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...." 5 ...... 10 12 14 16 Questões Raizes da Cultura Questões 3'Aula lnconsciente e Cultr:ra .....--..-..... '7 Soluções Simbolicas para a Assimetria ...-.... "..3 ....---... ... 35 Questões """"""" 36 37 38 ............-......-'... Conceito de lnvanante .--...-............. Fundamentos Epistemoiogicos da Semrotica da .Índice l'Aula Apresentação/Sobre o Signo e o Os Codigos e os Sobre a lntençãolEstrutura Básica dos Códigos Terciários Textos Texto ?'Auia ......... A Obra de Arte e a Semiotica da Cuitua Questões Questões LI 20 ZJ 25 4'Aula A Herança do Xamanismo na Antiga Palestina Cultura Questões 5" Aula """"""' """ '-"' 27 32 A lnformação ...

IMA DE eÉg-gp. perseguQao e exílio na Repúblka Federal Alemà.. ern 1Xt8. Uma 2e. aqui no Brasil teremos em brct'e o larqamento de uma edQao espcial em portuguâ. que bauia iníci.=ceLrido por um receptor. Retornnrtdo à Cbecostouaquia.s fundamentad. encontra-se esgotado e é uma das raras bibliogra. edQao sera relançada ruz Alemanba e. Seu liuro sobre semiótica da cuJtura.a.TgPItrES DE SEvróTtGA DA GuLTURA Pnnr.cluaçÃcl rM EoMUNttraçÃo e ser'rtórlEÁ. Tttdo isso tai resultar no desentoluimento de um sistemaproprio de semiotica dcz cultura. Engalou-se no processo plítico de lifuraçào e exerceu pratkas políticas uísarzdo a um socialismo demc. Bystina deu continuüade aos estudas cle Cibenuitica. ortde ele é boje Professor Emérito. entendemos por signlum ?btetq matenai que é pro<iuzrOo por um pradular de sigBas (lsso é impoÍtante: não existe um signo que nao se.cratico. que orzr iniciamos.de Liure de Bedim. Duranle este príodo. Iuan Bystrina nasceu na Cbecoslouaquta. lvex EIYSTRINA pREcR. que seja . D Í:UC/SP AFRESErvr. StrlElRE trt SIENtrt E ct TEXTG] Em nossa escola de Semiótica cia Cuitura. 4'l' n_ / .a.qcÃtr O Prof.lsso ueio a custar-lbe.do em \íoscou. falaremos sobre o tema "códigos" e em especiai sobre códigos culturars ou códigos terciários.a prociuzrcio pq um ser vivo). Neste clrrso. . onde permaneceu por L.ora e sistematizadora Cxta dtsciplirn.inte an(x. Fez doutorado em Mascou nesta mesma disciplina. e inrerpretedo Por ess€ Íeceptor. ortde Jormou-se em Ciêtrcías Políticas. Teoria dos Sìstemas e Lógica. Teoric da Informaçao. assumiu a dircção de um dos institutos da Academia de Ciêrrcias daquele pak. editado em 1989. começando pelos concettos básicos de signo e semiose. que toma cotpo em meados dos anos 7O ru Uniuesida.fia.

como era a mírnica e a gestualidade das pessoas em épocas remotas.prÉ-PxnÍÍ ÍËtEl &E rÍtpísrs DE ssuirTta oa calranr. srgno e receD-:r :J slgnor. etc. que é um sistema de regras.e recebido e inteçretacio por receptores iguaìmenre vivos.Textos criatiuos e imaginatiuos. técnico e cotidiano. ^o feitas especiaimente nas cavemas utilizadas como templo e não como moradia.animars ou homens . melodia e dança Os mais distantes vestígios dos textos culturais aparecem nos restos e nos ritos de sepuÌtamento. ossos.Tutas racionais.no sentido amplo da palavra. podemos dividi-lo nas seguintes categorias: - Textos instntrnetttans. . com sentido. Os signos são objetos especiais porque nao contêm apenas informaçÒes sobre si próprios. tem de ser produzrdo por seres vlvos . compostos de signos. Nós não sabemos. por exemplo. as ficçÕes. Mais tarde. .nlicaenire o signo e o significado. como por exemplo a funçào estética.extos das ciências naturais. de informar . como acontecido na Turquta. O signo tem que ser cxpaz cie ser percebrdo peìos s'entidos.e ( produtor do signolemlssor. os ntuais. Nguns desses textos foram preservados até a nossâ época e outros perderam-se. . Por isso.etivo insrumental. \este rnomenio. tudo o que percebemos ya e uma informaÇão atualízzda do objeto.4 :s-. de vinculaçÒes entre os srgnos. aquela infornaçào latente modifica-se e se ransforÍna numa informaçào atualizada. pois hoje ainda encontramos preservado o póÌen dessas flores. Nós já encontramos vestígios muito antigos de textos hurnanos. Os textos e signos em sr preenchem uma funçào comunicativa. Cada obieto conhecido por nós contém em si uma iniormaçào ìaterÌte. uma [unçào de particrpar. utopias. foram cornprovados três ripos de textos pre-históncos: a pintura.tvlx gvarrnr . ou emotiva e expressiva. -1ssim nascem os textos como comDiexos srgnificativos. De acordo com a função predominante no texto. . que sào textos lógicos. etc. paleolítico. cula funçào primordìal é atingir um ob. obra^s de ârte. Dizemos que textos são complexos de signos com sentldo. mas também informaÇÒes sobre aquilo que esui imanente dentro dele. pode ser atestada no mundo anrmal e rressupÕe-se que iá esteja presente nos estágios eiementares do desenvolvimento do homem. como eies começaram a falar. pragmático. ou mesmo como se dava o diáiogo entre ritmo. que nós percebemos pelos nossos sentidos. as técnicas de gratrurasn pedra e aspequenas estatuetes feitas de chifres. Sabemos. Ìvlas eles preenchem também outras funçÕes. Esses iexros formam o coniunto das atividades fundamenuis para a sobrevivência do homem como especre.\ dimensào mais importante e a ditnensrio semâ. por exemplo. e a cÌramada ciimensào pragmatira da semros. textos matemáticos. :Í$e arnda o universo do código. Ì. ou ainda outÍas funÇÕes sociais. =:. que o homem de Neanderthal <iepositava flores em seus túmulos. ideologias. como os mitos. em épocas mais remotas ainda do processo de hominizaçao. A existência de tutos irstrumentans.Íe =miÉm da dimensao sintatica entre os diferentes signos. Estes srqnos peÍtencem a linguagens que se compÒem de diversos sistemas de signos. evidentemente. N{as isso não basta.

