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Comentário da Lição da Escola Sabatina – 3º Trimestre de 2018

Tema Geral: O Livro de Atos dos Apóstolos

Introdução ao Livro de Atos

Autor: Wilson Paroschi
Professor de Novo Testamento
Southern Adventist University
Collegedale, TN, EUA

Editor: André Oliveira Santos: andre.oliveira@cpb.com.br
Revisora: Josiéli Nóbrega

O Livro de Atos, ou Atos dos Apóstolos, é o quarto livro do cânon do Novo Testamento (NT),
e o segundo em tamanho. Com 18.450 palavras (no original grego), ele é menor apenas que
o Evangelho de Lucas, que tem 19.482 palavras. O terceiro é Mateus, com 18.346 palavras.

Autor. Assim como os evangelhos, Atos não traz o nome de seu autor. Segundo a tradição
cristã, o autor foi Lucas, identificado em Colossenses 4:14 como médico de formação e
assistente evangelístico de Paulo. A mesma passagem (Cl 4:10-15), deixa claro que Lucas
era gentio, ou seja, não judeu, visto que ali Paulo não o inclui entre aqueles que são “da
circuncisão”, no caso, judeus étnicos ou conversos à religião judaica. Fora isso, o Novo
Testamento pouco ou nada informa a respeito de Lucas, embora deixe implícito que ele
esteve com Paulo em pelo menos duas de suas viagens missionárias, a segunda e a
terceira, além do período de seu aprisionamento em Jerusalém, encarceramento em
Cesareia e subsequente viagem a Roma, após haver ele apelado ao imperador. Em Atos, a
primeira pessoa do plural (“nós”) é utilizada nessas partes do relato (At 16:10-17; 20:5–
21:18; 27:1–28:16), o que sugere que o autor tenha participado dos eventos que narrou. Em
2 Timóteo 4:11, Paulo também se referiu a ele em seu aprisionamento final em Roma.

A tradição da igreja também diz que Lucas era natural de Antioquia da Síria, mas não há
como comprovar a veracidade dessa informação. Seja como for, ao que tudo indica, Lucas
foi o único não judeu a contribuir para a formação do cânon bíblico. E, visto que ele também
deve ter sido o autor do evangelho que leva seu nome, o “primeiro livro” mencionado em
Atos 1:1, ele acabou sendo o escritor que mais contribuiu para a formação do NT: 27% ao
todo, superando o próprio apóstolo Paulo (23%).

Data. O último evento descrito em Atos é a prisão domiciliar de Paulo em Roma por dois
anos (At 28:30, 31), o que, segundo as melhores estimativas, deve ter ocorrido entre os
anos 61-63 d.C. Como Lucas nada falou sobre a libertação do apóstolo nem o que ele teria

feito em seguida, imagina-se que o livro foi escrito, ou pelo menos concluído, naquele
momento. O evangelho, por sua vez, o “primeiro livro” de Atos 1:1, deve ter sido escrito
durante o cativeiro de Paulo em Cesareia, nos dois anos que precederam sua viagem a
Roma e aprisionamento ali (At 24:27), ou seja, mais ou menos entre 58 e 60 d.C. Note que,
no prólogo do evangelho, Lucas disse que seu conhecimento da vida e do ministério de
Jesus chegou até ele por meio de “testemunhas oculares” (Lc 1:1-4). Como tais testemunhas
se achavam principalmente na Palestina, e Lucas esteve na Palestina ao final da terceira
viagem missionária de Paulo (At 21:18), exatamente a viagem que culminou com sua
detenção em Jerusalém, é bem provável que tenha sido durante os dois anos em que o
apóstolo esteve detido em Cesareia que o evangelho foi escrito. É desnecessário dizer que
Lucas acompanhou o apóstolo em sua viagem a Roma para ser julgado pelo imperador –
confira o uso da primeira pessoa do plural em At 27:1–28:16.

Destinatário. Ambos, o evangelho e Atos, foram dedicados a um certo Teófilo (Lc 1:3; At
1:1), de quem nada sabemos além do fato de que era um interessado na fé cristã, ou quem
sabe um recém-converso (cf. Lc 1:4). Há quem pense que Teófilo fosse uma pessoa
influente que poderia ajudar na divulgação tanto do evangelho quanto de Atos. Na
antiguidade, talvez ainda mais que hoje, a produção de livros exigia tempo e recursos. Nesse
caso, Teófilo seria o patronus libri de Lucas, o que era prática relativamente comum nos
tempos de Lucas. Seja como for, a relevância de ambos os livros vai muito além das
circunstâncias envolvendo Teófilo ou os leitores do primeiro século, e é por isso que dois mil
anos depois continuamos a estudá-los com profundo interesse.

Lucas-Atos. Juntos, esses dois livros de Lucas descrevem os primórdios da igreja cristã,
sua origem (a vida e o ministério de Jesus) e conquista do mundo greco-romano (os esforços
evangelísticos dos apóstolos, principalmente Paulo). Visto que Lucas se referiu ao
evangelho como “o primeiro livro” (At 1:1), é bem provável que esses dois volumes tenham
inicialmente circulado juntos, como os volumes um e dois de uma mesma obra. A
antiguidade produziu muitos livros assim. É interessante notar que Atos começa no mesmo
ponto em que o evangelho termina, ou seja, com as aparições e instruções finais de Jesus
aos discípulos, seguidas de Sua ascensão (Lc 24:36-53; At 1:1-11). Posteriormente, quando
o cânon do Novo Testamento começou a ser organizado, talvez já no início do segundo
século, esses dois livros acabaram sendo separados um do outro pelo Evangelho de João,
o último evangelho a ser escrito.

Período. Atos narra os primeiros trinta anos da história da igreja, desde a ascenção de
Jesus no ano 31 d.C até o final do primeiro aprisionamento de Paulo em Roma, em 63 d.C.
Esse período inclui episódios como o derramamento do Espírito (Pentecostes), a conversão
de Paulo e o início das missões gentílicas, sob a liderança do apóstolo. Foram três viagens

