Você está na página 1de 59

Técnicas de Controle – CGU

1. CONTROLE EXTERNO

ESPÉCIES E MODALIDADES DE CONTROLE SOBRE A ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA:

1. Quanto à natureza jurídica do controlador:

a) controle administrativo: poder-dever do administrador de rever seus atos.


Realizado pela própria administração.
b) controle parlamentar: também denominado controle externo, desdobra-se em
duas vertentes: o controle político, realizado pelas Casas Legislativas em
função da garantia dos interesses superiores do Estado e da comunidade e o
controle técnico, que abrange a fiscalização contábil, financeira e
orçamentária, exercido com o auxílio dos tribunais de contas, no caso do
Brasil.
c) controle judicial: exercido pelo Poder Judiciário, que pode declarar a nulidade
do ato.

2. Quanto ao objeto:

a) controle de legalidade (ou de conformidade): verifica a conformidade do ato


administrativo ou dos demonstrativos contábeis, com as normas que o regem.
É exercitável pelos três Poderes, cabendo apenas assinalar que, ao passo
em que é exercido de ofício no Executivo, no Legislativo e no Judiciário
condiciona-se, respectivamente, à previsão constitucional e a propositura da
ação pertinente.
b) controle de mérito: afere o atingimento de metas, com base em parâmetros
de conveniência e oportunidade do ato praticado. Esse controle é privativo da
Administração.
c) controle de gestão: controle eminentemente finalístico. Tem por objeto
verificar o desempenho da administração, em termos de produtividade,
gestão etc. Em síntese, consiste no controle de resultados. Em regra, é
praticado pelo Executivo, estando previsto o seu exercício também pelo
controle externo, de titularidade do Poder Legislativo.

3. Quanto ao momento em que se realiza:

a) prévio: realiza-se antes do aperfeiçoamento do ato administrativo, como sua


condicionante.
b) concomitante: efetua-se durante a implementação da medida ou do ato. Tem
por objetivo verificar a regularidade de sua formação.
c) subseqüente ou a posteriori: é realizado após concluída a prática do ato ou
adoção da medida. É também denominado de controle corretivo, pois visa
corrigir eventuais defeitos do ato ou até mesmo declarar a sua nulidade.

4. Quanto ao modo de desencadear-se ou à forma de instauração:

a) controle de ofício: É aquele exercido por iniciativa do próprio agente.


b) controle por provocação: É realizado em atendimento a solicitações de
pessoas, entidades ou associações.

Preparado por Marcelo Aragão 1


Técnicas de Controle – CGU

5. Quanto à localização do órgão controlador:

a) controle interno: compreendendo o controle administrativo do próprio


administrador/gestor e aquele exercido pelo sistema de controle interno
estabelecido no art. 74 da Constituição Federal, no caso do Brasil.
b) controle externo: aquele exercido por órgão não pertencente a estrutura
administrativa do controlado. O controle externo pode ser exercido pelo Poder
Judiciário e pelo Poder Legislativo.

MODELOS DE CONTROLE EXTERNO

Segundo classificação adotada por alguns autores, podemos classificar o controle


externo legislativo ou parlamentar em cinco tipos principais: anglo-saxônico, latino,
germânico, escandinavo e latino-americano.

Modelo anglo-saxônico – utilizado na Grã-Bretanha, nos Estados Unidos, na


Irlanda, em Israel e em outros Estados de colonização anglo-saxônica da África e da Ásia.
Compõe-se de um órgão monocrático (controlador-geral), auxiliado por um órgão revisional,
que a ele se subordina hierarquicamente. Este órgão é indicado pelo Parlamento, devendo a
ele reportar-se em relação aos resultados de sua atuação.

Modelo Latino – compõe-se de um órgão colegiado incumbido de funções de


controle e funções jurisdicionais. Em regra, exerce apenas o controle de legitimidade. É o
modelo adotado na Itália, França, Bélgica, Romênia e vários Estados francófonos africanos.

Modelo Germânico – adotado nas Repúblicas Federais da Alemanha e da Áustria.


Neste modelo o órgão de controle possui estrutura colegiada, com garantias de
independência judiciária asseguradas aos seus integrantes. Exerce apenas atribuições de
controle e algumas de natureza consultiva, em relação ao Parlamento e ao Governo.

Modelo Escandinavo – O controle exerce-se por meio de uma série de órgãos,


entre os quais os revisores parlamentares e o ofício de revisão. Os primeiros detêm funções
de controle sobre a execução do orçamento e são nomeados, normalmente em número de
cinco, a cada legislatura. O ofício de revisão tem competência exclusiva para verificar a
eficácia administrativa e propor medidas corretivas dos problemas apontados.

Modelo Latino-americano – O controle externo é exercido pelas Controladorias


Gerais ou pelos Tribunais de Contas, como é o caso do Brasil. Distintamente do modelo
latino, em que o contencioso administrativo é proposto perante corpo de magistrados não
integrantes do Poder Judiciário, que dizem o direito com força de coisa julgada, os Tribunais
de Contas e as Controladorias não têm competências jurisdicionais e estão situados dentro
da órbita do Poder Legislativo.

Distinção entre Auditorias Gerais ou Controladorias e Tribunais de Contas

AUDITORIAS-GERAIS (Modelo Anglo- TRIBUNAIS DE CONTAS (Latino ou latino-


Saxônico) americano)
 órgãos singulares  órgãos colegiados
 subordinação ao Parlamento  vinculação ao Parlamento ou
 dirigentes com mandato integração ao Judiciário
 decisões sem força cogente ou  membros equiparados a magistrados
sancionadora  decisões de caráter sancionador

Preparado por Marcelo Aragão 2


Técnicas de Controle – CGU

CONTROLE EXTERNO NO BRASIL

Quem realiza o controle externo é o Congresso Nacional, com o auxílio do TCU


(Constituição Federal, arts. 70 e 71). Ou o Poder Legislativo, com o auxílio dos tribunais de
contas, considerando estados e municípios.

O artigo 70 da CF ressalta a necessidade e a importância do controle e define o


alcance da fiscalização a ser exercida pelo controle externo e pelos sistemas de controle
interno de cada poder, como segue:

Art. 70 – A Fiscalização contábil, financeira, orçamentária, operacional e


patrimonial da União e das entidades da administração direta e indireta, quanto
à legalidade, legitimidade, economicidade, aplicação das subvenções e
renúncia de receitas, será exercida pelo Congresso Nacional, mediante
controle externo, e pelo sistema de controle interno de cada poder.

Parágrafo único. Prestará contas qualquer pessoa física, ou jurídica, pública ou


privada, que utilize, arrecade, guarde, gerencie ou administre dinheiros, bens e
valores públicos ou pelos quais a União responda, ou que, em nome desta,
assuma obrigações de natureza pecuniária.

ART. 70 DA C0NSTITUIÇÃO FEDERAL

Contábil Legalidade

Financeira
Legitimidade
FISCALIZAÇÃO Da União
EXERCIDA PELO CN e das
(CONTROLE EXTERNO) Orçamentária Entidades
E Economicidade
da
PELO SCI DE Adm. Direta
CADA PODER e
Aplicação
Patrimonial Indireta
Subvenções

Renúncia de
Operacional
Receitas

Fiscalização contábil – relacionada à aplicação dos recursos públicos conforme as


técnicas contábeis;

Fiscalização financeira – relacionada ao fluxo de recursos (ingressos e saídas)


geridos pelo administrador, independente de serem ou não recursos orçamentários.

Fiscalização orçamentária – relacionada à aplicação dos recursos públicos,


conforme as leis orçamentárias, acompanhando a arrecadação dos recursos e a aplicação.

Fiscalização operacional - relacionada à verificação do cumprimento de metas,


resultados, eficácia e eficiência da gestão dos recursos públicos.

Preparado por Marcelo Aragão 3


Técnicas de Controle – CGU

Fiscalização patrimonial – relacionada ao controle, salvaguarda, conservação e


alienação de bens públicos.

A análise de todos esses aspectos da gestão é realizada levando-se em conta a:

a) legalidade – aderência da aplicação dos recursos ao ordenamento jurídico


(Constituição,leis, decretos, normas etc.).

b) legitimidade – pressupõe a aderência, além da legalidade, à moralidade e à ética,


ou seja, se atendeu ao interesse público. Nenhum ato pode ser legítimo se não for legal,
porém, pode ser legal e agredir a legitimidade.

c) economicidade – minimização dos custos incorridos com os gastos públicos.


Deve-se observar se os preços dos produtos adquiridos estão de acordo com o preço de
mercado.

d) aplicação de subvenções – aplicação dos recursos públicos transferidos a


entidades públicas ou privadas para determinadas despesas ou fins.

e) renúncia de receitas – são benefícios tributários e fiscais para incentivo a


determinado setor ou atividade, como isenção fiscal, redução de base de cálculo ou de
alíquota de tributos etc.

Em síntese, quanto aos aspectos objetivos, o controle abrange todas as atividades


administrativas desenvolvidas pelo poder público que impliquem receitas, despesas e
nascimento ou extinção de direitos ou obrigações, e os aspectos avaliados: legalidade,
legitimidade, economicidade e cumprimento de resultados de programas de trabalho.

Assim, praticam os Tribunais de Contas o controle de legalidade e o de gestão (de


resultados ou operacional). Quanto ao controle de mérito do ato administrativo, em regra
não compete aos Tribunais, entretanto, pode o Tribunal de Contas, em certos casos, avaliar
aspectos de discricionariedade dos atos quanto à razoabilidade e proporcionalidade e outros
princípios.

Quanto à forma de instauração, existem instrumentos de controle de iniciativa do


próprio Tribunal (de ofício), como as auditorias, inspeções e representações das áreas
técnicas do Tribunal, e ações provocadas, por solicitações do Congresso, por
representações de terceiros ou por denúncias.

Os aspectos subjetivos da ação fiscalizadora do controle externo estão postos no


parágrafo único do art. 70 da CF. São todas as pessoas físicas, ou jurídicas, públicas ou
privadas, sujeitas à jurisdição ou ao alcance do TCU, desde que UTILIZEM, ARRECADEM,
GUARDEM, GERENCIEM OU ADMINISTREM bens e valores públicos. Portanto, pessoas
ou empresas privadas ou que não pertençam à Administração Pública também são
passíveis de ser fiscalizadas pelo TCU, em certos casos.

NATUREZA JURÍDICA DO TCU

O Tribunal de Contas é um órgão constitucional dotado de autonomia administrativa


e financeira, sem qualquer relação de subordinação com os Poderes Executivo, Legislativo
e Judiciário. O TCU é órgão administrativo autônomo vinculado ao Poder Legislativo. O TCU
não está subordinado ao Legislativo e não é órgão auxiliar do Congresso Nacional, mas sim
presta auxílio ao Congresso no controle da Administração Pública, portanto, é mais correto
falar-se que o TCU é órgão de colaboração aos Poderes.

Preparado por Marcelo Aragão 4


Técnicas de Controle – CGU

O art. 71 da CF assinala que o controle externo, a cargo do Congresso Nacional,


será exercido com o auxílio do TCU. O titular do controle externo é o Congresso, mas a
própria CF/88 delegou a maior parte do poder controlador ao TCU (competências privativas
do Tribunal), quais sejam:
I - apreciar as contas prestadas anualmente pelo Presidente da República, mediante
parecer prévio que deverá ser elaborado em sessenta dias a contar de seu recebimento;

II - julgar as contas dos administradores e demais responsáveis por dinheiros, bens e


valores públicos da administração direta e indireta, incluídas as fundações e sociedades
instituídas e mantidas pelo Poder Público federal, e as contas daqueles que derem
causa a perda, extravio ou outra irregularidade de que resulte prejuízo ao erário público;

III - apreciar, para fins de registro, a legalidade dos atos de admissão de pessoal, a
qualquer título, na administração direta e indireta, incluídas as fundações instituídas e
mantidas pelo Poder Público, excetuadas as nomeações para cargo de provimento em
comissão, bem como a das concessões de aposentadorias, reformas e pensões,
ressalvadas as melhorias posteriores que não alterem o fundamento legal do ato
concessório;

IV - realizar, por iniciativa própria, da Câmara dos Deputados, do Senado Federal, de


Comissão técnica ou de inquérito, inspeções e auditorias de natureza contábil,
financeira, orçamentária, operacional e patrimonial, nas unidades administrativas dos
Poderes Legislativo, Executivo e Judiciário, e demais entidades referidas no inciso II;

V - fiscalizar as contas nacionais das empresas supranacionais de cujo capital social


a União participe, de forma direta ou indireta, nos termos do tratado constitutivo;

VI - fiscalizar a aplicação de quaisquer recursos repassados pela União mediante


convênio, acordo, ajuste ou outros instrumentos congêneres, a Estado, ao Distrito
Federal ou a Município;

VII - prestar as informações solicitadas pelo Congresso Nacional, por qualquer de


suas Casas, ou por qualquer das respectivas Comissões, sobre a fiscalização contábil,
financeira, orçamentária, operacional e patrimonial e sobre resultados de auditorias e
inspeções realizadas;

VIII - aplicar aos responsáveis, em caso de ilegalidade de despesa ou irregularidade


de contas, as sanções previstas em lei, que estabelecerá, entre outras cominações,
multa proporcional ao dano causado ao erário;

IX - assinar prazo para que o órgão ou entidade adote as providências necessárias


ao exato cumprimento da lei, se verificada ilegalidade;

X - sustar, se não atendido, a execução do ato impugnado, comunicando a decisão à


Câmara dos Deputados e ao Senado Federal;

XI - representar ao Poder competente sobre irregularidades ou abusos apurados.

A natureza jurídica da decisão/julgamento do TCU é administrativa. Compete


aos Tribunais o julgamento de condutas funcionais, não de pessoas. Os Tribunais de Contas
não têm competência jurisdicional, pois somente o Judiciário possui esta competência.

As deliberações do TCU fazem coisa julgada administrativa, não cabendo ao


Judiciário revê-las quanto ao mérito, ou seja, não cabe ao Judiciário julgar as contas
substituindo o TCU. Porém, há possibilidade de revisão pelo Judiciário quanto à

Preparado por Marcelo Aragão 5


Técnicas de Controle – CGU

legalidade e formalidade, podendo desconstituí-las por irregularidade formal ou ilegalidade


manifesta.

Impossibilidade revisão pelo Legislativo. O Poder Legislativo não tem


competência para rever as decisões dos Tribunais de Contas, seja quanto ao mérito seja
quanto à legalidade.

Eficácia de título executivo. A decisão do Tribunal de que resulte imputação de


débito ou cominação de multa, torna a dívida líquida e certa e tem eficácia de título
executivo. Significa que para ser executada não precisa de inscrição em dívida ativa ou
outra formalidade. Entretanto, é de natureza extra-judicial, devendo ser executada
judicialmente.

FUNÇÕES BÁSICAS E COMPETÊNCIAS DO TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO

1. Fiscalizadora:

Atos de admissão de pessoal e de aposentadorias;


Convênios com Estados, Municípios e DF;
Bens e rendas de autoridades públicas;
Subvenções;
Renúncias de receitas;
Entrega das cotas do FPE, do FPM, do IPI – exportações e da CIDE;
Desestatização;
Avaliação de programas;
Recursos do COB e do CPB;
Despesas com pessoal (inclusive cálculo de limites), endividamento público e
receitas;
Alcance das metas da LDO, de metas fiscais e de metas físicas de
programas;
Limites e condições de operações de crédito e de inscrição em restos a
pagar;
Medidas para retorno aos limites da despesas com pessoal e endividamento;
Recursos de alienação de ativos;
Relatórios de Gestão Fiscal e Relatórios Resumidos de Execução
Orçamentária.

2. Consultiva:

Parecer Prévio sobre contas do Presidente da República e dos Chefes dos


Poderes Legislativo e Judiciário e do Ministério Público;
Parecer prévio sobre contas de território federal;
Consultas sobre assuntos de competência do Tribunal;
Parecer sobre regularidade de despesas, por solicitação da Comissão Mista
de Orçamento.

3. Informativa:

Informações ao Congresso Nacional sobre fiscalizações efetuadas;


Representação sobre irregularidades;
Relatórios de atividades para o Congresso Nacional;
Página na Internet sobre contas públicas;

Preparado por Marcelo Aragão 6


Técnicas de Controle – CGU

Lista de inelegíveis;
Alertas sobre ultrapassagem de 90% dos limites de gastos com pessoal,
endividamento, operações de crédito e concessão de garantias;
Alerta sobre ultrapassagem do limite de gastos com inativos e pensionistas;
Alertas sobre fatos que comprometam custos ou resultados de programas e
indícios de irregularidades;
Informação à Comissão Mista de Orçamento sobre a possibilidade de frustração
de previsão de receita;
Alerta sobre a possibilidade de limitação de empenho e de movimentação
financeira em decorrência de frustração de receita.

4. Judicante:

Contas dos responsáveis por bens e valores públicos;


Contas dos responsáveis por prejuízos ao Erário;
Infrações decorrentes da não publicação de Relatório de Gestão Fiscal, da
elaboração de anteprojeto de LDO sem metas fiscais, da inobservância de
limitação de empenho ou movimentação financeira ou por falta de adoção de
medidas para redução de despesas de pessoal.

5. Sancionadora:

Recolhimento de débitos;
Multa proporcional ao débito imputado;
Multa por irregularidade, por descumprimento de determinação ou por obstrução
a auditoria ou inspeção;
Multa por não publicação de Relatório de Gestão Fiscal, por elaboração de
anteprojeto de LDO sem metas fiscais, por inobservância de limitação de
empenho ou movimentação financeira ou por falta de adoção de medidas para
redução de despesas de pessoal;
Declaração de inabilitação para exercício de função comissionada;
Declaração de inidoneidade para licitar;
Afastamento provisório do cargo por obstrução a auditoria ou inspeção;
Decretação da indisponibilidade de bens;
Determinação à Advocacia-Geral da União para arresto de bens;
Inelegibilidade.

6. Corretiva:

Fixação de prazo para adoção de providências;


Sustação de ato irregular, exceto de contrato (Congresso Nacional – 90 dias);
Recomendações e determinações.

7. Normativa:

Expedição de atos normativos, de cumprimento obrigatório, sobre matérias de


sua competência (poder regulamentar);
Fixação de coeficientes do FPE e do FPM, do IPI – exportações e da CIDE.

8. Ouvidoria:

Denúncia feita por cidadão, partido político, associação civil ou sindicato;


Representação feita pelo controle interno;

Preparado por Marcelo Aragão 7


Técnicas de Controle – CGU

Representação sobre irregularidade em licitação ou contrato administrativo;


Representação sobre ausência de divulgação de transferência voluntária federal.

Algumas Competências do TCU segundo o STF

Súmula 347 do STF

“ O Tribunal de Contas, no exercício de suas atribuições, pode apreciar a


constitucionalidade das leis e dos atos do Poder Público”

Observação: O TCU não pode determinar a inconstitucionalidade, mas entendendo


que a lei é inconstitucional decide o caso concreto com base neste entendimento,
apresentando recomendações e/ou determinações às autoridades administrativas
competentes.

