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MATERIAL DE APOIO

CURSO DE FORMAÇÃO DE PROFESSORES


Habilitação de Professores da Educação Infantil ao Ensino Fundamental
(1º ao 5ºano)

Organização: Profª Vergilia Costa

2012
1
© 2012, IMEC Ltda
Rua Manuel Martins, 16
CEP: 21.310-240 – Madureira – Rio de Janeiro/RJ
Telefax: (21) 3355-3377
www.imec-edu.com.br
imec-edu@uol.com.br

Obra organizada pelo Instituto RANGEL, Jamille e COSTA, Vergilia dos Anjos
Mendonça da Costa Educacional Mendonça da
Ltda – IMEC para fins didáticos a
ser utilizada no Curso de Psicologia da Educação
Formação de Professores, na
modalidade Normal. Rio de Janeiro: IMEC, 2012.

Informamos que é de inteira 1. Psicologia


responsabilidade do autor os 2. Metodologias
conceitos e fundamentações 3. Desenvolvimento
emitidos. 4. Aprendizagem
5. Educador
A edição desta obra é de
responsabilidade do IMEC.

Se não morre aquele que planta uma árvore


e nem morre aquele que escreve um livro,
com mais razões não deve morrer o educador.
Pois ele semeia nas almas
e escreve nos espíritos.

Bertold Brecht

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SUMÁRIO
APRESENTAÇÃO 4

I. PSICOLOGIA 5
1.1. Conceito
1.2. Psicologia científica x Psdicolopgia do senso comum
1.3. Objeto de estudo

II. PSICOLOGIA DA EDUCAÇÃO 6


2.1. História da Psicologia da Educação
2.2. Conceito da Psicologia da Educação

III. TEORIA E SISTEMAS DA PSICOLOGIA 8


3.1. Behaviorismo
3.2. Gestalt
3.3. Psicanálise
3.4. Psicologia Humanista
3.5. Psicologia Analítica

IV. CAMPOS DE APLICAÇÃO 20


4.1. Psicologia Clínica
4.2. Psicologia do Esporte
4.3. Psicologia Escolar
4.4. Psicologia Social
4.5. Psicologia Organizacional e RH
4.6. Psicologia da Saúde e Hospitalar

V. PSICOLOGIA DO DESENVOLVIMENTO : PRINCIPAIS TEORIAS 21


5.1. Sigmund Freud
5.2. Erik Erikson
5.3. Jean Piaget
5.4. Lev Vygotsky
5.5. Konrad Loren
5.6. Henri Wallon
5.7. Skiner
5.8. Albert Bandura
5.9. Bronfenbrenner
5.10. Gesell

VI. APRENDIZAGEM 28
6.1. Conceito Geral de Aprendizagem
6.2. Elementos da comunicação
6.3. Ensino x instrução
6.4. Aprendizagem Informal e formal
6.5. Modelos de ensino formal
6.6. Domínios de aprendizagem
6.7. Princípios da aprendizagem
6.8. Fatores da aprendizagem

REFERÊNCIAS 35

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APRESENTAÇÃO
Caro/a Aluno/a,

Apresentamos o material de apoio sobre Psicologia da Educação, buscando definir os


conhecimentos que devem descrever e explicar os processos de ensino e aprendizagem, para
posteriormente permitir a elaboração de projetos/propostas de intervenção na escola. Com esta
perspectiva espera-se que o futuro professor possa olhar, ler, compreender a estrutura social, e
principalmente, desencadear ações a partir de seu objeto específico de trabalho – o conhecimento – no
sentido da construção de uma nova ciência, educação, política, ética e cultura.
Portanto, existe para o professor de qualquer campo de conhecimento ou prática a
necessidade concreta de estudar, discutir coletivamente e construir a condição de produzir a sua prática
pedagógica e, com isto colaborar para uma educação de qualidade.
Este material permite não somente a ampliação dos conhecimentos, de forma prazerosa e
significativa, mas também apresentar as concepções teóricas e práticas da organização do trabalho
pedagógico escolar, como trabalho concreto, e foram contemplados alguns temas para abordarmos as
práticas atuais no ensino das diferentes áreas do ensino fundamental.
O material dá destaque ainda a um dos pontos fundamentais no trabalho com o Ensino
Fundamental – a formação do educador, ressaltando que, além da necessidade de uma formação contínua,
os educadores devem perceber a realidade social e a condição de seus educandos, proporcionando-lhes um
ensino que possibilite reflexão e criticidade, de modo que possam compreender os múltiplos mecanismos
sociais. Tem, portanto, como objetivo ampliar, esclarecer e atualizar as bases teóricas já definidas,
especialmente, à função social da educação, à ação pedagógica e às implicações desses aspectos na
definição do caráter da docência, ou seja, do papel das professoras e professores.
Nosso material está organizado em quatro unidades e no decorrer delas são apresentadas:
a) Atividades;
b) Sugestões de pesquisas;
c) Sugestões de leituras;
d) Sugestões de discussões;
e) Sugestões de filmes, vídeos.
É importante que você atenda às sugestões no sentido de ampliar sua experiência e sua
reflexão sobre as questões relativas ao domínio das habilidades necessárias ao trabalho com as crianças
dos primeiros anos do ensino fundamental.
Quanto mais você ampliar sua própria experiência com leituras, pesquisas, trocas de
experiências etc mais compreenderá como se dá o trabalho docente com os alunos da educação infantil, o
que se reverterá em benefício para você e para seus futuros alunos.
Bom trabalho!

Jamille Rangel e Vergilia Costa

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I. sicologia

O termo “Psicologia” tem origem grega, sendo derivado da


junção de duas palavras - Psyché e logos - significando o “estudo
da mente ou da alma”. Mas, vejamos: como se define
Psicologia?
Em meio a uma gama variada de definições, hoje, define-se
Psicologia como a ciência que estuda o comportamento e os
processos mentais do ser humano.

1.1. Conceito

Psicologia é a ciência que estuda o comportamento humano, as interações dos organismos com o seu
ambiente. Dependendo do enfoque e conhecimento de homem que está sendo utilizado, a psicologia pode
ter vários conceitos, dentre eles: ciência que estuda os seres humanos e seus processos psíquicos.

A Psicologia lida com o desenvolvimento e com o funcionamento dos processos de memória que nos
permitem desde armazenar um número de telefone enquanto procuramos um papel e uma caneta, até
reconhecermo-nos como diferentes das demais pessoas e com uma identidade própria a partir das
lembranças de nossa própria história. A Psicologia ainda, investiga como a linguagem e o pensamento se
interrelacionam, permitindo a construção de conhecimento e o relacionamento afetivo e social.

A Psicologia combina-se com os conhecimentos de outras ciências humanas, estudando as relações dos
seres humanos com as instituições, com os grupos e com a sociedade, esta entendida como processo em
permanente mudança. Nesses estudos, a Psicologia procura concentrar seu olhar sobre os indivíduos, e
mostrar como a subjetividade, isto é, o “jeito de ser” de cada um, se constitui nas relações sociais
estabelecidas durante toda a vida.

Aplicada ao processo educativo, a Psicologia visa, sobretudo, facilitar a ação dos agentes educacionais.
Reúne as contribuições voltadas para o entendimento de como as pessoas aprendem, as teorias
psicológicas da aprendizagem, e os estudos sobre o desenvolvimento humano, a fim de compreender a
aprendizagem e o desenvolvimento do aluno no contexto da escola, na família e na comunidade.

1.2. Psicologia científica x Psicologia do senso comum

O tipo de conhecimento que vamos acumulando no nosso cotidiano é chamado de senso comum.
Exemplos:
a) a dona de casa, quando usa a garrafa térmica para manter o café quente, sabe por quanto tempo
ele permanecerá razoavelmente quente, sem fazer nenhum cálculo complicado e, muitas vezes,
desconhecendo completamente as leis da termodinâmica.
b) a professora sabe que se recompensar a boa disciplina do aluno do curso primário com uma
estrelinha no caderno, pode aumentar o comportamento desse aluno ser obediente na sala de
aula.
c) a mesma recompensa da letra “b” pode servir de exemplo para os outros alunos.
d) a namorada sabe que se marcou um encontro com o namorado para às 20h e ele chegou às 21h,
pode ficar de cara fechada com intenção de puni-lo por tê-la feito esperar.

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Na letra “a” a pessoa sem saber sobre Física sabe conseguir o efeito esperado no ambiente. Nas letras “b”,
“c", “d”, as pessoas agiram com intenção de modificar o comportamento de alguém, mas sem saber de leis
ou teorias da psicologia.

O conhecimento do senso comum é intuitivo, espontâneo, de tentativas e erros. É um conhecimento


importante porque sem ele a nossa vida no dia-a-dia seria muito complicada. O senso comum percorre um
caminho que vai do hábito à tradição, que passa de geração para geração. Integra de um modo o
conhecimento humano.

A utilização de termos como ‘rapaz complexado’, ‘mulher louca’, ‘menino hiperativo’ expressa a
comunicação do senso comum acerca do comportamento humano, que muitas vezes não ocorre de
maneira científica. Os termos podem até ser da psicologia científica, mas são usados sem a preocupação de
definir as palavras.

Ciência é um conjunto de conhecimentos sobre fatos ou aspectos da realidade obtidos por meio de
metodologia científica.

Quando buscamos definir, descrever e prever comportamentos estamos fazendo ciência. Quando fazemos
ciência, baseamo-nos na realidade cotidiana e pensamos sobre ela. Quando bem utilizada, a ciência
permite que o saber seja transmitido, verificado, utilizado e desenvolvido.

1.3. Objeto de estudo

O objeto de estudo dessa ciência admite:


 as funções básicas do comportamento humano (aprendizagem, memória, linguagem, pensamento,
emoções e motivações);
 questões sociais, típicas da natureza gregária e das formas de vida social do Ser humano;
 os ciclos de vida e os aspectos do processo de desenvolvimento do Ser humano;
 a saúde, suas perturbações e as patologias apresentadas pelo Ser humano, bem como pelas
organizações humanas.

Assista os vídeos que tratam da Introdução à Psicologia - Lição 01 e 02 parte 01 -


http://www.youtube.com/watch?v=AAJPwZ0Csr0&feature=related e
http://www.youtube.com/watch?v=KYSmbhw5Mxk&feature=relmfu.

II. sicologia da Educação


Falar da Psicologia Escolar engloba agentes da educação, tais como: sujeito aprendente, o sujeito mediador
a situação de aprendizagem. Esta engloba teorias, encaminhamentos que são a via para a interação no
aprendizado. O interesse pela educação, suas condições e seus problemas, foi sempre uma constante entre
filósofos, políticos, educadores e psicólogos.

2.1. Histórico da Psicologia da Educação

Com o desenvolvimento da Psicologia como Ciência e como área de atuação profissional, no final do século
XIX, várias perspectivas se abriram, fato que também ocorreu à chamada Psicologia Educacional.

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Durante as três primeiras décadas do século XX a psicologia aplicada à educação teve enorme
desenvolvimento. Nos EUA destacava-se a necessidade de um novo profissional, capaz de atuar como
intermediário entre a psicologia e a educação.

Três áreas destacaram-se: as pesquisas experimentais da aprendizagem; o estudo e a medida das


diferenças individuais; psicologia da criança. Até a década de 50, a Psicologia da educação aparece como a
'rainha' das ciências da educação.
Seu conceito: uma área de aplicação da psicologia na educação. Psicologia Educacional era um ramo
especial da Psicologia, preocupado com a natureza, as condições, os resultados e a avaliação e retenção da
aprendizagem escolar. Ela deveria ser uma disciplina autônoma, com sua própria teoria e metodologia.

Durante a década de 50, o panorama muda. Começa-se a duvidar da aplicabilidade educativa das grandes
teorias da aprendizagem, elaboradas durante a 1ª metade do século XX. Prenuncia-se uma crise ...

Surgem outras disciplinas educativas tão importantes á educação quanto a psicologia, e esta precisa ceder
espaço.

Na década de 70, assume o seu caráter multidisciplinar, que conserva até hoje.

Não mais é considerada como a psicologia aplicada á Educação.

Atualmente, a Psicologia da Educação é considerada um ramo tanto da Psicologia como da Educação, e


caracteriza-se como uma área de investigação dos problemas e fenômenos educacionais, a partir de um
entendimento psicológico.

