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São Paulo, 28 de março de 2013 (quinta-feira) – Linguagem Bidimensional: Desenho / Profº Dercy

Sólidos Geométricos
- Exercícios de Observação
- Pastel Seco
- Canson A3
- Três Pranchas

Livro para ler  Formas de Pensar o desenho


 Edith Derdyk
 Cap. 2 “Conceitos e Pré-Conceitos
 Pg. 17 a 46

Conceitos e pré-conceitos 2

O DESENHO É UMA ESPECIALIDADE?  PG. 188

A cultura urbana ensina a vivermos especialidades. Existem especialistas de toda a sorte: espe-
cialistas em matemática, especialistas em válvulas, especialistas em gravura. Em qualquer ramo do
conhecimento científico, técnico ou artístico existem especialistas bem especiais.
A civilização contemporânea especializou-se no armazenamento e fragmentação do conheci-
mento. A metrópole nos oferece um leque múltiplo de atividades, mas a roda da fortuna, infelizmente,
não nos dá alternativas: representamos coerentemente uma personagem,' encarnando uma única forma
de ser. A dicotomia instaurada entre trabalho e lazer, escola e vida, natureza e cultura, existe em fun-
ção dos apelos da civilização tecnológica e industrial.

O PAPEL BEM DECORADO DE ESPECIALISTAS RETIRA DE NOSSA CONVIVÊNCIA DIÁRIA A


POSSIBILIDADE DE TRANSCENDER OUTROS NÍVEIS DE CONSCIÊNCIA: O SONHO, O DEVA-
NEIO, O IMAGINÁRIO.

Os sistemas educacionais, por força das circunstâncias, estão mais voltados para a educação
técnica e profissionalizante. Esta postura inibe o ato perceptivo, condicionando-o a uma visão temporal
e histórica.
Concebemos história como investigação, exploração, experimentação. A história pode se fazer
a todo o momento: o homem é seu grande inventor e sua grande invenção.
Flávio Motta (52)
"A produção de uma nova situação é um estar com o mundo que permite o fazer do
homem e o fazer-se homem. E o fazer do homem como o fazer-se humano 6 um fazer social e histórico,
inclusive."
Villanova ARTIGAS (9)
"O DESENHO É LINGUAGEM TAMBÉM ENQUANTO LINGUAGEM É ACESSÍ-
VEL A TODOS."

O desenho possui uma natureza específica, particular em sua forma de comunicar uma ideia,
uma imagem, um signo, através de determinados suportes: papel, cartolina, lousa, muro, chão, areia,
madeira, pano, utilizando determinados instrumentos: lápis, cera, carvão, giz, pincel, pastel, caneta hi-
drográfica, bico de pena, vareta, pontas de toda espécie.

 PG. 198

Não temos dúvidas de que uma formação especializada carrega uma visão também especiali-
zada da linguagem, em nosso caso, o desenho. Um desenhista de planta arquitetônica terá um enten-
dimento quanto ao uso do instrumento restrito à sua função: linha precisa, definida, sem variações ou
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intensidades. Um retratista utilizará outras técnicas, como o esfumado, por exemplo, para criar volumes.

E a criança, como desenha?


Alguns professores da pré-escola
ansiosamente descarregam técnicas para a
criança "aprender a desenhar", inibindo,
desta forma, qualquer tipo de exploração ou
“subversão", tanto em relação ao uso do
material quanto à manifestação de elemen-
tos gráficos que expressem um imaginário
pessoal.
A criança enquanto desenha canta,
dança, conta história, teatraliza, imagina, ou
até silencia... O ato de desenhar impulsiona
outras manifestações, que acontecem jun-
tas, numa unidade indissolúvel, possibilitan-
do uma grande caminhada pelo quintal do
imaginário.

