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IFRS – Campus Osório

Trabalho Sobre Crônica

Nomes: Diogo Chaves, William Coutinho e Rossano Alves

A CRÔNICA HUMORÍSTICA DE STANISLAW PONTE PRETA

Stanislaw Ponte Preta, pseudônimo do cronista Sérgio Porto, ganhou vida como o autor
das crônicas, que traziam, movidas por um tom humorístico, o objetivo de relatar os fatos
cotidianos, inconformidades no meio político, social, econômico, além da preocupação com a
cultura e com a poeticidade, que não deveria ser perdida com o mal uso da linguagem.

Ele destacava a importância da função poética na linguagem jornalística. Não seria


suficiente relatar os acontecimentos. É preciso utilizar a linguagem para que o leitor possa sentir
e vivenciar o que está sendo relatado. A linguagem jornalística é uma forma literária de registrar
esses acontecimentos e pode também ser feita através do humor, que era utilizado por
Stanislaw/Sérgio Porto, recuperando o lado poético que estaria sendo perdido.

Havia também o uso de expressões da cultura carioca e termos pouco conhecidos, além
de diálogos com o leitor, como na crônica “Vamos Acabar Com Esta Folga”, que nos mostra
muito bem a maneira com que ele tornava o texto mais descontraído e chamava a atenção por
meio do humor e da linguagem coloquial.

Ainda utilizando-se deste coloquialismo, que trazia ao texto o seu lado cômico, foram
criados alguns personagens-tipo que enriqueceram os seus textos nesse sentido, como, por
exemplo, o famoso Osvaldo, que era mencionado, de vez em quando, apresentado como o seu
ajudante que revisava a gramática de suas crônicas, e também a Tia Zulmira, principal
personagem-tipo, presente na coletânea “Tia Zulmira e Eu”.

Stanislaw comenta sobre o lado negativo das fotonovelas, compostas por contos de amor
que, segundo ele, contribuíam para a alienação do público, especialmente do público feminino.

Assim, entende-se a sua preocupação em abrir os olhos dos leitores, através de seus
textos leves, de fácil entendimento e bem-humorados que traziam junto um propósito de
denunciar as injustiças e manter a riqueza cultural, sendo o humor utilizado como um gatilho
para atrair o leitor e fazê-lo refletir sobre assuntos sérios e acontecimentos do cotidiano.
VAMOS ACABAR COM ESTA FOLGA

Stanislaw Ponte Preta/Sérgio Porto

O negócio aconteceu num café. Tinha uma porção de sujeitos, sentados nesse café,
tomando umas e outras. Havia brasileiros, portugueses, franceses, argelinos, alemães, o diabo.

De repente, um alemão forte pra cachorro levantou e gritou que não via homem pra ele
ali dentro. Houve a surpresa inicial, motivada pela provocação e logo um turco, tão forte como
o alemão, levantou-se de lá e perguntou:

- Isso é comigo?

- Pode ser com você também - respondeu o alemão.

Aí então o turco avançou para o alemão e levou uma traulitada tão segura que caiu no
chão. Vai daí o alemão repetiu que não havia homem ali dentro pra ele. Queimou-se então um
português que era maior ainda do que o turco. Queimou-se e não conversou. Partiu para cima
do alemão e não teve outra sorte. Levou um murro debaixo dos queixos e caiu sem sentidos.

O alemão limpou as mãos, deu mais um gole no chope e fez ver aos presentes que o que
dizia era certo. Não havia homem para ele ali naquele café. Levantou-se então um inglês
troncudo pra cachorro e também entrou bem. E depois do inglês foi a vez de um francês, depois
de um norueguês etc. etc. Até que, lá do canto do café levantou-se um brasileiro magrinho,
cheio de picardia para perguntar, como os outros:

- Isso é comigo?

O alemão voltou a dizer que podia ser. Então o brasileiro deu um sorriso cheio de bossa
e veio vindo gingando assim pro lado do alemão. Parou perto, balançou o corpo e... pimba! O
alemão deu-lhe uma porrada na cabeça com tanta força que quase desmonta o brasileiro.

Como, minha senhora? Qual é o fim da história? Pois a história termina aí, madame.
Termina aí que é pros brasileiros perderem essa mania de pisar macio e pensar que são mais
malandros do que os outros.
APLICAÇÃO PEDAGÓGICA

A crônica escolhida: “Vamos Acabar Com Essa Folga”, de Stanislaw Ponte


Preta/Sérgio Porto, pode ser utilizada em um contexto escolar da seguinte forma:

Tendo em vista que é um texto literário, pode ser trabalhado por meio de leitura na sala
de aula, em conjunto e com tonicidade, de forma interpretativa, se possível, abrindo-se, logo
após, espaço para discussão sobre a obra.

Assim, a obra pode ser analisada de forma mais aprofundada, com foco na mensagem
que Sérgio Porto nos transmite em seu texto, por trás da comicidade, bem como abordando as
características essenciais do gênero crônica. Na obra, é feita uma crítica ao famoso jeitinho
brasileiro, esse mal que esteve presente em nossa sociedade desde os primórdios da história
deste país, e, infelizmente, até hoje, nada mudou.

Realizada a leitura, é possível que haja um diálogo com os alunos a respeito deste tema.
O restante da atividade consiste em duas etapas: I) solicitar que os alunos compartilhem com a
turma acontecimentos conhecidos ou presenciados por eles, que exemplifiquem a crítica feita
por Sérgio Porto na Crônica em questão, para, a partir daí, abrir espaço para uma reflexão
crítica, mostrando como a crônica e a Literatura estão presentes em nosso cotidiano; II) ainda
com base no diálogo e na reflexão acerca do assunto “jeitinho brasileiro”, a atividade incluiria
a produção de uma crônica por parte dos alunos, a partir dos casos por eles vivenciados,
oportunizando que demonstrem o seu aprendizado.
BIBLIOGRAFIA

SÁ, Jorge de. A Crônica. São Paulo: ÁTICA, 1987.

MESQUITA, Claudia. De Copacabana à Boca do Mato: O Rio de Janeiro de Sérgio Porto e


Stanislaw Ponte Preta. Rio de Janeiro: CASA DE RUI BARBOSA, 2008.

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