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Sub-projecto:

Igualdade de
Oportunidades

Manual do Formando
Apoio ao Desenvolvimento Infantil II
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Iniciativas Comunitárias do Emprego e ADAPT/EQUAL.

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judicial.
Índice Geral
Introdução .................................................................................... 1

Capítulo 1 ..................................................................................... 2

Transformações Físicas ....................................................................3


A puberdade ...................................................................................3
A puberdade nas raparigas ...............................................................4
A puberdade nos rapazes .................................................................5
Desenvolvimento cognitivo ...............................................................7
Desenvolvimento social ....................................................................9
Desenvolvimento moral....................................................................11

Capítulo 2 ......................................................................................12

O que é que os pais podem fazer para promover a responsabilidade e o


desenvolvimento? ...........................................................................14
Definir regras simples ......................................................................14
Ser consistente no cumprimento das regras ........................................14
Estabelecer expectativas razoáveis ....................................................15
Atribuir responsabilidades.................................................................15
Respeitar os sentimentos das crianças................................................15
Preparar um ambiente seguro ...........................................................16
Fornecer segurança .........................................................................16
Ter confiança na criança...................................................................16
Oferecer opções ..............................................................................16
Expressar orgulho, interesse e amor ..................................................17
Promover a linguagem .....................................................................17
Encorajar actividades extracurriculares...............................................18
Dizer a verdade...............................................................................20
Ajudar a fazer amigos ......................................................................20
Ser modelo: contribuir para o processo educativo através do exemplo ....22

Capítulo 3 ......................................................................................24

Promover a auto-estima ...................................................................25


O que é a auto-estima? ....................................................................25
Auto-conceito .................................................................................25
Auto-imagem..................................................................................26
Auto-estima ...................................................................................26
Porque é que a auto-estima é importante? ..........................................27
O que faz, pensa e sente uma criança com uma boa auto-estima?..........29
O que faz, pensa e sente uma criança com uma má auto-estima? ..........29
Como promover a auto-estima das crianças e adolescentes? .................30
O que é que os pais podem fazer para aumentar a auto-estima dos seus
filhos? ...........................................................................................31
Ajudar a lidar com acontecimentos difíceis ..........................................34
O luto ............................................................................................34
Como lidar com situações difíceis? .....................................................37

Capítulo 4 ......................................................................................39

A importância das regras ..................................................................40


Regras claras e coerentes .................................................................40
Os comportamentos inadequados das crianças ....................................41
As leis do comportamento ................................................................41
Como surge qualquer comportamento ................................................41
Identificar os comportamentos inadequados ........................................43
Registo do comportamento inadequado ..............................................45
Reacções a evitar ............................................................................46
Como devem reagir os pais aos “maus comportamentos” dos filhos .......47
Técnicas de promoção......................................................................48
Modelagem ou aprendizagem social ...................................................48
Para que tipos de comportamento serve?............................................49
Reforço positivo (elogios) .................................................................50
Para que tipos de comportamentos serve? ..........................................50
Aplicação correcta dos elogios ...........................................................53
Moldagem ou reforço por aproximações sucessivas ..............................54
Para que tipos de comportamentos serve? ..........................................54
Técnicas de extinção........................................................................55
Retirada da atenção (ignorar o comportamento problema) ....................55
Como se utiliza esta técnica? ............................................................56
Isolamento ....................................................................................57
Etapas a seguir na utilização desta técnica ..........................................59
Castigo: aplicação de consequências desagradáveis .............................62
Inconvenientes e desvantagens .........................................................63
Extinção: técnicas desejáveis mas difíceis ...........................................63
Os perigos da extinção .....................................................................64
Conclusão ......................................................................................64
Regras de ouro para a educação da criança.........................................65

Capítulo 5 ......................................................................................66

Valorizar a escola ............................................................................67


Auto-estima e a escola .....................................................................67
Despertar o interesse pelo que rodeia a criança e proporcionar-lhe
experiências diversificadas................................................................69
As tarefas domésticas ......................................................................69
Os livros ........................................................................................70
Experimentar..................................................................................70
O sentido de responsabilidade e autonomia (as regras).........................71
Acompanhar na transição .................................................................71
Ajudar a criança a estudar ................................................................72
Organizar um horário de estudo ........................................................72
Ensinar-lhe como estudar .................................................................72
As condições de estudo ....................................................................73
Ajudar a criança a controlar a atenção e a concentração .......................74
Estratégias para controlar a atenção ..................................................74
Controlar os distractores internos ......................................................74
Controlar os distractores externos .....................................................75
Ajudar nos trabalhos de casa ............................................................75
Contacto frequente com a escola .......................................................76
Conversar com a criança acerca das dificuldades..................................77
Premiar o sucesso e castigar o insucesso escolar? ................................78

Capítulo 6 ......................................................................................80

Segurança......................................................................................81
Segurança na estrada ......................................................................81
Os riscos ........................................................................................81
A prevenção dos acidentes................................................................82
E se eles não querem? .....................................................................83
O que é um dispositivo de retenção aprovado? ....................................83
Airbags e crianças não combinam ......................................................84
Recomendações ..............................................................................85
Em geral ........................................................................................85
No carro.........................................................................................85
Se o carro tiver airbag .....................................................................86
Na estrada .....................................................................................86
Segurança na cozinha e em casa .......................................................86
Medidas preventivas ........................................................................87
Nutrição.........................................................................................88
A pirâmide: os 5 grupos da alimentação .............................................89
Quantas porções precisa cada dia?.....................................................89
Pequeno almoço..............................................................................90
A água e outras bebidas ...................................................................90
Pergunte ao rótulo...........................................................................91
Aditivos .........................................................................................92
Contaminação dos alimentos por microorganismos ...............................93
Como são contaminados os alimentos? ...............................................93
Como evitar a contaminação? ...........................................................94
Na conservação...............................................................................94
No manuseamento dos alimentos ......................................................94
Na confecção ..................................................................................94
Carne ............................................................................................94
Doenças.........................................................................................96
Prevenção de doenças......................................................................96
No caso de o seu filho adoecer ..........................................................97
Alimentos que curam .......................................................................97
Febres e convulsões.........................................................................99
Medidas a tomar em caso de febre.....................................................100
O bem-estar físico ...........................................................................101
A condição física..............................................................................101
Dormir o tempo suficiente ................................................................102
A visão ..........................................................................................103
"Check-up" para pais e educadores ....................................................105
Controlos recomendados ..................................................................106
Higiene ..........................................................................................107
Em geral ........................................................................................107
Banho e higiene: o que é importante? ................................................107
Higiene oral ....................................................................................108
Quando ir ao dentista? .....................................................................108
Diversos tipos de problemas .............................................................108
Prevenção e riscos...........................................................................110
Educação sexual..............................................................................110
De onde vêm os bebés? ...................................................................110
Para os jovens ................................................................................110
Drogas...........................................................................................111
Factos e mitos ................................................................................112
O que são drogas?...........................................................................113
O que é que se pode fazer?...............................................................113
Sinais de perigo ..............................................................................115
O que fazer quando se suspeita que um filho consome drogas?..............116
Índice de figuras
Figura 1 – Reforço positivo e aumento da frequência e intensidade do
comportamento................................................................42
Figura 2 – Punição e modificação da direcção, frequência e intensidade
do comportamento ...........................................................42
Figura 3 – Consequências negativas e constantes e a extinção do
comportamento................................................................43
Figura 4 – Comportamentos inadequados dos pais perante o mau
comportamento da criança.................................................46
Figura 5 – Ralhar como consequência positiva (dar atenção) .................51
Figura 6 – Reforçar comportamentos adequados ..................................51
Figura 7 – Exemplo de etiqueta E. .....................................................83
Figura 8 – Pirâmide da alimentação....................................................89
Índice de tabelas
Tabela 1 – Exemplo de uma ficha de registo de um comportamento
inadequado ....................................................................45
Tabela 2 – Técnicas de modificação de comportamento.........................47
Tabela 3 – Para que serve e como se utiliza a técnica da modelagem......48
Tabela 4 – Para que serve e como se utiliza a técnica do reforço positivo 50
Tabela 5 – Sugestões para reforçar positivamente a criança ..................52
Tabela 6 – Para que serve e como se utiliza a técnica da moldagem .......54
Tabela 7 – Exemplos de comportamentos esperados ............................56
Tabela 8 – Para que serve e como se utiliza a técnica do isolamento.......58
Tabela 9 – Para que serve e como se utiliza a técnica do castigo ............62
Tabela 10 – Distractores internos e externos .......................................74
Tabela 11 – Dispositivos de retenção aprovados ..................................84
Tabela 12 – Plano de vacinação .........................................................97
Introdução
A crescente profissionalização das mulheres introduziu profundas
alterações no quotidiano das famílias, colocando em causa a tradicional
organização familiar, baseada na separação de papéis, segundo a qual
as mulheres ficavam consignadas à condição e às tarefas de donas de
casa, mães e esposas, afastadas do mercado de trabalho (contexto
consagrado ao sexo masculino).

Apesar de, no plano do valores, se admitir que os homens devem


também assumir responsabilidades e tarefas no plano familiar, de uma
maneira geral, constata-se que a sua participação nas tarefas
domésticas e familiares é muito menos efectiva que a das mulheres,
continuando a ser estas quem maioritariamente tem a cargo o trabalho
com a casa e com os membros da família.

É importante ultrapassar estas dificuldades de partilha das tarefas


domésticas e de conciliação entre trabalho e família, valorizando
socialmente os dois domínios de actividade.

O módulo “Apoio ao Desenvolvimento Infantil II” insere-se no âmbito do


Sub-projecto: “Igualdade de Oportunidades”, assumindo-se como um
programa de formação no domínio das Técnicas de Apoio à Vida
Familiar.

Pretende-se proporcionar a homens e mulheres o acesso a informação


pertinente e a um conjunto de competências técnicas relevantes para a
vida familiar, nomeadamente no que diz respeito ao desenvolvimento e
educação dos filhos, consagrando a igualdade de oportunidades, direitos
e deveres (entre homens e mulheres, ou melhor, entre pais e mães).

Assim, este Manual inclui algumas noções breves sobre o


desenvolvimento da criança desde os seis anos até à entrada na
adolescência. São igualmente abordadas questões relacionadas com a
educação e promoção do desenvolvimento, nomeadamente no que diz
respeito à promoção da responsabilidade e à importância do exemplo
parental. Inclui-se ainda informação sobre a forma de interagir com
crianças e adolescentes (no sentido de promover a auto-estima e ajudar
a lidar com acontecimentos difíceis). Em seguida, são abordadas
questões relacionadas com a disciplina, isto é, com a modificação dos
comportamentos da criança. Inclui-se ainda um capítulo referente à
escola e a estratégias de promoção da motivação e do sucesso.
Finalmente, são abordadas questões relacionadas com a promoção da
saúde e segurança, incluindo informação relativa a nutrição, higiene,
prevenção de riscos, etc..

1
Capítulo 1

O desenvolvimento da
criança desde os seis
anos até à entrada na
adolescência
Transformações Físicas

Desenvolvimento Cognitivo

Desenvolvimento Social

Desenvolvimento Moral

2
Capítulo 1: O desenvolvimento da criança desde os seis anos até à entrada na
adolescência

Transformações Físicas

Entre os 6 e os 10 anos de idade, o crescimento físico das crianças


tende a abrandar quando comparado com o rápido crescimento físico
verificado durante os primeiros 5 anos de vida. As mudanças fisiológicas
que se verificam nesta fase do desenvolvimento, nomeadamente o
aumento no tamanho e força física e desenvolvimentos no cérebro,
permitem uma melhor coordenação motora e níveis de pensamento
mais complexos. As crianças ganham maior controlo sobre os seus
corpos (por exemplo, tornam-se capazes de andar de bicicleta e
escrever de uma forma legível com um lápis) e são capazes de se sentar
e estar atentas por períodos de tempo mais longos.

Contudo, as crianças desta idade estão longe da maturação física e


necessitam de estar activas. Crianças de 6 anos cansam-se mais quando
estão sentadas durante longos períodos de tempo do que quando
correm, saltam ou andam de bicicleta. A actividade física é essencial
para estas crianças aperfeiçoarem as suas competências. Ter a
possibilidade de demonstrar o seu novo poder e controlo físico permite
igualmente aumentar a sua auto-estima.

A actividade física é igualmente importante para o crescimento cognitivo


das crianças. Quando lhes é apresentado um conceito abstracto, as
crianças necessitam de acções físicas para as ajudar a compreender o
conceito, da mesma maneira que os adultos precisam de exemplos para
compreender conceitos pouco familiares. No entanto, ao contrário dos
adultos, as crianças entre os 6 e os 10 anos de idade estão quase
totalmente dependentes de experiências vividas em primeira mão.
Portanto, as crianças desta idade devem estar envolvidas em
actividades activas e não passivas. Por exemplo, as crianças devem
manipular objectos reais e aprender através de experiências práticas e
directas em vez de estar sentadas a ouvir por longos períodos de tempo.

A puberdade
Na segunda década de vida das crianças começa a ocorrer uma série de
desenvolvimentos biológicos que transforma as raparigas e rapazes
(fisicamente imaturos) em seres biologicamente maduros e capazes de
reprodução sexual – trata-se do início da puberdade.

O momento para o início da puberdade depende, como todos os


acontecimentos do desenvolvimento, de interacções complexas entre

3
Capítulo 1: O desenvolvimento da criança desde os seis anos até à entrada na
adolescência

factores genéticos e ambientais (por exemplo, a alimentação, o exercício


físico, o stress, etc.).

A puberdade começa quando o hipotálamo, localizado na base do cérebro,


envia um sinal que activa a glândula pituitária. Esta glândula aumenta então
a produção de hormonas de crescimento, que estimulam a velocidade de
crescimento de todos os tecidos do corpo. A glândula pituitária liberta ainda
hormonas que, nas raparigas, estimulam os ovários a produzir estrogéneo e
progesterona (que, por sua vez, desencadeiam numerosos acontecimentos
físicos, incluindo a libertação de óvulos maduros dos ovários) e, nos
rapazes, estimulam os testículos a produzir testosterona (que permite a
produção de esperma).

Um dos primeiros sinais visíveis da puberdade é o "salto" na velocidade de


crescimento. Rapazes e raparigas crescem mais rapidamente agora do que
em qualquer outra idade desde que eram bebés.

As mudanças no tamanho físico são acompanhadas por mudanças na forma


global. Os caracteres sexuais secundários, ou seja, os sinais anatómicos e
fisiológicos que distinguem rapazes e raparigas, surgem à medida que os
órgãos sexuais primários estão a amadurecer.

A puberdade nas raparigas

Na puberdade as raparigas passam por algumas transformações físicas:

• o peso e altura aumentam;

• os seios começam a formar-se;

• as ancas alargam;

• aparecem os primeiros pêlos púbicos;

• o útero começa a crescer;

• os ovários aumentam e as células que eventualmente se transformarão


em óvulos começam a amadurecer;

• verifica-se a acumulação de tecido adiposo (que lhes dá a sua forma


adulta);

• acontece o primeiro período menstrual (menarca).

Não há idade certa para estas transformações físicas e para a chegada da


primeira menstruação. Cada corpo tem o seu relógio biológico: há raparigas
que são menstruadas aos 16 anos, enquanto outras podem ser aos 10. Na

4
Capítulo 1: O desenvolvimento da criança desde os seis anos até à entrada na
adolescência

Europa, a primeira menstruação surge em média por volta dos 12 ou 13


anos.

Quando a primeira menstruação ocorre mais cedo, é natural que a


menina se sinta desconfortável e insegura. Se o seu corpo estiver mais
desenvolvido que o das amigas, ela sente-se diferente e, na
adolescência, ser diferente dos outros nunca é bem aceite.

Não há nenhum momento específico nem nenhuma receita especial para


falar sobre a menstruação. As mães devem estar conscientes de que a
primeira menstruação causa sempre alguma agitação, até porque a
vagina é uma parte do corpo que a adolescente ainda não conhece bem,
e o sangue é normalmente associado a uma situação de aflição ou de
doença. Assim, é importante que a mãe ou outra pessoa bem informada
preparem a menina para essa experiência, mostrando-lhe que se trata
de um acontecimento natural na vida de qualquer mulher e que é um
sinal de que o corpo está a funcionar em perfeitas condições.

As meninas deverão ser informadas sobre os cuidados de higiene


recomendáveis nestes dias e sobre os sintomas ou sinais que o corpo
lhe dará todos os meses. É importante que ela saiba que quando tem o
período não está doente e nada a impede de ir à praia, tomar banho,
cozinhar, ir à ginástica ou à natação, cortar o cabelo, comer de tudo,
andar descalça, etc. Aliás, a actividade física ajuda a aliviar as dores
menstruais, porque distende os músculos e um corpo energético liberta
endomorfinas - o aniquilador natural das dores. A rapariga pode
continuar com as suas actividades livremente. O único motivo que a
pode impedir é o facto de ela não se sentir bem (note-se que, por vezes,
o período está associado a algumas dores ou oscilações hormonais que
podem repercutir-se em mudanças de temperamento e humor).

A puberdade nos rapazes

Também os rapazes sofrem transformações físicas durante a puberdade:

• verifica-se um grande “salto” no crescimento físico;

• aumenta a força física;

• os ombros alargam;

• surgem pêlos púbicos;

• os testículos aumentam;

• a pele do escroto engrossa e torna-se mais avermelhada;

5
Capítulo 1: O desenvolvimento da criança desde os seis anos até à entrada na
adolescência

• o pénis começa a crescer;

• aparecem pêlos nos sovacos e no rosto;

• a voz torna-se mais grave (mudando gradualmente, à medida que a


laringe expande e as cordas vocais se alongam).

6
Capítulo 1: O desenvolvimento da criança desde os seis anos até à entrada na
adolescência

Desenvolvimento Cognitivo
As crianças pequenas constróem o seu próprio conhecimento através da
experiência. É importante que as crianças tenham experiências
diversificadas, ou seja, muitas oportunidades desafiadoras para usar e
desenvolver as suas competências de pensamento e para identificar e
resolver problemas que lhes interessam.

Até por volta dos 7 anos a criança é sonhadora, tem pensamentos


mágicos e muitas fantasias. A partir dos 7 anos as crianças entram no
período das operações concretas, isto é, começam a ser específicas e
podem testar problemas. Têm um pensamento concreto e não percebem
bem coisas abstractas. Desenvolvem a sua própria forma de
compreender os assuntos de acordo com experiências específicas do dia-
a-dia. Compreendem aspectos específicos ou concretos do problema.
Conseguem medir, pesar, calcular quantidades, e uma diferença
aparente não as engana. Abandonam o seu pensamento mágico e
fantasias e tornam-se quase exageradamente concretas. Regem-se pela
lógica. Por exemplo, distinguem sonhos de factos mas não separam
hipóteses de factos. Depois de chegar a uma conclusão, dificilmente
mudam de ponto de vista.

A criança torna-se capaz de operações mentais, isto é, operações


internalizadas que se inserem num sistema lógico. O pensamento
operacional permite às crianças combinar, separar, ordenar e transformar
mentalmente objectos e acções. Tais operações são consideradas concretas
porque são efectuadas na presença dos objectos e acontecimentos acerca
dos quais a criança está a pensar.

Nesta fase, as crianças começam a desenvolver a capacidade mental


para pensar sobre e resolver problemas nas suas cabeças porque podem
manipular os objectos simbolicamente, isto é, sem precisar sempre de
os tocar ou mover. Isto é uma realização cognitiva muito importante
porque aumenta a capacidade das crianças para resolver problemas.

Apesar desta mudança, as crianças dos 6 aos 10 anos ainda não são
capazes de pensar e resolver problemas da mesma forma que os
adultos. Embora possam manipular objectos de uma forma simbólica ou
mental, vai ainda demorar algum tempo até que possam manipular
símbolos mentalmente. Por esta razão as crianças nesta fase ainda
precisam de coisas reais para pensar sobre elas. Embora as crianças
possam usar símbolos como palavras e números para representar
objectos e relações, ainda precisam de pontos de referência concretos.

7
Capítulo 1: O desenvolvimento da criança desde os seis anos até à entrada na
adolescência

As crianças desta idade desenvolvem competências importantes para a


escola, nomeadamente a capacidade para entender o ponto de vista de
outra pessoa, o que permite expandir de uma forma significativa as
competências de comunicação da criança. As crianças entre os 6 e os 10
anos podem envolver-se em conversas com adultos bem como com
outras crianças e podem usar o poder da comunicação verbal,
recorrendo a piadas e provocações.

A escola ajusta-se bem a esta forma de pensar porque dá importância a


tarefas como contar, classificar, construir, manipular e actividades como
visitas de estudo. As regras das actividades são muito importantes.
Nesta fase, as crianças percebem porque é que as regras devem existir
e levam-nas muito a sério. Têm uma compreensão literal, concreta do
conceito de regra: são leis acabadas que não podem ser mudadas. Os
adultos percebem que as regras podem ser flexíveis, mas as crianças
encaram-nas como fixas e necessárias.

A partir dos 11 anos a criança vai começar a pensar sobre diferentes


possibilidades para resolver os problemas e a testar diferentes hipóteses
(deixam de pensar apenas no que é para começar a pensar no que pode
ser). O adolescente tem maior capacidade para analisar os dados de um
ponto de vista lógico antes de chegar a uma conclusão. Começam
também a pensar sobre o seu próprio pensamento e sobre o
pensamento dos outros. Têm também uma nova consciência sobre o
facto de pessoas diferentes terem pensamentos diferentes sobre a
mesma situação.

8
Capítulo 1: O desenvolvimento da criança desde os seis anos até à entrada na
adolescência

Desenvolvimento Social
As crianças de 6 anos começam a interessar-se intensamente pelas
crianças da sua idade. Estabelecer relações produtivas, positivas e de
trabalho com outras crianças da sua idade fornece os alicerces para
desenvolver um sentimento de competência social. A partir dos 6 ou 7
anos as crianças conseguem genuinamente ouvir ou falar com outras
crianças.

A partir dos 6 anos as crianças entram para um novo mundo: a sala de


aula, a vizinhança, o grupo. Estes passam a ser contextos de
desenvolvimento. Os grupos de vizinhança e da sala de aula tornam-se
os principais agentes de socialização, até porque as crianças passam
muito tempo fora de casa.

Nesta fase, os grupos são quase exclusivamente constituídos por


rapazes ou por raparigas. De vez em quando, um grupo de rapazes
permite que uma "Maria Rapaz" particularmente talentosa entre para o
grupo, mas regra geral, o mundo juvenil é estável e claramente
estereotipado. Este mundo divide tudo em dois campos: rapazes e
raparigas, os mais novos são todos "bebés", todos os adultos têm
sempre razão. Não há lugar para a relatividade. Trata-se do período do
pensamento concreto que, do ponto de vista pessoal, proporciona um
período de estabilidade emocional considerável.

Nesta fase a criança desenvolve um sentido geral de competência


pessoal. Motivação para a competência pessoal quer dizer que existe um
"impulso" inato para dominar o mundo. Os seres humanos, e as crianças
em particular, são seres naturalmente curiosos que procuram dominar e
controlar o mundo que os rodeia.

É imenso o número de novas actividades e jogos que as crianças desta


idade aprendem: nadar, jogar futebol, montar a cavalo, fazer vela,
esquiar, acampar, fazer remo, cozinhar, coleccionar coisas…é uma lista
infindável e revela a quantidade de energia "bruta" e a motivação para a
competência que existe nesta fase. Existe um ditado antigo que diz que
"Uma criança tem 10 000 músculos que se querem mexer e apenas
alguns servem para se sentar quietos".

Esta tremenda quantidade de energia pode ser posta ao serviço da


motivação para a competência pessoal. Se não se encoraja a criança a
envolver-se activamente com o meio circundante, o seu sentido de
mestria será substituído pelo de inferioridade pessoal. É nesta altura que

9
Capítulo 1: O desenvolvimento da criança desde os seis anos até à entrada na
adolescência

a necessidade de a criança adquirir activamente múltiplas competências


afecta ao máximo o seu sentido de competência pessoal.

Na escola os professores devem recorrer a actividades que promovam o


sentido de mestria, através de salas de aula abertas e activas que
promovam muitas actividades e projectos individuais e absorvam muita
energia, colocando a tónica no "fazer" em vez de no "ouvir". Nesta fase
a criança está pronta para a aprendizagem activa e não nos devemos
preocupar em criar crianças caladas, arrumadas, ordenadas e delicadas.

10
Capítulo 1: O desenvolvimento da criança desde os seis anos até à entrada na
adolescência

Desenvolvimento Moral
Por volta dos seis anos de idade as crianças começam a internalizar
regras morais de comportamento e, assim, adquirem uma consciência.
No entanto, o comportamento das crianças mostra frequentemente que
é difícil viver com a sua nova auto-monitorização e que elas precisam da
ajuda dos adultos. Os adultos deverão usar técnicas de orientação
positivas como modelagem e consequências lógicas para ajudar as
crianças a aprender comportamentos adequados, em vez de castigar,
criticar ou comparar crianças.

Crianças desta idade também começam a fazer julgamentos mais


precisos acerca do que é verdadeiro ou falso e a aplicar de uma forma
rígida a sua recente compreensão das regras. As suas consciências
recentemente formadas são frequentemente excessivamente rígidas. Por
exemplo, podem tratar cada pequeno erro como um crime grave,
merecedor de um castigo terrível. Os adultos devem ajudar as crianças
a avaliar os erros de uma forma realista e a encontrar formas de os
corrigir. As consciências em desenvolvimento das crianças insistem
especialmente na justiça e adesão às regras. Elas observam com
cuidado as infracções dos adultos e, por isso, é útil que os adultos sejam
justos e obedeçam às regras.

