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Tina Coêlho/Esp. CB/D.

A Press

Brasília, quarta-feira, 11 de setembro de 2013

O cerrado abriga quase 5%


da fauna mundial, mas menos
de 3% do bioma está protegido.
Até pouco tempo, acreditava-se
que o isolamento em Unidades de
Conservação era a melhor saída.
No entanto, especialistas já defendem
a exploração sustentável como a
solução para a sobrevivência da nossa
savana. O resultado é visto na prática:
três filhotinhos de lobo-guará
nasceram no Zoo de Brasília.

Como
preservar
Dia do cerrado
4 • Brasília, quarta-feira, 11 de setembro de 2013 • CORREIO BRAZILIENSE

A riqueza da nossa savana

Tina Coêlho/Esp. CB/D.A Press


Entenda por que os galhos tortos e a secura do cerrado — um bioma fechado, denso e cheio de mistérios
— escondem uma extensa diversidade, com potenciais medicinais, gastronômicos e turísticos
» MARIANNA RIOS bioma, garantir a segurança ali-
O que o cerrado tem mentar, criar demanda de con-
Nas nuvens

E
xtrativismo sustentá- sumidores, gerar renda e, conse- O Ser Sustentável preparou
vel: guarde essa palavra. » 320 mil espécies da fauna, » 13 estados e o Distrito Federal quentemente, ser conservado. conteúdos especiais para a
Ela pode ser a chave pa- sendo 67 mil invertebrados, 250 compõem o bioma (Amapá, Bahia, Para o coordenador do Centro internet. Confira no nosso hotsite
ra preservar o bioma que tipos de mamíferos, 800 tipos Goiás, Maranhão, Mato Grosso, Nacional de Pesquisas e Conser- www.correiobraziliense.com.br/
domina um quarto do território de aves, 260 tipos de lagartos e Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, vação da Biodiversidade do Cer- ser-sustentavel
nacional, mas que perdeu me- serpentes, 113 variações de Paraná, Piauí, Rondônia, Roraima, rado e da Caatinga, Onildo João
tade da sua área para pastagens anfíbios e 1.300 peixes São Paulo e Tocantins) Marini, do ICMBio, está na hora antecedência de, pelo menos,
e lavouras e é mantido intacto » 40% das espécies de plantas » 2 milhões de km² de extensão de as pessoas valorizarem e se or- cinco dias para garantir a pre-
em menos de 3% da sua totali- lenhosas e 50% das abelhas » 12 mil espécies de plantas gulharem do que têm.“As Unida- sença de um guia pago. O cam-
dade, graças às Unidades de podem ser endêmicas e 6 mil de árvores des de Conservação tendem a se ping tem limite para 15 pessoas
Conservação. Já o restante de isolar com o tempo e, se você não e não possui estrutura de pro-
cerrado fora dos limites das UCs tiver atividades compatíveis com pósito, para manter o aspecto
encontra-se isolado ou amea- conservação em áreas que não rústico e evitar produção de lixo.
çado. A solução para o proble- pela segunda maior formação desvalorizado. “Nos últimos 40 são de UCs, terá problemas.” Outra beneficiada com a con-
ma pode estar nas mãos dos vegetal do país, após a Floresta anos, essa figura mudou radi- Além da fabricação de pro- servação, a agricultura pode aju-
agricultores que respeitam as Amazônica, e pode abrigar cerca calmente e agora sabemos que dutos diversos, Marini destaca dar a manter as Reservas Legais
Reservas Legais nas proprieda- de 5% da fauna mundial, além de é uma formação muito rica, os serviços prestados pelo bio- nas propriedades e encontrar
des e das comunidades que vi- um terço da brasileira. Também com taxas de endemismo al- ma, como o fornecimento de usos sustentáveis do bioma. “Às
vem em meio à vegetação. é conhecido como o “berço das tas.” Ele observa uma mudança água em qualidade e em quanti- vezes parece que há contraposi-
Neste suplemento especial águas” e abastece grandes ba- de paradigma na medida em dade e a garantia de ar limpo. ção entre agricultura e conserva-
dedicado à savana brasileira, es- cias, como a do Amazonas, ao que o conhecimento sobre o Segundo o coordenador, o eco- ção, mas ela depende do clima,
pecialistas mostram como é pos- Norte; a do São Francisco, ao bioma avança. “Países civiliza- turismo pode ser uma saída pa- dos nutrientes e do controle de
sível desbravar os diversos po- Nordeste; e a do Prata, ao Sul. dos têm muita pesquisa sobre ra a preservação. Por isso, no fim pragas”, explica Mercedes Busta-
tenciais do bioma — capaz de espécies nativas que podem re- de julho, o instituto inaugurou mante, professora do Departa-
inovar a medicina, a gastrono- Formação rica presentar recursos, como ali- uma trilha com direito a pernoi- mento de Ecologia da UnB. A
mia, a indústria de cosméticos e mentação, diversão e turismo, te no Parque da Chapada dos bióloga ressalta a importância
o turismo. Como o próprio nome O diretor do Instituto de mas nós temos pouco trabalho Veadeiros. Com 23km de exten- de garantir justiça social e remu-
diz, o cerrado é fechado, denso, Ciências Biológicas da Universi- nesses setores”, lamenta. são, a Trilha das Sete Quedas neração conivente com o traba-
cheio de mistérios que ainda es- dade de Brasília (UnB), Jader A esperança dos estudiosos é passa por belas paisagens de câ- lho desenvolvido pelas comu-
tão sendo descobertos pelos pes- Marinho, lembra que, há 50 que tanta riqueza seja descober- nions, piscinas naturais e que- nidades. “E para o cidadão co-
quisadores. Material de estudo anos, todo esse potencial do ta enquanto há tempo de ser ex- das d’água. O passeio é gratuito, mum, que ele se sinta perten-
ele tem de sobra: é responsável cerrado era desconhecido e plorada para agregar valor ao mas precisa ser agendado com cente a essa paisagem”, destaca.

Parque Nacional de Brasília,


símbolo da preservação do
segundo bioma mais ameaçado
do país: como explorar
corretamente tanta riqueza?
Dia do cerrado
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Matas abertas

Tina Coêlho/Esp. CB/D.A Press


para o mundo
Os povos do cerrado, antes isolados,
agora podem ser encontrados na internet.
Os trabalhos artesanais deles, também
» MARIANNA RIOS

H
á oito anos, Luis Carrazza,
41, tornou-se pioneiro O sorbê de
com a iniciativa de divul-
gar na web produtos de cajuzinho-
um dos biomas mais ameaçados do-mato é uma
do país. Hoje é secretário executi-
vo da loja virtual Central do Cerra- das coisas mais
do, a união de 30 cooperativas de sofisticadas
oito estados (GO, MA, MG, MS,
MT, PA, PI e TO). As comunidades que já fiz"
sócias vendem anualmente em
torno de R$ 500 mil — o site rece- Simon Lau Cederholm,
be 2 mil visitas mensais e até par- chef de cozinha
cerias com chefs renomados e
grupos de consumidores espalha-
dos pelo Brasil foram feitas. bioma. “As quebradeiras de coco
Carrazza afirma que as vendas conservam milhões de hectares
on-line representam aproxima- de babaçuais no norte de Minas
damente 30% dos negócios fe- Gerais”, exemplifica.
chados, e o restante é feito por e- Outra iniciativa de promoção
mail ou por telefone. “Escolhe- na web é o Cerratinga. Criado há
mos que o nosso primeiro canal um mês, ele funciona como uma Carrazza, pioneiro na iniciativa de divulgar na web produtos do cerrado: vendas anuais em torno de R$ 500 mil
de comunicação seria o site por espécie de enciclopédia sobre o
questões de custo e por estarmos cerrado e a caatinga, com infor-