. ou culturais. sobre a 0s Góorr=os e ss Texrssl Primeiramenre sào arivados "t í. Sào esses os textos de :rle o homem necessita nào apenas pat'a a sua sobrevivência fGica e materiai .ããõb. naluralmente. na anlrga Grecia e na antiga China. inúteis.tvnr Brsnne . seus dons ou os s€us defertos. o homem sempre \jÉl ii. Somente a partiÍ dos códigos terciáÍios. muito mais recentes. poruìnto. E esse medo tem a veÍ com âs variaçoes dc biõdpo a partir das modificaçÒes ocorridas com a transferência da vida nas matas par-a a vida nas savanas. São códigos que reguiam tocia informaçào pr€sente no organismo e. As regras para composição dos textos t wundáno e terctino. Já os textos sào eiernentos produzidos de acordo com padrÕes estÍLlturais adequacios. Os códigos secundários (a grarnática das línguas chamadas naturais) assim como os códigos primários.5 . O perrsareruo - O professor não utíizou as expressoes bìpolittguktico.(N.-i' . mas nào para a produçào de signos.que pode rambém s€Í :3Íantrda pela técnica . onde o perigo vem de todas as direçoes r. tais como são construídos os "fyp€s".r1 :' A única teieonomia. eia existe para sr mesma. eÌe atualiza o homem.n. pois tem . de acordo com regras.* .:ìs culturâs civilizadas como. por exemplo. F provém de çodtgçssçafedalfAs. os código.-:cminro dos textas racíor?nls só r'ai se dar em peíodos DosteÍrores.LÍo -: ruitura humana situam-tr. ainda não é crrilU.r.) . Tanto no inglês coÍÌlo no pomrguês a palavra languageou língtu e o adletivo referente a ela tem um forte wíoculo com a Lingüíeica. nas suas margens ç que ela se toma algo qeierue para outras finalidades. Os iextos exercem rernpre mals de uma flunçào. À ^--:- t''ì --' Entendemos p_or cuitura. âpenas na sua penferia.:. a vontade.T. na vida biolOgiga O código genético é um deles. ]Ias no cen.7. Todas as atividades têm os seus códigos pnmários..' _..arr... é que surgem os tgxtos da cultura. Se .a.a. nào só a percepcào.rlò. Os códigos primános sào zuficientes para a transmissào de informaçoes. nao privilegia a Lingüí*ica eúquãÍro x^- epr*errcIógica. no seu ceme pulsante. -ï-{ -iÌÍ-2. que são m-is da Seaí5tica da Culürâ" [1615 e Írenos :mhfguas pacl o uso esÌ ourras linguas. seus talentos especials. portanto. não são ainda a cuitura. por exempio.a. ntuir-as !'ezes simuitaneam€nte. usa as varianres pritrulrio.-.PnÉ-Pnnr lËE: lffi fâaae oE SaEíTEA or Ealtuna. as emoÇÒes. os texlosimagtlzatlL'os e cnaüL'aç.o* ^ a técÍìica. /i . ou sela a *c. Isso pode ser percebido mais ciaramente no comportamento dos aborígenes e e fâctl constatar a fragiiidacie dessas culturas no contraste com as Desde o pnncípio.-ËÏã-ãèonStituída de coisas aparentemente supérfluas. iur. foi um ser muilo sensitivo.-ëffiueeIetrabaihaneSSap€rSpect1va.todo aqueie conjunto de atiwidades que uitrap4p3 4 mera_finalidade de pr=r"*". lingúístico e bipiittgttístrco. o pensamento. sena a superaçào do medo exrstenciaÌ. fragll e manteve essâs caracte:-ísricas até mesÍno nas chamadas culturas cinlizadas.oquepodemosdizerdenovo cuitüãìilqúé.rslumbradas do honzonte.u_Ìtqra é peia cuitura.mas parà a sua sobrevivêncra psíqurca.evivencia úátènai. cmo sabcoos. ip. I Ç: ^: . Ao invés. €iqgqagçgr À gramática de uma linguagem natural.

origem e desenvolvimento. assim. conscrentemente. Talvez. colocase numa postcào subaiterira ern reìaçào ao s€u cnefe e prociuz.p^Ía diferenciar a informação e o signo . O signo porta informaçÕes não apenas sobre aquilo que designa ou repÍes€nt^. por exemplo.á sào da esiera cla intençào do inconsclenre. por exempio . O que falta para que eia se tome um signo é a intenção: a planta não te:n a intençào de ter uma cor.PpÉ-PRrÈr rãE l&E fdprcss oE tu ãirE or calrapl . dizer alguma coisa sobre si póprio.c é reaiizado pela atuaçào de um código secundário . é um pre-signo. tàmrc*n iòbre si prcpno. Os códigos prirnános . 4 ì '1. O texto aÍtísf. tomam-se. Os codigcs terc..a construçào gramatical da frase.)'l. Àntropoìogia e Semiótica da Cuhura constituem algumas das maiores e mais importantes contribuiçÕes parâ s€ p€nsar o futuro da humanldade. no ca. mas de uma percepção de como esses obleros se organizam. como ele foi no passado e como conseguiu mostrar-se à altura das exigências que lhe foram imposras ness€ percurso. nào é aqueie que atende critérios de verdade sociai. sào mais que uma necessidatécnica de comunicaÇào ou e)rpressào lingúística adequada. os slgnos coçorais cie submissào . para diferenciar a informaçào não sígnica da informaçào sígnica .tt :" ' Precisamos entender de forrna ampla o teÍÍno '@ãõ'. a Um dos probÌemas mais importantes quando o homem tenta dar contâ da sua exrstência é saber como ele chegou à sua matenaiidade atuai.p ex. Um bom roÍrìance. até o medo primordiai do reino das trevas.ty^x gÌsmnl^ . tamÉm é intencional. mas é aquele que s€ estrutura de tai forma que as estÍuturas se evidencram como informaçào.s da funçào estética d$ signo. é uma informação básica. com o céu e o infemo. ) l. Os códigos primários também regulamentam as informaçÕes.'L. como draz'noite ou ciaro/escuro.deramos esclarecer gue gsigna é Prtador rJa inform4ão. -\a estera cios códigos terciános. Um rabalhador. mas informaçÒes.6 O cue para os códigos pnmários é uma necessidade . a quesÈo cardinal da Semiótica da Cultura. Vistas peÌo eko culturaÌ.. e também é intenção. A cor de uma flor rransmite uma informação segundo a qual os pássaros e os insetos s€ orientam. E por rsso que os estudos de Arqueologia. As oposlçÕes que mencronamos. Algo na psique produz essa inrençào. com uma visào luminosa como teve Jesus. Isso e importante para o artista. mas nem toda infarmaçao é um signo. questao pnmordial.-_---. a oposicào entre cÌaro e escuro .ico precisa. por exempio.código genético e códigos metabólicos. -\las a e1:5ssào coroorai. mas também na esfera das vontades inconscientes.. }las ersa informação ainda não é signo. Os codigos primários nào processam signos. vào até a cire estrutura mats profunda do texto. poÍtarÌto. A informaçào que vem do inconsciente.í-- Existe urn pnncípio de estnrturação que dá conta de como a tnfonnação se estrutura. diversos signos cie cortesia e i€spelto na reiacàc ccm eie.sào portadores de informaçÕes que estão dentro do corpo. Ín^ . a informação binána dos códigos secundários significa muito mars. nào apenas na esfera das vontades conscientes. essa informaçào esú contida no seu código genético. Não se trata de uma simples percepção diante de uma casa ou de um obyeto quaiquer. por exempio. Por exempio: têm a ver com os bons aos maus espíritos.iinog. como já disr Freud. segundo sua estrLÌtura. . primeira.

