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Centro Universitário da FEI Manual de Laboratório de Física I versão: 01/08/2006 NOS TERMOS DA LEI,

Centro Universitário da FEI

Manual de Laboratório de Física I

Centro Universitário da FEI Manual de Laboratório de Física I versão: 01/08/2006 NOS TERMOS DA LEI,

versão: 01/08/2006

NOS TERMOS DA LEI, FICA TERMINANTEMENTE VEDADA A REPRODUÇÃO DESTE TEXTO, PARA COMERCIALIZAÇÃO, SEM AUTORIZAÇÃO EXPRESSA DOS AUTORES.

Apresentação

Este manual contém uma série de materiais didáticos utilizados na disciplina de Física I do Centro Universitário da FEI. Ele foi elaborado através das sugestões e esforços de diversos professores do Departamento de Física, e colocado à disposição dos alunos, sem nenhum custo para os mesmos. Gostaríamos de agradecer a todos aqueles que direta ou indiretamente colaboraram para que este material pudesse ser colocado à disposição dos alunos.

Na capa encontra-se a data da última versão, e na medida do possível estaremos realizando revisões periódicas para tornar o material livre de erros (ou pelo menos para minimizá-los) e sempre atualizado. Assim, recomenda-se ao aluno que tenha sempre a versão mais recente deste Manual.

Embora tenhamos procurado discutir os principais aspectos enfocados pelo laboratório da disciplina de Física I, este manual não deve ser visto pelo aluno como fonte única de consulta. Ele deve ser encarado como um guia que permite apresentar alguns pontos essenciais dos assuntos tratados nas aulas de laboratório. Deste modo, acreditamos que seja fundamental que todos os alunos procurem sempre complementar os assuntos tratados aqui com a pesquisa e leitura das referências apresentadas ao final deste manual, ou com a leitura de outros livros da área de física básica para um curso superior. Gostaríamos de insistir que este manual é apenas um guia, e como tal não contém todos os aspectos dos assuntos propostos para desenvolvimento pela disciplina de Física I, particularmente no que se refere às breves revisões teóricas que são colocadas no início do roteiro de cada experimento.

Quaisquer dúvidas, sugestões e/ou erros encontrados neste manual, pedimos para que entrem em contato pessoalmente ou via e-mail com qualquer um dos autores indicados abaixo.

Prof. Augusto Martins dos Santos (Coordenador de Física I) – augsant@fei.edu.br Prof. Issao Yamamoto – issaoyam@fei.edu.br Prof. Dr. Vagner Bernal Barbeta – vbarbeta@fei.edu.br Prof. José Maria Bechara – jbechara@fei.edu.br

Índice

I. Normas de funcionamento do Laboratório ......................................

......................

03

II. Instruções para elaboração dos relatórios de Física I

04

Modelo de capa dos relatórios ........................................................

05

  • 1. Análise Dimensional .......................................................................

06

  • 1.1. Definições preliminares

.....................................................

06

Exercícios ........................................................................................

10

  • 1.2. Homogeneidade dimensional .....................................................

11

Exercícios ........................................................................................

14

  • 1.3. Previsão de equações físicas ......................................................

16

Exercícios ........................................................................................

20

  • 2. Teoria de erros .................................................................................

21

Exercícios ........................................................................................

29

  • 3. Introdução à construção de gráficos ................................................

31

Exercícios ........................................................................................

35

  • 4. Anamorfose .....................................................................................

36

Exercícios ........................................................................................

37

Experimento: Micrômetro ...................................................................

38

Experimento: Paquímetro ....................................................................

42

Experimento: Queda livre ...................................................................

46

Experimento: Lançamento de Projéteis ...............................................

53

Experimento: Leis de Newton .............................................................

58

Experimento: Atrito de Escorregamento .............................................

62

Experimento: Mesa de forças ..............................................................

68

Apêndice: O Sistema Internacional de Unidades (SI) .........................

74

Referências complementares ...............................................................

82

I - NORMAS DE FUNCIONAMENTO DO LABORATÓRIO

  • 1. O tempo máximo de atraso permitido para as aulas de laboratório é de 15 minutos.

  • 2. Desligue sempre o telefone celular ao entrar no laboratório.

3.

Qualquer

material

do

laboratório

que

venha

a

ser

danificado,

será

de

responsabilidade do aluno (ou do grupo). As gavetas contendo o material deverão ser

retiradas no almoxarifado e devolvidas ao término do experimento, onde serão conferidas e verificadas.

  • 4. Não serão admitidas brincadeiras de qualquer espécie dentro do laboratório, sob

pena do grupo perder os pontos relativos àquele experimento.

  • 5. Os relatórios deverão ser sempre entregues na aula posterior àquela da realização

do experimento.

6.

Os

relatórios

deverão

apresentadas adiante.

ser manuscritos e elaborados conforme instruções

  • 7. Os alunos sempre deverão ler com antecedência as instruções do experimento que

será realizado no laboratório.

  • 8. Você pode colaborar com seus colegas para analisar os dados, bem como para

discuti-los. Porém, o relatório deverá ser feito individualmente e escrito com suas

próprias palavras. Relatórios copiados de outros alunos serão recusados.

  • 9. Os detalhes a respeito dos critérios para aprovação ou não do relatório cabem ao

professor de laboratório. Informe-se com ele a respeito desses critérios.

  • 10. Não é permitida a realização de experimentos fora da turma destinada pela escola.

Os casos excepcionais serão analisados pelo professor da turma.

  • 11. Somente poderão entregar o relatório os alunos que fizeram o experimento.

  • 12. Os alunos deverão realizar o experimento em grupos de até 3 pessoas, exceção

feita

às

aulas

individualmente.

de simulação que deverão, quando possível, ser realizadas

  • 13. A última aula de laboratório é reservada para a apresentação de fatores de

laboratório. Qualquer dúvida ou problema com o seu fator de laboratório deverá ser resolvido nessa aula. Portanto, não falte, já que após a prova P2 não serão aceitas, em nenhuma hipótese, reclamaç ões relativas ao fator de laboratório.

II - INSTRUÇÕES PARA ELABORAÇÃO DOS RELATÓRIOS DE FISICA I

Todos os relatórios (a não ser que seja especificado o contrário para algum experimento) deverão ser manuscritos em papel sulfite ou almaço e à tinta (não serão aceitos impressos de espécie alguma, exceção feita para a capa e folhas para gráficos). Os relatórios deverão obrigatoriamente conter os seguintes elementos:

CAPA contendo: (ver capa modelo adiante)

  • - Nome da Instituição;

  • - “Laboratório de Física I”;

  • - Nome da Experiência;

  • - Nome completo e o número de matrícula;

  • - Período;

  • - Turma;

  • - Número do grupo ou da bancada;

  • - Nome do professor;

  • - Data da realização da experiência e data da entrega.