R$ 3
no mundo inteiro, em tempo real. mações sobre os biomas e as po- uma coisa que acontece quando
Ele é um meio de divulgar o con- pulações que vivem em meio à a gente passa a fronteira do qua- Acesse
texto regional, a importânica da- vegetação, além de receitas e pu- dradinho do Distrito Federal. In-
quele produto para aquela cultu- blicações científicas. Os princi- do para Goiás Velho eu tive mi- www.cerratinga.org.br
ra, para aquele povo”, explica. pais objetivos do portal são inse- Valor mínimo de produtos nhas experiências com gastrono- www.centraldocerrado.org.br
Na página, é possível encontrar rir os produtos locais nos merca- de diversos setores, como mia local, principalmente a carne
produtos agroindustrializados de dos e criar demanda de consumi- alimentação, cosmética e de porco, o milho e o pequi, de
diversos setores, como alimenta- dores. “O nosso objetivo não é fa- artesanato de 30 cooperativas que nunca tinha ouvido falar”,
ção, cosméticos e artesanatos, zer a venda, mas sim uma enci- da loja virtual Central do Cerrado lembra o dinamarquês, que che-
com custo de R$ 3 a R$ 200. Se- clopédia de informações dessas gou a Brasília em 1996. Ele desta- — fruto colhido por uma forne-
gundo Carrazza, os mais procura- espécies do cerrado e da caatinga ca a intensidade do sabor das fru- cedora de Alexânia — é uma “das
dos são: a farinha e o azeite de ba- para que o consumidor saiba cu- tas como o diferencial do cerrado. coisas mais sofisticadas” do seu
baçu,acastanhadebarueosóleos riosidades e tabelas nutricionais”, está morando lá e da forma como Inspirado com as novidades cardápio.
de pequi e de coco de macaúba. esclarece Isabel Figueiredo, coor- eles veem a renda a partir da ve- até mesmo para os brasilienses, A sobremesa cor-de-rosa
“Estamos conseguindo apresen- denadora da página. getação nativa”, afirma Isabel. Cederholm passou a adoçar as também é rara e só é servida no
tar o Brasil para os brasileiros, O site é uma iniciativa do Ins- sobremesas com açúcar da cida- mês de outubro. “Você só conse-
porque a gente conhece o moran- tituto Sociedade, População e Demanda por tradição de histórica e a utilizar uma es- gue manter algo se existe inte-
go e a laranja mas vê pouca coisa Natureza, do qual Isabel é asses- pécie de baunilha selvagem — resse econômico e se os produ-
nativa do país nos verdurões. Essa sora técnica, e contou com o in- Quem “bebe” do cerrado e de- encontrada nas matas ciliares do tores descobrem que é mais in-
invisibilidade muitas vezes é por vestimento de R$ 40 mil do Fun- pende da caça de produtos raros cerrado e plantada na sua horta teressante preservar para poder
preconceito e as comunidades es- do Brasileiro para a Biodiversida- em feiras espalhadas por Goiás é — em algumas receitas. “Ainda plantar baunilha, cajuzinhos-
tão percebendo agora o valor”, de (Funbio) para ser desenvolvi- o chef Simon Lau Cederholm, co- hoje as pessoas estranham ter do-mato… Mas ele tem que ter
avalia. Ele aponta a importância do. “A nossa intenção é gerar a nhecido nacionalmente por ex- baunilha no Brasil e eu senti que para onde vender”, critica o chef,
da atividade extrativista das cinco conservação do cerrado e da caa- plorar sabores locais. Foram os ainda é um país com muita coisa que compartilha a responsabili-
mil famílias para a preservação da tinga a partir do uso sustentável frutos e as plantas típicas que lhe para se descobrir.” Ele diz que o dade de caçar essas raridades
cultura e da biodiversidade do — e isso depende muito de quem renderam premiações. “Goiás é seu sorbê de cajuzinho-do-mato com todos os consumidores.
Dia do cerrado
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Um mundo à parte

Fotos: Associação Quilombo Kalunga/Divulgação


A diversidade de povos do centro do Brasil, como os kalungas
na Chapada dos Veadeiros, estimula o turismo no cerrado
» MARIANNA RIOS hábitos locais pode escolher os
períodos de festividades, entre

