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T T E E S S T T A A M M E E N N T T O O

do Brasil Brasil Central Central www.sprbc.com www.sprbc.com T T E E S S T T A

I I N N T T R R O O D D U U Ç Ç Ã Ã O O A A O O N N O O V V O O

U Ç Ç Ã Ã O O A A O O N N O O V

15 Por isso mesmo, ele é o Mediador da nova aliança, a fim de que, intervindo a morte para remissão das transgressões que havia sob a primeira aliança, recebam a promessa da eterna herança aqueles que têm sido chamados.

Hebreus 9.15

APRESENTAÇÃO

O estudo do Novo Testamento é uma tarefa magnífica, no entanto, desafiadora. Há um distanciamento temporal muito grande entre nós e os autores neotestamentários. Eles escreveram para ouvintes do primeiro século da era cristã, portanto, toda a mensagem está inserida naquela contexto histórico. A tarefa de reduzir esse distanciamento cabe a nós, estudiosos da Bíblia. A disciplina Introdução ao Novo Testamento é a primeira ferramenta que temos à mão para um estudo sério das Escrituras, por isso busca-se aqui fazer um levantamento e familiarização do ambiente e conteúdo do Novo Testamento, bem como, focalizar os principais problemas críticos como: a

O Partenon ou Partenão (em grego antigo Παρθενών, em grego moderno Παρθενώνας) foi um templo
O Partenon ou Partenão (em grego antigo
Παρθενών, em grego moderno
Παρθενώνας) foi um templo da deusa
grega Atena, construído no século V a.C.
na acrópole de Atenas. É o mais
conhecido dos edifícios remanescentes da
Grécia Antiga e foi ornado com o melhor
da arquitetura grega

origem dos evangelhos, fontes, autoria, data, destino, propósito e canonicidade; concedendo assim, ferramentas para que o aluno possa ampliar seu conhecimento histórico-teológico do Novo Testamento. Diante de um contexto, em que as regras básicas de interpretação têm sido ignoradas pelos pseudo-pregadores, precisamos reafirmar a importância de se buscar a intenção do autor bíblico, mantendo-se sempre fiel à Palavra de Deus. Fica claro a necessidade de um estudo conciso de todo o contexto histórico, político, econômico e social do mundo antigo do Novo Testamento, pois sem esse “contexto” e sem o seu “ambiente" as palavras das Escrituras podem tomar rumos diferentes daqueles almejados pelos autores. Desejamos um bom curso para todos. Pr. Wendel Porto & Pr. Sergio Dario.

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INTRODUÇÃO

A expressão grega Η Καινη Διαθηκη (Hê Kainê Diathêkê),

Hb.

9.9-20)

e

posteriormente

para designar uma coleção

, Hb. 9.9-20) e posteriormente para designar uma coleção significa "A Nova Aliança" ou Testamento .

significa "A Nova Aliança" ou Testamento. Foi originalmente usada

pelos primeiros cristãos para descrever suas relações com Deus (2 Co

3.6-15;

específica de 27 livros. Ao falarmos em testamento, estamos falando em “pacto”,

“aliança”. Temos a velha aliança (Antigo Testamento) e a nova

aliança

cumprimento que o Antigo promete, Cristo. Que veio inaugurar o novo pacto.

Novo Testamento quer dizer “Novo Pacto” – contrastando com o antigo pacto, Deus perdoava transgressões à vista de sacrifícios de animais. Um testamento passa a ter validade com a morte do testador, assim, o Novo Pacto entra em vigar em face da morte de Jesus (Hebreus9.15-17). Ao contrário do Antigo Testamento, que levou mais de mil anos para ser escrito, o novo foi escrito em cerca de 50 anos.

(Novo

Testamento).

O

Novo Testamento fala do

- Escrito em grego (com algumas porções em aramaico).

- Autores:

- Apótolos:

- Não Apóstolos:

- Pedro

-

Marcos

- João

-

Lucas

- Mateus

-

Tiago

- Paulo

-

Judas

Os livros não foram escritos da forma que temos hoje na Bíblia.

DIVISÃO DO NOVO TESTAMENTO

A. Evangelhos (4)

a.

Sinóticos:

b. João

i.

Mateus

i.

S

ii.

Marcos

ii.

E

iii.

Lucas

iii.

s

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B. Histórico (1)

a. Atos dos Apótolos

C. Epístolas (21)

a. Epístolas Paulinas: 13

i.

Romanos

vii.

Colossenses

ii.

I Coríntios

viii.

I Tessalonissenses

iii.

II Coríntios

ix.

II Tessalonissenses

iv.

Gálatas

x.

I Timóteo

v.

Efésios

xi.

II Timóteo

vi.

Filipenses

xii.

Tito

xiii.

Filemon

b. Gerais: 8

 

i.

Hebreus!

v.

I João

ii.

Tiago

vi.

II João

iii.

I Pedro

vii.

III João

iv.

II Pedro

viii.

Judas

D. Profético (1)

a. Apocalipse

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CONTEXTO HISTÓRICO DO NOVO TESTAMENTO

Para um estudo adequado do Novo Testamento é necessário ter em mente:

A situação política (domínio romano, as divisões da Palestina)

A dispersão judaica (judeus em cada cidade principal do Império Romano)

Uma sociedade Urbana

A língua (grego e aramaico; hebraico limitado aos eruditos)

Exclusivismo judaico

Enfase sobre a Torá

O Sinédrio

A Sinagoga e a escola

Seitas religioso-políticas (saduceus, fariseus, essênios, escribas, zelotes. Herodianos, zadoqueus, etc.)

Literatura extra-canônica (apócrifos e pseudo-epígrafos)

O fim da idolatria (monoteísmo)

Doutrina explícita da ressurreição

Doutrina de anjos, demônios, etc.

Portanto, faz-se necessário analizar três classes distintas para entendermos melhor o contexto do Novo Testamento: a história política, as instituições e as seitas religiosas.

PERÍODO INTERBÍBLICO 1

Esse período teve a duração de aproximadamente 450 anos. Normalmente se faz referência a esse tempo como uma época em que Deus esteve em silêncio para com o seu povo. Nenhum profeta de Deus se manifestou ou, pelo menos, nenhum deixou escritos que tenham sido considerados canônicos.

O Antigo Testamento se encerra com Israel sob dominação Persa. No Novo Testamento o domínio é dos Romanos. Neste período entre o Antigo e o Novo Testamento existem 4 épocas distintas:

a. O Império Persa

b. O Império Grego

c. O Domínio Macabeu (ou hasmoneu)

d. O Império Romano

1 Este tópico (Período Interbíblico) é resultado de anotações das leituras deste professor e do material colhido no site: http://espacodevida.blogspot.com/2008/02/perodo-interbblico.html - acessado em 22/01/2009.

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I. O IMPÉRIO PERSA - FINAL DO V.T. – 538 A 332 A.C.

Relembrando: O Reino do Norte (Israel) havia sido conquistado pelos Assírios em 722 a.C por Sargão, II Reis 16.6.

Judeus foram deportados para Assíria e outros lugares.

Outros povos foram importados para povoarem Samaria. OBS: A política de dominação da Assíria era de destruir principalmente a linguagem nacional do povo dominado. (Unir todos os povo em um só)

O Reino do Sul (Judá) havia sido conquistado pelos Babilônios em 605 a.C. Em 612 os Assírios foram conquistados pelos babilônios com nabopolassar.

Estensão do Império Persa

babilônios com nabopolassar. Estensão do Império Persa • Membros da família real e líderes ricos foram

Membros da família real e líderes ricos foram levados para a Babilônia

o

Surgimento da sinagoga

o

Ênfase no ensino da Toráh – sábado, circuncisão e jejum

O Velho Testamento termina com as palavras de Malaquias, o qual profetizou

Nesse tempo, a Palestina já estava sob o domínio do Império Persa

entre 450 e 425 a.C

que se estendeu até o ano 332 a.C

Ciro deu ordem para os judeus voltarem para sua terra. Cerca de 50.000 voltaram. A maioria ficou na Babilônia, pois já haviam se estabelecido, conquistado posição de autoridade e bens.

Na palestina, o momento é marcado por uma forte divisão entre samaritanos, devida a tentativa de construção de um templo no monte Gerizim.

Embora o rei Ciro tenha autorizado os judeus a retornarem do exílio, o domínio Persa continuava sobre eles. De volta à Palestina, o povo judeu passou a ter um governo local exercido pelos sumo sacerdotes, embora não houvesse independência política. Eram comuns as disputas pelo poder. Contudo, os judeus foram leais ao governo persa.

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II. O IMPÉRIO GREGO - 331 A 167 A.C.

Paralelamente ao Império Persa, crescia o poder de um rei macedônico, Felipe, o qual empreendeu diversas conquistas na Ásia menor e ilhas do mar Egeu, anexando a Grécia ao seu domínio. Desejando expandir seu território, entrou em confronto com a Pérsia, o que lhe custou a vida. Foi sucedido por seu filho, Alexandre Magno, que também ficou conhecido como Alexandre, o Grande, o qual havia estudado com Aristóteles. Alexandre tinha 20 anos quando começou a governar. Seu ímpeto imperialista lhe levou a conquistar a Síria, a Palestina (331 a.C.) e o Egito.

a conquistar a Síria, a Palestina (331 a.C.) e o Egito. No Egito, Alexandre construiu uma

No Egito, Alexandre construiu uma cidade em sua própria homenagem, dando- lhe o nome de Alexandria, a qual se encontrava em local estratégico para o comércio entre o Mediterrâneo, a Índia e o extremo Oriente. Essa cidade se tornou também importante centro cultural, substituindo assim as cidades gregas. Entre suas construções destacaram-se o farol e a biblioteca.

Alexandre o Grande

Em 331, Alexandre se dedicou a libertar algumas cidades gregas do domínio da Pérsia. Seu sucesso militar foi tão grande que considerou-se capaz de enfrentar a própria capital do império. E assim conquistou a Pérsia. Contudo, nessa batalha, que ficou conhecida como Arbela ou Gaugamela, as tropas gregas tiveram de enfrentar um exército de elefantes, os quais foram usados pelo rei da Pérsia. Alexandre venceu o combate, mas os elefantes foram motivo de grande desgaste para seus soldados. Alexandre se denominou então "Rei da Ásia" e passou a exigir para si o culto dos seus subordinados, de conformidade com as práticas babilônicas.

subordinados, de conformidade com as práticas babilônicas. Em 327 a.C., em suas batalhas de conquista rumo

Em 327 a.C., em suas batalhas de conquista rumo ao Oriente, Alexandre encontra outro exército de elefantes, o que fez com que seus soldados se amotinassem, recusando-se a prosseguir. Terminaram-se assim as conquistas de Alexandre Magno. Em 323 a.C., foi acometido pela malária, que lhe encontrou com o organismo debilitado

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pela bebida. Não resistiu à doença e morreu naquele mesmo ano. Não deixou filhos, embora sua esposa, Roxane, estivesse grávida.

Este período ficou marcado pelo crecimento rápido da cultura grega, que se epalhou rapidamente por meio do comércio e colonização. A língua grega se tornou franca – usada no comércio e na diplomacia. Alexandre fundou mais de 70 cidades, com elas ele levou a cultura, a religião, os esportes e a filosofia.

Quanto aos judeus, Alexandre os tratou bem e teve muitos deles em seu exército. Após a sua morte, o Império Grego foi divido entre os seus generais em quatro partes:

1. Egito – Ptolomeu

2. Síria – Seleuco

3. Macedônio – Cassandro

4. Trácia – Lisimaco

Os que nos interessam o Ptolomeu, a quem coube o governo do Egito, e Seleuco, que passou a governar a Síria.

O Governo dos Ptolomeus

O governo Ptolomeu centralizava seu poder no Egito e a capital era Alexandria.

A palestina foi dominada pelos Ptolomeus por 122 anos (320 a 198 a.C.)

Eis os nomes que se sucederam enquanto a Palestina esteve sob o seu governo (323 a 204 a.C.):

Ptolomeu I (Sóter) - 323 a 285 a.C.

Ptolomeu II (Filadelfo) - 285 a 246 a.C. – Durante o seu governo foi elaborada, em Alexandria, a Septuaginta, tradução do Antigo Testamento para o grego. Filadelfo foi amável com os judeus.

Ptolomeu III (Evergetes) – 246 a 221 a.C.

Ptolomeu IV (Filópater) - 221 a 203 a.C. - Ao voltar de uma batalha contra a Síria, Filópater visitou Jerusalém e tentou entrar no Santo dos Santos. Contudo, foi acometido

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de um pavor repentino que o fez desistir do seu propósito. Foi um grande perseguidor dos judeus.

Ptolomeu Epifânio – 203 a 181 a.C. – Tinha 5 anos de idade quando seu pai, Filópater morreu. Aproveitando a situação, Antíoco - o Grande, rei da Síria, toma o poder sobre a Palestina no ano 204.

O Governo Dos Selêucidas

O governo Selêucida centralizava seu poder no Síria e a capital era Antioquia.

Os reis da Síria, descendentes do general Seleuco, foram chamados Selêucidas.

De 204 a 166 a.C., a Palestina esteve sob o domínio da Síria. Eis a relação dos selêucidas do período:

Antíoco III - O Grande – 223 a 187 a.C. Em 198 a.C. Antíoco III derrotou o Egito.

Seleuco IV (Filópater) – 187 a 175 a.C.

Antíoco IV (Epifânio) - 175 a 163 a.C. - Em Israel, o governo local era exercido por Onias, o sumo sacerdote. Contudo, Epifânio comercializou o cargo sacerdotal, vendendo-o a Jasão por 360 talentos. Epifânio se esforçou para impor a cultura e a religião grega em Israel, atraindo sobre si a inimizade dos judeus. Tendo ido ao Egito, divulgou-se o boato da morte de Epifânio, motivo pelo qual os judeus realizaram uma grande festa. Ao tomar conhecimento do fato, o rei da Síria promoveu um grande massacre, matando 40 mil judeus.

