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ÉTICA PASTORAL

Biblicamente não existe a possibilidade de que uma igreja local seja administrada por
apenas um pastor, a não ser apenas nos seus começos. A ordem novotestamentaria está
no plural “anciões”. Como a Ética Pastoral é válida para todos eles, nesta Matéria nos
dirigimos em singular a todo líder ou servidor da Igreja, como “Pastor”, até mesmo os
diáconos, ainda quando algumas recomendações pertençam somente aos ministros do
pentágono bíblico.

Falamos em ministros; se a esposa não for ministra, o ser esposa de ministro já é o bastante
e digno. E também a menção é aos cinco ministérios de Efésios 4. 11 que já sabemos,
todos eles podem pastorear o rebanho local do Senhor Jesus.

Numa igreja grande será normal designações como “pastores” a líderes de crianças,
adolescentes, jovens, mulheres, homens ou empresários, entre outros grupos integrantes
da Igreja. Mas isto não é o recomendado biblicamente. No Novo Testamento só existem
os cinco [ou quatro, para outros] ministérios de liderança da Igreja Local.

A Bíblia nunca tem algo para as denominações ou qualquer outro modelo de “igreja”
como os “ministérios” e as “comunidades”. Tudo o que ela estabelece é para a Igreja na
sua dimensão local [uma cidade = uma Igreja], ou universal.

Sobre estas bases a presente Matéria desenvolverá a Ética Pastoral.

Todo Pastor ou Pastora ou Líder de crianças, adolescentes, jovens, mulheres, homens,


empresários e profissionais liberais, músicos e adoradores, células, congregações,
convenções e diretorias eclesiais ou paraeclesiásticas ou relacionadas, como capelães,
dentre outros, deve poder compreender apropriadamente:

O uso apropriado do tempo; a importância da confidencialidade; a importância de


falar com honestidade e não prometer; a importância de definir limites para a
consultoria pastoral; o como tratar com as pessoas do sexo oposto; o como ser
responsável consigo mesmo, com a família e diante outros; como ajudar às pessoas
a enfrentar dilemas éticos nos diversos campos da vida social; como ser um
embaixador de Cristo exitoso, excelente e solidário; como ser um missionário
adequado; como servir como presbítero; como liderar grupos na Igreja ou
paralelamente a ela; e como dar sem ser abusado, e receber sem abusar; como
festejar vitórias e como admitir derrotas ou fracassos, etc.

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Estes são os principais itens que trataremos nesta Matéria. Tendo em conta também, que
todos os cinco Ministérios de Efésios 4. 11 são pastores na essência, por tanto, se requer
de todos eles em especial a mesma Ética e também dos aspirantes e os pastores “de facto”
na liderança de áreas de serviços da Igreja:

ASSUNTOS ÉTICOS NO OFÍCIO PASTORAL

1. O tempo do pastor

Na maioria dos casos, o pastor lida com um tempo misto entre o ministério e o trabalho
secular. Isto, naturalmente é uma desvantagem para ele e para a sua família e para a Igreja.

Existem várias razões para que a classe pastoral tenha chegado a este estado, o qual não
temos como mudar, mas sim como adaptar-nos nele. Este trabalho não é especificamente
sobre a temática, que requer uma monografia bem mais extensa e completa, abordando
aspectos tais como o sociológico, o político, o trabalhista, o ministerial propriamente, o
denominacional, entre outros. Aqui só estaremos estabelecendo a melhor ética que
consideramos apropriada para todo servidor full time ou part time na Igreja:

O aspirante ao ministério deve poder discernir a classe de ministério com respeito ao


tempo recebera do Senhor, se de tempo integral ou de tempo parcial. Em tanto e em
quanto ele não tiver absolutamente definido isto, sempre será medíocre ou carente em
algo.

Se seu chamado for para tempo parcial e ele decidir cumpri-lo em tempo completo,
sofrerá à toa e levará à sua família e comunidade a também sofrer em vão. Se o seu
chamado for para exerce-lo em tempo completo, mas ele o desenvolver apenas num
tempo parcial, a mesma coisa; não fará bem nem uma coisa nem a outra.

Entretanto, a maioria dos novos pastores estão cometendo um grave erro; o de abandonar
suas profissões ou ocupações seculares para se dedicar em tempo integral ao ministério.

Nenhum chamado ao ministério deveria fazer isso sem antes compreender


adequadamente o seguinte, como mínimo:

1. O Plano Eterno de Deus: Que Deus planejou de eternidade para eternidade;


2. Que é Obra de Deus: Diferente de nossas obras;
3. O Ministério único da Nova Aliança: Tudo o demais deve decorrer do Ministério
do Espírito;
4. A Igreja: Em sua essência, conteúdo e dimensões;
5. A Unidade Cristã Local: Minimamente começar pela unidade ministerial
denominacional ou de organização; nunca se largar sozinho;
6. A Mancomunidade Ministerial: Ter com quem dividir ganhos e perdas;
7. A Mutualidade Ministerial: O mestre, o pastor, o evangelista e o profeta sujeitos
ao apóstolo. Todos eles interagindo necessariamente. Cada um respeitando os
outros ministérios e utilizando-os constantemente, muito mais o apóstolo;
8. Suas responsabilidades consigo e com a família;
9. Haver adquirido uma Missão: Exemplo: à Capelania; ao pastoreio de pastores;
evangelização fora da congregação; apostolicidade; e mestrado do mestre. Nunca

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o Profeta deve andar em missão; sua atividade sempre é local no Novo
Testamento, não assim no Antigo.
10. O Ministério de tempo integral nunca deve significar salário. Esta questão merece
outro trabalho bem mais detalhado, mas, o chamado de Deus para o ministério se
baseia principalmente na entrega absoluta do servo, custe o que custar e no dever
da Igreja em Gálatas 6. 6 e 1 Tm 5. 17, 18.
11. A Igreja não deve ser tratado como empregadora de nenhuma maneira. Nunca o
pastor deveria falar como Davi no Salmo 142. 4, tendo em foco à comunidade,
congregação ou Igreja: “Ninguém se preocupa comigo. Não tenho abrigo seguro;
ninguém se importa com a minha vida”.
12. O caminho do pastor de tempo integral é na canga juntamente com outros pastores
em igualdade de autoridade para poder se ajudarem apropriadamente, e confiar
um no outro.

