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Reforço Escolar | LÍNGUA PORTUGUESA

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Anos Finais do Ensino Fundamental
Governador de Pernambuco
Eduardo Campos

Vice-governador
João Lyra Neto

Secretário de Educação
Ricardo Dantas

Secretária Executiva
de Gestão da Rede

Cecília Patriota

Secretária executiva de
Desenvolvimento da Educação
Ana Selva

Secretário Executivo
de Educação Profissional

Paulo Dutra

Secretário Executivo
de Planejamento e Gestão

Fernando Farias

Gerência de Políticas Educacionais


de Educação Infantil e Ensino Fundamental

Shirley Malta
Chefe da Unidade de
Ensino Fundamental Anos Finais
Ação de Fortalecimento da Aprendizagem

Rosinete Feitosa

Especialistas em Língua Portuguesa


Anos Finais do Ensino Fundamental
Salmo Pontes
Maria da Conceição Albuquerque
Endereço:
Avenida Afonso Olindense, 1513
Várzea | Recife-PE, CEP 50.810-000
Fone: (81) 3183-8200 | Ouvidoria: 0800-2868668

www.educacao.pe.gov.br

Uma produção da Superintendência de


Comunicação da Secretaria de Educação

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Caro Professor(a)

A Secretaria Estadual de Educação, em 2013,


inicia um trabalho direcionado ao fortalecimento das
aprendizagens dos estudantes, sendo organizado em
horário diverso ao seu turno regular, nos componentes
curriculares de Língua Portuguesa e Matemática.

Este Caderno é um material elaborado especial-


mente para subsidiar o professor nesse trabalho peda-
gógico, que traz sugestões de atividades relacionadas
aos conteúdos e descritores que os estudantes vêm
apresentando maiores dificuldades de aprendizagem,
conforme os resultados de diferentes avaliações que
vem sendo realizadas, tanto na escola, como externas.

Foi elaborado pela equipe pedagógica da Gerên-


cia de Políticas Educacionais do Ensino Fundamental
buscando situações de aprendizagem contextualizadas e
pertinentes à faixa etária a que se destinam. Lembramos
que é fundamental que o professor realize um diagnósti-
co das aprendizagens dos seus estudantes para efetuar
seu planejamento e que deve atentar para a articulação
das atividades desenvolvidas com o currículo proposto,
utilizando situações problematizadoras no processo de
ensino e de aprendizagem.
Reforço Escolar | LÍNGUA PORTUGUESA
Esperamos que este Caderno auxilie a elabora-
ção da proposta pedagógica a ser desenvolvida. Bom
trabalho!

Ana Selva
Anos Finais do Ensino Fundamental

Secretaria Executiva de
Desenvolvimento da Educação

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Ação de Fortalecimento da Aprendizagem
INTRODUÇÃO

O desenvolvimento de habilidades e competências UM PRIMEIRO OLHAR NO PROCESSO


compatíveis com o nível de escolaridade, obtidos DE CONSTRUÇÃO DE INTERVENÇÕES
na idade certa e com qualidade social é meta tra- PEDAGÓGICAS À LUZ DOS
çada e almejada por todos os sistemas de ensino PARÂMETROS PARA A EDUCAÇÃO
público em nosso país. BÁSICA DO ESTADO DE PERNAMBUCO

Os Parâmetros Curriculares de Língua Fundamen- A articulação entre o Currículo de Língua Portu-


tal para o Ensino Fundamental e Médio, documento guesa e as Políticas Educacionais desenvolvidas
curricular oficial construído para orientar o proces- no âmbito das escolas públicas apresenta-se
so de ensino e aprendizagem e as práticas peda- como uma ferramenta fundamental na constru-
gógicas desenvolvidas nas escolas de educação ção de novos espaços e tempos pedagógicos que
básica do Estado de Pernambuco, estabeleceram possibilitem à escola cumprir com o seu papel na
o mínimo que se espera que o estudante aprenda formação dos estudantes da Educação Básica.
a cada ano de escolarização definido através de
“expectativas de aprendizagem”. De acordo com As intervenções pedagógicas construídas para
os Parâmetros Curriculares de Pernambuco “as auxiliar os estudantes que apresentam dificulda-
expectativas de aprendizagem explicitam aquele des de aprendizagem em um ou mais eixos do
mínimo que o estudante deve aprender para de- Currículo de Língua Portuguesa devem ser ela-
senvolver as competências básicas na disciplina” boradas tendo como referencial a expectativa de
(PCLPPE, 2012). Dependendo das condições de aprendizagem que se deseja consolidar sem, no
cada sala de aula essas expectativas podem ser entanto, isolar os conteúdos linguísticos e grama-
ampliadas e ou aprofundadas. ticais. Nessa perspectiva devem promover a maior
articulação possível entre os eixos do conheci-
As expectativas de aprendizagem apresentadas no mento linguístico estabelecidos no currículo, que
Currículo de Língua Portuguesa para o Ensino Fun- apresenta de acordo com os eixos presentes nos
damental foram estabelecidas considerando-se a Parâmetros Curriculares de Língua Portuguesa
necessidade de sua articulação com os sistemas para a Educação Básica de Pernambuco: Análise
de avaliação educacional em larga escala – SAEB, Linguística, Oralidade, Leitura, Letramento Literá-
SAEPE, ENEM, PISA, entre outros. A leitura e análi- rio e Escrita. A cada um desses eixos relacionam-
se do Currículo de Língua Portuguesa possibilitam se as expectativas de aprendizagem descritas nos Reforço Escolar | LÍNGUA PORTUGUESA
a percepção da relação direta existente entre os Parâmetros Curriculares com os seus respectivos
descritores constantes nas matrizes das avalia- conteúdos. Facilitando assim o trabalho alinhado
ções externas e as expectativas de aprendizagem das atividades propostas nos parâmetros com as
definidas para um ou mais anos do Ensino Funda- atividades desenvolvidas em sala de aula.
mental.
A relação direta existente entre as expectativas de
Anos Finais do Ensino Fundamental

À luz dos Parâmetros para Educação Básica, e do aprendizagem estabelecidas no Currículo de Lín-
Currículo de Língua Portuguesa do Estado de Per- gua Portuguesa do Estado de Pernambuco e os
nambuco, possibilidades de intervenções peda- Descritores das Matrizes de Avaliação do SAEB e
gógicas são apresentadas para auxiliar as ações SAEPE possibilitam aos estudantes que consoli-
desenvolvidas nas escolas, em especial àquelas dam as expectativas definidas para cada ano de
que objetivam contribuir para a superação das escolaridade no Ensino Fundamental a constru-
dificuldades da aprendizagem constatadas, tanto ção das habilidades e competências previstas nos
nas avaliações do sistema educacional, avaliações descritores avaliados e consequentemente o su-
externas, quanto nas avaliações do processo de cesso nas avaliações internas e externas. Assim
ensino e aprendizagem do cotidiano escolar, ava- sendo, o foco do trabalho pedagógico deverá ser
liações internas. a consolidação das expectativas de aprendizagem

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definidas no currículo para os Anos Finais do En- essas competências são extremamente significa-
sino Fundamental. tivas para todas as áreas do saber, uma vez que
análise, a produção e a circulação do conhecimen-
A leitura analítica do documento correspondente to são processos que passam, necessariamente,
ao Currículo de Língua Portuguesa para os anos pelo uso das linguagens. (BCC - PE, 2008).
Finais do Ensino Fundamental e dos Descritores
definidos nas Matrizes de Avaliação externa possi- Ao escolher as estratégias e materiais de ensino o
bilita ao professor estabelecer a relação existente professor deve observar sua pertinência para as
entre as expectativas de aprendizagem e os des- aprendizagens que objetiva construir buscando,
critores utilizados para avaliação do sistema edu- como dito anteriormente, articular os eixos do co-
cacional. Essa leitura permite a observação de que nhecimento entre si e do conhecimento com ou-
conteúdos definidos para uma determinada unida- tras áreas do saber.
de didática são revisitados em outras unidades e
em outros anos possibilitando a ampliação e con- Cabe à escola, no processo de coordenação das
solidação de conceitos, relações e procedimentos, políticas desenvolvidas em seu interior, promover
a medida que as expectativas de aprendizagem es- espaços de articulação entre os professores de
tabelecidas vão sendo aprofundadas. Língua Portuguesa e os professores responsá-
veis pelas atividades complementares para que
Na elaboração das estratégias é importante que o o planejamento dessas atividades contemplem
professor tenha clareza, além das competências os eixos do currículo a partir das expectativas de
específicas, das competências gerais que o ensino aprendizagem que apresentam maior fragilidade
da Língua Portuguesa deve promover atividades observando-se os resultados do SAEPE, SAEB e
para cumprir o seu papel na formação integral do os resultados das avaliações internas que estão
ser humano. É de extrema importância o conheci- sendo sistematizados através das fichas de mo-
mento e a análise crítica da realidade, da experiên- nitoramento pedagógico dos conteúdos de Língua
cia, a interpretação dos fatos, a identificação das Portuguesa.
situações–problema, a apreciação da dimensão
estética dos bens culturais. A exigência de obser- As situações propostas pelo professor, nas “ati-
var, de sentir, de questionar, de levantar hipóteses, vidades complementares” devem considerar que
de procurar explicações, de criticar, de avaliar, de “na elaboração de estratégias e na resolução de
sistematizar, de generalizar, de prever, de sugerir, problemas os estudantes estabelecem proces-
de criar etc. será fundamental para que se possa sos cognitivos importantes não desenvolvidos
definir a prioridade das competências. Conforme por meio de um ensino baseado na memorização
o resultado de algumas avaliações institucionais, sem compreensão” e que a utilização de ativida-
Ação de Fortalecimento da Aprendizagem

muitos dados têm apontado para a urgência atual des lúdicas e de materiais concretos são ações
de se fortalecer, na escola, competências para: a necessárias para tornar a aula atrativa e motivar a
análise, a reflexão, a crítica e a auto-critica, a ar- participação dos estudantes.
gumentação consistente, o discernimento funda-
mentado, a apreciação dos valores éticos, afetivos Considerando-se que a motivação dos estudan-
e estéticos, a compreensão e a expressão dos tes é uma importante ferramenta no processo de
sentidos culturais, científicos e tecnológicos em construção das aprendizagens, o professor deve
circulação nos grupos sociais. buscar, nas atividades complementares, estraté-
gias e materiais de ensino diferenciados.
Essas competências vão se refletir na definição de
identidades, individuais e sociais, na participação Nessa perspectiva as questões do banco de dados
solidária e nos ideais de desenvolvimento coletivo do ENEM e as atividades propostas pela Olimpíada
e de justiça social. da Língua Portuguesa – OLP, de acesso público,
podem, ao serem utilizadas como ferramentas de
Nessa perspectiva, é esperado que as competên- apoio nas atividades propostas, contribuir signifi-
cias em análise, leitura e produção das múltiplas cativamente para a familiarização dos estudantes
linguagens sejam as competências prioritárias das com itens de avaliação externa, uma vez que o
atividades realizadas na escola. Vale ressaltar que banco de dados do SAEPE e SAEB não é de livre

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acesso, bem como estimular o aumento do inte- senvolvida pelo professor consolida-se como uma
resse na participação destes estudantes na OLP e estratégia interessante para a promoção do estudo
no ENEM. Cabe ressaltar que a utilização dessas das atividades cujas dificuldades de aprendizagem
questões requer do professor a leitura, análise e foram apresentadas por parte dos estudantes.
escolha prévias das questões e, quando neces- A seguir são apresentadas, algumas sugestões de
sário sua ampliação e/ou reelaboração para ade- atividades, jogos, desafios, problemas não con-
quação as expectativas de aprendizagem que se vencionais e itens do ENEM e da OLP que podem
deseja consolidar. ser utilizados nas intervenções dos professores,
de acordo com estratégias previamente estabele-
Os Cadernos de Atividades do GESTAR II e do cidas articuladas às expectativas de aprendizagem
Aprender Mais correspondem à outra importante que se pretende consolidar.
fonte de pesquisa para auxiliar o professor no pla-
nejamento das atividades complementares. Esses
cadernos apresentam atividades e problemas re-
lacionados a diversos eixos do conhecimento da
Língua Portuguesa, que podem ser utilizados da
forma como são apresentados ou reelaborados
pelo professor para atendimento de seus objeti-
vos e estratégias de ensino. O planejamento dos
comandos para a execução das atividades, a ree-
laboração de problemas e itens, a adequação de
jogos, a leitura de informações jornalísticas pos-
sibilitam as discussões com o eixo, o conteúdo e
as expectativas de aprendizagem que se pretende
desenvolver.

Aliado às estratégias que possibilitem a aprendi-


zagem de forma lúdica, faz-se necessário a oferta
de um período para discussão das atividades que
apresentam dificuldades por parte dos estudantes
e que foram propostas durante as aulas do perío-
do regular. O tempo destinado ao estudo dessas
atividades pode ser otimizado pelo professor a
partir de estratégias que promovam uma maior
interação entre os estudantes que se encontram
Reforço Escolar | LÍNGUA PORTUGUESA
em diferentes estágios na construção do conheci-
mento na perspectiva da utilização do conceito de
Zona de Desenvolvimento Proximal, de Vigotsky.
Segundo Vigotsky há um determinado estágio no
desenvolvimento, denominado por ele de nível de
desenvolvimento proximal, no qual o indivíduo
que ainda não conseguem realizar uma determi-
Anos Finais do Ensino Fundamental

nada atividade sozinho pode fazê-la com a ajuda


de uma adulto ou de companheiros mais capazes.
A zona de desenvolvimento proximal corresponde
à distância entre o nível de desenvolvimento real,
determinado pela resolução independente de pro-
blemas e o nível potencial determinado através da
solução de problemas a partir da interação com
o outro (Oliveira, 1993). Assim a organização de
grupos que promovam, em primeiro plano, a inte-
ração dos estudantes, auxiliada pela mediação de-

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TÓPICO I

PROCEDIMENTOS DE LEITURA

Os textos nem sempre apresentam uma lingua-


gem literal. Deve haver, então, a capacidade de A LUTA E A LIÇÃO
Carlos Heitor Cony
reconhecer novos sentidos atribuídos às palavras
dentro de uma produção textual. Além disso, para
Um brasileiro de 38 anos, Vítor Negrete, mor-
a compreensão do que é conotativo e simbólico é
reu no Tibete após escalar pela segunda vez o
preciso identificar não apenas a ideia, mas tam-
ponto culminante do planeta, o monte Everest.
bém ler as entrelinhas, o que exige do leitor uma
Da primeira, usou o reforço de um cilindro de
interação com o seu conhecimento de mundo. A
oxigênio para suportar a altura. Na segunda (e
tarefa do leitor competente é, portanto, apreender
última), dispensou o cilindro, devido ao seu es-
o sentido global do texto, utilizando recursos para
tado geral, que era considerado ótimo.
a sua compreensão, de forma autônoma.

