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Princípios de Comunicações

João Célio Brandão


Abraham Alcaim
Raimundo Sampaio Neto

E d ito r a
n
PUC
RIO
EDITORA INTERCIÊNCIA

Rio de Janeiro - 2014


© Dos autores
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B817p
Brandão, João Célio Barros
Princípios de comunicações / João Célio Barros Brandão,
Abraham Alcaim, Raimundo Sampaio Neto. - Rio de Janeiro:
Interciência: PUC-Rio, 2014.
494 p.: il.; 24 cm
Exercícios
ISBN (Interciência) 978-85-7193-329-3
ISBN (PUC-Rio) 978-85-8006-130-7
1. Engenharia elétrica. 2. Inversores elétricos. I. Alcaim,
Abraham. II. Sampaio Neto, Raimundo. III. Pontifícia
Universidade Católica do Rio de Janeiro. IV. Título.
14-09392 CDD: 621.3815322
CDU: 621.3815322
Agradecimento

Agradecemos a todos os amigos, sobretudo a nossos ex-alunos, que, de


diversas formas, nos incentivaram no exercício das atividades docentes e
na realização deste trabalho.
Apresentação

O objetivo principal deste texto é servir como material básico para


uma disciplina introdutória sobre sistemas de comunicações em um curso
de Engenharia Elétrica. Ele tem abrangência limitada, abordando apenas
os conceitos mais importantes dos sistemas de comunicações analógicos
e digitais - para um estudo mais profundo e amplo sobre o assunto, existe
uma excelente e conhecida bibliografia. Por outro lado, incorpora resulta­
dos de muitos anos de experiência dos seus autores como professores do
Centro de Estudos em Telecomunicações da PUC-Rio, o que permitiu um
tratamento didático do assunto em nível adequado aos alunos típicos do
curso de graduação. Além disso, inclui um bom número de exercícios, to­
dos eles com solução.
Sumário

Apresentação.............................................................................................. VII

1
Introdução................................................................................................... 1

2
Análise de Sinais e Sistemas...................................................................... 5
2.1 SÉRIE DE FO U RIER.......................................................................................... 8
2.2 TRANSFORMADA DE F O U R IER .............................................................. 13
2.3 PROPRIEDADES DA TRANSFORMADA DE FO URIER................... 19
2.4 TRANSFORMADAS DE FOURIER DE SINAIS DE ENERGIA
INFINITA............................................................................................................... 36
2.4.1 Função Impulso................................................................................... 36
2.4.2 Transformadas de Fourier Baseadas na FunçãoImpulso . . 40
2.5 SISTEMAS LINEARES...................................................................................... 47
2.5.1 Caracterização de Sistemas Lineares........................................ 48
2.5.2 Obtenção do Sinal de Saída em um Sistema Linear............ 49
2.5.3 Função de Transferência.................................................................. 51
2.5.4 Filtros........................................................................................................ 54
2.6 ENERGIA E POTÊNCIA DOS SIN AIS...................................................... 57
X I PRINCÍPIOS DE COMUNICAÇÕES

2.7 TEOREMA DA AM O STRAG EM ................................................................ 61


2.8 APÊNDICE: PRINCIPAIS TRANSFORMADAS DE FOURIER.......... 63
2.9 EXERCÍCIOS........................................................................................................ 67

3
Princípios da Modulação...................... 73
3.1 MODULAÇÃO DE AMPLITUDE................................................................ 74
3.1.1 Modulação AM-DSB-SC.................................................................. 82
3.1.2 Modulação A M ................................................................................... 82
3.1.3 Modulação AM -SSB......................................................................... 90
3.1.4 Modulação AM-VSB......................................................................... 98
3.1.5 Modulação de Amplitude em Quadratura............................... 99
3.1.6 Translação de Frequência................................................................ 101
3.2 MODULAÇÃO DE FREQ UÊN CIA........................................................... 104
3.2.1 Definições Básicas.............................................................................. 105
3.2.2 Modulação FM..................................................................................... 106
3.2.3 FM de Faixa Estreita............................................................................ 110
3.2.4 FM com Sinal Modulador Senoidal............................................. 1 12
3.2.5 Geração de FM - MétodoIndireto............................................... 113
3.2.6 Espectro de um Sinal FM com Sinal Modulador Senoidal. 116
3.2.8 Demodulação de Sinais FM ........................................................... 119
3.3 EXERCÍCIOS........................................................................................................ 122

4
Técnicas de Codificação de Mensagens.................................................... 127
4.1 CODIFICAÇÃO DE FONTES DISCRETAS SEM M EM Ó R IA .......... 128
4.1.1 Informação Própria e Entropia...................................................... 128
4.1.2 Princípios da Codificação de B lo c o .......................................... 129
4.1.3 Codificação de Huffman.................................................................. 131
4.2 CODIFICAÇÃO DE FONTES CONTÍNUAS - SINAIS DE VOZ . . 133
4.2.1 Sistema P C M ....................................................................................... 134
4.2.2 Quantização Adaptativa.................................................................. 146
4.2.3 Codificação Diferencial..................................................................... 149
4.2.4 Codificação no Domínio da Frequência.................................... 158
4.2.5 Codificação Paramétrica.................................................................. 169
4.3 EXERCÍCIOS........................................................................................................ 174
SUMÁRIO | XI

5
Transmissão Digital.................................................................................... 177
5.1 MODELO GERAL DO TRANSMISSOR E DO RECEPTO R............ 178
5.1.1 Filtro Casado.......................................................................................... 183
5.1 .2 Receptores com Filtro Casado...................................................... 185
5.2 SISTEMAS DE MODULAÇÃO DIGITAL.................................................. 190
5.2.1 Sistemas com Modulação de Pulsos em Amplitude............ 191
5.2.2 Sistemas com Modulação de Amplitude e Fase................... 200
5.2.3 Sistemas com Modulação de Frequência................................. 219
5.2.4 Sistemas com Recepção não Coerente.................................... 225
5.3 LARGURA DE FAIXA DA TRANSMISSÃO DIGITAL.......................... 233
5.3.1 A Interferência entre Símbolos....................................................... 234
5.3.2 Eliminação da Interferência entre Símbolos - Critério de
Nyquist................................................................................................... 242
5.3.3 Largura de Faixa e Interferência entre Símbolos................... 246
5.4 APÊNDICE: O DIAGRAMA DO O LH O .................................................. 248
5.5 APÊNDICE: OTIMIZAÇÃO CONJUNTA TRANSMISSOR-
RECEPTOR.......................................................................................................... 251
5.6 EXERCÍCIOS........................................................................................................ 253

6
Ruído em Sistemas de Comunicações...................................................... 261
6.1 CARACTERIZAÇÃO MATEMÁTICA DO RU ÍD O ............................... 262
6.1.1 Ruído Branco Filtrado....................................................................... 264
6.1.2 Decomposição de um Ruído Passa-Faixa................................. 271
6.2 CARACTERIZAÇÃO DO RUÍDO NOS RECEPTORES..................... 278
6.2.1 Ruído nos Resistores......................................................................... 279
6.2.2 Temperatura Equivalente de Ruído e Fator de ruído............ 281
6.2.3 Modelo Equivalente do Receptor............................................... 292
6.3 EXERCÍCIOS........................................................................................................ 293

7
Desempenho de Sistemas AM e FM em Presença de Ruído.................... 297
7.1 SISTEMA AM-DSB-SC..................................................................................... 299
7.2 SISTEMA AM -SSB............................................................................................ 301
7.3 SISTEMA A M ...................................................................................................... 302
X II | PRINCÍPIOS DE COMUNICAÇÕES

7.4 SISTEMA FM........................................................................................................ 307


7.4.1 Pré-ênfase............................................................................................... 314
7.5 COMPARAÇÃO DE DESEM PENHO....................................................... 316
7.6 EXERCÍCIOS........................................................................................................ 320

8
Desempenho de Sistemas de Transmissão Digital em Presença de Ruído 323
8.1 SISTEMAS BIN ÁRIO S..................................................................................... 324
8.2 SISTEMAS PAM ................................................................................................. 335
8.3 SISTEMAS COM MODULAÇÃO DEAMPLITUDE E FASE............. 339
8.3.1 A S K .......................................................................................................... 339
8.3.2 Q A M ........................................................................................................ 340
8.3.3 PSK............................................................................................................. 345
8.4 SISTEMA F S K ...................................................................................................... 347
8.5 SISTEMAS COM RECEPÇÃO NÃOCOERENTE................................... 347
8.6 ANÁLISE DE DESEMPENHO....................................................................... 352
8.6.1 Taxa de Erro de Bitversus Eb/N 0 ............
8. 6.2 Comparação.......................................................................................... 357
8.6.3 Limitantes dataxa de b its................................................................. 359
8.6.4 Capacidade do C anal....................................................................... 362
8.7 APÊNDICE: DESEMPENHO COM CÓDIGO CORRETOR
DE ERRO............................................................................................................... 364
8.8 APÊNDICE: TABELA DA FUNÇÃO Q (a )................................................. 367
8.9 EXERCÍCIOS......................................................................... 368

Solução dos Exercícios................................................................................ 373


Capítulo 2 ......................................................................................................................... 373
Capítulo 3 ......................................................................................................................... 390
Capítulo 4 ......................................................................................................................... 403
Capítulo 5 ......................................................................................................................... 413
Capítulo 6 ........................................................................................................................ 444
Capítulo 7 ......................................................................................................................... 455
Capítulo 8 ......................................................................................................................... 461
C O R T E S IA
O A E D IT O R A

1
Introdução

A tecnologia da informação tem trazido enorme impacto na história


da humanidade, desde seu surgimento com a invenção do telégrafo até a
vertiginosa evolução nas últimas décadas. Hoje o cenário é de ampla con­
vergência das tecnologias de processamento e transmissão de mensagens
com as tecnologias de rede e informática, como preconizado há bastante
tempo. Essas tecnologias, aliadas aos impressionantes desenvolvimentos
das interfaces, têm sido a base da chamada sociedade da informação. Por
tudo isso, e levando-se em conta os requisitos cada vez maiores de inter-
disciplinaridade na engenharia, torna-se imprescindível em qualquer área
da engenharia elétrica um conhecimento básico dessas tecnologias. Este
texto se propõe a atender esse objetivo no que se refere aos princípios
do processamento necessário para transmissão de mensagens através de
um meio físico. O meio físico, constituído de equipamentos transmissores
e receptores, bem como antenas, cabos e a própria atmosfera terrestre, é
considerado de forma extremamente simples e idealizada, procurando-se
estabelecer apenas os seus efeitos primários numa modelagem sistêmica.
Assim, neste texto, ao longo de vários capítulos, são abordadas as técni­
cas básicas de processamento de sinais nos sistemas de telecomunicações.
Os sinais são os elementos primordiais destes sistemas e consistem em re­
presentações de uma mensagem através de variação de níveis eletromagné­
ticos ao longo do tempo. O problema básico a ser analisado é a criação e a
transmissão a longa distância destes sinais, considerando a influência do
meio físico, denominado canal. Em geral, a parte mais crítica desse proces-
2 | PRINCÍPIOS DE COMUNICAÇÕES

so é a recepção no local de destino, onde a mensagem deve ser recuperada


em situações geralmente adversas, caracterizadas por um baixo nível de
sinal em presença de vários tipos de perturbação, principalmente os sinais
espúrios gerados nos próprios equipamentos e denominados ruído.
As técnicas de criação, transmissão e recepção de sinais são baseadas
nas propriedades matemáticas desenvolvidas através da análise espectral,
também conhecida como análise de Fourier. E, para caracterizar o canal, é
necessário utilizar as propriedades dos Sistemas Lineares. Assim, o presen­
te texto começa com os fundamentos da análise de Fourier e dos sistemas
lineares, apresentados no capítulo 2 .
A principal técnica utilizada na criação de sinais adequados à trans­
missão a longa distância é denominada modulação e consiste em associar a
informação aos parâmetros de uma senóide - amplitude, frequência e fase.
No capítulo 3, apresentam-se os princípios da modulação e, em particular,
as propriedades da modulação de amplitude e de frequência. A informação
considerada é, tipicamente, a informação sonora, que dá origem a um sinal
contínuo, também denominado analógico. Neste caso estas técnicas de mo­
dulação podem ser vistas como técnicas de transmissão analógica.
As modulações também podem ser usadas para transmitir informação
de natureza digital, ou seja uma informação que se reduz a um número
restrito de estados em um determinado instante de tempo. Esta informação
é tipicamente originada nos teclados e telas dos dispositivos e, através de
um processo de codificação, é transformada em uma sequência de estados
binários, ou bits. Uma forma semelhante de codificação também pode ser
feita para uma informação analógica, como sinais de voz ou vídeo, configu-
rando-se neste caso um processo de digitalização. As técnicas de codifica­
ção de mensagens são apresentadas no capítulo 4.
As sequência de bits geradas a partir de uma informação analógica
ou digital, podem então ser transmitidas através de pulsos ou portadoras
senoidais, tendo-se, neste caso, uma transmissão digital. No capítulo 5, são
descritas as técnicas de transmissão digital, incluindo a transmissão em
banda básica através da Modulação de Pulsos em Amplitude (PAM) e as
principais modulações utilizadas, conhecidas pelas siglas ASK (Amplitude
Shift Keying), PSK (Phase Shift Keying), QAM (Quadrature Amplitude
Modulation) e FSK (Frequency Shift Keying). Uma breve análise do efeito
de distorções lineares e de sua relação com a ocupação espectral é feita no
final do capítulo.
Capítulo 1 | INTRODUÇÃO | 3

A parte final do texto aborda o desempenho das técnicas de transmis­


são da informação em presença de ruído. Para isso, o ruído, presente nos
receptores de todo sistema de telecomunicações, é caracterizado no capí­
tulo 6 , sob aspectos teóricos e práticos. E, nos capítulos seguintes, o desem­
penho dos diversos sistemas de transmissão, analógicos e digitais, é ana­
lisado. O capítulo 7 trata, essencialmente, de calcular a razão sinal-ruído
na saída dos receptores dos sistemas analógicos enquanto no capítulo 8 ,
são desenvolvidas as expressões para cálculo da probabilidade de erro nos
sistemas de transmissão digital. Ao final, é desenvolvido um modelo para a
análise comparativa de desempenho dos sistemas.
C O R T E S IA
D A E D IT O R A
2
Análise de Sinais e Sistemas

Neste capítulo serão apresentados os conceitos básicos relacionados


a sinais e sistemas lineares, começando pelo conceito de sinal e de suas
propriedades.

Sinal
O problema básico das telecomunicações é a transmissão de mensa­
gens através de sinais. Um sinal é uma sequência de valores relacionados a
instantes de tempo, contendo uma mensagem, ou informação, a ser trans­
mitida. Em geral, os valores que constituem um sinal são convertidos em
valores de tensão ou corrente elétrica para que possam ser transmitidos
através de um meio físico.
As mensagens podem ser de natureza contínua ou discreta e, em prin­
cípio, são representadas, respectivamente, por sinais analógicos e sinais
digitais.

Sinal analógico
Um sinal é dito analógico quando seus valores podem variar de for­
ma contínua, de modo a representar uma mensagem de natureza contínua.
Assim, em um determinado instante, o sinal analógico pode apresentar um
número infinito de valores, mesmo se estes valores estiverem limitados por
um valor máximo e um mínimo.
6 | PRINCÍPIOS DE COMUNICAÇÕES

Um exemplo de sinal analógico é a sequência de valores de tensão na


saída de um telefone. Esses valores acompanham as variações de intensi­
dade da voz do locutor, que ocorrem de forma contínua, como ilustrado na
figura 2 . 1 .

Figura 2.1 Exemplo de sinal analógico: sinal de voz.

Sinal Digital
Um sinal digital apresenta apenas um conjunto finito de valores en­
tre um máximo e um mínimo, representando uma mensagem de natureza
discreta. Um exemplo típico de sinal digital é aquele que representa a men­
sagem gerada por um teclado de computador. Sabemos que cada tecla é
associada a uma sequência de valores binários [bits), representados por 0 e
1, como ilustrado na figura 2 .2 (a).
Diversos tipos de sinal digital podem ser criados para transmitir as
sequências correspondentes a cada tecla. Na figura 2 .2 (b) temos um sinal
digital com 2 níveis, onde o bit 0 corresponde à tensão - 1 volt e o bit 1 à
tensão 1 volt. Na figura 2 .2 (c) temos um sinal digital com 4 níveis de tensão,
-3 , -1 , 1 e 3 volt, cada nível representando um par de bits.
C O K í fcülA
DA ED ITO R A
Capítulo 2 | ANÁLISE DE SINAIS E SISTEMAS | 7

A: 0 0 0 1 0 0 1 1
B: 0 0 1 0 0 0 1 1
(a) C: 0 0 1 1 0 0 1 0
etc.

1 0 0 1

Bits Amplitudes

(b) 0 —► -1
i t
1

ãi
10 01 11 00

Bits Amplitudes

(c) 00 — ► —3
t
01 — ► -1

10 — ► 3

11 — ► 1

Figura 2.2 Exemplo de sinal digital: sinal que representa os caracteres de um computador;
(a) codificação do teclado; (b) sinal binário; (c) sinal multinível.

Conversão A/D
Sinais analógicos podem ser digitalizados através de um processo de
amostragem e discretização. Este processo, também conhecido como con­
versão Analógico/Digital ou Conversão A/D, surgiu com o chamado siste­
ma PCM - sigla de Pulse Code Modulation. O sistema PCM foi utilizado
para digitalizar sinais de voz para telefonia e assim permitir a transmissão
de sinais de voz na forma digital.
8 I p r in c íp io s d e c o m u n i c a ç õ e s

Representação temporal e espectral


Pela própria definição, um sinal é representado por uma função do tem­
po, como se vê nas ilustrações das figuras 2.1 e 2 .2 . No entanto, para análise
de propriedades físicas importantes no processo de transmissão dos sinais,
é conveniente desenvolver uma outra forma de representação dos sinais,
denominada representação espectral. Esta representação é desenvolvida
expressando-se um sinal como a soma de senoides de diferentes amplitudes
e frequências, e determinando a função amplitude versus frequência destas
senoides. Esta técnica é denominada Análise de Fourier, e será estudada ao
longo deste capítulo.

2.1 SERIE DE FOURIER


Seja g T (f) um sinal periódico de período T0. Este sinal pode ser expres­
so como uma soma infinita de senos e cossenos da seguinte forma:

8 t0W = ao + Z Qn cos (2 ti nf0t) + bnsen[2n ( 2 . 1)

onde

( 2 . 2)

(2.3)

a,n (2.4)

,00
(2.5)

A expressão (2 . 1) é chamada Série de Fourier na forma trigonométrica.


Capitulo 2 | ANÁLISE DE SINAIS E SISTEMAS | 9

Em resumo, podemos mostrar que qualquer função periódica pode ser


obtida por uma soma de senoides de frequências múltiplas de uma frequên­
cia denominada frequência fundamental, que é igual ao inverso do período
T0da função. As senoides cujas frequências são múltiplas da frequência
fundamental (/=n/0) são denominadas componentes de frequências harmô­
nicas ou, simplesmente, harmônicos. Para que a soma de senoides repro­
duza a função, as amplitudes das senoides devem ser calculadas através de
(2.3), (2.4) e (2.5).
A figura 2.3 ilustra o significado da série de Fourier. A figura mostra a
aproximação de uma função periódica - representada no gráfico (a); com
apenas 2 termos da série - gráfico (b); e com 3 termos da série - gráfico
(c). Observamos que, com 3 termos, a aproximação já começa a esboçar a
função original. Pode-se mostrar que, à medida que aumenta o número de
termos da série, a aproximação fica cada vez melhor.

-*
t

Figura 2.3 Aproximação pela série de Fourier - ilustração.

A série de Fourier dada por (2 . 1 ) pode ser representada de forma mais


compacta, usando números complexos. Sabemos que

e >* + e -J*
cos(0 ) = ------------- (2 .6 )
2

p i<P_ i
sen(0 ) = (2.7)
2/
10 I p r in c íp io s d e c o m u n i c a ç õ e s

Usando estas duas propriedades em (2 . 1 ) e fazendo algumas manipulações,


chegamos à seguinte expressão:

(2 .8)
n = —o®

onde

cn = ^r\ g T (t)e ,2Knf<)tdt; n = 0,±X±2,...co (2 .9 )


T0 J-T2

Podemos verificar que

c0 = a0-, cn = - [ a n - jbn); *0 (2 . 10 )

Podemos verificar também que, se g T (t) for uma função real, cn = c_n*.1

Espectro de frequências
A função que relaciona os coeficientes cn às frequências/^ é denomina­
da espectro de frequências. Como em geral os coeficientes cn são números
complexos, temos 2 tipos de espectros: o espectro de amplitude \cn \ - cor­
respondente ao módulo do coeficiente - e o espectro de fase < cn, corres­
pondente à fase do coeficiente. A figura 2.4 ilustra o espectro de amplitude
de um sinal periódico.

|C„|

Figura 2.4 Espectro de amplitude de um sinal periódico.

1 O símbolo * no tpo de uma letra significa complexo conjugado.


Capítulo 2 | ANÁLISE DE SINAIS E SISTEMAS | 11

Exemplo 2.1 - Série de Fourier complexa de uma sequência de pulsos


retangulares
Neste exemplo, desenvolvemos o cálculo da série de Fourier complexa
para a sequência de pulsos retangulares mostrada na figura 2.5. Aplicando
(2.9), temos

• =— í* Aé~'2ltnf°ldt = — ---- -----Fe-'2“ * !


T0 J - r T0 -j2 n rifn L
Tn -I-

Após algumas manipulações, chegamos a

r AT^ sen[nnf0T )
cn = ( 2 . 11)
nnf0T
V u 7

------ 1------- ,-------- 1------------ 1--------1--------1------------ 1----------------1—


! -7/2 0 7/2 t
U-------- T0 -------- >\

Figura 2.5 Sequência periódica de pulsos retangulares.

Função sinc
Uma função muito importante na análise de sinais é a função sinc(x)
definida como

. , . sen(7ix)
smc(x) = ---------- ( 2 . 12)
nx

Esta função está representada na figura 2 .6 . Note que a função sinc(x)


se anula para valores inteiros de x, pois sen(nTr) = 0 para n inteiro. Porém,
para n= 0 , resolvendo a indeterminação (0 / 0 ), chegamos ao valor 1 .
12 [ PRINCÍPIOS DE COMUNICAÇÕES

Figura 2.6 Função sinc.

Expressando (2 . 11 ) através da função sinc obtemos

cn = A ^ rS w c{T f)\ (2.13)

O espectro de amplitude é dado por

h l = A d si™(Tf)\f=nfo (2.14)

e está representado na figura 2.7 para o caso em que T = 2 . Note que,


neste caso,/0= 1/( 2 T).
Capitulo 2 | ANÁLISE DE SINAIS E SISTEMAS | 13

Figura 2.7 Espectro de amplitude para a sequência periódica de pulsos retangulares.

2.2 TRANSFORMADA DE FOURIER


Considere uma função periódica g T (í) formada pela repetição de uma
função g[t) em intervalos regulares iguais a T0, onde T0 é maior do que a
duração de g[t), como ilustrado na figura 2 .8 . Pode-se verificar que, como
no intervalo [-T0/ 2 , T J 2 ] ,g T (í) = g[t), a expressão (2 .9 ) que calcula os coefi­
cientes da série, é equivalente a

cn = ^ r\ g{t)e~'2KnUn = 0,±l,±2,...°o (2.15)


10 J-oo

Alternativamente, podemos escrever

Tocn = GU)\f=nf0 (2.16)

onde

G (/) = J_“ g(í)e^'2^ d f (2.17)


14 | PRINCÍPIOS DE COMUNICAÇÕES

-V 2 0 T./2 T0

Figura 2.8 Sinal periódico g T(t) formado pela repetição de um sinal g(t).

Observamos, portanto, que os coeficientes da série de Fourier de (f)


podem ser obtidos a partir das amostras de G(J) em / = nf0, como ilustrado
na figura 2.9.

-3f„ -2f0 -f0 0 f0 2f0 f

Figura 2.9 Espectro do sinal periódico g T (t) obtido a partir das amostras de CU).

Aumentando o valor de T0, diminui o valor de / 0 e assim, como ilustrado


nas figuras 2 . 10 (a) e (b), as componentes de frequência correspondentes às
amostras de G(/) vão ficando cada vez mais próximas. No limite, quando T0
tende a infinito, as frequências harmônicas podem assumir qualquer va­
lor, as amostras se tornam contínuas e o espectro de frequências é a própria
função contínua G{f).Este espectro é o espectro da função g(f), pois ob
mos através da figura 2.8 que se Tg
-*•oo a função periódic
função g[t) (se as repetições só ocorrem depois de um intervalo infinito, isto
significa que não ocorrerão).
Capitulo 2 | ANÁLISE DE SINAIS E SISTEMAS | 15

Figura 2.10 Espectro do sinal periódico gT^(t) obtido a partir das am


que aumenta o valor de T0- em (b) T0 tem o dobro do valor observado em (a).

A função G(/) dada por (2.17) recebe o nome de Transformada de Fourier


da função g(í) e, como se viu nos exemplos, permite determinar os coeficien­
tes da expansão de Fourier da versão repetida desta função. Pode-se verificar,
ainda, que se T -* oo, o somatório em (2 .8 ) tende à integral

g ( t ) = j y i f ) e - i2Kftdf • (2.18)

que é a Transformada Inversa de Fourier.


A Transformada de Fourier pode ser vista como uma versão contínua
do espectro de frequências do sinal, ou seja, valores complexos que permi­
tem determinar a amplitude e a fase das componentes de frequência do si­
nal. A transformada inversa corresponde à expressão do sinal como a soma
contínua (integral) de suas componentes. No quadro a seguir são mostradas
as expressões para o par de transformadas de Fourier e a notação usada
para representar estas transformadas.
16 | PRINCÍPIOS DE COMUNICAÇÕES

Transformada de Fourier

G [ f ) = f °° g[t)e~’ 2K^dt
J — oo

g(í) - í " G (f)el**df


J —OO

*)t[g* G[f)
G[f) = )]
g[ t ) = F - ‘ [G(/)]

Exemplo 2.2 - Transformada de Fourier de um pulso retangular


A transformada de um pulso retangular de amplitude unitária e du­
ração T, centrado em t = 0 e representado na figura 2 . 11 , pod
calculando-se a integral em (2.17), que neste caso se reduz a

C T/2
G (/)= Ae~' 2lt/ídt = AT- sinc [Tf) (2.19)
J -T/2

O espectro está mostrado na figura 2 . 12 .

4--------- T ---------»

Figura 2.11 Pulso retangular simétrico.


Capítulo 2 | ANÁLISE DE SINAIS E SISTEMAS | 17

Observando as duas figuras, vemos que a transformada de Fourier de


um pulso retangular simétrico em relação à origem é dada pela função sinc
com as seguintes características: (i) seu valor máximo é igual ao produto da
amplitude pela duração do pulso; (ii) seus nulos ocorrem em múltiplos do
inverso da duração do pulso.

Figura 2.12 Transformada de Fourier de um pulso retangular de amplitude A e duração T.

Exemplo 2.3 - Transformada de Fourier de um Pulso Exponencial


O pulso exponencial representado na figura 2.13 é definido como

1 >0
g(t) =e~atu(t); onde u[t) = < ( 2 . 20 )
0 f <0

Figura 2.13 Pulso Exponencial


18 I PRINCÍPIOS DE COMUNICAÇÕES

Aplicando (2.17) temos


oo
1 p-[a+ ;'2lt f ] t
G [ f ) = r e- ate - ’ 2nftdt= r e-[a+i2nf]tdt -[a +/ 2TC/] C
J0 0 0

Substituindo os limites de integração, obtemos

( 2 . 21 )

O espectro de amplitude correspondente é dado por

( 2 . 22 )

e está representado na figura 2.14. Deve-se observar que, quanto maior o


valor de a, mais rápido é o decaimento da função e oí e |G(/) | se espalha
para frequências mais altas.

|C (0|

-a/2tt 0 a/2n f

Figura 2.14 Espectro de amplitude de um pulso exponencial.

Exemplo 2.4 - Transformada de Fourier de um pulso exponencial


duplicado
Para o pulso exponencial duplicado mostrado na figura 2.15, e expres­
so por
Capítulo 2 | ANÁLISE DE SINAIS E SISTEMAS | 19

g(t) = e~a|t|; 0 (2.23)

a integral de Fourier pode ser colocada da seguinte forma:

G (/) = J ° eaté~i2nftdt + J ~e-ate~>2nftdt


Resolvendo a integral, obtemos

2a
G(/) = (2.24)
a 2 + (2KfY

Figura 2.15 Pulso exponencial duplicado.

2.3 PROPRIEDADES DA TRANSFORMADA DE FOURIER

Propriedade 1 - Relação entre série e transformada de Fourier


Observando (2.16) podemos estabelecer a seguinte propriedade: os coe­
ficientes {cn} da série de Fourier de uma função periódica pela
repetição, com período T0, de uma função g(t), cuja duração é menor do que
Tg, podem ser obtidos através da transformada de Fourier de g(t), de acordo
com a seguinte expressão:

Cn = /o G W í 2 -2 5 )

onde / 0 = 1/T0 e G(f) é a transformada de Fourier de g(t).


20 | PRINCÍPIOS DE COMUNICAÇÕES

Propriedade 2 - Transformada de Fourier de uma função real


Se g(t) for uma função real, então

G*[f) = G(-f) (2.26)

Para demonstrar a expressão, basta desenvolver o conjugado da inte­


gral em (2.17).
Escrevendo

G[f) = I Ge |
W) (2.27)

onde |G{f] \ é o espectro de amplitude e é o espectro de fase, e


substituindo em (2.26) obtemos

|G(f) |e-m = |Gf-f) |eie<-V (2.28)

o que resulta em

\G(f)\=\G(-f)\ (2.29)

d(-f) = - 9 ( f ) (2.30)

Ou seja, o espectro de amplitude de uma função real no domínio do tempo


é uma função par no domínio da frequência, e o espectro de fase é uma
função ímpar.

Propriedade 3 - Linearidade
Se
g 1(f) Gt ( f )
g 2( t ) ^ G 2(f) (2>31)

então, para duas constantes a e b,

agiít) + b g 2 [t) <-> aG1[ f ) + bG2


(/)
Capítulo 2 I ANÁLISE DE SINAIS E SISTEMAS | 21

Esta propriedade decorre diretamente da definição da transformada


de Fourier e significa que:

(i) atransformada de Fourier de uma soma de funções é a soma das


transformadas de cada função-,

(ii) se uma função é multiplicada po r uma constante, sua transformada


também é multiplicada pela mesma constante.

Propriedade 4 - Mudança de escala


Seg(í) ♦+ G [f) , e n t ã o

g[at) <-> prG T (2.33)


|a| , a >

No caso particular em que a = - 1 , (2.33) se reduz a g (-í) «->• G (-/).


A figura 2.16 apresenta uma ilustração da propriedade da mudança
de escala. Observamos que a função g[2t) corresponde a uma compressão
do sinal no domínio do tempo, enquanto a função 2 ) corresponde a
uma expansão no domínio da frequência. Comprimir o sinal no domínio
do tempo faz com que este sinal varie mais rapidamente, e assim seu es­
pectro terá componentes de frequências mais altas, como indica o alarga­
mento do espectro mostrado na figura 2.16(d).
22 | PRINCÍPIOS DE COMUNICAÇÕES

Figura 2.16 Ilustração da propriedade de mudança de escala (contração e expansão): (a)


sinal original; (b) sinal comprimido; (c) espectro original; (d) espectro expandido.

Propriedade 5 - Dualidade
Seg(f) «• ,)f{Gentão

G{t) ** gl-f) (2.34)

Para demonstrar esta propriedade, basta analisar as expressões das


transformadas direta e inversa dadas por (2.17) e (2.18).

Exemplo 2.5
Neste exemplo será calculada a transformada de Fourier de g(t) =
Asinc{2Bt) da função representada na figura 2.17, usando as propriedades
da dualidade e da linearidade.
Capítulo 2 | ANÁLISE DE SINAIS E SISTEMAS | 23

Figura 2.17 Asinc(2Bt).

No Exemplo 2.2, obtivemos a transformada de Fourier de um pulso


retangular centrado em t= 0 de amplitude A e duração T. Vam
este pulso como

g(í)=A -rect

onde

rect(f) = X < t < Yi


(2.35)
fora

Assim,

A-rect
lí ATsioc[T (2.36)

Pela propriedade da dualidade,


(
AT sinc(rf) A-rect (2.37)

Fazendo T = 25 e observando que a função rect é par, vem

2AB •sinc(2Bf) A- rectw (2.38)


[2 B
24 I PRINCÍPIOS DE COMUNICAÇÕES

e daí
\
A ■sinc(2Bf) <->— rect f_ (2.39)
2 2B

O espectro está mostrado na figura 2.18.

Propriedade 6 - Deslocamento no tempo

Seg(í) ■*-*■ eG
[f), ntão

g [ t - t 0) < ^ G [ f ) e - '2KtJ (2.40)

Utilizando a representação introduzida em (2.27), temos

g { t - t 0) <H>|G(/)|e/e(/)- ' 2,tí°/ (2.41)

Ou seja: se um sinal for deslocado no tempo de um intervalo tfí, sua trans­


formada de Fourierfica multiplicada pela exponencial complexa Isto
significa que o espectro de amplitude do sinal (dado pelo módulo do espec­
tro) não se altera, e o espectro de fase tem uma parcela adicional, que varia
linearmente com a frequência.
Capítulo 2 | ANÁLISE DE SINAIS E SISTEMAS | 25

Exemplo 2.6
Neste exemplo, serão calculadas duas transformadas para ilustrar a
propriedade do deslocamento no tempo. Primeiramente, consideremos o
pulso retangular da figura 2.19. Podemos observar que este pulso pode ser
visto como o pulso 2lrect(f/T) da figura 2.11 deslocado no tempo de 2,
isto é,

(2.42)

g(o

o 7

Figura 2.19 Pulso retangular com início em t = 0.

Como
( t\
A rect — <-» AT- sinc(T/) (2.43)
K1 T

então, aplicando-se a propriedade 6, obtemos

G{f) = ATsm c{Tf)e~in'ir (2.44)

Para o pulso da figura 2.20, podemos escrever


26 [ PRINCÍPIOS DE COMUNICAÇÕES

Figura 2.20 Pulsos retangulares deslocados e invertidos.

Aplicando a propriedade do deslocamento, obtemos

G[ f ) = AT -sinc{Tf)[el!rTf - e~jnT^ J = AT -sinc{Tf)2jsen{n:Tf) (2.46)

O espectro de amplitude correspondente está mostrado na figura 2.21.

Figura 2.21 Espectro de amplitude da soma de pulsos retangulares deslocados e invertidos.

Propriedade 7 - Deslocamento na frequência


Se g(f)<-> G[f), então
Capítulo 2 | ANÁLISE DE SINAIS E SISTEMAS | 27

g ( í) e W o í H G ( / - / 0) (2.47)

Esta propriedade pode ser demonstrada através da manipulação do


integrando em (2.17). Ela pode ser deduzida também pela aplicação da
Propriedade 5 (dualidade) à Propriedade 6 (deslocamento no tempo).

Teorema da Modulação
A Propriedade 7 permite calcular a transformada da função

x(f) = g[t) cos(2?r/0f) (2 .4 8 )

Usando (2.6) em (2.48), temos

g(í)cos(2;r/0f ) = ^ ( e /2;r/ot +e‘ ;2* /o<) (2.49)

Aplicando a Propriedade 5, obtemos o Teorema da Modulação, de


grande importância para os sistemas de telecomunicações:

g(f)cos(27r/0f) < ^ ^ [ G ( / - / 0) + G ( / + / 0)] (2.50)

Este resultado tem o seguinte enunciado: quando se multiplica um si­


nal por um cosseno de frequência f 0, o espectro resultante é o espectro ori­
ginal dividido por 2 e deslocado no eixo das frequências de ± f Q. O teorema
da modulação está ilustrado na figura 2.22.
28 | PRINCÍPIOS DE COMUNICAÇÕES

-- ►
f

Analogamente, temos

g[t)sen{2 kf 0t) = \e)2n fot - e ;27t /of]


27

g{t)sen[2nf 0t) - f 0) - G [f + )]
27 (2.51)

g(t)cos[2nf0t + Q)= l ^ l [ e^ / o f+e) + e-(/ 2* / 0t+e) j

g[t)cos(2ji f 0t+ 6 ) ^ [ G [ f - / 0)e'e - + / 0)e ';'e] (2.52)


Capítulo 2 I ANÁLISE DE SINAIS E SISTEMAS | 29

Exemplo 2.7
Neste exemplo, será calculada a transformada de Fourier de um cosse­
no truncado, como mostrado na figura 2.23, e expresso por

y\cos( f 0t) - T / 2 < t < T /2


x(t) =
{0 fora

Figura 2.23 Cosseno truncado.

Como indicado na figura 2.23, podemos escrever x(t) na forma

x(£) = Arect COS(27t/0f) (2.53)


T ,
V

Como

A recti <-4 AT ■sinc(7]f) (2.54)


r

usando o teorema da modulação, obtemos

X [f)= ^ [s in c [r (/ - /o ]] + s i n c [ r ( / + f 0)]} (2.55)

O espectro correspondente está mostrado na figura 2.24.


30 | PRINCÍPIOS DE COMUNICAÇÕES

Figura 2.24 Espectro de um cosseno truncado.

8 - Espectro em f e valor médio do sinal


Se g(t) <-* G(/), então

íg(í)<#=G(0) (2.56)
J —oo

Ou seja: o valor da transformada de Fourier =0 o valor da inte­


gral do sinal ao longo de toda sua duração.
O valor médio do sinal ao longo do tempo é definido como

^ 7 j > í)df (2 .57 )

Um sinal que oscila em torno de zero, de tal forma que a soma dos valores
positivos é igual à soma dos valores negativos, tem média nula. Observando
(2.57) e (2.56), verificamos que um sinal só tem média nula se seu espectro
for nulo e m /= 0.
Uma propriedade dual da propriedade 8 é

Í G [ f ) d f = g[ 0) (2.58)
J—
oo
Capítulo 2 | ANÁLISE DE SINAIS E SISTEMAS | 31

Propriedade 9 - Diferenciação
Se g[t) « G(/), então

^ - g W « ; 2 n /G (/) (2.59)

Ou seja: ao se aplicar a derivada a um sinal no domínio do tempo, seu espec­


tro fica multiplicado por j2nf.

Propriedade 10 - Integração
Se g[t) «• G(/), e

(2.60)

então

(2.61)

Ou seja: ao se fazer a integração no domínio do tempo de um sinal com va­


lor médio nulo, seu espectro fica dividido por j2nf.
Se o sinal não tiver valor médio nulo, haverá um termo adicional na
transformada de Fourier, constituído pela função impulso a ser definida na
Seção 2.4.1.

Propriedade 11 - Convolução
Define-se a convolução de duas funções gt(f) e g2(t) como

A convolução é uma operação linear e comutativa, isto é,


gft) * g2[t) = g2{t) * gft) com a seguinte propriedade: se gft) * g2{t) = c[t),
então

g2{t) = g1[t)* g2[t-t0) = c[t-t0) ( 2 . 63 )


32 I PRINCÍPIOS DE COMUNICAÇÕES

Ou seja, quando se desloca uma das funções no tempo de um valor, a convo-


luçãofica deslocada do mesmo valor.
A propriedade da convolução pode ser enunciada da seguinte forma:
Se
g f t ) <-» G jí/)

g 2[t) G2( / )

então

g iit)* g 2{t) <-» (2.64)

Ou seja: a transformada de Fourier da convolução entre duas funções é igual


ao produto das transformadas de cada uma das funções.

Exemplo 2.8
Neste exemplo, é calculada a convolução entre dois pulsos retangulares
de amplitude unitária. O cálculo é ilustrado passo a passo na figura 2.25, onde
o valor da integral de convolução é obtido visualmente, através do cálculo da
área sob a curva correspondente ao integrando. O resultado final mostra que
a convolução de dois pulsos retangulares de duração T é um pulso triangular
de duração 2T. Isto é,

(2.65)

onde

( 2 . 66 )

Aplicando (2.19) e (2.64), verificamos que

tri (y )= y rect )* rect ( f ) ^ T’sinc2(Tf)


Capitulo 2 | ANÁLISE DE SINAIS E SISTEMAS | 33

dt) = g1(t)*g2(t) = f gi(a)g2(‘ - <*><**


J —
oo
g,w

0 7 t 0 T t

fi *

c(f)= 1 x [7 - ( t - 7 )) =27 - t
T< t < 27

T*

'' »
0 t-7 7 0 7 27

ik
0 t < Q; t > 27 7 y/lS.
d t)* t 0 < t <7 11 \
y/
27-1 7 < t< 27 X 1 \
lo 7 27 t

Figura 2.25 Convolução entre duas funções retangulares.


34 I PRINCÍPIOS DE COMUNICAÇÕES

Exemplo 2.9
Neste exemplo, é calculada a convolução entre um pulso retangular e
um pulso exponencial. O cálculo é ilustrado passo a passo na figura 2.26 e,
neste caso, as integrais de convolução são calculadas analiticamente.

dt) = Jo'e-w- “>< fa= i(l-e-£*)


(Ktsr
J

0 t T à f?

c(t)= | -1
J0

Figura 2.26 Convolução entre um retângulo e uma exponencial.


Capítulo 2 | ANÁLISE DE SINAIS E SISTEMAS | 35

Propriedade 12 - (dual da propriedade 11)


Se

giit) <-» Ga( / )

g 2{t) <-> G2( / )

então

g iit ) g 2{t)Gi ( / ) * G 2( / ) (2.67)

onde

G,(/) * G2( / ) = J “ G1(a)G2( / - a ) d a (2.68)

Propriedade 13
Se g i {t) ^ Gl[ f ) e G2( / )
então

J _ g î ( f ) g 2 (Í)C?Í = J ( / ) G 2 ( / ) d / (2.69)

No caso particular em que g1(t) = g2(t), tem-se o Teorema de Parseval

j y i t f d t - j y v f d f (2.70)

Como será visto na Seção 2.6, a integral do módulo ao quadrado de


um sinal no domínio do tempo em [-0°, °°] fornece a energia deste sinal.
Assim, o teorema de Parseval é bastante importante, pois permite calcular
a energia de um sinal integrando no domínio do tempo ou no domínio da
frequência.
36 I PRINCÍPIOS DE COMUNICAÇÕES

2.4 TRANSFORMADAS DE FOURIER DE SINAIS DE


ENERGIA INFINITA
A condição para o cálculo da integral de Fourier definida em (2.17) é
que o sinal g[t) tenha energia finita, isto é,

< oo
(2.71)

Assim, em princípio, sinais com valores constantes em um intervalo de du­


ração infinita ou sinais periódicos, não teriam transformada de Fourier. No
entanto, através da definição de uma função denominada função impulso,
pode-se estender a aplicação da transformada de Fourier a estes sinais. A
função impulso será definida a seguir.

2.4.1 Função Impulso


A função impulso no instante t = t0 ê uma função cujo valor é infinito
nesse instante e é diferente de zero fora. Além disto, sua integral, ou área sob
a curva, é finita. O gráfico da função impulso é usualmente representado por
uma seta vertical no ponto correspondente ao instante t0 e um número entre
parênteses igual à integral do impulso. A seguinte definição formal é usual­
mente feita para uma função impulso de área unitária em 0, representada
por <5(f):

<S(f) = 0; 0
(2.72)
\ô{t)dt = 1

A figura 2.27 ilustra a representação da função impulso.


Capítulo 2 I ANÁLISE DE SINAIS E SISTEMAS | 37

AÒ(t - O Ô(t)

-> >
to í o t
Figura 2.27 Função impulso.

Da definição apresentada, resulta que a integral de uma função impulso


Aô[t-tg) ao longo de um intervalo [í1 f2] pode ser igual a ou 0, dependendo
de o intervalo conter ou não o instante tg. Em particular, a integral desta fun­
ção impulso de -oo até um instante t qualquer será nula se e se í > f0.
Considerando um impulso de área unitária, podemos escrever

|0 f <0
S [ a ) d a = u(f)
í 1 t>0
(2.73)

onde u(t) éa função degrau unitário representada na figura 2.28.

Figura 2.28 Função degrau unitário.

Portanto, a função degrau é a integral da função impulso e, consequen­


temente, a função impulso pode também ser expressa como a derivada da
função degrau, isto é,

du[t)
S{t) = (2.74)
dt
38 I PRINCÍPIOS DE COMUNICAÇÕES

A função impulso pode também ser vista como o limite de uma função
que vai se comprimindo sem mudar a sua área. O caso mais simples é o
de um pulso retangular de amplitude igual ao inverso da duração T. Como
ilustrado na figura 2.29, quando diminui a largura do pulso, aumenta sua
amplitude, de forma que a sua área se mantém sempre constante e igual a
1. Formalmente, temos

\
S(t) = lim —rect — (2.75)
T—>° t y j1
)

^------- T
Figura 2.29 Pulsos retangulares de área unitária.

Propriedades da função impulso


O produto de uma função impulso por uma função qualquer g[t) resulta
em um impulso no mesmo instante, porém, com área multiplicada pelo va­
lor da função no instante considerado, isto é,

g[t )S {t - t 0) = g[t0)ô[t - t0) , (2.76)


4

Resolvendo a integral, obtém-se o valor da função no instante considerado,


ou seja,

j g [ t ) S [ t - t 0)dt= g[t0) j ô [ t - t 0)dt= g[t0) (2.77)


Capítulo 2 | ANÁLISE DE SINAIS E SISTEMAS | 39

A convolução de uma função impulso de área unitária no instante


com uma função qualquer é igual à própria função deslocada de um inter­
valo de tempo igual a tg. Isto é,

g[t) * ô [ t - t 0) = - t0)g[t - a ) d a = g [t - ) (2 . 78 )

Transformada de Fourier da função impulso


A partir da definição e das propriedades enunciadas anteriormente,
pode-se verificar que a transformada de Fourier de uma função impulso de
área unitária em í = 0 é igual a 1. Ou seja,

F [ô {t)]= ô [t)e’2* ftdt = e l2>rf0= 1 (2.79)

O par de transformadas está ilustrado na figura 2.30.

ii
6 (t) i (1) 1

< = >

0 "t 0 f

Figura 2.30 Transformada de Fourier da função impulso.

Pela propriedade da simetria, a transformada de Fourier de uma cons­


tante unitária é um impulso de área 1 e m /= 0, isto é,

(2 .8 O)

O par de transformadas está mostrado na figura 2.31.


40 | PRINCÍPIOS DE COMUNICAÇÕES

i
k 8 (0
1 i > (1)

< = >

0 í 0

Figura 2.31 Transformada inversa da função impulso.

Usando a propriedade 6 do deslocamento no tempo dada por (2.40) em


(2.79), temos

ô { t - t 0 )<r*e (2.81)

Usando a propriedade 7 do deslocamento na frequência dada por (2.47) em


(2.80), temos

(2.82)

2.4.2 Transformadas de Fourier Baseadas na Função Impulso


A definição da função impulso permite estender o cálculo da trans­
formada de Fourier a diversas funções que, em princípio, não satisfazem a
condição de energia finita dada por (2.71). A seguir, são apresentadas algu­
mas dessas transformadas.

Funções senoidais
Para calcular a transformada de Fourier de senoides de frequência f 0,
podemos escrever, observando (2.6), (2.7) e (2.82),

cos(27r/0f) = - + e -i2* U 1 [ô{+ ô ( f + /„


2 2

sen[2/lf0t ) ) « A [í( / - / „ ) - <5( / + /„)] (284)


2] 2]
Capítulo 2 | ANÁLISE DE SINAIS E SISTEMAS | 41

As duas transformadas estão representadas nas figura 2.32.

F [ c o s ( 2 tc f0t)]
AÍ1/2) A (1/2)

-i

F[sen(27t f0t)]
A(1/2j)

—►
-fo 0 f

\r (1/2j)

Figura 2.32 Transformadas de Fourier das funções cosseno e seno.

Função degrau unitário


Para obter a transformada da função degrau, vamos inicialmente obter
a transformada da função sgn(t) ilustrada na figura 2.33 e definida como

1 f>0
sgn[t)=u{t) -u[-t) = - 0 t = 0 (2.85)
-10f<

sgn(t) 1

-1
Figura 2.33 Função sgn(t).
42 | PRINCÍPIOS DE COMUNICAÇÕES

Podemos escrever

sgn(f) = limíe atu[t) - eaíu (-/)l


a->oL J

Usando (2.21) e a propriedade 4, obtemos

f{sgn(f)} =

Este resultado permite determinar a transformada de Fourier da função


degrau unitário u(f). Basta observar que

u[t) = \ + \ sgn(f)

e aplicar (2.85) e (2.80) para obter

u(f) < -> [/(/)- — +^8{f) (2.87)


;2 2

Exemplo 2.10 - Generalização da propriedade da integração


Neste exemplo, é deduzida a propriedade da integração para um sinal
g[t) de valor médio diferente de zero, isto é, G(0) * 0. Para isso, verificamos
inicialmente que a integral em (2.61) pode ser expressa através da convolu-
ção entre g[t) e a função degrau u(f), isto é,

g[a )d a = g{oc)u{t - a )d a = g(t) * u(f)



OO J —oo

Aplicando (2.64) e (2.87) chegamos a

g[a)da<r>G[f)U[f)
—oo
Capítulo 2 | ANÁLISE DE SINAIS E SISTEMAS | 43

Sinais periódicos
Sabemos que um sinal periódico de período T0 (frequência fundamen­
tal^ =1 /Tg),pode ser expandido em série de Fourier exponencial, de acordo
com (2.8), e (2.9). Aplicando a transformada de Fourier a (2.8) temos

F [g 5 W ]- X X cA f-nfo) (2.88)
n=— ° ° n=-oo

Observamos, portanto, que a transformada de Fourier de uma função perió­


dica de período T0 é uma sequência de impulsos no domínio da frequência
igualmente espaçados. O espaçamento entre os impulsos é igual à fre­
quência fundamental da série de Fourier. As amplitudes de cada impulso
são iguais aos coeficientes da série de Fourier da função periódica.

Trem de pulsos
Funções periódicas formadas pela repetição em intervalos iguais a T ,
de um pulso g{t) de duração menor que T0 são geralmente denominadas
trem de pulsos. Um trem de pulsos pode ser expresso por

5r0W “ X g{t-k T 0) (2.89)

A propriedade 2.1 estabelece, através de (2.25), que, conhecendo a


transformada de Fourier de g[t),podemos determinar
série de Fourier para um trem de pulsos gT
(í). Substi
temos, então,

F [ * t. ( í ) ] - £ / oG(”/ o« / - ¥ o) (2.90)
n=-oo

onde f 0 = 1/T0.

A figura 2.34 ilustra as expressões (2.89) e (2.90).


44 I PRINCÍPIOS DE COMUNICAÇÕES

(a) gTo(t)
g(t +T0) g(t) g(t-270)

— I---------- 1------------- 1------------1------------1----------- l - J à ---------------------------- ►


-2f0 -f0 0 f0 2f„ 3 f

Figura 2.34 (a) Trem de pulsos no tempo; (b) espectro do trem de pulsos.

Pela propriedade da dualidade podemos também estabelecer que, para


um espectro Gf(/) formado pela repetição periódica de um espectro
isto é,

(2.91)

o sinal correspondente no domínio do tempo será

oo

g a(t) = F - 1[Gfo{ f ) ] = Y l T0g(nT0)ô{t-nT0) (2.92)


n = -°o

As expressões (2.91) e (2.92) estão ilustradas na figura 2.35, onde podemos


observar que ga[t) é o sinal g[t) amostrado por impulsos de área T0.
Capítulo 2 | ANÁLISE DE SINAIS E SISTEMAS | 45

(a) &(t) "á I n


*
i \
\
X
T0g(t)
* ' ' '1
i J í


-----------------------------------------------------►
-2 T0
-T0 0 T0 3t

(b )C fo(0 ; f0>2 W
af+o c (f)af-Q G(f-2Q

( c ) C fo(0; f0<
2W
C (f+ 0

Figura 2.35 (a) Sinal amostrado por impulsos; (b) espectro do sinal amostrado por impulsos
para f0 > 2W; (c) espectro do sinal amostrado por impulsos para f0 < 2W.

O par de transformadas dado por (2.91) e (2.92) pode ser obtido de ou­
tra forma, como mostrado no exemplo a seguir.

Exemplo 2.11 - Transformada de Fourier de um sinal amostrado por


um trem de impulsos
Na figura 2.36 está representado um trem de impulsos, isto é, uma se­
quência de impulsos ao longo do tempo, regularmente espaçados de um
intervalo T0, e expressos analiticamente por

ôTo( t ) = ^ 8 ( t - k T 0)
k=-°o
46 I PRINCÍPIOS DE COMUNICAÇÕES

gr0(t)
S(í+T0) 8(t) 8(t-T0)

I I I
-370 -2T0 -T0 0
1
r0
I I2T0 t
.
Figura 2.36 Trem de impulsos.

Observando (2.79), verificamos que, neste caso, G[nf0) = 1. Substituindo


em (2.90), obtemos
oo

F K o(^ ] = (2.93)
n——
°°

Ou seja, a transformada de um trem de impulsos de mesma área no domínio


do tempo, com período T0, é um trem de impulsos de mesma amplitude no
domínio da frequência com período f 0 = 1/T Q.
O sinal amostrado por impulsos, expresso por (2.92), pode também ser
escrito como

gQ(f) = T0<5To(t)g(f)

Aplicando (2.93) e a propriedade da convolução, dada por (2.67), obtemos


para Ga[f) a mesma expressão de G/fl(/) dada por (2.91), levando à seguinte
conclusão: aamostragem de um sinal g(t) através de um trem de impulso
periódicos, de período Tg, corresponde a um trem de pulsos no domínio da
frequência, formado pela repetição do espectro G[f) com período 1/T .

Aplicação à digitalização de sinais analógicos


A propriedade expressa por (2.91) e (2.92) é fundamental para se en­
tender o processo da digitalização de um sinal analógico, o qual é precedi­
do de uma amostragem do sinal. Em termos ideais, a amostragem é feita
colhendo-se amostras periódicas do sinal e gerando impulsos com áreas
iguais a estas amostras. A expressão (2.91) e as figuras 2.35(b) e (c) nos di-
Capítulo 2 | ANÁLISE DE SINAIS E SISTEMAS | 47

zem que o efeito da amostragem de um sinal é replicar periodicamente seu


espectro de frequências em intervalos iguais à frequência de amostragem.
Note, observando as figuras 2.35(b) e (c) que, dependendo dos valores da
frequência de amostragem f 0 em relação à frequência máxima do sinal, W,
os espectros replicados podem ou não se superpor. Havendo superposição,
os espectros se somam e não seria possível restaurar o espectro original
G{f). Essa questão é a essência do teorema da amostragem, abordado na
Seção 2.7.

2.5 SISTEMAS LINEARES


Os sinais podem passar por diversas transformações entre sua geração
e sua observação final. Os agentes dessas transformações são denominados
sistemas de processamento ou, simplesmente, sistemas. Genericamente po­
demos representar um sistema através da equação

y (f)= f?[x (f)] (2.94)

onde x(í) é o sinal de entrada, ou excitação, e y[t) é o sinal de saída, ou


resposta do sistema. Na figura 2.37 mostra-se um diagrama típico usado na
representação de um sistema.

x(t) yit)
■* Sistema --------------- ►
resposta
Figura 2.37 Representação de um sistema linear.

Suponha que x^f) e x 2(f) são dois sinais de entrada em um sistema e


yjf) e y2[t) suas respectivas saídas, isto é,

y1(t) = R[x1(t)] (2.95)

y 2 {t) = R [x2 {t )] (2.96)


48 | PRINCÍPIOS DE COMUNICAÇÕES

Um sistema é linear se, para duas constantes quaisquer a1 e

fí[a^ (í) + a2x2(t)] = cy^f) + a2y2[t) (2.9 7)

Em resumo, um sistema linear obedece ao princípio da superposição: saí­


da correspondente a uma combinação linear de sinais de entrada é igual à
mesma combinação linear das saídas correspondentes a cada um dos sinais
individualmente.

2.5.1 Caracterização de Sistemas Lineares


Um sistema linear é geralmente caracterizado por sua saída quando a
entrada é uma função impulso. Este sinal de saída é denominado resposta
ao impulso. No caso mais geral, a resposta ao impulso pode depender do
instante da ocorrência do impulso. Porém, vamos nos restringir aos siste­
mas invariantes no tempo, cuja resposta é basicamente a mesma, indepen­
dentemente do instante de ocorrência do impulso. Ou seja, para os sistemas
invariantes no tempo, se a resposta a um impulso ó(f) (ocorrência em 0)
é h(t), a resposta a um impulso Ô{t-T) (ocorrência em a mesma fun­
ção atrasada de T, isto é, h[t-T). Sendo assim, a resposta a um impulso de
um sistema linear e invariante no tempo é, por definição, a resposta h[t) a
um impulso em f = 0. A figura 2.38 resume essas definições e propriedades.

x(t)=ô(t) yit) = h(t)


* h(t)

x(t)=ô (t - t0) yit) = h(t-t0)

Figura 2.38 Definições e propriedades de um sistema linear invariante no tempo.

Condição de causalidade
Para que um sistema linear possa corresponder a um sistema real, fisi­
camente realizável, sua caracterização matemática, através da resposta ao
impulso, deve atender à condição de causalidade, ou seja, não apresentar
saída antes de ser aplicada a entrada. Isto implica em
Capítulo 2 | ANÁLISE DE SINAIS E SISTEMAS | 49

h[t) = 0 para <0 (2.98)

Condição de Estabilidade
Sistema estável é aquele cuja saída é limitada para entrada limitada,
ou seja, se |x(t)| < o o , ly (t)l < o o . A condição necessária e suficiente
para a estabilidade é

(2.99)

2.5.2 Obtenção do Sinal de Saída em um Sistema Linear


Um sistema linear e invariante no tempo fica completamente determi­
nado pela sua resposta ao impulso. Isto significa que, através da resposta ao
impulso, pode-se determinar a saída y[t) de um sistema linear e invariante
no tempo para qualquer sinal de entrada x(t). O sinal y(t) será dado pela
convolução entre x(t) e h(t), ou seja,

y(í) = x(f) * h(t) = í - r)c?T ( 2 . 100 )


J —OO

Este resultado pode ser mostrado aproximando-se inicialmente a fun­


ção x(í) por uma sequência de degraus, como mostrado na figura 2.39. Esta
aproximação pode ser escrita como

x{t)=^x{kAt)p[t-kAt) (2.101)
jc=-~

Multiplicando e dividindo o somatório por Aí, temos


50 | PRINCÍPIOS PE COMUNICAÇÕES

( 2 . 102)

Usando o princípio da superposição, podemos escrever

y [t)= ^ x [k A t)q [t-k A t)A t (2.103)


k=-oo

onde q(t) é a resposta do sistema ao pulso u[t) = -2- p[t). Quando Af-+0,
u(í) —
>•ó (í), g(í) —
►/i(í) e o somatório tende a uma integral. Isto é,

oo o©

^ x[kAt)q[t - kAt)At—> ^ x[kAt)h{t - kAt)At —>J x[t)h[t - t ) d t =


k = -°° o®
-
k=

p(t) 1

-HAth-
^ x(IcAt)p(t-l(At)

i 1 1I1I 1I
0 Aí 2At 3At 4Aí

Figura 2.39 Aproximação de uma função qualquer por uma sequência de degraus.
Capítulo 2 | ANÁLISE DE SINAIS E SISTEMAS | 51

2.5.3 Função de Transferência


A transformada de Fourier da resposta ao impulso h(t), representada
por H{f] é denominada Função de Transferência ou Resposta de Frequência
do sistema. Aplicando a transformada de Fourier a (2.100) e usando a pro­
priedade 11 da transformada de Fourier expressa por (2.64), obtemos

Y[f) = H [f ) X ( f ) (2.104)

Note que, se o sinal de entrada for um impulso, isto é, x(f) = d(í), então
X{J) = 1 e, consequentemente, Y{fl = H[f), o que está de acordo com a defi­
nição de H{f).
A expressão (2.104) contém uma das principais motivações para a uti­
lização da análise de Fourier e da consequente caracterização dos sinais no
domínio da frequência. Observa-se que, através de (2.104), a operação de
um sistema linear pode ter uma interpretação muito simples: sua atuação no
sinal de entrada é caracterizada pela multiplicação do espectro de frequên­
cias deste sinal por uma determinada função, a função de transferência.
Assim, ao passar por um sistema linear, cada frequência do sinal de entrada
será atenuada ou amplificada de acordo com o valor da função de transfe­
rência para aquela frequência. Esta mudança dos níveis das componentes
de frequência produzirá um determinado efeito no domínio do tempo, que
poderá ser determinado aplicando-se a transformada inversa no produto re­
sultante. Em geral, H(f) é uma função complexa, e pode ser escrita como

(2.105)

onde \H(f)\ é a resposta de amplitude e (/) é a resposta de fase. Usando


esta expressão em (2.104), podemos escrever

(2.106)

(2.107)

onde 9x[f) e 0y(f) são os espectros de fase de x[t) e y[t).


52 I PRINCÍPIOS DE COMUNICAÇÕES

Se h(t) for uma função real, então, pela Propriedade 2 expressa em


(2.26), temos

H*(f) = H
(-f ) (2.108)

|H(/)| = |H(-/)| (2.109)

3
g

(2.110)
II
1

Observa-se, portanto, que a resposta de amplitude é uma função par, e a


resposta de fase é uma função ímpar.

Exemplo 2.12 - Resposta de um sistema linear a uma senoide


Este exemplo é bastante ilustrativo do significado da função de trans­
ferência. Consideremos inicialmente a exponencial x (í) = Este sinal
só tem uma componente de frequência, um impulso em / = f c, de acordo
com (2.82). Assim, ao passar pelo sistema linear de função de transferência
H{j), este impulso será multiplicado pelo valor de H{J) em f = f c, como mos­
trado na figura 2.40 (a). A operação descrita tem o seguinte desenvolvimen­
to matemático:

X [ f ) S [ f - f e) ( 2 . 111 )

Y[f) = H (f)õ [f - f e) = H [ f c)ô[f- f e )

Aplicando-se a transformada inversa, temos

ym - - fc] - m / je'“* (2.113)

Portanto, para uma entrada de frequência única, o sistema linear apenas


multiplica sua amplitude pelo valor da função de transferência na fre­
quência do sinal, não alterando sua forma, como ilustrado na figura 2.40(b).
Capítulo 2 | ANÁLISE DE SINAIS E SISTEMAS | 53

(b)
i2n frt H( fc )el2",rt
MÓ ---------►

Figura 2.40 Resposta de um sistema linear a uma exponencial complexa.

Para um sinal x[t) = Acos[2nfct), pode ser feito um desenvolvimento


semelhante. Note que

x[t) = - {ei2!rfc‘ + e m u ) (2.114


2

e assim o resultado obtido anteriormente pode ser usado para escrever

7«) - j h f c l e '* " + « ( - / > - ' * “ ] (2.115)

Aplicando (2.108), verificamos que o segundo termo dentro dos colchetes é


o conjugado do outro. Assim, temos

y(í) = - 2 R e [ H ( / c)e /2^ ] = A Re[|H (/c)|e;W/c)e '2?r/c(] (2.116)


2

e, finalmente,

y{t) = A\H{fc)\cos[2nfct + ß { f c)\ (2‘117)

Observa-se, portanto, que o efeito de um sistema linear sobre um sinal


senoidal de frequência f c é multiplicar sua amplitude pelo valor do módulo
da função de transferência (resposta de amplitude) e adicionar uma fase
igual ao valor da fase da função de transferência (resposta de fase), ambos
os valores calculados na frequência/ = / .
54 I PRINCÍPIOS DE COMUNICAÇÕES

2.5.4 Filtros
Como comentado na seção anterior, a operação de um sistema linear
leva a uma modificação nas componentes de frequência do sinal de en­
trada, resultando na atenuação ou na amplificação de cada uma das com­
ponentes, de acordo com a função de transferência. Este processo pode
ser usado para realizar uma filtragem, ou seja, uma forma de selecionar
determinadas componentes e rejeitar outras. Obviamente, para eliminar
determinadas componentes de frequência de um sinal, basta passá-lo por
um sistema linear que apresente uma função de transferência nula para
aquelas frequências. Assim, em geral um filtro ideal é um sistema linear
cuja função de transferência é nula em uma determinada faixa de fre­
quência que se pretende rejeitar e é constante em uma faixa que se pre­
tende selecionar. Note que, para as faixas de frequência em que o sinal de
entrada não apresenta componentes, a função de transferência não tem
influência no sinal de saída.
A seguir, serão definidos alguns filtros ideais típicos.

Filtro Passa-baixa
Um filtro passa-baixa ideal é um sistema linear que seleciona frequên­
cias no intervalo Nesta faixa, portanto, o valor da função de trans­
ferência tem um valor constante diferente de zero e fora dela tem valor
nulo. A função de transferência de um filtro passa-baixa ideal está repre­
sentada na figura 2.41.

H( f )

Figura 2.41 Filtro passa-baixa ideal.


Capítulo 2 | ANÁLISE DE SINAIS £ SISTEMAS | 55

Filtro passa-faixa
Um filtro passa-faixa ideal seleciona frequências nas faixas [ /1( f 2] e
[-/2, - / J , de acordo com a representação da figura 2.42.

H(f) i

-f: 1 ~u 0 f: 1

Figura 2.42 Filtro passa-faixa ideal.

Note-se que as respostas de amplitude especificadas para os filtros obe­


decem à Propriedade 2, ou seja, são funções pares.

Largura de faixa
A largura de faixa de um filtro, também chamada de banda passante, é
a largura da faixa do espectro em que as componentes de frequência são se­
lecionadas. Na realidade, convenciona-se que esta largura é medida apenas
para frequências positivas. Assim, a largura de faixa do filtro passa-baixa
representado na figura 2.41 é B = f ,e a do filtro passa-fai

Na prática, é impossível construir um filtro ideal, e os filtros reais têm


função de transferência que se aproximam das ideais. Neste caso, a largura
de faixa é definida através de algum critério. O mais comum é o critério de
3 dB, que define a largura de faixa pela frequência onde o espectro de am­
plitude é reduzido pelo fator 1/V2~, como ilustrado nas figuras 2.43 e 2.44.
Assim, para o filtro passa-baixa, a banda passante de 3dB corresponde ao
valor da frequência para a qual

M i
|H ( 0)|2 2

Para o filtro passa-faixa, a banda passante é a diferença entre os valores de


frequência que satisfazem a
56 I PRINCÍPIOS DE COMUNICAÇÕES

|m/)|2 i
|H(/)c|2 2

Figura 2.43 Largura de faixa de 3 dB de um filtro passa-baixa.

Figura 2.44 Largura de faixa de 3 dB de um filtro passa-faixa.

Transmissão sem distorção


Na transmissão de sinais para comunicação a longa distância espera-se
que os sinais cheguem ao destino com a mesma forma original, embora com
níveis de amplitude diferentes. Por outro lado, considerando que a transmissão
não é instantânea, é inevitável a ocorrência de atrasos neste processo. Assim,
podemos estabelecer a seguinte relação desejável entre entrada x[t) e saída
y[t) de um sistema linear que represente um meio de transmissão:

y[t) = k x [ t - t 0)

onde k é um fator de amplitude e tQé o atraso. No domínio da frequência,


isso equivale a
Capítulo 2 | ANÁLISE DE SINAIS E SISTEMAS | 57

Y [ f ) = k e ,2MjkX { f ) (2.119)

Observando (2.104), podemos escrever

H { f ) = k e i2nfto (2 .120)

que é a característica da função de transferência de um sistema linear que


não produz distorção. Esta característica está ilustrada na figura 2.45.

|H(0| -í
k

Figura 2.45 Função de transferência para transmissão sem distorção.

2.6 ENERGIA E POTÊNCIA DOS SINAIS


Como já observado na introdução deste capítulo, os sinais de comuni­
cação, são funções que representam matematicamente tensões e correntes.
Se g(t) é a função que representa a variação de uma tensão ou uma corren­
te ao longo do tempo, a potência instantânea dissipada por esta tensão ou
corrente em um resistor de lfi é dada por g 2[t) Como a energia é a integral
da potência, a energia dissipada neste mesmo resistor pela tensão ou pela
corrente representadas por g[t)édada por

Eg = J ^ g 2(í)c# (2.121)

Com base nessas propriedades, define-se a potência instantânea de um si­


nal g[t) como g2[t) e sua energia através de (2.121). Se Eg < oo, g[t) é chamado
de sinal de energia.
58 I PRINCÍPIOS DE COMUNICAÇÕES

A potência média de um sinal em um intervalo [-T /2, T/2] é definida


como

( 2 . 122)

Se o intervalo T tender a <*>, tem-se a potência média de g[t), Pg. Ou seja,

1 j» f
PL
= lim— g 2[t)á
6 t—
»<*> T J- f

Se g(í) for um sinal de energia, pode-se mostrar que Pg =0. Em resumo, um


sinal de energia tem potência média nula.
Aplicando o Teorema de Parseval (Propriedade 12), temos

Eê = J V ( f ) < M J G ( / ) | 2# (2.124)

Observa-se, portanto, que a integral do quadrado do espectro de amplitude


de um sinal fornece a energia deste sinal. Pode-se mostrar ainda que, se a
integral em (2.124) abranger apenas uma faixa do espectro, ela fornecerá
a energia das componentes de frequência que estão nessa faixa. A função
|G{f) |2 tem, assim, as características de uma densidade espectral de ener­
gia. Define-se então a Densidade Espectral de Energia do sinal g(f) como

M /)-| G (/ir (2.125)

Tomando o módulo ao quadrado na relação entrada-saída de um sistema


linear dada por (2.104), temos

m /r-N /irix i/f (2.126)


Ou seja, a densidade espectral de energia do sinal de saída é a da entrada
multiplicada pelo módulo ao quadrado da função de transferência.
Capítulo 2 | ANÁLISE DE SINAIS E SISTEMAS | 59

Os sinais periódicos apresentam energia infinita e, portanto, não são


sinais de energia. Na realidade são denominados sinais de potência, pois
sua potência média será sempre não nula e pode ser calculada por

Ps = t \ l0g2[t]dt (2-127)
^0 J ~~2

onde T0é o período do sinal.


De forma semelhante ao que foi feito para a energia, define-se, para
um sinal periódico g{t) a função Densidade Espectral de Potência SJJ) com
a seguinte propriedade:

f Sg ( f ) d f = P g (2.128)

Pode-se chegar a uma expressão geral para a densidade espectral de


potência de um sinal periódico a partir da série de Fourier dada por (2.8).
Substituindo (2.8) em (2.127) e desenvolvendo as expressões, obtemos

(2.129)

Essa expressão é conhecida como a propriedade de Parseval para a série de


Fourier, e estabelece que a potência de um sinal periódico pode ser deter­
minada pela soma dos quadrados do módulos das amplitudes complexas de
suas componentes. A expressão vale também para uma determinada faixa
de frequências, e permite definir a seguinte expressão para a densidade
espectral de potência

OO

(2.130)
60 I PRINCÍPIOS DE COMUNICAÇÕES

Note que

oo

£ s*vw - J lfk l2^ -I oW-t 'L kl2- ps


0 0 n = —oo
(2.131)

Comparando (2.130) com (2.90), nota-se que a densidade espectral


de potência de uma função periódica é semelhante à sua transformada de
Fourier, ou seja, uma sequência de impulsos nas frequências harmônicas,
nf0. A diferença é que, na transformada de Fourier, cada impulso tem área
cn igual à amplitude da componente e, no caso da densidade espectral de
potência, a área do impulso fornece a potência da componente.
Pode-se verificar que, de forma semelhante ao observado para a densi­
dade espectral de energia, através de (2.126), as funções densidade espec­
tral de potência de um sinal de entrada x(f) e de saída y(f) em um sistema
linear, também se relacionam pelo quadrado do módulo da função de trans­
ferência, isto é,

(2.132)

Exemplo 2.13 - Potência de um sinal senoidal


A potência de um sinal senoidal de período T0 é calculada aplicando-se
(2.122), da seguinte forma: para g(í) = = 1/T0, temos,
inicialmente,

Aplicando no integrando a identidade trigonométrica,


Capítulo 2 | ANÁLISE DE SINAIS E SISTEMAS | 61

e calculando a integral, obtemos

2.7 TEOREMA DA AMOSTRAGEM


Um dos principais resultados práticos obtidos a partir da análise de
Fourier é conhecido como o teorema da amostragem. Este teorema estabe­
lece que umsinal pode ser totalmente reconstituído a partir de suas amos­
tras no tempo, desde que a amostragem seja feita a uma taxa f maior ou
igual a 2W, onde W é a frequência máxima do sinal.
O teorema da amostragem pode ser demonstrado a partir da propriedade
da digitalização de sinais dada por (2.91) e (2.92), e ilustrada na figura 2.35.
Como observado anteriormente, o efeito da amostragem de um sinal é replicar
periodicamente seu espectro de frequências em intervalos iguais à frequên­
cia de amostragem. Observando a figura 2.35, nota-se que, se a frequência de
amostragem for maior que 2 ,não haverá superposição entr
W
Neste caso, se o sinal amostrado por impulsos passar por um filtro passa-baixa
de amplitude unitária e largura de faixa B 2, como ilustrado na figura 2.46,
o espectro do sinal de saída será G(/) e, portanto, este sinal é exatamente o sinal
original g(f).

H(f)
&(t ) ^ T 0g ( n T 0 ) S ( t nr„) 1 g/f)

-f0 fo/2 7

Figura 2.46 Recuperação de um sinal amostrado através de filtragem.


62 I PRINCÍPIOS DE COMUNICAÇÕES

No domínio do tempo, esta operação de filtragem corresponde à se­


guinte equação:
oo

g r{t ) = g a[t)*h[t) = h{t)* ^ T 0g[nT0)Ô[t-nT0) (2.133)


n=— o®
Considerando que a resposta ao impulso ô [ t - T 0) é h [ t - t 0), a resposta à
soma de impulsos dada por (2.133) será
OO

= ^ T 0g[nT 0)h [t-n T 0) (2.134)


oo

Observando que

h[t) = —sinc O '


(2.135)
T
v 0y
e substituindo em (2.134), obtemos

oo

gr (O= X gW SÍ11Ci/oU- íl7 o)] (2.136)

Este resultado interpretado através da figura 2.47, mostra a maneira


pela qual o sinal representado por suas amostras é transformado em um
sinal analógico. Observa-se que o sinal analógico é construído pela soma de
funções sinc, cujas amplitudes são as amostras de g(t). Como acabamos de
mostrar, s e /0= 1 /T0> 2 W,gr[t) =
distorcida de g(f).

Figura 2.47 Geração do sinal analógico a partir de suas amostras.


Capítulo 2 I ANÁLISE DE SINAIS E SISTEMAS | 63

2.8 APÊNDICE: PRINCIPAIS TRANSFORMADAS DE


FOURIER

1. g [ t ) = rect(-|:)<=> G [ f ) = Tsinc(7/)

\
2. g(í)=sinc(J5í) <=» G { f ) = —rect l
B B
)

\
3. g { t ) = tri ^ ^ <=> G { f ) * Tsinc2(T/)
y |í|i T
64 I PRINCÍPIOS DE COMUNICAÇÕES

2a
5. g[t) = e ^ ^ G
a2 + [ I n f ) 2

g (o 1 Gif)
i
2k
\ a
/1 i\
/ ï i \
« 1
— ï 1

0 t -a/2n 0 afin f

6. g [t)= e"'"2 <=> G [ f ) = e

7. g(t) = ö { t ) ^ G { f ) 1

7
C tf) ,
g(0

(1)

0 t ” 0 Í

8. g ( t) = ô [ t - t 0) ^ G { f ) = e - 1
Capitulo 2 I ANÁLISE DE SINAIS E SISTEMAS | 65

9. g ( í ) = e « « G ( / ) 4 ( / - / t )

10. g[t) = cos(2 jcf0t) o G [ f ) = ^ [ - /o) +

11. g(t) (2* /„ t ) » G (/) [<5(/ - /„) -< S (/ + /„)]


-sen
^7

1
12. g(t) = s g n ( t ) ^ G ( f )
j 2;rf

12 '
g(0
1

0 í
-1

1
13. g(í) = íi(í)^=>G(/) =
/2 ^ / +> '
13 i
g(í)
1

o tr
66 I PRINCÍPIOS DE COMUNICAÇÕES

14. g p( 0 - £ S(f - » F [ g p(()] = £ / / ( / - < ) ; /„ T0


k=-
Capitulo 2 | ANÁLISE DE SINAIS E SISTEMAS | 67

2.9 EXERCÍCIOS
2.1 Analise cada uma das funções da figura E2.1 e verifique se podem
ser transformadas de Fourier de uma função real.