Apesar da sua maior independência e consciências em desenvolvimento,


as crianças de 6, 7 e 8 anos de idade ainda precisam da supervisão e do
apoio de adultos de confiança. Não se deve esperar que crianças desta
idade se supervisionem na escola ou fora da escola por longos períodos
de tempo. Professores e pais devem fornecer oportunidades para as
crianças desenvolverem independência e assumir responsabilidade mas
não devem esperar que estas crianças revelem níveis de auto-controlo
próprios dos adultos.

11
Capítulo 2

Educar e promover o
desenvolvimento de
crianças e adolescentes

O que é que os pais podem fazer para promover


a responsabilidade e o desenvolvimento?

Ser modelo: contribuir para o processo


educativo através do exemplo

12
Capítulo 2: Educar e promover o desenvolvimento de crianças e adolescentes

Em geral, os pais enfrentam a incerteza, cometem erros e pedem


conselho sobre como lidar com os seus filhos em algum momento
durante a infância e adolescência dos seus filhos.

As crianças têm necessidades emocionais básicas que devem ser


satisfeitas para que possam crescer no sentido da maturidade: amor e
segurança, novas experiências, elogio e reconhecimento,
responsabilidade.

As crianças aprendem melhor quando se sentem bem consigo próprias.


Isto começa quando as suas necessidades físicas são satisfeitas por
adultos carinhosos num ambiente saudável e seguro. Há menor risco de
problemas quando a criança estabelece relações com adultos carinhosos,
apoiantes e que não mostram crítica severa.

As crianças precisam de usar todo o seu corpo e os seus cinco sentidos


para aprender sobre o mundo que as rodeia. Isto exige interacção activa
com pessoas, objectos e espaço. Tudo é novo para elas! Elas aprendem
acerca de si próprias e como funcionam à medida que aprendem acerca
do que as rodeia.

As crianças aprendem melhor quando têm oportunidade de escolher as


actividades em que se envolvem. As crianças tendem a ser
naturalmente curiosas e energéticas. A curiosidade é um sinal saudável
de confiança e da necessidade de novos desafios. Quando os adultos
encorajam as crianças a experimentar as suas ideias para ver o que
acontece, estão a ajudá-las a sentir-se bem consigo próprias e estão a
preparar o terreno para as crianças desenvolverem responsabilidade.

13
Capítulo 2: Educar e promover o desenvolvimento de crianças e adolescentes

O que é que os pais podem fazer


para promover a responsabilidade
e o desenvolvimento?
Definir regras simples
É importante que os pais e outros adultos sejam claros em relação ao
comportamento que é aceitável e ao comportamento indesejado. As
regras devem ser baseadas em expectativas razoáveis para o nível de
desenvolvimento das crianças.

As crianças confundem-se com facilidade se as regras mudam de dia


para dia ou de adulto para adulto. As crianças testam limites e, por isso,
a consistência é essencial. Os pais devem ser consistentes no
cumprimento das regras e ser previsíveis nas suas reacções. Desta
forma, a criança aprende o que é esperado e pode escolher obedecer ou
não obedecer, estando consciente das consequências.

Tente orientar as crianças de uma forma positiva, referindo o que a


criança deve fazer em vez do que a criança não deve fazer. Justifique as
regras dando uma explicação que apele ao orgulho da criança, ao seu
desejo de ser crescida e à sua preocupação em relação aos outros.

Os limites devem ser flexíveis e mudar à medida que a criança cresce,


com o objectivo de a ajudar a aprender os comportamentos sociais e
emocionais adequados para viver em sociedade. Não se trata de
negociar com sentimentos ou dar amor condicional apenas quando a
criança se comporta de forma adequada.

Ser consistente no cumprimento das regras

Os pais devem cumprir o que dizem e ser capazes de manter uma


política firme e consistente de disciplina, de modo a que a criança possa
esperar que cumpram o que disseram. Se um pai ocasionalmente muda
de ideias, não faz mal nenhum dizer à criança que mudou de opinião,
explicando as suas razões. Mas, em geral, a vida é muito mais simples
para a criança se ela souber que pode esperar que os pais cumprem o
que dizem.

Apesar de haver muitas excepções, é muito comum os pais e mães


terem ideias um pouco diferentes acerca da disciplina. Em geral os pais
são mais rígidos e as mães têm mais tendência para pensar que a
14
Capítulo 2: Educar e promover o desenvolvimento de crianças e adolescentes

criança está a passar por uma fase e que é melhor ceder um pouco. É
importante que a criança sinta a consistência da disciplina de cada pai.
Assim, ela começa a saber o que pode esperar de cada um.

Independentemente das diferenças entre pais e mães, é muito


importante discuti-las em privado e apresentar uma frente unida
perante a criança, apoiando as ordens e decisões do outro. A disciplina
falha quase inevitavelmente quando um dos pais não apoia o outro, ou
pior ainda, quando critica a conduta do outro à frente da criança.

É importante recompensar o bom comportamento. Pode ser através de


uma demonstração física de afecto, um abraço, um beijo ou uma
festinha, ou pode ser um elogio.

Os pais podem usar afirmações gerais sobre o que a criança fez ("Muito
bem!"; "Que bonito!"; "Que querido!") ou dizer coisas mais precisas:
"Obrigada por arrumares os teus brinquedos!"; "Que lindo menino, que
veio quando eu chamei!" As afirmações precisas são particularmente
úteis porque ensinam claramente à criança o que os pais querem. Os
elogios devem ser dados imediatamente, num tom de voz agradável.

Estabelecer expectativas razoáveis

Os pais precisam de compreender os padrões normais de


desenvolvimento para saber o que esperar das crianças. Expectativas
realistas ajudam as crianças a desenvolver confiança em si próprias e
nos adultos.

Atribuir responsabilidades
É importante que a criança participe nas tarefas domésticas. Tanto o pai
como a mãe podem ensinar rapazes e raparigas a fazer coisas em casa
(ajudar a lavar a loiça, pôr a mesa ou arranjar coisas). Quando é
ensinada, a criança consegue fazer sozinha e torna-se mais autónoma e
responsável. Para definir as tarefas a realizar pela criança é vantajoso
ter em conta as suas preferências: por exemplo, uma vez que a maioria
das crianças adora água, é possível que elas gostem particularmente de
desempenhar tarefas que impliquem lavar alguma coisa.

Respeitar os sentimentos das crianças


As crianças necessitam de aprender a respeitar-se a si próprias e aos
outros através do exemplo. Pais e outros prestadores de cuidados
15
Capítulo 2: Educar e promover o desenvolvimento de crianças e adolescentes

podem ajudar as crianças a expressar tanto emoções positivas e


negativas de formas que são aceitáveis para a cultura.

Se forem tratadas de uma forma carinhosa, generosa e atenciosa, as


crianças serão carinhosas, generosas e atenciosas. Se forem ignoradas,
castigadas ou gozadas, as crianças tornam-se tímidas, desafiadoras ou
exigentes.

Preparar um ambiente seguro


Os pais devem tentar que a sua casa seja um local bom e seguro para
as crianças explorar. Todos os objectos perigosos devem ser colocados
fora do alcance.

Fornecer segurança
Para que as crianças possam ser responsáveis precisam de um forte
sentimento de segurança. Um conjunto claro de regras e limites
razoáveis fornecem a segurança necessária para que as crianças testem
as suas novas competências.

É igualmente importante seguir rotinas consistentes, ou seja definir


horas para acordar, tomar refeições, fazer os trabalhos de casa, ver
televisão, deitar, etc. Quando as crianças sabem o que esperar no dia-a-
dia, sentem-se mais seguras e podem preparar-se melhor para as
transições. As crianças devem ainda ser avisadas de eventuais
mudanças nas rotinas para que possam ter tempo para se habituar
calmamente à ideia, ganhando uma sensação de segurança e controlo.

Ter confiança na criança


Crianças que são livres de explorar com segurança tornam-se
competentes. As crianças aprendem melhor quando os adultos não
interferem. É preciso confiar no sucesso das crianças: elas serão
competentes se esperarmos que elas o sejam.

Oferecer opções
As crianças podem fazer boas escolhas se as opções corresponderem às
capacidades das crianças. Fazer escolhas ensina as crianças a ganhar
controlo sobre as suas vidas.

16
Capítulo 2: Educar e promover o desenvolvimento de crianças e adolescentes

Expressar orgulho, interesse e amor


O afecto ajuda as crianças a crescer emocionalmente. O carinho é uma
das formas mais eficazes de mostrar aos nossos filhos que os amamos.
Se lhes mostrarmos que os amámos, eles vão estar confiantes que
podem ser bem sucedidos. As crianças aprendem a confiar quando
podem contar com os outros.

É muito importante aceitar a criança tal como ela é, sem desejar que
seja diferente. Mais importante ainda é demonstrar esta aceitação à
criança, mesmo que seja preciso vencer o cansaço e o mau humor. A
criança deve sentir que os pais gostam dela sempre, tal como ela é,
independentemente das imperfeições físicas, faltas de jeito ou das suas
asneiras.

Uma das formas de demonstrar amor e interesse pela criança é dedicar-


lhe algum tempo exclusivo, só para ela. Pequenos momentos vividos
plenamente e com satisfação são muito mais valiosos do que dias
inteiros passados com os filhos mostrando desagrado e insatisfação. A
qualidade do tempo que se passa com e criança parece ser mais
importante do que a quantidade de tempo. Importa é tornar esses
pequenos momentos especiais.

Promover a linguagem
A linguagem é importante para todas as aprendizagens. É através da
linguagem que se vai construindo o pensamento e a capacidade de
aprender. A forma como os pais e outros adultos comunicam e se
relacionam com a criança influencia o desenvolvimento da linguagem e
do raciocínio.

Há muitas coisas que os pais podem fazer para encorajar o


desenvolvimento da linguagem:

• Dar à criança muitos materiais (ex.: livros, lotos de figuras e outros


jogos de cartas com figuras);

• Ler livros infantis e poemas à criança;

• Contar histórias à criança;

• Chamar a atenção da criança para objectos e acontecimentos que


sejam interessantes;

• Falar sobre o que estão a fazer. Descrever o que vêem, sentem,


ouvem, cheiram e saboreiam;

17
Capítulo 2: Educar e promover o desenvolvimento de crianças e adolescentes

• Falar com a criança durante as refeições e outras rotinas diárias,


brincadeiras, actividades, passeios;

• Encorajar a criança a cantar, responder a perguntas, falar sobre as


suas experiências, contar histórias, falar durante as brincadeiras e
refeições, descrever coisas, responder às próprias perguntas, etc.;

• Reconhecer e respeitar o papel da criança nas conversas dos adultos


(evitar a tendência para o didactismo ou para dominar a conversa);

• Colocar questões abertas do tipo: “porquê”, “como”, “e se” (para


encorajar as crianças a dar respostas mais longas e complexas);

• Estar disponível para conversar e escutar atentamente e mostrar


interesse e entusiasmo;

• Colocar-se ao nível da criança para permitir o contacto ocular,


assumir uma posição confortável e uma linguagem corporal
relaxada;

• Utilizar o contacto corporal como segurar a mão e rodear a criança


com o braço (desde que a criança deseje ser tocada), para que a
criança sinta que o que ela está a dizer e fazer é importante;

• Aprender e recordar os interesses específicos da criança;

• Ser paciente e não interromper nem terminar as frases da criança;

• Dizer as palavras e frases correctamente quando a criança "se


engana";

• Falar, falar, falar! A criança está a aprender linguagem mesmo


quando não está a falar.

Encorajar actividades extracurriculares


A criança aprende a conhecer o mundo e a si própria através da sua
própria experiência. A realização de actividades extracurriculares pode
ser um meio para a criança ocupar os tempos livres, aprender,
desenvolver um talento, explorar o imaginário, preparar o futuro,
exercitar corpo e mente, etc.

Como escolher? É importante que seja uma actividade que dê prazer à


criança, que a ajude a preparar-se para o futuro e a desenvolver as suas
capacidades (tendo sempre em conta as suas necessidades,
personalidade e expectativas).

18
Capítulo 2: Educar e promover o desenvolvimento de crianças e adolescentes

Existem várias possibilidades:

• Desporto (futebol, natação, dança, equitação, esgrima, artes


marciais, ténis, etc.). Além da importância para a saúde da criança,
a prática habitual de desporto ajuda a desenvolver o sentido de
entre-ajuda, de camaradagem e espírito de equipa, a conhecer os
limites e capacidades do corpo, a possibilidade de se ultrapassar a si
próprio e o significado de competição. O exercício físico ajuda ainda
as crianças a melhorar a auto-estima e o nível de concentração.

• Expressão dramática (fantoches e teatro de sombras, etc.),


expressão plástica e trabalhos manuais, música, jardinagem, coro e
instrumentos musicais, informática, línguas, etc. São actividades
que contribuem para o desenvolvimento da imaginação e da
capacidade criativa da criança, para a melhor formação da sua
personalidade e para que atinja um equilíbrio físico e psicológico.

• Aprendizagem de línguas.

• Computadores e informática. O computador é uma ferramenta que


promove o desenvolvimento de várias capacidades como a
coordenação psicomotora, a memória visual ou auditiva, o
desenvolvimento do raciocínio lógico; assim como o trabalho em
equipa, a partilha, a entre-ajuda e a cooperação. Além disso, os
conhecimentos na área informática são hoje um requisito quase
obrigatório para qualquer profissão.

Algumas destas e outras experiências podem e devem ser vividas com


os pais e família. Passeios, viagens, visitas a museus, exposições,
monumentos, etc., proporcionam oportunidades para uma
aprendizagem partilhada e constituem momentos inesquecíveis para a
criança e família.

Note-se, contudo, que o dia da criança não deve ser passado a correr de
actividade em actividade. É vital que as crianças tenham um tempo só
para elas, isto é, tempo para não fazer nada.

Outra forma de estimular a criança, proporcionando-lhe importantes


experiências de aprendizagem que lhes permite desenvolver o seu
potencial, é através do uso de brinquedos criativos. Por exemplo, os
brinquedos de construção (adequados à idade da criança) constituem
boas ferramentas para estimular a imaginação e criatividade.

Actualmente, a grande maioria das crianças passa muito tempo a ver


televisão, constituindo, em muitos casos, a principal "actividade
extracurricular". Apesar das actuais discussões acerca dos seus
malefícios, é possível afirmar que a televisão pode constituir um recurso
para a estimulação da criança, se utilizada adequadamente pelos pais.

19
Capítulo 2: Educar e promover o desenvolvimento de crianças e adolescentes

Assim, para que a televisão possa ser vantajosa para o desenvolvimento


da criança é importante:

• definir horas para parar de ver televisão (para que a criança possa
dormir o tempo necessário e não assista a programas que não lhe
são destinados);

• seleccionar os programas que as crianças não devem ver, em


função da sua idade, personalidade e necessidades específicas;

• ser consistente na aplicação destas regras e efectuar alterações à


medida que a criança cresce;

• estar presente e ver televisão com a criança para poder ajudar a


interpretar adequadamente as informações e mensagens
transmitidas.

Dizer a verdade
Outro aspecto importante na educação de crianças e adolescentes é a
necessidade de existir um diálogo verdadeiro e honesto.

As crianças são curiosas e, muitas vezes, fazem perguntas incómodas e


difíceis. As primeiras perguntas embaraçosas costumam ter como
objectivo o esclarecimento da sua própria origem: “De onde vêm os
bebés?”; “Onde é que eu estava antes de nascer?”; “O que é preciso
fazer para ter um irmão?”, etc. Um pouco mais tarde começam as
perguntas acerca das diferenças entre meninos e meninas, acerca de
Deus, da morte, etc.

Quando isso acontece, em vez de mentir, disfarçar ou responder "Vai


perguntar à mãe!" é importante que os pais tentem responder às
perguntas do filho com a sinceridade e a simplicidade que ele precisa
para compreender a resposta (de acordo com a sua idade).

Dizer a verdade à criança com abertura, naturalidade e simplicidade


constitui uma boa regra para a educação e é uma regra que se aplica a
todos as curiosidades da criança: morte, sexo, corpo, etc.

Ajudar a fazer amigos


Para que a criança se desenvolva de uma forma saudável, é necessário
ter amigos e companheiros de brincadeira que a acompanhem nas suas
aventuras e na exploração do mundo.

20
Capítulo 2: Educar e promover o desenvolvimento de crianças e adolescentes

Os pais podem ajudar os seus filhos a fazer novos amigos. Às vezes é


suficiente oferecer à criança uma bola, uma bicicleta ou um animal
doméstico. São coisas simples que proporcionam à criança um pretexto
para partilhar algo com outros e trocar informação e experiências.
Combinar um lanche em casa (de preferência num fim-de-semana
chuvoso), inscrever os filhos no grupo de escuteiros mais próximo,
organizar uma visita conjunta a um museu próximo, uma ida ao cinema
ou uma visita ao jardim zoológico são estratégias eficazes para que as
crianças partilhem experiências com outras crianças.

21
Capítulo 2: Educar e promover o desenvolvimento de crianças e adolescentes

Ser modelo: contribuir para o


processo educativo através do
exemplo

"Tal pai, tal filho!"; "Filho de peixe sabe nadar!"; "Quem sai aos seus
não degenera!" São expressões de uma sólida sabedoria popular que
mostram bem o peso e a importância da continuidade de determinadas
características, únicas e especiais, dentro de cada família.

Nem só de palavras vivem as pessoas. Vivem também, e muito, daquilo


que lhes é transmitido através de sensações, sentimentos, emoções, e
estados de alma. Os pais, dentro das suas casas, longe dos olhares
indiscretos do mundo, comportam-se, falam e sentem como realmente
são, sem disfarces. Os filhos observam e aprendem.

Os filhos imitam os pais para lhes agradar, para que os aceitem, para
que não os rejeitem. O olhar das crianças é total, abrangente e
cristalino. Muito do que aprendem é resultado de imitação, de absorção
directa da essência do pai e da mãe. É por isso que, mesmo sem troca
de palavras, uma criança percebe quando o pai falta à verdade em
presença de estranhos, ou adopta determinada atitude em determinada
situação. As crianças estão permanentemente atentas aos
comportamentos dos adultos, aprendem com eles e reproduzem-nos na
primeira oportunidade.

O peso do exemplo na aprendizagem de comportamentos permite ainda


aos pais influenciar o comportamento da criança de uma forma
indirecta, isto é, elogiando ou criticando o comportamento de outras
pessoas. Por exemplo, é provável que a criança aprenda quais as
consequências associadas à infracção de uma norma quando observa o
castigo que o irmão recebe ao transgredi-la.

"Olha para o que eu digo! Não olhes para o que eu faço!" é uma atitude
que não se revela eficaz na educação de uma criança ou adolescente. Os
pais devem estar conscientes do poder do exemplo e considerar os seus
actos, palavras e emoções como lições que as suas crianças aprendem
diariamente. Isto aplica-se ao cumprimento das regras estabelecidas,
comportamentos de generosidade, educação e delicadeza,
comportamentos de risco (consumo de tabaco, álcool, drogas, etc.),
linguagem, motivação para a leitura, optimismo, etc.

Por exemplo, no que diz respeito à linguagem, é importante que os pais


forneçam bons exemplos ao longo do dia, falando devagar,
22
Capítulo 2: Educar e promover o desenvolvimento de crianças e adolescentes

pronunciando claramente as palavras, dando instruções claras, usando


palavras exactas nas descrições e nas conversas, etc. Mais eficaz que
dizer a uma criança “fala mais devagar” ou “pensa no que estás a dizer”,
é responder à criança de uma forma lenta, deliberada e significativa.

Também o optimismo é uma atitude ou maneira de ser que se aprende


de pequenino (mais uma vez, através do exemplo). Filhos de pais
optimistas terão mais probabilidade de ser crianças optimistas. E ser
optimista é vantajoso: uma pessoa pessimista fica paralisada, agarrada
à negatividade em vez de agir.

Ser um bom exemplo implica não lançar as mãos à cabeça,


desesperado, à mínima contrariedade, não maldizer a vida sempre que
surgem problemas nem se autoproclamar a pessoa mais infeliz do
mundo se as coisas não correm como desejava.

Em vez de exprimir pensamentos negativos, é importante habituar-se a


ver o mundo de uma forma positiva. Quase sempre há várias hipóteses
de resolver um problema. Os adultos devem analisá-las com calma e
actuar em conformidade, em vez de desmoralizar à primeira. A criança
comportar-se-á da mesma forma quando for a sua vez de enfrentar um
obstáculo.

Os pais devem usar e abusar do humor, relativizar as contrariedades e


aproveitar o que existe de positivo em todas as situações negativas. Os
filhos seguir-lhes-ão o exemplo.

Os pais podem funcionar como modelos em praticamente todos os


aspectos da vida. A própria relação do casal assume uma grande
importância: se os pais tiverem um relacionamento feliz, harmonioso,
caracterizado pela partilha de tarefas e pelo respeito mútuo, é mais
provável que os seus filhos também consigam construir uma relação
harmoniosa, quando chegar a vez deles.

Além da importância de uma relação conjugal equilibrada enquanto


modelo a seguir (e forma indirecta de ensinar estratégias de
relacionamento entre o casal), permite ainda que as crianças cresçam
felizes, sem assistir a discussões infinitas que as sobrecarrega com
problemas com os quais ainda não conseguem lidar e que podem afectar
o seu desenvolvimento a vários níveis.

23
Capítulo 3

Interagir com crianças e


adolescentes

Promover a auto-estima

Ajudar a lidar com acontecimentos difíceis

24
Capítulo 3: Interagir com crianças e adolescentes

Para além da quantidade de tempo que os pais devem passar com os


filhos, é particularmente importante que esse tempo seja de qualidade,
isto é, marcado pela boa disposição e prazer mútuo. A qualidade da
relação entre pais e filhos depende em grande parte da forma como os
pais interagem com as crianças e adolescentes. Interagir de forma
adequada com crianças e adolescentes significa promover o seu
desenvolvimento, a sua felicidade e a sua auto-estima.

Promover a auto-estima
O que é a auto-estima?
Ter auto-estima significa:

• saber que se é importante para alguém que também é importante


para nós;

• sentir-se “especial”, único, diferente;

• sentir-se satisfeito, contente, feliz;

• sentir-se cheio de projectos, avançando em função de objectivos


importantes que reflectem crenças e valores.

A auto-estima é um sentimento que se expressa sempre através de


actos. É possível conhecer a auto-estima de uma criança através do que
faz e pela forma como o faz.

A auto-estima relaciona-se com a avaliação que fazemos sobre nós


mesmos. É constituída por três componentes básicos: a dimensão
cognitiva (pensamentos, ideias, crenças, valores, atribuições, etc.); a
dimensão comportamental (o que dizemos e fazemos); e a dimensão
afectiva (o que sentimos). O que sentimos relaciona-se com o valor que
atribuímos às situações, coisas e pessoas que nos rodeiam, e com o
valor que nos damos a nós mesmos.

Auto-conceito

Corresponde à dimensão cognitiva da auto-estima, isto é, o que


pensámos sobre nós próprios enquanto pessoas. É a opinião que temos
sobre a nossa própria personalidade e comportamento. As crianças
também têm ideias acerca das coisas que fazem bem, acerca das suas
preferências, das relações com os outros e sobre o que pensam que são
capazes de conseguir. Essas ideias formam o seu auto-conceito e
quando essas ideias são satisfatórias a criança forma um auto-conceito

25
Capítulo 3: Interagir com crianças e adolescentes

positivo de si mesmo e dá origem àquilo a que chamamos uma auto-


estima saudável.

Auto-imagem

É a representação mental que fazemos de nós mesmos. Responde à


pergunta "Como te vês?" Cada um de nós vê-se de determinada
maneira. Em relação ao modo de ser, vemo-nos como simpáticos ou
menos simpáticos, alegres ou menos alegres, felizes ou menos felizes,
colaboradores ou individualistas… No que se refere à imagem pessoal
vemo-nos como bonitos ou menos bonitos, altos ou baixos, morenos ou
loiros, com boa pinta ou pior aspecto, etc.

Auto-estima

Depois de saber quem somos e a ideia que temos sobre nós próprios,
somos capazes de nos valorizar, estimar ou gostar de nós em maior ou
menor grau. Isso é a auto-estima, o valor que damos a nós próprios. É a
dimensão afectiva do nosso comportamento na medida em que
gostámos de nós ou não.

As pessoas com uma boa auto-estima sentem-se bem consigo mesmas.


Gostam da sua maneira de sentir, pensar e actuar em relação a si
próprios e aos outros.

A auto-estima saudável traduz-se no reconhecimento das coisas


positivas que temos e das coisas ou aspectos menos positivos que
também temos e que não funcionam tão bem como desejávamos. Se
estamos conscientes dos aspectos do nosso comportamento que
devemos mudar, estaremos a caminho de aumentar, melhorar e
desenvolver a nossa auto-estima.

A auto-estima pode variar em função dos diferentes aspectos da vida.


Uma criança pode valorizar-se como um bom desportista ou bom amigo
e, no entanto, ter um baixo auto-conceito em relação à escola ou às
relações com os outros membros da família.

A auto-estima não se herda. Aprende-se da mesma forma que muitos


outros comportamentos: de acordo com as experiências pessoais da
criança. A auto-estima, entendida como uma atitude, é adquirida e
modelada, constituindo o centro da nossa forma de pensar, de sentir e
agir.

Quando existe na família um ambiente de comunicação afectiva


adequada entre pais e irmãos, a criança aprende a desenvolver a sua
auto-estima. Quando se elogia e valoriza as coisas positivas que a
criança diz, pensa e sente, contribui-se para o desenvolvimento da auto-
estima da criança. Quando, pelo contrário, não se elogia o bom

26
Capítulo 3: Interagir com crianças e adolescentes

comportamento da criança ou não existe um ambiente suficientemente


afectivo para que a criança sinta segurança, está-se a dificultar o
desenvolvimento da sua auto-estima.

