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Organização e estrutura da educação brasileira

Introdução
Nesta unidade vamos discutir a Organização e Estrutura da Educação Brasileira
focalizando a formação e os diversos fatores políticos, econômicos e sociais e a
legislação como instrumento de intervenção na realidade educacional, além de
abordarmos a questão do financiamento da educação no Brasil. Rediscutiremos as
esferas do sistema educacional, a União, os estados e municípios, focalizando
também a escola onde você concretizará a educação na aula, na relação com os
alunos e seus pais e nos debates com o conjunto de profissionais da unidade
escolar.
Esperamos, ao final desta unidade, que você seja capaz de:
• Compreender a organização e o funcionamento de sistemas e instituições
escolares no Brasil como elemento de reflexão sobre/ na realidade sócio-histórica.
• Refletir sobre a estrutura da educação básica e sua organização, enfocando a
formação e os fatores de ordem política, econômica e social, onde o estudo da
legislação possa servir como instrumento de intervenção na realidade educacional.
• Contextualizar historicamente o desenvolvimento e a organização da educação no
Brasil.
• Identificar as leis que propuseram reformas para a educação brasileira.
• Identificar as regras sobre o financiamento da educação brasileira.
A legislação enquanto fonte documental oficial aponta necessária vinculação com o Estado e
então há que ser considerada como expressão possível do jogo de forças das classes sociais
aí presentes (MIGUEL, 2005, p. 9).

Organização e estrutura da Educação Brasileira


Para que se cumpra sua formação como acadêmico(a), pautada em sólida
fundamentação,
faz-se necessário a altercação acerca da disciplina Estrutura e Funcionamento da
Educação Básica como lócus privilegiado de debate sobre a realidade brasileira em
cada momento histórico, segundo Mendonça e Lellis (1998), tal disciplina inscreve-
se na expectativa de compreensão da contextura de relações sociais e de lutas que
se travam no plano estrutural e conjuntural, ou seja, discute acerca da
compreensão da educação no contexto da tessitura social produtiva, no contexto da
organização econômica global e da organização política neoliberal. A estrutura e a
organização da educação nacional não dispensam a legislação como fio condutor
como institucionalização lícita das políticas oficiais. A educação escolar se constitui
em uma prática social que revela e desvela fins e interesses, sendo um elemento
social essencial ao contexto sociopolítico e econômico. Assim, a disciplina Estrutura
e Funcionamento da Educação Básica, desde a sua criação, é mensageira de uma
história que se relaciona às formas específicas de organização da sociedade e dos
sujeitos que a significam e ressignificam no tempo e nos espaços escolares.
Nos tempos atuais, em pleno século XXI, período histórico cujos paradigmas
reportam à velocidade da informação; tempo do fastígio da globalização, era do
domínio e celeridade do conhecimento, em que as informações estão on line desde
o exato momento de sua ocorrência, exige-se muito mais de profissionais da
educação que buscam suscetibilidade num mercado eclético e de transformações
aceleradas; transformações nas “estruturas econômicas, políticas, demográficas,
geográficas, históricas, culturais e sociais, que se desenvolvem em escala mundial,
adquirem preeminência sobre as relações, processos e estruturas que se
desenvolvem em escala nacional” (IANNI, 1994, p. 147), mercado influenciado
principalmente por uma grande demanda de consumo insano.
É importante realçar aqui o juízo de que a disciplina de Estrutura e Funcionamento
da Educação Básica, ao ser ministrada nos cursos de formação de professores, e
dependendo do enfoque que lhe é atribuído, poderá provocar entre os sujeitos do
processo educacional, discussões acerca de elementos históricos que, ao serem
problematizados, tornam-se elementos imperiosos ao processo de formação do
professor emancipado. Nesse contexto a preocupação com a educação vem
adquirindo grande repercussão de modo a mobilizar a União, os Estados, o Distrito
Federal, os Municípios e a colaboração da família e da sociedade em geral.
Ratificando essa preocupação, o Artigo 205 da Constituição Federal do Brasil (1988)
afirma que “A Educação é um direito de todos e dever do Estado e da Família (...)”,
e de acordo com o artigo 2º da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional –
LDBEN 9394/96 – “A educação (...) tem por finalidade o pleno desenvolvimento do
educando, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o
trabalho.” Pode-se entender, portanto, que a educação escolar prima pela
promoção da igualdade, da perspectiva social e pela universalização do ensino a
partir da possibilidade de formação do sujeito de modo a garantir-lhe o acesso ao
desenvolvimento e ao conhecimento.
Conforme Cury (2002, p. 171), a Constituição Federal do Brasil: Sendo um serviço
público (e não uma mercadoria) da cidadania, a nossa Constituição reconhece a educação
como direito social e dever do Estado. Mesmo quando autorizada pelo Estado a oferecer esse
serviço, a instituição privada não deixa de mediar o caráter público inerente à educação. Só
que esta ação obrigatória do Estado vai se pôr em marcha no interior de um Estado
federativo. A recente estrutura e funcionamento da educação brasileira provêm da
Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (Lei n.º 9.394/96), que, por sua vez,
se juntam à Constituição Federal de 1988 e às orientações gerais do Plano Nacional
de Educação (Lei 10.172/2001) bem como às respectivas Emendas Constitucionais
em vigência. Na LDB, em cada um dos níveis e modalidades de ensino propostos, é
possível perceber, apesar das limitações ainda presentes, possibilidades de
flexibilidade da legislação educacional vigente, de forma a levar em conta a
autonomia conferida aos sistemas de ensino e às suas respectivas interligações.
Assim, nesse contexto da educação escolar brasileira, há conforme o Título V da
LDB, os níveis e as modalidades do ensino. Este título compreende 37 (trinta e sete)
artigos: do artigo 21 (vinte e um) ao artigo 58 (cinquenta e oito), através dos quais
se estabelece a estrutura didática da educação escolar do Brasil.

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