2.2. Conceito de Psicologia da Educação:

Quando se fala, hoje, em 'Psicologia da Educação', vários termos são utilizados indiscriminadamente como
sinônimos, tais como: psicopedagogia, psicologia escolar, psicologia da educação, psicologia da criança, etc.
A lista poderia ser alongada. Esta imprecisão na linguagem, e esta confusão entre disciplinas ou atividades
não são exatamente passíveis de sobreposição, pois cada qual têm suas definições e limitações.

A Psicologia da Educação tem por objeto de estudo todos os aspectos das situações da educação, sob a
ótica psicológica, assim como as relações existentes entre as situações educacionais e os diferentes fatores
que as determinam.

Seu domínio é constituído pela análise psicológica de todas as facetas da realidade educativa e não apenas
a aplicação da psicologia à educação.

Seu maior objetivo é constatar ou compreender e explicar o que se passa no seio da situação de educação.
Por isso, tanto psicólogos quanto pedagogos podem possuir tal especialização profissional.

A Psicologia da Educação faz parte dos componentes específicos das ciências da Educação, tal como a
sociologia da educação ou a didática. Compõem um núcleo, cuja finalidade é estudar os processos
educativos.

Atualmente, rejeita-se a ideia de que a Psicologia da Educação seja resumida a um simples campo de
emprego da Psicologia; ela deve, ao contrário, atender simultaneamente aos processos psicológicos e às
características das situações educativas.

Ela estuda os processos educativos com tripla finalidade:


 Contribuir à elaboração de uma teoria explicativa dos processos educativos – nível teórico;
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 Elaborar modelos e programas de intervenção - nível tecnológico;
 Dar lugar a uma práxis educativa coerente com as propostas teóricas formuladas - nível prático.

III . eoria e Sistemas da Psicologia


Existem milhares de abordagens teóricas em Psicoterapia. Algumas reconhecidas pelo meio acadêmico,
outras não. As principais teorias da personalidade são:

3.1. Behaviorismo:

Do termo inglês behaviour ou do americano behavior, significando conduta, comportamento – é um


conceito generalizado que engloba as mais paradoxais teorias sobre o comportamento, dentro da
Psicologia. Estas linhas de pensamento só têm em comum o interesse por este tema e a certeza de que é
possível criar uma ciência que o estude, pois suas concepções são as mais divergentes, inclusive no que diz
respeito ao significado da palavra “comportamento”. Os ramos principais desta teoria são o Behaviorismo
Metodológico e o Behaviorismo Radical.

Esta teoria teve início em 1913, com um manifesto criado por John B. Watson –
“A Psicologia como um comportamentista a vê“. Nele o autor defende que a
psicologia não deveria estudar processos internos da mente, mas sim o
comportamento, pois este é visível e, portanto, passível de observação por uma
ciência positivista. Nesta época vigorava o modelo behaviorista de SR, ou seja, de
resposta a um estímulo, motor gerador do comportamento humano. Watson é
conhecido como o pai do Behaviorismo Metodológico ou Clássico, que crê ser
possível prever e controlar toda a conduta humana, com base no estudo do meio
em que o indivíduo vive e nas teorias do russo Ivan Pavlov sobre o
condicionamento – a conhecida experiência com o cachorro, que saliva ao ver
comida, mas também ao mínimo sinal, som ou gesto que lembre a chegada de
sua refeição.

Assim, qualquer modificação orgânica resultante de um estímulo do meio-ambiente pode provocar as


manifestações do comportamento, principalmente mudanças no sistema glandular e também no motor.
Mas nem toda conduta individual pode ser detectada seguindo-se esse modelo teórico. Na sua teoria, o
organismo trabalha como mediador entre o estímulo e a resposta, ou seja, ele atravessa etapas que Tolman
denomina de variáveis intervenientes – elos conectivos entre estímulos e respostas, estas sim consideradas
ações internas, conhecidas como gestalt-sinais.

Esta linha de pensamento conduz a uma tese sobre o sistema de aprendizagem, apoiada sobre mapas
cognitivos – interações estímulo-estímulo – gerados nos mecanismos cerebrais. Assim, para cada grupo de
estímulos o indivíduo produz um comportamento diferente e, de certa forma, previsível. Tolman, ao
contrário de Watson, vale-se dos processos mentais em suas pesquisas, reestruturando a linha mentalista
através da simbologia comportamental. Ele via também no comportamento uma intencionalidade, um
objetivo a ser alcançado, com traços de uma intensa persistência na perseguição desta meta. Por estas
características presentes em sua teoria, este autor é considerado, portanto, um precursor da Psicologia
Cognitiva.

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Skinner criou, na década de 40, o Behaviorismo Radical, como uma proposta filosófica
sobre o comportamento do homem. Ele foi radicalmente contra causas internas, ou
seja, mentais, para explicar a conduta humana e negou também a realidade e a
atuação dos elementos cognitivos, opondo-se à concepção de Watson, que só não
estendia seus estudos aos fenômenos mentais pelas limitações da metodologia, não
por eles serem irreais. Skinner recusa-se igualmente a crer na existência das variáveis
mediacionais de Tolman. Em resumo, ele acredita que o indivíduo é um ser único,
homogêneo, não um todo constituído de corpo e mente.

O behaviorismo filosófico é uma teoria que se preocupa com o sentido dos pensamentos e das concepções,
baseado na ideia de que estado mental e tendências de comportamento são equivalentes, melhor dizendo,
as exposições dos modos de ser da mente humana é semelhante às descrições de padrões
comportamentais. Esta linha teórica analisa as condições intencionais da mente, seguindo os princípios de
Ryle e Wittgenstein. O behaviorismo não ocupa mais um espaço predominante na Psicologia, embora ainda
seja um tanto influente nesta esfera. O desenvolvimento das Neurociências, que ajuda a compreender
melhor, hoje, o que ocorre na mente humana em seus processos internos, aliado à perda de prestígio dos
estímulos como causas para a conduta humana, e somado às críticas de estudiosos renomados como Noam
Chomsky, o qual alega que esta teoria não é suficiente para explicar fenômenos da linguagem e da
aprendizagem, levam o Behaviorismo a perder espaço entre as teorias psicológicas dominantes.

3.1.1. Impacto do Behaviorismo na Educação

Cada professor tem alguma crença ou teoria sobre aprendizagem, que é o elemento motor de sua
estratégia de ensino. Professores que concordam com as afirmativas abaixo, são coerentes com os
psicólogos que seguem a teoria comportamentalista:

•Estudantes necessitam de notas, estrelas douradas e outros incentivos para aprender e cumprir as tarefas
escolares;
•Estudantes deveriam receber notas de acordo com padrões uniformes de resultados alcançados que o
professor estabeleceu para a classe;
•Curriculum deve ser organizado por temas que são cuidadosamente organizado em sequências.
Professores que aceitam a perspectiva comportamentalista assumem que o comportamento dos
estudantes é uma resposta a seu ambiente passado e presente e que todo o comportamento é aprendido.
Como decorrência, qualquer comportamento pode ser analisado em termos de seu histórico de reforços.
Uma vez que a aprendizagem é uma forma de modificação de comportamento, a responsabilidade do
professor é construir um ambiente em que o comportamento correto do estudante seja reforçado.

3.1.2. Impacto do Behaviorismo na Educação – modificando o comportamento não desejado

Os comportamentos não desejados do estudante na aula podem ser modificados usando-se


princípios de modificação de comportamento. Algumas recomendações para eliminar comportamentos não
desejados na aula são:

•Reforçar o comportamento desejado que seja oposto e que eventualmente substitua os padrões do
comportamento indesejado;
•Enfraquecer o comportamento indesejado removendo os eventos de reforço que mantém aquele
comportamento;
•Usando a técnica da saciação que é o procedimento que encoraja uma pessoa a engajar-se num
comportamento problema repetidamente até que se canse dele;
•Mudando as condições de estímulo que influenciam aquele comportamento;
•Usando punição para enfraquecer aquele comportamento.

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3.1.3. Impacto do Behaviorismo na Tecnologia Educacional

Os princípios do behaviorismo influenciaram o desenvolvimento de várias estratégias de utilização do


computador da educação. Uma importante aplicação do condicionamento operante introduzido por
Skinner no campo da instrução, é a instrução programada.Nesta técnica, o assunto é subdividido em
pequenas etapas, compreensíveis, cada uma seguida por uma questão que o estudante pode quase sempre
responder facilmente. O objetivo é reforçar o processo de aprendizagem através de uma resposta imediata
e a recompensa de que está fazendo certo o trabalho. Existem duas estratégias de projeto para esta
abordagem:

. Instrução programada linear: todos os estudantes seguem a mesma sequência de etapas.


. Instrução programada ramificada: as respostas dos estudantes definem o que é apresentado a seguir.

A rápida proliferação dos microcomputadores criou condições para seu uso como máquina de ensinar e
muitas linguagens e autoração de sistemas de CAI (Computer Aided Instruction) foram desenvolvidas.
Também foram desenvolvidos sistemas integrados que apoiam e facilitam a construção de CBT-Computer
Based Trainning. Tais sistemas costumam ser denominados courseware e via de regra tem um módulo para
editoração do material instrucional e outro módulo para exibição do material instrucional. Alguns tem
possibilidade conversão do material instrucional para exibição via navegador Internet. Exemplo de
instrução programada linear criada com etapas curtas e questões com resposta objetiva. A correção das
respostas é feita através de Javascript.

3.1.4. Crítica e defesa do Behaviorismo

Os críticos dizem que o behaviorismo simplifica demasiado o comportamento humano e que vê o ser
humano como um autômato, ao invés de uma criatura com vontade e metas. Independente do que os
críticos dizem, a abordagem comportamentalista exerceu uma forte influência na Psicologia aplicada,
principalmente nos Estados Unidos levando ao estudo de problemas reais relativos a comportamento. E
uma vez que aprendizagem é uma forma de mudança de comportamento, o procedimento de modificação
de comportamento desenvolvido pelos comportamentalistas foi útil a muitos professores.

3.2. Gestalt:

A psicologia se consolidou, ao longo do século XIX, como uma vertente filosófica; neste período ela
estudava tão somente o comportamento, as emoções e a percepção. Vigorava então o atomismo –
buscava-se compreender o todo através do conhecimento das partes, sendo possível perceber uma
imagem apenas por meio dos seus elementos. Em oposição a esse processo, nasceu a Gestalt – termo
alemão intraduzível, com um sentido aproximado de figura, forma, aparência.

Por volta de 1870, alguns estudiosos alemães começaram a pesquisar a percepção humana, principalmente
a visão. Para alcançar este fim, eles se valiam especialmente de obras de arte, ao tentar compreender
como se atingia certos efeitos pictóricos. Estas pesquisas deram origem à Psicologia da Gestalt ou
Psicologia da Boa Forma. Seus mais famosos praticantes foram Kurt Koffka, Wolfgang Köhler e Max
Werteimer, que desenvolveram as Leis da Gestalt, válidas até os nossos dias. Com seu desenvolvimento
teórico, a Gestalt ampliou seu leque de atuação e transformou-se em uma sólida linha filosófica.

Esta doutrina traz em si a concepção de que não se pode conhecer o todo através das partes, e sim as
partes por meio do conjunto. Este tem suas próprias leis, que coordenam seus elementos. Só assim o
cérebro percebe, interpreta e incorpora uma imagem ou uma ideia. Segundo o psicólogo austríaco
Christian Von Ehrenfels, que em 1890 lançou as sementes das futuras pesquisas sobre a Psicologia da
Gestalt, há duas características da forma – as sensíveis, inerentes ao objeto, e a formais, que incluem as
nossas impressões sobre a matéria, que se impregna de nossos ideais e de nossas visões de mundo. A união
destas sensações gera a percepção. É muito importante nesta teoria a ideia de que o conjunto é mais que a
soma dos seus elementos; assim deve-se imaginar que um terceiro fator é gerado nesta síntese.
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2.2.1. Leis da Gestalt

Observando-se o comportamento espontâneo do cérebro durante o processo de percepção, chegou-se á


elaboração de leis que regem esta faculdade de conhecer os objetos. Estas normas podem ser resumidas
como:
- Semelhança: Objetos semelhantes tendem a permanecer juntos, seja nas cores, nas texturas ou nas
impressões de massa destes elementos. Esta característica pode ser usada como fator de harmonia ou de
desarmonia visual.
- Proximidade: Partes mais próximas umas das outras, em um certo local, inclinam-se a ser vistas como um
grupo.
- Boa Continuidade: Alinhamento harmônico das formas.
- Pregnância: Este é o postulado da simplicidade natural da percepção, para melhor assimilação da
imagem. É praticamente a lei mais importante.
- Clausura: A boa forma encerra-se sobre si mesma, compondo uma figura que tem limites bem marcados.
- Experiência Fechada: Esta lei está relacionada ao atomismo, pensamento anterior ao Gestalt. Se
conhecermos anteriormente determinada forma, com certeza a compreenderemos melhor, por meio de
associações do aqui e agora com uma vivência anterior.

