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www.treinasaude.com Cálculo de Medicamentos 1
Índice

1. Introdução............................................................................................................................ 04

2. Conceitos Matemáticos Básicos.............................................................................. 05

2.1. Unidades de Medidas para massa, volume, tempo e


quantidade de substância, e prefixos métricos....................................... 05

2.2. Regra de Três Simples........................................................................................ 08

2.3. Soluções: Proporção/Porcentagem............................................................ 10

3. Transformação de Soro................................................................................................ 13

4. Reconstituição, Diluição e Rediluição...................................................................... 17

4.1. Diluição na Pediatria e Neonatologia............................................................ 17

5. Gotejamento de Soluções............................................................................................ 19

6. Medicamentos Especiais.............................................................................................. 22

6.1. Penicilina..................................................................................................................... 22

6.2. Insulinas...................................................................................................................... 23

6.3. Heparina..................................................................................................................... 24

Referências............................................................................................................................... 26

Apêndice A................................................................................................................................. 27
META

Ao finalizar o curso você será capaz de calcular as dosagens dos medicamentos


com segurança a partir da interpretação correta das prescrições médicas, utilizan-
do conceitos matemáticos e aplicando fórmulas específicas.

OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM

Relembrar conceitos matemáticos básicos como: unidades de medidas, pre-


fixos métricos, porcentagem, proporção, concentração e Regra de Três sim-
ples e aplicá-los;

Identificar com clareza as incógnitas a serem resolvidas no cálculo de medica-


mentos nas situações problemas propostas;

Conhecer e aplicar as fórmulas de gotejamento de macro e micro gotas para


infusão de soro e medicamentos;

Calcular a diluição e rediluição de medicamentos;


Calcular medicamentos especiais (penicilina, insulina e heparina).

PÚBLICO-ALVO

Técnicos de Enfermagem e enfermeiros em formação;


Técnicos de Enfermagem e enfermeiros formados;
Estudantes ou profissionais da área de saúde que necessitam realizar cálcu-
los de medicamentos em sua rotina.

INDICADORES

Taxa de erros no cálculo de medicamentos.


conceito

1. INTRODUÇÃO
O cálculo de medicamentos faz parte da rotina de vários profissionais da área de saúde e em
qualquer âmbito de atuação (Ambulatórios, Unidades Básicas, Hospitais, etc), sendo o mesmo, de
extrema importância para uma prática segura e livre de danos ao paciente (preocupação das institui-
ções de saúde em nível mundial).

De acordo com o Protocolo de Segurança na Prescrição, Uso e Administração de medicamentos


(BRASIL, 2013, p. 10): “O cálculo das doses de medicamentos é fonte importante de erros graves
e este problema pode ser minimizado com a familiaridade do prescritor com o medicamento e com
a conferência do cálculo. Independente da via de administração, o cálculo deve ser preciso a fim
de garantir uma terapêutica adequada e contribuir com a manutenção ou recuperação da saúde
do paciente.

Para que se calcule a dosagem correta de um medicamento a ser administrado, é necessária a


aplicação de alguns conceitos matemáticos básicos como as unidades de medidas do sistema métrico
(para massa, volume, tempo e quantidade de substância), prefixos métricos, proporção, porcentagem
e regra de três simples.

Está pronto para rever esses conceitos?

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2. CONCEITOS MATEMÁTICOS BÁSICOS
Vamos iniciar vendo as unidades de medida do sistema métrico mais utilizadas nas instituições
de saúde.

2.1 Unidades de Medidas para massa, volume, tempo e


quantidade de substância, e prefixos métricos

Na ciência, unidade de medida é uma medida específica de determinada grandeza física usa-
da para servir de padrão para outras medidas.
As unidades de medida mais comuns no setor de saúde no Brasil são:

Grandeza física Unidade de medida Símbolo

massa quilograma Kg

volume litro ou gota L ou gota

tempo segundo s

quantidade de substância unidades internacionais UI

Os prefixos métricos (ou, simplificadamente, prefixos) são um conjunto de prefixos de unidade


especificados pelo Sistema Internacional de Unidades (SI) que são usados com a finalidade de indicar
um múltiplo ou uma fração de uma unidade básica de medida. Os prefixos, conforme padronizados
no SI, são:

Nome Símbolo Escala Equivalente numérico

quilo K Mil 1000

hecto* h Cem 100

deca* da Dez 10

nenhum Unidade 1

deci* d Décimo 0,1

centi* c Centésimo 0,01

mili m Milésimo 0,001

micro µ Milionésimo 0,000 001

* esses prefixos não são tão comumente utilizados no Brasil e nem em saúde. Qual foi a última
vez que você viu o pacote de algum produto no supermercado marcado em centigrama ou
centilitro?

Ao unirmos os prefixos às unidades básicas de medida temos as unidades que são utilizadas
nas medicações e prescrições, e que serão as unidades que utilizaremos em nossos cálculos.

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Para massa as unidades mais utilizadas nas instituições de saúde são: quilograma (Kg),
grama (g), miligrama (mg) e micrograma (mcg ou µg). Essas são apresentadas nos medicamentos na
forma sólida (pó).

1 Kg 1.000 g

1g 1.000 mg

1 mg 1.000 mcg ou µg

Para volume as unidades mais utilizadas são o litro (L), o mililitro (mL) e a gota e microgota e
são apresentadas nos medicamentos na forma líquida.

1 litro (L) 1000 mililitros (mL)

1 mililitro (mL) 1 centímetro cúbico (cm3)

1 gota 1 macrogota

1 gota 3 microgotas

20 gotas* 1mL = 1g

60 gotas* 1 colher de café = 3 mL

2 colheres de chá 1 colher de sobremesa

1 colher de chá 5 mL

1 colher de sobremesa 10 mL

1 colher de sopa 15 mL

Observação 1:

* medida líquida aproximada, pois pode variar de acordo com a densida-


de do líquido e do tamanho da abertura do conta-gotas. As padroniza-
ções referentes a medidas caseiras podem variar segundo a bibliografia
utilizada e o país.

Observação 2:

As colheres caseiras são de tamanhos diversos e não devem ser utilizadas


como parâmetros. Em soluções líquidas, o fabricante da medicação já for-
nece a medida com o medicamento. Por ser um sistema caseiro atualmente
são pouco utilizados nas instituições.