CORPO DO RELATÓRIO Objetivos da experiência

Escrever qual é o objetivo do experimento que foi realizado.

1.

Introdução teórica

Detalhar a teoria relacionada com o assunto abordado (ou pesquisa a ser

determinada pelo professor). Não copiar do roteiro do Manual de Laboratório.

2.

Procedimento experimental

Descrição de todo o procedimento utilizado para a coleta de dados, com material utilizado, esquemas e método de coleta dos dados. Não se esqueça de

anotar a precisão de todos os instrumentos utilizados.

3.

Dados coletados

Dados fornecidos no roteiro e dados coletados na experiência, por exemplo:

temperatura ambiente, massa, volume, comprimento, peso, etc.

4.

Análise dos resultados

Realizar a análise, com detalhamento dos cálculos (sempre indique as equações utilizadas), gráficos, etc. Cálculos repetitivos não precisam ser escritos, embora devam ser incluídos exemplos representativos de qualquer tipo de cálculo.

5.

Conclusões

6.

Bibliografia

Preferencialmente utilize a norma da ABNT para a colocação de referências

bibliográficas.

OBSERVAÇÕES FINAIS:

  • 1. Prestar atenção no objetivo da experiência e no que é pedido no procedimento.

  • 2. A introdução teórica NÃO deverá ser copiada do roteiro do experimento. Também NÃO serão aceitas impressões de páginas da Internet como introdução teórica (embora seja incentivada a sua utilização como fonte de pesquisa).

  • 3. Tenha certeza de ter calculado TUDO o que foi pedido.

  • 4. Sempre coloque UNIDADES nas grandezas medidas e nas calculadas.

  • 5. Procure fazer uma conclusão clara e coerente da experiência, tendo como base o objetivo da mesma.

Centro Universitário da FEI Departamento de Física Laboratório de Física I Avaliação: Experimento: ____________ ___________________________________ Aluno:

Centro Universitário da FEI Departamento de Física

Laboratório de Física I

Avaliação:
Avaliação:

Experimento: _______________________________________________

Aluno: _____________________________________________________

Período: _____________ N o : Bancada: ______ Turma:
Período: _____________
N o :
Bancada: ______
Turma:

Professor: ________________

Data de realização:

/

/

 

___

Data de entrega:

/

/ ___

1. Análise Dimensional

1.1. Definições preliminares

As leis da física são expressas em termos de grandezas fundamentais, que devem ser definidas de forma clara. Certas grandezas físicas, como força, velocidade, aceleração, etc., podem ser definidas em termos de grandezas mais fundamentais. Na verdade, qualquer grandeza física pode ser expressa em termos de 7 grandezas, quais sejam, comprimento, tempo, massa, intensidade luminosa, intensidade de corrente elétrica, quantidade de substância e temperatura. Estaremos ao longo destas aulas, discutindo como podem ser expressas todas as grandezas físicas em termos destas 7 grandezas básicas, concentrando-nos particularmente nas grandezas mecânicas, que podem ser expressas em termos das grandezas comprimento, massa e tempo. Estas grandezas são definidas de forma a se estabelecer um padrão, de modo que uma mesma grandeza, medida em diferentes locais, resulte no mesmo valor. Vejamos a seguir algumas definições preliminares importantes para o estudo da análise dimensional.

  • a) Grandeza física

É uma propriedade física que pode ser representada numericamente, pois qualquer fenômeno físico só tem interesse científico quando a ele podemos associar valores mensuráveis.

  • b) Medida de uma grandeza física

Medir uma grandeza é compará-la a outra de mesma espécie, chamada "unidade de medida" ou padrão. É verificar quantas unidades de medida estão contidas dentro da grandeza.

  • c) Unidades de medida

São padrões previamente estabelecidos de acordo com a conveniência. Existem diversos sistemas de unidades, pois em sua criação foram levados em conta as necessidades e fenômenos físicos observados na natureza, de tal maneira que a unidade escolhida possibilite trabalhar com números razoáveis, não excessivamente grandes nem pequenos. Existem também sistemas como o inglês, em que as medidas foram criadas de maneira a agradar ao Rei. Os sistemas de unidades mais conhecidos são: SI (Sistema Internacional – ver apêndice), MKS, CGS, MK*S (ou Técnico) e o Sistema Inglês.

d) Medição

Denomina-se medição como sendo a verificação de quantas unidades de medida estão contidas na grandeza. Logo,

onde: M = medida G = grandeza U = unidade

Portanto, podemos escrever:

G M = U G = M ⋅ U
G
M
=
U
G = M ⋅ U

Exemplo: Considere um intervalo de tempo t de 50 s.

Medida M = 50 Grandeza G = t (medida de intervalo de tempo)

Unidade U = s (segundo)

Observação 1: A razão entre as medidas de duas grandezas de mesma unidade é igual à razão entre as suas medidas, isto é:

Se

G 1 = m 1 . U

e

G 2 = m 2 . U ,

então

G

1

m

1

=

G

2

m

2

Observação 2: A razão entre as medidas de mesma grandeza com unidades diferentes é igual ao inverso da razão entre as suas unidades:

Se

m

1

=

G

U

1

e

m =

2

G

U

2

então

m

1

U

2

=

m

2

U

1

Exemplo: O diâmetro externo de um tubo foi medido com dois instrumentos diferentes. Foram obtidos os seguintes dados: D 1 = 50,8 mm e D 2 = 2'' (polegadas).

m

1

U

2

=

m

2

U

1

isto é ,

50,8

polegadas

=

2

mm

1 ''

= 25,4 mm

e)

Grandezas fundamentais

 

São grandezas a partir das quais iremos escrever todas as outras grandezas. As grandezas fundamentais são:

M

(massa)

θ (temperatura)

N = quantidade de matéria

L

(comprimento)

I (intensidade de corrente elétrica)

T

(tempo)

I o (intensidade luminosa)

No Sistema Internacional de unidades, por exemplo, essas grandezas são representadas pelas seguintes unidades:

M kg (quilograma) L m (metro) T s (segundo)

θ K (kelvin) I A (ampère) I o cd (candela)

N mol

A mecânica dos fluidos, por questão de simplificação para os fenômenos por ela estudados, utiliza como grandezas fundamentais:

 

F (força) L (comprimento) T (tempo)

f)

Grandezas derivadas

 

São as grandezas escritas em função das grandezas fundamentais na forma de produtos de potência, na qual as bases são as grandezas fundamentais e os expoentes são chamados de dimensões, constituindo-se assim as equações dimensionais.

g)

Símbolos dimensionais

 

É a maneira pela qual representamos a grandeza física dimensionalmente. Por convenção, uma grandeza derivada qualquer é indicada por uma letra representativa entre colchetes.

[massa] = M [comprimento] = L [tempo] = T

[temperatura] = θ [corrente elétrica] = I [intensidade luminosa] = I o [quantidade de matéria] = N

Exemplo 1: Determinar a equação dimensional da velocidade.