3.2.2. A Terapia Gestalt

A Gestalt Terapia surgiu pelas mãos do médico alemão Fritz Perls (1893-1970), que tinha grande interesse
pela neurologia e posteriormente pela psiquiatria. Por este caminho tornou-se um psicanalista. Ao elaborar
novas ideias psicanalíticas, chegou a ser expulso da Sociedade de Psicanálise. Depois de um encontro com
Freud, rompeu definitivamente com este campo de pesquisas. Em 1946, Fritz imigrou para a América,
instalando-se definitivamente em Nova York, onde conheceu seu grande colaborador, Paul Goodman.
Juntos introduziram o conceito de Gestalt Terapia, recebendo depois o apoio e o auxílio da esposa de Fritz,
Lore, e de outros autores. Foram inspirados por várias correntes, como o Existencialismo, a Psicologia da
Gestalt, a Fenomenologia, a Teoria Organísmica de Goldstein, a Teoria de Campo de Lewin, o Holismo de
Smuts, o Psicodrama de Moreno, Reich, Buber e, enfim, a filosofia oriental.

3.2.3. A Gestalt pedagogia

No campo da pedagogia, a Gestalt também encontrou terreno fértil. O russo Hilarion Petzold, radicado na
Alemanha, foi o primeiro a apresentar esta possibilidade na área educacional. Em 1977, ele cria a Gestalt
pedagogia, uma transferência dos princípios terapêuticos da filosofia da Gestalt para o contexto da
educação, com o objetivo de resolver os principais problemas pedagógicos da atualidade.

Mais de 50 anos depois da criação da Gestalt Terapia, estes princípios filosóficos conquistaram seu lugar no
panorama psicoterapêutico, bem como na educação e na área de Recursos Humanos das empresas.

3.2.4. Gestalt e Educação

Os princípios da teoria da Gestalt estão presentes na compreensão do fenômeno de aprendizagem.


Portanto, são importantes para o ensino:

- O aluno mais inteligente terá mais facilidade para obter insights.


- A experiência passada, apesar de não resolver o problema, facilita a compreensão de uma nova situação.
- O insight é facilitado se os estímulos estiverem organizados de forma a facilitar a percepção.

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- Oferecer a oportunidade de agir sobre os elementos do meio para facilitar a organização do campo
perceptivo.

Recomendações:
- A matéria deve ser apresentada de forma clara, integrada;
- Oferecer a oportunidade de agir sobre os elementos do meio para facilitar a organização do campo
perceptivo;
- Todos os elementos necessários à compreensão devem ser fornecidos;
- Manter os elementos visíveis, disponíveis no seu campo perceptivo;
- Estimular os alunos a realizar insights.
- Necessidade de boas explicações, caso contrário, a criança preencherá com fechamentos os elementos
faltantes. Esses elementos utilizados podem ser retirados de sua fantasia.

3.3. Psicanálise:
É a ciência do inconsciente. É conhecida também como a ciência Arte. É a forma
de tratamento das neuroses através do processo de Livre Associação,
Interpretação de Sonhos, análise dos Atos Falhos e da Resistência. A Psicanálise foi
criada pelo grande médico neurologista judeu/Austríaco Sigmund Freud, que
viveu entre 1856 e 1939. É uma ciência de vanguarda, da maior importância para
que o homem se compreenda, se resolva e compreenda o próximo na sociedade
em que vive. No dizer de Freud “ é a profissão de pessoas que curam almas, que
não necessitam ser médicos e que não devem ser sacerdotes”. Seu propósito é
descobrir, no inconsciente dos seres Humanos, suas necessidades, complexos,
traumas e tudo que perturbe seu equilíbrio emocional.

A obra de Sigmund Freud, centrada inicialmente na terapia de doenças emocionais, também veio contribuir
em muito na área social e na pedagogia, pois o ato de educar está intimamente relacionado com o
desenvolvimento humano, especialmente do aparelho psíquico.

Através das reflexões feitas pelo psicanalista, podemos entender melhor enquanto educadores, como se
processa em nossos educandos o desenvolvimento emocional e mental, pois o ser humano constitui-se
como um todo, razão e emoção.

As maiores contribuições da Psicanálise com a educação em geral se dão através do estudo do


funcionamento do aparelho psíquico e dos processos mentais, onde ocorre a aprendizagem, do estudo dos
vários tipos de pensamento, da aprendizagem através dos processos de identificação e dos processos de
transferência que ocorrem na relação professor-aluno.

Segundo Freud, os estudos psicanalíticos devem direcionar-se mais a


auxiliar o educador na difícil tarefa de educar, missão quase impossível
de ser realizada plenamente, pois o ser humano vive numa constante
luta entre suas forças internas, regidas pelo princípio do prazer (id) e as
forças externas que impõem juízos de valor (superego) sobre esses
desejos. O educador precisa ajudar o educando a buscar esse equilíbrio
na construção do eu (ego) para que a aprendizagem possa ocorrer de
forma eficaz.

Revelando que o ser humano possui vários tipos de pensamento (prático, cogitativo e crítico), o estudo
freudiano lembra a importância que tem a escola poder proporcionar o desenvolvimento de todas as suas
dimensões, alargando assim a capacidade do sujeito buscar alternativas por si próprio e desenvolva o
prazer de aprender. Uma grande contribuição diz respeito à aprendizagem por identificação, pois mostra
que através de modelos de pessoas que lhes foram significativas o ser humano motiva-se no sentido de
equiparar a elas sua autoimagem.
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A teoria de Freud destaca a importância da relação professor-aluno. É necessário que o professor saiba
sintonizar-se emocionalmente com seus alunos, pois depende muito desse relacionamento, dessa empatia,
estabelecer um clima favorável à aprendizagem. Os estudos psicanalíticos revelam que o ser humano
transfere situações vivenciadas anteriormente, bem como demonstra resistências a experiências uma vez
reprimidas.
As teorias de Freud podem ser aplicadas ainda hoje na educação. Cada vez mais é preciso revê-las para
entender como se processa o desenvolvimento do aluno tanto emocional quanto mental. Ainda temos uma
educação que infelizmente trata os alunos como iguais, usando metodologias que ignoram as diferenças e
os professores muitas vezes não conseguem analisar mais profundamente os porquês de determinados
fracassos escolares, que certamente estão ligados a problemas emocionais ou a metodologias equivocadas
que não respeitam a forma de construção do pensamento e as etapas evolutivas dos educandos.
3.4. Psicologia Humanista:
Surgiu na década de 50 e ganhou força nos anos 60 e 70, como uma reação às ideias de análise apenas do
comportamento, defendida pelo Behaviorismo e do enfoque no inconsciente e seu determinismo,
defendido pela Psicanálise.
A grande divergência com o Behaviorismo é que o Humanismo não aceita a ideia do ser humano como
máquina ou animal, sujeitos aos processos de condicionamento. Já em relação à Psicanálise, a reação foi à
ênfase dada no inconsciente, nas questões biológicas e eventos passados, nas neuroses, psicoses e na
divisão do seu humano em compartimentos.

De forte influência existencial e fenomenológica, a Psicologia Humanista busca


conhecer o ser humano, tentando humanizar seu aparelho psíquico, contrariando assim,
a visão do homem como um ser condicionado pelo mundo externo. No existencialismo,
o ser humano é visto como ponto de partida dos processos de reflexão e na
fenomenologia, esse ser humano tem consciência do mundo que o cerca, dos
fenômenos e da sua experiência consciente.
A maior contribuição dessa nova linha psicológica é a da experiência consciente, a crença
na integralidade entre a natureza e a conduta do ser humano, no livre arbítrio,
espontaneidade e poder criativo do indivíduo.
Maslow
A realidade, para a Psicologia Humanista, deve ser exposta à temporalidade, deve ser fluída e não estática,
permitindo que ao indivíduo a perspectiva de sua totalidade, desmistificando a ideia de uma realidade
pura, confrontando-a com outras realidades. A integração entre o indivíduo e o mundo, permite que ele
sinta a realidade presente, libertando-se das exigências do passado e do futuro.

Um dos principais teóricos da Psicologia Humanista foi Abraham Maslow (1908-1970), americano,
considerado o pai espiritual do movimento humanista, acreditava na tendência individual da pessoa para se
tornar autorrealizadora, sendo este o nível mais alto da existência humana. Maslow criou uma escala de
necessidades a serem satisfeitas e, a cada conquista, nova necessidade se apresentava. Isso faria com que o
indivíduo fosse buscando sua autorrealização, pelas sucessivas necessidades satisfeitas, conforme gráfico
abaixo:

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Outro grande teórico da Psicologia Humanista foi Carl Rogers (1902-1987),
americano, que baseou seu trabalho no indivíduo. Sua visão humanista surgiu através
do tratamento de pessoas emocionalmente perturbadas. Ele trabalhou com um
conceito semelhante ao de Maslow, a que deu o nome de tendência atualizante, que
é a tendência inata de cada pessoa atualizar suas capacidades e potenciais.

Defendeu, também, a ideia de autoconceito como um padrão organizado e consciente das características
de cada um desde a infância que, à medida que novas experiências surgem, esses conceitos podem ser
substituídos ou reforçados. Para ele, a capacidade do indivíduo de modificar consciente e racionalmente
seus pensamentos e comportamentos, fornece a base para a formação de sua personalidade.

Para Rogers, os indivíduos bem ajustados psicologicamente têm autoconceitos realistas e a angústia
psicológica é advinda da desarmonia entre o autoconceito real (o que se é de fato) e o ideal para si (o que
se deseja ser). Ele acreditava que o sujeito deveria dar a direção e o conteúdo do tratamento psicológico,
por ter ele suficientes recursos de autoentendimento para mudar seus conceitos. A terapia centrada na
pessoa e não em teorias, nasceu dessa ideia.

As críticas a essa abordagem centrada na pessoa residem no fato de que indivíduos com distúrbios mais
graves, não teriam suporte emocional suficiente para um autoconhecimento e modificação de conceitos.
Porém, mesmo com essa deficiência, a abordagem centrada na pessoa, possui muitos adeptos, por
valorizar as pessoas, adaptando as teorias a elas e não elas a teoria.

A perspectiva humanista na Psicologia enfoca os aspectos mais “elevados”, mais desenvolvidos e mais
saudáveis da experiência humana e seu desenvolvimento. Dá ênfase às qualidades humanas como a
escolha, a criatividade, a autorrealização, a tolerância, como opostas a um modo mecanicista de entender o
ser humano.

A Psicologia Humanista busca aplicar suas descobertas no aprimoramento da condição humana, mudando
o meio no qual as pessoas se desenvolvem. Pressupõe que, dadas as condições apropriadas, os indivíduos
se desenvolverão numa direção desejável. O mundo, para os humanistas, é por essência um mundo inter-
humano. O enfoque está no sujeito, como o principal elaborador do conhecimento humano, por isso
mesmo a preocupação com o autoconceito (MORIN, 2007). Focaliza a atenção na pessoa, que se percebe a
si própria, na experiência como fonte principal de estudo do homem. Tanto as explanações teóricas quanto
as relativas ao comportamento são consideradas secundárias à experiência em si mesma e ao seu
significado para a pessoa.
Estudar a teoria Humanista é muito importante para o educador, pois este perceberá, através dela, que há
um grande trajeto a ser percorrido por todos. Um caminho repleto de esperança, conquistas, respeito,
desafios, ousadia e, principalmente, muito trabalho.

Essa teoria convida a todos a refletir sobre as mudanças necessárias e que devem ser buscadas, tanto
dentro como fora da sala de aula. Ela aponta para uma profunda mudança no relacionamento entre
professor e aluno, relacionamento esse capaz de provocar transformações intensas, tanto no
comportamento de ambos como na busca dos saberes. Suas observações são instigantes e levam o
professor a repensar a educação que é imposta atualmente (de cima para baixo, de acordo com o próximo
plano político). Apesar de toda intransigência do sistema educacional, essa teoria pode, sim, ser
implementada dentro da sala de aula. Os relatos das escolas que adotaram esta teoria veem para
comprovar a sua importância para o futuro da educação. Escolas que romperam com a escola tradicional,
enfrentaram as incertezas e ousaram, apesar do medo, construir a escola do futuro.

