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Topicos: O que é sindrome do pânico?

é um transtorno de ansiedade

Sintomatologia
 O transtorno do pânico (TP) é caracterizado pela presença de ataques de pânico recorrentes que consistem
em uma sensação de medo ou mal-estar intenso acompanhada de sintomas físicos e cognitivos e que se
iniciam de forma brusca, alcançando intensidade máxima em até 10 minutos. Estes ataques acarretam
preocupações persistentes ou modificações importantes de comportamento em relação à possibilidade de
ocorrência de novos ataques de ansiedade. Scocco et al.descreveram que cerca de 90% dos pacientes com
TP experienciaram transição de papéis e que 40% tiveram perdas no ano que antecedeu o início do TP.

É característico o caráter súbito do evento, aparentemente sem relação com o ambiente, bem como, a
rápida progressão e curta duração de sintomas cognitivos, afetivos e somáticos, como pode ser
observado nesse relato. Os sintomas somáticos mais frequentes são os cardíacos (ex.; taquicardia, dor no
peito), gastrointestinais (ex.: náusea, dor epigástrica) e neurológicos (ex.: tontura, cefaleia, parestesias).5

É muito frequente, também, o desenvolvimento de comportamentos de evitação fóbica, muitas vezes


relacionada às situações nas quais os pacientes tiveram crises, porém não se restringindo a essas
situações. É muito frequente desenvolverem um quadro denominado de Agorafobia, que se caracteriza
por evitarem situações onde possa ser difícil ou embaraçoso sair, no caso de ter um Ataque de Pânico
(ônibus, aviões, cinema, reuniões, etc.) ou, ainda, situações onde a ajuda nãoesteja disponível.

Pânico e a sensação de desamparo

 O estabelecimento da lei se institui como um modo de amparo simbólico aos sujeitos, pois,
ao mesmo tempo em que priva e limita, protege e ampara. Essa relação entre lei e amparo
é essencial à vida em comunidade, tal como Freud (1913/1975c) apontou em Totem e
Tabu. Sem dúvida, as mudanças no referencial de lei têm trazido repercussões nos modos
de organização subjetiva, levando a uma crise de referências simbólicas e criando novas
formas sintomáticas de mal-estar.

A angústia do ataque de pânico tem como determinante a ocorrência de uma situação


traumática, cuja essência é a experiência de desamparo vivido pelo ego devido ao acúmulo de
excitação interna com a qual ele não pode lidar. Assim, segundo Rocha (2000, p. 67), o
transtorno de pânico emerge como uma “tentativa desesperada para representar de alguma
forma a inominável angústia do desamparo na sua forma extrema.

"A atmosfera do terror" por Biswangeer


 O Terror se dá na vivência direta do abismo, no distanciamento que há entre o Si e as
coisas. A existência4 é uma condição abissal, pois no seu espacializar, ela se faz sobre o
nada. Ela não é fundamentada, não é com o mundo, mas no mundo, ou seja, em relação a
ele. O Terror é uma forma de Angústia, e essa última é o sentimento privilegiado que
revela ao Da-sein seu modo de ser sobre o nada.

O "ter-que-ser-si-mesmo", dá-se, no entendimento heideggeriano, como projeto (Entwurf).


Entendendo o ser como projeto em acordo com a categoria da espacialidade, podemos dizer
que o primeiro é como um elo que nos conecta às coisas que nos circundam. Quando esses
elos que construímos com o mundo perdem seu fundamento, o nada sobre o qual eles foram
construídos torna-se evidente, e a angústia torna-se o sentimento prevalente. Ou seja, se os
projetos de determinado sujeito quedam ameaçados, é a existência mesma que perde seu
fundamento, como se já não tivesse laços que a una às coisas do mundo; em termos
binswangerianos, essa existência torna-se malograda.
Daqui podemos deduzir o pânico, como modo de experiência de um terror atmosférico que
ameaça o ser de fora, sem se mostrar em nenhum ente específico, mas no espaço como um
todo. Daí que as crises de pânico quando muito recorrentes podem desenvolver o que em
psiquiatria chama-se agorafobia, ou seja, em um pavor inespecífico a espaços amplos e vagos,
como apontado por Pereira

PÂnico e o deus pã

 Pã é um “deus, que de acordo com o sentir dos Gregos era “a causa presente-ausente de tudo o
que não tem causa, a razão daquilo que não tem razão em particular; duas totalizações
paradóxicas nas quais uma coletividade pacífica se muda, subitamente, numa horde selvagem”
 Pã e a representação do espirito indomavel da natureza, metade homem - metade bode
 Pã freqüentava os pastos e os bosques da Arcádia e era a personificação da fertilidade e do
espírito fálico e selvagem da natureza indomada. Entretanto, ocasionalmente era gentil com os
homens cuidando dos rebanhos e das colméias.
 É de seu nome que deriva a palavra pânico, pois o irreverente deus se divertia assustando os
caminhantes solitários das florestas com gritos assustadores.
 Tornou-se símbolo do mundo por ser associado à natureza e simbolizar o universo. Está
associado à astúcia bestial.
 O Pânico é uma experiência numinosa, estamos diante de um evento tremendo, que chacoalha
toda a base da vida da pessoa: o corpo subitamente torna-se portador de uma experiência global
de irracionalidade nua e crua, de ‘um outro’, estranho e aterrorizador. A eclosão do pânico é a
experiência da presença absoluta do desconhecido, expressa pelo terror.

Representação de Clarck

uma das teorias mais aceitas e com grande utilidade prática segue a teoria cognitivo-comportamental.
Segundo Clark29, os ataques de pânico derivam de interpretações catastróficas disfuncionais de certas
manifestações corporais. A suposição é centralizada no processamento inadequado de informações vindas de
um estímulo externo (ruído, luminosidade) ou interno (sensação de taquicardia,sudorese, vertigem). A
interpretação é de perigo iminente, o que dispara ou intensifica as sensações corporais, confirmando o
“perigo” e gerando, então, mais interpretações catastróficas e ansiedade em uma espiral crescente e rápida.