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O Escândalo do Pecado PV 28.

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O pecado domina o coração humano, e se fosse pela sua
vontade, condenaria cada alma.

Se não compreendermos nossa própria perversidade ou não


enxergarmos nosso pecado como Deus o vê, não poderemos
entendê-lo ou fazer uso do remédio contra ele.

Aqueles que tentam justificá-lo, negligenciam a justificação


de Deus. Até compreendermos quão totalmente repugnante
nosso pecado é, nunca poderemos conhecer a Deus.

O pecado é abominável a Deus. Ele o odeia (cf. Dt 12.31). “Tu


és tão puro de olhos, que não podes ver o mal e a opressão
não podes contemplar…” (Hc 1.13).

O pecado é contrário à sua própria natureza (Is 6.3; 1 Jo 1.5).


A pena máxima – a morte – é exigida para cada infração contra
a lei de Deus (Ez 18.4,20; Rm 6.23).

Até a menor transgressão é digna da mesma pena severa:


“Pois qualquer que guarda toda a lei, mas tropeça em um
ponto, se torna culpado de todos” (Tg 2.10).

O pecado suja a alma. Ele rebaixa a dignidade da pessoa.


Obscurece o entendimento. Torna-nos piores que animais, pois
os animais não podem pecar.

Polui, corrompe, suja. Todo pecado é vulgar, repulsivo e


revoltante aos olhos de Deus.

A Bíblia o chama de imundícia (Pv 30.12; Ez 24.13; Tg 1.21). O


pecado é comparado ao vômito, e os pecadores são os cães
que voltam ao seu próprio vômito (Pv 26.11; 2 Pe 2.22).

O pecado é chamado de lamaçal, e os pecadores são os porcos


que rolam nele (Sl 69.2; 2 Pe 2.22).

O pecado é semelhante ao cadáver em putrefação, e os


pecadores são os túmulos que contêm o malcheiro e a sujeira
(Mt 23.27).
O pecado transformou a humanidade em uma raça poluída e
imunda.

As terríveis conseqüências do pecado incluem o inferno, sobre


o qual Jesus disse:

“E, se a tua mão direita te faz tropeçar, corta-a e lança-a de


ti; pois te convém que se perca um dos teus membros, e não
vá todo o teu corpo no inferno” (Mt 5.30).

As Escrituras descrevem o inferno como um lugar terrível e


medonho onde pecadores são “ atormentados com fogo e
enxofre…

” e “A fumaça do seu tormento sobe pelos séculos dos séculos,


e não têm descanso algum, nem de dia nem de noite, os
adoradores da besta e da sua imagem e quem quer que receba
a marca do seu nome” (Ap 14.10,11).

Essas verdades se tornam mais alarmantes ainda quando


percebemos que são parte da Palavra inspirada de um Deus de
infinita misericórdia e graça.

Deus quer que entendamos a excessiva pecaminosidade do


pecado (Rm 7.13).

Não ousemos encará-lo com leviandade ou rejeitar nossa


própria culpa frivolamente.

Quando encaramos o pecado como ele é, é nosso dever odiá-


lo.

As Escrituras vão até mais fundo que isso: “Ali, vos lembrareis
dos vossos caminhos e de todos os vossos feitos com que vos
contaminastes e tereis nojo de vós mesmos , por todas as
vossas iniqüidades que tendes cometido” (Ez 20.43, ).

Em outras palavras, quando verdadeiramente vemos o que o


pecado é, longe de obter auto-estima, nós nos desprezaremos.

A natureza da depravação humana


O pecado penetra no mais íntimo do nosso ser. Como vimos no
capítulo anterior; o pecado está no âmago da alma humana.

“Porque do coração procedem maus desígnios, homicídios,


adultérios, prostituição, furtos, falsos testemunhos,
blasfêmias. São estas coisas que contaminam o homem” (Mt
15.19,20).

“O homem bom do bom tesouro do coração tira o bem, e o


mau do mau tesouro tira o mal; porque a boca fala do que
está cheio o coração” (Lc 6.45).

No entanto, o pecado não é uma fraqueza ou um vício pelo


qual não somos responsáveis. É um antagonismo ativo e
intencional contra Deus.

Os pecadores livre e prazerosamente optam pelo pecado. Está


na natureza humana amar o pecado e odiar a Deus. “O pendor
da carne é inimizade contra Deus” (Rm 8.7).

Em outras palavras, o pecado é rebeldia contra Deus. Os


pecadores raciocinam no próprio coração: “Com a língua
prevaleceremos, os lábios são nossos; quem é o Senhor sobre
nós?” (Sl 12.4, ).

Isaías 57.4 caracteriza os pecadores como crianças rebeldes


que abrem sua enorme boca e mostram a língua para Deus.

O pecado destronaria Deus, o destruiria e colocaria o ego no


seu lugar de direito.

Todo pecado é, em último caso, um ato de orgulho, que diz:


“Dê o lugar, Deus, eu estou no comando”.

Por isso é que todo pecado, no seu âmago, é uma blasfêmia.


Para começar, amamos nosso pecado; temos prazer nele,
buscamos oportunidades para praticá-lo.

