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Direito Civil - 2 o ano

DA MORA

1. Conceito.
- circunstância que acompanha o pagamento: tempo.
- quando o devedor não efetua o pagamento ou o credor recusa
recebê-lo no tempo, forma e lugar que a lei ou a convenção
estabelecer, está em mora - art. 394 CC.
- tanto o devedor como o credor pode incorrer em mora.
- mora do devedor = mora debendi ou mora solvendi
- mora do credor = mora credendi ou mora accipiendi
- apesar do atraso, a prestação ainda seria possível e útil, quando
o prazo é acidental = MORA.
- outras vezes a falta do cumprimento da obrigação, a
impossibilidade ou inutilidade da prestação tornam imprestável o
seu cumprimento retardado porque somente era útil e proveitosa
em dado momento, ocorrendo, então, o verdadeiro
inadimplemento total, quando o prazo é essencial.
- MORA = retardação em solver ou no receber + um fato
humano, intencional ou não, gerador da demora na execução.
2. Mora solvendi ou debendi.
- ausência de pagamento oportuno da parte do devedor.
- exigibilidade da obrigação,
- inexecução culposa,
- constituição em mora.
*exigibilidade imediata pressupõe a liquidez e a
certeza.
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- certa é a prestação caracterizada por seus elementos


específicos.
- líquida é a prestação que além da certeza do débito, está
apurado o seu montante ou individuada a prestação.
- imediatismo da exigibilidade verifica-se com o seu
vencimento, uma vez que, na pendência de condição suspensiva,
ou antes de termo final, não é possível a incidência de mora.
- culpa do devedor é elemento essencial - art. 396.
- art. 399 CC - o devedor em mora presume-se culpado pela
impossibilidade da prestação.
- presunção iuris tantum.
- cabe ao devedor evidenciar que o atraso lhe foi imposto
por um acontecimento cujos efeitos não teve condições de evitar
ou impedir.
- CONSTITUÍDO O DEVEDOR EM MORA E POSITIVADA -
efeitos:
a) a responsabilidade pelas perdas e danos
b) a perpetuação da obrigação.
- art. 395 CC - devedor fica obrigado a indenizar o credor pelo
dano que o atraso lhe causar, seja mediante o pagamento dos
juros moratórios legais ou convencionais, seja ressarcindo o que
a retardação tiver gerado.
- indenização moratória = não é substitutiva da prestação
devida. Deve ser reclamada juntamente com ela.
*se a prestação se tornar inútil para o credor, em
razão da mora do devedor, tem ele o direito de exigir a
satisfação das perdas e danos completa, mediante a conversão da
res debita no seu equivalente pecuniário.
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- perpetusatio obligationis - art. 399 CC: ainda que a


impossibilidade decorra de caso fortuito ou de força maior.
*poderá ocorrer que o dano se daria mesmo que a obrigação
fosse oportunamente cumprida. Cabe ao devedor a comprovação,
com o que ficará exonerado das conseqüências da mora.
3. Mora accipiendi ou credendi.
- ocorre quando existe para o credor o dever de recebimento em
determinada oportunidade e ele atrasa o recebimento devido.
- muitas vezes falta ao credor a obrigação de receber, MAS
existe o dever negativo de não opor a que o devedor se libere do
vínculo obrigacional.
- o retardamento injustificado no recebimento equivale à recusa.
Cabe ao devedor constituir o credor em mora (também, qualquer
terceiro que tenha a faculdade de efetuar pagamento válido).
- enquanto não há dívida vencida e exigível não há que
falar-se em direito do devedor de libertar-se dela. Mesmo que o
vencimento seja instituído em benefício do devedor, a
antecipação do pagamento não pode ser imposta ao credor, com a
conseqüente constituição em mora.
- o devedor tem a faculdade de desobrigar-se no tempo,
lugar e modo devido e não pode sofrer as conseqüências da
omissão do credor.
- oferecida a prestação, se o credor não aceita, incorre em
mora, salvo se a recusa tiver motivo justificado.

- EFEITOS:
a) isenção de responsabilidade do devedor pela conservação
da coisa, cujos riscos assume.
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- perecendo ou deteriorando-se o objeto, o credor em


mora sofre-lhe a perda ou tem de recebê-lo no estado em que se
encontra, sem o direito a qualquer abatimento ou indenização.
- se o devedor tiver feito despesas para conservação
da coisa, deve o credor ressarci-las.
- art. 400 CC.
b) liberação dos juros e da pena convencional.
- não fica caracterizada a mora accipiendi sem oferta da res
debita ao credor. Deve ficar devidamente comprovada a efetiva
oferta de pagamento pelo devedor e a recusa injustificada do
credor.
- dívida querable e dívida portable - grande importância para a
determinação da mora solvendi ou mora accipiendi = se a dívida
é quesível, cabe ao credor ir cobrar (ir buscar a prestação no
domicílio do devedor); se é portável, tem o devedor o dever de
levar a prestação ao credor.
4. Purgação e cessação da mora.
- quando a prestação é aproveitável (mesmo depois de vencido o
prazo para o cumprimento), ou não é conjugada com a rescisão
do negócio jurídico, tanto a mora solvendi como a mora
accipiendi se purgam - art. 401 CC.
- termo essencial e termo acidental (ou não essencial) = se
a prestação é aproveitável ou não ao credor.
- será inadmissível a purgação da mora quando o atraso se
confundir com a inexecução completa.
- também: quando o retardamento tiver como conseqüência
a resolução da obrigação.
- na mora solvendi - para purgar a mora = o devedor oferecerá a
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prestação, mais a importância dos prejuízos decorrentes até o dia


da oferta, abrangendo juros moratórios e o dano emergente para
o credor, acrescida daquilo que ele razoavelmente deixou de
ganhar, se a solutio fosse cumprida no vencimento.
- na mora accipiendi - o credor se oferece para receber a coisa
no estado em que se encontrar, com todas as conseqüências dela.
*depois de consumada a mora deve ser observado se é
possível a reparação do dano do descumprimento, porque se não
for possível não cabe mais purgação, sofrendo o causador, os
efeitos do inadimplemento.
- ocorrendo a pugarção da mora, não se apagam os seus efeitos
pretéritos, ou já produzidos.
5. Constituição em mora.
- é essencial para a caracterização do atraso a constituição em
mora tanto para o credor como para o devedor.
- a mora pode ser: ex re ou ex persona.
a) mora ex persona - na falta de termo certo para a
obrigação; não haverá mora automaticamente constituída. Ela
começará da interpelação que o interessado promover, e seus
efeitos produzir-se-ão ex nunc (do dia da intimação - art. 397,
parágrafo único CC).
b) mora ex re - imposta legalmente, independentemente de
provocação da parte a quem interessa, nos casos especialmente
previstos.
- obrigações negativas: o devedor estará em mora
desde o dia em que executar o ato que deveria abster-se - art.
390 CC.
- obrigações provenientes de ato ilícito: considera-se
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o devedor em mora desde que o cometeu - art. 398 CC.


- obrigação positiva e líquida no seu termo
(vencimento) - a falta da solutio no prazo determinado, constitue
de pleno direito o devedor em mora - art. 397 caput CC.
*casos em que é necessário a interpelação do
devedor: promessa de compra e venda.
*casos de dívida quesível, em que o credor não
vai buscar, ou não manda buscar a prestação.
- antes do CC 2002 = as obrigações mercantis exigiam a
interpelação. Atualmente, adotou-se a mora ex re para todas as
obrigações positivas, líquidas e a termo.