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CENTRO UNIVERSITÁRIO DO DISTRITO FEDERAL – UDF

COORDENAÇÃO DO CURSO DE ENGENHARIA CIVIL

SÉRGIO LUIZ PEIXOTO

ANÁLISE TEÓRICA COMPARATIVA DOS MÉTODOS SEMI-EMPÍRICOS DE


ESTIMATIVA DE CAPACIDADE DE CARGA DE FUNDAÇÕES
PROFUNDAS PARA O MESMO PERFIL GEOTÉCNICO.

BRASÍLIA – DF
2014
SÉRGIO LUIZ PEIXOTO

ANÁLISE TEÓRICA COMPARATIVA DOS MÉTODOS SEMI-EMPÍRICOS DE


ESTIMATIVA DE CAPACIDADE DE CARGA DE FUNDAÇÕES
PROFUNDAS PARA O MESMO PERFIL GEOTÉCNICO.

Trabalho de conclusão de curso


apresentado à Coordenação de
Engenharia Civil do Centro
Universitário do Distrito Federal -
UDF, como requisito parcial para
obtenção do título de Engenheiro
Civil.

Orientador: Prof. Eng. Diêgo de Almeida Pereira.

BRASÍLIA – DF
2014
Reprodução parcial permitida desde que citada a fonte.

Peixoto, Sérgio Luiz.


Análise teórica comparativa dos métodos semi-empíricos de
estimativa de capacidade de carga de fundações profundas para
o mesmo perfil geotécnico. / Sérgio Luiz Peixoto. – Brasília, 2014.
- UDF

xx f.

Trabalho de conclusão de curso apresentado à


Coordenação de Engenharia Civil do Centro Universitário do
Distrito Federal - UDF, como requisito parcial para obtenção do
grau de bacharel em Engenheiro Civil.
Orientador: Professor Eng. Diêgo de Almeida Pereira

1. Assunto. I. Título
SÉRGIO LUIZ PEIXOTO

ANÁLISE TEÓRICA COMPARATIVA DOS MÉTODOS SEMI-EMPÍRICOS DE


ESTIMATIVA DE CAPACIDADE DE CARGA DE FUNDAÇÕES
PROFUNDAS PARA O MESMO PERFIL GEOTÉCNICO

Trabalho de conclusão de curso apresentado à Coordenação de Engenharia Civil do


Centro Universitário do Distrito Federal - UDF, como requisito parcial para obtenção do
título de Engenheiro Civil. Orientador: Prof. Eng. Diêgo De Almeida Pereira.

Brasília, _____ de _________ de 2014.


Banca Examinadora

_________________________________________
Nome do Examinador

__________________________________________
Nome do Examinador

___________________________________________
Nome do Examinador

Nota: ______
"Seja você quem for, seja qual for à posição social que você tenha na
vida, a mais alta ou a mais baixa, tenha sempre como meta muita força,
muita determinação e sempre faça tudo com muito amor e com muita fé
em Deus, que um dia você chega lá. De alguma maneira você chega
lá."

Ayrton Senna
Agradecimento

Agradeço primeiramente а Deus, pelo dom da vida, por ser essencial e autor do
mеυ destino, guia e socorro nas horas de angústia.
A minha esposa Norma, qυе de forma especial е carinhosa contribuiu na minha
formação acadêmica dando-me força е coragem, apoiando-me nos momentos de
dificuldades, quero agradecer também aos meus filhos Lucas e Nathalia, cientes da
importância deste trabalho, iluminou de maneira especial os meus pensamentos na
buscar de mais conhecimentos.
Agradeço ainda aos meus irmãos, cunhados, cunhadas sobrinhos e sobrinhas,
que diante da perda de nossa querida mãe, avó, sogra e grande amiga me deram
forças e incentivo a concluir este trabalho.
Agradeço a esta universidade, seu corpo docente, direção e administração que
pela oportunidade que hoje vislumbro um horizonte superior, eivado pela acendrada
confiança no mérito e na ética aqui presente. E ao meu orientador pelas suas
correções e incentivos apesar do pouco tempo que lhe coube.
Quero também agradecer ao setor de Engenharia da CEB Distribuição pela
orientação e disponibilidade de material para os estudos e conclusão deste trabalho.
Agradeço ainda a todos os que ouviram os meus desabafos, que presenciaram e
respeitaram o meu silêncio, que partilharam este longo passar de anos, de páginas, de
livros e cadernos, que tantas vezes machucamos, que fez meu mundo um mundo
melhor, que me acompanharam, choraram, riram, sentiram, participaram,
aconselharam, dividiram as suas companhias, os seus sorrisos, as suas palavras e
mesmo as ausências foram expressões de amor profundo. As alegrias de hoje também
são suas, pois seus amores, estímulos e carinhos foram armas para essa minha vitória.
Homenagem póstuma

A minha querida e saudosa mãe Terezinha R. da Costa, há pouco mais de três


anos, deixou seus filhos órfão, mas que no pouco estudo que teve, adquiriu a
sabedoria de vida, incentivando seus filhos na busca pelo conhecimento e
aprimoramento nos estudos e nunca desistir dos sonhos. Lembro-me bem que em seus
dias debilitadas pela doença, de suas palavras para seus filhos, para que não
desistíssemos dos estudos, pois era a única coisa que ninguém poderia tirar de nós.
Lembro-me dela sempre me encorajando nas dificuldades da vida, de sempre agir com
bondade no coração respeitando a todos os que eu cruzarem o meu caminho. Minha
querida mãe a quem eu rogo todas as noites а minha existência.
RESUMO

As fundações profundas, como é o caso da hélice contínua e das estacas pré-


moldadas de concreto tem seus dimensionamentos utilizando-se os ensaios SPT. Os
cálculos para a capacidade de carga destas fundações são quase sempre realizados
utilizando-se métodos semi-empíricos. Com objetivo de compreender melhor o
comportamento destas estacas, foram realizados cálculos pelos métodos semi-
empíricos de AOKI & VELLOSO e DECOURT - QUARESMA que são os mais utilizados
e consagrados no Brasil para estes tipos de dimensionamento, e, além disso, utilizou-
se um terceiro método semi-empíricos de LOBO (2005) que utiliza a Força Dinâmica de
penetração do amostrador do SPT no solo para dimensionamento de fundações. Com
estes cálculos, propõe-se a comparação de quais métodos são mais eficazes para o
dimensionamento conforme os ensaios de STP.
ABSTRACT

The deep foundations, as is the case of the continuous helix and the precast concrete
piles have its sizing using the SPT rehearsals. The calculations for the load capacity of
these foundations are often performed using semi-empirical methods. In order to better
understand the behavior of these stakes, calculations were performed by semi-empirical
methods AOKI & VELLOSO and DECOURT – QUARESMA (1978) which are the most
used and appreciated in Brazil for these types of sizing, and in addition, we used a third
semi-empirical method of LOBO (2005) that uses Dynamic Force SPT sampler
penetration in soil for design of foundations. In these calculations, we propose to
compare which are more effective methods for sizing tests as STP.
LISTA DE TABELAS

Tabela 1- Classificação do solo segundo a compacidade ou consistência de acordo

com o NSPT, (NBR 6484/2001). Classificação do solo segundo a

compacidade ou consistência de acordo com o NSPT, (NBR 6484/2001). .... 16

Tabela 2 - Influência do tipo de martelo, para composição de 14 m de comprimento,

martelo com coxim de madeira e cabeça de bater de 3,6 kg. BELINCANTA

(1998), apud SCHNAID 2002, modificada. ..................................................... 22

Tabela 3 - Influência decorrente do uso de coxim, para composição de 14 m de

comprimento, martelo com pino guia e cabeça de bater de 3,6 kg. Belincanta

(1998), apud Schnaid 2002, modificada. ........................................................ 22

Tabela 4 - Influência decorrente da massa da cabeça de bater, para composição de

14m de comprimento, martelo cilíndrico com coxim de madeira. BELINCANTA

(1998), apud SCHNAID 2002, modificada. ..................................................... 23

Tabela 5 - Características mínimas da mesa rotativa e do guincho. ............................. 39

Tabela 6 – Características das estacas pré-moldadas .................................................. 44

Tabela 7 - Estacas Pré-moldadas de Concretos ........................................................... 45

Tabela 8 - Valores de F1 e F2 para o método de Aoki e Velloso .................................. 52

Tabela 9 - Coeficientes K e α (Aoki e Velloso, 1975 apud Cintra e Aoki, 2010) ............ 53

Tabela 10 – Coeficientes K e α (LAPROVITERA, 1988) ............................................... 55

Tabela 11 – Coeficientes de transformação F1 e F2 ..................................................... 55

Tabela 12 – Coeficientes K e α (MONTEIRO, 1997) ..................................................... 57

Tabela 13 – Coeficientes de transformação F1 e F2 (MONTEIRO, 1997) .................... 58

Tabela 14 – Coeficiente característico do solo .............................................................. 60

Tabela 15 - Valores do fator α em função do tipo de estaca e do tipo de solo .............. 61


Tabela 16 - Valores do fator β em função do tipo de estaca e do tipo de solo .............. 61

Tabela 17 – Coeficientes α e β em função do tipo de estaca ........................................ 66

Tabela 18 - Valores da capacidade de carga por atrito lateral ...................................... 69

Tabela 19 - Valores da capacidade de carga por ponta da estaca Hélice Contínua para

os métodos apresentados............................................................................... 70

Tabela 20 - Valores da capacidade de carga por atrito lateral ...................................... 70

Tabela 21 - Valores da capacidade de carga por ponta da estaca hélice contínua para

os métodos apresentados............................................................................... 70

Tabela 22 - Valores da capacidade de carga por atrito lateral ...................................... 72

Tabela 23 - Valores da capacidade de carga por ponta da estaca hélice contínua para

os métodos apresentados............................................................................... 73

Tabela 24 - Valores da capacidade de carga por atrito lateral ...................................... 75

Tabela 25 - Valores da capacidade de carga por ponta da estaca hélice contínua para

os métodos apresentados............................................................................... 75
LISTA DE FIGURAS

Figura 1- Vista da cabeça de bater do equipamento de sondagem. ............................. 10

Figura 2 - Vista geral de uma equipe de sondagem de simples reconhecimento com

ensaio SPT, (BELINCANTA, 2004) ................................................................ 11

Figura 3 - Tubo de circulação de água e trépano de perfuração recomendados pela

NBR 6.484/2001, (MODIFICADO DE BELINCANTA, 2004) ........................... 13

Figura 4 - Trépano com circulação d´água. (BELINCANTA, 2004) ............................... 13

Figura 5 - Procedimento de perfuração com uso de circulação d´água, motobomba e

trépano. (BELINCANTA, 2004) ....................................................................... 13

Figura 6 - Torquímetro sendo utilizado logo após o ensaio SPT. .................................. 15

Figura 7 - Torquímetro utilizado em ensaios SPT-T. (BELINCANTA, 2004) ................. 15

Figura 8 - Exemplo de relatório de sondagem do tipo SPT. .......................................... 18

Figura 9 - Cone Mecânico (Penetrômetros para CPT – BEGEMANN) .......................... 26

Figura 10 - Cone Elétrico (PENETRÔMETROS PARA CPT – BEGEMANN)................ 27

Figura 11 - (PENETRÔMETROS PARA CPT – BEGEMANN) ...................................... 27

Figura 12 - Resultado típico de uma sondagem RCPTU (DANIEL ET AL., 1999) ......... 31

Figura 13 – Equipamento para execução da Estaca tipo Hélice Contínuo monitorado –

(FUNDEX) - (Arquivo pessoal)........................................................................ 33

Figura 14 – Etapas de execução de uma estaca Hélice Contínua monitorada –

(BRASFOND, 2001) ....................................................................................... 34

Figura 15 – Retirada manual do solo entre as pás da hélice ......................................... 36

Figura 16 – Colocação da armadura após a retirada do trado ...................................... 37

Figura 17 – Relatório final do monitoramento da estaca Hélice Contínua. .................... 40

Figura 18 – Estaca Pré-moldada de Concreto (TECGEO FUNDAÇÕES) ..................... 46

Figura 19 – Capacidade e transferência de carga de uma estaca isolada – ................. 49


Figura 20 – Determinação da resistência de ponta segundo Monteiro (1997) .............. 57

Figura 21 – Definições para cálculo das energias potenciais martelo e da haste -

(ODEBRECHT 2003) ...................................................................................... 64


LISTA DE GRÁFICOS

GRÁFICO 1 - Capacidade de carga por atrito lateral da estaca .................................... 70


GRÁFICO 2 - Capacidade de carga por atrito lateral da estaca .................................... 71
GRÁFICO 3 - Capacidade de carga por atrito lateral da estaca .................................... 73
GRÁFICO 4 - Capacidade de carga por atrito lateral da estaca .................................... 76
LISTA DE SÍMBOLOS

SPT STANDART PENETRATION TEST


SPT-T STANDARD PENETRATION TEST – WITH TORQUE MEASUREMENT
NSPT NÚMERO DE GOLPES NECESSÁRIOS À PENETRAÇÃO DO
AMOSTRADOR-PADRÃO DO ENSAIO SPT EM 30 CENTÍMETROS DE
SOLO.
Neq N EQUIVALENTE
Np NSPT NA COTA DA PONTA DA ESTACA
Nl NSPT NA CAMADA DE ESPESSURA ∆l
∆l TRECHO DO FUSTE ONDE ADMITISSE rl CONSTANTE
∑∆l SOMATÓRIO DOS TRECHOS DO FUSTE DA ESTACA
g ACELERAÇÃO GRAVITACIONAL
PENETRAÇÃO PERMANENTE DO AMOSTRADOR;
PENETRAÇÃO DO AMOSTRADOR NO SOLO
η EFICIÊNCIA DO ENSÁIO
vi VELOCIDADE DO IMPACTO
ηi EFICIÊNCIA DO IMPACTO
η1 EFICIÊNCIA DO MARTELO
η2 EFICIÊNCIA DA COMPOSIÇÃO DA HASTE
η3 EFICIÊNCIA DO SISTEMA
EPT ENERGIA POTENCIAL TEÓRICA
EPSISTEMA ENERGIA POTENCIAL DO SISTEMA
EPh ENERGIA POTENCIAL DA HASTE
EPm ENERGIA POTENCIAL DO MARTELO
EC ENERGIA CINÉTICA
Eci ENERGIA CINÉTICA INICIAL
EAMOSTRADOR ENERGIA APLICADA AO AMOSTRADOR
Qadm CARGA ADMISSÍVEL
Qult CARGA ULTIMA DE RUPTURA
Qr CARGA DE RUPTURA DA PONTA DA ESTACA
Q’ CARGA QUE PRODUZ RECALQUE
Qp CARGA SUPORTADA PELA PONTA DA ESTACA
Qs CARGA SUPORTADA PELO ATRITO LATERAL DA ESTACA
Np MÉDIA DOS VALORES DE ÍNDICE DE PENETRAÇÃO NA PONTA DA
ESTACA
Fd FORÇA DINÂMICA
ξ ENERGIA NOMINAL DO SPT (J)
E MODULO DE ESLASTICIDADE DO SOLO
CPT CONE PENETRATION TEST
Cu RESISTÊNCIA NÃO DRENADA (Kpa)
RECALQUE (mm)
Tadm TENSÃO ADMISSÍVEL DO SOLO PARA BASE DE TUBULÃO (Mpa)
D PROFUNDIDADE DA FUNDAÇÃO (m)
B LARGURA DA FUNDAÇÃO (m)
S COEFICIENTE DE RECALQUE (cm3/kgf)
P PRESSÃO DE CONTATO (kgf/cm2)
Pm PESO DO MARTELO PADRÃO EM N.
hq ALTURA DE QUEDA PADRÃO DO MARTELO EM m.
1
CV COEFICIENTE DE VARIAÇÃO
Fck RESISTÊNCOA A COMPREÇÃO CARACTERÍSTICA DO CONCRETO
(Mpa)
Pr CARGA DE RUPTURA, OU CAPACIDADE DE CARGA DE UMA
FUNDAÇÃO EM ESTACAS
Pl PARCELA DE CARGA DE RUPTURA DEVIDO AO ATRITO LATERAL
SOLO-ESTACA DESENVOLVIDO AO LONGO DO FUSTE DA ESTACA
(CAPACIDADE DE CARGA DO FUSTE).
Pp PARCELA DE CARGA DE RUPTURA RESISTIDA PELA PONTA DA
ESTACA (CAPACIDADE DE CARGA DE PONTA).
Ap ÁREA DE PONTA DA ESTACA
As ÁREA LATERAL DA ESTACA
U PERÍMETRO DA SEÇÃO TRANSVERSAL DO FUSTE
⍙ TRECHO DO FUSTE ONDE SE ADMITE rl CONSTANTE
rl RESISTÊNCIA POR ATRITO LATERLA DE FUSTE
rp RESISTÊNCIA DE PONRA DA ESTACA
fs ATRITO LATERAL UNITÁRIO NA LUVA DO CONE
fck RESISTÊNCIA CARACTERISTICA DO CONCRETO À COMPRESSÃO
qc RESISTÊNCIA DE PONTA DE CONE
qp RESISTÊNCIA DE PONTA DA ESTACA
ql RESISTÊNCIA LIMITE DE CIZALHAMENTO AO LONGO DO FUSTE
qps VALORES DE PONTA DA ESTACA ACIMA
qpi VALORES DE PONTA DA ESTACA ABAIXO
F1 e F2 COEFICIENTE DE CORRELAÇÃO DAS RESISTÊNCIAS DE PONTA E
LATERAL
Rf RAZÃO DE ATRITO

