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Inter-relação do sistema nacional com o sistema Estadual,

Municipal e Escolar
Para compreender essa inter-relação devemos entender primeiramente o sentido de sistema.
Saviani (1999, p. 122) diz que “sistema denota um conjunto de atividades que se cumprem
tendo em vista determinada finalidade, o que implica que as referidas atividades são
organizadas segundo normas que decorrem dos valores que estão na base da finalidade
preconizada”. Dessa forma um sistema implica na unidade e na multiplicidade, considerando-
se uma finalidade comum quanto à maneira do como se busca articular tais elementos.
Assim, podemos entender que os sistemas de ensino são o conjunto de campos de
competências e atribuições, que visam ao desenvolvimento da educação escolar e que se
concretizam em instituições, órgãos executivos e normativos, recursos e meios articulados pelo
poder público competente, acessíveis ao regime de colaboração e respeitadas as normas
gerais vigentes. Teoricamente cada sistema de ensino forma um conjunto articulado de
competências e atribuições. Existindo, entretanto, uma educação nacional, fundamentada em
valores e finalidades comuns, que promove a articulação entre os sistemas.
A LDB/96 prescreve que cabe à União a coordenação da política nacional de educação,
articulando os sistemas de ensino e “[...] exercendo função normativa, redistributiva e supletiva
em relação às demais instâncias educacionais” (art. 8º, §1º), conforme discutido anteriormente.
As atribuições que conferem às normas e ações da União o estatuto de coordenação da
política nacional de educação estão listadas no artigo 9º desta Lei entre as quais se destacam:
a elaboração de plano nacional de educação, em colaboração com estados e municípios; a
assistência técnica e financeira aos governos subnacionais, o estabelecimento de diretrizes
para as etapas da Educação Básica, com a colaboração dos estados e municípios e a
implementação de processo nacional de avaliação do rendimento escolar no ensino
fundamental, médio e superior.
Na organização da educação nacional funciona o Conselho Nacional de Educação (CNE).
Esse conselho exerce funções específicas voltadas às instituições do sistema federal de
ensino. Ele é, efetivamente, um conselho nacional, já que suas competências e sua área de
jurisdição atingem todos os sistemas de ensino, abrangendo os sistemas estaduais e
municipais. O CNE exerce muitas das atribuições da União que constam na LDB. As
atribuições do Conselho Nacional constam na Lei 9.131/1995. É importante ressaltar que se
integrar ao sistema de ensino é ser parte deste, adotar suas normas e regulamentações para
As secretarias e conselhos têm o desafio de promover a integração das creches aos sistemas
municipais de ensino, a fim de realizar um atendimento de qualidade às crianças brasileiras de
zero a seis anos de idade. Historicamente as instituições de educação infantil eram vistas como
de amparo e assistência, assim integrá-las aos sistemas municipais de ensino, conferindo-lhes
um caráter educacional, não tem sido uma tarefa fácil para as Prefeituras. Assumir essa
integração envolve aspectos burocráticos e questões ligadas à qualidade do atendimento com
diferentes implicações para o município dentre os quais se destacam:
• Criação do Sistema Municipal de Ensino.
• Definição de normas para o funcionamento da educação infantil.
• Formação inicial e continuada dos professores e sua profissionalização.
• Elaboração de Propostas Pedagógicas das instituições.
• Criação de espaços físicos e a aquisição de recursos materiais para o atendimento às
crianças de 0 a 6 anos, entre outros (BRASIL, 2002, p. 5)
Dessa forma, faz-se necessário que, ao definir as políticas municipais, as Secretarias de
Educação se organizem com relação aos seguintes aspectos: a estrutura, ao orçamento,
relativo às demandas por ampliação do atendimento e melhoria da qualidade dos serviços
proporcionados, articulando a construção de uma política municipal de educação infantil.