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CURSO DE ARQUITETURA E URBANISMO

SISTEMAS ESTRUTURAIS NA ARQUITETURA - I

Caderno de Exercícios da disciplina de Sistemas


Estruturais na Arquitetura - I do Curso de
Arquitetura da Universidade Católica Dom Bosco e
Faculdade Mato Grosso do Sul.

Professor: Eng. Civil Esp. Talles Mello


www.tallesmello.com.br
eng.tallesmello@gmail.com

Acadêmico:

Campo Grande – MS
2ª Edição
Solicita-se aos usuários deste trabalho a
apresentação de sugestões que tenham por
objetivo aperfeiçoa-lo ou que se destinem à
supressão de eventuais incorreções.

As observações apresentadas, mencionando a


página, o parágrafo e a linha do texto a que se
referem, devem conter comentários apropriados
para seu entendimento ou sua justificação.

A correspondência deve ser enviada


diretamente ao autor, por meio do e-mail:
eng.tallesmello@gmail.com

Ficha Catalográfica

Mello, Talles.
Sistemas estruturais na arquitetura / Talles Taylor dos Santos Mello –
Campo Grande, MS, 2017.
69 p. : il. color. – (Material didático)

Caderno de aula de exercícios da disciplina de Sistemas estruturais na


arquitetura I, do Curso de Arquitetura da Universidade Católica Dom Bosco,
de Campo Grande/MS.

1. Arquitetura – composição, proporção, etc. 2. Projeto estrutural. 3.


Apostila. I. Universidade Católica Dom Bosco. Curso de Arquitetura. II. Título.

CDD (20) 720.7

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Sumário

1. REVISÃO DE CONCEITOS BÁSICOS 5

1.1. TEOREMA DE PITÁGORAS 5


1.2. FUNÇÕES TRIGONOMÉTRICAS: SENO, CO-SENO E TANGENTE 6
1.3. LEI DOS SENOS 7
1.4. LEI DOS COSSENOS 8

2. CONCEITUAÇÃO DE PONTO MATERIAL E CORPO EXTENSO 10

3. PROPRIEDADES DOS MATERIAIS 12

3.1. MÓDULO DE YOUNG OU MÓDULO DE ELASTICIDADE (Y OU E). 12


3.1.1 REGIME ELÁSTICO 12
3.1.2. REGIME PLÁSTICO 13
3.2. COEFICIENTE DE POISSON (N) 14
3.3. DUCTIBILIDADE 15
3.4. RESILIÊNCIA 15
3.5. TENACIDADE 16
3.6. RESISTÊNCIA 16

4. CONCEITOS FUNDAMENTAIS DA MECÂNICA 17

4.1. FORÇA 17
4.1.1. EXERCÍCIOS 17
4.2. – MOMENTO 27
4.2.1 – EXERCÍCIOS 27
4.3. – TENSÕES 28
4.3.1. EXERCÍCIOS 30
4.4. FLAMBAGEM 32
4.4.1. FORMULA DE EULER (GERAL: ) 32
4.5. ÍNDICE DE ESBELTEZ 33
4.5.1 - EXERCÍCIOS 33

5. PROPRIEDADES GEOMÉTRICAS DAS SEÇÕES TRANSVERSAIS DAS


ESTRUTURAS 35

5.1. INTRODUÇÃO 35
5.1.1. CENTRO DE GRAVIDADE DA SEÇÃO TRANSVERSAL (CG) 35
5.1.1.1.1. SEÇÕES PARTICULARES 35
5.1.1.1.2. EXERCÍCIOS 36
5.2. - MOMENTO DE INERCIA 37
5.2.1. - TRANSLAÇÃO DE EIXOS (TEOREMA DE STEINER) 37
5.2.1.1 – EXERCÍCIOS 38

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6. ESTUDO DAS ESTRUTURAS 40

6.1. CLASSIFICAÇÃO DAS PEÇAS OU ELEMENTOS ESTRUTURAIS 40


6.2. APOIOS (VÍNCULOS) 40
6.2.1. – CLASSIFICAÇÃO QUANTO AOS GÊNEROS 41
6.2.2 – SISTEMAS ISOSTÁTICOS, HIPERESTÁTICOS E HIPOSTÁTICOS 41
6.3 – VIGAS 42
6.3.1 – CLASSIFICAÇÃO 42
6.4. SISTEMAS DE CARGAS 43
6.5. REAÇÕES DE APOIO 45
6.5.1. EXERCÍCIOS 46

7. ESTUDO DOS ESFORÇOS 49

7.1. CLASSIFICAÇÃO E DEFINIÇÕES 49


7.1.1 – CONVENÇÕES 50
7.1.2 – DIAGRAMAS (LINHAS DE ESTADO) – INTRODUÇÃO 51
7.1.2.1 – ROTEIRO – REGRAS GERAIS 52
7.1.2.2 – EXERCÍCIOS 53

8. ATIVIDADES 61

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1. Revisão de Conceitos Básicos

1.1. Teorema de Pitágoras

Definimos (de maneira simplificada) por Triângulo a toda figura geométrica fechada
que possui três lados.
O Teorema de Pitágoras é válido para um Triângulo Retângulo. Definimos por
Triângulo Retângulo a todo Triângulo que possui um ângulo interno de 90º, também chamado de
ângulo reto (90º).
O Teorema de Pitágoras estabelece uma relação de cálculo entre os lados de um
triângulo retângulo. Chamamos de hipotenusa sempre ao maior dos lados de um triângulo
retângulo. Aos outros lados, chamamos de catetos. Portanto, todo triângulo retângulo terá uma
hipotenusa apenas e dois catetos.
O Teorema de Pitágoras estabelece uma relação de cálculo entre a hipotenusa e os
catetos de um triângulo retângulo. Tal Teorema tem grande aplicação prática em desenho, em
construção civil, em serralherias, em marmorarias, etc. Podemos enunciar o Teorema de Pitágoras da
seguinte maneira:
Para um Triângulo Retângulo, o quadrado do valor da sua hipotenusa será igual à
soma dos quadrados dos seus catetos.
Para entendermos, considere o triângulo retângulo abaixo, onde chamamos a hipotenusa
de a e os catetos de b e c, sendo a, b e c números quaisquer.