RL RESISTÊNCIA LATERAL DO FUSTE DA ESTACA


Rp RESISTÊNCIA DE PONTA DA ESTACA
K COEFICIENTE DE CONVERSÃO DA RESISTÊNCIA DE PONTA DE
CONE PARA NSPT
φ COEFICIENTE DE CORREÇÃO DE RESISTÊNCIA LATERAL
ω COEFICIENTE DE CORREÇÃO DE RESISTÊNCIA DE PONTA
α VALOR DE RESISTÊNCIA DO SOLO NA REGIÃO DE PONTA
β COEFICIENTE DE CARGA LATERAL DE FUSTE DA ESTACA
T TORQUE
IPT INSTITUTO DE PESQUISAS TECNOLÓGICAS
ABMS ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE MECÂNICA DOS SOLOS
ABNT ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICA
CPT CONE PENETRATION TEST
KN KILO NEWTONS
Kg KILO GRAMAS
KN.m KILO NEWTONS VEZES METRO
Kgf.m KILO GRAMAS POR METRO
Kg/cm2 KILO GRAMAS POR CENTIMETO QUADRADOS
KPa KILO PASCAL
MPa MEGA PASCAL
u PORO PRESSÃO
m/s2 METROS POR SEGUNDOS QUADRADOS
cm2 CENTÍMETROS QUADRADOS
mm MILÍMETROS
mm/s MILIMETRO POR SEGUNDOS
Cv CAVALO VAPOR
T TORQUE
tf TONELADA FORÇA
Pm PESO DO MARTELO
Mm MASSA DO MARTELO
Mh MASSA DA HASTE
hq ALTURA DE QUEDA DO MARTELO
SUMÁRIO
1 - INTRODUÇÃO .......................................................................................................... 4
1.1 - OBJETIVOS ........................................................................................................ 5
2 – REVISÃO BIBLIOGRÁFICA ..................................................................................... 6
2.1 - SPT (STANDARD PENETRATION TEST).......................................................... 6
2.2 - DESCRIÇÕES DOS EQUIPAMENTOS DO ENSAIO SPT ................................. 8
2.3 - PROCEDIMENTOS DE ENSAIO E LOCAÇÃO DO FURO ............................... 11
2.4 - SPT-T (STANDARD PENETRATION TEST – COM MEDIÇÃO DE TORQUE) 14
2.5 - CLASSIFICAÇÕES DO SOLO SEGUNDO SUA COMPACIDADE OU
CONSISTÊNCIA À PENETRAÇÃO DO AMOSTRADOR-PADRÃO ......................... 16
2.6 - APLICAÇÕES DOS RESULTADOS OBTIDOS COM O ENSAIO SPT ............. 17
2.7 - VARIAÇÕES DE ENERGIA NO ENSAIO SPT, SUAS CAUSAS E
CONSEQUÊNCIAS ................................................................................................... 19
2.8 - EQUIPAMENTOS ............................................................................................. 21
2.9 – OPERADOR ..................................................................................................... 23
3 - CPT – CONE PENETRATION TEST ....................................................................... 24
3.1 - NORMATIZAÇÃO TÉCNICA – TIPOS DE ENSAIOS CPT ............................... 25
3.2 - APLICAÇÃO PRÁTICA DO ENSAIO ................................................................ 28
3.3 - DESCRIÇÃO DOS EQUIPAMENTOS .............................................................. 29
3.4 - REVISÕES E MANUTENÇÃO PREVENTIVA .................................................. 29
3.5 - CUIDADOS NA OPERAÇÃO ............................................................................ 30
4 – FUNDAÇÕES PROFUNDAS................................................................................... 31
4.1 – ESTACA HÉLICE CONTÍNUA ......................................................................... 32
4.1.1 - INTRODUÇÃO ............................................................................................. 32
4.1.2 - PROCESSO EXECUTIVO ........................................................................... 33
4.1.3 – PERFURAÇÃO ........................................................................................... 34
4.1.4 – CONCRETAGEM ........................................................................................ 35
4.1.5 - COLOCAÇÃO DA ARMADURA ................................................................... 36
4.1.6 - CARACTERÍSTICAS DA BOMBA................................................................ 38
4.1.7 – VANTAGENS .............................................................................................. 38
4.1.8 - DESVANTAGENS........................................................................................ 39
4.1.9 – EQUIPAMENTOS ....................................................................................... 39
4.1.10 - MONITORAMENTO DA EXECUÇÃO ........................................................ 40
4.1.11 - TOLERÂNCIAS QUANTO À EXCENTRICIDADE E DESAPRUMO .......... 40

1
4.1.12 - PATOLOGIAS CARACTERÍSTICAS ......................................................... 41
4.1.13 - ENSAIOS DE QUALIDADE ....................................................................... 41
4.2 - ESTACAS PRÉ-MOLDADAS DE CONCRETO ................................................ 42
4.2.1 - INTRODUÇÃO ............................................................................................. 42
4.2.2 - VANTAGENS ............................................................................................... 42
4.2.3 - DESVANTAGENS........................................................................................ 43
4.2.4 - UTILIZAÇÃO ................................................................................................ 43
4.2.5 - PROCEDIMENTOS EXECUTIVOS ............................................................. 45
5 – MÉTODOS DE CÁLCULOS DE CARGA................................................................. 47
5.1 - MÉTODOS DE PROVA DE CARGA ................................................................. 47
5.2 - MÉTODOS SEMI-EMPÍRICOS ......................................................................... 48
5.3 - MÉTODO AOKI - VELLOSO (1975) .................................................................. 50
5.3.1 CONTRIBUIÇÃO DE LAPROVITERA (1998) E BENEGAS (1993)................ 54
5.3.2 - CONTRIBUIÇÃO DE MONTEIRO (1997) .................................................... 56
5.4 - DECOURT – QUARESMA (1978) ..................................................................... 58
5.5 - MÉTODOS DE LOBO (2005) ............................................................................ 62
6 - LOCALIZAÇÃO DA ÁREA DE SONGAGEM............................................................ 67
7 – METODOLOGIA ...................................................................................................... 68
7.1 – CAPACIDADE DE CARGA POR ATRITO LATERAL E DE PONTA PARA
ESTACA HÉLICE CONTÍNUA PARA O PERFIL DE SONDAGEM SPT SETOR H
NORTE QNH – TAGUATINGA - DF.......................................................................... 68
7.2 – CAPACIDADE DE CARGA POR ATRITO LATERAL E DE PONTA PARA
ESTACA PRÉ-MOLDADE DE CONCRETO PARA O PERFIL DE SONDAGEM DO
SPT SETOR H NORTE QNH – TAGUATINGA – DF ................................................ 69
7.3 – CAPACIDADE DE CARGA POR ATRITO LATERAL E DE PONTA PARA
ESTACA HÉLICE CONTÍNUA PARA O PERFIL DE SONDAGEM DO SETOR DE
GARAGENS MINISTERIAL NORTE BRASÍLIA – DF ............................................... 71
7.3 – CAPACIDADE DE CARGA POR ATRITO LATERAL E DE PONTA PARA
ESTACA PRÉ-MOLDADA DE CONCRETO PARA O PERFIL DE SONDAGEM DO
SETOR DE GARAGENS MINISTERIAL NORTE BRASÍLIA – DF ............................ 74
8 - CONCLUSÃO........................................................................................................... 76
REFERENCIAS BIBLIOGRÁFICAS .............................................................................. 79
ORGANOGRAMA DO TRABALHO PROPOSTO.......................................................... 81
SONDAGEM REALIZADO NO SETOR H NORTE QNH – TAGUATINGA – DF ........... 82

2
SONDAGEM REALIZADO NO SETOR DE GARAGENS MINISTERIAL NORTE
BRASÍLIA – DF.............................................................................................................. 84

3
1 - INTRODUÇÃO

Na Engenharia de fundações o ensaio mais utilizado no Brasil é o SPT


(STANDART PENETRATION TEST), isto pelo seu baixo custo, sua simplicidade de
operação e execução e sua facilidade de aplicação para a estimativa da capacidade de
carga. Alguns métodos de estimativa de carga para fundações utilizam os parâmetros
como índice de resistência à penetração (NSPT) e a classificação do solo obtido através
do amostrador padrão. No Brasil, o ensaio SPT é normatizado pela NBR 6848 (2001) e
nos Estados Unidos, pela ASTM D – 1586-84 (1992). A pesquisa para a implantação
da norma europeia EC7 de fundações mostra a importância deste ensaio na Europa.

No Brasil ele foi introduzido pela Seção de Solos e Fundações do Instituto de


Pesquisas Tecnológicas (IPT – SÃO PAULO), no final da década de 30. A princípio o
IPT possuía seu próprio tipo de amostrador, denominado de “amostrador IPT”. Porém
com o passar do tempo, o meio técnico sentiu a necessidade de padronização do
ensaio, portanto esforços foram despendidos neste sentido, o qual é normatizado pela
NBR 6484 de 2001.

Na Europa, assim como nos E.U.A., o sistema é geralmente mecanizado, foi


estabelecido uma energia padrão de 60% (E60). A prática internacional sugere
normatizar o número de golpes com base no padrão americano de N60. No Brasil
vários pesquisadores quantificaram a energia de cravação variando de 60% a 80%.
Decourt et al (1989) em sua pesquisa determina uma energia média de 72%.
Cavalcante (2002), em sua tese de doutorado, realizou uma bateria de ensaios de
campo instrumentados, em duas cidades, Rio de Janeiro e João Pessoa, com
equipamentos e equipes distintas, ao final da pesquisa, sugere que a energia para uma
composição de hastes de até 14 m seja de 83%. (HERIBERTO PAGNUSSATTI;
ADAILTON ANTONIO DOS SANTOS, 2011).

Como ocorre em todos os ensaios de uso corrente, as empresas vão


incorporando mudanças no procedimento de cada ensaio que, com o passar do tempo,
constituem-se em variantes do respectivo método proposto pela norma então vigente
(BELINCANTA, 1998). Além destas mudanças, somam-se outros fatores que podem
influenciar no resultado final dos testes como a qualidade dos equipamentos, cuidados

4
nos procedimentos, erros nas contagens dos golpes e até o excesso de atrito entre as
peças do equipamento de sondagem criando assim uma falta de uniformidade dos
seus resultados. De nada adianta a utilização dos melhores recursos da eletrônica e
dos sofisticados programas para cálculos da capacidade de carga dos recalques das
fundações, se os dados de entrada forem obtidos de maneira grosseira e sem nenhum
controle (VELLOSO, 1998).

Isto traz dúvidas quanto à qualidade dos resultados obtidos por empresas que
executam os ensaios de SPT. Até que ponto, podemos confiar nos resultados obtidos,
realizados por empresas distintas em solos como as mesmas características. Qual o
nível de eficiência está sendo atingida pelos ensaios? A utilização correta do SPT pode
ser o passo primordial para a padronização dos ensaios.

Os métodos de AOKI & VELLOSO (1975) e DECOURT & QUARESMA (1978)


tomam como base o NSPT para estimativa da capacidade de carga de fundações
profundas. A eficiência dos métodos de cálculos está condicionada a qualidade na
execução e na energia de cravação do amostrador aplicada no ensaio de SPT. Com
base na pesquisa de ODEBRECHT (2003), LOBO (2005) apresenta em sua tese de
mestrado um novo método para estimar a capacidade de carga de estaca. O método
proposto por LOBO (2005) consiste em utilizar a força dinâmica (Fd) para estimar a
capacidade de carga de estacas, relacionando os mecanismos de mobilização da
resistência de ponta e lateral do amostrador, com os mecanismos da estaca.

1.1 - OBJETIVOS

O presente trabalho tem por objetivo fazer uma comparação entre os métodos
para estimativa de capacidade de carga de fundações profundas adotadas no Brasil.
Analisaremos os métodos baseados no NSPT, tais como, AOKI - VELLOSO (1975),
DECOURT - QUARESMA (1978) e LOBO (2005). Com base nestes métodos queremos
determinar a capacidade de carga, de dois tipos de estacas (pré-moldada de concreto
e Hélice contínua), implantadas no mesmo tipo de solo de fundação a partir do mesmo
NSPT.

5
2 – REVISÃO BIBLIOGRÁFICA

2.1 - SPT (STANDARD PENETRATION TEST)

A origem do ensaio de campo denominado de SPT surgiu nos Estados Unidos


em 1902, através de CHARLES R. GOW (BROOMS & FLODIN, 1988), na intenção de
melhorar o processo de reconhecimento do subsolo, necessário às fundações,
introduzindo uma “amostragem a seco”, pois até então as sondagens eram totalmente
feitas com processos de circulação de água. O amostrador idealizado por GOW
possuía um diâmetro de 25 mm, e era cravado no solo pela queda de um martelo de 50
kg. Nessa época ainda não se fazia a contagem do número de golpes necessários à
cravação do amostrador-padrão. Tal procedimento foi introduzido mais tarde em 1927
por H.A. MOHR, utilizando uma massa de 60 kg com altura de queda de
aproximadamente 0,75 m. O índice de resistência à penetração do solo correspondia
ao número de golpes necessários para a cravação de 0,30 m finais do amostrador no
solo, a partir do ponto em que o conjunto amostrador-hastes permanecesse
estabilizado sob seu próprio peso (HVORSLEV, 1949, APUD BORTOLUCCI, 1983,).

Outras modificações foram sendo introduzidas no ensaio, até que em 1947


surge o amostrador Raymond, o qual é utilizado até os dias de hoje. Com o passar do
tempo, gradualmente o ensaio proposto por GOW e modificado por seus sucessores, e
começou a ser utilizado em larga escala no mundo.

De acordo com relatos de TEIXEIRA (1974; 1993) e BELINCANTA (1998), o


SPT foi introduzido no Brasil no início de 1939 com a criação da Seção de Estruturas e
Fundações do IPT no ano de 1935. Em 1936 o engenheiro ODAIR GRILLO, viajou a
Universidade de Harvard, onde fez um curso com o PROF. H. A. MOHR, a quem se
credita a idealização da medida de resistência à penetração dinâmica em sondagens
com amostrador de 51 mm e 63,5 mm. Com o retorno do engenheiro ODAIR GRILLO
em 1938, impulsionou no IPT a criação da Seção de solos e Fundações (Vargas,
1989). Foi adotado nesta época, o revestimento de 51 mm de diâmetro para
sondagens, a partir do qual eram colhidas as amostras para exames de onde poderiam
ter suas estimativas e consistências. Naquela época, o índice de resistência à
penetração se constituía no número de golpes de um martelo de 600 N caindo de 0.75

6
m necessários à cravação do amostrador por 0,30 m no solo, a partir de seu apoio no
fundo da perfuração obtido com o peso do conjunto hastes-amostrador cabeça-de-
bater.

A partir da criação da primeira empresa particular de sondagens, a Geotécnica


S.A., no ano de 1944 por ODAIR GRILLI, OTELO MACHADO E RAIMUNDO
D’ARAÚJO COSTA, foi introduzido o amostrado de 41,3 mm e 25,4 mm de diâmetro
externo e interno, respectivamente. Por ter sido trazido dos Estados Unidos pelo
engenheiro H. A. MOHR, onde também era usado pelo RAYNOND CRONCRETE PILE
CO., nas sondagens com tubos revestidos de 2” de diâmetro, ele foi apelidado no Brasil
de amostrador Mohr-Geotécnica (Teixeira, 1974).

A revista Politécnica fez a primeira publicação no meio geotécnico brasileiro


sobre o SPT, de autoria do Prof. MILTON VARGAS, em Outubro de 1945. Intitulado “A
Exploração do Subsolo para fins de Estudos de Fundação”.

Muitos amostradores e diversos procedimentos até o meado dos anos 70 foram


utilizados para chegara a melhor opção que melhor adaptasse à realidade brasileira.
Em 1970 a Geotécnica e o IPT uniformizaram a utilização do amostrador Raymond em
51 mm de diâmetro externo. A Associação Paulista de Geologia lançou em 1971 uma
publicação intitulada “Diretrizes para a execução de sondagens – 1ª tentativa”, era o
início da normatização do ensaio SPT no Brasil.

A Associação Brasileira de Mecânica dos Solos lança em 1974, a proposta de


norma “Métodos de Execução de Sondagens de Simples Reconhecimento dos Solos”
amplamente discutida nos anos a seguir.

Finalmente, em 1977, a proposta de normas ABMS foi enviada à Associação


Brasileira de Normas Técnica - ABNT, para discursão e aprovação, oficializada em
1979, surgindo à primeira norma nacional de ensaio SPT a MB 1222 (1979),
posteriormente denominada NBR 6484/1980.

Em 2001, foi incorporada a esta norma a NBR 7250 (1982) intitulada


“Identificação e descrição de amostras de solos obtidas em sondagens de simples

7
reconhecimento dos solos”, criando se a NBR 6484 (2001), “Solo - Sondagens de
simples reconhecimento com SPT - Método de ensaio”, que é, atualmente, a norma
vigente no país.

A norma NBR 6484 (2001) traz inovações como, especificando a aparelhagem


que não existiam nas edições anteriores, processos de avanço de perfuração, métodos
para a observação do nível do lençol freático e observações sobre a apresentação
formal dos resultados. Permite fazer classificações das camadas de solos em função
dos valores de NSPT e prevê a utilização de dois tipos de martelo: o cilíndrico vazado e
o prismático dotado de pino-guia.

2.2 - DESCRIÇÕES DOS EQUIPAMENTOS DO ENSAIO SPT

O equipamento padrão para execução de sondagens à percussão com


circulação d’água compõe-se principalmente das seguintes peças: (CBR - ABPv -
FUNDESP).

- Torre desmontável, com quatro pernas de 5 m de comprimento, de tubo de


aço, sem costura, com 2” de diâmetro interno e 5 mm de espessura mínima de parede.
Acompanha a torre, sarilho e roldana. A roldana terá eixo de aço de 1” de diâmetro
sobre rolamento de esferas, Figura 2.
- Conjunto moto-bomba constituído por: bomba d’água com entrada e saída de
2”, com vazão mínima de 70 L/min, conjugada com motor à gasolina, diesel ou elétrico,
com potência da ordem de 6,5 CV e pressão também da ordem 70 Kg/cm 2, montado
sobre esquis e/ou rodas, acompanhado dos seguintes complementos:
- mangote de sucção de 1 1/2” de diâmetro, com 5,00 m de comprimento;
- mangueira de borracha com quatro (4) lonas de 1” de diâmetro interno com
7,00m de comprimento.
- Caixa ou reservatório d’água com capacidade de armazenar cerca de 200 l;
- Haste-guia (do peso batente), com 1” de diâmetro interno e 4 mm de espessura
mínima;
- De parede, com cerca de 1,12m de comprimento;
- Peso batente de 65 Kg; (Figura 1)

8
- Cabeça batente, com rosca especial, confeccionada em aço de 95% a 100%
de carbono por revestimento;
- Revestimento constituído por: tubo de aço, sem costura, para pressão, com 2
1/2” de diâmetro interno e 6mm de espessura mínima de parede, com rosca especial
em ambas extremidades, conforme descrição abaixo:
- Seção de 3,00 m;
- Seção de 2,00 m;
- Seção de 1,50 m;
- Seção de 1,00 m;
- Seção de 0,50 m;
- Duas sapatas cortantes, com rosca especial, confeccionada em aço de 95% a
100% de carbono;
- Cabeça batente, com rosca quadrada de uma entrada e três filetes por
polegada nas duas extremidades p/ haste;
- Hastes constituídas por: tubo de aço, sem costura, com 1” de diâmetro interno
e 4 mm de espessura mínima de parede, com rosca especial e peso 2,97 Kg/ml,
conforme descrição abaixo:
- Seção de 3,00 m - sete varas
- Seção de 2,00 m - cinco varas
- Seção de 1,00 m - três varas
- Seção de 0,50 m - duas varas
- Amostrador padrão bipartido longitudinalmente, tipo Raymond com 2” de
diâmetro externo e 1 3/8” de diâmetro interno, figura em anexo;
- Cruzeta de lavagem com entrada de 3/4” e saída de 1”;
- Lâmina de lavagem de 2” x 1/4”, soldada em tubo de aço, sem costura, com 1”
de diâmetro interno e 4 mm de espessura mínima de parede, com 0,5 m de
comprimento, com rosca comum para ser adaptada a tubo de 1”;
- Cruzeta de lavagem (tubo de 2 1/2” x 3” x 0,30m), com rosca especial para
descarga d’água, com luva para tubo de aço, sem costura, para pressão, de 2” de
diâmetro interno, soldada a 0,05m da rosca;
- Balde interno para tubo de 2”, para esgotar água do furo;
- Bomba de areia de sucção para tubo de 2”;
- Trado concha de 4” de diâmetro, com rosca comum, para adaptar em tubo de
1”;
- Trado helicoidal de 2” de diâmetro, com rosca comum, para adaptar em tubo
de1”;
9
- Braçadeira para sacar tubo de diâmetro externo, em chapa de 3/4”, com 3” de
largura e 0,70 m de comprimento;
- Ferramenta para sacar tubo de guia;
- Chave de grifa de 24”;
- Chave de grifa de 18”;
- Chave de alçar;
- Tenaz com corrente para tubo de 2 1/2” até 4” (tipo jacaré);
- Cabo de aço de 3/8" com 20,0 m;
- Escova de aço;
- Sacos plásticos pequenos para amostra individual;
- Saco plástico grande para coleção de amostra do furo;
- Etiquetas gomadas para identificação da amostra (furo, nº amostra,
penetração);
- Balde metálico com capacidade para 20 litros;
- Recipiente com capacidade de 20 litros para transporte de gasolina;
- Recipiente com capacidade de 10 litros para transporte de óleo lubrificante;
- Jogo de chave de boca de 1/4” até 1 1/2”;
- Trena de 20 m;
- Metro de madeira, de balcão;
- Mangueira de borracha transparente com 20 m, para nivelamento.