I
magine conhecer os hábitos agosto e setembro, quando é
peculiares de uma comuni- Fiz pesquisas em possível ver de perto as roma-
dade com passado quilom- rias, as ladainhas e danças típi-
bola, que encontrou na vege- cartórios e, ao saber cas como a sussa.
tação seca do cerrado refúgio e que eles não tinham
sobrevivência há mais de 300 Passado recente
anos e que somente na década de lugar na geografia
1980 foi reconhecida pelo Estado. histórica de Goiás, vi Os descendentes de quilom-
Os mais de 8 mil kalungas (na lín- bolas foram registrados em 1972,
gua banto, “lugar sagrado”) que estavam quando a antropóloga Mari de
acharam proteção em meio à ‘invisíveis’. Desde Nasaré Baiocchi contabilizou de-
Chapada dos Veadeiros, a 330km zenas de comunidades espalha-
de Brasília, e hoje se esforçam pa- então, gravitei em das ao norte de Goiás e reunidas
ra fortalecer a cultura e vencer o torno deles" em cinco núcleos: Contenda, Ka-
isolamento. A solução encontra- lunga, Vão de Almas, Vão do Mu-
da foi estimular o turismo cultu- Mari de Nasaré Baiocchi, leque e Ribeirão dos Bois. Os nú-
ral na região — e isso o povo de antropóloga cleos, subdivididos em 48 agru-
origem africana, costumes indí- pamentos, desde 1991 fazem par-
genas e tradições católicas tem te do Sítio Histórico e Patrimônio
muito a oferecer ao visitante. Cultural Kalunga.
Além de entrar em contato Responsável por dar visibilida- Jovens, meninos e adultos descendentes de escravos de cinco núcleos
com costumes diferentes, princi- Quem leva de aos kalungas há 40 anos, Mari, quilombolas no norte de Goiás: povo “invisível”, mas culturamente rico
palmente durante as festas típi- hoje com 79 anos, lembra que a
cas, o turista deve se esforçar pa- Associação Quilombo Kalunga região rica em minério já foi alvo
ra conhecer as belezas naturais (62) 3494-1511 de grilagem de terra e quase abri-
do bioma — que incluem ca- associacaoquilombokalunga gou uma hidrelétrica. “Fiz pesqui-
choeiras, serras, cânions — e se @gmail.com sas em cartórios e, ao saber que
preparar para curtir animais sil- eles não tinham lugar na geografia
vestres como lobos-guarás, ta- Praude Turismo histórica de Goiás, vi que estavam
manduás-bandeiras e araras. (62) 9693-6099 ‘invisíveis’. Desde então, gravitei
Para chegar lá, o melhor jeito é em torno deles”, afirma a goiana.
ir de carro até Cavalcante e con- Travessia Ecoturismo Ela conta que os primeiros conta-
tratar o serviço de guia nas agên- (61) 9978-8932 ou tos com os kalungas foram difí-
cias de turismo da cidade ou na (62) 3446-1595 ceis, quando era preciso percorrer
Associação Quilombo Kalunga. muitos quilômetros a cavalo e a
Se o visitante faz o tipo aventurei- pé por estradas pouco exploradas.
ro, pode ir até a comunidade de qualidade dos serviços ofereci- Em 2009, a antropóloga resol-
Engenho II — a mais estruturada dos, mas, para isso, destaca ne- veu se recolher em casa para fa-
dos kalungas, a 27km de Caval- cessitar de mais apoio dos gover- zer relatórios sobre as décadas
cante — e escolher um guia. nantes. “O kalunga quer ter mais de pesquisa. Mari defende a ne-
Quem vai ao local pode se sur- qualidade de estrutura para aju- cessidade de se incentivar o
preender com uma cultura qua- dar a gente a apresentar essa cul- acesso aos direitos básicos como
se intacta, mas que busca se tura para os turistas.” A respon- forma de os kalungas prospera-
atualizar e luta pelo acesso aos sável pela Associação Quilombo rem. “Eles não deixaram de ser
direitos básicos, como saúde e Kalunga, Izabel Maia, 35, destaca kalungas. A cultura deles é muito
educação. Antes, por exemplo, a importância de visitantes para forte”, opina. Para ela, um dos di-
não existia lugar onde se pudes- a comunidade. “Estamos desen- ferenciais desse povo é o respei-
se pagar por comida. Hoje há pe- volvendo o turismo para não so- to à natureza. “Eles tinham 90%
lo menos quatro refeitórios mon- breviver só da roça. Queremos de cerrado intocável quando nós
tados nas casas de kalungas: Siri- desenvolver o quilombo sem chegamos [na primeira expedi-
lo & Getúlia, Recanto Feliz, Ka- perder a cultura”, conta. ção]. Eles usam, mas não abu-
lunga e Galileus. O preço médio Conhecida como Bel Kalunga, sam do cerrado. A roça é rotati-
da refeição é de R$ 15. ela cita as cachoeiras Santa Bár- va; eles não ficam até a terra can-
O kalunga e dono de restau- bara, Capivari e Candaru, além sar. Com isso, preservam a ri-
rante em Engenho II Cezariano do Rio Paranã, como os passeios queza dos frutos locais e utili-
Paulino da Silva, 58 anos, sabe mais pedidos. Quem pretende fi- zam mais de 50 tipos de plantas
que ainda precisa melhorar a car mais e conhecer melhor os para usos medicinais."
Dia do cerrado
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Roberto Vieira, da área de recursos genéticos e de biotecnologia da Embrapa, pesquisa com Hellen Santana na Ermida Dom Bosco: químicos, botânicos e agrônomos à caça de odores

Aromas preservados
As apostas dos
pesquisadores
» Arnica-brasileira
» Maria-Preta ou
Tarumã-do-Cerrado
Pesquisa da Embrapa procura encontrar óleos essenciais de plantas do cerrado » Gonçalo-Alves
com potencial para a indústria de perfumes, de alimentos, de limpeza e de higiene » Araçá
» Canela-amarela

» MARIANNA RIOS espécie de pelinho que armaze- Extrativismo pode ter uma planta que produ-
na o óleo essencial. za determinado composto e que * Fontes: Embrapa e UnB

E
n t re as 12 mil espécies É essa substância que dá o po- sustentável seja muito difícil de achar, agre-
vegetais do cerrado, há al- tencial aromático da planta e é o gando valor em produtos locais”,
guma que produza odo- principal material do estudo da O engenheiro Cláudio Del Manezzi, sugere. “Tudo vai depender da vai para o laboratório para extrair
res agradáveis e capazes Embrapa. O coordenador da pes- responsável pelo projeto demanda”, completa. o óleo essencial. A planta é seca
de serem reproduzidos em larga quisa, Roberto Vieira, da área de Tecnologia de Produtos Florestais Com pequenas lupas, os cien- em uma estufa e, em seguida, a es-
escala? Essa é a pergunta que os recursos genéticos e de biotecno- Não Madeireiros da Região do tistas saem pela manhã à procura trutura responsável por gerar a
cientistas da Empresa Brasileira logia, explica que esse óleo pode Cerrado, da UnB, afirma que o de espécies em expedições dentro substância (folha, flor, caule etc.) é
de Pesquisa Agropecuária (Em- ser armazenado em diversas es- estudo dos potenciais aromáticos e fora do DF — como na Chapada inserida em um balão com água. A
brapa) querem responder. Para truturas, de acordo com a espécie, das plantas do bioma pode dos Veadeiros, em Caldas Novas, mistura é fervida e destilada num
tanto, fazem novo estudo para como nas folhas, nos frutos, nas incentivar os proprietários de terra pelo Parque dos Pireneus etc. Pri- processo capaz de separar o óleo
descobrir potenciais aromáticos cascas ou nas raízes. “Estamos fa- a conservar as Reservas Legais. “A meiro, os estudiosos maceram a essencial. Depois de extraído, ele é
nessas plantas. A busca, no en- zendo, a princípio, uma prospec- nossa ideia é fazer com que as folha com a mão e dão uma “ca- analisado para saber a composi-
tanto, está longe de ser fácil. Co- ção de tudo que tenha potencial pessoas mantenham a vegetação fungada” para sentir o odor exala- ção química e, em seguida, arma-
mo há pouca informação sobre olfativo, e estamos vendo as plan- em pé, mas que possam utilizá-la do. Se ela tiver um cheiro agradá- zenado. Assim, a coleção de subs-
os tipos do bioma, a caça no cam- tas com tricomas nas folhas.” O como mais uma fonte de renda.” vel e houver uma quantidade ra- tâncias cresce no laboratório.
po exige olhos atentos e expe- estudo conta com investimento zoável no local, é mapeada em um Para o pesquisador Humberto
riência para coletar os “chutes” de R$ 430 mil e coletou mais de 80 pois é um grupo muito fechado, GPS e dois exemplares são retira- Bizzo, da área de agroindústria de
de espécies produtivas. Até o materiais de, pelo menos, 30 es- mas é um mercado que tem sem- dos da natureza. Um é prensado alimentos, o mais importante des-
momento, os 14 agrônomos, pécies diferentes. pre de estar lançando novida- em papel-jornal e outro é armaze- se estudo é catalogar e coletar in-
químicos e botânicos identifica- Segundo Vieira, a última etapa des”, afirma o pesquisador. Ele nado em sacos plásticos. formações sobre plantas que, até
ram quatro boas famílias: Lamia- pretende chamar perfumistas acredita no diferencial do cerra- O primeiro, depois de seco, é então, eram ignoradas pela ciên-
ceae, Verbenaceae, Asteraceae e para avaliarem o interesse comer- do para atrair a indústria, porém, catalogado e guardado em um her- cia.“No final teremos uma base de
Myrtaceae. As candidatas são cial dos cheiros do cerrado. “É di- não sabe como ela fabricaria os báreo com informações sobre a dados. Nosso plano é que tudo es-
aquelas com tricoma glandular, fícil chegar até os perfumistas, óleos em grande escala. “Você planta e seus hábitos; já o segundo teja funcionando em 2015.”
SÓ QUEM CONHECE Mais que construir sonhos, a JCGontijo mostra na
prática que o cuidado com o cerrado é uma realidade
presente em cada projeto, em cada obra.