Em 168 a.C., Antíoco Epifânio sacrifica uma porca sobre o altar em Jerusalém e entra no Santo dos Santos. Ordena que o templo dos judeus seja dedicado a Zeus, o principal deus da mitologia grega, ao mesmo tempo em que proíbe os sacrifícios judaicos, os cultos, a circuncisão e a observância da lei mosaica.

Segue-se então um período em que não houve sumo sacerdote em atividade em Jerusalém (159 a 152 a.C.). Realiza-se então um processo de helenização radical na Palestina. Foi erguido um ginásio com pistas de corridas, onde judeus despidos se exercitavam (causando escândalo aos judeus piedosos); Foram implantados teatros gregos, vestimentas, cultura; Acontecem cirurgias para tirar as marcas da circuncisão e mudança de nomes hebreus para gregos; tempo de um politeísmo profundo.

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Neste contexto surgem os “hassidins” = “piedosos”, eles se opõem a tudo o que está acontecendo.

Após regressar à Síria, em 168 a.C. Antíoco enviou seu general Apolônio com 22.000 homens para:

1. Coletar impostos,

2. Tornar ilegal o judaísmo,

3. Estabelecer o paganismo (à força)

Com o objetivo de consolidar seu império e refazer seu tesouro.

1. Saquearam Jerusalém

a. Derrubaram suas casas e muralhas

b. Incendiaram o que sobrou

2. Homens judeus foram mortos, mulheres e crianças foram escravizadas.

3. Tornou-se ofensa capital

a. Circuncidar

b. Observar o sábado

c. Celebrar as festividades judaicas

d. Possuir cópias do A.T. (Foram queimadas)

4. Sacrifícios pagãos se propagaram

a. A Dionízio – o deus do vinho.

b. Foi consagrado um altar a Zeus no Templo

5. Animais imundos foram colocados no Templo e a prostituição “sagrada”

passou a ser praticada no recinto do Templo (desolação total).

Vendo todos os seus valores nacionais sendo destruídos e profanados, os judeus reagiram contra Epifânio.

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O GOVERNO DOS MACABEUS - 167 A 37 A.C.

Território Governado Pelos Asmoneus (Macabeus)

Surge no cenário judaico uma importante família da tribo de Levi: os Macabeus. Em 167, o macabeu Matatias se recusa a oferecer sacrifício a Zeus. Outro homem se ofereceu para sacrificar, mas foi morto por Matatias, o qual organiza um grupo de judeus para oferecer resistência contra os selêucidas. Tal movimento ficou conhecido como

a Revolta dos Macabeus. A Palestina continuou sob o

domínio da Síria. Contudo, a Judéia voltou a possuir um governo local, exercido pelos Macabeus. Ainda não se

tratava de independência, mas já havia alguma autonomia.

A seguir, consta nomes de governantes macabeus e alguns

de seus atos em destaque.

Matatias (167-166 a.C.)

Judas (filho de Matatias) (166-160 a.C.) - Purifica o templo, conquista liberdade religiosa, restabelece o culto.

templo, conquista liberdade religiosa, restabelece o culto. Jônatas sacerdote. (filho de Matatias) (160-142 a.C.) –

Jônatas

sacerdote.

(filho

de

Matatias)

(160-142

a.C.)

Reinicia

a

atividade

de

sumo

Simão (filho de Matatias) (142-135 a.C.) - Reforça o exército e consegue isenção de impostos. Nesse momento a Síria se encontrava fraca, e a Judéia se torna independente.

Simão foi sumo sacerdote e rei da Judéia.

Pediu apoio de Roma contra a Síria.

A independência durou entre 142 e 63 a.C

João Hircano (filho de Simão) (135-104 a.C.) – Tinha tendência imperialista. Conquistou a Iduméia e Samaria. Destruiu o templo samaritano e sofreu oposição dos "hassidim", seita dos "santos".

Aristóbulo I – (104-103 a.C.) – prendeu a mãe e matou o irmão.

Alexandre Janeu (103-76 a.C.) - conquistou costas da Palestina – O território de Israel chegou a ter extensão semelhante à que tinha nos dias do rei Davi. Janeu sofreu a oposição dos fariseus.

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Alexandra Salomé (esposa de Alexandre) (76-67 a.C.) – foi uma governante pacífica.

Aristóbulo II - (67-63 a.C.) briga pelo poder com seu irmão, Hircano II.

Em 63 a.C., Aristóbulo provoca Roma. Pompeu invade Jerusalém, deporta Aristóbulo e coloca Hircano II no poder.

Hircano II (63-40 a.C.)

Em Roma, o governo é exercido por Pompeu, Crasso e Júlio César, formando o primeiro Triunvirato. O três brigam entre si pelo poder. Júlio César vence e torna-se Imperador Romano. Em seguida, nomeia Antípatro, idumeu, como procurador sob as ordens de Hircano. Faselo e Herodes, filhos de Antípatro, são nomeados governadores da Judéia e Galiléia.

Um ano depois, Antípatro morre envenenado. Passados 3 anos, o Imperador Júlio César morre assassinado. Institui-se um novo triunvirato, formado por Otávio, sobrinho de César, Marco Antônio e Lépido. Marco Antônio e Herodes eram amigos.

Herodes casa-se então com Mariana, neta de Hircano, vinculando-se assim à família dos macabeus.

Na tentativa de tomar o poder, Antígono, filho de Aristóbulo II, corta as orelhas de Hircano II, impossibilitando-o de continuar a exercer o sumo sacerdócio.

Antígono (40-37 a.C.) - Uma de suas ações foi perseguir Herodes, o qual dirigiu- se a Roma, denunciou a desordem e foi nomeado rei da Judéia (37 d.C.). Antígono foi morto pelos romanos.

Termina assim, a saga dos macabeus, cujo princípio foi brilhante nas lutas contra a Síria. Entretanto, foram muitas as disputas pelo poder dentro da própria família. Perderam então a grande oportunidade que os judeus tiveram de se tornarem uma nação livre e forte. Acabaram caindo sob o jugo de Roma.

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O IMPÉRIO ROMANO – 63 A. C. A 134 D.C.

Sendo nomeado por Roma como rei da Judéia, Herodes passou a governar um grande território. Contudo, sua insegurança e medo de perder o poder o levaram a matar Aristóbulo, irmão de Mariana, por afogamento. Depois, matou a própria esposa e estrangulou os filhos.

Depois, matou a própria esposa e estrangulou os filhos. A violência de Herodes provocou a revolta

A violência de Herodes provocou a revolta dos judeus. Para apaziguá-los, o rei

iniciou uma série de obras públicas, entre as quais a construção (reforma) do templo, que passou a ser conhecido como Templo de Herodes.

O domínio direto do Império Romano sobre a Palestina iniciou-se no ano 37 a.C.,

estendendo-se por todo o período do Novo Testamento.

Dois momentos do governos romano:

1. Sob Herodes, o Grande 63 a.C. a 04 a.C.

a. Em 63 o general Pompeu entrou em Jerusalém e designou a Antipater

como procurador e Hircano como Sumo-Sacerdote.

b. Os filhos de Antipater:

i. Fasael – governador da Judéia.

ii. Herodes – governador da Galiléia

c. Em 40 a.C. Herodes recebeu o título de “Rei dos Judeus”.

2. Sob os procuradores 4 a.C. a 70 d.C.

a. 14 homens designados para governar a Judeia (procuradores)

b. Culminou na Revolta Judaico-Romana em 66 d.C. a 70 d.C.

i. Jerusalém foi tomada

ii. O templo foi destruído

iii. E o sacrifício foi encerrado até hoje.

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AMBIENTE RELIGIOSO

O Judaísmo

A fé judaica era tolerada e respeitada nestes países estrangeiros. E até atraía convertidos. Os judeus gozavam de privilégios especiais, como a permissão de observar

o “Sabbath”, coletar e administrar impostos para seu próprio uso e arbitrar disputas

legais entre membros do seu grupo. Por acordo,estavam isentos de prestar sacrifícios aos deuses nacionais e cívicos. Ser judeu significava seguir a Lei Mosaica e reconhecer o Templo em Jerusalém, como centro legitimador de sua tradição, enviar o imposto anual de manutenção do Templo (meia moeda de prata), e ir a Jerusalém pelo menos para uma das três festas anuais de peregrinos. Em geral, a Diáspora deve ter oferecido oportunidade ao menos tão boa quanto a existente na Palestina, visto que pelo século I

D.C., havia mais judeus vivendo fora da Palestina do que nela, o que acontece até hoje.

Grupos Religiosos dos Judeus

Como já vimos antes, com a conquista de Alexandre, o helenismo mudou a mentalidade do Oriente Médio, alguns judeus se apegaram ainda mais tenazmente do que antes à fé de seus pais, ao passo que outros se dispuseram a adaptar seu pensamento às novas idéias que emanavam da Grécia. Por fim, o choque entre o helenismo e o judaísmo deu origem a diversas seitas judaicas.

Escribas

Existiam no V.T., não formando uma classe como nos dias de Jesus, mas como secretários dos reis ou do exército. Registravam as histórias, as genealogias e as batalhas

com seus sucessos e derrotas (II Rs 25:19, ICr 2:55, Ed 7:6, Ne 8:1-4). No exílio os escribas

se fortaleceram.

Antes do cativeiro Babilônico existiam poucas cópias da Lei. Atuando como copistas, os escribas supriram a falta dos livros da Lei, dos Salmos e dos Profetas. Essa circunstância acabou conduzindo os escribas de mero copistas a intérpretes da Lei. Quando os judeus voltaram de Babilônia, Esdras e depois Neemias tornaram-se grandes escribas-intérpretes (Ed.7:6 , Ne.8:14). No tempo de Herodes , os Escribas eram considerados autoridades na interpretação das Escrituras, tanto assim que o poderoso monarca incumbiu-lhes de descobrir onde nasceria o Cristo ( Mt. 2:4 ).

Os Escribas que se ocupavam do ensino eram chamados Rabi ou Rabino. Exerciam grande influência e gozavam de distinção entre o povo. Eles, juntamente com os Sacerdotes e os Anciãos, formavam o Sinédrio.

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Fariseus

O termo significa “Separados“ . O nome fariseu não consta no V.T. Surgiram provavelmente no período interbíblico . O historiador Flávio Josefo menciona-o em 145 a .C. como uma seita já existente. O nome fariseu foi dado á seita em virtude de sua rígida observância aos preceitos da Lei de Moisés. Era o partido maioral nos dias de Jesus, no entanto foram responsabilizados por Jesus por tantos crimes, injustiças e hipocrisia. O povo os considerava como grandes mestres e homens piedosos. José de Arimatéia, Simão, Nicodemos, Gamaliel e Saulo de Tarso eram Fariseus, sendo que alguns se converteram ao cristianismo.

Os Fariseus eram conceituados entre os judeus, enquanto os Saduceus o eram entre os romanos. Mantinham um zelo fanático pela Lei das Purificações evitando o

contato com os pecadores, isto é, com pessoas que abertamente violavam a lei. Um exemplo é a mulher pecadora que entra na casa de Simão á hora do jantar. Ela unge os

(Lc. 7 : 36 a

50).

pés do Senhor e chora sobre eles, provocando a censura velada do fariseu

Crenças dos fariseus

Acreditavam na doutrina da ressurreição do corpo, na existência de Anjos e achavam que a alma é imortal e espiritual. Criam que a Lei Oral, dada por Deus a

Moisés sobre o monte Sinai, transmitida à posteridade por meio das tradições, têm a mesma autoridade que a Lei Escrita. Observando esta lei, o homem não somente obtém justificação de Deus, mas pode alcançar obras meritórias. Os jejuns; esmolas; oblações,

Expiam suficientemente o pecado. Criam em Deus como criador e governador de

tudo. Criam na existência de espíritos bons e maus, na vida após a morte onde os justos

serão galardoados e os maus castigados. Um Fariseu não podia comer na casa de um pecador (alguém que não praticasse o farisaísmo) embora pudesse acolher um pecador em sua própria casa, dando-lhe vestes adequadas. A observância do sábado era ponto de honra.

etc

Saduceus

Origem incerta. Crê-se que as doutrinas e práticas peculiares dos Fariseus, deram naturalmente origem ao sistema dos Saduceus.

Segundo Enéas Tognini, em seu livro “O Período Interbíblico”, os Saduceus saíram dos judeus liberais da Babilônia, que se acomodavam às circunstâncias daquele país e contra quem levantou o grupo reacionário dentre os Escribas, primando pela

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pureza da Lei de Jeová. Os primeiros no decorrer dos tempos se tornaram os Saduceus e os últimos os Fariseus.

O ponto fundamental do pensamento dos Saduceus era a negação da Lei Oral,

admitida pelos Fariseus como dada por Deus a Moisés. Isto significa negar a Tradição, ponto saliente da doutrina farisaica. Para o Saduceu, só é Lei, a Lei Escrita.

Os saduceus freqüentavam regularmente o templo e tomavam parte no culto, onde os profetas eram lidos.

Crenças dos saduceus

Sustentavam algumas doutrinas tais como : “a Mortalidade da Alma.”

O Novo Testamento nos retrata essa crença (Mt 22:23, Mc 12:18, Lc 20:27, At 23:8).

Os saduceus eram céticos, materialistas, livres pensadores dos dias de Jesus e não acreditavam na ressurreição. Outra doutrina na qual eles não criam, era na existência dos anjos. A seita dos saduceus era pequena, porém muito conceituada, pois os membros que a integravam eram ricos e influentes.

Eram mais políticos que religiosos. Juntamente com os fariseus faziam parte do Sinédrio.

