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HISTÓRIAS EM QUADRINHOS:

UM PERFIL DO PÚBLICO LEITOR EM ESCOLAS PARTICULARES


NA CIDADE DE JOÃO PESSOA
MARCELO SOARES DE LIMA

HISTÓRIAS EM QUADRINHOS:
UM PERFIL DO PÚBLICO LEITOR EM ESCOLAS PARTICULARES
NA CIDADE DE JOÃO PESSOA

Monografia apresentada à Coordenação do


Curso de Comunicação Social do Centro de
Ciências Sociais Aplicadas da Universidade
Estadual da Paraíba, requisito Parcial para
a obtenção do grau de Bacharelado, sob a
orientação do Profº Augusto César Morais
Gomes.

CAMPINA GRANDE – PB
2006
MARCELO SOARES DE LIMA

HISTÓRIAS EM QUADRINHOS:
UM PERFIL DO PÚBLICO LEITOR EM ESCOLAS PARTICULARES
NA CIDADE DE JOÃO PESSOA

BANCA EXAMINADORA

_______________________________________________ Nota:_______

Profº. Augusto César Morais Gomes


Depto. De Filosofia e Ciências Sociais

Orientador

________________________________________________ Nota: _______

Prof.º Ms. Camilo Barbosa da Silva


Depto. de História e Geografia

2º Examinador

________________________________________________ Nota:_______

Profª. Carla de Fátima Borba de Souza


Depto. de Comunicação Social

3ª Examinadora

Média: ________

CAMPINA GRANDE – PB

2006
SUMÁRIO

INTRODUÇÃO.................................................................................................. 1

1. UMA BREVE HISTORIA DAS HQ`S............................................................ 3

1.1 As HQ´s no Brasil........................................................................................ 8

2. AS HQ´S E SUAS RELAÇÕES.................................................................... 14

2.1 Indústria cultural e bens culturais................................................................14

2.2 Quadrinhos e educação:


Do uso didático a formação do hábito de leitura............................................... 29

3. UMA RELAÇÃO COM OS QUADRINHOS.................................................. 37

3.1 O reino encantado das bancas de revistas................................................. 38

3.2 HQ´s, professores e um mundo fumegante................................................ 42

3.3 À hora dos pais........................................................................................... 47

3.4 A visão dos estudantes............................................................................... 50

CONCLUSÃO................................................................................................... 56

REFERENCIAS................................................................................................ 60

APENDICES

ANEXOS
Título: Histórias em quadrinhos: Um perfil do público leitor em escolas particulares na
cidade de João Pessoa

Autor: Marcelo Soares de Lima

Orientador: Augusto César Morais Gomes

RESUMO

As Histórias em Quadrinhos é um tema de profunda atratividade para qualquer

individuo considerando que desperta o prazer da leitura, do divertimento, além do

aspecto educativo latente. Assim, permanece no imaginário de crianças, jovens e

adultos apesar da variedade de meios eletrônicos de entretenimento. Nossa

preocupação central foi a de traçar um perfil do leitor de HQ´s a partir de

informações coletadas em escolas particulares de João Pessoa. A perspectiva

histórica contemplou passagem da História das HQ´s, sem a qual não teríamos

condições de elaborar um perfil do sujeito de nossa pesquisa. O estudo é

complementado com uma análise sobre como estudantes; pais; professores e

responsáveis por bancas se relacionam com esse tipo de revista.

Palavras Chaves: Histórias em quadrinhos; perfil de leitor de HQ´s; consumo de

revista de entretenimento.
AGRADECIMENTOS

Primeiramente, agradeço a vida por tecer caminhos tão importantes durante todos

esses anos que me levaram a este ponto de meu estágio de evolução espiritual,

emocional e humano. Aos meus pais por me mostrarem a importância do

conhecimento, principalmente minha mãe que sempre batalhou por uma vida melhor

para seus filhos e mesmo com todas as dificuldades nunca deixou de dar amor e

compreensão, meus tios pelo apoio tanto financeiro quanto familiar, e minha querida

falecida avó, que Deus a tenha em seu rebanho, por mostrar a importância de se

ouvir os mais velhos.

Aos meus amigos que estavam sempre do meu lado, auxiliando nos momentos

difíceis e se divertindo nos alegres, dentre eles em especial: Cleriston, fiel escudeiro

e confidente; Lenilson, grande amigo para todas as horas, Josélio, debatedor oficial

sobre quadrinhos e Alinne, companheira de perícias em sala de aula e de conversas

e carinho fora dela. Todos eles estarão sempre em meu coração mesmo que o

destino nos distancie.

Agradeço meus professores pelo auxilio em todos os momentos, em especial

aos professores Custódio de Souza; Carlos Azevedo e Carla Borba por darem,

mesmo sem saberem, lições de como se deve ver a vida e a profissão de jornalista.

Por fim, ao professor Augusto César por aceitar me orientar mesmo não me

conhecendo anteriormente, por sua paciência, auxilio, amizade e por me mostrar

que é necessário muito empenho para se conseguir algo que se deseja.


INTRODUÇÃO

Apesar da hegemonia dos diversos e modernos meios eletrônicos de

entretenimento, as Histórias em Quadrinhos permanecem atuais em diversas

formas, desde tiras até revistas especializadas, tornando-se uma constante no

mundo de crianças, jovens e adultos. O advento desses meios eletrônicos tem

fomentado análises com um tom apocalíptico sobre o futuro das HQ´s. Contrariando

essas análises, elas também já se integraram a essa nova realidade, como visto

através de revistas virtuais. Se antes as HQ´s se viam como principal revista de

lazer, hoje em dia disputam o espaço com outros títulos do gênero de

entretenimento. Por envolver questões como o lazer; a instrução; momentos de

intimidade do leitor com o hábito de leitura, o tema se mostra relevante, mas apesar

disto permanece pouco explorado no ambiente acadêmico.

Em face desse desconhecimento, surgiu de nossa parte uma curiosidade de

entender as características do consumidor atual de HQ´s, em um caráter local, com

base nisso, delimitamos os jovens estudantes de escolas particulares de João

Pessoa como informantes em potencial que poderiam nos oferecer pistas no sentido

de traçar esse perfil.

Interesses de ordem pessoal, assim como uma convivência de longa data

também são motivações adicionais que contribuíram para a concretização dessa

pesquisa. Decorrente dessa pesquisa procurando traçar esse perfil, outros aspectos

da problemática também foram contemplados no estudo, tais como: Verificar os

títulos mais lidos no momento; a intensidade de aquisição das revistas; etc.


Como base de fundamentação teórica, recorremos a alguns conceitos da

Teoria Crítica Social (Escola de Frankfurt), com o intuito de entender melhor o papel

da HQ como meio de comunicação de massa, sua função como produto da indústria

cultural frente à infinidade de produtos do mercado de produtos e serviços de lazer.

Durante o estudo encontramos dificuldades diversas. Entre elas, a de encontrar uma

bibliográfica mais específica sobre essa relação público/consumo/HQ´s. Os poucos

estudos locais existentes estão mais focados numa historicização do tema.

Para melhor compreensão do estudo, dividimos o nosso trabalho em três

capítulos: o primeiro tratando de um breve resumo sobre a história das HQ´s; no

segundo capitulo procuramos elaborar uma reflexão sobre o quadrinhos como

produto da indústria cultural, analisando sua relação com a educação; e enfim, no

terceiro e último capitulo, faremos uma análise dos dados coletados entre

estudantes; pais; professores e responsáveis por bancas de revistas.

Por fim, esperamos que o trabalho tenha alcançado os objetivos inicialmente

traçados.
CAPITULO I

Uma breve Historia das HQ`s

Nesse inicio de trabalho faremos um breve resumo da História das histórias em

quadrinhos, para tanto usaremos como base de auxilio nas informações para essa

historicidade obras de estudiosos da área como Moacir Cyrne, Álvaro de Moya,

Mário Feijó, Zilda Augusta Anselmo e Gonçalo Junior, que fazem mais

aprofundadamente esse estudo1, mostrando o caminho percorrido por esse meio de

comunicação desde os primórdios da existência humana até os dias de hoje.

Na tentativa de se fazer entender, os homens das cavernas usavam de uma

linguagem tipicamente não-verbal para relatarem acontecimentos relacionados ao

seu dia-a-dia. Essa linguagem, conhecida como pinturas rupestres, era feita em

paredes de cavernas com uma seqüência lógica de entendimento. O uso dela se

perpetrou com o passar dos séculos, chegando ao antigo Egito, onde a escrita era

feita com sinais ou caracteres pictóricos conhecidos como hieróglifos, e tornou-se

decoração em utensílios gregos que contavam também fatos atuais. Assim, seguiu-

se no decorrer da História em várias civilizações de formas variadas, por exemplo,

em imagens sacras, estandartes e escrita chinesa, astecas, maias, em tapeçarias

medievais, vitrais e livros ilustrados.

A capacidade de representar uma idéia através de imagens, popularizou

essa forma de expressão criando condições para surgimento das histórias

desenhadas com uma finalidade e significado pré-determinado. O surgimento de um

1
As obras utilizadas foram: A explosão criativa dos quadrinhos; Shazam!; Quadrinhos em Ação;
Histórias em quadrinho e A Guerra dos Gibis.
formato já parecido com as HQ´s atuais se iniciou com os contos infantis

legendados, porém de pouco alcance no período, foi só com o surgimento da

litografia e sua inclusão em páginas de jornal que essas histórias alcançaram um

público maior. Mas, mesmo assim, com um papel de menor qualidade por estarem

em segundo plano no consumo pelo leitor do periódico, que via preferencialmente as

noticias depois seguindo para os contos legendados.

A primeira aparição das HQ´s modernas é atribuída a um jornal americano no

ano de 1896. O jornal New York Sunday World trouxe em suas tiras em quadrinhos,

uma ação fragmentada em três quadrinhos seqüenciados, pela primeira vez o balão

de diálogo, fato considerado o pontapé para o surgimento da HQ. O desenho era do

escritor Richard F. Outcault e tinha o titulo de O Garoto Amarelo, falando sobre a

vida na Nova York da época. A partir daí, os editores de jornais passaram a investir

nas tiras como uma forma de incrementar o entretenimento do jornal, e, assim, atrair

um público mais jovem, usando de vários temas, como as fantasias infantis do

Pequeno Nemo no país do sonho (1905) de Windsor McGray, o Krazy Kat (1911)

com suas histórias adultas e introdutórias de animais, até o gênero aventureiro de

Popeye (1929) e Tarzan (1929).

Em menos de meio século de explosão, as HQ´s já tinham ganho suas

revistas próprias, um fenômeno puramente americano depois copiado pela Europa,

como a Funnie on Parade de 1933 (pioneira no estilo) que fazia uma coletânea de

tiras. Nesse período as temáticas dos quadrinhos foram influenciadas pelo contexto

social-econômico do momento, a queda da bolsa de Nova York em 29; o alto índice

de desemprego; a criminalidade; etc., auxiliaram no surgimento de novos gêneros


narrativos como o policial, o espacial e o de super-herói. Não é por acaso que Dick

Tracy (1931) e Superman (1938) se tornaram tão populares entre jovens e adultos

das cidades, fazendo com que a década de 30 fosse época importante para os

quadrinhos, como já afirmava Álvaro de Moya (MOYA, 1977, p. 43): “Era em que

surgiram alguns dos mais importantes personagens dos quadrinhos, motivo de massificação e visão

cosmopolita dos heróis e sua mitologia, suas figuras fetichistas em ícones gráficos”.

Como qualquer meio de comunicação, as HQ´s tem, uma parcela de

influência ideológica perante seu consumidor. Apesar de ser considerada lazer

cultural, ela também pode, e muitas vezes o é, reprodutora de padrões culturais de

instituições sociais hegemônicas. Assim, no final da década de 30, com o clima Pré-

Guerra Mundial, muitos personagens de caráter ideológico surgiram. Nesse

contexto, as editoras de revistas em quadrinhos vendo nas HQ`s uma forma

lucrativa de produto e agradável entretenimento para o público, lançaram diversos

personagens conhecidos até hoje, como o “super-soldado” Capitão América, o

combatente do crime Batman e o Príncipe Submarino Namor.

O início da Segunda Guerra Mundial nos anos quarenta transformou as HQ´s

em forte instrumento de propaganda nacional contra o nazismo, principalmente nos

EUA, dono da maior produção de revistas em quadrinhos mundiais do período.

Histórias de super-heróis no campo de batalha combatendo até o próprio Hitler

tornaram-se comuns. É importante destacar como esse tratamento ideológico

ampliou o consumo dos quadrinhos a medida que o interesse na derrota do eixo

nazista era uma preocupação de primeira ordem dos americanos.


Com o Pós-Guerra vieram as primeiras preocupações com o conteúdo das

HQ´s e sua influência. Durante a década de 50 no âmbito do movimento

macarthista, um tipo de “caça as bruxas” voltada para a defesa da moralidade e a

decência nos EUA, foi lançado o livro A Sedução dos Inocentes do psiquiatra

Frederic Wertham. Essa obra discutia a influência dos quadrinhos na formação

infantil e a possível má-influência trazida por elas. O livro é apontado no meio

quadrinhistico como um dos influenciadores na criação de um código de ética para o

produto anos mais tarde. Esse Código teria sido responsável por restrições na

produção de histórias, baixas ainda maiores nas vendas e até falência de editoras.

Sobre essa situação Zilda Augusta (AUGUSTA, 1975, p. 59) dizia que “a essa época,

atacantes da HQ prenunciavam sua queda e até o seu desaparecimento, prognóstico totalmente

errado, pois não levou em conta a enorme vitalidade e o dinamismo conquistado pelos comics”.

O consumo só teve uma melhora com o ressurgimento de histórias sobre

super-heróis na década seguinte, influenciadas pelos movimentos alternativos (como

o rock and roll e beat), quando as HQ´s passaram a expor personagens menos

idealizados, mais humanos, além dos preconceitos, dificuldades e até erotismo

existente na nossa realidade. Exemplos desses personagens podemos ver no

Homem-Aranha (1962) e suas dificuldades adolescentes, os X-Men (1963) e o

preconceito contra raças, além dos quadrinhos independentes americanos que

mostravam a sensualidade e a vida urbana pelas mãos de Robert Crumb e Moebius.

Com o conteúdo das histórias remodelados, obras mais realistas e violentas

começaram a surgir com o passar dos anos, tendo o seu auge nos anos 80,

amparadas pela cultura pop da época. Assim, o público leitor nos EUA se

concentrou nos jovens e adultos. Por causa das temáticas mais críticas, trabalhos
como Watchmen (1986), que mostra como seria a existência de super-heróis no

mundo real; Cavaleiro das Trevas (1985), trazendo um Batman mais sombrio do que

nunca; e Akira (1982), uma produção japonesa de forte impacto visual, isto é,

desenhos mais expressivos nos traços dos personagens e na construção das cenas;

passaram a fazer parte das prateleiras das bancas de revistas e criaram uma nova

febre pela mídia.

