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INTERPRETAÇÃO DE TEXTO: ESTRUTURA NARRATIVA

Narração é o ato de narrar, contar alguma coisa. Seu centro, portanto, é o


fato, o acontecimento.

O texto narrativo possui os seguintes elementos:


1) Narrador
2) Personagens
3) Enredo
4) Tempo
5) Ambiente

Apresentação – apresenta os personagens, o tempo e o lugar


Clímax – momento principal da ação narrada
Desfecho – momento final da narração

A participação das personagens pode dar-se de três formas diferentes de


discurso. São elas:

Discurso direto
Quando o narrador reproduz a fala do personagem.
Características: emprego do sinal de dois pontos, travessão e inicial
maiúscula:
Disse Rodrigo, com absoluta convicção:
- Viajarei na próxima semana.

Discurso indireto
Quando o narrador incorpora à sua frase a frase do personagem.
Características: Ausência de dois pontos e travessão e emprego das
conjunções integrantes que e se.
Disse Rodrigo, com absoluta convicção, que viajaria na próxima semana.
Nota: pode aparecer em vez da conjunção integrante, um pronome ou
advérbio interrogativo.
Roberto perguntou: - Como poderei encontrá-lo?
Roberto perguntou como poderia encontrá-lo.

Discurso indireto livre


A fala do personagem se funde com a do narrador. Só pelo sentido se
consegue depreender tal construção.
Era uma noite chuvosa. O jovem caminhava a passos largos, ansioso,
observando a todo momento o relógio molhado.
Será que chegarei a tempo? E a chuva não parava da cair, assustadora.
EXERCÍCIOS PARA FIXAÇLÍNGUA PORTUGUESA .
(CESPE) Texto para as questões 1, 2 e 3.

Apólogo brasileiro sem véu de alegoria


O trenzinho seguia danado para Belém porque o maquinista não tinha
jantado até àquela hora. Os que não dormiam aproveitando a escuridão
conversavam e até gesticulavam por força do hábito brasileiro. Ou então
cantavam, assobiavam.
Noite sem lua nem nada. Os fósforos é que alumiavam as caras cansadas e a
pretidão feia caía de novo. Ninguém estranhava. Era assim mesmo todos os
dias, o pessoal do matadouro já estava acostumado. Parecia trem de carga o
trem de Maguari.
Porém aconteceu que viajava no penúltimo banco do lado direito um cego de
óculos azuis. Cego baiano das margens do Verde de Baixo. Flautista de
profissão, dera um concerto em Bragança. Voltava para Belém com setenta e
quatrocentos no bolso. Baiano velho estava contente. Primeiro deu uma
cotovelada no secretário e puxou conversa. Puxou à toa porque não veio
nada. Então principiou a assobiar. Assobiou uma valsa (dessas que vão
subindo, vão subindo e depois descendo, vêm descendo), uma polca, um
pedaço do Trovador. Ficou quieto uns tempos. De repente, deu uma coisa
nele. Perguntou para o rapaz:
- O jornal não dá nada sobre a sucessão presidencial?
O rapaz respondeu:
- Não sei, nós estamos no escuro.
- No escuro?
- É.
Ficou matutando calado. Claríssimo que não compreendia bem. Perguntou de
novo:
- O vagão está no escuro?
- Está.
De tanta indignação bateu com o porrete no soalho. E principiou a grita dele
assim:
- Não pode ser! Estrada relaxada! Que é que faz que não acende? Não se
pode viver sem luz! A luz é necessária! A luz é o maior dom da natureza! Luz!
Luz! Luz!
E a luz não foi feita continuou berrando:
- Luz! Luz! Luz!
Só a escuridão respondia.
****
Foi preciso explicar que era um desaforo. Homem não é bicho. Viver nas
trevas é cuspir no progresso da Humanidade.
Depois a gente tem a obrigação de reagir contra os exploradores de povo.
No preço da passagem está incluída a luz.
O governo não toma providências? Não toma? A turba ignara fará valer seus
direitos sem ele. Contra ele se necessário.
Brasileiro é bom, é amigo da paz, é tudo quanto quiserem: mas bobo não.
Chega um dia e a coisa pega fogo.
Todos gritavam discutindo com calor e palavrões:
- Que é que se vai fazer?
João Virgulino sabia. Magarefe-chefe do matadouro de Maguari, tirou a
faca da cinta e começou esquartejar o banco de palhinha. Com todas as
regras do ofício. Cortou um pedaço, jogou pela janela e disse:
- Dois quilos de lombo!
Cortou outro e disse:
- Quilo e meio de toucinho!
Todos os passageiros, magarefes e auxiliares, imitaram o chefe. Os
instintos carniceiros se satisfizeram plenamente.
A indignação virou alegria. Era cortar e jogar pelas janelas. Parecia um
serviço organizado.
Baiano velho quando percebeu a história pulou de contente. O chefe do trem
correu quase que chorando.
- Que é isso? Que é isso? É por causa da luz?
Baiano velho respondeu:
- É por causa das trevas!
****
Dada queixa à policia foi iniciado o inquérito para apurar as
responsabilidades. Perante grande numero de advogados, representantes da
imprensa, o delegado ouviu os passageiros. Todos se mantiveram na negativa,
menos um que se declarou protestante e trazia um exemplar da Bíblia no
bolso. O delegado perguntou:
- Qual a verdadeira causa do motim?
O homem respondeu:
- A causa verdadeira do motim foi a falta de luz nos vagões.
O delegado olhou firme nos olhos do passageiro e continuou:
- Quem encabeçou o movimento?
Em meio à ansiosa expectativa dos presentes, o homem revelou:
- Quem encabeçou o movimento foi um cego!
Quis jurar sobre a Bíblia, mas foi imediatamente recolhido ao xadrez
porque com autoridade não se brinca.