  • v = s

Exemplo 1: Determinar a equação dimensional da velocidade. v = ∆ s ∆ t , onde

t ,

onde

s = comprimento [s ] = L

t = tempo [t ]= T

[ ]

v

=

L

T

= LT

1

Exemplo 2: Determinar a equação dimensional da força.

F = m.a,

onde

m = massa [m] = M

a = aceleração a = v

Exemplo 1: Determinar a equação dimensional da velocidade. v = ∆ s ∆ t , onde

t

[

a

] =

LT

1

T

= LT

2

[

F

]

= MLT

2

Exemplo 3: Determinar a equação dimensional da grandeza A, definida pela expressão abaixo, sabendo-se que F = força, r = distância e ω = velocidade angular.

 

A =

[F] = MLT -2

 

[r] = L

 

[ω] = T -1

 

MLT

2

.

L

[

A

] =

T

1

 

F .r

ω

2

= ML T

1

 

EXERCÍCIOS

1) Determine as equações dimensionais para as grandezas abaixo relacionadas:

01.

Área (S)

02.

Volume (V)

03.

Velocidade (v)

04.

Aceleração (a)

05.

Ângulo plano (θ)

06.

Velocidade angular (ω)

07.

Aceleração angular (α)

08.

Força (peso, normal, atrito, etc.) (F)

09.

Impulso e quantidade de movimento (I e p)

10.

Massa específica ou densidade absoluta (ρ)

11.

Peso específico (γ )

12.

Pressão (p)

13.

Tensão superficial em um líquido (σ)

14.

Vazão em volume (Q)

15.

Vazão em massa (Q m )

16.

Vazão em peso (Q

17.

Viscosidade dinâmica (µ)

18.

Viscosidade cinemática (ν)

19.

Trabalho (W)

20.

Potência (P)

21.

Torque ou Momento de uma força (M)

22.

Constante elástica da mola (k)

23.

Constante de gravitação universal (G)

24.

Freqüência (f)

25.

Quantidade de calor (Q)

26.

Calor específico (c)

27.

Capacidade térmica (C)

28.

Densidade linear (µ)

29.

Energia (cinética, potencial, mecânica) (E)

30.

Momento angular (H)

2. Para as grandezas acima relacionadas, pesquisar as unidades de cada uma delas nos seguintes sistemas de unidades:

  • a) Internacional

  • b) CGS

3) Determinar as equações dimensionais para as grandezas abaixo discriminadas, onde l = comprimento, F = força, µ = densidade linear, H = momento angular e ω = velocidade angular.

  • a) x =

F µ
F
µ

b)

y

=

  • 1 2

x

l

H

2

c)

z =

  • 2 ω

    • d) u =

x y

z

1.2. Homogeneidade dimensional

As equações que representam os fenômenos físicos são, em geral, polinômios

de um ou mais termos. Uma equação deste tipo é dita homogênea quando cada um de

seus monômios possuírem os mesmos símbolos dimensionais com os mesmos

expoentes.Vamos, por exemplo, considerar uma equação física qualquer, constituída

por grandezas mecânicas e representada pela expressão abaixo:

 

B C

.

A

=

+ E H

.

 

D

Suponhamos que as fórmulas dimensionais dos termos sejam:

[

A

]

= M

α 1
α
1

β

L

1

T

γ

1

B C

.

D

=

B C D

.

.

1

=

M

α 2
α
2

β

L

2

T

γ

2

[

E H

.

]

= M

α

3

β

L

3

T

γ

3

A equação é dimensionalmente homogênea se:

α 1 = α 2 = α 3 e β 1 = β 2 = β 3 e γ 1 = γ 2 = γ 3

"UMA EQUAÇÃO FÍSICA SERÁ DIMENSIONALMENTE HOMOGÊNEA SE

TODAS AS PARCELAS DOS DOIS MEMBROS POSSUÍREM IGUAL

DIMENSÃO EM RELAÇÃO À MESMA GRANDEZA FUNDAMENTAL".

PRINCÍPIO DA HOMOGENEIDADE

"TODA

EQUAÇÃO

HOMOGÊNEA."

FÍSICA

VERDADEIRA

É

DIMENSIONALMENTE

OBSERVAÇÃO.: uma equação pode ser dimensionalmente homogênea e não

verdadeira. Logo, a homogeneidade dimensional é necessária mas não é suficiente

para que a equação física seja verdadeira.

Exemplo: Verificar se as expressões abaixo são dimensionalmente homogêneas:

2 S . p 3 4 τ . D
2
S
.
p
3
4
τ
.
D
a) F = [F] = MLT -2 [S] = L 2 [p] = ML -1 T
a)
F =
[F]
= MLT -2
[S]
= L 2
[p]
= ML -1 T -2
[τ ] = ML 2 T -2
[D]
= L
1 o . Membro:
MLT -2
(
2
)
2
1
2
L
.
ML T
2 o . Membro:
3
2
2
4
ML T
.
L
MLT -2 ≠ L -1
2
mv
b)
F =
R
1 o . Membro:
[F] = MLT -2
2 o . Membro
[m]
= M
[v]
= LT -1
[R]
= L
1
M
.(
LT

)

2

, onde F = força; S = área; p = pressão; τ = trabalho; D = diâmetro

3 − 2 ML T 3 − 3 = 3 = L 6 − 2 ML
3
2
ML
T
3
3
=
3
=
L
6
2
ML
T

= L

1

Logo, esta equação não é dimensionalmente homogênea.

, onde: F = força; m = massa; v = velocidade e R = raio

2

ML T

2

= MLT

2

=

  • L L

1 o . Membro = 2 o . Membro

MLT -2 = MLT -2

Logo, a equação é dimensionalmente homogênea.

c) Sabendo-se que a equação abaixo é dimensionalmente homogênea, determinar as

dimensões das grandezas A, B e D. Obs.: p = pressão; Q = quantidade de movimento

e π é adimensional.

Logo,

 

D

.

p

 

A

=

p Q

.

.π

Q

+

B

[A]

= [B] = [p.Q]

 

[

p

]

= ML

1

T

2

 

[Q]

= MLT -1

 

[π] = adimensional = 1

 

[p.Q] = ML -1 T -2 MLT -1 = M 2 T -3

 

[A]

= [B] = M 2 T -3

 

D p

.

Q

=

[

]

D ML

.

1

1

= M

0

0

L T

0

T

2

= M

0

0

L T

0

MLT

1

[

D

]

L

2

T

1

= M

0

0

L T

0

 

α

= 0

[

M

α

β

L T

γ

]

.

L

2

T

1

=

M

0

0

L T

0

β

γ

= 2

= 1

[ ] 2 1 D = L T
[
]
2
1
D
= L T

EXERCÍCIOS:

1)

 

absoluta.

