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UNIVERSIDADE ESTADUAL DO MARANHÃO


CENTRO DE CIÊNCIAS TECNOLÓGICAS
DEPARTAMENTO DE ARQUITETURA E URBANISMO
CURSO DE ARQUITETURA E URBANISMO

VAGNER DE ALMEIDA MOREIRA

O SISTEMA DE INFORMAÇÕES GEOGRÁFICAS COMO FERRAMENTA DE GESTÃO


COGNITIVA DO PATRIMÔNIO HISTÓRICO URBANO

São Luís
2010
1

VAGNER DE ALMEIDA MOREIRA

O SISTEMA DE INFORMAÇÕES GEOGRÁFICAS COMO FERRAMENTA DE GESTÃO


COGNITIVA DO PATRIMÔNIO HISTÓRICO URBANO

Monografia apresentada ao Curso de


Arquitetura e Urbanismo da Universidade
Estadual do Maranhão para obtenção do
título de Arquiteto e Urbanista.

Orientador: Dr. e Msc. ALEX OLIVEIRA DE


SOUZA

São Luís
2010
2

Moreira, Vagner de Almeida.

O sistema de informação geográfica como ferramenta de gestão


cognitiva do patrimônio histórico urbano / Vagner De Almeida
Moreira. – São Luís, 2010.

87 f

Monografia (Graduação) – Curso de Arquitetura e Urbanismo,


Universidade Estadual do Maranhão, 2010.

Orientador: Prof. Dr. Alex Oliveira de Souza


3

VAGNER DE ALMEIDA MOREIRA

O SISTEMA DE INFORMAÇÕES GEOGRÁFICAS COMO FERRAMENTA DE GESTÃO


COGNITIVA DO PATRIMÔNIO HISTÓRICO URBANO

Monografia apresentada ao Curso de


Arquitetura e Urbanismo da Universidade
Estadual do Maranhão para obtenção do
título de Arquiteto e Urbanista.

Aprovada em: / /

BANCA EXAMINADORA

_________________________________________________________
Prof. Dr. Alex Oliveira de Souza (Orientador)
Universidade Estadual do Maranhão

_________________________________________________________
Prof. Érico Peixoto Araújo (Avaliador)
Universidade Estadual do Maranhão

_________________________________________________________
Arq. Rafael Pestana (Convidado)
Universidade Estadual do Maranhão
4

À Deus, que me apresentou os melhores


momentos da minha vida e que não me deu o
livre arbítrio de desistir, mas apenas o de
continuar lutando porque ele está do meu lado.
5

AGRADECIMENTOS

Em primeiro plano sem dúvida devo todas as minhas conquista e sorrisos à

Deus que me deu todas as forças desde o impulso para a minha primeira respiração

até os dias de hoje, é ele que se mantem acordado nas madrugadas desde o

preparo do vestibular até a entrega dos trabalhos profissionais e acadêmicos.

Agradeço também ao Dr. Alex Oliveira de Souza, o qual devo todo o meu

respeito e a sastisfação de ter tido a oportunidade de ser orientado pelo mesmo

tanto nos estudos iniciais de urbanismo até esse momento de conclusão de curso.

À Ingrid Braga, que me impulsionou meus interesses e admiração nos usos

do geoprocessamento e que foi uma das grandes responsáveis pelo tema desse

trabalho.

Ao professor Érico Peixoto que me deu a oportunidade do meu de

participação no projeto científico do qual fomos recompensado com o prêmio de

melhor apresentação oral no ano de 2006 pela BIC/UEMA e Fapema, e foi ele que

despertou o meu interesse em computação gráfica do qual até hoje venho colhendo

bons frutos.

A minha família que sempre se desempenhou no meu ensino, soube cobrar

quando necessário e assim me dando a consciência de responsabilidade.


6

Os saberes positivos acerca do homem


indicam sua finitude - FOUCAULT, Michel. Dits
et écrits.
7

RESUMO

O Patrimônio Histórico Urbano insere valores incomparáveis de uma cultura e

consegue se manter como um fator social representando a história e os costumes de

uma sociedade e apresentando Coercitividade e coletividade de seu valor.

Valores tão grandes mas que apresenta um delicadeza grandiosa resultados

de sua antiguidade e dos novos costumes contemporâneo que acabam deteriorando

esses bens tanto em escala micro dos imóveis à escala macro quando percebe-se a

mudança urbanística.

O Geoprocessamento é uma prática de sistematização de dados utilizadas

em vários países e tem mostrado sua eficiência em diversos ramos de estudo, tendo

hoje grande evoluções dos programas computacionais para o uso de ferramentas

SIG.

O trabalho aqui desenvolvido busca relacionar o uso de ferramentas SIG

como ferramenta de gestão do Patrimônio Histórico Urbano, comprovando sua

eficiência através de vários estudos e práticas realizadas que aqui estão citadas e

também a experimentação e comprovação desse projeto através da aplicação

prática no sítio Histórico da cidade de São Luís.

Espera-se que essa prática seja considerada para os órgãos responsáveis

pela gestão patrimonial nacional e municipais, que mesmo com as dificuldades que

nosso país se encontra no desenvolvimento de novas tecnologias, seja dada a

oportunidade às práticas de geoprocessar o espaço urbano histórico e que o mesmo

seja trabalho como ferramenta prática do gerenciamento patrimonial.

Palavras-chaves: Geoprocessamento, Patrimônio Histórico Urbano, Gestão e

Tecnologia Patrimonial.
8

RESUMEN

El Patrimonio Histórico Urbano tiene valores incomparables de una cultura y

son factores sociales representando la historia y los costumbres de una sociedad

con coercitividad e colectividades de su valor.

Valores tan grandes pero con una delicadeza grandiosa resultados de su

antigüedad y de los nuevos costumbres contemporáneo que resultan no deterioro

dos sus bens tanto en escala micro dos inmobles hasta a una escala macro cuando

se ten lo cambio urbanístico.

El Geoprocessamiento es una práctica de sistematización de dados utilizadas

en varios países y ten mostrado su eficiencia en diversos ramos de estudio, tenido

hoy grande evoluciones de los programas computacionales para el uso de

herramientas SIG.

O trabajo aquí desarrollado busca relacionar el uso de herramientas SIG

como herramienta de gestión de lo Patrimonio Histórico Urbano, comprobando su

eficiencia con varios estudios y prácticas realizadas que aquí estan citadas y

también la experimentación y comprobación dese procjeto con la aplicación práctica

en lo sitio Histórico de la ciudad de São Luís.

Espera que esa práctica sea considerada para los órganos responsables por

las gestiones patrimonial nacional y municipales, que mismo con las dificultades que

nuestro país se encuentra en lo desarrollo de nuebas tecnologías, sea concedida la

oportunidad a las prácticas de geoprocessar el sitio urbano histórico y que lo mismo

sea trabajado como herramienta práctica de lo gerenciamiento patrimonial.

Palabras-llaves: Geoprocessamiento, Patrimonio Histórico Urbano, Gestión y

Tecnología Patrimonial.
9

LISTA DE ILUSTRAÇÕES

Figura 1: cidade de Açougues........................................................................... 31


Figura2: Estudo de geoprocessamento e maquetes eletrônicas em Ouro 34

Preto..................................................................................................................
Figura 3: Interface do software AutoCAD MAP.................................................. 37
Figura 4: Interface do Software SPRING………………………………………..... 39
Figura 5: Interface do Software ArcView............................................................ 41
Figura6: Elementos de los Sistemas de Información Geográficas –SIG…........ 43
Figura 7:Esquema de Camadas geradas pelo um sistema SIG........................ 43
Figura 8: Representação de dados geográficos pela empresa SATIMAGENS 44
Figura 9: Visualização geográfica do centro histórico de São Luís................... 49
Figura 10: Delimitação das zonas de interesse institucional em níveis Federal e
50
Estadual da cidade de São Luís.....................................................................
Figura 11: Classificação dos Tipos físicos......................................................... 52
Figura 12: Classificação dos tipos Funcionais................................................... 52
Figura 13: Nível de avaliação e seus critérios................................................... 54
Figura 14: Seleção dos níveis de avaliação par a criação dos mapas
55
temáticos................................................................................................................
Figura 15: Esquema de criação de camadas criadas no projeto........................... 55
Figura 16: Interface AutoCAD MAP 3D, com a visualização do Object Data

referentes aos indicadores de conservação e preservação do sub-setor 58

seleciondado.,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,
Figura 17: Associação de banco de dado externo................................................ 59

Figura 18: Configurando o tipo de pesquisa.......................................................... 60


Figura 19: Adaptação de legenda.......................................................................... 60
Figura 20 – Mapa temático do estado de conservação do sítio segundo seus
61
sub-setores (C1)....................................................................................................
Figura 21-Mapa temático do estado de preservação do sítio segundo seus sub-
62
setores (C2)...........................................................................................................
Figura 22 – Mapa temático do estado de não ocupação urbana do sítio
63
segundo seus sub-setores (C3).............................................................................
Figura 23- Mapa temático do estado do nível de integração da ocupação
64
residencial do sítio segundo seus sub-setores (C4)..............................................
Figura 24 – Mapa temático do estado do nível de integração da ocupação
65
residencial do sítio segundo seus sub-setores (C5)..............................................
10

Figura 25 – Mapa temático do estado do nível de integração da atividade


66
terciária do sítio segundo seus sub-setores (C6)..................................................
Figura 26 – Mapa temático do estado do nível de integração das atividades
67
institucionais do sítio segundo seus sub-setores (C7)..........................................
Figura 27 – Mapa temático do estado do nível de integração das atividades

institucionais do sítio segundo seus sub-setores (C8).......................................... 68

GLOSÁRIO DE SIGLAS

SIG – SISTEMA DE INFORMAÇÃO GEOGRÁFICA

MA- MARANHÃO

IBGE – INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA

ONU – ORGANIZAÇÃO DAS NAÇÕES UNIDAS

UEMA – UNIVERSIDADE ESTADUAL DO MARANHÃO

GIS – GEOGRAPHICAL INFORMATION SYSTEM

UNESCO -

PH – PATRIMÔNIO HISTÓRICO

UFRJ – UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO

IPPAR -INSTITUTO PORTUGUÊS DO PATRIMÔNIO ARQUITETÔNICO


11

SUMÁRIO

1 INTRODUÇÃO................................................................................................. 14
2 METODOLOGIA................................................................................................. 16
3 CARTOGRAFIA, CARTAS E MAPAS............................................................... 19
4 BANCO DE DADOS........................................................................................... 21
5 GEOPROCESSAMENTO E SITEMA DE INFORMAÇÃO GEOGRÁFICA........ 25
5.1 História do Geoprocessamento.................................................................... 27
5.2 Geoprocessamento no Brasil....................................................................... 27
6 PATRIMÔNINO................................................................................................... 28
7 VANTAGENS DO SIG E SUA VIABILIDADE NO GERENCIAMENTO
PATRIMONIAL DOS SÍTIOS HISTÓRICOS......................................................... 30

7.1 Exemplos da aplicação SIG nos projetos de preservação e avaliação


das cidades e seus patrimônios......................................................................... 32