Mandado de Segurança 23.550 – Competência para determinar a anulação de


contrato.

“ O Tribunal de Contas da União – embora não tenha poder para anular ou


sustar contratos administrativos – tem competência, conforme o art. 71, IX,
para determinar à autoridade administrativa que promova a anulação do
contrato e, se for o caso, da licitação de que se originou”

Mandado de Segurança 24.510 – competência para prolatar decisões de natureza


cautelar.

“O Tribunal de Contas da União tem competência para fiscalizar


procedimentos de licitação, determinar a suspensão cautelar (artigos 4° e
113, § 1° e 2° da Lei n° 8.666/93), examinar editais de licitação publicados e,
nos termos do art. 276 do seu Regimento Interno, possui legitimidade para a
expedição de medidas cautelares para prevenir lesão ao erário e garantir a
efetividade de suas decisões”

JURISDIÇÃO DO TCU (Artigos 4° e 5° da Lei Orgânica)

Todo território nacional;

Qualquer pessoa física ou jurídica, pública ou privada que utilize, arrecade, guarde,
gerencie ou administre dinheiros, bens e valores públicos ou pelos quais a União
responda ou que, em nome desta, assuma obrigações de natureza pecuniária.

 A jurisdição alcança pessoas físicas ou jurídicas, inclusive sociedades


privadas, nacionais ou estrangeiras, desde que arrecadem, guardem,
gerenciem ou administrem dinheiros, bens e valores públicos. Essas pessoas
têm o dever constitucional de prestar contas dos recursos públicos.

Aqueles que derem causa a perda, extravio ou outra irregularidade de que resulte
dano ao erário.

 O TCU somente julgará, em tomada de contas especial, as contas daqueles


que derem causa a perda, extravio ou outra irregularidade de que resulte
prejuízo ao erário quando for agente público, independentemente de ter ou
não o dever de prestar contas ordinárias, ou o particular, quando houver

Preparado por Marcelo Aragão 8


Técnicas de Controle – CGU

solidariedade com o agente público, ou seja, quando praticar ato ilícito em


conjunto ou conluio com o agente público.
 Não caberá ao TCU tomar contas (TCE) de licitante contratado pela
Administração, que descumpriu cláusula contratual, a menos que tenha
praticado ilícito em conjunto com agente público.
 No entanto, o licitante fraudador é alcançado pela jurisdição do TCU, que
poderá declarar a sua inidoneidade para participar, por até cinco anos, de
licitação na Administração Pública Federal.
 Não caberá ao TCU tomar contas (TCE) do particular contratante com órgão
ou entidade do Poder Público quando descumpre cláusula contratual
legitimamente acordada (ex: correntista).
 Não caberá atuação do TCU quando o particular, sem nenhuma relação
contratual com o serviço público, cause dano ao Erário. O Estado deverá
acioná-lo judicialmente.
 OU SEJA, O TCU NÃO É DEFENSOR INCONDICIONAL DO ERÁRIO. NÃO
É TODO DANO QUE ESTÁ SOB A JURISDIÇÃO DO TCU.

Os dirigentes de empresas públicas e sociedades de economia mista constituídas


com recursos da União.

Os dirigentes ou liquidantes das empresas encampadas ou sob intervenção ou que,


de qualquer modo, venham a integrar, provisória ou permanentemente, o patrimônio
da União ou de outra entidade federal.

Os responsáveis pelas contas nacionais das empresas supranacionais de cujo


capital social a União participe, de forma direta ou indireta, nos termos do tratado
constitutivo.

Os responsáveis por entidades dotadas de personalidade jurídica de direito privado


que recebam contribuições parafiscais e prestem serviço de interesse público ou
social.

 Sindicatos (em função de que a contribuição sindical tem natureza tributária) e


serviços sociais autônomos (SESC, SEBRAE).
 Os Conselhos de Fiscalização Profissional, apesar de receberem
contribuições parafiscais e prestarem serviço de interesse público, são
autarquias, portanto, estão sujeitos à ação fiscalizadora do TCU não por este
dispositivo, mas por aquele que vincula as entidades públicas que arrecadem
ou gerenciem recursos públicos. Os Conselhos foram dispensados de prestar
contas anuais ao Tribunal.

 Todos aqueles que lhe devam prestar contas ou cujos atos estejam sujeitos à sua
fiscalização por expressa disposição de lei.

 Royalties do petróleo e gás a Estados e Municípios: MS 24312-RJ –


atribuiu essa competência aos Tribunais de Contas dos Estados e
Municípios (Não compete mais ao TCU a sua fiscalização)
 Organizações sociais (Lei 9.637/98 e disposições normativas do TCU –
prestam contas ao Tribunal)
 Fundações de Apoio – alcançadas pelo TCU, mas dispensadas de
prestar contas
 Os Comitês Olímpico Brasileiro e Para-Olímpico enquadram-se nesta
hipótese, em função de lei Agnelo/Piva direcionar recursos da loteria a
essas entidades para financiar os esportes e prever a atuação

Preparado por Marcelo Aragão 9


Técnicas de Controle – CGU

fiscalizadora do TCU. Sujeitam-se à atuação fiscalizadora do TCU mas


não prestam contas ordinárias ao Tribunal

Os responsáveis pela aplicação de quaisquer recursos repassados pela União,


mediante convênio, acordo, ajuste ou outros instrumentos congêneres, a Estado, ao
Distrito Federal ou a Município.

 A regra é a seguinte – recursos do orçamento federal repassados pela


União a estados e municípios voluntariamente são alcançados pelo
dever de prestar contas e pela ação fiscalizadora do TCU
 Recursos repassados por força de lei, vai depender do caso.
 FPE e FPM, não cabe a ação fiscalizadora do TCU, pois esses
recursos pertencem aos estados e municípios. O TCU apenas calcula
as quotas e fiscaliza a entrega dos recursos pela União.

Os sucessores dos administradores e responsáveis, até o limite do valor do


patrimônio transferido.

 A reparação do dano transmite-se aos herdeiros, até o limite do


patrimônio transferido, mas não se transfere o dever de prestar contas
e a obrigação de pagar a multa, pois é personalíssima, ante o seu
caráter punitivo.

Representantes da União em conselhos fiscais e de administração das estatais.

Conclusões:

Não é todo dano que está sob a jurisdição do TCU


Para que haja jurisdição do TCU é necessária a presença de bens ou
recursos públicos federais
As entidades jurídicas de direito privado estão alcançadas pela jurisdição
do TCU quando utilizem ou guardem bens e recursos públicos ou quando
cometam ato ilícito em conjunto com agente público
Agente público que cometa ilícito envolvendo bens e recursos públicos
federais está alcançado pelo TCU, independente de ter a obrigação de
prestar contas ordinárias ou anuais.

Preparado por Marcelo Aragão 10


Técnicas de Controle – CGU

O PROCESSO DE CONTAS NO TCU

Disposições Constitucionais e legais

O ato de prestar contas decorre do disposto no parágrafo único do art. 70 da CF, que
assim estabelece:

“Prestará contas qualquer pessoa física ou jurídica, pública ou privada, que utilize,
arrecade, guarde, gerencie ou administre dinheiros, bens e valores públicos ou pelos
quais a União responda, ou que, em nome desta, assuma obrigações de natureza
pecuniária.”

A competência do TCU para o julgamento das contas está definida no art. 71, II:

“ II – julgar as contas dos administradores e demais responsáveis por dinheiros, bens


e valores públicos da administração direta e indireta, incluídas as fundações e
sociedades instituídas e mantidas pelo Poder Público Federal, e as contas daqueles
que derem causa a perda, extravio ou outra irregularidade de que resulte prejuízo ao
erário público;”

A lei nº 8.443/92 também define a competência do TCU para julgar as contas, assim
como o seu Regimento Interno.

Atos Normativos do TCU relativos aos processos de Tomada e Prestação de Contas

- Instrução Normativa TCU nº 47, de 27 de outubro de 2004, alterada pelas IN n° 51,


de 6/12/06 e IN n° 54, de 19/9/07.
Estabelece normas de organização e apresentação de processos de tomada e prestação
de contas.
- Instrução Normativa TCU nº 56, de 5 de dezembro de 2007, que revogou a IN n° 13,
de 4 de dezembro de 1996
Dispõe sobre a instauração e organização de processos de tomadas de contas
especiais.
- Decisão Normativa TCU nº 62/2004 – disciplina as contas do exercício de 2004
- Decisão Normativa TCU nº 71/2005 – disciplina as contas do exercício de 2005
- Decisão Normativa TCU nº 81/2006 – disciplina as contas do exercício de 2006
- Decisão Normativa TCU n° 85/2007 - disciplina as contas do exercício de 2007

Observação: Para o concurso de AFC da CGU, o programa do concurso cobrou


apenas a IN TCU n° 47/2004, com suas alterações. Orientamos os candidatos para que
concentrem seus estudos sobre “o processo de contas no TCU” nas disposições
relativas ao assunto contidas na Lei Orgânica do Tribunal e na referida Instrução
Normativa de contas, cujos principais aspectos passamos a expor a seguir.

Definições, formalização e prazos

De acordo com o art. 1º da IN TCU nº 47/2004, com a nova redação dada pela IN
TCU n° 54/2007, processo de contas é o processo de trabalho do controle externo
destinado a avaliar a conformidade e o desempenho da gestão das pessoas
abrangidas pelos incisos I, III, IV, V e VI do art. 5º da Lei nº 8443/92, com base em um
conjunto de documentos, informações e demonstrativos de natureza contábil,
financeira, orçamentária, operacional ou patrimonial, obtidos direta ou indiretamente.

Conforme a natureza jurídica da Unidade Jurisdicionada - UJ, o processo de contas


pode ser mediante tomada ou prestação de contas.

Preparado por Marcelo Aragão 11


Técnicas de Controle – CGU

 tomada de contas: processo de contas relativo à gestão dos responsáveis por


unidades jurisdicionadas da administração federal direta.

 prestação de contas: processo de contas relativo à gestão dos responsáveis por


unidades jurisdicionadas da administração federal indireta e daquelas não
classificadas como integrantes da administração direta federal.

A tomada de contas poderá ser:

 Ordinária ou Anual - processo de tomada de contas organizado anualmente


pelas unidades jurisdicionadas cujos responsáveis estão sujeitos à obrigação
prevista no art. 70, parágrafo único, da Constituição Federal.

 Extraordinária - processo de tomada de contas organizado e apresentado


quando da extinção, liquidação, dissolução, transformação, fusão, incorporação
ou desestatização de unidades jurisdicionadas cujos responsáveis estejam
alcançados pela obrigação prevista no art. 70, parágrafo único, da Constituição
Federal.

 Especial – processo organizado quando se verificar que ocorreu desfalque,


desvio de bens ou outra irregularidade de que resulte prejuízo para a Fazenda
Pública ou quando se verificar que determinada conta não foi prestada pelo
responsável.

A prestação de contas poderá ser:

 Ordinária ou Anual - processo de prestação de contas organizado anualmente


pelas unidades jurisdicionadas cujos responsáveis estão sujeitos à obrigação
prevista no art. 70, parágrafo único, da Constituição Federal.

 Extraordinária - processo de prestação de contas organizado e apresentado


quando da extinção, liquidação, dissolução, transformação, fusão, incorporação
ou desestatização de unidades jurisdicionadas cujos responsáveis estejam
alcançados pela obrigação prevista no art. 70, parágrafo único, da Constituição
Federal.

As contas ordinárias podem ser organizadas das seguintes formas:

- processo de contas individual: processo de contas apresentado por uma única


unidade jurisdicionada. Os processos de contas de unidades jurisdicionadas com
parecer do dirigente do órgão de controle interno pela irregularidade deverão ser
apresentados como processos individuais;
- processo de contas consolidado: processo de contas ordinárias referente a um
conjunto de unidades jurisdicionadas organizado com a finalidade de possibilitar
a avaliação sistêmica da gestão de unidades que se relacionam em razão de
hierarquia, função ou programa de governo, sendo submetido ao Tribunal pela
unidade jurisdicionada responsável pela coordenação hierárquica, supervisão
funcional ou gerência de programa incluído no Plano Plurianual;

- processo de contas agregado: processo de contas ordinárias organizado com a


finalidade de possibilitar o exame conjunto da gestão de unidades administrativas
não integrantes da estrutura da unidade jurisdicionada de que trata as contas;

Preparado por Marcelo Aragão 12


Técnicas de Controle – CGU

- processo de contas informatizado: processo de contas ordinárias organizado e


apresentado em meio eletrônico, a partir de sistema que coleta dados postados
pelas unidades jurisdicionadas e órgãos de controle interno;

Observação: a partir da edição da IN TCU n° 54/2007, a norma geral (IN) não mais
prevê processo de contas simplificado. Porém, pode ser que as Decisões Normativas
anuais estabeleçam contas simplificadas até determinado montante de despesas
realizadas no exercício.

Prazos para apresentação dos processos de contas ordinárias ao TCU

A apresentação dos processos de contas ordinárias deverá ocorrer de acordo com


escalonamento definido em decisão normativa para cada exercício e no prazo máximo de
cento e oitenta dias, contados da data do encerramento do correspondente exercício
financeiro.

As tomadas de contas da Justiça Eleitoral serão apresentadas no prazo máximo de


duzentos e dez dias, contados da data do encerramento do correspondente exercício
financeiro.

Os processos de contas extraordinárias deverão ser apresentados ao Tribunal em


até cento e vinte dias da efetiva extinção, liquidação, dissolução, transformação, fusão,
incorporação ou desestatização da unidade jurisdicionada.

Os prazos estabelecidos no artigo anterior poderão ser prorrogados pelo Plenário do


Tribunal, em caráter excepcional, mediante solicitação fundamentada, formulada, conforme
o caso, pelas seguintes autoridades:
- Presidente da Câmara dos Deputados, do Senado Federal, do Supremo Tribunal
Federal, dos demais Tribunais Superiores e dos Tribunais Federais nos Estados
e no Distrito Federal;
- Ministro de Estado ou autoridade de nível hierárquico equivalente; e
- Procurador-Geral da República.

Unidades Jurisdicionadas que devem prestar contas ao TCU:

1) órgãos e entidades da administração pública federal direta e indireta, incluídas


as fundações e empresas estatais, bem como suas unidades internas;
2) os fundos de transferência e de destinação cujo controle se enquadre como
competência do Tribunal;
3) os serviços sociais autônomos;
4) as contas nacionais das empresas supranacionais de cujo capital social a
União participe, de forma direta ou indireta, nos termos do respectivo tratado constitutivo;
5) as empresas encampadas, sob intervenção federal ou que, de qualquer modo,
venham a integrar, provisória ou permanentemente, o patrimônio da União ou de entidade
pública federal;
6) as entidades cujos gestores, em razão de previsão legal, devam prestar
contas ao Tribunal.

Os responsáveis pelas entidades de fiscalização do exercício profissional estão


dispensados de apresentar prestação de contas ordinárias ao Tribunal, sem prejuízo da
manutenção das demais formas de fiscalização exercidas pelo controle externo.

Preparado por Marcelo Aragão 13


Técnicas de Controle – CGU

Os estados, o Distrito Federal, os municípios e as pessoas físicas ou entidades


privadas, quando beneficiários de transferência de recursos federais, incluindo auxílios,
subvenções, contribuições ou outra forma de transferência de valores por intermédio de
órgãos e entidades da administração federal direta, indireta, de fundações instituídas e
mantidas pelo poder público federal e de suas entidades paraestatais, prestarão contas ao
órgão ou entidade repassador quanto à boa e regular aplicação de tais recursos,
apresentando documentos e informações necessários à composição das tomadas e
prestações de contas dessas unidades jurisdicionadas.

Organização dos Processos

Os processos de contas serão apresentados pelas unidades jurisdicionadas


definidas anualmente pelo Tribunal de Contas da União em decisão normativa.

Os processos de contas abrangerão a gestão dos responsáveis que


desempenharem as atribuições relativas às naturezas de responsabilidade especificadas no
art. 12 da IN TCU nº 47/2004, quais sejam:
a) dirigente máximo da unidade jurisdicionada de que trata as contas;
b) dirigente máximo de unidade administrativa consolidada ou agregada
às contas;
c) dirigente máximo de órgão ou entidade supervisora ou gestora;
d) dirigente máximo de banco operador;
e) membro de diretoria;
f) membro de órgão colegiado, que por definição legal, regimental ou
estatutária, seja responsável por atos de gestão;
g) membro de conselho de administração, deliberativo, curador ou fiscal;
h) membro de colegiado de órgão ou entidade supervisora ou gestora;
i) dirigente de unidade administrativa ou gerente responsável pela
gestão de programa governamental definido no Plano Plurianual ou
na Lei Orçamentária Anual;
j) responsável pela definição de critérios de distribuição, pela aprovação
de plano de trabalho e pela aprovação das prestações de contas de
recursos concedidos mediante convênio, acordo, ajuste, termo de
parceria ou outro instrumento de execução indireta ou
descentralizada;
k) dirigente de unidade administrativa ou gerente responsável pela
gestão patrimonial;
l) dirigente de unidade administrativa ou gerente responsável pela
gestão de valores mobiliários da União;
m) ordenador de despesas;
n) ordenador de restituição de receitas;
o) encarregado pelo controle de operações de crédito, avais, garantias e
direitos da União;
p) encarregado da gestão orçamentária e financeira ou outro co-
responsável por atos de gestão;
q) encarregado de arrecadação de receitas;
r) encarregado de almoxarifado ou de material em estoque; e
s) encarregado de depósito de mercadorias e de bens apreendidos.

Os processos de contas serão compostos das seguintes peças:

a) rol de responsáveis;

b) relatório de gestão, emitido pelos responsáveis;

Preparado por Marcelo Aragão 14


Técnicas de Controle – CGU

c) demonstrativos contábeis, exigidos pela legislação aplicável e necessários à


gestão orçamentária, financeira e patrimonial;

d) declaração expressa da respectiva unidade de pessoal de que os responsáveis a


que se refere o inciso I estão em dia com a exigência de apresentação da
declaração de bens e rendas de que trata a Lei nº 8.730, de 10 de novembro de
1993;

e) relatórios e pareceres de órgãos e entidades que devam se pronunciar sobre as


contas ou sobre a gestão da unidade jurisdicionada, consoante previsto em lei ou
em seus atos constitutivos;

f) relatório de auditoria de gestão, emitido pelo órgão de controle interno


competente;

g) certificado de auditoria, emitido pelo órgão de controle interno competente;

h) parecer conclusivo do dirigente do órgão de controle interno competente; e

i) pronunciamento expresso do Ministro de Estado supervisor da unidade


jurisdicionada ou da autoridade de nível hierárquico equivalente sobre as contas
e o parecer do dirigente do órgão de controle interno competente, atestando
haver tomado conhecimento das conclusões nele contidas.

