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Uma publicação da Igreja Batista da Lagoinha

1ª Edição: julho/1999

Revisão:

Jussara M. F. Campos

2ª Edição: maio/2010

Gerência de Comunicação

Ana Paula Costa

Revisão:

Adriana Santos e Nicibel Silva

Capa e Diagramação:

Junio Amaro
Apresentação

Este, como todos os livros que se propõem a fa-


lar da Palavra de Deus, deve ser lido em espírito de
oração, para que nosso Deus e Pai possa trazer reve-
lação e entendimento ao seu espírito provocando
mudança de comportamento no tocante à unção
do Senhor; a unção que quebra o jugo pesado de
satanás e nos põe sobre o jugo suave e manso de
Jesus. A unção, o poder de Deus que nos torna seus
colaboradores, que nos faz suas testemunhas, reve-
lando ao mundo a sua luz, sua vida e seu poder.
Este livro leva até você uma mensagem não só
de avivamento, mas também de conhecimento da

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unção, que deve ser buscada e renovada a cada dia
para que possamos fazer as obras que Jesus fez e
ainda maiores, porque Ele mesmo afirmou: “Em
verdade, em verdade vos digo que aquele que crê em
mim fará também as obras que eu faço e outras maio-
res fará, porque eu vou para junto do Pai.” (Jo 14.12.)
O Espírito Santo Consolador veio, e por inter-
médio do Pai recebemos dons para fins mui provei-
tosos. Neste livro você verá como é importante ter-
mos a unção do Espírito Santo; que por meio dela
glorificamos o nome do Senhor e exaltamos a Deus
Pai. Leia-o com carinho e tome posse do que é seu
por herança. Jesus foi ungido, a unção pertence a
Ele, por isso ela lhe pertence também. Não rejeite
essa bênção, porque é por meio dela que você será
gerador de bênção e vida.
“Tudo quanto o Pai tem é meu; por isso é que vos
disse que há de receber do que é meu e vo-lo há de
anunciar.” (Jo 16.15.)

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Oração:

“Ó Deus e Pai, em nome de Jesus peço por todas


as pessoas que lerão esse livro, que estarão recebendo
essa mensagem. Pai, que de ti recebam entendimento,
que lhes seja revelado o poder da unção que ofereces
a todo aquele que busca. Dá-lhes a compreensão do
verdadeiro sentido da unção em nossa vida, como
testemunhas, discípulos e filhos. Que ao término deste
livro, estejam dispostos a buscá-la diariamente, para
que não lhes falte o óleo sobre a cabeça e assim sejam
fiéis testemunhas, revelando-te ao mundo por meio
da manifestação da vida de Cristo em cada um deles.
Amém!

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A unção que
quebra o
jugo

“E vós possuís unção que vem do Santo e todos


tendes conhecimento.” (1Jo 2.20.) O que significa
unção? Baseados em que aspectos da Palavra de
Deus podemos compreender que a unção quebra
o jugo?
Satanás era um querubim ungido e esta un-
ção lhe dava autoridade para ir diante do trono de
Deus. Porém, satanás não soube administrar essa

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unção; ele usou indevidamente a autoridade que
lhe foi conferida como querubim da guarda e por
causa da inveja se rebelou contra Deus, vindo, não
somente a perder a unção e a autoridade que essa
lhe conferia, como também perder seu lugar no pa-
raíso, de onde foi expulso com todos os anjos que
se deixaram contaminar pela sua rebeldia. O diabo
não pôde mais morar nos céus e desde que Deus
criou o homem, ele só entra lá para acusar os filhos
de Deus, colocando sobre eles pesados fardos. Sa-
tanás procura, incansavelmente, atingir a Deus por
meio da obra prima de sua criação, que é o homem;
pois Deus fez o homem com suas próprias mãos.
Toda a criação do universo veio a existir a partir
da Palavra de Deus, mas o homem foi tecido pelas
próprias mãos do Criador. O diabo odeia o homem,
e principalmente, o homem filho de Deus, porque
sobre este ele perdeu o direito de posse.
O próprio Jesus definiu a obra de satanás como
aniquiladora quando Ele diz: “O ladrão vem somente
para, roubar, matar e destruir [...]” (Jo 10.10.) Esta é a
obra de satanás: destruição e morte. Mas Jesus con-
tinua: “[...] eu vim para que tenham vida e a tenham
em abundância.” Para isso se manifestou o Filho de