Exemplo:
1) Determine os lados desconhecidos nos triângulos retângulos apresentados abaixo:

30 cm

40 cm

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Neste caso, o lado desconhecido está representado pela letra a, que no exemplo é o
maior dos lados (hipotenusa), conforme podemos identificar visualmente observando a figura.
Como a figura representa um triângulo retângulo onde precisamos calcular a sua
hipotenusa, podemos aplicar o Teorema de Pitágoras. Assim, temos:
a² = b² + c²
a² = 40² + 30²
a² = 1600 + 900
a² = 2500
a = √2500 = 50 cm

1.2. Funções Trigonométricas: Seno, Co-seno e Tangente

De maneira simplificada, são funções trigonométricas básicas, que podem ser aplicadas
num triângulo retângulo. Relacionam os ângulos formados entre dois dos lados de um triângulo
retângulo com um de seus ângulos internos.
Essas funções trigonométricas são sempre aplicadas em relação a um dos ângulos
internos de um triângulo retângulo. Assim, sabendo o valor de um dos ângulos internos do
triângulo retângulo podemos calcular o valor de um dos catetos desse triângulo ou até mesmo o
valor da sua hipotenusa.
Para entender as definições de seno, co-seno e tangente, se faz necessário conhecer uma
nomenclatura bastante comum aos triângulos. Para tanto, considere o triângulo retângulo abaixo,
onde b e c são os catetos:

Considerando o ângulo α:
- o cateto b encontra-se do outro lado do triângulo, ficando oposto ao ângulo α. Assim,
o cateto b será chamado de cateto oposto ao ângulo α;
- o cateto c encontra-se encostado no ângulo α, ficando adjacente a ele. Assim, o cateto
c será chamado de cateto adjacente ao ângulo α;
Considerando o ângulo β:
- o cateto c encontra-se do outro lado do triângulo, ficando oposto ao ângulo β. Assim, o
cateto c será chamado de cateto oposto ao ângulo β;
- o cateto b encontra-se encostado no ângulo β, ficando adjacente a ele. Assim, o cateto
b será chamado de cateto adjacente ao ângulo β;
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Função Seno de um ângulo

Função Co-Seno de um ângulo

Função Tangente de um ângulo

Essas relações somente são válidas se aplicadas no triângulo retângulo, aquele que
possui um ângulo reto (90º) e outros dois ângulos agudos. Para triângulos quaisquer, utilizamos
a lei dos senos ou a lei dos cossenos com o objetivo de calcular medidas e ângulos
desconhecidos. Enfatizaremos neste texto a lei dos senos e mostraremos sua fórmula e alguns
exemplos de cálculos.

1.3. Lei dos Senos

a = b = c
senA senB senC

Na lei dos senos, utilizamos relações que envolvem o seno do ângulo e a medida oposta
ao ângulo. Exemplos:
1º). Determine o valor de x no triângulo a seguir.

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sen120º = sen(180º – 120º) = sen60º = √3 ou 0,865
2
sen45º = √2 ou 0,705
2
x = 100
sen60° sen45°
x = 100
0,866 0,707
0,707x = 86,6

x = 122,5

2º) No triângulo a seguir, temos dois ângulos (45º e 105º, respectivamente), e um dos
lados mede 90 metros. Com base nesses valores, determine a medida de x.

Para determinar a medida de x, devemos utilizar a lei dos senos, mas, para isso,
precisamos descobrir o valor do terceiro ângulo do triângulo. Para tal cálculo, utilizaremos a
seguinte definição: a soma dos ângulos internos de um triângulo é igual a 180º.
α + 105º + 45º = 180º
α + 150º = 180º
α = 180º – 150º
α = 30º
Agora vamos aplicar a lei dos senos:
x = 90
sen45° sen30°
x = 90
0,707 0,5
0,5x = 63,63

x = 127,26

1.4. Lei dos Cossenos

Utilizamos a lei dos cossenos nas situações que envolvem triângulos não retângulos.
Esses triângulos não possuem ângulo reto, portanto, as relações trigonométricas de seno, cosseno
e tangente não são válidas. Para determinar valores de medidas de ângulos e de lados, utilizamos
a lei dos cossenos, que é expressa pela seguinte lei de formação:
a2 = b2 + c2 – 2·b·c·cosθ
b2 = a2 + c2 – 2·a·c·cosβ
c2 = a2 + b2 – 2·a·b·cosα

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1º) Em um triângulo ABC, temos as seguintes medidas: AB = 6 cm, AC = 5 cm e BC =
7 cm. Determine a medida do ângulo A. Vamos construir o triângulo com as medidas fornecidas
no exercício:

Aplicando a lei dos cossenos, temos:


a = 7, b = 6 e c = 5
7² = 6² + 5² – 2 * 6 * 5 * cos A
49 = 36 + 25 – 60 * cos A
49 – 36 – 25 = –60 * cos A
–12 = –60 * cos A
12 = 60 * cos A
12/60 = cos A
cos A = 0,2
A = arc cos (0,2) = 78º

2º) Calcule a medida da maior diagonal do paralelogramo da figura a seguir utilizando a


lei dos cossenos.

cos 120º = –cos(180º – 120º) = – cos 60º = – 0,5


x² = 5² + 10² – 2 * 5 * 10 * ( – cos 60º)
x² = 25 + 100 – 100 * (–0,5)
x² = 125 + 50
x² = 175
√x² = √175
x = √5² * 7
x = 5√7
Portanto, a diagonal do paralelogramo mede 5√7 cm.