O Pastor e a Igreja devem compreender que o trabalho específico do Pastor é apascentar


as ovelhas do Senhor; não gerenciar e administrar como se seu cargo fosse uma empresa
ou governo civil. Todo líder é em alguma medida um pastor; só que para chegar a ser
genuinamente designado Pastor da Igreja, o aspirante deve crescer em sua prática desde
o seu lugar natural. O único pré-requisito para pastorear é amar ao novo igual que aos
velhos (João 21).

A principal atividade de quem quer que pastoreia na comunidade-igreja ou fora


dela, é, segundo as nomeações que nos precedem:

Pastor-Pastora: Amar (que implica principalmente cuidar os diferentes);

Líder de crianças, adolescentes, jovens, mulheres, homens: Amar com conhecimento


da área, e acima de tudo, sendo exemplo na área;

Empresários e profissionais liberais: Amar com conhecimento da área; também de leis;


de economia e com alguma experiência no campo;

Músicos e adoradores: Amar numa vida de extrema piedade e devoção a Deus, privada
e pública igualmente, prioritariamente, e habitar em plenitude os Salmos
permanentemente, e secundariamente ter conhecimento da área técnica pública;

Líderes de células, congregações, convenções e diretorias eclesiais ou


paraeclesiásticas ou relacionadas, como capelães: Amar conhecer a área, ser exemplo,
com experiência de vida, quase no nível do Pastor ou da Pastora designados para a Igreja;
pois, se deve considerar que pastorear em qualquer uma das áreas mencionadas
previamente ao pastorado designado pelo Senhor, dono da Igreja, é necessariamente os
degraus que descrevem o crescimento espiritual e geral do aspirante.

Lembre-se que já ensinamos que os três passos para chegar a pertencer a um dos
ministérios de Efésios 4. 11 são: chamado, ungimento ou autorização espiritual ou de
créditos, e finalmente a designação da parte de Deus segundo o processo que cumpriu
Jesus para ser a ser reconhecido Cristo e Senhor em Romanos 1. 1-4.

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Que tipos de trabalhos se incluiriam debaixo do rótulo de cuidados?

Alimentação Espiritual: Se Jesus não se tivesse cuidado na terra, tivessem lhe matado
antes do tempo predeterminado por Deus. Em várias ocasiões ele se escapou dessa
possibilidade, porque discernia os tempos. Por um lado, nenhum pastor precisa morrer
pelas pessoas, porque Jesus já o fez e agradou ao Pai completamente, destruiu ao Diabo
sentencialmente e resolveu nossa dívida para com o Deus Justo definitivamente. Por
outro, todo pastor deve imolar-se constantemente pelas ovelhas do Senhor (Cl 1. 24). Para
a salvação das pessoas, nenhum ser humano pode deve ou resolve morrer pelos outros.
Pela santificação e a perfeição do salvo no Corpo, ainda cada servo deverá se derramar
em libação por ele e a Igreja toda.

No exemplo de Cristo vemos a importância de discernirmos o tempo. Que o pastor morra


pelas ovelhas de Cristo, envolvido completamente pela vida de consagração, santificação
e maturidade delas depois de haver gastado toda a vida em cuida-las; não antes. Enquanto
vive para servir, deve cuidar sua vida como Jesus, e por vezes até fazer de tudo por escapar
do homicídio ou de mortes por descuidos, ou estafa no serviço.

O tempo dele é servir às ovelhas do Senhor, e para tanto, deverá zelar por sua vida e seu
bom viver como exemplo; não necessariamente em conforte ambiencial senão em vida,
exemplo e saúde integral. Até mesmo porque a principal característica e o principal
trabalho do Pastor deve ser o de ALIMENTAR ÀS OVELHAS, no espiritual. Mateus 24.
45-51.

Pregar o Evangelho: O segundo trabalho em prioridades do Pastor além da “alimentação


espiritual das ovelhas”, é o pregar o Evangelho para marcar território. Pastor que não
prega o Evangelho constantemente na congregação e em alguma forma também na
sociedade, abandona as ovelhas a serem presas fáceis dos falsos e a voltarem para o
mundo descuidadas e sem orientação. O Evangelho é o divisor de águas entre a vida de
uma ovelha perdida e a mesma ovelha, já achada e recolhida para a vida da Igreja.

Discipulado: A terceira prioridade trabalhista do Pastor é o Discipulado. Este não deve


estar no lugar da Alimentação Espiritual senão somente em terceiro lugar. Jesus chamou
a doze “para estar com Ele” (Mr 3. 13), e só então depois de um tempo com ele os enviou
a pregar o Evangelho e a discipular.

O Eclesiastes nos afirma que comer é um dom. e é mesmo, mas espiritual, porque quem
mais tem esse dom é o crente, na verdade. Mas precisamos vigiar para não dar mais
importância ao comer e beber físico que à alimentação espiritual genuína. Valha-me a
ironia!

Curar e Libertar: O quarto trabalho que contém a característica pastoral de cuidar às


pessoas é o de curar e libertar. Curar quando adoecem ou se machucam; libertar quando
desobedecem e se metem no que não devem.

Sarar e Ativar: O quinto serviço que implica cuidar as ovelhas de Cristo é o de sarar e
potenciar. Como a um doente na família. Os pais o curam e quando o certificam adequado,
e com a situação resolvida e tudo harmonizado de volta na vida de um filho, logo o
potenciam ao trabalho, à ação talvez gradualmente, e com muita motivação.
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Quem pastoreia pessoas como ovelhas têm tanto na lição dos rebanhos de ovelhas quanto
na lição da família seus principais referenciais para saber como manter uma ética coerente
e concordante com a sua função, sem ir além, e sem ficar aquém.

Não se pode ser bom pastor e na mesma vez um excelente diretor executivo nem muito
menos “dono de igreja”. Ou pastoreamos, ou passamos a fazer parte de uma diretoria,
mas nunca a comandar a Igreja ou setor de serviço da Igreja como donos dela ou do
pedaço.

O sistema denominacional é espúrio ao Novo Testamento e incompatível com o


ministério pastoral. Como todos os departamentos de uma Igreja Denominacional
organizada se entrelaçam multiplamente com especialidades e afazeres mais do tipo
empresarial ou de instituição associativa, os “pequenos” pastores de áreas que não ainda
chegaram ao patamar de poder ser designados pastores para o quadro de Efésios 4. 11,
devem se ocupar ademais das ovelhas nos parâmetros de cinco afazeres que
correspondem ao apascentamento que acabamos de descrever, também da parte técnica
que é a parte não pastoral, indefectivelmente.

