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TRANSTORNOS DE PERSONALIDADE

 O tamanho do problema:
1. Transtornos de personalidade são comuns e crônicos. Eles ocorrem em 10 a 20% da população em
geral, e sua duração é expressa em décadas.
2. Aproximadamente 50% de todos os pacientes psiquiátricos apresentam um transtorno de
personalidade.
3. Um transtorno de personalidade é um fator predisponente para outros transtornos psiquiátricos,
aumentando a incapacitação pessoal, morbidade e mortalidade dos pacientes.
4. Pessoas com transtorno de personalidade têm uma propensão muito maior a recusar auxílio
psiquiátrico e a negar seus problemas, quando comparados a indivíduos com transtornos de ansiedade
ou depressão.
 O comportamento mal adaptativo de pessoas com transtornos de personalidade não lhes causa
ansiedade, e eles costumam não estar interessados em tratamento, além de serem resistentes à
recuperação.
 Definição de transtorno de personalidade de acordo com o DSM-V:
1. Padrão persistente de experiência interna e comportamento que se desvia acentuadamente das
expectativas da cultura do indivíduo.
2. O padrão é inflexível.
3. Começa na adolescência ou no início da idade adulta.
4. É estável ao longo do tempo.
5. Leva a acentuado sofrimento ou prejuízo.
5. Manifesta-se em pelo menos duas das quatro áreas abaixo:
- Cognição
- Afetividade
- Comportamento interpessoal
- Controle de impulsos
 Os transtornos de personalidade são divididos nos grupos A, B e C.
 O grupo A inclui três transtornos com características estranhas ou de afastamento (paranoide,
esquizoide e esquizotípica).
 O grupo B inclui quatro transtornos com características dramáticas, impulsivas ou imprevisíveis
(borderline, antissocial, narcisita e histriônica).
 O grupo C inclui três transtornos que compartilham características de ansiedade e medo (evitativa,
obsessivo-compulsiva e dependente).
 A seguir, os 10 transtornos de personalidade de acordo com o DSM-V.
I) TRANSTORNO DE PERSONALIDADE PARANOIDE (O Desconfiado)
 O indivíduo com TPP caracteriza-se por suspeita e desconfiança arraigadas em relação a pessoas em
geral.
 Costuma ser hostil e irritável. Ele recusa a responsabilidade de seus próprios sentimentos e a atribui às
outras pessoas. Exemplo: cônjuge patologicamente ciumento.
 Epidemiologia:
1. A prevalência é de 2 a 4% da população em geral.
2. É mais frequente em homens do que em mulheres.
3. Raramente buscam terapia por si mesmos.
4. A prevalência de TPP é maior entre parentes de pacientes com esquizofrenia do que participantes
de grupos-controle.

 Os atributos inconfundíveis do transtorno são


suspeita e desconfiança excessivas em relação a ouras
pessoas, expressas como uma tendência global de
interpretar os atos dos outros como malignos,
ameaçadores, exploradores ou enganadores.
 Indivíduos com o transtorno esperam ser
explorados ou lesados pelos outros de alguma forma.
 Questionam sem qualquer justificativa a lealdade
ou integridade dos próximos.
 Atribuem a outros os impulsos e pensamentos que
não podem aceitar em si mesmos (projeção).
 Pessoas com TPP têm afeto restrito e parecem ser
frias.

 Diagnóstico diferencial inclui:


1. Transtorno delirante, diferenciado pela ausência de delírios fixos.
2. Esquizofrenia paranoide, diferenciado pelo fato de os indivíduos não terem alucinações, delírios
nem transtorno manifesto do pensamento.
3. Transtorno de personalidade esquizoide: são retraídos, indiferentes e sem ideação paranoide.
4. Transtorno antissocial: indivíduos com TPP não têm o histórico de comportamento antissocial.
5. Transtorno de personalidade borderline: paranoides, devido à desconfiança, são incapazes de
desenvolver um envolvimento excessivo ou mesmo relacionamentos tumultuosos com outras
pessoas.
 Em alguns pacientes, o transtorno é vitalício e, em outros, evolui para esquizofrenia. De um modo
geral, a cronicidade do transtorno leva comumente a problemas profissionais e conjugais.
 O tratamento envolve principalmente psicoterapia.
 A farmacoterapia é útil para lidar com agitação e ansiedade. Pode ser usado um ansiolítico como
diazepam, ou, se o paciente estiver muito agitado, ou quase delirando, antipsicóticos como haloperidol,
por curtos períodos de tempo.
II) TRANSTORNO DE PERSONALIDADE ESQUIZOIDE (O Isolado)
 O transtorno de personalidade esquizoide é caracterizado por um padrão vitalício de retraimento social,
de modo que indivíduos com esse transtorno costumam ser vistos pelos outros como isolados ou
solitários.
 Ficam desconfortáveis com a interação humana, são introvertidos e possuem afeto frio.
 Epidemiologia:
1. A prevalência é estimada em 5% da população.
2. A relação de homens para mulheres é de 2:1.
3. Indivíduos afetados tendem a se direcionar para trabalhos solitários que envolvam pouco ou nenhum
contato com os outros (por exemplo: trabalhos à noite).
 No exame psiquiátrico, indivíduos com o
transtorno podem parecer pouco à vontade. Raramente
toleram contato visual.
 Esses indivíduos acham difícil não levar as coisas
a sério, de modo que seus esforços para parecem
engraçados são estranhos.
 São também propensos a fornecerem respostas
curtas às perguntas e a evitarem conversas espontâneas.
 São retraídos e demonstram falta de envolvimento
com as preocupações de terceiros, além de terem pouca
necessidade de formar laços afetivos.
 Sua vida sexual pode ser pouco desenvolvida, de
modo a adiarem indefinidamente a sexualidade.
 Podem investir enormes quantidades de energia
afetiva a interesses não humanos, como matemática,
astronomia, correntes filosóficas e animais.
 São os últimos a perceberem mudanças na moda
popular.
 Diagnóstico diferencial inclui:
1. Transtornos psicóticos em geral (delirante, esquizofrenia), já que nesse caso no caso do transtorno
de personalidade esquizoide não estão presentes delírios e alucinações.
2. Transtorno de personalidade paranoide, onde são comuns um comportamento hostil e projeção
dos sentimentos em outros
3. Transtorno de personalidade evitativa, em que os indivíduos não desejam ser solitários
4. Transtorno de personalidade esquizotípica, que se parece mais com a esquizofrenia, no que se
refere a estranhezas de percepção, pensamento, comportamento e comunicação.
5. Transtorno do espectro autista: maior gravidade de comprometimento das relações sociais e dos
interesses estereotipados
 O transtorno nem sempre é vitalício. Além disso, a proporção da incidência de esquizofrenia nesses
pacientes é desconhecida.
 O tratamento envolve principalmente psicoterapia.
 A farmacoterapia com pequenas doses de antipsicóticos, antidepressivos e psicoestimulantes beneficia
alguns pacientes. Agentes serotoninérgicos podem deixar o paciente menos sensível à rejeição, e
benzodiazepínicos podem ajudar a diminuir a ansiedade interpessoal.
II) TRANSTORNO DE PERSONALIDADE ESQUIZOTÍPICA (O Estranhão)
 Pessoas com transtorno de personalidade esquizotípica exibem características estranhas ou excêntricas
impressionantes.
 Epidemiologia:
1. A prevalência do transtorno é de cerca de 3% na população.
2. Sugere-se que seja ligeiramente mais comum no sexo masculino.
3. O transtorno é mais comum entre parentes de esquizofrênicos do que parentes de controles.
 Diagnostica-se o transtorno com base nas peculiaridades de pensamento, comportamento e aparência
do paciente.
 Indivíduos com o transtorno exibem perturbação
de pensamento e comunicação.
 Sua fala pode ser distinta ou pecular, pode fazer
sentido apenas para eles mesmos e com frequência
necessita de interprteção