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UNIVERSIDADE LUTERANA DO BRASIL

PRÓ-REITORIA DE PESQUISA E PÓS-GRADUAÇÃO


ESPECIALIZAÇÃO EM GESTÃO ESTRATÉGICA DE NEGÓCIOS

Disciplina de Logística Integrada


Professor Guilherme Chagas Pereira

ATIVIDADE AVALIATIVA - Dissertativa

Cristina Maria Menegatti

Canoas, Abril de 2018


SUMÁRIO

1 INTRODUÇÃO .................................................................................................................. 3
1.1 DEMANDA POR LOGÍSTICA MULTIMODAL ................................................................. 5

2 PRINCIPAIS DESAFIOS................................................................................................... 7
2.1 DIVERSIDADE E INCERTEZA DA DEMANDA ............................................................... 7
2.2 AGENDA INFLEXÍVEL E MARCOS DEFINIDOS............................................................ 7
2.3 FAÇA CERTO DESDE A PRIMEIRA VEZ ...................................................................... 8
2.4 MIX DE PESSOAL ENVOLVIDO .................................................................................... 8
2.5 PLANEJAMENTO É FUNDAMENTAL ............................................................................ 8
2.6 NECESSIDADE DE INTEGRAÇÃO .............................................................................. 10
2.7 LEGADO INESTIMÁVEL PARA A LOGÍSTICA COMO UM TODO ............................... 10

3 CONSIDERAÇÕES FINAIS ............................................................................................ 12

REFERÊNCIAS ................................................................................................................... 13

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1 INTRODUÇÃO

O trabalho que será apresentado a seguir foi realizado junto a Empresa Brasileira de
Correios e Telégrafos, que tem sede administrativa em Brasília/DF e atuação em todo território
nacional, através de 24 Superintendências Regionais e com mais de 5.000 agências em todo
o Brasil. É subordinada ao Ministério das Comunicações. Atualmente a empresa está presente
em todos os municípios brasileiros, através de agencias próprias e franqueadas, Postos de
Atendimentos, Centro de Distribuição Domiciliar, Caixas de Coletas e de Caixas Postais
Comunitárias. Os Correios são uma empresa pública que executa muitos processos de
Logística.

A seguir será apresentado um resumo da participação dos Correios durante os Jogos


Olímpicos em 2016, sendo que foi o 1º Correios do mundo a realizar uma operação logística
de jogos olímpicos e paraolímpicos, sendo considerado seu maior desafio, onde envolveu:

Jogos Olímpicos: Jogos Paralímpicos:

- 10.500 atletas de 204 países - 4.350 atletas de 164 países

- 45.000 voluntários - 25.000 voluntários

- 25.100 profissionais de mídia credenciados - 7.200 profissionais de mídia

- 6.700 integrantes de delegação - 3.0000 integ. de Delegações

- 3.200 oficiais técnicos - 1.300 oficiais técnicos

O principal objetivo foi realizar/entregar os jogos de forma memorável; realizar a maior


operação de logística não militar do mundo, deixar um legado olímpico para os Correios, para
seus empregados e para o Brasil, utilizar conhecimento e expertise em novos negócios para
a sustentabilidade da empresa.

Em agosto de 2016, o Brasil foi palco do maior evento esportivo mundial, os Jogos
Olímpicos. Para torná-lo possível, a operação logística envolveu muitos desafios. Toda vez
que um atleta recebe sua medalha ao som de um hino nacional, há logística. Quando o
maratonista campeão olímpico completa a prova, a fita rompida na linha de chegada é fruto
de uma entrega logística. Exames antidoping? Logística! Mercadorias diferentes, volume
gigantesco de entregas, prazos inflexíveis. Como se preparar para uma operação de tamanha
complexidade e superar os desafios impostos? Planejamento, integração e equipe
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especializada são fundamentais para que a execução dos Jogos também receba medalha de
ouro.

Como se pode imaginar, a logística é o ponto focal de um evento dessa magnitude. E,


embora ela não tenha o glamour que envolve grande parte dos Jogos Olímpicos, deve
entregar as coisas certas, no lugar certo, na hora certa. Quiosques sem comida e bebida,
atletas sem kit e equipamentos esportivos e, até mesmo, cerimônias de entrega de medalhas
sem medalhas. Esse seria o cenário que os membros do Comitê enfrentariam sem uma
estratégia de logística que possa entregar o imenso volume de mercadorias das Olimpíadas.