Figura 1- Vista da cabeça de bater do equipamento de sondagem.


(BELINCANTA, 2004).

10
Figura 2 - Vista geral de uma equipe de sondagem de simples reconhecimento com
ensaio SPT, (BELINCANTA, 2004)

2.3 - PROCEDIMENTOS DE ENSAIO E LOCAÇÃO DO FURO

Quando da sua locação, cada furo de sondagem (ver NBR 8036) deve ser
marcado com a cravação de um piquete de madeira ou material apropriado. Este
piquete deve ter gravada a identificação do furo e estar suficientemente cravado no
solo, servindo de referência de nível para a execução da sondagem e posterior
determinação de cota através de nivelamento topográfico. (NBR 6484/2001)

A sondagem deve se iniciada com o emprego do trado concha ou cavadeira


manual até uma profundidade de 1,00 m, sendo então revestido com um tubo metálico.
O amostrador-padrão, conectado ao sistema de hastes é colocado na guia e suspenso
numa cabeça de bater, sendo posicionado no furo de sondagem.

O martelo, conectado a uma haste guia, é suspenso pela corda de sisal, através
de uma roldana, e então é solto de uma altura de 0,75m, caindo sobre a cabeça de
bater, levando o amostrador-padrão a penetrar no solo. O martelo deve cair de forma
livre sem interferências para não haver perda de energia. O amostrador é cravado em
0,45 m de solo, contando-se o número de golpes necessários para a cravação do
amostrador-padrão em cada 0,15 m. São desprezados os golpes dos primeiros 0,15 m,
considerado como cravação inicial ou de assentamento. O número de golpes do
martelo necessários para a penetração do amostrador-padrão, na sequência, nos
próximos 0,30 m, é denominado de índice de resistência à penetração, NSPT. Este
11
número de golpes reflete a resistência do solo à penetração do amostrador-padrão. O
ensaio é repetido na sequência, ao longo da profundidade, a cada metro de perfuração.
(DANIEL FERMINO DA SILVA – 2008).

Após 1,00m, o trado utilizado para a perfuração é o trado helicoidal. Porém em


solos sem coesão, continua-se a escavação com o trado concha. Isto é feito até se
alcançar a cota desejada na sondagem ou até uma camada impenetrável, como por
exemplo, rocha alterada ou a própria rocha.

O amostrador-padrão é tubular e de parede grossa, permitindo a retirada


deformada de solo a cada metro de profundidade. As amostras recolhidas pelo
amostrador devem ser acondicionadas em recipientes herméticos e levadas para o
laboratório para a análise visual-táctil, e quando de interesse, para a realização de
ensaios de caracterização.

Caso se atingir o lençol d’água subterrâneo, ou uma camada de solo que


restrinja o avanço do trado helicoidal, substitui-se o processo de perfuração pela
perfuração com circulação de água. A Figura 2.3 mostra o trépano de perfuração,
recomendado na NBR 6484/2001 e a parte dos tubos de circulação de água.

Este processo necessita de um conjunto motobomba e uma caixa de água com


divisória para decantação dos sólidos trazidos pela circulação de água. A motobomba é
conectada ao conjunto de hastes, injetando água dentro do furo de sondagem através
do revestimento. A água injetada chega ao fundo do furo de sondagem e retorna à
superfície trazendo os detritos provenientes da desagregação do solo. Esta água de
lavagem que retorna à superfície é depositada na caixa de água, onde o material
trazido por ela é decantado. Ao se atingir a próxima cota onde será determinado o valor
de NSPT, retira-se o trépano e então é inserido o amostrador-padrão repetindo-se o
procedimento já descrito anteriormente, quando da realização do ensaio. (DANIEL
FERMINO DA SILVA, 2008).

As Figuras 4 e 5 retratam sucintamente os equipamentos e processos descritos


anteriormente.

12
Figura 3 - Tubo de circulação de água e trépano de perfuração recomendados pela
NBR 6.484/2001, (MODIFICADO DE BELINCANTA, 2004)

Figura 4 - Trépano com circulação d´água. (BELINCANTA, 2004)

Figura 5 - Procedimento de perfuração com uso de circulação d´água, motobomba e


trépano. (BELINCANTA, 2004)

13
2.4 - SPT-T (STANDARD PENETRATION TEST – COM MEDIÇÃO DE TORQUE)

Segundo DÉCOURT (1998) a sugestão de se medir o torque após a execução


do Standard Penetration Test (SPT) foi feita por RANZINI (1988), e consiste na medida
após a cravação do barrilete amostrador padrão Raymond, do momento de torção do
referido amostrador, conforme RANZINI, UR ALONSO E L. DÉCOURT, publicada no
número 511 da revista “Engenharia” de S.Paulo. (CBR - ABPv – FUNDESP).

O mesmo autor afirma ainda que a introdução desse ensaio na rotina dos
serviços de sondagem assim como o estabelecimento das regras básicas para sua
interpretação é obra de DECOURT - QUARESMA FILHO (1991 - 1994). A medição do
torque necessário para se vencer a aderência (atrito) do amostrador-padrão com o solo
que o envolve, logo após a sua cravação no ensaio do SPT, obtendo com isto um
parâmetro útil à estimativa da resistência lateral das fundações por estacas. O aparelho
usado para tal é o torquímetro, figura 6 e 7, juntamente com todo o restante do
equipamento necessário ao SPT (Figura 2).

Aplica-se à haste uma torção, medindo, por meio de um torquímetro usado como
braço de alavanca e mantido na horizontal, o momento de torção máximo necessário à
rotação do amostrador, para obter, assim, uma medida da resistência lateral.

Na rotação que se aplica ao amostrador por meio de um torquímetro pode-se


medir um torque máximo, que define a tensão de atrito lateral (fs máxima) e o torque
residual, que define a tensão de atrito lateral mínima (fs residual) após o
remodelamento da película de solo na interface com o amostrador.

A relação existente entre o valor do torque, medido em Kgf.m, pelo valor N do


SPT (T/N). O estabelecimento de correlações estatísticas entre o valor do torque (T),
medido em Kgf.m, e o valor de resistência à penetração N, permite uma nova
classificação de solos, que desempenha um papel fundamental na estrutura destes
solos. (CBR - ABPv – FUNDESP).

A partir do conhecimento das propriedades e parâmetros geotécnicos, dos solos


da bacia sedimentar terciária do estado de S. Paulo, os autores admitiram que, a

14
relação T/N é aproximadamente 1,2. A partir daí, DECOURT (1996) propôs que se
definisse a equivalência entre o SPT e o SPT-T, como sendo o valor do torque T (Kgf.
m) dividido por 1,2, tendo por base o conceito de N equivalente (Neq.). (CBR - ABPv –
FUNDESP).

Entretanto, deve-se frisar que, a sua utilização deverá ser feita com muita
cautela. As comprovações existentes estão muito longe de se constituir numa prova
definitiva de ampla aplicabilidade, a partir da premissa estabelecida, para os solos da
BST SP (Bacia Sedimentar Terciária de S. Paulo). (CBR - ABPv – FUNDESP).

Outra forma de interpretar e de utilizar os valores do torque seria através de


correlações diretas "entre o atrito unitário de estacas e o atrito unitário amostrador-
solo", ALONSO, U.R . "Correlações entre o atrito lateral medido com o torque e o SPT",
dezembro 1994, segundo Fundações - Teoria e Prática - ABNT / ABEF, 2ª edição.
(CBR - ABPv – FUNDESP).

Figura 6 - Torquímetro sendo utilizado logo após o ensaio SPT.


(BELINCANT, 2004)

Figura 7 - Torquímetro utilizado em ensaios SPT-T. (BELINCANTA, 2004)

15
2.5 - CLASSIFICAÇÕES DO SOLO SEGUNDO SUA COMPACIDADE OU
CONSISTÊNCIA À PENETRAÇÃO DO AMOSTRADOR-PADRÃO

O solo que está sendo penetrado pelo amostrador-padrão pode ser classificado
segundo o número de NSPT necessário ao amostrador para penetração referente ao
ensaio SPT, como mostra a Tabela 1, da NBR 6484/2001.

Tabela 1- Classificação do solo segundo a compacidade ou consistência de acordo


com o NSPT, (NBR 6484/2001). Classificação do solo segundo a compacidade ou
consistência de acordo com o NSPT, (NBR 6484/2001).
Areias

Número de Golpes Grau de Compacidade


(NSPT)
0–4 Fofa
5–8 Pouco Compacta
9 – 18 Medianamente Compacta
19 – 40 Compacta
>40 Muito compacta

Argilas

Número de Golpes Graus de Consistência

(NSPT)
0–2 Muito mole
3–5 Mole
6 – 10 Média
11 – 19 Rija
>19 Dura

16
2.6 - APLICAÇÕES DOS RESULTADOS OBTIDOS COM O ENSAIO SPT

Sendo o ensaio geotécnico de campo mais popular do mundo, o SPT adquiriu


diversas aplicações partindo de amostragem de solo para simples classificação táctil
visual, passando por estimativas de propriedades geomecânicas, até correlações com
resultados de outros ensaios geotécnicos. Por conta desta grande popularidade,
SCHNAID (2002) alerta para a “pouca racionalidade de alguns métodos de uso e
interpretação” dos resultados do ensaio.

Com os dados obtidos na sondagem SPT é possível classificar o solo das zonas
de estudos, a espessura de cada camada e as suas unidades geotécnicas entre elas:
Aterro e matéria orgânica; Areia fina e grossa com ou sem pedregulhos; Areia siltosa;
areia silto-argilosa; Argila siltosa; e Turfa. Com esses perfis de sondagem SPT,
também é possível determinar, além da sua estratigrafia, o NSPT máximo e o mínimo,
as unidades geotécnicas características e o nível d’água (quando existente) presente
para cada zona estudada. Desse modo, conseguimos traçar um perfil geotécnico
característico de cada zona estudada.

A figura 8 é apresentada um perfil estratigráfico do solo a partir dos dados


coletados no ensaio de SPT.

17
Figura 8 - Exemplo de relatório de sondagem do tipo SPT.
(TOPGEO ENGENHARIA - 2009)

18
2.7 - VARIAÇÕES DE ENERGIA NO ENSAIO SPT, SUAS CAUSAS E
CONSEQUÊNCIAS

Um aspecto importante a ser analisado e a quantidade de energia transmitida


pelo sistema ao conjunto hastes-amostrador. A energia potencial gravitacional do
martelo e o produto de três grandezas sendo elas, a massa do martelo mais o coxim,
altura de queda e aceleração local da gravidade. Para se determinar a aceleração local
da gravidade em cada ponto seria necessário o uso de algum instrumento como o
gravímetro, usado nas ciências geodésicas. Porem, para facilitar o cálculo, esta
variável pode ser tomado como constante e de valor 9,81 m/s2. Assim a energia
potencial gravitacional do martelo seria aproximadamente:

(Eq. 2.1)
( )

Onde:
ξ - energia nominal do SPT em Joules;
Pm - Peso do martelo padrão em Newton;
Hq - Altura de queda padrão do martelo em metros.

FAIRHURST (1961), apud SCHMERTMANN & PALACIOS (1979), descreve que


no caso do SPT, numa situação ideal o que acontece decorrente do impacto de dois
materiais semelhantes e que a onda de compressão, proveniente do impacto do
martelo sobre a cabeça de bater acoplada no topo do conjunto de hastes, viaja com a
mesma velocidade em ambas as pecas, descendo nas hastes e ascendendo no
martelo, onde ha também reflexão da onda de tensão ascendente nas hastes. Apos a
primeira onda de compressão nas hastes ocorre um tipo de reflexão de modo que uma
onda sobe de volta ate o topo da composição, no ponto de contato com o martelo, onde
ha também uma reflexão da onda de tensão ascendente na haste. Este processo
continua ate que as ondas de tensão se reduzam a zero. SCHMERTMANN &
PALACIOS (1979) comentam que a penetração ocorre de maneira praticamente
instantânea, com 90% dela se processando em menos do que 50 m/sec, e que
impactos subsequentes (repique) ocorrem tão tarde que não aumentam a penetração

19
significativamente. Assim, segundo estes autores, as ondas que viajam pelas hastes
indo e vindo apos o impacto do martelo não produzem penetração adicional
significativa.

Nem toda a energia potencial gravitacional gerada pelo sistema e transmitida ao


conjunto hastes-amostrador sobre forma de energia dinâmica, isto por conta de perdas
por atrito da corda de sisal, estado do sistema hastes-amostrador, etc. (BELINCANTA,
2004 E SCHNAID, 2002).

Diversos autores tem estudado a diferença entre a quantidade de energia


gerada e a quantidade de energia transmitida ao sistema de hastes, e mesmo ao
amostrador. Em 1977 KOVACS ET AL, APUD BELINCANTA (2004), apresentaram
medidas de energia cinética do martelo no instante do impacto, mostrando que a
variação da citada energia pode aumentar o valor de NSPT em ate três vezes. Estes
valores foram mais tarde confirmados por estudos feitos por SCHMERTMANN &
PALACIOS (1979).

Comprovado também e o fato de que o comprimento das hastes também


influencia nos valores obtidos de NSPT. ODEBRECHT ET AL (2004) relata um estudo a
respeito da transferência de energia potencial gravitacional do martelo em três pontos
diferentes: no coxim, no meio da composição de hastes e na ponta do amostrador.
Através das analises experimentais e analíticas, em ensaios SPT realizados em
camarás de calibração, estes autores chegaram as seguintes conclusões:

- Quanto maior o comprimento do conjunto de hastes, maior será a energia


transmitida ao amostrador-solo.

- A eficiência é diretamente proporcional a três fatores, sendo que o terceiro


deles (η3) e inversamente proporcional ao comprimento do conjunto de hastes. Ainda
com a perda de parte da energia potencial, uma parcela considerável é transmitida ao
amostrador-padrão. Por causa de sua elevada energia de cravação, o ensaio SPT não
e recomendado para solos moles. O SPT não e exatamente capaz de refletir o
comportamento de solos moles, já que a estrutura de tais solos e demasiadamente
sensível a energia empregada pelo ensaio. DECOURT (1989), apud BELINCANTA

20
(2004), relata que segundo suas pesquisas, o valor de eficiência dos equipamentos de
SPT brasileiro seriam de 72%. Desde então este o valor (ou exatos 70%) tem sido
utilizados pelo meio técnico e acadêmico como valor de referencia. Nos Estados
Unidos e na Europa, por conta do acionamento automático do equipamento de SPT, a
eficiência gira em torno de 60%. Quanto maior a eficiência de um determinado
equipamento, menor será o numero de golpes necessários para cravação do
amostrador-padrão se comparado a outro equipamento de SPT com menor eficiência.

2.8 - EQUIPAMENTOS

Muitos são os erros apresentados por falta de uma maior uniformidade e


padronização do equipamento. Diversos são os fatores físicos capazes de alterar os
resultados do SPT, como por exemplo:
- Uso ou ausência de coxim e cabeça de bater;
- Variação do diâmetro, razão da área projetada, rugosidade das paredes
internas e externas, forma de corte da sapata e forma das aberturas de alívio do
amostrador-padrão, HVORSLEV (1949), apud BELINCANTA (1998).
- Acionamento com corda de sisal ou cabo de aço;
- Acionamento manual ou automático;
- Utilização ou não de roldana móvel;
- Variação do tipo de martelo utilizado;

BELINCANTA (1998) desenvolveu um trabalho pioneiro no Brasil analisando a


influência das variantes do equipamento de SPT sobre os resultados do ensaio.

A Tabela 2 apresenta dados sobre a influência do tipo de martelo nos resultados.


A composição de hastes era de 14 m, com uso de martelo com coxim de madeira e
cabeça de bater de 3,6 kg. Já a Tabela 3 retrata as eficiências medidas decorrente do
uso de coxim, para composição de 14 m de comprimento, martelo com pino guia e
cabeça de bater de 3,6 kg. Por fim a Tabela 4 retrata a influência decorrente da massa
da cabeça de bater, para composição de 14 m de comprimento e martelo cilíndrico com
coxim de madeira.

21
Tabela 2 - Influência do tipo de martelo, para composição de 14 m de comprimento,
martelo com coxim de madeira e cabeça de bater de 3,6 kg. BELINCANTA (1998),
apud SCHNAID 2002, modificada.

Eficiência das Energias

Estado Acionamento Manual Acionamento com Gatilho

Equipamentos da Desv. 1 Desv. 1


Média Nº de CV Média Nº de CV
composição Padrão Padrão
(%) casos (%) (%) Casos (%)
(%) (%)
Martelo
cilíndrico com Velha 69,4 178 3,59 5,3 75,5 195 2,95 3,9
pino guia.
Acionamento
Nova 72,7 153 3,59 4,9 81,3 90 3,98 4,9
com corda
Martelo
cilíndrico com Velha
63,2 45 4,78 7,6 74,4 23 2,23 3,0
pino guia.
Acionado por
cabo de aço 73,9 54 3,43 4,6 83,2 26 2,52 3,0
Nova

Martelo
cilíndrico
vazado,
Nova 66,5 50 3,74 5,6 74,2 39 5,30 71
acionado com
corda.
1:
Coeficiente de Variação

Tabela 3 - Influência decorrente do uso de coxim, para composição de 14 m de


comprimento, martelo com pino guia e cabeça de bater de 3,6 kg. Belincanta (1998),
apud Schnaid 2002, modificada.

