de Deus para a sal­
vadora compreensão das cousas reveladas na palavra, e que há
algumas circunstâncias, quanto ao culto de Deus e ao governo
da Igreja, comum às ações e sociedade humanas, as quais têm
de ser ordenadas pela luz da natureza e pela prudência cristã,
segundo as regras gerais da Palavra, que sempre devem ser
observadas” (76).

No que se refere ao Culto Cristão, as palavras da Confissão de


Fé de W estm inster, especialmente as grifadas, se aplicam perfeita­
mente. Isto, porque, nas páginas do Novo Testamento não encontra­
mos nenhuma descrição objetiva de um culto cristão, prestado pela
Igreja Primitiva. Todavia, apesar de não dispormos desta descrição,
podemos encontrar, através de diversos textos, os elementos que
compunham o Culto congregacional, o Culto da Igreja.

Verificando os diversos textos do Novo Testamento, podemos


observar a presença de quatro elementos básicos na Liturgia neotes-
tamentária, a saber;

1. Oração: A t 1.14; 2.42; 3.1; 4.23-31.

2. Louvor: Lc 24.53; A t 2.47; Cl 3.16 (77).

3. Instrução: Lc 4.16ss; A t 13.15ss; 42ss; 17.10-13; 19.8; 20.7;


Cl 4.16; 1 Ts 5.27; 1 Tm 4.13; 2 Tm 4.2.
4. Eucaristia: A t 2.42,46; 20.7,11; 1 Co 11.17ss.

Podemos constatar que estes mesmos elementos estão presentes


no Culto descrito por Justino, no segundo século, conforme vimos no
capítulo VI; e, de acordo com o que já analisamos no capítulo V, pode­
mos notar que, com exceção da Eucaristia, os três outros elementos
estão presentes na Adoração realizada na Sinagoga, a saber: Oração,
Louvor e Instrução.

Através deste quadro comparativo podemos observar os elemen­


tos básicos do Culto a Deus, os quais servirão de base para uma
análise do Culto que prestamos a Deus na atualidade.
IX — IGREJA PRESBITERIANA DO BRASIL — IGREJA LITÚRGiCA
j

Nos “ Princípios de L iturgia ” da Igreja Presbiteriana do Brasil,


lemos:

“ O Culto público consta, ordinariamente, de leitura da Pala­


vra de Deus, pregação, cânticos sagrados, orações e ofertas. A
m inistração dos sacramentos, quando realizada no culto público,
faz parte d e le ” (78).

O Culto prestado pelas Igrejas Presbiterianas do Brasil, normal­


mente (79) engloba tudo o que foi posto acima, nos Princípios de
Liturgia, em cinco pontos, os quais podemos chamar de “ Elementos
do C u lto ” .

Observo que a palavra “ normalmente" foi colocada acima de


forma proposital, pois não há nenhuma obrigatoriedade quanto a isto,
embora saiba que a praxe seja e s s a ... Apresentarei abaixo apenas
um esboço da concepção existente:

9. 1. Elementos

Os elementos que compõem o Culto, são:

1. Adoração: (Chamada à Adoração e Adoração propriamente


dita).

2. Contrição: (Confissão dos pecados).

3. Louvor: (Ação de Graças. Aqui, pode ser colocada a Consa­


gração dos Dízimos e /ou Ofertas).

4. Edificação: (Prédica: Leitura e Exposição da Palavra).

5. Consagração: (Dedicação. Manifestação litúrgica da Igreja com


seu “ A m ém ” aos ensinamentos Bíblicos; Celebração da Santa
Ceia).
9. 2. Forma

Podemos extrair do Texto de Is 6.1-8 uma seqüência Litúrgica


que está em consonância com o Novo Testamento, no que concerne
ao conteúdo:

1. Adoração: Is 6.1-3 — “ Santo, Santo, Santo" (v. 3).

A Adoração é o reconhecimento daquilo que Deus é, da Sua


Majestade. O homem, confrontado com Deus, tem de se render à
Sua G ló ria ...

2. Contrição: Is 6.5 — “ Sou homem de lábios im puros” .

A Contemplação da Santidade de Deus nos leva a adorá-Lo e,


concomitantemente, à tris te realidade do nosso pecado, que nos dis­
tancia de D e u s ... (Is 59.2). Tal constatação, quando fruto da Ação
do Espírito Santo, nos conduz ao arrependimento (2 Co 7.9-10) e à
confissão sincera (SI 32.4-5).

3. Louvor: Is 6.6-7 — “ A tua iniqüidade foi tira d a ” (v. 7).

Jubilosos pelo perdão de Deus, louvá-mo-lo com espírito de gra­


tidão, não somente pelo perdão dos nossos pecados, mas por tudo
o queEle nos tem dado em C risto J e s u s ...

4. Edificação: Is 6.8a — “ A quem e n v ia r e i...? ”

A Mensagem da Palavra de Deus, como Meio de Graça, nos


proporciona um crescim ento espiritual, que nos conduz a um posi­
cionamento. ..

5. Consagração: Is 6.8b — “ Eis-me aqui, envia-me a m im ".

Envolvidos pela Palavra do Senhor, colocamos os nossos talentos


a Seus dispor, a fim de sermos as suas testemunhas, os proclama-
dores das Suas Virtudes (A t 1.8; 1 Pe 2.9).

9 . 2 . 1 . Forma A lternativa

Particularmente, entendo que a forma exposta acima não deve


ser rígida, embora os elementos o sejam. Atualm ente, tenho voltado
a fazer o mesmo que fizera no meu prim eiro ano de M inistério; pre­
parando a ordem do culto com um tema, de acordo com o tema do
sermão, de tal forma que todas as partes: Leituras, Orações, Cânti­
cos e a Mensagem propriam ente dita estejam em harmonia, constl-
tuindo um todo. Assim , a Congregação poderá adorar a Deus com
todos os elementos bíblicos; sendo conduzida dentro de um tema
geral. ,

Como uma apêndice a este capítulo, incluirem os a form a Litúr-


gica proposta por Calvino e a que era usada em Genebra:

Calvino, depois de dizer que a Santa Ceia deveria ser ministrada


pelo menos uma vez por semana (81), sugere um esboço da ordem
do culto. Citaremos o texto na íntegra:

“ Primeiramente, que se começasse com as orações públicas,


depois das quais houvesse um sermão e, então, o m inistro, es­
tando o pão e o vinho na mesa, recitaria a instituição da Ceia
e posteriorm ente, explicaria as promessas que nela nos foram
feitas; ao mesmo tempo que excomungaria a todos aqueles que,
por proibição do Senhor, ficam excluídos dela; depois, faria uma
oração para que pela liberdade que o Senhor há usado, dando-
nos este santo m antimento queira ensinar-nos e instruir-nos para
que O recebamos com fé e gratidão e que, por sua m isericórdia,
nos faça dignos de tal banquete, visto que por nós mesmos não
o somos. Então, poder-se-ia cantar salmos ou ler-se algo da
Sagrada Escritura, enquanto os fié is, em ordem conveniente, re­
cebessem estes santos alim entos, partindo o m inistro o pão e
distribuindo-o e dando o copo aos comungantes. E acabada a ceia,
se tivesse uma exortação à verdadeira fé, a uma firm e convic­
ção de fé, de caridade e a uma conduta digna de um cristão
Finalmente, que se dessem graças e se entoassem louvores a
Deus. Terminado tudo isso, despediria a Congregação em paz"
(82).

9 . 2 . 3 . Forma adotada por Calvino em Genebra

Segundo Charles W. Baird, em sua obra “ Presbyterian Liturgies",


a Ordem do Culto de Genebra, sob a liderança de Calvino, era assim:

1. Um leigo lê trechos da Escritura, e os dez Mandamentos,

2. Invocação feita pelo Pastor: “ O meu socorro vem do Senhor, que


fez o céu e a te rra " (SI 121.2).

3. Convite à Oração (Confissão de pecados e súplica pela m iseri­


córdia de Deus).
4. Cântico Congregacional (Cântico de um Salmo).

5. Oração pelo pregador, pedindo auxílio divino para a pregação).

6. Leitura do Texto e Sermão.

7. Oração intercessória (a mais longa do culto), encerrando-se, então,


o culto com a bênção Nm 6.24-26), a menos que se seguisse a
Santa Ceia.

8. Após a bênção, a despedida do povo: “ Ide em paz. Lembrai-vos


dos pobres; e o Deus de paz esteja convosco. A m ém ” .

Quando houvesse a Celebração da Santa Ceia, a Ordem do Culto


era idêntica até o item 6; depois, a ordem era seguinte:

1. Oração Inicial: " . . . Faze-nos verdadeiros participantes do novo


e eterno Testamento que é a Aliança da G ra ç a ..."

2. Profissão de Fé: Recitação do Credo em uníssono.

3. Exortação (Palavras explicativas sobre o significado da Santa Ceia).

4. Pão e Cálice.

5. Oração de Ação de Graças.

6. Hino (Canto de Simeão).

7. Bênção Apostólica.

9. 3. Pontos Relevantes em Nossa Concepção Litúrgica

9 .3 .1 . O Culto é prestado ao Deus Triúno e, somente a Ele (Ex


20.3-5). Qualquer outro ser que se torne alvo de adoração, im possi­
b ilita o genuíno culto cristão, conform e sua expressão b íb lic a ...

“ O culto religioso deve ser prestado a Deus o Pai, o Filho


e o Espírito Santo — e sóa Ele; não deve ser prestado nem
aos anjos, nem a qualquer outra criatura; nem, depois da queda,
deve ser prestado a Deus pela mediação de qualquer outro senão
C ris to ” (83).

9 .3 .2 . O Culto tem uma unidade. Contudo, as Escrituras ocupam


o lugar preponderante, pois Ela é a auto-revelação e interpretação de
Deus para o homem (M t 22.29; Jo 5.39; Jo 17.17; 2 Tm 3.16). Tem-se
esquecido com muita facilidade e freqüência o lugar central da Pala­
vra de Deus, como se a pregação fosse algo ultrapassado para o
mundo moderno em que vivemos, algo de somenos importância, o
“ ponto baixo" do culto, onde a Igreja tem que exercitar a sua paciên­
c ia . .. O resultado deste conceito mundano tem se materializado em
igrejas superficiais que não conhecem as suas doutrinas e, por con­
seguinte, têm uma vida sem profundidade espiritual (1 Co 3.1-2; Hb
5.11-14). Não quero me alongar nas causas deste problema, pois não
é o meu objetivo. Contudo, creio que parte da culpa está em nós
M inistros que, ao invés de apresentarmos à Igreja uma mensagem
que é fruto de uma meditação séria, profunda e piedosa da Palavra
de Deus, dando-lhe, assim, um alim ento sólido, temos, m uitas vezes,
entrado num ritm o ativista e que, no fundo, é mais cômodo e super­
ficia l . . .

Sobre nós pesa a responsabilidade intransferível de pregar a


Palavra. Estremeço, quando penso no fato de que é através da Pala­
vra que Deus fala, despertando a Fé Salvadora no seu povo através
da Ação do Espírito Santo (Rm 10.17; Ef 2.8). .. Contudo, há também
um conforto para nós pregadores; apesar da nossa debilidade e fra­
queza diante da Missão que temos, Deus fala! A nossa pequenez
não pode ofuscar a grandiosidade da Palavra de Deus. Um exemplo
extrem o disso encontramos no Profeta Jonas que, apesar de toda a
sua má vontade para com os seus ouvintes, os ninivitas (Jn 3.4-5),
Deus falou ao povo e este se a rre p e n d e u ... A Palavra de Deus é a
semente da vida (1 Pe 1.23). É através da Palavra que Deus gera o
novo homem, re-criando-o para a Sua Glória (84).

Cremos que M artinho Lutero (1483-1546) estava certo ao afirm ar,


em 1523, que "Se a Palavra de Deus não é pregada seria melhor que
os homens não cantassem ou lessem ou se reunissem ” (85).

Hoje os cânticos de “ conjunto” , de “ cora is” etc., assumindo um


papel preponderante (sem falar dos tais “ corinhos” ), incompreensi­
velm ente têm ocupado um lugar mais relevante até mesmo que o
cântico congregacional. Por isso é importante observarmos o quê tem
sido ca n ta d o ... É óbvio que o canto é edificante e “ acrescenta ao
culto um calor com unitário" (86). Nas páginas Sagradas, encontramos
o testemunho de que tal prática remonta ao Antigo Testamento. O
livro de Salmos é um testemunho suficientem ente eloqüente para
que esbocemos qualquer comentário a respeito. E, no Novo Testa­
mento, encontramos algumas recomendações a este costume como
sinal de piedosa alegria (Cl 3.16; Ef 5.18-20; Tg 5.13). Podemos ver,
tambóm, nas páginas do Novo Testamento, extratos de cânticos da
Igreja C ristã Primitiva, tais como, Ef 5.14; 1 Tm 3.16; Fp 2.0-11, ato,
(87).