Quanto às unidades para tempo, as mais utilizadas são: segundo, hora e minuto

1h 60 minutos

1 minuto 60 segundos

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E, finalmente, para quantidade de substância, a unidade é simplesmente UI (Unidade
Internacional) e não é convencional serem utilizados os prefixos em conjunção com essa unidade.

Como vocês viram os prefixos são utilizados em conjunção com as unidades de medida. A
conversão de uma unidade de medida com um dado prefixo para um prefixo diferente é, apesar de
extremamente simples, fonte de muitos erros por desatenção do profissional, por isso, vale reforçar
como isso é feito:

Dicas ao iniciar o processo de cálculo de qualquer medicação:

1. Sempre verifique no setor de farmácia da instituição se não há em estoque o medicamento


conforme prescrição médica. Caso já esteja disponível, isso o irá poupar de realizar o cálculo;

2. Ok! Tem que fazer mesmo o cálculo: então sempre confira os prefixos métricos das prescri-
ções e dos medicamentos disponíveis. Se os prefixos métricos forem diferentes, transforme-os
em um mesmo prefixo. Isso ajuda a reduzir erros.

3. Para converter uma unidade maior em uma unidade menor ou vice-versa, imagine uma
escada. Ela permite simplificar operações com múltiplos de 10.
Ao subir um degrau divide-se o número que está no patamar por 10, no caso de números
decimais é só andar com a vírgula para esquerda a cada degrau; e, quando não houver
mais algarismos coloca-se o “zero”.
Ao descer os degraus, ao invés de dividir basta multiplicar da mesma forma por 10. Com
números decimais, a vírgula andará para direita, além de acrescentar um zero à direita.

1g
SU
BIN IVID
DO IR P
D

CA OR
DA 10

10 dg
DE
GR
AU

100 cg
DE
SC
E
ND PLIC
MU

OC AP
LTI

AD OR
A D 10

1000 mg
EG
RA
U

Fonte: (COREN – SP, 2011a).

Relembrou? Agora vamos praticar...

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Transforme as seguintes unidades em mililitro (mL):

EXERCÍCIO RESPOSTA

5L

30 cm3

7 dL

98 cL

0,1 dL

Transforme as unidades em miligramas (mg):

EXERCÍCIO RESPOSTA

10 g

0,1 g

0,01 g

15 dg

0,05 g

2.2 Regra de Três Simples

Agora veremos a Regra de Três Simples, você se lembra dela?

É definida como um processo que permite solucionar problemas com grandezas direta ou in-
versamente proporcionais. Ela é considerada simples quando há três elementos e deseja-se calcular
o quarto elemento (REGRA ..., 2017)

Veja isso no exemplo a seguir:

Temos ampolas de Dipirona com 2 mL de solução.


Quantos mL terão cinco ampolas?
Elemento 1: 1 ampola
1 ampola 2 mL Elemento 2: 5 ampolas
5 ampolas X mL Elemento 3: 2 mL

Resposta: Cinco ampolas de Dipirona terão 10 mL de solu- Elemento 4: X


ção no total.

A Regra de Três Simples também é subdividida em direta ou inversa. Na Enfermagem, utili-


zamos a direta, que é aquela em que ao aumentar um elemento aumenta-se também o outro, como
foi descrito no exemplo acima. Na inversa ocorre o oposto, ao aumentarmos um elemento o outro é
diminuído (COREN-SP, 2011a). 10000 mg — 100 mg — 10 mg — 1500 mg — 50 mg
5000 mL — Cada cm3 = 1mL = 30mL — 700 mL — 980 mL — 10 mL
Respostas:

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Para resolver um cálculo utilizando a Regra de Três Simples, é importante considerar:

1. A mesma grandeza física na mesma coluna, volume sobre volume ou massa sobre massa,
por exemplo.

2. Transformar prefixos métricos diferen-


tes em prefixos iguais. Gramas em mi-
Ficaria: , o dado
ligramas, litro em mililitros, etc. rm aç ão (o qu e você já sabe
Linha 1: info
m)
que você já te er
3. A primeira linha deve ser da informa- (o que você qu
: o qu e vo cê deve calcular
ção que você já tem e a segunda linha Linha 2
ular)
descobrir, calc
o que você deve calcular.

ANTES DE APLICAR A REGRA DE TRÊS SAIBA QUE:

1. O cálculo de medicamentos na forma de comprimidos pode resultar na necessidade de


cortá-los (se possuírem sulco) ou diluí-los em água filtrada ou água destilada (AD) para ad-
ministrá-los. Considere isso em seu cálculo.
Vale lembrar que comprimidos que não possuem sulco não devem ser cortados. Nesse caso,
se necessário, o mesmo deve ser macerado e diluído em um solvente para ser aspirada a
dose prescrita. Saiba mais detalhes sobre isso no tópico que aborda a diluição.

2. Considere que alguns medicamentos são apresentados na forma de gotas.

3. O cálculo para os medicamentos Subcutâneos (SC), Intramusculares (IM) e Endovenosos (EV)


também são realizados com a regra de três simples.

Vamos ao exemplo considerando os itens 1, 2 e 3 citados acima:

Dra. Cristina prescreveu 100 mg do antibiótico Amicacina (EV) a uma paciente, porém na uni-
dade em que você está só há ampolas de 500 mg/2 mL (lê-se: “há 500 mg de Amicacina em cada
2 mL de solução”). Veja a resolução desse cálculo utilizando a Regra de Três:

500 mg 2 mL (Linha 1: informação)

100 mg X mL (Linha 2: o que deve ser calculado)

Na regra de três, calcula-se o X (incógnita) multiplicando os opostos. Pense da seguinte


forma: se 500 mg está em 2 mL, 100 mg estará em quantos mL?

500 X = 200
200
X=
500

X = 0,4 mL
Resposta: Você precisará de 0,4 mL de solução para administrar 100 mg de Amicacina à paciente.

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Considere as duas prescrições abaixo que o Dr. Carlos realizou para dois pacientes diferentes
internados em uma unidade de Clínica Médica.

Paciente A:

Prescrição Médica: Administrar 25 mg de Captopril (VO) agora.

Disponível na unidade: comprimidos de 50 mg sulcados.

Resolução:
1 comprimido 50 mg

X comprimido 25 mg

50 X= 25
25
X= = 0,5
50

Resposta: Devo administrar 0,5, o que equivale à metade de um comprimido. Como o comprimido é
sulcado é possível parti-lo ao meio.