ele ainda voltaria a empreender pelo menos mais uma viagem. Esses anos finais do apóstolo (63-67 d. 39. o mundo mediterrâneo. Tema. 26:9-18). 3:29. 2:1) para conquistar o mundo da época. do qual os judeus faziam parte. 2:21. 34-35). e é por isso que ele não podia ficar circunscrito às fronteiras judaicas ou ao povo de Israel. cf. dessa vez ao redor do Mar Egeu. Os triunfos da igreja apostólica não foram alcançados senão em meio a muitas dificuldades. Tt 1:5. e a escrever suas últimas epístolas. Tt 2:11). Deus não faz acepção de pessoas e deseja salvar todos igualmente (At 1:8. Comentário da Lição da Escola Sabatina – 3º Trimestre de 2018 Tema Geral: O Livro de Atos dos Apóstolos Lição 1: 30 de junho a 6 de julho “Sereis Minhas testemunhas” . Foi no decurso de suas viagens (segunda e terceira) e aprisionamento em Roma que Paulo escreveu a maioria de suas epístolas. At 1:6-8). mais uma quarta viagem a Roma como prisioneiro. são posteriores ao período coberto pelo Livro de Atos. 10:28. tanto para judeus quanto para gentios (Rm 1:16. Atos foi escrito para mostrar o cumprimento da comissão evangélica deixada por Jesus aos discípulos (Lc 24:44-49. não foi fácil. inclusive Paulo. 2Tm 4:9-13). 3:12.C. O evangelho é um só. não vieram de fora. 2Co 5:15. As principais delas. Os apóstolos. 1Tm 2:4-6. a quem ele dedica três quartos do livro. incluindo-se os demais apóstolos.C. Fundamental nesse processo foi a vinda do Espírito Santo (At 2:1-4) e a posterior conversão de Paulo (At 9:1-19. As boas-novas da salvação em Cristo são para todos. Em Atos. Havia muita incompreensão e tabus a ser quebrados. porém. o que não impediu o apóstolo de testemunhar de Jesus (At 28:16-31). sexo ou posição social. aprendemos como foi que tudo começou. porém. Essa conquista. Esses foram anos de debates. Após ser liberto pelo imperador. E o relato de Atos mostra como o evangelho saiu das dependências de uma residência qualquer em Jerusalém (At 1:12-14. 22:6-16.). O Livro de Atos não esconde as enormes lutas e obstáculos que Paulo precisou superar da parte de seus próprios irmãos na fé em Jerusalém.missionárias ao todo. mas de dentro da própria comunidade de fé. (2Tm 4:6-8). 3:25. Não devemos pensar nesse período como se tudo fosse mil maravilhas. até ser preso novamente e executado em Roma por volta do ano 67 d. o grande herói de Lucas. porém. independemente de raça. 1 e 2 Timóteo e Tito (1Tm 1:3. eram humanos e sujeitos a fraquezas e limitações. controvérsias e superação quando a igreja buscava uma nova identidade que extrapolasse os limites do judaísmo e se tornasse o que é hoje: uma igreja mundial. Cl 3:11.

e começa no mesmo ponto em que o evangelho termina. Apenas Lucas nos informa que o período entre a ressurreição e a ascensão foi de quarenta dias e que o foco dos ensinos de Jesus aos discípulos nesse período foi o reino de Deus (At 1:5). O preparo para o Pentecostes (At 1:12-14) IV. As intruções finais aos discípulos (At 1:1-8) O livro de Atos é a continuação do evangelho de Lucas. Êx 19:5. por causa da eleição de Israel e do conceito de nação santa (cf. o reino de Deus se confunda um pouco com um reino político.Autor: Wilson Paroschi Professor de Novo Testamento Southern Adventist University Collegedale. o reino de Deus é o governo ou a soberania espiritual de Deus no Universo. A pergunta dos discípulos sobre o reino O que levou Jesus a Se concentrar na questão do reino de Deus foi a enorme incompreensão dos discípulos quanto à Sua morte.com. 1. Lc 24:44-53). Ap 12:7-10). TN. A escolha de Matias (At 1:15-26) I. e não uma área geográfica delimitada por fronteiras com um governo central e um grupo de súditos. como foi revelado na pergunta que eles Lhe fizeram: “Senhor.oliveira@cpb. Instruções finais aos discípulos (At 1:1-8) II. porque está próximo o reino dos Céus” (Mt 4:17). cf. Cristo veio para restabelecer o reino de Deus e Ele o fez por meio da Sua morte (Jo 12:31. a mensagem favorita de Jesus desde o início de Seu ministério foi: “Arrependei-vos. com as aparições de Jesus após a ressurreição e Suas instruções finais aos discípulos (cf. como nos reinos terrestres. Por isso. EUA Editor: André Oliveira Santos: andre. O que é o reino de Deus? Em termos simples. ou seja. . ainda que no Antigo Testamento (AT). A ascensão (At 1:9-11) III. A noção de reino no ensino de Jesus tem que ser vista à luz do pecado e do fato de Satanás haver usurpado o domínio desta Terra das mãos de Adão (Jo 14:30) e lançado uma enorme sombra de dúvida sobre o caráter e o governo moral de Deus em todo o Universo. 16:11. 6). algo antecipado por João Batista (Mt 3:2). Lc 24:21). será este o tempo em que restaures o reino a Israel?” (At 1:6.br Revisora: Josiéli Nóbrega Esboço da lição da semana I.

eles continuavam presos à ideia de um Messias e um reino políticos. 18. 10:11. Embora a princípio isso também os deixasse confusos quanto à sequência dos eventos finais (a questão do tempo do verso 6). Em Atos. A despeito dos esforços Dele para prepará-los para a realidade da Sua morte (Mt 16:21. 20. Todos os seus sonhos de glória e independência ruíram completamente (Lc 24:18-21). os judeus começaram a relacionar o reino de Deus com a esperança de um reino terrestre que restaurasse não só a soberania de Jeová sobre todos os deuses (das nações inimigas) como também a dinastia de Davi em Judá. 4:10. 16:16-22). II. 36. mesmo na noite anterior à crucificação (Jo 14:19. Jesus não tocou na questão do tempo. 8). principalmente após a ascensão. 32. . a figura do Messias prometido começou a ser associada mais e mais a um rei que viria para libertar Israel das mãos dos opressores pagãos. que requer tempo. 3:18-26. Em sua resposta. ela ocupa um versículo apenas (At 1:9). Jesus sabia o que estava fazendo. algo que os discípulos finalmente parecem ter compreendido (At 2:22-24. 12:32). 33. como veremos na lição três. e o estabelecimento definitivo do reino de Deus no Universo não parecem se harmonizar com uma missão de caráter mundial. No conturbado período de cerca de quatrocentos anos entre o retorno dos exilados de Babilônia e o nascimento de Jesus. será este o tempo em que restaures o reino a Israel?” (At 1:6). ver como Lucas narra o episódio envolvendo a pergunta do verso 6 de Atos 1 e o que aconteceu em seguida. 10:37). e foi por isso que eles se aproximaram de Jesus e perguntaram mais esperaçosos do que nunca: “Senhor. 17. por causa do cativeiro babilônico e das muitas ocupações estrangeiras que se seguiram. 2. fez com que tais sonhos se reavivassem. da perspectiva humana. A resposta de Jesus Foi por causa da incompreensão dos discípulos que Jesus gastou boa parte do período pós- ressurreição instruindo-os quanto à natureza espiritual do reino (At 1:3) e como isso se relacionava com Sua morte. porém. A ressurreição. deixando-a em aberto e mudando o assunto do diálogo para a missão que os discípulos teriam que realizar (At 1:7. Mc 10:38. Ele sabia que. Jo 2:19-22. É interessante. O principal interesse de Lucas parece ter sido a aparição dos anjos e a promessa da volta de Jesus (At 1:10. 31). A ascensão (At 1:9-11) Lucas é o único evangelista a narrar a ascensão de Jesus. 34. Infelizmente. e o faz de maneira muito breve (Lc 24:50-53).Porém. 11). no entanto. presente na expectativa dos discípulos. era isso que os discípulos tinham em mente quando deixaram tudo para seguir Jesus (Mc 9:33. 5:30. Isso explica o estado de absoluta desolação em que ficaram em decorrência da cruz. o conceito de um breve retorno.