(b)

(c)

Figura E2.1

2.2 Calcule a transformada de Fourier das seguintes funções:

, , Í5|f|4< „, 15 0 < í< 4 1 -A


M g (D - (d) g[t) =
(*) g í , ] = 0 foro ;(b l* lt)= 0 foro 1+t J 2 ~na

Utilize a tabela e as seguintes propriedades da transformada de Fourier:


(a) linearidade e mudança de escala;
(b) linearidade, mudança de escala e deslocamento no tempo;
(c) dualidade e mudança de escala;
(d) linearidade e mudança de escala;
(e) diferenciação e dualidade;
(f) linearidade e deslocamento;
(g) linearidade.
68 I PRINCÍPIOS DE COMUNICAÇÕES

2.3 Considere o sinal da figura E2.3, cuja transformada de Fourier foi


calculada no Exemplo 2.6. Obtenha essa mesma transformada usando: (a) a
Propriedade 9 (diferenciação) e (b) a Propriedade 10 (integração).

-T o T

Figura E2.3

2.4 Utilize a Propriedade 8 para calcular a integral do item (a), e o teore­


ma de Parseval dado por (2.69) para calcular a integral do item (b).

2.5 Usando as propriedades da função impulso, calcule:

2.6 Usando as propriedades da convolução e do deslocamento na fre­


quência, calcule:

(a) sinc(3í) * Jsinc (4í)e;8;ríJ ; (b)sinc(4f)* |sinc(4f)e;4;rt J

2.7 Usando a propriedade da modulação, calcule a transformada de


Fourier das funções abaixo e esboce o seu espectro de amplitude para/0» 1.

(a) g[t) = e 1cos [2 k f0t)u(£)

(b) g(f) = cos(2 /rf0t)

(c) g(t) = e ‘ sen(2;r f0t)


Capítulo 2 | ANÁLISE DE SINAIS E SISTEMAS | 69

2.8 Utilize o resultado do Exemplo 2.8 e as propriedades da integral


de convolução para calcular a convolução entre as funções da figura E2.8.

5 ___________

------------------- 1----------------------►
0 1 2 t

5 --------------
1------- ------- 1------ ------ ►
0 1 2 3 t
Figura E2.8.

2.9 Calcule g1(t)*g2(t), representadas na figura E2.9, para t = 6.

Figura E2.9

2.10 Utilizando a tabela de transformadas, a Propriedade 13 - expres­


são (2.69), e outras propriedades, determine o valor das integrais:

(a) P —L_cos(2;r£f)dí; (b) P — sincl


J—
oo1+ t J —oo 711
70 I PRINCÍPIOS DE COMUNICAÇÕES

2.11 Para cada um dos três pulsos definidos na figura E 2 .ll: (a) deter­
mine sua amplitude para que eles tenham a mesma energia; (b) determine
a expressão da densidade espectral de energia definida em (2.125).

g2(')
I----- 1

-T/2 0 T/2 t -T/4

-T /2 0 T/2 í

Figura E2.11

2.12 Determine a função de transferência, a largura de faixa de 3 dB e

—w—
a resposta ao impulso do filtro RC, cujo circuito está representado na figura
E2.12.

X(f) C

Figura E2.12

2.13 Um filtro RC tem resposta ao impulso dada por


h[t) = 100 lootu(í). Determine a saída desse filtro no domínio do tempo
quando a entrada é x(f) = 2 cos(27t x 5 0 í ).
Capítulo 2 | ANÁLISE DE SINAIS E SISTEMAS | 71

2.14 Um pulso retangular de amplitude unitária e duração 0,01 ms pas­


sa pelo filtro passa-baixa H{f) representado na figura E2.14. Esboce a trans­
formada de Fourier do sinal na saída desse filtro.

/
1 V H (f)

-2 0 0 0 200 kHz)

Figura E2.14

2.15 A relação entre a entrada x(f) e a saída y(í) de um sistema linear


é dada por

y(f) = 2x(f) +x (í-r) +x (f+r)

Determine a função de transferência desse sistema.

2.16 A função

( t\
g[t) = sinc2
T/

é amostrada por impulsos de área unitária em í = kT0, onde = 2 , ob­


tendo-se o sinal x(£). (a) Faça um gráfico de x(f) e de sua transformada de
Fourier X(f). (b) Suponha que o sinal x(f) passa pelo filtro H{f] mostrado na
figura E2.16. Determine a expressão do sinal y(f) na saída do filtro.

1 , A

I-«- 2/T ->l

_______1______
-1/T„ 0 1/T0 f "

Figura E2.16
i C O R T E S IA )
[D A E D IT O R A j

3
Princípios da Modulação

O problema fundamental dos sistemas de transm issão da inform ação é


fazer com que um sinal na sua forma eletrom agnética se propague através
de um meio físico, permitindo que a inform ação seja adequadamente inter­
pretada em algum ponto distante. O meio físico pode ser um par de fios, um
cabo coaxial, uma fibra ótica ou a atmosfera.
A propagação direta de um sinal eletrom agnético através do meio físi­
co é a forma mais simples de transmissão. Um exemplo disto é a prim eira
etapa de uma transm issão telefônica convencional. Em uma conversação
telefônica, a fala do usuário é convertida em um sinal elétrico que se propa­
ga diretam ente no par de fios que liga a residência até a central telefônica.
A propagação direta de sinais em um meio físico nem sempre é possí­
vel ou conveniente. Em geral, o meio físico pode ser representado por um
sistema linear com uma determinada função de transferência. Se essa fun­
ção de transferência apresentar valores pequenos na faixa de frequência
ocupada pelo sinal, isso leva a grande atenuação desse sinal, inviabilizando
sua recepção.
Consideremos o caso da transmissão através do espaço, feita pelas on­
das eletrom agnéticas. Sabe-se que as propriedades do fenôm eno da pro­
pagação das ondas eletrom agnéticas são afetadas pela frequência da onda
e pelo ambiente. Assim, dependendo do caso, pode ser mais conveniente
transmitir em uma determinada faixa de frequências do que em outra. Por
outro lado, para que diversas mensagens possam ser transmitidas ao mes­
mo tempo, pode ser necessário usar faixas diferentes para cada mensagem.
74 I PRINCÍPIOS DE COMUNICAÇÕES

Pelas razões explicitadas acima, é comum usar nos sistemas de comu­


nicações a técnica da modulação, que tem o objetivo de mudar a forma do
sinal, de modo a adequá-lo ao meio de transmissão. Em geral, utiliza-se uma
senoide de frequência mais elevada do que as com ponentes de frequência
do sinal, e faz-se com que a amplitude, a frequência ou a fase desta senoide
varie linearm ente com o sinal que se deseja transmitir. Neste capítulo serão
apresentadas as formas típicas de im plem entação desse processamento.
Em geral, tem-se a seguinte nomenclatura:
• a m ensagem a ser transm itida é o sinal m odulador;
• a sen oid e d e frequ ên cia m ais elevada é ch am ad a d e p ortad ora;
• sinal resultante do p ro cesso d e m od u lação é o sinal m odu lado ou
p ortad ora m odulada.

Além das técnicas de geração da portadora modulada a partir da men­


sagem, ou sinal modulador, é necessário, obviamente, desenvolver técnicas
de recepção, ou seja, de recuperação da mensagem a partir da portadora
modulada. Esse processam ento é denominado dem odu lação.

3.1 MODULAÇÃO DE AMPLITUDE


A forma básica e mais simples da modulação de amplitude é estabele­
cida através da seguinte expressão:

s(t) = Acm [t)cos[2nfct+ d ) (3.1)

onde m[t) é o sinal modulador ou mensagem; Accos(27r/of+0) é a portadora;


e s(í) é a portadora modulada. Vemos, portanto, que a portadora modulada
em amplitude é uma senoide cuja amplitude deixa de ser constante e acom­
panha a variação do sinal modulador. Esta amplitude variável é também
denominada envoltória do sinal.
Aplicando a (3.1) a propriedade da modulação dada por (2.52), obte­
mos o espectro da portadora modulada:

S(/ ) = A [ m (/- fc ) e iB + M { f + f c) e i e ] (3.2)


D A E D IT O R A

Capitulo 3 | PRINCÍPIOS DA MODULAÇÃO | 75

O esquema de geração da portadora modulada em amplitude está represen­


tado na figura 3.1, acompanhado de ilustrações dos sinais no domínio do
tempo e da frequência. No domínio do tempo, observa-se que a multiplica­
ção de m[t) pelo cosseno de amplitude Ac produz um cosseno de amplitu­
de variável, acompanhando a forma de m[i). No domínio da frequência, a
modulação de amplitude faz com que o espectro da mensagem se desloque
para a faixa em torno da frequência da portadora e, consequentem ente, a
portadora modulada em amplitude ocupa uma faixa de frequências cuja
largura é o dobro da largura de faixa ocupada pela mensagem. Deve-se no­
tar também que, como o espectro da mensagem é sim étrico em relação à
frequência zero, o espectro do sinal modulado é sim étrico em relação à
frequência da portadora. As porções desse espectro situadas abaixo e aci­
ma da frequência da portadora são denominadas, respectivamente, fa ix a
lateral in ferior e fa ix a lateral superior.

(a) m(t> >(^ )


t "
AcCos(2*fct+*)

Figura 3.1 Modulação de amplitude; (a) esquema do modulador; (b) sinal modulador
(mensagem); (c) portadora modulada e sua envoltória; (d) espectro de amplitude da mensagem;
(e) espectro de amplitude da portadora modulada.
76 I PRINCÍPIOS DE COMUNICAÇÕES

Dem odulação coerente

A demodulação é o processo inverso da modulação, destinado a extrair


da portadora modulada o sinal modulador, que é a mensagem transm iti­
da. A demodulação de uma portadora modulada em amplitude pode ser
implementada simplesmente multiplicando-se a portadora modulada pela
portadora sem modulação, gerada no receptor e denominada portadora lo­
cal. A portadora local deve ter a mesma frequência f c e a mesma fase 0 da
portadora usada na m odulação e, por isso, a demodulação é cham ada de
coerente. Este demodulador está representado na figura 3.2, onde a porta­
dora local tem, em geral, uma fase 0 qualquer, e Ho{f) representa a função
de transferência de um filtro passa-baixa ideal.
Para analisar a operação do demodulador coerente, vamos observar a
figura 3.2 e a equação (3.1) para escrever a expressão do sinal u(í) antes do
filtro passa-baixa:

u(t) = j\ m (t)cos[2 n f ct+ ) c o s ^2/rf . t 1 (3.3)

Aplicando a identidade trigonom étrica, cos a b = V2 cos (ò-a) + V2 cos


(ò+a), obtemos:

(3.4)

O último termo da equação é eliminado pelo filtro passa-baixa, pois cor­


responde a um sinal com espectro de frequências em torno de 2f c. Resulta
então, na saída do demodulador, o sinal

(3.5)

Obtém-se, portanto, na saída do demodulador, o sinal m(t) multiplicado por


uma constante que é proporcional a cos(0 - 0). Se 0 = 0 tem-se o caso
ideal, com m áxim a intensidade do sinal de saída. Por outro lado, note-se
que, se a diferença de fase for igual a 7t/2, o sinal de saída será nulo e, nesse
caso, o demodulador não consegue realizar a demodulação.
Capítulo 3 I PRINCÍPIOS DA MODULAÇÃO | 77

A im plem entação do demodulador coerente exige o emprego de circui­


tos de sincronism o capazes de estimar a frequência e a fase da portadora
modulada. Na realidade, o sincronism o de frequência pode ser considerado
mais simples, uma vez que, em geral, existe uma boa precisão nas frequên­
cias dos osciladores utilizados. A fase, no entanto, flutua bastante ao longo
do tempo, e o circuito de sincronism o deve ser capaz de acom panhar essas
variações.

oscilador
cos(2;r fct + ê )
local

Figura 3.2 Demodulação coerente de uma portadora modulada em amplitude.

Relações de Potência
A potência de um sinal foi definida por (2.123). Aplicando esta defini­
ção à portadora modulada dada por (3.1), temos

Ps = l i m — p\jn(í)cos(2ff/cf+ #)] dít (3.6)


T->oo T J--T

Usando identidade trigonom étrica e desenvolvendo, obtemos

Ps = l i m ^ í 2Ê [ 4 n < t )]2 + i [ 4 m ( í ) f cos(4n fct + 2 0 )\ á (3.7)


T -X » 1 J

Considerando que m[t) é um sinal que varia bem mais lentam ente do
que a portadora, podemos concluir que o segundo termo do integrando
tende a zero quando T -+ oo. A potência do sinal modulado será dada, então,
por
78 | PRINCÍPIOS DE COMUNICAÇÕES

onde Pmé a potência da mensagem dada por

(3.9)
T

Esse resultado pode ser generalizado da seguinte forma: p otên cia da


p ortad ora m odu lada é igual à m etad e da p otên cia da sua envoltório.

G eração da portadora modulada através de chaveamento


Em princípio, de acordo com a definição em (3.1), para gerar uma
portadora modulada em amplitude seria necessário um circuito que mul­
tiplicasse, em cada instante, o sinal modulador pelo valor da portadora.
Entretanto, será mostrado a seguir que um processam ento mais simples de
ser implementado é o chaveam ento periódico do sinal modulador seguido
de um filtro, como ilustrado na figura 3.3.

Filtro
* Passa-faixa >

Figura 3.3 Geração da portadora modulada através de chaveamento.

O chaveamento do sinal modulador m[t) corresponde a multiplicar


este sinal por um trem de pulsos retangulares de duração T e período T ,
como ilustrado nas figuras 3.4(a), (b) e (c).
Capítulo 3 | PRINCÍPIOS DA MODULAÇÃO | 79

Figura 3.4 Chaveamento de um sinal; (a) sinal original; (b) trem de pulsos; (c) sinal chaveado;
(d) espectro do trem de pulsos; (e) espectro do sinal chaveado.

A expressão do sinal chaveado será

x(t)= m ftjgtft) (3.10)

onde g T (í) é o trem de pulsos retangulares representado na figura 3.4(b) e


dado por
80 I PRINCÍPIOS DE COMUNICAÇÕES

oo

g T0 (í) = ^ rect (3.11)


£=-oo
Aplicando (2.88 ) para determ inar a transform ada de Fourier de g To{t) e a
propriedade da convolução em (3.10), podemos escrever
oo /
X (f] = M (/) * cn8 / ' “ T (3.12)

onde cné o coeficiente de ordem n da série de Fourier de g T (f), calculado no


Exemplo 2.1 e dado por (2.13). Desenvolvendo a expressão e usando (2.13),
neste caso com A=1, obtemos
\
sinc T — M f - ~ (3.13)
To To

Vemos, portanto, que o espectro de frequências do sinal m(f) chavea-


do é a repetição do seu espectro M{J) em intervalos iguais à frequência do
chaveam ento,/0 = 1/T0, de forma semelhante ao que ocorre quando o sinal
é amostrado por um trem de impulsos, como analisado no Exemplo 2 .11.
Note, observando (3.13), que cada repetição do espectro é multiplicada por
uma constante igual à transform ada da função sinc para certo valor de /.
No caso da amostragem por impulsos, como a transformada do impulso é
constante para todo /, todas as repetições são multiplicadas pela mesma
constante.
O chaveamento é a versão realista da amostragem por impulsos em que
o impulso é substituído por um pulso retangular causando apenas uma re­
dução dos valores dos espectros repetidos. Isso não impede, porém, que se
possa recuperar o sinal m{t) através de uma filtragem, como foi mostrado na
discussão do Teorema da Amostragem apresentada na Seção 2.7. Na reali­
dade, aqui o interesse não é recuperar o sinal chaveado ), mas sim obter
uma portadora modulada. Observando a forma de X [f) na figura 3.4(e), ve­
mos que, se o sinal x(f) passar pelo filtro passa-faixa mostrado na figura 3.5,
obtemos, na saída, o espectro da figura 3.6.
Capítulo 3 | PRINCÍPIOS DA MODULAÇÃO | 81

H(f) 1

—I-------1---------- ----------- 1------- I-------1------ >


-1/T0 0 1X2T0) 1/To 3X27-0 ) f
Figura 3.5 Filtro passa-faixa para obtenção de portadora modulada.

Figura 3.6 Espectro da portadora modulada obtida através de chaveamento.

Aplicando a transformada inversa ao espectro da figura 3.6, chegamos a

2 . f T' 1 t1
s(t) = — sinc m(t) cos 2 n — (3.14)
{ T
J
7°,

que corresponde a uma portadora de frequência 1 e amplitude (2 T/T0)


sinc [T/T0) modulada pelo sinal m[t).

Esquemas típicos
A modulação de amplitude, cujo princípio foi apresentado acima, pode
apresentar variações em seu processamento, cuja finalidade é atender a ob­
jetivos de ordem prática na transmissão e na recepção dos sinais. Existem
três formas principais de modulação de amplitude, designadas pelas siglas
AM, AM-DSB-SC e AM-SSB-SC.
A sigla AM pura corresponde ao sistema de modulação mais antigo e
ainda usado para radiodifusão. Nesse sistema, além da portadora modulada,
é transmitida uma portadora sem modulação, cuja finalidade é facilitar o pro­
cesso de demodulação. Isso explica a sigla SC (Suppressed Carrier), utilizada
nos demais sistemas para enfatizar a não transmissão da portadora adicional.
As siglas DSB (Double Side Band) e SSB (Single Side Band) correspon­
dem à largura de faixa ocupada pela portadora modulada. Como se verá a
seguir, no sistema SSB, esta largura de faixa se reduz à metade daquela re­
sultante da forma mais simples de modulação de amplitude descrita nesta
introdução.
82 I PRINCÍPIOS DE COMUNICAÇÕES

3.1.1 M odulação AM -DSB-SC


A modulação AM-DSB-SC é a implementação do princípio da modu­
lação de amplitude apresentado na seção anterior. Utiliza a demodulação
coerente, implementada através do esquema da figura 3.2 onde, idealmente,
deve-se ter 0- 0.Embora conceitualmente simples, o esquema
m entação relativamente complexa, devido à necessidade de um circuito ca­
paz de sincronizar a fase da portadora local com a fase da portadora usada
na modulação. As principais características da modulação AM-DSB-SC estão
mostradas no quadro 3.1.

Quadro 3.1 Características da modulação AM-DSB-SC

Modulação AM -DSB-SC
Sinal transmitido

s(r) = Acm(t) cos ( 2 n f j + Q) Ps A*Pm

Sinal demodulado
•*0 ( 0 = j A cm
(t)PH = 1 A ]pm

Largura de Faixa
Bt =2

3.1.2 M odulação AM

Esta é a modulação usada tradicionalm ente em radiodifusão AM. O


sinal transmitido é dado por1

s(í) =Ack am[t)cos [2nfct) + 4 cos (2 nfct)= A

1 Para simplificar o desenvolvimento, fazemos a fase da portadora igual a zero, o que não
altera as conclusões obtidas.
Capítulo 3 | PRINCÍPIOS DA MODULAÇÃO | 83

Observa-se, portanto, que, além de uma portadora com amplitude modu­


lada pelo sinal k am[t), transmite-se também uma portadora não modulada.
Agrupando-se as duas portadoras, verificamos que o sinal resultante equiva­
le à modulação de uma portadora de amplitude Ac pelo sinal e(í) = l+ica m(t).
O uso da modulação AM com portadora permite simplificar o recep­
tor, que pode ser um detetor de envoltória. O detetor de envoltória é um
dispositivo simples, capaz de fornecer em sua saída o módulo da envoltória
de uma portadora modulada. A forma básica do circuito de um detetor de
envoltória é constituída por um diodo, um resistor e um capacitor, conecta­
dos, como na figura 3.7.

Figura 3.7 Detetor de envoltória.

Para explicar a operação do detetor de envoltória, note que, se a tensão


de entrada do circuito da figura 3.7 for maior do que a tensão no capacitor
(tensão de saída), o diodo conduzirá e, neste caso, a tensão no capacitor
passa a ser igual à tensão de entrada. Considerando inicialm ente que a
tensão no capacitor é zero e que a portadora modulada s[t) está iniciando
um ciclo positivo, a tensão de saída v(f) acom panha a portadora modulada,
como ilustrado na figura 3.8. Quando a portadora modulada com eça a cair,
depois de atingir o seu valor máximo, a tensão no capacitor tende a se manter,
ficando maior do que a tensão de entrada. Nesse ponto, o diodo deixa de
conduzir e a tensão de saída passa a ser a tensão do capacitor, que vai se
descarregando no circuito RC, isolado da entrada. A descarga do capacitor
se interrompe quando a portadora modulada, em um novo ciclo positivo,
apresenta um valor de tensão igual à tensão no capacitor. A partir desse
ponto, volta-se à prim eira fase do processo, em que a saída acom panha a
entrada, até um novo pico da portadora modulada, nova abertura do diodo,
descarga do capacitor, etc. Como se observa na figura 3.8 , a saída do detetor
de envoltória vai acompanhando a envoltória do sinal de entrada, de forma
84 | PRINCÍPIOS DE COMUNICAÇÕES

aproximada. A aproximação apresenta uma flutuação indesejada (


que pode ser reduzida, posteriorm ente, através de uma filtragem adequada.

Figura 3.8 Acompanhamento da envoltória do sinal pelo detetor de envoltória.

Uma condição necessária para o funcionamento do detetor de envoltória


como demodulador de uma portadora modulada em amplitude é que o sinal
modulador seja sempre positivo. Suponha o contrário, como ilustrado na figu­
ra 3.9(a). Observando a portadora modulada, representada na figura 3.9(b) e de
acordo com o que foi explicado no parágrafo anterior, verifica-se que a saída
do detetor de envoltória, neste caso, será o sinal da figura 3.9(c), que é diferen­
te do sinal modulador. Na realidade, o detetor de envoltória fornece sempre o
módulo da envoltória, o que será igual à própria envoltória, desde que esta seja
sempre positiva.

Figura 3.9 Deteção de envoltória no caso de um sinal modulador com valores positivos e
negativos; (a) sinal modulador; (b) portadora modulada; (c) saída do detetor de envoltória.
Capítulo 3 | PRINCÍPIOS DA MODULAÇÃO | 85

A finalidade da portadora adicional em (3.15) é garantir uma envoltória


sempre positiva para utilização do detetor de envoltória, isto é,

e(t)=Ac [l+ka m
>
(i)\
0 (3.16)

Neste caso, a envoltória fornecida pelo detetor de envoltória correspon­


de ao sinal desejado, proporcional a m[t), somado a uma constante (valor
DC). Esta constante pode ser eliminada através de um circuito adequado,
obtendo-se assim, para o sinal demodulado, a expressão

s0()t=
M
K
A (3.17)

Sina! modulador senoidal


No caso de um sinal modulador senoidal, dado por

m (t)=A mcos(27r/mt) (3.18)

define-se ín dice de m odu lação do sinal AM como

M= K A m (3.19)

Substituindo (3.18) e (3.19) em (3.15), obtém-se a seguinte expressão para


um sinal AM com sinal modulador senoidal

s(í) çl[ + ju cos(2^/mf)]cos(2^/ct)


A
= (3.20)

Analisando (3.20), verificamos que a condição (3.16) equivale, neste


caso, a p < 1.
Na figura 3.10 mostram-se dois sinais AM gerados com amplitude Ac= 1 e
com índice de modulação igual a 1 (figura 3.10-b) e índice de modulação igual
a 0,7 (figura 3.10-c).
86 I PRINCÍPIOS DE COMUNICAÇÕES

Figura 3.10 Modulação AM; (a) mensagem ou sinal modulador; (b) sinal AM com índice de
modulação igual a 1; (c) sinal AM com índice de modulação igual a 0,7.

Espectro de um sinal AM
Aplicando-se a transform ada de Fourier a (3.15) obtém-se

S ( / ) - y [ S ( / - /„) + * ( / + / ,)]+ / J + M ( / + /„)] (3.21)

Os espectros de amplitude do sinal modulador e do sinal modulado estão


representados na figura 3.11, para um sinal modulador qualquer e para um
sinal modulador senoidal. Neste último caso, os espectros correspondem às
transformadas de Fourier de (3.18) e (3.20).
Capítulo 3 | PRINCÍPIOS DA MODULAÇÃO | 87

Bt = 2W

M(0
(AJ2)
(b)

*5 t T
S(fi (V 2 )
(A41/4 (A*l/4

1 í __ L I
-fc 0 fc f

- 2/m
Figura 3.11 Espectro do sinal AM; (a) sinal modulador qualquer; (b) sinal modulador
senoidal.

Observamos que o espectro de amplitude do sinal AM é sempre simé­


trico em relação à frequência da portadora e à largura de faixa de trans­
missão, isto é, a largura de faixa ocupada pelo sinal modulado é o dobro da
largura de faixa do sinal modulador.

Relações de potência no sinal AM


Sabem os que, em condições típicas, a potência de uma portadora mo­
dulada é igual à metade da potência da envoltória. Para o sinal AM dado
por (3.15) a envoltória é dada por (3.16). Supondo que o sinal m(f) tem va­
lor médio nulo, pode-se m ostrar que a potência desta envoltória é dada por
Al + A 2ck 2cPm
e, assim, a potência do sinal AM será

r A2 , (3.22)
2
88 I PRINCÍPIOS DE COMUNICAÇÕES

onde o prim eiro termo corresponde à potência da portadora não modulada,


que não contém inform ação; e o segundo, à potência da portadora modula­
da pela mensagem. Devido à forma do espectro, esta potência é usualmente
denominada potência das bandas laterais.
Um parâmetro de interesse em uma transmissão AM é razão entre a
potência das bandas laterais e a potência total, que pode ser expressa gene­
ricam ente como

T) = (3.23)
1 + %Pm

No caso de um sinal modulador senoidal dado por (3.18), temos

Rn (3.24)

Lembrando que o k A foi definido em (3.19) como o índice de modu


p e substituindo em (3.23), obtemos

H
= (3.25)
2+ p

Como p £ 1, o valor máximo de h será obtido para p = 1 e será igual a 1/3.


Comparando o sistema de modulação AM com o sistema AM-DSB-SC,
observa-se que o prim eiro apresenta uma eficiência menor, no que se refere
à potência, pois parte da potência transmitida não é usada na transmissão
da mensagem, e sim na transmissão de uma portadora extra, sem modu­
lação. Por outro lado, isto é compensado com a sim plificação do receptor.

Dimensionamento de um detetor de envoltória

Como explicado anteriorm ente, quando o sinal de entrada do detetor


de envoltória da figura 3.7 cai abaixo da tensão no capacitor, o diodo abre e
o capacitor descarrega através do resistor. Considerando um resistor de re­
sistência R e um capacitor de capacitância C, a tensão no capacitor decairá
de acordo com a expressão
Capítulo 3 I PRINCÍPIOS DA MODULAÇÃO | 89

th (3.26)
RC
V® = v0e

onde u0 = u (í0) é o valor máximo correspondente ao pico da portadora.


O capacitor deve descarregar lentam ente, de forma que u (í) acom pa­
nhe aproximadamente a envoltória, ou seja, durante um intervalo igual ao
ciclo da portadora (f - t0= 1 / f j ,a desca
equivale à seguinte condição:

fç « 1 » (3.27)
RC fc

Porém, se RC é muito grande, a tensão v(f) pode não acompanhar varia­


ções rápidas da envoltória descendente, como acontece na parte central da
figura 3.12. Uma condição para evitar essa situação é que a largura de faixa
do sinal v[t) seja bem maior do que W, a frequência máxima do sinal modu-
lador. Como a largura de faixa de 3 dB do sinal v(í) é igual a 1/(27 temos

1
» w (3.28)
I k RC

1
RC (3.29)
2k W
Juntando (3.27) e (3.29), chegamos à seguinte condição para dimensio­
namento do circuito detetor de envoltória

1 „ 1
— « RC « ------- (3.30)
fc 27ÍW

I
— ►
: Uc
Figura 3.12 Ilustração para dimensionamento do detetor de envoltória.
90 | PRINCÍPIOS DE COMUNICAÇÕES

As principais características do sistem a AM estão resum idas no qua­


dro 3 .2 .

Quadro 3.2 Principais características da modulação AM.

MODULAÇÃO AM
Sinal transmitido
s(f) = 4 J : am(í)cos(27r/cí) + ^ co sp rc f ct =AC[l+ Àan<í)]cos(27r/cí)

r 4,
s 2 2

Sinal demodulado

S 0( í) = A ^ n i t ) PSo = 4 k a Pm
Largura de Faixa

Bt = 2W

3.1.3 M odulação AM-SSB

A sigla AM-SSB corresponde a Amplitude Modulation-Single Sideband.


Isto é, Modulação AM com Banda Lateral Única. Enquanto na modulação
AM-DSB a largura de faixa do sinal modulado é duas vezes a largura de
faixa da mensagem ( B T= 2 W),na mod
do sinal modulado é igual à largura de faixa da mensagem ( = W). Esta
redução da faixa à metade é possível por causa da sim etria existente no
espectro do sinal modulador, o que se aplica a qualquer sinal real. Como
indicado na figura 3.11, o espectro do sinal modulado em amplitude tem
duas partes, denominadas bandas laterais superior e inferior. Pela sime­
tria existente, basta conhecer uma das bandas laterais para determ inar o
espectro do sinal. Assim, na modulação SSB é transmitida apenas uma das
bandas laterais.
Capitulo 3 | PRINCÍPIOS DA MODULAÇÃO | 91

O esquema mais simples de geração do sinal AM-SSB está mostrado na


figura 3.132, onde o filtro passa-faixa tem a finalidade de elim inar uma das
faixas laterais da portadora modulada em amplitude. Neste caso, o filtro
seleciona a banda lateral superior.

(b) H(f) 1

+■ >
-fc-W -fc 0 fc tc+W /'
Figura 3.13 Geração do sinal SSB através de filtragem de uma portadora modulada em
amplitude; (a) modulador; (b) função de transferência do filtro.

Sinal SSB no domínio da frequência


Considerando m (t) •«-*•M(f) temos, de acordo com a figura 3.13

S (/ )-“ [m (/ - /c) + M (/ + / c)] h (/) (3.31)

Para obter uma expressão analítica do espectro do sinal AM-SSB, é


conveniente definir

\M(f ) />0
M+ [f) = M[ f ) u ( f ) = | o ^.<o (3.32)

2 Para facilitar o desenvolvimento, sem alterar as principais conclusões, a fase da portadora é


considerada nula.
92 I PRINCÍPIOS DE COMUNICAÇÕES

I /<0
M .( f ) = M ( / ) u ( - / ) = |0 fJ > 0 (3.33)

De acordo com as definições, podemos escrever

M( /) = M+( f ) + M. (/)

Substituindo (3.34), em (3.31), obtemos

S ( f ) = A [ M+( f - f c) + M. [ f f- c) + M +( f + + (3.35)

Como observamos na figura 3.13, o filtro passa-faixa H[f) deixa passar


apenas a faixa lateral superior, resultando assim,

S ( / ) = A [ m +(/ - / c) + M .( / + / c)] (3.36)

Um filtro semelhante pode ser usado para fornecer um sinal SSB com
faixa lateral inferior com espectro dado por

S (/ ) = 4 [ M- ( / ' fc) +(3.37)

A análise desenvolvida acim a está ilustrada na figura 3.14.


O esquema de geração do sinal SSB analisado acima é um esquema de
discrim inação de frequência (filtragem). Um método alternativo é o método
de discrim inação de fase, explicado mais à frente. Antes, é necessário defi­
nir a transform ada de Hilbert de um sinal.
Capítulo 3 | PRINCÍPIOS DA MODULAÇÃO | 93

X(f)

(1/2 )MXMC) (1/2 )MAf+fc)‘ (1/2 )MXf-fc (1/2 )MAf-fc)


/—-\
(b>
2 U
-fc 0 fc f
2W
S(f)

Figura 3.14 Obtenção do espectro de um sinal SSB através de filtragem de uma portadora
modulada em amplitude; (a) decomposição do espectro da mensagem nos espectros M+e M ;
(b) portadora modulada com faixas laterais superior e inferior; (c) espectro do sinal SSB com
faixa lateral superior.

Transformada de Hilbert

A transformada de Hilbert de um sinal g[t) é definida como

(3.38)

Usando a definição de convolução, pode-se expressar a transformada


de Hilbert como
* 1
94 I PRINCÍPIOS DE COMUNICAÇÕES

Para prosseguir, vamos usar (2 .86), que expressa a transformada de Fourier da


função sgn(t). Usando a propriedade 5 (dualidade), concluímos que

1
— ■<-> ;sgn (-/) = -;sg n (/) (3.40)
Kl

Com este resultado, podemos expressar a transformada de Hilbert no domí-


nio da frequência como
G (/) = -;sgn(/) G[f] (3.41)

ou, equivalentemente,

- jGlf) /> o
G [ f ) = <0 /=o (3.42)
JG{f) /<o

Notando que - j = e~in/2, podemos então observar que a transform ad


Hilbert é uma operação que adiciona uma fase de -n/2 nas componentes
de frequência do sinal (para manter a sim etria deve-se adicionar uma fase
tc/2 para as frequências negativas).
Com base nos resultados acima, podemos chegar à seguinte expressão
para um sinal SSB:

s(í)= ^-m {t)cos{2K f ct)± ^ -ih [t)sen [2 K fct) (3.43)

Para isso, basta mostrar que a transformada de Fourier de (3.43) é igual ao


espectro do sinal SSB dado por (3.36) ou (3.37). Observando (3.32), (3.33) e
(3.34) e aplicando (3.42), podemos escrever

M { f ) = - ]M+( f ) + j M A f ) (3.44)
Capítulo 3 | PRINCÍPIOS DA MODULAÇÃO | 95

Usando (2.50) e (2.51), obtemos

S(/ ) = A [ M+(/ - + /c) + M +( / + / c) + M .( / + /c)]


A (3-45)
fc ) +JMAf- f c)+ ;M +(/ + /c)- ;M

Tomando, respectivamente, os sinais - e + no início da segunda linha da


expressão em (3.45), chegamos às expressões (3.36) e (3.37).

Demodulação coerente de sinais AM-SSB


Mostra-se, a seguir, através de análise no domínio da frequência, que a
demodulação coerente utilizada para os sistemas AM-DSB, e representada
na figura 3.2, pode ser usada também para o sistema SSB. Para simplificar
a análise, considerem os o receptor da figura 3.2 com fase igual a zero para
a portadora modulada e para a portadora local, conform e representado na
figura 3.15. Podemos então escrever

Ylf)=±[s(f- fc) + S(3.46)

cos(2jtfct)

Figura 3.15 Receptor coerente com fase das portadoras igual a zero.

Substituindo (3.36) em (3.46), temos

Y( f ) =A [ M+(/ - 2 f c)+ M. (/) + M+(/) +


(3.47) 2 fc)\
96 | PRINCÍPIOS DE COMUNICAÇÕES

Fazendo o mesmo com (3.37),

Y[ f ) =~
-( / ‘ 2/c) +
M
\ M+[f) + M
.(/) + M+(/ + 2 /c)]

Estas funções estão ilustradas na figura 3.16. Nos dois casos o filtro passa-
baixa H0{f] elim ina os term os em torno de ± 2 deixando passar um sinal
proporcional a m(f), ou seja,

S0(/) = ^ M ( / ) (3.4 9 )

s°(f) = ^ m ( t ) (3.50)

Y( f )

Y( f )

Figura 3.16 Demodulação de sinais SSB; (a) faixa lateral superior; (b) faixa lateral inferior.

O resultado acima também pode ser obtido no domínio do tempo. Para


isto, basta desenvolver o produto de (3.43) por cos(2 tt/ cí ), de acordo com a
figura 3.15, e aplicar identidades trigonom étricas básicas.
Capítulo 3 | PRINCÍPIOS DA MODULAÇÃO | 97

Relações de potência
Pode-se mostrar que a potência da portadora modulada no sistema SSB
é igual à soma das potências de cada uma das parcelas em (3.43). Usando
a propriedade expressa através de (3.8) e (3.9), isto é, “a potência da porta­
dora modulada é igual à metade da potência da sua envoltória”, podemos
escrever

Ps = l [ ^ J P m + ^ ) ZP^ (3.51)

Notando que, pela definição da transformada de Hilbert, , chega­


mos a

(3.52)

O quadro 3.3 resume as principais características da modulação


AM-SSB.

Quadro 3.3 Principais características da modulação AM-SSB

MODULAÇÃO AM - SSB

Sinal transmitido

Sinal demodulado

Largura de Faixa
Bt = W
98 I PRINCÍPIOS DE COMUNICAÇÕES

3.1.4 M odulação AM-VSB


Um sistema interm ediário entre o sistema AM-DSB e o sistema AM-SSB
é denominado sistema VSB (Vestigial Side Band}. Analogamente ao SSB,
esse sistema também pode ser gerado através da filtragem de um sistema
AM-DSB, de acordo com o esquema da figura 3.13(a), e demodulado pelo
mesmo demodulador coerente da figura 3.15. Porém, o filtro passa-faixa
H(j), em vez de elim inar com pletam ente uma das bandas laterais do sinal
modulado, elimina apenas parte dela. Uma forma possível para a função de
transferência desse filtro está representada na figura 3.17.

Figura 3.17 Função de transferência de um filtro passa-faixa para o sistema VSB.

Mostra-se a seguir que, para não introduzir distorção irrecuperável no


sinal e perm itir sua demodulação coerente, a função de transferência H[f)
deve satisfazer a seguinte condição:

H [ f - f c) + H [ f + f c) = K; -W<f<W (3.53)

onde K é uma constante. Para isso, vamos usar, para o sinal VSB, a ex­
pressão (3.31), correspondente à figura 3.13(a), e substituí-la em (3.46) para
analisar o processo de demodulação através do demodulador coerente da
figura 3.15. Obtemos, então,

H /-) = | { m ( / ) [ H ( / - f c ) + H ( f + f c)] + M ( f - 2 ( 3 . 54 )

O filtro HQ[f) da figura 3.15 elimina os dois últimos termos do lado direito
de (3.54), resultando

S0(f) = [H{f - f c) + )]} (3.55)


Capítulo 3 | PRINCÍPIOS DA MODULAÇÃO | 99

Obviamente, a condição (3.53) deve ser satisfeita para que o sinal demo-
dulado sQ[t) reproduza a mensagem m[t) sem distorção. Note-se que o filtro
passa-faixa da figura 3.13(b), correspondente ao sinal SSB, e o filtro da fi­
gura 3.17, correspondente ao sinal VSB, satisfazem a essa condição, como
ilustra a figura 3.18.

H(f-fc)

>
-W f

H(f-fc) -
, -,n H(f+fc)
r
*
-W 0 W f

Figura 3.18 Filtros que satisfazem a (3.53).

3.1.5 M odulação de Amplitude em Q uadratura


Uma forma muito importante de modulação de amplitude, muito
utilizada na transmissão digital, como se verá mais à frente, é a modula­
ção de amplitude em quadratura, conhecida pela sigla QAM (Quadrature
Amplitude Modulation). Esta técnica é particularmente interessante por
permitir usar um mesmo canal para transmitir duas mensagens ao mesmo
tempo. Chamando de m [t] e m2(t) duas mensagens a serem transmitidas, o
sinal QAM é definido como

s(í) = m1(í)cas(2;r £ f + 0 ) ± n ^ ^ s (3.56)

Ou seja, o sinal transmitido consiste de duas portadoras moduladas em am­


plitude. Estas duas portadoras, seno e cosseno, apresentam uma diferença
de fase de 90°, o que se define como quadratura de fase.
Pode-se verificar que o receptor da figura 3.19, onde H0[f) é a função
de transferência de um filtro passa-baixa ideal, permite demodular os dois
sinais moduladores, m^[t) e m 2[t), sem interferência mútua, desde que esteja
sincronizado, isto é, com a fase 0 dos osciladores locais igual à fase 0 do
sinal modulado. Para isso, basta entender o desenvolvimento, feito no iní-
100 I PRINCÍPIOS DE COMUNICAÇÕES

cio deste capítulo, para o demodulador coerente. Neste caso, optando pelo si­
nal negativo antes de m 2 em (3.56) e analisando o demodulador da figura 3.19,
temos as seguintes expressões

u(í) = [níjíí] cos (2nfct+0) - m2(t) sen (2;r/cí+ 0)]cos (2 x fet+ ê) (3.57)

v(f) = [-m^doos (2 Jt fct+ 9) 1m, (í) sen [ln fct +#)] sen 9}
(3.58)

Desenvolvendo estas expressões e aplicando as identidades trigonom étricas,


cos a cos ò = V2 cos (a-ò) + V2 cos (a+b)
sen a sen b = V2 cos (a-ò) - V2 cos (a+ò)
sen a cos b = V2 sen (a-ò) + V2 cos (a+ò)

obtemos

u (f)= -im jficosí#- 9) + im 1(í)cos(4;r/cí+ 0 +


, « , ( a (3.59)
-1 m2(f)sen(0 - 9) +\m2
(í) sen |4

v(t)=-±m1(t)sen(9- #) + |-m1(f)sen (47r/cf + 0+#]


(3.60)
+lm2(f)cos(0 - 0)--lnJ2(f)cos 0 + 0)

Considerando que os filtros passa-baixa eliminam os sinais de alta frequên­


cia, obtemos

ç(f) = +iq(f)cos(0- 9) - (\
izf) sen
n [9 -9)

r2 (f) = im , (í)cos [9 - 0)+ j in j t ) sen (9 - 9 )(3.62)

Se 0 sincronism o não for perfeito, isto é, 9 * 0 , cada sinal demodu-


lado conterá uma paA rcela interferente proveniente da outra mensagem.
Obviamente, se 9 = 9, r^ t ) = j m ^ f) e r2[t ) = j ).
Capítulo 3 | PRINCÍPIOS DA MODULAÇÃO | 101

H0(f)
f,(t)

cos(2it fc t+Q)
s(t)
- sen(2n f t + Q )

1 v(t) r ,( t )
H 0( f )
- 0 — —
Figura 3.19 Demodulador QAM.

3.1.6 Translação de Frequência


A translação de frequência é uma operação bastante utilizada nos pro­
cessam entos de transmissão e recepção de sinais, e consiste no desloca­
mento do espectro de um sinal de uma faixa de frequências para outra, de
acordo com a conveniência. Um exemplo típico é a conversão de frequên­
cia nos receptores de sistemas de transmissão através do espaço, denomi­
nados Sistem as RF (Radiofrequência). Esta operação consiste em trazer o
espectro da portadora modulada para uma faixa mais baixa do espectro de
frequências, denominada faixa de frequ ên cia interm ediária, ou FI, com o
objetivo de facilitar a im plem entação do circuito do demodulador e perm i­
tir que um mesmo demodulador seja usado para portadoras com diferen­
tes frequências. O esquema está mostrado na figura 3.20. Como se observa
nessa figura, o sinal de entrada é multiplicado por uma portadora local de
frequência / e, em seguida, é filtrado por um filtro passa-faixa situado na
faixa de FI. O espectro da portadora modulada e a função de transferência
do filtro de FI estão também representados na figura 3.20. Note que a largu­
ra de faixa do filtro de FI é a mesma da portadora modulada, B r
102 | PRINCÍPIOS DE COMUNICAÇÕES

(a)

cos(2if 0t)

A
S(f)
(b)
4-
0 f

(c)
>
-f, 0 f
H h

Figura 3.20 Esquema da conversão de frequências nos receptores de RF; (a) diagrama de
blocos; (b) espectro da portadora modulada; (c) função de transferência do filtro de Fl.

A operação de conversão de frequência está ilustrada na figura 3.21.


De acordo com o teorem a da modulação, a m ultiplicação do sinal s[t) pela
senoide de frequência f 0 desloca seu espectro de um valor /0. Escolhendo
adequadamente o valor de/0, pode-se levar o espectro do sinal para a região
do filtro de FI. Como mostram as figuras 3.21[a) e (b), existem duas possibi­
lidades, respectivamente,

f 0= f c - f l (3.63)

ÍO- / c + /í (3.64)

Em geral, é implementada a primeira opção, conhecida como recepção


super-heteródina.
Capitulo 3 | PRINCÍPIOS DA MODULAÇÃO | 103

—►
f

■>
-fc if0
- f, fc f

h---------
Figura 3.21 Ilustração da conversão de frequência.

Sintonia e frequência imagem

Em geral, um receptor é usado para receber portadoras com diferentes


valores de frequência dentro de uma determinada faixa. Este é, por exem­
plo, o caso dos receptores AM e FM de radiodifusão onde se tem a padro­
nização mostrada na tabela 3.1. Ajustando-se adequadamente o valor de/0,
pode-se selecionar a portadora a ser sintonizada, ou seja, aquela que, após
a conversão de frequência, terá seu espectro coincidente com a faixa do fil­
tro de FI. Por exemplo, a frequência f g=90 MHz sintoniza um
FM na frequência de 100,7 MHz e a frequência f g= 80 MHz, sintoniza uma
emissora de FM na frequência de 90,7 MHz.

Tabela 3.1 Parâmetros de frequência das Emissoras de Rádio AM e FM

Rádio AM Rádio FM

Faixa 540 a 1 610 kHz 88,1 a 107,9 MHz

Frequência de FI 455 kHz 10,7 MHz

Espaçamento 10 kHz 200 kHz

A existência de duas possibilidades de sintonia, de acordo com (3.63) e


(3.64), faz com que, ao sintonizarmos uma portadora, outra portadora inde-
sejada seja também sintonizada. Ou seja, se uma portadora de frequência
f c é sintonizada com a frequência do oscilador local dada por (3.63), essa
104 | p r in c íp io s de c o m u n ic a ç õ e s

mesma frequência sintoniza uma frequência f c cujo valor é dado por (3.64).
Igualando (3.63) e (3.64), onde/c é substituido por chegamos a

fc = cf ' 2f l (3.65)

Esta relação está ilustrada na figura 3.22. Analogamente, verifica-se que, se


f 0 for dado por (3.64), a frequência imagem f c será

f é = f c + 2fi (3.66)

Pode-se verificar que no sistema de Radiodifusão FM, com o valor da


frequência de FI = 10,7 MHz, não há possibilidade de haver frequência ima­
gem, pois ela estaria fora da faixa de sintonia. Ou seja, aplicando (3.65) para
os extremos da faixa de 88,1 a 107,9 MHz, obtemos valores de frequência
imagem entre 66,7 e 86,5 MHz. Como estes valores estão fora da faixa de sin­
tonia, não passam pelo filtro de entrada, que deixa passar apenas a faixa de
88,1 a 107,9 MHz. Já no sistema AM, é possível ocorrer frequência imagem.
Tomando a frequência máxima da faixa, 1 610 kHz, obtemos uma frequên­
cia imagem de 700 kHz que está dentro da faixa de entrada.

U------------- fo ------------- A

Figura 3.22 Ilustração da frequência imagem.

3.2 MODULAÇÃO DE FREQUÊNCIA


Historicamente, a modulação de frequência surgiu após a modulação
de amplitude, e trouxe como grande vantagem a possibilidade de melhorar
a qualidade da transmissão em presença de ruído. Seguindo o princípio
geral da modulação, utiliza-se uma portadora senoidal para transmitir uma
mensagem. Neste caso, a frequência da portadora é que varia linearmente
com a mensagem ou sinal modulador, enquanto a amplitude fica constante.
Capitulo 3 I PRINCÍPIOS DA MODULAÇÃO | 105

3.2.1 Definições Básicas


Para analisar a modulação de frequência, vamos inicialm ente definir,
de form a mais geral, os parâmetros de uma portadora. Sabem os que uma
portadora não modulada é uma senoide definida como

x(t) =Accos[2 K f c t +
0O) (3.67)

onde A e / são constantes correspondentes à amplitude e à frequência da


senoide, e 0Oé a fase no instante t= 0 (usualmente cha
Neste caso, a fase em um instante t qualquer, ou seja, a fase instantânea, é
dada por 6[t) = 2 n ft + Q0.Esta fase varia li
velocidade angular constante dada por coc = 2nfc (rad/s). Note que é
a velocidade angular expressa em Hz.
No caso geral de uma portadora modulada, temos

x(f) =^4c (í)cos [0 (f)] (3.68)

onde Ac[)t e 0(f) representam as variações da amplitude e da fase com o


tempo. Neste caso, a velocidade angular também pode variar com o tempo
e deve ser calculada em cada instante através da derivada da fase, isto é,

(3.69)

Esta velocidade, expressa em Hz, é a frequência instantânea

(3.70)

Note que, invertendo (3.70), podemos escrever

(3.71)

onde 0Qé uma fase constante qualquer.


106 | PRINCÍPIOS DE COMUNICAÇÕES

Exemplo 3.1
Neste exemplo, consideram os uma portadora modulada
s(í) = Accos[0 (í)], onde 0 (f) é o sinal representado na figura 3.23(a).
Aplicando (3.70), e notando que a escala de tempo é em ms, obtemos o
gráfico da variação da frequência instantânea da portadora com o tempo,
mostrado na figura 3.23(b).

Figura 3.23 Ilustração para o Exemplo 3.1 - variação de fase e de frequência com o tempo.

3.2.2 M odulação FM
Uma portadora modulada em frequência, ou simplesmente um sinal
FM, é uma portadora com amplitude constante e com frequência instantâ­
nea variando linearm ente com o sinal de inform ação m(t) em torno de um
frequência central f c.Ou seja,

fÁt) = fc+kfm(t) (3.72)

O termo k f m{t) é denominado desvio in stantâneo de frequ ên cia.


Considerando que o sinal m(t) é expresso em Volt e tanto f. como f c em Hz,
a constante kftem unidade Hz/Volt. Ou seja, kf é num ericam ente igual a
desvio de frequência observado quando = 1 Volt.
A constante k f é denominada constante d e sen sibilidade d e frequ ên cia
do modulador, e tem im portância fundamental na construção do sinal FM,
pois modificando seu valor, é possível gerar sinais FM com diferentes ocu-
Capítulo 3 | PRINCÍPIOS DA MODULAÇÃO | 107

pações espectrais. Pela sua definição acima, vemos que, quanto maior o va­
lor de kp maior será o desvio de frequência provocado pelo sinal modulador
e, consequentem ente, maior a ocupação espectral.
Aplicando (3.71), temos

9{i)= 27rfct+ Í2n


kfm(f)dí + 0O (3.73)

Assim, podemos escrever a seguinte expressão geral para um sinal FM:

s(f) =Accosfejr fc t+27C kj0[t)

onde

0 (f)-fin (t)d t (3.75)

O term o 2 n k f 0[t) é denominado desvio instantâneo de fase.


O sinal FM está representado na figura 3.24, junto com o sinal modu­
lador, m(t). Observa-se que a amplitude da portadora é constante, e a sua
frequência acompanha a variação de m(t), aumentando até certo ponto e
depois decrescendo.

Figura 3.24 Sinal modulador e portadora FM no domínio do tempo.


108 | PRINCÍPIOS DE COMUNICAÇÕES

Desvio máximo de frequência e de fase


O desvio máximo de frequência é um parâmetro importante na modu­
lação FM, e pode ser definido pela expressão

Af= Ãpnax{| m(f) |} (3.76)

Analogamente, o desvio máximo de fase pode ser definido por

A0 = 2 n kf max{|<|>(f)|} (3.77)

Potência
O cálculo da potência do sinal FM é feito, em princípio, pela substitui­
ção de (3.74) em (2.127). Usando 0 argumento heurístico de que a potência
é basicam ente definida pela amplitude da portadora, e não pela fase, che­
gamos a

Sinal FM no domínio da frequência

Uma interpretação interessante do sinal FM no domínio da frequência


pode ser obtida se substituirmos o sinal modulador m(í) por sua versão amos­
trada por pulsos retangulares, como ilustrado na figura 3.25(a). Nesse caso, se
a i-ésima amostra for igual a m .,0 sinal FM será uma sen
f , =f c + kf m .,em um intervalo de duração T. A transformada de Fourier des­
ta parcela do sinal FM será a função “sinc” ilustrada na figura 3.25(b), com
centro em f. = fc+ kf m.. Assim, podemos interpretar o sinal FM no domínio
frequência como uma soma de funções “sinc” situadas em diferentes regiões
do espectro, de acordo com o valor do sinal modulador m(f). Como indicado
na figura 3.25(c), supondo que o sinal m[t) tem máximo e mínimo de mesmo
valor absoluto, a faixa varrida pela função “sinc” é igual a
Para determ inar com mais precisão a ocupação espectral do sinal FM,
precisaríam os ainda considerar a parcela correspondente aos lobos da fun­
ção “sinc”. Como a duração dos pulsos retangulares é igual a o primeiro
Capítulo 3 | PRINCÍPIOS DA MODULAÇÃO | 109

zero do “sinc” está a uma distância do seu eixo central igual a 1 Supondo
que a aproximação de m(f) seja feita na taxa mínima definida pelo Teorema
da Amostragem, isto é, 1/T = 2 W,essa distância é igual a 2
das condições acima, uma estimativa da largura de faixa do sinal FM seria
2A/+ 4 W.Na prática, porém, utiliza-se a chamada Regra de Carson, onde o
termo adicional é igual a 2 W.

Figura 3.25 Interpretação do sinal FM no domínio da frequência.


110 I PRINCÍPIOS DE COMUNICAÇÕES

Fórmula de Carson
A fórmula usualmente utilizada na prática para estimar a largura de
faixa de um sinal FM é conhecida como Fórmula de Carson, e é dada por

B t = 2(A /+ W) (3.79)

onde fé o desvio máximo de frequência


A a frequência máxima do
sinal modulador.

3.2.3 FM de Faixa Estreita


Quando o desvio de fase é muito pequeno, tem-se a modulação FM de
faixa estreita. Para obter a expressão do sinal FM de faixa estreita, desenvol­
vemos (3.74) (com 0a= 0 para simplificar), e chegamos à seguinte ex

s(í) = Acc os[2 7ükf</>[tjcos(2 n fcf) -A csen [2 0(í)]sen (3.80)

A condição de desvio de fase muito pequeno significa

2nkf </)(t)«l (3 8 1 )

0 que permite fazer as seguintes aproximações:

cos[27T*f 0 (f)] = 1 (3 .8 2 )

sen [2 jckf0(f)] = 2 <p(t)

Usando estas aproximações em (3.80), obtemos

s(f) =Accos[2n fc t)- Ac 2nkf í]

Observa-se, então, que o sinal FM se reduziu a um sinal AM com sinal


modulador A 2 n k f 0[t). Aplicando a transformada de Fourier, obtém-se o
espectro do sinal FM

s t / ) i [♦cz-í )] (3 .8 5 )
^ J
Capitulo 3 | PRINCÍPIOS DA MODULAÇÃO | 111

O espectro está mostrado na figura 3.26. Como se observa na figura, o es­


pectro de amplitude é o mesmo de um sinal AM com sinal modulador pro­
porcional a 0{t).

Aplicando a propriedade da integração dada por (2.61), temos:

M if)
0 (/) = (3.86)
j 2nf

Assim, podemos concluir que, se a frequência máxima da mensagem


m(f) é W,a frequência máxima de 0 (f) é tam bém W. Logo, a largura de
faixa da portadora FM é igual à de um sinal AM que transmite a mesma
mensagem m (í), ou seja, B r = 2 W.Esta é a menor ocu
um sinal FM pode apresentar e, por esta razão, este tipo de sinal FM aqui
analisado é cham ado de FM de faixa estreita.
Na figura 3.27 está representado o diagrama de blocos da geração de
um sinal FM de faixa estreita, obtido a partir de (3.84), fazendo-se K =
112 | PRINCÍPIOS DE COMUNICAÇÕES

modulador
AM -DSB

Figura 3.27 Esquema para geração de um sinal FM de faixa estreita.

3.2.4 FM com Sinal M odulador Senoidal


Seja m(t) um sinal modulador senoidal dado por

m [t) = Amc o s [ 2 n fj) (3.87)

onde/m« f c. Neste caso, o desvio máximo de frequência definido em (3.76)


é expresso por

Af (3.88)

e o desvio de fase é dado por

2Kkf(j)[t) =27rkfAmjc o s (2 x fmt)dt (3.89)

Resolvendo a integral, e simplificando, obtemos

2 nk<p(t) = li sen [2nfm í) (3.90)

onde

(3 .9 1 )
Capítulo 3 | PRINCÍPIOS DA MODULAÇÃO | 113

A constante {3é definida como ín dice de m od u lação d o sinal FM. Substituind


(3.90) em (3.74), e fazendo 90 = 0 , obtemos a seguinte expressão para o sinal
FM:

s(f) =A cco s[2;r£f + psen[2jc^,t)] (3.92)

Note-se que o desvio máximo de fase é igual a e que a condição para FM


de faixa estreita é

P«1 (3.93)

Em termos práticos, podemos considerar 0,1 como uma condição


equivalente a (3.93).

3.2.5 G eração de FM - Método Indireto


A partir de um sinal FM de faixa estreita, pode-se obter um sinal FM de
faixa larga. Para isso, utiliza-se um dispositivo multiplicador de fase, como
indicado na figura 3.28. O multiplicador de fase gera, a partir de um sinal,

s0 (í) {)\(3.94)
=Accos\2n fct + 2 Kkf < t>

um sinal

s(t) =Ac cos[n2^/cí + n2^:ic/0(í)] (3.95)

Figura 3.28 Geração de um sinal FM de faixa larga a partir de um sinal FM de faixa estreita.

Como vemos, 0 sinal obtido tem sua fase instantânea multiplicada por
n. Aplicando (3.70), obtemos:

fi(t)= nfc+ nkf m{t) (3 .9 6 )


114 | PRINCÍPIOS DE COMUNICAÇÕES

Assim, após a passagem pelo multiplicador de fase, obtemos um sinal FM


com desvio n vezes maior e com frequência central também n vezes maior.
Este método de geração de sinais FM é denominado M étodo Indireto.

Exemplo 3.2
No esquema de geração de um sinal FM pelo método indireto, mostrado
na figura 3.29, o objetivo é gerar um sinal FM para transmissão de sinais de
áudio na faixa de 100 Hz a 12 000 Hz, com portadora de frequência 100 MHz
e desvio máximo de frequência igual a 75 kHz. Como mostrado na figura 3.29,
o modulador FM de faixa estreita tem frequência de portadora igual a 40 kHz,
sensibilidade de frequência igual a 100 Hz/v e desvio máximo de frequência
igual a 10 Hz. O esquema é analisado a seguir: (i) verificando-se a condição
de faixa estreita; (ii) determinando-se a amplitude do sinal modulador;
(iii) calculando-se os valores adequados de n t n2, e/2; (iv) determinando-se a
frequência central do filtro H{j), sua largura de faixa, bem como a largura de
faixa do sinal FM na saída do esquema.

cos(2jt f,t)
f, = 40 kHz
kf= 100 Hz/V
A f = 10 Hz
Figura 3.29 Diagrama de blocos do Exemplo 3.2.

(i) Para nos certificarm os de que o desvio máximo de 10 Hz, especi­


ficado para o prim eiro estágio da modulação, garante a condição de faixa
estreita, consideram os um sinal modulador senoidal m(f) = Amcos(27r/mf),
onde/mestá dentro da faixa [1 0 0 ,1 2 000]. Tomando = 100, valor que cor­
responde ao maior índice de modulação na faixa especificada, e aplicando
(3.91), obtemos b = 0,1. Ou seja, ao longo dessa faixa, b £ 0,1, o que atende
à condição de faixa estreita.

(ii) Como kf = 100, aplicando (3.88), obtemos = 0 ,1, ou seja, a ampli­


tude do sinal modulador deve ser limitada a 0,1 V.
Capitulo 3 | PRINCÍPIOS DA MODULAÇÃO | 115

(iii) Os valores dos multiplicadores 1 e devem ser escolhidos adequa­


damente, para que o desvio máximo de frequência e a frequência da portadora
na saída do conjunto sejam iguais aos valores especificados. Note-se, porém,
que a multiplicação por cos(27T/mí), representada no diagrama de blocos, cor­
respondente a uma translação de frequência, deve ser levada em conta. Temos,
então, o seguinte sistema de equações:

n 1n 2 x A f = n 1n x 10 = 75 x 103
2
n 2[ n j 1±/2) = n 2(n1 x 40 x 103 ± f 2) = 100 x 106
Uma possível solução é arbitrar n v determinando-se, a partir daí, os demais
parâmetros. Fazendo n 1 = 75, obtemos n2 = 100 e /2 = 2 x 106.

(iv) Como n j^ = 3 x 106, isso significa que o prim eiro multiplicador leva
a frequência da portadora para 3 MHz. A translação de frequência deve
deslocar esta frequência para 1 MHz, de modo que, ao ser multiplicada
por n 2 = 100, resulte o valor de 100 MHz, como especificado. A figura 3.30
ilustra a operação de translação de frequência e a função de transferência
do filtro H [f), que deve ser um filtro passa-faixa em torno de 1 MHz.
Usando a Fórmula de Carson, a largura de faixa deste filtro deve ser igual
a BT = 2(75 x 10 + 12 000) = 25 500 Hz. Após a passagem pelo segundo
multiplicador de frequências (x n 2), resulta um sinal FM com largura de faixa
B t = 2(75 000 + 12 000) = 174 000 Hz.

0 1 MHz 3 MHz f
|<— 2 MHz ->|

Figura 3.30 Translação de frequência do Exemplo 3.2.


116 | PRINCÍPIOS DE COMUNICAÇÕES

3.2.6 Espectro de um Sinal FM com Sinal M odulador Senoidal


Ao contrário da modulação AM, não existe uma expressão analítica
geral para o espectro de um sinal FM. Para o caso específico de um sinal
modulador senoidal, embora o desenvolvimento seja relativam ente elabo­
rado, é possível obter uma expressão para esse espectro de frequências. O
resultado é geralmente tomado como uma referência para se determ inar o
comportamento espectral de um sinal FM.
Inicialm ente, vamos escrever (3.92) da seguinte forma:

s(í) = AcR e [e /2?r/^ sen(2^ ,) ] (3.97)

Definindo
s {t)= eiPsM2«Lt) (3.98)

podemos expressar o sinal FM como

(3.99)

A função s{t) ép eriód ica de período l//m(frequência fundam enta


e pode ser expandida em série de Fourier da seguinte forma:

(3.100)

onde

e 0 - jnlxfm
(3.101)

Fazendo a mudança de variáveis x = 2 n fmt, chegamos a

(3.102)

onde /n(/?) é a função de Bessel de I a espécie e ordem n. Usando este resul­


tado em (3.100) e, posteriormente, em (3.99), temos:
Capítulo 3 I PRINCÍPIOS DA MODULAÇÃO | 117

s{t) (3.103)

s(f) = A Re „ iP )e'2* [fc+nfn,)t = A cy^ J n(p)cos\ 2x[fc + n fm)t\ (3.104)

Aplicando a transformada de Fourier, obtemos

S (/ ) - ^ ^ / „ ( y 3 ) b [ / - ( Ã + O l + í f r + t / . + n / j D (3.105)
n=-o®

O espectro de amplitude está ilustrado na figura 3.31.

Figura 3.31 Espectro de Amplitude de um sinal FM com sinal modulador senoidal.

Observamos, portanto, que o espectro de amplitude de um sinal FM


com sinal modulador senoidal de frequência é constituído por impulsos
espaçados de f m a partir da frequência da portadora f c. A área de cada im­
pulso é uma função do índice de modulação - função de Bessel de I a espé­
cie. A figura 3.32 mostra o com portam ento destas funções de ordem 0 a 4.
118 | PRINCÍPIOS DE COMUNICAÇÕES

Figura 3.32 Funções de Bessel de 1â espécie de ordem 0 a 4.

Largura de faixa

Como indicado na figura 3.31, a largura de faixa de um sinal FM com


sinal modulador senoidal pode ser expressa por

■®r 2.nmaxf m (3.106)

onde nmax é o número de componentes relevantes da expansão em (3.105).


Para « 1, tem-se um sinal FM de faixa estreita e, neste caso, sabe-se que a
largura de faixa é a mesma de um sinal AM, ou seja, BT= 2 onde W ou
seja, nmax = 1. Este resultado está de acordo com as propriedades da função
de Bessel. A função /n(b) é uma função real com as seguintes propriedades:
Capitulo 3 | PRINCÍPIOS DA MODULAÇÃO | 119

J-iÁfi)= -Jnifi) (3.107)

Para P

= 1; )iP ) = p/ZJn(P) = 0 para n > 1 (3.108)

Além disto, para p » 1

J n(P) =0 s p>
n
e3.109)
(

Assim, para um sinal FM de faixa larga, nmax = P e, portanto,

No caso geral, um critério utilizado para definir a largura de faixa é


considerar relevantes as componentes que tiverem uma amplitude maior
do que 1 % da amplitude da portadora não modulada.
E interessante comparar a largura de faixa obtida acim a com aquela
que seria fornecida pela Fórmula de Carson, dada por (3.79). No caso de
sinais senoidais, ela pode ser colocada em função do índice de modulação
P, ou seja,

Bt = 2A/(1 + 1 IP= 2U1+P) (3.110)

Pode-se verificar que a Fórmula de Carson tende a subestimar os valo­


res da largura de faixa.

3.2.8 Dem odulação de Sinais FM

A demodulação de sinais FM se faz, geralmente, em trêss etapas:


(i) tran sform ação do sinal FM em um sinal AM (com a m esm a
portadora de frequ ên cia variável); isto pode ser feito através de
um dispositivo diferenciador;
(ii) deteção de envoltória;
(iii) pós-processam ento (elim inação de valor DC, ajuste e filtragem ).

O esquema está representado na figura 3.33, e será detalhado a seguir.


120 | PRINCÍPIOS DE COMUNICAÇÕES

Figura 3.33 Demodulador FM.

Inicialm ente, vamos mostrar que a diferenciação do sinal FM faz com


que a modulação de frequência também apareça na amplitude da portado­
ra. Derivando-se s(í) expresso por (3.74) (com dQ= 0), temos:

s ’{t) = — s(í) = - 4 ,[ 2^/c + 2Kkf m{t]\sen[2n f ct+ (3 .111)

Colocando 2nfc em evidência e usando a identidade -sen (a) =


cos(a+7r/2), chegamos a

k fm[t)
s\t) = Ac 2 n fc cos[2 n f c t+ + n /2 ] (3.112)
1+

Observamos, portanto, que a derivação gera uma portadora onde, além da


frequência, também a amplitude, ou envoltória, varia linearm ente com o
sinal modulador m[t). Como, em geral,

*/lmWL x ., A/. 1
(3.113)
fc fc

a envoltória em (3.112) é sempre positiva, e o detetor de envoltória pode ser


utilizado, como na modulação AM analisada na Seção 3.1.2. Subtraindo o
valor DC em (3.112), obtemos

s0(í) = 2^4Í9-m (f) (3.114)

Uma forma simplificada de representar o demodulador FM é através


do diagrama idealizado da figura 3.34, onde A0 (f) = 2nkft[t) é o desvio de
fase em relação à fase da portadora, e H0{f] é um filtro passa-baixa ideal,
cuja largura de faixa W é igual à largura de faixa da mensagem.
Capitulo 3 | PRINCÍPIOS DA MODULAÇÃO | 121

Ae(t) Sjít) =
1
H0(f)
2n dt

Figura 3.34 Forma idealizada do demodulador FM.

O quadro 3.4 resume as principais características da modulação FM.

Quadro 3.4 Principais características da modulação FM

Modulação FM
Sinal transmitido
s[t) = Accos^2nf

Sinal demodulado
s0{t) = k f m{t) PSr = k fP m
Largura de Faixa (Fórmula de Carson)

BT = 2[Af + W)
122 | PRINCÍPIOS DE COMUNICAÇÕES

3.3 EXERCÍCIOS
3.1 Um sinal senoidal na frequência 4 kHz modula em amplitude uma
portadora em 600 kHz. Considerando que a potência da portadora modu­
lada é igual a 1 W, represente graficamente seu espectro de amplitude, nos
seguintes casos:
(a) modulação AM-SC-DSB
(b) modulação AM-SSB - faixa lateral superior
(c) modulação AM com índice de modulação igual a 0,8

3.2 Determine a frequência da portadora, a potência, o índice de mo­


dulação, a eficiência da transmissão e a largura de faixa dos seguintes si­
nais AM:
(a) s(f) = [10 + 4 cos(207tx 103 f)] cos(27rx 106 í )
(b) s(í) = 0,2 cos(20 x 1037rt) + 4cos(22 x 1037rí) + 0,2 cos(24 x 1037rt)

3.3 Observando o espectro de um sinal AM mostrado na figura E 3.3,


determine: (a) o índice de modulação; (b) a expressão do sinal AM no do­
mínio do tempo; (c) a potência da portadora modulada; (d) a eficiência da
modulação.

Figura E3.3

3.4 Considere o sinal AM

s(f) = [1 + aco s(2 fjcos(2


n

o n d e f c» f me a = 3. É possível demodular o sinal utilizando um deteto


envoltória? Esboce como ficaria o sinal na saída de um detetor de envoltó-
ria ideal.
Capítulo 3 | PRINCÍPIOS DA MODULAÇÃO | 123

3.5 A figura E 3.5(a) mostra o espectro de um sinal AM que chega a um


receptor. Este sinal é demodulado através do esquema da figura E3.5(b).
(a) Determine o índice de modulação e escreva a expressão do sinal s(f);
(b] determine um valor razoável para a constante RC, que permita garantir
que o detetor de envoltória acompanhe, aproximadamente, as variações da
envoltória da portadora.

<b) N rn

______ ± £ l
Figura E3.5

3.6 A transmissão de um sinal de áudio com frequência máxima igual a


20 kHz é feita com portadora de frequência 100 kHz através do esquema da
figura E3.6(a). Verifique se os filtros das figuras E3.6(b), (c) e (d), permitem
recuperar o sinal transmitido sem distorção. Se o filtro permitir, identifique
o tipo de modulação.

m (t) s(t)
\ * H(f)
(a) / *

cos(2it f. t)
(C)
(b) H(f)
H(f) ,

Á
80 100 (k H z ) 0 95 100 120 f (kH z)

H (í)
(d)

A
95 1 05 120 f (kH z)

Figura E3.6
124 | PRINCÍPIOS DE COMUNICAÇÕES

3.7 O sinal m[t) = 5 cos(2 n fmt)é transmitido através de


AM-DSB. O sinal transmitido, dado por s(f) = é de-
modulado através do demodulador coerente da figura E3.7, onde Ò = 4 e
H0(/) é um filtro passa-baixa ideal com largura de faixa maior do que/m. (a)
Determine S[f), o espectro de s(í); (b) determine a expressão do sinal demo-
dulado r[t;) (c) suponha que a portadora AM-DSB, definida acima, é filtrada
por um filtro passa-faixa ideal para gerar um sinal SSB com faixa lateral
superior; determine a expressão do sinal SSB assim obtido, no domínio do
tempo; (d) usando o mesmo demodulador da figura E3.7, determine o sinal
r[t) obtido pela demodulação do sinal SSB do item (c).

cos(2 nfct+ 0 )

Figura E3.7

3.8 Em uma transmissão AM de radiodifusão, as frequências das por­


tadoras das emissoras vão de 540 a 1600 kHz, e a faixa de cada canal é de
10 KHz. Sabendo que a frequência intermediária é 455 kHz e que a frequên­
cia do oscilador local deve estar sempre acima de 900 kHz: (a) determine o
maior e o menor valor da frequência do oscilador local para sintonizar todas
as emissoras; (b) verifique se a frequência de portadora de alguma emissora
pode ser frequência imagem de outra, isto é, verifique se seria possível sinto­
nizar duas emissoras ao mesmo tempo.

3.9 Determine a relação entre a potência da portadora modulada na


entrada do demodulador e a potência da mensagem recuperada na saída do
demodulador, para os sistemas AM analisados nesse capítulo, consideran­
do um sinal modulador senoidal de amplitude 1 mV, na frequência 4 kHz,
com índice de modulação igual a 0,5 no caso do sistema AM.

3.10 Uma portadora de frequência 100 kHz é modulada em frequência


pelo sinal m[t) = cos(27r/mf), onde/m= 4 kHz. (a) Sabendo que a sensibilida­
de de frequência do modulador (constante kf) é igual a 400 Hz/Volt e que
a potência do sinal FM é igual a 8 W, determine o espectro do sinal FM;
Capítulo 3 | PRINCÍPIOS DA MODULAÇÃO | 125

(b) determine, usando a fórmula de Carson, a largura de faixa do sinal FM


obtido pela passagem do sinal FM definido anteriorm ente por um multipli­
cador de frequências com n= 10.

3 .11 A frequência da portadora em um modulador FM é igual a 1 MHz,


e a sensibilidade de frequência k :fé igual a 40 kHz/volt
modulador dado por

m[t) =x[ t ) = cos(2

onde f 0 =5 kHz: (a) Determine o desvio máximo de frequência e o índice


de modulação do sinal FM; (b) esboce o espectro de amplitude do sinal
FM; (c) mostre que, para um sinal modulador m[t) = x 2(f), a portadora mo­
dulada corresponde a um sinal FM cuja frequência de portadora é igual a
1,02 MHz; calcule o desvio máximo em relação a esta frequência e o índice
de modulação correspondente.

3.12 Um sinal FM é gerado de acordo com o esquema da figura E 3.12


onde o sinal modulador é um cosseno de amplitude unitária na frequência
10 kHz, e a sensibilidade de frequência ^ d o modulador é igual a 100 Hz/volt.
(a) Determine o desvio máximo de frequência, o índice de modulação e
a largura de faixa do sinal s0(f); (b) determine a frequência da portadora
do modulador de faixa estreita e o fator de m ultiplicação n para gerar um
sinal FM na frequência de portadora 100 MHz com desvio máximo igual a
20 kHz.

m(t) Modulador FM s„(t) Multiplicador de s(t)


Faixa Estreita fase (x n )

Figura E3.12
126 I PRINCÍPIOS DE COMUNICAÇÕES

3.13 Uma portadora é modulada em frequência pelo sinal m[t) repre­


sentado na figura E.3.13. (a) Mostre que a condição de FM faixa estreita é
satisfeita se a constante de sensibilidade kf for igual a 10 Hz/volt; (b) usan­
do este valor de e supondo que a potência do sinal FM é igual a 1 W, faça
um esboço de seu espectro de amplitude.

Figura E.3.13

3.14 Em um experimento em laboratório para calibrar um modulador


FM, varia-se a amplitude do sinal modulador m[t) = Amcos[2 n f J ) e observa-se
o espectro de amplitude da portadora modulada em um analisador de espectro.
Verifica-se que, para uma frequência f m= 2 kHz, aumentando-se a amplitude Am
do sinal modulador a partir do zero, a componente mostrada pelo analisador
na frequência da portadora se reduz progressivamente até se anular completa­
mente para o valor Am=5 mV. Com esta observação, determine a cons
sensibilidade de frequência kf.
CORTESIA
DA EDITORA
4
Técnicas de Codificação de
Mensagens

No capítulo anterior, foram apresentadas as técnicas básicas da mo­


dulação para transmissão de mensagens de natureza contínua, também de­
nominada transmissão analógica. Neste tipo de transmissão, o objetivo é
reproduzir no destino, com maior exatidão possível, a forma do sinal trans­
mitido, diretamente associada à mensagem transmitida.
Na transmissão digital, temos, em geral, duas etapas: a primeira delas
é a codificação da mensagem - também chamada de codificação da fonte;
a segunda é a transmissão propriamente dita. A codificação da mensagem
visa, basicamente, gerar uma sequência de bits que represente essa mensa­
gem. Uma vez gerados os bits, é feita a transmissão dos mesmos, através de
pulsos, ou de portadoras senoidais. Neste caso, o objetivo não é reproduzir
a forma do sinal, mas sim os bits que ele representa.
Embora naturalmente aplicável a mensagens de natureza discreta, a
transmissão digital pode ser usada para transmitir mensagens de natureza
contínua que, neste caso, devem ser digitalizadas, ou seja, representadas
por sequências de bits. Isto também pode ser visto como uma forma de co­
dificação de mensagens.
Neste capítulo, apresentamos os conceitos básicos da codificação de
mensagens de natureza discreta e contínua, em particular, mensagens ge­
radas pelas chamadas fontes discretas sem memória e mensagens de voz.
128 I PRINCÍPIOS DE COMUNICAÇÕES

4.1 CODIFICAÇÃO DE FONTES DISCRETAS SEM


MEMÓRIA
Uma fonte geradora de mensagens discretas, ou simplesmente uma
fonte discreta, é definida como uma fonte que gera um número finito de
símbolos. Denomina-se alfabeto da fonte, o conjunto de símbolos gerados,
que pode ser representado por {s.}, i = 1 , 2, ... A. Em geral, o comportamento
da fonte é aleatório, e sua modelagem deve incluir as probabilidades de
ocorrência dos símbolos que compõem o alfabeto. Assim, a cada símbolo
s., é associada a probabilidade P(s.). Como se verá depois, cada símbolo
é codificado em um bloco de bits, representado por A figura 4.1 ilustra
o modelo. A fonte é dita sem memória quando ocorrências sucessivas de
símbolos são estatisticamente independentes.

