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Miss Sara:

Miss Sara é uma personagem fictícia do livro Os Maias.

Sara é a governanta da família Castro Gomes, uma rapariga inglesa descrita por Eça de Queirós
como "uma pessoa simpática, redondinha e pequena, com um ar de rola farta, os olhos
sentimentais, e uma testa de virgem sob bandós lisos e loiros". Entre suas outras atribuições,
Sara ficava responsável por Rosa quando Maria Eduarda estava fora de casa. Posteriormente, a
jovem conheceu Carlos Eduardo, um médico que socorreu Rosa quando esta ficou doente. Foi
um alívio saber que Carlos falava inglês. Mais tarde, n'A Toca, Carlos descobriu que Miss Sara
não era virgem nenhuma, e que queria o amor de todos os que fossem machos. Contudo, não
revelou isto a Maria Eduarda por medo que ela visse nisto reflectido o seu próprio amor
proibido.

Maria Eduarda:

Caracterização Física

Maria Eduarda era uma bela mulher: alta, loira, bem feita, sensual mas delicada, "com um
passo soberano de deusa", é "flor de uma civilização superior, faz relevo nesta multidão de
mulheres miudinhas e morenas". Era bastante simples na maneira de vestir, "divinamente
bela, quase sempre de escuro, com um curto decote onde resplandecia o incomparável
esplendor do seu colo"

Caracterização psicológica

Podemos verificar que, ao contrário das outras personagens femininas Maria Eduarda nunca é
criticada, Eça manteve sempre esta personagem à distância, a fim de possibilitar o desenrolar
de um desfecho dramático (esta personagem cumpre um papel de vítima passiva). Maria
Eduarda é então delineada em poucos traços, o seu passado é quase desconhecido o que
contribui para o aumento e encanto que a envolve. A sua caracterização é feita
através do contraste entre si e as outras personagens femininas, mas e ao mesmo tempo,
chega-nos através do ponto de vista de Carlos da Maia, para quem tudo o que viesse de Maria
Eduarda era perfeito, "Maria Eduarda! Era a primeira vez que Carlos ouvia o nome dela; e
pareceu-lhe perfeito, condizendo bem com a sua beleza serena."
Uma vez descoberta toda a verdade da sua origem, curiosamente, o seu comportamento
mantém-se afastado da crítica de costumes (o seu papel na intriga amorosa está cumprido), e
esta personagem afasta-se discretamente de "cena".

Vilaça pai:
Vilaça Pai é uma personagem do livro Os Maias, de Eça de Queiroz. Procurador d' Os Maias.
Tem um filho, Vilaça, que, mais tarde, quando morre, é quem ocupa o seu lugar como
administrador d'Os Maias.

Vilaça apresenta uma postura não só de administrador da família Maia, mas também como de
um conselheiro de Afonso da Maia. Exemplo é a situação em que Afonso resolve habitar o
Ramalhete e Vilaça mostra-se opositor desta vontade ao afirmar que o Ramalhete é a fonte
das desgraças dos Maias.

Vilaça pai é um retrato da sociedade da época.

Sr. Guimarães:

Personagem de Os Maias, o Sr. Guimarães usava largas barbas e um grande chapéu de abas à
moda de 1830. Conheceu, em Paris, a mãe de Maria Eduarda, e é talvez a única pessoa viva
que sabe que Maria Eduarda é filha de Pedro da Maia. Era aliás, tão íntimo de Maria Monforte
que esta lhe confiou um cofre contendo documentos que identificavam a filha. É também ele
quem esclarece a confusão que anos antes Tomás de Alencar tinha criado ao relatar por carta
a Afonso da Maia que Maria Monforte tinha no seu boudoir um retrato da filha que lhe
morrera em Londres: essa criança era filha de Tancredo, é a irmãzinha que Maria Eduarda se
lembra de ter tido e que refere como tendo morrido. Guimarães é, portanto, o mensageiro da
trágica verdade que destruirá a felicidade de Carlos e de Maria Eduarda.

Guimarães é tio de Dâmaso Salcede, que fala dele com o seu tio Guimarães, que vive em Paris,
é íntimo de Gambetta e «governa a França».

Reverendo Bonifácio (gato)

Figura da obra Os Maias (1888) de Eça de Queirós, Bonifácio é o velho gato de Afonso da Maia
e o seu fiel companheiro. Este "pesado e enorme angorá branco com malhas louras"
representa, através das suas metamorfoses, desde o tempo em que, nascido em Santa Olávia,
se chamava simplesmente "Bonifácio", até ao momento em que, "dorminhoco e obeso",
merece o epíteto eclesiástico de "Reverendo Bonifácio", a passagem do tempo e os desgastes
que ele provoca. Quando Afonso morre, o miar de Bonifácio é "saudoso como o de uma dor
humana". Algum tempo depois, Bonifácio morre em Santa Olávia, e o procurador Vilaça manda
erigir-lhe um mausoléu debaixo das janelas do quarto de Afonso.