8 ESCOLHA DO SOFTWARE............................................................................... 37
8.1 AutoCAD Map 3D........................................................................................... 38
8.2 SPRING............................................................................................................ 41
8.3 ARCGIS........................................................................................................... 42
9 ESTUDOS DE MÉTODOS UTILIZADOS NO PROCESSO DE
44
GEORREFERENCIAMENTO...............................................................................
9.1 Método Elaborado.......................................................................................... 48

9.1.1 Escolha do sítio e setorização espacial - São Luís....................................... 48


9.1.1.1 Delimitação espacial do Sítio..................................................................... 51
12

9.2 Coleta de Dados (Entrada de Informação e Dados Geográficos............... 53


9.2.1 TIPOS FÍSICOS............................................................................................ 53
9.2.2 TIPOS FUNCIONAIS.................................................................................. 54
9.3 Organização, Gestão e Processamento dos Dados................................. 55
9.4 Produtos Gerados e Análise dos Dados.................................................. 57
10 GEOPROCESSAMENTO REALIZADO COM O USO DO AUTO CAD 59
MAP...............................................................................................................
10.1 Inserção de Dados....................................................................................... 59
10.2 Vinculando dados a um banco de dado externo...................................... 60
10.3 Criação de consultas................................................................................... 61
10.4 Legenda...................................................................................................... 62
11 ANÁLISE DOS MAPAS GERADOS.............................................................. 63
11.1 Estado de conservação física do sítio (C1) .............................................. 63

11.2 Estado de perservação física do sítio (C2) ............................................... 64


11.3 Nível de não ocupação urbana do sítio (C3) ................................................. 65

11.4 Nível de integração da ocupação residencial do setor de salvaguada


66
Federal (C4)....................................................................................................................
11.5 Quadro de integração da ocupação comercial do setor de salvaguada 67
Federal (C5) ............................................................................................
11.6 Quadro de integração das atividades terciárias do setor de 68
salvaguada Federal (C6) ............................................................................................
11.7 Quadro de integração das atividades institucionais do setor de 69
salvaguada Federal (C7) .............................................................................................
11.8 Quadro de integração das atividades turísticas e culturais do setor de 70
salvaguada Federal (C8) ............................................................................................

12 UTILIZAÇÃO DOS MAPAS TEMÁTICOS NA GESTÃO DO PATRIMONIO 71

13 CONSIDERAÇÕES FINAIS.............................................................................. 72

REFERÊNCIAS...................................................................................................... 73
APÊNDICE.............................................................................................................. 75
ANEXOS................................................................................................................. 84

1 INTRODUÇÃO
13

O Patrimônio Histórico é cenário e veículo de comunicação entre a sociedade

e o seu passado, representa ainda o núcleo da formação e desenvolvimento urbano

de uma cidade, sendo assim, uma “história viva” que mantém um acervo

arquitetônico bem como as características paisagísticas, urbanísticas e culturais de

uma época.

É perceptível a dificuldade encontrada pelos gestores para analisar o

espaço urbano desses centros patrimoniais, bem como a carência das aplicações de

ferramentas contemporâneas e funcionais na inovação do gerenciamento e no modo

de intervir desses sítios urbanos.

O projeto aqui elaborado procura divulgar o uso de ferramentas de Sistemas

de Informações Geográficas (SIG) como ferramentas funcionais para o planejamento

urbano e a análise dos efeitos surtidos pelas politicas públicas, com a criação de um

banco de dados, dessa forma, será facilitada a maneira de se fazer pesquisas e a

criação de mapas temáticos.

Esse tipo de tecnologia vem sendo divulgada e surgindo cada vez mais

profissionais capacitados à utilização de ferramentas SIG, na verdade, os softwares

estão se tornando tão práticos de modo a facilitar que qualquer pessoa possa utilizá-

los após algum tipo de treinamento.

Com esse trabalho, pretende-se criar uma ferramenta de monitoramento e

gestão do patrimônio histórico urbano, através do uso do Sistema de Informação

Geográfica (SIG) que possibilite uma melhor utilização da base de dados existente

pelos atores sociais envolvidos no processo de preservação cognitiva dos recursos

culturais herdados.
14

O estudo foi aplicado ao sítio patrimonial da cidade de São Luís, para

comprovar a viabilidade dessa proposta e mostra sua validade quanto ferramenta

prática.

A produção desse projeto insere os estudos de compreensão das práticas do

geoprocessamento na salvaguarda do Patrimônio Urbano bem como a criação de

métodos a ser seguido no geoprocessamento.

Foram abordados também alguns conceitos relacionados a pratica do

geoprocessamento e sobre patrimônio, com a finalidade de possibilitar um trabalho

de melhor entendimento.

Assim, espera-se que as novas tecnologias tenham espaços na gestão das

politicas públicas urbanas e a garantia de sistemas funcionais fazendo desse

procedimento uma referência a nível internacional.

2 METODOLOGIA
15

Para o desenvolvimento desse projeto, foi elaborada uma metodologia

baseada inicialmente nas pesquisas bibliográficas e referenciais teóricos, essa etapa

procura compreender e explanar alguns conceitos relacionados ao

geoprocessamento e fazer a obtenção de informações com relação ao

gerenciamento patrimonial e como esses dois parâmetros podem se fundir a fim de

gerar uma ferramenta de trabalho que auxilia nesse processo de gestão e na

salvaguarda patrimonial.

Nesse procedimento merecem destaquem três obras que serviram de base

para a produção do projeto aqui exposto. A primeira obra foi Desarrollo de una

metodología basada en los conceptos de la carta de riesgo del patrimônio cultural,

para aplicación en Centros Históricos – el caso del Centro Histórico de São Luís

- Maranhão, Brasil, com autoria da Dr. Ingrid Braga (2004) que foi aplicado nas

definições de geoprocessamento, como ele funciona, suas aplicações e qual sua

viabilidade no processo de salvaguarda do Patrimônio Histórico, é uma obra rica em

conceitos metodológicos e práticos; sua importância esteve diretamente ligada a

interpretação e entendimento dos aspectos do geoprocessamento como sistema de

gerenciamento dos sítios patrimoniais.

A segunda obra Suivi des effets produits sur le patrimoine architectural par les

processus de préservation de secteurs urbains sauvegardés au brésil : proposition

de méthode et test d’application sur le cas de São Luís de autoria o Dr. Alex Oliveira

de Souza (1999), elabora um método de análise do Patrimônio Histórico de São

Luís, que é capaz de gerar quadros representativos tantos nos aspectos qualitativos

e quantitativos do sítio, possibilitando assim o monitoramento desse atrás de

quadros indicativos que quando analisados são capazes de indicar se as politicas

publicas estão surtindo efeitos esperados, quais os sub-setores encontram-se em


16

estados emergências e quais apresentam os melhores estados de conservação e de

preservação entre outros aspectos possíveis de análise.

Além disso, a importância dessa obra nesse projeto se fez também pelos

dados e indicadores contidos em respeito à catalogação dos imóveis e dos sub-

setores realizados no levantamento do mesmo. Esses dados serviram para

alimentar o Banco de Dados gerados nesse projeto que permitiu exemplificar a

aplicação do geoprocessamento nos sítios históricos, garantindo a comprovação da

aplicação do mesmo.

Por fim a terceira obra base nesse projeto foi AutoCAD MAP 3D aplicado a

Sistema de Informações Geográficas, de autoria da Kátia Góes (2009), que foi

fundamental para as aplicações técnicas aqui trabalhadas que insere tantos os

conceitos objetivos do Sistema de Informação Geográfica (SIG) e a orientação do

uso das ferramentas práticas do software AutoCAD MAP 3D.

Seguido do levantamento bibliográfico, foram realizados os estudos de

softwares nos seus aspectos de viabilidade, compatibilidade e eficiência com relação

ao objetivo desse plano.

Foi realizado um estudo de divulgação de vários softwares de aplicação SIG,

que traduz quais os programas mais utilizados no mercado, tal pesquisa se baseou

em websites, livros e disponibilidade da aquisição do produto, os mais destacados

foram filtrados dos demais e assim aprofundou-se os estudos em cada um desses

bem como a análise comparativa entre tais softwares até que se chegasse a escolha

de um que oferece as ferramentas necessárias e a praticidade em relação a este

trabalho, para tanto realizou-se testes práticos até que se chegasse a um resultado

de nosso interesse.
17

Para a comprovação da viabilidade dessa pesquisa, escolheu-se um sítio a

ser aplicado esse estudo que refere-se ao Centro Histórico de São Luís, do qual foi

delimitado na Zona de Proteção de Interesse Federal. Essa aplicação assegurou a

funcionalidade do objetivo aqui proposto, servindo assim de comprovação da

eficiência do mesmo.

Posteriormente foi elaborado o método a ser seguido no geoprocessamento

proposto, baseado em pesquisas, chegou-se a criação das seguintes etapas:

Objetivos; escolha do Sítio; Coleta de Dados, Organização, Gestão e

Processamento dos dados, Análise do Produto Gerado e Atualizações, tais etapas

serão descritas adiante.

Por fim, para o resultado final foram feitas observações que garantiram a

otimização e organização dos métodos bem como dos produtos gerado, que

possibilitou a redação final desse trabalho.

3 CARTOGRAFIA, CARTAS E MAPAS


18

Para entender como se procedem os Sistemas de Informações Geográficas

(SIG) é necessário ter o conhecimento das ciências e métodos dessas ferramentas

de representação e sistematização informatizadas de dados, adota-se como ponto

de partida de conceituação os aspectos referentes à cartografia e suas feições.

Entende-se por cartografia o conjunto de estudos e operações científicas,

técnicas e artísticas que, tem como base os resultados de observações diretas ou a

análise de documentação já existente, visa a elaboração de mapas, cartas e outras

formas de expressão gráfica ou representação de objetos, elementos, fenômenos e

ambientes físicos e socioeconômicos, bem como sua utilização. (IBGE, 2010).

Segundo a ONU (1949) a cartografia é definida como um método científico

de organização de cartas terrestres, marítimas e aéreas de qualquer espécie,

abrangendo todas as operações, desde os levantamentos iniciais do terreno até a

impressão definitiva das mesmas é destinado a expressar fatos e fenômenos

observados na superfície terrestre ou até mesmo utilizados na astrologia nos

estudos da superfície lunar ou de alguns planetas.

Cada cartógrafo deve encontrar a melhor forma de representar uma

superfície esférica (Globo Terrestre) em uma superfície plana (Carta), produzindo

uma menor quantidade de erros desenvolvendo modelos matemáticos para a

representação. (GÓES, 2009, p. 32).

Geralmente os termos cartas e mapas são aplicados com o mesmo

significado, porém deve-se saber que as cartas possuem informações mais

complexas e detalhadas, além disso, se distinguem também em escalas.

Os mapas correspondem às representações gráficas da esfera terrestre nos

seus aspectos geográficos naturais ou artificiais destinando-se a fins culturais e

ilustrativos, podendo ser representado como Mapas Gerais (Mapa Mural), Mapas
19

Especiais (como mapas meteorológicos e demográficos) e os Mapas Temáticos

(mapas geológicos e geomorfológicos).

Segundo o IBGE (2010) os mapas são planos, normalmente em escala

pequena, dos aspectos geográficos, naturais, culturais e artificiais de toda a

superfície (Planisfério ou Mapa Mundi), de uma parte (Mapas dos Continentes) ou

de uma superfície definida por uma dada divisão político-administrativa (Mapa do

Brasil, dos Estados, dos Municípios) ou por uma dada divisão operacional ou setorial

(bacias hidrográficas, áreas de proteção ambiental, setores censitários).