rnas tambérn em hipóteses. best seller. conceito conotado como negatrvo. muito embora possa ser revertido. Isso significa que tanto no mundo da informação. Tais oposiçÕes binárias domrnam com enorrne forÇa o pensamento da nossa cultura particular e ciesenvolwimento da cultura em seral. amrgolinimìgo. na obserr.|f. mas eie tambem cieve estr. E toda a estrutura dos codigos terciários ou cr:lturais se desenvoiveu a partir dessa oposição básica: saúde/doença. por. A estrutura dos códigos terciários se baseia ern experiênci:rs. iguaidade/desguaidade. . portanto./terra.€xemplo. iiberdadezprisão. reguiamentado p. homem. . Em relação a esta questão específica. revolução/contra-revoiução. um -- Apenas sob a infÌuência de uÍn i-eceptor é que o pio<luior pode se iomar Droduior. direia/ esquerda. a construção destes códigos se dá em oposiçÕes binárias.- Esrnuruna EtÁsrca oos Gáorsss TencrÁnlss.reNçÃo E ciaro oue o receptor tem tambem uma intençao consciente ou inconscrente.Esta binariedade exlste em consonância com códigos também binários. espírito/matéria. no intercâmbio que acontece no mundo matenal. : ./ausência de dominacão . O processo de rnformaÇào unilateral e o processo cle comunicacào sào coisas =-- drferenes. \uma pnmeir-a etapa a informaçào parte do emissor parzÌ o receptor. o slgno e o . Partimos de conceitos desenvolvidos especiaimente pelos russos e pelos esruturalistas do Círcr:lo de Praga. agora alguns pontos desta estmtura básica I_ EIINARIIDADE A estrutura básica dos códigos terciários é. quanto no mundo da ìinguagem.r aberto aos estimulos que chegam 3té ele. urna diferenca ent-r€ o orodutor do signo e c recepior do signo. e e partir ciaí exrsre há um condicionamento da resposta do autor e do editor. prazer/ desprazer.que em úitima análtse significa anarquía. Fu posso. sagrado/profano. ccnvel:ar com alguem que absolutamente nào me ouve porque simpÌesmente nào tem a intençào cie me our-ir. a primeira realidade. céu.ffi rdzcas ot Ssúnu Dt Ct Lrapa . pazJ guerra. No início da cultura humana a oposiçào mais rmportante era vida-rnorte. movimento/repouso. )la dinâmica do processo sígnrco erçr$em eiementos-chaves nos quals se esrabeiecern as reiacÒes.-ação do mundo físico.elos códigos primários. binária ou dual.7 SseRe./mulher.PnÉ-FRrxr rffiE! f. porem. -'io caso de por exempio. da iíngua (códigos secundários). em geral. justiça/iniustiça (justo/injusto) e domrnação.A rx.tvu Evsrnre . Esta concepcào fundamenta-s€ na troca.o$éìc xcerca do quai a rnformacto se retere Existe. Nas teorias semióticas cÌássicas sào sempre rrês eiementos: o interpretante. tanto o autor como o editor r'ào sofrer as influênctas do público. refiro-me a LouTÌan e a RomanJakobson: Apresentaremos. consctente ou inconscientemente. Baseia-se. na oulra dá-se o conlúrio. EIes já conhecem antecipadamente o que o público está esperando.