¹ IV. A preparação para o Pentecostes (At 1:12-14) Empolgados com a possibilidade de um breve retorno de Seu amado Mestre. ainda em seus dias. III. ao deixar os discípulos em suspense quanto ao tempo em que o reino seria restaurado. Nunca é demais repetir que o cenáculo (em latim. 26). eles eram testemunhas da Sua ressurreição (At 1:21. em geral das famílias mais abastadas. nas cercanias de Betânia (Lc 24:50). Na verdade. Aqui há uma importante lição para nós. algo que eles certamente haviam aprendido com o próprio Jesus (Lc 3:21. não há vida cristã saudável senão por meio da oração. os discípulos retornam ao cenáculo em Jerusalém – a ascensão havia ocorrido do lado oriental do Monte das Oliveiras. Ele virá “com poder e grande glória” (Lc 21:27) e um número incontável de anjos (Mt 25:31. cf. 22) e depositários de Seus ensinos (Mt 28:20). 6:12. cf. assim que cumprissem sua missão mundial. Em nenhum lugar as Escrituras sugerem que Jesus voltará de forma invisível.Duas coisas aqui devem ser destacadas. com Matias agora no lugar de Judas (At 1:26). Como aqueles que acompanharam Jesus em Seu ministério terrestre (Mc 3:14). E não havia nada de errado nisso (cf. a oração é para a alma. Primeira. 11:1). A Bíblia não nos informa se esse foi o mesmo cenáculo em que Jesus tivera a última ceia com os discípulos ou outro qualquer (cf. Jo 20:19. Tais cômodos costumavam ser alugados para atividades ou ocasiões específicas (Lc 22:7-13). 5:42). Talvez porque Jesus havia escolhido doze (Lc 9:1-6) e prometido que eles se assentariam em tronos para julgar as doze tribos de Israel (Lc 22:28-30). Os doze. eles não deixaram substitutos. Ninguém que viesse . Mas. Jesus voltaria. Ap 1:7). com o Pentecostes. A escolha de Matias (At 1:15-26) Não está claro porque os apóstolos quiseram substituir Judas. cenaculum) era apenas um cômodo no segundo pavimento de uma casa qualquer. 18:1. O essencial aqui é destacar como os discípulos e aqueles que os acompanhavam aguardaram a vinda do Espírito: com intensa oração (At 1:14). “Esse Jesus que dentre vós foi assunto ao céu virá do modo como o vistes subir” (At 1:11. os responsáveis pelo doutrinamento da igreja (At 2:42. Como tais. Mt 24:14). formavam um grupo único na igreja primitiva. 9:28. Lc 9:26). Nada pode substituí- la como fonte de poder e vida. e. os discípulos pensaram que Sua missão mundial já estivesse concluída e que Jesus voltaria num breve espaço de tempo. Ao contrário. Como a ascensão foi visível. como alguns afirmam. O que a respiração é para o corpo. Trataremos disso na lição três. Não há outra forma de se receber o Espírito senão por meio de fervora oração. portanto. o ponto é que desdobramentos posteriores em Atos mostram que. A segunda coisa importante em relação às palavras dos anjos tem a ver com a maneira da volta de Jesus. Sua volta também seria visível. 22:39-46. a promessa dos anjos naturalmente levaria os discípulos a concluir que.

portanto. 289. 15:7. 416.² Conclusão Pontos a ser enfatizados em classe: – A natureza espiritual do reino de Deus – O significado da morte de Jesus para o estabelecimento do reino de Deus – A certeza da ressurreição (At 1:3) – A missão de testemunhar a todo o mundo (At 1:8) e o que significa o ato de testemunhar – A promessa da segunda vinda de Jesus (At 1:11) – O papel da oração na vida cristã – O legado dos apóstolos para a igreja _____________________________ ¹ Ellen G. O legado dos apóstolos são seus escritos: os livros que formam o cânon do NT e que. A chamada sucessão apostólica. Gl 1:15. em Collegedale. segundo a qual a autoridade eclesiástica foi transmitida pelos apóstolos de forma ininterrupta através dos séculos até os nossos dias. ² Nisto Cremos. Evangelismo. p. p. 1. é professor de Novo Testamento na Southern Adventist University. 16). Mensagens aos Jovens. White. White. p. Veja também Ellen G. 228. Tennessee. Ele é PhD em Novo Testamento pela Andrews University (2004) e realizou estudos de pós-doutorado na Universidade de Heidelberg. Mensagens Escolhidas. Autor do comentário: Wilson Paroschi ensinou na Faculdade de Teologia do Unasp. 595. 256. não tem qualquer base bíblica e é rejeitada pela grande maioria das igrejas protestantes. Desde janeiro deste ano. por mais de trinta anos. p. 9. juntamente com as Escrituras do AT. Ninguém sobre a Terra tem ou jamais teve a mesma prerrogativa que eles. v. Estados Unidos. são nossa única regra de fé e prática. p. que também foi uma testemunha da ressurreição e foi especialmente chamado por Deus para ser apóstolo aos gentios (1Co 9:1. O Grande Conflito. . à exceção de Paulo. na Alemanha (2011). Engenheiro Coelho.depois deles poderia ser apóstolo no sentido técnico ou autoritativo como eles o foram.

com. A vinda do Espírito Santo (At 2:1-4) II. Reunidos ali para celebrar a festa de Pentecostes. O primeiro batismo (At 2:37-41) I. e (3) finalmente. que encheu toda a casa. Após seguir a orientação dada pelo próprio Jesus de aguardar em Jerusalém o poder prometido (1:4) os apóstolos estavam reunidos a fim de receber a unção do Espírito do Senhor que os habilitaria a testemunhar de Cristo. As imagens de vento e fogo eram parte do . A vinda do Espírito Santo (At 2:1-4) O tempo de espera havia acabado. visível e corpóreo. os discípulos foram surpreendidos com manifestações sobrenaturais que acompanharam o derramamento do Espírito Santo. TN. Embora Lucas tenha sido um pouco vago quanto à referência ao local. (2) em seguida. O dom de línguas (At 2:5-13) III. A vinda do Espírito Divino é descrita em três declarações paralelas: (1) veio do céu um som. O sermão de Pedro (At 2:14-36) IV. Ele foi audível.oliveira@cpb. o qual não deve ser confundido com o local da Última Ceia de Lucas 22:11 (katalyma). pode-se inferir que os discípulos estavam reunidos no mesmo cenáculo de Atos 1:13 (hyperoon). todos ficaram cheios do Espírito Santo e passaram a falar em outras línguas. que pousaram sobre cada um deles. Comentário da Lição da Escola Sabatina – 3º Trimestre de 2018 Tema Geral: O Livro de Atos dos Apóstolos Lição 2: 7 a 14 de julho O Pentecostes Editor: André Oliveira Santos: andre. parecidas com fogo. A ênfase de Lucas está na objetividade do evento. apareceram línguas. EUA Esboço da lição da semana I. RS Supervisor: Wilson Paroschi Professor de Novo Testamento Southern Adventist University Collegedale.br Revisora: Josiéli Nóbrega Cristian Piazzetta Capelão da Escola Adventista Cachoeirinha. parecido com um vento impetuoso.