Por sua vez as cartas são as representações de uma porção da superfície

terrestre no plano, geralmente em escala média ou grande, representam os

aspectos naturais e artificias do sítio, permitindo avaliações de direções, distâncias e

localização geográfica bem como seus detalhes, alguns exemplos de cartas são as

cadastrais, topográficas, geográficas, náuticas, aeronáuticas. São representações

que fornecem ao usuário uma base cartográfica com diversas possibilidades de

aplicação. (FERREIRA, 2005, p. 3).

Ainda no âmbito das cartas temos as plantas que se trata de uma carta que

representa uma extensão restrita que não considera a curvatura terrestre

(Geodésia).

4 BANCO DE DADOS
20

Os bancos de dados são sistemas que armazenam e recuperam

informações de acordo com uma simplificação do mundo real, em que cada entidade

física é representada com maior ou menor grau de detalhe, de acordo com as

necessidades da utilização das informações. Estes representam hoje as principais

ferramentas de armazenamento, manipulação e organização de grandes volumes

(ROCHA, 2OOO in GÓES, 2009, p. 94).

Trata-se de conjuntos de registros em um único ou vários formatos, mas que

estejam organizados e vinculados entre si, agrupando informações para um mesmo

interesse possibilitando a pesquisa por parte dos usuários utilizando filtros de acordo

com as informações contidas.

Os Bancos de Dados podem ser aplicados para diversos fins e conter

inúmeras informações, pode ser simples tabelas com informações de endereço de

imóveis, até pesquisas mais complexas como escoamento de águas, aspectos

físicos dos imóveis de um sítio, entre outros.

Segundo Góes (2009, p.94) o banco de dados pode ser representado de

forma Sequencial, quando as informações armazenadas são organizadas

sequencialmente (uma seguida da outra); Rede, quando as informações estão

relacionadas por meio de apontadores; Relacional, nessa representação os arquivos

são ligados entre si de forma lógica, onde cada arquivo ou tabela contém diversos

campos e para se relacionar com o outro arquivo, basta que o outro arquivo tenha

um dos campos em comum, este é o principal tipo de banco de dados utilizado

atualmente.

5 GEOPROCESSAMENTO E SITEMA DE INFORMAÇÃO GEOGRÁFICA


21

O Geoprocessamento é o método que sistematiza um banco de dados,

utilizando técnicas matemáticas e computacionais para o tratamento da informação

geográfica, este é aplicado em diversas áreas tais como a cartografia, análise de

recursos naturais, transporte, comunicação, energia e planejamento Urbano e

Regional.

É o processo informatizado de dados georreferenciados que utiliza

programas computacionais e permite o uso de informações cartográficas (mapas e

plantas) e informações que se possam associar coordenadas desses mapas ou

plantas. (GÓES, 2009)

Pode ser definido como o conjunto de ciências, tecnologias e técnicas

empregadas na aquisição, armazenamento, gerenciamento, manipulação,

cruzamento, exibição, documentação e distribuição de dados e informações

geográficas. (SATIMAGENS, 2010).

As ferramentas computacionais para geoprocessamento são chamadas de

Sistema de Informação Geográfica (SIG), em inglês Geographic Information System

(GIS), que permitem realizar análises complexas, interagindo dados de diversas

fontes e ao criar bancos de dados geo-referenciados. Tornam ainda possível

automatizar a produção de documentos cartográficos. (CAMARA, DAVIS, 2000).

Por definição, um Sistema de Informação Geográfica (SIG) é um conjunto

de elementos georeferenciados que tem como objetivo melhorar a qualidade da

tomada decisões, apresentando informações sobre a quantidade e disponibilidade

dos recursos naturais e sua localização espacial, elementos indispensáveis para a

planificação e manejo racional dos recursos, PUC (2002).

O Sistema de Informação Geográfica (SIG) é um suporte físico e lógico, que


gerencia, manipula e gera dados gráficos espaciais, possibilita a
planificação e monitoramento de áreas urbanas e naturais, a catalogação e
atualização de acervos históricos, a criação de mapas de risco no
patrimônio arqueológico e núcleos históricos e tudo que está relacionado a
22

Patrimônio Cultural. Um sistema de informação geográfica é a ferramenta


mais dinâmica para gerar mapas de riscos. (BRAGA, 2004, p.30)

Pode-se também definir SIG como um conjunto poderoso de ferramentas

para coletar, armazenar, recuperar, transformar e visualizar dados sobre o mundo

real com um objetivo específico, esta definição enfatiza as ferramentas de GIS:

hardware, softwares, bancos de dados e Sistemas de Gerência de banco de dados

(Burrough & McDonnel apud Rocha, 2000 in Góes, 2009)

Complementando esse conceito BRAGA (2004) cita o SIG como um suporte

físico e lógico que gerencia, armazena, manipula e gera dados gráficos espaciais

possibilitando a planificação e monitoramento de áreas urbanas e naturais, a

catalogação e atualização de acervos e a criação de mapas temáticos, tratando-se

de uma ferramenta dinâmica. Pode ser também definido como um sistema de

hardware, software e procedimentos elaborados para facilitar a obtenção, gestão,

manipulação, análises, representação e saída de dados planificados e gestão.

Segundo ROCHA (2000 in GÓES, 2009). Um SIG deve reunir as seguintes

características:

Ter capacidade para coletar e processar dados espaciais obtidos a partir de

fontes diversas, tais como: levantamento de campo (incluindo o sistema GPS),

mapas existentes, fotogrametria, sensoriamento remoto e outros;

Ter capacidade para armazenar, recuperar, atualizar e corrigir os dados dos

processados de forma eficiente e dinâmica;

Ter capacidade para permitir manipulações e a realização de procedimentos

de análise dos dados armazenados, com possibilidade de executar diversas tarefas,

tais como alterar a forma dos dados através de regras de agregação, definida pelo

usuário, ou produzir estimativas de parâmetros e restrições para modelos de


23

simulação e gerar informações rápidas a partir de questionamento sobre os dados e

suas inter-relações;

Ter capacidade para controlar a exibição e saída de dados.

GÓES (2009) faz a divisão dos dados utilizados em dois grupos, dados

gráficos espaciais e dados não gráficos:

Dados gráficos espaciais ou geográficos que descrevem as características

geográficas da superfície e podem ser representado de forma vetorial através de

abstrações gráficas onde linhas, hachuras, e símbolo são usados para indicar algum

tipo de informação e matricial ou Raster onde tem-se uma matriz de célula às quais

estão associados os valores, que permitem reconhecer os objetivos sobre a forma

de imagem digital.

Dados não gráficos referentes aos dados alfanuméricos utilizados nos

atributos do SIG que podem ser divididos em atributos dos dados espaciais que

fornecem informação descritiva acerca das características de algum dado espacial, e

que estão ligados aos elementos espaciais através de identificadores comuns

chamados normalmente de geocódigos e os Atributos Georreferenciados que são

dados onde a preocupação é georeferrencias alguma característica específica, sem

descrever suas feições espaciais.

A principal diferença entre o Geoprocessamento e o SIG é que o primeiro

trata-se de um método e o segundo é a ferramenta utilizada para aplicação e

execução desse.

5.1 História do Geoprocessamento


24

O histórico aqui relatado tem com base os estudos de Câmara e Davis

(2001), do qual citam que as primeiras tentativas de sistematizar novos tipos de

monitoramento espaciais começaram na Inglaterra (na aplicação de pesquisa em

botânica) e Estados Unidos (estudo de tráfego) com o intuito de reduzir os custos na

produção de mapas, datando entre a década dos anos 50, posteriormente com o

Canadá (inventário de recursos naturais) nos meados da década 60 (existem fontes

que julgam esse inventário como o iniciador do geoprocessamento). Nesse

momento percebe-se apenas uma tentativa de se trabalhar com sistemas SIG, mas

devido a precariedade dos softwares e dos métodos ainda não se consolidaram

como tais ferramentas, sem contar que sua utilização era difícil, os hardwares não

garantiam desempenho apropriado além do custo elevado e falta de profissionais

aptos a trabalhar nesse ramo.

Não existiam empresas especializadas para a produção de softwares e para

a utilização no geoprocessamento, ou seja, cada órgão interessado tinha que

desenvolver seu próprio programa computacional o que lhe custava tempo e custo.

Somente nos anos 70 e 80 foram desenvolvidos novos e mais acessíveis

recursos de hardware, tornando viável o desenvolvimento de sistemas comerciais.

Foi então que começou a ser aplicada a expressão Geographic Information System

(GIS).

É nesse momento que a computação gráfica começa a dar seu salto

surgindo os primeiros sistemas comerciais de base CAD (Computer Aided Design,

ou projeto assistido por computador), que antes eram utilizados para testes

automobilístico e até mesmo de guerrilha. (MOREIRA, 2006).

Com isso percebe-se que nesses anos da década de 70 e 80 os softwares

foram se expandindo melhorando as condições para a produção de desenhos e


25

plantas para engenharia, cartografias, urbanismo entre outros, apesar do grande

desenvolvimento da década de 70 os softwares ainda tinham um custo elevado

limitando-se a grandes empresas e organizações, mas foi na década de 80 que essa

tecnologia parte para a massificação acompanhando o desenvolvimento informático

da época (Câmara e Davis, 2001).

Muitas das inovações na aplicação das tecnologias à geografia e outras


ciências começaram no final da década de 50. Nessa altura, vários modelos
matemáticos e estatísticos começaram a ser desenvolvidos. Nos finais da
década de 70 a primeira aplicação comercial de SIG: ficou acessível.
Todas as experiências com esta aplicação foram acompanhadas pelo
desenvolvimento dos micro computadores no início da década de 80. Hoje,
os SIG já são aplicados a várias áreas, que vão desde estudo de mercado a
planejamento urbanístico ou florestal. A crescente preocupação da opinião
pública com questões ambientais tem contribuído para a divulgação do SIG
ao público e para o crescimento de sua utilização (AFFONSO, 2006, p. 16).

No decorrer dos anos 80, com a grande popularização e barateamento das

estações de trabalhos gráficas, além do surgimento e evolução dos computadores

pessoais e dos sistemas gerenciadores de bancos de dados relacionais, ocorreu

uma grande difusão do uso de GIS. A incorporação de muitas funções de análise

espacial proporcionou também um alargamento do leque de aplicações de GIS. Na

década atual, observa-se um grande crescimento do ritmo de inserção do GIS nas

organizações, sempre alavancado pelos custos decrescentes do hardware e do

software, e também pelo surgimento de alternativas menos custosas para a

construção de bases de dados geográficas.

Como indica Barredo (1996), desde a aparição do primeiro Sistema de

Informação Geográfica (SIG) nos anos setenta, esta técnica tem passado por

diversas fases de desenvolvimento, alcançando hoje áreas tão diversas como o

geomarketing e de navegação de redes de transporte assistida por satélite.

5.2 Geoprocessamento no Brasil


26

Segundo Câmara e Davi (2001) as práticas do geoprocessamento se

iniciam nos estudos da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) com a

orientação do professor Jorge Xavier datando no início dos anos 80, seguido dos

trabalhos da MaxiDATA ( empresa brasileira que estuda e elabora softwares ligados

à criação de mapas digitais tais como o MaxiCAD.