Como sempre, o conteúdo desta Matéria também se limita ao ensino bíblico para a Igreja
no modelo de Cristo Jesus, o Dono, Senhor, Noivo e Esposo, e por esta razão abordamos
antes de falarmos da Ética Pastoral, os tipos de trabalhos se incluiriam debaixo do rótulo
de cuidados pastorais. Uma vez esclarecido isto, agora vamos a nos abocar a diferentes
aspectos da Ética que os que pastoreiam, sejam designados, aspirantes ou apenas líderes
de áreas devem manter no seu serviço. Esta parte não será exclusiva para o Pastor-Pastora
senão geral, mas cada servidor deverá descobrir o quanto lhe atinge para se apropriar
validamente do ensino:

2. A confidencialidade do pastor

A o longo da história a Igreja tem adjudicado um grande valor ao segredo do


confessionário. Não adianta ficarmos criticando aos católicos, quando na vida das igrejas
evangélicas a prática de confessar pecados e pedir conselho aos pastores e até a outros
irmãos não líderes tem tomado proporções enormes, ao ponto da banalização da prática,
com seus inerentes perigos. Alguns líderes disciplinam a prática à sua exclusiva
incumbência, e outros a descentralizaram para as células de discipulado. Ambas as formas
não são bíblicas. A expressão “uns a outros” não quer dizer precisamente nada disso.

O ensino apostólico para os judeus recém convertidos, de Tiago Apóstolo mostra como
“os anciões” [em plural] representam à Igreja quando o caso é de um irmão enfermo que
ficou em cama e não pode se reunir com os irmãos publicamente (5. 14-16).

O ensino de Jesus em Mateus 18. 15-20, quando a Igreja não tinha sido ainda lançada,
mas, aproveitando que no capítulo 16 Jesus havia acabado de revela-la, evidentemente
não se refere à Igreja revelada e ainda não gerada, posto que nesta os gentis são recebidos,
e aqui quem se negar ao confessionário devia ser tido por gentil. O contexto aqui é uma
reunião de judeus em preparação para o advento da Igreja; no caso, os discípulos, que
todos eles eram judeus. Na passagem claramente se vê que se trata de um tempo de
transição, posto que aparece o Pai nos céus respondendo, e o Filho na aterra, e a reunião

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é de dois ou mais discípulos com Jesus presente, o que qualifica o grupo para ligar e
desligar, conectando esta frase com a de Mateus 16. Na sequência se vê que como nos 15
e 16, tratava-se de um pecado pessoal. Precisa-se entender que no Novo Testamento
existem cinco classes de pecados, e aqui a referência é a uma dessas classes unicamente.
Para ser mais claro, o tratamento aqui está em primeira com a segunda pessoa e não na
terceira pessoa.

Contudo, os pastores mais que ninguém, já que aqui a mensagem fora entregada aos
discípulos de Jesus, são os autorizados a resolver tais questões entre dois irmãos ou entre
um deles e um dos líderes, ou ainda mais, entre uma terceira pessoa em relação com a
Igreja como em Tiago, porém, a Igreja localmente unida e um único presbitério.

Nenhum pastor pode tratar nenhum caso de conflito ou ofensas fora do padrão
estabelecido aqui por Jesus e tão verdadeiro que os apóstolos o aplicaram na parte das
testemunhas até para tratar os casos de pecados de um dos anciões em destaque.

Paulo Apóstolo explica isto em 1 Timóteo 5. 17-21 aplicando a norma judaica das
testemunhas a o caso de um “presbítero” que peca publicamente, e não a qualquer outro
caso. Se a menção aqui é a um presbítero, recomendada ao presbítero Timóteo,
claramente se deduz que o tratamento deve ser o seguinte, no âmbito da confissão:

Antes de mais nada, aos presbíteros, quanto mais excelentemente desempenhem suas
funções, e no caso, se duplicam ministérios, como muitos pastores são pastores-mestres;
alguns profetas são profetas-evangelistas; e todo verdadeiro apóstolo é também profeta,
evangelista, pastor e mestre, se deve honrar multiplicadamente.

Em seguida, se contempla que o presbítero Timóteo não deve aceitar acusação contra
outros presbíteros [em igualdade de autoridade, por ser parte do mesmo presbitério].

Em terceiro lugar, se um dos presbíteros pecar, o presbítero enviado e autorizado pelo


apóstolo deverá repreende-lo diante de todos, porque o pecado já virou público; senão,
seria uma crueldade inusitada e espúria na Graça. A posição dos anciões é pública, e a
sua influência é massiva; por tanto, qualquer pecado que vem à tona publicamente, deve
ser tratado da mesma maneira, a fim de que ninguém se sinta liberado a pecar e sim tema,
fazê-lo, posto que até mesmo o seu líder que pecou não foi poupado.

Em quarto lugar, aqui na BKJ diz “aos que vivem na prática do pecado” e na VRV
española diz “aos que persistem em pecar”. Enquanto o pecado de um presbítero era
privado, ninguém devia saber; a Igreja não tem nenhuma autoridade para requerer saber
e muito menos tratar e decidir sobre o tal, senão somente em privado no Presbitério. Mas
quando a pessoa permanece no pecado ele se torna público, e é nesse momento que o
presbítero Timóteo devia pedir o testemunho de duas ou três testemunhas do povo para
tratar publicamente o caso, começando com a repreensão.

Em quinto lugar, no versículo 21 em que Paulo se refere a ele, utiliza a palavra


“solenemente”. Se Paulo fala a Timóteo solenemente, conclusivamente está
determinando a seu jovem discípulo agir da mesma forma: “Formalmente; de maneira
solene; em que há solenidade ou formalidades; que segue regras estritas: o evento foi
apresentado solenemente pelo secretário; vestia-se solenemente”. Outro sinónimo da
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palavra é “gravemente”, cumprindo regras estritas como num velório, e não festejando a
queda do companheiro ou aproveitando para ameaçar ou se gabar como o que seja melhor.
Esta palavra também mostra a restrição do tratamento do pecado público de um líder, que
não aceita ser ajudado, ou nega o pecado, ou se justifica requerendo juízo para outros, à
privacidade do ministério e a cargo de somente um deles, como nas cortes de Justiça de
hoje, que pode ser decidido em acordo, segundo cada caso e não no formato de
presidência que corresponde às empresas e não a um corpo espiritual.

