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Materiais de Construção I – Notas de aula – 2018.

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Unidade I –
NORMALIZAÇÃO
1. Norma e lei.

Norma é uma regra de conduta, podendo ser jurídica, moral, técnica, religiosa, esportiva, etc.
Norma jurídica é o instrumento de definição de toda regra de conduta imposta, exigida, admitida ou
reconhecida pelo ordenamento jurídico, tais como as Leis, o Direito Costumeiro (admitido em muitos
países) e a Jurisprudências. A Lei é apenas uma das formas de expressão das Normas Jurídicas.
Lei é toda norma expressa (formalmente escrita) emanada por um poder legislativo constituído. Toda Lei é
uma norma de direito pertencente ao ordenamento jurídico de um Estado.
Portanto:Toda Lei é uma Norma, mas nem toda Norma é uma Lei.
2. Norma Técnica
As normas técnicas são normas estabelecidas de acordo com um consenso entre pesquisadores e
profissionais da área e aprovada por um organismo nacional ou Internacional reconhecido. As normas
técnicas estabelecem regras, diretrizes, características, especificações, orientações ou recomendações
sobre determinado material, produto, processo ou serviço, com a finalidade deorientar e disciplinar o
padrão de qualidade dos materiais e dos processos produtivos.
As normas asseguram as características desejáveis de produtos e serviços, como qualidade, segurança,
confiabilidade, eficiência, intercambialidade, bem como respeito ambiental – e tudo isto a um custo
econômico.
O não cumprimento das normas técnicas levam, quase sempre, a ocorrências de falhas, defeitos,
incompatibilidades, desperdícios, prejuízos e insegurança aos materiais e processos produtivos.
As Normas Técnicas apresentam algumas vantagens:
- Tornam o desenvolvimento, a fabricação e o fornecimento de produtos e serviços mais eficientes, mais
seguros e mais limpos;
- Facilitam o comércio entre países tornando-o mais justo;
- Fornecem aos governos uma base técnica para saúde, segurança e legislação ambiental, e avaliação da
conformidade;
- Compartilham os avanços tecnológicos e a boa prática de gestão;
- Disseminam a inovação;
- Protegem os consumidores e usuários em geral, de produtos e serviços; e
- Tornam a vida mais simples provendo soluções para problemas comuns.
Normas técnicas nacionais – são as normas técnicas elaboradas por cada país com atuação dentro de seu
território.
Estados Unidos: American Society for TestingandMaterials (ASTM) e American Concrete Institute (ACI).
Inglaterra: British Standard (BS).
Portugal: Normas Portuguesas (NP).
Brasil: Normas Brasileiras (NBR).
Alemã: Deutsche InstitutfürNormung (DIN; Instituto Alemão de Normatização)
Francesa: Association Française de Normalisation (ASFNOR)
Japonesa: Japanese Industrial Standards (JIS)
Japonesa: Japanese Engineering Standard (JES)) in 1921
Indiana: IS
Espanhola: UNE
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Italiana: UNI
Chinesa:
Normas Internacionais – são normas técnicas elaboradas e adotadas por um conjunto de países.
- Normas Europeias (EN) – elaboradas pelo Comité Europeu de Normalização (CEN), Comité Europeu de
Normalização Electrotécnica (CENELEC) e o EuropeanTelecommunications Standards Institute (ETSI).
- Normas CEB/FIB – Comité euro-internationaldubéton / FédérationInternationaleduBéton (FIB) (Suíça).
- Normas do Mercosul (NM).
Normas Brasileiras
ABNT NBR, também denominada de NBR, é a sigla para Norma Brasileira aprovada pela Associação
Brasileira de Normas Técnicas (ABNT). A ABNT é uma entidade privada sem fins lucrativos que estabelece
normas técnicas no Brasil.
Nomenclatura: ABNT NBT 0000:2017 ABNT NBT 0000-1:2017
Exemplos:
ABNT NBR 15575-1:2013 - Edificações Habitacionais – Desempenho – Parte 1: Requisitos Gerais.
ABNT NBR 6118:2014 - Projeto de Estruturas de Concreto – Procedimento.

NBR NM 67:1998 - Concreto - Determinação da Consistência Pelo abatimento do tronco de cone.

Obrigatoriedade das normas técnicas


A norma é, por princípio, de uso voluntário, isto é, não são obrigatórias, pois são elaboradas por uma
instituição privada e não pelo poder público constituído. Entretanto, há leis brasileiras e normas
regulamentadoras emanadas pelo poder público que exigem o cumprimento de algumas NBRs. Portanto,
faz-se necessário verificar se há algum dispositivo no ordenamento jurídico ou emanado pelo poder público
que adote ou consigne o cumprimento de alguma NBR.O Código de Defesa do Consumidor estabelece o
cumprimento de algumas NBRs.