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Deus, Jesus Cristo veio para desfazer as obras do
diabo. Jesus Cristo triunfantemente esmagou a ca-
beça da serpente, quando morreu em nosso lugar
para que tivéssemos a vida abundante que só Ele é
capaz de nos oferecer. No momento em que Jesus
ressuscitou, a vitória foi plena, declarada e assina-
da com seu próprio sangue. Em Cristo Jesus somos
mais que vencedores porque já entramos nessa ba-
talha vitoriosos. Cristo já venceu por nós; tomemos
posse dessa vitória, em nome de Jesus!
Você sabe qual é única parte do nosso corpo
que Deus deseja que seja vista por satanás? É a sola
dos nossos pés. Meu amado irmão, isso é tremendo!
Veja o que o Senhor diz em Lucas 10.19: “Eis aí vos
dei autoridade para pisardes serpentes e escorpiões, e
sobre todo o poder do inimigo, e nada absolutamente
vos causará dano.”
Quantos estão por aí, correndo de um lado para
o outro, amedrontados, procurando alguém que
com autoridade lhes possa afugentar o inimigo; po-
bres coitados! A autoridade é nossa, é sua, nos foi
outorgada (concedida) pelo nosso General.
O Senhor nos diz em sua Palavra que o inimi-
go, nosso adversário, é como um leão rugindo ao

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nosso derredor, procurando a quem possa devorar
(1Pe 5.8). O que muita gente não sabe é que este
leão é velho e desdentado; por não conhecê-lo,
muitos correm temerosos. A única coisa que pode
colocar dentes neste leão é o pecado. Mas quando
você assume a sua identidade de cristão tudo fica
diferente. A palavra “cristão” significa ser semelhan-
te a Cristo; cristão significa “ungido”. E a unção veio
desfazer o jugo. Como está escrito no Salmo 92.10:
“Derramas sobre mim o óleo fresco.” Há uma unção
nova a cada dia. O óleo derramado é fresco; ele é
novo, não é amanhecido. Diariamente está a sua
disposição uma unção nova. Aleluia!

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O perigo
de viver da
velha unção

O grande problema é que muitos querem viver


da unção recebida há cinco, dez anos atrás. O óleo
destes já está velho, opaco, não tem mais brilho, está
“queimado”. Aconteceu assim com um irmão, que ao
ser batizado com o Espírito Santo, se tornou intrépido
no Senhor e resolveu escrever um bonito testemunho.
Ele narrava seu processo de cura e libertação, de como
ele era usado por Deus. Sempre que alguém chegava

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a sua casa, ele logo buscava o testemunho do qual já
falara tantas vezes e orgulhoso dizia: “Leia aí o meu tes-
temunho”. E o testemunho era lido, lido e lido. Os anos
foram se passando e aquele era o único testemunho
que este nosso irmão podia apresentar. O papel foi
ficando amarelado, tão velho quanto o seu testemu-
nho. Depois de mais algum tempo, ao receber uma
visita, nosso amigo com empolgação, pediu à sua mu-
lher que trouxesse o seu grande testemunho para que
o visitante pudesse lê-lo. Porém, a esposa um pouco
desconcertada respondeu lá de dentro: “Querido, o
rato roeu o seu testemunho”. Isto não deve, mas pode
acontecer na vida de algumas pessoas.
Davi pediu ao Senhor: “Derrama sobre mim o óleo
fresco.” A Palavra de Deus nos exorta a andarmos em
novidade de vida e a servirmos em novidade de espí-
rito; novidade é recomeço. É a unção nova que existe
a cada manhã. Essa é a realidade da Palavra do Senhor:
“Unges a minha cabeça com óleo, um novo a cada ma-
nhã na presença dos meus inimigos” (Sl 23.5, grifo do
autor). Meus amados, nós vivemos no meio dos nossos
inimigos, somos cercados por eles. A carne, o diabo e
o mundo são adversários nossos. E neste contexto, ou
seja: quando estamos rodeados por nossos inimigos

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que a Palavra de Deus diz: “Unges a minha cabeça com
óleo.” Para quê? Qual a utilidade do óleo? Amados, a
unção quebra o jugo! É tão interessante saber que o
óleo da unção era feito de azeitonas; mas para que as
azeitonas fossem transformadas em óleo, era necessá-
rio que elas fossem moídas, feridas, batidas e pisadas.
Para que hoje pudéssemos ter o Espírito santo, o óleo
fresco da unção, foi preciso que Jesus fosse ferido e
moído por nós, pelas nossas transgressões e malda-
des. Ele foi batido por nós para que tivéssemos direito
ao óleo. No livro de Êxodo, podemos ver que além das
azeitonas, também eram acrescentadas outras espe-
ciarias, como o álamo, que nos fala do fruto do Espírito
Santo.
Por intermédio de Jesus tivemos direito ao óleo;
o Espírito Santo enviado por Jesus e todas as ma-
nifestações dos dons. São as especiarias que dão
aroma, que dão sabor; de nada adianta a unção se
não tiver a manifestação, pois Jesus nos fala atra-
vés da parábola da candeia que “ninguém, depois de
acender uma candeia, a cobre com um vaso ou a põe
debaixo duma cama: pelo contrário, coloca-a sobre
um velador, a fim de que os que entram vejam a luz”
(Mt 5.15).