Todavia, é necessário observar se o que cantamos se coaduna


com a Palavra de Deus e, também, se o que cantamos promove real­
mente a nossa edificação e a daqueles que nos ouvem. .. Entendemoa
que todas as partes do culto devem estar em harm onia.com a Pala­
vra. Daí a nossa insistência neste ponto, na centralidade da Palavra
de Deus.

Permita-se-me citar o testemunho de dois homens idôneos, os


quais reconheciam o valor e o perigo do cântico na Igreja. 0 prim eiro
deles é Agostinho (354-430), que escreveu, em suas “ C onfissões";

“ Quando ouço cantar essas vossas santas palavras com mais


piedade e ardor, sinto que o meu espírito também vibra com
devoção mais religiosa e ardente do que se fossem cantadas
doutro modo. Sinto que todos os afetos da minha alma encon­
tram , na voz e no canto, segundo a diversidade de cada um, as
suas próprias modulações, vibrando em razão dum parentesco
oculto, para mim desconhecido, que entre eles existe ( . . . )
Quando me lembro das lágrimas derramadas ao ouvir os cânti­
cos da vossa Igreja nos prim órdios da minha conversão à fé,
e ao sentir-me agora atraído, não pela música, mas pelas letras
dessas melodias, cantadas em voz límpida e modulação apropria­
da, reconheço de novo, a grande utilidade deste costum e” (88).

Reconhecendo o perigo do cântico, confessa:

“ Quando, às vezes, a música me sensibiliza mais do que aa


letras que se cantam, confesso com dor que pequei. Neste caao,
por castigo, preferiria não ouvir cantar. Eis em que estado me
encontro” (89).

O outro é João Calvino (1509-1564), que escreveu em sun obra


capital, as “ In stitu tas", o seguinte:

“ Sem embargo, não condenamos aqui nem a voz nem o citn-


to; antes os apreciamos m uito, desde que acompanhmto» tio
afeto do coração. Porque desta maneira ajudam ao e splrllti m
pensar em Deus e o mantêm nEle; pois sendo desagre(|rtvnl w
frágil, facilm ente se distrairia com diversos pensamenlim, sn
não recebessem auxílios vários. Ademais, como a glória iln Umia
deve resplandecer em todos os membros de nosso corpo, twiivdm
que a língua, criada especialmente por Deus para anunciar e glo­
rific a r seu santo norrfe, se empenhe em fazer isto, seja falando
ou cantando" (90).

"Certam ente, se o canto se ajusta à gravidade que se deve


te r ante o acatamento de Deus e dos anjos, não somente é um
ornamento que dá maior graça e dignidade aos m istérios que
celebramos, como também serve para iricitar os corações e in­
flamá-los em maior afeto e fervor para orar. Porém, guardemo-
nos muito de que nossos ouvidos estejafn mais atentos à melo­
dia, que nosso coração ao sentido espiritual das palavras” (91).

Notemos que ambos reconhecem, aliás, <;omo não poderia deixar


de ser, o valor do cântico na Adoração cristã. No entanto, nos adver­
tem quanto ao perigo de nos deixarmos conduzir pelo secundário,
deiy.ao.dci de lado o ve^dade^o. da wuíaina-. nnnduzi.r a t^ava
de Deus a uma maior aproximação de Deus, cantando a sua fé.

Estamos persuadidos de que todo o culto deve ser avaliado de


duas formas. Uma delas é puramente subjetiva, análise esta que
compete a cada adorador: a sinceridade do seu coração (Is 29.13-14;
M t 15.8-9). A outra é objetiva e, por isso, podemos avaliar se a
adoração está em harmonia com a Palavra de Deus pois, este é o
c rité rio objetivo de análise do culto prestado. O Culto é em espírito,
e no espírito, de acordo com a P a la vra !...

André Benoit, comentando a Liturgia dos “ Pais da Igreja” , obser­


va a centralidade da Palavra:

“ É interessante observar que essa tradição lítúrgica não se


desenvolveu independentemente da Escritura. M uito ao contrá­
rio, está repleta do conteúdo bíblico. A sua atmosfera ressalta
notadamente a Escritura. A liturgia não passa de uma adapta­
ção da Escritura às necessidades do culto- Assim , os Pais subme­
teram sua piedade e seu culto â B íblia” (92).

“ Em cada um desses term os, na sua quase totalidade, por


detrás de cada frase dessa oração, encontramos uma alusão,
uma ressonância bíblica. Seria fácil ve rifica r essa assertiva. A
liturgia dos Pais outra coisa não é s e n ã o a expressão de uma
piedade moldada pela Escritura e nutrida pela sua leitu ra " (93).
9 . 3 . 3 . O Culto assume dois aspectos distin to s mas não
independentes, a saber:

9 . 3 . 3 . 1 . Contemplação

O adorador adora a Deus contemplando a Sua Majestade e, neste


ato de culto, há uma exclamação de admiração diante da grandeza
de Deus: “ Santo, Santo, Santo é o Senhor dos Exércitos" (ls 6.3].
Apesar de este ato de contemplação satisfazer o homem que tende
a se esquecer do que ocorre à sua volta (Lc 9.33), se a adoração
cristã term inasse aí, seria in c o m p le ta ... A genuína contemplação
das Virtudes, das Perfeições de Deus nos conduz ao segundo ponto...

9 . 3 . 3 . 2 . Serviço

O povo de Deus, quando contempla o seu Senhor, se posiciona


diante daquilo que viu, ouviu e expressou. Ele não fica estaticamente
olhando para as alturas (A t 1.11 ss ); ele passa a agir no presente,
pensando nas cousas lá do alto (Cl 3.1).