O Ministério da Igreja Local deverá se certificar qual é a lei que vigora neste quesito da
confidencialidade, o sigilo e os limites das confissões, pois, alguns países o legislam, na
maioria dos casos, as conversas casuais no estacionamento da igreja ou na reunião de uma
comissão, não estão contempladas baixo as restrições legais de confidencialidade Nos
Estados Unidos vários estados tem tratado de proteger a responsabilidade dos ministros
para guardar o secreto de certos diálogos, onde se lê que o ministro ordenado «não será
obrigado» a revelar uma confissão ou confidência que tenha que ver com o seu trabalho
profissional. Desde o ponto de vista destas leis, o pastor pode ter violado a
confidencialidade se compartilha a informação com o seu cônjuge sem a permissão da
pessoa involucrada.

A confidencialidade pode se converter em um dilema ético para o pastor quando as


pessoas precisam ser protegidas por razões de segurança. Quando uma pessoa ameaça se
suicidar ou matar a alguma outra, o pastor necessita tomar providências para proteger às
pessoas que estejam em perigo. O ministro deve intervir a favor de quem são
especialmente vulneráveis -os anciões, os indefesos e as crianças. Vários estados e
municípios locais requerem que o pastor informe até a suspeita de abuso infantil. Algumas
vezes o ministro deve tomar a difícil decisão entre manter a boa vontade de um adulto
abusivo ou resgatar a alguém que é incapaz de se proteger a si mesmo. Nestes casos,
necessita responder ao bem maior ou mais alto.

Também se deverá distinguir confissão de atos, de confissão de sentimentos,


pensamentos, propósitos e vícios. Ademais, o conselheiro deve perceber
psicologicamente se o confessante realmente está tentando se ver livre de um mal, ou o
faz por outros interesses, ou falsamente.

Caso a confissão envolver um terceiro, o assunto deve ser como mínimo compartilhado
com um dos pastores oficiais, ou até mesmo transferido ao Presbitério. Sempre será
importante que o compartilhar seja feito ao Presbitério e não somente a um de seus
pastores, pela sensibilidade do caso, e também porque as decisões como as seguintes,
devem partir dele e não de apenas um dos pastores, se a intenção é a de ajudar de verdade
e prevenir.

Ao Presbitério e nem à Igreja compete sentenciar judicialmente nada; por tanto, a decisão
por entregar a alguém à Polícia ou à Justiça deve ser decisão acordada e no Espírito, e
ainda, tratada também com o confessante antes, ou depois.

Ainda, o pastor precisará tratar de obter a permissão de seu aconselhado para contatar às
autoridades, convenientemente.

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Sempre será bom que o pastor faça a seus aconselhados assinar um acordo prévio com
passos específicos a seguir, onde o confessante tenha a liberdade de desistir no caminho
ou de cumprir certas partes, a fim de que o confessor possa ficar libre de qualquer perigo
pessoal não contemplado nas leis e imprevisíveis.

3. O pastor deve dizer a verdade a um terceiro que seja parte da confissão?

Na Matéria sobre princípios de Cuidados Paliativos desta Faculdade, tratamos sobre o


enfermo terminal e o enfermo em fase terminal, e seu núcleo mais íntimo de
relacionamento. O princípio para o caso de enfermos de câncer ou outra enfermidade em
estado terminal ou crítico, vale para qualquer outro caso de risco que o confessante
apresente diante de seu confessor.

A perícia no tratamento confessional deve primar, porque o aconselhável sempre será


ensinar às pessoas enfrentar os problemas e não nega-los ou reduzir a sua realidade, seja
necessário disciplina ou castigo ou cuidados paliativos ou acompanhamento e vigilância.

4. O pastor e os limites no consultório:

Pelo fato de que o pastor é também um profissional, lhe corresponde definir os parâmetros
e fixar os limites para sua atividade de consultoria, aconselhamento e cuidados. Será
apropriado definir tais limites e regulamentos antes mesmo de começar a atividade. A
seguir enumero os limites por tipos:

De Lugar: Sempre melhor num lugar específico como Gabinete Pastoral, sem portas
laterais a outras dependências que possam gerar preocupações na pessoa que busca ajuda.

De Contato Físico: As interpretações dos contatos variam, não apenas por assunto de
preferência pessoal, senão também em função de normas culturais. “Todo cuidado é
pouco”, mas sem paranoias.

De Emoções: Quando de uma aproximação e manifestação ainda que sutil de emoções do


consultante para com o seu pastor conselheiro se trata, poderá haver transferência de
espírito, o que é um perigo grande para qualquer um dos lados. O pastor precisa vigiar
muito suas próprias emoções e estar atento às da pessoa que busca ajuda, supostamente;
pois, nem sempre isto será verdadeiro.

A chamada contratransferência se dá quando é o conselheiro que se vê vulnerado


emocionalmente diante do aconselhado. Reconhecer os perigos é o primeiro passo para
esquivar qualquer enredo e vulnerabilidade.

Tendo em conta que hoje, como nunca antes, a atração sexual não se dá tão limitadamente
entre pessoas de ambos os sexos, senão também entre pessoas do mesmo sexo, e as valhas
morais tem se abandonado e quebrado tanto, que não se respeitam a idade nem os limites,
e tampouco a nossa influencia social e o impacto negativo que se fere ao Corpo de Cristo
diante da sociedade.

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5. O pastor e os problemas económicos:

Não podemos nem devemos trazer para os nossos dias modelos do Antigo Testamento.
Veja o que diz Paulo em 2ª Coríntios 10. 11: “Ora, tudo isto lhes sobreveio como figuras,
e estão escritas para aviso nosso, para quem já são chegados os fins dos séculos” [ACR].
” Essas coisas aconteceram a eles como exemplos e foram escritas como advertência para
nós, sobre quem tem chegado ao fim dos tempos” [NVI]. Tudo quanto está no Antigo
Testamento nos deve servir de EXEMPLO e ADVERTENCIA, mas não MODELO.E
ainda em Colossenses 2. 16-23 Paulo mostra que as regras que estavam tentando impor
nos novos salvos eram vãs, e as chama sombras da realidade. João em 1. 17 diz que “a
graça e a realidade vieram por Jesus Cristo”.