O CERRADO SABE Há quase 10 anos, a JCGontijo deu início a uma


nova construção de Brasília. Criou o conceito das

PRESERVAR. superquadras, mudou o jeito de viver na cidade.

Com inovação e excelência, a JCGontijo alcançou


a confiança do mercado, conquistou importantes
prêmios, mas não esqueceu a sua origem, a sua terra.
A JCGontijo acredita que o maior capital de uma
corporação são os seus valores morais, éticos e de
responsabilidade social e ambiental por meio dos
quais forma todos os outros.

Com o objetivo de manter o equilíbrio ecológico e


recuperar a flora e a fauna nativa da nossa região,
ela criou o Atitude Verde, o maior programa de
conscientização ambiental entre as empresas de
construção civil do Distrito Federal.

A empresa mantém um viveiro com mais de 400 mil


mudas de árvores, que estão sendo plantadas em
diversas áreas degradadas e parques urbanos. Mais
de 100 mil mudas de árvores nativas do bioma cerrado
foram plantadas nos parques do Tororó, Riacho Fundo
e do Guará.

Para a JCGontijo, o respeito pelo meio ambiente é um


compromisso que se renova a cada dia. Afinal, nós
nascemos e crescemos no cerrado.

bilidade:
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Su

ssi
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ue s e c o

green
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t

turo ho
je. o fu i
www.jcgontijo.com.br • (61) 3345-9000
Dia do cerrado
10 • Brasília, quarta-feira, 11 de setembro de 2013 • CORREIO BRAZILIENSE

Natura/Divulgação
Vitrine
Feito Brasil Cosméticos/Divulgação

ação
ura/Dvulg
Fotos: Nat
Sabonete em barra mapa de buriti
Preço sugerido: R$ 19
Natura Ekos Buriti Feito Brasil Cosméticos/Divulgação
Máscara Condicionadora
O óleo de buriti é rico em ácidos
graxos, ideal para hidratar
profundamente a pele e os cabelos.
A máscara pode ser usada
diariamente, substituindo o
condicionador.
Preço sugerido: R$ 25,80 Kit bolinha de pequi
Preço sugerido: R$ 30
Feito Brasil Cosméticos/Divulgação
Fábrica da Natura: catálogo variado, com máscaras, óleos desodorantes e hidratantes à base da nossa palmeira

Tem xampu de buriti? Kit bucha de pequi


Preço sugerido: R$ 24
Frutas-símbolos da região são matéria-prima para produção Natura Ekos Néctar
Desodorante Hidratante Feito Brasil Cosméticos
de cosméticos, como sabonetes, cremes para cabelos e óleos para o Corpo Buriti, 400ml www.feitobrasilcosmeticos.com.br
Da polpa de seus frutos extrai-se o
óleo de buriti, que, associado a
» CECILIA PINTO COELHO Pamplona, diretora de marketing. A Feito Brasil, no Paraná, tam- outros ativos emolientes, mantém a Óleo de copaíba
“Os produtos tradicionais usam bém apostou nesse segmento. pele macia, hidratada e A copaíba é utilizada

U
ma das principais indús- água e vários outros elementos. A Nos sabonetes artesanais, há delicadamente perfumada por mais no tratamento de
trias no Brasil, e em fran- parte de ativos corresponde ape- uma linha que conta com alguns de 12 horas. diversos ferimentos

Folhata Cosméticos/Divulgação
co crescimento, é a dos nas a 3% ou 10% do cosmético”, produzidos a partir do pequi e do Preço sugerido: R$ 39,80 e, em sua forma
cosméticos. Segundo es- completa. Do cerrado, a empresa buriti. “Não há nada de origem Refil: R$ 32,20 oleosa, auxilia
tudo da Associação da Indústria produz óleo de pequi, rico em animal, nem há silicones e outra na hidratação e
de Higiene Pessoal, a Abihpec, gorduras boas e sadias para a pele matéria-prima do petróleo. Esses na recomposição
trata-se do terceiro maior merca- — que faz hidratação profunda — sabonetes são feitos com base da pele.
do do mundo — atrás apenas dos e óleo de copaíba, usado por po- vegetal”, explica o gerente de Preço sugerido:
EUA e do Japão. O faturamento lí- pulações indígenas como antibió- marketing Giulio Peron. R$ 26
quido passou de R$ 4,9 bilhões, tico e, na cosmética, para cicatri- Em Goiás, o projeto Arter Mu-
em 1997, para mais de R$ 34 bi- zar espinhas. lher, financiado pelo Ministério

Folhata Cosméticos/Divulgação
lhões em 2012. E o que não fal- Já a Natura aposta no buriti. A do Desenvolvimento Agrário, gera
tam nessa área são opções. Uma palmeira típica do cerrado é uma renda para as comunidades en-
delas é o cosmético com maté- especiaria rica em vitaminas A, B volvidas. Nele, 500 mulheres pro-
rias-prima do cerrado. Empresas e C. Também fornece cálcio, fer- duzem, a partir do que têm às ve-
de grande ou de pequeno porte ro e proteínas. Além disso, as zes no próprio jardim, sabonetes Natura Ekos Óleo
investem e usam o pequi, o buriti substâncias do buriti dão cor, esabonetesíntimos,alémdexam- Trifásico Desodorante
e a copaíba para fabricar xam- aroma e qualidade a diversos pus. As atividades foram desen- Corporal Buriti, 200ml
pus, sabonetes e óleos. produtos de beleza, como cre- volvidas no Assentamento Canu- O óleo trifásico de buriti é
É o caso, por exemplo, da Fo- mes, xampus, filtro solar e sabo- dos (Palmeiras e Campestre) e em emoliente, formando um delicado Óleo de buriti com vitamina E
lhata Cosméticos, criada em 2009, netes. Na comunidade de Pal- áreas de agricultura familiar em filme sobre a pele. Sua agradável O buriti alivia as dores das
em Santa Catarina — seus produ- meira do Piauí, no sul do estado, Silvânia (GO).“Esse projeto envol- fragrância perfuma a pele, queimaduras e revitaliza a pele
tos são feitos com matérias-prima e na cooperativa Grande Sertão, veu também discussão de gênero deixando-a sedosa e macia ao cansada, além de nutri-la, já que
dos diferentes biomas brasileiros. no norte de Minas Gerais, a em- a respeito da invisibilidade do tra- toque. Hidrata por 24 horas. possui uma quantidade significante
A venda de óleos para a pele, feita presa teve acesso aos conheci- balho da mulher na agricultura fa- Preço sugerido: R$ 51,80 de pró-vitamina.
apenas pela internet, chega a 200 mentos tradicionais associados miliar, que é importante, mas que, Refil: R$ 41,40 Preço sugerido: R$ 26
frascos por mês. “O principal be- ao buriti para produzir os cosmé- às vezes, some”, explica Wilson
nefício é a concentração dos ati- ticos. No catálogo, há máscaras, Leandro, professor da Universida- Natura Folhata
vos, que permite absorção maior óleos desodorantes e hidratantes de Federal de Goiás (UFG) e coor- www.natura.net/br folhatacosmeticos.com.br/shop/
e mais rápida”, garante Cristina para o corpo à base de buriti. denador da ação.
Dia do cerrado
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Frutos do conhecimento Receita


do cerrado
Um dos frutos típicos do bioma
mais comercializados na região é o

Projeto auxilia comunidades agrícolas a explorar de forma sustentável os produtos pequi. De gosto marcante, nem
todos aprovam a iguaria, mas,
típicos da flora do Distrito Federal e do Entorno, com geração de renda e conservação quando usado em receitas como o
brigadeiro, o sabor pode
surpreender até mesmo quem
não gosta da fruta, além de ser