 

a)

v =

2 gh
2 gh
 

2

mv

 

b)

E c

=

 

2

 

c)

h = π

d)

p = ρ g h

 

2

 

e)

W =

mv

2

2)

3)

4)

5)

Fv W
Fv
W

Verificar a homogeneidade dimensional das seguintes equações abaixo, onde: v =

velocidade, g = aceleração da gravidade, h = altura, E c = energia cinética, m =

massa, F = força, W = trabalho, p = pressão e ρ = massa específica ou densidade

Seja d = distância percorrida, g = aceleração da gravidade, t = tempo e k é um

adimensional. Determinar as constantes A e B para a expressão abaixo, sabendo-se

d = k.g A .t B

=

A cos(

ω

t

+ φ

0

)

, onde

que ela é verdadeira.

A equação do MHS (Movimento Harmônico Simples) é y

y é a ordenada (posição) e t é tempo. Determinar a equação dimensional das

grandezas (A, ω, φ 0 ).

A equação abaixo fornece a velocidade média de escoamento v da água em um rio

onde R H é o raio hidráulico, que é a relação entre a área da secção e o perímetro

molhado, e k é adimensional. Determinar as equações dimensionais de A e B.

v =

k R . H B A + R H
k R
.
H
B
A +
R
H

Na equação de Van der Waals para gases reais p = pressão, υ = volume específico,

que é a razão entre o volume e a massa, e t = temperatura. Determinar as equações

dimensionais das constantes a, b e k.

p

+

a

υ 2

(

υ

b

)

= k t

6)

Segundo a Teoria da Relatividade, um objeto que tem comprimento próprio L o (L o

é medido em relação a um referencial que tem velocidade zero em relação ao

objeto) possui um comprimento L = L o /γ quando medido em relação a um

observador que se move com uma velocidade v em relação ao objeto (este efeito é

chamado de contração do espaço). Sabendo-se que

1 γ = (fator de 2 1 − β
1
γ
=
(fator de
2
1
β

Lorentz), onde

β =

v

c

(parâmetro de velocidade ou fator de dobra), determine as

equações dimensionais de c, β e γ.

7)

Em um sistema mola-massa que oscila verticalmente sujeito a um amortecimento

(Movimento Harmônico Simples amortecido), a posição y da massa m em função

do tempo t é dada por

y

=

A e

γ

t

cos ( ω

t

+

φ ) . Sabendo-se que

γ =

b

2

,

m

determine as equações dimensionais de A, γ , b, ω e φ.

1.3. Previsão de equações físicas

  • a) Teorema de Bridgman:

“TODA GRANDEZA DERIVADA QUE SATISFAZ A CONDIÇÃO DE

SIGNIFICADO ABSOLUTO DO VALOR RELATIVO, PODE SER

EXPRESSA PELO PRODUTO DE UMA CONSTANTE PURAMENTE

NUMÉRICA, POR POTÊNCIAS CONVENIENTES DE GRANDEZAS

FUNDAMENTAIS.”

Exemplo:

G = K . A

α

B

β

γ

C

onde: A, B, C são grandezas fundamentais e K, α, β e γ são constantes numéricas, ou

seja, sem unidades.

Com base na homogeneidade dimensional e utilizando-se o Teorema de

Bridgman, podemos fazer previsões de equações físicas através de dados obtidos em

ensaios experimentais. Para se fazer a previsão de uma fórmula para um certo

fenômeno é necessário conhecer quais grandezas estão envolvidas no fenômeno.

Exemplo: A força de atração entre duas cargas elétricas depende das cargas Q 1 e Q 2 e

da distância entre elas.

F = f(Q 1 , Q 2 , d)

Sabemos quais são as grandezas envolvidas, mas não sabemos qual é a relação

entre elas.

  • b) Previsão de equações físicas:

Seja uma grandeza qualquer A. Sabemos através de experiências que ela

depende de outras grandezas B, D, E. Pelo Teorema de Bridgman, podemos escrever:

A = KB

α

D

β

γ

E

Para se determinar a equação física, é necessário descobrir os valores das

constantes k, α, β e γ. Suponhamos que A, B, D e E são grandezas mecânicas. Logo,

vamos escrever suas equações dimensionais usando como grandezas fundamentais M,

L, T.

[

A

]

= M

x

y

L T

z

[

B

]

= M

x

1

y

L

1

T

z

1

[

D

]

= M

x

2

y

L

2

T

z

2

Logo,

[

E

]

= M

x

3

y

L

3

T

z

3

  • [A] = K[B] α [D] β [E] γ

    • M x

y

L T

z

[

= K M

x

1

y

L

1

T

z

1

]

α

[

M

x

2

y

L

2

T

z

2

]

β

[

M

x

3

y

L

3

T

z

3

]

γ

  • (M) x = x 1 α + x 2 β + x 3 γ

  • (L) y = y 1 α + y 2 β + y 3 γ

  • (T) z = z 1 α + z 2 β + z 3 γ

Portanto, chegamos a um sistema com três equações e três incógnitas (α, β e

γ), pois x 1 , x 2 , x 3 , y 1 , y 2 , y 3 , z 1 , z 2 , z 3 são conhecidos. Para que a equação fique

completa é necessário determinar o valor de K. Com α, β e γ conhecidos, basta fazer

uma experiência e determinar os valores de A, B, D e E. Substituindo-se todos os

valores na equação podemos calcular K.

 

Exemplo:

1)

A potência P de uma hélice de avião depende da densidade absoluta do ar (ρ), da

velocidade angular da hélice (ω) e do raio da mesma (R). Determinar a equação

que dá esta dependência.

P = f ( ρ , ω , R )

[P]

= ML 2 T -3

 

[ρ] = ML -3

 

[ω] = T -1

 

[R]

= L

[

P = K ρ

]

α

][

[

ω

β

R

]

γ

2

ML T

3

=

[

ML

3

][

α

T

1

 

[

L

] γ

(M)

α = 1

 

(L)

2 = -3α + γ 2 = -3 + γ γ = 5

(T)

-3 = -β β = 3

 
3 5 P = K ρ ω R
3
5
P = K ρ ω
R

2) A velocidade de uma onda que se propaga em uma corda depende da densidade

linear

da

corda

(µ)

e

da

força que traciona a corda (F). Uma experiência foi

realizada em uma corda de comprimento l = 1 m e massa m = 10 g que estava

sujeita a uma força F = 4 N, e encontrou-se v = 20 m/s. Determinar a expressão da

velocidade.