+• s„K s f -----------► B

Fonte + s2, ) ►b2


Discreta

* s* «sj * Ba
Figura 4.1 Modelo de uma fonte discreta sem memória.

4.1.1 Informação Própria e Entropia


Define-se a informação própria associada a um símbolo da fonte como

/(sy)=log2 (4.1)
P M

A unidade da informação própria é denominada bit, que é uma combi­


nação de letras das palavras representando o termo Binary Unity. Observe
que 1 bit é a quantidade de informação de um símbolo que tem probabili­
dade V2.
Capítulo 4 | TÉCNICAS DE CODIFICAÇÃO DE MENSAGENS | 129

A entropia H é, por definição, a média das informações próprias de


todos os símbolos do alfabeto, isto é,

(4.2)

A entropia mede, portanto, a quantidade média de informação da fonte.


A definição adotada para a medida de informação expressa o conceito
de que quanto menor a probabilidade de ocorrência de um evento, maior
é a sua informação. O uso da função logarítmica é conveniente, pois leva a
valores que refletem bem a realidade. Ou seja, um evento com probabilida­
de 1 tem informação nula, enquanto eventos com probabilidades tendendo
a zero, correspondem a quantidades de informação tendendo a infinito.

4.1.2 Princípios da Codificação de Bloco


O problema básico da codificação da fonte é associar, a cada símbolo de
saída, uma sequência de bits, denominada palavra-código, de forma que os
símbolos possam ser decodificados, sem ambiguidade, a partir da observação
desta palavra-código. Isto pode ser feito de inúmeras formas, mas aqui apre­
sentaremos apenas a forma mais simples, denominada codificação de bloco,
não singular, univocamente decodificável e com decodificação instantânea.
Estes termos são definidos a seguir.
• Código de bloco é aquele onde cada símbolo da fonte é sempre
mapeado em uma mesma palavra-código.
• Um código de bloco é não singular quando todos os símbolos da
fonte são codificados em palavras-código distintas.
• Um código é univocamente decodificável quando todas as se­
quências distintas de símbolos da fonte resultam em sequências
distintas de palavras-código.
• A decodificação é dita instantânea quando a decodificação de
uma palavra-código não depende da observação de outras pala­
vras-código da sequência.
130 | PRINCÍPIOS DE COMUNICAÇÕES

A eficiência de um código é medida, geralmente, pelo número médio


de símbolos da palavra-código, ou comprimento médio, definido como

(4-3)
M

onde n.é
i o número de bits do bloco Bi associado ao símbolo si.
Pode-se mostrar que o comprimento médio de um código de bloco uni­
vocamente decodificável tem como limitante inferior a entropia da fonte,
ou seja,

n>H (4.4)

e que a igualdade só é verificada se n. = log2[P(s.)]. Como deve ser intei­


ro, em termos práticos, só é possível fazer uma codificação de comprimento
médio igual à entropia se

P(
«,) =2*' (4.5)

onde k. é um inteiro. Obviamente, neste caso, n. =

Exemplo 4.1
Neste exemplo, considera-se um alfabeto com 24 letras, sendo 8 vogais
e 16 consoantes. Sabendo que as vogais têm probabilidades iguais, o mes­
mo acontecendo com as consoantes, e que a probabilidade de ocorrência
de uma vogal é 1/16, será inicialmente calculada a entropia desta fonte. Em
seguida, o comprimento médio de 3 formas de codificação é comparado ao
valor da entropia.
Obviamente, a probabilidade de ocorrência de uma consoante será

P(consoant$ =
16 32

Aplicando-se (4.2), temos


Capítulo 4 TÉCNICAS DE CODIFICAÇÃO DE MENSAGENS | 131

( 2_
H=8 log2(16) +16Í — jlog2(32) = 4,5
,1 6 ,

Consideremos três formas de codificação: (i) todas as 24 letras são codi­


ficadas em palavras de 5 bits', (ii) as vogais são codificadas em palavras de 4
bits e as consoantes em palavras de 5 bits; (iii) as vogais são codificadas em
palavras de 3 bits e as consoantes em palavras de 4 bits.
Com a codificação (i) temos, evidentemente, um número médio de bits
n = 5. Com a codificação (ii)

/j^ \
- (O
n=8 — 4+16 5=4,5
w v32 ,

E, com a codificação (iii)

n=8 4 = 3,5
I i 3+16l 4
Pode-se observar que esta última regra de codificação leva a um com­
primento médio menor do que a entropia da fonte. Porém, o esquema não
é univocamente decodificável, pois, por exemplo, uma sequência de 7 bits
poderia ser interpretada, ambiguamente, como uma consoante seguida de
uma vogal ou o contrário. Este problema não ocorre com a regra (i), e pode
ser evitado com a regra (ii), fazendo-se com que as vogais comecem com
o bit 0 e as consoantes com o bit 1, ou vice-versa. Com esta estratégia, em
uma sequência de 9 bits, podemos definir, sem ambiguidade, o que é vogal
e o que é consoante.

4.1.3 Codificação de Huffman


Quando o conjunto de probabilidades dos símbolos do alfabeto da fon­
te não satisfaz a (4.5), existe um procedimento, denominado Codificação de
Huffmann, para obter um código de comprimento mínimo, n0, de tal for­
ma que qualquer outro código terá comprimento n s nQ. Note, porém, que
n# i H e , portanto, n s nQ;> H.
Para explicar a codificação de Huffman, é conveniente utilizar, para o
código, uma representação em árvore, em que cada extremidade está as­
132 | PRINCÍPIOS DE COMUNICAÇÕES

sociada a uma palavra-código, como ilustrado na figura 4.2. A sequência


de dígitos componentes de uma palavra-código é obtida a partir da base
da árvore, percorrendo os ramos até sua extremidade. A cada bifurcação,
define-se um novo dígito, de acordo com o sentido escolhido. No caso da
figura 4.2, convenciona-se 1 para cima e 0 para baixo.
ui
011

101

001

110

010

100
ooo
Figura 4.2 Representação em árvore para um conjunto de palavras-código.

O algoritmo para a obtenção do código de Huffman segue a seguinte


regra geral: (i) para a construção da árvore, devem ser conectados, sucessiva­
mente, dois a dois, os ramos com menor probabilidade; (ii) quando dois ramos
são conectados formando um ramo de hierarquia superior, este novo ramo
tem probabilidade igual à soma das probabilidades dos ramos conectados.
A figura 4.3 ilustra o algoritmo de Huffman para um caso particular de
uma fonte com 6 símbolos e o conjunto de probabilidades: 0,35 0,20 0,15
0,15 0,10 e 0,05. A sequência das ligações é a seguinte:
• conectam-se, inicialmente, s6 e que têm as menores probabilida­
des (0,05 e 0,10); o ramo formado tem probabilidade 0,15;
• após esta operação, existem 3 ramos com probabilidade 0,15; neste
caso, escolhem-se arbitrariamente dois deles para serem conecta­
dos; no exemplo, conecta-se s4 com o resultado da combinação de
s6 e sg; o novo ramo tem probabilidade 0,30;
• agora, as menores probabilidades são de s3e que são conectados;
• continua-se o processo até restarem apenas dois ramos a serem
conectados;
• observando a estrutura da árvore, determinam-se os blocos de
bits de cada símbolo.
Capítulo 4 I TÉCNICAS DE CODIFICAÇÃO DE MENSAGENS | 133

Sk P fek)

S1 0,35

S2 0, 20

S3 0,15

s4 0,15

S5 0,10

Só 0,05

Figura 4.3 Diagrama para a codificação de Huffman.

Aplicando (4.3), obtemos o número médio de bits por bloco,


n =1X0,35 + 3X0,20 + 3X0,15 +3x0,15+4x0,10+4x0,05 =2,45
Aplicando (4.2), obtemos a entropia,

H= 1,514 X I + 3X2,322 +3 X 2,737+ 3x2,737 + 4x3,322 + 4x4,322 = 2,36

e verificamos (4.4). Note, porém, que nenhum outro código terá compri­
mento médio menor do que 2,45, pois a entropia só seria igualada se todas
as probabilidades fossem da forma dada por (4.5).

4.2 CODIFICAÇÃO DE FONTES CONTÍNUAS - SINAIS DE


VOZ
A forma básica de codificação de mensagens de natureza contínua é
conhecida como sistema PCM (Pulse Code Modulation). O sistema PCM
foi proposto, inicialmente, para digitalizar sinais de voz para telefonia, e se
mantém até hoje como uma referência para a transmissão de voz digitali­
zada. Porém, visando à obtenção de sistemas capazes de operar com taxas
134 I PRINCÍPIOS DE COMUNICAÇÕES

de bitsmenores, outras técnicas têm sido propostas, e algumas delas vêm


se tornando padrões para telefonia digital. Os fundamentos de todos esses
sistemas de digitalização serão apresentados a seguir.

4.2.1 Sistema PCM


O sistema PCM consiste de três operações básicas representada no
diagrama de blocos da figura 4.4: amostragem, quantização e codifica ;ão.
Essas operações são descritas a seguir e ilustradas através da figura 4.5.

Figura 4.4 Diagrama de blocos do sistema PCM.

Figura 4.5 Ilustração do processamento no sistema PCM.

(i) Amostragem: o sinal de voz s(í) é amostrado nos instantes t = kT,


onde T é o intervalo de amostragem e um inteiro.

(ii) Quantização: para tornar finito o conjunto dos possíveis valores das
amostras do sinal, são definidos N níveis de quantização, isto é, um conjun­
to de valores para os quais os valores das amostras devem ser aproximados;
a diferença entre o valor exato da amostra e o nível de quantização corres­
pondente é denominada erro de quantização.
Capítulo 4 | TÉCNICAS DE CODIFICAÇÃO DE MENSAGENS | 135

(iii) Codificação: a cada um dos N níveis de quantização é associado


um grupo de L bits, sendo N =2L
; para cada amostra qua
cador procura em uma tabela a sequência de bits correspondente e faz a
transmissão dos bits através de uma sequência de pulsos.

O processo de amostragem e quantização altera a mensagem origi­


nal, mas a alteração pode ser reduzida a um nível aceitável. Com relação
à amostragem no tempo, de acordo com o teorema da amostragem, o sinal
original poderá ser recuperado com exatidão, desde que a taxa de amostra­
gem seja maior ou igual ao dobro da frequência máxima deste sinal. Quanto
ao erro de quantização, este será irreversível, mas pode ser arbitrariamen­
te reduzido, escolhendo-se um número relativamente grande de níveis de
quantização.
Para um sinal de voz típico de uma transmissão telefônica, limita-se a
frequência máxima a 4 000 Hz. Assim, a taxa de amostragem é usualmente
feita a 8 000 amostras por segundo. Como cada amostra é codificada em 8 bits,
temos uma taxa de 8 x 8 000 its/,sou seja, 64 kbit/s.
b

Recuperação do sinal analógico


Para obtenção do sinal analógico são realizadas as operações inver­
sas àquelas realizadas no processo de geração do sinal digital, exceto a de
quantização. Como dito anteriormente, esta é uma operação irreversível,
resultando no erro de quantização. Portanto, as operações se reduzem a:

(i) obtenção da sequência de amostras quantizadas a partir da sequên­


cia de bits observada;

(ii) obtenção do sinal analógico através de filtragem das amostras quan­


tizadas por um filtro passa-baixa de largura de faixa igual à metade da taxa
de amostragem, como explicado na Seção 2.7.
136 I PRINCÍPIOS DE COMUNICAÇÕES

Modelagem do processo de quantização


A função da figura 4.6, relacionando uma amostra s do sinal ao nível
de quantização z correspondente, representa a operação do quantizador.
Como se observa na figura:

(i) os valores de s são enquadrados em intervalos delimitados por um


conjunto de valores {x j, k = 1, 2,...
zação; se o conjunto de valores {x^,} for igualmente espaçado, de forma que
os intervalos de quantização tenham o mesmo tamanho, o quantizador é
definido como quantizador uniforme;

(ii) ao intervalo de quantização [Xj., xi+1], é associado o nível de quan­


tização yk.

Em princípio, a escolha do conjunto de valores {x.} e {y.} é livre, mas,


tipicamente, têm-se as seguintes condições:1

Xj =0;

i ü i . W-s)
2

Ou seja, o primeiro intervalo começa em zero e os níveis de quantização


correspondem ao ponto médio destas faixas. Como o sinal s(f) é sempre
considerado de média nula, o quantizador é simétrico e, portanto, basta
definir seu comportamento para s > 0. Um quantizador é definido como
Uniforme quando os intervalos de quantização.
Em geral, xN+1 = V, onde V é um limitante superior estabelecido para
s, mas nem sempre verdadeiro. Ou seja, eventualmente o sinal pode ultra­
passar este valor e, nesse caso, tem-se o fenômeno denominado sobrecarga.

Pode-se mostrar que essas condições minimizam o ruído de quantização, em situações


típicas.
Capitulo 4 | TÉCNICAS DE CODIFICAÇÃO DE MENSAGENS | 137

Figura 4.6 Modelo geral de um quantizador.

Ruído de quantização
O erro de quantização é a diferença entre a amostra do sinal s[t) e seu
valor quantizado, ou seja,

q = s-z (4.7)

Aplicando esta definição à sequência de amostras de s(í) e seus níveis de


quantização correspondentes, tem-se uma sequência de valores do erro de
quantização que geralmente é considerado um ruído. O ruído de quantiza­
ção está ilustrado na figura 4.7. Como ilustrado na figura, o ruído de quanti­
zação nos períodos de sobrecarga é denominado ruído de sobrecarga. Fora
desta condição, o ruído de quantização é chamado de ruído granular.
138 I PRINCÍPIOS DE COMUNICAÇÕES

Figura 4.7

Com base na figura 4.7, podemos escrever

q=s-yk xk < s < x k+l (4.8)

Observando a figura 4.8 e lembrando que, de acordo com a condição


(4.6), yké o ponto médio do intervalo, podemos verificar que, quando a
amostra do sinal estiver na faixa [x^x^J considerada, o ruído de quantiza-
ção varia entre -A 2eA^/2, dependendo do valor de s.
J

4- >
*k s y*

Figura 4.8 Erro de quantização no intervalo Ak

Para avaliar o efeito do ruído de quantização na digitalização do sinal,


procura-se calcular o valor médio quadrático do erro de quantização, isto é,

Como, em geral, o intervalo A^ é relativamente pequeno, podemos ado­


tar a seguinte hipótese: dado que o valor da amostra do sinal está em um de-
Capftulo 4 | TÉCNICAS DE CODIFICAÇÃO DE MENSAGENS | 139

terminado intervalo de quantização, este valor será uma variável aleatória


uniforme dentro do referido intervalo. Ou seja, dadoXj, será uma
variável aleatória uniforme neste mesmo intervalo. Consequentemente,
analisando a figura 4.8, podemos afirmar que, nas mesmas condições, o
erro de quantização q será uma variável aleatória uniforme no intervalo
K A A j2].
Sabemos que o valor médio quadrático de uma variável aleatória x
uniforme no intervalo [-a, a] pode ser calculado pela integral

P — x 2d X = — (4.10)
J- a3
a
2

Usando este resultado, podemos então escrever

A2
E [q2 \xk < s < x k+1) = - ^ ; k = %2,...N(4.11)

O valor de a, = E p 2) é a média dos valores médios quadráticos obti-


dos para todas as faixas de quantização. Este cálculo pode ser aproximado
por

(4.12)
k=l L*

onde Pk é a probabilidade de a amostra do sinal s estar na faixa [xF xi+1], a


qual é dada por

pi:= í Ps (S)dS (4.13)


J*k

onde ps[S) é a função densidade de probabilidade das amostras do sinal. O


fator 2 aparece porque o cálculo deve ser feito também para 0, conside­
rando a simetria do quantizador.
No cálculo acima, supõe-se que não ocorre sobrecarga. Caso esta ocor­
ra, existe ainda uma parcela adicional do ruído de quantização, denomi-
140 I PRINCÍPIOS DE COMUNICAÇÕES

nada ruído de sobrecarga, cujo valor médio quadrático é calculado pela


expressão

[S - yN
Jv (4.14)

Quantizador uniforme
No quantizador uniforme, as faixas são iguais, ou seja,

^+i - xJc = A (4.15)

Neste caso, a expressão (4.12) pode ser escrita como

(4.16)

Supondo que não existe sobrecarga, o termo entre parênteses do lado direi­
to de (4.16) é igual a 1, e o valor médio quadrático do ruído de quantização
se reduz a

Razão sinal-ruído
O impacto do ruído de quantização na qualidade da digitalização deve
ser medido através do valor médio quadrático do erro de quantização com­
parado ao valor médio quadrático do sinal, o que pode ser feito através da
razão sinal-ruído definida como

(4.18)

Para um quantizador uniforme, sem sobrecarga, isto é, com xN+1 = V ,e


-V <. s £ V, podemos escrever
Capítulo 4 | TÉCNICAS DE CODIFICAÇÃO DE MENSAGENS | 141

2V
A= (4.19)
2N

Chamando d eu o número de bits usados para codificar cada amostra


quantizada, temos

2N = 2“ (4.20)

Aplicando (4.17), (4.19) e (4.20) para calcular (4.18), obtemos

3x2 'Zn
RSR =
v_ (4.21)

A expressão (4.21) mostra que a razão sinal-ruído de quantização, no


caso considerado, depende do número de bits por amostra e da razão en­
tre o valor de pico V do sinal e seu valor RMS (raiz quadrada da potência).
Esta razão é conhecida como fator de carga. Aumentando o número de bits
por amostra, aumenta exponencialmente o número de níveis de quantiza­
ção e, com isto, a razão sinal-ruído. Por outro lado, observa-se que valores
mais altos de RSR são obtidos para sinais com menor valor de pico (sinais
com menor faixa de variação).
A razão sinal-ruído dada por (4.21) pode ser expressa em dB, isto é,

'v '
RSR {dB) = 6n + 4,77 - 20 log (4.22)
os ,
sj

Observa-se em (4.22) que, adicionando 1 bit nas palavras-código asso­


ciadas aos níveis de quantização, obtém-se um aumento de 6 dB na razão
sinal-ruído de quantização.

Sinal senoidal
Para ilustrar a expressão (4.22), vamos considerar que o sinal é uma
senoide de amplitude V ao longo do tempo, com fase aleatória uniforme­
mente distribuída entre 0 e 2n. Neste caso,
142 | PRINCÍPIOS DE COMUNICAÇÕES

(4.23)

e, portanto,

(4.24)

Substituindo em (4.22) obtemos, para uma quantização com 8 bits,


RSR(dB)=49,75.

Sinais não limitados - distribuição de Laplace


Para um sinal aleatório não limitado, haverá probabilidade de sobre­
carga, dada por P(|s|>V). Neste caso, a variância do ruído de quantiza­
ção deve ser calculada pela soma de (4.12) e (4.14), correspondentes às
variâncias do ruído de quantização granular e de sobrecarga. Em geral, o
ruído granular aumenta com o valor de V, enquanto o ruído de sobrecarga
diminui.
Por ter uma expressão matemática simples e ser uma boa aproximação
da realidade, a função densidade de probabilidade de Laplace é muitas ve­
zes usada para caracterizar o comportamento do sinal de voz. Esta função
é dada por
V2|s|

(4.25)

e a probabilidade de sobrecarga pode ser expressa, genericamente, por

(4.26)

Em situações típicas, a variância do ruído granular é bem maior do que


a do ruído de sobrecarga. Neste caso, uma forma aproximada de relacionar a
razão sinal-ruído de quantização com a probabilidade de sobrecarga é
Capítulo 4 | TÉCNICAS DE CODIFICAÇÃO DE MENSAGENS | 143

desprezar o fenômeno da sobrecarga no cálculo da razão sinal-ruído, con­


siderando válida a expressão (4.26). Como observamos em (4.22) e (4.26),
para um dado valor do fator de carga V/er, podemos determinar um valor
da razão sinal-ruído e da probabilidade de sobrecarga.

Exemplo 4.2
Neste exemplo, calculamos a razão sinal-ruído e a probabilidade de
sobrecarga em um quantizador uniforme, supondo V = 4cr, o que é uma
consideração usual. Neste caso, aplicando (4.26), obtemos uma probabilida­
de de sobrecarga igual a 3,5 x 10'3. Usando esta mesma relação V = 4a em
(4.22), obtemos, para um quantizador de 8 bits, RSfí (dB) = 40,73, e para um
de 7 bits, d
( B) = 34,73.
S
R
Para sinais de voz, é desejável que RSR seja, pelo menos, da ordem de
35 dB para se conseguir uma qualidade de sinal comercialmente aceitável.
Pelo Exemplo 4.2, verificamos que um quantizador de 7 bits (128 níveis)
seria suficiente para esse propósito. Porém, na prática, observa-se a neces­
sidade de um quantizador uniforme de 12 bits para se chegar à qualidade
desejada. A razão disso é que as amplitudes do sinal de voz variam muito
com o locutor e, mesmo para um mesmo locutor, esta variação é bastante
acentuada, em função do tipo de som emitido. Uma possível solução para
este problema será tratada a seguir.

Melhoria na razão sinal-ruído pelo uso de compressão - codec log-


PCM
Como observamos em (4.12), o valor médio quadrático do ruído de
quantização depende do conjunto de probabilidades {P^} (probabilidades
de o sinal de voz pertencer aos diferentes intervalos de quantização). Essas
probabilidades podem ser vistas como uma versão discreta da função den­
sidade de probabilidade do sinal de voz.
As distribuições de probabilidade obtidas por medidas estatísticas
mostram que quanto menor é o valor de um sinal de voz, maior é sua pro­
babilidade de ocorrência, o que pode ser observado também na função den­
sidade de probabilidade de Laplace, utilizada no Exemplo 4.2. Por outro
lado, observando (4.12), podemos concluir que uma estratégia interessan­
te para aumentar a razão sinal-ruído de quantização é usar intervalos de
144 I PRINCÍPIOS DE COMUNICAÇÕES

quantização menores para valores do sinal com maior probabilidade de


ocorrência - os pequenos valores - e aumentar o tamanho do intervalo
de quantização à medida que sobe o nível do sinal. Esta estratégia apresen­
ta ainda uma outra vantagem importante: a razão sinal-ruído observada nos
diferentes intervalos de quantização fica mais estável, ao contrário do que
se observa na quantização uniforme. Nesta, o valor médio quadrático do
erro de quantização é igual em todos os intervalos de quantização, mas a
potência do sinal varia, de acordo com os níveis deste sinal em um determi­
nado intervalo, levando a uma grande variação da razão sinal-ruído.
A utilização de quantização com intervalos de quantização de tama­
nhos diferentes ou, simplesmente, quantização não uniforme, é feita, geral­
mente, de forma indireta, através de compressão do sinal, como mostrado
na figura 4.9. Ou seja, antes de entrar no quantizador uniforme, o sinal
s[t) passa por um dispositivo que comprime o sinal de acordo com uma
curva c(s). Como se observa na figura 4.9, intervalos de quantização iguais
para o sinal comprimido correspondem a intervalos diferentes para o sinal
original.

Figura 4.9 Obtenção da quantização não uniforme através de compressão.


Capítulo 4 | TÉCNICAS DE CODIFICAÇÃO DE MENSAGENS | 145

Existem duas curvas de compressão padronizadas para o sinal de voz,


denominadas Lei p e Lei A. Suas respectivas expressões m
apresentadas abaixo, onde Véo valor máximo do sinal, e p e
tros de livre escolha, associados ao grau de curvatura das curvas. Como estas
curvas são logarítmicas, o codificador-decodificador que utiliza estas curvas
é denominado Codec log- PCM.

Lei p

V ln l +
(4.27)
c(s) =
ln(l+//)

Lei A

— 11 0<|s|< —
1 +log (A) A
(4.28)
1+1° g ^ i s i) ,sl>
l+log(A )

A Lei fi está ilustrada na figura 4.10. Valores de p usualmente emprega­


dos são 100 para n= 7 e 225 para n

Figura 4.10 - Lei p.


146 | PRINCÍPIOS DE COMUNICAÇÕES

Pode-se mostrar que, se o sinal apresentar distribuição de Laplace, a


razão sinal-ruído de quantização para o codec Log-PCM usando lei p é dada
por

/ \2
v ' r V
RSR= 6n + 4, 77 - 20log [ln(l+p)] -lOlog 1 + + V 2------ (4.29)

Calculando a expressão (4.29) para diversos valores de p e V/cr pode­


mos obter as seguintes conclusões:
(i) a variação de 1 bit no tamanho da palavra binária provoca um au­
mento de 6 dB em RSR;
(ii) enquanto na quantização uniforme RSR varia significativamente
com V/cr, com o codec Log-PCM, este parâmetro se mantém aproximada­
mente constante para uma determinada faixa de valores de V/cr; esta faixa
de estabilidade sobe quando aumenta o valor de p; porém, o aumento do
valor de p leva a valores relativamente menores de RSR.

4.2.2 Quantização Adaptativa


O problema de projetar um quantizador adequado para certa classe de
sinais está diretamente relacionado ao problema de determinar um método
apropriado para casar os intervalos de quantização à variância do sinal de
entrada. Como visto anteriormente, uma possibilidade é usar um quanti­
zador com compressão logarítmica. Outra seria usar um quantizador cujos
intervalos de quantização sejam ajustados, de forma otimizada, de acordo
com as oscilações da variância do sinal ao longo do tempo. Neste caso, se
a variância do sinal (constante ou variável) for desconhecida, torna-se ne­
cessário um esquema de estimação dessa variância. A partir desta estima­
ção, é obtido um parâmetro de ajuste do quantizador que varia ao longo do
tempo, de tal forma que o quantizador opere aproximadamente como um
quantizador ótimo.
A técnica de adaptação do quantizador ao longo do tempo é conhecida
como quantização adaptativa. A ideia básica dos algoritmos de adaptação
é fornecer um parâmetro de ajuste, cr, com valor alto quando o sinal de
Capítulo 4 | TÉCNICAS DE CODIFICAÇÃO DE MENSAGENS | 147

entrada apresenta níveis de energia correspondentemente altos. Com isso,


as características do quantizador são expandidas através deste parâmetro.
Por outro lado, quando o nível de energia do sinal é baixo, o algoritmo deve
fornecer um parâmetro de ajuste com valor correspondentemente baixo, de
forma a acomodar adequadamente os sinais de baixa amplitude. Para efei­
to de ilustração, a figura 4.11 mostra as características de um quantizador
adaptativo em dois instantes diferentes. Na figura 4.11(a) a adaptação seria
para sinais com energia relativamente alta, e na figura 4.11(b), para sinais
com energia relativamente alta.

Figura 4.11 - Quantização adaptativa.

A quantização adaptativa é usualmente implementada através de um


quantizador com características fixas, projetado para um sinal com variân­
cia unitária. Levando em conta que os sinais têm uma variância qualquer,
este quantizador é precedido de um dispositivo que introduz um ganho G.,
variante no tempo, cujo objetivo é manter constante a variância do sinal
na entrada do quantizador. O ganho G( deve receber um valor igual ao in­
verso de uma estimativa local do desvio padrão a do sinal, isto é, = a.
Assim, o produto G s.resultará em um sinal com variância unitária. Q
148 | PRINCÍPIOS DE COMUNICAÇÕES

a quantização adaptativa é usada diretamente sobre as amostras de entra­


da, o codificador é chamado de PCM Adaptativo (APCM).
Existem algoritmos de adaptação do quantizador em que o parâmetro
de ajuste é calculado a partir da entrada, ou seja, a partir das amostras
não quantizadas {sj. Como não se dispõe destas amostras no receptor, este
cálculo não poderá ser refeito no processo de decodificação. Neste caso, o
parâmetro de ajuste deve ser transmitido através do canal. Em outros algo­
ritmos, calcula-se o parâmetro de ajuste a partir das amostras de saída do
quantizador, {z.}, ou, equivalentemente, a partir das palavras-código que a
representam. Neste caso, não é necessário transmitir o parâmetro de ajuste,
uma vez que o sinal quantizado é disponível no receptor e assim o mesmo
cálculo feito no codificador pode ser refeito no decodificador.
A segunda estratégia de adaptação descrita acima, sem transmissão do
parâmetro, é mais eficiente que a primeira no que se refere a economia de
bits transmitidos. No entanto, é menos vantajosa quando ocorrem erros nos
bits ao longo da transmissão. Neste caso, além de levar à decodificação de
palavras-código com erro, os bits errados podem fazer com que a adaptação
seja feita de forma indevida.
A adaptação do quantizador pode ser de dois tipos: instantânea ou si­
lábica. Na adaptação instantânea, o parâmetro cr. é função apenas de uma
história recente do sinal de entrada (poucas amostras anteriores). Por este
motivo, qualquer alteração na amplitude do sinal é imediatamente refletida
no valor de cr. Isto significa que cr. apresenta variações rápidas com i. Por
outro lado, na adaptação silábica, <r. depende de uma história relativamente
longa do sinal de entrada (tipicamente da ordem de vários milissegundos),
de modo que mudanças na amplitude do sinal se refletem imediatamente
no valor do parâmetro cr.. Assim, na adaptação silábica, o parâmetro de
ajuste do quantizador varia de forma relativamente lenta com o tempo.
Um dos métodos de adaptação mais empregados é o método de Jayant,
que consiste em obter a estimativa cr. multiplicando-se a estimativa anterior
cr. j por um fator M que amplifica ou atenua esta estimativa, e depende da
magnitude da saída anterior do quantizador zjr Lembrando que a saída do
quantizador no instante i é dada por ± y k, k = 1, 2, ... N, nota-se que a mag­
nitude está associada ao índice k. Para cada valor deste índice, tem-se um
valor do multiplicador, M[k). A regra de adaptação pode ser expressa por

cr/=M(71.J <tm ( 4 . 30 )
Capitulo 4 | TÉCNICAS DE CODIFICAÇÃO DE MENSAGENS | 149

onde /M = ske zM= ± yk, sendo M(k) obtido através de uma tabela determi­
nada com o objetivo de otimizar o desempenho do sistema. Conclui-se, da
observação de (4.30), que essa técnica não requer transmissão do parâme­
tro de ajuste do quantizador, uma vez que ele pode ser determinado a partir
das amostras recebidas {z.}.
De forma a casar as características do quantizador ao nível do sinal
de entrada, a estimativa cr. deve, obviamente, ser aumentada se houver in­
dicação de que o nível do sinal é alto, o que é evidenciado por um nível
de saída ± yk com k próximo de N. Por outro lado, se esse nível for baixo,
o que é indicado por k próximo de 1, então a. deve sofrer um decréscimo.
Isso significa que os multiplicadores M(k), , 2 ,... N devem satisfazer às
seguintes condições:

M(N] > 1
M(1)<1 (4.31)
M( 1) <M(2)< ... <M{N)

No método de Jayant, o critério usado para a determinação dos multi­


plicadores para entradas de voz é o de maximização da razão sinal-ruído
através de um procedimento de busca exaustivo.
O método dos multiplicadores de Jayant não opera satisfatoriamente
em canais de comunicações ruidosos, devido, principalmente, à propaga­
ção de erros.

4.2.3 Codificação Diferencial


Como foi visto na seção anterior, a quantização não uniforme e a quan-
tização adaptativa exploram apenas a informação relativa à distribuição
de amplitudes do sinal de entrada. Entretanto, é possível também tirar pro­
veito da informação relativa à função autocorrelação do sinal. Para sinais
altamente correlacionados, a amplitude tende a variar lentamente de uma
amostra para a seguinte. Isso significa que o valor da amplitude de uma
amostra pode ser predito a partir das amostras anteriores com uma dife­
rença relativamente pequena em relação ao valor correto. Transmitir esta
diferença e usá-la no receptor para corrigir o processo de predição é mais
vantajoso, uma vez que os intervalos de quantização utilizados poderão
150 I PRINCÍPIOS DE COMUNICAÇÕES

ser menores, reduzindo o erro de quantização. Esta forma de codificação,


denominada codificação diferencial, pode ser implementada através do dia­
grama de blocos representado na figura 4.12.

Figura 4.12 Esquema básico da codificação diferencial.

De acordo com a figura 4.12, no codificador é feita a predição do sinal


no instante i, a partir das amostras do sinal (s.) nos instantes anteriores,
determinando-se, então, a diferença entre o valor correto e o valor estimado

ei = si-

Esta diferença será quantizada como no sistema PCM, e transmitida. No


receptor, o decodificador deveria, em princípio, realizar a operação inversa
do codificador, ou seja, adicionar ao erro e., o valor da predição, No entan­
to, nenhum desses dois valores é disponível no decodificador. Na realidade, o
que se tem é o valor de ej quantizado, isto é, z.. Portanto, como se observa na
figura 4.12, o sinal reconstruído será r„ uma aproximação de obtida através
da operação

ri = zi +ri (4.33)

Com base na formulação desenvolvida, podemos verificar que o siste­


ma de codificação diferencial da figura 4.12 apresenta um pequeno proble-
Capítulo 4 | TÉCNICAS DE CODIFICAÇÃO DE MENSAGENS | 151

ma: além do ruído de quantização, o esquema introduz uma perturbação


relacionada à diferença entre os processos de predição realizados no trans­
missor e no receptor. Explicitando sj em (4.32), isto é, escrevendo

Sj = ei + Sj ( 4 . 34)
e levando em (4.33), temos

Sj - = (e, + s; ) - {Zj +fj) (4.35)

Notando que

zí = ei - (4.36)Q í

onde q
. éo ruído de quantização, chegamos a

Sj- q =qI +{si - f,.) (4.37)

Ou seja, a diferença entre o sinal reconstruído e o sinal original, além do


erro de quantização, contém uma parcela que corresponde à diferença en­
tre as predições feitas no transmissor e no receptor.

Predição
A forma mais simples de se fazer uma predição é através de uma com­
binação linear de amplitudes anteriores do sinal, isto é,

(4.38)

onde p é a ordem do preditor e {a., j = 1, 2, ... p} sã


dição linear.
Na predição linear de primeira ordem (4.38) se reduz a

Sj =asi_1 (4.39)

ou seja, o valor predito s .é proporcional à amplitude da amos


sH. O erro de predição será dado por
152 | PRINCÍPIOS DE COMUNICAÇÕES

e; = S; - as,ï-i (4.40)

O coeficiente a poderia, no caso mais simples, ser feito igual a 1.


Podemos, entretanto, determiná-lo de modo a minimizar a variância do
erro de predição expressa por

(4.41)

Para isto, basta fazer

dçt_
= 0 (4.42)
da

e obter o valor de a. Neste caso, temos o preditor ótimo linear de primeira


ordem. Desenvolvendo (4.41), obtemos

a i = <y2
s +azCT2 - 2a£(sisf. J (4.43)

Aplicando (4.42) a (4.43), chegamos a

a = p_ = ------ 5—
O
(4.44)

onde p é o coeficiente de correlação entre as amostras do sinal.


Substituindo (4.44) em (4.43), obtemos

a 2=a2
s [ l - p 2] (4.45)

Tendo em vista que | p |<; 1, verificamos que ^ crs. Além disso, ob


do (4.45) concluímos que, quanto mais próximo de 1 é o valor absoluto de
p, menor é a variância do erro de predição e mais vantajosa é a codificação
diferencial. No outro extremo, se p = 0, as amostras são
o erro de predição tem variância igual a do sinal e a codificação diferencial
não traria nenhuma vantagem.
Capítulo 4 | TÉCNICAS DE CODIFICAÇÃO DE MENSAGENS | 153

Sistema DPCM
A forma usual do sistema DPCM está representada na figura 4.13, onde
observamos que, diferentemente do esquema da figura 4.12, a predição é
feita a partir das amostras quantizadas. Neste caso,

ri = zi +§i (4.46)

e a diferença entre o sinal reconstruído e o sinal original é dada por

j- r, = (<?, + s,0- (zj + sy)= et - % = q,


S (

isto é, será simplesmente igual ao erro de quantização, sem a influência de


outros termos, como observado em (4.37).

Quantizador Codificador
T*«»-

Transmissão
Canal
Preditor Recepção

Decodificador 4

-► Preditor

Figura 4.13 Esquema do sistema DPCM.

Razão sinal-ruído no sistema DPCM


A razão sinal-ruído de quantização no sistema DPCM pode ser expres­
sa a partir da definição básica dada por (4.18), isto é,
154 | PRINCÍPIOS DE COMUNICAÇÕES

(4.48)

Definindo

(4.49)

(4.50)

obtemos

RSR = GpRSRn (4.51)


Q

Ou seja, a razão sinal-ruído no sistema DPCM pode ser expressa como


o produto da razão sinal-ruído do quantizador, RSRQ, com o ganho devi­
do à configuração diferencial, ou simplesmente, ganho de predição, G .
Substituindo (4.45) em (4.50), obtém-se, para o preditor linear ótimo de pri­
meira ordem,

2 (4.52)

Como, tipicamente, o coeficiente de correlação p entre as amostras do sinal


de voz é próximo de 1, o ganho Gp será elevado, aumentando substancial­
mente o valor final da razão sinal-ruído.
Embora não seja necessariamente o procedimento ótimo, visando à
otimização do sistema DPCM, uma prática usual é tratar independentemen­
te o preditor e o quantizador, isto é, projetar o preditor para maximizar Gp
e os intervalos de quantização para maximizar RSRQ, de acordo com os
mesmos princípios apresentados na seção anterior.
Capítulo 4 | TÉCNICAS DE CODIFICAÇÃO DE MENSAGENS | 155

Sistemas DPCM adaptativos


O princípio da quantização adaptativa discutido anteriormente pode
também ser usado com o codificador DPCM. A motivação para seu uso,
neste caso, é também o fato de que o desempenho do quantizador pode
apresentar variação em função da energia de um sinal não estacionário
como o sinal de voz. Os codificadores passam então a ser chamados de co­
dificadores DPCM Adaptativos ou ADPCM.
Assim com em codificadores APCM, a adaptação do quantizador de
um sistema ADPCM pode ser feita com ou sem transmissão do parâmetro
de ajuste, ou seja, com base no sinal não quantizado ou com base no sinal
quantizado, respectivamente.

Sistema Delta
O sistema Delta pode ser visto como um sistema DPCM onde o proces­
so de quantização, como ilustrado na figura 4.14, é reduzido à sua forma
mais simples, ou seja, dois níveis de quantização, o que equivale a 1 por
amostra. Isto significa que, em um sistema Delta, a taxa de bits é igual à taxa
de amostragem.

bit = 1
A'

si

-A
bit = 0

Figura 4.14 Quantizador de dois níveis utilizado em um sistema Delta.

A figura 4.15 ilustra a operação de um sistema Delta no caso mais sim­


ples, em que o preditor é de l â ordem com coeficiente 1, e o passo A do
quantizador é fixo. Como no sistema DPCM, o sistema Delta transmite a dife­
rença ej. entre o sinal s. e sua predição que, neste caso, é igual ao sinal re­
construído no instante anterior rjV Se s, é transmit
o sinal reconstruído é incrementado de A. Caso contrário, é transmitido o bit
0 (nível - A) e o sinal reconstruído sofre um decréscimo de A. Observamos,
156 I PRINCÍPIOS DE COMUNICAÇÕES

então, que o codificador Delta mais simples, chamado de codificador ou mo-


dulador Delta linear, aproxima o sinal de entrada por um série de degraus de
amplitude constante.

ruído granular

figura 4.15 Ilustração da operação de um sistema Delta.

Os erros de codificação em um sistema Delta também podem ser clas­


sificados como ruído granular e ruído de sobrecarga. O primeiro é ineren­
te ao processo de quantização, e ocorre quando o sinal reconstruído está
acompanhando corretamente o sinal de entrada, porém, oscilando em tor­
no do sinal, devido às variações discretas de r.. Neste caso, a amplitude
do erro está limitada pelo passo do quantizador. O ruído de sobrecarga é
caracterizado pela incapacidade de o sinal reconstruído acompanhar o si­
nal de entrada em situações onde a inclinação da entrada é maior do que a
inclinação obtida com o passo À. Na figura 4.15 estão ilustrados esses dois
tipos de ruído.
É claro que, para uma dada estatística da inclinação do sinal de entra­
da, o ruído de sobrecarga é predominante para pequenos valores do passo
A, enquanto o ruído granular é predominante para valores A relativamente
grandes.
No sistema Delta, a quantização de apenas 1 bit é, de certa forma,
compensada pelo uso de uma frequência de amostragem consideravelmen­
te maior do que a frequência de Nyquist. Com uma taxa de amostragem
maior, o intervalo entre as amostras fica menor, aumentando a correlação
entre as amostras e diminuindo o erro de predição. Por outro lado, a alta
taxa de amostragem gera componentes de alta frequência que devem ser
filtradas no receptor.
Capítulo 4 | TÉCNICAS DE CODIFICAÇÃO DE MENSAGENS | 157

A principal vantagem do sistema Delta é a simplicidade. Ele pode ser


implementado com circuitos simples e, como é usado apenas 1 por amos­
tra, não há necessidade de sincronização de grupos de bits entre transmis­
sor e receptor.
Os sistemas Delta podem também usar esquemas de adaptação para
melhorar seu desempenho. No sistema Delta Adaptativo (ADM) o passo é
aumentado quando ocorre ruído de sobrecarga, e é reduzido em presença de
ruído granular. Na figura 4.16, mostra-se uma comparação de desempenho
entre sistemas típicos ADM, ADPCM e log-PCM em função da taxa de bits.
O critério de desempenho é a razão sinal-ruído de quantização global obtida
para sinais de voz filtrados entre 200 e 3 200 Hz. Nota-se que o desempenho
do ADM, para taxas de bits moderadas, está entre o desempenho do ADPCM
e do log-PCM, sendo que o ADPCM apresenta um ganho de aproximadamen­
te 12 dB sobre o log-PCM. Por outro lado, a diferença de desempenho entre
o ADM e o log-PCM é função da taxa de bits R, uma vez que a frequência de
amostragem, que é responsável pelo melhor ou pior desempenho do ADM,
varia com R. Já no ADPCM, a frequência de amostragem é fixa, e o ganho
ótimo é, principalmente, devido à codificação diferencial.

Figura 4.16 RSR em função da taxa de bits para codificadores log-PCM, ADPCM e ADM.
158 | PRINCÍPIOS DE COMUNICAÇÕES

4.2.4 Codificação no Domínio da Frequência


As diversas técnicas de codificação estudadas até agora têm em co­
mum a característica de codificar o sinal a partir de sua representação no
domínio do tempo. Esta seção apresenta uma classe importante de codifi­
cadores em que a codificação do sinal é feita a partir de sua representação
no domínio da frequência. Esses codificadores são, por isso, chamados de
codificadores no domínio da frequência.
Os codificadores no domínio da frequência representam o sinal através
de um conjunto de componentes de frequência que são codificadas separa­
damente. Essa separação permite que as componentes mais relevantes para
uma boa representação do sinal sejam quantizadas com menor erro. Tal pro­
cedimento é efetivado através de uma distribuição adequada do número de
bits nas diversas componentes de frequência. No caso do sinal de voz, te­
mos, com isso, a vantagem de poder utilizar critérios baseados nos modelos
de produção e percepção da fala para representar melhor algumas compo­
nentes sem, contudo, tornar os algoritmos totalmente dependentes desses
modelos. Assim, nas componentes de frequência mais baixas, por exemplo,
onde a estrutura de periodicidade dos sons sonoros e a primeira frequência
ressonante precisam ser cuidadosamente preservadas, é, em geral, alocado
um maior número de bits por amostra. Por outro lado, nas componentes de
frequência mais altas, onde os sons surdos são predominantes, um menor
número de bits por amostra pode ser utilizado. Além disso, a alocação de bits
pode ser feita de forma dinâmica, de modo a acompanhar apropriadamente
as variações espectrais do sinal ao longo do tempo. Uma vantagem adicional
dos codificadores no domínio da frequência é que o ruído de quantização
fica restrito à faixa de frequências onde ele foi gerado, evitando, com isso,
distorções fora de sua faixa.
As duas técnicas mais representativas dessa classe de codificadores
são denominadas codificação em sub-bandas e codificação por transforma­
da. Em ambas as técnicas, geralmente, apenas parte dos recursos binários
é utilizada para representar a informação principal, ou seja, as diversas
componentes de frequência. Nesses casos, uma parte dos recursos binários
é empregada para representar uma informação paralela que corresponde
aos parâmetros utilizados na adaptação dos quantizadores e para alocação
de bits às diversas componentes de frequência.
Capítulo 4 | TÉCNICAS DE CODIFICAÇÃO DE MENSAGENS | 159

Codificação em sub-bandas
Na técnica de codificação em sub-bandas, o sinal de entrada é inicial­
mente filtrado por um banco de filtros passa-faixa adjacentes cobrindo todo
o espectro do sinal. Os sinais em cada sub-banda são, em seguida, transla­
dados para baixas frequências e amostrados em sua frequência de Nyquist.
Se os sinais estiverem em forma digital, isso corresponde a um processo de
decimação (redução da frequência de amostragem). O processamento final
consiste em codificar os sinais nas diferentes sub-bandas (em geral, através
de codificadores PCM adaptativos) e multiplexá-los.
No sistema de decodificação, a reconstrução do sinal, após o processo
de demultiplexação, é realizada através de decodificadores em cada sub-
banda, interpoladores, moduladores e filtros passa-faixa. Ou seja, um
processo inverso ao do sistema de codificação. Os sinais obtidos em cada
sub-banda são finalmente somados de modo a gerar o sinal reconstruído
m.
O princípio de decomposição espectral em duas sub-bandas de largu­
ras iguais é ilustrado na figura 4.17. O sinal de entrada, amostrado a uma
frequência F, é indicado, nessa figura, por s(n). Esse sinal é inicialmente
filtrado por um filtro passa-baixa com resposta a impulso ht[n) e por um
filtro passa-alta com resposta a impulso h2(n). Os sinais resultantes x^n) e
x2(n) ocupam, respectivamente, as metades inferior e superior do espectro
de s(n). Logo, suas frequências de amostragem podem ser reduzidas (deci­
madas) por um fator 2, obtendo-se, assim, os sinais y^n) e y2(n). Para recons­
trução do sinal original, esses sinais são interpolados pela inserção de uma
amostra nula entre cada duas, resultando os sinais ut(n) e u2(n), os quais
são filtrados por um filtro passa-baixa k^n) e por um filtro passa-alta k2[n),
respectivamente. Obtemos, então, os sinais ^(n) e t2(n), que são somados de
forma a gerar o sinal reconstruído s(n).
160 | PRINCÍPIOS DE COMUNICAÇÕES

Figura 4.17 Implementação de filtragem em duas sub-bandas, seguida de recomposição.

Banco de filtros espelhados em quadratura


Devido às características não ideais dos filtros utilizados para decom­
posição espectral do sinal de voz, o processo de decimação introduz com­
ponentes indesejáveis em cada um dos sinais nas sub-bandas, que são re­
sultantes de uma superposição espectral. A utilização de filtros espelhados
em quadratura, designados pela sigla QMF (Quadrature Mirror Filter), per­
mite, entretanto, que, após o processo de decimação, interpolação e recom-
binação dos sinais nas sub-bandas, o sinal resultante apresente distorções
arbitrariamente pequenas. Isso é possível, uma vez que as características
desses filtros permitem o cancelamento das componentes resultantes de
superposição espectral quando as bandas são recombinadas. Além disso,
suas respostas em frequência se sobrepõem e se somam de tal forma que
a resposta em frequência resultante para o banco de filtros é aproximada­
mente plana.
Com a utilização de filtros QMF no esquema da figura 4.17, pode-se
mostrar que

s(n) = -|s(j7- +1) (4.53)


Capítulo 4 | TÉCNICAS DE CODIFICAÇÃO DE MENSAGENS | 161

onde N é a ordem do filtro. Isso significa que o sinal reconstruído é uma


réplica perfeita do sinal de entrada (a menos do fator V2 ), com um atraso
de N - 1 amostras.
A obtenção de um banco de M = 2mfiltros QMF pode ser feita a partir
da filtragem em duas sub-bandas, utilizando-se uma estrutura em árvore.
No primeiro estágio de filtragem, 0 sinal é dividido em duas sub-bandas,
sendo que os sinais em cada uma delas têm sua frequência de amostragem
decimadas na razão 2:1. O segundo estágio consiste da composição espec­
tral de cada um dos sinais nas sub-bandas em dois outros sinais, seguidos
novamente de um processo de decimação na razão 2:1, e assim por diante.
A reconstrução do sinal original se faz através de interpoladores, seguidos
por filtros dispostos numa árvore simétrica à primeira.
Para gerar sub-bandas com larguras distintas, ignora-se, simplesmente,
na decomposição em árvore, os ramos apropriados. Uma decomposição em
três sub-bandas, por exemplo, em que as duas sub-bandas inferiores têm
faixa menor que a sub-banda superior, poderia ser feita ignorando-se a sub­
divisão do ramo correspondente à filtragem passa-alta.2A figura 4.18 ilustra
esse procedimento.

Figura 4.18 Decomposição em 3 sub-bandas através de uma estrutura em árvore.

2 Os ramos inferiores do esquema de decomposição em sub-bandas correspondem à filtra­


gem passa-alta.
162 I p r in c íp io s d e c o m u n i c a ç õ e s

Alocação de recursos binários


Como foi visto anteriormente, os codificadores no domínio da frequência
e, em particular, os codificadores em sub-bandas, têm a vantagem de poder
controlar o ruído de quantização ao longo do espectro do sinal. Isso é feito
através de uma alocação apropriada do número de bits disponíveis (recursos
binários) às diversas sub-bandas. Uma possibilidade nesse sentido consiste
em escolher uma distribuição do número de bits por sub-banda de modo a
minimizar o valor médio quadrático da diferença entre o sinal na entrada
do codificador s(F) e o sinal na saída do decodificador s(k). Esse valor é
expresso por

D = f?{[sflc)-s(lc)f} (4.54)

Considere um sistema com M sub-bandas em que o sinal de entrada tem


variância <rse o sinal na i-ésima sub-banda, s.{k) tem variância of. Deseja-se,
então, determinar o número de bits n.a ser usado
na i-ésima sub-banda, s.[k), i = ,2, ... M, de modo que D
1
o número médio de bits por amostra do sinal de entrada seja uma constante
igual a n. Note-se que, como o número de bits por amostra do sinal decimado
na i-ésima sub-banda é n ,o número de bits por segundo usado para codificar
essa sub-banda é nF.,onde F é a frequência de amostragem do sina
sub-banda. Assim, a taxa de bits total é dada por

R= (4.55)
i=1

Para obter o número médio de bits por amostra do sinal de entrada, basta
dividir R por F, a taxa de amostragem do sinal de entrada. A quantidade
definida por

(4.56)
Capítulo 4 | TÉCNICAS DE CODIFICAÇÃO DE MENSAGENS 163

corresponde à razão entre as taxas de amostragem (ou entre as larguras de


faixa) do sinal na i-ésima sub-banda e do sinal de entrada.
Assim, dividindo R por F, e utilizando (4.56), a restrição de que o
número médio de bitspor amostra do sinal de entrada seja igua
constante n pode ser escrita como
M
^ Jwini = n (4.57)
i'=i

Pode-se mostrar que, sob essa condição, a alocação de bits ótima é dada por

d
Wj
ni = n + h o g 2 ,2 = 1, 2.... M (4.58)
M ( 2

n
K= 1 V K J _

Em uma alocação fixa dos recursos binários, o número de bits uti­


lizados para a codificação do sinal em cada sub-banda é determinado a
priori e, portanto, não varia ao longo do tempo. Entretanto, a alocação
dos recursos binários pode também ser feita de forma dinâmica, através
de algoritmos que fornecem, a cada intervalo de tempo r, a distribuição
de bits por sub-banda, julgada mais adequada para o sinal dentro daquele
intervalo. Esse procedimento, embora mais complexo do que a alocação
fixa, tem a vantagem de acompanhar melhor as variações espectrais do
sinal de voz resultantes de sua não estacionariedade.
A alocação dinâmica dos recursos binários é realizada a cada bloco
de amostras correspondente a um intervalo de r segundos, durante o qual
é razoável supor a condição de quase estacionariedade para o sinal de
entrada. Tipicamente, r é da ordem de 16 ms. Uma informação auxiliar,
ou informação paralela, deve ser transmitida de modo que o decodifica-
dor também possa se adaptar ao sinal recebido. Essa informação adicio­
nal provoca, obviamente, um aumento da taxa de bits. Em muitos casos
164 I PRINCÍPIOS DE COMUNICAÇÕES

práticos, porém, utilizam-se, na alocação de bits, os mesmos parâmetros


empregados para adaptação dos quantizadores. Nesses casos, portanto, o
fato da alocação de bits ser dinâmica, não ocasiona nenhum acréscimo de
taxa além do já existente.

Codificação dos sinais nas sub-bandas


Uma vez obtidos os sinais nas diversas sub-bandas, e alocado o núme­
ro de bits a cada sub-banda, resta agora codificar estes sinais. O primeiro
aspecto importante a observar na escolha dos codificadores usados nas
diversas sub-bandas é que, quando o número de sub-bandas é elevado,
(M > 4), o sinal dentro da sub-banda apresenta uma baixa correlação entre
amostras. Isso é devido à sua faixa se tornar mais estreita quando M cres­
ce, e à amostragem ser feita em sua frequência de Nyquist. Assim, quando
M for elevado, é preferível, em geral, utilizar codificadores PCM do que
métodos de codificação diferencial (DPCM).
Outro aspecto a ser considerado no procedimento de codificação diz
respeito à configuração do quantizador. Dentre as possibilidades, uma
consiste de um quantizador uniforme adaptativo cujo passo para o lc-ési-
mo bloco de amostras da i-ésima sub-banda é dado por

~ 2n-i (4.59)

onde V. k é o maior valor das amostras dentro do bloco e é o número de


bits alocados à i-ésima sub-banda. Esta configuração, que será aqui deno­
tada por quantização V, tem a vantagem de evitar sobrecarga e, portanto,
ceifagem do sinal.

Codificação por transformada


A ideia básica do codificador por transformada consiste em multiplicar
uma matriz B p um vetor x que representa uma sequência de N
x or
N
amostras do sinal a ser codificado e quantizar separadamente os coeficien­
tes do vetor resultante
Capítulo 4 | TÉCNICAS DE CODIFICAÇÃO DE MENSAGENS | 165

y = Bx (4 .6 0 )
A

Os coeficientes quantizados formam um novo vetor y. Este vetor é,


então, transmitido e, no processo de decodificação, é transformado, através
da matriz inversa B"1 no vetor

* = f ily (4.61)

que representa uma aproximação da sequência de amostras originais con­


tidas no vetor x.
A matriz da transformação pode ser expressa por

(4 .6 2 )

onde b 0, b t, ...bN1 são chamados vetores base. Se a transformação for


ortonormal

(4 .6 3 )

e o erro médio quadrático do sistema de codificação é igual ao erro médio


quadrático de quantização total:

È = e [(x - x )T( x - x)j = E ^ y - y)T(y- y )j (4 .6 4 )

pode-se mostrar que a transformada ótima, ou seja, aquela que minimiza E,


é composta pelos autovetores da matriz covariância da entrada. Esta trans­
formada é conhecida como transformada de Karhunen-Loève.
Embora a transformada de Karhunen-Loève seja ótima, em muitos sis­
temas práticos ela é substituída por outras transformadas (subótimas), de­
vido à sua excessiva complexidade. Uma dessas transformadas, que é, em
geral, a mais usada, é a transformada cosseno discreta (DCT), cujo vetor
base b^ possui componentes definidas por
166 | PRINCÍPIOS DE COMUNICAÇÕES

; 17= 0,1,. ..N- 1> (4.65)


2N

onde

(4.66)

A DCT pode ser calculada eficientemente, através da transformada dis­


creta de Fourier (DFT), usando-se algoritmos da transformada rápida de
Fourier (FFT). É importante também ressaltar que a DCT, embora subótima,
apresenta um desempenho próximo daquele obtido com a transformada de
Karhunen-Loève.

Codificação por transformada adaptativa


Um método eficiente para codificação digital de sinais (em particular,
sinais de voz a 16 kbit/s) é o método de codificação por transformada adapta­
tiva (ATC). O diagrama em blocos do sistema ATC é mostrado na figura 4.19.
Nesse sistema, o sinal de voz é dividido inicialmente em blocos de N amos­
tras (s(l), s(2),...s(iV)}, e normalizado através de uma estimativa bB do valor
rms quantizado das amostras do bloco. Ou seja, cada amostra s(i) dentro de
um bloco assume, após a normalização, o valor

s (i)
(4.67)

Essas amostras formam um vetor x = (xt, x 2,... ) que é transformado para


y = (Ti’ y 2<—yw)>usualmente através de uma DCT de Aí pontos. Os elementos
de y representam componentes de frequência do sinal, que são codificadas
separadamente através de codificadores PCM adaptativos. Na reconstrução
do sinal, os elementos de y são decodificados e transformados por uma
DCT inversa em um vetor x . Este vetor é multiplicado pelo fator de nor­
malização gb,de modo a reconstruir as amostras do sinal. Assim como no
codificador em sub-bandas, no método ATC, a alocação de bits deve ser
Capítulo 4 | TÉCNICAS DE CODIFICAÇÃO DE MENSAGENS | 167

feita de forma dinâmica, com o objetivo de acompanhar adequadamente as


variações espectrais do sinal ao longo do tempo.

Yi
codificador _
APCM,

Yn
codificador
apcm n

p a ra o
Cálculo e canal
quantização de Estimação do
parâmetros para -+| espectro-base e
estimação do alocação de bits
espectro-base

DCT inversa
N pontos
i- í < 8 A

do canal

Estimação do
+ espectro-base e
alocação de bits

Figura 4.19 Sistema ATC.


168 I PRINCÍPIOS DE COMUNICAÇÕES

Os algoritmos utilizados para alocação de bits e adaptação dos quan-


tizadores na ATC constituem os elementos fundamentais do sistema, uma
vez que deles depende, em grande parte, o desempenho alcançado. Esses
algoritmos dependem, essencialmente, de um conjunto de N parâmetros
{cr1, a2,... aN}que correspondem a uma estimativa dos desvios dos coeficien­
tes (y^ y 2,.y N) no domínio da transformada. Tal conjunto de parâmetros
pode ser visto também como um modelo do espectro do sinal, chamado
espectro-base.
Em vez de se fazer a transmissão do espectro-base, este deve ser esti­
mado a partir de um conjunto de parâmetros transmitidos como informa­
ção paralela, a cada bloco da amostras do sinal. Note-se, porém, que, para
manter a eficiência do sistema de codificação, essa informação paralela
deve conter o menor número possível de parâmetros, de modo a não preju­
dicar a quantização da informação principal y2,... yN). A partir desses pa­
râmetros, é feita a estimação de espectro-base, tanto no codificador, como
no decodificador.
A quantização das componentes no domínio da transformada é feita,
após a sua normalização, pela estimativa do espectro-base. Ou seja, o que
é quantizado é a razão y j cr. O número de bits alocado para a quantiza­
ção de cada coeficiente é determinado, em geral, a partir da expressão que
minimiza o erro médio quadrático de quantização global ( alocação de
bits em codificadores em sub-bandas). Essa expressão é dada por

A/

ri, =n + log2((T ) - — y ,l o g 2(cri ); i = 12,...N (4.68)

onde n é o número médio de bits, por amostra, dedicados à transmissão da


informação (vetor y). Os parâmetros associados ao espectro-base e o valor
rms do bloco de amostras, afl, formam a informação paralela.
Uma técnica proposta por Zelinski e Noll para estimação do espectro-base
supõe um espectro-base suave. A partir dessa suposição, a técnica explora
a similaridade de componentes de frequências adjacentes no domínio da
DCT, tomando como representativas das componentes do espectro-base as
médias dos valores quadráticos de componentes vizinhas. Mais especifi­
camente, essa técnica consiste em, inicialmente, dividir o bloco de N com­
ponentes em L sub-blocos de M componentes. Os parâmetros a partir dos
Capítulo 4 | TÉCNICAS DE CODIFICAÇÃO DE MENSAGENS | 169

quais o espectro-base é estimado, são exatamente os valores médios qua­


dráticos desses L sub-blocos, os quais são quantizados usualmente através
de quantizadores logarítmicos de np bitspor amos
oBtambém utiliza o mesmo tipo de quantizador.
A estimativa do espectro-base é obtida através de uma interpolação linear
do logaritmo na base 2 dos parâmetros quantizados dos L sub-blocos. Tomando
o anti-log, obtemos, finalmente, os parâmetros {a|; a2>... a v} que formam o es­
pectro-base. Note-se, então, que nesse sistema, o espectro-base, composto de
N coeficientes, é obtido a partir de apenas L parâmetros [L « N). Assim, para
cada bloco de amostras, (L + l)np bits são gastos para transmitir a informação
paralela. A informação principal é codificada, em geral, utilizando-se quantiza­
dores ótimos, projetados para entrada Gaussiana.

4.2.5 Codificação Paramétrica


Os sistemas de codificação anteriormente apresentados permitem
uma reconstrução do sinal de voz com alta qualidade, porém, operam a
taxas de bits relativamente elevadas (maiores do que 16 kbit/s). Para a taxa
de 16 kbit/s, uma boa qualidade é obtida com as técnicas no domínio da
frequência e, em 32 kbit/s, o ADPCM recomendado pelo CCITT é capaz de
fornecer uma qualidade próxima daquela obtida com o log-PCM a 64 kbit/s.
Nenhum desses codificadores, entretanto, fornece boa qualidade de voz a
taxas mais baixas.
Para codificar sinais de voz a taxas bastante reduzidas (abaixo de
9,6 kbit/s) é essencial que se utilize um modelo de produção da fala ca­
racterizado por um número reduzido de parâmetros, a partir dos quais o
sinal original possa ser reconstituído com um grau aceitável de fidelidade.
Uma forma simplificada de um modelo de produção da fala é apresentado
a seguir.

O modelo de produção da fala


A voz é o resultado de vibrações originadas pela passagem do ar atra­
vés das cordas vocais e pela ressonância destas vibrações no aparelho vo­
cal. O aparelho vocal é um tubo acústico não uniforme que começa na glote
(abertura entre as cordas vocais) e termina nos lábios, ou nas narinas, quan-
170 | PRINCÍPIOS DE COMUNICAÇÕES

do acoplado ao aparelho nasal. Sua forma pode ser variada com a posição
da língua, da mandíbula do palato e da úvula (campainha) que também
controla o acoplamento com o aparelho nasal.
Dependendo do som da fala a ser gerado, três mecanismos básicos de
excitação podem ocorrer. No caso de sons sonoros, como as vogais, o fluxo
de ar expelido dos pulmões provoca uma vibração das cordas vocais geran­
do uma sequência de pulsos quase periódicos de pressão de ar para exci­
tação do aparelho vocal. Outra forma de excitação, usada para gerar sons
fricativos surdos, como o som da letra / em fala, consiste em criar turbu­
lência em contrições estreitas do aparelho vocal, produzindo uma fonte de
ruído contínuo. O terceiro mecanismo de excitação, característico dos sons
oclusivos, como o som da letra p em porta, consiste de um súbito despren­
dimento de excesso de pressão após um fechamento completo em algum
ponto do aparelho vocal.
As formas, ou envoltórias espectrais, dos sons da fala são determinadas
pelas configurações geométricas do mecanismo vocal humano. Diferentes
sons correspondem, univocamente, a diferentes formas espectrais, cada
uma das quais caracterizada por um conjunto de frequências de ressonân­
cia denominadas formantes. A distinção entre os diversos tipos de som da
fala está associada a variações temporais das formantes que são, tipicamen­
te, em número de três, abaixo de 3 kHz.
De maneira geral, pode-se dizer que os sons da fala são divididos em
duas categorias principais - sonoros ou surdos - dependendo da presença
ou ausência de vibração das cordas vocais. Para sons sonoros, o intervalo
Tqentre picos adjacentes principais fornece uma medida do período funda­
mental da excitação. O inverso, FQ, é a frequência fundamental, que pode
variar de cerca de uma oitava durante a locução de uma sentença falada
por uma pessoa. Valores médios típicos de F0 são 120 Hz para homens e
220 Hz para mulheres.
Para sons surdos, a forma típica do sinal apresenta características de
ruído e uma concentração de energia em altas frequências, evidenciada
pelo grande número de cruzamentos de zero. Em geral, pode-se também di­
zer que estes sons são de intensidade mais baixa do que a de sons sonoros.
Com base nas características fisiológicas da produção da fala, um mo­
delo simplificado é mostrado na figura 4.20. Esse modelo consiste de uma
fonte e(í) excitando um sistema com resposta ao impulso h[t) que caracte-
Capítulo 4 | TÉCNICAS DE CODIFICAÇÃO DE MENSAGENS | 171

riza o aparelho vocal. Para sons sonoros, e(f) pode ser modelado por uma
sequência de impulsos quase periódicos, cujo período T é determinado por
um algoritmo adequado, de forma automática. Esse período é determina­
do em intervalos fixos, com duração da ordem de 30 ms, dentro do qual T
pode ser considerado aproximadamente constante. Para sons surdos, e(f)
pode ser modelado por um sinal do tipo ruído branco.
O sinal de voz s(f) na saída do modelo da figura 4.20 é a convolução da
função excitação com a resposta ao impulso do sistema que representa o
aparelho vocal, isto é,

s(í) = e(f)* h[t)= í


J — oo
e[t)h{t -r)dr (4.69)

Tomando as magnitudes das transformadas de Fourier (designadas por le­


tras maiúsculas) em ambos os lados de (4.69), resulta

\S [f)\= \E [f)\\H (f)\ (4.70)

O espectro |S(/)| varia no tempo devido às variações de T0 ou do tipo


do som (sonoro ou surdo), ou, ainda, à variação da forma do aparelho vocal
\H(f]\, refletindo variações do aparelho vocal. Dessa forma, a análise dos
parâmetros desse modelo deve ser feita em intervalos de curta duração
(em torno de 30 ms), em que o sinal pode ser considerado aproximada­
mente estacionário. Esses parâmetros são os seguintes: (i) um parâmetro
relacionado com a decisão entre sons sonoros ou surdos; (ii) o valor de
T0, caso o som seja sonoro; (iii) parâmetros que caracterizam a envoltória
espectral \H[f)\.
172 | PRINCÍPIOS DE COMUNICAÇÕES

Figura 4.20 Modelo de produção da fala.

Métodos de codificação paramétrica de sinais de voz


Como foi visto, o modelo de produção da fala separa o espectro do
sinal em duas parcelas: uma associada à excitação e outra ao aparelho vo­
cal. Os métodos de codificação paramétrica, também chamados de análise/
síntese, ou simplesmente de vocoders, buscam separar essas duas parcelas
(análise) e recombiná-las de acordo com o modelo da figura 4.20 (síntese).
Os diferentes esquemas existentes se distinguem pelas diversas escolhas
dos parâmetros e pela forma de determiná-los. Para transmissão digital,
esses parâmetros devem, obviamente, ser quantizados e transformados em
bits. Observe-se que o parâmetro relativo à decisão sonoro/surdo necessita
apenas de 1 bit por intervalo de análise.
O método mais antigo de codificação paramétrica é o vocoder de canal,
e foi proposto por H. Dudley, em 1939. Esse método | | é representado,
tipicamente, por 10 a 20 amostras, associadas ao conteúdo de potência mé­
dia em diversas faixas ao longo do eixo das frequências. Essas amostras são
obtidas filtrando-se o sinal por um banco de filtros passa-faixa e tomando-se
a amplitude média do sinal em cada faixa de frequências.
Outra possibilidade de caracterizar \H{f)\ é através das formantes.
Nesse caso, o número de parâmetros (tipicamente 3 para as frequências e
3 para as amplitudes) é bem reduzido, possibilitando operações a taxas de
bits inferiores às utilizadas pelo vocoder de canal. O método baseado nessa
caracterização de \H[f)\ é chamado vocoderformante.
Capitulo 4 [ TÉCNICAS DE CODIFICAÇÃO DE MENSAGENS | 173

Um método mais recente de codificação paramétrica de sinais de voz


é o vocoder de predição linear [vocoder LPC). A ideia sobre a qual esse
esquema é baseado consiste em representar cada amostra de voz como a
saída de um filtro linear variante no tempo, com excitação de forma que

(4.71)
M

onde { a;j = 1, 2, ... p}são chamados coeficientes de predição lin


ficientes LPC. Esses coeficientes definem um filtro digital que caracteriza a
resposta ao impulso do sistema. Por outro lado, a função excitação pode
ser interpretada com um erro de predição (resíduo), uma vez que ela repre­
senta a diferença entre s.e uma predição linear de a partir
passadas. Testes de escuta indicam que um vocoder LPC convencional deve
usar um valor mínimo de p igual a 8 e que não há vantagem em usar um
valor de p maior do que 12.
Embora não caiba incluí-las no presente texto, é importante ressaltar
que um número muito grande de outras técnicas de análise-síntese tem sido
desenvolvido e que todas essas técnicas têm encontrado diversas aplica­
ções em comunicações, entre pessoas e entre pessoas e máquinas. Com
o contínuo desenvolvimento de técnicas dessa natureza, é possível prever
que a codificação digital de sinais de voz encontrará aplicações significati­
vas cada vez maiores nas comunicações modernas.
174 | PRINCÍPIOS DE COMUNICAÇÕES

4.3 EXERCÍCIOS
4.1 Uma fonte discreta sem memória tem um alfabeto de 8 símbolos
com probabilidades dadas por 0,25 0,20 0,15 0,12 0,10 0,08 0,05 e 0,05. (a)
Use o procedimento de codificação de Huffman para determinar um código
binário para a saída da fonte; (b) calcule o número médio de dígitos biná­
rios por palavra-código; (c) determine a entropia da fonte e compare com o
resultado do item anterior.

4.2 Um quadro de imagem de TV é gerado através de um ponto lumi­


noso que se desloca na tela formando um conjunto de 525 linhas. Suponha
que, em cada linha, o ponto luminoso possa ocupar 600 posições distintas.
Considerando todas as linhas, isto leva a um total de 315 000 posições [pi­
xels). Para cada pixel, suponha que existem 8 níveis de brilho e 3 níveis de
cor, e que todas as combinações desses níveis tenham a mesma probabilida­
de. (a) Calcule a entropia de cada pixel, (b) calcule a entropia de um quadro.

4.3 Um sinal é amostrado a uma taxa de 2 000 amostras/s e, essas amos­


tras são quantizadas nos níveis 0, ± 1, ± 2, ... ±7. (a) Calcule a m ín im a taxa
de bits por segundo quando todos os níveis de quantização são codificados
(sem ambiguidade) com o mesmo número de bits-, (b) sabendo que a proba­
bilidade de ocorrência de um nível i* 0 é dada po

determine a mínima taxa de bits por segundo, caso seja utilizada uma codi­
ficação com número diferente de bits por nível de quantização.

4.4 O sinal s[t)= 4 n2


se ( tt/ cí ), onde/c= 4 kH
12 000 amostras/s. (a) Considerando 3 amostras sucessivas, a partir de 0,
determine a sequência de bits na saída de um sistema PCM com quantizador
e tabela de codificação mostrados na figura E4.4.
Capítulo 4 | TÉCNICAS DE CODIFICAÇÃO DE MENSAGENS | 175

3.5

2.5

1.5

0,5

>
4 s

Figura E4.4

4.5 Determine a razão sinal-ruído de quantização para um quantizador


uniforme de 8 bits, quando o sinal a ser quantizado é a função periódica
“dente de serra” da figura E4.5, onde é uma variável aleatória uniforme­
mente distribuída entre -T /2 e T/2.

4.6 A transmissão PCM de um sinal de voz utilizando quantização


uniforme de 7 bits é projetada para operar, sem sobrecarga, com razão
sinal-ruído de 35 dB. Supondo que o sinal de voz tem função densidade de
probabilidade de Laplace, calcule a probabilidade de sobrecarga.
176 | PRINCÍPIOS DE COMUNICAÇÕES

4.7 Um sinal de voz com função densidade de probabilidade de Laplace


é transmitido através de um sistema PCM de 7 bits com quantização unifor­
me e probabilidade de sobrecarga igual a 10'3. Calcule aproximadamente a
razão sinal-ruído de quantização usando (4.22).

4.8 A codificação PCM de um sinal de áudio, cuja frequência máxima é


igual a 15 kHz, deve ser feita com quantizador uniforme e razão sinal-ruído
maior ou igual a 36 dB. Supondo um fator de carga igual a 4, determine o
menor valor possível da taxa de bits na transmissão deste sinal.

4.9 A função autocorrelação de um sinal analógico s[t), cuja frequência


máxima é f m, é dada por

"I 1
Bs(r) = E[s[t)s[t )] = cos
(¥ y
; \r\< —
Jm

Este sinal deve ser digitalizado e transmitido através de um sistema


DPCM com quantizador uniforme e com razão sinal-ruído maior ou igual
a 40 dB. Supondo uma predição linear de primeira ordem, isto é, com base
na amostra anterior, compare a taxa de bits da transmissão: (a) para codifi­
cação com 4 its;(b) para codificação com 5 bits. Obs.: considere um fator
b
de carga igual a 4 para o sinal a ser quantizado, isto é, o erro de predição.

4.10 Considere um sinal de voz, com função densidade de probabili­


dade de Laplace dada no Exemplo 4.2, quantizado por um quantizador uni­
forme de n bits. Usando a aproximação yN= xN, calcule: (a) as variâncias do
ruído de sobrecarga e do ruído de quantização granular em função do fator
de carga L= V/a e de as; (b) a expressão da razão sinal-ruído total (sobre­
carga + granular); (c) faça um gráfico da razão sinal-ruído de quantização
total, em função de L, para n= 8; (d) determine o valor de
de ao valor máximo da razão sinal-ruído.
CO RTESIA
DA EDITORA

5
Transmissão Digital

Como explicado anteriormente, a comunicação digital é geralmente


precedida pela codificação da mensagem, que produz uma sequência de
bits. O sistema de transmissão digital tem a finalidade de transmitir estes
bits a um destinatário através de um sinal eletromagnético. No destino, um
receptor observa uma versão do sinal transmitido (modificada pelo canal
e corrompida por ruído) e procura determinar a sequência de bits que foi
transmitida através deste sinal. Finalmente, o decodificador da fonte trans­
forma os bits recebidos em uma mensagem. Este conjunto de operações
está representado na figura 5.1. Neste capítulo, serão apresentados os prin­
cípios da transmissão digital, as estruturas do transmissor e do receptor e
os sistemas básicos de transmissão digital.
178 I PRINCÍPIOS DE COMUNICAÇÕES

mensagens 1 0 0 1 1 1 0 01 sjna|
bits transmitidoo

ruído

sinal
recebido ^ r
k. / Receptor Decodificador da
w w
(demodulador) Fonte
r(t) t
mensagens
100111011
bits

Figura 5.1 Modelo de um sistema de comunicação digital.