No entanto, por sabermos instintivamente que somos culpados


diante de Deus, inevitavelmente tentamos camuflar ou negar
nossa própria pecaminosidade.
Há muitas maneiras de fazer isso, Elas podem ser resumidas,
a três categorias: encobri-lo, justificar-nos e ignorá-lo.

Primeiro, tentamos encobrir o pecado : Adão e Eva fizeram


isso no Jardim, depois de ter pecado:

“Abriram-se, então, os olhos de ambos; e, percebendo que


estavam nus, coseram folhas de figueira e fizeram cintas para
si” (Gn 3.7) – então se esconderam da presença do Senhor
(v.8).

O rei Davi tentou em vão encobrir sua culpa quando pecou


contra Urias. Ele tinha adulterado com a esposa de Urias,
Bate-Seba.

Quando ela ficou grávida, primeiro Davi tramou um plano


tentando fazer parecer que Urias era o pai da criança (2 Sm
11.5-13).

Quando o plano não funcionou, ele conspirou para que Urias


fosse morto (vs.14-17). Isso somente agravou o seu pecado.

Durante todos os meses da gravidez de Bate-Seba, Davi


continuou encobrindo o seu pecado (2 Sm 11.27).

Mais tarde, quando Davi foi confrontado com seu pecado, ele
se arrependeu e confessou: “Enquanto calei os meus pecados,
envelheceram os meus ossos pelos meus constantes gemidos
todo o dia.

Porque a tua mão pesava dia e noite sobre mim, e o meu vigor
se tornou em sequidão de estio” (Sl 32.3,4).

2- Segundo, tentamos nos justificar : O pecado é sempre


culpa de alguém. Adão culpou Eva, e a descreveu como “a
mulher que me deste” (Gn 3.12; ).

Isso mostra que ele também culpava a Deus. Ele não sabia o
que era uma mulher até acordar casado com uma!

Deus, raciocinou ele, era o responsável pela mulher que o


vitimizou.
Da mesma maneira, nós nos desculpamos pelos nossos erros
porque pensamos que a culpa é de outra pessoa. Ou
argumentamos ter um bom motivo.

Convencemos a nós mesmos que é correto retribuir o mal com


o mal. (cf. Pv 24.29; 1 Ts 5.15; 1 Pe 3.9).

Ou então pensamos que se os motivos finais são bons, o mal


pode ser justificado – raciocínio errado de que os fins
justificam os meios (Rm 3.8).

Chamamos o pecado de desequilíbrio, rotulamos a nós mesmos


de vítimas ou negamos que os nossos atos sejam pecaminosos.

A mente humana é de uma criatividade sem-fim quando se


trata de encontrar mecanismos para justificar o mal.

3- Terceiro, ignoramos nosso próprio pecado :

Sempre pecamos por ignorância ou presunção.

Por isso Davi orou: “Quem há que possa discernir as próprias


faltas? Absolve-me das que me são ocultas.

Também da soberba guarda o teu servo, que ela não me


domine; então, serei irrepreensível e ficarei livre de grande
transgressão” (Sl 19.12,13).

Pelo fato de o pecado ser tão difuso, nós naturalmente


tendemos a nos tornar insensíveis ao nosso próprio pecado, do
mesmo modo que o gambá não é incomodado pelo seu próprio
mau cheiro.

O pecado é de tal maneira enganoso que torna o pecador


insensível contra sua própria perversidade (Hb 13.3).

É natural desejarmos minimizar nosso pecado, como se ele


não fosse de fato uma grande coisa.

Afinal de contas, dizemos a nós mesmos: Deus é


misericordioso, não é?
Ele compreende nosso pecado e não pode ser tão duro
conosco, não é mesmo? Mas raciocinar dessa maneira é deixar-
se ludibriar pela astúcia do pecado.

O pecado, de acordo com as Escrituras, é “a transgressão da


lei” (1 Jo 3.4). Em outras palavras, “aquele que pratica o
pecado também transgride a lei, porque o pecado é a
transgressão da lei”.

Pecado, portanto, é qualquer falta de conformidade com o


perfeito padrão moral de Deus. A exigência central da lei de
Deus é que o amemos:

“Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a


tua alma, de todas as tuas forças e de todo o teu
entendimento” (Lc 10.27).

Sendo assim, a falta de amor a Deus é o resumo de todo


pecado.

Mas “o pendor da carne é inimizade contra Deus, pois não está


sujeito à lei de Deus, nem mesmo pode estar” (Rm 8.7).

Nossa aversão natural à lei é tal que mesmo sabendo o que a


lei requer, ela suscita em nós uma ânsia pela desobediência.

Paulo escreveu: “as paixões pecaminosas postas em realce


pela lei… eu não teria conhecido o pecado, senão por
intermédio da lei; pois não teria eu conhecido a cobiça, se a
lei não dissera: Não cobiçarás” (Rm 7.5-7).

A inclinação do pecador pelo pecado é tal que este o controla.


Ele é escravo do pecado, porém o busca com uma fome
insaciável e com toda paixão do seu coração.

Diante disso, duas coisas precisamos ter em mente:

1 – Reconhecer que somos pecadores


2 – Confessar os nossos pecados
3 – Abandonar os pecados

Amém!