 
 

v = KF α µ β

[v]

= LT -1

 

[F]

= MLT -2

[µ] = ML -1

[v]

= K [F] α [µ] β

 

LT -1 = K [MLT -2 ] α [ML -1 ] β

  • (M) 0 = α + β

  • (L) 1 = α β 1 = 0,5 – β β = -0,5

  • (T) -1 = -2α α = 0,5

0 , 5 v = KF µ F v = K µ
0 , 5
v = KF
µ
F
v = K
µ

0 , 5

Determinação de K

v = 20 m/s

 

F = 4 N

 
 

3

µ

=

m

l

=

  • 10.10

    • 2 kg/m
      1

=

  • 10

 

20 = K

4 − 2 10
4
− 2
10
 

K = 1

 

v =

F µ
F
µ

3)

A velocidade do som em um gás depende da constante dos gases R, da massa m,

do mol M do gás e da temperatura absoluta (t). Sabe-se que a velocidade do som

no ar à temperatura de 0 o C é de 332 m/s. Determinar a velocidade para t = 40 °C.

  • v = f (R, m, M, t) v = K.R α m β M γ t δ

[v] = LT -1

[

R

]

2

= ML T

2

1

θ

N

1

[m] = M

[M] = N

[t] = θ

LT -1 = K[ML 2 T -2 θ -1 N -1 ] α [M] β [N] γ [θ] δ

(L) 1 = 2α α = 0,5

(T) -1 = -2α α = 0,5

(M) 0 = α + β β = -0,5

(θ) 0 = -α + δ δ = 0,5

(N) 0 = -α + γ γ = 0,5

  • v = KR 0,5 m -0,5 M 0,5 t 0,5

v = K

R M t m
R M t
m

Para

t = 0 o C (273 K) e v = 332 m/s:

RM .273 332 = K m RM K ' = K m
RM
.273
332 =
K
m
RM
K ' = K
m

332 = K’.16,523 K’ = 20,093

Para t = 40 °C (313 K)

v = K '

3) A velocidade do som em um gás depende da constante dos gases R , da

313 v = 355,5 m/s

EXERCÍCIOS

1) Numa experiência sobre estados estacionários em uma corda tracionada, sabe-se

que a freqüência f é diretamente proporcional ao n° de ventres n e que é função do

comprimento l da corda, da força F que traciona a corda e da densidade linear µ.

Um aluno realizou esta experiência e encontrou os seguintes dados: f = 50 Hz, n =

2 ventres,

l

=

1

m,

F

=

25

N

e

µ =

freqüência para o estado estacionário.

10 -2

kg/m. Determinar a expressão da

2)

Sabe-se que o período de vibração (T) de uma gota é função da massa específica ρ

do fluido, da tensão superficial σ e do raio R da gota. Determinar a expressão do

período.

3) Uma partícula de massa m, movendo-se na direção horizontal com velocidade v 0 ,

fica sujeita à ação de uma força vertical, de intensidade constante F, a partir de um

certo instante. Nestas condições a trajetória descrita é um arco de parábola. Seja θ

o ângulo que sua velocidade faz com a horizontal num instante qualquer t. A

tangente de θ é inversamente proporcional à massa e é função ainda de F, t, e v 0 .

Determinar o ângulo θ no instante t = 4 s, sabendo-se que no instante t = 6 s

temos que θ = 60°.

4)

Sabe-se que o momento de inércia I de um cilindro depende de sua massa m e do

raio R de sua base, quando calculado em relação ao seu eixo de simetria. Sabendo-

se que o momento angular é H = Iω, que quando a massa vale m = 50 kg e o raio

R = 0,05 m, temos I = 0,09 kg.m 2 , determinar:

  • a) A equação dimensional do momento de inércia

  • b) A expressão do momento de inércia do corpo

5) A energia cinética de rotação K r de um corpo depende do momento de inércia I e

da velocidade angular ω. Determine a expressão da energia cinética de rotação,

sabendo-se que quando I = 0,1 kg.m 2 e ω = 10 rad/s, temos K r = 5 joules.

2. Teoria de Erros

Qualquer medida física que se faça, implica na existência de um erro

associado a esta medida. Deste modo, para qualquer grandeza física que se meça,

existe um valor exato, ou verdadeiro, embora este seja normalmente desconhecido. Os

tipos de erros que ocorrem em uma medida podem ter várias fontes.

Um tipo possível de erro é o chamado erro grosseiro. Os erros grosseiros são

causados por engano do operador no manuseio ou leitura do instrumento. Estes erros

podem ser evitados, ou pelo menos minimizados, bastando para isso que o operador

tome os devidos cuidados quando for realizar uma medida, e portanto não nos

preocuparemos em discuti-los.

Outro tipo possível, é o chamado erro estatístico. Os erros estatísticos

ocorrem quando existe algum fator aleatório (ou que não pode ser controlado ou

repetido) que faz com que as medidas não se repitam, distribuindo-se em torno de

determinado valor.

Finalmente, os erros que não se enquadram na categoria anterior são chamados

de erros sistemáticos. Os erros sistemáticos surgem quando existe algum problema

com o equipamento (descalibração, por exemplo), vícios de leitura do operador ou

fatores ambientais externos, que fazem com que as medidas difiram de uma certa

quantidade do valor verdadeiro. A precisão limitada inerente a qualquer instrumento

de medida é uma fonte de erro sistemático. Note que em algumas situações, é difícil

saber se um determinado tipo de erro deve ser enquadrado em uma categoria ou outra.

Por exemplo, se tivermos uma régua de aço que se dilata com a temperatura, isto leva

à ocorrência de um erro sistemático, quando esta está sendo utilizada fora de sua

temperatura de calibração. Por outro lado, se a variação de temperatura do local onde

as medidas estão sendo realizadas for grande, aumentando e diminuindo durante o

processo de medida, o comprimento da régua irá mudar segundo essas variações de

temperatura, levando à ocorrência de um erro estatístico.

Numa terminologia mais moderna 1 , buscando-se evitar essas confusões de

classificação, algumas organizações internacionais costumam agrupar os erros em

duas grandes categorias: os erros do tipo A e do tipo B. Estes erros levam à presença

de incertezas nas medidas, sendo as do tipo A avaliadas a partir de métodos

estatísticos e as do tipo B avaliadas por outros métodos.

Discutiremos a seguir como representar uma grandeza física, levando-se em

conta que uma medida traz consigo uma incerteza. Antes disso, porém, iremos falar

sobre o conceito de algarismos significativos, já que isso é fundamental para que se

possa representar de forma conveniente uma grandeza.

Algarismos significativos

O número de dígitos que devem ser utilizados para representar a medida de

uma dada grandeza física, está intimamente ligado com a precisão do instrumento

utilizado para realizar a medida. Por exemplo, se utilizarmos uma régua com divisões

em milímetros para medir a largura de um bloco de metal, na melhor condição

poderíamos avaliar uma casa decimal extra além da menor medida que é de um

1 Ver, por exemplo, o site do NIST em http://physics.nist.gov/cuu/Uncertainty/bibliography.html (Acessado em 29/04/2002)

milímetro. Assim, neste caso, as seguintes representações para a largura do corpo

seriam possíveis:

  • L = 12,3 mm

  • L = 12,0 mm

  • L = 12,7 mm

Note que embora a menor divisão seja de 1 mm, é possível para o operador,

neste caso, avaliar até uma casa extra. Assim, dizemos que o erro da medida devido à

precisão do instrumento, é de ± 0,5 mm (metade da menor divisão do instrumento).