Paciente B:

Prescrição Médica: Administrar Gentamicina 20 mg (IM) de 12/12 horas.


Disponível na unidade: Gentamicina 80 mg/2 mL. (Lê-se: há 80 mg de Gentamicina em cada
2 mL de solução)

Resolução:
80 mg 2 mL

20 mg X mL

80 X = 20 x 2

80 X = 40
40
X= = 0,5 mL
80

Resposta: Devo administrar 0,5 mL de Gentamicina.

2.3 Soluções: Proporção/Porcentagem

Alguns medicamentos são prescritos e estão disponíveis em porcentagens e em proporções, que


são formas de expressar as concentrações de uma solução. Para entender melhor o que isso significa
é importante relembrar os conceitos de: soluto, solvente e solução.

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Vejamos primeiro essas definições de acordo com Fogaça (2017). Nessa hora, seus conheci-
mentos de Química irão lhe ajudar!

SOLUTO

SOLVENTE

SOLUTO Parte sólida ou líquida que será dissolvida.

SOLVENTE Parte que dissolve uma substância, permite


que um soluto se distribua em seu interior.

SOLUÇÃO:
mistura homogênea composta
por 2 componentes

A partir do soluto e solvente é possível calcular a concentração de uma solução, que é a rela-
ção entre o soluto e o solvente. Essas podem ser expressas em uma proporção de massa/volume
(x g de um soluto em x mL de solução), ou em porcentagem (%). Porcentagem significa dizer
“partes de cem”.
Portanto, é representada em massa de soluto por volume de solução, e não por volume de sol-
vente (IUPAC, 2014)
Sendo assim, quando falamos Soro Glicosado (SG) a 5%, estamos dizendo 5 partes de um total
de 100 ou seja, que há 5 g de glicose (soluto) em 100 mL de solução. Ou, quando dizemos solução
de KMnO4 a 1:20.000, estamos dizendo que há 1 g de KmnO4 em 20.000 mL de solução. É impor-
tante lembrar que sempre que for apresentado um medicamento em proporção ou porcentagem as uni-
dades serão em gramas e mililitros, mas você pode transformá-las se for necessário para o cálculo.

Exemplos:

Em uma unidade de Clínica Médica temos ampolas de glicose a 50% com 20 mL. Quantas
gramas de glicose (soluto) há nessa ampola?

1º-) lê-se glicose a 50%: há 50 g de glicose em cada 100 mL de solução, logo:

50 g 100 mL

X g 20 mL

100 X = 50 x 20
1000
X= = 10 g
100

Resposta: Há nessa ampola 10 g de glicose.

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Quanto de soluto há nas soluções abaixo?

a) 1 ampola de 10 mL de KCl a 19,10%.


1º-) lê-se KCl a 19,10%: há 19,10 g de KCl em cada 100 mL de solução, logo:

19,10 g de KCl 100 mL

X g de KCl 10 mL

100 X = 191
191
X= = 1,91 g
100
Resposta: Em 1 ampola de 10 mL há 1,91 g de KCl.

b) 1 ampola de 20 mL de NaCl a 30%.

30 g de NaCl 100 mL

X g de NaCl 20 mL

100 X = 600
600
X= =6g
100
Resposta: Em 1 ampola de 20 mL há 6 g de NaCl.

c) 1 frasco de 500 mL de SG a 15%.

15 g de glicose 100 mL

X g de glicose 500 mL

100 X = 7500
7500
X= = 75 g
100

Resposta: Em 1 frasco de 500 mL há 75 g de glicose.

Escreva as proporções correspondentes:

EXERCÍCIO RESPOSTA

1:100

5:1000

1:30.000

Um medicamento bastante utilizado e expresso em proporção é o KMnO4 (Permanganato de


Potássio). Esse sal de manganês, na apresentação de comprimido ou pó, de cor roxo-escura é utiliza-
do como antisséptico e antimicótico, podendo ser utilizado na forma de compressas ou por imersão
da área afetada da pele na solução preparada. Entretanto, se calculado de maneira incorreta, em
altas concentrações, pode ser corrosivo (GIOVANI, 2017).
1 g em 100 mL — 5 g em 1000 mL — 1 g em 30.000 mL
Resposta:

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Veja abaixo as duas prescrições realizadas pela Dra. Angélica solicitando KMnO4:

a) Preparar um 1 L de solução de KMnO4 a 1:20.000 mL utilizando comprimido de 100 mg.


1 L = 1000 mL
nsforme
1 g = 1000 mg Lembre-se: tra
e medida
as unidades d
mg)
1000 mg (soluto) 20.000 mL (solução) (L em mL e g em
X mg 1000 mL

20.000 X = 1.000.000
1.000.000
X= = 50 mg
20.000

Resposta: Deve-se utilizar 50 mg (meio comprimido do comprimido 100 mg disponível) para


preparar 1 L dessa solução.

b) Preparar 1 L de KMnO4 1:20.000 utilizando uma solução já pronta a 2%.

1 L = 1000 mL
nsforme
1 g = 1000 mg Lembre-se: tra
e medida
as unidades d
mg)
1000 mg 20.000 mL (L em mL e g em
X mg 1.000 mL

20.000 X = 1.000.000
1.000.000
X= = 50 mg
20.000

2% = 2000 mg ou 2 g em 100 mL

2000 mg 100 mL

50 mg X mL

2000 X = 5000
5000
X= = 2,5 mL
2000

Resposta: Utilizar 2,5 mL da solução pronta a 2% para preparar 1 L de KMnO4.

3. Transformação de soro
Os soros são apresentados em porcentagem exatamente da forma como vimos para outros
medicamentos anteriormente. Os soros merecem nossa atenção pois muitas vezes serão prescritos em
porcentagens não disponíveis na farmácia do hospital.
Os principais soros utilizados são:

• Glicosado: água + glicose, apresentado em frascos ou bolsas de diversos volumes, podendo


ter diferentes concentrações de glicose, por exemplo, SG 10% ou SG 5%;

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• Fisiológico: água + NaCl 0,9% (Cloreto de Sódio), frascos ou bolsas de diversos volumes e
ampolas, muito utilizadas para diluir medicamentos a serem infundidos. Pode ser misturado
a outros soros e infundido junto à hemoderivados. Importante lembrar que soro fisiológico é
com NaCl 0,9%;

• Glicofisiológico: é uma solução que sempre contém glicose a 5% e cloreto de sódio a 0,9%.
Prescrito para reposições volêmicas e tratamento de queimaduras.