É notável o espanto daquelas pessoas quando perceberam como os discípulos podiam então falar em suas línguas maternas (v. é importante ressaltar que ele é apenas uma dentre as mais diversas formas de o Espírito de Deus Se manifestar. não a multidão. Is 66:15). O porquê das línguas O próprio contexto do episódio evidencia que o ato de falar em línguas no Pentecostes foi a capacitação necessária para que os apóstolos dessem início à missão mundial da igreja. indicando que Sua manifestação “é concedida a cada um visando um fim proveitoso” (v. Por que. Lucas foi enfático ao destacar a vasta quantidade de nações representadas em Jerusalém por ocasião da festividade judaica (v. Tão ampla era a representatividade de povos ali que Lucas hiperbolizou ao dizer que ali havia judeus “vindos de todas as nações debaixo do céu” (v. II. Certamente. 8-11). a barreira linguística que separava os apóstolos delas precisava ser transposta. Jo 14:16. 7). O dom de línguas (At 2:5-13) Os versos seguintes apresentam o resultado do derramamento do Espírito Santo sobre aqueles que estavam no cenáculo: eles falaram em línguas. logo a manifestação se deu neles. o apóstolo Paulo listou uma série de outros dons do Espírito Santo (v. o que indica que o milagre estava ligado à faculdade de falar. 8) Embora já tenha sido sugerido que o milagre. ou seja. Lc 3:16. cf. Outro ponto importante é o próprio fato de as pessoas terem ficado atônitas e perplexas ao ver os discípulos “falando” em suas línguas maternas” (v. a fim de que o Evangelho fosse anunciado àquelas pessoas. ou seja. Embora falar outras línguas seja um dom espiritual legítimo. Em 1 Coríntios 12. o texto é claro ao indicar que foram os discípulos que receberam o Espírito Santo. era de suma importância que eles fossem capazes de comunicar o Evangelho na língua nativa dos ouvintes com os quais entrariam em contato. 9-11). cada dom tem um propósito específico. At 1:8). Sem dúvida. o impacto desses símbolos estava em demonstrar que o próprio Deus estava ali presente e a tão aguardada promessa do derramamento do Espírito Santo era agora uma realidade (Jl 2:28-30. 1Rs 19:11. 15:26. a intervenção miraculosa do Pentecostes se deu no fato de que aqueles simples . na verdade. 5). E isso aconteceu já no próprio dia de Pentecostes. então. A habilidade linguística conferida aos apóstolos foi a intervenção divina para que a mensagem fosse anunciada. a manifestação do Espírito Santo se deu na forma de línguas no dia de Pentecostes? 1. se deu no fato de as pessoas entenderem os discípulos. uma capacitação especial para compreendê-los. 8). O fato é que. Em outras palavras.aparato utilizado por Deus em Suas manifestações (teofanias) nos tempos do Antigo Testamento (cf. se Jesus os havia comissionado para ser Suas testemunhas até os confins da Terra.

(University of Chicago Press.galileus podiam então falar idiomas que até então eram desconhecidos por eles. se trata do mesmo fenômeno. […] Cada língua conhecida estava por eles representada. Não deve haver dúvidas de que os apóstolos falaram os idiomas estrangeiros das nações ali representadas. falando com perfeição a língua daqueles por quem trabalhavam.² Análises realizadas por linguistas têm destacado a grande similaridade entre as línguas extáticas nos movimentos pentecostais e aquelas praticadas em rituais pagãos. que significa o idioma de uma nação ou região. A finalidade exclusiva era pregar o Evangelho. varões religiosos. Felicitas Goodman. A natureza das línguas Que as línguas faladas pelos apóstolos se tratavam de idiomas conhecidos é a conclusão mais lógica e pertinente do próprio vocábulo grego empregado por Lucas para expressar a reação da multidão ao ouvir os discípulos: “E como os ouvimos falar. etc. Tentativas de equiparar o dom de línguas de Atos 2 aos fenômenos carismáticos modernos não condizem com a caracterização bíblica do dom. sintaxe. como relatado por Heródoto e por Virgílio.”¹ 2. Durante a dispersão os judeus tinham sido espalhados por quase todas as partes do mundo habitado. Bornéu. publicou seus resultados em 1972 em uma extensa monografia entitulada: Speaking in Tongues: A Cross-Cultural Study in Glossolalia. Deus supriu a deficiência dos apóstolos. daí a origem da palavra “dialeto”. A palavra grega traduzida por “língua” é dialektos. White comenta: “‘E em Jerusalém estavam habitando judeus. onde pessoas entram em estado de transe e pronunciam sons sem sentido. ou seja. O Espírito Santo fez por eles o que não teriam podido fazer por si mesmos em toda uma existência. Refere-se apenas a uma língua humana. Essa diversidade de línguas teria sido um grande empecilho à proclamação do evangelho. Ellen G. incompreensíveis a elas mesmas e aos outros participantes. de maneira miraculosa. gramática. 8). Então eles podiam proclamar as verdades do evangelho em toda parte. Muitos desses judeus estavam nessa ocasião em Jerusalém. Portanto. cada um em nossa própria língua materna?” (v. É conhecido o fato de que línguas extáticas eram amplamente comuns e praticadas em cultos pagãos da antiguidade. de todas as nações que estão debaixo do céu’ (At 2:5). 1972) [Falando em . depois de realizar estudos in loco de várias comunidades pentecostais de fala inglesa e espanhola nos Estados Unidos e no México e de comparar gravações de aúdios de rituais não cristãos da África. Indonésia e Japão. com vocabulário. uma antropóloga e linguista que. Uma boa evidência disto é o estudo da Dra. Enquanto o dom de línguas bíblico é tipificado pela inteligibilidade (1Co 14:9-11) e pela edificação da igreja (1Co 14:12) não é isso o que acontece hoje nas manifestações de glossolalia em alguns círculos cristãos. e em seu exílio tinham aprendido a falar várias línguas.