O Culto Cristão extrapola a adoração dominical, pois apesar de


ele ser um ato comunitário, a adoração verdadeira deve transcender
a ação do todo para se m anifestar também na invidualidade de cada
parte da “ ekklesia” , encontrando sua expressão no nosso dia-a-dia,
em nossas atitudes. Assim , podemos dizer que o Culto Cristão se
expressa também através da Ética Cristã. Contudo, não há culto cris­
tão só pela ética, pois bons princípios e boas obras são possíveis
pela Graça Comum. Porém, o nosso procedimento ético é uma forma
de culto, quando é a revelação da adoração a Deus, fruto da comu­
nhão que temos com E le ... “ A adoração verdadeira não é devoção
da boca para fora, mas, sim, o prelúdio à ação no serviço e no
mundo” (94).

9 . 3. 4. C ulto é Profissão de Fé

Todas as partes do Culto devem ser a expressão daquilo que


cremos; portanto, é necessário que tenhamos consciência daquilo
que falamos, cantamos e ouvimos. O nosso ‘'am ém ", deve ser fruto
da fé e da compreensão daquilo que foi falado e cantado. No culto
homologamos em forma de oração: “ Assim seja". Por isso, o Culto
deve ser compreensível aos participantes a fim de eles poderem
fazer ressoar em seus lábios a oração de seus corações: Amém! O
Apóstolo Paulo enfatiza que o culto deve ser prestado no idioma dos
participantes, a fim de ser compreensível (1 Co 14.9-11) (95).

A Segunda Confissão Helvética, fendo em vista o ensinamento


bíblico, nos capítulos XXII e XXIII, recomenda:

“ Calem-se, pois, todas as línguas estranhas nas reuniões


de culto, e sejam, todas as coisas expressas na língua do povo,
compreendida por todas as pessoas presentes” .

“ Certo é que se perm ite a quem quer que seja orar em par­
ticu la r em qualquer língua que entenda, mas as orações públicas
nas reuniões do culo devem ser feitas em vernáculo, a língua
conhecida do povo" (96).

Podemos observar que além do aspecto da inteligibilidade do


culto, que é básico, é preciso que os adoradores verdadeiros possam
dizer “ am ém ” em relação àquilo de que participa. Isto quer dizer
que a Palavra de Deus deverá ser o crité rio de tudo o que é fe ito
(97), envolvendo assim, de forma objetiva, a preocupação com a pre­
gação da Palavra, tendo a certeza de que o que pregamos ou canta­
mos não são as nossas opiniões ou, de modo especial, no caso da
pregação, não consiste em um resumo do noticiário da se m a n a ...
Mas, a Palavra de Deus (9 8 )... E, também, envolve a preocupação
com a boa música na Igreja. Ao invés de nos preocuparmos sim ples­
mente com a sua estética, o que sem dúvida, também é um ponto
relevante, pensemos basicamente no seu conteúdo, a fim de que não
cantemos heresias melodiosas que não se coadunam com a Palavra
e, obviamente, com a verdadeira fé c r is tã ... Agora, pergunto: Como
professar a minha fé num culto que não entendo ou que entendo,
mas no qual não vejo a expressão da minha fé, subjacente à Escri­
tura S agrada?...

9 .3 .5 . O Culto é uma expressão uníssona de adoração. Uníss


na, porque há comunhão (Koinonia) entre os participantes. Por isso,
a poetisa sacra expressou bem esta concepção, quando escreveu:
"Eterno Pai! Teu povo congregado,

Humilde, entoa o teu louvor aqui;

No dia para o culto reservado

Com esperança olhamos para Ti.

Teu Santo Livro, ó grande Deus, tomamos

Com fé singela e reverente amor;

E, como atentos filhos procuramos

Ciência na Palavra do Senhor" (99).

Por isso, é importante que todos os adoradores se sintam envol­


vidos no culto. Não quero dizer com isso que o culto deva ser rotu­
lado de forma superficial como “ animado” , no qual os dirigentes são
mais “ animadores” que passam o tempo todo improvisando “ solene­
m ente", alegando uma liberdade de espírito que, por si só, é contra­
ditória pois não edifica (1 Co 1 2 .7 )... Não. O envolvimento ao qual
aludi se refere a uma participação ativa, mesmo que seja em silêncio,
no mesmo Espírito e d e s e jo ...

O Dr. Cari J. Hahn, está correto ao afirm ar:

"Sim plesm ente fica r em pé uma meia dúzia de vezes para


repetir frases ou ajoelhar-se, não significa necessariamente par­
ticipar. Por outro lado, uma pessoa pode assistir a uma peça
teatral que fale ao seu coração e participar dela profundamen­
te, identificando-se com tudo que acontece no palco, sem levan-
tar-se, sem falar, quase sem respirar e, no fim , sair profunda­
mente tocada, pensando te r participado realmente nos eventos”
( 100).

9 . 3. 6. O C ulto Com unitário é Individualizante

Apesar de o Culto ser comunitário, conforme falamos1 já, é ne­


cessário entender que ninguém pode prestar culto a Deus mediante
uma relação indireta, tal como: “ o Deus que eu ‘adoro’ é o Deus
do meu pai, da minha mãe...” ou, de forma bem mais abrangente, "de
meus a n c e s tra is ...” Tudo isto será irrelevante se o Deus adorado
não fo r o “ m eu” Deus, o Deus no qual creio e a quem sirvo. A ado­
ração não se fundamenta na mera crença na existência de um Deus,
não. A adoração é eminentemente correlacionante: "Tu és o meu
Deus e eu sou o teu se rvo ”, Há, assim, uma identificação do servo,
que humildemente adora, com o Seu Senhor e esta identificação per­
m ite ao servo-adorador, aproximar-se com gratidão e reverência. . .

O Culto cristão é prestado por aqueles que não simplesm ent


conhecem a respeito de Deus, mas O conhecem como Ser Pessoal
e Senhor de sua vida (101).
£
9 . 3. 7 . O Culto é um ato histórico, que re fle te uma realidade
eterna

Todo culto conta uma história da ação graciosa de Deus em


nossa v id a ... A graciosidade de Deus antecede à história, se lan­
çando na eternidade. Assim , o hoje adoracional se deve inteiram ente
à Graça de Deus, mediante a qual, Ele nos escolheu (Rm 11.5-6; Gl
1.15; Ef 1.4); concedeu arrependimento (2 Tm 2.25); Justificou (Rm
3.24; Tt 3.7); Redimiu (Ef 1.7) e Salvou (A t 15.11; Ef 2.5,8; Tt 2.11).
Por isso, quando o povo de Deus adora ao Seu Senhor, está presente
neste ato histórico a ação de Deus que antecede a história e, ao
mesmo tempo, se faz presente uma projeção de fé que se lança
rumo ao aspecto futuro da nossa salvação — glorificação (Ef 1.5-6;
2.7), ao “ ainda não” do Reino quando, então, prestaremos um culto
perfeito ao Deus Trino, autor e consumador da nossa Salvação.
Maranata!
CONCLUSÃO INCONCLUSA

Aqui não darei uma conclusão form al, uma espécie de palavra
final sobre o assunto. Reconheço que o tema deve continuar a ser
estudado com profundidade, buscando-se, na Palavra de Deus, luz
para a interpretação correta do Culto-Liturgia que é agradável a Deus.

