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EXMO SR. DR.

JUIZ DE DIREITO DO JUIZADO ESPECIAL CÍVEL DA COMARCA DE SÃO


JOÃO DE MERITI- RJ

CLAUDIA PAULA MAIA, brasileiro, casado, vigia,

Portador da Carteira de Identidade nº 20.169.908-9, inscrita no CPF sob o nº


098.926.637-05, residente e domiciliado na Rua Ametista, 03, Quadra 54, Lote 16,
Coelho Rocha, São João de Meriti, RJ, CEP: 25550-460, por seus advogados
constituídos nos termos do instrumento do mandato anexo, com endereço
profissional na Rua Cândida Pires, 627, Centro, São João de Meriti, CEP: 25525-010,
endereço eletrônico levisimoes@outlook.com.br, onde recebe notificações, vem, à
presença de Vossa Excelência, propor

AÇÃO DE OBRIGAÇÃO DE FAZER C/C PEDIDO DE DANOS MORAIS

WMB COMERCIO ELETRÔNICO LTDA, empresa privada,


inscrita no CNPJ sob o número 14.314.050/0004-09, com endereço na Rua Antônio
Ingracio Pereira, número 101, Sítio dos Bastos, Vespasiano, MG, CEP: 33.200-000,
endereço eletrônico atendimento@wal-mart.com, pelos fatos e fundamentos a
seguir descritos:

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Tel: (21) 973890903 | levisimoes@outlook.com.br
DOS FATOS

Sucintamente, a Autora realizou a compra de um celular


SMARTPHONE ASUS ZENFONE GO DUAL CHIP ANDROID 5.1 TELA 5' 8GB CAMÊRA 8MP,
preto, por R$ 349,99 (trezentos e quarenta e nove reais e noventa e nove centavos)
durante a Black Friday, no dia 23/11/2017, na loja virtual da empresa Ré, através do
pedido número 74371367.

Vale lembrar que o aparelho foi comprado com o fim de


presentear sua, que possui Alzheimer e necessita desse meio para contato com sua
filha.

Ocorre que, ao vencer o prazo para entrega do produto,


a empresa Ré simplesmente informa que a compra seria cancelada, porém a
Autora, por diversas vezes, em diversos contatos deixou claro que não queria o
cancelamento, pois se tratava de uma promoção que a mesma não veria mais.

No dia 15/12/2017, ao consultar o site da Ré, a Autora


percebeu que não havia alteração no andamento de seu pedido, nada falando a
respeito da entrega com prazo final já bem próximo, por isso entrou em contato
com a Ré para saber a respeito, porém o atendente não soube dar maiores
informações, pedindo apenas que a Autora continuasse aguardando o prazo
previsto. (protocolo nº 17614250, atendente Liliane)

No dia 20/12/2017, notando a Autora que no site da Ré


seu pedido continuava sem qualquer alteração, entrou em contato novamente,
sendo informado que estariam verificando o ocorrido e entrariam em contato.
(Protocolo nº 17614250, Atendente Kelly)

No dia 18/12/2016 a Autora recebeu um e-mail da


empresa Ré informando tentativa de contato sem sucesso, porém tal informação

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não procede, eis que Autora nesse período manteve-se próxima ao telefone e
sempre atenta a qualquer novidade, não havendo qualquer contato até então.

Ocorre que após isso, a Autora verificou que a própria Ré


solicitou a suspensão da entrega do produto. (DOC.)

Indignada, a Autora voltou a ligar para a Ré informando


que fazia questão do produto, pois comprou pela Black Friday e não gozaria de tal
promoção caso fosse cancelado o negócio.

Ora Excelência, não é justo que a Ré venda um produto


e cobre frete com valor tão alto e ainda descumpra com o prazo para entrega,
vindo a tentar cancelar unilateralmente, como se o consumidor fosse obrigado a
ficar aguardando o tempo que bem quiserem.

Diante do desrespeito da Ré, que descumpriu com o


prazo de entrega prometido, e agora alterou, pra tão longe, o Autor não vê outra
saída a não ser recorrer a Justiça para a garantia de seus direitos.

DO DIREITO

Analisando o relato dos fatos supracitados, resta claro


que a empresa ré está colocando no mercado de consumo produtos e serviços
defeituosos, pois vendeu os produtos para o Autor, comprometendo-se a efetuar a
entrega até o dia 15/12/2017 e não o fazendo, sob o fundamento pífio de insucesso
na entrega.

