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DIREITO

ESTATUTO DA 
CRIANÇA E DO
 ADOLESCENTE

INTRODUÇÃO Brasileiro em 14/11/1990 passando a STJ já firmou posição no sentido de


integrar o ordenamento jurídico que se considera a idade do infrator 
O Estatuto da Criança e do pátrio.
pátrio. Todos esses diplomas,
di plomas, em sua ao tempo do ato infracional, sendo
Adolescente, Lei nº 8.069/90, trouxeessência, foram absorvidos na irrelevante a circunstância de atingir 
para a legislação brasileira uma elaboração do Estatuto, sendo o adolescente a maioridade civil
verdadeira revolução no trato da imprescindível a leitura dos mesmos ou penal durante o cumprimento
infância e da juventude do país. para qualquer operador que irá da medida socioeducativa. Por 
Houve uma completa alteração do estudar o direito da infância. exemplo, se alguém comete um ato
paradigma de como o Estado e a infracional equiparado ao crime de
Sociedade passariam a tratar suas  APLICAÇÃO E
PRINCÍPIOS homicídio com 17 anos, 11 meses
novas gerações. Essa projeção das e 29 dias de idade, pode sofrer 
crianças e adolescentes como 1. Aplicação: conforme dispõe o art. ação para imposição de medidas
sujeitos de direitos, destinatários 2º, o ECA aplica-se, como regra, às socioeducativas até completar 21
primazes das políticas públicas , já crianças (até 12 anos incompletos) anos. Após esta idade, por ser 
vinha sendo tratada e introjetada na e adolescentes (entre 12 e 18 anos causa absoluta de encerramento
legislação mundial no pós-segunda incompletos). Excepcionalmente de competência , o adolescente não
grande guerra, com a grande (art. 2º, parágrafo único) aplica- pode ser mais processado, nem
preocupação quanto à normatização se às pessoas entre 18 e 21 anos. receber qualquer medida.
dos direitos humanos, decorrente Com o novo Código Civil (art. 5º) e a
dos traumas e feridas expostas no consequente redução da maioridade 2. Princípios: ao adotar o princípio
insano conflito. Podemos estabelecer, civil para 18 anos, esta regra não integral , a legislação
da proteção integral,
como marco inicial dessa nova se aplica mais, por exemplo, para o brasileira afastou-se completamente
perspectiva, a Declaração Universal deferimento de tutela, assistência do conceito básico que sustentava
dos Direitos das Crianças, aprovada e representação (art. 142) e, o antigo Código de Menores (Lei
pela Assembléia Geral das Nações então, limita-se apenas à aplicação nº 6.697/1979), que encampava a
Unidas, em 20 de novembro de 1959, das medidas socioeducativas de doutrina do “menor em situação
na qual se destacavam os direitos internação e de semiliberdade, irregular”, não fazendo distinção
dos infantes, enquanto pessoas com decorrentes da prática de ato entre os carentes e os autores de
direitos fundamentais que deveriam infracional, em face da disposição atos infracionais. Com o advento da
ser tutelados e garantidos na expressa dos artigos 121, § 5°, e Constituição da República de 1988,
legislação de todos os países. Com a 120, § 2°, do ECA. Entendo que esse enfoque foi completamente
evolução do direito internacional, as medidas protetivas (art. 101) alterado, conforme dispõe o seu
seguiram-se as Regras Mínimas das aplicadas cumulativamente a estas, artigo 227: “É dever  da família, da
Nações Unidas para a Administração
Administração também persistem à maioridade. sociedade e do Estado assegurar 
da Justiça da Infância e da Juventude Não é demais ressaltar que o à criança e ao adolescente, com
(Regras de Beijing, Resolução 40/33, estabelecimento da competência da absoluta prioridade , o direito à vida,
de 29/11/1985), as Diretrizes das Justiça da Infância, quanto aos atos à saúde, à alimentação, à educação,
Nações Unidas para a Prevenção da infracionais, nos termos expressos ao lazer, à profissionalização, à
Delinquência Juvenil (Diretrizes de do art. 104, parágrafo único, do cultura, à dignidade, ao respeito, à
Riad , de 01/03/1988) e a Convenção Estatuto, é considerado à época do liberdade e à convivência familiar 
sobre os Direitos da Criança, ato infracional, ou seja, dos fatos e comunitária, além de colocá-los a
aprovada pela Assembléia
Assembléia Geral das praticados antes da maioridade salvo de toda forma de negligência,
Nações Unidas em 20/11/1989 e penal - 18 anos (art. 228 da CF). O discriminação,
discriminação, exploração, crueldade
ratificada pelo Congresso Nacional

1
e opressão”. Dessa diretriz gerais, à atenção individual, 2. Do direito à liberdade, ao
constitucional extraímos os dois desde a gestação, passando ao respeito e à dignidade (arts. 15
pilares principais de sustentação do nascimento e desenvolvimento sadio a 18 do ECA): dispõe o art. 15:
Estatuto: a) Princípio da Proteção e harmonioso. Destaquem-se: a) “A criança e o adolescente têm o
Integral (art. 3º do ECA): constitui Atendimento integral à gestante - direito à liberdade, ao respeito e à
o dever da família, da sociedade pré e perinatal - pelo SUS, incluindo dignidade como pessoas humanas
e do Estado brasileiro garantir  os acompanhamentos médicos em processo de desenvolvimento
as necessidades de crianças e específicos, apoio alimentar, etc. e como sujeitos de direitos civis,
adolescentes (até 18 anos de idade), (art. 8°); b) Garantias à asseguração humanos e sociais garantidos na
atentando-se à condição peculiar de do aleitamento materno, inclusive à Constituição e nas leis”. Apesar de
pessoa em desenvolvimento (art. mulher trabalhadora ou privada de parecer repetência do disposto no art
6º), assegurando-lhes seu direito liberdade (art. 9°); c) Os hospitais 4° da Lei, o legislador teve a intenção
à vida, à saúde, à educação, à e estabelecimentos de saúde são de reforçar a quebra da diretriz da
convivência, ao lazer, à liberdade, à obrigados a: - identificar o recém- legislação menorista anterior, alçando
profissionalização, etc., garantindo- nascido por sua impressão plantar e os infantes à condição de sujeitos em
lhes o desenvolvimento físico, digital e da impressão digital da mãe desenvolvimento e portadores de
mental, moral, espiritual e social, em (art. 10°, II); - proceder aos exames direitos humanos fundamentais.
fundamentais .
condições de liberdade e dignidade, visando ao diagnóstico e terapêuticas 2.1. Direito à liberdade: o
resguardando-as de qualquer forma de anormalidades do metabolismo direito à liberdade vem, em rol
de negligência, discriminação, (“exame do pezinho” - art. 10°, III); - exemplificativo, no art 16 do ECA,
exemplificativo,
exploração, violência, crueldade fornecer declaração de nascimento do qual destacamos: a) Liberdade
e opressão (art. 5º); b) Princípio com todas as intercorrências do de locomoção (inciso I): ir, vir e
da Prioridade Absoluta (art. 4º parto e desenvolvimento do neonato estar nos logradouros públicos e
do ECA): estabelece a primazia de (art. 10°, IV); - manter a mãe e o espaços comunitários, ressalvadas
crianças e adolescentes receberem neonato em alojamento conjunto as restrições legais. Garante-se o
proteção e socorro em qualquer  (art. 10°, V); - em caso de internação direito constitucional, mas adequado
circunstância, bem como, de da criança ou do adolescente à sua condição de pessoa em
terem a preferência de atenção na garantir, também, o alojamento desenvolvimento, portanto, de forma
formulação de políticas e destinação conjunto, em tempo integral, de um não absoluta. O próprio Estatuto
de verbas públicas. O parágrafo dos pais ou responsável (art. 12); elenca algumas restrições como,
único do artigo 4º do ECA especifica d) O poder público deve garantir  por exemplo, a restrição de crianças
as hipóteses, de forma não taxativa, o acesso universal e igualitário em determinados espetáculos
ante o princípio de caráter geral: de crianças e adolescentes ao públicos (art. 75), frequência a
a) Primazia de receber proteção e Sistema Único de Saúde (art. 11°), casas de jogos (art. 80), restrições
socorro em quaisquer circunstâncias; inclusive, atendimento especializado em hospedagem (art. 82), viagem
b) Precedência do atendimento nos aos portadores de deficiência (art. de criança desacompanhada, ou
serviços públicos e de relevância 11, § 1°), incumbindo, também, sem autorização judicial (art. 83
pública; c) Preferência na formulação ao poder público, o fornecimento - O adolescente não necessita
e na execução das políticas sociais de medicamentos, próteses, etc. de autorização judicial para viajar 
públicas; d) Destinação de recursos (art. 11°, § 2°). O SUS deverá desacompanhado nos limites do
públicos nas áreas relacionadas com promover programas de assistência território nacional), apreensão
a proteção à infância e à juventude. médica e odontológica preventivas, decorrente da prática de ato infracional
LINK ACADÊMICO 1 educativas e, em caráter obrigatório, grave (art. 106, 173 e 174 do ECA).
DOS DIREITOS de vacinação (art. 14); e) Os Destaque-se, ainda, a limitação
FUNDAMENTAIS casos de confirmação de maus-  justa imposta aos filhos menores,
tratos, ou mera suspeita, contra em benefício destes, decorrente
1. Do direito à vida e à saúde (arts. crianças e adolescentes devem ser, do exercício do poder familiar (art.
7° a 14 do ECA): o Estatuto procurou obrigatoriamente, comunicados ao 1.634 do Código Civil.). Quem privar 
assegurar a proteção à vida e à Conselho Tutelar (art. 13°), sob pena criança ou adolescente de sua
saúde de crianças e adolescentes, de, não o fazendo, os médicos ou liberdade, fora das hipóteses legais,
garantindo a efetivação de políticas responsáveis pelos estabelecimentos incorre nas penas do crime previsto
públicas sociais que estabelecem o de saúde incorrerem na infração no artigo 230 do Estatuto da Criança
atendimento dentro da concepção administrativa
administrativa prevista no art. 245 do e do Adolescente; b) Liberdade de
de integralidade, desde as políticas Estatuto. opinião e expressão (inciso II):


Além de formular e externar suas eleitoral ativa (art. 14, § 3°, VI, (art. 245) e normas penais especiais
convicções (garantidas as restrições d, da CF). Inclui-se aqui o direito (art. 232). Ressalte-se, ainda, que,
legais quanto à honra de terceiros, de organização e participação em em nível criminal, além de lesão
etc.) a criança e o adolescente têm entidades estudantis (art. 53, IV); corporal (art. 129 do CP) e maus-
o direito de serem ouvidos para a g) Liberdade de buscar refúgio, tratos (art. 136 do CP), a Lei 9.455/97
colocação em família substituta (art. auxílio e orientação (inciso VII). (Lei de Tortura) define como crime
28, § 1° e art. 168) ou nas ações de 2.2. Direito ao respeito: o direito a submissão de alguém, sob sua
perda ou suspensão do pátrio poder  ao respeito vem sintetizado no guarda, poder ou autoridade, com
que impliquem a modificação de artigo 17 do ECA : “O direito ao emprego de violência ou grave
guarda (art. 161, § 3°); o adolescente respeito consiste na inviolabilidade ameaça, a intenso sofrimento físico
deve ser ouvido e manifestar seu da integridade física, psíquica e ou mental, como forma de aplicar 
consentimento em caso de adoção moral da criança e do adolescente, castigo pessoal ou medida de caráter 
(art. 45, § 2°). Destaque-se, ainda, abrangendo a preservação da preventivo (art.1°, II), situação que,
que o autor de ato infracional tem o imagem, da identidade, da autonomia, infelizmente, já foi constatada em
direito de ser ouvido pessoalmente dos valores, idéias e crenças, entidades que executam a medida de
pela autoridade competente (art. dos espaços e objetos”. O mais internação. Outro ponto de destaque
111, V) e o adolescente privado comezinho é o respeito à integridade do direito ao respeito, tratado neste
de liberdade pode entrevistar-se física das crianças e adolescentes. artigo 17, é o da preservação da
pessoalmente com o representante Em vários dispositivos, o Estatuto imagem (resguardando-se a honra
do Ministério Público (art. 124, I), demonstra a preocupação contra a objetiva e subjetiva) e da identidade
reservadamente com o seu defensor  prática de maus-tratos (incluindo-se (preservando seus dados individuais
(art. 124, III), peticionar diretamente as violações psíquicas e morais), da exposição pública; sua intimidade
a qualquer autoridade (art. 124, II) procurando criar uma rede de proteção e vida privada). Nesse diapasão, vale
e corresponder-se com familiares por meio de algumas determinações, verificarmos a norma do art. 143 do
e amigos (art. 124, VIII). Dispõe, tais como: a) Impondo deveres de ECA: “É vedada a divulgação de atos
ainda, a Súmula 265 do STJ que “é comunicação da ocorrência dessas  judiciais, policiais e administrativos
necessária a oitiva do menor infrator  violações ao Conselho Tutelar  que digam respeito à criança e aos
antes de decretar-se a regressão (art. 13), de ensino (art. 56, I) - adolescentes a que se atribuam
da medida socioeducativa”; c) com sanções administrativas pela autoria de ato infracional. Parágrafo
Liberdade religiosa (inciso III): sua inobservância (art. 245); b) único: qualquer notícia a respeito
garantia da liberdade de crença e culto Estabelecendo regras de prevenção do fato não poderá identificar a
religioso, gerando, aqui, discussão (art. 70), como, por exemplo: - art. criança ou o adolescente, vedando-
sobre eventual ensino religioso 87, III - serviços de prevenção e se fotografia, referência a nome,
obrigatório em estabelecimentos atendimento médico/psicossocial apelido, filiação, parentesco,
públicos de ensino (ver art. 33 da às vítimas; - art. 130 - afastamento residência, inclusive, iniciais do
Lei nº 9.394/96 - Diretrizes e Bases cautelar do agressor da moradia nome e sobrenome”. A violação
da Educação). O Estatuto garante, comum); c) Impondo deveres desta regra geral, especialmente
ainda, a assistência religiosa ao expressos ao poder público e às pelos órgãos de imprensa, implicará
adolescente internado (art. 94, XII entidades executoras da medida a prática da infração administrativa
e art. 124, XIV); d) Liberdade de socioeducativa privativa de liberdade. prevista no art. 247 do ECA, com as
brincar, praticar esportes e divertir- Além das determinações de caráter  penas ali estabelecidas. À primeira
se (inciso IV), garantindo-se, assim, genérico dos artigos 94, IV e 125, vista, tais regras podem parecer 
o respeito à condição peculiar  observe-se, por exemplo, a norma de um protecionismo exagerado,
de pessoa em desenvolvimento do art. 178, a qual determina que o principalmente, quando fatos
saudável. Reflexo disso, por  transporte de infrator não poderá gravíssimos aparecem na mídia
exemplo, está na Lei 11.104/05, ocorrer em compartimento fechado envolvendo adolescentes como um
que obriga hospitais pediátricos a de veículo que implique risco à de seus autores. Contudo, muito
manterem brinquedotecas, aliviando sua integridade física e mental. No bem andou o legislador ao criar 
o tratamento das crianças internadas; tocante à utilização de algemas, essa proteção para a grande massa
e) Liberdade de participação não há regra específica, devendo de jovens que acabam, até pela
na vida familiar e comunitária, ser seguida a diretriz da 11ª Súmula impulsividade e falta de criticidade,
sem discriminação (inciso V) ; f) Vinculante do STF e da norma no típicas da idade - sem falar das
Liberdade de participar da vida artigo 232 do ECA); d) Criando condições sócio-econômicas (mais
política, observada a capacidade sanções administrativas específicas de 50% dos adolescentes internados