Na última década do século XX, as HQ´s aumentaram suas tiragens e

bateram recordes de venda2, esse volume foi decorrente do fato do mercado

editorial ter se voltado para o público adolescente utilizando histórias repletas de

ação e desenhos exaltando o corpo atlético nos personagens. Foi também a partir

da década de 90 que se iniciou um processo de especialização de conteúdos nas

HQ`s. Apareceram os livros em quadrinhos de caráter jornalístico e a editora DC

Comics, por exemplo, lançou o selo Vertigo com histórias de teor adulto

diferenciadas das de super-heróis. Outra grande vertente das HQ´s que chegou ao

ocidente nessa época foram os mangás – criação japonesa em grande escala que

prioriza imagem ao texto. Os mangás foram se popularizando no Pós-Guerra até

virarem mania nacional no Japão, hoje, estão espalhados pelo mundo e inspiram

desenhos animados, jogos de computadores, jogos de RPG e uma infinidade de

produtos licenciados.

Nos primeiros anos do século XXI, o que vemos é a proliferação de títulos em

bancas, livrarias e cada vez mais uma expansão dos canais de publicação desse

2
A revista dos X-Men chegaram a vender 7 milhões de exemplares em 1992.
tipo de história. O que antigamente era restrito a tiras em jornais diários, agora

encontramos em artigos de melhor qualidade3..

Em tantos anos de produção de HQ´s, não é de se estranhar que a cena

tenha evoluído e que, a cada dia, suas temáticas fiquem mais próximas das

aspirações e do estilo de vida de jovens e adolescentes em todo o mundo. Ao

mesmo tempo, elas vem retratando todo o tipo de acontecimento, como guerras,

paixões, erotismo, protestos, romances e o trivial, heróis tentando salvar o mundo do

império do mal, mas com toques contemporâneos, e questões mais comuns na vida

de garotos das grandes cidades.

1.1 As HQ`s no Brasil

Em 1905 uma publicação da editora O Malho, chamada O Tico-Tico, já trazia

em suas páginas algumas tiras de quadrinhos. Porém, foi a partir do surgimento do

Suplemento Infantil do Jornal A Nação em 1934 que se iniciou um interesse maior

pela publicação das HQ`s. Como aponta a professora Zilda Augusta (AUGUSTA,

1975, pg. 64), nunca no Brasil houve uma tradição real de produção de HQ´s: “Não

existe no Brasil, uma linha autenticamente nacional de desenvolvimento de HQ, sendo à importação

responsável pela introdução das HQ´s neste país”.

Essa linha de importar coisas feitas no exterior era bem definida no

Suplemento Infantil, um caderno especial de domingo do jornal A Nação sobre o

comando do jornalista Adolfo Aizen que meses após seu lançamento tornou-se uma

3
Como por exemplo, a HQ “A Sombra das Torres Ausentes” de Art Spielgeman, que através de tiras
retrata questões acerca da queda das Torres Gêmeas nos EUA no dia 11 de setembro.
publicação independente, com o título Suplemento Juvenil para ampliar seu público

alvo, tendo uma tiragem de 360 mil exemplares nas três primeiras edições. Logo

outros suplementos apareceram como O Globo Juvenil de O Globo; A Gazeta

Juvenil do jornal Gazeta de São Paulo e O Guri do jornal O Cruzeiro, para citar só os

principais.

Assim como nos Estados Unidos, no Brasil logo surgiram as primeiras

revistas especializadas em quadrinhos. A primeira foi Mirim de 1939, lançada por

Adolfo Aizen, depois veio O Lobinho, do mesmo editor. Temendo perder espaço no

mercado consumidor de HQ´s, o jornalista Roberto Marinho lançou a revista O Gibi4,

sendo por causa dessa publicação a popularização do termo “gibi” ao se referir às

HQ´s no país.

Por despertar fascínio entre os jovens, logo as HQ´s começaram a ser objeto

de atenção de segmentos sociais mais conservadores (inicialmente padres), como

afirma Gonçalo Junior:

Esses segmentos importaram da Itália a tese de que os quadrinhos

americanos “desnacionalizavam” as crianças [...] Apesar da implicância de

padres, jornalistas e etc. com os gibis, o Governo Federal nada fez para

censurar as publicações da época. Ainda em 1939 deu-se a primeira

manifestação pública pela censura aos quadrinhos, ao entrar na pauta de

discussão de um encontro de bispos de São Paulo a influência das

histórias em quadrinhos na juventude (JÚNIOR, 2004, p. 77.)

4
A palavra gibi tem como significado meninote ou moleque, demonstrando bem o público ao qual era
destinada a publicação.
Enquanto isso, outro nome de peso ingressava no mundo dos quadrinhos:

Assis Chateaubriand, dono dos Diários Associados (rede de meios de

comunicação), que lançou a revista O Guri (1940), acirrando a concorrência. Para

Gonçalo Junior (2004, p. 95): “As publicações em quadrinhos eram, sem dúvida, o que décadas

depois seria chamado de ‘fenômeno de comunicação em massa’ no Brasil do inicio da década de

1940”.

Em maio de 1945, Adolfo Aizen escreveu mais uma parte importante da

história nacional dos quadrinhos. Nesse mês foi fundada oficialmente a Editora

Brasil-América (EBAL), importante editora de HQ´s por muitos anos. Foi na EBAL a

primeira aparição dos personagens Disney no Brasil, ainda no mesmo ano. Durante

este período a agência Voge Publicidade publicou uma pesquisa onde afirmava que

75% dos jovens brasileiros que sabiam ler consumiam revistas juvenis (JÚNIOR,

2004, p.121), confirmando assim a abrangência das histórias em quadrinhos no

país.

Nos anos 50 aconteceu a 1ª Exposição Internacional de Quadrinhos, no Rio

de Janeiro, organizada por Álvaro de Moya, além do surgimento do personagem

Menino Maluquinho de Ziraldo, que em 1960 começou a publicar a revista O Pererê,

tendo como personagem principal um sací e não raro suas aventuras tinham um

fundo ecológico ou educacional. Também na década de 60 o cartunista Henfil deu

seguimento a tradição do formato "tira" com seus personagens Graúna e Os

Fraudinhos. Foi nesse formato de tira que estrearam os personagens de Maurício de

Sousa, criador da Turma da Mônica ainda no fim de 1959. Só mais tarde suas

histórias passaram a ser publicadas em revistas, primeiro pela Editora Abril e depois

pela Editora Globo. Ainda nessa década, o golpe militar inspirou publicações cheias
de charges como O Pasquim que, embora perseguido pela censura, criticavam a

ditadura incansavelmente.

Nesse período, revistas universitárias revelaram autores consagrados até

hoje, como os irmãos Paulo e Chico Caruso, além de Angeli, Glauco e Laerte, que

vieram ajudar a estabelecer os quadrinhos alternativos no Brasil durante os anos 80,

desenhando para a Editora Circo em revistas como Circo e Chiclete com Banana.

Eles produziram as histórias de Los Três Amigos (sátira western com temáticas

brasileiras) e separados renderam personagens como Rê Bordosa, Geraldão e

Overman. Mais tarde juntou-se a "Los Três Amigos" o quadrinista gaúcho Adão

Iturrusgarai. Estes quatro publicam até hoje na Folha de São Paulo e lançam álbuns

por diversas editoras.

A partir dos anos 80, muitas publicações independentes (fanzines)

começaram a circular com um lado mais alternativo na temática, inspirados por

grandes nomes das HQ´s alternativas como os europeus Millo Manara, Tamburini e

Libertatore, e os brasileiros Paulo Garfunkel e Libero Malavoglia que faziam o

“samurai das ruas” em O Vira-Lata. Apesar da força de vontade muitas dessas

tentativas não preduraram, como afirma Zilda Augusta:

Todas essas alternativas, acabaram por desaparecer, pois a quantia que

as editoras pagavam aos autores e desenhistas era tão pouca que não

compensava seu trabalho, muito melhor pago quando trabalhava na

publicidade. O que realmente obstou o desenvolvimento da HQ brasileira,

de acordo com referencias colhidas em Moya (1970), não foi a falta de

artistas criativos, mas sim o problema económico-financeiro, que impediu o

recebimento, pelos criadores de HQ no Brasil, da devida recompensa por

seus esforços (AUGUSTA, 1975, p. 69)


Apesar de existirem diversas revistas voltadas estritamente para a HQ

nacional, como Bundas (já extinta), Outra Coisa (com informações sobre arte

independente) e Caô, pode-se considerar que as produções tipicamente nacionais

ainda não se firmavam no Brasil nesse periodo.

Na década de 90, a História em Quadrinhos no Brasil ganhou impulso com a

realização da 1ª e 2ª Bienal de Quadrinhos do Rio de Janeiro em 1991 e 1993, e a

3ª em 1997 em Belo Horizonte. Estes eventos em cada versão contaram com

público de algumas dezenas de milhares de pessoas, com a presença de inúmeros

quadrinistas internacionais e praticamente todos os grandes nomes nacionais, tendo

exposições cenografadas, debates, filmes, cursos e todos os tipos de atividades.

No fim dessa mesma década e começo do século XXI, surgiram na internet

diversas HQ´s brasileiras, ganhando destaque os Combo Rangers, criados por Fábio

Yabu que tiveram três fases na internet, uma mini-série impressa e vendida nas

bancas pela Editora JBC em três edições, ganhando, posteriormente, uma revista

mensal pela mesma editora com 12 edições, e, pela Panini Comics em 10 edições

Hoje em dia, do ponto de vista das grandes tiragens com produção nacional,

há predominância das HQ´s da Turma da Mônica, que fazem sucesso em outros

lugares do planeta, porém, já se conta com uma nova geração de quadrinistas que

não visam só o cenário internacional, como Spacca e seu Santô e os Pais da

aviação, André Kitagawa com o Chapa quente, Ferréz e Alexandre de Mayo e Os

inimigos não mandam flores. Esses autores procuram retratar o país e suas

peculiaridades urbanas, mostrando que podemos ter esperança de uma melhora no

cenário nacional e uma forma bem brasileira de se fazer HQ´s, como já dizia Álvaro

de Moya (1977, p. 236):”Algum dia terá que surgir também, em síntese de todos esses
desencantos que é a triste e saudosa história dos quadrinhos no Brasil, uma verdadeira e genuína

forma de fazer quadrinhos brasileiros”.


CAPÍTULO II

As HQ´s e suas relações

2.1 Indústria cultural e bens culturais

Independentemente da orientação teórica, é consensual a opinião de que a

comunicação e a informação formam uma das bases que fundamentam os contatos

sociais. Desde os registros rupestres aos dias atuais, é através da comunicação e

comunhão de sentidos, anseios e necessidades que os homens formam as redes

sociais a partir das quais torna-se possíveis os diversos processos sociais. A

comunicação e a informação, constituem-se pois, elementos imprescindíveis a

permanência e desenvolvimento da vida social. Tendo em vista o desenvolvimento

tecnológico (e seu reflexo nos meios de comunicação e informação) obtido pela

humanidade no século XX, a compreensão de qualquer esfera da realidade deve

levar em consideração a influência desses meios como elementos fundamentais na

rede complexa de relações que fundamentam a sociedade contemporânea. Assim

como há consenso sobre a importância do papel exercidos pelos meios de

comunicação, também há no que diz respeito ao fato de que vivemos numa

sociedade de massa5 e de que seus meios de comunicação produzem efeitos e

impactos sobre ela.

5
Sociedade de Massa, Meios de Comunicação de Massa e Cultura de Massa, constituem conceitos que
fundamentam a teoria social da Escola de Frankfurt. Todos tem em comum o fato de referir-se ao conceito de
massificação. Fazemos nosso o definição de Massificação de BIROU(1978:245), segundo ele, “...a massificação
significa o fato de técnicas e sistemas de produção e de consumo obrigarem os homens a conformarem-se
massiçamente com as normas,os padrões e as práticas da sociedade industrial. A estandardização dos objetos,
dos procedimentos e das atividades produziria uma estandardização dos homens.[ no entanto], (...) se os meios
de massa tornam homogêneas certas dimensões da existência, mesmo quando existem modelos de
comportamento de massa não há uniformidade total nem conformismo absoluto.”
A Indústria Cultural, fenômeno típico dessa sociedade de massa, é

considerada por Adorno6 como um processo de transformação da cultura em um tipo

de mercadoria específica – os bens simbólicos de natureza cultural. Ou seja, objeto

ou serviço cuja utilidade maior é seu valor de troca no mercado capitalista.

Nesse sentido, qualquer produção cultural deve atender as necessidades de

um segmento explorável do mercado. Se esse consumidor ainda não existe, é

possível arregimentar esforços midiáticos para fazê-lo existir. Enquanto negócios,

seus fins comerciais são realizados por meio de sistemática e programada

exploração de bens considerados culturais.

No contexto da sociedade capitalista, a indústria cultural existe e atua como

instrumento auxiliar de manutenção das estruturas econômicas. Para tanto, os

próprios grupos que detêm os meios de comunicação, recorrem à influência que

possuem sobre instituições sociais estratégicas (família, escola, igreja, etc.), no

sentido de fazê-las incorporar e reproduzir, a sua maneira, a ideologia do consumo

ilimitado de bens e serviços apresentados como aspirações inevitáveis, cuja posse é

sinônimo de bem-viver.

Diversas são as correntes de pensamentos que ao longo do século passado

elaboraram modelos teóricos na tentativa de explicar esses efeitos anteriormente

referidos7. Entre esses modelos, sobressai-se as análises elaboradas por e a partir

6
Sobre indústria cultural ver ADORNO, Theodor W. & HORKHEIMER, Max. A Dialética do esclarecimento:
fragmentos filosóficos / tradução: Guido Antônio de Almeida. Rio de Janeiro: J. Zahar Editor, 1997.
7
Em relação aos impactos dos meios de comunicação de massa sobre a sociedade, os modelos teóricos que
tentaram explica-los são diversos. Entre eles, destacamos aqueles de orientação mais funcionalista e empirista
(norte-americanos e canadenses), os de orientação marxista, culturalistas e, baseados em estudos psicológicos de
efeitos comportamentais. Mais detalhes a esse respeito, ver FERREIRA (2003:170-181).
da Teoria Crítica da Sociedade (Escola de Frankfurt), que superando uma leitura

marxista mais ortodoxa (segundo a qual os meios de comunicação de massa

estariam a serviço direto do funcionamento social em torno dos interesses sociais e

econômico do capital, da lógica do mercado, sendo responsável pelo surgimento do

termo “indústria cultural”), propõe que “os meios de comunicação de massa haviam alterado o

percurso previsto da História por meio da cultura de massas, instrumento eficientemente utilizado

pela classe dominante para modelar e condicionar o comportamento e os hábitos de vida e consumo
8
da classe trabalhadora”

O próprio termo indústria cultural, em si, contém uma natureza crítica, como

afirma Duarte9:

Tal denominação evoca a idéia, intencionalmente polêmica, de que a


cultura deixou de ser uma decorrência espontânea da condição humana,
na qual se expressaram tradicionalmente, em termos estéticos, seus
anseios e projeções mais recônditas, para se tornar mais um campo de
exploração econômica, administrado de cima para baixo e voltado apenas
para os objetivos de produzir lucros e garantir adesão ao sistema
capitalista por parte do público.