? _qloÍe é. a aÇào. onde não existe perigo não há sinai. gnta. Daí . III _ ASsIMETRIA A estrutura binána e polar e ciaramente assirnétrica. que se utilizz da magia. Esta é a segunda caracteística dos códigos terciános. não há desafio. E elas surgiram. cada polo recebe um valor. Isso pode se.. EIe sente a perda do prazer de esrar num ambiente intemo e o desprazer de um ambiente extemo. As estruturas binárias funcionam como diretnzes. cotidianos. para facilitar a decisão. e s€mpre o polo negatll'o t a morte) que comemora a vitoria. Depois vem os sofnmentos da fome e o prazer de ser amamenttÌdo. especialmente l.p*É-psrrí ffi tArtt" oe sanximu DA calrair. o compoÍtamenÌo. urna resposta para essa polaridade. 1estruture binaria Desde seu princípio o brnarismo é vaioracio polai-mente. aéreo. enf-rentando as adversidades que 3meaçam ess!. subsidiar a decisão. não podem ser demarcados. como nos mostriÌ a oposição vida e morte. onde opeÍa uma s€gunda reaÌidade. do ponto de visa da preservaçào <la vida. uma situaq:. eia própria. rituais sagrados e profanos. na percepçào comum-. As polaridades também podem ficar evidentes nas situaçÕes de comeÇo e de firn.. a atitude. O póio marcado ou srnalizado negativamente é òercebido ou s€ntido rnurto mais fortemente do que o poÌo positivo' Pofianto.evi-Strauss. A poiaridade existe.lyrx BysÌËr . Isso significa que os conceitc. E ele o inicia nas situaçÒes cie desprazer. os texros cuiturais permitem a eiiminação das oposiÇÕes através de aigu- nas possibilidades de soiução.. como por exemplo quando há uma pedra no carninho. À necessidade de dar vaior veÍii eíÌì prllïÌelro lugar para. realizadas em rituais sociais. \um provérbio do antigo Egito temos um o(empLo: o que xtá acima tamh*n está abaixo.a presen'acào e a peÍínanência.e a vidz. no mornento <1o nascimento. da identìfica-{ primeira possibilidade é a de que as oposiçÕes binánas sào elimrrarias através c. Assim. em todas as culturas o homem aspira Émpre a uma imortaiidade. poíânto. Por que eie grita? Porque percebe a rnudança de arnbiente entÌe intenor do útero matemo e o ambiente extemo. Es'Íta e a assirnetria: . evidentemente. idéias ou objetos que nào possuem seu coÍTespondente póio negativo nào podem ser sinaiizados. poÍtanto. como fazem os )Gtmàs e os pa1és' Os estruturalistas. Por isso. organizada em polandades. a realidade imaginária. instruçÕes para a açào.E II _ PtrILARIDADE dos códigos cuiturars terciários é. O homem. começa a demarcar os pólos binános desde o início da sua existência. nos mostraram que a soiucào p^ra as oposiçÕes assimétricas são concebidas na esfera mítica e ideológica. à vida após a moíe. A vida é. . de situaçÒes púticas da vida.Ersce uÍna ligação necessáÍia entre o céu e a terra. como vimos.of.o cie perigo.f. Um bebê. ariigido no mundo físicc com forças físicas . Todo ser wivo possui uma rendência potencializzda par. ou seja. indicaçÕes. logo a segulr.etivo. mais fOrte qU.como é o caso dos remédios para atrngir a cura - e por meio de comportamentos "irracionats".. e da terra com o mundo inferior. -->_ i .

desprazer. Também em nossos dias vivenciamos tais inversões. naturaìmente. À primeira ligaçào das oposiçÕes binárias se dá. uma patente inversão' ' polaridade são os artifícios da uniig 1-": e9ig::9. Quando tomamos o conjunto bináno terra e infemo.àd. Âssim fechamos rìossas consideraçÕes sobre as quegeì€s básicas dos códigos terciários. onde a terra. . ou seja. lo9_opostos pó1 um elemenro intermediário. issp que aqui acabei de mostrar é charnado de Árvore do foiun<io ou Áwore da Vida. a águia precìsa descer da sua presa (.P1qp1-1xo: ouras soluçÕes p^rz 2. Por exempio: na tríade Ceu. Onginalmente havia duas expressÕes para eia.ro .ssim.rada'ouentão.é". É importante notar que nessa operaçào nào pode haver Sangue. Ele se deita sobre a tera e coloca sobre si uma águia) numa pdsição superior à sua própna. provavelmente. Assim ambém acontece nas siluaÇÒes de transrçao da r.a posição do animal é facrual e miticaí.que para os mrtos indígenas é extremamente Ímportante . O mesmo ocorre com a paiavra amanhecer. com o pesoço torcido.*piã Aa-cÃstãèãõffi-rea-asin'r-fi-ã.-"-: -ç {1 T:d-t-191' A. A. 33m. anteriorTnenie negatl\'a."p.nente superior.. pode ser capturada e moÍTer. temos novamente uma oposlção.i'aã"àg'ti.' À terceira tentâtiva. ìVÍas em relação à uma âguia . a te:rra seriá-ó elemenro de união entre céu e infemo. e com isso a negaçào é suprimida. Isso possibilita que os póÌos possam s€r caÉIcterizados ora f seguncla possibilidade positivamente ora negarivamente. sua egrutuÍa e as operaçÕes de superação- .3". sinfagmas.. o caçador indígena pr€cisa realizar uma inúer(ão das posiçÕes.rras nós encontramos uma árv-ore do mundo ou da vrda.'ida par-a a mone. as duas faces do objeto ficam ciararnente expo$as: o sangue como expressão da rrda e o sangue como erpressào da morte. e que pafl o xarnà são muito importantes o vôo para o aito e a wiagem para baixo'Jgaf Crigo era um :ramã que empreendeu tanto o vôo para o alto quanto a !'1agçÍ!. [oma-s€ o elemento positrïo à vista do infemo..para ^tÍàir ^ a presa. Terra. o pólo negatlvo. muito radical. morte. assim. na tríade.J 1-. intemo. Nossa opinião é a de que os primórdios da reiigião sao xamanistas. -\s opostcoes sào conecndes em sistemas pluricompostos. f 2 invers4o. através dos quais pode-se a. portanto.ssim. no entanto.*. o céu émarcado como posití'i'o o mundo dos deuses imortais) e a tera como negativo ( o mundo dos mortats). não apenas brnános. Estas series positivas e negativas consttóem paradigmas. A inversào oo"po-rn'ersãó. Velamos um exempio <lisso: urn caçador indígena em sua relaçào com a caça situa-se no pólo positivo superior e para ele isso é umâ vantagem. como a que acabamos de descrever.ãr". na úade. Primordialmente as línguas apÍesenta!?m duas paialras para designar o sangue: sangue "r. o componente interÍnediário (terra) recebe ambos os sinais (positivo e negativo). No momento em que a águia esrá abarxo. i. Há. infemo). o que seria uma dewantagem posição para alcançar para eia. na ideoiogia marxista a ditadura do proletariado é conoBda positivamente e entendida como a parteira da sociedade do futuro. E assim são construírlas t-raÍìsiçÒes simbóiicas entÍe o céu e o infemo. ( Quando fazernos uma associaçào binária. Origtnaimente o sangue é negativo. ela sempre estaá acima. de supnmir a polaridads é uma troca ) ) e isso acolltece nas siruaÇÕes em que o negativo s€ toma insuporúv-ei ou insuperár'el. . uma negauva e ourfit positiva. e assim por dianre.ssociar sangue.enga1ada. Em todas as crr/t.{ssim.ivo'' (sangue) e o sangue "morto " (cn-iel).. ] pnÉ-Prrxr lãlEl ffi fates oe Suri'nct DA caLruRA' lY^r EYãrilx^ - 9 e a sulressào çj2 negaçào. pnncipaimente naquelas que passam peio esgoumento cio sangue. um exemplo: nas ditaduras o povo percebe o autontarismo como negativo. iêã. o exemplo do caçador seria um exemplo de inversào. elemenlo associado ao polo negativo.. rnas em algumas situaÇÕes. O mesmo ocoÍTe em relaçào à pesca: o caÇador esÉ actma e o animai abaixo.