Essênios

Eram separatistas, isto é, não faziam parte do corpo eclesiástico judaico, formando uma congregação distinta, inteiramente à parte tanto do judaísmo como das outras crenças existentes. Não foram mencionados no N.T. e o que sabemos sobre eles está nos escritos de Flávio Josefo, Plínio e Filon. No livro apócrifo de I Macabeus 7:13 aparece o termo “chasid” = puritanos, de onde derivou a palavra essênio .Eram ascetas e místicos. Afastaram-se dos demais judeus e viviam em comunidades nas ermas regiões do mar morto. Como judeus da Palestina e Síria, falavam o aramaico. Os essênios apareceram como uma reação natural ao mundanismo e imoralidade dos grandes centros. Muitos eram celibatários e dedicavam-se a curas por meio de plantas.

Possuíam hábitos alimentares muito simples. Sustentavam além das doutrinas tradicionais do judaísmo, certas doutrinas secretas que lhes estavam vedadas revelar a quem não fosse membro da seita.

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Herodianos

Formavam um partido mais político do que religioso. Eram um com os saduceus em religião, divergindo apenas em alguns pontos políticos.

Em Mt 16:6, Jesus previne os discípulos contra o fermento dos fariseus (hipocrisia) e em Mc 8:15 previne contra os herodianos (extorsão, crime, violação e injustiça). Esta seita nasceu com Herodes “o grande” cuja política era de subserviência aos romanos, portanto, sustentavam que os judeus deviam pagar tributo a César. Em Dt 17:15 lemos: “ certamente estabelecerás como rei sobre ti, aquele que Jeová teu Deus escolher. A um dentre os teus irmãos estabelecerás como rei sobre ti; Não poderás por sobre ti um estrangeiro que não seja teu irmão”. Herodes e seus descendentes eram Idumeus, por tanto, usurpadores do trono judeu, dignos do ódio dos conservadores fariseus.

Fariseus e herodianos eram inimigos irreconciliáveis, no entanto, se uniram contra Cristo e urdiram planos para O apanharem (Mt 22:17). Os herodianos admitiam a construção de templos de idolatria aos romanos o que era um insulto aos judeus, causando revoltas.

Zelotes

Josefo diz que os zelotes descendem de Judas de Gâmala que incitou os judeus a uma revolta contra os romanos, na ocasião de taxar os impostos no ano de 6 a.C. Os zelotes são conhecidos como galileus porque o fundador da seita era da Galiléia. O termo Zelote significa: homem de ação ou de Zelo, indicando o fanatismo em observar a Lei de Moisés.

Achavam que a Lei devia ser guardada mesmo à custa da espada, carregavam sempre uma pequena espada romana chamada sica que com o tempo acabou dando nome ao grupo (sicários). Terminantemente se recusavam a pagar tributo a César e faziam levantes para resistir aos romanos (At 5:37 ). O grupo foi se degenerando até se tornarem bandidos e salteadores. Jesus teve um apóstolo que pertenceu a esta seita. Lucas o apresenta como Simão chamado zelote (Lc 6:15), Mateus e Marcos o chamam de Simão Cananita , equivalente aramaico do grego zelote. Jesus não apoiou os zelotes pois pagou tributo e ensinou respeito às leis, submetendo-se Ele mesmo como homem às leis de seu povo e daqueles que governavam a Palestina.

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Instituições Judaicas

As principais instituições dos judeus nos dias de Jesus eram: o Templo, as Sinagogas e o Sinédrio.

O

Templo

O

templo de Jerusalém era a coroa de glória dos

judeus. Situado no monte Moriá, dominava a paisagem

por sua grandiosidade e beleza. O primeiro templo foi construído por Salomão e destruído pelas tropas de

O segundo templo

começou em 537 a.C. onde é mencionado por Ageu e Zacarias, profetas desta época. Foi concluído em 516 a.C. (Ed 6: 13-15). Este templo durou até os dias de Herodes que no ano 37 a.C. tomou a cidade e algumas

Nabucodonozor em 586 a.C

partes do templo foram incendiadas.

Modelo do Templo de Herodes

do templo foram incendiadas. Modelo do Templo de Herodes O novo prédio foi sendo construído e

O novo prédio foi sendo construído e o velho demolido gradativamente. A obra

durou 46 anos (João 2:20). As grandes festas atraíam multidões à cidade e a adoração centrava-se no templo. Havia cultos às 9:00, 12:00 e 15:00 horas. Os sacerdotes serviam por turmas e observava-se um elaborado ritual de sacrifícios por diversos tipos de

pecados. Os judeus tinham autorização dos romanos para terem um corpo de polícia destinada a manter a ordem dentro do recinto sagrado. O destacamento era entregue a um capitão do templo (At 4:1). É possível que tenha sido esse destacamento que prendeu Jesus bem como Pedro e João.

A Sinagoga

Ruínas de uma Sinagoga dos Tempos de Jesus

A Sinagoga Ruínas de uma Sinagoga dos Tempos de Jesus O termo “Sinagoga” significa Reunião ou

O termo “Sinagoga” significa Reunião ou Casa de Reunião. Elas apareceram enquanto os judeus estavam exilados na Babilônia e logo se espalharam por todo o mundo onde havia Judeus esparsos. Pensa- se que em Jerusalém nos dias de Jesus, havia centenas de Sinagogas. Em cada bairro, vila ou aldeia havia uma conforme o número da população e exercia uma influência poderosa e benéfica sobre a comunidade. A

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Sinagoga era controlada por 10 oficiais de boa reputação e cultura, inclusive aptos para

o estudo da Lei.

Três deles eram chamados de “Chefes da Sinagoga” e compunham um tribunal

para a solução de questões internas como dívidas, roubos, perdas, restituições,

Outro era o Oficial ou Mensageiro da Sinagoga e

sua tarefa era dirigir as orações, superintender a leitura da Lei e conforme a ocasião, pregar. Três deles serviam de diáconos, cuidavam dos pobres e cobravam esmolas de casa em casa. Outro era o “Targumista” ou Intérprete atuando sempre quando a leitura das escrituras era feita. Outros dois não tinham função muito bem definida. O subalterno ou hazzan, atuava como conservador da propriedade e tinha o dever de cuidar do edifício e de tudo quanto dentro dele havia. O assistente tinha o dever de trazer o rolo para que a leitura fosse feita e depois retorná-lo no seu nicho, numa espécie de Arca (Lc 4:20).

admissão de prosélitos, eleições, etc

O culto na Sinagoga consistia na recitação do credo judaico ou Shema: “ouve ó Israel; Jeová nosso Deus é o único Deus. Amarás, pois, a teu Deus de todo o teu coração,

e de toda a tua alma, e de toda as tuas forças.” (Dt 6:4-5).

Frases de louvor chamadas “Bekarot” que começavam com a palavra Bendito, surgiam de todos no auditório. A seguir o Chefe da Sinagoga orava em voz alta. Depois havia um momento de oração silenciosa, seguia-se a leitura das Escrituras, no Pentateuco ou nos profetas, seguida de um sermão explicativo. O culto era encerrado por uma bênção pronunciada por algum membro sacerdotal.

A sinagoga por dentro

As sinagogas são de uma beleza impressionante. Contudo, essa não é uma grande preocupação de seus arquitetos. A despeito desse aspecto estético exterior, há três fatores essenciais que devem ser rigorosamente observados no que se refere às mobílias de uma sinagoga:

Arca

Esse componente é tido como o “sacrário da Torá”, ou seja, nela é guardada os rolos da Torá, os cinco primeiros livros de Moisés, onde se baseiam as leituras aos sábados.

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Bimá

É uma espécie de tribuna onde o ministrante faz a leitura da Torá e dos Profetas e profere bênçãos (da Torá) sobre os presentes. Esdras, ao ensinar a Palavra de Deus ao povo de Israel, ministrou sobre um estrado, o que equivaleria a uma tribuna das sinagogas atuais: “E Esdras, o escriba, estava sobre um púlpito de madeira, que fizeram ”

para aquele fim; e estava em pé junto a ele

(Ne 8.4).

Assentos

O assento mais importante é o que a Bíblia chama de “cadeira de Moisés”: “Então

falou Jesus à multidão, e aos seus discípulos, dizendo: Na cadeira de Moisés estão assentados os escribas e fariseus” (Mt 23.1,2). E era justamente nessa cadeira que se sentava o presidente da sinagoga. Segundo alguns, a distribuição dos assentos seguia uma ordem, uma organização. Por exemplo, os anciãos se sentavam próximo à Arca, de frente à platéia, os membros mais distintos à frente, os mais jovens atrás, e assim por diante.

O Sinédrio

Quadro de Uma Reunão do Sinédrio

Era a Corte Suprema dos judeus. Segundo Josefo, o Sinédrio apareceu em 57 a.C., quando Gabino, governador romano da Síria, dividiu a Palestina em 5 províncias e em cada uma instalou um Tribunal de Justiça .

províncias e em cada uma instalou um Tribunal de Justiça . Compunha-se de 70 membros normalmente

Compunha-se de 70 membros normalmente entre os fariseus, saduceus, membros da família do sumo sacerdote e escribas. O sumo-sacerdote era o seu presidente. Antes da dominação romana, o Sinédrio tinha o direito de condenar à morte e executar o condenado. Os romanos cassaram aos judeus, o poder de executar alguém. Podiam condenar mas a sentença caberia ao governador romano, salvo casos de blasfêmia, como o de Estevão (At 7) em que o Sinédrio executava a vítima sem a interferência de Roma por apedrejamento.

O

Sinédrio não podia reunir-se à noite senão depois do nascer do sol.

O

julgamento de Jesus pelo Sinédrio foi ilegal pois se processou à noite (Mc

14:53-65, Mt 26:57, Lc 22; 54-65, João 18:24). O Sinédrio desaparece como instituição no

ano 70 d.C. quando Jerusalém é destruída . Apesar das diversas tendências, partidos e seitas, havia pontos fundamentais que todos os judeus sustentavam, como o monoteísmo e a esperança messiânica.

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O CÂNON DO NOVO TESTAMENTO

I – Definindo Cânon.

A palavra grega kanw,n significa “vara”, “cano”. Daí surgiu um outro significado

“vara de medir”, mas com o passar do tempo adquiriu o sentido de “padrão”.

No século IV a palavra passou a ser adotada para os escritos do Novo Testamento, tratava-se do padrão segundo o qual os escritos que são universalmente reconhecidos como apostólicos e poderiam, portanto, serem lidos nos cultos em todas as igrejas cristãs.

Hoje a palavra é usada para designar a diferença entre os escritos que são fundamentos para a fé, o ensino e a vida das igrejas cristãs, e os outros escritos dos primeiros tempos que servem apenas como fundamentos da história da igreja ou da história das heresias.

II

– Surgimento do Cânon do Novo Testamento.

nos escritos dos pais da igreja: Clemente de Roma, Inácio, Policarpo e Papias

descobrimos que suas discussões se baseavam não somente em Jesus Cristo, mas também nas Escrituras 2 .

Temos informações um pouco mais exatas nos anos 130 a 140 d.C. por meio de Policarpo e Clemente de Alexandria, que nos seus escritos fazem menção dos evangelhos de Mateus e Lucas. Isso poderia ser uma indicação de que na metade do século II já havia uma coletânea dos quatro evangelhos, que vinham cada vez mais sendo reconhecidos nas igrejas da antiguidade, enquanto também evangelhos apócrifos e tradições orais sobre Jesus eram difundidos.

2 Como Escrituras aqui temos o Antigo Testamento e os Evangelhos. Os escritos paulinos também eram aceitos como autoridade reconhecida, mas não havia nenhum indício de um cânon definido naquela época. Mesmo assim, já deve ter existido uma coletânea das cartas de Paulo, pois em I Clemente (95 d.C.) já há citações de Romanos e de I Coríntios. Possivelmente as cartas de Paulo já foram reunidas antes disso, como parece indicar a observação em II Pedro 3.16.

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A primeira definição dos escritos-padrão para a igreja cristã vem de Marcion em

145 d. C. ele era “paulinista” e por isso só reconhecia 10 cartas de Paulo (excluía as

pastorais) e uma versão do evangelho de Lucas purificada das influências vétero— testamentárias e judaizantes.

No final do século II começa a se delinear o cânon do Novo Testamento nos Escritos de Irineu, Tertuliano e Clemente de Alexandria. É um cânon em formação ao qual pertencem os quatro Evangelhos, Atos dos Apóstolos, 13 cartas de Paulo, I Pedro, Hebreus, Tiago e III João. E contém o escrito “Sapientia Salomonis” e o Apocalipse de

Pedro, com a observação

que

alguns de nós não querem ler na igreja”.

Algo de grande valor nesse Cânon é que descobrimos os critérios usados para formação do cânon. Um critério era autoria apostólica; Lucas e Marcos são reconhecidos como discípulos de apóstolos, por isso são aceitos. Hebreus não é aceito porque a autoria paulina é questionada. Ser testemunha ocular é muito importante, além disso, outro critério era se o livro era aceito por todas as igrejas, e a consistência doutrinária do livro. É surpreendente notar a importância que a igreja do século II dava ao aspecto de Jesus Cristo estar no centro da mensagem do escrito em consideração.

Já no final do século II havia sido concluída a formação do cânon para os evangelhos e para as cartas paulinas. Com relação as outras ainda permanece aberta.

O processo de formação do cânon só chega ao fim no século IV. A igreja declarou

canônicos por meio de 39 a carta pascal de Atanásio em 367 d.C. os 27 livros que temos hoje no Novo Testamento. No final do mesmo século (397), o Concílio de Cartago prescreveu uma lista idêntica, e em 419 novamente em Cartago foi ratificada.

III- Critérios para a formação do Cânon.

Quem autorizou a igreja a definir quais seriam Escrituras Sagradas? O que aconteceu foi que, por meio de um processo de várias centenas de anos, se cristalizou em consenso de toda a igreja o que deveria estar no cânon e o que não poderia. Foram travadas discussões teológicas dificílimas para que chegasse ao que temos hoje. Mas D. A. Carson, D. J. Môo e L. Morris dizem com propriedade: “Não foi a igreja que fez a seleção dos livros que iam para o cânon e dos que não iam, mas o cânon fez a sua própria seleção”.

