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UNIVERSIDADE ESTÁCIO DE SÁ

MBA EM BIG DATA ANALYTICS

Fichamento de Estudo de Caso

Patrícia Almeida de Souza

Trabalho da disciplina Governança


Corporativa e Excelência Empresarial
Tutor: Prof. Ricardo Barbosa da Silveira

Brasília - DF
2018

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Estudo de Caso de Harvard: GOVERNANÇA CORPORATIVA EM EMPRESAS
SUCROALCOOLEIRAS E DE BIODIESEL: o novo mercado enquanto estratégia de
capitalização

Referência: SOARES, Selene de Souza Siqueira. PAULILLO, Luiz Fernando de Oriani.


GOVERNANÇA CORPORATIVA EM EMPRESAS SUCROALCOOLEIRAS E DE
BIODIESEL: o novo mercado enquanto estratégia de capitalização. Informações
Econômicas, SP, v.38, n.3, mar. 2008.

Texto do Fichamento:

O artigo inicia-se com o cenário atual do agronegócio brasileiro. Diante das


transformações sofridas nesse mercado nos últimos anos, o aumento da demanda em
termos de qualidade, certificações e melhoria nos processos produtivos, e ainda, a redução
da atuação do governo no fomento de investimentos na área, levaram as empresas a
buscarem novas formas de capitalização, tendo o mercado de capitais como uma alternativa
viável e menos onerosa.
A demanda crescente por açúcar, álcool e biodiesel tem provocado mudanças também
nos setores de biocombustível e sucroalcooleiro. Entretanto, a introdução ao mercado de
capitais brasileiro apresenta-se mais complexo visto as peculiaridades apresentadas. O setor
de biocombustível é ainda relativamente novo e cercado de incertezas institucionais,
enquanto o sucroalcooleiro é tradicionalmente dominado por empresas familiares.
Em resposta à predominância do controle familiar e para reduzir o problema do
agente-principal entre investidores e dirigentes, aumentando a credibilidade das empresas
foram adotadas novas formas organizacionais, destacando-se a governança corporativa,
dado que, acredita-se que o aprimoramento do processo de governança corporativa seja
indutor de melhoria na eficiência interna empresarial. A empresa que adota as práticas de
governança corporativa cria mecanismos eficientes para garantir que o comportamento dos
executivos esteja alinhado aos interesses dos acionistas, através dos princípios de
transparência, prestação de contas (accountability) e equidade.

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O maior comprometimento das empresas com a governança corporativa tem sido
demonstrado pela entrada no mercado de capitais e a adequação destas a um dos três
níveis de governança corporativa da Bolsa de Valores de São Paulo (BOVESPA): Níveis 1 e
2 e Novo Mercado. O empenho destas empresas com as boas práticas de governança
corporativa é voluntário, contudo sobre estas empresas recaem maiores exigências de
divulgação de informações em relação àquelas já impostas pela legislação brasileira.
Vários esforços no intuito de melhorar a qualidade da governança corporativa têm sido
empreendidos, tais como: o Código das Melhores Práticas de Governança Corporativa do
Instituto Brasileiro de Governança Corporativa - IBGC; a reforma na Lei das Sociedades
Anônimas; e a criação do Novo Mercado, pela Bolsa de Valores de São Paulo – Bovespa.
O Novo Mercado é uma excelente opção para as empresas que pretendem entrar no
mercado de capitais, pois é formado por um conjunto de regras que oferecem maior
transparência e segurança aos investidores e melhor preço e custo de captação para as
empresas. No Novo mercado, as regras societárias são requisitos de grande importância
para a listagem da companhia. Essas regras ampliam os direitos dos acionistas, melhoram a
qualidade das informações usualmente prestadas pelas companhias e traz, como principal
inovação, a proibição de emissão de ações preferenciais. Essas organizações também
precisam estender, para todos os acionistas, as mesmas condições obtidas pelos
controladores quando da venda do controle da companhia, obrigatoriedade de realização de
uma oferta de compra de todas as ações em circulação, pelo valor econômico, nas hipóteses
de fechamento do capital ou cancelamento do registro de negociação no Novo Mercado,
cumprimento de regras de disclosure (transparência) em negociações envolvendo ativos de
emissão da companhia por parte de acionistas controladores ou administradores da
empresa.
A estrutura da governança corporativa contempla o conselho de administração e a
diretoria executiva, estimulando-os a alcançar objetivos que sejam de interesse da empresa
e de seus acionistas e que facilite a fiscalização eficiente, incentivando as empresas a
otimizar a utilização de recursos. Além do mais, a governança corporativa também
dependerá do ambiente jurídico, regulamentar e institucional, bem como de fatores como
ética empresarial e consciência corporativa dos interesses ambientais e sociais das
comunidades em que a empresa opera.

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Com base nos conceitos apresentados, o artigo analisou as principais características
da estrutura de governança corporativa de quatro empresas: a Açúcar Guarani S.A., empresa
que opera a transformação de cana-de-açúcar em açúcar, etanol e energia elétrica; a Cosan,
maior produtor de açúcar do Brasil, estando entre os três maiores produtores de açúcar do
mundo; o Grupo São Martinho, um dos maiores do Brasil no segmento sucroalcooleiro e
também uma referência mundial na produção de açúcar e álcool e a Brasil Ecodiesel, líder na
produção de biodiesel no Brasil.
Conclui-se que as empresas selecionadas estão em conformidade com as normas da
Bovespa e recomendações da OCDE no que tange a divulgação de informações trimestrais e
anuais, com qualidade superior ao que normalmente se exige das empresas de capital
aberto. As empresas ainda apresentam consonância quanto às condições igualitárias para os
acionistas minoritários e acionistas estrangeiros.
Quanto ao reconhecimento dos direitos dos stockholders, a empresa Brasil Biodiesel
destaca-se com um código de conduta que descreve os princípios que norteiam o
relacionamento da empresa com os principais públicos envolvidos em sua atuação. Foram
analisados ainda a constituição dos conselhos de administração, quantidade de consultores
independentes, funcionamento das diretorias executivas e a independência entre conselho
de administração e diretoria executiva nas empresas citadas. Em síntese, a construção dos
perfis de governança corporativa das empresas de agronegócio ainda tem muito a progredir.
De maneira geral, podemos considerar que por ser um movimento relativamente novo na
história destas empresas, muitos progressos já podem ser percebidos, e o maior deles é a
inserção destas empresas no mercado financeiro, por meio da aderência ao Novo Mercado
da Bovespa.