Quanto ao dinheiro em si, Jesus adverte contra “o engano das riquezas”, mas não contra
as riquezas. Também mostra que ainda quando os ricos podem ser salvos, porque a
salvação não depende do homem, de seu estado, de seu dinheiro, lhe seria difícil herdar
o reino dos céus que é o Milênio.

Já Paulo fala no “amor ao dinheiro”.

O modelo antigotestamentario se circunscreve à Terra Prometida, a Nova Canaã, não ao


Reino de Deus. Já referente ao Reino de Deus Mateus 20. 1 nos diz que ele é como um
proprietário que saiu de manhã cedo para contratar trabalhadores para a sua vinha. A lição
aqui é que todos os chamados a trabalhar para Deus fomos contratados, e todo trabalhador
em Sua vinha, é um trabalhador; os outros, os que trabalham em suas próprias obras, ou
as obras dos homens, são aos olhos de Deus desocupados.

No Antigo Testamento todo sacerdote e levita tinha por salário os dízimos do povo, e
mais 48 cidades destinadas a eles todos juntos, na Nova Canaã. No Novo Testamento a
liderança tem o mesmo Direito, mas o povo (misto) não tem a mesma Obrigação.

No Antigo Testamento mais precisamente em Eclesiastes, o ser humano tem cinco


Direitos: Trabalhar, descansar, comer e beber, ter deleite sexual, e acumular
conhecimentos, mas acima de tudo deve ter o temor de Deus em tudo. A mulher virtuosa
trabalhava em casa e também lá fora. As leis referente a casamento, adultério e divórcio
visavam cuidar da mulher, e protege-la como necessariamente mais doméstica que o
homem, e o homem saia a trazer o material para que a mulher sábia edifique um lar para
o matrimonio e a família.

No Novo Testamento também se enfatiza o trabalho em Tessalonicenses, e o trabalho


espiritual em 1 Co 15. 48 e em 9. 1-14 principalmente. Também se fala no descanso,
numa dimensão até bem maior, em Mateus 11. 28-30 especialmente. Sobre a liberdade
em comer e beber se descreve algo específico em Romanos 14 e 15, e em 1 Co 8 e 10. 14
ao 11. 1, entre outras menções. Sobre o deleite sexual do ministro temos principalmente
1 Co 7 e 9; 1Ts 4. 3-5 e Hb 13.4. E sobre o conhecimento se valoriza pelo grau de espírito
que ele tenha, e a qualidade de verdade que contenha.

Se o conhecimento que tenhamos ou busquemos respeito ao dinheiro não é espiritual, será


vão, carnal e temporal, por tanto, tudo se perderá quando o fogo o provar. O Modelo
novotestamentario se resume em Lucas 15. 9-15: “Por isso, eu lhes digo: usem a riqueza
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deste mundo ímpio para ganhar amigos, de forma que, quando ela acabar, estes os
recebam nas moradas eternas. Quem é fiel no pouco, também é fiel no muito, e quem é
desonesto no pouco, também é desonesto no muito. Assim, se vocês não forem dignos de
confiança em lidar com as riquezas deste mundo ímpio, quem lhes confiará as verdadeiras
riquezas? E se vocês não forem dignos de confiança em relação ao que é dos outros, quem
lhes dará o que é de vocês? Nenhum servo pode servir a dois senhores; pois odiará a um
e amará ao outro, ou se dedicará a um e desprezará ao outro. Vocês não podem servir a
Deus e ao Dinheiro. Os fariseus, que amavam o dinheiro, ouviam tudo isso e zombavam
de Jesus. Ele lhes disse: Vocês são os que se justificam a si mesmos aos olhos dos homens,
mas Deus conhece os corações de vocês. Aquilo que tem muito valor entre os homens é
detestável aos olhos de Deus.

Aqui claramente o Senhor diz que “o dinheiro é dos outros” diante de um de seus servos,
e que eles deviam se definir decididamente por servir a Deus ou ao dinheiro. O dinheiro
é o pouco; o Reino de Deus é o muito que eles estavam conhecendo.

“Ganhar amigos” aqui é salvar pessoas para Deus. Um “servo” amarrado ao dinheiro não
gera amigos de Jesus, porque nem ele é amigo. Mas um servo obediente ao Senhor, de
íntima confiança nele e dele, logo se transforma em amigo do Senhor e pode ganhar novos
amigos para Deus. O servo que cresce de servo para amigo de Jesus é porque entra aos
mistérios de Deus, os secretos do Reino. Ter ao dinheiro como nosso servo e não nós a
ele, é um mistério que não vale como receita senão como vida; viver e ensinar a viver.

O dinheiro, o poder aquisitivo, os bens materiais que o servo de Deus tenha não são para
ele entregar emprestar, dar, vender ou rifar para a Igreja, senão para usa-los para ganhar
amigos de Jesus, gente que aprenda a viver o mistério do DAR porque o seu dinheiro lhe
obedece e não que ele obedeça ao dinheiro.

O pastor trabalha no ministério, merece seu descanso, comer e beber, ter deleite sexual, e
acumular conhecimentos, mas acima de tudo, ter o temor de Deus em tudo. A Igreja não
está obrigada debaixo da Graça a dizimar e ofertar, mas sim tem o dever de considerar e
reconhecer o trabalho de seus pastores, tendo por regra espiritual o mínimo do dízimo
judaico [Mt 5. 20; 23. 23-24; 1Ts 5. 12, 13; Gl 6. 6; 20. 1-15; 26; 27; Mr 14. 7; Hb 13. 7;
17].

Os erros mais comuns dentre os pastores:

1. Enriquecer materialmente no ministério; pode ser rico ou enriquecer, mas para


desenvolver cada dia melhor o ministério da Obra de Deus; não as nossas obras e
projetos e tampouco denominações.
2. Dar-se licenças carnais; Ele deve ser equilibrado em tudo; nem miserável e
tampouco opulente.
3. Manipular os outros por dinheiro; melhor ensinar a ser generosos e justos do que
manipular por ofertas e dízimos.
4. Fazer acepção de pessoas por causa do dinheiro;
5. Pedir emprestado;
6. Emprestar ou dar segundo Pr 11. 15 e não segundo Mateus 5. 42

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7. Trabalhar por salário. No mundo organizado em que vivemos, merece que o pastor
tenha carteira assinada, e segurança social e médica, mas nunca depender disto
para servir ao Senhor. Que ele se ofereça como mártir, é banal, e vão.