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Óleo e água
não se
misturam

Curioso é o fato de que o óleo não se mistura


com a água. São duas substâncias com elementos
totalmente heterogêneos. Não existe nada em co-
mum, não há comunhão entre eles. No momento
em que você assume a sua unção, quando você
toma posse do óleo que é seu por herança e assume
a sua posição de cristão, você tem plena compreen-
são de que realmente não pertence a este mundo.

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Está aqui, mas não comunga com ele, não participa
das mesmas ideias, não se mistura a ele. O óleo e
a água não se misturam de maneira nenhuma, não
adianta insistir, são diferentes em sua essência. Ain-
da que colocados juntos no mesmo recipiente e sa-
cudidos de todas as formas, jamais dará liga. Para
que sejam ligados é preciso que haja inclinação
natural. Quando você está coberto com o óleo da
unção, ainda que esteja em um ambiente de escar-
necedores, você jamais se sentará com eles, jamais
haverá intimidade, comunhão entre vocês; porque
não existe uniformidade na inclinação. Um está in-
clinado para as coisas do mundo, e outro para as do
Espírito.
Se você se envolver com as coisas do mundo,
como loteria, televisão (salvo programações em
conformidade com Filipenses 4.8), revistas imorais,
conversas inconvenientes etc., algo está errado
com você. É preciso estar atento, é preciso detectar
o que há de errado; porque com certeza existe al-
guma coisa errada. Óleo e água não se misturam. Se
você está se unindo, mesclando com o mundo, en-
tão não é óleo. Porque o Espírito Santo não se mis-
tura com o que é estranho à sua natureza. O após-

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tolo Paulo, em 2Tm 2.4 afirma: “Nenhum soldado em
serviço se envolve em negócios desta vida, porque o
seu objetivo é satisfazer àquele que o arregimentou.”
Nosso General é Cristo, fomos arregimentados por
Ele; não podemos nos envolver com as coisas deste
mundo, cujo príncipe é o diabo. Quando a unção
que está em nós é maior do que o poder persuasivo
de satanás, nós não nos envolvemos com o mundo,
porque está escrito, que “maior é aquele que está em
vós do que aquele que está no mundo” (1Jo 4.4). A un-
ção quebra o jugo, o jugo pesado de satanás.
Você com certeza já ouviu falar que os iguais se
atraem. Óleo se mistura com óleo. Quando você é
apresentado a um irmão que nunca havia visto ou
se apresentam num encontro casual, vocês se abra-
çam e se identificam um com o outro. Vocês têm o
mesmo Pai, a mesma carga genética, ou seja, são
nascidos não da vontade da carne ou do homem,
mas de Deus; são irmãos, têm a mesma unção, a
mesma vida. Vocês podem dizer: “Aleluia, somos ir-
mãos! Comungamos as mesmas idéias”.
Quando eu fui buscar o irmão Tony Wayt no ae-
roporto de Confins, eu não o conhecia e ficava ima-
ginando como e ele seria. Eu pensava: “Será que ele

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é velho ou novo? Carrancudo ou alegre? Introvertido
ou extrovertido?” Eu tinha conhecimento de que ele
era uma pessoa sofrida, pois havia passado por dias
difíceis, momentos terríveis no cárcere. Um homem
que sofreu pelo amor de Jesus. Ao encontrá-lo,
aquele irmãozinho magro, simpático, alegre, exa-
lando o amor de Cristo, me abraçou acariciando-
me. Foi tão bom! Mais do que o agradável calor do
abraço, houve identificação. Somos irmãos, uma
família. Aleluia!
Contou-nos que quando recolhido ao presídio,
todo o mundo ficou ciente do acontecido e o povo
evangélico não foi exceção. Então, ele começou a
receber cartas. Ao receber uma carta da Tailândia
ele disse ao carcereiro, que tinha família na Tai-
lândia. Depois veio outra, outra e outras; daqui da
América do Sul, da Ásia e do mundo inteiro. Nosso
irmão feliz contava ao carcereiro: “Eu tenho família
na América do Sul, na Ásia... minha família está no
mundo inteiro”. Você pode imaginar o carcereiro?
Eu creio que ele não entendia nada. Mas nós enten-
demos, é por causa da unção. É a unção que faz a
diferença!

