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Sinopse

Enquanto participava do casamento de sua tia em Inverness, Julia


Prentiss é surpreendida por um homem que a sequestra para poder se
apoderar de sua fortuna. Julia consegue escapar de sua propriedade nas
Highlands, apenas para encontrar-se sozinha, perdida, e caçada em uma
terra estranha. Quando se depara com um homem nu em um lago, acha que
sua sorte tem ido de mal a pior... Ou não?

Duncan Lenox vive rodeado de inimigos, um MacLawry em uma terra


de Campbells. Com três irmãs em casa, que contam com ele, se tornou um
homem muito cauteloso. Mas quando uma ruiva beleza inglesa não tem a
quem recorrer, ele se sente obrigado a ajudar. Quando os dois são forçados a
passar a noite em uma casa abandonada, enquanto uma tempestade os assola
e inimigos os cercam, eles encontram uma paixão mútua que poderia salvar,
ou desgraçar, ambos.
Capítulo Um
Julia Prentiss sentou-se na estrada conforme a cauda de sua égua
desaparecia em torno de uma grande pilha de pedras. Em outras
circunstâncias, ela provavelmente teria pensado que a vista era bonita, um
cavalo preto galopando, sem cavaleiro, no laranja e púrpura do pôr do sol
cheio de nuvens. Era precisamente o tipo de coisa que tinha imaginado quando
ela sugeriu uma visita de verão à Escócia para o casamento de sua tia como
um presente de Natal perfeito. Tocou a bainha de seu vestido azul rasgado e
fez uma careta. Aquilo não era sequer remotamente o que ela tinha pensado.

Nada nos últimos cinco dias, de fato, parecia, como qualquer espécie de
presente de Natal que ela teria pedido. Não em mil anos. Então, ela supôs que
não deveria ter se surpreendido ao ser arremessada para o chão agora. Tudo
corria perfeitamente, juntamente com o pesadelo horrível que este presente
tinha se tornado.

Uma vez que recuperou o fôlego, mexeu os dedos das mãos e os dedos
dos pés. Seu traseiro com certeza estaria ferido amanhã, mas nada parecia
estar quebrado, o que também foi o primeiro pedaço de sorte que ela tinha
conseguido nos últimos cinco dias. Provavelmente, também seria o último
bocado de sorte que ela iria ver. Certamente não podia arriscar ficar no lado da
estrada esperando por um rosto amigável. Era muito mais provável que a
próxima pessoa que visse seria decididamente hostil.
Esse pensamento enviou um arrepio por sua espinha, e reuniu
cuidadosamente seus pés debaixo dela e se levantou. O lago longo e estreito
que tinha atraído sua atenção estava por perto, à sua direita, e ainda que
provavelmente ela deveria estar gastando sua energia recuperando aquele
maldito cavalo, a sede já tinha transformado sua boca em pó. Com uma rápida
olhada para trás dela nas colinas vazias de rochas e urze, Julia caminhou até a
beira da água, agachou-se e pegou bocados de água abençoadamente fria com
as duas mãos.

Tudo no que ela conseguia pensar era em Hugh Fersen, Lord Bellamy,
ele tinha escolhido bem quando a arrastou até ali. Ela estava andando por duas
horas ou mais, e exceto Bellamy Park e a dispersão de choupanas em torno
dela, ela não tinha visto nenhuma chaminé. E agora ela não podia ver seu
cavalo também. Em mais vinte minutos, ela não seria capaz de ver nada,
porque estaria completamente escuro. Outro pensamento lhe ocorreu. Lobos
supostamente estavam extintos nas montanhas, mas ela não estava tão certa
sobre os ursos. Ou os gatos selvagens. E pensar que ela poderia ter pedido por
uma visita a Paris. Ou um novo vestido.

— Danação — ela murmurou. Será que um pouco de sorte seria esperar


demais?

Um respingo de água no lago lhe respondeu. Se ela estivesse com fome


o suficiente para considerar o peixe cru, ela teria se interessado, mas, apesar
do café da manhã ter sido há horas e horas atrás, ela e sua fome ainda não
tinham chegado ao ponto do desespero. Na beira da água ela esperava que o
junco oferecesse a ela algum tipo de abrigo contra a visão da estrada, mas,
evidentemente, aqui também o clima não era temperado o suficiente ou o
vento era muito forte para permitir que as plantas crescessem acima da altura
do tornozelo. Um canyon iria escondê-la, ou um agradável vale profundo, mas
ela não queria se esconder tanto quanto ela queria ir embora dali inteira.
Encolher-se sob uma árvore não serviria a qualquer propósito.

De algum lugar na distância um som baixo retumbou através das colinas


escarpadas, e ela estremeceu. Se era um tiro ou trovão, a lembrou o quão
exposta ela estava. Quaisquer que fossem seus desejos, ela teria que encontrar
um lugar para se abrigar e esperar que a noite e a chuva escondessem o seu
rastro. Julia se endireitou. Quando se virou, algo chamou sua atenção, e ela se
abaixou. Uma grande faixa de pano xadrez tinha sido dobrado e arrumada sob
um seixo baixo. Ela agarrou o pano aberto para ver quadrados pretos e brancos
e cinza com uma grossa linha vermelha através deles, quase como sangue.

As cores do clã de Bellamy eram azul, verde e preto; qualquer coisa


diferente era bem-vinda. Será que ela tinha finalmente saído das terras de
Fersen? O ronco baixo se repetiu, e ela enrolou o pano em volta dos ombros.
Se a chuva viesse, ela teria algo além de seu vestido de baile uma vez de um
azul bonito para mantê-la quente, pelo menos.

Água espirrou para fora no lago novamente, e ela olhou para trás. E
congelou.

Uma figura se levantou da água do lago. Uma figura masculina, ela


notou, tardiamente recuando quando ele se moveu em direção a ela
diretamente. Cabelos pretos, em linha reta sob o peso da água escorrendo,
pelos ombros largos. Seu peito musculoso e abdômen vieram à tona quando
ele saiu da água, e ela levou uma batida do coração para se perguntar se ele
usava alguma coisa antes da água se movendo responder a pergunta para ela.
Oh meu Deus. Um pênis grosso enraizado em escuros, cabelos
encaracolados pendurado entre as coxas musculosas. Ela tinha visto estátuas, é
claro, e uma criança nua ocasionalmente, mas aquilo não era uma criança. E
nem uma estátua. Analisado em conjunto, ele era... Impressionante.

Sacudiu-se. Ele também era um estranho, e ela estava muito sozinha. —


Para trás — ela ordenou, dando outro passo para trás.

Ele olhou-a, cabelo preto molhado caindo sobre uns olhos


surpreendentemente verdes conforme ele inclinou a cabeça. — Você parece
estar vestindo meu kilt — ele retumbou em um forte sotaque das Highlands.

Julia tocou o material pesado sobre os ombros. — Oh. Oh! — Dando de


ombros, ela jogou o pano para ele.

O grande companheiro pegou o tartan quando ele caiu em seu peito.


Mantendo seu olhar diretamente sobre ela como se ele pensasse que ela
poderia desaparecer no ar, ele envolveu o longo pano duas vezes sobre sua
cintura e escondeu a ponta. — Isto vai servir — disse um momento depois. —
Agora. Você é uma moça Sassenach, não é? O que você está fazendo na
minha terra?

Sua terra? Ele era um Fersen, então, mesmo com as diferentes cores no
tartan? Ou ela tinha de fato encontrado alguém que poderia ajudá-la? Todas as
alianças e territórios eram terrivelmente confusos, e agora ela desejava que
tivesse passado mais tempo para aprender sobre eles. Voltar antes de seu
presente de Natal tinha sido tão terrivelmente errado, ela tinha pensado em vez
disso que a ideia de clãs era romântica. Oh, ela deveria ter começado a correr
no momento em que a cabeça deste homem emergiu da água. Mas se ele não
sabia quem ela era ou por que ela estava lá, talvez ela ainda tivesse uma
chance de escapar. — Eu estava andando com uns amigos — ela arriscou. —
Estávamos separados, e meu cavalo se assustou.

O olhar verde se arrastou do rosto dela para a metade do cabelo


castanho-avermelhado que escapou de seu penteado, para seu vestido azul
igualmente desgrenhado. — Você estava andando em quê? — ele perguntou,
pegando um par de botas do outro lado da pedra e pisando dentro delas. —
Improvável. — De repente, ele virou as costas para ela e começou a caminhar
por uma trilha leve na urze.

— Espere! — Julia olhou para a vazia, estrada escurecida atrás dela,


então para o homem seminu recuando rapidamente em frente a ela. A égua
poderia estar em York agora, por tudo o que sabia. Ou pior, poderia ter
retornado para o estábulo de onde Julia tinha obtido ela esta tarde. O que
importava era que se os homens de Bellamy se deparassem com o cavalo, eles
saberiam que ela estava a pé. Maldição.

— Bem, venha, então — disse o homem grande, não oferecendo um


olhar para trás. — Eu não tenho a noite toda. E vai estar chovendo pela hora
do jantar.

Quando alguém estava se afogando, qualquer pedaço de destroço


serviria, ela supôs. Reunindo suas saias, correu atrás dele. Depois de dez
minutos, mais ou menos, de uma caminhada até o que parecia ser nada, além
de um vale estreito aberto à sua frente, a trilha aprofundou-se em uma série de
surpreendentemente bem cortados zigue-zagues que conduziam para baixo.
Foi bastante fácil prosseguir, mas quase impossível de se ver de cima a menos
que se soubesse para onde olhar. Ela esperava que Fersen não soubesse para
onde olhar.
Uma cachoeira à esquerda levava a correnteza do lago acima em um
fluxo de movimento rápido que cortava o meio do vale em uma série de
descidas em cascata. Árvores, pinheiros e carvalhos resistentes, revestiam
ambos os lados da água. Se ela estivesse com um humor mais expansivo,
poderia ter tido um pensamento aleatório ou dois sobre como aquilo parecia
muito com um Éden escondido abaixo das colinas austeras e picos escarpados.

— Onde estamos? — ela arriscou. De acordo com a situação pela qual


passava, ela estava perdida, afinal. Por isso fez uma pergunta perfeitamente
razoável.

— Strath em saighead — ele retumbou.

Bem, isso não era de todo útil. — Perdão?

— Vale dos Arqueiros — disse ele depois de um momento. — Uma


grande batalha foi travada aqui. Um curso de grandes batalhas foram travadas
em quase toda parte nas Highlands. — Eles viraram para um grupo de rochas
caídas, e uma pequena casa de pedra apareceu aninhada sob o penhasco. Não,
não era uma casa. Nem mesmo uma casa de campo. Uma pequena cabana que
dificilmente parecia maior do que seu quarto em Sebree House em Wessex.

— Isso soa emocionante — Julia retrucou distraidamente. Então, agora


ela sabia do que o vale era chamado. Isso não respondeu à sua pergunta mais
premente. Ela ainda estava nas terras de Fersen? Ele era leal a Fersen? Ela
respirou fundo, tentando ignorar a rigidez situada em sua parte traseira. —
Ouvi dizer que o Clã Fersen tem a sua sede nas proximidades. Você é parte do
clã de Lord Bellamy?
— É de lá que você veio? — perguntou o Highlander, parando para
virar e olhar para ela.

Escapar esta tarde tinha tomado o pouco de coragem que possuía. Se ela
tivesse que fazer isso de novo... — Por favor, diga-me se você está aliado com
os Fersens — ela insistiu, percebendo abruptamente que em um lugar muito
isolado ela tinha acabado de se fazer precisar ainda mais de ajuda neste vale
escondido. Ela pensava —esperava— que essa poderia ser sua chance. Mas se
ela estivesse errada, tinha acabado de voltar a estar entregue nas mãos de
Bellamy, e ele se encarregaria de que ela nunca escapasse novamente.

— Não — ele respondeu após um momento. — Eu respondo ao Clã


MacLawry.— Ele inclinou a cabeça, uma mecha úmida, negra de cabelos de
corvo caiu sobre um olho verde novamente. — Mais ou menos.

Ela não conhecia o Clã MacLawry, mas, então, a maior parte das
estranhas... Tradições das Highlands tinham sido uma surpresa completa. E
onde antes parecia pitoresca, agora parecia nitidamente perigosa. Um pouco
como caminhar em um poço de víboras e não saber qual delas era a mais ou
menos venenosa. — Oh — ela se aventurou, decidindo que ele esperava
algum tipo de resposta.

— Oh — ele repetiu, um toque de humor iluminando seu olhar antes


que ele se voltasse para a casa de campo e continuasse em frente.

— Essa é a Casa MacLawry, então? Quem é o líder do clã...? Eu


poderia falar com ele?

— Você pensa que essa pilha de escombros é a casa de um chefe de


clã? Você não é um daqueles Bedlamites que escapam do hospício, é?
— Não, claro que não.

— Então, não, essa é uma velha cabana que eu uso de vez em quando,
quando eu vou caçar. O chefe do clã MacLawry é Lord Glengask, que reside
no Castelo de Glengask. E não, você não pode falar com ele, pois ele está em
Londres. Seu irmão mais novo Bear MacLawry está lá, mas fica a cerca de
sete milhas daqui, e logo começará a chover.

Sete milhas? Ele poderia muito bem ter dito cem milhas, já que ela não
tinha nenhum cavalo e nenhuma ideia de em qual direção viajar. O trovão
ressoou novamente, desta vez mais perto. — Há... Há mais alguém aqui?

— Na cabana? Não. Lenox House, onde eu moro, está a três ou mais


milhas daqui. Eu posso levar você lá amanhã, quando eu terminar aqui, ou
quando a tempestade passar; o que ocorrer primeiro. — Ele puxou uma corda
do trinco e empurrou a porta pesada. Ela abriu com um chiado que não podia
descrever como algo diferente de sinistro.

— Eu... Talvez você poderia me dizer a direção de Lenox House?


Tenho certeza de que seria bem-vinda.

Ele cruzou os braços sobre o peito. — Sim? Você conhece Duncan


Lenox e seus parentes, então?

Isso seria um blefe, se quisesse tentar fazê-lo. Aqueles olhos verdes


afiados brilharam para ela, e ela teve a nítida sensação de que ele sabia mais
do que ele estava dizendo. Sobre o quê, ela não tinha ideia. Julia forçou um
sorriso. — Não, eu não conheço.

Desdobrando seus braços musculosos, ele estendeu a mão direita. —


Bem, agora conhece. Eu sou Duncan Lenox. Venha, moça. Eu tenho água
quente na chaleira e um guisado de coelho no fogo. Não vou lhe machucar.
Você tem a minha palavra sobre isso.

Duncan Lenox esperou, a mão estendida. Se esta mulher tinha saído


andando com amigos e se perdido em seu caminho, ele era um poodle francês,
mas dentre as mentiras que ela disse, uma coisa era evidente: ela estava
sozinha e em perigo.

— Você... Você sempre anda nu, Sr. Lenox? — ela perguntou, olhando
de sua mão para o seu rosto, seus olhos castanhos cautelosos.

— Eu precisava de um banho. Eu não esperava ter uma convidada aqui.


— Ele baixou a mão novamente. — Você vai se juntar a mim aqui dentro, ou
não?

— Não. Sinto muito, mas... Não seria bom para mim estar sozinha com
um homem dentro de uma cabana.

Não era exatamente adequado para ele, também, mas ela não o ouviu
reclamando, ouviu? — Sirva-se, então. — Escondendo sua diversão pela
expressão atordoada dela, ele entrou na cabana e fechou a porta atrás de si.

Ele não poderia resgatar alguém que não desejava ser resgatado. E ele
não estaria mandando alguém para Lenox House que poderia levar problemas.
E essa mulher era um problema. Ele praticamente podia sentir o cheiro no ar.
Embora ele fosse um Highlander seminu, conhecia as regras do decoro. Ele
tinha a sensação de que estava prestes a descobrir o quão remoto este vale era
e quão longe poderia chegar a estar a sociedade.

Claro que ela poderia ser uma mulher casada em uma aventura estranha.
O que iria salvá-lo de um monte de problemas, mas introduzir um outro, ou
seja, seu marido e o que esse sujeito faria se descobrisse-os partilhando um
guisado de coelho na cabana minúscula. Ele preferia evitar qualquer problema,
mas isso não parecia provável hoje.