a. Vimos que essa estÍutura se desenvoiveu denúo de um princípio inariante para todas as culturas.{ssim. Vimos também que. recebendo o sinal positivo e o sinai negaüvo em reiaÇão aos seus dois pares .prÉ+nrxr tEtt=i lilÊ IEgEI fóntos oE . a mais simples.4. Assim nasc€ a ambi'r. é a identificaçào dos póios.a sua estrutura.gor. apresentando um pólo negativo mais forte do qu€ o positivo. .a NoZ. os s€res humanos procuraram soluÇÕes para essa assimetria.céu e infemo. cie duas oposiçÕes binárias. mas a teÍTa. que recebe o sinal negativo. como podemos observar em Hegei.I tr/g Panre | .a . o caçador c:ìva um buraco e se coloca abaixo da superficie da terra.Souuçóes Stpraóutc. Denlro das oposiçÕes. em geral. pelo fato &ssa estÍutura ser necessanamente ap_img_úca. a partLl. Vamos retomar a.alência de certos conceitos. depositando . o céu recebe sinal positivo em relação à terra. que simboliza a altura. a inversào dos pólos opoÍos: aquilo que estzÌlaì acíma é colocado abaixo e aquilo que estanÍì abaixo é colocado acima. tnciustve na pópria filosofia. Marx.rEA ol EaLntpr . A segunda possibilidade é o encadeamento de oposiçÕes binárias em oposiçÒes piuriartiorladas através da composição de tríades 2!:!_:_t]_çã1 clu/terra e da oposição telrlil&g1o nasce a chamada árvore da vid.Ei. Na úitima aula vimos o exempio do caçador de levi-Strauss: na caça à águia. aiguns exempios desses padrÕes de soluÇào.lvrx eïsrËe . Peirce e Popper. passa a ser ambivalente. a soiução mats radical.ì 0 Auu.. A tríade.a Asstr'rernta Na última aula falamos sobre os có_digqg__qrilurais €.as pan. À pnmeira possibilidade. no exemplo dado. A prcxima possibilidade de solução da assimetria. passa a ter um uso praticamente universal enquanto modelo. Como exempio podemos mencionar uma soluçào encontrada iá no antigo Egito: "O que existe acima também existe abaixo". A terra. foram criados padrões de solução que se desenvoiveram paraleiamente ao desenvolvimento dos próprios códigos culturais. em relação ao infemo passe a receber o srnal positivo diante do srnal negativo do infemo. é a inversão.

Entre os pólos existem.es opostos aprerâneas nas s€ltas. . Mas é pela e>ostência delas que podemos s€parar entendermosoqueéosagradoeoprofano. na maior zonasintermediáriasondeimperamaindecisão-ouaincerteza-eaplunsignificação. como é apresentada incondicionaimente pelos xamàs. e de estar consciente do que fez. corno em Fausto.Quais sào os ao sacrifício e a divrndaneste rito? Os dois pólos podem s€r repres€ntados por aquele que Se oferece cle.ìia cioLmpadorci. intermediários ou meciiadores. às janeia-s de ver não fica restrito apenas às portas: eles rem a ver com todas as entradas de o diabo também apar€ce e às chamrnés. os velhos e arcaicos mitos e ntuais sào reantmados peias cuituras contempoou pa. Vejamos ess€ exemplo: o diabo entra s€mpre peia chaminé'2 que olham para sob a forma de um cão preto. As oposiçÒes parte cia !-ezcs. sendo impedidos de manter _=.2. euando um berbere levanta de manhã p^ía r ao trabaiho. Depois de ter feito isso. portanto. inclusive corn o sangue da menstruacào.No nosso século o homem um pólo do outro e fronteiras. eliminando-as. A án'ore da vida vrncuia regiÕes separadas' viagem ao céu corn isso ela possibitita transiçÒes srmbólicas de um esrágio paÍ? oulro.aplurivalêncialsso provoca conflitos e temores. e uma outÍa vez com o pé eseuerdo. dote e o animai ( ou em alguns casos. para que nào irala sangue..a asstmetna onde os póios sao unidos disrantes umas das outras.I I o seu própno corpo.n1. pólos opostos Também os ritos sacrifíciaìs fazero parte do universo da mediaçào. uÍIla pessozrcomoÍIvlcacaotoci'c pre(oquee simb+ lo de sorte. ele fica atento r'oÌta atrás e pa'ssa porta com o pé direito. entre os berberes do norte da para passar peìa Áfaca.asciassessoctais'ospovos'oS diversos segrnentos da sociedade.. ou mesmo no Novo Testamento na fìgura de Jesus Cristo. o caso uma casa.ítima-devevrncular-seaquemofcreceosacrifícìoàdivindade. em especiai a ()u 30 infemo.e quem oferece o sacrifícro e a divindade. figuras assustadoras.E'por isso que a mediacão fazpeia presenÇa tanto do sacerdote quanto do animal sacnficado' Eles ficam dois mediadores nesra sltuacào: o sacer. Gogoi apresenta caras assustâdoras Nesse simbolismo da lanela nào é apenas a luz que entlzl mas também as da dentro através ianela.pnÉ+Rrxr ItllS lWã t-etEl rópcas ot Siarinct DA cuLÍazA - tven grrrxr . Quando a águla desce pan apanhar 3 lsca' o caÇacior a 3Dann3 e LoÍce o s€u pescoço.oobierodosacrifício-ar. o sacrifício irumano)' x como lnvaflantes.opúblicoeoprivado. Sobre por eiementos Exisre. ainda. que acabamos Tocios esses detalhes reierente aos mitos sào sacraÌizados e ritualizados. -.5<2. ou mesmo simbolicamente sob outras formas. Há.odiâ I de janeirona Europa6 s.e chamrnes. Este é um exemplo de ritualizaçao das zonas rntermediárias' umbém tem a ver com a porïaenquanto zona intermediária. para separar as áreas opostas uma das condiçÕes é o estabelecimento de fronteiras nesta zona constituem em obstáculos intermediária e pengosa. arttplas s€ntam grandes complexos estrutumdos. O amanhecer pode ser visto como ameaçador' por exemplo. um padrao cie soiuçào d.Essa operaÇào nào pode estar iìgada ao sangue moÍro. etc' -. por isso quando os índios dela partrcrpam nào podem ter contato coÍn sangue de nenhur:ra relacÕes sexuais' especie. Tais fronreiras são declaradamente sagradas e s€ tena libertar-se dessas entÍe as pessoas que se situam em ambos os lados.