As façanhas dele me emocionaram, a bem


É relevante ressaltar que, além de localizar infor-
sucedida e a malograda. Aqui do meu canto,
mações explícitas, inferir informações implícitas e
temendo e tremendo toda a vez que viajo no
identificar o tema de um texto, nesse tópico, de-
bondinho do Pão de Açúcar, fico meditando so-
ve-se também distinguir os fatos apresentados da
bre os motivos que levam alguns heróis a se
opinião formulada acerca desses fatos nos diver-
superarem. Vitor já havia vencido o cume mais
sos gêneros de texto. Reconhecer essa diferença
alto do mundo. Quis provar mais, fazendo a es-
é essencial para que o aluno possa tornar-se mais
calada sem a ajuda do oxigênio suplementar. O
crítico, de modo a ser capaz de distinguir o que é
que leva um ser humano bem sucedido a ven-
um fato, um acontecimento, da interpretação que
cer desafios assim?
é dada a esse fato pelo autor do texto.

Ora, dirão os entendidos, é assim que cami-


D1 – Localizar informações explícitas em um
nha a humanidade. Se cada um repetisse meu
texto.
exemplo, ficando solidamente instalado no
chão, sem tentar a aventura, ainda estaríamos
A habilidade que pode ser avaliada por este descri-
nas cavernas, lascando o fogo com pedras, co-
tor, relaciona-se à localização pelo aluno de uma
mendo animais crus e puxando nossas mulhe-
informação solicitada, que pode estar expressa li-
Ação de Fortalecimento da Aprendizagem

res pelos cabelos, como os trogloditas --se é


teralmente no texto ou pode vir manifesta por meio
que os trogloditas faziam isso. Somos o que so-
de uma paráfrase, isto é, dizer de outra maneira o
mos hoje devido a heróis que trocam a vida pelo
que se leu.
risco. Bem verdade que escalar montanhas, em
si, não traz nada de prático ao resto da huma-
Essa habilidade é avaliada por meio de um tex-
nidade que prefere ficar na cômoda planície da
to-base que dá suporte ao item, no qual o aluno
segurança.
é orientado a localizar as informações solicitadas
seguindo as pistas fornecidas pelo próprio texto.
Mas o que há de louvável (e lamentável) na
Para chegar à resposta correta, o aluno deve ser
aventura de Vítor Negrete é a aspiração de ir
capaz de retomar o texto, localizando, dentre ou-
mais longe, de superar marcas, de ir mais alto,
tras informações, aquela que foi solicitada.
desafiando os riscos. Não sei até que ponto ele
Por exemplo, os itens relacionados a esse des-
foi temerário ao recusar o oxigênio suplementar.
critor perguntam diretamente a localização da
Mas seu exemplo --e seu sacrifício- é uma lição
informação, complementando o que é pedido no
de luta, mesmo sendo uma luta perdida.
enunciado ou relacionando o que é solicitado no
enunciado, com a informação no texto.

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I – O gesto considerado pelo autor do texto como táteis. Todas mecânicas, com exceção desta
temerário foi: última, que é elétrica.

a) Escalar pela segunda vez o ponto culminante Pois agora aqui estou, pronto a me passar para
do planeta: o monte Everest. algo mais sério, iniciar uma nova aventura amo-
b) Não seguir o exemplo do autor e não correr ris- rosa. Sim, porque segundo me ensinou minha
cos em aventuras sem nenhum efeito prático. filha, que entende de ambos os assuntos, os
c) Dispensar o oxigênio suplementar. computadores e as mulheres têm uma lógica
d) Trocar a vida pelo risco. que lhes é própria e que devemos respeitar.
Pois vamos ver como esta computa - e nem o
  palavrão contido em seu nome sugere-me outra
D3 – Inferir o sentido de uma palavra ou expressão. coisa senão que se trata de minha nova e casta
namorada.
Por meio deste descritor, pode-se avaliar a habili-
dade de o aluno relacionar informações, inferindo Assim como para o homem tudo se ilumina
quanto ao sentido de uma palavra ou expressão no na presença da mulher amada, para o escritor
texto, ou seja, dando a determinadas palavras seu este invento é uma forma igualmente lumino-
sentido conotativo. sa de realizar a sua paixão pela palavra escrita.
Não é uma simples máquina de escrever, que
Inferir significa realizar um raciocínio com base funciona como intermediária entre o escritor e
em informações já conhecidas, a fim de se che- a escrita, às vezes se tornando um obstáculo
gar a informações novas, que não estejam expli- para a criação literária. Ao contrário, o compu-
citamente marcadas no texto. Com este descritor, tador estabelece uma surpreendente intimidade
pretende-se verificar se o leitor é capaz de inferir com o texto do momento mesmo de sua elabo-
um significado para uma palavra ou expressão que ração. Permite emendas, acréscimos, supres-
ele desconhece. sões, transposições de frases e parágrafos com
uma velocidade milagrosa. Deve ter alguém lá
Essa habilidade é avaliada por meio de um texto dentro comandando tudo, provavelmente uma
no qual o aluno, ao inferir o sentido da palavra ou mulher, uma japonesinha, na certa. Ela dá ins-
expressão, seleciona informações também pre- truções, chama nossa atenção se esquecemos
sentes na superfície textual e estabelece relações de ligar a impressora, conversa com a gente:
entre essas informações e seus conhecimentos “Operação incorreta. Tente de novo”. E quando
prévios. Por exemplo, dá-se uma expressão ou dá certo: “Operação executada com êxito”. Só
uma palavra do texto e pergunta-se que sentido ela falta acrescentar: “Meus parabéns. Eu te amo!”
adquire.
Reforço Escolar | LÍNGUA PORTUGUESA
Escrever, que durante tantos anos constituiu um
tormento para mim, passará a ser um caso de
MINHA NOVA NAMORADA amor. Nunca mais olharei sequer para a máqui-
Fernando Sabino
na de escrever. Serei radical: ou entregar-me a
este conúbio com o computador, no suave em-
Tenho a informar que arquivarei a partir de hoje,
balo de suas teclas e no luzente sortilégio de
espero que para todo o sempre, esta máquina
suas letras, ou regredir à solidão do celibato,
Anos Finais do Ensino Fundamental

de escrever na qual venho juntando palavras


em companhia da austera e rascante pena de
como Deus é servido, desde que me entendo
pato.
por gente.
Imagino só a felicidade de Tolstoi, se pudesse
Não a mesma, evidentemente. Ao longo de to-
ter escrito todo a “Guerra e Paz” com a mesma
dos estes anos, da velha Remington Rand no
facilidade com que passei a escrever esta crô-
escritório de meu pai, passei pela Underwood,
nica no computador.
a Olympia, a Hermes Baby, a Hermes 3.000, a
Smith Corona, a Olivetti, a IBM de bolinha, al-
Pois então lá vai:
gumas de mesa, outras portáteis ou semi-por-

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O melhor de um computador está nisso: poder c) Manter uma relação com o computador mas
torocar uma palavra a vo tade, mudar de idéia sem desprezar a máquina de escrever.
sem mudar o papel Sem usar o papel. Uma das d) Celebrar a união com o computador e descar-
vantagens do computador é poder corrigir tuDO tar completamente voltar a utilizar a máquina
o fimmmm. Nã precisa de- caneta Máquina de de escrever.
escrever e canheta já eram. Num com puta dor
o sonho de um escritor se realiza: o da perfei-
ção absoluta de uma semntença, graças à faci- D4 – Inferir uma informação implícita em um
lidade em, mudar palavras, cortar, acrescentar. texto.
O sonho do escritor e de toda a humanidade
As informações implícitas no texto são aquelas
O SONHO DA HUMANIDADE DE ATINGIR A que não estão presentes claramente na base tex-
PERFEIÇÃO tual, mas podem ser construídas pelo leitor por
meio da realização de inferências que as marcas
atingir a perfeição A perfeição que a humanida- do texto permitem. Alem das informações expli-
de sonha em atingir Sonha atingir citamente enunciadas, há outras que podem ser
Que o homem sonha alcançar conseguir realizar pressupostas e, consequentemente, inferidas pelo
Muita gentye fica admirada ao percebner a faci- leitor.
lidade com que
Muita gente se admira com a facilidade Por meio deste descritor, pode-se avaliar a habi-
lidade de o aluno reconhecer uma ideia implícita
Muitos leitores se admirão com a aparente faci- no texto, seja por meio da identificação de senti-
lidade com que escreverei fraes quae perfeitas mentos que dominam as ações externas dos per-
escrevo sentenças textos quase per-feitos de- sonagens, em um nível básico, seja com base na
pois que abandonei troquei a máquina de escre- identificação do gênero textual e na transposição
ver esta sim uma engenhoca de tração animal do que seja real para o imaginário. É importante
por esta fabulosa invençção esta prodigiosa que o aluno apreenda o texto como um todo, para
admirável estupenda assombrosa espanto- sa dele retirar as informações solicitadas.
m,iraculosa, extraordinária maravilhosa até pa-
rece que os sinônimos fabulosa ocorrem com Essa habilidade é avaliada por meio de um texto,
mais faci-lidade sem precisar consultar dicioná- no qual o aluno deve buscar informações que vão
rios d sinônimos, Desde que é mais fácil revisar além do que está explícito, mas que à medida que
e editar um texto computado? Compu-torizado ele vá atribuindo sentido ao que está enunciado
computadorizado do que escrito a mÁQUINA no texto, ele vá deduzindo o que lhe foi solicitado.
Ação de Fortalecimento da Aprendizagem

OU A MÂO torna muito extremamente difícil Ao realizar esse movimento, são estabelecidas de
impossível parar de revisae editarosuficiente relações entre o texto e o seu contexto pessoal.
para resultar çuma frase legível quanto mais Por exemplo, solicita-se que o aluno identifique o
uma crônica sobre a nova namoraddaPOISStãa sentido da ação dos personagens ou o que deter-
pois então vai assim meso!!!#@@@***boa minado fato desperte nos personagens, entre ou-
x.sorte procês... tras coisas.

Texto extraído do livro “No Fim dá Certo”, Editora Record, 1998

O IMPÉRIO DA VAIDADE

I - No 5º parágrafo do texto, a expressão entre-


Você sabe por que a televisão, a publicidade,
gar-me a este conúbio com o computador sig-
o cinema e os jornais defendem os músculos
nifica:
torneados, as vitaminas milagrosas, as mode-
los longilíneas e as academias de ginástica?
a) Aceitar resignadamente a ascensão do compu-
Porque tudo isso dá dinheiro. Sabe por que nin-
tador sobre a máquina de escrever.
guém fala do afeto e do respeito entre duas pes-
b) Considerar como traição a opção pelo compu-
soas comuns, mesmo meio gordas, um pouco
tador.
feias, que fazem piquenique na praia? Porque

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isso não dá dinheiro para os negociantes, mas I - O autor pretende influenciar os leitores para
dá prazer para os participantes. que eles:

O prazer é físico, independentemente do físico a) Evitem todos os prazeres cuja obtenção depen-
que se tenha: namorar, tomar milk-shake, sentir de de dinheiro.
o sol na pele, carregar o filho no colo, andar b) Excluam de sua vida todas as atividade incenti-
descalço, ficar em casa sem fazer nada. Os me- vadas pela mídia.
lhores prazeres são de graça − a conversa com c) Fiquem mais em casa e voltem a fazer os pro-
o amigo, o cheiro do jasmim, a rua vazia de ma- gramas de antigamente.
drugada −, e a humanidade sempre gostou de d) Sejam mais críticos em relação ao incentivo do
conviver com eles. Comer uma feijoada com os consumo pela mídia.
amigos, tomar uma caipirinha no sábado tam-
bém é uma grande pedida. Ter um momento de
prazer é compensar muitos momentos de des- D6 – Identificar o tema de um texto.
prazer. Relaxar, descansar, despreocupar-se,
desligar-se da competição, da áspera luta pela O tema é o eixo sobre o qual o texto se estrutu-
vida − isso é prazer. ra. A percepção do tema responde a uma questão
essencial para a leitura: “O texto trata de quê?”
Mas vivemos num mundo onde relaxar e desli- Em muitos textos, o tema não vem explicitamen-
gar-se se tornou um problema. O prazer gratui- te marcado, mas deve ser percebido pelo leitor
to, espontâneo, está cada vez mais difícil. O que quando identifica a função dos recursos utilizados,
importa, o que vale, é o prazer que se compra e como o uso de figuras de linguagem, de exemplos,
se exibe, o que não deixa de ser um aspecto da de uma determinada organização argumentativa,
competição. Estamos submetidos a uma cultu- entre outros.
ra atroz, que quer fazer-nos infelizes, ansiosos,
neuróticos. A habilidade que pode ser avaliada por meio deste
descritor refere-se a reconhecimento pelo aluno
As filhas precisam ser Xuxas, as namoradas do assunto principal do texto, ou seja, à identifi-
precisam ser modelos que desfilam em Paris, cação do que trata o texto. Para que o aluno iden-
os homens não podem assumir sua idade. tifique o tema, é necessário que relacione as dife-
rentes informações para construir o sentido global
Não vivemos a ditadura do corpo, mas seu con- do texto.
trário: um massacre da indústria e do comércio.
Querem que sintamos culpa quando nossa si- Essa habilidade é avaliada por meio de um texto
lhueta fica um pouco mais gorda, não porque para o qual é solicitado, de forma direta, que o
Reforço Escolar | LÍNGUA PORTUGUESA
querem que sejamos mais saudáveis − mas aluno identifique o tema ou o assunto principal do
porque, se não ficarmos angustiados, não fa- texto.
remos mais regimes, não compraremos mais
produtos dietéticos, nem produtos de beleza, EPITÁFIO
Sérgio Britto
nem roupas e mais roupas. Precisam da nos-
sa impotência, da nossa insegurança, da nossa
Devia ter amado mais
angústia.
Anos Finais do Ensino Fundamental

Ter chorado mais


Ter visto o sol nascer
O único valor coerente que essa cultura apre-
Devia ter arriscado mais
senta é o narcisismo.
E até errado mais
LEITE, Paulo Moreira. O império da vaidade. Veja, 23 ago. 1995. p. 79. Ter feito o que eu queria fazer...
Queria ter aceitado
As pessoas como elas são
Cada um sabe a alegria
E a dor que traz no coração...
[...]