Eficiência das Energias

Acionamento Manual Acionamento com Gatilho


Sondagem Uso do
Desv. 1 Desv. 1
coxim Média Nº de CV Média Nº de CV
Padrão Padrão
(%) casos (%) (%) Casos (%)
(%) (%)

Não 72,8 111 3,62 5,0 - - - -


Local 1
Sim 71,0 104 3,56 5,0 - - - -

Não - - - - 76,1 9 4,54 6.0


Local 2
Sim 66,7 51 2,73 4,1 75,5 195 2,95 3,9
1:
Coeficiente de variação.

22
Tabela 4 - Influência decorrente da massa da cabeça de bater, para composição de
14m de comprimento, martelo cilíndrico com coxim de madeira. BELINCANTA (1998),
apud SCHNAID 2002, modificada.

Eficiência das Energias

Acionamento Manual Acionamento com Gatilho


Sondagem Cabeça
Desv. 1 Desv. 1
de Média Nº de CV Média Nº de CV
Padrão Padrão
Bater (%) casos (%) (%) Casos (%)
(%) (%)

1,3 66,7 51 2,73 4,1 78,5 13 2,04 2,6


Local 1
3,6 75,5 195 2,95 3,9
Local 2
14,0 66,4 23 1,70 2,6
1:
Coeficiente de variação.

Percebe-se, pelas Tabelas 2, 3 e 4, que fatores como condições da composição


de hastes (velha ou nova), tipo do acionamento (manual ou com gatilho), uso ou não do
coxim e massa da cabeça de bater influenciam na energia total transmitida ao
amostrador-padrão e, consequentemente, no número de golpes lidos em determinado
ensaio.

Outra crítica feita ao equipamento de SPT é o fato da área do amostrador-


padrão em contato com o solo, durante a execução do ensaio, variar desde 0 cm2 até
50 cm2, ou seja, ocorre uma alteração considerável de resistência ao atrito lateral do
sistema amostrador-solo durante o ensaio (NILSSON, 2004). Em alguns tipos de solo
com baixa permeabilidade e que se encontram abaixo do aquífero freático, o
equipamento do ensaio SPT pode demonstrar outra deficiência. Apesar do amostrador-
padrão permitir que a água intersticial seja drenada durante a cravação, a área de
influência do solo próximo ao amostrador é grande. Assim, ao se aplicar o golpe no
amostrador, parte da carga vai para a água intersticial (já que ela não tem tempo
suficiente para ser drenada), aumentado de forma irreal o valor do N SPT, (NILSSON
2004).

2.9 – OPERADOR

Outras causas responsáveis por grande variabilidades nos resultados de ensaios


SPT são os fatores humanos, como o operador do equipamento. Imprecisões humanas
23
e a falta de conhecimento e entendimento da responsabilidade a respeito do trabalho
de sondagem e seus resultados, são apontados como alguns motivos da variabilidade
proveniente do fator humano (MELLO, 1971).

3 - CPT – CONE PENETRATION TEST

O SPT tem tido a preferência dos projetistas devido à facilidade de execução do


ensaio, a abundância de correlações paramétricas para os diversos tipos de solos, e a
grande experiência acumulada desde o lançamento deste ensaio em 1936
(FERREIRA, 1998).

Na década de 80 aparece, no cenário comercial dos ensaios geotécnicos de


campo, o ensaio de cone CPT. Até então, desde o seu lançamento em 1940 na
Holanda, este ensaio era realizado apenas em projetos especiais e em atividades de
pesquisa tecnológica na área geotécnica.

Apesar de serem dois ensaios contemporâneos, a preferência dada ao SPT


fundamenta-se na simplicidade tecnológica do equipamento e o fato de possibilitar ao
projetista o contato físico com uma amostra deformada do solo, independente da
profundidade em que este se encontre.

O desenvolvimento tecnológico industrial internacional, particularmente o


italiano, possibilitou a simplificação e o barateamento do equipamento de cravação do
cone, embora seu custo ainda represente de cinco a oito vezes o custo do
equipamento usado no ensaio SPT (PAGANI, 2003).

Por outro lado, o fato do ensaio CPT não coletar amostra, foi aos poucos sendo
assimilado pelos projetistas, pois a resistência de ponta do cone era medida de 20 em
20 cm, o que resultava em um número de informações cinco vezes maior do que se
obtinha pelo SPT. O ensaio de cone possibilitava, por exemplo, que pequenas
camadas drenantes fossem identificadas no interior de uma camada argilosa, as quais
confeririam ao solo um comportamento mais favorável em relação ao projeto em
questão, principalmente no tocante as suas propriedades de deformabilidade e de
compressibilidade.

24
Nos últimos 20 anos o ensaio de cone tem se disseminado de forma irreversível
no mercado dos ensaios geotécnicos de campo, a despeito da relutância de muitos
projetistas, acostumados com o conforto das correlações dos parâmetros do solo com
o número de golpes do SPT. Pode-se dizer que o ensaio de cone é tecnologicamente
mais avançado que o ensaio SPT, possibilitando uma maior qualidade das informações
do subsolo e uma maior produtividade comercial.

O ensaio CPT consiste da cravação estática de uma ponteira cónica (de ângulo
apical de 60º) com secção transversal normalmente de 10 cm 2, (ou 15 cm2), a
velocidade constante (20 ± 5 mm/s), medindo-se a força necessária à referida
cravação, que compreende duas parcelas de resistência, uma de ponta e outra relativa
ao atrito lateral.

3.1 - NORMATIZAÇÃO TÉCNICA – TIPOS DE ENSAIOS CPT

O ensaio CPT é normalizado pela ABNT através do MB 3406/ 1991 (ABNT,


1991). Pela norma são apresentados quatro tipos de ensaios CPT: Ponteira mecânica
de cone; Ponteira mecânica de cone-atrito; Ponteira elétrica de cone e Ponteira
elétrica de cone-atrito. Na prática comercial de ensaios CPT, apenas dois estão
disponíveis: Ensaio de cone - CPT Mecânico e Ensaio de cone – CPT Elétrico. Existe
ainda comercialmente o ensaio de cone dinâmico leve e pesado. Ambos utilizam uma
ponteira cônica diferente daquelas especificadas pelo MB 3406 /1991 e utilizam golpes
de martelo para a sua cravação. Além destes ainda existe o cone africano utilizado na
área rodoviária.

Nesta revisão bibliográfica, faremos referência apenas ao CPT Mecânico e o ao


CPT Elétrico.

Nos E.U.A é normatizado pela ASTM - D1586-58 (1958). Standart method for
penetration test and split barrel sampling of soil.

- ENSAIO CPT MECÂNICO: É um ensaio geotécnico de campo realizado com um


equipamento de cravação operado hidraulicamente, que permite a colocação de hastes
de 1m de comprimento, marcadas de 20 em 20 cm, nas quais está acoplada uma
25
ponteira mecânica cone-atrito que possibilita a leitura independente da resistência a
penetração da ponta cônica denominada de resistência de ponta qc [Mpa]; e a
resistência a penetração total denominada de resistência de cone-atrito, da qual por
subtração se obtém a resistência da luva cilíndrica de atrito, denominada de resistência
de atrito lateral fs [KPa], demostrado na figura 9.

Figura 9 - Cone Mecânico (Penetrômetros para CPT – BEGEMANN)

- ENSAIO CPT ELÉTRICO: É um ensaio geotécnico de campo realizado com um


equipamento de cravação operado hidraulicamente, que permite a colocação de hastes
de 1 m de comprimento nas quais está acoplada uma ponteira elétrica cone-atrito
contendo um elemento poroso localizado na parte cilíndrica da ponteira, justaposta a
base da ponta cônica e seguida da luva de atrito, que possibilita a leitura independente
da resistência de ponta qc [Mpa]; da resistência de atrito lateral fs [KPa]; e da poro-
pressão durante a penetração da ponteira, denominada de pressão neutra u [KPa].

26
Figura 10 - Cone Elétrico (PENETRÔMETROS PARA CPT – BEGEMANN)

As dimensões para a fabricação das ponteiras mecânica e elétrica encontram-se


na norma MB 3406 /1991, porém não incluindo o elemento poroso na ponteira elétrica.

Figura 11 - (PENETRÔMETROS PARA CPT – BEGEMANN)

27
3.2 - APLICAÇÃO PRÁTICA DO ENSAIO

O ensaio CPT Mecânico é usado na construção de obras civis, reformas e


ampliações, aprofundamento de levantamentos geotécnicos, pesquisas tecnológicas na
área de geotécnica, etc. Sua execução pode se dar em terra firme ou em terrenos sob
lâmina d’água de qualquer espessura.

A princípio pode-se dizer que o ensaio CPT Mecânico não tem limitações quanto
a profundidade do ensaio. Profundidades maiores que 30 m com ou sem lâmina d’água
poderão exigir controles especiais, tais como o controle da verticalidade usando
pêndulos magnéticos.

- Equipamento de cravação dotado de bomba hidráulica com um curso do


macaco suficiente para usar tubos externos com 1 m de comprimento, com um
mecanismo de reação (parafusos helicoidais ou lastro) que garanta a capacidade
máxima de força sobre os tubos externos e com célula de carga para a medição da
força de cravação da ponteira. O uso de sistema de aquisição automática de dados é
opcional.

- Tubos externos retilíneos com 34,8 a 36 mm de diâmetro externo, com emenda


interna através de rosca cônica grossa, e com diâmetro interno suficiente para
possibilitar o movimento das hastes internas.
- Hastes internas de 1m de comprimento, retilíneas e lubrificadas, com diâmetro
suficiente para não sofrer flambagem para comprimentos até 30 m. O contato entre as
hastes é por justaposição de topo.
- Calço com 4 cm de comprimento, com igual diâmetro das hastes internas,
usado para possibilitar o avanço independente da ponta cônica da ponteira.
- Medidor do nível d’água.
- Chaves para tubos de 457 mm (18”).
- Ponteira sobressalente para o caso de acidentes durante o ensaio.
- Ferramenta saca-tubo.
- Cabeça centralizadora para aplicação da carga de cravação da ponteira.
- Ferramentas e acessórios diversos.

28
3.3 - DESCRIÇÃO DOS EQUIPAMENTOS

A descrição dos equipamentos segue a orientação da norma ABNT MB 3406/


1991. As seguintes exigências precisarão ser atendidas:

- O equipamento de cravação precisa garantir o atingimento de sua carga limite,


usualmente de 100 KN ou de 200 KN para equipamentos mais robustos.

- A célula de carga montada no equipamento de cravação deverá permitir


leituras visuais. A aquisição automática das leituras é sempre desejável, porém em
caso de pane deverá possibilitar a aquisição manual das leituras.
- As dimensões da ponteira estão definidas na norma ABNT MB 3406/ 1991

Os equipamentos do ensaio CPT Mecânico precisam ser inspecionados a cada ensaio,


nos seguintes itens:

- Aumento da rugosidade na superfície da ponteira.

- Ocorrência de danos físicos na ponteira.


- Verificação e teste do sistema de medição dos esforços (célula de carga).
- Linearidade e rugosidade dos tubos externos e conveniência do uso de algum
sistema de eliminação do atrito com o solo, durante a cravação da ponteira.
- Posicionamento do equipamento de cravação de maneira a garantir o
nivelamento horizontal em duas direções ortogonais para garantir a verticalidade dos
tubos externos.
- Eliminação do atrito entre a haste interna e as paredes internas do tubo externo
(lubrificação).

3.4 - REVISÕES E MANUTENÇÃO PREVENTIVA

Os equipamentos do ensaio CPT Mecânico precisam sofrer revisões e


manutenção nas seguintes partes:

- Sistema hidráulico de cravação: Devem ser observados vazamentos no


sistema hidráulico e o rendimento da bomba hidráulica e do equipamento como um
todo, durante o ensaio.

- Rugosidade e danos na ponteira.

29
- Linearidade e rugosidade dos tubos externos.
- Atrito entre a haste interna e as paredes internas do tubo externo.
- Sistema de medição de força (célula de carga).

3.5 - CUIDADOS NA OPERAÇÃO

A execução do ensaio CPT Mecânico exige os seguintes cuidados:

- Funcionamento do sistema hidráulico sem sobrecarga.

- Evitar quebra e/ou danos na ponteira forçando sua cravação.


- Evitar ao máximo o atrito entre os tubos externos e o solo.
- Eliminar o atrito entre as hastes internas e a parede interna dos tubos externos.
- Garantir uma operação de retirada dos tubos externos com limpeza e sem
acidentes.
- Garantir uma adequada ancoragem ou lastreamento do equipamento de
cravação.
- Garantir o nivelamento horizontal em duas direções do equipamento de
cravação.
- Manter o local do ensaio limpo e livre de interferências que possam dificultar o
manuseio das ferramentas e dos equipamentos, evitando acidentes.
O ensaio é simples e consiste na cravação no solo de uma ponteira cônica (60º
de ápice) com velocidade constante de 20 mm/s. Podemos obter as seguintes medidas
durante a cravação da ponteira no solo.
- Resistência de ponta (qc);
- Resistência lateral (fs);
- Poro-pressão gerada (u), no caso de peizocone.

A grande vantagem na utilização do piezocone consiste na possibilidade de


correção da resistência total mobilizada durante o processo de cravação a partir do
conhecimento das poro-pressões geradas.

Os resultados dos ensaios de cone são apresentados conforme mostrado a


figura 6 onde as medidas da Resistência de ponta (qc) e resistência lateral (fs) e o valor
de Rf são apresentados em função da profundidade. O parâmetro Rf, denominado de
razão de atrito é calculado por meio da expressão:
30
(Eq. 3.1)

Figura 12 - Resultado típico de uma sondagem RCPTU (DANIEL ET AL., 1999)

4 – FUNDAÇÕES PROFUNDAS

Elementos Estrutural esbelto que, colocado ou moldado no solo por cravação


ou perfuração, tem a finalidade de transmitir cargas ao solo, seja pela resistência sub
sua extremidade inferior (resistência de ponta ou de base), seja pela resistência ao
longo de sua superfície lateral (resistência de fuste) ou por uma combinação das duas.
(GEOTECNIA DE FUNDAÇÕES - PROF. M. MARANGON)

Quanto ao material, as estacas podem ser:


- Madeira;
- Metal;
- Concreto.

31
Neste último item, incluem-se as estacas pré-moldadas, as Strauss, as do tipo
Franki e as estacas escavadas (com ou sem o emprego de lama bentonítica). Neste
trabalho, abordaremos apenas as estacas de Concreto pré-moldado e estacas Hélice
contínua.

4.1 – ESTACA HÉLICE CONTÍNUA

4.1.1 - INTRODUÇÃO

O emprego de estacas executadas com trado hélice contínua surgiu na década


de 1950 nos Estados Unidos. Com equipamentos constituídos de guindastes de torre
acoplada, dotados de mesa perfuradora que executavam estacas com diâmetros entre
0,27 m, 0,30 m e 0,40 m. Na década de 1970, este sistema, foi introduzido na
Alemanha espalhando-se pelo resto da Europa e Japão (Penna et. al., 1999). Tiveram
um grande desenvolvimento a partir da década de 1980 nos Estados Unidos, Japão e
Europa, inicialmente com equipamentos adaptados para a sua execução e,
posteriormente, com equipamentos apropriados e específicos para a execução destas
estacas. No Brasil as estacas hélice contínua estão sendo utilizadas desde 1987, com
uma ampla utilização e divulgação no segmento da construção civil, sendo hoje uma
solução alternativa em praticamente todas as obras que utilizam estacas com
comprimento de até 34 m, graças a sua rapidez executiva, preço competitivo e baixo
nível de barulho e vibrações, pois podem ser utilizadas em qualquer tipo de solo e em
alguns casos é também uma solução alternativa para as fundações em sapatas e em
tubulões a céu aberto. Com a aquisição de equipamentos importados com maior força
de arranque e com torques de até 85 kN.m, possibilitou-se a execução de estacas de
até 800 mm de diâmetro com comprimento máximo de 24 m. Sendo hoje em dia
possível executar estacas com 1.200 mm de diâmetro e 32 metros de comprimento. E
com a evolução crescente dos equipamentos, a gama de opções de diâmetros e
profundidades tende a aumentar. Chega ao Brasil em 2002 o primeiro equipamento
para a execução de estaca tipo hélice contínua com trado segmentada assim nomeada
“hélice segmentada”. Uma perfuratriz de dimensões e peso reduzido, podendo
executar estacas com 0,25, 0,30, 0,35, 0,40 e 0,50 m de diâmetro com carga de 300 a
1.200 kN em locas com espaço reduzido e pé direito de 7,50 m podendo executar
estacas com diâmetro de até 0,35 m de divisas, se tornando um atrativo para os
projetistas e construtores.
32
Figura 13 – Equipamento para execução da Estaca tipo Hélice Contínuo monitorado –
(FUNDEX) - (Arquivo pessoal)

4.1.2 - PROCESSO EXECUTIVO

A Estaca Hélice Contínua (CONTINUOS FLIGHT AUGER – CFA) é uma estaca


de concreto moldada “in-loco”, onde podemos dividir sua execução em três etapas
distintas: perfuração do terreno, concretagem simultânea a extração da hélice do
terreno, e Colocação da armadura, onde e ilustrado a sequencia de execução na
Figura 14.

33
Figura 14 – Etapas de execução de uma estaca Hélice Contínua monitorada –
(BRASFOND, 2001)
4.1.3 – PERFURAÇÃO

A perfuração é realizada por cravação da hélice no terreno por rotação, com um


torque apropriado para que a hélice vença a resistência do solo, alcançando a
profundidade determinada em projeto. A perfuração é executada sem que em nenhum
momento a hélice seja retirada do furo. O torque é aplicado por meio de uma mesa
rotativa situada no topo da hélice. A haste de perfuração é constituída da hélice espiral,
responsável pela retirada de solo, e um tubo central solidarizado a esta hélice. A hélice
é dotada de dentes em sua extremidade inferior que auxiliam a sua penetração no solo.
Em terrenos mais resistentes, esses dentes podem ser substituídos por pontas de
vídia. Para que não haja, durante a fase de perfuração, entrada de solo ou água na
haste tubular, existe na face inferior da hélice uma tampa metálica provisória que é
expulsa na concretagem. Esta tampa geralmente é recuperável. Durante a perfuração
única força que atua sobre a hélice é o seu peso próprio com o solo contido nela.
Eventualmente, uma força de “pull-down” na escavação é acionada. De um modo geral
a perfuração com o equipamento hélice continua é possível em solos com SPT
(Standart Penetration Test) máximo de 50. Nesta etapa, procura-se retirar o menor
volume de terra possível, minimizando o desconfinamento do solo na interface trado-
solo. Isto se consegue, na maioria dos casos controlando-se o avanço. Em função do
terreno a ser perfurado, devido às razões explicitas, deve se tomar cuidado

34
especialmente na hora de se escolher o trado. Segundo Penna Et. Al. (1999) as
características mais importantes do trado são o tipo e inclinação da lâmina de corte
colocada na sua ponta, passo da hélice e a inclinação da hélice em relação a vertical.
Estas características vão influir na velocidade de perfuração, na capacidade de
atravessar camadas resistentes e na maior ou menor retirada de solo durante a
descida do trado.