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em São Paulo vêm dos bairros da sua família e, excepcionalmente, sua ressocialização, o direito de
mais carentes do extremo da zona em família substituta, assegurada a permanecerem internados na
sul e leste da capital), envolvendo- convivência familiar e comunitária, mesma localidade ou naquela mais
se em uma infração nessa fase em ambiente livre da presença de próxima ao domicilio de seus pais ou
de desenvolvimento. Caso o seu pessoas dependentes de substâncias responsáveis, de receberem visita
processo sócioeducativo tivesse entorpecentes”. Dentro do conceito semanalmente e de corresponderem-
sucesso, mesmo assim, eles já da proteção integral, altera-se se com seus familiares e amigos (art.
começariam a vida adulta com completamente o tratamento da 124, VI, VII e VIII do ECA). Para que
uma mácula que lhes dificultaria, relação parental e a forma de este direito seja garantido, outorgou
sobremaneira, o ingresso no mercado atenção pelo Estado quando houver  ao Estado o dever de diligenciar no
de trabalho e o prosseguimento de irregularidades nesta, ou seja, sentido do restabelecimento e da
uma vida socialmente adequada quando, por falta, omissão ou abuso preservação dos vínculos familiares,
e correta. O resguardo legal não dos pais, a criança ou o adolescente bem como, de comunicar à
protege um infrator que se destacou estiver  em situação de risco (art. autoridade judiciária, periodicamente,
na mídia, mas uma idéia, um princípio, 98, II, do ECA). Os filhos passam a os casos em que se mostre inviável
a massa esmagadora de jovens que ter o direito, como regra, à criação, ou impossível o reatamento de tais
merecem uma nova oportunidade. à educação e à convivência no seio vínculos (art. 94, V e VI, do ECA).
Prosseguindo, ainda merecem ser  da sua família biológica (ligados Como já dissemos, a regra é a
apontados, dentro do direito ao pelos laços de consanguinidade), ou manutenção dos filhos em sua família
respeito, o direito à preservação da seja, na sua família natural (art. 25 natural (art. 25 - comunidade formada
autonomia (resguardado o poder  do ECA). Em caráter excepcional, pelos pais, ou qualquer deles, e seus
familiar, como acima já dissemos), como medida de proteção, no descendentes). Na senda da CF/88, o
o direito à preservação de valores, impedimento da natural, a criança ou ECA deixou consignado, em seu artigo
idéias e crenças e, por fim, o direito adolescente deverá ser colocada em 20, a impossibilidade de qualquer 
à preservação de espaços e objetos família substituta, mediante guarda, designação discriminatória relativa
pessoais (o artigo 124, XV, do ECA tutela ou adoção (art. 28 do ECA). à filiação, igualando-lhes todos os
garante ao adolescente que está Ainda, como exceção da exceção, direitos (incluindo os sucessórios) e
internado a posse de seus objetos na impossibilidade das anteriores, qualificações. Neste mesmo sentido,
pessoais e a designação de local poderá haver encaminhamento para o teor do art. 1.596 do CC. Assim,
seguro para guardá-los). família substituta estrangeira, a qual afastada as discriminações das
2.3. Direito à dignidade: o direito à somente é admitida na modalidade legislações anteriores à nova ordem
dignidade está espelhado no art. 18 de adoção (art. 31 do ECA). Frise-se constitucional, o art. 26 estabelece que
do Estatuto, o qual, seguindo o norte que, independentemente da natureza os filhos havidos fora do casamento,
constitucional, assevera ser dever  daquela (natural ou substituta), o poderão ser reconhecidos pelos
de todos velar pela dignidade da objetivo é sempre a manutenção no pais, conjunta ou separadamente.
criança e do adolescente, pondo-o seio familiar. Desta feita, houve uma As formas deste reconhecimento
a salvo de qualquer tratamento total alteração, também, na forma de foram ampliadas em face do disposto
desumano, violento, aterrorizante, atenção pelo Estado quanto à antiga no art. 1.609 do CC, que ora prevê
vexatório ou constrangedor. doutrina da situação irregular do que o mesmo poderá ser feito: a)
Inclusive, a lei, para melhor garantir- Código de Menores, a qual possuía No registro de nascimento; b) Por 
lhe o cumprimento, sem prejuízo de como solução imediatista para os escritura pública ou escrito particular 
infração mais grave, criou norma problemas da infância, seja aquela em cartório; c) Por testamento, ainda
penal específica para quem submeta em situação de risco ou em conflito que incidentalmente manifestado; d)
criança ou adolescente, sob sua com a lei, o encaminhamento, Por manifestação expressa e direta
guarda ou autoridade, a vexame ou sem distinção, para internação perante o Juiz. Verifique-se que o
constrangimento (art. 232). em orfanatos e similares. Hoje reconhecimento do estado de filiação
o abrigamento deve ser sempre é direito personalíssimo, indisponível
3. Do direito à convivência familiar  a última hipótese e sempre pelo e imprescritível, podendo ser 
e comunitária (arts. 19 a 52 do ECA): menor intervalo de tempo possível. exercitado contra os pais e seus
como decorrência da nova diretriz A relevância e a constatação da herdeiros (art. 27 do ECA).
constitucional prevista no artigo 227 inegável importância da convivência 3.1. Do poder familiar, sua perda
da CF, o artigo 19 do ECA estabeleceu familiar, inclusive, levaram o ou suspensão: nesta mesma linha
que “toda criança ou adolescente tem Estatuto a garantir aos adolescentes de entendimento, o art. 21 do ECA
direito a ser criado e educado no seio infratores, como meio de facilitar  estabelece que o poder familiar 

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deverá ser exercido em igualdade levam à suspensão do pátrio poder,  judiciária poderá requisitar qualquer 
de condições pelo pai e pela mãe, acima referidas. É muito importante documento (art. 160). Não se aplicam
sendo que, em caso de divergência, deixar claro, contudo, que a falta os efeitos da revelia, por se tratar de
eles devem recorrer à autoridade ou carência de recursos materiais questão de estado, revestindo-se o
 judiciária; cabendo a esta decidir  não constitui motivo suficiente poder familiar de direito indisponível.
no melhor interesse do infante. para a perda ou suspensão do 3.2.1. Não havendo contestação
Consigne-se, desde já, que, como poder familiar  (art. 23 do ECA). (art. 161, caput): quando o Parquet 
veremos a seguir, o poder familiar  Nessa hipótese, a família deverá ser  não for o autor da ação, o Juiz dará
não é exercido de forma absoluta, promovida socialmente, incluindo-a vista ao Promotor de Justiça por 
podendo, por decisão judicial, em programas oficiais de auxílio cinco dias e decidirá em igual prazo.
ser decretada a sua perda ou (art. 23, Parágrafo único e art. 101, Havendo prova pré-constituída com
suspensão. Para a ocorrência de uma IV), mantendo-se a criança junto a inicial, cabe julgamento antecipado
dessas duas hipóteses, devemos à mesma. Na impossibilidade, até da lide (art. 330, I, do CPC). Havendo
interpretar o ECA em conjunto com que as inclusões sociais sejam necessidade de dilação probatória,
as disposições do CC. O art. 22 do providenciadas, a criança ou o o Juiz de ofício ou a requerimento
Estatuto estabelece que são deveres adolescente poderá ser colocada sob das partes ou do Ministério Público,
dos pais o sustento, a guarda e guarda provisória de outra família determinará a realização de
a educação dos filhos menores, ou, não sendo possível, abrigada estudo social ou perícia por equipe
cabendo-lhes, ainda, no interesse temporariamente. interprofissional ou multidisciplinar,
destes, a obrigação de cumprir e fazer  3.2. Procedimento para perda ou bem como a oitiva de testemunhas
cumprir as determinações judiciais suspensão do poder familiar (arts. (art. 161, § 1°). Se houver modificação
(observe-se que o descumprimento 155 a 163 do ECA): Terá início por  de guarda e desde que possível e
dos deveres inerentes ao poder  provocação do Ministério Público ou razoável, será obrigatória a oitiva da
familiar e às determinações da de pessoa legitimamente interessada criança ou adolescente (art. 161, §
autoridade judiciária ou Conselho (ex.: guardião que tem interesse na 3°).
Tutelar, sem prejuízo de outras adoção da criança sob seus cuidados). 3.2.2. Havendo contestação (art.
consequências, constitui a infração Não pode ser instaurado de ofício 162): quando o Parquet  não for o
administrativa prevista no art. 249 pelo Juiz. Os requisitos da petição autor da ação, o Magistrado dará
do ECA). Este rol foi ampliado por  inicial estão descritos no art. 156 do vista ao Promotor por cinco dias e
outras hipóteses enumeradas do ECA, e seguem os preceitos do art. designará audiência de instrução,
art. 1.634 do CC. Dessa feita, nos 282 do CPC. Havendo motivo grave, debates e julgamento. De ofício ou
termos do art. 24 do ECA, a perda ou o Juiz, ouvido o Ministério Público, a requerimento das partes, de igual
suspensão do poder familiar ocorrerá , poderá decretar, liminarmente ou sorte que, na situação anterior , o Juiz
por meio de decisão judicial, em em caráter incidental, a suspensão poderá determinar a realização de
procedimento contraditório: a) Pelo do poder familiar até o julgamento estudo técnico do caso. Em audiência
descumprimento injustificado dos definitivo da causa (art. 157). Poderá, (art. 162, § 2°) serão colhidos os
deveres e obrigações a que alude ainda, conforme as circunstâncias pareceres técnicos (oralmente ou por 
o artigo 22 do ECA; b) Nos demais do caso concreto e presentes os escrito) e ouvidas as testemunhas.
casos previstos na legislação civil, requisitos do art. 130 do ECA (ex.: Abrir-se-á o debate para as partes,
que são: b.1) Terão suspenso o criança bem tratada pela mãe, mas por 20 minutos, prorrogáveis por 
poder familiar (art. 1.637 do CC) vítima de violência paterna), decretar  mais 10, proferindo-se decisão em
os pais que: abusarem da autoridade cautelarmente o afastamento do seguida. A sentença que decretar 
parental, faltando com os deveres requerido da moradia comum. O a perda ou suspensão do poder 
a ele inerentes; arruinarem os bens requerido deverá, então, ser citado familiar deve ser averbada à margem
dos filhos; forem condenados por  pessoalmente, para oferecimento de do registro de nascimento da criança
sentença irrecorrível em crime resposta e indicação de provas no ou adolescente (art. 163, parágrafo
cuja pena não exceda a dois anos prazo de 10 (dez) dias (art. 158). Não único). Da decisão cabe recurso de
de prisão; b.2) Perderão o poder  sendo encontrado, a jurisprudência apelação, no prazo de 10 dias (art.
familiar os pais que (art. 1.638 do aceita a citação por edital, conforme 198). A decisão de suspensão do
CC): castigarem imoderadamente o as regras do CPC, aplicado poder familiar é temporária e pode
filho; deixarem o filho em abandono; subsidiariamente. Caso o requerido ser revista, caso as circunstâncias
praticarem atos contrários à moral não possa constituir defensor, ser- que a justificaram deixem de existir. A
e aos bons costumes; incidirem lhe-á nomeado dativo (art. 159). destituição, por seu turno, é medida
reiteradamente nas condutas que Para instrução da ação, a autoridade que, por ter causas muito graves, só