Ao preparar o soro prescrito, você deve considerar a concentração do soro que já possui e a
partir dela calcular a concentração diferente prescrita pelo médico.

DICA:
MAIS CONCENTRADA

Acrescentar

MENOS CONCENTRADA
Acrescentar mais solvente para
mais soluto! diluir mais a
solução.

Dr. Joaquim prescreveu a infusão de um SG 10% 500 mL (EV). Entretanto, não há na unidade
o SG 10%. Porém, há SG 5% 500 mL e ampolas de glicose 50% 10 mL. A partir do que você tem
deverá ser feita a transformação.
Primeiro você precisa descobrir a quantidade de glicose necessária

SG 5% 500 mL 5g 100 mL

5g 100 mL

Xg 500 mL

100 X = 2500

X = 25 g de glicose (é o que temos disponível em 500 mL de SG 5%)

Tenho 25 g de glicose, agora vou calcular a quantidade que quero em um SG 10%.

10 g 100 mL

Xg 500 mL

100 X = 5000

X = 50 g de glicose (o que o médico quer)

TENHO 25 G E PRECISO DE 50 G.

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Tenho na unidade ampolas de glicose 50% – 10 mL, agora vou descobrir a quantidade de
glicose que há em 1 ampola de glicose 50%.
50 g 100 mL (50%)

Xg 10 mL

100 X = 500
500
X=
100

X = 5 g de glicose em cada ampola


Se cada ampola possui 5 g e preciso de 50 g no soro e também já sei que já tenho 25 g no
SG 5% então terei que acrescentar nesse soro 5 ampolas de glicose a 50% o equivalente a 50 mL.
Resposta: Deverá ser acrescentado no SG 5% 5 ampolas de glicose 50%, o que equivale a 50 mL
para transformar o SG 5% em SG 10%.

SAIBA MAIS
Note que nesse exemplo adicionaríamos 50 mL a 500 mL de SG 5%, resultando em uma solução
com 550 mL. Se o paciente não puder receber um soro com 550 mL por ter patologias renais,
cardiopatias ou ser da neonatologia/pediatria isso deve ser considerado.
Entretanto, se acrescentarmos 50 mL no soro, o volume total ficará em 550 mL. Então teremos
que desprezar 50 mL do soro para acrescentar os 50 mL necessários. Se desprezarmos 50 mL
de soro estaremos desprezando também certa quantidade de glicose, concorda? Nosso próximo
passo é identificar o quanto de glicose será desprezada.
Soro 5%
5g 100 mL
Xg 50 mL
100 X = 250
X = 2,5 g (será desprezada em 50 mL)
Se o soro tinha 25 g de glicose e desprezei 2,5 g fiquei com 22,5 g (25 g – 2,5 g).
Se acrescentei 25 g de glicose (5 ampolas) fiquei com 47,5 g no total. A prescrição médica pediu
50 g, portanto ainda falta acrescentar 2,5 g (justamente o que desprezei).
Onde buscar 2,5 g? Resposta: Nas ampolas de glicose!
Cada ampola de glicose 50% contém 5 g em 10 mL, se preciso de 2,5 g precisarei de 1/2 am-
pola de glicose 50%:
5g 10 mL
2,5 g X mL
a
5 X = 25 ra calcular um
Lembre-se: Pa te
é importan
X = 5 mL (1/2 ampola) transformação
erar o que
Resposta final: Serão necessárias 5 1/2 ampolas de glicose 50% para sempre consid
ível e o que
que após desprezarmos 50 mL correspondesse a prescrição médica. TENHO dispon
te à prescrição
PRECISO fren
médica.

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Veja mais um exemplo de prescrição do Dr. Joaquim:
Prescrição: Infundir 500 mL de um Soro Glicofisiológico (SGF) (EV).
Disponível na unidade: SG 5% — 500 mL e SF 0,9% — 500 mL. A partir desses soros temos
que preparar um soro glicofisiológico 500 mL. Além disso, há disponível na unidade ampolas de
NaCl 30%
1º- passo: saber quanto temos de glicose e de cloreto de sódio em 500 ml de SGF. Em um SGF, temos
Soro Glicosado a 5% e NaCl a 0,9%.
GLICOSE:
5g 100 mL

Xg 500 mL
2500
X= = 25
100
X = 25 g de glicose há em 500 mL de SG 5%

NaCl:
0,9 g 100 mL

Xg 500 mL
100 X = 450
450
X=
100
X = 4,5 g de cloreto de sódio há em 500 mL de SF 0,9%
Resposta: Para preparar um SGF, podemos acrescentar 4,5 g de cloreto de sódio em um SG 5% ou
acrescentar 25 g de glicose em um SF 0,9%. Como temos ampolas de NaCl 30% então preparare-
mos a partir do SG 5%.

2º- passo: Como vamos acrescentar 4,5 g de NaCl em 500 mL de SG 5%, precisamos calcular quan-
tos mL de NaCl 30% precisamos:
NaCl 30% ampolas de 10 mL:
30 g 100 mL

Xg 10 mL
300
X= =3g
100
Temos 3 g por ampola e precisamos de 4,5 g, então:
3g 10 mL

4,5 g X mL
3 X = 45 mL
X = 15 mL (o que equivale a 1,5 ampolas)
Resposta: Para obter um SGF, devemos acrescentar 15 mL (ou 1,5 ampolas de 10 mL) de NaCl 30%
em um SG 5% 500 mL.

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4. Reconstituição, Diluição e Rediluição
Nesse ponto do curso, você já usou esses conceitos antes mesmo de serem apresentados for-
malmente, como viram e fizeram nos exemplos e exercícios com KMnO4 e de transformações de soro.

Diluição nada mais é do que de tornar uma solução menos concentrada em partículas de soluto
através do aumento do solvente, ou seja, acrescentar solvente a uma solução.

SAIBA MAIS

É importante diferenciar o termo RECONSTITUIÇÃO do termo DILUIÇÃO.


A Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (2017, p.5) define que “O processo de reconstituição com-
preende a diluição do pó liofilizado do frasco-ampola em diluente próprio, para obtenção do medicamento
em solução para administração IV, conforme recomendação do fabricante”.
OBS: IV significa intravenoso é o mesmo que endovenoso (EV) como já vimos anteriormente.
Portanto, reconstituir é acrescentar um líquido (diluente do próprio fabricante ou outro diluente com a indi-
cação do fabricante) em um medicamento para transformar sua característica de sólido (pó liofilizado) em
líquido, porém não há alteração de sua concentração. Já a diluição acontece quando um medicamento já
está no estado líquido e acrescenta-se outro líquido a ele diminuindo assim a sua concentração. Então, nas
medicações em pó, em alguns casos, ocorre primeiro a reconstituição para depois ocorrer diluição.
Por exemplo, um frasco de um antibiótico X que está em forma de pó liofilizado primeiro é reconstituído
(transforma-se o pó em líquido acrescentando-se no frasco uma ampola do diluente para reconstituição do
fabricante) para depois ser diluído, caso seja necessário aumentar a quantidade de solvente para diminuir
a concentração da medicação.

4.1 Diluição na Pediatria e Neonatologia

A diluição é bastante comum nas especialidades de Pediatria e Neonatologia. Isso acontece


porque as doses prescritas são calculadas por meio do peso ou da superfície corporal da criança e,
por serem tipicamente doses muito pequenas, não são disponíveis comercialmente, somente sendo
obtidas após a diluição.

Nessas especialidades, muitas vezes, além da diluição (aspirar um volume X do frasco da me-
dicação e acrescentar um volume Y de AD) faz-se também a rediluição que consiste em repetir esse
processo de diluição mais de uma vez. O profissional possui livre arbítrio para estipular o volume que
será necessário para a diluição e rediluição, considerando a dose prescrita e a concentração do medi-
camento, com isso nem sempre a diluição ocorrerá para 10 mL. A diluição e rediluição são necessárias
para que se consiga a dose prescrita do medicamento em um volume possível de ser aspirado com
segurança. Trabalhar com volumes muito pequenos de um medicamento aumenta as chances de erros.
Portanto, quando o volume a ser administrado for menor que 1 mL (doses muito pequenas), as se-
ringas com escala centesimal possibilitam aspirar e visualizar com exatidão através de sua graduação,
evitando a rediluição de alguns medicamentos. Siga sempre a orientação do fabricante do medica-
mento para escolher o solvente que irá utilizar na diluição, como por exemplo AD, SF 0,9% e SG 5%.
Vamos compreender melhor com o exemplo a seguir:

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Dra. Letícia prescreveu Ranitidina 6,5 mg (EV) de 12/12h. Disponível na unidade ampola de
25 mg/mL, volume total de 2 mL. Quantos mL devo administrar?

Resolução:
25 mg/mL 50 mg/2mL (volume total) + 8 mL de Água destilada (AD) para diluir já que
a dose prescrita é muito pequena, assim obtenho 10 mL.
50 mg 10 mL
6,5 mg X mL
50 X = 65
65
X= = 1,3 mL
50

Resposta = Devo aspirar 2 mL da ampola (volume total), acrescentar 8 mL de AD e dessa solução


aspirar 1,3 mL.
Se não tivesse acrescentado 8 mL veja como ficaria o cálculo:
50 mg 2 mL
6,5 mg X mL
50 X = 13
X = 0,26 mL (volume muito pequeno não é mesmo?) Se há a seringa centesimal na unidade é
possível aspirar, caso contrário há a opção de diluir em um volume maior como detalhado na primei-
ra parte do exercício).
Mais um exemplo para você:
Dra. Luiza prescreveu 35 mg de Amicacina (EV), há disponível ampolas de 500 mg/2 mL.
Quantos mL dessa solução devo administrar?
500 mg 2 mL + 8 mL de AD para diluir já que a dose prescrita é muito pequena, assim
obtenho 10 mL
500 mg 10 mL
35 mg X mL
500 X = 350
350
X= = 0,7 mL
500

Se não tivesse acrescentado 8 mL no frasco veja como ficaria o cálculo:


500 mg 2 mL
35 mg X mL
500 X = 70
X = 0,14 mL (volume muito pequeno, sendo possível ser aspirado com segurança apenas com
seringa centesimal)
Resposta: Devo aspirar 2 mL da ampola (volume total), acrescentar 8 mL de AD e dessa solução
aspirar 0,7 mL.

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5. Gotejamento de soluções
O cálculo do gotejamento deve ser realizado para controle de infusão contínua, que é prescrita
em horários que determinarão o tempo de infusão e a quantidade de gotas que deverão ser infundi-
das por minuto. Esse gotejamento poderá ser em macro ou microgotas.

Hoje, na maioria das instituições de saúde há Bombas de Infusão (BI) para o controle de volume
a ser infundido, porém muitas vezes, por alguma razão, essa pode não estar disponível para o uso
(GIOVANI, 2017).

Ela é utilizada em casos em que há a necessidade de controle rigoroso de gotejamento. Por


esse motivo torna-se ainda mais importante que o profissional de Enfermagem saiba calcular o gote-
jamento de um medicamento ou de um soro.

Há apenas uma fórmula básica a ser aplicada no cálculo do gotejamento e três variações, que
você poderá facilmente construir a partir do que já sabe. A fórmula básica é:

Volume V
Nº- de gotas por minuto = =
Tempo x 3 Tx3

sendo que:

Gotas = macrogotas ; Volume = mililitros ; Tempo = horas

Essa fórmula, em formato de macrogotas e horas é a mais utilizada em saúde. A partir dela,
podemos chegar em suas variações.
1ª- variação: fórmula em microgotas. A fórmula em microgotas é utilizada em Pediatria, Neo-
natologia, na infusão de alguns antibióticos ou nos casos de alguns medicamentos quimioterápicos.
Nesse caso, o equipo de microgotas é conectado a uma bureta (dispositivo que controla volumes
pequenos e em quantidades exatas). Para chegar nessa fórmula basta lembrarmos que 1 macrogota
= 3 microgotas, então multiplicamos a fórmula base por 3, chegando a:

V
Nº- de microgotas por minuto =
T

EQUIPO MACRO E MICROGOTAS

Microgota Macrogota

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Vamos aos exemplos:

Prescrição Médica: Administrar 1000 mL de Solução Fisiológica (SF) 0,9% de 12/12h. Qual o
gotejamento dessa infusão?