J
Tina Coêlho/Esp.CB/D.A Press
atobá, Araticum, Cagaita, simples de fazer.
Buriti. O cerrado é um bio-
ma rico na diversidade de Brigadeiro de pequi
suas espécies, mas esse po- Quanto aos frutos Ingredientes:
tencial ainda é pouco explorado, 1 lata de leite condensado
tanto pela falta de conhecimento do cerrado, a gente 1 colher de sopa de manteiga
de produtores quanto de consu- comia um pouco; o 5 colheres de sopa de polpa de pequi
midores. Para mudar um pouco ½ xícara de chá de pequi em
esse cenário, o projeto Pequisação
restante, jogava fora. conserva em pedacinhos
leva a comunidades agrícolas do Depois que recebemos
Distrito Federal e do Entorno in- aulas e cursos de Modo de preparo:
formações sobre a produção e o Derreter a margarina, adicionar a
aproveitamento de frutos regio- agroecologia, polpa de pequi e mexer. Aos
nais. A iniciativa surgiu com a pro- passamos a colher, poucos, acrescentar o leite
fessora Janaina Diniz, do câmpus produzir e vender condensado e misturar até ver o
de Planaltina da Universidade de fundo da panela. Adicionar a
Brasília (UnB), que busca dar con- esses produtos” fruta em pedaços. Colocar a
tinuidade a um projeto acadêmi- mistura em copinhos ou enrolar,
co anterior. “Eu tinha trabalhado Francisco Cavalcante, produtor levar para a geladeira até ficar
no doutorado com agregação de bem gelado e servir.
valor a um produto do extrativis-
mo vegetal na Amazônia (casta-
nha-do-brasil) e queria continuar entre as instituições participan-
com a temática da pesquisa, po- tes. Portanto, a pesquisa busca ainda mais alto. “Em curto prazo,
rém, no bioma cerrado, já que es- abranger todos os aspectos da os planos são de implementar as
tava começando a carreira na UnB produção. São feitos o levanta- ações previstas no projeto do
e no Centro-Oeste”, explica. mento e o mapeamento da ve- banco. Em médio prazo, seria for-
Assim, em 2010, em parceria getação local para identificar mar mais multiplicadores (prin-
com a UnB, a Emater-DF, a Em- onde podem ser extraídos os cipalmente alunos e pessoas das
brapa Cerrados, o Instituto Fede- frutos, desenvolvem-se pratos e comunidades) para trabalhar
ral de Brasília (IFB) e a Universi- processos para conservar os pro- com as temáticas e metodologias
dade Católica de Brasília, o pro- dutos e são dadas aulas e cursos do projeto no DF e no Entorno e
jeto iniciou suas atividades. Em para capacitar os produtores ru- em outras regiões do cerrado. E, a
dois anos, mais de 130 famílias rais, que se tornam capazes de longo prazo, temos o sonho de
foram auxiliadas com o trabalho identificar, colher, processar e poder ter o reconhecimento de
em três comunidades seleciona- negociar os alimentos. que nossa ideia pode ser aplicada
das para o desenvolvimento da Um dos beneficiados com o em diferentes comunidades de
pesquisa-ação: Assentamento projeto é o produtor rural Fran- agroextrativistas do Brasil e até do
Colônia I, em Padre Bernardo cisco Cavalcante, 58 anos. Mora- exterior”, conta Janaína.
(GO); Núcleo Rural Sarandi, em dor do assentamento Márcia Cor- Parte do prêmio recebido já
Planaltina; e o Pré-Assentamen- deiro de Leite, em Planaltina, ele foi investida em melhorias em
to Monjolo, também em Planal- conta as melhorias em sua co- algumas comunidades, como no
tina.O foco do trabalho é a ca- munidade após o contato com o assentamento Márcia Cordeiro
deia produtiva de frutos com o Pequisação. “Antes, a gente só de Leite, onde casarões estão
objetivo de estimular o extrati- plantava legumes e verduras tra- sendo reformados e novos ma-
vismo sustentável de algumas dicionais. Quanto aos frutos do quinários devem ser comprados
espécies nativas em áreas de agi- cerrado, a gente comia um pou- para processar os alimentos co-
cultura familiar da região. O re- co; o restante, jogava fora. Depois Aproveitamento da flora do cerrado: cheesecake, muffin, brigadeiro... lhidos. “Em setembro, a gente já
sultado é a conservação do bio- que recebemos aulas de aprovei- deve produzir mais, melhor e
ma e a complementação de ren- tamento e cursos de agroecolo- vender mais”, comenta Francis-
da dessas famílias, a partir da co- gia, passamos a colher, produzir Delícias regionais co Cavalcante. E os benefícios
mercialização e do aproveita- e vender esses produtos.” não chegam apenas às famílias
mento desses alimentos. Os resultados positivos fize- Uma das partes mais aguardadas do projeto são as aulas de culinária para do programa. Professores e alu-
O trabalho divide-se em quatro ram com que a iniciativa ganhas- aproveitar os frutos. Entre os pratos criados e ensinados estão o cheesecake nos das instituições participan-
frentes atuantes: socioeconômi- se, em 2012, o prêmio Santander de buriti, o muffin de frango com pequi, o brigadeiro de jatobá e a canjica tes colocam em prática conheci-
ca, tecnológica, ambiental e de Universidade Solidária. Com o in- de baru. Isso mostra que a culinária regional é muito mais rica do que mentos acadêmicos de diversas
aprendizagem e capacitação — centivo, a professora planeja con- imaginamos. Interessados em conhecer o projeto podem enviar e-mail para áreas. Assim, ganha quem ajuda
desenvolvidas de forma integrada tinuar o trabalho até 2015 e sonha pesquisacao@yahoo.com.br ou ligar para (61) 9692-6196 ou 8178-8663. e quem é ajudado.
Dia do cerrado
12 • Brasília, quarta-feira, 11 de setembro de 2013 • CORREIO BRAZILIENSE
Tina Coêlho/Esp. CB/D.A Press

Leninha Camargo mostra a paella especial, que usa o baru, fruta típica da região: chef se esforça para guardar a memória alimentar do cerrado e manter viva a “cozinha sentimental”