5.1 MODELO GERAL DO TRANSMISSOR E DO RECEPTOR


O modelo básico do transmissor em um sistema de transmissão digital
está representado na figura 5.2. Inicialmente, define-se um bloco de L
como a mensagem m a ser transmitida. Em seguida, gera-se um sinal ana­
lógico s(f) para transmitir esta mensagem. O processo se repete periodica­
mente, a cada nova sequência de L bits de entrada.
Cada padrão diferente do bloco de bits corresponde a uma mensa­
gem distinta e o número total de mensagens distintas é dado por M
Tem-se, portanto, um conjunto de mensagens { } associado a um
conjunto de sinais (s^f), s2(t],... sM(t)}; por definição, a mensagem
transmitida através do sinal s(f) = s.[t).

Bits Sinal
Transmissor v-
, ...b ^ m e írriy mv s(t)e{s1(t),..sM(t)}

Figura 5.2 Modelo geral do transmissor de um sistema de transmissão digital.


C O R ltíá iA
' r»A EDITORA
Capítulo 5 | TRANSMISSÃO DIGITAL | 179

Na figura 5.3 representa-se o modelo geral do receptor em um sistema


de transmissão digital, onde o canal não introduz atenuação ou distorção
no sinal transmitido s(f) e a única perturbação é a adição de um ruído n[t),
na entrada do receptor.1Neste caso, o sinal na entrada do receptor será r(f)
= s(f) + n(f). Observando r(f), o receptor deve decidir qual dos sinais,
s2(f), ... sM(í), foi transmitido, o que equivale a decidir qual das mensagens
{m,, m2... m^} foi transmitida. Na figura 5.3, m representa a mensagem esco­
lhida, e bj, ò2, ... bL, os bits correspondentes. Idealmente, rh = m eb ^ b2, ...bL=
òt, ò2, ... bv respectivamente, mas podem ocorrer erros. Note que, embora o
receptor não saiba qual sinal foi transmitido, ele tem pleno conhecimento
do conjunto de sinais {s.(í)}.

n(t)
tsít)}

Jl_ _ _
. 1r

s(t) ' j
Receptor W'
me {mv mv -» bv b2, ... bL

Figura 5.3 Modelo genérico do receptor.

Pode-se mostrar que, se o ruído n(í) for branco Gaussiano, como defi­
nido no capítulo 6, e as mensagens forem equiprováveis, a regra de decisão
ótima corresponde a escolher, entre os possíveis sinais transmitidos {sy(í]},
aquele que estiver à menor distância do sinal recebido r(t), definindo-se a
distância e. entre os sinais e r[t) através da expressão:

1 Como será visto no capítulo 6, o ruído é gerado nos dispositivos eletrônicos do receptor, e
seu efeito é geralmente levado em conta através de um ruído equivalente, colocado na entra­
da do receptor. Este ruído é um processo aleatório Gaussiano com média nula e densidade
espectral de potência constante, geralmente chamado de Ruído Branco Gaussiano.
180 | PRINCÍPIOS DE COMUNICAÇÕES

£l = j [r(í) - SjiDfdt (5.1)

Pode-se observar que o valor mínimo de s. será zero, e ocorrerá se e somen­


te se r[i)=s.[t).

Exemplo 5.1
Suponha que são transmitidos os sinais s1(í), s2[t) e s3(t), representados
na figura 5.4, e que o sinal observado no receptor é a forma de onda r(t),
também representada na mesma figura. Pode-se verificar que o receptor de
mínima distância escolhe o sinal s^t), uma vez que este sinal está à menor
distância de r[t). Isto é feito calculando-se as distâncias entre r(f) e cada um
dos 3 sinais, através de (5.1), o que resulta em

e[ = 2 À l T
ef = 10
ef = 4 A

Á iL ik
k s,(t) s2(t) s3(t)
2A 2A
AA

---------------------- w . — —
0 T to T0 2T t

À Kt)

-*•
0 T 2T t

Figura 5.4 Ilustração do Exemplo 5.1.

A expressão (5.1) pode ser desenvolvida e colocada na seguinte forma:


Capitulo 5 | TRANSMISSÃO DIGITAL | 181

£■ = j ^ r 2 [ t) dt - 2 ^ mr{t)s,{t)dt ( 5 .2 )

No processo de decisão, (5.2) deve ser calculada para todo valor de i.


O menor valor indicará o sinal s.(t) a ser escolhido. Note, então, que o pri­
meiro termo de (5.2) não depende de i, e, sendo assim, não influi na decisão.
Eliminando este termo, e multiplicando os outros por -1/ 2, pode-se estabelecer
um procedimento equivalente de decisão que consiste em calcular a expressão

7 i= j r{t)Sj{t)dt-ljsf(t)dt (5.3)

para i = 1, 2,... M e tomar o valor de i que leva ao maior valor de y. como o


índice da mensagem transmitida. Note que o primeiro termo do lado direito
de (5.3) é a correlação temporal entre o sinal recebido ) e o sinal s.(f), e o
segundo termo é a metade da energia do sinal s.[t).
Com base na expressão (5.3), pode ser estabelecida uma estrutura bá­
sica genérica para os receptores digitais, que será ótima quando a única
perturbação do canal for adição de ruído branco Gaussiano. Esta estrutura,
que implementa o cálculo da mínima distância, está mostrada na figura 5.5,
onde .representa a energia do sinal s.{t).
E

Figura 5.5 Receptor de mínima distância para M sinais utilizando correlacionadores.


182 I PRINCÍPIOS DE COMUNICAÇÕES

Receptor de mínima distância para sinais binários


Para o caso binário, com sinais s^t) e s2(f), o receptor de mínima dis­
tância se reduz à estrutura da figura 5.6. Observando a figura, podemos
verificar que ela corresponde à seguinte regra de decisão:

í rW s ^ d t-f r[t)s2[t)
J-~ 2 J-~ 2 (5 .4 )
caso contrário => = m2

Figura 5.6 Receptor de mínima distância para sinais binários.

Movendo e agrupando termos na desigualdade em (5.4), chega-se à


seguinte regra de decisão equivalente:

r(í)[s2(t) - Sj(f)]<# > A=> m= m2


(5.5)
caso contrário => m= trij
onde

(5.6)

Esta regra de decisão pode ser implementada também através do es­


quema da figura 5.7, onde se vê que o receptor ótimo de um sistema binário
Capítulo 5 I TRANSMISSÃO DIGITAL | 183

deve fazer a correlação do sinal recebido com a diferença entre os dois si­
nais usados na transmissão. O resultado deve ser comparado com a metade
da diferença entre as energias daqueles sinais. Este valor de referência é
denominado limiar, e o dispositivo que faz esta comparação é denominado
detetor de limiar.

s2(t)-s,(t)

Figura 5.7 Receptor de mínima distância para sinais binários - versão reduzida.

5.1.1 Filtro Casado


Define-se um filtro casado a um sinal g[t) como o filtro cuja resposta ao
impulso é dada por

h(t) = g(t0 - t) (5.7)

A obtenção do filtro casado está ilustrada na figura 5.8. Note que, se


g[t) durar até o instante T, o filtro casado só será realizável2 se t0 s T.

“ g« g(-t)

----------- ----------- w
0 T t -T 0 t

i 1 «(ío-O

1
1
/
-T 0 t

Figura 5.8 Obtenção do filtro casado.

2 Como foi visto na Seção 2.5.1, um filtro só é fisicamente realizável se for causal, isto é, se h(t)
= 0 para t < 0.
184 I PRINCÍPIOS DE COMUNICAÇÕES

Propriedade fundamental do filtro casado


Seja x(f) o sinal de entrada em um filtro casado de resposta ao impulso
h(t) = g[tg- t ) . O sinal de saída no instante t0 será dado por

y ( <o ) = í (5.8)
—oo

o que corresponde à correlação temporal entre x(í) e ).


Esta propriedade está ilustrada na figura 5.9(a), considerando uma en­
trada qualquer, x (f ), e na figura 5.9(b) para uma entrada igual a g(í). Nesse
caso, y [t0) será igual à energia de [t.)
g
Para demonstrar a propriedade, basta aplicar, inicialmente, a relação
geral entre saída e entrada de um sistema linear

(5.9)

Substituindo a definição do filtro casado dada por (5.7) em (5.9), obtemos

y (t ) = \ x (r )g (t 0 - f + (5.10)
J — oo

Fazendo t = tg, chegamos a (5.8), demonstrando a propriedade.

(a )

> hit) * git0-t)


x(t) yit)

(b )

Figura 5.9 Propriedade fundamental do filtro casado; (a) caso geral; (b) caso particular.
Capitulo 5 I TRANSMISSÃO DIGITAL | 185

5.1.2 Receptores com Filtro Casado


A propriedade fundamental do filtro casado, apresentada acima, per­
mite que o receptor de mínima distância representado na figura 5.5 seja
implementado através de filtros casados. Em particular, o receptor de um
sistema binário representado na figura 5.7 pode ser implementado por um
filtro casado ao sinal diferença

Sd(f) = ^(í)-Si(í) (5.11)

seguido de um amostrador, como mostra a figura 5.10.

h(t) = s/t„-t)

Figura 5.10 Receptor de mínima distância para sinais binários utilizando filtro casado.

Note que, se multiplicarmos por uma constante a resposta ao impulso do


filtro, h[i), a decisão do receptor será a mesma, desde que o valor de referên­
cia da comparação, isto é, o limiar, seja multiplicado pela mesma constante.
Na prática, é impossível construir filtros perfeitamente casados, e sen­
do assim, é conveniente analisar a estrutura do receptor quando o filtro não
for casado. Para isso, vamos estabelecer o modelo mais geral da figura 5.11,
onde o filtro de recepção é um filtro qualquer, com resposta ao impulso
h[t) e, neste caso, o limiar deverá ser determinado em função deste filtro. A
expressão mais geral para o limiar, genericamente representado por Ã, é a
média aritmética dos dois possíveis valores observados na entrada do dete­
tor de limiar, quando não há ruído no canal (condição ideal). Esses valores
são dados por

s[(t0) =Sj(í)*fi(í) \t=to (5.12)

*2(^0) = ^2(0 * h MI<=Ç (5.13)

Assim, a expressão geral para o limiar é


186 I PRINCÍPIOS DE COMUNICAÇÕES

s[[t0) + s '{t0)
X = --------- ---------- (5.14)

Em resumo, a estrutura geral do receptor de um sistema de transmis­


são binário consiste de um filtro de recepção, um amostrador e um com-
parador ou detetor de limiar. Idealmente, o filtro deve ter uma resposta ao
impulso casada ao sinal diferença, isto é, h[t) = sd[tg-t).
Neste caso, pode-se verificar que

E2 - E 1
X« (5.15)
2

Figura 5.11 Estrutura geral do receptor digital para sinais binários.

A operação do detetor da figura 5.11 pode ser mais bem entendida com
ajuda da figura 5.12. Nesta figura, representamos os dois possíveis valores
idealmente obtidos pelo amostrador na ausência de ruído, cada um asso­
ciado a um dos símbolos transmitidos. Com a presença do ruído, qualquer
valor pode ser obtido pelo amostrador e, neste caso, devemos optar por um
dos dois símbolos. O critério é decidir pelo símbolo que estiver mais próxi­
mo e, sendo assim, o limiar deve ser colocado no ponto médio entre os dois
valores ideais.

Decide por m, Decide por m2

--------O----------------------- 1-----------------------O-----------►
S',(t0) S2^ r <0
t 1 t
m, m2

Figura 5.12 Representação geométrica das amostras e regra de decisão no detetor de limiar
do receptor binário.

Como veremos no Capítulo 8, o desempenho do receptor depende es­


sencialmente da diferença entre os valores s' (f0) e s' (f0), isto é,
Capítulo 5 [ TRANSMISSÃO DIGITAL | 187

d = s'2(t0) s- í(í0) (5.16)

quanto maior essa diferença, menor será o número de erros eventuais do


receptor ao fazer a deteção da mensagem em presença de ruído. O parâme­
tro d pode ser visto como a distância entre os sinais no detetor de limiar.
Note que a distância d também pode ser expressa por

d = [s2(í) - s1(f)]*/i(f)|(=<o (5.17)

ou seja, d equivale à saída do filtro h[t) no instante tQquando a entrada é o


sinal diferença definido em (5.11). No caso do filtro casado, podemos verifi­
car, com base nas propriedades ilustradas na figura 5.9, que

d= Esd= f [s

Desenvolvendo o integrando, podemos expressar Esd como

Esd =E1+E2 - 2 f s1(t)s2(í)cft (5.19)


J —oo

Definindo a Energia Média como

E\ + E2
Es = (5.20)

podemos escrever

Esd = 2£s- 2 Í ^(í)^ [t)dt (5.21)


J—OO

Pode-se mostrar (Exercício 5.6) que, para um determinado valor da energia


média Es, a energia do sinal diferença - que equivale à distância entre os si­
nais na deteção ótima - pode ser maximizada escolhendo s2{t) = - s^f). Neste
caso,’ sd E,=s 4fi.
188 I PRINCÍPIOS DE COMUNICAÇÕES

Exemplo 5.2
Na figura 5.13 são representados, graficamente, nos quadros (a) (b) e
(c), três pares de sinais utilizados numa transmissão digital binária, os res­
pectivos sinais diferença e as respostas ao impulso dos filtros casados do
receptor ótimo. Em cada quadro, são apresentados, ainda os valores das
energias relacionadas ao desempenho do receptor, assim definidas:
• E.: energia do sinal s.[t)
• E$:energia média dos sinais
• Esd
: energia do sinal diferença, correspondente à distância d entre
os sinais

f, = A2r
£*<■ a2t S d( t 0 - t); t0 = T
sM

(a)
T t
E = A 2T/2
SdU)
0 T t T t

s ,( t ) = 0

f , = 0
d =2E,

A/2 s d( t c - 1); t 0 = T
sM

T t
(b) E.=A2r/4 S d( í )

0 T t T t
s ,( t )
E, =A2r/4 d = 4£s
-A /2

A
£ , = A 2T
Es, = 2A2T sd(t0 O, (0 - 2T
s ,( t )
A

0 t £ , = A 2r s d( t )
— ► —
(c ) 0 T 2T f 0 2T t
s ,( t )
£, - A 2T
-A -A

2T t d = 2£.

Figura 5.13 Sinal diferença, filtro casado e parâmetros de alguns pares de sinais.
Capítulo 5 I TRANSMISSÃO DIGITAL | 189

Sinais com forma retangular


Quando os sinais usados na sinalização binária são pulsos retangula­
res de amplitude qualquer, como representado na figura 5.13, o processa­
mento no receptor pode ser simplificado. Para os sinais da figura 5.13 (a) e
(b), a expressão (5.5) correspondente ao receptor ótimo da figura 5.7 ficará
reduzida a

A r[t)dt> À=>m= (5.22)


o
onde X é dado por (5.14). Dividindo os 2 lados de (5.22) por obtemos,
então, a regra de decisão

(5.23)

o que corresponde ao esquema da figura 5.14, onde o sinal de entrada é in­


tegrado no intervalo [0,T] e o resultado comparado com o limiar Note
que, para os sinais simétricos da figura 5.13(b), X = 0, e assim, a utilização
do integrador não modifica o limiar original.

m =m
CT > X /A
1
X
rit) Jo

Figura 5.14 Receptor de um sistema -fcom pulso retangular.


n
o

O processamento da figura 5.14 pode ser implementado usando um sim­


ples capacitor e um amostrador. Alimentando o capacitor com uma corrente
r(í), sabemos que a voltagem nos seus terminais é dada por

(5.24)

Assim, podemos expressar a variável x na entrada do detetor de limiar como


190 I PRINCÍPIOS DE COMUNICAÇÕES

ou seja, x será proporcional à diferença entre as voltagens de saída do capa­


citor nos instantes t= Te t=

5.2 SISTEMAS DE MODULAÇÃO DIGITAL


Como já definimos anteriormente, denomina-se modulação a geração
de um sinal com propriedades adequadas à transmissão através de um deter­
minado meio físico. Assim, a modulação é o principal processamento realiza­
do pelo transmissor de um sistema de comunicação. No caso da transmissão
digital, a modulação é denominada modulação digital.
O modelo básico de um modulador digital está representado na figura 5.15,
onde observamos que a modulação apresenta duas etapas. A primeira delas
consiste em associar ao grupo de L bits de entrada (mensagem) um símbolo que,
em geral, corresponde a um ou mais parâmetros de um sinal. A segunda etapa
consiste em gerar o sinal com os parâmetros selecionados.
A escolha do símbolo associado aos L bits de entrada é feita através de
uma tabela de mapeamento, ou seja, um código de bloco. O sinal pode ser
um pulso ou uma portadora senoidal. O processo se repete periodicamente
a cada nova sequência de L bits de entrada. O número de símbolos distintos
é dado pelo número de sequências distintas de bits, isto é, = 2L.
Tem-se, portanto, um conjunto de mensagens {m^ m2,... m j associadas
a um conjunto de símbolos {s1, s2,... sM
} e a um conju
sM(f)}. Em uma transmissão, ao chegar a mensagem m = é selecionado o
símbolo s = es. o sinal correspondente s(f) =

Figura 5.15 Modelo geral de um modulador digital.


Capítulo 5 | TRANSMISSÃO DIGITAL | 191

Energia e Potência
Da mesma forma que na transmissão analógica, a energia e a potência
dos sinais são parâmetros importantes dos sistemas de transmissão digital.
Uma vez que na transmissão digital existe um conjunto de possíveis sinais a
serem usados, deve-se determinar a média das energias desses sinais. Para
M sinais equiprováveis, a Energia Média dos sinais transmitidos é a média
aritmética das energias de cada um dos sinais, isto é,

Es = (5.26)

onde

E , - /> ,*(» )* (5.27)

A potência média é dada por

(5.28)

onde Té o intervalo em que é feita a transmissão.

5.2.1 Sistemas com Modulação de Pulsos em Amplitude


Quando não há necessidade de fazer uma translação de frequência no
espectro do sinal a ser transmitido, a transmissão digital é feita, geralmente,
através de pulsos de baixa frequência. Embora outros parâmetros, como
duração e posição, possam ser utilizados, o sistema de modulação de pul­
sos em amplitude designado pela sigla PAM (Pulse Amplitude Modulation)
é geralmente empregado. Essa forma de transmissão é também conhecida
como transmissão em banda básica.
192 I PRINCÍPIOS DE COMUNICAÇÕES

O sinal transmitido em um sistema PAM tem a forma geral

s[t) = ag{t) (5.29)

onde g[t) é um pulso de baixa frequência, e uma amplitude escolhida


em um conjunto de amplitudes (A, i = 1, 2,... Observando o modelo da
figura 5.16, podemos dizer que, neste caso, os símbolos são as amplitudes
do pulso g(f). O modelo específico do transmissor PAM está mostrado na
figura 5.16.

Modulador PAM
Pulso g(t)

Bits s(t) = a g it )
+<8 > ---- ►
Sinal PAM
a e { A v ...

Figura 5.16 Diagrama do transmissor PAM.

A seguir, são definidos alguns sistemas típicos através dos possíveis


valores da amplitude a. São apresentados, também, os valores da energia
média do conjunto de sinais, Eg, em função da energia do pulso g[t), E . Note
que

(5.30)

onde

(5.31)

PAM on-off

a =0,A (5.32)

PAM- 2 simétrico

a = - A /2.+ A /2 (5.33)
Capítulo 5 I TRANSMISSÃO DIGITAL | 193

PAM simétrico multinível

A (M 2- 1)
a _± (M -l) Es = A2Eg (5.34)
~2 12

Exemplo 5.3
Na figura 5.17, apresentamos dois exemplos de sinais PAM simétricos,
um conjunto binário e o outro quaternário, associados aos grupos de bits
(mensagens ou símbolos) que representam. Para o conjunto binário, mos­
trado na figura 5.17(a), temos:

E, = E2 =E s = ÁzT

Para o conjunto quaternário da figura 5.17(b):

e 2= e3 = áít

E1 = E4= 9

. M 2r
4

00 -> S,(t)
(a ) <b)
-------F *
1-> s;(t) A 01->s2(t) A

t t'

10—>s3(t) t
0—>s,(t)
-A A

t "
11 -> s4(t)
-3A

Figura 5.17 Conjunto de sinais em uma transmissão PAM-simétrica - (a) binária - (b)
quaternária.
194 | PRINCÍPIOS DE COMUNICAÇÕES

Receptor para sistemas PAM binários


Obviamente, o receptor de um sistema PAM binário deve ter a estrutu­
ra do receptor para dois sinais quaisquer, mostrada nas figuras 5.10 e 5.11.
Para o receptor de mínima distância implementado através de filtro casado
(figura 5.10), o sinal diferença terá a forma de g(f) e, neste caso, a resposta
ao impulso do filtro casado poderá ser escrita, genericamente, como:

h(t) = Kg(t0 -t) (5.35)

A decisão sobre a mensagem transmitida m equivale à escolha da amplitu­


de transmitida a, como representado na figura 5.18.
O processo de decisão pode ser determinado representando os dois
possíveis valores obtidos pelo amostrador na ausência de ruído, como na
figura 5.19. Neste caso, como s(f) é dado por (5.29), temos, após o filtro:

r'(<o) = Qg'(f0) (5.36)

onde

g'(t) = g{t)*h(t) (5.37)

No caso de o filtro de recepção ser casado, g '[t0) = KEg e, neste caso,

r'(fo) = aKEg (5.38)

Considerando os valores possíveis de a, obtemos a representação das figu­


ras 5.19(a) e (b).

r(t) Detetor de
h(t) r '(t) /* ) r
Limiar
â

Figura 5.18 Diagrama do receptor do sistema PAM binário.


Capítulo 5 I TRANSMISSÃO DIGITAL | 195

(a)
â =0 â =A

----------------- ----------------- ►
■o >
0 X Ag'(t„) r%)

(b) â = -A /2 â = A/2
M----------

-(A/2 )g '(t0) Ã= 0 (A/2 )g '(t0) r'(L )

◄— d

Figura 5.19 Representação geométrica das amostras e regra de decisão no detetor de limiar
dos sistemas (a) PAM on-off e (b) PAM-2.

Exemplo 5.4
Considere a transmissão PAM on-ocom um p
amplitude unitária e de duração T. Temos, então, na figura 5.20(a), os dois
sinais, sft) e s2(í), e o sinal diferença sd[t). Definindo, arbitrariamente, o ins­
tante de amostragem como t0 = 2T, o filtro casado a ser usado no receptor de
mínima distância da figura 5.10 está mostrado na figura 5.20(b). Quando o
sinal transmitido é s2(f), a saída do filtro casado (f) é a convolução
mostrada na figura 5.20(c). Note que o valor máximo de s' (í), obtido em t t ,
é igual à energia de s2(f). Os dois valores observados na ausência de ruído
estão mostrados na figura 5.20(d).
Como foi observado anteriormente, para sistemas PAM, a resposta ao
impulso do filtro casado é dada, genericamente, por Kg(t0 - t). No cálcu­
lo precedente, ao definir h[t) = sd(f0 - t), fizemos K = A. Dependendo dos
valores de A e ,o valor da amostra s'2 (f0), genericamente dado por A2T,
T
pode resultar muito pequeno, ficando inadequado para a implementação
do detetor. Suponha, como exemplo, que A = 2 x 10'3 e 1 ms. Neste
caso, s 2 (t0) = 4 x IO-9. Para amplificar o sinal na saída do filtro casado, po­
demos escolher, convenientemente, o valor de K. Por exemplo, se 103,
isto é, se h[t) = 103 x g(fo - í), o valor de s2 (í) obtido anteriormente ficaria
multiplicado por 103/A = 0,5 x 106. Neste caso, o diagrama da figura 5.20(d)
196 l PRINCÍPIOS DE COMUNICAÇÕES

ficaria com os valores indicados na figura 5.20(e), ou seja, a comparação


seria feita com um limiar de 1 mV.

s2(t) sd(t) = Ag(t)


ZA
(a) A

-------- ►
0 1r t ------ +-
0 T t
----------- ►
s,(t)=0

Figura 5.20 Ilustração para o Exemplo 5.4.

Exemplo 5.5
Neste exemplo, consideramos a mesma transmissão binária PAM on-off
do exemplo anterior, mas, em vez de um filtro casado, usamos, no receptor,
um filtro passa-baixa RC definido pela resposta ao impulso

h[t) =ae atu(t)

Neste caso, s'2 (í) = s2(f) * ae~atu


t{ ). Fazendo a con
Capítulo 5 I TRANSMISSÃO DIGITAL | 197

a (i - e atj; 0 < t< T

A e at[eaT- l } ,

O sinal s'2 (í) está mostrado na figura 5.21. Obviamente, s'2 ) = 0.

Figura 5.21 Resposta do filtro RC a um pulso retangular.

Observando a forma de s2(f), podemos concluir que o melhor instante


de amostragem é o instante tg=T, onde a função é máxima. Então,

s '(í0) = A(l- e al)

onde A = 2 x 103 e T =2 x 103. Fazendo a transformada de Fourier d


obtemos:

1
H(f) =
2n f
1+7
a

Verificamos, então, que a constante a é igual à largura de faixa de 3 dB


do filtro, expressa em radianos/s; e uma questão importante é como deter­
minar esta largura de faixa para obter o melhor desempenho do receptor.
Observe que, quanto maior for o valor de a, maior é o valor de s2(f0). Mas,
aumentando a faixa do filtro, aumenta o ruído que entra no receptor. Pode-
se mostrar que o melhor valor de a está em torno de 1,25 Tomando-se
este valor, obtemos a representação da figura 5.22 para os valores das amos­
tras na entrada do detetor e para o valor do limiar correspondente:
198 | PRINCÍPIOS DE COMUNICAÇÕES

0 0,713x10'3 1,43x10 3 r'(t0)


Figura 5.22 Representação geométrica das amostras e limiar do receptor binário com o filtro
RC do exemplo.

Receptor de um sistema multinível


Para um sistema multinível, o receptor apresenta a mesma estrutura da
figura 5.18. Porém, o detetor de limiar deve fazer múltiplas comparações.
Isto pode ser visto observando-se a figura 5.23, onde são representados os va­
lores possíveis da amostra observada pelo detetor de limiar e os limiares de
comparação, situados no ponto médio entre amostras vizinhas. Os limiares
delimitam regiões em que a amostra observada está mais próxima de um de­
terminado nível ideal (sem ruído), sendo este o nível a ser escolhido pelo de­
tetor. Como se observa na figura, os limiares são dados por ± 2 ..., onde

d = Ag'(f0) (5.39)

Se o filtro de recepção for um filtro casado, pode-se mostrar que este proce­
dimento corresponde ao receptor de mínima distância.
A operação do detetor de limiar que acabamos de descrever também
pode ser caracterizada pelo quantizador da figura 5.23.
W J\ i f-~ í•
'r' '
HA EDITORA
Capítulo 5 | TRANSMISSÃO DIGITAL | 199

limiares

KJ 1 KJ | KJ s~J
K \m
m ...... —
►^
-3(A/2)g'(t0) 1 -(A/2)g'(t0) 0 (A/2)g'(t0) 1 3(A/2)g'(t0) r'(t()
___)
Y Y Y
â = -3(A/2) â =-(A/2) â =(A/2) â = 3(A/2)

Figura 5.23 Espaço de decisão e detetor de limiar de um sistema PAM multinível.

Relação entre os limiares e a energia média com filtro casado


A relação entre os valores dos limiares de decisão e a energia média
dos sinais PAM é importante para o projeto de um receptor, pois, em geral,
seus limiares são projetados para receber um sinal com determinada ener­
gia. O exemplo a seguir ilustra este problema.

Exemplo 5.6
Sabendo que a energia de um sinal PAM-4 na entrada do receptor é
igual a 5 x IO-9 J e que o pulso g[t) é um pulso retangular de duração 1 ms,
desejamos especificar o filtro casado e determinar os valores dos limiares.
ados por 0 e ± /.2Definindo o filtro casado como
d
200 | PRINCÍPIOS DE COMUNICAÇÕES

h(t) = Kg(t0-t)

obtemos

g'(to) =

Portanto, usando (5.39), temos

d= A

Para obter o valor de A, aplicando (5.34), podemos escrever

5 2
Es = —A E n —>A —
4 8

Entrando com o valor de A na equação anterior chegamos a

Em geral, considera-se que a amplitude de g(í) é unitária e, assim, temos

Eg= IO 3

Substituindo este valor e o valor da energia média na equação acima,


obtemos

d= 2x 10 ^

Observamos então que, além da energia do sinal de entrada, os limiares


dependem da escolha da constante K, que pode ser vista como um ganho
do filtro de recepção.

5.2.2 Sistemas com Modulação de Amplitude e Fase


Nos sistemas com modulação digital de amplitude e fase, são transmi­
tidas duas portadoras senoidais em quadratura de fase (defasagem de 90Q),
cujas amplitudes ae/ ? dependem dos símbolos a serem transmit
expressão geral do sinal transmitido é
Capítulo 5 | TRANSMISSÃO DIGITAL | 201

\acos[2n f ct + 0 )- /3sen([0,T]
Sffl ‘ (O fora (5-40)

onde éuma fase qualquer;


0 f cé a frequência da portadora, usual
vada. Definindo g(í) um pulso retangular no intervalo [0,T] com amplitude
unitária, a expressão (5.40) será equivalente a

s[t)=ag[t)cos[2rfct+ 0 )- /3g[t)sen[2nfct+e) (5 .4 1 )

Ao longo do processo de transmissão do sinal, 0 pulso g(í) pode ser


modificado, assumindo uma forma qualquer, não retangular, e não neces­
sariamente restrita ao intervalo [0,71.
Supõe-se, em geral, que as duas parcelas em (5.41) são sinais ortogonais,
isto é, a sua correlação temporal (integral do seu produto) é nula. Esta condi­
ção pode ser verificada, aproximadamente, para valores elevados de f , inde­
pendentemente da forma de g(f). Porém, mesmo para valores menores d e /c, é
possível satisfazer a condição de ortogonalidade (ver exercícios 5.14 e 5.15).
Usando identidade trigonométrica, podemos expressar (5.41) da se­
guinte forma:

s(í) = N/a ^ / ^ g ( t ) cos [ 2;r/ct +0+ tg'l (P/a)j(5.42)

onde Va2 + [i2 é a amplitude e tg‘‘l [ff/a) é a fase da portadora. Verificamos,


portanto, que a modulação das duas portadoras em quadratura de fase (QAM)
corresponde à modulação de uma portadora em amplitude e fase.
A seguir, são definidos os sistemas mais usuais através de suas am­
plitudes a e E
p
. m geral, estas amplitudes são representadas geometrica­
mente, em eixos ortogonais. A figura obtida é denominada constelação da
modulação.

ASK
No sistema ASK, uma das amplitudes será nula e a outra poderá assu­
mir alguns conjuntos de valores, como no sistema PAM. Fazendo >0=0 em
(5.41), obtemos a expressão geral de um sinal ASK:

s(f) = o rg (í)c o s(2 ^ /ct + 0) (5.43)


202 1 PRINCÍPIOS DE COMUNICAÇÕES

Como podemos observar, o sistema ASK pode ser visto como um sinal
PAM modulando uma portadora, como ilustrado na figura 5.24.

Figura 5.24 Esquema geral do modulador ASK.

A seguir, são definidos os tipos usuais de sinal ASK através da expressão


geral das suas amplitudes e da expressão da sua energia média, supondo que
a frequência da portadora é relativamente alta. Neste caso, podemos usar a
propriedade de que a energia média de uma portadora modulada é igual à
metade da energia de sua envoltória, para observar que a energia do sinal
ASK é a metade da energia do sinal PAM correspondente (figuras 5.25 e 5.26).

ASK on-off

a = <A Es = (5.44)
0
Capítulo 5 | TRANSMISSÃO DIGITAL | 203

Figura 5.25 Modulação ASK on-off - (a) constelação; (b) forma de onda.

ASK-2 Simétrico

l+A/2
(5.45)
I-A/2

Figura 5.26 Modulação ASK-2 simétrica - (a) constelação; (b) forma de onda.

ASK Multinível

A2 E (M 2 - l)
a = ± A/2, ± 3A/2,... Es --------— --------- (5.46)

Receptor
O receptor de mínima distância de um sistema ASK binário pode ser
obtido a partir da estrutura da figura 5.7, que se aplica a dois sinais quais­
quer. Para os sistemas ASK -feASK-2 simétrico, definidos ac
on
204 I PRINCÍPIOS DE COMUNICAÇÕES

s2(t) - Sj(í) = Ag(í)cos(2;r/cf + (5.47)

Assim, o receptor pode ter a forma da figura 5.27

Kt)

cos(2ji Çt +0) Ag(t)

Figura 5.27 - Receptor de mínima distância para os sistemas ASK binários.

Aplicando a propriedade fundamental do filtro casado, podemos substi­


tuir o módulo que faz a correlação entre u(f) e Ag(f) por um filtro casado a g{t),
seguido de um amostrador. Resulta, então, a estrutura geral da figura 5.28(a)
onde, idealmente, o filtro deve ser casado.

Kt) / Detetor de
(a) ► b(t)
*\ 9 ) u{t)
Limiar
r r

cos(27t fj. +0)

(b) á =0 â =A

(A/2)g'(t0)
A. =(A/4)g'(t0)

(c) â = -A /2 â =A/2

-(A/4)g'(t0) (A/4 )g'(t0) '(t0)


X =0

(d) 1=0

-(A/4 )g'(t0) (A/4 )g'(t0) r'(0


â =-3A/2 â = -A /2 â =A/2 â = 3A/2

Figura 5.28 Receptor para sinais ASK; (a) estrutura geral do receptor; (b) representação
geométrica das amostras e do limiar para o ASK on-off; (c) para o ASK-2 simétrico; (d) para o
ASK-4 (multinível).
Capítulo 5 I TRANSMISSÃO DIGITAL | 205

Analisando o receptor da figura 5.28 (a), podemos definir o espaço de


decisão, ou seja, a representação dos possíveis valores observados na au­
sência de ruído. Para isto, fazemos r(í) igual à expressão geral do sinal ASK,
dada por (5.43), e calculamos r'[tQ), de acordo com o esquema da figura,
para obter

V
/~o
«Ki
(5.48)
I

g'(t0)= g (t)*h (t) (5.49)

Considerando os possíveis valores da amplitude a, de acordo com (5.44) a


(5.46), obtemos as figuras 5.28(b), (c) e (d), onde são também representados
os limiares de deteção situados nos pontos médios entre aqueles correspon­
dentes às diversas amplitudes. Note que, para um filtro casado com respos­
ta h[t) = Kg(t0 - f), temos g '(f0) = KEg, e assim,

r'[t0) = ^ K E g (5 50 )

Sistemas QAM
Nos sistemas QAM (Quadrature Amplitude Modulation), as amplitu­
des a e P em (5.41) são dadas por

CC,P=±y ±3^,...±{>/M- 1 )^ (5.51)

onde M éo número de sinais. Nos sistemas mais usuais, M é uma potência


de 2, e pela definição geral do modulador, M = 2L. Isto restringe os valores
típicos de M a 4, 16, 64 e 256. A figura 5.29 mostra o diagrama de blocos do
modulador QAM. Como observamos na figura, o sinal QAM pode ser visto
como dois sinais PAM modulados em amplitude por portadoras em quadra­
tura de fase (seno e cosseno).
206 | PRINCÍPIOS DE COMUNICAÇÕES

g(t) cos(2

Sinal PAM
ag(t) ,,

a=A/2, 3A/2 ...

( > s(í)
P =A/2, 3A/2 ...
...b, -►(R)----------
^ Sinal P A M ^
Pg(t)

g(t) -sen(27ií f+0)

Figura 5.29 Diagrama de blocos do modulador QAM.

Sistema QAM-4 ou PSK-4


Um dos sistemas de modulação digital mais utilizados é o QAM-4, onde

a,(5 = ±A./2 (5.52)

Sua constelação está representada na figura 5.30, com cada ponto associa­
do a um par de bits. Neste caso, a expressão (5.42) se reduz a

J2
s(f) = — AgtfJcos^Tr/ct + e + f g '1^ ! ) ] (5.53)

Verificamos, então, que não há modulação de amplitude, somente modu­


lação de fase, cujos valores dados por (± 1) correspondem a ± rc/4 e
± 37t/4. Ou seja, verificamos que o sistema QAM-4 é equivalente ao sistema
quaternário de modulação de fase (PSK) definido mais à frente.
Capítulo 5 | TRANSMISSÃO DIGITAL | 207

Figura 5.30 Constelação do sistema QAM-4 ou PSK-4.

Observando (5.53), podemos concluir que todos os sinais têm a mesma


energia. Assim, a energia média será a energia de um deles, isto é:

(5.54)

Sistema QAM-M
A figura 5.31 mostra a constelação do sistema QAM-16, onde nota­
mos que cada ponto corresponde a um bloco de 4 bits. Observando (5.42)
e (5.51), e supondo que g(í) é um pulso retangular de amplitude unitária,
podemos visualizar o sinal QAM, como na figura 5.32.

3A/2 0010

A/2 0011 0001

-3A/2 -A/2 A/2 3A/2

Figura 5.31 Constelação do sistema QAM-16.


208 I PRINCÍPIOS DE COMUNICAÇÕES

0000

VI VVV ï
Figura 5.32 Forma típica de um sinal QAM.

Para o cálculo da energia média, devemos notar que a expressão geral


da energia de um sinal do sistema QAM pode ser escrita, com base na ex­
pressão geral dada em (5.41), como

E{a,fi) = f [a g(t) cos [2n f ct+ d


)- ã (5.55)

Expandindo o integrando e observando que o produto cruzado tem integral


aproximadamente nula, pode-se mostrar que

a 2+ p2 \

E[a,fi) = (5.56)

A energia média será a média das energias de todos os sinais do conjunto,


dada por

(5.57)

onde a + jS2é a média quadrática das amplitudes.


Capítulo 5 | TRANSMISSÃO DIGITAL | 209

Note que a2+ j32 é igual ao quadrado da distância entre a origem e o ponto
da constelação de amplitudes a e P.No caso do sistema
verificar, observando a figura 5.33, que existem 4 pontos da constelação com
a 2+ p2 = A2/ 2; 8 pontos com a 2 + p2= 5A2/2; e 4 pontos com a 2+ P2 = 9A2/2.
Fazendo a média e substituindo em (5.57), obtemos:

A 5A 9A2 Ã
4 x — + 8x ---- + 4X- (5.58)
2 2

Supondo que M é potência de 2 e quadrado perfeito, pode-se mostrar que

E = (A£— l ) A2£
S
(5.59)
12 *

Figura 5.33 Níveis de energia na constelação QAM-16.

Receptor
Para determinar a estrutura do receptor de mínima distância de um sis­
tema QAM, vamos partir da estrutura geral da figura 5.5 e analisar, para o
caso particular do sistema QAM, a primeira etapa desta estrutura, que forne­
ce a correlação do sinal recebido com cada sinal do conjunto de sinais {s.[t)}
que compõe o sistema. Usando a expressão geral dada por (5.41), podemos
escrever esta correlação como
210 I PRINCÍPIOS DE COMUNICAÇÕES

p= [ r{t)[ag(t)cos(2nfct + 6) - /3g{t)sen{2Kfct+6)\dt (5.60)


J —00

Esta expressão pode ser colocada na forma

p = apx+Ppz (5.61)

» 00

A -J r(f)g(f)cos(2/r/cí + 0 )á (5.62)
—CO

í r(f)g(f)sen (2
Pl = \ n fct+ 6)dt (5.63)
' —00

Observamos, então, que, no cálculo da correlação, a operação de multipli­


cação de funções e integração só precisa ser feita uma vez, pois a diferença
entre os sinais do conjunto {s;(í)} está apenas nas amplitudes a e p. Assim, 0
primeiro estágio do receptor pode se reduzir à forma da figura 5.34.

cos(27i f ct + Q)
rit)

-sen(2K

Figura 5.34 Primeiro estágio do receptor QAM com correlacionadores.

Aplicando a propriedade fundamental do filtro casado, podemos subs­


tituir os módulos que fazem a correlação de g[t) com u[t) e v(í) por filtros
Capítulo 5 I TRANSMISSÃO DIGITAL | 211

casados a g(f) seguido de um amostrador. Resulta, então, a estrutura geral


da figura 5.35 onde, idealmente, h[t) = Kg[t0 - f). Neste caso rt = p2.
Para um filtro com resposta ao impulso h[t) qualquer, podemos verifi­
car, analisando o receptor da figura 5.35, que, na ausência de ruído, ou seja,
r(f) dado por (5.41),

h ~— g Cío) (5.64)

P ,í#1
r2 = - g i t o ) (5.65)

onde g '( f ) = g ( í ) * h[t). Se h{t) = Kg{t0 - í),g '(í0) = KEg.

■ »0 - u
h (t) ^
Y u(t) 1------- 1

c o s (2 ti frt +&)
r(t)

-sen(2it f+0)

J L v(í) !- -
*►0--------J moJ — '

Figura 5.35 Primeiro estágio do receptor QAM com filtro e amostrador.

No estágio seguinte do receptor, devem-se completar as operações para


o cálculo da distância mínima. Observando (5.64) e (5.65), verificamos que
o conjunto de valores possíveis de (r^ r2), na ausência de ruído, tem a mes­
ma forma da constelação do sistema, diferindo apenas por uma fator de es­
cala, uma vez que as amplitudes a e P estão multiplicadas por g '( ío)/2. Esta
constelação modificada, formada pelos pontos que seriam observados na
ausência de ruído (pontos ideais), servirá de base para a operação do recep­
tor, que consiste em escolher o ponto ideal mais próximo daquele definido
pelo par de valores observados (r1(r2) em presença de ruído. Note que cada
ponto ideal está associado a um par de amplitudes e, portanto, a um dos
212 | PRINCÍPIOS DE COMUNICAÇÕES

possíveis sinais transmitidos. Assim, ao longo do texto o termo sinal poderá


ser usado para se referir aos pontos ideais.

QAM/PSK-4
Na figura 5.36 está representado o espaço de decisão para o sistema
QAM/PSK-4, com 1 ponto ideal em cada quadrante. Observamos que os
pontos pertencentes a cada quadrante estão mais próximos do sinal neste
mesmo quadrante. Podemos, então, estabelecer que cada quadrante é uma
região de decisão por um determinado sinal, isto é,

Ia quadrante: ^>0 e r >0; decisão: a = + A /2; j0 = +A /2;


1 A

2a quadrante: rT<0 e r >0; decisão: a = - A /2; j8 = +A /2;


2 A

3a quadrante: ^<0 e r <0; decisão: a = - A / 2; g = - A / 2;


L A

4a quadrante: ^>0 e r2<0; decisão: a = +A /2; $ = - A/2;

Figura 5.36 Espaço de decisão no sistema QAM-4 ou PSK-4.

Temos, assim, uma dupla deteção de limiar, ou seja, comparação das


amostras e r2 com um limiar igual a zero. Observamos, porém, nas desi­
gualdades acima, que as decisões são independentes, ou seja, a escolha de
A A
a só depende de rv e a escolha de /? só depende de rr Esta propriedade
permite implementar o procedimento de decisão através de dois detetores
de limiar, como no diagrama de blocos do receptor, mostrado na figura 5.37.
Capítulo 5 I TRANSMISSÃO DIGITAL | 213

Figura 5.37 Receptor do sistema QAM-4 ou PSK-4.

Sistema QAM-M (M>4)


Na figura 5.38 mostra-se o espaço de decisão em um sistema QAM-16
e, como no caso anterior, o procedimento de decisão consiste em escolher
o sinal mais próximo do ponto (r1( r2) observado. Traçando as mediatrizes
entre os diversos pontos ideais - correspondentes aos sinais - obtemos as
regiões de decisão, isto é, as regiões que englobam todos os pontos mais
próximos de um dado sinal, como representado na figura 5.38. Observando
a figura, podemos escrever, por exemplo:

q >d,r2 > d: â = +3A /2; ß = + 3A/2;

r >d
0 <r < d :ã = +3A/2;/? = + A / 2;
A A
0<Fi<d, 0 < r 2 < d:oc = +A/2; A / 2;

onde

d - y g 'G b ) (5.66)

Como no caso de M= 4, verificamos também, neste caso, que a


A A

pode ser feita de forma independente, ou seja, a só depende de r1 e ß só de­


214 I PRINCÍPIOS DE COMUNICAÇÕES

pende de r2. Assim, podemos implementar o receptor através do diagrama de


blocos mostrado na figura 5.39, cujos detetores de limiar estão detalhados na
figura 5.40.

0010 0000 , .
• • • • KO
^ ___ O

0001
• • • •

0 d | ,
-3Ag'(g/4 -Ag'(t„)/' ah '(0 / 3Ag'(t0)/4
• • • •

• • • •

Figura 5.38 Espaço de decisão no sistema QAM-16.

Figura 5.39 Receptor do sistema QAM com detetores de limiar independentes.


Capítulo 5 I TRANSMISSÃO DIGITAL | 215

Figura 5.40 Detetor de limiar para o sistema QAM-16.

Para outros valores de M(64, 256), o receptor é o mesmo da figura 5.39,


e os detetores de limiar apresentam mais níveis de comparação, ou seja, um
número maior de limiares. Generalizando a figura 5.40, concluímos que os
valores dos limiares são dados por X. = 0, ± ± 2 onde d é dado por (5.66).
Como já foi comentado anteriormente, o sistema QAM corresponde a
dois sistemas PAM independentes: um modulando um cosseno e outro um
seno. Observando a figura 5.39, podemos interpretar o primeiro estágio do
receptor como uma demodulação coerente que recupera os dois sinais mo-
duladores, como analisado na Seção 3.1.5. No segundo estágio, constituído
por filtro e detetor de limiar, é feita a deteção de cada sistema PAM.

Sistema PSK
No sistema PSK (Phase Shift Keying), as amplitudes a e p são definidas
como

a = Vcos(/>
(5.67)
ß = Vsen<p..

onde </>é uma fase obtida pela codificação dos bits de entrada e escolhida no
conjunto ...]. Substituindo (5.67) em (5.42), obtemos:
l M M M '

s(t) = Vg[t)cos[2jrfct+ d + <p\ (5.68)

Todos os sinais têm a mesma energia, que será, obviamente, a energia mé­
dia dada por
216 | PRINCÍPIOS DE COMUNICAÇÕES

(5.69)

A figura 5.41 mostra a constelação de um sistema PSK-8, onde cada


ponto deve estar associado a um grupo de 3 bits.

Receptor
Uma vez que se trata de um conjunto de sinais que satisfaz a forma
geral dada em (5.41), o primeiro estágio do receptor do sistema PSK tem a
mesma estrutura do receptor QAM mostrada na figura 5.39. Para determi­
nar a regra de decisão a partir das amostras e r2, analogamente ao que
foi feito para o sistema QAM, representam-se os pontos correspondentes
às possíveis amostras na ausência de ruído. Esta constelação, mostrada na
figura 5.42, reproduz a constelação da figura 5.41 com um fator de escala
g'(f0)/2. Traçando as mediatrizes aos pontos, são definidas as regiões de
decisão baseadas na mínima distância. Observamos que estas regiões cor­
respondem a setores angulares, em torno de cada ponto, com ângulo igual
a 2n/M.
Capítulo 5 | TRANSMISSÃO DIGITAL | 217

Figura 5.42 Espaço de decisão no sistema PSK-8.

Diferentemente do sistema QAM, não se pode, neste caso, fazer a de­


teção de forma independente. Para um par de amostras observadas (r1(r2), a
decisão deve se basear no ângulo que este ponto faz com o eixo dado por

-1
¥ = tg (5.70)
V 1/

Este ângulo deve ser comparado com valores que correspondem às frontei­
ras das regiões de decisão. Por exemplo:
2n -
0<V- — ^ <
t> = Q (5.71)

Ou seja, o ângulo \|/ deve entrar em um detetor de limiar cujos limiares são
0, ± 2n/M
,± 4jt/M, .... O esquema completo do receptor está mostrado na
figura 5.43.
218 I PRINCÍPIOS DE COMUNICAÇÕES

h (t)
x(í)

cos(27i fc t + Q ) Detetor
r(t) tgVO de limiar
-sen(2n fct +0)

y it )

Mt) T _ ^ _ l

Figura 5.43 Receptor do sistema PSK-M.

Exemplo 5.7
Sabendo que a energia média de um sinal QAM-16 com envoltória
constante e duração igual 2.10^ s é igual a 2.1018 W, desejamos obter o va­
lor máximo do sinal
Observando a expressão geral do sinal QAM dada por (5.41), concluímos
que o valor máximo do sinal é dado por s = VaLx + ALãx max[^(í)], onde
amaxe Pmax sao os val°res máximos das amplitudes a e p. No sistema QAM-16,
estes valores são iguais a 3A/2. Por outro lado, como a envoltória é constante,
o pulso g(í) é um pulso retangular com a duração especificada. Fazendo sua
amplitude unitária temos, então, smax = 3A\^2/ 2 . De acordo com o enunciado
e com (5.59),

E = 2.10"18 = —1? A2
s 4 *
2
onde 2?g = 2 x IO-6. Assim, obtemos A = x 10~6 e a tensão máxima será
1,89 10-6Volts.

Exemplo 5.8
Para uma mesma energia média dos sinais, desejamos determinar os
valores da distância d entre símbolos vizinhos nas constelações QAM-16 e
PSK-16.
Capítulo 5 | TRANSMISSÃO DIGITAL | 219

QAM-16

Observando a constelação da figura 5.31, verificamos que = A.


Usando (5.59), obtemos:

PSK-16

Analisando a constelação PSK-16, semelhante à do PSK-8 da figura 5.41,


obtemos:

d =2Vsen(^/16);

Aplicando (5.69), chegamos a:

d=2 sen[n/16);

A relação entre as duas distâncias será dada por:

= -Jwsen (;r/l6) = 0,616


“ O AM

Vemos, portanto, que, para um mesmo valor de energia média, a dis­


tância entre os sinais vizinhos no sistema PSK-16 é quase a metade daquela
obtida no sistema QAM-16. Como veremos no capítulo 8, quanto maior a
distância entre os sinais vizinhos, melhor é o desempenho do receptor em
presença de ruído.

5.2.3 Sistemas com Modulação de Frequência


Nos sistemas com modulação de frequência, designados pela sigla FSK
(Frequency Shift Keying), o sinal transmitido é uma portadora senoidal,
limitada no tempo, cuja frequência contém a informação a ser transmitida.
A expressão geral dos sinais FSK pode ser dada por
220 I PRINCÍPIOS DE COMUNICAÇÕES

í t\
Sj[t) = 7lrect cos(2/r/jí + 0,); (5.72)
T
1 7,
onde A éa amplitude da portadora3; ^ é a frequência da portadora, selecio­
nada de um conjunto de M possíveis frequências, cada uma representando
um bloco de L bits; 0i é a fase da portadora. Em geral, as fases das porta­
doras FSK são independentes entre si. O esquema do transmissor de um
sistema FSK está representado na figura 5.44.

Figura 5.44 Esquema do transmissor FSK.

Para o caso binário, temos

'O
s1(t) = yfrect — cos{2nf£

f O (5.73)
s2(í)=Arect — cos[2n f 2
s*>
Os dois sinais estão mostrados na figura 5.45, onde se supõe q u e/2> /l.

3 A função rect( ) em (5.72) tem a finalidade apenas de restringir a portadora ao intervalo


[-T/2, T/21
Capítulo 5 I TRANSMISSÃO DIGITAL | 221

Figura 5.45 Sinais transmitidos no sistema FSK binário.

Pode-se verificar que, como todos os sinais FSK têm a mesma ampli­
tude e a mesma duração, eles têm a mesma energia. A energia média será,
portanto, igual à energia de um dos sinais, dada por

Ál T
Es = (5.74)
2

Em geral, os sistemas FSK são projetados de forma que os sinais sejam or­
togonais, isto é:

r Sj ( t ) s A i) d t =0 p a r a i * j (5.75)

Para que esta condição seja atendida, pelo menos aproximadamente, a se­
paração entre as frequências deve ser maior do que um determinado valor.
É possível obter ortogonalidade (ver Exercício 5.16), independentemente
das fases e 02, com separação de frequência

(5.76)

onde k é um inteiro.

Receptor
De forma semelhante ao desenvolvimento feito para sinais com modu­
lação de amplitude e fase na Seção 5.2.2, o receptor ótimo para o sistema
FSK pode ser deduzido a partir da estrutura geral do receptor ótimo da ti-
222 I PRINCÍPIOS d e c o m u n ic a ç õ e s

gura 5.5, chegando-se, no caso binário, ao esquema da figura 5.46. No caso


mais geral, o receptor é um conjunto de demoduladores de amplitude, cada
um sincronizado à frequência e à fase de um dos sinais FSK. Supondo que
os sinais são ortogonais, isto é, satisfazem a (5.75), verifica-se que na saída
do filtro haverá sinal em apenas um dos demoduladores. No receptor biná­
rio, representado na figura 5.46, quando for transmitida a portadora de fre­
quência _/j, o sinal será diferente de zero, no ramo de cima, e zero, no ramo
de baixo. E será o contrário quando for transmitida a frequência/ . Note-se,
ainda, que, para desempenho ótimo, o filtro t) deve ser um filtro casado
ao pulso g{t), ou seja, h[t) = Kg(t0- f).

Figura 5.46 - Receptor coerente para o sistema FSK-2 com demoduladores síncronos.

FSK de fase contínua


A modulação FSK pode também ser obtida modulando-se uma por­
tadora em frequência por um sinal PAM. A modulação de frequência foi
analisada na Seção 3.2, e sua expressão geral é dada por (3.74). Usando a
expressão (5.29) do sinal PAM, para o sinal modulador m(f), isto é,

m[t) = ag[t) (5.77)

temos, então, a seguinte expressão do sinal FSK:

s(f) =Arect cos [2 n fct + 2 jckf <p(í) + 0O] (5.78)


CapituloS I TRANSMISSÃO DIGITAL | 223

onde [t)é dado por

<t>{t) = í ag{r)dr ( 5 .79 )


Jo

A frequência instantânea é dada por

f)(t) = f c +kf ag(t) (5.80)

No sistema FSK de fase contínua, portanto, a informação digital ini­


cialmente colocada na amplitude do pulso g(t) é mapeada para a frequência
de uma portadora. Assim, um sinal PAM binário dará origem a um sinal
FSK binário. O diagrama de blocos do transmissor de um sinal FSK de fase
contínua está representado na figura 5.47.

bits
Modulador Modulador
PAM agit) FM sit)
b'2f

Figura 5.47 Modulador FSK de fase contínua.

No caso particular de um sinal PAM binário com amplitudes ± A/2 e


com pulso g(f) retangular de amplitude unitária, o desvio instantâneo de
fase, genericamente definido como
Ae (t) = 2 n k f <t>(t)(5.81)

neste caso, é dado por


Ag,(f) = 2 n k ja t = ± [nkfb)t \0

Ou seja, ao longo do intervalo [0,7’], o desvio de fase varia linearmente com


t e, no fim deste intervalo, seu valor será igual a ±
Para analisar a continuidade de fase, vamos considerar agora uma
nova transmissão no intervalo subsequente [T, 27]. Notando que, neste in­
tervalo, o pulso é o mesmo pulso anterior com atraso de T, isto é, g[t-T),
podemos expressar o sinal PAM como

m(t) = a0g[t) + a1g [t -T ) (5.83)


224 I PRINCÍPIOS DE COMUNICAÇÕES

onde q0 e são as amplitudes dos pulsos nos dois intervalos consecutivos,


podendo cada uma delas assumir os valores ± A/2 , independentemente.
Temos, então, 4 possíveis formas para o sinal m(f), ilustradas na figura 5.48,
e as formas correspondentes do desvio de fase. Observamos, portanto, que
no instante de transição t — T, não haverá descontinuidade na fase.
i i m(t) j
1 m(t)
A/2 A/2

-----------1----------- ---- ►
0 7 27 í
0 7 27 í
-A/2

Figura 5.48 Variação do desvio de fase em um sistema FSK binário de fase contínua.

O comportamento do desvio de fase descrito anteriormente para o


caso de duas transmissões sucessivas pode ser generalizado para o caso
de um número qualquer de transmissões, e está ilustrado na figura 5 .49 .
Na figura 5.49 (b), mostram-se, em linhas tracejadas, possíveis trajetos do
Capítulo 5 I TRANSMISSÃO DIGITAL | 225

desvio de fase e, em linha cheia, o trajeto correspondente ao sinal PAM da


figura 5.49 (a).
Ák m(t)
(a)
A/2

. . k.
0 7 27 37 47 t"
-A/2

Figura 5.49 (a) Variação da frequência e (b) variação do desvio de fase em um sistema FSK
de fase contínua ao longo do tempo.

5.2.4 Sistemas com Recepção não Coerente


Nos receptores desenvolvidos anteriormente para os sistemas de trans­
missão digital com portadora, é necessário conhecer exatamente a referên­
cia de fase em relação à qual são definidos os sinais transmitidos e, sob este
aspecto, a recepção é chamada recepção coerente. Como a obtenção da
226 [ PRINCÍPIOS DE COMUNICAÇÕES

referência de fase é geralmente difícil, uma alternativa empregada é fazer


a deteção sem usar a informação contida nesta fase. Neste caso, a recepção
é dita não coerente.
Pode-se mostrar que o critério ótimo da deteção não coerente é decidir
com base nas energias dos sinais transmitidos. Este fato limita a recepção
não coerente a alguns conjuntos específicos de sinais. Usualmente, a recep­
ção não coerente é utilizada com os sistemas ASK on-off e FSK ortogonal,
que serão analisados a seguir.

ASK on-off não coerente


Os sinais ASK on-off são definidos pelas expressões (5.43) e
recepção não coerente de sinais ASK pode ser feita de acordo com
o esquema da figura 5.50. A estrutura é basicamente a mesma do receptor
QAM. Porém, comparando com o esquema do receptor coerente, nota-se
que a fase y dos osciladores locais não é necessariamente igual à fase 0 do
sinal transmitido, podendo ter um valor qualquer. Como representado na
figura 5.50, para fazer a deteção, é feita a soma dos quadrados das amostras
na saída dos filtros e sua raiz quadrada é comparada com um limiar. Este
processamento elimina a incerteza devido à indefinição da fase dos oscila­
dores, como mostramos a seguir.

*0

Figura 5.50 Receptor não coerente para o sistema ASK on-off.


Capítulo 5 I TRANSMISSÃO DIGITAL | 227

Seguindo o desenvolvimento da Seção 3.1.5, podemos verificar que,


para um sinal de entrada da forma a g [t)co s{2 n ft + 0), o receptor QAM
apresenta, na entrada de seus filtros passa-baixa, os seguintes sinais:
u(f) =±ag[t)cos(0- y) +-iag(f)cos(4;r/c

v(f) =-1ag(í) sen (0- y) + |ag(t)sen (4 y)

Como os filtros eliminam os sinais de alta frequência, após a filtragem


e a amostragem, obtemos

r1 = ^ g '[ t 0)cos£
(5.84)
r2= ^ g '[ t0)sen£

onde e = (0 -y) e g(í0)


' = g[t) *
h [t) | . A variável x, que repres
do detetor de limiar, será dada por

x =—g'tfjVcos2 e = —g (5.85)
2 2
Observamos, portanto, que, na ausência de ruído, a variável x é proporcio­
nal à amplitude transmitida, a, e independe da fase y dos osciladores locais,
permitindo, assim, fazer a deteção.

FSK não coerente


O sistema FSK binário pode ser visto como a composição de dois sis­
temas ASK on-off, cada um operando com uma frequência de portadora.
Isto permite estabelecer, para o receptor de um sistema FSK binário não
coerente, a estrutura da figura 5.51, constituída de dois demoduladores,
cada um sincronizado com a frequência de uma das portadoras. A deteção
da mensagem transmitida é feita comparando-se as saídas e dos dois
demoduladores e escolhendo-se a mensagem associada à maior delas.
228 I PRINCÍPIOS DE COMUNICAÇÕES

Figura 5.51 Receptor não coerente para o sistema FSK binário.

Uma análise semelhante à da seção anterior pode ser feita para o


receptor da figura 5.51. Observando a definição do sinal FSK binário dada
por (5.73) e supondo que foi transmitida a mensagem m í associada à fre­
quência /j, obtemos para a variável x na saída do primeiro demodulador:

x= yj[Kcos £1)2 + (Ksene, )2 =K(5.86)

onde = (0J- y j é a diferença entre a fase da portadora de frequência/ e a


fase da portadora local:

A gV o)
2
Capítulo 5 | TRANSMISSÃO DIGITAL | 229

Com a mesma hipótese, m = m v e mantendo a condição de ortogona-


lidade entre os sinais, dada por (5.75), a variável y na saída do segundo de-
modulador será nula. Com uma análise semelhante, podemos concluir que,
se m = m2, x= 0 e y = .Assim, comparando os valores de
K e p
fazer a deteção da mensagem transmitida.

Sistema DPSK
Na modulação de amplitude e fase com recepção não coerente, a dete­
ção é feita comparando a energia recebida com as energias dos diferentes
sinais transmitidos. No caso do sistema PSK, as energias dos sinais transmi­
tidos são iguais e, sendo assim, não se aplica este procedimento de deteção4*.
A alternativa usual para a deteção coerente de sinais PSK é utilizar a
informação recebida em duas transmissões sucessivas e associar a mensa­
gem, não mais à fase absoluta do sinal transmitido, mas à sua fase relativa
ao sinal transmitido anteriormente, como explicamos a seguir. Para isto,
é necessário definir o sinal PSK associado a um determinado intervalo de
transmissão, isto é,

s[t) = Vg(t - k T )c o s [2 x fct +0ky, k T < t < ( k +l ) T (5.87)

onde

ek = 6i
k- + <Pk (5.88)

e <j>ké a fase transmitida, associada aos bits de informação. Notamos, por­


tanto, que, no sistema DPSK, a fase associada à mensagem transmitida é
adicionada à fase do sinal transmitido anteriormente.
Na figura 5.52 está mostrada a estrutura geral de um receptor DPSK.
Notamos que o primeiro estágio tem o mesmo esquema utilizado anterior-
mente para demodulação não coerente, ou seja, a demodulação é feita sem
necessidade de sincronizar a fase y dos osciladores locais com a fase da

4 Note que, embora no sistema FSK os sinais tenham a mesma energia, a deteção não coe­
rente pode ser feita com base nas energias contidas nas diferentes faixas de frequências dos
sinais recebidos.
230 I PRINCÍPIOS DE COMUNICAÇÕES

portadora transmitida. Para entendermos a operação do detetor sobre as


amostras rkl e rk2,colhidas na saída dos filtros, vamos, inicialmente, e
ver a expressão destas amostras, usando o mesmo desenvolvimento que
levou a (5.84). Neste caso, temos, na ausência de ruído:

rk,i = ^S'{t0)cos(ek -
(í .89)
rk,2 =— g'(to)sen[0k -y)

e, consequentemente,

’ k,2
tg~ = ok - y (5.90)
CU

Aplicando (5.90) às amostras colhidas em dois instantes de amostragem


sucessivos, fazendo a diferença e observando (5.88), obtemos

( \ ( T \
1 —rk, 2 rk-\ 2
V=tg -tg 1 = {dk - r ) - « W r) = <t>k (5.91)
rkl Krk-n ;
\ )

Ou seja, na ausência de ruído, obtemos, na saída do detetor, a fase


transmitida <t>k. Em presença de ruído, a fase vp obtida através do segundo
termo em (5.91) deve ser comparada com um limiar e aproximada para a
fase mais próxima entre as fases possíveis.
Capítulo 5 I TRANSMISSÃO DIGITAL | 231

rit)
T
cos (271 fct + y)
Detetor
V =tg--1
de limiar
-sen( 2n fct + y)

h(t) - t A

Figura 5.52 Receptor de um sistema DPSK.

Sistemas DPSK Binário e Quaternário


No sistema DPSK binário, a fase transmitida, <j)k, pode assumir os valo­
res 0 ou 7i, e a escolha pela fase mais próxima corresponde à seguinte regra
de decisão:

- — < w < — => ô = 0


2 2

Obviamente, como cos(y) >0, para -7t/2<v|/<;r/2 e cos(v|/) <0, para 7t/2<\|/<37t/2,
uma regra equivalente é

cos(^) > 0 => =0


cos(yd < 0=* =

Desenvolvendo o segundo termo em (5.91), podemos expressar cos(t//) da


seguinte forma:

(5.92)
232 | PRINCÍPIOS DE COMUNICAÇÕES

Como o termo fora dos parênteses é sempre positivo e a comparação é com


o limiar zero, chegamos à seguinte regra de decisão:

r k,ir k - u + r k,2rk - x 2 > 0 ^ A = °


(5.93)
r k,ir k - l, l + r k,2r k - U < 0 = * $ k = *

Para o sistema DPSK quaternário, supondo que a fase transmitida, 4>k,


pode assumir os valores ti/4, 3tc/4, 57t/4 e 4, podemos fazer uma análise
semelhante. Neste caso, a decisão pela fase mais próxima, pode ser escrita
como

fcos(V0 >0 í
0 < Y < — => =><Z)= T
Y2 [senl^ >0 4

n JcosM <0 2 3
— < W< 7T=> =><p = —
2 Y jsenlíí') >0 4
3n Jcos^) <0 2
n < w < — =>
2 [sen^ <0 4
J cos^ >0 2
—— <\j/ <2n => 0 = ---
2 jsenfy') <0 4

Como fizemos anteriormente para cos(v|/), podemos desenvolver o segundo


termo em (5.91) para obter a seguinte expressão para sen(\|/):

senfVfi 2rk- 1,1~ rk,lrk-%2)


(5.94)
J i i + rk,,2^ rk-1,1 + rk-1,2

Chegamos, então, à seguinte regra de decisão:


Capitulo 5 | TRANSMISSÃO DIGITAL | 233

r k,\r kA,l + r k,2r k-l,2 >0


=> á = jt/4
r k,2r k - U ~ r k ,irk-l,2 >0

r k ,ir k - l , l + r k,2r k - l2 2
=>&=3fl/4
21*- %1 r k ,lr k- %2 > 0

(5.95)
r k ,ir k-Xl + r k,2 r k - l 2< 0 « .
=> ^ = 5^/4
r i ,2ri - 1,1 r k.\r k- 12 < Q

r k,ir k - í l + r k,2r k-%2 2 [.


n =>*k = 7^
r k,2r k- XI r k .ir k - 1,2 < 0

5.3 LARGURA DE FAIXA DA TRANSMISSÃO DIGITAL


A largura de faixa utilizada em uma transmissão deve, em princípio,
permitir a transmissão sem distorção dos sinais. Na transmissão digital, po­
rém, o principal objetivo não é reproduzir exatamente o sinal transmitido
no receptor, e sim identificar os bits transmitidos. Assim, na transmissão
digital, a largura de faixa pode não ter uma definição única. Seu valor é, em
geral, associado ao grau de distorção admitida nos sinais, e ao respectivo
impacto na ocorrência de erros na deteção dos bits.
No caso da transmissão isolada de uma mensagem, vimos que o desem­
penho ótimo, obtido com filtros casados, não depende da forma do sinal
transmitido, e sim da relação entre suas energias. Neste caso, poderíamos
projetar os sistemas com sinais arbitrariamente longos, ocupando uma fai­
xa de frequência arbitrariamente pequena. No entanto, é necessário levar
em conta a superposição que ocorre na transmissão sucessiva destes sinais.
Esta superposição é uma fonte de distorção no sinal recebido e tem uma
importância fundamental na largura de faixa de uma transmissão digital.
Para se fazer uma análise da largura de faixa da transmissão digital, de­
vemos então utilizar um modelo que considere a sequência de bits transmiti­
dos. Os elementos básicos deste modelo estão representados na figura 5.53.
Como representado nesta figura, a cada intervalo de tempo T, denominado
intervalo de símbolo, chegam ao transmissor L bits para serem transmitidos
por sucessivos sinais. Define-se, então, a taxa de bits como
234 I PRINCÍPIOS DE COMUNICAÇÕES

(5.96)

e a taxa de símbolos como

(5.97)

Obviamente, a taxa de bits, R é L vezes maior do que a taxa de símbolos Rs.

10 1 0 0 1 1 0 0 0 1 1 1 0 1 0 0
ruído

L bits L
Ts T
sinal
x(t)

100111001
L bits

Figura 5.53 Transmissão digital de sequências de bits.

5.3.1 A Interferência entre Símbolos


O sistema de transmissão digital em banda básica, com modulação de
amplitude (PAM), foi apresentado na Seção 5.2.1. Para analisar a distorção
neste tipo de sistema, que é a base para a obtenção de outras formas de
transmissão digital, consideramos o modelo representado na figura 5.54.
Neste modelo, em vez de considerarmos a transmissão de um único pulso,
como em (5.29), supomos que o modulador recebe uma sequência de bits, a
cada intervalo T, e gera um sinal s(í) da forma
Capítulo 5 | TRANSMISSÃO DIGITAL | 235

s { t ) = ^ a kg{t-kT) (5.98)
k =—

onde { ak, k = 0, ± 1, ... ± 00} é uma sequência de amplitudes, associada à se­


quência de bits, e g{t) é um pulso de frequências baixas. O sinal s(f) será,
portanto, uma sequência de pulsos modulados em amplitude como ilustra­
do na figura 5.55, para o sistema PAM binário simétrico. O bloco C(f), na
figura 5.54, representa a função de transferência do canal. Este correspon­
de ao segmento entre o modulador e o receptor, podendo incluir o efeito
de filtros no transmissor (geralmente utilizados para formatação do pulso
transmitido), assim como do canal propriamente dito. H[f) é a função de
transferência do filtro de recepção. Note que a estrutura do receptor é a
mesma estrutura apresentada na Seção 5.2.1. O amostrador, neste caso,
operará sequencialmente, em sincronismo com os pulsos transmitidos, e
a deteção de uma mensagem (amplitude) é feita utilizando-se apenas uma
amostra a ela associada. Em geral, será assumido que a deteção da amplitu­
de ak é feita a partir da amostra em t = t0+kT. Para isto, o detetor utiliza as
mesmas regras de decisão deduzidas na Seção 5.2.1.

Figura 5.54 Modelo geral de um sistema PAM.


236 | PRINCÍPIOS DE COMUNICAÇÕES

Figura 5.55 Sinal PAM sequencial com amplitudes a , = A/2, ao = A/2, a, = -A/2 e a2 = A/2,
etc.

O pulso g[t) na saída do modulador tem, geralmente, duração limitada


ao intervalo de símbolo T, como é o caso da figura 5.55. Sendo assim, na
saída do modulador não haverá superposição entre os pulsos transmitidos
sequencialmente, e o sinal s[t) poderá ser expresso, no intervalo [0,T], como

s(t) = a0g
0
(t); < (5.99)

De acordo com a figura 5.54, o sinal s(f) será modificado pelo canal e pelo
filtro de recepção. Desconsiderando o ruído, podemos expressar o sinal na
entrada do amostrador como

y[t) = s{t)* c{t)* h[t) (5.100)

onde c(f) e h(t) são as respostas ao impulso do canal e do filtro de recepção,


respectivamente. Substituindo (5.98) em (5.100) e aplicando as proprieda­
des da convolução, obtemos:

y[t)= ^ ,a k p[t-kT) ( 5 .101 )

onde
Capítulo 5 | TRANSMISSÃO DIGITAL | 237

p[t) = g[t) ) * h[t) (5.102)

O resultado em (5.101) mostra que, na saída do filtro de recepção (como em


qualquer ponto de um canal linear), o sinal PAM continuará sendo expresso
como uma soma de pulsos modulados em amplitude. A forma destes pul­
sos, dada por (5.102), será o resultado da filtragem do pulso g[t) pelo canal
e pelo filtro de recepção.
Entre outros efeitos, os filtros provocam, geralmente, o aumento da
duração do pulso transmitido e, consequentemente, a superposição entre
pulsos no sinal digital. Este fenômeno está ilustrado nos Exemplos 5.9 e
5.10, a seguir.

Exemplo 5.9
Um sinal PAM é gerado com um pulso básico retangular de duração T
e amplitude unitária e, em seguida, filtrado por um filtro RC, cuja resposta
ao impulso é dada por

t> 0
t< 0

Desejamos obter a nova forma do pulso ) e esboçar graficamente o sinal


PAM antes e depois do filtro. Temos, então,

0 <t<T
p(t) = g(t)*h{t) =
e o í (rflT- l ) t >T

A figura 5.56 mostra os pulsos g[t) e p[t) e o sinal PAM, antes e depois
da filtragem pelo filtro RC. Notamos, na figura, que o pulso passa a ter du­
ração infinita após a filtragem, havendo, portanto, superposição entre os
diversos pulsos do sinal PAM.
238 I p r in c íp io s d e c o m u n i c a ç õ e s

0 T -T 0 T 2T 3T

-1
0 T

Figura 5.56 Ilustração do Exemplo 5.9 - Pulso g(t) e sinal PAM antes e depois da filtragem
por um filtro RC.

Exemplo 5.10
Um sinal PAM semelhante ao utilizado no exemplo anterior passa ago­
ra por um filtro cuja função de transferência é dada por

H [f) = <
0 fora

Neste caso, tomando por conveniência um pulso retangular de amplitude


unitária em [0,T], temos

e assim,

0 fora
Capitulo 5 | TRANSMISSÃO DIGITAL | 239

\
p[t)=Sinc
7

O pulso p[t) e o sinal PAM resultante (com todas as amplitudes positivas)


estão mostrados na figura 5.57.

Figura 5.57 Ilustração do Exemplo 5.10 -(a) pulso g(t); (b) sinal PAM correspondente.

Verificamos, nos dois exemplos anteriores, que os pulsos utilizados na


transmissão PAM apresentam duração maior do que o intervalo de símbolo T
e, sendo assim, interferem uns nos outros. Porém, observamos na figura 5.57
que, nos instantes de máximo de cada pulso, todos os outros passam por um
nulo. Portanto, nestes instantes, a interferência não ocorre.
A interferência entre símbolos é, por definição, a interferência entre
os pulsos no instante de deteção. Assim, o Exemplo 5.10 e a figura 5.57 nos
mostram que é possível fazer a deteção sem interferência entre símbolos,
mesmo com pulsos de duração infinita, fazendo a deteção nos instantes
convenientes, no caso, o instante de máximo de cada pulso.
240 I PRINCÍPIOS DE COMUNICAÇÕES

Expressão Matemática da Interferência entre Símbolos


Vamos considerar a deteção da amplitude ao, a qual é feita a partir
da amostra do sinal y(f), na saída do filtro H{f], tomada no instante t = t0.
Observando (5.101), vemos que, se fosse transmitida apenas a amplitude ao,
o somatório só teria o termo para k =0, e a amostra

7 (í0J = ao P ( ío) (5.103)

Na transmissão sequencial aparecem os demais termos do somatório


em (5.101), e a amostra no detetor pode ser escrita como

y ( 0 = ao P (0 +X K *0
a* p(í° - kT] (5.104)J
V •

O segundo termo do lado direito de (5.104) não contém informação


sobre a amplitude (símbolo) que está sendo detetada, e constitui a interfe­
rência entre símbolos, ou seja, uma perturbação aditiva cujo valor depende
das demais amplitudes transmitidas e do pulso p(f). Ou seja, a expressão
geral da interferência entre símbolos é dada por

z p K -w
k*0 (5.105)

A figura 5.58 ilustra o efeito da interferência entre símbolos nas amos­


tras colhidas no receptor de um sistema PAM-4 simétrico, cujas amplitu­
des são definidas como ± A /2 e ± 3A/2. Na figura 5.58(a) são representa­
dos os possíveis valores destas amostras, de acordo com (5.103). Quando
há interferência entre símbolos, esta afastará os pontos de suas posições
ideais. Em geral, a interferência entre símbolos pode assumir uma grande
variedade de valores, de acordo com (5.104), levando à representação da
figura 5.58(b). Observamos, na figura, que a interferência entre símbolos
pode aproximar a amostra detetada da fronteira de decisão, diminuindo a
margem contra ruído.
Capítulo 5 1 TRANSMISSÃO DIGITAL | 241

(a) 1------- d ------- 1

u 1 U 1 w 1
1 Urv

- 3A/2p(g -A/2P(g o D/2P(g 3D/2p(g Kg

(b)

Kg

Figura 5.58 Representação do sinal detetado. Sistema PAM-4 (a) sem interferência entre
símbolos; (b) com interferência entre símbolos.