Alcântara Machado
1 - Tendo como premissa que ler é compreender ideias explicitas e
implícitas de um texto, julgue os itens que se seguem, referentes ao
texto.
( ) Ao certificar-se de que o vagão estava às escuras, baiano velho começou
a protestar contra o desleixo da companhia que operava o trem de Maguari.
( ) São características do protagonista do texto: cidadão do sexo masculino,
adulto, de cor negra, desprovido de visão, trabalhador em um matadouro,
músico nas horas vagas sociável e batalhador pelas causas da justiça social.
( ) O passageiro que delatou o cego levava consigo um exemplar da Bíblia,
para jurar sobre ela, porque sabia, de antemão, que o delegado não
acreditaria em suas palavras.
( ) No final da narrativa, o passageiro foi preso porque sua declaração,
embora verdadeira, era ilógica aos olhos do delegado.

2 - Evidenciando a compreensão da linguagem utilizada no texto, julgue


os itens abaixo.
( ) No texto, pertencem ao campo semântico de “matadouro”, as palavras
“faca”, “esquartejar”, “lombo”, “toucinho” e “magarefes”.
( ) No contexto as palavras “luz”, “luz” e “trevas” estão empregadas de
forma plurissignificativa.
( ) Em “Só a escuridão respondia”, tem-se um exemplo de linguagem
metafórica.
( ) Uma das características da linhagem nesse texto é a ironia, que pode ser
encontrada nas seguintes passagens:
“Dois quilos de lombo”, “Quilo e meio de toucinho” e “com autoridade não se
brinca”.

3 - A respeito do texto, julgue os itens seguintes.


( ) O texto é predominante narrativo, apresentando uma sequência de
acontecimentos situados no tempo e no espaço, suas causas e consequências.
( ) O texto classifi ca-se como conto, por ser a recuperação poética de um
fato real, captado pelo olhar singular do artista, e ser apresentado de
forma lírica.
( ) É correta a reescritura em discurso indireto da passagem “Perguntou (...)
escuro” da seguinte forma: Perguntou para o rapaz se o jornal não dava nada
sobre a sucessão presidencial. O rapaz respondeu que não sabia, que
estavam no escuro.
( ) As duas séries de asteriscos dividem o texto em três partes, que
correspondem a três momentos da narração: antes, durante e depois do
motim.
( ) A série de asterisco da linha pode ser suprimida sem que a sequência
temporal do texto seja prejudicada.

(UEG) Texto para as questões de 4 a 12.