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Os três critérios principais para a composição deste cânon foram:

1. O critério da originalidade - autoria apostólica.

2. O critério da concordância com os fundamentos da fé - consistência doutrinária (harmonia com o Antigo Testamento).

3. O critério do reconhecimento geral - aceitos por todas as igrejas.

O Texto do Novo Testamento. O material de escrita da maioria (talvez de todos) dos livros do Novo Testamento foi o papiro. Os autores e amanuenses se utilizavam do antigo formato do rolo, embora alguns livros possam ter sido escritos em forma de códex, com páginas separadas e vinculadas como livros modernos. Era prática comum um autor ditar a um amanuense.

No inicio, quando pessoas e igrejas desejavam ter cópias, um leitor ditava com base em um exemplar para uma sala repleta de copistas. Por isso gradualmente, erros de vistas e sons, omissões e reinterações inadvertidas, notas marginais e “melhoramento” teológicos e gramaticais deliberados foram penetrando no texto. O número de erros foram aumentando cada vez mais.

Com o desenvolvimento da igreja e dos tempos, um material mais durável e de melhor qualidade passou a ser usado nas copias: pele de vitela (velum) e pele de carneiro (pergaminho). De início os manuscritos eram escritos em letras maiúsculas, mais tarde surgem os manuscritos em letra cursiva. Não havia divisões de palavras, sinais de pontuação e nem divisões de capítulos, versículos, que só foram acrescentados em tempos posteriores 3 .

Das mais de 5.500 cópias em grego de várias partes do Novo Testamento não existem duas iguais. Os manuscritos mais confiáveis datam do terceiro e quarto séculos 4 . A maior parte das variantes, diferenças tem a ver com soletração, ordem de palavras, presença e ausência da conjunção “e” e o artigo definido.

OBS: Se você quer saber mais sobre os manuscritos propriamente ditos, veja as páginas 41 a 51 de “HALE, Broadus David. Introdução ao Estudo do Novo testamento. São Paulo: Hagnos, 2001”. E/ou as páginas 01 a 53 de “The Greek New Testament: Fourth Revised Edition”(em Castellano).

3 Estevão Langton (morto em 1228) dividiu o texto em capítulos; R. Stphanus, em versículos, em sua edição impressa de 1551.

4 Um dos mais antigos manuscritos gregos é o Códex B(Códex Vaticanus), data do século IV d. C.

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OS EVANGELHOS

A fonte principal de informações sobre a vida, obra e o sofrimento de Jesus Cristo são os quatro evangelhos do Novo Testamento. Eles têm importância fundamental como fonte de conhecimento sobre o nascimento, ministério, morte e ressurreição de Cristo.

O estudioso católico do Novo Testamento Alfred Wikenhauser escreve na sua introdução ao N.T: “Os evangelhos são os livros mais importantes do Novo Testamento. A eles devemos quase que exclusivamente tudo que sabemos sobre Jesus Cristo, sobre a sua vida e ministério, sofrimento e morte.” 5

De fato nos outros escritos do N.T. descobrimos pouco sobre a vida e ministério de Jesus. Paulo interpreta a morte e a ressurreição de Jesus nas suas cartas. Ele transforma em cânticos de louvor suas percepções sobre a humanidade, a vida, a morte na cruz e a exaltação de Jesus em Filipenses 2.6-11. Ele cita as palavras que Jesus pronunciou na instituição da ceia (I Co 11.23-25). Ele faz uma lista das testemunhas que viram o Cristo ressurreto (I Co 15.3-8). Em três passagens ele se baseia em palavras de Jesus: I Co 7.10; 9.14; I Ts 4.15ss. E a exemplo destes textos existem outros em Hebreus, I e II de Pedro, Atos, etc.

Os evangelhos recebem esse nome, não porque são biográficos. Aliás os dados biográficos são escassos. Eles não apresentam uma sequência cronológica exata dos fatos. Em vez disso os evangelhos são proclamação sobre Jesus Cristo em forma escrita no sentido de registrarem os atos e as palavras de Jesus, com o objetivo de despertar e fortalecer a fé (cf. Jo 20.31).

Os autores desses livros não são escritores que relatam histórias ou reflexões próprias, parte deles são testemunhas oculares dos fatos ou discípulos de testemunhas oculares. Eles estão comprometidos com as palavras faladas e com os atos de Jesus. Os quatro evangelhos nos transmitem o ministério público de Jesus de forma semelhante. Começa com o batismo de João Batista, e tem seu fundamento nos registros de seus discursos e atos. No fim de seu ministério, está a história do sofrimento que se encerra com o relato do encontro do Cristo ressurreto com seus discípulos.

Daí conclui-se que a igreja estava certa ao denominar os evangelhos como:

Evangelho segundo Mateus, Evangelho segundo Marcos, Evangelho segundo Lucas e

5 A. Wikenhauser & J. Schmid, Einleitung (Introdução), p. 203. IN: HOSTER, Gerhard. Introdução e Síntese do Novo Testamento. Curitiba: Editora Evangélica Esperança, 1996. pag 08.

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Evangelho segundo João. O Evangelho único foi recebido por várias testemunhas que o registraram de forma escrita e o transmitiram adiante; cada um com um enfoque em particular.

Com a morte dos apóstolos, surgiu a necessidade de forma escrita dos evangelhos. O texto era dirigido aos novos convertidos a Jesus – eles precisavam saber quem era Jesus, o que ele disse e o que ele fez. Os evangelhos surgiram, portanto, das necessidades práticas da igreja cristã emergente que levava a sério e cumpria a sua tarefa missinária e discipuladora. Os evangelhos eram e são até hoje o fundamento da proclamação a respeito de Jesus Cristo.

O “Problema Sinótico”

Até

o

século

XVII,

a

Biblia

era

considerada

absolutamente

como

palavra

inspirada e ditada por Deus, e portanto, ninguém duvidava de nada.

A partir de 1776, começou a ser despertada uma crítica do texto bíblico, motivada

por problemas levantados por filósofos racionalistas 6 .

No século XVIII, um alemão chamado J.J. Griesbach, pela primeira vez chamou

os

três primeiros evangelhos de sinóticos (sunopsij = ver em conjunto, visão simultânea).

O

estudo crítico demonstrou que no texto dos evangelhos há divergências e diferenças

que evidenciam o trabalho do pessoal do escritor. O problema sinótico se funda na constatação de que os três primeiros Evangelhos (Mateus, Marcos e Lucas) têm muitos aspectos em comum; por outro lado, têm também muitas diferenças. As semelhanças chegam a ser desde palavras a textos inteiros. As diferenças estão no fato de alguns narrarem certos detalhes e outros omitirem, além de haver discrepâncias em alguns detalhes.

Em números, o problema sinótico apresenta-se da seguinte forma:

a) Dos 661 versículos do Evangelho de Marcos, 600 estão também no de Mateus,

e 350 estão no de Lucas.

b) Os evangelhos de Mateus e Lucas, tem 240 versículos em comum, e que não

constam no Evangelho de Marcos.

6 O racionalismo já estava influenciado pelo iluminismo, defendendo a autosuficiencia do homem e começou por negar no Evangelho tudo que era transcendental, restando assim pouca coisa.

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c) Além disso, tanto Mateus como Lucas tem versículos próprios a cada um.

Como exemplos destas semelhanças, podemos citar uma passagem em gue

no Evangelho de

Mateus está apenas a primeira parte; no de Lucas está a segunda. Há diversas outras passagens assim.

Marcos descreve assim: "caindo a tarde, quando o sol descia

";

Em geral as semelhanças envolvem o alto grau de semelhança na forma de apresentar o ministério de Jesus:

Estrutura

Conteúdo

Enfoque

De forma geral a sequência do ministério de Jesus nos sinóticos é geográfica:

Ministério na Galiléia – Mt 4.12; Mc 1.14; Lc 4.14.

Retirada para o norte (clímax: confissão de Pedro) – Mt 16.13; Mc 8.27; Lc

9.18.

Ministério na Judéia e Peréia, e a partida de Jesus para Jerusalém – Mt 21.1; Mc 11.; Lc 19.28

Em João isso não aparece de forma clara.

Quanto ao conteúdo as semelhanças são:

Curas

Expulsão de demônios

Ensinos por parábolas

João não se preocupa com parábolas e nem com expulsão de demônios.

Alguns episódios que João não menciona:

O envio dos doze – Mt 10.5; Mc 6.7; Lc 9.1.

A transfiguração – Mt 17.1; Mc 9.2; Lc 9.28.

O sermão profético – Mt 24.32; Mc 13.28; Lc 21.29.

A narrativa da última ceia – Mt 20.26; Mc 14.22; Lc 22.19.

Em contraste com João, os “Sinóticos” apresentam Jesus constantemente em atividade, e destacam suas ações, especialmente os milagres e ensinos curtos. Ao passo que João faz longas dissertações em vez de parábolas curtas ou declarações breves e expressivas.

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Bom descoberto o problema, surge então a pergunta: “Como se pode explicar isto?” De onde vêm a concordância entre os três? De onde vêm as concoredâncias de quais quer dois contra um terceiro? No caso da infância de Jesus, por exemplo, Marcos não diz nada. Mateus diz alguma coisa, enquanto Lucas apresenta diversas informações.

Numa concepção tradicional, não haveria esta dificuldade, porque todos acreditavam que os apóstolos ouviram tudo de Jesus e depois escreveram o que sabiam quase decorado, usando por isso até as mesmas palavras. Mas descobriu-se que os Evangelhos foram escritos bastante tempo depois da morte de Cristo, em épocas diferentes, baseados em tradições orais. Como pode ter acontecido de terem os Evangelistas usado as mesmas palavras, estando em lugares diferentes e até em épocas diferentes?

Surgiram várias explicações, a partir da crítica histórica.

1. Tradição Oral. Haveria uma 'fonte' ou tradição oral antiga, e baseado nesta tradição cada autor escreveu os fatos ao seu modo. O uso independente por cada evangelista.

2. Harmonização: Taciano – ênfase nas semelhanças; Agostinho – prioridade de Mateus, que teria sido usado por Marcos e ambos por Lucas.

3. Fragmentos: Testemunhas oculares deixaram fragmentos escritos, que foram usados pelos evangelistas. O que parece se encaixar com o que diz Lucas 7 , Lucas faz-nos supor 3 estágios na formação do Evangelho: a) há as testemunhas oculares, que contaram o que presenciaram; b ) há os que tentaram compilar isso, as pequenas fontes; como diz Lucas "muitos

"; c) a obra do evangelista; como diz Lucas, "escrevi a

empreenderam

exposição ordenada dos fatos".

4. Teorias dos D ocumentos: Houve fontes comuns usadas pelos evangelistas: nos evangelhos sinóticos podemos perceber três fatores: 1. Aquelas passagens que são narradas pelos três evangelistas; 2. Aquelas passagens que são narradas apenas por dois dos três evangelistas; 3. Aquelas passagens narradas apenas por um dos três evangelistas.

7 Lucas 1:1-4 “Visto que muitos houve que empreenderam uma narração coordenada dos fatos que entre nós se realizaram, 2 conforme nos transmitiram os que desde o princípio foram deles testemunhas oculares e ministros da palavra, 3 igualmente a mim me pareceu bem, depois de acurada investigação de tudo desde sua origem, dar-te por escrito, excelentíssimo Teófilo, uma exposição em ordem, 4 para que tenhas plena certeza das verdades em que foste instruído”.

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a. Teoria dos dois documentos (bi - documentária)

A crítica defende que o primeiro

evangelho a ser escrito foi Marcos, por ser

mais rústico e incompleto, em contraposiçao aos outros, mais

elaborados e mais evoluidos. Foi escrito

em Roma, porque ele não explica certos

termos latinos, enquanto os outros explicam. A data aproximada é entre 60 e

70,

mas seguramente antes de 70, pois

este

foi o ano da destruiçao de Jerusalém,

70, pois este foi o ano da destruiçao de Jerusalém, e eles ainda confundiam este acontecimento

e eles ainda confundiam este acontecimento com o fim do mundo. Os outros já nao fazem assim. Por tudo isto se concluiu que Marcos escreveu primeiro, provavelmente baseado na pregaçao de Pedro e na tradiçao oral.

Os outros dois (Mateus e Lucas) copiaram de Marcos, melhorando o texto e adaptando conforme e ocasião, usando também uma tradição oral. Assim se explica o fato de coincidencia entre os três evangelistas.

b. Teoria dos quatro documentos

(tetra- documentária)

b. Teoria dos quatro documentos (tetra - documentária) Para as semelhanças, esta teoria prega que os

Para as semelhanças, esta teoria prega que os autores dos evangelhos devem ter se inspirado em outra fonte, talvez já em grego (não se sabe se oral ou escrita) que servia de base para um ensino primitivo. É a chamada "FONTE Q" (de Quelle, em alemão, fonte). Esta fonte só foi conhecida de Mateus e Lucas.

Para as diferenças, cada escritor fez uso de certas fontes que havia em suas regiões, e que os outros não conheceram.

5. Eclética: Período de tradição oral relativamente curto, mas longo o suficiente para fixar o esquema básico; sugere datas em torno de 45-50 para Mateus, 59- 60 para Lucas e 64-65 para Marcos.