Dessa perspectiva, se há manipulação dos indivíduos pelos meios de

comunicação de massa, ela é principalmente ideológica e só em decorrência dessa

última, é possível a manipulação econômica. Só a partir de uma integração

ideológica da sociedade, estariam colocadas as condições ideais para a obtenção

da eficácia econômica do sistema: a mercantilização de todas as áreas e relações

sociais do indivíduo no mundo, forçando-o a acreditar que o consumo é uma

condição sine qua non sem a qual não é possível relacionar-se e interagir

socialmente. Só essa integração dos indivíduos em torno de valores como

individualismo, competição, poupança, ação empreendedora, desejar ter, comprar,

exibir a aquisição, etc., permite a integridade e continuidade da racionalidade própria

do capitalismo. Nesse quadro, caberia a indústria cultural a função de difundir os

8
Ibidem p.172
9
DUARTE, R. Teoria crítica da indústria cultural. Belo Horizonte: Editora UFMG, Humanitas, 2003, p. 09
valores-padrão (necessários à existência da mercadoria e do consumo), e que

constituem os referenciais que mediam relações e visões de mundo.

Os MCM podem ser considerados os maiores formadores de opinião em

relação a população, e cada vez mais se expandem indo desde a escrita até aos

meios eletrônicos de transmissão de áudio e vídeo. No século XX eles obtiveram

uma evolução técnica significativa. A chegada da televisão nos anos cinqüenta e o

surgimento da internet nos anos 90 possibilitaram a completa hegemonia e

onipresença desses meios, no cotidiano da população mundial. É consenso entre os

pesquisadores sociais, que uma das características mais importantes do mundo

contemporâneo seja o lugar ocupado por esses meios tecnológicos de produção,

reprodução e difusão de informações audiovisuais. Não seria precipitado afirmarmos

que muito de nossas afetividades, opções, decisões e ações sociais resultam

também da influência direta que recebemos deles. Sua centralidade e reflexos na

esfera social, econômica, cultural e política, é proporcional as suas potencialidades

econômicas de viabilizar a operacionalização das atividades inerentes a essas

dimensões da realidade. A preocupação em garantir a manutenção do status quo,

tem como contrapartida do próprio sistema sócio-econômico dominante, a garantia

dos privilégios usufruídos pelos detentores dos meios de comunicação. A relação

entre a mídia e a ordem dominante, é principalmente uma relação de

interdependência e de simbiose.

O poder daqueles que controlam os MCM é tal que os desobriga de

questionamentos sobre o valor cultural dos produtos e serviços que disponibilizam

no mercado:
Sob o aspecto da lucratividade do empreendimento, esse aparato
dissemina produtos de baixíssima qualidade, cujo custo é reduzido ou, pelo
menos, não necessariamente alto em termos relativos, sob a alegação de
que o grande público deseja apenas entretenimento e diversão, sem levar
em consideração qualquer responsabilidade de ordem educacional,
formativa ou cultural que seus recursos tecnológicos comportam e até
10
facilitariam.”

As HQ´s não são uma exceção nesse sentido. Como parte desses meios de

grande penetração popular, com tiragens de milhares e, às vezes, até mesmo

milhões de exemplares, histórias em quadrinhos são avidamente consumidas por

um público fiel e sempre ansioso por novidades. Mesmo o aparecimento e a

concorrência de outros meios não impediram que elas, neste início de século,

continuassem a atrair um público considerável. Como já visto anteriormente, são

publicadas HQ´s que apelam para várias temáticas, indo desde as mais grosseiras,

com personagens calcados em estereótipos como o “a bicha”, o negro e o matuto,

até obras mais elaboradas com temáticas instrutivas.

Os bens culturais de uma sociedade (entendendo bem cultural como uma

criação oriunda da sociedade com certo caráter original) são transformados em bens

de consumo privilegiando-se seu valor de produzir lucro. Para a professora Rita

Marisa Ribes Pereira, “se a produção nasce de maneira seriada, isto é, em grande

quantidade, a exigência de que a obra de arte tivesse uma existência única é posta

em questão e, com isso, seu critério de valoração deixa de ser a sua originalidade e

passa a ser quantidade de cópias produzidas”11, isto é, a valorização do bem é

determinada segundo a ótica quantitativa de seu potencial de gerar lucro.

10
DUARTE. Op. cit., p. 08
11
Em artigo para o site TVE Brasil: http://www.tvebrasil.com.br/salto/boletins2001/epc/epctxt1.htm
A cultura passa a ser tratada como mais um produto de venda, criando os

modismos culturais que vêm e vão a todo momento: ser moderno (aspiração

propagada como necessidade) é sinônimo de adquirir as novidades de toda ordem

lançadas indefinidamente pelo mercado de bens e serviços. Não por acaso, as

agências de propaganda são constituídas por equipes multidisciplinares, com o

propósito primeiro de transformar o indivíduo anônimo e alheio em um cliente

convencido da necessidade inadiável de consumir o produto ou serviço que ela

apresenta. E, o faz, de forma competente, apelando para um discurso emotivo e

imagens que remetem ao culto, ao bem-estar, a aventura imperdível, etc.

A conseqüência do uso mercantil da cultura, é que se acaba inibindo (quando

não inviabilizando), a possibilidade da existência de expressões culturais que não

tenha o propósito de serem reproduzidas massivamente. Só sobrevive e é

considerado como viável, àquilo e aqueles que (como expressão ou como sujeitos

produtores), estejam submetidos aos parâmetros pré-estabelecidos do lucro.

Na Indústria Cultural as coisas são planejadas para embutir no individuo a

necessidade de consumo, tendo em vista que são apresentados como

proporcionadores de conforto, sensações, emoções e pequenos prazeres. Mas ao

contrário do que se possa pensar, a facilitação de acesso a bens culturais à média

da população, de fato, não implica numa alteração da condição sócio-econômica dos

potenciais usuários. Além do mais, esse acesso limita-se a bens de pouca ou

nenhuma significância em relação ao acréscimo de conhecimentos que contribua

para melhor qualificação do próprio consumidor desses bens. O acesso é, já desde

sua origem, profissionalmente direcionado para garantir o retorno do capital

financeiro investido de seus promotores. O que é oferecido, o é, com vistas a um


perfil de um público consumidor rentável e só. No contexto da cultura de massa, os

setores de renda mediana e os assalariados, passam a consumir modelos culturais

burgueses, mantendo-se dentro de uma expressão própria, resultante das condições

e das especificidades do processo de educação formal e informal. Há aí uma

espécie ciclo ilusionista vicioso, tendo em vista que esses modelos só são

acessíveis de maneira esparsa e fragmentada.

Não são raros os casos em que assina-se uma revista ou um jornal de grande

circulação nacional, muito mais para causar boa impressão do que efetivamente,

com objetivos culturais. É a cultura da aparência e do consumo por si, que se

sobrepõe às necessidades de fato. Bens culturais cujo acesso constitui

exclusividade de segmentos privilegiados e que por isso, lhes são comuns no

cotidiano, só são acessíveis a toda população enquanto realidade parciais,

novidades que pouca relação significativa têm com sua história de vida. As

possibilidades de aquisição de bens materiais e culturais que o indivíduo comum

(enquanto consumidor médio para os padrões brasileiros) venha a ter constituem

uma realidade circunstancializada pelo nível de renda.

Tomando-se como referência o nível econômico da maioria da população, a

disponibilidade de recursos sempre muito escassos, faz com que essa aquisição

limite-se a bens isolados, sem conexão com um contínuo que permita um efetivo

crescimento intelectual de quem os adquire. Ademais, a aquisição esporádica de

produtos com novas tecnologias e bens culturais que atribuem status aos seus

consumidores, não é sinônimo de maturidade intelectual nem de ascensão social12.

12
Por ascensão social, entendemos o movimento de uma dada pessoa, família ou grupo em direção
a camadas ou classes sociais consideradas como superiores e em melhor posição. Pode ocorrer quer
em referência aos diferentes estatutos e posições sociais globais da sociedade (classe média,
A eliminação do privilégio da cultura pela venda em liquidação dos bens

culturais não introduz as massas nas áreas antes excluídas, mas serve, ao

contrário, nas condições sociais existentes, justamente para a decadência

da cultura e para o progresso da incoerência bárbara (ADORNO,

1985:150).

Os produtos que chegam até as massas são na verdade reformulações de

uma obra tida como erudita, um kitsch: A transposição de obras reconhecidas como

sendo clássicas (pinturas de Picasso, composições de Beethoven, por exemplo)

para um formato mais popular como toques de celular e capas de cadernos,

constituem exemplos ilustrativos desse acesso fragmentado. Assim, em suas

diversas vertentes a indústria cultural passa a idéia de que constitui um mecanismo

democratizador dos bens culturais, dando ao indivíduo a sensação de usuário e

participe dos bens culturais, num todo integrador.

A necessidade de elaborar um perfil do leitor de HQ´s em escolas particulares

na cidade de João Pessoa, sugere como adequado, um aporte teórico-conceitual

com base nessa teoria crítica da cultura na sociedade contemporânea. Isso, porque,

o leitor também esta inserido nesse processo da indústria de massa, assim como as

HQ´s, que sendo um produto industrial, expressam muito bem os mecanismos da

lógica da mercadoria, do bem cultural produzido numa escala economicamente

viável, sendo ao mesmo tempo, apresentado como instrumento que democratiza o

acesso de todos a cultura.

pequena ou grande burguesia), quer em referência a este ou aquele aspecto do prestígio, da


notoriedade, do renome ou das honras – através do poder político, econômico, da cultura intelectual
ou artística.
Analisar como o uso didático das HQ’s por professores do Ensino

Fundamental incide sobre o perfil do potencial consumidor desse tipo de texto,

implica em um necessário aporte teórico que ofereça subsídios para uma avaliação

de aspectos como a influência da mídia escrita no processo de socialização formal

(construção de uma identidade cultural tipicamente “moderna”), assim como, em

relação à escola enquanto ambiente formador, de comportamentos socialmente

desejáveis – inclusive, o de consumidor de produtos culturais. Orientados por essa

preocupação, tomamos como referencial teórico de estudo as proposições da Escola

de Frankfurt, que trabalha o conceito de indústria cultural.

Assim como a dramaturgia, cinema e literatura nos dias de hoje, as HQ´s

também sofrem um processo de mercadorização, ou seja, a transformação de

expressões culturais em mercadoria só acessíveis na sua forma mais caricatural, ou

seja, massificada. Neste contexto, elas têm a incumbência primeira de ser

essencialmente um produto rentável de entretenimento, portanto, viável

comercialmente. Como meio de entretenimento fugaz, as HQ´s foram facilmente

incorporadas ao modo de vida moderna a partir do Pós-Guerra. Como produto

cultural essa incorporação se deu baseada numa mentalidade que prima pelo

usufruto consumista das novidades criadas pela indústria moderna. Essa

mentalidade é ela própria, obra de uma indústria que necessitava criar novos filões

de consumo, para soerguer-se do marasmo em que se viu durante os anos de

guerra.

Na realidade, as HQ’s, não podem ser caracterizadas e tomadas como bens

culturais transformados em produtos pela indústria. Isto porque, não resultaram de


práticas e manifestações artísticas historicamente consolidadas como expressões

culturais de qualquer segmento social, nem de seus artistas, nem de seus

intelectuais. Surgiram, inicialmente como tiras com minúsculas histórias, não

demorando para se constituir como produto literário de entretenimento com

características únicas. Nessa época, consolida-se como produto comercializável e

lucrativo. Esta é sua razão de ser. Sua existência como um dos produtos da

indústria gráfica moderna, mostra-se viável. É uma mercadoria lucrativa como o é a

peça de teatro, a música de sucesso, o filme de grande bilheteria. Por outro lado, a

própria dinâmica da realidade, os acontecimentos e transformações culturais

ocorridas nas últimas duas décadas, forçaram os produtores a redirecionarem as

pautas das HQ’s. Para se manterem economicamente viáveis essas revistas tiveram

que se adaptar as novas demandas do mercado, continuando a atender um filão

consumidor que se renovou principalmente em relação às exigências de conteúdos

significativos e de uma estética/apresentação gráfica atraente. Nesse sentido,

temáticas como preservação do meio-ambiente, tolerância com o culturalmente

diferente, denúncia das desigualdades sociais, críticas aos costumes e a

comportamentos típicos da vida urbana, etc., tornaram-se freqüentes, e até,

especialidade mercadológica de certos títulos13. Inicialmente, atendendo a um

segmento muito restrito - alternativo e acadêmico; para logo em seguida, verificar-se

que os novos conteúdos temáticos também eram assimiláveis, até desejados por

segmentos expressivos de leitores.

Para continuar sobrevivendo como produto cultural economicamente viável,

as HQ’s buscaram acompanhar as modificações decorrentes da oferta de novas

13
Como exemplo, vemos os livros em quadrinhos de Joe Sacco (Gorazde, Palestina), revistas como a
americana de super-heróis The Authority ou a brasileira Aprenda a vender mais e melhor do Sebrae,
que ensina como montar um negócio próprio.
formas de entretenimento surgidas nas últimas décadas. A segmentação de

temáticas e a melhoria das ilustrações e do acabamento gráfico tiveram esse

propósito de atingir públicos diferenciados, econômica e socialmente. Ao trabalhar

com uma linguagem mista (signos verbais e não-verbais) os quadrinhos podem ser

entendidos por todos os leitores: adultos e crianças, letrados e semialfabetizados.

Dentro dessa perspectiva, sempre foram o espaço por excelência propício às

subjetividades descompromissadas do leitor. Dos cenários aos enredos, passando

pelos personagens, tudo nas HQ´s podem ser vistos como uma apropriação

imaginativa de conceitos, valores e elementos que foram, são ou podem vir a ser

aceitos como reais.

Originalmente surgidas em jornais, como tirinhas em quadrinhos com inicio

meio e fim, as HQ’s foram mostrando seu lado comercial e popular com o passar do

tempo. Ganharam revistas próprias, sua qualidade, tanto em conteúdo quanto na

parte física da revista, foram melhorando até chegarem aos álbuns de luxo dos dias

atuais. Também passou a fazer parte de estudos em universidades, como os do

professor Moacy Cirne, que publicou na década de 70 livros como A explosão

criativa dos quadrinhos14, além de obras de Álvaro de Moya como Shazam!15, todos

esses estudos chamam a atenção para o lado mais acadêmico dos quadrinhos, ou

seja, analisando os diversos aspectos da mídia, desde a literatura ao conteúdo

ideológico. Outra característica que demonstra as possibilidades de exploração

econômica desse meio são as adaptações para outras mídias, como peças de

teatro, filmes, livros, etc.

14
CIRNE, Moacy. A explosão criativa dos quadrinhos. 5 ed. Petrópolis:Editora Vozes, 1977.
15
MOYA, Álvaro de. Shazam! 3ª Edição. São Paulo:Editora Perspectiva S. A., 1977
Sendo assim, uma questão importante se coloca sobre a temática em pauta:

considerando as formas atuais e a diversidade de entretenimento (Internet, chats,

jogos interativos on-line, etc.), há espaço para que esse tipo de publicação continue

economicamente viável?