Em alguns casos, a regra da metade da menor divisão não faz sentido. Um exemplo, é

no caso de uma escala com os valores de menor divisão excessivamente próximos, o

que inviabiliza a avaliação de uma casa a mais. Outro exemplo, é o caso de um

instrumento digital, onde o valor da medida é lido diretamente em um display, e não

há, portanto, como avaliar uma casa extra. Nesses casos, costuma-se utilizar a menor

divisão como sendo o erro da medida. Enfatizamos o fato de que o procedimento de

se utilizar metade da menor divisão visa apenas a definir um procedimento geral para

a estimativa do desvio devido à precisão do instrumento. Nada impede que um

instrumento mal fabricado faça com que o desvio seja maior até mesmo que a menor

divisão. 2

No caso da régua apresentada anteriormente, a medida L = 12,35 mm não

estaria correta, pois a segunda casa decimal não faria sentido (não seria significativa)

para o instrumento utilizado. Existe, portanto, uma representação utilizada para

indicar o grau de precisão de nossas medidas. Nesta forma de representação, os

algarismos que são conhecidos com certeza são chamados de significativos. Após o

último algarismo significativo, temos os algarismos duvidosos. Por uma questão de

convenção, o primeiro algarismo duvidoso é também chamado de significativo.

Deste modo, se tomarmos as representações L = 12,0 mm e L = 12,00 mm, embora

estas sejam parecidas, possuem significados diferentes. A primeira indica que a

incerteza na medida realizada está na primeira casa decimal, e a segunda de que está

na segunda casa decimal. Isto indica que o instrumento utilizado para realizar a

segunda medida era mais preciso que o primeiro.

Para que seja uniformizado o processo de medida, adotaremos o seguinte

procedimento: A última casa representada somente poderá assumir valores múltiplos

da menor divisão, isto é, não iremos avaliar nenhuma casa extra * . Por exemplo,

uma régua graduada em milímetros (embora seja possível avaliar uma casa decimal,

não o faremos em nenhum caso) terá como representações possíveis para uma medida

12 , 15 , etc., porém não serão aceitos 12,5 , 15,75 , etc.

É importante neste momento esclarecermos os conceitos de precisão e de

acurácia (ou exatidão). Note que precisão tem a ver com a capacidade que um

instrumento tem de avaliar uma grandeza com menor flutuação estatística e com mais

casas significativas. Acurácia é a capacidade deste instrumento de chegar mais

próximo ao valor verdadeiro. É claro que para obter um valor próximo ao valor

verdadeiro, devemos utilizar um instrumento preciso, porém o uso de um instrumento

preciso não leva necessariamente a um valor acurado. Se o instrumento, por exemplo,

estiver descalibrado, o valor medido, embora preciso, pode diferir bastante do valor

verdadeiro.

2 Ver o artigo Helene, O. et al. , “O que é uma medida”, Revista Brasileira de Ensino de Física, dezembro de 1991.

* OBS.: Este procedimento será adotado, pois, de forma geral, nos instrumentos que

permitem uma avaliação de uma casa extra, isto já é feito pelo próprio fabricante. Por

exemplo, um micrômetro que permita ler até 0,005 mm, tem essa possibilidade já

indicada no próprio instrumento.

Valor médio ou valor mais provável de uma grandeza

Como já dissemos, em alguns casos, existem fatores que podem introduzir

erros em nossas medidas, além daqueles devidos às limitações de nossos

equipamentos de medida. Por exemplo, suponha que o corpo tenha alguma

rugosidade, o que torna a avaliação de sua largura dependente da posição em que se

coloca a régua. Nestes casos, e no caso da ocorrência de outros erros associados a

fatores estatísticos, podemos realizar séries de medidas e calcular a médias dos

valores medidos, o que representaria a melhor estimativa para o valor verdadeiro. O

valor médio de uma série de n medidas de uma grandeza x i (que sejam

estatisticamente independentes) será portanto dado por:

n

i = 1 x = ∑ x i
i = 1
x =
x i

n

Para um conjunto de medidas serem consideradas estatisticamente

independentes, é necessário que a distribuição de probabilidade associada a

determinado dado seja independente dos outros dados. No caso, por exemplo, de uma

série de medidas de comprimento com o uso de régua, para garantir a independência

estatística, seria necessário que cada um dos dados fosse medido com uma régua de

origem diferente e realizado por diferentes operadores. Obviamente, não nos

preocuparemos com esse nível de detalhe e utilizaremos as expressões acima (e as

seguintes) de modo que os dados sejam considerados estatisticamente independentes.

Desvio padrão

O valor médio, embora seja fundamental numa série de medidas, não nos

oferece a possibilidade de analisar o quanto podemos confiar neste valor. O desvio

padrão é a grandeza que nos dá esta informação, caracterizando a dispersão em um

conjunto de medidas (quanto os dados individuais estão afastados do valor médio).

Quanto maior o desvio padrão, menor é a confiança no valor médio obtido. O desvio

padrão é definido como sendo:

σ

=

i = 1 ∑ n − 1) ( ( ) x x 2 n i −
i = 1
n −
1)
(
(
)
x
x
2
n
i

Assim, no caso de um conjunto de n medidas, o erro do instrumento pode não

ser a melhor representação do erro da medida. Na verdade, o que se costuma fazer é o

seguinte: Como existem erros provenientes do instrumento e erros provenientes de

oscilações estatísticas, o intervalo de confiança em uma medida é obtido através da

propagação destes erros, de modo que ambos contribuem para o erro final.

Uma grandeza importante para se realizar tal propagação é o chamado desvio

padrão da média.

Desvio padrão da média

O desvio padrão da média (σ e ) é obtido quando analisamos uma série de n

medidas repetidas sob as mesmas condições. É dado por:

Na verdade o problema é probabilístico por natureza, e o desvio padrão da

média nos fornece apenas a informação de que existe aproximadamente 68% de

probabilidade do valor verdadeiro da grandeza se encontrar entre os limites dados por

x

=

(

x ± σ

e

)

. Se quisermos ser mais detalhistas, o intervalo de confiança de 68% seria

obtido com um conjunto infinito de medidas. Para, por exemplo, um conjunto de

apenas 10 medidas, o valor de σ e deveria ser multiplicado por 1,06 para resgatar a

probabilidade de 68%.