V 1000 1000
TX3
= gotas/min ➟ 12 x 3
=
36
= 27,77... = 28 gotas/min

Se o cálculo tivesse que ser realizado em microgotas teriamos o seguinte:

V 1000
T
= microgotas/min ➟ 12
= 83,33... = 83 microgotas/min

Perceba que nos casos acima houve a necessidade de ARREDONDAMENTO. Isso deve ser
feito para trabalharmos com números inteiros porque não existe meia gota, não é mesmo? Diferente
de outros cálculos em que a dose resultante é a que deve ser administrada sem arredondamento, ok?
Para fazermos isso precisamos considerar algumas regras:

• Se o número após a vírgula for (1, 2, 3 ou 4) mantemos o mesmo número sem os décimos.
4,3 gotas/min

o número que vai ser eliminado (3) é < 5, portanto arredondamos para 4 gotas/min.

• Se o número após a vírgula for (6, 7, 8 e 9) arredondamos para cima.


4,7 gotas/min

o número que vai ser eliminado (7) é > 5, portanto arredondamos para 5 gotas/min

E se o número for o 5 como devemos proceder? Ele é uma exceção!

• Se o número após a vírgula for igual a 5 há dois casos (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NOR-
MAS TÉCNICAS, 2014; INTERNATIONAL ORGANIZATION FOR STANDARDIZATION, 2009):
o 1º- caso: número é 5, mas não é seguido apenas de zeros. Nesse caso, ele é arredondado
para cima, seguindo a mesma regra para os números 6 a 9.
o 2º- caso (exceção): número é exatamente 5, seguido apenas de zeros.
Nesse caso o número, após o arredondamento,
do você
deverá ser sempre par. a té im aginan eio
estou
Já gra é m
essa re
e n s a n do que m bém ac
ho,
p
4,501 gotas/min ➟ = 5 gotas/min
maluca
. Pois é
, e u ta
A BNT e d
a ISO.
d a
regra
mas é a
4,500 gotas/min ➟ = 4 gotas/min

5,500 gotas/min ➟ = 6 gotas/min

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2ª- variação: fórmula em macrogotas para prescrição em minutos. Há casos de prescrições em
que o tempo é expresso em minutos (30 min, 45 min, 180 min etc) ao invés de horas, por isso pre-
cisamos modificar a fórmula base. Como 1 hora = 60 minutos, basta multiplicarmos a fórmula base
por 60, obtendo:

V x 20
Nº- de gotas por minuto =
T

3ª- variação: fórmula em microgotas para prescrição em minutos. Para fazer essa variação
da fórmula basta fazermos, ao mesmo tempo, as duas transformações que fizemos para chegar às
2 variações anteriores, ou seja, multiplicamos a fórmula por 3 e depois por 60, chegando a:

V x 60
Nº- de microgotas por minuto =
T

DICA: como conferir se as fórmulas estão corretas? Basta você resolver um exemplo para si
mesmo e as respostas deverão ser iguais. Imagine uma prescrição imaginária de 36 mL de uma
medicação X de 12/12h:
Resolvendo usando a fórmula base:

36
Nº- de gotas por minuto = = 1 gota/min
12 x 3

Resolvendo usando a fórmula de microgotas:

36
Nº- de microgotas por minuto = = 3 microgotas/min = 1 gota/min
12

Resolvendo usando a fórmula de macrogotas para prescrição em minutos:

36
Nº- de gotas por minuto = x 20 = 1 gota/min
12 x 60

Resolvendo a fórmula de microgotas para prescrição em minutos:

36
Nº- de microgotas por minuto = x 60 = 3 microgotas/min = 1 gota/min
12 x 60

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Exemplo:

Dra. Patrícia prescreveu a medicação Flagyl 500 mg (EV), para infundir 100 mL em 50 minutos.
Quantas gotas e microgotas por minuto?

V x 20 100 x 20 2000
= = = 40 gotas/min
T 50 50

V x 60 100 x 60 6000
= = = 120 microgotas/min
T 50 50

DICA: Se 1 gota possui 3 microgotas, então multiplicando 40 gotas/min obteria o resultado de


120 microgotas/min.

6. Medicamentos Especiais
O principal fator que faz esses medicamentos merecerem uma atenção especial é o fato de que
são apresentados em UI (Unidade Internacional). Além disso, trataremos abaixo apenas das parti-
cularidades de cada um, sendo que praticamente todo o conhecimento que necessitam para usarem
esses medicamentos vocês já obtiveram nas sessões anteriores.

6.1 PENICILINA

A particularidade da Penicilina G Cristalina é a de que ela somente está disponível em pó e pre-


cisa ser reconstituída e diluída para ser administrada na veia do paciente e, quando esse processo é
feito, a solução apresenta uma expansão. Por quê? Porque o peso molecular do medicamento
é alto, levando a uma expansão de 2 mL no frasco de 5.000.000 UI. No frasco de 10.000.000 UI a
expansão é de 4 mL. Assim, durante a reconstituição, sempre iremos adicionar AD o suficiente para
a solução totalizar 10 mL no frasco.

OBS: Após calcular o volume a ser administrado geralmente infunde-se a medicação em


100 mL de SG 5%.

Vamos ao exemplo:

Dr. Francisco prescreveu 1.500.000 UI de Penicilina G Cristalina (EV) de 4/4h a um paciente.


Temos somente frasco/ampola de 5.000.000 UI. Quanto devo administrar?

5.000.000 10 mL (8 mL de AD da reconstituição + 2 mL do soluto expandido)

1.500.000 X mL

15.000.000
X= = 3 mL
5.000.000

Resposta: Devo administrar 3 mL.

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Outro exemplo:

Dr. José prescreveu para um paciente 2.500.000 UI de Penicilina G Cristalina (EV) de 4/4 h.
Como vimos no exercício anterior, nessa unidade há apenas frasco/ampola de 5.000.000 UI dessa
medicação, quanto devo administrar?

5.000.000 10 mL (8 mL de AD da reconstituição + 2 mL do soluto expandido)

2.500.000 X mL

25.000.000
X= = 5 mL
5.000.000

Resposta: Devo administrar 5 mL.