O desenho como linguagem para a arte, para a ciência e para a técnica, é um instrumento de
conhecimento, possuindo grande capacidade de abrangência como meio de comunicação e de expres-
são. As manifestações gráficas não se restringem somente ao uso do lápis e papel. O desenho como
índice humano, pode manifestar-se, não só através das marcas gráficas depositadas no papel (ponto,
linha, textura, mancha), mas também através de sinais como um risco no muro, uma impressão digital, a
impressão da mão numa superfície mineral, a famosa pegada do homem na Lua etc.
Existem os desenhos criados e projetados pelo homem, existem os sinais evidenciando a pas-
sagem do homem, mas também existem as inscrições, desenhos vivos da natureza: a nervura das plan-
tas, as rugas do rosto, as configurações das galáxias, a disposição das conchas na praia. Estes exem-
plos nos fazem pensar a respeito das ideias que se têm do desenho, ampliando suas possibilidades
materiais de realização.

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“O VERDADEIRO LIMITE DO DESENHO NÃO IMPLICA DE FORMA ALGUMA O LIMITE DO PAPEL,


NEM MESMO PRESSUPONDO MARGENS."  Mário de Andrade (6)

É muito natural para a criança de 18 meses, ao desenhar, se expandir para fora dos limites do
papel. Ao poucos, a criança vai percebendo as bordas, as pontas, a existência do campo do papel. Esse
processo coincide, de certa forma, com a sua própria socialização. A criança passa a diferenciar o que
existe fora e o que existe dentro do papel e, similarmente, percebe o eu e o outro, o que é "meu" e o que
é do "outro". O campo do papel se toma o campo do possível, do devaneio, da invenção e também o
campo da concretização de suas carências e de seus desejos.
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O desenho, em seu continente mais amplo, não é somente uma manifestação gráfica através de
lápis e papel como já destacamos. A consciência do campo retangular do papel devolve ao desenho a
sua potencialidade como instrumento de reflexão, abstração e conceituação.

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O desenho, enquanto linguagem, requisita uma postura global. Desenhar não é copiar formas,
figuras, não é simplesmente proporção, escala. A visão parcial de um objeto nos revelará um conheci-
mento parcial desse mesmo objeto. Desenhar objetos, pessoas, situações, animais, emoções, ideias
são tentativas de aproximação com o mundo. Desenhar é conhecer, é apropriar-se.
A linha, elemento essencial da linguagem gráfica, não se subordina a uma forma que neutraliza
suas possibilidades expressivas. A linha pode ser uniforme, precisa e instrumentalizada, mas também
pode ser ágil, densa, trepidante, redonda, firme, reta, espessa, fina, permitindo infindáveis possibilida-
des expressivas. A linha revela a nossa percepção gráfica. Quanto maior for o nosso campo perceptivo,
mais revelações gráficas iremos obter. A agilidade e a transitoriedade natural do desenho acompanham
a flexibilidade e a rapidez mental, numa integração entre os sentidos, a percepção e o pensamento.
(48)
“NUNCA, ANTES DE KLEE, HAVIA-SE DEIXADO UMA LINHA SONHAR.”  Bergon in MERLEAU-PONTY

Tal como a linha, o homem tem direito ao sonho. O exercício do ato visionário pode se realizar
em qualquer atividade, seja de natureza prática ou teórica, artística ou científica.

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AS DEFINIÇÕES DE DESENHO Página 27


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Geralmente entendemos o desenho como "coisa de lápis e papel", como esboço ou croqui su-
bordinado à explicação de alguma ideia, à representação de algum objeto. Para ampliar nossa concep-
ção de desenho é necessário reavivar a memória individual e coletiva, a fim de fazer uma revisão dos
caminhos do desenho na história do homem. Com isso estaremos revitalizando conceitos, investigando
as várias formas de atividades em que o desenho se manifesta. Através de uma compreensão global de
sua história, perceberemos uma carga de significação mais ampla do que um simples manejo de lápis
sobre um papel em branco.