Sabor ameaçado Baru


Explore seu gosto

Nativo do cerrado, o fruto


proveniente do baruzeiro
amadurece entre setembro e
Jatobá
Com período de maturação entre
julho e setembro, o jatobazeiro é
mais presente no Mato Grosso.
De acordo com o movimento Slow Food, o baru e o jatobá já fazem outubro, e sua parte mais saborosa Além de dar o jatobá, a árvore
é a castanha, presente no interior. também serve para a fabricação
parte da lista de produtos nacionais que podem desaparecer Comumente utilizada na culinária do carvão vegetal e receitas
quando torrada, e semelhante à do regionais. O fator que prejudica

R
caju e ao amendoim, a castanha do a produção do jatobá é a
isoto com castanha de que correm risco de extinção to- em atividades gastronômicas e baru permite receitas como pé de exploração de forma predatória,
baru, bolo de jatobá com mam o lugar dos animais —, em industriais, sendo levados ao es- moleque, bolo, biscoito e risotos. sendo submetida a queimadas.
fubá de milho, medalhão 1996, o movimento Slow Food já quecimento nos últimos anos
de filé mignon envolto cataloga cerca de mil produtos em função da exploração preda-
por crosta de baru, broa de jato- regionais que correm risco de ex- tória com queimadas frequentes
bá, pé de moleque de baru, ou tinção e estão esquecidos em vá- nas árvores desses frutos. medicinais.” O projeto reúne cerrado é muito importante. São
uma elaborada paella que, em rios países. Entre os 24 sabores Ações como a Fortaleza da também agricultores e ambienta- frutos que fizeram parte de nossa
vez de frutos do mar, leva o sabor brasileiros, o cerrado tem dois re- Castanha de Baru beneficiam listas que têm interesse em técni- infância e trazem lembranças da-
de carnes com frutos do cerrado presentantes: o jatobá está pre- produtores. Em Pirenópolis, por cas sustentáveis para serem utili- quela época. Preservar esses ele-
(incluindo os dois anteriores). O sente na lista da Arca do Gosto e o exemplo, 150 famílias ajudam na zadas em benefício dos frutos. mentos significa manter a cozi-
cardápio é de encher a boca d’á- baru faz parte do projeto Fortale- coleta, no processamento e na O cardápio que pode ser de- nha sentimental”, comenta.
gua, mas o risco recente de extin- zas, que objetiva ajudar no de- venda do produto, o que acaba senvolvido é vasto — há quem A nutricionista e especialista
ção do baru e do jatobá faz com senvolvimento do fruto que se incentivando o conhecimento. consiga desenvolver pratos deli- em gastronomia regional Fabia-
que essas receitas — que cele- tornou, de alguma forma, obso- Elias Freitas, 33 anos, produtor ciosos, como a paella do cerrado, na Lopes explica que o malefício
bram o sabor do Centro-Oeste e leto em seu uso no dia a dia, in- rural e extrativista, exalta a im- da chef Leninha Camargo. Se- do sumiço do baru, do jatobá e
de parte do Nordeste — tenham centivando desenvolvedores, portância cultural do baru. “Além gundo a criadora da iguaria que outros frutos vai além da perda
um gosto amargo. produtores e distribuidores. de ter uma castanha muito sabo- leva baru como um de seus ingre- nutricional. “Todos os alimentos
Com a criação do catálogo Ar- Segundo a organização Slow rosa, o consumo do fruto é a me- dientes, a perda dos sabores do em risco de extinção podem oca-
ca do Gosto — uma metáfora com Food, esses frutos caíram no de- lhor maneira de deixar a cultura bioma deve ser evitada a todo sionar uma perda cultural muito
a história bíblica onde os frutos suso devido à pouca utilização viva, inclusive para as questões custo. “Guardar a memória do grande”, lamenta.
Dia do cerrado
CORREIO BRAZILIENSE • Brasília, quarta-feira, 11 de setembro de 2013 • 13

Esporte

Tina Coêlho/Esp.CB/D.A Press


em clima
desértico
Os atletas e o tempo no período de estiagem:
o que pode fazer a diferença nas competições

O
Sol a pino, o ar seco, a
grama desbotada pode- Curiosidade
riam desestimular qual- Os Tubarões do Cerrado são
quer atleta nesta época bastante conhecidos dos
do ano em Brasília. Mas não é o brasilienses, mas esse não é o
caso dos jogadores de futebol primeiro nome da equipe.
americano do Tubarões do Cer- Quando criado, o time se
rado. A equipe reúne amantes do chamava Brasília Sharks. Os
esporte desde 2004 — mesmo próprios fundadores acharam
com o clima complicado de de- o nome muito clichê e
terminadas épocas. “Na realida- resolveram mudá-lo, sem
de, isso favorece a equipe. Faze- deixar de ser imponente e Felipe Marquez, do Tubarões do Cerrado, e Cristofer Pimel, do Brasília V8: uso responsável do meio ambiente
mos os treinos no horário dos jo- manter a cor azul e o tubarão
gos e em condições adversas. As- como símbolo. Em uma
sim, em partidas oficiais, nosso reunião, um dos membros campeonato nacional em 2012. A
preparo físico se sobressai ao dos sugeriu por brincadeira
Fique por dentro equipe também chegou a realizar
adversários”, garante o atual pre- “Tubarões do Cerrado”. O nome os treinos no Eixo Monumental,
sidente, Bernardo Bessa. agradou e hoje em dia O professor Daniel Tavares dá algumas sugestões para os atletas que só que em frente ao Espaço Fu-
A tática realmente pode aju- conquista cada vez mais fãs querem ou precisam treinar ao ar livre em períodos mais secos: narte, próximo à Feira da Torre,
dar. O professor de educação fí- em Brasília. Já o Brasília V8 se » Ambientes que propiciam maiores quedas de umidade durante o dia mas a experiência não foi tão
sica e especialista em fisiotera- inspirou na imponência dos devem ser evitados em horários mais quentes. Por exemplo, atletas de proveitosa, como conta o jogador
pia desportiva Daniel Andrade carros esportivos. O motor V8 vôlei de praia devem evitar o treino entre 11h e 16h, uma vez que a poeira e diretor da equipe, Raphael An-
conta que se ajustar ao horário e é conhecido por impulsionar da areia reduz ainda mais a umidade na quadra. O mesmo vale para drade. “A grama parecia uma pa-
às condições de jogo pode con- máquinas potentes, ideia que ciclistas e corredores que treinam próximo ao asfalto. lha e ficava cheia de lixo, o que
tribuir para um bom rendimen- os fundadores tentaram passar » Não é somente o clima que determina o resultado, mas uma série de prejudicava muito os treinos,
to. “Em provas em que o atleta para a equipe. fatores que vão desde o que o atleta come no café da manhã até a hora de pois não podíamos fazer alguns
terá de se submeter a tempera- dormir; por isso, procurar um profissional de educação física para movimentos com medo de nos
turas altas e umidade baixa, ele prescrever o melhor treino será fundamental, pois ele organiza todas as machucarmos. Tentamos procu-
pode se adaptar treinando em informações pertinentes à atividade. rar a administração para que
regiões mais secas. Temos exem- » Manter-se hidratado é fundamental, pois todos sentem o clima seco cuidasse melhor do local, mas
plos de ciclistas e triatletas bra- equipe fazem questão de cuidar da região, apresentando sangramentos e doenças respiratórias, como nada foi feito”, revela.
silienses que, praticando no cer- do ambiente. “Usamos a Espla- rinite e sinusite. Eles até tentaram cuidar do lo-
rado, obtiveram ótimos resulta- nada apenas uma vez por sema- cal. Após os treinos, os atletas se
dos em competições internacio- na e sempre em pontos diferen- Quem quiser acompanhar os treinos ou se informar sobre a participação reuniam para coletar o lixo, como
nais. O fator clima pode, sim, ter tes para não estragar o gramado. nas equipes de futebol americano de Brasília pode consultar os contatos, copos de água, garrafas, papéis e
sido determinante.” E temos um pacto de não deixar locais de treino e horários a seguir: outros objetos no local. Os resí-
Para comportar as atividades, qualquer lixo após as atividades. duos eram colocados em reci-
um dos locais escolhidos para Assim, ninguém pode reclamar Tubarões do Cerrado pientes de reciclagem, mas o ti-
treino pelo Tubarões é o gramado da gente”, afirma o presidente. “A www.facebook.com/TubaroesDoCerrado me acabou por desistir de usar o
da Esplanada dos Ministérios. “O grama fica marrom por causa da Treinos: terças e quintas-feiras, às 20h30, no Clube da Aeronáutica; sábados, ambiente e, hoje, treina na QE 38
espaço é democrático e livre, seca mesmo”, completa. às 15h, na Esplanada dos Ministérios. do Guará. O V8 não deixou de se
além de proporcionar condições Além dos Tubarões do Cerra- importar com o meio ambiente.
para o jogo, com grande espaço do, Brasília tem outro represen- Brasília V8 A equipe é parceira da ONG So-
— é plano e gratuito”, explica tante no esporte, o Brasília V8. O www.brasiliav8.com.br nhar Acordado, que promove
Bessa. E para poderem continuar time começou as atividades em Treinos: terças e quintas-feiras, às 21h; sábados, às 9h, na QE 38 do Guará. projetos de desenvolvimento
usando o local, os integrantes da 2008 e passou a participar do ambiental e social na cidade.
Dia do cerrado
14 • Brasília, quarta-feira, 11 de setembro de 2013 • CORREIO BRAZILIENSE