UM PÉ DE MILHO
Os americanos, através do radar, entraram em contato com a lua, o que não
deixa de ser emocionante. Mas o fato mais importante da semana aconteceu
com o meu pé de milho.
Aconteceu que no meu quintal, em um monte de terra trazida pelo
jardineiro, nasceu alguma coisa que podia ser um pé de capim – descobri que
era um pé de milho. Transplantei-o para o exíguo canteiro na frente da casa.
Secaram as pequenas folhas, pensei que fosse morrer. Mas ele reagiu.
Quando estava do tamanho de um palmo veio um amigo e declarou
desdenhosamente que na verdade aquilo era capim. Quando estava com dois
palmos veio outro amigo e afirmou que era cana.
Sou um ignorante, um pobre homem da cidade. Mas eu tinha razão. Ele
cresceu, está com dois metros, lança suas folhas além do muro – e é um
esplêndido pé de milho. Já viu o leitor um pé de milho? Eu nunca tinha visto.
Tinha visto centenas de milharais – mas é diferente. Um pé de milho
sozinho, em um canteiro, espremido, junto do portão, numa esquina de rua –
não é um número numa lavoura, é um ser vivo e independente. Suas raízes
roxas se agarram no chão e suas folhas longas e verdes nunca estão imóveis.
Detesto comparações surrealistas – mas na glória de seu crescimento, tal
como o vi em uma noite de luar, o pé de milho parecia um cavalo empinado, as
crinas ao vento – e em outra madrugada parecia um galo cantando.
Anteontem aconteceu o que era inevitável, mas que nos encantou como se
fosse inesperado: meu pé de milho pendoou.
Há muitas flores belas no mundo, e a flor de milho não será a mais linda.
Mas aquele pendão firme, vertical, beijado pelo vento do mar, veio
enriquecer nosso canteirinho vulgar com uma força e uma alegria que fazem
bem. É alguma coisa de vivo que se afirma com ímpeto e certeza. Meu pé de
milho é um belo gesto da terra. E eu não sou mais um medíocre homem que
vive atrás de uma chata máquina de escrever: sou um rico lavrador da Rua
Júlio de Castilhos.

BRAGA, Rubem. 200 crônicas escolhidas: as melhores de Rubem Braga. 17. ed. Rio de Janeiro:
Record, 2001. p. 42-43.

4 - Já no primeiro parágrafo, o narrador desconfigura a tese de que


a) o fato menos conhecido é o mais importante.
b) o fato mais insignificante pode tornar-se universal.
c) o fato mais conhecido é o mais importante.
d) o fato mais universal pode particularizar-se.

5 - O fato inevitável de que fala o narrador no quarto parágrafo é:


a) “Há muitas flores belas no mundo”.
b) “a flor de milho não será a mais linda”.
c) “Meu pé de milho é um belo gesto da terra”.
d) “meu pé de milho pendoou”.

6 - A leitura da crônica permite deduzir que o título refere-se:


a) a um pé de milho específico.
b) a um pé de milho qualquer.
c) a um pé de milho indeterminado.
d) a um pé de milho surreal.

7 - Em “Sou um ignorante, um pobre homem da cidade. Mas eu tinha


razão” (3º parágrafo), a conjunçãomas indica:
a) comparação.
b) condição.
c) oposição.
d) adição.

8 - No segundo parágrafo, é possível perceber, além da voz do


narrador, outras vozes, que são marcadas:
a) pelo discurso direto.
b) pelo discurso indireto livre.
c) pelos discursos direto e indireto.
d) pelo discurso indireto.

9 - No trecho “sou um rico lavrador da Rua Júlio de Castilhos” (4º


parágrafo), a expressão “rico lavrador” tem sentido:
a) metafórico.
b) literal.
c) metonímico.
d) gradativo.

10 - Em “meu pé de milho pendoou” (4o parágrafo), o verbo pode ser


substituído, sem prejuízo de sentido, por:
a) balançou.
b) floresceu.
c) morreu.
d) empinou.

11 - Quando o narrador afirma “E eu não sou mais um medíocre homem


que vive atrás de uma chata máquina de escrever” (4º parágrafo), a
expressão “não sou mais” pressupõe que:
a) o narrador é tão medíocre quanto antes.
b) o narrador é um homem medíocre.
c) o narrador é um homem menos medíocre.
d) o narrador foi um homem medíocre.

(UFG) Leia o texto abaixo para responder às questões de 13 a 25.