4.1.4 – CONCRETAGEM

Atingida a profundidade desejada, inicia-se a concretagem da estaca, por


bombeamento do concreto pelo interior da haste tubular. Para o início dos trabalhos de
bombeamento de concreto, é necessária a lubrificação da rede, para permitir a fluência
do concreto. Essa lubrificação é efetuada bombeando-se inicialmente uma mistura de
dois sacos de cimento em 200 litros de água, formando a calda de lubrificação. Quando
essa calda é lançada no “cocho” de concreto ela se mistura ao óleo que é utilizado para
a limpeza desse equipamento.

Por isso, antes de iniciar a primeira estaca do dia, deve-se efetuar o


bembeamento dessa calda de lubrificação e do concreto no sentido de que toda a
calda tenha sido lançada pela ponta da hélice e toda a rede tenha somente concreto.
A seguir tampa-se a ponta e inicía-se a perfuração da estaca (LÁZARO, 2003).
Simultaneamente ao início da concretagem, ergue-se o trado 0,30 m, para permitir a
abertura da tampa do tubo central. Devido à pressão do concreto, a tampa provisória é
expulsa. A hélice passa a ser extraída pelo equipamento lentamente, sem girar ou, no
caso de terrenos arenosos, girando muito lentamente no sentido da perfuração. O
concreto é injetado sob pressão positiva. A pressão positiva visa garantir a
continuidade e a integridade do fuste da estaca, e, para isto, é necessário que se
observe dois aspectos executivos. O primeiro é garantir que a ponta do trado, durante a
perfuração, tenha atingido um solo que permita a formação da bucha, para que o
concreto injetado se mantenha abaixo da ponta da estaca, evitando que o mesmo suba
pela interface solo-trado. O segundo aspecto é o controle da velocidade de retirada do
trado, de forma que sempre haja um sobre consumo de concreto. O concreto
normalmente utilizado apresenta resistência característica (fck) de 20 Mpa, NBR
(6112/1996) (item 7.8.6, subitem 7.8.6.2) é bombeável, e composto de areia e pedrisco,

35
CAPUTO Et Al. (1997). O consumo de cimento é elevado, entre 400 a 450 Kg/m 3. O
uso de aditivos plastificantes tem sido muito usado. O fator água-cimento é geralmente
em torno de 0,53 a 0,56. O abatimento (slump) do concreto situa-se entre 200 e 240
mm. Assim como a perfuração, a concretagem deve ocorrer de forma contínua e
ininterrupta, mantendo as paredes onde se formará a estaca, sempre suportadas
(acima da ponta do trado, pelo solo encontrado entre as pás da hélice, e abaixo, pelo
concreto que é injetado). Durante a extração da hélice, a limpeza do solo contido entre
as pás, é feita manualmente, figura 15, ou com um limpador de acionamento hidráulico
ou mecânico acoplado ao equipamento, que remove este material, sendo este,
removido para fora da região do estaqueamento com o uso de pá carregadeira de
pequeno porte.

Figura 15 – Retirada manual do solo entre as pás da hélice


(FUNDEX) - (Arquivo pessoal)

4.1.5 - COLOCAÇÃO DA ARMADURA

As estacas hélice contínua têm suas armaduras instaladas somente após a


concretagem, isto pode ser um fator limitante do comprimento da armadura e, também,

36
pode impossibilitar o uso destas estacas quando sujeitas a esforços de tração ou
quando utilizadas como elemento de contenção. Para eficiência da instalação da
armadura, a mesma deve ser em forma de gaiola e projetada de modo a ter um peso e
uma rigidez compatível com o seu comprimento. Deve-se sempre armar a cabeça da
estaca para garantir sua integridade estrutural, entretanto, por razões executivas
(escavação mecânica do solo a volta da estaca para a confecção dos blocos), é boa
prática armar o trecho superior da estaca da ordem de 4 m (Alonso 1998). É de
responsabilidade do engenheiro projetista de fundação o dimensionamento adequado
da armadura necessária para as estacas.

As armaduras podem ser instaladas por gravidade, por compressão de um pilão


ou por vibração, figura 16, sendo esta última à recomendada na literatura internacional.
No Brasil, entretanto, a colocação da armadura por golpes de um pilão tem sido a mais
utilizada na prática (PENNA et al., 1999).

Figura 16 – Colocação da armadura após a retirada do trado


(FUNDEX) - (Arquivo pessoal)

37
4.1.6 - CARACTERÍSTICAS DA BOMBA

Capacidade de bombeamento igual ou superior a 54 metros cúbicos de concreto


por hora, e pressão superior a 76 Bar.

4.1.7 – VANTAGENS

As estacas hélice contínua apresentam (HACHICH, 1996):


a) Alta produtividade, diminuindo substancialmente o cronograma da obra com
utilização de apenas uma equipe de trabalho;
b) O processo de execução não provoca distúrbios e vibrações típicos dos
equipamentos geralmente utilizados para estacas cravadas, além da percussão não
causar descompressão do solo;
c) É grande a variedade de solos em que pode ser utilizado este tipo de estaca,
inclusive rochas brandas, exceto na presença de matacões e rochas. Entretanto, para
subsolos contendo camadas de areia fofa submersa, será necessário reavaliar a
utilização deste tipo de estaca;
d) Podem perfurar solos com SPT acima de 50 e a perfuração não gera detritos
poluídos por lama bentonítica, eliminando os inconvenientes relacionados à disposição
final do material resultante da escavação.

Outras vantagens apresentada pela estaca hélice contínua (ALMEIDA NETO,


2002):
a) Execução monitorada eletronicamente;
b) Perfuração sem necessidade de revestimento ou fluido de estabilização (lama
bentonítica ou polímeros) para contenção do furo, pois o solo fica contido entre as pás
da hélice;
c) Podem ser utilizadas na presença de nível de água;
d) A injeção de concreto sob pressão garante uma melhor aderência no contato
estaca-solo.
e) Monitoramento Computadorizado: O monitoramento é feito através dos
sensores, acompanhado e armazenado no computador por software Compugeo, pode
ser impresso no termino da obra em formato de relatório.

38
4.1.8 - DESVANTAGENS

Segundo HACHICH (1996) e ALMEIDA NETO (2002), as principais


desvantagens deste tipo de estaca são:
a) As áreas de trabalho devem ser planas e de fácil movimentação, devido ao
porte dos equipamentos, assim como o solo deve ter capacidade de suportar o peso
dos equipamentos, durante seu transporte e execução da estaca;
b) Devido a sua alta produtividade e do alto volume de concreto demandado
durante a execução das estacas, é necessária a presença de uma central de concreto
nas proximidades do local da obra;
c) Necessidade de um equipamento para a limpeza do material gerado durante a
escavação, a exemplo de uma pá-carregadeira;
d) Limitação do comprimento da estaca e armação;
e) Necessidade de uma quantidade mínima de estacas para compensar o custo,
normalmente elevado, de mobilização dos equipamentos. Sua utilização em locais
distantes dos centros, onde normalmente estes equipamentos são disponíveis, tende a
elevar ainda mais o custo de transporte do maquinário. Cabe ressaltar que o custo
deste tipo de fundação deverá ser contextualizado no custo total da obra, ou seja, a
participação do seu valor no montante total;
f) A qualidade na execução depende da sensibilidade e experiência do operador
da perfuratriz de execução da hélice.

4.1.9 – EQUIPAMENTOS

Características mínimas da mesa rotativa e do guincho.

Tabela 5 - Características mínimas da mesa rotativa e do guincho.


TORQUE (kN.m) ARRANQUE (kN) DIMENSÕES (m)
<80 400 0,5 m até 17 m
80 a 150 400 0,8 m até 27 m
>160 400 1,2 m até 37m

39
4.1.10 - MONITORAMENTO DA EXECUÇÃO

O monitoramento do equipamento se dá pelos parâmetros apresentados no seu


computador de bordo, sendo eles: nivelamento do equipamento e prumo do trado;
torque aplicado; velocidade de avanço do trado; rotação do trado; cota de ponta do
trado; pressão do concreto durante a concretagem; sobre consumo de concreto e
velocidade de subida do trado ilustrado na figura 17.

Figura 17 – Relatório final do monitoramento da estaca Hélice Contínua.


(GEOFIX FUNDAÇÕES 2010)

4.1.11 - TOLERÂNCIAS QUANTO À EXCENTRICIDADE E DESAPRUMO

É tolerado, sem qualquer correção, um desvio entre os eixos da estaca e o ponto


de aplicação da resultante das solicitações do pilar de 10% do diâmetro do fuste da
estaca. Para desvios superiores a este, deve ser feita uma verificação estrutural,

40
devido à nova solicitação de flexão composta. Caso o dimensionamento da estaca seja
insuficiente para esta nova solicitação, deve-se corrigir a excentricidade total mediante
recurso estrutural. Sempre que uma estaca apresentar desvio angular em relação à
posição projetada, deve ser feita verificação de estabilidade, tolerando-se, sem
medidas corretivas, um desvio de 1:100. Desvios maiores requerem detalhe especial

4.1.12 - PATOLOGIAS CARACTERÍSTICAS

No caso da hélice contínua, o principal problema é o seccionamento do


concreto. Isso acontece quando a hélice sobe muito rapidamente e forma-se um vazio
onde deveria ser preenchido com concreto. O estreitamento do fuste também é
corrente nessa modalidade, devido a desabamento das paredes do solo. Desaprumos
são passíveis de ocorrerem quando durante a perfuração o trado se choca com alguma
rocha não detectada na sondagem (por esse motivo é desaconselhável o emprego em
área de matacões). Outra fonte importante de problemas, tanto nesse tipo quanto em
outros da classe de estacas moldadas in loco, recai sobre o concreto devido a forte
influência que a qualidade deste exerce no resultado final da estaca.

4.1.13 - ENSAIOS DE QUALIDADE

A qualidade das estacas do tipo hélice contínua podem ser atestadas por dois
testes mais comuns, sendo eles: PIT e prova de carga estática. O PIT é um ensaio que
visa determinar a variação ao longo da profundidade das características do concreto. É
usado para detectar falhas nas estacas moldadas in loco. O ensaio acontece
colocando-se um acelerômetro no topo da estaca para a captura de ondas de tensão.
Após a instalação, são aplicados golpes na superfície da estaca, criando as ondas que
serram monitoradas pelo acelerômetro. A análise da propagação dessas ondas
fornecem dados sobre a integridade da estaca como fissuras, estrangulamentos ou
alargamentos. A prova de carga estática consiste em sobre a estaca ensaiada ser
montado um sistema de reação, onde um macaco hidráulico será instalado para
exercer uma reação conhecida. Através dispositivos de medição se registram os
deslocamentos e os recalques. Este teste pode levar a uma otimização do projeto
quando realizado em uma estaca teste prévia, pois os resultados asseguram a
capacidade de carga da estaca.

41
4.2 - ESTACAS PRÉ-MOLDADAS DE CONCRETO

4.2.1 - INTRODUÇÃO

Uma solução bastante utilizada em Engenharia de Fundações, as fundações em


estacas pré-moldadas, em concreto armado (armadura frouxa) ou concreto protendido
(armadura protendida), vibradas ou centrifugadas, consistem basicamente na cravação
do elemento estrutural composto por concreto com fck ≥ 40 Mpa e aço com bitolas de
5.0, 6.0 e 8.0 mm, com seção transversal da estaca pode ser: quadrada, redonda,
sextavada, octogonal ou estrela, são fabricadas por centrifugação ou por extrusão,
montada e moldada previamente em indústria ou em canteiro de obra. Em sua maioria,
essas estacas são cravadas por golpes de martelo de queda livre, martelo diesel ou
martelo hidráulico, ou ainda cravação por prensagem ou por vibração.(ENSOLOS –
ENGENHARIA DE SOLOS E FUNDAÇÕES).

A sua cravação é realizada por um equipamento denominado “bate-estacas”, o


qual é constituído de uma base, uma torre e um guincho para manobras e controle do
martelo. A estaca é cravada ao se transmitir a energia de cravação do martelo para a
estaca, quando esta é atinge.

4.2.2 - VANTAGENS

Por ser uma estaca fabricada em uma indústria, esse elemento pode ter um
rígido controle tecnológico e de qualidade das matérias-primas (cimento, areia e pedra
são os essenciais, podendo ainda utilizar aditivos e adições conforme particularidades),
de suas dosagens e do concreto misturado (abatimento de tronco de cone ou “slump”,
moldagem de corpos de prova). Conforme for a necessidade de um concreto mais ou
menos resistente, a dosagem pode ser re-estudada para atender as necessidades
específicas de uma obra, como concretos mais resistentes ou com adições específicas
para uso em ambientes agressivos, por exemplo.

Ainda através do rompimento dos corpos de prova em uma prensa axial, sabe-
se a resistência média e o desvio padrão das resistências dos concretos produzidos na
fábrica, obtendo-se assim o fck (resistência característica do concreto à compressão) e

42
podendo manter um controle de qualidade das peças pré-moldadas, garantindo assim
a sua confiabilidade.

O fato de ser fabricado em uma indústria também confere ao elemento pré-


moldado agilidade de moldagem e regularidade de medidas ao longo do comprimento
total da peça e, o que é muito importante, a certeza da continuidade da estaca e de sua
integridade.

Por fim, pode-se ter certa noção de capacidade de carga adquirida pelo conjunto
“estaca-solo” ao monitorar-se o seu comportamento no decorrer da cravação e também
pelas “negas” obtidas durante a cravação, possibilitando ao engenheiro de fundações,
tomar as medidas corretivas, caso necessário, imediatamente.

4.2.3 - DESVANTAGENS

Uma das maiores desvantagem das estacas pré-moldadas cravadas com


martelo é a vibração proporcionada pelos equipamentos de cravação do elemento no
terreno de fundação, que pode chegar a ser excessiva conforme a resistência e
compacidade do solo e contexto local de onde se encontra a obra (proximidade com
outras edificações como hospitais e em setores históricos).

Podemos citar outras desvantagens das estacas pré-moldadas como:


- Tempo de cura normal do concreto de 21 dias;
- A estaca não ultrapassa camada de solo resistente (N/30 > 15);
- O transporte dentro da obra;
- Durante a cravação se o contato do martelo com o concreto não for feito com
um material elástico, quebra a cabeça da estaca;
- Capacidade de carga do concreto de aproximadamente 60 kg/cm2

4.2.4 - UTILIZAÇÃO

A solução em estacas pré-moldadas de concreto praticamente não têm


restrições técnicas, podendo ser utilizadas desde em argilas moles até em areias
compactas com a correta técnica empregada, em solos com a presença ou não de

43
água ou mesmo em obras com lâminas d'água como em lagos, rios e baías. Atenção
acentuada deve-se prestar no dimensionamento de fundações com esta solução em
solos nos quais forem constatadas as presenças de matacões de rocha, podendo-se
optar por outra solução que seja mais apropriada (quando houver contratempos como
estes, o projetista de fundações deve estar ciente da situação e sempre bem informado
quanto ao desenvolvimento dos serviços, inclusive devendo prestar visitas técnicas à
obra mesmo quando esta não for de sua execução).

Quanto aos tipos de estruturas, não há impedimento nenhum da solução em


estacas pré-moldadas de concreto armado para os mais diversos tipos de obras, sendo
empregadas em residências a grandes edifícios, caixas d'águas a complexos
industriais, para pequenas cargas a grandes concentrações de esforços, para
compressão e tração (desde que devidamente dimensionadas para tanto), em variadas
seções de estacas, de pequenas profundidades (3 a 4 metros) a profundidades
maiores do que 12 metros (utilizando-se estacas emendadas), Tabela 6:

Tabela 6 – Características das estacas pré-moldadas

Seção Carga Peso Área de Perímetro Distância


máxima unitário Seção mínima
Estrutural entre eixo
14 x 14 cm 15 tf 47 kgf/m 196 cm2 56 cm 50 cm
18 x 18 cm 21 tf 78 kgf/m 324 cm2 72 cm 60 cm
20 x 20 cm 25 tf 96 kgf/m 400 cm2 80 cm 60 cm
22 x 22 cm 31 tf 116 kgf/m 484 cm2 88 cm 70 cm
2
25 x 25 cm 40 tf 150 kgf/m 625 cm 100 cm 80 cm
2
30 x 30 cm 59 tf 216 kgf/m 900 cm 120 cm 90 cm
2
35 x 35 cm 80 tf 294 kgf/m 1.225 cm 140 cm 110 cm
40 x 40 cm 105 tf 384 kgf/m 1.600 cm2 160 cm 120 cm

Capacidades de carga conforme o item 7.8.3.6.1 da NBR 6122/96, podendo ser


ultrapassadas caso sejam feitas provas de carga estáticas ou ensaios de carregamento
dinâmicos.

44
Tabela 7 - Estacas Pré-moldadas de Concretos
Tipo de Estaca Dimensão (cm) Carga Nominal (kN)
20 x 20 250
Pré-moldade vibrada Quadrada 25 x 25 400
T = 6,0 a 9,0 Mpa 30 x 30 550
35 x 35 800
Ø 22 300
Pré-moldade vibrada circular Ø 29 500
T = 9,0 a 11,0 Mpa Ø 33 700
Ø 20 250
Pré-moldade protendida circular Ø 25 500
T = 10,0 a 14,0 Mpa Ø 33 700
Ø 20 250
Ø 23 300
Ø 26 400
Pré-moldade protendida circular Ø 33 600
T = 9,0 a 11,0 Mpa Ø 38 750
Ø 42 900
Ø 50 1.300
Ø 60 1.700
Ø 70 2.300

4.2.5 - PROCEDIMENTOS EXECUTIVOS

Para um melhor acompanhamento dos serviços prestados, mostraremos um


breve resumo de o quê se deve observar em uma obra, a começar pela chegada das
estacas.

A descarga das estacas em sua obra deve ser feita de modo a não atrapalhar
passagem de veículos e equipamentos, nem tampouco o deslocamento do
equipamento “bate-estacas”, figura 18. Também deve ser colocar as estacas em local e
posição tais que não impeçam nem dificultem a cravação de outras estacas.

O equipamento também deve ser descarregado e montado próximo ao local de


início das cravações, para tanto é necessário ter idéia do cronograma executivo a ser
adotado para sua obra. Saber essa seqüência ou pelo menos ter noção do

45
desenvolvimento dos serviços facilitará inclusive a conferência dos relatórios que serão
enviados juntamente com a medição dos serviços. Estes contêm data de cravação,
seção e comprimento da peça, profundidade cravada e negas obtida ao término da
cravação do elemento e são normalmente relacionadas conforme se realiza a cravação
das estacas, agrupadas por seção das estacas.

Figura 18 – Estaca Pré-moldada de Concreto (TECGEO FUNDAÇÕES)

Lembramos que as estacas devem estar bem apoiadas no chão ao término de


sua descarga, pois uma estaca mal apoiada estará sujeita a esforços que poderão
comprometer a sua qualidade (como, por exemplo, a fissuração da mesma). Dado
início aos serviços, a estaca não deve ser erguida pelo gancho de aço que se encontra
chumbado na estaca (dois ganchos), devendo apenas ser usados para colocar a
estaca próxima ao “bate-estaca” para então laçar um cabo de aço no entorno da estaca
para içá-la e então a posicionar. Esta simples ação pode reduzir significativamente o
risco de acidentes na obra.