Se a criança observa nos pais um auto-conceito positivo e percebe isso


nas relações que estabelecem com os outros, estará em condições de
"copiar" o modelo dos pais e aprender a desenvolver a sua própria auto-
estima.

Uma boa auto-estima inclui aceitar-se como é, o que não significa que
não se deva mudar o comportamento, melhorar e evoluir. Quando uma
criança está consciente que é um bom aluno e tira boas notas na escola
pode igualmente estar consciente de que tem dificuldades no desporto.
Assumir essas dificuldades é um sinal de maturidade e decidir que deve
esforçar-se por mudar e melhorar as suas capacidades no desporto é
motivo de satisfação pessoal.

A auto-estima é um sentimento de capacidade pessoal. Representa


confiança e respeito por si mesmo e reflecte o juízo de valor que
fazemos sobre nós próprios. É necessária para enfrentar os problemas
da vida e superá-los.

A auto-estima é diferente de:

• acreditar que se pode fazer tudo;

• acreditar que se é melhor, único e importante (não é sinónimo de


soberba ou prepotência);

• defender os próprios direitos infringindo os dos outros;

• sobrevalorizar as próprias capacidades.

Porque é que a auto-estima é importante?


É bom gostarmos de nós! Para crescer de forma equilibrada e
satisfatória, para ter sucesso na escola e saber proteger-se dos
comportamentos de risco, a criança tem de aprender a confiar e a
gostar de si própria, isto é, a ter auto-estima.

Uma criança com pouca auto-estima tem uma menos-valia comparável


à de qualquer pessoa incapacitada fisicamente. Quando se tem pouca
auto-estima possui-se também pouca capacidade para ter êxito em
qualquer aprendizagem, nas relações humanas e em qualquer outro
domínio da vida.

27
Capítulo 3: Interagir com crianças e adolescentes

A auto-estima é como um escudo invisível. Está lá mas não se vê. É a


melhor herança que alguém nos pode deixar e tem raízes na infância.

As crianças que sabem valorizar adequadamente as suas qualidades e


capacidades têm maiores possibilidades de realizar diferentes tarefas
pessoais e sociais com mais êxito.

Ao contrário, as crianças com uma baixa auto-estima sentem-se tristes


consigo mesmas e projectam nos outros esse estado de insatisfação
pessoal. Uma criança ou pessoa com uma baixa auto-estima evita
situações em que tem que pôr em jogo as suas capacidades e, por isso,
reduzem-se as oportunidades de desenvolvimento pessoal e social.

Uma boa auto-estima protege de problemas psicológicos. A auto-estima


é fundamental para a saúde física e mental das pessoas. A saúde física é
muito influenciada pelo nosso estado de ânimo. Quando o nosso estado
de ânimo é optimista e estamos felizes, o nosso corpo sente-se bem.
Note-se que a auto-estima está associada a problemas de ansiedade e
de depressão. As pessoas com boa auto-estima podem superar melhor
estados de ansiedade. A elevada auto-estima fornece melhores defesas
pessoais para enfrentar as situações, devido a autoconfiança nas
próprias capacidades.

A auto-estima influencia a forma como se interpreta os acontecimentos


da vida.

A auto-estima influencia o rendimento escolar. A criança tem percepções


acerca da escola e do seu funcionamento enquanto estudante (auto-
conceito académico). Quando a valorização que faz sobre o seu
aproveitamento escolar e as suas capacidades é boa, a criança tem
confiança nas suas possibilidades enquanto estudante, supera as
avaliações e é valorizado positivamente pelo professor, tem respeito e
admiração pelos seus colegas e os seus pais reconhecem o seu esforço e
valia pessoal e escolar. Quando a criança tem uma boa auto-estima,
sente-se capaz de aprender e ter sucesso. A existência de auto-estima é
essencial para que o processo de aprendizagem escolar se desenvolva
sem dificuldades. Ter uma boa imagem de si próprio e das suas
capacidades ajuda a lidar com as adversidades e a ultrapassá-las, a
adquirir sentido de responsabilidade e a desenvolver a criatividade.

Uma mudança positiva na auto-estima produz uma mudança favorável


no rendimento escolar e vice-versa. Quando se melhora no rendimento
escolar, na forma de superar exames, fazer bons trabalhos, reforça-se a
auto-estima. Uma auto-estima saudável permite uma maior motivação
em relação à aprendizagem, proporciona expectativas mais positivas em
relação ao que se é capaz de alcançar.

28
Capítulo 3: Interagir com crianças e adolescentes

A auto-estima é importante para as capacidades sociais da criança. Se


uma criança tem uma ideia negativa das suas capacidades para manter
conversas com os outros evitará estabelecer conversas e isolar-se-á.

O que faz, pensa e sente uma criança com uma boa auto-
estima?

Uma criança com uma boa auto-estima actua com independência e


iniciativa, assumindo responsabilidades com facilidade. Não necessita
que lhe indiquem constantemente o que deve fazer. Enfrenta novos
desafios com entusiasmo. Mesmo que sinta alguma dificuldade em fazer
as coisas, a confiança que tem em si mesma permite-lhe ser optimista.
Os seus pensamentos são positivos e traduzem uma avaliação positiva
das coisas que lhe acontecem ("Fui capaz!"). Quando uma coisa não sai
como gostaria, os seus pensamentos toleram bem a frustração ou erro
("Para a próxima vez faço melhor!"). Sente um grande orgulho pessoal
pelos seus êxitos. Sente-se capaz de influenciar as pessoas que o
rodeiam. Sente satisfação pessoal por fazer bem e pelo reconhecimento
dos outros.

As crianças com uma boa auto-estima têm os recursos pessoais


suficientes para resolver e ultrapassar com êxito os problemas da vida
(doenças, problemas familiares, más notas na escola, etc.).

O que faz, pensa e sente uma criança com uma má auto-


estima?

Evita as situações que lhe podem provocar ansiedade ou medo,


especialmente aquelas em que é obrigado a mostrar a sua capacidade
para fazer coisas. Deixa-se influenciar pelos outros com facilidade.
Parece que não tem capacidade para tomar decisões, tanto para dizer
que sim como para recusar propostas inadequadas de amigos e colegas.

Os seus pensamentos são depreciativos e dá-se pouco ou nenhum valor.


Desvaloriza as suas capacidades naturais porque acredita que não sabe,
não serve e é um inútil para… qualquer actividade ("Sou um desastre!
Não sirvo para isto!"). Algumas crianças, em vez de se auto-culparem
por não fazer bem as coisas, culpam os outros, os colegas, amigos,
adultos…das coisas que fazem mal ou não fazem. A reacção contrária
também é frequente, isto é, auto-culpar-se de todo o mal que lhes
acontece. Tem tendência a distorcer ou alterar os seus sentimentos de
forma negativa. Frequentemente utilizam as palavras "nunca",
"sempre", "tudo", "nada", para os seus pensamentos ("Nunca faço as
coisas bem!"; "Faço tudo mal!"). Sente-se impotente, infeliz, triste,
desiludido e frustrada porque as coisas não lhe correm bem e porque as
outras pessoas não valorizam suficientemente as suas capacidades. A
sua atitude é defensiva em relação às propostas dos outros.

29
Capítulo 3: Interagir com crianças e adolescentes

As crianças que habitualmente possuem uma baixa auto-estima têm


mais dificuldades para ultrapassar as dificuldades.

Como promover a auto-estima das crianças e


adolescentes?
O funcionamento da auto-estima pode mudar! Devemos estar atentos às
situações pessoais e escolares que podem afectar a criança. A auto-
estima pode ser desenvolvida com experiências positivas, ou seja,
quando as relações com amigos e colegas, tanto em casa como na
escola, são altamente satisfatórias.

O papel dos pais e educadores é essencial! Ninguém poderá gostar de si


próprio e respeitar-se se não se sentir amado e apreciado. Os pais
devem reconhecer as qualidades e competências dos seus filhos
elogiando mais as suas conquistas do que censurando os seus
insucessos. Quando a criança não é valorizada pelos outros podem
gerar-se grandes problemas de insegurança.

A forma como as crianças são tratadas em casa condiciona a sua forma


de estar na escola e na vida em geral. É importante que os pais criem
condições para que a criança ou adolescente se sinta um membro
importante da sua família, pela forma como o escutam, o consultam, o
responsabilizam, valorizam as suas opiniões e contributos. Deve haver
partilha de experiências e expectativas.

Os pais que frequentemente censuram os seus filhos criam neles uma


imagem pessimista. É mais vantajoso e eficaz elogiar as boas condutas,
ainda que sejam pequenas e insignificantes. Responsabilizar as crianças
por algumas tarefas domésticas é também uma boa forma de os fazer
sentir importantes e necessários. No caso de terem de ser repreendidos,
nunca deverão sentir-se humilhados ou ridicularizados.

Abrir as portas de casa aos amigos dos filhos, dedicar-lhes um tempo


exclusivo, proporcionar-lhes experiências de comunicação e amizade são
boas formas de valorizar as crianças e de reforçar as suas competências.

As crianças aprendem por imitação e a auto-estima que os pais possuem


pode transmitir-se às crianças. Os pais são modelos para os filhos e
estes aprendem de acordo com o que observam e ouvem no dia-a-dia
no seio da família. As crianças imitam os sentimentos e as atitudes que
os pais manifestam através da expressão do rosto, gestos, estado de
ânimo, comentários ou ausência deles. Se as crianças imitam os
comportamentos dos pais, é necessário que eles mostrem segurança
nas emoções, coerência nas regras e interesse pelas coisas que
interessam à criança. Quando os pais têm uma auto-estima insuficiente
não valorizam as suas capacidades como pessoas e pais,

30
Capítulo 3: Interagir com crianças e adolescentes

experimentando uma ansiedade que se projecta nos filhos com muita


frequência. Se os pais não valorizam as suas próprias capacidades,
através do que fazem, sentem ou pensam, dificilmente valorizarão os
comportamentos adequados dos filhos.

As exigências que os pais fazem aos seus filhos para que assumam as
suas responsabilidades e cumpram as regras, influenciam a formação da
auto-estima das crianças. Se a criança percebe que as regras são
adequadas, são cumpridas, e que os pais reconhecem e elogiam o
cumprimento da criança, está a aprender a reconhecer e a valorizar o
bem feito, o justo, o adequado e o coerente. Algumas regras familiares
são particularmente adequadas para a criança desenvolver a sua auto-
estima, nomeadamente manter a ordem das coisas da casa, manter a
casa limpa e cuidar dos objectos, cumprir os horários de cada
actividade, colaborar em tarefas domésticas, escutar os outros,
participar nas conversas, etc.

Algumas atitudes como o autoritarismo ou a permissividade excessiva


relativamente às normas de disciplina são prejudiciais para a criança.
Uma atitude tolerante e flexível, embora firme, pode beneficiar a
convivência nas situações familiares em que há problemas relacionados
com o cumprimento de horários, realização de tarefas, etc. Se os pais
fazem os filhos participar nas decisões familiares, de acordo com a
idade, estarão a fortalecer a auto-estima.

Tanto o abandono como a superprotecção prejudicam a construção da


auto-estima. A primeira porque dá origem a dúvidas acerca dos motivos
e a criança pode acreditar que teve culpa. A segunda porque dificulta a
autonomia e poderá traduzir-se em dependência.

A criança precisa de se sentir segura tanto em casa como na escola. Isto


exige que os pais manifestem interesse pela educação da criança,
participando nas reuniões na escola, colaborando com as actividades
relacionadas com a educação do seu filho.

O que é que os pais podem fazer para aumentar a auto-


estima dos seus filhos?

• Elogiar! É importante reconhecer os comportamentos positivos da


criança. Muitas vezes pensa-se que é obrigação das crianças portar-
se bem. A criança precisa que reconheçam as pequenas coisas que
faz diariamente e que passam despercebidas aos pais
(nomeadamente quando colabora nas actividades domésticas,
quando permanece tranquilo e sossegado, quando obedece às
propostas dos pais, quando é amável com outros membros da
família, quando mantém uma boa relação com o irmão ou irmã,
evitando conflitos, quando se mostra alegre, risonho, feliz, etc.). Os
pais podem e devem transmitir orgulho, alegria e satisfação por
31
Capítulo 3: Interagir com crianças e adolescentes

aquilo que a criança fez através de comentários positivos, sorrisos,


afecto, abraços, beijos, etc. Por vezes, os pais usam elogios
distorcidos que desvalorizam o esforço e bom comportamento da
criança e a fazem sentir-se incompetente: "Já era tempo de fazeres
uma coisa bem feita!". O elogio deve ser sincero, sem exageros, de
acordo com os comportamentos que queremos aumentar e sem
referências a “maus comportamentos” anteriores.

• Descobrir as qualidades, capacidades e interesses da criança (na


escola, família, actividades de tempos livres, relações com amigos e
colegas, etc.), transmitindo-lhe o que tem de especial ou diferente.

• Ser bons modelos de auto-estima (por exemplo, dizer coisas


agradáveis de si mesmo), mostrando, através do exemplo, que a
criança se deve aceitar a si própria e se deve interessar pelos
outros, respeitando os seus direitos, sendo responsável e tolerante,
aceitando ajudas e assumindo riscos.

• Melhorar a imagem corporal da criança ensinando regras sobre


higiene pessoal, limpeza, vestuário e aspecto externo (explicando a
sua importância e necessidade nas relações pessoais com outros).
Isto é particularmente importante na entrada na adolescência
devido às transformações físicas vividas pela criança.

• Demonstrar carinho verbalmente e através do contacto físico


(festas, abraços, beijos). É importante dizer à criança o quanto se
gosta dela (mesmo que isso nos pareça óbvio).

• Apresentar uma expressão agradável (ex.: sorrir) e utilizar um tom


de voz tranquilo, agradável e suave.

• Demonstrar confiança nas capacidades da criança ("Tu és capaz!") e


valorizar os seus esforços (mesmo quando não consegue).

• Transmitir à criança que ela é aceite.

• Atribuir responsabilidades, clarificando os papéis dos membros da


família. Constitui uma forma de fomentar a autonomia da criança.

• Escutar (mostrar interesse) e encorajar a criança a expressar ideias


que possam ser diferentes das suas. Valorizar as opiniões e desejos
da criança (discutindo, comentando, analisando os problemas),
compreendendo o seu ponto de vista da criança.

• Não ridicularizar ou envergonhar (por exemplo, quando não


consegue fazer algo), mesmo que seja necessário colocar limites às
suas actividades.

32
Capítulo 3: Interagir com crianças e adolescentes

• Criar oportunidades de sucesso (propor tarefas que a criança consegue


fazer).

• Encorajar a criança a tomar iniciativas e criar algo novo.

• Partilhar os seus sentimentos, interesses, actividades e experiências


familiares com os filhos.

• Fazer algo especial para que a criança veja reconhecidas as suas


necessidades e ou as coisas que lhe interessam (fazer a comida
preferida, comprar algo para que pratique o desporto preferido,
etc.).

• Dar oportunidades para que todos os elementos da família


trabalhem e brinquem juntos e partilhem os seus assuntos pessoais.
A criança deve sentir-se um membro importante da família, isto é,
deve participar, ser escutada e consultada.

• Permitir, na medida do possível, que a criança faça as coisas à sua


maneira, impedindo que magoe os outros ou que desrespeite os
seus direitos. Quando organizam as actividades das crianças, os
pais devem propor opções diferentes para que a criança possa
escolher.

• Ajudar a criança a aumentar o seu campo de experiências.

• Ajudar a tolerar a frustração, mostrando que nem sempre


conseguimos o que queremos e isso não deve ser motivo de
infelicidade nem de alteração do comportamento.

• Ensinar a identificar emoções e sentimentos.

• Ensinar a sentir-se orgulhosa dos seus êxitos, celebrando-os.

• Mostrar flexibilidade em relação ao comportamento da criança.

• Conhecer os amigos da criança.

• Dedicar tempo suficiente à criança.

• Promover o relacionamento com grupos, associações, etc.

• Desenvolver a criatividade (fomentar actividades criativas: inventar


jogos, pintar, redacções, construir coisas…).

• Ajudar a propor metas e a definir objectivos para o futuro.

33
Capítulo 3: Interagir com crianças e adolescentes

Ajudar a lidar com


acontecimentos difíceis

Interagir adequadamente com crianças e adolescentes implica promover


a auto-estima da criança (isto é, ajudá-la a sentir-se bem consigo
própria). No entanto, é igualmente importante ajudar a criança quando
ela se está a sentir mal.

Não deveríamos nunca deixar uma criança a chorar sozinha. Há muitas


crianças que no decorrer do seu crescimento passam por episódios
difíceis como separações dos pais, mortes de familiares queridos,
violência, acidentes, dificuldades escolares inesperadas, doenças, etc.
Para elas, nesses momentos, a vida não foi justa e, nestes casos
devemos estar presentes.

O luto
A morte é um dos acontecimentos da vida que mais dor infringe a
crianças e adultos. Perder o pai ou a mãe na infância ou adolescência é
uma dor sem tamanho. A capacidade para lidar com a morte de um dos
pais depende em grande parte das reacções do pai ou da mãe
sobrevivente. Muitas das estratégias adequadas para lidar com o luto
aplicam-se a outras situações em que a criança sofre e precisa de apoio.

Entre os 5 e os 9 anos as crianças estão muito atentas às reacções das


pessoas que as rodeiam, procurando perceber em quem é que podem
confiar. Por vezes, têm tendência para esconder os seus sentimentos,
com o objectivo de proteger os adultos à sua volta, nomeadamente
quando percebem que a mãe ou o pai choram de cada vez que falam
naquele que desapareceu. Têm uma noção mais apurada de culpa e
algumas chegam a sentir-se responsáveis pelo que aconteceu. As
crianças apresentam pensamento mágico e podem pensar que o seu
comportamento ou pensamentos podem causar ou reverter a morte.
Tornam-se mais curiosas acerca dos rituais da morte e por vezes
surgem perguntas como "As pessoas mortas também precisam de
comer?".

A partir dos 9 anos e até aos 12 anos, numa fase de pré-adolescência,


as capacidades cognitivas permitem a percepção do carácter irreversível
da morte. Ou seja, a criança percebe que morrer é algo comum a todos

34
Capítulo 3: Interagir com crianças e adolescentes

os seres vivos, que é universal e inevitável e, por isso mesmo,


questiona-se muitas vezes acerca da sua própria morte.

A notícia deve ser dada no mais curto espaço de tempo, de preferência


numa linguagem clara, simples e apropriada à idade da criança. A
informação que é dada às crianças acerca de uma morte deve ser também
o mais honesta possível. É muito menos difícil lidar com uma situação
quando existe uma razão concreta. Dizer, por exemplo que o pai não vem
mais pode fazer a criança acreditar que o pai não quer voltar para casa e a
abandonou, e dizer à criança que a mãe está a dormir e não vai acordar
mais pode dar origem a dificuldades em adormecer, pesadelos e medo do
escuro (porque as crianças começam a entender o acto de dormir como
uma actividade perigosa e a associá-lo à morte). As crianças precisam de
uma explicação adequada sobre a causa da morte, com o uso de termos
correctos como morrer e a morte. Usar termos vagos e tentar protegê-las
da verdade apenas aumenta a confusão e não prepara a criança para as
situações de perda, inevitáveis ao longo da vida. Evite termos como ir
embora ou dormir e preste muita atenção à resposta da criança.

As crianças aprendem a fazer o seu processo de luto observando a forma


como os adultos se comportam. A participação no luto familiar facilita o
processo. Dependendo da idade, pode ser importante envolvê-las nos vários
rituais ligados à morte, nomeadamente levá-las ao funeral e deixá-las ver o
corpo. Devem, contudo, ser sempre acompanhadas pela família e
envolvidas pelo seu carinho. Sentir que todos sofrem e que, mesmo assim,
tem em quem se apoiar nos momentos mais duros da vida permite o
amadurecimento afectivo. Mesmo mais tarde, ir ao cemitério e colocar flores
sobre a campa é um acto simbólico que facilita o luto e liga afectivamente
as pessoas.

Se os adultos explicarem os seus sentimentos às crianças, estas serão


sem dúvida mais capazes de perceber os seus próprios sentimentos. É
igualmente importante que o pai ou mãe que ficou seja capaz de manter
algumas rotinas, transmitindo à criança que, apesar de tudo, a vida
continua. As crianças podem ficar assustadas e inseguras porque
sentem a tristeza dos outros e se sentem impotentes para ajudar. Elas
precisam de mais amor, apoio e estrutura na sua rotina diária.

Quando alguém morre, as crianças geralmente ficam com medo de


morrer e de que outras pessoas morram. Elas precisam de saber quem
cuidaria delas no caso improvável da morte de ambos - mãe e pai. É
normal que a criança se sinta insegura e que surjam perguntas como
"Também vais morrer?" Também nesta situação se deve ser honesto.
Não se pode garantir a uma criança que não se vai morrer, mas pode-
se, por exemplo, dizer-lhe que quando uma grande tragédia acontece é
pouco provável que outra tragédia aconteça logo a seguir. Por outro
lado, é importante que a criança sinta que existem muitas outras
pessoas que gostam dela. E aqui o papel da família é muito importante.

35
Capítulo 3: Interagir com crianças e adolescentes

O conceito de morte não é completamente adquirido até por volta dos 8


anos de idade. Crianças muito pequenas têm uma consciência e
curiosidade acerca da morte que pode por vezes perturbar pais e
familiares.

A criança pequena pode compreender as razões para o enterro ou


cremação. Experiências anteriores da morte de um animal de estimação
ou de ver animais a ser preparados no talho, dá-lhes uma consciência
do que é um corpo morto. Visitas a cemitérios podem desencadear
muitas perguntas acerca do local onde estão os corpos ou se podem
tirar um para poder ver. As perguntas da criança acerca do que
acontece quando o corpo está na terra ou questões que indicam falta de
compreensão acerca da finalidade da morte, como "Será que a mãe vai
voltar para me ver?" são frequentemente muito duras para o pai em
luto. A necessidade da criança de reconhecimento e explicação acerca
do significado da morte é difícil quando os adultos se estão a sentir
vulneráveis.

É importante que os adultos ajudem a criança a reconhecer, expressar e


aceitar sentimentos (nomeadamente sentimentos de raiva, medo e
culpa), possibilitando actividades físicas e criativas para a libertação de
energia.

Não se deve excluir as crianças quando a família ou os amigos vierem


confortar os adultos enlutados. O evitamento ou o silêncio ensinam às
crianças que a morte é um assunto tabu. As crianças precisam de
aprender a lidar com a tristeza, em vez de serem protegidas da tristeza.

As crianças podem tentar proteger os adultos enlutados e tentar assumir


o papel de cuidador, mas elas precisam de crescer normalmente sem a
sobrecarga de responsabilidades adultas.

É importante ajudar a criança a aprender a lidar com outras perdas. A


perda de um animal de estimação é uma perda muito significativa para
uma criança. A forma de lidar com a tristeza e perda começam no início
da infância e geralmente continuam até à idade adulta.

É igualmente necessário partilhar cuidadosamente crenças religiosas.


Quando se usam explicações como: "O pai foi para o céu"; "Deus levou a
mãe porque ela era boa"; "Deus levou a Mariazinha para o céu, por amar as
crianças", estamos a associar a morte à bondade, o que pode gerar um
sentimento de profunda injustiça. As crianças podem ficar com medo ou
ressentidas em relação a um Deus que leva para o Céu alguém amado e
necessário.

A tristeza de uma criança pode não ser reconhecida, porque as crianças


expressam sentimentos de tristeza mais através do comportamento do
que em palavras. Sentimentos de abandono, desamparo, desespero,

36
Capítulo 3: Interagir com crianças e adolescentes

ansiedade, apatia, raiva, culpa e medo são comuns, e muitas vezes,


expressam-se agressivamente, porque as crianças podem ser incapazes
de expressá-los verbalmente.

Discutir memórias dolorosas e reforçar memórias positivas é uma boa


estratégia. Permitir que se fale normalmente acerca da pessoa que
morreu, recordando os momentos bons, é mantê-la viva na memória de
todos. Se a criança quiser ver fotografias ou um filme onde está a
pessoa que morreu, não há motivos para a impedir. Naturalmente, pode
sentir alguma saudade, mas esta faz parte da vida.

Encorajar a comunicação é de uma importância vital. A ausência de


perguntas não significa falta de interesse. Os adultos devem estar
disponíveis para observar, escutar, conversar e, se necessário, deixá-la
chorar livremente.

Os adultos devem procurar apoio e esclarecimentos de modo a superar


medos e ansiedades. As crianças aprendem comportamentos e capacidades
para lidar com situações difíceis a partir dos adultos com quem vivem. As
crianças aprendem a sua resposta à perda com os adultos da família.

Criar mais estrutura na vida da criança ajuda a reduzir a insegurança,


ansiedade e problemas de comportamento. Evitar mudanças
desnecessárias e tentar manter uma rotina tão normal quanto possível
revela à criança que a vida continua.

Como lidar com a criança em situações difíceis


como o divórcio, problemas escolares, doenças…?
• Para além das estratégias anteriores…

• Explicar a situação difícil e como irão lidar com ela de uma forma
honesta e básica (uma fantasia da criança às vezes é pior que a
realidade).

• Não obrigar a criança a enfrentar situações ameaçadoras. Os medos


da criança não devem ser ignorados, mas a criança não deve ser
sobreprotegida…pois pode-se sentir impotente ou superdependente.