Por isso, creio que a conclusão do meu trabalho deve ser uma
introdução a uma anãííse séria do cufto que temos prestado a Deus
e o resultado disso deverá ser uma adoração sincera ao nosso Deus.
Espero que Deus conclua este desejo em nós. Amém.
NOTAS E REFERÊNCIAS
*
i

01. Cícero, Da Natureza de Deus, Livro I, 16, Apud J. Calvino, Ins-


titución de la Religión Cristiana, I, iii, 2.

02. V. Erich Fromm, A A rte de Amar, p. 92; M. Lutero, Catecismo


Maior, pp. 16-7.

03. Xenófones, Fragmentos, 11, 12, 14, 15 e 16, In Os Filósofos Pré-


Socráticos, Gerd A. Bornheim (org). p. 32. Observo que a tra ­
dução de W ilson Régis da parte final do últim o fragm ento citado
está assim; “ os trácios, que eles têm olhos verdes e cabelos
ruivos". In Os Pré-Socráticos (Col. Os Pensadores, vol. 1), p. 70.

04. Apud M. Green, O Mundo em Fuga, p. 74.

05. Consulte monografia do autor, Deus em Nietzsche, Seminário


Presbiteriano do Sul — Extensão Belo Horizonte, 1983.

06. Quanto à origem da Religião, função e significado, há uma bi­


bliografia interm inável; indico abaixo o que pude consultar: Bat-
tis ta Mondin, O Homem, quem é Ele?, pp. 218-247; ídem, Intro­
dução à Filosofia, pp. 79-104; Rubem A. Alves, O Que é Reli­
gião, 134 pp; Paul Tillich, Teologia Sistematáca, pp. 457ss; Idem,
A Coragem de Ser, pp. 54 ss; Miguel de Unamuno, Do Senti­
mento Trágico da Vida, pp. 261 ss; Gregory Zilboord, Psicanálise
e Religião, especialmente, as páginas 30ss; 66ss; 155ss; 211 ss;
S. Freud, O Futuro de uma Ilusão, pp. 85-128; Idem, O Mal-
Estar na Civilização, pp. 129-194 (Col. Os Pensadores, Vol. 3),
C. G. Yuan, Psicologia e Religião, §§ 6ss; E, Fromm, O Dogma
de C risto, pp. 17ss; Idem, Psicanálise e Religião, pp. 15-27 (nes­
ta obra o autor faz um estudo comparativo de Freud e Jung, no
que diz respeito à Religião; Rollo May, A A rte do Aconselha­
mento Psicológico, pp. 178ss (Neste capítulo, o autor cita Freud
e Jung e, ao contrário de Fromm, ele se inclina para as colo­
cações de J u n g .. . ) ; Quanto à uma visão evangélica do assunto,
vd. L. Berkhof, Introducción a La Teologia Sistem ática, pp. 102-
124 (especialmente pp. 116ss) Jay A. Adams, Conselheiro Ca­
paz, pp. 33ss; Merval Rosa, Psicologia da Religião, pp. 44ss;
Paul E. Johnson, Psicologia da Religião, pp. 31-50; Jorge A. León,
Psicologia de la Experiencia Religiosa, pp. 18ss; 163ss; Warren
C. Young, Un Enfoque C ristiano a ai Filosofia, pp. 217-245; M.
Green, O Mundo em Fuga, pp. 68-86; David Lyon, C ristianism o
y Sociologia, pp. 78187.

07. Vd. Confissão de W estm inster, VI, 2 e 4; Catecismo Maior, per­


guntas 27-28.

08. Sõren A. Kierkegaard, O Desespero Humano: Doença até à M or­


te, p. 337.

09. Agostinho, Confissões, I. 1; Vd. também, J. Calvino, Institución,


I, iii, 1-4.

10. B. Pascal, Pensamentos, VIII, 556.

11. A. W. Pink, Enriquecendo-se com a Palavra de Deus, p. 17.

12. Cf. L. Berkhof, op. cit. p. 125.

13. G. E. Lessing (1729-1781), emsua peça “ Natã, o Sábio” (1778-


1779), defendeu a tese de que o valor de qualquer religião de­
pendia da sua capacidade de transform ar a vida mediante o
amor; por isso, a questão histórica para determ inar a verdadei­
ra religião era irrelevante. Vd. a parábola de Lessing em sua
obra supra citada, sobre os “ três anéis", Ato III, cena 7 ou, a
síntese da parábola, feita por Colin Brown, na sua obra, Filoso­
fia e Fé C ristã, p. 60. A mesma síntese pode ser encontrada
em C. Chapman, C ristianism o no Bartco dos Réus, p. 67 e Harvie
M. Conn, Teologia Contemporânea no Mundo, p. 14.

14. Heródoto, H istória, VII, 167.

15. Consulte Benjamin Scott, As Catacumbas de Roma, pp. 13-35.

16. É sugestivo o capítulo escrito pelo Dr. B illy Graham; intitulado,


“ A Idolatria Nacional” , em sua obra, Mundo em Chamas, pp.
62-7C.

17. Vd. Confissão de W estm inster, IX, 3-4.

18. A palavra “ Religião", segundo a explicação mais aceita remon­


ta a Cícero Da Natureza dos Deuses, II, 28, que diz te r a sua
origem no verbo latino “ Relego" = •‘ R epetir", “ Religar” , “ Ob­
servar cuidadosamente", etc. Vd. a nota 06; J. Calvino, I, xii, 1.

19. Cícero definiu a religião como sendo “ aquilo que nos incute
zelo e um sentim ento de reverência por uma certa natureza de
ordem superior que chamamos divina.” De Inventione Rhetóri-
ca, II, p. 147, Apud C. G. Jung, p. 10, nota 4 do capítulo I.