6. Interdependência: Como o próprio nome sugere, cada escrito surgiu de forma independente um do outro. As semelhanças e diferenças se explicam da forma ilustrada abaixo:

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Conclusão: A teoria das duas fontes (bi-documentária) é mais aceita de forma geral, por que,

Conclusão: A teoria das duas fontes (bi-documentária) é mais aceita de forma geral, por que, segundo estudiosos, responde melhor ao relacionamento entre os evangelhos. Contudo, diante de um processo tão complexo, conclui-se que não há teoria que seja totalmente satisfatória. O que se precisa levar em consideração é o fator “inspiração”, que as vezes passa desapercebido neste processo todo, e neste caso há uma forte razão para se crer na independência de cada escrito. (não excluindo a hipótese de um “conhecer o outro, ou um dos outros”, mas não necessariamente “depender” um do outro)

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QUADRO COMPARATIVO DOS SINÓTICOS

MATEUS

MARCOS

LUCAS

Prefácio e dedicatória

História da infância

Prelúdio

 

Prelúdio

História da Infância

Pregação de João Batista

João Batista

Pregação de João Batsita

Batismo

Batismo

Batsimo

Tentação de Jesus

Tentação

Tentação

Primeira Parte

Primeira Parte

Primeira Parte

Ministério de Jesus na Galiléia

Ministério de Jesus na Galiléia

Ministério de Jesus na Galiléia

Segunda Parte

Segunda Parte

Segunda Parte

Pregação ambulante

Ministério de Jesus

Viagem da Galiléia para Jerusalém

Viagem da Galiléia para Jerusalém

Enfase fora da Galiléia

Terceira Parte

 

Terceira Parte

Terceira Parte

Ultimos

dias

de

Jesus

em

Última Ceia

Últimos dias de Jesus em Jerusalém

Jerusalém

Crucificação

 

Crucificação

Crucificação

História da ressurreição

 

Ressurreição

História da ressurreição

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QUESTIONÁRIO (RESPONDER E ENTREGAR NO DIA DA AULA)

1. Dê a divisão do Novo Testamento.

2. Quem são os autores, e em qual idioma foi escrito o Novo Testamento?

3. Quais eram os elementos indispensáveis do culto na sinagoga?

4. Qual a função e como era formado o Sinédrio?

5. Qual a importância do Templo para o povo judeu?

6. Compare e contraste Saduceus e Fariseus?

7. Quem eram os Zelotes?

8. Dê o significado da palavra Cânon. Qual o significado atual?

9. Quais critérios foram usados para a formação do cânon do N.T.?

10. Qual o material usado para cópias do NT. ?

11. Quem e quando pela primeira vez definiu os três primeiro evangelhos como “sinóticos”?

12. Onde estão as maiores semelhanças entre os sinóticos?

13. Que episódios João não relata em seu evangelho?

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O EVANGELHO SEGUNDO MATEUS

JESUS, O REI MESSIAS. O PROMETIDO PELOS PROFETAS NO ANTIGO TESTAMENTO.

Numa data bem primitiva, Mateus recebeu o titulo kata Matthaion (kata maqqaion) “Segundo Mateus”. Pode se dizer que Mateus é um evangelho escrito por um judeu, para os judeus, sobre um judeu.

Através de uma série de citações do Antigo Testamento, Mateus registra a reivindicação de Jesus ser o Messias, o prometido pelos profetas. Sua genealogia, batismo, mensagens e milagres, tudo aponta para uma inescapável conclusão: Cristo é o Rei. Mesmo sua morte, aparente derrota se converte em vitória mediante a Ressurreição, a mensagem final é: o Rei dos judeus esta vivo.

Autoria

A igreja primitiva atribuiu este Evangelho a Mateus, não há tradição que se opõe a isto. Embora tenha surgido argumentos contrários a autoria de Mateus para este escrito, são mais fracos que as evidencias externas e internas. Desde o princípio, este livro foi aceito e reconhecido pela igreja primitiva. Em sua história (323 d. C.), Eusébio citou a declaração de Papias (140 d. C.) de que Mateus escreveu logia – ditos em aramaico. Há quem diga que Mateus escreveu uma versão abreviada dos ditos de Jesus antes de escrever seu evangelho.

Quem foi Mateus?

Mateus é uma contração de Matatias, que, no hebraico, significa “presente de Deus”, era um nome comum nos tempos do Antigo Testamento. Mateus, filho de Alfeu (Mc 2.14), ocupou o impopular cargo de coletor de impostos em Cafarnaum para o governo romano. Mateus foi escolhido como um dos doze apóstolos, e a última vez que seu nome aparece na Bíblia é em Atos 1.13.

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Data e Cenário

Não e fácil datar Mateus, há uma enorme quantidade de sugestões entre 40 e 140 d.C. As expressões “até o dia de hoje” (27.8) e “até este dia” (28.15), indicam que algum tempo já havia se passado até a escrita deste Evangelho. Mas parecem apontar para uma data antes da queda de Jerusalém em 70 d.C.

Mesmo que Mateus tenha dependido de Marcos como fonte, há tempo para Mateus ter sido escrito antes de 70 d.C. Uma data antes da década de 70 é defendida também pelo fato de Mateus não fazer menção dos escritos paulinos.

Estudiosos modernos acreditam ser antes de 70, a data da publicação deste Evangelho (Gundry). Não há nenhum argumento convincente a favor de uma data mais tardia para Mateus. Em sua maior parte, os dados sugerem que Mateus foi publicado antes de 70, com maior probabilidade durante os anos 60.

Local de Origem

Hoje em dia, a maioria dos estudiosos sustenta Antioquia da Síria como sendo o local de escrita de Mateus:

Antioquia ostentava uma população judaica muito grande.

Foi o primeiro grande centro que procurou alcançar o mundo gentílico.

Essas duas realidades se acham em Mateus.

Além disso, Mateus é atestado, de modo convincente, pela primeira vez nos escritos de Inácio, Bispo de Antioquia, nos primeiros anos do século II.

Há outras propostas, menos sustentadas: Alexandria, Cesárea Marítima, Edessa e Fenícia. Porém, a Síria é a mais plausível.

Destinatários

Mateus foi escrito para os judeus cristãos da Síria. A intenção de dirigir-se primeiramente ao judeu, vê-se pelos seguintes fatos:

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1.

O grande número de citações do Antigo Testamento - há cerca de 60 dessas.

Alguém que prega aos judeus deve provar a sua doutrina pelas Escrituras antigas.

Mateus faz dessas citações a verdadeira base do seu evangelho.

2. As primeiras palavras do livro “Livro da genealogia de Jesus Cristo, filho de

Davi, filho de Abrão”, sugerem imediatamente ao judeu os dois pactos que contêm promessas do Messias- o davídico e o abraâmico ( 2 Samuel 7: 8-16 ; Gênesis 12 : 1-3).

Propósito

Proclamar as palavras e obras de Jesus Cristo, a fim de que o leitor pudesse tomar uma decisão a respeito dele. A genealogia leva o autor ao Antigo Testamento, mostrando que o Messias prometido já havia chegado.

também

um

propósito

de

instruir:

ele

apresenta

as

reivindicações,

as

credenciais, a autoridade, os ensinos éticos e os ensinos teológicos de Jesus.

Aceitação no Cânon

Mateus foi universalmente recebido assim que foi publicado, e durante séculos, foi o evangelho mais citado.

Cristo em Mateus 8

Mateus apresenta Jesus como o Rei messiânico prometido a Israel (1.23; 2.2, 6; 3.17; 4.15-17; 21.5, 9; 22.44-45; 26.64; 27.11, 27-37).

A expressão, “o reino do céu” aparece 32 vezes em Mateus, mas em nenhuma parte do Novo Testamento, a fim de mostrar que Jesus preenche as qualificações exigidas pelo Messias. Mateus usa citações e alusões do Antigo Testamento (quase 130. Ex. Para que se cumprisse o que foi dito pelo profeta…- 9 vezes ).

8 WILKINSON, BRUCE & BOA, Kenneth. Descobrindo a Bíblia. Candeia. Pág 336.

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Desenvolvimento

Uma única mensagem atravessa este Evangelho : Jesus Cristo, Rei dos judeus. O capítulo 1 apresenta as credenciais genealógicas do Rei Jesus. No capítulo 2, o Menino Rei recebe a homenagem dos sábios do Oriente, suscitando a inveja de outro monarca, Herodes. O capítulo 3 apresenta-nos Jõao Batista, o mensageiro e precursor do Rei. Em Mateus 4, o próprio Jesus Cristo anuncia a iminência de Seu reino.

Os capítulos 5-7, revelam os princípios fundamentais desse reino “ O sermão da montanha”. Os capítulos seguintes 8 e 9 demonstram que esse reino de Deus “ não consiste em palavras, mas em poder” (curas e sinais na natureza); eles relatam uma sucessão de milagres messiânicos. Os capítulos 10 - 12 descrevem-nos a missão dos enviados do Rei, o assasinato de Seu precursor, e a decisão tomada pelas autoridades eclesiásticas de rejeitar o seu Rei. Mateus 13 traz as parábolas do reino dos céus.

Os capítulos 14 a 16 narram as circunstâncias da rejeição do Messias. Esse tema é ainda mais salientado nos capítulos seguintes (17 a 23), em que Jesus Cristo sobe a Jerusalém; Ele entra em Sua cidade como Rei, montado em um jumentinho (21: 5-9). É aclamado pela multidão, mas proscrito pelos chefes religiosos que, cheios de inveja, planejam matá-Lo (21:46 ; 26:3-5). Depois, dois capítulos proféticos (24 e 25) deixam entrever as circunstâncias que precedem a vinda de Cristo e Seu reino de glória aqui na terra.

O final do Evangelho (capítulo 26 a 28) é inteiramente dedicado à paixão do Rei do judeus, pregado na Cruz do Gólgota (cp 27 : 32- 37), e à Sua ressurreição dentre os mortos.

Afirmações-chave: (10. 32-33; 28. 18b-20).

32 Portanto, todo aquele que me confessar diante dos homens, também eu o confessarei

diante de meu Pai, que está nos céus; 33 mas aquele que me negar diante dos homens, também eu o negarei diante de meu Pai, que está nos céus.

10:32-33

28:18 -20

18 Jesus, aproximando-se, falou-lhes, dizendo: Toda a autoridade me foi dada no céu e

na terra. 19 Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; 20 ensinando-os a guardar todas as coisas que vos tenho ordenado. E

eis que estou convosco todos os dias até à consumação do século.

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ÊNFASES TEOLÓGICAS DE MATEUS

 

Jesus, O Rei Messias

 

“A rejeição do Rei do judeus estende as bênçãos do Reino prometido a todas as nações na expectativa de seu estabelecimento definitivo 9

 

AAPRESENTAÇÃOPRESENTAÇÃO DODO RREIEI

   

RREJEIÇÃOEJEIÇÃO DODO RREIEI

 

1.1 -

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

11.1

11.2 - -

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

28.20

   

O Rei

   

O Rei

 

O Rei

   

O Rei

   

O Rei

   

Morte e

O Rei é

   

Proclama

demonstra

sofre

 

prepara

   

instrui

ressurreição

Apresentado

   

sua

 

seu poder

forte

 

seus

   

seus

 

do Rei

   

mensagem

oposição

 

discípulos

 

discpulos

 

1.1 - - - - 4.25

 

5.1 - - - - - - 7.29

8.1 - - - - - - - -11.1

11.2 - - - - 13.53

13.54- - - - - - 19.2

19.3 - - -25.46

 

26.1- - - - - -28.20

 

Ensinando as multidões

   

Ensinando os Doze

 
 

Temático

   

Cronológico

 

Local: Antioquia da Síria

 

Data: 60ss

1. Cristologia.

O aspecto principal em Mateus é o ensino sobre Jesus – a cristologia.

Parar Ele,

importa demonstrar que Jesus de Nazaré é o Messias tão esperado pelos judeus.

§ Jesus é o Filho de Davi ( 12. 23; 15. 22; 21. 9, 15)

§ A árvore genealógica em Mateus começa com Abraão (o homem com quem Deus iniciou a história de Israel 1.1ss).

2. Particularismo X Universalidade.

Um

segundo

aspecto

muito

particularismo e a universalidade.

enfatizado

tem

origem

na

tensão

entre

o

9 PINTO, Carlos Osvaldo. Foco e Desenvolvimento no Novo Testamento. São Paulo: Hagnos, 2008. pág 61.

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§ O particularismo se mostra nas palavras de Jesus que reforçam a verdade de que seu ministério se restringe a Israel.

10. 5-6 (

Não

tomeis rumo aos gentios, nem entreis em cidade de samaritanos; 6 mas,

de preferência, procurai as ovelhas perdidas da casa de Israel;).

15. 24,

26

(

Não

fui enviado senão às ovelhas perdidas da casa de Israel

ele,

respondendo, disse: Não é bom tomar o pão dos filhos e lançá-lo aos cachorrinhos.).

§ Por outro lado, a universalidade está presente em Mateus desde o início.

2. 1-12 (efeito sobre todas as pessoas, até sobre os astrólogos do oriente)

13. 38 (o solo é o mundo)

22. 9 (todos)

24. 14 (todos os povos)

28. 19 (todas as nações)

§ A tensão entre esses dois aspectos pode indicar que este evangelho foi escrito por uma testemunha de Jesus Cristo.

Jesus dedicou sua vida e ministério aos judeus.

Mas os discípulos têm a tarefa de levar o evangelho a todas as pessoas.

3. Eclesiologia.

§ Somente o evangelho de Mateus traz declarações específicas sobre este tema.

16. 18 (edificarei minha igreja)

18. 15-17 (como lidar com os membros da igreja em pecado)

§ A igreja precisa se posicionar quanto ao ensino ético de Jesus. Ela não pode somente aprender a crer, mas precisa demonstrar a sua fé ao fazer o que Jesus ensinou.

7. 21-23 (Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus. 22 Muitos, naquele dia, hão de dizer-me:

Senhor, Senhor! Porventura, não temos nós profetizado em teu nome, e em teu nome não expelimos demônios, e em teu nome não fizemos muitos milagres? 23 Então, lhes direi explicitamente: nunca vos conheci. Apartai-vos de mim, os que praticais a iniqüidade.)