6. Como ser um embaixador de Cristo exitoso, excelente e solidário:

O Novo Testamento não usa a palavra embaixadores por acaso nem por querer copiar
algo do mundo para fins utópicos dos servos de Deus. O conceito é realmente válido
porque o Espírito assim revelou e tomando um conceito humano, comum e corrente,
aplicou-o apropriadamente aos servos de Deus em 2Co 5. 18-20 e não ao crente comum.
Até pode acontecer que os crentes tenham palavras de reconciliação, mas não ministérios.

Se tomarmos o contexto imediato que vem do versículo 11 ao 6. 10, veremos que estava
havendo gente que se considerava apóstolos e servos de Deus baseados na aparência.
Paulo aqui com Timóteo (1. 1) vai falar sobre o que é ser o que as pessoas dizem ser, sem
a realidade, e que é ser de verdade. O ser de verdade dos servos do Senhor, sejam
apóstolos ou discípulos dos apóstolos, profetas, evangelistas, mestres, ou pastores é o ser
EMBAIXADORES dos céus na terra.

Se alguém questionar isto, o apóstolo aqui da as credenciais, que são o fato da


reconciliação gratuita de Deus de nós. Se Jesus nos reconciliou com Deus, quem somos
nós para ser menos? Também o temor de Deus neles. Os falsos andam se gabando e
reclamando para si atenção, glória, ofertas, reconhecimentos, etc., mas os verdadeiros
temem quando ministram. Uma terceira credencial é a comunhão da loucura e da cordura
por Jesus e Sua Igreja neles. Os falsos só são ousados permanentemente. Nenhum
verdadeiro servo de Deus, e principalmente o apóstolo e o profeta podem ser sempre
ousados. Por vezes deverá ser muito cordato.

A quarta credencial deles era o amor de Deus neles que os fazia ver a todos mortos. Não
mais se guiariam pelo que as pessoas eram no passado ou ainda fossem, senão vendo ao
salvo através do sangue de Jesus. E quem quer que não viva para Deus e ainda estivesse
vivendo para eles, os apóstolos aqui sentem estar autorizados a não declara-los nativos de
sua Pátria Celestial à qual representavam na terra.

A quinta e última credencial que o apóstolo apresenta aqui é a reconciliação de Jesus para
com Deus. Pessoas que realmente estejam já reconciliadas com Deus não andam fingindo
nem vivendo na sua vida de pecador antigo. Elas foram feitas novas criaturas e isso era
realidade em Paulo e ele também usava esta visão para julgar aos que se diziam apóstolos,
não sendo. Ele seria solidário e humilde para admitir em Cristo aos desconhecidos,
sempre que dessem provas de que estão reconciliados em Deus, por Cristo. Neste quadro
o apóstolo se mostra exitoso, excelente e solidário.

Neste quadro o embaixador tem três perfis específicos e definidos:

1. O da sua condição: Em Cristo.


2. O de sua posição: Embaixadores dos céus e de Cristo.
3. O de ser um provocador de exemplo e motivo para que os irmãos possam se gloriar
dele; mas não ele próprio se vangloriar.
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FTA: FACULDADE TEOLÓGICA APOSTÓLICA
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Tomo uma palavra do irmão Wachtman Nee: “O homem de Deus não pode ser tão
especial que não possa andar com os pecadores, nem tão comum que não distinga com
quem e quando não sentar”.

7. Como ser um missionário adequado:

As expressões missionárias e missionárias não constam na Bíblia. Algumas


denominações as usam para dignificar a irmãos trabalhadores no Reino, mas que a seus
olhos não alcançam o nível para serem reconhecidos ministros. Outras usam como
equivalências de apóstolos, e em ambos os casos o atrelam a ir para fora da “igreja”.

Em ambos os casos a sua utilização é equivocada, posto que desvalorize a missão de


Cristo e a missão particular de cada chamado. Também porque o campo de ação do
apóstolo foi mudando na história da Igreja. Os primeiros foram enviados às ovelhas
perdidas da Casa de Israel. Os segundos já se repartiram judeus e gentis. Em terceira
instancia Paulo transpassou os limites recomendado pelos apóstolos trancados em
Jerusalém, e invadiu o território de Pedro, convicto de que tanto que Pedro não estava
sendo fiel, descuidando a missão, como que ele, Paulo tinha recebido a revelação
completa de CRISTO E A IGREJA e isto até Pedro estava reconhecendo.

Com o tempo também João nem entendia porque ficara exilado numa ilha, até que no Dia
do Senhor Jesus Cristo este se lhe revela mostrando a verdadeira causa e o verdadeiro
propósito em preserva-lo ali. O “público alvo” da apostolicidade cristã mudou de só
judeus para judeus por um lado e gentis por outro, e agora mudou para a própria Igreja
no seu todo como comunidade composta de toda classe de gente, raça e nações, à qual
João está sendo enviado e de quem temos o Apocalipse para aqueles dias e para hoje e
também para o futuro dos vencedores de Deus, a Igreja.

O genuíno missionário, e a verdadeira missionária tem a única missão de Cristo revelada


a João em Apocalipse 1. 9: A PALAVRA de Deus e O TESTEMUNHO de Jesus
Cristo. Se tomarmos os milhares de “apóstolos” que o Brasil tem, e passarmos eles por
um coador, não ficaria quase ninguém fazendo a genuína obra de Deus nestes parâmetros.
Muito pior seria o caso dos pastores e profetas.

Se alguém hoje se considerar missionário de Cristo na terra, deverá minimamente poder


encaixar-se em:

1. Haver sido chamado à Missão do Salvador;


2. Haver sido ungido (autorizado) pelo Espírito Santo;
3. Haver sido designado (declaração pública do Espírito de Santidade. Rm 1. 1-4);
4. Haver sido recomendado pela Igreja para um campo específico, com uma tarefa
específica (Gl 2. 7-10);
5. Viver e manter a Palavra de Deus inalteradamente;
6. Ter a revelação do Testemunho de Jesus Cristo que é a igreja (uma só no mundo;
uma na cidade e una, de unidade).

