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ESTACIO-IESAM

CURSO DE ENGENHARIA MECÂNICA

EUDES DAMIÃO P. DE JESUS

NOÇÕES GERAIS DE DIREITO TRIBUTARIO

Belém
2018
CONCEITO

É o conjunto de normas e princípios que regulam a relação entre o Estado e os


contribuintes na fiscalização e arrecadação dos tributos.

A Constituição Federal, no seu artigo 145, dispõe que a União, os Estados e o Distrito
Federal poderão instituir impostos, taxas e contribuições de melhoria. Da mesma
forma, o Código Tributário Nacional – CTN prescreve, no seu art. 5º, que os tributos são
impostos, taxas e contribuições de melhoria. O Supremo Tribunal Federal tem adotado
a teoria da “PENTAPARTIÇÃO” (Impostos, Taxas, Contribuições de melhoria,
Empréstimos compulsórios, e Contribuições Especiais). Extremamente importante
deixar claro que mesmo os adeptos da teoria da tripartição dos tributos, entendem
que as contribuições especiais e os empréstimos compulsórios são tributos,
enquadrando-se como taxa ou imposto, dependendo da análise do seu fato gerador.O
artigo 154, I autoriza que a União Federal institua, mediante lei complementar, novos
impostos, desde que sejam não-cumulativos e não tenham fato gerador ou base de
cálculo próprios dos discriminados na CF. Assim, podemos dizer que a União possui
duas espécies de COMPETÊNCIA RESIDUAL uma para instituir novos impostos e
outra para instituir novas contribuições sociais de financiamento da seguridade social.
Em ambos os casos, são necessários a instituição via lei complementar, a obediência à
técnica da não-cumulatividade e a inovação quanto às bases de cálculo e fatos
geradores.

NATUREZA JURÍDICA DO TRIBUTO

A Natureza Jurídica específica do tributo é determinada pelo fato gerador da respectiva


obrigação, sendo irrelevantes para qualificá-la a denominação e demais características
formais adotadas pela lei, bem como a destinação legal do produto da sua
arrecadação. A análise do fato gerador do tributo é feita sob a ótica da classificação dos
tributos como VINCULADOS ou NÃO-VINCULADOS

Para classificarmos um tributo qualquer quanto ao fato gerador (hipótese de


incidência), devemos nos perguntar se o Estado tem de realizar, para validar a
cobrança, alguma atividade específica relativa ao sujeito passivo (devedor). Se
a resposta for negativa, trata-se de um TRIBUTO NÃO-VINCULADO; se for positiva, o
TRIBUTO É VINCULADO (pois sua cobrança se vincula a uma atividade Estatal
especificamente voltada ao contribuinte).

O CTN, no seu artigo 16, define imposto como sendo o tributo cuja obrigação tem por
fato gerador uma situação independente de qualquer atividade estatal específica,
relativa ao contribuinte. Ora, pelo exposto, essa seria uma definição precisa de tributo
não-vinculado. Portanto, o imposto é o tributo não-vinculado por excelência. O art.
145, II , da CF deixa claro que para a cobrança de uma taxa o Estado precisa exercer o
poder de polícia ou disponibilizar ao contribuinte um serviço público específico e
divisível. Da mesma forma, a cobrança de contribuição de melhoria depende de uma
anterior atividade Estatal. É necessário que o ente federativo (União, Estado, DF ou
Município) realize uma obra pública da qual decorra valorização imobiliária.

CLASSIFICAÇÃO DOS TRIBUTOS

IMPOSTOS

Os impostos são, por definição, tributos não-vinculados que incidem sobre


manifestações de riqueza do sujeito passivo (devedor). Os impostos não incorporam,
no seu conceito, a destinação de sua arrecadação a esta ou aquela atividade estatal.
Aliás, como regra, a vinculação de sua receita a órgão, fundo ou despesa é proibida
diretamente pela Constituição Federal (ar. 167, IV – em que também constam as
exceções). Portanto, além de serem tributos não-vinculados, os impostos são tributos
de arrecadação não-vinculada. Sua receita presta-se ao financiamento das atividades
gerais do Estado remunerando os serviços universais, que por não gozarem de
especificidade e divisibilidade, não podem ser custeados por intermédio de taxas.