• Compartilhar os sentimentos com a criança para a ajudar a dar


nome aos seus próprios sentimentos. Enfatizar que todos os
sentimentos são normais e estão certos. Ensinar à criança maneiras
positivas de expressar sentimentos negativos (através da música,
brincadeiras, arte, etc.).

37
Capítulo 3: Interagir com crianças e adolescentes

• Assegurar à criança que nada do que ela fez ou não fez causou o
problema. Encontrar tempo para dar amor e carinho adicionais.
Encorajar os membros da família alargada e amigos a dar apoio.

• Ajudar a criança a ver a polícia, médicos, professores, terapeutas,


líderes da comunidade, religiosos, vizinhos e outros adultos como
pessoas que se importam com elas.

38
Capítulo 4

Disciplina: modificar os
comportamentos da
criança
Princípios de modificação do comportamento

Técnicas de promoção (para aumentar os


comportamentos adequados)

Técnicas de extinção (para diminuir os


comportamentos inadequados)

39
Capítulo 4: Disciplina: modificar os comportamentos da criança

Princípios de modificação do
comportamento

A importância das regras


Definir, estabelecer e fazer cumprir regras é absolutamente necessário
para a educação das crianças.

Regras são comportamentos que os pais esperam que as crianças tenham


em determinadas situações.

As regras são uma base de segurança e de tranquilidade para as crianças,


sem elas sentem-se ansiosas e confusas.

Regras claras e coerentes

Primeiro que tudo, para que a criança seja capaz de compreender e


cumprir as regras, é necessário que:

• sejam muito claras e explícitas;

• a criança saiba sempre quais são as consequências da infracção e do


cumprimento dessas regras;

• a aplicação das regras seja coerente, isto é, sejam aplicadas sempre,


e não numas situações sim e noutras não, e entre todas as pessoas
que educam a criança, para que a criança as possa compreender.

É muito importante que os pais estejam de acordo em relação à educação


dos filhos e que estes possam contar com a ajuda de outros adultos próximos
à criança (os avós, amigos íntimos, etc.).

Estratégias educativas antagónicas e inadequadas podem impedir a


criança de manifestar comportamentos adequados à sua idade e
competências.

40
Capítulo 4: Disciplina: modificar os comportamentos da criança

Os comportamentos inadequados das crianças (as


birras, os amuos e a teimosia)
É inevitável que ocasionalmente surjam problemas de disciplina, que as
crianças façam birras, que amuem, que sejam teimosas.

É importante que os pais compreendam os filhos, que sejam capazes de se


colocar no lugar da criança e que saibam impor limites a determinados
comportamentos menos adequados.

As leis do comportamento
Para que os pais consigam resolver da melhor maneira os conflitos e
impor limites aos comportamentos inadequados das crianças é
fundamental que conheçam as regras do comportamento.

Como surge qualquer comportamento?

Qualquer que seja o comportamento, este não aparece vindo do nada,


está sempre ligado a duas coisas muito importantes: os antecedentes e
as consequências.

O que faz surgir, manter, aumentar ou diminuir os comportamentos são


os acontecimentos que os precedem (os antecedentes) e os que a ele se
seguem (as consequências) – modelo A B C:

A- Antecedentes

B- Comportamento

C- Consequências

Os antecedentes são as circunstâncias em que aparece o comportamento,


são os sinais que nos avisam de que é provável que tenhamos
determinado comportamento.

As consequências têm a ver com aquilo que acontece depois do


comportamento, e que afecta o aparecimento de novos comportamentos
semelhantes.

O comportamento da criança só acontece porque os antecedentes e as


consequências actuam como motores desse comportamento.
Normalmente aprendemos por meio das consequências da nossa
conduta, quer dizer, dos efeitos negativos ou positivos de tais condutas.

41
Capítulo 4: Disciplina: modificar os comportamentos da criança

Um comportamento tende a repetir-se quando provoca o aparecimento


de alguma coisa agradável para a pessoa (reforço positivo) ou a
eliminação de alguma coisa negativa para o indivíduo (reforço negativo).

Portanto, os princípios de modificação de comportamento baseiam-se


neste mesmo modelo A B C (antecedente, comportamento e
consequência).

A simples mudança de atitude dos pais, modificando os antecedentes e as


consequências dos comportamentos da criança, pode modificar por
completo a atitude da criança.

Se um comportamento é gratificado, ou seja, tem uma consequência


positiva (reforço positivo) tem tendência a continuar, aumentando a sua
frequência e intensidade.

Meio
Ambiente Comportamento Comportamento Comportamento

Gratificação Reforço
positivo Reforço
positivo

Figura 1: Reforço positivo e aumento da frequência e intensidade do comportamento.

Se o comportamento for punido (castigado), ou seja, tiver uma


consequência negativa, a pessoa tem tendência a evitar a punição,
mudando de direcção, frequência e/ou intensidade no seu
comportamento.

Punição Comportamento

Meio
Ambiente
Comportamento Comportamento
?
Comportamento

Figura 2: Punição e modificação da direcção, frequência e intensidade do comportamento.

42
Capítulo 4: Disciplina: modificar os comportamentos da criança

Se as consequências de determinado comportamento forem negativas e


constantes, a tendência é para que o comportamento se extinga
(desapareça).

Punição
Punição
Punição
Punição
Meio Comportamento
Comportamento
Ambiente Comportamento

Figura 3: Consequências negativas e constantes e a extinção do comportamento.

Para alterar um determinado comportamento deve-se simultaneamente:

• diminuir o comportamento inadequado;

• aumentar o comportamento adequado;

• manter o comportamento adequado ao longo do tempo e em


situações diferentes.

Identificar os comportamentos inadequados


Muitos pais queixam-se de que os filhos se portam muito mal, que são
muito mal educados, etc. Mas, para mudar os comportamentos
inadequados da criança, os pais têm, antes de mais, que identificar quais
são os comportamentos que pretendem modificar, um a um.

Ex.: Os pais do João queixam-se que ele não se porta bem, mas para
conseguirem modificar o comportamento problema têm de definir o que é
“o João não se portar bem”.

“O João não se porta bem porquê?”

Pais: “Nos trabalhos de casa.”

“O.k., nos trabalhos de casa, mas em quê? O que é que ele não faz
bem?”

Pais: “O João não vai estudar sozinho, temos que andar sempre atrás
dele para ele ir fazer os trabalhos de casa. Temos que nos chatear com
ele para que vá estudar ou fazer os trabalhos de casa. Depois finge que
43
Capítulo 4: Disciplina: modificar os comportamentos da criança

estuda e liga a televisão, sem darmos por isso, e põe-se a ver televisão,
a jogar computador ou a jogar Gameboy.”

Para além de identificarem qual é o “mau comportamento”, também é


importante que saibam claramente qual é o comportamento desejável e
que o digam à criança.

Então o que seria o bom comportamento?

O João estudar sem os pais terem que lhe dizer nada. Estudar sossegado,
sem ver televisão, jogar computador ou Gameboy. Fazer os trabalhos de
casa sem interrupções.

A partir do momento em que o comportamento desejado fica definido é


mais fácil trabalhar nele. O João também tem de saber o que é o
comportamento desejado. Muitas crianças “que se portam mal”, ouvem
os pais a zangarem-se e a dizerem que se portam mal, mas muitas vezes
não sabem o que os pais pretendem, como se deveriam comportar.

Assim, decompondo o comportamento, é mais fácil , quer para os pais,


quer para as crianças.

44
Capítulo 4: Disciplina: modificar os comportamentos da criança

Registo do comportamento inadequado


Se determinado comportamento acontece muitas vezes e os pais não
percebem porquê, poderá ser importante registá-lo. Isto permite
identificar o tipo de comportamento, bem como o que se passa à volta
dessa situação e que poderá, sem se dar por isso, estar a contribuir
para que isso aconteça.

Data:
Local:
Hora:
Início:
Fim:
Duração em minutos:

Antecedentes Comportamento Consequências

Tempo Situação em Comportamento Resposta do Resposta de


Início/Fim que aconteceu da criança pai/mãe ao outras pessoas
comportamento presentes
da criança

Tabela 1: Exemplo de uma ficha de registo de um comportamento inadequado.

45
Capítulo 4: Disciplina: modificar os comportamentos da criança

Reacções a evitar
Muitas vezes as reacções dos pais aos “maus comportamentos” das
crianças são:

Pais Excesso de comportamentos Criança


inadequados

e
Reacções dos pais:
- Gritar com a criança.
- Bater.
- Dizer que ela é insuportável.
- Dizer que o polícia o(a) vem
buscar.

Figura 4: Comportamentos inadequados dos pais perante o mau comportamento da criança.

Desta forma os pais ferem os sentimentos da criança, e a criança poderá


tornar-se insegura, porque acha que não é merecedora do amor dos
outros (dos pais!) e por outro lado estão a ensinar a criança a mentir.

Quando a criança tem um comportamento inadequado o pai ou a mãe


podem dizer que não gostam do comportamento que a criança está a
ter, ou do que está a fazer, mas NUNCA que não gostam dela, ou que
estão fartas dela.

Nunca devem dizer à criança: «Vou dizer ao/à pai/mãe». Ao dizer isto
estão a prejudicar a imagem do outro, estão a atribuir ao parceiro o
papel de “mau/má”. Por outro lado, a pessoa que diz isto à criança está
a desautorizar-se. É como se dissesse “eu não consigo resolver isto
sozinho(a) portanto vou dizer ao pai/mãe para que resolva a situação”.
A criança terá uma imagem distorcida da pessoa a quem se faz a queixa
e aprenderá a não ter respeito pela pessoa que diz que vai fazer a
queixa ao outro. Está a perturbar ambas as relações afectivas.

46
Capítulo 4: Disciplina: modificar os comportamentos da criança

Como devem reagir os pais aos “maus


comportamentos” dos filhos
Existem diferentes técnicas de modificação de comportamento:

A- Técnicas de B – Técnicas de Extinção


Promoção

Objectivo: aumentar a Objectivo: diminuir a


probabilidade de probabilidade de ocorrência
ocorrência de determinado de um determinado
comportamento comportamento
(adequado). (inadequado).

Modelagem ou Retirada de atenção


aprendizagem social (ignorar).

Reforço positivo (elogios) Isolamento

Moldagem. Castigo.

Tabela 2: Técnicas de modificação de comportamento.

Para que estas técnicas resultem é fundamental que os pais definam qual
o comportamento a trabalhar e que sejam coerentes no uso das técnicas.

47
Capítulo 4: Disciplina: modificar os comportamentos da criança

Técnicas de promoção (para


aumentar os comportamentos
adequados)
Têm como objectivo aumentar a probabilidade de ocorrência de
determinado comportamento, que é desejado.

Modelagem ou aprendizagem social


Esta técnica baseia-se nas leis da aprendizagem por imitação (é o que se
aprende através da observação).

Para que serve? Como se utiliza?

Para a criança aprender • Premiando as outras


comportamentos que nunca foi crianças, diante dela,
ensinada a realizar e que, por quando estas realizam o
isso, desconhece. comportamento que
desejamos que aprenda.

• Realizando, diante dela, o


que nos propomos ensinar.

Tabela 3: Para que serve e como se utiliza a técnica da modelagem.

A criança aprende o tempo todo, e não só aquilo que os pais lhe dizem
que deve ou não fazer. Por vezes, aprende coisas que os pais não
pretendiam ensinar. Uma criança pode não conseguir aprender algo que
os pais pretendem intencionalmente ensinar mas pode aprender o estilo
de comunicação destes pais, determinadas reacções que eles têm
(algumas que até nem se apercebem).

A criança imita aquilo que vê. Os pais estão sempre a servir de modelo
para a criança, por isso é importante que sejam um bom exemplo, tendo
o cuidado de transmitir aquilo que querem que a criança aprenda.

48
Capítulo 4: Disciplina: modificar os comportamentos da criança

É importante que os pais pensem que estão, com as suas atitudes ou


comportamentos, a apresentar o modelo ideal a ser imitado.

Não se esqueçam que as crianças pequenas vêem os adultos como


sábios, e querem imitá-los em TUDO! Se os pais se mostrarem tranquilos
e relaxados, naturalmente a criança tentará imitar o seu comportamento.

Para que tipos de comportamento serve?

Esta técnica pode ser usada para a aprendizagem de vários


comportamentos, como por exemplo:

1 Comportamentos de ajuda e cooperação

• Colaborar nas tarefas de casa;

• Arrumar as suas coisas;

• Autonomia.

2 Comportamentos sociais

• Saudar;

• Agradecer;

• Dizer coisas agradáveis às outras pessoas;

• Conversar com os/as outros/as.

3 Comportamentos escolares

• Consultar livros;

• Interessar-se por determinados assuntos;

• Realizar tarefas.

4 Comportamento relacionados com o pensamento

• Crenças;

• Portar-se segundo determinados valores.

49
Capítulo 4: Disciplina: modificar os comportamentos da criança

Reforço positivo (elogios)


As consequências positivas que se seguem ao comportamento têm o
nome de “reforços”, dado que ajudam a reforçar e a consolidar o
comportamento.

Para que se aprenda um novo comportamento, é necessário que esse


comportamento seja reforçado. Se um comportamento não é seguido de
consequências agradáveis, é de esperar que, se ainda não foi aprendido,
dificilmente tal aconteça, e se já foi aprendido, que vá enfraquecendo
gradualmente e se torne menos frequente.

O pai e a mãe devem sempre lembrar-se que todos (também os


adultos) têm necessidade de obter gratificação por tudo aquilo que
fazem: trabalha-se para ganhar dinheiro, prestígio, prática ou realização
pessoal, etc. Se não conseguíssemos ter quaisquer vantagens, não
trabalharíamos.

Os comportamentos adequados da criança devem sempre ser elogiados,


reconhecidos e incentivados para que aumentem e para que não
desapareçam.

Os comportamentos que têm consequências positivas tendem a repetir-


se no futuro.

Para que serve? Como se utiliza?

Para aumentar a frequência de Premiando a criança com coisas


comportamentos que a criança que lhe sejam agradáveis,
sabe fazer, mas que quase imediatamente depois do
nunca acontecem, ou que são comportamento desejado ser
realizados em momentos realizado.
inadequados.

Tabela 4: Para que serve e como se utiliza a técnica do reforço positivo.

Para que tipo de comportamentos serve?

Esta estratégia serve para praticamente todos os comportamentos, já


que qualquer comportamento aumenta a sua frequência quando é
seguido de reforço.

Quando a criança obedece ou tem um comportamento adequado, deve


ser elogiada ou receber atenção por o ter feito.

50
Capítulo 4: Disciplina: modificar os comportamentos da criança

Muitas vezes o que acontece é que uma criança tem um comportamento


adequado e os pais não têm nenhuma reacção, não dão atenção à
criança. Então a criança porta-se mal para obter a atenção dos pais.
Neste caso, o ralhar com a criança acaba por se tornar num reforço
positivo para a criança porque é uma forma de obter a atenção dos pais.

Comportamentos
inadequados da criança.

Atenção por parte dos pais

Figura 5: Ralhar como consequência positiva (dar atenção).

Para evitar esta situação é importante que os pais dêem atenção aos
comportamentos positivos por parte da criança.

O Francisco tem um
comportamento adequado

Os pais dão atenção ao Francisco,


elogiam-no, falam suavemente com
ele, dão-lhe beijos e festas.

Figura 6: Reforçar comportamentos adequados.

Neste caso, o mais provável é que o Francisco torne a repetir esse


comportamento, não precisando de ter comportamentos inadequados
para chamar a atenção.

51
Capítulo 4: Disciplina: modificar os comportamentos da criança

Físicos: Verbais:

• Abraço • Eu gosto muito quando tu....

• Palmadinha na cabeça ou no • Obrigado por ...


ombro
• Óptimo!
• Despentear afectuosamente
• Muito bem!
• Pôr o braço à volta dos
ombros • Bom trabalho!

• Sorriso • Foste fantástica/o!

• Beijo • Ai quando eu contar ao pai(mãe)


como tu fizeste bem!
• Sinal do polegar levantado
• Só por te teres portado tão bem, tu
• Piscar o olho e eu vamos...

• O uso de um tom de voz • Fico muito orgulhosa quando tu...


agradável (doce, meigo)
• Excelente!
• Dar atenção
• Boa!

• Estou muito satisfeito(a)!

• Estás mesmo a esforçar-te!

• Este é o melhor até agora!

• Deves estar orgulhoso(a) do teu


trabalho.

• Gosto da maneira como estás a


trabalhar.

• Gosto da maneira como te tens


portado.

• Fizeste isso sozinho e eu nem tive


que te lembrar!

• Que coisa agradável que tu fizeste!

• Fico muito feliz por ver-te a...

Tabela 5: Sugestões para reforçar positivamente a criança.

52
Capítulo 4: Disciplina: modificar os comportamentos da criança

Aplicação correcta dos elogios (reforços)

1 O elogio utiliza-se durante ou imediatamente depois do


comportamento adequado da criança – nunca antes ou muito
depois.

2 O elogio deve ser muito claro. Os pais devem dizer à criança


exactamente o que gostaram, o que é que ela fez bem. Porque
assim a criança entende o que tem de fazer se quiser novos elogios.

3 O elogio não deve ser distorcido, ou seja, não deve fazer incluir
referências a um comportamento inadequado passado da criança.

4 Não se devem usar elogios distorcidos, como por exemplo: “Já era
tempo de fazeres uma coisa bem feita, como ......”; “Até que enfim
que fazes alguma coisa bem”; ou “Isso foi muito bom devias era ser
sempre assim, fazer isso mais vezes!”

5 O elogio deve ter variações para que motivem sempre a criança.


Para que a criança não se desinteresse dos elogios, estes têm de ser
sempre modificados para que não caiam na monotonia.

6 Deve-se elogiar os comportamentos adequados da criança, mesmo


que estes sejam pouco importantes. Só assim a criança se apercebe
que eles também são importantes e só assim é que tende a repeti-
los.

7 O elogio deve ser sincero e centrar-se exclusivamente naquilo que a


criança fez bem.

8 O tom de voz deve ser agradável e deve-se evitar qualquer


reticência ou sarcasmo.

Cuidado! Quando o comportamento se tornar mais frequente, não deixe


de o reforçar, porque os comportamentos que nunca são reforçados
DESAPARECEM.

53
Capítulo 4: Disciplina: modificar os comportamentos da criança

Moldagem ou reforço por aproximações


sucessivas
Consiste em elogiar a criança à medida que vai cumprindo as
regras, todos os passos até chegar ao comportamento desejado.

Para que serve? Como se utiliza?

Para aprender novos • Dividindo o comportamento a


comportamentos, mais ensinar, em partes mais simples,
difíceis ou complexos, chegando, pouco a pouco até ao
partindo de outros objectivo final (avançando do mais
mais fáceis, que a fácil para o mais difícil).
criança já sabe fazer.
• Reforçar, de cada vez que a criança
atinge um pequeno objectivo.

• Reforçar de vez em quando o


comportamento aprendido, para que
não desapareça.

Tabela 6: Para que serve e como se utiliza a técnica da moldagem.

Para que tipo de comportamentos serve?

Esta técnica pode ser utilizada com muitos comportamentos e, em geral,


dá bons resultados na aprendizagem de comportamentos complexos
(Ex.: andar de bicicleta, escrever, ler, etc.).

54
Capítulo 4: Disciplina: modificar os comportamentos da criança

Técnicas de extinção (para


diminuir os comportamentos
inadequados)

Têm como objectivo diminuir a probabilidade de ocorrência de


determinado comportamento indesejado.

Existem dois tipos de estratégias que podem ser utilizados para modificar
um comportamento que queremos que desapareça, ou que, pelo menos,
diminua a sua frequência:

1 Não recompensar, ou seja, não dar à criança consequências


agradáveis, após determinado comportamento;

2 Proporcionar-lhe consequências desagradáveis (castigos).

Retirada de atenção (ignorar o comportamento


problema)
Os comportamentos inadequados devem ser ignorados ou punidos. A
retirada de atenção é uma das estratégias mais eficazes para muitos dos
comportamentos inadequados, embora possa ser difícil de pôr em prática.
Exige muita paciência e calma por parte dos pais, uma vez que,
inicialmente, poderá ser muito desagradável.

Consiste em ignorar o comportamento inadequado da criança, da


seguinte forma:

• Evitar o contacto ocular com a criança ou qualquer outro tipo de


sinal não verbal;

• Não manter qualquer contacto físico ou verbal com a criança;

• Começar a ignorar logo que surjam as primeiras manifestações do


comportamento e dar atenção à criança logo que o comportamento
inadequado acabe.

55
Capítulo 4: Disciplina: modificar os comportamentos da criança

Esta estratégia só deve ser utilizada para comportamentos inadequados


que não possam causar danos ou não sejam prejudiciais para a criança
ou a terceiros.

Não se poderá, concerteza, ignorar um comportamento em que a criança


vai para cima de um muro alto quando faz de conta que é um super
herói, ou quando está a magoar outra criança.

Como se utiliza esta técnica?

1 Explicar à criança, muito concretamente, o que esperamos dela.

SIM NÃO

• Queremos que deixes de • Não podes dar pontapés


empurrar as outras aos outros meninos.
crianças.
• Não podes atirar areia para
• Queremos que deixes de os olhos dos outros
passar à frente dos meninos.
outros nas bichas.

Tabela 7: Exemplos de comportamentos esperados.

2 Ignorar (não fazer caso), sempre que ocorre determinado


comportamento que se deseja modificar;

3 Reforçar outros comportamentos positivos que a criança realiza.

Exemplo: A Rita estava a jantar com a família. Como gostava muito do


jantar comeu um prato cheio de comida e, acabando este, serviu-se de
novo, começando a encher muito o prato. O pai disse: “Rita, serve-te
apenas daquilo que conseguires comer, uma pessoa não deve servir mais
comida do que aquela que consegue comer”. A mãe da Rita também a
alertou dizendo: “Põe pouca comida no prato, se quiseres mais depois
serves-te de novo, além disso ainda tens a sobremesa”. A Rita continuou
a servir-se e não ligou ao conselho dos pais. O pai voltou a alertar calma
e firmemente: “Rita não vais conseguir comer tanto. Não acabando o
prato não comes sobremesa”. A Rita continuou a servir-se de comida. Ao
chegar a meio do prato não conseguiu comer mais. O prato foi-lhe
retirado e a sobremesa foi servida. A Rita ia a pegar na sobremesa
quando a mãe lha retirou dizendo, calma e firmemente: “Nós avisámos-
te, agora não comes a sobremesa”. A Rita amuou, gritou, chorou alto. A
família continuou à mesa, conversando calmamente uns com os outros,
sem olharem ou falarem com a Rita. Como ninguém lhe ligou

56
Capítulo 4: Disciplina: modificar os comportamentos da criança

importância, acabou por se calar. Calou-se porque ninguém lhe ligou


nenhuma, e percebeu que com esse comportamento não ia conseguir
nada, nem sobremesa, nem a atenção da família. Calou-se e logo a
chamaram para ir brincar.

Se berrando, chorando, etc., tivesse conseguido aquilo que queria, o


comportamento inadequado tenderia a repetir-se sempre que desejasse
conseguir alguma coisa.

Ninguém repreendeu a Rita. Não olharam para ela, ignoraram-na


esperando que o comportamento se extinguisse. Foi o que aconteceu, e
logo que a Rita se começou a portar bem, reforçaram o seu
comportamento chamando-a para brincar. A Rita percebeu que o
comportamento inadequado de nada lhe servia e que um comportamento
adequado tinha consequências positivas logo de imediato, portanto
compensava!

Se optarmos por esta estratégia (ignorar), devemos ter sempre presente


dois aspectos:

• Não é fácil! Os pais por vezes pensam ou dizem: “Ele(a) põe-me


maluca(o)” ou “Fico com os cabelos em pé!”.

• Em momentos como este, os pais devem fazer alguma coisa que os


ajude a evitar esta situação desagradável, distraindo-se (por
exemplo, indo para outro lado da sala, oposto à criança; ouvindo
uma boa música; cantarolando uma música agradável).

Inicialmente, a criança vai repetir o comportamento ignorado, com mais


intensidade, porque está habituada a que, de alguma forma, o adulto
responda, a esse comportamento.

Ex.: A criança pensa: “Se ele não liga quando eu grito, eu grito mais e
mais alto!”; “Se não me dão o brinquedo, eu vou chorar cada vez mais
até se fartarem de me ouvir.”

Até a criança compreender que não consegue nada ao comportar-se


dessa maneira, o seu comportamento piora.

É importante não esquecer isso, para não perder a calma, e poder levar a
estratégia adiante.

Isolamento
Em muitas situações torna-se impossível ignorar o comportamento da
criança. Este procedimento pode ser útil nesses casos. Consiste em tirar
57
Capítulo 4: Disciplina: modificar os comportamentos da criança

a criança do ambiente, mudando-a para um lugar onde não exista a


possibilidade de obter reforço.

Para que serve? Como se utiliza?

Para intervir em problemas de • Colocar a criança num local


comportamento que perturbam neutro, onde não existam
muito a convivência, ou a possibilidades de
criança, e se torna difícil ignorá- recompensa ou reforço,
los, porque podem ser muito durante um período curto
perigosos para ela, ou para os (5/10 minutos).
outros. Ou quando não é possível
ignorar o comportamento da • Escolher lugares de
criança uma vez que o ambiente isolamento, por exemplo,
que rodeia a criança está a num canto da sala; fora da
reforçar o seu comportamento. sala, num local de fácil
observação, e onde não
possa encontrar coisas que
lhe interessem ou que a
assustem.

Tabela 8: Para que serve e como se utiliza a técnica do isolamento.

O isolamento não consiste em mandar a criança para um sítio onde possa


estar a jogar, a brincar ou a ver televisão, nem ameaçá-la com o quarto
escuro, mas sim em privá-la, durante um curto espaço de tempo, da
possibilidade de obtenção de qualquer reforço.