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EliminaNdo
fricções

Outro fato muito interessante é que o óleo eli-


mina as fricções. Eu não entendo nada de carro, mas
periodicamente tenho que levá-lo ao posto para
fazer a troca de óleo; isto porque é a recomenda-
ção dos profissionais que conhecem deste assunto.
Afirmam que a troca deve ser feita a cada cinco mil
quilômetros, caso contrário o carro fundirá o motor.
O óleo tem que estar novo. Eu possuía um carro e
ele começou a vazar óleo; foi vazando, vazando, até
que um dia a falta do óleo provocou a fricção das

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peças e o motor fundiu. O carro parou de rodar e
o prejuízo foi muito grande. Eu não sei explicar de-
talhadamente o porquê de se colocar o óleo, mas
suponho, com grande margem de acerto, que seja
exatamente para lubrificar e impedir a fricção das
peças. Quando a unção está fluindo em nossas vidas
não existe fricção. Como membros de um mesmo
corpo, de um mesmo “mecanismo”, temos que estar
sempre em contato uns com os outros; mas com a
unção este “roçar das peças” permanece lubrificado
e não existe o desgaste, a fricção que provoca atrito,
faíscas e corrosão. A lubrificação faz com que as pe-
ças funcionem em harmonia sem se “machucarem”
umas às outras. Assim também acontece conosco.
A unção é que nos lubrifica. Cada um dentro do seu
ministério, harmoniosamente colaborando para o
perfeito funcionamento do Corpo, sem atrito, sem
desavença.
Lemos em Efésios 3.19: “Maridos amai as vos-
sas esposas [...]” A tradução literal deste texto diz
assim: “Maridos, não sejam lixa para com as vossas
esposas”; se faltar o óleo, serão lixa mesmo. Vai lixar,
descamar, provocar feridas. A Palavra do Senhor é
clara. Só o óleo elimina a fricção sem alterar o fun-

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cionamento. Não adianta tirar uma ou duas peças,
porque assim a “engrenagem” não funciona, não
se move bem e com regularidade. Não resolvemos
atritos nos afastando dos irmãos, evitando-os ou
mudando de igreja. Só a unção quebra o jugo, eli-
mina atritos e permite o bom funcionamento do
Corpo de Cristo. Nós somos o Corpo, só a unção do
Espírito nos capacita para o desempenho dos nos-
sos dons. Efésios 4.15-16 afirma: “Mas, seguindo a
verdade em amor, cresçamos em tudo naquele que é
o cabeça, Cristo, de quem todo corpo, bem ajustado
e consolidado pelo auxílio de toda junta, segundo a
justa cooperação de cada parte, efetua o seu próprio
aumento para a edificação de si mesmo em amor.”
Muitas vezes enfrentamos conflitos, seja em casa,
entre maridos e esposas, com os filhos, com os pais;
ou com o irmão na igreja ou fora dela, no trabalho...
Em todos os lugares estamos sujeitos a desavenças.
Somente se a unção estiver fluindo em nossas vidas
não haverá fricção. Vejamos o que o Senhor nos fala
em Colossenses 3.12: “Revesti-vos, pois, como eleitos
de Deus, santos e amados, de ternos afetos de miseri-
córdia, de bondade, de humildade, de mansidão, de
longanimidade.” Meus irmãos, Jesus foi ungido!

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O poder está
na unção

Ao observarmos a vida de Jesus, desde o seu


nascimento, constatamos que até completar 30
anos, Jesus não operou nenhum milagre; Ele não
fez com que nenhum cego voltasse a enxergar,
nem fez paralítico andar e nem ressuscitou nenhum
morto. Nada. Mas, aos 30 anos Jesus foi batizado, o
Espírito do Senhor veio sobre Ele e o ungiu. E depois
da unção do Senhor, cheio de poder, o que Jesus
fez? Jesus saiu quebrando o jugo, para desfazer as
obras do diabo. Um pouco antes de Jesus subir para