6.2 INSULINAS

A particularidade das insulinas é que possuem seringas específicas para seu uso, já graduadas
em UI. No entanto, se se essas seringas por alguma razão não estiverem disponíveis, a insulina de-
verá ser administrada usando seringas comuns, graduadas em mL.
No Brasil os frascos de insulinas apresentam-se na concentração de 100 UI/mL, havendo raras
exceções, como nas canetas de insulina, onde podem vir apresentadas em outras concentrações
como, por exemplo, de 300 UI/mL.
As seringas de insulina disponíveis no mercado podem ter agulhas fixas ou removíveis e se
apresentam em:

1 mL graduada em 100 UI (a mais utilizada) possui duas apresentações: graduada em


0,01 mL (1 em 1 UI) e em 0,02 mL (2 em 2 UI)

0,5 mL graduada em 50 UI: graduada em 0,01 mL, 1 em 1 UI

0,3 mL graduada em 30 UI: graduada em 0,01 mL, 1 em 1 UI

As graduadas de 1 em 1 UI podem aspirar doses ímpares também.

Note que nessas seringas 1 UI será sempre igual a 0,01 mL. Além dessas seringas há na Norma
Técnica da ABNT, NBR ISO 8537 (2012, p.4) a descrição de seringas de 40 UI com 1 mL, porém
muito provavelmente vocês nunca as encontrarão em suas carreiras. Essas exceções de frasco de
insulina em concentração diferente de 100 UI/mL e de seringas com graduação onde 100 UI não
equivalem a 1 mL serão tratadas no Apêndice e lá discutiremos como realizar o cálculo.

Com relação ao cálculo da insulina, quando o frasco for de 100 UI/mL e a seringa também
(caso mais comum) basta aspirar as unidades necessárias e realizar a aplicação. Se for prescrito
20 UI de insulina, basta aspirar 20 UI na seringa, seja ela de 100 UI, 50 UI ou 30 UI, fácil não?

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E quando essa seringa não estiver disponível?
Isso pode acontecer e será necessário a aplicação de uma Regra de Três para transformar a
dose prescrita em UI para seu equivalente em mL, não havendo a necessidade de aplicar nenhuma
fórmula, independente do volume da seringa!
Para isso, basta usar a concentração do frasco da insulina, que tipicamente será de 100 UI/mL,
para transformar a dose de UI para mL:
Usando na Regra de Três...
Na 1ª- linha: concentração do frasco de insulina
Na 2ª- linha: dose prescrita em UI e o “X” é seu equivalente em mL

100 UI 1 mL
Dose prescrita UI X mL

Veja o exemplo: Dra. Rose prescreveu 40 UI (SC), há disponível frasco de 100 UI. Quantos mL
deverão ser aspirados?

100 UI 1mL

40 UI X mL

X = 0,4 mL

Agora vamos discutir algo muito importante, preste bastante atenção!


A 1ª- edição desse material apresentou uma fórmula para o cálculo da dose quando a concen-
tração do frasco é diferente da seringa em UI. Percebemos que essa fórmula estava sendo usada de
maneira equivocada e, por isso, queremos enfatizar que seu uso só será válido em exceções. Muito
provavelmente a única situação em que vocês precisarão dessa fórmula será em concursos públicos
pois, como enfatizamos anteriormente, é padrão no Brasil o frasco de insulina ser apresentado em
100 UI/mL, assim como as seringas de insulina. Portanto, nessa 2ª- edição, optamos por discutir essa
exceção, em mais detalhes, no Apêndice desse material.

OBS: A administração de uma dosagem incorreta de insulina pode ocasionar Hipoglicemia.


As insulinas SC e IM não devem ser diluídas, pois perdem a estabilidade (COREN, 2011 b). Só será
diluída se administrada por via endovenosa, em bomba de infusão.

6.3 HEPARINA

A heparina é um anticoagulante, também é apresentada em UI. O que faz a heparina merecer


atenção especial é que erros em seu cálculo trazem consequências sérias ao paciente, como por
exemplo, Hemorragias.

Ela está frequentemente envolvida em eventos adversos graves e até mesmo fatais cabendo às
instituições a discussão e elaboração de recomendações para a prática segura desse medicamento
(AHOUAGI et al, 2013).

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O cálculo de heparina é exatamente igual aos exemplos já vistos anteriormente, como no exem-
plo a seguir:

Dr. Júlio prescreveu 7.500 UI de heparina SC. Tenho na unidade frasco/ampola com
5.000 UI/mL. Quantos mL devo administrar ao paciente?

5.000 UI 1 mL

7.500 UI X mL

5.000 X = 7.500
7.500
X= = 1,5 mL
5.000

Resposta: Deve ser administrado 1,5 mL de heparina.

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referências

AHOUAGI et al. Heparina: erros de medicação, riscos e práticas seguras na utilização. Belo Horizonte, v. 2, n. 5,
p 1-6, 2013. Disponível em: <http://www.ismp-brasil.org/site/wp-content/uploads/2015/07/V2N5.pdf>.
Acesso em: 16 nov. 2017.

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 5891: regras de arredondamento na numeração


decimal. Rio de Janeiro, 2014.

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR ISO 8537: seringas estéreis de uso único, com ou
sem agulha, para insulina. Rio de Janeiro, 2012.

BRASIL. Ministério da Saúde. Anexo 03: protocolo de segurança na prescrição, uso e administração de medi-
camentos. Brasília: Ministério da Saúde, 2013. 45 p. Disponível em: <http://www20.anvisa.gov.br/seguran-
cadopaciente/index.php/publicacoes/item/seguranca-na-prescricao-uso-e-administracao-de-medicamentos>.
Acesso em: 13 nov. 2017.

Conselho Regional de Enfermagem de São Paulo (COREN – SP). Boas práticas: cálculo seguro. São Paulo:
COREN, 2011a. 32 p. v. 1. Disponível em: <http://www.coren-sp.gov.br/sites/default/files/boas-praticas-cal-
culo-seguro-volume-1-revisao-das-operacoes-basicas_0.pdf>. Acesso em: 16 out. 2017.

Conselho Regional de Enfermagem de São Paulo (COREN – SP). Boas práticas: cálculo seguro. São Paulo:
COREN, 2011b. 24 p. v. 2. Disponível em: <http://portal.coren-sp.gov.br/sites/default/files/boas-praticas-
calculo-seguro-volume-2-calculo-e-diluicao-de-medicamentos_0.pdf>. Acesso em: 25 abr. 2018.

EMPRESA BRASILEIRA DE SERVIÇOS HOSPITALARES (EBSERH). Ministério da Educação. Reconstituição, dilui-


ção e administração de medicamentos endovenosos. 12. ed. 2017. 43 p. Disponível em: <https://farmacia.
hc.ufg.br/up/734/o/MAN_001-12_Reconstitui%C3%A7%C3%A3o__dilui%C3%A7%C3%A3o_e_administra%-
C3%A7%C3%A3o_de_medicamentos_endovenosos.pdf?1488563524>. Acesso em: 14 nov. 2017.