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Devia ter complicado menos resolver a maior parte dos problemas de estrias,
Trabalhado menos celulite e espinhas com a ajuda da ciência. Por
Ter visto o sol se pôr isso, a tentação de exagerar nos medicamentos
Devia ter me importado menos é grande. “A garota tem a mania de recorrer aos
Com problemas pequenos remédios que os amigos estão usando, e mui-
Ter morrido de amor... tas vezes eles não são indicados para seu tipo
[...] de pele”, diz a dermatologista Iara Yoshinaga,
de São Paulo, que atende adolescentes em seu
http://letras.terra.com.br/titas/48968/
consultório. São cada vez mais frequentes os
casos de meninas que procuram um cirurgião
plástico em busca da solução de problemas
que poderiam ser resolvidos facilmente com gi-
I – O tema central da letra da música é
nástica, cremes ou mesmo com o crescimento
normal. Nunca houve também tantos casos de
a) a eternização do amor como solução para os
anorexia e bulimia. “Há dez anos essas doenças
problemas da vida.
eram consideradas raríssimas. Hoje constituem
b) o arrependimento por não ter aproveitado mais
quase um caso de saúde pública”, avalia o psi-
as coisas da vida.
quiatra Táki Cordás, da Universidade de São
c) a preocupação por não saber o que fazer nas
Paulo.
diversas situações de vida.
d) o sentimento de morte que perpassa todas as
É claro que existem variedades de calvície,
simples situações da vida.
obesidade ou doenças de pele que realmente
precisam de tratamento continuado. Na maioria
das vezes, no entanto, a paranóia do corpo é
A PARANÓIA DO CORPO
apenas isso: paranóia. Para curá-la, a melhor
maneira é tratar da mente. Nesse processo, a
Em geral, a melhor maneira de resolver a in-
autoestima é fundamental. “É preciso fazer uma
satisfação com o físico é cuidar da parte emo-
análise objetiva e descobrir seus pontos fortes.
cional.
Todo mundo tem uma parte do corpo que acha
mais bonita”, sugere a psicóloga paulista Ceres
Não é fácil parecer com Katie Holmes, a musa
Alves de Araújo, especialista em crescimento.
do seriado preferido dos teens, Dawson’s Creek
Um dia, o teen acorda e percebe que aqueles
ou com os galãs musculosos do seriado Malha-
problemas físicos que pareciam insolúveis de-
ção. Mas os jovens bem que tentam. Nunca se
sapareceram como num passe de mágica. Em
Ação de Fortalecimento da Aprendizagem

cuidou tanto do corpo nessa faixa etária como


geral, não foi o corpo que mudou. Foi a cabeça.
hoje. A Runner, uma grande rede de academias
Quando começa a se aceitar e resolve as ques-
de ginástica, com 23000 alunos espalhados em
tões emocionais básicas, o adolescente dá o
nove unidades na cidade de São Paulo, viu o
primeiro passo para se tornar um adulto.
público adolescente crescer mais que o adulto
nos últimos cinco anos. “Acho que a academia CASTRO, Letícia de. Veja Jovens. Setembro/2001, p. 56.

é para os jovens de hoje o que foi a discote-


ca para a geração dos anos 70”, acredita José
Otávio Marfará, sócio de outra academia paulis-
tana, a Reebok Sports Club. “É o lugar de con- II – A ideia CENTRAL do texto é:
fraternização, de diversão.”
a) a preocupação do jovem com o físico.
É saudável preocupar-se com o físico. Na ado- b) as doenças raras que atacam os jovens.
lescência, no entanto, essa preocupação cos- c) os diversos produtos de beleza para jovens.
tuma ser excessiva. É a chamada paranoia do d) o uso exagerado de remédios pelos jovens.
corpo. Alguns exemplos. Nunca houve uma
oferta tão grande de produtos de beleza des-
tinados a adolescentes. Hoje em dia é possível

12
D11 – Distinguir um fato da opinião relativa a c) “a raposa afastou-se da videira” (l. 5)
esse fato. d) “aposto que estas uvas estão verdes” (l. 5-6)

O leitor deve ser capaz de perceber a diferença


entre o que é fato narrado ou discutido e o que NO MUNDO DOS SINAIS
é opinião sobre ele. Essa diferença pode ser ou
bem marcada no texto ou exigir do leitor que ele Sob o sol de fogo, os mandacarus se erguem,
perceba essa diferença integrando informações de cheios de espinhos. Mulungus e aroeiras ex-
diversas partes do texto e/ou inferindo-as, o que põem seus galhos queimados e retorcidos, sem
tornaria a tarefa mais difícil. folhas, sem flores, sem frutos.

Por meio deste descritor pode-se avaliar a habili- Sinais de seca brava, terrível!
dade de o aluno identificar, no texto, um fato relata-
do e diferenciá-lo do comentário que o autor, ou o Clareia o dia. O boiadeiro toca o berrante, cha-
narrador, ou o personagem fazem sobre esse fato. mando os companheiros e o gado.
Essa habilidade é avaliada por meio de um texto,
no qual o aluno é solicitado a distinguir partes do Toque de saída. Toque de estrada. Lá vão eles,
texto que são referentes a um fato e partes que se deixando no estradão as marcas de sua passa-
referem a uma opinião relacionada ao fato apre- gem.
sentado, expressa pelo autor, narrador ou por al-
TV Cultura, Jornal do Telecurso.
gum outro personagem. Há itens que solicitam,
por exemplo, que o aluno identifique um trecho
que expresse um fato ou uma opinião, ou então,
dá-se a expressão e pede-se que ele reconheça se
II – A opinião do autor em relação ao fato co-
é um fato ou uma opinião.
mentado está em

a) “os mandacarus se erguem”


A RAPOSA E AS UVAS
b) “aroeiras expõem seus galhos”
c) “sinais de seca brava, terrível!!”
Num dia quente de verão, a raposa passeava
d) “toque de saída. Toque de entrada”.
por um pomar. Com sede e calor, sua atenção
foi capturada por um cacho de uvas.

“Que delícia”, pensou a raposa, “era disso que


eu precisava para adoçar a minha boca”. E, de
Reforço Escolar | LÍNGUA PORTUGUESA
um salto, a raposa tentou, sem sucesso, alcan-
çar as uvas.

Exausta e frustrada, a raposa afastou-se da videi-


ra, dizendo: “Aposto que estas uvas estão verdes.”

Esta fábula ensina que algumas pessoas quan-


Anos Finais do Ensino Fundamental

do não conseguem o que querem, culpam as


circunstâncias.

(http://www1.uol.com.br/crianca/fabulas/noflash/raposa. htm)

I – A frase que expressa uma opinião é:

a) “a raposa passeava por um pomar.” (l. 1)


b) “sua atenção foi capturada por um cacho de
uvas.” (l. 2)

13
TÓPICO II

IMPLICAÇÕES DO SUPORTE, DO GÊNERO E/OU


DO ENUNCIADOR NA COMPREENSÃO DO TEXTO

Este tópico requer dos alunos duas competências I – Pela resposta da aranha, percebe-se, em re-
básicas, a saber: a interpretação de textos que lação a sua morte, uma postura:
conjugam duas linguagens – a verbal e a não-ver-
bal – e o reconhecimento da finalidade do texto a) De alívio
por meio da identificação dos diferentes gêneros b) De pesar
textuais. c) De sarcasmo
d) De arrependimento
Para o desenvolvimento dessas competências,
tanto o texto escrito quanto as imagens que o
acompanham são importantes, na medida em que
propiciam ao leitor relacionar informações e se
engajar em diferentes atividades de construção de
significados.

D5 – Interpretar texto com auxílio de material grá-


fico diverso (propagandas, quadrinhos, foto, etc.).

Por meio deste descri-


tor pode-se avaliar a
habilidade de o aluno
reconhecer a utilização
de elementos gráficos
(não-verbais) como
apoio na construção
do sentido e de inter-
pretar textos que utili-
Ação de Fortalecimento da Aprendizagem

zam linguagem verbal


e não-verbal (textos
multissemióticos).

Essa habilidade pode


ser avaliada por meio
de textos compostos
por gráficos, dese-
nhos, fotos, tirinhas,
charges. Por exemplo,
é dado um texto não- II – O uso da expressão “absolutamente” reforça
verbal e pede-se ao a ideia de que o governo é:
aluno que identifique os sentimentos dos persona-
gens expressos pelo apoio da imagem, ou dá-se a) Incapaz
um texto ilustrado e solicita-se o reconhecimento b) Inábil
da relação entre a ilustração e o texto. c) Apático
d) Improdutivo

14
D12 – Identificar a finalidade de textos de dife- da vida, e adotados, para a concretização das
rentes gêneros emoções estéticas, os processos clássicos dos
grandes mestres. (...) A outra espécie é forma-
A habilidade que pode ser avaliada por este des- da dos que veem anormalmente a natureza e a
critor refere-se ao reconhecimento, por parte do interpretam à luz das teorias efêmeras, sob a
aluno, do gênero ao qual se refere o texto-base, sugestão estrábica das escolas rebeldes, surgi-
identificando, dessa forma, qual o objetivo do tex- das cá e lá como furúnculos da cultura exces-
to: informar, convencer, advertir, instruir, explicar, siva. (...). Estas considerações são provocadas
comentar, divertir, solicitar, recomendar, etc. pela exposição da sra. Malfatti, onde se notam
acentuadíssimas tendências para uma atitude
Essa habilidade é avaliada por meio da leitura de estética forçada no sentido das extravagâncias
textos integrais ou de fragmentos de textos de di- de Picasso & cia.
ferentes gêneros, como notícias, fábulas, avisos,
O Diário de São Paulo, dez./1917.
anúncios, cartas, convites, instruções, propagan-
das, entre outros, solicitando ao aluno a identifica-
ção explícita de sua finalidade.
II – O texto tem por finalidade:

a) Estabelecer a distinção entre dois tipos de ar-


MENTE QUIETA, CORPO SAUDÁVEL
tistas
b) Informar a realização da Exposição de Anita
A meditação ajuda a controlar a ansiedade e a
Malfatti
aliviar a dor? Ao que tudo indica, sim. Nessas
c) Criticar o trabalho exposto por Anita Malfatti
duas áreas os cientistas encontraram as maio-
d) Reforçar e elogiar o caráter revolucionário do
res evidências da ação terapêutica da meditação,
trabalho de Anita Malfatti.
medida em dezenas de pesquisas. Nos últimos
24 anos, só a clínica de redução do estresse
da Universidade de Massachusetts monitorou
14 mil portadores de câncer, aids, dor crônica
e complicações gástricas. Os técnicos desco-
briram que, submetidos a sessões de meditação
que alteraram o foco da sua atenção, os pacien-
tes reduziram o nível de ansiedade e diminuíram
ou abandonaram o uso de analgésicos.

Revista Superinteressante, outubro de 2003.


Reforço Escolar | LÍNGUA PORTUGUESA

I – O texto tem por finalidade:

a) criticar.
b) conscientizar.
c) denunciar.
Anos Finais do Ensino Fundamental

d) informar.

(ENEM – 2007) Sobre a exposição de Anita Mal-


fatti, em 1917, que muito influenciaria a Semana
de Arte Moderna, Monteiro Lobato escreveu, em
artigo intitulado Paranoia ou Mistificação:

Há duas espécies de artistas. Uma composta


dos que veem as coisas e em consequência
fazem arte pura, guardados os eternos ritmos

15
TÓPICO III

RELAÇÃO ENTRE TEXTOS

Este tópico requer que o aluno assuma uma ati- TEXTO I


tude crítica e reflexiva ao reconhecer as diferen-
tes ideias apresentadas sobre o mesmo tema em Cinquenta camundongos, alguns dos quais clo-
um único texto ou em textos diferentes. O tema nes de clones, derrubaram os obstáculos téc-
se traduz em proposições que se cruzam no inte- nicos à clonagem. Eles foram produzidos por
rior dos textos lidos ou naquelas encontradas em dois cientistas da Universidade do Havaí num
textos diferentes, mas que apresentam a mesma estudo considerado revolucionário pela revista
ideia, assim, o aluno pode ter maior compreensão britânica – Nature, uma das mais importantes
das intenções de quem escreve, sendo capaz de do mundo. [...]
identificar posições distintas entre duas ou mais
opiniões relativas ao mesmo fato ou tema. A notícia de que cientistas da Universidade do
Havaí desenvolveram uma técnica eficiente de
As atividades que envolvem a relação entre tex- clonagem fez muitos pesquisadores temerem o
tos são essenciais para que o aluno construa a uso do método para clonar seres humanos.
habilidade de analisar o modo de tratamento do
O GLOBO. Caderno Ciências e Vida. 23 jul. 1998, p. 36.
tema dado pelo autor e as condições de produção,
recepção e circulação dos textos.