Com a estaca devidamente posicionada e aprumada (verificação de sua


verticalidade), inicia-se a sua cravação, verificando-se o prumo da estaca com fio de
prumo quantas vezes forem necessárias durante a cravação. Chegando ao término da
cravação, devem-se medir as negas, preferencialmente em número de três (no
mínimo). A nega é a penetração da estaca no solo para o golpe do martelo.
Geralmente ela é medida para 10 golpes e é marcada na estaca utilizando-se uma
régua apoiada em referencial fixo para riscar a estaca antes do início da contagem dos
golpes e após os 10 golpes efetuados.

46
5 – MÉTODOS DE CÁLCULOS DE CARGA

Segundo a NBR 6122/2001, a capacidade de carga de uma fundação profunda,


sendo ela estaca ou tubulão isolado, é definida como a força aplicada sobre o elemento
da fundação que provoca apenas recalque que a construção pode suporta sem
inconveniente, oferecendo simultaneamente segurança satisfatória contra a ruptura do
solo ou do elemento de fundação.

Segundo ALONSO (1983), o cálculo da capacidade de carga de uma estaca


pode ser feito por meio de dois métodos:

5.1 - MÉTODOS DE PROVA DE CARGA

Realização de prova de carga, onde esta é mais utilizada em situações de


verificações in loco, posteriormente à execução do estaqueamento, ou, em casos mais
especiais, em elemento de referência (modelo) executado previamente para
constatação da capacidade ‘real’ da estaca e fundamentação do projeto geotécnico
final, sob-bases mais reais e precisas.

De acordo com recomendações da Norma NBR 6122, deve-se adotar para carga
admissível, a partir deste método, o menor dos dois seguintes valores:

a) Qu = Qr / 2,0 (Eq. 5.1)


b) Qu Q’ / 6 (Eq. 5.2)

Onde:

Qu - capacidade de carga de ruptura do elemento de fundação


Qr - carga de ruptura da estaca
Q’ - carga que produz o recalque admissível para a estrutura (medido no topo da
estaca).

O método de prova de carga não será abordado neste trabalho.

47
5.2 - MÉTODOS SEMI-EMPÍRICOS

São inúmeros os autores que formularam e desenvolveram teorias para a


determinação da capacidade de carga de estacas. Em praticamente todos estes
métodos, cujas bases de comprovação sempre ficam identificadas com seus modelos e
as regiões geográficas onde foram avaliados, a partir de testes de campo, a
capacidade de carga de uma estaca é obtida a partir da seguinte Equação 5.3:

Qu = Qp + Qs (Eq. 5.3)

onde:
Qu - capacidade de carga de ruptura do elemento de fundação
Qp - carga suportada pela ponta da estaca
Qs - carga suportada pelo atrito lateral da estaca com o solo

E ainda:
Qu = Qp + Qs = qp.Ap + ql.As = qp.Ap + ql.U.∑∆L (Eq. 5.4)

Onde:
qp - resistência de ponta da estaca
Ap - área da ponta da estaca
ql - resistência limite de cisalhamento ao longo do fuste da estaca
As - área lateral do fuste da estaca
U - perímetro do fuste da estaca
∑∆L - somatório de trechos do fuste da estaca (L ∑∆L é o comprimento da
estaca)

A figura 19 ilustra e representa a ocorrência destes dois tipos de resistências


que ocorrem ao longo de uma estaca na transferência de carga da estaca para o solo.

48
Figura 19 – Capacidade e transferência de carga de uma estaca isolada –
(modificado – ALONSO, 1996a)

Os valores das resistências qp e ql podem ser avaliados e obtidos a partir de:


- Processos diretos: onde qp e ql são obtidos a partir de correlações empíricas
oriundas de ensaios in loco;
- Processos indiretos: onde os dados de avaliação são obtidos a partir de
ensaios in loco ou em laboratório e a capacidade de carga é determinada a partir de
formulação teórica ou experimental.

A estimativa da capacidade de carga de estacas a partir de modelos teóricos


normalmente torna-se deficiente, não resultando em valores satisfatórios devido a
vários fatores, dentre estes podem ser citados:

- Impossibilidade prática de conhecer, com certeza, o estado de carga do terreno


e as condições que compõe o perfil geotécnico atravessado pela estaca e onde esta de
apoia;
- Dificuldade de determinar com exatidão a resistência ao cisalhamento dos
solos;
- Dependência dos processos executivos das estacas;
- Falta de uma relação direta entre a resistência lateral e a resistência de ponta;
- Heterogeneidade natural do solo;
- Fatores, internos e externos, que interferem na iteração solo-estaca.
49
No Brasil, os dois métodos são os mais utilizados para o dimensionamento de
fundações em estacas. Para outros tipos de estacas há também métodos específicos
para cálculo de capacidade de carga que não serão abordados neste trabalho.

Para atingir o objetivo presente trabalho, foi feita uma revisão bibliográfica sobre
sondagem à percussão e SPT, tipos de fundações e métodos de estimativa de
capacidade de carga de estaca, em particular dos métodos adotados no presente
trabalho. Em seguida, levantaram-se dados referentes ao local destinado a implantação
das estacas, com sondagens SPT, a partir das quais se traçou o perfil estratigráfico
estimado do mesmo. De posse destas informações partiu-se para aplicação dos
métodos de AOKI & VELLOSO (1975), DECOURT & QUARESMA (1978 e 1991) e
LOBO (2005). Por fim, realizou-se a análise comparativa. As formulações e conceitos
básicos dos métodos utilizados no presente trabalho serão apresentados a seguir.

5.3 - MÉTODO AOKI - VELLOSO (1975)

AOKI (2007) revelou que elaborou juntamente com o Engenheiro DIRCEU


VELLOSO, este método a partir de sua prática com métodos empíricos utilizados na
empresa Franki S.A na década de 1960 que empregavam a somatória de golpes do
SPT para definir a cota de parada da ponta da estaca tipo Franki.

Este método foi apresentado para o cálculo da carga última (Qult) em função dos
valores da resistência de ponta (qp) e da resistência lateral (ql) medidos no ensaio
CPT. Ele propõe que, tanto as tensões-limite de carga última de ponta quanto à de
atrito lateral são avaliadas em função da tensão de ponta medida no ensaio CPT.
Porém, para se aplicar a metodologia que considera os resultados de ensaios de
campo executados no Brasil, foram feitas correlações entre os valores determinados
em campo por ambos os ensaios (CPT, SPT).

AVIZ (2006) explica que este método prevê a capacidade de suporte de uma
estaca baseado nas informações fornecidas pelo ensaio SPT, ou seja, de acordo com a
descrição das camadas que compõem a estratigrafia do subsolo, nível do lençol
freático e número de golpes do ensaio (NSPT).

50
Para entender-se o mecanismo de transferência de carga da estaca para o solo
imagina-se que a carga (P) vai sendo dissipada ao longo do fuste, até que é sobrada
uma parcela a ser resistida pela ponta da estaca (Pp). Logo, para a capacidade de
carga (R), tem-se a equação 5.5;

Qul l (Eq. 5.5)

Onde:
Qult - Carga de ruptura, ou capacidade de carga de uma fundação em estacas;
ql - Parcela de carga de ruptura devido ao atrito lateral solo-estaca desenvolvido
ao longo do fuste da estaca (capacidade de carga do fuste);
qp - Parcela de carga de ruptura resistida pela ponta da estaca (capacidade de
carga de ponta).

Os valores de ql e qp podem ser determinados, respectivamente, por meio das


seguintes equações 5.6 e 5.7 respectivamente; (ALONSO, 1983):

l ∑ ⍙l l) (Eq. 5.6)

Onde:
U - Perímetro da seção transversal do fuste;
Δl - Trecho do fuste onde se admite rl constante.
rl - adesão ou atrito (kPa) na camada de espessura Δl (m);

qp (Eq.5.7)

Onde:
Ap - Área de ponta da estaca;
rp - capacidade de carga do solo na cota de apoio do elemento estrutural de
fundação (kPa);

Inicialmente, pelo método de AOKI - VELLOSO, essas incógnitas, rp e rl foram


correlacionadas a valores da resistência de ponta de cone (qc) e ao atrito lateral
unitário na luva do cone (fs) conforme equação 5.8 e 5.9 respectivamente;
/ (Eq. 5.8)

51
/ (Eq. 5.9)

Onde:
qc = resistência de ponta do ensaio de Cone (CPT);
fc = atrito lateral unitário do ensaio de Cone (CPT);

F1 e F2 são fatores de correção para considerar o fator escala entre a estaca e o


cone. Esses fatore de correção são apresentados na Tabela 8.

Tabela 8 - Valores de F1 e F2 para o método de AOKI E VELLOSO


Tipo de Estaca F1 F2

Franki 2,5 5,0

Metálica 1,75 3,5

Pré-moldada 1+D/0,8 2F1

Escavada 3,0 6,0

Raiz, Hélice contínua e Ômega. 2,0 4,0

Quando o (fc) do cone não é medido temos a equação 4.10;

f α . (Eq. 5.10)

No Brasil, o ensaio de cone não é muito utilizado, os valores qc (resistência de


ponta do cone) e fs (razão entre a resistência de atrito lateral) podem ser substituídos
por uma correlação com os valores NSPT utilizando o coeficiente de conversão (K) e a
razão de atrito (α), que dependem do tipo de solo conforme equação (5.11) e (5.12)
respectivamente.
(Eq. 5.11)

α (Eq. 5.12)

α (Eq. 5.13)

Sendo K e α função do tipo de solo apresentados (Tabela 9)


52
Tabela 9 - Coeficientes K e α (AOKI E VELLOSO, 1975 apud CINTRA E AOKI, 2010)
Tipo de Solo K(kPa) α
Areia 1000 1,4%
Areia Siltosa 800 2,0%
Areia Siltosa-argilosa 700 2,4%
Areia Argilosa 600 3,0%
Areia Argilo-siltosa 500 2,8%
Silte 400 3,0%
Silte Arenoso 550 2,2%
Silte Areno-Argiloso 450 2,8%
Silte Argiloso 230 3,4%
Silte Argilo-Arenoso 250 3,0%
Argila 200 6,0%
Argila Arenosa 350 2,4%
Argila Areno-Siltosa 300 2,8%
Argila Siltosa 220 4,0%
Argila Siltosa-Arenoso 330 3,0%

Assim, a capacidade de suporte da estaca isolada pode ser dada por:

∑ (Eq. 5.14)

Np = NSPT na cota da ponta


Nl = NSPT media na camada de espessura ∆l

Conhecido a carga de ruptura de um elemento isolado, a carga admissível deste


elemento será (NBR 6122/2001)

a) - Para estacas Franki, pré-moldadas ou metálicas.

Qad ≤ [Qul /2] (Eq. 5.15)

53
b) – Para estacas escavadas;

{ (Eq. 5.16)

Pode-se também adotar para carga admissível o valor igual ao valor da equação
4.15, quando a estaca estiver apoiada em rocha.

Qadm Qult/03 (Eq. 5.17)

5.3.1 CONTRIBUIÇÃO DE LAPROVITERA (1998) E BENEGAS (1993)

Em duas dissertações de mestrado da COPPE-UFRJ (LAPROVITERA, 1988;


BENEGAS, 1993), foram feitas avaliações do método AOKI-VELLOSO a partir de um
banco de dados de provas de carga em estacas compilado pela COPPE-UFRJ. Nas
análises realizadas, os valores de K e α utilizados não foram os do método AOKI-
VELLOSO original, mas aqueles modificados por DANZIGER (1982).

Como nem todos os 15 tipos de solos tinham sido avaliados por DANZIGER,
Alguns valores foram complementados através de interpolação por LAPROVITERA
(1988). Os valores finais de K e α constam na Tabela 10.

Nas análises feitas, não se manteve a relação F2 = 2F1 do trabalho original de


AOKI-VELLOSO, mas tentaram-se outras relações de forma a obter uma melhor
previsão. Na tabela 11 estão os valores de F1 e F2 obtidos nas dissertações.

54
Tabela 10 – Coeficientes K e α (LAPROVITERA, 1988)
Tipo de Solo K(kgf/cm2) α (%)
Areia 6,0 1,4%
Areia Siltosa 5,3 1,9%
Areia Siltosa-argilosa 5,3 2,4%
Areia Argilosa 5,3 3,0%
Areia Argilo-siltosa 5,3 2,8%
Silte 4,8 3,0%
Silte Arenoso 4,8 3,0%
Silte Areno-Argiloso 3,8 3,0%
Silte Argiloso 3,0 3,4%
Silte Argilo-Arenoso 3,8 3,0%
Argila 2,5 6,0%
Argila Arenosa 4,8 4,0%
Argila Areno-Siltosa 3,0 4,5%
Argila Siltosa 2,5 5,5%
Argila Siltosa-Arenoso 3,0 5,0%

Tabela 11 – Coeficientes de transformação F1 e F2


Tipo de Estaca F1 F2

Franki 2,5 3,0

Metálica 2,4 3,4

Pré-moldada 2,0 3,5

Escavada 4,5 4,5

É importante ressaltar que, nas avaliações da resistência de ponta, tomou-se a


média dos N numa faixa de um diâmetro da estaca para cima e um para baixo (ou pelo
menos 1m acima e 1m abaixo), o que obriga o usuário dos novos valores a adotar o
mesmo procedimento. O número de provas de carga avaliadas situava-se em torno de
200, dentre os vários tipos de estacas.

55
5.3.2 - CONTRIBUIÇÃO DE MONTEIRO (1997)

Com base em sua experiência na firma Estacas Franki Ltda, MONTEIRO (1997)
estabeleceu correlações diferentes, tanto para k e α, mostradas na Tabela 12, como
para F1 e F2, mostradas na Tabela 13.

Algumas recomendações para aplicação do método:

- O valor de N é limitado a 40;


- Para o cálculo da resistência de ponta unitária (qp,ult), deverão ser
considerados valores ao longo de espessuras iguais a 7 e 3,5 vezes o diâmetro da
base, para cima e para baixo da profundidade da base, respectivamente, figura 20. Os
valores para cima fornecem, na média, qps e os valores para baixo fornecem qpi. O
valor a ser adotado será o expresso na equação 5.18;

(Eq. 5.18)

Onde:
qp,ult – Resistência de ponta;
qps – valores de ponta acima;
qpi – valores de ponta para baixo.

56
Figura 20 – Determinação da resistência de ponta segundo MONTEIRO (1997)

Tabela 12 – Coeficientes K e α (MONTEIRO, 1997)


Tipo de Solo K(kgf/cm2) α (%)
Areia 7,3 2,1%
Areia Siltosa 6,8 2,3%
Areia Siltosa-argilosa 6,3 2,4%
Areia Argilosa 5,4 2,8%
Areia Argilo-siltosa 5,7 2,9%
Silte 4,8 3,2%
Silte Arenoso 5,0 3,0%
Silte Areno-Argiloso 4,5 3,2%
Silte Argiloso 3,2 3,6%
Silte Argilo-Arenoso 4,0 3,3%
Argila 2,5 5,5%
Argila Arenosa 4,4 3,2%
Argila Areno-Siltosa 3,0 3,8%
Argila Siltosa 2,6 4,5%
Argila Siltosa-Arenoso 3,3 4,1%

57
Tabela 13 – Coeficientes de transformação F1 e F2 (MONTEIRO, 1997)
Tipo de Estaca F1 F2

Franki de fuste apiloado 2,3 3,0

Franki de fuste vibrado 2,3 3,2

Metálica 1,75 3,5

Pré-moldada de Concreto 2,5 3,5


cravado a precursão

Pré-moldada de Concreto 1,2 2,3


cravado a precursão

Escavado com lama bentonítica 3,5 4,3

Raiz 2,2 2,4

Straus 4,2 3,9

Hélice contínua 3,0 3,8


Nota: os valores indicados para estacas tipo hélice contínuos requerem reserva,
pois é pequeno o número de provas de carga disponível.

5.4 - DECOURT – QUARESMA (1978)

Da mesma forma que na metodologia do AOKI - VELLOSO, no método de


DECOURT - QUARESMA a resistência total é dada pela soma da resistência de atrito
de fuste e resistência de ponta. O método é baseado na análise de 41 provas de carga
realizadas em estacas pré-moldadas. Este mesmo processo de cálculo pode ser
aplicado também para estacas tipo Franki, Strauss e escavadas em geral (hélice
contínua e injetadas). Trata-se de um método expedito que estima a capacidade de
carga de ruptura considerando os ensaios de SPT. De acordo com Magalhães (2005)
este método foi atualizado por DÉCOURT E QUARESMA (1991) com a introdução do
conceito de Neq oriundo do ensaio SPT-T, de forma que o Neq é definido como o valor
do torque, em kgf.m, dividido por 1,2, equação 5.19 e a capacidade de carga da estaca
é dada pela equação 5.20;

Neq = T / 1,20 (Eq.5.19)

58
E que a capacidade de carga da estaca é dada por:

Qult = Qp + Ql = qp. Ap + ql. As (Eq.5.20)

Sendo que a resistência de ruptura de ponta é dada por:

qp = K. NSPT,M (Eq.5.21)

Onde:
T – Valor do torque medido no ensaio do tipo SPT- T (kgf,m)
Qult - Carga de ruptura, ou capacidade de carga de uma fundação em estacas;
Qp - Carga da ponta da estaca;
Ql - Carga de ruptura do fuste (atrito lateral);
qp – capacidade de carga do solo na cota de apoio do elemento estrutural de
fundação (kPa);
Ap – Área da ponta da estaca;
ql – capacidade de carga do solo na cota de apoio do elemento estrutural de
fundação (kPa);
NSPT,M - a média entre os SPT na profundidade de ponta da estaca;
As – Área do fuste da estaca.
K - Coeficiente característico do tipo de solo.

A resistência lateral e de ponta são dados pela equação 5.22 e 5.23;


respectivamente.

(Eq.5.22)

(Eq.5.23)

O Cálculo do atrito lateral de fuste (rl) é feito com base no valor médio do índice
de resistência à penetração do SPT ao longo do fuste (Nl). No cálculo de (Nl) adotam-
se limites para (Nl), sendo que Nl ≥ 3 e Nl ≤ 15, desconsiderando os valores que serão

59
utilizados no cálculo da resistência de ponta e para estacas de deslocamento, o valor
superior muda de 15 para 50.

Assim, (rl) é dado pela equação;

l
( (Kpa) (Eq. 5.24)

Para o cálculo do valor de (rp) utiliza-se a equação 5.25, em que o K é o


coeficiente característico do solo, Tabela 14.

(Eq. 5.25)

Onde:
(Np) - é valor médio de golpes entre os três valores correspondentes à ponta da
estaca, o imediatamente anterior e o imediatamente posterior.