É interessante observar que podemos a princípio ir diminuindo o valor de σ e ,

realizando mais e mais medidas. Na prática, no entanto, é mais fácil diminuir o valor

de σ e diminuindo-se o valor de σ, isto é, tomando-se um instrumento mais preciso 3 . A

grandeza σ e é comumente chamada de incerteza estatística.

Erros sistemáticos residuais

Uma vez que se tenha buscado eliminar as possíveis fontes de erros

sistemáticos (grosseiramente falando, erros do tipo B), existe ainda uma fonte de erro

sistemático que está ligado à própria limitação do instrumento. Como regra, dissemos

anteriormente que a precisão p de um instrumento está relacionada à menor divisão

que este pode representar, e que se utiliza como desvio metade da menor divisão.

Assim, os erros sistemáticos relacionados à precisão do instrumento de medida podem

σ

r

ser representados por um desvio que chamaremos de incerteza sistemática residual

(ou simplesmente incerteza residual), e que será dado em nosso caso por metade da

menor divisão (a menos que seja estabelecido o contrário). Isto é, σ será dado por:

r

3 G. L. Squires, “Practical Physics”, Cambridge University Press, 3 a edição, Cambridge, p. 18, 1998.

Incerteza Padrão

O desvio final (σ p ), chamado de incerteza padrão, será obtido propagando-se

a incerteza estatística (σ e ) e a incerteza residual (σ r ), isto é:

2 2 σ = σ + σ p e r
2
2
σ
=
σ
+ σ
p
e
r

Notação para representação de uma grandeza

Como forma de representação de uma grandeza estaremos utilizando aqui a

seguinte notação: a grandeza será representada pelo seu valor médio, seguido de “±” e

do valor da incerteza padrão (obtido pela propagação da incerteza estatística (σ e ) e da

incerteza residual (σ r )). Assim o valor de uma grandeza será escrito como:

x = ( x ± σ ) p
x
=
(
x ± σ
)
p

Deve-se observar que a quantidade de algarismos significativos para se

representar a incerteza padrão não é estabelecida de forma unânime em todos os

textos. A forma mais usual, é de que se utilize a seguinte regra:

- quando o primeiro algarismo for 1 ou dois, deve-se utilizar 2 algarismos

significativos na incerteza padrão;

- quando o primeiro algarismo for 3 ou maior, pode-se utilizar um ou dois algarismos

significativos na incerteza padrão.

Obs. 1: Embora seja aceito pela regra acima 1 ou 2 algarismos significativos

quando o primeiro algarismo da incerteza padrão é 3 ou maior, iremos utilizar

aqui a incerteza padrão com 2 algarismos significativos em todos os casos.

Obs. 2: Quando o valor da incerteza padrão for maior do que 99, deverá ser

utilizada notação exponencial para representá-la.

Obs. 3: Não confundir algarismos significativos com casas decimais. Por

exemplo, o número 0,07 tem 2 casas decimais e apenas 1 significativo. Por outro

lado, o número 1,2 tem 1 casa decimal e 2 algarismos significativos.

Obs. 4: O número de casas decimais do valor mais provável deve coincidir com o

número de casas decimais da incerteza padrão.

Regras de arredondamento:

Existem diferentes regras de arredondamento. Estaremos adotando em nosso

curso, as regras de arredondamento estabelecidas pela norma NBR5891 de 1977 da

ABNT, segundo a qual:

  • a) se a parte a ser arredondada é menor ou igual a 499999, elimina-se o valor;

  • b) se a parte a ser arredondada é maior do que 500000, soma-se 1 à casa anterior;

  • c) se a parte a ser arredondada for 500000, verifica-se se o algarismo anterior, e caso este seja par, mantém-se, e, caso seja ímpar, soma-se 1.

Exemplos de arredondamento para 2 casas decimais

3,213 3,21

3,23789 3,24

5,475 5,48

13,5512 13,55

4,6450 4,64

546,6500 546,65

7,2 7,20

575 575,00

Exemplos de arredondamento para 2 algarismos significativos

0,02543 0,025

0,00475 0,0048

0,00445 0,0044

0,0557 0,056

1,475 1,5

75,498 75

457,57 4,6.10 2

9545 9,5.10 3

Exemplos de aplicação:

  • 1. Um aluno de laboratório realizou uma série de 10 medidas do comprimento L de uma barra, com uma régua com menor divisão igual a 0,5 mm. Os valores obtidos pelo aluno estão colocados na tabela abaixo:

Medida

L (mm)

 
  • 1 12,5

 
  • 2 12,0

 
  • 3 12,0

 
  • 4 11,0

 
  • 5 12,0

 
  • 6 12,0

 
  • 7 13,0

 
  • 8 12,5

 
  • 9 13,0

10

12,5

Note que devido à proximidade visual entre uma divisão e outra, não faria

muito sentido em se avaliar uma medida de comprimento como sendo 12,3 mm,

embora formalmente isso não esteja incorreto. Isso até poderia ser feito se fosse por

exemplo utilizada uma lupa para ampliar a escala, a régua tivesse suas divisões bem

definidas, e o fabricante garantisse a qualidade de sua régua.

Conforme dito anteriormente, adotaremos para a representação valores

múltiplos da menor divisão.

Podemos calcular o valor médio desse conjunto de medidas, o que nos leva ao

valor:

  • L = 12, 2500 mm

O desvio padrão é então dado por:

σ = 0,5892557 mm

O

desvio padrão da

média (σ e ),

que

associada ao conjunto de medidas é dado por:

nos fornece a incerteza

estatística

σ

e

=

0,186339

mm

O valor da incerteza sistemática residual σ r , tomando-se metade da menor

divisão, é então dado por:

σ

r

= 0, 25

mm

Portanto, a incerteza padrão vale:

σ

p

=

2 2 σ + σ e r
2
2
σ
+
σ
e
r

=

0,3118

σ

p

=

0,31

mm (com 2 alg. significativos)

Assim, o valor do comprimento L do corpo é melhor representado por:

L = (12, 25 ± 0,31) mm

Observe o resultado final, e note que neste caso os desvios estatísticos e

sistemáticos se combinam para a apresentação do resultado final. Não estranhe se o

resultado final possuir mais algarismos significativos que as medidas individuais. Este

resultado provém de um conjunto de medidas, tratadas estatisticamente, portanto é

possível se chegar mais próximo ao valor verdadeiro do que em uma medida

 

individual.

2.