TEXTO II
Essas atividades podem envolver a comparação
de textos de diversos gêneros, como os produzi-
Cientistas dos EUA anunciaram a clonagem de
dos pelos alunos, os textos extraídos da Internet,
50 ratos a partir de células de animais adultos,
de jornais, revistas, livros e textos publicitários,
inclusive de alguns já clonados. Seriam os pri-
entre outros.
meiros clones de clones, segundo estudos pu-
blicados na edição de hoje da revista – Nature.
D 20 – Reconhecer diferentes formas de tratar
A técnica empregada na pesquisa teria um
uma informação na comparação de textos que
aproveitamento de embriões — da fertilização
tratam do mesmo tema, em função das condi-
ao nascimento — três vezes maior que a téc-
ções em que ele foi produzido e daquelas em
Ação de Fortalecimento da Aprendizagem

nica utilizada por pesquisadores britânicos para


que será recebido.
gerar a ovelha Dolly.
Por meio deste descritor, pode-se avaliar a habili- FOLHA DE S. PAULO. 1º caderno – Mundo. 03 jul. 1998, p.16.
dade do aluno em reconhecer as diferenças entre
textos que tratam do mesmo assunto, em função
do leitor-alvo, da ideologia, da época em que foi
produzido e das suas intenções comunicativas. I – Os dois textos tratam de clonagem. Qual as-
Por exemplo, historinhas infantis satirizadas em pecto dessa questão é tratado apenas no texto I ?
histórias em quadrinhos, ou poesias clássicas
utilizadas como recurso para análises críticas de a) A divulgação da clonagem de 50 ratos.
problemas do cotidiano. b) A referência à eficácia da nova técnica de clo-
nagem.
Essa habilidade é avaliada por meio da leitura c) O temor de que seres humanos sejam clonados.
de dois ou mais textos, de mesmo gênero ou de d) A informação acerca dos pesquisadores envol-
gêneros diferentes, tendo em comum o mesmo vidos no experimento.
tema, para os quais é solicitado o reconhecimento
das formas distintas de abordagem.

16
D 21 – Reconhecer posições distintas entre duas serra. Nos últimos 15 anos, sua média anual de
ou mais opiniões relativas ao mesmo fato ou ao desmatamento mais do que dobrou.
mesmo tema.
Revista Isto É – nº 1648 – 02-05-2001 São Paulo – Ed. Três.

A habilidade que pode ser avaliada por este descri-


tor refere-se ao reconhecimento pelo aluno de opi-
TEXTO 2
niões diferentes sobre um mesmo fato ou tema. A
HÁ QUALQUER COISA NO AR DO RIO, ALÉM
construção desse conhecimento é um dos princi-
DE FAVELAS
pais balizadores de um dos objetivos do ensino da
língua portuguesa (Brasil, 1998 p. 33), qual seja
Nem só as favelas brotam nos morros cario-
o de capacitar o aluno a analisar criticamente os
cas. As encostas cada vez mais povoadas no
diferentes discursos, inclusive o próprio, desen-
Rio de Janeiro disfarçam o avanço do reflo-
volvendo a capacidade de avaliação dos textos:
restamento na crista das serras, que espalha
contrapondo sua interpretação da realidade a di-
cerca de 2 milhões de mudas nativas da Mata
ferentes opiniões; inferindo as possíveis intenções
Atlântica em espaço equivalente a 1.800 gra-
do autor marcadas no texto; identificando referên-
mados do Maracanã. O replantio começou há
cias intertextuais presentes no texto; percebendo
13 anos, para conter vertentes ameaçadas de
os processos de convencimento utilizados para
desmoronamento. Fez mais do que isso. Mudou
atuar sobre o interlocutor/leitor; identificando e re-
a paisagem. Vista do alto, ângulo que não faz
pensando juízos de valor tanto sócio-ideológicos
parte do cotidiano de seus habitantes, a cidade
(preconceituosos ou não) quanto histórico-cultu-
aninha-se agora em colinas coroadas por labi-
rais (inclusive estéticos) associados à linguagem
rintos verdes, formando desenhos em curva de
e à língua; e reafirmando sua identidade pessoal e
nível, como cafezais.
social. O desenvolvimento dessa habilidade ajuda
o aluno a perceber-se como um ser autônomo, do- Revista Época – nº 83. 20-12-1999. Rio de Janeiro – Ed. Globo. p. 9.
tado da capacidade de se posicionar e transformar
a realidade.
I – Uma declaração do segundo texto que CON-
É importante observar que, no descritor 14, é re- TRADIZ o primeiro é:
querido do aluno que ele diferencie fato de uma
opinião relativa a esse fato. Aqui, solicita-se ao a) a mata atlântica está sendo recuperada no Rio
aluno que ele observe que há diferentes opiniões de Janeiro.
sobre um mesmo fato, ou tema. b) as encostas cariocas estão cada vez mais po-
voadas.
Essa habilidade é avaliada por meio do reconheci- c) as favelas continuam surgindo nos morros ca- Reforço Escolar | LÍNGUA PORTUGUESA
mento de opiniões diferenciadas sobre um tema, riocas.
acontecimento ou pessoa, em um mesmo texto ou d) o replantio segura encostas ameaçadas de de-
em textos diferentes. sabamento.

TEXTO 1 TEXTO I
MAPA DA DEVASTAÇÃO
Anos Finais do Ensino Fundamental

ÁLCOOL, CRESCIMENTO E POBREZA

A organização não-governamental SOS Mata O lavrador de Ribeirão Preto recebe em média


Atlântica e o Instituto Nacional de Pesquisas Es- R$ 2,50 por tonelada de cana cortada. Nos
paciais terminaram mais uma etapa do mapea- anos 80, esse trabalhador cortava cinco tonela-
mento da Mata Atlântica (www.sosmataatlan- das de cana por dia. A mecanização da colheita
tica.org.br). O estudo iniciado em 1990 usa o obrigou a ser mais produtivo. O corta-cana
imagens de satélite para apontar o que restou derruba agora oito toneladas por dia.
da floresta que já ocupou 1,3 milhão de km2, ou
15% do território brasileiro. O atlas mostra que O trabalhador deve cortar a cana rente ao chão,
o Rio de Janeiro continua o campeão da motos- encurvado. Usa roupas mal-ajambradas, quen-

17
tes, que lhe cobrem o corpo, para que não seja d) A charge mostra o cotidiano do trabalhador, e
lanhado pelas folhas da planta. O excesso de o texto defende o fim da mecanização da pro-
trabalho causa a birola: tontura, desmaio, cãi- dução da cana – de – açúcar no setor sucroal-
bra, convulsão. A fim de aguentar dores e can- cooleiro.
saço, esse trabalhador toma drogas e soluções e) O texto mostra disparidades na agricultura
de glicose, quando não farinha mesmo. Tem brasileira, na qual convivem alta tecnologia e
aumentado o número de mortes por exaustão condições precárias de trabalho, que a charge
nos canaviais. ironiza.

O setor da cana produz hoje uns 3,5% do PIB.


Exporta US$ 8 bilhões. Gera toda a energia elé- III – (ENEM – 2009) Em contraste com o texto I,
trica que consome e ainda vende excedentes. no texto II são empregadas, predominantemen-
A indústria de São Paulo contrata cientistas e te, estratégias argumentativas que:
engenheiros para desenvolver máquinas e equi-
pamentos mais eficientes para as usinas de ál- TEXTO I
cool. As pesquisas, privada e pública, na área
agrícola (cana, laranja, eucalipto etc.) desenvol- É praticamente impossível imaginarmos nos-
vem a bioquímica e a genética no país. sas vidas sem o plástico. Ele está presente em
embalagens de alimentos, bebidas e remédios,
Folha de S. Paulo, 11/3/2007 (com adaptações).
além de eletrodomésticos, automóveis etc. Esse
uso ocorre devido à sua atoxicidade e à inércia,
isto é: quando em contato com outras substân-
cias, o plástico não as contamina; ao contrário,
TEXTO II
protege o produto embalado. Outras duas gran-
des vantagens garantem o uso dos plásticos
em larga escala: são leves, quase não alteram o
peso do material embalado, e são 100% reciclá-
veis, fato que, infelizmente, não é aproveitado,
visto que, em todo o mundo, a percentagem de
plástico reciclado, quando comparado ao total
produzido, ainda é irrelevante.

Revista Mãe Terra. Minuano, ano I, n. 6 (adaptado).


Ação de Fortalecimento da Aprendizagem

TEXTO II

Sacolas plásticas são leves e voam ao vento.


Por isso, elas entopem esgotos e bueiros, cau-
sando enchentes. São encontradas até no es-
tômago de tartarugas marinhas, baleias, focas
e golfinhos, mortos por sufocamento. Sacolas
II – Confrontando-se as informações do texto com plásticas descartáveis são gratuitas para os
as da charge acima, conclui-se que: consumidores, mas têm um custo incalculável
para o meio ambiente.
a) A charge contradiz o texto ao mostrar que o Bra-
Veja, 8 jul. 2009. Fragmentos de texto publicitário do Instituto Akatu pelo
sil possui tecnologia avançada no setor agrícola. Consumo Consciente.
b) A charge e o texto abordam, a respeito da cana
– de – açúcar brasileira, duas realidades distin- a) atraem o leitor por meio de previsões para o
tas e sem relação entre si. futuro.
c) O texto e a charge consideram a agricultura bra- b) apelam à emoção do leitor, mencionando a
sileira avançada, do ponto de vista tecnológico. morte de animais.

18
c) orientam o leitor a respeito dos modos de usar
conscientemente as sacolas plásticas.
d) intimidam o leitor com as nocivas consequên-
cias do uso indiscriminado de sacolas plásti-
cas.
e) recorrem à informação, por meio de constata-
ções, para convencer o leitor a evitar o uso de
sacolas plásticas.

IV – (ENEM – 2009) Na comparação dos textos,


observa-se que:

a) o texto I apresenta um alerta a respeito do efei-


to da reciclagem de materiais plásticos; o texto
II justifica o uso desse material reciclado.
b) o texto I tem como objetivo precípuo apresentar
a versatilidade e as vantagens do uso do plás-
tico na contemporaneidade; o texto II objetiva
alertar os consumidores sobre os problemas
ambientais decorrentes de embalagens plásti-
cas não recicladas.
c) o texto I expõe vantagens, sem qualquer res-
salva, do uso do plástico; o texto II busca con-
vencer o leitor a evitar o uso de embalagens
plásticas.
d) o texto I ilustra o posicionamento de fabrican-
tes de embalagens plásticas, mostrando por
que elas devem ser usadas; o texto II ilustra
o posicionamento de consumidores comuns,
que buscam praticidade e conforto.
e) o texto I apresenta um alerta a respeito da pos-
sibilidade de contaminação de produtos orgâ-
nicos e industrializados decorrente do uso de
plástico em suas embalagens; o texto II apre-
Reforço Escolar | LÍNGUA PORTUGUESA
senta vantagens do consumo de sacolas plás-
ticas: leves, descartáveis e gratuitas.
Anos Finais do Ensino Fundamental

19
TÓPICO IV

COERÊNCIA E COESÃO NO
PROCESSAMENTO DO TEXTO

O Tópico IV trata dos elementos que constituem a assunto do texto e da sua tese. Essa apreensão
textualidade, ou seja, aqueles elementos que cons- leva a uma percepção da hierarquia entre as ideias:
troem a articulação entre as diversas partes de um qual é a ideia principal? Quais são as ideias secun-
texto: a coerência e a coesão. Considerando que dárias? Quais são os argumentos que reforçam
a coerência é a lógica entre as ideias expostas no uma tese? Quais são os exemplos confirmatórios?
texto, para que exista coerência é necessário que Qual a conclusão? Em relação aos textos narrati-
a idéia apresentada se relacione ao todo textual vos, pode ser requerido do aluno que ele identifi-
dentro de uma sequência e progressão de ideias. que os elementos componentes – narrador, ponto
Para que as ideias estejam bem relacionadas, de vista, personagens, enredo, tempo, espaço – e
também é preciso que estejam bem interligadas, quais são as relações entre eles na construção da
bem “unidas” por meio de conectivos adequados, narrativa.
ou seja, com vocábulos que têm a finalidade de
ligar palavras, locuções, orações e períodos. Des- D2 – Estabelecer relações entre partes de um
sa forma, as peças que interligam o texto, como texto, identificando repetições ou substituições
pronomes, conjunções e preposições, promo- que contribuem para a continuidade de um texto.
vendo o sentido entre as ideias são chamadas
coesão textual. Enfatizamos, nesta série, apenas As habilidades que podem ser avaliadas por este
os pronomes como elementos coesivos. Assim, descritor relacionam-se ao reconhecimento da
definiríamos coesão como a organização entre os função dos elementos que dão coesão ao texto.
elementos que articulam as ideias de um texto. Dessa forma, eles poderão identificar quais pala-
vras estão sendo substituídas e/ou repetidas para
As habilidades a serem desenvolvidas pelos des- facilitar a continuidade do texto e a compreensão
critores que compõem este tópico exigem que o do sentido. Trata-se, portanto, do reconhecimento,
leitor compreenda o texto não como um simples por parte do aluno, das relações estabelecidas en-
agrupamento de frases justapostas, mas como tre as partes do texto.
um conjunto harmonioso em que há laços, interli-
gações, relações entre suas partes.
Ação de Fortalecimento da Aprendizagem

BALEIA-SARDINHEIRA: ENORME, VELOZ


A compreensão e a atribuição de sentidos relativos E SUPERELEGANTE!
a um texto dependem da adequada interpretação
de seus componentes. De acordo com o gênero Um gigante dos mares, ainda misterioso para
textual, o leitor tem uma apreensão geral do as- os cientistas, veio parar nas páginas da Ciência
sunto do texto. Hoje das Crianças: é a baleia-sardinheira.