O coeficiente (K) é característico do solo, dado pela Tabela 5.7.

Tabela 14 – Coeficiente característico do solo


(modificado - CINTRA E AOKI, 2010)
Tipo de Solo K (kPa)
Argila 120
Silte Argiloso 200
Silte Arenoso 250
Areia 400

Para utilização do método em outros tipos de estacas, como estacas escavadas


com lama bentonítica, escavadas em geral, hélice contínua, raiz, etc. DECOURT
introduz fatores α e β nas parcelas de resistência de ponta e resistência lateral
respectivamente e a capacidade de carga é obtida pela equação 5.26. Os valores
destes coeficientes são apresentados na Tabela 15 e 16 respectivamente.

Assim, a capacidade de carga última é dada por:

Qu αQ β Ql (Eq. 5.26)

60
Onde;
Qult - carga última;
α e β - coeficientes tabelados que dependem do tipo de solo e estaca;
Qp - parcela de carga resistida pelo solo da ponta da estaca;
Ql = parcela de carga resistida por atrito lateral ao longo do fuste da estaca.

O método original, para estacas pré-moldadas, mantém α = β + 1, que serve


também para estacas metálicas e do tipo Franki.

Tabela 15 - Valores do fator α em função do tipo de estaca e do tipo de solo

Tipo de Estacas
Tipo de solo

Cravada Estaca Escavada Hélice Raiz Injetadas


escavada Bentonita contínua sobre altas
em Geral pressões

Argila 1,00 0,85 0,85 0,30 0,85 1,00

Solos 1,00 0,60 0,60 0,30 0,60 1,00


Intermediários

Areias 1,00 0,50 0,50 0,30 0,50 1,00

Tabela 16 - Valores do fator β em função do tipo de estaca e do tipo de solo

Tipo de Estacas
Tipo de solo

Cravada Estaca Escavada Hélice Raiz Injetadas


escavada Bentonita contínua sobre altas
em Geral pressões

Argila 1,00 0,85 0,90 1,00 1,50 3,00

Solos 1,00 0,65 0,75 1,00 1,50 3,00


Intermediários

Areias 1,00 0,50 0,60 1,00 1,50 3,00

61
5.5 - MÉTODOS DE LOBO (2005)

A energia cinética do martelo no instante do impacto é transferida para o


conjunto de hastes de comprimento finito, através da propagação de uma onde de
tensão. Esta transferência ocorre na forma de impulso de tensão, sendo que a
magnitude e a duração desses impulsos dependem da configuração do martelo, da
haste, da cabeça de bater e dos materiais que constituem os equipamentos.
(BELICANTE; FERRAZ, 2000).

Quando o martelo é levantado, a energia disponibilizada ao sistema encontra-se


na forma de energia potencial. Assim, considerando os padrões estabelecidos pela
norma NBR 6484/2001 e a energia potencial teórica, (EPT) do sistema ou energia
nominal do SPT podem ser representadas por:

(Eq. 5.27)

Onde;
Mm - massa do martelo (kg)
g - aceleração da gravidade (m/s2)
hq - altura de queda padrão do martelo (m)

Então, a energia total disponibilizada ao sistema no evento do golpe do martelo


não é igual à energia potencial teórica. Isto ocorre porque existe um movimento
descendente do sistema amostrado-haste-cabeça de bater, devido à cravação do
amostrador no solo, ocasionando um aumento da energia disponibilizada ao sistema.
(ODEBRECHT, 2003; NEVES; 2004; DANIEL. 2008). Assim, para qualquer golpe que
resulte em uma penetração no solo, a variação total da energia potencial do sistema
será sempre maior do que sua energia potencial teórica.

ODEBRECHT (2003) propôs uma correção de energia potencial imposta durante


o evento, que considera um acréscimo de energia devido à penetração do amostrador
no terreno. O processo de cravação do amostrado no solo devido á aplicação de um
golpe pode ser representado em três estágios distintos. O primeiro instante (t1 = 0)
representa o instante ante da liberação do martelo. A próxima etapa (t2 = t)
62
corresponde ao instes do impacto do martelo sobre a cabeça de bater. E o instante
final (t3 = ) é quando todo o processo de cravação do amostrador no solo já ocorreu.
No instante final a energia potencial gravitacional do martelo e das hastes já foi
consumida na cravação do amostrador no solo, devolvidas elasticamente e
amortecidas dinamicamente no interior do martelo e das hastes (ODEBRECHT, 2003).

Odebrecht, demostrou que quando se considera um referencial fixo externo ao


sistema a energia potencial imposta durante o evento (EPsistema) pode ser representado
por:

EPsistema = EPM + EPH = EPT + (Mm . g . ) + (Mh . g . ) (Eq. 5.28)

Onde:
- penetração permanente do amostrador;
Mh - massa da haste;
Mm - Massa do martelo;
EPM - variação da energia potencial do martelo;
EPH - variação da energia potencial da haste;
EPT - energia potencial teórica;
g - aceleração da gravidade.

No caso dos solos resistentes (NSPT ≥ 15) combinadas com comprimento de


composição da haste superiores a 20 metros, a variação da energia potencial
gravitacional do martelo e das hastes é muito próxima ao valor da energia potencial
gravitacional teórica do martelo. Portanto, é aceitável considerar que esses valores são
iguais para esses casos (ODEBRECHT 2003). Esta diferença é mais acentuada
quando se trata de solos de menor resistência onde à penetração do amostrador no
solo é maior, figura 21:

63
t1 = 0 t2 = t t3 =
Martelo = 65 kg

0,75
2
g = 9,806 m/s Centro de massa do MARTELO
0,75

Instrumentação Instrumentação


Instrumentação
hm(t1)

Centro de massa da HASTE

hm(t3)
Haste


hh(t1)

hh(t3)

Amostrador
Referência

Figura 21 – Definições para cálculo das energias potenciais martelo e da haste -


(ODEBRECHT 2003)

A eficiência do ensaio SPT (η) é usualmente definida como a relação entre a


quantidade de energia transferida ao topo da composição da haste (Eh), no momento
do primeiro impacto do martelo, e a energia potencial nominal do ensaio SPT, equação
5.29:

η= (Eq. 5.29)

Se não ocorresse nenhum tipo de perda de energia durante a queda do martelo,


toda a energia potencial do ensaio SPT seria transformada em energia cinética (Ec). A
velocidade do martelo (vi2) no momento do seu impacto com a cabeça de bater seria
então obtida através de:
EPT ( ) vi2 (Eq. 5.30)

Onde;
√ (Eq. 5.31)

64
DECOURT (1989) considerou as perdas de energia que ocorrem durante a
queda do martelo através da introdução de um fator de eficiência (e1). Esse fator foi
definido como sendo a relação entre a energia cinética do martelo (Eci), em um instante
imediatamente antes do impacto entre o martelo e a cabeça de bater, e a energia
nominal do SPT, equação 5.32. O valor da energia (Eci) pode ser facilmente calculado
quando se conhece o valor da velocidade de impacto do martelo (vi).

e1 = Eci / EPT (Eq. 5.32)

CAVALCANTE (2002) mediu a velocidade de impacto do martelo para ensaios


realizados no seu trabalho de pesquisa obtendo uma velocidade de 3,22 m/s o que
implica em um fator de eficiência de 70,5%. KOVACS E SALOMENE (1982) também
realizaram experimentos para medir a altura de queda e a velocidade de impacto do
martelo utilizando martelos do tipo dount (cilíndrico vazado) e safety. Eles observaram
que as perdas de energia ficaram entre 21% e 31% sendo que para martelos do tipo
safety as perdas eram ligeiramente maiores. Assim, as perdas de energia devem ser
consideradas nos cálculos de velocidade de impacto do martelo através de um fator de
eficiência de impacto (ηi), equação 5.33. O fator de eficiência (ei) definido por
DECOURT (1989) seria dado pela equação 5.34

vi = √ (Eq. 5.33)
ηi (0,5 . Mm . vi2 / 478,2) . 100% (Eq. 5.34)

ODEBRECHT (2003) sugere que a eficiência do ensaio SPT deve ser


representada em três parcelas distintas: a eficiência do martelo (η1), a eficiência da
composição da haste (η2) e a eficiência do sistema (η3). Estes valores de eficiência
quantificam as perdas de energia que ocorrem durante a cravação do mau contato e o
desalinhamento entre as superfícies e as reflexões nas luvas (ODEBERCHT, 2003).
Assim, a energia que efetivamente atinge o amostrador deve ser obtida considerando-
se as perdas que ocorrem durante o evento, equação 5.35.
EAMOSTRADOR = η3 .[ η1. (0,75 + ) . Mm . g + η2. (Mh . g . )] (Eq 5.35)

65
Com base em suas experiências, Odebrecht conclui propões os valores para η1,
η 2 e η 3 sendo;

η1 = 0,764
η2 = 1
η3 = 1 – 0,0042l

Onde;

l – Comprimento da composição do fuste.

Com base na pesquisa de ODEBRECHT (2003), LOBO (2005) apresenta em


sua tese de mestrado um novo método para estimar a capacidade de carga de estaca.
O método proposto por LOBO (2005) consiste em utilizar a força dinâmica (Fd) para
estimar a capacidade de carga de estacas, relacionando os mecanismos de
mobilização da resistência de ponta e lateral do amostrador, com os mecanismos da
estaca. A Tabela 17 apresenta os coeficientes α e β propostos por LOBO.

Tabela 17 – Coeficientes α e β em função do tipo de estaca


Tipo de Estaca α β
Cravada Pré-moldada 1,5 1,1
Metálica 1,0 1,0
Hélice Continua 1,0 0,6
Escavada 0,7 0,5

Força dinâmica de penetração do amostrador:

d η [η ( ⍙ ) η ⍙ (Eq. 5.36)

66
Onde:

Mm - massa do martelo;
Mh - massa da haste;
η1 - eficiência do golpe;
η2 - eficiência das hastes;
η3 - eficiência do sistema;
- penetração do amostrado no solo - 0,3/NSPT (m/golpes)
g - aceleração da gravidade.

Capacidade de carga na total:

l (Eq. 5.37)

/ ∑ d ⍙L d /a (Eq. 5.38)

Onde:
α - coeficiente de correção da resistência lateral;
β - coeficiente de correção da resistência de ponta;
a1- área lateral total do amostrador (área lateral externa + área lateral interna =
(30(5,1+3,5)= 810,5cm2)
⍙L - espessura de cada camada de solo considerado (m);
U - perímetro da estaca;
Ap - área da ponta da estaca;
ap - área da ponta do amostrador SPT =(5,12 . 0,25 = 20,4cm2)..

6 - LOCALIZAÇÃO DA ÁREA DE SONGAGEM

A SolTec Engenharia realizou as sondagens SPT, fonte estratigráficas para o


estudo do presente trabalho no Setor H Norte QNH – Taguatinga - DF, e no Setor de
Garagens Ministerial Norte Brasília – DF. Os laudos dos SPT são apresentados no
Anexo 1.

67
7 – METODOLOGIA

No presente trabalho, foram utilizados os métodos AOKI & VELLOSO (1975),


DECOURT & QUARESMA (1978 e 1991) e LOBO (2005) para a estimativa da
capacidade de carga por atrito lateral e de ponta das estacas Pré-moldada de concreto
e Hélice Contínua. Salienta-se que, as análises das capacidades de cargas citadas se
se referem ao perfil estratigráfico dos laudos de SPT Setor H Norte QNH – Taguatinga -
DF e no Setor de Garagens Ministerial Norte Brasília – DF para estacas com diâmetro
de 0,60 m.

7.1 – CAPACIDADE DE CARGA POR ATRITO LATERAL E DE PONTA PARA


ESTACA HÉLICE CONTÍNUA PARA O PERFIL DE SONDAGEM SPT SETOR H
NORTE QNH – TAGUATINGA - DF

Na Tabela 18 é apresentado um resumo dos resultados da capacidade de carga


ao longo do fuste para a estaca Hélice Contínua nos métodos de AOKI & VELLOSO,
DECOURT – QUARESMA e LOBO, pelo perfil estratigráfico da sondagem do SPT
Setor H Norte QNH – Taguatinga - DF. A Tabela 19 apresenta um resumo das
características da estaca e a carga ruptura do solo na ponta para cada metodologia de
cálculo para dimensionamento. O gráfico 1 apresenta a capacidade de carga por atrito
lateral da estaca ao longo da profundidade obtida para cada método.

A análise dos dados da Tabela 18 e 19 demonstra que o método mais arrojado é


o de AOKI & VELLOSO (1975), e é o que apresenta os valores de capacidade de carga
por atrito lateral e de ponta mais equilibrados. A diferença percentual entre a carga de
ponta de AOKI & VELLOSO e a capacidade de carga média é de aproximadamente
50%. A metodologia mais conservadora e de DECOURT & QUARESMA (1978), que
pode ser confirmado pela diferença para capacidade de carga da ponta da estaca entre
os três métodos proposto.

68
Tabela 18 - Valores da capacidade de carga por atrito lateral

ESTACA HÉLICE CONTÍNU - SPT SETOR H NORTE QNH – TAGUATINGA - DF


Prof. (m) Tipo de solo N SPT A&V (KN) D&Q (KN) Lobo (KN) Média (KN)
1 Argila Arenosa 2 53,44 34,09 9,19 32,24
2 Argila Arenosa 2 57,40 63,09 9,26 43,25
3 Argila Arenosa 2 61,36 92,09 9,33 54,26
4 Argila Arenosa 2 65,31 121,09 9,40 65,27
5 Argila Arenosa 2 69,27 150,09 9,47 76,28
6 Argila Arenosa 2 73,23 182,48 15,83 90,51
7 Argila Arenosa 6 184,07 217,79 50,72 150,86
8 Argila Arenosa 7 222,66 257,80 80,64 187,04
9 Argila Arenosa 10 316,67 300,26 133,10 250,01
10 Argila Arenosa 13 416,62 340,01 203,13 319,92
11 Argila Arenosa 6 255,32 379,18 208,04 280,85
12 Argila Arenosa 8 589,43 454,71 259,28 434,47
13 Argila Arenosa 6 498,95 496,72 288,00 427,89
14 Areia Siltosa 6 521,57 530,36 326,64 459,52
15 Areia Siltosa 5 483,87 583,56 357,76 475,06
16 Areia Siltosa 10 804,31 638,06 447,09 629,82
17 Areia Siltosa 10 842,01 696,55 522,49 687,02
18 Areia Siltosa 10 879,71 739,10 601,98 740,26
19 Areia Siltosa 9 857,09 833,21 673,89 788,06
20 Areia Siltosa 27 1976,75 968,95 968,75 1304,82
21 Areia Siltosa 41 2923,00 1122,53 1383,21 1809,58
22 Areia Siltosa 45 3318,84 1239,18 1814,78 2124,27
23 Areia Siltosa 50 3790,08 1310,73 2314,66 2471,82

O gráfico da Figura 1 apresenta a capacidade de carga por atrito lateral da


estaca hélice contínua ao longo da profundidade obtida para cada método e a média da
capacidade de carga por atrito lateral ao longo da profundidade, obtida a partir dos
valores alcançados pelos métodos em propostos.

69
Tabela 19 - Valores da capacidade de carga por ponta da estaca Hélice Contínua para
os métodos apresentados
RELATÓRIO FINAL
Estaca Tipo Diâmetro (cm) N.A (m)
Moldada in-loco Hélice Contínua 60 3,85
Carga Admissível na cota de apoio da Estaca (kN)
Cota (m) Aoki-Velloso Decourt-Quaresma Lobo Média
23,00 3.790,08 1310,73 2314,66 2471,82

GRÁFICO 1 - Capacidade de carga por atrito lateral da estaca

Capacidade de Carga
Aoki-Velloso Décourt-Quaresma Lobo Média

Q Adm (kN)
0 1000 2000 3000 4000 5000
0
1
2
3
4
5
6
7
8
9
Profundidade (m)

10
11
12
13
14
15
16
17
18
19
20
21
22
23

70
7.2 – CAPACIDADE DE CARGA POR ATRITO LATERAL E DE PONTA PARA
ESTACA PRÉ-MOLDADE DE CONCRETO PARA O PERFIL DE SONDAGEM DO
SPT SETOR H NORTE QNH – TAGUATINGA – DF

Na Tabela 20, é apresentado o resumo dos resultados da capacidade de carga


de ao longo do fuste para a estaca pré-moldada de concreto para os métodos de AOKI
& VELLOSO, DECOURT – QUARESMA e LOBO pelo perfil estratigráfico da sondagem
do SPT Setor H Norte QNH – Taguatinga - DF. Na Tabela 21 também é apresentado
um resumo das características da estaca e a carga aplicada na ponta para cada
metodologia de cálculo de dimensionamento. O gráfico 2 apresenta a capacidade de
carga por atrito lateral da estaca ao longo da profundidade obtida para cada método.

Ao analisar os resultados da Tabela 20 e 21 podemos comprovar que o método


mais arrojado é o de AOKI & VELLOSO (1975), e é o que apresenta os valores de
capacidade de carga por atrito lateral do fuste mais equilibrado. A diferença percentual
entre a carga de ponta de AOKI & VELLOSO e a capacidade de carga média pode
chegar a 30%. Mais uma vez metodologia mais conservadora e de DECOURT &
QUARESMA (1978), que pode ser confirmado pela diferença para capacidade de carga
da ponta da estaca entre os três métodos proposto.

O gráfico da Figura 2 apresenta a capacidade de carga por atrito lateral da


estaca pré-moldada de concreto ao longo da profundidade obtida para cada método e a
média da capacidade de carga por atrito lateral ao longo da profundidade, obtida a
partir dos valores alcançados pelos métodos em propostos.