Responsabilidade pelo envio dos processos ao TCU


Os processos de contas serão submetidos ao Tribunal para julgamento pelo dirigente
máximo das unidades jurisdicionadas envolvidas no processo de contas.

Conteúdo das peças

O conteúdo das peças é detalhado pelo Tribunal, por meio da decisão normativa
para cada exercício, de acordo com a natureza jurídica da unidade jurisdicionada e pelas
necessidades de informação que permitam examinar a conformidade e o desempenho da
gestão dos seus responsáveis, segundo a natureza da responsabilidade de cada um.

Abrangência das contas

Os processos de contas deverão incluir todos os recursos, orçamentários e extra-


orçamentários, utilizados, arrecadados, guardados ou geridos pela unidade jurisdicionada ou
pelos quais ela responda, inclusive aqueles oriundos de fundos de natureza contábil,
recebidos de entes da administração pública federal ou descentralizados para execução
indireta.

Contas extraordinárias

Os processos de contas extraordinárias deverão conter os documentos e


informações relativos às providências adotadas para encerramento das atividades da
unidade, em especial os termos de transferência patrimonial e a situação dos processos
administrativos não encerrados, com o aceite dos respectivos destinatários.

Demonstrativos e Informações parciais

Em razão da complexidade do processo de contas ou da necessidade de


acompanhamento mais tempestivo dos atos de gestão das unidades jurisdicionadas

Preparado por Marcelo Aragão 15


Técnicas de Controle – CGU

integrantes dos processos de contas, o Tribunal poderá determinar a apresentação de


informações, documentos e demonstrativos parciais em periodicidade inferior a um ano, que
comporão anexo do processo de contas anual.

Prazo para manutenção dos documentos comprobatórios

As unidades jurisdicionadas deverão manter, para fins de fiscalização, os


documentos comprobatórios, inclusive de natureza sigilosa, pelo prazo mínimo de cinco
anos, a partir da decisão definitiva de julgamento das contas pelo Tribunal de Contas da
União.

Tomada de Contas Especial - TCE

A Tomada de Contas Especial (TCE), que também pode ser entendida como tomada
de contas em circunstâncias especiais, é o instrumento legal destinado a identificar
eventuais prejuízos, com vistas ao ressarcimento do Erário, na guarda e aplicação de
recursos públicos.

Diferentemente das Contas Anuais, cuja periodicidade é obrigatória e tem como


finalidade demonstrar a movimentação dos bens e recursos geridos pelo órgão ou entidade,
a TCE objetiva apurar os fatos, identificar o(s) responsável(is) e quantificar os danos.

Fatos ensejadores da TCE

De acordo com o caput do art. 8° da Lei n° 8.443/92, o Administrador (autoridade


administrativa competente) tomará as providências necessárias à instauração da Tomada
de Contas Especial nas seguintes ocorrências:

a) omissão no dever de prestar contas;


b) não comprovação da aplicação dos recursos repassados pela União;
c) ocorrência de desfalque ou desvio de dinheiros, bens ou valores públicos; ou
d) prática de qualquer ato ilegal, ilegítimo ou antieconômico de que resulte dano ao
Erário.

Dentro dessa abrangência, a TCE deve ser instaurada até mesmo em caso de roubo,
furto ou perda de bens.

Merece, no entanto, ser ressaltada a inovação introduzida pela IN/TCU n° 13/96,


calcada nos princípios da racionalização administrativa e da economia processual, ao definir
a TCE como medida de exceção, que somente deverá "ser instaurada após esgotadas as
providências administrativas Internas com vistas à recomposição do Erário". A recente IN
TCU n° 56, de 5/12/07, que revogou a IN/TCU n° 13/96, manteve essa norma, definindo no
§ 3° do art.1° que “esgotadas as medidas administrativas internas sem obtenção do
ressarcimento pretendido, a autoridade administrativa federal competente deve providenciar
a imediata instauração de tomada de contas especial”.

Responsável pela instauração da TCE

A autoridade administrativa competente, sob pena de responsabilidade solidária,


deverá imediatamente adotar providências com vistas à apuração dos fatos, identificação
dos responsáveis e quantificação do dano (caput do art. 8° da Lei n° 8.443/92), sempre que
verificada alguma das hipóteses previstas e já mencionadas anteriormente.

Preparado por Marcelo Aragão 16


Técnicas de Controle – CGU

O início do processo com vistas à exigência de prestação de contas ou de


ressarcimento ao Erário cabe ao dirigente máximo da entidade ou ao ordenador de despesa,
podendo ocorrer de ofício ou por solicitação do Controle Interno.

Cabe ressaltar que, caso não comprovada a conivência entre a autoridade


administrativa que constatou a irregularidade e o agente causador do dano, a
responsabilidade daquele esgotar-se-á com a adoção de providências visando à reparação
do prejuízo (Decisão n° 255/93 - Plenário - Ata n° 25/93).

Entretanto, a omissão da autoridade competente no que se refere ao dever de adotar


as providências com vistas à apuração dos fatos, identificação dos responsáveis,
quantificação do dano e ao imediato ressarcimento ao Erário, no prazo máximo de 180 dias,
é considerada grave infração à norma legal, sujeitando a referida autoridade à imputação
das sanções cabíveis, sem prejuízo de caracterizar a sua solidariedade com o agente
causador do dano (§ 1° do art. 1° da IN/TCU n° 56/07). Nesse caso, o Tribunal determinará
a instauração da respectiva Tomada de Contas Especial (§ 1° do art. 8° da Lei n° 8.443/92,
e § 1° do art. 148 do RI/TCU).

O Controle Interno, por sua vez, tem o dever de dar ciência ao Tribunal, sob pena de
responsabilidade solidária, de qualquer irregularidade ou ilegalidade de que tome
conhecimento, conforme dispõe o texto constitucional no § 1° de seu art. 74, também
ressaltado no art. 51, § 2° da Lei n° 8.443/92.

Além disso, poderá também o TCU, a qualquer tempo, determinar a instauração de


TCE, independentemente das medidas administrativas internas adotadas (§ 3° do art. 3° da
IN/TCU n° 56/07).

Encaminhamento da TCE ao Tribunal de Contas da União

Concluso o processo de TCE e devidamente procedidos aos registros no SIAFI, para


os efeitos de cadastro dos faltosos, omissos e/ou inadimplentes na comprovação ou pelo
uso irregular dos recursos públicos, os autos serão encaminhados pelo órgão de controle
interno respectivo ao Tribunal para julgamento.

Porém, os parágrafos 2° e 3° do art. 8° da lei 8.443/92 definem que:

- a tomada de contas especial só será, desde logo, encaminhada ao Tribunal de


Contas da União para julgamento, se o dano causado ao erário for de valor igual
ou superior à quantia para esse efeito fixada pelo Tribunal em cada ano civil, na
forma estabelecida no seu regimento interno (atualmente em R$ 23.000,00).

- Se o dano for de valor inferior à quantia referida no parágrafo anterior, a tomada


de contas especial será anexada ao processo da respectiva tomada ou
prestação de contas anual do administrador ou ordenador de despesa, para
julgamento em conjunto.

Cabe ressaltar, no entanto, que a IN TCU n° 56/07 alterou um pouco o procedimento


previsto na lei, definindo a instituição de valor mínimo para instauração da TCE na origem.
Anteriormente, e com base na lei, este valor era o limite para encaminhamento ao TCU.
Desta forma, fica sem sentido o disposto no § 3° do art. 8° da lei 8.443/92, de juntada das
TCEs simplificadas nas contas anuais, posto que não mais existem TCEs abaixo de R$
23.000,00, ou seja, simplificadas.

Preparado por Marcelo Aragão 17


Técnicas de Controle – CGU

Julgamento de Contas pelo TCU

No desempenho de suas atribuições, o Tribunal recebe, periodicamente, uma parte


da documentação contábil e outros demonstrativos relativos à atuação das unidades sujeitas
à sua jurisdição, que são apreciados sob a forma de tomadas e prestações de contas.
Estas contas são analisadas sob os aspectos de legalidade, legitimidade,
economicidade, eficiência e eficácia, após o que são julgadas regulares, regulares com
ressalvas, irregulares ou iliquidáveis.

As pessoas sujeitas à tomada/prestação de contas só podem ser liberadas dessa


responsabilidade por: a) decisão judicial; ou b) decisão do Tribunal de Contas da União.

Tipos de Decisões em Processo de Tomada ou Prestação de Contas

Preliminar - é a decisão pela qual o Relator ou o Tribunal, antes de pronunciar-se quanto ao


mérito das contas, resolve sobrestar o julgamento, ordenar a citação ou a audiência dos
responsáveis ou, ainda, determinar outras diligências necessárias ao saneamento do
processo.

Definitiva - é a decisão pela qual o Tribunal julga as contas regulares, regulares com
ressalva, ou irregulares.

Terminativa - é a decisão pela qual o Tribunal ordena o trancamento das contas que forem
consideradas iliquidáveis e o conseqüente arquivamento do processo.

As contas serão consideradas iliquidáveis quando caso fortuito ou de força maior,


comprovadamente alheio à vontade do responsável, tornar materialmente impossível o
julgamento de mérito.

Dentro do prazo de cinco anos contados da publicação da decisão terminativa no


Diário Oficial da União, o Tribunal poderá, à vista de novos elementos que considere
suficientes, autorizar o desarquivamento do processo e determinar que se ultime a
respectiva tomada ou prestação de contas. Transcorrido esse prazo sem que tenha havido
nova decisão, as contas serão consideradas encerradas, com baixa na responsabilidade do
administrador.

Decisões ou medidas preliminares

O Relator presidirá a instrução do processo, determinando, mediante despacho


singular, de ofício ou por provocação do órgão de instrução ou do Ministério Público junto ao
Tribunal, o sobrestamento do julgamento, a citação ou a audiência dos responsáveis, ou
outras providências consideradas necessárias ao saneamento dos autos, fixando prazo, na
forma estabelecida no regimento interno, para o atendimento das diligências, após o que
submeterá o feito ao Plenário ou à Câmara respectiva para decisão de mérito.

Verificada irregularidade nas contas, o Relator ou o Tribunal:

I - definirá a responsabilidade individual ou solidária pelo ato de gestão inquinado;

II - se houver débito, ordenará a citação do responsável para, no prazo estabelecido


no regimento interno, apresentar defesa ou recolher a quantia devida,

Preparado por Marcelo Aragão 18


Técnicas de Controle – CGU

III - se não houver débito, determinará a audiência do responsável para, no prazo


estabelecido no regimento interno, apresentar razões de justificativa; não resulte
dano ao erário;

IV - adotará outras medidas cabíveis.

O responsável cuja defesa for rejeitada pelo Tribunal será cientificado para, em novo
e improrrogável prazo estabelecido no regimento interno, recolher a importância devida.

Reconhecida pelo Tribunal a boa-fé, a liquidação tempestiva do débito atualizado


monetariamente sanará o processo, se não houver sido observada outra irregularidade nas
contas.

O responsável que não atender à citação ou à audiência será considerado revel pelo
Tribunal, para todos os efeitos, dando-se prosseguimento ao processo.

A decisão preliminar poderá, a critério do Relator, ser publicada no Diário Oficial da


União.

Decisões definitivas – Tipos de julgamento de mérito das contas

O Tribunal julgará as tomadas ou prestações de contas até o término do exercício


seguinte àquele em que estas lhes tiverem sido apresentadas.

Ao julgar as contas, o Tribunal decidirá se estas são regulares, regulares com


ressalva, ou irregulares.
As contas serão julgadas:

Regulares Regulares com ressalvas Irregulares


- quando expressarem, de - quando evidenciarem quando comprovada qualquer das
forma clara e objetiva, a impropriedade ou qualquer seguintes ocorrências:
exatidão dos outra falta de natureza formal a) omissão no dever de prestar
demonstrativos contábeis, de que não resulte dano ao contas;
a legalidade, a erário; b) prática de ato de gestão
legitimidade e a ilegal, ilegítimo, antieconômico, ou
economicidade dos atos - o Tribunal dará quitação ao infração à norma legal ou
de gestão do responsável; responsável e lhe regulamentar de natureza contábil,
determinará, ou a quem lhe financeira, orçamentária,
- o Tribunal dará quitação haja sucedido, a adoção de operacional ou patrimonial;
plena ao responsável. medidas necessárias à c) dano ao erário decorrente de
correção das impropriedades ato de gestão ilegítimo ao
ou faltas identificadas, de antieconômico;
modo a prevenir a ocorrência d) desfalque ou desvio de
de outras semelhantes. dinheiros, bens ou valores públicos.

O Tribunal poderá julgar irregulares


as contas no caso de reincidência
no descumprimento de
determinação de que o responsável
tenha tido ciência, feita em processo
de tomada ou prestarão de contas.

Preparado por Marcelo Aragão 19


Técnicas de Controle – CGU

- havendo débito, o Tribunal condenará o


responsável ao pagamento da dívida
atualizada monetariamente, acrescida dos
juros de mora devidos, podendo, ainda,
aplicar-lhe a multa prevista no art. 57 da
LOATCU (até 100% do débito), sendo o
instrumento da decisão considerado título
executivo para fundamentar a respectiva ação
de execução.
Quando julgar as contas irregulares

- não havendo débito, mas comprovada


qualquer das ocorrências previstas nas
alíneas a, b e c do inciso III, do art. 16, o
Tribunal aplicará ao responsável a multa
prevista no inciso I do art. 58, todos da
LOATCU.

Execução das Decisões

A citação, a audiência, a comunicação de diligência ou a notificação far-se-á:

I - mediante ciência do responsável ou do interessado, na forma estabelecida no


regimento interno;

II - pelo correio, mediante carta registrada, com aviso de recebimento;

III - por edital publicado no Diário Oficial da União quando o seu destinatário não for
localizado.

A decisão definitiva será formalizada nos termos estabelecidos no regimento interno,


por acórdão, cuja publicação no Diário Oficial da União constituirá:

I - no caso de contas regulares: certificado de quitação plena do responsável para


com o erário;

II - no caso de contas regulares com ressalva: certificado de quitação com


determinação;

III - no caso de contas irregulares:

a) obrigação de o responsável, no prazo estabelecido no regimento interno,


comprovar perante o Tribunal que recolheu aos cofres públicos a quantia
correspondente ao débito que lhe tiver sido imputado ou da multa cominada, na
forma prevista nos arts. 19 e 57 da LOATCU;

b) título executivo bastante para cobrança judicial da dívida decorrente do débito ou


da multa, se não recolhida no prazo pelo responsável;

c) fundamento para que a autoridade competente proceda à efetivação das sanções


previstas nos arts. 60 e 61 da LOATCU.

Preparado por Marcelo Aragão 20


Técnicas de Controle – CGU

A decisão do Tribunal, de que resulte imputação de débito ou cominação de multa,


torna a dívida líquida e certa e tem eficácia de título executivo.

O responsável será notificado para, no prazo estabelecido no regimento interno,


efetuar e comprovar o recolhimento da dívida, em caso de condenação (débito e/ou multa).
Expirado o prazo a que se refere o caput do art. 25 da LOATCU, sem manifestação do
responsável, o Tribunal poderá:

I - determinar o desconto integral ou parcelado da dívida nos vencimentos, salários


ou proventos do responsável, observados os limites previstos na legislação
pertinente; ou

II - autorizar a cobrança judicial da dívida por intermédio do Ministério Público junto


ao Tribunal, na forma prevista no inciso III do art. 81 desta lei.

Em qualquer fase do processo, o Tribunal poderá autorizar o recolhimento parcelado


da importância devida, na forma estabelecida no regimento interno, incidindo sobre cada
parcela os correspondentes acréscimos legais. A falta de recolhimento de qualquer parcela
importará no vencimento antecipado do saldo devedor.

Comprovado o recolhimento integral, o Tribunal expedirá quitação do débito ou da


multa.

A decisão terminativa, acompanhada de seus fundamentos, será publicada no Diário


Oficial da União.

Os prazos referidos contam-se da data:

I - do recebimento pelo responsável ou interessado:


a) da citação ou da comunicação de audiência;
b) da comunicação de rejeição dos fundamentos da defesa ou das
razões de justificativa;
c) da comunicação de diligência;
d) da notificação;

II - da publicação de edital no Diário Oficial da União, quando, nos casos


indicados no inciso anterior, o responsável ou interessado não for localizado;

III - nos demais casos, salvo disposição legal expressa em contrário, da


publicação da decisão ou do acórdão no Diário Oficial da União.

Recursos

Em todas as etapas do processo de julgamento de contas será assegurado ao


responsável ou interessado ampla defesa.

Observação: Não se conhecerá de recurso interposto fora do prazo, salvo em razão da


superveniência de fatos novos na forma prevista no regimento interno.

De decisão proferida em processo de tomada ou prestação de contas cabem


recursos de:

Preparado por Marcelo Aragão 21


Técnicas de Controle – CGU

Reconsideração Embargos de declaração Revisão


Terá efeito suspensivo e será Cabem embargos de declaração De decisão definitiva caberá recurso
apreciado por quem houver para corrigir obscuridade, de revisão ao Plenário, sem efeito
proferido a decisão recorrida, omissão ou contradição da suspensivo, interposto por escrito,
na forma estabelecida no decisão recorrida. uma só vez, pelo responsável, seus
regimento interno, e poderá ser sucessores, ou pelo Ministério
formulado por escrito uma só Os embargos de declaração Público junto ao Tribunal, dentro do
vez, pelo responsável ou podem ser opostos por escrito prazo de cinco anos, contados na
interessado, ou pelo Ministério pelo responsável ou forma prevista no inciso III do art. 30
Público junto ao Tribunal, interessado, ou pelo Ministério da LOATCU, e fundar-se-á:
dentro do prazo de quinze dias, Público junto ao Tribunal, dentro I - em erro de cálculo nas contas;
contados na forma prevista no do prazo de dez dias, contados II - em falsidade ou insuficiência de
art. 30 da LOATCU. na forma prevista no art. 30 da documentos em que se tenha
LOATCU. fundamentado a decisão recorrida;
III - na superveniência de documentos
Os embargos de declaração novos com eficácia sobre a prova
suspendem os prazos para produzida.
cumprimento da decisão
embargada e para interposição A decisão que der provimento a
dos demais recursos. recurso de revisão ensejará a
correção de todo e qualquer erro ou
engano apurado.

Função sancionadora do TCU

A função sancionadora do TCU configura-se na aplicação aos responsáveis, em caso


de ilegalidade de despesa ou irregularidade de contas, das seguintes sanções, isolada ou
cumulativamente:

a condenação ao recolhimento do débito eventualmente apurado;


a aplicação ao agente público de multa proporcional ao valor de prejuízo causado
ao erário, sendo o montante do dano o limite máximo da penalidade;
a aplicação de multa ao responsável por contas julgadas irregulares, por ato
irregular, ilegítimo ou antieconômico, por não atendimento de diligência ou
determinação do Tribunal, por obstrução ao livre exercício de inspeções ou
auditorias e por sonegação de processo, documento ou informação;
o afastamento provisório de seu cargo, do dirigente responsável por
cerceamentos a inspeções e auditorias enquanto durarem os respectivos
trabalhos;
a decretação, no curso de qualquer apuração de irregularidade, da
indisponibilidade, por prazo não superior a um ano, dos bens do responsável
considerados bastantes para garantir o ressarcimento do prejuízo;
a declaração de inabilitação, pelo período de cinco a oito anos, para o exercício
de cargo em comissão ou função de confiança no âmbito da administração
pública;
a declaração de inidoneidade do responsável por fraude em licitação para
participar, por até cinco anos, de certames licitatórios promovidos pela
administração pública;
a solicitação à Advocacia-Geral da União, ou ao dirigente de entidade
jurisdicionada, de adoção de providências para arresto dos bens de responsáveis
julgados em débito.