Quando falamos em isolamento devemos ter em conta alguns aspectos:

• O lugar para onde se conduz a criança não deve ser ameaçador,


somente isolado e pouco atractivo.

• A mudança deve ser efectuada logo após ter-se verificado o


comportamento inadequado.

• Calma e firmeza, sem gritos ou agressões.

• Explicar claramente as razões do isolamento.

• Se a criança abandonar o isolamento sem a sua autorização, voltar a


colocá-lo lá, aumentando o castigo.

• O castigo ser por pouco tempo (1 minuto por cada ano de idade).

58
Capítulo 4: Disciplina: modificar os comportamentos da criança

• Terminado o isolamento pode voltar à actividade anterior. Se tiver


causado algum estrago no local onde estava, deverá repará-lo antes
de sair do isolamento.

• Não deve ser aplicado quando constitui uma forma de evitar uma
situação desagradável. Por exemplo, o Luís não gosta de sopa e,
sempre que lhe põem o prato de sopa à frente, ele começa a fazer
disparates (fazendo um barulho que sabe que os pais detestam). Os
pais ficam chateados e põem o Luís de castigo (isolamento),
retirando-o da mesa. Este é um “castigo” que o Luís adora porque
consegue o que quer: não comer a sopa. Portanto, ele já sabe que,
para a próxima, manifestando o mesmo comportamento terá o
mesmo resultado.

Etapas a seguir na utilização desta técnica

1 Pedir à criança para fazer algo. Explicar, de forma clara, simples e


directa o que queremos que ela faça, para que a criança possa
entender. Formular sempre a primeira ordem à criança num tom de
voz firme, mas agradável. Não gritar à criança, mas também não
pedir como se se tratasse de um favor.

2 Depois de se ter dado a ordem, se a criança não obedece, contar


silenciosamente até 5.

3 Se a criança não fez um movimento para obedecer durante estes


cinco segundos, olhar directamente para ela, aumentar um pouco o
tom de voz e explicar-lhe muito claramente, o que é que lhe vai
acontecer, caso não obedeça, definindo, à partida, o sítio escolhido
para o isolamento. Ex.: “Se tu não ...., então vais-te sentar naquela
cadeira” (apontando para o sítio onde a cadeira está). Este aviso
deve ser dado num tom de voz firme, com gestos firmes e directos
das mãos e dos braços, para ilustrar o aviso.

4 Depois do aviso, contar novamente em silêncio até cinco.

5 Se, durante estes 5 segundos, a criança não faz nenhum movimento


no sentido de realizar aquilo que lhe foi pedido, ou se fizer aquilo
que já sabia que não deveria fazer, deve-se reagir com energia,
mandando-a para o lugar do “isolamento”.

6 Se a criança resistir, não obedecendo a esta ordem (o que


concerteza irá acontecer no início), pegar-lhe firmemente pelo
braço, sem agressividade, e dizer: “Tu não fizeste o que te foi dito e,
por isso, vais-te sentar nesta cadeira durante cinco minutos”. Isto
deve ser dito num tom um pouco mais alto (mas sem gritar) e
firmemente. Depois levá-la para a cadeira. Mesmo que a criança

59
Capítulo 4: Disciplina: modificar os comportamentos da criança

faça uma birra, conduzi-la firmemente para a cadeira. Em qualquer


caso, a criança deve ir directamente para a cadeira, e não à casa de
banho, beber água, ou qualquer outra coisa.

Se, nessa altura, a criança promete obedecer, levá-la na mesma para


a cadeira, explicando-lhe porquê.

7 Sentar a criança na cadeira e dizer firmemente: “Agora vais ficar aí


até eu te dizer que te podes levantar”. Quando o adulto faz os
avisos anteriores, é para que a criança perceba que realmente
tenciona fazer o que diz. Pode dizer à criança que ela só vai sair da
cadeira quando estiver sossegada, mas não voltar a repetir este
aviso.

8 Não reforçar a criança seja de que maneira for. Não argumentar


com ela enquanto estiver na cadeira. Não voltar a aproximar-se da
cadeira enquanto a criança não estiver quieta. Mesmo que a criança
chore, grite, etc., manter-se afastado da cadeira. Qualquer tipo de
palhaçadas, choro, ou súplica deve ser ignorado. Responder à
criança ou olhar para ela só encoraja mais comportamentos
inadequados.

9 Quando a criança estiver sossegada e tiver passado o “tempo de


isolamento” estabelecido (entre 6-12 minutos) o adulto pode ir ter
com ela e dizer firmemente: “Estás preparada para fazer o que te
pedi?”.

• Se a criança responder que sim, então pode deixá-la sair da


cadeira e ir fazer o que lhe foi pedido.

• Se a criança disser que não, então diz-lhe: “Nesse caso vais ficar
aí até eu dizer para te levantares”.

10 Quando a criança estiver sossegada e disposta a obedecer, retirar a


criança do isolamento.

11 Depois da criança ter obedecido à ordem inicial, dizer-lhe, num tom


de voz neutro: “Gosto muito quando tu fazes o que te peço”. Isto
não deve ser um elogio, e não se deve pedir desculpa à criança por
a ter disciplinado.

12 É muito importante que depois de a criança ter obedecido, se esteja


atento ao próximo comportamento adequado que ela apresente.
Nesta altura, deve-se ir ter com a criança e elogiá-la por ela se ter
comportado apropriadamente.

Ao elogiar o próximo comportamento adequado da criança, os pais fazem


com que a criança aprenda que:

60
Capítulo 4: Disciplina: modificar os comportamentos da criança

• não estão chateados com ela, e estão dispostos a elogiá-la pelo seu
bom comportamento.

• é o seu comportamento que recebe punição ou elogio, e não ela


própria, como pessoa.

Este procedimento impede que se castigue a criança mais do que se


elogia.

Qual o local adequado para colocar a criança na cadeira?

• Um local afastado das outras pessoas, sossegado e sem nenhum


distractor (televisão, conversas da família, brincadeiras de outras
crianças, etc.);

• Um sítio onde ela não tenha coisas com que brincar, ou pessoas que
fiquem a olhar, a falar ou a brincar com ela;

• Não usar a casa de banho nem nenhum sítio fechado, escuro ou


assustador.

• O local deve ser visto de todos os sítios onde estão os pais, de modo
a que possam continuar as suas actividades, e ao mesmo tempo, a
observar a criança, de preferência sem que ela dê por isso.

• Os pais devem evitar a todo o custo que outras crianças ou adultos


falem com a criança enquanto ela estiver na cadeira ou em outro
local de isolamento.

Da primeira vez que a criança é enviada para a cadeira, ela pode ter de
aí permanecer durante mais tempo, porque pode fazer uma birra para
tentar livrar-se do “isolamento”. Depois de ela aprender que isso não
leva a que se levante mais depressa, das próximas vezes, a criança
ficará sossegada imediatamente após ter sido mandada para o castigo.

Não deve permitir que a criança se levante para ir à casa de banho, ou


para ir beber água. Do mesmo modo, a criança deve perder a
oportunidade de participar em qualquer que seja a actividade que esteja
a decorrer.

61
Capítulo 4: Disciplina: modificar os comportamentos da criança

Castigo: aplicação de consequências


desagradáveis
A punição é a utilização de consequências indesejadas pela criança depois
de esta ter manifestado um comportamento considerado inadequado,
procurando diminuir a probabilidade de ocorrência desse comportamento.

Esta técnica apresenta bastantes inconvenientes e desvantagens, pelo


que DEVE SER UTILIZADA O MENOS POSSÍVEL, E SÓ COMO ÚLTIMO
RECURSO, quando os outros procedimentos tiverem falhado e quando se
trata de comportamentos muito desajustados e perigosos.

Para que serve? Como se utiliza?

Para diminuir ou eliminar • Introduzindo uma actividade


comportamentos que são desagradável para a criança depois
altamente prejudiciais para de ela exibir o comportamento que
a criança, ou para os desejamos reduzir ou eliminar (Ex.:
outros. limpar o chão depois de o ter
sujado).
Ex.: Brincar com objectos
cortantes; atravessar a rua • Retirando um privilégio ou uma
a correr, sem olhar para os actividade agradável para a criança,
lados, etc. quando ela tem um comportamento
inadequado (Ex.: privá-la de um jogo
em família).

Tabela 9: Para que serve e como se utiliza a técnica do castigo.

Para utilizar esta técnica de forma adequada, deve-se ter em conta


alguns aspectos:

• Ter a certeza de que outras técnicas de eliminação do


comportamento inadequado não foram realmente eficazes.

• Se isso acontecer, devemos definir bem qual o comportamento a


eliminar.

• Antes de ser castigada, a criança deve saber perfeitamente qual é o


comportamento indesejado.

• Os pais devem-se, sempre, assegurar de que estas consequências


são realmente desagradáveis, e que aborrecem a criança castigada.

62
Capítulo 4: Disciplina: modificar os comportamentos da criança

• Deve-se aplicar o castigo estabelecido, sempre, e imediatamente


após o comportamento que se pretende modificar.

• O castigo deve ser curto (para que a criança não se habitue a ele).

• Deve-se oferecer sempre à criança uma alternativa positiva, para


conseguir, de forma adequada, obter o que deseja.

• Paralelamente deve-se reforçar sempre os comportamentos


adequados, utilizados por esta criança.

Inconvenientes e desvantagens

• A criança pode concluir que não tem capacidade, de que é um


desastre.

• Fornece à criança um modelo agressivo que provavelmente acabará


por imitar. Os pais podem estar a actuar como “modelo negativo”,
desenvolvendo atitudes de agressividade da criança.

• Pode ainda conduzir a que as crianças desenvolvam atitudes de


evitamento em relação à figura punitiva ou ao contexto punitivo,
interferindo por isso no estabelecimento de relações afectivas
equilibradas entre a criança e os pais.

Uma posição demasiado rígida dos pais pode ter prejuízos graves, pode
provocar consequências funestas e irreparáveis. Existem, contudo,
estratégias punitivas que ultrapassam um pouco as limitações referidas:
quando se centram no diálogo, pois permitem à criança reflectir sobre as
consequências do seu comportamento e aos pais não funcionarem como
modelo agressivo.

Deve-se evitar, tanto quanto possível, o uso do castigo físico. Esta forma de
castigo deve ser aplicada apenas em situações excepcionais e quanto menos
melhor.

Extinção – técnicas desejáveis mas difíceis


Para que as técnicas da extinção sejam eficazes, eliminando os
comportamentos inadequados e indesejáveis, é essencial que os mesmos
não obtenham qualquer tipo de reforço.

63
Capítulo 4: Disciplina: modificar os comportamentos da criança

Os perigos da extinção

Os comportamentos inadequados inicialmente aumentam sempre, ou


seja, haverá um agravamento do comportamento (a criança tenderá a
piorar esse comportamento). Por exemplo, caso a criança não obtenha
qualquer reforço com o minuto de choro a que ficou habituada, a criança
tentará chorar mais algum tempo. A criança exagera no comportamento
com o qual aprendeu a obter reforço, podendo continuar a chorar durante
mais 2, 3, 4 ou 5 minutos. Se os pais lhe fizerem de novo a vontade ao
fim de 3 minutos de choro, ela aprenderá a manter o choro, no futuro,
durante 3 minutos até que consiga o que deseja.

Quando se pretende extinguir um comportamento, é necessário definir


claramente se somos capazes de manter até ao fim o procedimento de
extinção. É muito importante nunca dar uma ordem que não está
disposto a fazer seguir das consequências adequadas. Ao fazê-lo, só está
a dizer à criança que não tem intenção de fazer aquilo que diz.

Deve-se persistir, apesar do agravamento do comportamento, sem dar


azo a que seja proporcionado reforço no momento em que o
comportamento indesejado se torna ainda pior do que no início. Se se
desistir perante o agravamento do comportamento não só não se ajuda a
eliminar o comportamento em causa, como se está a ensinar à criança
que para receber o reforço tem de manifestar comportamentos cada vez
mais desajustados.

O comportamento atinge um máximo para além do qual não parece ser


vantajoso continuar por não se obter reforço. Após esse aumento
repentino do comportamento indesejado, o comportamento vai-se
reduzindo até desaparecer por completo, uma vez que a criança percebe
que não recebe atenção.

Conclusão
Sempre que decidimos utilizar estratégias de modificação do
comportamento, para eliminar ou reduzir comportamentos não
desejáveis, nunca nos devemos esquecer:

• De combinar estratégias de extinção (isolamento, não oferecer


reforços, castigos, etc.) com outras de reforço de comportamentos
desejáveis (reforço de comportamentos incompatíveis ou alternativos
ao comportamento que nos propomos reduzir ou extinguir), de tal
maneira que a criança encontre comportamentos que substituam
aqueles que vão deixar de lhe servir.

64
Capítulo 4: Disciplina: modificar os comportamentos da criança

• A educação baseada no positivo, promove o desenvolvimento,


favorece uma imagem pessoal positiva, orienta, e dá segurança.

Regras de ouro para a educação da criança:


1) As consequências, devem ser específicas. O elogio e a crítica devem
referir-se ao comportamento específico em causa, sem nunca serem
alargados à própria criança, ou ao seu comportamento geral.

2) As consequências devem ser justas e adequadas ao comportamento.

3) Todos os educadores da criança devem utilizar as mesmas estratégias


e ser coerentes na definição de regras (o que esperam que a criança
faça e que não faça), nas várias situações e ao longo do tempo.

4) Deve-se começar sempre pelos métodos positivos, recorrendo-se


apenas aos métodos negativos (de extinção) quando as estratégias
positivas não estão a funcionar.

5) Os educadores devem perceber a importância de analisar e antecipar


as situações em que é provável que a criança apresente
comportamentos inadequados (o ideal é intervir logo, podendo
desviar a atenção da criança para actividades produtivas, evitando
que a criança chegue a realizar o comportamento indesejado).

Ex.: A mãe da Ana pensa: “Como vou fazer com que a Ana não fique
horas seguidas a ver televisão?”. Então tenta desviar a atenção da
criança: “Ana, já provaste este novo doce que eu estou a fazer?
Ajuda-me aqui um bocadinho”.

6) Outra noção importante, é a de que o comportamento dos educadores


para com a criança influencia, em parte, as acções dessa criança.
Também a maneira escolhida para lidar com as situações vai
influenciar o seu comportamento futuro.

Com o uso destas técnicas a criança aprende, através da experiência


directa e de consequências bens estruturadas, que cumprir regras só tem
vantagens e que infringi-las só traz desvantagens. Aprende igualmente a
aceitar pequenas frustrações e a utilizar estratégias apropriadas para
resolver conflitos.

65
Capítulo 5

A escola: promover a
motivação e o sucesso
Valorizar a escola

Auto-estima e a escola

Despertar o interesse pelo que rodeia a criança


e proporcionar-lhe experiências diversificadas

O sentido de responsabilidade e autonomia

Acompanhar na transição

Ajudar a criança a estudar

Contacto frequente com a escola

Conversar com a criança acerca das dificuldades

Premiar o sucesso e castigar o insucesso


escolar?

66
Capítulo 5: A escola: promover a motivação e o sucesso

Valorizar a escola
Os pais têm um papel fundamental na promoção da motivação e o
sucesso escolar da criança, contribuindo, directa ou indirectamente, para
que as crianças consigam lidar com as dificuldades inerentes às
exigências académicas.

A escola é uma das fontes mais importantes de aprendizagem e de


socialização da criança.

É muito importante que, os pais, valorizem as aprendizagens escolares,


o comportamento de estudo e o trabalho intelectual.

É fundamental deixar transparecer a importância da escola. Mostrando


interesse pelos trabalhos escolares, partilhando com a criança as suas
alegrias e os seus entusiasmos relativos a acontecimentos na escola,
mostrando interesse pelo que se ouve contar e, ao mesmo tempo,
narrando-lhe episódios felizes dos tempos de escola é uma forma de
valorizar este contexto.

Auto-estima e a escola
A opinião que a criança tem de si própria está intimamente relacionada
com a sua capacidade para a aprendizagem, com o interesse que a
criança tem pelas coisas (motivação) e com o seu rendimento, por
exemplo, na escola.

A auto-estima, ou imagem que a criança tem de si própria, vai sendo


construída desde muito cedo, na sua relação com os outros. Se os pais
estão sempre a criticar a criança, e a mostrar-lhes que têm uma opinião
negativa a seu respeito, se dizem às crianças que são burras, inúteis ou
incapazes, as crianças construirão uma opinião negativa acerca de si
próprias.

Nestas situações, as crianças normalmente desenvolvem


comportamentos passivos ou inibidos (“Se não sirvo para nada, para
quê tentar?”) ou agressivas (“Detesto ser como sou!”).

67
Capítulo 5: A escola: promover a motivação e o sucesso

Por isso, é importante que os pais evitem fazer críticas frequentes ao


comportamento da criança e que a ajudem a construir uma boa auto-
estima, aumentando assim o seu interesse e curiosidade.

A criança deve sentir encorajamento por parte dos pais. Os elogios


(reforços) são muito importantes para a criança ter confiança em si
própria, o que a ajudará a acreditar que consegue aprender.

É necessário:

• Valorizar e apoiar as realizações positivas das crianças e não as deixar


passar despercebidas, como se se dissesse que não fizeram mais do que
a sua obrigação;

• Desvalorizar um fracasso, um erro ou um trabalho imperfeito, mostrando


que não é um facto de muita importância: o que importa é o esforço (e
não é possível fazer sempre o esforço máximo);

• E, sobretudo, evitar julgar a criança como pessoa quando obtém


insucesso enquanto estudante.

É imprescindível que a criança se sinta capaz de realizar as tarefas e


que, antes de começar, espere conseguir o que lhe pedem.

Os pais devem acreditar nas capacidade dos filhos e conseguir transmitir


à criança esses sentimentos. Desta forma, contribuem para que ela sinta
confiança em si própria.

É importante ajudar a criança quando pede ajuda (mas só depois de ter


tentado sozinha), não lhe dar as soluções para os problemas do dia a
dia, esperando que seja a criança a resolvê-los (dando-lhe várias
alternativas), dizer-lhe que é capaz. Só assim a criança acabará por
encontrar sozinha a solução adequada e adquirir confiança nas suas
capacidades. Quantas mais coisas a criança conseguir resolver sozinha,
e reconhecer que sabe, mais se entusiasma por adquirir novos
conhecimentos.

68
Capítulo 5: A escola: promover a motivação e o sucesso

Despertar o interesse pelo que


rodeia a criança e proporcionar-
lhe experiências diversificadas
Despertar o interesse pelo que rodeia a criança e as aprendizagens
diversificadas fora da escola (seja a aquisição de hábitos e regras de
comportamento, seja a aquisição de conhecimentos que desenvolvam o
raciocínio, o espírito de cooperação, de relação e de ajuda) contribui
para o sucesso educativo e sucesso escolar da criança.

Os pais devem despertar o interesse dos filhos pelo que os rodeia (pela
natureza, cultura, história, ciência, ou pela arte). Desta forma,
desenvolve-se o interesse e é o interesse que estimula a aprendizagem.

As tarefas domésticas
Ao colaborar com os pais nas tarefas domésticas, a criança não só
desenvolve o espírito de cooperação, como adquire conhecimentos
muito importantes para a sua vida escolar. É importante habituar a
criança a participar nos trabalhos domésticos, pedindo-lhe que arrume
os talheres, os pratos e os copos ou pregos e chaves de fendas, do
maior para o mais pequeno ou do mais pequeno para o maior. Ela
aprende que os objectos têm tamanhos diferentes e que se podem
ordenar, etc.

Ao pôr a mesa, pode-se-lhe ensinar a colocar a faca à direita, o garfo à


esquerda e o copo à frente do prato, aprendendo conceitos importantes
como a posição relativa dos objectos, as regras de etiqueta, etc.

Quando a criança pede um objecto, pode-se aproveitar para lhe ensinar


conceitos essenciais aos primeiros anos escolares. Dizendo-lhe, por
exemplo: “a tigela azul, o lápis vermelho, o livro que está em cima da
mesa ou o balde que está debaixo do lava-loiças...” a criança aprende as
cores e outras noções sobre a posição relativa dos objectos.

Quando forem às compras, pode-se fazer a lista de compras com a


criança. Desta forma, aprenderá a organizar-se (ao mesmo tempo que
se estimula a linguagem escrita e o raciocínio).

No supermercado, a criança pode participar nas compras. Os pais


podem dizer: “Traz dois pacotes de leite de barra verde, um pacote de
manteiga dos médios, uma garrafa de água das pequenas... Agora ainda

69
Capítulo 5: A escola: promover a motivação e o sucesso

é preciso arroz, açúcar, etc.” A criança está a aprender noções de


quantidade, as cores, o tamanho e a ordem das coisas.

Os livros
Uma das formas de despertar o interesse da criança por diversos
assuntos é promovendo o hábito da leitura. É importante que os livros
se tornem um hábito. Pais leitores, filhos leitores. Tendo vários livros em
casa, recorrendo a eles com frequência e lendo livros diante da criança,
ela tenderá a imitar esse comportamento, desenvolvendo hábitos de
leitura.

Formas de incentivar hábitos de leitura:

• Ter o hábito de comprar livros e de ler e contar histórias às crianças


(começando com histórias simples e engraçadas, que as façam rir).

• Ensinar às crianças lengalengas e trava-línguas, cantilenas populares,


coisas agradáveis de ouvir, como poesias pequenas com coisas e
personagens que sejam do seu conhecimento diário, tais como animais,
situações cómicas, etc.

• Quando se vai às compras a um centro comercial ou a um hipermercado


chamar a atenção da criança para os livros, para as imagens dos livros e
falar acerca das histórias fantásticas que estão “lá dentro”.

• Inscrever a criança numa biblioteca, e levá-la lá algumas vezes para que


ela requisite os livros que quer ler.

Experimentar
Para aprender é importante que a criança faça uso da experiência,
concretize o que aprende, oiça falar na matéria. Para isso é importante
aproveitar as oportunidades do dia-a-dia.

Deve-se estar a par da matéria que a criança vai aprendendo na escola,


nas várias disciplinas, e, sempre que possível, aproveitar situações do
dia-a-dia para exemplificar o que ela está a aprender e proporcionar-lhe
situações em que possa aplicar o que aprende.

Por exemplo, um dos objectivos do 2º ano de escolaridade de Estudo do


Meio é que a criança conheça o seu passado longínquo e reconheça
datas e factos (nascimento, começar a andar, a falar, etc.) localizando-

70
Capítulo 5: A escola: promover a motivação e o sucesso

os, numa linha de tempo. Os pais podem ver com a criança o seu álbum
de fotografias e escrever com elas um livrinho com as datas em que
disse a primeira palavra, começou a andar, foi para a escola, etc.

No 3º ano de escolaridade um dos objectivos, também do Estudo do


Meio, é “estabelecer relações de parentesco dos membros da família”.
Neste caso, os pais podem construir com a criança uma árvore
genealógica, tornando a actividade divertida.

Desta forma, mostram interesse pelas actividades escolares da criança e


esta sente o apoio e interesse dos pais, consegue concretizar as
aprendizagens escolares e consegue encará-las como algo divertido,
sentindo-se motivada e cada vez com mais vontade de aprender e saber
mais.

O sentido de responsabilidade e
autonomia (as regras)
É fundamental que os pais promovam a responsabilidade, autonomia e o
sentido de organização dos filhos, para que eles sejam capazes de gerir
o seu tempo (o dedicado ao trabalho e o dedicado à brincadeira),
organizar o seu material escolar, chegar à escola a horas, etc.

As regras são essenciais, constituindo alicerces para os bons resultados


escolares. Existem determinados hábitos que devem ser interiorizados
pela criança e que a ajudam a ser organizada e responsável pelas suas
coisas: respeitar a hora de ir para a cama (que deve estar bem
determinada) e de fazer os trabalhos de casa, cumprir o tempo
estipulado para estudar ou organizar os materiais escolares, etc.

Acompanhar na transição
O grau de exigência do 2º Ciclo do Ensino Básico (ciclo preparatório) é
muito maior. Normalmente, a criança tem que mudar de escola (indo
para uma escola maior), deixa de ter um(a) professor(a) para passar a
ter vários professores, várias disciplinas, etc. Esta é uma fase em que os
pais têm de estar muito presentes, ajudando a criança a ultrapassar as

71
Capítulo 5: A escola: promover a motivação e o sucesso

dificuldades inerentes a esta transição, ajudando-a a compreender que é


normal estar um pouco apreensiva (todas as crianças da sua idade
passam por isso) e ajudando-a a organizar-se.

Ajudar a criança a estudar

Organizar um horário de estudo


É necessário ajudar a criança a programar o ano lectivo e tudo o que lhe
diz respeito. Antes de mais, é importante incentivar a criança a fazer um
horário de estudo. O horário vai permitir que organize eficazmente o
tempo. Deve ser feito semanalmente, tendo em conta os seguintes
princípios:

• Começar pelo horário de dormir, incluir as actividades fixas


(refeições, aulas, actividades de tempos livres, etc).

• Distribuir o tempo de estudo em função da dificuldade da tarefa.

• Fazer períodos de estudo de cerca de 30/40 minutos e fazer pausas


de 10 minutos. Durante as pausas, aproveitar para relaxar.

• Colocar os períodos de estudo o mais próximo possível das


disciplinas a que dizem respeito.

• Começar a fazer as tarefas escolares antes do programa favorito de


televisão ou de outra actividade de lazer.

Ensinar-lhe como estudar


Ninguém nasce a saber como se deve estudar. Para se estudar de forma
adequada e eficaz é necessário seguir determinados passos. Os pais
podem ajudar a criança a aprender a estudar eficazmente.

