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APOSTILA DE RADAR

Princípio de funcionamento

Podemos considerar um radar como composto de quatro partes que são


geralmente combinadas em dois blocos: o transmissor e a antena e o receptor e
o mostrador(display).
O transmissor emite pulsos muito curtos em frequencias situadas na faixa
SHF(Super High Frequencie frequências super altas). A antena giratória
direciona esses pulsos em torno do horizonte e eles são refletidos de volta por
qualquer objeto sólido que com eles colida. Após enviar o pulso, a antena
transmissora transforma-se em antena receptora através de um circuito
especial que chamamos chave TR(transmissão – recepção ). Tão grande é a
velocidade das ondas rádio(pulsos) que elas vão e voltam percorrendo muitas
milhas em um espaço de tempo muito curto da ordem de milionésimos de
segundo – durante o qual antena estará apontando para uma determinada
direção. Os sinais que retornam são processados nos circuitos de receptor e,
com auxílio de uma tela são então apresentados visualmente em uma posição
apropriada.
O comprimento do pulso, também chamado largura do pulso, é importante
porque o receptor não estará disponível para recepção até que o pulso tenha
sido emitido.
Estamos falando de grandezas da ordem de 6,2 micro segundos.
Quanto mais curto for o comprimento do pulso, tanto mais cedo o receptor
ficará disponível e, menor será a área morta em torno da embarcação na qual
nenhum retorno(eco) poderá ser obtido. Geralmente uma largura de pulso de
0,1 micro segundo é usada nos radares de menor alcance o que equivale a uma
área morta de 30 metros de raio tendo com centro a antena de embarcação.
Entretanto, nesse curto pulso existe uma quantidade limitada de energia que
pode não ser suficiente em distancias maiores para fazer com que a energia
refletida alcance o receptor. Assim, um pulso maior é usado nas longas
distâncias, normalmente 0,5 micro segundos o que aumenta o raio da área
morta para uns 150 metros. A mudança de largura de pulso é feita
automaticamente em função de distâncias que adotamos.
Outro ponto a considerar é a frequência de repetição de impulsos. Não é
possível emitir outro pulso de antena até que os pulsos de retorno da última
emissão tenham regressado. Nas distâncias mais curtas, uma elevada FRI
pode ser aceita porque os pulsos não precisarão ir muito longe. Essa FRI
elevada, por outro lado, oferecerá também uma melhor chance para a detenção
de alvos pequenos. Em distâncias curtas, a FRI é de ordem 2.500 pulsos por
segundo, enquanto nas distâncias grandes esse número se reduz a metade.

O desempenho do conjunto radar pode ser afetado por numerosos fatores que
devemos lembrar ao interpretar o display (tela). O comprimento do pulso,
além de determinar o tamanho da área morta, como já vimos, também
determina se o radar será capaz de descriminar dois alvos em uma mesma
marcação. Se esses dois alvos estão mais próximos do que 150 metros, que é a
distância relativa ao tempo que o pulso leva para passar, então, os dois alvos
aparecerão com um só. A essa característica do radar chamamos poder
discriminador em distância.
Talvez mais crítica seja a discriminação em marcação que é determinada pela
largura horizontal do lóbulo ( feixe ) transmitido pela antena.
Teoricamente, o lóbulo deveria ser tão estreito quanto um lápis, indo somente
apanhar alvos em uma determinada marcação. Na prática o lóbulo pode Ter
uns 3 graus de largura e, assim, quaisquer alvos dentro deste setor serão
mostrados sobre a mesma marcação. O efeito será aumentado nas grandes
distâncias e , é por isso, que alvos distante tendem a aparecer maiores
Dois alvos muito juntos em uma mesma distância,serão mostrados como um
único alvo se ambos estiverem dentro dos limites de um mesmo lóbulo radar.
Poder discriminador em distância é a caracteristica radar que permite separar
alvos muito juntos quando em uma mesma marcação.
Poder separador em marcação é a caracteristica radar que permite separar
alvos muito juntos em uma mesma distância.
No plano vertical o lóbulo radar tem que ser feito mais largo, pois que assim,
quando a embarcação arfa e balança, parte do lóbulo permanece apontando
para o horizonte.
A largura do feixe vertical é, geralmente em torno de 30 graus com a linha do
horizonte no meio do lóbulo. Mesmo com a tal largura, é ainda possível ao
lóbulo afastar-se do horizonte em mares agitados ou quando navegamos em
veleiros adernados pelo vento e isso será representado por setores em branco
na tela.
Grandes navios são bons alvos, bem como, construções em terra, porem,
embarcações de fibra de vidro ou madeira são alvos fracos. Esses e outros
pequenos alvos tais como bóias, podem ficar perdidos no chamado retorno do
mar, que são centenas de pequenos pontos formados pelos ecos originados
das ondas do mar ao refletirem o pulso radar.
Os ecos de ondas; podem se tornar piores durante fortes ventos devido as
faces verticais das ondas que produzem fortes retornos. O controle SEA
CLUTER existente no display reduz a sensibilidade do radar, porém ao não
distinguir alvos de outros ecos poderá eliminar pequenas embarcações e
outros alvos de fraco retorno radar.
O mesmo tipo de controle pode ser feito para minimizar o retorno da chuva
através do controle ANTI-CLUTER RAIN.

ALCANCE RADAR

A eficiência de um radar de pequena embarcação não deve ser julgada pelas


características de alcance nominal máximo. Um radar com um alcance de 48
M em um mostrador não significa que os alvos possam ser detectados a esta
distância. Ainda que eles sejam, será muito difícil identifica-los de uma forma
positiva e não existe maior interesse em uma detecção a tal distância.
Na prática, 12 M de alcance é a distância máxima usada em uma navegação
normal e é o limite no qual as características de terra podem ser
positivamente identificadas.
O alcance radar depende da altitude da antena e é dado pela fórmula:
AR= 2,23 multiplicado pela raiz quadrada da altitude.