Cumpre destacar, ainda, que as penalidades aplicadas pelo Tribunal de Contas não
excluem a aplicação de sanções penais e de outras sanções administrativas, estas últimas
pelas autoridades competentes. Ressalte-se, também, que a legislação eleitoral prevê a
inelegibilidade, por um período de cinco anos, dos responsáveis por contas irregulares.

Preparado por Marcelo Aragão 22


Técnicas de Controle – CGU

2. O SISTEMA DE CONTROLE INTERNO DO PODER EXECUTIVO FEDERAL

FINALIDADES

As finalidades do SCI são aquelas previstas no art. 74 da CF:

ART. 74 DA C0NSTITUIÇÃO FEDERAL


Cumprimento das Metas Previstas no Plano Plurianual
1 - Avaliar
Execução Dos Programas de Governo

Dos Orçamentos da União


2 - Comprovar a Legalidade
Orçamentária Órgãos e
Entidades da
SISTEMA Eficiência Gestão Financeira
Adm. Direta
DE 3 - Avaliar Resultados Patrimonial
CONTROLE
Eficácia Adm. Indireta
INTERNO
Rec. Humanos

Operações de Crédito

Avais
4 - Controlar
Garantias

Direitos e Haveres do Estado

5 - Apoiar o Controle Externo no exercício de sua missão institucional

Essas finalidades são melhor descritas em termos de objetivos pelo art. 3° do


Decreto nº 3.591/2000, a saber:

A avaliação do cumprimento das metas do Plano Plurianual visa a


comprovar a conformidade da sua execução.

A avaliação da execução dos programas de governo visa a comprovar o


nível de execução das metas, o alcance dos objetivos e a adequação do
gerenciamento.

A avaliação da execução dos orçamentos da União visa a comprovar a


conformidade da execução com os limites e destinações estabelecidos na
legislação pertinente.

A avaliação da gestão dos administradores públicos federais visa a


comprovar a legalidade e a legitimidade dos atos e a examinar os
resultados quanto à economicidade, à eficiência e à eficácia da gestão
orçamentária, financeira, patrimonial, de pessoal e demais sistemas
administrativos e operacionais.

O controle das operações de crédito, avais, garantias, direitos e haveres


da União visa a aferir a sua consistência e a adequação dos controles
internos.

Preparado por Marcelo Aragão 23


Técnicas de Controle – CGU

Atividades e instrumentos de controle

A Lei n° 10.180, de 2001, organiza e disciplina os Sistemas de Planejamento e de


Orçamento Federal, de Administração Financeira Federal, de Contabilidade Federal e de
Controle Interno do Poder Executivo Federal. Conforme disposto no art. 21 da referida lei, o
Sistema de Controle Interno do Poder Executivo Federal compreende as atividades de
avaliação do cumprimento das metas previstas no plano plurianual, da execução dos
programas de governo e dos orçamentos da União e de avaliação da gestão dos
administradores públicos federais, utilizando como instrumentos a auditoria e a fiscalização.

Assim, o Sistema está organizado em torno de três grandes atividades:

O Sistema de Controle Interno do Poder Executivo Federal utiliza como técnicas de


trabalho, para a consecução de suas finalidades, a auditoria e a fiscalização.

A auditoria visa a avaliar a gestão pública, pelos processos e resultados gerenciais,


e a aplicação de recursos públicos por entidades de direito privado.

A fiscalização visa a comprovar se o objeto dos programas de governo corresponde


às especificações estabelecidas, atende às necessidades para as quais foi definido, guarda
coerência com as condições e características pretendidas e se os mecanismos de controle
são eficientes.

Competências

O art. 24 da Lei n° 10.180/2001 prevê as seguintes competências para os órgãos e


as unidades do Sistema de Controle Interno do Poder Executivo Federal:

 avaliar o cumprimento das metas estabelecidas no plano plurianual;


 fiscalizar e avaliar a execução dos programas de governo, inclusive ações
descentralizadas realizadas à conta de recursos oriundos dos Orçamentos da
União, quanto ao nível de execução das metas e objetivos estabelecidos e à
qualidade do gerenciamento;
 avaliar a execução dos orçamentos da União;

Preparado por Marcelo Aragão 24


Técnicas de Controle – CGU

 exercer o controle das operações de crédito, avais, garantias, direitos e haveres


da União;
 fornecer informações sobre a situação físico-financeira dos projetos e das
atividades constantes dos orçamentos da União;
 realizar auditoria sobre a gestão dos recursos públicos federais sob a
responsabilidade de órgãos e entidades públicos e privados;
 apurar os atos ou fatos inquinados de ilegais ou irregulares, praticados por
agentes públicos ou privados, na utilização de recursos públicos federais e,
quando for o caso, comunicar à unidade responsável pela contabilidade para as
providências cabíveis;
 realizar auditorias nos sistemas contábil, financeiro, orçamentário, de pessoal e
demais sistemas administrativos e operacionais;
 avaliar o desempenho da auditoria interna das entidades da administração
indireta federal;
 elaborar a Prestação de Contas Anual do Presidente da República a ser
encaminhada ao Congresso Nacional, nos termos do art. 84, inciso XXIV, da
Constituição Federal;
 criar condições para o exercício do controle social sobre os programas
contemplados com recursos oriundos dos orçamentos da União.

Cabe ressaltar o relevante papel assumido pelo SCI, com o advento da Lei
de Responsabilidade Fiscal, de elaborar as contas anuais do Presidente da República a
serem encaminhadas ao Congresso Nacional para julgamento, com parecer prévio a ser
emitido pelo Tribunal de Contas da União.

O art. 7° do Decreto n° 3.591/2000 define ainda que as atividades a cargo do


Sistema de Controle Interno do Poder Executivo Federal destinam-se, preferencialmente, a
subsidiar:

I - o exercício da direção superior da Administração Pública Federal, a cargo do


Presidente da República;

II - a supervisão ministerial;

III - o aperfeiçoamento da gestão pública, nos aspectos de formulação,


planejamento, coordenação, execução e monitoramento das políticas públicas;

IV - os órgãos responsáveis pelo ciclo da gestão governamental, quais sejam,


planejamento, orçamento, finanças, contabilidade e administração federal.

Organização do SCI e da CGU

Integram o Sistema de Controle Interno do Poder Executivo Federal:

a Controladoria-Geral da União, como Órgão Central, incumbido da


orientação normativa e da supervisão técnica dos órgãos que
compõem o Sistema;
as Secretarias de Controle Interno (CISET) da Casa Civil, da
Advocacia-Geral da União, do Ministério das Relações Exteriores e do
Ministério da Defesa, como órgãos setoriais;
as unidades de controle interno dos comandos militares, como
unidades setoriais da Secretaria de Controle Interno do Ministério da
Defesa;

Preparado por Marcelo Aragão 25


Técnicas de Controle – CGU

A Secretaria Federal de Controle Interno desempenhará as funções operacionais de


competência do Órgão Central do Sistema, na forma definida no regimento interno, além
das atividades de controle interno de todos os órgãos e entidades do Poder Executivo
Federal, excetuados aqueles jurisdicionados aos órgãos setoriais.

As auditorias e fiscalizações são realizadas pela CGU por meio da sua Secretaria
Federal de Controle Interno, área responsável por avaliar a execução dos orçamentos da
União, fiscalizar a implementação dos programas de governo e fazer auditorias sobre a
gestão dos recursos públicos federais sob a responsabilidade de órgãos e entidades
públicos e privados, entre outras funções.

As unidades regionais de controle interno exercerão as competências da


Controladoria-Geral da União que lhes forem delegadas ou estabelecidas no regimento
interno, nas respectivas unidades da federação.

A CGU dispõe da seguinte estrutura:

Assessor Especial de Controle Interno

A Controladoria-Geral da União conta com o apoio dos Assessores Especiais de


Controle Interno nos Ministérios, incumbidos de:

assessorar o Ministro de Estado nos assuntos de competência do controle


interno;
orientar os administradores de bens e recursos públicos nos assuntos
pertinentes à área de competência do controle interno, inclusive sobre a
forma de prestar contas;
submeter à apreciação do Ministro de Estado os processos de tomadas e
prestação de contas,
auxiliar os trabalhos de elaboração da prestação de contas anual do
Presidente da República;

Preparado por Marcelo Aragão 26


Técnicas de Controle – CGU

acompanhar a implementação, pelos órgãos e pelas unidades, das


recomendações do Sistema de Controle Interno e do Tribunal de Contas da
União;
coletar informações dos órgãos da jurisdição, para inclusão de ações de
controle nos planos e programas do órgão central do Sistema, com vistas a
atender às necessidades dos ministérios.

Os Assessores Especiais de Controle Interno, sob pena de responsabilidade


solidária, no prazo de cinco dias úteis, encaminharão à Secretaria Federal de Controle
Interno, após ciência do respectivo Ministro de Estado, os fatos irregulares de que tiverem
conhecimento.

Disposições contidas no Decreto 3.591/00 sobre auditorias internas

Exigência de uma unidade de auditoria ou auditor interno

As entidades da Administração Pública Federal indireta deverão organizar a


respectiva unidade de auditoria interna, com o suporte necessário de recursos humanos e
materiais, com o objetivo de fortalecer a gestão e racionalizar as ações de controle, com a
ressalva de que, caso em que a demanda não justifique a estruturação de uma unidade de
auditoria interna, deverá constar do ato de regulamentação da entidade o desempenho
dessa atividade por auditor interno.

O Órgão Central do Sistema de Controle Interno do Poder Executivo Federal poderá


recomendar aos serviços sociais autônomos as providências necessárias à organização da
respectiva unidade de controle interno, assim como firmar termo de cooperação técnica,
objetivando o fortalecimento da gestão e a racionalização das ações de controle.

A Secretaria Federal de Controle Interno poderá utilizar os serviços das unidades de


auditoria interna dos serviços sociais autônomos, que atenderem aos padrões e requisitos
técnicos e operacionais necessários à consecução dos objetivos do Sistema de Controle
Interno.

Orientação normativa e supervisão técnica da CGU

As unidades de auditoria interna das entidades da Administração Pública Federal


indireta vinculadas aos Ministérios e aos órgãos da Presidência da República ficam sujeitas
à orientação normativa e supervisão técnica do Órgão Central e dos órgãos setoriais do
Sistema de Controle Interno do Poder Executivo Federal, em suas respectivas áreas de
jurisdição.

A unidade de auditoria interna apresentará ao órgão ou à unidade de controle interno


a que estiver jurisdicionada, para efeito de integração das ações de controle, seu plano de
trabalho do exercício seguinte.

Normas para maior independência da auditoria interna

A auditoria interna vincula-se ao conselho de administração ou a órgão de


atribuições equivalentes.Quando a entidade da Administração Pública Federal indireta não
contar com conselho de administração ou órgão equivalente, a unidade de auditoria interna
será subordinada diretamente ao dirigente máximo da entidade, vedada a delegação a outra
autoridade.

Preparado por Marcelo Aragão 27


Técnicas de Controle – CGU

A nomeação, designação, exoneração ou dispensa do titular de unidade de auditoria


interna será submetida, pelo dirigente máximo da entidade, à aprovação do conselho de
administração ou órgão equivalente, quando for o caso, e, após, à aprovação da
Controladoria-Geral da União.

Emissão de parecer sobre as contas da entidade

A auditoria interna examinará e emitirá parecer sobre a prestação de contas anual da


entidade e tomadas de contas especiais.

A prestação de contas anual da entidade, com o correspondente parecer, será


encaminhada ao respectivo órgão do Sistema de Controle Interno do Poder Executivo
Federal, no prazo por este estabelecido.

Contratação de empresas privadas de auditoria

A contratação de empresas privadas de auditoria pelos órgãos ou pelas entidades


da Administração Pública Federal indireta somente será admitida quando comprovada, junto
ao Ministro supervisor e ao Órgão Central do Sistema de Controle Interno do Poder
Executivo Federal, a impossibilidade de execução dos trabalhos de auditoria diretamente
pela Secretaria Federal de Controle Interno ou órgãos setoriais do Sistema de Controle
Interno do Poder Executivo Federal

Essa exigência não se aplica às contratações para as auditorias previstas no § 3o do


art. 177 da Lei no 6.404, de 15 de dezembro de 1976, às contratações que tenham por
objeto as demonstrações financeiras do Banco Central do Brasil e dos fundos por ele
administrados, nem às contratações realizadas por empresas públicas que tenham a
obrigação legal ou estatutária de ter suas demonstrações financeiras avaliadas por
auditores independentes, desde que as unidades de auditoria interna sejam mantidas pelas
entidades contratantes, sendo vedada a transferência das competências dessas unidades
às empresas privadas contratadas.

Preparado por Marcelo Aragão 28


Técnicas de Controle – CGU

3. A METODOLOGIA DE TRABALHO DO SCI – IN SFC N° 01/2001

FINALIDADES E OBJETIVOS DA AUDITORIA GOVERNAMENTAL

As finalidades são aquelas previstas no art. 74 da CF e também relacionadas na IN


SFC 01/2001 para o Sistema de Controle Interno, quais sejam:

a) avaliar o cumprimento das metas previstas no Plano Plurianual, a execução dos


programas de governo e dos orçamentos da União;

b) comprovar a legalidade e avaliar os resultados, quanto à eficácia e à eficiência


da gestão orçamentária, financeira e patrimonial nos órgãos e entidades da
Administração Pública Federal, bem como da aplicação de recursos públicos por
entidades de direito privado;

c) exercer o controle das operações de crédito, avais e garantias, bem como dos
direitos e haveres da União; e

d) apoiar o controle externo no exercício de sua missão institucional.

Cuidado: Em concursos é preciso ter especial atenção quanto aos verbos e a


possibilidade da Banca formular assertivas que incluam determinados termos que
não estão descritos no comando constitucional ou na norma. Por exemplo: perceba
que uma das finalidades é avaliar os resultados quanto à eficácia e à eficiência (não
estão explícitas as dimensões economicidade e efetividade) da gestão orçamentária,
financeira e patrimonial (não está explícita a gestão operacional, apesar de implícita
no comando “avaliar os resultados”).

Com base nas finalidades, a IN define as seguintes atividades precípuas

Finalidade/Atividade precípua Objetivo


A avaliação do cumprimento das metas visa a comprovar a conformidade da sua execução.
do PPA
a avaliação da execução dos programas visa a comprovar o nível de execução das metas, o
de governo. alcance dos objetivos e a adequação do
gerenciamento.
a avaliação da execução dos orçamentos visa a comprovar a conformidade da execução com os
da União. limites e as destinações estabelecidas na legislação
pertinente.
a avaliação da gestão dos visa a comprovar a legalidade e a legitimidade dos atos
administradores públicos federais. e examinar os resultados quanto à economicidade,
eficiência e eficácia da gestão orçamentária, financeira,
patrimonial, de pessoal e demais sistemas
administrativos e operacionais.
o controle das operações de crédito, visa a aferir a sua consistência e a adequação.
avais, garantias, direitos e haveres da
União.
a avaliação da aplicação de recursos visa a verificação do cumprimento do objeto avençado.
públicos por entidades de Direito Privado.
a avaliação das aplicações das visa a avaliar o resultado da aplicação das
subvenções. transferências de recursos concedidas pela União às
entidades, públicas e privadas, destinadas a cobrir
despesas com a manutenção dessas entidades, de
natureza autárquica ou não, e das entidades sem fins
lucrativos.

Preparado por Marcelo Aragão 29


Técnicas de Controle – CGU

a avaliação das renúncias de receitas. visa a avaliar o resultado da efetiva política de anistia,
remissão, subsídio, crédito presumido, concessão de
isenção em caráter não geral, alteração de alíquota ou
modificação de base de cálculo que implique redução
discriminada de tributos ou contribuições, e outros
benefícios que correspondam a tratamento
diferenciado.
apoio ao órgão de controle externo no sem prejuízo do disposto em legislação específica,
exercício de sua missão institucional. consiste no fornecimento de informações e dos
resultados das ações do Sistema de Controle Interno
do Poder Executivo Federal.

Atividades Subsidiárias

Outros objetivos importantes estão descritos na referida IN, que são objetivos
relativos à contribuição do órgão de controle e de suas atividades para o aperfeiçoamento
da gestão pública, conforme a seguir.

As atividades a cargo do Sistema de Controle Interno do Poder Executivo Federal


destinam-se, preferencialmente, a subsidiar:

a) o exercício da direção superior da Administração Pública Federal, a cargo do


Presidente da República;
b) a supervisão ministerial;
c) o aperfeiçoamento da gestão pública nos aspectos de formulação, planejamento,
coordenação, execução e monitoramento das políticas públicas; e
d) os órgãos responsáveis pelas ações de planejamento, orçamento, finanças,
contabilidade e administração federal, no ciclo de gestão governamental.

Outras classificações de atividades estabelecidas na IN SFC n° 01/01:

Atividades precípuas - são aquelas previstas nos artigos 70 e 74 da CF/88

Atividade apoio ao Controle Externo – o apoio ao Controle Externo, sem prejuízo do


disposto em legislação específica, consiste no fornecimento de informações e dos
resultados das ações do SCI.

Atividade de Orientação – o SCI prestará orientação aos administradores públicos nos


assuntos pertinentes à área de competência do SCI, inclusive sobre a forma de prestar
contas. Essa atividade não se confunde com as de consultoria e assessoramento jurídico
que competem à AGU.

Atividades complementares do SCI:

 elaboração da prestação de contas do presidente da República;


 fomento ao controle social;
 auditoria de tomada de contas especial;
 análise de processos de pessoal;
 avaliação das unidades de auditoria interna;
 realização de diligências visando a buscar informações e esclarecimentos junto aos
gestores sobre as razões da prática de qualquer ato de gestão.

Preparado por Marcelo Aragão 30


Técnicas de Controle – CGU

OBJETOS E ABRANGÊNCIA DE ATUAÇÃO

A abrangência de atuação da auditoria governamental está relacionada com os


objetos (operações, programas, instrumentos, etc) e as pessoas (físicas ou jurídicas,
públicas ou privadas) em alcance ou sujeitos ao controle e à auditoria governamental.