A QUEM TIVER CARRO


O carro começou a ratear. Levei-o ao Pepe, ali na oficina da rua Francisco
Otaviano:
― Pepe, o carro está rateando.
― Entupimento na tubulação. Só pode ser.
Deixei o carro lá. À tarde, fui buscar.
― Eu não dizia? Defeito na bomba de gasolina.
― Você dizia entupimento na tubulação.
― Botei um diafragma novo, mudei as válvulas.
Estendeu-me a conta: de meter medo. Mas paguei.
― Pode ir sem susto, que agora está o fino.
Nem bem chegara a Tribobó, o carro engasgou, tossiu e morreu. Sorte a
minha: mesmo em frente ao letreiro de “Gastão, o eletricista” [...]
― Que diafragma coisa nenhuma, quem lhe disse isso? O senhor mexeu na
bomba à toa: é o dínamo que está esquentando.
Molhou uma flanela e envolveu o dínamo carinhosamente, como a uma
criança.
― Se tornar a falhar é só molhar o bichinho. Vai por mim, que aqui no
Tribobó quem entende disso sou eu.
Nem no Tribobó: o carro não pegava de jeito nenhum.
― Então esse dínamo já deu o prego, tem de trocar por outro. Não pega de
jeito nenhum.
Para desmenti-lo, o motor subitamente começou a funcionar.
― Vai morrer de novo ― augurou ele, e voltou a aninhar-se no seu caminhão.
Resolvi regressar a Niterói. À entrada da cidade, a profecia do capadócio se
realizou: morreu de novo. Um chofer de caminhão me recomendou o
mecânico Mundial, especialista em carburadores. Fui até ele e em pouco
voltava seguido do Mundial, um velho compenetrado arrastando a perna e as
ideias:
― Pelo jeito, é o carburador.
Olhou o interior do carro, deu uma risadinha irônica:
― É lógico que não pega! O dínamo está molhado!
Enxugou o dínamo com uma estopa: o carro pegou.
― Eu, se fosse o senhor, mandava fazer uma limpeza nesse carburador ―
insistiu ainda: ― Vamos até lá na oficina.
Preferi ir embora. Perguntei quanto era.
― O senhor paga quanto quiser.
Já que eu insistia, houve por bem cobrar-me quanto ele quis.
Cheguei ao Rio e fui direto ao Haroldo, no Leblon, que me haviam dito ser um
monstro no assunto:
― Carburador? ― e o Haroldo não quis saber de conversa: ― Isso é o
platinado, vai por mim.
Cutucou o platinado com um ferrinho. Fui-me embora e o carro continuava se
arrastando.
― O platinado está bom ― me disse o Lourival, lá da Gávea: ― Mas alguém
andou mexendo aqui, o condensador não dá mais nada. O senhor tem de
mudar o condensador.
Mudou o condensador e disse que não cobrava nada pelo serviço. Só pelo
condensador.
No dia seguinte, o carro se recusou a sair da garagem.
― Não é o diafragma, não é o carburador, não é o dínamo, não é o platinado,
não é o condensador ― queixei-me, deitando erudição na roda de amigos.
Todos procuravam confortar-me:
― Então só pode ser a distribuição. O meu estava assim.
― Você já examinou a entrada de ar?
― Para mim, você está com vela suja.
E recomendavam mecânicos de sua preferência.
[...]
Não procurei o Urubu, nem o Borracha, nem o Zé Pára-Lama, nem o Caolho
dos Arcos, nem o Manquitola do Rio Comprido, nem o Manivela de
Voluntários, nem o
Belzebu dos Infernos: esqueci o automóvel e fui dormir.
Pela minha imaginação desfilava um lúgubre cortejo de tipos grotescos […].
Toda essa fauna de mecânicos improvisados que já tive de enfrentar, cuja
perícia obedece apenas à instigação da curiosidade ou à inspiração do
palpite, que é a mais brasileira das instituições.
Mas pela manhã me lembrei de um curso que se anuncia aconselhando:
“Aprenda a sujar as mãos para não limpar o bolso”. Resolvi candidatar-me ―
e quem tiver ouvidos para ouvir, ouça, quem tiver carro para guiar, entenda.
Fui à garagem, abri o capô, e fiquei a olhar intensamente o motor do carro,
fria e silenciosa esfinge que me desafiava com seu mistério: decifra-me, ou
devoro-te.
Havia um fio solto, coloquei-o no lugar que me pareceu adequado. Mas não
podia ser tão simples.
Era. Desde então, o carro passou a funcionar perfeitamente.
SABINO, Fernando. A quem tiver carro. In: Elenco de cronistas modernos.
23. ed. Rio de Janeiro: José Olympio, 2007. p. 90-93.

13) Um aspecto temático contido no texto baseia-se na afirmação de que


(A) o palpite dos amigos ameniza a angústia de quem tem problemas com
carro.
(B) a intervenção de especialistas contribui para prevenir um problema
potencial.
(C) o entendimento de mecânica por quem tem carros evita atribulações.
(D) a qualidade do produto está ligada à sua marca e ao seu modelo.