Hoje existem várias teorias que desenvolvem a aprendizagem por meio da valorização da pessoa, e a teoria
humanista inspirou muitas escolas a ousarem e colocarem essas teorias democráticas em prática. As
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escolas que apostaram nessas teorias enfrentam problemas, mas não se intimidam diante deles. Pelo
contrário, todos juntos aprendem, um com o outro, a se fortalecer e solucionar as dificuldades encontradas
pelo caminho.

É primordial aceitar que o ser humano não é estático, mas um ser em constante mudança. E assim sempre
será qualquer lugar onde houver um ser humano. Todavia, para ousar transformar uma sala de aula, ou
uma escola, o educador precisa aceitar a si próprio e ao educando em um processo de transformação vital.
Neste processo de respeito e amor ao próximo, pode-se pensar em uma escola melhor.

3.5. Psicologia Analítica:

Engloba todo o arcabouço teórico criado por Carl Gustav Jung, um trabalho denso e
essencial para a compreensão da mente humana. Muitos dos temas desenvolvidos por
Jung brotaram de suas próprias experiências pessoais. O psiquiatra suíço vivenciou
constantemente sonhos marcantes e a visão de imagens mitológicas e espirituais,
passando então a nutrir um grande interesse por mitos, sonhos e religiões, do ponto de
vista psicológico. Ele também experimentou a ocorrência de manifestações
parapsicológicas, o que suscitava em sua inteligência questionamentos cada vez mais
frequentes.

Carl Gustav Jung, psiquiatra suíço, nasceu no dia 26 de julho de 1875, na cidade de Kresswil, na Basiléia. Sua
família era muito religiosa, o pai e outros familiares eram pastores da Igreja Luterana, o que justifica o
interesse precoce de Jung pela filosofia e pelo espiritualismo. Alguns trabalhos seus, posteriormente,
desenvolverão a questão da religião e sua contribuição para o amadurecimento psicológico dos indivíduos,
bem como dos povos e civilizações. Jung buscou inspiração para o desenvolvimento de seu pensamento
nas esferas da Alquimia, da Mitologia, nos povos ancestrais da Ásia, África e nos indígenas da tribo dos
Pueblos, dos Estados Unidos. Também foi muito influenciado pela filosofia e pela religião orientais,
principalmente a indiana, e pelo I Ching.

Segundo Jung, o homem deveria ser analisado em sua integridade, na sua vida em comunidade, nunca
isolado do contexto sociocultural e universal. Os conceitos por ele criados foram batizados com expressões
imbuídas de um simbolismo profundo, que por si só já definem seu valor temático. O Inconsciente Coletivo,
por exemplo, diferencia-se já no próprio nome do universo desvendado por Freud – visto como um
depósito mnemônico e de pulsões reprimidas, significando um sistema herdado por cada geração,
dinâmico e pulsante, incessantemente ativo.

O inconsciente junguiano não pode ser meramente descrito como um conjunto de memórias legadas pelos
ancestrais, mas sim de tendências inatas para a disposição da psique. Ou seja, este oceano da mente
humana já existe ‘a priori’ – antes de tudo, no início, uma expressão tipicamente kantiana -, o homem é
concebido já com o inconsciente, que como um arquivo perpetuado ao longo do tempo traz em si,
potencialmente, toda produção mental legada pelos ancestrais. Assim, pode-se afirmar que ele é anterior à
consciência, um pequeno ponto na vastidão do universo da inconsciência. Mas o inconsciente não apenas
recebe conteúdos elaborados em tempos distantes, ele também produz seus próprios temas, rearranja os
que herdou e trabalha em conjunto com o consciente. Nesse sentido, Jung divide o Inconsciente em
Pessoal e Coletivo.

O Inconsciente Pessoal ou Individual quase se confunde com o espaço da consciência, pois suas fronteiras
são bem tênues, ele é um estrato temático mais superficial, semelhante ao de Freud, porque contém
elementos que por algum motivo foram ali reprimidos. Nele também se encontram percepções que não
foram percebidas pela consciência e memórias que esta esfera não deseja para si o tempo todo. Aqui estão
igualmente os complexos – tema desenvolvido por Jung e depois adaptado por Freud, elementos que,

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desconectados da consciência, refugiam-se no inconsciente, mas continuam a exercer influência sobre o
comportamento humano, tanto negativa quanto positiva, ao incentivar o exercício do potencial criativo do
ser. Jung lida com os complexos por meio do exame das personas – papéis sociais desempenhados pelos
indivíduos, as famosas máscaras que todos desenvolvem no processo de interação social.

O Inconsciente Coletivo – revelação essencial de Jung – é a esfera mais íntima e recôndita da psique
humana. Nela se encontram vestígios das ações naturais da mente, impressas como representações
potenciais, ou seja, automatismos desenvolvidos pela psique ao longo de milênios. Estes traços são
compartilhados por toda a humanidade e estão ao alcance de cada um, preparados para se tornarem
concretos através da ação humana. Neste estrato psíquico todos são iguais, diferenciando-se depois por
meio da experiência pessoal, na qual o homem realiza escolhas e assim atualiza uma ou outra tendência
inata, o que se processa no nível do Inconsciente Pessoal.

Os arquétipos, para Jung, são justamente os automatismos desenvolvidos pela psique, estes traços do
Inconsciente Coletivo. Cada um deles corresponde a uma circunstância apresentada pela vida,
recepcionada pela mente como um desafio a ser conquistado e transformado em conhecimento, através da
repetição exaustiva da experiência, então automatizada em nossa organização psíquica, no início mais
como disposição formal do que como conteúdo, simbolizando tão somente possibilidades, dentre as quais
o homem posteriormente escolherá a que se tornará real. Eles se traduzem em imagens primitivas,
estreitamente relacionadas à criação da nossa espécie, são embriões das características humanas, latentes
em cada ser. Segundo Jung, é em volta do centro de um arquétipo que se agrupam os complexos que têm
em comum uma carga emocional semelhante.

A teoria junguiana é muito vasta, e aqui estão delineados os conceitos principais. Mas há outros igualmente
importantes, como o processo de Individuação – processo através do qual o ser evolui de um estado de
identificação profunda com o ambiente à sua volta, para outro de sintonia com o Si- mesmo, o centro de
sua personalidade individual, de onde brota toda a energia inata da mente -, objetivo máximo da psique
humana; Eu ou ego – centro da Consciência, simboliza os impulsos inferiores da personalidade; Sombra – a
parte mais sombria do homem, legada, segundo Jung, das formas mais primitivas de vida; Sigízia, ou
arquétipo da alteridade – diz respeito à oposição entre masculino e feminino na mente, constituindo uma
elaboração voluntária do inconsciente, o “animus” corresponde à face masculina da mulher, enquanto a
‘anima’ refere-se ao lado feminino do homem; os Tipos Psicológicos, ou seja, a Personalidade.

3.5.1. O papel do professor em uma acepção Junguiana

Para Jung o papel do professor vai além de ser um mero transmissor de conteúdos, uma vez que o exemplo
que dá é muito mais importante que o método que utilize. Ele deve ser uma personalidade capaz de educar
pelo exemplo. “Sua tarefa não consiste apenas em meter na cabeça das crianças certa quantidade de
ensinamentos, mas também em influir sobre as crianças, em favor de sua personalidade total...” (Jung,
1981. p. 59). E ainda coloca uma posição da educação que exige do educador não um compromisso com
uma técnica ou método, mas consigo próprio.

Desde que o relacionamento pessoal entre a criança e o professor seja bom, pouca importância terá o
método didático correspondente ou não às exigências mais modernas. O êxito do ensino não depende do
método, de acordo com a verdadeira finalidade da escola, o mais importante não é abarrotar de
conhecimentos, mas sim contribuir para que elas se tornem adultos de verdade. O que importa não é o
grau de saber com que a criança termina a escola, mas se a escola conseguiu libertar ou não o jovem ser
humano de sua identidade com a família e torná-lo consciente de si próprio. Sem essa consciência de si
próprio, a pessoa jamais saberá o que deseja de verdade e continuará sempre na dependência da família e
apenas procurará imitar ou outros, experimentando o sentimento de estar sendo desconhecida e oprimida
pelos outros. (Jung, 1995, p.60).

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Jung considera imprescindível a educação dos adultos: “... ninguém, absolutamente ninguém, está com a
educação terminada ao deixar o curso superior.” (p.61). Além disso, o autoconhecimento e o aprendizado
contínuo devem ser para o educador uma segunda natureza: “Sua cultura não pode estacionar, pois, de
outro modo, começará a corrigir nas crianças os defeitos que não corrigiu em si próprio.” (p. 62). Ainda
aponta que

... Como personalidade, tem pois o professor tarefa difícil, porque, se não deve
exercer a autoridade de modo que subjugue, também precisa apresentar
justamente aquela dose de autoridade que compete à pessoa adulta e entendida
diante da criança. ... É preciso que ele mesmo seja uma pessoa correta e sadia; o
bom exemplo é o melhor método de ensino. Por mais perfeito que seja o método,
de nada adianta se a pessoa que o executa não estiver acima dele em virtude do
valor de sua personalidade. (p. 98).

O professor e a escola ainda contribuem para a gradual diferenciação do ego, com o objetivo formar um
indivíduo consciente. A escola contribui para o processo de desligamento da criança com a família,
ampliando sua consciência. Assim, quando Jung fala de desligar o aluno da família, está se referindo a algo
comparável a um segundo nascimento, a um rompimento de um cordão umbilical simbólico, sem o qual
não seria possível a produção de cultura.

3.5.2. As relações presentes no processo de ensino-aprendizagem

De acordo com Saviani (2000), o magistério é uma das profissões semelhantes à do médico, do assistente
social, do sacerdote (e de todos os profissionais das ciências da saúde), estando envolvidos por um par de
opostos. No caso do médico o par de oposto é formado pelo médico-que-cura e pelo paciente-que-precisa-
ser-curado. Trata-se do arquétipo do curador ferido. O médico só pode curar alguém se antes já tiver sido
ferido, é seu próprio ferimento que lhe dá a capacidade de curar, ele entende a dor do outro. Todo médico
tem um paciente dentro de si, assim como todo paciente tem um médico interior que se caracteriza por
sua própria vontade de curar-se. Então, o doente só se curará se constelar dentro dele o curador interior,
assim como o médico só terá sucesso se tiver capacidade de empatia.

3.5.3. Referindo-se agora ao arquétipo professor/aluno

Dentro do adulto, há uma criança que impele para o novo. O conhecimento do adulto torna-o rígido e
fechado com respeito á inovação. Para permanecer emocionalmente vivo, o adulto deve conservar e
cultivar o potencial de vida representado pela ingênua abertura e pela irracionalidade das experiências da
criança que ainda não sabe nada. O adulto portanto, nunca para de crescer; para de alguma forma manter
a saúde psíquica, é preciso conservar uma certa ignorância infantil. (Craig, 1978, p. 109).

E continua dizendo que um bom professor sente-se fascinado pelo arquétipo adulto instruído/criança
ignorante. Um bom professor deve, por assim dizer, estimular o adulto instruído na criança, assim como
deve o médico ativar o princípio interior de cura do paciente. Mas isso só pode ocorrer se o professor não
perder o contato com sua própria infantilidade. Seu trabalho consiste não apenas em transmitir
conhecimentos, mas também em despertar a vontade de aprender nas crianças – o que só será possível se
a criança espontânea e ávida de conhecimento estiver dentro dele.

Portanto o professor só conseguirá ensinar se já tiver passado pela condição de aluno. Sendo assim o
professor entende o aluno. É o professor quem constela na criança o adulto instruído, de modo que a faça
se aproveitar dessas informações, ampliando sua consciência. Somente tendo desenvolvido essas
habilidades nele próprio é que o professor conseguirá fazer com seu aluno as desenvolva.

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3.5.4. Os Tipos Psicológicos e a Escola

Jung postulou dois tipos psicológicos: a introversão e a extroversão; e quatro funções da consciência:
pensamento, sentimento, intuição e sensação.

A introversão se caracteriza por internalizações do mundo externo para o mundo interno do indivíduo.

A extroversão seria a exteriorização de aspectos do mundo interno de um indivíduo para o mundo externo,
no qual vive.