2. a evidência final de que Jesus não era um homem comum. Pela cruz. Ele já foi outorgado por Deus ao Seu povo. pois representou o elemento decisivo na história do evangelho. Ao interpretar o evento do Pentecostes à luz dessa profecia. estava claro que. A profecia de Joel Para Pedro. que seria o alvorecer da era messiânica. ressurreição e exaltação de Jesus. e (2) a exaltação de Jesus. 32). O Espírito havia finalmente sido disponibilizado completamente e o ato final do grande drama da salvação havia começado. ou seja. por haver sido ressuscitado (v. 23). A profecia de Joel havia acabado de ser cumprida. foi exaltado por Deus à Sua destra. Por ser o Messias (v. foi a ressurreição que recebeu maior ênfase. Goodman afirma que “quando todos os aspectos da glossolalia são levados em consideração. prometendo a restauração da terra e prevendo a chegada do Dia do Senhor. Joel conclamou as pessoas ao arrependimento. A mensagem de Pedro enfatizou dois aspectos principais: (1) A profecia de Joel. o que havia acabado de acontecer era o cumprimento profético de Joel 2. No entanto. Pedro enfatizou a relevância histórica do momento. Ef 5:18) desde aquele momento.Línguas: Um Estudo Transcultural em Glossolalia]. o conteúdo da pregação inicial cristã que geralmente consistia em textos das Escrituras relacionando o Messias a Jesus. A exaltação de Jesus Após ter destacado o significado profético do Pentecostes. frases) e outros elementos como ritmo. Deus recuperou o . Ele não poderia ser detido pela morte e. a associação entre transe e glossolalia é então aceita por muitos pesquisadores como uma suposição correta. bem como com um chamado ao arrependimento. O que falta é nos apropriarmos completamente do dom que já está disponível (cf. O corolário desse fato é que o Espírito já veio.”³ III. 1. quando o Espírito seria derramado sobre toda carne. sílabas. Pedro dirigiu sua atenção para os acontecimentos então recentes da vida. O sermão de Pedro (At 2:14-36) O sermão de Pedro após a manifestação do dom de línguas foi o primeiro dos “discursos evangelísticos” do livro de Atos e é muito significativo. A questão é que a vinda do Espírito era condicional à vitória de Jesus na cruz (Jo 17:4-5) e Sua subsequente exaltação no Céu (Jo 7:39). com ênfase em Sua morte e ressureição. A profecia de Joel foi originalmente concebida após uma praga de gafanhotos ter devastado a terra de Israel e resultado numa fome severa. isto é. tornando assim possível a vinda do Espírito Santo. sotaque e especialmente a entonação geral. a estrutura segmentar (como sons. pois representa o “Kerygma primitivo” (primeira proclamação) da igreja. morte.

(3) perdão de pecados e (4) recebimento do dom do Espírito (v. – O propósito do dom de línguas. Speaking in Tongues: A Cross-Cultural Study in Glossolalia. 38). Fp 2: 8-9. Autor do comentário: Wilson Paroschi ensinou na Faculdade de Teologia do Unasp. IV. Cada um de nós tem hoje o privilégio de testemunhar de Jesus. destacou os quatro principais aspectos da experiência da conversão: (1) arrependimento. Engenheiro Coelho. – Vida. então. p. O Pentecostes foi a primeiro assalto ao reino de Satanás depois da cruz. Conclusão Pontos a ser enfatizados em classe: – O cumprimento da promessa do derramamento do Espírito Santo. A exaltação de Jesus foi o momento supremo em que isso foi reconhecido não apenas por Deus. cf. 75. Desde janeiro deste ano. (1956). ³ Felicitas Goodman (1972). que apenas queriam saber o que fazer depois de tão profunda exposição acerca dos efeitos da morte e ressureição de Jesus. por mais de trinta anos. ² L. O Pentecostes foi o resultado de tudo isso. As palavras inspiradas do apóstolo de fato “perfuraram [katenyg?san] o coração” dos ouvintes (v. mas também pelos anjos e todos os demais seres criados (Ap 5:8-14. White. morte e ressurreição de Jesus. (2) batismo. 23. Pedro. Hb 2:9). Era hora de atacar o reino de Satanás e resgatar o ser humano de volta para Deus. O primeiro batismo (At 2:37-41) A resposta ao sermão de Pedro não poderia ter sido mais positiva. O número expressivo de batismos naquele dia. ‘A Survey of Glossolalia and Related Phenomen in Non-Christian Religions’ in American Antrophology. é professor de Novo Testamento na . ampliando esse assalto e trazendo mais e mais cativos do pecado para o reino do nosso grande Deus.governo moral do Universo e o direito de reclamar a humanidade de volta para Si. 37). p. Carlyle May. – Nossa participação individual na obra de resgate iniciada pelos apóstolos no Pentecostes. _____________________________ ¹ Ellen G. quase três mil. revela a forte atuação do Espírito no coração daquelas pessoas. – A natureza das línguas faladas. Atos dos Apóstolos. 39-40. – A exaltação de Jesus como prerrogativa para a vinda do Espírito Santo.

EUA Esboço da lição da semana I. Partilha dos bens 4. Estados Unidos. 4:32–5:11) 1. Tennessee. RS Supervisor: Wilson Paroschi Professor de Novo Testamento Southern Adventist University Collegedale. Ananias e Safira 5. em Collegedale. Ensino e comunhão (At 2:42-47.com. Ele é PhD em Novo Testamento pela Andrews University (2004) e realizou estudos de pós-doutorado na Universidade de Heidelberg. Senso de urgência . O papel dos apóstolos 2. TN.oliveira@cpb. na Alemanha (2011).Southern Adventist University.br Revisora: Josiéli Nóbrega Autor: Cristian Piazzetta Capelão da Escola Adventista Cachoeirinha. Comunhão nos lares 3. Comentário da Lição da Escola Sabatina – 3º Trimestre de 2018 Tema Geral: O Livro de Atos dos Apóstolos Lição 3: 14 a 21 de julho A vida na Igreja Primitiva Editor: André Oliveira Santos: andre.