69
Tabela 20 - Valores da capacidade de carga por atrito lateral
ESTACA PRÉ MOLDADA DE CONCRETO - SPT Setor H Norte QNH – Taguatinga -
DF
Prof. (m) Tipo de solo N SPT A&V (KN) D&Q (KN) Lobo (KN) Média (KN)
1 Argila Arenosa 2 61,07 45,96 16,82 41,28
2 Argila Arenosa 2 65,60 74,96 16,91 52,49
3 Argila Arenosa 2 70,12 103,96 17,00 63,69
4 Argila Arenosa 2 74,64 132,96 17,09 74,90
5 Argila Arenosa 2 79,17 161,96 17,18 86,10
6 Argila Arenosa 2 83,69 202,27 26,71 104,22
7 Argila Arenosa 6 210,36 247,48 84,02 180,62
8 Argila Arenosa 7 254,47 303,33 130,11 229,30
9 Argila Arenosa 10 361,91 359,64 212,46 311,34
10 Argila Arenosa 13 476,14 397,41 321,14 398,23
11 Argila Arenosa 6 291,79 432,62 319,87 348,09
12 Argila Arenosa 8 673,63 586,66 399,13 553,14
13 Argila Arenosa 6 570,23 628,67 439,73 546,21
14 Areia Siltosa 6 596,08 642,51 497,66 578,75
15 Areia Siltosa 5 552,99 722,10 543,11 606,07
16 Areia Siltosa 10 919,21 803,00 683,06 801,75
17 Areia Siltosa 10 962,30 894,47 796,10 884,29
18 Areia Siltosa 10 1.005,38 930,43 915,28 950,36
19 Areia Siltosa 9 979,53 1136,69 1021,91 1046,04
20 Areia Siltosa 27 2.259,15 1476,95 1485,32 1740,47
21 Areia Siltosa 41 3.340,57 1868,03 2123,25 2443,95
22 Areia Siltosa 45 3.792,96 2136,42 2775,05 2901,48
23 Areia Siltosa 50 4.331,52 2250,85 3530,42 3370,93

Tabela 21 - Valores da capacidade de carga por ponta da estaca hélice contínua para
os métodos apresentados
RELATÓRIO FINAL
Estaca Tipo Diâmetro (cm) N.A (m)
Pré-Moldada Vibrada Concreto 60 3,85
Carga Admissível na cota de apoio da Estaca (kN)
Cota (m) Aoki-Velloso Décourt-Quaresma Lobo Média
23,00 4331,52 2250,85 3530,42 3370,93

70
GRÁFICO 2 - Capacidade de carga por atrito lateral da estaca

Capacidade de Carga
Aoki-Velloso Décourt-Quaresma Lobo Média
Q Adm (kN)
0 1000 2000 3000 4000 5000
0
1
2
3
4
5
6
7
8
9
Profundidade (m)

10
11
12
13
14
15
16
17
18
19
20
21
22
23

7.3 – CAPACIDADE DE CARGA POR ATRITO LATERAL E DE PONTA PARA


ESTACA HÉLICE CONTÍNUA PARA O PERFIL DE SONDAGEM DO SETOR DE
GARAGENS MINISTERIAL NORTE BRASÍLIA – DF

Na Tabela 22 é apresentado um resumo dos resultados da capacidade de carga


de ao longo do fuste para a estaca Hélice Contínua nos métodos de AOKI &
VELLOSO, DECOURT – QUARESMA e LOBO, pelo perfil estratigráfico da sondagem
do Setor de Garagens Ministerial Norte Brasília – DF. As características da esta e a na
carga máxima suportada ponta são apresentados na Tabela 23. O gráfico 3 apresenta
a capacidade de carga por atrito lateral da estaca ao longo da profundidade obtida para
cada método.

71
A análise dos dados da Tabela 22 e 23 demonstram mais uma vez que o
método mais arrojado é o de AOKI & VELLOSO (1975), e é o que apresenta os valores
de capacidade de carga por atrito lateral mais equilibrado. A diferença percentual entre
a carga de ponta de AOKI & VELLOSO e a capacidade de carga média é de
aproximadamente 55%. A metodologia mais conservadora e de DECOURT &
QUARESMA (1978), podendo ser confirmado pela diferença entre as capacidade de
carga da ponta da estaca apresentado nos três métodos proposto.

Tabela 22 - Valores da capacidade de carga por atrito lateral


ESTACA HÉLICE CONTÍNUA - SETOR DE GARAGENS MINISTERIAL NORTE
BRASÍLIA – DF
Prof. (m) Tipo de solo N SPT A&V (KN) D&Q (KN) Lobo (KN) Média (KN)
1 Argila Arenosa 4 106,88 42,35 16,96 55,39
2 Argila Arenosa 4 114,79 64,34 17,09 65,41
3 Argila Arenosa 4 122,71 84,63 17,21 74,85
4 Argila Arenosa 3 103,91 107,54 13,51 74,98
5 Argila Arenosa 5 163,28 127,83 21,24 104,12
6 Argila Arenosa 3 119,74 149,30 22,74 97,26
7 Argila Arenosa 3 125,68 173,79 33,25 110,90
8 Argila Arenosa 7 238,49 208,04 74,39 173,64
9 Argila Arenosa 10 332,51 249,44 126,84 236,26
10 Argila Arenosa 13 432,46 279,85 196,88 303,06
11 Argila Arenosa 9 351,31 311,24 227,35 296,63
12 Argila Arenosa 12 852,47 435,82 303,24 530,51
13 Argila Arenosa 6 535,80 459,65 317,32 437,59
14 Areia Siltosa 8 679,06 466,87 375,38 507,10
15 Areia Siltosa 8 709,21 519,65 429,55 552,81
16 Areia Siltosa 10 860,01 561,79 508,05 643,28
17 Areia Siltosa 10 897,71 598,86 583,45 693,34
18 Areia Siltosa 9 875,09 726,76 651,69 751,18
19 Areia Siltosa 27 1994,75 935,13 936,28 1288,72
20 Areia Siltosa 41 2941,00 1172,95 1335,16 1816,37
21 Areia Siltosa 45 3336,84 1339,51 1749,63 2141,99
22 Areia Siltosa 50 3808,08 1412,54 2230,73 2483,78

O gráfico da Figura 3 apresenta a capacidade de carga por atrito lateral da


estaca pré-moldada de concreto ao longo da profundidade obtida para cada método e a

72
média da capacidade de carga por atrito lateral ao longo da profundidade, obtida a
partir dos valores alcançados pelos métodos em propostos.

Tabela 23 - Valores da capacidade de carga por ponta da estaca hélice contínua para
os métodos apresentados
RELATÓRIO FINAL
Estaca Tipo Diâmetro (cm) N.A (m)
Moldada
HÉLICE CONTÍNUA 60 4
in-loco
Carga Admissível na cota de apoio da Estaca (kN)
Cota (m) Aoki-Velloso Décourt-Quaresma Lobo Média
22,00 3808,08 1412,54 2230,73 2483,78

GRÁFICO 3 - Capacidade de carga por atrito lateral da estaca

Capacidade de Carga
Aoki-Velloso Décourt-Quaresma Lobo Média

Q Adm (kN)
0 1000 2000 3000 4000 5000
0
1
2
3
4
5
6
7
8
9
Profundidade (m)

10
11
12
13
14
15
16
17
18
19
20
21
22
23

73
7.3 – CAPACIDADE DE CARGA POR ATRITO LATERAL E DE PONTA PARA
ESTACA PRÉ-MOLDADA DE CONCRETO PARA O PERFIL DE SONDAGEM DO
SETOR DE GARAGENS MINISTERIAL NORTE BRASÍLIA – DF

Na Tabela 24 é apresentado um resumo dos resultados da capacidade de carga


de ao longo do fuste para a estaca Hélice Contínua nos métodos de AOKI &
VELLOSO, DECOURT – QUARESMA e LOBO, pelo perfil estratigráfico da sondagem
do Setor de Garagens Ministerial Norte Brasília – DF. É apresentado na Tabela 25
apresenta um resumo das características da estaca e a carga máxima aplicada na
ponta para cada metodologia de cálculo para dimensionamento, e o gráfico 4 apresenta
a capacidade de carga por atrito lateral da estaca ao longo da profundidade obtida para
cada método.

A análise dos dados da Tabela 24 e 25 demonstra que o método mais arrojado é


o de AOKI & VELLOSO (1975), e é o que mais uma vez apresenta os valores de
capacidade de carga por atrito lateral mais equilibrado. A diferença percentual entre a
carga de ponta de AOKI & VELLOSO e a capacidade de carga média é de
aproximadamente 20%. A metodologia mais conservadora mais uma vez e de
DECOURT & QUARESMA (1978), podendo ser confirmado na Tabela 25.

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Tabela 24 - Valores da capacidade de carga por atrito lateral
ESTACA PRÉ MOLDADA DE CONCRETO - SETOR DE GARAGENS
MINISTERIAL NORTE BRASÍLIA – DF
Prof. (m) Tipo de solo N SPT A&V (KN) D&Q (KN) Lobo (KN) Média
1 Argila Arenosa 4 122,15 89,85 31,02 81,01
2 Argila Arenosa 4 131,19 111,84 31,19 91,41
3 Argila Arenosa 4 140,24 128,18 31,36 99,93
4 Argila Arenosa 3 118,75 155,04 24,52 99,44
5 Argila Arenosa 5 186,61 171,37 38,61 132,20
6 Argila Arenosa 3 136,85 192,84 38,32 122,67
7 Argila Arenosa 3 143,63 225,24 54,07 140,98
8 Argila Arenosa 7 272,56 287,21 120,73 226,83
9 Argila Arenosa 10 380,01 368,20 203,08 317,09
10 Argila Arenosa 13 494,24 406,52 311,76 404,17
11 Argila Arenosa 9 401,50 445,82 352,49 399,94
12 Argila Arenosa 12 974,25 792,08 469,94 745,42
13 Argila Arenosa 6 612,34 802,71 483,72 632,92
14 Areia Siltosa 8 776,06 757,16 573,19 702,14
15 Areia Siltosa 8 810,53 862,72 654,40 775,88
16 Areia Siltosa 10 982,87 931,24 774,49 896,20
17 Areia Siltosa 10 1025,95 981,51 887,54 965,00
18 Areia Siltosa 9 1000,10 1333,71 988,66 1107,49
19 Areia Siltosa 27 2279,72 1951,12 1436,76 1889,20
20 Areia Siltosa 41 3361,15 2663,95 2051,39 2692,16
21 Areia Siltosa 45 3813,53 3133,99 2677,56 3208,36
22 Areia Siltosa 50 4352,09 3292,78 3404,79 3683,22

Tabela 25 - Valores da capacidade de carga por ponta da estaca hélice contínua para
os métodos apresentados
RELATÓRIO FINAL
Estaca Tipo Diâmetro (cm) N.A (m)
Pré-Moldada Vibrada Concreto 60 4
Carga Admissível na cota de apoio da Estaca (kN)
Cota (m) Aoki-Velloso Décourt-Quaresma Lobo Média
22,00 4352,09 3292,78 3404,79 3683,22

75
GRÁFICO 4 - Capacidade de carga por atrito lateral da estaca

Capacidade de Carga
Aoki-Velloso Décourt-Quaresma Lobo Média
Q Adm (kN)
0 1000 2000 3000 4000 5000
0
1
2
3
4
5
6
7
8
9
Profundidade (m)

10
11
12
13
14
15
16
17
18
19
20
21
22
23

8 - CONCLUSÃO

No presente trabalho, foram propostos três métodos de previsão de capacidade


de carga de estacas, baseados nos métodos de AOKI E VELLOSO, DECOURT –
QUARESMA e de LOBO, este último utiliza uma nova interpretação dos resultados do
ensaio de SPT, conforme conceito introduzido por ODEBRECHT (2003). Este novo
método utiliza a força dinâmica de reação do solo à cravação do amostrador padrão
para estimar a capacidade de carga da estaca.

76
Diante dos estudos feitos neste trabalho, podemos verificar que pela
metodologia de AOKI & VELLOSO (1975) obtivemos resultados bem acima da média
entre as outras metodologias propostas para capacidade de carga por atrito lateral e
total.

Os valores de capacidade de carga obtidos neste trabalho, para estaca pré-


moldada de concreto pelo método de DECOURT & QUARESMA (1978), aproximaram-
se mais dos outros métodos, pois este método foi concebido para este tipo de estaca,
porém para estacas hélice contínua, os valores encontram-se sobrestimados quando
comparado com os outros métodos estudados. Esta metodologia não seria uma boa
indicação para este tipo de estaca já que necessitariam de mais estacas para suportar
a mesma carga quando dimensionado por outros métodos encarecendo a fundação.

Os valores obtidos pelo método de LOBO (2005) ficaram próximo da média dos
valores obtidos pelos métodos semi-empíricos proposto, sendo uma boa alternativa
para dimensionamento de fundações profundas, porém devemos fazer mais estudos
para valores de N baixos, já que a força dinâmica é baixa nestes casos.

Para uma melhor conclusão do trabalho, e uma melhor determinação de qual o


método mais eficaz para o dimensionamento de estacas hélice contínua e Pré-moldada
de concreto, devemos realizar uma prova de carga em estacas dimensionadas pelos
métodos para um mesmo perfil geológico.

Um aspecto importante que devemos levar em consideração, para a eficácia dos


métodos proposta é a qualidade nos ensaios de SPT para a classificação dos solos e a
sua resistência à penetração do amostrador padrão através do número N.

Muitos são os erros apresentados por falta de uma maior uniformidade e


padronização do equipamento e somam-se a isto as perdas de energia do sistema.
Diversos são os fatores físicos capazes de alterar os resultados do SPT, mas o mais
importante é a altura de queda do martelo de bater onde ficou evidente que não é
seguido um padrão de altura de 0,75 m para levantar o martelo de bater.

77
Fica aqui proposto um trabalho no sentido de certificar as empresas que
executam ensaios de sondagem onde as obrigará a qualificar-se para oferecer serviços
de sondagens com qualidade e confiança.

78
REFERENCIAS BIBLIOGRÁFICAS

AMANN, KURT ANDRE PEREIRA – Metodologia semi-empírica unificada para


estimativa de capacidade de carga de estacas / K.A.P AMANN. São Paulo 2010. –
Tese Doutorado – Escola Politécnica da Universidade de São Paulo. Departamento de
Engenharia e Estruturas e Geotécnica.

ANDRADE, GUIDO MARTINS DE - Fundação em Estaca Hélice contínua: Estudo de


caso em obra de viaduto no município de Feira de Santana-BA. – Monografia
apresentada à Universidade Estadual de Feira de Santana, como requisito para
obtenção da graduação em Engenharia Civil.

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TECNICAS. Projeto e Execução de


Fundações: NBR 6122. Rio de Janeiro, 1996. ABNT. Solo –Sondagens de Simples
Reconhecimento com SPT – Método de Ensaio. NBR 6.484, Associação Brasileira de
Normas Técnicas, 2001.

ALONSO, U.R. (1998). Prova de carga horizontal em Estaca Hélice Contínua – Revista
Solos E Rochas, São Paulo.

BARROS, NESTOR BENEDITO FRACASSE - Previsão de Recalque e Análise de


Confiabilidade de Fundações em Estacas Hélice Contínua. – Dissertação para
obtenção do Título de Mestre em Ciências, Programa Pós-Graduação em Geotécnia.

BELINCANTA, ANTONIO, & FERRAZ, ROBERTO L. - Fundamentos e métodos de


medidas de energia dinâmica no SPT.

BORTOLUCCI, A. A.; Caracterização Geológico-Geotécnica da Região Urbana de São


Carlo-Sp, A Partir de Sondagens de Simples Reconhecimento, Dissertação de
Mestrado, Universidade de São Paulo, Escola de Engenharia de São Carlos, 1983.

BROOMS, B. B., & FLODIN, N., (1988) History Of Soil Penetration Test, Isopt-1, de
Ruiter (Ed.), Balkena, Rotterdam, Isbn 9061918014. Pp. 169.

CAVALCANTE, H, ERINALDO. Investigação Teórico-Experimental sobre o SPT. 2002.


Tese (Doutorado em Ciências em Engenharia Civil) Curso de Pós-Graduação em
Engenharia Civil, Univ. Fed. do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro.

ENGENHARIA DE SOLOS E FUNDAÇÕES – ENSOLOS. Estaca de concreto Pré-


moldada – Disponível em - <http://www.ensolo.com.br/public> Acesso em 15 de
março de 2014.

HORTEGAL, M.V. (2011). Avaliação do Comportamento de Estacas Hélice Contínua a


Partir de Resultados de Laboratório e de Campo. Dissertação de Mestrado, Publicação
G.DM-195/11, Departamento de Engenharia Civil e Ambiental, Universidade de
Brasília, Brasília,DF, 173 p.

79
PAGNUSSATTI, HERIBERTO & SANTOS, ADAILTON ANTONIO DOS - Análise
Comparativa dos Métodos de Estimativa de Capacidade de Carga de Fundações
Profundas - Estudo de Caso - Artigo Submetido ao Curso de Engenharia Civil da Unesc
- Como Requisito Parcial para obtenção do Título de Engenheiro Civil.

LOBO, O. BIANCA. Método de previsão de capacidade de carga de estacas:


Aplicando os conceitos de energia do ensaio SPT. 2005. Tese (Mestrado Em
Engenharia Civil) Curso de Pós-Graduação em Engenharia Civil, Univ. Fed. do Rio
Grande do Sul, Porto Alegre.

NETO. SILVRANO ADONIAS DANTAS – Fundações e obra de contenção. Professor


da Universidade Federal do Ceará, departamento de Engenharia Hidráulica e
Ambiental.

MANTUANO, RAPHAEL MARTINS - Comparação entre os métodos de


dimensionamento e influência do processo executivo no comportamento de estacas
hélice. / Raphael Martins Mantuano. – Rio de janeiro: UFRJ/ Escola Politécnica, 2013

ODEBRECHT, EDGAR M.SC. Doutorando, UFRGS - SCHNAID, FERNANDO, PH. Dr


- Professor UDESC - ROCHA, MARCELO MAIA, DR. Professor Adjunto, UFRGS. –
BERNARDES, GEORGE DE PAULA, DR. Professor UNESP – FEG – Transferência
de energia no ensaio SPT: Efeito do comprimento de hastes e da magnitude dos
deslocamentos

ODEBRECHT, EDGAR. Medidas de energia no ensaio SPT. 2003. Tese (Doutorado


em Engenharia Civil) Curso de Pós-Graduação Em Engenharia Civil, Univ. Fed. do Rio
Grande do Sul, Porto Alegre.

Rodrigues, Carlos – Mestrado Mecânica dos Solos e Engenharia Geotécnica


Projecto Assistido por Ensaios I - CPT – Cone Penetration Test

SILVA. DANIEL FIRMINO DA - Mapeamento Geostático dos parâmetros NSPT e


Torque máximo de solos em parte da bacia do ribeirão Cambezinho em Londrina/Pr.
Dissertação para a obtenção do Titulo de Mestre em Engenharia de Edificações e
Saneamento pela Universidade Estadual de Londrina.

SONDAGEM DE SIMPLES RECONHECIMENTO COM SPT E TORQUE MÁXIMO,


Notas de aula do Curso Investigações Geológico-Geotécnicas com fins de Fundações
e Ambientais, promovido pela Universidade Estadual de Londrina, 2004.

80
ORGANOGRAMA DO TRABALHO PROPOSTO

Revisão Bibliográfica

Metodologia de trabalho
Acompanhar a execução de SPT
Brasília - DF.

Realizar estudos da capacidade de


Carga das fundações tipo Estaca
Hélice contínua e Estaca Pré-
moldadas de concreto.

Comparação da previsão de capacidade de carga última


dos métodos semi-empíricos.

Aoki – Velloso (1975)


Decourt – Quaresma (1978)
Lobo (2005)

Comparar os resultados de capacidade de carga com os


resultados obtidos dos métodos proposto para previsão
de capacidade de carga

Definir a melhor solução técnica e a


ser utilizada para a execução de
81
fundações
SONDAGEM REALIZADO NO SETOR H NORTE QNH – TAGUATINGA – DF

82
83
SONDAGEM REALIZADO NO SETOR DE GARAGENS MINISTERIAL NORTE
BRASÍLIA – DF

84
85