em condições excepcionalíssimas e assistência à saúde. Compete, prejudiciais à sua formação e ao seu
a jurisprudência tem admitido a ainda, ao poder público fazer o desenvolvimento físico, psíquico,
restituição do poder familiar (desde recenseamento dos educandos do moral e social; d) Realizado em
que não haja sido efetivada a adoção, ensino fundamental, fazer-lhes a horários e locais que não permitam a
que é irrevogável). chamada e zelar, junto aos pais ou frequência à escola.
responsável, pela frequência à escola 5.2. Garantias: a) Com a alteração
4. Do direito à educação, à cultura, (§ 3º). Obrigação dos municípios: da Emenda Constitucional nº. 20, ao
ao esporte e ao lazer  (art. 53 a 59 além da responsabilidade prioritária adolescente aprendiz ou trabalhador 
do ECA): assevera o art. 53 do ECA, pelo ensino fundamental e educação são assegurados todos os direitos
que a criança e o adolescente têm infantil (art. 211, § 2º, da CF), os trabalhistas e previdenciários.
direito à educação, visando ao pleno municípios, com o apoio dos Estados O adolescente trabalhador, não
desenvolvimento de sua pessoa, e da União, estimularão e facilitarão sujeito à aprendizagem, tem direito
preparo para o exercício da cidadania a destinação de recursos e espaços a salário integral (Súmula. 205 do
e qualificação para o trabalho, sendo para programações culturais, STF); b) Ao adolescente portador de
assegurado: igualdade de condições esportivas e de lazer voltadas para deficiência é assegurado trabalho
para o acesso e permanência na a infância e juventude (art. 59). protegido (art. 66); c) O adolescente
escola; direito de ser respeitado por  Obrigação dos pais e responsáveis: tem direito à profissionalização e à
seus educadores; direito de contestar  o art. 55 do ECA determina que é proteção no trabalho assegurado
critérios avaliativos, podendo recorrer  obrigação dos pais ou responsáveis (art. 69): respeito à condição peculiar 
a instâncias escolares superiores; a de matricular seus filhos ou de pessoa em desenvolvimento e
direito de organização e participação pupilos na rede regular de ensino. capacitação profissional adequada
em entidades estudantis; acesso à O descumprimento dessa norma ao mercado de trabalho.
escola pública e gratuita próxima de pode resultar na prática do crime de LINK ACADÊMICO 2
sua residência . O parágrafo único abandono intelectual (art. 246 do CP) DA COLOCAÇÃO EM
ainda garante aos pais o direito de e a prática da infração administrativa FAMÍLIA SUBSTITUTA 
serem cientificados das propostas e prevista no art. 249 do ECA. O dever 
do processo pedagógico adotado pela de comunicação de violações: o art. A colocação em família substituta
escola. Em seguida, reproduzindo 56 do ECA impõe a obrigação dos ocorre por três formas (art. 28, caput ):
o art. 208 da CF, o art. 54 do ECA dirigentes de estabelecimento de a) Guarda; b) Tutela; c) Adoção. Em
determina ser dever do Estado: ensino fundamental de comunicar  qualquer das hipóteses acima: o
ensino fundamental, obrigatório e ao Conselho Tutelar os casos de: Magistrado deve seguir uma ordem
gratuito, inclusive para os que a ele maus-tratos envolvendo seus alunos. de prioridades na escolha do futuro
não tiveram acesso na idade própria. A omissão deste implica a prática responsável pela criança ou
O acesso a ele é direito público da infração administrativa prevista adolescente (art. 28, § 3°, do ECA)
subjetivo e o não-oferecimento pelo no art. 245 do ECA, como vimos assim determinada: 1°) O grau de
poder público ou a sua oferta irregular  anteriormente; reiteração de faltas parentesco; 2°) A relação de afinidade
importa em responsabilidade da injustificadas e de evasão escolar, ou de afetividade; 3°) Na falta das
autoridade competente (§§ 1º esgotados os recursos escolares; anteriores, pessoas que demonstrem
e 2º); atendimento educacional elevados níveis de repetência. condições pessoais de assumir a
especializado aos portadores de responsabilidade. Sempre que
deficiência, preferencialmente na 5. Da profissionalização e proteção possível, a criança ou o adolescente
rede regular de ensino; atendimento do trabalho (art. 60 a 69) será previamente ouvido por equipe
em creche e pré-escola às crianças 5.1. Vedações: o art. 60 do ECA foi interprofissional, respeitado seu
de zero a seis anos de idade; revogado pelo artigo 7º, XXXIII, da CF estágio de desenvolvimento e grau
acesso aos níveis mais elevados de (alterado pela Emenda Constitucional de compreensão sobre as implicações
ensino, da pesquisa e da criação nº. 20/98), passando a ser proibido o da medida, e terá sua opinião
artística, segundo a capacidade de trabalho para menores de 16 anos, devidamente considerada (art. 28, §
cada um; oferta de ensino noturno salvo na condição de aprendiz para 1°). Não se deferirá a colocação em
regular, adequado às condições maiores de 14 anos. São trabalhos família substituta se pessoa desta
do adolescente trabalhador; vedados aos adolescentes (art. 67): revelar, por qualquer modo,
atendimento no ensino fundamental, a) Noturno, realizado entre as 22 incompatibilidade com a natureza da
por intermédio de programas horas de um dia e as cinco horas do medida ou não oferecer ambiente
suplementares de material didático- dia seguinte; b) Perigoso, insalubre familiar adequado (art. 29). Ressalte-
escolar, transporte, alimentação ou penoso; c) Realizado em locais se que, nos termos do artigo 30 do


ECA, efetivada a colocação judicial em que houver necessidade prévia opor-se a terceiros, inclusive aos
em família substituta, seus encargos de destituição da tutela, ou a perda, pais (art. 33, caput); d) A guarda
são indelegáveis, não podendo haver  ou suspensão do poder familiar, não implica prévia suspensão
transferência da criança a terceiros deve ser seguido o procedimento ou destituição do pátrio poder,
ou a entidades, sem autorização contraditório com o rito previsto nos podendo com ele coexistir. Havendo
 judicial. O guardião e o tutor podem arts. 155 a 163 e 164 do ECA, acima discordância de um dos pais só pode
renunciar ao encargo, mas dependem  já estudados. ser concedida após instauração
de autorização judicial. A adoção é 1.3. Estudo técnico (art. 167): o de procedimento contraditório;
medida excepcional e irrevogável Juiz, de ofício ou a requerimento e) Pode ser deferida liminar ou
(art. 39, § 1º). das partes e do Ministério Público, incidentalmente nos procedimentos
determinará a realização de estudo de tutela ou adoção, exceto no de
1. Do procedimento para colocação social do caso, ou, se possível, perícia adoção por estrangeiros (art. 33, §
em família substituta (arts. 165 a por equipe interprofissional. Deverá, 1°). Aliás, é vedada a concessão
170 do ECA): ainda, decidir sobre a concessão de de guarda, a qualquer título, a
1.1. Requisitos do pedido: os guarda provisória ou sobre o estágio estrangeiro residente ou domiciliado
requisitos para a formulação do de convivência. fora do país, excepcionando-se a
pedido vêm descritos no art. 165 1.4. Oitiva da criança ou hipótese do estágio de convivência
do ECA, os quais podemos resumir  adolescente: apresentado o relatório para fins de adoção internacional
assim: a) Qualificação completa social ou o laudo pericial, sempre (art. 46, § 3º) com suas limitações
dos requerentes; b) Indicação de que possível, deve-se preceder à típicas; f) A guarda pode ser deferida
eventual parentesco com a criança ou oitiva da criança ou do adolescente; fora dos casos de tutela e adoção
adolescente e se tem ou não parentes ressaltando-se, como já dissemos, para atender a situações peculiares
vivos; c) Qualificação completa da a necessidade de consentimento do e suprir a ausência de pais ou
criança ou adolescente e de seus maior de doze anos (art. 28, § 2º) e responsável, podendo ser deferido
pais; d) Indicação do cartório onde no caso de adoção (art. 45, § 2º). o direito de representação para
foi inscrito o registro de nascimento e 1.5. Lavratura do termo de determinados atos (art. 33, § 2°); g)
declaração da existência de bens ou compromisso e da inscrição: Confere à criança ou ao adolescente
rendimentos relativos à criança ou ao concedida a guarda ou a tutela, a condição de dependente, para
adolescente. O parágrafo único deste lavrar-se-á o termo de compromisso todos os fins e efeitos de direito,
artigo 165 ainda exige os requisitos de bem e fielmente desempenhar o inclusive previdenciários (art. 33, §
específicos para a adoção (aqueles cargo (art. 32) e, concedida a adoção, 3°). Não existe “guarda exclusiva
dos arts. 40, 42, 44, 45 e 51). esta deve ser inscrita no registro para fins previdenciários”. A guarda
1.2. Contraditório. a) Dispensa: civil, nos termos do art. 47 do ECA, é antecedente e implica todas as
é possível ocorrer a dispensa do conforme acima já consignado. demais obrigações acima referidas,
procedimento contraditório, nos DA GUARDA  e, como consequência desta,
termos do art. 166 do ECA, quando: (arts. 33 ao 35 do ECA) há a inclusão na dependência
a.1) Os pais forem falecidos; a.2) previdenciária.
Os pais tiverem sido destituídos do É uma medida protetiva de caráter 
poder familiar; a.3) No caso de os precário, concedida para atender a 2. Espécies de guarda: a)
pais haverem aderido expressamente situações peculiares ou suprir a falta Provisória: tem caráter cautelar,
ao pedido de colocação em família eventual dos pais ou responsáveis liminar ou incidental, concedida em
substituta. Nessa hipótese, os pais e obriga o guardião à prestação processos de tutela ou adoção (art.
devem ser ouvidos pela autoridade de assistência material, moral e 33, § 1°) ou, ainda, em situações
 judiciária e pelo Ministério Público, educacional à criança ou adolescente. graves de risco para crianças e
formalizando-se em termo as adolescentes em ações de suspensão
declarações de concordância (art. 1. Características: a) Medida ou destituição do poder familiar (art.
166, § 1º). No caso de dispensa do protetiva de caráter temporário, que 157); b) Definitiva: na verdade, ante
contraditório, o pedido de colocação se destina a regularizar a posse a revogabilidade da guarda a qualquer 
em família substituta poderá ser  de fato; b) Pode ser revogada a tempo, eu diria com ânimo definitivo.
formulado diretamente em cartório, qualquer tempo, mediante decisão É a prevista no art. 33, § 2°, do ECA
em petição assinada pelos próprios  judicial fundamentada (art. 35) ou e concedida fora dos casos de tutela
requerentes; b) Necessidade do quando o menor atinge a maioridade e adoção para atender a situações
contraditório: conforme previsão do civil, aos 18 anos (art. 5° do CC); peculiares ou à ausência dos pais
art. 169 do ECA, em todos os casos c) Confere ao guardião o direito de ou responsáveis. Pode ser deferido