Essa seção foi introduzida com a informação de que os cristãos primitivos perseveravam na doutrina dos apóstolos. 21. O sermão de Pedro (o segundo em Atos) 3. celebravam a Ceia do Senhor. Mais milagres 5. 25 e 42). 5:12. que acontecia no templo (2:46). e ao ensino. especialmente no pórtico chamado “de Salomão” (3:11. . eles estavam sempre juntos.II. 1. Judas 4. as Escrituras do Antigo Testamento e. agora os discípulos deviam passar adiante as orientações para os novos conversos. A segunda prisão dos apóstolos I. 5:12-42) 1. Como guardiões da vida e dos ensinamentos de Cristo. As refeições em questão eram as chamadas Festas da Fraternidade (agap?). Há indícios de que. oravam e compartilhavam suas refeições com alegria e singeleza de coração (2:44-46). no partir do pão e nas orações (2:42). na comunhão. certamente. Essas quatro práticas. 4:32–5:11) Após ter descrito o derramamento do Espírito Santo e a subsequente conversão massiva de judeus no Pentecostes. suas próprias reminiscências de outros ensinos de Cristo. A cura de um paralítico 2. O papel dos apóstolos A função apostólica na igreja primitiva estava essencialmente ligada ao ensino. Lucas dedicou espaço para relatar como era a vida espiritual desses novos conversos incorporados à comunidade cristã. falsos mestres estavam usando essa confraternização para introduzir condutas imorais entre os primeiros cristãos (cf. A prisão de Pedro e João 4. Tais ensinamentos provavelmente incluíssem conceitos como a morte e a ressureição de Jesus. os apóstolos possuíam autoridade necessária para orientar a igreja em seu estágio inicial. sendo essas ocasiões oportunas para assistir os membros mais pobres da igreja. 2. estavam relacionadas à comunhão. Comunhão nos lares A vida de intensa comunhão espiritual era outra marca da piedade cristã primitiva. mais tarde. Assim como eles haviam sido instruídos por Jesus (At 1:3). Oposição das autoridades judaicas (At 3:1–4:31. que ocorria nos lares. Ensino e comuhnão (At 2:42-47. Esse processo de instrução acontecia em geral nas dependências do templo. Vivendo em irmandade. que consistiam em refeições regulares praticadas pelos primeiros cristãos. portanto. 12).

se não haveria um amanhã? Para os cristãos primitivos. considerando que o Espírito Santo estava guiando a igreja. Possivelmente. . além de atender eventuais necessidades que surgissem entre os mais pobres da igreja (At 2:45). será este o tempo em que restaures o reino a Israel?” (At 1:6) indicam que os primeiros cristãos viam a chegada do reino de Deus sobre a Terra como uma realidade iminente. e considerando que Deus providenciou. será que esse sacrifício não foi o plano de Deus. caracterizada pela prática de vender seus bens e propriedades e de manter todas as coisas em comum. É inegável que os primeiros cristãos. 37). Senso de urgência Embora a atitude generosa da igreja primitiva reflita um desejo autêntico de estar em harmonia com o plano de Deus. como a de Barnabé (At 4:36. eram essas as duas condições estabelecidas pelo próprio Jesus para que Ele voltasse: o recebimento do Espírito Santo e a pregação a todas as nações (1:8). houve dificuldades internas no grupo de crentes. promovendo a unidade por meio das ofertas que as igrejas gentílicas também enviaram a Jerusalém. Ancorados na suposição de que esses dois requisitos já haviam sido cumpridos no Pentecostes. Embora a prática certamente tenha contribuído para promover a unidade entre os cristãos. é compreensível a atitude de permanecer em Jerusalém e de vender todos seus pertences. até mesmo os próprios discípulos. o fato de que o Espírito já tinha vindo sobre a igreja (At 2:4) e de que todas as nações debaixo do céu haviam sido evangelizadas (At 2:6-41) tenha levado a comunidade cristã primitiva a entender que o retorno de Cristo fosse apenas uma questão de dias. mais tarde ela se mostrou problemática devido ao empobrecimento da igreja de Jerusalém e à falta de recursos para enviar missionários às nações gentílicas. Embora Lucas relate um bom exemplo de ofertas voluntárias. recursos e oportunidades para que o cristianismo se expandisse em todo o mundo? 4. ameaçando a unidade da igreja e a lealdade a Deus. Partilha de bens Outra atitude marcante dos cristãos primitivos era a partilha de bens. Afinal de contas. e ainda que a partilha de bens certamente tenha sido benéfica aos mais necessitados da comunidade. Ananias e Safira Deve-se enfatizar aqui que a partilha de bens entre os cristãos primitivos era de caráter voluntário e não um pré-requisito para alguém se tornar membro da igreja. Afinal de contas. por que se preocupar com o amanhã. Questionamentos como: “Senhor. há indícios de que havia outra motivação por trás desse ato de caridade.3. mantinham uma ardente expectativa pelo breve retorno de Jesus. pelo ministério de Paulo. pela falta de integridade em relação aos compromissos assumidos diante de Deus. Por outro lado. Isso se torna evidente no caso de Ananias e Safira (5:1-11). a volta de Jesus era uma questão de dias. 5.

a continuidade da obra que Cristo havia iniciado (At 3:6). Será que essa postura de viver como se estivessem às vésperas da segunda vinda de Jesus foi guiada pelo Espírito Santo. a cura do coxo à porta do templo é um dos que mais se assemelham aos milagres de Jesus registrados nos evangelhos. a oposição externa também começava a surgir. especialmente por parte de alguns líderes judeus de Jerusalém. O fato de Pedro realizar a cura em nome de Jesus demonstra. O fato é que não foi a igreja de Jerusalém que tomou a iniciativa de promover o evangelismo mundial. Rm 15:25-27. por meio do ministério apostólico.” A oração de Jesus pelos discípulos em João 17:15-18 ainda é tão válida hoje como foi no primeiro século. não acreditavam na ressurreição. A liderança do templo era na sua maioria composta por Saduceus. Oposição das autoridades judaicas (At 3:1–4:31. mas continuar trabalhando [em favor do evangelho] como se Ele ainda fosse levar cem anos para voltar. como regra.e eles queriam estar devidamente preparados. At 11:29. Isso demonstra que a compreensão teológica dos primeiros cristãos ainda estava em . mesmo que Jesus não estivesse voltando em tão pouco tempo assim? No entanto. 1. Logo. Alguns membros da igreja possivelmente estivessem abandonando o trabalho para aguardar a volta de Jesus. 1Co 16:1-3. o fato de eles subirem ao templo para a oração da hora nona (horário equivalente ao sacrifício da tarde. possivelmente houve uma perversão relação à vida cristã em preparação para a volta de Cristo. 5:12-42) Assim como a igreja começava a enfrentar dificuldades internas. Embora os apóstolos estivessem a serviço de Deus e testemunhando em Jerusalém. A cura de um paralítico Dos muitos milagres relatados em Atos. Isso coube à Antioquia da Síria e os missionários ainda precisaram contar com as ofertas dos cristãos gentios para aliviar suas próprias necessidades (cf. Como alguém disse: “Devemos estar prontos como se Jesus voltasse hoje. mas porque havia uma missão mundial de pregação do evangelho que devia ser iniciada. enfatizava que Jesus havia ressuscitado dentre os mortos. etc). permanecer em Jerusalém se mostrou um grave equívoco. 15h) pode sugerir que eles ainda estivessem participando dos sacrifícios cerimoniais mesmo após a morte de Jesus na cruz. ou seja. eles ficaram muito incomodados com a pregação de Pedro. e que aqueles que não quisessem trabalhar. que. não porque Jesus não estivesse voltando naquele tempo. Aprendemos aqui uma preciosa lição para nossos dias: precisamos manter o equilíbrio entre o senso de urgência quanto à volta de Jesus e a missão da igreja. 30. que. II. também não deviam comer (2Ts 3:10). Na igreja de Tessalônica. entre outros aspectos. Paulo foi enfático ao dizer que outras coisas ainda precisavam acontecer para que Jesus voltasse (2Ts 2:3-6).