O valor máximo, ou valor de pico, da interferência entre símbolos


pode ser determinado notando que o somatório em (5.105) tem seu valor
máximo quando o valor absoluto de ak é máximo e tem sinal igual ao da
amostra p[tQ-kT). Notando que, em um sistema PAM simétrico com M níveis
de amplitude, a amplitude máxima é igual a [M -l)A /2, temos:

Z nm = [ M - l ) ^ J á\p{t0-kr)\ (5.106)

O valor máximo da interferência entre símbolos normalizado em rela­


ção à distância mínima entre as amostras no caso ideal, Ap(t0)/2, é denomi­
nado Distorção Absoluta, isto é,

Z jaa = [M - 1) 4 X | p ( ío-*r )| (5.107)


^ k*0

A condição D>1 corresponde à situação em que a interferência entre


símbolos leva a amostra do sinal para uma região de decisão errada, provo­
cando erro independentemente da existência de ruído. Em geral, o valor de
D deve ser próximo de zero.
242 I PRINCÍPIOS DE COMUNICAÇÕES

5.3.2 Eliminação da Interferência entre Símbolos - Critério de


Nyquist
Vimos, no Exemplo 5.10, que, se o pulso usado na transmissão PAM
tem duração maior do que o intervalo de símbolo, é impossível evitar a
superposição entre eles, mas é possível evitar a interferência entre sím­
bolos, ou seja, a interferência nos instantes de amostragem no receptor.
Observando (5.105), vemos que a condição para isto é que o pulso p(t) sa­
tisfaça à restrição

p{t^
°- ‘ {o 0 k l l (5108)
onde í0é o instante de amostragem para deteção da amplitude ag.
A condição que a transformada de Fourier P(/) do pulso p(í) deve satis­
fazer para que (5.108) seja verificada é conhecida como o primeiro critério
de Nyquist. Para deduzir o primeiro critério de Nyquist, vamos supor 0
em (5.108), ou seja,

ÍPo ^= 0
p ( « ) . |o (5.109)

Aplicando (2.91) e (2.92), podemos escrever a seguinte expressão para a


transformada de Fourier de um sinal qualquer, p[t), amostrado por impulsos:
oo oo / ^

£ p (i7 W f-M l» i X P/ ' f (5.110)


1 t—« V

Por outro lado, se p[t) satisfaz a (5.109), então,

$, k=^o
=
p{kT)ô p0S[t) o p0 (5.111)

Combinando (5.110) e (5.111), obtemos o primeiro critério de Nyquist:

= T p 0 -~ < /< o o (5.112)


£ 4 - 7
k—
1 C O R T E S IA
I DA ED ITO R A

Capitulo 5 | TRANSMISSÃO DIGITAL | 243

Este critério estabelece, portanto, que a soma das versões do espec­


tro P{f] deslocado de múltiplos da frequência de amostragem 1/T deve ser
constante.
Embora (5.112) tenha sido deduzida como uma condição necessária, é
possível mostrar que esta é também uma condição suficiente para a obten­
ção de (5.109).
Na figura 5.59 são apresentados dois exemplos de espectros que sa­
tisfazem ao primeiro critério de Nyquist, e os pulsos correspondentes,
p[t) = sinc(í/T) e p[i)= sinc2(í/T).

I> -f>

Figura 5.59 Espectros que satisfazem ao 1a critério de Nyquist, e respectivos pulsos - (a)
espectro retangular; (b) espectro triangular.
244 I PRINCÍPIOS DE COMUNICAÇÕES

Pulso de faixa entre 1/2T e 1A


Para pulsos cujo espectro P[f) é real e cuja faixa está limitada à taxa
de símbolos 1/T, pode-se mostrar que o Critério de Nyquist fica reduzido a

— + /' +P Tpo - l/2 T < f'< l/2 (5.113)


2T J

Por (5.113), para satisfazer ao primeiro Critério de Nyquist, um pulso


de frequência máxima entre 1/2 Te 1/T deve ser sim
frequência 1/ 2T, como indicado na figura 5.60.

Figura 5.60 Ilustração da propriedade de simetria para obtenção do 12 critério de Nyquist.

Pulsos com espectro em cosseno levantado


O espectro de pulso mais utilizado que satisfaz a (5.113) é o definido
por

1 -or
T os|/|s
2T
P{f) = \ (5.114)
T
jl+cos nT \f\
l-ct < \ f \ < 1 +ar
2 oc 2 T~'7'

e sua transformada de Fourier é dada por


Capítulo 5 | TRANSMISSÃO DIGITAL | 245

f t ) cos
p(í) = sinc — (5.115)
[ T j i - [2 at/T)2

A forma de (5.114) sugere o nome cosseno levantado para este espec­


tro, que está ilustrado na figura 5.61, para diversos valores do parâmetro a.
Como podemos observar em (5.114) e na figura 5.61, este parâmetro, conhe­
cido como fator de roll-off, define o excesso de faixa em relação à faixa de
Nyquist 1/ 2T. Por exemplo, a =1 corresponde a um aumento de 100 % em
relação à faixa de Nyquist.
No domínio do tempo, à medida que aumenta o valor de a, diminuem
as amplitudes dos lobos secundários do pulso p[t). Para a = 0, o espectro se
reduz a um espectro retangular e, neste caso, ) = T Sinc(t/T). Para a =1
temos:

(5.116)

Neste caso, o pulso p[t) se anula, não somente nos instantes t = kT, como
também nos instantes t =(2k+l)T/2.
Na prática, a escolha do fator de roll-off é, geralmente, uma solução
de compromisso. Por um lado, seria conveniente escolher o menor valor
possível para minimizar a ocupação de faixa. Por outro lado, espectros com
valores pequenos de a são difíceis de realizar e levam a pulsos com maiores
amplitudes de lobos secundários. Estes pulsos têm o inconveniente de cau­
sar maior interferência entre símbolos quando há um desvio no instante
ideal de amostragem.
Integrando (5.114), pode-se mostrar (Exercício 5.25) que um pulso com
espectro em cosseno levantado tem energia igual a T(l-a/4).
246 I PRINCÍPIOS DE COMUNICAÇÕES

Figura 5.61 Pulso com espectro em cosseno levantado para diferentes valores do fator de
roll-off no domínio do tempo e da frequência.

5.3.3 Largura de Faixa e Interferência entre Símbolos


Pode-se verificar facilmente que a interferência entre símbolos não
pode ser eliminada se a largura de faixa do pulso p[t) for menor do que
1/2 T.Neste caso, como observamos na figura 5.62, a soma das versões des­
locadas do espectro do pulso não pode nunca ser uma constante, pois have­
rá sempre uma faixa de frequências em torno de 1/2 onde o espectro será
nulo. Existe, portanto, uma largura de faixa mínima de um pulso p(f) para
que seja possível a eliminação da interferência entre símbolos. Esta largura
de faixa é chamada de faixa de Nyquist.
Podemos, ainda, verificar, pela simples inspeção da figura 5.62, que o
pulso de largura de faixa mínima terá o espectro retangular definido por

| /|<1/ 2T
P[ f ) = (5.117)
fora

No domínio do tempo, esse pulso corresponde a


Capitulo 5 1 TRANSMISSÃO DIGITAL | 247

ít \
p[t) = p 0sinc (5.118)

-2 n1- / r -1 /2 7 0 1 /2 T 1 /T 2 /7 t

Figura 5.62 Aplicação do 1a critério de Nyquist a um pulso de faixa menor do que 1/27.

Como a faixa do pulso deve estar contida na faixa passante do canal,


a expressão (5.117) estabelece um limite mínimo para a largura de faixa B
do canal, de forma a permitir a eliminação da interferência entre símbolos
em sistemas PAM:

(5.119)

Usando as definições (5.96) e (5.97), obtemos os seguintes limitantes para a


largura de faixa na transmissão digital em banda básica:

B >\R = (5.120)

onde S
R é a taxa de símbolos e R éa taxa de bits.
No caso de sistemas com modulação de amplitude e fase (ASK, PSK e
QAM), a largura de faixa do sinal digital é o dobro da largura de faixa do pul­
so de transmissão em banda básica. Neste caso, a largura de faixa do canal
para eliminação da interferência entre símbolos deverá satisfazer a

B>Rs = ^ (5.121)
248 I PRINCÍPIOS DE COMUNICAÇÕES

Largura de faixa e fator de ro ll-o ff


Considerando que o espectro do pulso usado na transmissão tem a
forma de um cosseno levantado com fator de roll-off a * 0, os limitantes em
(5.120) e (5.121) ficam na forma

B> — (1 + a) (5.122)
2T

Bi (5.123)

Analogamente, para os sistemas PSK e QAM,

B > R = —(1+a) (5.124)


s L

Exemplo 5.11
Aplicando os resultados obtidos anteriormente, chegamos aos seguin­
tes valores para a largura de faixa mínima em uma transmissão a 64 kbit/s
sem interferência entre símbolos:
• PAM-2: 32 kHz
• PSK-2: 64 kHz
• PSK-4: 32 kHz
• QAM-16: 16 kHz

5.4 APÊNDICE: O DIAGRAMA DO OLHO


A interferência entre símbolos é usualmente observada em osciloscó­
pio, através do chamado diagrama do olho. O diagrama do olho é, sim­
plesmente, a figura obtida pela superposição de segmentos do sinal digital
transmitido, correspondentes a intervalos de duração igual ao intervalo de
símbolo T.
Capítulo 5 | TRANSMISSÃO DIGITAL | 249

Exemplo 5.13
Neste exemplo, mostramos a construção do diagrama do olho em uma
transmissão PAM-2 com pulso g[t) retangular de duração T e filtro casado no
receptor. Como a resposta ao impulso do filtro casado é também um pulso
retangular de duração T, o pulso na saída do filtro será um pulso triangular
de duração 2 T,como representado na figura 5.63(a). O sinal digital corres­
pondente é a soma de sucessivos pulsos triangulares, com amplitudes biná­
rias e simétricas, mostrada na figura 5.63(b). O diagrama do olho é formado
pelos segmentos deste sinal, mostrados separadamente na figura 5.63(c). A
superposição destes segmentos na figura 5.63(d) forma o diagrama.

Figura 5.63 Obtenção do diagrama do olho; (a) forma do pulso; (b) sinal PAM; (c) segmentos
do sinal PAM; (d) formação do diagrama do olho.

Em termos matemáticos, o diagrama do olho pode ser visto como o


conjunto das funções amostra do processo aleatório expresso por (5.101),
isto é,

y(t)= S aiP
250 I PRINCÍPIOS DE COMUNICAÇÕES

no intervalo [í0- T/2, f0 + T/2]. Com este enfoque, o diagrama do olho tam­
bém pode ser construído tomando-se como referência o pulso p(f) corres­
pondente à amplitude a0e adicionando-se a ele os pulsos inter
todas as combinações possíveis de suas amplitudes. Este processo está ilus­
trado na figura 5.64 para o mesmo pulso triangular do exemplo anterior.
Considerando t0 = 0, vemos que, no intervalo [- T/2, T/2], os pulsos interfe­
rentes são apenas os dois pulsos vizinhos, o anterior, p[t e o seguinte,
p(f-T). Na figura 5.64, mostra-se a obtenção dos diversos segmentos que
compõem o diagrama do olho, correspondentes a todas as combinações
de amplitudes dos pulsos vizinhos, para uma amplitude positiva do pulso
de referência. Invertendo a amplitude do pulso de referência, obtemos o
mesmo conjunto de segmentos invertidos em relação ao eixo horizontal.
Combinando todos os segmentos, podemos verificar que o diagrama obtido
é o mesmo da figura 5.63.

Figura 5.64 Obtenção do diagrama do olho pelo método analítico.


Capítulo 5 | TRANSMISSÃO DIGITAL | 251

Em um instante t0, o diagrama do olho mostra todos os possíveis valo­


res assumidos pelo sinal digital. Assim, um corte vertical no diagrama do
olho no instante de amostragem permite visualizar todos os possíveis valo­
res na entrada do detetor.
A figura 5.65 mostra uma representação esquematizada do diagrama
do olho de um sistema binário onde o instante de amostragem está indica­
do pela linha tracejada (em geral o instante de amostragem deve coincidir
com o instante de máxima abertura). Estão indicados também o valor máxi­
mo da interferência entre símbolos e a distância mínima entre as amostras
(abertura do olho). Além destas, outras informações importantes sobre o
desempenho do sistema podem ser obtidas através do diagrama do olho,
conforme está ilustrado na figura 5.65. Um olho que se fecha de forma mais
acentuada, quando se afasta do instante ótimo, indica uma maior sensibi­
lidade do sistema a variações no instante de amostragem. A dispersão no
cruzamento do zero é também uma informação de interesse (medida a).

Figura 5.65 Interpretação do diagrama do olho.

5.5 APÊNDICE: OTIMIZAÇÃO CONJUNTATRANSMISSOR-


RECEPTOR
Ao longo deste capítulo, consideramos que o desempenho do receptor
em presença de ruído é maximizado pela utilização de um filtro casado à
forma do sinal que chega ao receptor. Para os sistemas PAM e QAM, cujos
receptores estão representados nas figuras 5.18 e 5.35, isto corresponde a
252 | PRINCÍPIOS DE COMUNICAÇÕES

h[t) = g[t0- t ) (5.125)

onde g(f) é a forma do pulso transmitido (no caso do PAM) ou de sua envol-
tória (no caso do QAM). Fazendo, por conveniência, í0 = 0, e calculando a
transformada de Fourier, temos

H ( f ) = G ' ( f ) (5.126)

Na Seção 5.32, mostramos que a interferência entre símbolos pode ser


anulada se o pulso p(í) no detetor for igual a um pulso de Nyquist q[t), ou
seja, um pulso cujo espectro Q{f] satisfaz (5.112). Para o sistema PAM repre­
sentado na figura 5.54, em um canal com função de transferência ideal, isto
é com C(/) = 1, temos

P [ f ) = G [ f ) H { f ) (5.127)

Portanto, a condição para eliminação da interferência entre símbolos é

G[ f ) H[ f ) = Q[ f ) (5.128)

Para obter, ao mesmo tempo, as duas condições anteriores, ou seja,


filtro casado no receptor, para maximizar o desempenho em presença de
ruído, e pulso de Nyquist no detetor, para eliminar a interferência entre
símbolos, basta satisfazer a (5.126) e (5.128), conjuntamente. Substituindo
(5.126) em (5.128), obtemos

\G[f)\=JÕU) (5.129)

Levando este resultado em (5.126) chegamos a

|H(/)|=VÕ(7T (5.130)

O resultado acima mostra, portanto, que as formas ótimas do espectro de


amplitude do pulso transmitido | G (f) |e da respo
tro de recepção |H(/)| devem ser proporcionais à raiz quadrada de um
espectro que satisfaz ao Ia critério de Nyquist. Em geral, os sistemas de
transmissão digital utilizam o espectro do tipo cosseno levantado definido
em (5.114) e (5.115).
Capítulo 5 1 TRANSMISSÃO DIGITAL | 253

5.6 EXERCÍCIOS
5.1 Os diagramas da figura E5.1 representam um integrador e um filtro
com resposta ao impulso h[t). Mostre que os dois diagramas são equivalen­
tes se h{t) for um filtro casado ao pulso retangular g(t) mostrado na figura,
isto é h(t) = g(f0-f), com f0 = T.

g(t)

Figura E5.1

5.2 Uma transmissão digital binária de mensagens equiprováveis é fei­


ta através dos sinais da figura E5.2. (a) Represente a estrutura do receptor
de mínima distância para estes sinais utilizando filtro casado, amostrador
em t = 2T e detetor de limiar; especifique a resposta ao impulso do filtro
casado e determine o valor do limiar; (b) mostre que a estrutura da figura
E5.2 é equivalente ao receptor ótimo do item (a).

A S2(t)
t=0

s,(t)
Figura E5.2

5.3 Uma transmissão digital binária de mensagens equiprováveis é fei­


ta através dos sinais da figura E5.3. (a) Represente a estrutura do receptor
de mínima distância para estes sinais utilizando filtro casado, amostrador
em t = 2T e detetor de limiar; especifique a resposta ao impulso do filtro
casado e determine o valor do limiar; (b) mostre que a estrutura mostrada
na figura E5.3 é equivalente ao receptor ótimo do item (a).
254 I PRINCÍPIOS DE COMUNICAÇÕES

A^JË t=0 : x (0 )
„ r it )
f!
t L 2x(7>x(0)-x(2 T)
t~T : x (T ) >0

t - 2 T :x ( 2 7 V
J-------- ------ ►
7 27 t

Figura E5.3

5.4 Mostre que o diagrama da figura E5.3 também pode ser usado para
fazer a deteção ótima em um sistema de transmissão usando o par de sinais
da figura E5.4 correspondente ao código Manchester.

s2(t)
s,(t)
A A

0 T 27" í
-A

Figura E5.4

5.5 Considere que uma transmissão digital é feita com os sinais da


figura E5.5 e que a deteção destes sinais é feita com base nas amostras co­
lhidas na saída x(f) de um integrador cuja entrada é o sinal recebido, como
representado na figura, (a) Mostre que as amostras de x(í) nos instantes
0, Te 2Trepresentadas por x(0), x^T) e x (2 são suficientes para se fazer
a deteção ótima; (b) sabendo que os valores das amostras são x(0) = 0,4;
x(Tj = 0,3; x(2Tj = 0,9, qual será a decisão ótima neste caso, Sj s2ou s3?
A
3,(0 s3(0

0 27 t 0 27 f

-A
s 2(t)
A

K t) x (t)

0 7 27 t dt

-A

Figura E5.5
Capítulo 5 I TRANSMISSÃO DIGITAL | 255

5.6 Mostre que, para um determinado valor da energia média Es, a


energia do sinal diferença pode ser maximizada, escolhendo s2(í) = -

5.7 Em uma transmissão PAM quaternária, é transmitido um pulso re­


tangular de duração 0,2 ms com amplitudes ± 2 e ± 6 mV. (a) Calcule a
energia média transmitida; (b) determine os possíveis valores amostrados
na saída do filtro casado do receptor ótimo na ausência de ruído.

5.8 Considere um sistema ASK onn


o de os sinai
s2(í) = 2 cos [2n f ct) 0 < < 0.1 ms e s^í)

O receptor é o receptor ótimo da figura 5.28 (a) onde h[t), a resposta ao im­
pulso do filtro, é dada por

|l 0 < f < 0,lms


'H o fora

(a) Calcule a energia média; (b) determine o valor do limiar; (c) suponha
que há um erro de 30° na fase do oscilador local; qual deverá ser o aumento
da energia média dos sinais para compensar este erro e manter a mesma
distância entre os possíveis valores amostrados?

5.9 Um sistema de transmissão digital tem as seguintes características: mo­


dulação PSK-4; taxa de bits: 5 000 it/;sfrequência de porta
b
(a) Supondo que a envoltória é constante em [0,7] e que a energia média dos
sinais transmitidos é igual a 2 x 10 4 J, faça um gráfico das 4 possíveis formas
de onda, indicando o valor das amplitudes.

5.10 Em um sistema PSK-8 é transmitida, usualmente, uma portadora


com fases iguais a /,8 3ji/ 8,..., 157t/8. Suponha agora que as fases
n
mitidas são 0, 2n/8, 4n/8,..,147t/8. Modifique então o receptor de mínima
distância da figura 5.43 de modo que ele continue a operar adequadamente:
(a) alterando o detetor de limiar; (b) alterando o bloco tg_1; (c) sem alterar os
dois blocos dos itens (a) e (b). Justifique as modificações.

; ; i;5 • ■■ ■ ■ $

Ä Ü Ü ■: •M
256 I PRINCÍPIOS DE COMUNICAÇÕES

5.11 Uma transmissão digital com taxa de 10 kbit/s é feita com modula­
ção PSK-4. Sabe-se que a envoltória da portadora é constante e a energia mé­
dia dos sinais na entrada do receptor é 2 x 10~4 J. O receptor é o da figura 5.37
onde h[t) é um filtro casado cujo ganho é unitário na frequência / = 0,
isto é, |H(0) |=1. (a) Determine analítica e graficamente a resposta ao impul­
so do filtro casado h(t), sabendo que o instante de amostragem é = 0,4 ms.
(b) determine a menor distância entre dois sinais no espaço de deci­
são; (c) repita o item (b), considerando os sistemas QAM-16 e PSK-8,
com seus respectivos receptores representados nas figuras 5.37 e 5.43,
respectivamente.

5.12 Considere o modelo de receptor de um sistema QAM-16 mostra­


do na figura 5.35, onde h[t) = Kg{t0-t), sendo g(f) a forma da envoltória na
entrada do receptor, a qual é suposta retangular de amplitude unitária, (a)
Sabendo que a taxa de bits é igual a 100 kbit/s, que a energia média na en­
trada do receptor é de 5 x 10"4 J e que os limiares de deteção são fixados em
0 e ± 2mV, determine o valor adequado da constante K. (b) Repita o cálculo
para um pulso g(t) de espectro igual à raiz quadrada de um cosseno levan­
tado definido pela expressão 5.112.

5.13 Um sistema QAM-16 é transmitido com taxa de 100 kbit/s e tem


envoltória constante dentro de um intervalo de transmissão T. (a) determi­
ne a energia média que deve ter este sinal na entrada do receptor de míni­
ma distância, sabendo que os limiares de deteção são fixados em 0 e ± 2 mV
e que a resposta ao impulso do filtro casado no receptor da figura 5.35 tem
energia unitária.

5.14 (a) Mostre que uma condição suficiente para que as funções g(f)
cos(2ji/ cí)
e g(f)sen(27i/cí) sejam ortogonais é que

G( f ) *G( f ) |
/=±2/c = 0

(b) Mostre também que esta condição é suficiente para se verificar as


igualdades
Capítulo 5 | TRANSMISSÃO DIGITAL | 257

í
J - oo
g 2[)tc o s 2(2 tt f ct)d =
J - oo
f g 2(f)sen2 (2= -jj-
Z

5.15 Mostre que, se g(f) for um pulso retangular no intervalo [0, T], uma
condição suficiente para a ortogonalidade entre os sinais e
g( t ) sen[ 2nf t ) é f = 1 / ( 2 T).

5.16 Mostre que, se g(í) for um pulso retangular de duração T, é possí­


vel obter ortogonalidade entre duas portadoras FSK, independentemente
das fases 05 e 02, com separação de frequência

; i

onde k é um inteiro.

5.17 Considere uma transmissão FSK binária com os sinais

SiU)=g(f) cos (27z£ í +0J


&(£) = g[t) cos (2 +O2)

onde g[t) é um pulso retangular de amplitude unitária em [0,T] e / e


f 2» 1 /T.Para cada um dos casos a seguir, determine a diferença de fase
que torna os sinais ortogonais, e a diferença de fase ótima, ou seja, aquela
que leva à maior distância entre os sinais: (a) {f2 - / J = 1/T; (b) {f2 - / J = 1/
(2T );(c )(f2- / 1) = 0.

5.18 Considere uma transmissão FSK binária com os sinais

sdf)=g(t)cos {2nfxt+e)
sz(í) = g[t) cos [2nfit +6)

onde g(í) é um pulso retangular de amplitude unitária em [0,Tj e /, e


f 2» 1/T. Determine o valor de A/ = / 2 - , que maximiza a distância entre
os sinais e, com isso, o desempenho da transmissão; compare este resultado
com aquele correspondente a sinais ortogonais.
258 | PRINCÍPIOS DE COMUNICAÇÕES

5.19 Um sinal FSK de fase contínua é gerado através de uma modulação


FM, onde o sinal modulador é um sinal PAM binário com pulso retangular
de duração igual ao intervalo de bit(NRZ) com amp
e taxa de 1 kbit/s. Sabe-se também que a constante de sensibilidade, do
modulador FM é igual a 1 kHz/volt e a frequência da portadora é 50 kHz.
Supondo uma sequência de amplitudes +5, -5, -5, +5 e +5: (a) faça o gráfico da
frequência da portadora modulada ao longo do tempo; (b) faça o gráfico do
desvio instantâneo de fase ao longo do tempo.

5.20 Considere o sistema DPSK definido na Seção 5.2.4. (a) Suponha


um sistema quaternário onde as fases associadas a cada par de bits são

00: /r/4, 01: 3/r/4, 10 - zr/4, 11 -3/r/4

Sabe-se que foram observados os seguintes valores sucessivos de rk e rk

00: /r/4, 01: 3/r/4, 10 - /r/4, 11 - 3 /r/4

(a) Determine a sequência de bits detetados a partir da segunda transmis­


são; (b) sabendo que a fase inicial da portadora na primeira transmissão é
0, e supondo que não haja erro na deteção, determine a sequência de fases
da portadora transmitida.

5.21 Em um sistema PAM-2 simétrico, o pulso gerado no transmissor é


retangular de duração 0,5 ms e o filtro de recepção é casado, (a) Determine
a máxima taxa de bits para transmissão sem interferência entre símbolos;
(b) desenhe o diagrama do olho observado na entrada do detetor, sabendo
que o sistema opera com taxa de transmissão de 1,25 kbit/s.

5.22 Um sinal com modulação PAM binária, com amplitudes ak= ± 1 e


com um pulso g[t] retangular de amplitude unitária em [0,T] é transmitido
através de um canal com resposta ao impulso c(f) = 8(f) + 0,3 8( f - + 0,1
8{t-2T), onde Té o intervalo de símbolo. Supondo que o filtro de recepção
não altera os sinais: (a) calcule os valores possíveis de interferência entre
símbolos no instante 2 ; (b) desenhe o diagrama do olho.
/
T
t=

t.;.
; 5.23 Um junal;PAMr2 simétrico chega à entrada do detetor com pulso

■; \ é- ■:
*, V •' * .. • I 1 ’

> ‘K l '\'l.!
......
-fr - : v .
v-; ■ m
■' ' . • t)
Capitulo 5 I TRANSMISSÃO DIGITAL | 259

1+COS T <t < T


p[t) = vT )
0 fora

onde T é o intervalo de símbolo.


(a) determine as possíveis formas assumidas pelo sinal PAM-2 no intervalo
[0,T]; (b) determine os valores possíveis da interferência entre símbolos e a
distorção absoluta nos instantes f = 0 e í = T / 4 .

5.24 Um sistema PAM binário de amplitudes ±1 opera com pulso de


transmissão na entrada do detetor da forma p[t) = Sinc(f/T) onde o inter­
valo de símbolo, (a) Para uma taxa de transmissão de 10 kbit/s, determine
o valor máximo da interferência entre símbolos, provocada por um atraso
de 0,01 ms no instante ótimo de amostragem (considere apenas os 4 termos
mais significativos); (b) calcule a distorção absoluta correspondente e ve­
rifique se o olho estará fechado; (c) repita os itens a e b considerando um
sistema PAM-8 e uma taxa de 30 kbit/s.

5.25 Calcule, em função do fator de roll-off, a energia: (a) de um pulso


com espectro P(/) igual à raiz quadrada de um cosseno levantado dado por
(5.112); (b) de um pulso com espectro P{f] igual a um cosseno levantado
dado por (5.112).

5.26 No sistema PAM-4 representado na figura E5.26, a taxa de trans­


missão é de 19 200 bit/s e os pulsos na saída do modem são retangula­
res. Sabendo que a largura de faixa a ser usada na transmissão é igual a
7 200 Hz, especifique as respostas de amplitude dos filtros de transmissão
e recepção |H ff] | e |HR{f] | para que o sistema opere com filtro casado no
receptor e sem interferência entre símbolos.
260 PRINCÍPIOS DE COMUNICAÇÕES

Figura E5.26
6
Ruído em Sistemas de Comunicações

A transmissão de sinais de comunicações à longa distância pode ser


perturbada por diversos fatores. Como observado no início do Capítulo 3,
um fator importante é a distorção provocada nos sinais pelo fato de o meio
de transmissão não apresentar uma resposta de frequência plana, o que
é denominado distorção linear. Além deste, outros fatores podem trazer
dificuldades à recepção adequada das mensagens, como a interferência
de outros sinais ou distorções não lineares provocadas por amplificadores.
Porém, a principal perturbação em uma transmissão a longa distância é a
adição de sinais ruidosos gerados nos equipamentos do sistema de recep­
ção, denominados simplesmente ruído.
Todos os componentes eletrônicos que integram um sistema de trans­
missão analógico ou digital geram, espontaneamente, tensões e correntes
elétricas aleatórias, de intensidade muito reduzida. Estas se somam às ten­
sões ou correntes associadas aos sinais usados na comunicação. A intensi­
dade extremamente reduzida do ruído gerado nos componentes faz com
que sua influência seja desprezível no transmissor, onde as tensões e cor­
rentes associadas aos sinais de comunicação são relativamente elevadas.
Porém, o mesmo não ocorre no receptor, onde, devido à atenuação no ca­
nal, o sinal chega geralmente com baixa intensidade, da mesma ordem de
grandeza do ruído. Portanto, embora presente no transmissor dos sistemas
de comunicações, o ruído só é considerado no receptor.
262 | PRINCÍPIOS DE COMUNICAÇÕES

Neste capítulo, apresentamos inicialmente uma caracterização mate­


mática do ruído como um processo aleatório, e em seguida, uma visão mais
prática.

6.1 CARACTERIZAÇÃO MATEMÁTICA DO RUÍDO


As medidas do ruído nos componentes eletrônicos mostram que o ruído
se comporta, geralmente, como um processo aleatório Gaussiano de média
nula estacionário em sentido amplo e com densidade espectral de potência
aproximadamente constante para uma faixa de frequências entre zero e um
valor bastante elevado, acima das frequências utilizadas na transmissão dos
sinais de comunicações. Com base neste resultado, o ruído é geralmente mo­
delado como um processo aleatório w{t) Gaussiano de média nula e função
densidade espectral de potência dada por

s w(f) = - j - (6.1)

onde N0 é uma constante. Em consequência, sua função autocorrelação é


dada por

Rw[T) = E[w[t)w{t + T)] = ^ -õ (T ) (6.2)

onde E éo símbolo de valor esperado e <5(t) é a função impulso. Por analo­


gia com o espectro da cor branca que contém componentes de frequência
de todas as cores, o ruído com as propriedades acima é denominado Ruído
Branco.
De acordo com as propriedades da função densidade espectral de po­
tência, podemos fazer as seguintes interpretações de (6.1).
• o ruído branco tem a mesma intensidade em qualquer faixa do
espectro de frequências;
• a potência total do ruído branco dada por
Capítulo 6 | RUÍDO EM SISTEMAS DE COMUNICAÇÕES | 263

Pw= \ ~ S w{f)d f (6.3)


J —co

é infinita.
• a potência do ruído branco em uma faixa de frequências [f1( f j , 1
dada por

Pn = f ' f' s w[f )d f+f h Sw(6.4)

Este cálculo está ilustrado na figura 6.1.

ák S .W
I I! N 0/ 2 1i iI
II I i1 i

1 m 1
n
1
*
m á i1 i
m --------------------- ►

B
Figura 6.1 Densidade espectral de potência do ruído branco.

De acordo com as propriedades da função autocorrelação, podemos


interpretar (6.2) da seguinte forma: os valores do ruído branco ao longo
do tempo são sempre descorrelacionados, por mais próximos que sejam os
instantes considerados. Em outras palavras, conhecendo o valor do ruído
branco em um determinado instante, nada se pode dizer quanto a seu va-

O espectro de frequências definido na transformada de Fourier abrange todos os números


reais, ou seja, a faixa [-oo, oo]. Porém, a especificação de uma faixa de frequências é ge­
ralmente feita apenas para valores positivos, ficando sub-entendido que a faixa delimitada
pelos valores negativos fica automaticamente .especificada. Isto se expliça pelo fato de
que todo sinal real tem transformada dçTõúríer simétricá. Portanto, ao especificarmos a
faixa I
como l
264 I PRINCÍPIOS DE COMUNICAÇÕES

lor em um instante futuro, por mais próximo que seja. Em resumo, o ruído
branco é completamente imprevisível.
As propriedades do ruído branco relacionadas acima, em particular o
fato de o ruído branco ter potência infinita, mostram que se trata de um si­
nal idealizado que não existe fisicamente. Na realidade, como mencionado
no início do parágrafo, a densidade espectral de potência do ruído obser­
vado nos componentes eletrônicos se mantém constante para uma faixa
de frequências bastante grande, mas decai para valores muito elevados de
frequência, fora da faixa usual das comunicações. Como em todo receptor
existe um filtro que seleciona apenas a faixa de frequências de interesse, a
faixa de frequências onde o ruído branco (idealizado) difere do verdadeiro
ruído é eliminada, não havendo, portanto, nenhum problema em usar a
representação dada por (6.1) e (6.2).

6.1.1 Ruído Branco Filtrado


Como acabamos de comentar, o ruído branco, adicionado ao sinal,
sempre sofrerá a ação dos filtros existentes nos receptores. Assim, é con­
veniente analisar as modificações provocadas no ruído branco ao passar
pelos filtros. Para isto usaremos as seguintes propriedades dos processos
aleatórios Gaussianos e estacionários em sentido amplo:
• se o sinal de entrada em um sistema linear for um processo
aleatório Gaussiano, o sinal de saída também será um processo aleatório
Gaussiano;
• se o sinal de entrada x(f) em um sistema linear com função de
transferência {f) for um processo aleatório estacionário em sentid
H
amplo com função densidade espectral de potência Sx{f), o sinal de saí­
da y(f) também será um processo aleatório estacionário em sentido am­
plo com densidade espectral de potência dada por

Sy [f) = Sx (f)\H[f)\2(6.5)

Esta propriedade está ilustrada na figura 6.2


Capitulo 6 | RUÍDO EM SISTEMAS DE COMUNICAÇÕES | 265

X(t) y(t)

SJf) S y ( f ) = S x (f) |H (Oj2

Figura 6.2 Filtragem de processos aleatórios estacionários em sentido amplo.

Função densidade de probabilidade de uma amostra do ruído filtrado


Os resultados acima permitem determinar uma expressão geral para
a função densidade de probabilidade de uma amostra de ruído branco
Gaussiano filtrado por um filtro qualquer, com função de transferência H(f).
Para isso, devemos notar que a função densidade de probabilidade de um
processo aleatório x(t) Gaussiano, estacionário em sentido amplo, de média
nula, em um instante qualquer t, é dado por

( 6 . 6)

onde a2é a variância de x(t), isto é,

(6.7)

onde E representa o valor esperado e Rx[t) é a função autocorrelação de


x(t). Ou seja, como o processo tem média nula, a variância em um instante
qualquer é igual à potência do processo. Note, ainda, que

R M -r s jm ( 6 .8 )

Com base nesses resultados, podemos escrever a seguinte expressão para a


função densidade de probabilidade da amostra de ruído na saída do filtro
H(f), como indicado na figura 6.3:
266 I PRINCÍPIOS DE COMUNICAÇÕES

X2
p»w r a —J ln a (6.9)

onde

( 6. 10)
Z, J —co

w(t)

SJf)=NJ2
H (f)
n(f)
y
"
n(t0)

Figura 6.3 Amostra de ruído filtrado.

Note que, aplicando a propriedade de Parseval, temos, alternativamente,

° '2=pj7 = - v í (6.11)
Z J —CO

Ruído branco passa-baixa


Considere um filtro passa-baixa ideal de faixa B ilustrado na figura 6.4 (a).
Um ruído branco ao passar por este filtro apresenta a função densidade es­
pectral de potência mostrada na figura 6.4 (b). Observamos que a potência do
ruído filtrado é dada por

Pn=N0B (6 .12)
Capítulo 6 | RUÍDO EM SISTEMAS DE COMUNICAÇÕES [ 267

á iH (f)
1
(a)

-B 0 B : f

N 0/ 2

(b)

-B 0 B f "

Figura 6.4 (a) Filtro passa-baixa ideal; (b) Densidade espectral de potência de um ruído
branco passa-baixa

Aplicando a transformada de Fourier à densidade espectral de potên­


cia da figura 6.4 (b) obtemos a expressão da função autocorrelação de um
ruído branco passa-baixa

Bn(r) = iN0B) Sinc (6.13)

Ruído branco passa-faixa


Considere um filtro passa-faixa ideal de faixa B ilustrado na figura 6.5(a).
Um ruído branco, ao passar por este filtro, apresenta a função densidade es­
pectral de potência mostrada na figura 6.5(b). Nesse caso, a potência do ruído
filtrado é dada por

Pn=N0B (6 .14)
268 I PRINCÍPIOS DE COMUNICAÇÕES

i
1 mo
(a) 1

< < f ,; f

i . S„(0 v B
(b)
N /2

____ i____
U £ £ f '

Figura 6.5 (a) Filtro passa-faixa ideal; (b) Densidade espectral de potência de um ruído
branco passa-faixa

Aplicando a transformada de Fourier à densidade espectral de potên­


cia da figura 6.5 (b), obtemos a expressão da função autocorrelação de um
ruído branco passa-faixa dada por

fln(r) = [N0B) Sinc[B


r) cos (2;r/cfi

Largura de Faixa Equivalente de Ruído


Entre outras definições de largura de faixa de um filtro, pode-se definir
Largura de Faixa Equivalente de Ruído de um filtro de função de transfe­
rência H(f) como a faixa de um filtro ideal que produza a mesma filtragem.
Isto é , para um mesmo ruído branco de entrada, a potência do ruído de
saída deve ser a mesma para os dois filtros. Como, para um ruído branco de
densidade espectral de potência N0/2, a potência na saída de um filtro ideal
é dada por N0B, e na saída de um filtro qualquer é dada por (6.10), temos:

V V o = Z^ Jf—V
oo ( / ) | 2#
(6.16)
Capitulo 6 | RUÍDO EM SISTEMAS DE COMUNICAÇÕES | 269

Chegamos, assim, à seguinte expressão para a faixa equivalente de ruído

B^ = i f l " < / ) | 2# (6.17)

Exemplo 6.1
Considere o sistema da figura 6.3, onde iv(f) é um ruído branco
Gaussiano de média nula, com densidade espectral de potência igual a 10'8
W/Hz e a função de transferência do filtro H[f), mostrada na figura 6.6(a),
é dada por

H [f) =\
0 fora

onde T = IO-4 s. Deseja-se determinar a probabilidade de que a amostra do


ruído na saída do filtro, n(f0), seja maior do que 20 mV.
Aplicando (6.5), obtemos a densidade espectral de potência do ruído
n(f), mostrada na figura 6.6(b). A potência de n{t) pode ser calculada através
de (6.10) ou, alternativamente, através de (6.16) e (6.17). Temos, então, para
o filtro especificado neste exemplo,

Este resultado está ilustrado na figura 6.6(c), onde se observa que a área
sob o quadrado da função de transferência H[f) é igual à mesma área obti­
da com um filtro ideal (retangular) de largura de faixa 1/(2T). Levando em
(6.16) e substituindo os valores numéricos, obtemos:
270 | PRINCÍPIOS DE COMUNICAÇÕES

Como iv(í) é um processo aleatório Gaussiano de média nula, n(t) tam­


bém é um processo Gaussiano de média nula. Utilizando (6.9), podemos
escrever

'V_
P[n(í0) > v ] Jv e 70 dX Q
?

onde Q é a função erro complementar definida por

f°° 1 —
Q{a) = ~ r = e 2 dX
Ja <sj27C

Notando que V = 2 x 10'2 e a2= Pn= IO-4, chegamos a

p [n «0) > v ] = Q(2)

(a)

(b)

(c)

Figura 6.6 Ilustração para o cálculo da largura de faixa equivalente do Exemplo 6.1.
Capitulo 6 | RUÍDO EM SISTEMAS DE COMUNICAÇÕES | 271

6.1.2 Decomposição de um Ruído Passa-Faixa


Além da filtragem nos receptores, outro processamento importante é
a demodulação, especialmente a demodulação de sistemas QAM mostrada
na figura 6.7, onde 6é a fase dos osciladores locais e h0(í) é a re
impulso de um filtro passa-baixa. Em geral, na entrada deste demodulador,
há um filtro passa-faixa H[f), cuja função é selecionar apenas o espectro de
interesse, ou seja, a faixa ocupada pelo sinal transmitido. Desta forma, o ruí­
do branco adicionado ao sinal também sofrerá a mesma filtragem. Supondo
que o filtro passa-faixa é ideal, o ruído na saída deste filtro, n[t), será um
ruído branco passa-faixa, como representado na figura 6.5.
A análise do processamento do ruído através do receptor QAM apre­
senta dificuldades teóricas pelo fato de a multiplicação do ruído pelas por­
tadoras locais resultar em processos não estacionários, a não ser que a fase
destas portadoras seja modelada como uma variável aleatória uniforme e
estatisticamente independente do ruído. Neste caso, pode-se obter, sem di­
ficuldade (ver Exercício 1 deste capítulo), a densidade espectral de potência
dos ruídos n jí) e n2[t), representados na figura 6.7.

n,(t) = Vi nc(t)

nXt) = 1/2 n (t)

Figura 6.7 Demodulador de um sistema QAM.


272 I PRINCÍPIOS DE COMUNICAÇÕES

Um artifício amplamente utilizado na análise do ruído demodulado


consiste em expressar o ruído branco passa-faixa n(f), bem como qualquer
processo aleatório passa-faixa2*de média nula, da seguinte forma:

n[t) = nc(f) cos(2^ fc t + 0) - (6.18)

onde nc(t) e ns(t) são dois processos aleatórios estacionários em sentido am­
plo, de média nula, denominados, respectivamente, componente em fase
e componente em quadratura, cujas transformadas de Fourier das funções
autocorrelação e correlação cruzada (espectros de potência) são assim
definidas:

(6.19)

s „ ( / ) - s „ U ) - > [ s ; u - /c )- + (6.20)

onde

JW > /< » JW ) /> o


(6.21)
S" ( / ) “ io / >o S” < / ) ' j o / <0

Decorrem das definições acima as seguintes propriedades:

/Ç M -íÇ M (6.22)

(6.23)

A obtenção de (6.19) e (6.20) está ilustrada na figura 6.8(a) para um processo


aleatório n(t) com densidade espectral de potência qualquer, e na figura 6.8(b)
para um ruído branco passa-faixa, com a frequência no meio da faixa. Neste
caso, como se mostra na figura,

2 Um processo aleatório passa-faixa é um processo aleatório estacionário em sentido


amplo cuja densidade espectral de potência só é diferente de zero em uma faixa de fre­
quências relativamente pequena em torno de uma frequência relativamente alta.
Capítulo 6 | RUÍDO EM SISTEMAS DE COMUNICAÇÕES | 273

Nn
V / ) = saV (/) = (6.24)
fora

Figura 6.8 Densidade espectral de potência das componentes em fase e em quadratura (a)
para um processo aleatório passa-faixa qualquer; (b) para um ruído branco passa-faixa.
274 I PRINCÍPIOS DE COMUNICAÇÕES

Para mostrar a validade da representação, calculamos inicialmente a


função autocorrelação Rn[tv t2) = £'[n(t1)n(2)] com n[t) dado por (6.18), ou
seja,

j y t i .y = (2Jtfc\ + 0) - n^senilTcf^ + ^)][^U2)cos (2nfc ^ + 0) - ns{t1)sen{2Kfct2 + 0)]}

Desenvolvendo e aplicando as propriedades dadas por (6.22) e (6.23), che­


gamos a

#
RJt^, t2) = Rn (r )cos {2nfcr}- f^(T)sen(2 (6 2 5 )

onde t = t2-tr Aplicando propriedades da Transformada de Fourier e as defi­


nições (6.19) e (6.20), verificamos que

(r) cos{2ttf f ) - fin^(r)sen(2^/ct ) o (6 26)

validando, portanto, a representação.

Propriedades
Observando as funções densidade espectral de potência das figuras
6.5(b) e 6.8(b), verificamos a seguinte propriedade: o ruído passa-faixa e
suas componentes em fase e em quadratura têm a mesma ; ou seja,

Notando, com auxílio da figura 6.8, que no caso do ruído branco


passa-faixa,

Snif-/ c) = Sn
+( / + / c) (6.28)

e observando (6.20), verificamos que Sn n (/) = (/) = 0 e, portanto


Rn n( t ) = Rn (nt ) = 0, o que significa que as componentes em fase e em qua­
dratura são estatisticamente independentes.
Capítulo 6 | RUÍDO EM SISTEMAS DE COMUNICAÇÕES | 275

Ruído demodulado
Com a representação através das componentes em fase e em quadratu­
ra, podemos obter uma expressão geral para os dois sinais de saída do de-
modulador da figura 6.7 quando a entrada é um ruído passa-faixa. Para isto,
observemos que, para n(t) dado por (6.18), os sinais u(t) e v(t) representados
na figura 6.7 são dados por

u(í) = jn c[t)+ ±n c[t)cos[4n:fct + 20)- (6.29)

v(f) = $n s[ t ) - |ns(í)cos(4 n fct+ 20)- jn c[t)sen[4xfct+20) (6.30)

Como o segundo e o terceiro termos do lado direito das equações


(6.29) e (6.30) são sinais de alta frequência, situados na faixa em torno do
dobro da frequência da portadora, estes termos são eliminados pelo filtro
passa-baixa, resultando, então,

i\[t)=±nc{t)*h[t) (6.31)

n2[t) = ±ns(t)*h{t) (6.32)

Demodulação com filtro passa-baixa ideal


Se h(t) for a resposta ao impulso de um filtro passa-baixa ideal, com
faixa maior ou igual a B/2, então os ruídos não serão alterados pelo filtro,
e assim,

n1[t) = \ n c (t) (6.33)

n2[ t ) = j n s[t) (6 .34)


276 I PRINCÍPIOS DE COMUNICAÇÕES

Consequentemente, de acordo com (6.27), as potências do ruído demodu-


lado pelo demodulador QAM, com filtro passa-baixa ideal, são dadas por

p =p = íjv „B
r n2 4 iy 0n
r ní (6.35)

Potência do ruído demodulado com filtro passa-baixa qualquer


De acordo com (6.31) e (6.32), a densidade espectral de potência dos
ruídos demodulados njt) e n2(t) podem ser expressas, genericamente, por

(/) “ V / ) “ ÍV / ) lH[f)|2 (6.36)

Observando a figura 6.8, e supondo que H{f) = 0 para |/| > 2, podemos
escrever

Sni( /) = Sn2( /) = { N j m f ) | 2 (6.37)

(6.38)
4 J — oo

Função densidade de probabilidade de uma amostra de ruído


demodulado
Considerando que o ruído na entrada do demodulador QAM é um ruí­
do branco Gaussiano, podemos mostrar que as componentes em fase e em
quadratura, nc(f) e ns[t], bem como os ruídos na saída do demodulador, n jf) e
n2(í), são também processos aleatórios Gaussianos de média nula. Podemos,
então, escrever, analogamente a (6.9), para uma amostra de n^í) ou n2[t)
tomada em um instante í0,

x2

P*hVo)[X]= P*hW{ X ) = ~ j ^ e (6.39)


Capítulo 6 | RUÍDO EM SISTEMAS DE COMUNICAÇÕES | 277

onde a2é igual à potência de nc(f) ou ns{t) dada por (6.38) ou, alternativa­
mente, por

(6.40)

Exemplo 6.2
Neste exemplo, vamos analisar o processamento de um ruído pelo siste­
ma de recepção representado na figura 6.9, onde/c = 1 250 kHz e w(í) é um ruí­
do branco Gaussiano, com densidade espectral de potência igual a 1015W/Hz.
Desejamos calcular: (a) a potência do ruído na saída do filtro Hfl(/);
(b) a densidade espectral de potência do ruído n jf) na saída do filtro H0[f);
(c) a variância de uma amostra qualquer do ruído n^f).

w(t) n '(t) n,(t)


» 1 H'(fi |--------->(g)----------► (0 *-

2cos(2jtftí+0)

HR(f) H0(f)
5 2

1200 1300 K H z) --11 0 0 10 f(K H z)

Figura 6.9 Diagrama de blocos do receptor do Exemplo 6.2.

(a) Aplicando (6.5), temos

25x10'15 1200<|/|<1300
0 fora
Pn-=25 x 2 x 10'15 x 100 x 103= 5 x 10'9 W
278 | PRINCÍPIOS DE COMUNICAÇÕES

(b) Aplicando (6.24), obtemos a densidade espectral de potência da com­


ponente em fase do ruído, nc[t).

J2x25xl015 |/|<50
S , (/ ) -
[o fora

Usando (6.31), sem o fator 1/2, uma vez que, neste caso, a portadora local
do demodulador tem amplitude igual a 2, podemos escrever

Jii(f) = nc(

e, consequentemente,

V / ) = S4 (/)|H0( / ) f

O gráfico está mostrado na figura abaixo. Note que o efeito do filtro é multi­
plicar por 4 a densidade espectral de potência de nc(t) e reduzir a ocupação
espectral.

-10 0 10 f(KHz)

(c) A variância de uma amostra qualquer do ruído é igual à sua potên­


cia, que pode ser calculada integrando-se a densidade espectral de potência.
Integrando a função da figura, obtemos:

O2= Pnl = 2 x 10'13x 20x10a= 4 xlO'9W

6.2 CARACTERIZAÇÃO DO RUÍDO NOS RECEPTORES


Como observado na introdução deste capítulo, o ruído é constituído
pelas flutuações aleatórias das tensões e correntes nos componentes eletrô­
nicos e, embora existente nos transmissores, só é relevante nos receptores,
onde pode ter a mesma ordem de grandeza dos sinais.
Capítulo 6 | RUÍDO EM SISTEMAS DE COMUNICAÇÕES | 279

A determinação precisa das características do ruído gerado pelos di­


versos dispositivos que integram os receptores é uma tarefa complexa, e
não é o objetivo deste texto. Será apresentado aqui o modelo relativamente
simples, usualmente empregado nos projetos de engenharia, baseado em
aproximações das propriedades do ruído e dos circuitos elétricos.

6.2.1 Ruído nos Resistores


A partir de experimentos realizados com resistores, chegou-se ao se­
guinte resultado: um resistor de resistência R (Q), a uma temperatura T
(Kelvin) apresenta em seus terminais, espontaneamente, uma tensão va­
riável ao longo do tempo, u(í), com densidade espectral de potência dada,
aproximadamente, por

Sv( f ) = 2KTR-, |/|</„ (6.41)

onde

K = 1,38 x 1 o "3

é a constante de Boltzman, e / é uma frequência muito elevada, acima da


faixa utilizada nos sistemas de comunicações. Ou seja, um resistor gera
espontaneamente um ruído que é aproximadamente um ruído branco. Pela
dependência direta da temperatura, este ruído passou a ser chamado de
ruído térmico.
Estudos semelhantes, feitos para o ruído gerado por outros compo­
nentes eletrônicos, levam a resultados mais complexos, e não diretamente
dependentes da temperatura. Mas, em geral, esses ruídos se comportam
também, aproximadamente, como um ruído branco.
A partir da caracterização do ruído gerado pelos componentes indi­
vidualmente, é necessário um modelo que permita determinar a potência
total do ruído que se adiciona ao sinal. Para isto, considera-se que: (i) em um
receptor, os dispositivos se conectam com casamento de impedância; (ii) a
potência de interesse é a potência efetivamente dissipada na carga casada.
280 I PRINCÍPIOS DE COMUNICAÇÕES

Ruído térmico dissipado na carga casada


A figura 6.10 mostra um circuito equivalente de um resistor para levar
em conta a geração do ruído. Neste circuito, o resistor real é substituído por
um resistor ideal (que não gera ruído) em série com uma fonte de ruído que
representa o ruído gerado pelo resistor real. Fechando este circuito com
uma carga casada, que neste caso é um resistor de resistência R, verifica­
mos que a tensão nesta carga casada é igual a

x(í) =v(f)/2 (6.42)

Portanto, observando (6.42) e (6.41), podemos escrever a densidade espec­


tral de potência de x (í) como

S , ( / ) - - i S v( / ) " £ f a (6.43)

Note que a potência fornecida pela densidade espectral de potência de um


sinal x (f) corresponde à potência dissipada por uma tensão x ( f ) em um re­
sistor de resistência unitária. Lembrando que a potência dissipada por uma
tensão x em um resistor de resistência R é igual a x 2/R, a função densidade
espectral de potência que fornece a potência dissipada por uma tensão x (í)
em um resistor de resistência R, é dada por

S0( / ) = ^ S X( / ) (6.44)

Substituindo (6.43) em (6.44), obtemos

so(/) = ^ - (6.45)

Verificamos, portanto, que a potência dissipada nacarga casada, pelo


ruído gerado em um resistor, só depende datemperatura deste resistor -
independe de sua resistência.
Capítulo 6 I RUÍDO EM SISTEMAS DE COMUNICAÇÕES | 281

Figura 6.10 Modelo para caracterização do ruído térmico.

6.2.2 Temperatura Equivalente de Ruído e Fator de Ruído


De forma a simplificar a modelagem do ruído nos receptores, criou-se
um modelo que consiste em caracterizar todos os componentes geradores
de ruído através de uma temperatura equivalente de ruído definida como
a temperatura de um resistor que dissipa a mesma potência de ruído que
aquela dissipada pelo dispositivo, considerando sempre que, tanto o resis­
tor como o dispositivo, estão conectados à carga casada.
Isto significa que, para efeito de ruído, um dispositivo de uma porta,
cuja densidade espectral de potência de ruído dissipado na carga casada
é S0{f) = C, pode ser substituído por um resistor de resistência qualquer a
uma temperatura T que satisfaz a

(6.46)

A equivalência está ilustrada na figura 6.11

Figura 6.11 Conceito de temperatura equivalente para dispositivo de 2 portas.


282 I PRINCÍPIOS DE COMUNICAÇÕES

O conceito de temperatura equivalente se aplica também a um disposi­


tivo de 2 portas. Considere um conjunto formado por um dispositivo de
1 porta, ligado a um dispositivo de 2 portas Da e este a uma carga casada,
como representado na figura 6.12. Vamos definir o ganho G do dispositivo
Dacomo a razão entre a potência de ruído dissipada nos terminais de saída
(carga casada) e a potência de ruído dissipada nos terminais de entrada.
Considerando que o dispositivo de entrada tem temperatura de ruído
e está ligado também com casamento de impedância, a potência de ruído
dissipada nos terminais de entrada do dispositivo Da é dada por

Si if)= - J i (6.47)

Assim, a potência de ruído dissipada nos terminais de saída (carga casada)


é expressa por

GKT,
S0if)-- —

Usando o conceito de temperatura equivalente, toda a potência do ruído


gerado pelo dispositivo Da, e dissipado na carga casada, é levada em conta,
adicionando um valor Taà temperatura equivalente T. do dispositivo D. de
entrada e passando a considerar o dispositivo Da como sem ruído. Ou seja,
a densidade espectral de potência disponível na saída do conjunto pode ser
escrita como

GKjTj+TJ
Soif) (6.49)
2

Podemos, então, definir a temperatura equivalente do dispositivo de 2 por­


tas como
Capítulo 6 | RUÍDO EM SISTEMAS DE COMUNICAÇÕES | 283

Consequentemente, a densidade espectral de potência disponível na entra­


da do dispositivo (sem ruído) será
KT
Sei f ) ---- (6.51)

e, na saída,
KT
S0[f) = G -^ -(6.52)

A temperatura equivalente de um dispositivo de duas portas é, portanto, a


temperatura de um resistor que, colocado na entrada do dispositivo, consi­
derado agora sem ruído, dissipa na carga casada o mesmo ruído total veri­
ficado antes.

Figura 6.12 Temperatura equivalente de um dispositivo de 2 portas.

Fator de ruído
Define-se fator de ruído F do dispositivo Da como

Splf)
(6.53)
GSj{f)

onde S0(f) é a densidade espectral de potência do ruído total dissipado na


carga casada ao conjunto; S.[f)é a densidade espectral de p
do dissipado na carga casada ao circuito de entrada; e é o ganho do dis­
positivo. Substituindo (6.47) e (6.52) em (6.53) chega-se a

(6.54)
T,
284 I PRINCÍPIOS DE COMUNICAÇÕES

Usando (6.50), podemos escrever também

F (6.55)

Por esta definição, obviamente, F > 1.


Observando (6.55) verificamos que o fator de ruído de um dispositivo
não depende apenas do dispositivo, pois mede a contribuição do dispositi­
vo para o ruído total, relativa ao ruído de entrada. Portanto, ao especificar­
mos o fator de ruído de um dispositivo, é necessário especificar também o
ruído de entrada. Já a temperatura de ruído do dispositivo, só depende do
próprio dispositivo, observadas as condições de casamento de impedância.
A definição de fator de ruído padronizada pelo IEEE considera um ruído de
entrada com temperatura de 290 K.

Razão sinal-ruído e fator de ruído


Ao longo desta seção, desenvolvemos um modelo para avaliar a potên­
cia de ruído nos dispositivos que constituem os receptores dos sistemas de
comunicações. É óbvio que, junto com o ruído, o sinal desejado também
será processado pelos mesmos dispositivos. Ou seja, em todos os diagramas
anteriores o sinal de entrada é, na realidade, a soma do sinal desejado s(t)
com o ruído n.(t), como representado na figura 6.13. Podemos definir, en­
tão, a razão sinal-ruído na entrada do receptor como

RSRi~ 7T (6.56)

Usando a densidade espectral de potência dada por (6.47) e considerando


uma largura de faixa B do arranjo considerado, temos

RSRj=
Ps (6.57)
KTjR
Capitulo 6 | RUÍDO EM SISTEMAS DE COMUNICAÇÕES | 285

Da mesma forma, podemos definir uma razão sinal-ruído na saída.


Observando que o sinal desejado não deve sofrer alterações, a não ser os
ganhos ou atenuações dos dispositivos, e aplicando (6.52), temos

Ps
KTeB (6.58)
^ GKTeB

Verificamos, então, que

RSBj r8
RSRq Tj (6.59)

Ou seja, o fator de ruído corresponde ao fator de degradação da razão sinal


ruído ao passar por um dispositivo. Note, porém, que o fator de ruído em
(6.59) se refere ao ruído que realmente está entrando no dispositivo, e não
ao ruído padrão de temperatura 290 K.

s(í)+n.(í) s0(í)+n0(í
*

Figura 6.13 Modelo do receptor com sinal e ruído.

Temperatura equivalente de ruído de um atenuador


Um atenuador é um circuito de 2 portas, puramente resistivo, que
pode ser representado por 3 resistores conectados em Y, como mostrado
na figura 6.14. A seguir, vamos determinar a temperatura equivalente deste
circuito, quando conectado a um circuito de entrada e a uma carga, ambos
com casamento de impedância. Como estamos interessados em determinar
a temperatura equivalente de ruído do atenuador, e esta não depende do
circuito de entrada (desde que se mantenha o casamento de impedância),
podemos analisar o problema substituindo o circuito de entrada por um re-
sistor de resistência R.,àmesma temperatura T dos demais resisto
que, para manter o casamento de impedância, deve ser igual à resistência
286 PRINCÍPIOS DE COMUNICAÇÕES

de entrada do atenuador, da mesma forma que R0 deve ser igual à resistên­


cia vista dos terminais a-b. Assim, podemos reduzir o modelo da figura 6.14
ao modelo simplificado da figura 6.15. Este, por sua vez, corresponde ao
modelo básico da figura 6.10, através do qual chegamos a

(6.60)

Ro
Ri

Figura 6.14 Circuito do atenuador para cálculo da temperatura equivalente.

Figura 6.15 Circuito equivalente do atenuador.

Por outro lado, aplicando ao atenuador a expressão (6.49),3correspon­


dente ao modelo da figura 6.12, e igualando a (6.60), obtemos

3 Note que, como todos os resistores estão à temperatura T, = T em (6.49).


Capitulo 6 | RUÍDO EM SISTEMAS DE COMUNICAÇÕES | 287

KT GK{T+Ta)
(6.61)

onde éoganho do atenuador. Desenvolvendo esta expressão, chegamos a


G

(6.62)

onde T é a temperatura ambiente. Como no atenuador o ganho é menor do


que 1 , é mais usual expressar (6.62) em termos da atenuação L, definida
como o inverso do ganho, isto é,

TQ= (L -l)T (6.63)

onde

(6.64)

Temperatura e fator de ruído em um conjunto com vários elementos


Quando se tem uma cadeia de dispositivos conectados com casamen­
to de impedância, como ilustrado na figura 6.16, devemos lembrar que a
contribuição dos dispositivos A e A2 é levada em conta por resistores equi­
valentes de temperaturas Tal e Ta2 colocados na entrada de cada um deles.
Por outro lado, o ganho entre a entrada de A, e a saída do conjunto é GjG.,,
enquanto o ganho entre a entrada de A2 é G2. Assim, podemos escrever

(6.65)

Igualando a (6.52), observando que o ganho G naquela expressão é o ganho


do conjunto, ou seja, o produto dos ganhos GjG^ e simplificando a equação,
obtemos
288 I PRINCÍPIOS DE COMUNICAÇÕES

Te = Ti + Tal + i a2 ( 6 . 66 )
G1

T+T,

Figura 6.16 Elementos em cadeia - modelo para determinação da temperatura equivalente.

O desenvolvimento acima pode ser estendido a um número qualquer


de dispositivos, obtendo-se a seguinte expressão geral para a temperatura
equivalente de uma cadeia com n dispositivos:

a2 La3
Te-Tt + T ** (6.67)
G1 Gi Q Gi>i

Supondo que os diversos dispositivos são especificados pelo fator de ruído,


podemos obter a temperatura equivalente de ruído de cada dispositivo ex­
plicitando Ta em (6.55), isto é,

Ta = Ti (F -l) (6.68)

Aplicando a todas as parcelas de (6.67) (exceto a primeira, obviamente),


obtemos
Capitulo 6 | RUÍDO EM SISTEMAS DE COMUNICAÇÕES | 289

t}( f - i) t;( f3 - i) , ^(jg - 1)


r.-3?+7»(J$- í + + ... + (6.69)
G, Q Gi Gz 0,-1

Substituindo em (6.54), chegamos a

(F - 1) (F3- l ) (F„-l)
F = F, + — --- i + 1-2— - + - (6.70)
G1G2 G^ Gj Gj,^

Analisando as expressões (6.67) e (6.70), verificamos que a tempera­


tura equivalente de ruído, ou o fator de ruído, do primeiro elemento, en­
tram integralmente na composição do resultado, enquanto os elementos
seguintes têm sua temperatura, ou fator de ruído, atenuados pelos ganhos
dos elementos anteriores. Assim, uma estratégia típica nos receptores é o
emprego de um amplificador de baixo ruído logo após a antena, seguido de
dispositivos mais ruidosos.
O cálculo da temperatura equivalente, Te, de um conjunto de dispositi­
vos permite reduzir este conjunto ao modelo da figura 6.12, onde a densida­
de espectral de potência do ruído de entrada é dada por (6.47), e a do ruído
total na saída, por (6.52).

Exemplo 6.3
Neste exemplo vamos analisar uma cadeia de recepção constituída de
antena, cabo e amplificador, como representado na figura 6.17, com as se­
guintes especificações:
• temperatura ambiente: 290 Kelvin;
• temperatura equivalente de ruído da antena: 80 Kelvin;
• atenuação do cabo: 6 dB; fator de ruído do amplificador: 3 dB;
• ganho do amplificador: 20 dB; largura de faixa de referência: 200
kHz.

Desejamos calcular:
(a) a potência de ruído na saída da antena, do cabo e do amplificador;
(b) a razão sinal-ruído na entrada do cabo e na saída do conjunto, sabendo
que a potência do sinal na entrada dos terminais da antena é igual a
-70 dBm;
290 I PRINCÍPIOS DE COMUNICAÇÕES

(c) a razão sinal-ruído na saída de um novo arranjo onde a posição do


cabo é trocada com a do amplificador;
(d) o fator de ruído do conjunto cabo e amplificador, nos 2 arranjos
considerados.

atenuação = 6 dB
- O G anho - 2 0 dB
Fator de ruído * 3

Figura 6.17 Cadeia de recepção.

(a) A potência em cada ponto é dada por GKTB, onde Te é a temperatura


equivalente de ruído, e G, o ganho do conjunto de dispositivos até este
ponto. Temos então, na saída da antena,

Te = Tj= 80 Kelvin; G = l;
P = 1,3 8 x l 0 '23x 80 x 200 xlO 3= 2,208 X10‘16

Na saída do cabo:

G - 0,25
TAe = 7 + 71al
aj

onde

7q = [L- 1) 7 = (4 - l ) x 2 9 0 = 870
Pn~ 0 ,2 5 x 1 ,3 8 x 1 0 23X(8 0 + 8 7 0 ) X 2 0 0 x l 0 3= 0 ,6 5 5 x 10'15

Na saída do amplificador:

G = 0 ,25 X 100 = 25

re= :ç + V ir
Gi

onde

Ti + 7^ = 950
TÜ2 = ( F - l) 7 = (2 - l ) x 290 = 290
G1 = 0,25
Capítulo 6 | RUÍDO EM SISTEMAS DE COMUNICAÇÕES | 291

Calculando
290
T =950 + ------=2110
0,25
Pn= 25 x 1,38 X 10'23 x 2110 x 200 x 103 = 1,456 x 10'13

(b) A razão sinal-ruído em cada ponto pode ser calculada pela expressão

Ws
RSR=
KTeB

Para cada um dos casos, obtemos:

IO'10
RSR= 0,451X10®
2,218 X10'16
0,25 X10'10
RSR = 0,381X105
0,655 X10’15
25X1CT10
RSR= 0,172xl05
1.456X10'13

(c) Trocando a posição do cabo com o amplificador, temos, na saída do


conjunto,
G = 100x0,25 = 25
\ = 2 90

Tn =870
Gj = 100
1 870
T0 = T + T„+ _?L = 80 + 290 +-----= 378,7
q Gx 100
r,-23 ,
P =25 Xl,38 X 10 X 378,7 X 200 X 10J = 2,613 X 10'■14
-10
RSR= 25x10 _ =0,957x10*
2,613X10'
292 I PRINCÍPIOS DE COMUNICAÇÕES

(d) Aplicando (6.54), obtemos os seguintes valores para o fator de ruído


referido à temperatura de 290 Kelvin:

2110
= 7,27
290
378,7
1,34
. 290

6.2.3 Modelo Equivalente do Receptor


É usual analisar o comportamento de um receptor em presença de ruí­
do através do modelo mostrado na figura 6.18, onde s(t) é o sinal que chega
à entrada do receptor, atenuado pelo canal, e n(t) é o ruído equivalente do
receptor, de acordo com a metodologia usada neste capítulo. Isto é, o ruído
n(t) concentra todas as contribuições de ruído geradas nos diversos ele­
mentos do receptor (antena, cabos, amplificadores, etc.), de tal forma que o
ruído total na saída do receptor, resultante de todas estas contribuições, é o
mesmo produzido pelo ruído n(t) colocado na entrada de um receptor ideal
onde os elementos não geram ruído. Aplicando (6.51), temos

(6.71)

onde T é a temperatura equivalente do receptor. Usando as propriedades e


a notação introduzida neste capítulo, o ruído n(t) é caracterizado como um
ruído branco Gaussiano com densidade espectral de potência

(6.72)
2 2
ruído branco
n(í)

*- Receptor

sinal s(f)
Figura 6.18 Modelo básico de um receptor em presença de ruído branco aditivo.
C G RTE3ÍA
, DA EDITORA
Capítulo 6 | RUÍDO EM SISTEMAS DE COMUNICAÇÕES | 293

6.3 EXERCÍCIOS
6.1 Defina o processo aleatório y(í) = x[t) cos (2 nf0t + 6), onde x(t) é um
processo aleatório estacionário em sentido amplo com função autocorrela-
ção Rx{ t) e 6 é uma variável aleatória uniformemente distribuída no inter­
valo [0 , 27 t], estatisticamente independente de x(t). (a) mostre que a função
autocorrelação de y(f) é dada por Ry(r) =
Sx{f]= j [Sx{f - f 0) + Sx [f+ f0j\, onde Sx(f) e Sy(f) são as densidades espectrais
de potência de x(t) e y(t), respectivamente.

6.2 Considere um ruído branco passa-baixa, Gaussiano, com densida­


de espectral de potência igual a 2x l 0 10 W/Hz na faixa de 0 a 10 kHz. (a) de­
termine a expressão da função densidade de probabilidade de uma amostra
deste ruído tomada no instante t = 0 ; (b) determine a expressão da função
densidade de probabilidade conjunta de duas amostras deste ruído toma­
das nos instantes t =0 e t =0.05 ms; (c) calcule
diferença entre as amostras tomadas em = 0 e 0.02 ms ultrapasse a 2 mV.

6.3 Considere um ruído branco passa-faixa com densidade espectral


de potência igual a IO'12 na faixa de 90 a 110 kHz. Determine as densidades
espectrais de potência e as potências dos ruídos demodulados no receptor
QAM da figura 6.6 com os seguintes valores da frequência de portadora (a)
f c = 100 kHz; (b )/c = 90 kH z;/c = 95 kHz; considere que hg[t) representa um
filtro passa-baixa ideal.

6.4 Calcule a largura de faixa equivalente de ruído dos seguintes fil­


tros, cujas larguras de faixa de 3 dB são iguais a B:

(a) Cosseno Levantado dado por

0 <|/|< —
11 2
t f ( / ) = CL( / ) =
1í nT 1- a
—ll+cos |/|- 2T
a 2T 1 1 2T
2I
(b) Raiz quadrada de Cosseno Levantado
(c) RC: h[t) = ae^uit)
294 I PRINCÍPIOS DE COMUNICAÇÕES

6.5 Em uma modelagem simplificada da transmissão telefônica através


da linha do assinante, o receptor pode ser modelado como mostrado na
figura E6 .5 , onde está representada a densidade espectral de potência do
sinal de voz, Ss(J) e a função de transferência do filtro passa-baixa, H{j) para
/;> 0 (ambas as funções são pares).
w(t)

s(t)
H(f)
► e-

100 300 3400 4000 f (hz)

Figura E6.5

(a) sabendo que o ruído branco tem densidade espectral de potência


igual a 1 0 13 W/Hz. e a potência do sinal de entrada é igual a -40 dBm, deter­
mine a razão sinal-ruído na saída do filtro; (b) sabe-se que o ouvido humano
praticamente não altera as características do sinal de voz, mas tem um efei­
to seletivo sobre o ruído, que equivale à passagem deste ruído por um filtro;
tomando para este filtro a função de transferência Hg(f) da figura, calcule o
aumento na razão sinal-ruído devido a esta filtragem (denominada ponde­
ração psofométrica).

6.6 Repita o item (c) do Exemplo 6.2 com

H0(/) = ;0 <|/| <104


J
Capítulo 6 | RUÍDO EM SISTEMAS DE COMUNICAÇÕES | 295

6.7 A figura E6.7 representa um sistema de recepção constituído de an­


tena, cabo e amplificador. Sabe-se que a temperatura de ruído da antena é de
80 K, que o cabo está a uma temperatura ambiente de 300 K e que sua atenu­
ação é 6 dB; o amplificador tem ganho de 20 dB e fator de ruído igual a 3 dB.
(a] Deseja-se calcular a potência de ruído na entrada e na saída do sistema,
considerando uma largura de faixa de 200 kHz; (b) sabendo que a razão
sinal-ruído nos terminais da antena é igual a 30 dB, deseja-se obter a
razão sinal-ruído na saída do cabo e na saída do amplificador.

cabo
Ganho = 20 dB
atenuação = 6 dB
Fator de ruído = 3 dB

Figura E6.7
____________
7
Desempenho de Sistemas AM e FM
em Presença de Ruído

Os fundamentos da modulação analógica - AM e FM - foram apresen­


tados no capítulo 4, incluindo as técnicas de geração da portadora modula­
da a partir da mensagem, e as técnicas de recepção.
A operação do receptor é prejudicada pela introdução do ruído pro­
veniente dos componentes eletrônicos. Este ruído, descrito e analisado no
capítulo 6 , deve ser mantido em um nível reduzido para permitir uma re­
produção de boa qualidade da mensagem transmitida.
Em geral, procura-se analisar o desempenho de um sistema de modu­
lação analógica com base no modelo simplificado e idealizado de receptor
mostrado na figura 7.1 , o qual é reduzido a três elementos: filtro passa-faixa
ideal, demodulador e filtro passa-baixa.
298 I PRINCÍPIOS DE COMUNICAÇÕES

ruído branco
n(í)
(a)
•©
sinal s(í)

H(fí
i i 1
(b)

_____ 1______
< 0 f
c
f

HJf)
i i
1
(O

-w 0 w f
Figura 7.1 Modelo de um receptor em presença de ruído com fitros ideais, (a) diagrama de
blocos; (b) filtro passa-faixa; (c) filtro passa-baixa.

A filtragem é uma operação obrigatória, cuja finalidade básica é eli­


minar o ruído fora da faixa de interesse. Na entrada do receptor, o sinal
ainda está modulado e ocupa uma região do espectro de frequências em
torno da frequências da portadora. Assim, a filtragem deve ser passa-faixa.
Após a demodulação, a faixa de interesse é a faixa ocupada originalmente
pela mensagem transmitida que, tipicamente, é uma região de frequências
baixas.
Na realidade, as filtragens podem ser o resultado da operação de mais
de um dispositivo, cujo objetivo é aproximar as funções de transferência
ideais, representadas nas figuras 7.1 (b) e 7.1 (c). Além das filtragens, pode
haver também, no receptor, a operação denominada conversão de frequên­
cia, explicada na Seção 3.1.6.
Capítulo 7 | DESEMPENHO DE SISTEMAS AM E FM EM PRESENÇA DE RUÍDO | 299

Com base no modelo da figura 7.1, são definidos os seguintes


parâmetros:
• Ps:potência do sinal na saída do filtro passa-faixa;
• Pn : potência do ruído na saída do filtro passa-faixa. De acordo com
(6.14):

Pn = N0BT (7.1)

Razão sinal-ruído na entrada do demodulador:

RSRr f
Ps Ps (7.2)
*■ n N0Bt

• Psq: potência do sinal na saída do filtro passa-baixa;


• Pn
o:potência do ruído na saída do filtro passa-baixa;
• Razão sinal-ruído na saída do receptor:

(7.3)

A razão sinal-ruído na saída do receptor, RSR0, é o parâmetro que de­


fine a qualidade da reprodução da mensagem transmitida no seu destino.
Obviamente, quanto maior o seu valor, melhor é a qualidade da transmis­
são. Porém, para avaliar corretamente o desempenho do sistema de trans­
missão, os valores dos demais parâmetros do sistema devem ser levados em
conta. O cálculo dos parâmetros de desempenho para os principais tipos de
modulação descritos no Capítulo 3 será apresentado a seguir.

7.1 SISTEMA AM-DSB-SC


As expressões do sinal e dos parâmetros do sistema AM-DSB-SC estão
apresentadas no quadro 3.1. A potência transmitida é dada por

Ps =\%Pm (7.4)
300 I p r in c íp io s d e c o m u n i c a ç õ e s

e a largura de faixa de transmissão, por


2W (7.5)

RSR: = (7.6)
4 N0W

14%
RSR0 = (7.7)
p„

Para determinar a potência do ruído na saída do demodulador coeren­


te, podemos usar o desenvolvimento feito na Seção 6 .1.2 . Podemos verificar
que o ruído n0(t), demodulado pelo demodulador AM-DSB-SC, é o ruído
nt(t) representado na figura 6.7, cuja potência é dada por (6.35), onde a fai­
xa B, no nosso caso, é a faixa de transmissão BT= 2W. Temos, então,

(7.8)
Substituindo em (7.7), obtemos:

RSRq = (7.9)
INqW

Observando (7.4), podemos escrever:

RSRn = — (7.10)
° N0W

0x
R S R n
i RSR.

Uma forma usual de ilustrar o desempenho dos receptores em pre­


sença de ruído é determinar a relação entre RSR0 e RSR.. Para o sistema
AM-DSB-SC, observando (7.6) e (7.9), temos:
Capítulo 7 | DESEMPENHO DE SISTEMAS AM E FM EM PRESENÇA DE RUÍDO | 301

RSR0 = 2xR SR . (7.11)

7.2 SISTEMA AM-SSB


As expressões do sinal e dos parâmetros do sistema AM-SSB estão
apresentadas no quadro 3.3. A potência transmitida é dada por

GiS
Ct?