direito de representação. Não gera falta de parentes, o juiz deve nomear  cautelares em geral. Não havendo
qualquer vínculo de parentesco ou tutor idôneo (art. 1.732 do CC); d) contestação, há a presunção da
sucessório; c) Institucional: está Os deveres do tutor, não em caráter  veracidade dos fatos alegados e o
prevista no art. 92, § 1º do ECA, exaustivo, estão especificados nos  juiz deve decidir em cinco dias. Se
sendo a que equipara o dirigente de arts. 1.740 e seguintes do CC, sendo houver contestação e, havendo a
entidade de abrigo ao guardião para que podemos destacar: - cuidar da necessidade de produção de provas,
todos os fins de direito; d) Especial: educação, defesa e prestação de designará audiência de instrução e
é a prevista no art. 34 do ECA e alimentos ao tutelado; - representar   julgamento. Consigne-se que, em
decorre da concessão por incentivos o menor até os 16 anos e assisti- caso de gravidade, o juiz poderá
fiscais e subsídios governamentais lo, após esta idade; - praticar  suspender o tutor do exercício de
para que famílias acolham, como todos os atos de gestão dos bens suas funções, nomeando substituto
guardiões, crianças e adolescentes do tutelado, incluindo venda de interino (art. 1.197 do CPC).
órfãos ou abandonados; e) imóveis, pagamentos de dívidas, DA ADOÇÃO
Doméstica: espécie atípica prevista percebimentos de rendas e pensões.
no art. 248 do ECA, que determina Terceira forma de colocação em
o dever de apresentação ao juízo do 2. Espécies : a) Testamentária (art. família substituta e de forma
domicílio, para fins de regularização 1.729 do CC): é aquela em que os definitiva. É o ato jurídico bilateral
da guarda, adolescente (maior de pais nomeiam por testamento ou que cria relações, vínculos, de
16 anos) trazido de outra comarca, outro instrumento público idôneo, filiação e paternidade entre pessoas.
devidamente autorizado pelos pais tutor para o filho que tenha menos Na definição do art. 41 do ECA: “ A
ou responsáveis, para a prestação de 18 anos; b) Legítima (art. 1.731 adoção atribui a condição de filho ao
de serviços domésticos. do CC): não havendo tutor nomeado, adotado, com os mesmos direitos e
a indicação deverá recair sobre os deveres sucessórios, desligando-o
DA TUTELA 
parentes mais próximos (ascendentes de qualquer vínculo com pais e
Segunda forma de colocação em e colaterais até o terceiro grau); parentes, salvo os impedimentos
família substituta. Trata-se de um c) Dativa (art. 1.734 do CC): as matrimoniais”.
munus (encargo, dever) público, crianças e os adolescentes cujos
atribuído por lei, à pessoa capaz para pais forem desconhecidos, falecidos 1. Requisitos da adoção:
proteger e reger os bens de crianças ou que tiverem sido suspensos ou 1.1. Para o adotante: a) Idade:
e adolescentes cujos pais ou destituídos do poder familiar terão podem adotar os maiores de 18
responsáveis faleceram, foram tutores nomeados pelo Juiz ou serão (dezoito) anos, independentemente
declarados ausentes ou tiveram incluídos em programa de colocação do estado civil. Para adoção
decretada a suspensão ou destituição familiar. conjunta, é indispensável que os
do poder familiar  (art. 1.728 do CC). adotantes sejam casados civilmente
O art. 36 do ECA preceitua que a 3. Procedimento para destituição ou mantenham união estável,
tutela será deferida, nos termos da lei da tutela: Dispõe o art. 38 do ECA comprovada a estabilidade da família
civil, a pessoa de até 18 (dezoito) que se aplica à destituição da tutela (art. 42, §2°, do ECA). Outro ponto
anos incompletos. o disposto no art. 24 do ECA, ou muito importante quanto à idade
seja, por meio de procedimento é que o adotando deve ser, pelo
1. Características: a) Deve  judicial contraditório. O procedimento menos, 16 anos mais velho que o
ser precedida da destituição ou específico está previsto no art. 164 do adotado (art. 42, §3°). Na hipótese
suspensão do poder familiar e implica ECA, que estabelece que a remoção de adoção por casais, vale o mesmo
o dever de guarda (art. 36, Parágrafo do tutor deverá seguir o procedimento raciocínio para a idade mínima:
único); b) Tem efeitos previdenciários, previsto na lei processual civil, o qual pelo menos um dos adotantes deve
mas não tem efeitos sucessórios; c) é previsto nos arts. 1.194 a 1.198 do manter a diferença de idade exigida
Na falta de indicação testamentária CPC. A propositura da ação cabe ao com o adotando. Não há limite de
(ou por outro documento autêntico), Ministério Público ou a quem tenha idade máximo para a adoção, mas
deverão ser nomeados os parentes interesse legítimo (art. 1.194 do recomenda-se que seja mantida, no
consanguíneos, primeiramente os CPC). O tutor será citado com prazo interesse do adotando, uma paridade
ascendentes e, em segundo lugar, de cinco dias para contestação (art. com a família natural. Já se indeferiu
os colaterais até o terceiro grau, 1.195 do CPC). Findo esse prazo, a adoção de crianças por pessoas
precedendo os mais próximos aos observa-se o disposto no artigo 803 muito idosas, com base neste
mais remotos (art. 1.731 do CC). Na do CPC, ou seja, o rito dos processos parâmetro (possibilidade natural e


concreta da criança se tornar órfã por procuração (art. 39, § 2º). 1.2. 2.2. Para o adotando: atribui-
e ficar sem cuidados ante a idade Para o adotando: a) A adoção só lhe a condição de filho, com
avançada do adotante); b) Estado será deferida quando apresentar  a impossibilidade de qualquer 
civil: a adoção pode ser efetivada reais vantagens para o adotando designação discriminatória relativa
independentemente do estado civil e fundar-se em motivos legítimos à filiação, com todos os direitos
do adotante, podendo adotar o (art. 43); b) Idade: o adotando deve e deveres legais, destacando-se:
solteiro, casado, viúvo, divorciado e contar com, no máximo, dezoito anos a) Rompe todos os vínculos com
o concubino (art. 42): b.1) Adoção à data do pedido, salvo se já estiver  a família natural, ressalvados os
unilateral: um dos cônjuges ou sob guarda ou tutela dos adotantes impedimentos matrimoniais (art. 41)
concubinos pode adotar o filho do (art. 40). Assim, se o adotando for  e a hipótese de adoção unilateral
outro. Nesse caso são mantidos os maior de 18 anos (e não estava sob acima referida (art. 41, § 1º). Não
vínculos de filiação entre o adotado e guarda ou tutela dos requerentes) há qualquer dever ou direito entre
o cônjuge ou concubino do adotante a adoção reger-se-á pelo Código o adotado e a família biológica; b)
e os respectivos parentes; ou seja, o Civil e a competência é das Varas Passa a ter todos os direitos, incluindo
adotado passará a ter uma relação de Família e Sucessões; c) Se o previdenciários e sucessórios; c)
biológica com um e civil com o adotando for maior de 12 anos será Inclusão do nome do adotante,
outro ente parental; b.2) Existe a necessário o seu consentimento (art. sendo que poderá ser modificado o
possibilidade de um dos cônjuges 45, § 2º). 1.3. Consentimento: a prenome (art. 47, § 5º). Na prática,
ou concubino adotar sozinho, adoção depende do consentimento a hipótese de modificação do
desde que conte com a anuência do dos pais ou do representante legal do prenome é mais deferida às crianças
outro; b.3) Adoção  post mortem, adotando (art. 45). O consentimento menores que ainda não adquiriram
nuncupativa ou póstuma: a adoção deve ser formalizado perante a uma identificação de individualidade
pode ser deferida ao adotante que, autoridade judiciária e o membro através do mesmo.
após inequívoca manifestação de do Ministério Público e lavrado em
vontade, vier a falecer no curso do termo. Os pais biológicos maiores 3. Outras questões importantes:
procedimento, antes de prolatada a de 16 anos e menores de 18 anos a) Irrevogabilidade: a adoção
sentença (art. 42, § 6º). Nesse caso, deverão ser assistidos por seus é irrevogável (art. 39, § 1º) ; b)
os efeitos da adoção retroagem à data representantes legais. Sendo Morte dos adotantes: a morte dos
do óbito (art. 47, § 7º); b.4) O casal direito personalíssimo, entendo adotantes não restabelece o poder 
divorciado ou separado judicialmente que não caiba a representação familiar dos pais naturais (art. 49);
poderá adotar conjuntamente, aos menores de 16 anos, devendo c) Vínculo: o vínculo da adoção,
contando que acordem sobre a haver procedimento contraditório. O portanto, constitui-se por sentença
guarda e o regime de visitas, desde mesmo ocorre com os portadores de  judicial (art. 47). A chamada
que o estágio de convivência tenha deficiência mental, que não podem “adoção à brasileira”, que consiste
sido iniciado ainda na constância fornecer o consentimento, havendo em registrar filho de outrem como
da sociedade conjugal (art. 42, § a necessidade de procedimento próprio, na verdade, é crime previsto
4°); b.5) Apesar da polêmica e da  judicial contraditório, com nomeação no artigo 242 do Código Penal; d)
previsão constitucional que disciplina de curador especial àquele. Por fim, Estágio de convivência (art. 46): é
o conceito de entidade familiar  o art. 45, § 1º, do ECA assevera que o período de guarda provisória (art.
para união estável entre homem o consentimento será dispensado em 33, § 1º) durante o qual o adotando
e mulher, há decisões judiciais no relação à criança ou adolescente, permanece com os pretendentes pelo
sentido de ampliar o conceito para cujos pais sejam desconhecidos ou período que a autoridade judiciária
abranger a união homoafetiva. De tenham sido destituídos do poder  fixar, para verificação da adaptação.
igual sorte, vêm aumentado no país familiar. O estágio de convivência poderá
as decisões que deferem a adoção ser dispensado se o adotando já
por homossexuais ; b.6) Não podem 2. Consequências da adoção: estiver sob a tutela ou guarda legal
adotar os ascendentes e os irmãos 2.1. Para o adotante: a) Atribui- do adotante durante tempo suficiente
do adotando (art. 42, § 1º). Nesse lhe a condição de pai, com todos para que seja possível avaliar a
caso, o procedimento mais comum os deveres decorrentes do poder  conveniência da constituição do
é a tutela; b.7) O tutor ou curador  familiar especialmente o sustento, vínculo (art. 46, § 1º). Em caso de
só pode adotar o pupilo ou tutelado a guarda e a educação (art. 22); b) adoção por pessoa ou casal residente
depois que prestar contas de sua Direito de sucessão recíproca entre ou domiciliado fora do País, o estágio
administração e saldar seu alcance o adotado, seus descendentes e o de convivência, cumprido no território
(art. 44); b.8) É vedada a adoção adotante (art. 41). nacional, será de, no mínimo, 30


(trinta) dias (art. 46, § 3º); e) Registro
excepcional (art. 31), justificada pelo CEJAI. Deferida a adoção,
civil: o mandado judicial da lavratura
somente quando não haja a proceder-se-á, quanto à inscrição no
de novo registro de nascimento possibilidade de adoção em território registro civil, na forma determinada
determinará: 1) que se cancele o nacional, esgotada a consulta a todos no art. 47 do ECA.
registro original (art. 47, § 2º); 2) que
os cadastros (art. 51, § 1º, II). Define LINK ACADÊMICO 3
se inscreva o nome dos adotantes o art. 51 do ECA que é “adoção DAS MEDIDAS
como pais, bem como, o nome de seus
internacional aquela na qual a pessoa DE PROTEÇÃO
ascendentes (art. 47, § 1º). Nenhuma
ou casal postulante é residente ou
observação sobre a origem do ato domiciliado fora do Brasil, conforme As medidas de proteção são indicadas
poderá constar das certidões do previsto no art. 2 da Convenção às crianças e aos adolescentes
registro (art. 47, § 4º); f) Cadastro de
de Haia”. A contrário senso, se o em situação de risco ou autoras de
adoção: dispõe o artigo 50 do ECA:estrangeiro é residente no país, com atos infracionais (especialmente,
“A autoridade judiciária manterá, em
visto de permanência, a adoção será crianças). As situações de risco
cada comarca ou foro regional, um considerada nacional. Não se admite vêm descritas no art. 98 do ECA, o
registro de crianças e adolescentes
a concessão de guarda do adotando qual disciplina que as medidas de
em condições de serem adotados e ao estrangeiro (art. 33, § 1º). proteção à criança e ao adolescente
outros de pessoas interessadas na 4.1. Requisitos: além daqueles são aplicáveis sempre que os
adoção”. O referido procedimento de todos exigidos, conforme acima direitos reconhecidos nesta lei forem
disponibiliza uma “lista” com as descrito, a adoção internacional de ameaçados ou violados: I- Por ação
crianças e adolescentes que estão criança ou adolescente brasileiro ou ou omissão da sociedade ou do
em condição de serem colocados em domiciliado no Brasil somente terá Estado; II- Por falta, omissão ou
família substituta por meio da adoção
lugar quando restar comprovado abuso dos pais ou responsáveis; III-
e outra com os interessados em (art. 51, § 1º): a) que a colocação Em razão de sua conduta. As medidas
adotar. O cruzamento desses dados em família substituta é a solução de proteção podem ser  aplicadas
cria uma maior agilidade no processo
adequada ao caso concreto; b) isolada ou cumulativamente, bem
e respeita o direito daqueles que que foram esgotadas todas as como, substituídas a qualquer 
estão aguardando há mais tempo, jápossibilidades de colocação da tempo (art. 99).
que deve ser observada a ordem de criança ou adolescente em família
inscrição. O deferimento da inscrição
substituta brasileira, após consulta 1. Diretrizes para a aplicação: a)
deve ser precedido de consultas aos cadastros; c) que, em se tratando As que levam em consideração as
aos auxiliares técnicos do juizadode adoção de adolescente, este foi necessidades pedagógicas; b) As
(assistentes sociais, psicólogas, consultado, por meios adequados que visem ao fortalecimento dos
etc.) e a oitiva do Ministério Público
ao seu estágio de desenvolvimento, vínculos familiares (art. 100).
(art. 50, § 1º). O indeferimento da
e que se encontra preparado para a
inscrição (art. 50, § 2º) ocorrerámedida, mediante parecer elaborado 2. Rol exemplificativo das medidas
se o interessado não satisfizer os por equipe interprofissional; d) O de proteção: o art. 101 do ECA diz
requisitos legais, ou se estiveremdeferimento da adoção deverá ser  que, verificada uma das hipóteses
presentes quaisquer das hipóteses precedido do estágio de convivência, previstas no art. 98, a autoridade
do art. 29 do ECA (incompatibilidade
na forma prevista no artigo 46, § 3º, competente poderá determinar,
do requerente com a natureza da do ECA, conforme acima já referido; entre outras, as seguintes medidas:
medida ou oferecimento de ambientee) Deverá ser procedido o estudo I- Encaminhamento aos pais ou
familiar inadequado). Em maio social do caso, ou, se possível, responsáveis, mediante termo de
de 2008, o Conselho Nacional de perícia por equipe interprofissional responsabilidade; II- Inclusão em
Justiça fez publicar a Resolução nº.
(art. 167 do ECA), para avaliação orientação, apoio e acompanhamento
54, que criou o Cadastro Nacional do estágio de convivência e a real temporários; III- Matrícula e frequência
de Adoção (CNA), que é um sistema adaptação entre os requerentes e o obrigatórias em estabelecimento
destinado a unificar e compartilhar 
adotando. Este parecer deve ter por  oficial de ensino fundamental; IV-
dados relacionados às crianças e parâmetro precípuo o de avaliar os Inclusão em programa comunitário ou
adolescentes em condições de seremreais interesses do adotando e, por  oficial de auxílio à família, à criança
adotadas e das pessoas dispostas aestudar a situação concreta entre e ao adolescente; V- Requisição de
adotar em todas as regiões do país.
adotantes e adotando, não está tratamento médico, psicológico ou
vinculado aos pareceres já juntados psiquiátrico, em regime hospitalar 
4. Adoção Internacional: é medida aos autos de habilitação expedidos ou ambulatorial; VI- Inclusão em