No Brasil, o operador logístico da Rio 2016 foi responsável por itens que vão desde os
cronômetros utilizados por árbitros em todas as provas dos Jogos, passando por móveis,
computadores, equipamentos, bagagem dos atletas, alambrados, testes de doping e, claro,
as tão cobiçadas medalhas! Operações como coleta, recebimento, conferência,
armazenagem, gestão de estoques e atendimentos de pedidos das venues (locais de
competição) de jogos compõem as milhões de operações que não admitem erros.

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Figura 1:

1.1 DEMANDA POR LOGÍSTICA MULTIMODAL

Para trazer toda essa gente e todo o equipamento (bagagens, câmaras de televisão
ultramodernas, móveis, equipamentos esportivos como as varas do Salto com Vara,
instalações de treino e muitos outros itens de pesos, dimensões e fragilidades diferentes), são
utilizados os modais marítimo (maioria) e aéreo (itens como as câmaras de UltraHD, por
exemplo, não podem ficar muito tempo paradas e, por isso, viajam de avião).

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Figura 2:

Os produtos provenientes de diversos países são recebidos no porto ou aeroporto e


transportados pelo modal rodoviário até os três armazéns centrais da operação (que totalizam
100 mil metros quadrados). A partir dali, são distribuídos conforme programação ou demanda
específica para os locais de competição no Rio de Janeiro e nas cidades do futebol, utilizando
o transporte rodoviário e o aéreo quando necessário (figura 2).

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2 PRINCIPAIS DESAFIOS

Jogos Olímpicos têm data marcada para iniciar e encerrar e, a menos que uma
catástrofe climática de dimensões mundiais ocorra, as datas não mudam; os horários de início
e término de cada competição não mudam e não admitem atrasos (a transmissão pela
televisão representa a maior parte do faturamento dos jogos e não aceita atrasos na
programação). A provisão dos suprimentos para uma execução suave da logística das
Olímpiadas não poderá ter, portanto, erros. Há que se acertar da primeira vez, não há curva
de aprendizagem!

A complexidade da operação não está apenas no enorme volume de mercadorias,


mas na combinação dos tipos de mercadorias, na entrega para um público diferente do cliente
comum de um operador logístico e na tempestividade e assertividade no momento da entrega
de tantos materiais diversos (são 30 milhões de itens ao todo).

2.1 DIVERSIDADE E INCERTEZA DA DEMANDA

Conforme já demonstrado, há uma diversidade muito grande de itens e equipamentos


a serem tratados; ademais, há incerteza quanto às quantidades, bem como em relação às
chegadas e partidas. Por exemplo, os itens podem incluir desde barcos à vela a itens de
tecnologia, atletas equestres, mobília, suprimentos médicos, etc. Em adição, há um
conhecimento limitado do tamanho da demanda e do timing, pois clientes internos e externos
anunciam seus requisitos somente meses ou dias antes da cerimônia de abertura.

2.2 AGENDA INFLEXÍVEL E MARCOS DEFINIDOS

Os Jogos Olímpicos são um caso clássico de um projeto com deadlines inamovíveis


(KERNZER, 2001). A data e a hora da cerimônia de abertura, bem como a agenda completa
dos Jogos são estabelecidas tão cedo quanto o momento em que uma cidade é anunciada
como tendo conquistado o direito de sediar uma edição, o que pode ser um período de até
sete anos antes dos jogos começarem – no caso dos Jogos Rio 2016, o anúncio da cidade
do Rio de Janeiro como vencedora ocorreu em 2 de outubro de 2009. Esses agendamentos
não podem mudar e formam uma restrição inflexível para planejar o projeto de execução dos
jogos nos seus diversos aspectos e principalmente nos aspectos logísticos.

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2.3 FAÇA CERTO DESDE A PRIMEIRA VEZ

A equipe que executou a logística olímpica não teve uma segunda chance para corrigir
erros. Durante as duas semanas dos jogos, cada erro pode ter implicações significativas; não
há tempo para melhoria contínua (PDCA) de processos e procedimentos ou para treinamento
adicional da mão-de-obra. Uma regra básica aplicada pelo Comitê dos Jogos Olímpicos Rio
2016 foi resumida da seguinte forma:
a) Saiba o que vai fazer;
b) Só faça o que agrega valor;
c) Mantenha a operação em movimento.