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junto do Pai, Ele disse aos seus discípulos que per-
manecessem na cidade, voltassem para Jerusalém
até que do alto recebessem a unção. Até que pelo
Espírito fossem capacitados a realizarem as mesmas
obras que o Senhor havia feito.
No Salmo 92.10, Davi compara o seu poder, exalta-
do por Deus, com a força do boi selvagem: “Porém tu
exaltas o meu poder como o do boi selvagem; derramas
sobre mim o óleo fresco.” Davi foi ungido com óleo fres-
co! Em Israel, o boi era o animal mais forte que Davi
conhecia, por isto ele o citou aqui. Você com óleo fres-
co caminha como um boi selvagem. Um boi selvagem
não é detido, com a sua força ele vai tirando do seu ca-
minho todos os obstáculos; nada o detém, ele é forte,
destemido e determinado. Nós não somos selvagens,
mas com a unção do Espírito, renovada a cada manhã,
temos força e poder como este boi. Nada nos detém,
as artimanhas do nosso inimigo não nos intimidam
nem nos incapacitam, porque o nosso poder vem do
alto, é maior do que todas as suas insistentes tentati-
vas de reter-nos em nossa caminhada.
Quando Jesus ia para Betânia ressuscitar Láza-
ro, encontrou com seus discípulos que lhe falaram:
“Mas ele morreu”. Porém, Jesus lhes respondeu: “Eu

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vou despertá-lo”. Jesus não se deteve ou se irritou
com eles, mas Ele prosseguiu em sua jornada; esta
era a sua vocação: fazer a vontade do Pai. Encare
essa realidade em sua vida agora mesmo. O óleo em
você evita as fricções. Em Efésios 4.1 a Palavra do Se-
nhor nos diz: “[...] que andeis de modo digno da voca-
ção a que fostes chamados.” Qual é a nossa vocação?
É sermos semelhantes a Cristo, fazendo sempre a
vontade do Pai, e a vontade de Deus é ter muitos
filhos conforme a imagem do Filho, para que Jesus
seja o primogênito entre muitos irmãos. O livro A
imitação de Cristo, de Tomás de Kempis, é lindo e
você deve lê-lo, entretanto, nenhum homem natu-
ral será capaz de vivê-lo, porque a vida cristã não
é uma imitação, não é apenas uma reprodução fal-
sificada. Imitação de Cristo se refere a produzir em
semelhança, ter como modelo ou norma o próprio
Senhor, é reproduzir o estilo de vida de Jesus. A
vida cristã é participativa, é o próprio Senhor Jesus
vivendo em mim e em você, conforme diz a Escritu-
ra: “[...] Cristo em vós, a esperança da glória.” (Cl 1.27.)
Profetize essa verdade não somente em sua vida
como também na vida de seus irmãos. Realmente o
óleo elimina fricções.

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O óleo tem poder penetrante, ele possui a ca-
pacidade de se introduzir, de chegar ao íntimo. No
Salmo 109.18 lemos assim: “Vestiu-se de maldição
como de uma túnica: penetre, como água, no seu in-
terior, e nos seus ossos, como azeite.” Quando o ho-
mem cristão assume a sua unção, essa que Deus lhe
dá, do seu Espírito, o óleo penetra profundamente,
traspassa alma e penetra no espírito.
Durante uma grande seca na Etiópia, uma irmã
americana foi movida pelo Espírito de Deus a levar
alimentos e Bíblias para os etíopes, e sua decisão foi
de levar pessoalmente esse suprimento. Ela pediu
autorização para sua entrada na Etiópia e o minis-
tro havia prometido a liberação do visto no seu
passaporte, por isso ela providenciou os prepara-
tivos para a viagem; comprou vinte mil dólares de
comida e vinte mil Bíblias, gastando com elas mais
vinte mil dólares, perfazendo um total de quarenta
mil dólares. Contudo, devido ao governo comunis-
ta desse país, nossa irmã encontrou alguns entraves
burocráticos que a impediram de viajar. Mas ela era
cristã, tinha convicção da sua identidade e da sua
unção. Ela não se desesperou, confiou no Deus que
a havia comissionado, arregimentado. A ordem ha-

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via partido dele e nenhum dos seus propósitos são
frustrados. Estava descansada e em paz. Pouco tem-
po depois, um membro da igreja a informou sobre
uma nova convertida etíope. Logo elas se encontra-
ram e esta irmã tomou conhecimento da situação.
No dia seguinte, nossa irmã tinha em mãos o
passaporte com visto de entrada. O ministro era um
antigo namorado daquela irmã etíope e a amizade
que restou, ajudou bastante. A unção faz a diferen-
ça!
Tony Wayt nos relatou sobre aquela que seria
sua décima viagem sobre Cuba, na qual o avião
caiu. Antes do dia do embarque, uma irmã teve uma
visão e a revelou ao Tony. Ela disse a ele: “Eu vi você
andando numa estrada em um tanque de guerra;
você foi preso, mas nada lhe aconteceu”. O nosso ir-
mão foi levado pela polícia, entretanto, podia sentir
a presença de Deus.
Após o julgamento que o condenou a 24 anos
de prisão, ele recebeu uma carta muito singular.
Nesta carta, algumas irmãs lhe escreveram afir-
mando que estariam orando por ele até o dia 15 de
outubro; só até esse dia, depois não orariam mais.
Ele então pensou: “Como estas irmãs me amam?! Se