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2. Conceituação de ponto material e corpo extenso

Ponto material (ou Partícula):

É todo objeto onde as suas dimensões são desprezíveis quando comparadas com o
movimento estudado.
Corpo extenso:

Todo objeto onde suas dimensões não podem ser desprezadas quando comparadas com
o movimento estudado.
Assim, o PONTO MATERIAL pode ser um corpo com qualquer tamanho ou forma,
assim entendido na abstração de cálculo como um objeto adimensional, pois suas dimensões são
desprezíveis ou não interferem significativamente nos resultados matemáticos das análises
físicas, quer seja no campo de estudo da cinemática, mecânica ou da estática.
Um bom exemplo disso é o do planeta Terra em seu movimento de translação. Apesar
da Terra ter uma vultuosa quantidade de massa, seu tamanho torna-se, por ordem de grandeza,
desprezível, se comparado à extensão de sua órbita.

Já o CORPO EXTENSO, seja ele qual for, se constitui de uma quantidade limitada de
matéria. Essa consideração se faz importante sempre que a massa desse corpo influi
significativamente no movimento; ou suas dimensões não podem ser desprezadas.
Como exemplo, temos o cálculo do deslocamento de uma locomotiva.

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No exemplo, o trem não pode ser considerado um PONTO MATERIAL, pois, para
ultrapassar a ponte, com dimensão linear de 100 m, a composição deve se deslocar 300 m, que
corresponde à extensão da ponte acrescida do comprimento do próprio veículo ferroviário.
Assim, somente após um deslocamento de 300 m todo o trem terá ultrapassado a ponte.

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3. Propriedades dos Materiais

3.1. Módulo de Young ou Módulo de Elasticidade (Y ou E).


É uma grandeza proporcional à rigidez de um material quando este é submetido
a uma tensão externa de tração ou compressão. Basicamente, é a razão entre a tensão
aplicada e a deformação sofrida pelo corpo, quando o comportamento é linear, como
mostra a equação E=δ/ε.

E= Módulo de elasticidade ou módulo de Young (Pascal)


δ= Tensão aplicada (Pascal)
ε= Deformação elástica longitudinal do corpo de prova (adimensional).

Observe que quanto maior o valor do módulo, menos flexível é o material.


Ocorre que elasticidade não deve ser confundida com flexibilidade.

3.1.1 Regime Elástico

Em Física, o termo elasticidade designa a propriedade mecânica de certos


materiais de sofrer deformações reversíveis, deformações elásticas quando se encontram
sujeitos à ação de forças exteriores e de recuperar a forma original se estas forças
exteriores se eliminam. Para pequenos níveis de carregamento, verifica-se que há um
comportamento aproximadamente linear entre a tensão aplicada em um corpo e sua

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deformação. Com a retirada da tensão, a deformação cessa. Esse fenômeno é denominado
comportamento elástico do material ou Regime Elástico. A elasticidade linear, no entanto,
é uma aproximação da realidade, pois a grande parte dos materiais exibe um grau de
comportamento não-linear. A deformação elástica precede a deformação plástica.

3.1.2. Regime Plástico

Está relacionada com a deformação permanente que ocorre nos materiais devido
à ruptura das ligações intermoleculares. Ocorre quando o material é submetido a tensões
que ultrapassam o limite de elasticidade.
A partir da plastificação, não há mais existência da proporcionalidade entre
tensão e deformação, ou seja, a Lei de Hooke deixa de ser aplicável no material.

Microestruturalmente, a partir de uma determinada tensão (tensão de


escoamento), ocorre uma quebra de ligações entre os átomos e estes se movimentam uns
em relação aos outros, com isso, mesmo com a remoção da tensão, os átomos não
retornam a suas posições originais.
No caso particular dos materiais poliméricos, há um deslizamento entre as
cadeias de macromoléculas. Assim, o comportamento plástico do material inicia a partir
da tensão de escoamento.
Em alguns materiais a partir da tensão de escoamento permanece ocorrendo
deformação até certo ponto, mesmo sem aumento da tensão. A este escoamento em
particular dá-se o nome de fluência ou patamar de deformação.
Essa deformação plástica pode progredir indefinidamente com o tempo até haver
a ruptura do material. A velocidade da fluência aumenta com a temperatura.

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Já nos metais, onde não há patamar de deformação definido, admite-se que a
tensão de escoamento corresponde àquela que provoca uma deformação permanente
igual a 0,2%. Aumentando-se a tensão, a deformação progride até o limite de resistência,
quando ocorre a ruptura do material.

3.2. n)
Coeficiente de Poisson (n

Mede a deformação transversal (em relação à direção longitudinal de aplicação


da carga) de um material homogêneo e isotrópico. Em particular, no caso da razão de
Poisson, a relação estabelecida não é entre tensão e deformação, mas sim entre
deformações ortogonais pela equação µ=-εx/εz=-εy/εz, em que:

n = Razão de Poisson (adimensional)

εx= Deformação na direção x, que é transversal


εy= Deformação na direção y, que é transversal
εz= Deformação na direção z, que é a longitudinal
εy, εy e εz são também grandezas adimensionais, já que são deformações.