O que é desenho? Existem inúmeras


definições do que possa ser desenho.
Existem várias descrições e reflexões
relativas ao ato de desenhar.

Seja no significado mágico que o desenho assumiu para o homem das cavernas, seja no de-
senvolvimento do desenho para a construção de maquinários no início da era industrial, seja na sua
aplicação mais elaborada para o desenho industrial e a arquitetura, seja na função de comunicação que
o desenho exerce na ilustração, na história em quadrinhos, o desenho reclama a sua autonomia e sua
capacidade de abrangência como um meio de , expressão e conhecimento.
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Villanova ARTIGAS  “No renascimento o desenho ganha cidadania. E se de um lado é risco, traçado,
mediação para expressão de um plano a realizar, linguagem de uma
técnica cons trutiva, de outro lado é desígnio, intenção, propósito, projeto humano no
sentido de proposta de espírito. Um espírito que cria objetos novos e os introduz
na vida real."

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“Em nossa língua, a palavra aparece no fim do século XVI. D. João III, em carta régia dirigida
aos patriotas brasileiros que lutavam contra a invasão holandesa no Recife, assim se exprime, segundo
Varnhagen:
'Para que haja forças bastantes no mar com que impedir os desenhos do inimigo, tenho resolu-
to, etc.'
Portanto, desenho-desígnio: intenção; 'planos do inimigo'.
Um século mais tarde, o Padre Bluteau registra no seu vocabulário português e latino: 'Dese-
nhar: desenhar no pensamento, formar uma ideia, idear'. 'Formam in animo designare . 'Quais as igrejas
que desenhava no pensamento'. (Vida de São Xavier de Lucena.)
Registra também o significado técnico. 'Desenhar no papel'. 'Formam in animo designatam lineis
describere -delineare...' 'Que desenhasse a fortificação.'
Vamos apresentar outros significados da palavra desenho, extraídos do Novo dicionário da lín-
gua portuguesa, de Aurélio Buarque de Holanda Ferreira.

Desenho
• "Representação de formas sobre uma superfície, por meio de linhas, pontos e manchas, com
objetivo lúdico, artístico, científico, ou técnico: um desenho de criança; o desenho de uma paisagem, um
desenho de anatomia; o desenho de um motor."
• "A arte e a técnica de representar com lápis, pincel, pena, etc. um tema real ou imaginário,
expressando a forma e geralmente abandonando a cor: o desenho de um modelo vivo; o desenho abs-
trato. (O desenho tende a representar o tema racionalmente, configurando ou sugerindo seus limites,
enquanto a cor tende a transmitir valores de ordem emotiva.)"
• "Versão preparatória de um desenho artístico ou de um quadro; esboço, estudo."
• "Traçado, risco, projeto, plano."
• "Forma, feitio, configuração: o desenho de uma letra, de uma boca."

É também importante destacar o significado de desenhar, apresentado na 2ª edição desse


mesmo dicionário. Com isso podemos ampliar ainda mais o conceito de desenho.
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Desenhar

 “Traçar o desenho.”
 “Dar relevo a; delinear.”
 “Descrever, apresentar, caracterizando, oralmente ou por escrito.”
 Tornar perceptível, representar, acusar.”
 Conceber, projetar, imaginar, idear.”
 “Exercer a profissão de desenhista.”
 “Apresentar-se com os contornos bem definidos; ressair, ressaltar, avul-
tar, destacar-se.”
 “Aparecer, representar-se ou reproduzir-se na mente, na imaginação, afi-
gurar-se, figurar-se.”

A linha é geralmente entendida como contorno, elemento configurador subordinado à forma.


Neste sentido, somos herdeiros dos mestres da Missão Francesa que veio ao Brasil introduzindo um
conceito de desenho que rapidamente se tornou o conceito oficial, veiculado dentro das instituições
educacionais da época.