Passos a seguir para estudar eficazmente:

1 Fazer uma leitura geral.

72
Capítulo 5: A escola: promover a motivação e o sucesso

2 Fazer uma segunda leitura mais cuidadosa, sublinhando os aspectos


principais.

3 Se não perceber alguma coisa ir ao dicionário ou a livros e cadernos


onde tenha essa palavra escrita (é importante que se habitue a
consultar o dicionário e outros livros).

4 Fazer apontamentos ou um resumo que organize as ideias principais


da matéria (aquelas que foram sublinhadas).

5 Ler muitas vezes os apontamentos ou resumos.

6 Fazer perguntas a ela própria sobre a matéria estudada.

As condições de estudo
Não se estuda de qualquer maneira e em qualquer lugar. Para que o
estudo seja rentável é essencial garantir determinadas condições. É
importante que os pais estejam conscientes dessas condições e que as
ensinem às crianças.

• O local onde a criança estuda deve ser confortável, bem iluminado e


protegido de ruídos (a criança necessita de concentração para
estudar).

• Deve-se evitar estudar deitado, com o rádio, televisão ou aparelho


de música ligados.

• O mobiliário deve ser constituído por uma mesa ou secretária


utilizada, se possível, apenas para o estudo.

• A criança deve ter todo o material necessário no local de estudo e à


mão (caderno diário, livros, canetas, lápis, borracha, afia, dicionário,
etc.), para evitar estar sempre a levantar-se e a interromper o
estudo. Quando não for possível dispor de uma mesa grande, deve-
se preparar todo o material que é importante e pô-lo ao alcance da
mão (sobre uma cadeira, caixa, etc.).

• A criança deve habituar-se a ter sempre o material escolar


organizado (é fundamental para o estudo).

• Deve utilizar folhas soltas para cada disciplina e um dossier de


argolas, com separadores para cada disciplina.

• Utilizar canetas de 2 ou 3 cores diferentes.

73
Capítulo 5: A escola: promover a motivação e o sucesso

• Habituar-se a ter uma agenda no final do caderno onde possa


marcar as datas dos testes, os trabalhos a entregar, etc. (em casa,
para além do horário na parede, é bom que tenha também um
calendário com as datas dos teste e dos trabalhos a entregar).

• Habituar a criança a tirar os apontamentos da aula e a verificar em


casa qual a página correspondente do livro.

Ajudar a criança a controlar a atenção e a


concentração
Aprender exige concentração. Para aprender alguma coisa, crianças e
adultos necessitam de estar atentos ou seja focar a sua atenção durante
um período de tempo. A menos que as crianças prestem atenção, não se
vão lembrar do que se lhes disse, mostrou ou que ela própria leu.

É importante ajudar a criança a controlar a atenção e a concentração.


São muitos os distractores que podem perturbar a atenção e
concentração durante o estudo.

Esses factores podem ser internos ou externos.

Distractores internos Distractores externos

São pensamentos e sentimentos São todos os estímulos do


alheios ao estudo e que ambiente que interferem na
monopolizam a atenção (por atenção (por exemplo, ruídos,
exemplo, estar a pensar numa televisão, o som do rádio, pessoas
festa ou num amigo enquanto se a falar, etc.).
está a estudar).

Tabela 10: Distractores internos e externos

Estratégias para controlar a atenção

Controlar os distractores internos


Para controlar os pensamentos ou sentimentos que, por vezes, ocupam
toda a atenção, pode usar-se as seguintes estratégias:

1 Paragem de pensamento: depois de se dar conta de que o


pensamento a está a distrair, a criança diz para si mesmo: “Basta”

74
Capítulo 5: A escola: promover a motivação e o sucesso

ou “Pára”. Repete esta sequência tantas vezes quantas forem


necessárias para retomar a concentração.

2 Controlo encoberto: utilização de pequenos cartões colocados nos


locais para onde normalmente a criança olha quando está distraída.
Os cartões devem aconselhar o regresso ao estudo.

3 Conversa interna: a criança tenta levar a sua “pessoa” atenta e a


sua “pessoa” distraída a terem uma conversa antes do estudo,
procurando argumentos que convençam a distraída a dar lugar à
atenta.

Controlar os distractores externos


Este tipo de distractores é mais fácil de controlar: implica apenas que a
criança estude sempre no mesmo local, que seja um local sem ruído e
que:

• Tenha uma mesa e cadeira de dimensões compatíveis, de forma a


permitir uma boa escrita e uma boa posição do corpo;

• Haja luz suficiente para estudar;

• Tenha uma temperatura agradável;

• Não existam objectos distractivos como rádio, televisão, aparelhos


de música, computadores, posters, etc.;

• Quando a criança estiver a estudar não tenha em cima da mesa de


estudo objectos estranhos ao estudo (livros, revistas, etc.);

• Antes de começar o estudo, tenha em cima da mesa todo o material


necessário.

Ajudar nos trabalhos de casa


Os pais devem ajudar os seus filhos nos trabalhos de casa. Na escola, a
criança pede ajuda e expõe as dúvidas ao professor, contudo o professor
tem de apoiar cerca de 20 crianças. A casa é um local privilegiado, onde
a relação é de um para um, ou seja, a criança tem a atenção exclusiva
dos pais. Para além disso, é importante que ela se sinta apoiada pelos
pais em tudo aquilo que faz, e a escola é, afinal de contas, a primeira
grande responsabilidade da criança.

Se a criança tem trabalhos escolares para fazer em casa, os pais devem


acompanhá-la. Muitas vezes, a criança não precisa de ajuda; basta estar
próximo dos pais, sentir que se interessam por ela e pelo que está a

75
Capítulo 5: A escola: promover a motivação e o sucesso

fazer. Estes momentos de “estar próximo” devem ser bem aproveitados,


isto é, os pais devem evitar fazer outra coisa ao mesmo tempo,
centrando a sua atenção exclusivamente na criança, dando-lhe espaço
para fazer as coisas sozinha.

É importante que os pais nunca façam as coisas pela criança e que não
criem o hábito de ajudar sempre. Devem ajudá-la quando ela pedir, mas
só depois de se assegurarem que ela já tentou.

Os pais precisam de encontrar um equilíbrio entre partilhar informação


útil (fornecer várias alternativas, testar e tentar sugestões curtas), e
deixar a criança descobrir por si própria.

Para que a possam ajudar, é importante não esquecer que aprender


leva tempo, principalmente as coisas que são complexas, uma vez que
vão sendo interiorizadas aos poucos. Os pais devem ter paciência e
nunca se exaltarem quando a criança tem dificuldade em fazer alguma
tarefa escolar. O que para eles é obvio para a criança não é.

Nunca se deve dizer à criança que ela não sabe nada, que é burra, etc.
Para a criança aprender é essencial que confie nas suas capacidades.
Pode parecer que ela não sabe muita coisa, mas também há muita coisa
que já aprendeu nos seus poucos anos de vida.

Contacto frequente com a escola


É importante que os pais mantenham um contacto frequente com a
Escola. Uma boa relação entre a escola e os pais é uma forma de
contribuir para o êxito escolar da criança.

Este contacto permite aos pais conhecerem os progressos, as alegrias,


as preocupações e as dificuldades do seu filho. Permite, igualmente, que
fiquem a par da matéria e da forma como ela é abordada na escola,
podendo, desta forma, ajudar a criança nos trabalhos de casa e
proporcionando-lhe experiências enriquecedoras que permitam à criança
aplicar e interiorizar as coisas que aprende.

Também para o professor é vantajoso contactar frequentemente com os


pais, permitindo-lhe conhecer melhor a criança e, desta forma, melhorar
a sua relação com ela, e ajudá-la a ultrapassar as suas dificuldades.

76
Capítulo 5: A escola: promover a motivação e o sucesso

Pais e professores podem, conjuntamente, encontrar soluções para


responder às necessidades da criança, havendo continuidade e coerência
entre os dois contextos (familiar e escolar).

Estes encontros poderão contribuir para facilitar a aprendizagem, a


integração escolar e o crescimento equilibrado da criança.

Conversar com a criança acerca


das dificuldades
Quando a criança sente dificuldades é importante que os pais a apoiem.
A criança sentirá muito mais segurança, em si própria e nos outros, se
perceber que pode contar com a ajuda e compreensão dos pais.

Quando a criança não tem bons resultados é importante que os pais não
culpem a criança e que, falando com ela, a façam compreender que vai
ter a ajuda dos pais e que vai ser capaz de ultrapassar as dificuldades.

Se a criança está triste por alguma coisa que não correu bem na escola,
não a devem censurar, mas ouvi-la com muita atenção e tentar explicar-
lhe que nem tudo acontece da forma que gostaríamos e que, no dia
seguinte, vai ser melhor concerteza.

Se o professor, alguma vez, fizer qualquer tipo de queixa da criança,


esse assunto deve ser abordado com ela de uma forma calma, tentando
compreender a situação, porque é que aconteceu e, em conjunto, tentar
arranjar soluções para o problema.

Se a criança tem dificuldade em alguma matéria, é comum que acabe


por duvidar também da sua utilidade. Neste caso, é importante que os
pais estejam preparados para ouvir frases do tipo: “Mas para que é que
preciso de matemática?” Quando isso acontecer, devem-se imaginar
situações em que a matéria questionada tenha importância,
respondendo, por exemplo, “sem matemática não consegues conferir o
troco quando comprares um CD”.

77
Capítulo 5: A escola: promover a motivação e o sucesso

Premiar o sucesso e castigar o


insucesso escolar?
Ao aproximar-se o Natal, os aniversários das crianças, o final do período
ou do ano escolar, muitos pais fazem promessas do género: “Se
aprenderes a ler até ao Natal, dou-te uma bicicleta!”; “ Se passares o
ano dou-te o brinquedo que tu queres!”; “Se tiveres boas notas dou-te
um Gameboy!”; “Se não decorares a tabuada podes dizer adeus ao
Gameboy!”, etc.

Os pais pretendem, desta forma, motivar os filhos para o trabalho


escolar e premiar os resultados escolares desejados.

Estudar para ter uma recompensa (um presente), não é adequado.


Primeiro, porque as crianças passam a reger-se pelo princípio de que se
fizerem uma determinada coisa obtêm outra em troca. Segundo, porque
faz com que a criança sinta a motivação para o estudo como algo de
exterior, como algo que vem de fora. A motivação para o estudo deve
vir de dentro. As crianças têm de interiorizar regras, têm de perceber
aquilo que devem ou não fazer, precisam de construir um sentido ético
para o seu comportamento. Se as crianças estão sempre à espera de
uma recompensa, se se regem por modelos exteriores, acabam por não
interiorizar esse modelo interno de comportamento. As crianças têm de
compreender que se não estudarem, vão sofrer as consequências. Claro
que o facto dos pais ficarem contentes ou tristes também conta, mas o
mais importante é ficarem contentes ou tristes consigo próprias porque
cumpriram ou não a sua tarefa.

Contudo, se os pais desejam, de facto, “premiar” os bons resultados na


escola, podem fazê-lo de muitas formas que não passem pela
recompensa material. Um beijo, uma festa, palavras de apreço e
incentivo, um jantar num restaurante especial, uma viagem, um fim-de-
semana num sítio diferente que a criança goste, etc., têm muito mais
sentido do que a compra de um presente. O que é importante é que seja
um projecto que seja vivido na relação dos pais com os filhos.

Além disso, é importante não esquecer que a maior parte das vezes o
insucesso escolar não depende da criança. Não se deve penalizar o
insucesso com a ausência de uma prenda. Não é justo culpar e muito
menos penalizar o insucesso escolar.

O insucesso escolar pode dever-se a vários motivos. As crianças podem


ter maus resultados escolares por razões pedagógicas, que se prendem
com a escola (por exemplo, a relação com o professor ou o método de
ensino, etc.); por razões que têm a ver com a própria criança,

78
Capítulo 5: A escola: promover a motivação e o sucesso

nomeadamente dificuldades de concentração, imaturidade, etc.; ou por


razões que têm origem no ambiente familiar (que pode não ser propício
ao equilíbrio emocional, fundamental para uma boa aprendizagem).

Os resultados escolares são sempre uma consequência de vários


factores. Em vez de penalizar o insucesso, os pais devem criar condições
para que as crianças tenham bons resultados.

79
Capítulo 6

Promover a saúde e a
segurança
Segurança

Nutrição

Doenças

O bem-estar físico

Higiene

Prevenção e riscos

80
Capítulo 6: Promover a saúde e a segurança

Segurança

Segurança na estrada

Os riscos

Em Portugal, após os 6 meses de vida, os acidentes são o maior risco


para a saúde e bem-estar das crianças e jovens. Cerca de metade
desses acidentes graves correspondem a acidentes de viação e, dentro
destes, cerca metade têm a criança como passageiro.

Em 1998, morreram em acidentes rodoviários enquanto passageiros,


123 crianças e adolescentes até aos 18 anos. Estima-se em cerca de
600 as que terão ficado com incapacidades físicas e mentais graves para
sempre.

Assim, podemos dizer que, mais do que para um adulto, andar de


carro é, para uma criança, uma situação de grande risco. É
preciso, pois, que os pais se consciencializem deste facto, para não
minimizarem a segurança no interior da viatura e para entenderem a
necessidade de um transporte correcto, sempre e em qualquer
circunstância. O conforto dos estofos, a frescura do ar condicionado ou a
suavidade do motor temperado pela música seleccionado no auto-rádio
não nos podem iludir quanto à perigosidade da "arma" em que
viajamos.

Uma das noções que é necessário ter presente é que não é preciso ir a
120 km/h numa auto-estrada ou numa estrada principal para sofrer um
acidente com consequências graves... nem obrigatoriamente numa
viagem de duração superior a uma hora. Bem pelo contrário, porque a
maioria dos acidentes ocorre:

• perto de casa

• a velocidades inferiores a 45 km/h

• nas viagens do dia-a-dia para o emprego, escola, casa de


família, supermercados e centros comerciais, etc.

81
Capítulo 6: Promover a saúde e a segurança

Às vezes, tem-se a ideia que os pequenos embates que ocorrem nas


cidades não têm mais consequências do que chapa amolgada e alguns
minutos de discussão com o outro condutor. Engano! Mais de metade
dos casos de feridos graves e de mortos, repetimos, acontecem dentro
de uma localidade e não na estrada.

Por outro lado, o facto de uma criança não ir segura aumenta


incrivelmente o risco de sofrer consequências graves se tiver um
acidente. E, das duas uma: ou os pais não se consciencializaram do
risco que é cada viagem de carro, qualquer que ela seja, - tratando-se
de ignorância - ou já admitem isso mas não utilizam as medidas
preventivas - e estamos perante negligência. E porquê? Provavelmente
porque os percursos que se fazem diariamente tendem a tornar-se
rotina: percorrem-se as mesmas ruas centenas de vezes e não acontece
nada. Convencemo-nos assim de que essa viagem que fazemos todos os
dias é segura, mesmo que as crianças não estejam protegidas.
Convencemo-nos que dominamos a situação porque conduzimos
devagar ou porque somos "bons condutores". Nada de mais errado.
Porque, precisamente, o facto de fazermos essa viagem todos os dias é
que provoca a descontracção que faz aumentar ainda mais o seu grau
de risco potencial; porque nos esquecemos que existem outros
condutores - que também se consideram bons - e que nós não
controlamos - e quando ocorre um acidente as consequências para a
criança podem ser muito grandes, como mostram os números. É
importante não esquecer: desde que se entre num automóvel o risco
está presente, mesmo em percursos de meia dúzia de metros! Além de
que é um bom hábito a criar: se andarmos sempre seguros nunca nos
esqueceremos disso - fará parte da rotina como dar os "bons dias", lavar
os dentes ou puxar o autoclismo. Quantas vezes andam os pais de cinto
e as crianças "à solta"?

A prevenção dos acidentes

Era bom que fosse esta a frase que viesse à cabeça do público sempre
que falasse de crianças como passageiros. Contudo, muita gente
continua a associar transporte de crianças no automóvel à
obrigatoriedade (que nunca existiu) de as transportar no banco de trás.
Mesmo a "velha" lei dizia já que, "com o dispositivo de segurança" a
criança poderia ir à frente. Só que esses dispositivos eram raros em
Portugal e essa parte da lei ficou esquecida. Mas agora é diferente.

E, de facto, não é por ir no banco de trás que a criança vai mais segura.
Se for "à solta", a insegurança é total e, em caso de colisão, o natural é
que seja projectada contra as estruturas internas do carro ou para fora
dele. Para que as crianças viajem realmente seguras, é essencial
que usem o cinto ou uma cadeira de segurança, quer no banco da
frente se o carro não tiver airbag no lugar do passageiro, quer no

82
Capítulo 6: Promover a saúde e a segurança

de trás, sendo o de trás ligeiramente mais seguro nalgumas


situações. Tomando em consideração as várias etapas do
desenvolvimento infantil em termos de estatura, peso e motricidade,
foram concebidos vários sistemas de retenção, testados e aprovados
segundo normas de segurança europeias para as diferentes faixas
etárias.

A partir dos 5-6 anos, dependendo obviamente da estatura da criança,


poderá usar apenas o banco elevatório com o cinto de segurança tendo
o cuidado de verificar a existência de apoios de cabeça no automóvel.
Em princípio, o cinto de segurança só se adaptará bem ao corpo a partir
do momento em que a criança atinge 1,50m de altura (10-12 anos). Na
idade escolar, na adolescência...deve usar sempre o cinto de segurança.
E depois, claro, na idade adulta. E uma questão de hábito, um hábito
saudável e promotor da saúde que deverá ser adquirido, trabalhado,
motivado, aplaudido.

E se eles "não querem"?


Atendendo às consequências graves que podem acontecer, não pode
haver transigência, nem pensar que "coitadinho", fica "desconfortável"
ou que "se sente mal". Ficará mais desconfortável e sentir-se-á pior se
tiver que utilizar uma cadeira de rodas para o resto da sua vida, tendo
sido possível evitar consequências irreversíveis.

O que é um dispositivo de retenção aprovado?


Um dispositivo de retenção é um sistema que se prende ao automóvel
através do cinto de segurança, com ou sem cintos integrados, e que é
submetido a alguns testes, entre os quais um dinâmico, a cerca de 50
km/h, tendo que "aguentar" o impacto sem se quebrar e sem permitir
deslocações e forças excessivas no "manequim" que transporta. Se
passar nos testes, o sistema é aprovado e certificado pelas autoridades
ou seja, considera-se que obedece às normas mínimas de segurança
estabelecidas no Regulamento n.º 44/03 da ECE/ONU.

Reconhece-se através da presença obrigatória de instruções


esquemáticas e da etiqueta "E" que contem a seguinte informação:

9-25Kg

03 123123

Figura 7: Exemplo de etiqueta E

83
Capítulo 6: Promover a saúde e a segurança

A cadeira com esta etiqueta está aprovada para ser utilizada por
crianças com peso entre os 9 e os 25 Kg, de acordo com as instruções
de utilização (trata-se de um exemplo de cadeira mista, do grupo I e II
ou seja, para crianças de 1 a 6 anos). O facto de o n.º de homologação
começar por 03 é indicativo de que o dispositivo obedece à versão mais
recente do regulamento n.º 44.

Grupos de aprovação definidos pelas normas Europeias (R44/03)


consoante o peso da criança:

Idade Posição da
Grupo Peso Lugar
(aprox.) cadeira
0
Até 10 kg Até 1 ano VT BF* ou BT
Até 18-24
0+ Até 13 kg VT ou VF BF* ou BT
Meses
I
9-18 kg 1-4 anos VF BF* ou BT
II
15-25 kg 3-6 anos VF BF* ou BT
III 5-12 anos
22-36 kg VF BF* ou BT

Tabela 11: Dispositivos de retenção aprovados

VT: voltado para trás, VF: voltado para a frente, BF: Banco da frente
(*se não tiver airbag), BT: Banco de trás.

Nota: muitos modelos são mistos, cobrindo um leque de idades mais


alargado. Assim é possível adquirir dispositivos que servem dos 9 aos 36
kg, por exemplo (grupos I, II, III).

Airbags e crianças não combinam


O número de carros equipado de série com airbags é cada vez maior.
Quando utilizamos em passageiros adultos, com uma distância razoável
entre o banco e o tablier e associado ao cinto do carro, os airbags
funcionam bem.

Porém, os airbags, que pareciam ser a tábua de salvação dos acidentes


de automóvel, apesar de importantes e de poderem prevenir muitas
mortes e ferimentos, não devem ser considerados como a solução
mágica. De facto, no que toca às crianças, são inúmeros os registos de
acidentes graves que têm chegado de vários países, e as instituições e
organismos internacionais estabeleceram já algumas regras que convém
seguir. Quando o airbag explode (com uma velocidade de abertura entre
250 e 300 km/h!), a força com que o faz é enorme e pode provocar a

84
Capítulo 6: Promover a saúde e a segurança

morte de uma criança, sobretudo se estiver numa cadeira invertida, se a


distância ao tablier for curta ou se viajar sem cinto.

Recomendações

Em geral
• O cinto de segurança salva vidas, mas não faz milagres: conduza
com precaução, sempre uma distância de segurança em relação ao
veículo da frente.

No carro
• Transporte o seu filho no automóvel, sempre em segurança. Use as
cadeirinhas de transporte, os banquinhos ou o cinto-de-segurança,
conforme a idade, mesmo para trajectos curtos e no dia-a-dia.

• Não se arrependa de perder mais uns segundos a colocar bem e


adequadamente a cadeira ou o cinto porque um dispositivo de
segurança mal ajustado ou mal colocado perde o seu efeito.

• Não se esqueça de colocar o cinto de segurança, à frente e atrás. É a


Lei, mas é sobretudo a defesa da vida e da sua qualidade.

• Verifique sempre se o equipamento está certificado: procure a


"etiqueta E".

• Antes de comprar, experimente a cadeira no seu carro. Verifique se


os cintos têm comprimento suficiente para instalar correctamente a
cadeira.

• Leia e cumpra rigorosamente as instruções do fabricante. Uma


cadeira mal instalada pode perder todo o seu efeito protector.

• Não exceda a lotação do seu carro. Lembre-se que as crianças


também são passageiros.

• Disponha a carga na bagageira de forma equilibrada. Se transporta


habitualmente muita carga ou animais, instale uma grade
separadora de protecção por trás do banco traseiro.

• Não deixe objectos à solta dentro do carro. Também eles terão o seu
peso multiplicado em caso de acidente.

• Não deixe que um passageiro sem cinto viaje atrás de si ou dos seus
filhos.

• Levar a criança ao colo também é frequente. Porém, por melhor que


a "segure", a criança será brutalmente arrancada dos braços do
adulto ou esmagada por 20 vezes o seu peso.

85
Capítulo 6: Promover a saúde e a segurança

Se o carro tiver airbag


• Se o seu carro tiver airbag à frente, do lado do passageiro,
transporte sempre a criança no banco de trás, mas com o cinto de
três pontos (no lugar junto da janela) (mesmo nos chamados
assentos invertidos).

• Nunca instale uma cadeira de assento invertido num lugar do airbag.


Existe um perigo real de morte.

• Se o automóvel transporta, para além do condutor, quatro crianças


e/ou adolescentes, o mais alto irá à frente (se tiver menos de 12
anos ou menos de 1,5 m, com um dispositivo em que o cinto do
carro lhe passa pela frente), com o banco recuado ao máximo.

• Se uma criança tiver que viajar num lugar equipado com airbag,
deverá fazê-lo num dispositivo em que seja o próprio cinto do carro
a segurar-lhe o corpo e com o banco recuado ao máximo.

Na estrada
• Ensine, fazendo com o seu filho: esperar pelo verde para atravessar
na passadeira e nos semáforos. Dê o exemplo e não procede
erradamente, mesmo que não venha nenhum carro.

• Antes de atravessar, ensine-o a olhar "olhos nos olhos" para o


condutor e esperar pelo sinal deste para ele atravessar. O facto de
ser uma passadeira não garante a segurança, se não houver alguns
cuidados como estes.

• Para os jovens condutores de bicicletas: o uso adequado de


capacetes é essencial.

Segurança na cozinha e em casa


A curiosidade inata das crianças e o seu desconhecimento dos perigos
fazem com que se exponham continuamente a situações de risco. Uma
tomada à vista, uma panela com água a ferver, um forno ligado ou uma
embalagem de detergente mal fechada bastam para provocar um
acidente, de consequências imprevisíveis. Por este motivo, é necessário
reforçar a prevenção. Como? Antecipando-nos aos possíveis riscos e
adoptando uma série de medidas de segurança.

Em casa, não há nenhuma divisão que seja completamente segura,


porque em todas elas há elementos que podem ser perigosos para uma
criança. Mas a cozinha é a que concentra mais riscos, porque nela
se armazenam utensílios e artigos de limpeza, que podem estar
na origem de acidentes.

86
Capítulo 6: Promover a saúde e a segurança

Por outro lado, a cozinha é um lugar especialmente atraente para as


crianças: está cheia de electrodomésticos e de coisas que despertam o
seu interesse, porque emitem sons, emitem calor ou brilham, para além
de caixas e armários repletos de "coisas" que convidam a investigar.

O melhor seria que as crianças não entrassem na cozinha. Mas como


esta medida é impossível, a única coisa que podemos fazer é colocar
barreiras à sua curiosidade. E como é que podemos fazer isso? Tomando
algumas medidas preventivas e instalando dispositivos que evitem
possíveis acidentes.

Medidas preventivas

• Colocar grades protectoras em frente dos fogões.

• O forno deve ser colocado num local elevado e, se possível, ser


fabricado com materiais não condutores.

• Fogão, frigorífico e máquina de lavar devem estar bem fixos à


parede, para não se moverem.