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eu vou ficar aqui até o ano 2006, como é que só es-
tarão orando por mim até 15 de outubro?!” Os pen-
samentos do Senhor são mais altos que os nossos
e seus caminhos são maravilhosos! De uma forma
tão linda, 33 presos americanos que estavam em
Cuba formam libertados, todos num único dia, o
dia 15 de outubro. E o nosso Tony Wayt estava entre
eles. Deus não é pego de surpresa, ninguém pode
surpreendê-lo. Ele é onisciente, conhece também
o amanhã; conhece toda a história, do começo ao
fim. Por isso colocou no coração daquelas irmãs o
peso de oração, orientando-as a orar até o dia 15
de outubro. Essa era a parte delas, o resto era por
conta do Senhor da história. O óleo tem essa capa-
cidade de penetrar fundo, entranhando até o mais
profundo. Quantas vezes você está na superfície,
tratando de modo tão natural as situações. Mas é
preciso fazer como o óleo, aprofundar-se, ir ao pro-
fundo, observar o espiritual da situação natural. É
bom reconhecer que a unção, o óleo penetra pro-
fundamente.

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É preciso
repor o óleo

É inquestionável o fato de que, quando lança-


mos mão de alguma coisa, quanto mais a usamos,
mais desgaste ocorre. Isto também acontece com o
óleo. Vamos usando, gastando o óleo e ele vai aca-
bando. Se você recebeu o óleo há dez, cinco, dois
anos ou uma semana atrás, este óleo já está gasto;
já foi retirada uma parte, ou uma grande parte dele.
É preciso repor o óleo. Por isso Davi pedia: “Unge a
minha cabeça com óleo a cada manhã. Unge a minha
cabeça com óleo na presença dos meus inimigos.” A

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unção tem que ser renovada a cada manhã, tem
que ser nova, em medida recalcada e sacudida. A
unção tem que estar transbordando, é assim que do
nosso interior fluirão rios de Água Viva. Veja a Pa-
lavra do Senhor no Salmo 46.4-5: “Há um rio, cujas
correntes alegram a cidade de Deus, o santuário das
moradas do Altíssimo. Deus está no meio dela; jamais
será abalada; Deus a ajudará desde antemanhã.” So-
mos morada de Deus, nosso coração é o seu santu-
ário. As correntes que jorram deste rio devem ale-
grar a cidade de Deus. Se somos moradas de Deus,
a Igreja do Senhor é a sua cidade. A unção deve fluir
para que a cidade seja alegrada, para que ela sirva
de modelo e inspiração; para que aqueles que estão
do lado de fora queiram entrar e fazer parte dela.
Esta é a cidade de Deus e Ele está no meio dela. Ela
jamais será abalada, porque está escrito que as por-
tas do inferno não prevalecerão contra a Igreja e o
próprio Senhor disse ao profeta Jeremias: “[...] por-
que eu velo sobre a minha Palavra para a cumprir.”(Jr
1.12.) E Deus e sua Palavra são um, eternos e trans-
cendentes ao tempo e ao espaço. A sua Palavra é
tão viva e eficaz hoje, como há dois mil anos atrás.

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Só o Senhor é
digno

Não recebemos a unção para sairmos decla-


rando: “Sou ungido!” Não, é claro que não foi para
isto. Não é certo estarmos declarando a toda
hora: “Eu jejuei uma semana inteira”. “Eu tenho
orado muito”. “Eu tenho trabalhado muito para o
Senhor”. “Deus tem me usado grande e poderosa-
mente”. Não! Não é para se contar essas coisas.
Somos apenas indicadores para Cristo. Se temos
unção, é porque Ele nos dá; se somos usados por
Ele, é mérito dele e não nosso, porque é Ele quem