Objetos sujeitos à atuação da auditoria governamental:

a) os sistemas administrativos e operacionais de controle interno administrativo


utilizados na gestão orçamentária, financeira, patrimonial, operacional e de
pessoal;
b) a execução dos planos, programas, projetos e atividades que envolvam
aplicação de recursos públicos federais;
c) a aplicação dos recursos do Tesouro Nacional transferidos a entidades
públicas ou privadas;
d) os contratos firmados por gestores públicos com entidades públicas ou
privadas para prestação de serviços, execução de obras e fornecimento de
materiais;
e) os processos de licitação, sua dispensa ou inexigibilidade;
f) os instrumentos e sistemas de guarda e conservação dos bens e do
patrimônio sob responsabilidade das unidades da Administração Direta e
entidades da Administração Indireta Federal;
g) os atos administrativos que resultem direitos e obrigações para o Poder
Público Federal, em especial, os relacionados com a contratação de
empréstimos internos ou externos, assunção de dívidas, securitizações e
concessão de avais;
h) a arrecadação, a restituição e as renúncias de receitas de tributos federais;
i) os sistemas eletrônicos de processamento de dados, suas informações de
entrada e de saída, objetivando constatar: a) segurança física do ambiente e
das instalações do centro de processamento de dados; b) segurança lógica e
a confidencialidade nos sistemas desenvolvidos em computadores de
diversos portes; c) eficácia dos serviços prestados pela área de informática;
d) eficiência na utilização dos diversos computadores existentes na entidade;
j) verificação do cumprimento da legislação pertinente;
k) os processos de Tomadas de Contas Especial, sindicância, inquéritos
administrativos e outros atos administrativos de caráter apuratório;
l) os processos de admissão e desligamento de pessoal e os de concessão de
aposentadoria, reforma e pensão; e
m) os projetos de cooperação técnica com organismos internacionais e projetos
de financiamento ou doação de organismos multilaterais de crédito com
qualquer órgão ou entidade no país.

A abrangência de atuação do Sistema de Controle Interno do Poder Executivo


Federal inclui as atividades de gestão das unidades da administração direta, entidades da
Administração Indireta Federal, programas de trabalho, recursos e sistemas de controles
administrativo, operacional e contábil, projetos financiados por recursos externos, projetos
de cooperação junto a organismos internacionais, a aplicação de quaisquer recursos
repassados pela União mediante contratos de gestão, transferências a fundo, convênio,
acordo, ajuste ou outro instrumento congênere.

Preparado por Marcelo Aragão 31


Técnicas de Controle – CGU

Pessoas sujeitas à auditoria governamental

 Quaisquer pessoas física ou jurídica, pública ou privada, que utilize, arrecade,


guarde, gerencie ou administre dinheiros, bens e valores públicos ou pelos quais a
União responda, ou que, em nome desta, assuma obrigações de natureza
pecuniária.

As pessoas física ou jurídica, pública ou privada, sujeitam-se à atuação da auditoria


governamental, mediante os seguintes processos:

I) Tomada de Contas;

 os ordenadores de despesas das unidades da Administração Direta Federal;


 aqueles que arrecadem, gerenciem ou guardem dinheiros, valores e bens da
União, ou que por eles respondam; e
 aqueles que, estipendiados ou não pelos cofres públicos, e que, por ação ou
omissão, derem causa a perda, subtração, extravio ou estrago de valores, bens e
materiais da União pelos quais sejam responsáveis.

II) Prestação de Contas:

 os dirigentes das entidades supervisionadas da Administração Indireta Federal;


 os responsáveis por entidades ou organizações, de direito público ou privado,
que se utilizem de contribuições para fins sociais, recebam subvenções ou
transferências à conta do Tesouro;
 as pessoas físicas que recebam recursos da União, para atender necessidades
previstas em Lei específica.

A Tomada de Contas poderá ser consolidada se envolver mais de uma unidade


gestora que tenha vinculação administrativa.

A Prestação de Contas será obrigatoriamente unificada por entidade, não


admitindo-se subdivisões, a menos que previsto em lei específica.

TÉCNICAS DE CONTROLE, FORMAS E TIPOS

As atividades a cargo do Sistema de Controle Interno do Poder Executivo Federal


são exercidas mediante a utilização de técnicas próprias de trabalho, as quais constituem-se
no conjunto de processos que viabilizam o alcance dos macro-objetivos do Sistema. As
técnicas de controle são as seguintes:

a) auditoria - é o conjunto de técnicas que visa avaliar a gestão pública, pelos


processos e resultados gerenciais, e a aplicação de recursos públicos por entidades de
direito público e privado, mediante a confrontação entre uma situação encontrada com um
determinado critério técnico, operacional ou legal.

A auditoria tem por objetivo primordial o de garantir resultados operacionais na


gerência da coisa pública. Essa auditoria é exercida nos meandros da máquina pública em
todas as unidades e entidades públicas federais, observando os aspectos relevantes
relacionados á avaliação dos programas de governo e da gestão pública.

A finalidade básica da auditoria é comprovar a legalidade e legitimidade dos atos e


fatos administrativos e avaliar os resultados alcançados, quanto aos aspectos de eficiência,
eficácia e economicidade da gestão orçamentária, financeira, patrimonial, operacional,
contábil e finalística das unidades e das entidades da administração pública, em todas as

Preparado por Marcelo Aragão 32


Técnicas de Controle – CGU

suas esferas de governo e níveis de poder, bem como a aplicação de recursos públicos por
entidades de direito privado, quando legalmente autorizadas nesse sentido.

b) fiscalização - A fiscalização é uma técnica de controle que visa a comprovar se o


objeto dos programas de governo existe, corresponde às especificações estabelecidas,
atende às necessidades para as quais foi definido e guarda coerência com as condições e
características pretendidas e se os mecanismos de controle administrativo são eficientes.

Atividades realizadas por intermédio da técnica de auditoria:

 realizar auditoria sobre a gestão dos recursos públicos federais sob a


responsabilidade dos órgãos públicos e privados, inclusive nos projetos de
cooperação técnica junto a Organismos Internacionais e multilaterais de
crédito;
 apurar os atos e fatos inquinados de ilegais ou de irregulares, praticados por
agentes públicos ou privados, na utilização de recursos públicos federais e,
quando for o caso, comunicar à unidade responsável pela contabilidade para
as providências cabíveis;
 realizar auditorias nos sistemas contábil, financeiro, de pessoal e demais
sistemas administrativos e operacionais;
 examinar a regularidade e avaliar a eficiência e eficácia da gestão
administrativa e dos resultados alcançados nas Ações de governo;
 realizar auditoria nos processos de Tomada de Contas Especial; e
 apresentar subsídios para o aperfeiçoamento dos procedimentos
administrativos e gerenciais e dos controles internos administrativos dos
órgãos da Administração Direta e entidades da Administração Indireta
Federal.

Tipos de Auditoria:

1. Auditoria de Avaliação da Gestão: esse tipo de auditoria objetiva emitir opinião com
vistas a certificar a regularidade das contas, verificar a execução de contratos, acordos,
convênios ou ajustes, a probidade na aplicação dos dinheiros públicos e na guarda ou
administração de valores e outros bens da União ou a ela confiados, compreendendo, entre
outros, os seguintes aspectos: exame das peças que instruem os processos de tomada ou
prestação de contas; exame da documentação comprobatória dos atos e fatos
administrativos; verificação da eficiência dos sistemas de controles administrativo e contábil;
verificação do cumprimento da legislação pertinente; e avaliação dos resultados
operacionais e da execução dos programas de governo quanto à economicidade, eficiência
e eficácia dos mesmos.
Dicas com relação à auditoria de avaliação de gestão:
 É realizada sempre a posteriori à execução dos atos e tem um escopo bem
abrangente.
 Está vinculada ao processo de contas anuais (tomadas e prestações de contas
ordinárias)
 Além de um relatório, nesta auditoria, são emitidos também um certificado de
auditoria e um parecer do dirigente de controle interno

Preparado por Marcelo Aragão 33


Técnicas de Controle – CGU

2. Auditoria de Acompanhamento da Gestão: realizada ao longo dos processos de


gestão, com o objetivo de se atuar em tempo real sobre os atos efetivos e os efeitos
potenciais positivos e negativos de uma unidade ou entidade federal, evidenciando
melhorias e economias existentes no processo ou prevenindo gargalos ao desempenho da
sua missão institucional.
Dicas:
 É a auditoria concomitante aos atos praticados, embora também avalie atos e
fatos já ocorridos, porém, mais recentes.
 Não são emitidos certificado e parecer do dirigente.
 Não é a auditoria realizada sobre processos de tomadas e prestações de
contas, embora inclua procedimento de verificação da implementação das
recomendações da auditoria de avaliação de gestão anterior.

3. Auditoria Contábil: compreende o exame dos registros e documentos e na coleta de


informações e confirmações, mediante procedimentos específicos, pertinentes ao controle
do patrimônio de uma unidade, entidade ou projeto. Objetivam obter elementos
comprobatórios suficientes que permitam opinar se os registros contábeis foram efetuados
de acordo com os princípios fundamentais de contabilidade e se as demonstrações deles
originárias refletem, adequadamente, em seus aspectos mais relevantes, a situação
econômico-financeira do patrimônio, os resultados do período administrativo examinado e as
demais situações nelas demonstradas. Tem por objeto, também, verificar a efetividade e a
aplicação de recursos externos, oriundos de agentes financeiros e organismos
internacionais, por unidades ou entidades públicas executoras de projetos celebrados
com aqueles organismos com vistas a emitir opinião sobre a adequação e
fidedignidade das demonstrações financeiras. (ATENÇÃO – Auditoria contábil =
Auditoria de Recursos Externos).
Nas auditorias de recursos externos, tanto de projetos custeados pelo Banco
Mundial (BIRD), Banco Interamericano (BID) ou de Cooperação Técnica (PNUD,
UNESCO, etc), são emitidos relatórios de auditoria que contêm requisitos específicos
conforme as regras do Organismo, como pareceres específicos e demais
documentos.

4. Auditoria Operacional: consiste em avaliar as ações gerenciais e os procedimentos


relacionados ao processo operacional, ou parte dele, das unidades ou entidades da
administração pública federal, programas de governo, projetos, atividades, ou segmentos
destes, com a finalidade de emitir uma opinião sobre a gestão quanto aos aspectos da
eficiência, eficácia e economicidade, procurando auxiliar a administração na gerência e
nos resultados, por meio de recomendações, que visem aprimorar os procedimentos,
melhorar os controles e aumentar a responsabilidade gerencial.

5. Auditoria Especial: objetiva o exame de fatos ou situações consideradas relevantes, de


natureza incomum ou extraordinária, sendo realizadas para atender determinação expressa
de autoridade competente. Classifica-se nesse tipo os demais trabalhos auditoriais não
inseridos em outras classes de atividades. (Atualmente a CGU tem classificado as
operações especiais realizadas em conjunto com o Ministério Público e com a Polícia
Federal nessa categoria de auditoria).

Preparado por Marcelo Aragão 34


Técnicas de Controle – CGU

Formas de execução

1. Direta – trata-se das atividades de auditoria executadas diretamente por servidores em


exercício nos órgãos e unidades do Sistema de Controle Interno do Poder Executivo
Federal, sendo subdividas em:

a) centralizada – executada exclusivamente por servidores em exercício nos Órgão


Central ou setoriais do Sistema de Controle Interno do Poder Executivo Federal.

b) descentralizada – executada exclusivamente por servidores em exercício nas


unidades regionais ou setoriais do Sistema de Controle Interno do Poder Executivo
Federal.

c) integrada – executada conjuntamente por servidores em exercício nos Órgãos


Central, setoriais, unidades regionais e/ou setoriais do Sistema de Controle Interno
do Poder Executivo Federal.

2. Indireta – trata-se das atividades de auditoria executadas com a participação de


servidores não lotados nos órgãos e unidades do Sistema de Controle Interno do Poder
Executivo Federal, que desempenham atividades de auditoria em quaisquer instituições da
Administração Pública Federal ou entidade privada.

a) compartilhada – coordenada pelo Sistema de Controle Interno do Poder


Executivo Federal com o auxílio de órgãos/instituições públicas ou privadas.

b) terceirizada – executada por instituições privadas, ou seja, pelas denominadas


empresas de auditoria externa.

Cuidado Não confundir auditoria integrada (que é espécie da direta – servidores


do próprio SCI) com compartilhada (que é subtipo da indireta, cuja realização envolve
a participação de especialistas de outras entidades públicas ou mesmo privadas.

3. Simplificada – trata-se das atividades de auditoria realizadas, por servidores em


exercício nos Órgãos Central, setoriais, unidades regionais ou setoriais do Sistema de
Controle Interno do Poder Executivo Federal, sobre informações obtidas por meio de exame
de processos e por meio eletrônico, específico das unidades ou entidades federais, cujo
custo-benefício não justifica o deslocamento de uma equipe para o órgão. Essa forma de
execução de auditoria pressupõe a utilização de indicadores de desempenho que
fundamentam a opinião do agente executor das ações de controle.
É uma auditoria à distância.

PROCEDIMENTOS E TÉCNICAS DE AUDITORIA E FISCALIZAÇÃO

Procedimento de auditoria/fiscalização – é o conjunto de verificações e averiguações


previstas num programa de auditoria, que permite obter evidências ou provas
suficientes e adequadas para analisar as informações necessárias à formulação e
fundamentação da opinião por parte do Sistema de Controle Interno do Poder
Executivo Federal. Trata-se ainda, do mandamento operacional efetivo, são as ações
necessárias para atingir os objetivos nas normas auditoriais. Também chamado de
comando, o procedimento representa na essência do ato de auditar, definindo o ponto de
controle sobre o qual se deve atuar. O fundamental é descrever o que se deve fazer, ou
seja, como ser o exame. Esse abrange testes de observância e testes substantivos.

Preparado por Marcelo Aragão 35


Técnicas de Controle – CGU

Técnica de auditoria/fiscalização - é o conjunto de processos e ferramentas


operacionais de que se serve o controle para a obtenção de evidências, as quais devem
ser suficientes, adequadas, relevantes e úteis para conclusão dos trabalhos.

TÉCNICAS DE AUDITORIA E DE FISCALIZAÇÃO

Indagação Escrita ou Oral – uso de entrevistas (auditoria e fiscalização) e questionários


(auditoria) junto ao pessoal da unidade/entidade auditada/fiscalizada, para obtenção de
dados e informações.

Análise Documental - Exame de processos, atos formalizados e documentos avulsos.

Conferência de Cálculos - Revisão das memórias de cálculos ou a confirmação de valores


por meio do cotejamento de elementos numéricos correlacionados, de modo a constatar a
adequação dos cálculos apresentados.

Confirmação Externa - verificação junto a fontes externas ao auditado, da fidedignidade


das informações obtidas internamente. Uma das técnicas, consiste na circularização das
informações com a finalidade de obter confirmações em fonte diversa da origem dos dados.

Exame dos Registros - Verificação dos registros constantes de controles regulamentares,


relatórios sistematizados, mapas e demonstrativos formalizados, elaborados de forma
manual ou por sistemas informatizados. A técnica pressupõe a verificação desses registros
em todas as suas formas..

Correlação das Informações Obtidas - Cotejamento de informações obtidas de fontes


independentes, autônomas e distintas, no interior da própria organização. Essa técnica
procura a consistência mútua entre diferentes amostras de evidência.

Inspeção Física – Exame usado para testar a efetividade dos controles, particularmente
daqueles relativos à segurança de quantidades físicas ou qualidade de bens tangíveis. A
evidência é coletada sobre itens tangíveis.

Observação das Atividades – Verificação das atividades que exigem a aplicação de testes
flagrantes, com a finalidade de revelar erros, problemas ou deficiências que de outra forma
seriam de difícil constatação.

Corte das Operações ou Cut-Off - Corte interruptivo das operações ou transações para
apurar, de forma seccionada, a dinâmica de um procedimento. Representa a fotografia do
momento chave de um processo (técnica específica da auditoria).

Rastreamento - Investigação minuciosa, com exame de documentos, setores, unidades,


órgãos e procedimentos interligados, visando dar segurança à opinião do responsável pela
execução do trabalho sobre o fato observado.

Teste Laboratorial – aplicados nos itens/materiais, objeto de fiscalização, que procuram


fornecer evidências quanto à integridade, à exatidão, ao nível, à qualidade e à validade
desses objetos; observando as diretrizes genéricas do teste laboratorial, quais sejam,
objetivo, alvo, atributo ou condição a se pesquisado, como a população será testada,
tamanho e avaliação do resultado do teste. De um modo geral é demandada a um terceiro a
execução desta técnica (técnica específica da fiscalização).

Preparado por Marcelo Aragão 36


Técnicas de Controle – CGU

NORMAS RELATIVAS À EXECUÇÃO DO TRABALHO DE AUDITORIA

O servidor do Sistema de Controle Interno do Poder Executivo Federal, no exercício


de suas funções, terá livre acesso a todas as dependências do órgão ou entidade
examinado, assim como a documentos, valores e livros considerados indispensáveis ao
cumprimento de suas atribuições, não lhe podendo ser sonegado, sob qualquer pretexto,
nenhum processo, documento ou informação, devendo o servidor guardar o sigilo das
informações caso elas estejam protegidas legalmente. (Esse comando normativo está
também previsto na Lei n° 10.180/

E se houver limitação da ação ou do escopo da auditoria? o fato deverá ser


comunicado, de imediato, por escrito, ao dirigente do órgão ou entidade examinada,
solicitando as providências necessárias.

Planejamento dos Trabalhos - o trabalho realizado pelo Sistema de Controle Interno do


Poder Executivo Federal deve ser adequadamente planejado.

Exame Preliminar - com o objetivo de obter os elementos necessários ao planejamento dos


trabalhos, o auditor deve examinar os documentos produzidos na fase de planejamento
geral do órgão de controle (informações constantes da ordem de serviço e dos planos
estratégico e operacional a que se vincula o objeto do controle). Para tanto, deve considerar
a legislação aplicável, normas e instruções vigentes, bem como os resultados dos últimos
trabalhos realizados e diligências pendentes de atendimento, quando for o caso.

Elaboração do programa de trabalho - o programa de trabalho consta da ordem de


serviço preparada pela área de controle que elabora o plano estratégico e operacional. A
elaboração de um adequado programa de trabalho exige:
a) a determinação precisa dos objetivos do exame, ou seja, a identificação
sobre o que se deseja obter com a auditoria e a fiscalização;
b) a identificação do universo a ser examinado;
c) a definição e o alcance dos procedimentos a serem utilizados;
d) a localização do objeto ou unidade examinada;
e) o estabelecimento das técnicas apropriadas;
f) a estimativa dos homens x horas necessários à execução dos trabalhos; e
g) referência quanto ao uso de material e/ou documentos de exames prévios ou
outras instruções específicas.

Avaliação dos controles internos administrativos – deve se efetuar um adequado exame


com vistas à avaliação da capacidade e da efetividade dos sistemas de controles internos
administrativos – contábil, financeiro, patrimonial, de pessoal, de suprimento de bens e
serviços e operacional - das unidades da administração direta, entidades da administração
indireta, projetos e programas.
A avaliação dos sistemas de controle interno compreende o exame de efetividade,
dos objetivos do controle e da capacidade dos sistemas de controle interno de proporcionar
razoável segurança de que os objetivos e metas sejam atingidos e de que os seus recursos
estão protegidos.