Acima de tudo isso, ele não poderia escapar da sensação de que tinha
caído na armadilha de algumas das fadas. Quando ele veio à tona no lago para
ver um lindo duende envolto em suas cores do clã, seu cabelo ruivo tocado
pela brisa e seus olhos castanhos voltados para o sol, por um segundo ele
pensou... Bem, não estava certo do que ele pensou, mas não tinha feito
qualquer sentido.

Ele sabia o que seu corpo tinha pensado, e tinha levado um momento
para deixar a água fria colocar tudo de volta no lugar novamente. Ela teria
corrido certamente se tivesse visto um pouco disso. Com um olhar para a porta
ainda fechada ele vestiu uma camisa de linho velha, em seguida, caminhou
para jogar outro pedaço de lenha no fogo e pegar a chaleira para beber um
pouco de chá. Feito isso, ele colocou o cozido de volta sobre o fogo; se o
cheiro não a tentasse a vir para dentro, nada faria.

Ela pareceu pensar que ele era parte do clã Fersen —ou pelo menos ela
pensou primeiramente— o que tinha deixado-a nervosa. Se ela estava
enroscada com Bellamy, aquilo o deixava nervoso. Mas, ainda assim, ela
claramente não pertencia aqui, as Highlands, e se ela estava desesperada o
suficiente para seguir um homem quase nu à sua porta, ele não podia
abandoná-la. Nem mesmo deixando-a ali de pé como Boadicea na urze
poderia ter sido a decisão mais sábia.

Tudo o que ele queria era parar algumas feras de matar seus bezerros,
maldição, e talvez pescar um pouco. Ele tinha certeza de que nunca tinha
vislumbrado uma mulher Sassenach em Loch Shinaig antes. Duncan olhou
para a porta novamente. Talvez ela tivesse ido, afinal. Aquilo o livraria de um
número significativo de problemas. E tudo o que ele teria de fazer era não ir à
procura dela.

A porta foi sacudida e aberta. — Você realmente teria me deixado lá


fora, no escuro e na chuva, não é?

Então, seria o caminho mais difícil. Ele deveria ter ficado consternado e
irritado, mas Duncan se encontrou sorrindo enquanto pegava outra xícara de
chá e colocava-a sobre a mesa de tábuas. — Eu tinha um palpite de que você
entraria se quisesse. Eu não iria arrastar você para dentro. Sente-se.

Em vez de fazer isso, ela passou um momento olhando em volta da


pequena cabana. A cama no canto contra o lado da lareira, a mesa, três
cadeiras, dois armários, e o canto perto da porta com pilhas de equipamentos
para descascar e estirar peles de veado durante a temporada de caça. Duas
janelas, uma dando para o norte e outra ao oeste, estavam fechadas contra o
tempo, e a única outra porta ficava na frente da lareira. Não havia mais nada
dentro, exceto por alguns resquícios de antigos moradores deixados para trás e
que ninguém se preocupou de eliminar.

— Ela é pequena... — disse ela. — Se você possui Lenox House, o que


está fazendo aqui?

— Nós tivemos alguns lobos perseguindo o nosso gado. Tenho


acompanhado eles. — E ele queria alguns dias de calma, mas até que ele
soubesse quem ela era e o que estava fazendo nas Highlands, os detalhes de
sua vida em Lenox House poderiam esperar.
— Você não está brincando comigo, está? — ela perguntou,
preocupação cruzando suas feições. — Eu li que não existem mais lobos na
Escócia.

— Aye, eu já ouvi isso, também. Old MacQueen de Findhorn alegou


que ele matou o último deles por volta de setenta e cinco. Chame-os de cães
selvagens se você preferir, então, mas algo está matando o meu gado, e não
são coelhos. Eu sou mais eficaz em pará-los do que em nomear os animais que
fazem isso.

Ela respirou fundo, oferecendo-lhe um pequeno aceno de cabeça. —


Então, você realmente é Duncan Lenox? E está aqui apenas para proteger seu
gado?

— Aye. E esta é a minha terra. Estou aqui atrás de lobos ou cães e


coelhos raivosos, e eu não vou lhe fazer mal, moça. — O que quer que fosse
que a tinha feito tão arisca, ele só poderia tranquilizá-la com a verdade. Ele se
sentou em uma das cadeiras puxadas até a mesa. — Mas isso é tudo que você
vai tirar de mim até que me diga algo sobre você.

Serviu-se de mais um pouco de chá, que ele decidiu era a coisa mais
ameaçadora que ele poderia fazer. Mas ele não tinha necessidade de estar
olhando para sua convidada para saber que ela ainda hesitava. O que quer que
tivesse acontecido para trazê-la aqui provavelmente não era agradável.
Finalmente, ela se sentou na cadeira em frente a ele. — Eu não sei o que eu
teria feito se não tivesse vindo atrás de você. Estou muito perdida...,
realmente. Então, obrigada.

— De nada. — Duncan empurrou o bule de chá em sua direção. — Isso


não é muita informação, no entanto. Vou começar por você, posso? Você tem
um medo dos Fersens. Bellamy, em particular. Eu tenho uma suspeita de que
você não estava cavalgando lá fora com amigos. Não nesse vestido. Na
verdade, eu acho que a única verdade que você falou é que você está perdida.

Belos olhos castanhos, quase pretos na luz escassa da cabana, se


arregalaram. — Você é... Mais observador do que eu imaginava — disse ela
depois de um momento.

— Isso significa que eu sou menos estúpido do que você esperava.


Você se importa de me dizer o que aconteceu com você, então, moça?

— Eu temo que não confio em você o suficiente para isso, Sr. Lenox.
— Sua mão tremeu um pouco, ela se serviu de uma xícara de chá e jogou dois
torrões de açúcar na bebida.

Rica, então, se ele tivesse pensado assim tanto de seu vestido e sua
maneira de falar. Uma pobre moça teria estado animada por ver o açúcar e
utilizaria muito. Esta usou-o sem sequer pensar nisso. — Chame-me de
Duncan — disse ele, e estendeu a mão para puxar a faca de sua bota. Antes
que ela pudesse fazer mais do que suspirar, ele colocou-a em cima da mesa e
empurrou-a em direção a ela, punho primeiro. — Isso ajuda na sua confiança?

Ela passou o dedo pelo punho, esculpido em osso de baleia, em seguida,


puxou-a para o seu colo. — Prentiss — ela forneceu com uma hesitação tão
leve que ele quase não notou. O jeito que ela manteve seu olhar diretamente
em seu rosto o tempo todo não ajudou em sua concentração, tampouco. —
Julia Prentiss.

O nome não significava nada para ele. Ele não gastava muito tempo
lendo os jornais de Londres, e ainda menos folheando as páginas da sociedade,
então ela poderia ser prima do Príncipe Regente e ele nunca teria sabido disso.
— Bem, senhorita Prentiss, você se importa de comer um pouco de ensopado
de coelho?

— Eu tenho um pouco de fome — ela admitiu. — Você faz a sua


própria comida?

— Aqui, eu faço. Em Lenox House tenho uma cozinheira. Sra.


MacDavitt — ele respondeu. — Mas eu ainda estou para me envenenar.

— É só você em Lenox House, então? Nada de... Esposa ou família?

— Eu respondi sua pergunta — ele respondeu, levantando-se para


encontrar duas tigelas e uma concha para servir uma generosa porção de
guisado em cada uma delas. — Me diga algo sobre você.

— Eu não concordo com este jogo.

A água começou a bater nas janelas. — Bem. Estou acostumado à


solidão aqui, de qualquer maneira. — Entregando uma tigela, ele sentou-se
novamente e provou sua ceia.

Um momento depois, ela pegou a colher e começou a comer. Ela tinha,


dedos delicados e longos, ele notou, bonitas mãos bem cuidadas apesar da
sujeira atualmente sob as unhas. As mãos de uma dama adequada. Então, que
diabos ela estava fazendo sozinha no meio das Highlands? Ele poderia pedir a
ela para falar, ele supôs, mas assustá-la não ajudaria qualquer um deles. Não,
ela queria se sentir segura. E assim ele seria paciente. Para pontuar.

Durante vários minutos, eles comeram em relativo silêncio enquanto a


tempestade se aproximava, a chuva mais pesada e os trovões se aproximando
como passos de gigantes. — Se eu precisasse enviar uma carta para Aberdeen,
você poderia me ajudar com isso? — perguntou ela finalmente.

Duncan continuou comendo.

— Eu lhe fiz uma pergunta, Sr. Lenox.

— Duncan — ele corrigiu, e comeu outro bocado.

Ela soltou um suspiro irritado. — Você poderia me ajudar a levar uma


carta para Aberdeen, Duncan?

Empurrando para trás sua cadeira, ele pegou um pote de sal e, em


seguida, correu de novo para a mesa. — Esta não é uma chuva de verão suave
— ele observou. — É uma coisa boa você estar aqui esta noite e não lá fora.

A senhorita Prentiss largou a colher, não muito gentilmente. — Você


vai responder a minha pergunta?

— Você não respondeu a minha. Eu disse a você as regras. Você é


quem não deseja cumpri-las.

Seus olhos castanhos se estreitaram. — E eu lhe disse que eu não estou


jogando.

Ele não pôde evitar o sorriso que curvou seus lábios. — Então suponho
que nós estamos em um impasse, senhorita Prentiss.
Capítulo Dois
Duncan Lennox era muito possivelmente o homem mais teimoso que já
conheceu. Certamente qualquer verdadeiro cavalheiro iria oferecer ajuda
imediatamente para uma jovem tão completamente sozinha como ela estava. E
ainda assim lá estava ele, devorando sua terceira porção de ensopado de
coelho e olhando-a com um maldito brilho nos olhos, como se ele não tivesse
nada melhor para fazer do que aborrecê-la.

Talvez ele não tenha nada melhor para fazer, mas ela certamente tinha.
Julia tomou um deliberado gole de chá. — Sr. Lenox, eu preciso de sua ajuda.
Isso deve ser tudo que você...

— Duncan — ele interrompeu.

— Duncan, então, pelo amor de Deus. Eu preciso levar uma carta para
Aberdeen, o mais rapidamente possível.

— E eu posso ver você fazendo isso, uma vez que tenhamos chegado
em Lenox House. Depois que a tempestade passar.

— Eu estou disposta a ficar molhada, com o fim de alcançar a


civilização. — Em seu mundo, a civilização significava a segurança ou, pelo
menos, um lugar onde as pessoas conheciam as regras e as seguissem.

Ele bufou. — 'Civilização' — repetiu. — Em Lenox House? Você


definitivamente não é daqui.
— O que significa que eu tenho ainda mais urgência para levar uma
carta para Aberdeen. — Pelo amor de Deus, se ele percebeu que ela não tinha
estado lá fora cavalgando, que ela não tinha outro lugar para ir, que ela não
estava vestida para as Highlands, por que ele também não via que ela
precisava de sua ajuda?

Duncan olhou para ela, os olhos verdes especulativos. — Você já jogou


um jogo chamado 'perguntas?' — ele perguntou.

— O jogo infantil onde alguém pensa em uma coisa e os outros


advinham o que é? Sim, claro. Mas eu não estou jogando com você, se é isso
que você está sugerindo.

— Eu só vou advinhar algumas coisas, e você pode dizer-me se eu


estiver correto ou não.

— Eu não estou brincando — ela repetiu, voltando o olhar para seu


delicioso ensopado.

— Você estava em Aberdeen para conhecer seu futuro marido — disse


ele de qualquer maneira.

— Não.

— Você estava em Aberdeen — ele emendou — de férias.

— Você está desperdiçando tempo. Se você quiser se livrar de mim, é


tão simples como me escoltar para Lenox House, dando-me uma caneta e
papel, e enviando a minha mensagem.
— Você estava em um sarau — ele continuou, com a clara intenção de
ignorar sua interrupção. — Um de fantasia, com dança. Eu posso dizer isso
porque você não está vestindo botas de montaria ou sapatos.

— Hurra para você, Sr. Duncan.

— Você conheceu Lord Bellamy nesta festa. Você pensou que ele era
um belo rapaz, e então você saiu para beijá-lo, e então ele prometeu a você
uma vida boa, se você apenas partisse com ele para Bellamy Park, e você...

— Eu não fiz nada disso! — De todas as ousadias... — Você vai parar


de falar?

Abruptamente, ele sentou-se para frente, todos os vestígios de humor


desaparecidos de seus olhos. — Muito bem, moça. Desde que você não vai me
dar suas circunstâncias, vou dar a você as minhas. Eu estou aliado aos
MacLawrys. A maioria deles, o chefe do clã e sua família, não estão aqui no
momento. Minha propriedade faz fronteira com as terras de Fersen. Nós não
gostamos um do outro, os Fersens e eu. Eu fico fora de todas as políticas e
rivalidades de clãs o melhor que posso, porém, porque Glengask e meus
parentes mais próximos estão a sete milhas de distância. E porque eu não
tenho irmãos ou primos ou tios debaixo do meu teto para tomar uma posição
comigo. Eu tenho debaixo do meu teto três irmãs mais novas e uma avó que
não estão autorizadas a serem prejudicadas ou trocadas pelo favor de ninguém.
— Ele se inclinou ainda mais perto, prendendo-a com o seu direto olhar cor de
floresta. — Então agora eu vou perguntar a você novamente, Julia Prentiss.
Que tipo de problemas você está trazendo à minha porta?

Oh, querido. Ela deveria ter continuado andando. Ela deveria ter
mantido um aperto firme em seu cavalo e continuado andando para... Onde
quer que fosse que ela estivesse se dirigindo. E ela deveria ter solicitado um
novo chapéu para o Natal. Então, nada disso estaria acontecendo. — Eu não
tive a intenção de trazer-lhe problemas — disse ela em voz baixa, o tremor
que tinha estado inquietando suas entranhas nas últimas horas e dias,
finalmente, empurrou-a para as lágrimas. — Ele me encontrou. E talvez fosse
estupidamente minha culpa, mas...

Ele estendeu a mão, agarrando a mão dela. A colher que ela segurava
caiu na mesa. — O que aconteceu? — ele repetiu, com voz mais calma.

Ela tinha que dizer a ele. No entanto, por mais que ele pudesse ser um
relutante herói, sua necessidade de assistência permanecera. E ela
simplesmente não era idiota o suficiente para ir para a tempestade no meio da
noite e esperar um resgate mais entusiasmado. — Eu estava em Aberdeen —
ela admitiu — com a minha mãe e minha irmã. Nós estávamos lá para o
casamento da minha tia. Nós não iríamos participar, por causa da temporada
de Londres e porque é tão longe de casa, mas eu disse a meus pais que tudo
que eu queria para o Natal era um feriado na Escócia. Eu gosto muito dos
escritos de Walter Scott. — Ela piscou, percebendo que estava tagarelando.

A expressão dele, porém, não se alterou. — E? — ele perguntou, ainda


segurando a mão dela.

Depois do que ela tinha passado, seu aperto deveria tê-la assustado ou
ter feito ela ficar com medo, mas isso não aconteceu. Seus dedos eram gentis,
e ela sabia que poderia se afastar, se ela assim escolhesse. Um toque
reconfortante... Talvez ela estivesse sendo uma tola, mas aquilo era
bem-vindo.
— Após o casamento, os parentes do marido da minha tia realizaram
uma grande festa. Lord Bellamy e muitos outros companheiros estavam lá. Eu
conhecia Lord Bellamy de Londres, e então quando ele me pediu para dançar,
eu concordei. Ele sempre foi muito agradável e até mesmo se ele tinha alguma
reputação de ser um caçador de fortunas, ele parecia... inofensivo o suficiente.
— Ela franziu a testa. — Eu nem sequer pensei nisso. Foi simplesmente bom
ver alguém que eu conhecia.

Julia limpou a garganta. Seja qual for à estupidez que a tinha feito
chegar até ali, era tarde demais para fazer qualquer coisa sobre isso. Agora ela
precisava sair desta situação. — Nós dançamos, e ele disse quão agradável foi
ver-me lá e que o clima estava adorável. Em seguida, ele tropeçou, e disse que
sentiu-se tonto. Coisa estúpida que eu sou, eu ajudei-o a ir para a varanda. A
próxima coisa que eu soube foi que alguém tinha colocado um pano sobre o
meu rosto. Acordei em uma carruagem com as mãos e pés atados, e Bellamy
sentado em frente a mim perguntando-me quanto dinheiro eu teria que valesse
a pena o casamento.