2.4 MIX DE PESSOAL ENVOLVIDO

Tipicamente, as equipes da logística olímpica (especialmente a força de trabalho) é


recém-contratada e, na maioria dos casos, inexperiente. Ademais, boa parte dos Comitês
Organizadores dos Jogos Olímpicos (COJOs) trabalham com voluntários. Na logística
olímpica, a relação de um profissional de logística para cada voluntário é usual, ou seja,
metade da equipe é de profissionais e metade, de voluntários.

A Infraestrutura necessária para a realização dos Jogos Olímpicos impressiona em


cada detalhe. Foram mais de 100 mil pessoas envolvidas diretamente na organização.

2.5 PLANEJAMENTO É FUNDAMENTAL

Para lidar com uma operação de tamanha complexidade, é preciso tempo e


informação! O operador logístico deve contar com uma equipe dedicada formada por
profissionais especializados em logística e gestão de projetos. No caso brasileiro, a operação
logística utilizou o SCOR para realizar o desenho da força tarefa e também padronizar todos
os processos, inclusive o planejamento. Para um bom planejamento, segundo o SCOR, é
preciso identificar todas as demandas e todos os recursos disponíveis.

Como não poderia deixar de ser, o planejamento de recursos começou a ser realizado
assim que o operador logístico assina o contrato dos Jogos Olímpicos, passando pela

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pesquisa das melhores opções de equipamentos, a montagem do mix de equipamentos de
transporte e movimentação interna, e a elaboração de diversos planos, entre os quais estão:
a) Plano de Riscos
b) Plano de Contingências
c) Plano de Armazenagem
d) Plano de Deslocamento Urbano
e) Plano de Instalações Físicas
f) Plano de Tecnologia
g) Plano de capacitação

Esta é a primeira vez na história dos Jogos Olímpicos que uma empresa postal e
pública – os Correios - é responsável pela operação logística. Até agora apenas os grandes
integradores mundiais como UPS e DHL tinham conquistado o contrato para a operação dos
serviços. A conquista desse contrato pelos Correios se deve principalmente pela expertise
obtida na operação logística dos Jogos Pan-Americanos do Rio 2007.

Figura 3: Um dos três armazéns dedicados à operação Rio 2016

Entre os eventos mais desafiadores realizados até hoje está o Concurso Internacional
de Equitação, realizado em agosto. Chegaram ao Brasil seis contêineres com obstáculos para
os cavalos pularem durante as provas. Para essa operação, foi necessária a utilização de um
caminhão MUNCK, pois o material era composto de toras de madeira gigantes (figuras 1 e 2).
Após o término do evento, todo o mobiliário utilizado foi embalado e transportado para o
Armazém Rio 2016. Até o início dos Jogos, em 5 de agosto de 2016, terão sido realizados 45
eventos-teste de diversas modalidades esportivas.

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Figura 4: Equipe de logística descarrega toras Figura 5: Descarregamento de toras de madeira
de madeira para evento-teste de hipismo

2.6 NECESSIDADE DE INTEGRAÇÃO

Uma operação do tamanho da Rio 2016 precisou de ações coordenadas entre os


diversos entes envolvidos em sua organização. A logística necessitou do apoio de diversos
órgãos para garantir, por exemplo, a segurança do transporte de bens com alto grau de
atratividade, como as medalhas dos Jogos, ou a mobilidade dos caminhões dentro das
cidades. Por isso, comitê organizador e operador logístico precisaram atuar de forma
integrada com as mais diversas autoridades do País, como governo estadual, prefeituras,
tanto do Rio quanto das cidades-sedes do Futebol, Forças Armadas, órgãos de segurança
pública estadual e municipal, diversos fornecedores de recursos, entre outros.

2.7 LEGADO INESTIMÁVEL PARA A LOGÍSTICA COMO UM TODO

Sabemos que é evidente e inquestionável a oportunidade que a realização dos Jogos


Olímpicos representa para o operador logístico do evento, com aquisição de know-how inédito
no Brasil e até na América do Sul, e para o País, com o investimento em infraestrutura
realizado.