Jung enfatiza que todos possuem esses dois mecanismos, e só o predomínio de uma deles sobre o outro
configuraria um tipo.

Para Jung, o tipo extrovertido fornece melhores professores. Estaria então o introvertido impedido de ser
professor? A resposta é não. O que ocorre é que o professor extrovertido encontra em uma sala de aula um
ambiente que não lhe é estranho, enquanto que o professor introvertido necessita de todo um trabalho
interior para lidar com uma turma de adolescentes. Por outro lado, um professor extrovertido tenha
dificuldades em lidar com seus alunos introvertidos, a quem talvez classifique como sonhadores, distraídos
ou egocêntricos. Pode também achar difícil assumir a solidão necessária para seu próprio estudo e para a
preparação de suas aulas.

Portanto, os dois tipos têm suas vantagens e desvantagens, mas, desses dois tipos podem sair excelentes
professores, mas para isso devem estar atentos a todos os aspectos que esse trabalho implica.

Em relação às funções da consciência, elas devem ser vistas como forma de orientação, conforme assinala
o próprio Jung:

A sensação estabelece aquilo que está presente na realidade; o pensamento


permite-nos reconhecer seu significado; o sentimento indica seu valor e a intuição
aponta possibilidades como de onde vem e para onde vai, em uma dada situação.
(apud Sharp. 1993, p. 68).

A função pensamento se caracteriza pela lógica e pela razão. Não é aquele pensar longe ou estar fora do ar.
É aquele pensamento sistêmico e científico, onde se busca alcançar uma resposta ou provar algo. É o
pensar de Einstein, Newton, Descartes.

A função sensação é a percepção consciente de algum estímulo físico. É algo simplesmente sentido, não
submetido às leis da razão.

A função intuição é uma percepção inconsciente de qualquer conteúdo. É uma espécie de adaptação
instintiva. É aquela voz interior que sempre nos diz o que fazer, mas não sabemos de onde vem.

E por fim, a função sentimento. É a capacidade de sentir mediante um determinado estímulo. O sentir é,
portanto uma espécie de critério julgador, mas diferente do juízo intelectual. É a capacidade de empatia
que existem em cada um com limiares diferentes ou simplesmente a apatia.

Todos têm as quatro funções, porem uma é a função dominante, uma é a função inferior, e as outras duas
restantes são funções auxiliares.

Para Jung a função que melhor configura um perfil de um professor exemplar é a função sentimento, pois
possibilita a criação da atmosfera psíquica indispensável à aprendizagem, capaz de propiciar a constelação
do arquétipo professor/aluno.
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Deve-se dar maior importância na relação expressa, que é o desempenho do papel do professor com o
aluno, será a construção da relação professor/aluno, as outras relações serão consequências do sucesso da
primeira. Há a necessidade de conhecimentos técnicos particulares à disciplina. Mas também é preciso
ocupar-se em criar meios para propiciar um clima favorável para que a atmosfera se torne positiva, o que
inclui, certamente, alguma habilidade interpessoal e a interferência da função sentimento.

O sentimento deve vir sempre acompanho da neutralidade. O sentimento necessário não é a ira ou uma
exagerada doçura, também não é o amor, a não ser “o amor ao próximo”, não é o amor erótico nem o que
se encontra em família. Contudo a neutralidade necessária ao professor não é assim. Ela está relacionada
com a relação pedagógica. Com o Eros Pedagógico. A pedagogia deve ir no sentido de uma afetividade cada
vez menos ambígua, tomando o cuidado de não frustrar a necessidade de amor da criança, mas ajudando-a
a dominá-la dentro da escola, para que o intelecto possa se desenvolver. A relação pedagógica não é a
relação familiar. É nesse sentido em que existe o Eros Pedagógico. É aquela vontade imbatível de querer
sempre mostrar algo aos alunos. O professor está ali, ocupando aquele lugar, porque ele escolheu aquilo
para si, pois é algo que ele gosta e deseja fazer pro resto de sua vida e não sabe fazer nada mais além de
dar aulas.

A função sentimento é o processo psicológico que avalia, ao fazer julgamentos, a função sentimento pesa
valores, compara nuanças e qualidades, avalia a importância dos elementos e toma decisões em torno dos
valores que descobre. Essa função, em um nível mais primitivo, é essencialmente uma reação do tipo sim-
não, gostar-desgostar, aceitar-rejeitar. A função sentimento desenvolvida é a razão do coração, que a
razão da mente não compreende muito bem.

Há outras dimensões da função sentimento que merecem ser abordadas do ponto de vista do trabalho do
professor: não podemos esquecer que seu trabalho cotidiano, muito mais que planejar, elaborar objetivos
e aplicar instrumentos de avaliação, desemboca na lida diária com os alunos. Neste ponto a função
sentimento de identifica como função de relacionamento.

Relacionar-se, criar uma atmosfera... O desenvolvimento da função sentimento não necessita de


“programas educacionais específicos”, mas uma aula em que haja efetivo relacionamento humano parece
ser um bom campo para que ele aconteça. (Saviani, 2000, p. 179).

Essa é a melhor proposta que, para Jung, configura a jornada ideal de um verdadeiro educador, ou seja,
capaz de proporcionar o desenvolvimento intelectual e psíquico de seus alunos, tornando-os preparados
para enfrentar o mundo no qual nasceram.

Leia os textos complementares sobre os temas estudados, nos sites abaixo:


Behaviorismo: http://revistaescola.abril.com.br/historia/pratica-pedagogica/skinner-
428143.shtml?page=3
Gestalt: http://www.gestaltsp.com.br/gestalt.htm
Psicanálise: http://www.appoa.com.br/uploads/arquivos/revistas/revista16.pdf
Psicologia Humanista: http://www.slideshare.net/Anaruma/teoria-humanista-1489651
Psicologia Analítica: http://www.saudepsi.com.br/gpage3.html

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IV. ampos de aplicação
4.1. Psicologia Clínica

Sem dúvida, a mais famosa área de atuação da Psicologia, tanto que muitas pessoas ainda se admiram ao
descobrirem que existem outras possibilidades de prática psicológica. A Psicologia Clínica estuda maneiras
de lidar com os problemas humanos e é a área de atuação da psicologia que lida com a avaliação,
diagnóstico e tratamento das Doenças Mentais. Entenda-se por “problemas humanos” aqueles originados
do individuo enquanto um ser social – seus métodos podem incentivar o aparecimento ou
aperfeiçoamento das capacidades de relacionamento e ajustamento intra e interpessoal, de aprendizagem
e leitura do mundo e da realidade das pessoas. A Psicologia Clinica também é adequada ao tratamento de
problemas mais complicados como as psicopatologias e os psicossomáticos (que são doenças/sintomas
orgânicos com causas psicológicas).

Lightner Witmer, discípulo de Willhelm Wundt, foi o primeiro psicólogo a usar o termo psicologia clínica,
em 1907. Ele definiu a psicologia clinica do seguinte modo: “o estudo dos indivíduos, por observação ou
experiência, com a intenção de promover mudanças”.

4.2. A Psicologia do Esporte

Estuda os fatores emocionais que afetam a performance dos atletas e os efeitos do esporte para o bem-
estar psicológico dos indivíduos. Ansiedade, concentração, motivação, desenvolvimento interpessoal e
intrapessoal são algumas das questões trabalhadas pelo psicólogo esportivo. Em termos de
desenvolvimento mundial, podemos colocar o ano de 1986 como um divisor de águas em termos de
difusão e avanço da Psicologia Esportiva, com a fundação de várias organizações significativas em todo o
mundo. O Brasil apesar de em termos de desenvolvimento estar bem aquém da produção europeia/norte
americana, já conta com cerca de 900 profissionais atuando na área, se consolidando como líder da
América Latina no campo.

4.3. Psicologia Escolar

Basicamente o Psicólogo Escolar age como um facilitador do processo ensino-aprendizagem, atuando junto
à direção e coordenação da escola, professores, funcionários, estudantes e pais. Apesar de muitos ainda
confudirem, a Psicologia Escolar não é Psicologia Clínica ou Psicopedagogia dentro da Escola. A atuação do
Psicólogo escolar é mais macro, e visa trabalhar a instituição como um todo, sempre dentro de uma
perspectiva crítica.

A Psicologia concebe a queixa escolar como fabricada no interior de um sistema complexo de relações – em
que estão situados professores, equipe técnica e administrativa, alunos, família e a comunidade –
estruturado de certo modo e em dado momento da história da Instituição e dos seus protagonistas. Entre
os compromissos da Psicologia Escolar, destacamos o auxílio na garantia das possibilidades de acesso e
permanência na escola, contribuindo para o processo de inclusão social.

4.4. Psicologia Social

Estuda a influência e os processos cognitivos gerados pela interação social, ou seja, das consequências
psicológicas e sociais advindas do ser humano viver em sociedade. Sobre determinado ponto de vista,
poderíamos considerar toda Psicologia como sendo Psicologia Social, afinal todos somos humanos que

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vivem em sociedade. Mas a Psicologia Social guarda especificidades que a asseguram como campo
autônomo da Psicologia, a saber, a ênfase na investigação da reciprocidade individuo x sociedade. Também
abordaremos neste tópico, outros campos práticos advindos deste estudo como a Psicologia Comunitária.

4.5. Psicologia Organizacional e RH

O psicólogo organizacional esta preocupado em estudar e atuar como facilitador das relações entre pessoas
e organizações, contribuindo para o desenvolvimento de ambas. Para tanto, intervém nos processos de
trabalho, na cultura organizacional, nos intercâmbios comunicativos e muitos outros elementos da
realidade institucional.

4.6. Psicologia da Saúde e Hospitalar

Psicologia da Saúde e Psicologia Hospitalar são dois campos distintos, mas bastante entrelaçados. Enquanto
a Psicologia da Saúde busca uma visão mais macro da Saúde (com questões relacionadas a saúde pública,
epidemiologia e política), a Psicologia Hospitalar enfatiza a atuação do psicólogo dentro do Hospital.

Acesse o site e saiba um pouco mais sobre os campos de atuação da psicologia:


http://www.psicologia.pt/areas/

V. sicologia do Desenvolvimento: principais teorias.

5.1. Sigmund Freud

Propõe um novo e radical modelo da mente humana, que alterou a forma como pensamos sobre nós
próprios, a nossa linguagem e a nossa cultura. A sua descrição da mente enfatiza o papel fundamental do
inconsciente na psique humana e apresenta o comportamento humano como resultado de um jogo e de
uma interação de energias.
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Freud contribuiu para a eliminação da tradicional oposição básica entre sanidade e loucura ao colocar a
normalidade num continuum e procurou compreender funcionamento do psiquismo normal através da
genesis e da evolução das doenças psíquicas.

- Estudo do desenvolvimento psíquico da pessoa a partir do estádio indiferenciado do recém-nascido até à


formação da personalidade do adulto.
- Muitos dos problemas psicopatológicos da idade adulta de que trata a Psicanálise têm as suas raízes, as
suas causas, nas primeiras fases ou estádios do desenvolvimento.
- Na perspectiva freudiana, a “construção” do sujeito, da sua personalidade, não se processa em termos
objetivos (de conhecimento), mas em termos objetais.
- O objeto, em Freud, é um objeto libidinal, de prazer ou desprazer, “bom ou mau”, gratificante ou não
gratificante, positivo ou negativo.
- A formação dos diferentes estádios é determinada, precisamente, por essa relação objectal. (Estádios:
Oral, Anal, Fálico, Latência, Genital).

A sua teoria sobre o desenvolvimento da personalidade atribui uma nova importância às necessidades da
criança em diversas fases do desenvolvimento e sobre as consequências da negligência dessas
necessidades para a formação da personalidade

5.2. Erik Erikson

A teoria que desenvolveu nos anos 50 partiu do aprofundamento da teoria psicossexual de Freud e
respectivos estádios, mas rejeita que se explique a personalidade apenas com base na sexualidade.

- Acredita na importância da infância para o desenvolvimento da personalidade mas, ao contrário de Freud,


acredita que a personalidade se continua a desenvolver para além dos 5 anos de idade.
- No seu trabalho mais conhecido, Erikson propõe 8 estádios do desenvolvimento psicossocial através dos
quais um ser humano em desenvolvimento saudável deveria passar da infância para a idade adulta. Em
cada estádio cada sujeito confronta-se, e de preferência supera, novos desafios ou conflitos. Cada estádio/
fase do desenvolvimento da criança é importante e deve ser bem resolvida para que a próxima fase possa
ser superada sem problemas.