Nos anos 70 e 80, a força da inovação trazida pelo microprocessador deu a


oportunidade de formação de inúmeras pequenas empresas de Informática,
com muito talento e algum capital especulativo. A consciência desta
oportunidade entusiasmou vários países, entre eles o Brasil.(CÂMARA,
1996).

Desde então começaram a surgir novos grupos de estudos nas

universidades e organizações nacionais voltadas as práticas de geoprocessamento,

tais como o INPE (Instituto Nacional de Pesquisa Espaciais). Atualmente o Brasil

vem desenvolvendo softwares nacionais como o caso do Spring que tem seu valor

respeitado no mercado (mais detalhes sobre esse software ainda irão ser citados

adiante).

O Brasil ainda apresenta dificuldades nesse ramo principalmente pela

problemática da concorrência internacional e suas tecnologias que acabam ficando à

frente de nosso país. Contudo percebe-se que a prática do geoprocessamento deve

ser considerada como um papel importante para o desenvolvimento do país visto

que é uma ferramenta ideal para administração de seus bens sejam eles

patrimoniais, recursos naturais ou até mesmo sua aplicação na criação de cartas

marítimas que vem sendo hoje aplicado pela Petrobrás auxiliando na gestão de

exploração de petróleo. (GOÉS, 2009).

Num país de dimensão continental como o Brasil, com uma grande carência
de informações adequadas para a tomada de decisões sobre os problemas
urbanos, rurais e ambientais, o Geoprocessamento apresenta um enorme
potencial, principalmente se baseado em tecnologias de custo relativamente
baixo, em que o conhecimento seja adquirido localmente (CÂMARA e Davi,
200)
6 PATRIMÔNIO
27

É facilmente perceptível o entendimento errôneo que muitos fazem ao

confundir o patrimônio com antiguidade, julgando imóveis e objetos antigos como

patrimônio.

O patrimônio está ligado ao valor que ele carrega em si que diz de interesse

para a humanidade sendo julgado sobre regulamentos e leis que possam assegurar

a continuidade de seu valor, o aspecto de antiguidade liga-se aqui no que se diz

respeito ao valor histórico de um patrimônio e os significados que este carrega,

traduzindo e representando os modos de vida e costume de uma determinada

cultura, servindo de objeto de estudo para a avaliação das antigas sociedades

constituindo, dessa forma, um valor de expressão artística.

Considera-se que o patrimônio é um conceito cultural, somente é patrimônio


o que um grupo assume com tal em um momento histórico determinado.
Sem o reconhecimento de um grupo humano, o patrimônio não deve ser um
fenômeno cultural, por exemplo, o modo de celebrar uma festa pode ser
simplesmente a maneira em que um grupo humano se diverte; enquanto
essa festa é assumida como fenômeno em que reconhece, se está criando
patrimônio e, é aqui, onde entra sua dimensão histórica e paralelamente
simbólica. Somente assim pode compreender o valor que assume
determinados objetos ou imóveis que tem adquirido uma valia coletiva.
(SALINAS,1996 in BRAGA, 1999, p.34-35).

O aspecto de antiguidade não necessariamente precisa estar inserido como

características patrimoniais, como são os casos de tombamentos de construções

modernas e contemporâneas, além disso, esse valor acaba ultrapassando o aspecto

micro para se inserir em um contexto da paisagem, além disso, considera-se

também patrimônio os lugares tais como os complexos naturais como o Parque

Nacional do Iguaçu no estado do Paraná, que concedido o título pela UNESCO de

Patrimônio Natural da Humanidade, os parques como o Parque Nacional Rapa Nui,

no Chile, e complexos com exemplo o Machu Picchu no Peru. Existindo ainda a

presença do Patrimônio Cultural Imaterial (ou Patrimônio Cultural Intangível), tais


28

como as expressão, celebrações, festas e danças como exemplo podemos citar o

Tambor de Crioula maranhense atribuído como Patrimônio Nacional Brasileiro.

Segundo a UNESCO (1972) estes podem ser representados por:

Monumentos: obras arquitetônicas, de escultura, de pinturas, elementos

estruturais de caráter arqueológico, inscrições, cavernas grupo de elementos que

tenham valor universal no ponto de vista histórico, artístico e das ciências.

Conjuntos: Grupos de construções cuja q ligação entre a arquitetura e a

paisagem atribuem um valor excepcional.

Lugares: Obras do homem ou obras conjuntos e da natureza assim como as

zonas incluindo os lugares arqueológicos que tenham um valor excepcional desde o

ponto de vista histórico, estético, etnológico ou antropológico (Convenção sobre a

proteção do Patrimônio Mundial, UNESO 1972 in BRAGA, 1999, P.34).


29

7 VANTAGENS DO SIG E SUA VIABILIDADE NO GERENCIAMENTO


PATRIMONIAL DOS SÍTIOS HISTÓRICOS

O Estudo da computação gráfica nos fez perceber que a conservação dos

cenários históricos através dos arquivos digitais, nos permite armazenar informações

arquitetônicas e urbanísticas de um determinado sítio, consequentemente fazer o

proveito desse registro eletrônico para o seu gerenciamento.

As primeiras documentações de dados foram feitas utilizando documentos

em papel, o que limitava ou dificultava a análise e combinação dos diversos dados, e

esse modelo ainda vem sendo utilizado por órgãos competentes do gerenciamento

do patrimônio, de tal modo que muitas informações e dados dos órgãos de defesa

patrimonial estão sendo perdidos por esse tipo ultrapassado de armazenamento tais

como textos, desenhos técnicos, mapas, dentro outros documentos que sofrem o

mal acondicionamento, exigindo ainda espaços para armazenamento; além disso o

uso intenso pode acabar danificando estes ficando assim degradados.

Com o desenvolvimento simultâneo, na segunda metade deste século, da

tecnologia de Informática, tornou-se possível armazenar e representar tais

informações em ambiente computacional, abrindo espaço para o aparecimento do

Geoprocessamento, suas vantagens sobre os tipos tradicionais de armazenamento

são várias, tais como a dinamização e rapidez na geração de dados, facilitam o

armazenamento por serem compactos; facilitam também a manutenção, inserção e

atualização de dados, são duradouros, resistentes à insetos, bactérias e outros

organismos, além de possuírem durabilidade ao uso intenso.

Visando tais fatores, percebe-se a importância de um sistema

computacional para o gerenciamento do sitio patrimonial utilizando de ferramentas

que orientem o planejamento e capaz de produzir gráficos e mapas da condição do


30

sítio. São capazes ainda de fazer comparativos espaciais (quando se compara dois

sítios) e temporais (quando se quer comparar a condições entre anos diferentes),

esse conjunto de informação serve de orientação para os planos de manejo,

manutenção e análise desse espaço.

O uso do SIG como ferramenta de trabalho contribui com informações

dinâmicas válidas que permitem o ingresso, armazenamento, representação e saída

eficiente de dados espaciais que auxiliam no ordenamento territorial das cidades, na

gestão e na decisão de avaliação dos sítios, podendo ser relacionado na gestão

Patrimonial nos aspectos físicos (arquitetura, preservação e conservação, matérias

construtivos e outros) e nos aspectos sócios, econômicos e culturais (tais como

renda e função de uso).

A aplicação do SIG é um procedimento de grande utilidade no zoneamento

da planificação urbana, já que dispõe de instrumentos automáticos de análises

espaciais, apresenta a vantagem de oferecer uma visualização global do território, o

manejo de análises e integração de um volume importante de informação, além

disso, permitem reduzir consideravelmente os erros e aumentar a precisão da

velocidade na saída de análises.

O SIG tem demonstrado uma excelente ferramenta para a gestão e

representação de análises de cenários permitindo a incorporação de camadas de

informações assim como o ensaio de diferentes funções, os resultados desses

estudos são as aplicações imediatas à proteção do sítio.

Por fim, a rapidez e atualização, demonstra também a eficácia desse

método, seja pela análise de dados cruzados, por gerenciamento de planos com

conteúdo temático apoiados nas informações armazenadas e personalização das

funções do sistema e das necessidades de diferentes usuários.


31

A digitalização de inventários do patrimônio cultural constitui um instrumento

nodal de gestão nas atividades que proporcionarem a elaboração de novos projetos

na área do patrimônio na área do patrimônio e que sirvam como subsídios para

políticas de desenvolvimento sustentável (BRAGA, 2004).

7.1 Exemplos da aplicação SIG nos projetos de preservação e avaliação das

cidades e seus patrimônios

O ordenamento do território urbano e sua avaliação constituem problemas

complexos que incluí a dificuldade no manejo de informação, já que intervém em um

elevado número de variáveis de naturezas diversas, por isso hoje em dia é

reconhecido que a gestão do território requer sistemas modernos computacionais

que ordenem e processem espacialmente informações, sendo o Sistema de

Informação Geográfica (SIG) uma ferramenta de alto poder analítico. (BRAGA,

2004).

O Programa Operacional da Cultura, em Portugal, constitui um instrumento

importante de concretização da política de desenvolvimento e de coesão econômica

e social, este programa traçou estratégias dirigidas a valorizar o patrimônio histórico

e cultural e favorecer acesso a bens culturais através do inventário e digitação do

patrimônio, com a divulgação, de modo automatizado dos elementos relativos à

classificação de imóveis e a definição de áreas de proteção, bem como o inventário

de bens móveis e imóveis de Portugal, reforçando a valorização do Patrimônio

Histórico e Cultural.

Este projeto possibilita a pesquisa do patrimônio classificado acessado

diretamente do Sistema de Informação, a localização dos imóveis legalmente

protegidos, permitindo a realização de pesquisas geográficas em várias escalas,


32

desde o nível nacional até o nível de arruamento (PROGAMA OPERACIONAL DE

CULTURA, 2000).

A cidade de Azogues, no Equador, é reconhecida pelo seu patrimônio

cultural e urbano, nela tem se desenvolvido um SIG cadastral, essas fichas digitais

têm gerado informações que correspondem à área florestal, predial (distribuição das

edificações), limite urbano da cidade, a divisão de zonas da cidade assim como seus

setores. Toda essa informação obtida através de um sistema geográfico tem

permitido a criação da Base de Dados Geogrática Espacial da Cidade de Azougues

(Azogues, 2003).

Figura 1: Cidade de Azogues


Fonte: BRAGA, 2006.

A cidade de Concepciónn no Chile tem efetuado o ordenamento territorial

mediante da aplicação SIG, neles são classificados os ricos de abalos sísmicos,

inundação de rios, processos de remoção em massa e outros, esse produto é

aplicado na avaliação de fatores de riscos e gerando zoneamento de perigosidade,

vulnerabilidades e exposição à catástrofes. Do qual o resultado foi que 42% da

população estava concentrado nos setores de maiores riscos avaliados.

(BRAGA,2006).

Na cidade de Paranaguá, do Estado do Paraná, no Sul do Brasil,

desenvolveram um sistema digital de informações cadastrais no Centro Histórico


33

que tem permitido o monitoramento dos edifícios históricos. (Antunes e Xavier,

2003).