Os Jogos Olímpicos Londres 2012 ofereceram 11 milhões de bilhetes, além de vários


eventos gratuitos. O dia mais movimentado deve ter atraído para a cidade mais de um milhão
de visitantes. Essa grande quantidade de pessoas não só aumentou a demanda por todo tipo
de serviços e recursos, como comida, bebida, lavanderia, hotel, entre outros, como também

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ofereceu uma série de restrições e um congestionamento inédito para as empresas da cidade.
Ou seja, o desafio não era apenas do operador logístico em realizar com sucesso as entregas
esperadas para o evento esportivo, mas também de toda a cadeia de suprimentos, que
precisava, ao mesmo tempo, manter o funcionamento da cidade enquanto centro de negócios
mundial e residência de milhões de pessoas.

Assim, foi preciso muita integração e flexibilidade para manter as prateleiras dos
supermercados cheias, garantir que os cafés não ficassem sem bebidas e que os jornais
chegassem às bancas, por exemplo. Segundo a FTA, algumas empresas optaram por
experimentar realizar entregas durante a noite. Para isso, precisaram, por exemplo, trabalhar
com veículos extremamente silenciosos. Em contrapartida, conseguiram benefícios como
aumento de produtividade por rota, redução do número de multas por estacionamento,
economia de combustível, cooperação e relacionamento com as autoridades públicas e a
própria abertura dos clientes para experimentar novas possibilidades de entregas, uma vez
que estão mais sensíveis a novidades que visem diminuir os impactos causados pelo evento,
além da redução na emissão de CO₂.

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3 CONSIDERAÇÕES FINAIS

Pela primeira vez na história, o maior evento da humanidade é realizado na América


do Sul, demandando ao Brasil a execução daquela que é considerada a maior operação
logística em tempos de paz. A quantidade de itens movimentados é gigantesca e a
inflexibilidade de datas e horários, entre outras características da competição, representam
uma grande dificuldade para as entregas.

Os números impressionam, os desafios não ficam para trás. E é do próprio esporte


que vem o maior exemplo. Não há superação sem determinação, disciplina e muito suor! Da
mesma forma, não se pode falar em uma operação como essa sem planejamento e muito
trabalho! Planos de riscos, contingências, armazenagem, deslocamento urbano, instalações
físicas, tecnologia e capacitação são apenas alguns dos itens que envolveram essa
preparação.

Foi preciso trabalho árduo e muita integração entre Correios, enquanto operador
logístico, autoridades públicas, Comitê Olímpico, voluntários e fornecedores para que os
Jogos ocorressem perfeitamente, os atletas tivessem o conforto e a estrutura necessária para
competirem e orgulharem seus Países, brindando o esporte com exemplos de superação. E,
mesmo quando todos os vencedores já estavam definidos, o ranking de medalhas completo,
os turistas e atletas de volta a seus países, a logística dos Correios continuou jogando! Três
meses foi o tempo levado para conclusão dos trabalhos pós-evento.

Sem dúvidas, foi um evento de natureza transitória que deixou benefícios duradouros.
Nesse sentido, fez-se necessária a mesma integração e um altíssimo nível de planejamento
para que a cadeia de suprimentos da cidade continuasse funcionando – para o bem de todos
os residentes e turistas, ampliando o legado inquestionável de infraestrutura, know-how e
visibilidade que os Jogos Olímpicos trouxeram para o País.

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REFERÊNCIAS

KERZNER, H. Project Management: A Systems Approach to Planning, Scheduling and


Controlling, 7ª Ed., Wiley: New York, 2001.

Freight Transport Association. Logistics Legacy – Celebrating logistics achievement and


innovation during Summer 2012, Consultado em:
<http://www.fta.co.uk/export/sites/fta/_galleries/downloads/olympics/logistics_legacy_x_olym
pics_low.pdf.>. Data de consulta:

The Chartered Institute of Logistics and Transport (UK). Maintaining Momentum – Summer
2012 Logistics Legacy Report. Disponível em: <http://edition.pagesuite-
professional.co.uk//launch.aspx?eid=0a279ac6-284e-408c-8a2c-0a2564379f7f>.

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