Tal como Piaget, concluiu que não se deve apressar o desenvolvimento das crianças, que se desnecessário a
cada fase de desenvolvimento, pois cada uma delas é muito importante. Sublinhou que apressar o
desenvolvimento pode ter consequências emocionais e minar as competências das crianças para a sua vida
futura.

5.3. Jean Piaget

Jean Piaget (1896-1980) foi um dos investigadores mais influentes do séc. 20 na área da psicologia do
desenvolvimento. Piaget acreditava que o que distingue o ser humano dos outros animais é a sua
capacidade de ter um pensamento simbólico e abstrato. Piaget acreditava que a maturação biológica
estabelece as pré-condições para o desenvolvimento cognitivo. As mudanças mais significativas são
mudanças qualitativas (em gênero) e não qualitativas (em quantidade).

- Existem 2 aspectos principais nesta teoria: o processo de conhecer e os estádios/ etapas pelos quais nós
passamos à medida que adquirimos essa habilidade.
- Como biólogo, Piaget estava interessado em como é que um organismo se adapta ao seu ambiente (ele
descreveu esta capacidade como inteligência) - O comportamento é controlado através de organizações
mentais denominadas “esquemas”, que o indivíduo utiliza para representar o mundo e para designar as
ações.
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- Essa adaptação é guiada por uma orientação biológica para obter o balanço entre esses esquemas e o
ambiente em que está (equilibração). Assim, estabelecer um desequilíbrio é a motivação primária para
alterar as estruturas mentais do indivíduo.
- Piaget descreveu 2 processos utilizados pelo sujeito na sua tentativa de adaptação: assimilação e
acomodação. Estes 2 processos são utilizados ao longo da vida à medida que a pessoa se vai
progressivamente adaptando ao ambiente de uma forma mais complexa.
- Capta as grandes tendências do pensamento da criança.
- Encara as crianças como sujeitos ativos da sua aprendizagem.

Vamos agora traçar uma linha do tempo para o desenvolvimento humano, segundo os estágios de
Piaget:

PERÍODO SENSÓRIO-MOTOR (0 a 24 meses). INTELIGÊNCIA SENSÓRIO-MOTORA.


Caracteriza-se pela formação de esquemas sensórios-motores, ainda em desenvolvimento, a partir do
equipamento inicial composto dos reflexos inatos da criança, permitindo-lhe uma organização inicial dos
estímulos ambientais aos quais está exposta.

Nessa fase a solução dos problemas que o meio apresenta à criança se dá pela percepção e pelos
movimentos – criança percebe o mundo e atua sobre ele. Desse modo a estimulação dos sentidos é
fundamental para o desenvolvimento.

Você já deve ter visto como as mães e as pessoas em geral, quando estão em contato com bebês, procuram
sempre estar lhe oferecendo estímulos – dedos em movimento, chocalhos, objetos coloridos , esperando
que a criança os pegue!

Você sabia que a justificativa era essa?


Essa é uma fase egocêntrica, de indissociação primitiva entre o eu e o mundo.
A inteligência sensório-motora tem como uma de suas funções promoverem a diferenciação entre o eu, o
corpo e os objetos externos.

É o tempo da organização psicológica básica em todos os aspectos (perceptivo, motor, intelectual, afetivo e
social), num desenvolvimento integrado em que a criança está ativamente trabalhando para formar uma
noção de eu, ocorrendo uma diferenciação progressiva entre o EU e o mundo exterior.

PERÍODO PRÉ-OPERACIONAL (2 a 7 anos) INTELIGÊNCIA INTUITIVA

A aquisição e o desenvolvimento ativo da linguagem permitem à criança iniciar a formação de esquemas


simbólicos – é o aparecimento da capacidade de simbolizar - representando uma coisa por outra, uma
situação por outra ou uma coisa, situação ou pessoa por uma palavra. Então, pelo aparecimento da
linguagem o pensamento da criança se desenvolve e acelera.

Nessa fase o pensamento tende ao lúdico, onde realidade se mistura com fantasia, levando a uma
percepção distorcida da realidade. Há ainda o egocentrismo anterior, agora muito mais marcante.

Dá-se aqui o início do desligamento da família, em direção a uma sociedade de crianças, na escola, onde se
relacionam em paralelo, egocentricamente – brincam sozinhas dividindo o mesmo espaço.

A linguagem é ao mesmo tempo egocêntrica e socializada, evidenciando-se muito um falar sozinho, numa
verbalização que acompanha a ação, sinal de uma transição do pensamento explícito motor para um
pensamento mais interiorizado.

Piaget compreende que o pensamento nessa fase do desenvolvimento é intuitivo (a criança pensa da forma
como vê e percebe) e verbal (tende a procurar a razão causal e finalista das coisas).
23
PERÍODO DAS OPERAÇÕES CONCRETAS (7-11,12 anos)

Esse período corresponde à Educação Fundamental, e é marcado por grandes conquistas intelectuais.
Declina o egocentrismo e evolui o pensamento lógico, dada a nova capacidade de formar esquemas
conceituais e mentais verdadeiros, porém referidos a objetos ou situações que existem concretamente na
realidade, que vai ser estruturada pela razão, ou seja, a criança usa a sua lógica quando manipula objetos
concretos e em situações reais, e não consegue pensar em termos abstratos.

Você já viu isso. Lembre da adição para uma criança – ela “conta nos dedos”, não é?

A atitude lúdica é substituída pela atitude crítica, onde a lógica será sempre requisitada para explicar ideias
e ações. As ações físicas passam a ocorrer mentalmente, por que são agora internalizadas; as operações
mentais são reversíveis, porquanto a noção de conservação e invariância foi adquirida; o julgamento agora
é conceitual; a linguagem egocêntrica entra em franco declínio até seu completo desaparecimento;
socialmente, saída do egocentrismo, passa a interagir mais verdadeiramente com o outro, sendo capaz de
brincar e jogar, por internalizar bem regras; seu julgamento moral agora considera as intenções do sujeito.

Enfim, a criança caminha para uma compreensão lógica da realidade, percebendose como um indivíduo
entre outros, adaptando-se melhor ao ambiente.

PERÍODO DAS OPERAÇÕES FORMAIS (12 anos em diante)

Corresponde à adolescência, e aqui o indivíduo apresenta-se capaz de formar esquemas conceituais


abstratos e realizar operações mentais com eles, seguindo os princípios da lógica formal, adquirindo assim
uma riqueza de conteúdo e flexibilidade de pensamento.
Temas como amor, felicidade, fantasia, justiça agora são possíveis para o indivíduo. Amplia-se a capacidade
de criticar, discutir, propor inovações, admitir suposições e hipóteses. Tem uma percepção espacial mais
ampla, concebendo a noção de infinito.

O adolescente torna-se consciente de seu próprio eu, busca reconhecer sua identidade e conquistar
autonomia pessoal.

Para Piaget tem-se neste estágio a aquisição do equilíbrio final, necessário ao indivíduo para viver de modo
adaptado ao ambiente, seja lá qual for. Nesse tocante, dos aspectos do desenvolvimento cognitivo, se você
observar atentamente a nossa cultura, temos muitas brincadeiras e jogos infantis que buscam explorar ou
ampliar a capacidade atual das crianças, e elas, em geral, gostam muito!

5.4. Lev Vygotsky

Lev Vygotsky desenvolveu a teoria sócio - cultural do desenvolvimento cognitivo. A sua teoria tem raízes na
teoria marxista do materialismo dialético, ou seja, que as mudanças históricas na sociedade e a vida
material produzem mudanças na natureza humana.

- Vygotsky abordou o desenvolvimento cognitivo por um processo de orientação. Em vez de olhar para o
final do processo de desenvolvimento, ele debruçou-se sobre o processo em si e analisou a participação do
sujeito nas atividades sociais → Ele propôs que o desenvolvimento não precede a socialização. Ao invés, as
estruturas sociais e as relações sociais levam ao desenvolvimento das funções mentais.
- Ele acreditava que a aprendizagem na criança podia ocorrer através do jogo, da brincadeira, da instrução
formal ou do trabalho entre um aprendiz e um aprendiz mais experiente.

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- O processo básico pelo qual isto ocorre é a mediação (a ligação entre duas estruturas, uma social e uma
pessoalmente construída, através de instrumentos ou sinais). Quando os signos culturais vão sendo
internalizados pelo sujeito é quando os humanos adquirem a capacidade de uma ordem de pensamento
mais elevada.
- Ao contrário da imagem de Piaget em que o indivíduo constrói a compreensão do mundo, o
conhecimento sozinho, Vygostky via o desenvolvimento cognitivo como dependendo mais das interações
com as pessoas e com os instrumentos do mundo da criança.

• Esses instrumentos são reais: canetas, papel, computadores; ou símbolos: linguagem, sistemas
matemáticos, signos.

5.4.1. Teoria de Vygotsky do Desenvolvimento Cognitivo

- Vygostsky sublinhou as influências socioculturais no desenvolvimento cognitivo da criança:


- O desenvolvimento não pode ser separado do contexto social.
- A cultura afeta a forma como pensamos e o que pensamos.
- Cada cultura tem o seu próprio impacto
- O conhecimento depende da experiência social
- A criança desenvolve representações mentais do mundo através da cultura e da linguagem.
- Os adultos têm um importante papel no desenvolvimento através da orientação que dão e por ensinarem.

5.4.2. Zona de Desenvolvimento Proximal (ZDP) – intervalo entre a resolução de problemas assistida e
individual.

- Uma vez adquirida a linguagem nas crianças, elas utilizam a linguagem/discurso interior, falando alto para
elas próprias de forma a direcionarem o seu próprio comportamento, linguagem essa que mais tarde será
internalizada e silenciosa – Desenvolvimento da Linguagem.

5.5. Konrad Loren

Zoólogo austríaco, ornitólogo e um dos fundadores da Etologia moderna (estudo do comportamento


animal)

- Desenvolveu a ideia de um mecanismo inato que desencadeia os comportamentos instintivos (padrões de


ação fixos) → modelo para a motivação para o comportamento.
- Considera-se hoje que o sistema nervoso e de controlo do comportamento envolvem transmissão de
informação e não transmissão de energias.
- O seu trabalho empírico é uma das grandes contribuições, sobretudo no que se refere ao IMPRINTING e
aos PERÍODOS CRÍTICOS.
- O imprinting é um excelente exemplo da interação de fatores genéticos e ambientais no comportamento
– o que é inato e específico na espécie e as propriedades específicas da aprendizagem;
- O trabalho de Lorenz forneceu uma evidência muito importante de que existem períodos críticos na vida
onde um determinado tipo definido de estímulo é necessário para o desenvolvimento normal. Como é
necessária a exposição repetitiva a um estímulo ambiental (provocando uma associação com ele), podemos
dizer que o imprinting é um tipo de aprendizagem, ainda que contendo um elemento inato muito forte.

5.6. Henri Wallon

Wallon procura explicar os fundamentos da psicologia como ciência, os seus aspectos epistemológicos,
objetivos e metodológicos.
25
- Considera que o homem é determinado fisiológica e socialmente, sujeito às disposições internas e às
situações exteriores.
-Wallon propõe a psicogénese da pessoa completa (psicologia genética), ou seja, o estudo integrado do
desenvolvimento.
- Para ele o estudo do desenvolvimento humano deve considerar o sujeito como “geneticamente social” e
estudar a criança contextualizada, nas relações com o meio. Wallon recorreu a outros campos de
conhecimento para aprofundar a explicação dos fatores de desenvolvimento (neurologia, psicopatologia,
antropologia, psicologia animal).
- Considera que não é possível selecionar um único aspecto do ser humano e vê o desenvolvimento nos
vários campos funcionais nos quais se distribui a atividade infantil (afetivo, motor e cognitivo).
- Vemos então que para ele não é possível dissociar o biológico do social no homem. Esta é uma das
características básicas da sua Teoria do Desenvolvimento.

5.7. Skinner

Psicólogo Americano, conduziu trabalhos pioneiros em Psicologia Experimental e defendia o


comportamentalismo / behaviorismo (estudo do comportamento observável).

- Tinha uma abordagem sistemática para compreender o comportamento humano, uma abordagem de
efeito considerável nas crenças e práticas culturais correntes.
- Fez investigação na área da modelação do comportamento pelo reforço positivo ou negativo
(condicionamento). O condicionamento operante explica que um determinado comportamento tem uma
maior probabilidade de se repetir se a seguir à manifestação do comportamento se apresentar de um
reforço (agradável). É uma forma de condicionamento onde o comportamento acabará por ocorrer antes
da resposta.
- A aprendizagem, pode definir-se como uma mudança relativamente estável no potencial de
comportamento, atribuível a uma experiência - Importância dos estímulos ambientais na aprendizagem.

