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UNIVERSIDADE FEDERAL DA PARAÍBA

Departamento de Relações Internacionais


Disciplina: Globalização e Relações Internacionais
Aluno: Rafael Valentim de Souza
Matrícula: 11319348

Resenha sobre o texto “Activists beyond Borders – Advocacy Networks in International


Politics” de Margaret E. Keck e Kathryn Sikkink.

O texto “Activists Beyond Borders” apresenta uma perspectiva sobre a política


internacional que em boa parte é negligenciada pelos estudiosos das relações
internacionais. Principalmente aqueles que possuem seu foco dentro de estruturas
centradas no Estado e Realistas. Desta forma, estes fatos levaram muitos desses
estudiosos a ignorarem outros atores além dos Estados e, também, as mudanças
normativas que ajudaram a avançar nos estudos dos assuntos internacionais. Ou seja,
acaba-se deixando de fora questões sobre como as dinâmicas internacionais e
transnacionais influenciam os processos políticos dentro dos Estados.
As autoras afirmam que a política mundial no final do século XX não evolvem
apenas assuntos relativos aos Estados, mas sim, muitos atores não estatais que interagem
uns com os outros, inclusive com os Estados, como por exemplo as organizações
internacionais. Essas interações são estruturadas em termos de redes (Network) e redes
transnacionais e que estão cada vez mais aparentes na política internacional. O texto
explana que estas redes podem ser compostas por diferentes atores. Algumas são redes
de cientistas, outras são redes de ativistas, que se distinguem em grande parte pela
centralidade de ideias ou princípios que moldam a sua formação. Esta rede está
diretamente ligada ao conceito de advocacia transnacional.
Keck e Sikkink escrevem que as principais mudanças nas políticas e
comportamentos nacionais e internacionais geralmente são resultadas dos esforços
conjuntos de atores não-estatais para promover algum princípio compartilhado, como a
violação de direitos ou questões ligadas a igualdade. As redes de atores não-estatais
(incluindo ONGs internacionais e nacionais, fundações, indivíduos atuando em agências
governamentais e intergovernamentais, e os meios de comunicação de massa) são vistos
como forças motrizes por trás destas mudanças normativas.
As organizações internacionais e não-governamentais nacionais desempenham,
segundo as autoras, um papel de destaque nestas redes. Os cientistas sociais têm pouco
abordado o papel político das ONGs como atores ativistas nacionais e internacionais. É
notório que grande parte da literatura existente sobre ONGs ignoram as interações destes
atores com os Estados ou apresentam uma análise muito superficial. O conhecimento do
seu papel em redes de advocacia auxilia a perceber quais as suas ligações com os
movimentos sociais, agências estatais e organizações internacionais.
Estas redes de advocacia são caracterizadas por serem voluntárias e por possuírem
padrões horizontais de comunicação e de intercâmbio. Elas podem incluir os seguintes
atores: Organizações de pesquisa e advocacia não-governamentais nacionais e
internacionais; movimentos sociais locais; Fundações; meios de comunicação; igrejas,
sindicatos, organizações de consumidores e intelectuais; partes de organizações
intergovernamentais internacionais e regionais; e partes do executivo e ramos
parlamentares. Todos estes atores podem estar presentes em redes de advocacia, segundo
as autoras.
Dentro desse contexto, é importante ressaltar que as ONGs nacionais e
internacionais desempenham um papel central em todas as redes de advocacia,
geralmente iniciando ações e pressionando atores mais poderosos para tomar posições. A
ONGs são as principais responsáveis por introduzirem novas ideias, fornecer informações
e, além disso, fazer lobby para mudanças políticas pretendidas.