Principalmente nos últimos vinte anos as HQ´s têm dividido a atenção juvenil

com outras formas de diversão. O avanço tecnológico trouxe para dentro dos lares

DVD’s, computadores, videogames, etc., permitindo uma gama de novas

possibilidades e de informação, numa competição com os quadrinhos na disputa da

preferência de público. Por outro lado, mesmo disseminados por todo o mundo,

esses recursos eletrônicos ainda permanecem acessíveis a um número pequeno e

específico de famílias.

Tanto no mercado americano de HQ, quanto no nacional, existe uma

diversificação de conteúdos na tentativa de atrair novos consumidores. Uma prova

dessa mudança de postura, tanto por parte do leitor quanto dos produtores, é a

migração das HQ’s para uma nova mídia: a Internet. As já chamadas HQ’s virtuais,

ou ainda HQtrônicas, atualmente são vistas por muitos e se espalham por inúmeros

sites, o mais famoso é o site da Nona Arte16 onde se pode ler “on-line” as histórias

ou “baixá-las” para o computador, criando assim uma alternativa ao consumo e

divulgação. Porém, são produções independentes, a maioria de revistas das

grandes editoras ainda não estão disponíveis na rede de computadores, e além

dessa limitação, o leitor “tradicionalista”, a muito um apaixonado por esse tipo de

texto narrativo, não renuncia a leitura realizada na revista impressa.

16
Mais informações pelo endereço eletrônico: www.nonaarte.com.br
Em vista dessas mudanças, o usufruto econômico dos quadrinhos talvez

ainda mantenha seu espaço devido às características que a mídia em questão traz,

como fácil comunicação (utilizando a linguagem não verbal como destaque), a

transposição do imaginário pessoal, ou seja, a capacidade de criar novos mundos

imaginários na mente do leitor que acompanha fielmente como se fosse parte de sua

vida, e um público presente, fiel, formado principalmente (mas não exclusivamente)

por crianças, jovens e adultos de classe média, com um nível de escolaridade

superior ao ensino básico. A seguir faremos um breve comentários sobre essas

características das HQ´s.

Moacy Cirne em seu livro a explosão criativa dos quadrinhos (CIRNE, 1970,

p. 23) diz que “além da importância ideológica e social, os quadrinhos registram

uma problemática expressional de profundo significado estético, tornando-se a

literatura por excelência do século XX”. Levando em conta esse significado, é

importante se fazer uma análise das especificidades das HQ’s para entender melhor

a atração que ela exerce.

Primeiramente o seu caráter icônico, isto é, uma imagem que represente uma

pessoa, local, coisa ou idéia. Esse lado representativo atrai pela sua facilidade de

entendimento da mensagem. Para o escritor Scott McCloud, “nossa cultura é cada


17
vez mais orientada pelo símbolo” , daí a penetração tão maciça de mídias como a

televisão, Internet e as HQ´s, entre outros. Outra característica importante que os

quadrinhos trazem como “arma” para prender a atenção de seu espectador é sua

17
MCCLOUD, Scott. Desvendando os Quadrinhos. São Paulo: Ed. M. Books, 2005.
capacidade subjetiva, de conclusão da ação, usando o recurso da seqüência de

quadros para “deixar no ar” o segmento da cena. Assim, as HQ´s criam com o leitor

uma interação, onde o último passa a também ser “dono” da história. Além desses

atrativos, um outro complementar é o balão, que traz conversas, pensamentos e

anseios dos personagens, e são de fácil compreensão por parte do leitor, pois se

moldam as ocasiões de representatividade necessária.

Entendendo todas essas características peculiares as HQ´s, e o interesse que

ela provoca, se questiona: Como o leitor chega a ter contato com esse meio de

comunicação? Pela influência de amigos, uma oportunidade na escola, o apelo da

publicidade ou o costume familiar?

Em pesquisa realizada por alunos realizada no I Festival de HQ e Universo

Fantástico de Campinas18, constatou-se que apenas 8% do público brasileiro

consumidor de história em quadrinhos teve seu primeiro contato com ela a partir da

alfabetização, enquanto 27% tinham sido através de influência de outras pessoas.

Tais dados revelam a importância da influência que os grupos de referência exercem

sobre o indivíduo na sociedade contemporânea.

Nesse sentido, o indivíduo é influenciado não só por sua posição social, por

outros grupos, pelo status ou por suas expectativas, mas também são influenciados

pelos conceitos que têm dos grupos dos quais não são membros ou participantes.

Além da identificação, da inter-relação ou das interações cotidianas, é inegável que

18
Pesquisa realizada por alunos da Escola Superior de Administração, Marketing e Comunicação
(Esamc) e disponibilizada no site Mundo HQ:
http://hq.cosmo.com.br/textos/hqcoisa/h0090_pesquisa_perfileitor.shtm
na sociedade contemporânea os indivíduos sofrem consciente ou inconscientemente

a influência dos MCM. Estes meios, em especial a Internet, possibilitam a criação de

grupos, comunidades invisíveis, mas reais.

Ao interconectar indivíduos isolados e pertencentes a um outro grupo, permite

que simultaneamente estabeleçam uma identificação em torno de um objetivo e

símbolos que tornam-se comuns. Não poderia ser diferente com relação à iniciação

da prática de leitura de gibis. Principalmente, em se tratando de crianças e jovens,

considerando que estão passiveis as oscilações de humor decorrentes do processo

de formação da identidade e personalidade. Só o que fazemos espontaneamente,

por opção e de forma lúdica nos é prazeroso. Os esforços dos educadores no

sentido de transformar as HQ’s em recurso didático, é demonstrativo dessa

resistência. Na pesquisa supracitada, descobriu-se que entre os entrevistados

77,3% pertenciam às classes A e B de nível econômico19, sendo assim, o consumo

de quadrinhos se concentraria em um nicho social bem definido. Esse dado reflete

uma realidade de acesso desigual aos bens elementares da indústria cultural. As

revistas de quadrinhos com temáticas mais atrativas, enredo bem elaborado e

acabamento gráfico de boa qualidade (aquelas que podem despertar o interesse do

jovem), são financeiramente inacessíveis às famílias de baixa renda.

19
Segundo a classificação do Critério Brasil.
2.2 QUADRINHOS E EDUCAÇÃO: do uso didático a formação do hábito de

leitura

Como a problemática aqui tratada tem como personagem central o público

infanto-juvenil, acreditamos como necessário tecer alguns comentários sobre o

papel que o ambiente escolar exerce no despertar do hábito da leitura. Ao longo da

pesquisa foi nosso interesse verificar também em que medida as HQs são usadas

com o propósito de auxiliar o interesse de crianças e jovens estudantes pela prática

da leitura. Enquanto espaço com atribuições sociais privilegiadas, a escola tanto

pode ser considerada como um grupo social (reunião de indivíduos com objetivos

comuns, num processo de interação social e cultural contínua), como uma instituição

– conjunto de normas e procedimentos padronizados altamente valorizados pela

sociedade, cujo objetivo principal é a socialização do indivíduo, transmitindo os

conteúdos imprescindíveis à manutenção do status quo. A importância que a escola

tem para a sociedade acabou transformando-a em objeto de um debate (tão antigo

quanto sua própria existência) acerca do papel que ela deve desempenhar. Esse

papel social possui um caráter duplo: a um mesmo tempo, ela assume um caráter

conservador ao transmitir os valores tradicionais, e, também assume o encargo de

contribuir para a transformação da realidade quando proporciona o debate crítico e

transmite novos valores. Como diz Lakatos20 (1990, p. 219-220):

É inevitável que todos os indivíduos, satisfeitos com o ‘status quo’ de uma


sociedade dada, em que vivem, esperam que a instituição escola transmita
inalteradas, à nova geração, as normas de sua sociedade. Para essas
pessoas, qualquer modificação que os professores tentem introduzir,
compreendendo a educação como ‘prática da liberdade’, segundo as
palavras de Paulo Freire, é vista com desconfiança. Esperam, assim, que a
escola contribua para manter inalterada a sociedade, apesar dos seus
inúmeros problemas. Dessa forma, fixa-se uma função conservadora para
a escola, reservando-se inovadora para alguns aspectos do conhecimento.
Tal constatação é válida também para as sociedades em períodos de

20
LAKATOS, Eva Maria. Sociologia Geral. 6. ed. São Paulo: Atlas, 1990.
revolução: não é a escola que a inicia, mas é ela que tem a
responsabilidade de consolidá-la, transmitindo a seus alunos os novos
valores.

Os estudos e concepções teóricas de disciplinas ligadas a investigação da

atividade educativa (sociológicas, psicológicas, pedagógicas, filosóficas, etc.), vão

desde análises justificadoras da ações educativas condicionadoras, até àquelas que

propõem que a educação seja colocada a serviço da emancipação do indivíduo e da

sociedade. Independentemente da abordagem teórica, o acervo de conhecimento

sobre a educação formal, tem em comum o mesmo objeto de análise: o fato de que

o processo educativo se dá da direção do educador para o educando, ou seja, “de

cima para baixo”. Esse caráter hierárquico do processo acaba por preservar uma

concepção de educação baseada no autoritarismo, no individualismo e na

competitividade. Defendida por uns (paradigmas positivistas), e criticada por outros

(paradigmas construtivistas, dialogal, crítica estrutural-marxista, etc.), a superação

dessa concepção autoritária de educação formal parece só possível como

decorrência da assunção de outra concepção de educação considerada como

processo que, nas palavras de Ferreira (2003:207),

[...] leve em conta, antes de qualquer consideração, as necessidades de

formação humana dos indivíduos a serem educados. Eis uma necessidade

mais que premente. Entender e orientar a atividade social da educação,

para além da mera transmissão, significa encaminha-la para a

possibilidade real de indivíduos e sociedades se emanciparem de sistemas

e relações pessoais e institucionais de dominação opressivas de uma vez

por todas.
Uma contribuição importante sobre o papel da escola na sociedade capitalista, foi

dada por Pierre Bourdieu em, A Reprodução21. Nela o pensador examina a

especificidade do papel da escola na reprodução social e expõe a lógica da inserção

do sistema de ensino no processo de produção e circulação de bens simbólicos.

Bourdieu ganhou a fama no Brasil de ser um autor de textos complexos. Para isso,

contribuiu a publicação do livro supracitado, um estudo, em conjunto com Jean-

Claude Passeron, sobre o sistema de ensino francês e os esquemas de reprodução

da sociedade de classes francesa. Alguns intérpretes brasileiros, a partir dessa obra,

passaram a "classificar" Bourdieu simplesmente de "reprodutivista", como se ele não

considerasse em sua teoria a possibilidade da interrupção da reprodução. Esse

processo pode ser estancado desde que sejam implementadas ações que

possibilitem o desenvolvimento de uma consciência crítica do educando em relação

aos conteúdos ministrados e ao contexto sócio-cultural imediato em que encontra-se

inserido.

A escola constitui-se em um ambiente importante no processo de formação

do jovem, não só no aspecto pedagógico, mas também do ponto de vista das

relações sociais, políticas e culturais. É nela onde estabelecemos nossos primeiros

contatos com teorias que dão sentido lógico a nossa condição socioeconômica e

nossas formas de expressões culturais tão familiares e ao mesmo tempo pouco

conhecidas.

Num país onde a educação permanece como uma das áreas mais

fragilizadas, com investimentos insuficientes, inserida em um mercado capitalista

21
BOURDIEU, P; PASSERON, J. C. A reprodução: Elementos para uma teoria do sistema de ensino.
3ª ed. Rio de Janeiro: Francisco Alves, 1992, p. 68.
preocupado com a geração de lucro, em que escolas tem estruturas precárias, com

poucos recursos, falta de materiais de expediente, qualificação adequados e um

corpo de agentes com uma qualificação minimamente adequada e atualizada, é

necessário buscar alternativas para despertar o interesse dos alunos pela leitura.

Entre outras providências didáticas, oferecer um texto atrativo (com temáticas

interessantes e que sejam visualmente atraentes) contribui para que a criança ou o

adolescente aprenda a transformar a leitura num hábito que vá além das obrigações

escolares.

As HQ’s podem ser uma opção eficiente e de baixo custo para tal alternativa.

A primeira vista, dizer que os quadrinhos funcionam na sala de aula pode parecer

duvidoso, mas conhecer experiências que alguns professores têm obtido a partir

dessa atividade pode fazer os céticos mudarem de idéia. Inclusive porque o

aproveitamento didático-pedagógico das HQ’s em sala de aula, é uma

recomendação fixada pela LDB – Lei de Diretrizes e Bases da Educação -,

contemplada também nos PCNs – Parâmetros Curriculares Nacionais22.

Sabemos que até décadas passadas as HQ´s erma vistas pelos educadores

como uma subliteratura, sem muito caráter instrutivo, ou seja, só era considerada

unicamente como uma forma de passatempo. Segundo Ângela Rama o processo de

introdução das HQ´s na sala de aula demandou tempo, e em muito resultou do

próprio debate entre educadores sobre a introdução de novos elementos para a

dinamização do ensino:

22
“Devido a associarem imagem com texto, as HQs auxiliariam a aprendizagem ajudando a motivar a
leitura e criatividade do aluno, além de servirem como recurso visual de apoio ao ensino de
virtualmente qualquer disciplina”.
“A inclusão efetiva das histórias em quadrinhos em materiais didáticos
começou de forma tímida. Inicialmente, elas eram utilizadas para ilustrar
aspectos específicos das matérias que antes eram bastante restritas por
um texto escrito. Nesse momento, as HQ’s apareciam nos livros didáticos
em quantidade bastante restrita, pois ainda temia-se que sua inclusão
pudesse ser objeto de resistência ao uso do material por parte das escolas.
No entanto, constatando os resultados favoráveis de sua utilização, alguns
autores de livros didáticos começaram a incluir os quadrinhos com mais
freqüência em suas obras, ampliando sua penetração no ambiente
23
escolar”. (RAMA, 2004:85)

Espera-se que a escola ofereça bons modelos de leitura para o aluno, que

permitam a melhoria do bom desempenho de seu papel social como educando e, ao

mesmo tempo, ampliem as possibilidades de melhoria de sua inserção num mundo

globalizado. É ela quem faz intervenções constantes em relação ao tipo, ritmo e

intensidade de leitura dos alunos, chamando-os a assimilação de novos conteúdos

didáticos ou, simplesmente, ao prazer que podem despertar.

As HQ´s se num modelo atrativo de leitura pela sua particularidade de unir

duas riquíssimas formas de expressão cultural: a literatura e as artes plásticas. Isso

a torna uma fonte importante de inspiração para as iniciativas didáticas. Há histórias

em quadrinhos que pelo enredo, pela linguagem e pela qualidade das ilustrações,

podem dar contribuições valiosas a uma leitura prazerosa e educativa. É sabido que

a produção de revistas em quadrinhos com conteúdos que abordam diretamente

temas do currículo escolar, ainda é muito limitada. Ou seja, apesar de ser

consensual entre educadores a idéia das potencialidades das HQ’s (como

instrumento didático auxiliar e estimulador da pratica de leitura), o mercado editorial

não tem lançado um número significativo e diversificado desse tipo de revista – com

perfil claramente pedagógico.