Vd. Confissões de W estm inter, I, 1; VI, 1-4; VII, 1; IX, 3. Cate­


cismo Maior, perguntas, 23, 24, 27 e 28.

20. Charles Hodge: “ A idolatria consiste não apenas na adoração


de deuses falsos, mas também na adoração do verdadeiro Deus
através de imagens." Apud J. I. Packer, O Conhecimento de
Deus, p. 37.

21. Vd. Confissão de W estm inster, X. 1-2.

22. V ictor M. S. Garcia, "M úsica y Alabanza” , In Revista Teologicca,


Vol. IX, n.° 31-32, 1978, p. 47.

23. 1." Estrofe do Hino n.° 133 do Hinário Memória.

24. Quanto a maiores detalhes sobre a evolução histórica do termo,


consulte, W illiam Barclay, Palabras Griegas Del Nuevo Testa­
mento, pp. 135-136; Idem, El Nuevo Testamento Comentado, Vol.
8, pp. 216-217; K. Hess, “ leitourgeõ", In O Novo Dicionário In­
ternacional de Teologia do Novo Testamento, Colin Brown, ed.
ger., Vol. 4, pp. 455-456; R. C. Trench, Synonyms of the New
Testament, XXXV.

25. O nome “ Septuaginta” se deve à tradição que afirma que a


tradução foi feita por setenta e dois escribas judaicos. “ Septua­
ginta", é a palavra latina para setenta.

26. K. Hess, op. cit. p. 456.

27. A Tradução utilizada é a de João Ferreira de Almeida, Edição


Revista e Atualizada no Brasil, SBB, 1973.

28. Quanto a um comentário destas palavras concernente ao seu


emprego no Novo Testamento, consulte, K. Hess, op. cit. pp.
456-357.

29. Quanto aos term os afins e sua utilização no Novo Testamento,


v. Liturgia Presbiteriana, Hermisten M. P. Costa, SPS-BH,
agosto/83, pp. 2-4.
30. W. D. M axwell, An Outline of Christian W orship, p. 5, Apud R.
P. M artin, Adoração da Igreja Primitiva, p. 32.

31. Wendell W illis, Adoração, p. 28.

32. Broadus D. Hale, Introdução ao Estudo do Novo Testamento,


p. 17.

33. Cf. F. C. Fensham (?), "Sinagoga” , In O Novo Dicionário da Bí­


blia, Vol. III, J. D. Douglas, ed. org., p. 1532.

34. Robert H. Gundry, Panorama do Novo Testamento, p. 44.

35. O “ A m ém ” e o “ A leluia" como expressões litúrgicas são heran­


ças do Culto da Sinagoga. Vd. C. F. D. Moule, As Origens do
Novo Testamento, pp. 23ss; K. S. Latourette, H istoria dei C ris­
tianism o, Vol. I, p. 250.

36. Vd. também, Justino, Apologia, I, 67.

37. Justo L. González, Uma H istória Ilustrada do C ristianism o. Vol.


1 (A Era dos M ártires), p. 151.

38. A M itologia greco-romana é m uitíssim o semelhante à santola-


tria da seita católica Romana, no que se refere ao sincretism o
religioso e à variedade de "*tleuses". Vd. trabalho do autor, A
Preparação H istórica para o Novo Testamento, SPS-BH, jan/83,
pp. 7s.

39. Plínio, Epístola X, xcxi, in Documentos da Igreja C ristã, H. Bet-


tenson, p. 29.

40. Didaquê, XIV, In H. Bettenson, Ibidem, p. 103.

41. W. Walker, H istória da Igreja C ristã, Vol. I, p. 75.

42. Mais à frente o autor esclarece que o “ dia de s o l” ou “ dia do


s o l” é o domingo, escrevendo: “ Reunimo-nos no dia do sol por
ser o prim eiro dia da semana ( . . . ) ” . Apologia, I, 67.

43. Quando Justino se refere às “ Memórias dos A p óstolo s” ou, sim ­


plesmente “ M em órias” , ele faz alusão aos Evangelhos, Cf. Apo­
logia, I, 66, onde ele escreve: “ Os apóstolos em suas memórias
que chamamos Evangelhos ( . . . ) ” .

44. Quando o autor alude “ à distribuição dos elementos eucarísticos


entre to do s” , ele está se referindo àqueles que professaram
sua fé em C risto Jesus pois, conforme ele mesmo escreveu.
fazendo alusão à eucaristia, "ninguém pode participar dele [a li­
mento) a não ser aquel-e que, crendo que nossas doutrinas são
verdadeiras, tem sido lavado com a lavagem para remissão dos
pecados e para o novo nascimento, e que vive segundo os en­
sinos a n ticristo .” Apologia, I, 66. C ritério semelhante, se ve­
rifica no Didaquê, IX, 5.

45. J. Calvino faz certa restrição à atitude de levar a


sentes. Vd. Institución, IV, Xvii, 39.

46. Justino, Apologia, I, 67, In Bettenson,op.cit. p. 104.

47. Justino, Apologia, I, 66.

48. Vd. trabalho do autor, “ A Preparação H istórica para o Novo


Testam ento", SPS-BH, Jan/83, 15 pp.

49. W. W alker, op. cit. p. 126. Vd. também, Robert H. Nichols, His­
tória da Igreja C ristã, pp. 50-51. Quanto à uma posição diferen­
te. Consulte K. S. Latourette, op. cit. p. 251.

50. G rifo do autor.

51. A rigor tal prática já se encontrava em evidência no 2.° século


da Era Cristã, Cf. Justino, Apologia, I, 66-67 e, Didaquê, IX, 5.

52. Este tipo de leitura era comum na Sinagoga que, originariam en­
te cobria todo o texto do Velho Testamento num ciclo de três
anos e, depois, tal leitura passou a ser feita num ciclo de ape­
nas um ano.

53. Esta últim a afirmação se respalda no testemunho de Agostinho,


registrado nas suas Confissões, redigidas por volta do ano
400. Vd. Agostinho, Confissões, I, vii, 15, e, também, K. S. La­
tourette, op, cit. pp. 260-262.

54. W. Walker, op. cit. p. 220; para uma visão mais completa, leia
todo o capítulo, pp. 220-223 e, também, K. S. Latourette, op. cit.,
pp. 248ss.