O sinal negativo na equação da razão de Poisson é adotado porque as


deformações transversais e longitudinais possuem sinais contrários. Materiais
convencionais contraem-se transversalmente quando esticados longitudinalmente e se
encolhem transversalmente quando comprimidos longitudinalmente. A contração
transversal em resposta à extensão longitudinal devido a uma tensão mecânica de tração
corresponde a um coeficiente de Poisson positivo. Ao se esticar uma borracha, por
exemplo, você notará que ela se contrairá na direção perpendicular àquela que você a
esticou inicialmente. Por outro lado, quando o material possui um coeficiente de
Poisson negativo (que são casos muitíssimo especiais) ele se expande transversalmente
quando tracionado. Materiais que apresentam coeficiente de Poisson negativo são
denominados auxéticos e também conhecidos como anti-borrachas.

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3.3. Ductibilidade

É a capacidade que um material tem em deforma-se plasticamente até sua


ruptura. Um material que se rompe sem sofrer uma quantidade significativa de carga no
regime plástico é denominado de frágil.
O aço laminado, o ferro e os aços de baixo carbono e alguns materiais
poliméricos são dúcteis.
Já o concreto é quase-frágil, pois, mesmo após o pico de resistência, as partes
fraturadas ainda apresentam certa capacidade resistente, além de conseguir absorver
uma parcela de energia.
Sendo assim, o concreto é um compósito que ainda pode suportar deformações
plásticas antes da ruptura. Isso se deve a seu comportamento viscoelástico, pois é
composto por uma fase pasta e uma fase agregado.
Esse comportamento frágil, quase-frágil ou dúctil também influencia e
caracteriza a fratura dos materiais:

3.4. Resiliência

Capacidade de um material absorver energia mecânica em regime elástico (ou


resistir à energia mecânica absorvida) por unidade de volume e readquirir a forma
original quando retirada a carga que provocou a deformação. Quanto mais resiliente for
o metal, menos frágil este será. Materiais de alta resiliência possuem alto limite de
escoamento e baixo módulo de elasticidade, sendo os ideais para uso em molas.

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3.5. Tenacidade

É a capacidade que um material tem em absorver energia ate a sua ruptura.


Também pode ser definida como a energia mecânica necessária para levar um material a
ruptura.

3.6. Resistência

A resistência, no campo da mecânica dos sólidos, é a reação resultante da


aplicação de uma força sobre um material, ou a capacidade de suportar as solicitações
externas sem que estas venham a lhe causar deformações plásticas. Logo, materiais ditos
resistentes são aqueles que possuem grande resiliência.

3.7. Dureza

A dureza se refere à resistência ao RISCO do material. Entenda-se risco como a


desagregação de partículas da superfície de um corpo sólido devido a aplicação de uma
força. Ou seja, material duro é aquele que não se risca facilmente.
A Escala de Mohs quantifica a dureza dos minerais, isto é, a resistência que um
determinado mineral oferece ao risco; e varia de valores de 1 a 10, sendo que o valor de
dureza 1 foi dado ao material menos duro da escala, que é o talco, e o valor 10 foi dado
ao diamante, que é a substância mais dura conhecida na natureza.

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4. Conceitos Fundamentais da Mecânica

4.1. Força

Definição: alguma causa que aterá ou tenta alterar o estado de repouso de um


corpo ou seu estado de movimento uniforme.
Um tipo especial de força, muito importante no cálculo estrutural, é o peso de
um corpo. Cabe destacar que existe uma diferença entre peso e massa:
Massa: é a quantidade de substância contida dentro de um corpo;
Peso: é a força exercida sobre uma massa pela ação da gravidade (g=9,81m/s2).
Vejamos um exemplo de aplicação de força:

4.1.1. Exercícios
1) O elo da figura está submetido as forças F1 e F2, determine a intensidade
e a orientação da força resultante.

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2) Três forças atuam sobre o suporte mostrado. Determine o ângulo θ e a
intensidade de F1 de modo que a resultante das forças seja orientada ao longo do eixo x’
positivo e tenha intensidade de 1kN.

3) O gancho da figura está submetido as forças F1 e F2, determine a


intensidade e a orientação da força resultante.

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4) O parafuso mostrado na figura está sujeito a duas forças F1 e F2 . Determine o
módulo e a direção da força resultante. (RESOLUÇÃO)

5) A extremidade da barra está submetida a três forças concorrentes e coplanares.


Determine a intensidade e a orientação da força resultante. (RESOLUÇÃO)

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6) Encontre as forças componentes nas direções X e Y das forças F1 e F2
apresentadas na figura abaixo, bem como a Força Resultante FR e o ângulo θ.
(RESOLUÇÃO)

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7) Ache as componentes de F sabendo que F = 350 kN

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8) O parafuso tipo gancho mostrado na figura está sujeito a duas forças F1 e
F2 . Determine o módulo e a direção da força resultante

9) Determine a intensidade da força resultante e indique sua direção, medida


no sentido anti-horário, em relação ao eixo u positivo.

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10) Determine a intensidade da força resultante e indique sua direção, medida
no sentido anti-horário, em relação ao eixo x positivo.

11) A tora de madeira é rebocada pelos dois tratores mostrados, sabendo-se que a
força resultante é igual a 10kN e está orientada ao longo do eixo x positivo,
determine a intensidade das forças FA e FB . Considere θ = 15º.

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12) A caminhonete mostrada é rebocada por duas cordas. Determine os valores de
FA e FB de modo a produzir uma força resultante de 950N oreintada no eixo x
positivo, considere θ = 50º.

13) Determine a intensidade da força resultante e indique sua direção, medida no


sentido anti-horário, em relação ao eixo x positivo.