14) A composição discursiva do texto o aproxima das características de uma


(A) crônica narrativa com intenção humorística.
(B) crônica dissertativa com finalidade retórica.
(C) notícia descritiva com especificidade poética.
(D) notícia reflexiva com objetivo pedagógico.

15) No título “A quem tiver carro” está implícita a ideia de que o texto
apresenta-se aos proprietários de veículo como
(A) um pedido autoritário.
(B) um conselho irônico.
(C) uma ordem despretensiosa.
(D) uma promessa persuasiva.

16) A especialidade dos mecânicos Gastão e Mundial e o palpite de cada um


em relação ao rateamento do carro revelam que houve
(A) exorbitância nos valores cobrados pelos serviços prestados ao dono do
automóvel.
(B) recusa em atender bem o cliente devido ao acúmulo de trabalho na
oficina.
(C) modéstia na consideração de que outros mecânicos poderiam estar
certos sobre o veículo.
(D) influência de seus conhecimentos particulares no diagnóstico errôneo do
problema do carro.
17) Ao dizer que “o carro engasgou, tossiu e morreu”, pode-se considerar
que o sujeito da oração
(A) é marcado pela presença de uma contraexpectativa.
(B) recebe atributos de ser animado.
(C) contém informações de tempo e de modo.
(D) instaura um processo de estaticidade.

18) No trecho: “― Vai morrer de novo”, a expressão “de novo” instaura o


pressuposto de que o carro
(A) iria apagar logo em seguida.
(B) era uma novidade para seu dono.
(C) deveria ser destinado ao ferro-velho.
(D) havia apagado anteriormente.

19) Do início ao final do texto, o conflito instaurado na busca de uma solução


para o problema do carro coloca em relevo
(A) a cientificidade do conhecimento.
(B) o poder do dinheiro.
(C) a relatividade das verdades.
(D) o corporativismo dos profissionais.

20) O trecho “Toda essa fauna de mecânicos improvisados que já tive de


enfrentar, cuja perícia obedece apenas à instigação da curiosidade ou à
inspiração do palpite, que é a mais brasileira das instituições.” revela que, na
visão do narrador, os mecânicos
(A) apostam na curiosidade e no palpite para tentar resolver os problemas
dos veículos.
(B) enfrentam problemas animalescos para manter o funcionamento das
máquinas.
(C) são os peritos mais recomendados para exercer a função que lhes é
atribuída.
(D) obedecem às leis propostas pelo Código do Consumidor ao sugerirem a
troca de peça.

21) Na passagem “o motor do carro, fria e silenciosa esfinge que me


desafiava com seu mistério: decifra-me, ou devoro-te”, o mecanismo usado
para a produção de sentido no texto é o da
(A) intertextualidade, pois faz-se alusão à frase de uma conhecida figura da
mitologia grega.
(B) metonímia, pois ocorre uma intersecção de traços significativos entre
“motor do carro” e “esfinge”.
(C) ironia, pois satiriza-se a falta de coragem do narrador para enfrentar o
problema do carro.
(D) ambiguidade, pois estabelece-se um duplo sentido na expressão “motor
do carro”.

22) A demarcação de diferentes vozes discursivas no texto é feita por meio


de
(A) tempos verbais diferentes.
(B) pronomes em terceira pessoa do plural.
(C) pontuação específica.
(D) artigos definidores de nomes próprios.

23) No trecho “― Vamos até lá na oficina”, as palavras em negrito indicam


(A) intensificação de tempo.
(B) despedida cortês.
(C) generalização de percurso.
(D) delimitação espacial.

24) No trecho “Mas pela manhã me lembrei de um curso que se anuncia


aconselhando: „Aprenda a sujar as mãos para não limpar o bolso‟”, quanto à
composição e ao gênero textual, a frase entre aspas simples constitui
(A) uma manchete, por formar uma estruturação sintática.
(B) um slogan, por conter o anúncio de um curso.
(C) um ditado, por ser uma expressão cristalizada.
(D) uma piada, por conter ambiguidade da linguagem.

25) Qual das paráfrases mais se aproxima do sentido da frase


“Aprenda a sujar as mãos para não limpar o bolso”, considerando-se todo o
texto?
(A) Suborne os mecânicos para que eles não trabalhem mal.
(B) Acabe com os mecânicos para que eles não desrespeitem o cliente.
(C) Entenda a teoria mecânica de carro para não restringir seu campo de
conhecimento.
(D) Conserte você mesmo o seu carro para não ser explorado por mecânico.