5.8. Albert Bandura

É, tal como Skinner, da linha behaviorista da Psicologia. No entanto enfatiza a modificação do


comportamento do indivíduo durante a sua interação. Ao contrário da linha behaviorista radical de Skinner,
acredita que o ser humano é capaz de aprender comportamentos sem sofrer qualquer tipo de reforço. Para
ele, o indivíduo é capaz de aprender também através de reforço vicariante, ou seja, através da observação
do comportamento dos outros e de suas consequências, com contato indireto com o reforço. Entre o
estímulo e a resposta, há também o espaço cognitivo de cada indivíduo.

- É um dos autores associado ao Cognitivismo-Social, uma teoria da aprendizagem baseada na ideia de que
as pessoas aprendem através da observação dos outros e que os processos do pensamento humano são
centrais para se compreender a personalidade:
- As pessoas aprendem pela observação dos outros.
- A aprendizagem é um processo interno que pode ou não alterar o comportamento.
- As pessoas comportam-se de determinadas maneiras para atingir os seus objetivos.
- O comportamento é auto-dirigido (por oposição a determinado pelo ambiente)
- O reforço e a punição têm efeitos indiretos e imprevisíveis tanto no comportamento como na
aprendizagem.
- Os adultos (pais, educadores, professores) têm um papel importante como modelos no processo de
aprendizagem da criança.

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5.9. Bronfenbrenner

Um dos grandes autores que desenvolveu a Abordagem Ecológica do Desenvolvimento Humano: o sujeito
desenvolve-se em contexto, em 4 níveis dinâmicos – a pessoas, o processo, o contexto, o tempo.

- A sua proposta difere da Psicologia Científica até então (70’s): privilegia os aspectos saudáveis do
desenvolvimento, os estudos realizados em ambientes naturais e a análise da participação da pessoa
focalizada no maior nº possível de ambientes e em contato com diferentes pessoas.
- Bronfenbrenner explicita a necessidade dos pesquisadores estarem atentos à diversidade que caracteriza
o homem – os seus processos psicológicos, a sua participação dinâmica nos ambientes, as suas
características pessoais e a sua construção histórico-sócio-cultural.
- Define o desenvolvimento humano como “o conjunto de processos através dos quais as particularidades
da pessoa e do ambiente interagem para produzir constância e mudança nas características da pessoa no
curso de sua vida" (Bronfenbrenner, 1989, p.191).
- A Abordagem Ecológica do Desenvolvimento privilegia estudos longitudinais, com destaque para
instrumentos que viabilizem a descrição e compreensão dos sistemas da maneira mais contextualizada
possível.

Bronfenbrenner - Abordagem Ecológica do Desenvolvimento Humano: o sujeito desenvolve-se em


contexto, em 4 níveis dinâmicos – a pessoas, o processo, o contexto, o tempo.

5.10. Gesell

Psicólogo Americano que se especializou na área do desenvolvimento infantil. Os seus primeiros trabalhos
visaram o estudo do atraso mental nas crianças, mas cedo percebeu que é necessária a compreensão do
desenvolvimento normal para se compreender um desenvolvimento anormal.

- Foi pioneiro na sua metodologia de observação e medição do comportamento e, portanto, foi dos
primeiros a implementar o estudo quantitativo do desenvolvimento humano, do nascimento até à
adolescência.
- Realizou uma descrição detalhada e total do desenvolvimento da criança; realça, com base em pesquisas
rigorosas e sistemáticas, o papel do processo de maturação no desenvolvimento.
- Gesell e colaboradores caracterizaram o desenvolvimento segundo quatro dimensões da conduta:
motora, verbal, adaptativa e social. Nesta perspectiva cabe um papel decisivo às maturações nervosa,
muscular e hormonal no processo de desenvolvimento.
- Desenvolveu, a partir dos seus resultados, escalas para avaliação do desenvolvimento e inteligência.
- Inaugurou o uso da fotografia e da observação através de espelhos de um só sentido como ferramentas
de investigação.

Assista o vídeo “Introdução à Psicologia do Desenvolvimento”, e destaque os pontos


principais:

http://www.youtube.com/watch?v=5WA1pmu-pQ8

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Sugerimos alguns nomes de filmes que têm como temática o processo de constituição da
identidade da profissão de educador. São eles: O sorriso da Monalisa, Quando tudo
começa, Mentes perigosas e Mr. Holland, um adorável professor.
(Caro aluno(a), estas são apenas algumas sugestões de filmes. Você pode acrescentar
outros títulos a esta lista. Além disso, não é necessário assistir a todos eles de uma só vez.
Sugerimos que estes filmes sejam aproveitados no decorrer de seu curso, ou, até mesmo,
depois dele).

VI. PRENDIZAGEM
6.1. Conceito Geral de Aprendizagem

Aprendizagem é a aquisição de novos comportamentos, que são incorporados ao repertório individual de


cada pessoa, que deverá apresentar, desse modo, capacidades e habilidades não existentes anteriormente.
Além de adquirir comportamentos novos, através da aprendizagem, uma pessoa poderá também modificar
comportamentos anteriormente adquiridos (ROCHA).

Aprendizagem é o resultado da estimulação do ambiente sobre o indivíduo já maturo, que se expressa,


diante de uma situação-problema, sob a forma de uma mudança de comportamento em função da
experiência; envolve os hábitos que formamos, os aspectos de nossa vida afetiva e assimilação de valores
culturais, além dos fenômenos que ocorrem na escola.

6.2. Elementos da comunicação

A aprendizagem é parte de um processo social de comunicação – a educação – e apresenta os seguintes


elementos:

Comunicador ou emissor: professor, enquanto transmissor de informações ou agente do conhecimento. O


comunicador tem uma participação ativa no processo educativo, devendo estar motivado e ter pleno
conhecimento da mensagem que irá transmitir a seus alunos.

Mensagem: conteúdo educativo, conhecimentos e informações a serem transmitidas. A mensagem deve


ser adequada, clara e precisa para ser bem entendida.

Receptor da mensagem: aluno. O receptor não tem um papel passivo; deve ser um construtor crítico dos
conhecimentos e informações que lhe são transmitidos.

Meio ambiente: meio escolar, familiar e social, onde se efetiva o processo de ensino-aprendizagem. O meio
ambiente deve ser estimulador da aprendizagem e propício ao bom desenvolvimento do processo
educativo.

Aprendizagem significativa: é interessante destacar que não basta apenas “ensinar”; é preciso oportunizar
aos nossos educandos uma aprendizagem significativa. Ou seja, para que a aprendizagem provoque uma
efetiva mudança de comportamento e amplie cada vez mais o potencial do educando, é necessário que ele
perceba a relação entre o que está aprendendo e a sua vida, sendo capaz de reconhecer as situações em
que aplicará o novo conhecimento.

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Mas como medir a aprendizagem?

Como a aprendizagem se concretiza em termos de comportamento, para avaliar o que alguém aprendeu é
preciso observar o seu desempenho. Esta é a concepção das escolas mais tradicionais, onde a “prova” era a
única capaz de verificar o aprendizado, inferindo sobre sua ocorrência.

Mas será esta a melhor e mais legítima maneira de verificar o aprendizado?

Atualmente, tem-se realizado importantes mudanças no modo de pensar em relação à aprendizagem


escolar, tendo como resultados esforços para combinar várias interpretações. A prova já não parece mais
tão autêntica assim, pois ela pode representar uma mudança temporária de comportamento e não uma
mudança duradoura.

6.3. Ensino x instrução

Ensinar: fazer com que as pessoas aprendam; fazer com que outros saibam, adquiram conhecimentos ou
mudem atitudes. A aprendizagem é seu produto final.

Instruir: manipular deliberadamente o ambiente de outros, para torná-los capazes de aprender, sob
condições específicas (aprendizagem escolar). Este é um conceito ultrapassado.

Desta diferença entre ensinar e instruir, pode-se dizer que existem dois tipos de aprendizagem: informal e
formal.

6.4. Aprendizagem Informal e Formal.

Aprendizagem Formal: processo que é direcionado, orientado e previamente planejado e organizado (sala
de aula); advém da instrução.

Aprendizagem Informal: processo que é de natureza incidental, não-dirigido, e carente de controle.


Resultam da experiência no ambiente de vida (fora da escola); advém do ensino.

A psicologia da educação exerce seu papel mais relacionada à aprendizagem formal.

6.5. Modelos de Ensino Formal:

Um modelo de ensino formal inclui um conjunto de procedimentos para que se realize o ensino. Pode
resumir-se em seus componentes fundamentais: professor, aluno e conteúdo. Existem 4 modelos básicos:

Modelo Clássico: ênfase dada ao professor, enquanto um transmissor de conteúdo. A educação consiste
em transmissão de idéias selecionadas, organizadas e não de acordo com o interesse do aluno. O aluno é
apenas um recipiente passivo.

Modelo Tecnológico: ênfase na educação como transmissora de conteúdos; o conteúdo é o centro do


processo. O aluno é um recipiente de informações. A educação se preocupa com aspectos observáveis e
mensuráveis e o professor é o responsável por essa concretização.

Modelo Personalizado: ênfase no aluno. O ensino se processa em função do desenvolvimento e interesse


dos alunos. A educação é um processo progressivo e o professor oferece assistência ao aluno, enquanto um
facilitador da aprendizagem.

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Modelo Interacional: apresenta um equilíbrio entre os componentes do modelo. O professor cria um clima
de diálogo e troca experiências e valores com seus alunos. O conteúdo consiste na análise crítica de
problemas reais e sociais. O aluno é ativo em sua aprendizagem.

6.6. Domínios da aprendizagem

A aprendizagem abrange três domínios fundamentais:


a) Cognitivo;
b) Afetivo;
c) Psicomotor

a) Domínio intelectual ou cognitivo (inteligência humana)

A inteligência e a idade mental (e não a cronológica) são domínios decisivos à aprendizagem humana.

Inteligência: capacidade de interagir com o meio ambiente e adaptar-se a ele; se desenvolve através de
fases, ao longo da vida, que se sucedem em uma mesma ordem, mas devida as diferenças individuais,
podem ser alcançadas em idades diferentes para cada pessoa, dependendo do ritmo de desenvolvimento.

b) Domínio efetivo (emoções, sentimentos e aspectos psicossociais)

As pessoas são todas diferentes e únicas. As diferenças são determinadas pelas influências genéticas,
bioquímicas de seu próprio organismo e por estímulos do ambiente em que vivem, bem como pela
interação de todas as experiências sociais que tiveram desde o nascimento.

A personalidade de cada indivíduo vai se formando/se desenvolvendo; Portanto, cada aluno que chega à
escola/universidade já possui sua personalidade bem definida.

As características psicológicas momentâneas, tais como humor, as emoções e os sentimentos, também são
domínios fundamentais á aprendizagem humana. Da mesma forma, um certo amadurecimento social
(relacionamento interpessoal e intrapessoal) é elemento importante neste processo de ensino-
aprendizagem.

c) Domínio psicomotor (sensações, desenvolvimento neuropsicológico e maturação neurológica)

A integração das funções neuropsicológicas é fundamental à aprendizagem. Para tanto a estimulação é


comprovadamente importante, já que crianças que viveram seus primeiros anos de vida em ambientes
pobres de estímulos sofreram danos graves de desenvolvimento, principalmente em seus elementos
sensoriais (audição, visão, tato, gustação, olfato), neurológicos (maturação neurológica), psicomotores
(esquema corporal, lateralidade, equilíbrio) e linguísticos (fala).