Em relação aos textos narrativos, o leitor necessi- Nesta edição, venha conhecer essa espécie e,
ta identificar os elementos que compõem o texto de quebra, aprender muito mais.
– narrador, ponto de vista, personagens, enredo,
tempo, espaço – e quais são as relações entre eles Saiba como as cores e as formas são importan-
na construção da narrativa. tes para a sobrevivência de diferentes animais,
descubra como se forma o solo e encontre mui-
A compreensão e a atribuição de sentidos relativos tas curiosidades sobre os cupins, os filhotes da
a um texto dependem da adequada interpretação tartaruga e até sobre o funcionamento da gar-
de seus componentes, ou da coerência pela qual rafa térmica.
o texto é marcado. De acordo com o gênero tex-
Adaptado de http://chc.cienciahoje.uol.com.br/revista/revista-chc-2010/210
tual, o leitor tem uma apreensão geral do tema, do

20
I - No trecho “... venha conhecer essa espécie e, A tese é uma proposição teórica de intenção per-
de quebra, aprender muito mais.”, a palavra em suasiva, apoiada em argumentos contundentes
destaque refere-se a sobre o assunto abordado.

a) “edição”.
b) “crianças”. O OURO DA BIOTECNOLOGIA
c) “baleia-sardinheira”.
d) “garrafa térmica”. Até os bebês sabem que o patrimônio natural
do Brasil é imenso. Regiões como a Amazônia,
o Pantanal e a Mata Atlântica – ou o que restou
A EMA dela – são invejadas no mundo todo por sua
biodiversidade. Até mesmo ecossistemas como
O surgimento da figura da Ema no céu, ao leste, o do cerrado e o da caatinga têm mais riqueza
no anoitecer, na segunda quinzena de junho, in- de fauna e flora do que se costuma pensar. A
dica o início do inverno para os índios do sul do quantidade de água doce, madeira, minérios e
Brasil e o começo da estação seca para os do outros bens naturais é amplamente citada nas
norte. É limitada pelas constelações de Escor- escolas, nos jornais e nas conversas. O proble-
pião e do Cruzeiro do Sul, ou Cut’uxu. Segundo ma é que tal exaltação ufanista (“Abençoado por
o mito guarani, o Cut’uxu segura a cabeça da Deus e bonito por natureza”) é diretamente pro-
ave para garantir a vida na Terra, porque, se ela porcional à desatenção e ao desconhecimento
se soltar, beberá toda a água do nosso plane- que ainda vigoram sobre essas riquezas.
ta. Os tupis guaranis utilizam o Cut’uxu para se
orientar e determinar a duração das noites e as Estamos entrando numa era em que, muito
estações do ano. mais do que nos tempos coloniais (quando
pau-brasil, ouro, borracha etc. eram levados
ALMANAQUE BRASIL, maio/2007 (com adaptações).
em estado bruto para a Europa), a exploração
comercial da natureza deu um salto de inten-
sidade e refinamento. Essa revolução tem um
II – O pronome os (l.3) refere-se a:
nome: biotecnologia. Com ela, a Amazônia, por
exemplo, deixará em breve de ser uma enorme
a) Escorpião
fonte “potencial” de alimentos, cosméticos,
b) Índios
remédios e outros subprodutos: ela o será de
c) Cruzeiro do Sul
fato – e de forma sustentável. Outro exemplo:
d) Tupis guaranis
os créditos de carbono, que terão de ser com-
prados do Brasil por países que poluem mais
Reforço Escolar | LÍNGUA PORTUGUESA
do que podem, poderão significar forte entrada
III – Na passagem “É limitada pelas constela-
de divisas.
ções de Escorpião e do Cruzeiro do Sul, ou Cut’u-
xu.” ocorre o seguinte processo coesivo:
Com sua pesquisa científica carente, indefi-
nição quanto à legislação e dificuldades nas
a) Hiperonímia
questões de patenteamento, o Brasil não con-
b) Reiteração
segue transformar essa riqueza natural em
Anos Finais do Ensino Fundamental

c) Elipse
riqueza financeira. Diversos produtos autócto-
d) Hiponímia
nes, como o cupuaçu, já foram registrados por
estrangeiros – que nos obrigarão a pagar pelo
uso de um bem original daqui, caso queiramos
D7 – Identificar a tese de um texto.
(e saibamos) produzir algo em escala com ele.
Além disso, a biopirataria segue crescente. Até
Por meio deste descritor, pode-se avaliar a habili-
mesmo os índios deixam que plantas e animais
dade de o aluno reconhecer o ponto de vista ou a
sejam levados ilegalmente para o exterior, onde
ideia central defendida pelo autor.
provavelmente serão vendidos a peso de ouro.
Resumo da questão: ou o Brasil acorda onde

21
provavelmente serão vendidos a peso de ouro. Na parte superior do anúncio, há um comentário
Resumo da questão: ou o Brasil acorda para a escrito à mão que aborda a questão das atividades
nova realidade econômica global, ou continuará linguísticas e sua relação com as modalidades oral
perdendo dinheiro como fruta no chão. e escrita da língua. A tese exposta a partir desse
comentário deixa evidente que é necessário:
Daniel Piza. O Estado de S. Paulo.

a) implementar a fala, tendo em vista maior de-


senvoltura, naturalidade e segurança no uso da
I – O texto defende a tese de que
língua.
b) conhecer gêneros mais formais da modalidade
a) a Amazônia é fonte “potencial” de riquezas.
oral para a obtenção de clareza na comunica-
b) as plantas e os animais são levados ilegalmente.
ção oral e escrita.
c) o Brasil desconhece o valor de seus bens natu-
c) dominar as diferentes variedades do registro
rais.
oral da língua portuguesa para escrever com
d) os bens naturais são citados na escola.
adequação, eficiência e correção.
d) empregar vocabulário adequado e usar regras
da norma padrão da língua em se tratando da
II – (ENEM – 2005) A tese explicitada na tira
modalidade escrita.
abaixo é a contradição entre:
e) utilizar recursos mais expressivos e menos
desgastados da variedade padrão da língua
para se expressar com alguma segurança e
sucesso.

D8 – Estabelecer relação entre a tese e os argu-


mentos oferecidos para sustentá-la.
a) relações pessoais e o avanço tecnológico.
b) inteligência empresarial e a ignorância dos ci-
Por meio deste descritor, pode-se avaliar a ha-
dadãos.
bilidade do aluno em estabelecer a relação entre
c) inclusão digital e a modernização das empresas.
o ponto de vista do autor sobre um determinado
d) economia neoliberal e a reduzida atuação do
assunto e os argumentos que sustentam esse po-
Estado.
sicionamento.
e) revolução informática e a exclusão digital.
Essa habilidade é avaliada por meio de um texto
Ação de Fortalecimento da Aprendizagem

no qual é solicitado ao aluno que identifique um


III (ENEM – 2009 / MODIFICADA)
argumento entre os diversos que sustentam a pro-
posição apresentada pelo autor. Pode-se, também,
solicitar o contrário, que o aluno identifique a tese
com base em um argumento oferecido pelo texto.

O NAMORO NA ADOLESCÊNCIA

Um namoro, para acontecer de forma positiva,


precisa de vários ingredientes: a começar pela
família, que não seja muito rígida e atrasada nos
seus valores, seja conversável, e, ao mesmo
tempo, tenha limites muito claros de compor-
tamento. O adolescente precisa disto para se
sentir seguro. O outro aspecto tem a ver com
o próprio adolescente e suas condições inter-
nas, que determinarão suas necessidades e a

22
própria escolha. São fatores inconscientes, que II – O argumento que melhor sintetiza a ideia do
fazem com que a Mariazinha se encante com o poema é:
jeito tímido do João e não dê pelota para o herói
da turma, o Mário. Aspectos situacionais, como a) estimular os processos de instalação de novas
a relação harmoniosa ou não entre os pais do mineradoras para acelerar a modernização da
adolescente, também influenciarão o seu namo- paisagem.
ro. Um relacionamento em que um dos parcei- b) criarem-se estratégias para reduzir o impacto
ros vem de um lar em crise, é, de saída, dose ambiental no ambiente degradado.
de leão para o outro, que passa a ser utilizado c) reaproveitarem-se materiais, reduzindo-se a
como anteparo de todas as dores e frustrações. necessidade de extração de minérios.
Geralmente, esta carga é demais para o outro d) a exploração da paisagem favorece o desen-
parceiro, que também enfrenta suas crises pe- volvimento do transporte ferroviário.
las próprias condições de adolescente. Entrar
em contato com a outra pessoa, senti-la, ou-
vi-la, depender dela afetivamente e, ao mes- D9 – Diferenciar as partes principais das secun-
mo tempo, não massacrá-la de exigências, e dárias em um texto.
não ter medo de se entregar, é tarefa difícil em
qualquer idade. Mas é assim que começa este Por meio deste descritor pode-se avaliar a habili-
aprendizado de relacionar-se afetivamente e que dade de o aluno reconhecer a estrutura e a organi-
vai durar a vida toda. zação do texto e localizar a informação principal e
as informações secundárias que o compõem.
SUPLICY, Marta. A condição da mulher. São Paulo: Brasiliense, 1984.

Essa habilidade é avaliada por meio de um texto no


qual pode ser solicitado ao aluno que ele identifi-
I – Para um namoro acontecer de forma positiva,
que a parte principal ou outras partes secundárias
o adolescente precisa do apoio da família. O ar-
na qual o texto se organiza.
gumento que defende essa idéia é:

a) a família é o anteparo das frustrações.


ANIMAIS NO ESPAÇO
b) a família tem uma relação harmoniosa.
c) o adolescente segue o exemplo da família.
Vários animais viajaram pelo espaço como as-
d) o apoio da família dá segurança ao jovem.
tronautas.

Os russos já usaram cachorros em suas experiên-


A MONTANHA PULVERIZADA
cias. Eles têm o sistema cardíaco parecido com
Reforço Escolar | LÍNGUA PORTUGUESA
o dos seres humanos. Estudando o que acontece
Esta manhã acordo e
com eles, os cientistas descobrem quais proble-
não a encontro.
mas podem acontecer com as pessoas.
Britada em bilhões de lascas
deslizando em correia transportadora
A cadela Laika, tripulante da Sputnik-2, foi o pri-
entupindo 150 vagões
meiro ser vivo a ir ao espaço, em novembro de
no trem-monstro de 5 locomotivas
1957, quatro anos antes do primeiro homem, o
Anos Finais do Ensino Fundamental

— trem maior do mundo, tomem nota —


astronauta Gagarin.
foge minha serra, vai
deixando no meu corpo a paisagem
Os norte-americanos gostam de fazer expe-
mísero pó de ferro, e este não passa.
riências científicas espaciais com macacos,
Carlos Drummond de Andrade. Antologia poética. pois o corpo deles se parece com o humano.
Rio de Janeiro: Record, 2000. O chimpanzé é o preferido porque é inteligente
e convive melhor com o homem do que as ou-
tras espécies de macacos. Ele aprende a comer
alimentos sintéticos e não se incomoda com a
roupa espacial.

23
Além disso, os macacos são treinados e podem II – A principal informação desse texto está expressa:
fazer tarefas a bordo, como acionar os coman-
dos das naves, quando as luzes coloridas acen- a) na iniciativa de uma família de Curitiba.
dem no painel, por exemplo. b) na aceitação do convite pela família guarani.
c) no resultado do encontro dos dois grupos.
Enos foi o mais famoso macaco a viajar para d) no grau de ansiedade dos dois grupos.
o espaço, em novembro de 1961, a bordo da
nave Mercury/Atlas 5. A nave de Enos teve pro-
blemas, mas ele voltou são e salvo, depois de De uma coisa temos certeza: a terra não per-
ter trabalhado direitinho. Seu único erro foi ter tence ao homem branco; o homem branco é
comido muito depressa as pastilhas de banana que pertence à terra. Disso temos certeza. To-
durante as refeições. das as coisas estão relacionadas como o san-
gue que une uma família. Tudo está associado.
(Folha de São Paulo, 26 de janeiro de 1996)

O que fere a terra, fere também os filhos da


terra. O homem não tece a teia da vida; é antes
I – No texto “Animais no espaço”, uma das infor-
um de seus fios. O que quer que faça a essa
mações principais é:
teia, faz a si próprio.
a) “A cadela Laika (...) foi o primeiro ser vivo a ir
Trecho de uma das várias versões de carta atri-
ao espaço”.
buída ao chefe Seattle, da tribo Suquamish. A
b) “Os russos já usavam cachorros em suas ex-
carta teria sido endereçada ao presidente nor-
periência”.
te-americano, Franklin Pierce, em 1854, a pro-
c) “Vários animais viajaram pelo espaço como
pósito de uma oferta de compra do território da
astronautas”.
tribo feita pelo governo dos Estados Unidos.
d) “Enos foi o mais famoso macaco a viajar para
o espaço”. PINSKY, Jaime e outros (Org.). História da América através de textos. 3ª ed.
São Paulo: Contexto, 1991.

ENCONTRO DE ANSIEDADES
III – O argumento principal do texto está expres-
O pai Irineu, a mãe Florinda e os filhos Lúcia, so no seguinte trecho:
Eliana e Ronaldo (...) tiveram uma experiência
bastante inusitada. A família de índios Guarani, a) “Todas as coisas estão relacionadas como o
sangue que une uma família.”
Ação de Fortalecimento da Aprendizagem

do Pontal do Paraná, litoral do Estado, foi con-


vidada para visitar os alunos da Escola Atuação b) “O homem não tece a teia da vida”
em Curitiba. Foi um encontro de ansiedades: de c) “O que fere a terra, fere também os filhos da terra.”
um lado, as crianças indígenas amedrontadas d) “(...) a terra não pertence ao homem branco; o
com tanta gente para recebê-las no ginásio da homem branco é que pertence à terra.”
escola; de outro, os alunos curiosos e inquietos
com a presença de novos visitantes. IV – (ENEM 2001 – MODIFICADA) O par que
apresenta o argumento principal do texto é:
No fim das contas, tudo terminou bem: as
crianças índias não falam português, mas rece-
beram toda a atenção dos novos amigos e vol-
taram para a sua aldeia com muitas cestas de
frutas e outros presentes. A turminha da escola
adorou a experiência e garante que aprendeu
muito com a atividade. A troca de ansiedades a) rejeição / alimentos básicos.
acabou se tornando troca de carinhos. b) discriminação / força de trabalho.
c) falta de compreensão / matérias-primas.
Gazeta do Povo. Curitiba, 29 abr. 2000. Gazetinha, p.5. d) preconceito / vestuário.