Duncan murmurou algo sob sua respiração. Ela não conseguiu


identificar o quê, e ela não estava segura de que tinha sido em inglês, mas
soou um pouco mortal. Sua mão puxou-a para mais perto, e, em seguida, ele
empurrou um pouco sua manga. Depois de três dias de liberdade os
hematomas e arranhões tinham começado a desvanecer-se, mas eles ainda
estavam lá. — Ele machucou você? — ele perguntou baixinho.

— Não. Quando chegamos em Bellamy Park, ele me desamarrou,


mostrou-me um quarto bastante agradável, e me disse que eu estava agora
completamente arruinada e que ele tinha deixado para trás uma nota dizendo
que nós tínhamos fugido. Ele iria me dar um ou dois dias para eu decidir me
comportar, e então ele teria de nos casar. — Ela deu uma risada amarga. —
Evidentemente, ele não queria uma noiva relutante na igreja. Apenas uma que
tinha percebido que ela não teria outra alternativa se ela quisesse mostrar o
rosto em público novamente.

— Desgraçado.

Julia bateu seu punho livre contra a mesa. — E teria funcionado, porque
eu flertei com ele, e as pessoas viram. E porque eu coloquei meu braço em
volta dele enquanto caminhávamos para a varanda.

— Mas você não está casada com ele, eu suponho.

Ela levantou a cabeça de novo, encontrando seu olhar. — Não, eu não


estou. Eu decidi que eu preferiria estar arruinada do que casada com esse
homem e permitir-lhe obter um penny do meu dinheiro.

— Bem. Bom para você, Julia. Você mostrou uma libra de baço¹,
correndo pelas Highlands com nenhum lugar para ir e nenhuma ideia de onde
você estava.

— Eu não sei se foi baço ou idiotice, mas pelo menos foi a minha
escolha.

— Aye. Não foi um presente agradável de Natal.

— Não muito. — Então, agora ele sabia sua história. Ela observou seu
rosto com cuidado, procurando qualquer sinal de que ele iria ajudá-la, ou
colocá-la para fora na chuva, ou pior, vê-la como uma oportunidade para si
mesmo. Afinal, apesar de não ter dito o quão rica ela era, ela tinha-lhe dito que
um aristocrata estava disposto a raptá-la para reivindicar seu dinheiro. A
menos que ele não tivesse notado aquela informação, o que ela não estava
disposta a apostar.

De repente, ele se levantou. — Você joga xadrez? — ele perguntou,


caminhando até um dos armários e abrindo uma porta.

— O quê?

— Xadrez. Você joga-o? — Enquanto ela o observava, ele puxou um


tabuleiro de madeira e uma pequena caixa e voltou para a mesa.

— Eu... Um pouco, suponho. Eu não tenho jogado nos últimos anos.


Por que é que vamos jogar xadrez? Eu lhe contei a minha história, e você disse
que iria me ajudar se eu contasse.

Ele sorriu quando retomou seu lugar. — Bem, nós não estaremos indo a
lugar nenhum esta noite. Nós vamos encabeçar para Lenox House na parte da
manhã, se a chuva cessar, e então vamos criar um plano.

Duncan poderia dizer por sua expressão que ela preferiria que eles
fizessem um plano esta noite, mas por causa do diabo, ele precisava de um
momento ou dois para considerar o que ela disse a ele. Seja qual for à coisa
covarde que Bellamy tinha feito, o conde não era um homem para ser levado
em conta levianamente. Esse era o tipo de coisa que começou guerras entre
clãs, um homem que toma outra mulher, mesmo se a mulher em questão tinha
qualquer desejo de estar onde estava, ou não. E, claro, sob toda aquela lógica,
ele queria muito caçar Bellamy e colocar um buraco ou dois nele.

Ela ficou olhando para ele com aqueles lindos olhos castanhos dela. —
O quê? — ele perguntou finalmente, parando quando montou o tabuleiro de
xadrez.
— Nós vamos ficar aqui esta noite? Nós dois?

— Aye. — Ele fez uma careta. — Eu sei o que isso faz você pensar,
moça. Você não tem nada a temer. Você pode ficar com a cama. Eu vou ficar
sentado, apenas no caso.

— Você quer dizer no caso de Bellamy vier procurando por mim aqui.
— Sua expressão não se alterou; o pensamento já havia ocorrido a ela, então.
— O quão provável é que isso aconteça?

— Não tenho ideia. Há uma grande quantidade de terra entre Bellamy e


aqui, mas eu acho que ele prefere procurar em lugares mais óbvios, porque é
mais fácil. E porque está chovendo lá fora.

Ela assentiu com a cabeça, e outra mecha de seu cabelo ruivo caiu do
coque despenteado. — É, um homem que sequestra uma mulher em vez de
realmente tentar conquistá-la prefere o caminho mais fácil.

— Precisamente. — Ele gostou dela ter uma inclinação lógica em seu


pensamento; a maioria das outras moças estariam ou de uma forma justa
entrando em pânico de novo ou teriam desistido, quando perdessem o cavalo.
Se elas tivessem tido a coragem de fugir.

— E se ele vier?

Duncan deu um suspiro. O que ele queria fazer não era nem mesmo
perto de ser o curso de ação mais sábio, mas ele precisava usar seu cérebro em
vez de seus punhos. — Honestamente, eu prefiro não ter que lutar com ele —
disse ele em voz alta. — Quando dois homens de... clãs hostis entram em uma
briga aqui, pode haver ramificações.
— Então, você vai simplesmente entregar-me de volta para ele? — Ela
se levantou, sua cadeira caindo para trás e a faca que ele tinha dado a ela em
sua mão direita. — Eu não vou permitir isso!

— Talvez você possa me deixar terminar o que eu estava dizendo antes


de me espetar, Julia. Se você não mudou de ideia.

— Eu não iria espetar você. Eu iria esfaqueá-lo.

Ele não pôde deixar de sorrir para isso. — Eu estou mais tranquilo,
então. — Movendo-se lentamente por causa da chance de que ela iria esquecer
o que ela tinha acabado de dizer e esfaqueá-lo de qualquer maneira, ele se
levantou e caminhou em direção à cama. Tomando o curto estribo em suas
mãos, ele empurrou a coisa para o lado.

Palha cobria o chão ali, como em toda a parte. Empurrando um pouco


dela para o lado, ele encontrou o recuo no chão, enfiou os dedos, e levantou-o.
— Se ele vier, se esconda aqui. Não vou sugerir que você passe a noite aqui,
no entanto, porque é um pouquinho apertado. E escuro.

Ela caminhou até onde ele se agachou e se curvou para perscrutar o


buraco forrado de madeira escura debaixo da cama que o escondia. — Por que
você tem um esconderijo de padres¹ em seu chão?

— Meu bisavô e a maioria de seus aldeões foram Jacobitas. Então, eu


suponho que é um buraco Jacobita. Se algum soldado Sassenach viesse, a
maioria dos aldeões tinha um lugar para se esconder dos seguidores do galante
Príncipe Charlie, se fosse necessário.

Ela assentiu com a cabeça, colocando a mão em seu ombro enquanto se


inclinava para mais perto. — Bellamy sabe sobre isso?
— Eu duvido. O buraco está aí há quase cem anos. Eu mantive-o
reparado por que... Bem, porque eu sou um rapaz cauteloso, e eu tenho irmãs.
— Ele podia sentir sua risada através de sua mão. Ela enviava um calor
interessante que corria debaixo de sua pele. Severamente ele empurrou a
sensação para longe. Ela era susceptível a ser problema sem a adição da
luxúria na mistura.

— O buraco é para esconder você, ou elas?

Ele deixou cair à tampa de madeira por cima, espalhando a palha solta
para mostrar-lhe o quão bem estava escondido, e puxou a cama de volta no
lugar sobre ele. — Elas sabem sobre isso, por isso não me faria muito bem. Eu
tentei, porém.

— Quantos anos tem? Suas irmãs, eu quero dizer — ela perguntou,


seguindo-o de volta para a mesa.

— Sorcha tem dezesseis anos, Bethia tem treze anos, e Keavy tem
apenas nove. Sorcha se transformou em uma banshee um ano atrás, então eu
acho que eu tenho um ou dois anos até o senso deixar Bethia, e espero que
metade de uma década para Keavy.

Quando ele terminou de organizar as peças de xadrez e olhou para sua


convidada, a moça estava sorrindo para ele. — Você é muito afeiçoado a elas,
não é? — ela disse.

— Elas são minhas irmãs. Adoro elas. Elas vão me deixar louco como
um chapeleiro e de cabelos brancos como um coelho no inverno, mas elas e
vovó Maevis são minha única família.
— Eu acho que tive mais sorte hoje do que eu já tive — disse ela depois
de um momento, seu sorriso desaparecendo. — Estou perfeitamente
consciente de que eu poderia facilmente ter tropeçado em outro Hugh Fersen
ou alguém de sua laia. Obrigada, Duncan Lenox.

— Você não tem que me agradecer até que você esteja segura com sua
família. — Ele percebeu que ele estava olhando para a sua boca, e limpou a
garganta, empurrando o tabuleiro em sua direção. — Branco ou preto?

— Preto — ela respondeu, virando o tabuleiro de xadrez para que as


peças de madeira pintadas de branco estivessem alinhadas em frente a ele e as
negras em direção a ela.

Ele moveu um peão e recostou-se para observá-la. O que ele iria fazer
com ela? A coisa mais fácil e segura para ele e suas irmãs seria devolver Julia
Prentiss a Bellamy. Um homem com irmãs teria de ser condenado se fizesse
tal coisa, no entanto. Apenas a ideia de algum galanteador arrastar uma de
suas garotas o fazia ficar doente e com raiva. Não, não com raiva. Mais sim,
sangrentamente furioso. E surpreendente ou não, era uma coisa fácil sentir a
mesma emoção quando ele imaginava esta moça nas mãos de Bellamy.

A próxima melhor opção para ele seria colocá-la em outro cavalo e


escoltá-la de volta para Aberdeen imediatamente. Isso, porém, deixaria Lenox
House vulnerável se Bellamy viesse procurando por ela, ou por uma noiva
substituta, se ele estivesse frustrado o suficiente. Lord Glengask teria sido uma
ajuda, se ele não estivesse em Londres perseguindo sua irmã mais nova. Bear
MacLawry era uma possibilidade, mas o irmão mais novo de Glengask era tão
provável para começar uma briga com Bellamy como para resolver a situação.
Não, tê-la enviando uma carta pedindo para seus parentes virem
buscá-la e mantê-la oculta, entretanto, era a única solução que fazia sentido. E
não tinha nada a ver com o fato de que ela era bonita como o verão e corajosa
por ter fugido. Não tinha nada a ver com o fato de que ela estava mais do que
provavelmente arruinada, e que ele não estava... Contente com a ideia de
enviar tão inesperada fêmea para longe. Era, simplesmente, a coisa certa a
fazer.

— Eu acredito que é a sua vez, Duncan — disse ela, sacudindo-o de


seus pensamentos.

E era. Ele moveu outro peão, fazendo uma parede, e por um tempo eles
se sentaram e jogaram e falaram sobre nada mais urgente do que o tempo e
casamentos escoceses. Ela provavelmente poderia usar o tempo para reunir
seus próprios pensamentos, e o diabo sabia que ele tinha algumas coisas a
considerar, também. Ela era uma jogadora pobre, mas ele não se importou
muito com isso. Quando ele jogava contra Keavy, ele se certificava de que ela
ganhava com frequência suficiente para impedi-la de ficar desanimada.

— Você disse que você veio até aqui com sua mãe e irmã — ele
perguntou finalmente. — E seu pai?

— Ele ficou em Londres para a temporada. Ele é... Um visconde. Lord


Prentiss. Então ele tem que participar do Parlamento. E ele disse que enquanto
a Escócia poderia ser a minha ideia de um presente, ele prefere uma casa
tranquila por algumas semanas. — Ela olhou do tabuleiro de xadrez para ele.
— E seus pais? Você disse que tinha uma avó.

— Aye. Vovó Maevis. Ela é a mãe de meu pai. Ambos os meus pais
morreram há sete anos, quando a febre veio através de um inverno.
— Oh meu Deus. Eu sinto muito.

Duncan deu de ombros, observando seus dedos tocarem uma torre. —


Eles se foram juntos, como eles teriam desejado. E eu já tinha vinte e dois, por
isso as moças tinham alguém para cuidar delas. — Na época, ele não tinha
sido tão cauteloso, mas ela não precisava saber disso. Quando ela moveu um
peão para bloquear o seu cavalo, ele respondeu com um bispo. — Quantos
anos tem sua irmã?

— Elizabeth? Ela tem dezesseis anos. Essa é a única coisa pela qual eu
sou grata, por Bellamy ter me pegado em vez dela. Ela ainda vai ser capaz de
ter a sua estreia e dançar e paquerar, como qualquer jovem dama quer fazer.

— Mas nada disso foi deixado para você? Você tem o quê, dezenove?
Dificilmente na prateleira, moça.

— Eu tenho vinte e um, e eu estive desaparecida por cinco dias. E eu fui


vista pela última vez desacompanhada na companhia de um homem solteiro.
Há também a carta de fuga que ele deixou em meu nome. Não podemos
esquecer isso. — Seus dedos se curvaram ao redor da torre, como se ela
quisesse sufocar a vida dela.

Ele dificilmente poderia culpá-la por isso. — Mas, se você gritasse para
o mundo que você foi levada contra sua vontade, não faria diferença?

Julia fez uma careta, liberando a torre em favor de um cavalo. —


Alguma, talvez. Eu ainda posso casar por causa do meu dote. Mas eu vou ser
olhada de soslaio e sussurrarão sobre mim, e as outras damas não vão me
convidar para o chá. — Uma lágrima correu por uma bochecha, e ela
limpou-a. — Eu posso lidar com a fofoca, contanto que não faça mal a
Elizabeth.

— Você não deveria ter que lidar com isso. Nada disso foi sua culpa,
pelo amor de St. Bridget.

— Isso, Duncan, não importa realmente. Obrigado por dizer isso, no


entanto. — Ela pegou um cavalo negro e mostrou a ele. — Você acha que isso
seria você hoje?

Ele riu. — Um cavaleiro² negro? Não um cavaleiro branco?

Ela sorriu de volta para ele. — Bem, você estava nu.

— Aye. Eu estava. — Encontrando seu olhar, ele moveu outra peça de


xadrez. Com toda a honestidade, ele não tinha certeza de qual era ou se o
movimento era mesmo legal.

A porta atrás dele sacudiu-se, a parede inteira tremeu debaixo de um


punho duro.

Cristo no céu. Ele pulou, e Julia respirou como se ela pensasse que
poderia ser sua última respiração. — Está trancada — lembrou ele, pegando as
peças de xadrez e jogando-as de volta na caixa. Agarrando-a e o tabuleiro, foi
até a cama e empurrou-a de lado, em seguida, levantou o alçapão e jogou as
peças do jogo para o buraco. — Entre — ele sussurrou, pegando seus dedos
para ajudá-la a descer. Eles apertaram sua mão grande, e ele os apertou um
pouco. Ele deu a ela a tigela quase vazia de ensopado e sua xícara de chá,
então sorriu encorajadoramente para ela.
A visão daqueles grandes olhos castanhos olhando para ele quando ele
fechou-a para a escuridão iria ficar com ele para sempre, pensou ele,
espalhando palha e movendo a cama de volta. Quando um bater mais alto e
insistente começou na porta, ele puxou as cobertas, retirou sua camisa, e
jogou-a na cadeira que Julia tinha ocupado um momento atrás. Em seguida,
ele tirou uma bota, bagunçou seu cabelo, e andou para a porta.

— Dooley, eu disse a você para... — Ele calou-se quando Hugh Fersen,


o Conde de Bellamy, olhou para ele. — Bellamy? Que diabo você está
fazendo aqui?

— Nós vimos a sua luz — o conde disse, tirando a chuva do rosto. —


Podemos entrar?

Duncan franziu a testa. — Quem é 'nós'? — ele perguntou, dando um


passo para a direita para que ele bloqueasse a entrada completamente com seu
corpo. A figura por trás de Bellamy deu um passo adiante, e um sussurro de
mal-estar enrolou-se na espinha de Duncan. — Orville — disse ele,
balançando a cabeça.

Orville Fersen, primo de Bellamy, sorriu friamente, a expressão


marcada por um nariz que tinha sido quebrado pelo menos duas vezes. —
Passamos por Lenox House — disse ele em voz baixa, arrastada. — Eles
disseram que você estava aqui fora.