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6.7. Princípios da aprendizagem

► Universalidade: a aprendizagem é co-extensiva à própria vida, ocorre durante todo o desenvolvimento


do indivíduo. Na vida humana a aprendizagem se inicia antes do nascimento e se prolonga até a morte.
► A aprendizagem é um processo constante/contínuo.
► Gradatividade – a aprendizagem é gradual, isto é, aprende-se pouco a pouco.
► Processo pessoal/individual – cada indivíduo tem seu ritmo próprio de aprendizagem (ritmo biológico)
que, aliado ao seu esquema próprio de ação, irá constituir sua individualidade. Por isso, tem fundo genético
e também ambiental, dependendo de vários fatores: dos esquemas de ação inatos do indivíduo, do estágio
de maturação de seu sistema nervoso, de seu tipo psicológico constitucional (introvertido ou extrovertido).
De seu grau de envolvimento, além das questões ambientais.
► Processo cumulativo – as novas aprendizagens do indivíduo dependem de sua experiências anteriores.
As primeiras aprendizagens servem de pré-requisitos para as subsequentes. Cada nova aprendizagem vai se
juntar ao repertório de conhecimentos e de experiências que o indivíduo já possui, indo construir sua
bagagem cultural.
► Processo integrativo e dinâmico – esse processo de acumulação de conhecimentos não é estático. A
cada nova aprendizagem o indivíduo reorganiza suas ideias, estabelece relações entre as aprendizagens, faz
juízos de valor.

6.8. Fatores da aprendizagem

►Saúde física e mental: para que seja capaz de aprender, a pessoa deve apresentar um bom estado físico
geral; deve estar gozando de boa saúde, com seu sistema nervoso e todos os órgãos dos sentidos. As
perturbações na área física, como a sensorial e na área nervosa, poderão constituir-se em distúrbios da
aprendizagem. Febre, dores de cabeça, disritmias (ausências mentais) são exemplos disto.
►Motivação: é o fator de querer aprende. O interesse é a mola propulsora da aprendizagem. O indivíduo
pode querer aprender por vários motivos; para satisfazer a sua necessidade biológica de exercício físico e
liberar energia; por ser estimulada pelos órgãos dos sentidos, através de cores alegres; por sentir-se
inteligente e bem consigo mesmo ao resolver uma atividade mental; por sentir necessidade de conquistar
uma boa classificação na escola (status social e pessoal, admiração).
► Prévio domínio: domínio de certos conhecimentos, habilidades e experiências anteriores, possuindo
relativa vantagem em relação aos que não o possuem.
► Maturação: é o processo de diferenciações estruturais e funcionais do organismo, levando a padrões
específicos de comportamento. A maturação neurológica se dá por etapas sucessivas e na mesma

31
sequencia (Leis céfalo-caudal e Próximo-distal). A maturação cria condições à aprendizagem, havendo uma
interação entre ambas.
► Inteligência: capacidade para assimilar e compreender informações e conhecimentos; para estabelecer
relações entre vários desses conhecimentos; para criar e inventar coisas novas, com base nas já conhecidas;
para raciocinar com lógica na resolução de problemas.
► Concentração e atenção: capacidade de fixar-se em um assunto/tarefa. Desta capacidade dependerá a
facilidade maior ou menor para aprender.
► Memória: a retenção da aprendizagem é aspecto essencial à aprendizagem, pois quando a pessoas
precisar de um conhecimento ela deverá ser capaz de resgatá-los da memória, usando conhecimentos
anteriormente adquiridos. No entanto, quem aprende está sujeito a esquecer o que aprendeu. O
esquecimento se dá por vários motivos: pela fragilidade ou deficiência na aprendizagem, causada por
estudo ineficiente, falta de atenção; pela tentativa de evocação do fato memorizado através de um critério
diferente do usado na fixação da aprendizagem; pelo desuso das informações; por um componente
emocional que não permite a memorização da informação ou a 'esconde' no subconsciente.

6.9. Fatores que influenciam na aprendizagem

A aprendizagem é produto de uma interação complexa e contínua entre hereditariedade e o meio


ambiente. Este processo pode ser influenciado tanto na vida pré-natal como na vida pós-natal. AS causas
podem ser inúmeras: químicas, físicas, imunológicas, infecciosas, familiar, afetivas e socioeconômicas.

FATORES GENÉTICOS OU HERANÇA


Os elementos hereditários que influenciam na aprendizagem são chamados de fatores genéticos e
encontram-se na inscrição do programa biológico da pessoa – herança. Está presente em toda parte:
determina o grau de sensibilidade dos órgãos efetores aos estímulos indutores; condiciona o aparecimento
de doenças familiares capazes de prejudicar a aprendizagem (insônia, depressão, síndrome de down, asma)
e ainda pode indiretamente intervir nos fatores ambientais, garantindo maior ou menor resistência do
organismo aos agravos do meio.

FATORES NEUROENDÓCRINOS
O hipotálamo é destacado como o local controlador do sistema endócrino. Podemos considerar o
hipotálamo como um centro integrador de mensagens, controlando a função da glândula hipófise na
produção e liberação dos hormônios de todas as glândulas do organismo e possibilitando à criança explorar
seu potencial genético, de desenvolvimento e de aprendizagem.

Neuro-Hormônio Adenocorticotrófico – ACTH; é liberado pelo hipotálamo; sua secreção acompanha um


ritmo circadiano gerado por um ritmo cerebral intrínseco, ligado a alteração de luz (dia e noite), sono,
estresse físico e emocional.

FATORES AMBIENTAIS
O meio ambiente no qual a pessoa está inserida exerce influências particularmente poderosas,
contribuindo positivamente à realização do plano genético ou negativamente, apresentando obstáculos. O
ambiente compreende tanto condições da vida material, estando em primeiro lugar a alimentação e sua
utilização (nutrição), quanto pelo ambiente físico (socioeconômico, estilo de vida) e o ambiente familiar e
cultural, cujo elemento fundamental é constituído pela relação afetiva primária e o estímulo materno.
Na interação da hereditariedade e do meio ambiente, quando o meio é normal e favorável pode-se calcular
que 80 a 90% da variabilidade natural da espécie humana, nos limites da normalidade, se realizam segundo
o programa genético pré-determinado, entretanto, quando o meio é desfavorável e heterogêneo, a
hereditariedade pode cair a 60%.

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NUTRIÇÃO
Em relação a alimentação, o leite é a nutrição natural inicial para todos, e a qualidade desse leite tem
condições para satisfazer o potencial genético ao crescimento e á aprendizagem. A alimentação saudável é
a balanceada, com proteína suficiente, além da presença de hidratos de carbono, gorduras, sais minerais e
vitaminas.

É preciso ter presente que só o crescimento consome 40% das calorias fornecidas à criança. Deve-se
fornecer energia à criança para atender às necessidades de metabolismo basal; ação dinâmico-específica
dos alimentos; perda calórica pelos excreta; atividade muscular; crescimento. Para que a aprendizagem
também seja beneficiada, a nutrição do indivíduo deve ser balanceada e saudável. Essa energia é, então,
transmitida através dos macro nutrientes: vitaminas, proteínas, hidratos de carbono, sais minerais,
gorduras.

VARIÁVEIS SÓCIO-ECONÔMICAS-CULTURAIS
As variáveis socioeconômicas exercem importante influência: renda per capita, a idade dos pais, o tamanho
da família, condições de habitação e saneamento, escolaridade, higiene, cultura dos pais (influi na
alimentação da criança).

Dada a melhoria nas condições de vida, tais como a urbanização, melhoria nos cuidados médicos, maior
ingestão alimentar de nutrientes, vestuário menos restritivo, entre outros fatores, existe uma forte
tendência para que as crianças das gerações que nos sucedem alcancem uma maturação mais cedo. Esta
tendência de aceleração secular pode ser vista nos estudos de Monteiro (1996), que demonstra que as
crianças brasileiras estão maturando cada vez mais cedo, em todas as classes sociais, onde as regiões sul e
sudeste do país são as que mais crescem.

FAMÍLIA E OS FATORES PSICOSSOCIAIS


Outro aspecto importante diz respeito ao ambiente familiar, que comporta elementos diversos de ordem
psicológica particular, mas também de ordem cultural segundo o nível intelectual, os conhecimentos
adquiridos através dos pais, a herança dos costumes, etc. Acima de tudo, intervém a relação afetiva
precoce da mãe da criança desde os primeiros instantes da vida.
A qualidade dessa ligação afetiva condiciona em grande parte o relacionamento da mãe e,
consequentemente, a qualidade de sua conduta com a alimentação, proteção física, estímulo psíquico e
cultural da criança. A carência afetiva consiste na falta de carinho e de solicitação afetiva materna,
perturbando ou mesmo impedindo o vínculo mãe e filho, determinando o aparecimento de uma síndrome
complexa com reflexos no seu desenvolvimento neuro-psicomotor, no crescimento e no estado emocional,
e por consequência, na aprendizagem.

O PROFESSOR E O PROCESSO DE ENSINO-APRENDIZAGEM

Quando inserido no processo de ensino-aprendizagem (sala de aula), o professor poderá vir a assumir
vários papéis sociais.

A Psicologia da Educação, após longos anos de pesquisa a respeito deste assunto, identificou alguns papéis
claros, assumidos por professores em seu trabalho diário junto a uma classe de alunos.

Grupo de Papéis Negativos:

- “Bode expiatório” sente-se alvo de hostilidades, recusado por seus alunos; perde sua estabilidade
emocional. Requer uma grande dose de segurança interior para aceitar esta situação e ainda permanecer

33
no posto. Este professor poderá ter dois tipos de comportamento: a contra-hostilidade e a necessidade de
constante submissão para com a vontade de seus alunos para ser aceito.
- Inspetor e disciplinador: sente-se o distribuidor e o executor da justiça; valoriza desempenho, classifica
alunos, promove-os e rebaixa-os. É o grande responsável pela conduta em sala de aula, faz o papel de
inspetor. Julga o certo e o errado, administrando recompensas e punições

Grupo de Papéis Autoritários:


- Substituto da autoridade paterna: assume o papel de orientador dos alunos, orientando a todos de igual
maneira. Não é nem paternalista demais, nem rígido demais. Mantém um bom e equilibrado nível de
relações afetuosas com todos.
- Fonte de informações: sua função é transferir conhecimentos para os alunos; é aquele que sabe. Se
orienta em termos acadêmicos em sua abordagem. Forja uma concepção passiva do aluno quando se vê
como o único que sabe tudo.
- Líder do grupo: professor que se coloca como líder. Pode assumir a liderança do grupo de duas formas:
autocrática ou democrática, ambas envolvem o sistema de status no grupo.
- Cidadão modelo: sua função vai além de transmitir conhecimentos; se coloca como mentor moral, ético,
social e político de seus alunos. Dá sempre bom exemplo de comportamento social, utilizando-o para
ensinar. Não separa sua vida privada da profissional.

Grupo de papéis de proteção:


Terapeuta: é um orientador e higienista mental do grupo; responsável pela prevenção e ajustamento de
problemas, além de promotor de um meio favorável à aprendizagem; aceita as diferenças e promove aulas
com atmosfera de aceitação emocional. Acredita que a experiência pessoal e todos os aspectos da vida
afetam a aprendizagem.
Amigo e confidente: é amigo e caloroso, convidando a todos a confidências e a participar das dificuldades
do grupo. Leva tudo ao plano da amizade pessoal. É acessível e compreensivo, deixando o aluno contar
suas dificuldades e problemas em um meio neutro. O excesso ocorre quando o professor usufrui satisfação
primária à resposta afetiva do aluno para com ele. Gera-se um conflito entre o papel de professor e de
amigo.

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REFERÊNCIAS

BOCK, Ana Mercês et. al. Psicologias: uma Introdução ao Estudo de Psicologia. 13. ed. São Paulo: Saraiva,
2003.
COLL, César et. al. (Org.). Desenvolvimento Psicológico e Educação. v. 2. Porto Alegre: Artes Médicas, 1996.
_______________. Psicologia da Educação. Porto Alegre: Artes Médicas, 1999.
_______________. Psicologia do Ensino. Porto Alegre: Artes Médicas, 2000.
DAVIDOFF, Linda L. Introdução à Psicologia. 3. ed. São Paulo: Makron Books, 2001.
CAMPOS, Dinah M. S. Psicologia da Aprendizagem. 29. ed. Petrópolis: Vozes, 2000.
GOULART, Iris Barbosa. Psicologia da Educação. 5. ed. Petrópolis: Vozes, 1995.
PAPALIA, Diane; OLDS, Sally Wendkos. Desenvolvimento Humano. 7. ed. Porto Alegre: Artes Médicas, 2000.
WOOLFOLK, Anita E. Psicologia da Educação. 7. ed. Porto Alegre: Artes Médicas, 2000.

REFERÊNCIAS DE SITES:
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www.neurociencia.tripod.com/labs/marina.htm
www.filosofos.com.br/forum.htm
www.mundodosfilosofos.com.br/agostinho.htm
www.cademeusanto.com.br/santo_tomaz_de_aquino.htm
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