37

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25. 31-46 (a vinda do Messias será um tempo de acerto de contas, em que para uns estará reservada a vida eterna, para outros, o castigo eterno)

4. Escatologia.

§ Dois capítulos de Mateus se propõem a falar das coisas do fim (24 e 25). o significativamente mais abrangentes que Marcos e contêm tradições somente encontradas aqui em Mateus.

§ Não apresentam material que permita definir com exatidão o desenrolar do final dos tempos.

§ Na

verdade

detalhes.

nos

permite

ter

um

ensino

equilibrado,

porém

sem

§ Seu objetivo é exortar os seus leitores a estarem vigilantes e preparados a seguir os ensinos de Jesus.

§ O propósito é preparar a igreja para o retorno de Jesus por meio da vida prática e coerente do discipulado.

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O EVANGELHO DE MARCOS

JESUS, O SERVO. A ATIVIDADE REMIDORA DE JESUS.

Marcos 10 é o mais breve e o mais simples dos quatro evangelhos, apresenta um relato conciso e de cenas rápidas da vida de Cristo. Conta a história do Servo que está constantemente em movimento ao pregar, curar, ensinar e, por fim, morrer pelos pecadores. Seu ministério começa com a multidão, mas logo se restringe aos discípulos e finalmente culmina na cruz. Ali, o Servo que “não veio para ser servido, mas para servir” faz o supremo savrifício de serviço, dando “sua vida em resgate de muitos” (10.45). Esso padrão de vida altruísta se torna o modelo para aquele que queseguir os passos do Servo.

Autoria

Marcos é anônimo. O título kata Markon (kata markon) “segundo Marcos”. Provavelmente foi acrescentado quando os evangelhos foram reunidos e houve a necessidade de distinguir a versão de Marcos dos demais evangelhos, possivelmente no século II.

O testemunho de Papias 11 é o mais importante e o mais antigo acerca da autoria de Marcos, escrito em 325 d.C. por Eusébio.

“E o presbítero costumava dizer isto: Marcos tornou-se intérprete (hermeneutes) de Pedro e escreveu com exatidão tudo aquilo de que ele se lembrava, é verdade que não em ordem das coisas ditas ou feitas pelo Senhor. Pois ele não tinha ouvido o Senhor nem havia-o seguido, mas mais tarde, de acordo com o que eu disse, seguiu Pedro, que costumava ministrar ensino conforme se tornava necessário, mas não organizado, por assim dizer, os pronunciamentos do Senhor, de sorte que Marcos nada fez de errado ao pôr por escrito fatos isolados à medida que se lembrava deles. De uma coisa ele cuidou: não deixar de fora nada do que ouvira e não fazer nenhuma afirmação falsa 12

Testemunhos de cristãos posteriores confirmam que Marcos é o autor e que ele dependia de Pedro:

1. Irineu, Adv. Haer. 3.1.2 (180 d.C.)

10 WILKINSON, Bruce & BOA, Kenneth. Descobrindo a Bíblia. Candeia. (com algumas mudanças deste autor)

11 Papaias foi bispo de Hierápolis, na região da Frígia, Ásia Menor, até cerca de 130 d.C.

12 História Eclesiástica 3.39.15.

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2.

Tertuliano, Adv. Marc 4.5 (200 d.C.)

3. Clemente de Alexandria, Hypotyposes (200 d.C)

4. Orígenes, Comum. On Matt. (Início do século III)

5. E provavelmente o cânon de muratori consta em sua lista o avengelho segundo Marcos, (190 d.C.)

Marcos não foi testemunha ocular, mas obteve informações com Pedro, apóstolo de Cristo.

Quem era Marcos?

De acordo com Atos 12.12, a mãe de Marcos possuía uma casa onde era costume a igreja de Jerusalém se reunir. Ao que parece, Pedro costumava freqüentar (At 12.13- 15). Em I Pe 5.13, Pedro o chama de “meu filho Marcos”. Marcos era também primo de Barnabé (Cl 4.10), essa convivência com os apóstolos, especialmente com Pedro, que traz autoridade apostólica nos escritos de Marcos. Acredita-se que Marcos faz menção de si mesmo em Mc 14.51-52.

Paulo e Barnabé levaram Marcos quando voltaram de Jerusalém para Antioquia (At 12.25) e quando iniciaram a primeira viagem missionária (At 13.5), muito embora, Marcos tenha desistido e voltado pra Jerusalém precocimente (At 13.13), o que provocou desacordo entre Paulo e Barnabé, quando pela segunda vez Barnabé queria levar Marcos na segunda viagem missionária (At 15.36). Mais tarde, em Cl 4.10, percebemos que houve um reaproximamento de Paulo e Marcos, pois Paulo o cita como estando com ele em sua prisão em Roma. Já no fim de sua vida Paulo diz em II Tm 4.11:

“ele me é útil para o ministério”.

Local de Origem

A tradição mais antiga (não unânime) inclina-se para Roma. Essa é a opinião de Irineu; Clemente de Alexandria e Eusébio – eles acreditavam que Marcos estivesse “nas regiões da Itália” quando escreveu seu evangelho.

Entre os estudiosos contemporâneos há outros dois locais:

1. Para J. Vernon Bartlet, Marcos foi escrito em Antioquia da Síria, devido sua proximidade com a Palestina.

2. Outros acreditam que foi escrito em algum lugar do Oriente.

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Data

Existem quatro hipóteses diferentes: os anos quarenta, os anos cinqüenta, os anos sessenta e os anos setenta.

Anos quarenta:

1. Para C. C. Torrey, a “a abominação da desolação” (Mc 13.14), é iuma referência à tentativa feita em 40 d.C. pelo imperador Calígula de tentar colocar sua imagem dentro do Templo de Jerusalém, e que Marcos foi escrito após essa data.

2. José O’Callaghan baseia-se em três fragmentos encontrados em Qumran com data aproximada do ano 50.

Anos cinqüenta:

1. Alguns estudiosos acreditam que Lucas (61 d.C) utilizou Marcos como fonte, então, Marcos deve ter sido escrito no mais tardar até os anos 60.

Anos sessenta:

1. A maior parte dos estudiosos atribui Marcos a uma data entre os anos sessenta por três razões:

a. As tradições mais antigas favorecem uma data posterior à morte de Pedro.

b. Uma data de durante ou logo depois da perseguição em Roma, cerca de 65 d.C.

c. Afirma-se que Marcos 13 reflete a situação na Palestina durante a revolta judaica, antes dos romanos entrarem na cidade, portanto foi escrito entre 67 e 69.

É difícil estabelecer uma data exata para este evangelho, contudo, se considerarmos a primazia de Marcos para Lucas-Atos, teremos uma data antes de 60 d.C; mas se desconsiderarmos esta hipótese, há espaço para uma data posterior.

Destinatários

Um público cristão gentílico, em Roma. Se Marcos escreveu seu evangelho em Roma, provavelmente escreveu para os romanos.

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Propósito

Dentre tantas propostas, é melhor considerar que Marcos tinha o propósito de equipar os seus leitores cristãos com o conhecimento das “boas notícias da salvação”.

Cristo em Marcos 13

Cristo é apresentado em Marcos como Servo ativo, compassivo e obediente, que constantemente ministra as necessidades físicas e espirituais dos outros. Visto ser esta a históeia de um Servo, Marcos omite seus ancestrais e o nascimento de Jesus e se move em direção ao seu ativo ministério público. A palavra chave neste livro é “imediatamente”, ela aparece com mais freqüência neste evangelho (42 vezes) do que ocorre no restante do Novo Testamento. Cristo se move constantemente para um alvo que está oculto a quase todos. Marcos claramente mostra o poder e autoridade deste Servo, identificando-o como Filho do próprio Deus (1.1, 11; 3.11; 5.7; 9.7; 13.32; 14.61;

15.39).

1:15

Afirmações Chaves

15 dizendo: O tempo está cumprido, e o reino de Deus está próximo; arrependei-vos e crede no evangelho.

10:45 5 Pois o próprio Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate por muitos.

14:61-62 61 Ele, porém, guardou silêncio e nada respondeu. Tornou a interrogá-lo o sumo sacerdote e lhe disse: És tu o Cristo, o Filho do Deus Bendito? 62 Jesus respondeu: Eu sou, e vereis o Filho do Homem assentado à direita do Todo-Poderoso e vindo com as nuvens do céu.

13 WILKINSON, BRUCE & BOA, Kenneth. Descobrindo a Bíblia. Candeia. Pág 348.

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ÊNFASES TEOLÓGICAS DE MARCOS

 

Jesus, O Servo

 

“O padrão do discipulado cristão se encontra no Servo de Deus, cujo serviço autentica Sua mensagem, e cuja vida é um sacrifício por toda a humanidade 14 ”.

 

SSERVIRERVIR

   

SSACRIFICARACRIFICAR

 

1.1 - - -

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

- -

- - - - 10 . 52

11. 1 - - -

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

- - - - - 16 .20

Apresentação

Oposição

Instrução

Rejeição

   

Ressurreição

 

do

   

ao

   

pelo

 

do

   

do

 

Servo

   

Servo

   

Servo

Servo

   

Servo

 

1.1 - - - - - - 2.12

   

2.13 - - - - - 8.26

 

8.27 - - - - - -10.52

11.1 - - - - - - - - - - - - - - - - 15.47

16.1

- - - - - - - - - - - - - - - - - -

16.20

 

Ditos e Sinais

   

Sofrimento

 
 

Galiléia e Peréia

   

Judéia e Jerusalém

 

Local: Roma

 

Data: 55//65

 

A Cristologia de Marcos é admirável, ele possuía um entendimento surpreendente acerca de quem Jesus era, fazendo observações, narrando detalhes, atos e reações do Senhor em momentos específicos de seu ministério.

1. Marcos apresenta Jesus como sendo verdadeiro homem. Na Cristologia de

Marcos Jesus é perfeitamente humano. Ele precisava orar (1:35; 6:31), comer (2:16), beber (15:36), sentia fome (11:12), tocava nas pessoas (1:41), e era tocado por elas (5:57), ele se entristecia (3:5), e se indignava (10:14), sentia sono por causa do cansaço e era despertado após momentos de cansaço (4:38-39). Enquanto homem o seu conhecimento é limitado (13:32), de modo que se volta para ver quem lhe tocou (5:30), possuí corpo humano (15:43), um espírito humano (2:8), e inclusive poderia morrer (15:37). 15

2. Marcos apresenta Jesus como sendo verdadeiramente Deus. Na Cristologia

de Marcos não há negação da sua divindade. Ele descreve Jesus como tendo domínio

14 PINTO, Carlos Osvaldo. Foco e Desenvolvimento no Novo Testamento. São Paulo: Hagnos, 2008. pág 104.

15 Guilhermo Hendriksen, El Evangelio Según San Marcos, pp. 25 - 26

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soberano sobre o reino da enfermidade (1:40-45; 8:22-26; 10:46,52;), dos demônios (1:32- 34), e da morte (5:21-24,35-43), sobre os elementos da natureza (4:35-41; 6:48; 11:13- 14,20); prediz o futuro (8:31; 9:9,21; 10:32-34; 14:17-21), conhece o coração das pessoas (2:8; 12:15), vencendo a morte (16:6). 16 De acordo com Marcos as duas naturezas de Cristo, divino e humano, se encontram em perfeita harmonia na pessoa de Jesus. E isto pode ser percebido nas seguintes passagens (4:38-39; 6:34,41-43; 8:1-10; 14:32-41).

3. Marcos apresenta Jesus como o Filho de Deus. Esse título é usado para

descrever a sua messianidade. Marcos inicia seu Evangelho identificando João Batista como o cumprimento da profecia de Ml 3:1 e Is 40:3, como aquele que viria e prepararia o caminho para o “Messias”. A voz que surge do céu dizendo “Tu és o meu Filho amado; em ti me agrado” (1:11 NVI). Jesus é aquele a quem os anjos servem (1:13). O seu sangue é oferecido em favor de muitos (10:45, cf. 14:24). Ele batiza com Espírito Santo (1:8), nomeia os seus próprios embaixadores (3:13-19), tem autoridade para mandar que os homens lhe sigam e o recebam (8:34; 9:37); na transfiguração manifesta parcialmente a glória futura (9:11); e declara que virá outra vez na glória de seu Pai (8:38), nas nuvens com grande poder e glória, quando enviará seus anjos para recolher seus eleitos (13:26-27). 17 Precisamente foi condenado por ter confirmado a sua divina filiação (14:61-63).

4. Marcos apresenta Jesus como o Redentor. Jesus numa de suas declarações

afirma que ele veio para “dar a sua vida em resgate por muitos”(10:45). Marcos descreve um Cristo que haveria de sofrer, e dedica uma grande porção de sua narrativa para expor a Paixão de Cristo, mais do que os outros Evangelhos. 18

16 Guilhermo Hendriksen, p. 26

17 Ibdem, p. 26

18 Donald Guthrie, New Testament Introduction, p. 57

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O EVANGELHO SEGUNDO LUCAS

JESUS, O FILHO DO HOMEM. O EVANGELHO DO SALVADOR DOS HOMENS.

Lucas 19 é o mais extenso e abrangente dos quatro Evangelhos, apresentando Jesus Cristo como o Homem Perfeito que veio buscar e salvar os pecadores. Em Lucas, fé e crescente oposição se desenvolvem lado ao lado. Os que crêem em suas reivindicações são desafiados a assumir o preço do discipulado; os que se opõem a ele não ficarão satisfeitos até que o Filho do Homem penda sem vida numa cruz. Porém, a ressurreição assegura que seu propósito se cumprirá: buscar e salvar o que se havia perdido” (19.10), e continue na pessoa de seus discípulos, uma vez que estejam equipados com seu poder.

“Segundo Lucas” é o título que foi acrescido a este Evangelho numa data muito remota. O nome grego “Lucasaparece três vezes no Novo Testamento (Cl 4.14; 2Tm 4.11; Fm 24). O início do Livro de Atos dos Apóstolos evidencia que este livro e o evangelho de Lucas formam uma unidade. O autor tomou a humanidade de Jesus, o seu ministério, sofrimento, morte e ressurreição, como também a propagação do evangelho de Jerusalém até Roma, e fez de tudo o tema de um relato geral.