A cidade paranaense possui um conjunto de edificações coloniais cujo

estado de conservação era preocupante e com diversas perdas, a geração de um

banco de dados atualizado baseado em geoprocessamento, permitiu planificadores

e a probabilidade de gerar um município com melhor preservação do seu Centro

Histórico, com os dados digitais disponíveis no sistema foi possível a atualização, a

catalogação e a representação, assim como a análise de todo o acervo histórico da

cidade. O tratamento digital das fotografias e dos edifícios históricos possibilitará no

futuro a retomada do processo de restauração e monitoramento do patrimônio.

(BRAGA,2004).

A Comunidade Autónoma Andaluza, no estudo de âmbito territorial, segue

uma aproximação multidimensional baseada nos SIG, tem utilizado dados de erosão

e uso do solo para gerar um mapa de risco de destruição potencial do patrimônio

arqueológico, o projeto vem sido desenvolvido desde meados dos anos 90 e tem

servido para a elaboração de um projeto de análise de riscos e potencial

arqueológico dos entornos urbanos.

O objetivo fundamental é identificar e caracterizar o patrimônio arqueológico

do âmbito municipal em seu estado de conservação atual, diagnosticar os fatores

que geram os riscos e consequentemente programar sua investigação, difusão e

postar em valor, nos utimos anos tem concluído algumas dessas cartas

arqueológicas municipais (BRAGA,2006).

O IPPAR (Instituto Português do Patrimônio Arquitetônico), no âmbito de

projeto “Inventários e Digitalização do Patrimônio Histórico e Cultural” tem objetivado

o desenvolvimento de um instrumento eficaz da gestão do patrimônio. A utilização de


34

Sistema de Informação Geográfica, tem permitido para os técnicos do IPPAR, o

acesso rápido aos processos de localização de obras. Em 2000 foi georeferenciados

todos os imóveis em vias de classificação, do Portugal Continental, totalizando 3979

imóveis. Desde julho de 2001 já se encontram também disponíveis, em formato

digital e georeferenciados, os Centros Históricos de Santarém, Faro, Tavira e Évora,

em um total de 416 imóveis (IPPAR, 2000).

A cidade portuguesa de Bragança implementou seu SIG local que já

permitiu a criação de diversas cartas temáticas, como instrumento de apoio SIG,

possibilitou a criação de uma base de dados referente a gestão do patrimônio

arbóreo que estão dentro das muralhas do castelo já se encontram catalogadas na

base de dados (BRAGA, 2004).

Os exemplos das aplicações de um Sistema de Informação Geográfica

(SIG) são vários. Como ferramenta que copia, armazena, faz a gestão e analise dos

dados, um SIG permite efetuar e responder preguntas que estão mais além do

alcance das bases de dados tradicionais.

Moura (2000) tem desenvolvido o um projeto sobre o geoprocessamento

aplicado ao planejamento urbano e à gestão do patrimônio histórico de Ouro Preto,

Minas Gerais, que tem como objetivos a construção de propostas de aplicação dos

recursos de geoprocessamento em duas etapas da análise urbana: no

planejamento e na gestão, possíveis graças a montagem da base de dados e sua

conversão, montagem de informações, construções de análises diagnosticas e

prognósticas, além disso a autora tralha também como o uso de maquetes gráficas

tridimensionais que são capazes de explanar as vistas e as paisagens em uma

realidade virtual antecipando os impactos (positivos ou negativos) das intervenções

para que estes sejam analisados antes de serem executados.


35

Figura2: Estudo de geoprocessamento e maquetes eletrônicas em Ouro Preto.


Fonte: Moura (2000)

Como se tem visto as ferramentas SIG, tem alcançado várias realizações que

fazem desses sistemas uma ferramenta de grande importância nos planejamentos

urbanos e sua aplicação na gestão do Patrimônio Histórico nos remete ao uso de

sistemas eficientes, inteligentes e viáveis para o gerenciamento desses.

8 ESCOLHA DO SOFTWARE
36

É importante ressaltar que a produção desse trabalho tem como objetivo

validar a importância do uso das técnicas de geoprocessamento nos planos de

gestão e manejo do Centros Patrimoniais, dessa forma, o objetivo independe da

escolha do software a ser utilizado para a criação do banco de dados.

Por fins metodológicos foi elaborado o estudo de alguns softwares

disponíveis no mercado para em seguida fazer a escolha do mais apropriado através

de análise comparativa que visou os fatores de desempenho e compatibilidade, mais

uma vez enfatiza-se que a produção desse banco de dado poderá ser realizada

utilizando outros programas de ferramentas SIG e que a seleção feita aqui trata-se

de fins metodológicos que auxiliam a produção desse material.

A empresa brasileira SATIMAGENS (2010) que trabalha com a produção e

análises de imagens de satélites para órgãos governamentais e privados, com

dados urbanísticos tais como faces das quadras, eixos de logradouros, setores

cadastrais, planta de valores, rodovias, estradas entre outros, faz a classificação dos

programas computacionais utilizados em geoprocessamento nos seguintes âmbitos:

Programa computacional para topografia: São os programas que executam

cálculos topográficos, elaboram modelagens digitais, elaboram desenhos

topográficos, fazem cálculos de volumes e afins voltados a características físicas de

terrenos.

Programa computacional para sensoriamento remoto: São capazes de

acessar diversos formatos de arquivos, realizam o pré-processamento, correção

geométrica e classificação de imagens, integram imagens com mapas, geram

cartas-imagem para impressão, entre outros.

Programa computacional SIG: São programas utilizados na aquisição,

processamento e saída de informações geográficas, realizam a integração dos mais


37

diversos tipos de dados, geram mapas temáticos automaticamente, possuem

funções de bancos de dados e de processamento de imagens entre outros.

Programa computacional para GPS: Esses programas promovem a

transferência de dados entre receptores GPS e computadores, integram entre dados

coletados com GPS e mapas, exportam dados para programas SIG.

A produção desse trabalho está relacionada aos programas computacionais

geográficos do tipo SIG, pois direciona-se a produção de banco de dados que geram

automaticamente os mapas temáticos e informações estas veiculadas à localização

espacial.

O levantamento de softwares realizado foram analisados os seguintes

programas computacionais: AutoCAD MAP 3D, SPRING e ArcView.

8.1 AutoCAD Map 3D

A base CAD significa Computer Aided Desing (projeto assistido por

computador), desenvolvida incialmente pela General Motors para a simulação e

testes de segurança dos seus automóveis e adotada posteriormente por diversas

industrias americanas, os sistemas CAD são normalmente entendidos como

programas capazes de executas gráficos, desenhos e planos de fácil manuseio e

interatividade permitindo o uso de simulações (MOREIRA, 2006).

O software AutoCAD® Map 3D permite que os profissionais visualizem e

analisem diretamente uma grande variedade de dados espaciais no sistema CAD,

trata-se de um software de cartografia e SIG, sendo hoje uma das principais

plataformas de engenharia para criar e gerir dados espaciais, fazendo a ligação

entre os dados de CAD e de SIG, permitindo que os profissionais façam a integração

das funções espaciais em um único ambiente. (DATECH, 2010).


38

É um Software de acesso aos dados vinculados ao planejamento da

infraestrutura, design e atividades de gestão auxiliando nos trabalhos de transporte,

urbanização, água, energia, projetos cadastrais, topografia, ambiental, entre outros,

permite a visualização e avaliação dos dados existentes para em seguida serem

tomada decisões para desempenho e análise do sítio, em ambos formatos de CAD e

GIS. Possibilita criar e gerenciar dados espaciais, preenchendo a lacuna entre

sistemas CAD e SIG fornecendo dados diretos a dados geográficos, possibilitando o

uso de ferramentas do AutoCAD para gerenciar uma ampla variedade de projetos,

acrescidads de ferramentas geoespaciais. (AUTODESK, 2010)

Figura 3: Interface do Software AutoCAD Map


Fonte: http://www.taringa.net/
Acesso em: 08 de set. de 2010

O software integra a plataforma CAD com o GIS, possibilitando uma ampla

variedade de ferramentas espaciais, com o auxílio da tecnologia FDO, o software

permite a criação de redes de trabalho pela web o que auxilia na criação de

trabalhos complexos, além disso, os dados podem publicar na web seus dados, com

auxílio da tecnologia AutoDesk MapGuide (TARINGA, 2010).

Permite ainda a importação de imagens de satélites para em seguida ser

executada a vetorização do mesmo transformando em um arquivo de base CAD,


39

possui ainda ferramentas familiares aos usuários de programas com base CAD,

facilitando o manuseio.

Vetorização de imagem de satélite no software AutoCAD Map 3d.


Fontes:
http://www.netwind.com/html/autocad-2008-map-3d-training.html.
http://www.gpsworld.com/gis/integration-and-standards/autodesk
Acesso em 08 de set. de 2010.

8.2 SPRING

Spring é um software brasileiro distribuído para o uso de Sistema de

Informação Geográfica com funções de processamento de imagens, análise

espacial, modelagem de terreno e consulta a banco de dados georreferenciados. Foi

desenvolvido pelo INPE/DPI (Divisão de Processamento de Imagens) com a

participação de órgãos da EMBRAPA/CNPTIA (Centro Nacional de Pesquisa

Tecnológica em Informática para Agricultura); IBM Brasil (Centro Latino-Americano

de Soluções para Ensino Superior e Pesquisa); TECGRAF/PUC RIO (Grupo de

Tecnologia em Computação Gráfica da PUC) e PETROBRÁS/CENPES (Centro de

Pesquisas Leopodo Miguez) e recebeu apoio ainda da CNPq.

Tem como aplicações a construção de informações geográficas para

aplicações em Agricultura, Floresta, Gestão Ambiental, Geografia, Geologia,


40

Planejamento e Regional, fornecendo um ambiente de Geoprocessamento e

Sensoriamento Remoto.

É um software gratuito (não pode ser chamado de software livre, pois não

dispõe que seu código de fonte seja acessível para os usuários alterá-los) que tem

como finalidade tornar acessível uma ferramenta SIG de rápido aprendizado

difundindo-se no âmbito nacional.

Este é um software recente que a cada versão insere novas melhorias,

consegue competir com vários outros softwares do mercado, porém os usuários

alertam sobre sua interface não convidativa e não muito interativa com o usuário,

além de possuir algumas limitações na finalização dos mapas, alguns reclamam

ainda da instabilidade do programa que por vezes fazem aparecer erros que

comprometem o banco de dados criados.

Porém os usuários acreditam que essas desvantagens ainda virão ser

resolvidas e alertam da importância de fazer a divulgação de um software nacional e

gratuito que pode ser apoiado ainda mais pelos órgãos governamentais e

universidades.

Figura 4: Interface do Software SPRING


Fonte: http://www.k2sistemas.com/projetos/spring.php.Acesso em: 08 de set. de 2010

8.3 ARCGIS
41

ArcGIS é o nome de um grupo de programas informáticos e que constitui

um Sistema de informação geográfica, produzido pela ESRI (Environmental System

Research Institute, Inc), nele estão incluídos o ArcReader, que permite ver os mapas

criados pelos softwares Arc, ArcView que permite a visualização dos dados

espaciais, criação de mapas e análise espacial, é esta a principal ferramenta a ser

utilizada nesta pesquisa, ArcEditor, que inclui ferramentas para manipulações de

geodatabases e ArcInfo, que inclui ferramentas extras para a manipulação dos

dados.