• A torneira de segurança do gás deve estar sempre fechada e num


local inacessível para a criança.

• Instalar fechos de segurança nas gavetas, cantos e bordos das


mesas e fechos nos armários.

• Colocar protectores nas entradas das tomadas.

• Evitar os fios compridos dos pequenos electrodomésticos, que a


criança pode puxar.

• Colocar os artigos de limpeza nos armários altos, de difícil acesso.

• Guardar facas, batedeiras e outros utensílios perigosos em gavetas


às quais a criança não consiga aceder ou que disponham de fechos
de segurança.

• Utilizar, preferencialmente, os bicos posteriores do fogão e evitar


que as pegas das caçarolas sobressaiam da bancada da cozinha.

• Não deixar recipientes com água ou alimentos quentes próximo dos


bordos das bancadas.

• Guardar o caixote de lixo num armário fechado.

87
Capítulo 6: Promover a saúde e a segurança

Nutrição
Boa nutrição não significa que as crianças não possam comer os
alimentos preferidos ou que tenham de comer alimentos de que não
gostam. Boa nutrição significa variedade e moderação na dieta pessoal.
Escolher os alimentos é importante para obter uma vida saudável. As
suas crianças podem escolher certos alimentos tanto por serem
saborosos como por estarem disponíveis. Tente ter alimentos saudáveis
em casa, em locais acessíveis, e controlar os "maus" alimentos -
alimentos gordurosos e doces.

Hoje em dia, a alimentação das crianças, procura sobretudo reduzir


riscos no futuro, em relação a problemas de coração, diabetes, cancro e
obesidade. No entanto, muitas crianças já sofrem de obesidade, e
apresentam grandes riscos de o serem ao longo de toda a sua vida. É
importante que os pais dêem um bom exemplo na forma como se
alimentam. Investigações mostram que as crianças desenvolvem hábitos
de alimentação semelhantes aos dos seus pais. O papel dos pais na
escolha de uma dieta equilibrada baseada nos cinco grupos de
alimentação, é fundamental. Na escolha do tipo de alimentos dentro de
cada um dos grupos, pode ser dada alguma liberdade de escolha à
criança.

Maus hábitos de alimentação podem desenvolver-se se os pais falharem


na orientação do processo de decisão sobre a escolha dos alimentos por
parte dos filhos. Lembrem-se de que a questão não é "alimentos bons"
contra " alimentos maus". Os pais não devem preocupar-se se as
crianças não gostam da comida que está na mesa pois, estudos
mostram que se eles próprios tiverem escolhas saudáveis, depois de
algum tempo, as crianças comerão a quantidade de comida necessária
ao seu normal crescimento. Não se pode exigir que uma criança queira
comer brócolos se também há batatas fritas, ou que queira beber leite
ou sumo de laranja se os pais bebem coca cola. Claro, de vez em
quando, um alimento altamente gorduroso, uma sobremesa com açúcar
ou um refrigerante é permissível, se estes não forem substitutos de
alimentos saudáveis. Os pais podem tornar a refeição, o acto de
"comer", num prazer para toda a família, ajudando a criar
atitudes positivas sobre a comida, que pode resultar numa vida
saudável.

88
Capítulo 6: Promover a saúde e a segurança

A Pirâmide: os 5 grupos da alimentação


Quais são os cinco grupos da alimentação, e como podemos ajudar toda
a família a comer uma dieta equilibrada? A pirâmide da alimentação
mostra-nos como seleccionar uma dieta equilibrada e como ajudar a
criança a escolher de maneira acertada os ingredientes da sua refeição.

Uma dieta equilibrada inclui alimentação de cada um dos seguintes


grupos:

1 cereais (pão, farinha, batata, arroz e massa);

2 frutas (fresca, seca ou em conserva sem adoçamento);

3 vegetais (crus ou ligeiramente cozidos);

4 carnes (carne, aves domésticas, peixe, ovos e nozes);

5 lacticínios (leite, iogurte e queijo).

Quantas porções precisa cada dia?

Gordura, óleo e doces


Utilizar com reserva

Grupo do Leite 2-3 2-3 Grupo da Carne

Grupo dos Vegetais 3-5 2-4 Grupo da Fruta

Grupo dos 6-11


Cereais

Figura 8: Pirâmide da Alimentação.

É importante oferecer aos filhos escolhas nutritivas para as refeições.


Desta maneira, é possível ajudá-los a controlar a sua dieta. Por
exemplo, pode dar-se a escolher entre uma maçã, uma laranja ou uma
banana. Com crianças mais velhas (7 anos e mais), pode-se começar a

89
Capítulo 6: Promover a saúde e a segurança

planear o menu com elas, deixando-as controlar se o menu inclui


alimentos dos cinco grupos.

Lembre-se que cada um dos grupos de alimentos fornece algum, mas


não todos os alimentos que a sua criança precisa. Alimentos de um
grupo não podem substituir os de outro. Nenhum destes grupos de
alimentação é mais importante. Para uma boa saúde, são todos
necessários.

Pequeno almoço
Muitas pessoas não tomam pequeno almoço. Mais ou menos 25% de
todas as crianças em idade escolar saem da casa sem comer de manhã.

Pode-se pensar que o pequeno almoço é só mais uma refeição. Para


uma criança, o pequeno almoço fornece muita da energia que precisa
para começar o dia de maneira saudável. Os adultos podem compensar
isso comprando qualquer coisa a caminho do trabalho. Mas, a criança
não tem essa oportunidade. No jardim de infância, geralmente há um
lanche 3 ou 5 horas depois da criança acordar. No ensinos primário e
secundário, poucas crianças recebem um lanche durante a manhã.

Pôr a criança a tomar pequeno almoço nem sempre é fácil. É importante


tentar adaptar-se ao ritmo dela. Um "dorminhoco" pode precisar de um
pequeno almoço rápido, assim como um madrugador pode gostar de
tomar o pequeno almoço antes de se vestir. Se isto vai interferir com o
seu próprio horário da manhã, deixe-a tomar o pequeno almoço sozinha.
Mesmo uma criança de 6 anos pode abrir um pacote de iogurte.

Um bom pequeno almoço consiste em hidratos de carbono e açucares


simples (cereais, fibras, frutas e vegetais) ; proteínas (lacticínios, carne,
peixe, ovos, nozes e feijão seco) e um bocado de gordura. Os hidratos
de carbono e açucares simples oferecem energia rápida que se esgota
rapidamente. Quando leite, queijo, iogurte, carne magra ou um ovo é
adicionado, a comida fornece energia prolongada.

A água e outras bebidas


A água é a componente mais importante do nosso corpo. Como tal,
convém beber água em abundância e acostumar-se a isso desde a
infância. Quanto às outras bebidas, é preciso saber escolher.

• A melhor bebida, em qualquer ocasião, é a água. A água deve ser da


torneira, de fontes controladas ou engarrafada. É importante evitar

90
Capítulo 6: Promover a saúde e a segurança

as águas de fontes não controladas, as quais, apesar do seu bom


sabor, podem ser portadores de agentes infecciosos.

• Os sumos naturais de fruta são, não só uma bebida refrescante e


apreciada pelas crianças, como também uma excelente fonte de
vitaminas, sobretudo quando preparados em casa e consumidos de
imediato. Estes sumos são preferíveis aos sumos industriais, aos
quais se costuma adicionar açúcar.

• O leite é uma bebida saudável para a criança em crescimento, mas


deve ter-se em conta que um copo de leite não é apenas uma
bebida: é um alimento completo. Tomado entre as refeições pode
saciar o apetite mais voraz. Não é preciso adicionar-lhe açúcar nem
cacau, muito menos se a criança tiver tendência para a obesidade.
Também é importante que a criança se habitue, desde muito
pequena, ao sabor natural dos alimentos.

• Bebidas industriais: os refrescos de cola ou similares contêm cafeína


e teobromina e não trazem nada de positivo ao crescimento das
crianças (para além de provocar caries nos dentes). Mas todos esses
tipos de bebidas são doces e as crianças mais crescidinhas
costumam pedi-las com insistência. Como tal, devem reservar-se
para as grandes ocasiões ou para dar um toque de festa a uma
ementa, sempre sem cafeína.

• Bebidas proibidas... obviamente!!!: As bebidas alcoólicas estão


completamente vedadas às crianças, pois o álcool não é apenas uma
substância tóxica em si mesmo, como também dificulta a absorção
dos nutrientes contidos noutros alimentos. O álcool nunca dá forças
nem "fabrica sangue", como se dizia antigamente. Nunca se deve
dar álcool às crianças, nem sequer "um golinho de champanhe", nem
"um pouco de cerveja", nem "um copinho de vinho". Também é
completamente errado dar-lhes pão com vinho e açúcar ao lanche.
Devem afastar-se, definitivamente, estas práticas perigosas e pouco
formativas.

• Bebidas desaconselháveis: O chá e o café são bebidas excitantes,


que podem alterar o ritmo de sono e vigília das crianças. Se a
criança tem sono de manhã, não é café que lhe deve dar: convém
deixá-la dormir as horas de que necessita. Se for possível, deve-se
deitá-la mais cedo ou pô-la a dormir a sesta.

Pergunte ao rótulo
Quantas vezes vamos às compras e hesitamos entre dois produtos que
nos parecem iguais? Qual o melhor? Para permitir uma escolha criteriosa

91
Capítulo 6: Promover a saúde e a segurança

é obrigatório, por lei, que na embalagem exista um conjunto de


informações sobre o produto, de forma explícita e legível (e em
português).

Destas indicações dê particular atenção:

• À lista de ingredientes e aditivos. Através dela pode saber se um


refrigerante tem sumo, se a sopa tem legumes e em que
quantidades, a data limite de consumo e a data de durabilidade
mínima. No acto de compra deve verificar quanto tempo pode durar
o produto em sua casa.

• Às condições especiais de conservação e utilização. Indicam-lhe a


forma de conservar o produto em casa.

A embalagem tem também uma componente publicitária. Aí podem


estar incluídas designações comerciais (do tipo "Criado na Quinta",
"Natural", etc.) que podem ser enganadoras.

Aditivos

A maior parte dos produtos alimentares industriais contém um ou vários


aditivos artificiais ou naturais. São substâncias adicionadas aos
alimentos para prolongar a sua conservação, mas também para os
tornar mais atraentes e, por vezes, para disfarçar a falta de matéria
prima.

Os aditivos devem constar do rótulo e, na Europa, são normalmente


designados por E seguido de 3 números. Classificam-se do seguinte
modo:

• E-100-199: Corantes

• E-200-299: Conservantes

• E-300-399: Antioxidantes

• E-400-499: Emulsionantes, estabilizadores, espessantes, gelificantes


e outros.

Tenha em atenção:

• Os efeitos a longo prazo dos aditivos são muito difíceis de testar, e


por isso, de prever.

• É muito difícil verificar se consumimos mais do que "a dose diária


admissível". Esta dose está relacionada com o nosso peso e, por
isso, nas crianças atinge-se muito facilmente.

92
Capítulo 6: Promover a saúde e a segurança

Sendo assim, o melhor conselho é ler o rótulo e, tanto quanto possível,


escolher alimentos sem aditivos.

Mas repare:

• Os aditivos podem aparecer designados pelos respectivos nomes em


vez dos códigos.

• Alguns produtos não são obrigados a indicar os aditivos (por ex. :


vinho).

• Os produtos não embalados não têm rótulos, e assim o consumidor


não é informado sobre os aditivos que contêm.

• Quando um produto alimentar transformado inclui uma matéria


prima que já contém aditivos, estes não vêm explicitados no rótulo.

Assim previna-se:
Evite produtos com corantes, que só têm como função tornar o produto
mais atraente. Evite também consumir refeições preparadas.

Contaminação dos alimentos por


microorganismos
Os microorganismos são seres vivos que a vista humana não tem
capacidade de observar porque são muito pequenos (só se vêem ao
microscópio) e no entanto, vivem connosco... Alguns são úteis, como
uma parte dos que se encontram nos nossos intestinos e que entram no
nosso processo de digestão. Outros vivem connosco sem nos prejudicar.
Outros podem provocar doenças. Como se desenvolvem? Desenvolvem-
se com calor e humidade. A temperatura ideal para os microorganismos
é de 30º a 40º.

Como são contaminados os alimentos?

• Por insectos (moscas) e outros animais (ratos,...).

• Pelos instrumentos de cozinha mal lavados.

• Pela água, se estiver contaminada.

• Através das mãos, quando não há cuidados de higiene.

93
Capítulo 6: Promover a saúde e a segurança

Como evitar a contaminação?

Na conservação - utilizar o frio para impedir o seu


desenvolvimento:
• Arrefecendo rapidamente os alimentos que vai congelar.

• Arrumando correctamente os alimentos no frigorífico.

• Descongelando dentro do frigorífico.

• Evitando ter alimentos em locais húmidos.

• Nos dias quentes, a multiplicação de bactérias em alimentos fora dos


frigoríficos é muito rápida.

No manuseamento dos alimentos - impedir a contaminação:


• Consumindo, sempre que possível, os alimentos assim que
cozinhados.

• Sendo rigoroso na limpeza da cozinha e dos utensílios.

• Lavando rigorosamente o que consume cru.

• Separando alimentos crus e cozinhados.

• Lavando as mãos regularmente e sobretudo depois de ir à casa de


banho.

• Deitando fora tudo o que tem bolor.

Na confecção - utilizar o aquecimento para os eliminar:


• Cozinhando muito bem os alimentos (bem passados) - pelo menos
10 min a 70º.

• Deixando ferver os alimentos quando reaquecer.

Carne
Os efeitos na nossa saúde dos resíduos das hormonas na carne, ainda
não são completamente conhecidos, mas apresentam riscos. Desconfie
da carne com aspecto muito cor-de-rosa, sem nervos nem gorduras e
que, depois de cozinhada, reduz muito porque perdeu água.

BSE (Encefalopatia Espongiforme Bovina) - "Doença das vacas


loucas":

94
Capítulo 6: Promover a saúde e a segurança

O que não se deve comer da vaca e que já é proibida a venda: cérebro


(miolos), baço, timo (moleja), intestinos (também usados nos enchidos
como tripa), medula óssea (tutano).

Quando desconhecer o modo de fabrico e confecção evite consumir


hamburguers, croquetes, refeições preparadas que incluam carne
picada, salsichas, patés e conservas que contenham bovino. Pelo
conhecimentos científicos actuais, o leite e derivados são considerados
alimentos seguros. Cuidados idênticos devem ser seguidos no consumo
das carnes de ovelha e de cabra.

95
Capítulo 6: Promover a saúde e a segurança

Doenças

Prevenção de doenças
Toda a gente tem um sistema de imunidade interna feito por anticorpos
e glóbulos brancos. A sua criança pode ajudar este sistema de
imunidade a funcionar bem, dormindo suficientemente, comendo
refeições nutritivas, e fazendo exercícios.

As vacinas também previnem doenças e têm um papel importante para


assegurar um crescimento saudável. A ideia das injecções pode ser
assustadora para uma criança. É importante ajudar a sua criança a
perceber que a vacinação é um meio de prevenir doenças. É muito mais
interessante brincar com os amigos do que estar doente.

As crianças devem ser vacinadas nas idades apropriadas. Segue-se um


quadro com o plano de vacinação actual:

96
Capítulo 6: Promover a saúde e a segurança

Idade 0 2 4 6 15 18 5-6 10-13 Toda


nasci- meses meses meses meses meses anos anos a
Vacina mento vida
BCG BCG
VHB VHB I VHB II VHB III VHB*
(HBV) I,II,III
VAP VAP I VAP II VAP III VAP IV
(OPV)
Hib Hib I Hib II Hib III Hib IV
DTP DTP I DTP II DTP III DTP DTP V
IV
Td Td
T 10/10
anos
VASPR VASPR VASPR VASPR
(MMR) I II ** II ***

Tabela 12: Plano de Vacinação

BGC: Tuberculose
VHB (HBV): Hepatite B
VAP (OPV): Poliomielite (oral, viva)
Hib: Haemophilus influenzae tipo b
DTP: Difteria, tétano, pertussis
Td: Tétano, difteria (dose reduzida)
T: Tétano
VASPR (MMR): sarampo, parodite epidémica, rubeóla

*VHB: aplicável apenas a nascidos <1999, segundo o esquema 0, 2 e 6


meses
**VASPR II: aplicável, aos 5-6 anos, a nascidos >1993
*** VASPR II: aplicável, aos 10-13 anos, a nascidos ≤1993

No caso do seu filho adoecer

Alimentos que curam

No frigorífico ou na despensa, guardam-se muitos dos remédios


necessários para curar ou prevenir as doenças infantis do Inverno.

97
Capítulo 6: Promover a saúde e a segurança

Trata-se de alimentos triviais, os quais, usados correctamente, se


convertem em medicamentos eficazes. Descubra quais são, como se
usam e que aplicações têm.

• Alho contra as infecções: o alho é um alimento potente, que actua


como um antibiótico, ajudando a prevenir e curar as infecções.

• Damascos para a pele: o damasco é uma fruta que beneficia a


pele das crianças, porque apresenta uma grande quantidade de
provitamina A. Para além disso evita pruridos, eczemas e ardores, e
é eficaz na prevenção de constipações.

• Arroz para a comichão: o arroz é rico em amido e de fácil


digestão, mas o arroz branco perdeu, praticamente, todas as suas
vitaminas e minerais, sendo apenas uma boa fonte de hidratos de
carbono. Quando a criança tem comichão ou algum tipo de eczema
na pele, faz bem lavar a zona afectada com água da cozedura do
arroz.

• Courgette - excelente laxante: não tem muitas vitaminas nem


minerais, mas funciona como um laxante suave.

• Cebola contra as constipações: é o alimento mais utilizado para


tratar constipações e inflamações da garganta, bem como para
facilitar a expectoração pulmonar. A cebola não deveria faltar na
dieta de Inverno das crianças. A melhor forma de as fazer comer
este alimento-milagroso é num creme de cebola. O sumo de cebola
crua, diluído num pouco de água ou sumo de laranja (que neutraliza
o seu sabor), é muito eficaz para ajudar a expectorar, quando as
crianças têm os brônquios carregados. Para evitar a tosse nocturna,
coloque uma cebola cortada ao meio, próximo da cama da criança.

• Couve anti-inflamatória: as folhas da couve verde deveriam entrar


sempre na composição das sopas infantis. A couve tem propriedades
anti-cancerígenas e uma boa quantidade de sais minerais (cálcio,
magnésio, ferro e fósforo), que ficam na água da cozedura, e de
vitaminas A, grupo B e C, que apenas se aproveitam quando se
come a couve crua.

• Limão contra as otites: é de todas as frutas, a que tem mais


propriedades curativas: o limão é desinfectante, ajuda a eliminar
toxinas e a tratar infecções. Nunca se deve dar às crianças sumo de
limão puro, mas sim diluído em água de cozer legumes, para evitar o
seu efeito desmineralizante. No caso de constipações, catarros e dor
de garganta, dê a beber à criança, três vezes ao dia, um copo de
caldo vegetal, com o sumo de meio limão e uma colherzinha de mel.
Em caso de picada de mosquito ou de outro insecto, aplique uma
rodela de limão na zona afectada.

98
Capítulo 6: Promover a saúde e a segurança

• Tangerinas e laranjas - prevenir a gripe: ricas em vitamina C,


são ideais para prevenir constipações, gripes e todo o tipo de
infecções.

• Maçãs contra a obstipação: têm uma fibra suave, chamada


pectina, que ajuda a evitar a obstipação, bem como muitas
vitaminas antioxidantes.

• Mel para combater o frio: é o melhor adoçante para as crianças e


pode usar-se como substituto do açúcar, já que, além de adoçar,
fornece muitas vitaminas e minerais. Contém substâncias anti-
bacterianas e é muito eficaz para aliviar os sintomas das doenças do
frio. Uma colherzinha de mel, dissolvida num copo de água quente,
com sumo de limão, alivia a dor de garganta e a tosse. A tradição
popular diz que tomar uma colherzinha de mel, dissolvendo-a
lentamente na boca, mantêm afastados os problemas de garganta.
As crianças costumam gostar.

• Alho francês contra a afonia: para combater a afonia, dê a beber


à criança água da cozedura dos alhos-franceses.

• Rabanetes para a bronquite: é difícil convencer uma criança a


comer rabanetes crus, na salada. Por isso, em caso de bronquite,
será mais fácil fazê-las tomar um sumo de rabanetes, diluído em
água, com um pouco de mel. É um alimento que ajuda a diluir a
mucosidade.

• Iogurte: fortalece as defesas: muito mais digestivo do que o


leite, o iogurte tem quase as mesmas qualidades nutritivas, além de
ser excelente para a flora intestinal da criança. Contribui,
igualmente, para estimular as defesas imunitárias e neutralizar os
efeitos negativos dos antibióticos.

• Cenouras contra a diarreia: cozidas ou cruas, as cenouras devem


estar sempre presentes na alimentação das crianças, devido à sua
vitamina A, excelente para a vista e para a pele. As cenouras
também são recomendadas nas dietas contra a diarreia.

Febre e convulsões

A febre não é, em si mesma, uma doença, que tenha de ser eliminada


com urgência, mas apenas um sintoma de muita importância no
diagnóstico clínico. No entanto, se for demasiado alta, pode causar
graves perturbações e até desencadear autênticas crises convulsivas.

O mecanismo de regulação da temperatura corporal é muito delicado.


Por exemplo, a temperatura de um ser humano não é a mesma ao longo

99
Capítulo 6: Promover a saúde e a segurança

de todo o dia. Isto deve ser levado em conta, quando se pretende


controlar a febre. Por conseguinte, há que verificar a temperatura a uma
certa distância das refeições e depois do organismo ter estado em
repouso, o tempo suficiente para equilibrar os eventuais aumentos de
temperatura devidos ao trabalho muscular.

Nestas condições, a temperatura cutânea - axilar ou inguinal - fisiológico


deverá estar compreendida entre 36,5 e 37,2º C e a rectal entre 37,2 e
37,8º C.

A febre por infecção: há muito tempo que se supõe que a febre possa
ser um mecanismo de defesa do organismo contra as infecções. Essa
hipótese foi confirmada, nos últimos anos. Em termos gerais, foi
demonstrado que as infecções induzidas, experimentalmente, em
animais são mais frequentemente mortais se a resposta febril for
impedida. Se as coisas são assim, não se entende porque se combate a
febre, com tanta insistência. É provável que o hábito de combater a
febre, a todo o custo, se tenha estabelecido quando se considerava que
esta era prejudicial em si mesma. De qualquer modo, também não se
deve adoptar a atitude oposta e correr o risco da temperatura subir em
flecha e provocar convulsões. Em geral, os pediatras recomendam a
administração de um antipirético, para controlar o mal-estar.

Medidas a tomar em caso de febre


Temperatura entre 37,2º C e 38,2º C:

• Certificar-se de que a temperatura ambiente não está demasiado


elevada (desligar o radiador, abrir um pouco a janela), que a criança
não está excessivamente agasalhada e que não está demasiado
tapada na cama;

• Assegurar-se de que a criança não tem sede. Dar-lhe a beber água


ou sumos de frutas.

Temperatura acima dos 38,2º C:

• Tomar as medidas indicadas em cima;

• Se a febre for e ficar superior a 38,2º C, chamar o médico com


urgência. Entretanto, molhar a criança com uma esponja embebida
em água morna (a 36º C); ou encher o fundo da banheira com água
morna e molhar o tronco e as extremidades da criança,
prosseguindo, quer num caso quer noutro, até que a temperatura
tenha caído abaixo dos 38º C. Geralmente, são necessários 30 a 60
minutos.

100
Capítulo 6: Promover a saúde e a segurança

O bem-estar físico

A condição física
A condição física é uma parte vital da vida que se quer saudável. A
aquisição de uma boa condição física pode e deve ser feita através de
jogos quando se trata de crianças. Através de jogos e brincadeiras
podem ser atingidos todos os objectivos necessários ao bem-estar físico.

Jogos que levam as crianças a correr ou saltar, andar de bicicleta, saltar


à corda, andar de patins em linha, dança, nadar, etc... fortalecem o
coração e os músculos, melhoram a resistência e a coordenação motora,
melhoram a condição física do corpo todo, e ajudam também a prevenir
doenças. O acto de brincar, nas suas diversas formas, representa a
principal actividade desportiva na vida da criança e servirá para que esta
desenvolva as suas capacidades afectivas, sociais, motoras, expressivas
e intelectuais.

É preciso, no entanto, ter em atenção a noção de boa condição física


pois esta não quer dizer ter grandes músculos, sobretudo quando se
trata de uma criança. A condição física está associada a capacidades
como a resistência, a força, a velocidade e a flexibilidade (capacidades
condicionais). Estas dependem das capacidades de coordenação (ritmo,
equilíbrio, reacção, etc..) para poderem ser utilizadas de forma optimal
(ex.: uma criança com muita força nas pernas, se não conseguir
coordenar bem o movimento entre as pernas e os braços num salto, não
vai conseguir chegar tão alto ou longe quanto a sua força muscular o
poderia permitir).

Para além do que foi atrás referido as capacidades são mais facilmente
desenvolvidas em certos períodos da vida, e a não utilização dos
momentos mais propícios para o desenvolvimento de determinadas
capacidades pode ter consequências irreversíveis. Sabendo-se que os
períodos ditos sensíveis se encontram dispersos entre os 6 e os 15 anos,
a falta de actividade física neste período terá consequências dificilmente
recuperáveis numa fase posterior da vida da criança.

A existência de uma tão grande diversidade de factores que levam a um


bom desenvolvimento motor e físico mostra-nos a importância que pode
ter uma actividade física bem direccionada nestas idades.