A Mensagem do Evangelho de Lucas

Este Evangelho é o mais extenso dos sinóticos. Lucas sendo homem de ciência não nega os milagres. Dos quatros evangelistas, é ele que narra maior número de curas realizadas pelo divino médico.

Lucas dá maior ênfase à oração, ao ministério do Espírito Santo, ao papel da mulher crente na comunidade cristã, etc.

Somente em Lucas aprendemos que ao descer sobre Jesus o Espírito Santo no Jordão, Ele estava “a orar” (3:21); que ao afastar-se das multidões que o assediavam continuamente, ele “orava” (5:16); que antes de escolher os doze, passou sozinho “noite orando a Deus” (6:12); que na ocasião em que perguntou aos doze “Quem dizeis que eu sou?” ele estava “orando em particular” (9:18); que na sua transfiguração Jesus subira ao monte “com o propósito de orar” (9: 29); que justamente antes de ensinar a hoje chamada “ Oração Dominical” ele se achava “orando em certo lugar” (11:1); que Ele assegurou a Pedro, “Eu, porém, roguei por ti, para que a tua fé não desfaleça” (22:32); que no Getsêmani ele “orava mais intensamente” (22:44); que na cruz tanto o seu primeiro como último pronunciamentos foram orações ( 23:34,36). Devemos também notar as orações feitas por: Zacarias, Ana, os discípulos de João,etc. As mulheres são

19 WILKINSON, Bruce & BOA, Kenneth. Descobrindo a Bíblia. Candeia. (com algumas mudanças deste autor)

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mencionadas em Lucas mais vezes do que em qualquer dos outros três evangelhos, e as viúvas mais do que nos outros três juntos.

Autoria

A maioria dos críticos concorda que Lucas e Atos procedem do mesmo autor. Atos 1.1 refere-se a Teófilo e ao “primeiro livro”, dando a entender que Atos é o segundo volume de uma obra em dois volumes. Os dois livros têm o estilo e o vocabulário semelhantes de um mesmo autor e não há nenhum motivo para se questionar isso.

Evidências da autoria lucana:

ü Marcião, por volta do século II – em um prólogo de Lucas e pelo Cânon de Muratori.

existisse

nenhuma dúvida acerca da autoria lucana desses livros.

ü Os mais antigo manuscrito de Lucas, o papiro Bodmer XIV, citado como p 75 , e datadode 175-225 d.C., atribui o livro a Lucas.

ü Autores

tais

como:

Ireneu

e

Tertuliano

escrevem

como

se

não

ü A tradição não associa nenhum outro nome a esses escritos.

Lucas 20 era um gentio (ou, pelo menos, um judeu helenista), podendo ter se convertido em Antioquia da Síria. Seu nome é de origem grega. Sua facilidade com no uso do idioma grego sugere que era gentio (ou pelo menos judeu helenista), seu estilo grego, juntamente com o estilo da epístola aos Hebreus, é o mais refinado de todo o Novo Testamento.

Paulo chama Lucas de “médico amado”, em Colossenses 4:14, essa descrição é confirmada pelo interesse acima do normal que Lucas, mediante seu uso freqüente de termos médicos 21 .

Local de Origem

Pode-se afirmar que Lucas foi escrito fora da Palestina. De acordo com o prólogo antimarcionita, Lucas era natural de Antioquia e escreveu seu evangelho “nas regiões de Acaia”.

Em alguns Manuscritos posteriores Roma aparece como o local em que esse evangelho foi escrito 22 .

20 GUNDRY, Robert H. Panorama do Novo Testamento. 2 a edição. São Paulo, Vida Nova. 2003. pp 101.

21 Veja por exemplo, o comentário de Lucas sobre o fato que a mulher hemorrágica gastara todo o seu dinheiro com médicos (8.43).

46

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Há muitas especulações, mas em suma, temos de admitir que não há provas suficientes para vincular esse evangelho definitivamente a qualquer região em particular. Este autor adota Roma como sendo o local mais provável.

Destinatário

A civilização grega é antropocêntrica; e Lucas, escreve para o seu amigo grego,

Teófilo, faz a apresentação de Jesus Cristo como homem perfeito. A frase “filho do homem” aparece muitas vezes.

O prefácio literário dá a entender que desde o início o objetivo era que o livro

fosse lido, não por um pequeno grupo de crentes, mas por um grande público. O cuidado com que Lucas organizou uma quantidade tão grande de informações parece indicar que ele tinha em vista um público mais amplo. Seus dois volumes foram escritos para dar valiosas informações ao público cristão sobre a vida, morte, ressurreição e ascensão de Jesus e sobre a história seguimentos da igreja cristã até a época em que Paulo esteve preso em Roma.

Ele teve em mente cristãos predominantemente gentílicos 23 , conforme se percebe a partir de:

(1) a dedicatória a alguém com nome grego,

(2) a maneira como ele mostra claramente a relevância da salvação para pessoas fora da comunidade de Israel, e

(3) o estilo greco-romano de seu prefácio.

Data

Temos de considerar a data de Atos junto com a de Lucas, pois o evangelho não pode ter sido escrito depois do segundo volume. Algumas considerações favorecem uma data no início dos anos sessenta para o evangelho.

Atos não menciona a perseguição por Nero nem acontecimentos como a destruição de Jerusalém ou as mortes de Paulo e Tiago (62 d.C.).

Não menciona qualquer evento posterior ao ano 62.

Provavelmente, Lucas teria mencionado a soltura ou a execução de Paulo, se ela já tivesse acontecido. Ele conclui Atos com Paulo preso em Roma.

22 Mas não se sabe em que se baseia essa afirmação.

23 Ele evita principalmente palavras aramaicas como “Rabi” (Mc 9.5) e “Aba” (Mc 14.36), é claro que aquilo que ele disse era de interesse de cristãos judeus, mas ao que parece não era dirigido a eles em primeiro lugar.

47

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Lucas não narra a queda de Jerusalém, o que indica que ela ainda não havia acontecido.

mais

convincentes são os argumentos a uma data mais remota.

Embora

haja

argumentos

a

favor

de

datas

posteriores 24 ,

parece

que

Cristo em Lucas 25

Lucas apresenta a mais completa narrativa dos ancestrais de Cristo, seu nascimento e desnvolvimento. Ele é o Filho do Homem ideal, o qual se identificou com o sofrimento e a luta dos pecadors a fim de levar nossas dores e oferecer-nos o dom gratuito da salvação. Jesus cumpre perfeitamente o ideal grego de perfeição humana.

 

Parábolas e Incidentes não Registrados Pelos Outros Evangelhos

1

22

 

contecimentos dos capítulos 1 e 2;

 

omparação : construtor de torre em potencial 14:

2

28-30

 

1ª rejeição do Mestre em Nazaré 4:14-32

23

3

pesca maravilhosa 5: 1:11

 

ova comparação : o rei que pretende fazer guerra 14: 31-33

4

24

 

ressurreição do filho da viúva de Naim 7:11-17

 

arábola tríplice (2) a moeda perdida 15: 9-10

5

25

 

s

pés de Jesus ungidos pela pecadora 7: 36-50

 

arábola trípice (3) o filho pródigo 15: 11-32

6

26

 

s

mulheres que serviam a Jesus com seus bens 8:1-3

 

arábola do administrador infiel 16: 1-15

7

27

 

eferência a Moisés e Elias falando com Cristo no monte da transfiguração 9:30-31

28

rico e Lázaro 16: 19: 31

8

lustração : o senhor e o servo 17: 7 -10

 

ensurada a ira de João e Tiago 9: 51-56

29

9

 

cura dos dez leprosos 17: 11-19

 

omparação com o arado para o provável seguidor

30

9:61-62

 

esposta relativa ao reino de Deus 17: 20-21

10

31

 

missão dos setenta 10: 1-24

 

arábola do juiz iníquo 18: 1-8

11

32

 

arábola do Bom Samaritano 10: 25-37

 

arábola do fariseu e publicano 18: 9-14

12

33

 

ensurada a preocupação de Marta 10:38-42

 

ericó : conversão de zaqueu 19: 1-10

13

34

 

arábola do amigo importuno 11: 5-10

 

arábolas das minas e dos servos 19: 11-27

14

35

24 As datas giram em torno de desde os anos 80 até o século II. 25 WILKINSON, BRUCE & BOA, Kenneth. Descobrindo a Bíblia. Candeia. Pág 357.

48

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arábola do rico insensato 12: 13-21

 

Salvador chora sobre Jerusalém 19: 41-44

15

36

 

esposta sobre os assasinados por Pilatos 13: 1-5

 

suor como gotas de sangue 22 : 44

16

37

 

arábola da figueira estéril 13: 6-9

 

risto perante Herodes 23:8

17

38

 

ulher curada de sua enfermidade 13: 10-17

 

alavras de Cristo às mulheres de Jerusalém 23 : 28

18

39

 

esposta aos fariseus sobre Herodes 13: 31-33

 

ladrão arrependido 23 : 40

19

40

 

ura do hidrópico no sábado 14: 1-6

 

ois discípulo no caminho de Emaús 24 : 13-31

20

41

 

arábola dos convidados 14: 7-14

 

scensão de Jesus 24: 50-51

21

 
 

arábola da grande ceia 14:15-24

Versos-chave: 2.10,11; 15.24; 19.10.

2:10-11 10 O anjo, porém, lhes disse: Não temais; eis aqui vos trago boa-nova de grande alegria, que o será para todo o povo: 11 é que hoje vos nasceu, na cidade de Davi, o Salvador, que é Cristo, o Senhor.

15:24

24 porque este meu filho estava morto e reviveu, estava perdido e foi achado. E começaram a regozijar-se.

19:10

10 Porque o Filho do Homem veio buscar e salvar o perdido.

49

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ÊNFASES TEOLÓGICAS DE LUCAS

 

Jesus, O Filho do Homem

 

“A mensagem soberana do Reino foi estendida a todas as nações por meio de rejeição de Isarel para com Jesus, o Filho do Homem, como seu Messias 26

IINTRODUÇÃONTRODUÇÃO DODO

MMINISTÉRIOINISTÉRIO DODO FFILHOILHO

 

AA RREJEIÇÃOEJEIÇÃO DODO FFILHOILHO

CCRUCIFICAÇÃORUCIFICAÇÃO EE RRESSURREIÇÃOESSURREIÇÃO

FFILHOILHO DEDE HHOMEOMEMM (Advento)

DODO HHOMEMOMEM

 

DODO HHOMEMOMEM

 

DODO FFILHOILHO DODO HHOMEMOMEM (Aplicação e Autenticação)

(Atividades)

(Antagonismo e Admoestações)

 

1.1 - - - -

-

-

-

-

-

4.13

4.14 - - - - - - - - - - - - - - 9.50

9.51 - - - - - - - - - - 1 9.27

19.28 - - - - - - - - - - - - - 24.53

Prólogo

nascimento e infância de Jesus

 

anúncio de João Batista, acerca de Jesusem

Ministério de ensino e confronto aos lideres religiosos

Contínua rejeução e oposição dos lideres religiosos

comiissiona e ensina seus dsiscípulos

Apesar das provas de poder, Jesus é rejeitado

Instruções aos discípulos e

ouvintes acerca da vida no Reino

Reino está próximo,

estejam alertas – questões

éticas

entrada trinufal em

Jerusalém e o discurso de

juízo contra Israel

Traição e crucificação

Filho do Homem ressurge dos mortos

Filho do Homem ascende aos céus

O

A

O

O

   

A

     

O

O

1.1 - 4

1.5 - 2.52

3.1 - – 4.13

4.14 - - 6.49

7.1 - - - - - 8.56

9.1- - - 50

 

9.51- -11.54

12.1 - 17.10

17.11-19.27

19.28-21.38

22.1 -- 23.56

24.1- - 49

24.50-53

 

Buscando os perdidos

 

Salvando os perdidos

 

Milagres Proeminentes

   

Ensino Proeminentes

 

Local: Roma

 

Data: 60ss

Lucas apresenta Jesus como o Senhor (Lucas 2.10,11). Todo o ministério de Jesus em Lucas deve ser visto a partir desta perspectiva. Vejamos alguns pontos teológicos em Lucas:

1. Jesus é o Salvador.

Lucas tem muito a dizer sobre salvação – ele faz uma ligação entre a salvação e os eventos da história (Lucas considera a história como um âmbito da atividade redentiva de Deus). Através dele vemos a salvação divina manifestada na vida, morte,

26 PINTO, Carlos Osvaldo. Foco e Desenvolvimento no Novo Testamento. São Paulo: Hagnos, 2008. Pág 132.

50

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ressurreição e ascensão de Jesus e também na vida diária da igreja (Lc 1.1-4; 2.1-2; 3.1 – Deus salva em meio aos acontecimentos).

É impossível ler Lucas e não entender que Jesus veio para salvar, por exemplo, a palavra “hoje” aparece 11 vezes em Lucas, contra 8 em Mateus e 3 em Marcos; a palavra “agora” aparece 14 vezes, contra 4 em Mateus e 3 Marcos. A palavra swthria (soteria)”salvação” aparece 4 vezes, e depois somente em João 1 vez. Lucas utiliza o verbo “salvar” mais do qualquer outro livro do Novo Testamento, neste processo não há privilégios, aliás, Lucas sempre descreve Jesus com os marginalizados, pecadores, pobres, etc. A salvação em Lucas depende de quem foi Jesus e o que ele fez, mas não encerra com sua morte, ela prossegue na vida da igreja, é contida no seu evangelho e continuada em atos dos Apóstolos.