55. Justo L. Gonzalez, op. cit., p. 152.

56. Cf. K. S. Latourette, op. cit., p. 262.

57. Contra as Heresias, III, 22, 4.

58. W. Walker, op. cit., p. 225.


60 De forma resumida, podemos dizer que a afirmação da existên­
cia da Igreja no Antigo Testamento, se respalda em três ele­
mentos, sendo que o terceiro, é o resultado dos dois prim eiros.
1) Base Neotestam entária: a) O reconhecimento de Jesus C risto
da existência da Igreja no Antigo Testamento Mt. 18:17; b) Es­
tevão falou da “ Igreja no deserto" (Eklesia) A t 7.38; c) A Igreja
recebe alguns designativos aplicados exclusivamente à Israel,
tais como: “ O Templo de Deus” e “ Jerusalém", 1 Co 3.16-17;
2 Co 6.16; Ef 2.21; Gl 4.26; Hb 12.22; Ap 21.2; 21.9-10; d) Paulo
menciona a Igreja como sendo o “ Israel de Deus” Gl 6.16.

2) Base Gram atical: As mesmas palavras usadas na tradução


grega do Velho Testamento feita para o grego (Septuaginta), se
aplica à Igreja no Novo Testamento. Dt 9.10; 10.4; 23.2,3,8; Js
8.35; Ed 2.64; Jl 2.16; b) “ Ekklesia" = "Ig re ja ” , traduz com
maior freqüência o term o “ Qãhãl” , a palavra que, dentre outros
significados, descreve a “ Congregação" de Israel.

3) Base dos Símbolos Confessionais: Todas as confissões refor­


madas que consultei, atestam a mesma fé, afirm ando a existên­
cia de um único “ povo de Deus". Vd. Confissão Escocesa, ca­
pitulo XVI; Catecismo de Heidelburg, pergunta 54. A Segunda
Confissão Helvética, Capítulo XVII, Confissão Belga, A rtigo
XXVII. A Confissão de Augsburgo (escrita por Melanchton, em
1530, com aqüiescência de Lutero), A rtigos 7-8; Confissão de
W estm inster, XXV.
— Quanto à utilização do term o "E kklesia” no grego secular e
bíblico, consulte: G. W. Macdaniel, As Igrejas do Novo Testa-
meno, pp. 9ss; W. Barclay Palabras Griegas Del Nuevo Testa­
mento, pp. 53-56; Ph. H. Monoud, “ Igreja", In Vocabulário B íbli­
co, J. J. von Allm en, pp. 178-182; K. L. Schmidt, Igreja, In A
Igreja no Novo Testamento, Gerhard K ittel, pp. 15ss; F. Stagg,
Teologia Del Nuevo Testamento, pp. 172ss; G. H. Lecy, Intro-
ducción a la Teologia Sistemática, pp. 328ss; D. W. B. Robinson,
“ Igreja” , In O Novo Dicionário da Bíblia, Vol. II, J. D. Douglas
ed. org. pp. 735ss; L. Coenen, “ Igreja” In O Novo Dicionário
Internacional de Teologia do Novo Testamento, Vol. II, C. Brown,
ed. ger. 393ss; V. Civita, ed. H istória das Civilizações, Vol. I,
pp. 100, 108; C. H. Dodd, A Mensagem de São Paulo para o
homem de Hoje, pp. 151-152, L. Berkhof, Teologia Sistem atica,
pp. 663ss.
61 Vd. Confissão de W estm inster, XXXIV, 1.

62 Confissão de W estm inster, XXI, 1.

63 É muito relevante a colocação feita por G. Hendriksen, quando


comenta a expressão “ Em Espírito e em verdade". Vd. In Lee

64. G. Hendriksen, Fiiipenses, p. 171, profere a tradução: “ Os que


adoramos pelo Espírito a Deus” .
Comentando esta parte do texto, ele diz: “ Sua adoração religio ­
sa é guiada pelo Espírito e é rendida por aquelas pessoas que
foram renovadas e vigoradas por Ele. Portanto, procede comple­
tamente do coração e não é afetada por considerações fís ic a s ” .
In loc.

65. Observo que a conotação dada pelo autor à palavra “ Liturgia",


na forma que ele a empregou, não é a minha, utilizada no de­
correr deste tra b a lh o ...

66 Bruce S. Shelley, A Igreja: O Povo de Deus, p. 81, Idéia sim ilar


encontramos em W. T. Conner, Doctrina Cristiana, p. 139.

67. Bruce S. Shelley, Ibidem, p. 82.

68. G. E. W right, identifica a adoração que tem o homem como


centro, com o culto pagão:

“ O pagão é um individualista que faz uso dos meios elaborados


de adoração somente para alcançar a sua própria tranqüilidade,
integração e segurança. Vive ensismemado e sua visão não
contempla a eternidade de Deus. Conseqüentemente, quando
sua tranqüilidade é abalada nos tempos de crise, não tem cer­
teza para onde vo ltar." — O Deus que Age, p. 27.

69. Vd. artigo do autor, “ Teologia Hoje: Bíblica ou Ideológica?” In


“ Brasil Presbiteriano” , julho de 1984, p. 3, no qual discutim os
o problema da inclinação moderna de ideologia e a Teologia,
tornando Deus um mero expectador nos “ sistemas teoló gicos” ...

70. Notemos que os verbos hebraicos, que são traduzidos em Am


2 1 , por “ aborreço" e “ desprezo” , respectivamente “ sâne” =
“ aversão” , “ Inimizade", Cf. Pe 14.17,20; Lt 21.15 e, “ mâ’as" =
“ re je ita r” , “ desprezar” , “ desdenhar” , “ m enosprezar", etc. Cf Jó
34.37; Is 7.15-16; 41.9, etc., são os verbos mais fortes para indi­
car a total repulsa por algo ou por a lg u é m ... O verbo “ m â'as” ,
por exemplo, se aplica a: 1) Deus rejeitando um povo ou indi­
víduos: Jr 6.30; 7.29; 14.19; 1 Sm 15.23; e 2) Aos homens re je i­
tando a Deus e seus preceitos: 1 Sm 15.23; 2 Rs 17.15; Am
2.4, etc.