(7.12)
I

e a largura de faixa de transmissão, por


£
ocT

(7.13)
II

Substituindo em (7.2) e (7.3), temos:

nr-Tj _ A: ín
(7.14)

RSR0 = 16 (7.15)
P
A)

Foi mostrado na Seção 3.1.3 que o demodulador do sistema AM-SSB


é o mesmo do sistema AM-DSB-SC. Podemos então usar, aqui também, a
expressão (6 .35 ) para determinar a potência do ruído demodulado. Neste
caso, porém, B= BT= T
. emos, então,
W

=I V (7.16)

Substituindo em (7.15), obtemos:

RSR0 (7.17)
4N0W
302 I PRINCÍPIOS DE COMUNICAÇÕES

Observando (7.12), concluímos que

(7.18)

R S R 0 x
Para o sistema AM-SSB-SC, comparando (7.17) e (7.14), vemos que

RSR0 = RSRj (7.19)

Observando (7.11) e (7.19), verificamos que, para um mesmo valor de


RSR., o sistema AM-DSB-SC apresenta um valor de RSR0 duas vezes maior
do que aquele observado no sistema AM-SSB. Isto pode sugerir que o siste­
ma AM-DSB-SC tem um desempenho duplamente melhor do que o sistema
AM-SSB. Porém, observando (7.10) e (7.18), verificamos que, para um mes­
mo valor da potência transmitida Ps e do nível de ruído N0, o valor de RSR0
é o mesmo em ambos os sistemas. Na realidade, no sistema AM-SSB, para
um mesmo valor de Ps e N0, a razão sinal-ruído na entrada do demodulador
será o dobro daquela observada no sistema AM-DSB, por causa da menor
largura de faixa (W no SSB, e 2W no DSB).

7.3 SISTEMA AM
As expressões do sinal e dos parâmetros do sistema AM estão apresen­
tadas no Quadro 3.2. A potência transmitida é dada por

(7.20)

e a faixa de transmissão, por

Bt = 2W (7.21)
Capitulo 7 | DESEMPENHO DE SISTEMAS AM E FM EM PRESENÇA DE RUÍDO | 303

Substituindo em (7.2), temos:

(7.22)
4N0

Diferentemente do demodulador coerente, o detetor de envoltória


apresenta um comportamento não linear, ou seja, para determinar o sinal
demodulado em presença de ruído não podemos calcular separadamente
as parcelas relativas ao sinal e ao ruído, sendo necessária uma análise con­
junta. Para isso, vamos escrever a expressão do sinal na entrada do detetor
de envoltória adicionado ao ruído - expresso através de suas componentes
em fase e em quadratura, como em (6.18).1 Isto é,

x(f) ^Ackam(t)cos(27rfct)+Accos[27tfct) + nc(t)cos[2írfct)- n,(í)sen(2/r£f) ( 7.23 )

Agrupando os termos, temos:

x(f) = [Ac+Ackam[t)+ x^(f)]cos(2;rjk t) - ns(f)sen(2;r^í) (7.24)

A envoltória de x(f) é dada por

e(f) = a/(A c +Ackam[t) +nc(f) f + [ns( t ) f (7.25)

e pode ser obtida graficamente através de fasores, como representado na


figura 7.2. Podemos observar pela figura que, se a componente em quadra­
tura do ruído, ns(t), for pequena, relativamente à amplitude da portadora,
Ac, podemos fazer a seguinte aproximação:

e(í) =Aç +Ackam[t) + nc [t) (7.26)

1 Os resultados obtidos no capítulo 6 mostram que as propriedades da decomposição em


fase e quadratura não dependem da fase da portadora. Para simplificar o desenvolvimento
é conveniente, então, fazer G=0.
304 I PRINCÍPIOS DE COMUNICAÇÕES

Figura 7.2 Diagrama de fasores para o detetor de envoltória.

Como os ruídos nc(f) e ns[t) têm a mesma potência que o ruído passa-
faixa n(f), a condição para usar a aproximação em (7.26) é que a razão sinal-
ruído de entrada RSR.seja relativamente elevada, não havendo, ent
um valor preciso para caracterizar esta situação.
Podemos observar que, com a aproximação em (7.26), o comportamen­
to do detetor de envoltória é linear, distinguindo-se no sinal de saída a par­
cela correspondente ao sinal,2Ackam[t), cuja potência é dada por

ps0(t) = (7.27)

e a parcela correspondente ao ruído, nc[t), cuja potência é igual à potência


do ruído n(f) na entrada do demodulador, dada por 2N0W. Assim, a razão
sinal-ruído na saída do receptor fica com a seguinte expressão:

RSR0 (7.28)
2N0W

Multiplicando e dividindo (7.28) por Ps, aplicando (7.20) e simplificando a


expressão, obtemos:

2 Como observado na Seção 3.1.2, a constante Ac é eliminada através de um circuito ade­


quado.
Capítulo 7 | DESEMPENHO DE SISTEMAS AM E FM EM PRESENÇA DE RUÍDO | 305

\
RSR0 Ps
(7.29)
N0W ,1+ ka Pm
7

Sinal Modulador Senoidal


No caso em que m(t) é um sinal senoidal, dado por

m[t) = Amcos[2n fmt) (7 .30 )

temos

Pm =\K i (7.31)

e, consequentemente,

l4 Pm =^{kaAmY (7.32)

Usando a definição de índice de Modulação introduzida em (3.19) e substi­


tuindo em (7.29), obtemos

(7.33)
N0W 2

Observando que 0 < ju á 1, podemos concluir que o maior valor de RSR0 é


conseguido com m = l e , neste caso,

RSR0 (7.34)

Limiar de Recepção
As expressões de RSR0 no sistema AM foram obtidas com a suposição
de uma razão sinal-ruído RSRjelevada na entrada do demodul
o detetor de envoltória. Na realidade, ocorre no detetor de envoltória o cha­
mado efeito limiar, que consiste em uma queda brusca da qualidade do
306 I PRINCÍPIOS DE COMUNICAÇÕES

sinal demodulado à medida que a razão sinal-ruído diminui a partir de um


determinado valor. Este valor, representado por RSRL, é denominado razão
sinal-ruído de limiar. Em outras palavras, no detetor de envoltória, a
razão sinal-ruído na saída do receptor diminui na mesma proporção que a razão
sinal-ruído de entrada, até um ponto em que o sinal demodulado passa a
experimentar distorções severas pela presença excessiva do ruído. A partir
deste ponto, não são mais válidas as expressões dadas por (7.29), (7.33) e
(7.34). Portanto, estas expressões só se aplicam se

RSRí = i ^ : - RSRl (7-35)

Valores típicos de RSRLestão em torno de 10 dB.

R S R n x RSR

Dividindo (7.29) por (7.22), obtemos a seguinte relação entre RSR0 e


RSR.1

RSRo = (7.36)

Para um sinal modulador senoidal, resulta

2fi2
RSR0 RSRj (7.37)
2+ n 2
e, em particular, para /i = 1,

RSRo =^RSRj (7.38)


Ó

Na figura 7.3 são apresentados os gráficos da relação RSR0 x RSR., ex­


pressos em dB. Note, para o sistema AM, a queda brusca de RSR0a partir da
razão sinal-ruído de limiar, RSRL.
Capítulo 7 | DESEMPENHO DE SISTEMAS AM E FM EM PRESENÇA DE RUÍDO | 307

Figura 7.3 Gráfico RSR0 * RSRj para os sistemas com modulação de amplitude.

7.4 SISTEMA FM
O sinal e os parâmetros do sistema AM estão expressos no Quadro 3.4.
A potência transmitida é dada por

Ps = • (7.39)

e a faixa de transmissão, por

BT = 2(Af+W) (7.40)

onde

A f = £|max|m(í)| (7.41)

Substituindo em (7.2), temos:

(7.42)
N 0Bt 2N 0(
308 I PRINCÍPIOS DE COMUNICAÇÕES

Assim como o detetor de envoltória, o demodulador FM apresenta,


também, um comportamento não linear, exigindo que a análise do receptor
envolva, conjuntamente, sinal e ruído. Uma análise rigorosa do receptor FM
é bastante complexa e, para simplificá-la, vamos supor que a razão sinal-ruí­
do é elevada na entrada do demodulador. Com esta hipótese, podemos con­
siderar que o receptor é aproximadamente linear, permitindo a aplicação do
princípio da superposição, da seguinte forma:
(i) a potência do sinal demodulado será calculada sem a presença do ruí­
do; sua expressão é a mesma do quadro 3.3, isto é,

Psd=kf Pm(7.43)

(ii) a potência do ruído demodulado, Pn0, será calculada sem a presença


do sinal modulador; portanto, nesta análise, o sinal de entrada será a
portadora FM, sem modulação, adicionada ao ruído decomposto em
suas componentes em fase e em quadratura, como em (6.18), isto é,

x(f) = 4,cos[2;r^,f]+ i^it)cos(27rfc t)- ns(í)sen(2^j^t) (7.44)

Agrupando os termos, temos

x(f) = [Ac + nc{t)]cos{2Jtfc t) - n.(f)sen(2;r£í) ( 7.45 )

Usando a forma idealizada do receptor FM mostrada na figura 3 .34 ,


podemos escrever, para o sinal na saída do diferenciador,

1 dm
fld(f)“ (7.46)
2/r dt
onde <f>(t)é a fase instantânea da portadora. No caso do sinal expresso por
(7.45), esta fase é dada por

- ^ (fl
<t>{t)=tg1 (7.47)
Ac+
A figura 7.4 ilustra a obtenção de 0(t).
Capitulo 7 | DESEMPENHO DE SISTEMAS AM E FM EM PRESENÇA DE RUÍDO | 309

A seguir, duas aproximações adicionais serão adotadas com base na


hipótese de razão sinal-ruído elevada na entrada do demodulador. Como
esta hipótese implica em Ac» n jt) e Ac» n s(t), podemos fazer

-
</>{t) = tg 1
A A
(7.48)

Substituindo em (7.46), temos

1 )
(7.49)
2 nAc dt

Figura 7.4 D ia g ra m a de fasores para o b te n ç ã o d o ru íd o na sa íd a do d e m o d u la d o r FM .

Usando a Propriedade 9 da Transformada de Fourier, dada por (2 .59 ),


e o conceito de Função de Transferência introduzido na Seção 2 .5 .3 , po­
demos interpretar nd(t) como o ruído na saída de um sistema linear cuja
função de transferência é dada por

1
Hd( / ) - j* * f = - j-L (7.50)
2jtAc

Com isso, o ruído demodulado pode ser interpretado como o ruído na saída
do sistema linear da figura 7.5

nxt)
H A f)

Figura 7 .5 sistem a e q u iva le n te ao p ro ce ssam e n to d o ru íd o no d e m o d u la d o r FM .


310 | PRINCÍPIOS DE COMUNICAÇÕES

Notando ainda que

V /) -V /) | H d ( /) » o ( /) f (7-51)

e que a densidade espectral de potência das componentes em fase e em


quadratura de um ruído branco passa-faixa, com densidade espectral de
potência N0/ 2 , é dada por (6.24), obtemos:

\f\<W
(7.52)
Fora

Esta função está mostrada na figura 7.6. Assim, finalmente, a potência do


ruído demodulado é calculada através de

(7.53)

Figura 7 .6 D e n sid a d e e sp ectra l d e p o tê n cia do ru íd o na saíd a do recep to r FM .

Observamos, na figura 7.6, que o ruído na saída do demodulador FM


tem uma densidade espectral de potência que aumenta com a frequência,
afetando mais as componentes de alta frequênca da mensagem, diferen­
temente do que ocorre nos outros sistemas, onde a densidade espectral
Capítulo 7 | DESEMPENHO DE SISTEMAS AM E FM EM PRESENÇA DE RUÍDO | 311

de potência é constante. Como observamos em (7.53), a potência de ruí­


do aumenta com o cubo da faixa da mensagem W, tornando mais difícil a
transmissão de mensagens de faixa larga. Como veremos na Seção 7.4 .1, a
técnica da Pré-ênfase permite contornar este problema.
Usando (7.43) e (7.53), chegamos a

RSR0= (7.54)
2 N0 W3

Observando (7.39), temos, alternativamente,


\
'3 k}Pm
fíSf?o = (7.55)
N0W
7

Limiar de Recepção
Como no sistema AM, a demodulação do sistema FM também expe­
rimenta o efeito limiar, caracterizado pela queda brusca da qualidade do
sinal demodulado à medida que a razão sinal-ruído de entrada diminui, a
partir de um determinado valor, RSRL, denominado razão sinal-ruído de
limiar. Ou seja, as expressões (7.54) e (7.55) só são válidas se for verificada
a condição dada por (7.35).
Analisando (7.55), podemos verificar que a Razão Sinal-Ruído na saída
do demodulador, a qual determina a qualidade de recepção no sistema FM,
melhora com a potência da portadora, Ps, e piora com o aumento do nível
de ruído, expresso por N , o que acontece em todos os sistemas. Porém, na
mesma expressão, vemos que é possível aumentar RSR0, aumentando o fa­
tor kf e, observando (7.40) e (7.41), verificamos que aumentar a constante k
corresponde a aumentar a faixa de transmissão Br Concluímos, portanto,
que no sistema FM é possível aumentar a razão sinal-ruído na saída do de­
modulador, aumentando a largura de faixa de transmissão Br
Por outro lado, de acordo com (7.35), aumentando Br diminui a razão
sinal-ruído na entrada do demodulador, o que pode violar a condição de
limiar. Esta condição estabelece, portanto, um limite na capacidade de sis­
tema FM melhorar seu desempenho pelo aumento da faixa de transmissão.
312 j PRINCÍPIOS DE COMUNICAÇÕES

Sina! Modulador Senoidal


Para um sinal m(t) senoidal, dado por

m[t) cos (7.56)

onde f m >W, temos

(7.57)

Por outro lado, aplicando (7.41),

4/ “ */■A„ (7.58)

e, substituindo este resultado em (7.57), obtemos, então

(7.59)

Aplicando (7.59) em (7.55), chegamos a

3A / 2 >
RSR0 = (7.60)
N0W 2W“
>

0 x RSRi
RSRa
Dividindo (7.60) por (7.35), obtemos a seguinte relação entre RSRg e
RSR:1

3kjPmBT
RSRq = RSRj (7.61)
IV3

Para sinais senoidais, aplicando (7.59) e (7.40), podemos reescrever (7.61)


como

3A/2(A/ + W)
RSR0 = RSRj (7.62)
w3
Capítulo 7 | DESEMPENHO DE SISTEMAS AM E FM EM PRESENÇA DE RUÍDO | 313

Nos sistemas FM de faixa larga, A / » W. Neste caso, desprezando W


no numerador em (7.62), temos:

Af Y
RSRq s (7.63)

Já nos sistemas de faixa estreita, A / « W. Neste caso, desprezando A /em


presença de W em (7.62), obtemos:

(7.64)

Se a frequência / do sinal modulador for igual à W (faixa especificada


para a mensagem), a razão (3 = A Woé índice de modula
f/
FM. Como ilustração, a figura 7.7 mostra gráficos RSR0 x para índices
de modulação iguais a 0,1 (faixa estreita) e 10 (faixa larga), ao lado das cur­
vas obtidas anteriormente para os sistemas com modulação de amplitude,
ressaltando-se a grande variação dos gráficos do sistema FM com o índice
de modulação. Devemos lembrar, ainda, que os gráficos dos sistemas AM e
FM só valem para valores de RSR. acima do limiar.

RSR0(dB)

Figura 7 .7 G rá fic o R S R 0 * R S R ; para os sistem as A M e FM .


314 | PRINCÍPIOS DE COMUNICAÇÕES

7.4.1 Pré-ênfase
Como observado anteriormente, a densidade espectral de potência do
ruído na saída do demodulador FM cresce com o quadrado da frequência,
o que provoca uma grande degradação da qualidade de recepção, sobretudo
para mensagens de faixa larga. A técnica denominada Pré-ênfase permite
contornar este problema de forma bastante eficaz. Ela consiste em modificar
o espectro da mensagem m[t), através de um filtro com função de transferên­
cia H [f], colocado antes do modulador, que reforça as componentes de alta
frequência. Na saída do demodulador, um filtro com função de transferência
Hie(f), inversa daquela usada no transmissor, atenua as frequências altas e
restaura o espectro original da mensagem. Como o ruído também sofre a
ação deste filtro, o resultado é a redução expressiva das suas componentes
de alta frequência, com a consequente melhoria da razão sinal-ruído na saída
do receptor. O esquema está ilustrado na figura 7.8 (a), e as formas típicas das
funções de transferência Hpe[f) e Hde(f) na figura 7.8 (b).

(a) n(t)

m(t)

HpeW Hde(f) = pe«]-1

Figura 7.8 Sistem a FM c o m p ré-ên fa se; (a) D ia g ra m a d e b lo co s; (b) F u n ç ã o de tra n sferên cia
d o s filtros.
Capitulo 7 | DESEMPENHO DE SISTEMAS AM E FM EM PRESENÇA DE RUÍDO | 31 5

Para analisar o desempenho do sistema FM com pré-ênfase, devemos


notar, observando a figura 7.8 (a), que a razão sinal-ruído na saída do de-
modulador, RSR0, é dada por (7.55), onde os parâmetros da mensagem m(f)
(potência Pme faixa W] devem ser substituídos pelos respectivos parâmetros
da mensagem m (t) na saída do filtro de pré-ênfase. Considerando que este
filtro seja projetado de forma a não alterar estes parâmetros, o valor de RSR0
fica inalterado. Porém, após a filtragem pelo filtro Hde(f), chamado de filtro
de de-ênfase, a razão sinal-ruído é aumentada, pois enquanto a mensagem
é restaurada na sua forma original, sem modificar sua potência, o ruído é
reduzido pelo filtro. Assim, o ganho de desempenho produzido pela técnica
da pré-ênfase pode ser calculado pelo fator de redução na potência do ruído
demodulado dada por

2W3
rW (7.65)
3 f 2Hde(f)d f
J-w

Com a técnica da pré-ênfase, as expressões (7.54) e (7.55), que calculam


RSR0, bem como as outras fórmulas derivadas dessas, devem ser multipli­
cadas pelo fator G.
Um exemplo prático de utilização da técnica da pré-ênfase pode ser
encontrado na transmissão FM das emissoras de rádio difusão. Nesta apli­
cação, onde a mensagem é um sinal de áudio de faixa IV = 15 kHz, o filtro
de pré-ênfase é dado por

H Pe tf) = 1+ 7 (7.66)
7o

onde / 0 = 2,1 kHz. Aplicando (7.65), obtemos

G=■
(fí (7.67)
316 I PRINCÍPIOS DE COMUNICAÇÕES

Calculando a expressão com os valores de W e / 0 especificados, obtém-se


G = 20 (13 dB). Isto significa que o uso da pré-ênfase permite multiplicar por
20 a razão sinal-ruído na saída do receptor FM.

7.5 COMPARAÇÃO DE DESEMPENHO


Para comparar o desempenho dos sistemas analisados neste capítulo,
vamos considerar que todos eles transmitem a mesma mensagem em um
mesmo canal, ou seja, na comparação, os parâmetros W e NQsão os mes­
mos. Fixando um valor mínimo para a razão sinal-ruído RSRQna saída do
receptor, o desempenho do sistema será medido pela potência transmitida
Ps. Obviamente, quanto menor a potência transmitida para obter a razão
sinal-ruído desejada, melhor será o desempenho do sistema.
Quanto à faixa de transmissão Br nos sistemas AM-DSB-SC, AM-SSB e
AM, seu valor fica determinado univocamente em função da faixa da men­
sagem W. Porém, no sistema FM, há um grau de liberdade adicional na
especificação da faixa de transmissão.
Observando (7.10) e (7.18), verificamos que os sistemas AM-DSB-SC e
AM-SSB apresentam o mesmo desempenho. Explicitando a potência trans­
mitida nestas equações, obtemos

Ps =(N0W].RSR0(7 .68)

Para o sistema AM com modulação senoidal e índice de modulação igual a


1, obtemos, pela aplicação de (7.34)

Ps >[N0W).3RSR0 (7.69)

A desigualdade, neste caso, é necessária porque o valor obtido pela igual­


dade pode não ser suficiente para garantir a condição de limiar dada por
(7.35). Assim, a potência transmitida no sistema AM será, pelo menos, 3
vezes maior do que nos sistemas AM-DSB-SC ou AM-SSB.
Para o sistema FM, vamos considerar também uma modulação senoi­
dal e duas situações. Em primeiro lugar, consideramos que o desvio de fre­
quência A/é previamente determinado (o que equivale a especificar a largu­
ra de faixa de transmissão BT). Neste caso, aplicando (7.60) temos
Capitulo 7 | DESEMPENHO DE SISTEMAS AM E FM EM PRESENÇA DE RUÍDO | 31 7

/ \2
PS>N0W . - RSR0 (7.70)

Também no caso do sistema FM, a desigualdade é necessária para,


eventualmente, garantir a condição de limiar dada por (7.35), que também
pode ser colocada na seguinte forma:

Ps > N 0 .2(Af + W).RSRL(7.71)

O valor de Ps deve, portanto, ser o maior entre os dois calculados pelas ex­
pressões em (7.70) e (7.71).

Exemplo 7.1
Para ilustrar a comparação de desempenho, é interessante um exem­
plo numérico. Para isso, consideramos os seguintes dados comuns a todos
os sistemas:

W = 20 kHz, Ak=l,38xl0'19, PSflo = 10a(30 dB)

Os resultados são apresentados a seguir.

Sistemas AM-DSB-SC e AM-SSB


Aplicando (7.68), obtemos

Ps = 2,76 x IO1*

Sistema AM com p = 1 e limiar de 10 dB


Aplicando (7.69) e (7.35), obtemos P. ^ 8,28 x 1 0 12 e 5,52 x IO14.
Portanto,

Ps = 8,28 x 10"12

A potência necessária para garantir a razão sinal-ruído de 30 dB é maior do


que aquela necessária para garantir a operação acima do limiar.
318 | PRINCÍPIOS DE COMUNICAÇÕES

Sistema FM com BT= 120 kHz (Af = 40 kHz) e limiar de 10 dB


Aplicando (7.70) e (7.71), obtemos P$ ;> 0,46 x IO 12 e s 0,16 x IO12.
Portanto,

Ps = 0,46 x 1012

Neste caso, também, a potência necessária para garantir a razão sinal-ruído


de 30 dB é maior do que aquela necessária para garantir a operação acima
do limiar.

Sistema FM com B T = 200 kHz (Af = 80 kHz) e limiar de 10 dB


Aplicando (7.70) e (7.71), obtemos 0,115 x IO12 e P;>0,276 x 10 12.
Portanto,

0,276 x 10'12
Ps =

A situação agora se inverte, ou seja, com o aumento da faixa de transmis­


são, é possível, teoricamente, diminuir a potência transmitida para garantir
a mesma razão sinal-ruído na saída do receptor. Porém, este mesmo aumen­
to da faixa faz aumentar o ruído na entrada do demodulador, exigindo uma
potência maior para garantir a operação acima do limiar.

Sistema FM com faixa ótima


Observando (7.70) e (7.71), notamos que a primeira igualdade define
uma função proporcional a (l/A/ ) 2 e a segunda, uma função linear de
como ilustrado na figura 7.9, onde a região hachureada corresponde à re­
gião que satisfaz as duas desigualdades. Obviamente, o desvio ótimo A f é
o ponto de interseção das duas curvas. Ou seja, o menor valor de potência
transmitida é aquele que satisfaz, ao mesmo tempo, as equações (7.70) e
(7.71). No caso do exemplo, este valor é, aproximadamente, 58 kHz, corres­
pondente a uma faixa de transmissão BT= 156 kHz, que leva a uma potên­
cia transmitida Ps *s 0,21
’ x 10'12.
Capítulo 7 | DESEMPENHO DE SISTEMAS AM E FM EM PRESENÇA DE RUÍDO | 319

Figura 7.9 Determinação gráfica do desvio ótimo de um sistema FM.

Sistema FM com Pré-ênfase de ganho 10 dB


O ganho de pré-ênfase é um ganho que se aplica na razão sinal-ruído de
saída do receptor e é um fator a ser introduzido nas expressões que calculam
RSR0. Uma maneira simples de proceder, no cálculo de desempenho, é reduzir
o valor desejado de RSR0por um fator exatamente igual ao ganho de pré-ênfa­
se, e aplicar normalmente as expressões utilizadas para o caso sem pré-ênfase.
No caso deste exemplo, isto significa que os cálculos passam a ser feitos com
um objetivo de RSR0= 102. Na realidade, porém, a pré-ênfase só teria utilidade
no caso em que a potência de transmissão está limitada por RSR0, e não por
RSRl, o que corresponde ao caso da faixa BT= 120 kHz. Neste caso temos, en­
tão, aplicando (7.70) e (7.71), P ;> 0,046 x 1C12, Ps ^ 0,16 x i o 12 e, assim,

Ps = 0,16 x IO12
320 I PRINCÍPIOS DE COMUNICAÇÕES

7.6 EXERCÍCIOS
7.1 Em um sistema AM-DSB-SC, é transmitido um sinal de áudio cuja fre­
quência máxima é 10 kHz, com potência 5 W. A atenuação no canal é de 90
dB, de modo que, na entrada do receptor, a potência deste sinal é 5 x 10'9 W.
(a) sabendo que a potência do sinal modulador é igual 1 mW, determine a am­
plitude da portadora a ser gerada no transmissor; (b) determine a densidade
espectral de potência do ruído no receptor para que a razão sinal-ruído na
saída do demodulador seja igual a 60 dB. (c) determine a temperatura equi­
valente de ruído do receptor.

7.2 Utiliza-se uma potência de 1 W para fazer a transmissão de uma men­


sagem ocupando a faixa de 0 a 20 kHz em um canal com atenuação de 90 dB.
Sabe-se que a densidade espectral de potência do ruído na entrada do recep­
tor é igual a IO 19 W/Hz. Compare o desempenho dos sistemas AM-DSB-SC e
AM-SSB para esta transmissão, calculando, para os dois sistemas, os valores
de razão sinal-ruído na entrada e na saída do demodulador.

7.3 A transmissão de um sinal de áudio na faixa de 0 a 10 KHz é feita através


de modulação AM e deteção de envoltória, cujo limiar é aproximadamente
igual a 10 dB. Medidas feitas com um sinal senoidal na faixa da mensagem
permitiram obter a curva da figura E7.3. Mediu-se também, para uma potência
do sinal na entrada do detetor de envoltória igual a - 80 dBm, uma razão sinal-
ruído na saída igual a 30 dB. (a) Determine o valor do índice de modulação;
(b) determine o valor da densidade espectral de potência do ruído no canal.

Figura E7.3
Capitulo 7 | DESEMPENHO DE SISTEMAS AM E FM EM PRESENÇA DE RUÍDO | 321

7.4 Em uma transmissão AM de um sinal de áudio com frequência má­


xima de 20 kHz, a potência da portadora modulada é igual a 9 x 10_8W, o ín­
dice de modulação é igual a Vz,e a densidade espectral de po
é igual a IO 15W/Hz. (a) Considerando que o receptor opera acima do limiar,
calcule a razão sinal-ruído na saída do detetor de envoltória; (b) calcule a
redução que pode ser feita na potência de transmissão se for empregado
um sistema AM-DSB-SC que fornece o mesmo valor de razão sinal-ruído na
saída do demodulador.

7.5 Um sinal senoidal com potência de -30 dBm, cuja frequência está
na faixa de 0 a 4 KHz, deve ser transmitido com modulação FM. Para obter
informação sobre o ruído no receptor, é injetada uma portadora sem modu­
lação de potência -50 dBm na entrada deste receptor, medindo-se na saída
do demodulador uma potência de 10 dBm. (a) Calcule a densidade espectral
de potência do ruído na entrada do receptor; (b) sabendo que o sistema de
transmissão é projetado para operar com uma largura de faixa de 48 kHz e
com uma razão sinal-ruído de entrada igual ao limiar de 10 dB, calcule a po­
tência mínima necessária na entrada do demodulador e a razão sinal-ruído
obtida na saída do demodulador; (c) determine a melhoria de pré-ênfase ne­
cessária para que o sistema opere com razão sinal-ruído de 40 dB na saída do
demodulador.

7.6 Uma portadora FM chega com potência de 1 0 12 W a um receptor


cujo limiar é 10 dB. (a) Sabendo que não há limitação de faixa para trans­
missão e que a densidade espectral de potência de ruído no receptor é igual
a 5 x i o 19 W/Hz, determine o maior valor possível da razão sinal-ruído na
saída do demodulador na transmissão de um sinal senoidal de frequência
máxima igual a 10 KHz.

7.7 Uma mensagem ocupando a faixa de 0 a 4 KHz, é transmitida atra­


vés de um sinal FM cujo desvio de frequência tem valor máximo de 96 kHz
e valor RMS igual a 16 kHz. Sabendo que a densidade espectral de potência
do ruído no receptor é igual a IO 15 W/Hz, e que o demodulador tem limiar de
7 dB, (a) calcule o menor valor da potência na entrada do demodulador,
de modo que a razão sinal-ruído na saída seja maior ou igual a 50 dB; (b) re­
pita o cálculo, supondo um ganho de pré-ênfase de 20 dB.
8
Desempenho de Sistemas de
Transmissão Digital
em Presença de Ruído

Os princípios gerais da transmissão digital foram introduzidos no capí­


tulo 5 e podem ser resumidos da seguinte forma, acompanhando o modelo
geral da figura 8 .1:
• uma mensagem m, correspondente a um bloco qualquer de L bits, é
transmitida através de um sinal s(f); cada padrão diferente do bloco
de L bits corresponde a uma mensagem distinta, e o número total de
mensagens distintas é dado por M = 2L; tem-se, portanto, um conjunto
de mensagens possíveis {mv m2,„. } associado a um conjunto de si­
nais possíveis s2[t),... sM(í)}; por definição, a mensagem =
transmitida através do sinal s(í) = s.(f).
• no destino, o receptor observa r(f) (a versão do sinal que foi atenuada
pelo canal e corrompida por ruído), escolhe dentro do conjunto das
mensagens possíveis aquela que teria sido transmitida, representada
por ,m
e, a partir desta escolha, determina o bloco de bits correspon­
dente, representado por {bltb 2,...bL);como represen
canal é considerado ideal, e a única perturbação é um ruído aditivo,
branco e Gaussiano.
324 I PRINCÍPIOS DE COMUNICAÇÕES

Figura 8.1 Modelo genérico de um sistema de transmissão digital.

A operação do receptor está sujeita a erros, e a probabilidade de ocor­


rência desses erros é o principal parâmetro de desempenho de um sistema
de transmissão digital. Formas gerais e específicas dos sistemas de trans­
missão digital foram apresentadas ao longo do capítulo 5. No presente capí­
tulo, será analisado o desempenho da transmissão digital, em presença de
ruído branco Gaussiano, com base na Probabilidade de Erro de Símbolo, ou
simplesmente, Probabilidade de Erro, definida genericamente como

P[E)=P[m*m) (8 .1 )

8.1 SISTEMAS BINÁRIOS


Com base nos esquemas discutidos no Capítulo 5, podemos estabele­
cer, para um sistema de transmissão digital binário, o modelo da figura 8.2,
que pode ser descrito da seguinte forma:
• inicialmente, é gerada uma mensagem m, escolhida entre duas mensa­
gens possíveis, ml ou m2, associadas aos bits 0 e l;1
• em seguida, é transmitido o sinal s(f), escolhido entre dois sinais possí­
veis s1(t) (se m = m j ou s2(t) (se m = m2);

1 Na transmissão binária a transmissão é feita bit a bit.


Capítulo 8 | DESEMPENHO DE SISTEMAS PE TRANSMISSÃO D IG ITA L-| 325

• na entrada do receptor, soma-se um ruído Gaussiano branco com den­


sidade espectral de potência NJ2;
• no receptor, o sinal é filtrado e amostrado, e a amostra obtida é com­
parada com um valor de referência X denominado limiar; o dispositivo
que faz essa comparação, denominado detetor de limiar, procede de
acordo com a seguinte regra de decisão para definir a mensagem dete­
tada m:

r'{tf)> Ã=$ m= 11%


02 = 11^

Essa operação está ilustrada na figura 8.2(b).

Decide por m, Decide por m2


(b)
-■
4----------- ---------- ►

—►
s'MJ

t
m,
t
m~

Figura 8.2 Sistema de transmissão binário - (a) diagrama de blocos; (b) representação
geométrica das amostras e regra de decisão no detetor de limiar.

Observando que a decisão do receptor será correta quando m = m,


o evento erro será constituído pela união dos eventos [m = mv m = m2) e
[m = m2, m = m j. Assim, a probabilidade de erro pode ser escrita como

P[E) = P(m= nr$ P(m = m2\m = n\) + P[m = m2)P[m= n\ \m = m2) (8.2)
326 | PRINCÍPIOS DE COMUNICAÇÕES

Tendo em vista que as regiões de decisão indicadas na figura 8.2(b),


pode-se reescrever (8.2) como:

P[E)=P(m = ml)P [r'(í0)> /i \m= n\]+ P(m =(8.3)

Supõe-se que as probabilidades P [m = m j e P [m = m2), são conheci­


das. Na prática, estes valores são estimados a partir do número de ocorrên­
cias dos bits 0 e 1 na sequência binária a ser transmitida. Para determinar
as outras duas probabilidades, note que

dadom= + n'(í0)
(8.4)
dado m=m2 :r'(f0) = % (í0) + n'[Q

onde Sj '(í0), s2
' (í0) e n '(í0) são as amostras dos sinais s^í), s2(í) e do ruído n
colhidas no instante de amostragem após passarem pelo filtro de recepção.
Como n '(íQ) é uma variável aleatória estatisticamente independente da
mensagem m, podemos escrever

í ’ [r'(t0)> A|m= m1] = P[n'(<0)> À-s((f0) \m= m j= sí(f0)] (8.5)

P [r{t0)<Z\m =m 2]= P [n {t0)< Z - s^{t0)\m = m2]= P [n % )< Á - s^(t0)] (8.6)

Como vimos no Capítulo 6, a amostra de um ruído branco Gaussiano fil­


trado, n '(f0), é uma variável aleatória Gaussiana de média nula. Chamando
sua variância de a2, as probabilidades em (8.5) e (8.6) podem ser calculadas
como a seguir:

( 8.8)

onde Q () é a função erro complementar definida por


’0 0 - 1 u2
_ ____

Q {a ) — I — 2 d u (8.9)
Ja yj27T
Capítulo 8 | DESEMPENHO DE SISTEMAS DE TRANSMISSÃO DIGITAL... [ 327

Substituindo (8.7) e (8.8) em (8.5) e (8.6), levando o resultado a (8.3) e no­


tando que

-X
1-Q X~ j _ q |~
( 8 . 10)

chegamos a

£ [t 0)- Aj h■ %( ío )
P{E) = P{m=ml)Q + P[m= m,)Q ( 8 . 11)

O cálculo acima está ilustrado na figura 8.3. Note que s / ( f 0) e s2'(f0)


são os dois possíveis valores da amostra r'(t0) caso não houvesse ruído, ou
seja, os valores ideais. A presença do ruído faz com que r '(f0) possa assu­
mir qualquer valor, de acordo com a função densidade de probabilidade
Gaussiana da amostra de ruído, representada em torno de cada um dos
dois valores ideais. A probabilidade de erro será determinada pelas áreas
hachureadas da figura correspondentes a duas situações: (i) o sinal trans­
mitido foi s1(í0), mas o ruído leva a amostra a ultrapassar para cima o limiar
X; (ii) o sinal transmitido foi s2(í0), mas o ruído leva a amostra a ultrapassar
para baixo o limiar X.

Figura 8.3 Ilustração gráfica da regra de decisão.

Escolha do Limiar Ótimo


O lim iar X pode ser escolhido de modo a m inim izar a probabilidade de
erro. Para obter o valor ótimo de X, determina-se o mínimo de (8.11) deri­
vando a expressão em relação a X e igualando a zero, para obter
328 I PRINCÍPIOS DE COMUNICAÇÕES

^ _ S1 (tp) + $2 fío) P[m= 7íí1)


■ln ( 8 . 12)
2 s2 t g ■ si
P(m = m2)

Se as mensagens forem equiprováveis, ou seja, = o segun­


do termo de (8.12) se anula e, neste caso,

^ _ gi ( g + ^2 ( g
(8.13)
2
Ou seja, se as mensagens m1 e m2 forem equiprováveis, o limiar ótimo é o
ponto médio entre s / ( í 0) e s2'(í0). Quando não é este o caso, a observação
de (8.12) mostra que o limiar ótimo se afasta dos valores sí '(íQ) ou s2'(fQ)
que tiver maior probabilidade de ocorrência, aumentando assim a região
de decisão correspondente. Ou seja, uma maior probabilidade de ocorrên­
cia de uma das mensagens polariza a decisão em favor desta mensagem. No
entanto, observamos através de (8.12), que a intensidade desta polarização
está ligada ao valor relativo do ruído. À medida que cresce o ruído, a obser­
vação no receptor fica menos confiável, aumentando assim a influência das
probabilidades P(
m = m j e P (m = m2).

Probabilidade de erro com limiar no ponto médio


Se o limiar for escolhido no ponto médio entre s1'(f0) e s2'(f0), é fácil
ver, através da Fig 8.3, que os argumentos da função Q () na expressão
(8.11) são iguais, ou seja,

S2(*o) - A _ À - s1(f0) d
a<
7 2ct

onde d - s2'(í0) - s / ( í 0) é a distância entre as duas possíveis amostras na


saída do filtro na ausência de ruído. Neste caso, (8.11) fica

P(F) = [F(m = iH) + P(m = m j ) ] Q ^ j = Q ^ j (8.15)


Observa-se, portanto, que a escolha do limiar como ponto médio entre as
amostras ideais faz com que a probabilidade de erro independa das pro-
Capítulo 8 | DESEMPENHO DE SISTEMAS DE TRANSMISSÃO DIGITAL... | 329

habilidades de ocorrência das mensagens. No entanto, deve ser ressaltado


que a expressão (8.15) só fornece a probabilidade de erro mínima se as
mensagens forem equiprováveis, pois somente neste caso o limiar ótimo
será o ponto médio.
Na figura 8.4 está representada a função Q(a), que é uma função de­
crescente. Portanto, observando (8.15), verificamos que a probabilidade de
erro é uma função que decresce com o aumento da razão sinal-ruído (d/a).
Uma aproximação bastante boa da função Q () é dada por

1 -—
Q (a )= -^ ^ -e 2 (8.16)

Figura 8.4 A função Q (a) e a aproximação (8.16).

Exemplo 8.1
Neste exemplo, será considerado um sistema de transmissão digi­
tal em que as amostras obtidas no receptor na ausência de ruído são:
s[ (f0) = 0, s'2(fQ) = 1. Desejamos, inicialmente, obter um gráfico da probabilida­
de de erro mínima em função da probabilidade da mensagem mr Substituindo
330 I PRINCÍPIOS DE COMUNICAÇÕES

os valores especificados na expressão (8.11), e fazendo P(m2) = 1 - PlmJ po­


demos obter diretamente a probabilidade de erro em função do limiar

A- 1
P{E)=P[m1) Q -Q
/ \c J

Calculando o limiar através de (8.12) e supondo que a2 = 0,25, obtemos o


gráfico Px) Pínq) apresentado na figura 8.5.
(E

Figura 8.5 Variação da probabilidade de erro mínima com as probabilidades a priori.

Com o limiar X no ponto médio, a probabilidade de erro, dada por


(8.15) será P[E) = 0,15866, independentemente de PimJ e P(m2). Como po­
demos ver no gráfico, para m1 = 0,5, o valor coincide com o valor ótimo.
Note ainda que este valor corresponde ao máximo da função P[E) x PfmJ.
Observamos, portanto, através deste exemplo, que a suposição de pro­
babilidades iguais para as mensagens corresponde ao pior caso. À medida
que aumentamos a probabilidade de ocorrência de uma das mensagens, a
probabilidade de erro mínima é reduzida. Porém, o valor ótimo do limiar
deve ser estabelecido para cada valor de PimJ. Se em vez de usarmos o
limiar ótimo para cada valor de PimJ, usarmos sempre um limiar dado
Capítulo 8 I DESEMPENHO DE SISTEMAS DE TRANSMISSÃO DIGITAL... I 331

pelo ponto médio, a probabilidade de erro ficará constante e igual ao valor


máximo obtido para PlmJ = 0,5.

Probabilidade de erro com filtro casado


A análise da seção anterior permitiu estabelecer, na expressão (8.15),
que, em uma transmissão digital binária, feita com dois sinais quaisquer,
s1(í) e s2(f), e com um filtro de recepção de resposta ao impulso qualquer,
h[t), a probabilidade de erro é dada, genericamente, por

r(V = Q {i) (3.17)

onde
cf = s'(f0)- sí(t0) = s2(t)*fi(f)|í=<o - sr[t)*h(t)\tHo (8.18)

isto é, d éa distância entre as amostras ideais na saída do filtro, tomadas no


instante í0; o parâmetro a é a raiz quadrada da variância do ruído, dada por

^ Z J —-oo
- r Z J —oo
í " (8. 19)

Esta expressão da probabilidade de erro é obtida supondo o lim iar de dete­


ção no ponto médio entre as amostras ideais, e será a mínima possível para
o filtro considerado, desde que as mensagens sejam equiprováveis. Assim
como o filtro de recepção, o instante de amostragem também é arbitrário,
mas, obviamente, ambos devem ser escolhidos de modo a m inim izar a pro­
babilidade de erro.
Na Seção 5.1, vimos, de forma heurística, que o receptor ótimo em uma
transmissão digital com mensagens equiprováveis é o receptor de mínima
distância, ou seja, uma estrutura que escolhe, dentre os sinais possíveis, o
mais próximo daquele que chega ao receptor. Em particular, na Seção 5.1.1,
mostramos que este receptor de mínima distância pode ser implementado
através de filtros denominados filtros casados.
Pode-se mostrar que este receptor ótimo, definido heuristicamente, é
aquele que permite operar com a mínima probabilidade de erro em presença
332 | PRINCÍPIOS DE COMUNICAÇÕES

de ruído aditivo branco Gaussiano, de acordo com o modelo da figura 8.1.


Sendo assim, ao longo deste capítulo, vamos sempre usar as estruturas do
capítulo 5 e a suposição de filtro casado, para obter a probabilidade de erro
mínima nos diversos sistemas analisados.
No caso de sinais binários, o receptor de mínima distância é imple­
mentado através de um filtro casado ao sinal diferença, como está repre­
sentado na figura 5.10, e corresponde ao receptor da figura 8.2, desde que

t) ( 8 . 20 )

onde sd(f) = s2(t) - Sjlf). Levando (8.20) em (8.18) obtemos, como mostrado
em (5.17) e (5.18),

d = £,s<í= Í [%(í)-Si(f)f c t - £ ’1+E 2- 2 f (821)


J —oo J—oo
onde Ev E2e Esdsão, respectivamente, as energias dos sinais s1(í), s2(f) e sd
Levando a mesma expressão (8.20) em (8.19), obtemos

( 8 . 22)

Substituindo (8.21) e (8.22) em (8.17) resulta, então, a expressão geral da


probabilidade de erro mínima para sinais binários equiprováveis, conside­
rando todos os filtros possíveis:

P{E) = Q (8.23)

Exemplo 8.2

Considere a mesma transmissão digital binária definida no Exemplo


5.4 realizada em um canal com ruído aditivo branco Gaussiano. No exem­
plo, s2(í) é um pulso retangular de amplitude A e duração T, e sjf) é um
sinal nulo. O filtro de recepção é um filtro passa-baixa RC cuja resposta ao
impulso é dada por
Capítulo 8 | DESEMPENHO DE SISTEMAS DE TRANSMISSÃO DIGITAL... | 333

h[t) = a é atu[t)

Analisando a expressão do sinal filtrado, s'(í), apresentada no Exemplo 5.4,


observamos que seu valor máximo ocorre em t= T . Considerando o instante
T como o instante de amostagem e notando que s^í) = 0, a distância d calcu­
lada por (8.18) é dada por

d - A(l-

Aplicando (8.19), obtemos

Aplicando (8.17), chegamos à seguinte expressão:

Esta expressão pode ser maximizada em relação a a. Derivando em relação


a a e igualando a zero, obtemos a equação

2a T+ l = e al
Resolvendo numericamente, obtemos a 1,25. Com este valor, chegamos a

Considere agora que, em vez do filtro RC, é usado um filtro casado no


receptor, ou seja, h{t)= sd[t0-i). Notando que, para os sinais do problema,
sdW = S2W» ou seía>° sinal diferença é um pulso retangular de amplitude
A e duração T, a energia do sinal diferença será Esd= A Aplicando (8.23),
obtemos
334 1 PRINCÍPIOS DE COMUNICAÇÕES

P(E) = Q

Note que esta mesma expressão pode ser obtida a partir de (8.17), obser­
vando, que, no caso do filtro casado definido acima, d = A2T e 2.
Comparando com o resultado obtido para o filtro RC, observamos a melhoria
proporcionada pela utilização do filtro casado, uma vez que o argumento da
função Q aumenta e, portanto, diminui a probabilidade de erro.

Probabilidade de erro em função da energia média


É sempre conveniente expressar a probabilidade de erro em função da
energia média dos sinais transmitidos, pois este é um dos parâmetros que
definem o custo de um sistema de transmissão digital. No caso de sinais
equiprováveis, a energia média dos sinais é a média aritmética das energias
de cada um deles, isto é,

Usando esta expressão em (8.21), podemos escrever

(8.25)

A seguir, são considerados dois tipos de sinais binários - sinais simé­


tricos antipodais e sinais ortogonais - e, para os dois casos, é determinada
a probabilidade de erro em função da energia média dos sinais.

Sinais simétricos antipodais


Como mostrado na Seção 5.1.2, para um mesmo valor de energia mé­
dia, sinais simétricos antipodais, isto é s2(f) = —st(í), são os que apresentam
o maior valor da energia do sinal diferença. Substituindo esta condição em
(8.25), obtemos .Ed= 4Es. Levando em (8.23), obtemos
Capítulo 8 | DESEMPENHO DE SISTEMAS DE TRANSMISSÃO DIGITAL... | 335

P[E) = Q (8.26)

Sinais ortogonais
No caso de sinais ortogonais, a integral em (8.25) é nula, =2 e
assim temos

(8.27)

Comparando (8.26) e (8.27), verificamos que a transmissão através de


sinais simétricos é mais eficiente do que a transmissão através de sinais or­
togonais, pois, para uma mesma energia média, o argumento da função Q é
maior e, consequentemente, a probabilidade de erro é inferior. Para obter
uma medida quantitativa da vantagem dos sinais simétricos em relação aos
sinais ortogonais, o mais conveniente é fixar um valor da probabilidade de
erro e determinar as energias médias necessárias nos dois sistemas para
operar com este valor. No caso acima, é fácil verificar que os sinais ortogo­
nais requerem duas vezes mais energia para operar com a mesma probabi­
lidade de erro que os sinais simétricos.

8.2 SISTEMAS PAM


Os sistemas PAM foram definidos na seção 5.2.1 e suas principais for­
mas específicas são os sistemas binários PAM on-off, PAM-2 simétrico PAM
multinível simétrico definidos por (5.32), (5.33) e (5.34). A probabilidade de
erro destes sistemas é analisada a seguir.
Os sistemas PAM -fePAM-2 simétrico correspondem, resp
on
mente, a um sistema ortogonal e um sistema antipodal. Assim, a probabili­
dade de erro desses sistemas, com filtro casado, é dada, respectivamente,
por (8.27) e (8.26). Para recepção com filtro de resposta ao impulso qual­
quer, h[t), ilustrada nas figuras 5.18 e 5.19, podemos aplicar (8.17), onde
o parâmetro d, genericamente definido por (8.18), é obtido das expressões
336 1 PRINCÍPIOS DE COMUNICAÇÕES

d=bg'{t0) (8.28)

g'{t0)= g {t)* h [t) (8.29)

A análise para o sistema PAM multinível é feita a seguir, com base no


receptor da figura 5.18 e no detetor de limiar ilustrado na figura 5.23, notan­
do que, em presença de ruído, a amostra do sinal recebido na saída do filtro
de recepção é expressa como

r ’(f0) = a g '(f0)+ n ,(í0) (8.30)

onde rT(f0) é uma variável aleatória Gaussiana de média nula e variância


a2. Considerando os possíveis valores da amplitude para o sinal PAM si­
métrico dados por (5.33), temos a representação da figura 8.6, onde são
representados os valores possíveis da amostra do sinal desejado e um valor
qualquer da componente de ruído se somando à amostra do sinal (sem le­
var a erro na decisão). Associando o índice i das diferentes mensagens m.
às amplitudes em ordem crescente, pode-se escrever a seguinte expressão
para as probabilidades de erro condicionais:

(8.31)

i= M
Capitulo 8 | DESEMPENHO DE SISTEMAS DE TRANSMISSÃO DIGITAL... | 337

"h l \\2 m4
i
a'(to)

-3(A/2)g'(t0) • *(A/2)g(ío) 0 (A/2)g(t0) ' 3(A/2)gfto) r'(t0)


\l ^3
<---- d =A g'(to) --------- ►

Figura 8.6 Esp a ço d e d e cis ã o em sistem as P A M m ultinível.

Pode-se mostrar que

( , ,
n’(f0) >—d\=P n'(f0)
, „
<- — =QJ d—\ (8.32)
1 2J V 2J [2(7

p(|rf(g | > f ) = 2 Q g (8.33)

A probabilidade de acerto será a média das probabilidades condicionais,


isto é,

(8.34)

Desenvolvendo esta expressão, chegamos a

P[E)= 2 (8.35)
M

onde

d= A g (8.36)

e a2 é a variância do ruído n '(í0), dada por (8.19).


338 I PRINCÍPIOS DE COMUNICAÇÕES

Filtro casado
O receptor será ótimo se o filtro h[t) for casado ao pulso g(f), ou seja,

h[t) = Kg{t0 - t) (8.37)

Neste caso,’ ôg'(f„)


v 0J
= g 2
E8ecr2 = — — K}E . Substituindo estes resultad
K

(8.36) e (8.35), obtemos

(8.38)

Usando (5.33) nesta expressão, podemos chegar à seguinte expressão da


probabilidade de erro com filtro casado, em função da energia média:

6 E_
P[ E) = 2 1 (8.39)
'N (M 2 - 1)

Note que, para M =2, obtemos (8.26).

Exemplo 8.3
Neste exemplo, consideramos um sistema PAM-M simétrico em canal
com ruído aditivo branco Gaussiano, e vamos determinar o aumento neces­
sário na energia média dos sinais transmitidos para manter a probabilidade
de erro em 10'4, ao passarmos do caso binário (M=2) para o quaternário
(M=4). A expressão da probabilidade de erro é obtida de (8.39). Para M= 2,
temos

Utilizando a tabela da função Q, obtemos g /Ng = 6,9. Realizando o


mesmo para M = 4, temos:
Capítulo 8 | DESEMPENHO DE SISTEMAS DE TRANSMISSÃO DIGITAL... | 339

10'4 = 1,5Q

resultando E ’/
N0= 36,5. Então o aumento necessário é de 36,5/6,9, que
correspondente a 7,2 dB.

8.3 SISTEMAS COM MODULAÇÃO DE AMPLITUDE E


FASE
Os sistemas com modulação de amplitude e fase foram definidos na
seção 5.2.2 e incluem os sistemas ASK, PSK e QAM, cujas probabilidades
de erro serão analisadas a seguir.

8.3.1 ASK
O sistema ASK é definido, genericamente, por (5.43) e, em particu­
lar, por (5.44), (5.45) e (5.46). Sua geração é representada na figura 5.24
e, na figura 5.28, mostra-se o diagrama do receptor e o espaço de decisão.
Reescrevendo (5.48) de modo a considerar a presença do ruído, temos

r'{to) = ^ g '{t0) + rí{t0) (8 40)

onde n "(f0) é a amostra do ruído branco demodulado que pode ser modela­
da (ver Seção 6.1.2) como uma variável aleatória Gaussiana de média nula
e variância dada por

Pode-se verificar que a análise de probabilidade de erro do sistema


ASK é basicamente a mesma do sistema PAM correspondente. Basta com­
parar a expressão do sinal no detetor do sistema ASK dada por (8.40) com a
do sistema PAM dada por (8.30), e a figura 5.28, correspondente ao receptor
do sistema ASK com as figuras 5.19 e 5.23, referentes ao receptor do siste­
340 I PRINCÍPIOS DE COMUNICAÇÕES

ma PAM. Isto permite aplicar (8.17) para calcular a probabilidade de erro


de sistemas ASK binários, e (8.35), para o sistema ASK multinível. Note,
porém, que no sistema ASK, o valor da distância e da variância do ruído
são diferentes. A distância d será dada por

d = jg '{to ) (8.42)

Pode-se verificar, ainda, que as expressões de probabilidade de erro


para receptor com filtro casado dadas por (8.27), (8.26) e (8.39) se apli­
cam, respectivamente, aos sistemas ASK on-off, ASK-2 simétrico e ASK
multinível.

8.3.2 QAM

O cálculo da probabilidade de erro dos sistemas QAM, em geral, pode


ser desenvolvido a partir do espaço de decisão, ou seja, o diagrama obtido
pela representação em dois eixos ortogonais, das amostras rx e r2 represen­
tadas no receptor da figura 5.35. A operação do receptor consiste em esco­
lher o ponto ideal, correspondente a um dos sinais transmitidos, que esti­
ver mais próximo daquele definido pelo par de valores observados (ri;r2).
Como ilustrado nas figuras 5.36 e 5.38, para cada sinal, existe uma região
de decisão. Assim, dado que foi transmitido um dado sinal, a probabilidade
de erro equivale à probabilidade de que o ruído leve o ponto ( r , r2) para
uma outra região de decisão.
Analisando as operações do receptor da figura 5.35, podemos escrever

(8.43)

(8.44)

onde g’[t) é o pulso básico filtrado pelo filtro h[i), e o par (rq, ) representa
as amostras do ruído. Pode-se mostrar, com base nas propriedades do ruí-
Capítulo 8 | DESEMPENHO DE SISTEMAS DE TRANSMISSÃO DIGITAL... | 341

do, analisadas no Capítulo 6, que n1e n2são variáveis aleatórias Gaussianas


estatisticamente independentes de média nula, e variância dada por

ô-2 = - ^ f \H =í \h(t)\2dt (8.45)


4 J-oo 4 J -oo

Sistemas QAM-4/PSK-4
Para o sistema QAM-4 ou PSK-4, o espaço de decisão está representado
na figura 5.36, e as regiões de decisão, associadas a cada sinal, são os quatro
quadrantes. Vamos considerar inicialmente a mensagem ltcorresponden­
te à fase n/4.Como ilustrado na figura 8.7, ao ser transmitida a portadora
com fase n/4, as componentes de ruído n1e n2 deslocam o ponto ideal (sem
ruído) para o ponto observado (rt, r2). Na situação representada na figura
8.7, não ocorreria erro, pois o ponto observado continuaria na região de
decisão de mr Porém, se qualquer das duas componentes for mais negati­
va do que a distância /2que separa o ponto ideal da fronteira
d
de decisão, haverá erro. Em outras palavras, só haverá acerto se ambas as
componentes de ruído forem maiores do que 2. Observando que as com­
ponentes de ruído são estatisticamente independentes da mensagem trans­
mitida, podemos escrever, então,

í
= i - Q ( d VI
d d\
p J7a> - —,n9 >-
P{C ImJ = P — —
(8.46)
1 2 2 2J 2<T JJ
onde P[C\mJ é a probabilidade de acerto, dado que a mensagem transmi­
tida é mr
Pela simetria do problema, podemos concluir que o mesmo resultado
pode ser obtido para as quatro possíveis mensagens. Como a probabilidade
de acerto é a média das probabilidades condicionais, temos, então,

P{C) = (8.47)
342 I PRINCÍPIOS DE COMUNICAÇÕES

Observando que P(C) = l-P(P), desenvolvendo a expressão e desprezando o


termo Q2, cujo valor é tipicamente bem menor do que o termo Q, chegamos a

p (f)- (8.48)

No caso do filtro casado, g ’[t0) = £g e = [Nj4]Eg . Levando em conta


que a energia média dos sinais transmitidos Es é igual a (A2/4)£’g, chegamos
à seguinte expressão para a probabilidade de erro do receptor ótimo de um
sistema QAM-4 ou PSK-4 :

P(E) (8.49)
Capítulo 8 | DESEMPENHO DE SISTEMAS DE TRANSMISSÃO DIGITAL... | 343

Sistema QAM-M (M>4)


O espaço de decisão do sistema QAM está mostrado na figura 5.38. O
cálculo da probabilidade de erro pode ser feito com base nessa figura, de
forma semelhante ao que foi feito para o sistema QAM-4. Observam-se, na
figura 5.38, 3 tipos de regiões, ilustradas na figura 8.8: (a) limitada por 2
segmentos de reta; (b) limitada por 3 segmentos de reta; (c) limitada por 4
segmentos de reta. Só haverá acerto se as componentes de ruído nt e n2não
levarem o ponto ideal para fora da região de decisão.

^ (rvr2) „*0 W f — *
n2 1 n2| n2Í
d/2 m L — \
d/1 I — J
— ( ^
d/2 j d/2 d/2

a b c
Figura 8.8 Formatos das regiões de decisão no sistema QAM.

Podemos, então, escrever:


• para regiões do tipo (a)

( d d) ( à Y|
P{C\mi
P ih > ----,n7 > ---- =
1 2 2
i- Q
[2(7)1
(8.50)
1 Z)

para regiões do tipo (b)

( d d d} ' d j r „tr d V
P [C \irij) = P n i > ■ T ’ " — > n? > — i-Q 1-2Q (8.51)
V
2z
2 2J , 2<T1

para regiões do tipo (c)

( —d < n, d d
---- < n, < —
1
1-2Q í dy (8.52)
1 2 2’ 2 2 2 J 2a JJ
344 I PRINCÍPIOS DE COMUNICAÇÕES

Podemos verificar, observando a figura 5.38, que no sistema QAM-16


existem 4 regiões do tipo (a), 8 do tipo (b) e 4 do tipo (c). Fazendo a média
ponderada das expressões (8.50), (8.51) e (8.52), desenvolvendo os quadra­
dos e desprezando Q2 em presença de Q, chegamos a

P[ E) = 1- (8.53)
2(7

Para os demais sistemas QAM-M (M = 64, 256), basta refazer a média


das probabilidades condicionais, considerando o número de cada tipo de
região. Pode-se mostrar que a seguinte expressão geral é dada por:

P[E)= 4 (8.54)

onde d e asão dados por (8.42) e (8.41), respectivamente.


Na realidade, (8.54) também pode ser obtida com base no receptor da
figura 5.39. Observando que, para a deteção correta da mensagem, é neces­
sário acertar as duas amplitudes a e podemos escrever

P(C) = P(Ca,C/}) (8.55)

onde P[ CJ e [C psão as probabilidades de acertar as amplitudes


P e
respectivamente. Observando a figura 5.39, verificamos que a deteção des­
tas amplitudes corresponde à deteção em um sistema ASK multinível, cuja
probabilidade de erro é dada por (8.34), com d e g dados por (8.36) e (8.19),
respectivamente. Note, porém, que nos sistemas QAM-M considerados, o
número de amplitudes da portadora seno ou cosseno é igual à raiz quadra­
da de M. Observando, ainda, que a deteção de e se processa de forma
independente, podemos escrever

P(C) = P[Ca ) P{Cp) = (8.56)

Desenvolvendo o quadrado, desprezando os termos em Q2 e fazendo


P[E) = l-P(C), chegamos a (8.54).
Capitulo 8 | DESEMPENHO DE SISTEMAS DE TRANSMISSÃO DIGITAL... | 345

Considerando filtro casado e relacionando d/a com a energia média,


obtemos

(8.57)

Note que, para M = 4, obtemos (8.49).

8.3.3 PSK
O espaço de decisão no sistema PSK-8 está representado na figura 5.42.
Como se observa nessa figura, a região de decisão para uma das mensagens
no sistema PSK-M é genericamente um setor angular do plano com largura
igual a 2n/M. O cálculo da probabilidade de erro é bem mais complicado
neste caso, em comparação com o sistema QAM retangular, pois o ruído
na saída do operador tg1 mostrado no receptor da figura 5.43 não é mais
Gaussiano, e sua caracterização é mais difícil. Porém, uma boa aproxima­
ção pode ser obtida sem dificuldade, como se explica a seguir.
Inicialmente, são definidos, na figura 8.9, os semi-planos (abaixo do
eixo horizontal) e A2 (acima da fronteira superior da região de decisão de
m ). A união destes dois semi-planos corresponde aos pontos em que não se
decide pela mensagem mr Podemos, então, escrever

P (pInq) = P [(q ,r2) 6 (Aau A2) |mj =

= P[(r1,r2)e A1|m1] + P[(r1,r2)e A2|m1] - P[(r1,r2)e (Aan A2)|m1]

Assim, obviamente,

P{E\m J< P[(r1(r2)e A 1|m1] + A 2 j mj (8.59)


346 I PRINCÍPIOS DE COMUNICAÇÕES

Figura 8.9 Espaço de decisão no sistema PSK-8.

As duas parcelas do lado direito em (8.59) são equivalentes à probabi­


lidade de erro caso existissem apenas a fase correspondente à mensagem
m1 e uma fase vizinha. Podemos, então, aplicar, a cada uma destas parce­
las, a expressão de probabilidade de erro do caso binário, dada por (8.17),
resultando

P[E) <2Q (8.60)


2<t

onde d é a distância entre pontos vizinhos representados nas figuras 5.42


ou 8.9. Observando as relações geométricas na figura 5.42, obtemos

71 ^
d=Vg'[t0)sen (8.61)
yM y

A expressão (8.60), embora seja um limitante superior, é uma boa apro­


ximação para a probabilidade de erro. O erro cometido ao empregá-la é
igual ao valor da probabilidade de que (rlPr2) pertença a A2.
Capítulo 8 | DESEMPENHO DE SISTEMAS DE TRANSMISSÃO DIGITAL... | 347

Considerando filtro casado e relacionando d/u com a energia média,


chegamos a

(8.62)

8.4 SISTEMA FSK


Os sistemas FSK foram definidos na seção 5.2.3. O cálculo da probabi­
lidade de erro em sistemas FSK, no caso geral, com um número qualquer
de mensagens, é mais complexo do que os cálculos desenvolvidos até aqui
para os outros sistemas. Porém, no caso de um sistema FSK binário com
receptor ótimo, pode-se aplicar a expressão geral dada por (8.23). Como, em
geral, no sistema FSK as frequências são escolhidas de forma que os sinais
sejam ortogonais, neste caso pode-se aplicar (8.27).

8.5 SISTEMAS COM RECEPÇÃO NÃO COERENTE


Os sistemas com recepção não coerente foram definidos na seção 5.2.4 e
se resumem aos sistemas ASK on-offe FSK ortogonal. Além desses, inclui-se
também o sistema DPSK, que pode ser considerado um sistema parcialmen­
te coerente.
A seguir, é apresentado um resumo de resultados de probabilidade de
erro para esses sistemas.

ASK não coerente


on-off

A recepção não coerente de sinais ASK on-off, definidos por (5.43) e


(5.44), pode ser feita de acordo com o esquema da figura 5.50. A análise des­
te receptor mostrou que, na ausência de ruído, temos, após a demodulação
não coerente, as duas amostras dadas por (5.84). Adicionando a parcela de
ruído em (5.84), temos
348 I PRINCÍPIOS DE COMUNICAÇÕES

Tx = —g (f0)cos
2
(8.63)
r2 = —g'[t0)sen e+
2
onde s é a diferença entre a fase 0 e a fase y da portadora local e n1 e n2
são as componentes de ruído demodulado, cuja caracterização é a mesma
apresentada no capítulo 6, e usada na análise do receptor QAM coerente,
isto é, variáveis aleatórias Gaussianas estatisticamente independentes, de
média nula, e variância a2. Considerando as duas hipóteses, a = 0 e a = A,
temos duas expressões para a variável aleatória x na entrada do detetor da
figura 5.50:

y]n* +Ü2 a =0
x— (8.64)
cos e + iij)2 a =A

onde

K = y g '(f0) (8.65)

Pode-se mostrar que as funções densidade de probabilidade de x, con­


dicionadas à transmissão da amplitude nula ou amplitude não nula, são as
funções de Rayleigh e Rice, dadas, respectivamente, por:

aL
" ‘ .X 2 0 (8.66)

x 2+ r
e ‘ 2a1 ( K X X>0 (8.67)
Px\a=A

onde 1Qé a função de Bessel modificada de ordem 0. Essas duas funções


densidade de probabilidade estão mostradas na figura 8.10, onde está indi­
cado o valor do limiar X.
Capítulo 8 I DESEMPENHO DE SISTEMAS DE TRANSMISSÃO DIGITAL... | 349

Figura 8.10 Funções densidade de probabilidade de Rayleigh e de Rice e Limiar de decisão


no sistema ASK on-off.

Supondo mensagens equiprováveis, temos a seguinte expressão para a


probabilidade de erro no sistema ASK on-off:

X'+K2
2<f KX
2 2Jo <72
p ( £ ) = - r ^ e ' 2° 2d x + ± r ^ -
h (T2
dx ( 8 . 68 )

A primeira integral tem solução trivial. A segunda é tabelada, e é co­


nhecida como função de Marcum.

Aproximação para razão sinal-ruído alta


Quando a razão sinal-ruído é elevada, podemos aproximar a função
densidade de probabilidade p xm(XlmJ por uma densidade Gaussiana. Esta
aproximação pode ser verificada manipulando-se a segunda expressão em
(8.64), de modo a verificar a seguinte igualdade:

7~ Ã2 71
J[Kcos£+nJ +
77„
[ K s e n e + r ^J
I 2n,cos£+2n7sene
=
K
,1
+
n? +n% +,

Com a suposição de razão sinal-ruído alta, podemos desprezar o tercei­


ro termo dentro da raiz no lado direito de (8.89) e usar a aproximação
VI + x = 1 + x/2 quando x « l , para obter

x = K -i-njcos e+ n2sen e se m = m2 (8.70)


350 PRINCÍPIOS DE COMUNICAÇÕES

Podemos verificar que a variância da soma nl cose + n2 sene é igual à


variância cr2 de n1 e nr Assim, podemos escrever
lX-K)2
Px\JX \m2) = (8.71)

Utilizando esta aproximação na segunda integral de (8.68) e o limiar =K/2,


chegamos à seguinte expressão para a probabilidade de erro:

'jr
P [E )= 0,5 e 8<t +0,5Q (8.72)
,2<T,

Se o filtro h[t) for um filtro casado ao pulso g(f), podemos mostrar que

*;
P{E) = 0,5e 2í^+0,5 (8.73)

Sistema FSK não coerente


Como observado na Seção 5.2.4, o sistema FSK binário pode ser visto
como a composição de dois sistemas ASK on-off, cada um operando com
uma frequência de portadora. Seu receptor é mostrado na figura 5.51.
Observando a figura e supondo que foi transmitida a mensagem , as­
sociada à frequência f x, podemos adicionar em (5.86) as componentes de
ruído no primeiro modulador, representadas por nx l e nx2, expressando a
variável x como

x=^(kcos Cj+jíjj (8.74)

onde = (0t - y j e

t\
K = —rect <h(t)\t=tr (8.75)
2
Capítulo 8 | DESEMPENHO DE SISTEMAS DE TRANSMISSÃO DIGITAL... | 351

Com a mesma hipótese (m=m1), a variável y será constituída apenas


pelas componentes de ruído do segundo demodulador, representadas por
n2. e n22, e pode ser expressa como

(8.76)

A probabilidade de erro condicional será dada por

(8.77)

Observamos que (8.74) e (8.76) são iguais às expressões em (8.64).


Concluímos, então, que as variáveis aleatórias x e y são, respectivamente,
variáveis de Rice e Rayleigh, cujas funções densidade de probabilidade são
dadas por (8.67) e (8.66). Considerando que x e y são estatisticamente inde­
pendentes, o lado direito de (8.77) pode ser escrito como

(8.78)

Apesar da complexidade aparente, a integral dupla em (8.78) tem solução


simples dada por

p[E\m)=-e (8.79)
2

Pela simetria do problema P[E\mJ = P[E\m2) = e assim,

K2
P[É) = - e (8.80)
2
Para um filtro h[t) casado, chegamos a

(8.81)
352 I PRINCÍPIOS DE COMUNICAÇÕES

Sistema DPSK
A análise de probabilidade de erro no sistema DPSK é bastante com­
plexa, mesmo no caso de um sistema binário. Pode-se mostrar que, no caso
binário, com filtros casados,

1
P {E )= -e * (8.82)
2

8.6 ANÁLISE DE DESEMPENHO


Antes de concluir este capítulo, é interessante fazer uma análise com­
parativa do desempenho dos diversos sistemas aqui definidos. Para isto, é
conveniente introduzir novos parâmetros de desempenho, mais adequados
a uma comparação geral.
Para o usuário de um sistema de transmissão digital, o que interessa
é transmitir uma sequência de bits com a maior ve
mero de erros. Definem-se então, como parâmetros de desempenho que
medem a satisfação do usuário:
• R:a taxa de bits transmitidos - definida em (5.96) e equivalente ao nú­
mero de bits transmitidos por unidade de tempo;
• BER:a taxa de erro de bit - definida como a probabilidade de que um bit
qualquer da sequência transmitida seja detectado com erro.

Para o operador do sistema, o problema se coloca de outra forma. Embora


tenha também o interesse em prover a satisfação do usuário, deve procurar
esse objetivo com a maior eficiência possível, por motivos econômicos. Os pa­
râmetros associados à eficiência na transmissão são:
• Ps, a potência do transmissor;
• B: a largura de faixa ocupada na transmissão;
• N0: o dobro da densidade espectral de potência do ruído no canal.

Podemos dizer, em última análise, que o objetivo da engenharia de


sistemas de transmissão digital é atender a um determinado valor objetivo
para R e BER, com um mínimo valor de um máximo valor de
Capítulo 8 | DESEMPENHO DE SISTEMAS DE TRANSMISSÃO DIGITAL... | 353

8.6.1 Taxa de Erro de B it versus E b/ N 0

De acordo com o modelo geral mostrado na figura 8.1, o sistema trans­


mite a mensagem ou símbolo m = (b1b2...bL) e deteta m = ( b 1 b 2 ... bL), onde b.
e b . são bits, e m e m pertencem ao mesmo conjunto de símbolos {jh1,ui
mM). A probabilidade de erro calculada nas seções anteriores é a proba­
bilidade de erro na deteção da mensagem, ou símbolo, daí ser denomina­
da probabilidade de erro de símbolo. Sua expressão genérica, definida em
(8.1), pode ser desenvolvida na forma

M M
P[ E) = \ V P{rh = irijy m = m,) (8.83)
i=l 7=1

A probabilidade ou taxa de erro de bit (BER) pode ser definida como a


probabilidade de erro em um bit da mensagem m = (b1b2... ba) escolhido ao
acaso. Podemos verificar que

BER = j Y P { b i * b i)= y E (n e) (8.84)


L i-i L

onde ne é onúmero de dígitos binários errados na mensagem, e E[ne) é seu


valor esperado, expresso por
L
(8.85)
k=l

ou, alternativamente, por

( 8 . 86 )
i=l 7=1

onde n.. é o número de bits errados quando se transmite m. e se deteta m..


Comparando (8.86) com (8.83), podemos visualizar a relação entre a proba­
bilidade de erro de símbolo e a taxa de erro de bit.
354 1 PRINCÍPIOS DE COMUNICAÇÕES

A taxa de erro de bitpode ser estimada em uma trans


cial como a razão entre o número de bits errados e o número total de bits
transmitidos.

Exemplo 8.4
Neste exemplo, analisamos a deteção em uma transmissão com siste­
ma PSK-4 em canal com ruído branco Gaussiano. O espaço de decisão está
mostrado na figura 8.11, onde r e r2são os valores das amostras obtidas no
receptor da figura 5.37. Na figura, estão representados os pontos ideais, ob­
tidos na ausência de ruído, associados aos bits correspondentes. Desejamos
determinar: (a) a probabilidade de haver exatamente 1 bit errado na deteção
de um símbolo; (b) a probabilidade de haver exatamente 2 bits errados na
deteção de um símbolo; (c) a taxa de erro de bit; (d) a probabilidade de erro.

01 00

d < 1-------- ►
+
r1

11 10

Figura 8.11 Espaço de decisão do sistema PSK-4.

(a) Podemos verificar, analisando a figura 8.11, que, dado que foi transmi­
tido o par de bits 11, a probabilidade de haver exatamente 1 bit errado é
igual à probabilidade de que o ruído leve o ponto ideal, correspondente a
11, para o segundo quadrante ou para o quarto quadrante. Ou seja,

P(ne= l|ll) = P{n1| ,Uj > f ) + P(u1> £ ,n 2 < |) =


Capítulo 8 DESEMPENHO DE SISTEMAS DE TRANSMISSÃO DIGITAL... | 355

O mesmo resultado é obtido na hipótese de transmissão de cada um dos


demais pares de bits. Assim, obtemos

P[ne= 1) =2 Q
V

(b) Observando a figura 8.11, temos


A\
P(ne = 2\11) = P(n1> f n 2 > f ) = Q2
K1(J ,

Como este mesmo resultado é obtido na hipótese de transmissão de cada


um dos outros pares de it,chegamos a
b

(c) Aplicando (8.85) e levando depois em (8.84), temos

BER = — 1x2
2 «= } a :
t2Q h ? -Q
2(7

(d) Aplicando (8.48),

r dv2 rd > 2 fd )
p [e )=i - i- Q = 2Q
, 2(T>. , 2(Tv Q( - J

Codificação de Cray

É possível, em geral, fazer a associação das sequências de bits às diferen­


tes mensagens de tal forma que os erros mais frequentes no símbolo detetado
impliquem em 1 bit errado na sequência de bits recuperada. Esta forma de
codificação é denominada Codificação de Gray.
356 | PRINCÍPIOS DE COMUNICAÇÕES

Aproximação
Nos sistemas de modulação de amplitude e fase, é usual a seguinte
aproximação para relacionar a taxa de erro de bit à probabilidade de erro
de símbolo:

(8.87)

Esse resultado pode ser obtido considerando-se apenas o primeiro termo do


somatório em (8.85). Neste caso,

Considerando que, na codificação de Gray, os símbolos mais próximos di­


ferem apenas em 1 bit, e que, na condição usual de razão sinal-ruído alta,
a grande maioria dos erros corresponde a erro do símbolo correto para o
símbolo vizinho, P [ne= 1) = (Pfs), levando, assim,

Razão E O
./ N -
0
Outro aspecto importante na comparação de sistemas de transmissão
digital é a definição da razão sinal-ruído. As expressões de Probabilidade de
Erro desenvolvidas ao longo deste capítulo foram colocadas como funções
da razão E J N 0,onde Es éa energia média dos sinai
,é conveniente relacionar o desempenho à razão Eb/N0 onde Ebé a energia
média por bit, definida como

(8.89)

Note que, aplicando (8.89) e (5.96) a (5.28), obtemos

(8.90)

Ou seja, a potência do transmissor P , a taxa de bits a energia por bit


Eb têm uma relação única, independente do sistema de modulação, sendo
assim o parâmetro adequado para comparar diferentes sistemas.
Capítulo 8 I DESEMPENHO DE SISTEMAS DE TRANSMISSÃO DIGITAL... | 357

8.6.2 Comparação
Apresentamos a seguir uma comparação entre os sistemas de transmis­
são digital com base nas expressões de taxa de erro de em função
da razão EJN0. Observando (8.90), podemos verificar que, exceto a largura
de faixa, os demais parâmetros de desempenho definidos no início da seção
8.6 estão devidamente incorporados nesta forma de comparação.
A tabela 8.1 apresenta as expressões de BER, em função de EJN0 para
os sistemas binários. Analisando estas expressões, podemos verificar que
os sistemas coerentes simétricos (PAM, ASK e PSK) apresentam o melhor
desempenho, podendo ter o mesmo desempenho que os demais sistemas
coerentes com a metade da potência transmitida. Entre os sistemas não
coerentes, o sistema DPSK apresenta o melhor desempenho, seguido do
FSK. É importante ressaltar que o sistema DPSK, apesar de não coerente,
é ainda superior aos sistemas coerentes assimétricos ( . A assimetria
dos sinais na sua representação geométrica é um fator de degradação do
desempenho, fazendo com que os sistemas assimétricos sejam, em geral,
ineficientes na utilização da energia transmitida.