10 
programa oficial ou comunitário de criança ou adolescente a tratamento no artigo 101 do Estatuto , acima
auxílio, orientação e tratamento especializado; VII- Advertência; VIII-  já estudado, independentemente
para alcoólatras e toxicômanos; Perda da guarda; IX- Destituição da da natureza ou gravidade do ato
VII- acolhimento institucional; tutela; X- Suspensão ou destituição infracional. Nessa hipótese, como já
VIII- inclusão em programa de do poder familiar. Parágrafo único. Na dissemos, a aplicação é atribuição
acolhimento familiar. O § 1º deste aplicação das medidas previstas nos do Conselho Tutelar (art. 136, I) e, na
artigo ainda reforça que o abrigo incisos IX e X deste artigo, observar- falta deste, subsidiariamente, cabe
é medida excepcional, utilizável se-á o disposto nos arts. 23 e 24 “, à autoridade judiciária (art. 262).
como forma de transição para a ou seja, os ritos procedimentais já Assim, mesmo que uma criança
colocação em família substituta, não estudados. As medidas previstas nos de 10 anos, por exemplo, tenha
implicando privação de liberdade. O incisos de I a VII são de atribuição praticado um homicídio, a medida
art. 102 do ECA e seus parágrafos do Conselho Tutelar (art. 136, II). mais “grave” entre as protetivas
asseveram que as medidas de Na falta deste, cabe à autoridade seria sua colocação em acolhimento
proteção serão acompanhadas  judiciária subsidiariamente (art. institucional, o que não se confunde
de regularização, gratuita e com 262). Quanto à perda da guarda, com a medida privativa de liberdade,
prioridade, do registro civil. Verificada destituição da tutela e suspensão ou a internação.
a inexistência de registro anterior, a destituição do poder familiar (incisos
autoridade judiciária requisitará que VIII, IX e X), são de competência 3. Garantia do direito à liberdade:
se efetive o assento de nascimento exclusiva da autoridade judiciária, em reproduzindo a regra constitucional,
da criança ou adolescente, à vista procedimento contraditório próprio, o art. 106 do ECA determina
dos elementos que estiverem como acima já visto. que “nenhum adolescente será
LINK ACADÊMICO 4
disponíveis. As medidas previstas privado de sua liberdade senão em
nos incisos de I a VII podem ser   ATO INFRACIONAL flagrante de ato infracional ou por 
impostas pelo Conselho Tutelar (art. ordem escrita e fundamentada da
136, I) ou pela autoridade judiciária. O art. 103 do ECA define como ato autoridade judiciária competente”.
A colocação em família substituta infracional a conduta descrita As únicas hipóteses legais, portanto
somente pela autoridade judiciária, como crime ou contravenção de apreensão (e não prisão, a qual
em procedimento próprio, como visto penal. Não há distinção entre infração é destinada somente a imputáveis)
acima. As medidas protetivas dos de persecução privada ou são: a) Apreensão em flagrante de
incisos I a VI podem ser aplicadas condicionada. Assim, qualquer que ato infracional (as mesmas hipóteses
isoladas ou cumulativamente com as seja a conduta infracional, toda ação do artigo 302 do CPP); b) Ordem
medidas socioeducativas impostas socioeducativa é pública, escrita e fundamentada da autoridade
aos adolescentes em decorrência da incondicionada e de iniciativa  judiciária competente. Verificamos,
prática infracional (art. 112, VII). exclusiva do Ministério Público assim, que somente adolescente
(art. 201, II). pode ser custodiado (apreendido).
2. Das medidas pertinentes aos Obs: no caso de criança em
pais ou responsáveis (arts. 129 1. Quanto à imputabilidade: o art. flagrante de ato infracional, esta
e 130 do ECA): Disciplina o art. 104 do Estatuto reafirma a norma deve ser imediatamente apresentada
129 do ECA que são medidas constitucional e ratifica que são ao Conselho Tutelar ou ao Juiz
aplicáveis aos pais ou responsáveis: penalmente inimputáveis os menores da Infância e Juventude para
I- Encaminhamento a programa de dezoito anos, sujeitos às medidas inclusão nas medidas protetivas,
oficial ou comunitário de proteção previstas no ECA e, para a aplicação ressaltando novamente que o
à família; II- Inclusão em programa destas, deve ser  considerada a acolhimento institucional (art.
oficial ou comunitário de auxílio, idade do adolescente à data do 101, VII) não implica medida
orientação e tratamento a alcoólatras fato (art. 104, parágrafo único). privativa de liberdade, como ocorre
e toxicômanos; III- Encaminhamento na socioeducativa de internação.
a tratamento psicológico ou 2. No tocante à aplicabilidade: Ainda em relação às garantias ao
psiquiátrico; IV- Encaminhamento a o artigo 105 do ECA estabelece a direito de liberdade, o art. 107 do
cursos ou programas de orientação; distinção entre as medidas a serem Estatuto, também em consonância
V- Obrigação de matricular o filho impostas aos adolescentes e às com as proteções constitucionais,
ou o pupilo e acompanhar sua crianças, determinando que a estas assevera que “a apreensão de
frequência e aproveitamento escolar; poderão ser aplicadas somente qualquer criança ou adolescente e
VI- Obrigação de encaminhar a as medidas protetivas previstas o local onde se encontra recolhido

11
serão incontinenti comunicados à  judicial fundamentada; b) Deve procedimento.
autoridade judiciária competente e à basear-se em indícios suficientes
família do apreendido ou à pessoa de autoria e materialidade; c) Deve 7. Procedimento para apuração de ato
por ele indicada”. Observe-se que estar demonstrada a necessidade infracional cometido por adolescente
o aditivo “e” gera o duplo dever de imperiosa da medida. Os parâmetros (arts. 171 a 190 do ECA):
comunicação: ao Juiz da Infância e à desta necessidade/adequação vêm
família. Esta só não ocorrerá quando estabelecidos no art. 122 do Estatuto, 7.1. Da competência: No caso da
for desconhecido seu paradeiro ou que estabelece as possibilidades prática de ato infracional, é competente
por inexistência de meios de contato de aplicação da medida de o Juízo do lugar da ação ou omissão,
ou de acessibilidade, circunstâncias internação: a) Quando se tratar de observadas as regras de conexão,
que deverão ser informadas ao Juízo ato infracional cometido mediante continência e prevenção (art. 147, § 1°). A
competente. Além disso, deve-se grave ameaça ou violência à execução das medidas socioeducativas
informar tanto a apreensão quanto pessoa; b) Por  reiteração no impostas, contudo poderá ser delegada
o local em que o adolescente se cometimento de outras infrações à autoridade competente do local de
encontra recolhido. O parágrafo graves. Existe julgamento do STJ, residência dos pais ou responsáveis, ou
único do art. 107 impõe obrigação do qual ouso discordar, definindo que do local onde estiver sediada a entidade
ainda mais contundente, pois há a “reiteração” só ocorrerá na terceira que custodiar o adolescente (art. 147, §
pena de responsabilização criminal prática infracional, pois a segunda 2°).
pela sua inobservância. Assim ele infração é caso de “reincidência”. 7.2. Subsidiariedade: Aos
dispõe: “Parágrafo único: examinar- procedimentos regulados no
se-á desde logo e sob pena de 5. Identificação criminal: o ECA, inclusive ao que apura a
responsabilidade a possibilidade adolescente civilmente identificado prática infracional, aplicam-se,
de liberação imediata”. Conforme não será submetido à identificação subsidiariamente, as normas gerais
determina o art. 174 do ECA, o qual compulsória pelos órgãos policiais, previstas na legislação processual
veremos logo a seguir, a autoridade de proteção e judiciais, salvo para pertinente (art. 152).
policial (se de logo não descartar a efeito de confrontação, havendo 7.3. Da apreensão: o art. 106 do ECA
regularidade da situação de flagrante dúvida fundada (art. 109). determina que “nenhum adolescente
de ato infracional) deve liberar de será privado de sua liberdade senão
imediato o adolescente, entregando-o 6. Do devido processo legal: em flagrante de ato infracional ou por 
a seus pais ou responsáveis, se o nenhum adolescente será privado de ordem escrita e fundamentada da
ato infracional não for grave e se sua liberdade sem o devido processo autoridade judiciária competente”.
a repercussão social do mesmo legal (art. 110). Repete-se a garantia Complementando esta determinação,
não for significativa . Havendo constitucional, cujo desrespeito o art. 171 assevera que o “o
qualquer ilegalidade na apreensão, levará à nulidade absoluta da ação adolescente apreendido por força
se a autoridade, policial ou judiciária, socioeducativa. Como corolário lógico de ordem judicial será, desde logo,
sem justa causa, não determinar  deste princípio, o art. 111 do Estatuto encaminhado à autoridade judiciária”.
a imediata liberação da criança ou elenca, de forma não taxativa, Na fase da ação socioeducativa para
adolescente, poderá incorrer na algumas das principais garantias a imposição de medida, a causas
prática do crime previsto no artigo processuais: I- Pleno e formal de determinação de apreensão são:
234 do ECA. conhecimento da atribuição de ato a) Nos termos do art. 184 do ECA,
infracional, mediante citação ou meio quando oferecida a representação,
4. Internação provisória: o art. 108 equivalente; II- Igualdade na relação o Juiz deve decidir pela decretação
do Estatuto determina, de forma processual, podendo confrontar- (no caso dos que estavam soltos)
peremptória, que a internação, se com vítimas e testemunhas e ou manutenção da internação
antes da sentença, pode ser  produzir todas as provas necessárias provisória ( no caso dos apreendidos
determinada pelo prazo máximo à sua defesa; III- Defesa técnica por  em flagrante e não liberados pela
de 45 dias. Ultrapassado este prazo, advogado; IV- Assistência judiciária autoridade policial); b) No caso de
o adolescente deve ser colocado gratuita e integral aos necessitados, não localização do jovem para a
imediatamente em liberdade. Os na forma da lei; V- Direito de ser  audiência de apresentação (art. 184,
requisitos dessa custódia cautelar  ouvido pessoalmente pela autoridade § 3°); c) Decorrente de sentença
processual estão previstos no competente; VI- Direito de solicitar  terminativa de mérito que impuser 
parágrafo único deste art. 108: a presença de seus pais ou as medidas de semiliberdade ou de
a) Deve ser por meio de decisão responsáveis em qualquer fase do internação. Na fase de execução