71. Derek Kidner, Salmos: Introdução e Comentário, Vol. 1, p. 215.

72. Quanto à uma pequena, mas boa discussão, sobre este ponto,
Vd. James M. Boice, “ O Pregador e a Palavra de Deus” . In O
Alicerce da Autoridade Bíblica, J. M. Boice, ed., pp. 147ss.
Neste ensaio, O Dr. Boice, dentre outras coisas, refuta a tese
do Prof. G. E. W right, que enfatiza a precedência dos atos de
Deus, cometendo, W right, a meu ver, um reducionismo da Pala­
vra aos Atos, embora entenda, também, que em alguns casos,
Palavra e Atos agem co nco m ita ntem en te ...

G. E. W right, em seu livro, O Deus que age, escreve:

“ A Teologia bíblica é, antes de tudo, uma Teologia da recitação


dos atos de Deus.” (p. 31)

“ Os meios fundamentais com que Deus se revela ao homem


são os atos, isto é, os eventos da H istória.” (p. 123)

“ Assim , a Bíblia não é fundam entalmente a Palavra de Deus,


mas o documento dos Atos de Deus e do responso humano.”
(p. 124)
“ A Bíblia é o testemunho dos atos da ira, do amor e salvação
de Deus numa determinada história dentro do contexto de toda
a H istória, e a ela apresentando a esperança e a certeza da
sua redenção.” (p. 134)

73. O Dr. R. B. Kuiper, seguindo o seu mestre, B. B. W arfield, na


interpretação de Jo 3.16, diz que a palavra “ mundo" deve ser
entendida qualitativam ente, e não q u a n tita tiva m e n te ... Ele diz:
“ A ênfase recai, não no tamanho do mundo, mas na qualidade
pecaminosa da raça humana. Pode-se observar, de passagem que
este emprego do term o é muito freqüente nos escritos de João.
O ponto, então, o mundo é tão grande que é preciso uma enor­
me quantidade de amor para abrangê-lo, mas, sim, que o mundo
é tão mau que é preciso uma espécie excessivamente grande
de amor para amá-lo sequer.” R. B. Kuiper, Evangelização Teo-
cêntrica, p. 16.
74. “ O amor de Deus é o exercício da sua bondade para com os
pecadores individualmente, pelo qual, tendo se identificado com
o bem-estar deles, deu seu Filho para ser seu Salvador, e agora,
os leva a conhecê-Lo e beneficiar-se dEle num relacionamento
de aliança divina.” — J. I. Packer, O Conhecimento de Deus,
p. 111.

75. Hino n.° 350, “ Ao Teu Livro", do Hinário Presbiteriano.

76. Confissão de W estm inster, I, 6 (grifo nosso).

77. Não é nosso objetivo tratar dos hinos cristãos prim itivos, os
quais merecem um estudo atento; contudo, das obras consulta­
das, de fácil acesso, sugiro: R. P. M artin, op. cit. pp. 47-61; Idem,
Colossenses e Filemon: Introdução e Comentário, pp. 65ss; G.
hymnos e psalm ós” , In O Novo Dicionário Internacional de Teo­
logia do Novo Testamento, Vol. I, C. Brow, ed. ger., pp. 346-
353; D. L. Cerfaux, C risto na Teologia de São Paulo, pp. 282ss;
Eduard Lohse, Introdução ao Novo Testamento, pp. 29ss; J. Jere­
mias, A Mensagem Central do Novo Testamento, pp. 93-116

78. Princípios de Liturgia da I.P.B., Capítulo III, “ Do Culto Público” ,


A rt. 8.°, In Manual Presbiteriano, p. 109. Vd. também, Confissão
de W estm inster, XXI, 5.

79. O “ norm alm ente", se refere, de modo especial, às igrejas que


têm pastores formados a partir do final da década de 50 ou,
receberam tal in flu ê n c ia ...

80. É digno de nota o comentário do texto, fe ito por Asa R. Crab-


tree, A Profecia de Isaías, Vol. 1, especialmente nas pp. 136,
142s.

81. J. Calvino, op. cit. IV, xvii, 43.

82. Idem, Ibidem.

83. Confissão de W estm inster, XXI, 2. Vd. também, Catecismo Me­


nor; perguntas, 45, até 6248; Catecismo Maior, 103-121; Segun­
da Confissão Helvética, In Livro de Confissões, §§ 5.023; 5.135.

84. J. Calvino, op. cit. IV, i, 5.

85. Martinho Lutero, “ Sobre a Organização do Culto numa Congre­


gação” , Apud B. Hàgglund, H istória da Teologia, p. 202.

86. Arnaldo F. Schmidt, “ A Renovação do C u lto ” , In Revista Simpó­


sio, n.° 11, De/73, p. 38.
87. Vd. nota 77.

88. Agostinho, Confissões, X, xxxlii, 49-50.

89. Idem, Ibidem, X, xxxiii, 50.

90. J. Calvino, op. cit., III, xx, 31.

91. Idem, Ibidem, III, xx, 32.

92. André Benoit, A Atualidade dos Pais da Igreja, p. 78.

93. Idem, Ibidem, p. 79. Uma comprovação do que foi dito, pode ser
feita através do Didaque, capa. IX-X; Hipólito, “ Eucaristia” , In
C. F. Gomes, Antologia doa Santos Padres, pp. 173-174 e, H.
Bettenson, Documentos da Igreja Cristã, pp. 113-114.

94. R. P. M artin, op. cit. p. 98.

95. Vd. J. Calvino, op. cit. III, xx, 33.

96. Livro de Confissões, §§ 5.217-5.218.

97. Cf. Confissão de W estm inster, I, 6.

98. “ Não temos nenhuma liberdade para inventar a nossa mensa­


gem, mas somente para comunicar 'a palavra' proferida por Deus
e agora entregue à Igreja, em sagrada custódia.” — John R. W.
Stott, Tu, porém, A Mensagem de 2 Timóteo, p. 101.

99. Primeira Estrofe do Hino n.° 4 do Hinário Presbiteriano, “ Teu


Povo Congregado” .

100. Cari J. Hahn, “ Observações sobre os Evangélicos no B ra sil” , In


Revista Simpósio, n.° 11, Ano VI, Dez/73, p. 47.

101. Quanto à uma distinção entre "conhecer a Deus” e “ conhecer


a respeito de Deus” , Vd. J. I. Pasker, op. cit. pp. 17ss.
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Jornal:

1. Brasil Presbiteriano, Ano XXVI, n.° 7, Julho/1984.