23
RAMA, Ângela. & VERGUEIRO, Waldomiro. (Orgs). Como usar as Histórias em Quadrinhos em
sala de aula. São Paulo: Editora Contexto, 2004.
Isso explica porque as HQ’s são utilizadas de modo muito esporádico e

restrito pelos professores. Além das temáticas livres escolhidas segundo o critério de

vendas, há necessidade de publicações tratando de fundamentos das ciências

(física, biologia, geografia, etc.) e de história, e que tenham a mesma qualidade

gráfica das HQ´s24, a não segurança de retorno do capital investido na publicação

desse último tipo possa explicar o porque da não existência de HQ´s puramente

didáticas.

Analisando a riqueza informacional das HQ´s como uma das variantes da

mídia, o livro História em Quadrinhos na Escola25, de Flávio Calazans, apresenta

alguns exemplos de como elas podem ser utilizadas de forma didática em matérias

da grade curricular. Ele aponta como exemplo seu uso no trabalho didático infantil,

onde se pode utilizar de uma forma criativa facilitando o aprendizado por parte da

criança, fazendo uma ponte entre a obra apresentada e a disciplina a ser ensinada.

Em História, por exemplo, Calazans mostra que se pode usar obras que

retratem momentos históricos importantes tornando a aprendizagem, e o próprio

conteúdo, algo mais atrativo. Além disso, o professor pode trazer personagens

paralelos a fatos históricos, modos de vida, ou pontos de vista diferentes diante do

mesmo fato, Assim, há a possibilidade de despertar e aguçar na criança sua

capacidade de raciocinar criticamente a partir de temas que abordem questões

sociais. Na literatura, o uso como forma de discussão do caráter literário de uma HQ,

24
Exemplos de revistas que poderiam ser utilizadas são: “História da Paraíba em Quadrinhos” de
Emir Ribeiro. Na área de ciências podemos destacar a coleção “História do Universo em Quadrinhos”
(Editora Xenon), de Larry Gonick, além da editora Harbra que já lançou quatro volumes com o título
geral “Introdução Ilustrada à...” sobre os temas Computação, Estatística, Física e Genética.

25
CALAZANS, Flávio. História em Quadrinhos na Escola. São Paulo: Paulus, 2004.
além de adaptações de obras literárias fazendo-se uma comparação com a original

(livro). Em relação à ortografia, uma forma é mostrar como ensinar regras práticas

da língua portuguesa, coesão de texto, interpretação, variações lingüísticas,

linguagem oral e escrita.

Na área da geografia, noções de cartografia, análise de paisagem e espaço

geográfico, características e valores de outros países, a vida rural e urbana podem

ser alguns dos usos da HQ. No mundo das artes, o aluno pode aprender e ser

estimulado por uma variedade de autores e traços e conhecer a amplitude do uso

dos quadrinhos desde os tempos antigos. Já os super-heróis, permitem abordagens

de teorias científicas, como por exemplo, radioatividade criando mutações genéticas

(X-Men, Hulk, Homem-Aranha), poderes pseudocientíficos como do Superman,

emprego de tecnologias como nos milionários bélicos Homem de Ferro e Batman,

estrutura atômica, química e anatomia com o Elektron e etc. Tantos exemplos

mostram a variedade de uso possíveis das HQ´s como aporte educacional. Porém,

uma coisa se torna necessária para que tal adendo ao ensino seja feito: o professor

deve estar por dentro das possibilidades que as HQ’s trazem.

Uma forma de suprir esse problema talvez seja um acompanhamento em

relação aos professores, com uma capacitação maior de informação para integrá-lo

com as HQ´s, podendo-se fazer cursos ou intervenções, porém, para isso seria

importante um incentivo da escola, de grupos de alunos ou profissionais que tratem

com os quadrinhos. Outro fator importante nessa equação é o papel da família no

hábito de leitura do jovem, pois se estimulado em casa ele poderia levar para sua

escola esse hábito e trazer a tona tal discussão.


Todos esses pontos abordados são de extrema importância em um estudo

voltado para o entendimento das HQ´s e uma conseqüente analise da questão.

Formando uma teia de fatores e condições sintomáticas ao redor desse meio de

comunicação, que criam uma necessidade de serem estudadas.


CAPITULO III

Uma relação com os quadrinhos

Apesar da importância que as HQ’s assumem no dia-a-dia de muitos jovens,

são poucos os trabalhos acadêmicos disponíveis na Paraíba26 tratando dessa

relação - principalmente no tocante às crianças e aos adolescentes - ainda mais,

quando se tratam de temas como estilos de quadrinhos mais vendidos, preferências

do público consumidor, interação pais e filhos sobre o assunto e opinião de

professores de âmbito local.

Mesmo o Estado possuindo duas instituições de ensino superior oferecendo

cursos que comportam pesquisas na área, o que se constata é certa indiferença no

sentido de se eleger essa temática como foco de investigação e análise, dando-se

preferência a estudos de áreas culturais como cinema, televisão e rádio. O

fenômeno torna-se compreensível por um lado, tendo em vista a facilidade de

acesso a esses meios de comunicação, e por outro, devido até a uma certa

acomodação acadêmica no sentido de sempre se priorizar os mesmos objetos de

estudo. Trabalhos voltados para temáticas mais diferenciadas, como quadrinhos,

etc., tornam-se novidades que despertam a curiosidade entre estudantes e

professores. Essa indiferença acadêmica pela temática tratada das HQ´s cria uma

dificuldade de aproximação entre a universidade e os “profissionais” de quadrinhos,

26
No âmbito estadual os poucos estudos que temos conhecimento são trabalhos como: Humor em
Pílulas - A força criativa das tiras brasileiras (Henrique Magalhães), Fragmentos do discurso
quadrinizado: leitura critica sobre a personagem Mônica, de Marcilia Luzia Gomes da Costa Mendes,
e De olho nos gibis: Quatro anos de interação com os alunos do CNEC de Leonardo Andrade de
Barros , entre outros, porém com uma abrangência mais generalizada, não tão focada em um estudo
regional da relação da sociedade com os quadrinhos.
levando-os a desenvolverem suas iniciativas fora dos muros acadêmicos através de

atitudes de cunho próprio, como sites, encontros e afins.

Em termos da produção acadêmica nacional sobre o assunto existe uma

preocupação maior com o tema, encontrando-se mais volume de estudos. Porém, as

pesquisas se focam mais no caráter sociológico (privilegiando as ideologias da

narrativa) como já citado neste estudo anteriormente, e na historicidade das HQ`s,

como visto no livro A Guerra dos Gibis, que retrata o mercado editorial do Brasil em

seus primórdios.

3.1 O reino encantado das bancas de revistas

Por uma decorrência natural, a banca de revista (na figura de seu

proprietário), constitui um elemento importante de informação para quem pretende

descrever o perfil atual do consumidor de revistas em quadrinhos. Com base nesse

entendimento e a partir de diversos contatos com os proprietários27, procuramos

verificar a ocorrência de mudanças nas últimas três décadas, assim como, à

dinâmica atual de consumo desse tipo de revista. Achamos que é inviável se

pretender captar esse perfil ignorando-se o papel das bancas de revistas como

ponto de convergência e informação para os leitores que se interessam por um

conhecimento em texto impresso. Assim, a partir dela se criam elementos que nos

permitem entender melhor a dinâmica do consumo e das mudanças no mercado de

quadrinhos.

27
A pesquisa foi dividida em seis bancas da cidade de João Pessoa, sendo duas no centro, duas em
bairros periféricos e duas em bairros da orla, assim contemplando várias áreas da cidade e podendo
entender melhor as variações possíveis.
Segundo os depoimentos desses proprietários, na última década a mudança

mais significativa ocorrida, refere-se aos critérios de escolha usados pelo leitor de

quadrinhos. Acompanhando a tendência “imposta” pelo próprio mercado, a maior

parte da demanda é por revistas esteticamente mais atraentes, cujas histórias

caracterizam-se por contemplar de forma combinada temáticas tradicionais (ação

heróica no combate ao mal), com questões que estão em pauta na atualidade

(consciência ecológica, combate a violência urbana, respeito aos direitos de

minorias), e, temas que sensibilizam o leitor pelo enfoque humanista que lhe dão - a

exemplo da solidariedade e o companheirismo.

Nesse contexto, enredos que giravam em torno de temas como o romantismo,

ou a subserviência incondicional do indivíduo às recomendações moralistas das

instituições sócio-culturais estabelecidas (tão constantes em outras épocas),

perderam espaço nessas revistas. Essa mudança ocorreu através de uma

percepção da própria indústria cultural do esgotamento de uma visão mais romântica

da vida e do interesse da sociedade em uma abordagem mais diversificada voltada

para a realidade moderna. A indústria editorial incorporou as HQ´s essas temáticas,

com o objetivo de transformá-las em mecanismo que garanta a manutenção ou

aumento de sua lucratividade.

A faixa etária média de consumo (Tabela 1 a seguir) constatada ficou entre

dez a quinze anos (67%), isso demonstra um caráter mais pré-adolescente no perfil

do consumo, onde os quadrinhos japoneses, os chamados mangás, são os mais

consumidos (100%), talvez por sua tida simplicidade de compreensão. No entanto,


de um ponto de vista histórico, não ocorreu um deslocamento no perfil etário médio

do consumidor de HQ’s. O elemento novo é representado por uma elevação do nível

de escolaridade. Ao público fiel houve um acréscimo desse novo público com

formação superior, leitor assíduo de revistas de HQ’s com temáticas mais críticas e

que humoristicamente remetem a reflexão de certas ações comuns ao ambiente

cultural vivenciado no cotidiano, como exemplo os valores culturais e certas práticas

sociais típicas da classe média. Esse público constitui um segmento formado por

leitores colecionadores, “pesquisadores autodidatas”, que além de adquirirem a

revista impressa, também costumam ler as HQ’s disponibilizadas em sites

especializados da Internet. Segundo um proprietário de banca de revista: “Este canal

deixa mais claro a separação entre leitor e leitor colecionador. Este último mesmo

que leia pela Internet não deixará de comprar o produto quando o mesmo lhe estiver

disponível” explica.

TABELA 1

FAIXA ETÁRIA MÉDIA DOS CONSUMIDORES


IDADE Nº %
ATÉ 15 ANOS 0 0
10 À 15 ANOS 4 67
15 À 25 ANOS 2 33
ACIMA DE 25 ANOS 0 0
NÃO SABE RESPONDER 0 0

Em relação a faixa econômica do público consumidor, os dados obtidos

(Tabela 2 a seguir) mostram que, ele em média, oscila entre economicamente bem

situados, entende-se por isso ricos, classe média e nenhuma das alternativas

expostas, assim demonstrando que o acesso ao público de baixa renda é vetado,

considerando que os parcos recursos que dispõem são destinados e mal dão ao

atendimento satisfatório das necessidades básicas. Tal fato ocasiona certo


afastamento desse público dos quadrinhos, tanto pela falta de poder aquisitivo para

o consumo, como por um distanciamento de acesso, em escolas, doações ou

projetos, para essa parte da população. No entanto, isso não significa que eles não

lêem esse tipo de revista. A leitura pode vir através de outros meios de acesso como

empréstimos, aquisição de encalhes de distribuidores, etc.

TABELA 2

GRAU DE NIVEL ECONÔMICO DO CONSUMIDOR


SITUAÇÃO N %
ECONOMICAMENTE BEM SITUADOS 1 16,7
CLASSE MÉDIA COM BOM NÍVEL DE
2 33,3
INSTRUÇÃO
CONSUMIDOR DE BAIXA RENDA 0 0
NENHUMA DAS ALTERNATIVAS ACIMA 3 50

Sobre a viabilidade econômica do produto quadrinhos, os entrevistados

afirmam que ele não irá se acabar, por fatores como a influência dos desenhos e

filmes sobre o tema, que estimulam a procura das HQ´s, como também pelo valor

informacional e construtivo da leitura. A análise dos títulos mais vendidos nas

bancas (levando-se em conta aquelas com mais de dez anos) permite uma

comparação entre os vendidos no passado, e no presente. Essa análise mostra que

na atualidade, os mangás controlam boa parte das vendas e passaram a ser os mais

comprados em um período consideravelmente rápido, menos de uma década.

Títulos como Samurai X, Dragon Ball e Monster vindos da “Terra do sol nascente”,

suplantaram ícones como X-men, Homem-Aranha, a pesar de o interesse nesses

dois permanecer com o passar do tempo, e Batman. Essa mudança de títulos

americanos por títulos nipônicos possivelmente deu-se pelo atrativo (leia-se

novidade) narrativo e visual dos mangás, despertando um interesse maior no


segmento de mercado aqui abordado, carente de novas propostas e cansado de

uma fórmula um tanto esgotada (quadrinhos Norte-Americanos).

3.2 HQ´s, professores e um mundo fumegante.

No contexto de nossa análise, verificar a natureza da relação entre

educadores e as revistas de HQ's (enquanto recurso didático), mostra-se uma

necessidade, tendo em vista que o ambiente escolar é determinante na formação do

individuo, e um caminho de contato com novas formas de conhecimento.

Com base nas informações coletadas a partir dos questionários aplicados em

professores, constatamos que todos tiveram na infância uma convivência mais

profícua com as histórias em quadrinhos. A maioria acredita que a resistência da

criança a leitura, se deva ao fato delas receberem pouco ou nenhum estímulo

positivo vindo dos adultos mais próximos – principalmente pelo exemplo. A leitura

realizada no ambiente domiciliar é sinônimo de imposição dos pais para atender as

tarefas determinadas pelos professores. Para crianças e adolescentes, desde cedo,

a prática da leitura é quase sempre sinônimo de uma obrigação, e de restrição a

outras atividades lúdicas. O que poderia ser algo prazeroso torna-se enfadonho e

chato. Em média essa ausência da leitura como um hábito corriqueiro (com as

exceções), é comum a todas as famílias independentemente de sua condição de

classe social. O fenômeno torna-se algo mais fortemente cultural, pois não estando

enraizada como hábito doméstico, a leitura é vista não como uma atividade

constante, natural, mas como exercício esporádico decorrente de exigência. Não

raramente, a leitura restringi-se a superficialidade de manchetes ou pequenos


textos, notas sociais, curiosidades e afins. Enfim, esse tipo de leitura pouco contribui

para o desenvolvimento do intelecto, outras potencialidades do individuo e para o

desenvolvimento de uma visão crítica da realidade.

Em relação à influência dos meios eletrônicos na prática da leitura entre

jovens, os professores afirmam que o dinamismo dos games, televisão, internet, etc,

também contribuem para inibir o hábito da leitura. Para um dos professores, “esse

tipo de conhecimento ‘ fast-food’ é muito prejudicial, pois à medida que se consegue

informações com maior facilidade tende-se a se viciar nessa forma de obter

conhecimento, não procurando se aprofundar já que a informação já vem ‘

mastigada’ , deixando o aluno com um conhecimento composto de várias partes

incompletas e superficiais, como uma ‘ colcha de retalhos’” . Aqui cabe fazer uma

ressalva em relação à forma como a mídia se comporta: Não é que a informação já

venha pronta / ”mastigada” como afirma a professora, pelo contrário. O que se

percebe, é que a mídia eletrônica se processa em um nível e em um volume tal não

permitindo que as informações sejam pensadas/analisadas/avaliadas comparativa e

criticamente. Não só as crianças e os adolescentes, mas todo o público se vê

submetido a tal formato. Sendo mais cômodo e momentâneo, a leitura através

desses meios pode angariar maior público em detrimento à leitura do texto mais

extenso, melhor fundamentado, e que contém maior profundidade analítica.