12 
das medidas aplicadas: a) Em caso adolescente permanecer custodiado para a formação da convicção do
de fuga do adolescente de unidade para sua segurança pessoal OU a Promotor de Justiça, seja para
privativa (internação) ou restritiva manutenção da ordem pública. No oferecer representação ou mesmo
de liberdade (semiliberdade); b) em caso de não liberação, a autoridade para arquivar o expediente, ele
caso de descumprimento reiterado policial deverá encaminhar  deverá devolvê-lo ao Delegado de
e injustificado da medida imposta de imediato o adolescente ao Polícia, requisitando as diligências
(internação sanção, artigo 122, III). representante do Ministério Público, que entender pertinentes.
7.4. A fase policial (arts. 172 a 178):  juntamente com cópia do auto de 7.5. A fase no Ministério Público
no caso de adolescente apreendido apreensão ou boletim de ocorrência (art. 179 a 182): encaminhado
em flagrante de ato infracional, este (art. 175, caput ). Sendo impossível a o expediente policial (auto de
deverá ser desde logo encaminhado apresentação imediata, a autoridade apreensão, boletim de ocorrência
à autoridade policial competente policial encaminhará o adolescente à ou relatório policial) ao Fórum, após
para as providências devidas (art. entidade de atendimento a qual fará a devida distribuição e registro, as
172, caput ). Havendo repartição a apresentação ao representante do peças serão autuadas pelo cartório
policial especializada, esta prefere às Ministério Público no prazo de vinte  judicial, devendo ser juntadas as
demais (art. 172, Parágrafo único). e quatro horas (art. 175, §1º). Nas informações sobre os antecedentes
Como já vimos, em se tratando de localidades onde não houver entidade do adolescente. Este, por sua vez,
criança, esta deve ser apresentada de atendimento, a apresentação far- será pessoalmente apresentado ao
ao Conselho Tutelar (art. 136, I) ou, se-á pela autoridade policial. Na falta representante do Ministério Público,
na ausência deste, à autoridade de repartição policial especializada, que procederá à imediata oitiva
 judiciária. o adolescente aguardará a informal e, em sendo possível,
a) Formalização: Em se tratando de apresentação em dependência de seus pais ou responsáveis,
ato infracional cometido mediante separada da destinada a maiores, vítimas e testemunhas (art. 179,
violência ou grave ameaça à não podendo, em qualquer  caput ). A oitiva informal, como o
pessoa (art. 173), sem prejuízo das hipótese, exceder o prazo de 24 próprio nome diz, não carece de
comunicações ao jovem e aos seus horas (art. 175, § 2º); c) Hipótese de formalidade ou materialização,
pais (art. 106, parágrafo único e liberação imediata: em não sendo contudo, é recomendável sua
107), a autoridade policial deverá: caso de manutenção da custódia, redução a termo. Trata-se de ato
I- Lavrar o auto de apreensão, comparecendo um dos pais ou o privativo do Ministério Público para
ouvidas as testemunhas e o responsável, o adolescente deve ser  formação de sua convicção, portanto
adolescente; II- Apreender o produto prontamente liberado pela autoridade não contraditório. A defesa do
e os instrumentos da infração; policial, sob o termo de compromisso adolescente pode acompanhar o ato,
III- Requisitar exames ou perícias de sua apresentação ao representante sem, contudo, interferir. Entendo, por 
necessárias à comprovação da do Ministério Público no mesmo dia, outro lado, nos termos do artigo 111,
materialidade e autoria da infração. ou, não sendo possível, no primeiro V, do ECA (é direito do adolescente
Nos demais casos de flagrante dia útil imediato (art. 174). Feita ser ouvido pessoalmente pela
(portanto, que não envolvam a liberação, a autoridade policial autoridade competente), que também
violência e grave ameaça à pessoa), encaminhará ao Promotor de Justiça se configura direito subjetivo do
a lavratura do auto poderá ser  cópia do auto de apreensão ou do adolescente, portanto o ato só pode
substituída pelo registro em boletim boletim de ocorrência (art. 176). ser dispensado se houver absoluta
de ocorrência circunstanciado Caso o adolescente não compareça impossibilidade de sua realização (v.g,
(art. 173, Parágrafo único). Como espontaneamente à Promotoria, esta adolescente infrator hospitalizado,
 já dissemos anteriormente, dispõe deve providenciar sua intimação, etc.). Tanto é assim que o parágrafo
o art. 107, parágrafo único do ECA: agendando data. Ainda, não sendo único do art. 179 estabelece que,
“examinar-se-á, desde logo, e lavrado o auto de flagrante ou em caso de não apresentação do
sob pena de responsabilidade a se, durante qualquer apuração, adolescente, o Promotor da Infância
possibilidade de liberação imediata”; houver indícios da participação deve notificar os pais ou responsáveis
b) Hipótese de não liberação: o de adolescente na prática de ato para apresentá-lo, podendo,
art. 174 do ECA excepcionaliza infracional, a autoridade policial inclusive, requisitar o concurso das
a manutenção da apreensão em encaminhará ao representante Polícias Civil e Militar para assegurar 
flagrante nas hipóteses em que, do Ministério Público relatório das a efetivação do ato. Superada a
pela gravidade do ato infracional e investigações e demais documentos fase da oitiva informal, o órgão do
pela sua repercussão social, deva o (art. 177). Se não houver elementos Ministério Público poderá tomar 

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uma das seguintes providências: independe de prova pré-constituída mesmos , podendo solicitar a opinião
I- Promover o arquivamento dos da autoria e materialidade. O Promotor  (parecer técnico) de profissional
autos (estar comprovado que o de Justiça deve, ainda, se manifestar  qualificado (art. 186, caput ). Por outro
adolescente não é o autor, o fato é sobre a manutenção ou decretação lado, se o adolescente, devidamente
atípico, etc.); II- Conceder a remissão; da internação provisória, explicitando notificado, não comparecer,
III- Representar à autoridade os fundamentos e condições para a injustificadamente, à audiência de
 judiciária para a aplicação de medida decretação da custódia cautelar (art. apresentação, a autoridade judiciária
socioeducativa. Acrescentamos, 108, parágrafo único e 122), como designará nova data, determinando
ainda, a possibilidade de o Promotor  acima já estudamos . sua condução coercitiva. A esta
determinar o retorno dos autos 7.6. A fase judicial: Oferecida oitiva judicial do adolescente, na
à autoridade policial para novas a representação, a autoridade audiência de apresentação, devem-
diligências. Tanto o arquivamento  judiciária designará audiência de se aplicar, subsidiariamente, todas
quanto a remissão devem ser  apresentação do adolescente , as regras do interrogatório criminal,
formalizados pelo Promotor de decidindo, desde logo, sobre a com os requisitos e garantias
Justiça em termo fundamentado, decretação ou manutenção da previstos nos arts. 185 a 188 do CPP.
contendo o resumo dos fatos e sua internação, observado o disposto Se, após a oitiva, o Juiz entender 
motivação para, após, ser juntado aos no art. 108, parágrafo único (art. adequada a remissão, ouvirá o
autos e encaminhado à autoridade 184, caput ). Decretada a internação representante do Ministério Público,
 judiciária para homologação provisória, esta não poderá ser  proferindo decisão (art. 186, § 1°).
(art. 181, caput ). Homologado o cumprida em estabelecimento Quanto à remissão judicial, revisar o
arquivamento ou a remissão, a prisional (art. 185). O prazo item 9.2 supra. Sendo o fato grave,
autoridade judiciária determinará o máximo e improrrogável para passível de aplicação de medida de
cumprimento de eventuais medidas a conclusão do procedimento ; internação ou colocação em regime
aplicadas com esta última (art. 181, estando o adolescente internado de semiliberdade, a autoridade,
§ 1°). Discordando, o Juiz da posição provisoriamente, será de quarenta e verificando que o adolescente não
ministerial, à semelhança do art. 28 cinco dias (art. 183), o mesmo prazo possui defensor constituído, nomeará
do CPP, fará a remessa dos autos da internação provisória (art. 108), defensor, designando, desde
ao Procurador-Geral de Justiça, sendo que este é contado desde o logo, audiência em continuação ,
mediante despacho fundamentado dia da apreensão e não da data da podendo determinar a realização de
e este oferecerá representação, decretação. O adolescente e seus pais diligências e estudo do caso (art.
designará outro membro do Ministério ou responsável serão cientificados do 186, § 2°). Assim, mesmo com a
Público para apresentá-la ou ratificará teor da representação e notificados confissão judicial do adolescente,
o arquivamento ou a remissão, que só a comparecer à audiência de quando houver a possibilidade
então estará a autoridade judiciária apresentação, acompanhados de de aplicação de medida de
obrigada a homologar (art. 181, § 2°). advogado (art. 184, § 1°). Se os semiliberdade ou internação, não
Não sendo caso de arquivamento pais ou responsáveis não forem se pode prescindir da instrução do
nem de remissão, o Promotor de localizados, a autoridade judicial feito, em procedimento contraditório,
Justiça oferecerá a representação deverá dar curador especial ao sob pena de nulidade. Nesse sentido,
à autoridade judiciária, propondo a adolescente (art. 184, § 2°). Não a Súmula n° 342 do STJ assevera
instauração de procedimento para a sendo localizado o adolescente, que: “No procedimento para aplicação
aplicação da medida socioeducativa o Juiz determinará a expedição de de medida socioeducativa, é nula
que se afigurar mais adequada mandado de busca e apreensão, a desistência de outras provas em
(art 182, caput ). A representação e o sobrestamento do feito até a face da confissão do adolescente”.
deve ser oferecida por petição, que efetiva apresentação em Juízo (art. Após a audiência de apresentação, o
conterá o breve resumo dos fatos, a 184, § 3°). Estando o adolescente Advogado constituído ou o defensor 
classificação do ato infracional e o internado, será requisitada a sua nomeado, no prazo de três dias,
rol de testemunhas (art. 182, § 1°), apresentação, sem prejuízo da oferecerá defesa prévia e o rol
bem como a requisição das provas notificação dos pais ou responsável de testemunhas (art. 186, § 3°).
faltantes (laudos, etc.). Quanto ao (art. 184, § 4°). Comparecendo Na audiência em continuação ,
número de testemunhas, aplicam- o adolescente, seus pais ou ouvidas as testemunhas arroladas
se, subsidiariamente, os critérios do o responsável à audiência de na representação e na defesa prévia,
CPP. O parágrafo 2°, do artigo 182 do apresentação, a autoridade cumpridas as diligências e juntado o
ECA ressalva que a representação  judiciária procederá à oitiva dos relatório da equipe interprofissional,

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será dada a palavra ao representante socioeducativa. substituição destas. Contudo, a
do Ministério Público e ao defensor, LINK ACADÊMICO 5 cumulação somente é possível,
sucessivamente, pelo tempo de vinte desde que as medidas não sejam
minutos para cada um, prorrogável DAS MEDIDAS incompatíveis entre si. Por exemplo,
SOCIOEDUCATIVAS
por mais dez, a critério da autoridade (Arts 112 ao 125 do ECA) é plenamente possível a aplicação de
 judiciária, que, em seguida, proferirá liberdade assistida com prestação de
decisão (art. 186, § 4°). A autoridade Verificada a prática de ato serviços à comunidade. Entretanto,
 judiciária não aplicará qualquer  infracional (aquele equiparado a não é possível a aplicação
medida, desde que reconheça na crime ou contravenção), o art. 112 de internação, cumulada com
sentença (art. 189): I- Estar provada do ECA dispõe sobre as medidas semiliberdade ou liberdade assistida.
a inexistência do fato; II- Não haver  socioeducativas que podem ser  Nesse caso, deve haver a unificação
prova da existência do fato; III- Não aplicadas aos adolescentes, que das medidas, executando-se a mais
constituir o fato ato infracional; IV- são: I- Advertência; II- Obrigação gravosa (no caso, a internação).
Não existir prova de ter o adolescente de reparar o dano; III- Prestação de Posteriormente, então, a medida
concorrido para o ato infracional. serviços à comunidade; IV- Liberdade pode ser reavaliada e substituída
De igual sorte, aplicam-se como assistida; V- Inserção em regime de por outra mais branda. Toda ação
causas absolutórias todas aquelas semiliberdade; VI- Internação em socioeducativa tem como princípio
previstas no Código Penal relativas estabelecimento educacional; VII- fundamental a ressocialização
às excludentes da ilicitude e às E, ainda, aplicar cumulativamente do adolescente em conflito com
causas de isenção de pena . Sendo qualquer das medidas protetivas a lei, valorizando seu progresso
afastada a aplicação de qualquer  previstas no artigo 101, de I a VI. conquistado pelo mérito da introjeção
medida (ou sendo aplicada medida de novos valores éticos e conceitos
em meio aberto), o adolescente 1. Critérios para aplicação: morais e sociais, pelos quais
internado deverá ser imediatamente a) Os critérios vêm definidos, mostrou desvalor com a prática do
colocado em liberdade (art. 189, principalmente, nos parágrafos ato infracional grave. Assim sendo,
Parágrafo único). Quanto à intimação 1° e 2°, do art 112, os quais em situações excepcionalíssimas,
da sentença, o art. 190 do ECA determinam que a medida aplicada mesmo sem a comprovação da prática
define que a intimação da sentença ao adolescente levará em conta: de nova infração , o descumprimento
que aplicar medida de internação a.1) A sua capacidade de cumpri-la; reiterado de medidas, a estruturação
ou regime de semiliberdade será a.2) As circunstâncias e a gravidade no meio delinquencial, a avaliação
feita: I- Ao adolescente e ao seu da infração; a.3) Que, em hipótese técnica da inadequação da medida
defensor; II- Quando não for  alguma e sob pretexto algum, será mais branda anteriormente aplicada,
encontrado o adolescente, a seus admitida a prestação de trabalho a qual não está alcançando o seu
pais ou responsável, sem prejuízo forçado; a.4) O art. 114 exige, objetivo ressocializador (superada
do defensor. Se for aplicada medida também, que: “A imposição das a possibilidade de readequação de
em meio aberto, a intimação far-se-á medidas previstas nos incisos II a VI, sua conduta por meio da aplicação
unicamente na pessoa do defensor  do art. 112, pressupõe a existência da internação-sanção, prevista
(art. 190, §1°). Recaindo a intimação de provas suficientes da autoria no art. 122, III, do ECA, como
na pessoa do adolescente, deverá e da materialidade da infração, veremos a seguir), são situações
este manifestar se deseja ou não ressalvada a hipótese de remissão, que demonstram que o caso exige
recorrer da sentença (art. 190, § nos termos do artigo 127”. Conforme um tempo maior de avaliações
2°). Da sentença terminativa que o parágrafo único deste artigo, e acompanhamento no regime
aplica medida socioeducativa, cabe porém, a “advertência poderá ser  privativo de liberdade. Dessa
recurso de apelação , no prazo aplicada sempre que houver prova da forma, entendo que a interpretação
de dez dias, sendo que esta será materialidade e indícios suficientes dos arts. 99, 100 e 113, do ECA
recebida somente no efeito devolutivo de autoria”. estabelece a possibilidade de
(art. 198). Excepcionalmente, o Juiz substituição das medidas mais
poderá deferir o efeito suspensivo 2. Cumulação e substituição brandas anteriormente impostas
sempre que houver dano irreparável das medidas: o art. 113 do ECA por outras mais gravosas (por 
ou de difícil reparação. Proferida a remete à aplicação do disposto nos exemplo, a de liberdade assistida
sentença, o Juízo de conhecimento arts. 99 e 100 também às medidas para semiliberdade ou até internação
deverá elaborar guia para o início socioeducativas, assegurando por prazo indeterminado), conforme
de execução provisória da medida a possibilidade de cumulação e recomendarem pareceres técnicos,