ele aproveitou a ocasião para apelar veementemente aos judeus para que se arrependessem e aceitassem Jesus como o Messias enviado por Deus (3:17-26). que os enfermos eram deixados pelas ruas. Deus estava pacientemente trabalhando para o amadurecimento teológico de Sua igreja. Assim como a revelação de Deus foi progressiva (cf. Justo e Autor da Vida (cf. Ao serem interrogados pelas autoridades judaicas quanto à autoridade pela qual estavam pregando e operando prodígios. O discurso pode ser dividido em duas porções principais: Primeiro o apóstolo estabeleceu a relação entre a cura do paralítico e a proclamação cristã da morte e ressurreição de Jesus (3:12-16) e. pelo qual importa que sejamos salvos” (At 4:12) e “não podemos deixar de falar das coisas que vimos e ouvimos” (At 4:20). e a incrível cura do paralítico deu a Pedro a oportunidade de testemunhar através de outro sermão. 2. Santo. incomodados com os ensinamentos dos apóstolos. São eles: Servo. dado entre os homens. Embora muitas dessas pessoas viessem de cidades vizinhas na esperança de obter a cura (At 5:16). também o foi a assimilação dessa revelação (cf. 4. segundo. A prisão de Pedro e João Falavam eles ainda ao povo quando os sacerdotes. especialmente a ressurreição de Jesus (At 4:2). Tamanha era sua reputação entre as pessoas. de fato. 3. O sermão de Pedro (o segundo em Atos) A segunda mensagem de Pedro em Atos se assemelha em muitos aspectos ao sermão do Pentecostes. quando seriam julgados pelo Sinédrio. e temendo a crescente popularidade do movimento. responderam que era em nome de Jesus Cristo que tal homem havia sido curado. Jo 16:12). Vale mencionar também que nesse sermão Pedro mencionou uma série de títulos de cristãos primitivos que possivelmente fossem usados para identificar Jesus. o ministério dos apóstolos ainda estava restrito a Jerusalém e circunvizinhanças (At 9:32-43). Não podendo negar que o milagre tinha sido. Somente mais . Mais milagres Lucas novamente destacou o ministério de cura exercido pelos apóstolos. as autoridades judaicas deliberaram que os apóstolos deveriam parar de pregar e ensinar no nome de Jesus. para que a sombra de Pedro pudesse ser projetada sobre eles (At 5:15). Nesse contexto foram proferidas duas das mais belas declarações no livro de Atos: “E não há salvação em nenhum outro. porque abaixo do céu não existe nenhum outro nome. realizado (o homem curado estava na frente deles). Jo 12:16). Pedro e João. cheios do Espírito Santo e com profunda convicção. 3:13-15).processo de formação. decidiram mantê-los sub custódia até o dia seguinte.

mais se enchiam de inveja os líderes religiosos. Desde janeiro deste ano. é professor de Novo Testamento na Southern Adventist University. depois aos homens. De maneira extraordinária. v. Mas. Engenheiro Coelho.tarde o evangelho seria pregado nas regiões adjacentes (At 8:4-40) e finalmente no mundo gentílico (At 11:19-21). na Alemanha (2011). 1. David Noel Freedman. Conclusão Pontos que devem ser enfatizados na classe: – A importância dos lares na igreja primitiva. Isso os levou a prendê-los uma segunda vez. The Anchor Yale Bible Dictionary. – A resolução dos apóstolos em obedecer primeiro a Deus. Tennessee. 90 Autor do comentário: Wilson Paroschi ensinou na Faculdade de Teologia do Unasp. Ele é PhD em Novo Testamento pela Andrews University (2004) e realizou estudos de pós-doutorado na Universidade de Heidelberg. por mais de trinta anos. 1996. – A expectativa da volta de Jesus e a missão mundial da igreja. Comentário da Lição da Escola Sabatina – 3º Trimestre de 2018 Tema Geral: O Livro de Atos dos Apóstolos Lição 4: 21 a 28 de julho Os primeiros líderes da igreja . um anjo abriu as portas do cárcere e libertou os apóstolos. A segunda prisão dos apóstolos Quanto mais crescia a popularidade dos apóstolos. 1: p. Estados Unidos. a prisão não durou muito. mostrando a validade das palavras de Pedro: “Antes importa obedecer a Deus do que aos homens” (5:29). em Collegedale. 5. – O conteúdo da pregação apostólica. New York : Doubleday.

mas . às viúvas helenistas. Ela é a da mesma família que diakonia. 1. Já outras nasceram dentro da própria comunidade de crentes. ao se referir ao “ministério da Palavra”. Prisão e julgamento de Estêvão (At 6:8-7:60) III.com. 8:1). os apóstolos. Embora o termo “ministração cotidiana” possa ser vago para os leitores modernos. A expansão do evangelho (At 8:1-40) I. Esses usos indicam uma relação entre as atividades. conforme relata o livro de Atos (4:34-35). respectivamente. certas atividades deixaram de ser realizadas satisfatoriamente e um grupo de pessoas passou a não ser assistido. Eles identificaram que o problema era sobre o “ministrar às mesas” (v. e 4. Um exemplo disso pode ser visto em Atos 6:1-7. para as atividades de comunhão e de ensino (ver lição 3). os apóstolos entenderam a expressão claramente. Problema interno na igreja (At 6:1-7) II. EUA Esboço da lição da semana I. Algumas delas tinham origem externa.br Revisora: Josiéli Nóbrega Rafael Krüger Pastor distrital Munique.oliveira@cpb. O motivo da reclamação A reclamação era sobre a não “ministração cotidiana” (ACF). como as constantes prisões e perseguições (At 4:3. Alemanha Supervisor: Wilson Paroschi Professor de Novo Testamento Southern Adventist University Collegedale. Com o aumento do número de conversos. ou diária. não conseguiam atender a todas as demandas da igreja. Talvez o problema levantado pelos helenistas não fosse apenas que suas viúvas estivessem passando fome ou alguma outra necessidade. já mencionado. A palavra usada aqui é diakone?. A “ministração cotidiana” ou “ministrar às mesas” e o “ministério da Palavra” apontam.Editor: André Oliveira Santos: andre. Problema interno na igreja (At 6:1-7) A igreja cristã passou por dificuldades e provações desde o seu início. por mais diligentes que fossem. TN. usada nos versos 1. 5:17-18. Assim. 2).