Eis que, prevê o Art. 14, §1º, do CDC, em seus incisos:

Art. 14. O fornecedor de serviços responde,


independentemente da existência de culpa,
pela reparação dos danos causados aos
consumidores por defeitos relativos à
prestação dos serviços, bem como por
informações insuficientes ou inadequadas
sobre sua fruição e riscos. § 1° O serviço é
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defeituoso quando não fornece a segurança
que o consumidor dele pode esperar, levando-
se em consideração as circunstâncias
relevantes, entre as quais: I - o modo de seu
fornecimento; II - o resultado e os riscos que
razoavelmente dele se esperam; III - a época
em que foi fornecido. Assim, não é justo que a
Autora continue sofrendo com o descaso da
Ré, que não cumpriu com a obrigação de
efetuar a entrega do aparelho vendido,
devendo reparar o dano causado para a
consumidora que teve suas expectativas
frustradas.

Ademais, pela teoria do risco do empreendimento, diz


Cavalieri: “todo aquele que se disponha a exercer alguma atividade no mercado
de consumo tem o dever de responder pelos eventuais vícios ou defeitos dos bens e
serviços fornecidos, independentemente de culpa”.

Assim, qualquer pessoa que pretenda fornecer bens de


produção ou serviços ao mercado, com habitualidade, deve ter consciência de
que, por ser “o titular do conhecimento técnico acerca do que lança no mercado
de consumo assume posição de superioridade técnica em relação aos
consumidores que desfrutam de seu produto ou serviço”. (Antonio Carlos Efing)
Diante disso, os riscos do empreendimento correm por conta do fornecedor (de
produtos e serviços) e não do consumidor.

Impotente diante do desrespeito da Ré, além da


frustração de não poder fazer uso do produto que comprou, tendo que aguardar
tanto tempo sem ter certeza se realmente vai receber, o Autor espera que a Ré seja
não somente obrigada a proceder com a entrega conforme prometido, como
também que seja responsabilizada pela má prestação de seus serviços.

DO DANO MORAL

Verifica-se que todos os fatos narrados ultrapassaram o


mero dissabor, ocasionando dano moral para o Autor, devendo este ser
considerado como
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Aquele que atinge os bens da personalidade,
tais como a honra, a liberdade, a saúde, a
integridade psicológica, causando dor,
sofrimento, tristeza, vexame e humilhação à
vítima (...). Também se incluem nos novos
direitos das personalidades os aspectos de sua
vida privada, entre eles a sua situação
econômica, financeira (...)” (Programa de
Responsabilidade Civil, Sergio Cavalieri Filho).

O artigo 6° do Código de Defesa do Consumidor ampara


o autor em seu inciso VI na reparação morais experimentados, que conforme acima
descrito ultrapassam o mero dissabor.

O artigo 186 do Diploma Civil também ampara a autora


com relação ao direito de pleitear a indenização pelos danos morais
experimentados, quando estabelece que:

Art. 186 - aquele que, por ação ou omissão


voluntária. negligência ou imprudência, violar
direito e causar dano a outrem, ainda que
exclusivamente moral, comete ato ilícito.

Estabelecendo ainda o artigo 927 do Código Civil


Brasileiro que aquele que, por ato ilícito, causar dano a outrem, fica obrigado a
repará-lo.

Art. 927. Aquele que, por ato ilícito (arts. 186 e


187), causar dano a outrem, fica obrigado a
repará-lo. (g.n)

DOS PEDIDOS

Por todo exposto requer:

1) A concessão de antecipação de tutela inaudita altera


pars, para determinar que a Ré proceda com a entrega de um console
SMARTPHONE ASUS ZENFONE GO DUAL CHIP ANDROID 5.1 TELA 5' 8GB CAMÊRA 8MP,
preto, pedido 74371367, comprado pela Autora no dia 23/11/2017, com entrega

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prometida para até 15/12/2017, que com o valor do frete, totalizou R$ 362,27, no
prazo de 5 dias sob pena de multa diária a ser arbitrada por Vossa Excelência;

2) A citação da Ré na figura de seus representantes


legais, para que respondam aos termos da presente ação e sua intimação para
que compareça em audiência de conciliação, caso queiram, sob pena de revelia;

3) A confirmação definitiva dos efeitos da Tutela


Antecipada requerida;

4) A condenação da Ré a indenizar o Autor pelos Danos


Morais sofridos, no valor de R$ 8.000,00 (oito mil reais) com o descumprimento do
prazo para entrega do produto que lhe causou a frustração de não receber o
produto até a data prometida e está impedido de fazer uso do mesmo;

5) A decretação da Inversão do Ônus da Prova, art. 6º,


VIII do CDC;

Protesta pela produção de prova documental e


testemunhal, atribuindo à causa o valor o valor de R$ 9.000,00.

Nestes termos,
Pede Deferimento;

Rio de Janeiro, 16 de fevereiro de 2018.

Levi Simões de Freitas


OAB/RJ 196.585

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