24
D10 – Identificar o conflito gerador do enredo e E os urubus, em uníssono, expulsaram da flo-
os elementos que constroem a narrativa. resta os passarinhos que cantavam sem alva-
rás...
Por meio deste descritor, pode-se avaliar a habi-
lidade do aluno em reconhecer os fatos que cau- MORAL: EM TERRA DE URUBUS DIPLOMADOS
sam o conflito ou que motivam as ações dos per- NÃO SE OUVE CANTO DE SABIÁ.
sonagens, originando o enredo do texto.
ALVES, Rubem. Estórias de Quem gosta de Ensinar. São Paulo: Ars Poética,
1985, p.81.
Essa habilidade é avaliada por meio de um texto no
qual é solicitado ao aluno que identifique os acon-
tecimentos desencadeadores de fatos apresenta- No contexto, o que gera o conflito é:
dos na narrativa, ou seja, o conflito gerador, ou o
personagem principal, ou o narrador da história, a) a competição para eleger o melhor urubu.
ou o desfecho da narrativa. b) a escola para formar aves cantoras.
c) o concurso de canto para conferir diplomas.
URUBUS E SABIÁS d) o desejo dos urubus de aprender a cantar.

Tudo aconteceu numa terra distante, no tempo


em que os bichos falavam... Os urubus, aves por O DIA SEGUINTE
natureza becadas, mas sem grandes dotes para
o canto, decidiram que, mesmo contra a nature- “Se há alguma coisa importante neste mundo,
za eles haveriam de se tornar grandes cantores. dizia o marido, é uma empregada de confiança.
E para isto fundaram escolas e importaram pro- A mulher concordava, satisfeita: realmente, a
fessores, gargarejaram do-ré-mi-fá, mandaram empregada deles era de confiança absoluta. Até
imprimir diplomas e fizeram competições entre as compras fazia, tudo direitinho. Tão de con-
si, para ver quais deles seriam os mais impor- fiança que eles não hesitavam em deixar-lhe a
tantes e teriam a permissão para mandar nos casa, quando viajavam.
outros. Foi assim que eles organizaram concur-
sos e se deram nomes pomposos, e o sonho Uma vez resolveram passar o fim de semana na
de cada urubuzinho, instrutor em início de car- praia. Como de costume a empregada ficaria.
reira, era se tornar um respeitável urubu titular, Nunca saía nos fins de semana, a moça. Em-
a quem todos chamam por Vossa Excelência. pregada perfeita.

Tudo ia muito bem até que a doce tranquilida- Foram. Quando já estavam quase chegando à
de da hierarquia dos urubus foi estremecida. A orla marítima, ele se deu conta: tinham esque- Reforço Escolar | LÍNGUA PORTUGUESA
floresta foi invadida por bandos de pintassilgos, cido a chave da casa da praia. Não havia outro
tagarelas, que brincavam com os canários e remédio. Tinham de voltar. Voltaram.
faziam serenatas com os sabiás... Os velhos
urubus entortaram o bico, o rancor encrespou a Quando abriram a porta do apartamento, qua-
testa, e eles convocaram pintassilgos, sabiás e se desmaiaram: o living estava cheio de gente,
canários para um inquérito. todo mundo dançando, no meio de uma alga-
Anos Finais do Ensino Fundamental

zarra infernal. Quando ele conseguiu se recupe-


“— Onde estão os documentos de seus concur- rar da estupefação, procurou a empregada:
sos?” E as pobres aves se olharam perplexas,
porque nunca haviam imaginado que tais coisas — Mas o que é isto, Elcina? Enlouqueceu?
houvesse. Não haviam passado por escolas de
canto, porque o canto nascera com elas. E nun- Aí um simpático mulato interveio: que é isto,
ca apresentaram um diploma para provar que meu patrão, a moça não enlouqueceu, coisa
sabiam cantar, mas cantavam, simplesmente... alguma, estamos apenas nos divertindo, o se-
nhor não quer dançar também? Isto mesmo,
“— Não, assim não pode ser. Cantar sem a titu- gritava o pessoal, dancem com a gente.
lação devida é um desrespeito à ordem.”

25
O marido e a mulher hesitaram um pouco; de- Uma criança brincava. Ficou na torneira, à es-
pois - por que não, afinal a gente tem de ex- pera que abrissem. Então percebeu que as en-
perimentar de tudo na vida, aderiram à festa. grenagens giravam e caiu numa pia. À sua volta
Dançaram, beberam, riram. Ao final da noite era um branco imenso, uma água límpida. E a
concordavam com o mulato: nunca tinham se cara da menina aparecia redonda e grande, a
divertido tanto. olhá-lo interessada. Ela gritou:
No dia seguinte, despediram a empregada.”
“Mamãe, tem um homem dentro da pia”
Fonte: SCLIAR, Moacyr. Histórias para (quase) todos os gostos. Porto ale-
gre: L&PM, 1998.
Não obteve resposta. Esperou, tudo quieto. A
menina se cansou, abriu o tampão e ele desceu
O fato no texto que dá início ao conflito é: pelo esgoto.

BRANDÃO, Ignácio de Loyola. Cadeiras Proibidas. São Paulo: Global, 1988. p. 89.
a) Todos se divertiram muito na festa.
b) A empregada era de confiança do casal.
c) O casal esqueceu a chave da casa de praia.
I – O homem desviou-se de sua trajetória porque:
d) O casal resolve passar o fim de semana na
praia.
a) ouviu muitos barulhos familiares.
b) já estava “viajando” há vários dias.
c) ficou desinteressado pela “viagem”.
D11 – Estabelecer relação causa/consequência
d) percebeu que havia uma torneira.
entre partes e elementos do texto.

Por meio deste descritor pode-se avaliar a habi- O SURDO APRENDE DIFERENTE
lidade do aluno em identificar o motivo pelo qual
os fatos são apresentados no texto, ou seja, o re- O surdo não adquire de forma natural a língua
conhecimento de como as relações entre os ele- falada, e a sua aquisição jamais ocorre da mes-
mentos organizam-se de forma que um torna-se o ma forma como acontece com a criança ouvin-
resultado do outro. te. Esse processo exige um trabalho formal e
sistemático. Os surdos, por serem incapazes de
Essa habilidade é avaliada por meio de um texto no ouvir seus pais, correm o risco de ficar seria-
qual o aluno estabelece relações entre as diversas mente atrasados na compreensão da língua, a
partes que o compõem, averiguando as relações de menos que providências sejam tomadas. E ser
causa e efeito, problema e solução, entre outros. deficiente de linguagem, para um ser humano,
Ação de Fortalecimento da Aprendizagem

é uma grande lacuna. Segundo Sacks, chega


a ser uma calamidade, porque é por meio da
O HOMEM QUE ENTROU PELO CANO língua que nos comunicamos livremente com
nossos semelhantes, adquirimos e comparti-
Abriu a torneira e entrou pelo cano. A princípio lhamos informações. Se não pudermos fazer
incomodava-o a estreiteza do tubo. Depois se isso, ficamos incapacitados e isolados.
acostumou. E, com a água, foi seguindo. Andou
quilômetros. Pesquisas realizadas em várias cidades do Bra-
sil chegaram à triste conclusão de que o ora-
Aqui e ali ouvia barulhos familiares. Vez ou outra lismo, ainda utilizado em muitas escolas, não
um desvio, era uma seção que terminava em apresenta resultados satisfatórios para o desen-
torneira. volvimento da linguagem do surdo. Além disso,
o oralismo só é capaz de perceber 20% da men-
Vários dias foi rodando, até que tudo se tornou sagem, através da leitura labial.
monótono. O cano por dentro não era interessante.
O bilinguismo busca respeitar o surdo na ques-
No primeiro desvio, entrou. Vozes de mulher. tão do processo de aquisição da sua língua
natural, tendo como pressuposto básico que

26
o surdo deve adquirir como língua materna e Moral: Nos momentos graves é preciso verificar
primeira língua (L1) a língua de sinais e, como muito bem para quem se apela.
segunda língua (L2), a língua oficial de seu país;
Fonte: FERNANDES, Millôr. Fábulas fabulosas. Rio de Janeiro: Nórdica, 1991.
no nosso caso a Língua Portuguesa.

Fonte: Revista Mundo Jovem julho de 2008 página 3, fragmento.

III – O motivo pelo qual o coveiro não conseguiu


sair do buraco foi que:
II – Segundo o texto apresentado, o surdo não
adquire a linguagem da mesma forma que o a) Distraiu-se tanto com seu trabalho que cavou
ouvinte. O processo exige um trabalho formal e demais.
sistematizado. Qual a consequência quando não b) Anoiteceu rapidamente e ele sentiu medo de
há este trabalho? sair dali.
c) Estava com muito frio e precisava de um lugar
a) O surdo corre o risco de ficar seriamente atra- para dormir.
sado na compreensão da língua. d) Por mais que gritasse, ninguém atendeu seu
b) O surdo não poderá fazer a leitura labial. pedido.
c) O surdo terá grandes problemas com o bilin-
guismo e com o oralismo.
d) O surdo será incapaz de compreender as men- O Brasil, por suas características de crescimen-
sagens através da leitura labial. to econômico, e apesar da crise e do retrocesso
das últimas décadas, é classificado como um
país moderno. Tal conceito pode ser, na verda-
O SOCORRO de, questionado se levarmos em conta os indi-
cadores sociais: o grande número de desem-
Ele foi cavando, cavando, cavando, pois sua pregados, o índice de analfabetismo, o déficit
profissão - coveiro - era cavar. Mas, de repen- de moradia, o sucateamento da saúde, enfim, a
te, na distração do ofício que amava, percebeu avalanche de brasileiros envolvidos e tragados
que cavara demais. Tentou sair da cova e não num processo de repetidas migrações(...)
conseguiu sair. Gritou. Ninguém atendeu. Gritou
(adap.Valin,1996, pág.50 Migrações: da perda de terra à exclusão social.
mais forte. Ninguém veio. Enlouqueceu de gri- SP. Atuali, 1996).
tar, cansou de esbravejar, desistiu com a noite.
Sentou-se no fundo da cova, desesperado.
IV –(ENEM 1998 – MODIFICADA) Os indicadores
A noite chegou, subiu, fez-se o silêncio das sociais do Brasil permitem:
horas tardias. Bateu o frio da madrugada e, na Reforço Escolar | LÍNGUA PORTUGUESA
noite escura, não se ouvia um som humano, a) acreditar em um crescimento a longo prazo;
embora o cemitério estivesse cheio de pipilos e b) aceitar o fato de que o País está maduro para
coaxares naturais dos matos. Só um pouco de- consolidar a democracia e a estabilidade eco-
pois da meia-noite é que lá vieram uns passos. nômica;
Deitado no fundo da cova o coveiro gritou. Os c) questionar a classificação do Brasil como um
passos se aproximaram. país moderno;
Anos Finais do Ensino Fundamental

d) ignorar o retrocesso das últimas décadas.


Uma cabeça ébria lá em cima, perguntou o que
havia: O que é que há?
D15 – Estabelecer relações lógico-discursivas
O coveiro então gritou desesperado: “Tire-me da- presentes no texto, marcadas por conjunções,
qui, por favor. Estou com um frio terrível!” “Mas advérbios, etc.
coitado!” - condoeu-se o bêbado. “Tem toda razão
de estar com frio. Alguém tirou a terra de você, As habilidades que podem ser avaliadas por este
meu pobre mortinho!” E, pegando a pá, encheu-a descritor, relacionam-se ao reconhecimento das
de terra e pôs-se a cobri-lo cuidadosamente. relações de coerência no texto em busca de uma

27
concatenação perfeita entre as partes do texto, as I – Que função desempenha a expressão destaca-
quais são marcadas pelas conjunções, advérbios, da no texto “... o volume do rio cresceu TANTO QUE
etc., formando uma unidade de sentido. a família defronte teve medo.” (2º parágrafo):

Essa habilidade é avaliada por meio de um texto a) adição de ideias.


no qual é solicitado ao aluno, a percepção de uma b) comparação entre dois fatos.
determinada relação lógico-discursiva, enfatizada, c) consequência de um fato.
muitas vezes, pelas expressões de tempo, de lu- d) finalidade de um fato enunciado.
gar, de comparação, de oposição, de causalidade,
de anterioridade, de posteridade, entre outros e,
quando necessário, a identificação dos elementos O consumo de álcool cresce entre os jovens
que explicam essa relação. brasileiros. Muitos não se preocupam com a
dependência nem encaram a bebida como dro-
ga. Mas, segundo a Organização Mundial de
AS ENCHENTES DE MINHA INFÂNCIA Saúde, o álcool é a droga mais consumida no
Sim, nossa casa era muito bonita, verde, com mundo, com doze bilhões de usuários.”
uma tamareira junto à varanda, mas eu invejava
Fonte: Revista Isto É/1978- 26/09/07 pág. 50.
os que moravam do outro lado da rua, onde as
casas dão fundos para o rio. Como a casa dos
Martins, como a casa dos Leão, que depois foi
dos Medeiros, depois de nossa tia, casa com II – A função desempenhada pela palavra desta-
varanda fresquinha dando para o rio. cada no texto é:

Quando começavam as chuvas a gente ia toda a) Comparação entre ideias


manhã lá no quintal deles ver até onde chegara b) Adição de ideias.
a enchente. As águas barrentas subiam primei- c) Conseqüência dos fatos.
ro até a altura da cerca dos fundos, depois às d) Finalidade dos fatos.
bananeiras, vinham subindo o quintal, entravam
pelo porão. Mais de uma vez, no meio da noite,
o volume do rio cresceu tanto que a família de-
O Brasil, por suas características de crescimen-
fronte teve medo.
to econômico, e apesar da crise e do retrocesso
Então vinham todos dormir em nossa casa. Isso das últimas décadas, é classificado como um
para nós era uma festa, aquela faina de arrumar país moderno. Tal conceito pode ser, na verda-
camas nas salas, aquela intimidade improvisada de, questionado se levarmos em conta os indi-
e alegre. Parecia que as pessoas ficavam to- cadores sociais: o grande número de desem-
Ação de Fortalecimento da Aprendizagem

das contentes, riam muito; como se fazia café pregados, o índice de analfabetismo, o déficit
e se tomava café tarde da noite! E às vezes o de moradia, o sucateamento da saúde, enfim, a
rio atravessava a rua, entrava pelo nosso porão, avalanche de brasileiros envolvidos e tragados
e me lembro que nós, os meninos, torcíamos num processo de repetidas migrações(...)
para ele subir mais e mais. Sim, éramos a favor
(adap.Valin,1996, pág.50 Migrações: da perda de terra à exclusão social.
da enchente, ficávamos tristes de manhãzinha SP. Atuali, 1996).
quando, mal saltando da cama, íamos correndo
para ver que o rio baixara um palmo – aquilo era
uma traição, uma fraqueza do Itapemirim. Às ve- III – (ENEM 1998 – MODIFICADA) A função de-
zes chegava alguém a cavalo, dizia que lá, para sempenhada pela palavra destacada no texto é:
cima do Castelo, tinha caído chuva muita, anun-
ciava águas nas cabeceiras, então dormíamos a) Conclusão de ideias;
sonhando que a enchente ia outra vez crescer, b) Oposição de ideias;
queríamos sempre que aquela fosse a maior de c) Conformidade entre ideias;
todas as enchentes. d) Sucessão de ideias
BRAGA, Rubem. Ai de ti, Copacabana. 3. ed. Rio de Janeiro: Editora do
Autor, 1962. p. 157.