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8. Como servir como presbítero e como dar sem ser abusado, e receber sem
abusar:

Servir como Presbítero: No modelo novotestamentario de “Povo de Deus”, o Governo


sempre é local e presbiteral. Quer dizer, circunscrito à cidade, e não por denominação
doutrina ou líder; e sempre pelo menos dois na liderança. Os Cinco (ou quatro) ministérios
é para a Igreja Local; não para a denominação. E nunca existe na Bíblia duas ou mais
igrejas locais; sempre é uma só.

Pressupondo que você vai compreender o modelo bíblico, aceitar e adota-lo


obedientemente, ou não poderá, por pertencer a uma denominação da qual você se tornou
propriedade, entenda que aqui só ensinamos o bíblico, com a intenção de enriquecer aos
Alunos.

Tendo em consideração o que já foi dito aqui que usaria o termo “pastor” na forma geral,
incluindo todos os trabalhadores e todos os que servem sem ser obreiros na Igreja, neste
item veremos aos ministros devidamente empossados para liderar. Nas nomenclaturas
para os líderes no Novo Testamento nenhum se relaciona com dinheiro; somente a
expressão “obreiro”. Só deviam ser considerados OBREIROS os ministros assalariados,
e os não ministros dentro de Efésios 4. 11, são todos diáconos e não ministros.

O pastor trabalha junto a outros pastores, como mínimo, o seu cônjuge. O cônjuge que
não tem chamado ao ministério, no mínimo deve ser um cooperador do outro assim como
os apóstolos tinham cooperadores fiéis, incluídos mulheres ricas. Junto de um
companheiro ministerial, o pastor antes de tudo deve andar em absoluto acordo com o seu
parceiro antes de pretender andar em harmonia com a Igreja.

Em segundo lugar, e no contexto atual das denominações, deve andar em harmonia e


comunhão perfeita com os demais líderes denominacionais da cidade antes de pretender
que a sua congregação lhe obedeça, em aras de fazer justiça ao genuíno presbitério
ministerial cristão bíblico local.

Dar sem ser abusado, e receber sem abusar: O pastor não é nem pode ser prestamista,
avalista, sócio empresarial, sócio de entidades fora da Igreja, mas sim de ministérios
paraeclesiásticos; nem pode ser bombeiro, agente de primeiros auxílios, professor
voluntario, fretador, muambeiro, nem muito menos curandeiro ou exorcista.

O pastor tampouco pode nem deve sentir-se devedor a quem quer que seja que oferte ou
lhe ajude em algo, senão sempre, sem abusar, deve tomar toda ajuda, apoio, oferta,
socorro como serviço dos irmãos à Obra como devem. Caso perceber que os irmãos não
entendem assim, deve ensina-los nas verdades bíblicas baseadas na filosofia de Deus que
é DAR, e a diferença entre as obras humanas e a Obra de Deus. No caso de contratar um
serviço fora da igreja, deve pagar como corresponde. Se o tal pastor carece da visão da
Obra de Deus e ele próprio prioriza a denominação ou ministério dele, ou projeto, será
justo e necessário que também pague aos irmãos seus serviços, mas se tem ensinado
corretamente, e mostrado com a vida o exemplo de fazer genuinamente a Obra de Deus,
não pode se sentir em dívida com ninguém, porque a Obra não é dele, senão de Jesus.

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9. Como festejar vitórias e como admitir derrotas ou fracassos

O Pastor jamais pode atrelar as vitórias da Igreja ou atribui-las a seu esforço, sua entrega
de propriedades, carros, dinheiro ou trabalho a seu favor, ou a outros irmãos ou doadores
até de fora dela. Isto não impede que se reconheça e honre publicamente a quem mereça,
mas jamais fazer tais doações ou esforços méritos do sucesso, porque isso é tirar do
Senhor e Dono, provedor da Igreja, Jesus, a glória para desvia-la.

Ele deve ensinar a realidade do Holocausto em que a oferta virava cinza. Romanos 12. 1-
2 tem na mente do autor essa ideia em conta, e mostra duas verdades principais: 1. A
oferta deve ser de um ser vivo, consciente, não um animal morto, e; 2. O sacrifício é de
todos, não do indivíduo. Por tanto, quem quer que oferte na verdadeira Obra de Deus deve
fazê-lo sabendo que a sua oferta perderá a identidade no fogo de Deus, que é o culto de
Deus, e não nosso, e virará a oferta de todos juntos como um só corpo.

Quando o foco das celebrações é o Senhor Jesus e o sacrifício corporativo de toda a Igreja,
sem fazer ressaltar pessoas, e só então há culto a Deus. Derrotas ou fracassos seriam quase
inexistentes, mas havendo, o pastor deve ser humilde em reconhece-lo e sábio em fazê-lo
mancomunado, que quer dizer que todos são parte dos ganhos e também das perdas.

Deverá ensinar com ensino bíblico e exemplo de vida a que devem dizer “amém” de
coração diante as decisões por acordo em que um indivíduo não concorda, ou quando é
um indivíduo que decide e faz unilateralmente na vida da Igreja. Não porque o indivíduo
está no certo e os demais errados, é que o certo deve se abster de dizer amém, e se apartar
e não apoiar. Desta forma ele estará semeando divisão e contenda. Não importa fazer
errado algo; o que importa é cuidar da unidade, e para tanto, as vezes quem está certo
deverá acatar a decisão dos errados em paz, porque Jesus ainda é o Cabeça que cuida de
tudo.

O Amém no uso de Jesus muitas vezes vinha antes de qualquer sentença, como quando
Ele diz “em verdade, em verdade vos digo...” e só depois faz uma declaração. Essa
expressão é a mesma que AMÉM no original. Ela não apenas serva para afirmar algo
como também para expressar desejo, e no Apocalipse é um dos nomes do Senhor Jesus,
por tanto, dizer amém equivale a invocar o nome do Senhor conforme Romanos 10,
quando Ele vem no instante para ajudar.