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em face do caso concreto. Nesse extremamente perigoso. Ademais, doença mental, o adolescente tem
caso, a Súmula n°. 265 do STJ nessas condições, a contenção se dá condição de entender o caráter 
determina: “É necessária a não pela doença mental , mas como infracional do ato e compreende o
oitiva do menor infrator antes de decorrência da prática infracional caráter da medida socioeducativa,
decretar-se a regressão da medida grave. Dentro da concepção do mas, por suas características
socioeducativa”. Importante ressaltar  Princípio da Proteção Integral, pessoais, para ele é impossível
que parte da jurisprudência não subtrair ao adolescente infrator  conviver com os demais (provoca
aceita esta regressão para medida o tratamento adequado às suas situações de conflito, comete ou
mais gravosa, afirmando ser possível carências, conforme recomendações sofre transgressões sexuais, é
apenas a aplicação da internação médicas, seria afrontar os elementos instigado pelos demais por conta de
como sanção (art. 122, III). mínimos inerentes ao resguardo impulsividade ou agressividade, etc).
da dignidade humana. Assim, Aqui, há a necessidade da entidade
3. Saúde Mental: o Estatuto não como ainda está em discussão no disponibilizar local adequado,
prevê a possibilidade de medida Congresso Nacional, o Projeto de Lei apartado dos demais internos e
de segurança ou similar. Contudo, n° 1.627/07, que trata da execução de o tratamento individualizado, nos
como vimos até agora, esta Lei medidas socioeducativas , na prática, termos do artigo 112, § 3º, do ECA,
determina a aplicação de medidas havendo a imposição de medida com a contenção necessária para
socioeducativas e de medidas socioeducativa de internação, a evitar situação de risco para ele e
protetivas, cujas naturezas são questão da saúde mental tem sido para os outros; c) Jovens portadores
distintas. Não bastasse a expressa assim tratada: de transtorno de personalidade
previsão legal do art. 101, V, do 3.1. Nos casos de dependência antissocial ( esta hipótese exige a
ECA (que possibilita a inclusão química: a) Cabe acompanhamento máxima cautela e várias avaliações,
dos adolescentes em tratamento ambulatorial durante a medida de por vários enfoques, para fechar 
psiquiátrico em nível ambulatorial internação, devendo ser assegurado, quadro com este diagnóstico). Como
ou hospitalar), em seu art. 112, §3º, nos termos do artigo 112, § 3º, do o jovem ainda está em formação
do ECA novamente ressalta que ECA, o tratamento individualizado, da personalidade, até os 18 anos,
“os adolescentes portadores de especializado e em local adequado; os casos são classificados como
doença ou deficiência mental b) Casos mais severos, com “comportamento disruptivo de
receberão tratamento individual e necessidade de encaminhamento conduta”. É a situação mais complexa
especializado, em local adequado para tratamento específico em regime de todas. Jovens geralmente autores,
às suas condições”. Portanto, de internação (hospitalar), a medida de forma reiterada, de infrações
receber tratamento psiquiátrico socioeducativa de internação é gravíssimas, que apresentam um
adequado à sua problemática é suspensa e se diligencia a aplicação comprometimento na formação de
direito do adolescente, em relação ao da protetiva de encaminhamento sua personalidade e que, em uma
qual o Estado não pode se omitir, sob para uma clínica de tratamento para explicação bem simplificada, por 
pena de serem violados princípios drogadictos (problema sério ante a conta disso não possuem, quanto aos
constitucionais e a legislação ordinária falta de leitos na rede pública); seus atos, juízo crítico, sentimento
que rege a matéria. Nesse sentido, se 3.2. Nas demais questões de de culpa, ressonância afetiva,
a falta de contenção para tratamento, saúde mental, usualmente havendo fortíssima potencialidade de
dentro da concepção antimanicomial, verificam-se três situações reincidência. Assim, ainda ante a falta
foi conquistada por meio de vasta principais: a) Constatada doença de previsão legal específica, fechado
luta para evolução e concessão de mental, mas o adolescente tem este diagnóstico, suspende-se a
maior dignidade aos portadores de condição de entender o caráter  execução da medida socioeducativa
problemas da saúde mental, não infracional do ato e compreende o de internação, substituindo-a pela
podemos deixar de verificar que caráter da medida socioeducativa, protetiva de internação compulsória
existem situações excepcionais, sendo possível o tratamento externo em regime hospitalar com contenção.
nas quais a contenção se mostra (CAPS, hospital-dia, etc) ou interno E, com base na Lei Antimanicomial
imperiosa, como única forma de na unidade onde está custodiado. (Lei n° 10.216/01, art. 9º) e no CC,
resguardar a integridade dos que Assim, garante-se a segurança ingressa-se, no Juízo Cível, com ação
padecem de perturbação da higidez pública pela contenção, tratamento de interdição cumulada com pedido
mental e, em contrapartida, do corpo adequado ao jovem (art. 112, § 3º, de internação hospitalar compulsória,
social que não pode ficar em risco do ECA) e ele pode conviver com com contenção.
constante ao conviver com alguém os demais internos. b) Constatada

16 
4. As medidas socioeducativas. 2°, do art. 118, do ECA determina que a qual incentiva a evolução e a
4.1. Medida de Advertência (art. ela será fixada pelo prazo mínimo progressão pelo mérito, através de
115): consiste em admoestação de seis meses, podendo a qualquer  avaliações constantes, auxiliando
verbal, que será reduzida a termo. tempo ser prorrogada, revogada no desenvolvimento do senso de
Aplicada em infrações de baixo ou substituída por outra medida, responsabilidade.
potencial ofensivo, bastando a ouvidos o orientador, o Ministério 4.4.1. Atribuições do orientador:
constatação de indícios de sua Público e o Defensor. Como vemos disciplina o art. 119 do ECA que:
ocorrência para aplicação; aqui, este parágrafo do art. 118 “incube ao orientador, com apoio
4.2. Obrigação de reparar o dano autoriza a substituição da medida a e a supervisão da autoridade
(art.116): em se tratando de ato qualquer tempo e, como justificado competente, a realização dos
infracional com reflexos patrimoniais, acima, havendo indicação técnica seguintes encargos, entre outros: I-
a autoridade poderá determinar, ao caso concreto, não vejo qualquer  Promover socialmente o adolescente
se for o caso, que o adolescente: impeditivo de que tal ocorra para a e sua família, fornecendo-lhes
a) Restitua a coisa; b) Promova o imposição de medida mais grave. orientação e inserindo-os, se
ressarcimento do dano; c) Por outra Ante a regra de excepcionalidade necessário, em programa oficial ou
forma, compense o prejuízo da vítima. do art. 2°, parágrafo único, do comunitário de auxílio e assistência
Se ficar patenteada a manifesta ECA (que assevera que o Estatuto social; II- Supervisionar a frequência
impossibilidade de cumprimento, a é aplicado excepcionalmente às e o aproveitamento escolar do
medida poderá ser substituída por  pessoas entre dezoito e vinte e um adolescente, promovendo, inclusive,
outra adequada (parágrafo único), anos) e só existindo na lei a ressalva sua matrícula (ou seja, a frequência
como, por exemplo, prestação de expressa dessa aplicação quanto à escolar passa a fazer parte da
serviços à comunidade. semiliberdade e à internação (arts. medida); III- Diligenciar no sentido
4.3. Prestação de serviços à 120 e 121, § 5°), muitos doutrinadores da profissionalização do adolescente
comunidade (art. 117): A prestação entendem que se deve extinguir a e de sua inserção no mercado de
de serviços comunitários consiste prestação de serviços e a liberdade trabalho; IV- Apresentar relatório do
na realização de tarefas gratuitas assistida quando o jovem atinge 18 caso.”.
de interesse geral, por período anos. Não comungo desta posição. 4.5. Semiliberdade (art. 120): A
não excedente a seis meses, Com efeito, se assim o fosse, a lei medida de semiliberdade pode ser 
 junto a entidades assistenciais, não poderia permitir a aplicação da determinada como medida inicial
hospitais, escolas e outros liberdade assistida, por exemplo, ou como forma de transição para o
estabelecimentos congêneres, bem aos adolescentes com mais de 17 meio aberto”. Nesta, é possibilitada
como, em programas comunitários anos e 6 meses, pois ela estabelece a realização de atividades externas,
e governamentais. As tarefas serão o prazo mínimo de seis meses para independente de autorização judicial.
atribuídas conforme as aptidões do sua execução. Ademais, por não É obrigatória a escolarização e
adolescente, devendo ser cumpridas ser pena, mas medida que visa à profissionalização, devendo, sempre
durante jornada máxima de oito horas ressocialização e ante o princípio que possível, serem utilizados os
semanais, aos sábados, domingos, da proteção integral, entendo que recursos existentes na comunidade
feriados ou em dias úteis, de modo a a medida deve ser mantida mesmo (§1°). A medida não comporta
não prejudicar a frequência à escola após a maioridade penal, pois pode prazo determinado, aplicando-
ou à jornada normal de trabalho. beneficiar o acompanhamento se, no que couber, as disposições
Como já vimos, em hipótese alguma dos jovens adultos, evitando-se a relativas à internação (§2°), ou
e sob pretexto algum será admitida reincidência que, a partir de então, seja, excepcionalmente, aplica-se
a prestação de trabalho forçado estará sujeita à justiça criminal aos maiores entre 18 e 21 anos.
(art.112, §2°); comum. Sendo assim, entendo que Na prática, em São Paulo, o jovem
4.4. Liberdade assistida (art. a liberdade assistida está limitada é encaminhado a uma unidade da
118): consiste na medida que à idade limite de 21 anos, ou, por  Fundação CASA (antiga FEBEM),
visa ao acompanhamento, auxílio interpretação sistemática, ao tempo de onde pode sair durante o dia
e orientação do adolescente por  máximo previsto para a internação, para estudar, trabalhar e frequentar 
pessoa capacitada, designada pela que é de três anos. Correta a decisão cursos. Durante a semana tem horário
autoridade judiciária, a qual poderá do legislador em não determinar prazo para retornar e deve ali permanecer 
ser recomendada por entidade ou certo para o cumprimento da medida, durante o repouso noturno. Aos finais
programa que execute a medida. Não pois a fixação deste subverteria o de semana, é liberado para passar 
comporta prazo certo, sendo que o § princípio ressocializador da mesma, com os pais ou responsáveis, saindo
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no sábado pela manhã e retornando notícia de descumprimento em e segurança (art. 125).
no domingo à noite. relatório dos orientadores da PSC 4.6.4. Características da Entidade
4.6. Internação (arts. 121 a 125): ou da LA, ou, ainda, dos técnicos da onde se executa a internação:
constitui a medida privativa de unidade de semiliberdade, o jovem o art. 123 do ECA disciplina que a
liberdade, regida pelos seguintes deve ser intimado para justificar sua medida de internação deverá ser 
princípios: a) Brevidade (em atitude. Se este não for localizado cumprida: a) Em entidade exclusiva
nenhuma hipótese será aplicada ou, se intimado, não comparecer, para adolescentes, em local distinto
a internação, havendo outra expede-se mandado de busca e do destinado ao abrigo; b) Deve-
medida adequada - art. 122, § 2°); apreensão para apresentação do se obedecer à rigorosa separação
b) Excepcionalidade (não será adolescente em Juízo, a fim de que por critérios de idade, compleição
aplicada se houver a possibilidade seja ouvido e se decida sobre a física, gravidade da infração ;
de imposição de medida mais imposição, ou não, da internação 4.6.5. Internação provisória: a)
branda); c) Consideração da sanção. Aplica-se o disposto na Durante o período de internação,
condição peculiar de pessoa em Súmula n°. 265 do STJ que, como inclusive a provisória (a qual não
desenvolvimento.  já disse, determina: “É necessária poderá exceder 45 dias - art. 108),
4.6.1. Prazo: a) A medida não a oitiva do menor infrator antes de serão obrigatórias as atividades
comporta prazo determinado, decretar-se a regressão da medida pedagógicas (art. 123, Parágrafo
devendo sua manutenção ser  socioeducativa”. Após o cumprimento único); b) A internação provisória
reavaliada, mediante decisão da sanção, conforme o caso, o jovem não poderá ser cumprida em
fundamentada, no máximo, a pode retomar diretamente à medida estabelecimento prisional (art. 185);
cada 6 meses (art. 121, § 2°); b) anterior. Há casos excepcionais em c) Não havendo entidade na comarca
Em hipótese alguma o período de que, baseado em estudos técnicos com as características definidas nos
internação excederá 3 anos (art. 121, realizados durante este período, o itens “a” e b” retro, o adolescente
§ 3°); c) Atingido o limite de 3 anos, Juiz pode fazer a substituição por  deverá ser transferido imediatamente
o adolescente deverá ser liberado, medida mais gravosa. Por exemplo, para entidade em localidade mais
colocado em regime de semiliberdade vejamos esta situação: adolescente próxima (art. 185, §1°). Sendo
ou de liberdade assistida (art. 121, § estava descumprindo, de forma impossível esta pronta transferência,
4°); d) Atingida a idade de 21 anos, a reiterada e injustificável, a Liberdade o adolescente poderá aguardar 
liberação será compulsória. Como já Assistida aplicada por ato infracional remoção em repartição policial, desde
vimos, é causa de encerramento da anterior. Intimado, não justifica tal que em seção isolada dos adultos ,
competência da Justiça da Infância, conduta. É aplicada a internação com instalações apropriadas,
devendo haver a liberação, a extinção sanção e, durante o período desta, não podendo ultrapassar o prazo
e o arquivamento da execução da através de laudos psicossociais, é máximo de 5 dias, sob pena de
medida socioeducativa. constatada a inadequação da medida responsabilidade (delito previsto no
4.6.2. Internação sanção ( art. 122, anterior. Com base nos arts. 99, 100 artigo 235 do ECA) - art. 185, § 2°;
III e § 1°): quando o adolescente e 113 do ECA, o Juiz determina 4.6.6. Obrigações das entidades
descumpre de forma reiterada e a substituição da LA anterior pela que desenvolvem programas de
injustificável a medida anteriormente medida socioeducativa de internação internação: o art. 94 do ECA dita
imposta, a autoridade judiciária sem prazo determinado. as , sendo que destacamos entre
poderá aplicar a medida privativa 4.6.3. Atividades externas à unidade seus incisos: I- Observar os direitos
de liberdade por  até 3 meses. Esta em que se cumpre a internação ( art. e garantias de que são titulares
espécie, de caráter sancionador, em 121, § 1°): são permitidas atividades os adolescentes; II- Não restringir 
face do descumprimento das medidas externas à unidade durante o período nenhum direito que não tenha sido
em meio aberto e de semiliberdade, de internação, a critério da equipe objeto de restrição na decisão de
tem caráter diferenciado da técnica da entidade, salvo expressa internação; III- Oferecer atendimento
socioeducativa de internação por  determinação judicial em contrário. personalizado, em pequenas unidades
prazo indeterminado, prevista no art. Mesmo existindo esta proibição, e grupos reduzidos; IV- Preservar a
121 do ECA. A sanção pressupõe a conforme a evolução da medida, os identidade e oferecer ambiente de
existência de medida mais branda técnicos podem solicitar ao juízo da respeito e dignidade ao adolescente;
que a internação anteriormente execução da medida a sua revisão. V- Diligenciar no sentido do
imposta e seu descumprimento Contudo, tais atividades sempre restabelecimento e da preservação
reiterado e injustificado. Vindo aos serão realizadas sob vigilância, dos vínculos familiares; VI- Comunicar 
autos da execução da medida a garantindo-se o dever de contenção à autoridade judiciária, periodicamente,