Em campos mais restritos temos as seguintes entidades:

IBC – Instituto Brasileiro do Concreto


ABCP – Associação Brasileira de Cimento Portland
IBP - Instituto Brasileiro do Pinho

Unidade II – PROPRIEDADES DOS MATERIAIS

1. Propriedades físicas
massa específica, densidade, porosidade, capilaridade, higroscopicidade, gelividade, compacidade,
condutibilidade térmica e elétrica, calor específico, coeficiente de dilatação, permeabilidade, anisotropia,
transparência e opacidade, granulometria;
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2. Propriedades mecânicas
resistências à compressão, à tração, à flexão, ao cisalhamento, à punção e à abrasão, dureza, deformação,
módulo de elasticidade, viscosidade, fragilidade e ductilidade, plasticidade e elasticidade, fadiga, fluência,
relaxação e retração;
3. Propriedades químicas
composição, estrutura molecular, cristalina e amorfa, solubilidade, eletronegatividade, pH e afinidade
química.

Dureza: Está relacionada com a capacidade de deformação do material, representada (NBR 6576) pelo
índice de penetração (em décimos de mm ou cm) de uma agulha padrão de diâmetro de 1mm a 1,2mm,
aplicada durante 5 segundos sobre uma amostra padronizada a 25ºC.Um material muito duro pode trincar
sob baixas temperaturas, devido à sua provável pouca ductilidade e, caso apresente baixa dureza, poderá
escorrer em altas temperaturas;

• Ponto de amolecimento: Refere-se à temperatura de referência para a aplicação do material, a partir da


qual o material se torna mole. Em geral, quanto mais alto o ponto de amolecimento, melhores as condições
de uso do material, uma vez que não amolecerá em dias quentes, sendo necessário, por outro lado, maior
calor para os trabalhos de aplicação (maior risco de explosão). Está diretamente relacionado com a dureza.
A determinação (NBR 6560) é realizada a partir da fundição e moldagem do material em anel vazado
padronizado, sobre o qual é assentada uma bola de aço também padronizada, sendo o conjunto aquecido
de modo que a bola desça de nível gradativamente até que, a uma dada temperatura (ponto de
amolecimento), atinja uma placa de referência;

• Viscosidade: Trata-se da resistência oposta por um fluido à deformação sob a ação de uma força. O
ensaio brasileiro normalizado (NBR 5847) é o de viscosidade absoluta, com base no tempo de escoamento
do material em vasos especiais calibrados com óleos de referência a uma dada temperatura;

• Ductilidade: É a capacidade do material se deformar sem romper ou apresentar fissuras. É de


fundamental importância para a escolha do material a ser utilizado na impermeabilização, uma vez que
avalia a plasticidade do material, necessária quando a base está sujeita a dilatações volumétricas
diferenciadas (concreto, madeira, metal). A avaliação é realizada (NBR 6293) por meio da medida da
extensão da amostra padrão (em formato de “gravata borboleta” sob tração controlada);

• Massa específica: Refere-se à densidade do material, de grande importância para avaliação da


uniformidade e do teor de impurezas, podendo ser determinada a partir do processo de balanças
hidrostáticas;

• Ponto de fulgor: Representa a temperatura na qual os gases desprendidos do material se inflamam


(rápida explosão), mesmo que temporariamente, acima da qual se encontra o ponto de combustão (ou
ponto de incêndio, em cuja temperatura a amostra continua a queimar por, no mínimo, 5 segundos). Estão
relacionados com a segurança do aplicador, de modo que a temperatura de aplicação deve-se situar, pelo
menos, 20ºC abaixo do ponto de fulgor. A determinação (NBR 13341) é efetuada pelo método de
Cleveland, no qual ocorre uma passagem de chama sobre amostra padrão até a ocorrência de lampejos
inflamados;
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1. Inorgânicos: Produto de origem mineral com constituintes minerais que, para a sua aplicação, se
apresenta sob forma pulverulenta e que na presença de água forma uma pasta com propriedades
aglutinantes.

São compostos químicos formados, em geral, por processos inorgânicos, o qual tem uma composição
química definida e ocorre naturalmente na crosta terrestre.

Classificação

• Quanto à reatividade química

inertes: barro,

ativos: cal, gesso, cimento.

• Quanto à resistência a ação dá água

Aglomerante Aéreo: Aglomerante cuja pasta apresenta a propriedade de endurecer por reações de
hidratação ou pela ação química do gás carbônico (CO2) presente na atmosfera e que, após seu
endurecimento, não resiste satisfatoriamente quando submetido à ação prolongada da água.

Aglomerante Hidráulico: Aglomerante cuja pasta apresenta a propriedade de endurecer apenas pela
reação com a água e que após endurecimento, resiste satisfatoriamente, quando submetidos à ação da
água.