O lado educativo dos quadrinhos é confirmado pelos professores que o

colocam como bom recurso, podendo despertar o interesse do aluno. Ao mesmo

tempo, destacam que sua confecção exige disponibilidade considerável de tempo

antes e depois da aplicação em sala de aula. Metade dos professores consultados


reclamaram a necessidade de que a própria escola ofereça condições básicas para

que esse recurso didático possa ser mais frequentemente utilizado em sala. Nas

palavras de um deles existe “certo preconceito com histórias em quadrinhos, falta de

conhecimento sobre o assunto”. Na realidade, parece-nos que a questão não se

trata de preconceito, mas antes, da falta de uma qualificação dos professores para o

correto manuseio desse recurso. Percebe-se a necessidade das direções de

colégios realizarem um treinamento e uma capacitação mínima com conhecedores

da produção de quadrinhos de modo a permitir-se explorar toda a potencialidade

que o meio dispõe. Esse aspecto, da importância do professor conhecer melhor as

HQ´s e assim poder trabalhar com elas de uma forma mais proveitosa, é bem

explicitado pela professora Ângela Rama:

[…] na utilização dos quadrinhos no ensino, é muito importante que o

professor tenha suficiente familiaridade com o meio, conhecendo os

principais elementos de sua linguagem e os recursos que ela dispõe para

representação do imaginário; domine razoavelmente o processo de

evolução histórica dos quadrinhos, seus principais representantes e

características como meio de comunicação de massa; esteja a par das

especificidades do processo de produção e distribuição de quadrinhos, e

enfim, conheça os diversos produtos em que eles estão disponíveis

(RAMA, 2004, p. 86).

Sobre o uso de quadrinhos, apesar de todos concordarem que eles

constituem um ótimo recurso didático, somente dois dos informantes já os utilizaram

em sala de aula, incentivando os alunos que demonstram habilidades com o

desenho, ou colecionam revistas, ou fazendo leituras das histórias, essas ações são

demonstrativas das limitações com as quais os educadores se deparam na medida


em que seu contato com HQ´s restringem-se as ações supracitadas, que é

decorrente de seu pouco conhecimento. Outros possíveis entraves para a efetiva

utilização das HQ´s podem ser a questão da disponibilidade de tempo, o pouco

aporte por parte da escola, das editoras e dos profissionais da área, colocando os

gibis abaixo de outros recursos extra-aula (filmes, músicas, documentários, slides,

etc.).

Para um dos professores, as editoras de HQ´s devem dar “suporte ao

professor e apresentar preços mais em conta para o alunado, facilitando a aquisição

de exemplares” , no entendimento de outro, “poderiam também destinar parte dos

seus encalhes para escolas públicas”. Uma alternativa bem acessível indicada foi de

que “as editoras poderiam promover bienais, como já existe a do livro; distribuir com

a parceria das escolas mensalmente números gratuitos para a criançada de

fundamental I; incentivar os adolescentes de ensino fundamental II a escrever

historinhas com alguns personagens conhecidos por eles próprios e premiá-las com

a publicação das melhoras historinhas em números especiais”. Tal depoimento

mostra a importância de uma interação maior de editoras e os segmentos da

sociedade (professores, leitores, escolas) na procura de aumentar o interesse pelas

HQ´s. Em artigo ao site Sinpro – RS, o jornalista Sidney Gusman aborda essa

questão da distanciação das editoras em relação às escolas de forma bem

elucidativa:

Elas estão pensando demais no “agora” e esquecendo o “amanhã”. E, sem

leitores novos, o “amanhã” ficará pra lá de comprometido. Raras são as

editoras brasileiras que se preocupam em lançar quadrinhos que possam

ser aproveitados em salas de aula, mas, ainda bem, há exceções, como a


Companhia Editora Nacional, que lançou durante a Bienal o livro

Pindorama: A Outra História do Brasil, de Lailson de Holanda Cavalcanti, e

pretende adotá-lo com fins didáticos.

O acesso restrito também pode auxiliar para esse quadro “já que os preços

dos livros em geral são um pouco altos, e também não temos espaços públicos de

leitura adequados para crianças e adolescentes”, de acordo com um dos

professores. Porém, essa questão não pode ser simplesmente explicada pelas

limitações do poder de compra (salvo em famílias muito carentes) já que esses

mesmos indivíduos, não raro, destinam recursos para outras modalidades de lazer,

entra aí também o costume de leitura, o conhecimento familiar, e o acesso através

de outros meios, como escolas e projetos sociais.

Quando solicitados a comentar sobre alguma questão relativa ao tema, as

opiniões convergem no sentido de ressaltar a importância do incentivo da leitura

desde cedo na criança. Na fala de um deles: “Acredito que mudanças na forma de

pedir leitura na escola em muito mudará a situação dos alunos em relação aos

livros, revistas e até mesmo na internet. A escola deve incentivar a leitura

diariamente, buscando a meta de que o aluno leia um livro por mês. Mas, isso deve

ser implantado das pequenas séries, onde os alunos interagem mais com os

professores e estão firmando suas vontades, a sua possibilidade de reinvidicação,

sua idéia sobre a escola e estudos”.

Percebemos com os professores tem um interesse no uso das HQ´s para

dinamizar suas aulas, porém, eles não tem um conhecimento mais especifico sobre

as mesmas, suas potencialidades e recursos, além de não ter muito apoio das
escolas e de grupos do meio quadrinhistico (profissionais, estudiosos, leitores,

editoras) para um contato maior e até planejamentos de uso em sala de aula.

3.3 À hora dos pais

Coletar as impressões, experiências e opiniões de pais sobre as histórias em

quadrinhos é uma grande oportunidade de saber como eles vêem o tema de estudo.

Para tanto entrevistamos quinze pais de estudantes de escolas particulares de João

Pessoa das séries do ensino Médio e Fundamental.

Procuramos saber quais deles liam histórias em quadrinhos quando criança ou

adolescência. Entre eles 66,6% responderam que sim, 13,3% que não e 20%

algumas vez, dos que responderam positivamente 38,8% tinham facilidade para

conseguir as revistas; 15,4% não e 46,2% conseguiam, mas não era fácil. Os

números demonstram um grande número que já teve contato com quadrinhos desde

cedo, conhecendo já a forma de apreensão e seus recursos, facilitando uma

compreensão do meio e assim uma possível melhor facilidade para repassar isso

aos filhos. Nessa época, 33,3% dos entrevistados tinham alguém da família que lia

revistas em quadrinhos, 13,3% não tinham e 53,4% tinham alguém que lia, porém só

algumas vezes. Para aqueles que disseram que sim, 58,4% acreditam que essa

prática contribuiu diretamente no despertar do hábito por outros tipos de leituras

neles, e 41,6% afirmaram que um pouco só contribuíram. Tal informação só

corrobora a importância da influência familiar no interesse e conhecimento das HQ´s

por parte do jovem, a participação dos pais na iniciativa de estímulo da leitura é de

fundamental importância como destaca o escritor Richard Bamberger:


Se a mãe e o pai lerem os livros dos filhos de vez em quando, não só os

incentivarão a ler como também proporcionarão uma base de discussão.

Os pais compreendem melhor os próprios filhos e a significação dos livros

para o desenvolvimento deles [...] Os pais devem ajudar os filhos a

reconhecer que podem aplicar o que lêem; que os livros dão segurança, luz

e beleza às suas vidas (BAMBERGER, 1995, pg. 76)

Perguntamos para eles também se atualmente liam esse tipo de revista: 6,6%

disseram que sim; 33,4% que não; 46,6% raramente e 13,4% gostariam, mas não

dispunham de tempo. Logo vemos que a maioria tinha contato com as histórias em

quadrinhos desde cedo, porém não era tão uniforme, apesar da influência da família,

na opinião de um deles “a base familiar é tudo. Por isto, a importância do estímulo à

leitura desde cedo, tendo como princípio fundamental e inicial o lar, a família”, porém

essa leitura não se perpetua nos dias de hoje.

Em relação a leitura de quadrinhos por parte dos filhos 66,6% afirmaram que

os seus filhos lêem HQ´s com freqüência; 33,4% que liam raramente, na opinião de

60% dos entrevistado a disponibilidade de recursos eletrônicos (televisão, internet,

games, etc.) por serem mais dinâmicos, tendem a inibir o hábito da leitura, mesmo a

leitura descompromissada; 6,6% acreditam que como a leitura de gibis e/ou outras

revistas em quadrinhos não é obrigatória, esses meios não exercem influência sobre

essa prática; 13,4% acham que não interfere no hábito de leitura, desde que os pais

estabeleçam horários e 20% afirmam que auxiliam e estimulam a prática da leitura.

Os pais vêem o aporte tecnológico moderno como uma forma de distração para a

leitura, algo que atrapalha o interesse, pode-se ser constatado isso no depoimento

de um deles: “Acredito que o mundo virtual tem criado uma nova linguagem que é
muito distante da linguagem da HQ e isso com certeza tem inibido muito o hábito da

leitura (falo pelos meus filhos) e aí não sei se pela dinamicidade ou se pelo contato!”.

Cruzando os dados entre os pais que lêem atualmente HQ´s com os dos

filhos que também lêem, deparamo-nos com uma aparente contradição. Enquanto

poucos pais (6,6%) têm o hábito da leitura de quadrinhos a maioria dos filhos

(55,6%) segundo eles o fazem com muita freqüência. Como esse gosto se manteria

quando tudo parece conspirar contra, isto é, a influência eletrônica, o pouco hábito

de leitura, e influência familiar e escolar. Um possível ponto para a incoerência

desse fenômeno possa ser que mesmo não lendo, o pai se preocupa em influenciar

o filho a ler, comprando revistas, mostrando artigos sobre o tema, ou ainda, pode-se

tratar de um equivoco por parte dos pais em acreditar que os filhos lêem com

freqüência as HQ´s, pressupondo um costume baseado em breves constatações de

leitura.

Com os dados obtidos podemos perceber que os pais demonstram

preocupação com o hábito de leitura de seus filhos, independentemente da fonte

usada. Por conhecerem as HQ´s, sabem que elas podem funcionar como

instrumento de lazer e ainda uma excelente porta de abertura para o universo da

leitura.
3.4 A visão dos estudantes

O fato de o mercado editorial de HQ’s ter seu público formado

majoritariamente por crianças e adolescentes, constituiu o critério principal usado em

nosso estudo para traçar o perfil desse consumidor. Com base nele, escolhemos

estudantes de escolas particulares por acreditarmos serem um dos maiores

consumidores de HQ´s, principalmente, em decorrência de seu nível econômico, e

concentramos a pesquisa na cidade de João Pessoa pela necessidade de uma

delimitação espacial. A pesquisa situou-se no universo que vai desde o estudante de

Nível Fundamental a alguns do Ensino Médio, centrando-se principalmente em

crianças e adolescentes do primeiro.

Aplicamos questionários a quinze estudantes, sendo dez do Ensino

Fundamental e cinco do Ensino Médio, para termos uma noção também da

variedade de opiniões sobre os quadrinhos, tendo em vista que acreditamos que

elas variam segundo esses níveis. Dos estudantes consultados onze afirmaram que

lêem histórias em quadrinhos sempre, dois com certa freqüência, um

esporadicamente e um quase nunca. Diferentemente da idéia corrente entre a

população de que os jovens se afastaram da leitura, os números obtidos através dos

questionários mostram que eles lêem sim quadrinhos, talvez, não em um volume

desejado pelos educadores e pais, alem do mais, o fato das revistas manterem-se

presentes nas bancas é uma prova irrefutável de que existe uma demanda por esse

produto, se não fosse assim, os agentes do mercado editorial já teriam cancelado os

diversos títulos (desde os mais infantis até os mais críticos), tendo em vista que eles

não manteriam títulos que dessem prejuízo.


TABELA 3

AGENTES INTRODUTÓRIOS NAS HISTÓRIAS EM QUADRINHOS


MOTIVO Nº %
INFLUÊNCIA DE AMIGOS 3 20
ESCOLA 3 20
INFLUÊNCIA DA FAMÍLIA 4 26,6
CONTA PRÓPRIA 5 33,3
OUTROS 0 0

Em relação à forma como os jovens ingressaram no mundo dos quadrinhos,

cinco afirmaram que começaram a ler por conta própria, quatro através da família,

três na escola e três por influência de amigos. Isso demonstra que apesar de muitos

se interessarem por essa mídia a partir de uma curiosidade própria, ainda se tem o

aporte familiar como fator importante no interesse por novas formas de

conhecimento. Nos dados coletados através dos questionários, a escola aparece

como agente responsável pela iniciação na leitura de HQ´s com o mesmo peso dos

amigos, de posse dessa informação questionamos sua consistência, tendo em vista

- segundo depoimentos já analisados - que na escola as HQ´s aparecem pouco. Por

experiência própria sabemos que os amigos tendem a influir muito mais nessa

iniciação, considerando que eles constituem uma referencia mais significativa nos

processos de interação de vivência cotidiana. Logo assim, podemos concluir que

com a interação social natural, surge a troca de informações e de conhecimento

entre os indivíduos, fazendo com que os gostos de um influencie nos gostos do

outro.

Sobre o uso didático dos quadrinhos, treze de nossos informantes afirmam

que ele ajudaria no processo de assimilação dos conteúdos curriculares. Isso mostra
que os jovens percebem a potencialidade das HQ`s tanto como instrumento de lazer

(lúdico) assim como recurso didático, ainda que esse último não seja uma constante,

antes, uma exceção.

TABELA 4

GENERO DE QUADRINHOS MAIS LIDO


ESTILO Nº %
SUPER-HERÓIS 4 26,6
MANGÁS 7 46,8
FAROESTE 0 0
INFANTIL 4 26,6
OUTRO 0 0

Em outra parte da pesquisa abordamos quais os gêneros de quadrinhos mais

lidos atualmente, vale nesse momento fazer um apanhado sobre o mercado

editorial, o contexto histórico e a predominância de determinados gêneros temáticos.

O mercado editorial brasileiro segue um caminho de variedade de gêneros cada dia

maior, desde quadrinhos europeus aos coreanos estão presentes em bancas. Isso,

consequentemente, dá uma maior opção de escolha para o público. Porém, o

volume de determinados estilos de HQ´s, como exemplo os mangás japoneses,

cresceu mais que outros nos últimos anos. Apesar de estarem presentes nas bancas

há pouco mais de uma década, ocuparam o espaço aberto pelo cansaço do leitor

em relação ao lugar comum de temas mantidos do modelo americano. Nesse

contexto não é nenhuma surpresa os fato do estilo japonês ser tido como o preferido

entre nossos informantes, como se verifica na tabela anterior, confirmando os dados

coletados com os proprietários de banca de revistas,


Em sua maioria, nossos informantes procuram não gastar muito na compra de

HQ´s: nove responderam que compram por ano de uma à quinze revistas, enquanto

cinco compram mais de quinze e apenas um não compra nenhuma. O maior valor

pago por uma revista fica em até dez reais para nove estudantes, onze a vinte reais

para três, vinte e um a trinta para um e mais de cinqüenta reais só em dois

pesquisados (no caso colecionadores). Esses dados mostram que apesar de se ter

um bom consumo se prioriza revistas mais em conta, como os mangás que

normalmente têm custo baixo, entre três a sete reais. Esse preço, combinado com

os outros atrativos como visual e de temática, auxiliou na expansão do estilo nesses

anos.