sob fonna de ritos de intciaçào: o batrsmo. Gl u esrões: ' Sobre a existêncta. Aquele binarismo que para os códigos primários foi essencial . Todas as operaçÒes de que faìamos sâo por nós conhecidas e jâ foram estudadas. o casamento. - oas sicdades escrirâs podc-se rãs8aÍ o que se es€reve e escÍsver rptracnrc). Esta é uma opefircào emrnentemente serniótica que começa a ser investigada pela Serniótica da CuÌtura.boa ou má. o sepultarnento.. por exerÍìpio . Só passçnsic p'ela eçeriêncra diária dui-ante muitos anos é que ela vai compreender que uma :nesÍTÌa coisa. ainda que sob ouras formas. qwe tazem parte cios mais antigos e conhecicios ntos. Também aqui vemos uma semeihança entre a filogênese e a ontogênese. nos encadeamentos binános.a oposição entre claro e escuÍo.tv^r Eysrnfl^ . simbolicamente. como. . funcionam como eiementos de ligaçào dos elos da corrente. de sociedades orais e cscritas A escrìta ou a granrática da linguagem verbai ainda são uma questão de técnica. Estes ritos tinharn sintomaticamente um caúter triádico mágico-rirual. Os ritos cle seDaraçao. uma defesa de mestrado e dotrLorado. que diferencia ciaramente o prazer do Cesp:r-azer. etc. algo ou alguém de um pólo a outro. O mesmo acontece com a criança. Eles pode ser entendidos como mediador muito embcra nào possuam essa intenção ou determinaçào. ritu de margirnlidade e ritas de agregeçao. Somente a partiÍ dos códigos terciários é que surgem os textos culturars.tal como obsenamos no yin/yang ocidental. nas sociedades orais as regras e os regulamentos eram mais rígidos e não admitiam mudanças. passando peia região sagrada e ameaÇadora.só foi possível de ser realizzdo graças à transformação contínua das sociedades orais para sociedades escritâs. reaÌidade esses pólos nào poderiam ser unidos porque nào haveria um mediador. ) PrÉ-PnrriÍ lÊE: lffi rÍáE s DE sürónca DA cuLÍnpa . roas podem existir outras arnda nào investigadas semioticamente. Nos primórdios da evolução humana. por exemplo. A existência de códigos primários e secundárìos nào sào indícios de cultura. é reguiamentada por ::tuais de passagem. A ambivalência só vai surgir mais tardiamente.I Z -\ torca srmbólica cia trontelrâ pode ser confrrmada na antrgúidade peia derramamento de san3re. PoÉm.. Nâ la. sobrevivem ainda hoje. o advento da escrita incoçorou o cntério da elasticidade e da provisoriedade nas sociedades humanai 'Sobre a arnhivalência do mcdiador É claro que todo mediador é ambrvalente porque a sua tunçào é conduzir. pessoa ou atividade podem s€Í ao mesíno teÍnpo . Urn desses casos é aquela que se constitui na constnrçào de uma continuidade progressiva entre os dois poios .ou aÌtemadvamente . dia e noite. Os membros intermediários. -{ rransposiÇào de ironteiras. o homem nào conhecia a ambivalência: aigo era ou nào era.

 matemática é um ciáqsico exemplo de texto racional. assim como uma tabela de horários de trens e o manual de instruções de uso de eletrodomésticos. uma totalidade de textos. realidade. eles podem ser diferenciados facilmente dos textos imaginativos. por exempio na língua. A cultura para nós é um coniunto. o homem soiucionou deficiêflcias: tomou po51ura vertical. mas os gens que vencem a morte. encontramos o que podernos chamar de texro puro: a iista telefônica é um exemplo disso. 'Sobre tipos dc tgxtos Hoje em dia não encontrzlmos tão freqüentemente os textos puros. porque rÈo 1emos nenhuma prova de que isso sela possíveÌ Íìa la. segundo os reguiamentos dos cÓdigos secundários. bio-coçorais ou primários nào sao suficientes para a constituição de signos. \a linguagem retiradas dos paradigmas e arquitetadas em frases. e temos também as monografias. 'r ingrragem. ou seja. sem grande complexidade. Todo texto é um sinagma: a roupa que vestimos é determinada cuituraimente e sua natur€za e combrnaçÕes obedecem a um conlunto de elementos que f?'zem parte. que surgiram mais tarde na história do homem.e de uma gramática.Os paradigmas sào. mitos. Por isso temos os códigos hipolinguais e hiperlinguais. as paiavras sào çào. No que diz respeito aos tsxtos racionais. sào rextos. por exemplo. É' por isso que existem trê: tipos de códigos.Por outr€ lado. culturalmente. Os códigcs rerciários ou cuiturais participarn do processo superpostos aos códigos secundários. portanto. ntuais. com ceraeza podemos afirmar que ali existe muito de imagrnativo e criativo. rie que existe uma forma de vicia qualquer apos a moÍte. 'Sobre o cspztçrr da culnrra O espaço da cultura é o car-npo da sobrevivência psíquica. também culturalrnente. Os signos precisam ser regulamentâdos num outÍo nÍvel. O fato cie que a mofie é mais foÍie que a vida constliui uma assimeiÍia. reaiidade: quando na biologta se afirma. dissertaçÕes e teses. isto é. um sistema de regras de combinaverbal.i-eaÌidade é que a vida pode sup€rar a mo. Somente ern aiguns casos podemos dizer de sobrevivência na la. da vestimenta masculina ou fèminina. São textos claramente instrumentais que dispensam aspectos tmaginativocriaüvos. além disso. Eles são reguiamentados gramaticalmenie e. que nào são os indivíduos. Apenas em textos muito simples. Apenas coín a crizÇào da 2a.PRÉ-Prfxr rãEi ffi razas DE sürírcA DA cttlraPA - lY^x BYsr$rr - I3 'Sobre a superação da morÍe A vida de um organismo piuricelular sempre teínina com a moÍte. Ào desenvoiver seu biótipo. passou a ter um . cultufa e texto culu'rral Uma linguagem compòe-se necessariamente de dois aspectos: o lexicai.1e. Todas as obras de arte. liberou o uso das mãos. somente os códigos biológicos. que no caso da linguagem verbai é o repertório de palavras . Todas as ligaçÕes e vinculaçÒes entre componentes da cultura supõe uma regulamentaçào culrural. etc. a teoria da relatividade. fomecidos de antemào.Quando investigarnos. entretanto. mas isso nào quer dizer que a estÍutura psíquica necessanamente interfere no físico.