Ana Mae BARBOSA (14)

"As novas manifestações neoclássicas, implantadas como 'por decreto', iriam encontrar eco
apenas na pequena burguesia, camada intermediária entre a classe dominante e a popular, e que via na
aliança com o grude de artistas da importância dos franceses, operando força do aparelho de transmis-
são oficial sistemática cultura, uma forma de ascensão, de classificação."
O expoente máximo do Neoclassicismo francês era o Ingres, que dizia que ' 'o verdadeiro dese-
nho era a linha ". A apropriação inadequada deste conceito determinou vertentes do ensino artístico,
que vigora até os dias dentro das instituições académicas.

Flávio Motta (53)

Como herdeiros das lições neoclássicas, fica-nos faltando em nossa formação intelectual e uni-
versitária, o sentido da palavra desenho anterior à Missão Francesa, cujo panorama cultural era fundado
no Barroco. Flávio no texto, "Desenho e emancipação", nos aponta uma significação mais rica e abran-
gente do significado da palavra desenho simbolizado de uma forma poética na figura do caipira.
“Uma ocasião perguntamos a um caipira na cidade de Jambeiro (Estado de São Paulo), com
quem ele a fazer 'figurinhas' de barro para presépios, quem lhe dera os modelos, quem lhe ensinara.
Respondeu, diante de uma pequena escultura: 'O desenho é meu mesmo'. Naquela oportunidade, os
estudantes que nos acompanhavam, ficaram surpresos com o sentido do termo. Para a maioria dos
jovens, desenho era, apenas registro gráfico, expressão em linhas, manifestação de formas em duas
dimensões, esboço, traçado. Em verdade, os estudantes estavam mais próximos as lições do Neoclas-
sicismo que tanto influíram no ensino artístico brasileiro. Herdeiros dos mestres franceses que chega-
ram em 1816, eles estavam perplexos com o sentido mais amplo de um desenho que se identificava a
concreção do pequeno objeto elaborado por um caipira. Ali estava uma situação paradoxal. O caipira se
nos afigurava um herdeiro do sentido da palavra desenho, de proveniência anterior à Missão Francesa.
Ele que como individuo vivia dentro das maiores carências e mais parecia a imagem melancólica do
Jeca Tatu, ele que parecia viver em „tempo parado‟, era também um profundo conservador, e restituía
uma significação mais rica e mais humana. O que se perdeu da palavra em boa parte se perdeu do ho-
mem.”
Como hipótese de trabalho, efetuando uma simplificação, poderíamos dizer que existem dois
conceitos de desenho. Um deles seria o oficial, ' 'erudito'', que representa as instituições, ligado à forma
pela qual nos é ensinado o desenho dentro das escolas e universidades, abrangendo uma parte da po-
pulação que tem acesso ao ensino. O outro conceito é mais informal, vive à margem, representando
uma camada da população ligada às tradições, ao "popular". Tudo isso faz muito sentido em se tratando
de um país como o Brasil, com suas diversidades regionais.
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Nas cidades, verdadeiros caldeirões culturais, percebemos a existência de registros anônimos:


o caco de tijolo revelando o jogo de amarelinha no chão, a vareta riscando muro, a ponta de metal inter-
ferindo nas plaquetas de sinalização, os grafites instalados nas paredes. São desenhos espontâneos,
significando o desejo natural de registrar marcas, índices humanos que convivem com a comunicação
visual impressa na cidade: o outdoor, a vitrine, a sinalização, flechas e traçados no asfalto. Estes sinais
denunciam flagrantes da busca de um projeto urbano visando uma "organização".

Estas observações
nos fazem pensar que tudo o
que vemos e vivemos em nos-
sa paisagem cultural, total-
mente construída e inventada
pelo homem, algum dia foi
desenhado por alguém: a rou-
pa que vestimos, a cadeira em
que nos sentamos, a rua pela
qual passamos, o edifício, a
praça. O desenho participa do
projeto social, representa os
interesses da comunidade,
inventando formas de produ-
ção e de consumo.