TABELA 5

DISTRIBUIÇÃO DOS INFORMANTES NAS


ATIVIDADES DE LEITURA
GÊNERO Nº %
HISTÓRIA EM QUADRINHOS 7 46,8
LIVROS DIDÁTICOS 2 13,3
REVISTA DE INFORMAÇÃO 3 20
LIVROS DE LITERATURA 3 20
OUTRO 0 0

Apesar de os informantes gostarem de quadrinhos, a maioria tem como maior

leitura outros tipos de textos: três lêem mais livros didáticos, três revistas de

informação, dois livros de literatura e sete histórias em quadrinhos, mostrando certa

competição entre as formas de leitura existentes. Entre as atividades mais

praticadas os quadrinhos ficaram na prioridade de apenas um pesquisado, sendo o

uso de internet o mais feito, cinco, a prática de esportes em segundo com quatro,

assistir TV com três e jogar vídeo-game com dois jovens. Isso denota que apesar de

gostar de HQ´s os jovens não deixam de estar atentos a outras formas de instrução
e entretenimento, mostrando também o fator já citado dos meios eletrônicos a frente

dos escritos. Tanto que ao serem questionados sobre como se consideram em

relação às HQ´s, cinco jovens afirmaram serem colecionadores, quatro interessados,

cinco leitores casuais e um leitor dedicado. Nos limites dessa amostra com a qual

trabalhamos vemos que o montante de leitores casuais é igual ao número dos

colecionadores, isso traz a tona novamente à questão da variedade de gêneros e

tipos de quadrinhos, pois o mercado necessita atingir pessoas com interesses

diferenciados e para isso procura o máximo de temáticas diversas.

Sobre o fenômeno moderno da Internet e sua relação com os quadrinhos, foi

perguntado aos entrevistados se eles acreditavam que o contato com a internet, os

jogos eletrônicos, e etc., despertavam seu interesse por quadrinhos: Nove deles

disseram que não acreditavam e seis responderam sim, meia dúzia foi o mesmo

número dos que responderam se já tiveram oportunidade de ler histórias em

quadrinhos na Internet. Dos que responderam afirmativamente, cinco acham

interessantes e um inovadora, sendo nulo o número de respostas que não as

consideram HQ´s e que consideram desinteressantes. Concluiu-se dessas

informações que os quadrinhos em um futuro próximo podem desenvolver esse

caráter virtual mais profundamente tentando abranger um público mais interessado

na “velocidade” informacional e visual de uma tela de computador, assim,

acreditamos que as revistas impressas deveram diminuir seu volume para se

adequar ao momento histórico procurando se focar em estilos que dêem maior

retorno financeiro sem que isso implique em seu desaparecimento.


Em relação à influência que as HQ´s exercem sobre a conduta, os valores,

visões de mundo de seu leitor, oito estudantes responderam que elas influenciam

“pois as histórias em quadrinhos têm sempre algo de bom que serve de moral para

quem as lêem e influenciam os leitores a tomarem suas próprias decisões e opiniões

baseadas nas mesmas”, tal opinião parece-nos um tanto radical ao atribuir a esse

meio uma força a ponto de influir sobre comportamentos – o que convenhamos não

é verdade -, é possível admitir-se que combinado com outras mídias (TV, rádio,

revistas, etc.) tenha alguma influência no modo do individuo lidar com a realidade,. È

possível sim encontrarmos pessoas que voltam suas condutas de vida pautadas em

produtos da mídia como RPG, livros, programas e jogos e em ideologias extremas, a

partir de um estímulo externo, como afirma Adorno (1985, p.176): “O sujeito recria o

mundo fora dele a partir dos vestígios que o mundo deixa em seus sentidos".
CONCLUSÃO

Com o avanço expressivo das Novas Tecnologias da Informação e

Comunicação, os meios de comunicação de massa estão sendo obrigados a se

adaptarem às exigências ocasionadas por esse avanço da tecnologia eletrônica.

Entre esses a mídia impressa, que têm passado por profundas mudanças indo

desde a escolha de temáticas a serem abordadas (pautas), até em relação ao

projeto gráfico/visual. Quem não se adaptou a essas exigências se vê forçado a

retirar-se do mercado, por incapacidade de competir em igualdade de condições

com aqueles que se adequaram. Dentro desses meios impressos, uma das

alternativas utilizadas pelas revistas para não perderem seu público consumidor foi

optar por publicações com temáticas inovadoras e específicas. As HQ´s, sendo parte

desse meio, também se modificaram com o objetivo de manter, e ao mesmo tempo

ampliar, o universo de seu público leitor. Além dessa questão de sobrevivência como

empreendimento editorial, outra questão significativa diz respeito ao fato de as HQ´s

terem deixado ser vistas exclusivamente como recurso de lazer, e, ao menos em

certos meios, terem passado a ser vistas como um instrumento didático auxiliar no

processo de aprendizagem entre crianças. Apesar de que, em relação a essa última

questão, termos verificado que as experiências com quadrinhos nas salas de aula

são em algumas ocasiões muito fragmentadas e em outras inviabilizadas por razões

diversas já apontadas em nossa análise.

Entender melhor essas mudanças e o que pensa os diferentes segmentos

sociais em relação ao tema é importante para termos uma idéia de sua continuidade
como instrumento de lazer e de suas potencialidades como recurso didático –

inclusive, dentro e fora da escola.

Em uma perspectiva nacional, só a partir de meados da década de setenta é

que surgiram estudos mais consistente voltados para a trajetória e as disputas

políticas, editorias, e etc. que envolveram a consolidação das HQ´s no país. Já em

um âmbito local, quem se interessar pela temática irá se deparar com uma série de

dificuldades. Entre elas, a existência de uma literatura acadêmica ainda insipiente,

como tivemos a oportunidade de constatar por ocasião de nosso levantamento

bibliográfico preliminar, Os estudos disponíveis limita-se ao plano das generalidades

ou do desejável, e não constituem uma reflexão objetiva sobre as especificidades do

consumo local de HQ´s, assim como do perfil mediano dos leitores.

Ciente dessas questões interessou-nos traçar um perfil atual do público leitor

de HQ’s na cidade de João Pessoa, tomando por base estudantes do Ensino

Fundamental de escolas particulares. Os dados coletados demonstram a ocorrência

de um movimento do mercado consumidor de HQ´s de forma a restringir-se a um

segmento social que tem renda familiar acima de três salários mínimos, ou seja, o

mercado adequou-se as crises ocorridas ao longo dos anos na economia, com

inflação alta, planos econômicos diversos, aumento do dólar, etc., que limitaram o

poder de compra da maioria da população, refletindo-se também numa retração dos

consumidores. O grosso da população que tem uma renda inferior ao valor

supracitado, prioriza esses recursos para o atendimento de necessidades básicas,

tornando qualquer tipo de revista artigo de luxo. Esse fato não implica que os

indivíduos de renda mais baixa deixam de ter um acesso as HQ´s, contudo, esse
acesso não se dá diretamente em bancas de revistas, visto que os preços colocados

o distanciam da compra.

Mesmo entre os segmentos sociais privilegiados, o público leitor de HQ´s é

composto por crianças e jovens que adquirem os quadrinhos percebe-se que não

existe uma fidelidade e continuidade na aquisição dos títulos. Entre esse universo de

leitores não podemos desconsiderar a figura do colecionador. Diferentemente de

épocas passadas, eles não se prendem a coleção de um título especifico, mas sim

de temáticas em especial, como por exemplo, HQ´s de gênero adulto. Do ponto de

vista financeiro, em si, os colecionadores não representam um elemento

determinante na manutenção das publicações como os leitores casuais. São esses

últimos que garantem a continuidade da revista, afirmação reforçada pelo fato de

que a permanência das revistas em bancas comprova uma boa demanda.

Concluindo nosso estudo com base nas informações coletadas e expostas no

trabalho, podemos afirma que o leitor atual de HQ´s na cidade de João Pessoa

caracteriza-se por: Demonstrar um avidez por novidades na área (atitude não muito

estranha nos dias de hoje, considerando que o consumismo é tido como sinônimo

de bem estar), buscar revistas mais caprichadas esteticamente, com temáticas

diversas, procurando consumir as HQ´s como uma forma de passatempo.

O comentado potencial educacional desse tipo de publicação é conhecido

pelo público leitor dos quadrinhos e até apoiado, porém não é constitui a principal

atratividade e/ou critério para compra. Em síntese, o perfil a que chegamos indica

que o leitor de HQ´s não tem um compromisso constante com essa mídia, gosta dela
e dedica certa atenção, principalmente a publicações melhor elaboradas, mas não a

ponto de se desligar de outras formas de entretenimento e conhecimento.

Por fim, podemos ampliar para as HQ´s uma discussão existente sobre o

desaparecimento do jornal impresso em decorrência do avanço tecnológico. Esse

tipo de publicação deverá em um futuro próximo se adequar às condições existentes

e caminhar para um novo formato, seja ele uma variante do atual ou uma integração

com os meios virtuais, como já visto em histórias via internet. Assim, levarão consigo

um público fiel e ao mesmo tempo encontrarão novos leitores. Diante de tudo aquilo

que foi dito, acreditamos justificar-se, portanto, não somente a realização de estudos

similares a este, como também investigações mais especificas voltadas a

compreensão do cenário regional das HQ´s, de suas particularidades em relação as

dificuldades locais e os desafios futuros a serem enfrentados.


BIBLIOGRAFIA UTILIZADA

ADORNO, Theodor W. & HORKHEIMER, Max. A Dialética do esclarecimento:


fragmentos filosóficos / tradução: Guido Antônio de Almeida. Rio de Janeiro: J.
Zahar Editor, 1997.

ANSELMO. Zilda Augusta, Histórias em quadrinhos. Petrópolis: Editora Vozes.


1975.

BAMBERGER, Richard. Como incentivar o hábito de leitura. 5 ed. São Paulo: Ática,
1995.

BIROU, Alain. Dicionário das Ciências Sociais. 4 ed. Lisboa: Publicações Dom
Quixote, 1978.

BOURDIEU, Pierre & PASSERON, Jean-Claude. A Reprodução: Elementos para


uma teoria do sistema de ensino. Rio de Janeiro: Francisco Alves, 2 ed. 1982.

CALAZANS, Flávio. História em Quadrinhos na Escola. São Paulo: Paulus, 2004.

FERREIRA, Delson. Manual de Sociologia: dos Clássicos à Sociedade da


Informação. 2 ed. São Paulo:Editora Atlas S.A, 2003.

FEIJÓ, Mário. Quadrinhos em Ação. São Paulo: Editora Moderna, 2003.

JUNIOR, Gonçalo. A Guerra dos Gibis. São Paulo:Companhia das Letras, 2004.

MCCLOUD, Scott. Desvendando os Quadrinhos. São Paulo: Ed. M. Books, 2005.

MOYA, Álvaro de. Shazam! 3 Ed. São Paulo, Editora Perspectiva S. A., 1977.

RAMA, Ângela. & VERGUEIRO, Waldomiro. (Orgs). Como usar as Histórias em


Quadrinhos em sala de aula. São Paulo: Editora Contexto, 2004.
SITES CONSULTADOS

www.blogdosquadrinhos.blog.uol.com.br

O leitor brazuca de HQ é assim.


Obtida via Internet.
http://hq.cosmo.com.br/textos/hqcoisa/h0090_pesquisa_perfileitor.shtm

PEREIRA, Rita Marisa Ribes. O que se cria / copia.


Obtida via Internet.
http://www.tvebrasil.com.br/salto/boletins2001/epc/epctxt1.htm

NASI, Eduardo. A didática que está no gibi


Obtida via Internet
http://www.sinpro-rs.org.br/extraclasse/jun04/especial.asp

BIBLIOGRAFIA CONSULTADA

BARROS, Leonardo Andrade de. De olho nos gibis: Quatro anos de interação com
os alunos do CNEC. 2001. 51 f. Monografia (Especialização em Comunicação
Educacional) – CCSA/UEPB, Campina Grande, 2001.

BIBE-LUYTEN, Sonia M. O que e historia em quadrinhos? - São Paulo : Brasiliense,


1985.

BORBA, Maria do Socorro de A. Interesses de leitura de adolescentes: a


contribuição da escola e da biblioteca. 1992. Dissertação (Mestrado) – Pontifícia
Universidade Católica - Campinas, Campinas - São Paulo, 1992.

CIRNE, Moacy. A explosão criativa dos quadrinhos. 5 ed. Petrópolis:Editora Vozes,


1977.

COELHO, Teixeira. O que é Indústria Cultural. Coleção Primeiros Passos; n.8


São Paulo: Brasiliense, 2000.

DA SILVA, Silvano A. Bezerra. A reclusão da pedagogia e a pedagogia da reclusão:


estudo a partir de uma historia em quadrinhos. / Silvano A. Bezerra da Silva. - João
Pessoa : UFPB, 1989

MAGALHÃES, Henrique. Humor em Pílulas: a força criativa das tiras brasileiras


2003. Coleção Quiosque. n. 16, João Pessoa: Editora Marca de Fantasia.
McLUHAN, Mashall. Os meios de comunicação como extensões do homem. 5. ed.
(trad. de Décio Pignatari). - São Paulo : Cultrix, 1979.

MENDES, Marcilia Luzia Gomes da Costa. Fragmentos do discurso quadrinizado:


leitura critica sobre a personagem Mônica. 1998. 140 f. Dissertação (Mestrado em
Comunicação Social) – Universidade Federal da Paraíba, João Pessoa, 1998.

ZILIOTTO, Denise Macedo. (Org). O consumidor: Objeto da Cultura. 1ª ed.,


Petrópolis - RJ: Vozes, 2003.
APÊNDICES
QUESTIONÁRIO I

Aplicado aos responsáveis de Bancas de Revistas

Localização: ____________________________________

1. Há quanto tempo o(a) senhor(a) trabalha com a venda de revistas?

( ) Menos de cinco anos ( ) Mais de cinco anos ( )Menos de dez anos

( ) Mais de dez anos

1.1. (Em caso de mais de dez anos): Verificou alguma mudança no tipo de público
comprador de RQ?

( ) Sim ( ) Não

1.2. (Em caso afirmativo) Quais a(s) mudança(s):


__________________________________________________________________________
__________________________________________________________________________
__________________________________________________________________________
__________________________________________________________________________

2. Em relação à venda de Revistas em Quadrinhos:

( ) Diminuiu o número de vendas de gibis ( ) Manteve

3. Poderia citar quais títulos mais vendidos no passado e no presente?

__________________________________________________________________________

__________________________________________________________________________

__________________________________________________________________________

__________________________________________________________________________

4. A faixa etária media dos consumidores de revistas em quadrinhos de sua Banca é de:

( ) Até 10 anos
( ) 10 à 15 anos
( ) 15 à 25 anos
( ) Acima de 25 anos
( ) Não sabe responder
5. Qual tipo de revista em quadrinhos é mais vendido?