P. [J soNx s Os pnmeiros textos imaginativos e criativos que o ser humano produziu e que todas as pessoas üvenciam sào os sonhos. Na sua narrativa. . *. é bem suave. os animais. O sonho do ser humano acontece na fase denominada RE. '\ rnre-ç:: l3:-. . os primeiros seres sonhavam as piantas.qRrE II _ A5 RAíZE5 DA trULTURA Tentamos mostrar. O"_ryt!9q-?"1. mas nào possuem cullura. mas nào f ica limitado a apenas nesta fas€. Em muitos outros mitos da criaÇào a atividade aíííica desernpenha um papel muito importante. 1. . duas esferas sao subumanas: o sonho e o jogo ou bnncadeira. por exempio.^ncrnrí/ì. Os pnmórdios da criação. alìmentar. o som é mais fraco. o latido. Javé. até certo ponto. mas naturalmente nào temos acesso ao conteúdo destes sonhos. sem as màos.! 4 ::ìeco exlÍencial. nrtidamente um fenômeno psíquico. os seres adquiriram corpo. morder. nào é possívei cnar segundas realidades.\ segunda reaiidade e. como uÍna cura Dar? : ::::avì<pnnirl I cam.r. Àí o homem cna a s€gunda realidade. As demais esferas surgiram no âmbito mesmo da cultura. mas estas íunÇÒes eiementares aparecem enfraquecidas.qlg:!fm ? _g^^"d:*11fluê1gia que o sonho tem sobre a cuirura. é o póprio momento da criação de tudo o que existe. uma vez que foi constatado que também outros mamíf'eros sonham na fase RElVt. é designado por esses aborígenes como o "Tempo dos Sonhos". Jâ foi comprovado que o recém-nascido sonha muito. A partir dos desenhos na rocha. ate aqui. Isso nào e privilégio <Jo homem. Os anirnars têm suas iinguagens. materialidade. pois. é apresentado como um escuitor que dá forma à matéria-prima retirada da terra e com o seu sopro inieta alma (espÍrito) nessa matéria. portânLo..q. !uiirii utu* 2pOS O nescime:-:: linguagem.\Í do sono. coÍrÌo se estruiura a cuitura. o sonho exeÍce o papel de criador. a PnÉ-PRrxÍ |Frc ltE rdpEse oE SüttiTEÀ DA CaLraE - ry^ri SrsÌÈr .?. suavizadas. Sem o aparelho Íonador.. E entre os mamífèros 1á é possível. Existe um mito coínpaÍtilhado por aboúgenes ãü"úiiã"".^â. Não se pode enrar em comunicacao com esse nír'eì de realidade sem o suporte físico da produção de signos. NÍas temos também que considerar que todos os processos psíquicos sào produzidos matenalmente no corpo.lin ütt14 inr-an14n i4luid. aigo que não conhecia quancio vivìa protegido peia floresra. *< saazrnas trouxe.. por exemplo.Àoào Ëni naácnÌ^ idiitU. 'rmâ iilçLriçév r. quando todos os ser€s surgiram. Na sua origem. -. Nele. depois desenhavam seus sonhos em rochas e lhes davam a alma. evidencia a força criativa do sonho. constatar qual o conteúdo desses sonhos: o cào que dorme most-ra no sono comportamentos como correr. a necessidade de solucionar o medo através de suas própnas caSac-câ:Ë> psíquicas de engrendrar soiucÕes.