101
Capítulo 6: Promover a saúde e a segurança

No entanto, o grande problema dos nossos dias não é o facto das


crianças terem uma actividade física orientada ou não. O aparecimento
da televisão, computadores e o desaparecimento de espaços em que as
crianças possam realizar jogos que impliquem movimento, tem levado a
uma diminuição progressiva da actividade física nas mesmas. Para além
disto, a actividade física é muitas vezes recriminada em vez de
incentivada pelos pais. Não se deve recriminar a criança porque esteve a
brincar ou a jogar a qualquer coisa e chegou suada a casa, ou porque
está sempre a saltar e correr. Deve-se sim habituá-la a tomar banho
regularmente para se manter limpa, e proporcionar-lhe condições para
que ela possa saltar, correr, quando quiser, tendo sempre atenção às
condições de segurança.

Esta "sedentarização" crescente encontrada nas crianças é provocada


essencialmente pela falta de condições que lhes são dadas para o
movimento. Não é por acaso que as crianças de meios rurais
apresentam geralmente melhor condição física que as de zonas urbanas.

É, por isso, essencial estimular e apoiar os jogos que implicam


movimento. Dar um bom exemplo também ajudará. Quando se vive
num apartamento é importante tentar encontrar soluções para que a
criança não tenha que passar o dia todo em casa. Os pais devem
procurar uma escola que tenha aulas de Educação Física (nem todas as
escolas primárias têm).

No que diz respeito à prática de alguma modalidade desportiva


específica deixamos as seguintes recomendações:

• o objectivo da prática desportiva para crianças é o desenvolvimento


harmonioso da criança a todos os níveis (social, pessoal, afectivo,
intelectual e motor) e não o de vir a ser um grande atleta. Por isso
não passe esse "fardo" para a criança.

• deixar ficar claro que a modalidade que escolher não tem que ser
uma escolha definitiva (é importante não censurar se, depois de ter
praticado durante um ano voleibol, quiser praticar futebol ou
basquetebol).

Dormir o tempo suficiente


Dormir durante o tempo suficiente é outro factor essencial para
assegurar o bem-estar físico da criança. Infelizmente, a hora de ir para
a cama é um momento de stress para muitas famílias.
Alguns conselhos para tornar essa situação mais fácil:

102
Capítulo 6: Promover a saúde e a segurança

• Estabelecer algumas rotinas para este momento. Os momentos que


o precedem devem ser sempre de acalmia e relaxamento de modo a
preparar a criança para dormir. Assim, as crianças, em particular
aquelas com dificuldades em adormecer, deviam ter um ritmo, isto
é, ir para cama todos os dias à mesma hora, assim como acordar na
mesma hora de manhã (isto ajuda os seus corpos a perceber quando
está na hora de estar acordado e quando está na hora para dormir).

• Evitar actividades estimulantes depois do jantar, sobretudo se a


criança tem problemas fazer a transição (isso inclui computador,
televisão, vídeo e jogos de vídeo). Aplicar esta regra a todos os
membros da família, e não só à criança com dificuldades.

• Utilizar a cama só para dormir e para contar uma história:


crianças com dificuldades em adormecer têm de ver a cama como
um lugar apenas destinado para dormir e não para brincar (ou
saltar).

• Alguns pais acham que deixar as crianças ler na cama ajuda.


Não se pode obrigar uma criança a estar cansada, mas pode
reforçar-se o tempo na cama como tempo para estar sossegado.

• Transmitir à criança a confiança de que vai conseguir dormir. É


importante reagir ao choro da criança uma vez, para verificar se está
tudo bem, e depois mostrar-lhe confiança que vai ficar bem e que
vai vê-la de manhã.

• NÃO deixar a criança dormir na cama dos pais. Depois de fazer


isso uma vez vai ser muito mais difícil conseguir fazê-la dormir na
sua cama. Se a criança não estiver doente, os pais não deverão
deitar-se na cama dela (é outro hábito difícil de deixar).

A visão
Uma das principais preocupações de quase todos os pais com crianças
em idade escolar é que os filhos e filhas tenham insucesso escolar. E, no
entanto, o problema reside, por vezes, em algo tão simples de
solucionar como a falta de acuidade visual.

As más notas dos mais pequenos costumam provocar autênticos


quebra-cabeças na tentativa de analisar as suas possíveis causas. A
falta de atenção nas aulas, a incapacidade para recordar o que foi lido, a
pouca vontade de estudar, ... costumam ser sintomas inequívocos de
que algo se passa com a criança. Contudo, em cerca 75% dos casos, o
problema reside, unicamente, na existência das chamadas perturbações
da visão. Com efeito, três em cada quatro alunos com dificuldades

103
Capítulo 6: Promover a saúde e a segurança

de aprendizagem na escola apresentam alguma alteração da


acuidade visual.

A maioria destes problemas visuais tem solução, por vezes, sem


necessidade de recorrer ao uso de óculos. Convém, isso sim, que
pais e professores se mantenham atentos perante a manifestação de
determinados sintomas, que podem alertar precocemente para a
presença de perturbações da visão.

104
Capítulo 6: Promover a saúde e a segurança

"Check-up" para pais e educadores

Se a criança apresenta alguns destes sintomas, é possível que tenha


problemas relacionadas com a visão. É, pois, recomendado um estudo
da sua função visual, tanto no plano longínquo, como próximo. Não
esquecer que é no plano próximo que o estudante realiza um maior
esforço, durante um maior número de horas por dia.

• Desvia um olho • Acrescenta palavras ao ler

• Inverte as letras ou sílabas • Salta de linha ao ler

• Esfrega os olhos • Torce a cabeça ao ler

• Queixa-se de fadiga visual • Tem dores de cabeça

• Vê mal ao longe • Perde-se entre as linhas

• Compreende mal • Mistura sílabas ao ler

• Pestaneja frequentemente • Revela baixa compreensão da


leitura
• Movimenta a cabeça ao ler
• Queixa-se de visão nublada
• Vê a dobrar
• Adopta posturas forçadas
• Incomoda-se com o Sol
• Sente picadas, ardor, lacrimejar
• Escreve com letra irregular e
inconstante • Pinta fora dos contornos

• Distrai-se facilmente • Fecha um olho quando lê

• É inteligente, mas distraída

• Revela falta de atenção nas


tarefas visuais

• Aproxima-se da televisão

• Dobra-se ao escrever

• Aproxima-se demasiado do livro

• Omite palavras

105
Capítulo 6: Promover a saúde e a segurança

Esta lista não inclui o exame por parte de um óptico-


optometrista ou oftalmologista.

Controlos recomendados

É importante que, em cada idade, se realizem vários controlos


oftalmológicos, para comprovar que a visão evolui correctamente.

• 0 aos 5 anos: o desenvolvimento da criança depende do


desenvolvimento da sua visão. A visão experimentará mudanças
durante toda a vida e, por esta razão, é importante começar logo
nos primeiros meses, repetindo esse controlo anualmente.

• 5 aos 6 anos: nestas idades, é muito importante um exame em


profundidade que avalie, além da acuidade visual, se a visão da
criança está preparada para enfrentar a escolaridade com êxito -
mais de 80% daquilo que a criança aprende chega-lhe pelos olhos.

• A partir dos 6 anos: durante toda a escolaridade obrigatória e,


principalmente, até o final da fase universitária, a visão suporta um
constante e intenso esforço. Convém efectuar controlos preventivos
completos, no início e no fim de cada ano.

106
Capítulo 6: Promover a saúde e a segurança

Higiene

Em geral
Reduzir o risco de doenças é um objectivo importante para ajudar a
criança a crescer de uma forma saudável. Bactérias e viroses causam
doenças, e bons hábitos de higiene podem ajudar a prevenir a
difusão destes germes. Partilhar objectos como a escova de dentes ou
um copo, mesmo entre membros da família pode também transmitir
doenças. Habituar as crianças a vestir roupa limpa, e tomar banhos
diariamente ajuda-as a manterem-se limpas e a sentirem-se melhor.

É importante ensinar as crianças a lavar as mãos. Os pais devem


explicar às crianças que a pele é uma defesa para a entrada de germes
no corpo, e que o facto de a lavar reduz o risco de infecção, se tiver um
corte ou uma ferida. Devem igualmente explicar que os germes e
viroses podem ser transmitidos através de tosse ou espirros e ensiná-las
a cobrir a boca quando tossem ou espirram.

Banho e higiene: o que é importante?

• Lavar os dentes 2 vezes por dia, e no mínimo antes de se deitar.

• Tomar banho ou duche todos os dias.

• Vestir roupa limpa.

• Limpar/lavar o cabelo regularmente.

• Lavar as mãos antes de comer.

• Lavar as mãos depois de ir à casa de banho.

• Não partilhar o pente, a escova de dentes, a escova para os cabelos,


o copo, etc.

• Limpar as orelhas. É importante não limpar as orelhas com


cotonetes. Corre-se o risco de ferir e empurrar a cera mais para o
interior. Com uma compressa de gaze enrolada, ou a ponta da
toalha, limpar simplesmente o exterior do canal auditivo.

107
Capítulo 6: Promover a saúde e a segurança

• Quando uma menina já tem ou poderá ter em breve a menstruação


(a partir dos 9-10 anos já pode aparecer), ensiná-la a ser higiénica
durante o período menstrual. Como e quando utilizar os pensos e os
tampões, tomar banho todos os dias... Enfim, partilhar a experiência
e sabedoria.

Higiene oral
Mais do que um problema estético, ter uma dentição bonita é uma
questão de saúde. Para além de dever incutir às crianças hábitos
de higiene oral, os pais não podem esquecer as visitas ao
dentista, para se certificarem de que o desenvolvimento da boca dos
seus filhos evolui correctamente.

Quando ir ao dentista?

Em linhas gerais, deve recomendar-se aos pais que, mesmo que não se
notem problemas ou malformações na dentição da criança, a levem ao
dentista, pela primeira vez, por volta de 6 anos de idade. É nesta
altura que aparece o primeiro molar definitivo. Estes molares têm de
evoluir e encaixar entre si de uma determinada maneira. Se o primeiro
começar mal, os restantes dentes não encaixarão correctamente. Uma
segunda razão para iniciar as visitas aos 6 anos resulta do facto da
criança já ser suficientemente crescida para se sentar na cadeira do
médico e permitir, com mais ou menos paciência, que este manipule a
sua boca. Ainda se poderia apontar uma terceira razão: a criança deve
habituar-se, desde a infância, a visitar regularmente o dentista.

Diversos tipos de problemas

Podem classificar-se os problemas que requerem tratamento ortodôntico


em duas categorias, conforme sejam ósseos ou na dentição (os
primeiros, obviamente, têm uma solução mais complexa). Quando a
anomalia é óssea, o paciente deve ser tratado numa idade precoce,
entre os 6 e os 8 anos, altura em que ainda é possível aumentar e
corrigir a estrutura dos ossos. Quando se ultrapassa esta etapa, resta
tratar os dentes directamente. Se a criança já tem a dentição completa -
dos 11 aos 13 anos - e não há espaço suficiente para que os dentes se
coloquem correctamente, pode extrair-se um dente, sem que isso
comporte qualquer problema.

Os pais costumam levar os filhos pequenos ao dentista por questões


estéticas, embora exista, habitualmente, um problema de

108
Capítulo 6: Promover a saúde e a segurança

funcionalidade. Pode afirmar-se que, graças a este sentimento de


preservação estética, corrigem-se muitos problemas de saúde oral. É
importante saber que qualquer 'má-oclusão' dos dentes - isto é, quando
eles não encaixam bem - pode ter graves consequências, dado que, com
o passar do tempo, pode degenerar e ocasionar patologias, quase
sempre, de solução difícil.

A ortodontia evoluiu muitíssimo, nos últimos anos. Actualmente,


os materiais são muito suaves, o que permite uma técnica menos
agressiva. Também melhorou ao nível dos materiais que permitem
uma reconstrução dos dentes, com uma cor muito parecida com os de
origem.

109
Capítulo 6: Promover a saúde e a segurança

Prevenção e riscos

Educação sexual
A educação sexual pode começar desde que a criança é muito pequena.
Primeiro uma alusão ligeira, depois as respostas sinceras e simples às
perguntas das crianças, e mais tarde as conversas mais sérias quando a
criança começa a entrar na puberdade (por volta dos 9, 10, 11 anos). É
importante não omitir nem evitar as questões ligadas ao corpo e à
sexualidade da mesma, para que as crianças as entendam como algo de
natural.

De onde vêm os bebés?

Todas as crianças têm as suas próprias ideias acerca do funcionamento


do corpo. Por exemplo: se a mãe tem o bébé na barriga, é porque
comeu muito e por isso vai ter que abrir a barriga...

Se a criança é muito pequena, não é preciso dar-lhe informação em


excesso nem uma aula de anatomia. Pode-se recorrer a exemplos da
natureza. O importante é que lhe seja transmitido que é sempre preciso
um pai e uma mãe, para que um filho nasça e que este é fruto do amor
dos seus pais.

Contar mentiras como “A história da cegonha” só confunde a criança.


Actualmente existem livros para crianças que abordam a concepção e a
sexualidade de uma forma simples e adequada. Os pais podem comprar
esses livros e lê-los com as crianças. É importante que os pais leiam o
livro sozinhos antes de o lerem com os seus filhos para se poderem
preparar para as questões que poderão surgir durante a leitura.

Para os jovens

Quando as crianças fazem a transição para a pré-adolescência, há


mudanças corporais importantes, como já foi descrito anteriormente. O
desenvolvimento do aparelho sexual ou reprodutor desperta curiosidade
e leva naturalmente o adolescente a querer experimentar a sua
sexualidade. Se o adolescente não é bem informado, pode incorrer

110
Capítulo 6: Promover a saúde e a segurança

em situações perigosas, que podem vir a influenciar o resto da


sua vida.

Embora os pais possam ser os melhores informadores nesta área, nem


sempre é fácil falar sobre esse assunto. O facto dos pais não estarem a
vontade para falar sobre este assunto, ou de não se sentirem bem
informados, pode inibir este processo importante. Os pais que se
encontram nesta situação devem procurar esclarecer as suas dúvidas
junto de profissionais que trabalhem com jovens (médicos, psicólogos,
professores ou outros da sua confiança) e/ou livros que abordam os
temas em causa, para que o esclarecimento de dúvidas ou perguntas
feitas pelos filhos aos pais possa ser feito naturalmente. Nesta fase da
vida da criança, é importante não omitir nem evitar as questões ligadas
ao corpo e à sexualidade, para que ela as entenda como algo de natural
e saiba tomar as decisões correctas mais tarde.

O início da puberdade ocorre normalmente entre os 9-12 anos, devendo


os pais estar atentos de forma a poderem esclarecer os filhos sobre esta
nova fase da vida. É importante, nesta fase, que as crianças, ou melhor
dizendo jovens, tenham, por um lado, uma noção prática do que se está
a passar com o seu corpo e, por outro, um apoio afectivo que os ajude a
viver as grandes mudanças que se estão a dar na sua vida.

É importante não fazer com que a visão dos seus filhos acerca do sexo
seja sinónimo de medos, angústias, perigos, doenças,... É preciso
alertar para os perigos, as doenças, as gravidezes precoces... mas há
que transmitir que é algo bonito, que envolve sentimentos, emoções,
amor e responsabilidade.

Para prestar esclarecimentos acerca deste tipo de problema e outros


relacionados com os jovens, existem também os chamados Centros de
Atendimento ao Jovem. Os Centros de Atendimento ao Jovem,
funcionam junto com os Centros de Saúde e dispõem de pessoal
especializado que inclui psicólogos e profissionais de saúde
proporcionando uma intervenção individualizada e por isso ajustada a
cada um.

Drogas
A educação assume uma grande importância na luta contra o uso de
drogas por parte dos jovens. As crianças deviam aprender desde
pequenas os factos sobre as drogas e sobre os seus malefícios.
Entretanto, é importante que elas aprendam os benefícios de uma vida
saudável.

111
Capítulo 6: Promover a saúde e a segurança

O tabaco, o álcool e as “drogas” (marijuana, heroína, cocaína, etc.)


constituem todos formas de drogas e vale a pena prevenir o uso de
todos.

Professores e pais têm uma grande responsabilidade no fornecimento de


informações aos jovens e no desenvolvimento de competências para a
tomada de decisões responsáveis, de modo a poder resistir à tentação
do uso de drogas. No entanto, acontece que os pais se sentem
inseguros nesta área. Acham que não têm conhecimento suficiente ou
falta-lhes confiança para falar sobre esses assuntos com os seus filhos.

Os pais têm um papel essencial no fornecimento de uma educação eficaz


em relação às drogas, em particular para crianças mais novas.

O aumento do consumo de drogas dos nossos dias tem levado a uma


crescente preocupação por parte dos pais. Idealmente, todos nós
queremos encorajar os nossos filhos a ficar livres das drogas. Porém,
muitos pais têm medo que sejam oferecidas drogas ao/à filho/a, ou que
eles comecem a consumir drogas regularmente. Às vezes, o receio do
desconhecido conduz os pais a reagirem para além do normal, em
situações de uso de drogas por parte dos/as filhos/as.

Jornais e revistas abordam normalmente os cenários mais trágicos:


adolescentes que morrem devido ao consumo de Ecstasy, ou crianças de
7 anos viciadas em heroína, etc... É difícil ignorar essas histórias e os
pais tornam-se cada vez mais preocupados acerca da segurança dos
filhos. Contudo, é importante lembrar que o uso de drogas ilegais ocorre
apenas numa pequena percentagem da juventude. E que muitas vezes é
no contexto dos grupos juvenis que surgem as primeiras experiências de
consumo de drogas. É importante conseguir relativizar e distinguir essas
experiências de consumos regulares que transformam os indivíduos em
toxicodependentes.

Os pais podem (e devem) ajudar de várias maneiras. Existem algumas


recomendações gerais, que não devem, no entanto, ser utilizadas como
um guia definitivo. Cada pai/mãe conhece os/as filhos/as como
ninguém, e esse conhecimento deve ser a base para ajudá-los/as.

Factos e mitos

Mito 1: Fala-se sobre a droga na escola, portanto eu não preciso de


falar mais no assunto.

Facto 1: A educação relativa às drogas tem mais efeito se for reforçada


por parte dos pais. Conversar sobre drogas desde pequenos pode
encorajar os jovens a falar com os pais sobre algum problema que
tenham tido (ou que têm) nesta área.

112
Capítulo 6: Promover a saúde e a segurança

Mito 2: Os meus filhos não tomarão drogas porque são felizes.

Facto 2: Usar drogas é uma decisão que pode ser tomada por jovens
felizes e infelizes. Usar drogas não está necessariamente associado a ser
infeliz.

Mito 3: Se eu contar histórias assustadoras, o meu filho não vai tomar


drogas.

Facto 3: Essa táctica é pouco eficaz, em particular se o jovem já


consome, ou conhece pessoas que consomem drogas. Estas histórias
serão contraditórias com a realidade deles. É possível que eles parem de
acreditar nos pais.

O que são drogas?

Uma droga é uma substância que muda a maneira de funcionar do corpo


e da mente. Isto envolve drogas legais, ilegais, medicação e solventes.
Alguns exemplos dessas categorias:

Legal: Álcool, tabaco, cafeína.

Ilegal: Heroína, cannabis, cocaína, LSD, anfetaminas.

Medicação: Paracetamol, tranquilizadores, Prozac.

Outros: Solventes, colas, cogumelos alucinogénicos.

O que é que se pode fazer?

• Procurar momentos adequados para ensinar. Um bom momento


para falar sobre as drogas pode ser quando a criança ou jovem tiver
uma aula sobre esse assunto na escola, ou depois de ter visto um
programa na televisão.

• Ser honesto. As crianças ou jovens merecem (toda a gente o


merece, não é verdade????!!!) respostas honestas e explicações
compreensíveis. Os pais devem ser honestos, ajudar os filhos a
confiar neles e a serem eles mesmos dignos de confiança. Se há
confiança, terão menos dificuldade em pedir ajuda quando têm
problemas.

• Ouvir, ouvir, ouvir. Ouvindo a criança ou jovem vai aprender muito


sobre os seus pensamentos, sobre ele mesmo, e também sobre as
drogas e outros riscos. As crianças sentem-se bem quando alguém
as ouve (lhes presta atenção). É interessante utilizar perguntas com

113
Capítulo 6: Promover a saúde e a segurança

um fim aberto, por exemplo: 'como é que te sentes?', em vez de


perguntas fechadas, por exemplo: ' Sentes-te bem?'... Assim as
crianças têm oportunidade de falar mais.

• Começar cedo. Nunca é cedo demais para começar falar sobre o


uso de drogas com os filhos. Aproveitar quando eles estão curiosos e
começam a pôr questões. No fim da escola primária, as crianças
começam a ver os seus amigos a fumar, beber ou experimentar
drogas.

• Continuar a falar. Não deixar de abordar o assunto quando os


filhos estão na escola secundária. Todos os dias, eles têm de 're-
decidir' sobre o uso de drogas. São confrontados com isso muito
regularmente. Torna-se assim muito importante o apoio regular,
quando se tratam de adolescentes.

• Resistir à tentação de ameaçar. Isso não funciona. Conversas


calmas é a melhor maneira de falar. Ser aberto e honesto sobre o
seu ponto de vista, mas reconhecer e aceitar que a opinião dos filhos
pode ser diferente. O jovem não vai necessariamente concordar com
tudo o que os pais dizem, portanto, é importante estar preparado
para discutir sobre as coisas.

• Ser claro acerca dos valores da família. Deixar a criança ou


jovem praticar e seguir as regras da família. Ser muito claro sobre os
valores e as regras que os acompanham. Quando os filhos conhecem
os valores, as regras e as consequências de as ignorar, passarão a
ter mais atenção quando fala sobre as regras relativas ao consumo
de tabaco, álcool ou drogas. Por exemplo, as festas são, em si,
actividades positivas, mas devem ter por base algumas regras. Estas
regras têm de ser conhecidas antes da festa começar, e toda gente
tem de as conhecer. Por exemplo, um adulto responsável tem que
estar presente, o álcool não é permitido...

• Dizer a verdade. Muitos pais têm medo de perguntas acerca de


experiências pessoais de uso de drogas. Se os filhos perguntam, é
importante dizer a verdade. Se os pais consumiram, não é preciso
entrar em pormenores, mas falar de maneira honesta sobre algumas
das suas experiências, mostrando aos filhos que está a ser honesto,
não hipócrita. Discutir sobre o arrependimento acerca do eventual
consumo de drogas, é um facilitador para que os filhos se dirijam
aos pais quando têm problemas.

• Encorajar actividades saudáveis. Crianças que têm actividades


extracurriculares e/ou praticam desporto, têm amizades e interesses
que as afastam do consumo de tabaco, álcool e drogas. Alguns
jovens dizem que tomam drogas para relaxarem, e sentirem-se bem.
Crianças que aprendem a divertir-se, e a lidar com o stress de uma

114
Capítulo 6: Promover a saúde e a segurança

maneira saudável, têm menos probabilidade de usar substâncias


artificiais para relaxar.

• Ajudar a aumentar a confiança. Elogiar as tarefas bem


concluídas. Se as crianças ou jovens falham, criticar a acção, não a
criança.

• Encorajar o pensamento independente. É o jovem que vai tomar


a decisão de fumar, beber álcool ou consumir drogas. Uma das
razões que leva as crianças ou jovens a querer experimentar drogas,
é a vontade de ser aceite pelos amigos. É importante habituar os/as
filhos/as a tomarem decisões sozinhos. Ensiná-los que é bom
pensarem por si, e saberem actuar com base nas suas próprias
convicções.

• Dar um bom exemplo. É importante lembrar que as crianças fazem


o que os pais fazem. Se os filhos vêem os pais a fumar, beber ou
consumir drogas, vai ser bastante mais difícil protegê-los contra
esses consumos.

Sinais de perigo

• Uma queda súbita nos resultados na escola.

• Isolamento, depressão ou cansaço.

• Comportamento agressivo e rebelde.

• Faltar às aulas.

• Hostilidade e falta de cooperação.

• Deterioração das relações com a família.

• Mudança de amigos.

• Perda de interesse pelos passatempos ou desporto.

• Mudança dos hábitos de dormir e comer.

• Encontrar indícios de consumo de drogas (utensílios, substâncias,


etc.).

• Mudanças físicas como: olhos vermelhos, nariz corrente, frequência


de dores de garganta, perda rápida de peso, pisaduras por causa de
quedas, entre outros sintomas.

115
Capítulo 6: Promover a saúde e a segurança

O que fazer quando se suspeita que um/a filho/a consome


drogas?

Não há uma resposta simples neste caso. O mais importante é não


ignorar os sinais. Muitas vezes, os pais não conseguem enfrentar a
verdade quando suspeitam do consumo de drogas por parte do/a
filho/a. Muitos pais que "perderam um filho para a droga", estão
arrependidos de não ter intervindo mais cedo, antes do consumo ter
tomado proporções difíceis de controlar ou mesmo provocado a morte
do/a filho/a.

É também muito importante falar com o filho. Se isso é difícil, entrar


em contacto com o médico, professor, a escola, o hospital, o Centro de
Atendimento a Toxicodependentes (CAT) da zona de residência, etc. A
intervenção de um profissional pode ajudar a determinar o caminho que
se deve seguir a partir daí.

O momento da 'descoberta' não é necessariamente um momento para


castigo. É, também, um momento propício ao diálogo e ao entendimento
entre pais e filhos. Os pais estão numa posição privilegiada para ajudar
os filhos.

116
Participaram neste trabalho os formadores abaixo referidos que cederam
os respectivos direitos de propriedade e autoria:

Ana Susana Almeida

Cecília Aguiar

Leen Poppe