Um aluno de laboratório realizou uma série de medidas do diâmetro d de um

cilindro, com um instrumento com menor divisão igual a 0,01 mm. Os valores

obtidos pelo aluno estão colocados na tabela abaixo:

Medida

d (mm)

 
  • 1 75,01

 
  • 2 74,98

 
  • 3 75,01

 
  • 4 74,99

 
  • 5 75,00

 
  • 6 75,01

 
  • 7 75,02

Podemos calcular o valor médio desse conjunto de medidas, o que nos leva ao

valor:

d = 75,002857 mm

A tabela seguinte será útil para obtermos o desvio padrão:

Medida

d (mm)

( d d ) (mm)

   

( d d )

2

(mm 2 )

 

75,01

  • 1 0,007143

     

0,000051022

 
  • 2 -0,022857

74,98

     

0,000522442

 

75,01

  • 3 0,007143

     

0,000051022

 
  • 4 -0,012857

74,99

     

0,000165302

 
  • 5 -0,002857

75,00

     

0,000008162

 

75,01

  • 6 0,007143

     

0,000051022

 

75,02

  • 7 0,017143

     

0,000293882

 

( d

d )

2

=

0,001142854

O desvio padrão é então dado por:

σ

=

n 2 ∑ ( d − d ) i = 1 = ( n − 1)
n
2
(
d
d
)
i
=
1
=
(
n −
1)

0,001142854

7

1

σ = 0,013801 mm

O

desvio padrão da

média

(σ e ),

que

associada ao conjunto de medidas é dado por:

nos fornece a incerteza

estatística

σ

e

=

σ

0,013801

=

n

7

σ

e

= 0,005216

mm

A incerteza sistemática residual σ r , tomando-se metade da menor divisão, é

então dada por:

σ

r

=

p

σ

  • 2 r

= 0,005

mm

Portanto, a incerteza padrão vale:

σ

p

=

=

0,007226

mm

Representando-a com 2 algarismos significativos, temos:

σ

p

= 0,0072

mm

Assim, o valor do diâmetro d do corpo é melhor representado por:

  • d = (75,0029 ± 0,0072) mm

EXERCÍCIOS

  • 1. Usando a norma da ABNT de arredondamento descrita anteriormente, escreva os seguintes números

    • (A) com 2 algarismos significativos e

    • (B) com duas casas decimais:

a)

0,002546

b)

0,03967

c)

0,000455

d)

0,0000753

e)

4,4798

f)

17,965

g)

0,00751

h)

0,00750

i)

0,000850

j)

0,000853

k)

278

l)

9413

m)

18975,47

n)

947,3

o)

254679,4

  • 2. Foi realizada uma série de medidas de comprimento de uma peça metálica com um instrumento de precisão p = 0,02 mm e foram encontrados os seguintes

resultados:

 

17,46

17,48

17,54

17,46

17,48

17,46

17,52

17,50

Determinar:

  • a) o valor médio

 
  • b) o desvio padrão

  • c) o desvio padrão da média (incerteza estatística)

  • d) a incerteza residual

  • e) a incerteza padrão

  • f) escrever o resultado da grandeza

    • 3. Foi realizada uma série de medidas do diâmetro de uma peça metálica com um instrumento de precisão p = 0,05 mm e foram encontrados os seguintes resultados:

25,25

24,95

25,85

25,10

25,55

24,90

24,95

25,15

25,65

25,85

Determinar:

 
  • a) o valor médio

  • b) o desvio padrão

  • c) o desvio padrão da média (incerteza estatística)

  • d) a incerteza residual

  • e) a incerteza padrão

  • f) escrever o valor da grandeza

4.

A medida da largura de um corte em uma peça metálica feita com uma régua

graduada em milímetros, resultou na seguinte tabela:

56

54

54

52

52

52

52

53

53

53

Determinar:

  • a) o valor médio

  • b) o desvio padrão

  • c) o desvio padrão da média (incerteza estatística)

  • d) a incerteza residual

  • e) a incerteza padrão

  • f) escrever o valor da grandeza

3. Introdução à construção de gráficos

Embora o uso de gráficos seja uma linguagem utilizada com freqüência na

Física para se discutir e explorar conceitos, os procedimentos para a construção e

interpretação de gráficos são ainda desconhecidos por muitos. Para a utilização de

forma adequada desta “linguagem matemática”, é fundamental que se tenha

conhecimento de como construir gráficos “manualmente”, razão pela qual iremos

discutir com detalhe esse assunto.

Existem duas razões básicas para se construir gráficos. A primeira, é que em

diversas situações, utilizamos um método gráfico para realizar a estimativa de uma

determinada grandeza através do coeficiente angular de uma reta média, ou através do

seu coeficiente linear. No entanto, esta aplicação não é uma das mais importantes,

principalmente quando a reta média é feita de forma visual.

A segunda razão, é que os gráficos são um auxiliar importante para a

“visualização” de um determinado fenômeno, e que às vezes se torna difícil de ser

observado quando os resultados são dados na forma de tabelas.

A escala mais simples de se trabalhar é a escala linear. Uma escala linear é

aquela em que a coordenada de um ponto é proporcional à grandeza que ela

representa. Em uma escala linear, costumamos definir o chamado “Módulo de

Escala”, que é a razão entre a variação da grandeza que se quer representar e o

comprimento do papel disponível para um eixo.

Assim, por exemplo, se o comprimento do papel disponível para o eixo x é

L = 18 cm, e a grandeza varia de 0 a 29 s, o “Módulo de Escala” será dado por:

m X

=

G

( 29

0)

s

L

18

cm

cm

cm

=

=

1,61

s

2,0

s

ou seja, cada cm do eixo corresponde a 2 s.

No exemplo mostrado anteriormente, arredondou-se o módulo de escala para

um valor maior que o calculado. Esta prática é aconselhável, pois torna o módulo de

escala mais fácil de se trabalhar e permite utilizar todos os valores da grandeza. Se

tivéssemos arredondado o módulo para 1,6 s/cm, necessitaríamos mais do que 18 cm

para representar o último valor da grandeza (29 s), além de ser muito mais trabalhoso

para a construção do gráfico. Como procedimento geral, iremos adotar módulos de

escala fáceis de trabalhar, quais sejam: (1; 2; 5).10 ±n (sendo “n” um inteiro).

Quando se está construindo um gráfico cartesiano de uma grandeza y que varia

em função de uma grandeza x (escreve-se y vs x para falar sobre o gráfico com y na

vertical e x na horizontal), é importante a observação de uma série de cuidados,

mesmo quando se utiliza um programa de computador (e principalmente nesses

casos). Alguns desses cuidados são:

  • a) utilize módulos de escala fáceis de operar e interpretar ou indique claramente o módulo de escala para cada eixo (ver comentário acima);

  • b) trace os eixos e indique as grandezas com as respectivas unidades entre parênteses; no eixo horizontal é usual colocar essa informação abaixo do eixo e no eixo vertical ao lado esquerdo;

  • c) segundo convenção, a variável independente deverá estar no eixo horizontal e a dependente no eixo vertical, isto é, coloque a causa no eixo horizontal e o efeito no eixo vertical;

  • d) coloque na parte superior do gráfico o título do gráfico;

  • e) gradue os eixos em espaços regulares, de cm em cm ou de 2cm em 2cm; evite deixar muito espaçamento entre as graduações, ou acumular muitos números nos eixos;