10. O Pastor e a família:

Paulo era viúvo, solteiro ou divorciado. O mais provável é que tenha sido casado, posto
que na sua hierarquia judaica não era permitido solteiros, e na vida d Igreja ele prescindiu
de uma esposa com ele em suas viagens deliberadamente, como Barnabé também, mas
Pedro não. Isto mostra que a condição cível não conta quando de ministério se trata.
Contudo, cada um deve respeitar e honrar o que é ao momento de ser chamado ao
ministério, e não largar tudo para cumpri-lo. Isto também inclui que o ministério requer
certo desembaraço cívico a fim de que o Espírito não tenha dificuldade em dizer ao tal
“passa para aqui e ajuda aos irmãos...”, como também as estruturas denominacionais
impedem ao Espírito usar livremente aos Obreiros Do Senhor.

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Entretanto, o pastor deve ter uma só esposa ou um só esposo (aqui, em 1Tm 3. 1-7 como
em todo o Novo Testamento se usa a figura de linguagem denominada sinédoque, que
toma o todo pela parte, e dependerá de nosso discernimento, as regras de interpretação
correta e sentido comum), pois, não poderia significar que as mulheres podiam ter vários
maridos. Tal desembaraço jamais pode implicar descuido, mas sim certo acordo como em
1Co 7. 2-5.

Quanto aos filhos, quando há, a Psicologia do Crescimento nos mostra como é importante
respeitarmos a gradualidade da maduração intelectual e espiritual deles. Não há como
fixar idade, mas sim reconhecer o crescimento e maturidade de cada um, e um princípio
judaico que o Novo Testamento não nega, que é a validade da família até a quarta geração:
pai, filho, neto e bisneto pelo lado dos pais, e pelo lado de nossos filhos, o filho, seu filho,
seu neto e seu bisneto.

Aqui temos a família nuclear e estendida dos pais e a família nuclear e estendida dos
filhos que casam. Mas também contam alguns outros fatores, como em tanto e em quanto
os filhos dependerem em algo dos pais, devem maior obediência, e se forem os pais que
dependerem deles, nem por isso perdem a sua autoridade sobre eles. E finalmente, devem
os pastores mais que ninguém ter em conta as palavras de Paulo aqui: “Eis aqui estou
pronto para... ir ter convosco, e não vos serei pesado, pois que não busco o que é vosso,
mas sim a vós: porque não devem os filhos entesourar para os pais, mas os pais para os
filhos” [2Co 12.14].

11. O pastor em espaços alheios:

O pastor quando vai a qualquer casa alheia, seja de um irmão em Cristo ou descrente,
oficina, empresa ou gabinete profissional de outrem, deve se comportar com excelência.

No Governo: Não pode pretender prioridade nem desrespeitar turno e manter


comportamento inadequado como falação, ansiedade, prepotência, vaidade, etc.

Nas filas e na vida social comum: Não deve quebrar filas, nem se adiantar na busca de
atendimento. Não pode interromper o atendimento entre o atendente e o cliente. Deve ser
paciente, educado, gentil, e solidário.

Na oficina de concertos ou outros afazeres: Nunca deve procurar ser priorizado. Caso
precise, gentilmente deve pedir licença para quem está na frente. Também não pode
especular melhor preço nem rebaixar o trabalho alheio; pelo contrário, se possível, até
abençoar generosamente a quem o serve, no que puder.

Nas empresas: Não deve se mostrar interessado nem louvar ao interlocutor pelo seu
sucesso ou prosperidade. Apenas deve ser amável e sinceramente feliz com o sucesso
alheio, sem hipocrisia, e sem desviar o louvor que corresponde ao Senhor para os homens.

Nos Gabinetes Profissionais: O máximo de etiqueta, ainda seria pouca. Porém, tudo
deve ser feito com autoconfiança, segurança, altura e honestidade.

Na casa dos irmãos, amigos ou desconhecidos: Não pode nem deve ficar observando
as coisas que ali existem. Não pode corrigir nada, sugerir melhoras ou modificações de
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nada. Não pode sentar de cara ao interior, a menos que não haja outra possibilidade; se
convidado a sentar, deve escolher um lugar de costas ao interior da casa. Deve ser gentil,
educado, paciente, saber ouvir e falar somente o necessário.

Caso não lhe tenham pedido, pode pedir para orar, segundo o caso, e faze-lo com respeito
e simplicidade uma oração curta e sincera, sem gritos nem “profetadas”, ameaças ou
doutrinas. Nunca ordenar “vamos orar!”. E se ministrará, fazer com solenidade. A Oração
é a Deus, e não aos homens.

12. O pastor e a Política:

Nenhum pastor pode descuidar este aspecto, devido a que os cristãos temos duas
cidadanias, a celestial e a terrena, e habitamos no espaço da terrena o tempo todo; por
tanto, a nossa preparação para a cidadania celestial se dá desde o novo nascimentos,
passando pela consagração, logo a santificação, e só no final deste processo o ministério,
ou vida ministerial.

Esta sequência se vê em Efésios 5. 1 a 6. 20:

1. De 5. 1 a 20: A vida pessoal devocional.


2. De 5. 21 a 33: A vida matrimonial como exemplo da Igreja ou como resultado de
uma Igreja adequada.
3. De 6. 1-4: A relação Filho-Pai, Pai-Filho.
4. De 6. 5-9: A relação Empregado-Patrão; Patrão-Empregado.
5. De 6. 10-20: O Ministério e a vida de Testemunho público, e Companheirismo
com os Guerreiros do Senhor.

Entretanto, a nossa preparação para a CIDADANIA TERRENO não pode jamais ser
descuidada, posto que os cinco estádios que acabamos de ver aqui devem ser vividos e
expressados na terra.

O que o pastor não deve fazer é PARTIDARISMO nem oferecer a Igreja como palanque
de campanha nem perseguir um partido defendendo outro na Web, nem incitar à rebelião
as autoridades fora dos Direitos de Cidadania que a Lei autoriza como as greves e as
manifestações de rua. Mas a boa política, que significa “a arte de governar” se deve fazer
sempre. Lemos de “política de boa vizinhança” em filipenses 4. 5: “Seja a amabilidade
de vocês conhecida por todos. Perto está o Senhor” (NVI). Em tanto nos vemos com
qualquer pessoa em nossa cidade, devemos fazer conhecida nossa política cristã de boa
vizinhança.

Toda Igreja e todo pastor deveria ter a disposição para todo o povo de Deus palestras,
cursos, seminários a vida toda sobre CIVILIDADE E CIDADANIA.

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