Tabela 8.1 Taxa de Erro de Bit em Sistemas Binários


SISTEMA BER

/
PAM On-Off
Q F)
NJ
ASK On-Off
FSK V

PAM Simétrico (
ASK Simétrico Q 2£‘ '
PSK N0
j

ASK On-Off
não coerente
1
2 e
-li-

“+Q k
[T

V
f )

° /

1
FSK não coerente - e 2N°
2
1
DPSK - e N°
2
358 | PRINCÍPIOS DE COMUNICAÇÕES

Na tabela 8.2 são apresentadas as expressões da taxa de erro de bit dos


sistemas quaternários PSK-4, PAM-4 e ASK-4, verificando-se a vantagem do
sistema PSK-4.

Tabela 8.2 Taxa de Erro de Bit em Sistemas Quaternários

PSK x QAM
As expressões da taxa de erro de bit para os sistemas PSK e QAM
M-ários, com M> 4, estão mostradas na tabela 8.3, onde L = log2(M). Podemos
verificar que os sistemas QAM apresentam desempenho cada vez melhor
do que os sistemas PSK à medida que aumenta o número M de sinais. A jus­
tificativa é simples e está ligada ao fato de que todos os sinais do conjunto
PSK têm a mesma amplitude e, portanto, estão em um mesmo círculo no es­
paço de sinais. Assim, quando aumenta o número de sinais, mantendo-se a
mesma energia média, há uma redução da distância entre os sinais vizinhos
bem maior do que a que ocorre no sistema QAM, onde os sinais podem ter
diversas amplitudes, havendo, com isso, maior flexibilidade na ocupação
do espaço. Isso explica por que os sistemas QAM são utilizados quando se
deseja transmitir um grande número de mensagens.

Tabela 8.3 Taxa de Erro de Bitem Sistemas PSK-M e QAM-M, M > 4

SISTEMA BER
4 ( 1 W |I 3LEb)
QAM
n '^ r b l (M - 1 ^

2J
PSK —Q
L (jy
I— Í2LÊn )
— sen —
Na
Capitulo 8 | DESEMPENHO DE SISTEMAS DE TRANSMISSÃO DIGITAL... | 359

Na figura 8.12 estão mostradas curvas da taxa de erro de em função de


EJNÜpara os sistemas aqui analisados.
BER

Figura 8.12 Curvas de taxa de erro de em função da razão f,/N 0.

8.6.3 Limitantes da Taxa de B its

Um dos critérios de comparação de desempenho entre sistemas de


transmissão digital é a máxima taxa de bits R que pode ser transmitida em
um determinado canal com nível de ruído N0, para certo valor de potência
transmitida Pse para um objetivo de qualidade Note que o objetivo
de qualidade estabelece que

BER< [BERreq] (8.91)

Levando em conta o sistema de transmissão, obtemos, através das expres­


sões ou curvas BER x EJN(), a razão {EJNJ^, correspondente a
Obviamente (8.91), implica em
360 I PRINCÍPIOS DE COMUNICAÇÕES

>
*b >
(8.92)
N0 jreq

Usando (8.90) em (8.92), chegamos a


\
(8.93)

o que equivale a

R< \
(8.94)
Jreq

O resultado em (8.94) corresponde a uma limitação na taxa de bits,


definida pelo desempenho desejado em presença de ruído, que depende
basicamente das potências do sinal e do ruído. Esta limitação é conhecida
como Limitação de Potência.
Por outro lado, para um sistema que opera sem interferência entre sím­
bolos, outro tipo de limitação na taxa de bits é determinada por (5.120) e
(5.121). Explicitando R nestas equações, obtemos, para sistemas PAM,

H < 2 LR8.95)
(

e, para sistemas PSK e QAM,

H < L B (8.96)

Este tipo de limitação é, geralmente, referida como Limitação de Faixa.


Considerando a utilização de um pulso com espectro do tipo cosseno levan­
tado, explicitando R em (5.123) e (5.124) temos, para os sistemas PAM,

2 LB
R ^ ------ (8.97)
1 +a ’

e, para sistemas PSK e QAM,


Capitulo 8 | DESEMPENHO DE SISTEMAS DE TRANSMISSÃO DIGITAL... | 361

LB
R< (8.98)
1+ a

Exemplo 8.5
Neste exemplo, será analisado o desempenho ótimo de alguns sistemas
de transmissão digital operando com faixa mínima em um canal com lar­
gura de faixa igual a 4 kHz, em cuja saída se mediu uma potência de ruído
igual a 40 mW. O objetivo para a taxa de erro de é igual a IO-4 e a potên­
cia transmitida é igual a 1 W.
Pela limitação de faixa, aplicando (8.96), obtemos

8000 PSK - 4
12000 PSK - 8
16000 QAM- 16

Utilizando as expressões de probabilidade de erro ou as curvas apresenta­


das neste capítulo, temos

6.9 PSK- 4
A
14.9 PSK- 8
>~eq 16,6 QAM-16

A densidade espectral de potência de ruído no canal pode ser obtida


a partir da potência de ruído medida, ou seja, N0 = 10'5W/Hz. Substituindo
em (8.94), obtemos

14493 PSK - 4
6729 PSK - 8
6024 QAM- 16

Obviamente, para cada sistema, a máxima taxa de bits é o menor dos


dois valores obtidos. Concluímos que o sistema PSK-4 é limitado pela faixa,
enquanto os sistemas PSK-8 e QAM-16 são limitados pela potência.
362 | PRINCÍPIOS DE COMUNICAÇÕES

8.6.4 Capacidade do Canal


Os limitantes da taxa de bitsestudados na seção a
dos a um esquema específico de transmissão digital e a um determinado
valor para a taxa de erro de bit desejada. Existe, porém, um limitante na
taxa de bits que depende apenas da largura de faixa e da razão sinal-ruído
disponíveis para a transmissão digital. Este é um dos resultados de maior
impacto na história das comunicações, e é conhecido como o Teorema da
Capacidade do Canal, formulado originalmente por C. Shannon. A capa­
cidade do canal é definida como um limitante na taxa de bits com que a
informação pode ser transmitida através do canal, com uma taxa de erro
arbitrariamente pequena.
O enunciado do teorema pode ser colocado na seguinte forma:
um canal com capacidade C e uma fonte que gera símbolos a uma taxa de R
bit/s, (i) se R < C épossível transmitir a saída desta fonte, através do canal,
com uma probabilidade de erro tão pequena quanto se deseje, apesar da
presença de ruído; (ii) se R > Cnão existe esta possibilidade.
Note-se que o teorema acima indica apenas a possibilidade da trans­
missão, virtualmente sem erro, com um determinado conjunto modula-
dor-demodulador cujas especificações exatas não são conhecidas. As
tentativas de implementação de sistemas que se comportassem da forma
prevista pela teoria de Shannon resultaram nos códigos corretores de erro
que, sem apresentarem o desempenho ideal, de acordo com o teorema da
capacidade do canal, permitem melhorar significativamente o desempe­
nho dos moduladores convencionais em presença de ruído.
Para um canal de largura de faixa B, perturbado apenas por ruído adi­
tivo branco Gaussiano, é possível mostrar que a capacidade é expressa pela
relação

P
C = B log2 1 + _L (8.99)
P
/

onde Ps é a potência média do sinal, e Pn a potência média do ruído dentro


da faixa passante de largura B, ambas as potências calculadas na entrada
do receptor. Utilizando (8.90) e (6.12), ou seja, P^EJR e Pn=N0B, e conside­
rando a taxa de bits igual à capacidade do canal, temos
Capítulo 8 | DESEMPENHO DE SISTEMAS DE TRANSMISSÃO DIGITAL... | 363

( 8 . 100 )
Pn

Substituindo (8.100) em (8.99) chegamos à seguinte expressão para a efi­


ciência espectral associada à capacidade do canal, que vem a ser um limitan­
te para a eficiência espectral atingida por qualquer sistema de comunicação
digital:

£ Jk
( 8 . 101)
B N0

Invertendo esta expressão, obtemos

2c/fi- 1
( 8 . 102 )
N0 ~ C/B

É interessante examinar o comportamento desta expressão quando a


faixa do canal tende a infinito. Podemos verificar que

lim Eu
_ "77 =ln(2) (-1,59 )(8.103)
B
d
B —^°° N0

Este valor é o menor valor de razão sinal-ruído para a qual é teorica­


mente possível fazer uma transmissão virtualmente sem erro através de
codificação.
A figura 8.13 mostra a curva de eficiência espectral dada por (8.101),
junto com resultados de eficiência espectral para alguns sistemas sem
codificação.
364 | PRINCÍPIOS DE COMUNICAÇÕES

Figura 8.13 Curvas de eficiência espectral.

8.7 APÊNDICE: DESEMPENHO COM CÓ D IGO


CORRETOR DE ERRO
Os códigos corretores de erro são hoje amplamente utilizados na trans­
missão digital como ferramentas de melhoria de desempenho. O princípio
desta técnica consiste em introduzir redundância nos símbolos transmiti­
dos com propriedades que permitem a correção de erros no receptor. As
técnicas para obtenção de códigos eficientes têm tido uma evolução cons­
tante e constituem uma área importante da teoria das comunicações.
A situação típica para o emprego dos códigos corretores de erro é aque­
la em que a potência de transmissão não é suficiente para obter a probabi­
lidade de erro desejada, e existe disponibilidade de largura de faixa adi­
cional à que seria necessária sem o uso do código. O esquema mais usual
está representado na figura 8.14, ou seja, antes do transmissor é inserido o
codificador e, após o receptor, é inserido o decodificador.
Capitulo 8 | DESEMPENHO DE SISTEMAS DE TRANSMISSÃO DIGITAL... | 365

Figura 8.14 Sistema de transmissão com código corretor de erro.

O codificador introduz redundância nos bits de entrada, de forma que,


para K bits de entrada, são gerados N bits codificados. Define-se, então, a
taxa do código pela razão

fíc = - ^ < l (8.104)

O resultado prático da utilização do código corretor de erro é a redu­


ção do valor de Eb/N0requerido para se obter uma determinada taxa de erro
de bit. Esta redução é denominada ganho do código e está ilustrada na figu­
ra 8.15, onde são representadas duas curvas BER x EJN^, correspondentes
à transmissão com e sem codificação. Note que o ganho depende da taxa de
erro BERreq tomada como referência.
366 PRINCÍPIOS DE COMUNICAÇÕES

Por outro lado, a introdução de bits de redundância pelo codificador


provoca um aumento da taxa de bits por um fator N/K. Consequentemente,
haverá um aumento da largura de faixa do sinal transmitido na mesma
proporção.
Em resumo, quando se usa código corretor de erro, as expressões
(8.94), (8.95) e (8.96) tomam a seguinte forma:

PSG
No / N 0 ) req
(8.105)

R < 2LURC (8.106)

R < LBRC (8.107)

onde Gé o ganho do código, e Rc a


é taxa do có
Outro parâmetro importante na caracterização de um código é a sua
capacidade de deteção e correção. Os códigos mais simples são capazes de
corrigir ou detetar erros isolados. Aumentando a redundância e a comple­
xidade do código, consegue-se corrigir grupos de vários bits errados.

Exemplo 8.6
Considerando, no Exemplo 8.5, um código corretor de erro de taxa 3/4 e
ganho 2 (3 dB) para uma taxa de erro de IO-4, temos, para o sistema QAM-16,

R< —x16000=12000
4
P G
-------- ^--------- = 2x6,024 kbit/s
<
R
N0(Eb/N0)req

Observamos, portanto, que, com o uso do código corretor de erro, a


taxa imposta pela limitação de faixa se reduziu, enquanto a imposta pela
limitação de potência aumentou. Como no sistema QAM-16 há disponibili­
dade de faixa e falta de potência, a utilização de código corretor de erro é
adequada.
Capítulo 8 | DESEMPENHO DE SISTEMAS DE TRANSMISSÃO DIGITAL... | 367

8.8 APÊNDICE: TABELA DA FUNÇÃO Q(ct)


Para a > 5

a 0 ,0 0 0,01 0 ,0 2 0 ,0 3 0 ,0 4 0 ,0 5 0 ,0 6 0 ,0 7 0 ,0 8 0 ,0 9
0,00 0,5000 0,4960 0,4920 0,4880 0,4840 0,4800 0,4760 0,4720 0,4681 0,4641
0,10 0,4601 0,4562 0,4522 0,4482 0,4443 0,4403 0,4364 0,4325 0,4285 0,4246
0,20 0,4207 0,4168 0,4129 0,4090 0,4051 0,4012 0,3974 0,3935 0,3897 0,3859
0,30 0,3820 0,3782 0,3744 0,3707 0,3669 0,3631 0,3594 0,3556 0,3519 0,3482
0,40 0,3445 0,3409 0,3372 0,3335 0,3299 0,3263 0,3227 0,3191 0,3156 0,3120
0,50 0,3085 0,3050 0,3015 0,2980 0,2945 0,2911 0,2877 0,2843 0,2809 0,2775
0,60 0,2742 0,2709 0,2676 0,2643 0,2610 0,2578 0,2546 0,2514 0,2482 0,2450
0,70 0,2419 0,2388 0,2357 0,2326 0,2296 0,2266 0,2236 0,2206 0,2176 0,2147
0,80 0,2118 0,2089 0,2061 0,2032 0,2004 0,1976 0,1948 0,1921 0,1894 0,1867
0,90 0,1840 0,1814 0,1787 0,1736
0,1761 0,1710 0,16850,1660 0,1635 0,1610
1,00 0,1586 0,1562 0,15380,1515 0,1491 0,1468 0,1445 | 0,1423 0,1400 0,1378
1,10 0,1356 0,1335 0,13130,1292 0,1271 0,1250 0,1230 0,1210 0,1190 0,1170
1,20 0,1150 0,1131 0,11120,1093 0,1074 0,1056 0,1038 0,1020 0,1002 0,0985
1,30 0,0968 0,0950 0,09340,0917 0,0901 0,0885 0,0869 0,0853 0,0837 0,0822
1,40 0,0807 0,0792 0,0778 0,0763 0,0749 0,0735 0,0721 0,0707 0,0694 0,0681
1,50 0,0668 0,0655 0,0642 0,0630 0,0617 0,0605 0,0593 0,0582 0,0570 0,0559
1,60 0,0547 0,0536 0,0526 0,0515 0,0505 0,0494 0,0484 0,0474 0,0464 0,0455
1,70 0,0445 0,0436 0,0427 0,0418 0,0409 0,0400 0,0392 0,0383 0,0375 0,0367
1,80 0,0359 0,0351 0,0343 0,0336 0,0328 0,0321 0,0314 0,0307 0,0300 0,0293
1,90 0,0287 0,0280 0,0274 0,0268 0,0261 0,0255 0,0249 0,0244 0,0238 0,0232
2,00 0,0227 0,0222 0,0216 0,0211 0,0206 0,0201 0,0196 0,0192 0,0187 0,0183
2,10 0,01 78 0,0174 0,01 70 0,0165 0,0161 0,0157 0,0153 0,0150 0,0146 0,0142
2,20 0,0139 0,0135 0,0132 0,0128 0,0125 0,0122 0,0119 0,0116 0,0113 0,0110
2,30 0,0107 0,0104 0,0101 0,0099 0,0096 0,0093 0,0091 0,0088 0,0086 0,0084
2,40 0,0081 0,0079 0,0077 0,0075 0,0073 0,0071 0,0069 0,0067 0,0065 0,0063
2,50 0,0062 0,0060 0,0058 0,0057 0,0055 0,0053 0,0052 0,0050 0,0049 0,0047
2,60 0,0046 0,0045 0,0043 0,0042 0,0041 0,0040 0,0039 0,0037 0,0036 0,0035
2,70 0,0034 0,0033 0,0032 0,0031 0,0030 0,0029 0,0028 0,0028 0,0027 0,0026
2,80 0,0025 0,0024 0,0024 0,0023 0,0022 0,0021 0,0021 0,0020 0,0019 0,0019
2,90 0,0018 0,0018 0,001 7 0,0016 0,0016 0,0015 0,0015 0,0014 0,0014 0,0013
3,00 0,0013 0,0013 0,0012 0,0012 0,0011 0,0011 0,0011 0,0010 0,0010 0,0010
3,10 0,0009 0,0009 0,0009 0,0008 0,0008 0,0008 0,0007 0,0007 0,0007 0,0007
3,20 0,0006 0,0006 0,0006 0,0006 0,0005 0,0005 0,0005 0,0005 0,0005 0,0005
3,30 0,0004 0,0004 0,0004 0,0004 0,0004 0,0004 0,0003 0,0003 0,0003 0,0003
3,40 0,0003 0,0003 0,0003 0,0003 0,0002 0,0002 0,0002 0,0002 0,0002 0,0002
3,50 0,0002 0,0002 0,0002 0,0002 0,0002 0,0001 0,0001 0,0001 0,0001 0,0001
368 | PRINCÍPIOS DE COMUNICAÇÕES

8.9 EXERCÍCIOS
8.1 Para cada par de sinais na figura E8.1, calcule a energia média
e a probabilidade de erro mínima em presença de ruído aditivo branco
Gaussiano com densidade espectral de potência igual a 0,25 x 109 W/Hz,
sabendo que A = 1 mV e T = 1 ms.

(a) (b) (c)


3A

0 7 t 7 í
0 7 t
A

(d) (e) (0
A

0 772
0 7 t 0 7 t -A
A A

7 27 t 7/2 37/2 t 0 7/2 7 í


-A
Figura E8.1

8.2 Para se fazer uma transmissão binária em banda básica, deve-se es­
colher os sinais entre os 4 pares mostrados abaixo. Qual deve ser a escolha
se o critério for (i): a menor probabilidade de erro para um dado valor da
energia média; (ii): a menor probabilidade de erro para um dado valor da
energia média, com a menor amplitude do pulso; (iii): a menor probabilida­
de de erro com a menor ocupação espectral?

(a) (b) (c) (d)

0 T 0 T/2
0 T 0 T/2

Figura E8.2
i co -S A
iP A E D IT O R A

Capítulo 8 | DESEMPENHO DE SISTEMAS DE TRANSMISSÃO DIGITAL.. | 369

8.3 Em uma transmissão PAM quaternária, é transmitido um pulso re­


tangular de duração 0,2 ms com amplitudes ± 2 e ± 6 mV. Sabe-se que, quan­
do é transmitida a amplitude + 6 mV , a probabilidade de errar é igual a 102
(a) determine a probabilidade de errar quando for transmitida a amplitu­
de + 2 mV;
(b) determine a probabilidade de erro;
(c) supondo que o filtro de recepção é casado e sua amplitude é unitária,
calcule a variância do ruído na entrada do detetor da figura 5.18.

8.4 Um sistema PSK-8 é utilizado para transmissão digital a uma taxa


de bits de 15 kbit/s. Sabe-se que, na entrada do receptor, a potência da por­
tadora modulada é igual a 3 x IO-6 W, e que sua envoltória é dada por

f Int''
1- cos 0 <t<T
g(t) = \ T
0 fora

Sabe-se, ainda, que o filtro passa-baixa utilizado no receptor da figura 5.43


é dado por h[t) = g[t0-t). (a) represente o espaço de decisão na deteção ótima e
calcule a distância entre dois sinais vizinhos; (b) determine a probabilidade de
erro mínima com ruído aditivo branco Gaussiano de densidade espectral de
potência igual a 0,24 x IO10W/Hz.

8.5 No Exercício 5.11 são analisados 3 sistemas: PSK-4, QAM-16 e PSK-8,


operando com receptor ótimo. Considerando que a variância da amostra
de ruído na saída dos filtros casados do receptor é igual a IO12, calcule a
probabilidade de erro em cada um desses sistemas.

8.6 Um sistema QAM-64 opera com taxa de 3 Mbit/s e chega ao re­


ceptor ótimo com envoltória constante e uma potência de 0,84 x 10® W.
Sabendo que os valores dos limiares são 0, ± 5 mV, ± 10 mV e ± 15 mV:
(a) determine a variância do ruído na entrada do detetor de limiar, saben­
do que a densidade espectral de potência do ruído no receptor é igual a
0,64 x IO'14; (b) determine a probabilidade de erro em termos da função Q.
370 PRINCÍPIOS DE COMUNICAÇÕES

8.7 Considere um sistema ASK on-off descrito no Exercício 5.8.onde


os sinais são

Sj(í) =2cos(2^/cf) 0 < í < 0.1 e s2(f) = 0

e cujo receptor está mostrado na figura 5.28, onde a resposta ao impulso do


filtro casado é dada por

0< f <0,lms
fora

Sabendo que a densidade espectral de potência de ruído no canal é


igual a 2xl0'6W/Hz: (a) determine a variância do ruído na saída do filtro e
calcule a probabilidade de erro usando esta variância e a distância deter­
minada no item anterior; (b) determine a razão sinal-ruído Es/N 0 e calcule
a probabilidade de erro usando esta razão sinal-ruído; (c) suponha que seja
usado o receptor não coerente da figura 5.50, onde o filtro h{t) é o mesmo
usado no receptor coerente; dado que foi transmitido s2(í) = 0, determine a
probabilidade de que a amostra x na entrada do detetor de limiar seja maior
do que 0,01 mV.

8.8 A Taxa de erro de bit é definida como a probabilidade de que um


bit escolhido aleatoriamente na sequência transmitida esteja errado. A par­
tir desta definição, demonstre (8.84).

8.9 Em um sistema PSK-4 onde <|>é a fase transmitida e 0 a fase deteta­


da, sabe-se que a probabilidade P0( = cr, = igua
detetada é vizinha da fase transmitida, e 5 x 10‘3, quando a fase detetada é
a fase oposta à fase transmitida. Calcule a probabilidade de erro e a taxa de
erro de bit obtida com os seguintes esquemas de codificação:

( 1) on
B its S ím b o lo s B its S ím b o lo s

00 tt/ 4 00 tt/ 4
01 3 tt/ 4 01 3 tt/ 4
10 5 tt/ 4 11 5 tt/ 4
11 7 tt/ 4 10 7 tt/ 4
Capítulo 8 | DESEMPENHO DE SISTEMAS DE TRANSMISSÃO DIGITAL... | 371

8.10 Sabe-se que a relação entre a probabilidade de erro (de símbolo) e


a taxa de erro (de bit) é dada, aproximadamente, por (8.84), quando se usa a
codificação de Gray e a razão sinal-ruído é alta. Verifique a precisão desta apro­
ximação em um sistema PSK-4 com receptor ótimo para EjN o= 0,5 e Eb/No= 2.

8.11 Usando as expressões das tabelas 8.1, 8.2 e 8.3, compare o de­
sempenho dos sistemas de transmissão digital analisados ao longo deste
capítulo (exceto o ASK -fnão coerente) em termos da razão EJ
on
dB) necessária para obter uma taxa de erro de bit mínima de 10-4 em canal
perturbado por ruído aditivo Gaussiano branco.

8.12 Uma transmissão digital deve ser feita com modulador PSK-4 ope­
rando com receptor ótimo, sem interferência entre símbolos, com taxa
de erro de bit desejada igual a IO-4 em canal com ruído aditivo branco
Gaussiano com densidade espectral de potência igual a IO12 W/Hz. (a) de­
termine a largura de faixa mínima do canal, e a potência necessária na en­
trada do receptor para transmitir a uma taxa de 64 kòif/s; (b) com os valores
calculados no item (a), determine a máxima taxa de bits teoricamente pos­
sível para transmissão com probabilidade de erro arbitrariamente pequena.

8.13 Repita o Exercício 8.12, considerando que o pulso de transmissão


e a resposta do filtro de recepção tem espectro do tipo cosseno levantado
com fator de roll-off igual a 0,5.

8.14 Considere o mesmo sistema de transmissão digital definido no


exercício anterior (modulador PSK-4 com receptor ótimo, sem interferência
entre símbolos, com taxa de erro de bit desejada igual a 10a em canal com
ruído branco Gaussiano com densidade espectral de potência igual a 1012
W/Hz). Suponha agora que a largura de faixa disponível para a transmissão
é fixada em 32 kHz e a potência do sinal no receptor em -30 dBm. Considere
ainda que, opcionalmente, pode-se empregar um código corretor de erro
de taxa % e ganho 4 dB. (a) Determine a máxima taxa de bits que pode ser
transmitida; (b) Para a taxa obtida, determine a faixa efetivamente utilizada
e a taxa de erro com que o sistema vai operar.

8.15 Repita o Exercício 8.14, considerando um sistema QAM-16.

8.16 Repita o Exercício 8.15, supondo que o código corretor de erro


utilizado tem ganho de 5 dB e taxa igual a
Solução dos Exercícios

Capítulo 2

2.1 Analise cada uma das funções da figura E2.1 e verifique se podem
ser transformadas de Fourier de uma função real.

Figura E2.1

Solução
Apenas a função da figura E2.1 (c) pode ser transformada de Fourier de
uma função real, pois não viola a condição =
374 I PRINCÍPIOS DE COMUNICAÇÕES

2.2 Calcule a transformada de Fourier das seguintes funções:

Utilize a tabela e as seguintes propriedades da transformada de Fourier:


(a) linearidade e mudança de escala
(b) linearidade, mudança de escala e deslocamento no tempo
(c) dualidade e mudança de escala
(d) linearidade e mudança de escala
(e) diferenciação e dualidade
(f) linearidade e deslocamento
(g) linearidade

Solução

(a) g(£) = 5xrect ({)<-> 40xsin c(8/)

(b) gM = Sxrectf1^ ) <-> 20xsinc(4/)exp( - j4n f )

gW = —------Vr <-> -2 2 ne= ne ^


i+ r t
(c) i+ 2n-
2K

(d) g (í)= L _ 2a‘ e -*V ^ °f)2 =


V27T(T y fln o
SOLUÇÃO DOS EXERCÍCIOS | 375

~ j ~ = r e c t ( | ) 2 x s i n c ( 2 / ) - 2 J t fG [ f)

^ G[ f ) = su ^ [2f]
Kf

(f) ~ 2 x r e c t ( ^ ) + t r i ( ^ ) ^ 8 x s i n c ( 4 /) e “,4,r^ + 2sinc2(2 /) e “;4,r/

(g) g [ t ) 5=52 x re c t({)-2 x tri(| )< -4 8 x s in c (4 /)-4 x s in c 2( 2 /)

2.3 Considere o sinal da figura E2.3 cuja transformada de Fourier foi


calculada no Exemplo 2.6. Obtenha essa mesma transformada usando (a) a
propriedade 9 (diferenti iação) e (b) a propriedade 10 (integração)

-T 0 T t

-A

Figura E2.3

Solução

= Aô(t +T)~ 2AÔ[t)+ A5[t -T ) <h>Aei2*fT Ae~i2nfT = 2/l[cos( 2

G( r j _ 2A[cos{2KTf) - 1] _ j A [ l - cos(iJtTf )]
;2 Jtf nf

= A T x tn [± )^ A T 2xsw c2{ T f ) = j ^ j r . note que j^g(x)dx = 0

G (f) = j2 n fx A T x s w c 2(T f)= ;2 n f = j2A ~ [


376 | PRINCÍPIOS DE COMUNICAÇÕES

Notando que

sen2# = i [ l - cos(2#)]

verificamos que as duas soluções são iguais. Verificamos também que

j2^ sen _ 2
j ATsinc
Kf

confirmando o resultado em (2.46).

2.4 Utilize a Propriedade 8 para calcular a integral do item (a), e o teo­


rema de Parseval dado por (2.69) para calcular a integral do item (b).

(a) í sxnc{Tf)df\ (b) f sinc2{ T f)d f

Solução
(a) Lembrando que
t_ \
sinc( Tf) <-> — rect
T/
pela propriedade (8)

J^sin c(7f)d f = ^rect(O) = ^

(b) Pelo Teorema de Parseval,


f i Y
J sinc2[T f )d rect2 dí= -
\T
1 ) tTJ

2.5 Usando as propriedades da função impulso, calcule:

(a) < 5 ( f - 3 ) * ( 2 e - V 3} (b)


SOLUÇÃO DOS EXERCÍCIOS | 377

Solução

(a) ô[t- 3) * ( 2e~V 3)= 2e'2(í_V 3 = 2e'2í' 3

r e m-i)ô [ t _ 1)dt => / 2 x l+ le3(1-1) = V3


f+ 1 1+1 2

2.6 Usando as propriedades da convolução e do deslocamento na fre­


quência, calcule

(a) sinc(3 f) * [sinc (b) sinc(4 t) * [ãnc (4 t)eH?rtJ

Solução

1 _ 1 íf- 4]
sinc(3 f) * [^sinc(4í)e/8,ríJ ++ - rect f f
l 3J
x —rect
(a) 3 4 4 { J
Podemos verificar que o produto das duas funções rect ( ) é nulo, pois
o prim eiro se anula para f/3 > 0,5, isto é, f > 1,5, e o segundo se anula para
(f-4)/4<0,5, isto é, f<2. Como a transform ada é nula, a convolução será nula.
\ \
1
(b) sinc(4 f) * ^sinc(4í)e/47r'J +-> - rect / x —rect
4 4 4

1/4

-2 0 2 f'
ii

1/4

<
D 4 f

1/16

0 2 f
378 | PRINCÍPIOS DE COMUNICAÇÕES

Verificamos, com o auxílio da figura, que o produto das funções rect


neste caso será

(f )x —rect
1 - ( f ~ 2 ) = — rect Í / _ 1 l
{ 4 J 16 l 2 j
—rect
4 l 4J 4

Fazendo a transformada inversa, obtemos

sinc(4í) * ["sinc (4
L
t)e)2K4t ]J = -8 sinc(2í)e;2,rí

2.7 Usando a propriedade da modulação, calcule a transformada de


Fourier das funções abaixo e esboce o seu espectro de amplitude para/0 » 1
(a) g[t) = e~l cos[2 k f 0t)u[t)

(b) g(f) = e 'Nco s(2 ;r/0f)

(c) g {i] = e ^ s e n { 2 n f 0t)

Solução

(a) g[t) = e~t cos[2 jrf0t)u[t)

Como

e_íu(f)
1+ ;2 7r/

pela propriedade da modulação,

_______1 1
G (/ ) .l
1 + ; 2 tr ( / - / 0) 1+ /„)_

Podemos observar que os módulos das duas parcelas complexas acima


têm seu valor máximo para/=/0 e/= -/0, respectivamente, e tendem a zero à
medida qu e/ se afasta destes valores. Podemos, então, usar a aproximação
SOLUÇÃO DOS EXERCÍCIOS | 379

1 1
/> o
2
p m= <
1 1
/< o
2 V i + 4 ^ ( / + /„)!

(b) g {t) = e cos(2;r/0f)

Como

e 1,1 <-> ■
l + (2 ^ / )2

pela propriedade da modulação,

G (/ ) = 4
2 L l+ [2 M / -/ o )r 1+

Neste caso, G(/) é uma função real e positiva e, portanto, é igual a seu
módulo, isto é,

|G(/)| = G(/) = -1 + [2 tt( 1/ - 1


f 0)] 1+[27 t ( / +

(c) g{t) = sen [2 n f 0t)

Neste caso,

G [f] l + [ 2 * ( / - / 0)]2 * ( / + /„)]2

|G (/)|- l+ [2 * ( / - / „ ) ] ' 1 + I2 ít (/ + /0)]!

Nos três casos, considerando f 0 » 1, o espectro de amp


semelhante à da figura
380 | PRINCÍPIOS DE COMUNICAÇÕES

2.8 Utilize o resultado do exemplo 2.8 e as propriedades da integral


de convolução para calcular a convolução entre as funções da figura E2.8.
5 ____________

---------------- 1------------------ ►
0 1 2 í

5 ----------
1------ ------1----- ------1
0 1 2 3 í

Figura E2.8

Solução
Sabem os de (2.65) que

re(y) * [ j ) = T- (y)

No caso, temos

5x rect ) * 5 x )

Aplicando (2.63) duas vezes, considerando um atraso igual a 1 na primeira


função e igual a 2 na segunda, podemos escrever
\
5 x rect ( ‘- f )* 5 x rect (■l- f )= 2 5 x 2 x tri
J
cujo gráfico está representado na figura.
50>

+- >
1 3 5 t
SOLUÇÃO DOS EXERCÍCIOS | 381

2.9 Calcule g1(t)*g2(t), representadas na figura E2.9, para t = 6.

Solução
Para t =6, mostra-se na figura que segue a posição relativa das duas
funções do integrando de

Por inspeção, podemos calcular a área do triângulo e a área do impulso,


levando em conta os valores de ) que multiplicam estas funções, e obte­
mos o valor 8.

2.10 Utilizando a tabela de transformadas, a Propriedade 13 - expres­


são (2.69), e outras propriedades, determine o valor das integrais:

(a) J ^ jC O s ( 2 ^ / cf)d t; (b) f~ — sm c{B t)ei


382 I PRINCÍPIOS DE COMUNICAÇÕES

Solução
(a) Usando a tabela de transformadas e aplicando as propriedades da
dualidade e da mudança de escala, temos

1 - 12?r/l
<r+7re
1 + f2

Aplicando (2.69), temos

f
J —oo
—}— c o s {2 x fct ) d t = {
1 t [ J —oo Z
1 [Ô[f -
(b) Usando a tabela de transformadas e aplicando as propriedades da
dualidade, temos

— <->2;xsgn(-/)
Kt

sinc(Bf)e,)rSí — rect lz_


B B
Aplicando (2.69), temos
B\
lz _
f — smc{Bt)el,tfBdt= f [2ixsgn(-/)]* — rect dt
J-? rf B B
As duas funções do integrando e seu produto estão representadas na figura
abaixo. Podemos, então, concluir que a integral será igual a 2y.

1/6
2
-►
I0 8 f

2//B

—►
0 S

2.11 Para cada um dos três pulsos definidos na figura E 2 .ll : (a) deter­
mine sua amplitude para que eles tenham energia unitária; (b) determine a
expressão da densidade espectral de energia definida em (2.125).
SOLUÇÃO DOS EXERCÍCIOS | 383

g,W
A,

-- ---1--------------1
-T/2 0 T/2 t -T/4 T/4 í

A,

---- ^
-T/2 0 T/2 t

Figura E2.11

Solução

a \t = a \ \ = a \t = 1

Logo,

A A Vr

A =
I

* \
<=>G1(/ ) = VTsinc(T/)
glW = 7 r recí v T
i y
T y rr \
í 2t^
g 2 Ít) = \ h rect o G 2 (/ ) = a/—stnc - f
& T ,
V y V2 y

(t +T fí-T / )
/ 4/A — j= r e c t
1 /4
g3ÍÍ)= V r recí T / Vt
77
/2 J 1 /2 J

fT \
G3(/ ) = — Vt s íí ic - f [ e ; W / 2 - e ' , w / 2 ]1 =
= V r sinc
V7;sinc - f jsen [n T f / 2)
V2 y l 2 J
Lembrando que o espectro de energia de g(f) é o módulo ao quadrado de
G(/), temos,
384 I PRINCÍPIOS DE COMUNICAÇÕES

IG^/JI2-rsin c2(T/)

\
T. 2
|G2(/)|2 = — smc
2 )

\G3[f)\ 2= Tsinc2 ■sen2[7tTf ! 2)


~2f

2.12 Determine a função de transferência, a largura de faixa de 3 dB


e a resposta ao impulso e do filtro RC cujo circuito está representado na
figura E2.12.

AAA Î
Î
Y(0

Figura E2.12

Solução
Analisando o circuito, podemos escrever

)2 n fC
Y( f ) = X { f ) -
R+
jlítfC

A função de transferência, será

X {f ) 1+
SOLUÇÃO DOS EXERCÍCIOS | 385

Para determ inar a largura de faixa de 3 dB, fazemos

1 _ 1
l +(2 2
e obtemos

3dB= ^ —
3dB 2

Aplicando a transformada de Fourier, obtemos

h[t) = ae~atu[t)

onde

1
a=
~RC

2.13 Um filtro RC tem resposta ao impulso dada por h[t) = 1 0 0 e 100í u[t).
Determine a saída deste filtro no domínio do tempo quando a entrada é
x(f) = 2 cos (2 tt x 50t).

Solução
Usando a tabela de transformadas, temos

100
H{ f ) =
100 + j 2n f
Para/c = 50, temos

100 1
H[ f ) =
1 0 0 + )2 k x 50 1+

|h (/ j | - - A
386 | PRINCÍPIOS DE COMUNICAÇÕES

Aplicando (2.117), chegamos a

y(f) = . =- cos[2;rx50f+ tg^jft)]


V l+7ü2

2.14 Um pulso retangular de amplitude unitária e duração 0,01 ms pas­


sa pelo filtro passa-baixa H[f) representado na figura E2.14. Esboce a trans­
formada de Fourier do sinal na saída deste filtro.
i L H(f)
1

-200 0 200 (kHz)


Figura E2.14

Solução
O espectro de amplitude do sinal na saída do filtro é dado por

|U /) |- |X ( /) ||H ( /) |

onde

|x(/)| = r|sinc(r/)|

sendo T= 10-5 s. Esta função está representada na figura que segue:

Assim, chegamos à seguinte expressão e respectivo gráfico:


SOLUÇÃO DOS EXERCÍCIOS | 387

ÍTsm c(T/) 1/ |< 200 kHz


n /) =
|o fora

2.15 A relação entre a entrada x(f) e a saída y(f) de um sistema linear


é dada por

y(í) = 2x{t) +x (f-r) +x (f+ r)

Determine a função de transferência deste sistema.

Solução
A resposta ao impulso é dada por

h{t) = 2ô(f) + ô(í-x) +


e a função de transferência por

H [ f ) = 2 + e~'2*Tf + e ' 2KTf = 2 + 2 cos[2 n rf)

2.16 A função
\
g ( í ) = sinc2

é amostrada por impulsos de área unitária em t = kT 0, onde T0 = ob-


tendo-se o sinal x(f). (a) Faça um gráfico de x(í) e de sua transformada de
Fourier X(f]-, (b) suponha que o sinal x(f) passa pelo filtro H{f] mostrado na
figura E2.16. Determine a expressão do sinal y(f) na saída do filtro.
388 I PRINCÍPIOS DE COMUNICAÇÕES

H(Oi
1!◄- 2/T —►! 1 !◄- 2/T -►!

_____ 1 ______ W
w
-1/T„ 0 1/T0 f

Figura E2.16

Solução
O sinal x(í) está mostrado na figura abaixo.

Sabem os que

* \
g(f) = sinc2 G[f)-Txtn(Tf)
v1T ,
Como o espectro do sinal amostrado é a repetição do espectro Gíf] multipli-
cado por 1 /T 0,este espectro é dado por
OO
\ í M
>
*rxtri(r/)- i
y i——oo
2 x tri
-
T f-^r
Tn
0

e seu gráfico está mostrado abaixo, seguido do gráfico do sinal na saída do


filtro.
SOLUÇÃO DOS EXERCÍCIOS | 389
390 I PRINCÍPIOS DE COMUNICAÇÕES

Capítulo 3

3.1 Um sinal senoidal na frequência 4 kHz modula em amplitude uma


portadora em 600 kHz. Considerando que a potência da portadora modu­
lada é igual a l W , represente graficamente seu espectro de amplitude, nos
seguintes casos:
(a) modulação AM-SC-DSB
(b) modulação AM-SSB - faixa lateral superior.
(c) modulação AM com índice de modulação igual a 0,8

Solução

(a) = l ^ A cAm=2

M(f)
<V2) <V2>

---►
-4 0 4 f(kHz)
5(0
<AA/4M0,5)

.L_L <
LU
596 600 604

S(f)
W A»/4)=( 0 ,5 ^ 2 )
(b)
i
< 0 604 f

Note que no sistema SSB obtido pela filtragem do sistema DSB, a po­
tência fica reduzida à metade. Assim, para manter a potência em 1 W, as
componentes do sinal devem ser multiplicadas por V2".
SOLUÇÃO DOS EXERCÍCIOS | 391

(c)
K , K K p,„ 4 1+ =4
2
1 - > 4 = 1,23
2 2 2

Com base na figura 3.11 chegamos ao espectro representado na figura


abaixo

ii
(0,615)

iL
(0,246)

1[ í .
-6 0 0 0 596 600 604 f

3.2 Determine a frequência da portadora, a potência, o índice de mo­


dulação, a eficiência da transmissão e a largura de faixa dos seguintes si­
nais AM:
(a] s(í) = [10 + 4 cos(20 tt •103í) ] cos(2 tt •106í)

(b) s{t) = 0,2 cos(20 x 103 nt)+ 4cos(22 x 10 3 + 0,2 cos(24

Solução

(a) Comparando com (3.18a) s[t)=


que fc = 106 Ac = 10 e p = 0,4. Calculamos, então,

= 50 + 100 x 0,42/4 = 54
s 2 4

X] = 4/54 = 0,074

ou, usando (3.23),


q = 0,16/(2+0,16) = 0,074
5=1 2 /J m = 2 0 kHz

(b) Expandindo a expressão geral de um sinal AM com sinal modulador


senoidal, dada por (3.20), temos

s[t)= Ac cos(27rfct)+AcJucos(27rfJ) cos(2

Usando identidade trigonom étrica para o produto dos cossenos

s[t)= Accos( 2 n fct) +cos \2k( + / J f j + ^ c o s - f j t ]


392 | PRINCÍPIOS DE COMUNICAÇÕES

Comparando com a expressão do enunciado, chegamos a


fc = 11 kHz

4 = 4; = 0,2 —>// = 0,1


2
p - 42, 4V = 8 + 0,04
s 2 4

ri = 0,04/8,04 = 0.005
B r =2/m= 4k H z

3.3 Observando o espectro de um sinal AM mostrado na figura E3.3,


determine: (a) o índice de modulação; (b) a expressão do sinal AM no do­
mínio do tempo; (c) a potência da portadora modulada; (d) a eficiência da
modulação.

,(10) .00)

f
(4) (4) (4)

_u l l
-50 -45 - 40 40 45 50 f(kHz)

Figura E3.3

Solução

(a) Comparando a figura E3.3 com a figura 3.11(b), verificamos que o sinal
modulador é senoidal, que A J 2 = 10 e que \j.AJ4= 4. Temos então,

p = 16/20=0,8.

(b) Observando ainda, pela figura E3.3, que a frequência do sinal modula­
dor é igual a 5 kHz e que a frequência da portadora é igual a 45 kHz,
podemos escrever, usando (3.20),

s(í) = 20[l+ 0,8co s(2;rx5xl03f)]cos(2;rx45xl03f)


SOLUÇÃO DOS EXERCÍCIOS | 393

(c) A potência da portadora modulada será


202 202X 0,82
P= 200 + 64 = 264 W

(d) A eficiência da modulação será dada por


64
n 0 ,2 4 2
264

ou, aplicando (3.23),


0,8
n = 0 ,2 4 2
2 + 0,82

3.4 Considere o sinal AM


s[t) = [1 + acos[2nf j ) ] c o s (2 tt

onde f c» f m e a =3. É possível demodular o sinal utilizando um detetor d


envoltória? Esboce como ficaria o sinal na saída de um detetor de envoltó-
ria ideal.

Solução
Para que seja possível a deteção de envoltória, a condição é [1+a
cos( 27r/mf)] ^ 0. Portanto, se a = 3, esta condição não é satisfeita, pois o va­
lor mínimo da função acim a é igual a -2 , como ilustrado na figura abaixo.

3.5 A figura E3.5 (a) mostra o espectro de um sinal AM que chega a um


receptor. Este sinal é demodulado através do esquema da figura E3.5 (b).
(a) Determine o índice de modulação e escreva a expressão do sinal s(f);
(b) determine um valor razoável para a constante RC que permita garantir
que o detetor de envoltória acompanhe, aproximadamente, as variações da
envoltória da portadora.
394 | PRINCÍPIOS DE COMUNICAÇÕES

(a) k S(f) (1)'

(1/16) | 4 (1/16)

_____________ I—
0 995 1000 1005 f( kHz)

Figura E3.5

Solução
Comparando com o espectro da figura 3.11, verificamos que Ac = 2 e
p = 1/8; temos, então,

s ( f ) = 2 [ l + 0,125cos(2;r/mf)]cos(2/r/cf )

onde/m= é igual a 5 kHz e f c =1 MHz. Para acompanhamen


envoltória, RC » l//c = 1 0 '6. Um valor razoável para RC seria RC = 10'5 ou
algum valor maior.

3.6 A transmissão de um sinal de áudio com frequência máxima igual a


20 kHz é feita com portadora de frequência 100 kHz através do esquema da
figura E3.6 (a). Verifique se os filtros das figuras E3.6 (b), (c) e (d) permitem
recuperar o sinal transmitido sem distorção. Se o filtro permitir, identifique
o tipo de modulação.

(a)

cos(2tc) fc t
(c)
(b) H(f)
//(O ,

-4--------
0 80

100
► — I— ____ Lf (kHz) 0 95 100 120 f(kHz)
(kHz)

(d) I lífi

0 95 105 120 f (kHz)


Figura E3.6
SOLUÇÃO DOS EXERCÍCIOS | 395

Solução
Para recuperação do sinal sem distorção, a condição é

H tf-ft +H if+ ft-K


onde K é uma constante, para todo/dentro da faixa da mensagem, que é a
faixa [-20,20]. Observando que/c=100 kHz, verificamos que esta condição é
satisfeita para os filtros da figura abaixo (a) - sistema AM-DSB, e (c) sistema
AM-VSB [Vestigial Side Band), mas não para o filtro da figura (b).

(a) |----------------------- 1

-J------------1------------■--------------------►
-20 0 20 /'(kHz)

(O

-----------!-------£---- >-------*-------------- ►
-20 -5 0 5 20 f (kHz)

3.7 0 sinal m[t) = 5 cos [Z n fJ) é transmitido através de um sistema AM-DSB.


O sinal transmitido, dado por s(f) = 5 cos [2n f mt) cos (2 é demodulado
através do demodulador coerente da figura E3.7, onde 9 = n/A e H0(f) é um
filtro passa baixa ideal com largura de faixa maior do que f m. (a) Determine
S{f], o espectro de s(í); (b) determ ine a expressão do sinal demodulado r(f);
(c) suponha que a portadora AM-DSB definida acim a é filtrada por um fil­
tro passa-faixa ideal para gerar um sinal SSB com faixa lateral superior;
determine a expressão do sinal SSB assim obtido, no domínio do tempo; (d)
usando o mesmo demodulador da figura E3.7, determine o sinal r[t) obtido
pela demodulação do sinal SSB do item (c).
396 | PRINCÍPIOS DE COMUNICAÇÕES

cos(2jc/:c t + 0)

Figura E3.7

Solução

(a)
Slf) = l [ l s ( f - f m- f J +U ( f + f m- f c) + U { f - f m+ f c) +l ô { f + f m+fc)

= f [ 8 ( / - / c - / J +S ( / - / c + / J + 5 ( / + /c + / J +5 ( / + / c - / j ]

M(0 ^
(5/' 2)
fN

! (5
ii { i
111
___

~fm 0 fm f
S(f) 4
11
1 (5/4) (5/4)
A j I1 ih ii
1
------ 1----- ----------------- 1l1--------------- ----- 1---- ----- i
fc ~fc+fm 0 fc~fm m f

(b) r[t)=-cos( 2/r cos


2 J /
O erro de fase provoca uma atenuação no sinal demodulado.

(c) O espectro do sinal SSB - faixa lateral superior - está mostrado na


figura abaixo
S(f)
(5/4) (5/4)
4 i.

H----- -------►
« fc 0 fc f+fm f
SOLUÇÃO DOS EXERCÍCIOS | 397

No domínio do tempo temos

s(í) = | co s[2 n { f c + f j t ]

(d) Antes do filtro passa-baixa temos

x(f) = ~cos [2 k{ f c+ f j t ] x cosí 2 ^ )= cosL ) t

\
K
Após a filtragem, r(f) = — cos ; o erro de fase provoca uma de-
4 V )
fasagem no sinal demodulado.

3.8 Em uma transmissão AM de radiodifusão, as frequências das porta­


doras das emissoras vão de 540 a 1 600 KHz, e a faixa de cada canal é de 10
KHz. Sabendo que a frequência intermediária é 455 KHz e que a frequên­
cia do oscilador local deve estar sempre acima de 900 KHz: (a) determine o
maior e o menor valor da frequência do oscilador local para sintonizar todas
as emissoras; (b) verifique se a frequência de portadora de alguma emissora
pode ser frequência imagem de outra, isto é, verifique se seria possível sinto­
nizar duas emissoras ao mesmo tempo.

Solução

p a ra / 0 = /c -//

540 < f c <1600 540 - 455 < f 0 <1600 - 4

Esta solução não atende à exigência de f0 > 900;

P a ra / 0 = /c -//

540 < fc <


1 600 ^ 540 + 455 < / 0 < 1600 + 455 995 < 055

Neste caso,

540 + 910 < f' <


1600 ^
+ 910 1450 < 510
398 | PRINCÍPIOS DE COMUNICAÇÕES

Portanto, poderá haver sintonia da frequência imagem na faixa de fre­


quência [1 450, 1 600].

3.9 Determine a relação entre a potência da portadora modulada na


entrada do demodulador e a potência da mensagem recuperada na saída do
demodulador, para os sistemas AM analisados nesse capítulo, consideran­
do um sinal modulador senoidal de amplitude 1 mV, na frequência 4 kHz,
com índice de modulação igual a 0,5 no caso do sistema AM.

Solução

PH 1
AM-DSB
Ps 2

PH _ 1
AM-SSB
Ps 4

PH _ s 0,64
AM ps 1 + Pu2
-
1+ 0,32
2

3.10 Uma portadora de frequência 100 kHz é modulada em frequência


pelo sinal m[t) = cos (27r/mí), onde/m= 4 kHz. (a] Sabendo que a sensibili­
dade de frequência do modulador (constante k ') é igual a 400 Hz/Volt e que
a potência do sinal FM é igual a 8 W, determine o espectro do sinal FM;
(b) determine, usando a fórmula de Carson, a largura de faixa do sinal FM
obtido pela passagem do sinal FM definido anteriorm ente por um multipli­
cador de frequências com n = 10.

Solução
O espectro de um sinal FM modulado pelo sinal )= cos (2 tt/ t)
é dado por (3.105). Neste caso, Am= 1, f m= 4 x 103,
kf = 400, j8 = kJA J f m= 0,1. Como /? « 1 , podemos usar as aproximações em
(3.109), isto é,
SOLUÇÃO DOS EXERCÍCIOS | 399

J 0[p) = 1; J^p) = 2P
I ; J n[p) = 0 para 1

Aplicando também (3.107), chegamos a


S[ f ) = 2£ ( / - 100x l 03) + 0 ,l x £ ( /- 1 0 4 x l 0 3) - 0 , l x £ ( / - 9 6 x 1 0 a); / >0

Ao passar pelo multiplicador A f' = 10 x Àf = 10 x 400 = 4000; usando a fór­


mula de Carson dada por (3.79), temos BT = 2(4 000 + 4 000) = 16 000 Hz.
Note-se que, para um sinal senoidal de frequência f m, W = f m.

3.11 A frequência da portadora em um modulador FM é igual a 1 MHz,


e a sensibilidade de frequência k fé igual a 40 kHz/vo
sinal modulador dado por

m (f) = x (f) = cos(27i/0f)

onde f 0 = 5 kHz. (a) Determine o desvio máximo de frequência e o índice


de modulação do sinal FM; (b) esboce o espectro de amplitude do sinal FM;
(c) mostre que, para um sinal modulador m[t) = x 2(f), a portadora modula­
da corresponde a um sinal FM cuja frequência de portadora é igual a 1,02
MHz; calcule o desvio máximo em relação a esta frequência e o índice de
modulação correspondente.

Solução

(a) Àf = 40 kHz; p = 40/5 = 8


(b) O espectro de amplitude está mostrado na figura, onde fc = 1 MHz e
fm = 5 kHz

íc) m [t) = x 2(f) = ^ ^ cos(4;r/0f)


400 I PRINCÍPIOS DE COMUNICAÇÕES

Como a frequência instantânea da portadora é dada por

fít)- fc+kfm[t)- fç+ +

observamos que a parcela constante da frequência sofre um acréscim o


kf/2 = 20 kHz, resultando o valor 1 020 kHz ou 1,02 MHz. Com relação a
esta frequência, o desvio máximo será também igual a kf/2 = 20 kHz, e,
considerando que a frequência do sinal modulador é igual a 2 = 10 kHz, o
índice de modulação igual a 20/10 = 2.

3.12 Um sinal FM é gerado de acordo com o esquema da figura E 3.12,onde


o sinal modulador é um cosseno de amplitude unitária na frequência 10 kHz
e a sensibilidade de frequência kf do modulador é igual a 100 Hz/volt. (a)
Determine o desvio máximo de frequência, o índice de modulação e a largura
de faixa do sinal s0[)t; (b) determine a frequência da portadora do mo
de faixa estreita e o fator de multiplicação n para gerar um sinal FM na fre­
quência de portadora 100 MHz com desvio máximo igual a 20 kHz

m (t) M o d u lad o r FM s„(t) M u ltiplicado r de s(t)


Faixa Estreita fase ( x n)

Figura E3.12

Solução

(a) 4 / ^ = ^ = 100:13 = 100/10 000 = 0,01; BT= 2fm= 20kH z


(b) nx100 = 20 000; logo n = 200;
n/
x o = 100 000 kHz; logo/0 = 100 000/200 = 500 kHz

3.13 Uma portadora é modulada em frequência pelo sinal m[t) repre­


sentado na figura E.3.13. (a) Mostre que a condição de FM faixa estreita é
satisfeita se a constante de sensibilidade kf íoT igual a 10 Hz/volt; (b) usando
este valor de kf e supondo que a potência do sinal FM é igual a 1 W, faça um
esboço de seu espectro de amplitude.
SOLUÇÃO DOS EXERCÍCIOS | 401

Á
m(t)
1

0 1 2 t(ms)

-1

Figura E.3.13

Solução

) O sinal (j)[t)= I m [ a ) d a é mostrado na figura abaixo


Jo

Observando que o valor máximo de <j>[t) é 10'3 e que kf = 10, temos

2n kf (j)[t) 2n 10'2« 1
x
Podemos, então, usar a expressão aproximada para FM de faixa estreita,
dada por (3.84),

s[t) = ^ c o s f a f ct)~ ^ n k ^ i f i s e n f a f ct)

(b) A transform ada de Fourier de (|>(t) é dada por

^ ( / ) = 10-6sin c2( IO*3 f ) e i2KXl0'3f

Como a potência é 1, Ac= V2. Usando (3.85), isto é,

S ( / ) = A p ( / - / e) + 5 ( / + / e) ] - d í Í . [ 4 ) ( / - / . ) - 4 , ( / + / c)]
^ J
402 I PRINCÍPIOS DE COMUNICAÇÕES

e considerando que o produto entre a amplitude de <b(f), 10'6, e o coeficiente


A n kf é igual a \ÍZn x 10'5, chegamos ao esboço da figura abaixo.

(Vã

3.14 Em um experimento em laboratório para calibrar um modulador


FM, varia-se a amplitude do sinal modulador m[t) = cos [2nfmt) e obser­
va-se o espectro de amplitude da portadora modulada em um analisador de
espectro. Verifica-se que, para uma frequência f m= 2 kHz, aumentando-se a
amplitude A mdo sinal modulador a partir do zero, a componente mostrada
pelo analisador na frequência da portadora se reduz progressivamente até
se anular com pletam ente para o valor = 5 mV. Com esta observação,
determ ine a constante de sensibilidade de frequência k^.

Solução
Na figura 3.31, vemos que a amplitude da com ponente na frequência
da portadora é dada por J 0(P
). ela figura 3.3.2, ou consultand
p
para obter maior precisão, verificamos que J J fi) se anula para p = 2,4 e ou­
tros valores. Pelo enunciado do problema, temos

k f Am
—^7 — = -------- = 2,4 0, 96 x l 06Hz/v
5 x 1 0 '3ã:,

fm 2 X103 f
SOLUÇÃO DOS EXERCÍCIOS | 403

Capítulo 4

4.1 Uma fonte discreta sem memória tem um alfabeto de 8 símbolos


com probabilidades dadas por 0,25 0,20 0,15 0,12 0,10 0,08 0,05 e 0,05.
(a) Use o procedimento de codificação de Huffman para determ inar um
código binário para a saída da fonte; (b) calcule o número médio de dígitos
binários por palavra-código; (c) determine a entropia da fonte e compare
com o resultado do item anterior.

Solução

Sk P(sk)

S, 0,25
(0,58) 1 Bk
S2 0 ,2 0 B,= 11
(0,42)

S3 0,15 b2= 01

b3= 101
S< 0,12
( 0, 22)
b4= 001
(0,33)
S5 0 ,1 0
0 b5= 000
S6 0,0 8 B6= 1001
(0,18) b7= 00001
S7 0,05
( 0, 1)
S8 0,05
B» = 00000

« = 2x0,25+2x 0,20+3x0,15 + 3 x 0,12+3x0,10+ 4 x 0,08 +5x0,05+ 5x0,05 = 2,83

Aplicando (4.2), obtemos H = 2,80, confirmando (4.4).


404 [ PRINCÍPIOS DE COMUNICAÇÕES

4.2 Um quadro de imagem de TV é gerado através de um ponto lumi­


noso que se desloca na tela, formando um conjunto de 525 linhas. Suponha
que, em cada linha, o ponto luminoso possa ocupar 600 posições distintas.
Considerando todas as linhas, isto leva a um total de 315 000 posições [pi­
xels). Para cada pixel, suponha que existem 8 níveis de brilho e 3 níveis de
cor, e que todas as com binações desses níveis tenham a mesma probabilida­
de. (a) Calcule a entropia de cada pixel-, (b) calcule a entropia de um quadro.

Solução

(a) Como cada pixel apresenta um número de possíveis com binações de


atributos (brilho, cor) igual a 8 x 3 = 24, e as combinações são equipro-
váveis, sua entropia será igual à informação própria de cada pixel, isto é,

H p = log2 l°g 2(24)


24

Para um quadro composto de 315 000 pixels, o número de com binações é


315 00024. Usando a mesma formulação anterior,

h q = log; = log2(24315000) = 315000xlog2(24)


r, „315000
)

Portanto, a entropia do quadro será 315 000 vezes a entropia do pixel.

4.3 Um sinal é amostrado a uma taxa de 2 000 amostras/s e, estas


amostras são quantizadas nos níveis 0, ± 1 , ± 2 , ... ± 7. (a) Calcule a mínima
taxa de bits por segundo quando todos os níveis de quantização são codifi­
cados (sem ambiguidade) com o mesmo número de bits; (b) sabendo que a
probabilidade de ocorrência de um nível i * 0 é dada por

2^

determine a mínima taxa de bits por segundo, caso seja utilizada uma codi­
ficação com número diferente de bits por nível de quantização.
SOLUÇÃO DOS EXERCÍCIOS | 405

Solução

(a) Como o número de níveis é igual a 15, usando o mesmo número de


bits, são necessários 4 bits numa codificação com mesmo número
de bits. Como são 2 000 amostras/s, a taxa de bits, neste caso, será
2 000 x 4 = 8 000 bit/s.
(b) Inicialm ente, calculamos a probabilidade do nível i = 0,

n 1 „ 1 „ 1 1 1 2 8 - 6 4 - 3 2 - ...- 1
P[i= 0) 2 x —+ 2 X - + ...2X ----- U - i - i - i . . . - .
4 8 256 2 4 8 128 128

1
128

Sabem os que a codificação com mínimo comprimento médio, igual à


entropia, pode ser obtida se o comprimento de cada símbolo s.for dado por

r ç = - log2
P{s

o que nem sempre é possível, pois esse valor nem sempre é inteiro. No caso
deste exercício, isto é possível, pois,

1 '
log2 = log2 (2|,1+l)=|i \+X ...7
Pis,)

1 '
log = log2(2M+1)»|j |+1 i - 1 .2 ...7
P(s,) ,
V 1J

Ou seja, os níveis i = ±1, ±2 ..±7 serão codificados, respectivamente, com 2,


3, ...8 bits, e o nível i = 0 com 7 bits. A entropia será dada por

1 1 1 1 1
H = 2X —+ 3X—+ 4X —+ . . .8 X -----+ 7 x ----- = 2,98
2 4 8 128 128

Com a taxa de amostragem de 2 000 amostras/s obtemos, neste caso, a taxa


de 2,98 x 2 000 = 5 960 bit/s.
406 | PRINCÍPIOS DE COMUNICAÇÕES

4.4 O sinal s(í) = 4sen (27r/cí),o n d e/ c= 4 kHz é amostrado a uma taxa


de 12 000 amostras/s. (a) Considerando 3 amostras sucessivas, a partir de
t = 0, determine a sequência de bits na saída de um sistema PCM com quan-
tizador e tabela de codificação mostrados na figura E4.4.

Solução
O intervalo de amostragem será T = 1/12 000. Substituindo na função
s(í) = 4sen [2 n ft ) onde f. = 4000, temos

amostra 1: t = 0; s(t) = 0; bits: 000 ou 111


4000 ^
amostra 2: t = 1/12000; SW - 4sen 2n- = 4sen = 2^3 bits: 011
12000 V3 7
8000
amostra 3: t = 2/12000; 4 2/r- = 4sen = -2 ^ 3 b100
12000 v3 y
Sequência: 000011100 ou 111011100

4.5 Determine a razão sinal-ruído de quantização para um quantizador


uniform e de 8 bits, quando o sinal a ser quantizado é a função periódica
SOLUÇÃO DOS EXERCÍCIOS | 407

“dente de serra” da figura E4.5, onde x é uma variável aleatória uniform e­


mente distribuída entre -T /
2e

Figura E4.5 Sinal "d ente de serra".

Solução
Podemos verificar que s(f) terá distribuição uniforme no intervalo
[-V,V\. Neste caso,

X 2dX = Y l
-2V íJ-v 3

e, portanto,

Assim, para uma quantização com 8 bits,

RSR[dB) = 4 8 + 4 ,7 7 - 20log ( V ) = 48

4.6 A transmissão PCM de um sinal de voz utilizando quantização


uniforme de 7 bits é projetada para operar, sem sobrecarga, com razão
sinal-ruído de 35 dB. Supondo que o sinal de voz tem função densidade de
probabilidade de Laplace, calcule a probabilidade de sobrecarga.
408 I PRINCÍPIOS DE COMUNICAÇÕES

Solução

\
RSR{dB) = 6 X 7 + 4 ,7 7 - 20log = 35
J

20log = 11,77 —» — = 3,877


\ b/

A probabilidade de sobrecarga será

oo V2s
_ 3,877
2 P (s > y ) = 2 Í — "•
Jv V 2 cjç

4.7 Um sinal de voz com função densidade de probabilidade de Laplace


é transmitido através de um sistema PCM de 7 bits com quantização unifor­
me e probabilidade de sobrecarga igual a IO 3. Calcule aproximadamente a
razão sinal-ruído de quantização usando (4.22).

Solução

P(|s|>y) = 2 Í - 1 — e °s ds=
Jv V 2tJs <7S

RSR ( d B )= 6 x 7 + 4,77 - 20log (4,88) = 32,99

4.8 A codificação PCM de um sinal de áudio, cuja frequência máxima é


igual a 15 kHz, deve ser feita com quantizador uniforme e razão sinal-ruído
maior ou igual a 36 dB. Supondo um fator de carga igual a 4, determine o
menor valor possível da taxa de bits na transmissão deste sinal.
SOLUÇÃO DOS EXERCÍCIOS | 409

Solução
De (4.22), temos:

RSR[dB) = Gn +4,7 7 - 2 0 lo g (4 ) > 3 6

de onde

n > 7 ,21

Como n deve ser inteiro, tomamos = 8. A taxa de bits será igual a


8 x 2 x 15 = 240 kòjf/s

4.9 A função autocorrelação de um sinal analógico s[t), cuja frequência


máxima é f m, é dada por

R. ( t ) = £ "[ s ( í ) s ( í - t )] = <Tj COS


V

Este sinal deve ser digitalizado e transmitido através de um sistema DPCM


com quantizador uniforme e com razão sinal-ruído maior ou igual a 40 dB.
Supondo uma predição linear de prim eira ordem, isto é, com base na amos­
tra anterior, compare a taxa de bits da transmissão: (a) para codificação
com 4 bits-, (b) para codificação com 5 bits. Obs: considere um fator de carga
igual a 4 para o sinal a ser quantizado, isto é o erro de predição.

Solução
(a) Expressando (4.51) em dB, temos:

RSR[d= (dB) + Gp(dB)

onde RSRq[dB) é dado por (4.22). Aplicando (4.52), temos:

1
Gp{dB) = lOlog
/
410 | p r in c íp io s de c o m u n ic a ç õ e s

Resulta, então,
\
RSR[dR) =4
+,77 - 20log (4)+10log
6n >40
l-p ‘ )
p > Vi-io'4,727+0,6n
Para n = 4, obtemos p ^ 0,9976. Notando que

p = cos ; M< —
5 y Jm
f X
obtemos, para p = 0,9976, - ^ - = 0,0693. A taxa de amostragem será
1 5
—= 2,89 f m.C omo a taxa de amostragem está acim a do valor mínimo 2/ ,
X
requerido pelo teorem a da amostragem, o sistema pode operar com esta
taxa. A taxa de bits da transmissão será

i? = 4 x 2,88/m = ll,52/ mbit /s

(b) Repetindo os cálculos para n = 5, obtemos p ^ 0,9906 e, para p = 0,9906,


f X 1
^ - = 0,137.. Neste caso —= 1,46 f m.E ste valor está ab
5 X
querido pelo teorema da amostragem, 2fm, e esta deverá ser a taxa de amos­
tragem utilizada. A taxa de bits da transmissão será

R=5x2 f m= 10f m s
Verificamos que a solução com 5 bits leva a uma menor taxa de transmissão

4.10 Considere um sinal de voz, com função densidade de probabili­


dade de Laplace dada no Exemplo 4.2, quantizado por um quantizador uni­
forme de n bits. Usando a aproximação yN= calcule (a) as variâncias do
ruído de sobrecarga e do ruído de quantização granular em função do fator
de carga L = V/o, e de a s; (b) a expressão da razão sinal-ruído total (sobre­
carga + granular); (c) faça um gráfico da razão sinal-ruído de quantização
total, em função de L, para n= 8; (d) determine o valor d
de ao valor máximo da razão sinal-ruído
SOLUÇÃO DOS EXERCÍCIOS | 411

Solução
A variância do ruído de sobrecarga é calculada pela expressão (4.14),
fazendo yN= xNisto é

K = 2 \ [ S - x N]2 ps{S)dS
Jv

onde

V2H
f 1 1 <T
f t ( s ,‘ 7 í ã : e

Substituindo, calculando a integral e notando que

V
xn = V - A = V ----- 1-
N N N

obtemos

V 2L £ i
1 + -------+ ----7
N N2
/

Para o cálculo da variância do ruído de quantização granular aplica­


mos (4.12), onde, neste caso,

Aisir va Vã 1
1 —j=— e s ds = — e b - e s
Jxi, V2 Os 2

Substituindo e desenvolvendo, obtemos


412 I PRINCÍPIOS DE COMUNICAÇÕES

A razão sinal-ruído de quantização total é dada por

RSR= , 2
1+ V2L L2 >
_2
^q [ l - e - ^ L] + e
-\Í2 L
12 AT ~Ã T ÃF
/

Calculando para n = 8 feifs (N = 128), verificamos que a razão sinal-ruído é


máxima para L = 7 e seu valor é aproximadamente igual a 35,2 dB.
SOLUÇÃO DOS EXERCÍCIOS | 413

Capítulo 5

5.1 Os diagramas da figura E5.1 representam um integrador e um filtro


com resposta ao impulso h[t). Mostre que os dois diagramas são equivalen­
tes se h[t) for um filtro casado ao pulso retangular g{t) mostrado na figura,
isto é h[t) = g[t0-t), com tQ= T.

g(í)
1|---------

-►
0 T t

Figura E5.1

Solução
De acordo com a propriedade básica do filtro casado, a saída y do pri­
meiro diagrama pode ser dada por

y = í x [t)g [t)d t

Como

0 < t< T
g (*)=
fora

podemos escrever

o que corresponde ao segundo diagrama.


414 | PRINCÍPIOS DE COMUNICAÇÕES

5.2 Uma transmissão digital binária de mensagens equiprováveis é fei­


ta através dos sinais da figura E5.2. (a) Represente a estrutura do receptor
de mínima distância para estes sinais utilizando filtro casado, amostrador
em f = 2 T e detetor de limiar; especifique a resposta ao impulso do filtro
casado e determine o valor do limiar; (b) mostre que a estrutura da figura
E5.2 é equivalente ao receptor ótimo do item (a).

A S2fi)
t=0
r(t) 1r —
-► f' A ( >0 W
0 T t L á
) '
—► rh-m 1
t

S,(t)
Figura E5.2

Solução
(a) A estrutura é a da figura 5.10. O filtro casado e o sinal diferença estão
mostrados na figura 5.13(b), porém a amplitude dos pulsos é 2A e a respos­
ta do filtro casado tem um atraso T. O limiar, é dado por (5.5a). Como as
energias dos sinais são iguais, X=0.
(b) A forma alternativa do receptor ótimo é a da figura 5.7, que faz a cor­
relação entre o sinal recebido e o sinal diferença sd(í) = s ^ íj- s jt ) . De acor­
do com o diagrama da figura 5.7, e observando a forma de sd(t), podemos
escrever

r[t)sd[t)dt= í r[t)2 A d t= 2 A
J0

Ainda seguindo a figura 5.7, deve-se comparar a expressão acim a com o


limiar X, que neste caso, é igual a 0. Isto é,

2A j r ( t ) d t - j r[t)dt > 0: m--

Dividindo-se os dois lados por 2A, chega-se à regra de decisão do esquema


da figura E5.2
SOLUÇÃO DOS EXERCÍCIOS | 415

5.3 Uma transmissão digital binária de mensagens equiprováveis é fei­


ta através dos sinais da figura E5.3. (a) Represente a estrutura do receptor
de mínima distância para estes sinais, utilizando filtro casado, amostrador
em t= 2T e detetor de limiar; especifique a resposta ao impulso do filtro
casado e determine o valor do limiar; (b) mostre que a estrutura mostrada
na figura E5.3 é equivalente ao receptor ótimo do item (a).

s2(t)
A,----- 1----
( - 0 : x(0)

. r(t) x ( t) X
[■'
7 t ------------ p
JL ' ▼
2x(T)-x(0)-x(27)
A t_ r : x(T) >0 z
rh = m 1

t=27:x(27>
J----------- 1--------►
T t

Figura E5.3

Solução
(a) A estrutura é a da figura 5.10. O filtro casado e o sinal diferença estão
mostrados na figura abaixo. O limiar, Ã é dado por (5.6). Como as energias
dos sinais são iguais, Ã=0.

/i(t)= sd(t0- t )
sjW
A

w
0 T 27 t 0 7 27 t

-A -A

(b) A forma alternativa do receptor ótimo é a da figura 5.7, que faz a cor­
relação entre o sinal recebido e o sinal diferença sd[t) = s ^ - s ^ t ) . De acor­
do com o diagrama da figura 5.7, e observando a forma de sd(£), podemos
escrever
416 | PRINCÍPIOS DE COMUNICAÇÕES

f
J-™
r{t)sd[t)dt=
Jo
í Jt
r[t)A d t+ í
= J r ( í) d í- J r(f)cft-J r[t)dt

= a |^J r[t )d t -j r (f)c fe -J r(f)cftj

Ainda seguindo a figura 5.7, deve-se comparar a expressão acima com o


lim iar X, que, neste caso, é igual a 0. Dividindo-se por A, chega-se à regra de
decisão do esquema da figura E5.3.

5.4 Mostre que o diagrama da figura E5.3 também pode ser usado para
fazer a deteção ótima em um sistema de transmissão usando o par de sinais
da figura E5.4 correspondente ao código M anchester.

s2(t)
s,(t)
/\ A

0 T 2T
U
() T 2T t
-A -A

Figura E5.4

Solução
O sinal diferença, neste caso é igual ao do exercício 5.3, exceto a
amplitude dos pulsos que é igual a 2 A Como o limiar também é igual a 0, a
comparação no detetor de limiar independe desta amplitude, ou seja, pode-se
usar o mesmo diagrama da figura E5.3.

5.5 Considere que uma transmissão digital é feita com os sinais da figu­
ra E5.5, e que a deteção destes sinais é feita com base nas amostras colhidas
na saída x(f) de um integrador cuja entrada é o sinal recebido, como repre­
sentado na figura, (a) Mostre que as amostras de x[t) nos instantes 0, T e
representadas por x(0), x(T] e x(2T) são suficientes para se fazer a deteção
ótima; (bj sabendo que os valores das amostras são x(0) = 0,4 ; x[T) = 0,3;
x ( 2 T ) = 0,9, qual será a decisão ótima neste caso, S j s2 ou s3?
SOLUÇÃO DOS EXERCÍCIOS | 41 7

S ,( t ) sSi)

27 t 27 í

s2(t)

r(t) x (t)
t
dt
7 27 í

-A
Figura E5.5

Solução
A regra de decisão ótima para n sinais equiprováveis é escolher o sinal
que maximiza a expressão (5.3)

V £ r ( íW t ) * - - j£ s ,W < #

Aplicando a cada um dos sinais, temos

y, - j r [ t ) A d t - ^ A 2x2T^= J r(t)d t—j r[t)dt - A T

T 2 - f Tr ( f ) M ) d [ + f 2Tr ( ( ) A * - i ( r f x 2 J - ) -
Jo Jt 2

= -A ^ J r [ t ) d t - j r(í)cftj+ =
r [ t ) dAt -tj r[t)dt

J ° r{t)dt + Ç Tr [ t ) d t r [ t ) d t

y3 = J r (í)(-A ]d í--i(A 2x 2 r ) = - A J r (f ) d í- J r(í)df - A t


418 I PRINCÍPIOS DE COMUNICAÇÕES

Observando que

J r[t)dt = x

notando que as energias são iguais e dividindo todas as expressões anterio­


res por A, a regra de decisão corresponde a escolher o maior valor entre

p1 = x(2T )-x(0)

p2 = x(0) + x[2T- 2x[T)

p3 = - x [ 2 T ) + x{0)

Para os dados do exercício:


pt = 0,9-0,4 = 0,5
p2 = 0,4 + 0,9 - 2 x (0.3) = 0,7
Pj = -0 ,9 + 0,4 = - 0 ,5
A decisão será, portanto, m r

5.6 Mostre que, para um determinado valor da energia média E , a


energia do sinal diferença pode ser maximizada escolhendo s2(í) = - s^f).

Solução
De (5.19), temos

Pela desigualdade de Schw artz, sabemos que

< J _ si [t= EtE 2

e, consequentem ente,
SOLUÇÃO DOS EXERCÍCIOS | 419

A igualdade do lado esquerdo, que maximiza Esdocorre quando s2(í) = -ks^t),


onde k é uma constante positiva. Usando esta condição, obtemos
Esd = E , + k*E,+ 2kE1 = EJ1+ k f

A Energia Média será dada por

_ Eí[l+k?)

Explicitando Et nesta equação e substituindo na anterior, obtemos

= 2E. ( 1 + f l 2
J sd
1+k2
Podemos verificar que esta expressão é maximizada para k = 1. Ou seja,
para maxim izar a energia do sinal diferença, que equivale à distância entre
os dois sinais no receptor ótimo, s2(f) = - s^t). Neste caso, =4

5.7 Em uma transm issão PAM quaternária, é transmitido um pulso re­


tangular de duração 0,2 ms com amplitudes ± 2 e ± 6 mV. (a) Calcule a
energia média transmitida; (b) determine os possíveis valores amostrados
na saída do filtro casado do receptor ótimo na ausência de ruído.

Solução

(a)

Es = ^ [ 2 x ( 2 x l 0 _3)2£'g + 2x(6xlO~3)2Zsg] = 2 0 ' 10'6Eg

onde

Eg = lx0.2xl0"3 = 2x10^

Portanto,
Es= 4 x l 0 9J
420 I PRINCÍPIOS DE COMUNICAÇÕES

(b) Para um filtro casado com resposta ao impulso

os valores amostrados são dados por (5.38a), com K =1. Neste caso, então,

r '( f 0) = ± 2 x IO'2
3 x 2 x 10-4 e ± 6 x 1 0 3 x 2 x IO4

5.8 Considere um sistema ASK on -off onde os sinais são

s2(í) = 2cos(2;r f ct) 0 < í < 0.1 m s e st [t] = 0

O receptor é o receptor ótimo da figura 5.28 (a), onde h{t), a resposta ao


impulso do filtro, é dada por

0 < f < 0,1 ms


fora

(a) Calcule a energia média; (b) determine o valor do limiar; (c) suponha
que há um erro de 30° na fase do oscilador local. Qual deverá ser o aumento
da energia média dos sinais para com pensar este erro e m anter a mesma
distância entre os possíveis valores amostrados?