FOGAÇA, Jennifer Rocha Vargas. Soluto e solvente. 2017. Disponível em: <http://brasilescola.uol.com.br/
quimica/soluto-solvente.htm>. Acesso em: 27 out. 2017.

GIOVANI, Arlete M. M. Enfermagem: cálculo e administração de medicamentos. 14 ed. São Paulo: Rideel,
2017. 407 p.

INTERNATIONAL ORGANIZATION FOR STANDARDIZATION (ISO). ISO 80000-1:2009: quantities and units part
1 – general. 2009. Disponível em: <https://www.iso.org/standard/30669.html>. Acesso em: 19 feb. 2018.

INTERNATIONAL UNION OF PURE AND APPLIED CHEMISTRY (IUPAC). Compendium of chemical termino-logy
gold book. 2014. Disponível em: <http://goldbook.iupac.org/pdf/goldbook.pdf>. Acesso em: 19 feb. 2018.

REGRA de três simples ou composta. 2017. Disponível em:<www.regradetres.com.br> Acesso em: 17 out. 2017.

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apêndice A

Decidimos preparar esse conteúdo a você para esclarecer alguns pontos importantes identifica-
dos em questões de concursos públicos e que vale a pena você saber.
Como explicado na seção de Insulinas do nosso Ebook, vamos discutir aqui a aplicação de uma
fórmula para o cálculo de doses de insulina em uma situação bastante excepcional.
A situação excepcional onde o uso dessa fórmula é adequada é a seguinte: a concentra-
ção da insulina no frasco, em UI/mL, é diferente da escala de graduação da seringa de insulina
disponível. O que isso quer dizer? Isso quer dizer que, se o frasco de insulina possui uma con-
centração de, por exemplo, 100 UI/mL, a seringa de insulina disponível não possui essa mesma
concentração. Uma graduação possível para a seringa é de 40 UI/mL (conforme previsto na norma
ABNT NBR ISO 8537, que mencionamos). Note nesse caso seguinte a incompatibilidade:

Frasco: em 1 mL da solução do frasco há 100 UI

Seringa: em 1 mL do volume da seringa há 40 UI

Percebeu?

Nesses casos, e somente nesses casos, a aplicação da seguinte fórmula será adequada:

Prescrição x Seringa
Dose em UI da seringa =
Frasco

Outra forma de apresentá-la, como fizemos na 1ª- edição é:

Frasco Seringa Fui Salvo


Grave usando o lembrete:
Prescrição X Pelo X

E em qual contexto vocês irão se deparar com essa exceção? Muito provavelmente, durante a
carreira inteira de vocês, vocês nunca se depararão com essa situação na assistência aqui no Brasil.
No Brasil, o único contexto provável de vocês encontrarem essa situação é em concursos pois nesses
comumente são usados dados fictícios, de concentrações de insulina e/ou de graduação de seringas
de insulina não disponíveis no mercado. Vejamos:

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1
Concurso para a Prefeitura de Recife – PE 2006 (2ª- edição)
Cargo: Auxiliar de Enfermagem
Banca: Universidade de Pernambuco (UPE/ UPENET/ IAUPE)

31. Um paciente diabético foi avaliado pelo médico que prescreveu 16 unidades (u) de insulina regular
por ter apresentado glicosuria (++++). No hospital, existe frasco de insulina com 80 u/ml e seringa
de 40 u/ml. Calcule a quantidade correta a ser administrada e marque a alternativa correta.
A) 4,0 u D) 32 u
B) 8,0 u E) 40 u
C) 16 u

Veja que nessa questão, o enunciado deixa bem claro que a concentração do frasco e da
seringa são incompatíveis, de 80 UI/mL versus 40 UI/mL. Sendo assim, é necessário usar a fórmula
citada acima, ficando:

80 UI 40 UI

16 UI X

X = 8 UI

Veja outro exemplo:

2
Concurso para a Secretaria de Estado da Administração, Recursos Humanos e Previdência –
AM (SEAD/AM) 2005
Cargo: Auxiliar de Enfermagem
Banca: CESGRANRIO

24. Para implementar prescrição médica de 15 unidades de insulina simples, subcutânea, a auxiliar
de enfermagem Carmen vai utilizar uma seringa de insulina com escala graduada de 40 unidades.
Quantas unidades ela deve aspirar de um frasco de insulina de 60 unidades por centímetro cúbico?
A) 60 D) 12
B) 40 E) 10
C) 15

Note que nessa questão não fica tão explícito qual é a graduação da seringa. Vamos resolver
a questão assumindo que a seringa segue a graduação padrão de mercado onde 100 UI equivalem
a 1 mL para ver o que acontece:
Vamos 1º- descobrir quantos mL da Insulina de 60 UI/mL equivalem às 15 UI prescritas:

60 UI 1 mL (= 1cm3)

15 UI X

X = 0,25 mL

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Agora vamos ver quantos UI da seringa de 40 UI (assumindo por enquanto que nessa seringa
100 UI equivalem a 1 mL, portanto essa seringa teria um volume total de 0,4 mL)

0,4 mL 40 UI

0,25 mL X

X = 25 UI

Notem que a resposta de 25 UI sequer consta entre as opções do gabarito. Por isso, não nos
resta outra opção a não ser assumir que a interpretação desejada quando ele enuncia “uma seringa
de insulina com escala graduada de 40 unidades” é de que a seringa possui 40 UI/mL. Vamos resol-
ver novamente o exercício seguindo essa interpretação:
Já sabemos que há 15 UI de insulina em 0,25 mL do frasco disponível
Vamos agora calcular quantos UI da seringa de 40 UI equivalem a 0,25 mL

1 mL 40 UI

0,25 mL X

X = 10 UI

Notem que essa é a resposta da alternativa “E”.

Usando a fórmula que apresentamos, essa questão poderia ser resolvida de maneira mais direta:

60 UI 40 UI

15 UI X

X = 10 UI

Nossa como isso é confuso! Para tranquilizá-lo, vamos lembrar que isso não é real e, portanto,
não se aplica a sua prática profissional, mas você deve ter ciência caso pense em realizar um concurso.
Há muitos sites que disponibilizam questões de concursos, caso você tenha interesse em realizar mais
exercícios aplicando essa fórmula.

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