Prevenção de impropriedades e irregularidades - os sistemas de controle interno


administrativo, instituídos em uma unidade ou entidade, devem conter procedimentos,
mecanismos e diretrizes que prevejam ou minimizem o percentual de impropriedades ou
irregularidades. Um bom sistema de controle interno administrativo reduz a probabilidade de
ocorrer tais impropriedades ou irregularidades, ainda que não possa evitá-las totalmente.
(Cuidado – a responsabilidade pela prevenção de irregularidades cabe ao gestor,
mediante a adoção de adequado e efetivo sistema de controles internos e não à

Preparado por Marcelo Aragão 37


Técnicas de Controle – CGU

auditoria. A auditoria governamental auxilia o gestor na prevenção, avaliando riscos e


aprimoramento sistemas e mecanismos de controles internos.

Supervisão das atividades de auditoria: toda atividade do SCI deve ser supervisionada
pela chefia ou por servidor a quem a função for formalmente delegada. As evidências
da supervisão exercida deverão ficar registradas nos próprios papéis de trabalho.

A supervisão deve abranger a verificação:

a) do correto planejamento dos trabalhos de acordo com o solicitado na ordem de


serviço;
b) da aplicação de procedimentos e técnicas para o atingimento das metas/objetivos
previstos para a execução dos trabalhos, de acordo com o programa fornecido;
c) da adequada formulação dos papéis de trabalho;
d) da necessária consistência das observações e conclusões;
e) da fiel observância dos objetivos estabelecidos na ordem de serviço;
f) do cumprimento das normas e dos procedimentos de aplicação geral.

Supervisão Geral – cabe ao titular da Unidade de Controle ou Auditoria, podendo ser


delegada parte de suas tarefas a supervisores com conhecimento e capacidade.

Supervisão das equipes de trabalho – cabe a um auditor mais experiente e competente.

Obtenção de evidências - em atendimento aos objetivos da atividade, o auditor deve


realizar, na extensão indicada no planejamento, os testes ou provas adequados nas
circunstâncias, para obter evidências qualitativamente aceitáveis que fundamentem, de
forma objetiva, seu trabalho.

Finalidade da evidência - consiste na obtenção suficiente de elementos para sustentar a


emissão de sua opinião, permitindo chegar a um grau razoável de convencimento da
realidade dos fatos e situações observadas, da veracidade da documentação examinada, da
consistência da contabilização dos fatos e fidedignidade das informações e registros
gerenciais para fundamentar, solidamente, seu trabalho. A validade do seu trabalho
depende diretamente da qualidade das evidências que é considerada satisfatória quando
reúne as características de suficiência, adequação e pertinência.

a) Suficiência da evidência – grau razoável de convencimento a respeito da realidade ou


veracidade dos fatos examinados.

b) Adequação da evidência - entende-se como tal, quando os testes ou exames realizados


são apropriados à natureza e características dos fatos examinados.

c) Pertinência da evidência - a evidência é pertinente quando há coerência com as


observações, conclusões e recomendações eventualmente formuladas.

Critérios para obtenção da evidência - na obtenção da evidência, o servidor do Sistema


de Controle Interno do Poder Executivo Federal deve guiar-se pelos critérios de importância
relativa e de níveis de riscos prováveis. A importância relativa refere-se ao significado da
evidência no conjunto de informações e os níveis de riscos prováveis, às probabilidades de
erro na obtenção e comprovação da evidência.

Preparado por Marcelo Aragão 38


Técnicas de Controle – CGU

Impropriedades e irregularidades

 o auditor, no decorrer de qualquer atividade, deve prestar especial atenção àquelas


transações ou situações que denotem indícios de irregularidades e, quando sejam
obtidas evidências das mesmas, deverá ser dado o devido tratamento, com vistas a
permitir que os dirigentes possam adotar as providências corretivas pertinentes,
quando couber.

 apesar da detecção de impropriedades e irregularidades não ser o objetivo primordial


das atividades de auditoria governamental, o servidor/auditor deve estar consciente
da probabilidade de, no decorrer dos exames, defrontar-se com tais ocorrências.
Compete-lhe assim, prestar especial atenção às transações ou situações que
apresentem indícios de irregularidades e, quando obtida evidências, comunicar o fato
aos dirigentes para adoção das medidas corretivas cabíveis.

 A aplicação dos procedimentos especificados na ordem de serviço (planejamento)


não garante necessariamente, a detecção de toda impropriedade ou irregularidade.
Portanto, a identificação posterior de situação imprópria ou irregular, ocorrida no
período submetido a exame, não significa que o trabalho tenha sido inadequado.

 A apuração de impropriedades e irregularidades exige do servidor/auditor extrema


prudência e profissionalismo. Ao verificar a ocorrência de irregularidades, deve levar
o assunto, por escrito, ao conhecimento do dirigente da unidade ou entidade
examinada, solicitando os esclarecimentos e justificativas pertinentes, quando isso
não implicar risco pessoal. Na hipótese de risco pessoal informar a ocorrência ao seu
dirigente que o orientará e adotará as providências necessárias.

Distinção entre impropriedade e irregularidade no Controle Interno:

Impropriedade – consiste em falhas de natureza formal de que não resulte dano ao erário,
porém evidencia-se a não observância aos princípios de legalidade, legitimidade, eficiência,
eficácia e economicidade.

Irregularidade – a irregularidade é caracterizada pela não observância desses princípios,


constatando a existência de desfalque, alcance, desvio de bens ou outra irregularidade de
que resulte prejuízo quantificável para o Erário.

(Cuidado – esses conceitos não são os mesmos do TCU, que considera irregularidade
uma ilegalidade, mesmo que não tenha gerado prejuízos ao Erário – ver Lei Orgânica
do TCU)

Preparado por Marcelo Aragão 39


Técnicas de Controle – CGU

NORMAS RELATIVAS À OPINIÃO DO SISTEMA DE CONTROLE INTERNO DO PODER


EXECUTIVO FEDERAL

A opinião do Órgão ou Unidade de Controle Interno do Poder Executivo Federal deve


ser expressa por meio de Relatório, Parecer, Certificado ou Nota.

O Certificado de Auditoria será emitido na verificação das contas dos responsáveis


pela aplicação, utilização ou guarda de bens e valores públicos, e de todo aquele que der
causa à perda, subtração ou estrago de valores, bens e materiais de propriedade ou
responsabilidade da União.

Tipos de Certificado:

I - Certificado de Regularidade - será emitido quando o Órgão ou Unidade de Controle


Interno formar a opinião de que na gestão dos recursos públicos foram adequadamente
observados os princípios da legalidade, legitimidade e economicidade.

II. Certificado de Regularidade com Ressalvas - será emitido quando o Órgão ou Unidade
de Controle Interno constatar falhas, omissões ou impropriedades de natureza formal no
cumprimento das normas e diretrizes governamentais, quanto à legalidade, legitimidade e
economicidade e que, pela sua irrelevância ou imaterialidade, não caracterizem
irregularidade de atuação dos agentes responsáveis.

III. Certificado de Irregularidade - será emitido quando o Órgão ou Unidade de Controle


Interno verificar a não observância da aplicação dos princípios de legalidade, legitimidade e
economicidade, constatando a existência de desfalque, alcance, desvio de bens ou outra
irregularidade de que resulte prejuízo quantificável para a Fazenda Nacional e/ou
comprometam, substancialmente, as demonstrações financeiras e a respectiva gestão dos
agentes responsáveis, no período ou exercício examinado.

O Órgão ou Unidade de Controle Interno do Poder Executivo Federal deve emitir o


Certificado de Auditoria levando em consideração a jurisprudência do Tribunal de Contas da
União, suas súmulas e decisões julgadas em casos semelhantes, de modo a garantir
adequada uniformidade de entendimento.

Quando o Órgão ou Unidade de Controle Interno do Poder Executivo Federal não


obtiver elementos comprobatórios suficientes e adequados, de tal modo que impeça-o de
formar opinião quanto à regularidade da gestão, a opinião decorrente dos exames fica
sobrestada, por prazo previamente fixado para o cumprimento de diligência pelo órgão ou
entidade examinado, quando então, mediante novos exames, o Sistema de Controle Interno
do Poder Executivo Federal emitirá o competente Certificado. Neste caso, quando
sobrestado o exame, o órgão do Sistema de Controle Interno do Poder Executivo Federal
deve dar ciência da ocorrência ao Tribunal de Contas da União.

Composição do Certificado de Auditoria ou Parecer:

1) indicação do número do processo, exercício examinado, unidade gestora/entidade


examinada;

2) parágrafo inicial - registro do escopo do trabalho em função do tipo de auditoria


realizada;

3) parágrafo intermediário – registro das impropriedades ou irregularidades que: a)


caracterizem a inobservância de normas legais e regulamentares; b) afetem a gestão
ou situação examinada; c) comprometam a economicidade, legalidade e legitimidade

Preparado por Marcelo Aragão 40


Técnicas de Controle – CGU

da gestão ou situação examinada; e d) resultem ou não em prejuízo à Fazenda


Nacional;

4) parágrafo final – conclusão com emissão de opinião quanto à regularidade, ou


não, da gestão examinada;

5) deve conter data correspondente ao dia de sua emissão e a assinatura do chefe


da Unidade de Auditoria.

O Órgão ou Unidade de Controle Interno deve usar de toda acuidade e prudência no


momento de definir o tipo de Certificado que emitirá como resultado dos trabalhos
realizados. Deve levar em conta, principalmente, que determinadas constatações
relacionadas com falhas, omissões e impropriedades, podem significar, situações
simplesmente impróprias, quando caberá a emissão de Certificado de Regularidade ou de
Regularidade com Ressalvas, ou até mesmo irregulares, quando caberá a emissão de
Certificado de Regularidade com Ressalvas ou de Irregularidade. O auditor deverá avaliar,
em conjunto, fatores tais como: freqüência da incidência no exercício; reincidência de
constatação em exercícios anteriores; descumprimento a recomendações anteriores;
evidência da intenção; ocorrência de prejuízo à Fazenda Nacional; jurisprudência de
decisões do Tribunal de Contas da União na apreciação de casos semelhantes; e outros
fatores que possam contribuir para a adequada definição do tipo de certificado a ser emitido.

NORMAS RELATIVAS AO CONTROLE INTERNO ADMINISTRATIVO

Conceituação

Um dos objetivos fundamentais do Sistema de Controle Interno do Poder Executivo


Federal é a avaliação dos controles internos administrativos das unidades ou entidades sob
exame. Somente com o conhecimento da estruturação, rotinas e funcionamento desses
controles, podem os Órgãos/Unidades de Controle Interno do Poder Executivo Federal
avaliar, com a devida segurança, a gestão examinada.

Controle interno administrativo é o conjunto de atividades, planos, rotinas, métodos e


procedimentos interligados, estabelecidos com vistas a assegurar que os objetivos das
unidades e entidades da administração pública sejam alcançados, de forma confiável e
concreta, evidenciando eventuais desvios ao longo da gestão, até a consecução dos
objetivos fixados pelo Poder Público.

Princípios de controle interno administrativo

Constituem-se no conjunto de regras, diretrizes e sistemas que visam ao atingimento


de objetivos específicos, tais como:

I - relação custo/benefício - consiste na avaliação do custo de um controle em


relação aos benefícios que ele possa proporcionar;

II. qualificação adequada, treinamento e rodízio de funcionários - a eficácia dos


controles internos administrativos está diretamente relacionada com a competência,
formação profissional e integridade do pessoal. É imprescindível haver uma política de
pessoal que contemple:

a) seleção e treinamento de forma criteriosa e sistematizada, buscando melhor


rendimento e menores custos;

b) rodízio de funções, com vistas a reduzir/eliminar possibilidades de fraudes; e

Preparado por Marcelo Aragão 41


Técnicas de Controle – CGU

c) obrigatoriedade de funcionários gozarem férias regularmente, como forma,


inclusive, de evitar a dissimulação de irregularidades.

III. delegação de poderes e definição de responsabilidades - a delegação de


competência, conforme previsto em lei, será utilizada como instrumento de descentralização
administrativa, com vistas a assegurar maior rapidez e objetividade às decisões. O ato de
delegação deverá indicar, com precisão, a autoridade delegante, delegada e o objeto da
delegação. Assim sendo, em qualquer unidade/entidade, devem ser observados:

a) existência de regimento/estatuto e organograma adequados, onde a definição de


autoridade e conseqüentes responsabilidades sejam claras e satisfaçam plenamente
as necessidades da organização; e
b) manuais de rotinas/procedimentos, claramente determinados, que considerem as
funções de todos os setores do órgão/entidade.

IV. segregação de funções - a estrutura das unidades/entidades deve prever a


separação entre as funções de autorização/aprovação de operações, execução, controle e
contabilização, de tal forma que nenhuma pessoa detenha competências e atribuições em
desacordo com este princípio;

V. instruções devidamente formalizadas - para atingir um grau de segurança


adequado é indispensável que as ações, procedimentos e instruções sejam disciplinados e
formalizados através de instrumentos eficazes e específicos; ou seja, claros e objetivos e
emitidos por autoridade competente;

VI. controles sobre as transações - é imprescindível estabelecer o


acompanhamento dos fatos contábeis, financeiros e operacionais, objetivando que sejam
efetuados mediante atos legítimos, relacionados com a finalidade da unidade/entidade e
autorizados por quem de direito; e

VII. aderência a diretrizes e normas legais – o controle interno administrativo deve


assegurar observância às diretrizes, planos, normas, leis, regulamentos e procedimentos
administrativos, e que os atos e fatos de gestão sejam efetuados mediante atos legítimos,
relacionados com a finalidade da unidade/entidade.

Finalidade do controle interno administrativo

O objetivo geral dos controles internos administrativos é evitar a ocorrência de


impropriedades e irregularidades, por meio dos princípios e instrumentos próprios,
destacando-se entre os objetivos específicos, a serem atingidos, os seguintes:

I. observar as normas legais, instruções normativas, estatutos e regimentos;

II. assegurar, nas informações contábeis, financeiras, administrativas e operacionais,


sua exatidão, confiabilidade, integridade e oportunidade;

III. evitar o cometimento de erros, desperdícios, abusos, práticas antieconômicas e


fraudes;

IV. propiciar informações oportunas e confiáveis, inclusive de caráter


administrativo/operacional, sobre os resultados e efeitos atingidos;

V. salvaguardar os ativos financeiros e físicos quanto à sua boa e regular utilização e


assegurar a legitimidade do passivo;

Preparado por Marcelo Aragão 42


Técnicas de Controle – CGU

VI. permitir a implementação de programas, projetos, atividades, sistemas e


operações, visando à eficácia, eficiência e economicidade na utilização dos recursos;
e

VII. assegurar a aderência das atividades às diretrizes, planos, normas e


procedimentos da unidade/entidade.

Processo de controle interno administrativo

Os controles internos administrativos implementados em uma organização devem:

I. prioritariamente, ter caráter preventivo;

II. permanentemente, estar voltados para a correção de eventuais desvios em


relação aos parâmetros estabelecidos;

III. prevalecer como instrumentos auxiliares de gestão; e

IV. estar direcionados para o atendimento a todos os níveis hierárquicos da


administração.

Quanto maior for o grau de adequação dos controles internos administrativos, menor
será a vulnerabilidade dos riscos inerentes à gestão propriamente dita.

NORMAS RELATIVAS À AUDIÊNCIA DO AUDITADO

Os servidores designados para a realização dos trabalhos de auditoria deverão,


obrigatoriamente, durante os trabalhos de campo, dar conhecimento das ocorrências
identificadas aos responsáveis pelas áreas auditadas, solicitando destes os devidos
esclarecimentos e manifestações formais sobre as constatações preliminares, considerando
a necessidade dos gestores públicos de ter assegurada, em tempo hábil, a oportunidade de
apresentar esclarecimentos adicionais ou justificativas a respeito dos atos e fatos
administrativos sob sua responsabilidade, no pleno exercício de seu direito de defesa.

Concluídos os trabalhos de campo, o titular do órgão ou unidade do Sistema de


Controle Interno do Poder Executivo Federal responsável pela realização da ação de
controle encaminhará o relatório final ao dirigente máximo da unidade ou entidade
auditada. Manifestações posteriores do dirigente serão analisadas pela unidade de controle
interno e consubstanciadas em nota técnica que será objeto de encaminhamento aos
mesmos destinatários do relatório.

Nos casos de auditoria de avaliação de gestão, emitido o relatório, o certificado de


auditoria e o parecer do dirigente do órgão competente do Sistema de Controle Interno do
Poder Executivo Federal, o processo será remetido para conhecimento e pronunciamento
do respectivo Ministro supervisor, por intermédio do Assessor Especial de Controle
Interno, quando for o caso.

As auditorias subseqüentes verificarão se os gestores públicos adotaram as


providências necessárias à implementação das recomendações consignadas nos
relatórios de auditoria.

Preparado por Marcelo Aragão 43


Técnicas de Controle – CGU

NORMAS RELATIVAS À FORMA DE COMUNICAÇÃO

Para cada atividade realizada, o Órgão ou Unidade de Controle Interno do Poder


Executivo Federal deve elaborar relatório, parecer ou certificado, quando couber, ou nota,
que são genericamente denominadas formas de comunicação. Esses documentos devem
refletir os resultados dos exames efetuados, de acordo com a forma ou tipo de atividade.

As informações que proporcionem a abordagem da atividade, quanto aos atos de


gestão, fatos ou situações observados, devem reunir principalmente os seguintes atributos
de qualidade:

Concisão - utilizar linguagem sucinta e resumida, transmitindo o máximo de informações de


forma breve. É característica dessa linguagem a precisão e a exatidão;

Objetividade – expressar linguagem prática e positiva, demonstrando a existência real e


material da informação;

Convicção – demonstrar a certeza da informação que a comunicação deve conter visando


persuadir e convencer qualquer pessoa para as mesmas conclusões, evitando termos e
expressões que possam ensejar dúvidas;

Clareza – expressar linguagem inteligível e nítida de modo a assegurar que a estrutura da


comunicação e a terminologia empregada permitam que o entendimento das informações
sejam evidentes e transparentes;

Integridade – registrar a totalidade das informações de forma exata e imparcial, devendo


ser incluídos na comunicação todos os fatos observados, sem nenhuma omissão,
proporcionando uma visão completa das impropriedades/irregularidades apontadas,
recomendações efetuadas e conclusão;

Oportunidade – transmitir a informação, simultaneamente, com tempestividade e


integridade de modo que as comunicações sejam emitidas de imediato, com a extensão
correta, a fim de que os assuntos neles abordados possam ser objeto de oportunas
providências;

Coerência – assegurar que a linguagem seja harmônica e concordante, de forma que a


comunicação seja lógica, correspondendo aos objetivos determinados;

Apresentação – assegurar que os assuntos sejam apresentados numa seqüência


estruturada, isenta de erros ou rasuras que possam prejudicar o correto entendimento,
segundo os objetivos do trabalho, de forma adequada, com uma linguagem que atenda,
também, aos atributos de qualidade mencionados; e

Conclusivo – permitir a formação de opinião sobre as atividades realizadas. Em situações


identificadas na ordem de serviço, poderá ficar especificado que não cabe uma
manifestação conclusiva principalmente nos casos em que os exames forem de caráter
intermediário.