Solução

(a) Os sinais definidos no exercício podem ser escritos como


s2[t) = a g [ t ) m s [ 2 n f ct)

onde g[t)é um pulso retangular no intervalo [0, 0,1 ms] e a = 0 o u a = A =


2. Como Eg = 0,1 x 10'3, a energia média, calculada através de (5.48), será

22
E,= — xO.lxlO-3 = IO-4
4

(b) Podemos verificar que a resposta do filtro pode ser escrita como

h[t) = g(t0-t)
onde t0 = 0,1 x 10'3. Portanto, é um filtro casado, e os valores na entrada do
detetor podem ser calculados por (5.53), com K = 1 , isto é,
SOLUÇÃO DOS EXERCÍCIOS | 421

r'[t0) = 0 ou r'[t0 ) = —x E g = 0 .1 mV
2
A distância entre eles será, d = 0,1 mV e assim, o limiar será dado por

X = 0,05 mV

(c) Analisando o receptor da figura 5.29, chegamos à seguinte expressão


para os valores possíveis da amostra na entrada do detetor, na ausência de
ruído e em presença de um erro de fase e:

r'{t0) = ^ E g cos(e)
z

Neste caso, para manter o mesmo valor de d, devemos aumentar o valor da


amplitude A, de forma que

— Eg cos{30°) = Eg.
2

Ou seja,

2
A= 2.3 1
cos^O2)

Aplicando novamente (5.48), obtemos Es = 1,33 x IO-4 J.

5.9 Um sistema de transm issão digital tem as seguintes característi­


cas: m odulação PSK-4; taxa de bits: 5 000 bit/s; frequência de portadora:
/ = 2 500 Hz. (a) Supondo que a envoltória é constante em [0,T] e que a
energia média dos sinais transm itidos é igual a 2 x IO-4 J, faça um gráfico
das 4 possíveis formas de onda, indicando o valor das amplitudes.

Solução

(a) a expressão geral dos sinais PSK-4 é

s[t) = V 0 ]
422 I PRINCÍPIOS DE COMUNICAÇÕES

onde </>= ±n/4, ±3 tt/4 e g(t) é um pulso retangular no intervalo [0, T\. A
gia média dos sinais é dada por

V2 V 2T
E =— -=
E= 2xlCT4
2 8 2
Como

T = —^— = 4X 10-4
5000

obtemos V= 1. Fazendo, por conveniência, 0 = 0, e notando que o período


da portadora

-- ------------4X10"4
f. 2500

é igual ao intervalo de símbolo T, temos as seguintes formas de onda:

e=jt/4 e=3jt/4

5,10 Em um sistema PSK-8 é transmitida, usualmente, uma portadora


com fases iguais a rc/8, 3n/8,..., 15n/8. Suponha agora que as fases transmi­
tidas são 0, 2n/8, 4n/8,..,14n/8. Modifique, então, o receptor de mínima dis­
tância da figura 5.44, de modo que ele continue a operar adequadamente:
SOLUÇÃO DOS EXERCÍCIOS | 423

(a) alterando o detetor de limiar; (b) alterando o bloco tg 1; (c) sem alterar os
dois blocos dos itens (a) e (b). Justifique as modificações.

Solução
(a) Na constelação original os lim iares são 0, 4, Como a conste­
lação sofre uma rotação de -n/8,os lim iares também de
ção d e -n/8.
(b) Os lim iares podem ser mantidos adicionando n/8 ao resultado da opera­
ção tg-1 no receptor da figura 5.44.
(c) Pode-se verificar que a operação do receptor coerente (multiplicação pe­
las portadoras locais) fornece, através de (5.66) e (5.67), um fasor cuja fase
é a diferença de fases do sinal de entrada e das portadoras locais. Assim,
um aumento de n/8 na fase das portadoras locais terá o efeito de recolocar
a nova constelação na posição original, podendo-se então fazer a deteção
com os mesmos limiares.

5.11 Uma transm issão digital com taxa de 10 kbit/s é feita com
m odulação PSK-4. Sabe-se que a envoltória da portadora é constante e a
energia média dos sinais na entrada do receptor é 2 x IO 14 J. O receptor
é o da figura 5.37, onde h[t) é um filtro casado cujo ganho é unitário na
frequência / =0, isto é, |H(0)| =1. (a) Determine analítica e graficamente
a resposta ao impulso do filtro casado h[t), sabendo que o instante de
amostragem é f0 = 0,4 ms; (b) determine a menor distância entre dois sinais
no espaço de decisão; (c) repita o item (b), considerando os sistemas QAM-16
e PSK-8, com seus respectivos receptores representados nas figuras 5.37 e
5.43, respectivamente.

Solução
(a) Sendo a envoltória constante, podemos definir que o pulso g[t) é retan­
gular, de amplitude unitária, no intervalo [0,7]. Assim,

E =T
g
onde P é o intervalo de símbolo dado por

T = — = — - — = 2 x l(T 4
R 10000
424 I PRINCÍPIOS DE COMUNICAÇÕES

Como h[t)=Kg[t0-t), h[t) é um pulso retangular de amplitude K e duração T,


com início em t0-T = 0,2 ms. Sabem os, então, que

\H(f)\ = KTSwdTf)
|H(0}| = KT

e, como |/í(0) | =1, então

K = - = 5 x l0 3
T

A forma de h(t) está representada na figura abaixo

0,2 0,4 t (ms)

(b) O espaço de decisão está representado na figura 5.37, onde se observa


que a distância mínima é dada por

d = ^ g [ t 0)

Com o filtro casado h[t) = Kg[t0-t), temos

g '{t0) = K E = K T = 1
Portanto,

Para encontrar o valor de A, usamos a expressão da energia média


dada por (5.57). Temos, então,

AZE
E = ------ —= 2 x l 0 -14
4

Substituindo os valores e desenvolvendo, obtemos

d = 10-5 V
SOLUÇÃO DOS EXERCÍCIOS | 425

(c) Para os outros sistemas de modulação o desenvolvimento é análogo,


mudando, porém, os valores dos parâmetros e para cada sistema de
modulação.

Q A M -16

E = T = — = — - — = 4X1CT4
g R1
0 000

2
5A %
= 2 x l0 ~ 14
4

4x 2x 10~14
= 0,316 XlO-5
5X4X10"4

PSK-8

E = T = -= 3 = 3 x l 0 -4
g R 10000

fn ^ (n ^
d = Vg'[t0 = Vsen
V8 y

V2E
E --------—= 2xl0~14
s 2
'n _ ' Í2X2X 10'14 „ ilJ10 „rt_5
d = sen . --------------- = 0,442x10
v8 y
\ 3x10

5.12 Considere o modelo de receptor de um sistema QAM-16 mostra­


do na figura 5.36, onde h(t) = Kg(t0-t), sendo g(í) a forma da envoltória na
entrada do receptor, a qual é suposta retangular de amplitude unitária, (a)
Sabendo que a taxa de bits é igual a 100 kbit/s, que a energia média na en­
426 I PRINCÍPIOS DE COMUNICAÇÕES

trada do receptor é de 5 x 10‘9 J e que os limiares de deteção são fixados em


0 e ± 2mV, determine o valor adequado da constante K; (b) repita o cálculo
para um pulso g(t) de espectro igual à raiz quadrada de um cosseno levan­
tado definido pela expressão 5.112.

Solução

(a) Como h{t) = Kg[t0 - í) e g(t) é um pulso retangular de energia unitária,

*ig -KB,
E -T
8

Com a taxa de bits especificada, encontramos

4 4
T = — = — = 4 x l 0 “5
R 105

No sistema QAM-16 os lim iares de deteção são dados por 0, ± Ag'[t0)/2.


Temos, então,

f s ' ( f» ) - f x £ 8 - 2 x l 0 - s

Aplicando (5.58), temos

5A %
Es = = 5 x l 0 -9
4

Lembrando que Eg= T, substituindo os valores e desenvolvendo, chegamos a


A = 102
Levando na equação anterior, chegamos a
K = 104
(b) A energia de g[t) pode ser calculada pela integral do espectro de energia,
isto é
SOLUÇÃO DOS EXERCÍCIOS | 427

onde G{f) = VP(/)e P{f] é dado por (5.112). Eg será,, portanto, igual à área sob
P(f). Observando a forma de P[f) mostrada na figura 5.60, podemos verifi­
car que sua área não varia com o parâmetro a e, portanto, é igual à área
do retângulo correspondente ao roll-off, igual a zero, neste caso igual a 1.
Substituindo nas expressões obtemos A = 2V l0xl0~4 e 2 VTÕ.

5.13 Um sistema QAM-16 é transmitido com taxa de 100 kbit/s e tem


envoltória constante dentro de um intervalo de transmissão T. (a) determi­
ne a energia média que deve ter este sinal na entrada do receptor de míni­
ma distância, sabendo que os limiares de deteção são fixados em 0 e ± 2 mV
e que a resposta ao impulso do filtro casado no receptor da figura 5.36 tem
energia unitária.

Solução

(a) Analogamente ao exercício anterior, podemos escrever, considerando


um filtro casado h[t) = Kg[t0-t),

-K E = 2xl0~3
2 5
Neste caso, h[t) tem energia unitária. Assim,

Obtemos, então

1
K =

Substituindo acim a fica

= 4 X 1 0 “3

Aplicando (5.58), chegamos a


428 | PRINCÍPIOS DE COMUNICAÇÕES

E = - A 2E =- (4 xicr3)2 = 2 X1CT5J
4 ë4

5.14 (a) Mostre que uma condição suficiente para que as funções g{t)
c o s ( 2 ji / cí ) e g(f)sen(27t/cf) sejam ortogonais é que

G[ f ) * G[ f )

(b) Mostre também que esta condição é suficiente para se verificar as


igualdades

í
J-OO
g 2[t) c o s 2 [ 2 k f ct)dt =
J - 00
í 2

Solução
(a) Desenvolvendo a condição de ortogonalidade e aplicando a proprieda­
de de Parseval, temos:

J
f-O O
g{t) cos[2 k f ct)g [t)sen {2 jrfct)dt = —
2* J —o o
í g 2(f)sen(4^ /cf)c/í =

= J 'x '( / ) r ( / ) d f

onde

x ( / ) - r { « !(0 }-G (/|* G (/)


e

U /) - F{sen(te/Cl)} - - t [<5(/ - 2f j - S [ f + 2 /j]


Como y(/) só é diferente de zero para / = ± 2/c, se X(j) for nulo para
estes valores de frequência, o produto será nulo, implicando, portanto, a
condição de ortogonalidade.
SOLUÇÃO DOS EXERCÍCIOS | 429

(b) analogamente ao item (a), as identidades trigonom étricas e as proprie­


dades de Parseval e da convolução permitem verificar as expressões.

5.15 Mostre que, se g[t) for um pulso retangular no intervalo [0, T], uma
condição suficiente para a ortogonalidade entre os sinais g[t) cos(2n f t )
eg(í) sen(2n/cf) é f = 1/(2 T).

Solução
Como o pulso g(t) é retangular em [0, 7], a condição de ortogonalidade
pode ser escrita da seguinte forma:

Desenvolvendo e resolvendo a integral, obtemos

Verifica-se que o resultado será nulo s 1/(2 T).

5.16 Mostre que, se g[t) for um pulso retangular de duração T, é possí­


vel obter ortogonalidade entre duas portadoras FSK, independentem ente
das fases 0 1 e 02, com separação de frequência

onde k é um inteiro.

Solução
Substituindo (5.73) em (5.75), usando identidade trigonom étrica para
o produto de cossenos e desprezando a parcela correspondente à senoide
de frequência/í fj,chega-se a
+

J
f
—oo
si[t)sj [t)dt =
4i J
^(g 2(f).cos[27T(/;.-/;.)f
—oo
430 I PRINCÍPIOS DE COMUNICAÇÕES

Supondo que g(í) é um pulso retangular de amplitude unitária, pode­


mos escrever

= i J 0Tcos[27T(/. - fjt + e - e ^ d t = - - j - — sei{2n{fi - /,) » + * ,- * ,]

Substituindo os limites de integração, verifica-se a propriedade.

5.17 Considere uma transmissão FSK binária com os sinais

Sa(f) =g{t) COS 6J


s2(f)= g (í) cos (2 ti/2í + 02)

onde g(t) é um pulso retangular de amplitude unitária em [0,7] e e/2 »


1/7. Para cada um dos casos a seguir, determ ine a diferença de fase que
torna os sinais ortogonais, e a diferença de fase ótima, ou seja, aquela que
leva a maior distância entre os sinais: (a) [f2 -/ J = 1/7; (b) (/2 -/ ) = 1/(27]; (c)
lf2- f J = o.

Solução
A distância entre os sinais é a raiz quadrada da energia do sinal dife­
rença, cuja expressão, neste caso, é

Esd= J [glt) cosif 2t + e 2) - g { t ) 2nU

Considerando qu ef.»1 / 7 ,

J g 2it)c o sÍ 4K f it + 0 j )dt = 0

| g 2(í]c o s [ 2 ^ ^ + f 2)t + 61+ 6 2]dt 0

Após algum desenvolvimento obtém-se, então,

Esd= T- ( Tc o s [ 2 n i f 2 -
J0
SOLUÇÃO DOS EXERCÍCIOS | 431

Resolvendo para/2

Esd= T - f co s[2;r(/ 2 - / 1)f + 02- 0 1)]d£ =


J0

= T ~ —- ^— — {sen [2 n {f2- / J T + 02 - 0 j-s e n (0 2 - 0 j }


2 ^ 1/2 —7iJ

(a) Se f 2 ~ f 1 = —> independentem ente de 0a e 02 os sinais serão sempre

ortogonais e Esd=T.

(b) Se —
2T

1 [sen(02- 0 j ]
^ 1/2 - / J

Para que os sinais sejam ortogonais, 02 - 0t = 0, e neste caso, Esd = O valor


de Es(í é maximizado quando 02 - 0t = rc/2; neste caso,

f . 2 ^
E sd = T 1+ —
n

(c) Se/2 =/t, obviamente, os sinais não podem ser ortogonais. O valor de Esd

Esd= T - f cos(02-0 j d £ = cos(02- 0 J


Jo

é maximizado quando 0 - 0 = n. Neste caso, Esá = 2T

5.18 Considere uma transmissão FSK binária com os sinais


s 1(í)=g(f)cos(2n/1f + 0)

s2[t) = g{t)cos{2nf2t + Q)
onde g(f) é um pulso retangular de amplitude unitária em [0,T] e /t e »
1/T. Determine o valor de A/ = f2/- j, que maximiza
sinais e, com isso, o desempenho da transmissão; compare este resultado
com aquele correspondente a sinais ortogonais.
432 | PRINCÍPIOS DE COMUNICAÇÕES

Solução
O desempenho em uma transmissão binária é definido pela energia do
sinal diferença, que, neste caso, é dada por

£*/ = J [gW cos(2/r f 2t + cG


)-g o s ( 2 + 0 ) f dt

Considerando que/j » 1 / 7 ,

í g 2[t)c a s[4 jc fjt + 9j)dt = 0


J — ©O

J g 2[t) cos[2k [ +=o

Após algum desenvolvimento obtém-se, então,

Esd = T -f cos[2^-(/2- /J í)]d í


J0

Para maximizar Esd precisamos minimizar a integral na expressão acima

sen(x)
í COS [2/t( /2 - /Jí)]df -± -f sení2xAfr) = T.
J0 x

onde A/=/2 - f ex x = 2nAf.T. Para obtermos o mínimo, derivamos o resul


do acim a e igualamos a zero

d f sentx)^ x.cos(x) - sen(x)


= 0
dx x x

A solução é dada por x = tg(x), cuja solução num érica leva a um valor de
x igual a aproximadamente 4,49. Utilizando este resultado, obtemos a se­
paração entre frequências A / = 4,49/(271 = 0,714/7. A energia do sinal
diferença será dada por
= 7(1+ 0,217J = 1,2177

Obtém-se, portanto, um valor maior do que aquele obtido para sinais orto­
gonais, Esd = T.
SOLUÇÃO DOS EXERCÍCIOS | 433

5.19 Um sinal FSK de fase contínua é gerado através de uma modula­


ção FM, onde o sinal modulador é um sinal PAM binário com pulso retan­
gular de duração igual ao intervalo de (NRZ) com amplitudes iguais a ±
5 Volt e taxa de 1 kbit/s. Sabe-se também que a constante de sensibilidade,
kf do modulador FM é igual a 1 kHz/volt e a frequência da portadora é 50
kHz. Supondo uma sequência de amplitudes +5, -5, -5, +5 e +5: (a) faça o
gráfico da frequência da portadora modulada ao longo do tempo; (b) faça o
gráfico do desvio instantâneo de fase ao longo do tempo.

Solução
i ^ m (t)
5 -

I | »
(3 1 2 3 4 5 í (m s)

JET.

5.20 Considere o sistema DPSK definido na Seção 5.2.4. (a) Suponha


um sistema quaternário onde as fases associadas a cada par de bits são

00 — jt/4, 01 — 3n/4, 10 — —tt/4, 11 — -3n/4


434 I PRINCÍPIOS DE COMUNICAÇÕES

Sabe-se que foram observados os seguintes valores sucessivos d e r k ) e r k2

rkl = - 3, - 2 , 1 , -1
rk2 = 1, 1, -3., 2

a) Determine a sequência de bits detetados a partir da


(b) sabendo que a fase inicial da portadora na prim eira transmissão é 0 e
supondo que não haja erro na deteção, determ ine a sequência de fases da
portadora transmitida.

Solução

(a) Devemos aplicar a regra de decisão dada por (5.92). Com os valores
especificados acima.

rk,irk-u + rk, rk-


2 = -2 X (-3) + lx 1=7
1,2

rk, rk-u - «
2 - 1,2 = IX (-3) - (-2) x 1= - 1
Qk R /4 ; bits: 1 0

r k,irk-i,i + « - i ,2 = l x (-2 ) + ( - 3 ) x 1 = - 5
^ k , ^ k - l,l ~
2 3x(— 2) — 1x1 = 5
4 = 3?r/4 ; 0 1

r k ,ir k - u + r k , 2 r k - i ,2 = - l x 1+ 2 X (-3) = - 7
<j)k - /4 ; bits: 1 1
r k,2 rk-u~« . i,2 = 2 X 1 - ( - l ) x (-3) = - 1 ^

A sequência de bits detetados será: 1 0 0 1 1 1

(b) Como no sistema DPSK a fase da portadora é increm entada da fase


transmitida a cada nova transmissão, temos a seguinte sequência de fases:
0, -jt/4, n/2, -tc/4.

5.21 Em um sistema PAM-2 sim étrico, o pulso gerado no transm issor é


retangular de duração 0,5 ms e o filtro de recepção é casado, (a) Determine
a máxima taxa de bits para transmissão sem interferência entre símbolos;
(b) desenhe o diagrama do olho observado na entrada do detetor, sabendo
que o sistema opera com taxa de transmissão de 1,25 kbit/s.
SOLUÇÃO DOS EXERCÍCIOS | 435

Solução
Como o filtro é casado, o pulso básico na entrada do detetor será a
convolução entre dois pulsos retangulares de duração 0,5 ms, resultando
um pulso triangular de duração 1 ms. Através de (5.105], podemos concluir
que, para este pulso triangular, o menor valor do intervalo de símbolo T
que permite elim inar a interferência entre símbolos é 0.5 ms (neste caso, a
amostragem deve ser feita no instante de máximo do pulso). A taxa de bits
correspondente é

R = ----- -— - = 2 x l0 3 bit/s
0.5X10’3

Com a taxa de 1,25 kbit/s o intervalo de símbolo é T = 1/1250 = 0,8 ms. O


sinal PAM está representado na figura abaixo, supondo que o pulso de re­
ferência, p[t), com eça em t = 0 e tem seu máximo em t = 0,5. Tomando este
instante como o instante de amostragem tQ, o diagrama do olho será cons­
truído com base no intervalo

[t0-T/2, t0 + T/2] = [0,1, 0,9]

Podemos observar que, neste intervalo, o pulso de referência, p(t) sofrerá


interferência apenas dos pulsos anteriores p[t+T) e p[t+2T). Considerando
as 4 possíveis com binações de amplitudes destes dois pulsos, e fazendo a
soma, obtemos o diagrama da figura.
436 I PRINCÍPIOS DE COMUNICAÇÕES

5.22 Um sinal com modulação PAM binária, com amplitudes ak = ± 1 e


com um pulso g(£) retangular de amplitude unitária em [0,T] é transmitido
através de um canal com resposta ao impulso c(f) = ô(í) + 0,3 d[t-T) + 0,1
§(f-2T), onde T é o intervalo de símbolo. Supondo que o filtro de rece
não altera os sinais, (a) calcule os valores possíveis de interferência entre
símbolos no instante /2; (b) desenhe o diagrama do olho.
T
t=

Solução

(a) O pulso p(t) será a convolução entre g(f) e c(í), isto é

Pit) = g[t)* [ô{ t) + 0,3<5(


= g [t)+ 0 ,3 g [t-T ) + 0 ,íg [ t - 2 T )

O pulso p[t) está mostrado na figura abaixo.

p(t)

0 f 2 3T

Aplicando (5.102) com t0 = T/2, temos

z=Xk*0 Q
fcP(to - kT) = aiP[T + T ) + a 2P[T+ 2 T ) = 0’ 3ai + W a2
SOLUÇÃO DOS EXERCÍCIOS | 437

Considerando todas as combinações de amplitudes de a í e a 2, obtemos


z = ± 0,1 ±0,3= ± 0 ,4 ou ± 0 ,2

(b) Podemos observar, na figura abaixo, que no intervalo [0,7] o pulso de


referência, p(f), é um segmento plano que sofrerá interferência apenas dos
pulsos anteriores p[t+T) e p(t+2T). As interferências serão também segmen­
tos planos e assim, para obter o diagrama do olho, basta calcular as com bi­
nações das amplitudes dos 3 segmentos. Para o pulso p(t) com amplitude
+1 temos:

1 + 0,3 + 0,1 = 1,4 1 + 0,3-0,1 = 1,2


1-0,3 + 0,1 = 0,8 1-0,3-0,1 = 0,6

Invertendo o pulso de referência, obtemos os mesmos valores com sinal


trocado. O diagrama está mostrado na figura seguinte.

p(t)

U,J-
0,1- “ 1
— i
0 7 27 37 t

p(t+T)

:
-1r o t 27 37 t

fÁt+2T)
|

- 27 r o r 27 37 t

i i
i
1,2 1 t
._i •
0,8 l i
0,6 [ è
» i
i i
i
r 1'
t
i i
1 i
*
*
r i
r
i
b_ ———• lf
438 I PRINCÍPIOS DE COMUNICAÇÕES

5.23 Um sinal PAM-2 sim étrico chega na entrada do detetor com pulso
básico dado por

'x t'
1+cos - T<t<T
p[t)= T J,
0 fora

onde T é o intervalo de símbolo.


a) Determine as possíveis formas assumidas pelo sinal PAM-2 no intervalo
[0,T]; (b) determine os valores possíveis da interferência entre símbolos e a
distorção absoluta nos instantes t= 0 e f = T/4.

Solução
(a) Podemos verificar que, no intervalo [0,7], apenas os pulsos p(í) e p[t-T)
terão valor diferente de zero. A forma do sinal PAM-2 dada genericam ente
por (5.98), neste caso, fica

y[t) = a0p[t) + = 1+ cos


rnt^
+ a—n1 1+ cos ( m -T )
. \T
1 J { T JJ
Notando que
\

T /

obtemos

y[t) = a0 + a_, + (a0 - a_J cos

No sistema PAM-2, ak= ±A/2. Considerando todas as com binações de valo­


res na expressão acima, chegamos a
SOLUÇÃO DOS EXERCÍCIOS | 439

A a0 = A /2; a_j = A /2
( nt ^
Ácos a0 = A /2; a_t = - A /2
T .
y(t)
( Kt
TTt\
-A cos Q0 = - A /2; a_a = A /2
T
-A a0 = -A /2 ; a_a= - A / 2

(b) Pela figura vemos que, em í = 0, a interferência entre símbolos é nula e,


consequentem ente, a distorção absoluta dada por (5.104) também é nula.
Para t = /4, observamos que (5.102) fica reduzido a um termo,
T

A
a-iP (T -T) =a-i 1+cos = a .^ 1 - cos(f)]= ±0,293
2

Calculando
1______

—1 = 1 + C OS = 1707
UJ L T J

e aplicando (5.104), obtemos a distorção absoluta

A
0,293
D=- -|- = 0,172
1,707
440 | PRINCÍPIOS DE COMUNICAÇÕES

5.24 Um sistema PAM binário de amplitudes ±1, opera com pulso de


transmissão na entrada do detetor da forma p(f) = Sinc(í/T), onde o
intervalo de símbolo, (a) Para uma taxa de transmissão de 10 kbit/s, deter­
mine o valor máximo da interferência entre símbolos provocada por um
atraso de 0,01 ms no instante ótimo de amostragem (considere apenas os 4
term os mais significativos); (b) calcule a distorção absoluta correspondente
e verifique se o olho estará fechado; (c) repita os itens a e b, considerando
um sistema PAM-8 e uma taxa de 30 kbit/s.

Solução
(a) Aplicando (5.106) e observando que M = 2 e A/2 = 1, temos

Z max = X l / , (í0 - * :n|


k*0

onde p(f) = sinc(f/T). Para este pulso, o instante ótimo de amostragem é t0 =


0. Porém, de acordo com o enunciado, t0 = 0 + 0,01 ms; como T = 1/10000 =
0,1 ms, verifica-se que t0 = T/ 10. Calculando a expressão

k= 2 : p[t0-kT) = p(-l,9T ) = sinc(-l,9) = -0,052


k = 1 : p[t0-kT) =p(-0,9T) = sinc(-0,9) = 0,109
k = - 1 : p[t0-kT) = p ( l,lT ) = s in c (l,l) = -0,089
k = -2 : p[t0-kT) = p [2 ,lT ) = sin c(2,l) = -0,047

zmax = (°-052 + 0,109 + 0,089+0,047) = 0,297


(b) Aplicando (5.107), temos,
7
JJ _ max

| p (U

onde A/2 = le p(í0) = p (0 ,lT ) = sinc (0,1) = 0,984. Calculando, obtemos

D = 0,297/0,984 = 0,302
Como o valor é menor do que 1, o olho está aberto.
(c) Para o sistema PAM-8, M =8 e, neste caso,

^ - ^ \ p ( t 0 -k n \
k*0
SOLUÇÃO DOS EXERCÍCIOS | 441

Como o intervalo de símbolo T em um sistema PAM-8 a 30 Kbit/s é igual ao


intervalo de símbolo de um sistema binário a 10 Kbit/s, os valores do soma­
tório são os mesmos calculados anteriorm ente. Chegamos, então, a
z max = 0,297
* t i D = 2,11
x 7 = 1,75; t >1
Neste caso, o olho está fechado.

5.25 Calcule, em função do fator de roll-off, a energia: (a) de um pulso


com espectro P[f] igual à raiz quadrada de um cosseno levantado dado por
(5.114); (b) de um pulso com espectro P[j) igual a um cosseno levantado
dado por (5.114).

Solução

(a) Calculando

onde P[f) é dado por (5.114), obtemos

(b)

£ ia / )f t f - J > ( / )|< r

onde P{f) é dado por (5.114). Observando, na figura 5.60, a sim etria de P[f),
verifica-se que sua integral não depende do parâmetro a. Assim, a integral
pode ser calculada para a = 0, obtendo-se facilm ente E =

5.26 No sistema PAM-4 representado na figura E5.26, a taxa de trans­


missão é de 19 200 bit /
s e os pulsos na saída do m odem são retang
Sabendo que a largura de faixa a ser usada na transmissão é igual a 7 200
Hz, especifique as respostas de amplitude dos filtros de transmissão e re­
cepção |HJif) | e |H JJ) | para que o sistema opere com filtro casado no
receptor e sem interferência entre símbolos.
442 I PRINCÍPIOS DE COMUNICAÇÕES

Figura E5.26

Solução
(a) Como apresentado no Apêndice da Seção 5.8, o espectro do pulso trans­
mitido na saída do transmissor e a resposta de amplitude do filtro de recep­
ção devem ser dados por

|G(/ÍHHflí/JI-VÕT)

onde Q(f) é um espectro que satisfaz o Primeiro Critério de Nyquist, como o


Cosseno Levantado. Por outro lado, o pulso gerado pelo modem é um pulso
retangular cujo espectro de amplitude é dado por Sinc
Observando o diagrama de blocos do transmissor, podemos escrever,
então,

\G[ f)\=\ Sinc[Tf)\\HT[ f )\= yjÕlf)

resultando assim

\HT[ f )
'/Õ7)
\Si,idTf)\

Para especificar numericamente o gráfico das funções, devemos lembrar


que a frequência de simetria de Q(J) é dada por 1/2 T,onde intervalo
de símbolo. Temos, então,

1 1 r» 1 19 200
—fie H = 4 800
2T 2 S I<2, l 2J 4
SOLUÇÃO DOS EXERCÍCIOS | 443

Este valor corresponde também à largura de faixa mínima para transmissão


sem interferência entre símbolos, e o fator de roll-off é equivalente ao exces­
so de faixa em relação à faixa mínima. Ou seja, a = (7 200-4 800)/4 800 = 0,5.
Os gráficos estão mostrados na figura abaixo.

o
444 I PRINCÍPIOS DE COMUNICAÇÕES

Capítulo 6

6.1 Defina o processo aleatório y M Qnde x(t) é um


processo aleatório estacionário em sentido amplo com função autocorrela-
ção J?x(t), e 0 é uma variável aleatória uniform em ente distribuída no inter­
valo [0,2rc], estatisticam ente independente de x(f). (a) Mostre que a função
autocorrelação dey(f) é dada por ^ y M —" 2 cos(27r/0r) e sendo assim,
sx{ f ) = -|[SX(/ - f 0) + Sx[ f + /0)], onde Sx{f) e Sy[f] são as densidades espec­
trais de potência de x(f) e y(f), respectivamente.

Solução
Aplicando inicialm ente a definição da função autocorrelação à expres­
são de y(f), temos

Ry{tv t2) = E {[x (tj cos{2n f 0tr + 0)][x(f2) cos(2x/0í2 + 0)]}

Como 0 é estatisticam ente independente de x(t), podemos escrever

Ry{tv t2)= Ex(C)x(f2)


[ ] £ [cos( 2/rf Qt1+ 6) cos

Usando o enunciado e aplicando identidade trigonom étrica ao produto de


cossenos,

Ry{tv t2) = Rx{tv t2) - E { c o s [ 2 x f 0{t2 - C ]]+ c o s [2 x /0(í2 + tt) + 26]}

Como 0 é uma variável aleatória uniform em ente distribuída em [0,2 tc], po­
demos verificar que

E {cos [2 7üf0[t2 + íj) + 20]} = 0


SOLUÇÃO DOS EXERCÍCIOS | 445

Usando a especificação do enunciado, obtemos

Ry
( r) = j R J t ) c o s ( 2n f 0t )

Aplicando a transformada de Fourier aos dois lados da equação e usando a


propriedade da modulação, chegamos, finalmente, a

6.2 Considere um ruído branco passa-baixa, Gaussiano, com densi­


dade espectral de potência igual a 2 x IO'10 W/Hz na faixa de 0 a 10 kHz.
(a) Determine a expressão da função densidade de probabilidade de uma
amostra deste ruído tomada no instante = 0; (b) determ ine a expressão da
função densidade de probabilidade conjunta de duas amostras deste ruído
tomadas nos instantes t = 0 e t = 0,05 ms; (c) calcule a probabilidade de que a
diferença entre as amostras tomadas em í = 0 e = 0,02 ms ultrapasse 2mV.

Solução
(a) Sabem os que qualquer amostra de um processo Gaussiano é uma variá­
vel aleatória Gaussiana. Podemos, então, escrever

P n m [x )' 7 ^ e

onde
fco MO4
a 2= Sn{ f ) d f = 2 x l 0 -10c^ = 4 x l 0 -6
J —oo J—104

(b) Duas amostras de um processo Gaussiano têm função densidade de


probabilidade conjunta Gaussiana cuja expressão, além da variância, cal­
culada anteriorm ente, depende da covariância. Para obter a covariância,
calculam os a função autocorrelação - transform ada inversa da densidade
espectral de potência dada na figura (6.13), onde é a diferença entre os
instantes das amostragens, neste caso, igual a 0,05 x IO’3s. Obtemos:
446 I PRINCÍPIOS DE COMUNICAÇÕES

Rn[T ) = 4 x 10-6 Sine (20x 103 x 0 ,05x 10 3)=

= 4 x 10~6 Sinc (l) = 0

2x10'°

-1 0 0 10 ftkHz)

Verifica-se, portanto, que as amostras são estatisticam ente indepen­


dentes, o que facilita a obtenção da função densidade de probabilidade con­
junta, dada pelo produto das funções densidade de probabilidade de cada
uma das amostras, isto é:

p (X h X2) = - ^ i '^ 2
In a1

onde n l = n(0) e n 2= n(0,05 x 10'3).


(c) Para calcular a probabilidade desejada, isto é,

P [n 1+ n 2> 2 x l 0 -3) ]

onde n l= n(0) e n 2= n(0,02 x 10"3), seria necessário, em princíp


nar a função densidade de probabilidade conjunta das variáveis aleatórias
e n2. Porém, como as variáveis são Gaussianas, podemos afirmar que a
soma s = n t + n 2, é uma variável Gaussiana. Basta, então, calcular a média
e a variância de s, determ inar sua função densidade de probabilidade e
calcular a probabilidade pedida. Como o ruído tem média nula, a variável s
tem média nula. A variância de s pode ser expressa como

cr3 = E^[n^ + n2f j = 2cr2 + 2E’(n1n2)


SOLUÇÃO DOS EXERCÍCIOS | 447

onde cr2 foi calculado acim a e

E in ^ ) = i?n(0 ,0 2 x ic r 3) = 2 (20 x l 0 3 x 0 ,02 xl0~3)


= <T2Sinc(0,4) = a 2x 0,757

Chegamos, então, a

C72 =E^[n1+n2f J - 2ct2(1+ 0,757) = 1,406 xlO-5

2xl0~ 3
PÍno + r i j ^ x l O 3)1 = í ps[S)dS = Q = Q(0,533)
L J J <K/inr3
a/i ,406 x 10-5

6.3 Considere um ruído branco passa-faixa com densidade espectral


de potência igual a 1 0 12 na faixa de 90 a 110 kHz. Determine as densidades
espectrais de potência e as potências dos ruídos demodulados no receptor
QAM da figura 6.6 com os seguintes valores da frequência de portadora: (a)
f c = 100 kHz; (b)/c = 90 kHz; f c = 95 kHz; considere que h 0[t) representa um
filtro passa-baixa ideal.

Solução
Aplicando (6.33) e (6.34), podemos escrever

Com a ilustração da figura 6.7, obtemos, a seguir, Snc[f) e Sns[f) para os itens
(a) (b) e (c), respectivamente. As densidades espectrais de potência, pedidas
são aquelas obtidas nas figuras abaixo, divididas por 4. Quanto às potências
pode-se verificar que, nos três casos:

Pn = Pn = 2x I0_12x 2 x l 0 x l 0 3 = 4 x 1 0 8 W
448 I PRINCÍPIOS DE COMUNICAÇÕES

Portanto, também nos três casos:

p^ - p^ - io ^ w
SOLUÇÃO DOS EXERCÍCIOS | 449

6.4 Calcule a largura de faixa equivalente de ruído dos seguintes filtros


cujas larguras de faixa de 3 dB são iguais a B:
(a) Cosseno Levantado dado por

1-q
1 0 <|/|<
2T
h (/ ) = cl (/ H

•1+cos
n T Í , .,
[ « ( W - 2
1 -a Y ll
t 1
l^SL<|/i<2±£L
2 T ' 1 2

(b) Raiz quadrada de Cosseno Levantado


(c) RC:
fi(f) = ae^ulf)

Solução

(a) Calculando

^ 4 E |H(/)|í#4 D Ct(/,|2#
obtemos

1 f 1___
a >
Beq
2T
*)
A faixa de 3 dB é dada por

B = — ( 1 - 0,272«)
2T

Obtemos, então,

1 - 0,2 5 a
B,eq n --------------
1 - 0,272a
450 I p r in c íp io s d e c o m u n ic a ç õ e s

(b) Neste caso,

Observando a simetria de H[f) (Figura 5.60), verifica-se que sua integral não
depende do parâmetro a. Assim, a integral pode ser calculada para a = 0,
obtendo-se, facilm ente,

B =—
eq 2
Como a largura de faixa de 3 dB também é igual a 1/2 resulta
B eq

(c) Aplicando a propriedade de Parseval, temos:

{ J > / ) f df - <r - -f

Aplicando a transform ada de Fourier, obtemos:


a
H [ f) =
a + j2 n f

de onde concluim os que B = a/2n. Resulta, então,

6.5 Em uma modelagem simplificada da transmissão telefônica através


da linha do assinante, o receptor pode ser modelado, como mostrado na
figura E6.5, onde está representada a densidade espectral de potência do si­
nal de voz, S tf), e a função de transferência do filtro passa-baixa, H{f], para
0 (ambas as funções são pares).
SOLUÇÃO DOS EXERCÍCIOS | 451

w(t)

s(í)
H(f)
e -

100 300 3400 4000 f (Hz)


Figura E6.5

(a] Sabendo que o ruído branco tem densidade espectral de potência igual
a 1 0 13 W/Hz. e a potência do sinal de entrada é igual a -40 dBm, determine
a razão sinal-ruído na saída do filtro; (b) sabe-se que o ouvido humano pra­
ticam ente não altera as características do sinal de voz, mas tem um efeito
seletivo sobre o ruído, que equivale à passagem deste ruído por um filtro;
tomando para este filtro a função de transferência H0[f) da figura, calcule o
aumento na razão sinal-ruído devido a esta filtragem (denominada ponde­
ração psofométrica).

Solução

(a)
Ps = IO 7 W

n 0
P = N„B = 2 X 1 0 13 X 4000 = 8 x IO 10 W

io -7
=
S
R
---------— = 125 = 20,97 dB
8xlO~10
452 I p r in c íp io s d e c o m u n ic a ç õ e s

(b) A densidade espectral de potência o ruído na saída do filtro de ponde­


ração psofom étrica é obtida graficamente na figura abaixo.

-1 3

— I— 1
----- ►
100 300 3 400 4 000 f(Bz)

Integrando (e lembrando que a integral deve incluir os valores negativos de


frequência), obtemos:

Pn- = 2 1 0 ' 13 X 2 0 0 + 1 0 " 13 X 3100+ \ IO"13 X 6 0 0 ) = 6 , 5 2 5 x l O " 10

10-7
=
S
R
---------------— = 21,85 dB
6,525 XIO'10
Houve, portanto, um aumento de 0,88 dB na razão sinal-ruído.

6.6 Repita o item (c) do Exemplo 6.2 com

Solução
Com o novo filtro, o valor da variância do ruído u (í) é dado por
SOLUÇÃO DOS EXERCÍCIOS | 453

6.7 A figura E6.7 representa um sistema de recepção constituído de


antena, cabo e amplificador. Sabe-se que a temperatura de ruído da antena
é de 80 K, que o cabo está a uma temperatura ambiente de 300 K e que sua
atenuação é 6 dB; o amplificador tem ganho de 20 dB e fator de ruído igual
a 3 dB. (a) Deseja-se calcular a potência de ruído na entrada e na saída do
sistema, considerando uma largura de faixa de 200 kHz; (b) sabendo que a
razão sinal-ruido nos term inais da antena é igual a 30 dB, deseja-se obter a
razão sinal-ruído na saída do cabo e na saída do amplificador.

»| cabo [■
G anho = 2 0 dB
atenuação = 6 dB
Fator de ruído = 3 dB

Figura E6.7

Solução

(a) Como T. = 80, a potência de ruído na entrada é dada por

P = K T B = 1 ,3 8 x 10~23x 8 0 x 200 x 103 = 2,21 x IO-16


ili 1

Para determinar a potência de ruído na saída, devemos determinar a


temperatura equivalente do sistema através de (6.67). Para isso, aplicando
(6.63) e notando que uma atenuação de 6 dB corresponde a 1/4 ou = 4,
temos:

Tal = 300(4-1) = 900


A temperatura equivalente do segundo elemento Ta2 pode ser calculada por
(6.68), notando que o fator de ruído de 3 dB corresponde a 2. Ou seja,

T 2 = 290(2-1) = 290
Assim,
454 I PRINCÍPIOS DE COMUNICAÇÕES

Com o valor acima, aplicando (6.52) e integrando na faixa de 200 kHz,


obtemos:

P = G.GoKZB = 4 x 1 0 0 x 1 ,38 x 10_23x 2680 x 200 x 103 = l,8 5 x l0 ~ 13

(b) Com a potência de ruído calculada no item (a) e o valor de 30 dB para a


razão sinal-ruído nos term inais da antena, calculamos a potência do sinal
na entrada:

Ps = 103 x 2 ,21X10"16 = 2 ,21X10“13

A razão sinal-ruído em cada ponto do arranjo pode ser expressa por

GKTeB KTeB

onde T é a temperatura equivalente e é o ganho até o ponto considerado.


Assim, na saída do cabo, 7 = 7 ’. + Tal = 980, e

________2,21xl0~ 13
RSR= 81,6
1.38X10“23 x 980x200 x 103

Analogamente, na saída do amplificador, 7 = 2680, como calculado ante­


riorm ente, e asssim,

_________2,21 X10~13________
RSR= 29,8
1,38x 10“23 x 2680 x 200 x 103
SOLUÇÃO DOS EXERCÍCIOS | 455

Capítulo 7

7.1 Em um sistema AM-DSB-SC, é transmitido um sinal de áudio cuja


frequência máxima é 10 kHz, com potência 5 W. A atenuação no canal é de
90 dB, de modo que, na entrada do receptor, a potência deste sinal é 5 x l0 -9
W. (a) sabendo que a potência do sinal modulador é igual 1 mW, determi­
ne a amplitude da portadora a ser gerada no transm issor; (b) determine
a densidade espectral de potência do ruído no receptor para que a razão
sinal-ruído na saída do demodulador seja igual a 60 dB; (c) determine a
temperatura equivalente de ruído do receptor.

Solução

(a)

M 2pm= M 2xl(r = 5

donde c A= 100
(b) Aplicando (7.10), temos

RSR0 = Ps
N0W io 4 n 0

onde
N0 = 5 x IO'19 W/Hz

Como, de acordo com (6.82), N0 = KTg, chegamos a

5xl0~ 19
1e =
T
1.38X10"23
3,62 xlO4

7.2 Utiliza-se uma potência de 1 W para fazer a transmissão de uma


mensagem ocupando a faixa de 0 a 20 kHz em um canal com atenuação de
456 | PRINCÍPIOS DE COMUNICAÇÕES

90 dB. Sabe-se que a densidade espectral de potência do ruído na entrada


do receptor é igual a IO 19 W/Hz. Compare o desempenho dos sistemas
AM-DSB-SC e AM-SSB para esta transmissão, calculando, para os dois siste­
mas, os valores de razão sinal-ruído na entrada e na saída do demodulador.

Solução

(a) Observando (7.10) e (7.11), podemos escrever, para o AM-DSB:

RSR; = - Ps- RSR0 =


2 N0W N0W

10“
RSRj= = 0 ,1 2 5 x l0 b
2 x 2 x 1 0 19 x 2 0 x l 0 3

RSR0 = 0 ,2 5 x l0 6

Para o AM-SSB, de acordo com (7.18) e (7.19), e utilizando os cálculos an­


teriores, temos:

1 RSR= 0,25 x 106


RSR0 = 0,25 x 106

7.3 A transmissão de um sinal de áudio na faixa de 0 a 10 KHz é feita


através de modulação AM e deteção de envoltória, cujo lim iar é aproxima­
damente igual a 10 dB. Medidas feitas com um sinal senoidal na faixa da
mensagem perm itiram obter a curva da figura E7.3. Mediu-se também, para
uma potência do sinal na entrada do detetor de envoltória igual a - 80 dBm,
uma razão sinal-ruído na saída igual a 30 dB. (a) Determine o valor do índi­
ce de modulação; (b) determine o valor da densidade espectral de potência
do ruído no canal

Figura E7.3
SOLUÇÃO DOS EXERCÍCIOS | 457

Solução

(a) Expressando (7.37) em dB, temos:


\
R S R o ( d B ) -RSRi{dB =1 0 lo g 10 = 13,46 - 20 = -6 ,5 4
>

donde

p = 0,5

(b)

Ps fS _ 1Q-11 0,52 _ 103


RSR0
N0W 2 + il2 iV0 xlO xlO 3 2 + 0,52

onde iV0 = 0,111 x IO 18

7.4 Em uma transmissão AM de um sinal de áudio com frequência má­


xim a de 20 kHz, a potência da portadora modulada é igual a 9 x ÍO^W, o ín­
dice de modulação é igual a V2 e a densidade espectral de potência no canal
é igual a IO 15 W/Hz. (a) Considerando que o receptor opera acima do limiar,
calcule a razão sinal-ruído na saída do detetor de envoltória; (b) calcule a
redução que pode ser feita na potência de transmissão se for empregado
um sistema AM-DSB-SC que fornece o mesmo valor de razão sinal-ruído na
saída do demodulador.

Solução

(a)

9x101-8 0,52
RSRn = ^ ~ = 250
N0W2+ n z 2 x l0 -15x 2 0 x 1 0 a 2 + 0,5

(b) Usando (7.10), obtemos:

RSR0 = = 250
2 x l0 -15 x 2 0 x l 0 3

donde P = 10'8.
S
458 | PRINCÍPIOS DE COMUNICAÇÕES

7.5 Um sinal senoidal com potência de -30 dBm, cuja frequência está
na faixa de 0 a 4 KHz, deve ser transmitido com modulação FM. Para ob­
ter inform ação sobre o ruído no receptor, é injetada uma portadora sem
modulação de potência -50 dBm na entrada deste receptor, medindo-se na
saída do demodulador uma potência de 10 dBm. (a) Calcule a densidade
espectral de potência do ruído na entrada do receptor; (b) sabendo que o
sistema de transmissão é projetado para operar com uma largura de faixa
de 48 kHz e com uma razão sinal-ruído de entrada igual ao limiar de 10 dB,
calcule a potência mínima necessária na entrada do demodulador e a razão
sinal-ruído obtida na saída do demodulador; (c) determine a m elhoria de
pré-ênfase necessária para que o sistema opere com razão sinal-ruído de 40
dB na saída do demodulador.

Solução

(a) Ao se injetar a portadora sem modulação, obtém-se a potência do ruí­


do, que é dada por (7.53). Temos, então,

JVnx( 4X 10T -2
1P
n n ■= 0 1---------— = 10 2
-8
3X10
3 —-
2

donde N0 = 0,47 IO'20 W/Hz

(b) Para uma faixa de BT= 48 kHz, utilizando (7.35), temos:

RSRi = = 10
0,47X 10 X 48x10

donde Ps = 2,256 x IO 15. Aplicando a fórmula de Carson dada por (7.40),


obtemos Af = 20 kHz. Levando em (7.62)

3 (2 0 x l0 3) 2( 2 0 + 4 )x l0 3
RSRq =10
(4X 103) 3

Calculando, obtemos RSR0 = 45.


SOLUÇÃO DOS EXERCÍCIOS | 459

(c) Para obtermos a razão sinal-ruído de 50 dB, o ganho da pré-ênfase deve ser

222,2

que corresponde a 23,47 dB.

7.6 Uma portadora FM chega com potência de IO 12 W a um receptor


cujo limiar é 10 dB. (a) Sabendo que não há lim itação de faixa para trans­
missão e que a densidade espectral de potência de ruído no receptor é igual
a 5 x IO 19 W/Hz, determine o maior valor possível da razão sinal-ruído na
saída do demodulador na transmissão de um sinal senoidal de frequência
máxima igual a 10 KHz.

Solução
O maior valor de RSR0 é obtido com a máxima largura de faixa possí­
vel, a qual é determinada pelo limiar. Aplicando (7.35), temos, então,

10~12
Bt < = 10®
lOxlO-18

Para o valor máximo da largura de faixa, aplicando (7.40), encontramos


Af = 40 kHz. Substituindo em (7.60), obtemos:

n r - x i x ^ l - ^
2x10 18x ( l 0 x l 0 3)3

7.7 Uma mensagem ocupando a faixa de 0 a 4 KHz, é transmitida atra­


vés de um sinal FM cujo desvio de frequência tem valor máximo de 96 kHz
e valor RMS igual a 16 kHz. Sabendo que a densidade espectral de potência
do ruído no receptor é igual a 10'15 W/Hz, e que o demodulador tem limiar
de 7 dB: (a) calcule o menor valor da potência na entrada do demodulador,
de modo que a razão sinal-ruído na saída seja maior ou igual a 50 dB; (b)
repita o cálculo supondo um ganho de pré-ênfase de 20 dB.
460 I PRINCÍPIOS DE COMUNICAÇÕES

Solução

(a) Aplicando (7.40), temos:

Bt = 2(96 + 4) X103 = 200 X103

Observando que k* P m
éo quadrado do desvio RMS, temos, então,

kjPm =( l 6 x l 0 3) 2

Sabem os que a potência é limitada pela razão sinal-ruído na saída do de-


modulador e pelo limiar. Como o sinal não é senoidal, usando (7.54), temos:

MnW3 2 x 1 0 15x ( 4 x 103)3


P >
1s — 0 R SR r 105 = 0 ,1 6 7 x 1 0 7
3BfPrm
„ 3(16 XlO3)2

Aplicando (7.35), obtemos:

Ps > N 0B t x RSR l = 2 x 10~15x 2 0 0 x 103 x 5 = 2 x 10“9

O menor valor da potência necessária é igual 0,167 x 10'7.

(b) Com o ganho de pré-ênfase de 20 dB, a razão sinal-ruído na saída do


demodulador sem pré-ênfase passa a ser igual a 30 dB. Usando este valor
no primeiro limitante, obtemos:

Ps > 0 ,1 6 7 x l0 -9

Ps > 2 x l0 -9

Neste caso, o limiar é que determina o valor da potência mínima necessária,

S
P = 2 x IO 9
SOLUÇÃO DOS EXERCÍCIOS | 461

Capítulo 8

8.1 Para cada par de sinais na figura E8.1, calcule a energia média
e a probabilidade de erro mínima em presença de ruído aditivo branco
Gaussiano com densidade espectral de potência igual a 0,25 x 10'9 W/Hz,
sabendo que A = 1 mV e T = l ms.

(a) (b) (c)


3Ai--------
A ____________ A _____

0 T t 0 T t
0 T
A
-A

(d) (e) (f)


A

0 T/2
-A
A

0 T/2 T t
-A

Figura E8.1

Solução

(a)

E =
Á2T (io”3)2xicr 0,5xl0~9

\
0,5X10,-9
P[E) = Q =Q = Q(1)= 0,159
0,5 X IO-9
)
462 I PRINCÍPIOS DE COMUNICAÇÕES

(b) e (f)

Es = a 2t = ( îcr3) 2x ic r3 = io -9

2x10
P[E) = Q =Q = Q(2) = 2,28x10"
AL 0,5x10'

(c)

2
- = 5x(10~3) 2xlO"3 = 5 x l0 "9
£ S(i = AA2T= 4 x (10"3)2x 10"3 = 4 XlO-9
4X 10“9
m )= Q = Q{ 2) = 2 ,28X10"2
10"9
J
(d)

£s = Æ r= (io-3)2xio"3 = io"9
10~9
P[E) = Q = Q (V 2) = 8X 10-2
0,5 XlO’9

(e)

Es = A2T = (10~3)2x l 0 '3 = 10r9


Esd = A2T = [ 10"3)2x l 0 '3 = 10'9

101-9
P{E) = Q =Q = Q(1) = 0,159
2 AL 110 "
SOLUÇÃO DOS EXERCÍCIOS | 463

8.2 Para se fazer uma transmissão binária em banda básica, deve-se es­
colher os sinais entre os 4 pares mostrados abaixo. Qual deve ser a escolha
se o critério for: (i) a menor probabilidade de erro para um dado valor da
energia média; (ii) a menor probabilidade de erro para um dado valor da
energia média, com a menor amplitude do pulso; (iii) a menor probabilida­
de de erro com a menor ocupação espectral.

(a) (b) (c) (d)

o T 0 T /2 0 T 0 T/2

--------------------► --------------------►

Figura E8.2

Solução
(i) Os pares (c) e (d), por serem sim étricos antipodais, apresentam menor
probabilidade de erro para um dado valor da energia média.
(ü) A energia média dos pares (c) e (d) pode ser calculada por

Kc =W

4 i
“'s, d
2

onde Ac e Ad são as amplitudes dos pulsos (c) e (d). Para que os dois pares
tenham a mesma energia média, obviamente,

Ou seja, o par (c) terá menor amplitude.


(iii) Os pulsos da figura (c) têm maior duração e, assim, seu espectro de fre­
quências será mais estreito do que os pulsos em (d). A resposta, então, é (c).
464 I PRINCÍPIOS DE COMUNICAÇÕES

8.3 Em uma transmissão PAM quaternária, é transmitido um pulso re­


tangular de duração 0,2 ms com amplitudes ± 2 e ± 6 mV. Sabe-se que, quan­
do é transmitida a amplitude + 6 mV, a probabilidade de errar é igual a 10'2.
(a) Determine a probabilidade de errar quando for transmitida a amplitude
+ 2 mV.
(b) determine a probabilidade de erro.
(c) supondo que o filtro de recepção é casado e sua amplitude é unitária,
calcule a variância do ruído na entrada do detetor da figura 5.18.

Solução

(a) Com base em (8.31),(8.32) e (8.33), podemos escrever que

e, assim, com base nas mesmas equações,

(b) A probabilidade de erro é a média das probabilidades de erro condicio­


nais, isto é,

P[E) = -[2xlO ~ 2+ 2x2 x l(T 2) = l,5 x l(T 2


4

(c) O filtro casado é um pulso retangular de duração 0,2 ms e amplitude


unitária. As amostras do sinal na entrada do detetor são dadas por

r'(t0) = aKEs

onde K = 1 e Eg = T =IO-4 e a = í 2 e í 6. A distância d será, portanto,


d = 4 x IO 4 e, assim,
SOLUÇÃO DOS EXERCÍCIOS | 465

Através de uma tabela da função Q, obtemos:

4xlC T4
2,32
2(7

onde a 2 = 0,743 x 10'8.

8.4 Um sistema PSK-8 é utilizado para transmissão digital a uma taxa


de bits de 15 kbit/s. Sabe-se que, na entrada do receptor, a potência da por­
tadora modulada é igual a 3 x IO-6 W e que sua envoltória é dada por

f 2Kt \
1-C O S 0 <t<T
g(*) = V
~T~
0 fora

Sabe-se, ainda, que o filtro passa-baixa utilizado no receptor da figura 5.43 é


dado por h[t) = g[t0-t). (a) Represente o espaço de decisão na deteção ótima
e calcule a distância entre dois sinais vizinhos; (b) determine a probabili­
dade de erro mínima com ruído aditivo branco Gaussiano de densidade
espectral de potência igual a 0,24 x IO 10 W/Hz.

Solução
A forma geral do espaço de decisão é dada pela figura 5.42. Neste caso,

g % )-E s

rT l-oos 2^ í Y
ío
\ T
1 M
Como R= 15 kbit/s,

T = — - — r = 0 ,2 x l 0 “3
1 5 x l0 3

Portanto,
g '( í o) = £ = 0 , 3 x l 0 - 3

Aplicando (5.69) e desenvolvendo, temos:


466 I PRINCÍPIOS DE COMUNICAÇÕES

O diagrama está mostrado na figura abaixo.

d = 0,6x10 xsen| = 0,23x10 ,-6


V8
(b) Aplicando (8.62), temos a probabilidade de erro:

I2 x 3 x 10"6X 0,2 XlO"3 n ^


P[E) = 2Q >-10
sen = 2Q(X913) = 2,8X10"
0,48X10 v8 /
SOLUÇÃO DOS EXERCÍCIOS | 467

8.5 No Exercício 5.11 são analisados 3 sistemas: PSK-4, QAM-16 e PSK-8,


operando com receptor ótimo. Considerando que a variância da amostra de
ruído na saída dos filtros casados do receptor é igual a 1 0 12, calcule a pro­
babilidade de erro em cada um desses sistemas.

Solução
Como a variância do ruído no detetor é a mesma para todos os siste­
mas, as probabilidades de erro podem ser calculadas através de suas ex­
pressões em termos da razão d /a onde, para todos os sistemas, <7 = 10~6.
Utilizando os valores de d obtidos no Exercício 5.11, temos:

PSK-4

d = IO'5
í j \ 10-5 ^
P [E ) = 2Q = 2Q = 2Q( 5) = 0,574 X 1 0 '
2X10 6 ,
V2<77 7

QAM-16

d = 0,316X 10.-5

w \ 0,316 X 10'5 ^
P[E ) = 3Q = 3Q = 3Q ( 1,58) = 1,713 X 1 0 '1
2(7 7 2X10 6

PSK-8

,-5
d = 0,44X10

j \ 0,442 X 10'5 A
P[E ) = 2Q = 2Q = 2Q (2,21) = 0,278 X 1 0 '1
V2( T7 2X10 6
468 I PRINCÍPIOS DE COMUNICAÇÕES

Solução alternativa
Como o receptor é ótimo, as probabilidades de erro podem ser calcu­
ladas através de suas expressões em termos da razão E JN 0. Como a energia
média Es está determinada, e é igual para todos os sistemas, precisamos,
neste caso, determ inar o valor de N0, que é diferente para cada sistema.
Usando (8.41), e como o filtro é casado, temos:

Da solução do Exercício 5.11, temos K = 1/T e E = T. Assim,

e, portanto,

N0 = 4 x lO ”12T

Usando os valores de T calculados no Exercício 5.11, temos:

PSK-4

T = 2 x 10-4
N0 = 8 x l 0 ”16

QAM-16
T = 4 x 10-4
N0 = 16xlC T 16

2 x 1 0 ”14
P [E ) = 3Q s- =3 = 3 Q (l.5 8 )
5X 16X 10-16
SOLUÇÃO DOS EXERCÍCIOS | 469

PSK-8
T =3 x 1(T*
N0 = 12X 10 "16

P{E) = 2
2 X 2 X 1 0 '14
0,383 = 2 0 (2 .2 1 )
1 2 X 10"16

8 .6 Um sistema QAM-64 opera com taxa de 3 Mòif/s e chega ao re­


ceptor ótimo com envoltória constante e uma potência de 0,84 x 10'6 W.
Sabendo que os valores dos lim iares são 0 , ± 5 mV, ± 10 mV e ± 15 mV;
(a) determine a variância do ruído na entrada do detetor de limiar, saben­
do que a densidade espectral de potência do ruído no receptor é igual a
0,64 x 1 0 14; (b) determine a probabilidade de erro em termos da função Q.

Solução
(a) Como o receptor é ótimo, o filtro é casado e sua resposta ao impulso é
dada, genericam ente, por

iin-Kgu„-i)
onde g(í) é a forma da envoltória da portadora. Neste caso, g(t) é um pulso
retangular, cuja amplitude é considerada igual a 1 . Assim,

g% )-K E t

Com a taxa de bits especificada, encontramos

T = — = — T- = 2 x 10-6
R 3X10 6

No sistema QAM-64, os lim iares de deteção são dados por 0 , + A g'(í 0)/2 ,
± A g'(f0) e ± 3A g'(f 0)/2. Temos, então,
470 | PRINCÍPIOS DE COMUNICAÇÕES

Aplicando (5.59) e lembrando que = P T , obtemos:

)4X 0,84X10^
Á= = 4X10"4
V 21

Substituindo os valores e desenvolvendo, chegamos a


1,25 x 107.
Usando (8.41):

a 2=4 — í K 2g 2[t0-t)dt = —-4- Xl° — (1,25) x 1014 x 2 x IO-6 = IO“6

A probabilidade de erro pode ser calculada através de (8.54) ou (8 . 57 ).


Usando (8.54), temos:

( 5 x l0 ~3 \
P[E) = 3,5Q 2xl(T3
= 3,5Q(2,5) = 2,17X10"2
V

U san d o (8.57), e notando que = = 1,68 x IO 12,

13 x l,6 8 x l0 ~12
P[E) = 3,5 Q 3 ,5Q (2,5)
1,28 x 10_14x 63
/

8.7 Considere um sistema ASK odesc


os sinais são

Sjfí) = 2cos(2^/cf) 0 < f < 0.1 e s2(í) = 0

e cujo receptor está mostrado na figura 5.28, onde a resposta ao impulso do


filtro casado é dada por

? r ^ Í1 0 < í < 0,1 ms


~ i_ p
[o fora
Sabendo que a densidade espectral de potência de ruído no canal é igual
a 2 X 10 '6 W/Hz; (a) determ ine a variância do ruído na saída do filtro, e
calcule a probabilidade de erro usando esta variância e a distância deter­
m inada no item anterior; (b) determ ine a razão sinal-ruído Es/N0 e calcule
SOLUÇÃO DOS EXERCÍCIOS | 471

a probabilidade de erro usando esta razão sinal-ruído; (c) suponha que seja
usado o receptor não coerente da figura 5.50, onde o filtro h[t) é o mesmo
usado no receptor coerente; dado que foi transmitido s2(f) = 0 , determine a
probabilidade de que a amostra x na entrada do deteto
do que 0,01 mV.

Solução

(a) A variância do ruído na saída do filtro é calculada por

, . _ ^* Jr—oo 4

onde N.0 = 4 x IO-6 e g ’


E = 0,1 x 10 '3. Resulta

CT2 = 1 0 10
Com a distância calculada no Exercício 5.8, 0,1 x 10'3; calculamos, en­
tão, usando (8.15):

/ \
1 er4
W -Q -0 (5 )
V
2xVlO~10 /

(b)A energia média é dada por

2
E = — xO .lxlO “3 = 1 0 -4
4

Aplicando (8.27):

/
10"4
P{E) = Q
V 4x^fixF )
-0 (5 )

(c) Sabem os que, no sistema ASK on-off, quando é transmitida a amplitude


nula, a densidade de probabilidade da amostra x no detetor é dada por
(8 .66 ). Temos, então,

Y2 f2*10-5) 2

4
J 2xl0-5 O
e ^ d X -e '-^
472 I PRINCÍPIOS DE COMUNICAÇÕES

onde a 2 = IO 10. Resulta, então,

P ( x > 2 x l0 ~ 5) = e_1!

8 .8 A Taxa de erro de bit é definida como a probabilidade de que um


bit escolhido aleatoriam ente na sequência transmitida esteja errado. A par­
tir desta definição, demonstre (8.84).

Solução
Podemos definir o espaço amostra da experiência aleatória através da
dupla (x,y), onde x representa a posição do bit, x = 1 .2 ...L, e y o estado do
bit, certo ou errado, isto é, y = C ou 7 = E. De acordo com a de

BER = P [[(1,E )] + P [[2 ,E )] + ...+ P [[L ,E )}]

Mas,

P {i,E ) = P [ y = E \ x = i)P [x = i) = P(í>. * f c j -


L

Substituindo na equação acima, obtemos:

BER = j ^ P ( b l ±bi)
i=1

Podemos expressar o número de bits errados na sequência, ne, como

n .- t ,
2=1

onde

1 b^ k
0 b, ± b,
SOLUÇÃO DOS EXERCÍCIOS | 473

Aplicando a definição de valor esperado, podemos escrever:

£ ( n J - ^ E ( ,) - ^ P ( í ;.í6 ,)
i=1 i=1

Comparando com a expressão de BER acima, chegamos a

BER = - E [ n e)
L

8.9) Em um sistema PSK-4 onde (|>é a fase transmitida e a fase deteta­


da, sabe-se que a probabilidade P( <j)=
detetada é vizinha da fase transmitida, e 5 x IO-3 quando a fase detetada é a
fase oposta à fase transmitida. Calcule a probabilidade de erro e a taxa de
erro de bit obtida com os seguintes esquemas de codificação:
(l) (II)

B its S ím b o lo s B its S ím b o lo s

00 tt/ 4 00 tt/ 4

01 3 tt/ 4 01 3 tt/ 4

10 5 tt/ 4 11 5 tt/ 4

11 7tt/ 4 10 7tt / 4

Solução
Aplicando (8.83), temos:

P{E) =

P[</>=n/4, $ = 3 tt/4) + liT


=
)j([P4, $ = 5n/4) + $ =

P{<!>=3 tt/4, $ = tt/4)+ P{<t>= 3tt/4, 0 = 5

P[(/)=5n/4, (/) - tt/4)+ P(</)=5tt/4, $ = 3n

P (^ = 7 tt/4, 0 = rr/4) + P[(/)=7 tt/4, ^ = 3 tt/4) + <j) = 5 tt/4)


= 4 x [2 x IO' 2 + 5 x IO '3] = 0,1
474 I PRINCÍPIOS DE COMUNICAÇÕES

Aplicando (8 .86 ), temos, com a codificação de símbolos do esquema (i):

E(nJ =
1x P((/)-n/4, <j> = 3jt/4) + 1 x P(^=7 t/4, ^ = 5tt/4) + 2 x P (^ = jt/4, $ = 7jt/4) +

1 x P(^ = 3 jt/4, 0 = jt/4) + 2 x P(^ = 3 jt/4, 0 = 5tt/4) + 1 x P [0 = 3 jt/4, 0 = 7jt/4) +

1 x P (0 = 5 tt/4, 0 = jt/4) + 2 x P (0 = 5 jt/4, 0 = 3jt/4) + 1 x P(^=57 t/4, ^ = 7jt/4) +

2 x P(^=77 t/4, <f)= jt/4) + 1 x P(0=77 t/4, $ = 3jt/4) + 1 x P (^ = 3 jt/4, <j) = 5jt/4)

= 4 x [(3) x IO*2 + (1)5 x IO '3] = 0,14

Notando que L= 2 , e substituindo em (8.84), obtemos a taxa d


B E R = 0,07

Repetindo a mesma formulação para o esquema (ii), obtemos


E[ne) = 4 x [(2 ) x IO'2 + (2 ) x 5 x 10'3] = 0,12

O m elhor resultado obtido com o esquema (ii) se explica facilm ente


pelo fato de que a codificação (ii) é uma codificação de Gray, onde as fases
vizinhas estão associadas a palavras binárias que diferem apenas em 1 bit;
ao contrário do esquema (i), onde a diferença pode ser de 2 bits. Como o
erro para uma fase vizinha é mais provável do que o erro para uma fase
oposta, a média de bits errados será menor no esquema (ii).

8.10 Sabe-se que a relação entre a probabilidade de erro (de símbolo) e


a taxa de erro (de bit) é dada, aproximadamente, por (8.84), quando se usa
a codificação de Gray e a razão sinal-ruído é alta. Verifique a precisão desta
aproximação em um sistema PSK-4 com receptor ótimo para E^N = 0,5 e
W - 2.

Solução
De acordo com (8.48),

~\2
f d_'
P[E) = 1 - 1- Q - 2 Q( ± W d
2a
SOLUÇÃO DOS EXERCÍCIOS | 475

Usando a aproximação dada por (8.87),

w \ f A \
BER = Q --Q 2
V2(T7 2 ^ y 2 a )

enquanto no Exemplo 8.4, mostramos que

BER = Q

Para o sistema PSK-4, podemos verificar que

± . IK
20 l/JV.

Temos, então,

E d I2E
—^ = 0.5; — = — ^=1 0,159 = 0 ,1 4 6
N0 2(7

E d 2E
— = 2; — = — - =2 B= 0 ,0 2 2 8 = 0 ,0
N0 2(7

8 .11 Usando as expressões das tabelas 8.1, 8.2 e 8.3, compare o de­
sempenho dos sistemas de transmissão digital analisados ao longo deste
capítulo (exceto o ASK on -off não coerente) em termos da razão E JN Q(em
dB), necessária para obter uma taxa de erro de bit mínima de IO-4 em canal
perturbado por ruído aditivo Gaussiano branco.

Solução

PAM on-off, ASK on-off, FSK-2

2E E
— è- = 3,71; —i -b= 6 ,9 = 8 ,4 dB
K N0
476 I PRINCÍPIOS DE COMUNICAÇÕES

PAM-2 simétrico, ASK-2 simétrico, PSK-2 e PSK-4

Q( h 1

L
— ^ = 3,71; — = 6 ,9 = 8 ,4 dB
II
O
V K N„ N

FSK-2 não coerente

1
- e 2N° = 10 4 = - 2 ln(2 x 10"4] = 17,03 = 12,3 dB
2 No

DPSK-2

1 - i
-e = 10"4 — = -1 4 2 X 1 0 -4) = 8,52 = 9,3 dB
2 N0

PAM-4 e ASK-4 e QAM-16

4 „ 4 Í4E, E,
Q = -1 0 4 J — “ = 3,645 —
' 5AT 3 PN 0 K

QAM-64

[ 2^
Q = — 10~4 = 3,58
7N 7 V 7iVo N0

PSK-8

l6Eb sen —
71
\ I J 7
Q J 1--- 2. =- 10“ 1— ^ X 0,383 = 3,615; - 1 = 14,85 = 7 dB
V N0 8 N N
/
SOLUÇÃO DOS EXERCÍCIOS | 477

8 .12 Uma transmissão digital deve ser feita com modulador PSK-4 ope­
rando com receptor ótimo, sem interferência entre símbolos, com taxa de
erro de bit desejada igual a IO"4em canal com ruído aditivo branco Gaussiano
com densidade espectral de potência igual a 1 0 12 W/Hz. (a) Determine a lar­
gura de faixa mínima do canal e a potência necessária na entrada do recep­
tor para transm itir a uma taxa de 64 (b) com os valores calculados
no item (a), determine a máxima taxa de bits teoricam ente possível para
transmissão com probabilidade de erro arbitrariam ente pequena.

Solução
(a) Aplicando (5.121) ou (8.96):

B > — = 32 kHz
2

Para BER = 10'4 obtemos Eb/N0 = 6,9. Aplicando (8.93):

Ps =6,9X64X103X2X10'12 = 0,883 x 1o-6 W

\
0 ,8 8 3 x 1 0 6
(b) C =3 2 x l 0 3x lo g12+ = 124,39 kbit/s
2 x l 0 -12 X 32X 103

8 .1 3 Repita o exercício 8 . 12 , considerando que o pulso de transmissão


e a resposta do filtro de recepção tem espectro do tipo cosseno levantado
com fator de rol-figual a 0,5.

Solução

(a) Aplicando (5.124) ou (8.98):

B > — ( 1+ a ) = 48 kHz
2

O cálculo da potência não sofre alteração, ou seja,

Ps 6=,9 x 64x 103 x 2 x IO"12 = 0,883 x 10"6 W


478 I PRINCÍPIOS DE COMUNICAÇÕES

0,883X 10
(b) C = 48 x l 03 x lo
1+g 2------- Z ü ----------- 3 = 160,81 kbit/s
2x10 x 48x10 .
J

8.14 Considere o mesmo sistema de transmissão digital definido no


exercício anterior (modulador PSK-4 com receptor ótimo, sem interferên­
cia entre símbolos, com taxa de erro de desejada igual a IO"4 em canal
com ruído branco Gaussiano com densidade espectral de potência igual a
IO 12 W/Hz). Suponha agora que a largura de faixa disponível para a trans­
missão é fixada em 32 kHz, e a potência do sinal no receptor em -30 dBm.
Considere ainda que, opcionalmente, pode-se empregar um código corretor
de erro de taxa % e ganho 4 dB. (a) Determine a máxima taxa de bits que
pode ser transmitida, (b) Para a taxa obtida, determine a faixa efetivamente
utilizada e a taxa de erro com que o sistema vai operar.

Solução
(a) Pela Lim itação de Faixa:

Rx2 x B = 64 kbit/s
Pela Limitação de Potência, notando que para BER = IO-4, E JN 0 = 6 , 9 ,

IO’ 6
R < -------- ---------- = 72,46 kbit/s
2 x 1 0 12 X 6,9

Prevalece então o menor valor, determinado pela lim itação de faixa. Neste
caso, não há vantagem em utilizar um código corretor de erro e, assim

R x 64 kbit/s
( b ) A faixa utilizada é a faixa disponível, ou seja, 32 kHz. A taxa de erro de
bit é aquela obtida com o valor de Eb/N 0 correspondente à taxa de 64 kbit/s,
isto é

N0N 0R 2 x 10~12 X 6 4 x l 0 3

Este valor também poderia ser calculado observando que Eb/N 0 é inversa­
mente proporcional à taxa de bits. Ou seja,
SOLUÇÃO DOS EXERCÍCIOS | 479

— = 6 , 9 X --------- = 7 , 8 1
JV„ 64

Usando a expressão da taxa de erro de bit para o sistema PSK-4 dada na


Tabela 8 .2 , obtemos:

BER = Q(3,95) = 0,391 x IO-4


Observa-se que o sistema opera com taxa de erro de bit menor do que a
desejada, uma vez que há sobra de potência.

8.15 Repita 0 Exercício 8.14, considerando um sistema QAM-16.

Solução
(a) Pela Lim itação de Faixa:
R x 4 x B =128 kbit/s
Pela Limitação de Potência, notando que para BER = ÍOA E JN 0 = 16,61

10”6
R < --------- -------------= 3 0 ,1 0 kbit/s
2 X 10 x 16,61

Prevalece, então, o menor valor, determinado pela lim itação de potência.


Neste caso, há vantagem em utilizar um código corretor de erro. Com o có­
digo especificado, de taxa 3A e ganho 4 dB, (IO0,4 = 2,51), temos:

R < — X4 x 3 2 = 9 6 kbit/s
4

R< 2,51x1o"6
75,56
“ 2xl0~12x 16,61

Com a utilização do código, também prevalece o valor dado pela limi­


tação de potência, porém, bem maior do que aquele obtido sem o uso do
código. A melhor solução é, portanto, o uso do código com o qual se pode
transmitir a uma taxa de 75,56 kbit/s. Como esse valor é determinado pela
lim itação de potência, isto significa que 0 sistema opera com a taxa de erro
de bit especificada, isto é, 10 "4. Por outro lado, a faixa ocupada é menor do
que a disponível, ou seja,
480 I PRINCÍPIOS DE COMUNICAÇÕES

B = -5 I5 6 = 1 8 8 g kHz
4

8.16 Repita o Exercício 8.15, supondo que o código corretor de erro


utilizado tem Ganho de 5 dB e taxa igual a xh.

Solução
Neste caso, com o código de taxa xk e ganho 5 dB, (IO0,5 = 3,16), temos:

R < —X 4X 3 2 = 64 kbit/s
2

R< 3,16x1o-6
9 5 ,1 2 kbit/s
” 2X10~12X 16,61

A m elhor solução é o uso do código com o qual se pode transm itir a uma
taxa de 64 kòif/s. Como esse valor é determ inado pela lim itação de faixa,
isto significa que o sistema utiliza toda a faixa disponível e opera com taxa
de erro abaixo da especificada, 10 ~4. Supondo que o ganho do código é o
mesmo para taxas de erros diferentes da especificada (o que não ocorre
exatam ente), a taxa de erro de bit efetiva é aquela obtida com o valor de
Eb/N0 correspondente à taxa de 64 kbit/s, e ganho de 3,16, isto é,

Eb GP„3,16 x 1(T6
——= —= --------------------------= 24 7
N0 N0R 2 x 1(T12 x 64 x 103

Usando a expressão da taxa de erro de bit para o sistema PSK -4 dada na


tabela 8 . 2 , obtemos:

BER = 3A Q(4,44)=0,34 x 10~5


Esta obra foi produzida nas
oficinas da Imos Gráfica e Editora na
cidade do Rio deJaneiro
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