Tinham estado em Lenox House. Onde suas irmãs estariam dormindo.


E ele tinha estado aqui, há três milhas de distância. — Por que vocês estão
procurando por mim? — ele perguntou, sem se mexer do seu lugar. — Deve
ser perto da meia-noite.
— Está chovendo, Lenox. Podemos entrar? — Bellamy repetiu.

— Eu não sou um amigo seu, Bellamy. Ou de você. E como eu estou


aqui caçando algo que está matando os meus animais, e eu tenho uma certa
suspeita de que é você e seus cães, Orville, vocês podem malditamente bem
ficarem aqui na chuva até os relâmpagos matarem vocês.

— Quer mesmo apostar nisso, Duncan? — Orville se moveu para mais


perto, sua mão indo para sua cintura. Um punhal, sem dúvida. E o seu estava
no buraco com Julia.

— Isso é suficiente, primo. Estamos aqui pela ajuda de Lenox, depois


de tudo.

— É mesmo? — replicou Duncan. — Como pode ser isso?

— É um pouco constrangedor, na verdade — disse Bellamy, seu leve


sotaque dizendo a Duncan que o conde tinha voltado recentemente da
Inglaterra, mesmo se ele não tivesse estado bastante ciente das idas e vindas
de Hugh. — Parece que eu tenho algo meu desaparecido.

— Aye? Eu posso ter uma ou duas ovelhas perdidas que são suas, mas
eu acho que isso não traria você aqui. Orville poderia distinguir suas ovelhas.
E na luz do dia.

— Parece que as ovelhas são de seu interesse, Lenox — Orville Fersen


retrucou, rindo.

— Não importa isso — Seu primo cortou. — Eu... Bem, eu estou


casado. E a jovem dama...

— Você está casado? Meus parabéns, Bellamy. Eu não tinha ideia.


— Sim, bem, isso foi arranjado, e eu temo que minha noiva seja
bastante... Reservada. Tímida. Ela fugiu de Bellamy Park esta tarde, e eu temo
que algo ruim se abateu sobre ela.

Duncan levantou uma sobrancelha. — Ela fugiu? Será que você


mostrou a ela seu pênis e a coisa a assustou?

Bellamy riu, o som forçado. — Algo como isso. Independentemente


disso, eu estou preocupado, e eu preciso encontrá-la. Você viu uma dama
inglesa nos últimos dias?

— Não. E eu acho que me lembraria de algo assim. Você quer que eu e


alguns dos meus rapazes ajudemos-no a procurar? Você disse que ela é uma
Sassenach? As Highlands não é um lugar para um estranho estar perdido.

— Eu posso lidar com a busca. Eu quero permissão para procurar aqui


no vale. E na sua cabana.

Duncan não se incomodou em esconder sua carranca. — Você é


bem-vindo para procurar no vale. Se eu ouvir que vocês passaram por Lenox
House enquanto eu não estive lá, no entanto, nós vamos ter um
desentendimento. Eu não terei Orville babando em minhas irmãs.

— Você está preocupado que não encontrará outro homem que se


compare a mim?

— Estou preocupado com você dar a elas pesadelos, e eu não conseguir


casá-las afinal. — Duncan colocou um dedo contra o peito molhado de
Bellamy. — Você procurou em minha casa sem que eu esteja lá? — perguntou
ele, em um tom acusatório.
— Eu dei uma olhada rápida em seus quartos vagos — O conde
respondeu — Na companhia de seu mordomo. Orville esperou do lado de fora
com os cavalos. Eu sei que você e ele estão... Em desacordo.

— Nenhum problema, então — Duncan admitiu a contragosto, e ele deu


um passo para o lado, permitindo-lhes entrar na cabana. — Eu tenho uma
objeção a você me chamando de mentiroso quando eu digo que sua moça não
está aqui. Mas eu também não julgo um homem pelo que ele aparenta, então
eu vou permitir que você olhe. Desta vez.

— Cuidado, Lenox. Isso quase soou como um insulto.

— Era para soar.

Os dois homens entraram, sacudindo a chuva no chão sujo, pois ambos


tiraram seus sobretudos e chapéus. Bellamy entregou suas vestes para Orville,
que enviou a seu primo um olhar e depois pendurou as coisas gotejando sobre
as estacas de madeira cravadas na parede ao lado da porta.

— Não pense que você vai ficar aqui, Bellamy. Você disse que veio
aqui para procurar sua moça. Procure e vá embora. Eu não vou abrigar vocês
pela noite.

— Por que tanta pressa em se livrar de nós? — perguntou Orville.

— Porque vocês já me chamaram de mentiroso, uma vez, e eu não


gosto de qualquer um de vocês. E porque eu tenho trabalho a fazer na parte da
manhã, e vocês estão me mantendo acordado.

O primo do conde enviou um olhar avaliador sobre o quarto simples,


então se voltou para Duncan. — Então, você dorme com seu kilt, não é?
— Não. Eu durmo nu. Mas então alguém bateu na minha porta e me
acordou. Quer fazer outras perguntas estúpidas?

Enquanto ele manteve Orville olhando com raiva para ele, o conde fez
um show abrindo armários, puxando cobertores e olhando debaixo da cama.
— Alguém poderia entrar aqui enquanto você estava caçando?

— E eles se esconderam no armário? Você está procurando uma mulher


ou um rato?

— Isso não é divertido. E eu prefiro ficar fora da chuva esta noite —


disse Bellamy distraidamente, colocando a colher dentro dos restos da panela
de guisado. — Nós poderíamos vasculhar o vale ao amanhecer.

— E eu não me importo com o que você prefere — Duncan respondeu.


Eles poderiam passar a noite no chão, mas isso significaria que Julia teria que
ficar no buraco negro por mais de quatro horas, com Bellamy roncando
comodamente a poucos passos de distância. Depois do que ela já tinha
passado, ele não estava disposto a submeter à moça a isso. — Você pode ver
que ela não está aqui. — Ele colocou um olhar preocupado no rosto. — Você
realmente acha que ela está lá fora nesse tempo? Ela poderia causar sua morte.
Que diabo a fez fugir de você?

— Isso é negócio meu Lenox. E, para seu próprio bem é melhor que não
esteja mentindo para mim.

Com um grande esforço Duncan manteve sua expressão neutra. — Eu


não entendo porque você continua me lançando ameaças, Bellamy. Eu nem
mesmo dei um olhar atravessado para você.
— Sim, você é excelente em diplomacia, Lenox. Se a sua bisavó tivesse
sido uma Campbell, em vez de uma MacLawry, eu imagino que nós seríamos
amigos.

Duncan não imaginava tal coisa. Ele sabia que Bellamy era altivo e
arrogante, e se não fosse pelas consequências, ele poderia ter dito a ele isso em
diversas ocasiões. Se alguma vez houve um homem que precisava de um bom
soco no focinho, era Hugh Fersen. — Como estamos tão perto da amizade —
ele disse em voz alta — possivelmente você poderia me dizer por que você
julga que sua noiva está se escondendo em uma das minhas casas.

— O cavalo que ela roubou voltou ao meu estábulo há duas horas, sem
ela. Ela está em algum lugar por perto, e você está perto.

Pouco a pouco Duncan encontrava-se mais impressionado com Julia


Prentiss. No entanto Bellamy tinha conseguido prendê-la através de sua
bondade, a fim de conseguir colocar as mãos sobre ela, ela tinha fugido por
conta própria do conde orgulhoso que tinha vindo a um clã rival para
encontrá-la. Aquilo, porém, não aconteceria nem aqui nem lá. — Você disse
que ela roubou um cavalo seu? Deve ter sido bastante grande o susto que você
deu a ela.

— Um simples mal-entendido, e nada para você se preocupar. —


Bellamy sentou-se na beira da cama. — Quantos anos tem aquela sua irmã de
cabelos negros? Sorcha, estou certo?

— Você não acabou de dizer que estava casado?

— Estou, sim. Mas Orville não está.


— Se Orville piscar para Sorcha, vou arrancar seu olho. E então eu vou
arrancar o outro, então ele não fará isso novamente.

O conde enviou um olhar para Duncan onde ele ainda estava perto da
porta aberta. — O que aconteceu com sua diplomacia? — ele perguntou, com
um sorriso cínico tocando seus lábios finos.

Duncan inclinou a cabeça. — Pergunte-me mais sobre minhas irmãs e


você se encontrará do lado de fora. — Com aquilo ele deixou claro sua
posição. E se Bellamy não tinha percebido isso até agora, passou da hora dele
perceber.

— Isso cheira a guisado bom, Lenox — Orville comentou. — Eu


poderia comer uma tigela dele antes de sair para a tempestade de novo.

— Um bardo tem que cantar pela sua ceia — Duncan replicou — Me


diga por que seu primo se casou com uma moça, a levou para Bellamy Park, e
depois teve ela fugindo, e eu poderia considerar que vale a pena um guisado.

— Ela veio aqui primeiro, e então eu tive que fazer o Padre Duggan
casar-nos — Bellamy explodiu. — Ela é estúpida e volúvel, mas como eu
disse, foi arranjado. Eu vou tê-la de volta, e na minha cama, e ela não vai fugir
de novo.

Agora, era Bellamy com quem Duncan estava mais comunicativo. E ele
decidiu que por agora ele estava se sentindo irritado e pôs isso em prática. —
Parece que os dois tiveram um grande tempo juntos. Mas latir para mim as
deficiências dela não lhes dará um rabanete. Sua noiva tímida não está aqui, e
vocês estão começando a deixar minha casa fedendo. Saiam. Agora.
— E se nós decidirmos ficar? — perguntou Orville, mexendo no
guisado.

Duncan deu um passo para o lado e pegou o rifle detrás do armário. —


Eu diria que seria um erro.

Bellamy estreitou os olhos. — Não há nenhuma necessidade para a


violência, Lenox.

— Eu estou sendo cauteloso, Bellamy. E eu não vou deixar vocês aqui


comerem meu café da manhã, enquanto sua esposa está lá fora na chuva
esperando por um resgate.

— Mi... Minha esposa foi quem escolheu fugir. Ela pode passar uma
noite molhada e com fome se isso fizer com que ela obtenha bom senso — o
conde respondeu, recuando em direção à porta. — E eu vou esperar que você
mantenha-se atento a ela, e me informe imediatamente se vê-la.

— Sim, eu vou informar a você, só assim você não terá motivo para vir
e interromper o meu sono de novo — Duncan concordou, abstendo-se de
comentar o deslize da língua de Bellamy.

Os dois homens vestiram seus casacos molhados novamente. Orville


colocou o encharcado chapéu sobre as orelhas caídas, mas parou na porta para
enfrentar Duncan novamente. — Você não vai nos perguntar como ela se
parece?

— Eu imagino que se eu ver uma moça estranha fugindo a pé pela urze


seria ela, mas vocês podem me dizer como ela é. — Duncan pegou a porta,
pronto para batê-la no momento em que eles cruzassem o limiar.
— Ela tem o cabelo castanho e olhos verdes... Eu acho. Ou talvez
castanhos. — O conde, já de cara feia na chuva, franziu a testa. — E não, eu
não me lembro. Foi um...

— Um casamento arranjado. Lembro-me de você dizer isso uma vez ou


duas. — Não, ela não tem o cabelo marrom ou olhos verdes. Duncan poderia
ter estado em sua companhia por um tempo curto, mas ele sabia disso. O
cabelo da senhorita Prentiss tinha mais pôr do sol sobre ele, um traço de ruivo
que virava bronze polido no crepúsculo. E seus olhos eram de um doce,
marrom.

— E ela estava com um vestido azul — acrescentou Bellamy.

— Se eu vê-la, eu vou avisá-lo. Ou você quer que eu amarre-a em um


cavalo e leve-a para você?

— Não há nenhuma necessidade de assustá-la ainda mais. Basta


avisar-me, se você vê-la — disse o conde, um aviso muito rápido. Como se ele
não quisesse ninguém falando sobre sua nomeada noiva.

Duncan não iria comentar mais sobre esse assunto, no entanto. — Eu


irei. — Seu condenado, bastardo mentiroso, acrescentou silenciosamente, e
fechou a porta sobre os intrusos e a tempestade selvagem do lado de fora.
Capítulo Três
Julia se perguntou quanto tempo uma pessoa poderia sobreviver sem
respirar. Seu cotovelo coçou, um cabelo disperso fez cócegas em seu nariz, e
ainda assim ela ficou onde estava, imóvel, seus dedos segurando a caixa das
peças de xadrez como se fosse uma armadura.

As vozes acima dela estavam apenas um pouco abafadas; ela podia


ouvir cada palavra que os três homens falavam. Ela podia imaginar suas
expressões tão facilmente como se estivesse entre eles; Bellamy estaria com o
rosto vermelho, seu queixo no ar porque alguém tinha se atrevido a interferir
com seu perfeito plano. Orville Fersen, seus cínicos olhos semicerrados,
estariam procurando por ela com os sentidos afiados de um cão. E Duncan
Lenox estaria impassivo, irritado com a intrusão, e não daria qualquer sinal de
que ele a escondeu literalmente debaixo dos pés dos outros homens.

Quando ele insultou Bellamy, ela realmente sorriu; ela esperou tanto
para dizer ao conde precisamente o que ela pensava dele e suas ações, e
apenas a realização de que ela se sairia melhor se ela se comportasse
impediu-a de fazer isso. Ela gostou do modo como Duncan defendeu suas
irmãs, também. Isso certamente falava bem dele. De fato, ela se encontrou
escutando principalmente sua voz, suas rápidas, respostas moderadas e o
modo como ele usava cada oportunidade para pontuar a diferença entre um
verdadeiro cavalheiro e o que Bellamy claramente era.
Depois que a porta foi fechada, a cabana ficou muito quieta. Duncan
estava tardiamente desejando que ele tivesse escolhido um diferente curso de
ação? Ela sabia, bem como ele que quanto mais ela permanecesse em sua
companhia, mais provavelmente sua parte em tudo isto seria descoberta. Então
a cama acima dela deslocou-se, o assoalho rangeu, e a luz do fogo inundou o
interior de seu negro esconderijo.

— Me desculpe por ter mantido você aí por tanto tempo — ele disse,
ajoelhado na borda e estendendo ambas as mãos para ela. — Se eu tivesse
atirado neles, mais gente teria vindo aqui para fazer perguntas.

Ela pegou suas mãos, seus dedos quentes se fecharam ao redor dos dela,
e deixou-o ajudá-la a sair de seu esconderijo. — Eu não sei se isso é um
elogio, Duncan — ela respondeu, sorrindo — mas você é um esplêndido
mentiroso.

Ele inclinou a cabeça, em pé ao lado dela. Ele estava com o peito nu


novamente, seu cabelo despenteado e uma bota desaparecida. Totalmente
delicioso, a parte mais básica dela decidiu. E totalmente desejável.

— Eu não minto para qualquer pessoa com um pingo⁴ de honra — ele


disse. — Então me elogie de tudo o que você quiser.

Seus olhos verdes, escuros na luz do fogo, encontraram seu olhar


diretamente. E ali ela ficou, em um vestido arruinado, um desastre de um nó
deixado em seu cabelo, e palha em seus sapatos. Uma mulher totalmente
arruinada que tinha, por algum cego golpe de sorte, perdido seu cavalo na
frente de muito possivelmente o único homem nas Highlands que não apenas
poderia ajudá-la, mas que tinha concordado em fazê-lo. Por meio de grande
perigo para si mesmo.
Antes que ela pudesse perder sua coragem, Julia colocou a mão em seu
ombro nu, inclinou-se, e beijou-o na boca. Ela sentiu sua surpresa, e por um
segundo se preocupou de que ele iria empurrá-la para longe. Ela iria perder
seu salvador? Ele iria pensar que ela estava comprando a proteção dele com
seu corpo?

Seus braços deslizaram ao redor de sua cintura, puxando-a contra seu


peito. Seus lábios brincaram de volta com os dela, quentes e convidativos.
Uma terra estrangeira, um estranho perto, uma cabana caindo aos pedaços, um
fogo quente, e uma trovejante tormenta do lado de fora. Talvez nada disso
fosse real. Talvez ela estivesse verdadeiramente em sua própria cama em
Wessex, sonhando o melhor sonho de Natal de sua vida. Talvez ela não
quisesse acordar. Não por algum tempo, de qualquer maneira.

— Moça, você não precisa...