28
TÓPICO IV

RELAÇÃO ENTRE RECURSOS EXPRESSIVOS


E EFEITOS DE SENTIDO

O uso de recursos expressivos possibilita uma lei- representado tanto por uma expressão verbal inu-
tura para além dos elementos superficiais do texto sitada, quanto por uma expressão facial da perso-
e auxilia o leitor na construção de novos significa- nagem. Nos itens do Saeb, geralmente é solicitado
dos. Nesse sentido, o conhecimento de diferentes ao aluno que ele identifique onde se encontram
gêneros textuais proporciona ao leitor o desenvol- traços de humor no texto, ou informe por que é
vimento de estratégias de antecipação de informa- provocado o efeito de humor em determinada ex-
ções que o levam à construção de significados. pressão.

Em diferentes gêneros textuais, tais como a propa- I – O que torna o texto engraçado é que:
ganda, por exemplo, os recursos expressivos são
largamente utilizados, como caixa alta, negrito,
itálico, etc. Os poemas também se valem desses
recursos, exigindo atenção redobrada e sensibili-
dade do leitor para perceber os efeitos de sentido
subjacentes ao texto.

Vale destacarmos que os sinais de pontuação,


como reticências, exclamação, interrogação, etc.,
e outros mecanismos de notação, como o itálico,
o negrito, a caixa alta e o tamanho da fonte podem
expressar sentidos variados. O ponto de exclama-
ção, por exemplo, nem sempre expressa surpresa.
Faz-se necessário, portanto, que o leitor, ao explo-
rar o texto, perceba como esses elementos cons-
troem a significação, na situação comunicativa em
que se apresentam.

Reforço Escolar | LÍNGUA PORTUGUESA


D16 – Identificar efeitos de ironia ou humor em
textos variados.

Por meio deste descritor pode-se avaliar a habili-


dade do aluno em reconhecer os efeitos de ironia
ou humor causados por expressões diferenciadas,
Anos Finais do Ensino Fundamental

utilizadas no texto pelo autor, ou, ainda, pela utili-


zação de pontuação e notações.

Essa habilidade é avaliada por meio de textos ver-


bais e não-verbais, sendo muito valorizado nesse
descritor atividades com textos de gêneros varia-
dos sobre temas atuais, com espaço para várias
possibilidades de leitura, como os textos publicitá- a) a aluna é uma formiga.
rios, as charges, os textos de humor ou as letras b) a aluna faz uma pechincha.
de músicas, levando o aluno a perceber o sentido c) a professora dá um castigo.
irônico ou humorístico do texto, que pode estar d) a professora fala “XIS” e “CÊ AGÁ”.

29
II – (ENEM 1998 – MODIFICADA) O efeito de hu-
AÍ, GALERA mor do texto é provocado pelo (a):
Luís Fernando Veríssimo

a) linguagem muito formal do jogador, inadequa-


Jogadores de futebol podem ser vítimas de es-
da à situação da entrevista.
tereotipação. Por exemplo, você pode imaginar
b) vasto domínio vocabular do repórter.
um jogador de futebol dizendo “estereotipa-
c) uso inadequado de termos específicos.
ção”? E, no entanto, por que não?
d) plena correspondência do jogador ao estereótipo.

— Aí, campeão. Uma palavrinha pra galera.


— Minha saudação aos aficionados do clube e III – O efeito de humor na tira é reforçado devido:
aos demais esportistas, aqui presentes ou no
recesso dos seus lares.
— Como é?
— Aí, galera.
— Quais são as instruções do técnico?
— Nosso treinador vaticinou que, com um tra-
balho de contenção coordenada, com energia
otimizada, na zona de preparação, aumentam
as probabilidades de, recuperado o esférico,
concatenarmos um contragolpe agudo com
parcimônia de meios e extrema objetividade,
valendo-nos da desestruturação momentânea
do sistema oposto, surpreendido pela reversão
inesperada do fluxo da ação.
— Ahn?
— É pra dividir no meio e ir pra cima pra pegá
eles sem calça. a) Ao fato de Jon adquirir um celular.
— Certo. Você quer dizer mais alguma coisa? b) Ao tamanho do celular.
c) À ironia no pensamento do Garfield.
— Posso dirigir uma mensagem de caráter sen- d) Ao tamanho do manual.
timental, algo banal, talvez mesmo previsível e
Ação de Fortalecimento da Aprendizagem

piegas, a uma pessoa à qual sou ligado por ra-


zões, inclusive, genéticas? AGRADECENDO A DEUS
— Pode.
— Uma saudação para a minha progenitora. Um turista viaja para um safári na África. Duran-
te a excursão na savana, se perde e acaba frente
— Como é?
a frente com um leão feroz. Ao vê-lo avançando
— Alô, mamãe! em sua direção, pede a Deus que um espírito
— Estou vendo que você é um, um... cristão tome posse daquele leão. Nisto, ouve-
se um trovão, seguido de um grande clarão no
— Um jogador que confunde o entrevistador,
céu. O leão ajoelha-se diante do assustado tu-
pois não corresponde à expectativa de que o
rista e começa a rezar, dizendo:
atleta seja um ser algo primitivo com dificuldade
de expressão e assim sabota a estereotipação?
— Obrigado Senhor, por mais essa refeição!
— Estereoquê?
Fonte: Piadas e pára-choques nº1 – RDE – Revista das Estradas.
— Um chato?
— Isso.

Correio Braziliense, 13/05/1998.

30
IV – O texto acima tem a intenção de provocar D17 – Reconhecer o efeito de sentido decorrente
risos, é um texto humorístico. O que torna o texto do uso da pontuação e de outras notações.
engraçado?
A habilidade que pode ser avaliada por este des-
a) O trovão que clareia o céu tornando o leão bon- critor refere-se à identificação, pelo aluno, dos
zinho. efeitos provocados pelo emprego de recursos da
b) O desespero do turista frente a frente com o pontuação ou de outras formas de notação, em
leão. contribuição à compreensão textual, não se limi-
c) A forma como o leão agradece a refeição. tando ao seu aspecto puramente gramatical.
d) A atitude do leão ao agir como cristão.
Essa habilidade é avaliada por meio de um texto
no qual é requerido do aluno que ele identifique o
V – O que torna o texto mais engraçado é: sentido provocado por meio da pontuação (traves-
são, aspas, reticências, interrogação, exclamação,
etc.) e/ou notações como, tamanho de letra, pa-
rênteses, caixa alta, itálico, negrito, entre outros.
Os enunciados dos itens solicitam que os alunos
reconheçam o porquê do uso do itálico, por exem-
plo, em uma determinada palavra no texto, ou indi-
que o sentido de uma exclamação em determinada
frase, ou identifique por que usar os parênteses,
a) A expressão das personagens em todos os entre outros.
quadrinhos.
b) A comparação dos termos médicos com a lin-
guagem do Haroldo. I – No terceiro quadrinho, os pontos de exclama-
c) O conceito sobre o amor na fala do Haroldo. ção reforçam ideia de:
d) A associação entre os sintomas na conclusão
do texto.

VI – O efeito de humor do texto está:

Reforço Escolar | LÍNGUA PORTUGUESA


Anos Finais do Ensino Fundamental

a) Na quantidade de filhos. a) comoção.


b) Na expressão impassível de Garfield. b) contentamento.
c) No gesto de Garfield. c) desinteresse.
d) No agradecimento da aranha. d) surpresa.

31
II – No segundo quadrinho, o ponto de interroga- ficado decorrente da escolha de uma determinada
ção e reticências reforçam a ideia de: palavra ou expressão, dependendo da intenção do
autor, a qual pode assumir sentidos diferentes do
seu sentido literal.

Essa habilidade é avaliada por meio de um texto no


qual o aluno é solicitado a perceber os efeitos de
sentido que o autor quis imprimir ao texto a par-
tir da escolha de uma linguagem figurada ou da
ordem das palavras, do vocabulário, entre outros.

“CHATEAR” E “ENCHER”

Um amigo meu me ensina a diferença entre


“chatear” e “encher”. Chatear é assim: você
telefona para um escritório qualquer da cidade.

— Alô! Quer me chamar por favor o Valdemar?


— Aqui não tem nenhum Valdemar.
Daí a alguns minutos você liga de novo:
a) Perplexidade e contrariedade. — O Valdemar, por obséquio.
b) Dúvida e admiração. — Cavalheiro, aqui não trabalha nenhum Val-
c) Surpresa e conclusão. demar.
d) Reflexão e questionamento. — Mas não é do número tal?
— É, mas aqui nunca teve nenhum Valdemar.
III – As reticências utilizadas no texto indicam:
Mais cinco minutos, você liga o mesmo número:

— Por favor, o Valdemar chegou?


— Vê se te manca, palhaço. Já não lhe disse
que o diabo desse Valdemar nunca trabalhou
Ação de Fortalecimento da Aprendizagem

aqui?
— Mas ele mesmo me disse que trabalhava aí.
— Não chateia.

Daí a dez minutos, liga de novo.

a) Contrariedade — Escute uma coisa! O Valdemar não deixou


b) Concordância pelo menos um recado? O outro desta vez es-
c) Dúvida quece a presença da datilógrafa e diz coisas
d) Incerteza impublicáveis.
Até aqui é chatear. Para encher, espere passar
mais dez minutos, faça nova ligação:
D18 – Reconhecer o efeito de sentido decorren-
te da escolha de uma determinada palavra ou — Alô! Quem fala? Quem fala aqui é o Valde-
expressão. mar. Alguém telefonou para mim?

CAMPOS, Paulo Mendes. Para gostar de ler. São Paulo: Ática, v.2, p. 35.
Por meio deste descritor, pode-se avaliar a habili-
dade do aluno em reconhecer a alteração de signi-

32
I – No trecho “Cavalheiro, aqui não trabalha ne- do água, proteína, açúcar e sais minerais’. Um
nhum Valdemar”, o emprego do termo sublinha- alimento pra ninguém botar defeito. O ser hu-
do sugere que o personagem, no contexto: mano o usa há mais de 5.000 anos. É o único
alimento só alimento. A carne serve pro animal
a) era gentil. andar, a fruta serve pra fazer outra fruta, o ovo
b) era curioso. serve pra fazer outra galinha (...) O leite é só
c) desconhecia a outra pessoa. leite. Ou toma ou bota fora.
d) revelava impaciência.
Esse aqui examinando bem, é só pra botar fora.
Tem chumbo, tem benzina, tem mais água do
II – (ENEM 2003 – MODIFICADA) O humor pre- que leite, tem serragem, sou capaz de jurar que
sente na tirinha decorre principalmente do fato nem vaca tem por trás desse negócio.
de a personagem Mafalda:
Depois o pessoal ainda acha estranho que os
meninos não gostem de leite.

Mas, como não gostam? Não gostam como?


Nunca tomaram! Múúúúúúú!

(FERNANDES, Millôr. O Estado de S. Paulo, 22 de agosto de 1999)

III – (ENEM 2003 – MODIFICADA) A palavra em-


bromatologia usada pelo autor é:

a) um termo científico que significa estudo dos


bromatos.
b) uma composição do termo de gíria “embroma-
ção” (enganação) com bromatologia, que é o
a) atribuir, no primeiro quadrinho, poder ilimitado
estudo dos alimentos.
ao dedo indicador.
c) uma junção do termo de gíria “embromação”
b) considerar seu dedo indicador tão importante
(enganação) com lactologia, que é o estudo
quanto o dos patrões.
das embalagens para leite.
c) atribuir, no primeiro e no último quadrinhos, um
d) um neologismo da agropecuária que significa a
mesmo sentido ao vocábulo “indicador”.
ordenha mecânica. Reforço Escolar | LÍNGUA PORTUGUESA
d) usar corretamente a expressão “indicador de
desemprego”, mesmo sendo criança.