ArcView é uma ferramenta apropriada para representar dados

geoereferenciados, analisar as características e padrões de distribuição desses

dados e gerar informes com os resultados dessas análises. (BRAGA,2004)

É um software com funcionalidades para visualização, gerenciamento,

elaboração e análises de dados geográficos, sendo possível analisar o contexto

geográfico de seus dados. O ArcView é hoje uma das ferramentas mais utilizadas no

ramo do geoprocessamento.

O software permite usar as informações geográficas na tomada de

decisões, visualizar e analisar os dados espaciais, gerenciar arquivos e fontes,

adaptar a interface para facilitar a tarefa do usuário de acordo com sua necessidade.

(ESRI, 2010).

Figura 5: Interface do Software ArcView


42

Fonte: http://www.k2sistemas.com/projetos/spring.php.
Acesso em: 08 de set. de 2010

Todos os softwares estudos possuem grandes eficiências, mas para a

execução desse trabalho foi selecionado o programa de geoprocessamento AutoCad

Map, pois o acesso de mapas do Centro Histórico é mais facilitado na plataforma

CAD, além disso, é um software que possui ferramentas semelhantes ao AutoCad,

ferramenta essa utilizada por arquitetos, engenheiros e outros profissionais civis,

mecânicos e urbanos.

9 ESTUDOS DE MÉTODOS UTILIZADOS NO PROCESSO DE


GEORREFERENCIAMENTO

Para a elaboração do banco de dados proposto nesse trabalho, tem como

base alguns estudos metodológicos procedurais acerca da produção de arquivos

georreferenciados que serviram orientação para a produção e escolha de temáticas

a ser gerada pelo software.


43

Barredo (1996) define um SIG como uma estrutura formada por quatro

conjuntos fundamentais, são eles:

a) Entrada de informação

Os dados espaciais e suas características temáticas associadas provem de

diversas fontes e em formatos distintos, tais como mapas analógicos, imagens de

sensores espaciais e fotografias aéreas e arquivos em CAD, estas informações

devem ser homogeneizadas e corrigidas para poder ser introduzida nesse sistema.

b) Gestão de dados

São as operações de armazenamento e recuperação de dados, ou seja, a

organização de dados espaciais e temáticos (exemplos temáticos tais como níveis

de riscos, níveis de conservação e preservação, níveis econômicos e funcionais

entre outros)

c) Transformação e análises de dados

São as que geram novos dados a partir dos existentes originalmente, nessa

etapa o usuário define os dados que utilizará e como resolverão problemas

especiais utilizado as ferramentas SIG.

d) Saída de dados

Em um SIG existem diversas formas de saídas de dado, que dependem do

intenção do usuário, tais como: mapas analógicos, tabelas de valores, gráficos,

representações tridimensionais. Com estas saídas podemos representar a

informação contida na base de e mostrar o resultado de determinadas aplicações.


44

USUARIO

HARDWARE SOFTWARE

Figura6: Elementos de los Sistemas de Información Geográficas -SIG


Fuente: Barredo (1996)
DATOS

Os mapas do sistema SIG são representados em forma de camadas

temáticas separadas que podem ser conectadas entre si mediante dados

geográficos comuns.

Figura 7:Esquema de Camadas geradas pelo um sistema SIG


Fonte: Braga, 2004.
A empresa brasileira SATIMAGENS (2010), também utiliza uma metodologia

semelhante baseada em: entrada de dados, processamento e saída de informações

que são realizadas por programas computacionais. Nesses procedimentos deve-se

saber que existem cinco elementos fundamentais que dependem do objetivo de

cada aplicação, seja ambiental, urbanístico ou de segurança, são eles:


45

a) Dados geográficos: Insere as descrições dos elementos espaciais

mapeados com função de representar graficamente, fisicamente, qualitativamente e

quantitativamente os elementos existentes no sítio. São representados por linhas,

pontos e polígonos que referem-se aos dados, tais como limitação territorial,

marcação de áreas entre outros.

Os dados geográficos são organizados em camadas, de acordo com o que

estão representando, por exemplo, para a representação geográfica de um

município, são necessárias várias camadas, tais como: arruamento, quadras, lotes,

edificações, redes de águas, redes de esgotos, rede elétrica, e outros. Para esse

conjunto de camadas dá-se o nome de base de dados geográficos ou banco de

dados geográficos.

Figura 8: Representação de dados geográficos pela empresa SATIMAGENS


http://www.satimagens.com/dadosgeograficos.htm
Acesso em: 08 de set. de 2010

b) Equipamentos: Dividem-se os equipamentos em três categorias, os

equipamentos de entrada ou aquisição de dados, os equipamentos de

armazenamento e processamento de dados e os equipamentos de saída e

intercâmbio de informações.

Alguns equipamentos de entrada e aquisição de dados são: Mesas

digitalizadoras, Scanners, Teclados, GPS, Estações Totais, Teodolitos, Níveis,

Internet, Restituidores Fotogramétricos, etc.


46

Os equipamentos de armazenamento e processamento: Computadores

RISC, CISC, Motorola, Mainframes, Disquetes, zip-drive, jazz-drive, CD-Rom, DVD,

discos ópticos etc.

E finalmente os equipamentos de saída e Intercâmbio de informações são:

Plotters, impressoras, Internet, redes de comunicação, etc.

c) Recursos Humanos: Referem-se as pessoas capacitadas à produção dos

dados georreferenciados, pessoas aptas a manusear os software. Algum tempo

atrás a realidade era poucos profissionais especializados a executar tais atividades,

hoje com o desenvolvimento de novos softwares tornou-se mais fácil a propagação

de usuários e sua utilização ser cada vez mais distribuída.

d) Programas Computacionais: São os softwares destinados ao

georreferenciamento que dependendo do objetivo existe quase sempre um software

mais apropriado.

e) Métodos de Trabalhos e/ou Aplicativos: Em uma aplicação de

geoprocessamento, todos os elementos anteriormente apresentados, necessitam

serem integrados, a fim de que seja possível gerar informações geograficamente

referenciadas na quantidade, qualidade e no tempo viável. Para que isso aconteça,

é necessária a formulação de métodos de trabalhos ou ainda a materialização.

Como existe uma grande gama de aplicações de geoprocessamento, uma

grande quantidade de programas computacionais, principalmente os de sistemas de

informações geográficas, oferecem ao usuário a capacidade de serem alterados

para que o usuário aumente, diminua ou altere funções desses programas,

adaptando-os assim às aplicações.

Os aplicativos além de adaptarem os programas computacionais para a

aplicação de geoprocessamento, ainda oferecem rapidez e padronização na


47

aquisição, documentação, armazenamento, processamento, exibição e

disponibilização de dados e informações geográficas.

9.1 Método Elaborado

Fazendo a análise e síntese desses métodos estudados, foram

desenvolvidos os procedimentos práticos seguidos na elaboração desse projeto, os

dados trabalhados foram alimentados pelo banco de dados elaborado por OLIVEIRA

DE SOUZA (2009) dos quais foram catalogados os imóveis do Centro Histórico de

São Luís com os quadros referentes aos aspectos socioculturais, econômicos e

aspectos físicos. (Vide anexos)

O método gerado se baseia nas seguintes etapas e procedimentos: escolha

do sítio; Coleta de Dados; organização, gestão e processamento dos dados; análise

do produto gerado e atualizações.

9.1.1 Escolha do sítio e setorização espacial - São Luís

O Sítio escolhido para esse estudo foi o Centro Histórico da cidade de São

Luís. O município brasileiro pertence a Região Nordeste do país, sendo a capital do

Estado do Maranhão. Situada próxima a linha de Equador, seu clima é tropical-

úmido, umidade esta proveniente dos Rios Bacanga e Anil que circundam a Ilha de

São Luís.
48

Figura 9: Visualização geográfica do Centro Histórico de São Luís


Fonte: BRAGA (2004)

A riqueza da cidade, em particular seu Centro Histórico, inspira em muitos

aspectos merecendo destaques sua história de cidade conhecida com Atenas

brasileira devido aos grandes literários que residiram na cidade, suas peculiaridades,

sua cultura, e seu paisagismo.

No que se refere as edificações presentes no Centro Histórico, estas são

dotadas de composições arquitetônicas que favorecem sua adequação ao clima

local, tais como pé direito elevado, balcões com funções de sacada, esquadrias com

presenças de venezianas e pátios internos para melhorar a ventilação dos

ambientes. Além disso, os azulejos foram utilizados como revestimentos das

fachadas possuem uma grande característica de impermeabilização, servindo de

proteção contra aguas das chuvas e também suavizando a emissão direta dos raios

solares sobre a edificação. (BRAGA e MOREIRA, 2008, p.21).


49

Francisco Frias de Mesquita, Engenheiro maior do Estado do Brasil,

elaborou o plano urbanístico da cidade de São Luís, adaptando o núcleo urbano já

existente aos padrões estabelecidos pelas leis da corte espanhol, criando eixos

ortogonais dispostos no sentido Norte-Sul e Leste Oeste, traçado esse de origem

renascentista (IPLAM, 2000 in BRAGA, 2004.p.61).

Dessa forma, o sítio apresenta um traçado uniforme em que as edificações

estão inseridas sobre um rede ortogonal continua com pequenas variações de

quadras e vias, a visada de suas ruas transmitem um eixo retilíneo regular com

harmonia entre o avanço das fachadas até as calçadas de passeios das ruas, que

são estreitas, pois nesse período não se tinha a presença dos automóveis.

Historicamente sua economia foi incrementada nas exportações de arroz,

algodão e materiais regionais o que impulsionou do desenvolvimento da cidade. Por

ser uma cidade costeira, São Luís estabeleceu atividades comerciais portuárias o

que foi responsável pelo desenvolvimento do bairro comercial da Praia Grande, este

desenvolvimento do comércio, com as exportações, proporcionou mudanças

econômicas que permitiram o desenvolvimento da estrutura urbanística da cidade.

Durante os séxulos XVIII e XIX, o Estado do Maranhão teve participação


decisiva na produção econômica do Brasil como um dos grandes
expotadores de arroz, algodão e matéria prima regional, São Luís era
considerada a quarta cidade mais prospera do país, depois de Salvador,
Recife e Rio de Janeiro. [...]São Luís, nos finais do século XIX foi a primeira
cidade a região norte e noroeste a utilizar sistema de transporte urbano,
possuir companhias de água, luz, telefonia e limpeza urbana, bem como
apresentar um desenvolvimento do sistema de iluminação pública com
lâmpadas à gás, alimentadas por via subterrânea. [...] Se desenvolveu
também a indústria têxtil, impulsionado pela prosperidade do comércio e
que foi um grande representante do processo de modernidade. (BRAGA,
2009, p. 71)

A escolha desse sítio para essa pesquisa se faz por toda essa riqueza e

valor urbanístico que a mesma possui e pela facilidade de aquisição de dados e

viabilidade do uso da mesma como sítio de experimento do método aqui proposto.


50

9.1.1.1 Delimitação espacial do Sítio

A delimitação do espaço realizada nesse estudo, correspondente ao limite

de interesse de Preservação Patrimonial Federal que abrange parte do Centro,

Desterro e Praia Grande.

Figura 10: Delimitação das zonas de interesse institucional em níveis Federal e Estadual
da cidade de São Luís.
Fonte: Braga (2004)

Segundo os critérios de OLIVEIRA DE SOUZA (2009), esse sítio foi dividido

em sub-setores, para fins práticos e metodológicos, que representados assim por:

Sé, Praia Grande, João Lisboa, Mercês e Desterro.