A competência para instituir Imposto é atribuída pela Constituição Federal de maneira


enumerada e privativa a cada ente federativo. Assim, a União pode instituir os sete
impostos previstos no art. 153 (II, IE, IR,IPI, IOF, ITR e IGF); os Estados e o DF, os três
previstos no art. 155 (ITCD, ICMS e IPVA); e os Municípios e o DF, os três previstos no ar.
156 (IPTU, ITBI e ISS). Em princípio, essas listas são exaustivas. entretanto, a União
Federal pode instituir, mediante lei complementar, novos impostos, desde que sejam
não-cumulativos e não tenham fato gerador ou base de cálculo próprios dos
discriminados na CF (art. 154, I)

TAXAS

Segundo a Constituição Federal, a União, os Estados, o DF e os Municípios poderão


instituir taxas, em razão do exercício do poder polícia ou pela utilização, efetiva ou
potencial, de serviços públicos específicos e divisíveis, prestados ao contribuinte ou
postos a sua disposição (CF, art. 145, II – na mesma linha de raciocínio, conferir o art.
77 do CTN).
O ente competente para instituir e cobrar a taxa é aquele que presta o respectivo
serviço ou que exerce o respectivo poder de polícia. Como os Estados têm competência
material residual, podendo prestar os serviços públicos não atribuídos expressamente
à União Federal nem aos Municípios (CF, art. 25, §1º), a consequência é que,
indiretamente, a Constituição Federal atribuiu a COMPETÊNCIA TRIBUTÁRIA RESIDUAL
PARA INSTITUIÇÃO DE TAXAS aos Estados.

A Constituição Federal proíbe que as taxas tenham BASE DE CÁLCULO própria de


impostos (art. 145, §1º). Já o Código Tributário Nacional dispõe que a taxa não pode ter
base de cálculo ou fato gerador idênticos aos que correspondam a imposto (art. 77,
parágrafo único). São dois os “fatos do Estado” que podem ensejar a cobrança de taxas

. TAXA DE POLÍCIA

As taxas de polícia têm por fato gerador o exercício regular do poder de


polícia (atividade administrativa), cuja FUNDAMENTAÇÃO é o princípio da supremacia
do interesse público sobre o interesse privado, que permeia todo o direito público.
Assim, o bem-comum, o interesse público, o bem-estar geral pode justificar a restrição
ou o condicionamento do exercício de direitos individuais.

. TAXA DE SERVIÇO

A criação das taxas de serviço só é possível mediante a disponibilização de serviços


públicos que se caracterizem pela DIVISIBILIDADE e ESPECIFICIDADE. Segundo o Código
Tributário Nacional, os serviços são específicos quando possam ser destacados em
unidades autônomas de intervenção, de utilidade ou de necessidade públicas são
divisíveis quando suscetíveis de utilização, separadamente, por parte de cada um dos
seus usuários (Art. 79, incisos I e II).

A cobrança de taxa de serviço, conforme já visto, pode ser feita em face da


disponibilização ao contribuinte de um serviço público específico e divisível. Quando
esse serviço é de utilização compulsória e é posto à disposição do contribuinte
mediante atividade administrativa em efetivo funcionamento, a taxa pode ser cobrada
mesmo sem a utilização efetiva do serviço pelo sujeito passivo. É o que a lei denomina
de utilização potencial (CTN, art. 79, I, b).

CONTRIBUIÇÕES DE MELHORIA

A Constituição Federal de 1988, ao prever a possibilidade de a União, os Estados, o


Distrito Federal e os Municípios instituírem CONTRIBUIÇÕES DE MELHORIA, apenas
declarou que elas decorrem de obras públicas (art. 145, III). Tais contribuições são
tributos vinculados, uma vez que sua cobrança depende de uma específica atuação
estatal, qual seja, a realização de uma obra pública que tenha como consequência um
incremento de valor imobiliário. Assim, não é todo benefício proporcionado pela obra
ao particular que legitima a cobrança da contribuição. A VALORIZAÇÃO IMOBILIÁRIA É
FUNDAMENTAL.

EMPRÉSTIMOS COMPULSÓRIOS

São empréstimos forçados, coativos. A obrigação de pagá-los não nasce de um


contrato, de uma manifestação livre das partes, mas sim de determinação legal.
Verificada a ocorrência do fato gerador, surge a obrigação de “emprestar” dinheiro ao
Estado.

A competência para a criação de empréstimos compulsórios é EXCLUSIVA da União


Federal. Esta é uma regra sem exceções. Por mais urgente, grave, relevante que seja a
situação concreta, não é possível a instituição da exação por parte dos Estados, dos
Municípios ou do Distrito Federal.

A instituição de empréstimos compulsórios só é possível mediante lei complementar.


Nos casos de guerra externa e sua iminência e de calamidade pública, há uma
necessidade bem maior de celeridade, de rapidez na instituição e cobrança do tributo.
Justamente por isso, nesses casos a exação pode ser criada e cobrada de imediato sem
necessidade de obediência aos princípios da anterioridade.

CONTRIBUIÇÕES ESPECIAIS

Art. 149. Compete exclusivamente à União instituir contribuições sociais, de


intervenção no domínio econômico e de interesse das categorias profissionais ou
econômicas, como instrumento de sua atuação nas respectivas áreas, observado o
disposto nos arts. 146, III, e 150, I e III, e sem prejuízo do previsto no art. 195, § 6º,
relativamente às contribuições a que alude o dispositivo.