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14) Determine a intensidade da força resultante e indique sua direção, medida no
sentido anti-horário, em relação ao eixo u positivo.

15) Duas forças são aplicadas ao olhal a fim de remover a estaca mostrada.
Determine o ângulo θ e o valor da força F de modo que a força resultante seja
orientada verticalmente para cima no eixo y e tenha uma intensidade de 750N.

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16) Duas lanchas rebocam um barco de passageiros que se encontra com problemas
em seus motores. Sabendo-se que a força resultante é igual a 30kN, encontre
suas componentes nas direções AC e BC. (RESOLUÇÃO)

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4.2.– Momento

O momento de uma força em relação a um ponto (eixo) é a grandeza física que


dá uma medida da tendência de aquela força provocar rotação em torno de um ponto
(eixo). O momento de uma força em relação a um ponto também pode ser denominado
de torque.
M=F.d

4.2.1 – Exercícios

1) A figura mostra uma régua homogênea em equilíbrio estático, sob a ação


de várias forças. Quanto vale a intensidade da força F, em N?

2) Determine o momento da força aplicada em A de 40N relativamente ao


ponto B.

3) Calcule o momento resultante em relação ao ponto O.

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4) Calcule o momento resultante em relação ao ponto O.

4.3.– Tensões

Quando calculando uma estrutura, o engenheiro deve estimar todas as forças


agindo sobre a mesma e suas partes componentes. Os efeitos destas forças são então
considerados em relação à estabilidade da edificação como um todo, e as partes
componentes são feitas fortes o bastante para cumprirem completamente seu papel.
Cabe destacar que as forças a serem consideradas dependem do tipo e propósito
da estrutura. As fibras internas ou partículas das várias partes de uma estrutura são
postas em um estado de tensão pelas forças a que são chamadas a resistir.
As formas básicas de tensão são: tração, compressão, flexão, cisalhamento e
torção. Temos ainda a tensão de flexão, que se trata de uma combinação de tensões
básicas em um mesmo elemento.

Tração (solicitação que tende a alongar a peça no sentido da reta de ação da força aplicada.)

Compressão (solicitação que tende a encurtar a peça no sentido da reta da força aplicada).

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Cisalhamento (solicitação que tende a deslocar paralelamente, em sentido oposto, duas seções de uma peça (força cortante)).

Torção (solicitação que tende a girar no sentido transversal de uma peça)

Flexão (solicitação que tende a modificar o eixo geométrico de uma peça. Ex.: uma barra inicialmente reta que passa a ser
uma curva.)

A seção transversal é obtida por um corte transversal ao eixo longitudinal do


elemento estrutural.
Quando a linha de aplicação da força coincide com o CG do elemento, as
tensões de tração e compressão são uniformes em toda a seção transversal. Caso
contrário ocorrerá além das tensões normais de compressão e tração, tensão de flexão.

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4.3.1. Exercícios

1) Uma força axial de 40 kN é aplicada a um bloco de madeira de pequena


altura apoiado em uma base de concreto que repousa sobre o solo. Determine:
a) a máxima tensão normal na base de concreto;
b) as dimensões da base de concreto para que a tensão no solo seja de 145 kPa.

2) Uma barra de seção circular com 50 mm de diâmetro, é tracionada por


uma carga normal de 36 kN. Determine a tensão normal atuante na barra.

3) Calcule a tensão que acontece nos tirantes dos seguintes esquemas:


a) Tirante com seção circular.

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b) Tirante com seção quadrada.

c)Tirante de seção retangular.

4) Calcular a força capaz de romper um tirante de seção quadrada, como na


figura abaixo, sabendo-se que a sua tensão de ruptura à tração é de 600 N/ mm², e que o
lado da seção transversal vale 15 mm.

5) Um pilar de concreto com altura de 6 m e seção transversal quadrada


deve ser dimensionado para sustentar um caixa d´água pesando 30.000N. A figura
ilustra este problema. Sabendo-se que o módulo de elasticidade do concreto do pilar (E)
é igual a 20.000 N/mm2 e que a tensão admissível (σadm =12 N/mm²) ignorando a
possibilidade de flambagem e desprezando o peso próprio do pilar, calcule o seguinte:
(a) A menor dimensão possível para o lado do quadrado da seção transversal do
pilar para suportar a caixa d´água com segurança, i.e., a tensão no concreto deve ser no
máximo igual à tensão admissível.
(b) A variação de comprimento do pilar de concreto após a aplicação do peso da
caixa d´água. Use a seção transversal do pilar obtida em (a).

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4.4. Flambagem

Flambagem é um fenômeno de instabilidade que pode ocorrer em elementos


estruturais comprimidos. Manifestando-se pelo aparecimento de uma flexao lateral
progressiva que pode causar a ruptura do elemento. Como exemplo de elementos
estruturais que podem apresentar flambagem tem-se: pilares ou colunas, vigas
protendidas, perfis metálicos, cascas, placas, etc.
Portanto, os elementos estruturais comprimidos podem ser divididos em dois
grupos:
a) Elementos curtos ou nao esbeltos
A ruptura desses elementos se da por compressao simples, sem flambagem e a
tensão e deformacao sao dadas pelas seguintes formulas:

Portanto a carga maxima é :

b) Elemento esbelto
A ruptura deste tipo de elemento e dada por flambagem a partir de uma certa
carga critica. O projeto destes elementos deve ser aquele onde a carga aplicada no
mesmo não deve ultrapassar a carga crítica de flambagem.