A necessidade de
organização racional da sociedade e a busca da sistematização da produção em larga escala, processo
este detonado a partir da Revolução Industrial, promoveu um sentido social à utilização do desenho. Em
todas as atividades humanas o desenho acaba se manifestando: na ilustração do livro de Biologia, na repre-
sentação dos conceitos de Matemática, nos mapas estelares, no último modelo de carro, no batente da
janela.
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Por outro lado, o desenho possui uma natureza que enfatiza o transitório, o efémero. O desenho
acompanha a rapidez do pensamento, responde às urgências expressivas: o desenho feito às pressas para
indicar o melhor caminho, a sequência de desenhos em busca da melhor solução para tal encaixe de ma-
deira, o desenho para afirmar simplesmente uma necessidade existencial, poética e estética. O desenho
possui a natureza aberta e processual.

Mário de Andrade (6)

"A pintura busca sempre elementos de eternidade, e por isso ela tende ao divino. O desenho, muito
mais agnóstico, é um jeito de definir transitoriamente, se posso me exprimir assim. Ele cria, por meio de
traços convencionais, os finitos de uma visão, de um momento, de um gesto. Em vez de buscar as essên-
cias misteriosas e eternas, o desenho é uma espécie de definição, da mesma forma que a palavra 'monte'
substitui a coisa 'monte' para a nossa compreensão intelectual."

O desenho é uma atividade perceptiva, algo que não se completa, mas que nos convida, sugere,
evoca.
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(49)
Frederico Morais
É menos uma técnica ou meio expressivo e muito mais um modo de comportar-se (por exemplo,
fazer aflorar um certo intimismo do artista, um tom confessional, como se desenho fosse um diário, cartilha
do SER).
Mesmo que o desenho se impregne de um objetivo muito preciso e definido, a pesquisa em busca
da melhor solução final irá requisitar a natureza essencial da linguagem do desenho, inclusive para se pen-
sar melhor.
(63)
Saul Steinberg in Harold Rosenberg
"O desenho é uma forma de raciocinar sobre o papel.”
Numa sociedade com condições precárias de sobrevivência cultural como a nossa, o desenho nos
aponta uma : vantagem: basta ao artista um lápis e um papel e eis o seu tratado. Neste sentido, o desenho
funciona por suas mínimas exigências de concretude material, como uma arma de combate, instrumento de
guerrilha, arte do mínimo, a arte da sobrevivência.
(14)
André Rebouças in Ana Mae Barbosa
"Seria ocioso demonstrar a indispensabilidade do Desenho para os artistas, para os operários, para
os engenheiros e para todas as profissões conexas. Para esses o Desenho vale mais do que a escrita e até
mais do que palavra.
"Pode o engenheiro fazer ao seu contramestre um discurso de duas horas e no fim nada ter alcan-
çado, mas; em dois minutos, esboçando a peça da máquina que tem na mente, terá conseguido fazer-se
compreender como por milagre.
"Para qualquer outra profissão, o Desenho, se não indispensável, é pelo menos da maior utilidade."

O desenho serve aos artistas, mas serve também aos cientistas, aos técnicos e até ao caipira para
realizar a sua pequena escultura. A ação de moldar segue um projeto mental: o desenho aí também existe.
Apesar de sua natureza transitória, o desenho, uma língua tão antiga e tão permanente, atravessa a histó-
ria, atravessa todas as fronteiras geográficas e temporais, escapando da polémica entre o que é novo e o
que é velho. Fonte original de criação e invenção de toda sorte, o desenho é exercício da inteligência hu-
mana.
O ato de desenhar exige poder de decisão. O desenho é possessão, é revelação. Ao desenhar nos
apropriamos do objeto desenhado, revelando-o. O desenho responde a toda forma de estagnação criativa,
deixando que a linha flua entre os sins e nãos da sociedade.