A INSTALAÇÃO RADAR

A correta instalação do display e da antena giratória é fundamental para o


máximo de desempenho do equipamento radar. Quanto ao display. Ele deve
Ter prioridade em relação a outros equipamentos de forma que o usuário
possa operá-lo, confortávelmente, mesmo com condições de mar
desfavoráveis.
O display radar não deve ficar muito perto da agulha magnética a fim de não
provocar eventuais interferências nela. Normalmente mais de 0,5 metros.

O DESEMPENHO RADAR

A distância de detecção de um alvo radar, como sabemos depende da altura


desse alvo acima da linha do horizonte do observador, bem como, da
intensidade do pulso de retorno, ou seja, do eco. A intensidade do pulso radar
diminui a medida que ele vai se afastando da antena e, quando ele colide com
um alvo, somente uma parte da energia restante é que retorna , dependendo do
aspecto do alvo, do material de que é feito, do seu tamanho etc.
Metal e pedra são os melhores refletores, pois que, sendo materiais de grande
dureza, absorvem pouca energia. Superfícies macias, tais como, areia e lama
são maus refletores, enquanto que a vegetação, madeira e tecidos refletem
muito pouco o sinal radar. Uma superfície vertical fazendo angulo reto com o
lóbulo radar é boa refletora, enquanto uma superfície de pouca inclinação ,
como uma praia por exemplo, dissipa a energia oferecendo um eco muito
fraco.
Navios geralmente fornecem um eco forte , detectáveis nos radares de
pequenas embarcações a umas dez milhas. Navios pequenos oferecem ecos
razoáveis, podendo ser detectados entre 5 e 10 milhas.
Alguns balizamentos são equipados com transponder (racon) que permite
que os radares nas suas proximidades os identifiquem por um sinal especial
que aparecerá na tela do radar.
Barcos de fibra de vidro ou madeira são piores alvos e por essa razão, devem
ser equipados com refletores radar que aumentam consideravelmente o sinal
de retorno.

RADAR NA NAVEGAÇÃO

Existem dois requisitos básicos em navegação: saber onde estamos e para


onde queremos ir e o radar pode fornecer estes requisitos.
A posição pode ser determinada por dois métodos distâncias ou marcações ou
por uma combinação de ambos. As distâncias devem ser preferidas devido a
sua maior precisão.
Uma posição pode ser obtida com duas distâncias porém, se usarmos três
distâncias poderemos verificar e consertar qualquer erro em uma distância.
Navegar com sucesso pelo radar requer considerável prática de forma a
adquirimos confiança. Praticar em bom tempo trará a confiança para usarmos
o equipamento de maneira confiável em baixa visibilidade ou mal tempo e,
essa prática, será ainda mais importante quando a usarmos para evitar
colisões.

O USO DO RADAR PARA EVITARMOS COLISÃO

O movimento mostrado na tela do radar é o movimento relativo, isto é, sua


embarcação fica parada no centro da tela e todos os ecos se movem.
Os movimentos de outros barcos ocorrem em direção e velocidade que é
combinação de seu rumo e velocidade com o rumo e velocidade deles. Assim
a regra fundamental que devemos Ter em mente é que para todo alvo se A
MARCAÇÃO FICAR CONSTANTE E A DISTÂNCIA ESTIVER
DIMINUINDO ESTAMOS EM RUMO DE COLISÃO.
Qualquer eco que esteja se afastando do centro da tela estará se afastando de
você .
Portanto você necessita se preocupar com aquelas que estão se movendo em
direção ao centro.

NOMENCLATURA RADAR

POWER (PWR) – liga e desliga o radar


TX – inicia a transmissão do radar
STAND BY – como no TX inicia a transmissão do radar ou coloca em modo
espera (stand by)
GAIN – ajusta o ganho (sensibilidade). Deve ser sempre colocado no mínimo
para pegar ecos fracos e não borrar a tela.
A/C RAIN – ativa o circuito que reduz os ecos de chuva. Deve ser usado no
mínimo para não borrar a tela e não apagar ecos fracos.
A/C SEA – ativa o circuito que reduz os ecos das ondas em mar grosso. Deve
ser usado no mínimo para não borrar a tela e não apagar ecos fracos.
TUNE – ajuda a sintonia do receptor para uma melhor definição da tela.
EBL – ativa a linha de marcação eletrônica a fim de que possamos efetuar
marcação relativa. Alguns radares podem ativar duas EBL.
VRM – ativa os círculos de distâncias variáveis para podermos obter
distâncias de ecos.
Alguns radares podem ativar duas VRM.
IR – ativa o circuito para evitar interferência causada por outro radar nas
proximidades.
ZOOM – amplia uma área para duas vezes o mostrado inicialmente.
SHF – desloca o centro da tela para o ponto onde está o cursor.
RANGE – altera a escala em uso.
RING – ativa os anéis eletrônicos de distância. Para cada escala há uma
distância entre anéis.
ZONE GUARD – ativa a zona de guarda para que qualquer alvo ao entrar
nesta zona faça soar um alarme. Para criar uma zona nos radares mais
modernos basta colocar o cursor no limite interno esquerdo, apertar o
GUARD e levar o cursor para o limite externo direito e apertar novamente o
GUARD. Para desativar a zona aperte GUARD até apagar o aviso de
GUARD.