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opera em nós, tanto o querer quanto o realizar,
segundo a sua boa vontade. É como um pintor
que pinta um quadro. O mérito não é dos pincéis
e das tintas que ele usou ou do valor de ambos.
O que realmente tem valor é o quadro pronto, a
obra realizada. O pincel por si só não reproduzirá
traços, nem a tinta por si mesma daria cor e be-
leza aos traços. É preciso a mão do pintor. O que
traz vida ao quadro é a essência do pintor que
fica impregnada nele. De nada adianta todos os
nossos dons se não houver a unção do Espírito. É
o poder de Deus que dá vida a eles. É a essência
de Deus em nós que nos faz geradores de bên-
çãos e vida. Sem o pintor, os pincéis e as tintas,
com todo o seu valor, seriam peças inanimadas.
Sem a unção do Senhor somos como letras mor-
tas; só o Espírito vivifica.
Deus não dá a sua glória a ninguém. Muitas
pessoas perdem a unção exatamente porque se
vangloriam o tempo todo, falando e se enalte-
cendo diante dos homens, deixando de glorificar
a Deus, quando sabemos que é Ele, o Senhor, o
único digno de louvor e adoração. Jesus fechou
a parábola do fariseu e do publicano dizendo:

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“[...] porque todo o que se exalta, será humilha-
do; mas o que se humilha, será exaltado.” Satanás
perdeu a unção e autoridade por invejar o lugar
de Deus; ele queria usurpar a glória do Senhor.
A unção que Deus nos deu é para glorificar a Je-
sus; e Ele disse que teríamos unção para sermos
suas testemunhas. A testemunha não é aquela
que faz e sim, a pessoa que viu ou ouviu algo ou
que é chamada para depor. Se você presenciou
uma batida de carros, você foi testemunha. Você
não estava na direção de nenhum deles apesar
de poder testemunhar sobre o ocorrido. Você
vai revelar a outras pessoas o que viu ou ouviu.
Nós temos a unção para revelar a glória de Deus.
Jesus disse aos seus discípulos: “Quando, porém,
vier o Consolador, que eu vos enviarei da parte do
Pai, o Espírito da verdade, que dele procede, esse
dará testemunho de mim; porque estais comigo
desde o princípio.” (Jo 15.26.) O Espírito Consola-
dor já foi enviado e somos os discípulos de Cristo,
desde o princípio, desde o momento que o reco-
nhecemos como Senhor das nossas vidas. “E nós
temos visto e testemunhamos que o pai enviou seu
Filho como Salvador do mundo.” (1Jo 4.14.) Você

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é testemunha de Jesus libertando e salvando as
pessoas. É tão lindo você chegar e dizer: “Eu vi Je-
sus salvar duas vidas hoje a noite; eu vi Jesus curar
um canceroso e fazer um paralítico andar, aleluia!”
Pena que muitas pessoas gostam de colocar um
pouco de si mesmas, ou às vezes deixam só um
pouco para Jesus e falam orgulhosos: “Ah, sabe
o que aconteceu? Eu coloquei as minhas mãos e
quando eu coloco as minhas mãos...” Não são as
nossas mãos que curam; são as mãos de Jesus
que envolvem as nossas, que fazem o milagre.
São as mãos do Senhor que operam as maravi-
lhas. São como as luvas do cirurgião. Esta atitude
de autoexaltação pode ser comparada com a das
luvas, se essas falassem. Elas diriam: “Viu como eu
sou tão capaz? Viu com que agilidade eu segurei o
bisturi e com que precisão eu fiz o corte?! E como
eu estanquei o sangue e costurei?!” Elas se sentem
responsáveis por todo o sucesso da cirurgia. Elas
se esquecem que dentro delas estava a mão do
cirurgião, ele as conduzia. Assim é o homem que
dá a si mesmo a glória que é de Deus. É a mão do
Senhor, o braço do Senhor em nós, em você meu
irmão, que faz acontecer. Temos que anunciar a

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vida de Deus em nós e não, nos apresentarmos
como Deus, conforme está escrito em 1 João 1.2:
“[...] e a vida se manifestou, e nós a temos visto, e
dela damos testemunho e vo-la anunciamos, a vida
eterna, a qual estava com o Pai e nos foi manifesta-
da.” É a unção do Senhor em sua vida, que faz de
você uma pessoa intrépida para falar aos outros
do amor de Deus e do seu poder. Isto é a vida do
Senhor em você.
O diabo tenta destruir o homem, roubando sua
unção, matando nele o poder de Deus e destruin-
do sua comunhão com o Pai. Resista ao diabo. Deus
nos manda resistir; é certo que ele fugirá. Todas as
pessoas que dão ouvidos ao inimigo perdem a gra-
ça e a unção do Senhor. O diabo pode lançar setas
em seu pensamento, fazendo você pensar que é
muito bom, que o poder que emana de você é seu
e, você é quem realiza o que quer e quando quer.
Não caia nesta, meu irmão! Veja o que diz o salmis-
ta no Salmo 62.11: “Uma vez falou Deus, duas vezes
ouvi isto: Que o poder pertence a Deus.” Ora, em sua
primeira carta aos Coríntios, o apóstolo Paulo fala
sobre os dons espirituais, sobre o poder de Deus em
nós, que se manifesta em diferentes formas, sem-