Os relatórios de auditoria devem conter pelo menos:

a) comentário sobre a extensão dos trabalhos e eventuais restrições;

b) comentar sobre os controles internos administrativos, evidenciando, se for o caso,


as deficiências e ineficácias dos sistemas;

Preparado por Marcelo Aragão 44


Técnicas de Controle – CGU

c) relato sobre o cumprimento, ou não, das diretrizes governamentais e normas


legais vigentes;

d) comentário sobre a legalidade, legitimidade e economicidade na realização das


despesas;

e) se necessário, recomendações visando à correção das falhas verificadas durante


o exame, particularmente naquelas situações em que forem identificadas
impropriedades e irregularidades, devendo-se evitar recomendações imprecisas ou
genéricas que não permitam adequada avaliação de sua implementação; e

f) comentário sobre a implementação das recomendações de relatórios de auditoria e


fiscalização anteriores e de diligências do SCI e do TCU.

OPERACIONALIDADE

Relatório: É o documento que reflete os resultados dos exames efetuados pelo Sistema de
Controle Interno.

Os principais relatórios produzidos pelo Sistema de Controle Interno são:

 Relatório de Auditoria de Avaliação da Gestão;


 Relatório de Fiscalização;
 Relatório de Auditorias Operacional e Especial;
 Relatório de Auditoria de Acompanhamento;
 Relatório de Auditoria de Recursos Externos;

Os principais relatórios/documentos encaminhados ao Sistema de Controle Interno


são:

 Plano Anual de Atividades de Auditoria Interna - PAAAI - documento contendo a


programação dos trabalhos de auditoria da entidade supervisionada, para o período
de um ano.

 Relatório Anual de Atividades de Auditoria Interna - RAAAI - documento


contendo, entre outros assuntos, o relato das atividades de auditoria desenvolvidas
durante o ano.

 Plano Anual de Atividades de Auditoria - PAAA - documento contendo a


programação dos trabalhos de auditoria, para o período de um ano, elaborado pelos
órgãos setoriais de Controle Interno.

 Relatório Anual de Atividades de Auditoria - RAAA - documento contendo, entre


outros assuntos, o relato das atividades de auditoria desenvolvidas durante o ano por
órgão ou unidade setorial da SCI, com destaque para: quantitativo dos recursos
humanos e financeiros utilizados; total das auditorias realizadas; eficácia dos
resultados obtidos; pendências existentes, se for o caso, com as justificativas
pertinentes; e as solicitações ou sugestões necessárias ao melhor desempenho das
atividades.

 Decisões e Diligências do TCU - documento contendo determinações,


recomendações ou solicitações relacionadas a assuntos inerentes à unidade
gestora, entidade supervisionada e outros.

Preparado por Marcelo Aragão 45


Técnicas de Controle – CGU

 Contrato ou Acordo de Empréstimo de Recursos Externos - documento referente


a contrato de empréstimo contraído em moeda estrangeira, firmado entre o Governo
Brasileiro e Organismos Internacionais de crédito e administrado por órgãos e
entidades das administrações federal, estadual, municipal e do Distrito Federal.

 Relatórios e Atas dos Conselheiros Fiscais - representa o relato circunstanciado


dos assuntos tratados e deliberados pelo Conselho Fiscal, na forma e modelo
estabelecidos no "Manual do Conselheiro Fiscal", aprovado pela Secretaria do
Tesouro Nacional.

 Relatório de Auditoria das Unidades de Auditoria Interna das entidades


federais.

Os processos encaminhados para o Sistema de Controle Interno são:

 Processo de Tomada de Contas – contas anuais/ordinárias das unidades da


administração direta.

 Processo de Tomada de Contas Especial - quando se verificar que ocorreu


desfalque, desvio de bens, ou outra irregularidade de que resulte prejuízo para a
Fazenda Pública, ou quando se verificar que determinada conta não foi prestada
pelo responsável pela aplicação dos recursos públicos, no prazo e na forma
fixados, inclusive para as entidades da administração indireta, consoante
normativos técnicos emanados do órgão central do Sistema de Controle Interno
do Poder Executivo Federal e do Tribunal de Contas da União.

 Processo de Prestação de Contas – contas anuais/ordinárias das entidades da


administração indireta.

PLANO DAS ATIVIDADES

Para a realização de suas atividades, os órgãos/unidades do Sistema de Controle


Interno devem elaborar Ordens de Serviço - OS, contemplando os variados tipos e formas
de trabalho de auditoria/fiscalização que melhor atendam às finalidades específicas
desejadas. Na OS são destacados:

 procedimentos a serem seguidos; conforme programa padrão de procedimentos


elaborado pelo órgão central do SCI;
 homens x hora por tipo e complexidade da atividade a ser executada;
 prazos a serem respeitados;
 duração da atividade;
 estimativa de custos;
 volume de recursos a serem examinados;
 complexidade e porte do órgão/entidade ou programa;
 formação das equipes;
 perfil/qualificação dos servidores;
 quantificação da equipe;
 possibilidade de supervisão técnica;
 resultados desejados;
 minimização de custos de deslocamentos; e
 rodízio do pessoal.

Preparado por Marcelo Aragão 46


Técnicas de Controle – CGU

INSTRUMENTAL DE TRABALHO

Papéis de Trabalho - Os Papéis de Trabalho - PT são documentos que fundamentam as


informações obtidas nos trabalhos de auditoria e fiscalização do Sistema de Controle
Interno, podendo ser por ele elaborados ou obtidos de qualquer outra fonte.

Os Papéis de Trabalho são a base física da documentação das atividades de


auditoria e fiscalização. Neles são registrados dados da unidade/entidade auditada ou do
programa fiscalizado, fatos e informações obtidas, as etapas preliminares e o trabalho
efetuado pela equipe responsável, bem como suas conclusões sobre os exames realizados.
Com base nos registros dos Papéis de Trabalho a equipe responsável irá elaborar, desde o
planejamento até o relato de suas opiniões, críticas e sugestões.

Papéis de trabalho de execução constituem-se na documentação dos trabalhos de


controle elaborada e/ou colhida durante o processo de verificações “in loco”. Sua finalidade
é embasar o posicionamento da equipe com relação às questões apuradas no decurso dos
exames.

A utilização das folhas de registro dos exames tem por finalidade documentar as
verificações e exames efetuados no campo. Trata-se da documentação básica das
atividades de controle. A partir desse registro são desdobrados os resultados dos trabalhos.

Os papéis de trabalho deverão estar acondicionados em arquivos do tipo


permanente e corrente.

 arquivo permanente - deve conter assuntos que forem de interesse para


consulta sempre que se quiser dados sobre o sistema, área ou unidade objeto
de controle. Os papéis e anexos dessa natureza não devem ser incluídos nos
arquivos correntes, nem duplicados por material neste arquivo, mas devem
ser conservados somente no permanente. Referências cruzadas adequadas e
o uso conveniente do arquivo permanente tornarão tais duplicações
desnecessárias. Os anexos juntados ao arquivo permanente constituem parte
integrante dos papéis de trabalho para cada serviço e devem ser revistos e
atualizados a cada exame. Material obsoleto ou substituído deve ser
removido e arquivado à parte, numa pasta permanente separada, para fins de
registro.

 arquivo corrente - deve conter o programa de auditoria e fiscalização, o


registro dos exames feitos e as conclusões resultantes desses trabalhos.
Juntamente com o arquivo Permanente, os papéis de trabalho correntes
devem constituir um registro claro e preciso do serviço executado em cada
período coberto pelos exames.

Solicitação de Auditoria - Documento utilizado para formalizar pedido de documentos,


informações, justificativas e outros assuntos relevantes, emitido antes ou durante o
desenvolvimento dos trabalhos de campo.

Nota - documento destinado a dar ciência ao gestor/administrador da área examinada, no


decorrer dos exames, das impropriedades ou irregularidades constatadas ou apuradas no
desenvolvimento dos trabalhos. Tem a finalidade de obter a manifestação dos agentes
sobre fatos que resultaram em prejuízo à Fazenda Nacional ou de outras situações que
necessitem de esclarecimentos formais.

Preparado por Marcelo Aragão 47


Técnicas de Controle – CGU

Relatórios - constituem-se na forma pela qual os resultados dos trabalhos realizados são
levados ao conhecimento das autoridades competentes, com as seguintes finalidades:

a) à direção, fornecendo dados para tomada de decisões sobre a política de área


supervisionada;
b) às gerências executivas, com vistas ao atendimento das recomendações sobre as
operações de sua responsabilidade;
c) aos responsáveis pela execução das tarefas, para correção de erros detectados;
d) ao Tribunal de Contas da União, como resultado dos exames efetuados; e
e) a outras autoridades interessadas, dependendo do tipo ou forma de
auditoria/fiscalização realizada.

Registro das Constatações - documento destinado ao registro das verificações


significativas detectadas no desenvolvimento dos trabalhos, a ser elaborado de forma
concisa, com base em cada relatório. Objetiva possibilitar a criação de um banco de dados
relevantes sobre os órgãos ou entidades.

Certificado - documento que representa a opinião do Sistema de Controle Interno sobre a


exatidão e regularidade, ou não, da gestão e a adequacidade, ou não, das peças
examinadas, devendo ser assinado pelo Coordenador-Geral ou Gerente Regional de
Controle Interno, ou ainda, autoridades de nível hierárquico equivalentes nos órgãos e
unidades setoriais do Sistema de Controle Interno do Poder Executivo Federal.

Parecer do Dirigente do Órgão de Controle Interno - é peça compulsória a ser inserida


nos processos de tomada e prestação de contas, que serão remetidos ao Tribunal de
Contas da União. O parecer constitui-se na peça documental que externaliza a avaliação
conclusiva do Sistema de Controle Interno sobre a gestão examinada, para que os autos
sejam submetidos à autoridade ministerial que se pronunciará na forma prevista no artigo
52, da Lei n.º 8.443/92. O parecer consignará qualquer irregularidade ou ilegalidade
constatada, indicando as medidas adotadas para corrigir as falhas identificadas, bem como
avaliará a eficiência e a eficácia da gestão, inclusive quanto à economia na utilização dos
recursos públicos.

AUDITORIAS DE RECURSOS EXTERNOS

I - Organismo Internacional: Banco Mundial - BIRD

DEMONSTRATIVOS ENVIADOS PELOS EXECUTORES E PRAZO:

Os demonstrativos financeiros e contábeis, básicos e complementares,


acompanhados das devidas notas explicativas, nos modelos estabelecidos pelas diretrizes
do Banco, deverão ser encaminhados até o dia 28 de fevereiro de cada exercício financeiro
e referir-se à movimentação de recursos do exercício imediatamente anterior;

CONTEÚDO DOS RELATÓRIOS DE AUDITORIA EMTITIDOS PELA SFC:

a) opinião sobre as contas do projeto (Parecer);


b) opinião sobre o cumprimento de cláusulas contratuais, de leis e
regulamentos (Parecer);
c) opinião sobre os "Statement of Expenditures - SOE" (demonstrativos dos
certificados de despesas) ou outros demonstrativos que os substituam (Parecer);
d) Carta Gerencial à direção executiva do projeto ou entidade contendo:
- levantamento e avaliação dos controles internos, quando então serão apresentadas
observações;

Preparado por Marcelo Aragão 48


Técnicas de Controle – CGU

- comentários sobre aspectos financeiros específicos, abordando:


- compatibilidade entre os desembolsos previstos ou orçados, do Banco co-
financiador e da Contrapartida Nacional, com os recursos realizados até o período auditado;
- compatibilidade entre os desembolsos efetuados no período examinado, em
confronto com os extratos fornecidos pelo Banco co-financiador; e
- compatibilidade entre os recursos utilizados, do Banco co-financiador e da
Contrapartida Nacional, com os montantes apresentados nos relatórios de progresso
encaminhados periodicamente ao primeiro.
- comentários sobre a implementação das recomendações de auditorias anteriores; e
- recomendações como resultado dos exames de auditoria e fiscalização efetuados.
e) opinião sobre a Conta Especial administrada pela Secretaria do Tesouro
Nacional do Ministério da Fazenda (Parecer); e
f) Procedimentos de Auditoria Aplicados.

II – Organismo Internacional - Banco Interamericano de Desenvolvimento - BID

DEMONSTRATIVOS ENVIADOS PELOS EXECUTORES E PRAZO:

Os demonstrativos financeiros e contábeis, básicos e complementares,


acompanhados das devidas notas explicativas, nos modelos estabelecidos pelas diretrizes
do Banco, deverão ser encaminhados até o dia 31 de janeiro de cada exercício financeiro e
referir-se à movimentação de recursos do exercício imediatamente anterior;

CONTEÚDO DOS RELATÓRIOS DE AUDITORIA EMTITIDOS PELA SFC:

a) opinião sobre as contas do projeto (Parecer);


b) opinião sobre informações financeiras complementares, leis e disposições
oficiais;
c) opinião sobre o cumprimento de cláusulas contratuais e, quando couber; e
d) Carta Gerencial, na forma prevista para os relatórios do BIRD,
anteriormente informado.

III - Projetos de Cooperação Técnica em execução nacional

DEMONSTRATIVOS ENVIADOS PELOS EXECUTORES E PRAZO:

Conforme Termo de Referência acordados entre as partes, os demonstrativos


financeiros, nos moldes dos utilizados pelos escritórios centrais desses organismos deverão
ser encaminhados até o dia 31 de janeiro de cada exercício financeiro e referir-se á
movimentação de recursos do exercício imediatamente anterior

CONTEÚDO DOS RELATÓRIOS DE AUDITORIA EMTITIDOS PELA SFC:

O relatório de auditoria em Projetos de Cooperação Técnica em execução


nacional deverá conter, dentre outros, os seguintes requisitos:
a) resumo executivo nos moldes do Termo de Referência.

Demais tipos e formas de auditoria

Nos demais tipos e formas de auditoria, o relatório será elaborado de acordo com os
objetivos e características de cada trabalho realizado, conforme especificado na ordem de
serviço.

Preparado por Marcelo Aragão 49


Técnicas de Controle – CGU

Negativa de opinião

Quando o Órgão ou Unidade de Controle Interno do Poder Executivo Federal não


puder opinar, conclusivamente, sobre o estado das contas, em virtude de o órgão ou a
entidade examinada não ter apresentado ou não possuir registros contábeis e
demonstrações financeiras compatíveis ou em razão da ocorrência de outros fatores
determinantes, será emitido circunstanciado relatório abordando objetivamente as razões
impeditivas e manifestando a negativa de opinião.

Programa de supervisão e revisão dos trabalhos

O responsável pelo Órgão ou Unidade de Controle Interno do Poder Executivo


Federal deverá estabelecer e manter programa de supervisão e revisão dos trabalhos, a fim
de aperfeiçoar e assegurar a qualidade dos relatórios, além de certificar-se de que foram
tomadas providências e alcançados os resultados esperados a respeito das recomendações
formuladas.

PLANEJAMENTO DAS AÇÕES DE CONTROLE INTERNO

O planejamento das ações de controle adotado pelo Sistema de Controle Interno do


Poder Executivo Federal deve observar os procedimentos e seqüência abaixo:

1° - Orçamento Global do Ministério - mapear as políticas públicas afetas a cada


Ministério ou Órgão equivalente, com identificação dos macro-objetivos, dos recursos
previstos, dos agentes responsáveis e interfaces, de modo a evidenciar a importância
estratégica, de cada uma delas, inclusive em relação ao projeto global de governo;

2° - Hierarquização - promover a hierarquização dos diversos programas/programações


governamentais, baseada em critérios políticos e estratégicos definidos, bem como riscos
baseados em materialidade, relevância e criticidade. Na conformação atual da classificação
orçamentária, esse exercício de hierarquização se faz em nível de Programa por ser esse o
que apresenta, em geral, a definição consistente de limites e abrangência;

Apresenta-se, para cada um dos Ministérios, a hierarquização dos respectivos


Programas/Programações, com classificação, segundo a percepção do controle, em
Essenciais, Relevantes e Coadjuvantes. Devido às suas próprias características, os
Programas/Programações de classificação Essencial são, em geral, objeto de controle
sistemático, com a mais elevada concentração de atenção por parte do Sistema de Controle
Interno. Embora sempre presente, face às limitações de recursos e menores taxas de
impacto e/ou risco, as ações do Sistema de Controle Interno serão menos intensas nos
Programas/Programações governamentais classificadas como Relevantes e Coadjuvantes.

O Controle Sistemático tem como premissa a existência de um processo detalhado


de planejamento como base para deflagração das ações do controle. O planejamento
adotado pressupõe obrigatoriamente o conhecimento amplo do problema, a definição de
uma estratégia de atuação focada nos pontos críticos do processo de execução e o
estabelecimento de cronologias, formas e instrumentos de atuação capazes de garantir um
padrão de cobertura e segurança compatíveis com as características e especificidades do
objeto controlado.

Preparado por Marcelo Aragão 50


Técnicas de Controle – CGU

O Controle Assistemático trata das excepcionalidades, caracterizadas como


questões pontuais agudas, típicas de denúncias ou solicitações de autoridades, ou aspectos
que, por qualquer razão, o Sistema de Controle Interno entenda necessário averiguar, ou,
ainda, cuja complexidade ou risco justifique um planejamento mais simplificado. Nesses
casos, dispensa-se o planejamento completo para a deflagração de ações de controle.

O processo da hierarquização não está vinculado à capacidade operacional que a


unidade de controle possui para realizar seus trabalhos. O grau de essencialidade de um
Programa/Programação é uma característica intrínseca do mesmo. A capacidade
operacional do Sistema de Controle Interno apenas condiciona sua maior ou menor
condição de cumprir adequadamente seu papel.

3° - detalhar as informações envolvendo a descrição dos Programas essenciais e a


identificação das Ações que os compõem;

4° - promover a hierarquização no nível das Ações de cada Programa, segundo critérios


definidos com bases estratégicas;

5º - Levantamento de Informações e Relatório de Situação – Nesta etapa é realizado um


levantamento de informações sobre os programas e ações de governo afetas ao Ministério.

O levantamento de informações permite o delineamento do perfil das políticas


públicas,
subsidiando e racionalizando decisivamente os trabalhos de planejamento e,
consequentemente, a execução das ações de controle. Constitui-se em recurso básico para
a definição dos parâmetros de planejamento das atividades do Sistema de Controle Interno
do Poder Executivo Federal.