— Eu quero — ela respondeu, enroscando seus dedos dentro de seu


cabelo negro e puxando seu rosto para perto para outro beijo. — Eu estou
arruinada, não importando que história eu opte por dizer. E você… Eu quero
você, Duncan. Nós nos conhecemos quando nós não devíamos. E hoje à noite
eu… eu sinto como se tal precioso pedaço de sorte não devesse ser
desconsiderado.

— Você não me conhece, Julia — ele respondeu, sentando na beira da


cama com ela amontoada em seu colo. E apesar de suas palavras, ele se
inclinou para tomar sua boca novamente.

Ele moveu-se sob seu traseiro, e ela respirou fundo totalmente desperta.
— Eu sei que você é honorável. Eu sei que você ama sua família. Eu sei que
você está disposto a enfrentar uma grande quantidade de problemas para
ajudar uma estranha.

— Não por uma estranha — ele disse asperamente, puxando os poucos


pinos remanescentes de seu cabelo e deixando-os caírem na lareira, ainda
consciente de que ele poderia ter que escondê-la novamente. — Por Julia
Prentiss. Eu faço isso por você. Você é uma moça notável, você sabe.

— Eu nunca pensei desse modo. — Arrepios desceram por sua espinha,


ela correu seus dedos suavemente através de seu peito nu. Sua pele estava
quente, veludo por cima de músculos de ferro. O corpo de um homem que não
sentava em clubes todo dia ordenando vir faisões e falando sobre gravatas.

— Eu tenho uma crença de que a maioria das pessoas que pensam nelas
como incríveis geralmente não são tanto. — Ele se moveu, correndo sua boca
ao longo da garganta dela e beliscando seu ouvido. — Você é a última coisa
que eu esperei em minha vida, Julia. Quando eu fecho meus olhos, eu nem
mesmo estou certo de que isso não é um sonho. Eu quero dizer ter você. Se
você tem uma ideia diferente, é melhor você me dizer antes de eu tirar meu
kilt de novo.

Ela riu, se sentindo sem ar de novo, mas excitação a percorreu como o


rio em cascata do lado de fora. — Eu tenho a mesma ideia que você tem,
Duncan. — Mas sonho ou não, Lord Bellamy ainda estava ali do lado de fora.
Ela olhou para a porta. Ela foi bloqueada de novo, com uma resistente barra
segurando atrás de si o mundo lá fora. Bom. Ela queria que nada lá fora
entrasse ali. Não hoje à noite. Nunca, para falar a verdade.

Duncan seguiu seu olhar. — Tire seu vestido, moça — ele disse,
levantando ela de seu colo. — Ninguém virá aqui de novo hoje à noite.
De pé, ele primeiro jogou outra tora no fogo, então caminhou para a
porta e comprimiu uma das cadeiras sob a trava para melhor seguridade.

— A última vez que esta porta foi barrada foi contra as armas dos
Sassenach — ele disse, de frente para ela novamente. — Agora eu faço isso
para manter uma moça Inglesa a salvo de Highlanders. — Com um sorriso ele
puxou a ponta de seu kilt e devagar o desamarrou de sua cintura, deixando-o
cair em um longo amontoado xadrez no chão.

— Não de todos os Highlanders — ela murmurou, se levantando para


desabotoar a parte de trás de seu vestido. Saindo do lago ele tinha estado
impressionante. Agora, quente e desperto, ele estava simplesmente...
Magnífico.

— Deixe-me ajudar você com isso. — Ele moveu-se para trás dela,
desabotoando o último dos botões. Lentamente ele puxou as mangas para
baixo de seus ombros, beijando sua pele nua conforme ele prosseguiu.

Julia fechou os olhos, gemendo pelo prazer da sensação. Por uma batida
do coração ela se perguntou o que teria acontecido se ela não tivesse escapado
de Bellamy, mas rapidamente ela deixou esse pensamento de lado. Este não
era Hugh Fersen. Este era Duncan Lenox, e ele foi convidado. Ele era bem
vindo.

Seus dedos tocaram seus seios nus, e ela de súbito abriu os olhos
novamente, assustada. Baixando seu olhar ela o observou fazer isso
novamente, sentiu suas palmas se fecharem sobre seus mamilos. — Oh — ela
exalou.

— Você gosta disso, moça? — ele sussurrou, beijando sua nuca.


— Sim. Aye.

Duncan riu, o som estrondando em seu próprio peito. — Você não está
zombando de mim, está, Julia Prentiss? — ele perguntou, mergulhando uma
mão dentro de seu vestido descendo por sua coxa e tocando-a ali... Lá.

Ela guinchou, pulando. Ninguém tinha acariciado ela tão intimamente.


E ela não pode deixar de notar que ela nunca quis que alguém fizesse isso até
então. Nunca. Pelo amor de Deus, eles mal se conheciam, mas, isto… ele…
parecia que era certo acontecer. Ela, a última pessoa que acreditaria no amor à
primeira vista, ainda assim aqui estava ela. Com Duncan Lenox. Nua.

— Se você está ficando assustada, precisa me dizer, moça.

— Eu não estou assustada. Eu apenas não quero acordar.

Seus dedos se acalmaram, e ele moveu-se para frente dela novamente.


— Eu não sei o que é — ele murmurou, arrastando um dedo pelo seu peito —
mas eu gosto disso. Magia das fadas, ou qualquer coisa assim. Isso é o que
minhas irmãs diriam. Ou talvez isto não seja seu presente de Natal, mas o
meu. — Dando de ombros, ele se inclinou para capturar sua boca outra vez,
colocando as mãos na cintura dela e empurrando seu vestido até o chão.

Magia das fadas. Ela gostou do som disso. Em sua companhia, as


Highlands não pareciam tão longe de casa. Desde que ela o conheceu —céus,
tinha sido a apenas oito horas?— sua queda no desespero, caos e ruína tinha
parado. E independente do que acontecesse amanhã, hoje à noite ela queria
saber como era estar em seus braços. Magia das fadas ou não. Se ele era parte
do seu presente de Natal, bem, talvez a Escócia não fosse tão desastrosa como
tinha começado a pensar.
Julia colocou as mãos em seu peito e empurrou. Ela imaginou que
poderia mover mais facilmente uma parede, mas com um sorriso, ele deu um
passo para trás e afundou-se na cama, puxando-a para baixo sobre ele. —
Neo-àbhaistiche bean-uasal — disse ele, rindo enquanto passava as mãos
pelas costas até a bunda dela, puxando-a contra ele.

— O que significa isso? — Ela queria abraçá-lo e tocá-lo e se mover


contra ele, tudo ao mesmo tempo, mas ela se contentou em mordiscar a linha
dura de sua mandíbula.

— Eu disse, que você era uma dama incomum — ele respondeu, seu
pulso aumentando de velocidade sob seus lábios.

— Só uma que está feliz por estar viva. E livre.

Duncan sorriu para ela, e no momento seguinte ela estava envolta em


seus braços e presa embaixo dele. As razões que ela poderia dar a ele por
querer estar aqui talvez não fizessem muito sentido ou pareceriam que ela
estava apenas grata a ele. Lá dentro, no entanto, o desejo de estar com ele se
parecia mais como... Necessidade do que gratidão. Se ela dissesse algo tão
absurdo em voz alta, no entanto, ele provavelmente fugiria gritando na noite.
E ela não queria isso.

Enquanto a beijava, sua mão se moveu entre eles novamente. Um dedo


enrolou-se deliciosamente dentro dela, e ela resistiu, gemendo novamente. —
Moça de cabelos castanhos — ele exalou, provocando-a com dois dedos
agora, beijando-a na têmpora, com o movimento de sua mão — vêm para
mim.
Ela não estava exatamente certa do que isso significava, mas a doce,
tensão que roubou sua respiração atravessando seu abdômen apertou até que
ela não pôde fazer nada além de segurar seus ombros e arquear-se contra ele.
Isso deveria ser o que ele estava falando, a pequena parte trabalhando em sua
mente disse. E então, com um motim pulsante de sensações, ela derreteu.

— Oh, oh — ela estremeceu, cavando os dedos nele. — Oh meu Deus.


Era isso que você quis dizer?

Duncan riu novamente. — Aye. E eu gostaria de brincar agora, também,


se você não se importar.

Balançando a cabeça, ela deitou de costas novamente conforme ele


cutucou em seus joelhos separados. Em seguida, ele substituiu seus dedos por
seu pênis, deslizando lentamente, profundamente dentro dela até que, com
uma rápida, forte dor, ele enterrou-se completamente.

— Você está bem? — ele murmurou, inclinando-se para o lado para


tomar seu peito esquerdo na boca e apertar o mamilo com a língua.

Levou um momento para ela recuperar o fôlego novamente. Ela


assentiu com a cabeça para ele, tremendo deliciosamente mais uma vez. Ele
começou a se mover, deslizando com deliciosa lentidão para fora e para dentro
novamente. O calor dele a envolvia, fora e dentro, quente e seguro e muito,
muito excitante. Ela queria memorizar tudo dele, os músculos debaixo de sua
pele, o peso dele sobre ela, a curva de sua boca quando ele sorriu para ela, as
manchas de âmbar em seus olhos verdes profundos quando encontrou seu
olhar. E a maneira como eles se encaixavam, perfeitamente, juntos.
Seu ritmo aumentou, e ela apertou-se de novo contra ele, cravando os
dedos em seus ombros enquanto a corrida a inundava, mais profunda e
prolongada do que antes. Com um gemido, ele manteve-se contra ela, em
seguida, beijou-a quente e de boca aberta antes que ele encostasse a testa
contra seu ombro.

— Bem — ele murmurou, beijando sua pele macia e à espera de que


tudo, realidade, culpa, desânimo, fluísse em seu coração.

Em vez disso, Duncan quis repetir a experiência o mais cedo possível.


Ele moveu-se para fora dela, virando-se de costas e sentando-se para puxar os
cobertores pesados por cima deles quando ela enrolou-se contra ele.

— Bem — ela respondeu no mesmo tom. — Você deu a uma dama


arruinada uma medida muito elevada para a comparação.

Duncan franziu a testa. — Você quer ir lá fora e comparar-me, então?

Os músculos de suas costas ficaram tensos sob sua mão. — Não foi isso
que eu quis dizer. — Ela levantou a cabeça do ombro dele, seus olhos
castanhos sérios. — Isso... Eu não estou pedindo nada de você, Duncan. Eu
não vou chorar e declarar que você me despose, porque Bellamy visou isso
quando ele me arrastou para fora nas Highlands. Eu disse isso de forma
errada, claramente, mas...

— Eu peguei seu significado, moça — ele interrompeu. — Eu só não


esperava isso. — Apesar de ela ter sido tão extraordinária até este ponto, ele
provavelmente deveria ter esperado apenas esse tipo de declaração. — Foi um
agradecimento seu por uma boa noite, mas eu não espero algo mais de você.
— Sim. Precisamente. — Com um sorriso satisfeito que o fez se agitar
novamente, ela afundou de volta contra ele.

— Diga-me algo, Julia Prentiss. Você tem um pretendente em Londres?

— Não desta maneira, não — ela respondeu, sua voz diminuindo


conforme ela relaxou. — Vários colegas têm, tinham, me oferecido, mas não
fiz... Bem, eu nunca senti o desejo de estar com eles como estive com você.
Como com você. — Seus dedos correram círculos ociosos em torno de seu
peito, a sensação íntima e surpreendentemente excitante. — E você? Você é
um tipo heroico de companheiro, e não inteiramente desagradável para os
olhos. Você tem uma dama especial?

Ele tinha, embora ele não tivesse até algumas horas atrás. Será que essa
ideia assustaria-a mais uma vez? Será que ela acharia que ele estava atrás de
sua fortuna, assim como Bellamy tinha estado, exceto que ele era mais esperto
sobre isso? A última coisa que ele queria fazer era mandá-la correndo em uma
tempestade na noite com Bellamy provavelmente perto o suficiente para
espirrar neles. — A maioria das mulheres que encontro não suportam minhas
irmãs — disse ele em voz alta, se perguntando se ele já tinha sido tão
cuidadoso sobre qualquer coisa como estava sendo sobre esta conversa. — Ela
teria que ser valente e extraordinária para até mesmo desejar conhecê-las. E se
elas gostarem dela, bem, como eu poderia fazer de forma diferente?

— Eu gostaria de encontrar suas irmãs — ela murmurou, sonolenta. —


Você as faz soarem muito grandiosas.

— Aye, elas são — ele sussurrou de volta, com os braços cruzados


entrelaçando os dedos através das pontas de seu cabelo ruivo despenteado.
Teria ela percebido o que havia dito? Que ela queria conhecê-las, porque a
equação terminava com ele? Ou ele estava sendo muito inteligente para uma
jovem que havia passado cinco dias estando assustada e que finalmente se
sentia segura por um momento ou dois?

Depois de um momento, ela se acalmou, sua respiração lenta e luminosa


em seu peito. Ao lado deles, o fogo crepitava na lareira, enquanto a batida da
chuva nas janelas dançava ritmicamente. Mais longe agora um trovão
retumbou, passando pelo escuro profundo de todos os lugares do lado de fora
desta pequena casa de campo.

Ele podia imaginar uma vida com esta mulher inglesa que ele só tinha
conhecido há algumas horas? Era do mais estranho que ele já estava
perguntando a si mesmo essa pergunta, ou que ele já podia imaginá-la ao seu
lado? Que ele se perguntou se seus filhos teriam seu cabelo ruivo selvagem?
Que ele queria que suas irmãs conhecessem-na, porque ele já sabia que elas
iriam adorá-la? Nada disso fazia sentido algum, mas ele nunca tinha sabido
nada com tanta certeza em sua vida. Ele, o homem cauteloso que pesava cada
ação contra as possíveis consequências para a sua família e para si mesmo, tão
louco por uma estranha que se sentia disposto a arriscar... Tudo por ela.

— Duncan?

Ele piscou. — Aye?

— E se ele voltar?

— Eu não vou fechar meus olhos, leannan. Eu prometo.

Ela adormeceu novamente, evidentemente, tranquilizada pela sua


resposta. E ele quis dizer isso; se Bellamy batesse em sua porta novamente, o
conde seria um homem morto.
* * *

— Ainda está chovendo?

Duncan passou o olhar pela janela virada para o oeste. Julia tinha se
sentado, os cobertores caídos deliciosamente em torno de sua cintura. Por um
momento, ele desejou que ele não se preocupasse em se vestir; não tirar pleno
proveito dos momentos remanescentes de paz parecia como um pecado ímpio.
— Não. — disse ele em voz alta, preparando uma xícara de chá, deixando cair
dois torrões de açúcar para a forte fermentação, e trazendo-a para a cama. —
Parou há quase uma hora atrás.

— Que horas são?

Ele deu de ombros, olhando-a beber. — Quase sete horas, eu acho. Eu


não tenho um relógio aqui.

Ela olhou em volta, como se estivesse vendo à cabana, pela primeira


vez. — Eu não posso nem imaginar um dia sem um relógio ou um relógio de
bolso a dizer-me quando estou para sair a pé ou quando é hora de se vestir
para o teatro — disse ela com um sorriso. — É realmente bastante inebriante.

— Eu vou estar feliz em pegar um martelo para atacar cada relógio em


Lenox House, então — ele respondeu, sentado na beira da cama. — Não
apetece a você alguns ovos para o café da manhã?

— Nós não podemos ficar aqui, podemos? Você acha que ele estará de
volta?
— Acho que ele vai definitivamente voltar quando ele não puder
encontrar você em qualquer outro lugar. Podemos tomar um maldito minuto
para comer, apesar de tudo.

Julia assentiu. — E então você vai me levar para Lenox House?

— Eu dei a você a minha palavra de que eu faria isso, moça.

Por um longo momento o seu olhar marrom procurou seu rosto. Em


seguida, ela balançou a cabeça. — Eu suponho que eu poderia lavar-me em
algum lugar. Eu provavelmente pareço como uma dessas banshees que você
tem aqui.

Ele sorriu. — Sim, você me assusta um pouco. Também está muito


barrento e muito malditamente frio para você ir até o rio, mas eu vou trazer
para você um balde e colocá-lo sobre o fogo. — Levantando-se, ele se voltou
para o armário. — E eu acho que você se sentirá melhor com um casaco e
umas calças. Será mais fácil de não notarem você dessa forma, se alguém nos
ver caminhando. — Ele puxou uma camisa e calças que mantinha na casa de
campo e colocou-as na beira da cama.