Se persistirem os sintomas…
Diversidade de raízes, cascas e folhas do segundo maior bioma brasileiro, habitado há mais de 10 mil anos,
revela uma fonte riquíssima de medicamentos caseiros e tradicionais. Use com moderação, mas use…
Tina Coêlho/Esp. CB/D.A Press
» CECILIA PINTO COELHO Avanços
» MARIANNA RIOS
Um dos grandes marcos na

A
lém de ocupar quase um área de medicamentos feitos a
quarto do território no partir de frutos e plantas foi a pu-
“coração” do Brasil, a sa- blicação do livro Farmacopeia
vana brasileira é rica em popular do cerrado (disponível
flora e fauna. E foi essa variedade gratuitamente na internet). Or-
que tornou possível a presença ganizada pela Articulação Pacari,
de homens há mais de 10 mil uma rede socioambiental forma-
anos. Restos de caroços de pequi da há 13 anos por comunidades
e ossos de veado e de tatu, en- com conhecimentos medicinais,
contrados durante pesquisas ar- a obra ganhou o prêmio Equato-
queológicas em Minas Gerais e rial 2012 da Organização das Na-
Goiás, mostraram quão antigo é ções Unidas. Ela reúne, entre
o uso do bioma e a consequente outras coisas, informações sobre
criação de tradições típicas dos nove plantas típicas do cerrado e
povos do cerrado. Ao longo de to- seus princípios ativos: barbati-
dos esses anos, o conhecimento mão, pacari, rufão, algodãozi-
sobre a região, inclusive para fins nho, pé-de-perdiz, batata-de-
medicinais, foi passado de gera- purga, ipê-roxo, buriti e velame.
ção em geração. Das raízes, das cascas, das resi-
São vários os frutos e as ma- nas, dos óleos, das folhas e das ar-
térias-primas que podem aju- gilas extrai-se o necessário para
dar na saúde das pessoas. O pe- aplicar tratamentos alternativos
qui, por exemplo, é responsável com medicação, dietas alimenta-
por melhoras na digestão, en- Laila, professora da UnB e neta de raizeira, com uma aluna: região é detentora de grande diversidade química res, banhos, benzimentos e ora-
quanto a castanha do Buriti é ções. Segundo o livro, mais de 70
nutritiva e o babaçu, tipo de co- espécies são usadas pelas raizei-
co do cerrado, gera um óleo sau- ras para produzir, em média, 40
dável rico em ômega 3. “Qual- Conheça os princípios ativos das plantas do cerrado tipos de remédios caseiros. Nas
quer remédio hoje tem origem 120 farmacinhas distribuídas nos
em plantas medicinais, desde a Chapéu-de-Couro Batata-Purga Rufão vilarejos, eles podem ser encon-
penicilina até os mais atuais. Is- (Echinodorus grandiflorus) (Exogonium purga) (Tontelea micrantha) trados em forma de garrafada, de
so reflete o potencial que a bio- Parte utilizada: entrecasca Parte utilizada: raiz e resina Parte utilizada: raiz e óleo tintura, de xarope, de pomada e
diversidade tem”, exemplifica Efeitos: ótimo cicatrizante, combate Efeitos: raspas secas da das sementes creme, de sabonete, de pílula, en-
Jonathan Novais, 28 anos, biólo- coceiras e infecções internas. raiz, usadas como purgante Efeitos: tratar anemia, fraqueza tre outros. A sócia-fundadora da
go e consultor técnico do Insti- e para combater vermes. sexual, inflamações de Articulação Pacari, Lucely Morais
tuto Cerrado. “No cerrado, exis- Buriti A resina é utilizada em estômago e intestino. Pio, 50 anos, chama atenção para
tem variedades de espécies boas (Mauritia flexuosa) doces e xaropes para a importância desses conheci-
para a circulação e que auxiliam Parte utilizada: raiz, frutos, combater a gripe. Ipê-Roxo mentos para a cultura dos povos e
no alívio de cólicas e de dores resina e óleo (Tabebuia avellanedae) para a preservação do bioma.
musculares e até para combater Efeitos: o azeite é excelente Pacari Parte utilizada: entrecasca “Toda comunidade que trabalha
pedra nos rins”, completa. cicatrizante e anti-inflamatório (Lafoensia pacari) Efeitos: combate o câncer, com planta está bebendo do cer-
Porém, o conhecimento de contra feridas e queimaduras. A raiz Parte utilizada: folhas e entrecasca problemas de fígado, doenças rado, já tem aquela vivência e tem
origem popular enfrenta pre- é utilizada como chá para má Efeitos: combate úlcera e gastrite, do coração, pressão alta, infecção a tradição, que é passada de pai
conceito. “Ainda há resistência circulação e doenças do coração. além de ser cicatrizante para a pele. dos rins e outros. para filho”, conclui.
cultural sobre o que é nosso, bra-
sileiro. Teríamos que investir
mais para sintetizar moléculas Entenda
nossas, fazendo medicamentos um banco de extratos de plantas fungos e câncer.“A identificação de raizeira — sua avó era conhecedo-
nacionais”, avalia Novais. do cerrado — fonte de pesquisa remédios em plantas do cerrado ra dos potenciais medicinais do Raizeiros e raizeiras são
Na Universidade de Brasília, o para doutores, mestres e gradua- tem grande potencial biotecnoló- bioma —, Laila comenta que o cer- especialistas em caracterizar os
Laboratório de Farmacognosia dos da universidade. O objetivo do gico, sendo um modelo de desen- rado é detentor de grande diversi- ambientes do cerrado, identificar
dáadevidaimportânciaaoscom- laboratório é buscar novos medi- volvimento científico, econômico, dade química, “o que o torna fonte suas plantas medicinais, coletar a
postos das plantas locais. Após camentos contra agentes causa- social e ambiental”, defende Laila interessante de pesquisa e permite parte medicinal da planta,
serem extraídos, eles são guarda- dores de doenças como a leish- Salmen Espindola, professora de a descoberta e o desenvolvimento diagnosticar doenças, preparar e
dos em vidro e armazenados em maniose, infecções causadas por Farmacognosia da UnB. Neta de de novos fármacos”. indicar remédios caseiros.
Dia do cerrado
CORREIO BRAZILIENSE • Brasília, quarta-feira, 11 de setembro de 2013 • 15
Fotos: Tina Coêlho/Esp. CB/D.A Press