( ) Super-Heróis
( ) Mangas
( ) Faroeste
( ) Infantil
( ) Erótico
( ) Outro. Qual? ___________________________

6. Apesar de variar, a média mensal de revistas em quadrinhos vendidas é de: _________


exemplares.

7. Nos últimos quinze anos:

( ) o volume das vendas de revistas em quadrinhos permanece quase a mesma


( ) houve uma “queda” significativa de venda das revistas de quadrinhos
( ) o número de revistas de quadrinhos vendidas atualmente é muito pequeno

8. A mudança no volume de vendas deve-se principalmente a:

( ) acesso a outras opções de lazer como os jogos eletrônicos


( ) fato de que as crianças e os adolescentes não cultivarem o hábito de leitura
( ) surgimento da Internet
( ) outras razões

9. Você acha que a leitura de quadrinhos na Internet atrapalha o consumo em banca? Por
que?

___________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________

10. Considerando sua experiência de atendimento ao público, você diria que em média, os
compradores de revistas de quadrinhos são:

( ) economicamente bem situados


( ) classe média com bom nível de instrução
( ) leitores de poucas posses mas com bom nível de instrução
( ) nenhuma das alternativas acima

11. Qual tipo de revista em quadrinhos é mais vendida?

( ) Japoneses
( ) Americanos
( ) Nacionais
( ) Outro. Qual? ___________________________
12. Qual sua expectativa em relação à viabilidade econômica futura das revistas em
quadrinhos?
__________________________________________________________________________
__________________________________________________________________________
__________________________________________________________________________
__________________________________________________________________________
__________________________________________________________________________
__________________________________________________________________________
__________________________________________________________________________
__________________________________________________________________________
__________________________________________________________________________
__________________________________________________________________________
__________________________________________________________________________
__________________________________________________________________________
__________________________________________________________________________
QUESTIONÁRIO II
Aplicado aos estudantes

Esse questionário faz parte de um estudo sobre o perfil atual de leitores de Histórias em
Quadrinhos em escolas particulares de João Pessoa. Pretendemos elaborar um quadro
atualizado dos títulos que mais vendem, dos temas que despertam mais interesse o leitor
casual e ao consumidor permanente dessas revistas. Como você verá, em algumas das
questões basta que você assinale sua opção. Em outras, solicitamos que complemente a
opção escolhida com uma pequena justificativa. Desde já, agradecemos sua colaboração
para a pesquisa.

Sexo: ( ) Masculino ( ) Feminino

Idade: __________________.

Escolaridade:

( ) Ensino Básico Série:________ ( ) Ensino Médio Ano:________

1. Você costumar ler revistas de história em quadrinhos?

( ) Não ( ) Sim ( ) Com freqüência ( ) Esporadicamente

( ) Quase nunca.

2. Como você começou a ler histórias em quadrinhos?

( ) Por influência de amigos


( ) Na escola
( ) Por influência da família
( ) Por iniciativa própria
( ) Outros.
Qual?____________________________________________________________.

3. O que você acha de um uso didático das histórias em quadrinhos? Ajudaria no


complemento do aprendizado?

( ) Sim ( ) Não

4. Qual o tipo de história em quadrinhos você mais lê?

( ) De super-heróis
( ) Mangas
( ) Faroeste
( )Infantil
( ) Outra. Qual? ______________________________________________.
5. Quantas revistas você compra por ano?

( )1à5
( ) 6 à 10
( ) 11 à 15
( ) Mais de 15
( ) Nenhuma

6. O que você mais lê?

( ) HQ’s
( ) Livros didáticos
( ) Revistas de informação (Veja, Isto é, Superinteressante, etc.)
( ) Livros de Literatura
( ) Outro. Qual?

7. Assinale a atividade que você mais pratica:

( ) Jogar vídeo-game
( ) Uso de Internet
( ) Assistir TV
( ) Ler Quadrinhos
( )Outra(s).
Qual/Quais?_______________________________________________________.

8. Qual o maior valor você já pagou por uma revista em quadrinhos?

( ) Até 10 reais
( ) 11 à 20 reais
( ) 21 à 30 reais
( ) 31 à 50 reais
( ) Mais de 50 reais

9. Você se considera?

( ) Um leitor casual
( ) Um colecionador
( ) Um interessado
( )Outro.
Qual?_____________________________________________________________.
10. Você acredita que o contato com a Internet, jogos eletrônicos/games, etc., desperta seu
interesses por histórias em quadrinhos?

( ) Sim ( ) Não

11. Você já teve oportunidade de ler histórias em quadrinhos na Internet?

( ) Sim ( ) Não

12. Se já leu, o que achou?

( ) Interessantes
( ) Inovadoras
( ) Desinteressantes
( ) Não considero como sendo histórias em quadrinhos.

13. Você acredita que de alguma forma as histórias em quadrinhos influenciam na formação
de sua opinião? Como influenciam?

___________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________.
QUESTIONÁRIO III
Aplicado aos pais

Esse questionário faz parte de um estudo sobre o perfil de leitores de Histórias em


Quadrinhos em escolas particulares de João Pessoa. Além desse objetivo central,
pretendemos verificar como os pais influem na postura de seus filhos em relação às
revistas com histórias em quadrinhos, independentemente se eles consomem ou
não esse tipo de literatura de lazer. Solicitamos sua colaboração no sentido de
responder este questionário com toda sinceridade. Como você verá, em algumas
das questões basta que você assinale sua opção. Em outras, solicitamos que
complemente a opção escolhida com uma pequena justificativa. Desde já,
agradecemos sua valiosa colaboração para o sucesso da pesquisa. Muito obrigado.

Sexo: ( ) Masculino ( ) Feminino

Escolaridade: ( ) Ensino Básico ( ) Ensino Médio ( ) Terceiro grau ( ) Pós-


graduação

Atividade profissional: ______________________________________________________

1. Quais bens você possui em sua casa? (Pode-se assinalar mais de uma opção)

( ) Um aparelho de televisor
( ) Mais de um aparelho de televisão
( ) Telefone residencial e mais de um celular
( ) Computador
( ) Automóvel
( ) Conexão à Internet
( ) Todas as alternativas

2. O gasto financeiro da família com a mensalidade escolar do(s) filhos é em média:

( ) de até cento e cinqüenta reais


( ) de até duzentos reais
( ) entre duzentos e trezentos reais
( ) entre trezentos e quinhentos reais
( ) acima de quinhentos reais
( ) apesar da existência de bolsa de estudos, com os outro(s) filho(s) pagamos
até_______________________________________ reais.
( ) nenhuma das respostas acima, já que ele(s) são bolsistas.
3. Quando criança ou na adolescência, você lia gibis ou outras revistas com histórias em
quadrinhos?

( ) Sim ( ) Não ( ) Alguma vez

4. Em caso afirmativo, tinha facilidade para consegui-los?

( ) Sim ( ) Não ( ) Conseguia mas não era fácil

5. Qual era a forma aquisição?

( ) Comprava ( ) Lia em bibliotecas ( )Tomava emprestado de amigos

( )Outros

6. Na época, alguém mais de sua família costumava ler gibis ou outro tipo de revista em
quadrinhos?

( ) Sim ( ) Não ( ) Alguém, algumas vezes

7. Em caso afirmativo, acredita que essa prática contribuiu diretamente para despertar em
você, o hábito por outros tipos de leitura?

( ) Não ( ) Muito ( ) Um pouco

___________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________

8. Atualmente, você lê esse tipo de revista?

( ) Sim ( ) Não ( ) Com freqüência ( ) Raramente


( ) Gostaria mas não disponho de tempo

9. Seus filhos lêem revista em quadrinhos?

( ) Sim, com freqüência ( ) Não ( ) Raramente


( ) Lêem, mas só quando os professores solicitam como atividade escolar.

10. Na sua opinião, a disponibilidade de recursos eletrônicos (televisão, internet, games,


etc.:

( ) Por serem mais dinâmicos, tendem a inibir o hábito da leitura, mesmo a leitura
descompromissada.
( ) Como a leitura de gibis e/ou outras revistas em quadrinhos não é obrigatória, esses
meios não exercem influência sobre essa prática.
( ) Não interfere no hábito de leitura, desde que os pais estabeleçam horários.
( ) Auxiliam e estimulam a prática da leitura.

Comentário (optativo):
__________________________________________________________________________
__________________________________________________________________________
__________________________________________________________________________
__________________________________________________________________________
__________________________________________________________________________

11. Qual a renda familiar de sua família? (Só responda, caso sinta-se à vontade de faze-
lo).

( ) Até 1 salário mínimo


( ) De 2 à 3 salários mínimos
( ) De 3 à 5 salários mínimos
( ) Acima de 5 salários mínimos
QUESTIONÁRIO IV

Professores

Estamos realizando uma pesquisa sobre o perfil atual do leitor de revistas em quadrinhos e
que também tem o objetivo de analisar a penetração dessa revistas no meio acadêmico de
ensino fundamental em escolas particulares de João pessoa. Solicitamos a gentileza de nos
oferecer seu parecer como educadora. Para nosso estudo, sua opinião será de muito
importância. Não há necessidade de nos oferecer qualquer dado de identificação pessoal,
além do mais, as informações colhidas através do questionário, destinam-se à nossa
monografia de graduação no curso de Comunicação Social na Universidade Estadual da
Paraíba. Solicitamos sua colaboração no sentido de responder este questionário com toda
sinceridade. Como você verá, em algumas das questões, basta que assinale uma ou mais
opções. Em outras, solicitamos que complemente a opção escolhida com uma pequena
justificativa. Desde já, agradecemos sua importante colaboração para o sucesso da
pesquisa. Muito obrigado.

- Sexo: ( ) M ( ) F

- Escola: ___________________________________________________________.

- Disciplina: ________________________________________________________.

- Série(s) de ensino: _________________________________________________.

1. Quando criança ou na adolescência, você lia gibis ou outras revistas com histórias em
quadrinhos?

( ) Sim ( ) Não ( ) Alguma vez

2. Você acredita que a resistência que muitas crianças e adolescentes demonstram em


relação à leitura, deve-se a:

( ) Não foram educados desde cedo, de modo a desenvolverem o prazer pela leitura lúdica
( ) Falta de incentivo do pais através do exemplo
( ) Os pais só obrigam seus filhos a realizar a leitura das tarefas indicadas pelos
professores e, sendo uma obrigação, o que poderia ser algo prazeroso, torna-se enfadonho
e chato
( ) Outros: _________________________________________________________________
__________________________________________________________________________
__________________________________________________________________________
__________________________________________________________________________
3. Na sua opinião, a disponibilidade de recursos eletrônicos (televisão, internet, games, etc.:

( ) Por serem mais dinâmicos, tendem a inibir o hábito da leitura, mesmo a leitura
descompromissada.
( ) Como a leitura de gibis e/ou outras revistas em quadrinhos não é obrigatória, esses
meios não exercem influência sobre essa prática.
( ) Não interfere no hábito de leitura, desde que os pais estabeleçam horários.
( ) Auxiliam e estimulam a prática da leitura.

Comentário (optativo):
__________________________________________________________________________
__________________________________________________________________________
__________________________________________________________________________
__________________________________________________________________________
__________________________________________________________________________
__________________________________________________________________________
__________________________________________________________________________
__________________________________________________________________________
__________________________________________________________________________

4. O que você acha do uso de quadrinhos como recurso didático?

( ) Um bom recurso, já que pode despertar o interesse do aluno


( ) Auxilia a fixação do conteúdo e é de fácil elaboração
( ) O recurso é didaticamente interessante mas sua confecção exige disponibilidade
considerável de tempo - antes e depois da aplicação em sala de aula.
( ) É indiferente ao assunto
( ) Outro. Qual? ______________________________

5. Em sua escola, há uma orientação da área de conhecimento no sentido de se usar as


histórias em quadrinhos?
( ) Sim
( ) Não

6. Você acredita que os professores sentem dificuldades em usar esse recurso em sala de
aula?
( ) Sim
( ) Não
7. Em caso afirmativo, quais seriam essas dificuldades?
__________________________________________________________________________
__________________________________________________________________________
__________________________________________________________________________
__________________________________________________________________________
__________________________________________________________________________
__________________________________________________________________________
__________________________________________________________________________
__________________________________________________________________________
__________________________________________________________________________

8. Em relação às HQ’s na sala de aula:

( ) Você já utilizou
( ) Ainda não utilizou
( ) Utiliza com certa freqüência
( ) Pretende utilizar
( ) Não acha necessário, tendo em vista a disponibilidade de outros recursos didáticos

Se utilizou/utiliza, de que forma fez/faz?


___________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________

9. Em sua opinião, qual a contribuição que as editoras poderiam dar sobre essa
questão?__________________________________________________________________
__________________________________________________________________________
__________________________________________________________________________
__________________________________________________________________________
__________________________________________________________________________
__________________________________________________________________________
__________________________________________________________________________
__________________________________________________________________________
__________________________________________________________________________
__________________________________________________________________________
__________________________________________________________________________
10.Quais recursos didáticos extra-sala você usa? (Pode-se marcar mais de uma opção)

( ) Filmes
( ) Documentários
( ) Músicas
( ) Slides
( ) Outro. Qual? __________________________________

11. Você acha que os quadrinhos auxiliam no desenvolvimento do hábito de leitura?

( ) Sim, completamente
( ) Não
( ) Sim, mas só como elemento inicial.
( ) Outros: _________________________________________________________________
__________________________________________________________________________
__________________________________________________________________________
__________________________________________________________________________
__________________________________________________________________________
__________________________________________________________________________

12. Sinta-se à vontade para comentar qualquer aspecto do tema abordado no questionário,
mas que por razões diversas, não foram contemplados aqui.

___________________________________________________________________________
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ANEXOS
Nas páginas em anexo vemos alguns exemplos de como as HQ´s se especializaram

e que tipo de revistas surgiram nos últimos anos. Achamos importante um olhar

sobre elas para vermos exemplificadamente questões como novos tipos de temática,

preços mais caros e apelo comercial em busca de encontrar vários estilos de público

leitor. Os exemplos escolhidos diz respeito a capas de publicações variadas de

vários períodos; listas de HQ´s a disposição em bancas; exaltação de temática de

violência e custo financeiro de edições de luxo.


ANEXO I – A FASE ROMANTICA DOS QUADRINHOS

A fase que podemos denominar de romântica (ou seja, a fase mais voltada para
histórias infatis) das HQ´s já foi superada. Publicações com um caráter mais infantil
e ingênuo ainda são produzidas, porém em menor escala que antigamente.
ANEXO II – A CRÍTICA AOS COSTUMES

Também tivemos períodos de publicações de grande teor critico que abordavam a


política e costumes da classe média.
ANEXO III - A TENDÊNCIA ATUAIS

Atualmente dispõe-se de publicações com temáticas e estéticas as mais


diversificadas, procurando abranger os variados interesses dos leitores.