2. Jesus da atenção aos menos favorecidos.

Um segundo aspecto muito enfatizado é seu interesse por aqueles que eram vistos como sem valor no primeiro século: mulheres, crianças, pobres e pessoas de má fama. Os rabinos não ensinavam mulheres, mas Lucas registra a preocupação de Cristo com elas (10.38-42; 8.2-3; 7.11-12; 13.11; 7.37-50) Lucas considera natural que as mulheres tenham uma grande participação no plano de Deus. O mesmo acontece com as crianças, pra começar só Lucas relata a infância de Jesus (2.39-52), ele dá ênfase também a outros relatos (7.12; 8.42; 9.38, 47; 10.21; 17.2; 18.16). algo digno de glória em Lucas também é seu interesse pelos pobres (7.22, outros textos com referência aos pobres 1.53; 6.30; 14.11-13, 21; 16.19-31), não há dúvidas de que o Jesus de Lucas revela um grande interesse e uma profunda compaixão pelos pobres, visto que essa classe era muito desprezada pela sociedade antiga.

Algo importante também na teologia lucana é sua advertência contra as riquezas, ele registra um “ai” contra os ricos (6.24), diversas parábolas que advertem os ricos: o rico insensato (12.16-21), o mordomo infiel (16.1-12), e o rico e o Lázaro (16.19- 35), há também muitos exemplos a serem seguidos: o exemplo de Zaqueu (19.1-10), a viúva pobre (21.1-4). Lucas não valoriza as riquezas, para ele Deus tem uma maneira especial de transformar as diferenças sociais em situações de bênçãos e promoção da salvação e do reino de Deus.

Isso se vê em seu interesse pelos de má fama. Quem recebeu a mensagem dos anjos quando Jesus nasceu foram os pastores de ovelhas – essa classe era desprezada na sociedade, a tradição diz que os pastores faziam pequenos furtos enquanto andavam no pasto atrás das ovelhas, não eram considerados pessoas de confiança e nem podiam ser testemunhas nos tribunais. Isso sem mencionar a relação de Jesus com os publicanos e pecadores (5.29-32), em Lucas uma pecadora unge os pés de Jesus (7.36-50), há também

51

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parábolas com referências aos iníquos (7.31-32; 12.13-21; 16.12,19-31; 18.1-8,9-14). Fica claro que Lucas tinha um profundo interesse pelo fato de que Jesus veio salvar pecadores.

3. A ênfase ao Espírito Santo.

Lucas tem um profundo interesse pelo Espírito Santo. Esse fator fica mais claro a partir de Atos, mas se comparado a Mateus e Marcos, Lucas é o que mais fala do Espírito (1.15; 1.41,67; 2.25-27), de diversas maneiras o Espírito Santo está vinculado ao ministério de Jesus: em sua concepção (1.35), no batismo (3.22), no deserto para ser tentado (4.1), no seu regresso para a Galiléia (4.14), no seu sermão em Nazaré (4.18), Jesus ficou alegre pelo Espírito Santo (10.21), o Espírito ensino o que falar (12.12), o poder do Espírito envolveria a todos futuramente (24.49). O papel do Espírito Santo em Lucas é glorificar a Jesus, contudo tudo o que Jesus faz é pelo o Espírito Santo.

4. A ênfase dada à oração.

O povo de Deus deve buscar constantemente n’Ele o suprimento de suas necessidades através da oração. Em Lucas encontramos Jesus orando em diversas ocasiões. Quem lê Lucas não tem dúvidas da importância da oração, um exemplo clássico é a parábola do fariseu e do publicano (18.9-14).

5. A ênfase dada à alegria.

Lucas também é caracterizado pela presença de cânticos e júbilo. Regozijo a marca registrada de Lucas. Lucas apresenta mais ocorrências que falam de regozijo do que qualquer outro livro no Novo Testamento. Freqüentemente encontramos em Lucas, pessoas se regozijando, ou dando glória a Deus, ou louvando a Deus (1.14,44,47; 2.20; 7.16; 10.21; 13.13). Lucas fala de riso (6.21), de um pulo de alegria (6.23) de alegria ao encontrar o que estava perdido (15.6-7, 9-10), de festas (15.23,32), etc. Em Lucas, quem encontrou o evangelho conhecia algo maravilhoso, esse era o motivo de tão grande alegria.

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O EVANGELHO SEGUNDO JOÃO

JESUS, O FILHO DE DEUS. O VERBO SE FEZ CARNE E VEIO TRAZER GRAÇA E VERDADE.

O Evangelho de João é singular. Mateus, Marcos e Lucas são chamados sinóticos porque, a despeito de suas ênfases individuais, descrevem muitos dos mesmos eventos da vida de Jesus.

João se volta principalmente para eventos e discursos não comuns aos outros evangelhos, com o objetivo de mostrar a seus leitores que Jesus é Deus encarnado, a eterna Palavra vinda a terra, que nasceu para morrer como sacrifício oferecido a Deus para tirar o pecado do mundo. Sete sinais miraculosos provam que “Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e para que, crendo, tenhais vida em seu nome” (20.31). Jamais se escreveu um tratado evangélico mais excelente que a maneira inspirada que elaborou sobre a vida, morte e ressurreição de Cristo.

Autoria 27

As tradições da Igreja primitiva indicam que o apóstolo João escreveu este evangelho, já no término do primeiro século.

Tanto dentro do cristianismo histórico quanto dentro do gnosticismo existiam vários documentos que aludiam este evangelho à pessoa de João.

Teófilo de Antioquia (cerca de 181 d.C.).

Já antes disso vários outros escritores, como Taciano (um aluno de Justino

Mártir), Cláudio Apolinário (bispo de Hierápolis) e Atenágono, fazem claras citações do

quarto evangelho, tratando o como fonte de autoridade.

Irineu, discípulo de Policarpo, que por sua vez foi discípulo de João, atribui este Evangelho a João, o apóstolo. Policarpo foi martirizado em 156, com a idade de 86 anos.

Irineu conheceu pessoalmente Policarpo, e é por meio de Policarpo que

temos as mais importantes informações a respeito do evangelho de João. Escrevendo a

Florino, Irineu recorda:

“Recordo-me dos acontecimentos daqueles dias com mais clareza do que aqueles que têm ocorrido recentemente, pois aquilo que aprendemos enquanto somos crianças cresce junto com a alma e fica unida a ela, de modo que posso falar até mesmo do lugar em que o abençoado Policarpo se sentava para os debates, como entrava e como

27 Para maiores informações sobre autoria, evidencias interna e externa, leia: CARSON, D. A. Introdução ao Novo Testamento. 1 a edição. São Paulo: Edições Vida Nova. 2002. pp. 155 a 171.

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saía, o caráter de sua vida, a aparência de seu corpo, a mensagem que pregava ao povo, como contava suas conversas com João e outros que haviam visto o Senhor, como se lembrava das palavras deles, quais eram as coisas concernentes ao Senhor que ouvira deles, inclusive os milagres e os ensinos dele, e como Policarpo havia recebido isso da parte das testemunhas oculares da palavra da vida e relatou todas as coisas de conformidade com as Escrituras” (H.E. 5.20.5-6) 28 .

Para Irineu, o nome do quarto evangelista é João e deve ser identificado com o discípulo amado referido em João 13.23. Ele (Irineu) escreveu: “João, o discípulo do Senhor, que recostou-se em seu peito, publicou o evangelho enquanto residia em Éfeso, na Ásia” (Adv. Haer. 3.1.2).

Não só Irineu, mas Clemente de Alexandria e Tertuliano fornecem sólidas evidências no século II em favor da convicção de que o apóstolo João escreveu esse evangelho 29 .

Jesus deu a João e a seu irmão Tiago o apelido de “filhos do Trovão” (Mc 3.17). Seu pai era Zebedeu, e sua mãe, Salomé, serviu a Jesus na Galiléia e estava presente em sua crucificação (Mc 15.40-41). João era um dos galileus que seguiram João Batista até serem chamados a seguir Jesus no início de seu ministério público (1.19-51) 30 .

Depois da ascensão de Jesus, João se tornou um dos “pilares” da igreja em Jerusalém, juntamente com Tiago e Pedro (Gl 2.9).

Data

A data do evangelho de João tem sido assinalada desde 40 d.C. até 140 d.C., e até

mais tarde. Sabe-se, pela descoberta do fragmento de Rylands, que preserva um pedaço de João 18. 31-33,37,38, que João estava em uso provavelmente na metade do 2 o século.

A melhor solução parece ser a que sustenta que João, em Éfeso, ao fim do 1 o

século (entre 85/95 d.C.), quando a igreja tinha atingido certa maturidade e havia necessidade de se ensinar a respeito da natureza da fé.

28 A maioria dos estudiosos reconhece que esse João, certamente uma referência ao apostolo João, o filho de Zebedeu.

29 De acordo com Eusébio (H. E. 6.14.7), Clemente escreveu: “Mas aquele João, por último, cônscio de que os fatos exteriores foram expostos nos evangelhos, foi instado por seus discípulos e, divinamente movido pelo Espírito, escreveu um evangelho espiritual”.

30 Estes galileus mais tarde foram convocados a se tornarem discípulos em tempo integral do Senhor (Lc 5.1-11), e João estava entre os doze homens que foram selecionados para serem apóstolos (Lc 6.12-16).

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Lugar

A teoria tradicional é de que João foi escrito em Éfeso. Essa teoria ganha peso pelo testemunho da patrística.

Eusébio (H. E. 3.1.1).

Diz que a Ásia [i.e., Ásia Menor] a João quando os apóstolos foram dispersos no irromper da Guerra dos Judeus (66-70 d.C.).

Irineu (Adv. Haer 3.1.2 31 ).

Diz que: “João, o discípulo do Senhor, que recostou-se em seu peito, publicou o evangelho enquanto residia em Éfeso, na Ásia” (Adv. Haer. 3.1.2).

Embora haja também outros três lugares propostos: Alexandria 32 , Antioquia 33 e Palestina 34 , nenhum desses locais têm o apoio dos Pais da Igreja: eles indicam Éfeso como sendo o Local da escrita deste evangelho.

Destinatário

João não trás em si qualquer menção a seus destinatários, o que se tem é inferências de acordo com a autoria e o propósito. Sendo João, filho de Zebedeu, o escrito e se escreveu de Éfeso, pode-se inferir que preparou seu livro para leitores dessa região do império. O autor pode também ter esperado uma circulação mais ampla, embora não se possa provar isso. Em suma João escreveu seu evangelho para cristãos e não cristãos da região ao redor de Éfeso.

Propósito

João tem seu propósito bastante explícito: “Estes foram escritos para que vocês creiam que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e para que, crendo, tenham vida em seu nome”. Jo 20.31. João selecionou os sinais que usou com o propósito apologético de gerar convicção intelectual (“para que creiam”) e espiritual (“para que, crendo, tenham vida”) acerca do Filho de Deus. O verbo chave em João é “crer”, o que requer tanto conhecimento (8.32; 10.38) quanto determinação da vontade (volição) (1.12; 3.19; 7.17).

31 Alguns acham que Irineu confunde o João apóstolo e outro João.

32 Alexandria é defendida por alguns com o argumento de que João possui certas afinidades com Filo. Esse argumento cai por terra quando se entende que Filo poderia ser lido fora de Alexandria.

33 Antioquia tem sido proposta com o argumento de João possui afinidades com as Odes de Salomão, obra escrita em siríaco procedente dessa região.

34 A Palestina é sugerida devida à grande familiaridade de João com detalhes culturais e topográficas.

55

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O tema predominante deste evangelho é a dupla resposta de fé e confiança na pessoa de Jesus Cristo. Aqueles que põem sua fé no Filho de Deus têm a vida eterna, mas os que o rejeitam permanecem sob a condenação de Deus (3.36; 5.24-29; 10.27-29) – este é o resultado básico.

Cristo em João 35

João apresenta o mais poderoso exemplo, em toda a Bíblia, da Deidade do Filho de Deus encarnado. “Um homem chamado Jesus” (9.11) é também “Cristo, o Filho do Deus Vivo” (6.69). a Deidade de Cristo pode ser vista em suas sete afirmações “Eu Sou”:

”E u sou o pão da vida” – 6.35,48; “Eu sou a luz do mundo” – 8.12; “Eu sou a porta” – 10.7,9; “Eu sou o bom pastor” – 10.11,14; “Eu sou a ressurreição e a vida” – 11.25; “Eu sou o caminho e a verdade e a vida” – 14.6; “Eu sou a videira verdadeira” – 15.1,5. Os sete sinais (1-12) e os cinco testemunhos (5.30-40) também destacam seu caráter divino. Em certas ocasiões Jesus se equipara ao “EU SOU” do Antigo Testamento, ou com o YAHWEH (4.25-26; 8.24, 28, 58; 13.19; 18.5-6, 8. Algumas das afirmações mais cruciais de sua Deidade se encontram em 1.1; 8.58; 10.30; 14.9; 20.28.

Mas fica claro também que o Deus Jesus, era homem: em seu cansaço (4.6); sede (4.7); dependência (5.19); sua tristeza )11.35); sua alma perturbada (12.27) e sua angústia e morte (cap. 19).

Versos Chaves em João: 1.12-14; 3.16; 20.31.

1:12-14 12 Mas, a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus, a saber, aos que crêem no seu nome; 13 os quais não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas de Deus. 14 E o Verbo se fez carne e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade, e vimos a sua glória, glória como do unigênito do Pai.

3:16 16 Porque Deus amou ao mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.

20:31 31 Estes, porém, foram registrados para que creiais que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e para que, crendo, tenhais vida em seu nome.

35 WILKINSON, BRUCE & BOA, Kenneth. Descobrindo a Bíblia. Candeia. Págs 367,368.

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ÊNFASES TEOLÓGICAS DE JOÃO

 

Jesus, O Filho de Deus

 

“A encarnação do Filho de Deus revela Sua glória divina àqueles que, a despeito da oposição generalizada, desfrutam graça e verdade mediante a fé em Jesus como a provisão divina para o pecado do mundo 36

PPRÓLOGORÓLOGO