O gato-palheiro e o cachorro-vinagre: lista da fauna ameaçada de extinção do Ministério do Meio Ambiente mostra que há, somente na nossa região, 138 espécies em risco

Selvagens em perigo
O fenômeno é muito grave: lista do Ministério do Meio Ambiente mostra que 138 espécies do bioma estão
ameaçadas de extinção. Ações de diversas entidades tentam reduzir esse número e preservar mais bichos

S
ituado na região central do Cuidados
Brasil, o cerrado, além de Espécies ameaçadas
possuir animais endêmi- Durante a 10ª Convenção sobre a
cos — naturais daquele Diversidade Biológica (CDB), foram Criticamente em perigo
ambiente —, compartilha espé- estabelecidas 20 metas para a » Guariba (Alouatta belzebul ululata), mamífero
cies com outros biomas e, por is- preservação da biodiversidade, » Perereca (Bokermannohyla izecksohni), anfíbio
so, é a savana mais rica em biodi- chamadas de Metas de Aichi. A de » Rato-de-espinho (Carterodon sulcidens), mamífero endêmico
versidade do planeta, segundo o número 12 diz que, até 2020, a » Rolinha-do-planalto (Columbina cyanopis), ave endêmica
Ministério do Meio Ambiente extinção das espécies ameaçadas
(MMA). No geral, possui mais de será evitada e a situação de Em perigo
2,5 mil espécies, entre mamífe- conservação, em especial » Peixe-anual (Cynolebias griseus), peixe endêmico
ros, répteis, aves, anfíbios e inse- daquelas sofrendo um maior » Lagartinho-do-cipó (Placosoma cipoense), réptil endêmico
tos. A caça ilegal e o desmata- declínio, será melhorada. » Caboclinho-de-chapéu-cinzento (Sporophila cinnamomea), ave
mento são alguns dos motivos » Socó-jararaca (Tigrisoma fasciatum), ave
que contribuem para a devasta-
Vulnerável
ção e a perda do hábitat natural. que, até 2020, pretende melhorar
» Onça-pintada (Panthera onca), mamífero
As queimadas também são uma e manter a conservação dos ani-
» Lobo-guará (Chrysocyon brachyurus), mamífero
ameaça por causa do clima seco. mais em estado de risco.
» Gato-palheiro (Leopardus colocolo), mamífero
Segundo o Instituto Nacional de A lista da fauna ameaçada de
» Águia-cinzenta (Urubitinga coronata), ave
Pesquisas Espaciais (Inpe), extinção, do MMA, mostra que há
anualmente, 50,6% dos focos de 627 espécies em risco. Somente Fonte: ICMBio/MMA
incêndio registrados no país do cerrado, constam 138, sendo
ocorrem no cerrado. Entretanto, 95 vertebrados e 43 invertebra-
o maior problema é a concessão dos. Baseado nesse rol é que o
de áreas para a agropecuária. Instituto Chico Mendes de Con- proteção e cativeiros, além de agora — um macho e duas fê-
A União Internacional para a servação da Biodiversidade (ICM- Onça-pintada: à espera conscientização da população. meas. O diretor da Curadoria de
Conservação da Natureza (IUCN) Bio) e parceiros criaram os Planos da conscientização social Para esclarecer ainda mais as pes- Mamíferos do Zoo, Filipe Reis,
possui uma lista com mais de 20 de Ação Nacional para Conserva- soas, foi criada a campanha na- diz que a reprodução em cati-
mil animais ameaçados de extin- ção de Espécies Ameaçadas cional “Amigos do Lobo”, para veiro é muito importante para a
ção em todo o mundo. Desses, (PAN), que são executados pelo domésticos e perda de hábitat. educar os cidadãos para que sai- espécie. “Isso pode reestabele-
29% fazem parte do cerrado. Há próprio instituto com associa- Ele já possui um PAN que é exe- bam a importância do bicho para cer a população caso ela não se-
três anos, várias entidades inter- ções não governamentais e ou- cutado em várias partes do país. a natureza. “O intuito é divulgar a ja mais encontrada na natureza.
nacionais se reuniram no Japão tros órgãos estatais. O Centro Nacional de Pesquisa e espécie”, diz Rogério Cunha, coor- É uma garantia de preservação
durante a décima reunião da O lobo-guará, símbolo do cer- Conservação de Mamíferos Car- denador do PAN do lobo-guará. do animal”, afirma. O local ain-
Convenção sobre a Diversidade rado, encontra-se ameaçado por nívoros (Cenap) realiza ações O Zoológico de Brasília man- da cede material genético à Em-
Biológica (CDB). Lá, foi firmada a conta de atropelamentos, para preservação da espécie, en- tém em cativeiro sete lobos-gua- brapa, que guarda-os em um
parceria “Amigos da Meta 12” doenças contraídas de bichos tre elas, a criação de áreas de rás, sendo que três deles nasceram banco de germoplasma.

Diretor de Redação: Josemar Gimenez (josemargimenez.df@dabr.com.br); Editora-chefe: Ana Dubeux (anadubeux.df@dabr.com.br); Editor executivo: Carlos Alexandre
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João Gabriel Amador, Julyete Louly; Revisão: Luciana Pereira, especial para o Correio; Foto de capa: Tina Coêlho, especial para o Correio
SER SUSTENTÁVEL
A sustentabilidade de maneira
inteligente no seu dia a dia.

Contribuindo para o debate do tema sustentabilidade, o


Correio Braziliense apresenta o último suplemento do projeto
“Ser Sustentável”, que você confere no dia 23/10:
Ser Sustentável Empresarial.

Acompanhe:
• Hotsite especial;
• Dicas do Meio Ambiente na Clube FM.

Leia, informe-se e faça sua parte.


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