O ladrão entra numa joalheria e rouba todas as


jóias da loja. Guarda tudo numa mala e, para
“Vocês que têm mais de 15 anos, se lembram
disfarçar, coloca roupas em cima. Sai correndo
quando a gente comprava leite em garrafa, na lei-
para um beco, onde encontra um amigo, que
teria da esquina? (...) Mas vocês não se lembram
Anos Finais do Ensino Fundamental

pergunta:
de nada, pô! Vai ver nem sabem o que é vaca.
Nem o que é leite. Estou falando isso porque ago-
— E aí, tudo joia?
ra mesmo peguei um pacote de leite – leite em
— Que nada! Metade é roupa...
pacote, imagina, Tereza! – na porta dos fundos e
estava escrito que é pasteurizado, ou pasteuriza- Fonte: http://www.gel.org.br/4publica-estudos-2005/4publica-estudos-2005
do, sei lá, tem vitamina, é garantido pela embro- -pdfs/piadas-e-tiras-em-quadrinhos-119.pdf?SQMSESSID=a38ffc79c-
82bcbe561e1c641326fd16c - Acesso em 16/6/2008
matologia, foi enriquecido e o escambau.

Será que isso é mesmo leite? No dicionário diz


que leite é outra coisa: ‘Líquido branco, conten-

33
IV – Na frase “- E aí, tudo joia?” a expressão A chuva apenas. A chuva empenou os móveis.
destacada apresenta ambiguidade. O que causa A chuva amarelou os livros. A chuva corroeu
o efeito de humor? as cercas. A chuva e seu baque seco. A chuva
e seu ruído de vidro. A chuva inchou o brejo. A
a) O fato da mala conter jóias. chuva pingou pelo teto. A chuva multiplicando
b) O fato do ladrão não entender a pergunta. insetos. A chuva sobre os varais. A chuva der-
c) O fato da mala conter roupas. rubando raios. A chuva acabou a luz. A chuva
d) O fato do amigo não conhecer o conteúdo da molhou os cigarros. A chuva mijou no telhado.
mala. A chuva regou o gramado. A chuva arrepiou os
poros. A chuva fez muitas poças. A chuva se-
cou ao sol.
D19 – Reconhecer o efeito de sentido decorren-
ANTUNES, Arnaldo. As coisas. São Paulo: Iluminuras, 1996.
te da exploração de recursos ortográficos e/ou
morfossintáticos.

A habilidade que pode ser avaliada por meio deste


I – Todas as frases do texto começam com “a
descritor, refere-se à identificação pelo aluno do
chuva”. Esse recurso é utilizado para:
sentido que um recurso ortográfico, como, por
exemplo, diminutivo ou, aumentativo de uma pa-
a) provocar a percepção do ritmo e da sonoridade.
lavra, entre outros, e/ou os recursos morfossin-
b) provocar uma sensação de relaxamento dos
táticos (forma que as palavras se apresentam),
sentidos.
provocam no leitor, conforme o que o autor deseja
c) reproduzir exatamente os sons repetitivos da
expressar no texto.
chuva.
d) sugerir a intensidade e a continuidade da chuva.
Essa habilidade é avaliada por meio de um texto
no qual se requer que o aluno identifique as mu-
danças de sentido decorrentes das variações nos
Fernanda Takai
padrões gramaticais da língua (ortografia, concor-
dância, estrutura de frase, entre outros) no texto.
Fernanda Takai, cantora e compositora, vocalis-
ta do grupo Pato Fu lançou um livro com o título:
“Nunca Substime Uma Mulherzinha - Contos e
A CHUVA
Crônicas”, segundo suas palavras, o livro não
tem a ver com as bandas de rock com vocais
A chuva derrubou as pontes. A chuva transbor-
Ação de Fortalecimento da Aprendizagem

feminino, mas sim com a mulher em geral.


dou os rios. A chuva molhou os transeuntes. A
Quem fica em casa lavando roupa e cuidando
chuva encharcou as praças. A chuva enferrujou
de filho parece invisível, mas as mulherzinhas
as máquinas. A chuva enfureceu as marés. A
são capazes de tudo.
chuva e seu cheiro de terra. A chuva com sua
cabeleira. A chuva esburacou as pedras. A chu-
va alagou a favela. A chuva de canivetes. A chu-
II – Qual o sentido produzido pelo uso da palavra
va enxugou a sede. A chuva anoiteceu de tarde.
mulher no diminutivo:
A chuva e seu brilho prateado. A chuva de retas
paralelas sobre a terra curva. A chuva destro-
a) Inferiorizar a mulher que não trabalha.
çou os guarda-chuvas. A chuva durou muitos
b) Enaltecer apenas o trabalho doméstico da mu-
dias. A chuva apagou o incêndio. A chuva caiu.
lher.
A chuva derramou-se. A chuva murmurou meu
c) Enaltecer a mulher que realiza todos os tipos de
nome. A chuva ligou o para-brisa. A chuva
trabalho.
acendeu os faróis. A chuva tocou a sirene. A
d) Enaltecer as mulheres que trabalham fora de
chuva com a sua crina. A chuva encheu a pis-
casa.
cina. A chuva com as gotas grossas. A chuva
de pingos pretos. A chuva açoitando as plantas.
A chuva senhora da lama. A chuva sem pena.

34
TÓPICO VI

VARIAÇÃO LINGUÍSTICA

Este tópico refere-se às inúmeras manifestações e PRESSA


possibilidades da fala. No domínio do lar, as pes-
soas exercem papéis sociais de pai, mãe, filho, Só tenho tempo pras manchetes no metrô
avó, tio. Quando observamos um diálogo entre E o que acontece na novela
mãe e filho, por exemplo, verificamos característi- Alguém me conta no corredor
cas linguísticas que marcam ambos os papéis. As Escolho os filmes que eu não vejo no elevador
diferenças mais marcantes são intergeracionais Pelas estrelas que eu encontro na crítica do leitor
(geração mais velha/geração mais nova). Eu tenho pressa e tanta coisa me interessa
Mas nada tanto assim
O estudo da variação linguística é, também, es- Eu me concentro em apostilas coisa tão normal
sencial para a conscientização linguística do Leio os roteiros de viagem enquanto rola o comercial
aluno, permitindo que ele construa uma postura Conheço quase o mundo inteiro por cartão-postal
não-preconceituosa em relação a usos linguísticos Eu sei de quase tudo um pouco e quase tudo mal
distintos dos seus. Eu tenho pressa e tanta coisa me interessa mas
nada tanto assim
É muito importante mostrarmos ao aluno as razões Bruno & Leoni Fortunato. Greatest Hits’80. WEA.
dos diferentes usos, quando é utilizada a linguagem
formal, a informal, a técnica ou as linguagens rela-
cionadas aos falantes, como por exemplo, a lingua- I – Identifica-se termo da linguagem informal em:
gem dos adolescentes, das pessoas mais velhas.
a) “Leio os roteiros de viagem enquanto rola o co-
É necessário transmitirmos ao aluno a noção do mercial.”
valor social que é atribuído a essas variações, b) “Conheço quase o mundo inteiro por cartão
sem, no entanto, permitir que ele desvalorize sua postal!”
realidade ou a de outrem. Essa discussão é funda- c) “Eu sei de quase tudo um pouco e quase tudo
mental nesse contexto. mal.”
d) “Eu tenho pressa e tanta coisa me interessa
mas nada tanto assim.”
D13 – Identificar as marcas linguísticas que evi-
denciam o locutor e o interlocutor de um texto. Reforço Escolar | LÍNGUA PORTUGUESA
AÍ, GALERA
Luís Fernando Veríssimo
Por meio deste descritor pode-se avaliar a habili-
dade do aluno em identificar quem fala no texto e a Jogadores de futebol podem ser vítimas de es-
quem ele se destina, essencialmente, por meio da tereotipação. Por exemplo, você pode imaginar
presença de marcas linguísticas (o tipo de voca- um jogador de futebol dizendo “estereotipação”
bulário, o assunto, etc.), evidenciando, também, a ? E, no entanto, por que não?
Anos Finais do Ensino Fundamental

importância do domínio das variações linguísticas


que estão presentes na nossa sociedade. — Aí, campeão. Uma palavrinha pra galera.
— Minha saudação aos aficionados do clube e
Essa habilidade é avaliada em textos nos quais o aos demais esportistas, aqui presentes ou no
aluno é solicitado a identificar, o locutor e o inter- recesso dos seus lares.
locutor do texto nos diversos domínios sociais, — Como é?
como também são exploradas as possíveis va- — Aí, galera.
riações da fala: linguagem rural, urbana, formal, — Quais são as instruções do técnico?
informal, incluindo também as linguagens relacio- — Nosso treinador vaticinou que, com um tra-
nadas a determinados domínio sociais, como, por balho de contenção coordenada, com energia
exemplo, cerimônias religiosas, escola, clube, etc. otimizada, na zona de preparação, aumentam

35
as probabilidades de, recuperado o esférico, A PRAIA DE FRENTE PRA CASA DA VÓ
concatenarmos um contragolpe agudo com
parcimônia de meios e extrema objetividade, Eu queria surfar. Então vamo nessa: a praia
valendo-nos da desestruturação momentânea ideal que eu idealizo no caso particularizado
do sistema oposto, surpreendido pela reversão de minha pessoa, em primeiramente, seria de
inesperada do fluxo da ação. frente para a casa da vó, com vista para o meu
— Ahn?
quarto. Ia ter umas plantaçãozinha de água de
— É pra dividir no meio e ir pra cima pra pegá
coco e, invés de chão de areia, eu botava uns
eles sem calça.
gramadão presidente. Assim, o Zé, eu e os cara
— Certo. Você quer dizer mais alguma coisa?
— Posso dirigir uma mensagem de caráter sen- não fica grudando quando vai dar os rolé de
timental, algo banal, talvez mesmo previsível e Corcel! Então, vamo nessa: na praia dos sonhos
piegas, a uma pessoa à qual sou ligado por ra- que eu falei “É o sooonho!”, teria menos água
zões, inclusive, genéticas? salgada! (Menas porque água é feminina) Eu ia
— Pode. consegui ficar em pé na minha triquilha tigrada,
— Uma saudação para a minha progenitora. sair do back side, subir no lip, trabalhar a espu-
— Como é? ma, iiiiihhhhaaaaaaaaa!(...)
— Alô, mamãe!
Fonte: Peterson Foca . Personagem “cult” de Sobrinhos do Ataíde, progra-
— Estou vendo que você é um, um... ma veiculado pela Rádio 89,1 FM de São Paulo.
— Um jogador que confunde o entrevistador,
pois não corresponde à expectativa de que o
atleta seja um ser algo primitivo com dificuldade III – “Eu ia consegui ficar em pé na minha tri-
de expressão e assim sabota a estereotipação? quilha tigrada, sair do back side, subir no lip,
— Estereoquê? trabalhar a espuma, iiiiihhhhaaaaaaaaa!(...)”
— Um chato? As expressões destacadas são gírias próprias
— Isso. dos:
Correio Braziliense, 13/05/1998.
a) Professores universitários em palestra.
b) Adolescentes falando sobre surf.
II – (ENEM 1998 – MODIFICADA) O texto mostra c) Geógrafos analisando a paisagem.
uma situação em que a linguagem usada é ina- d) Biólogos discutindo sobre a natureza.
dequada ao contexto. Considerando as diferen-
ças entre língua oral e língua escrita, assinale
AULA DE PORTUGUÊS
Ação de Fortalecimento da Aprendizagem

a opção que representa também uma inadequa-


ção da linguagem usada ao contexto:
1 A linguagem
a) “o carro bateu e capotô, mas num deu pra vê na ponta da língua
direito” - um pedestre que assistiu ao acidente tão fácil de falar
comenta com o outro que vai passando. 4 e de entender.
b) “Só um instante, por favor. Eu gostaria de fazer
uma observação” - alguém comenta em uma A linguagem
reunião de trabalho. na superfície estrelada de letras,
c) “Venho manifestar meu interesse em candida- 7 sabe lá o que quer dizer?
tar-me ao cargo de Secretária Executiva desta
conceituada empresa” - alguém que escreve Professor Carlos Góis, ele é quem sabe,
uma carta candidatando-se a um emprego. e vai desmatando
(D) “Porque se a gente não resolve as coisas como 10 o amazonas de minha ignorância.
têm que ser, a gente corre o risco de termos, Figuras de gramática, esquipáticas,
num futuro próximo, muito pouca comida nos atropelam-me, aturdem-me, sequestram-me.
lares brasileiros” - um professor universitário
em um congresso internacional. 13 Já esqueci a língua em que comia,
em que pedia para ir lá fora,

36
em que levava e dava pontapé,
16 a língua, breve língua entrecortada
do namoro com a priminha.

O português são dois; o outro, mistério.

Carlos Drummond de Andrade. Esquecer para lembrar. Rio de Janeiro: José


Olympio, 1979.

IV – No poema, a referência à variedade padrão


da língua está expressa no seguinte trecho:

a) “A linguagem / na ponta da língua” (v.1 e 2).


b) “A linguagem / na superfície estrelada de le-
tras” (v.5 e 6).
c) “[a língua] em que pedia para ir lá fora” (v.14).
d) “[a língua] em que levava e dava pontapé”
(v.15).
REFERÊNCIAS

________Base Curricular Comum para as Redes


Públicas de Ensino de Pernambuco: Língua Portu-
guesa/Secretaria de Educação – Recife-PE. 2008.
________Instituto Nacional de Pesquisas Edu-
cacionais Anísio Teixeira. Disponível em: http://
download.inep.gov.br/educacao_basica/enem/
provas/2011/05_AMARELO_GAB.pdf. Acesso em
31 de maio 2013.
Oliveira, Martha Kohl de. VIGOTSKY: Aprendizado
e Desenvolvimento Um Processo Sócio Histórico
– Coleção Pensamento e Ação no Magistério, São
Paulo, Scipione, 1993.
_________Parâmetros para a Educação Básica
do Estado de Pernambuco, Pernambuco. SEE/PE:
Parâmetros Curriculares de Língua Portuguesa
para o Ensino Fundamental e Médio. 2012.