— Você não está usando o seu kilt — disse ela, tardiamente, as


bochechas escurecendo quando ela o olhou de cima a baixo.

— Eu não uso ele, muitas vezes, na verdade. É mais fácil para tomar
banho, no entanto. E algumas outras coisas. — Com isso ele se inclinou e a
beijou suavemente na boca. Ela não estava autorizada a fingir que a noite
passada não havia acontecido.
Julia envolveu ambas as mãos em seus cabelos, beijando-o de volta.
Evidentemente ela não queria esquecer a noite passada. — Eu gosto dessas
outras coisas — ela murmurou contra sua boca.

— Bom. — Alcançando debaixo da cama, ele entregou-lhe a faca. —


Eu vou estar de volta em dois minutos. Três no máximo. Se eu me ausentar
por mais tempo, eu carreguei o rifle. Ele está atrás do armário, ali. Você sabe
como usá-lo?

Ela respirou fundo. — Sim. Mas não demore.

— Não vou demorar.

Ele poderia ter dito a ela a direção de Lenox House, ele supôs, mas nas
Highlands encontrar qualquer coisa não era tarefa fácil. Ela estaria melhor
tentando negociar sua maneira de sair de um problema com a ajuda do rifle.

Uma vez que ele puxou a cadeira para longe da porta e colocou a tábua
que a bloqueava de lado, pegou o balde e saiu. Nuvens penduravam-se baixas
o suficiente no céu para obscurecer o topo das falésias em ambos os lados de
seu vale, e os resquícios da chuva corriam em riachos ao longo das pedras e da
lama do rio. Ele tinha um segundo par de botas, mas os pés dela eram menores
do que os seus. Seus próprios sapatos eram quase inúteis, mas talvez ele
pudesse envolvê-los com pele de coelho para, pelo menos, mantê-la quente.
Ontem tinha sido balsâmico pelos padrões das Highlanders, mas hoje o ar
tinha uma ferroada considerável para isso.

Levou algum esforço não olhar para trás para a casa de campo a cada
minuto. Se alguém o estava observando, no entanto, eles saberiam que ele
tinha algo precioso escondido lá e quanto mais tempo ele pudesse manter esse
segredo, melhor. Ele fez o que pôde para procurar sinais de que Bellamy e seu
primo ou qualquer um de seus homens permaneciam no vale, ao mesmo
tempo tentando dar a aparência de que, à exceção de uma leve curiosidade
sobre uma mulher Sassenach supostamente ausente, nada em sua vida tinha
mudado.

De cócoras sobre uma rocha achatada pelo tempo, ele pegou um balde
cheio de água fria e caminhou de volta até o declive suave para a cabana.
Depois que ele saísse dali com uma segunda pessoa, ele só podia esperar que
Bellamy não tivesse contado a ninguém que ele tinha estado ali sozinho.
Porque enquanto ele poderia fazer Julia parecer o oposto de uma dama
inglesa, ele não poderia fazê-la invisível.

Sobre a chance de que ela já tinha o rifle apontado para a porta, ele
bateu antes de puxar a trava e empurrar o velho carvalho. — Sou eu.

Ela apareceu diretamente atrás da porta, a faca na mão e vestindo


apenas a camisa pendendo sobre suas coxas nuas, e seu kilt sobre seus
ombros. Ele não esperava que ela estivesse encolhida em algum lugar, mas
gostava que ela estivesse pronta para agir. Inclinando-se um pouco, ele a
beijou novamente.

— Você parece bonita nas cores MacLawry — ele disse a ela, quando
deslizou o balde sobre o fogo para aquecer a água.

— As cores significam alguma coisa? — perguntou ela, passando as


mãos para baixo da lã pesada.

— Branco para neve e para intenções puras, preto para determinação, e


vermelho para sangue — respondeu ele, procurando no segundo armário os
ovos cozidos que tinha envolvido em um pano quando ele caminhou até aqui
há três dias. — As cinzas são tudo o que você quiser; eles vieram da
tecelagem.

— Nuvens — decidiu ela, olhando para seu agasalho improvisado.

Ele riu. — Nuvens, então. Você se importa de ter sua torrada preta ou
ainda mostrará essas cores?

— Ainda mostrarei essas cores — disse ela com um sorriso. — Mas eu


posso ajudar, você sabe. Eu posso não saber como fazer guisado de coelho,
mas eu acredito que eu posso descascar um ovo.

— Não. Vá tomar um banho. — Ele entregou-lhe um pano, deslizando


o balde fora das chamas. — Eu pretendo observar você, no entanto. Eu não
sou muito cavalheiresco.

— Hum. — Prendendo seu olhar com o seu, Julia tirou o kilt e


colocou-o na cama, em seguida, puxou a camisa sobre a cabeça. Então, nua e
adorável como um dia novo, ela molhou o pano na água e começou a limpar a
si mesma.

— Doce Bridget¹ — ele murmurou. — Mantenha-se assim, e eu vou ter


você de volta na cama.

Ela sorriu. — Você deveria me ver em uma banheira.

— Oh, eu pretendo. Eu tenho uma grande de bronze fora do quarto


principal em Lenox House. Eu vou dar ela a você, se você me deixar
compartilhá-la com você por algum tempo.

Sua expressão mudou um pouco. — De vez em quando? Eu vou ficar?


Danação. — Se você quiser Julia. Eu não teria dormido com você aqui
se eu não... Me importasse com você.

— Você não teve amantes antes? Eu sei que você não era virgem,
Duncan.

Então, agora ele era o simplório aos seus olhos. — As mulheres com
quem eu estive, estiveram em igualdade de condições, com as precauções
tomadas. Mutuamente angariadas no encontro.

Agora, ela franziu a testa. — Isso soa um pouco como um negócio.

— Eu sou um homem muito cauteloso. Exceto pela noite passada. Por


sua culpa Julia. Você vira minha cabeça, e Deus sabe que isso é uma coisa
rara para mim. Muito rara. — Enquanto falava, ele se aproximou dela,
finalmente colocando as mãos em seus ombros quentes, nus. — Eu sou o
único que está desnorteado?

Olhos castanhos arderam dentro dos dele. — Eu estive desnorteada por


dias, Duncan — disse ela lentamente.

Afiada... Ele sentiu uma perda dentro dele. É claro que ela tinha estado.
Ela mal sabia onde estava, e ele... Bem, ele tinha tomado vantagem. — E eu
sou um homem estúpido. Peço desculpas a você, moça. Você não tem nada a
temer de mim. Eu...

Ela colocou o pano úmido contra sua boca. — Você me fez parar de
vagar — ela sussurrou. — Eu não sei o que somos, mas eu estou... Eu não me
sinto pronta para desistir disso. Para desistir de você. Porque parte de mim
acredita que eu poderia ter encontrado algo mágico. E a outra parte de mim
quer acreditar na primeira parte.
— Existe uma terceira parte? — ele perguntou, colocando a mão sobre
a dela e baixando o pano úmido para seu peito, sobre o coração.

— Sim. A parte que se preocupa que eu estou sendo uma completa


idiota.

— Se você é, então nós dois somos tolos. — Mantendo seus dedos


capturados, ele inclinou seu queixo com a mão livre e beijou-a novamente,
devagar, profundamente.

— Então, eu estou disposta a arriscar uma outra hora — ela retrucou,


puxando sua camisa de suas calças. — Você está?

— Aye. Eu estou. — Com um sorriso, ele levantou-a em seus braços.


Capítulo Quatro
As calças arranhavam contra suas coxas, mas Julia amarrou a corda que
Duncan tinha lhe dado em torno de sua cintura e rolou a calça até as partes
inferiores das pernas até que seus pés presos apareceram. Mesmo que ele não
tivesse sugerido que ela não usasse o seu vestido de baile ela estava mais do
que cansada dele, e não apenas porque ele estava sujo e rasgado, mas por
causa do que ele representava. Ela tinha sido estúpida e ingênua naquela noite,
e ela pagou por ele com sua reputação. Se seu avô não tivesse estado apto a
presenteá-la com quarenta mil libras quando se casasse, ela teria perdido seu
futuro também.

Ela olhou através da sala para Duncan, sentado à mesa com seus sapatos
e aparando um par de peles de coelho para colocar em torno deles. Ontem
neste momento ela estava em um canto de um quarto de dormir que não
pertencia a ela, observando um homem que ela pensou que ela conhecia
tornar-se mais e mais estranho, e mais e mais assustador.

No início Bellamy tinha estado satisfeito consigo mesmo, mas educado


e até mesmo dando um toque de desculpas. Quando ela não desmaiou ou caiu
de joelhos e concordou em casar com ele para salvar sua reputação, seu verniz
educado tinha começado a derreter. Ontem de manhã, ela tinha começado a
temer que ele fosse recorrer a algo físico, algo parecido com o que ela e
Duncan tinham feito ontem à noite e esta manhã. Só que não teria sido o
mesmo, porque a ideia de Bellamy tocá-la assim a enojava e horrorizava.
Quando tinha encontrado Duncan, depois de seu susto inicial e em parte
por causa disso ela tinha pensado que talvez ela estivesse... Apaixonada. Ele a
salvou, afinal, se ele tinha a intenção de fazê-lo ou não. Mas quanto mais eles
falavam, mais ela percebia que ela simplesmente gostava dele. Ela gostava de
sua maneira honesta e direta; ela gostava da maneira como ele se importava
com suas irmãs, seu senso de humor, o jeito como ele parecia entendê-la e a
fazia sentir-se como se tivesse sido valente. Claro que ele não poderia ser
perfeito, nenhum homem era. Mas pelo amor de Deus, ele era lindo e
compassivo e, obviamente, parecia atordoado com a atração entre eles como
ela estava.

Quando ele disse que lhe daria uma banheira e a compartilharia com
ela, seu primeiro pensamento foi que ela queria que ele fizesse isso. Ela queria
mais tempo com ele. Muito mais tempo. O único pensamento que a
incomodava era o seu maldito dinheiro. Duncan sabia que ela estava
arruinada, desde que ele tinha ajudado-a muito com isso. Ele também sabia
que ela iria receber um grande dote quando se casasse. Quando seu avô tinha
escrito o seu testamento, ela só tinha sete anos. E ele esteve propenso a pensar
que ele queria garantir que ela tivesse uma vida muito boa, confortável.
Infelizmente, ele também tinha previsto que quase todos os homens na
Inglaterra a veriam como uma conta bancária andante. Mas será que Duncan a
via desse jeito?

— Revesti seus sapatos, moça, e eu vou ver se posso ajudar você a


colocá-los — disse ele, de pé para trazer-lhe os sapatos de dança.

Quando ele se ajoelhou a seus pés um arrepio percorreu sua espinha.


Que importava se ele queria o dinheiro dela ou não? Certamente ninguém
nunca a tinha feito se sentir desta forma. E ela tinha mais do que uma suspeita
de que ninguém mais o faria. — Talvez eu vá começar uma nova moda —
disse ela, colocando a mão em seu ombro e calçando seu sapato e pondo o pé
direito no alto para apreciar a bota de coelho improvisada enquanto ele
acabava com as tiras de couro.

— Oh, eu duvido disso — ele respondeu, com um tom divertido em sua


voz. — Mas se ele mantiver seus pés quentes e secos, vou ficar satisfeito.

Uma vez que ele tinha embrulhado ambos os pés, levou-a para um
passeio experimental pela cabana. — Você poderia ser um sapateiro — ela
anunciou. Certamente não era alta moda, mas com a pele o interior de seus pés
estava quente, e o couro do lado de fora deveria impedir seus pés de se
molharem. Era muito inteligente, realmente.

— Bem, se eu falhar como um fazendeiro cavalheiresco, eu vou criar


uma loja pequenina. — De pé, ele se aproximou, beijou-a profundamente na
boca, depois colocou uma mochila por cima do ombro e entregou-lhe um
casaco pesado. — Você não parece como a Senhorita Julia Prentiss — decidiu
ele, observando-a se encolher no casaco marrom escuro. — E nós temos
apenas três milhas para cobrir. Você têm a faca?

Ela levantou a parte de trás do casaco para mostrar a ele, escondida em


sua cintura contra a sua coluna vertebral. — Eu quase preferiria ficar aqui.

— Aye. Assim como eu. — Parando na frente dela, ele segurou seu
rosto em suas largas mãos por mais um tempo. — Eu não vou deixar ninguém
lhe fazer mal, Julia. Prometo isso a você.

Ela levantou-se na ponta dos pés e beijou-o suavemente. — Eu sei que


você não vai. Agora vamos, antes que eu perca a coragem.
Ele já tinha apagado o fogo, e quando ele apagou a última lamparina
eles foram deixados ali de pé na penumbra silenciosa. Então, antes que ela
pudesse mudar de ideia, ele abriu a porta e saiu. Um batimento cardíaco mais
tarde, ele fez um gesto para que ela o seguisse.

Bellamy e o terrível Orville Fersen estavam em algum lugar perto. Por


tudo o que sabiam eles poderiam estar na próxima subida ou em torno de uma
posição de rochas. Com um arrepio ela apressou o passo, mantendo os olhos
nas largas costas de Duncan. Com um rifle no ombro e aquele olhar
determinado em seus olhos, ela certamente teria hesitado em abordá-lo. Ela
esperava que qualquer um que atravessasse o caminho deles viesse à mesma
conclusão.

— Duncan? — ela disse, para impedir a mente de saltar sobre todas as


coisas possíveis que poderiam dar errado.

— Aye?

— Eu ouvi Bellamy dizer que sua bisavó era uma MacLawry. É por isso
que você é uma parte desse clã?

— Sim. Eu também tenho um tio que é um Campbell, mas nós não


falamos sobre ele. — Ele diminuiu um pouco o passo, indeciso mesmo com
ela. — Eu gosto dos MacLawrys. Eles se puseram contra os latifundiários que
tentaram tirar o seu próprio povo das Highlands em favor de ovinos e
pastagens, uma boa coisa. Eles são boas pessoas, Glengask, seus irmãos e sua
irmã e seu pai antes deles.

— Mas você poderia ter escolhido se aliar com os Campbells, se você


quisesse?
Ele enviou-lhe um olhar de soslaio. — Eu suponho que sim, embora eu
tivesse que ter um motivo danado de bom para mudar a minha fidelidade. E
mesmo se eu tivesse sido um Campbell, eu não daria você a Bellamy. Há
lealdade, e há o que é certo e verdadeiro. — Respirando fundo, ele passou os
dedos contra os dela. — Eu tenho irmãs, Julia. Espero que qualquer homem
com irmãs tivesse chegado a lhe ajudar.

— Esse é um pensamento agradável, mas nem todas as pessoas


valorizam o que é certo sobre o dinheiro e a lealdade. — E ela tem sido
extremamente sortuda por encontrar alguém que valoriza.

— Eu espero que você não tenha partilhado a minha cama, porque você
está grata por eu não ser um covarde.

Ela balançou a cabeça, aproximando-se mais de modo que seus dedos se


tocaram a cada passo. — Todo homem deve ser um cavalheiro, mas não são
muitos. Mas eu não quis compartilhar a sua cama por causa disso. Eu
compartilhei sua cama, porque eu quis. — Mais do que tinha querido algo em
sua vida. O suficiente para arriscar tudo o que possa vir em seguida.

Seus dedos se enroscaram em torno dos dela. — Se sua família, quando


eles receberem sua mensagem, decidirem mandar você de volta a Londres, o
que você pensa de ter um Highlander e suas três irmãs indo chamar você lá?

Julia olhou para seu perfil, o cabelo preto elevando-se da testa na brisa
forte. — Você iria percorrer todo o caminho para Londres?

— Eu iria todo o caminho para a China, moça, se você fosse me ver.

— Gostaria de vê-lo. — Ela abaixou a cabeça, sabendo pelo calor em


suas bochechas que ela estava corando. — Eu ficaria feliz de te ver.
— Bem. Eu estou contente que está resolvido, então.

Eles caminharam pelo campo áspero em silêncio por um tempo curto,


de mãos dadas. O vento em seu rosto era frio, mas com o casaco e as calças e
sapatos pesados reforçados com a pele de coelho, Julia mal sentiu o frio. Ela
pensou que ir para a Escócia seria uma aventura singular. Ela tinha apelado ao
presente porque ele iria levá-la para longe da temporada, em Londres, a partir
do desfile de pretendentes que estavam muito mais interessados em sua renda
do que em sua pessoa. O presente de uma fuga do seu futuro. Quando Bellamy
a tinha sequestrado, o presente tornou-se um pesadelo. Agora, porém... Agora
ela estaria perfeitamente feliz em nunca mais voltar a Londres, se isso
significava que ela poderia ver Duncan e segurar sua mão e beijá-lo sempre
que quisesse.