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pre visando um fim proveitoso. Leia com atenção:
“Ora, os dons são diversos, mas o Espírito é o mesmo. E
também há diversidade nos serviços, mas o Senhor é o
mesmo. E há diversidade nas realizações, mas o mes-
mo Deus é quem opera tudo em todos.” (1Co 12.4-6.)
A unção é nossa, mas é o Senhor quem dá e ela tem
que ser renovada a cada dia; para isso é preciso es-
tar sempre diante do trono de Deus, o Pai.
O Senhor perguntou para Moisés o que ele tinha
nas mãos e Moisés respondeu: “Eu tenho uma vara.”
E Deus lhe disse: “Vai e tira o meu povo do Egito”.
Com uma vara?! Sim, com uma vara, porque o po-
der não estava na vara e nem na mão que segurava
a vara, mas estava, como está, em Deus.
E você, querido irmão, o que tem nas mãos?
Você pode não ter nada, você pode até não ter
mãos, mas se tiver a unção de Deus sobre a sua
vida, com certeza, você vai revolucionar o mundo
inteiro. Como o óleo, a unção do Senhor tem que
estar nova e entranhada em nós, traspassando
alma e alcançando o espírito; assim, enquanto a
unção estiver nova, reteremos o poder de Deus.
Desta forma, nossa mente, alma e espírito estarão
sendo renovados em Cristo para a transformação

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do mundo no Reino de Deus.
“E não vos conformeis come este século, mas
transformai-vos pela renovação da vossa mente,
para que experimenteis qual seja a boa, agradável
e perfeita vontade de Deus.” (Rm 12.2.)
“Quanto ao mais, sedes fortalecidos no Senhor e
na força do seu poder.” (Ef 6.10.)

Deus abençoe!

Pr. Márcio Valadão

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JESUS TE
AMA E QUER
VOCÊ!

1º PASSO: Deus o ama e tem um plano


maravilhoso para sua vida. “Porque Deus amou
o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigê-
nito, para que todo o que nele crê não pereça, mas
tenha a vida eterna.“ (Jo 3.16.)

2º PASSO: O Homem é pecador e está

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separado de Deus. “Pois todos pecaram e
carecem da glória de Deus.“ (Rm 3.23b.)

3º PASSO: Jesus é a resposta de Deus,


para o conflito do homem. “Respondeu-lhe
Jesus: Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida;
ninguém vem ao Pai senão por mim.“ (Jo 14.6.)

4º PASSO: É preciso receber a Jesus em


nosso coração. “Mas, a todos quantos o rece-
beram, deu-lhes o poder de serem feitos filhos
de Deus, a saber, aos que crêem no seu nome.“
(Jo 1.12a.) “Se, com tua boca, confessares Je-
sus como Senhor e, em teu coração, creres que
Deus o ressuscitou dentre os mortos, será sal-
vo. Porque com o coração se crê para justiça
e com a boca se confessa a respeito da salva-
ção.” (Rm 10.9-10.)

5º PASSO: Você gostaria de receber a


Cristo em seu coração? Faça essa oração de
decisão em voz alta:

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“Senhor Jesus eu preciso de Ti, confesso-te o
meu pecado de estar longe dos teus caminhos.
Abro a porta do meu coração e te recebo como
meu único Salvador e Senhor. Te agradeço por-
que me aceita assim como eu sou e perdoa o
meu pecado. Eu desejo estar sempre dentro
dos teus planos para minha vida, amém”.

6º PASSO: Procure uma igreja evangé-


lica próxima à sua casa.
Nós estamos reunidos na Igreja Batista da
Lagoinha, à rua Manoel Macedo, 360, bairro
São Cristóvão, Belo Horizonte, MG.
Nossa igreja está pronta para lhe acom-
panhar neste momento tão importante da
sua vida.
Nossos principais cultos são realizados
aos domingos, nos horários de 10h, 15h e
18h horas.

Ficaremos felizes com sua visita!

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Uma publicação da Igreja Batista da Lagoinha

Gerência de Comunicação

Rua Manoel Macedo, 360 - São Cristóvão

CEP 31110-440 - Belo Horizonte - MG

www.lagoinha.com

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