Os levantamentos de informações são realizados com o objetivo de:

a) conhecer os Programas e Ações de governo, a organização, os sistemas,


as operações, as atividades e as peculiaridades dos órgãos e entidades da
Administração Pública Federal, bem como os respectivos controles internos
administrativos;

b) determinar as áreas específicas e os aspectos a serem abordados na


execução das ações de controle, com vistas a subsidiar o planejamento das
mesmas quando da elaboração do Planejamento Estratégico e Operacional; e

c) verificar o cumprimento das recomendações e determinações dos órgãos


do Sistema de Controle Interno e do Controle Externo, respectivamente.

O resultado do levantamento das informações sobre os Programas e Ações de


governo selecionadas comporá o Relatório de Situação das respectivas Ações e poderá ser
disponibilizado publicamente, preservando-se as informações de caráter sigiloso ou
reservado.

Assim, deve-se elaborar o relatório de situação das Ações selecionadas,


identificando, dentre outros itens:

a) os objetivos e as metas;
b) os órgãos responsáveis;
c) a documentação legal que lhes dá suporte;
d) as razões de implementação;
e) as formas de execução e os mecanismos de implementação;

Preparado por Marcelo Aragão 51


Técnicas de Controle – CGU

f) a clientela e o público alvo;


g) a existência de recursos externos financiando total ou parcialmente as
Ações;
h) os critérios para a seleção dos beneficiários;
i) as formas de divulgação que serão utilizadas para mobilizar a clientela,
quando for o caso;
j) os mecanismos de controle, inclusive de controle social; e
k) as informações a respeito das ações do Sistema de Controle Interno no
exercício anterior, bem como sobre o exercício atual.

O Relatório de Situação traz uma descrição sumária do objeto de interesse e


informes sobre o (s) exercício (s) anterior (es) e o exercício atual.

As informações apresentadas no Relatório de Situação são de tal ordem que dão


condições ao Sistema de Controle Interno definir sua estratégia de atuação e estabelecer as
ações de controle que irão materializá-la.

O Relatório de Situação, o Plano Estratégico e o Plano(s) Operacional(is) das Ações


compõem a denominada de documentação básica, de cada uma das ações controladas
sistematicamente.

5° - Plano Estratégico - elaborar o plano estratégico da Ação selecionada, incluindo


levantamento dos pontos críticos e frágeis capazes de impactar a execução e a definição da
abordagem de controle a ser adotada, que terá por foco os pontos críticos identificados; e

O Plano Estratégico - PE deve ser elaborado a partir do conhecimento detalhado da


Ação, o que inclui, necessariamente, a identificação dos principais pontos críticos da Ação
governamental enfocada. Com o Plano Estratégico busca-se definir o que se considera ser a
melhor opção entre as várias possibilidades diferentes que se cogitem para controlar a
Ação.

Pontos críticos são os pontos cruciais da trajetória de desenvolvimento da Ação,


indispensáveis e essenciais à viabilização das atividades e objetivos colimados. Na
identificação dos pontos críticos, deve-se trabalhar com o fluxograma, que identifica os
processos, os agentes e as interações entre eles. Os pontos críticos não são
necessariamente fragilidades no processo de execução da Ação. Caso apresentem
fragilidades, essas devem ser observadas como impacto negativo sobre o processo.
Identificar os pontos críticos e desenvolver hipóteses sobre as suas possíveis fragilidades e
riscos de ocorrência são atividades cruciais para a definição e o planejamento das ações de
controle.

6° - Plano Operacional - elaborar o plano operacional de cada divisão de trabalho definida


na abordagem da Ação, com identificação das ações de controle a serem realizadas,
definição de instrumentos e do período de realização dos trabalhos.

O Plano Operacional - PO é elaborado para cada divisão definida na abordagem do


Plano Estratégico de cada Ação, ocasião em que são identificadas as etapas, os produtos e
os clientes relacionados às mesmas, os pontos de controle mais adequados, as ações de
controle a serem desenvolvidas com vistas a efetivar os procedimentos definidos, com a
determinação das técnicas de controle adequadas para realização dos exames, bem como o
período de realização das mesmas.

Ponto de controle é o item, área ou atividade sobre o qual é exercida a ação de


controle.

Preparado por Marcelo Aragão 52


Técnicas de Controle – CGU

O resultado esperado das ações de controle consiste no registro dos pontos de


controle eleitos e na especificação da avaliação que será executada sobre os mesmos.
Podem existir várias ações de controle destinadas a avaliar um único ponto de controle.
Esse aspecto pode ser considerado como elemento-chave, destinando-se a agregar as
informações de forma mais estratégica.

Como visto, a metodologia de trabalho adotada abrange os aspectos pertinentes ao


conhecimento das Ações de cada Ministério, à percepção sobre as principais áreas de
atuação e pauta política específica, à compreensão sobre o funcionamento dos Programas e
respectivas Ações ou equivalentes, bem como avaliação sobre as unidades responsáveis
pelas diferentes etapas do processo gerencial de implementação da Política Pública e o
planejamento das ações de controle a serem implementadas para avaliação da execução
dos Programas de Governo e da Gestão Pública.

Este processo permanente de trabalho permite, por meio da reavaliação, efetuada a


cada novo conjunto de dados e informações obtidas, manter o controle sempre atualizado e
atuante.

Dados e informações utilizados como indicativos e indicadores de gestão

As avaliações efetuadas pelo Sistema de Controle Interno do Poder Executivo


Federal devem considerar os dados e as informações registrados nos sistemas corporativos
do Poder Executivo Federal e nos bancos de dados das unidades e entidades
governamentais que apresentem resultados de processos e produtos organizacionais. Para
o desenvolvimento das avaliações, a mensuração dos dados e das informações é realizada
por meio de um conjunto de indicativos e indicadores, que evidenciam o desenvolvimento da
gestão. Para efeito das avaliações sobre os dados e informações consideram-se, ainda, os
atributos de eficiência, eficácia, legalidade e economicidade da gestão.

Os indicadores são informações obtidas com a aplicação de fórmulas que fornecem


indícios de eficiência, eficácia, legalidade e economicidade de como são conduzidas as
operações, por meio de uma interdependência entre as variáveis em questão. Os
indicadores podem ser expressos em termos numéricos ou percentuais.

Os indicativos ou itens de controle são quaisquer dados que revelam e evidenciam


situações desejáveis ou não, essenciais do ponto de vista do controle, na execução dos atos
e fatos registrados em sistemas organizacionais. Os indicativos são obtidos de maneira
simples e objetiva, sem aplicação de fórmulas, sendo expressos em termos numéricos.
Podem também evidenciar a gestão quanto à legalidade, economicidade, eficiência e
eficácia das operações sob exame.

Os requisitos básicos para seleção e produção de indicadores de gestão são os


seguintes:

 seletividade: capacidade de captar os aspectos, etapas e resultados


essenciais ou críticos das operações examinadas.

 simplicidade e baixo custo de obtenção: facilidade de compreensão e


aplicação, gerado a baixo custo, por meio da utilização de relações
percentuais simples, média aritmética e outras formas de obtenção.

 cobertura: suficientemente representativo, inclusive em termos estatísticos,


do processo ou da área a que se refere.

Preparado por Marcelo Aragão 53


Técnicas de Controle – CGU

 oportunidade: capacidade de registrar, fornecer e manter adequadamente os


dados, informações e a memória de cálculo utilizados na geração dos
próprios indicadores.

 permanência e estabilidade: consonância, ao longo do tempo, e geração


com base em procedimentos rotinizados e incorporados às atividades.

Os indicativos e indicadores podem aferir a legalidade, a economicidade, a eficiência


e a eficácia, que são definidos como:

a) legalidade: Consiste na aderência dos atos e fatos de gestão


praticados, aos normativos legais e técnicos que regem os
mesmos.

b) economicidade: Expressa variação positiva da relação


custo/benefício, na qual busca-se a otimização dos resultados na
escolha dos menores custos em relação aos maiores benefícios.
Revela a atenção da gestão com o bom uso qualitativo dos
recursos financeiros, por definição, escassos, desde a
adequação da proposta orçamentária das metas a serem
atingidas, passando pela coerência com respeito aos preços de
mercado, o desenvolvimento de fontes alternativas de receita e a
obtenção dos menores custos por produto gerado.

c) eficácia: É o grau de atingimento das metas fixadas para um


determinado objeto de uma ação em relação ao previsto, em um
determinado período.

d) eficiência: É a medida da relação entre os recursos


efetivamente utilizados para a realização de uma meta, frente a
padrões estabelecidos. Mede, então, a utilização dos recursos
de que a unidade ou entidade dispõe para realizar um conjunto
de ações e operações que visam atingir um propósito de trabalho
previamente programado. A eficiência está associada ao uso dos
recursos disponíveis em relação aos produtos e serviços finais
elaborados.

Preparado por Marcelo Aragão 54


Técnicas de Controle – CGU

4. CONTROLADORIA

TEORIA DOS SISTEMAS APLICADA ÀS ORGANIZAÇÕES

A Teoria Geral dos Sistemas surgiu a partir de estudos desenvolvidos pelo biólogo
alemão Ludwig Von Bertalanfly, na década de 1920. O nome dado a esta teoria procura
refletir o seu alcance e abrangência e o seu propósito é descrever e associar as principais
características de toda forma de organização como um sistema (Nascimento e Reginato,
2007).

Entre os propósitos da teoria está a busca pela explicação e identificação de


propriedades, princípios e leis relacionados aos sistemas em geral, independentemente de
seu tipo, da natureza de seus elementos e das relações entre eles, cujos fatores podem ser
aplicados a qualquer área de conhecimento (idem).

Pode-se conceituar sistema como um conjunto de partes relacionadas e


coordenadas com objetivo de cumprir determinadas finalidades. Em uma organização,
sistema pode ser entendido como um conjunto de relacionamentos dinâmicos entre as
diversas áreas que otimizam a utilização dos recursos e permitem o alcance de sua missão
e objetivos.

Para compreender a organização como um sistema é preciso entender o conjunto de


relacionamentos entre as diferentes áreas dessa organização (processos e procedimentos
internos) e o relacionamento com os atores externos (ambiente externo), ou seja,
proprietários/acionistas, fornecedores, concorrentes, clientes, governo, comunidade, etc.

Este processo de influências e trocas entre o sistema e o seu ambiente externo pode
ser considerado o principal elemento de sistemas abertos, nos quais se insere uma empresa
ou organização, que é influenciada por fatores externos, que de alguma forma interferem em
sua gestão, continuidade e crescimento.

Com base nos ensinamentos de Nascimento e Reginato, 2007, podemos destacar as


seguintes características e aspectos decorrentes do pensamento sistêmico nas
organizações:

 a organização é um sistema aberto, por haver interação constante com um sistema


maior, no qual ela está inserida;

 deve haver uma integração de todas as áreas em torno de um único objetivo, o da


organização, de forma que sua continuidade não seja afetada pelo ambiente externo;

 em uma organização o todo não é a simples soma das partes, posto que o sistema
só pode ser explicado quando se analisa o seu funcionamento total (visão holística);

 essa visão do conjunto da organização é essencial para auxiliar o gestor a decidir


quais ações ele deve adotar, com vistas ao alcance da eficácia organizacional;

 compete ao controle (Controladoria) promover a integração entre as áreas, com o


fornecimento de informações que permitam a eficiência e a eficácia na utilização dos
recursos;

 a Controladoria utiliza-se dos sistemas de informação da organização para subsidiar


os gestores no processo decisório de escolha da melhor alternativa dentre as várias
possíveis, no sentido de minimizar as incertezas ambientais; e

Preparado por Marcelo Aragão 55


Técnicas de Controle – CGU

 o pensamento sistêmico deve permear todos os membros da organização, todas as


áreas, a fim de que possa atuar de maneira integrada e esteja sempre preparada
para adequar-se às contínuas mudanças do ambiente.

DEFINIÇÃO E FUNÇÕES DA CONTROLADORIA NUMA ORGANIZAÇÃO

Pode-se conceituar ou definir Controladoria sob duas perspectivas. Na primeira, ela é


vista como uma área do conhecimento que se apropria de conceitos de outras ciências
sociais, tendo como foco o controle da gestão empresarial ou organizacional e constituindo-
se em uma filosofia que deve ser aplicada pelos gestores na tomada de decisões.
Representa, assim, a forma como a organização é controlada, a informação formatada e os
sistemas e tecnologias delineados, ou seja, o modelo de gestão.

A segunda perspectiva é a que a Controladoria é uma área administrativa que tem


como objetivos apoiar, monitorar e avaliar a gestão organizacional, em todos os seus níveis,
com a responsabilidade de gerar informações que promovam tomadas de decisões
integradas, em busca de maior eficiência e eficácia.

De uma forma geral, destaca-se o papel da Controladoria de auxiliar e coordenar


todos os subsistemas de uma organização, com o objetivo de otimizar a utilização dos
recursos e de alcançar metas e objetivos estabelecidos, porém, podemos identificar as
seguintes funções específicas da Controladoria em uma organização:

 apoiar o processo de decisão, mediante sistemas de informações que


possibilitem o controle operacional, visando ao monitoramento das atividades
da empresa;

 avaliar o processo de planejamento, execução e controle da gestão,


possibilitando o controle dos objetivos definidos pela administração e a
avaliação do desempenho das áreas e dos respectivos gestores;

 monitorar sistematicamente os desempenhos das atividades, tendo como


apoio e referência os controles e procedimentos internos da organização;

 controlar as variações entre os resultados esperados e aqueles efetivamente


realizados, com o fim de proporcionar meios para que ações corretivas sejam
tomadas;

 contribuir para a diminuição dos “conflitos de agência” na organização,


mediante o monitoramento e a avaliação dos resultados das ações dos
agentes, comunicando aos agentes (gestores) e ao principal
(proprietários/acionistas);

 contribuir para um adequado sistema de controles na organização;

 exercer a supervisão da contabilidade geral, contabilidade de custos,


auditoria, impostos e seguros.

Preparado por Marcelo Aragão 56


Técnicas de Controle – CGU

APLICABILIDADE DO CONCEITO DE CONTROLADORIA À GESTÃO PÚBLICA

Na visão de Lino Martins da Silva, o modelo de controle interno integrado e a criação


de uma Controladoria no setor público não diferem da empresa privada, em que o conceito é
que exerça a função de supervisão da contabilidade geral, contabilidade de custos,
auditoria, impostos, seguros e aplicações das funções contábeis para resolução de
problemas administrativos.

Assim, propõe que a contabilidade e a auditoria estejam vinculadas ao órgão central


de controle, a que denomina de “Controladoria” ou “Contadoria e Auditoria Geral”, pois
assim o controle passará a abandonar de modo gradual o exame das formalidades para
direcionar seus esforços ao exame e análise dos aspectos finalísticos.

Cabe aqui ressaltar que o modelo de controle atualmente adotado pelo Poder
Executivo Federal não contempla as atividades de contabilidade e de auditoria em um único
sistema ou órgão, pelo contrário, constituem sistemas distintos: o sistema de contabilidade e
programação financeira afeto ao Ministério da Fazenda e à Secretaria do Tesouro Nacional
e o sistema de controle interno cujo órgão central é a CGU, na Presidência da República.

Segundo Lino Martins Silva, na implantação da Controladoria, segundo as normas


constitucionais, deve ter as seguintes atribuições:

 a prestação de contas anual do Governo ao Poder Legislativo;

 servir, por meio de documentos e relatórios, de instrumento de auxílio no


processo decisório;

 produzir avanços no uso dos sistemas tradicionais de controle


orçamentário, financeiro e patrimonial, estabelecendo um conjunto de
indicadores financeiros, econômicos e sociais que permitam a melhoria do
processo decisório;

 abandonar a preocupação com o montante do gasto para enfatizar os


resultados alcançados (economicidade, eficiência e eficácia).

Essa implantação deve levar em conta os seguintes aspectos:

 institucional – uma Controladoria com funções permanentes,


institucionalmente independente e fora da esfera fazendária pode evitar
desperdícios e despesas inúteis, além de medir a avaliação de
desempenho mediante um sistema de custos que permita um efetivo
controle das operações e, assim, melhorar o processo decisório.

 operacional – a Controladoria é responsável pelas demonstrações


contábeis e deve cuidar de um fluxo de informações gerenciais interno
que facilite a tomada de decisões pelo administrador, assim como um
fluxo de informações externas que permita a qualquer pessoa entender as
ações do Governo.

 gerencial – representa uma mudança nos métodos do Controle Interno,


eliminando o controle a posteriori e punitivo para uma abordagem
preventiva e orientadora, mediante análise sistemática e permanente do
cronograma dos programas de governo, produzindo-se relatórios
gerenciais sobre os resultados alcançados.

Preparado por Marcelo Aragão 57


Técnicas de Controle – CGU

Outro aspecto relevante ressaltado pelo autor, no modelo de controle integrado, é


a Controladoria como parte integrante do sistema de informações, identificando-se os cinco
vetores seguintes:

 aperfeiçoamento dos sistemas de planejamento e programação financeira;


 economicidade das operações exigidas pelo sistema de controle interno;
 capacidade de resposta à demanda dos produtos do sistema;
 integração do sistema de controle ao sistema geral de informações;
 atendimento pleno aos princípios da Lei de Responsabilidade Fiscal.

A implantação de uma Controladoria como pólo do sistema de informações permitirá


a efetiva implantação da administração gerencial que deve ter, em resumo, as seguintes
características:

 permite avaliar com precisão a economicidade, a eficiência e a eficácia da


gestão;
 rompe com o controle burocrático e formal e passa ao controle baseado nos
resultados;
 permite maior participação da sociedade nas decisões do Governo;
 desloca a ênfase dos procedimentos internos (meios) para resultados (fins).

Concluindo, o conceito de controladoria no mundo empresarial tem plena


aplicabilidade na gestão pública, visto que se torna relevante a existência de um modelo de
controle ou órgão de controle integrado à gestão pública e ao sistema de informações, como
forma de proporcionar informações gerenciais sobre o desempenho e resultados,
mecanismos de controles internos efetivos e preventivos, melhoria no processo decisório e
maior transparência da gestão pública.

Preparado por Marcelo Aragão 58


Técnicas de Controle – CGU

BIBLIOGRAFIA

Boynton, C. William e outros. Auditoria. São Paulo, Editora Atlas, 2002.

TCU, Teorias e Normas de Auditoria. Programa de Formação de Analista de Controle


Externo, ISC/TCU, Brasília, 2004.

Peter, Maria da Glória Arrais e Machado, Marcus Vinícius Veras. Manual de auditoria
governamental – São Paulo, Atlas, 2003.

Pascoal, Valdecir. Direito Financeiro e Controle Externo – Rio de Janeiro, Editora


Impetus, 2004.

Nascimento, Auster Moreira e Reginato, Luciane. Controladoria. Um Enfoque na Eficácia


Organizacional. São Paulo, Editora Atlas, 2007.

Silva, Lino Martins da. Contabilidade Governamental. Um Enfoque Administrativo. São


Paulo, Editora Atlas, 2004.

Preparado por Marcelo Aragão 59