— Você está cansada, moça? — ele perguntou, olhando de novo por


cima do ombro.

— Não. Eu vou andar o tempo todo.

— Vamos nos apressar um pouco, então, vamos?

O frio encontrou abruptamente sua maneira de ir para baixo de sua


coluna vertebral. — É Bellamy? — ela perguntou rigidamente.

— Dois homens a cavalo. Eu não sei se é ele ou um dos seus, mas


temos apenas meia milha ou mais para caminhar. Eu prefiro estar dentro de
casa antes de confrontá-lo.

— Assim como eu.


Ele enviou-lhe um sorriso tranquilizador. — Nós não vamos correr,
porque eles vão perseguir-nos como cães de caça. Mas alguma pressa não nos
fará mal.

Oh, ela concordou com isso. Ele a ajudou a passar por mais um muro de
pedra coberto de musgo que parecia mais velho do que a conquista romana, e
caminhou ao longo de um caminho gasto na grama e urzes conforme árvores
surgiam selvagemente em torno deles. — Outra tempestade se aproxima? —
perguntou ela.

— Outra tempestade sempre vem aqui — ele respondeu com um sorriso


rápido. — Uma vez que atravessarmos o monte, você será capaz de ver Lenox
House. Eu tenho homens nas proximidades, mas os aldeões estão do outro
lado do vale junto ao rio.

— Você tem cotters²?

— Aye. Nas proximidades uma centena ou mais. Nada perto do que


Glengask tem. Ou Bellamy.

A trilha curvou-se em torno da verde elevação da colina, e se não


tivesse tido tanta pressa, ela teria parado no caminho. Lenox "House" era um
nome impróprio. Aquilo era quase um castelo para os padrões ingleses, todas
as paredes de pedra altas e brancas e janelas com vista para o vale. Era pelo
menos do tamanho de Bellamy Park, e parecia muito mais... Amigável, se ela
fosse sincera. Mas parecia acolhedor e quente, ou talvez fosse porque ela sabia
que seu proprietário era o mesmo.

— É adorável — disse ela em voz alta, ofegante.


Uma arma disparou em algum lugar atrás deles, o som ecoando nas
colinas e montanhas como um trovão estridente. Julia se retraiu e quase
perdeu o equilíbrio. Rapidamente Duncan pegou-a pelo cotovelo, abraçando-a
contra ele até que ela recuperou seu equilíbrio novamente.

— Não precisa se preocupar, moça. Eles não vão atirar em você. Eles só
querem que a gente pare. — Ele assobiou, e um trio de homens apareceram
vindos da direção do estábulo. — Rapazes, encontrem seus mosquetes e vão
para casa! — ele gritou.

Os homens desapareceram novamente. Julia arriscou um olhar por cima


do ombro e quase gritou. Bellamy e seu primo estavam a apenas cem jardas
atrás deles e andavam a galope. — Duncan!

— Eu sei. — Virando-se, ele pegou seu rifle e baixou-o em sua direção.


— Vá para a porta lateral, moça — disse ele, recuando na mesma direção.

— Dê-me o que é meu, seu ladrão! — gritou Bellamy.

— Venha tomá-la, então! — Duncan rebateu — se você puder fazer


isso com sua cabeça estourada!

Ela alcançou uma pesada porta de carvalho ao lado da casa. Assim que
teve um batimento cardíaco para se perguntar se ela estava fechada, ela se
abriu, e um homem alto, de cabelo ruivo puxou-a para dentro. — Sua
companhia, moça. Onde está o Mestre Duncan? Eu o ouvi berrando.

— Bem atrás de mim.

Ela se escondeu atrás da porta para que ela pudesse ver sem ser vista;
pois ela era o pomo da discórdia, ficar fora da visão de Bellamy parecia à
coisa mais sábia que podia fazer. Duncan estava a poucos passos da porta
aberta, seu rifle nivelado na direção do conde. Bellamy e Orville montaram
para frente e para trás na frente dele, claramente tentando ver se eles poderiam
passar por sua guarda.

— Este é um problema que você não quer, Duncan! — Bellamy gritou,


carrancudo. — Tudo o que ela disse é uma mentira. Ela pertence a mim, e
você só está trazendo para si mesmo e suas irmãs um desserviço.

— Se você não sabe o que ela me disse, como é que sabe que é uma
mentira? — ele atirou de volta.

— Você está protegendo-a, de modo que ela está mentindo. Entregue-a,


e nós vamos esquecer que isso aconteceu.

— Saia da minha terra, e você viverá para ver o pôr do sol — Duncan
respondeu, com a voz tão fria como se estivesse falando com Julia sobre seu
jogo de xadrez.

— Bah. Vamos estar de volta, com ajuda. Você tem até três horas para
chegar a seus sentidos, Lenox!

Ele ficou lá bloqueando a porta até que os dois homens desapareceram


de vista. Só então ele abaixou o rifle e caminhou para dentro da casa. —
Murdoch — ele disse — Eu quero homens com armas nas janelas.

— Aye, Mestre Duncan. — O servo tomou o rifle de Duncan e, em


seguida, seus casacos e chapéus. — Bellamy veio por aqui ontem,
perguntando por uma moça inglesa de cabelos castanhos. Insistiu em olhar
pela casa. Eu deixei, mas eu mantive aquele maldito Orville Fersen do lado de
fora.
Com um aceno de cabeça, Duncan pegou a mão de Julia, liderando o
caminho para as entranhas da casa. — Onde estão minhas irmãs?

— Quando o tumulto começou, Sorcha juntou as outras duas no andar


de cima do quarto de sua avó.

— Bom. Quem mais está aqui?

— Apenas os rapazes habituais, e o Sr. Finchey e o Padre Ross que veio


pedir doações para a reconstrução da casa da Sra. MacGeath após seu menino
chutar uma lamparina. — O homem ruivo manteve o ritmo atrás deles, como
se ele estivesse acostumado a seu empregador correndo através pela grande
casa. — Esta seria a moça inglesa de cabelos castanhos, então?

— Aye, embora qualquer homem com olhos possa ver que o cabelo dela
é ruivo, não marrom.

Tão simples como foi, pareceu um elogio. Deus sabia que ela odiava
quando as pessoas diziam que seu cabelo era castanho. "Marrom" soava como
uma cor tão maçante. "Ruivo," embora... Julia balançou-se. Claramente ela
estava exausta se poderia gastar seu tempo se preocupando sobre como as
pessoas descreviam seu cabelo. Ela meio que se virou e acenou com a mão na
direção do mordomo. — Prazer em conhecê-lo, Murdoch.

— Igualmente, moça.

— Mantenha Finchey e o Padre Ross aqui, Murdoch — Duncan


ordenou. — Se eles não serão de ajuda, eles, pelo menos, podem ser
testemunhas.
— Eles não partirão, então. Vou ver isso agora. — Quando começaram
a subir as escadas, Murdoch se afastou em direção à parte dos fundos da casa.

— Ele é seu mordomo? — ela perguntou, sem fôlego e os pés cobertos


de pele desajeitados agora nas escadas de pedra precisas.

— Ele organiza a casa, então eu suponho que sim. Não o chamo disso,
no entanto, ou ele vai ficar muito vaidoso.

Duncan estava feliz que Julia ainda poderia ter um momento aqui e ali e
observar o que estava ao seu redor; a maioria das mulheres de sua posição
estariam provavelmente, desmaiadas agora. Mas então ele já tinha percebido
que ela não era como a maioria das mulheres. Ou qualquer mulher que ele já
conheceu, realmente.

Com Bellamy dando-lhes até às três horas, ele tinha algo em torno de
três horas para se preparar para uma luta. Até ontem ele teria gasto uma
grande quantidade de esforço para evitar exatamente esse tipo de conflito,
porque a última coisa que ele queria era ter vizinhos que prefeririam vê-lo
morto. Hostilidade era uma coisa, e muitos deles estavam acostumados a isso.
Mas isso era diferente.

Ele parou no topo da escada e se virou para a direita, em direção ao


quarto de dormir mais ocidental. Tardiamente, ocorreu-lhe que talvez sua
primeira prioridade não deveria ser a introdução de Julia Prentiss a seus entes
queridos, mas isso era o que ele pretendia fazer. Ele não ia deixá-la sentada na
sala da manhã, enquanto ele fazia planos para protegê-la.

Afora isso, suas moças precisavam gostar dela, não porque ele estava
disposto a entregá-la se não gostassem, mas porque sentia... vital que elas a
vissem da mesma maneira que ele. Assim, ele poderia saber que isto não era
um conto do país das fadas, mas uma mulher real e uma real... chance de algo
maravilhoso e inesperado.

— Vovó Maevis?

— Você está sozinho, Duncan?

— Não. Eu tenho uma moça comigo.

— A moça Sassenach pela qual Bellamy espuma de novo?

Ele apertou os dedos de Julia nos seus. — Aye.

— Bem, vamos dar uma olhada nela, então. Abra a porta devagar,
rapaz.

Fazendo como ela sugeriu, ele abaixou a maçaneta e abriu a porta


estreita. Sua avó estava sentada no centro da sala, seus cabelos brancos
empilhados e um bacamarte confortavelmente em seu colo. Ele sabia muito
bem que ela sabia exatamente como usar o grande mosquete.

— Você não escondeu minhas irmãs no guarda-roupa, não foi? — ele


perguntou, puxando Julia atrás dele.

— Estamos atrás do sofá — sua irmã mais nova, Keavy disse,


endireitando-se.

As outras duas se juntaram a ela em pé, em seguida, saíram de trás do


mobiliário para abraçá-lo. Todas elas falando ao mesmo tempo, elas
alegraram-no com a história de como Bellamy tinha vindo gritando e exigindo
olhar pela sua casa, e como Keavy queria o sangrento nariz dele por ser um
Campbell e ousar pôr o pé na propriedade Lenox.
— Vocês tiveram bastante aventura então, aye? — ele interrompeu. —
Assim como eu. Senhoras, esta é a senhorita Julia Prentiss. Julia, Sorcha,
Bethia, e Keavy. E Vovó Maevis.

Suas irmãs fizeram uma reverência em uma onda irregular em seguida,


arrastaram Julia na conversa. Duncan a abandonou, sorrindo para sua
expressão, antes de ir se agachar ao lado da cadeira de sua avó.

— Bellamy disse que vai voltar por ela às três horas — disse ele em voz
baixa. — Ele vai ter mais homens e mais armas com ele.

— Por que ela fugiu dele? Ele não é um Adonis, mas um casamento é
uma ma...

— Ele não se casou com ela. Ele a arrastou para fora de um baile em
Aberdeen, com a intenção de intimá-la ao casamento para salvar sua
reputação. Ela é uma herdeira, com um monte de dinheiro indo para o marido
através de seu casamento.

— E ela fugiu de debaixo dos pequenos olhos redondos de Hugh


Fersen?

Duncan sorriu. — Aye. Ela fez isso. Ela tropeçou em mim, e eu a


escondi na velha casa de campo.

Sua avó olhou para ele. — E? — ela perguntou.

— E o que? Esperamos a chuva passar e caminhamos até aqui.


Bellamy cruzou nosso caminho há meia milha de casa.

— Você estava segurando a mão dela, rapaz — disse Maevis em voz


mais baixa.
Ele podia disfarçar, ele supôs, mas isso só tornaria as coisas mais
difíceis de explicar mais tarde. — Aye. Eu estava. Ela... É estranho, eu
suponho, já que eu só a conheço a um dia, mas ela é... Especial para mim. —
Duncan lançou um olhar na direção de Julia, para encontrá-la sentada no sofá,
sorrindo, com Sorcha segurando uma de suas mãos e Keavy a outra.

— Quão especial?

— Muito especial.

— Tanto a ponto de arriscar suas irmãs e Lenox House?

— Eu vou tentar evitar isso, mas eu não vou entregá-la. Ainda há Bear
MacLawry em Glengask. Vou mandar as quatro para lá para se manterem a
salvo.

— No momento em que chegarmos e Bear decidir cobrar seu resgate,


seria tarde demais, Duncan. Você pensa que Bellamy iria perder um minuto de
sono por queimar esta casa até o chão por causa de orgulho e dinheiro?

— Isso não significa que eu irei perder, vovó. — ele exalou. — Padre
Ross está aqui. Vou mandá-lo com v... — Duncan se calou. Padre Ross estava
na casa.

Maevis estreitou os olhos. — Duncan, o que em nome de St. Bridget


você está pensando?

— Me dê licença por um momento, avó.

Ela agarrou seu pulso enquanto ele se levantava. — Você quer casar
com ela? Bellamy pode fazer dela uma viúva e ainda se casar com ela.
— Aye. — ele sussurrou de volta. — Mas ele não terá seu dote. Isso iria
para mim. E apenas isso poderia detê-lo.

— Só para salvá-la de um namorado pelo qual ela não está inclinada?


Você é mais cauteloso do que isso, rapaz.

Ele soltou o braço. — É mais do que isso, e você sabe. Eu... Eu sei que
sou um homem cauteloso. Mas quando eu a vejo, eu quero bater em meu peito
e rugir.

— Duncan...

Com um sorriso forçado, ele recuou. — Ela pode dizer não, e tudo isso
vai ser discutível, seanmhair. — Ignorando a cara feia que ela enviou atrás
dele, Duncan caminhou até o sofá. — Eu preciso falar com você, Julia —
disse ele, estendendo a mão direita.

Ela enrolou os dedos nos seus e se levantou. — Sua irmã, Keavy, estava
me dizendo que ela pode disparar um mosquete. Ela se ofereceu para assumir
uma janela no sótão e atirar em quaisquer Fersens ou Campbells que ousarem
mostrar seus rostos.

— Aye. Ela está sedenta de sangue — ele concordou, olhando para sua
irmã de oito anos de idade. Ainda segurando a mão de Julia, ele abriu caminho
para fora da sala e pelo corredor até a janela virada para o norte, uma com
vista para as montanhas e as infinitas Highlands abaixo. Sua visão favorita. —
O que você achou delas? Minhas irmãs, eu quero dizer.

— Elas são encantadoras. E eu acho que elas gostaram de mim.


— Como eu. Elas geralmente não se penduram em convidados.
Especialmente em um Sassenach. — Ele levou um tempo olhando para fora da
janela. Ela veio até aqui em uma onda de gracejos. Ela poderia, iria, desejaria
permanecer?

— O que é? — ela perguntou, franzindo a testa.

— Eu tive uma ideia. Se passássemos os próximos seis meses, como


pretendíamos, eu indo até você, em Londres, e eu cortejando-a, então eu
ficaria em um joelho e pediria para você se casar comigo.

Seus olhos procuraram os dele. — Eu acho que você já me cortejou,


Duncan. A menos que você decidiu que isto é demasiado arriscado. Eu não
posso... Eu não vou com ele, mas eu posso fugir daqui. Se você me der um
cavalo, então talvez eu...

— Você quer fugir daqui? Porque eu não quero isso.

— Bem, eu não quero isso, tampouco. Mas eu estou tentando descobrir


o que você está dizendo, e isso é bastante irritante.

Tomando sua outra mão, também, ele fincou um joelho. — O que eu


estou dizendo é que, se eu já sei que eu vou pedir sua mão em seis meses, por
que eu não peço hoje? Eu conheço você só um dia, moça, e ao mesmo tempo
eu sinto que eu a conheço desde sempre.

Seu rosto ficou pálido, mas seu aperto em suas mãos era duro e firme.
— Duncan, você não tem que fazer isso para me proteger.

— Não. Isso me dá a vantagem de proteger você, mas não é por isso


que estou fazendo isso.
— Mas Bellamy pode matá-lo, apenas para se apossar de mim
novamente. Isso não vai ajudar em nada, e iria... Me mataria se algo
acontecesse com você.

— Acontece que eu tenho um padre debaixo do meu teto hoje. E um


monte de testemunhas. Se eu for seu marido, então, seu dote é meu, não é?

Ela assentiu com a cabeça, franzindo a testa. — Sim.

— E se ele me matar, seu dote vai para os meus herdeiros, não é? Sairia
de suas mãos?

— Sim.