51

Figura 11: Divisão em sub-setores do sítio em questão


Fonte: OLIVEIRA DE SOUZA (2009)

Deve-se considerar o sítio como um complexo urbano, ou seja, o interesse

aqui não é na particularidade de cada imóvel, mas sim uma escala macro que

possibilita a análise urbana através do agrupamento desses elementos de acordo

com a proximidade de suas características e sua relação com o restante da cidade.

As ideias de proteção de arquitetura “menor” estão associadas à paisagem


urbana ou as zonas de proteção, essa associação amplia as medidas de
conservação a uma série de construções e assegura a manutenção das
condições contextuais para os monumentos principais.
(GIOVANNONI, 2002 p. 103-104 in OLIVEIRA DE SOUZA, 2009 p. 38 -39)

Considera-se também o sítio não apenas com ou conjunto arquitetônico, mas

também os seus aspectos socioculturais e econômicos presentes.

A articulação entre o urbanismo e a preservação das cidades antigas não


dar destaque apenas aos monumentos e seu entorno, mas também a todo
um patrimônio urbano e paisagístico, compreendendo as questões
econômicas e a matéria viva da cidade
(GIOVANNONI, 1998 (1931) p.241-266 in OLIVEIRA DE SOUZA, 2009 p.
39)
52

Sendo assim, considera-se os sítios urbanos como tecidos urbanos

complexos que devem ser pensados como partes integradas à cidade e não como

monumentos isolados e que agrega não apenas valores arquitetônicos e

paisagísticos, mas também econômicos e socioculturais.

9.2 Coleta de Dados (Entrada de Informação e Dados Geográficos)

Este procedimento refere-se à etapa de coleta de informações do sítio bem

como dos dados geográficos. Foram armazenados mapas digitalizados,

levantamento fotográfico, fotografias aéreas e os dados referentes ao questionário

aplicado.

Para se começar a coleta de dados é necessário saber o que se pretende

analisar e qual finalidade terá o geoprocessamento executado em um determinado

sítio, fazendo uma triagem das documentações para não trazer ao sistema

informações que não serão utilizadas e que fogem da proposta do projeto.

Os dados coletados fazem referencia aos dados elaborados por OLIVEIRA

DE SOUZA (1999) que considera os segmentos de observação em tipos físicos e

tipos funcionais.

9.2.1 Tipos Físicos

É responsável pela análise dos aspectos físicos dos sub-setores, tais como

estado de conservação e preservação, estes estão agrupados em três categorias de

caracterização arquitetônica, Conservação física e Preservação Histórica, onde cada

uma faz referência a um conjunto de variáveis, conforme a tabela a seguir:


53

Figura 11: Classificação dos Tipos físicos


Fonte: OLIVEIRA DE SOUZA (2009)

9.2.2 Tipos Funcionais

São analisados em duas categorias: residencial e não residencial cada uma

considera variáveis conforme a tabela a seguir:

Figura 12: Classificação dos tipos Funcionais


Fonte: OLIVEIRA DE SOUZA (2009)

Tanto os tipos físicos como os tipos funcionais nos possibilita a análise

quantitativa e qualitativa do sítio. Analisando esses dados teremos os valores


54

espaciais quantitativos tais como limites, adensamento, concentração entre outros e

valores espaciais qualitativos tais como renda, cultural e social.

9.3 Organização, Gestão e Processamento dos Dados

Essa etapa começa a inserção dos dados no software de ferramenta SIG

(nesse caso no software foi AutoCad MAP 3D), com a finalidade de mapeamento

espacial, ou seja, são as operações de armazenamento informatizado e recuperação

de dados.

Os dados começarão a ser pensados em temas ou camadas, executando

assim a reorganização dos dados coletados de acordo com a sua classificação,

limitação espacial e com o interesse do projeto.

Nesse trabalho considerou-se como fundamentos os níveis de avaliação

quantitativa e qualitativa do Centro Histórico de São Luís segundo a metodologia de

Oliveira (1999) que trabalha com um total de 18 critérios conforme a tabela a seguir.
55

Figura 13: Nível de avaliação e seus critérios


Fonte: OLIVEIRA DE SOUZA (2009)

Cada um desse critério corresponde à criação de um mapa temático que representa

a situação de cada sub-setor analisado.

Para a aplicação nesse projeto foram selecionados os níveis de avaliação dos

Aspectos Físicos do Sítio e da Integração das ocupações urbanas, em um total de 8 critérios

onde cada um representa um mapa temático geoprocessado.


56

Figura 14: Seleção dos níveis de avaliação par a criação dos mapas temáticos.
Fonte: OLIVEIRA DE SOUZA (2009)

Figura 15: Esquema de criação de camadas criadas no projeto


Fonte: MOREIRA (2010)

9.4 Produtos Gerados e Análise dos Dados

São os resultados gerados pelo processo de geoprocessamento, os

resultados contêm informações do sítio estudado de forma georreferenciada e

organizado por temáticas, podem ser representados em gráficos, polígonos, em

mapas, tabelas e outros, estes elementos atuam de forma isoladas ou em conjuntos

permutáveis gerando assim dados qualitativos e quantitativos.


57

Esses conjuntos de informações são chamados de base ou banco de dados

geográficos.

Essas informações servem de ferramenta realística do estado atual do sítio,

dessa forma pode ser comparada com dados antigos para verificar diversos fatores,

tais como o grau de desenvolvimento sustentável, o aumento de moradias e

moradores.

É importante conhecer a importância da aplicação dessas informações, pois

caso contrário o material gerado terá seu papel apenas de “bando de dados”, ou

seja, conjuntos de informações armazenadas, mas sem aplicação e função nos

planos de gestão urbanísticas.

10 GEOPROCESSAMENTO REALIZADO COM O USO DO AUTO CAD MAP


58

Como já foi explanado, os dados trabalhados nesse projeto foram baseados

nos dados de OLVIERA DE SOUZA (2009) e que posteriormente foram aplicados à

ferramenta SIG através do uso do software AutoCAD MAP, alimentando assim as

informações contidas no geoprocessamento do sítio.

Mais uma vez ressalta-se que este projeto não tem como objetivo vincular a

ferramenta SIG a um tipo específico de software bem como ensinar o funcionamento

de suas ferramentas, a escolha do programa foi realizada para fins metodológicos e

para validar a viabilidade desse projeto. Será explano aqui as etapas do

procedimento de criação dos Mapas Temáticos trabalhados nessa pesquisa para

que se tenha conhecimento das potencialidades que esses tipos de ferramentas

podem nos oferecer e, dessa forma, se ter a compreensão de como foi gerados as

Cartas Temáticas.

10.1 Inserção de Dados

Os dados utilizados encontravam-se em planilhas com extensão XML (Excel),

nesse arquivo encontra-se a catálogo de 327 imóveis que representam amostras de

cinco sub-setores determinados (Sé, Praia Grande, João Lisboa, Mêrces e

Desterro), essa catalogação foi divida nos aspectos físicos dos imóveis e nos

aspectos econômicos.

As informações foram inseridos no mapa de extensão CAD referente os sítio

de tombamento Federal, com o uso do software AutoCAD Map. Essas informações

encontra-se no Object Data atribuído a cada setor.

O Object Data é recurso que permite armazenar uma variedade de

informações sobre as entidade dos imóveis podendo se referir à várias temáticas


59

que possibilitarão a realização de consultas através de filtros construindo mapas

temáticos com base nos valores existentes.

Figura 16: Interface AutoCAD MAP 3D, com a visualização do Object Data referentes aos
indicadores de conservação e preservação do sub-setor seleciondado.
Fonte: Moreira (2010)

10.2 Vinculando dados a um banco de dado externo

Os dados inseridos no mapa podem fazer parte de um arquivo externo

através de planilhas, dessa forma o dados podem ser acessados externamente do

mapa ou no próprio software SIG que faz o vínculo entre os dados internos com a

planilha.

Através do Object data, essas informações foram associadas a uma nova

planilha que insere todos os dados contidos desses espaço urbano, permitindo sua

edição e também filtragem, essa tabela faz parte de um banco de dados externo

vinculado ao mapa CAD, a extensão escolhida foi do tipo Access, ressalvando que o

software permite outras extensões.

A planilha pode ser acessada e editada externamente do software, já que a mesma possui
vinculo com o mapa CAD logo, esses dados serão automaticamente atualizados.
60

Figura 17: Associação de banco de dado externo


Fonte: Moreira (2010)

10.3 Criação de consultas

Os projetos SIG tendem a concentrar grande volume de dados, essas

informações já processadas, são disponibilizadas em forma de banco de dados.

As pesquisas em consultas em AutoCAD MAP servem para fazer recortes dos

dados preexistes e gerar espécies de filtros baseados em certos critérios, no nosso

caso os critérios utilizados foram os dados inseridos no Object Data (existem outras

maneiras de elaborar essas pesquisas utilizando os parâmetros de inserção de

dados).

O filtro trabalhado possibilitará a criação de hachuras com variação de cores

que irão se relacionar com os valores atribuídos no Object Data, ou seja, serão

criados hachuras nos sub-setores que irão representar o quadros indicativos dos

critérios analisados para a criação dos mapas temáticos.


61

Figura 18: Configurando o tipo de pesquisa


Fonte: Moreira (2010)

10.4 Legenda

O AutoCad MAP 3D, permite a criação automática de legenda para


representar os filtros criados, mas por fins de melhoramento de interface essas
legendar foram editadas de modo a ficar mais convidativa e clara para o usuário .

Figura 19: Adaptação de legenda


Fonte: Moreira (2010)

11 ANÁLISE DOS MAPAS GERADOS


62

Aqui serão explanados os mapas temáticos gerados bem como seus significados

e suas representações, dessa forma será comprovada como as ferramentas SIG

possuem importância no gerenciamento e salvaguarda dos Sítios Patrimoniais.

A aplicação foi realizada em São Luís, porém este serviu como exemplo, o uso

das ferramentas SIG podem ser aplicados a outros sítios.

11.1 Estado de conservação física do sítio (C1)

O mapa temático gerado tomou como base a soma das avaliações feitas dos

componentes arquitetônicos de cada imóvel, estes foram analisados de acordo com

o risco de degradação dos imóveis que juntos representam o estado do sub-setor.

O resultado gerado nos mostra um quadro de conservação de predominância

média nos sub-setores.

Figura 20 – Mapa temático do estado de conservação do sítio segundo seus sub-setores


(C1)
Fonte: MOREIRA (2010)

11.2 Estado de preservação física do sítio (C2)

Do mesmo modo, foram avaliados os componentes arquitetônicos de cada

ooimóvel em relação a seu estada de preservação.


63

O resultado nos mostra que sub-setor a Praia Grande apresenta resultados

mais positivos de preservação dos seus imóveis seguido do sub-setor Sé e Mercês,

já o sub-setor João Lisboa resulta abaixo da média e o setor Desterro com um quaro

mais preocupante de seus imóveis, percebe-se então que as políticas públicas

devem considerar como emergencial esse setor e criar iniciativas para evitar danos

de degradação de preservação nos demais seu-setores.