4.4.1. Formula de Euler (Geral: )

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4.5. Índice de Esbeltez

É o índice que avalia o quanto uma barra comprimida é mais ou menos


vulnerável ao efeito da flambagem. O índice de esbeltez é uma medida mecânica
utilizada para estimar com que facilidade um pilar irá encurvar. É dado por:

Onde:
Lf = comprimento de flambagem da peça em metros → ∗

i = raio de giração em metros →

4.5.1 - Exercícios

1) A barra AB é livre em sua extremidade A e engastada em sua


base B. Determinar a carga centrada admissível P, quando a liga de alumínio
(E=70 GPA) usada:

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2) Uma carga centrada P deve ser suportada pela barra de aço AB. Sabendo-se
que σe = 250 MPa e E = 200 GPa, determinar a menor dimensão d da seção
transversal que pode ser usada, quando: a) P = 60 kN; b) P = 30 kN.
Resp.: a) 37,4 mm b) 25,6 mm.

3) Um tubo estrutural retangular tem a seção transversal mostrada e é usado


como uma coluna de 5 m de comprimento efetivo. Sabendo-se que σ = 250
MPa e E = 200 GPa, determinar a maior carga centrada que pode ser
aplicada na coluna.
Resp.: 422 KN.

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5. Propriedades Geométricas das Seções Transversais das Estruturas

5.1. Introdução

As propriedades geométricas da seção transversal da estrutura são fundamentais


para:
- Cálculo das tensões internas do material;
- Cálculo das deformações e dos deslocamentos que sofrem a estrutura;
- Projeto e dimensionamento dos elementos estruturais.

5.1.1. Centro de Gravidade da Seção Transversal (CG)

O centróide representa o centro geométrico de um corpo. Esse ponto coincide


com o centro de massa ou centro de gravidade somente se o material que compõe o
corpo for uniforme ou homogêneo. Em alguns casos, o centróide está localizado em um
ponto que não está sobre o objeto. Além disso, esse ponto estará sobre qualquer eixo de
simetria para o corpo.
TEOREMA DE VARIGNON

5.1.1.1.1. Seções Particulares

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5.1.1.1.2. Exercícios

1) Calcule o centro de gravidade das figuras abaixo:

a) b)

c) d)

e) f)

g) h)

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2) Calcule o centro de gravidade das figuras abaixo:

5.2. - Momento de Inercia

O momento de inércia, ou inércia rotacional, é uma medida da resistência que um corpo


oferece ao movimento de rotação. Ou seja, é o análogo rotacional da massa no movimento
linear.

5.2.1. - Translação de Eixos (Teorema de Steiner)

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5.2.1.1 – Exercícios

1) Calcule o momento de inercia das figuras abaixo:


a)

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b)

c)

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6. Estudo das Estruturas

6.1. Classificação das peças ou elementos estruturais

Elementos de 1ª categoria: são os elementos denominados de LINEARES,


onde uma dimensão é dominante. Ex: hastes ou barras (Pilares, vigas, tirantes, escoras,
etc.)

Elementos de 2ª categoria: são os elementos bi-espaciais ou com duas


dimensões dominantes. Ex: placas, discos, chapas, etc.

Elementos de 3ª categoria: são os elementos que não tem dimensão dominante.


Ex: blocos de fundação, maciços, etc.

6.2. Apoios (Vínculos)

Os vínculos podem ser de apoio e de ligação ou transmissão não havendo


nenhuma distinção rígida entre os dois tipos, dependendo da função que o vínculo esteja
exercendo no momento em que é analisado.
Por exemplo, analisando o sistema formado por:
LAJE – VIGA – PILAR – FUNDAÇÃO
Se analisarmos o sistema LAJE – VIGA, a viga trabalhará como vínculo de
apoio, mas se a análise for da LAJE – VIGA – PILAR, este último (o pilar) é que
trabalhará como vínculo de apoio, passando a viga para a condição de vínculo de
ligação da laje com o pilar, e assim teremos casos semelhantes, impossibilitando-nos a
uma separação distinta entre APOIO e LIGAÇÃO.

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6.2.1. – Classificação quanto aos gêneros

-Vínculo de 1º gênero ou apoio móvel


É o vínculo que IMPEDE UM movimento, deixando LIVRE os outros DOIS.
Representação:

-Vínculo de 2º gênero ou apoio fixo


É o vínculo que IMPEDE DOIS movimentos, deixando LIVRE os outros UM.
Representação:

-Vínculo de 3º gênero ou engastamento


É o vínculo que IMPEDE todos os TRÊS movimentos.
Representação:

6.2.2 – Sistemas isostáticos, hiperestáticos e hipostáticos

De acordo com o número de vinculações, podemos classificar os sistemas como:


- SISTEMAS ISOSTÁTICOS: são aqueles cujos números de vínculos são os
estritamente necessários, isto é: Nº EQUAÇÕES = Nº INCÓGNITAS
- SISTEMAS HIPOESTÁTICOS: Nº EQUAÇÕES > Nº INCÓGNITAS
- SISTEMAS HIPERESTÁTICOS: Nº EQUAÇÕES < Nº INCÓGNITAS

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Como sistemas isostáticos podemos citar alguns exemplos conforme segue:

6.3 – Vigas

Viga é um elemento estrutural onde uma das suas dimensões é predominante,


portanto, elemento de 1ª categoria.

6.3.1 – Classificação

a) Vigas bi apoiadas:

b) Vigas engastadas:

c) Vigas bi apoiadas com balanço:

d) Vigas inclinadas:

e) Vigas Gerber:

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f) Vigas contínuas:

6.4. Sistemas de Cargas

a) Carga concentrada:

Um objeto sobre uma laje A reação de uma viga A ação do pilar


apoiada sobre outra. sobre a
fundação

b) Carga distribuída:
b.1) Uniformemente: quando a intensidade da carga distribuída for constante.
Sendo: q = taxa de distribuição (a unidade dada em: Kgf/m ou tf/m)
(unid. Força/ unid. Comprimento)

Parede sobre viga Parede sobre laje

b.2) Não uniforme: quando a intensidade da carga for variável.