Estêvão provavelmente tivesse demonstrado mais facilidade que seus irmãos hebreus para compreender que a morte de Jesus marcava o fim do sistema cerimonial. que envolvia as refeições comunais. . 8-9. idioma falado na Palestina. Embora as acusações fossem deturpadas. Um grupo preterido Após entender o problema que afligia as viúvas helenistas. os helenistas. e também não eram tão ligados às tradições. Embora eles sejam costumeiramente denominados de diáconos. em outras palavras. 8:26. a Santa Ceia. mas a verdade é que em Atos 6:1 lemos que as viúvas helenistas estavam sendo negligenciadas no serviço da comunhão nos lares e em suas necessidades. É difícil saber até que ponto essa separação também se refletiu dentro da igreja. aspectos esses importantes para os hebreus. Esses últimos. II. O ministério dos Sete Para solucionar o problema existente. Não é à toa que ele foi acusado de blasfemar contra a lei e o santo lugar (templo). sete homens dentre a própria comunidade dos judeus cristãos helenistas foram escolhidos para que se responsabilizassem pelas atividades de comunhão nos lares. era considerado blasfemar contra Moisés e o próprio Deus (6:11. o que. se destacaram na pregação do evangelho (v. Por algum motivo. Eles eram como que líderes congregacionais que tinham como função principal o atendimento às atividades cristãs realizadas nos lares. não estavam familiarizados com o aramaico. Suas mensagens provavelmente tratassem sobre esse aspecto. 13-14). às leis aplicadas apenas à terra de Israel e ao santuário. 2. suas atribuições eram mais amplas do que as de um diácono moderno. por exemplo. 21:4). Prisão e julgamento de Estêvão (At 6:8-7:60) Como cristão helenista.que elas estavam também sendo negligenciadas em uma importante atividade espiritual. talvez elas não estivessem sendo atendidas no serviço da comunhão. surgiu a seguinte indagação: por que apenas elas foram deixadas de lado? Havia diferenças culturais e religiosas entre os judeus da Palestina (os “hebreus” de At 6:1) e os nascidos no mundo greco-romano. Estêvão e Filipe. e orações que eram realizadas nas igrejas do lar da comunidade cristã. o evangelista. 3. Além disso. Tais divergências contribuíam para um distanciamento e tensões históricas entre os dois grupos. elas certamente estavam apoiadas em aspectos verídicos da posição de Estêvão.

os seus acusadores em réus. demonstrou que o pacto havia sido quebrado: o Espírito Santo foi sistematicamente resistido. 51-53). Quando um profeta tinha a missão de trazer o povo de volta às estipulações do pacto do Sinai. Ela marca o encerramento das 70 semanas sobre o povo de Israel. como profeta. 17:30). em que Deus apresentava uma ação contra Israel. A parábola dos lavradores maus estava se cumprindo (Mt 21:33-44). O discurso à luz da aliança É fundamental analisar o discurso de Estêvão sob a ótica da aliança no Antigo Testamento. Ele estava fazendo um longo prólogo antes de trazer a demanda judicial que Deus tinha para com os judeus (v. Estêvão não se preocupou com sua defesa. de acordo com o seu contexto. significando o fim de sua relação teocrática com Deus (Dn 9:24-27). Devemos lembrar que a aliança com Israel não implicava em salvação automática. Por fim. profetas foram mortos e a lei não fora guardada. ele dava a ideia de um tribunal. ele fez um longo e histórico discurso apresentando os erros de seus ouvintes e de seus pais. Assim. 1. havia sido traído e assassinado. é possível entender o motivo pelo qual sua fala se demora em questões históricas do povo de Israel. porém. Ao fazer isso. o rompimento da aliança não implica necessariamente na rejeição ou perdição dos judeus. ali chamado de Justo. em que a relação entre Deus e a nação israelita é descrita (Êx 20:2. ele às vezes também usava a palavra hebraica rîb. Assim. cuja melhor tradução é “demanda judicial da aliança”. 2. 2:38. e consistia num meio idealizado por Deus para transmitir Sua salvação a todas as nações. O pacto era missional. onde o rîb é pronunciado três vezes (v. Ele não trouxe uma mensagem de esperança e tampouco chamou seus ouvintes ao arrependimento. 3:19. Um dos elementos da estrutura da aliança é o prólogo. Antes. . o que incluía o prólogo. assim. transformando. Esse. inclusive. foi diferente da fala de seus predecessores e mesmo dos apóstolos Pedro e João.No Sinédrio. Além disso. O fim de um período A morte de Estêvão tem implicações teológicas profundas. Somente então podemos entender o motivo pelo qual Estêvão dedicou a maior parte da sua fala recontando a história do povo de Israel para um público que certamente a conhecia (7:2- 50). Isso pode ser visto em Miqueias 6. quando estes também estiveram no Sinédrio (At 5:30. 3-5). o próprio Messias. O conteúdo do seu discurso. 31). 1-2) e um prólogo é feito (v. foi o chamado original de Abraão (Gn 12:1-3). Antes. Js 24:1-13). ele aplicava a fórmula da aliança. Estêvão foi o último profeta a tratar Israel como o povo da aliança. aspecto comum nos sermões relatados em Atos (cf.

foram as perspectivas desse grupo. Isso estaria agora a cargo daqueles que aceitassem Jesus como Messias e Salvador. em Collegedale. – A relevância e o significado do discurso e da morte de Estêvão. ela não mais seria o instrumento de Deus para tornar as bênçãos salvíficas de Deus conhecidas ao mundo. judeus helenistas. Um deles foi externo: a perseguição sofrida pela igreja (8:1). Por um lado. Estados Unidos. Outra dificuldade foi interna: as diferenças marcantes entre os cristãos helenistas e os hebreus. Por outro. na Alemanha (2011). – Aspectos negativos e positivos das diferenças entre helenistas e hebreus.mas que. que impulsionaram a pregação aos tão odiados samaritanos e a um gentio etíope. Isso fez com que cristãos se espalhassem para outras localidades circunvizinhas e ali testemunhassem de Jesus. Engenheiro Coelho. samaritanos e gentios). – O término da aliança de Deus com Israel. . Desde janeiro deste ano. que entendia o cristianismo de maneira mais abrangente e inclusiva. Conclusão Pontos que devem ser enfatizados na classe: – O contexto por trás da negligência às viúvas helenistas. – O caráter inclusivo do evangelho (hebreus. é professor de Novo Testamento na Southern Adventist University. por mais de trinta anos. como nação. essas divergências estavam em algum grau no pano de fundo da negligência às viúvas helenistas. A expansão do evangelho (At 8:1-40) Dois problemas foram decisivos para que o evangelho rompesse as barreiras judaicas. III. Autor do comentário: Wilson Paroschi ensinou na Faculdade de Teologia do Unasp. Ele é PhD em Novo Testamento pela Andrews University (2004) e realizou estudos de pós-doutorado na Universidade de Heidelberg. Tennessee.