ií: :"nhecida-a relãêã" --""reo deus cla morte. porum lado.-grypqrtrmenro -fr-rnçào especial: o aprendilaclo.. especialmente quando acontece um sonho assustãdor. nos momentos em que s€ exige pronttdào para a aÇào' o inrerrompe abrupamenre.:--: :rmào gêmeo de Tânatus. um palco . porque eie sabe até lúdica e onde corneÇa a realidade cotidiana.' lúrlico po<Ìe Ér enconrrado umbém entre animais. em vid. Ieva. eÌa nao conregue separá-lo da realidade. não requer mediação.á é previsÍvel rìas regras daquele jogo específico. \a cntogênes€' a cnanca rrprenceu pouco a pouco a cliferenciar o sonho da reaiidade. a realidade interior está ligada à reaiidade exterior. E somente dentro desses espaços é que o iogo goza de seu pleno significado. o mesÍno ocoÍTeu na filogênese da humanidade: sc. \a mirologla grega. nos devaneios. A criança c o mernbro de uma sociedade primitiva sentem-se atraídos peio seu caráter mágico do jogo. Se não pudesse delimitar tais aonde 'ai a realidade front€i!-as. os . um ringue.r IHIE fftfr ra"r"a" ot sanpnu Dt cuLneA- tvlr gvvrrç. Provavelmente. Esse rrrundo de fantasia e reai parà 3. e suPre necessidades. Para o pequeno. prÉ-Prfr. Há também os jogos de representação. rardiamente o homem passou a distinguir as duas reaiidades. paraa^ descoberta de áreas desconhecidas ou ao brinquedo.. por possuir características úo peculiares. ao colúárioì o s€Í humano apècia o logde as brincadeiras até o fim de sua vida.'. de ceÍta tbrÍrÌa. Xenoionte acreditava que a alma estaria mais lirre Ílc >. o ccmportamento lúdico é restrito a um tempo e um espaÇo limitados. n J. Essa curiosidade.s. aìém de facilìtar sobremaneira o aprendizado.rãã infâncra. . pode-se também lcgar ou brincar no tourada pode sa6 dos iimites da arena e ganhar as vÍas púbiicas mas. não poderia s€quer jag?. Entre os setes hlrmanós o logo nào se"'lirnfta*ãpêõas à on. numa época especial do caiendário- .. até a moÍte. As estruturas básicas do sonho s€ r€Detem.r . PoÉm. quando jogo se situaçÒes de importância vital. um campo de futebol. e podernos supor que. Hipnos. mes o logo entre eles' 9_. o fogador diferencia os vários pianos da realidade. Como uma das molas propulsoras da atividade do ser humano o exercícío iúdico laz parte da procura peio novo. e lnvanante. Numa srtuaçào de jogo. O comportamento de logo tem aivo própno. Entre os povos Dnmli:\'. o compoÍamento cognitivoEntre os animars podemos distinguir clois tipos de jogos de movimenlo: os jogos de luta e os :r màe cuida do filhote" Porém. Xenofonte acrecl.J . o sono é o Ínomento trtats proximo cJe morte' Em cuaieueÍ xamanismo existem as r iagens pare outros nìundo.-: que. Isso significa que já entre os animais o jogo possui um status diferente de reaiidade. etc. nas fantasias da vigí1ia. cflzlnca.Í.. à imitaçào. ao menos em pane. nas logos de fuga. esse exagero . o cìeus Go SCr-C. paÉ ele. "ilirnrEdo' tsnlo quanto S€ consegue. i\{as.ogos têm a finalidade de nos ajudar na adaptação à reaÌidade. ligada à mimesis. a pslque iicana mais livre aÌnda cotn a rnorte.Uma Natur-almente.s -:-' sonho.] 5 : -\ essênc1a oe todos esses rnttos é sempre a mesmx. O jogo se situa no ìado de fora do processo da libertação direta. ele interrompe o processo normal da vida. sono e morte..a.

nem precisa teÍ a conformação de uma boneca. teatro.rin f. pode ser até mesmo um pedaço de pano.d" essencialmenre pelo /a . --. presente em geÍrne. 1â estâ ''../'.i-s"?g.{s seqüências Émpre sào formuladas explicitamente em todos os iogos.t . Ob. é possível compreender isto quando vemos que as crianças dào qualidades irnagrnativas a obletos inanimados.urnlS . trÍas rambérn existe liberdade paÍa a atuaçào livre. A boneca. a da se$nããreãfiffi-éãmaror arnda do qr. As crianças fazem desses materiais portadores de desejos e fantasias' O mais destacado autor que escreveu sobre a atividade iúdica. Porem. diwersidade à primeira reaiidade. -\ -" e i""aiil. Depois que e cultura se constituiu. mascaradas. torneios. os jogadores. Jogo e seriedade nào s€ !ì_lgg"_!19g9u'e uma rransicao volunúrra pa. precisa t-azer Cescoi. seus mais influentes t'atores.le a da pnmeira.etos da pãrneià êalidade sào colocados na segunda. sob a influência da imaginaçào. ou u'ìl'enulr. jogos de erudlção. o jogo se tomou . . o que taz ern irnprovrsaÇão !il"re.A pluralidade.PnÉ-Pnnr l6rÉ ll[Ë rriees w Sanxímu ttlrlEl DA EuLíuFA . embora a rzzzo rambém oaÍticiDe ativamente. os papéis nào sào desempenhados apenas de forma ficçional.". d:s açoes num jogo nào são prea'rstâs em detdhes. eìas Ìhes sào atrìbuídas ficcionalmente peics jogadores. . etc.-n/' I . mas são combinár'eis com reiatila iib€"rdade.. Huizinga acha que as grandes atividades originats da especie hurnana sào todas entremeadas com o lúdico.--'- . por exemplo. O cineasta de um documentário. o pràzer de jogar.ti''itã4. Junto com Cailois. gT*?T-?f1 g um _sgnho ou. \'etnos. deìimitam-se espaÇos nos quais passam a vigorar regras extÍemamente rígidas. uma resposta livre dentro de deterrmrncl"s regas e obedecendo a certas ironterr. o Jogo é aquela atividade na quai a vida cuiturai / G| uEËï-É_E-E_1 . Nos jogos em que as regias sào explícitas. e que devem ser observadas pêlos participantes. mas também com prÀzer. .7't'4 A segunda realiÇÁe é um i"gg. ela é um acéscüno 'Sobre @ào e cultrra A cuitura nào e t-anlo uma questao cie razAo.rs. camaval. r\ cnança que brinca de màe com a boneca o faz sem regras previamente definidas.ertas a paÍtr de um obJeto de regras t-txas. o átrndo em tomo é concebido de rnarreira diferenre. mas é-tãiúicr"ãããi Quandó se loga.tvn BYgrnrr . nem a segunda realiciade. O jogador sabe perfeitamente que a realidade do dia-adia nào contém tais regrasAs regras. À criança se entrega à situaçào lúdica. Ao lado do sonho.\ quantidade das atividades de tipo lúdico não ó dificllmente mensuúvel: esportes. como esses obletos nào possuem cert^as propnedades pera responder ao novo estâtuto.rà excluem ãècididameãte. e o fzz improvisadamente. Eìa se coloca em um papel. balé. Assim. dança. circo. por exernplo. Isso enge do logador ume pertormance engenhou e criattva. cuja característica essenciai é o afeto."t-"1'o''/d^"íl " Sobre crrltrrra e togo *" a. poÍ€Ín.'l 5 À deìimitaçào entre jogo e rcaiidade diária tem ràízes protundas na cuìtura. \a verdade. Para a convivêncta diária.a' .// t :.. assun.r* d. pantomima. livremente. iogos de luta. que o jogo e a arMdade Ìúdica Se formarir a paÍtiÍ da necessidade de encontrar.-/â . é o Huizinga" Ele vê a cultura inÌrrnsecamenie ligada ao jogo.

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