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c) Carga conjugada:

d) Carga Momento: (unid. Força x distância perpendicular do ponto até a


carga)

e) Outras cargas
e.1) Cargas acidentais (variável):
• Vento;
• Empuxo;
• Frenagem;
• Sobrecargas;
• Terremoto;
• Neve;
• Cargas móveis.
e.2) Cargas permanentes: (ex: peso próprio)

e.3) Cargas Estáticas:

e.4) Cargas dinâmicas:

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6.5. Reações de Apoio

As reações nos vínculos de um modo geral, quer sejam apoios, quer sejam
simples transmissão, são determinadas com a aplicação das seguintes regras que
decorrem imediatamente do estudo da estática.
a) Substituir os vínculos (apoios ou transmissão) pelas forças de ligação
correspondentes, tendo sempre presente que “a cada movimento impedido
corresponde a uma força de ligação (reação)”.

b) Arbitrar um sentido para cada reação.


c) Escrever as equações fundamentais de equilíbrio.

d) CONSERVAR os sentidos arbitrados para as reações que resultarem


positivas e INVERTER os sentidos das que resultarem negativas.

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6.5.1. Exercícios

1) Determine as reações de apoio da viga abaixo:

2) Determine as reações de apoio da viga abaixo:

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3) Determine as reações de apoio da viga abaixo:

4) Determine as reações de apoio da viga abaixo:

5) Determine as reações de apoio da viga abaixo:

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6) Determine as reações de apoio da viga abaixo:

7) Determine as reações de apoio da viga abaixo:

8) Determine as reações de apoio da viga abaixo:

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9) Determine as reações de apoio da viga abaixo:

7. Estudo dos Esforços

7.1. Classificação e definições

Um sistema de forças quaisquer, que satisfaça as equações universais da estática,


atuando sobre um corpo rígido, provocará nele o aparecimento de esforços que,
analisados segundo seu eixo e uma seção que lhe é perpendicular, poderão ser definidos
como esforços simples e classificados como seguem:
ESFORÇO NORMAL (N): é o esforço que age no sentido paralelo ao eixo
longitudinal da barra, no sentido de comprimir ou tracionar a seção.
ESFORÇO CORTANTE (V): é o esforço que age no sentido de cortar ou
cisalhar a seção, ocorre perpendicular ao eixo longitudinal da barra.
MOMENTO FLETOR (MF): é o esforço que age no sentido de envergar ou
flexionar o eixo longitudinal da viga.
MOMENTO TORSOR (T): é o esforço que age no sentido de torcer ou girar
a seção em relação ao eixo longitudinal da viga.

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7.1.1 – Convenções

Esforço Normal:
quando o esforço comprimir a seção, será

quando o esforço tracionar a seção, será

Esforço Cortante:
quando a seção tende a girar no sentido horário, será

quando a seção tende a girar no sentido anti-horário, será

Momento Fletor:
quando o momento (M) tracionar as fibras inferiores e comprimir as fibras
superiores, será

quando o momento (M) comprimir as fibras inferiores e tracionar as fibras


superiores, será

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Momento Torçor: regra da mão direita.

7.1.2 – Diagramas (Linhas de Estado) – Introdução

Chama-se de Linhas de Estado o estudo gráfico dos esforços simples (N, V, M)

Para traçar os diagramas de esforços simples de uma estrutura, algumas regras


básicas devem ser observadas, conforme veremos a seguir:
a) Determinar os valores dos esforços simples para as seções principais,
devidamente destacadas na estrutura a ser calculada.
b) Marcar os valores dos esforços simples nas seções principais, tendo em vista
que, para os esforços cortantes e normais, os valores positivos serão marcados para cima
do eixo em barras horizontais e para fora em barras verticais, enquanto que os valores
dos momentos, ao contrário, por serem os valores marcados do lado das fibras
tracionadas.
c) Para o Momento Fletor, ligar esses pontos por linhas RETAS: CHEIAS nos
trechos descarregados e TRACEJADAS nos trechos onde existam carregamentos
distribuídos. Nas tracejadas e no sentido de atuação da carga distribuída e sempre
perpendicular ao eixo da barra, marcar os valores das parábolas correspondentes ao
trecho. Assim, os trechos com cargas distribuídas apresentarão sobre as tracejadas,
parábolas cujos graus serão duas unidades acima do grau da ordenada de carga. Para o
Esforço Cortante, os valores encontrados para as seções principais serão ligadas por
linhas retas nos trechos descarregados. Nos trechos onde há carregamentos distribuídos,
as seções extremas serão ligadas por linhas correspondentes a uma função com grau de
uma unidade acima da ordenada de carga. Para o Esforço Normal, os valores das seções
principais serão ligados por linhas retas cheias.

d) Aparecerá DESCONTINUIDADE nos seguintes casos:

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- No diagrama de Momento Fletor, onde houver carregamento aplicado (carga
momento, carga conjugada ou binário).
- No diagrama de Esforço Cortante, onde houver carga concentrada aplicada
que seja perpendicular ao eixo da barra.
- No diagrama de Esforço Normal, onde houver carga concentrada aplicada que
seja paralela ao eixo da barra.
e) Onde houver carga concentrada aplicada, o diagrama de momento fletor
apresentará angulosidade no sentido da força.