Educação:

http://reverendobonifacionoramalhete.blogspot.pt/search/label/Educa%C3%A7%C3%A3o

http://www.infopedia.pt/$educacao-em-os-maias

http://auladeliteraturaportuguesa.blogspot.pt/2007/12/educao-em-os-maias.html
http://www.notapositiva.com/trab_estudantes/trab_estudantes/portugues/portugues_trabal
hos/os_maias.htm

A EDUCAÇÃO

Temos dois modelos de educação em confronto:

Educação à inglesa: Educação tradicional:


CARLOS EUSEBIOZINHO

¨ Ginástica (pp. 54, 58, 66) ¨ Permanência em casa (pp. 68-69)

¨ Rigor, método, ordem (pp. 56-57, 73- ¨ Contacto com velhos livros (pp. 68-69)
74)
¨ Mimos e demasiada protecção por parte
¨ Contacto com a Natureza (pp. 57) da mamã e da titi (pp. 73, 76, 78)

¨ Convivência com as crianças da ¨ Valorização da memorização (pp. 75-


aldeia (p. 59) 76, 78)

¨ Submissão da vontade ao dever (pp. ¨ Chantagem afectiva para subornar a


61-62, 73-74) vontade (p. 76)

¨ Prioridade dada ao desenvolvimento ¨ Papel (des)educativo da poesia ultra-


físico (p. 63) romântica (p. 76)

¨ Aprendizagem das línguas vivas (p. ¨ Cartilha e latim como bases da


64) educação (p.78)
¨ Religião e moral consideradas ¨ Religião considerada fundamental
secundárias (pp. 66-67, 75)
¨ Prioridade dada ao desenvolvimento
¨ Rigor nos princípios (pp. 67-68) intelectual

¨ Valorização da criatividade e da
imaginação (pp. 71-72)

Em relação à educação tradicional, os aspectos negativos tendem a ser mais realçados durante a infância
(principalmente através do contraste entre Eusebiozinho e Carlos)

Quanto à educação à inglesa, só o passar do tempo se encarrega de revelar os seus efeitos nocivos,
nomeadamente através da história amorosa de Carlos.

Comparativamente, Pedro, Eusebiozinho e Carlos têm um traço comum: todos eles falharam na vida:

Þ A demasiada protecção feminina durante a infância e os impulsos românticos da adolescência


provocaram em Pedro um amolecimento de carácter, que contribuiu para uma vida arrebatada de
paixões e que culminou num final ultra-romântico: o suicídio. Pedro falhou no amor, na paixão e na
vida.

Þ O “prodígio”, Eusebiozinho, acaba por não ter o futuro brilhante e digno que aparentemente se
previa; antes mostrou a sua moleza de carácter.

Þ Carlos falhou igualmente na vida e no amor.

Embora, em adultos, Carlos e Eusébio contrastem vivamente na figura (o primeiro é alto, esbelto,
elegante, vestindo pelo melhor figurino, e o segundo tem todo um aspecto reles), feito o balanço ao
resultado educacional, pouco diferem: os amores de Eusébio, pelos antros de perdição (com espanholas
baratas) e os amores incestuosos de Carlos, subvertendo as leis da moral.
Afonso serve de ponto de referência a esta análise, dado que acompanha a educação do filho e do neto.
Pedro e Carlos foram sujeitos a dois tipos de educação opostos, cujos progressos foram conduzidos e
vigiados por Afonso (e cujas consequências também ele sofreu). Contudo, Afonso atribui a si as culpas do
“falhanço” na educação de Pedro e procura “corrigir o erro”, ministrando outro tipo de educação ao neto. A
educação de Carlos não só lhe alivia o sofrimento, como o faz reviver, transformando-o num “patriarca
feliz” (ver p. 56).

Apesar dos benefícios, a educação de Carlos suscita várias opiniões (Cf. O padre Custódio e o Vilaça,
que parece pesar os prós e os contras). Aquela educação mostrou a sua vertente mais fraca: a falta da
componente religiosa.

A figura modelar de Afonso jamais é posta em causa, permanecendo à margem de quaisquer acusações.
Através da educação, Afonso tudo fez para evitar que a desgraça do filho se repetisse no neto, mas não o
conseguiu. Contudo, Afonso não falha: antes morre com dignidade, vítima da incompatibilidade dos
valores que representa com a realidade imoral que se lhe sobrepõe: a desgraça de Carlos (Cf. p. 646)

A marca pedagógica que opõe dois conceitos educativos impõe-se neste capítulo, definindo à partida o
jogo de forças que estrutura a acção central, tanto ao nível da crónica de costumes em que a educação “à
portuguesa” é responsável pela degradação social nos seus valores culturais e morais, como da própria
intriga, cujo protagonista uma educação “à inglesa” distingue nesses mesmos valores. Explora ainda uma
visão negativa de certa elite social provinciana, ancorada em princípios de religiosidade e preconceito
retrógrados. Por outro lado funciona, ao nível de intriga central, como elemento de ironia trágica de um
destino ameaçador, pela morte aparente da filha de Pedro Maia e de Maria Monforte, o que nos remete
para Édipo, cuja morte fora ordenada por seus pais Jocasta e Laio para evitarem o destino que lhes
estava predito e a qual, cumprido o destino, se verificara não ter sido efectuada.

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