— Então, ele iria para o nosso filho, se fizemos um na noite passada —


ele murmurou. — E se nós não fizemos, meu parente masculino mais próximo
é Lord Glengask. Ele devolveria o dinheiro para você. Eu vou escrever tudo,
só para deixar claro que Bellamy não tem nada a ganhar aqui.

Agora suas mãos tremiam nas suas. Ele esperava que fosse um bom
sinal, e que não significasse que ela estava prestes a socá-lo. Talvez ele
estivesse sendo louco, mas uma vez que ele teve a ideia, ela fez mais sentido
do que possivelmente qualquer coisa que ele já tinha feito antes. Tudo o que
ele precisava era de seu consentimento. Se ela o quisesse.

— Você acha que eu poderia estar grávida? — ela sussurrou.

— Nós não... Quer dizer, eu não tomei precauções. Eu não esperava


encontrar você, Julia. Eu não achei que eu gostaria de você assim. Eu...
Ela puxou uma de suas mãos e colocou-a suavemente sobre seus lábios.
— É isso que você quer, Duncan? Diga-me que você não está simplesmente
sendo o generoso, homem heroico que eu sei que você é.

Ele sorriu para ela. — Pelo amor de Deus, moça, me sinto como um
canalha, usando Bellamy para ter você ligada a mim. Se não soasse tolo para
eu dizer isso, eu diria a você que eu a amo. Direi a você que este é o começo
do amor, que o que eu sinto por você somente se tornará maior e maior. Mas
você deve saber, eu quero viver aqui, com minhas irmãs. Você estará muito
longe de Londres a maior parte do ano, e...

— Sim.

Ele engoliu em seco. — Sim, você estará longe de Londres, ou sim você
irá...

— Sim, eu vou me casar com você. Hoje. Agora. E eu vou ferir


qualquer um que tente ficar entre nós.

Lentamente ele se levantou novamente, puxando-a para seus braços e


beijando sua boca quente e macia. — Ninguém tem permissão para ficar entre
nós — ele murmurou.

Quando ele considerou todas as chances de acontecimentos que


poderiam ter ocorrido de forma diferente, o número de coisas que poderiam
ter acontecido justamente quando eles estavam no caminho de se encontrarem,
ele tinha de se tornar um crente em... Alguma coisa. Em Deus, na Providência,
na Magia, no amor. Ou em todos eles, só para ter certeza de que ele dava a
entidade correta seu tributo.

— Devemos dizer a minha família, então, moça?


Ela sorriu para ele. — Isso deve ser interessante.

* * *

Um pouco melhor duas horas mais tarde, Julia Prentiss não foi Julia
Prentiss por mais tempo. Ela era Julia Lenox. O padre tinha hesitado, mas foi
evidente que ele sabia quem amanteigava o seu pão. E tão claro era o respeito
que tinha por Duncan, pelo jeito que ele sabia que o Sr. Lenox não faria as
coisas levianamente.

Antes que ela dissesse sim ela tentou traçar a rota do dinheiro dela,
tentou discernir de uma vez por todas se isso teria de alguma forma sido a
maneira de Duncan de manipular as circunstâncias, a fim de ganhar o seu
dote. Não era lógico, no entanto. Além do grandioso estado de Lenox House,
suas terras eram verdes, seus jardins bem cuidados, todos os sinais de que ele
tinha uma quantidade justa de riqueza tudo por conta própria. Ele não sabia
que ela estava no mundo, e os papéis que ele tinha escrito pelo advogado Sr.
Finchey, que tinha acompanhado o Padre Ross até a casa, afirmou claramente
que sua renda iria para seu filho mútuo. Se isso acabasse por ser impossível,
ela seria herdada por Lord Glengask, e ninguém parecia duvidar por um
segundo que o marquês devolveria o dinheiro para ela, não como um dote
condicional, mas como uma soma de dinheiro real para ela e por ela.

Na verdade, foi um arranjo melhor do que ela poderia ter esperado até
mesmo em um casamento por amor. Porque qualquer um que a cortejasse iria
fazer isso sabendo que ela tinha uma bolsa no valor de quarenta mil libras
ligada ao seu pulso. Ela hesitou em até acreditar em qualquer uma das
palavras doces que seus potencias a pretendentes tinham falado para ela por
essa mesma razão. Mas Duncan... Duncan tinha encontrado uma maneira de
dar o dinheiro de volta para ela, ou, pelo menos, para o benefício de seus
filhos.

Ela olhou para ele quando ele se inclinou sobre a mesa e assinou o
último dos acordos escritos às pressas. Duncan. Seu Duncan, agora. Não era
de todo como ela tinha imaginado seu casamento, porque os pais dela teriam
esperado que ela se casasse em uma enorme catedral como convinha a uma
herdeira e filha de um visconde. Como ele disse, no entanto, hoje ou há seis
meses ou há um ano a partir de hoje, teria sido ele e ela. O cenário era
secundário.

Como se sentisse seu olhar, Duncan olhou para ela e deu um sorriso. —
Você tem uma nota bastante grande para enviar a sua mãe agora, não é, moça?
— ele disse, entregando a caneta de volta ao Sr. Finchey.

— Eu imagino que ela vai ficar aliviada, uma vez que eu explicar.

Aproximando-se, ele segurou seu rosto com as mãos largas e se inclinou


para beijá-la. — Você está certa de que não quer ficar dentro de casa com a
avó e seu bacamarte? — ele perguntou com seu profundo sotaque.

Ela balançou a cabeça. — Se você, Padre Ross e o Sr. Finchey vão estar
lá de frente para ele, então eu também estarei. Caso contrário, ele pode pensar
que é um ardil, que eu tenha escapado e que você está tentando enganá-lo ou
algo assim.

— Você já se provou, você sabe. Se você não deseja vê-lo cara a cara,
eu não pedirei isso a você.

— Mestre Duncan, eles estão vindo pela estrada!


Ele virou-se para Murdoch. — Eles estão adiantados. Não estou
surpreso, mas é um pouquinho rude, não acha?

— Não é brincadeira. Ele é um homem perigoso. — E ela estava muito,


muito nervosa. Se qualquer coisa desse errado, ela poderia muito bem perder
Duncan. E ela tinha acabado de encontrá-lo. Ela queria uma eternidade para se
familiarizar com o marido.

— Eu sou um homem perigoso, também, leannan.

Quando ela viu a expressão em seus olhos verdes, ela acreditou nele.
Ele já havia desafiado o conde duas vezes, com uma arma, e ele ficou
praticamente sozinho contra Fersens e Campbells ao seu redor por toda a sua
vida. Um calor subiu por sua espinha. Quando isto estivesse terminado, e ela
tinha que acreditar que tudo iria correr como planejado, porque qualquer outra
coisa era intolerável, estaria ele, e estaria ela. Juntos.

Ele estendeu a mão para ela. — Vamos acabar com isso, não é?

— Estou pronta.

Fora da casa cinco cavaleiros tinham se organizado em um semicírculo


de frente para a porta da frente. Atrás deles, mais duas ou três dúzias de
homens a pé e a cavalo se arrastavam para a grande construção de pedra. De
acordo com os sussurros do Padre Ross, eles eram em sua maioria Campbells.

— Então você decidiu entregá-la para mim? — perguntou Bellamy, seu


olhar cinza fixando-a de uma forma que a fez se sentir como um inseto sob
seu calcanhar. — É quase uma vergonha que você tenha recuperado o bom
senso.
— Por que isso? — perguntou Duncan friamente, com o rosto
inexpressivo.

— Bem, aqui está você, sozinho, e aqui estou eu, com quase trinta
homens. E você pode ver o que apareceu na frente da minha casa. — Ele fez
um gesto para o homem alto e magro ao lado dele. O sujeito tinha o cabelo
castanho avermelhado quase tão longo como Duncan e uma leve cicatriz que
corria pelo lado direito do rosto de seu queixo para cima debaixo de sua
orelha. — Ou você não está familiarizado com o Sr. Gerdens-Daily?

Duncan inclinou a cabeça, um músculo em sua mandíbula apertando-se.


— George.

— Lenox. Ouvi que você roubou a esposa do meu primo.

— Não. Eu ajudei uma dama que seu primo sequestrou.

O homem das cicatrizes inclinou a cabeça. — Eu ouvi uma versão


diferente desse conto.

— Porque é uma mentira. Julia Prentiss concordou em se casar comigo,


e então ela fugiu. Eu quero ela de volta. Agora.

Luminosos olhos castanhos, quase âmbar, viraram-se para olhar para


ela. Olhos perigosos, de uma maneira diferente do que Bellamy era perigoso.
Os olhos de alguém que poderia espreitar atrás de um homem no meio da
noite com uma faca. Ela estremeceu.

— Senhorita Prentiss — ele disse, seu tom nivelado — por que você
não nos diz o que aconteceu com você, e por que você fugiu de meu primo no
dia que você concordou em se casar com ele?
— Eu não fiz nada disso! — ela retrucou.

— Que importa para você o que ela diz, George? Duncan Lenox mentiu
para mim. Ele está abrigando minha propriedade, e ele ameaçou explodir a
minha cabeça. Ele é primo dos MacLawrys. E todos nós sabemos o que você
disse sobre os MacLawrys, como todos eles pertencem ao chão.

Duncan deu um passo adiante. — Minha briga não é com você, George.

Gerdens-Daily levantou uma mão. — Diga-me sua história, moça.

Respirando, seu olhar nunca vacilando do rosto do homem cheio de


cicatrizes, ela disse a ele. Tudo a partir de concordar em dançar com um rosto
familiar, acordar em uma carruagem, roubar um cavalo de Bellamy Park e
fugir, o encontro com Duncan, embora ela não mencionou que ele tinha estado
despido e ela ter se escondido de Bellamy quando o conde veio até a cabana
procurando por ela.

— Nada disso importa agora de qualquer maneira — Duncan


interrompeu. — Eu tomei medidas para que você não consiga o que você quer
dela, Bellamy.

Os olhos do conde se estreitaram. — Que medidas? — perguntou ele de


forma sucinta.

— Eu casei com ela.

O rosto de Bellamy ficou cinza. — Você o que?

— Aye. Padre Ross nos casou. O Sr. Finchey e uma dúzia dos meus
homens testemunharam. Seu dote agora é meu. Você não o terá, não importa o
que você faça. Então vire e vá para casa, e esteja grato por eu não puxar você
de seu cavalo e prendê-lo pelo que você fez a minha esposa.

Por vários momentos Bellamy gaguejou e cuspiu, até Julia pensar que
ele poderia sofrer uma apoplexia e cair morto na frente de Lenox House. O
pensamento não a perturbou tanto.

Por fim, o conde apontou o dedo para o Sr. Gerdens-Dailey. — Você é


um Campbell, George, assim como eu sou. Eu exijo que você e Orville
destruam Lenox pelo que ele fez para mim. Queimem sua casa maldita até o
chão e toda a sua família com ela.

Gerdens-Dailey cruzou os pulsos sobre a sela. — Você manda que eu


faça seu trabalho sujo?

— Ele é um MacLawry sangrento! Coloque-o sob a terra!

Atrás deles, o som de rifles e mosquetes armando-se nas janelas foi


muito possivelmente a coisa mais assustadora que Julia já tinha ouvido.
Mesmo que ele tenha dito a ela para ficar longe dele, ela deu um passo para
ficar mais perto de Duncan. Seu Duncan.

— Ah — George demorou. — Bem, acontece que eu parei por sua casa


hoje no meu caminho de volta de Londres. Eu tinha algo a dizer para você.
Enquanto eu estava lá com Berling, eu tive uma conversa com Ranulf
MacLawry. — Ele olhou para Julia. — Esse é Lord Glengask, se você está se
perguntando.

— Você fez isso? Ele está morto? — Bellamy parecia um rato que tinha
farejado um queijo.
Duncan, por outro lado, ficou pálido. — E como essa conversa acabou?
— ele perguntou lentamente, dando um meio passo para longe dela, colocando
distância entre eles novamente.

— A maior parte é privado — Gerdens-Daily respondeu facilmente,


como se ele não tivesse conhecimento das emoções turvas de todos ao seu
redor. — Mas terminou com a gente apertando as mãos e concordando que por
uma vez, pelo menos, nós nos absteríamos de derramar sangue um do outro.
— De repente, ele estendeu a mão, tirou o chapéu, e se inclinou para Julia. —
Então, meus melhores votos, Sra. Lenox. Sr. Lenox. Nós estaremos
oferecendo a vocês um bom dia.

— Nós... Não, nós não!

O homem das cicatrizes virou o cavalo, cortando na frente de Bellamy


e fazendo o alazão saltar para trás nervosamente. — Sim, nós faremos. E você
vai deixá-los, ou eu vou ouvir sobre isso. Não me torne um mentiroso por
causa de sua própria ganância sangrenta, Hugh.

— Eu...

— Diga-me que você compreendeu, Hugh — Gerdens-Daily insistiu,


prendendo seu primo com aquele olhar âmbar.

— Eu... Compreendo — Bellamy finalmente grunhiu, esvaziando-se.

— Bom. — Voltando-se novamente, Gerdens-Daily recolocou seu


chapéu e inclinou a cabeça para Duncan. — Meala-naidheachd ort — disse
ele. — Considere isto seu presente de casamento dos Campbells.

— Aye. Eu irei. Obrigado, George.


Os homens viraram para o oeste, voltando pelo caminho que eles
vieram, com George Gerdens-Daily atrás. Em alguns momentos eles passaram
pelo topo da colina. Julia não conseguia parar de olhar, porém, esperando para
ver se eles tinham mudado de ideia, se eles iriam voltar e apanhá-la e
arrastá-la para longe de seu paraíso recém-descoberto.

O braço de Duncan deslizou suavemente pelo seu ombro. — Seu olhar


está pregado no chão. Você está arrependida de ter se casado comigo, agora
que nós terminamos com isso amadan?

Ela não sabia o que a palavra significava, mas não parecia em nada com
um elogio. — O que o Sr. Gerdens-Daily disse para você?

— Ele disse: 'parabéns'. — Lentamente, ele virou-se para encará-la,


para que ela pudesse olhar em seus olhos verdes. A determinação séria que ela
tinha visto neles há poucos minutos se foi, substituída por uma de diversão
crescente e... Carinho. — Você não se arrepende? Eu posso pedir ao Padre
Ross que anule a coisa toda, você sabe.

Padre Ross pigarreou. — Na verdade, a Igreja tem que...

— O que você diz, Julia? Quer ser uma Lenox? Quer ficar comigo e ser
minha esposa? — Duncan interrompeu-o, claramente não interessado em
fatos.

Ela sustentou seu olhar por alguns minutos, um lento sorriso curvando
sua boca. — Como é que vocês dizem esposa?

— Bean. E marido é céile, se você estiver se perguntando.


— Então eu vou ficar e ser a sua bean, Duncan Lenox, e você será meu
céile.

Ele levantou-a em seus braços. — Para sempre?

Agora, este era um presente de Natal, melhor do que qualquer um que


ela teria ousado imaginar. Um presente, e algo a mais. Havia realmente algum
tipo de magia nas Highlands. Ela pensou que poderia ser assim, quando ela
tinha visto Duncan emergir, nu, de um lago. Agora, quando ela olhou para seu
rosto sorridente e seu cabelo preto selvagem, ela soube disso. — Para sempre.
Autora
Uma moradora nativa do sul da Califórnia, Suzanne Enoch adora filmes
quase tanto quanto ela ama livros, com um lugar especial em seu coração para
qualquer coisa de Star Wars. Ela já escreveu trinta novelas regenciais e
romances históricos, que são regularmente encontrados na lista de bestsellers
do New York Times. Quando ela não está ocupada trabalhando em seu
próximo livro, Suzanne gosta de contemplar fenômenos interessantes, como a
forma como os 3 guppies em seu aquário se tornaram 161 guppies em 5
meses.
Glossário
((N. T.: ¹ expressão equivalente à fibra de aço))

((N. T.: ¹ Ela se refere a que normalmente era comum mais os padres
possuírem esconderijos na época.))

((N. T.: ² o cavalo do xadrez é chamado de knight em inglês que


significa também cavaleiro.))

((N. T.: ⁴ no original ounce, onça, unidade de medida como o


kilograma.))

((N. T.: ¹ ele se refere a St. Bridget que ele já citou.))

((N. T.: ² Também chamado de cottar significa um camponês que ocupa


uma casa de campo e terra nas montanhas escocesas sob o mesmo mandato
como um cottier irlandês.))