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os casos em que se mostre inviável ou com o representante do Ministério ressaltar o posicionamento de Eduardo
impossível o reatamento dos vínculos Público; II- Peticionar diretamente a R. Alcântara Del-Campo, em seu artigo
familiares; VII- Oferecer instalações qualquer autoridade; III- Avistar-se “Prescrição Sócio-educativa”, em que
físicas em condições adequadas de reservadamente com seu defensor; afirma que é um verdadeiro contrassenso
habitabilidade, higiene, salubridade e IV- Ser informado de sua situação fixar prazo para que o Estado exerça
segurança e os objetos necessários processual, sempre que solicitada; V- o dever de educar. As medidas
à higiene pessoal; VIII- Oferecer  Ser tratado com respeito e dignidade; socioeducativas, em sua maioria,
vestuário e alimentação suficientes VI- Permanecer internado na mesma não comportam prazo determinado,
e adequados à faixa etária dos localidade ou naquela mais próxima ao podendo ser extintas ou prorrogadas
adolescentes atendidos; IX- Oferecer  domicílio de seus pais ou responsável; de acordo com as peculiaridades do
cuidados médicos, psicológicos, VII- Receber visitas, ao menos, caso e o desenvolvimento do próprio
odontológicos e famacêuticas; semanalmente; VIII- Corresponder-se adolescente, não havendo reprimenda
X- Propiciar escolarização e com seus familiares e amigos; IX- Ter  concretizada na sentença que permita
profissionalização; XI - propiciar  acesso aos objetos necessários à cálculo prescricional. O art. 109 do CP
atividades culturais, esportivas e higiene e asseio pessoal; X- Habitar  trata do prazo para a prescrição antes
de lazer; XII- Propiciar assistência alojamento em condições adequadas de transitar em julgado a sentença,
religiosa àqueles que desejarem, de de higiene e salubridade; XI- Receber  fixando uma tabela que é regulada
acordo com suas crenças; XIII- Proceder  escolarização e profissionalização; XII- pelo máximo da pena abstratamente
a estudo social e pessoal de cada Realizar atividades culturais, esportivas cominada ao crime. Já em relação
caso; XIV- Reavaliar periodicamente e de lazer; XIII- Ter acesso aos meios à prescrição depois de transitar em
cada caso, com intervalo máximo de comunicação social; XIV- Receber   julgado a sentença condenatória, o
de seis meses, dando ciência dos assistência religiosa, segundo a sua art. 110 deste mesmo diploma legal
resultados à autoridade competente; crença, desde que assim o deseje; estabelece que a prescrição regular-
XV- Informar, periodicamente, o XV- Manter a posse de seus objetos se-á pela pena aplicada, verificando-
adolescente internado sobre sua pessoais e dispor de local seguro para se os prazos fixados no artigo anterior.
situação processual; XVI- Comunicar  guardá-los, recebendo comprovante Tais dispositivos dizem respeito às
às autoridades competentes todos os daqueles porventura depositados penas estabelecidas no CP. Em
casos de adolescentes portadores de em poder da entidade; XVI- Receber, relação à prática infracional, novamente
moléstias infecto-contagiosas; XVII- quando de sua desinternação, os pontuamos o entendimento de Eduardo
Fornecer comprovante de depósito documentos pessoais indispensáveis Del-Campo que, diferentemente de
dos pertences dos adolescentes; à vida em sociedade. Fica estabelecido, alguns autores que tomam como base
XVIII- Manter programas destinados outrossim, que em nenhum caso haverá os prazos prescricionais fixados na Lei
ao apoio e acompanhamento de incomunicabilidade (§ 1°). No interesse Penal, reduzidos da metade em razão
egressos; XIX- Providenciar os do jovem, se existirem motivos sérios da menoridade do agente (art. 115,
documentos necessários ao exercício e fundados de sua prejudicialidade, a primeira parte do CP), prefere não utilizar 
da cidadania àqueles que não os autoridade judiciária poderá suspender  como parâmetro as penas previstas aos
tiverem; XX- Manter arquivo de temporariamente a visita, inclusive de diversos delitos pela legislação penal,
anotações em que constem data pais ou responsável (§ 2°). porque a medida socioeducativa mais
e circunstâncias do atendimento, LINK ACADÊMICO 6 severa é a internação, que não admite
nome do adolescente, seus pais ou prazo determinado e não pode suplantar 
PRESCRIÇÃO E
responsável, parentes, endereços, REMISSÃO três anos (art. 121, § 3º, do ECA) e
sexo, idade, acompanhamento da sua qualquer que seja a medida considerada,
formação, relação de seus pertences 1. Prescrição: o Superior Tribunal ela não poderá prosseguir além dos 21
e demais dados que possibilitem sua de Justiça, com a Súmula 338 firmou (vinte e um) anos de idade do infrator,
identificação e a individualização do entendimento de que a prescrição pouco importando a gravidade do ato
atendimento. penal é aplicável nas medidas sócio- cometido. Nesse sentido, Del-Campo
educativas, reconhecendo, dessa forma, cita as ponderações de Galdino Bordallo
5. Direitos do adolescente privado de o caráter retributivo e repressivo de tais que “para o cálculo da prescrição da
liberdade: o art. 124 do ECA estabelece medidas. No entanto, a Corte Superior  pretensão sócioeducativa far-se-á
que são direitos do adolescente privado não determinou quais as formas de uso do prazo máximo em abstrato de
de liberdade, entre outros, os seguintes: interpretação e aplicação desse novo duração de uma medida sócioeducativa,
I- Entrevistar-se pessoalmente entendimento. Nesse sentido, vale o prazo de 3 (três) anos determinados

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pelo art. 121, § 3º, do ECA. Combinar- (art. 179 do ECA) ou a do Juiz, quando do Ministério Público (artigo 186, § 1°)
se-á esta regra com a dos arts. 109,VI da audiência de apresentação judicial A remissão que extingue o processo
e 115, ambos do CP, encontrando-se, (art. 186 do ECA). O art. 127 do instaurado e que aplica medidas em
assim, o prazo de 4 (quatro) anos, que ECA estabelece que: a) A remissão meio aberto, como acima esclarecido,
será o da prescrição da pretensão não implica necessariamente o não se presta à imposição de medidas
sócioeducativa” (2005, p. 101). Este reconhecimento ou a comprovação restritivas de liberdade e as medidas não
também é meu entendimento e vem da responsabilidade; b) A remissão podem ser executadas coercitivamente,
sendo seguido em alguns acórdãos do não prevalece para efeito de sem a possibilidade, portanto, de
STJ, quanto à prescrição em abstrato, antecedentes; c)Aremissãopodeincluir  aplicação da internação sanção. No
valendo citar: “A diretriz jurisprudencial a aplicação de qualquer das medidas caso da remissão judicial que implica
desta Corte assentou a orientação de previstas em lei ( exceto a colocação na suspensão do processo, o Juiz da
que, para o cálculo do prazo prescricional em regime de semiliberdade ou de Infância pode concedê-la e aplicar as
da pretensão sócio-educativa, caso a internação), tendo esta hipótese caráter  medidas em meio aberto, suspendendo
medida tenha sido aplicada sem termo de transação, como acima visto. Nesse o curso da ação socioeducativa até o
final, far-se-á uso do prazo máximo caso, nos termos do art. 128 do Estatuto, efetivo cumprimento daquelas. Caso o
em abstrato de duração da medida de a medida aplicada por força de remissão infrator não o faça, a ação retoma seu
internação, que, à luz do disposto no poderá ser revista judicialmente, a curso e poderá, ao final, levar à aplicação
art. 121, § 3º, do ECA, é de 3 anos; ao qualquer tempo, mediante pedido de medidas mais severas, devidamente
passo que, na hipótese de ter sido fixado expresso do adolescente ou de seu sustentadas em procedimento judicial
um prazo final, terá como parâmetro a representante legal ou, ainda, do contraditório.
sua duração determinada na sentença. Ministério Público. LINK ACADÊMICO 7
Uma vez fixado o prazo , este deve ser  2.1. Da remissão concedida pelo
reduzido pela metade, em decorrência Ministério Público (art. 126, caput ):
do disposto no art. 115 do CP” (HC Antes de iniciado o procedimento judicial
84402 / SP; julgamento 27/03/2008). para a apuração de ato infracional, o
A coleção Guia Acadêmico é o ponto de partida
Promotor de Justiça poderá conceder  dos estudos das disciplinas dos cursos de
2. Remissão: a remissão é a concessão a remissão, como forma de exclusão graduação, devendo ser complementada com
o material disponível nos Links e com a leitura
do “perdão”. Este poderá ser  simples, do processo (ver art. 201, I), atendendo de livros didáticos.
encerrando-se com o ato, ou de às circunstâncias e consequências do
Estatuto da Criança e do Adolescente – 1ª
caráter transacional, quando implicar  fato, ao contexto social, bem como à edição - 2009
a imposição conjunta de alguma personalidade do adolescente e sua
medida em meio aberto. Assume a maior ou menor participação no ato AUTOR:
WILSON RICARDO COELHO TAFNER.
característica de transação, pois, como infracional. Dispõe a Súmula 108 Graduado pela faculdade de Direito da Univer-
não houve o devido processo legal, a do STJ: “A aplicação de medidas sidade de São Paulo - Largo de São Francisco,
Promotor de Justiça do Estado de São Paulo,
cumulação de qualquer medida com socioeducativas ao adolescente Foi por 12 anos titular da Promotoria da Infân-
a remissão depende da aquiescência pela prática de ato infracional é de cia e Juventude na capital paulista, Promotor 
Eleitoral, professor de cursos preparatórios
do adolescente e seu responsável. competência exclusiva do Juiz”. Dessa para concursos públicos.
De igual sorte, por não ser imposta feita, a remissão ministerial depende de
A coleção Guia Acadêmico é uma publicação
através de procedimento contraditório, homologação judicial para ter eficácia. da Memes Tecnologia Educacional Ltda. São
com todas as garantias a ele inerentes, 2.2. Da remissão judicial: O parágrafo Paulo-SP.
a medida socioeducativa imposta único do art. 126 disciplina que, iniciado Endereço eletrônico:
conjuntamente com a remissão não o procedimento de apuração da prática www.memesjuridico.com.br 
tem força coercitiva, pois, em caso infracional, a concessão da remissão Todos os direitos reservados. É
de descumprimento, não pode ser  pela autoridade judiciária importará na terminantemente proibida a reprodução total
substituída por medida mais grave, suspensão ou extinção do processo. ou parcial desta publicação, por qualquer meio
ou processo, sem a expressa autorização do
nem aplicada à internação sanção Estas duas possibilidades podem autor e da editora. A violação dos direitos
prevista no art. 122, III, do ECA . Em ser aplicadas em qualquer fase do autorais caracteriza crime, sem prejuízo das
sanções civis cabíveis.
razão dessas características, acaba procedimento, antes da sentença
sendo destinada às infrações mais (art. 188). O momento adequado da
simples, valendo mais a orientação concessão é após a oitiva do infrator 
dada pelo Promotor de Justiça, quando em audiência de apresentação e a
da apresentação para a oitiva informal concessão deve ser precedida de oitiva

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