Figura 21-Mapa temático do estado de preservação do sítio segundo seus sub-setores (C2)
Fonte: MOREIRA (2010)

11.3 Nível de não ocupação urbana do sítio (C3)

Os resultados desse mapa temático nos faz perceber como está a situação

dos imóveis em uso e desocupados nos sub-setores intercalando esse resultado

com o seu estado de conservação


64

Observou-se que os sub-setores Sé, Praia Grande, João Lisboa e Desterro

possuem sua taxa de ocupação forte com pequenas variações no estado de

conservação prevalecendo o estado de conservação considerado bom.

O sub-setor Mercês apresentou um quadro de ocupação abaixo da média

porém de estado de conservação considerado mediano.

Figura 22 – Mapa temático do estado de não ocupação urbana o sítio segundo seus sub-
setores (C3)
Fonte: MOREIRA (2010)

11.4 Nível de integração da ocupação residencial do setor de salvaguada


Federal (C4)

Para a elaboração desse mapa temático foram considerado o conjunto de

sub-critérios que somados reflerem o estado da integração residencial, esses sub-

critérios são o estado de conservação, o estado de preservação, a renda familiar,

densidade e os serviços de comunicação.


65

Os resultado foram mais positivos nas residências dos sub-setor Sé, seguidos

do João Lisboa e Mercês com resultados abaixo da média, logo seguida o setor

Praia Grande e o de menor nível de Integração, o sub-setor Desterro.

Figura 23- Mapa temático do estado do nível de integração da ocupação residencial do sítio
segundo seus sub-setores (C4)
Fonte: MOREIRA (2010)

11.5 Quadro de integração da ocupação comercial do setor de salvaguada


Federal (C5)

Foram seguidos aqui os mesmos critérios do mapa temático elaborado

anteriomente, porém com a filtragem dos edificios de uso comercial. Os resultados

foram positivos para os comércios dos sub-setores Praia Grande, Jõao Lisboa e Sé

respectivamente, seguido pelo setor Mercês e por ultimo o Desterro com indicadores

medianos.
66

Percebe-se mais uma vez que o sub-setor Desterro é que apresenta os

menores índices, sendo então o mais emergencial nas aplicações de políticas

públicas.

Figura 24 – Mapa temático do estado do nível de integração da ocupação residencial do


sítio segundo seus sub-setores (C5)
Fonte: MOREIRA (2010)

11.6 Quadro de integração das atividades terciárias do setor de salvaguada


Federal (C6)

Seguindo ainda a análise a patir dos sub-critérios de estado de conservação,

o estado de preservação, a renda familiar, densidade e os serviços de comunicação,

foi feita a gora a triagem dos imóveis que representam as atividades terciárias.

Como resultados percebe-se a integração mais forte nos sub-setores Praia

Grande, seguido do sub-setor Sé que apresentaram bons resultados e João Liboa e

Mêrces, já o sub-setor Desterro com indicadores medianos.


67

Figura 25 – Mapa temático do estado do nível de integração da atividade terciária do sítio


segundo seus sub-setores (C6)
Fonte: MOREIRA (2010)

11.7 Quadro de integração das atividades institucionais do setor de


salvaguada Federal (C7)

Nesse mapa temático a filtragem foi feita para os usos institucionais, de acordo com

os mesmos sub-critérios dos mapas temáticos, com isso


68

Figura 26 – Mapa temático do estado do nível de integração das atividades institucionais


do sítio segundo seus sub-setores (C7)
Fonte: MOREIRA (2010)

O melhore resultados foi no sub-setor Desterro seguido dos subsetores João Lisboa

e Mercês e Sé respectivamente, e por ultimo o setor Praia Grande com indicadores

medianos. Observa-se aqui a inversão de indicadores onde o Desterro apresentou

melhores resultados.

11.8 Quadro de integração das atividades turísticas e culturais do setor de


salvaguada Federal (C8)
69

Os sub-critérios continuam os mesmo nesse tipo de avaliação, porém a

triagem responsável pela a representação das atividas turísticas e culturais é o

conjunto entre as atividades comerciais, institucionais e os serivos.

Os melhores resultados foram o da Sé, Praia Grande e Jão Lisboa que obtiveram

resultados positivos seguido da região Mêrces e por último o Desterro com baixos

resultados de intergração das atividades turisticas.

Figura 27 – Mapa temático do estado do nível de integração das atividades institucionais


do sítio segundo seus sub-setores (C8)
Fonte: MOREIRA (2010)

12 UTILIZAÇÃO DOS MAPAS TEMÁTICOS NA GESTÃO DO PATRIMONIO


70

Através dos mapas criados chega-se a conclusão da sensível situação que

se encontra o sub-setor desterro do qual apresentou os piores indicadores com

exceção de um único mapa temático, dessa forma observa-se a necessidade de

intervenção e politicas urbanas voltadas para essa região.

Além disso, foi percebido também que muitos indicadores apresentam-se na

linha média, beirando para resultados negativos se caso não se aplicar politicas

voltadas a manutenção e melhoras desses indicadores.

Os mapas servem para demonstrar a situação em que se encontra esse

sítio e quais o nível hierarquizados de problemáticas por sub-setores que

demonstram ondem estão as regiões mais agravadas pela falta de políticas e

investimentos.

Além disso os mapas também servem como dados comparativos, se caso

se gerar novos mapas no decorrer dos anos (no nosso caso a cada 2 anos como foi

proposto anteriormente) os mapas poderão mostrar que efeitos as políticas

governamentais estão surtindo efeitos positivos no processo de gestão do

Patrimônio Histórico ou se demonstram a carência da mesma nessas regiões.

13 CONSIDERAÇÕES FINAIS
71

É notável a sensibilidade que possuem os Patrimônios Históricos Urbanos,

onde não trata apenas de um conjunto de arquiteturas, mas sim te todos os

costumes socioculturais.

A responsabilidade de gerenciar os Patrimônios Históricos vem

acompanhada da carência de ferramentas eficientes sofridas pelos órgãos

competentes no processo de acompanhamento da situação Urbana.

Desse modo, o trabalho aqui exposto, comprovou a eficiências de

ferramentas SIG no auxilio do gerenciamento do patrimônio, assim pretende-se que

esse assunto seja consolidado entre os órgãos federais, municipais e estaduais.

Mesmo tendo sido tomando como protótipo a cidade de São Luís, esse

trabalho comprova a importância do SIG e sua aplicação em qualquer tipo de

gerenciamento Patrimonial.

Espera-se que esse trabalho possa servir de fontes e pesquisas e que seja

adotado na prática, visto que os programas computacionais estão cada vez mais

práticos e acessíveis, mas deve-se contar também com os incentivos

governamentais e de órgãos e empresas que consigam contribuir para essa

aplicação.

REFERÊNCIAS
72

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<http://usa.autodesk.com/adsk/servlet/pc/index?siteID=123112&id=13818317>.
Acesso em 07 de setembro de 2010.
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Brasil: Desafios e Oportunidades. DPI/INPE. RIO DE JANEIRO, 2006.

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Disponível em: <http://www.micrograf.pt/sig/map3d/>. Acesso em 07 de setembro de
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IBGE. Glossário cartográfico. Disponível em:


http://www.ibge.gov.br/home/geociencias/cartografia/glossario/glossario_cartografico.
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renderização em prédios e monumentos do centro histórico de São Luis - ma.
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73

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Patrimônio imóvel e móvel e sua divulgação. Disponível em: http://www.poc.min-
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octubre al 21 de noviembre de 1972). Disponible en <
http://www.unesdoc.unesco.org>.
74

APÊNDICES

APÊNDICE A - Estado de conservação física do sítio (C1)


75
76

APÊNDICE B - Estado de preservação física do sítio (C2)


77

APÊNDICE C - Nível de não ocupação urbana do sítio (C3)

APÊNDICE D - Nível de integração da ocupação residencial do setor de salvaguada

Federal (C4)
78

APÊNDICE D - Quadro de integração da ocupação comercial do setor de

salvaguada Federal (C5)


79

APÊNDICE E - Quadro de integração das atividades terciárias do setor de

salvaguada Federal (C6)


80

APÊNDICE F - Quadro de integração das atividades institucionais do setor de

salvaguada Federal (C7)


81

APÊNDICE G - Quadro de integração das atividades turísticas e culturais do setor

de salvaguada Federal (C8)


82
83

ANEXOS

ANEXO A - FOMULÁRIO 1 : CARACTERIZAÇÃO DA EDIFICAÇÃO

Qd:_____ nº_________Rua_______________________________ Data:_____/______/______

Estilo Arquitetônico Uso Atual Ruínas


Tradicional Recente Residencial (f2) Em obra
Português Historicista Não Residencial (f3) Sem uso
Eclético Moderno Engenhos Publicitários
Art-Décor Popular Adaptado Não Não
adaptado possui
Art-Nouveau Industrial
Néo-Colonial Vazio

Avaliação da conservação Avaliação da Preservação


Bom Médio Precário Bom Médio Precário
Estrutura Volumetria
Telhado Telhado
Instalações Planta
Piso Aberturas
Esquadrias Revestimento
Revestimento Adornos
Paredes Esquadrias
Fachadas Piso
Total Total

Gabarito Elementos Complementares

Nº de pavimentos Mirante Solo Elevado Sótão Habitável

Nº de Subsolos Plano Mezanino Piso Intermediário


84

OBSERVAÇÕES

ANEXO B - FORMULÁRIO 2 : UNIDADES RESIDENCIAIS

IDENTIFICAÇÃO
QD: RUA:
Nº UNIDADE: DATA: / /
MOTIVO DA NÃO APLICAÇÃO
Responsável se Responsável menor que Responsável ausente
recusou 16 anos
TIPO DE MORADIA QUANTO TEMPO A FAMÍLIA HABITA NESTE LOCAL
Principal Secundário
STATUS DA OCUPAÇÃO
Proprietário Aluguel Favor Ocupante
Se alugado, por quanto? Não Informado
ACESSO DE SERVIÇOS DE COMUNICAÇÃO
Telefone Fixo Computador Internet Celular

Nº Faixa etária Sexo Local de Renda Individual em salário mínimo


hab. Trabalho
0 19 66 M F Ñ. CH Fora Ñ. Até1 1à3 3à5 5à10 10à15 15à20 +
à à à .. Trab. do Trab. 20
18 65 . CH
85

Renda Familia:

ANEXO C - FORMULÁRIO 2 : UNIDADES NÃO RESIDENCIAIS

IDENTIFICAÇÃO
QD: RUA:
Nº UNIDADE: DATA: / /
MOTIVO DA NÃO APLICAÇÃO
Responsável se Responsável menor que Responsável ausente
recusou 16 anos

TIPO DE OCUPAÇÃO QUAL DESDE QUANDO A


Comercial ATIVIDADE FUNCIONA NESTE
Serviço LOCAL?
Instituição
Turisti. e Cult.
outros

STATUS DA OCUPAÇÃO
Proprietário Aluguel Favor Ocupante
Se alugado, por quanto? Não Informado
ACESSO DE SERVIÇOS DE COMUNICAÇÃO
Telefone Fixo Computador Internet Celular

CARACTERÍSTICAS DA ATIVIDADE
Quais is dias da semana funciona esta Quantas pessoas trabalham diretamente
atividade neste local?
Segunda
Terça
Quarta Quais os períodos de funcionamento
Quinta Manhã
Sexta Tarde
86

Sábado Noite
Domingo Madrugada