7.1.2.1 – Roteiro – Regras Gerais

1. Verificar o tipo de sistema da estrutura. (isostático, hipoestático, hiperestático)


2. Se a estrutura é Isostática, então, determinar as reações de apoio da estrutura.
3. Determinar os valores dos esforços nos pontos principais da estrutura.
4. Marcar os valores assim obtidos a partir do eixo da viga respeitando-se a
convenção de sinais.
5. Ligar os pontos assim marcados por linhas:
-para o momento fletor: retas cheias nos trechos descarregados e por retas
tracejadas nos trechos sujeitos há carregamentos distribuídos;
-para o cortante: retas cheias nos trechos descarregados e com carregamentos
distribuídos e uniformes e por parábolas nos trechos onde houver carregamentos
distribuídos e não uniformes.
6. A partir das linhas tracejadas, na direção perpendicular ao eixo da viga e no
sentido do carregamento, marcam-se os valores correspondentes as parábolas dos
momentos em cada trecho.
7. Ao final, hachurar o espaço compreendido entre as parábolas e/ou as linhas
retas cheias, chamadas de linha de fechamento e o eixo da peça e tem-se assim os
diagramas dos esforços simples para uma determinada estrutura.

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7.1.2.2 – Exercícios

Traçar os diagramas dos esforços para as estruturas a seguir.

1)

2)

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3)

4)

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5)

6)

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7)

8)

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9)

10)

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11)

12)

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13)

14)

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15)

16) Determinar o máximo valor da carga distribuída “q” para a viga abaixo
sabendo que o MMAX = 150 kNm.

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8. Atividades
Atividade 01
1. Pesquisar na NBR 6118 ou livros de concreto armado, quais são as dimensões geométricas mínimas
para as seguintes estruturas:
a. Vigas
b. Laje de cobertura (não em balanço)
c. Laje piso ou laje de cobertura em balanço
d. Laje que suporte veículos com peso menor do que 30 KN (3 tf)
e. Laje que suporte veículos com peso maior do que 30 KN (3 tf)
f. Pilares
2. Para projetar uma estrutura, um elevador, etc, qual é o peso padrão de uma pessoa?
3. Pesquisar os seguintes conceitos, como o que significam e exemplos onde ocorrem:
a. Flexão simples
b. Flexão composta
c. Flexão obliqua
d. Compressão
e. Tração
f. Cisalhamento
g. Qual a necessidade do aço no concreto?

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Atividade 02
1. Encontrar os valores de , | |e e indicar no exercício abaixo.

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Atividade 03
(a) Calcule a área da seção transversal mostrada abaixo.
(b) Calcule as coordenadas x e y do centroide da seção transversal.
(c) Indique na figura com uma marca qualquer a localização do centroide.

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Atividade 04
1. Calcule os momentos de inércia em relação aos eixos x' e y' que passam pelo centroide C da seção
transversal mostrada abaixo.
Os valores calculados devem ter apenas uma casa decimal.
Indique a unidade dos momentos de inércia calculados.

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Atividade 05
1. Uma coluna articulada nas extremidades tem seção quadrada e comprimento de 2m.
Sabendo-se que E = 13 G ,! "# 12 ' e coeficiente de segurança de 2,5 no calculo
da carga crítica, determine a dimensão da seção transversal para:
a) Uma força de 100 KN
b) Uma força de 200 KN
c) Uma força de 5 tf

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Atividade 06
1. Determine as reações de apoio das estruturas abaixo. As reações devem ser indicadas com valores,
sentidos e unidades.

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Atividade 07
1. Determine as reações de apoio das estruturas abaixo, assim como os diagramas de momento e de
cortante. As reações devem ser indicadas com valores, sentidos e unidades.

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Atividade 08
1. Conforme projeto de garagem de concreto abaixo, com laje pré-moldada e direção dos trilhos
indicada, calcule a carga nos pilares e encontre as cargas aplicadas na viga vertical e na viga
horizontal, com auxílio da NBR 6120, calcule as reações de apoio e os diagramas de momento e
cortante.

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Acadêmico: RA: __

Turma: Turno: Matutino ( ) Noturno ( )

As atividades são de periodicidade semanal e/ou quinzenal, disponibilizados no site www.tallesmello.com.br,


devendo cada atividade ser apresentada na data estipulada pelo professor. Todas as Tarefas são individuais e
avaliadas segundo o seguinte critério:
- Atividade apresentada completa na data agendada: até 0,5 ponto
- Atividade apresentada completa com atraso de 1 dia até 1 semana: até 0,25 ponto
- Atividade apresentada completa com atraso de até 2 semanas: até 0,05 ponto
- Não será pontuada atividade incompleta, apresentada com mais de 2 semanas de atraso, realizada fora do
Caderno de Aula (entregue avulsa ou em outro caderno, distinto do Caderno de Aula – modelo do professor) ou que
não observe ao modelo padrão de apresentação, salvo motivo de força maior (doença, chamado judicial...)
devidamente comprovado pelo acadêmico.
O aluno não tem obrigação de acertar todos os exercícios, mas deve comprovar seu esforço.
As folhas que contiverem os exercícios a serem mostrados devem ser precedidas de cabeçalho, para fácil
identificação pelo professor, conforme modelo padrão de resolução. Os cálculos devem ser manuscritos, com boa
caligrafia, sempre precedidos das expressões algébricas (fórmulas) e com respostas inscritas em um retângulo,
com respectivas unidades de medida.
O caderno deve ser entregue ao professor para avaliação na data agendada, feita na presença do aluno. A
nota atribuída é subjetiva, à critério do professor, conforme proporcional observância a estas regras.

Atividade 01 Atividade 02 Atividade 03

Atividade 04 Atividade 05 Atividade 06

Atividade 07 Atividade 08

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